Prévia do material em texto
Psicofarmacoterapia (Slide 8) Ansiolíticos e Hipnóticos, Antidepressivos, Antipsicóticos, Antimaníacos e Estabilizadores de Humor. Considerações Gerais - Tratamento bem sucedido: Uso de medicamentos para tratar transtornos e psicoterapias (métodos isolados ou combinados). - Atentar para surgimento de outras drogas e novas indicações das já existentes. - Tratamento psicofarmacológico não pode ser simplista – Ex: diagnóstico - um remédio. - Decisão de utilizar ou não um psicofármaco depende diagnóstico e eventuais comorbidades. Tratamentos: - Medicamentos: esquizofrenia, transtorno bipolar, depressões graves ou no controle de ataques de pânico - Psicoterapias: fobias específicas, transtornos de personalidade, problemas situacionais - Medicamentos + Psicoterapias: muitas situações – ideal a combinação dos 2 métodos. - Utilizar sempre doses efetivas por períodos adequados - Subdoses períodos menores que os comprovados por pesquisas/estudos Não oportunizam o máximo benefício possível ao paciente. Escolher fármacos com eficácia já comprovada para o transtorno do paciente: -Diagnóstico, Perfil dos sintomas, Resposta em usos anteriores, Idade, Outras drogas em uso com as quais a nova droga possa interagir, Custo, Efeitos colaterais e reações adversas. Depois de escolher a droga, de acordo com os sintomas a serem tratados: -Estabelecer plano de tratamento que envolve a fase aguda, a manutenção e as medidas para prevenção de recaídas, tendo em mente as doses a serem utilizadas em cada fase. -Estabelecer o tempo necessário e os critérios nos quais se baseará para concluir sobre a efetividade ou não da droga, bem como a opção de associar ou não outras estratégias terapêuticas. -Expor o plano de tratamento ao paciente (e se possível/ necessário aos familiares) - com o objetivo preliminar de obter sua adesão. Considerações especiais: Crianças: pouco peso menor volume de distribuição - porém alta taxa de metabolismo. (Na prática: inicia-se com doses menores e ajustar, normalmente respondem com as mesmas doses de adultos – observar a resposta clínica). Idosos: suscetíveis a efeitos adversos e metabolização mais lenta dos fármacos. (Na prática: inicia-se com doses menores (normalmente metade da dose, e fazer ajustes em pequenas quantidades conforme seja necessário/ resposta ou apareçam efeitos adversos inaceitáveis). Grávidas e lactantes: regra: evitar medicações em gestantes – principalmente no 1º trimestre. Usar em casos graves – avaliar custo/ benefício. -Agentes mais teratogênicos: Lítio e anticonvulsivantes alta incidência de más formações. Lítio: Anormalidade grave no desenvolvimento cardíaco (Malformação de Ebstein) – malformação da Tricúspide. Anticonvulsivantes: Anomalias crânio fetais e do tubo neural. Outros psicofármacos: menos efeitos teratogênicos, porém também devem ser evitados. Preferir drogas mais antigas (Mais estudadas!). Uso de psicofármacos próximo ou durante o parto: podem levar a sedação do bebê, pode demandar respirador, além de implicar em dependência por parte do bebê (necessidade de desintoxicação e tratamento da síndrome de abstinência). Insuficiência Hepática e Renal: - Insuficiência hepática: fármacos metabolizados pelo fígado acumulam concentrações tóxicas. - Insuficiência renal: fármacos eliminados pelos rins acumulam doses tóxicas. -Em ambas: sempre iniciar com doses reduzidas em geral, meia dose. Atentar para sinais e sintomas de efeitos adversos. -Monitorar concentrações plasmáticas dos medicamentos: auxiliar e orientar ajustes das doses. Classes de Psicofármacos: Divisão por classes hoje é menos válida que no passado, uma vez que: -Fármacos de uma classe podem ser usados para tratar transtornos de outras classes Ex: Antidepressivos tratam ansiedade -Agentes de todas as categorias podem ser utilizados para tratamento de transtornos que antes não recebiam atenção medicamentosa (ex. transtorno alimentar). -Alguns termos psicofarmacológicos se sobrepõe em significado: Ansiolíticos ansiedade Sedativos calmante Hipnóticos sono - Ansiolíticos atuam como