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Desafi os Globais - Aula 1 - Para Superar as Desigualdades Raciais
Por Rogério Terra de Oliveira
Objetivo do estudo
Este módulo tem como objetivo discutir alguns conceitos importantes para o enten-
dimento de questões étnico raciais: raça, racismo, etnia, preconceito e discriminação; 
traçar um panorama histórico da exclusão dos negros no Brasil; e apresentar algumas 
iniciativas governamentais e da sociedade civil que têm contribuído para a redução das 
desigualdades raciais..
Introdução
Na atualidade, inúmeros debates sobre políticas antirracistas têm ocorrido no contexto 
brasileiro. É bem verdade que este debate foi bastante intenso no cenário internacional no 
decorrer das últimas décadas. São debates que servem de tema central para outras tantas 
discussões que trazem em seu bojo a coibição de um racismo institucional e medidas 
compensatórias em virtude de uma população afrodescendente brasileira excluída. 
O debate que versa colocar em prática medidas compensatórias, visa a ressarcir, os 
descendentes de africanos negros, dos danos psicológicos, materiais, sociais, políticos 
e educacionais sofridos sob o regime da escravidão, bem como em virtude das políticas 
explícitas ou tácitas de branqueamento da população, de manutenção de privilégios 
exclusivos para grupos com poder de governar e de infl uir na formulação de políticas, 
no pós-abolição. (SECAD, 2006). Desse modo, as medidas compensatórias têm como 
objetivo reverter de fato, um quadro social fundamentado em discriminação racial e 
exclusão social da população negra. 
Nesta aula, conheceremos algumas iniciativas governamentais e da sociedade civil que 
têm contribuído para a redução das desigualdades raciais. 
As Constituições e a Garantia dos Direitos Iguais 
Comecemos, então, por uma análise do construto e da garantia de uma igualdade social 
do ponto de vista da máxima que um Estado pode ter: as Constituições Federais. 
1891 1934 1937 1946 1967 1969 1988
Caixa 1891 
Na Constituições de 1891, veio à primeira afi rmativa de tentar nivelar socialmente todos 
os brasileiros, ainda que permanecemos, todavia, com uma igualdade formal. O artigo 
72, incisos 1º e 2º desta mesma Constituição determina a garantia a brasileiros e a 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, 
à segurança individual e à propriedade, a partir dos seguintes termos: ninguém pode 
ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; todos são 
iguais perante a lei. Mais do que isso, fi ca estabelecido que a República não admite 
privilégios de nascimento, desconhece foros de nobreza e extingue as ordens honorífi cas 
existentes e todas as suas prerrogativas e regalias, bem como os títulos nobiliárquicos 
e de conselho. 
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Caixa 1934
Na Constituição de 1934, igualmente como a de 1891, dispôs-se em seu capítulo II 
intitulado Dos Direitos e das Garantias Individuais, no seu artigo 113 e parágrafo 1 que 
a Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
dos direitos concernentes à liberdade, à subsistência, à segurança individual e à 
propriedade, nos termos seguintes: todos são iguais perante a lei. Não haverá privilégios, 
nem distinções, por motivo de nascimento, sexo, raça, profi ssões próprias ou dos pais, 
classe social, riqueza, crenças religiosas ou idéias políticas. 
Caixa 1937
A Constituição de 1937 assegura aos brasileiros e estrangeiros residentes no País o 
direito à liberdade, à segurança individual e à propriedade. Todos são iguais perante a lei 
e todos os brasileiros gozam do direito de livre circulação em todo o território nacional, 
podendo fi xar-se em qualquer dos seus pontos, aí adquirir imóveis e exercer livremente 
a sua atividade. 
Caixa 1946
A Constituição de 1946, outra vez traz a tona o princípio da igualdade que já fora 
estabelecida na Constituição de 1934. Repelindo a propagada em favor do preconceito 
de classes ou raça, foi, na mesma medida, superfi cialmente tratada na Constituição de 
1937. Neste contexto – o da Constituinte de 1946 – surgiu no cenário jurídico à lei do 
silêncio, a Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948) e a primeira lei penal 
sobre a discriminação instaurada em 1951. Em meio a estas leis publicadas no campo 
sócio jurídico, um aspecto paradoxal continua pairando sobre a cidadania do brasileiro, 
principalmente em particular no cotidiano dos afrodescendentes.
Caixa 1967
Na Constituição de 1967 nada mudou. Permaneceu igualmente o que já havia se 
estabelecido nas Constituições anteriores. Dispôs-se mais uma vez que todos são iguais 
perante a lei, sem distinção de sexo, raça, trabalho, credo religioso e convicções políticas. 
Não obstante a referida Constituição que acabou de ser citada apresenta características 
estagnadas em seu sentido jurídico, não podemos negar que outras conquistas dentro 
deste mesmo período histórico foram alcançadas. 
Caixa 1969
Foi feita uma emenda constitucional nº 1, de outubro de 1969, referente à Constituição 
de 1967 podendo ser considerada uma Constituição de 1969. Nela, o conteúdo referente 
ao caráter de igualdade e discriminação dos cidadãos brasileiros permaneceu igualmente 
ao da Constituição anterior. Foi enfatizado mais uma vez a intolerância de qualquer 
discriminação existente na sociedade brasileira.
Caixa 1988
A Carta Constitucional de 1988 garante direitos civis, políticos, sociais e econômicos, assim 
como direitos dos indígenas, dos negros, dos idosos e das crianças – considerados grupos 
vulneráveis. Esses direitos possuem proteção especial e nem emendas constitucionais 
podem extingui-los. A abertura política que se seguiu ao fi m do regime militar na década 
de 1980 fi rmou na Carta Magna o princípio da igualdade entre todas as pessoas e o 
direito a uma vida digna nos termos do art. 5º, que diz: Todos são iguais perante a lei, 
sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros 
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança 
e à propriedade. O artigo 5º, incisos XLI e XLII, desta Constituição, estabelece punição a 
qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais, acrescentando 
que a prática do racismo constitui crime inafi ançável e imprescritível, sujeito à pena de 
reclusão, nos termos da lei.
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As Constituições seriam um dos principais, se não o principal caminho que talvez pudesse 
ter impedido a instauração do racismo em nosso país. Ao mesmo tempo, a insistência 
inexorável de não se fazer valer o que diz a vigente Constituição brasileira, pode ser 
considerado, do mesmo modo, o entrave que poderia nos levar para a desconstrução e, 
até mesmo, para eliminação do racismo que assola dia a dia as “relações sócias raciais” 
em nossa sociedade, deixando, portanto, de lançar na prática os fundamentos básicos 
para a noção universalista de humanidade independentemente de sexo, cor, condição 
socioeconômica ou credo religioso.
Promulgação de Leis
Nos últimos anos, leis foram promulgadas na direção de combater o racismo e reparar 
as dívidas históricas da sociedade brasileira com sua população afrodescendente.
Lei nº 9.459/1997
Incluiu novos tipos penais, visando principalmente combater os crimes resultantes de 
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Lei nº 10.639/2003 
Inclui o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a 
cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. 
Lei n˚ 3.627/2004 
Garante a reserva de vagas nas instituições públicas de educação superior para 
estudantes egressos de escola pública, em especial negros e indígenas.
Lei nº 12.288/2010 
Institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra a 
efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, 
coletivos