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A SUBMISSÃO DA MULHER PELO HOMEM

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pardos e o maior percentual desse contingente estava na Região Norte (66,9%), sendo que todas as regiões revelaram percentuais acima dos 35%, exceto o Sul, com 16,5%. Ainda segundo o censo, 7,6% dos entrevistados se declararam pretos, e seu maior percentual estava no Nordeste (9,5%), com o Sudeste (7,9%) a seguir, enquanto a Região Sul mostrou o menor percentual (4,1%).
Outro dado disponível é do Censo de 2010, que mostra que em relação a moradia os negros ainda não conseguiram realmente se inserir na comunidade branca, continuando próximos a realidade dos Quilombos, visto que hoje a população negra predomina em áreas periféricas das cidades. Segundo o Censo 2010, a população negra nas favelas é de 68,3%, e brancos 30,5% (mais que o dobro).
Fazendo ainda comparativos entre brancos e pretos, podemos verificar a diferença entre os homicídios ocorridos no Brasil, entre 2002 e 2010, para cada dois brancos assassinados, 4,6 negros foram vítimas de homicídio.
Outro dado intrigante em relação à população negra no Brasil, são os de presidiários. Segundo dados divulgado em 2012 pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), existiam na época 514.582 presos na penitenciarias do Brasil, sendo que 60% deles eram negras, perfazendo um total de 275 mil presos. 
Entre os fatos que chamam a atenção de observadores sociais em relação a descriminação e interiorização social do negros, pode-se colocar os que são visto nas mídias no decorrer dos anos, conforme coloca o professor Jonas Benites: 
 “Inicialmente, o personagem negro, oscilava entre a absoluta invisibilidade na TV e a rara aparição com mensagens estereotipadas ou negativas. O espaço midiático reproduzia continuamente uma relação de dominação ou de estigmatização social” [...] “Nos últimos anos houve uma maior participação, mas os seus papéis sociais continuam estereotipados, como criminosos, bufões ou indivíduos hipersexualizados”, finaliza.
Diante de todo este contexto, percebe-se que a luta contra a discriminação racial é uma luta de todos os cidadãos brasileiros, independente de raça ou cor, porque é uma luta pelo resgate da cultura brasileira, já que a nossa cultura é formada também por todos esses elementos que constituem a cultura brasileira, e isso vai contribuir para o desenvolvimento intelectual e social de toda a sociedade e para a nossa própria humanização.
Para ajudar neste processo de compreensão, temos a Lei 10.639/03, que altera a lei de diretrizes e bases da educação nacional, e inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira".
É preciso que a população se conscientize da importância de entender os fatos ocorridos com esta classe/raça. Conforme coloca SAFFIOTI (1987):
Trata-se de conscientizar homens e mulheres dos malefícios que o patriarcado racismo capitalismo acarreta para ambos, sobretudo para os que integram as classes subalternas. Saffioti (1987, p. 64).
Além dos fatos ligados aos negros de maneira geral, ainda podemos destacar os fatos ocorridos com as mulheres negras, e buscarmos refletir sobre as marcas profundas de violência sofrida pelas mulheres negras, pois foram instrumento tanto nas mãos do homem branco, como também nas mãos da mulher branca, que também contribuiu para firmar preconceitos, e sustentar ideologia racista dos brancos. 
Na história do Brasil e, especificamente na região de Goiás, destacamos um caso de violência a mulher negra e escreva, que ocorreu em meados do século XIX, onde, de acordo com Lima apud Silva (2007, p. 249): “(...) são comuns referências em que escravas tinham olhos, dentes, unhas ou orelhas arrancadas por ordem de suas senhoras”. Outro caso ocorrido na região é o da proprietária de uma mina de mineração, que teria assassinado a filha de uma mulher escravizada, por desconfiar que se tratasse do fruto do adultério entre seu marido e a referida escravizada, oferecendo a pequena criatura assada em um espeto ao seu marido. (Silva, 2007, p.251). Todas estas formas de violência, com certeza afetava o físico, cognitivo e psíquico destas mulheres, e muitas vezes levando-as a óbito.
A desigualdade racial no Brasil tem fortes raízes históricas e esta realidade não será alterada significativamente sem a aplicação de Políticas especificas, pois o negro sempre foi considerado como ser inferior, a violência colonial tentou desumaniza-los acabar com suas tradições e cultura, a diferença que existe entre colonizado e colonizador era pensado em termos de superioridade e inferioridade, todos os discursos sobre as características físicas e morais do negro foram adotadas para legitimar e justificar a escravidão e a colonização, o discurso colonial construiu a verdade sobre os negros, como uma população inferiorizada e os colonizadores brancos como uma raça superior.
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REFERÊNCIAS
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GUIMARÃES, Bernardo (1825-1884).A escrava Isaura. Clássicos Saraiva da Literatura Brasileira 34- São Paulo : Saraiva, 2008.
MAYER, Santos aparecida Isabel, Disponível em: <http://www.mundojovem.com.br/entrevistas/edicao-422 > entrevista-e-tempo-de-resgatar-a-cultura-afro-brasileira. Edição nº 422, novembro de 2011. Acesso fevereiro 2015.
MUNANGA, Kabengele. O negro no Brasil de hoje. Co-autoria: Nilma Lino Gomes. São Paulo : Global, 2006- ( Coleção para entender).
OLIVEIRA, Claudia Marthilia de Matos. Processo de desigualdade social sob a perspectiva de gênero e raça. 2001. 33 f. Monografia (Graduação em Serviço Social) - Departamento de Serviço Social, Centro de Ciências Sociais e Aplicadas, Universidade Federal de Sergipe. Documento sergipano.
SAFFIOTI, H. I. B. O poder do macho. São Paulo: Moderna, 1 - Gênero e patriarcado. Ms, 2001.
SILVA, Dionária Santos. Afirmaçao negra e humanizçao de toda a sociedade.
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VASCONCELOS, Roniclay. Disponivel em: <https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=75 > (UEPB/ CEDUC),
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http://www.coladaweb.com/sociologia/a-situacao-do-negro-no-brasil
http://chc.cienciahoje.uol.com.br/presenca-dos-negros-no-brasil/
http://portal.mec.gov.br/cotas/perguntas-frequentes.html
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12990.htm
http://www.sae.gov.br/site/?p=11130
http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2013/11/estudo-aponta-distribuicao-da-populacao-por-cor-ou-raca
http://observatoriodefavelas.org.br/projetos/comunicacao-projetos/direito-a-comunicacao-e-justica-racial/
http://www.brasildefato.com.br/node/11078
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm

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