sedativo e ansiolíticos em doses elevadas atuam como hipnóticos. -Algumas drogas não se encaixam nas classificações dos psicofármacos, mas são usados em diversos transtornos psíquico de forma efetiva Ex. Atensina (clonidina) – anti-hipertensivo – 3ª linha em TDAH nas crianças; Propranolol – anti-hipertensivo – sintomas físicos (tremor, taquicardia) em ansiedades; Gabapentina (modulador dos canais de cálcio) – usado em dores crônicas, epilepsia, ansiedade. CLASSIFICAÇÃO 1-Ansiolíticos e Hipnóticos 2-Antidepressivos 3-Antipsicóticos (ou neurolépticos) 4-Antimaníacos e Estabilizadores de Humor 1.1-Benzodiazepínicos (BDZ) - Todos possuem efeitos sedativos, ansiolíticos e hipnóticos. - Outras ações: relaxantes musculares, anticonvulsivantes - Produzem dependência reações de abstinência. - Poucos efeitos sobre o aparelho cardio-circulatório e respiratório explica sua larga margem de segurança. - Todos produzam efeitos hipnóticos, este efeito é mais marcante com o nitrazepan (Sonebom), o flurazepan (Dalmadorm), o flunitrazepan (Rohypnol) e o midazolan (Dormonid). Indicação: -Transtornos de ansiedade – em geral associados à ISRS ou Tricíclicos e à TCC. ISRS: inibidores seletivos da recaptação da serotonina TCC: terapia cognitivo-comportamental -Fobia social (isolados ou associados aos IMAO, ISRS e aos Beta-bloqueadores) -Insônia - por tempo limitado; -Delirium tremens; -Doenças neuromusculares com espasticidade muscular (tétano). - Coadjuvantes no tratamento de diferentes formas de epilepsia - Coadjuvante no tratamento da mania aguda, como medicação pré-anestésica e em procedimentos (endoscopia). - Ansiedade situacional, instabilidade emocional, nervosismo (ansiedade aguda e/ou crônica) - Muito úteis como hipnóticos, particularmente em pacientes hospitalizados. Contra-indicação: - Não recomendado em Transtorno Ansiedade Generalizada (pela necessidade de uso prolongado/ dependência/ tolerância). -Evitar em depressivos piora da depressão - Hipersensibilidade a essas drogas - Glaucoma de ângulo fechado, insuficiência respiratória ou doença pulmonar obstrutiva crônica. - Miastenia gravis (doença neuromuscular - causa fraqueza e fadiga dos músculos voluntários). - Doença hepática ou renal graves. -Alcoolistas e drogaditos. Efeitos colaterais e reações adversas: - Sedação, fadiga, perdas de memória, sonolência, incoordenação motora, diminuição da atenção/concentração e reflexos. Risco de quedas e fraturas em idosos. Dependência, síndrome de abstinência: - Doses elevadas e por longo tempo; - Síndrome de retirada inquietude, nervosismo, taquicardia, insônia, agitação, ataque de pânico, fraqueza, cefaléia, fadiga, dores musculares, tremores, náuseas, vômitos, diarréia, cãibras, hipotensão, palpitações, tonturas. - Nos casos mais graves, podem ocorrer convulsões, confusão, delirium e sintomas psicóticos. - A duração é variável: os sintomas físicos raramente ultrapassam sete dias. Qual escolher? Considerar: SEMPRE PRESCREVER PLANEJANDO A RETIRADA. - Uso anterior de forma crônica: em geral há uma tolerância maior para os efeitos colaterais e são necessárias doses maiores. -A idade: idosos e crianças necessitam de doses menores; -Sempre iniciar com doses baixas. Alprazolam (Frontal): 1,5-10 mg Bromazepam (Lexotam): 1,5-15 mg Clonazepam (rivotril): 1-8 mg Cloxazolam (Olcadil): 1-16 mg Diazepam (valium): 5-40 mg Flunitrazepam (Rolypnol): 0,5-2 mg Lorazepam (Lorax): 2-10 mg Midazolam (dormonid): 7,5-15 mg 1.2-Buspirona (Ansiten) - Droga do grupo das azapironas - Não induz sedação, prejuízo cognitivo ou psicomotor, dependência física ou tolerância e não interage com o álcool. - 2ª escolha no Transtorno de ansiedade generalizada quando existem contra-indicações para o uso de antidepressivos ou BDZs – meia vida curta, demora no início de ação (3-4 semanas), menor potência observada. - Pacientes idosos,normalmente mais sensíveis aos BDZs, ou em pacientes com alto potencial de abuso ao álcool ou aos BDZs. - Sua eficácia nos demais transtornos de ansiedade não foi estabelecida. 