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Propriedades Gerais dos Vírus INTRODUÇÃO Conceito de vírus Origina do latim: veneno ou fluído venenoso Partículas extracelulares: não têm atividades metabólicas independentes Incapazes de reprodução por cissiparidade, gemulação ou outros processos Parasitas intracelulares HISTÓRICO A virologia teve seu início no final do século XIX, com o reconhecimento da existência de agentes infecciosos capazes de passar através de filtros que retinham bactérias. A primeira descrição do vírus foi feita por Dmitrii Iwanowski que, em 1892, referiu que o agente da doença do “mosaico do tabaco”, poderia passar livremente através dos filtros Ao utilizar filtrados de plantas doentes como inóculo em plantas sadias e susceptíveis, houve o surgimento da doença Filtração de extrato de plantas contaminadas com a doença do mosaico do tabaco utilizando filtros bacteriológicos (vermelho), os vírus passam junto com o filtrado para o frasco. Marco fundamental: Stanley (1940) descobriu que o vírus do mosaico do tabaco podia ser cristalizado (assim como os sais inorgânicos e proteínas moleculares) e que os cristais inanimados, podiam produzir doença em plantas sadias. A controvérsia: organismos vivos ou não? MORFOLOGIA VIRAL Com a descoberta da microscopia eletrônica: possível estudar a morfologia dos vírus Fotografias das imagens virais revelaram suas formas, dimensões e estruturas internas Cada vírus possui características próprias Menores agentes infecciosos (20 a 350 nm) Grande variação nas estruturas, organização e genoma Contém apenas 1 único tipo de ácido nucléico (DNA ou RNA) Ácido nucléico é circundado por uma capa proteíca Inertes ao ambiente Parasitas intracelulares obrigatórios O ciclo de replicação DEPENDE de uma célula Uma Grande Variedade de Hospedeiros são Susceptíveis aos Vírus PROCARIOTOS, ANIMAIS e VEGETAIS O VÍRUS NÃO SE REPLICA – É REPLICADO PELA CÉLULA Terminologia em virologia Capsídeo (envoltório protéico que envolve o genoma viral) Capsômero (unidade morfológica observada em vírus icosaédrico) Vírus Defeituoso (partícula viral deficiente na replicação) Envoltório (membrana lipídica acima do capsídeo) Nucleocapsídeo (complexo formado por proteina-ácido nucléico) Subunidade (cadeia polipeptídica viral dobrada) Virion (partícula viral completa) Estrutura Básica dos vírus Vírion = partícula viral completa e infecciosa Envelope Ou Envolúcro Composição: Lipoproteína Capsídeo Composição: Proteína Ácido Nucléico RNA ou DNA Matriz Protéica Núcleocapsídeo Núcleocapsídeo Envelope Ou Envolúcro Composição: Lipoproteína Glicoproteína Se liga aos receptores MORFOLOGIA VIRAL Simetria das Partículas Virais Icosaédrica – Simetria cúbica - Os capsômeros organizam-se em icosaédricos (20 faces triangulares eqüiláteras, 12 vértices, e 30 arestas); Simetria das Partículas Virais Helicoidal - Os capsômeros organizam-se segundo simetria do tipo helicoidal dispondo o ácido nucléico na parte interna das unidades protéicas, associado as mesmas. Simetria das Partículas Virais Complexa - Algumas partículas virais não exibem nem simetria helicoidal nem simetria icosaédrica. Ex: esféricos, paralelepípedos e os bacteriófagos. Vírus Icosaédricos Vírus Helicoidais Vírus complexos Envelope viral MORFOLOGIA VIRAL Tamanho dos vírus ORIGEM EVOLUTIVA DOS VÍRUS Não se sabe exatamente a origem do vírus 1) Podem derivar de DNA ou RNA ou de ambos os ácidos nucléicos de células hospedeiras que adquiriram a capacidade de replicação autônoma e evoluíram independentemente. As seqüências virais são semelhantes à genes celulares. 2) Podem consistir em formas degeneradas de parasitas intracelulares. Não há evidências, mas os poxvirus são grandes e podem representar produto evolutivo de algum ancestral celular. CLASSIFICAÇÃO DOS VÍRUS Baseia-se em: 1) Morfologia do Virion (tamanho e forma) 2) Propriedades Físico-químicas do Virion 3) Propriedades do Genoma Viral (DNA ou RNA) 4) Propriedades das Proteínas Virais (n°, atividade) 5) Organização e Replicação do Genoma (ordem) 6) Propriedades Antigênicas 7)Propriedades Biológicas (hospedeiros naturais, transmissão, vetores, patogenicidade, patologia) Sistema Universal para Classificação dos Vírus Sistema universal: vírus são divididos em grandes grupos (famílias) com base na morfologia do virion, estrutura do genoma e estratégias de replicação; Dentro de cada família, tem as subdivisões (gêneros): em geral baseiam-se em diferenças físico-químicas ou sorológicas Nomes dos gêneros têm o sufixo vírus Famílias têm sufixo viridae Existem 24 famílias que infectam seres humanos e animais (em 71) COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO VIRUS Proteína Viral Desempenham várias funções importantes: Facilitar a transferência do ácido nucléico viral para a célula hospedeira Proteção do genoma viral contra nucleases celulares Fixação da partícula viral à uma célula susceptível Características antigênicas (direcionamento da resposta imune do hospedeiro) Presença de enzimas dentro do nucleocapsídeo (essenciais no ciclo replicativo de alguns virions). Ácido Nucléico Viral Contém um ÚNICO tipo de ácido nucléico O genoma pode consistir em fita simples ou fita dupla, circular ou linear, segmentada ou não-segmentada Existem várias formas de RNA viral (única molécula linear, segmentos, polaridade negativa e polaridade positiva) Positiva: altamente infeccioso Negativa: não é infeccioso Envoltórios Lipídicos Diversos vírus apresentam envelope lipídico Adquirido através do brotamento na membrana citoplasmática, em locais específicos de inserção das proteínas virais A composição específica de fosfolipídios é determinada pelo tipo específico de membrana celular envolvida no brotamento (Herpesvirus = membrana nuclear) Sensibilidade ao tratamento com éter e outros solventes orgânicos (ruptura ou perda dos lipídeos resultam na perda da infecciosidade) Glicoproteínas Virais Os envoltórios contém glicoproteínas codificadas pelo genoma viral A fração glicídica reflete a natureza da célula hospedeira infectada Estruturas de reconhecimento com receptores de superfície de membranas citoplasmáticas (interação com receptor) Importantes antígenos virais estão na superfície externa – interação com os Ac neutralizantes) Cultura dos Vírus Os vírus podem crescer em cultura de células, cobaias, ovos embrionados Os laboratórios de diagnóstico tentam isolar o vírus de amostras clínicas para determinar a etiologia da doença Os laboratórios de pesquisa cultivam os vírus visando análises detalhadas da expressão, replicação e componentes estruturais Quantificação dos Vírus Métodos Físicos Contagem direta ao microscópio eletrônico mediante comparação com uma suspensão padrão de partículas de latex de tamanho semelhante. Não se distingue as infecciosas das não-infecciosas Testes sorológicos: Hemaglutinação: RIA (radioimunoensaio), ELISA (imunoabsorção ligados a enzimas), Quimioluminescncia Biologia Molecular: Nasba, PCR, bDNA, REPLICAÇÃO DAS PARTÍCULAS VIRAIS Os vírus SÓ SÃO REPLICADOS em CÉLULAS VIVAS A célula fornece a energia e os precursores de baixo peso molecular enquanto que o genoma viral transporta a especificidade genética para codificar todas as macromoléculas virais. O genoma viral deve ser capaz de produzir seu ácido nucléico em mRNA e competir com a célula de forma bem-sucedida. Após a interação com a célula hospedeira o virion infectante é rompido e perde sua infecciosidade detectável (período de eclipse). Sua duração é variável (depende do vírus e da célula): intensa atividade de síntese (redirecionamento das atividades da célula) Após a síntese de proteínas e ácidos nucléicos virais os componentes são organizados pela célula (interações químicas) para a formação de novos virions infecciosos. Produção por célula é variável: até 100.000 partículas Os ciclos replicativos apresentamduração variável: 6-8 h (picornavirus) até 40 h (herpesvirus) Nem todas as infecções resultam em nova progênie de vírus Infecções produtivas em células permissivas: nova progênie Infecções abortivas em células não-permissivas (não há produção de vírus infeccioso, e é incapaz de sustentar a expressão de todos os genes virais – vírus defeituoso) Infecções latentes com persistência do genoma viral na célula infectadas (sobrevida do hospedeiro) ETAPAS DA REPLICAÇÃO VIRAL A reprodução Existem dois tipos de ciclos por meio dos quais se reproduzem: o ciclo lítico e o ciclo lisogênico. Quando apresenta a reprodução por ciclo lítico, sobre o qual se trata este artigo, o vírus recebe o nome de lítico ou virulento. Como exemplos desses, podemos citar os bacteriófagos ou fagos – vírus que destroem as células. Foto: Reprodução Durante esse ciclo, o vírus faz a inserção de seu material genético no material da célula hospedeira. As funções normais dessa célula são, então, interrompidas na presença do ácido nucléico do vírus. Este passa, dessa forma, a dominar o metabolismo da célula e acaba por destruí-la. Esse ciclo possui cinco fases a serem descritas a seguir. 1ª – Adsorção Nessa primeira fase, acontece o reconhecimento e a fixação do vírus à célula. Os vírus acometem apenas um tipo exclusivo de célula – por isso são parasitas específicos – e devido à presença das substâncias químicas da célula hospedeira, são capazes de detectá-lo e prender-se à membrana. 