Prévia do material em texto
1 Professora: Larissa Emerick Gois Disciplina: Gestão da Cadeia de Suprimentos Estudo de Caso 1 A partir da leitura do texto, responda às questões propostas. A Empresa Li&Fung é a maior trading exportadora de Hong Kong, e uma inovadora no desenvolvimento do moderno gerenciamento da cadeia de suprimento num contexto globalizado. Fundada em 1906, em Cantão, sul da China, pelo avô de Victor Fung, a empresa foi a primeira companhia exportadora chinesa, numa época em que o comércio do país era controlado por empresas estrangeiras. Sua única vantagem comparativa, na época de sua criação, era que seus membros falavam inglês. No início do século XX, uma carta do Ocidente gastava um mês para chegar à China. Mercadorias, por sua vez, demoravam três meses, no mínimo. Ninguém, nas fábricas chinesas, falava inglês, e os comerciantes americanos, por sua vez, não falavam chinês. Na fase administrada pelo pai de Victor Fung, a empresa atuava basicamente como broker (intermediário), recebendo uma comissão para estabelecer contatos entre compradores e fabricantes de produtos. Mas, como mera intermediária, a empresa estava sendo paulatinamente espremida entre os clientes estrangeiros e as fábricas: recebendo 15% de comissão no início das atividades, o percentual foi caindo cada vez mais, chegando a apenas 3% no início da década de 1970. Em 1976, Victor Fung lecionava na Harvard Business School e foi chamado por seu pai, juntamente com seu irmão William, para dirigir a empresa. A primeira constatação dos dois foi que brokers, como a Li & Fung, não teriam mais do que 10 anos de vida, se tanto. A ideia era transformar o negócio em algo diferente, desenvolvendo e implementando uma nova forma de atuação para a empresa. A firma foi então se transformando, percorrendo vários estágios de desenvolvimento. Os Três Estágios de Evolução da Li & Fung Num primeiro estágio, abriram filiais em Formosa, Coreia e Cingapura, que passaram a atuar como agentes regionais, buscando fornecedores nesses países. Os grandes clientes ocidentais tinham condições de comprar produtos diretamente dos fornecedores, caso estes estivessem concentrados somente em Hong Kong. Mas o processo se complicava quando os clientes tinham que tratar diretamente com fornecedores de muitos países. Assim, a abertura das filiais aumentava as vantagens competitivas, em razão do maior valor adicionado ao serviço de intermediação. O conhecimento sobre a qualidade dos produtos era também um elemento positivo na atuação da Li & Fung. Por exemplo, os tecidos sintéticos de Formosa eram os melhores, mas Hong Kong era o lugar onde se conseguia o melhor algodão. A empresa organizava então um “pacote” para um determinado cliente, buscando em diversas fontes, nos vários países, os produtos que melhor atendessem às condições de qualidade e de preço. Pouco depois, começou a agregar mais valor ao processo, passando a se responsabilizar por pequenas montagens. Por exemplo, uma grande cadeia americana de lojas de descontos encomendava um kit de ferramentas. A Li&Fung buscava as chaves-inglesas num país, as chaves de fenda noutro, e assim por diante, montando o kit antes de enviá-lo para o cliente. Num segundo estágio de evolução da empresa, o salto qualitativo foi maior. Até então, um cliente pedia à Li&Fung algo assim: “Este é o item de que precisamos; por obséquio, vá atrás e ache o melhor local onde comprá-lo para nós.” Já de acordo com o novo modelo, um cliente, digamos um grande varejista de roupas na Europa, procura a empresa com uma demanda diferente: “Para a próxima estação, estamos pensando em lançar algo assim – com este estilo, estas cores, nestas quantidades. Vocês poderiam desenvolver para nós um programa de produção?” O cliente fornece então os sketches preparados por seus estilistas. O passo seguinte, para a Li&Fung, é pesquisar o mercado para encontrar o tipo certo de fibra, de forma a conseguir as cores e os resultados desejados. Os fornecedores produzem amostras e a Li & Fung 2 prepara alguns protótipos. O cliente analisa as amostras e dá sua opinião: “Não, não gostamos deste resultado, queremos este. Vocês têm condições de desenvolver uma programação para nos entregar n peças desta aqui?” A partir da colocação do pedido, Li&Fung prepara um programa completo para a estação, especificando os componentes e o cronograma. Em seguida, trabalha em conjunto com as fábricas, planejando e monitorando a produção de forma a garantir qualidade e as entregas nas datas certas. Essa forma de combinar a manufatura e a distribuição de produtos permaneceu até a década de 1980, quando um novo tipo de desafio mudou de novo a atuação da Li & Fung, levando-a ao terceiro estágio. À medida que os Tigres Asiáticos foram emergindo, Hong Kong foi se tornando cada vez mais inacessível em termos de custo de manufatura, tornando-o pouco competitivo. Um exemplo era a produção de radiotransistores baratos, que passaram a ser fabricados em