1.3-Zolpidem (Stilnox), Zopiclona (Imovane) e Zaleplon (Sonata) - Hipnóticos - atuam através de receptores BDZ alternativos. - Meia vida curta (2 a 6 horas), e pouco efeito mio-relaxante. - Expectativa é de que não causem dependência. - Usar em períodos muito curtos nunca superior há 30 dias (ideal – 7 a 10 dias/ máximo). 2-ANTIDEPRESSIVOS (AD) - Todos os antidepressivos são igualmente efetivos a escolha leva em conta a resposta e a tolerância em uso prévio, o perfil de efeitos colaterais, comorbidades psiquiátricas e problemas médicos, a presença de sintomas psicóticos e a idade. - Prefere-se os ISRS (ou outras drogas modernas) menos efeito colateral. ISRS: inibidores seletivos da recaptação da serotonina - Pouca resposta para sintomas psicóticos. - Portadores de cardiopatias, hipertrofia prostática e glaucoma: contra-indicado tricíclicos. - Epilepsia contra-indica o uso de maprotilina, clomipramina ou bupropriona. - Disfunções sexuais podem ser agravadas pelos ISRSs, - Disfunções sexuais podem ser favorecidas pelo uso da trazodona, nefazodona ou bupropriona. Considerar comorbidades Ex: Paroxetina quando há ansiedade. Cuidado com TAB – Virada maníaca. Insuficiência hepática evitar drogas de intensa metabolização hepática como a fluoxetina e em princípio as doses a serem utilizadas devem ser menores, assim como em idosos. Evitar tricíclicos e IMAO em potenciais suicídas (risco maior de overdose com óbito) Obs: Usados no tratamento de outras doenças, como: transtornos de ansiedade, TOC, TEPT. Tratamento da Fase Aguda da Depressão - Após escolha do AD: iniciar ensaio clínico (6 a 8 semanas) - tempo menor (2 a 4 semanas) em casos graves. Reavaliar em 3 a 4 semanas (efeitos colaterais toleráveis e sem resposta – considerar aumento da dose ou troca do fármaco) Início da resposta aos AD entre 7 e 15 dias (normalmente mais próximo de 15 dias) após o seu primeiro uso, mantendo-o. Antidepressivos - Paciente Refratário Se após o período de 6 a 8 semanas do ensaio clínico não houve resposta ou esta foi parcial, pode-se adotar uma destas estratégias: 1.Aumentar a dose; 2.Trocar a classe do antidepressivo; 3.Associar Lítio (ou hormônio tireoidiano); 4.Usar antidepressivos de ação dupla; 5.Usar inibidores da monoamino-oxidase; 6.Combinar dois antidepressivos com ações distintas: um inibidor da recaptação da serotonina (5HT) com um inibidor da recaptação da norepinefrina (NE); bupropriona e ISRS ou venlafaxina; reboxetina e ISRS, etc. Ainda sem reposta: -ECT: eletroconvulsoterapia -Nas depressões é usual a associação com TCC e que pode ser uma estratégia a ser adotada em pacientes refratários aos medicamentos Antidepressivos - Manutenção e Prevenção de Recaídas - Após remissão completa (sintomas residuais são fatores de risco para recaídas); - Evita recaída e recorrência; - 12 a 18 meses com dose plena – igual à da fase aguda (se primeiro episódio); - 2 a 5 anos (se for episódio recorrente); - Após 3º episódio – tempo indeterminado. Tricíclicos - Tricíclico (estrutura com 3 anéis de átomos) - Menos utilizados devido a maior incidência de efeitos colaterais - Para alguns 1ª escolha em depressões graves. - Efetivos no transtorno do pânico (imipramina e clomipramina), no transtorno de ansiedade generalizada (imipramina), na dor crônica (amitriptilina), no déficit de atenção com hiperatividade (imipramina), e no transtorno obsessivo-compulsivo (clomipramina). - Efeito antidepressivo é dose dependente. Contra- indicados: - Em Cardiopatias (ICC) ou após o infarto recente do miocárdio - Hipertrofia de próstata, constipação intestinal grave e glaucoma de ângulo estreito. - Obesos aumento do peso -Idosos (risco de hipotensão postural quedas -Risco de suicídio (letais em overdose). Obs: Iniciar com doses baixas (10-25mg/dia), para o paciente adaptar-se aos efeitos colaterais. - Na depressão são efetivos com doses diárias acima de 75-100 mg. Efeitos colaterais e reações adversas: -Comuns: boca seca, constipação intestinal, retenção urinária, visão borrada, taquicardia, queda de pressão, tonturas, sudorese, sedação, ganho de peso, tremores. -Tricíclicos atuam sobre diversos