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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ Centro de Ciências Exatas Departamento de Química OBTENÇÃO E PROPRIEDADES DO Br2 E I2 Acadêmicos: Daíse Miranda Ávila RA: 94364 Nathália da Silva Malaco RA: 99330 Curso: Química Bacharelado Disciplina: Química Inorgânica Experimental I Docente: Eduardo Radovanovic Maringá, 10 de novembro de 2017 1. Introdução Os compostos químicos em geral têm suas propriedades e toxicidades, e é importante que se tenha cuidado ao manuseá-los para evitar acidentes e complicações. Cl2: O cloro é um gás em temperatura ambiente, sendo que na natureza não é encontrado em estado puro. É um elemento utilizado na indústria e encontrado em alguns produtos domésticos. O gás de cloro pode ser pressurizado e/ou aquecido para transformar-se num líquido, de modo que ele possa ser transportado e armazenado. Também pode ser reconhecido pelo seu odor picante, irritante, que é como o odor de alvejante. Sua coloração é amarela esverdeada. Seu ponto de fusão é -100,7 °C e seu ponto de ebulição é -34,1 °C. Se aspirado em grandes quantidades pode causar asfixia e morte. Em virtude de sua ação corrosiva, tóxica e irritante para o sistema respiratório e para os olhos, o gás cloro foi utilizado durante a primeira guerra mundial como arma química. [1] Ele é usado para fins sanitários e é indispensável para o tratamento da água; utiliza-se cloro também na desinfecção de resíduos industriais e de piscinas. Em virtude das suas propriedades descorantes, ele é usado no branqueamento de fibras vegetais, como algodão, linho, etc. [2] Br2: O bromo é um líquido volátil vermelho à temperatura ambiente, com vapor marrom avermelhado. É um elemento muito reativo, embora seja menos reativo do que o flúor ou cloro, é mais reativo do que o iodo. Ele reage com muitos metais, por vezes, muito vigorosamente, como por exemplo, com potássio, que reage de forma explosiva. Seu ponto de fusão é -7,2 °C e seu ponto de ebulição é 58,8 °C. Provoca queimaduras na pele e lesões oculares graves, é corrosivo, muito tóxico para os organismos aquáticos. Bromo é usado em muitas áreas, tais como produtos químicos agrícolas, inseticidas, corantes, produtos farmacêuticos e produtos químicos intermediários. Alguns usos estão sendo eliminados por razões ambientais, mas novos usos continuam a ser encontrados. Compostos de bromo podem ser utilizados como retardadores de chama. Eles são adicionados à espuma de móveis, embalagens de plástico para produtos eletrônicos e têxteis para torná-los menos inflamável. No entanto, a utilização de bromo como um retardador de chama tem sido eliminada nos EUA devido a preocupações de toxicidade. [3] I2: O iodo é um elemento pertencente à família dos halogênios. Em temperatura ambiente, ele é sólido e apresenta cristais negros de cor semelhante ao violeta com brilho metálico. Ele é perceptivelmente volátil e sublima, isto é, passa diretamente do estado sólido para o estado gasoso. Seu ponto de fusão é 113,8 °C e o seu ponto de ebulição é 183 °C. Ele é nocivo em contato com a pele e nocivo por inalação. [4] Na indústria, o iodo é componente importante na fabricação de películas fotográficas, corantes, reagentes e produtos intermediários usados na síntese de compostos orgânicos e em laboratórios de análise. É usado em desinfetantes, como catalisador para produção de alguns polímeros, complemento alimentar (adicionado ao sal de cozinha), contrastes para raios X, entre outros. [5] H2SO4: Ácido sulfúrico é uma solução aquosa de sulfato de hidrogênio, cuja fórmula é H2SO4. O grau de ionização desse ácido é muito elevado (α = 61%), o que significa que ele é um ácido forte. Ele também é corrosivo, pois o ácido sulfúrico tem um poder oxidante e