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Revista ISSN 1806-1877 nº 86 - Março de 2017 Artigos do XXIII SNPTEE, do XI SIMPASE e da Bienal 2016 Usina de Foz do Areia Foto Marcio Geraldo Antunes - acervo da COPEL 2017 Março 15 E 16 - RIO DE JANEIRO - RJ WORKSHOP - EXPANSÃO DO SISTEMA INTEGRADO NACIONAL: COMO ATENUAR DESCOMPASSOS ENTRE G & T? - C1 16 - SÃO PAULO - SP WORKSHOP GESTÃO DE RISCOS NO MERCADO DE ENERGIA ELÉTRICA - C5 Abril 04 E 05 - RIO DE JANEIRO - RJ TUTORIAL E WORKSHOP 2017 - APLICAÇÕES DE HVDC E SEUS DESAFIOS NO SISTEMA BRASILEIRO - B4 11 E 12 - BRASÍLIA - DF MINICURSO DE SINCRONISMO DE REDES DE TELECOMUNICAÇÕES E AUTOMAÇÃO - D2 Maio 09 E 10 - BELO HORIZONTE - MG CONDUTORES NÃO CONVENCIONAIS: EXPERIÊNCIA COM INSTALAÇÃO E DESEMPENHO EM LINHAS AÉREAS DE TRANSMISSÃO - B2 21 A 25 - PARAGUAI ERIAC - XVII ENCONTRO REGIONAL IBERO AMERICANO DO CIGRÉ Agosto 14 A 16 - RIO DE JANEIRO - RJ XII SIMPASE – SIMPÓSIO DE AUTOMAÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS - B5, C2 E D2 23 E 24 – SÃO PAULO – SP IV SINREM - SIMPÓSIO NACIONAL DE REGULAÇÃO, ECONOMIA E MERCADOS DE ENERGIA ELÉTRICA – C5 Setembro 16 A 20 - RECIFE -PE CIGRÉ SC B3 COLLOQUIUM - CHALLENGES AND TRENDS TO THE NEXT YEARS - B3 Outubro 22 A 25 - CURITIBA - PR XXIV SNPTEE – SEMINÁRIO NACIONAL DE PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA - CIGRÉ-BRASIL Dezembro 04 A 07 - RIO DE JANEIRO – RJ INTERNATIONAL SEMINAR ON POLICIES, INCENTIVES, TECHNOLOGY AND REGULATION OF SMART GRIDS - B5, C2, C6 E D2 CALENDÁRIO DE EVENTOS Para mais informações eventos@cigre.org.br • Tel.: (21) 2556-5929 Revista do CIGRÉ-Brasil de publicação trimestral nos meses de Março, Junho, Setembro e Dezembro para profissionais que atuam em Sistemas Elétricos de Potência. A Revista publica artigos de alta qualidade, apresentados em eventos nacionais e internacionais do CIGRÉ e do CIGRÉ-Brasil, artigos escritos por Grupos de Trabalho e Comitês Técnicos do CIGRÉ-Brasil, além de artigos convidados. A revista tem circulação nacional e no âmbito do Mercosul. Tem uma tiragem de 1.000 exemplares e está disponível para download pelos associados. Os seus leitores estão espalhados por cerca de 60 empresas e universidades e mais de 600 especialistas do setor. A data para envio de Anúncios é até o primeiro dia do mês anterior ao da publicação. Os custos para publicação de anúncios em 4 cores na Revista EletroEvolução são os seguintes: Página Inteira (220mmx307mm) R$ 4.000,00 Meia página (210 mmx 50,5mm) R$ 3.000,00 Contracapa R$ 5.000,00 Verso Capa R$ 4.500,00 Verso Contracapa R$ 4.300,00 Data para envio: Até o primeiro dia do mês anterior ao da publicação. eletroevolucao@cigre.org.br PUBLICAÇÃO DE ANÚNCIOS NA ELETROEVOLUÇÃO – Sistemas de Potência EletroEvolução - Sistemas de Potência ISSN 1806-1877 - nº 86 - Março de 2017 CONSELHO EDITORIAL: Antonio Simões Pires (PR) - CIGRÉ-Brasil/Eletronorte Saulo José Nascimento Cisneiros - CIGRÉ-Brasil/ONS José Henrique Machado Fernandes - Eletronorte João Guedes de Campos Barros - CEPEL Jerzy Zbigniew Leopold Lepecki - CIGRÉ Dourival de Souza Carvalho Junior - EPE Paulo Gomes - ONS José Sidnei Colombo Martini - USP/POLI José Wanderley Marangon Lima - UNIFEI João Batista Guimarães F. da Silva - Furnas Transmissão Paulo Cesar Fernandez - Eletrobras Márcio Rezende Siniscalchi - CEs A José Antonio Jardini - CEs B/USP/POLI Luiz Augusto Barroso - CEs C/PSR Marcelo Costa de Araújo - CEs D/Eletronorte Ricardo Cavalcanti Furtado - Consultor Natasha de Decco - CIGRÉ-Brasil PROJETO GRÁFICO E EDIÇÃO: Flávia Guimarães IMPRESSÃO: Rona Editora TIRAGEM: 1.000 exemplares ELETROEVOLUÇÃO – SISTEMAS DE POTÊNCIA é publicada pelo Comitê Nacional Brasileiro de Produção e Transmissão de Energia Elétrica (CIGRÉ-Brasil) DIRETORIA CIGRÉ-BRASIL: Josias Matos de Araujo Diretor-Presidente Saulo José Nascimento Cisneiros Diretor Técnico Antonio Simões Pires Diretor de Assuntos Corporativos Jocílio Tavares de Oliveira Diretor Financeiro ENDEREÇO: CIGRÉ-Brasil Praia do Flamengo, 66 – Bloco B – Sala 408 – Flamengo Rio de Janeiro – RJ – CEP 22210-903 – Tel: (21) 2556.5929 cigre@cigre.org.br su m ár io 75 Lista dos Comitês de EstudoRepresentantes Brasileiros 4 EDITORIAL 8 MEMÓRIA 37 XXIII SNPTEEData Envelopment Analysis (DEA): O Benchmarking do Setor Elétrico Brasileiro e a Árvore de Custos e Perdas 44 XXIII SNPTEEModernização do Sistema de Excitação em uma Termelétrica a Ciclo Combinado Utilizando Tecnologia Nacional 50 XI SIMPASEOs Processos de Validação e Documentação em Sistemas Digitais de Automação de Subestação 58 BIENAL 2016Remote Monitoring System and Analysis of Equipment Performance for Asset Management 65 BIENAL 2016HVDC ±800 kV Transmission Line Associated to the Belo Monte Hydroelectric Power Plant - Studies and Definitions for The Basic Design – Innovation and Challenges for a New Level of Voltage in Brazil 30 CONSTATAÇÕES TÉCNICASSessão Bienal 2016 – Constatações Técnicas 16 NOTÍCIAS Revista ISSN 1806-1877 nº 86 - Março de 2017 Artigos do XXIII SNPTEE, do XI SIMPASE e da Bienal 2016 Usina de Foz do Areia Foto Marcio Geraldo Antunes - acervo da COPEL 4 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 EDITORIAL Política de Integridade – Uma realidade no CIGRÉ-Brasil É indiscutível a importância da transparência das Organizações nos dias atuais. O contexto da sociedade requer que as administrações atuem com clareza nos processos. Isso indica que a introdução de um programa de integridade passa a ser uma exigência natural para as organizações. Quais os fatores fundamentais para a adoção de um programa de integridade? Em primeiro lugar está a disposição da organização em, espontaneamente, declarar à sociedade a sua abertura do comportamento empresarial no sentido de explicitar os seus propósitos de seriedade com o tratamento dos processos. Em segundo lugar a alta administração se dispõe a atuar com o compromisso de agir de forma célere no combate a qualquer atitude ilícita combatendo todas as possibilidades de atos de corrupção ou falhas profissionais não condizentes com a lisura dos procedimentos associados ao ambiente interno ou nos relacionamentos com os clientes e parcerias. Vale destacar que essa atitude empresarial converge com os instrumentos regulatórios que regem o tema de corrupção no Brasil. Assim, seguindo os procedimentos de outras empresas que atuam no Brasil, após a sansão da Lei anticorrupção, n°. 12.846, de 01 de agosto de 2013, conhecida como lei da empresa limpa e sua Regulamentação através do Decreto n°. 8.420, de 18 de março de 2015, o CIGRÉ-Brasil decidiu adotar as políticas de integridade com vistas ao combate à corrupção. Um programa de integridade associado a um código de conduta e ética são fundamentais e devem estar presentes em todas as ações realizadas pela empresa incluindo o relacionamento com outras entidades e em especial com empresas públicas. Com esse espirito a Direção do CIGRÉ-Brasil agindo em conformidade com o CIGRÉ Paris e buscando explicitar o seu compromisso com os que fazem o CIGRÉ-Brasil, seja funcionários, Diretores, parceiros, associados e a sociedade em geral, elaborou o Programa de Integridade Empresarial referente à Política de Combate à Corrupção, instrumento que operacionaliza a Política de Combate à Corrupção. Além da transparência que esse processo requer o objetivo do Programa é garantir o cumprimento da legislação anticorrupção por parte do CIGRÉ- Brasil, seus Colaboradores, Representantes e fornecedores de bens e serviços. Essa Política também reflete o compromisso do CIGRÉ-Brasil em aderir às normas relevantes estipuladas em tratados internacionaiscontra a Corrupção, o Guia de Compliance do Cigré Paris e à Lei brasileira nº 12.846/2013. Além disso, estabelece que todos os fornecedores de bens e serviços e parceiros de negócios do CIGRÉ-Brasil observem as mesmas leis, regulamentações, normas e práticas éticas de negócios. Os princípios que embasam essa política são a prevenção, a detecção e a resposta a qualquer ato inadequado à organização. Sendo a prevenção o mais importante desses princípios. Destaca-se nesse contexto que não se tem conhecimento de atos ilícitos existentes na organização e isso dá mais suporte ao Programa visto que não se busca corrigir atitudes inadequadas, mas prevenir a ocorrência de atos lesivos ao CIGRÉ-Brasil e à sociedade. Com a introdução de um Programa de Integridade espera-se entre outros benefícios os seguintes: • Prevenção e detecção de riscos de Compliance; • Proteção à marca, à imagem e reputação da entidade; Jocílio Tavares de Oliveira – Diretor Financeiro do CIGRÉ-Brasil ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 5 EDITORIAL • Proteção a perdas, fraudes e abusos; • Alinhamento aos objetivos estratégicos; • Boas práticas de governança É importante salientar que um Programa de Integridade tem relevante importância nas relações com entidades e empresas visto que as exigências que estão nesses relacionamentos, especialmente quando se trata de empresas estatais são fundamentais para se viabilizar as transações comerciais tendo em vista que a cada dia são constatados requisitos que requerem a adoção de políticas de combate à corrupção entre as partes relacionadas. O Programa de Integridade referente à política de combate à corrupção do CIGRÉ-Brasil considera o seguinte contexto ilustrado na figura abaixo: Contexto do programa de Integridade Os aspectos acima consideram a seguinte abrangência e significado: 1. Políticas de combate à corrupção: O CIGRÉ-Brasil tem o compromisso de manter os mais altos níveis de padrões profissionais e éticos na condução de seus negócios; O CIGRÉ-Brasil não tolera qualquer forma de corrupção, suborno, pagamentos ilícitos ou concessão de vantagens indevidas, tanto no âmbito público como no privado. Todos os fornecedores de bens e serviços e parceiros de negócios do CIGRÉ Brasil devem observar as mesmas leis, regulamentações, normas e práticas éticas de negócios; Todos os seus fornecedores, parceiros comerciais e Representantes contratados, ficam proibidos de se envolver em qualquer atividade corrupta e, de forma direta ou indireta, oferecer, prometer, fornecer ou autorizar qualquer pessoa a fornecer dinheiro ou qualquer coisa de valor a algum agente público, ou pessoa a ele relacionada, ou a qualquer pessoa física ou pessoa jurídica com o propósito de obter ou acumular qualquer vantagem indevida. 2. Introdução do Manual de integridade: É o Instrumento construído para auxiliar as pessoas a entenderem as políticas anticorrupção e como a corrupção pode afetar a imagem da entidade e suas atividades, as consequências para condutas inadequadas e o que deve ser feito para combater e evitar a corrupção. 3. Estabelecimento da Gerência de Compliance O Gerente de Compliance terá como atribuição a contínua implantação, avaliação e fiscalização do cumprimento desse programa atuando com independência e respondendo diretamente ao Conselho Administrativo. 4. Elaboração do Plano de Comunicação: A estratégia de comunicação do Programa de Integridade deve abranger dois aspectos principais, a saber: a divulgação das informações e a acessibilidade. Assim, é preciso que os Colaboradores, a alta direção e intermediários, fornecedores e prestadores de serviços conheçam seu conteúdo integral, incluindo atualizações ou modificações que venham a ser feitas ao longo do tempo e possam acessá-las facilmente. 6 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 EDITORIAL 5. Formalização de um plano de treinamento: A alta direção, Colaboradores e até mesmo terceiros (intermediários, fornecedores, prestadores de serviços, etc.) vinculados ao CIGRÉ-Brasil devem ter amplo acesso às informações sobre o Programa de Integridade e receber adequado treinamento, com vistas a promover a consciência a respeito da integridade empresarial e, pois, a responsabilidade pelo cumprimento das regras estabelecidas é de todos na organização. O CIGRÉ-Brasil deverá dispor de um programa de comunicação e treinamento específico, com cronograma de realização anual, para todos seus Colaboradores, Representantes e fornecedores de bens e serviços. 6. Ativação de um canal exclusivo de denúncia: Todas as denúncias que se referem às questões cobertas por esse Programa devem ser conduzidas pelo canal de denúncia disponível no portal do CIGRÉ-Brasil através do endereço denuncia@cigre.org.br e será gerenciado pela estrutura de Compliance da entidade ficando garantido o sigilo do denunciante bem como será assegurado retorno das denúncias apresentadas. Esse canal é o meio pelo qual os Colaboradores, terceiros, Representantes e o público em geral podem entrar em contato para relatar suas preocupações e denúncias de forma confidencial ou anônima de acordo com as leis em vigor. 7. Avaliação dos fornecedores: Os Colaboradores e Representantes têm como compromisso de CONDUTA: Atuar de acordo com as políticas do CIGRÉ-Brasil, sem concessões a ingerências de interesses e favorecimentos particulares, partidários ou pessoais, tanto nas decisões empresariais quanto na ocupação de cargos; A integridade profissional é um pré- requisito para a seleção e contratação de Representantes; 8. Estabelecimento de procedimento de Auditoria e Monitoramento: O Programa de Integridade deve ser constantemente auditado e monitorado, para garantir sua efetividade. Caso fique evidente, por meio das atividades de monitoramento e auditoria, que determinados processos ou elementos do programa não estão funcionando, ou apresentam falhas, os mesmos devem ser revistos e ajustados. É atribuição da área de Compliance o monitoramento contínuo do Programa de Integridade visando seu aperfeiçoamento na prevenção, detecção e combate à ocorrência de atos lesivos. Ainda dentro do contexto do Programa de Integridade do CIGRÉ-Brasil uma importante preocupação que foi incluída se refere aos cuidados com doação e brindes. Nesses aspectos o CIGRÉ-Brasil, comprometido com a integridade nos negócios deve estar atento para os critérios para doações e recepção de brindes para evitar possíveis associações de sua imagem com fraudes ou corrupção. O Programa de Integridade do CIGRÉ-Brasil está suportado em seis pilares que são os componentes imprescindíveis para a perenização de um Programa de integridade levando em conta a transversalidade desse processo. Esses pilares dão a sustentação necessária ao Programa. A figura abaixo ilustra esses pilares: O comprometimento da Alta administração é fundamental. Esse comprometimento se reflete nas ações da Diretoria tanto no apoio como no efetivo envolvimento com o Programa garantindo a sua funcionalidade; Os riscos existentes na organização devem ser continuamente avaliados visando o seu mapeamento e assim reduzindo as possibilidades de impactos negativos; ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 7 EDITORIAL Pilares do Programa de Integridade O Código de conduta e ética é um instrumento estritamente necessário para o Programa e atua como alicerce para o atingimento dos objetivos do Programa de integridade; O canal de denúncia é um fator de transparência importante para que sejam abertos os espaços para a comunicação de possíveis falhas, o que permitirá a atuação da Gerência de Compliance na apuração; O Monitoramento e a auditoriado Programa são de extrema importância considerando a necessidade da manutenção desse processo atuando dentro dos requisitos estabelecidos; Um Programa de Integridade só terá o êxito esperado quando todos os envolvidos conheçam efetivamente todos os procedimentos e entender os objetivos do Programa e seu papel para garantir o sucesso do Programa. Para isso um programa de treinamento e um processo de comunicação são essenciais no desenvolvimento do Programa de Integridade. O CIGRÉ-Brasil com esse Programa entra efetivamente no ambiente alinhado com a modernidade das organizações dando um passo espetacular na gestão empresarial. Vamos em frente. A nova realidade já está presente no CIGRÉ -Brasil. 8 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 MEMÓRIA Com a criação da Copel, o Paraná começaria a solucionar na segunda metade dos anos 50 um dos seus maiores e mais graves problemas: o da falta de um sistema de energia elétrica capaz de sustentar o processo de industrialização e diversificação da economia, e de tornar acessível à população um benefício essencial para a melhoria da qualidade de vida, além de oferecer a perspectiva de um desenvolvimento em bases sustentáveis no futuro. Àquela época, a economia do Estado baseava-se exclusivamente na atividade agrícola e era necessidade inadiável instalar em seu território a infraestrutura básica para atrair empreendimentos industriais. Em termos de energia elétrica, o Paraná era servido por sistemas isolados cuja abrangência limitava-se a algumas poucas cidades e que eram propriedade de empresas particulares – muitas, de capital estrangeiro. Com interesses tão localizados, era impossível pensar então num sistema elétrico verdadeiramente estadual, onde regiões de grande potencial energético pudessem transferir ao restante do Paraná a eletricidade ali produzida. Com sede e administração em outros estados, as empresas elétricas existentes, além de distantes da realidade e necessidades do Paraná, enfrentavam problemas como o esgotamento da capacidade de expansão e insuficiências crônicas de caixa. Além disso, a maior parte da energia gerada era proveniente de custosos motores a diesel, o que certamente ajudava a inviabilizar grandes investimentos no reforço e ampliação dos sistemas elétricos. Preso a essa realidade, o poder público via- Os últimos quatro anos marcaram uma revolução na Copel. A Companhia rompeu as fronteiras do Paraná para empreender em outros nove estados, retomou o ímpeto para construir grandes usinas, tornou- se um grande player na promissora fonte eólica, participou de leilões de transmissão que vão dobrar seus ativos no segmento no médio prazo, e logrou ampliar investimentos ano após ano depois de 2011. Vistos em perspectiva, os marcos deste período constituem o capítulo mais recente de uma missão iniciada em outubro de 1954, na capital paranaense, por obra e necessidade de um Estado carente de energia. se diante de um sério obstáculo aos planos de crescimento econômico e social traçados para o estado. E caberia à Copel a tarefa de superá-lo. Plano Hidrelétrico Ainda antes da existência da Copel, os serviços elétricos a cargo do Governo Estadual estavam confiados ao Departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE, instituído em outubro de 1948. Sua criação assinalou o início de grande movimentação na área, pois foi praticamente contemporânea à elaboração do primeiro Plano Hidrelétrico do Estado. Ao mesmo tempo em que dava início às obras de sua primeira etapa, o DAEE passou a instalar motores e conjuntos a diesel com capacidade entre 70 e 154 kVA em muitas localidades, em caráter de emergência, para atender o crescimento que todo o interior já experimentava. Como as obras maiores eram de construção mais demorada e exigiam muito capital, a solução possível foi esta. Em 1953, uma lei estadual criou a Taxa de Eletrificação, proporcionando novos recursos financeiros para a execução do Plano. Viabilizada pela nova fonte de recursos, no ano seguinte seria criada a Copel, com a missão de assumir gradativamente a responsabilidade pelos serviços até então a cargo do DAEE, prefeituras e concessionárias particulares. O Departamento ainda continuou a atuar no setor por algum tempo, tendo construído as usinas de Ocoí (em Foz do Iguaçu), Cavernoso (em Laranjeiras do Sul) e Melissa (em Cascavel). As usinas Chopim I e Mourão I foram por ele iniciadas, A Copel em sua melhor idade ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 9 MEMÓRIA e depois concluídas pela Copel. Transferindo à nova empresa suas instalações e sistemas de atendimento, o DAEE pôde se dedicar à administração dos recursos hídricos, realizando importantes estudos de base para o Estado. Primeira sede Em ritmo discreto por conta das dificuldades financeiras, a Copel conquistaria em 1955 sua primeira sede. O aluguel de 12 salas no oitavo andar do Edifício José Loureiro, no calçadão da Rua XV de Novembro, foi a primeira casa da Companhia, seguida da aquisição de móveis e utensílios e da abertura da primeira conta no antigo Banco do Estado do Paraná, no valor de 200 cruzeiros. Os primeiros empregados contratados foram os engenheiros Walfrido Strobel e Herbert Leyser. No mesmo ano foram realizadas as primeiras reuniões da Companhia, que procuraram analisar o vasto trabalho de produção elétrica a ser desenvolvido no Paraná e as dificuldades que deveriam ser dribladas. Eram tempos incertos, com um futuro desafiador pela frente. Com pouco menos de dois anos de idade, em 1º de agosto de 1956 a Copel começou a abastecer algumas cidades paranaenses, onde a geração local apoiava-se no uso de geradores a diesel, tão problemáticos e vulneráveis quanto às próprias redes de distribuição. Rapidamente a Copel cuidou de remodelar e modernizar os sistemas, conseguindo reforçar e adequar os serviços elétricos naquelas cidades. Maringá, a primeira a ter seu sistema de distribuição assumido, contava à época com uma população de cerca de 15 mil habitantes e pouco mais de 1.700 ligações elétricas. Junto com a rede, a Copel assumiu também a usina a diesel que abastecia a cidade. Logo após a “Cidade Canção”, vieram Apucarana, Campo Mourão, Mandaguaçu e Pirapó. Eram tempos de conquista do Noroeste do Estado, quando a Copel enfrentava elevados índices de furto de energia e precariedade no fornecimento. Em 1958, a jovem Copel assumiu o desafiador atendimento à cidade portuária de Paranaguá, povoada há mais de 400 anos. A cidade sabia o que era eletricidade desde 1903, quando se acenderam as primeiras lâmpadas, abastecidas por geradores a óleo. Mais de meio século depois, no entanto, pouco havia mudado. A estrutura era precária. Os copelianos instalaram uma usina a diesel e, ao longo dos seis anos seguintes, uma rede de distribuição – além da Usina Marumbi, construída junto ao Rio Ipiranga (o paranaense). Ao levar energia para o Frigorífico Baggio, em Paranavaí, a Copel conquistou o memorável número de mil consumidores industriais. Mais do que isso, a Companhia se desdobrava para atender a um crescimento no fornecimento de energia a indústrias de 48% ao ano, a maior taxa dentre as empresas elétricas na época. No ano anterior, cada indústria havia consumido 60 mil KWh, três vezes mais do que em 1960. Também muito cedo a Copel demonstrou que tinha talento para pesquisa e tecnologia. Com apenas cinco anos de idade, uniu-se à Universidade Federal do Paraná (UFPR) para criar o Centro de Estudos e Pesquisas de Hidráulica e Hidrologia – depois batizado de CEHPAR (Centro de Hidráulica e Hidrologia Prof. Parigot de Souza). Idealizado pelo futuro presidente da Companhia e governador Parigot de Souza, este foi um passo determinante para o estudo e desenvolvimento de hidrelétricas nas décadasseguintes em todo o Estado. O CEHPAR foi o embrião dos atuais Institutos Lactec, organização de referência em inovação e soluções em ciência e tecnologia. Integração e confiabilidade Em 1960, o potencial energético instalado no Paraná para uso público totalizava 163 mil quilowatts. Disso, apenas 22.800 eram de responsabilidade do Governo do Estado, sendo que a participação da Copel restringia-se a 11.600 quilowatts. Mais de 90% de toda essa energia vinha de usinas geradoras a diesel, de altos custos de produção e manutenção. Ou 10 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 MEMÓRIA seja, a eletricidade, além de bastante escassa, era consideravelmente cara. Depois de passar seis anos estruturando-se e realizando estudos e projetos de atendimento a um mercado altamente reprimido, a Copel iniciou a execução efetiva dos planos de obras em 1961, lançando as bases do que viria a ser o sistema elétrico estadual. De imediato, planejou-se um programa emergencial destinado a atenuar a crônica crise energética do Paraná, ao mesmo tempo em que traçavam as linhas de uma estratégia de longo prazo. Tendo tais diretrizes como norte, implementou-se um programa segredo de obras que alterou rapidamente o perfil energético do Estado, evoluindo de uma situação de estrangulamento para um modelo de integração e alta confiabilidade. Na área de geração, foram construídas e colocadas em operação a usina termelétrica de Figueira (a carvão, com 20 mil quilowatts, em 1963), e as hidrelétricas de Salto Grande do Iguaçu (15.200 quilowatts, desativada em 1980 para dar lugar ao reservatório da usina de Foz do Areia), Julio de Mesquita Filho (44 mil quilowatts, inaugurada em 1970) e Capivari-Cachoeira, usina foi oficialmente batizada com o nome do falecido governador Parigot de Souza, numa homenagem ao engenheiro que por quase uma década presidiu a Copel, moldando-a como empresa e lançando e executando as bases do sistema elétrico paranaense. A primeira das grandes A Usina Hidrelétrica Governador Pedro Viriato Parigot de Souza, a GPS, lançou a Copel e o Paraná no rol dos grandes projetos hidrelétricos. Com barragem de 370 m de comprimento e 74 m de altura, as águas, represadas no Rio Capivari, foram desviadas para o rio Cachoeira, com um desnível de 740 m, e conduzidas por incríveis 15 km de um túnel subterrâneo que atravessa a Serra do Mar. A usina ainda foi responsável por dois recordes na época: maior avanço médio mensal em escavação subterrânea em obras do gênero e maior volume de concretagem mensal no interior de túneis. Se os dados não fazem sentido para quem não entende de engenharia, para uma empresa jovem como a Copel, com apenas 17 anos de idade, era como passar em primeiro lugar no vestibular. Atualmente, a usina possui potência de 260 MW, o que representa uma pequena porcentagem no conjunto de geração da Copel, especialmente se comparada às grandes usinas do Rio Iguaçu. Mas para a época era uma obra que permitia o desenvolvimento e o crescimento do Paraná e abria caminhos para uma geração de grandes usinas. Expansão A década de 1970 foi marcada por uma enorme variedade de ações que ampliaram a atuação da Copel. Uma delas foi a criação da primeira área de telecomunicações da empresa. Outra foi o investimento em tecnologia e pesquisa, em parcerias com universidades. Diante da crise do petróleo, a Companhia também iniciou sua atuação para disseminar o uso eficiente de energia e desenvolveu os primeiros projetos de Pedro Viriato Parigot de Souza – Governador do estado do Paraná e Presidente da Copel de 10.02.1961 a 02.06.1970. ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 11 MEMÓRIA inclusão energética. Aos quinze anos de idade a Companhia já começava a alcançar a atuação expressiva no Estado: mais de 200 cidades paranaenses já eram atendidas nesse período pelo seu braço de distribuição. Já na geração, durante a década de 70 a experiência acumulada pela Copel na construção de usinas passou a ser usada na execução de aproveitamentos de outra ordem de grandeza, as chamadas usinas de grande porte, todas com potência instalada superior a mil megawatts. Assim foi com Salto Osório, usina de 1.050 megawatts construída pela Copel para a Eletrosul no rio Iguaçu e inaugurada em meados da década. No mesmo período a empresa colocaria em operação suas primeiras linhas de transmissão de 230 kV, precursoras das redes de 500 kV que mais tarde interligariam a quase totalidade do território brasileiro. Empresa energética Em 1974, já com 20 anos de idade, a Copel adentrou a vida adulta. Em duas décadas, sete presidentes passaram pela empresa e seu crescimento foi notável. Neste ano a Copel incorporou a Companhia Força e Luz do Paraná e seu capital social elevou-se de CrS 1.400 para CrS 1.300.000.000, conferindo à concessionária a posição de primeira empresa do Paraná e uma das maiores entre as suas congêneres estaduais. Além disso, ganhou de presente de aniversário uma sede própria, onde permanece até hoje, na Rua Coronel Dulcídio, em Curitiba. Ao final da década, foi inaugurado o Centro de Operação do Sistema (COS), que colocou em funcionamento o primeiro Sistema de Supervisão e Controle digital do país. Projetado para controlar, em um primeiro momento, 68 unidades, entre usinas e subestações, permitia supervisionar remotamente todo o sistema de geração e transmissão da Copel e programar a produção diária nas diversas usinas da Companhia espalhadas pelo Estado. Atualmente, a Companhia conta com dois centros de operação, sendo um específico para geração e transmissão e outro para distribuição de energia, que operam remotamente unidades espalhadas por todo o Paraná. Transformada em empresa energética em 1979 – o que implicou na retirada do termo “Elétrica” de seu nome – a Copel passou a dedicar-se também a pesquisar e fomentar o uso de outras fontes de energia dentro do Paraná. Entre elas destaca-se o gás canalizado, para cuja comercialização e distribuição foi constituída a Compagás - Companhia Paranaense de Gás, sob controle da Copel. Grandes usinas A construção de empreendimentos de grande porte na Copel teria seu ápice nos anos 80 e 90, com a hidrelétrica de Foz do Areia, com 1.676 megawatts no mesmo rio Iguaçu. Inaugurada em 1980, foi oficialmente denominada Governador Bento Munhoz da Rocha Neto, homenagem ao governador do Estado na época de criação da Copel. Esta central estava equipada com as maiores unidades geradoras até então existentes no Brasil (4 x 419 megawatts), barragem de concreto de 160 metros de altura e vertedouro com capacidade para vazão de 11 mil m³/s. Os números fazem dela, ainda hoje, a maior Atual sede em Curitiba 12 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 operando como uma “unidade flutuante”. Do outro lado do rio, Porto Vitória não teve a mesma sorte. Com a destruição da linha que a abastecia, sua população ficou 20 dias sem energia. Apesar disso, mutirões de civis e eletricistas se mobilizaram para abrir picadas e ajudar a Copel a erguer uma outra linha, num episódio marcante para a história da empresa. Ney Braga e Caxias Em outubro de 1986, a Copel alcançou a significativa marca de 1,5 milhão de clientes no Paraná. A Companhia levara 27 anos (1954 a 1981) para alcançar a marca de 1 milhão de consumidores e somente cinco para aumentar outros 500 mil. A conquista se deu em meio ao racionamento de energia decorrente da forte estiagem que chegou a secar o reservatório da Usina Capivari-Cachoeira (GPS). Na geração, contudo, seu desempenho ia de vento em popa. Com a conclusão de Foz do Areia, a produção própria de energia pela Copel subiu de 1,9 bilhão de quilowatts-horas em 1979 para 2,9 bilhões no ano seguinte.Doze anos depois, seria colocada em operação a segunda maior central geradora da empresa, a Usina de Segredo (oficialmente, Governador Ney Braga), também no Iguaçu e com 1.260 megawatts de potência. Esta obra marcaria a publicação do primeiro Relatório de Impacto hidrelétrica do Rio Iguaçu e da Copel. Desde sua concepção em 1973 o projeto de Foz do Areia era grandioso. A região em que foi construída, no município de Pinhão, a 240 km de Curitiba, tinha grande potencial hidrelétrico, mas o local exato de construção da usina apresentava o ponto de maior potencial isolado, com características geográficas e topográficas ideais. A construção começou em 1975 e foi concluída quatro anos depois. Para mobilizar milhares de trabalhadores, entre próprios e terceirizados, a Copel construiu uma verdadeira cidade a 12 km da barragem. A vila de Faxinal do Céu oferecia 1,6 mil residências, escola, hospital, clube esportivo e um centro comercial para os empregados. A Companhia também investiu na pavimentação com asfalto de quase 100 km, ligando a usina à cidade de Guarapuava. Atualmente, a vila da usina, que já sediou eventos educacionais importantes, se transformou em uma atração turística, especialmente pela beleza natural, pelo horto ambiental e um dos principais jardins botânicos do sul do Brasil. A Enchente de 83 A enchente de julho de 1983 deixou 80% de União da Vitória submersa por 45 dias. Foram mais de 800 mm de chuva em menos de duas semanas, água prevista para cair em seis meses. Poucas vezes o sistema elétrico da Copel enfrentara prova tão dura. Com uma vazão inédita de 10,5 mil m³/s, a água do Rio Iguaçu invadiu as casas de máquinas de Salto Santiago, Foz de Chopim e Chopim I, que tiveram que ser desativadas. Outras dez usinas da Copel foram parcialmente inundadas. Em Foz do Areia, ondas de quatro metros de altura arrebentaram janelas e tiveram que ser contidas por sacos de areia colocados pelos operadores. Intacta, a maior usina do Iguaçu sustentou o fornecimento para toda a Região Sul nas semanas seguintes. Mesmo com a rede de distribuição bastante avariada e a Subestação de União da Vitória parcialmente sob a água, a arte de seus técnicos e engenheiros permitiu que esta continuasse MEMÓRIA Usina de Segredo - Governador Ney Braga ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 13 Sustentabilidade O novo milênio teve início com o fracasso no processo de privatização da empresa, decorrente principalmente da crise econômica mundial que se seguiu ao ataque às Torres Gêmeas em Nova York. O processo de privatização deixaria cicatrizes profundas: o maior prejuízo da história em 2002, mais de 200 agências fechadas, e a perda de inúmeros profissionais de ponta para a iniciativa privada. Os anos seguintes seriam de renovação, com uma ampliação significativa dos investimentos da empresa em projetos de responsabilidade socioambiental e de desenvolvimento sustentável, seguindo uma tendência mundial. Já no início da década, lançou o programa Luz das Letras, com voluntários e equipamentos da própria empresa dedicados a um premiado programa de alfabetização de adultos. Ao longo dos anos seguintes, deu os primeiros passos rumo à governança corporativa e teve suas ações incluídas no novo Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. No campo da geração, a Companhia mergulhou na pesquisa para diversificar a matriz energética, iniciando projetos com o bagaço da cana de açúcar, biodigestão de dejetos animais, biocombustíveis e com a matriz eólica. Na esfera ambiental, a Copel intensificou seus projetos para reduzir impactos e envolver as comunidades próximas às suas usinas. A Companhia também seria pioneira na assinatura do Pacto Global da ONU, dos Objetivos do Milênio e na adoção de práticas efetivas em prol da ética e transparência na administração empresarial. Em 2004, foi criado o Departamento de Gestão de Riscos e Controles Internos na Diretoria Financeira. No ano seguinte, foram dados passos decisivos na implantação da governança: a criação do Comitê de Auditoria e do Canal de Comunicação Confidencial, além da reformulação do Conselho de Orientação Ética. As práticas de governança foram instituídas como decorrência direta dos escândalos de fraude financeira e contábil na bolsa de valores norte-americana em 2001. Empresas listadas na NYSE, como a Copel, tiveram que se adequar às Ambiental (Rima) para obras de geração no Brasil, sem que houvesse a obrigatoriedade legal para tanto – as obras já estavam em andamento, em 1986, quando foi criada a atual e rigorosa legislação ambiental. Duas outras obras conduzidas na década de 90 ampliaram consideravelmente o parque gerador próprio da Copel: a derivação do rio Jordão e a Usina de Salto Caxias. A derivação do Jordão complementou o empreendimento de Segredo adicionando ao seu reservatório, no Iguaçu, parte da vazão daquele. A interligação entre os cursos foi feita por meio de um túnel de 4.703 metros, o que permitiu ampliar em 10% a capacidade de produção da hidrelétrica a partir de 1997. Em 1999 entraria em operação a Usina de Salto Caxias (oficialmente, Governador José Richa), o quinto grande aproveitamento no curso do rio Iguaçu, e que agregou 1.240 megawatts ao potencial de geração da empresa. Vanguardas A entrada em operação das usinas de Segredo e Caxias marcaram, respectivamente, o início e o fim dos anos 1990. Mas isso representou apenas uma parte dos acontecimentos da Companhia na década. Foi nesse período que a Copel abriu seu capital na Bovespa, chegou à Bolsa de Nova York e foi a primeira empresa do setor elétrico a fechar contratos na China. A vanguarda também seguiu em outras áreas, fazendo da Companhia a primeira do setor elétrico a criar uma intranet e a primeira empresa de energia a obter autorização da Aneel para atuar no setor de telecomunicações. Em 2003, com a automação da subestação Jardim Tropical, em Sarandi, no noroeste do Estado, a Copel se tornaria a primeira empresa do setor elétrico brasileiro a automatizar todas as suas subestações de transmissão. Utilizando sistemas informatizados desenvolvidos na própria Companhia, 125 subestações do sistema de transmissão (acima de 69 mil volts) passaram a ser comandadas remotamente, evitando deslocamento de equipes e conferindo grande eficiência na operação do sistema. MEMÓRIA 14 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 opera e mantém uma estrutura que compreende um parque gerador de eletricidade próprio composto de 30 usinas, sendo 18 hidrelétricas, cuja potência instalada totaliza 5.682 MW; um sistema de transmissão com quase 3,8 mil km de linhas, 350 subestações e 200 mil km de linhas de distribuição – a terceira maior rede de distribuição do Brasil, suficiente para circundar quase cinco vezes o planeta pela linha do equador. Em 2014, a Copel deu início a um ambicioso programa piloto de redes inteligentes (smart grid) envolvendo três bairros de Curitiba, em uma das mais avançadas iniciativas do gênero no Brasil. O programa em curso abriga projetos de automação da rede, medição remota de água, luz e energia, além de geração distribuída a partir de múltiplas fontes. Outro grande destaque é o programa Mais Clic Rural, lançado em 2015, que está investindo R$ 500 milhões na modernização de redes rurais, priorizando em sua primeira fase pólos de criação de aves e suínos e cultivo de tabaco. Em 2016, pela quarta vez em seis anos, a satisfação expressa pelos paranaenses em relação aos serviços da Copel rendeu à sua distribuidora o principal reconhecimento do setor elétrico na América Latina. O Prêmio de Qualidade da exigências da Lei Sarbanes-Oxley (Sox), lançada para recuperar a confiança da população no desempenho relatadopelas corporações. Em 2016, a empresa também inovaria com a criação de uma Diretoria de Governança, Riscos e Compliance, que vai colaborar para intensificar ainda mais a cultura de transparência e sustentabilidade na empresa no futuro. Distribuição Em 2012, o Paraná alcançou oficialmente a universalização do fornecimento de energia. Isso não impediu que a Copel continuasse a empenhar todos os esforços para levar atendimento aos recônditos do Estado. No litoral, naquele mesmo ano, a Companhia lançou 22 km de cabos submarinos para integrar várias ilhas do Litoral ao Sistema Interligado Nacional, e iniciou a instalação de painéis fotovoltaicos para levar energia a todas as comunidades insulares isoladas. A empresa hoje atende a 4,4 milhões de unidades consumidoras. São 3,6 milhões de lares, 85 mil indústrias, 380 mil estabelecimentos comerciais e 365 mil propriedades rurais. Para atender a todo esse mercado, a Copel construiu, MEMÓRIA Usina de Salto Alto Caxias - Governador José Richa ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 15 MEMÓRIA Comisión de Integración Energetica Regional (CIER), sediada no Uruguai, atesta a importância que a marca Copel usufrui junto aos clientes, e também o padrão de excelência que se consolida na gestão na empresa nos anos recentes. Modernização Em seis décadas, o Paraná viu a energia elétrica se transformar de problema em solução. Graças ao empenho de mais de 54 mil copelianos – número de contratados desde aquele distante 26 de outubro de 1954 – o Estado foi integrado pelos fios da Copel, que possibilitam o desenvolvimento da economia e o acesso de todos os paranaenses aos confortos da modernidade. A Copel vem apresentando desempenho robusto em meio à crise, graças a uma boa gestão de custos e ao seu programa de investimentos, que vem se ampliando desde 2011, quando a companhia deu início à sua expansão por dez estados brasileiros. No período, o investimento ultrapassou R$ 14 bilhões em todas as suas áreas de atuação. O programa de expansão começou a colher seus frutos em 2016, com a conclusão parcial de seus três maiores empreendimentos de transmissão no país. Realizados em parceria com outras empresas – como a chinesa State Grid – somam 2.572 km de linhas de transmissão que reforçam a conexão entre todas as cinco regiões brasileiras, ao mesmo tempo em que dobram os ativos da empresa no segmento. Olhando para o futuro e para a necessidade de diversificar a matriz energética com a adoção de fontes limpas e renováveis, a Copel também está investindo R$ 2 bilhões em quatro complexos eólicos no Rio Grande do Norte, que representarão, até 2018, 700 MW de potência instalada – suficiente para atender cerca de 1,5 milhão de pessoas. A conclusão de três destes complexos no último ano fez com que o parque gerador da empresa se fizesse constituir por nada menos que 93% de fontes renováveis. Na geração hidráulica, a Copel prevê concluir em 2017 a Usina Colíder, na região amazônica, com 300 MW de potência. No Paraná, também está em construção a Usina Baixo Iguaçu, empreendimento em parceria com a Neoenergia, de 350,2 MW. Telecomunicações Aos 62 anos, a Copel consolida-se também no competitivo mercado de telecomunicações com a Copel Telecom. Ao levar sua rede de fibra óptica para Ventania, em dezembro de 2012, a Copel Telecom fez do Paraná o primeiro estado brasileiro a ter todos os seus 399 municípios alçados numa rede digital. Atualmente, são 29 mil quilômetros de fibras ópticas que oferecem serviços de conectividade para empresas, órgãos públicos e para o cidadão comum. A expansão dos planos de internet fixa de banda extralarga para clientes residenciais e pequenas e médias empresas atingiu 63 municípios em 2016, em comparação às seis localidades atendidas em 2013. A meta é ampliar progressivamente a oferta de banda extralarga e outras soluções de conectividade para um número cada vez maior de paranaenses, e dar caminho à sua vocação desenvolvimentista através do Programa Paraná Conectado, que promove a inclusão digital por meio da oferta de internet a baixo custo em municípios de baixo IDH. Os números e conquistas da Copel nestas seis décadas espelham a dedicação de milhares de empregados que, espalhados por todo o Paraná e por outros nove estados, colaboraram para construir uma empresa que é referência de competência e profissionalismo para todo o Brasil. Centro de Operação do Sistema 16 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 NOTÍCIAS Minicurso Usinas Reversíveis e os Múltiplos Usos da Água O Setor Elétrico Brasileiro vem passado por um difícil período devido à estiagem que durou de 2012 até 2015. Assim, aspectos que receberam atenção dos agentes foram a falta de armazenamento energético e a necessidade de potência para geração de ponta. O Plano Decenal de Expansão de Energia 2024 feito pela EPE aponta, com urgência, a necessidade de aumentar a capacidade de armazenamento energético do país. A ANEEL promoveu em 2016 a criação de dois programas de P&D Estratégico de interesse para o tema de usinas reversíveis. A chamada 20 com o objetivo de reformular as regras da estruturação do setor elétrico e a chamada 21 com o objetivo de estudar tecnologias de armazenamento energético e possíveis regulações para a sua implementação no país. O minicurso em Usinas Reversíveis - os Múltiplos Usos da Água - foi então proposto e realizado entre os dias 19 a 21 de outubro de 2016, no auditório do IVIG/COPPE/UFRJ. O evento, que contou com o apoio do IVIG – Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais, teve o objetivo de apresentar as usinas hidrelétricas reversíveis e demonstrar os possíveis benefícios e desafios que a tecnologia trará para o setor elétrico brasileiro. Focando especialmente nos agentes do setor elétrico e acadêmico nas áreas de operação, regulação e planejamento, com interesse em usinas hidrelétricas reversíveis, novas tecnologias, novos paradigmas do setor elétrico e os múltiplos usos da água. Uma das propostas do minicurso era de juntar diferentes setores, como planejamento, regulação, academia e fabricantes para fomentar a discussão em torno do tema. Com a participação da EPE, ANEEL, UFRJ, Furnas, Light, Secretaria de Recursos Hídricos do Rio Grande do Sul, GE, Andritz Hydro, Voith Hydro, e empresas de consultoria, o curso resultou em um interessante debate sobre a inserção da tecnologia no Brasil. Com entusiasmo, cada palestrante trouxe uma abordagem diferente ao tema. A Regina Toledo, Superintendência de Projetos de Geração da EPE, apresentou os desafios de reduzir o déficit de geração e como as usinas reversíveis podem colaborar. Hermani Vieira, Superintendente de Meio Ambiente da EPE, detalhou os impactos socioambientais da construção e operação de UHR e os passos para o licenciamento ambiental. Arthur Leotta, Diretor Técnico da Andritz Hydro, apresentou as diversas tecnologias de armazenamento e detalhou o funcionamento das usinas reversíveis. Marcos Freitas, professor e coordenador do IVIG/COPPE/UFRJ, compartilhou a sua experiência com a criação da ANA e os desafios de conciliar os múltiplos interesses do uso da água em rios e reservatórios. O Dr. Julian Hunt, pós-doutorado no PPE/COPPE/UFRJ, apresentou as experiências com usinas reversíveis diárias e sazonais no mundo e possibilidades no Brasil, incluindo os múltiplos usos da água. O Sergi Auditório IVIG/COPPE/UFRJ ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 17 NOTÍCIAS Zuculin, Assessor da Diretoria da CESP, e, Mirian Adelaide, consultora de projetos de P&D ANEEL, apresentaram os resultados do projeto de P&D em usinas reversíveis da CESP em 2012 e as usinas hidrelétricas reversíveis sazonais. Rafael Lopes, gerente de engenhariade propostas e orçamento da Voith Hydro, e Everton Torquato, Centro Global de Tecnologia em Hydro da GE, detalharam os aspectos sobre os mecanismos e hidráulicos da construção e operação de turbinas reversíveis. Amaro Pereira, professor do PPE/COPPE/UFRJ, mostrou a regulação vigente do setor elétrico, novas propostas de regulação e como cada fonte de energia contribui para o setor elétrico. As usinas hidrelétricas reversíveis vêm então como uma alternativa para ajustar a as diversas fontes de geração de eletricidade com demanda por eletricidade. Armazenando energia em períodos com excedente de geração para momento com escassez de geração. Nesse sentido, as usinas hidrelétricas reversíveis podem gerar eletricidade durante a ponta, reduzir a intermitência de fontes de geração intermitentes como eólica e solar, armazenar a geração hidrelétrica de forma sazonal, aumentar os ganhos energéticos com a redução do vertimento nas usinas hidrelétricas, aumentar a segurança energética do país, reduzir investimentos com transmissão, controlar a frequência, tensão e outros aspectos da corrente elétrica no Sistema Interligado Nacional. Algumas sugestões dos participantes incluem a inserção de material didático para acompanhamento das apresentações, uma melhor organização do material a ser apresentado, aumentar a participação sobre a parte de operação. A visão do operador nacional é essencial para avançarmos nas discussões e isso não foi incluído neste evento. O evento foi passo importante para reabrir a discussão e dar subsídios para a inclusão das usinas hidrelétricas reversíveis no Setor Elétrico Brasileiro. A EPE está dando continuidade a estudos sobre o assunto e diversas empresas estão desenvolvendo um projeto de P&D na chamada 21 estudando o tema. Futuros eventos são crucias para dar continuidade e aprimorar o conhecimento sobre a tecnologia. Ao centro: Márcio Siniscalchi – Coordenador do CE A1 – Máquinas Rotativas e Julian Hunt, do PPE/COPPE/UFRJ 18 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 NOTÍCIAS INNOVATION. This is the word that will support organizations in the future. He who does not innovate will die. Not only innovation based on technology and disruptive products, such as those full of new technologies, etc., but also those innovations which change the way we do businesses, such as service innovation, incremental innovation, and models of business innovation among others. Forty-five years after its foundation, CIGRÉ-Brasil is reinventing itself in order to continue being the most-respected and technically knowledgeable organization in the Brazilian Electric Sector. The crisis Brazil is facing now brings with it excellent opportunities for those who “think outside of the box”. In this context, for the first time CIGRÉ-Brasil will organize and promote an international seminar totally designed and executed in Brazil for Brazilians and supported by CIGRÉ-Paris. Execution of the International Seminar on Policies, Incentives, Technology and Regulation of Smart Grids is a bold decision from the CIGRÉ-Brasil board of directors and will be supported by four Study Committees (C2, B5, C6 and D2). The event will take place in Rio de Janeiro, the newest Olympic City in the world, between 04 and 07 December 2017. A Seminar will happen during the first three days, consisting of six sessions and the presentation of up to 48 papers. Four international speakers will participate too. On December 7 will be presented a short training: Cybersecurity. All parts of the event, including site, papers and presentations will be prepared in English. Besides that, in conjunction with a short training, will be organized the 1st Young Engineer CIGRÉ-Brasil Meeting, one more innovation, which intends to attract more young engineers to be new CIGRÉ-Brasil members. Registration is already open to receive abstracts to be evaluated by the Technical Committee. It is a great opportunity to visit the event site (www. cigrebrazilrio2017.net). CIGRÉ-Brasil counts on your participation and dissemination of the event. INOVAÇÃO. Está é a palavra que sustentará as organizações a partir de agora. Quem não inovar vai morrer. Não somente a inovação tecnológica e disruptiva, com produtos cheios de tecnologias, etc., mas também aquela que altera a forma com que fazemos negócios, ou seja, inovação em serviços, inovação incremental, inovação em modelo de negócios, entre outras. Após 45 anos de sua criação, o CIGRÉ-Brasil está se reinventando para que possa continuar sendo a organização mais respeitada e conhecida tecnicamente no Setor Elétrico Brasileiro. A crise que atravessamos no país traz consigo excelentes oportunidades para “quem pensar fora da caixa”. Neste contexto, pela primeira vez o CIGRÉ- Brasil organizará e promoverá um seminário internacional, totalmente desenhado e executado no Brasil e com o apoio do CIGRÉ-Paris. A realização do “International Seminar on Policies, Incentives, Technology and Regulation of Smart Grids” é uma decisão ousada da Diretoria do CIGRÉ-Brasil e conta com o apoio técnico de 4 Comitês de Estudos (B5, C2, C6 e D2). O evento ocorrerá entre os dias 04 e 07 de dezembro de 2017, no Rio de Janeiro, a mais nova Cidade Olímpica do Mundo. O Seminário será realizado nos três primeiros dias, com 6 sessões e apresentação de até 48 artigos. 4 palestrantes internacionais também deverão participar. Dia 7 será realizado o minicurso Cybersecurity. Todo o evento será desenvolvido em inglês, desde o site, os resumos, os artigos e as apresentações. Além disso, conjuntamente com o minicurso, será realizado o 1º. Encontro de Jovens Engenheiros do CIGRÉ-Brasil, mais uma inovação, que visa atrair os jovens engenheiros para fazerem parte dos Associados do CIGRÉ-Brasil. Já estão abertas as inscrições para envio de resumos para serem avaliados pela Comissão Técnica. Aproveite a oportunidade, visite o site do evento (www.cigrebrazilrio2017.net) e envie seu resumo. O CIGRÉ-Brasil conta com sua participação e divulgação do evento. International Seminar on Policies, Incentives, Technology and Regulation of Smart Grids Luis Cláudio S. Frade – Coordenador do Comitê Organizador ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 19 NOTÍCIAS Foi um sucesso a realização do XIV EDAO - Encontro para Debates de Assuntos de Operação. Promovido pelo CIGRÉ-Brasil e pelo ONS e organizado por FURNAS, este importante evento do setor elétrico aconteceu em São Paulo, SP, no Hotel Pullman Olympia, de 21 a 23 de novembro de 2016. Com o Tema “Operação do Sistema Elétrico e das Instalações de Geração e Transmissão: Desafios, Caminhos e Soluções”, o XIV EDAO teve 36 trabalhos apresentados durante o evento, que contou com profissionais de diversas empresas do setor elétrico nacional, Centros de Pesquisa, Universidades e fornecedores do setor, além de Paineis, Visitas Técnicas e Minicursos. O EDAO é o principal fórum de debates da operação do sistema elétrico e de suas instalações, em seus aspectos técnicos e de gestão. O evento proporciona o intercâmbio de experiências e conhecimentos por meio da apresentação de trabalhos especialmente selecionados, painéis de debates, conferências proferidas por especialistas convidados e cursos de curta duração indicados pelo Comitê Técnico. As melhores práticas e propostas inovadoras na área de operação - o coração do sistema elétrico - são sempre discutidas por profissionais e empresas do setor. Dentre os Temas Preferenciais do XIV EDAO destacamos: - Análise de confiabilidade e gerenciamento de riscos aplicados aos processos operacionais elétricos; - Sistemas de gestão para incremento da segurança operacional; - Consciência situacional e prontidão das equipes; - Integraçãodas funções operação e manutenção nas instalações, a viabilidade econômica, inovações técnicas, metodológicas e a segurança operacional; - Resultados e ensinamentos dos processos técnico-operacionais e de gestão decorrentes das análises de grandes ocorrências. Visitas Técnicas e Minicursos O XIV EDAO contou com três Visitas Técnicas e dois Minicursos. Uma Visita Técnica ao Centro de Operação do Sistema AES Eletropaulo e duas Visitas Técnicas ao Centro de Controle do Tráfego Aéreo do Aeroporto de Congonhas. Um Minicurso, com o título “Estabilidade Eletromecânica”, foi ministrado pelo eng. Lucas Thadeu Orihuela da Luz, Diretor Executivo da Empresa LuzCP Consultoria e Participações Ltda. O outro Minicurso, intitulado “Nivelamento sobre a Resolução Normativa ANEEL nº 729/2016” foi ministrado pelo eng. Wilkens Geraldes Filho, do ONS. As Visitas Técnicas e os Minicursos obtiveram excelentes avaliações dos participantes do XIV EDAO. Cerimônia da Abertura A Cerimônia da Abertura contou com as presenças do Secretário de Energia Elétrica do MME, Fábio Lopes Alves; do Diretor Geral do ONS, Luiz Eduardo Barata Ferreira; do Diretor de Operação e Manutenção de Furnas, Djair Roberto Fernandes; do Diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Amílcar Guerreiro; do Superintendente de Fiscalização dos Serviços de Geração da ANEEL, Alessandro D’Afonseca Cantarino; do Diretor- Presidente do CIGRÉ-Brasil, Josias Matos de Araújo; do Coordenador do Comitê Organizador do XIV EDAO, Antonio Carlos Barbosa Martins, de Furnas e do Coordenador do Comitê Técnico do XIV EDAO, Braz Campanholo Filho do ONS. Painel de Debates Após a Cerimônia de Abertura, o XIV EDAO XIV EDAO Cerimônia de Abertura do XIV EDAO 20 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 NOTÍCIAS “Inserção da Geração Eólica e da Geração Distribuída na Operação do Sistema Interligado Nacional”. Os seguintes Painelistas fizeram apresentações: Flávio Guimarães Lins - Gerente de Tempo Real do ONS; Gabriela Desirê - Gerente de Relacionamento Operacional da FEB; Juan Roncero Vilanova - Gerente de Operações da Enerfin; e Rafael Moya - Analista de Projetos de Inovação da CPFL. A Organização do XIV EDAO realizou quatro sorteios de mochilas e malas com rodinhas aos participantes que estivessem presentes no início da manhã e no início da tarde dos dias 22 e 23/11, com o intuito de não atrasar as respectivas Sessões de Apresentações de artigos e Paineis. Os participantes gostaram dos sorteios e as Sessões começaram sempre no horário previsto. Jantar de Confraternização O Jantar de Confraternização foi realizado na noite do dia 22 de novembro, terça-feira, no Espaço L´Atelier, no Hotel Sheraton WTC, patrocinado pela TAESA. Primeiramente foi servido um Coquetel à beira da piscina e, após, foi servido um jantar em um salão decorado, com duas opções de prato, e diversas opções de bebidas e de sobremesa. A aprovação do local e do Jantar foi unânime. apresentou um Painel de Debates com o título “Operação do Sistema Elétrico e das Instalações de Geração e Transmissão: Desafios, Caminhos e Soluções”. Os seguintes Painelistas participaram: o Secretário de Energia Elétrica do MME - Fábio Lopes Alves; o Diretor Geral do ONS - Luiz Eduardo Barata Ferreira; o eng. Delfim Maduro Zaroni, representando o Diretor de Operação do ONS - Ronaldo Schuck; o Diretor de Operação e Manutenção de Furnas - Djair Roberto Fernandes, que mediou o Painel; o Diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE - Amílcar Guerreiro; e o Superintendente de Fiscalização dos Serviços de Geração da ANEEL - Alessandro D’Afonseca Cantarino. Após o Painel de Debates, foi oferecido um Coquetel aos participantes do XIV EDAO com a inauguração dos estandes dos eventos. Painel Tecnológico Na terça-feira, dia 22 de novembro, foi apresentado o Painel Tecnológico, com o Tema Painel de debates - Operação do Sistema Elétrico e das Instalações de Geração e Transmissão: Desafios, Caminhos e Soluções Painel Tecnológico - Inserção da Geração Eólica e da Geração Distribuída na Operação do Sistema Interligado Nacional Jantar de Confraternização do XIV EDAO no espaço L´Atelier ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 21 NOTÍCIAS Cerimônia de Encerramento A Cerimônia de Encerramento contou com as presenças do eng. Antonio Carlos Barbosa Martins - Coordenador do Comitê de Organização do XIV EDAO, do eng. Delfim Maduro Zaroni - Secretário Executivo do XIV EDAO e do eng. Patrick Bandeira Alcântara, da Taesa. Foram distribuídas Placas do XIV EDAO aos autores das 5 melhores apresentações, votadas pelos participantes ao longo dos 3 dias do evento. O eng. Antonio Barbosa mostrou os números do evento, o eng. Delfim apresentou as Constatações Técnicas do XIV EDAO, levantadas pelo Comitê Técnico, e o eng. Patrick, recebeu o bastão para a organização do XV EDAO, em 2018, agradecendo a oportunidade, e prometendo um evento com o mesmo brilho da organização de FURNAS e contando com o apoio da Coordenação Técnica do ONS, nas pessoas do Coordenador Técnico, eng. Braz Campanholo Filho e do Secretário Executivo, eng. Delfim Zaroni. FURNAS se sentiu honrada com a organização do XIV EDAO, que se constituiu um sucesso de público, técnico e financeiro, e agradece o apoio do ONS e do CIGRÉ-Brasil. A TAESA, o CIGRÉ-Brasil e o ONS estarão esperando por você no XV EDAO em novembro de 2018. Até lá! No dia 23 de novembro, quarta-feira, foi oferecida uma Palestra Motivacional, com o Prof. Marcelo Os números do XIV EDAO O XIV EDAO teve 218 participantes inscritos, sendo 3 estudantes, 152 Não Sócios Cigré, e 63 Sócios Cigré, e contou com participantes do Brasil e do Paraguai. O Evento contou com 11 empresas patrocinadoras, sendo 5 expositores em estandes: Petrobras, InForma, ONS, Itaipu Binacional (Patrocinadores Ouro) e FURNAS (Patrocinador Diamante). O XIV EDAO inovou, oferecendo gratuitamente um App para os participantes, onde foi possível enviar perguntas aos palestrantes, votar nas melhores apresentações, avaliar o evento e acompanhar a grade do evento. Foram feitos 164 downloads, 172 perguntas realizadas, 986 notas das apresentações e 53 avaliações do evento. O Site do evento - www.edao.com.br - apresenta o temário completo e tópicos preferenciais, o Caderno de Patrocínios, informações de hospedagem, área do autor, área do Comitê Técnico, oferece o Certificado de Participação, oferece as fotos do evento, oferece os Artigos apresentados, bem como as apresentações dos artigos. Sessões Técnicas Coffee-break Entrega das placas aos autores ganhadores das melhores apresentações, votadas pelos participantes. 