tipos de receptores: bloqueiam a recaptação da norepinefrina, da serotonina, e possuem afinidade por receptores colinérgicos, histaminérgicos, e adrenérgicos (alfa1) razão pela qual apresentam uma grande variedade de efeitos colaterais Imipramina: 100-300 Clomipramina: 100-250 Amitriptilina: 100-300 Nortriptilina: 50-200 Maprotilina: 100-225 Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina - Ação mais específica menos efeitos colaterais - Usados na depressão unipolar. - Eficazes também no: transtorno obsessivo-compulsivo, no transtorno do pânico, na distimia, em episódios depressivos do transtorno bipolar, na bulimia nervosa (fluoxetina em doses elevadas), na fobia social (fluoxetina, paroxetina, sertralina), na ansiedade generalizada (paroxetina); e no TEPT (sertralina). Contra-indicados - Hipersensibilidade a estas drogas. - Gastrite, ou refluxo gastro-esofágico. - Podem agravar disfunção sexual, se não relacionada a depressão. Efeitos colaterais -Comuns: ansiedade, desconforto gástrico (náuseas, dor epigástrica, vômitos), cefaléia, diminuição do apetite, disfunção sexual, inquietude, insônia, nervosismo, tremores. Uso clínico e doses diárias: -Normalmente bem tolerados; -Efeito terapêutico não é dose dependente; -Iniciar com dose mínima; -Tomar após alimentação (evitar intolerância gástrica) Fluoxetina: 20-80 mg Sertralina: 50-200 Paroxetina: 20-60 Citalopram: 20-60 Escitalopram: 5-20 Outros Antidepressivos Inibidor da recaptação da serotonina (5HT) Mirtazapina: 15-60 Trazodona: 75-300 Venlafaxina: 75-375 Duloxetina: 30-120 Inibidor da recaptação da norepinefrina (NE) Bupropriona: 200-450 Mirtazapina: 15-60 Reboxetina: 4-12 Trazodona: 75-300 Venlafaxina: 75-375 Duloxetina: 30-120 Inibidores da recaptação de dopamina (DA) Bupropriona: 200-450 Inibidores da monoamino-oxidase (IMAO) Moclobemida: 150-600 Bupropriona: 200-450 Mirtazapina: 15-60 Moclobemida: 150-600 Reboxetina: 4-12 Trazodona: 75-300 Venlafaxina: 75-375 Duloxetina: 30-120 3-ANTIPSICÓTICOS ou NEUROLÉPTICOS - Tradicionais, típicos ou de 1ª geração: Bloqueio de receptores da dopamina - Atípicos ou de 2ª geração: Bloqueio dos receptores dopaminérgicos e serotonérgicos (5HT) - Diferentes efeitos colaterais atípicos com melhor efeito colateral 3.1-Antipsicóticos Típicos - Alta potência – alta afinidade por receptores de dopamina, em dose baixas. - Baixa potência – baixa afinidade por receptores de dopamina, sendo necessário doses mais elevadas Normalmente maior efeito sedativo. Alta Potência: Haloperidol: 5-15 mg Pimozida: 2-6 mg Média Potência: Trifluoperazina: 5-30 mg Baixa Potência: Clorpromazina: 200-1000 Levomepromazina: 200-800 3.2- Antipsicóticos Atípicos Tioridazina: 150-800 Sulpirida: 200-1000 Clozapina: 300-900 Risperidona: 2-6 Olanzapina: 10-20 Quetiapina: 300-750 Aripiprazol: 6-20 Indicação: - Todos os quadros em que hajam sintomas psicóticos. - Controle da agitação e da agressividade em pacientes com retardo mental ou demência. - Transtorno de Tourette (ou doença de Gilles de la Tourette). Contra-indicação: Evitar -Hipersensibilidade à droga -Discrasias sanguíneas (especialmente a clozapina) -Estados comatosos ou depressão acentuada do SNC -Transtornos convulsivos (tradicionais de baixa potência e a clozapina) -Em pacientesidosos: evitar os tradicionais por causarem problemas cardiocirculatórios e cognitivos -Doença cardiovascular grave (tradicionais e a clozapina) Efeitos colaterais e reações adversas: -Mais comuns nos típicos: principalmente extrapiramidais (acatisia, distonias/ discinesias e Parkisonismo) Acatisia: inquietude, incapacidade de manter-se parado (muito comum incapacidade de ficar sentado). Acatisia: sensação subjetiva de inquietude motora, ansiedade, incapacidade para relaxar, dificuldade de permanecer imóvel e a necessidade de alternar entre estar sentado ou de pé. Distonias (contrações involuntárias e espasmos) ou Discinesias (movimentos involuntários anormais): contraturas musculares ou movimentos estereotipados de grupos musculares (mais comumente periorais, da língua, da cabeça, do tronco ou dos