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Silvia (tese) completa

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acho, que eu não posso interferir na vida das pessoas, é uma coisa que eu tenho 
muito comigo, minha mãe e meu pai sempre disseram que eu sempre fui assim, eu 
nunca coloquei para fora aquilo que eu estava sentindo no momento exato. Quando 
eu cheguei para o meu pai e disse que não estava mais dando para conviver com o 
Luís, ele achou impossível, pois para ele estava tudo bem. Aí eu falei: ‘então, senta, 
que eu vou te contar a minha história. Quando eu contei para o meu pai que ele 
saía, me deixava, bebia e um monte de coisas mais, meu pai ficou horrorizado e não 
acreditava no que eu estava contando ‘porque em momento algum você não chegou 
e não contou isso pra gente?’ Como eu não sabia o que eu queria, eu tinha com 
medo de contar e eles não tratarem ele bem, maltratarem e até interferirem na minha 
vida, né? Então eu nunca contei nada, não falei nada. Eles não se conformavam de 
eu ter passado por tudo aquilo e não ter falado nada. 
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S.: Hum, hum... 
V.: ...........Então, eu sou uma pessoa muito assim, agora, se você me 
perguntar do Marco, como eu classifico o meu namoro com ele, isso é uma coisa 
que eu converso com a minha secretária e falo assim: ‘ Eu estou....... curtindo até o 
momento que der’, entendeu? Eu acho legal, eu gosto de sair com ele, eu gosto 
muito dele, ele é ótimo comigo, com os meus filhos. Mas eu tenho...receio que isto 
não dê certo. 
S.: Por causa da diferença de idade? 
V.: Também. Aí eu posso dizer que eu sou uma pessoa insegura.(ri) 
S.: Hummm ... 
V.: Eu acho que a qualquer momento ele vai despertar. 
S.: E vai descobrir o que? Se ele despertar, vai ver o que? 
V.: Que não tem nada a ver, que eu sou mais velha do que ele... 
S.: E não tem nada a ver? 
V.: Não sei. (pausa) Daí ele vai mudar. Ele me trata super bem, ele é super 
bonzinho, super prendado, mas tem dia que eu penso e se entrar no elevador uma 
garotinha bonitinha? (ri) Olha onde vai a cabeça da gente!.... ‘Agora ele me deixa’. 
Eu acho que isso é o que gera insegurança, né? Mas, puxa vida, né? Porque que 
eu tenho que ficar insegura, se a pessoa vive exclusivamente para você, tudo que é 
importante para ela, sou eu. Ontem, ele chegou com um plano de viagem, pra gente 
viajar junto, né? Como se fosse um consórcio de no máximo vinte e quatro meses, ‘a 
gente vai viajar como sempre quis...’ ‘É, eu acho super legal’. Mas é engraçado que 
na hora que ele fala aquilo prá mim eu olho e falo....vem na minha cabeça, será que 
eu vou estar com ele daqui há 2 anos?! ........Sabe? pôxa! Porque ficar pensando 
nisso? Você tem que viver o presente, aquilo que está acontecendo..... Não, eu já 
penso naquilo que vai acontecer daqui a dois anos, pois eu fico pensando e é capaz 
de eu nem mais estar com ele. Pôxa vida! Nem ir viajar com ele, porque eu fico 
pensando nisso? Daí, já pensou! 
S.: E sempre você é assim, ou isso é agora com ele, pelo fato de ele ser mais 
novo? 
V.: Não, acho que eu sou assim mesmo. 
(............) 
S.: Como é que são seu pai e sua mãe? 
(.............) 
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V.: Ai, é uma relação meio é difícil (ri). A minha mãe.... a minha mãe é uma 
pessoa... difícil de conviver, de se lidar, hoje ela é uma pessoa doente, há dez anos 
atrás, ela teve um AVC que paralisou metade do corpo dela, não tanto o problema 
físico, mas quanto ao problema mental, foi o que os neurologistas explicaram. Ela é 
uma pessoa que não tem uma seqüência lógica dos fatos. Então a gente fala assim, 
eu e meus irmãos, que tudo que era de ruim, que todos os seus defeitos, 
floresceram com a doença (ri) e tudo que era de bom nela, foi embora com a 
doença, então ela é uma pessoa difícil de conviver. 
S.: Mas como ela era antes? 
