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ESPECIFICIDADES DO VAREJO Professora Me. Fernanda Gabriela de Andrade Coutinho GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; COUTINHO, Fernanda Gabriela de Andrade. Especificidades do Varejo. Fernanda Gabriela de Andrade Coutinho. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2016. 216 p. “Graduação - EaD”. 1. Especificidades. 2. Varejo. 3. EaD. I. Título. ISBN: 978-85-459-0381-9 CDD - 22 ed. 650 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Direção Operacional de Ensino Kátia Coelho Direção de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha Direção de Operações Chrystiano Mincoff Direção de Mercado Hilton Pereira Direção de Polos Próprios James Prestes Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida Direção de Relacionamento Alessandra Baron Head de Produção de Conteúdos Rodolfo Encinas de Encarnação Pinelli Gerência de Produção de Conteúdos Gabriel Araújo Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo Supervisão de Projetos Especiais Daniel F. Hey Coordenador de Conteúdo Eliane Zanoni Design Educacional Yasminn Zagonel Iconografia Amanda Peçanha dos Santos Ana Carolina Martins Prado Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa André Morais de Freitas Editoração André Morais de Freitas Qualidade Textual Hellyery Agda Gabriel Bruno Martins Ilustração Marcelo Goto, Marta Sayuri Kakitani Bruno César Pardinho Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para liderança e so- lução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsabilida- de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos- sos farão grande diferença no futuro. Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar assume o compromisso de democratizar o conhe- cimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi- tário Cesumar busca a integração do ensino-pes- quisa-extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desenvolvimento da consci- ência social e política e, por fim, a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al- meja ser reconhecido como uma instituição uni- versitária de referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con- solidação da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrati- va; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relaciona- mento permanente com os egressos, incentivan- do a educação continuada. Diretoria Operacional de Ensino Diretoria de Planejamento de Ensino Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além dis- so, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendiza- gem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. A U TO R Professora Me. Fernanda Gabriela de Andrade Coutinho Mestre em Administração na linha de pesquisa de Gestão de Organizações (Marketing) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM - 2011). Especialista em Gestão Empresarial pela Universidade Estadual de Maringá (2008). Graduada em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006). Professora Colaboradora da Universidade Estadual de Maringá (UEM) no Curso de Comunicação e Multimeios. Professora de Pós-Graduação nas áreas de Comunicação e Marketing na UniCesumar e PUCPR. Foi professora nos cursos de Administração, Publicidade e Propaganda e Marketing na Faculdade Metropolitana de Maringá e do Curso de Tecnólogo em Marketing na Faculdade Alfa. Foi Coordenadora do Curso de Bacharelado em Publicidade e Propaganda da Faculdade Metropolitana de Maringá. Experiência na área de Administração, Comunicação e Marketing, atuando principalmente nos seguintes temas: Comunicação e Marketing, Comportamento do Consumidor, Cultura e Consumo, Marketing de Serviços, Gestão de Produtos e Marcas, Planejamento Estratégico de Marketing. O marketing de varejo se constitui como uma área de conhecimento de grande relevân- cia para a gestão mercadológica, pois objetiva conhecer o funcionamento dos canais de distribuição, levando em consideração desde a compra do produto com os fabricantes até a sua entrega ao consumidor final. A origem do varejo se estabeleceu na base de troca de produtos de acordo com as ne- cessidades dos indivíduos, o chamado escambo. Deste modo, percebemos que o co- mércio sempre existiu de alguma forma, mesmo que de maneira obsoleta em relação ao que temos na atualidade. Contudo, a troca continua sendo a base do conceito de varejo, mas essa troca está mais complexa e outros integrantes estão presentes no processo de comercialização de pro- dutos. Não são apenas indivíduos trocando produtos, mas empresas produzindo, outras comprando os produtos acabados e redistribuindo para outras empresas, e essas para o consumidor final. Assim, os canais de distribuição se estabelecem e em cada uma das etapas há exigências de operações próprias parao funcionamento eficiente na produ- ção e na oferta de produtos. O varejo faz parte dessa cadeia de distribuição, entregando produtos e serviços direta- mente ao consumidor final. Por esse motivo é fundamental compreender o funciona- mento do varejo, desde a escolha dos produtos e serviços a serem ofertados até a en- trega desses produtos, comunicação e relacionamento que deve ser estabelecido com os clientes. O varejo possui diferentes formatos, que vão desde pequenas lojas físicas, estabelecidas por microempresários, até as grandes redes varejistas, com lojas de departamento, su- permercados, farmácias, entre outras. Além disso, o varejo eletrônico hoje é uma reali- dade e se apresenta como um formato de comercialização de produtos e serviços muito competitivo e que está alterando os rumos do mercado varejista. Com isso, é importante compreender todo o processo varejista e seu composto mer- cadológico que trata do mix de produtos no varejo, estratégias de precificação, distri- buição dos produtos, comunicação com o consumidor, apresentação e localização da loja, bem como da gestão de pessoas no varejo. Todos esses elementos precisam ser considerados e trabalhados de forma sinérgica para que os objetivos sejam alcançados e para que as empresas permaneçam no mercado e sejam lucrativas. As mudanças que acontecem no ambiente externo são desafiadoras para o setor varejis- ta. Alterações nas políticas vigentes; questões econômicas, como inflação, alta do dólar, crise financeira; mudança no perfil da sociedade; preocupações ambientais; e diversas inovações tecnológicas precisam ser levadas em consideração no estabelecimento das estratégias varejistas. Todas essas modificações podem afetar o varejo de alguma forma e por esse motivo é preciso estar atento e fazer as alterações internas necessárias para acompanhar as mudanças no macroambiente e se manter competitivo no mercado. APRESENTAÇÃO ESPECIFICIDADES DO VAREJO Sendo assim, este livro está dividido em cinco unidades, que possibilitarão melhor entendimento de todo o processo de Marketing no Varejo. Partindo do histórico do varejo, seus principais conceitos, passando pelos formatos varejistas, em seguida pelos elementos do composto de varejo, pelo gerenciamento no varejo e, por fim, pela administração estratégica de varejo. A primeira unidade trata da origem do varejo bem como os conceitos básicos que envolvem o setor varejista e o marketing voltado para o varejo. Também apresenta um panorama do varejo internacional, bem como o desenvolvimento do varejo no Brasil. Por último, aborda as principais tendências de varejo na atualidade. A segunda unidade apresenta os principais formatos de varejo, desde os tipos de varejo com loja até os modelos sem loja. Além disso, trata das diferentes possibilida- des de classificação dos formatos varejistas e também discute as novas tecnologias empregadas no varejo e que alteraram alguns formatos varejistas tradicionais. A terceira unidade trata especificamente dos elementos do composto mercadoló- gico de varejo, que se constituem no produto (mix de produtos e serviços), preço, distribuição, comunicação, apresentação de loja e pessoal. Serão discutidas as ca- racterísticas e especificidades de cada elemento, mas também os seus funciona- mentos de forma integrada. A quarta unidade apresenta as estratégias de varejo em relação à localização, ou seja, a escolha dos locais de estabelecimentos varejistas. Também explora os aspec- tos da logística no varejo e a estrutura e funcionamento do varejo virtual. Trata ain- da das questões relativas à apresentação e layout para exibição de produtos e, por último, dos sistemas de compra no varejo. A quinta e última unidade traz aspectos referentes à administração estratégica de varejo, explorando o mercado varejista, o comportamento do consumidor em rela- ção ao varejo, os sistemas de informação, estratégias financeiras e, por fim, o plane- jamento estratégico para empresas varejistas. Com isso, espera-se que, ao final deste livro, o(a) aluno(a) seja capaz de compreen- der todo o processo mercadológico do varejo, entendendo as principais mudanças ocorridas neste processo, principalmente com a utilização das novas tecnologias. Também se espera que ele(a) possa entender as características e conceitos do va- rejo, bem como os elementos do composto varejista e sua aplicabilidade. E por fim, que ele(a) seja capaz de empregar os conhecimentos apreendidos ao longo deste livro na elaboração de um planejamento estratégico voltado para o varejo, de acor- do com os elementos aqui expostos. APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 09 UNIDADE I INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL 15 Introdução 16 Origem do Varejo 19 Desenvolvimento Do Varejo No Brasil 23 Conceitos Básicos do Varejo 28 Panorama do Varejo 34 Tendências Atuais do Varejo 38 Considerações Finais 45 Referências 46 Gabarito UNIDADE II TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO 49 Introdução 50 Terminologias do Varejo 54 Tipos de Varejo 58 Formatos do Varejo com Loja 68 Formatos do Varejo Sem Loja 71 Novas Tecnologias e os Modelos de Varejo 75 Considerações Finais SUMÁRIO 10 81 Referências 82 Gabarito UNIDADE III COMPOSTO DO VAREJO 85 Introdução 86 Elementos do Composto de Varejo 88 Produtos no Varejo 98 Serviços no Varejo 103 Estratégias de Preço 108 Gestão de Pessoas 111 Comunicação no Varejo 115 Considerações Finais 120 Referências 122 Gabarito UNIDADE IV GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL 125 Introdução 126 Estratégias de Varejo e Localização 132 Logística no Varejo SUMÁRIO 11 138 Sistemas de Compra no Varejo 144 Apresentação, Exposição de Produtos e Layout 153 Varejo Virtual 160 Considerações Finais 167 Referências 168 Gabarito UNIDADE V ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO 171 Introdução 172 Estratégias para o Mercado Varejista 178 Planejamento Estratégico para Empresas Varejistas 185 Estratégias Financeiras no Varejo 193 Comportamento do Consumidor Varejista 200 Sistemas de Informação e Pesquisa de Mercado para Empresas Varejistas 206 Considerações Finais 213 Referências 215 Gabarito 216 CONCLUSÃO U N ID A D E I Professora Me. Fernanda Gabriela de Andrade Coutinho INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender a origem do varejo, suas características e principais conceitos. ■ Entender o panorama do varejo no mundo. ■ Conhecer o desenvolvimento do varejo brasileiro. ■ Verificar as principais tendências que estão modificando os rumos do varejo na atualidade. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Origem do varejo ■ Desenvolvimento do varejo no Brasil ■ Conceitos básicos do varejo ■ Panorama do varejo ■ Tendências atuais do varejo INTRODUÇÃO O varejo é o principal intermediário entre o fabricante/distribuidor e o consumi- dor final. O varejo não é apenas um setor da economia, mas se constituiu como uma atividade em si. Ele é um elemento de extrema importância na cadeia de dis- tribuição, pois realiza contato com o consumidor final, o que demanda extrema eficiência e conhecimento de estratégias mercadológicas para ter êxito e alcan- çar resultados positivos e satisfação desse consumidor. A troca de produtos sempre existiu, mas o varejo tal como se constitui nos dias de hoje teve início no final do século XIX e início do século XX, nos Estados Unidos e na Europa. Ao longo do tempo, várias mudanças foram ocorrendo e o varejo tambémpassou por essas modificações tanto no âmbito político, econô- mico, sociocultural e tecnológico. No Brasil, o comércio se constitui a partir da colonização, mas demonstrou seu real crescimento e estruturação a partir da instauração da República. Mas o varejo no Brasil foi realmente organizado, principalmente, no início do século XX, com a abertura de importantes lojas de departamento. Neste sentido, esta unidade traz um panorama geral do varejo, apresentando sua origem, principais características e o processo de evolução ocorrido a partir do século XX. Apresenta ainda uma perspectiva do varejo mundial, enfatizando o seu desenvolvimento no Brasil. Também abordaremos as especificidades do varejo brasileiro, apontando as principais questões enfrentadas pelas empresas no Brasil para seu desenvolvi- mento e manutenção no mercado competitivo, assim como os principais cenários do setor varejista e suas implicações para a economia brasileira. Por último, são discutidas algumas tendências do varejo atual que passou por transformações significativas com a inserção de novas tecnologias, além das mudanças nos cenários políticos e econômicos do mundo – bem como do per- fil da sociedade e suas questões culturais. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 15 ©shutterstock INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E16 ORIGEM DO VAREJO Para iniciar esta unidade, vamos apresentar a origem do varejo, pois se trata de uma atividade comercial antiga e, antes que ocorresse esse processo, os indivíduos sempre buscaram maneiras de suprirem suas necessidades básicas – principal- mente de alimentação –. Por isso, atividades de subsistência como a caça e a pesca e posteriormente a agricultura e criação de pequenos animais foram as primei- ras atividades de produção. Com essa produção contínua, começaram a sobrar excedentes e, a partir daí, iniciou-se o processo de troca, no qual indivíduos ofertavam os produtos que sobravam para outros indivíduos que também possuíam outros produtos sobrando e, assim, temos o surgimento das primeiras atividades comerciais, ainda que rudimentares. O grande desafio nesse processo de comercialização de produtos era encon- trar quem tivesse interesse no produto excedente e também na busca de produtos do próprio interesse para que a troca se concretizasse. Com o surgimento da moeda a comercialização se ampliou, já que o “produto”, que era a moeda, foi O Le Bom Marché, primeiro varejista no mundo que desenvolveu o formato de loja de departamento ainda existe, já está com mais de 160 anos e con- tinua representando um exemplo de comércio varejista na cidade de Paris, França. O varejo situado na fronteira entre o distrito 6 e 7, próximo à Univer- sidade de Sorbonne e da Igreja de Saint-Germain-des-Près, é um ícone de tradição e elegância na cidade francesa. Para se manter no mercado durante tanto tempo e enfrentar a concorrência, as mudanças na sociedade, bem como a introdução de novos formatos de varejo, o Le Bom Marché sempre apostou no atendimento diferenciado ao cliente e na força da tradição da marca e dos produtos ofertados. Fonte: Adaptado pela Autora de Bayarri (2013, online). Origem do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 substituído por algo que realmente passou a ter maior valor e era de interesse dos indivíduos na realização das trocas. O comércio estabeleceu-se, portanto, desde a Antiguidade – e registros anti- gos, encontrados por meio de descobertas em ruínas, mostram que já acontecia a comercialização de produtos na Grécia e também no Império Romano –. O comércio no Império Romano já apresentava uma ideia de como essa atividade se desenvolveria. Em Roma e em outras cidades do império já havia várias lojas e estruturas que se assemelhavam a shopping centers (LAS CASAS, 2004). Em 1700, o abastecimento nas pequenas cidades era realizado por lojas gerais, onde podia ser encontrado qualquer tipo de produto, desde alimentos e roupas até implementos agrícolas. Por volta da metade do século XIX, o comércio em todo o mundo desenvolvido se caracterizava como um conjunto de atividades concentradas sob o comando de um comerciante e seus poucos funcionários (MATTAR, 2011, p. 2). O início das funções de comércio ocorreu nos Estados Unidos, entre 1850 e 1860, com a divisão de funções entre atacadistas e varejistas. No ano de 1852, começou-se a operar o primeiro varejista do mundo no formato de loja de departamento em Paris, na França, o Le Bon Marché (MATTAR, 2011). INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 As tradicionais lojas de mercadorias que vendiam um pouco de tudo, denomi- nadas de “general stores” – desde produtos novos até tecidos, alimentos, armas entre outros –, surgiram nos Estados Unidos e na Inglaterra e eram considera- das como âncoras para as atividades sociais da época (LAS CASAS, 2004). No final do século XIX, com a expansão das estradas de ferro, além do sur- gimento dos correios e telégrafos nos Estados Unidos, começara a surgir as primeiras empresas que comercializavam por catálogos. As primeiras empresas nesse segmento foram a Montgomery Ward, em 1872, e a Sears, em 1886. No ano de 1912 surgiu o formato de autosserviço e na década de 1940 surge a loja de conveniência (MATTAR, 2011). A primeira construção moderna com características de shopping center dos dias de hoje surgiu em 1907, com a construção de uma estrutura arquitetônica para abrigar diversas lojas independentes, mas que operavam com uma adminis- tração centralizada e também contava com estacionamentos para as carruagens (MATTAR, 2011). Já o primeiro shopping center propriamente dito foi construído em Dallas, em 1931, porém o grande crescimento do setor de shopping center só ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, na década de 1950, em algumas cida- des da Europa e nos Estados Unidos. No caso dos supermercados, eles também surgiram nos Estados Unidos, sendo o primeiro inaugurado em 1930, o King Kullen. Somente na década de 1950 que os supermercados de expandiram para a Europa, já que ela enfrentava o período de guerra, e também para outros países como o Brasil. Em 1960, na França, foi inaugurado o primeiro hipermercado – que se tornou uma das maio- res redes do mundo, o Carrefour. Com relação às franquias, elas surgiram ao final da Segunda Guerra Mundial, também nos Estados Unidos, principalmente no segmento de comidas rápi- das, restaurantes e motéis. É nessa época que surge a rede do McDonald’s – que alcança uma rápida expansão –. O crescimento das redes, e a adoção desse sis- tema, continua nas décadas seguintes de 1960 e 1970 (MATTAR, 2011). As modificações sociais e econômicas ocorridas ao longo dos anos foram responsáveis pelo crescimento e diversificação no varejo. O surgimento dos diferentes formatos se estabeleceu de acordo com a estrutura de cada socie- dade e, por esse motivo, os Estados Unidos foram os pioneiros no surgimento Desenvolvimento Do Varejo No Brasil Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 dos principais formatos; com o crescimento da sociedade americana, o varejo se expandiude forma rápida e dinâmica com o aumento do consumo e demanda por novos produtos e serviços. Mesmo com a crise de 1929, as atividades varejistas conseguiram se desen- volver e os americanos foram os responsáveis pela disseminação das estruturas do varejo pelo mundo. A Europa também teve uma estruturação significativa das atividades de varejo, mas as Guerras Mundiais ocorridas em seu território causaram certo atraso nas atividades comerciais pela destruição que aconte- ceu nos países – e pela escassez de recursos propiciada pelos intensos conflitos. O varejo continua passando por transformações, ocorridas tanto no âmbito das empresas quanto nas questões de ordem política, econômica, cultural, tec- nológica e ambiental advindas da sociedade. Neste sentido, apresentaremos o desenvolvimento do varejo no Brasil e na sequência os conceitos e panorama do varejo na atualidade de acordo com as mudanças verificadas nas últimas décadas. DESENVOLVIMENTO DO VAREJO NO BRASIL O Brasil teve um desenvolvimento mais tardio em relação aos formatos varejis- tas que se constituíram nos Estados Unidos e em outros países. Por esse motivo, o varejo brasileiro foi estabelecido com base em experiências do exterior, ado- tando e copiando modelos que obtiveram resultados positivos nesses países. Na época do Brasil Colônia, as companhias de comércio tiveram um papel importante de atuação no mercado, mas ao longo do tempo não foram tão eficien- tes. A alavancagem do comércio brasileiro ocorreu por meio do desenvolvimento das atividades agrícola, pecuária e de mineração (LAS CASAS, 2004). Para a consolidação do comércio, o país enfrentou muitas dificuldades, principalmente na questão da infraestrutura, já que a falta de estradas e de trans- portes, a distância entre as áreas de comercialização, bem como a comunicação precária, dificultavam a locomoção para vendas de produtos – além de ainda INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 haver certa dependência política e econômica de Portugal (LAS CASAS, 2004). Com isso, podemos perceber que “até a segunda metade do século XIX não se podia falar da existência de lojas de varejo no Brasil e o comércio era exercido, exclusivamente, por mascates” (MATTAR, 2011, p. 8). Os grandes estabelecimen- tos comerciais surgiram no Brasil a partir do final do século XIX e início do século XX, como as Casas Masson, em 1871, no Rio de Janeiro; Casas Pernambucanas, em 1906; a Mesbla, em 1912, no Rio de Janeiro e; a Mappin Stores, em 1913, em São Paulo (MATTAR, 2011). Até 1950 o comércio ficava concentrado apenas na faixa litorânea brasileira e faltavam bens industrializados. Além disso, a comercialização de produtos era feita em feiras e mercados de vizinhança. Ainda havia o predomínio das ativi- dades agrícolas, mesmo na cidade. O grande marco da modernização foi a vinda para o Brasil, em 1949, da loja Sears. Outro fato relevante foi a implantação do autosserviço realizada na loja de fábrica do Frigorífico Wilson, em 1947, que vendia produtos como linguiças, salsichas, presuntos, mortadelas e salames (MATTAR, 2011). Na década de 1960 começam a surgir os primeiros shopping centers, princi- palmente nas capitais do país. O modelo de shopping center adotado no Brasil foi o regional e percebeu-se que o comércio em lojas de ruas e nos centros comerciais começaram a perder espaço de varejistas e consumidores em prol dos shopping centers (MATTAR, 2011). A década de 1970 foi muito positiva para o varejo e dois fatos importantes se destacam nesse período: a localização, já que os varejistas passaram a esco- lher seus pontos de forma mais estratégica com o objetivo de se aproximarem de seu público e o aumento do consumo que se massificou (GIULIANI, 2003). Essa década também é marcada pela expansão dos shopping centers e também dos hipermercados. Em 1974, foi inaugurado o Carrefour, primeiro hipermer- cado brasileiro, que suscitou a estrutura e a forma de operação dos varejistas europeus. Ainda temos nesse período uma expansão da área e das ferramen- tas de TI (Tecnologia da Informação), que eram utilizadas na gestão de caixas e terminais, controlando as vendas e os estoques (GIULIANI, 2003). Lojas tra- dicionais começam a se destacar na década de 1970, como a Mappin, Mesbla, Lojas Americanas, Arapuã e Pernambucanas. Desenvolvimento Do Varejo No Brasil Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 Com relação à década de 1980, observamos uma segmentação de mercado mais efetiva, com diferenciação de produtos e o destaque para produtos de marca. Também há uma expansão dos hipermercados e o surgimento das lojas de fábrica. Essa década ficou conhecida como a “década perdida”, devido à infla- ção muito elevada, alta taxas de juros e racionalização das operações de varejo. Mas este período propiciou a expansão por meio de fusões e aquisições entre empresas e também para a entrada dos modelos de franchising, como a rede de fast-food McDonald’s (GIULIANI, 2003). Na década de 1990 temos a abertura de mercado implementada pelo então presidente da República, Fernando Collor de Melo. Na segunda metade da década, a instituição do Plano Real estabiliza a economia e traz estabilidade de preços. Com isso, há um acirramento da concorrência e dos investimentos que pres- sionam o varejo. Desta forma, as empresas varejistas começam a buscar ganhos operacionais de produtividade e eficiência – e também adotar estruturas mais enxutas, além de qualificação de pessoal –. O foco passa ser o consumidor e há grande investimento em serviços buscando rentabilidade. Nesse período, temos a entrada de grandes empresas estrangeiras como a Walmart e a Leroy Merlin. A década de 1990 foi revolucionária para o varejo e pode ser dividida em dois períodos, conforme assinala Giuliani (2003). Segundo o autor, o primeiro período, entre 1990-1995, tinha como foco central o consumidor, por isso as tecnologias passaram a ser empregadas no atendimento aos clientes e no esta- belecimento do relacionamento com eles. Um marco importante foi a criação do Código de Defesa do Consumidor (CDC), em 1990, que também impulsionou as ações varejistas direcionadas aos consumidores (MATTAR, 2011). Para Giuliani (2003), no segundo período, entre 1996 e 2000, predominam as lojas multiespecializadas, temáticas, “home TV shopping”, sortimento limitado, entre outras. Também se ampliam as fusões e aquisições que passam a centrar- -se em nichos específicos para atender ao consumidor. Nessa década, a disputa pelo consumidor predomina, buscando ofereci- mento de produtos e serviços de valor e estabelecendo relacionamento com o consumidor. As tecnologias ficam concentradas no CRM (Customer Relationship Management) e no marketing customizado (GIULIANI, 2003). A internet começa se destacar como um importante canal de distribuição e comunicação. INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 A partir do século XXI, mudanças significativas estão alterando os rumos do varejo no Brasil. As principais modificações tratam da mudança do perfil da população, como o aumento da participação das mulheres no mercado de tra- balho, o aumento do número de idosos e diminuição da população jovem. Isso implica em novas soluções no varejo para fornecer produtos e serviços para aten- der essa nova realidade. Outra questão diz respeito às evoluções tecnológicas, com o aumento do varejo virtual que passa a ser utilizado por pequenas, médias e grandes empre- sas emdiversos segmentos. Algumas empresas, inclusive, passam atuar somente no mundo on-line, atendendo a públicos mais segmentados e de interesses dife- renciados. O varejo eletrônico produz novos desafios para o varejista que precisa compreender o funcionamento dessa modalidade e realizar estratégias especí- ficas para esse canal. Compreendido como foi desenvolvido o varejo no Brasil, apresentaremos na sequência definições e conceitos do varejo, bem como seu funcionamento e funções dentro dos canais de distribuição. O varejo de experiência é uma das inovações que tem maior potencial de gerar diferenciação, relacionamento e fidelidade com o consumidor, justa- mente por inverter a lógica da briga por preços, oferecendo primeiro uma experiência diferenciada e compensadora para cada perfil de cliente, para, então, preocupar-se com a eficiência operacional. Embora ainda incipiente no país, trata-se de uma área de inovação com potencial de trazer uma nova fisionomia ao varejo brasileiro, sobretudo aos segmentos especializados. (Las Casas e Garcia) Conceitos Básicos do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 CONCEITOS BÁSICOS DO VAREJO Para compreender o varejo é preciso pensá-lo como elemento intermediário que participa dos canais de distribuição. Segundo Berkowitz et al. (2003, p. 144), “os canais de marketing possibilitam o fluxo de mercadorias desde um produ- tor, passando pelos intermediários, até chegar a um comprador”. Os intermediários possuem diversas funções, sendo a principal facilitar o trânsito de produtos, fazendo com que eles cheguem ao consumidor final. A figura 1 demonstra como os canais de distribuição podem minimizar as transações. Figura 1 – Fluxo por meio dos canais de distribuição a. Número de contatos sem um distribuidor b. Número de contatos com um distribuídor F x C = 3 x 3 = 9 = Fabricante = Cliente = Distribuidor F x C = 3 + 3 = 6 Loja Loja Fonte: adaptado de Berkowitz et al. (2003, p.145). Os canais de distribuição fazem parte do composto mercadológico e determinam quais os caminhos que os produtos deverão percorrer para chegar ao consumidor (LAS CASAS, 2004). O melhor caminho dependerá de diversas variáveis, como segmento e porte da empresa, questões de logística e de transporte, mas, principal- mente, é preciso pensar com base nas necessidades do mercado e, neste sentido, realizar o fluxo de forma mais eficiente para atender ao cliente. A figura 2 apresenta as possibilidades de canais de distribuição tendo como elemento final o consumidor. INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 Figura 2 – Canais de Distribuição Produtor Produtor Produtor Produtor Agente AtacadistaAtacadista Varejista Consumidor Varejista Consumidor Varejista ConsumidorConsumidor Fonte: adaptado de Las Casas (2004, p.16); Berkowitz et al. (2003, p.145). Como pode ser observado, na figura 2, tanto atacadistas como varejistas fazem o papel de intermediário, mas em geral, somente o varejista atende diretamente ao consumidor final. Como as duas atividades são fundamentais para funciona- mento dos canais de distribuição, destacados o quadro 1, que apresenta o papel desenvolvido por varejistas e atacadista no mercado. Quadro 1 – Papel dos atacadistas e varejistas VAREJISTA ATACADISTA Adquirem, do atacadista, quantidade e variedade, dependendo da loja. Adquirem de muitos fabricantes, com- pram grande variedade e quantidade. Manuseiam os produtos por meio de armazenagem, preço e exposição. Manuseiam os produtos por meio de armazenagem, transporte e preços. Apresentam seus produtos por meio de propaganda dirigida ao consumidor final. Pesquisa de mercado dirigida ao fabricante e ao atacadista. Seus esforços promocionais dirigidos aos varejistas apresentam as tendên- cias para o fabricante. Vendem para o consumidor final, ofere- cem horários convenientes, pessoas de vendas treinadas, estratégias de preço e de financiamento. Vendem para os varejistas com entrega eficiente, grande variedade de pro- dutos, estratégias de financiamento e preço. Fonte: Las Casas e Garcia (2007, p. 21). Conceitos Básicos do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 O varejo se caracteriza como atividades que estão relacionadas à venda de bens e de serviços ao consumidor final, para seu uso pessoal e não comercial (LAMB; HAIR; McDANIEL, 2012; KOTLER; KELLER, 2012). Para Berkowitz et al. (2003, p. 193) “o varejo é uma importante atividade de marketing. Ele não só promove o encontro de produtos e consumidores através das ações de varejo, mas também cria valor para o cliente e tem um impacto significante na economia”. A atividade de varejo apresenta vantagens, tanto para as empresas quanto para os consumidores (LAS CASAS, 2004). No caso das empresas, a grande vantagem é que cada uma pode se especializar em sua área de atuação e assim diminuir os custos. Os fabricantes, direcionando seus esforços para a produção, não precisam se preocupar com a venda dos produtos fabricados. No caso dos varejistas, eles se especializam em suas atividades de venda e podem reduzir os custos operacionais em virtude dessa especialização. No caso dos consumidores, os benefícios do varejo são amplos no caso do oferecimento de produtos diversificados que podem ser concentrados em um mesmo tipo de loja, ou ainda produtos conforme segmentos específicos. Além disso, há benefícios em relação à quantidade que pode ser adquirida pelo consu- midor, bem como da questão de espaço e tempo que facilita o acesso dos clientes aos varejistas, conforme apresentado na figura 3. Figura 3 – Utilidades do varejo no sistema de distribuição Utilidade de sortimento Varejistas Utilidade de quantidade Utilidade espacial Utilidade de tempo Fonte: Mattar (2011, p. 46). INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 O varejo, como intermediário do sistema de distribuição apresenta três funções: transacional, logística e facilitadora (BERKOWITZ et al., 2003; LAS CASAS, 2004; LAS CASAS; GARCIA, 2007). No caso da função transacional ela inclui a função de compra, comprando uma variedade de produtos de diferentes vende- dores para a revenda; de venda, promovendo o produto junto dos consumidores finais e, por fim, de riscos, assumindo riscos relacionados à manutenção de esto- ques, à obsolescência de produtos, entre outros. No caso da função logística, ela engloba a função de sortimento, ofertando produtos diversos ao cliente; de armazenamento, protegendo os produtos e man- tendo-os no estoque para melhor atender ao consumidor; seleção, comprando grande quantidade de produtos e dividindo-os em quantidades menores con- forme necessidade dos clientes; e de transporte, que consiste na movimentação física do produto do produtor para o consumidor. Tratando da função facilitadora, as funções se referem ao financiamento, concedendo crédito aos clientes; classificação e controle de qualidade, inspe- cionando, testando e avaliando os produtos determinando graus de valor em função da qualidade; e pesquisa e informações de marketing, fornecendo aos fabricantes informações sobre as condições de mercado e também aos clientes sobre tendências e condições de preço. As atividades varejistasprecisam ser realizadas de forma competente por pro- fissionais que consigam desempenhar atividades estratégicas para que a empresa de varejo cresça e se estabeleça no mercado competitivo. Os administradores varejistas possuem funções básicas e complementares, conforme quadro 2, que dependerão também do segmento e estrutura da empresa, bem como dos seus objetivos propostos pela administração mercadológica. Quadro 2 – Funções do administrador de varejo FUNÇÕES BÁSICAS FUNÇÕES COMPLEMENTARES Obtenção de mercadoria por meio de compras. Registro de mercadoria recebida. Venda pessoal. Rotulagem de mercadoria. Formação de preço. Organização da empresa. Conceitos Básicos do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 Promoção da mercadoria (propaganda e display). Delegação de autoridade e responsa- bilidade. Oferta de serviços. Determinação de procedimentos. Controle (principalmente de estoque). Seleção de equipamentos. Fonte: Las Casas e Garcia (2007, p. 27). O varejo também pode ser entendido dentro do conceito de ciclo de vida apre- sentado em marketing, no qual se explica que as empresas varejistas passam por fases que vão desde a introdução no mercado até o alcance da maturidade. Algumas delas também podem entrar em declínio. Cabe salientar que as empresas não passarão da mesma forma por cada etapa, pois dependerá de outras vari- áveis que influenciarão o processo tanto no micro como no macroambiente. A figura 4 apresenta os ciclos de vida no varejo. Figura 4 – Exemplo de Ciclo de Vida do Varejo Centros de varejo de válvulas Participação de mercado ou lucro Varejistas online Lojas de marca única Lojas de preço único Lojas de fábrica Lojas de compras Lojas de conveniência Supermercados Shoppings (?) Varejistas por catálogo Lojas de mercadorias gerais Participação de mercado Lucros Lojas de departamentos Lojas de fast-food Fonte: Berkowitz et al. (2003, p. 213 ). Na fase de introdução ou crescimento inicial, como apresentado na figura 4, novos formatos são implantados no mercado. Nesta etapa o crescimento das vendas é lento, as despesas de promoção são altas, bem como os preços. As margens são altas para poder compensar os volumes baixos e os lucros ainda são pequenos por se tratar de uma fase inicial. INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 A próxima etapa é a de crescimento, na qual os modelos de varejo conseguem aceitação no mercado, já que outros varejistas também começam a desenvolver lojas no mesmo formato. As vendas crescem, as despesas promocionais conti- nuam altas, mas diminuem em relação à introdução, e os lucros totais crescem rapidamente. Na fase de maturidade as vendas se estabilizam, pois os formatos de varejo já alcançaram a aceitação nos mercados potenciais e a concorrência é intensa. As despesas com propaganda são contidas e há uma tendência para a diminuição dos lucros. Neste caso, essa fase mostra que é necessário pensar em aperfeiço- amento e atualizações nas estratégias mercadológicas para que a empresa não entre em declínio. A fase de declínio ocorrerá quando as vendas e os formatos varejistas, até então utilizados, começarem a declinar, abrindo espaço para formatos mais arrojados e competitivos. As empresas varejistas que entrarem nessa fase preci- sarão repensar e reajustar todas as suas estratégias mercadológicas e decidirem se continuarão atuando no mercado implementando os ajustes necessários ou se abandonarão esse formato e buscarão outras soluções viáveis para os negócios. A partir do entendimento dos principais conceitos de varejo, apresentare- mos na sequência um panorama do varejo internacional e, principalmente, do varejo brasileiro. PANORAMA DO VAREJO O varejo, como já discutido, passa por muitas mudanças que alteraram desde o mix de produtos ofertados até os formatos varejistas e a forma de relaciona- mento com os clientes. Algumas alterações são globais e ocorrem em diversos países, já que, com o mundo hoje totalmente conectado, algumas ações passam a ter um alcance global, mesmo com as características peculiares de cada país e suas estruturas social, política e econômica. Panorama do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 29 Sendo assim, podemos apontar algumas questões que provocaram uma revo- lução no varejo entre o final do século XX e início do século XXI. A primeira delas é justamente a globalização que alterou principalmente a maneira como os varejistas lidam com seus concorrentes, já que com esse processo ocorreu a entrada de várias redes de empresas que passaram a atuar em diversos países. Outro contexto importante que vivenciamos é o aumento do poder do varejo e o estabelecimento de aliança com os fornecedores. Com as estratégias mais ali- nhadas, os varejistas conseguem planejar melhor todo seu processo e desta forma podem negociar com mais precisão com seus fornecedores. Além disso, os forne- cedores também perceberam que com o crescimento do varejo se faz necessário estabelecer parcerias mais duradouras e também lucrativas. Com essa expansão do varejo, a concorrência e a entrada de substitutos no mercado também se acirrou, mas o lado positivo é que a competição faz com que as empresas inovem e procurem outras formas de reter o cliente e se man- terem no mercado. Assim, começam a ofertar produtos melhores, ampliam os serviços, desenvolvem mais a promoção, além de outras ações para fortalecer sua posição no mercado. A tecnologia da informação (TI) também evolui rapidamente e novos siste- mas alteraram o processo do varejo. Desta forma, as novas tecnologias passaram a ser adotadas pelos varejistas, substituindo equipamentos antigos e poucos recur- sos. Essas tecnologias otimizam o processo, facilitam o acesso e permitem maior rentabilidade a longo prazo, já que pode proporcionar melhora desde o atendi- mento até o estoque e entrega dos produtos. Outra questão que envolve o varejo na atualidade é a valorização do capital humano e a profissionalização. O recrutamento e a seleção por profissionais que atuem no varejo estão mais preocupados em buscar funcionários que atendam ao perfil da empresa e também à nova realidade do mercado – mais dinâmica, com mais informações, mas que também exige dos empregados mais autonomia e conhecimento –. Há mais preocupação com o treinamento, com a inserção dos trabalhadores conforme suas habilidades e competências. Por fim, temos ainda uma mudança nos formatos varejistas, antes mais voltados para as lojas físicas e, agora, principalmente com as possibilidades pro- porcionadas pela internet, o varejo eletrônico se expandiu e traz novas perspectivas INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E30 e desafios para empresas varejistas. Além disso, os formatos tradicionais, como os supermercados e farmácias, também passam por alterações. Muitos segmen- tos estão adotando uma estrutura mais enxuta para conseguirem atender aos seus clientes e se diferenciarem no mercado. O varejo global apresenta crescimento e acirramento da competição – influen- ciado principalmente pelo varejo norte-americano (o maior do mundo), que em 2013 apresentou uma grande expansão, influenciando outras economias pelo mundo (SOUZA, 2014, on-line)1. A recuperação das vendasno varejo também ocorre nos países na Zona do Euro, como Alemanha, França, Itália, Espanha, e fora da Zona do Euro, como na Inglaterra, com um aumento do consumo interno, pela maturidade dessas eco- nomias e também por conta de mudanças estruturais dos padrões de consumo que privilegiam aumento nas despesas com serviços, especialmente nas áreas de saúde, lazer, turismo e outros de natureza pessoal (SOUZA, 2014, on-line)1. Nas economias emergentes, principalmente, China, Índia, Rússia e também o Brasil, por conta de ajustes internos, o crescimento das vendas do varejo é menor do que foi nos últimos anos, principalmente quando comparado com o período que se sucedeu à crise financeira global – quando o consumo interno foi forta- lecido para compensar a estagnação econômica internacional (SOUZA, 2014, on-line)1 –. Os mercados emergentes, mesmo sofrendo desaceleração