O Empreendedorismo na Profissão de Secretariado Executivo    DYANA HAZELMAN LIMA    2006
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O Empreendedorismo na Profissão de Secretariado Executivo DYANA HAZELMAN LIMA 2006


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sua saúde física, mental e emocional; 
seguir as vozes internas são passos para sobreviver no mundo 
moderno. 
 
 
 
5.3 \u2013 EMPREENDEDORISMO CORPORATIVO 
 
 
 
Frente às mudanças trazidas pela globalização, as empresas enfrentam desafios 
constantes. Sendo assim, devem explorar o potencial empreendedor de seus 
funcionários para irem além. 
Para DORNELAS apud DAVID (2004), 
 
 
 
A implantação de uma cultura empreendedora tem uma razão de 
ser: \u201cé o pano de fundo para o fomento da inovação, da busca e 
identificação de oportunidades, do trabalho criativo, para a 
organização do trabalho e dos processos empresariais de forma 
mais integrada, para a eliminação de barreiras internas de 
comunicação, entre outros.\u201d 
 
 
 
DORNELAS apud DAVID (2004) considera o empreendedorismo corporativo/ 
empreendedorismo interno/ intraempreendedorismo não como uma versão adaptada do 
 
 
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empreendedorismo, mas uma expansão do mesmo, sendo aplicado em outras áreas sem 
perda conceitual. 
O empreendedorismo corporativo pode ser definido como o processo através do 
qual um indivíduo ou um grupo de indivíduos, cria ou promove a renovação dentro de 
uma organização. 
De acordo com DAVID (2004), \u201cCovin e Miles apud Dess et al. (2003) definem 
quatro tipos de Empreendedorismo Corporativo: (1) renovação estratégica; (2) 
redefinição de domínio, (3) rejuvenescimento organizacional e (4) regeneração 
sustentada\u201d. A figura 4 ilustra os quatro tipos de empreendedorismo corporativo citados 
acima. 
 
 
Figura 4 \u2013 Tipos de Empreendedorismo Corporativo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: adaptado de Dess et al. apud DAVID (2004) 
 
 
A renovação estratégica significa repensar as estratégias da organização de 
acordo com o ambiente externo, explorando de maneira mais eficiente novos produtos e 
mercados. A redefinição de domínio ocorre quando a empresa tem necessidade de 
identificar um novo mercado para um novo produto. O rejuvenescimento organizacional 
está ligado ao processo de inovação relacionado à melhoria dos processos internos, 
rotinas. A regeneração sustentada acontece quando a organização desenvolve novas 
culturas, processos e estruturas com o intuito de apoiar inovações de produtos ou 
processos. 
 
 
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Para estar à frente no mercado, as empresas devem aprender a aprender e 
proporcionar um ambiente adequado para potencializar o desenvolvimento de uma 
cultura empreendedora. Inovar, renovar, para fazer acontecer e obter os melhores 
resultados. 
 
5.4 \u2013 O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL 
 
 
O empreendedorismo no Brasil ganhou força a partir da década de 90, apesar de 
nos países mais desenvolvidos ser um processo de longa data. 
De acordo com o GEM (Global Entrepreneurship Monitor 2004), o país 
encontra-se na sétima posição num ranking de 34 países mais empreendedores, com 
aproximadamente 15 milhões de empreendedores. O GEM (2004) destaca que o 
\u201cempreendedorismo é de extrema importância para o país, sendo uma alternativa para a 
superação de graves problemas que assolam a nação brasileira, em especial no tocante à 
geração de emprego e renda\u201d. A pesquisa constatou que o mesmo ocorre tanto pelo fato 
de as pessoas se sentirem motivadas a aproveitar uma oportunidade quanto pela 
necessidade de sobrevivência. O empreendedorismo por necessidade \u2013 pessoas que 
perderam o emprego, eram subempregadas ou não tinham emprego - teve um aumento 
em relação ao que ocorre por oportunidade. \u201cEm países desenvolvidos, a ação 
empreendedora está mais ligada a uma real oportunidade de negócio\u201d. 
A ação empreendedora no Brasil supera a média mundial (9,2%) na faixa dos 18 
aos 24 anos (12,6%), e está muito superior à média dos países desenvolvidos (6%), 
indicando que \u201co jovem brasileiro pode estar sendo induzido a empreender em 
detrimento de sua formação educacional\u201d. Esse aspecto caracteriza também a 
dificuldade que o jovem encontra de engressar no mercado formal de trabalho, 
buscando outras alternativas para garantir sua sobrevivência. 
Considerando o item educação, apenas 14% dos empreendedores brasileiros têm 
educação superior, sendo esta completa ou incompleta, ficando muito abaixo da média 
dos países de baixa renda per capita \u2013 23%. Quando comparado com países de renda per 
capita alta, a diferença é ainda mais acentuada \u2013 58%. 
 
