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FACULDADE DE TECNOLOGIA SENAC GOIÁS CURSO DE GESTÃO AMBIENTAL JULIANA DIONIZIO DA SILVA OLIVEIRA PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREA DEGRADADA (PRAD) DE UM TRECHO DAS MARGENS DO CÓRREGO DO PALMITO – GOIÂNIA -GO GOIÂNIA 2012 JULIANA DIONIZIO DA SILVA OLIVEIRA PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREA DEGRADADA (PRAD) DE UM TRECHO DAS MARGENS DO CÓRREGO DO PALMITO – GOIÂNIA -GO Projeto apresentado ao Curso de Gestão Ambiental como requisito parcial para a obtenção do título de Gestor Ambiental da Faculdade de Tecnologia SENAC Goiás. Orientador: Ms.: Marcos Martins Borges GOIÂNIA 2012 JULIANA DIONIZIO DA SILVA OLIVEIRA PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREA DEGRADADA (PRAD) DAS MARGENS DO CÓRREGO DO PALMITO – GOIÂNIA -GO Projeto apresentado ao Curso de Gestão Ambiental como requisito parcial para a obtenção do título de Gestor Ambiental da Faculdade de Tecnologia SENAC Goiás. Aprovado pela Banca Examinadora em 18 de junho de 2012. BANCA EXAMINADORA ________________________________________________________________ Prof. Ms.: Marcos Martins Borges - Fac. SENAC/GO Orientador ________________________________________________________________ Prof. Ma. Ana Beatriz Teixeira - Fac. SENAC/GO ________________________________________________________________ Prof. Ma. Ana Maria de Freitas - Fac. SENAC/GO SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 6 2 INFORMÇÕES GERAIS ................................................................................................. 7 2.1. Localização da área ............................................................................................... 7 2.2. Número do processo em trâmite no órgão ambiental ................................................. 8 2.3. Proprietário ........................................................................................................... 8 2.4. Tipo de atividade e descrição do empreendimento ..................................................... 8 2.5. Responsáveis técnicos pela elaboração do prad ......................................................... 8 2.6. Órgão ambiental licenciador ................................................................................... 8 2.7. Contato relativo ao PRAD ...................................................................................... 8 2.8. Área a ser recuperada ............................................................................................. 8 3 METODOLOGIA ............................................................................................................ 9 4 REVISÃO BIBLIOGRAFICA ........................................................................................ 10 5 PLANO DE RECUPERAÇÃO DE AREA DEGRADADA - PRAD .................................. 12 6 ETAPAS PARA A IMPLANTAÇÃO DE UM PRAD ...................................................... 16 7 DIAGNÓSTICO ............................................................................................................ 17 7.1. REGISTRO LOCACIONAL / MAPA DA ÁREA .................................................. 17 7.2. Meio Fisiográfico ................................................................................................ 17 7.2.1. Clima (pluviometria, temperatura, ventos, evaporação) ........................... 17 7.2.2. Geologia ........................................................................................................ 18 7.2.3. Solos .............................................................................................................. 19 7.2.4. Hidrologia ...................................................................................................... 19 7.2.5. Geomorfologia e Topografia ........................................................................ 19 7.2.6. Influência do PRAD....................................................................................... 20 7.3. Meio Biótico ....................................................................................................... 20 7.3.1. Diagnóstico da Área ..................................................................................... 21 7.4. Meio antrópico (ocupação e uso da terra) ............................................................... 21 8 PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS ........................................... 23 8.1. Diretrizes Gerais ................................................................................................. 23 8.2. Ações de Engenharia (controle de erosões, curvas de nível, terraceamentos, cercas, etc.) 23 8.3. Controle de Lianas (cipós) e de Espécies Exóticas (gramíneas e outras ...................... 23 8.4. Técnicas de Recuperação/Restauração Vegetal a serem adotadas .............................. 23 8.4.1. Definição do modelo de plantio ................................................................... 23 8.4.2. Recuperação do meio biótico ...................................................................... 24 8.4.3. Distribuição de espécies .............................................................................. 24 8.4.4. Abertura e Preparo das Covas .................................................................... 