Logo Passei Direto
Buscar

Fundamentos da Biblioteconomia e Ciência da Informação - Mariza Russo

User badge image
Estudante PD

em

Material

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Mariza Russo
Fundamentos de 
Biblioteconomia e
Ciência da Informação
Rio de Janeiro, 2010
Coleção Biblioteconomia e 
Gestão de Unidades de Informação
Série Didáticos - n. 1
© Mariza Russo/E-papers Serviços Editoriais Ltda., 2010.
Todos os direitos reservados a Mariza Russo/E-papers Serviços Editoriais Ltda. 
É proibida a reprodução ou transmissão desta obra, ou parte dela, por qualquer 
meio, sem a prévia autorização dos editores.
Impresso no Brasil.
ISBN 978-85-7650-262-3
Projeto gráfico, diagramação e arte-final de capa
Livia Krykhtine
Concepção da capa
Claudio Reis de Brito, Cristiane Pereira Gabril, Maria da Conceição Ferreira 
Messias e Maria Terezinha Mercadante A. Cheve (graduandos do curso de 
Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Universidade Federal 
do Rio de Janeiro).
Revisão
Helô Castro
Esta publicação encontra-se à venda no site da
E-papers Serviços Editoriais.
http://www.e-papers.com.br
E-papers Serviços Editoriais Ltda.
Rua Mariz e Barros, 72, sala 202
Praça da Bandeira – Rio de Janeiro
CEP: 20.270-006
Rio de Janeiro – Brasil
Russo, Mariza.
Fundamentos em Biblioteconomia e Ciência da Informação/
Mariza Russo. - Rio de Janeiro : E-papers Serviços Editoriais, 2010.
178 p. : il. ; 21 cm. – (Coleção Biblioteconomia e Gestão de 
Unidades de Informação. Série Didáticos ; n. 1)
Bibliografia ao final dos capítulos.
Inclui glossário de termos.
ISBN: 978-85-7650-262-3
1. Biblioteconomia. 2. Ciência da Informação. I. Série. II. Título.
Sumário
5 Apresentação
9 Introdução
 UNIDADE 1
14 Dado x informação x conhecimento
22 O conhecimento e o processo de comunicação
30 O ciclo da informação
 UNIDADE 2
36 A Biblioteconomia e suas relações com a Arquivologia, a 
Museologia e a Documentação como áreas afins
43 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas 
e interdisciplinaridade
58 História da Biblioteconomia e da Ciência da Informação no 
Brasil
71 Influências do uso da Informática e sua aplicabilidade na 
Biblioteconomia e na Ciência da Informação
 UNIDADE 3
88 A formação profissional do bibliotecário: ensino de 
graduação e de pós-graduação
101 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor
119 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão
 UNIDADE 4
134 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão 
e atribuições
145 Legislação da profissão
152 O código de ética profissional
157 Considerações finais
160 Glossário
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 5
Apresentação
Esta obra, de caráter estritamente didático, se 
constitui em uma compilação de temas abordados 
em várias outras obras editadas na área de Biblio-
teconomia e Ciência da Informação, as quais são 
devidamente citadas, ao longo do texto, e referen-
ciadas, ao final de cada uma de suas partes.
O objetivo principal desta iniciativa é apresentar – em um só vo-
lume – textos relevantes para embasar a disciplina Fundamentos 
de Biblioteconomia e Ciência da Informação (FB&CI), ministrada 
pela autora, no Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades 
de Informação (CBG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro 
(UFRJ).
Um dos interesses em lançar esta publicação reside no fato 
de que muitas obras nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da 
Informação são publicadas e não reeditadas, quando de sua pri-
meira tiragem esgotada.
Devido a esta particularidade, decidiu-se optar pela utiliza-
ção de duas tecnologias emergentes – a edição eletrônica e a im-
pressão sob demanda – que estão sendo aplicadas, modernamen-
te, para facilitar não só a atualização das obras, mas também para 
diminuir problemas que ocorriam com a logística de distribuição, 
manutenção dos estoques dentre outras.
Em função destas facilidades, esta publicação – que está di-
vidida em quatro Unidades, cada uma delas abordando, separa-
damente, os diferentes tópicos da disciplina FB&CI – passará por 
atualizações anuais, frutos dos estudos e discussões realizadas a 
cada edição da disciplina no CBG.
Este trabalho apresenta, ainda, outras duas contribuições de 
grande utilidade para os leitores, que são: a) cerca de 80 notas de 
6 Apresentação
referência, que foram adicionadas às abordagens teóricas, exem-
plificando alguns pontos ou acrescentando dados atualizados a 
outros, a fim de complementar as informações para os leitores; b) 
um glossário com a conceituação de termos utilizados nos textos 
apresentados, que contém, ainda, dados biográficos das persona-
lidades ilustres citadas1.
