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200 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O DIRETO PENAL

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1º) Dê um conceito de Direito Penal.
J. Frederico Marques, diz que Direito Penal é o “conjunto de normas que ligam ao crime, como fato, como conseqüência, e disciplinam também as relações jurídicas daí derivadas, para estabelecer a aplicabilidade de medida de segurança e a tutela de liberdade em face do poder de punir do Estado”.
2º) Existe diferença entre lei e norma penal?
 Podemos dizer que sim, embora na prática, essas expressões são utilizadas como sinônimas. A norma exprime toda categoria de princípios gerais, é o direito objetivo (a denominada norma agendi). Já a lei se reserva o significado de fonte formal da norma.
3º) Conceitue norma penal.
 Em síntese podemos dizer que esta é a disposição que descreve uma conduta ilícita e comina a respectiva sanção. Contem duas partes: a) parte dispositiva (preceito primário), onde se descreve determinada conduta, como uma forma particular de ilicitude; e b) parte sancionadora (preceito secundário, preceito sancionador, ou ainda, sanção, em que se estatui a sanção aplicável).
 Mas este é o conceito em sentido estrito, em sentido amplo, norma penal é tanto aquela que define a conduta punível, cominando a respectiva sanção, como aquela que amplia o campo da ilicitude ou da impunibilidade.
4º) Conceitue norma penal incriminadora.
 É aquela que descreve a conduta ilícita e estabelece a respectiva sanção para aquele que viola. É a norma penal em sentido estrito.
5º) Quantas partes contem uma norma penal incriminadora? Quais são elas?
 A norma penal incriminadora possui duas partes, que são parte dispositiva ou preceito e parte sancionadora ou sanção.
6º) Conceitue normas penais permissivas.
 São aquelas que estatuem sobre condutas licitas ou não puníveis, embora típicas, como, por exemplo:
 Conduta licita: Art. 23, 24 e 25, C.P/1940.
 Conduta não punível: Art. 21, 22 e 26, C.P/1940.
7º) Conceitue normas penais explicativas.
 São normas que esclarecem o conteúdo de outras normas ou fornecem princípios gerais para sua aplicação.
8º) O que se entende por normas penais gerais e por normas penais locais?
 As normas penais gerais (vigem em todo o território) as locais (vigem em partes ou partes do território).
9º) O que se entende por normas penais comuns e por normas penais especiais?
 As normas penais comuns correspondem ao Direito Penal Comum às normas penais especiais ao Direito Penal Especial. O ponto crucial que diferenciam essas duas categorias e que estas se distinguem em função dos órgãos judiciários que vão aplicá-las ao caso concreto, como, por exemplo, se aplicada através dos órgãos da justiça comum (Federal ou Estadual), pertencerá ao Direito Penal Comum e si aplicada por órgãos da justiça Especial (Juizes e Tribunais Eleitorais, Juizes e Tribunais Militares), pertencerá ao Direito Penal Especial.
10º) O que se entende por normas penais completas e por normas penais incompletas?
 As normas penais completas definem o crime com todos os seus elementos, já as normas penais incompletas, têm sua definição incompleta, exigindo complementação por outra norma jurídica: lei, decreto, regulamento, portaria etc.
11º) Conceitue normas penais em branco.
 São normas penais que necessitam de complemento, ora da mesma instancia legislativa e ora de outra instância.
12º) Conceitue normas penais em branco em sentido amplo.
 É aquela em que o complemento está contido em outra regra procedente da mesma instância legislativa, como, por exemplo, o artigo 237, C.P, cujo conteúdo é completado pelo Código Civil, art. 183.
13º) Conceitue normas penais em sentido estrito.
 É aquela que o complemento está contido em outra regra procedente de outra instância legislativa, como, por exemplo, decreto federal, lei ou decreto estadual ou municipal etc.
14º) Quanto ao sujeito que a realiza, como pode ser a interpretação?
 Temos as seguintes interpretações: autentica, doutrinaria e judicial.
15º) Quanto ao meio empregado, como pode ser a interpretação?
 Gramatical, Literária ou Sintática – quando feita em função da letra da lei;
 Lógica ou Teleológica – quando feita em função da raptes legis, ou seja, da finalidade do dispositivo. 
16º) Quanto ao resultado, como pode ser a interpretação?
 Quanto ao resultado a interpretação pode ser: declarativa, restritiva e extensiva.
17º) O que se entende por interpretação declarativa?
 
 Declarativa – a eventual duvida resolve-se pela correspondência entre a letra da lei e a vontade da lei.
18º) O que se entende por interpretação restritiva?
 
Restritiva – acontece quando a lei, dizendo mais do que queria, obriga o interprete a restringir o seu texto, para adequá-lo à sua vontade.
19º) O que se entende por interpretação extensiva?
Extensiva – acontece quando a lei, dizendo menos do que queria, obriga o interprete a ampliar o seu texto, para adequá-lo à sua vontade.
20º) O que se entende por interpretação analógica?
 
 É aquela em que o interprete, orientando-se pela casuística exemplificativa do texto legal, declara-o aplicável aos casos análogos não previstos singularmente. (espécie de interpretação extensiva).
21º) O que se entende por interpretação progressiva?
 É também uma espécie de interpretação extensiva, só que aqui se leva em consideração as concepções atuais, ditadas pelas transformações sociais, cientificas, jurídicas ou morais.
22º) Conceitue analogia.
Está consiste em aplicar ao caso concreto, não previsto em lei, o dispositivo que regula caso semelhante.
23º) O que se entende por analogia in bonam partem?
 
 Fala-se em analogia in bonam parte quando o agente é beneficiado pela sua aplicação.
24º) Os que se entende por analogia in malam partem?
 Fala-se em analogia in malam partem quando o agente é prejudicado pela sua aplicação.
25º) Diferencie analogia da interpretação analógica.
 Esclarecemos que ambos não se confundem, pois são dois institutos completamente distintos. A diferença esta na vontade da lei. Enquanto na interpretação analógica há vontade da lei em disciplinar o caso concreto, autorizando o emprego da analogia, na analogia não há vontade da lei em disciplinar o caso concreto. Na interpretação analógica o interprete reconstrói a vontade da lei; na analogia, o aplicador supre a vontade da lei.
26º) O que se entende por principio da legalidade?
 É no direito penal um instituto extremamente importante, pois é uma garantia para o cidadão de que não poderá sob qualquer hipótese responder por qualquer crime que não esteja tipificado como tal (art. 1º, C.P/1940).
 Art. 1º, C.P/1940 “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal”.
27º) É permitida, através de medida provisória, a composição de tipos penais com imposição de sanções?
 Embora a medida provisória tenha força de lei, não é lei. Daí pode-se dizer que não pode ser usada para a composição de tipos penais com imposição de penas.
28º) Qual o significado político do principio da legalidade?
 Tem sentido político, pois representa uma garantia constitucional dos direitos dos homens.
29º) Qual o significado jurídico do principio da legalidade?
 Este fixa o conteúdo das normas incriminadoras, não permitindo que o ilícito penal seja estabelecido genericamente, sem definição previa da conduta punível e determinação da sanctio juris.
30º) Quais os princípios contidos no artigo 1º do Código Penal?
 Os principio são: principio da legalidade e principio da anterioridade.
31º) A analogia pode ser empregada para criar figuras delituosas não previstas pelo legislador?