Formosa e na Coreia, fechando as fábricas de Hong Kong. Nessa ocasião a China começava a abrir suas fronteiras ao comércio e Hong Kong passou a aproveitar a situação para resolver seu problema de custo elevado. Para isso, passou a canalizar a parte da produção intensiva em mão de obra para ser feita do outro lado da fronteira, no sul da China. A Li & Fung criou, para os radiotransistores, pequenos kits, na verdade sacos plásticos, cada um contendo todos os componentes necessários para produzir um aparelho. Esses kits eram então despachados para a China, para montagem. Quando pronto, o produto acabado voltava a Hong Kong para testes e inspeção final. Esse esquema tinha condicionantes muito sérios. Por exemplo, se na preparação dos kits faltasse um único parafuso, toda a linha de montagem parava, aguardando um tempo enorme para receber o elemento faltante. Essa quebra na cadeia de valor, na forma idealizada pela Li&Fung, era um conceito novo na época. Eles a chamaram de manufatura dispersa. Nas palavras de Victor Fung, sua empresa é, na verdade, uma fábrica sem fumaça. Esse método de fabricação logo foi imitado por outras indústrias de Hong Kong, trazendo novo alento e transformando a economia da região. Entre 1979 e 1997, Hong Kong passou do 21º lugar na classificação mundial de comércio exterior para o 8º lugar. Toda a manufatura acabou passando para a China, ficando Hong Kong com a parte de comercialização, distribuição e serviços em geral: 84% do PIB de Hong Kong passou a ser representado por serviços. Aproximadamente 300.000 pequenas e médias empresas atuam hoje em Hong Kong, com cerca de 40% delas de caráter transnacional, isto é, operando pelo menos em dois países. Algumas possuem 20 a 30 funcionários em Hong Kong, com uma fábrica na China comunista, onde trabalham de 200 a 300 operários. Cerca de 50.000 fábricas localizadas no sul da China, com aproximadamente 5 milhões de trabalhadores, são controladas por empresas de Hong Kong. Manufatura Dispersa e Cadeia de Valor A dispersão espacial da manufatura de componentes, comum na indústria automobilística, adquire características novas no tipo de operação realizada pela Li & Fung. De fato, a produção de um veículo exige uma preparação de alguns anos, indo desde o projeto do carro, desenvolvimento do maquinário e aparelhamento necessário, como também a definição das especificações das peças e componentes, seguida da contratação dos fornecedores. No caso das operações da Li & Fung, o ciclo dura menos do que um ano. A cada estação, as especificações dos produtos mudam à mercê da evolução da moda. Isso requer uma agilidade muito grande, com a empresa gerenciando fatores logísticos e de transportes, mas também dissecando a cadeia de valor embusca da solução que atenda às exigências do cliente, com o mínimo custo possível. Um exemplo desse tipo de operação foi a produção de uma boneca, similar à Barbie, lançada em meados da década de 1980. O projeto foi realizado em Hong Kong, como também a produção dos moldes, que exigia máquinas sofisticadas. Os moldes foram despachados para a China, onde se processava a injeção do plástico, se fazia a montagem das bonecas também era aplicada a pintura e confeccionadas as roupas. Todas essas operações são intensivas em mão de obra, favorecendo a China como pólo produtor. As bonecas eram então enviadas a Hong Kong, não somente para testes finais e inspeção, como também para serem embaladas. Naquela época, não havia na China o know-how necessário para imprimir as caixas com a qualidade requerida. Uma vez embaladas, Li & Fung utilizava as boas facilidades de transportes que servem Hong Kong para distribuir os produtos no mundo todo. Nesse esquema, a empresa se incumbia de 3 executar os dois extremos da cadeia de valor, deixando para os chineses a parte intermediária, intensiva em mão de obra, e que não requeria muito know-how. Gerenciar uma cadeia produtiva dispersa, na qual as coisas não acontecem sob um único teto, requer uma real mudança de mentalidade. Mas, tão logo Victor e William descobriram como enfrentar o problema, passaram a pensar em ir além do sul da China. Se os salários fossem menores mais para o interior da China, compensando os custos adicionais de deslocamento, por que não ir até lá? Como resultado dessa abertura, Li&Fung passou a buscar constantemente novas fontes de suprimento. Em 1995, já com um bom capital amealhado nos vinte anos de atuação à frente da empresa, os dois irmãos adquiriram a Inchcape Buying Services – IBS, uma grande trading de origem inglesa, com uma rede bem estabelecida e sediada em Hong Kong, e com filiais na Índia, Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka. Com isso, quase dobraram o volume de operações e estenderam sua penetração geográfica a outras regiões do globo. Adicionalmente, a aquisição trouxe consigo uma base de novos clientes europeus, que complementou a carteira de clientes até então predominantemente norte-americana. Esse modelo