25 8.4.5. Capina em faixa e coroamento .................................................................... 26 8.4.6. Adubação ...................................................................................................... 26 8.4.7. Efetivação do Plantio das Mudas ................................................................ 26 8.4.8. Combate a Formigas e Cupins .................................................................... 26 8.4.9. Manutenção ................................................................................................... 27 8.5. Avaliação da Qualidade do Plantio e Monitoramento (tipo e frequência de acompanhamento e correções) ....................................................................................... 28 8.6. Recursos Humanos e Materiais ............................................................................. 28 8.7. Maquinário e logística a serem empregados na atividade e responsáveis .................... 28 8.8. Operações Complementares .................................................................................. 28 9 CRONOGRAMA ........................................................................................................... 30 10 ORÇAMENTO .............................................................................................................. 31 6 1 INTRODUÇÃO A falta de planejamento e de políticas públicas destinadas a proporcionar moradia digna a todas as pessoas, assim como a ausência de uma estrutura administrativa eficiente de fiscalização permitem a ocupação das margens de rios e lagoas, por loteamentos clandestinos ou irregulares, em áreas urbanas. Os assentamentos urbanos clandestinos instalados sobre áreas de preservação permanente defrontam-se com a ameaça de esgotamento dos recursos hídricos, e representam um conflito socioambiental que envolve a preservação do ambiente. Os principais problemas verificados nos mananciais da capital, hoje, são ausência de mata ciliar, lançamentos clandestinos de esgoto, lançamentos clandestinos de entulho, focos de erosão, assoreamento e a ocupação irregular de faixa de Zona de Proteção Ambiental (ZPA-I) (AMMA, 2011). Essa realidade vem se alastrando por todo o país e se faz presenteem Goiânia, assim como em muitas outras cidades brasileiras. Segundo o Código Florestal (1965), área de preservação permanente é toda aquela, constante em seus artigos 2º e 3º, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. A escolha dessa área de estudo se deu pelos graves problemas que se pode observar as margens do córrego pela supressão da vegetação nativa de mata ciliar, e pela proximidade desse córrego com a área urbana e com uma Avenida de grande fluxo, tendo em vista que a ocupação urbana as suas margens tem afetado de forma direta o recurso hídrico. Para entender melhor a problemática desse curso d’água foi feito uma visita in loco para coleta de informações obtidas em conversas informais com moradores da região, observações da área e fotografias. Essa visita foi de grande importância para obtenção de informações que possa contribuir na elaboração do plano. Serão apresentadas, a seguir, informações sobre a área, bem como os resultados dos levantamentos dos Impactos Ambientais causados na área e a proposição de medidas para mitigação e controle dos mesmos, ressaltando sempre que a atividade que causou descaracterização ao Meio Ambiente na área foi originada pela ação desordenada do homem. 7 2 INFORMÇÕES GERAIS 2.1. LOCALIZAÇÃO DA ÁREA O objeto de estudo encontra-se localizado nos bairros Jd. Novo Mundo, Vila Morais, Chácara Botafogo e Vila Martins Extensão, na região leste do município de Goiânia-GO. Inserido no retângulo envolvente das coordenadas latitude Sul 16° 41’ 25,40’’ longitude Oeste de Greenwich 49° 14’ 23,31’’; latitude Sul 16° 39’ 29,78’’ longitude Oeste de Greenwich 49° 12’ 26,31’’ (Figura 1). As margens do Córrego do Palmito estão presentes áreas comerciais e invasões que acabaram por contribuir para a retirada de grande parte das áreas de preservação permanente (APP) do córrego. Figura 1- Mapa de localização Fonte: Elaborado por Juliana Silva (2011) 8 2.2. NÚMERO DO PROCESSO EM TRÂMITE NO ÓRGÃO AMBIENTAL • XXX/XXX 2.3. PROPRIETÁRIO Área urbana do município de Goiânia - GO 2.4. TIPO DE ATIVIDADE E DESCRIÇÃO DO EMPREENDIMENTO Não existem atividades na área, apenas ações antrópicas dos moradores das margens. 2.5. RESPONSÁVEIS TÉCNICOS PELA ELABORAÇÃO DO PRAD Nome: Juliana Dionizio da Silva Cargo: Gestora Ambiental Email: juliana.hidrogoias@gmail.com Telefone: (62) 9163-8174 / 8267-0882 2.6. ÓRGÃO AMBIENTAL LICENCIADOR NOME: SEMARH ENDEREÇO: 11ª Avenida, 1.272 – Setor Leste Universitário - GOIÂNIA – GOIÁS CEP: 74.605-060 TELEFONE: (62) 3265-1300 2.7. CONTATO RELATIVO AO PRAD Prefeitura de Goiânia – Telefone: 0800-6460-156 Agência Municipal do Meio Ambiente – AMMA – Telefone: 3524-1412 2.8. ÁREA A SER RECUPERADA A área a ser recuperada com o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) esta localizada Jardim Novo Mundo, na cidade de Goiânia, no Estado de Goiás. A área do PRAD é de 15.600,00 m², correspondentes a 1/3 da área total das margens do córrego do Palmito. 