22 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 NOTÍCIAS alguns consumidores já estariam aptos a participar deste programa, ficando sob responsabilidade do ONS a gestão dos consumidores devidamente cadastrados de forma voluntária. O Superintendente de Regulação dos Serviços de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica - Aneel, Christiano Vieira, apontou como benefícios: o deslocamento da demanda para fora dos horários de ponta, a postergação de investimento na rede e o aumento da confiabilidade do sistema elétrico. Recomendou ainda algumas rotas para implementação da resposta da demanda, como projetos pilotos, precificação em base diária/horária e extensão de programas que se mostrarem viáveis. Rafael Ferreira, assessor da Presidência da Empresa de Pesquisas Energéticas - EPE, apresentou a resposta da demanda no planejamento, indicando oportunidades como mecanismos de diminuição da carga, novas tecnologias facilitadoras, contratação de longo prazo e incentivos financeiros para rápida implementação. Como cases internacionais, apresentou a Colômbia, cujo programa éorientado para condições de escassez; e o caso do México, no qual a formação de preços é baseada em custos. Este Painel teve a moderação de João Carlos Mello, Presidente da Thymos Energia e Coordenador do CE C5. Desafios, oportunidades, perspectivas e visão da distribuidora Joisa Dutra, diretora do Centro de Regulação em Infraestrutura da FGV, destacou que um programa de resposta da demanda oferece um novo produto atrelado à energia elétrica, a ser ofertado pelo consumidor final. Porém, para que o país consiga obter bons resultados, serão necessárias grandes mudanças regulatórias e novos modelos de negócios para as empresas. A diretora também citou a necessidade de se obter uma melhor consistência nos sinais de preços, pois uma melhora na sinalização para o consumidor é um dos fatores de sucesso para implementação dos programas. O gerente de tecnologia da distribuição da AES Eletropaulo, Antonio Almeida, discorreu sobre a criação de plataformas inteligentes de gestão de energia e a implementação de redes inteligentes (Smart Grids). Na visão da AES Eletropaulo, a resposta da demanda reduz o custo da integração das energias renováveis, permite a introdução de recursos distribuídos, contribui para a liquidez dos mercados O CIGRÉ-Brasil, em parceria com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE e a Thymos Engenharia, realizou o 1º Workshop CIGRÉ- Brasil de Resposta da Demanda. Organizado pelo Comitê de Estudos C5 - Mercados de Eletricidade e Regulação, o evento aconteceu em São Paulo no dia 15 de dezembro, contando com a presença de especialistas nacionais e internacionais de renome para discutir o tema. O evento recebeu, ainda, apoio institucional e patrocínio de diversas empresas, associações de classe e instituições setoriais. Tema em destaque no mercado brasileiro de energia, a resposta da demanda agrega importante flexibilidade à operação das fontes intermitentes, além de contribuir no atendimento à ponta do sistema, na prestação de serviços ancilares, na eficiência econômica do despacho energético (tanto no mérito como fora do mérito), na formação de preço e na segurança energética, estando prevista inclusive na Lei 13.360/2016 (MP 735). Confira a seguir alguns destaques da discussão: Visão regulatória e institucional O Conselheiro de Administração da CCEE, Roberto Castro, comentou sobre o papel do comercializador varejista, da geração distribuída e do smart grid como impulsionadores, além de apresentar possibilidades de incentivo ao gerenciamento pelo lado da demanda no mercado brasileiro, apontando a necessidade de aprimoramento nas regras de apuração de insuficiência de lastro de potência. Já o assessor da Diretoria Geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS, Marcelo Prais, enfatizou que a Redução Remunerada de Demanda é um fator de modicidade tarifária e de aumento da eficiência na alocação de recursos. Atualmente, Workshop sobre resposta da demanda discute oportunidades para o mercado brasileiro Apresentação do Roberto castro – Conselheiro de Administração da CCEE ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 23 NOTÍCIAS Destacou a necessidade de um programa flexível, com a oferta de diferentes produtos, assim como a duração da parada voluntária e o tempo de espera de notificação para parada. Resposta da demanda industrial e sua influência na formação do PLD Dorel Ramos, professor da USP, observou que a resposta da demanda pode contribuir para o despacho otimizado do SIN, reduzindo o custo de operação das térmicas e melhorando a segurança do sistema. Segundo Dorel, a implementação deste mecanismo tem a vantagem de não depender de grandes investimentos e de prazos alongados para construção de projetos de reforço da oferta. Ele cita um estudo que aponta a sensibilidade do atual modelo de formação de preços à incorporação da Oferta de Redução de Carga (ORC), sendo avaliado os efeitos no longo prazo e curto prazo através dos modelos computacionais NEWAVE e DECOMP. Como resultado, a incorporação desses mecanismos apresentou uma redução nos picos de preços. O estudo também aponta que produtos como o ORC devem ser atrativos, para que o consumidor visualize potenciais ganhos de receita ou redução de risco na comercialização de energia. Estes Painéis tiveram a moderação de José Marangon, Professor da UNIFEI. Importância do gerenciamento da demanda para os mercados de energia no século XXI Cyro Boccuzzi, sócio diretor da ECOee e presidente do fórum latino americano de smart grid, apresentou a ‘Energia do Século XXI’, fundamentada nos recursos distribuídos, entendendo que a inserção de novas tecnologias irá alterar de forma significativa a forma de operação e otimização dos ativos. Esse movimento está surgindo dos consumidores para as empresas concessionárias e está fora do controle das empresas responsáveis pelos serviços. Cyro introduziu o conceito da ‘internet das coisas’, segundo o qual cada equipamento irá conectar empresas, residências e veículos em uma rede inteligente de energia, de forma que os consumidores poderão produzir parte ou toda a sua energia, suprindo necessidades locais de modo coordenado, através de aplicativos inteligentes. Afirmou também que o sincronismo ocorrerá de forma distribuída, com larga transparência e visibilidade, a custos marginais próximos de zero, e neste cenário a distribuidora será remunerada pelo uso das redes. Este Painel teve a moderação de Afonso Henrique Santos da IX Consultoria. de eletricidade, reduz os custos de eletricidade para os consumidores e consolida a geração distribuída. Este Painel teve a moderação de Carlos Dornellas, Gerente Executivo da CCEE e Secretário do C5. Visão internacional da indústria A gerente de energia da Abrace, Camila Schoti, apresentou a oportunidade de redução do custo global do setor através da implantação da resposta da demanda. Estudos da associação apontam que: (i) a oferta de curto prazo para o programa é de 378 MW; (ii); as especificidades de cada processo produtivo das indústrias exigem que se tenha grande variedade no tempo necessário de aviso prévio para o acionamento; (iii) é necessária uma redução concentrada por períodos de até três horas; (iv) 50% do potencial está localizado no submercado Sudeste e Centro-Oeste, 31% no Nordeste e 19% no Sul. Fillipe Soares, gerente de comercialização de energia da Alcoa, apresentou produtos de resposta da demanda para a indústria do alumínio. Cerca de 25% dos consumidores ligados à rede básica praticam modulação, sendo os produtos divididos em Elétricos (ancilares) e Energéticos (atendimento à demanda), sendo que a lógica de remuneração para este produto poderia ser semelhante ao parque termelétrico. Marcos Prudente, da Gerdau, relatou a experiência da empresa com a resposta da demanda em diversos mercados internacionais em que atua. O objetivo principal é a otimização dos custos do sistema. Ressaltou a participação voluntária e a remuneração adequada dos custos incorridos, para que o consumidor se sinta atraído a participar desse programa. Fabiano Fuga, gerente de energia da Linde, mencionou o caso da empresa no Chile e nos Estados Unidos. Em ambos os países a participação do consumidor é voluntária. No Chile o consumidor é estimulado a participar do Programa de Inverno, pois apesar de pagar demanda adicional nos meses em que ocorre o horário de pico, nos demais paga apenas a demanda base contratada, independente da demanda efetivamente medida. Nos Estados Unidos, a distribuidora incentiva o consumidor a reduzir o seu consumo através do pagamento de US$ 500/MWh e não há penalidade para o consumidor que não conseguir reduzir o montante acordado. Marcela Jacob Alves, gerente de portfólio de energia daHydro, apresentou a ideia de participação voluntária para o programa de Redução da Demanda. 24 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 NOTÍCIAS VII SMARS Nos dias 8 e 9 de novembro de 2016, o Comitê de Estudos de Desempenho Ambiental de Sistemas (CE-C3) do CIGRÉ-Brasil realizou a sétima edição do SMARS - Seminário de Meio Ambiente e Responsabilidade Social no Setor Elétrico. Nesta edição do SMARS, o CE-C3 contou com o apoio do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica – CEPEL, que acolheu o evento na sua sede na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. O evento foi precedido pelo Minicurso “Gestão Coorporativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa”, realizado no dia 7 de novembro. A programação do evento foi composta por sessões técnicas, com apresentação dos trabalhos selecionados relacionados às boas práticas socioambientais adotadas ou desenvolvidas em diversas empresas do setor elétrico que proporcionaram benefícios socioambientais, soluções para os desafios regulatórios e do licenciamento ambiental, racionalização de custos, colaborando para a melhoria da imagem do setor elétrico no cenário nacional. Foram também realizados dois Painéis Técnicos abordando temas relevantes e atuais para o setor elétrico do ponto de vista socioambiental: - “Questões Socioambientais no Planejamento e Desenvolvimento dos Empreendimentos de Transmissão” que teve como objetivo discutir o tratamento das questões socioambientais desde o processo de planejamento dos empreendimentos de transmissão e os requisitos para sua licitação, passando pelos questionamentos hoje existentes considerando a integração de novos agentes ao processo de licenciamento, com reflexo para os prazos, e a relação entre essas etapas e o desenvolvimento dos empreendimentos. Este Painel contou com a presença de Isaura Frega (Superintendente de Meio Ambiente da EPE), Enio Fonseca (Presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico – FMASE), Carlos Alberto Rayol (Gerente da Divisão de Meio Ambiente de Transmissão da Eletrobras) e Alessandra Aparecida G. Franco de Toledo (Assessora Técnica da DILIC – IBAMA). - “Aspectos Sociais da Gestão da Sustentabilidade no Setor Elétrico”. Seguindo uma tendência internacional de valorização da questão dos direitos humanos como um pilar da sustentabilidade corporativa, este painel teve como objetivo discutir as ações e diretrizes relativas à dimensão social no desenvolvimento dos projetos e na operação, bem como no processo de licenciamento, bem como aquelas de responsabilidade social corporativa, tendo como fio condutor a incorporação da abordagem de direitos humanos, destacando perspectivas e oportunidades de avanço. O Painel contou com a presença de Nair Palhano Barbosa (Consultora), Lisangela da Costa Reis (Superintendência de Estratégia e Sustentabilidade - FURNAS), Paulo César Medrado Abrantes (Assessoria de Responsabilidade Social - ITAIPU Binacional). As principais constatações são apresentadas a seguir: w Os atrasos observados no desenvolvimento dos empreendimentos de transmissão indicam que a utilização da série de relatórios R como instrumento de planejamento e suporte para o processo licitatório, em particular o relatório R3 relativo aos aspectos socioambientais, não tem se mostrado eficiente para dar mais agilidade ao processo de licenciamento ambiental. Os Termos de Referência para obtenção da LP contêm exigências muito complexas e a legislação exige a interveniência de outros órgãos. Assim, na grande maioria das vezes, verifica-se uma incompatibilidade com os custos estimados e principalmente com os prazos estabelecidos para a implantação do empreendimento. Dentre as proposições para melhoria do processo existem 2 propostas: - a necessidade de melhoria da elaboração dos R3, sinalizando das questões prioritárias e mais relevantes, com consequente melhoria das ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 25 NOTÍCIAS como: - melhoria na organização da sociedade civil, com a formação de lideranças comunitárias, - a articulação com outros serviços públicos promovendo cidadania, - a conscientização do consumidor e - a formação de laços de confiança entre consumidor e concessionária. w Considerando as diretrizes e ações das empresas em relação à dimensão social no desenvolvimento e na operação dos empreendimentos, tendo como fio condutor a incorporação da abordagem dos direitos humanos como pilar da sustentabilidade corporativa, foi ressaltado que o equacionamento entre os limites entre atividades impactantes, passivos sociais e responsabilidade social considerando o compromisso de não-violação dos direitos humanos, passa por um caminho de possibilidades baseado na transparência das intenções, na otimização de recursos, no fomento do diálogo e na consequente redução dos passivos sociais. Já existem diversos instrumentos que formulam diretrizes para a incorporação da questão do tema direitos humanos nas políticas de responsabilidade social das empresas do setor público e privado, seguindo as orientações da ONU, mostrando que esta abordagem é uma tendência na gestão da sustentabilidade das empresas, em sua busca pela “licença social para operar”. Foram apresentados exemplos da incorporação da abordagem dos direitos humanos nos programas desenvolvidos por Itaipu. w A boa prática na gestão de resíduos sólidos tem apresentado significativos avanços nas empresas do setor com diversas iniciativas sobre redução, reaproveitamento e destinação adequada dos resíduos do setor, em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Resíduos sólidos (2010), que também trazem benefícios econômicos para as empresas. w As questões relacionadas às mudanças climáticas vêm ganhando espaço na agenda das empresas do setor com aprimoramento de estudos e processos, já sendo observado foco na adaptação às mudanças do clima, na contabilização das emissões por meios de inventários e na avaliação dos riscos financeiros de uma possível taxação de carbono (mercado de carbono). previsões dos custos socioambientais e dos prazos necessários; - a realização do licenciamento prévio antes da licitação, que poderia ficar sob a responsabilidade da EPE, que tem a competência originária em seu arcabouço legal, seja de forma autônoma ou com subcontratação, mas que necessitaria de reforço de modo a atender eficazmente à mudança na implementação do licenciamento (proposta do FMASE). As experiências práticas de participação dos órgãos ambientais e de secretarias de energia estaduais durante o processo de planejamento têm resultado em maior agilidade e em soluções que atendem a requisitos técnicos, econômicos e ambientais, sinalizando para a necessidade de maior interação entre as empresas, órgãos ambientais e os outros órgãos intervenientes e acordo com a legislação, e também com a ANEEL. A participação da sociedade qualificada nas audiências públicas, bem como a atenção especial para tais audiências na Região Norte, destacadas pelo IBAMA, são imprescindíveis para o bom encaminhamento do processo de licenciamento, assim como a organização interlocução desse órgão com os demais órgãos intervenientes. w Observou-se significativo interesse pelos aspectos sociais, sendo que 13 dos 25 trabalhos apresentados no evento abordaram a importância do bom relacionamento das empresas com as comunidades e as diferentes instituições envolvidas. As boas práticas apresentadas trouxeram benefícios Diretor-Presidente do CIGRÉ-Brasil, Josias Matos de Araujo, na Cerimônia de Encerramento do VII SMARS 26 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 NOTÍCIAS XIII STPC SEMINÁRIO DISCUTE DESAFIOS E APRESENTA NOVOS RECURSOS TECNOLÓGICOS NA ÁREA DE PROTEÇÃO E CONTROLE Foi realizada em Brasília-DF, no períodode 23 a 27 de outubro de 2016, a décima terceira edição do Seminário Técnico de Proteção e Controle – STPC, sob a coordenação das Centrais Elétricas do Norte do Brasil – Eletrobras Eletronorte. O STPC é um evento tradicional da comunidade de Proteção e Controle, promovido pelo Comitê de Estudos B5 – Proteção e Automação, cuja primeira edição remonta a 1986, e tem se caracterizado como o foro ideal para debates de assuntos desta área, congregando empresas de energia elétrica, fabricantes, consultores, prestadores de serviços, fornecedores de programas aplicativos, universidades e centros de pesquisas. Ele se propõe a abordar, além dos temas tradicionais e recorrentes da área, todos os aspectos relacionados a tecnologias emergentes em medição, proteção e automação. O XIII STPC contou com a presença de 181 inscritos que puderam participar dos eventos técnicos e da exposição paralela realizados nos salões de convenções do hotel Mercure Brasília Eixo Monumental. A abertura do evento foi realizada no dia 23 de outubro, em cerimônia que contou com a presença do Diretor-Presidente do CIGRÉ-Brasil, Josias Matos de Araujo; do Secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), Fábio Lopes; do Superintendente de Engenharia de Sistemas de Operação da Eletronorte, Sidney Santana; do Diretor de Planejamento e Programação da Operação do ONS, Francisco Arteiro; do atual Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do CEPEL, Raul Balbi Sollero, do Diretor Técnico de Itaipu Binacional, Airton Dipp; e do Superintendente de Operações de Furnas, Mário Ellis. Durante as cinco sessões foram apresentados 40 artigos técnicos versando sobre diversos temas, tais como filosofias de projetos de proteção, localização de faltas em linhas de transmissão, sistemas de oscilografia, tecnologia e aplicações de sistemas sincrofasoriais, testes em sistemas de automação, sistemas utilizando a tecnologia IEC 61850, proteção para geração e proteção sistêmica. Os artigos técnicos foram selecionados pela Comissão Técnica a partir de um conjunto de 143 resumos, o que demonstra o grande interesse no evento. Foi realizada uma sessão técnica especial sobre o tema “Perspectives and expected benefits from the evolution of protection and automation solutions” (Perspectivas e benefícios esperados da evolução das soluções de proteção e automação), dirigida pelo Dr. Iony P. de Siqueira, chairman do Study Committe B5 internacional, com a participação de ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 27 NOTÍCIAS Geral do evento, o eng. Carlos Alberto de Miranda Aviz e do Coordenador do Comitê de Estudos B5 – Proteção e Automação do CIGRÉ-Brasil, Dr. Marco Antonio Macciola Rodrigues. O eng. Carlos Alberto M. Aviz fez um balanço do evento, mostrando a forte presença de fabricantes e de empresas de energia elétrica, e a pesquisa de satisfação, que apontou a elevado grau de aprovação do evento. O resumo das Constatações Técnicas do evento foi apresentado pelo eng. Fernando Aquino Viotti durante a Cerimônia de Encerramento: • Integração de fontes de geração distribuída (GD). - Necessidade de uma modelagem mais completa, incluindo controladores e conversores dos geradores eólicos. - Novas técnicas de proteção para GD, incluindo defasamento angular e taxa de variação de frequência com o auxílio de telecomunicação. • Necessidade de estudos que envolvam simulações computacionais para definir critérios técnicos para aplicação de sistemas de proteção em linhas de transmissão curtas. • Novas Tecnologias aplicadas a Sistemas de Proteção - Utilização de técnicas no domínio do tempo tais como ondas viajantes e grandezas incrementais para redução do tempo de atuação das proteções. - Técnicas inovadoras para aplicação em proteção diferencial para linhas multiterminais utilizando técnicas de autossincronização sem o uso de sistemas por satélite. - Novos algoritmos para proteção de distância aplicados em linhas de transmissão com FACTS. • Necessidade de maior discussão sobre as estratégias de manutenção (periodicidade e procedimentos) de IEDs. • O elevado grau de desenvolvimento das ferramentas de análise automática de perturbações a partir de oscilografias digitais. Com isso surgiu a oportunidade de extensão das análises de eventos para mais tipos de equipamentos elétricos e a especialistas convidados de quatro empresas: Rich Hunt da GE Grid Solutions, nos Estados Unidos, Luis- Fabiano Santos da ABB Grid Automation, Suíça, Oliver Lippert, SIEMENS Product Management Protection e Roberto Cimadevilla, Technical Manager ZIV GRID AUTOMATION S.L., Espanha. Foi organizada também uma exposição paralela de produtos e serviços nas áreas de proteção e controle de sistemas elétricos, que contou com a participação de onze empresas patrocinadoras, incluindo concessionárias de energia elétrica, fabricantes de equipamentos, prestadores de serviços entre outros. Na parte social, foi oferecido aos participantes um coquetel de boas vindas, realizado na noite de 23/10, durante a inauguração da exposição de produtos e serviços e um “happy-hour” com programação musical no final do dia, na segunda- feira 24/10. Um jantar de confraternização foi realizado no restaurante Coco Bambu na noite da 25/10. O evento foi encerrado no final da manhã do dia 27/10, em cerimônia que contou com a presença do Diretor-Presidente do CIGRÉ-Brasil, Josias Matos de Araujo, do Coordenador técnico do STPC, eng. Fernando Aquino Viotti do ONS, do Coordenador 28 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 NOTÍCIAS crescimento do sistema interligado nacional tornou-se difícil definir com segurança os pontos de abertura no sistema para mitigar oscilações, de forma que o ONS passou recomendar, em algumas regiões, a habilitação das funções de bloqueio por oscilação liberando apenas a Zona 1 para trip. • Transmissão em CC: sistemas de transmissão em corrente contínua possuem grande flexibilidade em seus controles e isso faz com que os SEPs associados sejam cada vez mais inteligentes e com menores tempos de atuação. • Sessão Técnica Especial: - O encapsula mento de funções, desde funções de proteção até o encapsulamento de todo o centro de controle da subestação permite que a maior parte do comissionamento seja concentrada na etapa de fabricação – FAT. - Gerenciamento do ciclo de vida dos ativos de PAC: Conceito “run-to-failure” em IEDs, dispensando a necessidade de realização de testes periódicos. - A utilização de transdutores não convencionais – NCITs – permitiu ganhos construtivos para subestações digitalizadas. - Maior integração dos dados medidos em subestações permitindo melhor confiabilidade na avaliação da situação e nas ações decorrentes. - As novas funcionalidades dos sistemas de proteção e controle podem contribuir na melhoria do desempenho de redes com alta penetração de geração distribuída. - Apresentadas aplicações de proteções sistêmicas - WAPS - usando sampled values e sincronização PTP entre subestações. integração com dados sincrofasoriais. • Medição fasorial sincronizada - Começam a surgir os primeiros resultados práticos da utilização de Sistemas de Medição Sincronizada de Fasores – SMSF. - A qualidade do sincronismo temporal precisa ser considerada nas especificações dos SMSF. - Evidenciada a necessidade de testes de unidades de medição fasorial antes de sua instalação no campo, como também por ocasião de alterações de firmware ou nas configurações da unidade. • Aplicações da norma IEC 61850 - Constatou-se que a norma não está sendo aplicada de uma maneira ampla em todas as etapas do ciclo de vida dos SPCS. - Ainda existe desconhecimento de diversos aspectos da norma, evidenciando aimportância de investir em treinamento das equipes envolvidas. - A aplicação cada vez mais intensa de novas tecnologias sugere uma revisão na estrutura organizacional das áreas de supervisão, proteção e controle. - Possibilidade de utilização de TIs ópticos através do barramento de processos. - Há maior conhecimento dos integradores e fabricantes nas soluções de redundância para redes de comunicação, trazendo mais confiança aos agentes. • Já se encontram disponíveis equipamentos que permitem testes em malha fechada para SPCS reduzindo assim o custo da realização de ensaios em RTDS e permitindo a realização dos testes também no campo. • Regulamentação: Alinhamento dos Procedimentos de Rede com as novas tecnologias oferecidas pelo mercado, incluindo os aspectos de segurança em redes de comunicação. • Modernização de usinas: necessidade de convivência com tecnologias diferentes no período de modernização. • Funções de bloqueio de oscilação: com o ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 29 NOTÍCIAS dos ensaios realizados no Cepel, na avaliação dos isoladores da SE do SIN envolvida na falha em função de chuvas intensas para apresentação ao WG, coordenaram os ensaios realizados no CEPEL, coletaram os dados dimensionais da estrutura de chuva empregada nos Laboratórios do Cepel e desenvolveram a metodologia de calibração do ensaio de chuva não uniforme realizado em buchas de parede. O problema de chuva em bucha de parede é mundial; dependendo da direção da sua incidência, a própria parede impede que parte da bucha seja molhada, ocasionado uma descarga disruptiva ao longo de sua superfície. O WG D1.45 apresentou como conclusão que não há necessidade de se alterar os parâmetros de chuva nos ensaios de impulso de manobra, mas para os ensaios em frequência industrial e em corrente contínua, os parâmetros de chuva representativos de chuva intensa ou chuva altamente condutiva devem ser considerados quando da realização de ensaios em equipamentos a serem instalados em locais onde existe a possibilidade de suas ocorrências. Os resultados serão levados à IEC para serem considerados quando da próxima revisão da IEC 60060.1. O CE D1 Brasil, representado por seus membros e pesquisadores Darcy Ramalho de Mello, consultor e secretário do WG D1.45 e Ricardo Wesley Salles Garcia, do CEPEL, participou ativamente da elaboração da Brochura Técnica 634 do CIGRE, elaborada pelo WG D1.45, e intitulada “Impact of rain on insulator performance”. A brochura está disponível na página do Cigré Internacional, na internet e o sumário executivo foi publicado na revista ELECTRA No. 283 de Dezembro/2015. Este trabalho foi muito importante, para o Brasil, pois na revisão recente da IEC 60060.1 “High-voltage test techniques - Part 1: General definitions and test requirements” foi removido do seu texto os parâmetros sobre chuva intensa e estudos realizados mostraram que a causa da falha importante ocorrida no SIN foram as chuvas intensas. O WG D1.45 foi criado em 2011 e concluiu suas atividades em 2014. Este grupo foi coordenado pelo Eng°. Dr. Alberto Pigini, consultor do IEEE e contou com 14 participantes de 11 países, representando fabricantes, universidades e instituições de pesquisa e desenvolvimento. O escopo do WG D1.45 baseou-se principalmente na coleta de dados sobre os níveis elevados de precipitação que ocorrem em diversos países do mundo, análise dados sobre o desempenho em campo de isoladores sob chuva intensa, avaliação dos dados obtidos dos ensaios realizados em conjunto por diversos laboratórios, abrangendo parâmetros do ensaio de chuva como precipitação e resistividade da água (para avaliar o problema das chuvas ácidas), a representatividade e a repetibilidade dos ensaios sob chuva, aspectos fundamentais para sua normalização, e a realização dos ensaios sob chuva em equipamentos para Ultra Alta Tensão. Darcy e Ricardo Wesley fizeram um resumo CE D1 participa da elaboração de Brochura Técnica do CIGRÉ Internacional sobre o impacto de chuvas intensas na suportabilidade dielétrica dos isoladores Ensaio de frequência industrial sob chuva realizado no Cepel 30 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 CONSTATAÇÕES TÉCNICAS de transmissão e de distribuição. Do lado dos produtores, esses recursos reduzem as perdas da geração que não possa ser acomodada no sistema elétrico interligado. • Essa transição dos sistemas elétricos, da predominância das fontes convencionais de geração para a geração dispersa com fontes renováveis cuja maioria são de natureza intermitente, leva a necessidade de uma transição para os sistemas de transmissão de predominância AC para um híbrido AC/DC, a implantação de esquemas especiais de proteção, linhas de transmissão mistas com parte aérea e parte subterrânea e outros desenvolvimentos. • As empresas de distribuição estão remodelando os seus negócios, funções e atividades com o advento da geração distribuída, penetração do mercado livre e implantação do smart grid, incorporando o Modelo DSO – Distribution System Operator, no qual elas passam a ser operadoras plenas do seu sistema de distribuição, com destaque para a supervisão Com base nas discussões havidas e nas diretrizes emanadas da Sessão Bienal 2016 foram extraídas as principais Constatações Técnicas que servirão de referência para as seguintes ações do Comitê Técnico do CIGRÉ-Brasil: • Atualização dos Temas Prioritários para a carteira de projetos de cada CE. • Elaboração do Plano de Metas de cada CE. • Revisão e atualização dos Temas Preferenciais dos eventos técnicos do CIGRÉ-Brasil. 1. CONSTATAÇÕES GERAIS • Merece destaque o papel dos recursos de energy storage nos vários níveis dos sistemas elétricos de potência: local e sistêmico em média e alta tensão. Do lado do sistema de potência, esses recursos propiciam os seguintes benefícios: reduzir a necessidade de reforços no sistema de transmissão, reduzir o nível da congestão na transmissão, reduzir o montante da reserva de geração adicional e reduzir as perdas nas redes In memorium do engenheiro eletricista Sérgio Toledo Sobral Sessão Bienal 2016 – Constatações Técnicas O engenheiro eletricista Sérgio Toledo Sobral faleceu no dia 02 de setembro de 2016 no Hospital São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro, após ter ficado mais quarenta dias na UTI desse hospital em função de um quadro de infarto agudo do miocárdio com posterior parada cardíaca em 17/07/2016. Sérgio Toledo Sobral nasceu em Vitória, no estado do Espírito Santo, em 02/08/1939. Recebeu seu B.Sc da PUC-Rio em 1964 como Engenheiro Eletricista. Trabalhou nas áreas de Estudos e Proteção de Furnas e da Light. Foi Superintendente do Departamento de Estudos de Sistemas e depois Diretor de Projetos (subestações, linhas de transmissão e distribuição) da Internacional de Engenharia S/A - IESA. Foi Consultor Especial do Projeto Itaipu. Desenvolveu um plano de desenvolvimento de tecnologia de aterramento com o Profº Dinkar Mukhedkar da École Politechnique de Montreal. Desde 1990 estava com sua própria Companhia, ST&SC Serviços Técnicos Ltda, especializada em estudos e projetos de aterramento e controle de interferências eletromagnéticas. Elaborou 67 artigos técnicos apresentados no IEEE, CIGRE, ERIAC, ERLAC e SNPTEE, alguns dos quais publicados na revista Eletroevolução do CIGRÉ-Brasil. Elaborou e implementou com sucesso critérios de projeto relacionados com aterramento e controle de interferências de linhas de transmissão com gasodutos e oleodutos para a maioria das concessionárias do Brasil. Realizou trabalhos de P&D com a LIGHT, FURNAS e outras empresas. Participou efetivamente na Revisão da Norma ABNT NBR 5419 e na emissão de um livro a respeito de toda sua experiência nos campos deestudos e projetos de aterramento e controle de interferências eletromagnéticas. Apresentamos nossas condolências à família do Sérgio Toledo Sobral. NOTÍCIAS ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 31 CONSTATAÇÕES TÉCNICAS especialistas de transformadores responderem ao FAQ: “Esse transformador pode permanecer em operação segura por mais 10 anos?”, o que destaca a importância de aprimoramento de marcadores de envelhecimento. • Aplicação mais intensiva no futuro da modelagem para avaliação do desempenho térmico e dielétrico e uso intensivo de modelos de transformadores HF. 4. COMITÊ DE ESTUDO – A3 • A explosão de transformadores de instrumentos não é uma exclusividade das redes de transmissão brasileiras. Este tipo de ocorrência tem sido relatado com frequência cada vez mais elevada em diversos países. Estes casos são claramente identificados como casos de final de vida útil. Faz-se necessária a aplicação de soluções que permitam o melhor acompanhamento do estado destes equipamentos, notadamente a partir do 20º ano de vida. A experiência de algumas transmissoras europeias indica que a relação de transformação destes equipamentos sofre alterações palpáveis antes da ocorrência da falha do equipamento e desta forma podem ser utilizadas como indicativo de final de vida útil. • TRT de disjuntores de LT com compensação série e de faltas alimentadas por transformadores continuam a ser temas controversos. Caso o by- pass do banco série não seja garantido para todas as faltas alimentadas pela linha nas proximidades de seus terminais, os requisitos de TRT para disjuntores de linha podem ser fortemente afetados. Logo, os sistemas de proteção devem assegurar o by-pass do banco série para atuações de aberturas de faltas pelos disjuntores de linha. Para falta alimentada por transformadores, a modelagem do mesmo e os métodos para sua determinação já evoluíram substancialmente nos últimos anos. De toda forma, este tipo de modelagem ainda é um assunto que carece investimentos adicionais e uma padronização em nível internacional. • Desempenho no campo de sistemas de chaveamento controlado, a despeito da enorme potencialidade desta tecnologia, tem deixado a desejar em um elevado número de instalações no mundo. Têm sido reportados um número maior e a previsão da Geração Distribuída conectada na rede de distribuição. 