de manufatura dispersa logo se tornou um novo paradigma para toda a Ásia. Centros mais desenvolvidos tecnológica e empresarialmente, com custos de produção mais altos, passaram a se incumbir do planejamento sofisticado, coordenando a manufatura distribuída regionalmente: Bangkok trabalha com a península da Indochina, Formosa com as Filipinas, e Seul com o norte da China. Hoje, a Li&Fung forma uma rede globalizada, com 68 filiais localizadas em 68 países (www.lifung.com, agosto de 2003), tendo faturado cerca de US$5 bilhões no ano 2002. Considerando uma média, por baixo, de 200 empregados por fábrica, mais de um milhão de trabalhadores estão engajados em trabalhos voltados aos clientes da empresa. Essa é uma das razões que afastam Li&Fung de qualquer segmento da cadeia de valor ligado diretamente à manufatura. Gerenciar diretamente o trabalho de mais de um milhão de trabalhadores seria uma tarefa hercúlea. A empresa perderia toda a sua flexibilidade e teria dificuldade em coordenar e ajustar a cadeia de suprimento na forma como vem realizando hoje. Para Li & Fung, é fundamental que seus fornecedores considerem importante para seus negócios os pedidos feitos pela empresa. Em geral, de 30% a 70% da capacidade de produção de cada fornecedor é direcionada às encomendas da Li & Fung. Para muitos fornecedores, a participação de 30% coloca Li & Fung como seu maior cliente. Por outro lado, Li & Fung não quer a responsabilidade de ter os fornecedores totalmente dependentes de seus pedidos. Acompanhando um Pedido Típico Um grande varejista europeu faz um pedido de 10.000 peças de roupa à Li & Fung. Para esse caso particular, a Li & Fung decide comprar o fio de um produtor coreano, para posteriormente tecê-lo e tingi- lo em Formosa. Os japoneses, por sua vez, produzem os melhores zíperes e botões, mas esses componentes são manufaturados na China. Li & Fung se dirige então à YKK, um grande fabricante japonês de zíperes, e coloca um pedido, no qual são especificados os requisitos desse componente a ser produzido na China. Em razão de cotas e das condições trabalhistas, o melhor país da região para produzir as peças de roupa é a Tailândia. Assim, todos os componentes são despachados para lá. Como o cliente europeu exige pronta entrega, o pedido é dividido entre cinco fabricantes tailandeses. Com esse esquema logístico, Li & Fung consegue customizar a cadeia de valor de forma a melhor atender às necessidades de cada cliente. Cinco semanas após o recebimento do pedido, as 10.000 peças chegam às prateleiras das lojas na Europa. Além do perfeito atendimento no que se refere a tamanhos, padrões e quantidades, todas as peças apresentam o mesmo tipo de corte, com suas cores perfeitamente padronizadas. Grandes fabricantes, liderados pela indústria automobilística, vêm aplicando o gerenciamento da cadeia de suprimento em nível globalizado. Hoje, a montagem de produtos, como o automóvel, é relativamente simples. A parte difícil do processo é o gerenciamento dos fornecedores e da distribuição, coordenando o fluxo de componentes e peças. No caso da Li&Fung, a empresa é pioneira em estender aos grandes varejistas a capacidade de gerenciar a cadeia de valor, criando produtos que são manufaturados de acordo com suas especificações e expectativas. Um dos objetivos do comércio, ao lançar mão do gerenciamento da cadeia de suprimento, é conseguir vantagens competitivas sobre seus concorrentes, através da comercialização de produtos atrativos ao mercado, a custos razoáveis e dentro de prazos reduzidos. Os níveis médios de estoque também tendem a cair, em razão da grande agilidade com que são 4 processados os pedidos. Por outro lado, tal prática, ajudando a atender melhor as preferências do mercado, acaba diminuindo significativamente as sobras e as consequentes liquidações de produtos a preços reduzidos. Compressão do Ciclo do Pedido A moda, incluindo roupas, sapatos e outros produtos do gênero, está sujeita a ciclos bastante apertados. As tendências da moda para uma nova estação são normalmente lançadas nos desfiles dos grandes estilistas europeus. Esses desfiles são acompanhados pelos criadores das principais cadeias varejistas. Com base nas ideias absorvidas a partir dos desfiles de moda, os estilistas dos grandes magazines desenvolvem, em seus ateliês, modelos, padronagens e cores de forma a antecipar as expectativas do mercado. Esse tipo de mercado está fortemente atrelado às preferências do consumidor, que, por sua vez, são influenciadas pelas revistas de moda e pela mídia. A tarefa de antecipar as preferências do mercado é uma dura missão. De fato, não poucas vezes os criadores dos grandes magazines erram em suas previsões, elaborando modelos que não vendem nas lojas ou especificando cores um tanto deslocadas em relação às tendências do momento. Assim, quanto mais tarde uma empresa varejista puder colocar seus pedidos de fabricação das peças de roupa ou de calçados, mais tempo ganha para eventuais