2011_DanielaMountian_VOrig
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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS 
DEPARTAMENTO DE LETRAS ORIENTAIS 
PROGRAMA DE LITERATURA E CULTURA RUSSA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DANIELA MOUNTIAN 
 
 
 
Simbologia do caos 
em O Diabo Mesquinho de Fiódor Sologub 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Paulo 
2011 
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS 
DEPARTAMENTO DE LETRAS ORIENTAIS 
PROGRAMA DE LITERATURA E CULTURA RUSSA 
 
 
 
 
 
 
Simbologia do caos 
em O Diabo Mesquinho de Fiódor Sologub 
 
 
 
 
 
 
 
 
Daniela Mountian 
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação 
em Literatura e Cultura Russa do Departamento de Letras 
Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências 
Humanas da Universidade de São Paulo, para a obtenção 
do título de Mestre em Letras. 
 
Orientador: Profa. Dra. Arlete Orlando Cavaliere 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Paulo 
2011
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aos meus pais, Sofia e Moissei 
 
Aos meus avós, Bella, Moissei, Raíssa, Ióssif 
 
 
 
Agradecimentos 
 
 
 
 
Agradeço ao meu pai pela erudição e pelo talento. Por ter ele me 
apresentado ao Sologub e ao romance O Diabo Mesquinho. Por esse novo 
percurso. Agradeço à minha mãe pela confiança inabalável que ela tem na 
vida e em si. Aos meus irmãos, Ilana e André, sempre por perto. E Anita, um 
capítulo à parte, por todas as brigas vivificantes: merci! E um obrigado 
coletivo à minha família, que veio da República da Moldávia com uma 
lembrança contida, mas que deixou um legado que se desvela a cada 
momento. 
Professora Aurora, presença inestimável por todos os sentidos, deixou 
também sua marca na versão do romance, que com ela ganhou graça e 
poesia. No departamento, mais uma série de agradecimentos. À professora 
Arlete, que me recebeu com tanta cordialidade e competência, agradeço 
sinceramente pelo caminho que percorremos juntas. Pelas conversas, pelo 
apoio, pela dedicação. À professora Elena, sempre generosa, que me mostrou 
novos rumos de leituras de Sologub. E a todos do departamento, amigos e 
conhecidos. Sou grata ainda pela ajuda que recebi da Capes, fundamental ao 
desenvolvimento da pesquisa. 
A Petersburgo também mando lembranças. À professora Margarita Pávlova, 
de Púchkinskii Dom, que abriu as portas com tanto cuidado para uma 
brasileira que apareceu do nada em sua frente. E aos afetos que fiz na bela 
cidade. Momentos felizes. 
A todos os meus amigos, e não foram poucos os que me apoiaram, deixo um 
reconhecimento sincero. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
\u2212 Sabeis pouco do mundo \u2013 replicou Dom Quixote \u2212, 
visto que ignorais os casos que costumam acontecer na 
cavalaria andante. 
 
Resumo 
 
Este trabalho se propôs a analisar O Diabo Mesquinho (1892-1902), romance-
chave de Fiódor Sologub (1863-1927), um dos expoentes do simbolismo russo. Além da 
importância incontestável da obra para a literatura russa e mundial, foi estímulo para a 
pesquisa a possibilidade de delinear o primeiro estudo acadêmico sobre o autor no 
Brasil. A análise seguiu duas direções, que continuamente se encontraram: a evidente 
tessitura paródica, e a presença de arquétipos míticos universais perpassados por 
elementos do folclore russo. Quanto ao uso da paródia, tendo como base teórica autores 
como Iuri Tyniánov e Mikhail Bakhtin, foram feitas aproximações de O Diabo Mesquinho 
com textos de Aleksándr Púchkin, Nikolai Gógol e Fiódor Dostoiévski, cujas marcas 
deflagradas são essenciais para o entendimento da estrutura da obra, assim como o 
narrador que, subvertendo a estética realista, organiza esses discursos. Com relação à 
incorporação de arquétipos literários, a qual ressalta a dimensão paródica e a contextura 
\u2015neomitológica\u2016, tal como conceituada por Zara Mints, foi desenvolvida uma análise do 
desdobramento do anti-herói Ardalión Peredonov, um trickster diabólico, no herói 
cultural mítico. Esse aprofundamento, embasado sobretudo em Eliazar Meletínski, 
desvelou a articulação que a narrativa faz entre as dualidades míticas mais estáveis (caos 
versus cosmos, próprio versus alheio), as construções de herói e de anti-herói, e os traços 
folclóricos e do demonismo popular. A convivência desses componentes conduz o 
enredo ao caos mítico junto da loucura progressiva de Peredonov. A breve 
contextualização do simbolismo russo, movimento que, apoiado na própria cultura e 
história, inaugurou novos rumos na arte e na filosofia russas, foi também fundamental 
para trabalhar com O Diabo Mesquinho, pois o romance consagra seus grandes mestres, 
sublinha seu contexto gerador e rompe paradigmas. 
 
Palavras-chave: simbolismo russo, arquétipos literários, mito, anti-herói, trickster, 
paródia, caos, demonismo, folclore. 
Abstract 
 
The research aims at analysing The Petty Demon (1892-1902), a key novel by Fiódor 
Sologub (1863-1927) who is one of the best known writers of the Russian symbolism. The 
importance of this novel is well established for Russian and world literature, and this 
research thesis was the first academic study on the author in Brazil. The analysis followed 
two main directions, which appear in intersection: first, the evident parodist structure of 
the text and second, the presence of universal mythic archetypes juxtaposed by elements 
of the Russian folklore, which inhabit the narration. Regarding the use of parody, drawing 
on Iuri Tyniánov and Mikhail Bakhtin, the analysis establish dialogues between The Petty 
Demon and texts by Aleksándr Púchkin, Nikolai Gógol and Fiódor Dostoiévski. These 
parodist dialogues are seen here as essential for the understanding of the structure of 
the text, as well as the narrator who organises these discourses subverting the realistic 
aesthetics. In relation to the incorporation of literary archetypes in the novel, highlighting 
the parodist dimension and the \u2015neomythologic\u2016 structure, as conceptualised by Zara 
Mints, an analysis was developed on the history of the anti-hero Ardalión Peredonov, a 
diabolic trickster, as a cultural mythic hero. This in-depth analysis drawing on Eliazar 
Meletínski, unravelled the articulation between well established mythic dualities (chaos 
versus cosmos); the construction of the hero and anti-hero; and the folkloric 
characteristics and popular demonism. The relation between these components guides 
the story to the mythic chaos alongside the gradual madness of Peredonov. The brief 
contextualisation put forward in this research thesis of the Russian symbolism - a 
movement that based on its own culture and history launched new paths for Russian arts 
and philosophy - was fundamental to the analysis of The Petty Demon, as the novel 
established great masters in literature, highlighted its symbolist context and broke 
paradigms. 
 
Keywords: Russian symbolism, literary archetypes, myth, anti-hero, trickster, parody, 
chaos, demonism, folklore. 
Sumário 
 
Novos rumos 
Capítulo I 
1. Mascarada 15 
2. Anotações do simbolismo russo 21 
3. Mago Sologub 32 
3.1. Poética de Sologub 39 
Capítulo II 
1. O louco de Velíkie Lúki 44 
2. Sob um céu de outono 46 
3. Ontologia da paródia