2. COMITÊ DE ESTUDO – A1 • O uso de nanopartículas em isolamento epoxi-mica levará a um sistema de isolamento de enrolamento de estator mais eficiente, sem redução na vida útil. Poderia ser usado para a remodelação e uprating dos geradores existentes e para projetos novos do gerador em futuro próximo. A qualificação bem-sucedida do sistema de isolamento nanocompósito de acordo com a Norma IEC 60034-18 será a pré-condição inevitável para os clientes a aceitarem um gerador com este novo recurso. • No Japão e em outros países as energias solar e eólica têm aumentado tão rapidamente que vão causar alguns problemas, como grandes flutuações de frequência da rede, excesso de energia elétrica e insuficiente capacidade de energia térmica e hidrelétrica, que compensam grande variação de saída das energias renováveis. Sistema de armazenamento de bombeamento de velocidade ajustável (ASPSS), que pode armazenar uma grande quantidade de energia e estabilizar rapidamente a variação da grade, foi verificado como uma solução eficaz para os problemas. • Uma série de produtos SynRM (0.27kW ~ 45kW) desenvolvidos pela Hyosung Corporation foi apresentada sumariamente focada em seu desempenho de eficiência da classe IE4 e em recursos econômicos comparando com os produtos correspondentes de IM da classe IE3. Os SynRMs são modelados e analisados pela FEA e, em seguida, são testados pelas experiências de carregamento, a partir das quais os seus desempenhos de eficiência da classe IE4 são comprovados. 3. COMITÊ DE ESTUDO – A2 • Usuários e fornecedores devem intensificar a busca para melhorar as tecnologias de monitoramento e utilização das melhores práticas possíveis para desenvolver e melhorar Health Index e Avaliação de Ativos. • Mesmo com todas as técnicas de diagnóstico disponíveis, ainda é muito difícil para os 32 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 CONSTATAÇÕES TÉCNICAS de condutores denominados “High Temperature Low Sag” (HTLS). Entretanto, verificou-se a necessidade de maior divulgação dos métodos utilizados para a instalação desses condutores, que são diferentes dos atualmente conhecidos e que, caso a instalação não seja efetuada de forma adequada, pode haver o comprometimento do desempenho em serviço desses novos condutores. 7. COMITÊ DE ESTUDO – B3 • A evolução de subestações digitais continua. A IEC 61850 e os transformadores de instrumentos não convencionais (NCIT), foram identificados como uma área que afeta significativamente a escolha de tecnologia e a estratégia de projeto da subestação. • As várias fontes de geração e a adoção crescente de smart grid está mudando o comportamento de rede (desempenho dinâmico do sistema). Isso reforça a importância que as subestações sejam confiáveis e disponíveis para fornecer energia eficientemente. • A gestão de ativos está consagrada como uma norma internacional ISO 55001. As métricas podem fornecer informações para decisões à gestão de ativos agregando valor através do estabelecimento de planos de ação e de investimento em longo prazo. 8. COMITÊ DE ESTUDO – B4 • Constata-se que os conversores VSC (Voltage Sourced Converter) estão cada vez mais populares e já despontam como uma solução das mais frequentes para algumas aplicações, notadamente na China. No Brasil temos apenas um STATCOM (com tecnologia VSC) na subestação de Rio Branco (tecnologia MMC – Modular Multi- level Converter). Seguindo esta linha, o CE B4 deve intensificar treinamentos em VSC (MMC) e principalmente na tecnologia mais exitosa: os conversores multiníveis modulares (MMC). Esta é uma tendência que já vem despontando na China para viabilizar pequenos sistemas multiterminais e integração de fontes renováveis e que certamente chegará em breve ao Brasil. • A transmissão em HVDC tem reforçado sua importância na expansão e operação dos grandes que o esperado de problemas operacionais e de falhas de desempenho dos mesmos. Atribui-se este problema às rotinas de colocação em serviço e aos procedimentos de manutenção de disjuntores e seus sincronizadores, muitas vezes inadequados para este tipo de aplicação. O WG A3.35 analisa o assunto e proporá soluções baseadas em problemas encontrados no campo e nas soluções propostas por concessionárias e fabricantes. 5. COMITÊ DE ESTUDO – B1 • O crescimento das Fontes Renováveis de Energia, salientando-se as Eólicas, pode representar a oportunidade de maior especialização no projeto e construção das redes coletoras em cabos isolados de Média Tensão. • Para linhas longas, internacionalmente verifica-se um aumento crescente na implantação de Linhas de Transmissão Subterrâneas em CC, fato que ainda é uma realidade distante no sistema de transmissão brasileiro. • O aumento da aplicação de Emendas Pré- Moldadas em linhas de transmissão nas classes de tensão iguais ou superiores a 275 kV, representa um avanço tendo em vista a redução no tempo de instalação/montagem deste acessório. 6. COMITÊ DE ESTUDO – B2 • Relevância tecnológica inegável do tema “Robótica” quando aplicada nas áreas de manutenção e construção das Linhas Aéreas. Como exemplo, o lançamento de vários tipos de “Drones” para serem utilizados em atividades de vigilância e apoio aos serviços de manutenção. Neste sentido vários Países já possuem Legislação que regulamentam e permitem realizar voos e trabalhos com “Drones” ao longo das rotasdas LTs, o que necessita que isto ocorra no Brasil. • Foram apresentados diversos exemplos de linhas compactas de corrente alternada utilizadas para aumentar a capacidade de transporte de energia elétrica, bem como linhas com feixes expandidos simétricos ou assimétricos, demonstrando a boa experiência obtida, principalmente no Brasil, com a aplicação dessas tecnologias. • Foi constatado o uso crescente de novos tipos ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 33 CONSTATAÇÕES TÉCNICAS consequências nos sistemas de transmissão, assim como a crescente dificuldade e, em alguns casos impossibilidade, na implantação de novas linhas de transmissão. Este foi um tema com contribuição brasileira. • Verificou-se um aumento de interesse no gerenciamento de ativos, buscando-se incorporar novos fatores como o socioambiental na tomada de decisão em relação aos equipamentos e instalações em final de vida útil. • Novas abordagens são necessárias para o desenvolvimento de sistemas de energia para apoiar a integração das energias renováveis intermitentes, assim como a aplicação de tecnologias inovadoras, e são tendências para uma sociedade que visa uma baixa emissão de carbono na atmosfera, uma vez que a poluição ambiental e as alterações climáticas tornam o desafio da expansão energética ainda mais importante e difícil. Foram propostas soluções de planejamento de sistemas que consideram impacto ambiental e social, assim como técnicas e ferramentas de planejamento ótimas para sistemas de energia que integram geração renovável, a fim de construir um sistema de energia robusto e flexível. 11. COMITÊ DE ESTUDO – C2 • Participação Crescente de RES (Fontes Renováveis de Energia, em especial Eólica e Fotovoltaica), implicando em novos desafios nos estudos de Recomposição, utilização da Tecnologia de Acumulação – Baterias, necessidade de ampliação do foco de Operação, com maior interação entre operação da Transmissão e da Distribuição. • Consumo com novas características, destacando-se Microgrids e Demand Side Response. • Constata-se a incorporação crescente de elos CCAT (incorporados, radiais ou do tipo overlay) nos sistemas, com intensificação de tecnologias LCC (Line Commutated Converter) e VSC. 12. COMITÊ DE ESTUDO – C3 • Pode ser observada uma significativa preocupação com o meio ambiente e com a sustentabilidade no desenvolvimento de sistemas elétricos em todo o mundo (os maiores exemplos são: China, Índia e Brasil), inclusive com soluções híbridas composta por diferentes tecnologias HVDC, como por exemplo o uso da tecnologia híbrida LCC (Line-Commutated Converter) nos retificadores e VSC nos inversores para uso em sistemas Multiterminais (MTDC). • As DC Grids (redes de elos CC) continuam a demandar equipamentos que ainda não estão disponíveis comercialmente. Mas há de qualquer forma um movimento muito forte para uso de soluções VSC com tecnologia MMC, sendo alavancado pela China, que continua sendo o país que mais investe na tecnologia de HVDC (LCC e VSC). 9. COMITÊ DE ESTUDO – B5 • Com a utilização cada vez maior de IEDs multifuncionais em sistemas de Proteção, Automação e Controle, torna-se necessário buscar uma abordagem mais uniforme nas formas de otimizar os projetos desses sistemas, assim como de gerenciar o seu ciclo de vida. • As proteções devem descriminar entre distúrbios dentro da usina, que podem danificar os equipamentos de geração, e distúrbios externos que possam prejudicar a integridade do sistema, mas que possam ser suportados pela geração por um determinado período de tempo. Essas proteções, incluindo também as proteções de backup, precisam ser coordenadas com os ajustes da proteção do sistema de potência. • Maior cuidado é requerido no projeto e configuração das proteções envolvidas na conexão de sistemas de geração distribuída (DER), em particular nos pontos mais fracos do sistema de potência, devido ao fato de que esses sistemas assim como os dispositivos de eletrônica de potência utilizados para conectá-los ao sistema de potência têm respostas diferentes quando comparadas às respostas da geração tradicional. 10. COMITÊ DE ESTUDO – C1 • Ficou clara a preocupação no planejamento da expansão do sistema elétrico, com a grande concentração de aproveitamentos eólicos dada a sua característica intermitente e as 34 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 CONSTATAÇÕES TÉCNICAS adequadamente a inserção de eletrônica de potência no sistema (HVDC, FACTS etc.), particularmente RTS, com hardware in the loop, sendo os dois principais fornecedores o RTDS e OPAL (Hypersin 6.0). O workshop realizado sobre este assunto contou com a apresentação de várias empresas que estão fazendo uso intenso deste recurso. O Brasil tem de investir pesadamente e intensivamente nesta área para enfrentar os desafios que a configuração futura do SIN trará em termos de análise (8 bipolos de corrente contínua, com subestações inversoras na mesma região geográfica). 14. COMITÊ DE ESTUDO – C5 • Grande foco dos especialistas internacionais em como tratar os novos modelos de negócios frente às mudanças tecnológicas na rede de transporte com a entrada maciça de fontes renováveis, principalmente a energia eólica. Foram amplamente debatidos temas como melhores práticas em indução de investimentos, sinal de preços, avaliação de riscos negociais e resposta da demanda. • Alguns mercados de energia tais como EUA e França estão bem avançados neste tópico e o debate que ocorreu foi relativo às várias formas de operar o mercado neste novo contexto, quanto a modelos de mercado e estruturas regulatórias. • A regulamentação no Brasil ainda não incluiu este tema dentre as maiores prioridades de avanços, o que certamente ocorrerá em breve com a entrada da Geração Distribuída no mercado varejista. 15. COMITÊ DE ESTUDO – C6 • Armazenamento de energia em sistemas de distribuição, destacando o gerenciamento de energia elétrica e térmica armazenada e o aumento da eficiência energética com “multi- energia” através da interação com a carga. O objetivo é considerar não só a energia elétrica obtida nos sistemas de armazenamento de energia, mas também outras energias para maximizar o benefício energético de cada sistema de distribuição. Exemplo disso seriam sistemas de armazenamento de energia térmica (calor, frio) materiais, equipamentos e tecnologias, bem como forte inserção das fontes renováveis e o aumento da participação da geração distribuída e do armazenamento de energia. • Expressivo esforço de desenvolvimento tecnológico e metodológico para redução dos impactos ambientais, sinalizando uma grande interação das equipes de meio ambiente das empresas com as equipes de engenharia, o que ainda não acontece com muita frequência no Brasil. Como exemplo, destaca-se um projeto piloto de GIS (Gas-Insulated Substation) desenvolvido no Reino Unido, que utiliza os princípios do eco-design, proporcionando a redução da quantidade de SF6 utilizada, pela melhoria da vedação, a otimização do arranjo e introdução do monitoramento do gás, e ainda está sendo testada uma mistura de gás denominada “greengas for grid” (g3). • Ênfase para redução do impacto visual das linhas e subestações de T&D, principalmente pelos países europeus, refletindo uma grande preocupação com a aceitação pública. E, ainda, uma crescente importância para os efeitos dos campos magnéticos das linhas subterrâneas. 13. COMITÊ DE ESTUDO – C4 • Como constatação técnica principal verifica- se uma tendência cada vez mais evidente dos vários comitês de estudo procurarem um enfoque voltado para temas como a geração distribuída, redes elétricas inteligentes e novos tipos de conexões às redes elétricas. • Continua comfoco prioritário as questões relacionadas com integração de fontes intermitentes (eólicas e solares) nos seus mais amplos aspectos: impacto no desempenho e nível de segurança do sistema elétrico, exploração de recursos destas fontes no sentido de apoiar no desempenho dinâmico e transitório da rede, sendo que a fotovoltaica está sendo aquela de maior interesse no momento. Em um recente leilão de energia a PV foi comercializada a 0,03 Eu$/kWh, demonstrando que é possível a redução do custo desta tecnologia. • Desenvolvimento intenso do uso de ferramentas de simulação que representem ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 35 CONSTATAÇÕES TÉCNICAS de comparação envolvendo um sistema de medição de um laboratório do exterior e o sistema que fez parte do trabalho que gerou a proposta apresentada. • Apesar de todo o trabalho já desenvolvido sobre este tema, ainda há a necessidade de se estudar comparativamente diferentes metodologias para avaliar a estabilidade à oxidação de diferentes ENI (Ésteres Naturais Isolantes) de forma a permitir que o usuário diferencie o desempenho destes fluidos isolantes frente à solicitação destes ensaios, bem como ter uma alternativa tecnicamente mais simples para monitoramento do consumo dos aditivos antioxidantes destes fluidos. Foi apresentada, pela delegação brasileira, uma contribuição técnica na Main Session sobre este tema. Também foi levantada a necessidade de formação de novo Working Group tanto estudar esta propriedade, estabilidade à oxidação, bem como outras propriedades funcionais relativas ao desempenho ambiental, resistência ao fogo e medição de ácidos de baixo peso molecular. 17. COMITÊ DE ESTUDO – D2 • Com o desenvolvimento contínuo da Internet das Coisas (IoT), é gerado um grande volume de dados por PMUs, medidores inteligentes e outros dispositivos conectados. Isso exige novas estratégias para lidar com essa informação, tais como armazenamento distribuído (para otimizar o processamento de recursos) e soluções de Big Data. • Com a crescente digitalização de recursos utilizados para monitorar as redes de energia elétrica, há um aumento na preocupação com a segurança cibernética de ativos. Porém, é necessário adequar as políticas de segurança aos requisitos específicos de sistemas de proteção e automação. • A migração de sistemas SDH (determinísticos) para sistemas de pacotes (estatísticos), como o MPLS-TP, vem sendo adotada mundialmente, à medida que se comprova a capacidade dos novos sistemas de atender aos requisitos de tempo e confiabilidade exigidos em esquemas de proteção diferencial e de distância. para poder aumentar a eficiência do todo. • Eletricidade inteligente para todos, destacando smart grid, microgrids, sistemas híbridos ilhados e redes em corrente contínua. Este tópico está voltado a eletrificação inteligente. Percebe-se que todos os sistemas, tanto como microgrids, rede, isolados e de corrente contínua, precisam considerar o atendimento inteligente para obter benefícios e maximizar a abrangência de uso de soluções para todos. • Planejamento estratégico de sistemas de distribuição incluindo resiliência (robustez) e confiabilidade, destacando o gerenciamento de Ativos de Geração Distribuída e o planejamento considerando micro redes e “congestionamentos” de rede com integração de renováveis. 16. COMITÊ DE ESTUDO – D1 • O desenvolvimento de fluidos gasosos isolantes elétricos com menor GWP (Global Warming Potential) do que o SF6 teve destaque tanto na seção pôster quanto na Main Session do SC D1. O desenvolvimento destes gases, no entanto, passa por algumas questões que precisarão ser melhor estudadas do ponto de vista das propriedades dielétricas, no que diz respeito ao desempenho tanto nas solicitações de arco como nas de interrupção. Outro aspecto está relacionado aos subprodutos de decomposição para monitoramento da qualidade do gás e do diagnóstico de condição operativa dos equipamentos. Também há que se considerar o fato de que, a partir do momento que cada fabricante está desenvolvendo fluidos isolantes gasosos com diferentes composições químicas, isto terá impacto na gestão dos ativos no futuro. Sobre este tema, podem ser vistas mais informações nas constatações técnicas do CE C3. • Ainda não há uma metodologia definida para garantir a rastreabilidade de sistemas de medição de impulso utilizados em ensaios de perfuração de isoladores. Membros do CIGRÉ-Brasil/CE D1 apresentaram uma proposta de rastreabilidade por comparação com sistemas de referência e foi sugerido, pelo coordenador do WG D1 60, que estuda o assunto, que seja realizado um trabalho 36 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 37 XXIII SNPTEE Data Envelopment Analysis (DEA): O Benchmarking do Setor Elétrico Brasileiro e a Árvore de Custos e Perdas RESUMO - Benchmarking é um processo de comparação sistemática de uma empresa com os demais players. O processo identifica se a empresa está fazendo o melhor uso de seus recursos e ativos, se existem oportunidades de melhoria e se as perdas são mínimas. A DEA é um tipo de benchmarking avançado, utilizado pelo regulador para identificar os custos eficientes e revisar as tarifas. A gestão de custos deve iniciar pelo conhecimento dos custos, seguida pela redução das perdas e eliminação dos desperdícios. A árvore de perdas pode indicar quais são as oportunidades para supressão dos custos evitáveis e ganhos de sinergia. O artigo propõe a transformação do sistema de medição em sistema de informações para tomada de decisão e aprendizado, visando à melhoria contínua. PALAVRAS-CHAVE - Data Envelopment Analysis (DEA), Benchmarking, Eficiência, Perdas, Custos. 1.0 INTRODUÇÃO Sua empresa é eficiente? Você é eficiente? De forma geral, espontaneamente a resposta seria sim. Mas eficiência é um conceito relativo, é necessário um referencial. Sua empresa é eficiente em relação a quem? O mercado competitivo naturalmente identifica os melhores, os benchmarks, aquelas que são os alvos para os demais. São empresas que conseguem os maiores resultados com o uso da menor quantidade de insumos. Este processo de identificar e aprender com as referências gera dinamismo, uma procura pela melhoria contínua e ganhos para todas as partes interessadas. No mercado monopolista é função do regulador simular um ambiente de competição. Um exemplo é o processo de revisão tarifária periódica (normalmente quatro anos) das concessionárias de transmissão e distribuição de energia no Brasil. O objetivo da revisão é analisar o equilíbrio econômico-financeiro da concessão, por meio do cálculo da receita necessária para cobertura dos custos operacionais eficientes e remuneração dos investimentos prudentes. Na aplicação dos ciclos de revisões tarifárias periódicas (RTP) as metodologias aplicadas foram e são discutidas com a sociedade em audiências públicas, as contribuições são avaliadas e fazem parte do processo regulatório. Voltando à pergunta inicial, todas as empresas concessionárias responderiam que seus custos são eficientes e seus investimentos são prudentes, logo todos deveriam ser reconhecidos e repassados para a tarifa (serviço pelo custo). Desde modo não existiria nenhum incentivo à busca de melhores práticas. Levando em consideração a condição de contorno de informações assimétricas e imperfeitas com relação às realidades de custos enfrentadas por cada concessionária, ainda dificultada pela presença de interesses conflitantes entre consumidores e empresas, a revisão tarifária periódica é um dos principais desafios para o conceito de modicidade tarifária (menor tarifa possível para manter a segurança do suprimento). O regulador incentiva a busca doaumento de eficiência por parte das companhias, por ocasião da revisão tarifária, onde parte destes ganhos é repassada ao consumidor. O repasse é realizado por meio do reconhecimento dos custos operacionais das empresas mais eficientes e ajustes nos custos das concessionárias que se encontram abaixo da fronteira de eficiência, neste caso, uma parte adequada dos custos é repassada em vez da sua totalidade. O ajuste é realizado por meio de um ônus que reconhece apenas os custos proporcionais ao índice de eficiência obtido. O objetivo de se adotar um método que avalie os reais custos das empresas com a aplicação de critérios de eficiência é simular a competição de forma que a cada ciclo tarifário os custos possam se reduzir em função dos ganhos de eficiência obtidos pelo conjunto das empresas. O conhecimento internacional na utilização de Lanier Peterson Castelo Branco Sampaio ELETROBRAS FURNAS 38 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 XXIII SNPTEE organizações, suas unidades, funções ou processos em face do que é considerado o melhor nível. Sustenta o processo dinâmico de melhoria, constituindo-se como uma forma de aprendizagem dado que a procura de melhores práticas implica uma análise cuidadosa das diversas formas de implementação dos processos, das metodologias de trabalho e dos diferentes arranjos organizacionais. Ponto de destaque: o benchmarking deve servir apenas como ponto de partida para o desenvolvimento de uma estratégia própria. A cópia das melhores práticas só contribui para a padronização e total falta de diferenciação. Alguns autores fazem alusão ao karaokê e dizem que quem imita nunca soará exatamente como o original e será sempre considerado como “chegando quase lá”. E isso não é suficiente no setor elétrico atual. O benchmarking e a cópia das melhores práticas deveriam ser empregados como o bilhete de entrada para qualquer empresa fazer parte da competição e não como um fim em si. Assim que as empresas conseguissem chegar a um determinado patamar de qualidade, elas deveriam trabalhar para se diferenciar no mercado de tal maneira que sua estratégia fosse praticamente impossível de ser copiada. Ressalta-se que simplesmente imitar a referência não é suficiente, soluções adotadas pelo benchmark podem não surtir o mesmo efeito quando aplicada em outra empresa. O método Data Envelopment Analysis – DEA (ou Análise Envoltória de Dados – AED) é um tipo de benchmarking avançado. Foi uma das técnicas desenvolvidas para responder a um dos maiores desafios estratégicos do mundo empresarial: medir e comparar sua eficiência relativa. O método DEA foi inserido na bibliografia em 1978 por Charnes, Cooper e Rhodes, como resultado da tese para obtenção de grau de PhD de Edward Rhodes sob a orientação de W.W.Cooper. Baseando-se nos conceitos de Farrel, acoplaram as estimativas das fronteiras de eficiência e realizaram análises de casos envolvendo relações simples até situações multidimensionais. A ideia do estudo era obter um método para medir a eficiência sem apelar para o uso de pesos determinados a priori para cada variável e sem ter que transformar as variáveis em valores econômicos comparáveis. Inicialmente foi empregado para avaliar a eficiência de escolas públicas. Como saídas foram considerados os resultados matemáticos, a melhoria de autoestima em testes psicológicos e a habilidade psicomotora. Como entradas, o número de professores e o tempo gasto pela mãe em leituras com o filho. metodologias de benchmarking é vasto, notadamente na determinação de custos operacionais de concessionárias atuantes em setores regulados de infraestrutura. Existe uma multiplicidade de metodologias de benchmarking que podem ser classificados basicamente em métodos de eficiência média e os métodos de fronteira. Para os principais autores do assunto, não há um método superior a priori, pois existem vantagens e desvantagens de acordo com a situação em que são empregados. Atualmente, a ANEEL utiliza a Análise Envoltória de Dados ou Data Envelopment Analysis (DEA) para comparar as concessionárias e identificar as referências nas revisões tarifárias dos segmentos de transmissão e distribuição. A mesma metodologia foi utilizada na determinação das receitas iniciais no processo de prorrogação das concessões em 2012. A qualidade na prestação do serviço é outro número utilizado. A metodologia utilizada para o cálculo dos custos operacionais eficientes constitui-se em um modelo que busca estabelecer parâmetros de eficiência de modo a determinar os custos associados à execução dos processos e atividades de operação e manutenção das instalações elétricas, direção e administração, em condições que assegurem que a concessionária poderá obter os níveis de qualidade do serviço exigidos e que os ativos necessários manterão sua capacidade de serviço inalterada durante todo seu ciclo de vida. Por analogia, é realizar a Gestão de Ativos, ou seja, o equilíbrio entre custos, desempenho e risco nos negócios gerenciados pelas concessionárias. O artigo apresenta a metodologia DEA, o motivo é óbvio, pois é a metodologia de benchmarking utilizada pelo regulador e indicações recentes mostram que o mesmo continuará a empregá-la nas próximas revisões, e propõe o seu uso pelas concessionárias como modo de precificar os impactos futuros e ajustar seu curso de forma preventiva. Pode ser utilizada em conjunto ou substituir a empresa de referência empregada por algumas concessionárias para montar o quadro qualiquantitativo. É proposta a construção da árvore de custos e perdas com auxílio da DEA para facilitar o entendimento dos custos, a redução das perdas, a eliminação dos desperdícios e o combate às falhas. Uma aplicação prática mostra os principais resultados da proposta. 2.0 ANÁLISE ENVOLTÓRIA DE DADOS O benchmarking é uma metodologia sistemática que permite a comparação do desempenho das ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 39 XXIII SNPTEE não-paramétricos, as referências (as melhores unidades na conversão de insumos em produtos, ou seja, as unidades que utilizam a menor quantidade de insumos para gerar a maior quantidade de produtos) são identificadas por meio da borda da fronteira concebida com base nas unidades de máximo desempenho observado. As demais unidades encontram-se abaixo da fronteira e o valor de sua eficiência é expresso em relação às referências. Após a aplicação do DEA, todas as unidades observadas farão parte ou estarão abaixo da fronteira obtida. No método DEA as unidades de produção são consideradas como DMUs (Decision Making Units, Unidades de Tomada de Decisão), sendo que cada DMU é responsável em converter insumos em produtos. Para aplicação do método DEA no processo de comparação de eficiência de um conjunto de unidades de produção é necessário seguir determinados pré- requisitos. Os pré-requisitos garantem que a fronteira de eficiência estimada seja robusta e alcance o objetivo de identificar corretamente as unidades de referência. Para a quantidade de DMUs, como regra geral, é aceito que no mínimo três DMUs são indispensáveis para cada relação insumo e produto utilizada na análise. As unidades comparadas devem ser homogêneas, devem realizar atividades semelhantes, possuir autonomia no processo de decisão, produzir e trabalhar nas mesmas condições de mercado e tendo acesso aos mesmos insumos, diferenciando-se apenas pelas quantidades consumidas e produzidas. Ou seja, é preciso identificar e retirar os outliers da amostra. Os primeiros modelos matemáticos utilizados foram o CCR (abreviação devido às inicias dos autores – Charnes, Cooper e Rhodes) ou CRS (relativo ao termo em inglês: Constant Returns to Scale - Retorno Constante de Escala), criado porCharnes, Cooper e Rhodes em 1978, utilizava orientação para insumo e retornos de escala constante e o BCC (abreviação devido às inicias dos autores – Banker, Charnes e Cooper) ou VRS (relativo ao termo em inglês: Variable Returns to Scale - Retorno Variável de Escala) desenvolvido por Banker, Charnes e Cooper em1984, onde substituíram os retornos de escala constante por retornos variáveis. A Figura 1 apresenta a fronteira para os dois modelos. O eixo X representa os insumos e o eixo Y os produtos. As referências estão localizadas nas fronteiras e definem sua forma. As unidades que apresentam oportunidades de melhorias estão dentro das fronteiras e a distância entre elas e a fronteira indica seu percentual de eficiência relativa à amostra. O modelo inicial aplicado no método DEA, criado por Charnes, Cooper e Rhodes, utilizava retorno constante de escala, ou seja, considerava que todas as unidades comparadas estavam operando na escala ótima de produção. Em 1984, Banker, Charnes e Cooper trocaram os retornos de escala constante por retornos variáveis, desenvolvendo um modelo para o método DEA capaz de comparar unidades operando em escalas de produção diferentes. Na sequência, a metodologia foi estendida às empresas privadas e hoje o método é flexível e robusto o suficiente para ser aplicadas em qualquer sistema que proporcione um grupo de entradas e saídas mensuráveis, independentemente de serem quantitativas ou qualitativas. O método DEA compara a eficiência de unidades de produção semelhantes, ponderando os diversos aspectos que estão envolvidos nas diferentes atividades desempenhadas e confere esse desempenho com outras entidades similares. Ou seja, o método DEA fornece a eficiência relativa da unidade de produção em relação ao conjunto, não a eficiência absoluta, permitindo verificar por observação, mas não comparando com o máximo teórico. O conceito de eficiência é um conceito relativo. A produtividade é a razão entre a quantidade de produtos obtidos pela quantidade de insumos utilizados. Eficiência, por definição, expressa a relação ótima entre recursos produzidos e insumos utilizados. A eficiência máxima teórica ocorre quando os insumos tendem para zero e os produtos tendem para infinito. Algo apreciável, mas não prático. Torna- se mais lógico calcular a eficiência em relação a observações reais, ou seja, calcular a eficiência de uma empresa em comparação aos seus concorrentes de mercado. O DEA é um método não-paramétrico. Nos métodos não-paramétricos não são feitas hipóteses, a priori, sobre o contorno analítico da função de produção. É estabelecida empiricamente uma função da melhor prática em relação aos insumos e produtos observados. Esta função é linear por partes e, como tal, seria uma aproximação da função correta, se a mesma existisse. Portanto, esta visão delibera padrões reais, cujo comportamento pode ser estudado a partir da observação de cenários concretos. Além disso, admitindo avaliação simultânea de múltiplos insumos e múltiplos produtos, oferece resultados mais completos que os passíveis de serem obtidos por meio de modelos paramétricos. Em avaliações de eficiência que empregam modelos 40 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 XXIII SNPTEE empresa de referência é simplesmente uma cópia esculpida e encarnada das práticas anteriores. A figura 02 representa o fato. Figura 2 – a) empresa de referência visão local (subjetiva) igual ao passado; b) empresa de referência visão de mercado, benchmark (objetiva). 