9 3 METODOLOGIA Foi feito uma inspeção ambiental da área a ser reabilitada; a documentação fotográfica dos itens de passivo identificados; identificação dos processos de transformação ambiental que deram origem aos itens de passivo identificados; caracterização ambiental dos itens de passivo, em termos de sua representatividade, assim como de seus processos causadores; estabelecimento de medidas corretivas e preventivas para cumprir com as necessidades de reabilitação ambiental da área, levantamento bibliográfico, analise de metodologias de PRAD, mapeamento da área. Para isso foram utilizados: � 01 (uma) máquina fotográfica; � 01 (um) GPS de navegação Garmim � Aplicativo Spring e ArcGIS utilizados na confecção de mapas � Banco de dados MUBDG e EMBRAPA � Equipe de profissionais técnicos Foram realizadas ainda: � Entrevista informal com moradores do local � Levantamento do tipo de solo � Pesquisas bibliográficas � Entrevista com Engenheiro Agrônomo Mário Fernando Silva, para definição do modelo de plantio a ser utilizado. 10 4 REVISÃO BIBLIOGRAFICA Entende-se por meio ambiente as relações que existem entre a natureza o homem e a estrutura política, econômica e social (ROCHA & KURTZ, 2001). De acordo com Servilha (2006), com o aumento populacional e a necessidade de moradia, inúmeras famílias que não tem condições a moradia de forma legal acabam optando por invasões nas margens dos cursos d’água e, assim, suprimindo grande parte de Áreas de Preservação Permanente (APP). As áreas urbanas se expandem a partir de recursos hídricos por motivos essenciais para o desenvolvimento, como o abastecimento de água potável e eliminação dos efluentes sanitários e industriais. Com isso as APPs desses corpos d’água vem sendo impactadas. De acordo com Lei nº 4.771 de 1965 - Código Florestal (PLANALTO GOIÁS), “as APPs são áreas de vegetação que devem ser mantidas intactas para a preservação dos recursos hídricos, da estabilidade geológica e da biodiversidade”. Para Lohman (2003, Pg, 46), “as matas ciliares funcionam como reguladores do fluxo de água, sedimentos e nutrientes entre os terrenos mais altos da bacia hidrográfica e o ecossistema aquático”. A preservação das APPs é de extrema importância para a manutenção do ecossistema e da qualidade da água dos rios e nascentes, sendo que a não preservação dessas áreas trazem inúmeros problemas para o planeta e para a sobrevivência de seus habitantes, gerando impactos negativos relacionados a secas, erosões, enchentes, desaparecimento de nascentes e rios (ALMEIDA, 2000). A seguir, o quadro 1 mostra as legislações que tratam sobre a largura e supressão de APPs. Quadro 1- Legislação aplicada LEI/ NORMA/ RESOLUÇÃO DETERMINAÇÃO A Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) A supressão de áreas preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal. A Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) As margens de córrego devem ter 30 (trinta) metros para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura Em áreas urbanas, devem-se observar os planos diretores e leis de uso do solo 11 Plano Diretor de Goiânia APP com largura mínima de 50m (cinqüenta metros), a partir das margens para todos os córregos. Arts. 38 e 39 da Lei n° 9.605, de 1998 (Lei de Crimes Ambientais - LCA) Para quem comete infração às normas que regulam as APP sâo aplicado sanções penais Fonte: Código Florestal, 1665; Plano Direitor de Goiânia, 2007; Lei de Crimes Ambientais, 1998. Kageyama et al (1994) considera que área degradada é aquela que, após distúrbio, teve eliminado os seus meios de regeneração natural, não sendo, portanto, capaz de se regenerar sem a interferência antrópica. Para Salvador e Miranda (2007), verifica-se a degradação de uma área quando a vegetação e a fauna são destruídas, removidas ou expulsas, a camada de solo fértil é perdida, removida ou coberta, afetando os corpos superficiais ou subterrâneos d’água. Na área de estudo o meio biótico encontrado é o Cerrado, o termo Cerrado é comumente utilizado para designar o conjunto de ecossistemas (savanas, matas, campos e matas de galeria) que ocorrem no Brasil Central (RIBEIRO ET AL., 1981). De acordo com o dicionário a origem da palavra Cerrado é espanhola, que significa “fechado” e o termo tenta traduzir as características desse bioma de vegetação arbustivo-erbácia densa. Aregião do Cerrado é marcada pela presença de vegetação predominantemente lenhosa e arbustiva, caracterizada por árvores de pequeno porte, retorcidas, distribuídas irregularmente em um tapete graminoso, não chegando a grandes alturas e estando adaptada aos rigores impelidos pela seca e pelo empobrecimento do solo. A área de estudo, em sua origem, era formada quase que em sua totalidade por esse bioma e mantinha essas características, no entanto hoje a área detém uma quantidade mínima dessa vegetação nativa, isso devido a retirada dessa vegetação pela ação antrópica na região. 