correções. Isso significa que comprar mais perto do mercado (closer to the market) agrega um valor de natureza mercadológica apreciável para o varejista. Por exemplo, considerando um prazo normal de três meses (13 semanas) para completar o ciclo do pedido, sua redução para cinco semanas significa um ganho de oito semanas, que pode ser usado pelo varejista para melhor avaliar os rumos do mercado. Esse ganho gera maiores lucros, pois aumenta as vendas e reduz em muito os saldos ao fim da estação, que fatalmente levama promoções e/ou liquidações do produto, com preços bastante reduzidos. O bom gerenciamento da cadeia logística retira tempos e custos supérfluos ao longo do ciclo do pedido. Para se conseguir ganhos apreciáveis no caso de produtos de moda, os entrelaçamentos entre as atividades da manufatura, do distribuidor e do varejista ocorrem com bastante frequência. Por exemplo, a empresa Limited encomenda 100.000 peças de roupa à Li & Fung, numa fase inicial de lançamento da moda, para uma certa estação. Nesse ponto do processo, não se sabe ainda o estilo final ou as cores do produto. Essas informações são fornecidas à Li & Fung cinco semanas antes da entrega. Num primeiro instante, a empresa Li & Fung reserva os fios necessários, ainda sem tingimento, junto ao fornecedor desse insumo. Nas indústrias têxteis, é também reservada capacidade para produzir o tecido e tingi-lo. Já aqui começa uma relação de confiança entre o cliente comprador, o intermediário (Li & Fung) e os fornecedores. Nesse processo de antecipação, os fornecedores ficam sabendo a data em que deverão fabricar os componentes e as quantidades que vão produzir, mas não sabem ainda os detalhes que lhes serão passados cinco semanas antes da data da entrega. O mesmo processo é adotado nas relações com as manufaturas que produzem as peças de roupa. Num primeiro contato, não se conhecem ainda as especificações do produto. A empresa Li & Fung comunica aos fabricantes a quantidade de peças, bem como a data em que o tecido, as tintas e os demais elementos necessários à fabricação vão lhes ser repassados. O fabricante se compromete então a fabricar as peças em três semanas a partir do recebimento dos insumos. Ao longo da cadeia de suprimento, a Li & Fung procura postergar, ao máximo, toda a programação detalhada da produção, de forma a deixar livre para o cliente varejista um tempo extra para afinar sua linha de produtos com relação às tendências do mercado. Nota-se aqui a extrema relevância da atuação da Li & Fung nesse processo: qualquer falha, seja por atraso de algum componente, seja por erro de concepção ou fabricação, ou outro qualquer, e os prazos acordados com o cliente ficarão comprometidos, desacreditando toda a cadeia de suprimento. A importância de Li & Fung na cadeia de suprimento é evidenciada pelo fato de que, considerando a existência de aproximadamente 15 etapas na cadeia de valor, Li & Fung é responsável por cerca de 10. Redução de Custos e Crescimento Alavancado O moderno gerenciamento da cadeia de suprimento se preocupa não só com a agilização do processo, como também com a redução dos custos globais. Na linguagem da Li & Fung, a empresa procura atacar os “3 dólares soft”. Um produto que saia da fábrica, digamos, a um preço de US$1, acaba sendo 5 vendido por US$4 nas lojas do varejo. Reduzir os custos de produção de 10 ou 20 centavos de dólar é uma tarefa quase impossível hoje, pois todo mundo vem trabalhando nessa direção há tempo, e não há muito mais gordura a ser queimada. Ou seja, esse US$1 é a parte hard do custo global. É melhor atacar os custos que se distribuem ao longo da cadeia – que constituem os chamados 3 dólares soft. Por exemplo, os fabricantes preferem encher completamente um contêiner, pois os custos unitários de transporte são muito menores do que os correspondentes à carga fracionada. Mas, se pensarmos no valor global da cadeia vista como um sistema, em que se busca a redução do custo total, pode ser mais vantajosa a opção por despacho fracionado. Suponhamos que precisamos distribuir um conjunto de dez produtos, cada um deles produzido por uma fábrica diferente e destinados a dez centros de distribuição. No tratamento convencional do problema, cada fábrica despacharia um contêiner cheio para a transportadora, que descarregaria os 10 contêineres, faria a triagem e o novo carregamento destes, antes de encaminhar os lotes completos para cada centro de distribuição. O que Li & Fung faz é deslocar um contêiner de fábrica para fábrica, cada uma delas carregando um décimo da capacidade da caixa. Depois, o contêiner, contendo o mix de produtos, é encaminhado diretamente ao centro de distribuição correspondente. É claro que o custo de transporte será maior. Também o carregamento dos contêineres precisa ser realizado com maior cuidado. Mas o custo total do sistema será menor, porque a transportadora que atuava como consolidadora da carga é eliminada do processo (Hagel III, 2002). Organização