membros). -Podem ser: agudas (minutos ou horas após o uso) ou tardias (após uso crônico-em altas doses) Parkinsonismo: sialorréia, tremor de extremidades e língua, marcha em bloco, bradicinesia, diminuição da expressão. Parkinsonismo: diminuição dos movimentos dos braços, da expressão e mímica faciais, marcha em bloco (semelhante ao andar de um robô), rigidez, tremor de extremidades e da língua, hipersalivação, bradicinesia (movimentos lentos), acinesia (diminuição da espontaneidade dos movimentos). Outros efeitos comuns: -Endocrinológicos: galactorréia -Cardiociculatórios: hipotensão ortostática, e taquicardia mais -Centrais: sedação, sonolência, tonturas e ganho de peso -Distúrbios sexuais e ejaculatórios Uso clínico/ doses: exceto clozapina (mais potente), eficácia semelhante quando usados em doses equivalentes. Dose necessária efeito clínico. Escolha: -Atípicos: mais bem tolerados/ menos efeito colateral. -Típicos: menor custo, maior sedação/ mais efeitos colaterais Não tratam (costumam piorar) sintomas negativos. Iniciar com doses baixas e fazer os ajustes até resposta clínica – doses efetivas observando sempre a tolerância. Tempo médio de resposta – via oral: 3 a 9 semanas. Aguardar este período com doses efetivas. Resposta parcial: aumento da dose – observar mais 2 semanas. Sem resposta: substituição ou associação (classes diferentes). Ainda sem resposta: Clozapina. Considerar ECT. Retirada: poucos casos – exemplo: episódio psicótico breve (ex.drogas), agudo, mania aguda, depressão com sintomas psicóticos – depois de cessados os sintomas e removida/ tratada a causa. Esquizofrenia: não se retira, mas pode-se reduzir as doses (6-8 meses de boa resposta). 3.3-Clozapina: -Usada em suprarefratários e discinesia tardia -Risco de agranulocitose (redução dos leucócitos) – depressão imunológica grave – risco de vida. Maior risco: três primeiros meses, idosos e mulheres. -Obrigatório controle mensal – hemograma (série branca). 4-ANTIMANÍACOS E ESTABILIZADORES DE HUMOR Transtorno afetivo bipolar (TAB) é um transtorno mental grave que acomete indivíduos jovens, cujo curso em geral é crônico e muitas vezes incapacitante. Drogas de 1ª Linha: Lítio, ácido valpróico e carbamazepina - Outros anticonvulsivantes: lamotrigina, topiramato, gabapentina Carbonato de Lítio: 900-2100 Carbamazepina: 400-1600 Ácido Valpróico/Divalproato: 500-1800 Dekapene: Lamotrigina: 150-250 Topiramato: 200-600 Gabapentina: 900-1800 4.1-Lítio: -Tratamento e profilaxia de episódios agudos (maníacos ou depressivos do TAB), Ciclotimia, como potencializador dos antidepressivos em pacientes com depressão maior unipolar, em episódios de agressividade e de descontrole do comportamento. Evitar: -Cicladores rápidos, vários episódios de mania, depressão seguida de mania, mania grave, adolescentes com abuso de drogas – má resposta. - Insuficiência renal, arritmias ventriculares graves, insuficiência cardíaca congestiva. -Hipotireoidismo – ajustar a levotiroxina. Efeitos colaterais e reações adversas mais comuns: -Acne, aumento do apetite, edema, fezes amolecidas, ganho de peso, náuseas, polidipsia, poliúria, tremores finos. -Sempre observar a faixa terapêutica – abaixo: sem efeito; acima: tóxico (vômitos, tonturas, tremores grosseiros, disartria, letargia, fraqueza muscular, coma, queda acentuada de pressão, insuficiência renal e morte). 4.2-Anticonvulsivantes: Ácido valpróico (ou o Divalproato) e Carbamazepina -Evitar em doença hepáticas. -Ambos tem boa resposta na mania aguda. São preferíveis em cicladores rápidos. - Usados sempre em pacientes sem resposta ao lítio ou em período de latência do lítio (no início do tratamento (2 a 8 semanas). Efeitos colaterais e reações adversas: -CBZ: ataxia, diplopia, dor epigástrica, toxicicidade hepática, náuseas, prurido, sedação, sonolência, tonturas. -Ácido Valpróico e Divalproato: ataxia, aumento do apetite, ganho de peso, desatenção, fadiga, náuseas, sonolência, sedação, diminuição dos reflexos, tremores, tonturas. Métodos Terapêuticos em Psiquiatria (AULA 2) Psicofarmacoterapia (Inibidores da Colinesterase