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10. CIRCUITO TRIFÁSICO 
 
 A maior parte da geração, transmissão e utilização em alta potência da 
energia elétrica envolve sistemas polifásicos, ou seja, sistemas nos quais são 
disponíveis diversas fontes de mesma amplitude com uma diferença de fase entre 
elas. Por possuir vantagens econômicas e operacionais, o sistema trifásico é o mais 
difundido. Uma Fonte Trifásica é constituída de três fontes de tensões iguais 
defasadas 120° uma da outra. As figuras abaixo apre sentam o esquema de um 
gerador trifásico com as tensões produzidas. 
 
10.1 PRODUÇÃO DA TENSÃO TRIFÁSICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 74 - Gerador 
Supondo o rotor girando no sentido anti-horário com 3600 RPM (f = 60 Hz) um 
seu campo magnético corta os rolamentos do induzido, induzindo neles as tensões 
senoidais ilustrados na figura. Estas tensões atingem seus valores máximos e 
mínimos com uma distância de 1/3 de um período, ou seja, com uma defasagem de 
120°, e isto devido ao deslocamento espacial de 120 ° dos enrolamentos do induzido. 
Como resultado, visto que as bobinas são iguais (mesma seção e mesmo número de 
espiras), o alternador produz 3 tensões de mesmo valor eficaz com uma defasagem 
de 120 ° entre elas. Normalmente estas tensões são geradas em 13,8 kV. Tem-se 
portanto: 
 
 2
 
 
O diagrama fasorial destas tensões é apresentado a seguir. 
 
 
 
Fig. 75: Fasores trifásicos 
 
Dependendo do autor, poderá ser usada uma nomenclatura diferente para 
indicar as tensões, como V1, V2, V3, A, B, C ou R, S, T, mas sempre serão 3 fases e 
defasadas de 120° uma da outra. 
 
10.2 VANTAGENS DO SISTEMA TRIFÁSICO 
 
- Permite transmissão de potência de forma mais econômica. 
- Motores trifásicos não necessitam de capacitores para a partida, motores 
monofásicos sim. 
- Maior versatilidade para a montagem do circuito, pois de um circuito trifásico, 
podem derivar vários monofásicos. 
 
 
 
 
 3
SISTEMAS EM TRIÂNGULO E ESTRELA 
 
 
Fig. 76: Enrrolamentos do motor 
 
Variando o modo de ligação destes 3 enrolamentos do gerador, se obtém 2 
tipos de ligações em circuitos trifásicos, a ligação em estrela (Y) e a ligação em 
triângulo (∆). 
 
10.3 LIGAÇÃO EM ∆. 
 
 A figura abaixo apresenta o esquema de ligações que deve ser realizado com 
os três enrolamentos do gerador para que se obtenha uma conexão em ∆. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 77: Ligação triângulo 
Quando um gerador tem seus enrolamentos ligados em ∆, as tensões de 
linha são iguais as tensões de fase e as correntes de linha são diferentes das 
correntes de fase. A figura abaixo apresenta a nomenclatura utilizada para as 
tensões e correntes em um circuito em ∆. 
 
 4
 
 
Figura 78: Tensão e corrente em triângulo 
 
E deste tipo de ligação, se obtém as equações fundamentais para circuito 
trifásico em ∆: 
 
 
 
 
10.4 LIGAÇÃO EM Y 
 
A figura abaixo apresenta o esquema de ligações que deve ser realizado com 
os três enrolamentos do gerador para que se obtenha uma conexão em Y. 
 
 5
 
Figura 79: Ligação em estrela 
 
Quando um gerador tem seus enrolamentos ligados em Y, as tensões de 
linha são diferentes das tensões de fase e as correntes de linha são iguais as 
correntes de fase. A figura abaixo apresenta a nomenclatura utilizada para as 
tensões e correntes em um circuito em Y. 
 
 
 
Figura 80: Tensão e corrente em estrela 
 
 
 
E deste tipo de ligação, se obtém as equações fundamentais para circuito 
trifásico em ∆: 
 
 6
 
 
10.5 EXERCÍCIO RESOLVIDO: 
 
10.5.1 Três resistências de 20Ω cada são ligadas em Y a uma linha de 3-Ø de 240V 
funcionando com um FP de uma unidade. Calcule a corrente através de cada 
resistência, a corrente da linha e a potência consumida pelas três resistências. 
 
10.5.2 Calcule as correntes e a potência agora para uma ligação em triângulo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 7
Em Y: 
 
 
 
 
 
 
Em ∆: 
 
 
 
 
 
 
 
 
10.6 EXERCÍCIOS 
 
10.6.1 Desenhe uma rede trifásica ligada em estrela com tensão de linha de 380V 
mais neutro, nesta rede ligue 2 circuitos monofásicos de iluminação com 220V, um 
motor monofásico, um motor trifásico e um banco de capacitores. 
 
10.6.2 Um gerador ligado em Y fornece 40A para cada linha e tem uma tensão de 
fase de 50V. Calcule a corrente de cada fase e a tensão de linha. 
 
10.6.3 Em um sistema trifásico em ∆ a corrente de linha é 30A, se a tensão de linha 
for 220V qual a potência liberada (considerar F.P. unitário)? 
 8
 
10.6.4 Para cada um dos circuitos que se seguem, determinar (a) a corrente de 
linha e (b) a impedância Z. Sabe-se que, em ambos os casos, a carga consome 
15,8kW com FP = 0,8. 
 
 
 
10.6.5 Para o circuito trifásico abaixo determine: 
a) A potência ativa do motor trifásico, do conjunto de iluminação e do conjunto 
de motores monofásicos. 
b) A potência reativa do motor trifásico, do conjunto de iluminação e do 
conjunto de motores monofásicos. 
c) Potência aparente da fonte. 
d) Corrente de linha. 
 
 
 
 
 
 
 9
10.6.6: Para o circuito abaixo determine: 
 
a) As potências ativa, reativa e aparente do motor trifásico. 
b) As potências ativa, reativa e aparente do conjunto de motores 
monofásicos. 
c) O triângulo de potência total do circuito. 
d) A corrente de linha do circuito. 
 