Cabe, ainda, ressaltar que esta obra se constitui no primei-
ro número da Série Didáticos, da Coleção Biblioteconomia e Ges-
tão de Unidades de Informação, planejada pela equipe de criação 
do CBG, desde a concepção do curso, com a finalidade de trazer 
para alunos e professores oportunidades de ampliar seus conhe-
cimentos, divulgar resultados de seus trabalhos e de suas pes-
quisas etc. Com isso, esta Coleção pretende servir como canal de 
comunicação dinâmico, nas áreas de Biblioteconomia, Ciência da 
Informação e Gestão de Unidades de Informação, contribuindo, 
assim, para proporcionar maior visibilidade das mesmas para a 
sociedade.
1. Para facilitar sua identificação, os termos incluídos neste glossário estão edita-
dos em versalete nos respectivos textos, na primeira vez em que são menciona-
dos.
“Comece fazendo o que é necessário depois o que é 
possível, e de repente você estará fazendo o impos-
sível” (São Francisco de Assis).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 9
Introdução2
O interesse na criação de um curso de Biblioteconomia, na UFRJ, 
vem desde a inauguração da Biblioteca Central da Universida-
de, em 1950, quando se pensou em construir um prédio de oito 
andares – que abrigasse esta Biblioteca – cujo último piso seria 
dedicado ao curso de Biblioteconomia.
Este projeto baseava-se na visão vanguardista da primeira 
diretora da Biblioteca Central – a bibliotecária LYDIA DE QUEIROZ 
SAMBAQUI – que vislumbrava a relevância de uma grande proximi-
dade entre as bibliotecas da Universidade e o curso de formação 
em Biblioteconomia, que permitiria uma troca de experiências, 
beneficiando ambas as partes.
Apesar dos entraves, ao longo dos anos, esta ideia foi se se-
dimentando, culminando com a iniciativa, em 2000, da então 
 coordenadora do Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI/
UFRJ), Mariza Russo, de criação de um grupo de trabalho, cons-
tituído por bibliotecários da Universidade, para retomar essa dis-
cussão. A tarefa visava a atender – com a implementação de mais 
um curso de Biblioteconomia no Rio de Janeiro – às demandas 
atuais da sociedade, em relação à formação de um novo perfil 
para o principal profissional que atua com a informação.
Em outubro de 2001, foi instituída oficialmente uma comis-
são de trabalho – composta por 11 bibliotecários, mestres e es-
pecialistas na área de Biblioteconomia, Ciência da Informação e 
outras afins, para desenvolver a proposta político-pedagógica do 
curso.
2. Decidiu-se apresentar como introdução desta obra um histórico da criação do 
Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG), na UFRJ, 
com a finalidade de deixar registrado este empreendimento, que se caracterizou 
como um “sonho” de inúmeros bibliotecários que passaram pela Universidade.
10 Introdução
Esta comissão convidou docentes – mestres ou doutores da 
UFRJ e de outras instituições externas renomadas – para asses-
soramento em questões inerentes à elaboração da proposta e ao 
processo de implantação deste novo curso. A Portaria no 2.325, 
de 7 de outubro de 2003, emitida pelo magnífico Reitor da UFRJ, 
professor ALOÍSIO TEIXEIRA, designou, oficialmente, esta comissão; 
ainda acrescida de outros técnicos, que se agregaram mais tarde 
para contribuir com suas experiências.Com a finalidade de aprimoramento da equipe que formava a 
comissão, foram realizadas gestões que envolveram atividades de 
capacitação, participação em palestras, cursos e outros eventos, ati-
vidades estas que contribuíram para a consolidação da proposta.
Fundamentando-se na experiência dos integrantes dessa 
comissão, como diretores de bibliotecas universitárias – um dos 
segmentos de grande relevância no cenário de bibliotecas do 
país –, a grade curricular do curso foi planejada com um enfo-
que diferencial das demais oferecidas pelos 38 cursos existentes, 
à época, no Brasil. O projeto desta grade contemplou as áreas de 
Biblioteconomia, de Tecnologia da Informação e de Gestão, na 
medida em que os bibliotecários do AMBIENTE 21 precisam estar 
capacitados para administrar todos os recursos que integram as 
UNIDADES DE INFORMAÇÃO – quer financeiros, materiais, tecnológicos, 
informacionais, bem como as pessoas, que constituem seu prin-
cipal ativo.
Todas essas ações resultaram no documento intitulado “Pro-
posta político-pedagógica para o Curso de Biblioteconomia e Ges-
tão de Unidades de Informação (CBG)”, encaminhada em novem-
bro de 2003, às instâncias competentes da UFRJ, para fins de 
análise e aprovação.
A Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (Facc), 
da UFRJ, foi escolhida para abrigar o CBG, em virtude do seu foco 
na área de gestão. 