e Simpaticomiméticos), Psicoterapias e outros métodos biológicos (ECT, EMT). INIBIDORES DA COLINESTERASE - Inibidores da colinesterase: diminuem a clivagem e a inativação sináptica da acetilcolina, potencializando a neurotransmissão, que, por sua vez, tende a produzir uma melhora modesta na memória e no pensamento orientado para objetivos. - Indicados: doença de Alzheimer e de doenças similares com déficits cognitivos - Quatro medicamentos foram aprovados pela FDA para o tratamento de doença de Alzheimer e de doenças similares com déficits cognitivos: a tacrina (Tacrinal), a rivastigmina (Exelon), a galantamina (Reminyl) e o donezepil (Eranz). - Lentificam a progressão da perda de memória e diminui a apatia, a depressão, as alucinações, a ansiedade, a euforia e os comportamentos motores despropositados. - Autonomia funcional (conduzir as atividades da vida diária) é menos recuperada. - Algumas pessoas observam melhora imediata da memória, do estado de humor, dos sintomas psicóticos e das habilidades interpessoais. - Outras notam pouco benefício inicial, mas são capazes de manter suas faculdades cognitivas e adaptativas em um nível bastante estável por muitos meses. - O uso dos inibidores da colinesterase pode postergar ou reduzir a necessidade de locais protegidos. Reações adversas e efeitos colaterais: Em geral, bem tolerados (todos, menos Tacrina); Reações mais comuns: gastrointestinais (náuseas, vômitos, diarreia); Tonturas, cefaléia, dor abdominal, anorexia, fadiga e sonolência. - Tacrina: Difícil manejo, risco de elevação das transaminases (alto risco de hepatotoxidade). Por isso, praticamente não mais utilizada. Antes de utilizar: - Excluir formas tratáveis de demência (Tumores cerebrais, doenças metabólicas (hipercalcemia, carências de vit B12), Hidrocefalia normotensiva, uso de medicamentos (estatinas), abuso crônico do álcool. - Excluir depressão, ansiedade e quadros psicóticos, como causa dos sintomas. - Iniciar sempre com doses baixas e ir ajustando, conforme tolerância. Donepezila: 5-10 mg Rivastigmina: 3-12 mg Galantamina: 8-24 mg Memantina (Heimer): - Antagonista do receptor tipo N-metil-D-aspartato (NMDA). - Diferentemente dos outros (para tratamento – D. Alzheimer), não modulam acetilcolina. - Acredita-se que protege os neurônios da estimulação excessiva pelo neurotansmissor excitador glutamato, sem interferir no papel deste no funcionamento neuronal normal. - Glutamato: fundamental nas vias neurais associadas ao aprendizado e à memória. - Quantidades excessivas podem, contudo, danificar as células por causar excitação excessiva. - A excitotoxicidade é tida, por hipótese, como responsável pela morte da célula neuronal observada na doença de Alzheimer, bem como em outras doenças neurodegenerativas. Efeito colateral e reações adversas: - Normalmente bem tolerado; - Mais comuns: agitação, insônia, diarreia e incontinência urinária. - Disponível em comprimidos de 10mg. Iniciar com 5mg e ajustar até a dose alvo de manutenção, 20mg/ dia.Simpaticomiméticos: - Os simpatomiméticos podem levar à estimulação dos receptores α e β-adrenérgicos diretamente como agonistas e, de maneira indireta, favorecer a liberação de dopamina e norepinefrina dos terminais pré-sinápticos. - São referidos de forma variável como estimulantes, psicoestimulantes ou analépticos (“restauram as forças”). - Início rápido de ação, efeitos imediatos sobre o comportamento e tendência de se desenvolver tolerância e dependência psíquica. - Utilizados em déficit de atenção e da hiperatividade (TDAH) em crianças e adultos, além de aumentar o estado de vigília na narcolepsia, podem também ser utilizados para manter a vigília, o estado de alerta e a energia. - Benéficos para: condições médicas e cirúrgicas que levam a depressão secundária ou apatia profunda (p. ex., AIDS) e na potencialização dos antidepressivos no tratamento da depressão refratária a tratamento). Disponíveis no Brasil: - Metilfenidrato (Ritalina®, Concerta ®) - Lisdexanfetamina (Venvanse®) Efeitos colaterais e reações adversas: - Mais comuns: perda de