 
 
 
11 MOTORES ELÉTRICOS 
 
11.1 HISTÓRICO 
 
O ano de 1866 pode ser considerado, em termos práticos, como o ano de 
nascimento da máquina elétrica, pois foi nesta data que o cientista alemão Werner 
Siemens inventou o primeiro gerador de corrente contínua auto-induzido. Entretanto, 
deve-se mencionar que esta máquina elétrica, que revolucionou o mundo em 
poucos anos, foi o último estágio de um processo de estudos, pesquisas e 
invenções de muitos outros cientistas, durante quase três séculos. 
Foi o engenheiro eletricista Dobrowolsky, da firma AEG, de Berlim, que, 
persistindo na pesquisa do motor de corrente alternada entrou, em 1889, com o 
pedido de patente de um motor trifásico com rotor de gaiola. O motor apresentado 
tinha uma potência de 80 watts, um rendimento aproximado de 80% em relação à 
potência consumida e um excelente conjugado de partida. As vantagens do motor 
com rotor de gaiola em relação ao de corrente contínua eram marcantes: construção 
 10
mais simples, silencioso, menor manutenção e alta segurança em operação. 
Dobrowolsky desenvolveu, em 1891, a primeira fabricação em série de motores 
assíncronos, nas potências de 0,4 a 7,5kW. 
 
 
 
Fig. 85: O Universo Tecnológico em Motores Elétricos 
 
11.2 MOTOR SÍNCRONO 
 
 Os motores síncronos são motores de velocidade constante e proporcional 
com a freqüência da rede, desta forma são amplamente utilizados na geração de 
energia elétrica. 
 Os pólos do rotor seguem o campo girante imposto ao estator pela rede de 
alimentação trifásica. Assim, a velocidade do motor é a mesma do campo girante. 
Basicamente, o motor síncrono é composto de um enrolamento estatórico trifásico, 
que produz o que se designa de campo girante, e de um rotor bobinado (de pólos 
salientes ou de pólos lisos) que é excitado por uma tensão CC. 
 
 11
 
 
Fig. 86: Motor síncrono 
 
 
11.3 MOTOR ASSÍNCRONO 
 
 Os motores assíncronos ou de indução, por serem robustos e mais baratos, 
são os motores mais largamente empregados na indústria. Nestes motores, o campo 
girante tem a velocidade síncrona, como nas máquinas síncronas. 
 Teoricamente, para o motor girando em vazio e sem perdas, o rotor teria 
também a velocidade síncrona. Entretanto ao ser aplicadoo conjugado externo ao 
motor, o seu rotor diminuirá a velocidade na justa proporção necessária para que a 
corrente induzida pela diferença de rotação entre o campo girante (síncrono) e o 
rotor, passe a produzir um conjugado eletromagnético igual e oposto ao conjugado 
externamente aplicado. 
 Basicamente os motores assíncronos se subdividem em dois tipos principais, 
o Rotor de Gaiola e o Rotor Bobinado 
 
11.3.1 Rotor Gaiola 
 
 Os motores deste tipo também são comumente chamados de motores de 
GAIOLA DE ESQUILO, pois seu enrolamento rotórico tem a característica de ser 
curto-circuitado, assemelhando-se a tal, como mostrado na figura a seguir: 
 
 
 12
 
 
Fig. 87: Motor assíncrono de rotor gaiola 
 
 Este é o motor mais utilizado em todo mundo, pois é muito mais barato que os 
demais, sua manutenção também e barata e dificilmente apresenta problema, se 
comparado aos outros tipos de motores. 
 
11.4 MOTOR CC 
 
 As máquinas de corrente contínua, em função do seu princípio de 
funcionamento, permitem variar a velocidade de zero até a velocidade nominal aliada 
com a possibilidade de se ter conjugado constante. Esta característica é de 
fundamental importância, pois dessa forma torna-se possível fazer o acionamento em 
várias aplicações que exigem ampla faixa de variação de velocidade com uma ótima 
regulação e precisão de velocidade. 
 Sendo um sistema específico e direcionado a aplicações dedicadas, os 
motores de corrente contínua são dimensionados de forma a ter as suas 
características definidas especialmente ao acionamento, vindo com isto a acarretar 
em uma elevação dos custos de produção e ser considerado como uma máquina 
diferenciada, onde na maior parte das situações é produzida sob encomenda. 
 13
 Outra característica destes motores é que possuem em sua maioria ventilação 
independente e classe de isolamento melhorada (classe F), para que permitam a 
sua operação em velocidades reduzidas sem problemas de sobreaquecimento e 
redução de sua vida útil. 
 
 
 
Fig. 89: Motor Corrente Contínua 
 
 
11.5 VELOCIDADE NOMINAL 
 
 É a velocidade (rpm) do motor funcionando à potência nominal, sob tensão e 
freqüência nominais. A velocidade nominal depende do escorregamento (para 
motores assíncronos) e da velocidade síncrona. 
 
 
 A velocidade síncrona nS (para motores síncronos) é função do número de 
pólos e da freqüência de alimentação: 
 
 
 
 
 
 14
 
 
Tabela 2: Velocidades síncronas para os diferentes números de pólos 
 
 
 
11.6 RELAÇÃO ENTRE UNIDADES DE POTÊNCIA 
 
11.7 LIGAÇÕES DOS MOTORES 
 
11.7.1 Motores Monofásicos 
 
 Os motores monofásicos normalmente possuem dois enrolamentos principais 
e um circuito auxiliar de partida, composto por uma chave centrífuga, enrolamento 
auxiliar e capacitor, como mostra a figura a seguir. 
 
 
Fig. 90: Bobinas de motor monotásico 
 
 
Para fazer a ligação em 127 V, os enrolamentos principais são ligados em paralelo, 
juntamente com o circuito auxiliar. Observe a Figura 1.12. 
 15
 
Fig. 91: Bobinas de motor monotásico 
 
 Em 220 V, os enrolamentos principais são ligados em série e o circuito 
auxiliar é ligado em paralelo com um dos enrolamentos. A Figura 1.13 traz esta 
ligação. 
 
Fig. 92: Bobinas de motor monotásico 
 Para fazer a inversão de um motor monofásico, basta inverter os auxiliar de 
partida, ou seja, trocar os bornes 5 e 6. 
 
11.7.2 Motores Trifásicos 
 
 Os motores Irifásicos não necessitam de circuito auxiliar de partida e 
normalmente possuem um enrolamento por fase. A Figura 1.14 mostra a 
configuração dos bornes de um motor trifásico. 
 
 16
 
Fig. 93: Enrrolamentos 
 
 Existem duas formas básicas de ligação de um motor trifásico: estrela e 
triângulo. A Figura 1.15 traz a ligação estrela e a Figura 1.16 a ligação triângulo. 
 