4.0 DEA E REGULAÇÃO NO BRASIL A metodologia DEA fez parte do primeiro ciclo de revisão tarifária das transmissoras em 2007. Foram utilizados dados em painel de oito concessionárias de transmissão: CEEE, Cemig, Chesf, Copel, CTEEP, Eletronorte, Eletrosul e Furnas, as mesmas que foram comparadas no processo de prorrogação das concessões em 2012. Como insumo foi escolhido o custo total das empresas (TOTEX) e como produtos: linhas de transmissão (km), módulos de manobra, quantidade de transformadores e capacidade de transformação (MVA). Foi realizado um ajuste para deixar as empresas com escores de eficiência entre 80 e 100%. A figura 3 resume os resultados da eficiência por empresa. Figura 3 – Escores de eficiência relativa no primeiro ciclo de revisão tarifária das transmissoras. Em 2010, no segundo ciclo, a metodologia DEA foi aplicada em dois estágios, buscando capturar Figura 1 - Modelos CCR e BCC. 3.0 EMPRESA DE REFERÊNCIA E O QUADRO QUALIQUANTITATIVO O modelo de empresa de referência já foi utilizado no Brasil durante os primeiros ciclos de revisões tarifárias das concessionárias de distribuição de energia elétrica. O modelo consistia basicamente em calcular os custos com base em frequências e tempos de execução de tarefas previamente definidas para definir custos operacionais. Deve-se ressaltar que o método da empresa de referência é um método não utilizado em países com longa tradição em regulação. Com o avanço dos estudos e contribuições, o método da empresa de referência foi substituído pela metodologia DEA. Desde o primeiro ciclo da revisão das transmissoras já se utilizava a DEA. O método da empresa de referência é não invasivo. Os custos operacionais justos são determinados por meio da criação de uma empresa fictícia, atendo a mesma área de concessão, para concorrer com a concessionária em revisão. Lembrando que a metodologia DEA compara a eficiência de empresas reais atuando no mercado e molda a fronteira com as referências. No processo de readequação ao cenário do setor elétrico no Brasil após a MP579, algumas companhias, com o auxílio de consultorias, utilizaram o método da empresa de referência para montar seu quadro qualiquantitativo. Da mesma maneira como na regulação, existe assimetria de informações. A metodologia DEA poderia ter auxiliado este processo e reduzido a subjetividade do mesmo. A subjetividade aparece quando, nas diversas reuniões, cada área que defender ao máximo sua estratégia, acreditando que as oportunidades de melhoria só existem em outros quintais, seu dever de casa já foi feito. É o fato de querer obter resultados diferentes fazendo as mesmas coisas. Neste caso a ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 41 XXIII SNPTEE MP579. Por meio de um gráfico de tendências é possível estimar os próximos resultados. Caso as empresas não modifiquem suas estratégias, a média do escore de eficiência continuará a cair. Figura 6 – Evolução dos escores de eficiência relativa das concessionárias. As usinas que, a partir de 2013, são remuneradas pela Receita Anual de Geração (RAG) provavelmente entrarão em um ciclo de revisão das suas tarifas de O&M com base da metodologia da transmissão. 5.0 DEA E A ÁRVORE DE CUSTOS E PERDAS A árvore de custos é basicamente o desdobramento do PMSO (Pessoal, Material, Serviços e Outros) da empresa. A figura 7 exemplifica uma árvore de custo montada. Figura 7 – Exemplo de árvore de custos. A Manutenção Produtiva Total (TPM) visa à proteção de valor do acionista, resgatando as condições básicas dos ativos e garantindo sua confiabilidade, a partir da identificação de perdas no processo produtivo. Na metodologia TPM, é sugerida a utilização de uma sistemática que, a partir da comparação dos resultados a influência de variáveis ambientais, por exemplo, remuneração média, nível de tensão das linhas e dispersão da rede. Como insumo foi escolhido o custo operacional (OPEX) e como produtos: linhas de transmissão (km), módulos de manobra, quantidade de transformadores e capacidade de transformação (MVA). O resultado do segundo ciclo é apresentado na figura 4. Ressalta-se que entre o primeiro esegundo ciclo, ocorreram mudanças estratégicas em algumas concessionárias, consequentemente, reposicionamento dos benchmarks e modificação do ranking de eficiência. Figura 4 – Escores de eficiência relativa no segundo ciclo de revisão tarifária das transmissoras. Na definição das receitas iniciais de O&M das transmissoras que tiveram prorrogadas as suas concessões, a metodologia foi mais uma vez utilizada pelo regulador. Neste caso, os escores de eficiência foram ajustados pela qualidade na prestação do serviço de transmissão, foi utilizado o desconto da Parcela Variável por Indisponibilidade normalizado. A figura 5 apresenta os valores. Figura 5 – Escores de eficiência relativa no processo de prorrogação das concessões. Na figura 6 é mostrada a variação dos escores relativos de eficiência das concessionárias de transmissão do primeiro ciclo de revisão tarifária até a 42 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 XXIII SNPTEE clima organizacional ruim, líderes e visões diferentes. A análise multicritério fornecida pela metodologia DEA na construção da árvore de perdas facilita a visão do todo, ou seja, as unidades não necessariamente precisam ter excelência operacional em todos os seus indicadores para serem referências. Dependendo das condições de contorno do ambiente competitivo e com o foco no equilíbrio entre custo, desempenho e risco a excelência operacional é alcançada mesmo que a unidade tenha alguns processos que não estejam no nível de classe mundial, ou seja, são eficientes naquilo em que são referências e apresentam desempenho não tão ruim naquilo que não são referências. A objetividade fornecida pela análise pode facilitar a definição de metas empresarias gerais, locais e individuais, por meio da comparação entre áreas internas da empresa. O procedimento pode ser incrementado com a utilização de dados externos. É importante destacar a necessidade de uma mudança por meio de um processo de ruptura para atingir a excelência operacional. A gestão de custos começa com o conhecimento dos custos, o próximo passo é a redução das perdas e eliminação do desperdício. 6.0 CONCLUSÃO A discussão sobre a aplicação da metodologia DEA na comparação das concessionárias ainda não foi esgotada. Existem pontos com oportunidades de melhoria para os próximos ciclos de revisão. O fato é que, para identificar os custos operacionais eficientes utilizados nas revisões tarifárias periódicas das concessionárias de transmissão e distribuição de energia elétrica e para definição da receita inicial de O&M após a prorrogação dos contratos de concessão, o regulador tem adotado a metodologia da Análise Envoltória de Dados. Declarações recentes indicam será mantida esta base metodológica nos próximos ciclos. Logo, as empresas que passam pelo processo de revisão tarifária deveriam adotar a metodologia DEA no seu portfólio de técnicas de benchmarking. O artigo mostrou que a utilização conjunta da da empresa com algumas referências estabelecidas (benchmarks), possam identificar grupos de perdas do negócio. A partir desta identificação sistemática, toda a organização deve definir ações para minimizar ou eliminar estas perdas. Esta sistemática de identificação e priorização da eliminação de perdas é conhecida como “Árvore de Perdas”. A árvore de perdas é mais complexa de montar do que a árvore de custos. A causa principal deste fato é a dificuldade em identificar as fontes de perdas, estas podem ser internas ou externas, representadas por maiores custos ou redução de produção, multas, descontos sobre receita, impactos na imagem, evasão de talentos, clima organizacional ruim, desmotivação, problemas crônicos, retrabalhos, pessoas erradas nos locais certos, feudos, perseguição, decisões ou estratégias erradas e falta de visão. Como apoio à construção da árvore de perdas é proposta a utilização da metodologia DEA. O modelo selecionado foi o BCC, devido à presença de unidades de produção operando em escalas diferentes. O processo utilizado foi padrão até a introdução da fronteira invertida para melhorar a discriminação das DMUs. Os pontos chaves na aplicação do método DEA são seguidos, depois do escore padrão de eficiência ser encontrado, o escore invertido é calculado e a eficiência composta identifica as DMUs que são eficientes naquilo em que são referências e apresentam desempenho não tão ruim naquilo que não são referências. Como insumo foi considerado o custo operacional relativo. Como produtos foram utilizados a quantidade de ativos, produtividade, disponibilidade e sustentabilidade (econômica, ambiental e social). Foram utilizados dados em painel de 10 áreas diferentes. Os escores de eficiência obtidos indicaram as lacunas entre os insumos utilizados em determinada área e as referências. A tabela 1 apresenta as lacunas para determinadas áreas. Entre as causas das diferenças foi possível encontrar: preenchimento das ordens de serviço, erro de lotação e contábil, homem-hora de espera, retrabalho, composição das equipes, instrumentos, trabalho em equipamentos energizados, procedimentos distintos, Tabela 1 – Valores para auxiliar a construção da árvore de perdas de determinadas áreas. ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 43 XXIII SNPTEE (6) Chiang, C. Y., Lin, B. (2009). An integration of balanced scorecards and data envelopment analysis for firm’s benchmarking management. Total Quality Management. Volume 20, número 11, p. 1153-1172. (7) Kaplan, R.S. & Norton, D.P. (1996). The Balanced Scorecard: Translating Strategy into Action. Boston, MA: Harvard Business School Press. (8) Kaplan, R.S. & Norton, D.P. (2005). The balanced scorecard: measures that drive performance. Harvard Business Review, 83, 172-180. (9) Palmeira, J. N. (2001). Manutenção Produtiva Total: O Caso da Eletronorte. Dissertação de mestrado executivo. Fundação Getúlio Vargas. São Paulo – SP. (9) Rocha, A. V. M. A. et al. (2010). Avaliação do desempenho das unidades de negócio da Sabesp à luz do seu balanced scorecard: um estudo apoiado em DEA. Anais do SIMPOI. São Paulo. (10) Sampaio, L. P. C. B. (2011). Dupla ótica sobre a comparação de eficiência entre empresas de transmissão de energia elétrica. Tese de doutorado em Engenharia Elétrica. Universidade de Brasília. Brasília – DF. (11) Thanassoulis, E. (2001). Introduction to the theory and application of data envelopment analysis. USA: Kluwer Academic Publishe. Análise Envoltória de Dados com a árvore custos e perdas possui um alto potencial de sinergia. É uma técnica preventiva que pose ser empregada pelas concessionárias para se anteciparem aos processos de revisão tarifária e ajustarem sua estratégia para alcançar o melhor equilíbrio entre custo, desempenho e risco, visando maximizar os resultados para todas as partes interessadas. O uso desta metodologia pode levar a empresa a obter vantagens em sua competitividade pelo ajuste de custos de produção, melhoria da qualidade e otimização dos processos produtivos. A objetividade da metodologia DEA é destaque no processo de construção da árvore de perdas. Dados de mercado são utilizados para comparar e identificar oportunidades de melhorias por meio da redução das perdas e eliminação do desperdício. A subjetividade gerada pela interferência dos gestores das áreas comparadas é drasticamente reduzida. A proposta é um instrumento para auxiliar a transformação do sistema de medição em sistema de informações para tomada de decisão e aprendizado, visando à melhoria contínua. Pode ser utilizada para avaliar e comparar o desempenho e a eficiência operacional de qualquer processo ou empresa que tenha entradas e saídas mensuráveis por meio da busca dos benchmarks, contratação de metas de desempenho com os líderese monitoramento constante de resultados. É uma ferramenta na busca da excelência operacional e do desempenho Classe Mundial. 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (1) Aragão, I. R.(2008). Redução de Perdas em um Processo Produtivo Petroquímico com o Uso Conjunto da Árvore de Perdas e do Seis Sigma. Dissertação de mestrado em Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis – SC. (2) Asghar, S., Yavarian, H., Azodi, M. A. (2009). Performance Evaluation of Organizations: An Integrated Data Envelopment Analysis and Balanced Scorecard Approach. International Journal of Business and Management. Voume 4, número 4. (3) Balzani, H. (2006). Balanced scorecard - BSC: uma ferramenta de gestão. O portal da administração. (4) Banker, R.D., Charnes, A., & Cooper, W.W. (1984). Some models for estimating technical and scale efficiencies in data envelopment analysis. Management Science, 30, 1078–1092. (5) Charnes, A., Cooper, W. W., & Rhodes, E. (1978). Measuring the efficiency of decision making units. European Journal of Operational Research, 2, 429–444. 44 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 XXIII SNPTEE Modernização do Sistema de Excitação em uma Termelétrica a Ciclo Combinado Utilizando Tecnologia Nacional RESUMO - O desafio de manter altos índices de disponibilidade e confiabilidade em usinas termelétricas a ciclo combinado é mais acentuado, pelo fato de que a tecnologia empregada é totalmente importada, o que cria uma dependência externa para manutenção dos equipamentos. Este trabalho apresenta um caso de sucesso no emprego de tecnologia nacional para substituição do regulador de tensão do gerador da unidade a vapor da UTE Araucária. A alternativa em continuar com a dependência do fornecedor original poderia acarretar grandes indisponibilidades da usina devido à dificuldade na obtenção de suporte técnico e reposição de sobressalentes, para um equipamento tecnologicamente ultrapassado. PALAVRAS-CHAVE - Sistemas de excitação, Regulador de tensão, Gerador síncrono, Retrofit, Ciclo combinado 1.0 INTRODUÇÃO 1.1 Descrição da planta A UEG Araucária Ltda. (UEGA) é uma parceria formada pela Companhia Paranaense de Energia (COPEL) e a Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS), para construir e operar uma planta de geração termoelétrica a gás natural de ciclo combinado de 484,15 megawatts (MW) na Região Metropolitana de Curitiba, Estado do Paraná, Brasil, conforme apresentado na Figura 1. A Figura 2 apresenta uma vista geral da planta. FIGURA 1 – Composição societária e localização da planta Como parte do Programa Prioritário de Termelétricas (PPT) (2), entrou em operação em 2002 e foi recomissionada em 2006, após longo período de hibernação. A principal característica deste projeto é de ser totalmente importado e haver grande dependência tecnológica. A usina foi construída na modalidade turn-key, em que os custos de aquisição são reduzidos, mas os custos de operação e manutenção são maiores, devidos principalmente à dificuldade de nacionalização de equipamentos e falta de suporte técnico nacional. FIGURA 2 – Vista geral da UTE Araucária A planta é composta por três unidades geradoras: duas delas a gás, denominadas CTG1 e CTG2 (Combustion Turbine Generator) e uma a vapor, denominada STG (Steam Turbine Generator) operando em ciclo combinado. A operação das unidades a gás só é possível quando combinada com a operação da unidade a vapor, devido à inexistência de “chaminé de by-pass” das caldeiras de recuperação de calor. Assim sendo, a indisponibilidade da STG gera indisponibilidade de toda a planta. 1.2 Análise da ocorrência (5) Devido ao desligamento do centro de cargas 2 do serviço auxiliar 4,16kV da UTE Araucária, ocorreu subtensão geral nos centros de controle de motores (CCMs) das unidades geradoras CTG2 e STG. Não foi Alécio José Grzybowski Jr. (*) REIVAX l Edson Gonçalves de Oliveira l Odenir Miranda Rodrigues COPEL Victor Manuel Lopes Santos UEGA ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 45 XXIII SNPTEE responsável pelo envio dos sinais de supervisão do AVR da STG ao sistema de controle digital e instrumentação local. Desta forma, com três cartões danificados e apenas um sobressalente, a solução foi indisponibilizar um dos canais de controle. Após realização do teste de disparo em tensão das pontes retificadoras, com o auxílio de um gerador de sinais e alimentação externa, as formas de onda apresentaram operação normal dos elementos de potência. Assim sendo, a unidade foi liberada para a operação com um dos canais de regulação indisponível. A partida de toda a planta foi acompanhada atentamente, ocorrendo com normalidade. 1.3 Plano de ação emergencial Após a recomposição de toda a planta, foi iniciado um plano de ação emergencial visando à modernização do sistema de excitação e consequente reestabelecimento dos níveis originais de redundância de canais de controle. O requisito fundamental para esta intervenção era possibilitar que a substituição pudesse ocorrer durante a parada da planta para manutenção geral, que estava programada para aproximadamente 90 dias após a data da ocorrência. Tal restrição inviabilizou, de antemão, uma modernização total do sistema, por conta dos altos prazos de entrega envolvidos na importação dos componentes que compõem a etapa de potência, afetando significativamente os prazos de expedição. Assim, a solução se encaminhou para o retrofit parcial, considerando a modernização dos módulos de controle e aproveitamento da etapa de potência original. Para garantir boas condições de manutenção preventiva e preditiva nos componentes que seriam mantidos, a instalação de novos sensores foi realizada, bem como implementação de novas funcionalidades. Neste contexto, a necessidade de uma interface homem-máquina (IHM) mais completa foi considerada no desenvolvimento da nova solução. A preocupação em evitar ocorrências similares à descrita acima motivou também a inclusão de pontos redundantes de medição da temperatura ambiente na sala elétrica do AVR, possibilitando a detecção imediata de possíveis problemas nos sistemas de refrigeração. 2.0 PROJETO DE INTERFACE 2.1 Arquitetura do sistema de excitação O sistema de excitação aplicado à unidade geradora possível reenergizar o centro de cargas, devido à ocorrência de falha nas duas fontes. O centro de cargas ficou desenergizado das 6h00 às 10h00 do dia 17/06/2014. As 09h44 ocorreu o desligamento da unidade STG, por falha no regulador de tensão do gerador. O restabelecimento completo do serviço auxiliar em 4,16 kV se deu após a substituição do relé digital de proteção danificado e a inspeção elétrica nos barramentos dos CCMs afetados. Ao acessar o compartimento do sistema de excitação da STG, foi observada a falha dos dois sistemas de refrigeração do ar HVACs (Heating, Ventilating and Air Conditioning), que têm fonte elétrica proveniente do CCM da STG. Com isto a temperatura no interior do cubículo atingiu valores acima de 50ºC. Assim, a unidade STG ficou operando na condição FSNL (Full Speed No Load), para investigação da ocorrência. Após a diminuição da temperatura no local, uma inspeção interna detalhada dos equipamentos, bem como uma verificação na oscilografia do gerador foi realizada, não detectando falhas aparentes. Uma tentativa de excitação da unidade foi realizada, sendo observado a entrada da pré-excitação, levando a tensão terminal da unidade ao patamar de 4,5kV, sinalizando na IHM (Interface homem-máquina) falha de tempo máximo da pré-excitação e falha no segundo estágio da excitação. Devido ao alto custo de se manter as turbinas operando, a unidade geradora foi parada para investigaçãodetalhada dos componentes internos do AVR (Automatic Voltage Regulator). A indisponibilidade da turbina a vapor acarretou a indisponibilidade de toda a UTE Araucária por 72 horas. A suspeita principal da causa das falhas em questão recaiu sobre o módulo de disparo das pontes e do módulo de chaveamento entre os dois canais de regulação e as duas pontes retificadoras. Os mesmos foram ensaiados em bancada, verificando-se que apresentavam funcionamento normal. Após tentativas fracassadas de acesso à programação dos mesmos, através de interface serial em software específico, foi estabelecido contato com o suporte técnico do fabricante, que enviou o manual correspondente ao módulo em versão diferente da disponível no acervo técnico da usina. De posse deste manual, foi possível verificar problemas no recebimento do sinal de controle, detectando-se, assim, danos nos módulos responsáveis pelo envio do sinal para os módulos de geração de pulsos que estavam danificados, além de outro módulo de saída analógica, 46 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 XXIII SNPTEE 2.3 Definição da plataforma a ser adotada A definição da plataforma de hardware a ser adotada levou em conta a padronização entre os novos módulos de controle e os já instalados nas unidades a gás (CTG1 e CTG2). Assim, além de proporcionar a redução da variabilidade de peças sobressalentes, aprimorou-se também a capacidade técnica das equipes da operação e manutenção, já familiarizadas com a plataforma em questão. 2.4 Novas funcionalidades implementadas A instalação do novo regulador de tensão e a inclusão de novos sensores possibilitaram a implementação de novas funcionalidades no sistema, tais como: a. Supervisão de condução dos tiristores e equalização de corrente entre retificadores em paralelo Para medição individualizada das correntes de entrada de ambos os retificadores, foram instalados sensores de efeito hall em cada uma das fases, possibilitando assim a execução de rotinas de supervisão de condução e equalização de correntes. A supervisão de condução identifica falhas no disparo de cada um dos tiristores quando a leitura de corrente é inferior a um valor ajustável de dropout, otimizando as ações de manutenção, quando necessárias. Já o algoritmo de equalização permite o balanceamento das correntes entre as pontes em paralelo ou entre os tiristores (que ocupam a mesma posição) através de pequenas variações no ângulo de disparo. Tal sistema garante melhor equilíbrio térmico dos componentes bem como desgaste mais uniforme dos mesmos, garantindo aumento da vida útil do sistema como um todo. b. Supervisão de temperatura das pontes retificadoras e da sala elétrica A instalação de novos sensores do tipo PT100 nos pontos de entrada e saída de ar das pontes retificadoras, bem como em pontos estratégicos da sala elétrica, possibilitou uma monitoração térmica mais completa, garantindo assim a identificação imediata de problemas na ventilação das pontes retificadoras e nos sistemas de refrigeração da sala elétrica. c. Aplicação de degrau e controle do disparo em malha aberta incorporada às rotinas de ensaios e testes STG da UTE Araucária é de Autoexcitação Direta Simples (Excitatriz Estática Alimentada por Fonte de Tensão) (3), com a alimentação de potência realizada através de um transformador de excitação conectado aos terminais do gerador (sistema bus-fed). Possui redundância de módulos de controle e também de pontes retificadoras, as quais são tiristorizadas e com característica extraível, com capacidade individual de suprir integralmente a corrente nominal do sistema. A desconexão com o campo é realizada no lado de corrente contínua, através de um contator de campo montado sobre barras composto por dois contatos de potência normalmente abertos (NA) e um contato adicional normalmente fechado (NF), responsável pela conexão do resistor de descarga de campo, o qual possui característica linear. 2.2 Componentes substituídos e acrescentados A análise para definição dos componentes do sistema de excitação a serem substituídos levou em conta aspectos técnicos e logísticos. Os aspectos técnicos associados envolveram não só integridade dos componentes – garantida através de inspeção visual e ensaios – como também a compatibilidade na integração dos mesmos ao novo sistema. A Figura 3 apresenta uma visão geral do sistema, identificando os componentes que foram substituídos e/ou modernizados. FIGURA 3 – Diagrama arquitetural identificando os componentes substituídos/acrescentados Entre os componentes substituídos encontram-se todo o hardware de controle (controlador programável, módulo de aquisição e controle e módulo de disparo e supervisão de pontes tiristorizadas), resistência de descarga linear e módulo de proteção de sobretensão do campo do gerador (crowbar). ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 47 XXIII SNPTEE FIGURA 5 – Comparativo de interfaces de operação: antes (esquerda) e depois (direita). 3.2 Cronograma executado A Figura 6 apresenta o cronograma executado, em um tempo total de 89 dias desde o início do plano emergencial. FIGURA 6 – Cronograma geral do projeto de modernização Destacam-se aqui os prazos envolvidos nas etapas de campo, que totalizaram dez dias. O serviço de instalação envolveu uma equipe formada por um supervisor, três técnicos eletricistas e dois ajudantes, sendo executado em apenas sete dias, em uma jornada de doze horas diárias. Já a etapa de comissionamento, dividida entre ensaios com máquina parada, em vazio e em carga foi executada em três dias. 4.0 ENSAIOS DE CAMPO Os ensaios de campo na unidade geradora STG envolvem restrições quanto ao tempo máximo de operação a vazio (FSNL) e uma grande pressão para que não ocorram desligamentos indesejados durante os ensaios em carga, por conta da interferência com os ensaios paralelos de tomada de carga nas unidades a gás. Tais restrições aumentam a exigência quanto a uma programação detalhada dos ensaios com a máquina rodando, para melhor aproveitamento do tempo. A seguir são apresentados alguns comparativos técnicos entre ambos os sistemas, quanto aos resultados obtidos em campo. A possibilidade de aplicação de degraus para verificações da resposta dinâmica, bem como a funcionalidade de comando direto em malha aberta (variando a referência do ângulo de disparo dos tiristores) facilitam os ensaios de comissionamento e as rotinas de manutenção. 3.0 INSTALAÇÃO 3.1 Aspectos construtivos A facilidade na instalação foi premissa básica na definição dos detalhes construtivos das placas de montagem que comportam os novos componentes de hardware, tendo sido dispostas de forma a ocupar os mesmos espaços físicos internos dos painéis antigos e permitir o aproveitamento de todos os cabos de interface externa. Desta forma, a etapa de desmontagem do antigo sistema mereceu atenção especial na identificação de componentes e conexões elétricas, bem como o máximo cuidado para não afetar a integridade física dos componentes a serem mantidos. A Figura 4 apresenta as disposições físicas do sistema, antes e depois da intervenção. FIGURA 4 – Comparativo de hardware do controlador: antes (esquerda) e depois (direita). Para a instalação de sensores de efeito hall de monitoramento das correntes de entrada das pontes retificadoras foi necessária a desmontagem de todos os barramentos da etapa de potência, para a fixação dos mesmos nos pontos específicos. A substituição da interface de operação local foi facilitada por conta de sua característica modular, sendo fornecida uma nova placa com as mesmas dimensões, com os componentes previamente montados. A Figura 5 apresenta um comparativoentre ambas. 48 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 XXIII SNPTEE É perceptível o amortecimento das oscilações na Potência Ativa. FIGURA 10 – Resposta a degraus de 3% com PSS desabilitado/habilitado – novo sistema 4.2 Limitadores do Regulador de Tensão O ajuste dos limitadores dinâmicos do novo sistema foi baseado na curva de capabilidade da máquina síncrona, apresentada na Figura 10, e nos ajustes aplicados ao sistema antigo (1). FIGURA 11 – Curva de capabilidade indicando ajustes dos limitadores antigos (1). Na Figura 11 é apresenta a representação gráfica do ajuste dos limitadores do novo sistema de excitação: 4.1 Estabilizador de Sistema de Potência (Power System Stabilizer) O Estabilizador de Sistema de Potência do sistema de excitação antigo era baseado na topologia PSS2A (4), sendo substituída pela topologia PSS2B (5) do novo sistema. Ambos os diagramas são apresentados nas Figuras 7 e 8. Pode-se notar que são topologias muito similares que se diferenciam apenas quanto à quantidade de blocos de avanço-atraso na saída da malha de controle, de dois para três. FIGURA 7 – Diagrama de blocos PSS2A (4). FIGURA 8 – Diagrama de blocos PSS2B (5). A resposta dinâmica do sistema a partir de degraus na referência de tensão terminal do regulador de tensão pode ser verificada a seguir. A Figura 8 apresenta as curvas de resposta para um degrau de -2% registrado no relatório de comissionamento do sistema antigo. Já a Figura 9 apresenta a resposta dinâmica do novo sistema, a partir de degraus de 3% na referência de tensão terminal do regulador de tensão, sendo que o primeiro degrau foi realizado com o PSS desabilitado, sendo o mesmo habilitado para o segundo degrau. FIGURA 9 – Resposta ao degrau de 2% com PSS desabilitado/habilitado - sistema antigo (1). ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 49 XXIII SNPTEE limitador de subexcitação (UEL - under excitation limiter), limitador de corrente estatórica (SCL - stator current limiter), limitador de máxima corrente de campo (OEL - overexcitation limiter) no nível térmico (th) e de pico (pk). FIGURA 12 – Representação gráfica do ajuste dos limitadores do novo sistema. 