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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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passam para o outro ou se 
há alterações nas condições normais do tecido em que habitam; 
 
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 Uma opsonina é uma molécula que age como facilitadora de ligação no processo de fagocitose. 
 
 
 
15 
 O microrganismo tem capacidade intrínseca de causar doença – virulência: 
Microrganismos patogénicos. 
Se o microrganismo é capaz de se instalar no hospedeiro, de se multiplicar e de produzir 
sintomas, é uma doença infecciosa; se o microrganismo não produzir sintomas, é então uma 
infecção assintomática, em que o hospedeiro é portador. 
A resposta de defesa também pode ser responsável por doença, como é no caso de um 
granuloma: aglomeração de linfócitos e macrófagos activados. 
 
Invasão e Disseminação 
 Um microrganismo invade o organismo humano quando ultrapassa a barreira cutânea e 
mucosa; ele pode fazê-lo por várias vias (sexual, entérica, parentérica, etc.). Depois de ultrapassar 
essa barreira, ocorre a disseminação, que pode ser local ou por via linfática, sanguínea ou neural. 
 
Adesão Celular 
 As fímbrias/pili das bactérias têm funções de adesão. Estas podem ser de dois tipos. Os pili 
sexuais são utilizados para a adesão das bactérias entre si de modo a poderem efectuar trocas de 
material genético. Os outros tipos de pili são os pili comuns que permitem a adesão da bactéria às 
células do hospedeiro. Para isso os pili reconhecem receptores especializados na superfície dos 
epitélios, viabilizando assim a colonização e a infecção; este mecanismo de adesão envolve a 
interacção de componentes dos pili – adesinas – com moléculas das células do hospedeiro. 
 A presença de múltiplos pili poderá constituir um mecanismo de protecção contra a 
fagocitose, reduzindo assim a resistência da célula à infecção bacteriana. Substâncias que 
impeçam a interacção adesina/receptor poderão constituir armas profiláticas de infecções. 
 
Tropismo para Determinado Tecido 
 Um microrganismo pode ter tropismo para tecidos específicos, isto é, eles desenvolvem-se 
preferencialmente em tecidos específicos. Isto deve-se a estruturas de reconhecimento, 
específicas, no microrganismo e nos tecidos. 
 Este facto ajuda-nos na identificação do agente etiológico envolvido num processo 
infeccioso, tendo em conta a localização do mesmo. 
 
Doenças Infecciosas 
 As doenças infecciosas podem ser de vários tipos e podem ter vários graus de severidade. 
Uma infecção pode ser local ou generalizada (septicémia), aguda ou crónica. Uma síndrome 
infecciosa aguda pode ser comum ou grave, podendo chegar a ser um choque séptico. Também 
existem síndromes infecciosas crónicas e doenças infecciosas cíclicas. 
 As manifestações também são muito variadas. As mais gerais são a febre, a astenia8 e a 
anorexia; ocorrem também variadas alterações hematológicas (anemia, leucocitose com 
neutrofilia) e bioquímicas (aumento das proteínas de fase aguda, por exemplo). Mas também há 
manifestações muito mais graves e específicas, dependendo da infecção em causa. 
 
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 Astenia – fraqueza. 
 
 
 
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Cocos Gram-Positivo 
 
 Os cocos gram-positivo são uma colecção heterogénea de bactérias. Em comum têm a sua 
forma esférica, a reacção da coloração de Gram e a ausência de endoesporos. A presença ou 
ausência de actividade da enzima catalase é um teste simples que é usado para subdividir os 
vários géneros. 
 
Staphylococcus 
 Os Staphylococcus pertencem à família Micrococcaceae9 e em conjunto englobam 35 
espécies. As células deste grupo crescem num padrão que faz lembrar um cacho de uvas; no 
entanto, em material clínico, eles podem aparecer como células únicas, em pares ou em cadeias 
curtas. São imóveis, não formam esporos, são anaeróbios facultativos e formam cápsula (que lhes 
proporciona resistência à fagocitose). São catalase positivos. 
A sua temperatura ideal de crescimento é de 18° a 40°C e podem suportar bílis e altas 
concentrações de sal (max. 10% [NaCl]). 
 Nos humanos, estas bactérias estão presentes na pele e nas membranas mucosas. 
 
