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pequenolivrodofilosofo

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dos estudos da sua área. Esqueça todas as 
rivalidades. Se todos trabalharmos em conjunto, ficaremos todos 
melhor. 
 
 
57 
SORRIA 
Um sorriso pode fazer maravilhas. Uma objecção devastadora 
formulada com um sorriso sincero e simpático é mais fácil de 
ouvir. 
 
 
58 
FAÇA-SE COMPREENDER 
Se alguém não o compreendeu, é provável que a culpa seja sua. 
Não diga «Não percebeste o que eu disse» mas sim «Não me 
exprimi bem». É mais simpático — e na maior parte dos casos é 
a verdade. 
 
 
59 
DOMINE AS NEGAÇÕES 
Se não souber como se negam ideias, não saberá o que quer 
defender ao negar uma ideia. A negação de «Todas as verdades 
são relativas» é «Algumas verdades não são relativas» e não 
«Nenhuma verdade é relativa». Negar a frase «Se Deus não 
existe, a vida não tem sentido» é afirmar «Deus não existe, mas 
a vida tem sentido». 
 
 
60 
NÃO INSULTE O SEU OPOSITOR 
Ao atacar uma ideia, o seu público é quem defende essa ideia 
e não quem já concorda consigo. Se insultar o seu opositor, 
ele não irá ser justo na apreciação dos seus argumentos, nem 
lhes prestará a devida atenção. 
 
 
61 
SEJA CONSEQUENTE 
Nem sempre o que afirmamos tem as consequências que 
queríamos. Se demonstrarem que a sua ideia implica algo que 
você não quer, mude de ideias. 
 
 
62 
SEJA EXIGENTE 
Se procura conforto espiritual, resista à tentação de embarcar 
na primeira ideia feita que lhe pareça confortável. O seu 
compromisso tem de ser com a verdade e não com a ilusão de 
que tem a verdade, ainda que essa ilusão seja confortável. 
 
 
63 
AGRADEÇA A QUEM O ENSINOU 
Os seus maiores benfeitores são os que o ensinaram 
pacientemente a dar os primeiros passos no mundo da filosofia. 
Mostre-lhes o seu reconhecimento e gratidão. A incapacidade 
para sentir gratidão em relação aos nossos benfeitores é uma 
das piores faltas morais. 
 
 
64 
SEJA SEMPRE JUSTO 
Não se deixe levar por maus sentimentos nem procure destruir 
o trabalho alheio. Se tem de apontar defeitos, seja o mais 
justo possível, faça-o com simpatia e deixe bem claro que não 
se trata de uma questão pessoal. 
 
 
65 
CULTIVE BONS SENTIMENTOS 
Precisamos mais de um Gandhi que nos ensine a dissolver a 
bílis da discórdia do que de um génio que revolucione a 
filosofia. Cultive bons sentimentos e afaste-se dos maus. 
 
 
66 
NÃO TENTE SER UM GÉNIO 
Mesmo que você seja um génio, será uma pessoa horrível se 
estiver convencida de que é um génio. E a probabilidade de ser 
realmente um génio é diminuta. Com o passar dos anos, vai 
ficar amargo. Seja modesto: exija apenas de si mesmo a 
competência, o rigor honesto e o profissionalismo. 
 
 
67 
PROCURE SER COMPETENTE 
É da sua competência, rigor honesto e profissionalismo que os 
seus alunos, os seus leitores e os seus colegas precisam e não 
de uma pessoa frustrada porque não consegue ser um génio. 
Ao contrário da genialidade, a competência, o rigor honesto e o 
profissionalismo são acessíveis a qualquer pessoa. 
 
 
68 
RESPEITE AS OUTRAS PESSOAS 
O primeiro passo para uma relação profissional compensadora 
com os seus professores, colegas e estudantes é o respeito 
sincero. E se você não respeitar as outras pessoas, não pode 
exigir que elas o respeitem a si. 
 
 
69 
DISTINGA O EMPÍRICO DO CONCEPTUAL 
As afirmações empíricas têm de se apoiar em dados empíricos 
fidedignos, e não na observação quotidiana assistemática. As 
afirmações conceptuais têm de ser apoiadas por argumentos. 
Começar por distinguir ambos os domínios é o primeiro passo 
de um bom filósofo. 
 
 
70 
DISTINGA A VALIDADE DA VERDADE 
Nem todos os argumentos válidos conduzem à verdade. 
Certifique-se de que os argumentos que está a estudar ou a 
desenvolver partem de premissas verdadeiras. 
 
