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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POLICIA CIVIL

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o fim de suspender, até julgamento final desta Ação Direta de 
Inconstitucionalidade, a eficácia da Lei Estadual em discussão, proibindo, 
assim, a realização de qualquer certame público para provimento dos cargos 
de Agente e Escrivão de Polícia Substituto, sob pena de grave prejuízo ao 
erário público e, via reflexa, à supremacia do interesse público. 
 
2.2 DO MÉRITO: 
 
A inconstitucionalidade material de uma norma legal é aquela que 
decorre da desconformidade do conteúdo do ato legislativo com algum princípio 
constitucional ou direito lá constante. Assim, Lei que viole direito adquirido ou 
princípio emanado da Lei Maior do Estado, deve ser expungido do universo jurídico 
de forma urgente. 
O controle de Constitucionalidade, neste ponto, tem relevância ímpar, 
além de objetivo claro e direto, que é a de consolidar o princípio da supremacia da 
Constituição e do próprio interesse público, tendo em vista que é de caráter cogente 
o cumprimento absoluto da Lei Maior, seja Federal, seja Estadual, resultando na 
guarda diuturna ao interesse público. Nesta vertente, o interesse público deve ser 
garantido por medidas que evidenciem a inconstitucionalidade da norma não 
somente no âmbito formal, mas também no material. 
Normas que, abstratamente, obedecem aos ditames para sua regular 
elaboração, mas que preveem medidas absurdas, devem ser eliminadas da órbita 
jurídica, garantindo a eficácia da Constituição e do próprio sentimento de justiça. 
A presente ação direta de inconstitucionalidade, tem como principal 
fundamento a manifesta ilegalidade contida nas determinações do texto da Lei 
Estadual n.º 19.275 de 28 de abril de 2016, que ao criar os cargos de escrivão de 
polícia substituto e agente de polícia substituto, nas respectivas carreiras da 
Delegacia-Geral da Polícia Civil, alterando a Lei Estadual n.° 16.901, de 26 de 
janeiro de 2010; por desvio de finalidade da norma, e ainda por ferir: a) o princípio 
da irredutibilidade de subsídios, prevista no artigo 92, inciso XVII, e artigo 95, II, 
ambos da Constituição do Estado de Goiás, bem como no artigo 37, inciso XV, da 
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Constituição Federal; b) o princípio da isonomia, uma vez que cria cargos na carreira 
da Polícia Civil, sem identificar sua função específica, o que levaria a situação de 
servidores desenvolvendo a mesma função, mas com remuneração distinta, sendo 
uma muita aquém da outra; c) os critérios de remuneração estabelecidos nos incisos 
I, II e III, do §1º, do artigo 94, da Constituição do Estado de Goiás; e d) o direito à 
aposentadoria, prevista no inciso XVI, do artigo 95, da Constituição do Estado de 
Goiás, uma vez que ao prolongar a carreira que antes era de 20 anos, para 24 
anos, diminuirá a possibilidade de o servidor se aposentar no topo da carreira. 
O que será melhor esmiuçado nos tópicos seguintes. 
 
2.2.1 Do desvio de finalidade da norma atacada: 
 
A norma estadual, ora atacada, afirma que dispõe acerca da criação de 
novos cargos nas respectivas carreiras de Policial Civil e Escrivão de Polícia da 
Delegacia-Geral da Polícia Civil do Estado de Goiás. In casu, a norma combatida 
tem em sua ementa o seguinte: 
 
Cria os cargos de Escrivão de Polícia Substituto e Agente de Polícia Substituto nas 
respectivas carreiras da Delegacia-Geral da Polícia Civil e altera a Lei n. 16.901, de 
26 de janeiro de 2010. 
 
