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RECEPTAÇÃO – ART. 180 CP
 Receptação própria – conceito: Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime.
Necessário ter um crime anterior, não sendo exclusivamente sobre o patrimônio. 
Crime de ação publica incondicionada.
Receptação da receptação: Cabível. Exemplo: Agente adquiri produto de crime e vende a terceiro. 
Condutas típicas
Adquirir: Obtenção do domínio da coisa de forma onerosa (ex. compra de um automóvel) ou gratuita (ex. recebimento de uma doação). 
Receber: Qualquer forma de obtenção da posse da coisa produto de crime (não há transferência da propriedade).
Transportar: Deslocamento da coisa de um local para outro (leva o bem dentro de um carro por exemplo).
Conduzir: Significa dirigir, no caso, qualquer meio de transporte de locomoção (ex. automóvel, bicicleta, caminhão) que seja produto de crime (conduz o próprio bem produto de crime).	
Ocultar: Esconder, colocar em esconderijo, de forma a não ser encontrado.
Transportar, conduzir e ocultar: Crime permanente (se consuma no tempo).
Adquirir e receber: Crime instantâneo (consuma de forma imediata).
Crime de ação múltipla ou de conteúdo variável: Prática de mais de uma conduta e um único crime.
Consumação: Crime material, sendo a consumação no momento que que o agente realiza uma das condutas típicas. 
Tentativa: Admite tentativa, por ser um crime plurissubsistente (vários atos em uma única conduta). 
Sujeito ativo: Crime comum. Qualquer pessoa, salvo autor, coautor ou participe do delito antecedente.
Sujeito Passivo: Vítima do crime anterior, ou seja, o titular do interesse, do bem jurídico atingido pelo delito pressuposto.
 Objeto material: É o produto do crime, isto é, coisa procedente de anterior delito contra o patrimônio. 
Bem imóvel: Duas correntes.
Mirabete e Fragoso – minoritária: Defende que, pela lei não distinguir entre coisas móveis e imóveis, é perfeitamente possível que um imóvel possa ser objeto de crime (não afirma que é necessário o deslocamento da res).
Hungria, Noronha, STF: Para ele, um imóvel não pode ser receptado, pois a receptação pressupõe um deslocamento da res do poder de quem legitimamente a detém, de modo a tornar mais difícil sua recuperação por quem é de direito. NOSSA POSIÇÃO.
Elemento Subjetivo: É o dolo, consistente na vontade livre e consciente de adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar a coisa, ou de influir para que terceiro de boa-fé a adquira, receba ou oculte. 
O Tipo penal exige o DOLO DIRETO, isto é, se o agente sabe, tiver certeza de que a coisa provém de prática criminosa anterior. Por isso, não basta o dolo eventual, porque acarretaria em receptação culposa.
Além disso, exige-se um fim especial de agir que é “em proveito próprio ou alheio”, ou seja, a intenção de obter vantagem para si ou para terceiro. Se desejar favorecer o autor do crime antecedente, não será receptação e sim crime de favorecimento real.
Advogado que recebe dinheiro ou coisa que saiba se reprodutor de crime, a titulo de honorários advocatícios, responde por receptação? SIM, pelo conhecimento da origem ilícita.
Art. 180, §4º => § 4º Norma penal explicativa: A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa.
Ou seja, existirá crime de receptação, mesmo que não haja aplicação de pena ao crime antecedente – basta existir o crime (ex. prescrição do crime anterior). 
RECEPTAÇÃO IMPRÓPRIA – Art. 180, caput, 2ª parte:
“(...) influir para que terceiro, de boa fé, a adquira, receba ou oculte”. Ou seja, quando o agente estimula terceiro de boa-fé a adquirir, receber ou ocultar coisa proveniente de crime.
O influenciador não poderá ser aquele que praticou o crime antecedente. 
O terceiro influenciado deve estar de boa-fé.
Consumação: Crime formal, consuma-se com o simples ato de “influenciar”, não sendo necessário que o terceiro de boa-fé efetivamente adquira, receba ou oculte a coisa produto de crime.