12 5 PLANO DE RECUPERAÇÃO DE AREA DEGRADADA - PRAD A Instrução Normativa n° 4 de 2001 (IBAMA, 2011) instrui sobre as exigências mínimas e norteia a elaboração de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas – PRAD, e afirma que “o PRAD deverá propor medidas que assegurem a proteção das áreas degradadas ou alteradas de quaisquer fatores que possam dificultar ou impedir o processo de recuperação”. A Política Nacional do Meio Ambiente (LF n° 6.938/8,1, p. 02) artigo 2°, VIII afirma que a finalidade do PRAD é, “[…] o retorno do sítio degradado a uma forma de utilização, de acordo com um plano preestabelecido para o uso do solo, visando à obtenção de uma estabilidade do meio ambiente”. O objetivo amplo dos PRADs é a garantia da segurança e da saúde pública, através da reabilitação das áreas degradadas pelas ações humanas, de modo a retorná-las às condições desejáveis e socialmente aceitáveis (LIMA; FLORES; COSTA, 2006). Segundo Rodrigues e Gandolfi (1998) e Martins (2001) o sucesso de um PRAD pode ser avaliado por meio de indicadores vegetais de recuperação. E ainda para Martins (2001) é através desses indicadores que é possível definir se determinado projeto necessita de novas interferências ou de ser redirecionado, visando acelerar o processo de sucessão e de restauração das funções da vegetação implantada. Por esses motivos, o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas é um importante instrumento da gestão ambiental para recuperação de áreas impactadas. Embora os PRADs sejam voltados para os aspectos de solo e vegetação, eles acabam afetando positivamente a água, o ar, a fauna, e os seres humanos, pois possibilitam qualidade de vida para a população, para a fauna e flora da região, e ainda propicia melhorias dos recursos naturais existentes. O PRAD promove a restauração de áreas degradadas e pode ser definido como um processo de reversão das áreas degradadas em terras produtivas e auto-sustentáreis, podendo chegar ao nível de uma restauração de processos biológicos ou de aproximar-se muito da estrutura ecológica original (GUERRA E CUNHA, 2003). O PRAD deverá reunir informações, diagnósticos, e estudos que permitam a avaliação da degradação ou alteração e a conseqüente definição de medidas adequadas à recuperação da área, em conformidade com as especificações da Legislação Federal (IBAMA, 2011). Segundo Seitz (1994), obedecendo à sucessão natural da vegetação, deve-se primeiro isolar a área e averiguar se não há condições de recuperação natural da mata. Caso contrário, 13 revegetar, considerando as espécies pioneiras, seguidas pelas secundárias e deixando as clímax para a complementação do ecossistema. São esses dois sistemas usados em projetos de Recomposição Florística, podendo numa mesma micro bacia ser necessário o uso concomitante dos diferentes sistemas, dependendo das características das faixas a serem revegetadas: Regeneração Natural e Implantação Artificial de Reflorestamentos. Regeneração Natural: No processo de regeneração natural não há interferência antrópica: áreas degradadas permanecem sem interferência para que a vegetação se refaça naturalmente. Por meio da regeneração natural, as florestas apresentam capacidade de se regenerarem de distúrbios naturais ou antrópicos. A expressão regeneração natural é definida como sendo o conjunto de descendentes das plantas arbóreas que se encontram entre 0,1 m de altura até o limite de diâmetro estabelecido no levantamento estrutural (FINOL, 1971) e consiste ainda em importante indicador de avaliação e monitoramento da restauração de ecossistemas degradados (RODRIGUES e GANDOLFI, 1998). Segundo Seitz (1994), a regeneração natural da vegetação é o processo mais econômico para recuperar áreas degradadas. Implantação Artificial de Reflorestamentos: “A implantação de florestas tem ocorrido principalmente em solos de baixa fertilidade, seja ela natural ou em função do nível de degradação, em especial das áreas ciliares” (KAGEYAMA et al., 2002, p.58). Implantação é o conjunto de operações que vai do preparo do solo até o momento no qual o povoamento possa se desenvolver sozinho. O plantio se caracteriza como sendo a colocação da muda no campo. Pode ser mecanizado, manual ou semi mecanizado, dependendo da topografia, recursos financeiros e disponibilidade de mão de obra e/ou equipamentos (EMBRAPA FLORESTAS, 2003). Dentro desse sistema existem diversos modelos para recuperação de áreas degradadas. Dentro do modelo 1 propõe-se que as espécies sejam plantadas fileiras de espécies primárias e entre elas espécies de secundárias e clímax, evitando que espécies iguais de SI / ST e X fiquem lado a lado. No segundo modelo propõe-se que as espécies sejam plantas seguindo o nível do terreno, fazendo fileiras de espécies de rápido crescimento e outra fileira alternando espécies de crescimento mais lento. Já no modelo 3 foi proposto que as espécies de crescimento mais lento fossem plantadas entre 4 espécies que crescimento mais rápido, também seguindo o sentido da declividade do terreno. 14 A seguir, os modelos anteriormente relacionados: Modelo 1- Proposto pelo professor Paulo Y. Kageyama (1990). P P P P P SI ST SI ST P P P P P X SI X SI P P P P P SI ST SI ST P P P P P P: Pioneiras SI: Secundária Inicial ST: Secundária Tardia X: Clímax Espaçamento: pioneiras = 2x2m; secundárias = 4x2m e secundárias tardias e clímax = 4x4m. Modelo 2 - Proposto por Durigan e Nogueira (1990). O X O X O O O X O O O X O X O O O X O O O X O X O O O X O O O = Espécies de rápido crescimento (Pioneiras e secundárias iniciais) X = Espécies de crescimento lento (secundárias e clímax) 15 Modelo 3 – Proposto por Silva (2012). ↓↓↓↓ S---------P---------X---------P---------S---------P SENTIDO DA 3,0m ↑↑↑↑ P---------X---------P---------S---------P--------- P ⇓⇓⇓⇓ DECLIVIDADE S---------P---------X---------P---------X--------- P DO TERRENO ←←←← 3,0m →→→→ P = Espécie pioneira S= Espécie secundaria X = Espécie Clímax São apresentadas, a seguir, informações sobre a área a ser recuperada, bem como os resultados dos levantamentos dos impactos ambientais causados na área e a proposição de medidas para mitigação e controle dos mesmos, ressaltando sempre que a atividade que causou descaracterização ao meio ambiente na área foi originada pela ação desordenada do homem na escalada do desenvolvimento. 