5.0 ASPECTOS ECONÔMICOS Ainda que a variável tempo tenha sido decisiva na opção pelo retrofit parcial, a solução se mostrou de alta viabilidade econômica quando comparada a uma modernização integral do sistema, neste caso. O alto nível de customização da solução onerou uma quantidade maior de homem-hora de projeto, custos adicionais de produção e um maior tempo de instalação. Em contrapartida, o reaproveitamento dos componentes de potência promoveu uma redução considerável nos custos de material. Tal redução tende a ser mais significativa em equipamentos de grande potência instalada. Ressalta-se que em determinados casos o custo da modernização parcial pode ser significativo em relação à modernização total, principalmente quando a tecnologia utilizada nos conversores originais é muito antiga, gerando muitas dificuldades de adequação, como, por exemplo, a instalação dos sensores de corrente. 6.0 CONCLUSÃO Tomando como referência para análise o período de tempo transcorrido entre a ocorrência de indisponibilidade até a entrega da unidade geradora para operação, com o novo sistema de excitação já comissionado, pode-se perceber que todas as ações ocorreram de forma satisfatória e dentro do prazo previsto, indicando o sucesso na execução do projeto como um todo. A adoção de uma plataforma de tecnologia nacional, de alta flexibilidade, garantiu não só a segurança de um atendimento técnico mais rápido e efetivo, como também a total integração dos componentes existentes com o novo sistema. Os novos pontos de monitoração acrescentados, bem como a instalação de uma interface homem-máquina mais completa e amigável, proporcionaram melhores condições de operação e manutenção. A viabilidade econômica da solução escolhida mostrou-se satisfatória, mesmo dentro de um contexto emergencial no qual, naturalmente, os custos envolvidos se tornam mais elevados. 7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (1) ALSTOM Power Service GmbH GME7 070 389 – Comissioning Record of the Excitation Equipment. Araucária, PR, Brasil. Julho de 2002. (2) BRASIL. Decreto no 3.371, de 24 de Fevereiro de 2000. Diário Oficial da União. Brasília, DF, Brasil. (3) CIGRÉ-BRASIL. Cigré-Brasil FT38.01.09 – Requisitos e desempenho de sistemas de excitação: Guia para especificação de sistemas de excitação para máquinas síncronas. Brasil, Setembro 1998. (4) IEEE POWER ENGINNERING SOCIETY. IEEE 421.5:1992: IEEE recommended practice for excitation system models for power system stability studies. Nova Iorque, NY, Estados Unidos da América, 1992. (5) IEEE POWER ENGINNERING SOCIETY. IEEE 421.5:2005: IEEE recommended practice for excitation system models for power system stability studies. Nova Iorque, NY, Estados Unidos da América, 2005. (6) OLIVEIRA, E.G.D.; RODRIGUES, R.M. Relatório de ocorrência 0080/2014 OMNI - Gestão de Operação e Manutenção Integradas. Araucária, PR, Brasil. Fevereiro de 2015. 50 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 XI SIMPASE Os Processos de Validação e Documentação em Sistemas Digitais de Automação de Subestação SUMÁRIO - Na última década os Sistemas de Automação de Subestação (SAS) passaram por um processo de evolução digital, integrando funções de um Dispositivo Eletrônico Inteligente (IED) que necessita se comunicar, trocar informações com outros IEDs para desempenhar suas funções. Assim promove- se a digitação de todo sistema criando as condições para a implementação dos Sistemas Digitais de Automação de Subestação, em inglês, DSAS. Este artigo mostra o impacto dessa nova tecnologia nas normas, projetos, aquisição e operação do DSAS com relação às definições da atividade de certificação e validação, inclusive abordando a nova versão da IEC61850, parte 10, responsável pela certificação de dispositivos operando com a norma IEC61850. A certificação e validação dos IEDs é usada para verificar se uma determinada unidade ou projeto é adequada para a aplicação a que se destina e satisfaz as especificações e requisitos do cliente. Tal certificação pode ser aplicada a um equipamento apenas ou em esquemas de proteção e controle que consiste no conjunto de dispositivos, dentre eles, IEDs, Switches, etc. Se um desses componentes for utilizado para outra aplicação, diferente do original, novo processo de certificação deve ser implantado. Esta certificação estabelece um modelo padrão para futuras comparações e verificações. O teste de certificação pela norma IEC 61850 está relacionado com o processo de normalização e faz parte do processo descrito na parte 10 da norma IEC 16850. Para os testes funcionais de comissionamento e manutenção temos os testes de rotina, testes de aceitação em fábrica e testes de comissionamento. O trabalho também descreve como a nova tecnologia também impacta a documentação do DSAS. Mostra e identifica, através da experiência dos autores e com as discussões realizadas no WG B5.39, Documentation Requirements from Design to Operation to Maintenance for Digital Substation Automation Systems, os recursos e requisitos atuais para a documentação para um DSAS nas etapas de seu ciclo de vida de forma abrangente. Para abordar as exigências de documentação de todo o ciclo de vida de uma DSAS, é imperativo ter uma compreensão completa do que é a documentação e como ele é usado. O trabalho discute os fatores que impactam nesse processo tais como a definição da filosofia de documentação, a consistência da informação, a relação entre as normas existentes sobre documentação e a documentação descrita pela norma IEC61850. A definiçãoda filosofia e processo da documentação do DSAS, deve considerar, não apenas transmissão e registro de documentos, mas também às suas características gerais e atributos tais como a estrutura, formato e propriedades. Documentação para o DSAS pode compreender um conjunto diversificado de arquivos com formatos diferentes, alguns deles necessitando de ferramentas de engenharia (softwares) para manuseio. A consistência da informação desempenha um papel vital na qualidade da informação. Manter a documentação consistente é fundamental para as ações de manutenção, diagnóstico de erros e futuras reformas e ampliações do sistema. O artigo apresenta uma relação de normas IEC sobre documentação, pois a IEC tem desenvolvido uma série de normas relativas aos diferentes tipos de documentação, tais como IEC 81346-1, IEC 81346- 2, IEC 61175, IEC 61175, IEC 61082-1, IEC 61666, IEC 60617. Ainda vale ressaltar que, embora o Sistema Digital de Automação de Subestação, num sentido mais amplo, incorpora muitas opções de tecnologia, é claro que devemos destacar que IEC 61850 em si é M. E. C. Paulino l G. Penariol Adimarco l U. A. Carmo CHESF l D. Lellys ALSTOM GRID l M. R. Bastos CTEEP ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 51 XI SIMPASE • Configuração do hardware do sistema de ensaio; • Configuração do software do sistema de ensaio; • Simulador de ensaio ou gerador de carregamento ou sincronizador de tempo; Os requisitos para o ensaio de avaliação da conformidade ocorrem em duas categorias: a) Requisitos de conformidade estática (definem os requisitos que a implementação deve atender); b) Requisitos de conformidade dinâmica (definem os requisitos que se originam do protocolo usado para uma determinada implementação). Os requisitos estáticos e dinâmicos devem ser definidos em uma PICS, que serve a três propósitos: a) Prover a escolha do conjunto de ensaios adequado; b) Assegurar que os ensaios apropriados para a declaração de conformidade são realizados; c) Fornecer as bases para revisão da conformidade estática. Um PICS padrão deve ser fornecido e definido para os mapeamento do serviço de comunicação específica, os SCSMs (Specific Communication Service Mapping). Além disso um MICS deve ser fornecido detalhando os elementos do modelo de objeto de dados suportado pelo sistema ou dispositivo a ser ensaiado. O MICS é implementado em um arquivo SCD (Descrição da Configuração da Subestação) de acordo com a parte 6 da norma IEC 61850 [2]. Adicionalmente ao PICS, um PIXIT deve ser fornecido. O processo de avaliação de conformidade é mostrado na Figura 1 [3]. Figura 1 - Processo conceitual da avaliação de conformidade fundamentalmente uma definição de um processo de engenharia para configurar os IEDs visando ser capaz de promover uma interação em tempo real. PALAVRAS CHAVE - Documentação, especificação, automação, IEC 61850, comissionamento e ensaios. 1.0 CERTIFICAÇÃO E VALIDAÇÃO NA NORMA IE C61850 Da norma IEC 61850, parte 10, tem-se que os ensaios de avaliação da conformidade devem ser ajustados para cada dispositivo sob ensaio, baseados nas capacidades identificadas nos documentos MICS, PICS e PIXIT disponibilizados pelo fornecedor, onde: • MICS (model implementation conformance statement) - declaração de conformidade da implementação de modelos, que detalha os elementos dos modelos de objeto de dados padrão suportados pelo sistema ou dispositivo • PICS (protocol implementation conformance statement) - declaração de conformidade da implementação do protocolo, sendo o sumário das capacidades de comunicação do sistema ou dispositivo a ser ensaiado • PIXIT (protocol implementation extra Information for testing) - informações adicionais na implementação do protocolo para ensaio. Trata-se de uma declaração com informações específicas do sistema ou do dispositivo, relativas às capacidades de comunicação do sistema ou do dispositivo a ser ensaiado e que estão além do escopo da Série IEC 61850. O PIXIT não é sujeito a padronização. Ao submeter um dispositivo para ensaio, as seguintes informações e produtos devem ser fornecidos: • Dispositivo pronto para ensaios; • Declaração de Conformidade da Implementação do Protocolo (PICS). Um PICS padrão, também conhecido como PICS proforma deve ser fornecido [1]; • Declaração de Informação Extra da Implementação do Protocolo para ensaio (PIXIT); • Declaração de Conformidade da Implementação do Modelo (MICS); • Manuais de instrução detalhando a instalação e operação do dispositivo. Para o dispositivo de ensaio, deve incluir documentação relativa a: 52 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 • Conjunto de ferramentas de engenharia necessário para realização dos testes; • Plano de teste detalhado para os testes de FAT (Testes de Aceitação em Fábrica) e SAT (Testes de Aceitação em Campo). • FICS - Declaração de Conformidade de Implementação da Função; O formato FICS é proposto para padronizar a especificação funcional de DSAS e resume as capacidades funcionais do sistema ou dispositivo a ser testado, e um modelo de objeto detalhado suportado pelo produto. 3.0 IMPACTO NA DOCUMENTAÇÃO EM SISTEMAS DIGITAIS DE AUTOMAÇÃO DE SUBESTAÇÃO A funcionalidade básica de um Sistema de Automação é determinada pelas tarefas que esse sistema deve desempenhar e não serão alteradas pela utilização da norma IEC 61850. Sendo a comunicação a base do Sistema de Automação, a norma IEC 61850 torna-se a peça mais importante na concepção e projeto desses sistemas. As características e recursos que a norma IEC 61850 disponibiliza para a engenharia de automação permite uma padronização dos dados a serem requeridos nas especificações. O uso de modelo de dados orientado ao objeto é um exemplo dos métodos utilizados para otimização do desempenho funcional. Entretanto, esta otimização não inclui apenas o desempenho funcional, mas também aspectos econômicos como o investimento, disponibilidade, capacidade de expansão e facilidade de manutenção, ou seja, todos os custos do ciclo de vida. O primeiro e grande impacto que pode ser observado em todo processo de implementação de um sistema de automação utilizando a norma IEC 61850 está na etapa inicial de especificação, projeto e engenharia. Nesta fase a norma IEC 61850 capacita a engenharia a criar uma forte descrição formal, baseado em seu modelo de dados, de seu sistema de automação. Caso o cliente não forneça esta especificação formal, essa tarefa é realizada pelo fornecedor ou integrador que proverá um projeto do sistema de automação segundo suas soluções comerciais. A especificação do cliente deve conter as necessidades para implementação do sistema. Os autores apontam para três partes descritas a seguir. Entretanto, como poderá ser visto neste trabalho, cada um desses itens pode ser dividido em subitens dependendo da complexidade dos sistemas e da necessidade de Além dos documentos e declarações apresentadas, o dispositivo submetido ao teste de conformidade deve ser entregue com um arquivo ICD (Descrição da Capacidade do IED). A entidade responsável pelo ensaio deve gerar, a partir deste arquivo ICD, o correspondente arquivo SCD baseado na configuração do sistema de ensaio. Os arquivos definidos na parte 6 da norma IEC 61850 fazem parte da documentação utilizada em todo o processo. 2.0 DOCUMENTAÇÃO NOS TESTES FUNCIONAIS Além da certificação de conformidade, o sistema ou equipamento sob teste deve cumprir os requisitos das especificações do cliente, que podem incluir uma mistura de dispositivos de diferentes fornecedores. Testes funcionais devem considerar um sistema de automação aplicado somente ao barramento de estação,além de prever sistemas também com aplicações com barramento de processo. Dependendo da complexidade da DSAS, os seguintes ensaios podem ser realizados: • Testes funcionais dos componentes individuais do sistema ou equipamento sob teste; • Teste funcional de aplicações distribuídas no nível de bay; • Teste funcional de aplicação distribuída no nível de estação; • Teste funcional de funcionalidades no barramento de processo. A seguinte documentação deve estar disponível antes do início da realização dos testes funcionais: • Especificação do sistema, incluindo o diagrama unifilar; • Lista de funções e do comportamento funcional; • Requisitos de desempenho de cada função; • Informações específicas e catálogo de todos os IEDs e outros dispositivos a serem testados; • Modelo de dados de acordo com a IEC 61850 ou lista de sinais; • Componentes e arquitetura do sistema de comunicação; • Requisitos para cenários de migração; • Definição de responsabilidades em sistemas de multifornecedores; • Arquivo SCD do sistema de automação; • Arquivo CID (Descrição da Configuração do IED) de cada IED pertencente ao sistema sob teste; • Arquivos PICS, MICS e PIXIT de cada IED pertencente ao sistema sob teste; • Documentação de controle de versão conforme norma IEC 61850; XI SIMPASE ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 53 XI SIMPASE • O conjunto completo de documentos do sistema de digital de automação da subestação deve ser conhecido; • Os itens relacionados com a consistência devem ser claramente definidos; • As regras e critérios específicos entre os itens em diferentes documentos do mesmo conjunto de documentos deve ser conhecida com um grau adequado (por exemplo, caso ocorram limitações, como o comprimento dos campos de texto entre diferentes sistemas existentes, isso deve ser evidenciado para todos os componentes do sistema); • O registro e emissão de processos para atualização de versões deve ser realizado. Os rótulos de “versão mantida” e “versão não mantida” devem ser registados para os processos alterados e atualizados, • Definição da inter-relação entre todos os tipos de documentos e efeitos de cada um dos tipos de documentos. Isto inclui a identificação das responsabilidades e permissões para criação, visualização e atualização por diferentes profissionais. 4.0 CENÁRIO SOBRE DOCUMENTAÇÃO E ESPECIFICAÇÕES Nas pesquisas realizadas pelos autores foi constatado que as especificações são realizadas pelas equipes de engenharia das empresas do setor elétrico. Deve ser destacado que, devido o processo de aquisição de obras através de leilão ou pregão, não são redigidas exatamente especificações técnicas. São utilizados pré-contratos com a descrição base dos elementos a serem fornecidos. Após a contratação do fornecedor, os requisitos do projeto são definidos no Workstatement. Assim é elaborado um documento com a participação conjunta de representantes do cliente e do fornecedor onde os requisitos do projeto são definidos no chamado Workstatement. Esse documento faz parte do contrato de aquisição do Sistema Digital de Automação firmado entre o cliente e o fornecedor. Neste documento devem constar todos os detalhes funcionais do projeto de automação. O Workstatement, também denominado Detalhamento do Fornecimento do Sistema de Automação, deve contemplar também todos os dados relativos a implementação das principais funções de automação e proteção. Geralmente a especificação técnica é realizada após uma sondagem no mercado, com a obtenção de documentação. • A funcionalidade necessária. Neste caso refere-se basicamente ao diagrama unifilar da instalação e a descrição das funções de proteção e controle do sistema de automação. • O desempenho solicitado. Entende-se por desempenho não apenas os tempos e tolerâncias limites de atuação dos eventos de comando e controle, mas também os requisitos de confiabilidade e disponibilidade. • Todos os limites aplicáveis a implementação do sistema de automação, sua cobertura e abrangência. Nesta parte podem ser descritas as interfaces entre os dispositivos, entre dispositivos e centros de controle, e sistemas remotos de manutenção. Inclui-se também restrições não-técnicas, como documentação do sistema de qualidade, procedimentos de gerenciamento de projetos, necessidades de documentação e requisitos de formação etc. Outro item importante é a uniformidade e a coerência da informação. Isso determinará a qualidade da informação sobre o sistema de digital de automação. Manter a documentação consistente é fundamental para as ações futuras de operação, manutenção e ampliações do sistema. Nas aplicações com a norma IEC 61850, o uso de sistemas orientados ao objeto produz muitas vantagens pois terão um objeto documentado principal que servirá como modelo a partir do qual todas as instâncias herdarão a mesma estrutura. A configuração do sistema hierárquico é realizada com a vinculação pré-definida, por exemplo, a configuração da funcionalidade e do modelo de dados de um determinado bay que pode ser replicado, sendo a utilização dessa configuração para um novo bay tendo como única diferença o nome do novo bay. Quando algumas das informações não estão em formato eletrônico, procedimentos devem ser estabelecidos para garantir a consistência dessas informações todo o tempo de vida do DSAS. A filosofia essencial aqui é que qualquer mudança necessária em qualquer parte específica do sistema, deve primeiro ser atualizada para o arquivo principal primário, que é usado para conduzir alterações em todas as partes dos documentos que herdam. Quanto mais automatizado do conjunto de documentos é, há mais oportunidades para manter a consistência. Segundo o WG B5.39 [5], pode-se apontar vários aspectos que levam a necessidade da criação de processos para garantir a consistência da informação: 54 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 XI SIMPASE formato Microsoft Office Excel, • Arquivos SCL (Linguagem de Configuração de Subestação), baseados na norma IEC 61850 (scd, icd, cid), • Desenhos em AutoCAD 4.4. Sobre a Documentação nos Processos de Comissionamento e Testes Os testes de aceitação em fábrica comprovam que o sistema completo cumpre as propriedades especificadas no contrato entre o cliente e o fornecedor antes de sair da fábrica. O teste de aceitação em campo e o comissionamento confirmam que o sistema completo cumpre as propriedades especificadas entre o cliente e o fornecedor antes de entrar em operação. De uma forma geral são utilizados os documentos de projeto e os procedimentos executados em testes de fábrica, definidos conforme entendimento entre o cliente e o fornecedor e adequado em suas versões de firmware e backups de todo o sistema. Para o comissionamento são utilizados: • Especificação em arquivo texto, geralmente exportados no formato PDF, • Padrão de Lista de Pontos, geralmente exportados no formato Microsoft Office Excel, • Mapa de mensagens Goose geralmente exportados no formato Microsoft Office Excel, • Arquivos SCL (icd, cid, scl, iid, sed). O tipo de arquivo é determinado pela ferramenta dos IEDs utilizados, • Softwares utilizados/licenças/Bases de Dados (descrição em linguagem estruturada e arquivos em formato PDF), • Documentação emitida pelo aplicativo “Auditor de Base de Dados” SAGE, • No uso de planos de testes automatizados com ferramentas de testes especializadas são utilizados os arquivos proprietários e relatórios emitidos geralmente em formato Microsoft Office Word ou formato PDF, • No uso de planos de teste não automatizados são exportadas planilhas no formato Microsoft Office Excel para registros de testes, • Desenhos em AutoCAD,• Manuais de Operação e Manutenção no formato PDF. 5.0 CONSTATAÇÕES SOBRE A EVOLUÇÃO DO PROCESSO DE DOCUMENTAÇÃO Sobre a evolução da documentação, da troca de informações sobre quais soluções estão disponíveis de diversos fornecedores e quais atualizações de normas técnicas tem aplicação no projeto. Assim, a especificação é indiretamente construída espelhando as soluções disponíveis e consideradas pelo cliente. Após a contratação, em acordos entre o cliente e o fornecedor, podem ocorrer ajustes na solução técnica visando compatibilizar os requisitos desejados com os recursos tecnológicos disponíveis. 4.1. Sobre a Documentação de Projeto e Concepção do SAS Para empresas do setor elétrico, a dependência em vencer processos licitatórios implica na realização de anteprojetos atrelada aos requisitos dos procedimentos de rede estabelecidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico, ONS, e pela Agência Nacional de Energia Elétrica, ANEEL. Desta forma os clientes têm grande dificuldade em agregar qualidade que signifique custos fora dos requisitos mínimos. Outrossim, a documentação é produzida como Instrução Técnica, Memorial Descritivo, Especificações e Requisitos de Testes em arquivos digitais em formato texto, geralmente exportados no formato PDF (Portable Document Format), e os desenhos em AutoCAD. 4.2. Sobre a Documentação nos Processos de Compra Nos processos de aquisição, a documentação Especificação Técnica, Referências Técnicas, Projetos de Referência são fornecidos no formato PDF, anexo ao processo de aquisição (Concorrência Nacional, Tomada de Preços ou Pregão Eletrônico). Conforme já comentado, no Workstatement são definidas as referências e documentações adicionais necessárias. 4.3. Sobre a Documentação nos Processos de Implementação e Construção Nesta fase são criados documentos e desenhos de projeto executivo, as bases de dados dos sistemas e os documentos que servirão para as atividades de teste e validação de dispositivos e sistemas. Assim, de uma forma geral, para sistemas digitais de automação na subestação são gerados: • Especificações em arquivo texto, geralmente exportados no formato PDF • Padrão de telas e comunicação do supervisórios, geralmente exportados no formato PDF • Padrão de Lista de Pontos, geralmente exportados no ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 55 XI SIMPASE documentação sempre foi relacional e não orientado ao objeto. Figura 2 - Representação do processo de especificação e projeto de um SAS. 5.1. Tendências com Relação ao Impacto nas Práticas no SAS Com relação ao impacto nas práticas de projeto, especificação, documentação e testes dos SAS baseados na norma IEC 61850 foi constatado que: • A utilização da norma IEC61850 contribui fortemente para a padronização do modelo de dados e nomenclatura utilizada no SAS. Todo o SAS é formalizado através da SCL. Portanto, o trabalho de engenharia feito permanece registrado e conservado, podendo ser reutilizado a qualquer momento para as adaptações, ampliações, alterações, reformas, etc. • Os processos definidos na norma IEC61850 influenciam na definição dos requisitos e aplicações da funcionalidade de proteção e controle, principalmente com o uso de mensagens GOOSE. • Na engenharia de configuração do SAS, a informação “informal” da especificação deve ser traduzida para a descrição “formal” usando SCL. Este trabalho pode ser feito pelo autor da especificação ou deverá ser realizado antes da atuação do integrador de sistemas. A descrição formal garante uma elevada qualidade de trabalho, garante a integridade e consistência durante todo o processo de implementação, a partir da concepção geral do sistema até o comissionamento, facilitando as verificações correspondentes em cada etapa da execução do projeto. • A conformidade e a interoperabilidade dos dispositivos são pontos chaves para o sucesso do SAS. Um pré-requisito para a execução do projeto aceitável é o uso de componentes comprovadamente compatíveis com a norma IEC 61850. O teste de conformidade é descrito e definido na parte 10 da informações, desde a etapa de projeto e a colocação em serviço da instalação, de uma forma geral, as empresas no setor elétrico brasileiro, de acordo com o levantamento realizado pelos autores, têm buscado a padronização dos requisitos e o uso das ferramentas computacionais de verificação, consistência e teste. Tal ação tem o objetivo de facilitar a interação entre o cliente e o fornecedor, buscando o sucesso da implementação do DSAS. Entretanto, quando se trata da especificação para implementação de novas instalações ou melhorias em subestações existentes, a prática corrente é estabelecer as definições para o novo sistema a partir das características de IEDs ao invés de realizar a especificação funcional através de uma configuração SCL inicial. Pode-se então escrever que um processo do projeto de um sistema de automação baseado na norma IEC 61850 é muito semelhante aos projetos comuns atualmente executados. Entretanto ele depende de pré-requisitos representados pela cobertura e abrangência do sistema de automação e da topologia e distribuição dos dispositivos. A descrição do processo é proposta e detalhada por diversos trabalhos já publicados [6], [7], [8]. Neste trabalho os autores apresentam uma abordagem simplificada mostrada na figura 2, mostrando duas alternativas. Na alternativa 1, uma vez especificado o sistema pode-se iniciar um projeto com a especificação das funções, independente de equipamentos ou fornecedores. Após essa etapa são escolhidos os IEDs que suportam as funções determinadas na especificação funcional. Em seguida, realizada a verificação dos critérios de segurança e disponibilidade dos agrupamentos de funções (conjunto de LNs – Nós Lógicos), são observadas as condições de projeto da arquitetura de comunicação concatenando custo e otimização técnica. Na alternativa 2, inicia-se a etapa de projeto levando-se em consideração a sua abrangência, seus limites e restrições, e os requisitos de desempenho. Isto determina um número mínimo de IEDs necessários além de sua funcionalidade principal. Se as funcionalidades não forem totalmente cobertas, mais IEDs serão adicionados. Finalmente a arquitetura da comunicação é determinada segundo critérios de custo e otimização técnica. Foi constatada que essa alternativa é largamente utilizada. Além disso, também pode-se afirmar que o conceito do projeto e 56 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 XI SIMPASE estruturantes e denominações de referência - Parte 2: Classificação de objetos e códigos para as classes. Esta norma define classes e subclasses de objetos com base em um propósito ou tarefa utilizando códigos pré-determinados como referência. Esta classificação é aplicável para os objetos em todas as áreas técnicas, por exemplo, engenharia elétrica, mecânica e civil, bem como todos os ramos da indústria, e pode ser usada por todas as disciplinas técnicas em todo o processo de projeto. Basicamente todos os dispositivos que são descritos em um arquivo SCL são nomeados de acordo a norma IEC 81346. • IEC 61175 [11] - Sistemas industriais, instalações e equipamentos e produtos industriais - Designação de sinais. Esta norma estabelece regras para a composição das denominações e nomes para a identificação de sinais e conexões de sinais. Os nomes dos sinais são utilizados em diferentes tipos de documentos. A consistência pode ser melhorada seguindo esse padrão. A edição IEC 61175-1:2015 anula e substitui a segunda edição da IEC 61175, publicado em 2005 e constitui uma revisão técnica. • IEC 61355-1 [12] - Classificação e designação de documentos para plantas, sistemas e equipamentos - Parte 1: Regras e tabelas declassificação. Esta norma fornece regras e diretrizes para a classificação de documentos com base em seu conteúdo característico de informações. Uma norma separada em formato de banco de dados IEC 61355 DB está disponível. Esse banco de dados fornece breves definições de um conjunto de tipos de documentos padronizadas internacionalmente, incluindo os requisitos sobre o conteúdo de informações, referências a fontes adequadas e a classificação aplicável em conformidade com a norma IEC 61355-1. IEC 61355 DB se destina a ser utilizado em conjunto com a norma IEC 61355-1 ed2.0. Um arquivo de SCL é um documento que pode ser classificado de acordo com IEC 61355 pelo autor do documento. Classificação de documentos com uma forte abordagem orientada a objetos de IEC 81346 ajuda a organizar e localizar documentos facilmente. • IEC 61082-1 [13] - Preparação de documentos utilizados na electro-tecnologia – Parte 1: Regras. Esta norma fornece as regras gerais e orientações para a apresentação de informações em documentos e as regras específicas de diagramas, desenhos e tabelas usadas em engenharia elétrica. Ele tem o status de um padrão horizontal de acordo com a norma IEC Guia 108. • IEC 61666 [14] - Sistemas industriais, instalações e equipamentos e produtos industriais - Identificação dos norma. Assim o componente dever ser acompanhado de um certificado e declarado conforme. Entretanto o fato de um componente ser conforme não garante a interoperabilidade com outro componente também conforme. A interoperabilidade será garantida através do atendimento de especificação comum e da realização de testes para validação da interoperabilidade. • Novos procedimentos de testes não invasivos (simulação/comportamento/ reação/ monitoramento) do SAS tornam-se aplicáveis. Uma importante constatação é que os arquivos SCL deverão, no futuro próximo, contemplar boa parte da documentação do sistema digital de automação da subestação. Existe ainda a percepção de que a consolidação dos processos de engenharia se dará com a implantação do Barramento de Processo e total digitalização do sistema de automação. Neste caso quaisquer soluções não poderão atender parcialmente as necessidades do cliente. 6.0 RELAÇÃO DE NORMAS IEC SOBRE A DOCUMENTAÇÃO A IEC, International Electrotechnical Commission [4], têm desenvolvido uma série de normas relativas aos diferentes tipos de documentação. Embora IEC 61850 defina determinada documentação para troca de informações, estas normas associadas são essenciais para obter o benefício completo da IEC 61850. Na atividade desenvolvida pelo Grupo de Trabalho B5.39 [5], foram reunidas e descritas normas importantes a serem considerados na documentação de um DSAS. • IEC 81346-1 [9] - Sistemas industriais, instalações e equipamentos e produtos industriais - princípios estruturantes e denominações de referência - Parte 1: Regras básicas. Estabelece princípios gerais para a estruturação de sistemas, incluindo a estruturação das informações sobre os sistemas. Com base nestes princípios, regras e orientações são dadas para a formulação das denominações referência inequívoca para objetos em qualquer sistema. A designação de referência identifica objetos para a finalidade da criação e recuperação de informações sobre um objeto, e onde realizou sobre a sua componente correspondente. Os princípios estruturantes nestes padrões são utilizados nas diferentes estruturas de um arquivo SCL. • IEC 81346-2 [10] - Sistemas industriais, instalações e equipamentos e produtos industriais, princípios ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 57 XI SIMPASE Os conceitos e documentos apresentados neste trabalho são de grande valia para a validação de sistemas baseados na IEC 61850, direcionando os usuários na sua melhor prática e apresentando os documentos de certificação previstos. 