Tentativa: Não admite tentativa, por ser um crime unissubsistente (conjunto de um só ato – ato único). Isto é, a realização da conduta esgota a concretização do delito.
Sujeito ativo/passivo, objeto material e elemento subjetivo: São os mesmos da receptação própria.
Receptação própria X Receptação imprópria 
A própria cabe tentativa, diferente da imprópria que possui um rol menor de verbos (condutas). Além disso a própria é crime material e a imprópria caracteriza crime formal.
Causa de aumento de pena: Tratando-se de receptação de bens ou instalações do patrimônio da União, Estado ou Município, empresa publicas, serviços públicos, sociedade de economia mista a pena do caput é aplicada em dobro.
Receptação Qualificada: Aquele que adquirir, receber, transportar, conduzir, ter em deposito, desmontar, montar, remontar, vender, expor a venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime.
Possui mais verbos que as outras duas modalidades de receptação e a pena é maior. 
Elemento subjetivo da receptação qualificada: A doutrina entende que se trata do DOLO EVENTUAL. Dessa forma se o comerciante ou industrial deve saber que a coisa era produto de crime (dúvida), a pena é de 3 a 8 anos de reclusão. 
E se o agente sabia (pleno conhecimento)? Exemplo: Se o comerciante, desmontar um automóvel sabendo que é produto de crime. CONTROVERSIA NA DOUTRINA – 2 CORRENTES:
1˚ CORRENTE: Prevê as condutas de quem sabe (dolo direito) e as de quem DEVE saber (dolo eventual), ou seja, a expressão “deve saber” abrange também a conduta de quem sabe. 
É A NOSSA POSIÇÃO: A lei pretendeu punir não apenas quem sabe, mas até mesmo aquele que devia saber. Prevendo assim como qualificadora, o dolo direto (SABE) quanto o dolo eventual (DEVE SABER) – interpretação declarativa.
2˚ CORRENTE (Damásio): Tipifica apenas o comportamento de quem DEVE saber a origem criminosa (dolo eventual); logo, de acordo com o principio da reserva legal, não alcança o dolo direto (interpretação restritiva). Por outro lado, ofende o principio constitucional da proporcionalidade, por punir mais severamente o dolo eventual que o dolo direto, por isso não deve ser aplicado. 
Receptação privilegiada: Na hipótese de adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece (§ 3º), se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. 155.
Não inclui como requisito os bons antecedentes.
Doutrina majoritária: Cabível nas modalidades dolosas (própria ou imprópria), incompatível com a qualificada (conforme a doutrina) e a culposa (lei).
Receptação Culposa: Hipótese de adquirir ou receber coisa que, (i) por sua natureza ou (ii) pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela (iii) condição de quem a oferece (exemplo, venda por menor de rua, morador de rua), deve presumir-se obtida por meio criminoso.
Tipo objetivo: 
Natureza do objeto material: Como a venda objetos de valor histórico, veículo automotor sem documentação. 
 Pela desproporção entre o valor e o preço: disparidade entre o valor real da coisa e o preço ofertado; por exemplo, a venda de um carro importado a preço vil.
Pela condição de quem a oferece: por exemplo, venda de objetos de valor por menor de rua, morador de rua.
Não inclui no tipo penal a conduta de “ocultar” a coisa, sendo considerado crime quem esconde o bem de origem ilícita, sem conhecer sua procedência criminosa, ainda que agido culposamente. Além disso, considera-se crime o agente que em dúvida sobre a procedência do objeto, influi para que terceiro de boa-fé adquira ou receba a coisa.
Venda de bem, por morador de rua, que foi dado por um terceiro: Não constitui crime. 
Perdão Judicial: “ (...) Se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, deixar de aplicara pena”. Cabível somente na receptação culposa (consta em lei).
Requisitos:
Primariedade
Circunstâncias do crime: Exemplo, coisa de pouco valor.

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