16 6 ETAPAS PARA A IMPLANTAÇÃO DE UM PRAD Para que a realização desse PRAD seja bem sucedida deverá seguir as seguintes etapas: Diagnóstico; Para que todas as etapas futuras sejam elaboradas e realizadas com sucesso, necessita- se que sejafeito um diagnóstico detalhado na área, buscando assim identificar os passivos ambientais ali gerados. Recuperação/Preparação do terreno; A recuperação e preparação do solo são de suma importância para que o terreno possa receber as plantas e proporcionar um crescimento saudável. Processo de Revegetação; Após o solo limpo, adubado e preparado deve dar-se início ao plantio das espécies, seguindo todas as orientações de plantio descritos no item 7.4. Monitoramento e Avaliação. O monitoramento e a avaliação deve ocorrer nos 2(dois) anos seguintes ao plantio, visando avaliar o crescimento, adaptação e desenvolvimento da área recuperada fazendo as correções necessárias para maior efetividade do PRAD. 17 7 DIAGNÓSTICO 7.1. REGISTRO LOCACIONAL / MAPA DA ÁREA A figura 2 apresenta o mapa locacional da área, mostrando a relação entre Goiânia e os bairros visinhos. A córrego do Palmito está localizado ao extremo leste da cidade de Goiânia, cortando 5 (cinco) bairros, a área que será revegetada está localizada no bairro Jardim Novo Mundo (cor rosa). Figura 2 – Mapa locacional Fonte: Elaborado por Juliana Silva (2011) 7.2. MEIO FISIOGRÁFICO 7.2.1. Clima (pluviometria, temperatura, ventos, evaporação) 18 O clima da área do PRAD é classificado como do tipo Aw segundo köppen como sendo um clima do tipo tropical, caracterizado por duas estações bem definidas, uma seca – de maio a setembro, e outra chuvosa – de outubro a abril, período em queocorrem chuvas torrenciais. As temperaturas máximas anuais variam de 29 ºC a 32 ºC (SIEG, 2001). No quadro 02 a seguir, está apresentada a média de temperatura máxima de Goiânia no período de 1991 a 2001. Quadro 2 - Temperatura máxima Goiânia JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 29 30 30 30 30 29 30 31 32 32 30 29 Fonte: Sieg, 2001 A precipitação da região apresenta padrão de distribuição típico da Região dos Cerrados, sendo que a precipitação anual máxima registrada no período de 1971 a 1994 foi de 1,525 mm. Quadro 3 - Precipitação máxima JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 300 250 200 100 30 10 10 20 40 150 250 300 Fonte: Sieg, 2001 7.2.2. Geologia A região onde se localiza a área está inserida, segundo o Mapa Geológico da Folha Goiânia do Projeto RADAMBRASIL, no período Pré-Cambriano, que é o tempo geológico desde a formação da Terra há cerca de 4,6 bilhões de anos até a evolução dos primeiros fósseis no começo do Cambriano há 542 milhões de anos. Sendo caracterizado por rochas do Proterozóico Inferior, representado pelo Grupo Araxá e depósitos aluvionares do Quaternário, devido às deformações e metamorfismo térmico existente (RADAMBRASIL, 1983). 19 7.2.3. Solos De acordo com o Projeto RADAMBRASIL no município de Goiânia, o tipo de solo predominante é o Latossolo Vermelho-Escuro, porém pode se encontrar classes de solos com menores extensões que o solo dominante, das quais se destacam os seguintes: Podzólico Vermelho Amarelo, Podzólico Vermelho Escuro, Latossolo Roxo, Cambissolo, Neossolos Quartzarenicos, Solos Litólicos e Gleissolos. Com a ajuda de mapas digitais do projeto RADAMBRASIL pode-se observar que os solos encontrados na área são: Gleissolos: São solos em geral mal ou muito mal drenados, com lençol freático elevado na maior parte do ano, formados em superfícies deprimidas ou áreas de surgência (EMBRAPA, 1982). Podzólicos: Esta classe compreende solos minerais, não hidromórficos, com horizonte B textural de coloração avermelhada, em matiz 3,5YR ou mais vermelho, e teores de Fe2O3 inferiores a 15% (Embrapa, 1982). São solos em geral profundos e as condições de relevo variam de suave ondulado a forte ondulado, com predominância, de topografias onduladas. 7.2.4. Hidrologia A área do PRAD está localizada às margens do curso d’água do Córrego do Palmito, fazendo parte da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte, na Otto bacia nº 5: 84952. 7.2.5. Geomorfologia e Topografia De acordo com as Unidades Geomorfológicas constantes no Mapa Geomorfológico da Folha Goiânia do Projeto RADAMBRASIL (1983), o município de Goiânia encontra-se inserido no Planalto Central Goiano, também inserido no contato com as estruturas Arqueanas do Complexo Goiano. Na área de estudo a geomorfologia é SRAIIIA: Na SRAIIIA ocorrem crostas lateríticas, colúvios nas vertentes dos vales e áreas de sedimentação restrita onde se acumularam sedimentos aluviais. Feições positivas na forma de serras, colinas e domos, se elevam sobre o nível geral da SRAIIA devido a sua resistência à erosão. Esses relevos são formados por granitos paleoproterozóicos da Sub-Província Paraná, rochas dobradas paleoproterozóicas do Grupo Araí e metassedimentares da Formação Traíras, da unidade geotectônica Rift Intracontinental (RADAM BRASIL, 1983. p.64). 