 
Fig. 94: Ligação em Y 
 
 
Fig. 95: Ligação triângulo 
 
 
Na a ligação triângulo, a tensão sobre os enrolamentos é a mesma da tensão 
de rede, enquanto que a corrente se divide Para a ligação estrela, a tensão de rede 
é dividida entre’es enrolamentos enquanto que a tensão se divide. Observe a Figura 
1.16 
 17
 
. 
Fig. 96: Ligação estrela e triângulo 
 
 As relações entre as tensões e correntes de linha e sobre enrolamentos são: 
 
Para a ligação triângulo: 
 
Para a ligação estrela: 
 
 Para o motor, o que é inalterável é a tensão sobre os enrolamentos, que é a 
mesma para ambas ligações. Então, para um motor ligado em triângulo com uma 
tensão de 220 V (que é a tensão sobre o enrolamento), para ser ligado em estrela 
deverá ser ligado numa rede de 380 V, a fim de que se tenha os mesmos 220 V 
sobre os enrolamentos. 
 
 
11.8 EXERCÍCIOS 
 
1) Explique com suas palavras o que é motor elétrico. 
 
2) Quais as vantagens e desvantagens de um motor CC. 
 
3) O que são motores síncronos? 
 
4) Qual é o motor mais utilizado nas indústrias e por quê? 
 18
 
5) Qual a corrente de um motor de 20CV ligado na tensão trifásica nominal de 
Joinville? 
 
6) Se o motor da questão anterior fosse ligado estrela na tensão trifásica de 
Joinville, este poderia ser ligado em alguma cidade com tensão nominal 
trifásica de 220V? Se sim, qual seria a corrente de linha deste? 
 
7) Faça o esquema de ligação em uma rede trifásica em Joinville de um motor 
monofásico, um motor trifásico ligado em estrela e outro motor trifásico ligado 
em triângulo. 
 
8) Se um motor ligado em estrela tem a tensão nominal de 380V, qual é a 
tensão de ligação em triângulo? Explique sua resposta. 
 
9) Calcule a rotação de um motor síncrono de VI pólos ligados em 60Hz. 
 
10) Calcule a rotação de um motor assíncrono de II pólos, 60Hz com 3% de 
escorregamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 19
12.TRANSFORMADORES 
 
 
12.1 Princípio De Funcionamento 
 
Vimos anteriormente que a indução corresponde a geração de uma corrente 
elétrica a partir do deslocamento de um campo magnético próximo a um condutor, 
ou vice-versa. 
Quando se tem uma corrente elétrica circulando em uma bobina, um campo 
magnético é gerado. Se a corrente elétrica for variável o campo magnético também 
será variável. Sendo assim, existe um movimento do campo magnético em relação 
ao condutor. 
Se próxima a esta bobina (primeira bobina ou bobina indutora) houver uma 
segunda bobina, esta também será cortada pelas linhas de força. Em conseqüência 
surgirá nesta segunda bobina uma tensão (figura 2 e 3). Esta tensão é conhecida 
por tensão induzida, e seu valor depende de: 
 
- Intensidade da tensão aplicada na bobina indutora; 
- Número de espiras da bobina indutora (primeira bobina); 
- Número de espiras da segunda bobina. 
 
 
 
 
Fig. 97: Indução Eletromagnética 
 
 
 
Fig. 98 – Campo magnético devido a uma corrente elétrica. 
 20
 
 
 
Fig. 99 – Indução de uma tensão na bobina secundária devido a estar próxima de uma bobina 
indutora. 
 
 
Um transformador consiste em duas (ou mais) bobinas enroladas sobre um 
núcleo de material magnético ou, então, próximas de modo que as linhas de fluxo de 
uma bobina (bobina indutora ou bobina primária) cortem as espiras de outra bobina 
(bobina induzida ou bobina secundária). A figura 4 mostra um transformador Ideal, 
sem perdas, já a figura 5, mostra um esquema eletromagnético de um transformador 
real. 
 
 
 
Fig. 100: Transformador Ideal 
 
 
 
 
Fig. 101: Transformador Real 
 
 
 21
O campo magnético pode induzir uma tensão noutro indutor, se este forenrolado sobre uma mesma forma ou núcleo. Pela Lei de Faraday, a tensão 
induzida será proporcional à velocidade de variação do fluxo, e ao número de 
espiras deste indutor. 
 
E2 = N2 df/dt 
Aplicando aos dois enrolamentos, a lei permite deduzir a relação básica do 
transformador. 
 
E1/E2 = N1/N2 
 
A relação de correntes é oposta à de tensões. 
 
I1/I2 = N2/N1 
 
O índice 1 se refere ao indutor ao qual se aplica tensão, o primário, e 2, 
àquele que sofre indução, o secundário. 
O transformador é um conversor de energia elétrica, de alta eficiência 
(podendo ultrapassar 99%), que altera tensões e correntes, e isola circuitos. 
 
PERDAS 
 
Além das perdas no cobre dos enrolamentos (devidas à resistência), os 
transformadores e bobinas apresentam perdas magnéticas no núcleo. 
Histerese: Os materiais ferromagnéticos são passíveis de magnetização, através do 
realinhamento dos domínios, o que ocorre ao se aplicar um campo (como o gerado 
por um indutor ou o primário do transformador). Este processo consome energia, e ao 
se aplicar um campo variável, o material tenta acompanhar este, sofrendo sucessivas 
imantações num sentido e noutro, se aquecendo. Ao se interromper o campo, o 
material geralmente mantém uma magnetização, chamada campo remanente. 
Perdas por correntes parasitas ou de Foucault: São devidas à condutividade 
do núcleo, que forma, no caminho fechado do núcleo, uma espira em curto, que 
 22
consome energia do campo. Para minimizá-las, usam-se materiais de baixa 
condutividade, como a ferrite e chapas de aço-silício, isoladas uma das outras por 
verniz. Em vários casos, onde não se requer grandes indutâncias, o núcleo contém 
um entreferro, uma separação ou abertura no caminho do núcleo, que elimina esta 
perda. 
 
12.2 TIPOS DE TRANSFORMADORES 
 
 
12.2.1 Transformador de alimentação: 
 
É usado em fontes, convertendo a tensão da rede na necessária aos circuitos 
eletrônicos. Seu núcleo é feito com chapas de açosilício, que tem baixas perdas, em 
baixas freqüências, por isto é muito eficiente. Às vezes possuem blindagens, 
invólucros metálicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 102: Transformadores de alimentação 
 
12.2.2 Transformador de áudio: 
 
Usado em aparelhos de som a válvula e certas configurações a transistor, no 
acoplamento entre etapas amplificadoras e saída ao alto-falante. Geralmente é 
semelhante ao t. de alimentação em forma e no núcleo de aço-silício, embora 
também se use a ferrite. Sua resposta de freqüência dentro da faixa de áudio, 20 a 
20000 Hz, não é perfeitamente plana, mesmo usando materiais de alta qualidade no 
núcleo, o que limita seu uso. 
 23
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 103: Transformador de áudio 
 
 
12.2.3Transformador de potência e distribuição: 
 
Encontrado nos postes e entradas de força em alta tensão (industriais), são 
de alta potência e projetados para ter alta eficiência (da ordem de 99%), de modo a 
minimizar o desperdício de energia e o calor gerado. Possui refrigeração a óleo, que 
circula pelo núcleo dentro de uma carapaça metálica com grande área de contato 
com o ar exterior. Seu núcleo também é com chapas de aço-silício, e pode ser 
monofásico ou trifásico (três pares de enrolamentos). 
 