Estas bactérias possuem à sua volta uma “slime layer”, uma camada exterior constituída 
por um muco de polissacarídeos, glicoproteínas e glicolípidos cuja função é a de proteger a 
bactéria de perigos ambientais e permite a sua adesão a superfícies lisas. Este facto faz com que 
estas bactérias adiram a, por exemplo, cateteres e sondas, podendo entupi-las. 
 
Diagnóstico 
Para um diagnóstico acertado é necessário a observação microscópica do 
espécimen clínico, cultivado em meios nutricionalmente ricos (ex. gelose sangue), pois tem 
uma pigmentação esbranquiçada (excepto o S. aureus que tem uma pigmentação 
amarelada). A identificação do espécimen em causa pode ser feita a partir da análise das 
propriedades bioquímicas do mesmo, ou por análise de DNA. 
 
Terapêutica 
Hoje em dia, menos de 10% das estirpes de estafilococos são sensíveis à penicilina, 
pois produzem penicilinase (β-lactamase). A informação genética que codifica esta enzima 
está contida em plasmídeos transmissíveis, o que facilita a rápida disseminação da 
resistência nos estafilococos. Foram então criadas penicilinas semi-sintéticas resistentes à 
penicilinase, mas cerca de metade das estirpes de estafilococos já são resistentes a essas 
penicilinas (gene mecA): estirpes meticilino resistentes (MRSA) – infecção normalmente 
hospitalar. Vancomicina é normalmente a solução para estes casos, mas já começaram a 
surgir novas estirpes resistentes – gene vanA (embora sejam raras). 
 
Prevenção 
Sendo que as estirpes resistentes de estafilococos se encontram nos hospitais, é 
importantíssimo a lavagem das mãos após o contacto com cada doente e manter a limpeza 
e a assepsia das feridas cutâneas. 
Como medida preventiva também se pode optar pela quimioprofilaxia para a 
erradicação dos portadores nasais de estafilococos. 
 
9
 Micrococcaceae – família de bactérias que inclui cocos gram-positivo que habitam o ar e a pele. 
 
 
 
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Staphylococcus aureus 
 O Staphylococcus aureus causa doença a partir da produção de toxinas (mais comum) ou 
pela invasão directa e destruição de tecidos. Por ser a única espécie encontrada em humanos que 
produz a enzima coagulase, podemos distinguir esta de outras espécies estafilococos coagulase 
negativas. 
 Tem como factores de virulência as toxinas (citotoxinas10 α, β, γ, δ; enterotoxinas A-E, G-I; 
entre outras), certas enzimas que produz (coagulase, catalase, penicilinase, hialuronidase11 entre 
outras) e alguns dos seus componentes estruturais (cápsula, peptidoglicano, ácidos teicóicos e 
proteína A). 
 
Epidemiologia 
Estas bactérias encontram-se na flora normal da pele e mucosa (orofaringe, 
gastrointestinal e urogenital). A transmissão dá de homem a homem por contacto directo 
ou por exposição a fomitos12 contaminados. A infecção também se pode dar por via 
endógena. 
15% dos adultos saudáveis são portadores na nasofaringe. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Infecções da pele e tecido subcutâneo: furúnculo, carbúnculo, foliculite, 
abcessos; infecções em queimaduras e feridas traumáticas e cirúrgicas; 
 Bacteriémia e Septicémia13 (endocardite, osteomielite, meningite, 
pneumonia, impiema, artrite séptica e pielonefrites); 
 Intoxicação alimentar, causada pela toxina bacteriana presente na 
comida (principalmente em bolos, fumados e gelados) e não pela 
bactéria em si; a doença é autolimitante, pois desaparece após 24 horas 
do início dos sintomas típicos de uma intoxicação alimentar – náuseas, 
vómitos, diarreias, dores abdominais, etc.; 
 Síndrome do choque tóxico, causado pela produção de uma toxina, em 
meio aeróbio e pH neutro, que é lançada no sangue; manifestações 
abruptas de febre, hipotensão e formação