20 7.2.6. Influência do PRAD Todas essas características de clima, geologia, solo e geomorfologia da área, interferem de forma direta na execução do PRAD, tendo em vista que deve se levar em consideração cada uma dessas informações. Deve ter o cuidado de o plantio ser realizado na época certa, aproveitando-se o máximo o período das chuvas. A concentração maior de chuva (80%) é verificada nos meses de outubro a abril e uma estação seca entre os meses de maio a setembro. Como a área a ser vegetada não é de grande extensão todas as mudas terão este benefício indistintamente. Para tanto se recomenda o plantio para o início da estação das chuvas nos meses entre outubro e novembro. Em relação ao solo da área é preciso ter o cuidado com o preparo do mesmo, evitando o uso de maquinários que favorecem os possíveis processos erosivos no solo. 7.3. MEIO BIÓTICO De acordo com o Plano de Zoneamento do Município de Goiânia (FMDU; ITCO; SEPLAM, 2008, p. 121) a vegetação do córrego do Palmito era composta por Cerrado sensu stricto, Cerradão e Mata de Galeria. Essa vegetação foi praticamente suprimida por moradores irregulares nas margens do córrego. Cerrado sensu stricto caracteriza-se pela presença de árvores baixas, inclinadas, tortuosas, com ramificações irregulares, retorcidas e geralmente com evidências de queimadas. O Cerradão é caracterizado por árvores baixas e arbustos espaçados, associados a gramíneas. Já matas de galeria constituem-se de matas perenifólias ou semi-caducifólias, com grande adensamento populacional, de alto porte, além de possuírem um substrato estruturado de espécies umbrófitas (plantas de sombra) e indivíduos menores da regeneração natural (CAMARGO, 2004, p. 18). As espécies mais freqüentes nos ambientes acima descritos são listadas no quadro 03. 21 Quadro 3 - Espécies predominantes nos tipos de cerrado antespresente na área de recuperação. Vegetação Especies Cerrado sensu stricto Amargosinha (Vatairea macrocarpa), Araticum (Annona coriacia), Cabeça- de-negro (Annona coriacia), Peroba-do-campo (Aspidospermatomentosum), Gonçalo-alves (Astronium fraxinifolium), Mama-cadela (Brosimumgaudichaudii), Sucupira-preta (Bowdichia virgilioides), Murici (Bysonima coccolobifolia), Pequi (caryocar brasiliense). Cerradão Ipê (Tabebuia ochracea), murici (Bysonima coccolobiflolia), barbatimão (Stryphnodendron abovatum), pau-santo (Kielmeyera rubriflora), araçá (Psiduimcattleyanum sabine), pau-terra (Qualeagrandiflora), catuaba (Anemopaegma arvense), indaiá (Atlalea exigua), peroba-do-campo (Aspidosperma tomentosum), gua-biroba (Campomanesia pubescens), cajueiro-do-campo (Anacarduim humile), pitanga-do-campo (Eugenia uniflora). Mata de galeria Copaiba (Copafeira langsdorffit), Paineira (Chorisia speciosa), Amendoimdo mato (Pterogyne nitens), Louro (Laurus nobilis). Fonte: EMBRAPA, 2012. 7.3.1. Diagnóstico da Área Como já foi exposto anteriormente a área era vegetada por espécies nativas do Cerrado, no entanto atualmente a área das margens do córrego Palmito encontra-se quase sem vegetação nativa, a maior parte das áreas está ocupada por residências. Além de suprir toda área de APP do córrego, essas residências comprometem de forma direta a qualidade da água, com o lançamento de esgoto in natura e lixo no córrego. Foi realizada uma visita até a Prefeitura de Goiânia para que fosse prestadas informações sobre medidas de desocupação e posteriormente de recuperação e proteção dessa área mais até a finalização desse estudo não existe ainda nenhuma medida de controle ambiental em execução ou em projeto. 7.4. MEIO ANTRÓPICO (OCUPAÇÃO E USO DA TERRA) Atualmente, milhares de pessoas vivem nas áreas das APPs pelo país, na maioria população de baixa renda que não consegue ter acesso a moradia nas áreas urbanas legais, com infraestrutura adequada e preços acessíveis (SERVILHA et. AL., 2006). De acordo com a Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA). Goiânia possui 85 cursos d’água, sendo: 4 ribeirões (Anicuns, João Leite, Capivara e Dourados);1 rio (Meia 22 Ponte); 80 córregos dentre ele o Córrego do Palmito onde se localiza o local a ser implantado o PRAD. Os principais problemas verificados nos mananciais da capital são a ausência de mata ciliar, lançamentos clandestinos de esgoto, lançamentos clandestinos de entulho, focos de erosão, assoreamento e a ocupação irregular de faixa de Zona de Proteção Ambiental (ZPA-I) (AMMA, 2011). E foi justamente isso que aconteceu na região das margens do Córrego do Palmito que se encontra intensamente afetada pelo processo de expansão urbana, com edificações dos mais variados tipos instaladas de forma desordenada e comprometendo o toda a extensão do Córrego do Palmito. A preservação da APP é de extrema importância para a proteção do recurso hídrico, qualidade da água, fauna, flora, e ainda evita assoreamento e dificulta na disposição de resíduos nesse curso d’água. Portanto é necessária a recuperação imediata dessa área, o que resultaria na retirada dessas residências domiciliares situadas nas margens do córrego, assunto esse de grande relevância que não será tratado nas medidas adotadas pelo PRAD já que nesse estudo se visa somente à parte de recuperação da área. 23 8 PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS 8.1. DIRETRIZES GERAIS Os procedimentos característicos de recuperação florestal a serem executados na recuperação da área, passo a passo e as atividades a serem desenvolvidas são descritas a seguir. 