da Empresa A maior parte das grandes tradings é organizada geograficamente, com as filiais em cada país atuando como centros de negócio. Como resultado, fica difícil gerenciar o processo sob o ponto de vista global da cadeia de valor. Isso porque as filiais, em cada país, estarão competindo umas com as outras nos negócios. Dessa forma, tentam definir um cliente-padrão, e procuram produzir sistemas e processos que se ajustem à maior parte da clientela. Ou seja, sua estratégia de negócio gira em torno dos produtos e serviços que oferecem aos clientes. Estão, assim, dando maior ênfase à comercialização da sua linha de produtos, embora afirmem estar focalizando as necessidades dos clientes. Li & Fung, por outro lado, procura organizar para o cliente. A unidade operacional básica da empresa é a divisão. Hoje, a empresa é formada por aproximadamente 60 divisões. Sempre que possível, uma divisão é dedicada a apenas um cliente. Clientes menores, com necessidades semelhantes, são agrupados em divisões específicas. Cada divisão é focalizada nas necessidades do cliente, e são mantidas pequenas e com mentalidade fortemente empresarial. Sua receita varia de US$20 a 50 milhões cada uma. São tocadas por executivos líderes, denominados “pequenos John Waynes”, pela semelhança com o mocinho, montado numa carroça e dando tiros nos bandidos à sua volta. Todas as decisões ligadas a um programa de produção específico são de responsabilidade do gerente da divisão. Para as ações criativas do negócio, é dada ênfase ao comportamento tipicamente empresarial e, por isso, Li & Fung dá aos líderes das divisões liberdade operacional e compensações baseadas em seu desempenho. As divisões podem ser vistas como portfólios: quando o mercado se altera, a empresa pode criar ou fechar uma divisão quase instantaneamente, adaptando-se ao novo contexto com grande rapidez. Uma divisão típica é a Gymboree, uma das maiores de Li & Fung. Seu staff de 40 pessoas tem escritório separado no edifício-sede da empresa, em Hong Kong. Em cada escrivaninha há um microcomputador ligado ao cliente Gymboree. O staff é organizado em times especializados em áreas, como suporte técnico, merchandising, aquisição de matéria-prima, controle de qualidade e despacho. Ada Liu, a gerente da divisão, controla técnicos espalhados pela China, Filipinas e Indonésia, para as compras para o cliente, nesses países. Essas pessoas, que desempenham papel importante no processo, são diretamente recrutadas pela gerente. Empresas trading só conseguem ser eficientes quando pequenas. A Li & Fung tem conseguido crescer rapidamente sem se burocratizar, para isso mantendo suas unidades pequenas e independentes. A administração central da companhia se incumbe do controle financeiro e dos procedimentos operacionais. A Li & Fung possui um sistema operacional totalmente computadorizado para executar e monitorar os pedidos, e todo mundo na empresa usa esse sistema. A direção da firma também controla de perto o capital de giro. Nas palavras de Victor Fung, “estoque é a raiz de todo o mal”. No mínimo, o estoque 6 aumenta a complexidade do gerenciamento de qualquer negócio. Qualquer descuido, por outro lado, eleva exponencialmente as necessidades de recursos financeiros. Noque se refere ao fluxo de caixa, a empresa é bastante conservadora. Victor Fung afirma que poderia aumentar seus negócios de 10% a 20%, desde que desse crédito aos clientes; no entanto, prefere agir com segurança nesse quesito: uma carta de crédito é exigida de todo cliente antes que seu pedido seja executado. Um aspecto importante na administração da empresa está ligado à formação americana dos dois irmãos Fung. Victor diz que precisou, de início, colocar de lado muito do que havia aprendido no Ocidente sobre administração de empresas. A Li & Fung, que seu avô havia fundado, era um típico conglomerado familiar chinês. Mesmo hoje, na Ásia, a maioria das empresas é construída dentro desse modelo; no entanto, esse tipo de organização lida essencialmente com poucas relações internas e externas. Durante a década de 1980, por exemplo, a maioria dos magnatas asiáticos concentrava seus negócios em atividades intensivas em propriedades, como imóveis e navegação marítima. Para esse tipo de negócio, é requerido um pequeno número de decisões, de valor muito elevado cada uma. Por exemplo, o empreendedor decide se constrói ou não um edifício, ou se encomenda ou não um novo navio supertanque. No início de sua atuação à frente da Li & Fung, os dois irmãos foram obrigados a seguir o esquema oriental de administração. Mas a Li & Fung de hoje administra sistemas grandes e complexos, sendo muito diferente da empresa criada em 1906. Num certo momento, mais de 50 compradores da empresa podem estar realizando centenas de transações individuais na sede, em Hong Kong. É um grande número de decisões, de pequeno valor individual. A empresa tem uma atuação extremamente focalizada no cliente, e adota um enfoque sistêmico