no cres- cimento e com uma perspectiva de crescimento insatisfatório para os próximos dois anos, continuam com um panorama positivo em longo prazo. Com relação aos 250 maiores varejistas mundiais eles concentram o valor de US$ 3,94 trilhões em vendas totais, com uma venda média entre os varejis- tas no valor de US$ 15,763 bilhões, valores considerados entre os anos de 2005 a 2010 (DELOITTE, 2012, on-line)2. A taxa composta de crescimento anual de vendas no varejo se constitui em 5,3 % e a margem de lucro composta em 3,8% (DELOITTE, 2012, on-line)2. O quadro 3 apresenta as dez maiores empresas varejistas mundiais em concentração econômica. Panorama do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 31 Quadro 3 – 10 maiores varejistas em concentração econômica CLASSIFICAÇÃO NOS 250 MAIORES EMPRESA PAÍS DE ORIGEM VENDAS NO VAREJO (US$ MILHÕES) CRESCIMENTO DAS VENDAS NO VAREJO (%) 1 Walmart EUA 418.952 3,4 2 Carrefour França 119.642 4,8 3 Tesco Reino Unido 92.171*e 6,7 4 Metro Alemanha 88.931 2,8 5 Kroger EUA 82.189 7,1 6 Schwarz Unterneh- mens Alemanha 79.119*e 9,4 7 Costco EUA 76.255 9,1 8 Home De-pot EUA 67.997 2,8 9 Walgreens EUA 67.420 6,4 10 Aldi Alemanha 67.112*e 5,2 Grupo dos 10 maiores* 1.159.788 5,0 Grupo dos 250 maiores* 3.940.747 5,3 Participação das vendas dos 10 maiores no total de vendas dos 250 29,4 * Vendas brutas, com taxas de crescimento compostas ajustadas de acordo com as taxas de câmbio e = estimativa Fonte: Deloitte (2012, p. 5, on-line)2. Além disso, no gráfico 1 pode-se observar que os 250 maiores varejistas globais estão concentrados nos EUA, seguidos da Europa e Japão, e que as vendas tam- bém se destinam aos EUA e Europa, com um destaque para a Alemanha que está em terceira posição – em relação ao destino das vendas. INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E32 Gráfico 1 – 250 maiores varejistas por região e destino das vendas EUA Europa (outros países) Japão Alemanha Reino Unido Ásia / Pací�co (outros) França Canadá América Latina África / Oriente Médio EUA Europa (outros países) Alemanha França Japão Reino Unido Ásia / Pací�co (outros) Canadá América Latina África / Oriente Médio Os 250 maiores varejistas por país/região de origem (%) 32,4 41,7 16,4 11,611,1 9,5 8,8 6,5 5,4 2,6 1,81,0 15,2 7,6 6,0 6,0 5,2 4,0 4,0 3,2 O destino das vendas dos 250 maiores varejistas (%) Fonte: Deloitte (2012, p. 9 , on-line )2. O varejo brasileiro apresenta características próprias que merecem ser destaca- das, como a concorrência segundo região ou regionalização da concorrência; lojas especializadas que atuam em nível local, cadeias de porte médio a nível regional e poucas cadeias de lojas em nível nacional; disparidades na gestão das empre- sas varejistas em função do grau de profissionalização, predominando a gestão familiar; intensiva mão de obra, com elevado turnover; indefinição do foco do negócio; alto endividamento de grande parte das empresas do setor (SANTOS; COSTA, 2002). Conforme dados da Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2015, on-line)3, o comércio varejista do Brasil fechou o ano de 2014 com crescimento acumulado de 2,2% no volume de vendas, em comparação ao resultado acumulado de 2013 (4,3%), no volume de vendas da série sem ajuste sazonal. Com relação à receita nominal do setor, o fechamento teve um crescimento de 8,5% (OLIVEIRA, 2015, on-line)4. Tratando do consumo das famílias e das vendas do varejo entre 2001 e 2014, observamos uma queda acentuada nos últimos dois anos, conforme expõe o gráfico 2. Panorama do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 33 Gráfico 2 – Varejo x Consumo das famílias -6.0 -1.6 -0.7 -0.7 -3.7 0.7 1.2 9.3 3.9 4.8 4.3 6.2 5.4 9.7 6.3 9.1 6.4 5.9 10.9 4.2 6.4 6.7 8.4 4.8 3.9 4.3 2.9 2.2 0.9 2001 2002 2003 2004 2005 Varejo Consumo das famílias 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 -4.0 -2.0 2.0 4.0 6.0 8.0 10.0 12.0 -0.0 Fonte: IBGE (2015, on-line).3 O varejo brasileiro alcançou, em 2014, um faturamento nominal de R$ 1,637 tri- lhão, alta de 5,2% em relação ao ano anterior, e poderá chegar a R$ 1,723 trilhão em 2015, considerando um cenário otimista (ABF, 2016, on-line)5. O Gráfico 3 demonstra o desempenho do comércio varejista nos anos de 2013, 2014 e iní- cio de 2015. Gráfico 3 – Desempenho do comércio varejista Desempenho do comércio varejista brasileiro Variação do volume de vendas total 3.6 -1.7 -7.5 Artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria 10.1 9.0 4.1 Combustíveis e lubri�cantes 6.3 2.6 -5.2 Materiais para escritório e informática 6.9 -1.7 14.5 Alimentício, bebidas e fumo 1.9 1.3 -0.8 Livros, jornais, revistas e papelaria 2.6 -7.7 -7.9 Hipermercados e supermercados 1.9 1.3 -0.6 Outros artigos de uso pessoal e doméstico 10.3 7.9 3.8 2013 2014 2015* *Acumulo do ano até fereveiro Tecidos, vestuários e calçados 3.4 -1.1 -3.8 Veículos e motos, partes e peças 1.5 -9.4 -19.8 Móveis e eletrodomésticos 4.9 0.6 -6.5 Material de construção 6.9 0.0 -7.8 Fonte: IBGE (on-line)³. INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E34 O varejo em todo o mundo, principalmente os países mais maduros, sempre vai buscar novas alternativas que possam torná-lo maior e mais competitivo em sua própria região de origem e como possibilidade ir para novos e menos competitivos mercados, espalhando a competição em termos globais (SOUZA, 2014, on-line)1. Algumas alternativas para os varejistas brasileiros para se manterem no mercado global são as fusões, o aumento da participação das marcas próprias, a utilização dos canais digitais, os formatos de lojas orientados para valor, mais investimentos em tecnologia e logística objetivando simplificar e reduzir proces- sos e também o aumento da oferta de serviços diversificados ampliando a venda de produtos e, assim, desenvolver novos estágios de competição em escala glo- bal (SOUZA, 2014, on-line)1. Com base nesse panorama do varejo no Brasil e também do varejo global, detalharemos na sequência as principais tendências do varejo na atualidade. TENDÊNCIAS ATUAIS DO VAREJO Com a descrição do panorama do varejoé possível apontar algumas tendências para o varejo no Brasil e no mundo – de acordo com o cenário que está sendo desenhado nos últimos cinco anos. Temos crises financeiras em países da Europa, queda no crescimento eco- nômico na China, questões políticas e financeiras que afetam o mercado interno brasileiro, mas, também, o fortalecimento da economia norte-americana. As tendências apontadas a seguir são projeções que podem ser concretiza- das no varejo dentro do cenário global de acordo com as mudanças ocorridas nos países, nos últimos anos. Neste sentido, Mattar (2011, p. 30-31) aponta alguns direcionamentos do varejo que podem ser considerados tendências e ações realizadas no varejo bra- sileiro e mundial após a crise ocorrida no mercado norte-americano em 2008. Tendências Atuais do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 35 ■ Mercados emergentes como China, Índia, Rússia e Brasil continuarão a protagonizar crescimento acelerado na economia. Na China, os gastos dos consumidores continuarão a aumentar de maneira vertiginosa. Na Índia, as próprias empresas varejistas indianas aumentaram de forma significa- tiva os investimentos locais em modernização e expansão. ■ Na América Latina, verifica-se um sensível crescimento dos mercados varejistas da Argentina, Chile e Brasil e uma menor expansão no México e Venezuela. ■ Expectativas para a economia brasileira não preveem um cenário tão sombrio no curto prazo quanto o de economias de países mais desen- volvidos. O mercado brasileiro também tem refletido a crise mundial. ■ Redução do nível de emprego e menor oferta de crédito com taxa de juros elevadas afetaram diretamente os segmentos que mais contribuíram para o crescimento ocorrido até meados de 2008. ■ Os efeitos das transferências do governo evidenciam a importância que podem ter para a manutenção do dinamismo dos setores beneficiados. ■ Vendas do setor de supermercados, em particular de alimentos e bebi- das, devem ser beneficiadas. ■ Retomada oportuna dos financiamentos para aquisição de veículos e das operações de leasing. ■ O movimento de fusões e aquisições no varejo continuará aquecido. ■ Tendências do segmento de supermercados diante da redução da ativi- dade econômica é a adoção de uma postura mais defensiva e investimento no mix de produtos. ■ Estratégias de aumento de competitividade devem continuar focando preços e marcas, mix de produtos, níveis de estoque, diferenciação, seg- mentação e novos formatos. Outras tendências apontadas por Vance e Merlo (2011) em relação especifica- mente ao mercado brasileiro é a expansão por meio de aquisições, que ocorrem com frequência no setor de supermercados, mas também tem se estendido para outros segmentos; formação de redes entre varejistas de pequeno e médio porte para aumentar o poder de barganha frente os fornecedores e se manterem INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E36 competitivos frente às grandes empresas; desenvolvimento de práticas sustentáveis como uma tendência do varejo; a internacionalização das atividades varejistas como uma alternativa para explorar as oportunidades globais. Outras tendências indicadas por Mattar (2011) em relação ao varejo brasileiro são novas formas de comunicação; crescimento das marcas próprias; crescimento do marketing direto; crescimento do trading marketing; mudanças nos forma- tos das lojas, principalmente com o varejo eletrônico – que se consolidou como um importante canal tanto de venda como de comunicação –. Mas as alterações nos formatos de loja também abrangem as lojas físicas, que estão mais enxutas, com versões “express”, além de supermercados que agora abrigam outras lojas para ampliarem e diversificarem os serviços oferecidos. Omni-channel e as mudanças no varejo Omni-channel é a utilização de uma variedade de canais para que o cliente te- nha uma experiência de compra. Essa é uma das grandes tendências no merca- do de varejo. As diferenças entre lojas físicas ou lojas on-line desapareceram. O cliente pode ver o produto pela internet e comprar na loja física ou/e vice-versa. O consumidor agora é multicanal, ou seja, compra em diversos canais e pode cruzar compras em ambientes físicos e virtuais. A experiência do consumidor acontece por meio de diversos canais disponíveis de compras, por meio de dispositivos móveis pela internet, televisão, rádio, mala direta, catálogos, entre outros. Os varejistas estão atendendo a essa nova demanda dos clientes com a implementação de softwares e mudanças nas estratégias de comunicação. O consumidor omni-channel utiliza todos os canais de forma simultânea, e as empresas que utilizarem essa abordagem omni-channel deverão acom- panhar os clientes em todos os canais – e não apenas em um ou dois. Baseado em: <http://nextecommerce.com.br/omni-channel-o-que-significa-isso/> Fonte: Monteiro (2013, on-line)6. Tendências Atuais do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 37 Além disso, a nova economia de varejo aponta para o denominado multi- varejo, conforme apresentado na figura 5. Figura 5 – Multivarejo Multivarejo Multicanal MultimobilidadeMultitalento Multiunicidade Multiexperiência Multiparcerias Multivarejo Global Fonte: criado a partir de Mattar (2011, p. 32). O multivarejo, segundo Mattar (2011), se constitui como uma estratégia mer- cadológica de varejo para atender ao consumidor quando e onde ele quiser, por meio de multicanais (com ampla mobilidade) por meio da internet e operações que podem ser realizadas em diversos países. Além disso, as parcerias estabelecidas facilitam todo o processo e o rela- cionamento com o cliente é mais valorizado com a multiunicidade e a busca de realizações – com a multiexperiência, na qual não se compra mais produtos e serviços, mas sim experiência, entretenimento. Por fim, o multivarejo valoriza a equipe externa com o multitalento, buscando fortalecer a cultura e os valores dos indivíduos na empresa em que atuam (MATTAR, 2011). INTRODUÇÃO AO VAREJO: CONCEITOS, DEFINIÇÃO E PANORAMA ATUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E38 Com isso, verificamos que para atuar no varejo é preciso desenhar uma pro- posta de marca diferenciada e profundamente focada, explorar novas ferramentas, técnicas e fontes de dados, otimizar as atividades principais por meio de uma inteligência de negócios sistêmica, trabalhar as limitações internas (MATTAR, 2011, p. 39). Concluímos esta unidade compreendendo que é preciso acompanhar as mudanças ocorridas em diversos âmbitos, desde questões econômicas até os novos formatos de varejo para que a empresa varejista possa definir seu posi- cionamento e se manter competitiva no segmento que atua. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como foi observado nesta unidade, o comércio se originou desde a Antiguidade com características que já apresentavam a troca de produtos entre indivíduos – que naquele período era basicamente para subsistência –. Mas as mudanças estruturais ocorridas na sociedade alteraram a maneira de comercializar e, tanto na Grécia como em Roma, já era possível notar características mais próximas em relação ao varejo na atualidade. O varejo se estabeleceu e ganhou forma principalmente nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. A maioria dos principais formatos varejistas foram desenvolvidospelos norte-americanos, que tinham grande vantagem em rela- ção aos países europeus arrasados pelas guerras mundiais. No caso do Brasil, o varejo se desenvolveu de forma tardia a partir da década de 1950 e seguindo os modelos importados dos Estados Unidos. O varejo se constitui como importante elemento do canal de distribuição, pois tem, dentre outras funções, o papel de facilitar o contato do consumidor final com os produtos produzidos pelos fabricantes. Os varejistas encurtam os caminhos até o cliente, além de oferecerem diversidade de produtos – todos reu- nidos em um único estabelecimento. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 39 O varejo tem alcançado um crescimento significativo nos últimos anos, no mundo como um todo, mas cada país possui suas especificidades no que diz respeito ao aumento das vendas no setor. Observamos uma tendência na qual as empresas de varejo, mesmo em tempos de crise, têm procurado alternativas para manterem a competitividade atraindo os clientes e estabelecendo relacio- namentos e parcerias para ampliarem suas operações. Desta maneira, concluímos que as mudanças nas atividades do varejo devem ser acompanhadas pelos gestores de marketing que precisam sempre inovar em suas estratégias, criando alternativas para que as empresas varejistas consigam obter lucratividade durante um período mais longo e um relacionamento está- vel e mais duradouro com os consumidores. 40 1. Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): ( ) No Brasil, o comércio se constitui a partir da colonização, mas demonstrou seu real crescimento e estruturação a partir da instauração da República. ( ) O início das funções de comércio ocorreu nos Estados Unidos, entre 1850 e 1860, com a divisão de funções entre atacadistas e varejistas. ( ) No caso dos supermercados, eles surgiram na Europa, mais precisamente na França, sendo o primeiro inaugurado em 1930, o Carrefour. a. V; V; V b. F; V; V c. V; V; F d. F; V; F e. V; F; F 2. Sobre o desenvolvimento do varejo brasileiro ao longo das décadas, é possível afirmar que: a. Na época do Brasil Colônia, para a consolidação do comércio, o país enfrentou muitas dificuldades, principalmente na questão da infraestrutura, já que a falta de estradas e de transportes, a distância entre as áreas de comercialização, bem como a comunicação precária dificultava a locomoção para vendas de produtos. b. A década de 1990 foi muito positiva para o varejo e dois fatos importantes se destacam nesse período, a localização, já que os varejistas passaram escolher seus pontos de forma mais estratégica com o objetivo de se aproximarem de seu público; e o aumento do consumo que se massificou. c. A década de 1970 ficou conhecida como década perdida, já que o varejo en- trou em declínio e as principais empresas do país foram obrigadas a encerrar suas atividades. d. No século XXI, as mudanças nos formatos do varejo foram a alteração mais significativa que modificou os rumos de varejo, bem como as estratégias de distribuição e precificação. 41 3. Descreva as três funções básicas exercidas pelo varejo como intermediário dos canais de distribuição. 4. Qual das alternativas a seguir, não corresponde à função do varejista: a. Manusear os produtos por meio de armazenagem, preço e exposição. b. Apresentar seus produtos por meio de propaganda dirigida ao consumidor final. c. Vender para o consumidor final, oferecer horários convenientes, pessoas de vendas treinadas, estratégias de preço e de financiamento. d. Adquirir produtos de muitos fabricantes e comprar em grande variedade e quantidade. e. Pesquisa de mercado dirigida ao fabricante. 42 5 TENDÊNCIAS QUE APONTAM OS RUMOS DO VAREJO NO BRASIL 1) Expansão do Varejo O varejo brasileiro passa por transformações tanto na sua estrutura interna, com mu- danças nas empresas, formas de contratação de funcionários, questões de planejamen- to e controle dos custos, como no ambiente externo, com as mudanças no cenário po- lítico e econômico, bem como nas alterações no perfil da população com seus gostos e preferências de consumo. Mesmo após a crise financeira mundial de 2008 e com a atual crise interna de 2014 (que apresenta a queda de vendas em diversos setores), o varejo brasileiro, pela sua estrutura e história, conseguirá realizar novas estratégias para manu- tenção de seus objetivos e metas a curto, médio e longo prazo. 2) Valorização da Loja Física Apesar da tendência do varejo eletrônico, que atingiu praticamente empresas de todos os segmentos (independente do porte), a valorização da loja física e adoção de formatos diferenciados é uma solução estratégica para o crescimento e expansão do mercado va- rejista brasileiro. Neste sentido, as alterações começam no próprio ambiente de loja, que deve se tornar mais atraente para o consumidor, até a melhora dos processos internos de atendimento, sortimento de mercadorias, estratégias de preço mais direcionadas ao target e ainda uma localização que facilite o acesso do cliente à loja. 3) Investimento de Tecnologia No caso das tecnologias, elas podem aprimorar tanto os processos internos – como me- lhor estruturação dos canais de distribuição; de compras; e controle de estoque – como o atendimento no ponto de venda (PDV). As empresas precisam implantar soluções inteligentes para construir um sistema de informação que consiga gerenciar os dados para melhor contato com os clientes. Além disso, algumas tecnologias podem melhorar o ambiente de loja e possibilitar a interação com os consumidores, como dispositivos nos quais os consumidores podem escolher os produtos ou ainda os provadores inteli- gentes capazes de interagir e reagir às questões dos clientes a respeito da prova de um produto. 43 4) Internacionalização O processo de internacionalização ocorre tanto com a entrada de empresas estrangei- ras no Brasil quanto ao contrário, com a implantação de formatos varejistas brasileiros em outros países. Esse é uma tendência do varejo e está sendo adotada por diversas empresas, desde as microempresas até as grandes corporações. Esse processo se torna viável no sentido de ampliar os mercados de atuação bem como para gerar know-how por meio do contato com outras formas de gestão adotadas nos países estrangeiros. 5) Sustentabilidade As questões de sustentabilidade tomaram conta do varejo e não é possível, hoje, desen- volver práticas que não levem em consideração as questões ambientais e os impactos causados pela empresa na sociedade. As ações são diversas e vão desde a economia de água durante os processos, a utilização de materiais recicláveis, a separação do lixo, até ações mais pontuais como alterações no próprio produto varejista, o denominado, produto social (que já é ofertado como um diferencial por causar menos dano ao meio ambiente), como é o caso de algumas roupas que são fabricadas a partir de garrafas PET. Saiba mais em: <http://onegociodovarejo.com.br/5-tendencias-que-apontam-os-ru- mos-varejo-brasil/> Fonte: adaptado de Pastore (2014, on-line)7. MATERIAL COMPLEMENTAR Gestão de marketing no varejo: conceitos orientações e práticas Editora: Atlas Sinopse: Nascido dos estudos e experiências da sua autora, este livro traz orientações, conceitos e práticas de marketing, com um enfoque especial na gestão do varejo. As orientações visam estimular e facilitar o desenvolvimento de estratégias mercadológicas que possibilitem às organizações maior poder de competitividade e a construção de marcas respeitadas e valorizadas no mercado, enquanto os conceitos visam dar o embasamento teórico às práticas aqui comentadas e sugeridas.Como a linguagem é acessível e direta, a obra tem a vantagem de propor soluções imediatas para os negócios, especialmente para os profi ssionais de mercado que têm pressa em resultados e não têm tempo para leituras pesadamente acadêmicas. Este livro é recomendado a profi ssionais e acadêmicos de áreas diversas, podendo ser utilizado para leitura em ambientes empresariais e como parte da bibliografi a de cursos tecnológicos, de graduação e de pós-graduação em Administração e Marketing. Para um conhecimento mais amplo do varejo, suas características, formas de atuação, estratégias e desafi os, indicamos o Portal NoVarejo, que apresenta exemplos práticos e atuais do mercado varejista no Brasil e no mundo. Além disso, há estudos, pesquisas e indicações de eventos na área de varejo. Disponível em: < http://www.portalnovarejo.com.br/> Os supermercados são um formato de varejo antigo, com mais de 70 anos, que surgiu nos Estados Unidos. Com uma abordagem diferenciada desde a distribuição dos produtos, à exposição das mercadorias e o atendimento ao cliente. Confi ra a história completa sobre o surgimento dos supermercados no link a seguir. Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/materia/ quando-surgiram-os-supermercados> REFERÊNCIAS 45 BERKOWITZ, E. et al. Marketing. 6. ed. v. 2. Rio de Janeiro: LTC, 2003. GIULIANI, A. C. (org.). Gestão de marketing no varejo. São Paulo: O.L.M., 2003. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2012. LAMB, C. W.; HAIR, J. F.; McDANIEL, C. MKTG. São Paulo: Cengage Learning, 2012. LAS CASAS, A. L.; GARCIA, M. T. Estratégias de marketing para varejo: inovações e diferenciações estratégicas que fazem a diferença no marketing de varejo. São Paulo: Novatec, 2007. LAS CASAS, A. L. Marketing de varejo. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2004. LEVY, M.; WEITZ, B. A. Administração de varejo. São Paulo: Atlas, 2000. MATTAR, F. N. Administração do varejo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. SANTOS, A. M.; COSTA, C. S. Características gerais do varejo no Brasil. Brasília: BN- DES, 2002. VANCE, P. S.; MERLO, E. M. Uma introdução à gestão de varejo na atualidade. In: MER- LO, E. M. (org.) Administração de varejo: com foco em casos brasileiros. Rio de Ja- neiro: LTC, 2011.p.1-17. CITAÇÕES DE LINK 1- <http://www.bittencourtconsultoria.com.br/artigos/maior-crescimento-e-com- peticao-no-varejo-global.html>. Acesso em: 1 jun. 2015. 2- <http://www2.deloitte.com/content/dam/Deloitte/br/Documents/consumer- -business/PVG_2012.pdf >. Acesso em: 8 jun. 2015. 3- <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/comercio/pmc/>. Aces- so em: 1 jun. 2015. 4- <http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2015-02/comercio-varejista- -cresce-menos-em-2014-22-contra-alta-de-43-em-2013>. Acesso em: 1 jun. 2015. 5- < http://www.abf.com.br/>. Acesso em: 19 fev. 2016. 6- <http://nextecommerce.com.br/omni-channel-o-que-significa-isso>. Acesso em: 28 mar. 2016. 7- <http://onegociodovarejo.com.br/5-tendencias-que-apontam-os-rumos-varejo- -brasil/>. Acesso em: 28 mar. 2016. GABARITO 1. Opção correta é a C. 2. Opção correta é a A. 3. Resposta no tópico “Conceitos básicos de varejo”. 4. Opção correta é a D. U N ID A D E II Professora Me. Fernanda Gabriela de Andrade Coutinho TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender os principais termos utilizados na gestão de varejo. ■ Conhecer os tipos de varejo de acordo com a classificação adotada. ■ Identificar os formatos varejistas, tanto no modelo com loja, como o sem loja. ■ Verificar as novas tecnologias e as novas propostas de modelos e formatos no varejo. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Terminologias do varejo ■ Tipos de varejo ■ Formatos de varejo com loja ■ Formatos do varejo sem loja ■ Novas tecnologias e os modelos de varejo Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 49 INTRODUÇÃO A gestão de varejo implica no conhecimento de termos e conceitos que diferen- ciarão as estratégias adotadas, desde a escolha das mercadorias a serem ofertadas até o processo de compras, gerenciamento de estoque e posteriormente exposi- ção e venda desses produtos. Esta unidade tratará das principais terminologias empregadas na gestão de varejo. Também apresentará os formatos de loja que empresas varejistas poderão utilizar. Existe uma infinidade de formatos possíveis de acordo com o segmento varejista, relação com outras organizações, localização, público-alvo a ser alcan- çado, tipo de negócio, entre outros. Dentro das possíveis classificações, existem duas modalidades básicas: o varejo com loja e varejo sem loja. Ambos apresentam vantagens e desvantagens que precisarão ser avaliadas pelos gestores de marketing que decidirão pela melhor opção de acordo com o planejamento e os objetivos que foram traça- dos para o negócio. O varejo com loja é o mais comum e tradicional, pois apresenta os modelos mais utilizados e conhecidos no setor de varejo, como lojas de departamento, sho- pping centers e supermercados. Esses formatos possuem características próprias e podem ser encontrados em grande parte das cidades brasileiras, principal- mente, no caso das lojas de departamento e shoppings, nas capitais e cidades de médio e grande porte. No caso do varejo sem loja, o formato de venda porta em porta foi o pio- neiro no processo de vendas varejistas, nos quais os vendedores mantinham um relacionamento mais próximo dos clientes. Também existem as vendas por catá- logo, televendas e ainda o varejo virtual, muito utilizado nesse contexto de novas tecnologias vivenciados no século XXI. Por fim, esta unidade apresenta as novas possibilidades de formato no setor de varejo, destacando a utilização nas novas tecnologias que otimizaram o pro- cesso varejista, desde a compra de mercadorias até a entrega ao consumidor, e trouxeram novas possibilidades e desafios para a gestão de varejo. ©shutterstock TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E50 TERMINOLOGIAS DO VAREJO Para iniciar esta unidade vamos tratar dos principais termos utilizados na ges- tão de varejo que objetivam o conhecimento do processo de compra e venda de mercadorias, escolhendo as melhores opções que atendam às necessidades das empresas, mas também dos consumidores. O primeiro termo, a variedade ou amplitude se refere ao número de cate- gorias, subcategorias e de segmentos de produtos que são ofertados pelos vare- jistas (BERNARDINO et al., 2008). No caso de uma floricultura, por exemplo, temos uma variedade estreita, já que em geral, vendem-se basicamente flo- res; no caso de lojas de departamento, a variedade é ampla, já que existem inú- meras categorias e segmentos que são oferecidos ao cliente. A figura 1 mos- tra a variedade em relação ao número de linhas de produtos. Figura 1 – Variedade no varejo Variedade Número de linhas Fonte: Mattar (2011, p. 325). Terminologias do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 51 Outro termo utilizado trata do sortimento ou profundidade, que é o número de itens diferentes em uma categoria de mercadoria, o que inclui distinções de marcas, cores, tamanhos e tipos. Um mesmo segmento pode oferecer baixo sorti-mento ou profundo sortimento. A figura 2 exemplifica o sortimento em relação ao número de itens de uma loja de varejo. Figura 2 – Sortimento no varejo Sortimento Fonte: Mattar (2011, p. 325). Uma loja de calçados, por exemplo, pode optar por ofertar uma variedade de produtos, como calçados femininos, masculinos e infantis, e com amplo sorti- mento, com diversas cores, tamanhos e marcas. Mas também é possível uma loja se especializar em uma única categoria de calçados com uma menor profundi- dade de cores e tamanhos. Um e-commerce de calçados femininos desenvolveu uma estratégia de segmenta- ção diferenciada para atender aos consumidores que não encontravam calçados no seu tamanho. Desta forma, a loja virtual oferece somente calçados femininos – o que representa uma amplitude pequena –. Com relação à profundidade, ela é ampla, pois apesar de apenas dois tamanhos de calçados (33 e 34) que são ofertados, há diversas cores e marcas disponíveis para compra. Veja mais em: <http://www.33e34.com.br/> Fonte: a autora. TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E52 Uma empresa varejista deve combinar as duas variáveis (sortimento e variedade) e aplicar a melhor estratégia conforme o segmento que atua e os objetivos para atender ao público-alvo. Não há uma regra específica que determine a quanti- dade de categorias e de itens necessários para suprir uma loja, dependerá do planejamento realizado por cada gestor em relação aos custos que envolvem a compra das mercadorias. A figura 3 apresenta o cruzamento das variáveis sor- timento e variedade para um supermercado, por exemplo. Figura 3 – Variedade e Sortimento no varejo Variedade Variedade Mix de produtos Preto Vermelho Carioca Branco Feijão Espaguete Pena Parafuso Nhoque Ravióli Rondeli Concha Macarrão Doce Salgado Recheado Diet Sem lactose Biscoitos Integral Desnatado Semidesnatado Soja Baixa lactose Sem lactose Leite Fonte: adaptado pela autora de Mattar (2011, p. 325). Para facilitar as atividades de gestão o processo de compra para os consumidores, as mercadorias ou o mix de produtos oferecidos pelo varejo, é dividido em subca- tegorias. Não há uma padronização para essa segmentação, cada empresa realizará essa ação de acordo com o seu planejamento e objetivos previamente definidos. Desta forma, a maneira mais utilizada para realizar essa distribuição é a divisão em linha de produtos, grupo ou agrupamento de produtos, subgrupo ou subagrupamento de produtos e item de produto ou SKU (stock keeping unit). No caso da linha de produtos, ela se refere a cada seção ou departamento de uma organização varejista, como em uma loja de departamentos, na qual temos ele- trodomésticos, eletrônicos, móveis, produtos esportivos, etc. (MATTAR, 2011). Ainda segundo o referido autor (2011), em relação ao grupo de produtos, ele está relacionado às necessidades, padrão de consumo e comportamento do cliente para a compra, como no caso de supermercados – em que os produtos estão agrupados em enlatados, matinais, biscoitos, guloseimas, etc. –. No subgrupo Terminologias do Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 53 de produtos, há uma subdivisão de um grupo de produtos concorrentes ou que possuam alto grau de substituição entre si, como no caso da manteiga, marga- rina, requeijão (todos podem ser passados no pão). Por fim, temos o SKU, que significa unidade de manutenção de estoque. Essa menor unidade estocável e vendável do produto é utilizada na contabiliza- ção de estoques e vendas (MATTAR, 2011). Conforme Bernardino et al. (2008), um posto de gasolina pode trabalhar com 4 SKUs, por exemplo, sendo gasolina comum, gasolina aditivada, etanol e diesel. Porém, os hipermercados podem apresentar cerca de 60 mil SKUs. A quan- tidade de SKUs de uma empresa varejista implica nas estratégias de compra, armazenamento e venda, o que significa dizer que quanto maior o número de SKUs, maior a dificuldade de gerenciar e controlar essa infinidade de mercado- rias. A figura 4 exemplifica as SKUs de uma loja de varejo. Figura 4 – Mix de mercadorias e SKUs SO RT IM EN TO M ar ca /S k us Pilão 500 g Pilão a vácuo 1Kg Melita 500 g Melita a vácuo 1kg Três corações 1kg Três corações espe- cial 300g Brilhante 1Kg Vanish 1Kg Bombril 500g Tostines Piraquê Nestlé Ádria Bauduco Café Alvejante Biscoitos Categorias VARIEDADE Fonte: a autora. Cabe ressaltar que a quantidade de SKUs consiste em cada versão particular de um produto, como tamanho, cor, quantidade, peso, marca e outros, conforme a figura 4, não se referindo apenas ao tipo de mercadoria ofertada, por exemplo, TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E54 em uma mercearia temos macarrão, feijão e arroz. Cada um representa um SKU. Mas se tivermos, por exemplo, macarrão do tipo espaguete, parafuso e pene, cada um representará um novo SKU e não apenas o produto macarrão como um todo. Com base nessas terminologias utilizadas no varejo, é possível definir outras ações, como os formatos que serão implementados. Neste sentido, apresentare- mos a seguir os tipos de varejo e as principais modalidades de varejo com loja e sem loja. TIPOS DE VAREJO A classificação dos tipos de varejo não segue uma padronização dentre os autores e especialistas em varejo. Devido à complexidade de formatação dos estabele- cimentos varejistas, cada gestor deverá adotar o melhor formato que atenda às necessidades da empresa, bem como atenda as demandas dos clientes. Além do varejo com loja e varejo sem loja, classificação mais ampla, tam- bém é possível identificar muitos outros formatos no setor varejista. Segundo Bernardino et al. (2008), dentro do formato varejo com loja é possível classificar as empresas da seguinte forma: pelo tipo de mercadoria, pelo nível de variedade e sortimento, pelo nível de serviços, pelo nível de preços, pelo tipo de proprie- dade ou relação com outras organizações. A classificação pelo tipo de mercadoria é mais simples e refere-se à área de atuação. Essa divisão geralmente é feita por agências responsáveis que classificam as mercadorias e as empresas que pertencem a cada categoria. No caso do nível de variedade e sortimento, as empresas varejistas são categorizadas de acordo com a variedade e a profundidade de mercadorias que possuem. Na classificação pelo nível de serviços, as empresas são divididas pelos tipos e quantidade de serviços que presta. Essa classificação está relacionada com a qualidade e a conveniência que as empresas varejistas oferecem, e podem ser gratuitas ou pagas. Esses serviços se referem à entrega de produtos, crédito, Tipos de Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 assistência técnica, autosserviço, estacionamento, etc. Com relação ao nível de preços, dependerá dos objetivos de cada empresa e se as estratégias de precifi- cação adotadas visam ao maior volume de clientes ou maiores lucros, ou ainda se tornar competitivo no mercado. Por fim, a classificação pelo tipo de propriedade ou relação com as outras empresas podem ser divididas em outras categorias, segundo Bernardino et al. (2008), como estabelecimentos independentes com uma só loja, redes corpora-tivas, cooperativas de varejo, departamentos alugados e franquias. Outra forma de classificação possível é apresentada por Mattar (2011), que traz oito formas diferentes de dividir os formatos do varejo, conforme quadro 1. Quadro 1 – Classificação de estabelecimentos varejistas CLASSIFICAÇÃO FORMATOS (EXEMPLOS) 1. Por tipo de merca- doria comerciali- zada. • Loja de linha geral. • Loja de linha limitada. • Loja especializada. 2. Por tipo de proprie- dade/filiação/con- tratação. • Lojas independentes. • Lojas dependentes. • Cadeia ou filiais de propriedade única. • Cadeia controlada por atacadista. • Cadeia formada por associação ou cooperativa de varejistas. • Cadeia de franquias, controlada pelo franqueador. • Cadeia ou loja única de propriedade de fabricante ou produtor. • Cadeia ou loja única de cooperativa de consumido- res. • Cadeia de propriedade de empresa pública ou governo. 3. Por tamanho do estabelecimento. • Hipergrande. • Grande. • Médio. • Pequeno. • Micro. TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E56 4. Pela localização. • Urbana. • Região metropolitana ou cidade grande. • Cidade média. • Cidade pequena. • Centro. • Bairro. • Rua isolada. • Rua em centro comercial natural. • Centros comerciais planejados (shopping centers ou mercados públicos). • Rural. • Estrada. • Bairro Rural. 5. Pelo nível de servi- ços. • Serviços completos. • Serviços limitados. • Autosserviço. 6. Pela forma legal de constituição. • Individual. • Sociedade limitada. • Sociedade anônima de capital fechado. • Sociedade anônima de capital aberto. • Cooperativa. • Associação de varejistas. 