V.: Antes ela era assim, ela sempre foi uma pessoa muito dinâmica, tá? Mas 
ela sempre viveu pensando que meu pai tivesse uma outra mulher, então a 
percepção dela era isso. Ela sempre foi uma pessoa gorda e nunca gostou da 
obesidade dela, então ela sempre se achou feia, horrorosa, mas ela não queria 
demonstrar para a gente que ela era feia e horrorosa e nem para as outras pessoas, 
então ela sempre se achou linda e maravilhosa e ela fala nisso até hoje, “eu sei que 
eu sou linda e inteligente, que eu vou sarar disso”. 
S.: Sei... 
V.: Há dez anos ela tem isso, ela acha que vai andar, que vai ter um carro, 
que vai sair. Então, ela é tipo assim: ela foi uma mãe presente, conviveu com a 
gente, tentou dar tudo de bom para a gente, mas aí já vem dos meus avós, que 
sempre colocaram a minha mãe de lado, em segundo plano, meu tio sempre foi a 
pessoa linda e maravilhosa da família, a minha mãe sempre ficou para escanteio, 
uma coisa nítida até hoje. Então minha mãe é assim, ela se preocupava se a gente 
estava bem arrumado, bem vestido, mas ela nunca se preocupou se a gente tinha 
uma cárie, se a gente tinha uma dor, se a gente tinha algum problema, nada. Tive 
problema de fono, fui me tratar quando era adolescente, porque percebi que tinha 
alguma coisa errada na história. Então, é assim, a gente se dá bem com ela, porque 
ela é mãe da gente, mas se disser que eu tenho um carinho especial por ela, eu não 
tenho. 
S.: Sei, sei. 
V.: Eu tenho por uma tia minha que é como se fosse minha mãe, mas eu e 
minha mãe, a gente sempre teve uma relação meio distante, né? Quando eu casei 
o importante para ela era fazer uma festa digna, aquela pompa toda. Depois eu 
cobrei isso deles: "Pôxa, porque vocês me deixaram casar com ele, porque vocês 
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não me seguraram." (ri) E meu pai me disse: “Com certeza você não ia aceitar nada 
e eu tinha tanto medo de te perder como filha, que preferi ganhar um genro do que 
te perder. De repente essa menina foge, vai embora...” Mas era uma coisa lógica 
que todo mundo viu. Minha mãe liga para ele até hoje, conversa com ele até hoje, o 
Luís que me conta, eles conversam... então ela não tem muita noção do que é bom 
para mim e do que não é. 
S.: Sei... 
V.: Agora meu pai era um super pai, era a pessoa que eu mais gostava, mais 
amava, quer dizer amo de paixão até hoje. Era a pessoa que eu mais tinha contato, 
mais falava, em termos, entendeu? Por ser fechada, entendeu? Mas era assim eu 
gostava de demonstrar para o meu pai as minhas conquistas, então se eu conseguia 
trocar o carro era a primeira pessoa que eu mostrava, se eu consegui uma coisa 
legal... até hoje eu sou assim, eu quero mostrar para o meu pai, eu quero mostrar 
que eu sou uma filha, que eu sou capaz porque ele sempre foi uma pessoa que 
trabalhou muito para dar o que a gente tem.. então eu sempre quis mostrar para o 
meu pai. 
S.: Hum, hum 
V.: Como acho que todos os três são assim, a gente quer mostrar para o meu 
pai que a gente subiu, que a gente é alguém na vida, porque ele deu tudo isso para 
a gente. Ele foi um pai que brincou muito, que rolou muito no chão, levou a gente em 
parque, que levou a gente em museu, que contou história, que falou sobre drogas, 
que, quando eu fiquei mocinha, ele sentou comigo e falou: "olha, agora você pode 
conhecer alguém e você tem uma coisa chamada virgindade e você pode perder. 
Então, você tem que tomar cuidado com tudo isso. Existem remédios, existe um 
monte de coisas...” E quando a minha mãe descobriu que eu não era mais virgem, 
ela ficou brava e ele falou assim: “isso é normal, isso é uma coisa que todo mundo 
passa, hoje em dia é uma coisa natural”. E também ele sempre foi um cara amigo. 
S.: Hum. 
V.: Há dois anos meu pai conheceu uma mulher... e ele se transformou... da 
água pro vinho. Ele mora na casa da minha mãe, tal. A gente aceita porque... a 
minha mãe, coitada! Ele precisa de uma companheira, alguém que faça carinho 
nele, ele precisa de sexo, de alguém que converse com ele: vamos supor,