8.2. AÇÕES DE ENGENHARIA (CONTROLE DE EROSÕES, CURVAS DE NÍVEL, TERRACEAMENTOS, CERCAS, ETC.) • Não serão necessárias ações de engenharia na área; • O cercamento da área recuperada de 520 m será feito com arame liso; • Fazer o plantio conforme recomendação de cada espécie e espaçamento recomendado; • Plantar em nível, seguindo a declividade do terreno. 8.3. CONTROLE DE LIANAS (CIPÓS) E DE ESPÉCIES EXÓTICAS (GRAMÍNEAS E OUTRAS A eliminação de competidores será realizada através de capinas roçada para retirada de gramíneas e uso de facões para retirada de cipós. 8.4. TÉCNICAS DE RECUPERAÇÃO/RESTAURAÇÃO VEGETAL A SEREM ADOTADAS 8.4.1. Definição do modelo de plantio Depois de estudos de modelos e averiguação da área o Engenheiro Agrônomo Mário Fernando (profissional consultado para melhor elaboração do PRAD) baseando-se em modelos de outros pesquisadores e levando em consideração a área de estudo designou a seguinte metodologia de plantio. O plantio será manual por ser uma área com alta declividade e pela não viabilidade de usos de máquinas, visando recobrir toda a área de forma cuidadosa e garantir o processo de sucessão, o plantio será feito em nível, pois desta forma pode se obter melhor rendimento do crescimento, não havendo assim a competição entre mudas. O plantio deverá começar no período chuvoso, pois nesta época a chuva é favorável ao desenvolvimento das mudas e evitará perdas. 24 Assim, considerando a classificação acima, cumpre observar uma intercalação no momento do plantio definitivo, separando as espécies pioneiras e secundárias da espécie clímax, impedindo que duas espécies clímax fiquem lado a lado, conforme o seguinte esquema: S---------P---------X---------P---------S---------P P---------X---------P---------S---------P--------- P S---------P---------X---------P---------X--------- P P = Espécie pioneira S= Espécie secundaria X = Espécie clímax 8.4.2. Recuperação do meio biótico A restauração do meio biótico se dará com a efetivação do plantio das mudas, à medida que as arvores forem crescendo elas servirão como corredores de ligação entre áreas que ainda conservam a vegetação nativa, favorecendo assim a travessia de animais e a dispersão de sementes, o que ajudará na própria recuperação da área. 8.4.3. Distribuição de espécies As espécies devem ser plantadas em linhas de plantio distintas e alternadas. A finalidade desta técnica é permitir que as espécies que se desenvolvem bem inicialmente a pleno sol beneficiem aquelas que necessitam de sombra em seu período inicial para também se desenvolverem de forma satisfatória. As mudas devem ser plantadas de forma que sejam colocadas uma espécie secundária ou clímax no centro entre quatro pioneiras como mostra o esquema a seguir. ↓↓↓↓S---------P---------X---------P---------S---------P SENTIDO DA 3,0m ↑↑↑↑P---------X---------P---------S---------P---------P ⇓⇓⇓⇓ DECLIVIDADE S---------P---------X---------P---------X---------P DO TERRENO ←←←← 3,0m →→→→ 25 P = Espécie pioneira S= Espécie secundaria X = Espécie clímax • Número de espécies Área de preservação permanente de 15.600,00 m²: 1 planta----------- 9,0m² N° de mudas------15.600,00m²/9,0m² N° de mudas = 1.734 plantas Sabendo que a cada quatro espécie primária será usado uma secundária ou clímax, fica definido: • Pioneiras: 1300 espécies • Secundárias: 217 espécies • Clímax: 217 espécies 8.4.4. Abertura e Preparo das Covas As covas devem ter dimensões mínimas de 40 x 40 cm de abertura e 40 cm de profundidade. O espaçamento recomendado é de 3,0 m x 3,0 m, que é a distância média entre árvores adultas em condições naturais. Recomenda-se um espaçamento não muito rigoroso, isso produzirá uma mata mais semelhante à natural. A figura 3 ilustra o procedimento para abertura das covas: Figura 3 – Modelo de coveamento Fonte: Silva, 2012 26 8.4.5. Capina em faixa e coroamento O coroamento e a capina da área deverão ser realizados quando iniciar plantio e fizer uma visita na área a cada 3 meses para ver se há necessidade de realizar um novo coroamento no local onde se encontram as mudas. 8.4.6. Adubação A adubação de plantio por cova: • 500 gramas de esterco bovino curtido; • 100 g de adubo 04-14-08, • 100 g de calcário. Adubação de cobertura: • 100 g de adubo NPK 10-10-10; • 100 g de salitre do chile. No preparo do solo, quando as covas forem abertas deverá ser retirado a primeira camada de 15 cm e colocar de um lado; a segunda camada de 15 a 30 cm de outro lado, misturando a primeira camada de 15 cm com 500 gramas de esterco bovino bem curtido e 100 g do adubo NPK 04-14-08 e colocar as 100 g de calcário dentro da cova, deixa as covas preparadas por 2 (dois) dias para depois colocar as mudas nas covas e, por último, a camada de 15-30 cm, desta formaevitará o surgimento das espécies consideradas invasoras. 