Esta proposta também apresentou um outro dado inovador, 
visto que desenhou sua grade com um caráter interdisciplinar, 
envolvendo nove Unidades da UFRJ, além da Facc – a Escola de 
Belas Artes (EBA), a Escola de Comunicação (ECO), a Escola Po-
litécnica (Poli), a Faculdade de Letras (FL), o Instituto de Eco-
nomia (IE), o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), o 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 11
Instituto de Matemática (IM), o Instituto de Psicologia e o Núcleo 
de Tecnologia Educacional para a Saúde (Nutes) – as quais iriam 
participar da grade das disciplinas curriculares.
O incentivo institucional ao Curso começou a ser expresso na 
reitoria do prof. CARLOS LESSA, tendo o projeto recebido toda a aco-
lhida na gestão do prof. Aloísio Teixeira, que não mediu esforços 
para garantir as condições para sua efetivação.
Destaca-se, ainda, a colaboração do Nutes, por ter customi-
zado e oferecido duas disciplinas, na área de Educação, para am-
pliar a formação dos integrantes da comissão.
Contou-se, também, com o apoio da Pró-reitoria de Gradua-
ção, da decania do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas 
(CCJE), da direção da Facc e da coordenação do SiBI, para levar 
a termo o empreendimento.
Em 29 de junho de 2005, o Curso foi aprovado pelo Conselho 
de Ensino de Graduação (CEG) e, em 14 de julho pelo Conselho 
Universitário (Consuni), para ser incorporado ao rol de cursos de 
graduação oferecidos pela UFRJ.
A 1ª turma do Curso foi programada para ingressar no 2º 
semestre de 2006, prestando concurso vestibular, conforme edi-
tal no 35, de 15/07/2005, publicado no Diário Oficial da União 
(DOU), de 19/07/2005, seção 3, p. 35-37.
Comissão de Implantação do Curso �
Mariza Russo – Coordenadora – Reitoria/UFRJ
Eliana Taborda Garcia Santos – SiBI/UFRJ
Paula Maria A. Cotta de Mello – Coordenadora do SiBI/UFRJ
Elaine Baptista de Mattos Paula – SiBI/UFRJ
Ilce Gonçalves Millet Cavalcanti – Ibict/MCT
Jane Maria Medeiros – CCJE/UFRJ
Maria Cristina Paiva – IPPMG/UFRJ
Maria das Graças Freitas Souza Filho – IMA/UFRJ
Maria Irene da Fonseca e Sá – NCE/UFRJ
Maria José Veloso da Costa Santos – MN/UFRJ
Maria Luzia Andrade Di Giorgi – SiBI/UFRJ
Myriam Lafayette de Sá Linden – SiBI/UFRJ
Patrícia Rosas – IDT/UFRJ
Vânia Lisbôa da Silveira Guedes – EQ/UFRJ
12 Introdução
Assessoria �
Profa Aracéli Cristina de Sousa Ferreira – Facc/UFRJ
Profa Clotilde Ramona Paez – Facc/UFRJ
Profa Denise de Lima Fleck – Coppead/UFRJ
Prof. Eduardo Mach – EQ/UFRJ
Profa Vânia Hermes Araújo – Hermes Consultoria
UNIDADE 1
14 Dado x informação x conhecimento
Dado x informação x conhecimento3
“É por várias razões que defendo uma abordagem 
ecológica para o gerenciamento da informação. 
Para começar, é difícil definir informação. Tome-se 
a velha distinção entre dado, informação e conhe-
cimento. Resisto em fazer essa distinção, porque 
ela é nitidamente imprecisa” (Thomas H. Daven-
port, 1998).
A conceituação dos termos DADO, INFORMAÇÃO e CONHECIMENTO me-
rece grande reflexão dos estudiosos das áreas de Bibliotecono-
mia e Ciência da Informação, visto que seus significados não são 
tão distintos e, por vezes, se confundem pela proximidade de sua 
aplicação em um determinado contexto. Eles formam, ainda, um 
sistema hierárquico de difícil delimitação, pois algumas vezes, o 
que é um dado para um indivíduo pode ser informação ou conhe-
cimento para outro. Além disso, estes termos se constituem em 
elementos básicos do processo de comunicação e da tomada de 
decisões nas organizações e, ainda, são imprescindíveis para fun-
damentar as discussões de outros tópicos das referidas áreas. 
O termo dado aparece com mais frequência na literatura das 
áreas de Ciência da Informação e de Informática, do que na de 
Biblioteconomia.
Dentre suas definições, destaca-se a de Miranda, como “um 
conjunto de registros qualitativos ou quantitativos, conhecido, 
que organizado, agrupado, categorizado e padronizado adequa-
damente transforma-se em informação” (1999, p.285).
3. Texto baseado em diversos documentos sobre o tema, principalmente em: VA-
LENTIM, Marta Lígia Pomim. Inteligência competitiva em organizações: dado, 
informação e conhecimento. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação, 
v.3, n.4, ago. 2002.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 15
Para Davenport (1998, p.19), dados são elementos brutos, 
sem significado, desvinculados da realidade; correspondem a 
“ observações sobre o estado do mundo”, são símbolos e imagens 
que não dissipam nossas incertezas. 