desidratante muito forte, sendo capaz de carbonizar compostos orgânicos, como os hidratos de carbono (ou carboidratos). Seu ponto de fusão é 10 °C e seu ponto de ebulição é 337 °C. O ácido sulfúrico é um potente irritante do trato respiratório, pele e olhos. Sobre a pele produz queimaduras graves. A inalação do vapor ou névoa pode causar tosse, espirros, sangramento nasal, broncoespasmo, dificuldade respiratória e edema pulmonar. A ingestão causa corrosão das membranas mucosas da boca, garganta e esôfago, dor epigástrica intensa com náuseas e vômitos semelhante à borra de café, edema de glote e asfixia. O ácido sulfúrico possui amplas aplicações, sendo que uma das mais conhecidas é o seu uso como eletrólito em baterias de chumbo usadas em automóveis. É usado também na produção de fertilizantes, como os superfosfatos e o sulfato de amônio, na produção de papel, corantes, fibras de raiom, medicamentos, tintas, inseticidas, explosivos e outros ácidos, além de ser usado também nas indústrias petroquímicas para o refino de petróleo e como decapante de ferro e aço. [6] 1.1. Diagrama de Frost O diagrama de Frost para um elemento X, consiste num gráfico de NE o para o par Xox /Xred em função do número de oxidação (N) de X: X(N) + N e- → X(0) Eo Um diagrama de Frost também pode ser considerado como um gráfico da energia de Gibbs padrão da reação em função do número de oxidação. Assim, o estado de oxidação mais estável de um elemento corresponde à espécie que se encontra mais abaixo no diagrama, como mostra a figura 1. Figura 1: Diagrama de Frost A figura 2 mostra o diagrama de frost para o oxigênio a partir do diagrama de Latimer. O2 +0,70 H2O2 +1,76 H2O +1,23 Os números de oxidação do O são 0, -1 e -2 nas três espécies. Para uma mudança do número de oxidação de 0 a -1 (O2 a H2SO4), E°= +0,70 V e N= -1, assim, NE°= -0,70 V. O número de oxidação de O em H2O é N= -2, e E° para a formação de H2O é 1,23 V, então, NE°= -2,46 V. Figura 2: Diagrama de Frost para O em solução ácida (linha cheia) e solução básica (linha pontilhada) 1.1.1. Reações de desproporcionamento Uma espécie (B) tende a sofrer desproporcionamento quando seu potencial de redução for maior que seu potencial de oxidação (em espécies adjacentes) no diagrama, como mostra a figura 3. Figura 3: Desproporcionamento Uma espécie, em um diagrama de Frost, é instável em relação ao desproporcionamento se seu ponto é encontrado acima da linha de conexão de duas espécies adjacentes. Quando este critério é satisfeito, o potencial para o par à esquerda da espécie é maior do que aquele para a espécie à direita. 1.1.2. Reações de comproporcionamento O comproporcionamento é espontâneo quando a espécie intermediária (B) encontra-se, no diagrama, abaixo da linha reta que une as duas espécies reagentes, como mostra a figura 4. Figura 4: Comproporcionamento Uma substância que se encontra abaixo da linha que conecta seus vizinhos em um diagrama de Frost é mais estável do que eles o são, porque sua energia de Gibbs média é mais alta. Portanto, o comproporcionamento é termodinamicamente favorável. [7] 2. Objetivos O experimento tem como objetivo a preparação do Br2 e do I2 e testar suas propriedades. 3. Procedimento experimental Todos os passos foram realizados dentro da capela. 3.1 Preparação do bromo: Adicionou-se pequenas quantidades de NaBr e MnO2 (a quantidade de uma espátula de cada) em um tubo de ensaio. Misturaram-se os reagentes e em seguida adicionou-se 3,0 mL de ácido sulfúrico concentrado. 3.2 Extração de bromo com solventes: Colocou-se 4,0 mL de água de bromo em um tubo de ensaio e adicionou-se 1,0 mL de clorofórmio (CHCl3). Homogeneizou-seagitando vigorosamente a mistura. Foi anotada a cor que o clorofórmio adquiriu. 