constante em suas operações. Assim, o aprendizado na Harvard Business School, deixado de lado num primeiro instante, está sendo colocado em prática na atual fase da companhia. Importância da Informação A informação é, talvez, o ingrediente mais importante na fórmula de negócio de Li&Fung. Diariamente são trocadas informações dos mais variados tipos entre a empresa e seus inúmeros clientes, e entre ela e seus fornecedores. São chamadas telefônicas, fax, intercâmbio de dados via Internet, bem como visitas pessoais in loco. Victor Fung acredita que logo a empresa vai precisar de um sistema sofisticado de informação com arquitetura aberta, de forma a acomodar os diferentes protocolos de fornecedores e clientes. Esse sistema deve ser robusto o suficiente para atuar em Hong Kong e Nova York, mas também em países como Bangladesh, onde o sistema de comunicação é mais problemático. Victor Fung descreve o executivo ideal de sua empresa, que vislumbra para o mundo de hoje. Seria um elemento vestindo uma roupa de safári e capacete. Numa das mãos levaria uma machete e, na outra, um computador portátil avançado e um aparelho de comunicação. Na prática, a empresa trata com relatórios convencionais de fornecedores de países emergentes. De outro, a empresa está ligada diretamente aos pontos de venda de grandes varejistas nos Estados Unidos e na Europa, recebendo dados precisos e instantâneos, que lhe permitem reabastecer as lojas do cliente automaticamente. Em outras palavras, a Li & Fung tem de estar preparada para atuar em regiões onde há muito o que fazer em termos de tratamento da informação, e noutras onde já se está operando com tecnologia de ponta. A Li & Fung na Internet Depois de muita pesquisa de mercado, os irmãos Victor e William Fung decidiram abrir o portal www.lifung.com em agosto de 2000. De início, os dois tinham receio de que o portal B2B acabasse competindo com a empresa tradicional. Mas depois perceberam que a Internet facilita bastante a gestão da cadeia de suprimento. A chave, segundo eles, é possuir um forte know-how empresarial conseguido dentro dos conceitos da velha economia, mas ao mesmo tempo ficando aberto às ideias da nova economia. Os estudos de mercado mostraram que havia um importante nicho ainda não explorado, formado por pequenas e médias empresas (PMEs). Cerca de 69% dos grandes clientes da Li & Fung estavam localizados nos Estados Unidos no ano 2000, e 27% na Europa. Assim, focalizaram prioritariamente PMEs norte-americanas: varejistas com vendas individuais de até US$100 milhões por ano e atacadistas com giro anual abaixo de US$50 milhões. Identificaram um potencial de 20.000 varejistas e 2.800 atacadistas, com faturamento global de US$58 bilhões. Nas palavras dos irmãos Fung, o portal que abriram na Internet é mais do tipo B2b, do que B2B, em razão do porte dos novos clientes. 7 Esses pequenos clientes colocam pedidos relativamente pequenos, não apresentando economias de escala, mas tradicionalmente as PMEs eram obrigadas a pagar margens maiores aos importadores, variando de 25% a 30% do valor do pedido. Por outro lado, a Li&Fung cobrava cerca de 6% a 8% de comissão dos grandes clientes do setor de roupas, e 10% a 12% dos demais clientes. Assim, as PMEs eram bons clientes em potencial, desde que bem trabalhadas. A solução foi adotar um esquema de customização em massa (consulte o Capítulo 3). A empresa fornece aos clientes um leque de opções de produtos básicos. Os pedidos das PMEs são agregados em grupos homogêneos à medida que vão sendo colocados no site da Li & Fung. Formado um lote, passa-se à manufatura distribuída nos moldes usuais da empresa. Há assim um ganho de escala apreciável. Depois, os produtos de cada cliente são submetidos à diferenciação, variando as cores, os bolsos, o acabamento, a etiqueta etc. (no caso de roupas). Com isso a Li&Fung consegue cobrar comissões de 10% a 15%, bem menores do que as PMEs estavam acostumadas a pagar aos importadores. Reflexões No Brasil, temos uma diversidade de recursos humanos, com regiões extremamente carentes de emprego, em contraste com outras já bem desenvolvidas. Treinar pessoal para executar tarefas simples, como as observadas no contexto asiático, não parece de difícil execução. Na verdade, já existem iniciativas no Brasil, voltadas ao setor de confecções, e coordenadas por grupos nacionais e internacionais. O que falta para que esse esquema de “manufatura dispersa” possa ser implantado no país, coordenado não por empresários orientais, mas por empreendedores brasileiros? Em primeiro lugar, seria necessário criar a competência técnica e operacional, à maneira da Li & Fung, que possibilitasse gerenciar a cadeia de suprimento dispersa, de forma eficiente em termos logísticos. A infraestrutura logística, por outro lado, representada pelos modos de transportes, portos, terminais, rodovias, burocracia governamental e outros componentes, é bastante deficiente e desarticulada. Além do “custo Brasil”, as deficiências observadas impedem, hoje, a compressão do ciclo do pedido, na forma realizada pela empresa Li & Fung. No entanto, é nossa meta competir eficientemente no comércio internacional. Esse exemplo oriental nos deve servir, então, de estímulo. 