Setzer (2001) define dado como “uma abstração formal que 
pode ser representada e transformada por um computador”, ou 
seja, como uma sequência de símbolos quantificados ou quan-
tificáveis. Para o autor, um texto é um dado, na medida em que 
as letras são símbolos quantificados. Também são dados: fotos, 
figuras, sons gravados e animação, pois todos podem ser quan-
tificados. 
Os dados podem ser totalmente descritos por meio de repre-
sentações formais, estruturais. Por serem quantificados ou quan-
tificáveis, eles podem ser armazenados em um computador e pro-
cessados por ele, o que é feito por meio de programas. 
Dados incluem os itens que representam fatos, textos, grá-
ficos, imagens estáticas, sons, segmentos de vídeo analógicos ou 
digitais etc.
Em suma, dados são sinais que não foram processados, cor-
relacionados, integrados, avaliados ou interpretados de qualquer 
forma, e, por sua vez, representam a matéria-prima a ser utilizada 
na produção de informações.
O termo informação, conceituado por vários autores, encon-
tra na visão de Wurman (1995) a ideia de que o mesmo só pode 
ser aplicado àquilo que leva à compreensão. 
Miranda (1999, p.285) conceitua informação como sendo 
“dados organizados de modo significativo, sendo subsídio útil à 
tomada de decisão”.
Para Drucker, informações são dados com significado; “são 
dados dotados de relevância e propósito” (DRUCKER 1988 apud 
DAVENPORT, 1998, p.18). 
Informações são dados contextualizados, que visam a forne-
cer uma solução para determinada situação de decisão (LUSSA-
TO, 1991).
Com base nos autores mencionados, conclui-se que a infor-
mação pode ser entendida como dados processados e contextua-
lizados, mas para Sveiby (1998), contrariamente, a informação é 
considerada como “desprovida de significado e de pouco valor”. 
16 Dado x informação x conhecimento
Já para Malhotra (1993 apud ANGELONI,2003), ela representa 
“a matéria-prima para se obter conhecimento”.
O texto a seguir é usado para ilustrar a ideia de que infor-
mação é uma abstração informal, que está na mente de alguém, 
representando algo significativo para essa pessoa.
A frase “Paris é uma cidade fascinante” é um exem-
plo de informação – desde que seja lida ou ouvida 
por alguém que conheça Paris, desde que “Paris” 
signifique para essa pessoa a capital da França e 
“fascinante” tenha a qualidade usual e intuitiva as-
sociada com essa palavra.4
Segue-se um outro exemplo, conhecido como “Alegoria de 
Searle”, que pode definir um pouco mais esses conceitos:
Imagine uma tabela com três colunas e títulos es-
clarecendo o significado de cada coluna e que te-
nha várias linhas. O título da coluna 1 esclarece 
que esta coluna tem nomes de cidades na China. 
O título da coluna 2 esclarece que esta coluna tem 
o nome dos meses em que a temperatura fica na 
média do ano nessas cidades. O título da coluna 
3 esclarece que ela informa a temperatura média 
em graus ocorrida no ano anterior. Considerando 
que todas essas colunas estão escritas em chinês, 
para uma pessoa que não conhece chinês isso é um 
conjunto de puros dados, porém para uma pessoa 
que conhece chinês isso é uma tabela contendo in-
formações.5
Com base nestes conceitos, Machado (2002) afirma que, “in-
formação é uma abstração informal, que está na mente de al-
guém, representando algo significativo para uma pessoa”. 
Se a representação da informação for feita por meio de da-
dos, como na frase sobre Paris, pode ser armazenada em um com-
putador. Porém, o que é armazenado na máquina não é a informa-
ção, mas a sua representação em forma de dados.
4. FONTE: SETZER, 2001. 
5. FONTE: http://www.vademecum.com.br/iatros/Saber.htm
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 17
Desmistifica-se, dessa forma, a expressão “processamento da 
informação”, usada na área de Informática, pois não é possível 
processar informação diretamente em um computador. Para isso 
é necessário reduzi-la a dados.
O termo conhecimento, assim como os anteriores, apresenta 
diversas conotações.
Para Davenport (1998, p.19), “conhecimento é a informação 
mais valiosa (...) é valiosa precisamente porque alguém deu à in-
formação um contexto, um significado, uma interpretação”. 
O conhecimento pode então ser considerado como a infor-
mação processada pelos indivíduos. Sendo assim, não pode ser 
desvinculado do indivíduo; está estritamente relacionado com a 
percepção do mesmo, que codifica, decodifica, distorce e usa a 
informação de acordo com suas características pessoais, ou seja, 
de acordo com seus modelos mentais (Id.).