 
71 
PONHA-SE NO LUGAR DOS OUTROS 
Se é estudante, ponha-se no lugar do seu professor. Se é 
professor, ponha-se no lugar do seu estudante. Se este 
exercício simples for mais vezes repetido, evita-se grande parte 
do mal-estar nas relações entre estudantes e professores. 
 
 
72 
NÃO PRATIQUE 
TERRORISMO INTELECTUAL 
O terrorismo intelectual acontece quando se aterroriza o nosso 
colega ou estudante com muitas citações, termos complicados 
e referências cruzadas. O objectivo é mostrar que somos 
superiores. O resultado é ficarmos justamente classificados 
como pulhas. Opte antes pelo diálogo despretensioso. Vai ver 
que se sente melhor. 
 
 
73 
PROBLEMAS, TEORIAS, ARGUMENTOS 
Os filósofos procuram resolver problemas. Para isso, 
apresentam ideias, teorias ou doutrinas. Essas ideias são 
defendidas por meio de argumentos. Domine estes três 
aspectos cruciais da sua actividade. 
 
 
74 
SAIBA AVALIAR UM PROBLEMA 
Para avaliar um problema, tente formulá-lo da forma mais 
rigorosa possível. Verifique se é um problema real, ou se é um 
falso problema que resulta de uma confusão. Formule o 
problema com as suas próprias palavras. 
 
 
75 
SAIBA AVALIAR UMA TEORIA 
Para avaliar uma teoria, uma doutrina ou uma ideia, comece por 
se perguntar se ela resolve realmente o problema que se queria 
resolver. Verifique também se a teoria é internamente 
consistente e se é consistente com outras verdades mais básicas 
conhecidas. 
 
 
76 
PROCURE CONTRA-EXEMPLOS 
Se uma teoria faz afirmações universais, como «Todas as 
verdades são relativas», basta encontrar uma verdade que não 
seja relativa para a refutar. Se uma teoria afirma «Se o 
determinismo for verdadeiro, não há lugar para a moral», basta 
mostrar que o determinismo e a moral são compatíveis para a 
refutarmos. 
 
 
77 
NÃO SE ASSUSTE COM A LÓGICA 
Como um pianista tem de aprender as regras mais complexas 
da sua arte, para poder dominá-las em vez de ser por elas 
dominado, também você tem de aprender as regras mais 
complexas da lógica, para poder dominá-las em vez de ser por 
elas dominado. 
 
 
78 
NÃO EVITE A LÓGICA 
A verdadeira alternativa não é entre um pensamento livre das 
peias da lógica e um pensamento sujeito ao colete-de-forças da 
lógica; a verdadeira alternativa é entre um pensamento que 
domina as regras da lógica e um pensamento que se julga 
superior a elas, quando na verdade é por elas dominado porque 
as desconhece. 
 
 
79 
TENHA UMA IDEIA LÚCIDA DA REALIDADE 
Leia bons livros de história, filosofia, literatura, ciência, artes e 
religião. Só assim poderá ter uma perspectiva verdadeiramente 
englobante da realidade. 
 
 
80 
DISCUTA OS PORMENORES 
Esteja atento aos pormenores subtis. Não porque sejam o mais 
importante, mas porque precisamos de os dominar para fazer 
bem o trabalho importante. 
 
 
81 
HABITUE-SE A ESCREVER SOBRE LIVROS 
Escrever recensões faz parte das suas tarefas como filósofo. 
Domine as suas técnicas básicas. Leia um bom jornal cultural. E 
escreva para o seu público e não para si próprio ou para o autor 
do livro em causa. 
 
 
82 
USE ARGUMENTOS 
Defender uma ideia é apresentar argumentos a seu favor. 
Não pense que basta formular uma ideia para que a sua 
verdade fique desde logo estabelecida. 
 
 
83 
USE ARGUMENTOS COGENTES 
Para ser cogente, um argumento tem de ser válido, ter 
premissas verdadeiras e mais plausíveis do que a conclusão. Se 
os seus argumentos tiverem premissas duvidosas, terá de 
apresentar outros argumentos a favor dessas premissas. 
 
 
84 
USE ARGUMENTOS 
DEDUTIVOS VÁLIDOS 
Basta que haja uma circunstância, real ou imaginária, em que as 
premissas de um