 24
 
 
 
 
 Fig. 104- Transformador de distribuição Fig. 105- Transformador seco 
 
 
 
 
 
 
Tabelas 3 e 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 25
12.2.4 Transformadores de potencial: 
 
Encontra-se nas cabines de entrada de energia, fornecendo a tensão 
secundária de 220V, em geral, para alimentar os dispositivos de controle da cabine - 
reles de mínima e máxima tensão (que desarmam o disjuntor fora destes limites), 
iluminação e medição. A tensão de primário é alta, 13.8kV ou maior. O núcleo é de 
chapas de aço-sílicio, envolvido por blindagem metálica, com terminais de alta 
tensão afastados por cones salientes, adaptados a ligação às cabines. Podem ser 
mono ou trifásicos. 
 
 
 
 
Fig. 106: Transformador de potencial 
 
 
12.2.5 Transformador de corrente: 
 
Usado na medição de corrente, em cabines e painéis de controle de 
máquinas e motores. Consiste em um anel circular ou quadrado, com núcleo de 
chapas de aço-sílicio e enrolamento com poucas espiras, que se instala passando o 
cabo dentro do furo, este atua como o primário. A corrente é medida por um 
 26
amperímetro ligado ao secundário (terminais do TC). É especificado pela relação de 
transformação de corrente, com a do medidor sendo padronizada em 5A, variando 
apenas a escala de leitura e o número de espiras do TC. 
 
 
 
Fig. 107: Transformador de corrente 
 
 
12.3 Autotransformadores 
 
Se aplicarmos uma tensão a uma parte de um enrolamento (uma derivação), 
o campo induzirá uma tensão maior nos extremos do enrolamento. Este é o princípio 
do autotransformador. 
 
 
 
Fig. 108: Autotrasformador 
 27
 
Fig. 109- Autotransformador 
 
 
Uma característica importante dele é o menor tamanho, para certa potência, 
que um transformador. Isto não se deve apenas ao uso de uma só bobina, mas ao 
fato da corrente de saída ser parte fornecida pelo lado alimentada, parte induzida 
pelo campo, o que reduz este, permitindo um núcleo menor, mais leve e mais barato. 
A desvantagem é não ter isolação entre entrada e saída, limitando as aplicações. 
São muito usados em chaves de partida compensadoras, para motores 
(circuitos que alimentam motores com tensão reduzida fornecida pelo 
autotransformador, por alguns segundos, reduzindo o pico de corrente durante a 
aceleração) e em estabilizadores de tensão (autotransformador com várias 
derivações - taps - , acima e abaixo do ponto de entrada, o circuito de controle 
seleciona uma delas como saída, elevando ou reduzindo a tensão, conforme a 
entrada). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 110: Autotransformador 
 28
12.4 Formas De Ligação De Transformadores Trifásicos 
 
 Seguidamente apresentam-se as diferente formas de ligação dos 
enrolamentos de transformadores trifásicos: 
 
 
 
Fig. 111: Ligações dos enrolamentos do transformador 
 
 
 As duas primeiras formas são as ligações em Estrela e Triângulo. A terceira 
forma – ligação em zig-zag – pressupõe a partição de cada um dos três 
enrolamentos em dois semi-enrolamentos, interligados da maneira apresentada na 
figura – é uma espécie de estrela “desmembrada”. 
 
12.5 TAP 
 
 Tap é um conjunto de conexões que podem ser feitas no primário de um 
transformador de potência que permite variar a tensão no secundário. 
 •Pode-se variar a relação entre as espiras de um transformador quando se 
deseja controlar a tensão em um dos terminais. 
 •O termo utilizado para nomear a tomada para variar a relação de espiras é 
“tap” do transformador; 
 •O tap pode ser variado manual ou automaticamente. 
 29
 No caso de variação automática a tensão num dos terminais é comparada 
a uma referência e o erro é utilizado para gerar um sinal que corrige a posição 
do tap. 
 
 
 
Fig. 112: Placa de identificação do transformador 
 
 
12.6 Valores Nominais 
 
 
 Como O Estudo Dos Transformadores Envolve As Principais Grandezas 
Elétricas, A ABNT (Associação Brasileira De Normas Técnicas) Estabeleceu 
Normas Nacionais De Operação, Construção, Manutenção E Uso Dos Mesmos. 
Segundo A NBR 5440, As Potências Padronizadas Para Transformadores De 
Distribuição, Em kVA, São: 
a) Transformador Monofásico Instalado Em Poste: 3; 5; 10; 15;25; 37,5; 50; 
75; 100 
b) Transformador Trifásico Instalado Em Poste: 15; 30; 45; 75; 112,5; 150 
c) Transformador Trifásico Instalado Em Plataforma: 225; 300; 500; 750; 1000 
 30
 
 
 
 
Fig. 113: Transformador Monofásico 
 
 
 
 
Fig. 114 : Transformador Trifásico Em Poste 
 
 
 
 
Fig. 115: Transformador Trifásico Em Subestação Abrigada 
 
 
 
12.7 EXERCÍCIOS 
 
1) Um transformador para uma campainha reduz a tensão de 110 para 11V, se 
houver 20 espiras no secundário, qual o número de espiras no primário? 
 31
2) Calcule a tensão nas velas de ignição ligadas ao secundário de uma bobina 
com 60 espiras no primário e 36.000 espiras no secundário, se o primário está 
ligado a um alternador de 12V. 
 
3) Explique com suas palavras o princípio de funcionamento de um 
transformador. 
 
4) Quais as vantagens e desvantagens dos transformadores a seco e a óleo? 
 
5) Um transformador ligado em triângulo na alta e estrela na baixa, com 380V no 
primário, com mesmo número de expiras no primário e secundário, alimenta 
uma carga ligada em estrela. Qual é a tensão de linha e de fase em ambos os 
lados do transformador? 
 
6) Um conjunto de cargas trifásicas consomem uma demanda de 
aproximadamente 110kW, com um FP de 0,92. Qual seria o melhor 
transformador para este caso? 
 
7) Desenhe o esquema de ligação de um transformador de potência ligado na 
rede de média tensão e Joinville, indicando as tensões no primário e 
secundário, tensão de fase e de linha e as ligações do transformador. 
 