Merton, citado por Gonçalves, (1995, p. 311) ressalta que o 
conceito de conhecimento possui um sentido mais complexo que 
o de informação: “Conhecer é um processo de compreender e in-
ternalizar as informações recebidas, possivelmente combinando-
as de forma a gerar mais conhecimento.”
Setzer (2001) caracteriza conhecimento como uma abstra-
ção interior, pessoal, de algo que foi experimentado, vivenciado, 
por alguém.
Conhecimento pode, então, ser definido como sendo “infor-
mações que foram analisadas e avaliadas sobre a sua confiabilida-
de, sua relevância e sua importância” (DAVENPORT, 1998).
Desta forma, o conhecimento não pode ser descrito; o que se 
descreve é a informação. Também não depende apenas de uma 
interpretação pessoal, como a informação, pois requer uma vivên-
cia do objeto do conhecimento; está no âmbito puramente subje-
tivo do homem.
Parte da diferença entre estes conceitos reside no fato de um 
ser humano poder estar consciente de seu próprio conhecimento, 
sendo capaz de descrevê-lo em termos de informação, por exem-
plo, através da frase “eu visitei Paris, logo eu a conheço” (fazendo 
menção ao exemplo apresentado). 
Davenport apresenta uma diferenciação entre dado, informa-
ção e conhecimento (Quadro 1). 
18 Dado x informação x conhecimento
Quadro 1 – Dado X Informação X Conhecimento
Dado Informação Conhecimento
Simples observações
sobre o estado do mundo.
Dados dotados de rele-
vância e propósito.
Informação valiosa da 
mente humana.
Inclui refl exão, síntese, 
contexto.
Facilmente estruturado. Requer unidade de 
análise.
De difícil estruturação.
Facilmente obtido por 
máquinas. 
Quantifi cado
com frequência.
Exige consenso em rela-
ção ao signifi cado.
De difícil captura em má-
quinas.
Facilmente transferível. Exige necessariamente
a mediação humana
Frequentemente tácito; de 
difícil transferência.
FONTE: DAVENPORT, 1998, p.18.
Davenport (1998) dá maior ênfase ao termo informação, pois 
para eles “informação... é um termo que envolve os três, além de 
servir como conexão entre os dados brutos e o conhecimento que 
se pode eventualmente obter”.
Não é uma tarefa fácil distinguir, na prática, o que vem a 
ser dado, informação e conhecimento. Esta distinção fica mais 
complicada quando se tenta identificar os limites de cada um dos 
conceitos e se percebe que os três são intimamente interligados.
O dado é entendido como um elemento da informação, um 
conjunto de letras, números ou dígitos, que tomado isoladamente 
não transmite nenhum conhecimento, ou seja, não contém um 
significado claro. 
Já, a informação é todo o dado trabalhado, útil, tratado, com 
valor significativo atribuído ou agregado a ele e com um sentido 
natural e lógico para quem usa esta informação. 
Quando a informação é trabalhada por pessoas e pelos recur-
sos computacionais, possibilitando a geração de cenários, simula-
ções e oportunidades, pode ser chamada de conhecimento.
Em seu estudo, Magalhães (2002) salienta a diferença entre 
os conceitos como: dados são afirmações sobre a realidade ou 
sobre outros dados. São representações do mundo – quer seja 
físico, social, psicológico, organizacional ou qualquer outra forma 
de realidade. Dados se tornam informações quando são organiza-
dos de acordo com preferências e colocados em um contexto, que 
define seu sentido e relevância. Informações são dados contextua-
lizados e com um sentido determinado, mas ainda não é conhe-
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 19
cimento. Informação se transforma em conhecimento quando há 
uma interação humana capaz de absorvê-la e relacioná-la com 
outros conhecimentos, fazendo com que seja internalizada, trans-
formando-a em parte de um sistema de crenças próprio. Conhe-
cimento é a máxima utilização de informação e dados acoplados 
ao potencial das pessoas, suas competências, ideias, intuições, 
compromissos e motivações.
O processo de construção de conhecimento científico envolve 
os dados, os quais representam a “matéria-prima” bruta, a partir 
dos quais as operações lógicas criam informações e, finalmente, 
estas últimas são interpretadas para gerar conhecimento. É o que 
está resumido na Figura 1.
Figura 1 – Processo de Construção do Conhecimento Científi co
FONTE: http://www.vademecum.com.br/iatros/Saber.htm
O conhecimento é frequentemente dividido em duas cate-
gorias:
CONHECIMENTO EXPLÍCITO � : é o conhecimento que está registrado 
em livros, revistas, artigos, documentos de um modo geral. 
Este conhecimento é fácil de articular, manipular e transmitir.
CONHECIMENTO TÁCITO � : é o conhecimento que existe na cabeça 
das pessoas, acumulado em função da experiência que cada 
uma adquiriu ao longo de sua vida.