8.4.7. Efetivação do Plantio das Mudas A efetivação do plantio das mudas está prevista para ocorrer no mês de novembro de 2012. 8.4.8. Combate a Formigas e Cupins Antes de iniciar a operação de plantio deverá ser feito o combate às formigas cortadeiras. Os formigueiros deverão ser identificados em toda a área a ser reflorestada. Em cada formigueiro identificado coloca-se uma isca. Controle pré plantio e no plantio: consumo previsto de 4 a 8 kg/há de iscas tóxicas. 27 8.4.9. Manutenção 7.4.9.1. Replantio Se houver perdas (morte) das mudas após 30 dias do plantio, deverá ser feito o replantio das espécies, usando mudas de mesmo tamanho e idade daquelas que já se encontram no campo. 7.4.9.2. Coroamento O coroamento deve ser feito a cada 3 meses de forma manual ou utilizando enxada. O coroamento será feito de acordo com a idade da planta, sendo de 1,0 m nas plantas de até 3 anos; 1,5 m nas plantas de 3 a 10 anos ; e 2,0 m nas plantas com mais de 10 anos de idade. 7.4.9.3. Roçagem A limpeza do terreno deverá ser feita de 60 em 60 dias após o plantio para se retirar vegetação invasora e competidora. 7.4.9.4. Combate a Formigas e Cupins O Combate de formigas e cupis será feito 1(um) ano após plantio, uso previsto de 1,5 a 3 Kg de isca tóxica. O gasto com formicidas depende da infestação de formigueiros e o recomendado é fazer um levantamento da infestação antes da aplicação. 7.4.9.5. Adubação A adubação de manutenção deve ser realizada entre 18 a 24 meses após o plantio. Adubação de cobertura: • 50 g de adubo NPK 10-10-10; • 50 g de salitre do chile. 28 8.5. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DO PLANTIO E MONITORAMENTO (TIPO E FREQUÊNCIA DE ACOMPANHAMENTO E CORREÇÕES) O monitoramento será realizado pelos 2 (dois) anos seguintes: 2013/2014. Periodicamente deve-se observar as espécies sobreviventes e seu crescimento, para assim ser feito todo o acompanhamento das espécies e seu desenvolvimento. 8.6. RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS Humanos • 1 Gestor Ambiental • 1 Eng. Agrônomo • 3 Homens Materiais • Ferramentas para o plantio (pá, enxada, enxadão, facão etc) • 520 m de arame liso • 105 estacas • Trena 8.7. MAQUINÁRIO E LOGÍSTICA A SEREM EMPREGADOS NA ATIVIDADE E RESPONSÁVEIS Não será usado nenhum maquinário, somente ferramentas para o plantio, manuseadas pelos responsáveis pelo plantio das mudas. 8.8. OPERAÇÕES COMPLEMENTARES Educação Ambiental: esta serve para despertar na população a importância da preservação e conservação, não só dos recursos hídricos, mas também de todos os recursos naturais essenciais à qualidade de vida e saúde humana. Para isso serão tomadas as seguintes estratégias que serão desenvolvidas pelo Gestor Ambiental contratado: � Boletim Informativo: Durante os meses de aplicação e manutenção do PRAD, serão distribuídos boletins informativos com diversos assuntos, para os moradores que 29 residem próximo à área de implantação do PRAD, fazendo com que as informações se estendam a todos; � Plantio: para os meses de plantio das mudas será proposta uma ação comunitária, onde os colaboradores e moradores de região poderão participar do plantio, auxiliando na plantação das mudas e fechamento das covas. A intenção é de envolver o público alvo na proposta de recuperação de área de estudo. 30 9 CRONOGRAMA CRONOGRAMA Atividade 2012 Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Cercamento x Limpeza da área x x Combate a formigas x x x Abertura de covas x Plantio e Adubação x Coroamento x Replantio x Educação Ambiental x x x x x x x CRONOGRAMA DE MANUTENÇÂO Atividade 2013 2014 Jan Fev Mar Mai Jul Ago Set Nov Dez Jan Fev Mar Mai Jul Ago Set Nov Coroamento x x x x x x x x Roçagem x x x x x x x x x Combate a formigas e cupins x Adubação x 31 10 ORÇAMENTO RECURSOS HUMANOS Especificações Unid. Quant. Custo Unitário (R$) Total (R$) Gestor Ambiental Homem/Empreita 1 5.000,00 5.000,00 Eng. Agrônomo Homem/Empreita 1 2.000,00 2.000,00 Abertura de covas Homem/4dias 3 50,00 600,00 Mistura de Insumos Homem/4dias 1 50,00 200,00 Plantio de mudas Homem/20dias 3 50,00 3.000,00 Coroamento Homem/4dia 2 50,00 400,00 Subtotal A 11.200,00 RECURSOS MATERIAIS Especificações Unid. Quant. Custo Unitário (R$) Total (R$) Mudas Unid. 1734 3,00 5.202,00 Adubo NKP – 04-14-08 Kg 173 6,00 1.038,00 Adubo NPK 10-10-10 Kg 259 7,50 1.942,50 Salitre de Chile Kg 259 14,00 3.626,00 Isca tóxica Kg 3 15,00 45,00 Calcário Kg 173 0,24 41,52 Esterco Kg 867 0,25 216,75 Arame liso m 1560 0,28 436,80 Estaca Unid. 105 6,00 630,00 Trena Unid. 1 10,00 10,00 Pá de bico Unid. 3 20,00 60,00 Enxada Unid. 3 18,00 54,00 Enxadão Unid 3 25,00 75,00 Facão Unid. 2 50,00 100,00 Educação Ambiental Boletim/Unid. 1000 0,86 860,00 Subtotal B 14.337,57 Total A + B 25.537,57 32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGENCIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE - Mananciais. Disponível em: http://www.goiania.go.gov.br/html/amma/index.htm. Acesso dia: 08 de out de 2011. ALMEIDA, D. S., Recuperação ambiental da Mata Atlântica. Ilhéus: Editus, 2000 CAMARA MUNICIPAL DE GOIÂNIA, Plano Diretor de Goiânia. Goiânia, 2007. P. 59. CAMARGO, A.J.A. Importância das matas de galeria para a conservação de lepidópteros do cerrado. In. 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