apetite e insônia, dores de cabeça, sensação de opressão no peito, taquicardia, tremores e mãos úmidas, boca seca, aumento da ansiedade (todos derivados do efeito psicoestimulante) - Elevação da PA, supressão do crescimento Metilfenidrato: - Disponível em comp. 10, 18, 36 e 54mg. - TDAH-> 5 – 60mg/ dia. - Narcolepsia-> 20- 30mg/ dia. Lisdexanfetamina (Venvanse): - Disponível em comp. 30, 50 e 70mg. - TDAH-> 30- 70mg/ dia. Psicoterapias: Diversas formas. Mais comuns: - Psicanalítica, Psicodinâmica, Terapia Cognitivo Comportamental (TCC)e Psicodramática. Mais utilizadas: - Psicanalítica e TCC. - Tratamento combinado (o mesmo profissional medica e faz psicoterapia) - Co-terapia (um profissional medica e outro faz psicoterapia, de forma integrada e colaborativa ou totalmente independente) - Podem ser em grupo, individual, familiar, de casais, etc. Psicanalítica: - Princípios teóricos da psicanálise (Freud); - Objetivo: Visa-se uma organização parcial da estrutura psíquica no contexto de significativa mudança sintomática. - Indicação: sofrimento significativo para que os pacientes sejam motivados a fazer os sacrifícios (tempo e dinheiro) necessários para a psicanálise; desejo genuíno de entender-se, não uma fome desesperada por alívio sintomático; capazes de suportar frustração, ansiedade e outros afetos fortes; inteligência pelo menos média (pensar de forma abstrata e simbólica sobre os significados inconscientes de seu comportamento). - Contra-indicação: proximidade com o profissional, ausência de sofrimento, controle deficiente dos impulsos, incapacidade de tolerar frustração e ansiedade e baixa motivação; presença de extrema desonestidade ou transtorno da personalidade anti-social; pensamento concreto ou ausência de disposição psicológica. Freud - final do século XIX, estava tratando pacientes histéricos sob o pressuposto de que catarse associadas à suspensão da repressão de memórias da infância aliviariam os sintomas. Por fim, descobriu que esse método não era tão efetivo quando esperava, então desenvolveu a técnica de associação livre, na qual os pacientes eram instruídos a dizer o que lhes viesse à mente sem censura. Nesse ponto, a análise começou a desviar-se da escavação de memórias profundas para uma interpretação das defesas e dos conflitos entre ego, id, superego e realidade externa. Ego: comandada pelo “princípio da realidade”, essa parte é aquela que mostramos aos outros. Fortalecido pela razão, o ego está “preso” entre os desejos do id (tentando encontrar um jeito adequado de realizá-los) e as regras ditadas pelo superego. Id: responsável pelos nossos impulsos mais primitivos: as paixões, a libido, a agressividade… O id (“isso”, em alemão) está conosco desde que nascemos e é norteado pelo “princípio do prazer”, mas seus desejos são frequentemente reprimidos. Superego: Também chamado de “ideal do ego”, tem a função de conter os impulsos do id. Representa a moralidade. Suas regras sociais e morais não nascem com a gente: nós as aprendemos na sociedade para que possamos conviver nela corretamente. Ego não existe sem id. Ego extrai forças de id. O ego existe para ajudar o id e está constantemente lutando para satisfazer os instintos do id. O superego estará em conflito com o id. Ao contrário do ego, que tenta adiar a satisfação do id para momentos e lugares mais adequados, o superego tenta inibir a completa satisfação do id. Exemplo: - Pelo Id o empregado deixaria de comparecer ao trabalho num belo dia de sol, para praticar uma atividade de lazer, como ir a praia. O Superego diria ser inaceitável faltar com um compromisso assumido, por exemplo, reunião de trabalho. - O Ego buscaria uma oportunidade adequada para ir a praia (satisfazer o Id), mas no momento adequado (pontuado pelo Superego). TCC - Envolve um conjunto de técnicas e estratégias terapêuticas com a finalidade de mudança de padrões de pensamento. - Encoraja o paciente a entender seus problemas para em seguida identificar novas formas de enfrentá-los. - A Psicopatologia será sempre considerada o resultado de crenças excessivamente