O conhecimento tácito é o mais valioso e o mais difícil de 
capturar e transmitir. Há até quem afirme que o conhecimento 
explícito pode ser facilmente confundido com informação pura e 
simples, e que somente o conhecimento tácito representa o ver-
dadeiro conhecimento.
Estudos indicaram que a melhor forma de transmitir conhe-
cimento tácito é pelo contato direto entre as pessoas, por meio de 
interações e da convivência,e da comunicação oral, cara a cara. 
20 Dado x informação x conhecimento
O problema com o conhecimento tácito é que, por estar vin-
culado diretamente a pessoas, é difícil de ser absorvido por uma 
organização inteira. Frequentemente, representantes de organi-
zações que lidam com informação falam em seus discursos que 
seus funcionários são o seu maior ativo. O que eles querem dizer é 
que a maior riqueza de suas instituições é o conhecimento tácito, 
traduzido em ideias, julgamentos, talentos individuais e coletivos, 
relacionamentos, perspectivas e conceitos, conhecimento armaze-
nado na mente das pessoas ou inserido em produtos, serviços e 
sistemas. Esse conhecimento é que faz com que as organizações 
se diferenciem umas das outras e se destaquem no mercado com-
petitivo do Ambiente 21.
Referências
ANGELONI, M. T. Elementos intervenientes na tomada de decisão. Ciên-
cia da Informação, Brasília, DF, v. 32, n. 1, jan./abr. 2003.
DAVENPORT, T. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não bas-
ta para o sucesso na era da informação. São Paulo: Futura, 1998.
GONÇALVES, M. A. Os papéis do gerente e a qualidade da informação 
gerencial. In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS 
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 19., 1995, 
João Pessoa. Anais... Rio de Janeiro, 1995. v. 1, p. 309-325.
LUSSATO, B. La théorie de l´empreinte. Paris: ESF, 1991.
MACHADO, F. B. Limitações e deficiências no uso da informação para 
tomada de decisões, Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, 
v. 9, n. 2, abr./jun. 2002.
MAGALHÃES, J. A. P. de. Um framework multiagentes para busca e fle-
xibilização de classificação de documentos. 2002. Dissertação. (Mestrado 
em Informática). PUC-Rio, Rio de Janeiro, 2002. Disponível em: http://
www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0024128-02. Acesso em: 
17 fev. 2008.
MIRANDA, R. C. da R. O uso da informação na formulação de ações es-
tratégicas pelas empresas. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 28, n. 3, 
p. 284-290, set./dez. 1999.
SETZER, V. W. Dado, informação, conhecimento e competência. In: 
 . Os meios eletrônicos e a educação: uma visão alternativa. São 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 21
Paulo: Escrituras, 2001. (Coleção Ensaios Transversais, v. 10). Disponível 
em: www.ime.usp.br/~vwsetzer. Acesso em: 5 ago. 2006.
SVEIBY, K. E. A nova riqueza das organizações: gerenciando e avaliando 
patrimônios de conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Inteligência competitiva em organiza-
ções: dado, informação e conhecimento. DataGramaZero – Revista de 
Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v.3, n.4, ago. 2002.
WURMAN, R. S. Ansiedade de informação: como transformar informação 
em compreensão. 5. ed. São Paulo: Cultura Editores, 1995.
22 O conhecimento e o processo de comunicação
O conhecimento e o processo de 
comunicação6
“Uma pessoa para compreender tem de se transfor-
mar” (Antoine de Saint-Exupéry).
A distinção entre os conceitos de dado, informação e conheci-
mento é de fundamental importância para entender o PROCESSO DE 
COMUNICAÇÃO.
Para Angeloni (2003), dotar dados, informações e conheci-
mentos de significados não é um processo tão simples como pa-
rece. Características individuais, que formam o modelo mental 
de cada pessoa, interferem na codificação/decodificação desses 
elementos, acarretando muitas vezes distorções individuais que 
poderão ocasionar problemas no processo de comunicação.
A autora pondera sobre a visão de Davenport (1988), de que 
uma das características da informação consiste na dificuldade de 
sua transferência com absoluta fidelidade, e, sendo o conheci-
mento a informação dotada de valor, consequentemente, a trans-
missão é ainda mais difícil.
No seu estudo, Angeloni (Id.) ainda ressalta as considerações 
que Lago (2001?), Pereira e Fonseca (1997) e Davenport (1998) 
entendem como relevantes para amenizar as distorções no pro-
cesso de comunicação:
existem diferenças entre o que se quer dizer e o que realmen- �
te se diz; entre o que se diz e o que os outros ouvem; entre o 
que as pessoas ouvem e o que entendem; entre o que enten-
dem e lembram; entre o que lembram e retransmitem;
6. Elaborado com base em diversos documentos, principalmente, no de: ANGELO-
NI, Maria Terezinha. Elementos intervenientes na tomada de decisão. Ciência da 
Informação, Brasília, DF, v.32, n.1, jan./abr. 2003.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 23
as pessoas só escutam aquilo que querem e como querem, �
de acordo com suas próprias experiências, paradigmas e pré-
julgamentos;
existem informações que os indivíduos não percebem e não �
veem; informações que veem e não ligam; informações que 
veem e não entendem ou não decodificam; informações que 
veem e não usam; informações que procuram; informações 
que adivinham;
o estado de espírito e o humor das pessoas podem afetar a �
maneira como as mesmas lidam com a informação.