3.3 Propriedades oxidantes do bromo: A um tubo de ensaio limpo e seco, adicionou-se 4,0 mL de água de bromo. Após isso, colocou-se uma pequena quantidade de zinco em pó (quantidade de ¼ de uma espátula) e agitou o tubo. Em outro tubo, adicionou-se 3,0 mL de água saturada com H2S e em seguida, foi adicionado água de bromo, gota a gota. Então, agitou-se vigorosamente a mistura. 3.4 Preparação do iodo: Utilizando um almofariz, misturou-se alguns cristais (dois ou três) de KI e MnO2 em pó em quantidades iguais, e transferiu-se a mistura para um tubo de ensaio, adicionando 1,0 mL de ácido sulfúrico concentrado. Em seguida, o tubo foi aquecido em banho maria. 3.5 Solubilidade do iodo: Adicionou-se 3,0 mL de água destilada em um tubo de ensaio e em seguida, colocou-se uma pequena quantidade de iodo (meia espátula) e agitou-se o tubo vigorosamente. Analisou-se se o iodo se dissolveu facilmente na água. Depois, adicionou-se uma pequena quantidade de KI (equivalente a metade da quantidade de iodo que foi usado) e agitou-se o tubo novamente. 3.6 Propriedades oxidantes do iodo: Triturou-se uma pequena quantidade de iodo (uma espátula) em um almofariz e misturou-o com a mesma quantidade de zinco em pó. No próprio almofariz, adicionou- se uma gota de água destilada. 3.7 Sublimação do iodo: Em um béquer de 250 mL colou-se 4 grânulos de iodo. Sobre esse béquer, com o auxílio de um suporte universal e garras, foi colocado um balão volumétrico de fundo redondo cheio de água, de modo que o balão tampasse a boca do béquer. Em seguida, utilizando tela de amianto e o bico de bunsen, aqueceu-se o béquer contendo o iodo, até iniciar a sublimação. 4. Resultados e discussões 4.1 Bromo Durante a preparação do bromo, a partir de NaBr e MnO2, notou-se que após a adição de ácido sulfúrico, houve efervescência e um gás marrom estava saindo do tubo, o que indicava a formação de Br2. Para encontrar a reação final que descreve este fenômeno, foram usadas as semi-reações abaixo. 2Br- Br2 + 2e Eº= - 1,08V MnO2 + 4H+ + 2e Mn2+ + 2H2O Eº= 1,224V 2Br- + MnO2 + 4H+ Br2 + Mn2+ + 2H2O Eº= 0,144V Essa seria a reação global sem a presença dos contra-íons, a reação completa encontra-se descrita conforme a reação 2 abaixo. Porém, pela reação 1, já é possível observar que o Br é oxidado e o Mn reduzido e, também, pelo potencial calculado da mesma, a partir das semi-reações, é possível concluir que a mesma acontece espontaneamente, já que resultou em um valor positivo. 2NaBr + MnO2 + 2H2SO4 Br2 + MnSO4 + Na2SO4 + 2H2O 1 2 Já durante a extração, não ocorreu uma reação, mas sim um fenômeno. O bromo é um composto apolar mas se dissolve em água (polar) porque cria dipolos induzidos, causando uma distorção das nuvens eletrônicas, fazendo com que, momentaneamente, criem-se polos parcialmente positivos e negativos. Porém, quando o clorofórmio foi adicionado a água de bromo, por ele ser apolar, cria uma interação maior com o bromo, fazendo com que a água de bromo perdesse um pouco da intensidade de sua coloração. Por fim, para testar as propriedades oxidantes do bromo, assim que o zinco foi adicionado ao tubo de ensaio contendo água de bromo, a solução ficou incolor e notou- se um excesso de zinco. Para descrever isto, foram utilizadas as reações abaixo: Br2 + 2e 2Br- Eº=1,08V Zn Zn2+ + 2e Eº=0,7618 Br2 + Zn Zn2+ + 2Br- Eº=1,8418V Calculando o potencial para a reação 3, apenas com os contra-íons, é observado que a reação também acontece espontaneamente, ou seja, o zinco é oxidado e o bromo é reduzido. Adicionando os contra-íons e água do lado necessário, obteve-se a reação 4. Br2 + Zn + 2H2O Zn(OH)2 + 2HBr Ainda testando as propriedades oxidantes, adicionou-se H2S à água de bromo, e se observou que a solução ficou turva e que o cheiro do íon S2- desapareceu. Isto é dado pela reação 5. 