Extrai-se do Ofício Mensagem n.º 34, de março de 2016, enviado à 
Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, que o ilustre Governador do Estado 
afirma que “a propositura anexa busca criar 220 (duzentos e vinte) cargos de 
Escrivão de Polícia Substituto e 280 (duzentos e oitenta) cargos de Agente de 
Polícia Substituto. ” 
Contudo, insta salientar que existe uma importante ressalva, de que a 
Lei visa “reduzir, na mesma proporção, os quantitativos hoje existentes para os 
cargos de Escrivão de Polícia de 3ª Classe e Agente de Polícia de 3ª Classe, de 
modo que não há previsão de impacto orçamentário financeiro em decorrência 
de sua aprovação e posterior conversão em Lei”. [grifo e negrito não original] 
Não ocorrerá efeitos orçamentários financeiros ao erário de forma 
negativa e imediata, pois a finalidade da Lei não é a de criar novos cargos, mas sim 
de transferir vagas de um cargo para outro com a nefasta intenção de dar 
aparência de legalidade a um ato que afronta flagrantemente a Constituição 
Estadual, no que se reporta à irredutibilidade de subsídios dos servidores públicos 
estaduais. Se de fato a intenção fosse a de constituir novos cargos, não haveria a 
manifesta transferência de vagas de uma classe melhor remunerada para outra com 
proventos vergonhosos e desproporcionais frente ao servidor público que exercerá 
as mesmas funções. 
O que demonstra, de forma cristalina, que a bem da verdade, a 
malfada Lei Estadual, não acrescenta um único novo cargo ao efetivo da Polícia 
Civil, se limitando, tão somente, a um manejo legislativo, com o único objetivo de 
diminuir a remuneração dos policiais civis, e assim reduzir os gastos do Governo do 
Estado de Goiás com a Segurança Pública. 
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A Lei Estadual n.° 16.901/2010, com a antiga redação dada pela Lei 
Estadual n.º 17.902, de 27 de dezembro de 2012, previa em seu artigo 99, inciso IV, 
490 (quatrocentos e noventa) cargos de Escrivão Policial de 3ª classe; assim 
como em seu artigo 100, inciso IV, 936 (novecentos e trinta e seis) cargos de 
Agente de Polícia de 3ª classe. Contudo, com a nova redação dada pelo artigo 2º 
da Lei Estadual sob análise, ao artigo 99, inciso IV, esse quantitativo passou a ser 
de apenas 270 (duzentos e setenta) cargos de Escrivão Policial de 3ª classe; e 
ao artigo 100, inciso IV, esse quantitativo passou a ser de apenas 656 (seiscentos e 
cinquenta e seis) cargos de Agente de Polícia de 3ª classe. Ou seja, a 
alteração legislativa, imposta pela Lei Estadual, ora em discussão, representou 
uma diminuição de 220 (duzentos e vinte) cargos de Escrivão Policial de 3ª 
classe; e de 280 (duzentos e oitenta) cargos de Agente de Polícia de 3ª Classe. 
Acontece, que a mesma Lei Estadual (que encontra-se sob análise 
desta Ação Direta de Inconstitucionalidade) que alterou a Lei Estadual n.° 
16.901/2010, para modificar o inciso IV, do artigo 99, para reduzir em 220 
(duzentos e vinte) cargos, o efetivo de Escrivão Policial de 3ª classe; e 
modificar o inciso IV, do artigo 100, para reduzir em 280 (duzentos e oitenta) 
cargos, o efetivo de Agente de Polícia de 3ª classe; criou 220 (duzentos e vinte) 
cargos de Escrivão de Polícia Substituto, e 280 (duzentos e oitenta) cargos de 
Agente de Polícia Substituto, através da inclusão do inciso V, ao artigo 99, e da 
inclusão do inciso V, ao artigo 100, ambos da Lei Estadual n.° 16.901/2010. 
É certo que é de competência do Governador do Estado a inciativa de 
Projeto de Lei que trate do provimento ou extinção de cargos públicos estaduais 
(inciso XII, art. 37 da Constituição Estadual de Goiás). Todavia, o termo ‘prover’ 
significa abastecer, munir, fornecer e guarnecer, não transferir, transladar e\ou 
deslocar. Logo, é evidente que há uma clara inconstitucionalidade e desvio de 
finalidade da Lei, que tenta sorrateiramente a redução dos subsídios da classe de 
Policiais Civis do Estado de Goiás. 
Como dito acima, a Lei ora impugnada tem como intenção, tão 
somente, a redução dos subsídios dos Policiais Civis do Estado. Uma vez que serão 
reduzidos os cargos de

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