Angeloni (Id.) destaca a opinião de Pereira e Fonseca (1997, 
p. 226) que afirmam que:
A apreensão da informação é uma função cognitiva 
superior que se processa no âmbito da linguagem. 
Sempre que quisermos apreender mais informa-
ções do contexto em que estamos inseridos, temos 
que ampliar as nossas habilidades perceptivas, por-
que o nosso modo de viver nos induz a um estreita-
mento perceptivo e a uma visão de mundo restrita 
e fragmentada e que as necessidades das pessoas 
em relação à informação mudam constantemente 
porque a percepção, além de ser individual, é con-
tingente.
Com isso, a autora conclui que, neste processo, o maior desa-
fio não é o de obter os dados, as informações e os conhecimentos, 
mas sim a aceitação de que, no processo de codificação/decodifi-
cação, as distorções ocorrem e que se deve estar atento a este fato 
para procurar amenizá-las.
O exemplo, a seguir, ilustra a interferência das pessoas na 
codificação, decodificação e distorção na transformação do dado 
em informação e da informação em conhecimento. 
Diferentes pessoas diante de um mesmo fato ten-
dem a interpretá-lo de acordo com seus modelos 
mentais, que as levam a percebê-lo de forma dife-
rente: um carro BMW, último tipo, conversível, zero 
quilômetro, totalmente destruído em um acidente, 
24 O conhecimento e o processo de comunicação
no qual o motorista bateu em uma árvore centenária 
derrubando-a. Este fato pode ser codificado, deco-
dificado e distorcido da seguinte maneira: algumas 
pessoas serão levadas a decodificar as informações 
baseadas em seus valores materiais: “Logo um carro 
tão caro! Será que ele está segurado?” Enquanto ou-
tras pessoas, com valores humanos mais aguçados, 
terão seu foco no ser humano: “Será que o acidente 
resultou em feridos?” Outras pessoas com interes-
ses ecológicos ainda terão suas atenções voltadas ao 
destino da árvore centenária: “Logo nesta árvore! 
Não poderia ter sido em uma outra BMW?”.7
Autores de renome na área de administração, como Daven-
port (1998), Nonaka e Takeuchi (1997), Stewart (1998) e Sveiby 
(1998), são unânimes em apontar que os conceitos de dado, in-
formação e conhecimento estão estritamente relacionados com 
sua utilidade no processo decisório e ligados ao conceito de CO-
MUNICAÇÃO.
Segundo Ferreira (2008), o ato da comunicação corresponde 
ao processo de emissão, transmissão e recepção de mensagens 
por meio de métodos e/ou processos convencionados.
Angeloni (2003) descreve o processo de comunicação como 
uma sequência de acontecimentos no qual dados, informações e 
conhecimentos são transmitidos de um emissor para um receptor.
O processo de comunicação – seja na sociedade como um 
todo, em grupos sociais em particular, assim como na interação 
entre dois indivíduos – sofre influência do modelo proposto por 
Aristóteles, desde a Antiguidade (Figura 2).
Figura2 – Processo de Comunicação de Aristóteles
FONTE: BONINI, 2003.
7. FONTE: ANGELONI, 2003.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 25
O modelo de Aristóteles influenciou o que Luongo Medina 
(1991) discute em seu estudo e que se baseia em um EMISSOR, 
que envia a MENSAGEM; um RECEPTOR, que recebe a mensagem e um 
CANAL, por onde a mensagem – ou a informação – é veiculada (Fi-
gura 3).
Figura 3 – Processo de Comunicação
FONTE: Adaptado de LUONGO MEDINA, 1991.
Este processo, denominado por Vickery (1973) como TRANS-
FERÊNCIA DA INFORMAÇÃO, ocorre em um contexto social – o meio am-
biente – o qual está sujeito a BARREIRAS, que por sua vez interferem 
diretamente no seu fluxo.
Para Luongo Medina (1991), o emissor tem o papel social de 
gerador, processador da informação; é o indivíduo que emite a 
mensagem que espera ser recebida por outro – o receptor. Este é o 
que recebe a informação, o qual pode sofrer influências que o le-
vem a reter ou a distorcer a mensagem, dificultando o processo de 
comunicação (como preconceitos, motivação, autoridade etc.). O 
canal consiste no meio de transporte da mensagem do emissor 
para o receptor. O canal pode se configurar em uma conversa 
pessoal (face a face, por telefone etc.), em um registro impresso 
(enviado pelo correio), em uma manifestação artística (pintura, 
escultura, gravura) ou em um registro eletrônico (e-mail, chats).