2ª – Penetração Passado o primeiro passo, o vírus faz a inserção de seu material genético na célula hospedeira de forma direta, por meio de endocitose, ou ainda por fusão do envelope viral. Na primeira situação, apenas o material genético é injetado, deixando a parte proteica do lado externo. Na segunda situação, há a fixação do vírus, promovida pelos receptores químicos da membrana celular e, em seguida, o vírus é englobado por suas invaginações. No terceiro caso, o envelope viral funde-se à membrana celular, o capsídeo se desfaz e o genoma invade a célula. Esse terceiro caso, no entanto, acontece somente com vírus envelopados. 3ª – Síntese Durante a síntese, o vírus começa a determinar as atividades metabólicas da célula de forma que, as enzimas, antes utilizadas na síntese proteica e de ácidos nucleicos na célula, começam a ser responsáveis pela produção de partículas virais. 4ª – Montagem Tendo sido produzidos, os componentes do vírus são organizados e passam a formar novos parasitas. 5ª – Liberação Na quinta e última etapa, as dezenas de novos parasitas produzem uma enzima viral conhecida como lisozima. Essa rompe a célula hospedeira – realiza a lise celular -, processo favorecido pelo esgotamento celular devido à sua utilização para a produção de estruturas virais. Por meio da destruição das células, os vírus então se libertam e começam novas infeções em células vizinhas, recomeçando todo o ciclo. Penetração direta - injeção do material genético Fusão com a membrana Endocitose Entrada e desnudamento Síntese Várias estratégias, dependendo do material genético e da localização do vírus Montagem e liberação A maioria dos vírus de DNA faz a montagem no núcleo, sendo então liberada no citoplasma A maioria dos vírus de RNA se desenvolve no citoplasma A quantidade de partículas produzidas é variável Liberação com ou sem lise Herpes Simplex Tipo I Liberação de vírus envelopados por brotamento REPLICAÇÃO DOS VIRUS ETAPAS DA REPLICAÇÃO VIRAL Fixação, penetração e desnudamento Nem todas as células em um hospedeiro susceptível irão expressar todos os receptores necessários Cada célula susceptível pode apresentar 100.000 receptores para determinado vírus. A 2ª etapa: penetração. Após ligação, o vírus penetra na célula. Pode ser por endocitose mediada por receptores; penetração direta através da membrana citoplasmática; ou fusão de membranas do envoltório do virion com a célula A 3ª etapa: desnudamento. Logo após a penetração do vírus na célula, ocorre a separação física do ácido nucléico viral dos outros componentes estruturais do virion. O genoma pode ser liberado na forma de A.N. livre (picornavirus) ou como nucleocapsídeo (reovirus). Em geral os nucleocapsídeos contém polimerases e o seu desnudamento depende de pH ácido Nesta fase ocorre a perda de infecciosidade do vírus original. Expressão do Genoma Viral e Síntese dos Componentes A fase de síntese do ciclo replicativo ocorre imediatamente após o desnudamento. Transcrição de RNAm específicos a partir do ácido nucléico viral para a expressão e duplicação bem-sucedida da informação genética viral. Os componentes celulares interpretam o RNAm viral como sendo próprio e realizam sua tradução (diferentes vias). Alguns vírus (Rabdovírus) transportam RNA polimerases para sintetizar os RNAm Durante a replicação, todas as macromoléculas do vírus são sintetizadas em uma sequência altamente organizada. Vírus com DNA fita dupla: proteínas virais iniciais são sintetizadas logo após a infecção; síntese de proteínas tardias Vírus RNA: todas as informações são expressas simultaneamente Nem todas as proteínas virais são expressas nas mesmas quantidades. Vírus RNA: maior variedade de estratégias para expressão gênica Vírus DNA que se replica no núcleo: utilizam DNA e RNA polimerases e enzimas de processamento da célula hospedeira Herpesvírus e Poxvírus = vírus grandes e independentes da maquinaria celular, maior susceptibilidade à quimioterapia antiviral. DNA viral é replicado no núcleo RNA viral é replicado no citoplasma Morfogênese e Liberação dos Vírus Após síntese dos genomas virais e polipeptídeos do capsídeo: união destes elementos para a síntese da partícula viral (progênie) Capsídeo Icosaédrico: podem condensar-se na ausência de ácido nucléico. Capsídeo Helicoidal: não se forma sem a presença do RNA viral Liberação dos vírus sem envelope lipídico: célula lisa e as progênies virais são liberadas no meio Morfogênese e Liberação dos Vírus Vírus com envelope lipídico: amadurecem por processo de brotamento Glicoproteínas virais específicas são introduzidas na membrana celular e os nucleocapsídeos virais brotam neste local específico. Maturação viral pode ser um processo ineficaz: quantidades excessivas de componentes virais podem se acumular e se enovelarem formando corpúsculos de inclusão no interior da célula Patogenia das Infecções Virais