 
13. DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO E COMANDO 
 
 A instalação de máquinas diversas requer uma grande gama de dispositivos 
que possibilitem o perfeito funcionamento, de preferência o mais automatizado 
possível, com proteção em caso de falhas. Os quadros de comando proporcionam 
essa confiabilidade, além de garantir uma maior segurança ao operador da máquina, 
já que o mesmo não estará em contato direto com a alimentação de força da 
máquina. O acionamento é remoto, através de chaves que se encontram fora do 
painel de comando, não havendo necessidade de se abrir o painel para ligar ou 
desligar uma máquina. Além disso, o equipamento fica protegido contra eventuais 
 32
problemas causados por fatores diversos, como sobrecarga, curto-circuito ou erro de 
operação. 
 Estudaremos agora os principais componentes de quadros de comando, 
levando nosso foco para a partida de motores elétricos. 
 
13.1 FUSÍVEL 
 
 O fusível é um dispositivo de proteção contra as correntes de curto-circuito. 
Sua atuação é baseada no elemento fusível, que é um condutor geralmente de 
cobre, prata ou estanho, de pequena seção que se funde ao ser atravessado por 
uma corrente de valor maior que a estipuladá pela sua curva de atuação. 
Os fusíveis de uso industríal, para correntes maiores, são feitos de um corpo 
cerâmico ladeado por placas metálicas, os contatos, que estão ligadas pelo 
elemento fusível. No interior do corpo cerâmico há areia de quartzo epvolvendo o 
elemento fusível, cuja função é de extinguir o arco elétrico criado pela queima do 
fusível. Também possuem uma chapa ou pino colorido, que indica quando o fusível 
atua. 
 Os fusíveis podem ser classificados: 
a) Quanto à capacidade de interrupção: em fusíveis retardados, para 
proteção de motores e máquinas em geral ou ultra-rápidos, para proteção 
de equipamentos eletrônicos sensíveis; 
b) Quanto ao nível de tensão: de baixa ou alta tensão; 
c) Quanto à forma construtiva: Diazed (diametral) ou NH. 
 
 Os fusíveis de efeito retardado são fabricados para suportar uma corrente 
maior que sua corrente nominal durante um certo tempo. Assim, durante a partida de 
um motor, em que a corrente alcança valorõs maiores do que as de trabalho, os 
fusíveis não queimam. Em outro tópico, vamos aprender como usamos a curva dos 
fusíveis para dimensioná-los. 
 A Figura 116 mostra um fusível Diazed, que são fabricados no valores 
nominais de corrente 2,4, 6, 10, 16, 20, 25, 35, 50 e 63 A. 
 Os fusíveis NH são idênticos aos Diazed em funcionamento, porém seu 
 33
formato é diferente, pois são montados em bases com contatos tipo faca e devem 
ser removidos com o uso de sacadores especiais. A Figura 2 mostra um fusível NH 
em corte. 
 
 
 
Figura 116: Fusível Diazed E Peças 
 
 
 Os fusíveis NH são fabricados de 4 até 630 A. Por questões econômicas, 
sempre que possível, é preferível que se use fusíveis Diazed. 
 
 
Figura 117: Fusível NH 
 
13.2 RELÉ TÉRMICO 
 
 Também chamado de relé de sobrecarga ou bimetáfico, seu funcionamento 
baseia-se no princípio da dilatação térmica dos metais. A cada fase é ligado um 
componente chamado bimetálico, que consiste em duas lâminas de metais 
 34
diferentes soldadas entre si. Quando a corrente percorre o relé térmico, as lâminas, 
por efeito Joule aquecem e se dilatam. Como os metais são diferentes, a dilatação 
também é diferente, fazendo com que as lâminas se enverguem. Como a 
temperatura é função direta da intensidade de corrente que circula, pode-se fazer 
uma relação entre a corrente e o ângulo de desvio do bimetálico. Desta forma o relé 
funciona como um equipamento de proteção contra sobre corrente. 
 
 
 
Figura 118: Relé térmico 
 
 
13.3. DISJUNTORES 
 
 Um disjuntor é um equipamento que une as funções do relé térmico e do 
fusível e tem mais a função se seccionadora, desta forma ele protege contra 
correntes de curto circuito, sobre carga e também interrompe o circuito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 119: Disjuntor 
 35
Como disjuntor mais comum fabrica-se o disjuntor magnetotérmico que possui 
um relé eletromagnético que protege contra curto – circuitos e um relé térmico, 
constituído por uma lâmina bi metálica, que protege contra sobrecargas. 
 
13.4 DISJUNTOR – MOTOR 
 
 Os disjuntores-motor possuem as mesmas características básicas de um 
disjuntor termomagnético convencional, juntamente com a característica de retardo 
dos fusíveis retardados e o ajuste da corrente de desarme por sobrecarga. 
 Normalmente, os disjuntores-motor possuem acionamento por alavanca 
rotativa e indicação de disparo (TRIP). A Figura 2.5 mostra um disjuntor motor da 
Siemens. 
 
 
 
Figura 120: Disjuntor Motor 
 
 
13.5 CONTATOR 
 
 Por definição, o contator é uma chave de operação eletromagnética, com uma 
única posição de repouso e é capaz de estabelecer, conduzir e interromper 
correntes em condições normais no circuito, inclusive sobrecargas no 
funcionamento. E o principal dispositivo de comando e o mais utilizado. 
Os principais elementos construtivos são contatos, núcleo, bobina, molas e carcaça. 
 36
A Figura 6 mostra um contator. 
 
 
Figura 121: Contator 
 
 Os contatos são divididos em contatos principais ou de força e contatos 
auxiliares ou de comando. Os contatos prindpais têm a função de interromper ou 
estabelecer a corrente de carga, assim suas dimensões acompanham a magnitude 
da corrente que são capazes de conduzir. Os contatos auxiliares têm a função de 
implementar a lógica de comando, interrompendo ou estabelecendo a corrente que 
vai alimentar os dispositivos que fazem a seqüência lógica de operação da carga, 
muitas vezes, limentando a própria bobina do contator. 
 Normalmente os contatores possuem apenas um ou nenhum contato auxiliar, 
mas boutros contatos podem ser adicionados através de encaixes específicos na 
superfície superior ou lateral do contator. São os chamados blocos de contatos, que 
podem ser contatos abertos ou fechados ou contatos conjugados, um aberto e um 
fechado. Há outros acessórios para contatores, como: bloco pneumático 
temporizado, que faz um comando temporizado regulável;dispositivo de 
intertravamento, que impede mecanicamente que dois contatores sejam ligados ao 
mesmo tempo; bloco de retenção mecânica, que impede o contator de se desligar 
em caso de queda brusca de tensão e outros. 
 Assim, é importante aplicar cada tipo de contator corretamente, conforme 
categoria de emprego, observe a Tabela 5. 
 37
 
