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APOSTILA DIREITO - turma logistica e administracao

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NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO
Profª. Catiane Melo
REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO
	Os arts.2º e 3º da CLT relacionam todos os requisitos necessários para a configuração da relação de emprego:
  Art 2º da CLT- Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.
  Art 3º da CLT – Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. 
Para que um trabalhador urbano ou rural seja considerado empregado, necessário que se preencha, ao mesmo tempo, todos os requisitos:
a-) Pessoalidade – O contrato de emprego é pessoal em relação ao empregado, recai sobre a pessoa do trabalhador, devendo ele responder pessoalmente pela obrigação de prestar o serviço. Se o empregado é contratado para ele prestar os serviços, conclui-se que o contrato de trabalho é intransmissível. Assim o empregado não poderá, quando bem entender mandar outra pessoa em seu lugar para trabalhar.
b-) Subordinação – A subordinação nada mais é do que o estado de dependência na conduta profissional, a sujeição às regras estabelecidas pelo empregador inerentes ao contrato, desde que legais e não abusivas. 
c-) Onerosidade – São as vantagens recíprocas. O patrão recebe os serviços e o empregado o respectivo pagamento;
d-) Não – eventualidade ou habitualidade – Necessidade permanente da atividade do trabalhador para o empreendimento (ex: garçom para um restaurante, limpeza para um hospital), seja de forma contínua (ex: Ana, garçonete trabalha de segunda a sábado em tempo integral para uma lanchonete); ou intermitente ( ex: Paulo, garçom foi contratado para trabalhar apenas as sextas e sábados, dias de maior movimento).
Ex.: Implantar um sistema de computador em 2 meses  não há vínculo de emprego porque não há necessidade de permanência.
e-) O empregado não corre o risco do empreendimento – Quem corre o risco do empreendimento (do negócio) é sempre o empregador e nunca o empregado.Se o trabalhador correr o risco do negócio, empregado não será.
Não Corre o Risco do Negócio  é não repartir os prejuízos. 
Ex.: Empregado que recebe por comissão (salário aleatório). Se não vender nada, ao menos o salário mínimo lhe será garantido. Tem um salário variável mas se não vender nada terá garantido o salário mínimo. Não corre o risco do negócio e não contribui para as despesas.
Podemos então, conceituar empregado como toda pessoa física que presta serviço a empregador (pessoa física ou jurídica) de forma não eventual, com subordinação jurídica, mediante salário, sem correr o risco do empreendimento.
Presentes os cinco elementos concomintantemente estará caracterizada a relação de emprego, destinguindo o empregado dos demais trabalhadores. A ausência de qualquer um dos requisitos descaracteriza o trabalhador como empregado.
INTERRUPÇÃO E SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO
 Suspensão  O empregado não trabalha e também não recebe do empregador. EX: faltas injustificadas, auxílio-doença, etc
Interrupção O empregado não trabalha e recebe o salário ou parte dele do empregador. EX: férias, descanso semanal remunerado, fatas justificadas, etc
INTERRUPÇÃO:
Ocorre a interrupção do contrato de trabalho quando o empregado deixa de prestar serviços, porém continua a receber a totalidade ou ao menos parte do salário.Conta-se o tempo de serviço para todos os efeitos, como se trabalhando estivesse. 
Durante o período da interrupção do contrato de trabalho o empregador não pode demitir o empregado sem justa causa. 
OBS: Em virtude do contrato a termo (determinado), o seu termo final não se protai em virtude da interrupção ocorrida.
SUSPENSÃO:
Durante a suspensão contratual o empregado deixa de prestar serviços temporariamente ao empregador, com isso o empregador susta o pagamento dos salários ou qualquer outra contraprestação ao trabalhador. 
No período da suspensão, o contrato fica paralisado e não produz os principais efeitos. Via de regra o tempo de serviço enquanto o contrato de trabalho se encontrar suspenso não é computado. Na verdade não é o contrato que fica suspenso e sim sua execução.