8.0 BIBLIOGRAFIA [1] IEC 61850-7-2, Communication networks and systems for power utility automation – Part 7-2: Basic information and communication structure – Abstract communication service interface (ACSI) – Anexo A. [2] IEC 61850-6, Communication networks and systems for power utility automation – Part 6: Configuration description language for communication in electrical substations related to IEDs. [3] IEC 61850-10, Communication networks and systems for power utility automation – Part 10: Conformance Testing. [4] International Electrotechnical Commission - IEC - http:// www.iec.ch/ [5] WG B5.39, Documentation Requirements from Design to Operation to Maintenance for Digital Substation Automation Systems, CIGRE 2015. [6] K. P. Brand, C. Brunner, W. Wimmer, Design of IEC 61850 Based substation Automation Systems According to Customer Requirements, CIGRE, Session 2004 Session of SC B5, Paris, Fr. 2014. [7] I. D. Mesmaeker, P. Rietmann, K. P. Brand, , P, Reinhardt, Practical considerations in applying IEC 61850 for Protection and Substation Automation Systems, ABB Switzerland Ltd., Switzerland 2014. [8] K. P. Brand, M. Janssen, The Specification of IEC 61850 based Substation Automation Systems, DistribuTech 2005, San Diego, USA. 2005. [9] IEC 81346-1:2009 - Industrial systems, installations and equipment and industrial products - structuring principles and reference designations - Part 1: Basic rules [10] IEC 81346-2:2009 Industrial systems, installations and equipment and industrial products - structuring principles and reference designations - Part 2: Classifications of objects and code for classes [11] IEC 61175-1:2015 - Industrial systems, installations and equipment and industrial products - Designation of signals - Part 1: Basic rules [12] IEC 61355-1:2008 - Classification and designation of documents for plants, systems and equipment - Part 1: Rules and classification tables [13] IEC 61082-1 Preparation of documents used in electro- technology - Part 1: Rules [14] IEC 61666 - Industrial systems, installations and equipment and industrial products - Identification of terminals within a system [15] IEC 60617:2012 DB - Graphical symbols for diagrams - 12-month subscription to online database comprising parts 2 to 13 of IEC 60617 terminais dentro de um sistema. Esta norma estabelece regras para a designação de terminais de objetos dentro de um sistema para o uso na área eletrotécnica e afins. Aplicável a todas as áreas técnicas. • IEC 60617 [15] contém símbolos gráficos para uso em diagramas elétricos. As partes 2 a13 de IEC 60617 foram incorporados em um banco de dados que atualmente inclui cerca de 1400 símbolos. O banco de dados é a fonte oficial da IEC 60617. Ele substitui partes 2 a 13 da versão anterior publicada (edição 2) do IEC 60617. A figura 3 mostra a relação entre as normas descritas. Figura 3 – Relação entre as normas [5] Pode-se afirmar que a norma IEC 61850 incorpora um conjunto de outras normas. Para lidar com a questão da documentação em um sistema de automação não é diferente. A aplicação de normas internacionais produz o benefício de utilizar padrões já reconhecidos e permite a gestão consistente da documentação, além de permitir o uso de ferramentas para otimizar a sincronização dos dados de configuração e as suas alterações. 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento deste trabalho mostrou os caminhos necessários para os testes de validação de sistemas baseados na norma IEC 61850, detalhando os certificados PICS, PXIT e MICS. Ainda, de acordo com a pesquisa realizada pelos autores no sistema elétrico brasileiro, foram descritas as formas de documentação encontradas hoje e requeridas pela norma no que se refere ao projeto e documentação da SAS, processos de compra, processos de implementação e contrução, além dos processos de comissionamentoe testes. Por fim, foram apresentadas as tendências e contestações do impacto do sistema de documentação orientado a objeto trazido pela IEC 61850, além das normas utilizadas como suporte para tal fim. XI SIMPASE 58 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 BIENAL 2016 Remote Monitoring System and Analysis of Equipment Performance for Asset Management SUMMARY - The availability of assets is essential to the effective power supply and service of the agents facilities and electricity services. The evolution of maintenance occurs both in order to improve the procedures used, and in order to make better use of resource management. The advent of on- line monitoring systems allowed the acquisition of data for electronic systems, providing deployment of predictive maintenance based on monitoring equipment. There was migration from the preventive maintenance to predictive maintenance, which was only possible through on-line monitoring systems. The analysis and diagnosis of substation equipment has evolved with the use of procedures and testing systems with techniques and tools that promote an effective and rapid assessment of such equipment. Regular maintenance for on-line checking of the operating conditions of these devices become increasingly important and it becomes imperative to search procedures and tools enabling it to gather the data from the facilities quickly and accurately. Thus, the main objective is to allow the assessment of equipment through new techniques and detect as early as possible internal failures. Linked to this, increased economic efficiency in business processes, the need for technological development in order to reduce costs without reducing the quality of services and availability of equipment, electric utilities need modern tools, and condition on-line monitoring can be one tool among the most important ones. This article shows the practice adopted by Eletronorte company to detect and act preventively in the pre- existing problems, reducing downtime costs and equipment maintenance. It presents the system DianE used in predictive maintenance process, supervision of equipment condition monitoring and an study in a transformer HVDC - High Voltage Direct Current. KEYWORDS - Predictive maintenance, on- line systems, Diagnostic Systems, Monitoring, Maintenance Management, HVDC transformer 1.0 INTRODUCTION Technology and innovation is a strategic business for Centrais Eletricas do Norte do Brasil SA - Eletronorte, one of the most important state-owned generation and transmission of electricity in northern Brazil, including the Amazon Region. Through the National Interconnected System - SIN, also supplies power to buyers from other regions of Brazil. The Company encourages the development of operational solutions. To act mainly in the Amazon, Eletronorte has continually confronted with challenging situations, but always promoted knowledge. The company has 9,983 km of transmission lines and 31,017 MVA of installed capacity. Among the assets highlights the Tucuruí Hydroelectric Plant with an installed capacity of 8,370 MW. The total installed capacity of 9,294.33 MW. Figure 1 – Eletronorte Transmission System 2015 [1] L. F. Queiroz l J. M. Araújo l P.V. Almeida l R.J.C. Padilha l D.O. Neto l C.C. Santos l L.G.Lima A. Altmann l L.C.F. Santos Eletronorte ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 59 BIENAL 2016 action of failure modes of slow evolution, in order to make the diagnosis of the condition and prognosis of remaining useful life, allowing the programming of maintenance on condition for ensuring decisions on the management of assets. Large transformers are found around the world in industrial, commercial and electric companies. They have significant importance in process of Generation, Transmission and Power Distribution. For the effective operation of the system, they should run perfectly, since the energy transfer process is critical. An unexpected failure of a bushing, tap changer or in the isolation of transformer can compromise an industrial process, besides causing outage of power plants and substation. Depending on the extent of the damage, the disruption can last for weeks. Eletronorte adopts for your maintenance process, the use of a continuous monitoring system “on-line” and “off-line” of its facilities. With this, you will have the following benefit: maximizing equipment uptime. Therefore, interruptions of unnecessary maintenance are eliminated. Productivity and availability of assets is increased. It seeks to minimize the inherent periodic maintenance failures. Routine maintenance are effective if done regularly. Often, however, the gap between them is too large to detect an impending failure. We have to take care not to trust fully on these maintenances, because the regulatory bodies considers the availability of the equipments, so if they are out of services penalties are imposed. In this sense, the company has in its transformers / autotransformers and reactors, continuous on-line monitoring, or on-line sensors to acquire continuous data ( currents, voltages, temperatures, etc.) . In transmission grid, the most importante equipments for monitoring are: transformers, reactors, switches and This paper will present the experience of Eletronorte with on-line monitoring of the transformers belonging to the HVDC Transmission System of the Madeira Complex. 3.0 DIANE SYSTEM AND ITS APPLICATION IN ELETRONORTE DianE System is an application, developed by the Electric Energy Research Center - CEPEL for use in analysis and diagnosis of the state of the equipment used in substations High Voltage. To meet the increased demand for electricity users, the reliable supply has never been so necessary and is requiring energy providers to improve control of the production process as well as manufacturers develop new alternative techniques ensuring high product reliability. It can be said that the long-term plan for power grids is the smart grid, which is a fully automated power system obtained through information technology integration, communication, monitoring and control of smart devices, and provides greater security of supply and better use of existing energy resources. The technologies developed and used with condition monitoring purpose are moving in that direction. They have evolved over the past 20 years and have already demonstrated its potential to provide critical information for making technical and economic decisions. The technologies used for continuous on-line condition monitoring use microprocessors and digital signal processing devices for measuring parameters of the condition and / or operation, storing them properly and linking them to the state of the main components of power equipment, at any necessary acquisition rate. Through the corporate integration with other historical and contextual data about the topology of the substations, equipment type (based on the design and manufacture), commissioning tests, off-line testing and on-line diary test and other relevant information protection systems. All of these continuous data can be converted into useful intelligent information and diagnostics to guide users of the assets in prioritizing their actions. The change of preventive maintenance based on time for predictive maintenance focused in working condition in high voltage equipment is a reality, substantially changing the philosophy of approved maintenance. Thus, the on-line monitoring systems have been adopted as an important tool to enable this change, without jeopardizing the safety and reliability of equipment operation, allowing to know their condition or predict and diagnose potentialproblems. [2] 2.0 MONITORING EQUIPMENT Monitoring is the on-line measurement of substation equipment parameters to identify the 60 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 BIENAL 2016 Figure 3 – Graph of Defects and Failures of equipment. Using the DianE system the company started to make a transformer recovery program that had systematic failures, enabling to increase the operational reliability of such equipment it is increasing system reliability, following the evolution of equipment life, reducing costs for business. DianE system was capable of detect evidence of failures, that after were confirmed in field, in various Eletronorte outfits. Thus, it gathered the failure detection technologies such as Acoustic Emission for troubleshooting Eletronorte is a pioneer in the electric sector to integrate the systems used by personnel service, DianE, with a control and operation system, SAGE. Through this integration, the on-line data of active power, reactive power, current, voltage, the temperature of the transformer can now be used for analysis and diagnosis of faults, defects and loading of transformers. 3.1 Characteristics of the evolution of maintenance and monitoring The predictive maintenance instead of traditional maintenance uses the monitoring as a tool to assure the continuous operation of the equipments, so it is possible to consider other important parameters such as maintenance costs, hours of unavailability and so on. Facing the new reality, the picture changes dramatically. With all the technological resources available currently and the requirements imposed by the regulatory bodies, the electric companies must adopt new technologies including tools of monitoring of the equipments. It is necessary to ensure the management of the assets The table I shows the evolution of the manner how to do maintenance The main purpose of the system is to integrate known techniques of analysis in a single system able to give the user as much information that assist in making decisions about the operating system and the maintenance needs of all registered devices. Its main objective is to integrate information on the evaluation of the operational condition of the equipment such as power transformers, reactors, circuit breakers, disconnect switches, surge arresters, bushings, bypass switches, instrument transformers, among others. DianE is a system that uses data from physical- chemical analysis, dissolved gas analysis (DGA), furfuraldehyde analysis, partial discharge measures, degree of polymerization, power factor test, thermography inspections, on-line temperatures, charging on-line, indicating evidences of defects in substations equipments and plants. The system is used for registration of equipment and tests performed on them. The DianE System uses a strategy that standardizes and integrates different analyses methodologies with the process of an RCM - Reliability Centered Maintenance - diagnostics, that resulting from the evidences of defects identified, a degree of risk for each possible cause of failure of each registered equipment. The Figure 2 shows the methodology used in DianE. [3] Figure 2 – Methodology used in DianE to capture and systematize knowledge From the standardization and integration of techniques available for equipment analysis in a single environment, with the ability to access data from various sources and provide broad access to corporate information, what would facilite decision- making on priorities for maintenance, the system is designed to help companies to search for greater reliability and operational availability. The Figure 3 shows Graph of Defects and Failures of equipment. ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 61 BIENAL 2016 256 Tons (in the Y-Y of increased mass units). The Figures 4 and 5 shows pictures of SE Araraquara. Figure 4 - Overview of the SE Araraquara Transformers Figure 5 - Valve House SE Araraquara 2 - transformer bushings 4.0 EXAMPLE OF FAULT DETECTION BY DIANE MONITORING SYSTEM - PRACTICAL APPLICATION 4.1. Defect in the transformer HVDC system caused by failure to bushing The Madeira River HVDC system (7.100 MW ± 600 kV) is a high-voltage direct current transmission in Brazil that is being built to transport electricity from new hydro power plants on the Madeira River in the Amazon Basin to major load centers in southeastern Brazil - a distance of about 2,500 km, making it the longest transmission link in the world. The reliability and availability of the equipment is of utmost importance to the national economy, and the untimely failure, for instance of a converter transformer compromises the security of the aforementioned installation and leads to sizeable losses to Eletronorte, to the own Interconnected Transmission System and the country; In Substation of Araraquara - SE Araraquara - the converter transformers 500/√3 - 236/√3 kV ( Y-Y ) and 500/√3 - 236/√3 kV (Y- Δ ) unit with a potency of 292,1 MVA are only a secondary winding to be of Y connection, either in connection Δ making twelve units (six for pole 1 and six for the pole 2) plus one reserve unit . The total weight of the equipment is Table I - Evolution of maintenance and monitoring [4] 62 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 BIENAL 2016 totaling approximately 840,000 (eight hundred and forty thousand) liters of oil. 4.3 DianE System The system DianE shows the results of DGA of the insulating transformer oil. Evidence of rising fuel gases was identified. By analysis of DGA methods, the system found that the transformer had overheating of conductors. The ABNT methods, Dornenburg, IEC, Cepel, Laborelec and Rogers, diagnosed the overheating defect. [5] Table II - Results oil chromatography Figure 6 - Defect diagnosed 4.2. Monitoring the generation of gases in transformer The converter transformer Y Phase A, polo 1 dipole 1, serial number 1ZBR60988, operational code TF1Y FA, started commercial operations in 2013 and in October 2014 presented the first record of fuel gas evolution dissolved in the insulating oil. Monitoring the evolution of gases dissolved in oil was the method of manual oil collection and shipment of samples to the laboratory. In December 2014 oil spill was found in capacitive tap of the secondary bush “a” TF1Y FA of the transformer, and in January 2015, the results of tests on insulating oil indicated the presence of acetylene gas. Installing on-line monitoring system for dissolved gases in the insulating oil, as well as monitoring of voltage, current and temperature has been set. The data from dissolved gas analysis provided by the on-line monitoring system and the results in laboratory showed abnormalities due to the presence of combustible gases of thermal fault C2H4, C2H6, CH4 etc. These gases come out from a normal growth rate to a very high rate, within limits laid down by the methods of analysis and fault detection in the transformer insulating oil, and the Brazilian and international standards, e.g. IEEE C57.104-2008. [5] In July 2015, coinciding with the transformer shutdown for visual inspection of the bushing tap of the HVDC 600kV considering that had some evidence of oil spill in the tap bushing, there was a jump in the profile of the gas formation rate in the insulating oil of the transformer, with presence of ethane and ethylene gases. In the case of events involving the active part of the transformer, when it has high internal pressure in the tank of the equipment, the bushing may be expelled into the valve room with deterioration caused by the insulating oil poured into the combustion process, reaching the columnsof converter valves and the bushing of the other five (05) converter transformers that step into this same room compromising even the whole metal structure of the valves room leading to the total or partial loss of the pole 01 of the HVDC system. The damage can be catastrophic if the fire reaches, by internal bushings located in the valve room, the other adjacent converter transformers ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 63 BIENAL 2016 Figure 10 - Discharge points in bushing Figure 11 - Discharge points in bushing 4.5. Conclusion of the Inspection Evidence of carbonized oil shield/insulation of the internal terminal HVDC 600kV bushing terminal (a). Internal inspection and Results Possible correlation DGA and carbonization oil in shielding / insulation of the internal terminal HVDC bushing: a) Electric potential fluctuation between adjacent electrodes, electrical arcing, high energy discharges and initial formation of H2, C2H2, H2> CH4, C2H6> C2H4 CO2 / CO> 10 with moderate involvement of cellulose insulation; b) Electric discharge between adjacent electrodes - loss (total / partial) of the bushing shield empowerment; breakdown in internal contact lower bushing; etc.; c) Thermal fault with temperature higher than 250 ° C with carbonization of the oil and the adjacent solid insulation; d) Poor contact (defective) between adjacent metal parts together by screws (reduction or failure of the gasket clamping force, reduction or loss the electric contact pressure, reducing pressure, etc.); e) Induction of current circulating in a closed loop error (for faulty isolation and / or disruptive Figure 7 - Methods of diagnostics Figure 8 - Graphic evolution of gases After technical discussions with the manufacturer, it has been set up the equipment removal from service. For this activity, it was set up a complex operation for phase switching of transformers. 4.4. Inspecting the Bushing and transformer Internal inspection was carried out on the transformer to identify the cause of the occurrence. Figure 9 - Discharge points in the transformer tank 64 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 BIENAL 2016 perception of excessive risks to its continued operation. Advantages of on-line monitoring: Monitoring equipment to detect as early as possible internal failures by monitoring and / or diagnostic equipment. 6.0 REFERENCES [1] http://www.ons.org.br/conheca_sistema/mapas_ sin.aspx [2] Working Group A2.23 CIGRE. “Data Management for Monitoring and Evaluation of Operational Condition transformers (GDMT)” [3] Milasch, Milan: Maintenance of Liquid Insulation in Transformers. Editora Edgard Blucher Ltda., de 1984 [4] Action Plan - Monitoring Equipment Companies of Eletrobras [5] IEEE: Guide for the interpretation of gases generated in oil-imersed transformes, IEEE Std C55, 104- 1991, de 1991. discharge between adjacent electrodes; etc.). The transformer will be fully inspected and bushing sent to the manufacturer for recovery. 5.0 CONCLUSION Currently, many advances have been made with equipment monitoring, but there is still great potential for new developments. The on- line monitoring systems have been adopted as an important tool for changing the preventive maintenance move to predictive maintenance, without jeopardizing the safety and reliability of operation of the equipment, allowing us to know their condition or predict and diagnose possible issues. It is seen an effort in terms of standardization for the development of a common language, requiring terminology - with names and clarity of the scope of the technical specification of equipment parameters to be monitored, the rules for comparison and interpretation of acquired data and common presentation of results. In other words, these are the necessary efforts to establish the basis for an information exchange platform beyond a simple exchange of information and abnormal events restricted to a small number of users or manufacturers. The company seeks an overview of the status of all assets and allows its common classification. With the project, it was made available at Eletronorte, a corporate system analysis and substation equipment diagnostics (DianE System) with intranet via access to the entire company, and digital media, a historic single database - via Oracle database, which allows advances in the understanding of the relationship between the diagnostic variables. Thus, the broadening the knowledge of the teams, deploys training for users and facilitates analysis of the equipment. They are cited as reasons for deploying continuous on-line monitoring to reduce costs (e.g.: postponing maintenance), staff reductions (limited knowledge of experts), regulatory issues (e.g.: dwell time), environmental pressures, company image protection (e.g.: reducing blackouts), avoid teams on standby (e.g.: especially at night or weekends), extending the useful life of an asset that would otherwise be retired by erroneous ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 65 BIENAL 2016 HVDC ±800 kV Transmission Line Associated to the Belo Monte Hydroelectric Power Plant - Studies and Definitions for The Basic Design – Innovation and Challenges for a New Level of Voltage in Brazil M. C. de ARAÚJO (*) l J. H. M. FERNANDES Eletrobras Eletronorte K. R. dos SANTOS l H. W. C. da SILVA l J. L. N. MICHELINI FO Leme Engenharia R. G. NOEL l B. de S. PERRO l P. C. P. SILVA Jr. Fluxo Engenharia A. QUINTILIANO Engepro Engenharia SUMMARY - The Amazon Region is characterized by its exuberant jungle, an abundance of hydroelectric resources, still relatively untapped, and by the low level and sparsity of electric energy consumption throughout its vast territory. The region encompasses the highest portion of an as yet untapped Brazilian hydroelectric potential, which is characterized by clean, renewable, low-cost energy, despite being situated approximately 2000 to 2500 km from the big consumption centres. Therefore, the transmission of large blocks of power generated in this region requires the development of overhead lines with high power transfer capacity. Furthermore, in order to develop such systems, huge financial investments are necessary. Thus, the transmission systems need to be economically designed so as to provide electric energy to consumers at a competitive cost. In this regard, having spent long periods increasing the capacity of its HVAC systems, Brazil has recently reinitiated the utilization of HVDC systems, due to the high capacity of the hydroelectric power plants that have been built in the Amazon Region, such as Santo Antonio and Jirau, located on the Madeira River (6300 MW), and Belo Monte (11000 MW), on the Xingu River, the distances of up to 2500 km from these plants to the big consumptions centres, and the fact that nowadays the regions crossed or that will be crossed by the extensive HVDC lines are already supplied by electric energy. Within this context, this paper describes both the studies and the basic design of the transmission system associated to the Belo Monte Hydroelectric Power Plant, which consists of two HVDC ± 800 kV bipolar lines to transmit power to the South- eastern region of the country, across distances of approximately 2100 km and 2500 km, respectively. The first of the HVDC ±800 kV transmission lines tendered by the Brazilian Electricity Regulatory Agency (ANEEL) in 2014 will link the Xingu converter substation in the State of Pará to the Estreito inverter substation in the State of Minas Gerais, covering a distance of approximately 2100 km. The implementation of Brazil’s first HVDC ±800 kV line is a pioneering venturewithin the country’s electricity sector, demanding the participation of various specialists within the market, as indeed has already occurred ever since the pre-study phase conducted prior to the ANEEL auction and, even more so, while the basic design was being drafted. The paper presents the results of the studies carried out to determine the main characteristics of the HVDC ±800 kV transmission line regarding the aspects of the long route extending through four Brazilian states, the meteorological stations available, 66 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 2.0 CLIMATIC DATA The route of the ±800 kV Xingu – Estreito TL will extend across the regions of four separate Brazilian states, beginning in the town of Altamira in the state of Pará, stretching through the states of Tocantins and Goiás until finally arriving at the Estreito Substation, in the state of Minas Gerais. Thus, the transmission line should be designed for the entire range of climatic conditions over the 2100 kilometres between the substations, highlighting the important wind speed variations, less intense in the north of the country but which become more intense as they reach the Midwestern and Southeastern regions. 2.1 Meteorological Stations The existence and distribution of weather stations is of particular importance in order to obtain data that will provide support for the design, above all taking into account aspects of operational safety required for such a project, determining the most suitable dimensions for the components of the transmission line. By adopting such an approach, the weather stations presented in Figure 2 were selected, in which a dense network of stations may be perceived in the state of Minas Gerais, and far fewer across the other three states. FIGURE 1 – Route of the Transmission Line in the Brazilian Territory the climatic data applied to the design, the division of the transmission line into three wind zones, the selection of the economic conductor bundle, the use of the AAC Coreopsis conductor applying the H/w methodology and leading to an equivalent EDS of 26% RTS, the insulation coordination parameters, the right-of-way width and the definition of the tower top geometry of the typical guyed suspension tower and the respective series of towers designed for the entire transmission line. KEYWORDS - Transmission Line - Direct Current - Insulation Coordination - Right-of-way – Tower 1.0 INTRODUCTION This paper presents the studies and analyses conducted during the various stages involved in the pre-studies and basic design that led to the climatic, electromagnetic and mechanical parameters, which defined the main aspects related to the components of the HVDC ± 800 kV Xingu – Estreito Transmission Line (TL) and which are highlighted as follows: a. The use of AAC 1590 kcmil Coreopsis conductor; b. 6-conductor bundle per pole with spacing of 600 mm; c. The route of the line located over a vast extension of the country, with distinct land relief and occupational features (Figure 1); d. The definition of three climate zones along the route of the transmission line; e. The parameters and results of the insulation coordination studies; f. Tower top geometry and types of applicable towers for the three climate zones; g. Right-of-way dimensioned for each of the three climate zones. As a basic premise of the studies, an appropriate balance was always sought between cost saving opportunities, potentialised by the significant length of the transmission line, and the crucial efforts to ensure reliability and safety on such an important project for the national electrical system, especially when considering the extremely high power transfer capacity of 4000 MW and the pioneering spirit of the ± 800 kV transmission line being deployed. BIENAL 2016 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 67 BIENAL 2016 River, on the border between the states of Pará and Tocantins. Zone 2 begins where it crosses the Araguaia River and ends at a point along the route where, approaching the Brazilian Central Plateau, average altitudes rise from around 350 m to almost 1,000 m. Finally, Zone 3 starts from this last point through to the Estreito Substation. The three wind zones are made up of the following lengths: - Zone 1 640 km; - Zone 2 825 km; - Zone 3 620 km. 2.3 Wind Speeds and Pressures Tables I and II summarize the wind speeds and pressures defined for the three zones into which the transmission line was divided. The wind return periods and their respective averaging periods are related to the tower design or the minimum distances set for the overvoltages considered. As an illustration, wind speeds of 250 years and 10 minutes (extreme wind) along the route of the transmission line may be observed in Figure 3. FIGURE 2 – Meteorological Stations (few and sparse stations along the route) 2.2 Wind Zones After careful evaluation of anemometric data from the meteorological stations considered for the study, three wind zones were defined along the route of the transmission line. Zone 1 extends from the Xingu Substation to the intersection with the Araguaia Table I – Wind Zones –Wind Speeds and Dynamic Reference Wind Pressures Obs.: 1) q0 = dynamic reference wind pressure; 2) Wind speeds refer to terrain category B at 10 meters above ground. Table II – Wind Zones –Wind Pressures on Conductors, Ground Wires and Insulator Strings (kgf/m2) Obs.: 1) 250 years/10 min = extreme wind; 2) 250 years/3 s = high intensity wind; 3) 50 years/10 min = maximum wind; 4) 50 years/30 s = wind associated with requests for maximum operating voltage; 5) 2 years/30 s = wind associated with fault overvoltages. 