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Artigo Delinquencia Juvenil

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UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DA REGIÃO DOS VINHEDOS
CURSO DE DIREITO
FERNANDO SARTORI LUCERO
GUILHERME ZATT
VINÍCCIUS ANDRÉ MORONI
VINÍCIUS MARINI VARONI
DELINQUÊNCIA JUVENIL
BENTO GONÇALVES
2013
FERNANDO SARTORI LUCERO
GUILHERME ZATT
VINÍCCIUS ANDRÉ MORONI
VINÍCIUS MARINI VARONI
DELINQUÊNCIA JUVENIL
Artigo acadêmico apresentado no curso de graduação a Universidade de Caxias do Sul, curso de Direito para cadeira de Sociologia Jurídica.
Professor: Rozalia Brandao Torres.
BENTO GONÇALVES
2013
DELINQUÊNCIA JUVENIL
Fernando Sartori Lucero
Guilherme Zatt
Viníccius André Moroni
Vinícius Marini Varoni
RESUMO
O seguinte artigo possui como objetivo a compreensão do que é a delinquência juvenil como um todo, e ainda, entender todos os aspectos legais que definem este conceito. Trazemos aqui a ideia de uma redução da maioridade penal para podermos tratar de um jeito diferente este assunto que não é tratado com tanta importância atualmente.
Palavras-chave: Delinquência juvenil, maioridade penal, 
Sumário: 1. A delinquência juvenil; 2. As normas; 3. O Estatuto da Criança e Adolescente ; 4. Maioridade Penal
1. A Delinquência Juvenil
A delinquência juvenil se caracteriza pelo conceito trazido por Allan G. Jhonson em seu livro o Dicionário de Sociologia como:
Delinquência é um conceito que em geral se refere a comportamento criminoso ou desviante cometido por crianças e adolescentes, ainda não considerados como maiores de idade. Em alguns casos refere-se a atos que, no caso de adultos, seriam tratados como crimes – como o furto -, mas que, quando cometidos por crianças, são considerados em termos menos severos. Como resultado, “jovens transgressores” talvez não sejam julgados em juizados comuns ou postos na mesma prisão que adultos, e seus antecedentes criminais podem ser mantidos em sigilo e mesmo suprimidos por completo quando atingem o status de adultos. (Allan G. Johnson, Dicionário de Sociologia p. 66).
A delinquência trata não apenas de condutas criminosas, mas de desvio de condutas cometidos contra uma ideia concreta de atitudes a serem praticadas pelos menores de idade.
A delinquência inclui também comportamento que viola a lei apenas quando cometido por não adultos, tais como fugir de casa, recusar-se a estudar, desobedecer habitualmente aos pais ou (especialmente no caso de meninas) ter vida sexual ativa ainda com pouca idade. Esses atos são às vezes conhecidos como delitos contra o status, porque são definidos principalmente em relação ao status de idade do transgressor. (Allan G. Johnson, Dicionário de Sociologia p. 66).
A delinquência juvenil é trazida como um desvio de conduta cometido por um menor de idade. O desvio é qualquer comportamento ou aparência que violam uma norma. 
2. As Normas
Émile DURKHEIM, comenta, que o desvio, do ponto de vista da perspectiva funcionalista, é uma criação cultural porque só através da criação de normas é que existe a possibilidade de elas serem violadas.
Normas e, daí, desvio, são socialmente importantes porque ajudam a definir e regular as FRONTEIRAS dos sistemas sociais. Nossa lealdade comum, visível às normas de uma cultura nos define como membros da mesma. Mas, de maneira semelhante, os que as violam aguçam a conscientização de fronteiras ao violá-las. Ao fazer isso, reformam o senso de coesão e integração daquelas que se conforma a elas. (Allan G. Johnson, Dicionário de Sociologia p. 69).
O poder de criação das normas não cabe à sociedade propriamente dita, este poder está investido apenas para as pessoas que ocupam cargos específicos, os quais foram criados para manter a sociedade bem organizada.
Da PERSPECTIVA DE CONFLITO, o poder de definir normas e, portanto, desvios é em geral desigualmente distribuído na sociedade. Isso significa que os grupos dominantes podem moldá-las para servir a seus interesses, incluindo controle sobre grupos subordinados, a expensas de outros. Da PERSPECTIVA INTERACIONISTA, desvio e conformidade são criados pelo comportamento do individuo em relação a outros e através da maneira de ver e interpretar a aparência e o comportamento dos demais. A criminologia interessa-se principalmente em descrever e explicar padrões de desvio que violam as leis criminais. A sociologia do desvio, podem, adota uma visão mais ampla, que inclui todas as maneiras em que uma pessoa se conforma ou se desvia das expectativas normativas vigentes nos sistemas sociais e como esses tipos de comportamento produzem consequências não só para si mesma e para outras, mas para sistemas sociais como um todo. Na sociologia do desvio o foco não e apenas no motivo porque indivíduos violam normas, mas como as características de sistemas sociais geram padrões ou taxas de desvio, tais como taxas de homicídios e suicídio ou a taxa de “cola” em uma universidade. As taxas de desvio revestem-se de interesse porque descrevem sistemas sociais e as categorias de pessoas neles incluídas. (Allan G. Johnson, Dicionário de Sociologia p. 69).
3. O Estatuto da Criança e Adolescente e a Delinquência Juvenil
A solução encontrada pela sociedade para proteger o menor e combater a crescente criminalidade destes inimputáveis foi a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que se encontra na Lei n.º 8.069, de 13 de Julho de 1990, sendo que esta vem a estabelecer normas gerais reguladoras dos direitos, deveres e garantias, de modo que dentre estes estão o desenvolvimento mental, físico e educacional, demonstrando respeito a dignidade da criança.
Pode ser considerado um normativo legal condensado a codificações para assim facilitar as questões jurídicas no âmbito da menoridade.
O ECA é esse instrumento legal que toda sociedade brasileira tem em mãos para garantir o presente e o futuro das crianças e jovens brasileiros. Como afirmou a filósofa Hannah Arendt (1968) no livro “Retratos dos direitos da criança e do adolescente no Brasil: pesquisa de narrativa sobre a aplicação do ECA”:
A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele (...) e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse à renovação e a vinda dos novos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos e, tampouco, arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as, em vez disso, com antecedências para a tarefa de renovar um mundo comum. (Hannah Arendt, Retratos dos direitos da criança e do adolescente no Brasil: pesquisa de narrativa sobre a aplicação do ECA, p. 10)
Conforme os seguintes artigos pode-se analisar que a Lei n.º 8.069/90 trata-se de uma legislação especial em substituição ao que é aplicado aos maiores no Código Penal:
“Art. 228, CF. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial.
Art. 27, CP. Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial.”
Ressaltando que o limite mínimo de idade para imputabilidade penal de 18 (dezoito) anos é consagrado na maioria dos países.
No Estatuto da Criança e do Adolescente para os menores infratores são aplicadas as medidas socioeducativas, sendo este a maneira utilizada pelo Estado para sancionar estes indivíduos. Esta possui a mesma função que o Código Penal, ou seja, deve inibir a reincidência e impor uma sanção que tem característica pedagógica e educacional, de maneira que possibilite o infrator a compreender o caráter ilícito do fato.
Uma prisão assemelha-se a internação do menor, o que define o regime de semiliberdade (internação), deste modo os menores sofrem medidas socioeducativas ao invés de uma pena privativa de liberdade nos moldes do Código Penal, isto levando em conta que delinquente