8 Questões Propostas 1. Em qual das quatro fases da Logística você colocaria a empresa Li&Fung? Justifique. RESPOSTA: 4ª fase, pois possui integração estratégica, fazendo assim a gestão da cadeia de suprimentos. De acordo com o texto, a empresa tem sistema de informação integrado, os produtos são diferenciados e globalizados, o que completa a justificativa 2. As operações da Li & Fung se enquadram dentro dos modernos conceitos de gerenciamento da cadeia de suprimentos? Por quê? RESPOSTA: sim. De acordo como a Li&Fung possui flexibilização para que seus clientes possam desenvolver o projeto, devido a otimização do gerenciamento da produção, a empresa se enquadra nos conceitos de Supply chain management, que dizque é a integração de processos de negócio chave, desde o consumidor final até os fornecedores originais que disponibilizam produtos, serviços e informações que agregam valor para os clientes e outros participantes da cadeia”. 3. Poderíamos classificar a Li&Fung como uma manufatura? Por quê? RESPOSTA: Manufatura é um processo de produção padronizada de bens em série. Como a Li&Fung trabalha na produção de seus itens em grande escala, a empresa pode ser classificada como manufatura. 4. Considere as seguintes funções logísticas: (a) suprimento, (b) manufatura, (c) transportador (d) distribuidor, (e) atacadista, (f) representante, (g) comerciante e (h) varejista. Quais dessas funções a Li & Fung exerce? Justifique. As atividades da Li & Fung abrangem as oito funções logísticas descritas acima. Suprimento: além da empresa fazer um forte trabalho de suprimentos, é responsável por reunir todas as matérias primas necessárias para o processo de manufatura dos produtos; Manufatura: a Li & Fung foi a principal empresa responsável por implementar o processo de manufatura dispersas na Ásia; Transportador: a gestão logística da empresa faz o transporte de seus insumos até as diversas fábricas e elimina a terceirização do serviço de transportadoras; Distribuidor: após a conclusão dos pedidos a Li & Fung planeja e executa a distribuição dos produtos até seus clientes; Atacadista e Varejista: Num primeiro momento a Li & Fung atendia apenas grandes empresas do setor atacadista. Entretanto, ao iniciar suas operações via internet no ano 2000, a empresa também se habilitou para atender PMEs e atuar no setor varejista; Representante e Comerciante: Na fase administrada pelo pai de Victor Fung, a empresa atuava basicamente como broker (intermediário), recebendo uma comissão para estabelecer contatos entre compradores e fabricantes de produtos. Mas, como mera intermediária, a empresa estava sendo paulatinamente espremida entre os clientes estrangeiros e as fábricas: recebendo 15% de comissão no início das atividades, o percentual foi caindo cada vez mais, chegando a apenas 3% no início da década de 1970. 5. No texto, se fala muito pouco sobre o transporte de insumos e componentes dentro da região, bem como sobre a distribuição de produtos acabados a partir da Ásia para a Europa e para a América do Norte. Discuta os requisitos e os condicionantes para que esse subsistema logístico consiga oferecer satisfatoriamente o nível de serviço exigido pelas operações da Li & Fung. 9 Transporte de insumo: é necessário que seja feito a partir de seus produtores para seus beneficiadores que irão utilizar desses insumos para preparo da peça; estes insumos devem estar disponíveis antes mesmo de utiliza-los para que sejam eliminados os custos com estocagem. Distribuição de produtos: é feito através de container e são organizados de forma a preencher o espaço interno evitando espaços vazios, além de não poder ocorrer atrasos com a entrega. Alem disso, esses produtos devem ser despachados devem ser rápidos para q não haja custo de estocagem Transporte dos produtos acabados (antes de enviar para cliente final): a empresa tem que gerenciar a integração dos pedidos antes de concluir a organização do container. Isso é funtamental pois um produto é feito em diversos lugares. 