68 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 BIENAL 2016 specified the need for rights-of-way that were wider than those required by the 6 bundled conductors. Additionally, in an alternative quadruple bundle, it was found that the diameter of each sub-conductor was almost 50 mm, while there is no recorded performance for the asymmetry of the 5-bundle option, since it was not found available information on its use in Brazil or any other country, thus rendering it an unattractive alternative. Aspects were also considered regarding the difficulties inherent in a large diameter conductor, with regard to both the shorter lengths on the drums, and also to the construction limitations associated with the stringing equipment, as well as to the significant number of joints that need to be included. Hence, the studies concentrated on the 6-conductor bundle for the poles, for which AAC, ACSR and ACAR types were assessed. The successful experience gained with the AAC conductor on the HVDC ± 600 kV transmission lines of the Madeira Transmission System [2] [3], where the H/w methodology [4] was used, resulted particularly in the advantages obtained by using an equivalent EDS of 26% of the conductor rated tensile strength. Furthermore, considering the reduction of the total conductor weight and towers, the most economical choice once again fell on the same conductor type with the same H/w parameter and the same EDS percentage. Cost compositions were undertaken involving the principal items of the TL, such as towers, conductors, guy wires, insulators and foundations. Savings observed in comparative studies have therefore led to the use of AAC Coreopsis - 1590 kcmil in a bundle with 6 sub-conductors per pole. For comparison purposes, Table III summarizes the FIGURE 3 – Extreme Wind Speed (250 years / 10 min.) along the TL (km/h) 3.0 SELECTING AN ECONOMIC CONDUCTOR Taking into account the exceptional opportunity presented by the characteristics of the transmissionline, as an alternative to the reference solution contained in the ANEEL edict [1], other types of conductors and bundle configurations were also assessed, while always considering the same performance requirements established for the aforementioned reference solution, for which, in the case of this first transmission line as well as a future second line, poles were suggested with bundles of 6 ACSR Lapwing - 1590 kcmil and with DC resistance at 50ºC equal to or less than 0,00672 Ω/km. This resistance value could not be overcome in any alternative configuration to the reference solution. Initially, while still in the pre-study phase, alternative bundles with 4 or 5 sub-conductors per pole were considered. These alternatives however, Table III – Characteristics of the Coreopsis and Lapwing Conductors ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 69 BIENAL 2016 than 30 mm / kV may not be adopted. Considering the regional features of the ± 800 kV Xingu – Estreito TL, the minimum leakage distance has therefore been established as the minimum value required by the edict, i.e. 30 mm / kV. The insulator sets were composed of cap-and- pin glass insulators designed specifically for direct current lines, with a mechanical strength of 320 kN, a 360 mm diameter disc, a connecting length of 195 mm and an individual creepage distance of 645 mm. With such individual features as these, together with a maximum operating voltage of 830 kV, a total of 39 insulators were obtained in order to compose a typical suspension insulator set. The tension sets are each composed of four strings of 41 insulators. 4.2 Calculating Overvoltages and the Corresponding Pole-Ground Clearance Distances The electrical clearance distances of the towers are calculated in such a manner as to ensure adequate safety standards and compliance with the minimum requirements set out in the ANEEL edict, considering the switching surge overvoltages that may occur main technical characteristics of the Coreopsis and Lapwing conductors. 4.0 INSULATION COORDINATION STUDIES AND DEFINITION OF THE RIGHT-OF-WAY Insulation coordination studies and the definition of the right-of-way were developed together with studies to define the pole-to-pole clearance distance and to confirm the surface gradients of the conductors and ground wires. This was conducted so that results met the technical requirements set out by ANEEL for the HVDC ± 800 kV Xingu – Estreito TL, and obtained the appropriate technical and economical solutions for the tower top geometries and structural dimensioning of all the types of towers to be employed along the transmission line. 4.1 Number of Insulators The ANEEL requirement for dimensioning the insulator strings states that the minimum leakage distance should consider the level of pollution in the region crossed by the TL. However, a value of less Table IV –Insulation Coordination for Maximum Operating Voltage FIGURE 4 - Overvoltage Profiles During the Occurrence of Faults on the TL 70 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 BIENAL 2016 order to perform overvoltage calculations on the sound pole during a pole-to-ground short-circuit, the line was divided into 8 sections of equal extensions and short-circuiting was simulated using “ATP” program at 9 points. Figure 4 illustrates the overvoltage profiles along the line for the nominal operating condition and for the line modelled with frequency-dependent parameters (J. Marti Model). From the overvoltage profiles presented in Figure 4, the values of 1.55 pu, 1.66 pu and 1.52 pu were obtained for calculating the surge voltages along sections 1, 2 and 3, respectively. The pole-to-ground voltages with a 50% probability of an occurrence of flashover (V50%) were calculated according to [5] with 3 standard deviations of 5% above the corresponding maximum overvoltages, considering the atmospheric correction factor (RIS) for each section. The results are presented in Table V. during both the maximum operating voltage and the occurrence of faults on the TL. In the maximum operating voltage, set at 830 kV, the parameter for defining electrically safe clearance distances is a pole-to-ground voltage with a 50% probability of the occurrence of a flashover (V50%), and is defined as three standard deviations of the distribution of disruptive voltages above the maximum operating voltage (standard deviation of 3%), considering the atmospheric correction factors (RIS) for the three climatic zones or sections. The minimum pole-to-ground clearances were calculated according to [5] and the results are presented in Table IV below. With the occurrence of faults, particularly pole-to-ground short-circuits on one of the TL poles, the clearance safety is defined by verifying the maximum overvoltage profiles that occur on the pole that remains in operation (sound pole). In Table V – Insulation Coordination for Maximum Overvoltages During the Occurrence of Faults Table VI – Electric Field (EF), Ionic Current (IC), Radio interference (RI) and Audible noise (AN) Obs.: 1) EF at ground level considering space charges and no wind; 2) IC at ground level; 3) RI and AN to a height of 1m from the ground in good weather conditions. Table VII – Pole-to-Pole Distance and Width of the Right-of-Way ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 71 BIENAL 2016 the maximum electric field gradient on the surface of the conductors, given the configuration of the bundle and the selected conductor, together with the analyses relating to the heights of the towers, the length of its crossarms and the width of the right-of- way along the entire line. Table VI presents the results of the electrical features, as well as the specified compliance limits. The results presented in Table VI, the premise of which was to comply with the specified limits, determined the values of the pole-to-pole clearances and the width of the right-of-way presented in Table VII. 4.4 Surface Electric Field on the Conductors and Ground Wires Studies on the surface electric field of the conductors that make up each pole and on To calculate the pole-to-ground risk of failure, the values of 1.72 pu, 1.77 pu and 1.66 pu were used for sections 1, 2 and 3, respectively, resulting from simulations with line parameters not variable with the frequency (Bergeron Model). The pole-to- ground clearances were calculated according to [5] in order to meet the prescribed limits for the electrical field and ionic current, encountering a risk of failure for the entire line of 7.37 x 10-4, thus complying with the ANEEL requirement (risk of failure ≤ 10-3). 4.3 Pole-to-Pole Clearance Distances and Right- of-way Width Pole-to-pole distance was basically obtained from studies on the electric field and the ion current density within the right-of-way of the TL, and its boundaries, based on [5] [6] [7] [8] [9], considering Table VIII – Surface Electric Field (EF) on the Conductors and Ground Wires Table IX – Minimum Clearance Distances for Live-Line Maintenance Table X – Outage Rate per 100 km per Year 72 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 BIENAL 2016 highest value obtained from amongst the 6 sub- conductors. 4.5 Clearance Distances for Live-Line Maintenance and Conductor-to-Guy Wire Insulation The clearance distances considered for live- line maintenance and for conductor-to-guy wire insulation were calculated based on [5], considering an extrapolation of the saturation factor curves in order to obtain the relative distances for the the ground wires (EHS 3/8” and OPGW 13.4) [7] determine compliance verification with visual corona requirements. According to the ANEEL edict, the surface gradient must be limited to ensure that the associatedconductors and hardware do not present visual corona during 90% of the time, for the prevailing regional weather conditions through which the transmission line crosses. The results are summarized in Table VIII, and the maximum EF of the negative and positive poles corresponds to the FIGURE 5 – Tower top geometry of the typical guyed suspension tower Table XI – Characteristics of the Series of Towers ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 73 BIENAL 2016 the tower designs. Table XI describes the main characteristics of the series of towers employed in the HVDC ±800 kV Xingu - Estreito TL project. 5.2 Structural Reliability and Tower Weights The structural design reliability was established based on probabilistic criteria, taking into account IEC 60826 recommendations [11] and the specific requirements of the ANEEL edict which for this line establishes a minimum wind return period of 250 years corresponding to an intermediate degree between levels 2 and 3 of the IEC Standard. The draft projects of typical towers EL81, EL82 and EL 83 presented the estimated weights for their maximum heights, excluding the weights of the guy wires, which are, respectively: 11,734 kgf; 12,575 kgf; and 12,724 kgf. 6.0 CONCLUSION This paper has described the studies carried out to determine the characteristics of the first HVDC ±800 kV transmission line in Brazil, which will link the Xingu converter substation to the Estreito inverter substation, covering a distance of approximately 2100 km. The main factors related to the route of the transmission line that has been divided into sections characterized by climate zones and the utilization of a bundle consisting of 6 AAC Coreopsis - 1590 kcmil, associated with the electrical and mechanical criteria used to define pole-to-pole and pole-to-ground clearance distances, have all contributed decisively so as to optimize the design of this important line. Details have also been provided regarding the adequate operational safety concepts of the components together with their effective compliance with the requirements established by ANEEL. The division of the route into three climate zones, each characterized by its own particular weather parameters, has provided the transmission line with advantageous cost savings. The 6-AAC Coreopsis bundle per pole has also significantly contributed to cost-saving with regard to the most favourable technical characteristics when compared to the reference solution with the 6-ACSR Lapwing bundle. All aspects referred to in this paper were duly evaluated during the pre-studies and the basic maximum operating voltage of 830 kV, which resulted in the minimum pole-to-ground clearances (dPG) presented in Table IX. 4.6 Lightning Performance Despite the great heights of the towers, the insulator strings made up of 39 discs provided the TL with a satisfactory performance of less than 0.4 outage /100 km.year due to back flashovers, considering a keraunic level of 120 days of thunderstorms per year. It should be noted that this is a conservative keraunic level compared to the values of 90, 115 and 90 effectively obtained for Sections 1, 2 and 3, respectively. However, given the importance of this transmission line for the Brazilian electricity system and the good performance achieved, the most conservative value was considered. The lightning performance was calculated according to [10] and using the “Flash” program, obtaining the results summarized in Table X. 4.7 Tower Top Geometry of a Typical Tower The results of the studies described in sections 4.1 to 4.6 determined the tower top geometry of the typical guyed suspension tower, which is generally considered common along the 3 sections of the TL, and is illustrated in Figure 5 below. 5.0 DEFINING THE SERIES OF TOWERS 5.1 Types of Towers As mentioned above, given the climatic diversity along the route of the transmission line, 3 wind zones were established, which corresponded to 3 sections of the transmission line and a series of towers specifically dimensioned for each of the sections, of which only a few were commonly used along the entire line. As with the premises made for the two HVDC ± 600 kV transmission lines of Madeira System, in this project, the transmission line divided into climatic zones, as indicated in item 2 of this Paper, together with the careful definition of minimum distances from the conductors to any of the grounded structural elements, was also fundamental in optimizing 74 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 BIENAL 2016 2 – Bipole 2” , (CIGRÉ - XIV ERIAC – 2011) - In Portuguese [4] “Overhead Conductor Safe Design Tension with Respect to Aeolian Vibrations”, (CIGRÉ Technical Brochure 273 – 2005). [5] “Transmission Line Reference Book HVDC to ± 600 kV”, (EPRI – 1977). [6] “Impacts of HVDC Lines on the Economics of HVDC Projects”, (CIGRÉ Technical Brochure 388 – 2009). [7] P.S. Maruvada, W. Janischewsky, “Electrostatic Field of a System of Parallel Cylindrical Conductors”, (IEEE Trans. on P.A.S., July, 1969). [8] “Interferences Produced by Corona Effect of Electric Systems”, (CIGRÉ Technical Brochure 61, ADDENDUM to CIGRÉ Document Nº 20 - 1974). [9] “HVDC Transmission Line Research”, (EPRI Report EL-2419, 1982). [10] “Guide for Improving the Lightning Performance of Transmission Lines”, (IEEE STD 1243-1997). [11] “Loading and Strength of Overhead Transmission Line”, (IEC 60826, Second edition, 1991-04). design phases, in compliance with the requirements of the ANEEL edict and international state-of-the-art HVDC projects, in order for the transmission line to benefit from the reduced total weight of conductors and towers by means of optimizing selection of the alternative conductor type and the climatic, electromagnetic and mechanical parameters for defining the series of towers. 7.0 BIBLIOGRAPHY [1] ANEEL Edict - Auction nº 011/2013 – In Portuguese [2] Fernandes, J. H. M.; Araújo, M. C.; Vasconcellos, R. A.; Cintra, J. O.; Dutra, J. F.; Quintiliano, A.; Félix, S. M. M. – “Tower Definition for Use in HVDC ±600 kV Coletora Porto Velho – Araraquara 2 – Bipole 2” , (CIGRÉ - XV ERIAC – 2013) - In Portuguese [3] Araújo, M. C.; Fernandes, J. H. M.; Vasconcellos, R. A.; Cintra, J. O.; Dutra, J. F.; Quintiliano, A.; Nolasco, J. F. – “Comparison of Alternative Conductors for HVDC ±600 kV Coletora Porto Velho – Araraquara ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 75 COMITÊS GRUPO A – EQUIPAMENTOS CE-A1 Máquinas Rotativas Coordenador: MÁRCIO REZENDE SINISCALCHI Empresa: TEP PROJETOS Endereço: Rod. Governador Mario Covas km 500 Condomínio Praia do Engenho - Casa 39 - Itanema - 23.940-000 - Angra dos Reis - RJ Fone: (24) 34211917 – (24) 998310719 E-mail: mrsinis@terra.com.br Projeto e construção de turbogeradores, hidrogeradores, máquinas não-convencionais e grandes motores. Aspectos econômicos, testes, comportamentos e materiais. CE-A2 Transformadores Coordenador: GILSON MACHADO BASTOS Empresa: FURNAS Endereço: Rua Real Grandeza, 219 - Botafogo - 22281-900 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 25285797 E-mail: gbastos@furnas.com.br Projeto, construção, fabricação e operação de todos os tipos de transformadores, incluindo transformadores conversores, de uso industrial e os chamados “phase-shifters”, além de todos os tipos de reatores e componentes de transformadores (buchas, comutadores, etc). CE-A3 Equipamentos de Alta Tensão Coordenador: ANTONIO CARLOS CAVALCANTI DE CARVALHO Empresa: ONS Endereço: Rua Júlio do Carmo, 251 - 5º andar - Cidade Nova 20211-160 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 34449607 E-mail: antonio.carlos@ons.org.br Teoria, projeto, construção e operação para todos os dispositivos de manobra,interruptores e limitadores de corrente, pára-raios, capacitores, seccionadores isoladores de equipamentos e de barramentos e transformadores de instrumento. GRUPO B – SUBSISTEMAS CE-B1 Cabos Isolados Coordenador: NADIA HELENA GAMA RIBEIRO DE LOUREDO Empresa: CONSULTORA - EDS ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA Endereço: Av. Chibarás 660 – São Paulo – SP Telefone: (11) 5052 3687 / (11) 97117 5888 E-mail: prico10@uol.com.br Base teórica, projeto, processos produtivos, instalação, serviços, manutenção e técnicas de diagnóstico para cabos isolados CA e CC e para aplicações terrestres e submarinas. CE-B2 Linhas Aéreas Coordenador: CARLOS ALEXANDRE MEIRELES DO NASCIMENTO Empresa: CEMIG Endereço: Rua Jorge Marini, 195 30320-550 - Belo Horizonte - MG Telefone: (31) 35062963 E-mail: caxandre@cemig.com.br Projeto, construção, manutenção, análise de vida útil, reforma e de componentes de linhas aéreas: condutores, cabos pára-raios, isoladores, torres, fundações, sistemas de aterramento e novas tecnologias associadas a melhoria do desempenho elétrico e mecânico. Lista dos Comitês de Estudo Representantes Brasileiros Acesse o coordenador da área de seu interesse para participar de nossa Entidade: 76 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 COMITÊS CE-B3 Subestações Coordenador: FABIO NEPOMUCENO FRAGA Empresa: CHESF Endereço: Rua Delmiro Gouveia, 333 - San Martin - 50760-901 - Recife - PE Telefone: (81) 32292235/2434 - Fax: (81) 32293269 E-mail: fabionf@chesf.gov.br Projeto, construção e manutenção de subestações e instalações elétricas de usinas, excluindo os geradores. CE-B4 Elos de Corrente Contínua e Eletrônica de Potência Coordenador: ANTONIO RICARDO DE MATTOS TENÓRIO Empresa: ONS Endereço: Rua Júlio do Carmo, 251 – 6º andar – Cidade Nova 20211-160 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 3444-9476 E-mail: ricardo.tenorio@ons.org.br Transmissão em corrente contínua (CCAT) e equipamentos de eletrônica de potência aplicados em sistemas de transmissão CA (dispositivos FACTS), contemplando: especificação, aplicações, aspectos econômicos e qualidade de energia; planejamento, projeto, construção e testes; distribuição e transmissão; operação e desempenho; controle e proteção. Novas tecnologias associadas a conversores, semicondutores, configurações, controles e aplicações inovadoras, tais como as que utilizam conversores tipo fonte de tensão (VSC). CE-B5 Proteção e Automação Coordenador: MARCO ANTONIO MACCIOLA RODRIGUES Empresa: CEPEL Endereço: Avenida Horácio Macedo, 354 - Cidade Universitária/Ilha do Fundão 21941-911 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 25986217 - Fax: (21) 22606211 E-mail: mamr@cepel.br Princípios, projeto, aspectos econômicos, aplicação, coordenação, desempenho operacional e manutenção de sistemas de proteção, controle e automação de subestações, sistemas e equipamentos de controle remoto, sistemas e equipamentos de medição. GRUPO C – SISTEMAS CE-C1 Desenvolvimento de Sistemas Elétricos e Economia Coordenador: VALDSON SIMÕES DE JESUS Empresa: ELETROBRAS Endereço: Rua do Ouvidor 107, 8º andar - Centro - 20040-031 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 2514-5428 – Fax: (21) 2514-5210 E-mail: valdson.jesus@eletrobras.com Métodos de análise para o desenvolvimento dos sistemas elétricos de potência e economia, métodos e ferramentas para análise estática e dinâmica, aspectos e métodos de planejamento nos vários contextos, estratégias de gerenciamento de ativos. CE-C2 Operação e Controle de Sistemas Coordenador: ANTONIO CARLOS BARBOSA MARTINS Empresa: FURNAS Endereço: Rua Real Grandeza, 219 - Botafogo 22.281-900 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 25284116 E-mail: barbosa@furnas.com.br Estudos e análises das condições técnicas, logísticas e institucionais requeridas para operação segura e econômica de sistemas de potência, contemplando os seguintes aspectos: controle de sistemas e de equipamentos; controle geração-carga; planejamento da operação; avaliação de desempenho; centros de controle; treinamento de operadores; requisitos de segurança contra colapso de sistemas, danos em equipamentos e falhas humanas. ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 77 COMITÊS CE-C3 Desempenho Ambiental de Sistemas Coordenador: SILVIA HELENA MENEZES PIRES Empresa: Consultora Independente Endereço: Rua Raul Pompeia, 132 – apto 801 - Copacabana - 22.080-001- Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 3936-9840 e (21) 99886-6755 E-mail: silviahpires@gmail.com Identificação e avaliação dos impactos ambientais de equipamentos e dos sistemas elétricos e os métodos usados para gerenciá-los. CE-C4 Desempenho de Sistemas Elétricos Coordenador: DALTON DE OLIVEIRA CAMPONÊS DO BRASIL Empresa: ONS Endereço: Rua Júlio do Carmo, 251 - 5º andar - Cidade Nova 20211-160 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 34449695 - (21) 25393659 E-mail: docb@ons.org.br Métodos e ferramentas para análise de sistemas de potência, com ênfase nos regimes dinâmicos e transitórios e nas interações entre o sistema de potência com seus equipamentos e subsistemas, bem como com outras instalações. Os seguintes tópicos de interesse são definidos: Qualidade de energia, Compatibilidade e interferência eletromagnética, Coordenação de isolamento de linhas e subestações, Descargas atmosféricas e Modelos e ferramentas para análise numérica do desempenho de sistemas de potência. CE-C5 Mercados de Eletricidade e Regulação Coordenador: JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA MELLO Empresa: THYMOS ENERGIA Endereço: Avenida das Nações Unidas, 11.633 – conj. 192 - 19º andar – Brooklin 04578-000 – São Paulo - SP Telefone: (11) 3192-9100 E-mail: jmello@thymosenergia.com.br Estruturas de mercado e regulação na indústria de emergia, formação de preços e tarifas de emergia, economia de emergia e do meio ambiente, comercialização de emergia, gestão de riscos, gestão pelo lado da demanda, estruturas de financiamento, aspectos regulatórios e econômicos de energias renováveis e redes inteligentes (smart grids). CE-C6 Sistemas de Distribuição e Geração Distribuída Coordenador: PAULO HENRIQUE RAMALHO PEREIRA GAMA Empresa: B&G Pesquisa e Desenvolvimento em Sistemas de Potência Endereço: Av. Gov. Carlos de Lima Cavalcante, 3995 - Sala 27 - 53.040-000 - Olinda - PE Telefone: (81) 34273817 E-mail: paulogama@bgpesquisa.com.br Avaliação do impacto técnico de novas características de distribuição sobre a estrutura e operação do sistema: desenvolvimento da geração distribuída, dispositivos para armazenamento de energia, gerenciamento pelo lado da demanda e eletrificação rural. GRUPO D – TECNOLOGIAS DE APOIO CE-D1 Materiais e Tecnologias Emergentes Coordenador: ADRIANA DE CASTRO PASSOS MARTINS Empresa: CEMIG Endereço: Rua Sergipe, 326 Apto 401 - Funcionários - 30130-170 - Belo Horizonte - MG Telefone: (31) 3506-4426 – (31) 3506-2861 E-mail: adrianap@cemig.com.br Acompanhamento e caracterização de materiais novos e já existentes para a tecnologia de energia elétrica, diagnóstico, acervo técnico e conhecimentos correlatos, novas tecnologias com impacto esperado sobre os sistemas a médio e longo prazo. 78 ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 COMITÊS CE-D2 Sistemas de Informação e Telecomunicação para Sistemas Elétricos Coordenador: MARCELO COSTA DE ARAUJO Empresa: ELETRONORTE Endereço: SCN, Quadra 06 - Conj. “A” - Bloco C - Edif. Venâncio 3000 70716-901 - Brasília - DF Telefone: (61) 34298711 E-mail: marcelo.araujo@eletronorte.gov.br Princípios, investigações e estudos, especificações de projeto, engenharia, desempenho durante o comissionamento e aspectos de operação e manutenção nas áreas de telecomunicações e de serviços de informação para o setor elétrico, sistemas de informação para atividades operacionais e de negócios envolvendo serviços, meios de comunicação e redes. PARTICIPAÇÃO NO CIGRÉ INTERNACIONAL Administrative Council and Steering CommitteeMembro: JOSIAS MATOS DE ARAUJO Empresa: Consultor independente Endereço: Avenida Presidente Vargas, 409 – 13º andar - Centro 20071-003 – Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 2514-6199 E-mail: josias.araujo@eletrobras.com Administrative Council - Membro Permanente Membro: JERZY ZBIGNIEW LEOPOLD LEPECKI Empresa: ex-presidente do CIGRÉ Brasil e Internacional e Sócio Honorário do CIGRÉ Endereço: Rua Timóteo da Costa, 304 - Apto 801 - Leblon 22450-130 - Rio de Janeiro - RJ Telefone: (21) 22741002 E-mail: jlepecki@globo.com SC-B5 Protection and Automation Chairman: IONY PATRIOTA DE SIQUEIRA Empresa: TECNIX Engenharia e Arquitetura Ltda. Endereço: Rua Ernesto de Paula Santos, 960 - Sala 503 51021-330 - Recife - PE Telefone: (81)32132624 - Fax: (81) 32132625 E-mail: iony@tecnix.com.br ELETROEVOLUÇÃO MARÇO 2017 79 Critérios para Seleção e Divulgação dos Artigos Técnicos da Revista EletroEvolução – Sistemas de Potência 1. Qualquer artigo poderá se candidatar à publicação na revista EletroEvolução, o qual deverá ser encaminhado pelo seu autor ao Presidente do Conselho Editorial, para o e-mail: eletroevolucao@cigre.org.br ou para o endereço do CIGRÉ-Brasil: Praia do Flamengo, 66, Bloco B, sala 408, Flamengo, Rio de Janeiro, CEP 22.210-903. 1.1. Os artigos previamente selecionados e apresentados em eventos de responsabilidade do CIGRÉ-Brasil terão prioridade nesta publicação. 1.2. Os artigos deverão obedecer à formatação e limites de tamanho estabelecidos para os eventos do CIGRÉ-Brasil, cabendo à revista EletroEvolução a sua diagramação e formatação final de impressão, incluindo a revisão final de sua redação para efeito de publicação. 1.3. Esses artigos serão encaminhados, para efeito de revisão e comentários, a uma comissão composta por um mínimo de dois revisores, a serem designados pelo Coordenador do Comitê de Estudo responsável pelo respectivo assunto e/ou pelo Presidente do Conselho Editorial da Revista EletroEvolução. Cada revisor terá o prazo máximo de 40 dias para apresentar seu comentário e parecer sobre o artigo. 1.4. O Presidente do Conselho Editorial da revista será responsável pelo encaminhamento ao autor do artigo, da decisão do referido Conselho, a qual poderá ser pela sua não publicação, aceitação mediante incorporação das revisões solicitadas pelos revisores ou aprovação integral. Tal resposta deverá ocorrer no prazo máximo de 70 dias a partir da data de recebimento do artigo. 2. Os seguintes artigos são considerados previamente aptos para sua publicação na revista, a critério do Conselho Editorial, não havendo a necessidade de seu encaminhamento pelos respectivos autores principais, nem a necessidade de revisão. 2.1. Os artigos brasileiros apresentados nas Sessões Bienais e em Simpósios e Colóquios internacionais do CIGRÉ. 2.2. Os artigos classificados em 1º, 2º e 3º lugares nos seus respectivos Grupos de Estudos do SNPTEE e em eventos realizados pelo CIGRÉ-Brasil, tais como SIMPASE, SEPOPE, EDAO e ERIAC. 3. Também estão aptos para publicação na revista os seguintes artigos, a critério do Conselho Editorial, que deverão ser encaminhados ao Presidente desse Conselho: 3.1. Os artigos com os resultados e constatações finais dos Grupos de Trabalho dos Comitês de Estudo do CIGRÉ-Brasil. 3.2. Os artigos, de notória proficiência técnica, selecionados e encaminhados pelos membros do Conselho Editorial da revista e pelos Coordenadores dos Comitês de Estudo do CIGRÉ-Brasil. 4. Também poderão ser publicados outros artigos de interesse da entidade, a critério da Diretoria do CIGRÉ-Brasil, sob a denominação de “Artigos Convidados”. Conselho Editorial da Revista EletroEvolução - Sistemas de Potência