As características vistas encontram exceção em três casos: acidente de trabalho, licença-maternidade e serviço militar. Nesses três casos é devido o déposito do FGTS e computado o tempo de serviço. Por este motivo, a doutrina nãoé unânime em aceitar que esses três casos seja de suspensão.
OBS: se cair na prova qualquer questão envolvendo esse assunto, vocês devem marcar suspensão (entendimento da CESPE).
Durante a suspensão o empregador não poderá demitir o empregado sem justa causa, salvo em caso de extinção da empresa ou por força maior. Em relação ao contrato determinado, a suspensão não impede o implemento do termo final. (art. 472 § 2º da CLT). Na verdade o que não se admite durante a suspensão é a despedida imotivada e não a morte natural do contrato. 
Hipóteses:
Férias  interrupção.
Intervalo intrajornada – Suspensão
Intervalo intrajornada remunerado- Interrupção
Serviço Militar Obrigatório  suspensão.
Serviço Militar por Manobras de Guerra  ½ do salário é pago pelo empregador e outra ½ pelas Forças Armadas. É interrupção.
Repouso Semanal Remunerado  interrupção.
Encargos Civis Públicos  Ex.: Mandato Parlamentar, Juiz Classista, etc.  interrupção.
Greve  Lei n.º 7.783/89, Art. 7.º  a regra é a suspensão do contrato de trabalho, podendo o acordo, convenção ou dissídio preverem de forma diferente (interrupção).
Empregado Doente  os 15 primeiros dias são pagos pelo empregador = interrupção. Do 16.º dia em diante passa a receber auxílio doença pelo INSS = suspensão.
Obs.: Sempre que a questão mencionar auxílio, benefício ou seguro doença, estará se referindo do 16.º dia em diante = suspensão.
Faltas Legais ou Justificadas  Art. 473 C.L.T.  pode faltar sem ser descontado. É interrupção.
Art. 473, III C.L.T.  tacitamente revogado. O pai pode faltar 5 dias sem ser descontado pelo A.D.C.T..
Licença Paternidade = interrupção.
 Licença Maternidade = suspensão.
Participação em Tribunal do Júri e Eleições  interrupção.
Suspensão Disciplinar  suspensão. Pode ser de no máximo 30 dias. Se ultrapassar, será entendido como demissão imotivada.
Curso no Exterior  Art. 476-A C.L.T.  o empregador pode enviar o empregado para fazer curso no estrangeiro, pagar por ele mas não o salário, desde que esteja previsto em norma coletiva. É suspensão.
Comparecimento em Juízo  Art. 473, VIII C.L.T.  a parte e a testemunha podem comparecer em juízo sem serem descontadas. É interrupção.
EMPREGADOS DOMÉSTICOS
DOMÉSTICOS – É toda pessoa física que trabalha de forma pessoal, subordinada, continuada e mediante salário para outra pessoa física ou família que não explore atividade lucrativa, no âmbito residencial. (art.1º da Lei 5.859/72).
	Para ser doméstico basta trabalhar para empregador doméstico, independentemente da atividade que o empregado doméstico exerça, isto é tanto faz se o trabalho é manual, intelectual ou especializado. Assim, poderão se enquadrar como trabalhadores domésticos, motoristas particulares, secretárias particulares, professores particulares, enfermeiras particulares, desde que presentes os elementos caracterizadores da estrutura da relação empregatícia doméstica. O essencial é que o prestador do serviço trabalhe para uma pessoa física que não explore a mão de obra do doméstico com o intuito de lucro, mesmo que os serviços não se limitem ao âmbito residencial do empregador. Dessa forma, o médico que executa seu serviço durante meses na casa de um paciente para acompanhá-lo é doméstico.
Os direitos dos domésticos estão no art 7º parágrafo único da CRFB, outros na Lei nº 5.859/72e na Lei nº 11. 324/06. O art. 7º, parágrafo único, da CRFB, garantiu, por exemplo, o aviso prévio, o RSR,