4Br2 + H2S + 4H2O 8HBr + H2SO4 4.2 Iodo Para começar, foi feita a preparação do iodo, a partir de KI, MnO 2 e H2SO4, quando o ácido foi adicionado, o tubo esquentou vigorosamente e houve a liberação de um gás marrom/alaranjado e o tubo ficou completamente violeta. A liberação do gás e a 3 4 5 coloração violeta do tubo indicava a formação do iodo. As semi reações que dão origem a reação global são: 2I- I2 + 2e Eº=0,535V MnO2 + 4H+ + 2e Mn2+ + 2H2O Eº= 1,224V 2I- + MnO2 + 4H+ I2 + Mn2+ + 2H2O Eº=1,759V Pela instantânea liberação de gás ao colocar o ácido sulfúrico, já foi possível perceber que a reação é espontânea, porém, isso foi confirmado pelo potencial calculado da reação 6 que gerou um valor positivo e, através das semi reações, observou-se que o iodo oxidou e o manganês reduziu. A reação 7 abaixo, mostra a reação global balanceada e com os contra-íons. 10KI + MnO2 + 7H2SO4 5I2 + MnSO4 + 5K2SO4 + H2S + 6H2O Para testar a solubilidade e as propriedades do iodo, foram realizadas mais duas reações. Primeiro, para testar a solubilidade foi visto que o iodo se dissolvia facilmente quando colocado em água, mas quando KI é adicionado, a solução ficou violeta e não houve a dissolução completa. Isso ocorreu porque houve a formação de um aduto (KI3), que é mais solúvel em água do que I2. Isto e dado pela reação 8. I2 + KI KI3 E para o teste das propriedades, o iodo foi triturado, misturado com zinco em pó e depois adicionado uma gota de água. Imediatamente, quando a água foi adicionada, desprendeu-se um gás violeta. Porém, o iodo não é o produto da reação. O calor gerado pela mesma faz com que o iodo que não foi usado na reação saia em forma de gás. Esse processo é representado pelas semi reações abaixo: I2 + 2e 2I- Eº=0,535V Zn + 2OH- Zn(OH)2 + 2e Eº=1,260V I2 + Zn + 2OH- Zn(OH)2 + 2I- Eº=1,795V Assim como nas outras reações, a reação 9 está apenas com os contra-íons, e assim como observado em prática, o resultado do potencial deu positivo e, portanto, a 6 7 8 9 reação acontece espontaneamente. A reação com os contra-íons e balanceada está descrita na reação 10 abaixo. I2 + Zn + 2H2O Zn(OH)2 + 2HI E por último, foi feita a sublimação do iodo, que é a passagem do mesmo do estado sólido para o estado gasoso, sem passar pelo estado liquido. Os três grãos que estavam dentro do béquer foram consumidos e desprendeu-se um gás violeta. Após um tempo, depois que o aquecimento foi cessado, o gás que entrou em contato com o fundo do balão, voltou a ficar sólido. 5. Conclusão Pode-se concluir que todos os objetivos da pratica foram concluídos com sucesso, visto que, conforme as etapas propostas eram realizadas foi possível observar todos os fenômenos desejados, como por exemplo, a sublimação do iodo. E também, que todas as reações eram espontâneas, já que os potenciais de redução calculados foram positivos. 6. Referências [1] Proteção respiratória – gás cloro. Disponível em <http://www.protecaorespiratoria.com/gas-cloro-cl2/>, acessado em 01/11/2017 [2] UOL, educação – cloro, propriedades e usos. Disponível em <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/quimica/cloro-propriedades-e-usos.htm>, acessado em 01/11/2017 [3] Portal São Francisco – bromo. Disponível em <http://www.portalsaofrancisco.com.br/quimica/bromo>, acessado em 01/11/2017 [4] UOL, alunos online – iodo. Disponível em <http://alunosonline.uol.com.br/quimica/iodo.html>,acessado em 01/11/2017 [5] Portal São Francisco – iodo. Disponível em <http://www.portalsaofrancisco.com.br/quimica/iodo>, acessado em 01/11/2017 10 [6] UOL, mundo educação – ácido sulfúrico. Disponível em <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/acido-sulfurico.htm>, acessado em 02/11/2017 [7] Atkins,P.W.; Shriver,D.F.- Química inorgânica, 3ª edição, editora Bookman, 2003