7. Pelas características de organização. • Departamentalizada. • Não departamentalizada. Tipos de Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 57 8. Pelo canal de venda utilizado. • Varejo físico. • Lojas. • Barracas (em ruas, feiras livres, camelódromos). • Quiosques (em ruas, shopping centers). • Bancas (de jornais, flores). • Varejo sem loja física. • Venda direta porta a porta. • Individual (sacoleiras). • Representantes de grandes empresas (Avon, Natura). • Venda ambulante com carrinho (de doces, pipocas, sorvetes etc.). • Venda em reuniões de vendas (Tupperware). • Venda direta por catálogo. • Venda direta por telefone. • Venda direta pela internet. • Venda direta por televendas. Fonte: adaptado de Mattar (2011, p. 50-53). Outra classificação possível é realizada no Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no qual temos duas divisões: o varejo restrito e o varejo ampliado. No caso do varejo restrito, temos combustíveis e lubrificantes; hipermercados e supermercados; alimentos, bebidas e fumo; tecidos, vestuário e calçados; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos; móveis e eletrodomésticos; equipamentos e material para escritório, informática e comunicação; livros, artigos culturais; outros produtos do comércio varejista. No caso do varejo ampliado, ele abrange os setores de veículos, motocicletas, partes e peças; material para construção, além de todos os demais segmentos do varejo restrito (IBGE, 2015, on-line)1. Deste modo, é possível observar que independentemente da classificação utilizada, o gestor varejista tem diversas possibilidades e deve analisar a melhor opção para adotar no seu negócio. Na sequência serão apresentados os princi- pais formatos relacionados ao varejo com loja. TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E58 FORMATOS DO VAREJO COM LOJA O varejo com lojas, conforme Parente (2000), pode ser classificado em três espé- cies: varejo alimentar; varejo não alimentar; varejo de serviços. O varejo alimentício é caracterizado por instituições que têm pelo menos uma loja e que comercializa alimentos prontos, refrigerados ou congelados negócio (FERREIRA JUNIOR; CENTA, 2014). Nessa categoria estão os bares, mercea- rias, padarias, supermercados, lojas de conveniência, entre outros. No caso do varejo não alimentar, estão enquadrados todos os demais forma- tos, com destaque para as lojas de departamento e lojas especializadas. Já no varejo de serviços estão as empresas que prestam serviços aos consu- midores e, diferente do varejo de produtos, o consumidor não adquire a posse dos bens comprados, mas seus benefícios (PARENTE, 2000). O quadro 2 apre- senta tipos de varejo de serviços. Quadro 2 – Critérios e tipos de varejo de serviços Critérios Tipos Exemplos de lojas Grau de Tangibilidade Produtos alugados. Locadora de roupas de fes-ta; locadora de veículos. Produtos de que o consu- midor mantém posse. Oficina de carros; assistên- cia técnica de eletrodo- mésticos. Sem produtos. Escola de idiomas; acade-mia de ginástica. Grau de competência Alta especialização. Clínicas médicas. Baixa especialização. Reparos em sapatos; bor-racharias. Intensidade da mão de obra Baseada em pessoas. Salões de beleza. Baseado em equipamen- tos. Lavanderias. Grau de contato com cliente Contato alto. Lanchonete, restaurantes e hotéis. Contato baixo. Cinemas. Formatos do Varejo com Loja Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 59 Por objetivo Objetivo de lucro. Bancos. Não-lucro. Bibliotecas, postos médi-cos. Fonte: Parente (2000, p.35). Como foi visto, existem inúmeras classificações possíveis para os formatos vare- jistas. Seguindo o modelo de varejo com loja, e depois de apresentarmos os três tipos gerais, destacaremos a seguir os principais formatos do varejo com loja, independente da classificação (LAS CASAS; GARCIA, 2007; BERNARDINO et al., 2008; MATTAR, 2011). ■ Loja de departamento completa: lojas de grande porte, com área de vendas acima de 6.000 m2, que estão localizadas geralmente nas grandes cidades, na rua ou em shopping centers, no qual funcionam como lojas âncoras. Apresentam uma ampla variedade de produtos, profundo sortimento e nível elevado de serviços ao cliente, operando com autosserviço e sele- ção assistida. No Brasil, essas lojas estão desaparecendo pelo alto custo de operação e pelo surgimento de concorrentes mais enxutas, mas que apre- sentam o mesmo nível na qualidade de produtos e serviços. Exemplos de lojas nesse formato são a Mesbla, Mappin e Sears. A Mesbla foi uma das maiores lojas e modelo de varejo no Brasil. Foi inaugurada em 1924, no Rio de Janeiro, como filial de uma empresa francesa. Foi em 1952, após a chegada da Sears ao país, que a Mesbla inaugurou sua primeira loja de departamen- tos. As atividades foram se modificando entre as décadas de 1960 e 1970. Em 1980, passou a ser líder do comércio varejista de não alimentos. Com mais de 140 pontos de vendas, a loja vendia produtos da linha dura (eletrodomésticos, eletrônicos, fer- ramentas e utilidades) e da linha mole (confecções, cama, mesa e banho). A Mesbla também atuou no comércio internacional, com uma sede em Nova York. Na década de 1990, começaram os problemas, como custo alto de operação, dificuldades na gestão, inúmeras dívidas e a concorrência de inúmeras empresas que começaram a atuar no segmento com uma estrutura mais enxuta. A Mesbla não conseguiu se modificar e atender às novas demandas do mercado e fechou as portas em 1999.Leia mais em: <http://falandodegestao.com/2012/05/17/mesbla-prazer-em-servir/>. Fonte: a autora. TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E60 ■ Loja de departamento júnior: são lojas de departamento com tamanho entre 500 a 1.000m2 e que possuem uma linha limitada de produtos. Constitui-se como um formato intermediário entre as lojas de departa- mento completas e as lojas especializadas. Exemplos são as lojas C&A, Renner, Riachuelo, entre outras. ■ Loja de variedade: são lojas que possuem grande quantidade de produ- tos semiduráveis, de baixo valor monetário e fácil transporte, já que os consumidores podem carregar os produtos, funcionando como autosser- viço. Um exemplo é a Lojas Americanas, empresa varejista brasileira, que atua no segmento desde 1929. ■ Lojas especializadas: lojas que podem ser de pequeno e médio porte, loca- lizadas em ruas, galerias e shopping centers. As franquias são comuns nesse segmento. Oferecem linhas de produtos específicos, com grande sorti- mento de itens e alto nível de serviço. O tamanho irá variar de acordo com o mix de produtos ofertado. Visam atender mercados homogêneos com necessidades muito específicas. Exemplos: Droga Raia, Livraria Cultura, etc. ■ Category killer: são grandes lojas especializadas que possuem uma variedade estreita, sortimento profundo, mas com preços competitivos, inferiores das lojas tradicionais especializadas. O nível de serviços em geral é baixo. Algumas trabalham em parceria com fabricantes para obterem melhores condições de venda. Exemplo são as lojas Kalunga. ■ Cadeia de lojas: são lojas de médio e grande porte e que possuem diversas unidades espalhadas por grandes territórios ou até por todo o território nacional. Possuem um controle centralizado, grande poder de compra, mas oferecem pouca flexibilidade na prestação de serviços e nas promo- ções. Podem ser classificados nesse formato cadeias de supermercados, como o Pão de Açúcar; magazines, como o Magazine Luiza; ou lojas espe- cializadas, como a Drogasil. ■ Supermercados: funcionam como autosserviço possuindo uma varie- dade de linha de alimentos e produtos de higiene e limpeza, com lojas divididas em seções. Os preços são competitivos e as estratégias funcio- nam com base em alto giro e baixas margens. Costumam ter uma área de 700 a 2.500m2, comercializando cerca de 2.500 SKUs, possuindo de 7 a 20 check-outs. Exemplos são os supermercados localizados nas grandes cidades, no centro ou em bairros. ©shutterstock Formatos do Varejo com Loja Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 61 ■ Superlojas: são supermercados com grande porte, com área de 3.000 a 5.000m2, operando com cerca de 14.000 SKUs e com mais de 20 check- -outs. A principal diferença desse formato em relação ao hipermercado é que na superloja oferece-se um mix restrito de bazar, comercializando somente eletroportáteis e alguns produtos de cama, mesa e banho. Exemplo desse modelo é o Extra. ■ Hipermercados: são lojas com área de vendas acima de 8.000m2, podendo chegar a 20.000m2, comercializando até 60.000 SKUs, entre produtos ali- mentícios e não alimentícios, com alto giro e baixa margem. Exemplos desse modelo são o Wal Mart e o Carrefour. TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E62 ■ Clubes de compra: são lojas que vendem maiores quantidades aos consu- midores, em geral à vista e com concessão limitada de crédito. Possuem um menor sortimento em relação aos supermercados, funcionam como autosserviço e é necessário se associar para realizar as compras. A estrutura de loja não é sofisticada e os produtos são ofertados em caixas e embala- gens maiores ou em conjuntos. Exemplo: Sam’s Club. ■ Cooperativas de consumo: esse formato pode ser operado de diferentes formas, como lojas especializadas, supermercados e papelarias. O grande diferencial é a propriedade, pois pertence a todos os associados, as decisões são tomadas em assembleias e os resultados divididos entre os coopera- dos. Exemplo: COOP (Cooperativa de Consumo). ■ Lojas de conveniência: são lojas especializadas em alimentos e artigos de conveniência, tido como emergenciais e em geral para consumo imediato. São de pequeno porte, funcionam com autosserviço e estão localizadas estrategicamente em locais de grande circulação. A variedade e profun- didade dos produtos são restritas e o preço geralmente mais elevado do que nos supermercados, por exemplo. Esse formato está presente princi- palmente nos postos de gasolina, como a BR Mania nos postos Petrobras e AM/PM nos postos Ipiranga, e estão abertas de 12 a 24 horas por dia. ■ Lojas de descontos: são lojas de médio porte que operam com uma linha variada de produtos, mas com sortimento limitado e poucos serviços Para atender às novas demandas do mercado, os supermercados e hipermer- cados estão adotando duas estratégias para conseguirem atingir diferentes segmentos. Uma delas é o formato Express que são lojas mais enxutas com um mix reduzido de produtos, mas que segue o padrão de qualidade das lojas tradicionais, como é o caso do Pão de Açúcar. Outra tendência são os hipermercados que estão se adaptando a um modelo parecido com “sho- pping centers”, com um mix de lojas de diferentes segmentos, bem como oferta de serviços como salões de beleza e restaurantes. Fonte: a autora. Formatos do Varejo com Loja Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 63 agregados. Vendem em geral alimentos, vestuário, brinquedos, utilida- des para o lar e outros. Podem ser lojas independentes ou pertencentes à redes como a Americana Express. ■ Lojas de fábrica: essas lojas são criadas pelos próprios fabricantes para atuarem no varejo, ofertando em geral produtos com sobra de estoque, devoluções ou que apresentam pequenos defeitos. Operam com grandes descontos em relação aos preços praticados pelo varejo normal. As gran- des marcas nacionais e internacionais, em geral, possuem lojas de fábrica. ■ Lojas de preço único: lojas de pequeno porte que vendem produtos, como presentes, brinquedos, papelaria, utilidade doméstica e funcionam como autosserviço. Os preços dos itens são geralmente únicos, como, por exem- plo, R$ 1,99 ou até R$ 29,99. Cabe ressaltar que algumas lojas de pequeno porte do segmento do vestuário estão adotando esta estratégia de pre- ços únicos para seus produtos, se diferenciando das lojas concorrentes e atendendo a um segmento de mercado preocupado com preço, mas que também procura qualidade nos itens ofertados. ■ Lojas de comida rápida: são os denominados fast-food, com preparo rápido, baixo custo e sem serviço. Existem muitas franquias nesse seg- mento, com uma localização diversificada ou funcionando na praça de alimentação em shopping centers. ■ Padarias: ofertam produtos alimentícios (como pães, doces, bolos, sal- gados etc.) e produtos complementares (como leite, queijo, margarina e outros frios). Algumas empresas também possuem um serviço de lancho- nete e bar. Em geral ficam abertas em horários diferenciados, superiores ao comércio e também funcionam como lojas de conveniência, mas sem autosserviço. São empresas independentes, de pequeno porte, mas há uma tendência no surgimento de grandes redes próprias ou franqueadas. Um exemplo é a Dona Deola. ■ Mercearias/empórios/armazéns:lojas independentes de pequeno porte, oferecendo linha básica de produtos alimentícios. Podem funcionar com ou sem autosserviço. Esse formato está presente nas cidades de pequeno, médio e grande porte, porém percebe-se que há uma diferença, pois nas cidades pequenas são lojas em geral rústicas nas quais o sistema de venda funciona ainda com crédito concedido pelos próprios donos, pois os clien- tes são conhecidos. No caso das cidades de médio e grande porte, pode ©shutterstock TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E64 ser verificada uma sofisticação desse formato, com armazéns que vendem produtos alimentícios com alto valor agregado e com atendimento espe- cializado, apresentando, portanto, preços mais elevados. ■ Quitandas: lojas de pequeno porte que trabalham com produtos hortifru- tigranjeiros como verduras, frutas, legumes e ovo. Em cidades de médio e grande porte, existem quitandas especializadas, com produtos de alto valor agregado e atendimento especializado. Uma tendência são quitan- das que ofertam produtos naturais, como o caso dos produtos orgânicos. ■ Bares/lanchonetes/cafés: estão localizados em praticamente toda área urbana e comercializam bebidas alcóolicas e não alcóolicas, servem cafés, lanches e pequenas refeições para serem consumidas no local. Também possuem uma linha restrita de produtos para consumo rápido (como cigarro, chocolates, doces e guloseimas). ■ Adegas: loja, em geral, de pequeno porte que vende basicamente bebi- das como vinhos, cervejas, refrigerantes, sucos, entre outros, que não são consumidos no local. Podem estar localizadas em ruas, mas também em centros comerciais e shopping centers, e neste caso apresentam um caráter mais sofisticado, com atendimento customizado e preços mais elevados. Nessas lojas existem serviços diferenciados, como degustação e cursos sobre bebidas que são ofertadas, principalmente vinhos e cervejas. ■ Home centers/Construcenters: são grandes lojas que vendem produtos para o lar ou materiais de construção e estão localizadas em locais de fácil acesso, em geral, na margem de grandes rodovias e possuem estaciona- mento próprio. Funcionam com autosserviço e com margens elevadas. Exemplo: Telha Norte e C&C. Dois formatos que merecem destaque são os shopping centers e as franquias. Os sho- pping centers são grandes agrupamentos que possuem uma diversidade de lojas de dife- rentes segmentos e que estão localizados, geralmente, em cidades de médio e grande porte. As principais características dos sho- ppings centers, conforme Mattar (2011), são: administração centralizada, planejamento Formatos do Varejo com Loja Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 65 mercadológico, mix de lojas, concorrência limitada entre os lojistas, condições de tráfego e acessibilidade, layoutização, segurança, comodidade, arquitetura, previsão de expansão, integração com a comunidade. Os shopping centers são classificados conforme o porte, podendo ser de bair- ros (vizinhança), regionais e super-regionais; finalidade, sendo especializados ou temáticos, atacadistas, outlets, rotativos, entre outros; ou formato, como de “I”, “L” (conforme figura 5), retângulo, complexo, etc. (MATTAR, 2011). Figura 5 – Formato “L” de shopping centers Formato L para shopping comunitário Pode ou não ser em posto de combustível em esquina Formato L para shopping regional Fonte: Mattar (2011, p. 66). Os shopping centers apresentaram um crescimento de 7,3% nos dois primeiros anos de 2015, em relação aos mesmos meses do ano anterior, e é esperado um crescimento de 8 a 8,5% para o ano de 2015, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE, 2015, on-line)2. O gráfico 1 mostra o cresci- mento do número de shopping centers no Brasil. TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E66 Gráfi co 1 – Número de Shopping Centers no Brasil Fonte: ABRASCE (2015, on-line)2. Outro formato são as franquias ou franchising que se caracterizam como um sistema de parceria empresarial no qual uma empresa franqueadora concede a terceiros, mediante remuneração, licença de uso de sua mar- ca e conhecimento de operação de negócio, que foi previamente testado e demonstrado como efi ciente (BERNARDINO et al., 2008, p. 48). Você tem observado as mudanças ocorridas nos shopping centers? Algu- mas tendências se destacam, como a contínua e crescente incorporação de atividades de lazer e serviços; focalização, cada vez maior, dos shoppings em segmentos de consumidores de diferentes faixas de renda; além do contí- nuo direcionamento para cidades de médio porte. (Mattar) Formatos do Varejo com Loja Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 67 Esse modelo é muito utilizado e requer muitas responsabilidades em ambas as partes. Uma das principais vantagens das franquias, segundo Bernardino et al. (2008), é a aquisição de um negócio já estruturado e consolidado e, em muitos casos, com uma marca forte no mercado; a rapidez na expansão; as possibili- dades de compra em escala; a redução de custos; a maior força publicitária e; a descentralização administrativa e operacional. Os autores também destacam algumas desvantagens, como perda parcial de controle e menor liberdade na tomada de decisão; restrições de canais de distri- buição; maior chance de perda de padronização; entre outros. O setor de franquias vem apresentando um crescimento significativo nos últimos anos. Esse modelo apresenta o setor varejista com um faturamento rele- vante em 2014, no valor de R$ 127,33 bilhões, aumento do número de redes e unidades e consequentemente de empregos, conforme demonstrado no gráfico 2. Gráfico 2 – Franquias no Brasil Fonte: ABF (on-line)3. TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E68 Desta forma, verificamos as diversas possibilidades de formatos existentes dentro da classificação do varejo com loja. Na sequência serão apresentados os demais formatos que se referem especificamente ao varejo sem loja. FORMATOS DO VAREJO SEM LOJA O varejo sem loja acontece fora de uma instalação física por meio de atividades que abrangem níveis variados de envolvimento do cliente e do varejo, conforme figura 6. Exemplos desses formatos são as vendas diretas, telemarketing, varejo eletrônico (on-line), canais de compra pela TV, catálogos e mala direta e as ven- das automáticas. Figura 6 - Formatos de varejo sem loja Alto Baixo Baixo Envolvimento ativo do varejista En vo lv im en to a tiv o do c lie nt e Alto Vendas automáticas Vendas por catálogo e mala direta Canais de compra pela TV Varejo online Vendas diretasTelemarketing Fonte: Berkowitz et. al, 2003, p.201 ©shutterstock Formatos do Varejo Sem Loja Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 69 As vendas automáticas são realizadas por máquinas de venda (ou vending machi- nes), comercializando os produtos sem a intermedia- ção dos vendedores.Antes, essas máquinas vendiam basicamente biscoitos e bebi- das, hoje é possível encontrar máquinas que vendem sal- gados, pizza, produtos de beleza e até mesmo flores. A inserção das vending machines foi possibilitada pela mudança no comporta- mento do consumidor, pois com a correria das cidades, a procura por produtos que são disponibilizados com maior rapidez sem perder a qualidade aumentou e assim atraiu diversos segmentos do varejo que passaram a utilizar as máqui- nas como um canal estratégico de vendas. O desenvolvimento tecnológico no design das vending machines pode re- sultar em um crescimento em longo prazo das vendas. Novas vending ma- chines com vídeo, de quiosques, permitem os consumidores verem a merca- doria em uso, ter mais informações sobre ela e usar seus cartões de crédito para fazer a compra. Os novos designs das vending machines também per- mitem que os varejistas aumentem a produtividade das máquinas. Sistemas eletrônicos da máquina acompanham as vendas e o estoque e avisam o operador quando o estoque está esgotado e quando um defeito ocorre. Fonte: Levy e Weitz (2000, p. 84). TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E70 No varejo de catálogo, a oferta é comunicada ao cliente por meio de catálogos e no caso das malas diretas, por cartas e folhetos. Os varejistas de catálogos ofe- recem uma ampla variedade de mercadorias que são enviadas periodicamente para os clientes pelo correio (LEVY; WEITZ, 2000). No caso das malas diretas, essas também são enviadas via correio, no formato de brochuras e panfletos e em geral oferecem um produto ou um serviço específico ao cliente em determi- nado período (LEVY; WEITZ, 2000). Mesmo com a internet, a venda por catálogos permanece, como no caso da Tupperware, que trabalha com utensílios plásticos para o lar e que consegue conquistar diversos clientes, de várias gerações, por meio da venda por catálogo. Também é possível unir os canais e trabalhar com catálogos on-line, permitindo interação com os clientes de forma efetiva. No caso das vendas por meio de programas de TV, os consumidores assistem aos programas, escolhem os produtos que querem adquirir e fazem a solicitação, na maioria dos casos, por telefone, mas também pela internet. Nesse formato existem programas específicos, como o Shoptime, na TV a cabo; os infocomer- ciais, que são programas com uma duração média de 30 minutos, que mistura entretenimento e venda, como no caso do Polishop; e as propagandas de res- posta direta, que oferecem algum tipo de vantagem para os clientes que ligarem para determinado telefone (BERNARDINO et al., 2008). O varejo on-line é um formato que tem obtido um crescimento expressivo no mercado brasileiro, sendo adotado por grande parte das empresas varejistas, de pequeno a grande porte. Nesse modelo, as transações ocorrem por meio da internet. Lojas virtuais como Submarino e outras que possuem o formato físico e o virtual, como Lojas Americanas e Casas Bahia, são exemplos dessa modali- dade varejista. O telemarketing envolve o uso do telefone para interagir com os clientes, ofertando produtos de forma direta (BERKOWITZ et al., 2003). Essa ferramenta pode ser utilizada por qualquer segmento varejista como uma forma de estabe- lecer um relacionamento mais próximo com os clientes e como uma maneira de apresentar os produtos da empresa. Essa ferramenta pode funcionar de forma ativa, que em geral acontece no processo de venda, no qual os funcionários da empresa que entram em contato ©shutterstock Novas Tecnologias e os Modelos de Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 71 com os clientes; ou de forma passiva, quando os consumidores que ligam diretamente para empresa, realizando algum pedido. A venda pessoal, também denominada porta em porta, é a mais antiga forma de comunicação. O vendedor é o personagem central para que ela ocorra. Atua como o elo da empresa com o cliente e exerce uma ati- vidade bidirecional, tanto representando a empresa no cliente, como representando os desejos do cliente para a empresa. É a única que proporciona uma interação individualizada e pessoal com o cliente, permitindo a personalização da mensagem, a troca de informações de maneira abrangente, a demonstração de produtos, além de obter feedback ime- diato e desenvolver fortes vínculos de relacionamento. Deste modo, observamos os possíveis e diferenciados formatos do varejo sem loja. Cabe destacar que a integração dos formatos, com loja e sem loja, é totalmente possível e é utilizada de forma estratégica por muitas empresas. Na sequência, vamos apresentar algumas tendências do varejo físico e virtual com a utilização das novas tecnologias que atendem a novos desafios e demandas. NOVAS TECNOLOGIAS E OS MODELOS DE VAREJO O crescimento acelerado das novas tecnologias permitiu a ampliação das pos- sibilidades de novas formas de contato com os clientes e consequentemente de vendas. É preciso estar atendo a essas mudanças ocorridas, pois as empresas que pretendem se manter no mercado necessitam conhecer e utilizar essas fer- ramentas para que possam alcançar novos públicos e ampliar suas estratégias mercadológicas. ©shutterstock TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E72 O varejo mudou e as novas tecnologias impactaram de forma positiva no processo varejista desde a logística e distribuição até as formas de comunicação e contato com os consumidores. Todas essas mudanças foram possíveis, princi- palmente, pelo surgimento da internet. A tecnologia atingiu todos os setores do varejo, pois as inovações permiti- ram a melhoria dos processos de empresas de pequeno, médio e de grande porte; de lojas de bairro às grandes redes de lojas de departamento. A tecnologia aces- sível permitiu que as empresas modificassem seus produtos, serviços, entrega e contato com o cliente. As novas tecnologias ampliam as possibilida- des do varejo, pois com as informações coletadas pelos mecanismos digitais é pos- sível analisar como está ocorrendo o processo de compra e venda de merca- dorias e, assim, fazer ajustes quando necessário. Ademais, a interação com os clientes facilitada por essas tecno- logias aumenta o desafio de buscar novas práticas que consigam melhorar o atendimento ao consumidor. A utilização das tecnologias da informação no varejo teve início nos basti- dores das organizações, nos setores financeiro, recursos humanos, contabilidade, setores de compra e controle de estoques (LAS CASAS; GARCIA, 2007). Na segunda etapa, ocorreu a introdução das primeiras ferramentas tecno- lógicas nas lojas de varejo, como o código de barras, leitura óptica (scanners), balanças eletrônicas, preenchimento de cheques, etiquetas eletrônicas nas pra- teleiras (RFIDs – etiquetas de identificação por radiofrequência eletrônica), smartcards e outras tecnologias que visavam otimizar o sistema varejista (LAS CASAS; GARCIA, 2007). Novas Tecnologias e os Modelos de Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 73 Algumas tecnologias que se destacam nas atividades de varejo são apresen- tadas a seguir, conforme Las Casas e Garcia (2007, p.37-38), proporcionando soluções em diversas etapas de varejo que, ao serem adotadas pelas empresas, poderão revolucionartodo o processo e aumentar as chances de competitivi- dade no mercado varejista. Dentre elas, os autores destacam a tecnologia da automação, que facilita as tarefas rotineiras, já que as atividades passam a ser executadas sem interven- ção humana e os principais impactos são a redução dos custos, bem como o aumento da eficiência e, em certos casos, da produtividade; a supply chain, que é o gerenciamento da cadeia de abastecimentos, tem a função de tornar a cadeia de suprimentos eficiente, reduzindo as perdas, evitando processos burocráticos, garantindo o abastecimento e a diminuição do preço final do produto. Também há o ECR (Efficient Consumer Response), que significa “Resposta Eficiente ao Consumidor”, sendo uma ferramenta estratégica que objetiva a iden- tificação do perfil dos clientes, bem como de suas necessidades e a EDI (Eletronic Data Interchange) – que é a troca eletrônica de dados feita no processo de com- pras das empresas, desde a cotação e o pedido até a compra e envio de nota. Algumas inovações tecnológicas quando são efetivadas como ferramenta de estra- tégia mercadológica podem melhorar o funcionamento do varejo (LAS CASAS; GARCIA, 2007). É o caso do check-out automático, que minimiza o trabalho dos Especialistas em varejo apontam cinco tendências indispensáveis para o varejo a partir do ano de 2015. A primeira o iBeacon, sensor que transmite dados via Bluetooth. Por meio de uma rede de beacons, por exemplo, qual- quer marca, varejista, aplicativo ou plataforma pode entender exatamente onde um consumidor está no ambiente físico. Quando um cliente se aproxi- ma da vitrine, e o iBeacon reconhece que aquele consumidor está interessa- do em determinado produto, o lojista pode sugerir promoções específicas para aquele cliente, como base no histórico do interesse de compra dele. Fonte: Klaumann (2015, on-line)4. TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E74 operadores de caixa e o consumidor tem autonomia para fazer a pesagem e o pagamento dos produtos. O auto-scanning, presente em algumas redes de lojas brasileiras de livrarias e supermercados, permitindo a consulta de preços e infor- mações sobre o produto. As redes sem fio possibilitam que o cliente utilize a rede das empresas enquanto estiverem no estabelecimento. Essa ferramenta funciona como um facilitador e também um diferencial para a empresa. O uso dos celulares e PCs para diversas transações varejistas estão sendo amplamente utilizados e as empresas querem ir além, empregando esses dispo- sitivos para um atendimento e oferta de produtos e serviços customizados, por meio de identificação dos aparelhos e análise do perfil dos consumidores. Além dessas tecnologias apresentadas, podemos destacar alguns outros modelos que estão revolucionando o varejo, como o omni-chanel, que significa uma experiência mais ampla do consumidor, tanto no ambiente físico como no virtual, já que a divisão entre os canais de comunicação e pontos de contato com o consumidor desaparecem. Além disso, há o mobile commerce, que é a utilização do celular como meio de comercialização de produtos e serviços, permitindo mais proximidade com os consumidores; o mobile payment, uso do celular como veículo para paga- mento e também para acesso a serviços financeiros (TURCHI, 2012); e o social commerce, que se refere ao e-commerce envolvendo relacionamento com as pes- soas por meio das redes sociais. Além das modalidades de inovação no ambiente on-line, existem outras modalidades que são tendências no varejo com loja. O grande desafio das empre- sas varejistas é inovar e agregar conveniência para atrair o cliente acostumado com o conforto, facilidade e rapidez que as lojas on-line podem proporcionar. Uma tendência que se destaca é o varejo sobre rodas, que traz o produto para os clientes por meio de veículos, sejam carros, vans, motos e até caminhões. O grande diferencial é se desprender de um espaço físico e ir ao encontro do consumidor. Outra tendência é a loja no caminho, atraindo os consumidores nos deslo- camentos que fazem diariamente. Nesse modelo, podem ser utilizadas lojas mais enxutas no formato express, principalmente quando as empresas já possuírem Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 75 uma loja maior nas proximidades. Também é possível utilizar as vending machi- nes que podem ser colocadas em pontos estratégicos e ofertar uma diversidade de produtos. Os serviços de delivery são destaques nesse modelo, pois conse- guem atender ao cliente no local em que precisam obter produtos, como o caso de remédios, e também serviços, como manicure a domicílio. Com isso, percebemos que a implementação das tecnologias deve ocor- rer em qualquer segmento varejista, a curto ou a longo prazo, seja no processo administrativo, de compras e estoque, ou nas vendas, atuando diretamente com o cliente, será indispensável daqui para frente as ferramentas tecnológicas para otimizar a gestão no varejo. Concluímos esta unidade compreendendo que é preciso estar atento aos for- matos do varejo e suas aplicabilidades, como as mudanças que estão afetando os negócios varejistas, assim como a inserção de novos modelos (principalmente com o varejo eletrônico), e também com a utilização das tecnologias que amplia- ram os processos e as possibilidades de canais varejistas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como foi apresentada nesta unidade, a gestão no varejo precisa conhecer os con- ceitos que envolvem o processo varejista no que diz respeito à compra e estoque de mercadorias, elaboração do plano de sortimento e estratégias que envolvam a escolha do melhor produto para ser ofertado, de acordo com a demanda dos consumidores. Cada empresa deverá analisar quais as mercadorias que irá ofertar, com base no planejamento, análise dos custos, rentabilidade, empresas concorrentes e principalmente necessidades e desejos apresentados pelos seus clientes atu- ais e potenciais. Os formatos varejistas são diversificados e envolvem um conhecimento pro- fundo de mercado por parte do gestor de marketing, que irá adotar o modelo que TERMINOLOGIAS, TIPOS, FORMATOS, NOVAS TECNOLOGIAS E MODELOS DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E76 for mais conveniente para seu tipo de negócio. Tanto o varejo com loja como o varejo sem loja apresentam vantagens e desvantagens que precisam ser ponde- radas e avaliadas para a tomada de decisão. No caso do varejo com loja, os diferentes modelos vão desde as grandes lojas de departamento até lojas de pequeno porte, lojas de fábrica, lojas especializadas, supermercados, etc. O varejo sem loja também permite várias formas de contato com o cliente, sendo o varejo eletrônico uma tendência atual que está sendo ado- tada por empresas de diferentes portes e em variados segmentos. As tecnologias possibilitaram uma integração dos canais e é possível atuar em vários ao mesmo tempo, atendendo às especificidades de cada um. Além disso, as novas tecnologias ampliaram as possibilidades de atuar no varejo, com novos formatos tanto no ambiente virtual como no varejo físico, que visam, principal- mente, atrair mais consumidores. Com isso, percebemos que independente da estratégia a ser adotada é pre- ciso acompanhar as mudanças que estão acontecendo no varejo e adotar ações que possam alcançar os clientes de forma mais efetiva e estabelecer um relacio- namento mais duradouro em longo prazo. 77 1. Existem algumas terminologias próprias da gestão de varejo que precisamser conhecidas pelos profissionais de marketing. Desta forma, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): ( ) A amplitude se refere ao número de categorias, subcategorias e de segmen- tos de produtos que são ofertados pelos varejistas. ( ) A profundidade é o número de itens diferentes em uma categoria de merca- doria, o que inclui distinções de marcas, cores, tamanhos e tipos. ( ) Quando uma empresa varejista apresentar baixa variedade de produtos, consequentemente ela apresentará um baixo sortimento. a. V; V; V b. F; V; V c. V; V; F d. F; V; F e. V; F; F 2. Sobre as possíveis classificações de formatos de varejo, é possível afirmar que: a. A classificação pelo tipo de mercadoria é mais simples e refere-se à carac- terística na qual o produto será ofertado. b. Na classificação pelo nível de serviços, as empresas são divididas pelos tipos e quantidade de serviços que prestam. c. A classificação pelo tipo de propriedade ou relação com as outras empre- sas pode ser dividida em outras categorias, como redes colaborativas, lojas próprias e franquias. d. O varejo com loja apresenta mais vantagens em relação aos modelos do varejo sem loja em qualquer segmento varejista. e. Nenhuma das respostas anteriores. 78 3. Escolha dois formatos varejistas, um com loja e o outro sem loja, e analise as vantagens e desvantagens desses modelos. 4. Com relação às novas tecnologias no varejo, qual das alternativas a seguir não corresponde à realidade desse cenário tecnológico? a. Inovações tecnológicas quando são efetivadas como ferramenta de estratégia mercadológica podem melhorar o funcionamento do varejo. b. O auto-scanning está presente em algumas redes de lojas brasileiras de livrarias e supermercados, permitindo a consulta de preços e informações sobre o pro- duto. c. Celulares e PCs para diversas transações varejistas estão sendo amplamente utilizados; as empresas estão empregando esses dispositivos para um aten- dimento e oferta de produtos e serviços customizados, por meio de identifi- cação dos aparelhos e análise do perfil dos consumidores. d. O omni-chanel significa a utilização do ambiente virtual para além das ações de compra, mas também para entretenimento, comunicação e relacionamen- to com amigos em redes sociais. e. Nenhuma das respostas anteriores. 79 TENDÊNCIAS E PROPOSTAS PARA O VAREJO Algumas ações no varejo devem ser estabelecidas de forma a atender às demandas do público-alvo. Por esse motivo, o gestor no varejo precisa conhecer bem seu target e, dessa forma, desenvolver estratégias que consigam corresponder e até mesmo superar as expectativas desse público. Deste modo, seja no varejo com ou sem loja, é preciso estar atendo a essas questões. Na sequência destacamos algumas propostas de valor que podem ser empregadas no varejo: ■ A atividade varejista não se restringe as suas instalações físicas, ou seja, o comércio de bens e serviços pode ser eletrônico e/ou domiciliar (casa do cliente) – entrega pro- gramada automática ou por qualquer outro sistema que atinja o consumidor final. O supermercado Pão de Açúcar criou a entrega domiciliar via telefone ou internet. ■ A emoção deve estar destacada como forma de atrair e reter clientes. Por exemplo, o varejo para a classe A procura compartilhar espaços, criando proximidade entre itens de interesse dos clientes potenciais ou simplesmente buscando a redução de custos operacionais, visando ampliar a emoção da compra no varejo chique. Assim, em seu começo, em São Paulo, a badalada loja Daslu, que vende etiquetas estrela- das de roupas e acessórios, ganhou notoriedade; outros varejistas apostam em um conceito diferenciado das lojas e decidiram valorizar cada venda – desde cristais às peças de antiquário e jardinagem, além de livros e revistas de decoração e design. Tudo em nichos totalmente delimitados pelas assinaturas de seus famosos criadores. ■ O chamado meeting point (ou seja, ponto de encontro do consumidor) deve ser des- lumbrante e ao mesmo tempo de fácil acesso. ■ Uma loja ou um acesso à internet deve ser tão deslumbrante e sedutor como uma linda mulher. Fonte: Cobra (2009, p. 257). MATERIAL COMPLEMENTAR Diferenciação no varejo: como conquistar um lugar privilegiado na mente dos clientes Autores: Willard N. Ander e Neil Z. Stern Ano: 2009 Sinopse: Este livro apresenta diversos casos de varejo baseados nas estratégias de diferenciação de preço, serviços, estrutura de loja, clientes, etc. Com uma linguagem objetiva o livro contribui para melhor compreensão de como se posicionar e se distinguir no varejo trabalhando os elementos do composto mercadológico. Para conhecer mais sobre as etiquetas eletrônicas no varejo como uma importante ferramenta estratégica para as empresas, acesse: <http://www.varejista.com.br/artigos/tendencias/687/ etiquetas-eletronicas-no-varejo-inovacao-economia-e-sustentabilidade> Algumas tecnologias já estão presentes em diversos segmentos varejistas, outras ainda estão sendo implementadas. Porém, em algum momento, todas as empresas varejistas deverão utilizar alguma ferramenta tecnológica para facilitar seu processo de gestão e de vendas. O vídeo é a demonstração de uma loja do futuro com ferramentas já presentes no varejo brasileiro e outras que estão sendo implementadas. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Av9A2mZaDLw> REFERÊNCIAS 81 BERKOWITZ, E. n.; KERIN, R. A.; HARTLEY, S. W.; EUDELIUS, W. Marketing. 6. ed. v. 2. Rio de Janeiro: LTC, 2003. BERNARDINO, E. de C. et al. Marketing de varejo. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. COBRA, M. Administração de marketing no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. FERREIRA JUNIOR, A. B.; CENTA, S. A. Supervarejo: uma abordagem prática sobre os mercados de consumo. Curitiba: InterSaberes, 2014. LAS CASAS, A. L.; GARCIA, M. T. Estratégias de marketing para varejo: inovações e diferenciações estratégicas que fazem a diferença no marketing de varejo. São Paulo: Novatec, 2007. LEVY, M.; WEITZ, B. A. Administração de varejo. São Paulo: Atlas, 2000. MATTAR, F. N. Administração do Varejo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. PARENTE, J. Varejo no Brasil: gestão e estratégias. São Paulo: Atlas, 2000. TURCHI, S. R. Estratégias de marketing digital e e-commerce. São Paulo: Atlas, 2012. CITAÇÕES DE LINK 1- <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/comercio/pmc/>. Acesso em: 1 jun. 2015. 2- < http://www.portaldoshopping.com.br/monitoramento/evolucao-do-setor>. Acesso em: 5 jun. 2015. 3- <http://www.abf.com.br/>. Acesso em: 19 fev. 2016. 4- <https://www.ecommercebrasil.com.br/eblog/2015/04/16/5-tecnologias-indis- pensaveis-para-o-varejo-em-2015>. Acesso em: 1 jul. 2015. GABARITO 1. Opção correta é a C. 2. Opção correta é a B. 3. Resposta nos tópicos “Formatos do varejo com loja” e “Formatos do varejo sem loja”. 4. Opção correta é a D. U N ID A D E III Professora Me. Fernanda Gabriela de Andrade Coutinho COMPOSTO DO VAREJO Objetivos de Aprendizagem ■ Apreender a estrutura do composto de varejo. ■ Abordar os elementos que compõem o composto varejista. ■ Entender a estrutura do mix de produtos e serviços no varejo. ■ Verificar as principais estratégias de preço no varejo. ■ Analisar como as pessoas participam do composto varejista. ■ Discutir os elementos de comunicação no varejo. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Elementos do Composto de varejo ■ Produtos no varejo ■ Serviços no varejo ■ Estratégias de preço ■ Gestão de pessoas ■ Comunicação no varejo INTRODUÇÃO O composto do varejo é formado por seis elementos principais que precisam ser compreendidos de forma estratégica e também trabalhados de forma integrada, para queseja possível obter resultados efetivos e satisfatórios com relação ao marketing no varejo. Esses elementos são: Produto, Preço, Praça (Distribuição), Promoção (Comunicação), Apresentação de Loja e Pessoas. Esta unidade abordará alguns dos elementos desse composto, apontando as características e especificidades de cada um e demonstrando sua importância como ferramenta mercadológica para desenvolvimento de ações que agreguem valor à estrutura varejista de acordo com as necessidades da empresa – e tam- bém de seu público-alvo. Destacaremos o Mix de Produtos, definindo os tipos e características dos produtos no que diz respeito aos aspectos tangíveis e intangíveis que compõem a estrutura do produto no varejo. Serão abordadas, ainda, questões relacionadas ao ciclo de vida dos produtos e como ele se estabelece de acordo com a composição da oferta realizada pelas empresas varejistas. Juntamente com os produtos, serão discutidos os serviços que podem ser produzidos dentro da estrutura de varejo. Além disso, trataremos do preço, já que as formas de precificação precisam ser bem definidas para que possam trazer satisfação para os clientes, mas tam- bém rentabilidade para a empresa. Os elementos Praça, que se refere à distribuição de produtos a ser realizada, bem como a estratégia de localização para a loja; e Apresentação de Loja, que aborda os aspectos de disposição e organização dos produtos e a comunicação no ponto de venda, serão tratados na próxima unidade. Por fim, discutiremos sobre pessoas que também participam do composto do varejo. Definir o perfil dos profissionais que atuarão na empresa é fundamen- tal para o funcionamento da estrutura varejista. A comunicação é outro elemento do composto de varejo. Ela é formada por várias ferramentas, tais como propagandas, relações públicas, marketing direto, entre outras. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 85 ©shutterstock COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E86 ELEMENTOS DO COMPOSTO DE VAREJO O composto ou mix de marketing foi desenvolvido por Jerome McCarthy e cor- responde aos seguintes elementos: produto, preço, praça e promoção (COBRA, 2009). A ideia era que o executivo de marketing deveria “misturar” – por isso o conceito de “mix” – os elementos (ingredientes) para que fosse possível desen- volver políticas e procedimentos para alcançar um negócio rentável (URDAN; URDAN, 2006). Esse conceito é empregado em diferentes abordagens mercadológicas e, no caso do varejo, foram introduzidos outros dois elementos: a apresentação da loja (presentation); e pessoas no atendimento (people) (MASON; MAYER; EZELL, 1988). Elementos do Composto de Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 87 Conforme Urdan e Urdan (2006), o composto de marketing procede das deci- sões estratégicas, isto se chama consistência vertical, que significa o alinhamento entre os elementos estratégicos, mercado-alvo, posicionamento e estratégias competitivas e os táticos – que são os quatro elementos do mix mercadológico –. O quadro 1 apresenta cada um dos elementos, bem como as características e decisões atreladas a eles. Quadro 1 – Elementos do composto varejista COMPOSTO OU MIX VAREJISTA Variáveis do Composto Varejista Exemplos de Decisões Mix de Produtos Variedade de linha; profundidade; qualidade; serviços agregados. Preços Preços; crédito; custo/benefício. Praça (Localização e Distribuição) Localização; acesso; visibilidade. Promoção (Comunicação) Propaganda; ofertas; sinalização. Apresentação de loja Loja; departamentalização. Pessoas Treinamento; atendimento. Fonte: adaptado de Parente (2000, p. 61); Bernardino et al. (2008, p. 80). Deste modo, os elementos devem ser gerenciados de forma integrada, pois a ação de um poderá interferir diretamente no outro, já que todos são essenciais no desenvolvimento das estratégias de marketing para o varejo. Cabe destacar que cada um dos elementos possui especificidades que pre- cisam ser desenvolvidas de maneira que a característica de um elemento possa complementar o de outro e assim agregar valor ao planejamento mercadológico do varejo. Na sequência vamos apresentar alguns dos elementos do composto varejista, iniciando as discussões com o mix de produtos. ©shutterstock COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E88 PRODUTOS NO VAREJO O produto é entendido como algo que se pretende ofertar ao consumidor com objetivo de venda, abrangendo também o conceito de serviços (BERNARDINO et al., 2008). Para Urdan e Urdan (2006, p. 42), “produto é um objeto concreto ou abstrato que satisfaz a necessidade e desejos dos consumidores”. Os produtos são trocados entre empresas e também entre empresas e indi- víduos. Do ponto de vista do gestor de marketing, o produto é compreendido em termos de atributos, benefícios e também em custos relacionados ao pro- cesso de compra. Tratando do consumidor, ele entende o produto mediante a análise dos custos e benefícios. Para melhor compreender o produto é preciso conhecer os níveis nos quais esses são desenvolvidos. O primeiro nível é constituído pelo benefício central e sequen- cialmente pelo produto básico, produto esperado, produto ampliado e produto potencial, conforme figura 1. O grau de sucesso do empreendimento varejista é influenciado diretamente pela capacidade de percepção e adequação dos produtos oferecidos às ne- cessidades de cada público-alvo. (Bernardino, et al., 2008, p. 80-81). Produtos no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 89 Figura 1 – Níveis de produto Benefício central Benefício central Fonte: adaptada pela autora com base em Kotler (2000). O nível benefício central está relacionado à necessidade ou ao problema prin- cipal que o produto se propõe a resolver, com base no que o cliente precisa (GIULIANI; ATTADIA, 2011). O produto básico tem como objetivo atender ao que foi proposto no benefício central, no que diz respeito ao design, quali- dade, marca e embalagem. Já o produto esperado corresponde à avaliação das expectativas dos clientes em relação ao que ele almeja como produto e o que a empresa realmente entrega a ele. No caso do produto ampliado, este se refere aos benefícios adicionais bem como serviços aos clientes para proporcionar uma experiência única que supere as expectativas desses clientes (GIULIANI; ATTADIA, 2011). Nesse nível estão o prazo de garantia, a entrega, a instalação e ainda o pós-venda. O produto poten- cial corresponde ao que o produto pode se tornar, ou seja, uma característica ou atributo que possa agregar algum tipo de valor e diferenciá-lo em relação à concorrência. Com relação à categorização, os produtos podem ser classificados de dife- rentes formas. Quanto ao tipo de cliente, os produtos podem ser de consumo, os quais são comprados por consumidores finais para uso próprio, e produtos empresariais, que são comprados para processamento posterior ou para utilizar na gestão do negócio (GIULIANI; ATTADIA, 2011). COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E90 Também é possível classificar osprodutos quanto à durabilidade e tangi- bilidade. Nesse caso, os produtos podem ser divididos em bens não duráveis – consumidos rapidamente e usados em poucas vezes –, como doces, bebidas e canetas; bens duráveis – tangíveis e que sobrevivem a muitos usos –, como computadores, eletrodomésticos e automóveis; e serviços – são intangíveis, inseparáveis, variáveis e perecíveis –, como manicure, cabelereiro, consultoria e consultas médicas (GIULIANI; ATTADIA, 2011). Outra possibilidade apresentada em relação à tipologia de produtos pode ser compreendida conforme quadro 2. Quadro 2 – Tipologia de produtos de consumo BASE TIPO DE PRODUTO DESCRIÇÃO Período de uso Durável Tem preço mais alto e dura mais (pelo menos um ano). Ex.: televisão e software. Consumível Comprado frequentemente e se exaure ao ser usado. Ex.: achocolatado e sabonete. Descartável Usado por curto período e depois jogado fora. Ex.: barbeador e cartucho de impres- sora. De coleção Item que se torna parte de um conjunto valorizado, independentemente de uso. Ex.: cartões telefônicos e selos. Orientação do consumidor De conveniência Comprado com frequência. Pode ser commodity ou item barato, vendido na base de preço e disponibilidade. Ex.: caixa de fósforo e bala. De preferência Detém alta preferência de marca. Não exige grande esforço de compra. Ex.: refrigerante e roupa. De compra com- parada Só comprado depois de bastante compa- ração de alternativas e critérios. Ex.: casa e carro. De especialidade Conta com alta preferência de marca, inclui certo risco e pode exigir bastante esforço de compra. Ex.: joias e roupas sofisticadas. Fonte: Urdan e Urdan (2006, p.44). Produtos no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 91 Conforme Giuliani e Attadia (2011), quanto à decisão de produtos, é preciso verifi- car como os produtos estão relacionados uns com os outros, identificar as ligações com o mercado e hierarquizar a importância de cada atributo entendendo como eles podem satisfazer às necessidades dos consumidores. Ainda segundo os autores, para estabelecer essa hierarquia é possível desenvol- ver a seguinte classificação: ■ Família de produtos: são considerados produtos da mesma natureza e espécie. ■ Classe do produto: são grupos de produtos pertencentes a uma família de produtos que apresentam funções semelhantes. ■ Linha de produtos: pode ser definida como um grupo de produtos afins que se destinam a um mesmo grupo de consumidores, atendendo às neces- sidades e aos desejos semelhantes. Além disso, é preciso conhecer o mix de produtos que se referem ao conjunto de todos os produtos de uma empresa varejista que são colocados à venda. Mix de produtos é o conjunto de todas as mercadorias oferecidas pelo varejista (MATTAR, 2011). Neste sentido, existem quatro dimensões que precisam ser consideradas: a abrangência, que trata da quantidade de diferentes linhas de produtos da empresa; a profundidade, que é a quantidade de opções oferecidas em cada linha; a exten- são, que trata do número total de itens do mix; e a consistência, que se refere à proximidade das linhas de produtos no que diz respeito ao uso final, exigências de produção, canais de distribuição e comunicação, entre outros critérios (GIULIANI; ATTADIA, 2011). Com relação às decisões individuais de produto, podemos destacar os atribu- tos do produto como design, qualidade, além da embalagem e da marca. Conforme Giuliani e Attadia (2011), o design é a essência do produto e comunica o estilo do produto por meio da estética e pode contribuir para criação de identidade em rela- ção ao produto e à marca. O autor ainda destaca a qualidade do produto que pode ser avaliada com base em duas dimensões, adequação ao uso, que se refere à capacidade das empresas varejistas em transformarem as necessidades e desejos dos clientes em produtos; e a conformi- dade, que significa a ausência de falhas do produto (GIULIANI; ATTADIA, 2011). ©shutterstock COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E92 A embalagem é um elemento fundamental da estra- tégia de produto na maioria das empresas, já que quase todos os bens comercializados devem ser embalados (GOBE; MOREIRA; PEREZ, 2004). A embalagem também é vista como um envoltório, porém, é tratada como uma ferramenta estratégica de marketing, podendo criar valor para o cliente. A embalagem é o recipiente ou invólucro que contém o produto (URDAN; URDAN, 2006). Além da função principal de proteger o produto, a embala- gem possui outras funções mercadológicas, como expor o produto e despertar o interesse do consumidor no ponto de venda; destacar os pro- dutos em relação ao concorrente; auxiliar na construção da identidade do produto e da marca; fornecer informações do produto; pode funcionar como plataforma para ações promocionais; ajudar no uso do produto (URDAN; URDAN, 2006). Na Loja Target, o produto é considerado uma arte A loja norte-americana Target desenvolveu uma ação para demonstrar seu posicionamento, que valoriza tanto o design quanto os preços mais baixos. Desta forma, a loja criou a Target Too, considerada uma pop up store que faz uma demonstração dos produtos da loja que possuem um design apurado e incomum. A loja pop up não vende nenhum produto, apenas tem o intuito de mostrar os produtos da loja, que foram construídos como se fossem obras de arte. Uma grande caixa de leite caída forma uma poça do líquido, que é feita, na verdade, de pratos com a marca própria da Target. Em outra parte, foi colo- cado um grande quadro mostrando lábios, que na verdade é um mosaico feito com caixas de bálsamo para a pele. Saiba mais em: <http://www.portalnovarejo.com.br/index.php/compo- nent/k2/item/10625-na-target-produto-e-arte>. Fonte: a autora. ©shutterstock Produtos no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 93 Quanto ao tipo, a embalagem pode ser primária, quando armazena o produto em si, como o frasco de um perfume; secundária, protegendo a embalagem primária e utilizada pelos gestores de marketing como ferramenta para atrair o cliente, como uma lata promocional com bombons; de remessa, acondiciona o produto para trans- porte e armazenamento (GIULIANI; ATTADIA, 2011). O desenvolvimento de uma embalagem leve em consideração: a estrutura que envolve o formato, partes, materiais e acabamentos da embalagem; identidade de marca, que se refere às marcas da empresa, produto ou fornecedor; textos, que são os elementos de comunicação que identificam o produto e fornecem informações sobre ele; cores, que se refere à parte mais emocional e subjetiva do projeto de emba- lagem; ilustrações, fotografias e figuras estampadas na embalagem. Com relação à marca, ela pode ser descrita como “um nome, termo, sinal, símbolo ou design, ou uma combinação de tudo isso, destinado a identificar os produtos ou serviços de um fornecedor ou grupo de fornecedores para diferenciá-los de outros concorrentes” (KOTLER; KELLER, 2006, p.269). No varejo, a marca possui funções específicas que precisam ser consideradas pelo gestor de marketing, pois além de ser um fator de fidelização, as marcas que são oferecidas podem transmitir informações Dentro do contexto das preocupações ambientais e da responsabilidade social no século XXI, as empresas varejistas estão se preocupando mais com as embalagens que estão sendo utilizadas em suas lojas, dando preferênciapara aquelas que possam ser facilmente descartadas e que não agridam o meio ambiente. COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E94 primordiais para os clientes, gerando valor e servindo como fonte de diferenciação. Para os clientes, conforme Silva e Merlo (2011), as marcas auxiliam na identifi- cação dos produtos. Elas podem, desta forma, transmitir segurança em relação aos produtos adquiridos; facilitar a escolha no ponto de venda, possibilitando a compa- ração e a escolha e satisfazendo necessidades racionais, emocionais e/ou psicológicas. Para os autores, as principais funções das marcas para os consumidores são: ■ De referência, na identificação dos produtos. ■ De praticidade, com o ganho de tempo e energia na recompra. ■ De garantia, segurança na qualidade estável. ■ De otimização, segurança no desempenho do produto conforme categoria. ■ De personalização, a imagem que é transmitida aos outros. ■ De permanência, familiaridade das ligações como uma marca. ■ Hedonista, estética da marca e suas ligações. ■ Ética, comportamento responsável da marca e suas relações com a sociedade. Cabe ressaltar que no varejo uma estratégia que vem sendo utilizada é a de marca própria. A marca própria é aquela que é de propriedade do revendedor de produtos (SILVA; MERLO, 2011). Ela pode levar o nome da própria organização, como no caso do hipermercado Carrefour, ou outro nome de marca não associada ao nome da organização, como a marca Qualitá, do Grupo Pão de Açúcar. O gráfico 1 apre- senta o crescimento das marcas próprias no mercado brasileiro. Gráfico 1 – Marcas próprias 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 100 122,294 137,63 147,246 182,25 201,742 214,518 242,264 1,34 1,64 1,85 1,97 2,44 2,71 2,88 3,25 Crescimento das marcas próprias no país, em valor (bilhões R$) Fonte: ABRASNET (2015, on-line)¹. Produtos no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 95 Os principais motivos que levam os varejistas a investirem em marcas próprias, conforme Parente (2000), são o desenvolvimento de fidelidade do cliente por meio de uma linha exclusiva de produtos; o fortalecimento da imagem do vare- jista; o maior poder de barganha com fornecedores; mais alternativas aos clientes, diminuindo a vulnerabilidade às marcas líderes; o aumento da competitividade; as melhores margens de lucro; o melhor atendimento às necessidades dos con- sumidores e maior poder de decisão no gerenciamento de categorias. O produto está em constante transformação, buscando a cada momento histó- rico satisfazer os desejos do consumidor. Neste sentido, todo produto para ser desenvolvido passa por um detalhado planejamento, porém isso não significa que ele será bem-sucedido. As marcas próprias têm conquistado os brasileiros e ocupado cada vez mais espaço nas gôndolas das lojas e nos carrinhos de compra dos clientes. A escolha por esses produtos não está mais associada apenas ao preço, mas também à qualidade, ou seja, a marca tem agregado valor ao produto e mu- dando o comportamento do consumidor na escolha dessas marcas. Em relação às classes sociais, houve um aumento de 60% das classes A e B no consumo de marcas próprias, na classe C, 52%, e nas classes D e E, 49%. No primeiro semestre de 2015, houve um aumento de 6,6% no consumo de marcas próprias em relação ao mesmo período de 2014 – e 56% dos brasi- leiros acreditam que os itens de marca própria possuem mais qualidade que dos fabricantes. Saiba mais em: <http://www.portalnovarejo.com.br/index.php/ges- tao/item/6429-marcas-pr%C3%B3prias-conquistam-de-vez-os-carri- nhos-de-compras-dos-brasileiros> <http://www.portalnovarejo.com.br/index.php/indicadores/item/ 13077-consumo-de-marcas-proprias-cresce-6-6-no-ano> Fonte: a autora. COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E96 No planejamento de um produto deve ser estabelecido o seu consumo ao longo do tempo, levando em consideração uma demanda esperada que foi obtida por meio do levantamento de informações do mercado, da capacidade de pro- dução da empresa, da distribuição e logística e da necessidade de retorno sobre o investimento realizado. O ciclo de vida do produto “é uma ferramenta de decisão de marketing que auxilia a organização a monitorar a taxa de crescimento e lucratividade de um produto ao longo de sua existência no mercado” (GIULIANI; ATTADIA, 2011, p. 96). A figura 2 demonstra as fases do ciclo de vida do produto. Figura 2 – Etapas do ciclo de vida do produto Vendas Lucro Tempo Lucro Vendas Introdução Crescimento Maturidade Declínio Fonte: Mattar (2011, p. 332). Os estágios do ciclo de vida seguem as seguintes fases (KOTLER, 2000; GIULIANI; ATTADIA, 2011): ■ Introdução: marcado pelo momento em que o produto passa a ser ofere- cido e está disponível para o consumidor ou cliente. Neste estágio é que a empresa faz o seu maior investimento, pois precisa custear os investi- mentos feitos, sua produção, além dos investimentos em comunicação. No período de introdução o produto apresenta um lento crescimento de vendas, não havendo praticamente nenhum lucro. ■ Crescimento: neste momento o produto passou a ter uma rápida aceita- ção pelo mercado e suas vendas são crescentes, gerando caixa positivo, Produtos no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 97 ou lucro, na sua comercialização. O tempo de crescimento do produto no mercado é determinado pela sua estratégia de introdução e pelo investi- mento disponível para seu lançamento. ■ Maturidade: pode ser identificada como o momento da queda no cres- cimento das vendas, visto que a maioria dos clientes potenciais já tem conhecimento do produto ou já o adquiriu. Neste momento os lucros devem cair, pois serão necessários novos investimentos na manutenção do produto, e o crescimento das vendas não existe mais. Esta é a etapa de consolidação do produto no mercado e de sua manutenção, por esse motivo, devem se buscar novos mercados para esse produto, provocando um novo aumento de vendas e um aumento dos lucros. ■ Declínio: caracterizada pela forte queda das vendas e pelo desapareci- mento dos lucros. O produto deixa de ser procurado, o consumidor não tem mais interesse por ele ou surgiram novos produtos no mercado que atendem de maneira diferenciada às necessidades existentes por meio de novos atrativos ou de uma melhor relação custo versus benefício. Deste modo, observamos a importância de compreender as fases do ciclo de vida do produto, pois em cada uma das fases o gestor precisará desenvolver uma estratégia específica. Na fase de introdução há maior investimento financeiro, já que o produto está sendo colocado no mercado; na fase de crescimento há maior lucratividade, pois com aumento das vendas a empresa já começa a recuperar os investimentos realizados na primeira fase; na fase de maturidade, o produto alcança seu equilíbrio e se consolida no mercado – nesta fase é preciso fazer investimentos para continuar competitivo no mercado, para não entrar na fase de declínio –; na fase de declínio há duas alternativas, tentar reverter a situação, investindo no produto e conquistando novos mercados ou desistir do produto, caso seja mais viável para a empresa. Com isso, compreendemos a importância do gerenciamento do mix de pro- dutos, conhecendo as características, tipos e classificação.Além disso, observamos que a embalagem e a marca são elementos essenciais na composição dos produ- tos. Na sequência vamos apresentar alguns conceitos relacionados a serviços no varejo que podem funcionar como atividade varejista ou ainda como modo de agregar valor aos bens tangíveis. ©shutterstock COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E98 SERVIÇOS NO VAREJO Os serviços fazem parte do composto de varejo, tanto como produto principal, quando se constitui como atividade desenvolvida pela empresa, como também em forma de ações adicionais quando ofertados juntamente com outros produ- tos, agregando valor e aumentando a satisfação dos clientes. Os serviços e o atendimento englobam todas as atividades que apre- sentam um relacionamento pessoal entre o varejista e o consumidor. Quando são desempenhados de forma adequada, o varejista consegue desenvolver relações de longo prazo, para manter a fidelidade do con- sumidor. Independentemente do tipo de loja, a qualidade do relacio- namento pessoal com os consumidores será um fator fundamental de diferenciação e de vantagem competitiva (PARENTE, 2000, p. 271). Os serviços são todas as atividades, ato ou desempenho que não possuem carac- terísticas tangíveis e que da relação entre as partes envolvidas não resulte na transferência de posse de algo (MENDONÇA; CORRÊA, 2011). Segundo Gröroos (2004), o serviço se caracteriza como uma atividade (ou várias atividades) de natureza mais ou menos intangível que ocorre entre a interação de clientes e fun- cionários, entre bens físicos e sistemas de serviço. Serviços no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 99 O setor de serviços do Brasil alcançou um crescimento nominal de 6,1%, em março de 2014, comparado ao mesmo período do ano anterior. Esse número foi superior às taxas de fevereiro (0,9%) e janeiro (1,8%), conforme dados do IBGE (on-line)². Os serviços possuem quatro características específicas que os diferenciam dos bens tangíveis. Primeiro os serviços são intangíveis, pois, em geral, o resultado dos serviços não resulta em algo tangível, que possa ser tocado (MENDONÇA; CORRÊA, 2011). Outra característica é a inseparabilidade ou simultaneidade, pois os serviços são produzidos e consumidos ao mesmo tempo, e em geral, com a presença do cliente. Também destacamos a heterogeneidade ou variabilidade, pois cada serviço é único, um serviço prestado nunca será igual ao outro, pois há uma variação na consistência da transação do serviço (LOVELOCK; WHIGTH, 2003). A última característica é a perecibilidade, pois não podem ser guardados ou esto- cados, devem ser consumidos no mesmo instante da produção (HOFFMAN; BATESON, 2006). O quadro 3 apresenta as principais características entre bens físicos e serviços. O melhor serviço que qualquer varejista pode prestar é o desempenho de suas funções básicas com a máxima eficiência. A preferência dos consumi- dores é influenciada mais pelos serviços prestados do que a mercadoria ofe- recida para a venda, geralmente encontrada em outros concorrentes. (Las Casas) COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E100 Quadro 3 – Diferenças entre produtos e serviços BENS FÍSICOS SERVIÇOS Tangíveis. Intangíveis. Homogêneos. Heterogêneos. Produção e distribuição separadas. Produção, distribuição e consumo simultâneos. Coisa. Atividade ou processo. Valor principal produzido em fábricas. Valor principal produzido nas intera- ções entre comprador e vendedor. Cliente não participa do processo de produção. Clientes participam do processo de produção. Pode ser criado/mantido em estoque. Não pode ser mantido em estoque. Transferência de posse/propriedade. Não transfere propriedade. Fonte: Mendonça e Corrêa (2011, p. 175). Segundo Mattar (2011), os principais objetivos do serviço no varejo são: ■ Enriquecer a utilidade do que está sendo comprado. ■ Facilitar a utilidade de tempo. ■ Aumentar a utilidade de lugar. ■ Promover a utilidade de posse. ■ Ampliar a conveniência. ■ Contribuir para criar imagem positiva para a loja. ■ Possibilitar segurança ao cliente. ■ Aumentar o tráfego na loja. ■ Sustentar posição competitiva. O varejista deve observar os diferentes níveis de serviço e escolher qual a melhor alternativa para seu negócio, conforme o tipo e o formato apresentado pela empresa varejista. Existem quatro níveis de serviços: autosserviço, autosseleção, serviços limitados e serviço completo (PARENTE, 2000). Serviços no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 101 O autosserviço ou serviços básicos é aquele no qual os próprios consumi- dores efetuam suas compras, as informações estão nas embalagens do produto ou em sinalizações pela loja; a autosseleção oferece instalações confortáveis, o vendedor está sempre disposto a auxiliar na compra, mas os consumidores que fecham a venda fazendo o pagamento no caixa (PARENTE, 2000). Os serviços limitados são oferecidos pelos varejistas que possuem consumi- dores que, em geral, comparam preços e precisam de mais informações sobre o que irá comprar. Nesse caso, a loja oferece serviços como crediário, entrega em domicílio e ajustes do produto. Por fim, o serviço completo, quando a loja se posiciona como orientada para serviços, com atendimento personalizado, ofere- cendo consultorias, locais confortáveis de espera, locais próprios para crianças, etc. (PARENTE, 2000). Para Mendonça e Corrêa (2011), o mix de serviços pode apresentar as seguin- tes formas: serviços associados a produtos; formato híbrido; serviço principal associado a bens ou serviços secundários e serviço puro. Os serviços associados a produtos se referem aos serviços que são ofertados com a presença de itens tangíveis que são significativos para que o processo aconteça, como no caso de um salão de beleza, no qual shampoos, cremes e outros produtos fazem parte do contexto do serviço e também podem ser ofertados para os clientes. Tratando do modelo híbrido, a oferta se refere tanto a bens quanto a ser- viços, como o caso dos restaurantes fast-food, nos quais as pessoas frequentam pela comida e também pelo serviço oferecido. O serviço principal associado a bens ou serviços secundários significa que a oferta de um serviço principal é contemplada com serviços adicionais ou bens de apoio, como os passageiros de algumas companhias de ônibus que compram ser- viços de transporte, mas estão incluídos na viagem alguns itens tangíveis, como comidas e bebidas, além do canhoto da passagem, por exemplo. O serviço puro consiste na oferta do serviço em si, como no caso de serviços de babá, psicólo- gos, serviço de massagem, consultoria, propaganda, entre outros. Existem alguns fatores, segundo Las Casas (2000), que influenciam na deter- minação de serviços, como as ofertas da concorrência; tamanho e layout da loja; recursos humanos; recursos financeiros; tipo de produto comercializado e consumidores. COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E102 Os serviços oferecidos pelos varejistas podem ser classificados em três catego- rias: serviços de pré-transação, de transação e de pós-transação (PARENTE, 2000). Os serviços de pré-tansação facilitam o cliente na busca e seleção de alter- nativas de compra. No caso dos serviços detransação, esses possibilitam ao cliente encontrar a alternativa correta e realizar a compra. Por fim, os serviços de pós-transação objetivam ajudar o cliente a solucionar problemas que pos- sam ter acontecido com a compra ou com o produto comprado (MATTAR, 2011). Existem serviços que se destacam como típicos em empresas varejistas. Apresentamos alguns a seguir: Quadro 4 – Serviços varejistas PRÉ-COMPRA PÓS-COMPRA AUXILIARES • Aceitação de pedido por telefone. • Propaganda. • Vitrines. • Provadores. • Horários de compra. • Entregas. • Empacotamento. • Ajustes. • Devoluções. • Cobranças. • Estacionamento gra- tuito. • Sanitários. • Porteiro. • Informações gerais. • Crediário. • Consultoria. Fonte: adaptado de Las Casas (2000, p. 152). Com relação à qualidade, os serviços possuem cinco dimensões, conforme Lovelock e Wright (2003, p. 109): a confiabilidade, que trata do fornecimento do serviço conforme o que foi prometido; os aspectos tangíveis, que são as instala- ções físicas, equipamentos, pessoal e material que envolve a prestação de serviço; a sensibilidade, que se refere à presteza dos funcionários para fornecer os servi- ços; a segurança, quando os funcionários mostram que são bem informados e conhecem bem o serviço que estão executando; e a empatia, que é a atenção cui- dadosa e personalizada aos clientes no oferecimento dos serviços. Desta forma, compreendemos a importância dos serviços no seu contexto do varejo, apresentando-se tanto como produto principal a ser oferecido ao cliente como suporte, adicionando valor aos bens tangíveis. Na sequência, trataremos do elemento preço do composto varejista. ©shutterstock Estratégias de Preço Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 103 ESTRATÉGIAS DE PREÇO O preço faz parte do com- posto varejista e seu conceito vai além do valor monetário que se paga por um produto ou serviço. Para Urdan e Urdan (2006, p.184), “preço é tudo que o consumidor per- cebe ter dado ou sacrificado para obter o produto”. Neste sentido, no preço, conforme os autores, possuem dois componentes, o componente monetário, que é a concepção mais usual e inclui além do valor pago, os custos de operação, manutenção e depreciação; e o componente não monetário, que se refere a tempo, energia e questões psico- lógicas para adquirir o produto, conforme ilustrado na figura 3. Figura 3 – Componentes do preço na concepção de marketing Sacrifício de tempo Sacrifício de energia Preço não monetário percebido Preço percebido (total) Preço monetário percebido Preço monetário objetivo Sacrifício psicológico Fonte: Urdan e Urdan (2006, p.185). Para determinar as políticas de preço, os varejistas se baseiam em objetivos que irão nortear suas decisões e manter a empresa em nível satisfatório no que diz respeito à lucratividade, competitividade e vendas (PARENTE, 2000). COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E104 Neste sentido os objetivos se referem às vendas, pois alcançando maiores volumes de vendas, haverá maior lucratividade e melhor diluição dos custos fixos além de limitar o crescimento da concorrência; objetivo de imagem de preço, que pode estar atrelada à liderança em preço, no que se refere a ter um preço melhor que os concorrentes ou a paridade, no qual o preço se equipara ao concorrente; e, por fim, objetivo de lucro, com a maximização dos lucros, retorno dos inves- timentos e melhores margens de venda (PARENTE, 2000). Existem diferentes fatores que podem influenciar na determinação das políticas de preço. A primeira que podemos destacar é o comportamento do consumidor, pois as mudanças no comportamento poderão alterar as estratégias de precifi- cação das empresas varejistas. Em relação ao consumidor, o que a empresa deve considerar é a elasticidade, que trata da sensibilidade dos consumidores em rela- ção às alterações de preço (PARENTE, 2000). Desta forma, é preciso identificar o tipo de demanda da empresa, se ela é elástica, ou seja, sofre muitas alterações quando há oscilações no preço, ou inelástica, quando não há mudanças signifi- cativas se a empresa alterar os preços dos produtos e serviços ofertados. Em relação ao comportamento do consumidor também é preciso conhecer a segmentação de mercado para qual se direcionam as ações de marketing da empresa varejista, bem como a área de influência em que ela atua. Os clientes, em geral, são sensíveis a preço e essa sensibilidade sofre influ- ências de alguns elementos, como diferenciação de produtos, pois quanto maior a diferenciação percebida pelo consumidor, menos sensibilidade às mudanças; presença de dimensões múltiplas de qualidade e preferência, para que seja difícil comparar os produtos ofertados com os da concorrên- cia; lealdade a marcas ou lojas; condições de competição local, pois quanto mais varejistas ofertando o produto, menos sensível o consumidor fica em relação às mudanças nos preços; nível de conhecimento dos preços ado- tados pela empresa, pois quanto mais o conhecimento dos clientes em re- lação aos preços praticados pelos diferentes varejistas, maior sensibilidade dos clientes a mudança nos preços. Fonte: Caldeira, Ceribeli e Merlo (2011, p.132). Estratégias de Preço Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 105 Outro fator que influencia na determinação do preço se refere às estratégias de marketing, que são os objetivos da política de preço, que pode se referir à concor- rência, participação de mercado, volume de vendas, lucratividade, etc. (URDAN; URDAN, 2006); o valor e posicionamento estratégico; os custos; tipo de produto; gerenciamento de categoria e outras variáveis do mix varejista (PARENTE, 2000). Também é preciso considerar as variáveis ambientais que poderão influenciar as políticas de preço, como a concorrência, a inflação e ainda algumas conside- rações legais. Para (ANGELO, DIAS FOUTO e NIELSEN, 2012), as três principais abor- dagens que devem ser levadas em consideração em relação à formação e gestão de preços são a análise dos custos (da empresa), análise do valor criado pelo con- sumidor alvo e análise das ações e preços que são praticados pelos concorrentes. Existem diferentes formas de apreçamento no varejo, destacamos quatro principais, conforme Urdan e Urdan (2006): apreçamento competitivo, apreça- mento de novos produtos, apreçamento de conjunto de produtos e apreçamento discriminador. Por apreçamento competitivo compreende-se que a empresa define o preço para aproveitar sua posição diante dos concorrentes. Dentro desse formato des- tacamos cinco estratégias, conforme Urdan e Urdan (2006): ■ Estratégia de liderança de preços: a empresa que possui uma posição com- petitiva sólida no mercado poderá iniciar as mudanças para cima ou para baixo, tendo conhecimento que a concorrência tentará acompanhá-la. O líder, nesse caso, passa ser a referência de preço. ■ Estratégia de paridade de preços: os preços praticados são equivalentes da concorrência para produtos similares ou são mantidas constantes a diferença de preço entre eles. Essa estratégia ocorre, em geral, quando a empresa não possui vantagem competitiva. ■ Estratégia de preços de prestígio: o preço praticado é relativamente ele- vado e permanece assim ao longo do tempo. Isso ocorre em produtos que oferecem muitos benefícios e uma imagem de excelência e exclusividade. ■ Estratégias de preço mais baixo: os preços praticadossão mais baixos que da concorrência e isso ocorre quando a empresa tem outras vantagens nos custos e economia de escala. COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E106 ■ Estratégia geográfica do preço: o preço praticado leva em consideração os custos de deslocamento do produto até a entrega aos intermediários ou consumidores finais. No caso do apreçamento de novos produtos, existem incertezas no que diz res- peito à aceitação do produto no mercado e esse é um dos principais motivos que dificultam as estratégias de precificação. Urdan e Urdan (2006) assinalam que existem duas estratégias referentes a esse formato: ■ Estratégia de desnatação: quando o produto recebe o maior preço que um segmento pequeno de consumidores aceita pagar. Essa estratégia é indi- cada para produtos que entram sozinhos no mercado e permaneçam por certo tempo sem concorrência. ■ Estratégia de penetração de mercado: o preço praticado na introdução no mercado é baixo, perto dos custos unitários, objetivando o aumento no volume de vendas e consolidação no mercado. O apreçamento de conjunto de produtos ocorre quando a empresa comercializa diversos produtos. O gestor precisa considerar se a venda de um produto não afeta o outro e assim poderá realizar uma precificação por produto. Porém, se houver interdependência entre os produtos, é preciso realizar uma ação conjunta de apreçamento. De acordo com Urdan e Urdan (2006), os tipos de apreçamento dentro dessa abordagem são: ■ Estratégia de linha de produtos: é preciso definir o limite superior do preço da linha em relação ao melhor produto, o limite inferior do preço da linha referente ao produto mais básico e estabelecer as diferenças para os produtos que são intermediários. ■ Estratégia de pacote de produtos: a empresa varejista vende um conjunto reunindo dois ou mais produtos, por preço total menor do que a soma dos preços individuais dos itens. ■ Estratégia de produtos complementares: essa estratégia visa estimular a compra de produtos que possuem afinidades. Dessa forma, o produto principal deve ter um preço médio que estimule a compra e consiga ainda incentivar a compra dos complementares. Estratégias de Preço Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 107 ■ Estratégia de preços substitutos: os produtos são substitutos quando o aumento nas vendas de um provoca a queda de vendas do outro. Nesse caso, para precificar é preciso avaliar os dois produtos de forma conjunta e verificar os benefícios de cada um e assim determinar o preço. Em alguns casos, é estratégia do varejista a substituição de um produto pelo outro e, assim, adotar um preço menor da versão mais antiga pode ser propo- sital e funcionar como um diferencial. O apreçamento discriminador tem como objetivo aproveitar as diferenças de sensibilidade ao preço, além do poder de barganha e preferências entre consumi- dores, para vender o mesmo produto com preços diferentes (URDAN; URDAN, 2006). Nesse formato, os autores destacam cinco tipos: ■ Estratégia de desconto para segundo mercado: o preço é definido pri- meiramente para o mercado prioritário da empresa e, em paralelo, a um segundo mercado, de menor relevância, oferecendo o mesmo produto com preço menor. ■ Estratégia de descontos periódicos: nesse caso são aplicadas reduções de preço em momentos e ciclos específicos que são conhecidos antecipada- mente pelos consumidores. ■ Estratégia de descontos aleatórios: essa estratégia é adotada para atender aos consumidores que costumam pesquisar preços e também para aqueles que não se importam em procurar preços mais baixos. A ideia é desen- volver ofertas “relâmpagos” para atrair os consumidores. ■ Estratégia de desconto negociado: essa estratégia é realizada diretamente quando o vendedor negocia o preço com o cliente e concede descontos conforme a solicitação feita. ■ Estratégia de desconto por volume: essa estratégia proporciona redu- ção no preço normal concedida pelo vendedor quando o cliente compra maiores quantidades. As principais políticas de preço que o varejo costuma desenvolver, de acordo com Bernardino et al. (2008, p. 92-93) são: preço único ou negociado, no qual o varejista vende seus produtos pelo preço único marcado na mercadoria ou lista de preços, independente das quantidades envolvidas; preços da concorrência, em que o varejista monitora os preços praticados pelos principais competidores ©shutterstock COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E108 e decide como fixará os seus – que pode ser acima, em linha ou abaixo –; preços altos/baixos (high/low), quando os varejistas oferecem num dado momento pre- ços altos para determinados produtos e baixos para outros mediante promoções. Há ainda, segundo os autores, os preços múltiplos, quando os varejistas ven- dem diferentes quantidades a diferentes preços; preços alinhados ou de linha, quando os varejistas comercializam linhas diversificadas de produtos com pre- ços muito próximos ou diferenciados e os preços psicológicos, muito utilizado no varejo, quando são usados números quebrados para a precificação. Com isto, definimos as principais exposições relacionadas às questões de precificação no varejo, entendendo que as estratégias de preço dependem não somente dos custos, mas de diversas variáveis, dentre elas, o comportamento do consumidor. Assim, na sequência, trabalharemos os dois elementos do com- posto varejista, pessoas e comunicação. GESTÃO DE PESSOAS As pessoas irão atuar diretamente em contato com os clientes, por esse motivo, esse elemento do composto é fundamental e precisa ser gerenciado de forma estratégica para que seja possível desenvolver um processo de vendas que con- siga alcançar resultados satisfatórios para a empresa, funcionários e clientes. Gestão de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 109 Varejo é uma atividade que envolve interação entre pessoas. De um lado, os clientes; do outro, os funcionários varejistas. Uma equipe de funcionários bem treinada e motivada é o patrimônio mais valioso da empresa. São os funcionários que fazem as coisas acontecerem nas lo- jas, sendo os responsáveis pelo atingimento dos objetivos financeiros, operacionais e de marketing da empresa. A gestão desse precioso ca- pital humano exige, portanto, uma atenção prioritária dos dirigentes varejistas (PARENTE, 2000, p. 362). A gestão de pessoas no varejo passa por diversos processos que vão desde o recruta- mento e seleção até o treinamento e acompanhamento dos funcionários. É preciso, portanto, cultivar maior comprometimento, confiança e envolvimento dos funcio- nários para que esses exerçam suas funções de forma adequada e para que consigam estabelecer relacionamentos duradouros com os clientes (BERNARDINO et al., 2008). O processo se inicia com o recrutamento – que precisa atrair interessados qualificados que preencham as necessidades da empresa (PARENTE, 2000) –. Por esse motivo é preciso determinar as funções e os cargos que serão preenchi- dos; detalhar o trabalho que será realizado, localização e posição na estrutura da empresa; definir requisitos e qualificações necessárias para desempenho da função (PARENTE, 2000). Cabe ressaltar que o recrutamento pode ser interno, quando a empresa decide por escolher entre os próprios funcionários alguém que tenha o perfil conforme a vaga que serádestinada. A vantagem é que o funcionário já está estabelecido dentro de uma cultura organizacional, conhecendo a empresa e os processos – o que facilita o recrutamento e a possível mudança de função. No caso do recrutamento externo, esse será realizado por opção do gestor, tanto por não ter alguém na empresa capacitado para a função requerida, como por questões estratégicas para trazer pessoas com novas ideias. O recrutamento externo pode ser uma vantagem justamente por essa possibilidade de trazer novas soluções e novos contextos do mercado que poderão contribuir com a empresa e com a nova função a ser exercida pelo funcionário. A etapa seguinte consiste na seleção, que consiste em escolher aqueles candi- datos cujas qualificações possam atender aos requisitos dos cargos estabelecidos (PARENTE, 2000). O processo de seleção em geral é feito em diferentes etapas e podem ser utilizadas ferramentas como preenchimento de formulários, pro- vas, entrevistas, dinâmicas de grupos, entre outras. COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E110 Na sequência deve ser realizado o treinamento que se refere às atividades con- tínuas de transmissão de conteúdos para os indivíduos, para que esses possam ficar inteirados da estrutura da empresa, cultura organizacional, bem como os processos que são desenvolvidos. O treinamento não deve ser realizado apenas quando os funcionários ini- ciam suas atividades na empresa. O treinamento deve ser constante para que seja possível manter o nível de qualidade dos funcionários, refletindo em todos os processos da empresa, principalmente no relacionamento com os clientes. Outra etapa importante trata do acompanhamento e avaliação dos funcio- nários, pois é preciso verificar como estão sendo exercidas as funções dentro da empresa e se estão correspondendo ao que foi proposto inicialmente no pro- cesso de recrutamento. Esse acompanhamento deve ser contínuo, realizado com certa periodicidade para que seja possível fazer algum tipo de alteração se for necessário. É impor- tante destacar que essa avaliação deve ser feita em conjunto com os funcionários, para que eles saibam como a empresa está realizando essa avaliação e para que possam ter um retorno sobre o trabalho que estão realizando. O programa de remuneração também é uma tarefa da gestão de pessoas e precisa ser estabelecido pelos gestores e conhecido pelos funcionários. Não existe um programa único que atenda às necessidades de todas as empresas. Cada empresa terá que realizar a sua política de remuneração de acordo com a estrutura e proposta do plano estratégico da organização. É importante que sejam concedidos incentivos aos funcionários para que eles se sintam motivados no trabalho que estão exercendo. Esses incentivos O objetivo estratégico do gerenciamento de recursos humanos é aumentar a produtividade do empregado – as vendas do varejista ou lucros divididos pelo custo do empregado. (Levy e Weitz) Comunicação no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 111 podem ser monetários, como comissões e bônus, ou ainda outras ações como reconhecimento por algum feito, prêmios, promoção de cargo, viagens, brin- des, entre outros. Para a gestão de pessoas no varejo, cinco questões deverão ser colocadas em prática pelos gestores, como as metas que precisam ser alcançáveis e trazer resul- tados significativos; a necessidade das equipes serem incentivadas; o cliente, que deve ser a fonte de inspiração das ações realizadas; o valor que deve ser dado aos aspectos intangíveis e sempre buscar a inovação e ser pró-ativo (ROCIGNO, 2015, on-line)³. Com isso, percebemos a importância das pessoas para o processo do varejo, já que essas estão totalmente envolvidas no desenvolvimento e atendimento ao cliente. Desta forma, na sequência iremos discutir o último elemento desta uni- dade, a comunicação voltada para o varejo. COMUNICAÇÃO NO VAREJO A integração dos elementos da comunicação é imprescindível para empresas vare- jistas que queiram atingir seus objetivos – e essa integração não é uma opção, uma escolha, mas uma decisão que deve ser tomada pelos gestores (SCHULTZ, 1997; LEVY, WEITZ, 2000). ©shutterstock COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E112 As comunicações de marketing integradas “são uma estratégia de integração de múltiplos métodos de comunicação para formarem uma mensagem abran- gente e consistente” (LEVY; WEITZ, 2000, p. 417). Neste sentido, a comunicação no varejo deve informar aos clientes acerca dos produtos e serviços, bem como das características da empresa; persuadir, motivando os clientes para a compra e, por último, lembrar, mantendo um relacionamento constante com o cliente e estabelecendo uma lembrança positiva da empresa na mente desse cliente. A Comunicação Integrada de Marketing (CIM) é um processo de co- municação que envolve planejamento, criação, integração e implemen- tação de diversas formas de comunicação, atreladas a um tema central e único, que são apresentadas durante certo tempo aos consumidores alvo e demais públicos de interesse da marca (CRESCITELLI; SHIMP, 2012, p.10). As principais características da CIM são: o processo ser iniciado com o con- sumidor atual ou potencial; poder ser utilizada qualquer forma de contato ou ponto de contato relevante; deve haver um tema central; ser preciso estabelecer relacionamentos e, ainda, ser preciso afetar o comportamento (CRESCITELLI; SHIMP, 2012). Para atingir os objetivos da CIM é preciso atentar-se para três princípios básicos, conforme Urdan e Urdan (2006). O primeiro deles é a abrangência, que consiste em utilizar o maior número de ferramentas de comunicação pos- síveis para alcançar consumidores-alvos e potenciais. Também é preciso haver consistência no que é comunicado. E, por fim, é preciso equilíbrio, pois além da promoção da imagem da empresa, é preciso que os consumidores sejam levados a comprar e não apenas reconhecer uma marca ou uma ação de comunicação. A CIM considera todos os pontos de contato, ou fontes de contato, que um consumidor atual ou potencial tenha com a marca, como canais potenciais de mensagens, e faz uso de todas as ferramentas de comunicação relevan- tes aos consumidores e aos demais públicos de interesse da marca. (Crescitelli e Shimp) Comunicação no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 113 Há três estratégias de fluxo de comunicação que devem ser observadas pelas empresas varejistas para que estas possam direcionar melhor as informações aos seus receptores, conforme o objetivo que se quer alcançar (YANAZE, 2006): ■ Estratégia de Push: significa empurrar. É caracterizada pelo fluxo de infor- mação que vai da empresa para seus intermediários, atingindo por último o consumidor final. Isso significa que a empresa precisa elaborar mensa- gens que consigam atingir as empresas intermediárias de maneira que elas possam repassar as mesmas informações obtidas para o consumidor final. ■ Estratégia de Pull: significa puxar. Nessa estratégia, as empresas se diri- gem diretamente ao consumidor final, persuadindo-os e os levando ao ponto de venda. ■ Estratégia de Push-Pull: trata-se da estratégia que emprega as duas ante- riores ao mesmo tempo. A empresa se comunica com os canais de venda e com o consumidor final. A CIM é composta por cinco ferramentas principais: a propaganda,promoção de vendas, relações públicas, marketing direto e venda pessoal, conforme a figura 4: Figura 4– Ferramentas da Comunicação Integrada de Marketing (CIM) Consumidor Propaganda Relações públicas Promoção de vendas Marketing direto Venda pessoal Fonte: a autora. COMPOSTO DO VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E114 A propaganda é a comunicação paga e transmitida pelos meios de comunica- ção (TV, rádio, jornal, revista, internet, etc.) que tem como objetivo principal divulgar produtos, marcas e empresas, levando à ação, ou seja, à compra. Já a promoção de vendas pode ser caracterizada como uma ação de comunicação que incentiva a compra a curto prazo, tendo como objetivo fazer girar os esto- ques de forma mais rápida. É uma ferramenta utilizada pelas empresas varejistas para levar os consumidores à compra por meio de descontos, brindes, demons- tração de produtos, entre outros. O marketing direto tem como objetivo principal alcançar os consumidores por meio de instrumentos que permitam uma resposta rápida. Esta ferramenta se utiliza de um mecanismo que permite uma comunicação direcionada, de acordo com o perfil dos consumidores, o banco de dados. As relações públicas tratam do relacionamento da empresa com seus públicos, identificando os interesses desses públicos (stakeholders) para que seja possível manter relações positivas com eles. No caso da venda pessoal, que é a interação entre o vendedor da empresa e o consumidor, há contato face a face e por isso facilita-se a comunicação e a venda. Existem outras ferramentas que também podem compor as estratégias de comunicação no varejo, como a comunicação realizada entre os próprios consumidores, denominada boca a boca ou buzz marketing, comunicações rea- lizadas nos meios digitais, patrocínio e ainda estratégias de apresentação de loja e merchandising. Com isso percebemos que os elementos da comunicação voltados para o varejo só irão funcionar se houver sinergia, no que diz respeito às caracterís- ticas de cada ferramenta, bem como das mensagens que serão transmitidas. É preciso estabelecer objetivos de comunicação que consigam suprir as necessi- dades do varejo e ao mesmo tempo alcançar os consumidores de forma efetiva e consistente. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 115 CONSIDERAÇÕES FINAIS O composto ou mix de varejo é formado por seis elementos estratégicos que devem ser trabalhados de forma integrada para que seja possível alcançar os objetivos mercadológicos propostos pela empresa varejista. O mix de produtos, as estratégias de precificação, formas de distribuição e ações de comunicação, assim como a apresentação de loja e a gestão de pessoas, formam esse composto. Nesta unidade tratamos da maior parte dos elementos, com exceção da distri- buição e a apresentação de loja que serão abordados na unidade 4. Desta forma, discutimos o mix de produtos, serviços, formas de precificação, ferramentas de comunicação e gerenciamento de pessoas. O composto de produto trata dos níveis que compõem o produto, que vai desde o produto básico até o produto ampliado e potencial que excede as expectativas dos clientes. Além disso, é pre- ciso conhecer os tipos de produtos ofertados e suas características, bem como a formação das linhas de produtos. Os serviços se destacam pela sua intangibilidade, variabilidade, simulta- neidade e perecibilidade – e essas características precisam ser trabalhadas de maneira que se ofereça valor aos clientes por meio desses serviços, que podem se constituir como serviço principal ou como suporte para bens e outros servi- ços –. As estratégias de preço exigem do gestor um planejamento que envolva desde os custos da empresa até a avaliação do concorrente e do comportamento do consumidor para se estabelecer uma estratégia de preço que atenda aos obje- tivos da empresa, mas que também agrade o cliente. No caso das pessoas, elas se constituem como um elemento essencial nas estratégias de varejo e por esse motivo as empresas varejistas precisam estabe- lecer ações que contemplem desde o recrutamento até o acompanhamento e avaliação dos funcionários. Por fim, a comunicação, que possui ferramentas específicas, deve trabalhar as mensagens para conseguir atrair os clientes para a empresa de forma efetiva. 116 1. Os produtos são trocados entre empresas e também entre empresas e indivídu- os. Do ponto de vista do gestor de marketing, o produto é compreendido em termos de atributos, benefícios e também em custos relacionados ao processo de compra. Sobre produtos, é correto afirmar que: a. O produto em marketing se refere apenas ao conceito de bens tangíveis não incluindo serviços. b. O primeiro nível é constituído pelo benefício central e posteriormente, na se- quência, pelo produto básico, produto esperado, produto ampliado e produto potencial. c. Quanto ao tipo de cliente, os produtos podem ser básicos, os quais são com- prados por consumidores finais para uso próprio, e produtos potenciais, que são comprados para processamento posterior ou para utilizar na gestão do negócio. d. Linha de produtos são grupos de produtos pertencentes a uma família de pro- dutos que apresentam funções semelhantes. e. O ciclo de vida do produto é uma ferramenta de decisão de marketing que monitora a participação do produto no mercado e analisa a lucratividade em determinada situação específica. 2. As marcas próprias são desenvolvidas por varejistas como uma forma estraté- gica para atuação no mercado. Comente dois motivos que levam os varejistas a investirem em marcas próprias. 3. Os serviços são todas as atividades, ato ou desempenho que não possuem ca- racterísticas tangíveis e que da relação entre as partes envolvidas não resulte na transferência de posse de algo (MENDONÇA; CORRÊA, 2011). Sobre serviços, assinale a alternativa INCORRETA: a. Os serviços são simultâneos, prestados e consumidos ao mesmo tempo. b. Os serviços são intangíveis e perecíveis. c. No processo de serviços não há transferência de posse de nada. d. Os serviços podem ser homogêneos se forem prestados dentro de um mesmo padrão estabelecido pela empresa. e. Os serviços não podem ser estocados. 117 4. O preço faz parte do composto varejista e seu conceito vai além do valor mone- tário que se paga por um produto ou serviço. Existem diferentes fatores que po- dem influenciar na determinação das políticas de preço. Dentre as alternativas a seguir, aponte qual delas não influencia na estrutura de precificação: a. Porte da empresa. b. Segmento de mercado. c. Comportamento do consumidor. d. Concorrência. e. Inflação. 5. Varejo é uma atividade que envolve interação entre pessoas. De um lado, os clientes; do outro, os funcionários varejistas. Desta forma, descreva as etapas do processo de gestão de pessoas no varejo. 6. A Comunicação Integrada de Marketing (CIM) é um processo de comunicação que envolve planejamento, criação, integração e implementação de diversas for- mas de comunicação, atreladas a um tema central e único, que são apresentadas durante certo tempo aos consumidores-alvo e demais públicos de interesse da marca. Desta forma, qual ferramenta a seguir não compõe a CIM: a. Promoção de vendas. b. Propaganda. c. Marketing direto. d. Relações públicas. e. Merchandising. 118 VENDER SERVIÇOS ACOMPANHADOS DE PRODUTOS? ORA, PIPOCAS! Cinema e pipoca sempre formaram um belo par. Em qualquer sala que se preze – mes- mo nas mais precárias –, o cheiro de pipoca feita na hora fica impregnando o ar e nin- guém reclama.Muito pelo contrário! Nos Estados Unidos, as salas de exibição passaram por uma revolução com o surgimento dos complexos multiplex, por volta de 1985. Foi a reação da indústria cinematográfica para não sucumbir diante do videocassete e da TV a cabo. Com os multiplex, o cinema voltou a ser novamente o grande espetáculo de encantamento para milhões de pessoas. No Brasil, a revolução chegou uma década depois com a vinda de exibidoras estrangei- ras, como Cinemark, UCI e Hoyts, provocando o mesmo impacto que reavivou o interes- se do público pela sétima arte nos EUA e na Europa. Ao contrário das solitárias espeluncas de outrora, cada um desses complexos cinemato- gráficos é um centro de lazer e diversão. Tudo é rigorosamente planejado para aumentar a comodidade dos usuários: venda de ingresso antecipada, presteza na bilheteria, onde as atendentes usam microfones para facilitar a comunicação, praça de alimentação com cafés, quiosques de pão de queijo, bombonnières sortidíssimas, banheiros impecáveis e funcionários sorridentes. Os cinemas multiplex abrigam várias salas de exibição, com sistemas de projeção, som e ar condicionado perfeitos, onde são projetados em imensas telas – e continuamente – os mais recentes lançamentos. Quem chega atrasado não perde a viagem: sempre existem opções para assistir a outro bom filme que vai começar nos próximos minutos. Várias salas em um mesmo ponto se constituem como um verdadeiro ímã para a atração do público. Monitores de TV espalhados pela área mostram trechos de filmes e informam salas e horários de exibição. Além de poder acompanhar as peripécias de seus heróis, o que fazem os espectadores sentados como reis em suas confortáveis poltronas? Como sempre, alguns casais na- moram no escurinho, mas a maioria devora, com a mesma ansiedade dos enamorados, gigantescos baldes de pipoca e refrigerantes. O cinema é um negócio fantástico, que movimenta milhões de dólares, mas causa es- panto saber que cerca de 25% dessa fortuna é arrecadada com a venda de pipocas, refrigerantes, chocolates, balas e outras guloseimas. Enfim, pela venda de produtos. Além da tecnologia, os complexos multiplex revolucionaram ao adicionar novos produ- tos e novos serviços à velha arte de vender entretenimento. Fonte: Daud e Rabello (2007, p. 26). Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Gestão de marcas próprias: novas dimensões para indústria, atacado e varejo. Autor: PIATO, Éderson L.; PAULA, Verônica A. F. de; SILVA, Andrea L. da. Editora: Atlas Sinopse: O objetivo deste livro é apresentar diretrizes que orientam a análise e a tomada de decisão sobre a adoção da estratégia de marcas próprias. A obra aborda aspectos referentes às marcas próprias na indústria, atacado e varejo, considerando as peculiaridades de cada agente, e apresenta em detalhes as dimensões e os elementos conceituais que circundam essa estratégia. Tais aspectos tornam o livro mais conciso e didático, ideal para interessados no tema de forma mais ampla e alunos de graduação e pós-graduação com interesses mais específi cos. Título: Estudos de embalagem para o varejo. Autor: PIATO, Éderson L.; PAULA, Verônica A. F. de; SILVA, Andrea L. da. Editora: COLES, Robert E. Sinopse: O ambiente econômico do mundo governa a indústria de embalagens. Aspectos-chave incluem abolição das restrições de mercado, livre movimentação de capital, troca de informação tecnológica, pressões de preço, competitividade, habilidade inovadora, crescimento irrestrito em mercados emergentes e a globalização de produtores de bens de consumo e cuidados com a saúde. Diante da consolidação da indústria, da economia de escala, do foco em crescimento e da competitividade, da busca por efi ciência de custos melhores, da necessidade de criar valores de consumo e da legislação sobre resíduos e reciclagem de embalagem, os fabricantes desta são forçados a achar soluções criativas, assim como copiar com reduções de dimensão e padrão as embalagens. Esta revisão cobre recentes vantagens em materiais fl exíveis e plásticos rígidos, para as embalagens de bens de consumo nas dimensões do varejo REFERÊNCIAS ANGELO, C. F. de; DIAS FOUTO, N. M. M.; NIELSEN, F. A. G. Manual do varejo no Bra- sil. São Paulo: Saint Paul, 2012. BERNARDINO, E. de C.; PACANOWSKI, M.; KHOURY, N.; REIS, U. Marketing de varejo. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. CALDEIRA, J. H.; CERIBELI, H. B.; MERLO, E. M. Políticas de preços no varejo. In: MERLO, E. (org.) Administração de varejo: com foco em casos brasileiros. Rio de Janeiro: LTC, 2011.p. 121-137. COBRA, M. Administração de marketing no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. CRESCITELLI, E.; SHIMP, T. A. Comunicação de marketing: integrando propaganda, promoção e outras formas de divulgação. São Paulo: Cengage Learning, 2012. DAUD, M.; RABELLO, W. Marketing de varejo: como incrementar resultados com a prestação de serviço. Porto Alegre: Bookman, 2007. GIULIANI, A. C.; ATTADIA, L. A. do L. 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A gestão de pessoas no varejo passa por diversos processos que vão desde o re- crutamento e seleção, até o treinamento e acompanhamento dos funcionários. 6. Opção correta é a E. U N ID A D E IV Professora Me. Fernanda Gabriela de Andrade Coutinho GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender as estratégias de localização para o varejo. ■ Analisar a logística voltada para o varejo. ■ Verificar os sistemas de compra do varejo. ■ Entender a estrutura de apresentação, layout e exposição de produtos no varejo. ■ Entender as características pertinentes ao varejo virtual. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Estratégias de varejo e localização ■ Logística no varejo ■ Sistemas de compra no varejo ■ Apresentação, exposição de produtos e layout ■ Varejo virtual INTRODUÇÃO A localização e a apresentação de loja são elementos que integram o composto varejista e tratam dos aspectos da escolha do ponto no qual a loja será estabe- lecida e as estratégias que serão utilizadas para apresentação dos produtos de forma a atrair os clientes para a localização e conduzi-los à venda. Esta unidade abordará de forma específica esses dois elementos, discutindo suas abordagens e características, apresentando as possibilidades de escolha das localidades no varejo, demonstrando sua importância na construção das ações mercadológicas – já que o ponto é um elemento que depois de escolhido não pode ser alterado com facilidade e vai, portanto, envolver os demais elementos do mix de marketing. A unidade também discutirá o processo logístico no varejo, trabalhando os conceitos de distribuição dos produtos desde o fabricante até o consumidor final, no qual é necessário organizar uma estrutura que possibilite a integração de todos os participantes do canal de distribuição, bem como o gerenciamento de compras, estoques e entrega desses produtos. Destacaremos também os aspectos relacionados à apresentação de loja, os modelos de layout, de forma que se compreenda os melhores formatos de acordo com o segmento de loja em que será utilizado, bem como os produtos que serão exibidos, fazendo com que a disposição e a exposição dos produtos seja atrativa e possibilite interações com o cliente e, desta forma, motive a compra. Ainda, abordaremos o sistema de compras no varejo, o processo de escolha dos produtos, as questões relacionadas ao sortimento, bem como a profundidade e amplitude das linhas de produtos, verificando os fatores que influenciarão o pro- cesso de compra e também o funcionamento do sistema de sortimento no varejo. Por fim, esta unidade discutirá sobre o varejo virtual, identificando as especifi- cidades desse formato (também denominado comércio eletrônico ou e-commerce) no que diz respeito às principais modalidades e o sistema de fluxo de produtos e serviços, bem como o relacionamento estabelecido entre vendedores e com- pradores desse modelo de varejo. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 125 ©shutterstock GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E126 ESTRATÉGIAS DE VAREJO E LOCALIZAÇÃO A escolha de um ponto comercial pode ser estratégica, pois a localização pode ser vista como um elemento decisivo para o cliente na escolha de uma empresa. Dessa forma, as organizações podem obter uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes quando escolhem o local no qual irão estabelecer seus negócios. Na escolha da localização, conforme Parente (2000), os varejistas possuem basicamente três alternativas. A primeira se constitui no centro comercial não- -planejado que pode se estabelecer na zona comercial do centro da cidade ou ainda na zona comercial de bairro e vizinhança. Na região central das cidades há um grande fluxo de pessoas e por esse motivo há uma grande concentração de lojas de diversos segmentos que pos- sam atender a esse público. No entanto, conforme Bernardino et al. (2008), o comércio nos bairros e vizi- nhanças aumentou de forma significativa, principalmente nas grandes cidades, constituindo-se como uma alternativa para as pessoas que possuem limitações de tempo e precisam comprar produtos e utilizar serviços de forma mais ágil. Esse comércio tem se especializado e cada vez mais é possível encontrar diver- sos segmentos varejistas nos bairros, como padarias, supermercados, farmácias, bancos e até mesmo pequenos shoppings ou centros comerciais. Estratégias de Varejo e Localização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 127 As lojas isoladas se constituem como uma opção para os varejistas que pos- suem produtos muito específicos e de alta demanda, já que a localização, longe das grandes áreas de comércio, pode dificultar a procura pelos clientes. Estas lojas estão localizadas em regiões isoladas e até mesmo em avenidas e estradas, sem vizinhança, como é o caso dos hipermercados e das lojas de materiais de construção (BERNARDINO et al., 2008). O centro comercial planejado se constitui como empreendimentos que abrigam varejistas de diferentes segmentos no mesmo espaço físico, que pos- suam uma certa coesão para atrair consumidores com mais facilidade do que se estivem separados (BERNARDINO et al., 2008). Os formatos que se enqua- dram nessa modalidade são os centros comerciais, alguns hipermercados que concentram outras lojas e principalmente os shopping centers – que são os mais importantes nesse modelo. Na escolha dos tipos de localização devemos analisar as vantagens e desvantagens de acordo com a característica do modelo escolhido, bem como do segmento varejista e o mercado no qual irá atuar. O quadro 1 destaca os pontos fortes e fracos dos tipos de localização. Localização é uma das decisões mais importantes da administração varejis- ta. O ponto de venda na configuração espacial do mercado escolhido pode- rá determinar o sucesso de muitos empreendimentos. (Las Casas) GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E128 Quadro 1 – Pontos fortes e fracos das alternativas de localização TIPO DE LOCAL FORTES FRACOS Centro comercial não planejado • Facilidade de transporte coletivo. • Grande tráfego de pessoas. • Grande variedade de produ- tos. • Proximidade dos escritórios empresariais e repartições públicas. • Exposição da loja a diversos públicos. • Hábito de segmentos de mer- cado de compra no centro. • Facilidade de transporte coletivo. • Estacionamento caro e/ou escasso. • Distância da residência dos consumidores. • Congestionamento de tráfego e de abastecimento. • Limitado ao horário comer- cial. • Menor frequência de consu- midores mais afluentes. • Regiões decadentes e lojas antiquadas. • Menor segurança. Shopping center • Facilidade de acesso e de estacionamento. • Maior atratividade pela ampla gama de lojas e produtos. • Conforto para o consumidor. • Ambiente limpo e agradável. • Maior segurança. • Esforços cooperados de marketing e promoção. • Custos de aluguel e condo- mínio. • Restrições nos horários de funcionamento.• Algumas restrições sobre a linha de produtos da loja. • Possibilidade de um excesso de concorrência. • Elevados custos promocio- nais. Loja isolada • Baixos custos de locação. • Maior flexibilidade na adapta- ção das instalações. • Falta de concorrência direta. • Liberdade nos horários e nas normas de funcionamento. • Possibilidade de melhor visi- bilidade e acesso. • Facilidade para expansão do setor. • Estacionamento maior. • Dificuldade de atrair consumi- dores – a maioria dos clientes prefere locais com maior oferta de lojas. • Não compartilhamento dos custos de áreas externa, ilumi- nação e manutenção. • Maiores custos de segurança. • Altos custos promocionais para atrair consumidores. Fonte: Parente (2000, p. 339). Estratégias de Varejo e Localização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 129 Para escolha da localização, alguns fatores precisam ser analisados para tomada de decisão. O primeiro fator é a área de influência, que determina a região geo- gráfica na qual advêm os clientes de um ponto comercial (BERNARDINO et al., 2008). As áreas de influência irão variar de acordo com o tipo de varejo, mas em geral podemos classificar as áreas em primária, secundária e terciária. A área de influência primária segundo, Las Casas (2004), concentra cerca de 60 a 75% dos clientes de um varejista. Essa proporção pode variar de acordo com o tipo de segmento do varejo e também no caso de uma loja central e uma loja de bairro. Essa porcentagem não é fixa, apenas delimita de maneira geral a área de maior abrangência atingida por um varejista. Las Casas (2004) ainda classifica a área secundária, onde se concentra os con- sumidores que não são muito frequentes em compra, cerca de 15% dos clientes após os 75% da área primária. Por fim, o autor delimita a área terciária contendo os 10% de clientes restantes. Os percentuais são flexíveis e podem ampliar ou contrair conforme as condições da loja e de seu mercado (LAS CASAS, 2004). A figura 1 demonstra como se caracteriza a área de influência varejista. Figura 1 – Avaliação do local na área Central da cidade Loja destino Área primária (60% a 75% dos clientes) Área secundária (15% a 25% dos clientes) Área terciária (5% a 10% dos clientes) Clientes Fonte: Mattar (2011, p. 251). GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E130 Outros fatores a serem considerados são o comportamento do consumidor, fatores pessoais, culturais e psicológicos, além do tipo de produto ou ser- viço oferecido, pois esses interferem na escolha dos indivíduos. Cabe destacar ainda a estratégia de localização comercial, na qual o varejista deve avaliar se estabelecerá o seu negócio em uma área de grande concentração de comércio já estabelecida em alguma cidade do país ou em pequenas comunidades onde há pouco comércio, com segmentos específicos. Outro fator que precisa ser levado em consideração é o potencial do ponto, no qual o varejista precisa avaliar, conforme Rosenbloom (2002), o comportamento do mercado, a densidade desse mercado, além do porte e geografia do mercado. Alguns fatores específicos de localização também merecem destaque na análise do ponto a ser escolhido, como os aspectos físicos do ponto, que se constituem em estacionamento, muito relevante principalmente nas grandes cidades que possuem grande fluxo de veículos; acessibilidade, que signi- fica a facilidade do cliente em entrar e sair da loja; existência de calçadas, que implica a circulação de clientes a pé na área da loja. Também merecem destaque a história do ponto, que envolve as con- dições do local, como questões de segurança, circulação de pessoas, etc.; atração do ponto, que determina a finalidade dos indivíduos ao escolherem aquela localização; e por fim as restrições legais, já que as cidades possuem legislações específicas em relação ao estabelecimento de lojas comerciais. O tipo do varejo deverá orientar a localização. Quando uma loja optar por uma localização central, por exemplo, deverá avaliar os fatores já des- critos. Por isso, é importante que se atente para a circulação de pessoas no ponto, a questão do trânsito, estacionamento, horários do comércio local, entre outros. A figura 2 demonstra um exemplo de avaliação de uma loca- lização considerando a área central. Estratégias de Varejo e Localização Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 131 Figura 2 – Avaliação do local na área Central da cidade Centro Local ruim Bom local Local médio Fonte: Las Casas (2004, p. 88). Desta forma, finalizamos este tópico percebendo que a tomada de decisão de localização é uma das mais importantes na gestão estratégica varejista, pois a localização é a primeira consideração que o consumidor faz sobre a esco- lha da loja – é a variável mais difícil de ser alterada e, assim, a escolha do ponto poderá ser uma vantagem competitiva ou uma desvantagem difícil de ser superada caso seja feita de forma incorreta. ©shutterstock GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E132 LOGÍSTICA NO VAREJO O processo de distribuição no varejo envolve desde a escolha e compra de produtos até a entrega ao consumidor final. Neste processo, o gestor precisa compreender a origem dos produtos adquiridos, negociar a compra e estabelecer uma estru- tura para armazenamento e posteriormente entrega das mercadorias ao cliente. Quando a logística funciona de forma eficiente, o varejista consegue melhorar sua capacidade de entregar mercadorias certas a quem quer e no tempo ade- quado. A logística segundo, Levy e Weitz (2000, p. 281), é o processo organizado de gerenciamento do fluxo de mercadorias da fonte de suprimento – fornecedor, atacadista ou distribuidor – por meio de funções de processamento internas – armazenamento e trans- porte – até que a mercadoria seja vendida e entregue ao cliente. A logística envolve o processamento e a execução dos pedidos de compra, a armazenagem, transporte, serviço aos clientes e também o gerenciamento de estoque. Deste modo, quando a logística funciona bem, as empresas reduzem as perdas de es- toques, eliminam armazenagens e estocagens desnecessárias, reduzem os índices de rupturas, elevam o giro dos estoques e o nível de serviços aos clientes (MATTAR, 2011, p. 388). Logística no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 133 A logística tradicional antes era considerada um processo estático que não permitia muitas variações e se preocupava basicamente com o transporte e armazenagem das mercadorias, sem se preocupar com a qualidade. Mas isso se modificou e hoje a logística se tornou pró-ativa, pensando em estratégias para todo o processo e principalmente com foco no consumidor final. A logística reativa trouxe novas possibilidades objetivando a qualidade de toda a estrutura da cadeia de distribuição, sempre pensando em atender às neces- sidades dos clientes finais. As novas tecnologias ajudaram nesse processo com softwares de gerenciamento que conseguem acompanhar cada etapa da cadeia, avaliandoproblemas e ajudando os gestores na proposta de soluções. O sistema logístico no varejo pode funcionar de diferentes formas, de acordo com o segmento, planejamento e objetivos da empresa, capacidade de armaze- namento, demanda das mercadorias, sistema de transporte, localização, etc. Os produtos podem ser estocados na própria empresa ou em centros de distribui- ção. A figura 3 ilustra o fluxo de mercadorias, bem como de informações no processo logístico no varejo. Figura 3 – Fluxo de mercadorias e informações Comprador Lojas Centro de Distribuição Cliente Fornecedor Sistemas de resposta rápida Fluxo de mercadorias Informações de vendas Fluxo de informações Fonte: adaptado de Levy e Weitz (2000, p. 281). GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E134 O sistema apresenta o fluxo de mercadorias entre os participantes do processo de distribuição. É possível observar que as empresas compradoras podem realizar a compra pelos fornecedores e entregar ao centro de distribuição ou diretamente para a loja. Além do fluxo de produtos, também há a transmissão de informa- ções, como do fornecedor para as lojas e os centros de distribuição e dos centros de distribuição para as lojas. A logística tem como objetivo central dispor as mercadorias ou serviços no tempo certo, dentro das condições adequadas, atendendo às expectativas do cliente com o menor custo possível e ainda contribuindo com o processo da empresa. Desta forma, os principais objetivos da logística são, segundo Mattar (2011, p. 389): ■ Comparar os custos incorridos em logística com os outros objetivos de desempenho da empresa – avaliar custos x benefícios. ■ Colocar e receber pedidos tanto quanto possível de forma rápida, fácil, precisa e satisfatória. ■ Minimizar o tempo entre o recebimento do pedido e a entrega da mercadoria. ■ Coordenar os recebimentos das cargas de diversos fornecedores. ■ Disponibilizar mercadorias para satisfazer a demanda de consumo, sem ter estoques excedentes a ponto de ter que reduzir fortemente os preços e margens. ■ Colocar a mercadoria na área de venda de forma eficiente. ■ Processar os pedidos dos clientes de forma eficiente e satisfatória a eles. ■ Trabalhar de forma colaborativa com outros parceiros da cadeia de dis- tribuição e comunicar-se regularmente com eles. ■ Manusear os retornos de forma eficiente e minimizar danos às mercadorias. ■ Monitorar o desempenho da logística. ■ Ter um sistema de retaguarda como segurança para o caso de ocorrerem problemas com o sistema de logística. Logística no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 135 A logística no varejo tem início com o processo de compra de mercadorias reali- zada por uma empresa varejista. Quando os produtos são recebidos pela empresa, seja na própria loja ou no centro de distribuição, é feito o processo de recebi- mento e verificação. Desta maneira, é feito um registro das mercadorias conforme elas vão sendo entregues pelos fornecedores. Já a verificação, “é o processo de checagem das mercadorias no recebimento para certificar-se de que elas chegaram sem avarias e de que a mercadoria recebida é exatamente a encomendada” (LEVY; WEITZ, 2000, p. 283). O processo de verificação deve ser feito pela divisão de recebimento e toda mercadoria deve ter um pedido confirmado. Além disso, não se deve abrir o pacote sem que se tenha uma fatura, a nota fiscal e o pedido confirmado (LAS CASAS, 2004). O processo de etiquetagem também é realizado com a identificação das mer- cadorias e a afixação das etiquetas com a descrição do produto e os respectivos preços. Em geral, essas etiquetas são feitas com o Código de Produto Universal (UPC), o código de barras. O armazenamento dos produtos, seja na loja ou nos centros de distribuição, deve levar em consideração os espaços e as condições para alocação de produtos. Há produtos que requerem um mínimo de condições para estocagem, já outros exigem locais específicos e regras para armazenagem adequada. As novas práticas logísticas são movidas pela tecnologia e apontam para a reestruturação do sistema logístico no contexto do trabalho em conjunto de fabricantes, atacadistas, varejistas e especialistas de serviços. Essa nova abordagem impulsionou o desenvolvimento de ferramentas que são os sof- twares específicos para operacionalizar toda a cadeia de suprimentos. (Mattar) GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E136 Outra questão são os produtos perecíveis – que necessitam de um cuidado especial e o tempo de estoque é mínimo, pois em geral possuem um giro mais rápidos por não possibilitarem armazenamento por um período muito longo. No processo de armazenagem, é necessária a utilização de equipamentos específicos para facilitar o processo de estocagem e também do manuseio des- sas mercadorias conforme entrada e saída. A figura 4 ilustra a imagem de um centro de distribuição no qual são alocadas mercadorias. Com relação ao transporte das mercadorias, ele pode ser realizado pela pró- pria empresa ou por terceiros. Esse processo exige uma série de cuidados para que não ocorram danos à mercadoria e, além disso, para que a entrega seja feita no prazo estabelecido e desta forma não prejudique a compra pelo consumidor final. O transporte em geral pode ser aéreo, terrestre, ferroviário ou marítimo. A escolha do tipo a ser utilizado dependerá de diversas situações como a capaci- dade da empresa, tipo de produto transportando, estrutura de transporte das cidades envolvidas com a distribuição, estratégia das empresas envolvidas, cus- tos, restrições legais, entre outras questões. Figura 4 – Exemplo de armazenamento de mercadorias Fonte: Shutterstock (2015, on-line). Logística no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 137 No processo de logística no varejo é possível utilizar softwares que agilizam o processo, organizam as informações e possibilitam a integração das empresas envolvidas. Esses softwares podem minimizar as falhas e melhorar os proces- sos de compra, transporte e armazenamento. Os gestores podem acompanhar o processo e assim tomar decisões de forma mais acertada. Existem diferentes programas que podem ser utilizados pela empresa varejista que deverá conside- rar suas reais necessidades e optar pelo software mais adequado. Deste modo, percebemos a importância da logística na gestão do varejo, já que esse processo é que garantirá a entrega de mercadorias de forma adequada e no tempo certo. Por esse motivo, vimos a importância de integrar as estraté- gias e compreender a estrutura e funcionamento da cadeia de distribuição para conseguir atender às expectativas do consumidor final – o qual deve ser o cen- tro das atenções da logística varejista. A logística reversa é a área da logística que trata do fluxo físico de produtos, embalagens e lixos ecológicos e de sua destinação segura, com o menor risco ambiental possível. Trata também da recuperação/reutilização de produtos ou parte de produ- tos, embalagens e materiais, desde o ponto de consumo até o local de pro- dução/fabricação. Seus objetivos são planejar, implementar e controlar de modo eficiente e eficaz: o retorno de produtos, embalagense lixo ecológico; a destinação a ser dada para produtos, embalagens e lixo ecológico; a recuperação de pro- dutos; a reciclagem, substituição e reutilização de materiais; a deposição de resíduos; a reparação e refabricação de produtos. Fonte: Mattar (2011, p. 389-390). ©shutterstock GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E138 SISTEMAS DE COMPRA NO VAREJO As compras de mercadorias são feitas pelos varejistas para que eles tenham variedade e quantidade de produtos necessários para atender a demanda dos clientes. Como intermediários, o varejo tem o papel de decidir quais mercado- rias são melhores para atender seu público, de acordo com o segmento em que atua. Assim, é preciso ter um entendimento claro das necessidades dos clientes, além de avaliar os fornecedores, os preços, qualidade das mercadorias e outras questões. As funções das atividades de compra no varejo envolvem, segundo Las Casas (2004, p. 95), estimar e avaliar a demanda; determinar os tipos e quantidade de mercadorias necessárias; selecionar os fornecedores; negociar a compra da mer- cadoria; receber e inspecionar a mercadoria comprada; e manter o controle das mercadorias e fazer novos pedidos. O ciclo de compras se inicia a partir da determinação da necessidade do segmento de clientes que se pretende atender, a partir daí é feita a seleção dos fornecedores. Na sequência são realizadas as negociações para as compras e, por fim, o processo de avaliação para verificar a continuidade do processo, anali- sando a possibilidade de manter os fornecedores ou trocá-los quando necessário. A figura 5 ilustra o ciclo de compras descrito. Sistemas de Compra no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 139 Figura 5 – O ciclo de compras no varejo O ciclo de compras 1. DETERMINAÇÃO DAS NECESSIDADES 3. NEGOCIAÇÃO DAS COMPRAS - Quando e como obter a mercadoria: preço de compra; data da entrega; embarques; fretes; despesas de manu- seio; garantias, etc. 4. SEGUIMENTO - Como melhorar? Revisão dos fornece- dores presentes; - Procura de novos e melhores fornecedores 2. SELEÇÃO DOS FORNECEDORES - Onde obter o fornecimento? - Um vendedor sem escolha - Múltiplos vendedores: preço, serviços, entregas, políticas de crédito, solução de problemas, �delidade, parceria, etc. - O que necessita o consumidor? Quando ele necessita? - Estoques/Estações/Estilos/ Perecibilidade Fonte: Las Casas (2004, p. 96). Para realizarem suas compras, os varejistas levam em consideração diversos fatores como o sortimento, a qualidade, atualização, conveniência e preço (LAS CASAS, 2004). Mas existem outras fontes de informação que são procuradas pelas empresas para avaliarem os produtos que pretendem comprar. Segundo Las Casas (2004), essa avaliação pode ser feita com base em publi- cações especializadas e outras comunicações disponíveis a respeito dos produtos e das marcas. Também é possível consultar o próprio fornecedor como fonte de informação. Outra possibilidade é a análise das compras anteriores e da experi- ência vivenciada e ainda a avaliação das compras realizadas pelos concorrentes. No processo de compra de mercadorias, existem diversas questões que pre- cisam ser consideradas. Além das informações que influenciam os compradores varejistas, ainda é preciso avaliar a percepção e a expectativa do comprador. Também há os fatores que se referem as especificações do produto, os fatores internos da empresa, bem como os fatores ambientais, como questões políti- cas, econômicas, socioculturais, tecnológicas e ambientais que também podem interferir a compra. O processo de compra também envolverá a tomada de decisão que pode ser individual ou coletiva. Assim, analisando os fornecedores é possível escolher a GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E140 melhor oferta e após a compra avaliar a satisfação com o processo, bem como com as mercadorias entregues. A figura 6 demonstra todo esse processo descrito. Figura 6 – O processo de compra varejista Fontes de informação Processo de compra Decisões individuais Decisões colegiadas Resolução de con�itos Satisfação com a decisão Escolha do produto e do fornecedor Percepções do comprador Background do comprador Expectativas do comprador Fatores que agem na especi�cação do produto Fatores organizacionais Fatores ambientais e situacionais Fonte: Mattar (2011, p. 357). Diferentes práticas são adotadas nos procedimentos de planejamento e gestão de compras. Esses procedimentos podem ser estruturados em torno de três abordagens: • De cima para baixo: começa com a gerência determinando um montan- te em unidade monetária a ser estabelecido para as compras, para toda a empresa e os gestores de compras distribuem o montante pelas cate- gorias de produtos a serem adquiridos. • De baixo para cima: começa com a estimativa no nível de