 
Tabela 5 
 
 
13.6 BOTOEIRAS, CHAVES MANUAIS, CHAVES FIM-DE-CURSO E 
SINALIZADORES 
 
 Para ligar ou desligar motores, selecionar modos de funcionamento ou 
realizar qualquer operação manualmente, é necessário que existam dispositivos 
comandados pelo operador. As botoeiras são dispositivos de comando manual que 
possuem uma única posição de repouso, ou seja, depois de terem sido acionados 
voltam à sua posição normal pela torça de molas. Ficam afixadas nas portas dos 
painéis, de forma que o operador tenha acesso rápido. Possuem encaixe universal, 
normalmente três, para blocos de contatos NA ou NF. Alguns modelos possuêm 
 38
superfície translúcida para o encaixe de soquetes de lâmpadas, integrando a função 
de sinalizador. Outros tipos possuem uma trava para que permanepam acionados, 
sendo necessário girar o botão para que se solte e volte à posição normal. E ocaso 
de botões de emergência do tipo cogumelo. 
 Os seletores são chaves de acionamento giratório que possuem duas ou mais 
posições de repouso. São utilizados para selecionar operações ou fazer comando 
liga e desliga de máquinas ou processos; São mais comumente chamados de knob. 
 Os sinalizadores indicam situações específicas, como energização, defeitos 
ou operações transitórias. 
 
 
 
Fig. 122: Botoeiras 
 
 
 A tabela 6 indica o significado usual, definido segundo a IEC 733 VDE 0199, 
das cores de botões e sinalizadores. 
 
 39
 
Tabela 6: Identificações de cores 
 
 
 
13.7 SIMBOLOGIA 
 
 Segue alguns itens da simbologia usada nos diagramas elétricos, os símbolos 
do Contator, mostrado na figura 8, uma chave de partida direta, figura 9 e uma 
tabela com alguns dos principais componentes usados em instalações elétricas, 
tabela 4. 
 
 
 
 
 40
 
Fig123:Diagrama da chave de partida direta 
 
 
 
 
13.8 SOFT START 
 
 O Soft-starter é uma chave de partida que utiliza chaves eletrônicas 
chamadas tiristores que permitem que se controle a abertura ou o fechamento da 
chave através de pulsos de corrente. Essas chaves recortam a forma de onda de 
tensão da entrada á cada ciclo, jogando para o motor uma tensão eficaz menor do 
que a nominal durante a partida, aumentando gradativamente até atingir tensão 
nominal, desta forma, a corrente de partita aumenta gradativamento junto com a 
tensão. 
 41
 
Fig. 124: Tiristores 
 
 Os tiristorês atuam de forma unidirecional, ou seja, ó conduzem corrente em 
um sentido. Assim, é necessário ter dois tiristores em anti-paralelo para conduzir a 
corrente nos dois semi-ciclos. Na figura, o tiristor de baixo conduz a corrente no 
semi-ciclo positivo, a partir do ponto mostrado no gráfico. 
 Antes disso, o tiristor está bloqueado e a tensão de entrada U não passa para 
a carga. No semi-ciclo negativo, é o tiristor de cima que conduz, já que a corrente flui 
da carga para a rede, mas também apenas uma parte do tempo. Dessa forma, é 
visível qua tensão eficaz que passa para a carga é menor do que a tensão eficaz de 
entrada. Para partir o motor, o Soft-stãrter gera uma rampa de tensão, aplicando 
uma tensão inicial e aumentando-a gradatiamente (diminuindo o tempo de disparo 
dos tiristores no semi-ciclo) até chegar à tensão nominal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 42
- Ligação do Soft-Start 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 125: Ligação do Soft – Start 
 
 
 
 
 
 
Fig. 125: Soft - Start 
 
 
 
13.9 INVERSOR DE FREQÜÊNCIA 
 
 Atualmente, a necessidade de aumento de produção e diminuição de 
custos, se fez dentro deste cenário surgir a automação, ainda em fase inicial no 
Brasil, com isto uma grande infinidade de equipamentos foram desenvolvidos para 
as mais diversas variedades de aplicações e setores industriais, um dos 
 43
equipamentos mais utilizados nestes processos é o Inversor de Freqüência, um 
equipamento versátil e dinâmico. Vamos expor agora o princípio básico do inversor 
de freqüência. Um inversor de frequência é um dispositivo capaz de gerar uma 
tensão e freqüência trifásicas ajustáveis, com a finalidade de controlar a velocidade 
de um motor de indução trifásico. 
 A figura abaixo mostra resumidamente o diagrama em blocos de um inversor 
de freqüência escalar: 
 
 
Fig. 126: Blocos do Inversor de Frequência 
 
 Baseado no diagrama de blocos simplificado do inversor de frequencia, nota-
se que a primeira etapa do processo de conversão de frequencia, consiste na 
retificação da tensão trifásica CA que é aplicada na alimentação do equipamento. 
Retificação, é a transforamção de corrente alternada em corrente comtínua (CA/CC). 
Após a tensão ser retificada, a mesma passa por um filtro, que é indicada pelo 
capacitor, este filtro deixa a forma de onda da tensão sem variações bruscas. E após 
produzir uma tensão contínua, esta é transformada novamente em alternada, porém 
com não mais na forma de senoide pura, e sim em várias formas de onda que 
possam controlar a velocidade do motor de indução trifásico. 
 Além da velocidade o inversor de frequência pode inverter o sentido de 
rotação do motor, e deixar o eixo parado mas com torque. 
 
 
 44
 
 
Fig. 127: Inversor de Frequência 
 
 
 
 
12.10 EXERCÍCIOS 
 
1) Explique o funcionamento do fusível. 
 
2) Qual a função do Relé Térmico? 
 
3) Qual a função de um disjuntor? 
 
4) Qual a diferença entre um Disjuntor e um Disjuntor Motor? 
 
5) Qual a finalidade de um Contator? 
 
6) Com relação a botoeiras, qual o significado da cor vermelha, preto, amarelo e 
azul? 
 
7) E com relação aos sinalizadores, qual o significado da cor vermelha, verde, 
 45
amarelo e branca? 
 
8) Desenho o símbolo de um contator, uma botoeira e um fusível. 
 
9) Desenhe o diagrama de força e comando de uma chave de partida que liga 
simultaneamente 2 motores. 
 
10) Desenhe um diagrama de comando para ligar: 
a) 3 contatores simultaneamente, k1, k2 e k3 
b) 2 contatores simultaneamente, k1 e k2, e k3 separado, sendo que k3 não 
pode ser ligado quando k1 e k2 estão acionados e vice-versa. 
 
11) Qual a função do Soft-Start? 
 