 
 
 
 
 
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O GEM (2004) complementa: 
 
 
 
Frisa-se, ainda, que no Brasil aproximadamente 30% dos 
empreendedores não passaram sequer cinco anos pelos bancos 
escolares, estando longe, portanto de completar o ensino fundamental. 
Esta situação denota a fragilidade do sistema educacional brasileiro e, 
por conseqüência, as altas taxas de empreendedorismo por 
necessidade. 
 
 
 
De acordo com a figura abaixo, percebe-se que quanto maior o nível de 
escolaridade de um país, maior será a proporção de empreendedorismo por 
oportunidade. 
 
Figura 5 \u2013 Proporção de Empreendedores Segundo Escolaridade e Grupos de Países por 
Renda per Capita - 2004 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: GEM (2004) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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5.5 \u2013 O ENSINO DE EMPREENDEDORISMO NO BRASIL 
 
 
 
Segundo DOLABELA (1999), \u201co ensino universitário brasileiro sempre foi 
voltado para a formação de empregados\u201d. Na formação de empreendedores, o ponto 
principal é preparar as pessoas para aprender a agir e pensar por si mesmas, de maneira 
criativa, visionária \u2013 enxergar o que ninguém viu -, com liderança, para inovar e 
conseguir um espaço no mercado. 
De acordo com FRIEDLAENDER (2004), \u201cas pessoas são influenciadas a se 
prepararem para um emprego seguro, mas, considerando o cenário atual, nenhum 
emprego é seguro, a manutenção deste depende exclusivamente do desempenho 
profissional\u201d. 
DOLABELA (1999) cita algumas razões para o ensino do empreendedorismo, 
dentre elas a alta taxa de mortalidade infantil das empresas, a maioria fracassa por falta 
de conhecimento, suporte; mudanças nas relações de trabalho, as empresas precisam de 
profissionais que tenham uma visão global do processo, que saibam identificar e 
satisfazer as necessidades dos clientes, a formação de empregados não é compatível 
com a organização atual da economia mundial; exige-se hoje um alto grau de 
empreendedorismo; as instituições de ensino estão distanciadas dos \u201csistemas de 
suporte\u201d, as relações universidade-empresa ainda são incipientes no Brasil; o 
empreendedor deve comprometer-se com o meio ambiente e com a comunidade, 
desenvolvendo uma forte consciência social \u2013 a sala de aula é o lugar mais indicado 
para o debate desses temas; entre outras. 
Em complemento ao exposto acima, DOLABELA apud AIUB (2002) mostra no 
quadro a seguir, a relação entre o ensino tradicional e o ensino de empreendedorismo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Quadro 6 \u2013 Ensino Tradicional e Aprendizado Empreendedor 
Ensino Tradicional Aprendizado Empreendedor 
Ênfase no conteúdo Ênfase no processo: aprender a 
aprender 
Conduzido e dominado pelo instrutor 
 
Apropriação do aprendizado pelo 
participante 
Aquisição de informações corretas de 
uma vez por todas 
O que se sabe pode mudar 
 
Currículo e sessões programados 
 
Sessões flexíveis e voltadas a 
necessidades 
Objetivos do ensino impostos 
 
Objetivos da aprendizagem negociados 
Prioridade para o desempenho 
 
Prioridade para a auto-imagem geradora 
de desempenho 
Rejeição ao desenvolvimento de 
conjecturas e pensamento divergente 
Conjecturas e pensamento divergente 
como parte do processo criativo 
Ênfase no pensamento