produto, pas- sando pelo nível de categoria, departamento e consolida-se no nível da empresa. • Interativa: existe uma interação no planejamento de compra que tan- to se estabelece da gerência para os departamentos como ao contrário. Esse sistema permite uma troca de informações mais efetiva e coordena- da, facilitando o processo de compra. Fonte: adaptado de Parente (2000, p. 222-223). Sistemas de Compra no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 141 Para determinar as mercadorias que serão compradas, as empresas varejistas devem levar em consideração três questões principais: o resultado da demanda, a análise de dados internos e a determinação da quantidade a ser vendida (LAS CASAS, 2004). As mercadorias podem ser permanentes, ou seja, aquelas que são sempre com- pradas pelos varejistas, ou regulares, que possuem certa frequência de compra. Essas mercadorias são influenciadas pela tendência de vendas, pela lucratividade, políti- cas de desconto e pela disponibilidade dessas mercadorias nos fornecedores (LAS CASAS, 2004). Também é possível classificar as mercadorias em básicas e de sortimento. As mercadorias básicas são aquelas comercializadas de forma regular pelo varejista, como, por exemplo, os enlatados, produtos de limpeza e de higiene pessoal, fari- náceos, grãos etc., no caso de um supermercado; essas mercadorias possibilitam previsões mais fáceis de serem elaboradas, pois há maior estabilidade nas vendas (MATTAR, 2011). Já as mercadorias de sortimento são aquelas que obrigam o varejista a fazer uma seleção adequada antes de serem oferecidas ao consumidor, como móveis, eletro- domésticos, confecções etc., e possuem previsões de vendas mais difíceis de serem elaboradas por causa da instabilidade nas vendas e pela grande variedade de opções, como estilos, tamanhos, designs e cores (MATTAR, 2011). Além das mercadorias supracitadas, existem as mercadorias de moda, que possuem um ciclo muito curto e a compra de quantidades erradas pode levar à supe- restocagem – já que essas mercadorias poderão ficar por muito tempo paradas no estoque se não for realizada nenhuma estratégia para sua liquidação. Por esse motivo, ao comprar esse tipo de mercadoria é preciso um planeja- mento mais rigoroso e um acompanhamento das mudançasque estão acontecendo no mercado. Em geral, essas mercadorias são compradas em quantidades menores para facilitar a venda e prevenir a superestocagem. Com isso, para compra de mercadorias também é preciso considerar a sazo- nalidade na venda dos produtos. A venda de categorias não sazonais apresenta regularidade e um comportamento sem muitas oscilações (PARENTE, 2000). No caso das categorias sazonais, existem muitas oscilações que modificam a demanda pelos produtos e isso precisa ser considerado quando o gestor realizar a compra de mercadorias que se enquadram nessa modalidade. GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E142 Essas oscilações dizem respeito à sensibilidade do consumidor a preços, preço de produtos substitutos, grau de competitividade e tendência no ciclo de vida da categoria. Assim, mercadorias que não são afetadas diretamente por esses fatores podem ser consideradas como não sazonais. Já aquelas que sofrem modificações motivadas por esses fatores são mercadorias sazonais. Para realização da compra de mercadorias, de acordo com o segmento em que o varejista atua, é preciso considerar a amplitude das mercadorias, a variedade a ser ofertada, além da realização de um plano de estoque, orçamento das mercadorias e o planejamento de sortimento. No processo de compras por categorias, é preciso definir, primeiramente, o conceito de categoria, que “é um sortimento de itens que o cliente visualiza como substitutos aceitáveis uns dos outros” (LEVY; WEITZ, 2000, p. 300). A partir disso, estabelecem-se as categorias necessárias para compra conforme os objetivos da empresa. É preciso levar em consideração, ainda, quais os objetivos financeiros das mer- cadorias. Por isso, o gestor deve fazer um planejamento que contemple as categorias que deverão ser compradas, o custo dessas mercadorias e os lucros que elas pode- rão trazer, levando em consideração, também, os demais custos fixos e variáveis da empresa. Com isso, é possível saber como cada mercadoria contribui com a renta- bilidade da organização. O planejamento de sortimento deverá levar em consideração quais mercadorias são necessárias para atender ao cliente de forma satisfatória, logo, devem-se levar em consideração, além dos aspectos objetivos e financeiros da empresa, as caracte- rísticas e gostos dos consumidores. O gerenciamento de compras de mercadorias envolve a estimativa e avalia- ção da demanda, a determinação dos tipos e quantidades de mercadorias necessárias, a seleção dos fornecedores, a negociação da compra da merca- doria, o recebimento e inspeção da mercadoria comprada e a manutenção do controle de mercadorias para a realização de novos pedidos. (Las Casas) Sistemas de Compra no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 143 No processo de seleção dos fornecedores devem ser consideradas algumas con- dições para que seja possível realizar a compra de forma mais efetiva evitando problemas futuros. Assim, é preciso considerar a reputação do fornecedor; a localização, pois facilitará o transporte dos produtos; os serviços oferecidos, que servem como diferencial e afetam a escolha de forma decisiva; as políticas de trabalho, que correspondem à forma de pagamento, entrega, reclamações; a disponibilidade das mercadorias; termos de compra e as vendas e experiência desse fornecedor (LAS CASAS, 2004). Dentro da estrutura das empresas varejistas, a compra de mercadorias pode ser realizada pelo gerente de mercadorias que é responsável pela seleção dos produtos e pelas atividades de fornecimento ou pelo comprador, que realiza a negociação com os fornecedores buscando as melhores condições de compra em relação às mercadorias ofertadas, preço e prazo de pagamento além da oti- mização do tempo de entrega (MATTAR, 2011). Para realizar a negociação da compra de mercadorias é preciso considerar o que foi ofertado pelos fornecedores e analisar se eles estão cumprindo as questões que foram estabelecidas. Nesse processo é indispensável reforçar a necessidade da qualidade das mercadorias, avaliar o prazo de entrega e principalmente os preços e as condições de pagamento. É possível ceder nas negociações, mas não abrir mão das melhores condi- ções que garantam que a mercadoria seja entregue ao cliente no tempo certo e a um preço adequado – e que a empresa consiga obter a lucratividade almejada. Com isso, observamos que no processo de compra vários fatores influen- ciam direta ou indiretamente na previsão e no planejamento de compra a ser realizado pela empresa varejista. Por isso, todas as questões precisam ser ava- liadas, como o tipo de mercadoria, qualidade, fornecedor, preço, entrega, etc. para que as compras possam atender efetivamente às necessidades e expectati- vas do consumidor final. ©shutterstock GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E144 APRESENTAÇÃO, EXPOSIÇÃO DE PRODUTOS E LAYOUT A apresentação no varejo corresponde à atmosfera da loja que inclui tanto a apresentação física interna quanto externa, refletindo os elementos culturais e sociais proporcionando uma identidade visual que consiga transmitir os valores da empresa e assim estabeleça uma sintonia com o consumidor. A imagem do varejista depende fortemente da atmosfera que consegue criar para a loja; a atmosfera refere-se ao conjunto de características físicas utilizadas para criar sentimentos, emoções e percepções de uma loja física (ou não) junto aos consumidores e é um sentimento psico- lógico entre o consumidor e o varejista (é a personalidade da loja, do catálogo, da máquina de venda, do carrinho de venda ambulante ou do site na internet) (MATTAR, 2011, p.499). Planejar e desenvolver lojas que causem impacto é uma tarefa que exige do ges- tor muito conhecimento e habilidade para conseguir se sobressair no mercado frente aos concorrentes e também estabelecer uma boa imagem perante os con- sumidores. A figura 7 apresenta elementos que interferem na construção da atmosfera de loja. Apresentação, Exposição de Produtos e Layout Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 145 Figura 7 – Elementos da atmosfera de loja Comunicação Integrada Exterior da loja Atmosfera Interior da loja Imagem pretendida Imagem percebida Consumidor Outros públicos Fonte: Mattar (2011, p. 499). Como observado na figura 7, existem vários elementos que irão influenciar no processo de construção e de manutenção da atmosfera e da imagem em lojas do varejo físico. Esses elementos se constituem como itens relacionados ao interior e exterior da loja que determinarão a imagem pretendida ao consumidor. Essa imagem deve corresponder à percepção do consumidor. Além disso, cabe ressaltar que a apresentação de loja se constitui como um elemento da comunicação realizada pela empresa e essa comunicação deve trans- mitir uma mensagem unificada, de acordo com os outros elementos, como a propaganda e promoção de vendas e assim obter uma resposta positiva do con- sumidor e também de outros públicos envolvidos. Segundo Crescitelli e Shimp (2012, p. 495), “o ponto de venda é o momento ideal para se comunicar com os consumidores porque é nesse momento que muitas decisões de escolha de produtos e marcas sãotomadas”. A apresentação da loja diz respeito aos aspectos internos e externos que con- tribuirão para a comunicação do negócio e para a ambientação do cliente no local. Por isso, é importante levar em consideração a visibilidade da loja, a ade- quação do tipo de loja ao ponto e a conveniência e comodidade do consumidor para acessar o local. Os elementos internos e externos que compõem a criação e atmosfera da loja física podem ser observados na figura 8. GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E146 Figura 8 – Elementos internos e externos da atmosfera de loja Exterior da loja Interior da loja • Tipo de estrutura • Totem • Entrada(s) • Vitrines externas • Lojas e vizinhança no entorno • Acesso • Sinalização • Estacionamento • Pisos • Cores • Iluminação • Aromas e sons • Instalações • Paredes • Temperatura • Higiene e limpeza • Tecnologia e modernização • Apresentação dos produtos • Largura dos corredores • Disponibilidade de provadores • Disponibilidade de caixas • Locomoção vertical • Facilidades para deficientes • Áreas de descanso • Pessoal polido e preparado • Mercadorias adequadas • Preços (informação e nível) • Horário de funcionamento • Layout da loja Fonte: Mattar (2011, p. 500). O conceito de apresentação de loja e exposição de produtos pode ser entendido por meio do conceito de merchandising. O merchandising se refere a qualquer técnica, ação ou material promocional usado no ponto de venda (PDV) que proporcione informação e melhor visibilidade a pro- dutos, marcas e serviços, com o propósito de motivar e influenciar as decisões de compra dos consumidores (BLESSA, 2001, p.18). As principais funções do merchandising são aumentar as vendas por impulso, criar um elo entre a propaganda e o produto no PDV, atrair a atenção do consu- midor, apresentar o produto de forma mais atraente, obter melhor cooperação do revendedor, realizar melhor promoção e identificação da marca ou produto, ajudar os funcionários do varejo, associar o tipo de loja ao produto, ajudar os representantes do fabricante e do distribuidor e obter melhor cooperação dos atacadistas (BLESSA, 2001). Segundo Bernardino et al. (2008, p. 117), o visual merchandising se constitui como “todos os estímulos visuais no ambiente de varejo, abrangendo tudo o que o consumidor percebe”. Esses estímulos correspondem às cores do ambiente, os aromas e suas associações, degustação, à chamada auditiva ou sons musicais e Apresentação, Exposição de Produtos e Layout Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 147 ainda o toque quando há uma aproximação do cliente com o produto. O visual merchandising faz parte de toda estrutura de merchandising geral. Neste sentido, o visual merchandising pode elevar a produtividade da loja, fazer o giro do estoque, aumentar as vendas por metro quadrado e de mercado- rias mais rentáveis, além de aumentar o tíquete médio e diminuir a necessidade de remarcação e liquidações (BERNARDINO, et al., 2008). Para Geary (2001), o planejamento do visual merchandising engloba seis pas- sos: a imagem e ambiência, que significa a primeira impressão visual e mental do consumidor sobre a loja; layout, que se refere à distribuição dos espaços pela loja; apresentação de mercadoria, categorizando as mercadorias e colocando em locais adequados e estratégicos para a compra; sinalização, com as informações adequadas, atraentes e funcionais; displays, que são considerados as vitrines de exposição de produtos no interior da loja; e eventos, que se referem à realiza- ção de atividades específicas para atrair os consumidores para a loja. A figura 9 apresenta alguns itens do visual merchandising. Figura 9 – Alguns elementos do visual merchandising Fonte: adaptado pela autora de Shutterstock (2015). VITRINES DISPLAYS SINALIZAÇÃO FACHADA DA LOJA GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E148 Alguns pontos são imprescindíveis para a formação da imagem da loja, como um nome que seja fácil de identificar, curto e fácil de pronunciar; uma logomarca visualmente poderosa; uma fachada correta, com arquitetura em sintonia com a identidade da loja; e uma entrada convidativa, sem obstáculos. A figura 10 ilus- tra alguns dos principais formatos da entrada de lojas. Figura 10 – Tipos de entrada em relação ao alinhamento da loja Loja Entrada reta Entrada em ângulo Entrada em arcadas Loja Loja Fonte: Mattar (2011, p. 501). O cross merchandising é a apresentação de mercadorias fora de sua seção tradicional, em locais que combinem com outros produtos. Um exemplo é a colocação de vidros de champignons e de molho de tomate próximos ao açougue para que o cliente, ao comprar carne, tenha a ideia de preparar um estrogonofe, mas isso não implica em suprimir o produto de sua seção original. (Bernardino et al.) Apresentação, Exposição de Produtos e Layout Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 149 Para a exposição de produtos é necessário a utilização de técnicas que favoreçam o aumento do faturamento e da rentabilidade das lojas (LOPES; FARAH, 2011). Cabe ressaltar que essa exposição dependerá de vários fatores como a variedade de mercadorias oferecidas, bem como o segmento varejista no qual os produtos serão expostos. Porém, alguns princípios básicos devem ser seguidos, conforme Lopes e Farah (2011, p. 165-166): ■ Produtos comprados de forma não planejada e por impulso devem rece- ber mais espaço de exposição. ■ Produtos localizados na altura dos olhos vendem mais do que os locali- zados perto do chão ou em altura elevada. ■ A exposição de produtos deve levar em conta a margem de lucro de cada produto, procurando estimular uma composição de vendas mais rentá- vel para o varejista. ■ Produtos mais rentáveis e de compra não planejada devem ser colocados na altura dos olhos, nas áreas de maior visibilidade, enquanto os produtos de compra planejada e com margens menores devem ser menos favorecidos. ■ Dentro de uma categoria, os produtos devem ser arrumados de acordo com a hierarquia de decisão do cliente, que poderá variar para cada sub- categoria, de acordo com os atributos, tais como: tamanho, embalagem, cor, sabor, preço, marca, etc. ■ Na arrumação de produtos, facilitar o processo de decisão do cliente. ■ Arrumar os produtos de forma que facilite a compra conjunta. ■ Produtos de compra planejada devem ser expostos próximos de produ- tos complementares de compra não planejada. Quanto mais extensa for a linha de contato entre essas duas subcategorias, maior será o estímulo para a compra não planejada. ■ Estimular a compra de produtos de melhor qualidade, colocando esses produtos ao lado de produtos de preço mais baixo. ■ Os fornecedores têm muitas informações valiosas sobre o comportamento de compra de suas categorias, que podem fornecer importantes subsídios para a exposição dos produtos e melhor aproveitamento das oportuni- dades de mercado. GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E150 Com relação ao layout, existem diferentes tipos que podemser utilizados pelas empresas varejistas que irão se diferenciar conforme seu formato. O layout “refe- re-se a como os diferentes departamentos estão distribuídos e relacionados na loja” (LOPES; FARAH, 2011, p. 167). Os cinco principais tipos de layout são: ■ Em grade: o equipamento de exposição está disposto de forma retan- gular, em linhas paralelas – típico de supermercado e demais lojas de autosserviço. Figura 11 – Layout em grade Laticínios La tic ín io s Pã es Ba za r Li m pe za Pe rf um ar ia Ba za r Li m pe za Pe rf um ar iaCo ng el ad os Su co s e le ite s Frios Bebidas Pani�cação Hortifruti Mercearia Caixas M er ce ar ia Carnes Fonte: Mattar (2011, p. 511). Planogramas O planograma é o endereçamento do produto no equipamento de exposição. Esse endereçamento é realizado com auxílio de softwares específicos para tal fim. As vantagens do planograma transcendem a potencialização de lucratividade para o lojista. Para os clientes, o planograma visa organizar os produtos segundo a lógica de compras; para os funcionários, visa contribuir para a produtividade no abastecimento, pois cada produto tem seu número de frentes e profundidade; e para os fornecedores, transmite clareza quanto ao espaço dedicado a seu produto. Fonte: Lopes e Farah (2011, p. 169). Apresentação, Exposição de Produtos e Layout Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 151 ■ Fluxo livre: os equipamentos estão dispostos em padrões que permitem um fluxo não direcionado dos clientes – típico de loja de departamento. Figura 12 – Layout forma livre (ou curvas) ENTRADA Retirada de mercadorias Salão de beleza Pré-adolescentesGarotas 7-14 Infantis Bebês Polo Cosméticos Lingeries Garotos 4-7 Garotas 4-6 Sapatos femininos Cosméticos femininos Ac es só rio s de m od a Joias �nas Listas de casamento Chineses e vidro Sapatos masculinos Artigoas de toilete masculinos Roupas masculinos Meias Vestidos Toalhas Malas Domés- ticos Roupa de cama Sala de descanso Se rvi ço s a o co ns um ido r Eletrônicos Produtos para banheiros Escritorios Casacos Presentes Prataria Chapéus Bolsas Mulheres jovens Setor de material esportivo Garotos 8-20 Roupas esportivas masculinas Roupas esportivas femininas Acessórios masculinas Roupas esportivas modernas Confecções para mulheres Roupas masculinas tradicionais Ro up as m as cu lin as m od er na s Roupas masculinas esportivas Pro du to s fem ini no s Fonte: Mattar (2011, p. 512). ■ Butique: cada departamento ocupa um espaço bem definido, semis- separado, quase como uma loja dentro da loja – lojas que possuam segmentação por categorias. GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E152 Figura 13 – Layout butique A loja do homem A loja da mulher Caixa Sapatos masculinos Sapatos femininos Acessórios femininos Moda jovem masculina Moda jovem feminina Fonte: Mattar (2011, p. 513). ■ Pista: apresenta um corredor principal que leva o consumidor a circu- lar por toda a loja – conceito utilizado em lojas de móveis e em algumas lojas de materiais esportivos. ■ Balcão: onde existe pouco (ou nenhuma) mercadoria para autosserviço e o atendimento é realizado por funcionários do varejista que se posicio- nam atrás de um balcão – típico de farmácias e pequenas lojas de materiais para a construção civil. O layout tem como objetivo “uma exposição harmônica dos produtos da loja e um fluxo de tráfego que proporcione, ao mesmo tempo, conforto aos clientes, tráfego adequado por toda a loja e facilidades operacionais para o abastecimento de produtos” (MATTAR, 2011, p. 510). Outros fatores que podem influenciar a definição do layout no varejo são o comportamento do consumidor, a frequência de reposição, a proximidade de outros departamentos e as variações sazonais. Neste sentido, o gesto precisa ava- liar todas as condições necessárias para implementação do layout em sua loja para que possa atender além das demandas internas da empresa, consiga satis- fazer os consumidores. Deste modo, vimos a importância da estruturação de loja para melhor desen- volvimento das estratégias de varejo e que a atmosfera de loja é constituída por ©shutterstock Varejo Virtual Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 153 elementos internos e externos que irão compor a ambientação para atrair e agra- dar o consumidor. Assim, a disposição dos produtos, o layout e todas estratégias de ambientação como cores, aromas, música e etc. auxiliarão o varejista na melhor apresentação de sua empresa e criará um ambiente agradável para melhor rela- cionamento com seus clientes. VAREJO VIRTUAL O comércio eletrônico já é uma realidade e apre- senta diferentes modelos de processos de venda e de atendimento ao cliente. Além dos negócios que sur- giram já dentro desse novo modelo de comércio, mui- tas lojas físicas tiveram que ampliar seus negócios no varejo on-line, alcançando novos mercados e consumidores. A economia digital trata dos diversos negócios que são realizados por meio das novas tecnologias digitais e a internet tem o papel principal como direcionadora dessa nova economia. A internet está se tornando não apenas um mercado global, mas também significado de comunica- ção, distribuição de informação mais eficiente e com as maiores audi- ências (COBRA, 2009, p 408). O crescimento da utilização da internet no Brasil é uma realidade que não será alterada e a tendência é que esse crescimento seja ainda mais intensificado com outras tecnologias que vão surgindo e utilizando a rede como aporte para suas ações. GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E154 A internet é utilizada pelos brasileiros para comunicação, lazer, educação, leitura, busca de informações, transações bancárias, serviços públicos e, claro, para compras. A figura 14 demonstra o crescimento de usuários da internet e suas conexões. Figura 14 – Dados de conexão dos brasileiros em Janeiro de 2015 204M MILHÕES 110M MILHÕES 96M MILHÕES 276M MILHÕES 78M MILHÕES NÓS SOMOS SOCIAIS POPULAÇÃO TOTAL USUÁRIOS DE INTERNET ATIVOS CONTAS DE MÍDIAS SOCIAIS ATIVAS CONEXÕES MÓVEIS CONTAS SOCIAIS MÓVEIS ATIVAS NÓS SOMOS SOCIAIS NÓS SOMOS SOCIAIS NÓS SOMOS SOCIAIS NÓS SOMOS SOCIAIS Fonte: ECOMMERCE BRASIL (2015, on-line) Conforme Boone e Kurtz (2009), a internet possui quatro funções básicas, sendo a primeira de comunicação, por meio de mensagens trocadas via e-mails, chats, fóruns e comunidades on-line; a segunda função é de informação, por meio da utilização de mecanismos de busca, consultas em publicações on-line e utilização de serviços educacionais; a terceira função é de entretenimento, com a utilização de jogos, além de filmes e músicas que podem ser acessados pela rede; a quarta função se refere ao comércio eletrônico, no qual a maior parte das empresas, independente doporte ou segmento, já apresenta algum tipo de presença on-line. Varejo Virtual Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 155 O funcionamento do e-commerce possui características próprias que precisam ser entendidas e desenvolvidas pelos varejistas para que estes tenham êxito e alcancem os resultados esperados. Dentro do e-commerce, é possível trabalhar diversas estratégias de marke- ting, desde o produto, preço, distribuição até a comunicação e o relacionamento com o cliente. Novas formas de integração do varejista com o fornecedor, novas maneiras de divulgar marcas e produtos, novos canais de atendimento ao cliente são possíveis graças ao ambiente digital que revolucionou o mercado e o marke- ting de varejo. De acordo com pesquisas do E-Bit (2015, on-line)², o varejo eletrônico fatu- rou, em 2013, R$ 28, 8 bilhões, com cerca de 88,3 milhões de pedidos e um tíquete médio de R$ 327,00, com índice de satisfação de 85,96%. Ainda conforme a pes- quisa, a categoria moda e acessórios ocupa a primeira posição em volume de pedidos, conforme figura 15. O mundo corporativo, em particular, foi e continua sendo bastante impac- tado pelo crescimento rápido e contínuo da internet, não só porque a rede abriu um novo canal para divulgação e comercialização de produtos e ser- viços para empresas de todos os tipos e portes, como as obrigou a repensar suas estratégias de marketing e a forma de se relacionarem com clientes e com parceiros de negócios – locais e do mundo todo. (Turchi) GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E156 Figura 15 – Categorias mais vendidas em volume de pedidos 8,9% 9,0% 12,2% 12,3% 13,7% MODA E ACESSÓRIOS LIVROS / ASSINATURAS E REVISTAS INFORMÁTICA ELETRODOMÉSTICOS COSMETICOS E PERFUMARIA CUIDADOS PESSOAIS / SAÚDE Fonte: E-Bit (2015, on-line)². O comércio eletrônico se caracteriza como a realização de toda a cadeia de valor dos processos de negócio em um ambiente eletrônico, utilizando tecnologias de comunicação de informação, de acordo com os objetivos de negócio. Alguns benefícios do comércio eletrônico são apontados por Zilber, Araujo e Abreu Junior (2011, p. 263). O primeiro benefício é o estratégico, que se refere ao aumento do alcance geográfico da empresa, à diferenciação de produtos, à lealdade e à retenção de clientes e, ainda, à melhoria nas vendas; o segundo é o benefício informacional, pois ocorrem melhorias nas informações do mercado, também, para o mercado e melhoria na comunicação e relacionamento com o cliente; o terceiro benefício é o operacional, com a redução nos custos de transa- ção e ganho de eficiência no tempo e execução das tarefas. O quadro 2 apresenta algumas vantagens e desafios do varejo eletrônico. Varejo Virtual Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 157 Quadro 2 – Vantagens e desafios do varejo eletrônico VANTAGENS DESAFIOS Diminuição de custos da cadeia de suprimentos ao agregar a demanda num site único e aumento do poder de compra. Preocupação dos consumidores quan- to à segurança das transações. Diminuição do custo de distribuição ao usar web sites em vez de lojas físicas. Preocupação dos consumidores quanto à privacidade de informações pessoais dadas a web sites. Habilidade em alcançar e servir um grupo de consumidores em maior abrangência geográfica. Demora na entrega dos bens, quando comparado às lojas físicas. Habilidade em reagir rapidamente aos gostos e demandas dos consumidores. Inconveniência associada às trocas ou bens danificados. Habilidade em mudar preços quase instantaneamente. Habilidade em mudar rapidamente a apresentação dos bens. Oportunidades crescentes para perso- nalização e customização. Habilidade em melhorar enormemente as informações e conhecimentos entre- gues ao cliente. Fonte: Zilber, Araujo e Abreu Junior (2011, p. 253). As principais vantagens de adotar estratégias de negócios que contemplem o varejo eletrônico são, conforme Zilber, Araujo e Abreu Junior (2011, p. 263): maior visibilidade e alcance de marcar e produtos; possibilidade de aumento das vendas, já que não há barreiras territoriais; aumento do horário de aten- dimento, já que no varejo virtual é possível atender 24 horas; possibilidade de automatização dos processos de venda e logísticos; investimentos menores para o crescimento do negócio em relação ao varejo físico. O quadro 3 exemplifica as vantagens e as desvantagens do varejo eletrônico para as empresas e para os consumidores, sendo possível avaliar como atuar no ambiente on-line atendendo às perspectivas da empresa e do consumidor. GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E158 Quadro 3: Vantagens e desvantagens do varejo eletrônico CONSUMIDOR EMPRESA Vantagens Disponibilidade de acesso à loja 24 horas por dia. Mais informações sobre o produto e a empresa. Comodidade na hora da com- pra e no recebimento. Facilidade de comparação de ofertas. A não preocupação com a localização e tamanho da loja. Custos de operação baixos. Amplo alcance do público-al- vo. Perfil mais elevado de renda dos consumidores. Loja continuamente aberta. Maior oportunidade de rea- lização de CRM – Customer Relationship Management. Desvantagens Impossibilidade de conta- to com o produto antes da compra. Tempo de espera para recebi- mento dos produtos. Know-how de gerenciamento baixo. Logística mais complexa. Baixo índice de compras por impulso. Legislação incipiente. Não adaptabilidade da exper- tise do varejo tradicional. Pressão por preços baixos. Pós-vendas mais difícil (principalmente para vendas internacionais). Fonte: Mattar (2011, p. 577). O modelo de negócios para comércio eletrônico, conforme Zilber, Araujo e Abreu Junior (2011), está fundamentado em três pilares: estratégia empresarial, estru- tura organizacional e tecnologia da empresa. Para os autores, somente a partir dessas três condições é possível estruturar um modelo de negócios desenvol- vendo o produto, a relação com o cliente, o gerenciamento de infraestrutura e os aspectos financeiros. Varejo Virtual Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 159 Algumas tendências do varejo virtual podem ser destacadas como o one-to-one marketing, no qual os negócios eletrônicos passam a incorporar o perfil dos clien- tes para o direcionamento de ofertas e promoções; a produção do build to order e mass customization, na qual os produtos e serviços seguem as especificações dos clientes; o comércio social, que trabalhara relacionamento, construindo um modelo colaborativo de negócios; compras conjuntas, personalizando a compra de acordo com os desejos dos consumidores. Além disso, as redes sociais são uma tendência que estão cada vez mais sendo incorporadas pelas empresas que buscam nessa mídia novas alternativas de rela- cionamento com seus clientes e formas de divulgar seus produtos e serviços. Com isso, percebemos a relevância do varejo virtual, que tem incorporado ações estratégias que possibilitem um novo canal de comunicação e distribui-ção para a empresa, estendendo as possibilidades de compra para os clientes e traçando um novo caminho do varejo com a utilização das novas tecnologias por meio da internet. Com relação aos formatos de lojas virtuais, destacamos os shopping virtuais, lojas customizadas e sites de compra coletiva ou clubes de compra. No caso dos shopping virtuais, a loja pode ser inserida de forma rápida e econômica, passando a ofertar uma ampla diversidade de produtos, mas não há custo- mização. Esse modelo é uma boa alternativa para as empresas que ainda estão se adaptando ao mercado virtual e ainda não possuem estratégias muito direcionadas para esse formato de negócio. No formato de lojas customizadas, as empresas já possuem uma estraté- gia mais bem definida do negócio e utilizam essa opção para direcionar os produtos e serviços ofertados conforme as preferências dos consumidores. No caso dos sites de compra coletiva, a abordagem utilizada é mais promo- cional e objetiva atender empresas que atuem tanto no varejo físico, como no eletrônico. No formato de clubes de compra, o diferencial está no rela- cionamento e na exclusividade, pois, para participar e comprar nesses sites, é preciso de convites de outros participantes. Fonte: Turchi (2012, p. 33-35). GERENCIAMENTO NO VAREJO: LOCALIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO FÍSICA, GESTÃO DE COMPRAS E VAREJO VIRTUAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E160 CONSIDERAÇÕES FINAIS As estratégias de localização devem ser integradas aos demais elementos do com- posto de varejo, pois é essencial para determinação da escolha dos clientes pela empresa. O local, ou ponto de venda, deve obedecer a critérios específicos que determinarão a melhor escolha de localização para abertura de uma empresa varejista. Outro fator importante é a logística, já que todos os canais de distribuição precisam estar integrados para que as entregas sejam feitas no tempo certo e os produtos são sejam danificados. Além disso, as condições de armazenamento são imprescindíveis para que os produtos sejam conservados em perfeitas con- dições até chegarem ao cliente final. O sistema de compras deve seguir o planejamento realizado pelas empresas, observando os tipos de produto, bem como a demanda, que pode ser sazonal ou não sazonal. As compras realizadas atende a critérios específicos, nos quais preço e prazo de entrega são essenciais para o varejista, já que este precisa aten- der ao consumidor final. Para se ter uma estrutura adequada no varejo que atenda às necessidades dos consumidores é preciso planejar a apresentação de loja, exposição de pro- dutos e o layout a ser desenvolvido para facilitar a circulação dos indivíduos e aumentar a possibilidade de compra. Mobile Marketing São ações que utilizam o celular como veículo ou mídia para divulgação de produtos e serviços, atividades de relacionamento com os clientes ou pros- pects, enfim, é a canalização de estratégias e campanhas de marketing e comunicação para a palma da mão das pessoas. Fonte: Turchi (2012, p. 92). Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 161 Vimos, portanto, que é preciso considerar os itens internos e externos da apresentação de loja, desenvolvendo uma atmosfera de compra agradável e que facilite a escolha do cliente pelos produtos a serem ofertados. Assim, o ambiente influenciará totalmente o cliente e pode ser um fator decisivo que levará ao fechamento da compra ou à desistência, caso esse ambiente não corresponda às expectativas propostas. Por fim, o varejo virtual se apresenta como uma alternativa para as empre- sas de varejo, já que esse novo canal traz inúmeras vantagens que podem facilitar a comercialização de produtos e serviços além de ampliar a possibilidade de comunicação e relacionamento com o cliente. Mas também há desafios a serem superados para melhor operacionalização desse canal. 162 1. A localização é uma das decisões mais importantes da administração varejista. O ponto de venda na configuração espacial do mercado escolhido poderá de- terminar o sucesso de muitos empreendimentos. Dentro das possibilidades de localização o centro comercial não planejado pode ser considerado uma alterna- tiva viável, pois apresenta como ponto forte: a. Facilidade de acesso e de estacionamento. b. Falta de concorrência direta. c. Grande tráfego de pessoas. d. Maior atratividade pela ampla gama de lojas e produtos. e. Conforto para o consumidor. 2. A logística envolve o processamento e a execução dos pedidos de compra, a armazenagem, transporte, serviço aos clientes e também o gerenciamento de estoque. Nesse contexto, explique a diferença entre a logística tradicional e a logística proativa. 3. As compras de mercadorias são feitas pelos varejistas para que eles tenham variedade e quantidade de produtos necessários para atender à demanda dos clientes. Como intermediários, o varejo tem o papel de decidir quais mercadorias são melhores para atender seu público, de acordo com o segmento em que atua. Sobre o sistema de compras, assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ( ) O ciclo de compras se inicia a partir da determinação da necessidade do seg- mento de clientes que se pretende atender, a partir daí é feita a seleção dos fornecedores. ( ) Para realizarem suas compras, os varejistas não levam em consideração os fatores como o sortimento, a qualidade, atualização, apenas a conveniência e o preço. ( ) O processo de compra envolve a tomada de decisão individual, pois anali- sando os fornecedores é possível escolher a melhor oferta e, após a compra, avaliar a satisfação com o processo, bem como com a mercadorias entregues. a. V; V; V b. F; V; V c. V; V; F d. F; V; F e. V; F; F 163 4. Planejar e desenvolver lojas que causem impacto é uma tarefa que exige do ges- tor muito conhecimento e habilidade para conseguir se sobressair no merca- do frente aos concorrentes e também estabelecer uma boa imagem perante os consumidores. Neste sentido, explique como o visual merchandising contribui para o desenvolvimento da atmosfera da loja no varejo. 5. O comércio eletrônico se caracteriza como a realização de toda a cadeia de valor dos processos de negócio em um ambiente eletrônico, utilizando tecnologias de comunicação de informação, de acordo com os objetivos de negócio. Podemos apontar como uma vantagem do comércio eletrônico, exceto: a. Diminuição de custos da cadeia de suprimentos ao agregar a demanda num site único e aumento do poder de compra. b. Habilidade em alcançar e servir um grupo de consumidores com uma abrangência geográfica limitada. c. Habilidade em mudar preços quase instantaneamente. d. Oportunidades crescentes para personalização e customização. e. Habilidade em melhorar enormemente as informações e conhecimentos en- tregues ao cliente. 164 Netshoes e o exemplo do varejo virtual A história dessa empresa iniciou-se em 2000, com a abertura de uma loja de produtos esportivos em um bairro de São Paulo. Em 2002, a empresa criou um site na internet e passou a vender seus produtos por meio de sua loja virtual. A partir de 2007, a empresa interrompeu as operações de sua loja física, e suas atividades passaram a ser realizadas somente por meio da internet. Seu planejamento estratégico apresenta como missão “ser o melhor serviço de e-com- merce da internet brasileira, trabalhando em todas as frentes: loja, call center, aprovação de crédito, logística e distribuição, com uma taxa de erro zero”. Ao longo dos anos, a Netshoes firmou parceria com diversas empresas que atuam so- mente com lojas virtuais, comdestaque para a parceria com a holding B2W, detentora das lojas virtuais Americanas.com e Submarino, além de ser reconhecida como parcei- ra-chave pelas maiores marcas esportivas mundiais, contando com um centro de distri- buição, atuando com 100% de automatização e utilizando em sua gestão processos e tecnologias de ponta, de modo a proporcionar a entrega dos produtos com agilidade, segurança e qualidade. Nos últimos anos, passou a administrar lojas virtuais de artigos esportivos de grandes clubes brasileiros, como Corinthians, São Paulo, Santos, Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro e Internacional, bem como a loja virtual de uma grande rede de lojas de calçados de São Paulo. É a empresa líder no comércio eletrônico no segmento de artigos esportivos no Brasil e detém 71,4% do mercado nesse setor, além de 39,1% na categoria de moda e acessórios. Sua loja virtual comercializa mais de 6.000 itens, distribuídos em diversas categorias, organizados por marca, gênero e esporte. Em abril de 2010, a Netshoes figurou nos principais rankings de audiência como o ter- ceiro maior site de comércio eletrônico do Brasil, considerando-se apenas empresas que atuam exclusivamente com lojas virtuais, perdendo apenas para Americanas.com e Sub- marino. Recentemente, passou a adotar as redes sociais como um ambiente para lançamento de ofertas e produtos, com presença no Facebook e Twitter, além de utilizar o Youtube para apresentar os mais de 600 vídeos de produtos que comercializa. Fonte: Zilber, Araujo e Abreu Junior (2011, p. 275). Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Localização do Ponto de Venda: o marketing em boa companhia. Autor: DIAS, C. A.; OLIVEIRA, R. G. Editora: Laços Sinopse: O livro defende que as empresas que não crescerem de forma sustentada serão implacavelmente engolidas por outros competidores com mais entusiasmo e disposição. O vetor expansão não deve ser entendido como uma visão etérea ou extrassensorial. Pelo contrário, trata-se de decisão sobranceira visando a ganhos sinérgicos na capilarização da rede, princípios rígidos de sustentabilidade fi nanceira e pró-atividade na proteção dos atuais territórios. Se acertar na localização espacial – com precisão, agilidade, custos aderentes e sem retrabalhos –, a empresa dará um resoluto passo para ampliar sua distribuição através de uma cobertura geográfi ca abrangente e dilatar substancialmente suas receitas. Dada a precedência do tema, os autores devolveram ao mercado tudo aquilo que aprenderam em quase três décadas e convívio com diversos mentores. Logística: um enfoque prático. Autor: CAXITO, F. Editora: Saraiva. Sinopse: Voltado para todos os que necessitam de conhecimentos básicos em logística, o livro aborda os principais temas da disciplina de maneira completa e atraente. A obra traz exemplos práticos, estudos de caso, exercícios e discussões contemporâneas de modo a tornar o aprendizado mais agradável e facilitar o dia a dia de quem trabalha diretamente com logística e operações nas empresas. O crescimento da economia brasileira nos próximos anos só será possível com a construção de uma infraestrutura logística que permita o fl uxo de mercadorias em nosso país. Dependerá também do desenvolvimento de profi ssionais competentes para gerenciar as operações logísticas nas empresas brasileiras. Por isso, esta obra pode e deve ser utilizada no cotidiano dos profi ssionais da área como um manual de melhores práticas na área de logística. MATERIAL COMPLEMENTAR A logística no varejo é um desafio para os gestores, pois é preciso desenvolver estratégias que consigam atender a toda a demanda da cadeia de distribuição e conseguir responder as expectativas do cliente. Por esse motivo, planejar é o melhor caminho para a eficiência em logística. Confira o link disponível em: <http://www.portalnovarejo.com.br/index.php/brweek/ item/8643-de-plano-em-plano-a-logistica-da-um-salto> A evolução das novas tecnologias afetou os pontos de venda e trouxe novas perspectivas para os varejistas no desenvolvimento da atmosfera de loja que antes estava resumida em vitrines e displays, agora há interatividade que possibilita novas formas de exposição e experimentação dos produtos. Confira o link disponível em: <http://www.portalnovarejo.com.br/index.php/ tecnologia-e-inovacao/item/8132-o-papel-da-tecnologia-no-ponto-de-venda> O varejo eletrônico traz novas possibilidades para as empresas varejistas, mas também desafios e implicações que precisam ser superadas. Um dos principais problemas enfrentados no e-commerce hoje são os atrasos na entrega. Confira o link disponível em: <http://www.portalnovarejo.com.br/index.php/component/k2/ item/12963-e-commerce-principal-entrave-e-atraso-na-entrega> REFERÊNCIAS 167 BERNARDINO, E. de C. et al. Marketing de varejo. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. BLESSA, R. Merchandising no ponto-de-venda. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001. BOONE, L. E.; KURTZ, D. L. Marketing contemporâneo. São Paulo: Cengage Lear- ning, 2009. COBRA, M. Administração de marketing no Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. CRESCITELLI, E.; SHIMP, T. A. Comunicação de marketing: integrando propaganda, promoção e outras formas de divulgação. São Paulo: Cengage Learning, 2012. GEARY, D. Maximizing store impact: a retail guide to profitable visual merchandis- ing. Toronto: Ryerson University, 2001. LAS CASAS, A. L. Marketing de varejo. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004. LEVY, M.; WEITZ, B. A. Administração de varejo. São Paulo: Atlas, 2000. LOPES, E. L.; FARAH, O. E. Organização da loja e exposição de produtos. In: MERLO, E. (org.) Administração de varejo: com foco em casos brasileiros. Rio de Janeiro: LTC, 2011. p. 164-173. MATTAR, F. N. Administração do Varejo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. PARENTE, J. Varejo no Brasil: gestão e estratégias. São Paulo: Atlas, 2000. ROSENBLOOM, B. Canais de marketing: uma visão gerencial. São Paulo: Atlas, 2002. TURCHI, S. R. Estratégias de marketing digital e e-commerce. São Paulo: Atlas, 2012. ZILBER, S. N.; ARAUJO, J. B. de; ABREU JUNIOR, O. F. de. Varejo eletrônico de bens de consumo. In: MERLO, E. (org.) Administração de varejo: com foco em casos brasilei- ros. Rio de Janeiro: LTC, 2011. p. 252-279. CITAÇÕES DE LINKS ¹ - <https://www.ecommercebrasil.com.br/eblog>. Acesso em: 1 jul. 2015. ²- <http:///www.ebit.com.br>. Acesso em: 1 jul. 2015. GABARITO 1. Opção correta é a C. 2. Resposta no tópico “Logística no varejo”. 3. Opção correta é a E. 4. Resposta no tópico “Apresentação, exposição de produtos e layout”. 5. Opção correta é a B. U N ID A D E V Professora Me. Fernanda Gabriela de Andrade Coutinho ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender as estratégias para o mercado varejista. ■ Identificar os elementos do planejamento estratégico para o varejo. ■ Verificar as estratégias financeiras no varejo. ■ Conhecer o comportamento do consumidor varejista. ■ Analisar o sistema de informação e a pesquisa de mercado voltado ao varejo. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Estratégias para o mercado varejista ■ Planejamento estratégico para empresas varejistas ■ Estratégias financeiras no varejo ■ Comportamento do consumidor varejista ■ Sistema de informação e pesquisa de mercado para empresas varejistas INTRODUÇÃO A administração estratégica no varejo se estrutura por meio de ações que pos- sibilitarão a venda de produtos e serviços de forma eficiente e eficaz, mediante atividades que atendam às necessidades e desejos dos consumidores e que gerem rentabilidade para a empresa. Nesta unidade vamos discutir o conceito de estratégia e como ela se cons- trói dentro do mercado varejista por meio de práticas que devemser executadas pelas empresas com o objetivo de atrair e manter mais clientes tanto na loja física, como no e-commerce. Essas estratégias se referem a todos os elementos do mix de varejo, desde o produto até a apresentação de loja e formação de pes- soal de vendas. Também trataremos das etapas do planejamento estratégico que se estabe- lece por meio da realização do diagnóstico organizacional e no desenvolvimento da missão, visão e valores, criação de estratégias, execução e avaliação do plane- jamento implementado. A unidade ainda abordará questões financeiras do varejo, tratando do modelo de lucro estratégico, discutindo o planejamento financeiro, o fluxo de caixa, bem como discutindo o demonstrativo de resultados e o balanço patrimonial – além de analisar a performance financeira no varejo. Na sequência, a unidade apresentará questões relacionadas ao comportamento do consumidor no varejo, tratando dos fatores que influenciam o comportamento do consumidor, como as questões sociais, culturais, psicológicas e situacionais e ainda as etapas do processo de decisão de compra no varejo. A última parte a unidade tratará dos aspectos do sistema de informação no varejo, discutindo a importância da utilização do banco de dados para com- preensão do perfil dos clientes, realizando ações mais eficientes para atingir os objetivos mercadológicos almejados. Além disso, será abordando a pesquisa de mercado como ferramenta essencial para o desenvolvimento de ações estraté- gicas no varejo, de forma que seja possível entender melhor os clientes – bem como o funcionamento do sistema varejista de forma mais abrangente e, assim, conseguir realizar um planejamento de forma mais efetiva e consistente. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 171 ©shutterstock ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E172 ESTRATÉGIAS PARA O MERCADO VAREJISTA A administração estratégica se configura como um processo de análise, formulação, implementação e controle de objetivos e meios para realizá-los, criando e mantendo a capacidade competitiva de uma empresa em longo prazo para obter um desempe- nho que se sobressai no mercado (URDAN; URDAN, 2010). Para alcançar os objetivos definidos de forma eficiente, os gestores do varejo precisam estabelecer estratégias efetivas que possam direcionar as ações a serem desenvolvidas, assim como os esforços que devem ser empregados para integrar essas ações que serão realizadas. Conceituando estratégia, Ridolfo Neto e Dias (2006, p. 26) afirmam que ela se define como conjunto de ações praticado por uma organização visando adequá-la ao seu ambiente competitivo (presente e futuro) e para levá-la a alcançar suas maiores finalidades: sobreviver no longo prazo, gerar valor e alcançar vantagem competitiva sobre os concorrentes, a qual se evidencia por um desempenho organizacional efetivo e sustentadamente superior. Conforme Ansoff (1990), a estratégia empresarial pode ser detalhada a partir de três componentes principais: o impulso de crescimento, que se refere às atividades da empresa em relação ao seu crescimento e participação no mercado; diferenciação de mercado, o diferencial que a empresa oferece em relação a seus concorrentes; e, por último, diferenciação de produto, que diferencia produtos e serviços em rela- ção à concorrência. Além disso, Mintzberg (1987) afirma que o conceito de estratégica deve estar relacionado à aprendizagem organizacional, já que segundo o autor uma organiza- ção que consegue aprender pode se tornar mais competitiva no mercado e prever as possíveis mudanças no ambiente interno e externo e, assim, conseguir antecipar as principais mudanças que deverão ser empregadas. Estratégias para o Mercado Varejista Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 173 Com base nestes conceitos, destacamos a definição de estratégia de varejo, que segundo Levy e Weitz (2000, p.154) consiste em: uma afirmação que identifica (1) o mercado-alvo do varejista, (2) o for- mato que o varejista planeja usar para satisfazer as necessidades do mer- cado-alvo e (3) as bases sobre as quais o varejista planeja construir uma vantagem competitiva sustentável. Para Porter (1990), uma estratégia é definida como uma trama a ser utilizada para conseguir atingir uma vantagem competitiva. Conforme Angelo, Dias Fouto e Nielsen (2012, p. 79), a vantagem competitiva de uma empresa é uma oferta específica, apresen- tada a um dado grupo de compradores e/ou consumidores potenciais, que possui características que a diferenciem dos demais conjunto de oferta dos concorrentes ou da própria empresa. Uma vantagem competitiva precisa atender a certos requisitos, como ser valorizada pelos consumidores a tal ponto que ele esteja disposto a trocar de fornecedor e incor- rer em custos acima da média de mercado para obter a oferta; ser única, de forma que não se encontre nada parecido no mercado; difícil de ser copiada ou anulada pelos concorrentes; e que consiga desestabilizar o mercado aumentando os ganhos da empresa ofertante e atingindo de forma efetiva a concorrência (ANGELO; DIAS FOUTO; NIELSEN, 2012). Existem três tipos de ofertas no varejo: a qualificadora, a pouco relevante e a que agrega valor. A qualificadora se refere à oferta que o varejista tem obrigação de oferecer. Um exemplo disso são os bancos varejistas que têm obrigação de oferecer serviços pela in- ternet a seus clientes como requisito essencial para atuarem no setor. A oferta pouco relevante é aquela que não causa nenhum impacto na perspectiva do cliente. Um exemplo são empresas varejistas que se utilizam de profissionais que ficam nas portas da loja “insistindo” para o consumidor comprar produtos. Já as ofertas que agregam valor são as essenciais e decisivas no processo de compra – e se diferenciam e destacam dos concorrentes –. Como exemplo temos empresas varejistas que oferecem provadores espaçosos, alguns com música ambiente, possibilitando conforto ao cliente no momento da compra. Fonte: adaptado de Angelo, Dias Fouto e Nielsen (2012, p.80). ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E174 No varejo é possível destacar algumas estratégias de crescimento baseadas na Matriz de Ansoff – que faz o cruzamento de dois elementos, o formato de varejo e o segmento de mercado-alvo para estabelecer a melhor ação a ser desenvol- vida –, conforme figura 1 a seguir: Figura 1 – Oportunidades de Crescimento no varejo SEGMENTO DE MERCADO-ALVO EXISTENTE NOVO FO RM AT O D EV A RE JO N O VO Desenvolvimento Diversificação EX IS TE N TE Penetração de mercado Expansão de mercado Fonte: Adaptado de Levy e Weitz (2000, p. 163). A estratégia de penetração de mercado trata dos investimentos do varejo reali- zados em clientes já existentes nos formatos presentes no mercado. Para isso, é preciso fazer com que os clientes atuais comprem mais. Para a realização desses objetivos é necessário estabelecer ações que façam o cliente aumentar sua fre- quência de compra na loja, por exemplo, ou ainda investir em vendas cruzadas (cross-selling) (LEVY; WEITZ, 2000) fazendo com que o cliente leve outros pro- dutos que agreguem o produto principal que ele inicialmente compraria. Estratégias para o Mercado Varejista Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 175 Com relação à estratégia de expansão de mercado, o investimento deve ser feito em relação à ampliação de formatos já existentes para atender a segmentos de mercados novos. Um exemplo seria um formato de loja de chocolates criado para atender a classe média se expandir para o mercado de classe mais alta e sofisticada, utilizando as mesmas estruturas e estratégias de venda, mas adap- tadas ao novo público. Tratando da estratégia de desenvolvimento do formato do varejo, ele se refere à criação de novos formatos para clientes existentes. Um exemplo que está sendo adotado por empresas de diversos segmentos, como lojas de roupa, calçados, móveis, etc.: os formatos outlet, nos quais a mesma empresa oferece os mesmos produtos, só que com um preço inferior. Essa estratégia é adotada para vender produtos de baixa procura e/ou que possuem algum tipo de defeito. A estratégia de diversificação é a mais desafiadora para o setor do varejo, pois é preciso criar um formato novo para um segmento de mercado que tam- bém é novo, ou seja, que não estava sendo atendido pelos formatos atuais. Neste sentido é preciso buscar por nichos de mercado e investir em inovação. Essa estra- tégia está acontecendo, por exemplo, nos canais eletrônicos, que estão investindo em novos formatos de compra e atendo a públicos que antes não os utilizavam. Uma rede de empresa de viagens impulsionou a prática de cross-selling com o objetivo de aumentar a rentabilidade de suas lojas. Nos primeiros feriados do ano de 2015, que são Carnaval, Páscoa e Tiradentes, a cross-selling au- mentou 60% o volume de negócios fechados pela rede. Para incrementar suas vendas, a empresa oferece passeios, locação de veí- culos e até álbum de fotos personalizado junto com a venda de serviços de viagem. A agência obteve um faturamento significativo, em 2014, de R$ 20 milhões e pretende expandir suas lojas – aumento de 24 para 51 lojas no total. Fonte: adaptado de Rocigno (2015, on-line)¹. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E176 No contexto do varejo, McGoldrick (2002) delimita também seis estratégias de crescimento. A primeira se refere ao sortimento de produtos e serviços, com o objetivo de incrementar as possibilidades para os clientes. Esse sortimento pode aumentar as possibilidades dos produtos já ofertados pela empresa ou podem ser oferecidos diferentes tipos de produtos e serviços. A segunda estratégia trata da expansão de mercados, que significa buscar segmentos de consumidores com necessidades relacionadas aos produtos e ser- viços ofertados pela empresa varejista ou ainda procurar por consumidores com necessidades diferentes dos produtos e serviços ofertados e tentar atendê-los. Na terceira estratégia, temos as mudanças nos formatos de loja buscando alternativas de novos modelos que possam viabilizar as atividades da empresa varejista e possibilitar um atendimento diferenciado, contemplando diferentes segmentos de consumidores. Tratando da quarta estratégia, destaca-se a mudança nos canais de distri- buição. No caso, as empresas mudam seus segmentos de atendimento, como é o caso de muitas empresas do varejo físico que ampliaram seus canais para aten- derem no varejo virtual. Com relação à quinta estratégia, que trata do desenvolvimento geográfico, está inclusa a abertura de novas lojas, no mesmo mercado em que atua ou em mercados internacionais. Por último, a sexta estratégia se refere ao aumento de participação nos mercados em que a empresa varejista já atua. Uma das tendências na gestão moderna de varejo é a gestão estratégica de experiência de consumo dos clientes, buscando maximizar o valor percebi- do e a satisfação dos consumidores durante suas compras. Assim, uma experiência de consumo engloba todas as sensações e respos- tas dos consumidores relacionadas a todo e qualquer ponto de contato no qual ocorra interação com o varejista no momento da compra. (Costa, Ceribeli e Merlo) Estratégias para o Mercado Varejista Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 177 Com relação aos níveis da estrutura organizacional varejista, destacamos o estra- tégico, o tático e o operacional. Todos devem ser trabalhados de forma sinérgica com o objetivo de atender às demandas do varejo de forma mais efetiva. Os níveis podem ser observados, conforme figura 2. Figura 2 – Nível estratégico, tático e operacional no varejo Estratégico Tático Operacional Desen- volver uma ação promocional para aumentar as vendas. Na compra de um produto, o cliente levará outro de mesmo valor. A promoção será realizada nas lojas do shopping na última semana de novembro e todos os dias serão mensuradas as vendas realizaas Fonte: a autora . No nível estratégico, as definições são amplas sobre os objetivos – os quais a empresa pretende alcançar e como ela deseja chegar lá –. Nesse nível é definido o caminho que a empresa deverá percorrer para conquistar seus objetivos, em geral, no longo prazo. Já no nível tático estão as ações que serão executadas, realizando as partes específicas das estratégias delimitadas. Por fim, o nível operacional corresponde à execução das atividades planejadas e a avaliação das ações para mensurar e analisar os resultados. Com isso, definimos o conceito de estratégia e suas aplicações no universo do mercado varejista. Na sequência, será estudado o planejamento estratégico, com a descrição das etapas do planejamento e suas aplicações. ©shutterstock ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E178 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARA EMPRESAS VAREJISTAS Planejar significa definir um horizonte desejado e as ações necessárias para alcançá-lo. O planejamento se constitui como ferramenta primordial para a administração estratégica no varejo, que consiste em um “conjunto de etapas por que passa o varejista para desenvolver um plano estratégico de varejo” (LEVY; WEITZ, 2000, p.170). Para Mattar (2011, p. 168), o planejamento estratégico no varejo “é concei- tuado como um processo gerencial que possibilita ao planejador estabelecer o rumo a ser seguido pela empresa, com vistas a obter um nível de otimização na relação da empresa com o seu ambiente”. Deste modo, o planejamento estratégico envolve toda a empresa; abrange o longo prazo; define as diretrizes gerais como missão, visão, valores e objeti- vos; define estratégias abrangentes; é elaborado em geral pela alta gerência e a alta direção da empresa (MATTAR, 2011). As questões relacionadas no qua- dro 1 são fundamentais para melhor elaboração do planejamento estratégico de marketing para o varejo. Planejamento Estratégico para Empresas VarejIstas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 179 Quadro 1 – Questões do planejamento estratégico no varejo QUESTÕES FUNDAMENTAIS E ESPECÍFICAS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Questões fundamentais Questões específicas para os varejistas Para que existimos? Que recompensa queremos oferecer aos acionistas? Aos funcionários? Aos clientes? A que tipo de necessidades procuramos atender? Que contribuições queremos deixar na comunidade? Qual é a nossa utilidade? Somos realmente necessários? Para quem? Quem somos? Somosuma padaria, loja de conveniência ou lanchonete? Somos uma loja para segmento sensível a preço ou sensí- vel a serviços? Quais são nossas virtudes? Pontos fortes e fracos? Quem são nossos clientes? Onde estamos? Em que região atuamos? Que tipo e intensidade de concorrência enfrentamos? Quais são as oportunidades e ameaças existentes? Como somos? Somos reconhecidos como bons em preço? No atendi- mento? Ou só na localização? Nossos funcionários sentem orgulho e satisfação na empresa? Somos lucrativos? Em quais lojas? Em quais categorias? Quem fomos e de onde viemos? Como foi nossa evolução nos últimos cinco anos? Como estão evoluindo os indicadores de desempenho? Para onde vamos e quem queremos ser? Quais são nossas previsões de resultados nos próximos cinco anos? Em que regiões e que modelos de lojas iremos operar? Como queremos ser reconhecidos pelos nossos consumi- dores? O que fazer para chegar lá? Investir em tecnologia e em gestão? Desenvolver maior foco no cliente para conquistar sua preferência? Como buscar recursos para a expansão? Fonte: Parente (2000, p. 52). ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E180 Além do planejamento estratégico, ainda é preciso definir os dois outros níveis de planejamento: o planejamento tático e o operacional. O planejamento tático objetiva otimizar determinada área e não toda a empresa (MATTAR, 2011), já o planejamento operacional especifica as ações a serem empregadas no plane- jamento tático. A seguir, o quadro 2 define as características dos planejamentos tático e operacional. Quadro 2 – Características dos planejamentos tático e operacional no varejo PLANEJAMENTO TÁTICO PLANEJAMENTO OPERACIONAL Envolve planejamentos específicos para cada área da operação de um negócio ou de uma UEN (Unidade Estratégica de Negócio). Abrange o médio prazo. Tem como responsáveis pela elabora- ção a gerência média junto com a alta gerência. Define diretrizes específicas (objetivos e metas de resultados). Define estratégias específicas. Submete-se aos direcionamentos esta- belecidos no planejamento estratégico. Envolve isolada e pontualmente as- pectos momentâneos, locais e circuns- tanciais da operação de uma área de negócio de uma empresa ou de uma UEN (Unidade Estratégica de Negócio). Abrange o curto prazo. Define ações táticas pontuais. Tem como responsáveis pela elabora- ção o nível de supervisão e a gerência média. Submete-se aos direcionamentos esta- belecidos no planejamento tático. Fonte: adaptado de Mattar (2011, p. 169). Os diferentes níveis de planejamento descrevem e delimitam as ações per- tinentes a serem desenvolvidas em cada etapa. Cabe ressaltar, no entanto, que um nível não pode ser considerado mais importante do que o outro – eles são distintos, mas precisam estar totalmente integrados para os resul- tados almejados sejam alcançados com efetividade. Planejamento Estratégico para Empresas VarejIstas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 181 Os componentes do planejamento estratégico no varejo consistem em reunião de informações; análise da situação; definição de missão, visão, valores, objeti- vos, estratégias e decisões; elaboração e redação do plano estratégico; e, por fim, controles e feedback, conforme figura 3. Figura 3 – Componentes do planejamento estratégico do varejo Sistema de informações Informações externas Informações internas Análise do ambiente Missão/visão /valores Objetivos e metasAnálise da demanda Análise da concorrência Análise interna Diagnósticos Localização ideal Tamanho e evolução da demanda local Concorrência e partici- pações de mercado Vendas por metragem quadrada Desejos e necessidades do consumidor Vulnerabilidades e potencialidades da empresa e dos concor- rentes Vantagens e desvanta- gens competitivas em relação aos principais concorrentes Oportunidades e ameaças Outros Prognósticos Cenário econômico Cenário regional Cenário concorrencial Cenário interno Previsão de demanda Decisões Tipo de varejo Localização Mercadorias Serviços aos clientes Preço Promoção/comuni- cação De�nição das métricas a controlar Principais resultados da análise da situação Missão/visão/valores Tipo de varejo Mercados e públicos-alvo Localização Objetivos e metas Estratégias de merca- dorias Estratégias de serviços aos clientes Estratégias de preços Estratégias de promoção/comunicação Meios e recursos Cronograma Previsão de resultados Responsabilidades Forma de controles Es tra té gi as Plano estratégico Reunião de informações Análise da situação Análises Resultados da análise Missão, visão, valores, objetivos e metas, estraté- gias, decisões e controle Redação do plano estratégico Controle Fonte: Mattar (2011, p. 170). A primeira etapa do planejamento estratégico do varejo consiste na busca e reu- nião de informações que sejam pertinentes para o negócio e possibilitem seu entendimento para elaboração do planejamento (MATTAR, 2011). É necessário conhecer o mercado, os clientes, bem como os produtos e serviços oferecidos, estratégias de preço, formas de distribuição e meios de comunicação. A etapa seguinte compreende a análise da situação verificando as informa- ções externas do ambiente de negócios, da demanda, da concorrência e também informações do microambiente empresarial (MATTAR, 2011). O diagnóstico estratégico trata da avaliação das variáveis internas e externas que podem afetar os negócios varejistas. Essa avaliação pode ser feita por meio de diferentes ferramentas, dentre as quais destacamos a análise PEST, que trata na avaliação das variáveis do macroambiente: político-legais, econômico-demo- gráficas, socioculturais e tecnológico-natural, conforme quadro 3. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E182 Quadro 3 – Análise PEST POLÍTICO-LEGAIS ECONÔMICOS- DEMOGRÁFICOS SOCIOCULTURAIS TECNOLÓGICO- NATURAIS • Legislação traba- lhista. • Legislação regula- dora de determi- nado setor. • Privatizações. • Mudanças no governo. • Legislação am- biental. • Políticas de cré- dito. • Legislação tribu- tária. • Política de con- trole de taxa de câmbio e inflação. • Inflação. • Nível de desempre- go. • Estabilidade econô- mica. • Crescimento econô- mico. • Número de mulhe- res no mercado de trabalho. • Envelhecimento da população. • Concentração urbana. • Taxa de juros. • Taxa de câmbio. • Consumismo. • Busca por conve- niência e lazer. • Escolaridade da população. • Estrutura das famílias. • Distribuição da renda. • Consciência social. • Preocupação ambiental. • Mudança nos há- bitos de consumo. • Novas tec- nologias de gestão de estoque. • Novas tecnologias de troca de dados entre os elementos da cadeia de suprimentos. • Novas tec- nologias no ambiente de loja. • Novas tec- nologias de armazena- mento. Fonte: Costa, Ceribeli e Merlo (2011, p. 39). Dentro do diagnóstico existem as variáveis controláveis no varejo que são a loca- lização, o gerenciamento do negócio e das mercadorias, preços e comunicação com o consumidor. Já as variáveis incontroláveis consistem no comportamento do consumidor, ações dos concorrentes, tecnologia, economia, sazonalidade, governos, democracia e restrições legais (MATTAR, 2011). A partir do diagnóstico, é possível identificaras oportunidades estratégicas. Com base na avaliação realizada, a empresa varejista poderá optar pela oportunidade que for mais conveniente segundo seus objetivos para atuar no mercado em questão. Os resultados do diagnóstico apontarão para a localização ideal; o tamanho e evolução da demanda; para a concorrência e suas participações de mercado; para os desejos e necessidades dos consumidores do(s) segmento(s)-alvo; para a vul- nerabilidades e potencialidades da empresa e dos principais concorrentes; para as principais vantagens e desvantagens competitivas da empresa em relação aos princi- pais concorrentes; e para as oportunidades e ameaças à empresa (MATTAR, 2011). Planejamento Estratégico para Empresas VarejIstas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 183 Ainda segundo o referido autor, a etapa seguinte define a missão, que diz respeito à razão de ser da empresa e deve ser clara, consistente e abranger o tipo de negócio, bem como os públicos envolvidos com a organização; a visão, que significa o que a empresa espera ser num determinado tempo e espaço, descre- vendo o que a organização quer realizar objetivamente nos próximos anos de sua existência; e os valores que representam os princípios éticos que norteiam as ações da empresa. A etapa seguinte corresponde aos objetivos gerais que deverão ser traçados conforme a pretensão da empresa em relação aos seus negócios. Os objetivos, conforme Costa, Ceribeli e Merlo (2011), precisam ser mensuráveis (quantificá- veis), factíveis (possam ser alcançados) e desafiadores (incentivando os esforços da organização). Na sequência temos o desenvolvimento de objetivos específicos e alocação dos recursos conforme alternativa escolhida. A partir disso, são elaboradas as estratégias do composto de varejo para implementação das estratégias propos- tas conforme os objetivos definidos e os recursos disponíveis. O Grupo Pão de Açúcar (GPA) é uma empresa do Grupo Casino, um dos líde- res mundiais no varejo de alimentos. É a maior empresa de varejo do Brasil, com mais de 2.100 pontos de venda, e é o maior empregador privado do país em seu setor de atuação, com mais de 142 mil colaboradores. Missão: Garantir a melhor experiência de compra para todos os nossos clien- tes, em cada uma de nossas lojas. Visão: O GPA almeja ampliar a participação no mercado brasileiro de varejo e tornar-se a empresa mais admirada por sua rentabilidade, inovação, efi- ciência, responsabilidade social e contribuição para o desenvolvimento do Brasil. Valores: Humildade; Disciplina; Determinação e Garra; Equilíbrio Emocional. Fonte: Missão... ([2014], on-line)². ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E184 A partir dos objetivos e metas que foram estabelecidos são desenvolvidas as estratégias que traçarão o caminho a ser percorrido. Estratégias bem-sucedi- das devem ser orientadas para os consumidores-alvo e para os clientes – e não para mercadorias, fornecedores, finanças ou vendas – e devem gerar vantagens competitivas para o varejista; devem também assegurar a integração e o funcio- namento eficaz de todas as atividades da empresa que tenham ou possam trazer consequências sobre os clientes e consumidores-alvo. Além disso, devem reconhecer a importância da prática da análise, planeja- mento e controle e da utilização das técnicas de administração adequadas para a solução de problemas na gestão do varejo – e também precisam definir as estra- tégias, objetivando gerar volumes crescentes de receitas lucrativas –. A seguir, no quadro 4, algumas fontes de vantagem competitiva no varejo. Quadro 4 – Fontes geradoras de vantagem competitiva no varejo Relacionados com tecnologia Relacionados com operação Relacionados com distribuição Relacionados com marketing Relacionados com habilidades Capacitação organizacional Capacitação em inovação em equipamentos e instalações; capacitação em TI; capacitação na utilização criativa da internet para alavancar e integrar o negócio; interligação aos fornecedores por EDI. E�ciência na operação a custos baixos; qualidade da operação; elevada utilização dos ativos �xos; alto giro dos estoques; elevada produtividade da mão de obra; baixos custos de forma generalizada; funcionários compe- tentes, agradáveis e corteses; acesso a capital �nanceiro; custo �nanceiro baixo; proteção via patentes e/ou contratos de exclusividade. Localização estratégicas e convenientes das lojas; obtenção de boas negociações junto aos fornecedores em função do poder de distribuição; baixos custos de distribuição e logística; rapidez e pontualidade nas entregas. Imagem de marca poderosa junto aos consumidores; serviços ao consumi- dor adequados ao público-alvo; atendimento cortês e preciso dos consumi- dores; linha de produtos adequada ao público-alvo; garantias aos consumi- dores; propaganda habilidosa; promoções de vendas atrativas; preços competitivos. Habilidade no trato com funcionários atraindo mão de obra superior; habilidade em desenvolver e manter fornecedores; habilidades em compras; habilidade em perceber produtos inovadores; habilidades no relacionamen- to e na �delização de consumidores. Estrutura organizacional enxuta; sistema de informação gerencial e�caz; habilidade e �exibilidade para adaptar o leque de produtos aos mercados regionais e às alterações do mercado; experiência e know-how gerencial no varejo; funcionários competentes e motivados. Fonte: Mattar (2011, p. 178). ©shutterstock Estratégias Financeiras no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 185 A penúltima etapa contempla o plano de ação, que são as atividades detalhadas que deverão ser realizadas em relação aos elementos do composto de varejo. Essa etapa leva em consideração as questões, por exemplo, de como o produto será exposto, como será realizada a abordagem de venda, quais as ações de comuni- cação, entre outras. Por fim, é feita a implementação das ações planejadas e são elaborados meca- nismos de controle dessas ações com o objetivo de acompanhar e verificar se as estratégias desenvolvidas estão produzindo os resultados. A implementação do controle envolve quatro etapas: definição de indicadores e padrões de controle, formas de aquisição de informações, modos de compa- ração e ação corretiva e o recomeço do ciclo do controle (COSTA; CERIBELI; MERLO, 2011). Com isso, percebemos a importância do planejamento estratégico objeti- vando o desenvolvimento de atividades pertinentes para o ambiente de varejo. Na sequência, discutiremos as estratégias financeiras no ambiente varejista. ESTRATÉGIAS FINANCEIRAS NO VAREJO Na gestão do varejo é necessário um acompa- nhamento contínuo para avaliar os resultados financeiros das operações realizadas. Essa avaliação tem como propósito verificar se os objetivos previstos estão sendo alcançados ou se é necessário fazer alguma modificação para melhorar os lucros da empresa. Conforme Mattar (2011, p. 272), “a ges- tão financeira do varejo compreende executar as funções da administração de planejar, exe- cutar, controlar e decidir, voltadas para a ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E186 atividade financeira da empresa”. Nesse sentido, é preciso fazer um acompanha- mento financeiro efetivo para que seja possível manter uma gestão equilibrada, com lucrose garantias de rentabilidade. Algumas atividades de gestão financeira são, segundo Mattar (2011): ■ Fixar objetivos e metas financeiras. ■ Efetuar o planejamento orçamentário e de fluxo de caixa. ■ Apurar o custo das mercadorias vendidas. ■ Realizar e acompanhar a execução dos planos financeiros por meio de um sistema de controle e de apuração dos resultados. Algumas ferramentas são utilizadas pelos varejistas para conduzirem suas aná- lises financeiras. As mais utilizadas são o Fluxo de Caixa, Ponto de equilíbrio, Demonstrativo de Resultados e o Balanço Patrimonial. O fluxo de caixa é “uma ferramenta de gestão financeira utilizada para pre- ver e controlar as entradas, saídas e saldos de recursos financeiros da empresa (presente e futuros)” (MATTAR, 2011, p. 279). Essa ferramenta serve como acompanhamento das movimentações da empresa varejista, mas não deve ser utilizada para apontar resultados financeiros. Essa ferramenta não aponta os lucros e prejuízos, apenas registra as entradas e saídas, pois muitas vezes o saldo que aparece não determina o lucro ou preju- ízo aferido, pois existem os pagamentos futuros que irão modificar esse saldo de forma positiva, se houver mais entradas, ou negativa, se tiverem mais saídas. O fluxo de caixa pode ser contínuo, diário, semanal ou mensal. A seguir, a figura 4 apresenta um modelo dessa ferramenta: Estratégias Financeiras no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 187 Figura 4 – Exemplo de fluxo de caixa Item R$ Saldos bancários no início do período + ou - Resultados da conciliação bancária (*) empresa x bancos Saldo bancário conciliado + Saldo em caixa no início do período Disponível no início do período -Soma dos pagamentos e saídas de caixa (em dinheiro) no período -Soma dos pagamentos e saídas em bancos e efetuados no período +Soma das vendas à vista líquidas (com cartão de débito) no período +Soma das vendas à vista líquidas (a dinheiro) no periodo +Soma das vendas à vista líquidas (em cheques) no período +Soma dos pagamentos (em cheques) recebidos das empresas de cartões de créditos Disponível no �nal do período Saldo bancários �nais no periodo Saldo em caixa no �nal do período Cheques para depósito 125.832 5.432 131.264 3.242 134.506 1.710 24.132 46.793 1.543 1.280 2.007 160.287 153.925 3.075 3.287 Fonte: Mattar (2011, p. 280). As previsões de fluxo de caixa semanais ou mensais são indicadas para que os varejistas possam verificar a disponibilidade de caixa e, assim, consigam solu- cionar possíveis problemas antecipadamente e indicar soluções efetivas para melhorarem suas aplicações financeiras. Outra ferramenta utilizada é o ponto de equilíbrio, que se refere a “um valor que representa quanto a empresa precisa vender para, descontando todas as des- pesas variáveis, ao menos pagar todas as suas despesas fixas e não ter prejuízo” (CERIBELI; CAIXE; MERLO, 2011, p. 213). As despesas fixas são aquelas que não possuem variações de acordo com as atividades realizadas pela empresa. São elas o aluguel da loja, salários sem comis- sões, contas de energia, água e telefone, entre outros. Já as despesas variáveis são aquelas que se modificam de acordo com o nível de atividade da empresa, como, por exemplo, o consumo de embalagens, impostos sobre o faturamento e ainda comissões a funcionários. No contexto do varejo, o ponto de equilíbrio vai ocorrer quando o lucro bruto é igual à soma das despesas fixas e variáveis, desprezando-se a deprecia- ção e a amortização, no qual o lucro bruto é a diferença entre as vendas líquidas e o custo das mercadorias (CERIBELI; CAIXE; MERLO, 2011). ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E188 Ainda segundo os autores, o ponto de equilíbrio é importante para que o varejista possa acompanhar a evolução das vendas durante determinado período e se, com o nível de vendas atingido, será possível pagar os credores. O varejista também pode programar ofertas para aumentar as vendas se necessário e realizar alguma modifi- cação na estrutura da loja, caso o nível de vendas não consiga assumir as despesas. O demonstrativo de resultados ou demonstrativo de lucros e perdas “é o rela- tório que vai tornar transparente para o varejista o desempenho financeiro efetivo do seu negócio em determinado período: se está gerando lucros (de quanto) ou prejuízos (de quanto)” (MATTAR, 2011, p. 281). Os principais elementos dos relatórios de lucros e perdas são, segundo Parente (2000, p. 352-352): ■ Vendas brutas: consiste no volume total de receitas decorrentes das ven- das de produtos e serviços, em certo período de tempo. ■ Abatimentos e impostos: consiste nas contas que abatem o valor da receita bruta, incluindo as devoluções de produtos e cancelamento de vendas, descontos concedidos por volume comprado e por defeito na mercadoria, além de tributos como o ICMS (imposto sobre circulação de mercado- rias e serviços), PIS (programa de integração social), Cofins (contribuição para financiamento da seguridade social) e no varejo de serviços no lugar do ICMS, o ISS (imposto sobre serviços). ■ Vendas líquidas: reflete a receita que o varejista alcança em certo perí- odo de tempo, já abatidos as devoluções, descontos a cliente e tributos. ■ Custo da mercadoria vendida (CMV): consiste no custo das mercadorias vendidas em certo período de tempo. Considera o preço da compra mais o frete e o seguro, menos descontos obtidos. ■ Lucro bruto (ou margem bruta): resulta da diferença entre vendas líqui- das e o custo das mercadorias vendidas. ■ Despesas operacionais: resultantes de despesas necessárias para o fun- cionamento da empresa varejista como despesas de pessoal, aluguel, embalagem, propaganda, entre outras. ■ Outras receitas e despesas: além da venda de produtos e serviços, a empresa varejista pode ter outras fontes de receita provenientes de aluguel de espa- ços de loja ou da receita financeira de vendas financiadas. Estratégias Financeiras no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 189 ■ Lucro operacional: corresponde à diferença entre o lucro bruto e as des- pesas operacionais. ■ Receitas e despesas não operacionais: essas receitas ou despesas podem refletir perdas de algumas transações com a venda de ativos. ■ Lucro líquido antes do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o lucro: indica o lucro final operacional, ajustado com as outras receitas e despesas. ■ Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o lucro: corresponde a determinados percentuais de lucro líquido, ajustados nos termos da legis- lação tributária. ■ Lucro líquido após Imposto de Renda: reflete o resultado da empresa, considerando-se todas as despesas e, portanto, passível de distribuição a seus acionistas. Na sequência, observamos na figura 5 um exemplo do Demonstrativo de Resultados. Figura 5 – Exemplo de Demonstrativo de Resultados Vendas brutas: -Impostos, descontos e devoluções Vendas líquidas: -Custo da mercadoria vendida Margem bruta: Custos/despesas operacionais: -Aluguel -Salários -Energia elétrica -Telefonia -Transportes/Logística -Depreciação de ativo �xo -Manutenção -Limpeza -Segurança e vigilância -Propaganda -Promoções de vendas -Merchandising-Despesas de vendas -Outros custos operacionais Lucro operacional: -ou + Outras receitas/custos e receitas/des- pesas �nanceiras Lucro líquido antes do Imposto de Renda: -Imposto de Renda Lucro líquido após o Imposto de renda 100,0 5,0 95,0 35,0 60,0 55,0 5,0 (1,0) 4,0 (1,2) 2,8 (1) Meta R$ 000 Itens (2) Real R$ 000 (4) =(2)-(1) R$ 000 % sobre vendas Fonte: Mattar (2011, p. 281). ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E190 Por fim, a última ferramenta que destacamos é o balanço patrimonial que consiste “na demonstração contábil que tem por finalidade apresentar a situa- ção patrimonial, contábil, financeira e econômica de uma empresa, no fim de um dado período de apuração (legalmente um ano), represen- tando uma situação estática” (MATTAR, 2011, p.282). O balanço registra, portanto, a relação entre o ativo e o passivo da empresa, de forma que sejam iguais (PARENTE, 2000). O ativo registra o que a empresa possui, como os bens e direitos, e fica do lado esquerdo do balanço e o passivo apresenta as obrigações e o que a empresa deve, posicionando-se do lado direito do balanço. O ativo se caracteriza como circulante, de longo prazo e ativo permanente. O ativo circulante é formado pelos bens e direitos que possam ser convertidos em dinheiro no curto prazo (até um ano) e compreendem: dinheiro em caixa, saldos das con- tas correntes nos bancos, aplicações financeiras com liquidez, contas a receber, estoques de mercadorias, despesas antecipadas, títulos etc. (MATTAR, 2011, p.283). Já o ativo de longo prazo que são os direitos e haveres da empresa no longo prazo como investimentos e aplicações financeiras de longo prazo; e o ativo permanente é formado por bens e direitos da empresa constituídos de forma perene para realização de suas atividades. No caso do passivo que compreende os saldos de todas as obrigações devidas por uma empresa, se divide em corrente (ou exigível; ou circulante); passivo de longo prazo e patrimônio líquido (MATTAR, 2011). ■ Passivo corrente: é formado pelas obrigações de curto prazo (até um ano) da empresa e compreendem: salários, remunerações e encargos a pagar; fornecedores e prestadores de serviços a pagar; empréstimos e financia- mentos a pagar; tributos a pagar; provisões etc. ■ Passivo de longo prazo: é a parte do passivo da empresa constituída pelas obrigações a serem pagas em vários períodos de apuração do balanço, como empréstimos de longo prazo (cinco a dez anos), debêntures (títulos com juros e prazo de pagamento predefinido) etc. (MATTAR, 2011, p. 283). Estratégias Financeiras no Varejo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 191 ■ Patrimônio líquido: engloba o capital realizado, reservas e os lucros ou prejuízos acumulados, correspondendo ao valor da empresa que pertence aos acionistas, ou seja, a diferença entre o que a empresa possui e o que deve (PARENTE, 2000, p.355). Na sequência, observamos na figura 6 um exemplo de Balanço Patrimonial. Figura 6 – Exemplo de Balanço Patrimonial Ativo Ativo corrente Caixas e bancos Aplicações �nanceiras Contas a receber Estoque de mercadorias Estoque de suprimentos Diversos Ativo de longo prazo Aplicações de longo prazo Ativo permanente Prédios (depreciados) Instalações (depreciadas) Equipamentos (depreciados) Veículos (depreciados) Total do ativo R$ 000 12.079 1.706 837 1.250 8.932 200 154 210 210 4.019 1.034 1.800 406 779 16.308 Passivo Passivo corrente Fornecedores a pagar Contas a pagar Impostos e contribuições a pagar Folha de salário a pagar Juros a pagar Provisões diversas Passivo de longo prazo Obrigações de longo prazo Patrimônio líquido Capital Lucros retidos (1) Total do passivo R$ 000 8.739 4.320 606 2.221 1.076 100 416 850 850 6.719 4.000 2.719 16.308 Fonte: Mattar (2011, p. 283). Dentro do acompanhamento de desempenho no varejo existem outros indica- dores que juntamente com os financeiros auxiliarão o gestor em uma avaliação mais completa e consistente da situação da empresa. Para isso é preciso utilizar a ferramenta denominada balanced scorecard, que “garante que os objetivos estratégicos das organizações sejam realmente incor- porados nas ações táticas e operacionais implementadas” (CERIBELI; CAIXE; MERLO, 2011, p. 210). A figura 7 apresenta essa ferramenta. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E192 Figura 7 – Balanced Scorecard Desempenho financeiro Desempenho sob a ótica dos clientes Desempenho sob a ótica de processos internos e de negócios Desempenho em relação ao aprendizado e crescimento Fonte: Ceribeli, Caixe e Merlo (2011, p. 210). Neste sentido, em relação ao desempenho financeiro é preciso analisar o volume de vendas, a participação (share) de mercado, a rentabilidade, bem como o valor do negócio. As questões financeiras são imprescindíveis quando são verificadas em conjunto com outros indicadores como demonstra essa ferramenta. Tratando dos processos internos e de negócios, os indicadores avaliados são a eficiência nas compras, eficiência na cadeia de suprimentos, eficiência na gestão de estoques e eficiência nas transações. Com relação a perspectiva sob a ótica do cliente, é preciso verificar os indi- cadores de preferência, lembrança de marca, políticas de precificação e satisfação com serviços. Em relação à perspectiva de aprendizado e crescimento organizacional, os indicadores analisados são a efetividade do quadro de colaboradores, a adap- tabilidade às novas tecnologias e a inovação em relação aos canais e a formas de negócio. Deste modo, percebemos a importância do acompanhamento do desempe- nho financeiro da empresa, analisando os índices e resultados juntamente com outros indicadores qualitativos para que seja possível alcançar um resultado mais efetivo. Na sequência, discutiremos questões sobre o comportamento do consumidor varejista. ©shutterstock Comportamento do Consumidor Varejista Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 193 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR VAREJISTA Conhecer o consumidor é um desafi o para o gestor no varejo, pois se faz neces- sário compreender os fatores que movem os indivíduos ao consumo, bem como a maneira que realizam seu processo de compra. Entender o consumidor se torna essencial, principalmente nos mercados competitivos e porque os indivíduos mudam de comportamento de forma con- tínua – e essa mudança precisa ser acompanhada. O comportamento do consumidor pode ser defi nido como “atividades com que as pessoas se ocupam quando obtêm, consomem e dispõem de produtos e serviços” (BLACKWELL; MINIARD; ENGEL, 2008, p. 6). Ainda podemos defi nir o comportamento do consumidor como “estudo das unidades compradoras e dos processos de troca envolvidos na aquisição, no con- sumo e na disposição de mercadorias, serviços, experiências e ideias” (MOWEN; MINOR, 2003, p.03). O consumidor enquanto indivíduo e família está muito próximo da atividade varejista, pois o varejo é a expressão fi nal da atividade empre- sarial. É o varejo que expõe produtos e realiza a maior parte dastrocas em que o consumidor está envolvido. A rigor, é com o varejo que o con- sumidor se relaciona e é nele que toma a maior parte das suas decisões de compra (VIEIRA; MAIA; SILVA, 2010, p.12). Para conseguir satisfazer os clientes é preciso conhecer suas necessidades e dese- jos. A grande questão é que em geral o gestor conhece apenas as necessidades principais que aparecem na compra do produto, mas não consegue reconhecer algumas necessidades e desejos que estão por trás do comportamento de com- pra e infl uencia diretamente o consumidor, conforme demonstrado na fi gura 8. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E194 Figura 8 – Iceberg da satisfação do cliente Necessidade: Produto físico Conveniência Serviço Entrega Escolha Contexto de compra/uso Relações comprador/vendedor Financiamento Informação Garantias Nível de água Outras necessidades Fonte: Mattar (2011, p. 93). No modelo do iceberg, o topo demonstra apenas a necessidade superficial, ou seja, que aparece para o gestor de marketing. Porém há necessidades “submer- sas” que precisam ser desvendadas para conseguirem ser efetivamente atendidas. Assim, as empresas que apreendem essas necessidades poderão obter uma van- tagem competitiva em relação a seus concorrentes. Hoje o consumidor é mais ativo e interage em todas as etapas do processo de compra podendo influenciar de forma direta as ações desenvolvidas pe- las empresas. O consumidor 2.0 é informado, pró-ativo e busca as melhores oportunidades de consumo de produtos e serviços. Comportamento do Consumidor Varejista Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 195 Dentro desse processo é preciso ofertar valor ao consumidor para que seja pos- sível se diferenciar dentre tantas ofertas no mercado. Para Mattar (2011, p. 95): O valor de um produto, serviço, marca ou loja é um conceito utilizado de forma intuitiva e intensa pelo consumidor no processo de decisão de compra. Valor é definido por uma equação subjetiva em que, no numerador, está a soma da avaliação de todos os elementos percebidos importantes em relação à aquisição de um produto, serviço, marca ou escolha da loja pelo consumidor e, no denominador, a soma de todos os custos relacionados à aquisição para o consumidor. Segundo Vieira, Maia e Silva (2010), na perspectiva do cliente, valor é a dife- rença entre o valor total – que se refere ao conjunto de benefícios que os clientes almejam de um determinado produto ou serviço – e o custo total para o cliente. Esses custos vão além dos financeiros e podem ser incluídos os custos psicoló- gicos, sociais, entre outros, conforme figura 9. Figura 9 – Processo de satisfação do consumidor por meio da formação de valor Oferta da empresa Oferta dos concorrentes Processo de decisão do consumidor Valor esperado Compra Valor entregue percebido Nível de satisfação do consumidor Fonte: Mattar (2011, p. 95). No processo de compra é possível identificar vários papéis, desempenhados pelos consumidores, que se relacionam com a maneira como os indivíduos se comportam e a estrutura social na qual estão inseridos. É preciso entender cada papel e como ele poderá definir a decisão de compra de um produto ou serviço. Os papéis de compra são demonstrados no quadro 5. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E196 Quadro 5 – Papéis de compra do consumidor PAPEL DEFINIÇÃO Iniciador Pessoa que sugere a ideia de comprar um produto. Influenciador Indivíduo que fornece informações sobre um produto, po- dendo integrar a família ou não. Fiscal interno Participante do grupo que controla o fluxo de informação. Decisor Responsável por decidir o que comprar, como comprar e onde comprar. Comprador Pessoa que efetivamente realiza a compra. Pagante Responsável pelo financiamento da compra, podendo ser o único elemento ou um grupo de pessoas que se unem para propiciar a compra. Preparador Indivíduo que transforma o produto em uma forma adequa- da de consumo. Usuário Pessoa que efetivamente consome ou usa o produto. Eliminador Integrante do grupo responsável pelo descarte do produto. Fonte: desenvolvido pela autora a partir de Vieira, Maia e Silva (2010, p. 15-16). Para fidelizar o cliente é preciso atender aos seguintes requisitos: qualidade do produto, experiência de compra e valor agregado. Essas três questões são essenciais no varejo e precisam ser buscadas pelos gestores que querem atrair, conquistar e manter seus clientes. Entender o comportamento de compra, tanto na loja física como na virtu- al, significa investir em tecnologia e inovação para suprir as necessidades e surpreender o cliente e, dessa forma, estabelecer uma ação de fidelização desse cliente. Fonte: a autora. Comportamento do Consumidor Varejista Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 197 Existem diferentes fatores que influenciam o comportamento do consumidor. Esses fatores podem modificar o comportamento de compra e por esse motivo precisam ser conhecidos e entendidos pelos gestores para que seja possível esta- belecer estratégias mercadológicas que consigam atender a esses fatores. A seguir são relacionados os principais fatores: ■ Fatores demográficos: tratam-se das características da população no que se refere à idade, gênero, condições econômicas, escolaridade, entre outros. ■ Fatores culturais: referem-se à cultura, que são os costumes, valores, crenças e hábitos de um determinado grupo de pessoas; e a subcultura, que são elementos culturais específicos de grupos menores que convivem dentro de uma cultura abrangente. ■ Fatores sociais: são os grupos de referência primários, como a família, e secundários, amigos e conhecidos que convivem com os indivíduos e podem afetar diretamente o comportamento de compra. ■ Fatores psicológicos: referem-se às questões da motivação, que são as formas internas dos indivíduos que levam à ação; aprendizado, no qual o indivíduo aprende determinado comportamento a longo prazo; atitudes, que são predisposições aprendidas pelos indivíduos para responderem a uma determinada situação de forma positiva ou negativa; percepção, que é a maneira como o indivíduo seleciona e interpreta determinada situ- ação e dá a ela um significado; personalidade, que são modos como os indivíduos respondem ao ambiente em que vivem. ■ Fatores situacionais: são aqueles fatores ambientais temporários que influenciam o contexto de compra, como o ambiente de loja, os outros indivíduos presentes no momento da compra, o tempo de espera, acesso a loja, entre outros. Para conseguir traçar os objetivos e estratégias para atender aos consumidores no ambiente varejista, é preciso conhecer as etapas do processo de compra que tratam de cada fase desde o início de uma necessidade, identificada pelo consu- midor, até o consumo e descarte do produto. O modelo ilustrado na figura 10 apresenta a estrutura completa do modelo de comportamento do consumidor. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E198 Figura 10 – Modelo de comportamento do consumidor Insatisfação Satisfação Estímulos -Pro�ssional do marketing -Pro�ssional não mercadológico Busca externa Exposição Atenção CompreensãoAceitação Retenção Pós-consumo Pós-compra Reconhecimento da necessidade Busca Busca interna Consumo Compra Descarte In�uências ambientais -Cultura -Classe social -In�uências pessoais -Família -Situações Diferenças individuais -Recursos do consumidor -Motivalçao -Conhecimento -Personalidade, valores e estilos de vida M em ór ia Fonte: Blackwell, Miniard e Engel (2008, p. 86). Comportamento do Consumidor Varejista Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 199 As etapas do processo de compra se iniciam com o reconhecimento de uma necessidade ou identificação de um problema, no qual o consumidor percebe a necessidade de algo que pode ser influenciado por um fator interno ou externo, podendo ser físico ou psicológico. A partir desse momento, o consumidor passa a buscar informações. Essa busca pode ocorrer internamente, por meio da memória – na qual o indivíduo busca lembrar-se de experiências anteriores –, ou externamente – quando ele busca informação com outros indivíduos e até mesmo com as empresas que ofer- tam o produto ou serviço almejado. Na sequência são avaliadas as alternativas existentes. O consumidor reúne as informações para avaliá-las e tomar sua decisão. Na análise, o consumidor leva em consideração diversos fatores que podem ser financeiros, questões sociais, psicológicas e situacionais. Nesta fase, um diferencial oferecido por uma empresa varejista pode facilitar a avaliação das alternativas. O processo seguinte é a compra, na qual se efetiva a decisão do consumidor em relação ao produto ou serviço procurado. No momento da compra são avalia- dos o tipo de produto, preço, marca, loja, condições de pagamento, entre outros. Além disso, o atendimento realizado no momento da compra também pode afe- tar a decisão, que pode se efetivar ou não dependendo da abordagem utilizada. A próxima etapa se refere ao pós-compra, na qual as empresas têm a obri- gação de acompanharem os consumidores, avaliando e mensurando o nível de satisfação alcançado. Na última etapa, está o consumo e o descarte. Essa etapa deve ser conside- rada pelos gestores, pois é preciso compreender como os consumidores utilizam o produto, bem como realizam seu descarte, pois isso pode influenciar todo o processo que recomeçará, a partir de uma nova necessidade reconhecida. O descarte pode ainda ser uma alternativa para a empresa na oferta de produtos e serviços objetivando a sustentabilidade, com o uso estendido de um produto. Desta forma, percebemos a importância de compreender o comportamento do consumidor e o processo de compra, para que os gestores do varejo estabele- çam ações efetivas para atender a esses consumidores. Na sequência, estudaremos os sistemas de informação e a pesquisa de mercado no varejo. ©shutterstock ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E200 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E PESQUISA DE MERCADO PARA EMPRESAS VAREJISTAS Os gestores de marketing precisam obter informações pertinentes que auxiliem as empresas a desenvolverem trajetórias bem-sucedidas e tomarem decisões acertadas. O sistema de informação “é um conjunto de procedimentos e méto- dos que visam, numa base contínua e organizada, gerar, analisar, disseminar e armazenar informações para as decisões de marketing” (DIAS, 2003, p. 362). O objetivo do sistema de informação de marketing é reunir informações pertinentes sobre o mercado e sobre os indicadores de desempenho da empresa de forma continuada e organizada para identificar possíveis problemas, apontar oportunidades e ajudar no processo de decisão da empresa. O Sistema de Informação do Varejo (SIV) “tem a função de captar/coletar dados de interesse do varejista, processá-los, transformando-os em informações úteis, disponibilizando-as aos tomadores de decisão, possibilitando-lhes tomar decisões melhores” (MATTAR, 2011, p. 198). Na figura 11 podemos visualizar como ocorre o SIV. Sistemas de Informação e Pesquisa de Mercado Para Empresas Varejistas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 201 Figura 11 – Sistema de Informações do Varejo FONTES DE DADOS COLETA DE DADOS UTILIZAÇÃO PELOS USUÁRIOS DO VAREJISTA PROCESSAMENTO / ANALISES Macroambiente Concorrentes Empresa DADOS INFORMAÇÕES Mercado Sistema de monitoração ambiental Sistema de informações competitivas Sistema de informações internas Sistema de pesquisas Monitoria Avalia Seleciona Analisar Planejar Organizar Decidir Executar Controlar Condensa Trata Classi�ca Armazena Atualiza Recupera Analisa Interpreta Dissemina Fonte: Mattar (2011, p. 199). No sistema, o dado está disperso e se apresenta da forma como foi coletado, já a informação é resultante do processamento de um conjunto de dados (MATTAR, 2011). Pode-se observar que as fontes de dados procedem do macroambiente, concorrentes, do mercado e da própria empresa. Esses dados são coletados por meio de sistemas de monitoramento, informação e pesquisa. O Data Warehousing é o local onde todas as bases de dados internas e ex- ternas ao varejista estão armazenadas e disponibilizadas aos usuários da empresa. (Mattar) ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E202 Em conseguinte, os dados são processados e analisados resultando em infor- mações que serão utilizadas pelas empresas varejistas. Essas informações irão embasar o planejamento, a decisão e o controle das ações no varejo. Além do SIV, existem outros sistemas que auxiliam na gestão do varejo, conforme quadro 6. Quadro 6 – Sistemas que formam o SIV SISTEMA DESCRIÇÃO SIC – Sistema de Informações Competitivas Mantém os decisores do varejo informa- dos e atualizados em relação às condições, modificações e tendências no ambiente e no macroambiente de negócios da empre- sa. Funciona coletando informações não sistematizadas esporádicas e sistematizadas frequentes. SMA – Sistema de Monitoração Ambiental Capta toda e qualquer informação pública dos concorrentes (informação pública é toda informação que, por razões de operação do negócio ou por livre e espontânea vontade da empresa, é tornada pública). SII – Sistema de Informações Internas Mantém os decisores do varejista informados a respeito de uma infinidade de variáveis de desempenho da própria empresa para a elaboração de novas previsões e novos planejamentos e para que possam exercer controle e tomar decisões corretivas quando o desempenho não estiver de acordo com o planejado. SP – Sistema de Pesquisas Fornece aos decisores do varejista informa- ções para ajudar na solução de problemas e necessidades específicos e esporádicos de informações que surjam durante o processo de administração do varejo. Fonte: desenvolvido pela autora com base em Mattar (2011, p. 199-200). Os dados utilizados para o Sistema de Informação de Marketing podem ser primários ou secundários. Os dados primários são coletados por meio de pes- quisas, já os dados secundários estão prontos e precisam apenas ser analisados e empregados para o desenvolvimento das estratégias traçadas pelas empresas. Sistemas de Informação e Pesquisa de Mercado Para Empresas Varejistas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 203 As principais vantagens dos dados e informações secundários são a econo- mia tanto de tempo, como de esforço e dinheiro. Em relação às desvantagens estão a dificuldade de ajustamento, possível desatualização e problemas com pre- cisão e confiabilidade (MATTAR, 2011). O quadro 7 apresenta algumas fontes de informações secundárias internas e externas para o varejo. Quadro 7 – Fontes de dados secundários FONTES DE DADOS SECUNDÁRIOS INTERNOS FONTES DE DADOS SECUNDÁRIOS EXTERNOS Relatórios de vendas em R$, em uni- dades e lucro por loja/região/tipo de consumidor/agrupamento de produ- tos/seção ou departamento. Relatórios de gastos em propaganda e promoção de vendas. Relatórios de estoques. Relatórios de rupturas nos estoques etc. Publicações em geral (revistas, jornais, livros). Bibliotecas. Internet. Governos, autarquias. Empresas: públicas, de serviços públi- cos, instituições não governamentais. Censos. Associações: sindicais, comerciais. Serviços padronizados de informações etc. Fonte: desenvolvido pela autora com base em Mattar (2011, p. 203). Para a coleta de dados primários é necessário realizar pesquisa de marketing que se caracteriza como um “processo sistemático de coleta e análise de infor- mações relativas às questões específicas ou problemas de marketing enfrentados pelos varejistas” (PARENTE, 2000, p. 140). A pesquisa está dividida em cinco etapas, conforme figura 12. Figura 12 – Etapas do processo de pesquisa de marketing De�nir o problema de pesquisa Planejar o projeto de pesquisa Coletar informações Analisar informações Apresentar os resultados Fonte: Parente (2000, p. 141). Neste sentido, a pesquisa terá início com um problema que se pretende resol- ver. No varejo esse problema pode tratar do aumento de reclamações de clientes do atendimento prestado pela empresa, sobre as necessidades dos clientes em si, ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E204 sobre o espaço físico oferecido pela loja, políticas de preço praticada, entre outros. Os problemas sempre estão relacionados com um objetivo que pretende ser respondido por meio do problema proposto. Dessa forma, o gestor buscará, por meio da pesquisa, atender à demanda proposta. A figura 13 exemplifica alguns problemas de pesquisa pertinentes ao varejo. Figura 13 – Exemplos de problemas de pesquisa no varejo • Qual é o per�l sociodemográ�co típico dos clientes de nossa loja? • Por que nosso público-alvo está preferindo efetuar compras no concor- rente A? • Por que as vendas do setor de enlatados está abaixo da previsão? • Qual deverá ser a tendência do consumidor de cervejas para os próxi- mos dois anos? • O que deverá acontecer com as nossas vendas e com o lucro, se reduzir- mos todos os preços do nosso mix de produtos em 2%? • Quais são os índices de recordação de marca da nossa rede de lojas e dos nossos principais concorrentes? • Quais são as importâncias relativas atribuídas aos vários serviços que são ofertados em nossa loja aos consumidores? • Quais são os preços praticados pelos concorrentes diretos nesta semana? Fonte: Mattar (2011, p. 212). Na etapa seguinte é feito delineamento do projeto de pesquisa, no qual há definição da metodologia que será utilizada, planejando a forma de coletar as informações para atender aos objetivos que foram propostos. Existem diferentes metodologias de pesquisa que poderão ser empregadas, mas é preciso se atentar para aquela que conseguirá atingir o que foi indicado para a pesquisa. Com relação à natureza da pesquisa, ela poderá ser qualitativa ou quanti- tativa. A pesquisa qualitativa busca levantar dados relacionados às motivações dos consumidores, interpretando as opiniões e expectativas identificadas. Já a pesquisa quantitativa analisa a frequência e a forma como os consumidores se comportam, por meio de dados quantitativos. Sobre os tipos de pesquisa, ela pode ser exploratória, quando trata de ques- tões bem definidas que ainda não foram exploradas; descritiva, detalha e descreve os comportamentos identificados; e causal, buscando determinar ou testar a rela- ção de causa e efeito. Sistemas de Informação e Pesquisa de Mercado Para Empresas Varejistas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 205 A etapa seguinte da pesquisa se refere à coleta das informações. Essa coleta será realizada de acordo com a natureza e o tipo de pesquisa já definidos. Alguns instrumentos a serem utilizados são o questionário, empregado, em geral, em pesquisas quantitativas, com perguntas fechadas e opções definidas; o roteiro, que pode ser utilizado em entrevistas, em pesquisas de observação, quando se pretende analisar determinado tipo de ambiente e contexto; e em grupo focal, no qual se investiga o comportamento de grupos de indivíduos selecionados. A penúltima fase da pesquisa trata da análise das informações coletadas. Essas análises apontarão os resultados que deverão ser verificados conforme objeti- vos propostos. É possível, hoje, por meio de diferentes softwares, realizar essas análises de forma mais rápida e consistente. Existem programas que além de anali- sarem os dados, fazem cruzamentos e relações ampliando os resultados esperados. Por fim, a última etapa é a apresentação dos resultados. Essa apresentação é feita por meio de relatórios, gráficos e imagens que detalham e transformam os dados de maneira que eles possam ser mais bem compreendidos pelos gestores. Deste modo, verificamos como os sistemas de informação, bem como a uti- lização das pesquisas de mercado podem auxiliar na gestão estratégica do varejo, pois essas informações coletadas e analisadas poderão ser utilizadas para as toma- das de decisão e emprego de soluções pertinentes para as empresas varejistas. No varejo é muito comum a utilização da pesquisa de cliente oculto, no qual profissionais treinados e disfarçados de clientes visitam estabelecimentos varejistas para avaliar diversas questões conforme objetivo de pesquisa pro- posto. Em geral é feita a avaliação do atendimento, ambiente de loja, produtos ofertados, entre outras. As empresas buscam com esse tipo de pesquisa compreender o que se passa no seu estabelecimento em situações adver- sas para que seja possível identificar possíveis problemas e propor soluções. Fonte: a autora. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DE VAREJO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E206 CONSIDERAÇÕES FINAIS A administração estratégica do varejo é estabelecida por meio de estratégias e ações que possam auxiliar o gestor na tomada de decisão. Administrar significa planejar, organizar, direcionar, executar e controlar as atividades que conduzam a empresa a resultados positivos conforme objetivos e metas previamente definidos. Neste sentido, a estratégia no varejo deve ser utilizada para obtenção de uma vantagem competitiva que possa agregar valor e atender às necessidades e desejos dos clientes alvo. A estratégia será estruturada dentro dos elementos do mix de varejo, que vão desde o produto e o preço até o ambiente de loja e a ges- tão de pessoas. Para isso, é necessário o desenvolvimento do planejamento estratégico. O planejamento irá estruturar cada etapa a ser desenvolvida para que a estraté- gia criada possa ser executada e posteriormente avaliada e, assim, seja possível acompanhar todo o processo e analisar os resultados auferidos. O planejamento realiza o diagnóstico da empresa, determina a missão, visão e os valores, des-creve e detalha as estratégias e os planos de ação e propõe medidas avaliativas de acompanhamento e verificação das atividades planejadas. Com relação à gestão financeira no varejo, ela deve ser empregada para acom- panhamento dos recursos disponíveis, se atentando para as despesas e receitas, bem como o acompanhamento do desenvolvimento das vendas. Além disso, é necessário analisar outros fatores que também auxiliarão na análise financeira, como o comportamento do mercado. Além disso, vimos a importância de conhecer o consumidor e como ele se comporta no processo de compra. Existem fatores tanto sociais como culturais, psicológicos e situacionais que afetarão diretamente na forma como os consumi- dores escolhem produtos e serviços. Também existem as etapas do processo de compra que precisam ser conhecidas e analisadas para que seja possível empre- gar estratégias pontuais em cada uma delas. Por fim, estudamos os sistemas de informação e como eles podem ser empre- gados no varejo para melhor atender às demandas internas e externas e propor possíveis soluções. E também a pesquisa de mercado que será utilizada para cole- tar informações diversas do contexto varejista. 207 1. Para alcançar os objetivos definidos de forma eficiente, os gestores do varejo precisam estabelecer estratégias efetivas que possam direcionar as ações a se- rem desenvolvidas, bem como os esforços que devem ser empregados para in- tegrar essas ações que serão realizadas. Sobre estratégias, analise as seguintes questões e assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): ( ) Estratégia é um conjunto de ações praticadas por uma organização, obje- tivando adequá-la ao seu ambiente competitivo (presente e futuro) e para levá-la a alcançar suas maiores finalidades. ( ) A estratégia empresarial pode ser detalhada a partir de três componentes principais, o impulso de crescimento; diferenciação de mercado; e, por últi- mo, diferenciação de produto, que diferencia produtos e serviços em relação à concorrência. ( ) O conceito de estratégia deve estar relacionado à aprendizagem organiza- cional, pois uma organização pode se tornar mais competitiva sem neces- sariamente obter uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes. a. V; V; V b. F; V; V c. V; V; F d. F; V; F e. V; F; F 208 2. Planejar significa definir um horizonte desejado e as ações necessárias para al- cançá-lo. O planejamento estratégico no varejo é conceituado como um proces- so gerencial que possibilita ao planejador estabelecer o rumo a ser seguido pela empresa, com vistas a obter um nível de otimização na relação da empresa com o seu ambiente. Diferencie planejamento tático e operacional, apontando duas características de cada um. 3. A gestão financeira do varejo compreende executar as funções da administração de planejar, executar, controlar e decidir, voltadas para a atividade financeira da empresa. Aponte as principais práticas das atividades financeiras no varejo. 4. Entender o consumidor se torna essencial, principalmente nos mercados com- petitivos – e porque os indivíduos mudam de comportamento de forma contí- nua, e essa mudança precisa ser acompanhada –. Deste modo, explique os prin- cipais fatores que influenciam o comportamento do consumidor. 5. O sistema de informação é um conjunto de procedimentos e métodos que vi- sam, numa base contínua e organizada, gerar, analisar, disseminar e armazenar informações para as decisões de marketing. Cite e explique dois tipos de siste- mas de informação utilizados no varejo. 209 CASAS BAHIA – REINVENÇÃO DO VAREJO NO BRASIL A Casas Bahia foi fundada em 1952 por um empreendedor europeu que fugiu da Se- gundo Guerra e se estabeleceu no Brasil com sua família. Os negócios tiveram início na cidade de São Caetano do Sul, São Paulo, quando o empreendedor investiu 1/3 do dinheiro que tinha na nova empreitada. Começou com atividades de mascate vendendo de porta em porta, roupas de cama, mesa e banho, com serviço de crediário para quem não tinha condições de pagar. No ano de 1957, o empresário comprou sua primeira loja e começou a atrair os clientes que vinham pagar suas prestações e adquirir novas mercadorias. A loja ampliou o mix de produtos, passando a vender móveis, colchões de algodão, entre outros produtos. Em 1964, começou a vender eletrodomésticos e chegou a manter cerca de 80 carros, que faziam venda porta em porta. Em 1970, já havia sete lojas e a rede adquiriu o controle acionário de uma financeira com o objetivo de fazer o próprio financiamento dos clientes e, assim, atrair mais con- sumidores, oferecendo melhores condições de pagamento. Impulsionados pelos novos negócios e com aberturas de novas filiais, as vendas porta em porta foram encerradas. A empresa se expandiu comprando outras empresas varejistas e ampliando suas lojas para diversos estados do Brasil e no Distrito Federal. Atendendo a um segmento de público específico, pessoas das classes C e D, a empre- sa conseguiu entender e atender às necessidades desses consumidores. A empresa se voltou para o público de baixa renda que buscava adquirir variedade de produtos, com qualidade, mas a preços menores e com condições para financiamento para compras. O modelo de loja adotado consiste em vender a prazo, por meio de carnês parcelados que são pagos na própria loja. O caixa fica disponibilizado no fundo da loja e o cliente precisa passar por todos os produtos antes de chegar ao caixa – e isso todos os meses, quando precisar ir à loja para pagar o carnê –. Além disso, os vendedores são um ponto forte para o tipo de negócio, pois são treinados para “educar” o consumidor, apresen- tando os produtos com todas as informações necessárias e sobre as condições de pa- gamento. A valorização não é apenas referente ao consumidor, mas também aos colaborado- res. Em 2006, a empresa implantou um Centro de Convivência, espaço de relaxamento e convívio para os colaboradores, com lanchonete, salão de cabeleireiro e livraria, reu- nindo serviços de saúde, opções de lazer, cultura e beleza. Em 2004, a empresa já possuía uma frota própria de entregas e um grande centro de dis- tribuição, mantendo estoques de dois meses no mínimo, pois objetivavam atendimento ao cliente, com disponibilidade de produtos e garantia de entrega, mesmo em lugares longínquos, como em uma favela. A empresa desenvolveu uma estrutura logística que 210 permite a expansão da rede em um raio de mil quilômetros a partir de dois grandes Centros de Distribuição, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. No caso da estrutura organizacional, o poder é exercido de forma centralizada, com uma estrutura enxuta, com poucos executivos em torno dos membros da família. Além disso, a empresa possui um sistema de TI sofisticado, com informação em tempo real. Pelo modelo de venda adotado, a empresa resistiu em aderir o comércio eletrônico, principalmente porque não haveria contato visual com o vendedor nem a possibilidade de “ensinar” o cliente, elementos fundamentais para manter os clientes e garantir uma baixa inadimplência. Mas com as mudanças ocasionadas pelas novas tecnologias e a grande concorrência varejista no segmento, a empresa inaugurou, em 2009, sua loja virtual. A empresa, em pouco tempo, passou a ocupar posição de destaque no varejo eletrôni- co, aumentando seu share de mercado. Além disso, o formato diferenciado integra loja física e eletrônica, diferente dos principais concorrentes, as operações realizadas on-line podem ser entregues na loja física – e também fazer reclamações de compras on-line nas lojas físicas. Outro diferencial criado pela empresa é o modelo de super loja, no qual a empresa reú- ne, desde 2003, em um amplo espaço nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além dos produtos da própria loja, espaços para outras empresas parceiras realizarem a vendade produtos e serviços. São empresas de viagem, automóveis, saúde, além de um diver- sificado espaço de alimentação e de entretenimento. A super loja fica aberta cerca de 40 dias no período que antecede o Natal. Foi considerada a maior loja sazonal do mundo. Atualmente a empresa pertence a um grande grupo que administra outras empresas de varejo em diversos segmentos. O faturamento registrado em 2011 foi de R$ 15,57 bilhões e o valor da marca, no mesmo ano, estava em R$ 447 milhões. Fonte: Merlo (2011, p. 273-274) e Ander e Stern (2009, p. 106-109). Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Varejo e Brasil: refl exões estratégicas Autor: SERRENTINO, Alberto Editora: Varese Sinopse: “Varejo e Brasil - Refl exões Estratégicas” traz a análise do varejo brasileiro a partir de ciclos de evolução e amadurecimento e entendimento da complexidade e características do mercado brasileiro. Em seguida, presenta abordagem para a construção estratégica em negócios de varejo. Por fi m, aprofunda a análise dos cinco temas estratégicos que devem ser endereçados pelas empresas do setor na busca do crescimento lucrativo e sustentável - relação com o produto, o papel da loja, a experiência, a integração com o mundo digital e o propósito e cultura. O conteúdo está estruturado a partir de refl exões estratégicas e é fruto de experiência, observação e análise de empresas de varejo em diversos mercados. Em se tratando de estratégia e vantagem competitiva, a marca Starbucks tem muito a ensinar ao varejo. A marca começou em 1971 e hoje é uma das potências varejistas no seu segmento, alcançando diversos países pelo mundo. Com uma estratégia diferenciada desde o produto até o serviço prestado, bem como a comunicação que estabelece com o consumidor, faz do Starbucks uma marca com grande potencial e que tem alcançado resultados cada vez mais positivos no varejo mundial. Confi ra o link a seguir: <http://www.varejista.com.br/cases/1420/starbucks> MATERIAL COMPLEMENTAR Os consumidores estão em constantes mudanças, por isso, acompanhar essas alterações exige dos gestores do varejo pesquisas que possibilitem o entendimento do comportamento de compra dos indivíduos. Existem vários fatores que afetam o comportamento, desde questões internas à situações externas que precisam ser verifi cadas para melhor tomada de decisão em relação às estratégias voltadas para esse consumidor. Confi ra o link a seguir: <http://www.portalnovarejo.com.br/index.php/brweek/ item/8204-o-otimismo-do-consumidor-e-os-novos-rumos-do-varejo> Inovações no varejo: decifrando o quebra- cabeça do consumidor Autor: SERRENTINO, Albeto. Editora: Saraiva. Sinopse: Este livro procura sintetizar os principais elementos de mudança no comportamento do consumidor, as consequentes demandas e oportunidades emergentes para o negócio do varejo e os grandes movimentos de inovação e mudança estrutural. O varejo é visualizado de forma abrangente, envolvendo diversos setores, formatos de loja e mercados. O “quebra-cabeça” é construído a partir de sete grandes temas, que revelam as principais mudanças em curso na relação dos consumidores com produtos, marcas e lojas. REFERÊNCIAS 213 ANDER, W. N.; STERN, N. Z. Diferenciação no varejo: como conquistar um lugar privilegiado na mente dos clientes. São Paulo: Gouvêa de Souza, 2009. ANGELO, C. F. de; DIAS FOUTO, N. M. M.; NIELSEN, F. A. G. Manual do varejo no Bra- sil. São Paulo: Saint Paul, 2012. ANSOFF, I. H. A nova estratégia empresarial. São Paulo: Atlas, 1990. BLACKWELL, R. D.; MINIARD, P. W.; ENGEL, J. F. Comportamento do consumidor. Traduzido por Eduardo Teixeira Ayrosa (coord.). São Paulo: Cengage Learning, 2008. CERIBELI, H. B.; CAIXE, D.; MERLO, E. M. Monitoramento do desempenho financeiro e de marketing no varejo. In: MERLO, E. (org.) Administração de varejo: com foco em casos brasileiros. Rio de Janeiro: LTC, 2011. p. 209-229. COSTA, B. K.; CERIBELI, H. B.; MERLO, E. M. Estratégia no varejo. In: MERLO, E. (org.) Administração de varejo: com foco em casos brasileiros. Rio de Janeiro: LTC, 2011. p. 35-52. DIAS, S. R. (coord.). Gestão de marketing. São Paulo: Saraiva, 2003. LEVY, M.; WEITZ, B. A. Administração de varejo. São Paulo: Atlas, 2000. MATTAR, F. N. Administração do Varejo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. McGOLDRICK, P. J. Retail Marketing. Londres: McGraw-Hill, 2002. MERLO, E. (org.) Administração de varejo: com foco em casos brasileiros. Rio de Janeiro: LTC, 2011. MINTZBERG, H. The strategy concept: five Ps for estrategy. California Management Review. Berkeley, v. 30, n. 1, p.11-24, Fall, 1987. MOWEN J. C.; MINOR, M. S. Comportamento do consumidor. Traduzido por Vera Jordan. São Paulo: Prentice Hall, 2003. PARENTE, J. Varejo no Brasil: gestão e estratégias. São Paulo: Atlas, 2000. PORTER, M. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho supe- rior. 12. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1990. RIDOLFO NETO, A.; DIAS, S. R. Marketing: estratégia e valor. São Paulo: Saraiva, 2006. URDAN, A. T.; URDAN, F. T. Marketing estratégico no Brasil: teoria e aplicações. São Paulo: Atlas, 2010. ______.; ______. Gestão do composto de marketing. São Paulo: Atlas, 2006. VIEIRA, F. G. D.; MAIA, G. L.; SILVA, L. C. da. Comportamento do consumidor no va- rejo. Curitiba: Sebrae/PR, 2010. REFERÊNCIAS CITAÇÕES DE LINK 1- <http://www.portalnovarejo.com.br/index.php/indicadores/item/10953-tz-via- gens-aposta-em-cross-selling>. Acesso em: 13 abr. 2016. 2- <http://www.gpabr.com/o-grupo/missao--visao-e-pilares/>. Acesso em: 12 abr. 2016. GABARITO 215 1. Opção correta é a C. 2. Resposta no tópico “Planejamento estratégico para empresas varejistas”, no qua- dro 2. 3. Resposta no tópico “Gestão financeira no varejo”. 4. Resposta no tópico “Comportamento do consumidor varejista”. 5. Resposta no tópico “Sistemas de informação e pesquisa de mercado para empre- sas varejistas”, quadro 6. CONCLUSÃO Ao final deste livro podemos concluir que a gestão de varejo tem como objetivo principal propiciar estratégias que possam atender às demandas dos consumidores e organizar o ambiente varejista de forma que todo o processo possa funcionar de forma integrada atendendo às expectativas almejadas. Na unidade I apresentamos os conceitos e definições do varejo, bem como as prin- cipais classificações das empresas varejistas. Tratamos ainda da origem do varejo, o desenvolvimento do varejo no Brasil e retratamos o panorama do varejo no século XX e as principais tendências. Com relação à unidade II, discutimos os dois formatos principais do varejo, o varejo com loja e o varejo sem loja e todas as demais variações dentro desses modelos principais. Além disso, observamos as tendências das novas tecnologias tanto no formato dos canais como no atendimento aos clientes. Na unidade III trabalhamos os elementos do composto varejista, como o desenvol- vimento de estratégia de produtos voltados para o varejo, políticas de preço, for- mas de distribuição e estratégias de comunicação, ações de promoção de vendas e merchandising e também gestão de pessoas que é fundamental na composição do composto varejista. Na unidade IV, apresentamos os principais aspectos relativos à localização, tipos de locais, compreendendo essa variável como determinante para o funcionamento da empresa varejista. Também discutimos o varejo virtual, tendência do século XXI para qualquer segmento varejista, da apresentação de loja e dos aspectos da gestão de compras. Por fim, na unidade V abordamos a estratégia varejista, na concepção de formas de crescimento no ambiente de varejo e do planejamento de marketing, que descreve cada etapa a ser desenvolvida pelo gestor para empregar ações efetivas no segmen- to em que atua. Também detalhamos os principais conceitos da gestão financeira e do comportamentodo consumidor varejista e, ainda, o funcionamento do sistema de informação e da pesquisa de mercado voltados para o varejo. Com isso, concluímos mais uma etapa de estudo e esperamos que as Especificida- des do Varejo, aqui estudadas, possam servir de referência para seus estudos, bem como para a gestão em qualquer tipo de organização.