12) Quais as funções do Inversor de frequência? 
 
 
14. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS 
 
14.1 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 
 Para a execução de uma instalação elétrica, devem ser seguidos os 
seguintes itens: 
• Lay-out industrial 
• Estimativa de carga, consulta prévia 
• Normas de fornecimento em baixa e alta tensão 
• Dimensionamento de condutores e proteção 
• Locação dos pontos de força e comando de motores e demais cargas. 
• Elaboração de um projeto elétrico industrial 
• Levantamento de material 
 
14.2 DADOS FUNDAMENTAIS 
 
• Tipo de instalação, 
• Potência, 
• Tensão, 
 46
• Regime de funcionamento das cargas; 
• Localização das cargas; 
• Tipo de partida. 
 
14.3 EXERCÍCIO 1 – LAYOUT DA FÁBRICA 
 
Elabore um layout de um galpão contendo as seguintes cargas: 
 
a) 6 luminárias com lâmpadas vapor de metálico de 400W cada e FP 0,85. 
b) 2 injetoras de plástico com potência aproximada de 35kW cada e FP 0,92. 
c) 1 estrusora de 45kW e FP 0,92. 
d) 1 triturador de plástico com um motor de 50cv e FP 0,85. 
e) Tomadas monofásicas e trifásicas para cargas diversas de 3kW 
aproximadamente. 
 
14.4 CONSUMO E DEMANDA DA INSTALAÇÃO 
 
- Consumo 
 
Consumo refere-se ao registro do quanto de energiaelétrica foi consumida 
durante determinado período. No cálculo das faturas é considerado o período 
mensal e este é expresso em kWh (quilo watts hora). 
 
- Demanda 
 
Demanda corresponde ao consumo de energia dividido pelo tempo adotado 
na verificação. Conforme legislação brasileira é determinado para fins de 
faturamento que este período seja de 15 minutos. 
 A demanda também serve para dimensionar o transformador da instalação 
elétrica em análise. 
 
 
 47
14.4.1 Curva Diária de Demanda 
 
 
Fig. 128: 
 
 
 
14.4.2 Exercícios de Consumo e Demanda 
 
1 - Baseado na figura abaixo, responda as questões a seguir. 
 48
 
Fig. 129: 
 
GELADEIRA - 300W, FERRO - 1000W, CHUVEIRO - 5000W, LÂMPADA - 100W, COMPUTADOR - 
200W, FORNO - 1500W, AR COND. - 600W, MICROONDAS - 1600W 
 
a) Calcule o consumo de cada aparelho e o valor a ser pago pelo consumo 
considerando o kWh a R$=_______ no período de um dia e de um mês. 
 
b) Qual é a demanda da instalação. 
 
c) Como diminuir a demanda sem mudanças drásticas nas cargas? 
 
2 - Escolha um transformador para fornecer energia para a fábrica do layout feito 
anteriormente. 
 
 49
14.4.3 Fator de Demanda 
 
RReellaaççããoo eennttrree ddeemmaannddaa mmááxxiimmaa eemm uumm iinntteerrvvaalloo ddee tteemmppoo ee ccaarrggaa iinnssttaallaaddaa 
((nnoommiinnaall)) 
 
 
 
 
sseennddoo aa ppoottêênncciiaa nnoommiinnaall ddaa ccaarrggaa ii eemm WW oouu VVAA ((oobbsseerrvvaarr qquuee tteemm 
ddee eessttaarr nnaa mmeessmmaa uunniiddaaddee)) 
 
PPooddee sseerr ddeeffiinniiddoo ppaarraa 
−− uumm ssiisstteemmaa 
−− ppaarrttee ddee uumm ssiisstteemmaa 
−− uummaa ccaarrggaa 
 
GGeerraallmmeennttee ≤≤ 11 ((ffddeemm>>11 ssiiggnniiffiiccaa ooppeerraarr ccoomm ssoobbrreeccaarrggaa)) 
 
O fator de demanda é um item muito importante em uma instalação elétrica, pois 
é através deste que se obtém a demanda real da instalação e consequentemente o 
dimensionamento do transformador da instalação, disjuntores geral e condutores. 
Porém a obtenção deste fator não é algo preciso, varia muito de acordo com a 
instalação elétrica, o que geralmente é feito é utilizar um fator de demanda baseado 
na experiência do profissional ou utilizar tabelas com valores aproximados por 
concessionárias. 
 
14.4.4 Tarifações de energia elétrica. 
 
Carga instalada 
É a soma das potências nominais dos equipamentos elétricos instalados na 
unidade consumidora, em condições de entrar em funcionamento, expressa em 
quilowatts (kW). 
∑
=
=
ni i
D
Df
,1
nom
max
div
dem
nom
iD
max
divD
 50
Concessionária ou permissionária 
Agente titular de concessão ou permissão federal para prestar o serviço 
público de energia elétrica. 
 
Consumidor 
Pessoa física ou jurídica, ou comunhão de fato ou de direito, legalmente 
representada, que solicitar a concessionária o fornecimento de energia elétrica e 
assumir a responsabilidade pelo pagamento das faturas e pelas demais obrigações 
fixadas em normas e regulamentos da ANEEL, assim vinculando-se aos contratos 
de fornecimento, de uso e de conexão ou de adesão, conforme cada caso. 
 
Consumidor livre 
Consumidor que pode optar pela compra de energia elétrica junto a qualquer 
fornecedor, conforme legislação e regulamentos específicos. 
 
Demanda contratada 
Demanda de potência ativa a ser obrigatória e continuamente disponibilizada 
pela concessionária, no ponto de entrega, conforme valor e período de vigência 
fixados no contrato de fornecimento e que deverá ser integralmente paga, seja ou 
não utilizada durante o período de faturamento, expressa em quilowatts (kW). 
 
Demanda de ultrapassagem 
Parcela da demanda medida que excede o valor da demanda contratada, 
expressa em quilowatts (kW). 
 
Demanda faturável 
Valor da demanda de potência ativa, identificado de acordo com os critérios 
estabelecidos e considerada para fins de faturamento, com aplicação da respectiva 
tarifa, expressa em quilowatts (kW). 
 
 
 
 51
Demanda medida 
Maior demanda de potência ativa, verificada por medição, integralizada no 
intervalo de 15 (quinze) minutos durante o período de faturamento, expressa em 
quilowatts (kW). 
 