disfuncionais ou de pensamentos demasiadamente distorcidos que, em atividade, teriam a faculdade de influenciar o humor e o comportamento do indivíduo – enviesando sua percepção da realidade. Por isso, sua identificação e posterior modificação são elementos centrais para o tratamento, capazes de promover, segundo essa teoria, a redução dos sintomas. Indicações: quando há um estímulo provocador de ansiedade claramente identificável. Fobias, obsessões, compulsões. Depressão. Eletroconvulsoterapia - ECT - permanece um tratamento importante, efetivo e seguro para uma série de transtornos psiquiátricos. A depressão maior, esquizofrenia (fase aguda) e transtorno bipolar (somente quando contra-indicado medicação). - Principais efeitos adversos de perda de memória e confusão são variáveis limitantes em seu emprego. Fraturas. - Geralmente é utilizado quando as medicações não surtiram efeito ou quando há excesso de efeitos colaterais das mesmas. Outras circunstâncias incluem gestação (quando há contra-indicação a medicações ou não resposta com fármacos seguros), ou quando há algum tipo de risco iminente para o paciente (ideação suicida, por exemplo). - A ECT promove disparos rítmicos cerebrais autolimitados, que provocam crise convulsiva. Com isso, pode ocorre um reequilíbrio nos neurotransmissores (serotonina, dopamina, noradrenalina e glutamato) (?), responsáveis por propagar os impulsos nervosos do cérebro e manter o bem-estar. Esta reação cerebral, que é monitorada durante o tratamento por meio de Eletroencefalografia (EEG), dura alguns segundos e é fundamental para o efeito terapêutico. A eletricidade é apenas um meio utilizado para isso. - Estudos tanto do fluxo sanguíneo cerebral como da utilização de glicose demonstraram que, durante as convulsões, o fluxo sanguíneo cerebral, a utilização de glicose e oxigênio e a permeabilidade da barreira hematencefálica aumentam. Após as mesmas, o fluxo sanguíneo e o metabolismo da glicose ficam diminuídos, talvez de forma mais marcada nos lobos frontais. Algumas pesquisas indicam que o grau de redução do metabolismo cerebral se correlaciona com a resposta terapêutica. - Não têm contra-indicações absolutas; - Contra-indicações relativas: pós- infarto (até 2 semanas após), HAS, aumento da pressão intracraniana ou estão em risco de hemorragia cerebral (p. ex., os com doença cerebrovascular e aneurismas). - Hoje, só é feito com monitoramento e sedação. Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) - Técnica mais recente, ainda muito estudada e em desenvolvimento. - Indicado em transtorno depressivo maior resistente a tratamento ou com transtorno depressivo maior menos graves. Eficácia preliminar no transtorno obsessivo- compulsivo e no transtorno de estresse pós-traumático (ainda em estudo). Há outros usos, também em estudo (alucinaçõesem esquizofrenia, p.ex.) Corrente elétrica gera um campo magnético, que despolariza células do cérebro. - Alta ou baixa frequência: - Baixa frequência (< 1Hz) e alta frequência (> 1Hz) com efeitos diversos. - Alta frequência aumenta o fluxo sanguíneo cerebral na área, com consequente aumento da atividade cerebral. - Baixa frequência, por outro lado, diminui a atividade cerebral (mais utilizada e com mais resultados observados – depressão). - Utiliza-se como tratamento a baixa frequência. - Seguro: Não existem casos de crise convulsiva desencadeada pela EMT (baixa frequência); - Praticidade: Não é necessária a locomoção diária do paciente, sendo o tratamento aplicado apenas duas vezes por semana; feito no próprio consultório. - Custo (menor custo do aparelho, sem necessidade de sedação e observação, etc). - Seguro em gestantes. - A presença de marcapassos ou outros dispositivos eletrônicos implantáveis é considerada uma contra-indicação para a terapia, uma vez que pode ocorrer dano aos seus componentes internos. Implantes metálicos intracranianos como, por exemplo, clipes de aneurisma, podem sofrer o efeito de forças mecânicas ao serem expostos ao campo magnético e, portanto, também são uma contraindicação dessa forma de tratamento.