6. Como uma empresa do tipo da Li & Fung pode controlar a qualidade dos insumos e dos produtos, bem como os prazos, numa cadeia de suprimento tão dispersa espacialmente? A Li & Fung pode controlar a qualidade mantendo uma relação de confiança com seus fornecedores, mantendo-os em seu cadastro caso forem bem avaliados, ou excluindo caso contrário. Se a empresa mantiver os fornecedores um banco de dados onde exista informações quanto a aprovação de fornecimento de insumos, isso facilita inclusive no momento de aquisição dos insumos. Para controlar os prazos, a empresa deve apresentar junto com a solicitação de insumos aos fornecedores, a informação quanto ao prazo de entrega para que ambos saibam de o fornecedor terá condições de atender a demanda exigida pela empresa. Sendo assim, a Li e Fung poderá, assim como o controle de qualidade, manter em seus bancos de dados informações quanto a entrega de seus fornecedores 7. Discuta a questão da confiança entre a Li&Fung e seus fornecedores e clientes. Observando a maneira que a Li e Fung faz a compra de insumos e contrata a manufatura dos seus produtos, pode-se concluir que a empresa possui uma relação de confiança com fornecedores e clientes Com a reserva de uma parte da capacidade produtiva, em relação a manufatura, a empresa gera independência do seu fornecedor, além de garantir importância para ele. Em relação à compra de insumos, para controle do grande número de compras e o grande número de fornecedores a empresa utiliza de banco de dados com as informações dos fornecedores como tipo, tamanho, preço, etc, a fim de otimizar e manter a qualidade da aquisição dos seus insumos. 8. Considere a seguinte situação para a fabricação de um certo tipo de roupa no Brasil, destinada à exportação: (a) planejamento e coordenação em São Paulo; (b) tecido produzido em Santa Catarina, na região de Blumenau; (c) zíperes e botões fabricados em Minas Gerais; (d) confecção da roupa no Ceará e no Sul de Minas; (e) despacho pelo porto de Santos. Você acha viável adotar o esquema da Li & Fung para as condições hoje vigentes no Brasil? O custo final seria competitivo? Discutir os efeitos de tal prática no desempenho logístico final, caso esse sistema fosse implantado. planejamento e coordenação em São Paulo = essa é uma boa escolha, visto que são Paulo é a “capital comercial do país”, podendo, desta forma facilitar as operações, se considerarmos que grande parte dos possíveis clientes possuírem representantes ou estarem situadas na cidade. tecido produzido em Santa Catarina, na região de Blumenau; zíperes e botões fabricados em Minas Gerais; = esses insumos deverão ser enviados para Ceará, sul de Minas 10 porém um fator negativo para a implantação desse sistema é destacado quando analisamos o tipo de transporte a ser utilizado, visto que em geral, no Brasil, utiliza-se prioritariamente o transporte na modalidade terrestre. As condições de estrada, o tempo que demanda para essa operação, o risco de roubo de cargas, além do alto custo desse tipo de transporte deixam essa operação desvantajosa. Se analisarmos o despacho do produto, também encontraríamos algumas desvantagens pois o sistema de integração entre portos, ferrovias e estradas é falho e praticamente inexistente o que desencadeia um tempo muito grande para enviá-lo . Ao analisarmos a questão de tramites fiscais, encontraríamos um ponto positivo, visto que o fato de executarmos todas as etapas dentro de um só país, teíamos mais facilidade em relação a burocracia quanto entrada e saída do produto. 9. Em relação à Questão 6 discuta os condicionantes culturais que favoreceram a adoção da “manufatura dispersa” na Ásia e faça um paralelo com as condições vigentes no Brasil. A flexibilidade das leis trabalhistas associada a uma baixa remuneração, são características singulares da Ásia quanto a produção de produtos e insumos. As fábricas atuam em diversos segmentos de mercado e empregam um número expressivo de trabalhadores. Na maioria dos casos essa mão de obra é utilizada para trabalhos mecânicos e repetitivos. A logística de escoamento da produção é facilitada devido a boa estruturação das redes de distribuição no mercado interno e externo. Do ponto de vista empresarial o Brasil se encontra em desvantagem contra a Ásia devido a burocratização das leis trabalhistas e o custo da mão de obra, assimcomo na distribuição da produção em função da baixa integração dos modais logísticos. 10. Em uma época em que um grande número de empresas ponto.com saiu do mercado quase vertiginosamente, a Li & Fung virtual parece estar indo muito bem. Discuta as vantagens competitivas que a empresa conseguiu incorporar somando seus conhecimentos obtidos na prática direta com o maior alcance propiciado pela Internet. Observa-se que a estratégia de Li & Fung ao entrar no mercado virtual visa prioritariamente atingir pequenas e médias empresas, as quais representam um volume financeiro expressivo e até então pagavam altas comissões para os importadores ao operarem isoladamente. Ao identificar essa oportunidade, a Li & Fung reduziu os custos das PMEs eliminando o papel dos importadores que retinham de 25 a 30% e passou a oferecer para essas empresas taxas de 10 a 15%, participando assim de um mercado que gerava na época US$ 58 bilhões. Individualmente, os pedidos dessas pequenas e médias empresas são quantitativamente pequenos em relação àqueles atendidos pela Li & Fung. Sendo assim, para manter os custos baixos, a Li & Fung passou a reunir os pedidos de diversas PMEs e agrupá-los em função das suas características formando um pool de empresas que necessitam dos mesmos insumos para produtos de baixa complexidade.