Estrutura tarifária horo-sazonal 
Estrutura caracterizada pela aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de 
energia elétrica e de demanda de potência de acordo com as horas de utilização do 
dia e dos períodos do ano, conforme especificação a seguir: 
 
a) Tarifa Azul: modalidade estruturada para aplicação de tarifas diferenciadas 
de consumo de energia elétrica de acordo com as horas de utilização do dia e os 
períodos do ano, bem como de tarifas diferenciadas de demanda de potência de 
acordo com as horas de utilização do dia. 
b) Tarifa Verde: modalidade estruturada para aplicação de tarifas 
diferenciadas de consumo de energia elétrica de acordo com as horas de utilização 
do dia e os períodos do ano, bem como de uma única tarifa de demanda de 
potência. 
c) Horário de ponta (P): período definido pela concessionária e composto por 
3 (três) horas diárias consecutivas, exceção feita aos sábados, domingos e feriados 
nacionais, considerando as características do seu sistema elétrico. 
d) Horário fora de ponta (F): período composto pelo conjunto das horas 
diárias consecutivas e complementares àquelas definidas no horário de ponta. 
e) Período úmido (U): período de 5 (cinco) meses consecutivos, 
compreendendo os fornecimentos abrangidos pelas leituras de dezembro de um ano 
a abril do ano seguinte. 
f) Período seco (S): período de 7 (sete) meses consecutivos, compreendendo 
os fornecimentos abrangidos pelas leituras de maio a novembro. 
 
Tensões de Fornecimento. 
- Tensão secundária de distribuição: quando a carga instalada na unidade 
consumidora for igual ou inferior a 75kW; 
 52
- Tensão primária de distribuição inferior a 69kV: quando a carga instalada na 
unidade consumidora for superior a 75kW e a demanda contratada ou estimada pelo 
interessado, para o fornecimento, for igual ou inferior a 2.500kW; 
- Tensão primária de distribuição igual ou superior a 69kV: quando a demanda 
contratada ou estimada pelo interessado, para o fornecimento, for superior a 
2.500kW. 
 
14.4.5 – Exercício Tarifação 
 
1) Calcule a demanda contratada da empresa do layout. 
 
2) Qual a tensão de fornecimento? 
 
3) Se esta empresa vir a trabalhar das 7:30 as 17:30, qual a melhor tarifação? 
 
4) Se a empresa passar a trabalhar 24h por dia qual a melhor tarifação? 
Explique sua resposta. 
 
14.5 NBR 5410 – INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO 
 
 A NBR 5410 é a norma que regulamenta a forma de instalação, manutenção 
e reparos das instalações elétricas de baixa tensão, é a bíblia dos profissionais da 
eletrotécnica. 
 É dividida basicamente nos seguintes itens: 
1) Objetivo; 
2) Referências normativas; 
3) Definições; 
4) Princípios fundamentais e características gerais; 
5) Proteção para garantir segurança; 
6) Seleção e instalação do componente; 
7) Verificação final e Inspeção; 
8) Manutenção. 
 
 53
14.6 DIMENSIONAMENTO DE DISJUNTORES 
 
 Para dimensionar um disjuntor deve ser levando em consideração a tensão, 
corrente e tipo de carga/partida na qual o disjuntor fará a proteção. 
Para proteção de circuito com cargas resistivas, utiliza-se disjuntores Curva B, para 
cargas resistivas e Indutivas, Curva C e para cargas puramente indutivas e grande 
corrente de partida, Curva D. A diferença entre as curvas é o efeito de retardo de 
disparo, semelhante aos fusíveis diazed usados para partirem motores, como já foi 
estudado anteriormente. 
 
 
Fig. 130 
 
 E os valores comerciaisdos disjuntores monofásicos em AMPÉRES são: 0,5, 
1, 2, 4, 6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63 e raramente acima disso. 
 Para disjuntores trifásicos: 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 70, 80, 90, 100, 125, 
150, 175, 200, 225, 250, 300, 350, 400... até correntes elevadas em torno de 1200A. 
 
 
 
 54
14.6.1 – Exercício de Disjuntores 
 
5) Dimensione o transformador da Instalação elétrica. 
 
6) Dimensione os disjuntores para os circuitos do Layout. 
 
7) Dimensione o disjuntor geral da instalação elétrica. 
 
14.7 Dimensionamento de Condutores 
 
 O dimensionamento dos condutores é feito com base na corrente que irá 
passar por estes e outros fatores como fator de agrupamento, queda de tensão 
permitida, tipo de acionamento, tipo de duto, ventilação, temperatura, freqüência e 
tipo de cabo que será utilizado como condutor. 
Desta forma é necessário calcular a corrente de cada circuito e mais uma série de 
considerações devem ser feitas para ter a bitola exata do condutor a ser utilizado. 
 Para nosso estudo, vamos utilizar como base a tabela 36 da NR5410/2004, 
que utiliza cabo de cobre do tipo PVC, que suporta 70°C no condutor a 30°C de 
temperatura ambiente. 
 Porém outras tabelas podem ser usadas para dimensionamento de 
condutores, não necessariamente as da NR5410, mas também de qualquer 
fabricante de cabos, bem como cabos específicos que não se encontram na norma, 
como cabos de silicone e outros. 
 
 
 
 55
 
 
Fig. 131 
 
 
 
 
Tabela 7 
 56
 
 
Tabela 8 
 
 
14.7.1 Queda de tensão segundo NBR 5410 
 
 
 
 
 
 
 
 57
14.7.2 Exercícios de dimensionamento de cabos 
 
 
1 - Determine, utilizando a tabela 36 da NR5410/2004, a bitola dos cabos para os 
seguintes casos: 
 
a) Um aquecedor monofásico de 5kW; 
b) Um motor trifásico de 50CV, com F.P. 0,92. 
c) Um motor de 100CV com F.P. de 0,85. 
 
2 - Para as cargas definidas no exercício 14.3 Layout, determine: 
 
a) O condutor do secundário do transformador; 
b) Os condutores de cada circuito. 
 
 
14.8 Simbologia e Diagrama Unifilar 
 
 Nesta parte do nosso estudo teremos uma análise superficial a respeito de 
Simbologia usada em projetos de instalações elétricas, visando o entendimento do 
Diagrama Unifilar. 
 Diagrama Unifilar é a representação de um ou mais circuitos de forma 
resumida e compacta, porém, com todos os dados necessários para a análise 
completa do circuito. 
 Todo Diagrama Unifilar deve conter no mínimo os seguintes itens: 
 
• Tensões aplicadas no circuito; 
• Condutores dos circuitos; 
• Bitola dos condutores do circuito; 
• Corrente nominal dos disjuntores; 
• Tipo de disjuntores (mono, bi ou trifásicos); 
• Indicação dos componentes de proteção. 
 
Segue um exemplo de diagrama unifilar: 
 58
 
 59
 
 
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14.8.1 Exercício de Simbologia e Diagrama Unifilar 
 
1) Faça o diagrama unificar da fábrica dos exercícios anteriores.

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