Neste processo, Luongo Medina (Id.) ainda focaliza a MÍDIA, 
como o registro da informação/mensagem feito geralmente em 
linguagem natural – escrita ou falada, imagens visuais, sons etc. 
A combinação destes formatos dá origem aos diferentes tipos de 
mídias como o livro, a revista, o filme, a fotografia, o disco, entre 
outros. O autor também destaca, no processo de comunicação, 
a questão da barreira que se constitui em um fator que dificul-
ta o tráfego da informação entre emissor e receptor. Tais barrei-
ras podem se apresentar como: incapacidade das pessoas ao se 
26 O conhecimento e o processo de comunicação
 expressarem; relutância em divulgar dados; linguagem especia-
lizada de grupos de trabalho, de arte, dos esportes, das religiões 
etc; idiomas diferentes; simbologias. Estas barreiras podem difi-
cultar o processo de comunicação e, portanto, a transferência da 
informação.
Um dos modelos de comunicação mais influentes é o que 
foi desenvolvido, em 1949, por C. E. Shannon e W. Weaver. Este 
modelo – também conhecido como “teoria da informação” – foi 
concebido como um modelo matemático de transmissão de sinais 
elétricos – um conjunto de informações quantificáveis que transi-
tava de um lugar para outro.
Os conceitos de emissor, receptor, CÓDIGO, SINAL, CODIFICAÇÃO, 
DECODIFICAÇÃO, são derivados deste modelo e utilizados em muitos 
estudos sobre o processo de comunicação (Figura 4).
Esses dois cientistas introduziram, ainda, o conceito de RUÍ-
DO – que se constitui em uma fonte de interferência – ou seja, em 
tudo aquilo que possa atrapalhar o entendimento da informação 
a ser transmitida (FIGUEIREDO, 2005).
Figura 4 – Processo de Comunicação de Shannon e Weaver
FONTE: http://www.ceismael.com.br/oratoria/oratoria020.htm
Para Ferreira (2008), ruído é qualquer fonte de erro ou de 
perda de fidelidade na transmissão e recepção de mensagens.
O modelo de Shannon e Weaver (1962) – em uma visão sim-
plista – se constitui de um processo em que o emissor comunica 
uma mensagem ao receptor, tendo servido, ainda, para influen-
ciar a explicação teórica da Ciência da Informação, quando da 
criação desta ciência, na década de 1960.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 27
Le Coadic (2004) ressalta, no entanto, que se incorreu em 
um engano conceitual ao se considerar análogos os conceitos de 
informação da teoria matemática da transmissão de sinais elétri-
cos e o do processo de comunicação humana, na medida em que 
este sofre influências do homem, com suas diferenças de inter-
pretação (codificação e decodificação), que ocorrem de forma tão 
comum neste processo.
Com base na análise do modelo de Shannon e Weaver, Le 
Coadic (Id., p. 11) enuncia seu conceito de comunicação como 
“o processo intermediário que permite a troca de informações en-
tre as pessoas”. Frente a toda esta discussão, o autor apresenta 
as conclusões de Escarpit de que “a comunicação é um ato, um 
processo, um mecanismo, e que a informação é um produto, uma 
substância, uma matéria” (ESCARPIT, 1990 apud LE COADIC, 
2004).
Por outro lado, a sociedade em que se vive hoje exige que o 
homem se integre ao dinamismo de seu cotidiano, sob pena de 
se tornar um marginal, podendo até ser hostilizado. O processo 
de comunicação humana, então, é um dos meios que o homem 
utiliza para conseguir esta integração.
Nunes (1973) ressalta a especificação de David C. Berlo so-
bre os ingredientes do processo de comunicação, tais como:
Quem – transmissor da comunicação; �
Por que – motivo ou objetivo da comunicação; �
Mensagem – o que é transmitido; �
Estilo – forma, medida da comunicação; �
Canal – meio empregado para a comunicação; �
Com quem – receptor da comunicação. �
Um exemplo – também criado por Berlo – é citado por Nunes 
(Id.) para explicar o significado e a importância dos ingredientes 
acima, utilizados para apresentar uma situação comum de comu-
nicação: 
Duas pessoas conversando. Suponha que seja a 
manhã de sexta-feira. Joe e Mary encontram-se 
no café local. Há um piquenique marcado para do-
mingo à tarde. De repente, Joe sente que Mary é a 
moça que deve levar ao piquenique. Resolve con-
28 O conhecimento e o processo de comunicação
vidá-la. Joe está, pois, pronto para agir como fonte 
de comunicação – tem o objetivo de fazer com que 
Mary concorde em acompanhá-lo no domingo. Joe 
precisa criar uma mensagem. Seu sistema nervoso 
central ordena ao seu mecanismo vocal que cons-
trua uma mensagem para exprimir o objetivo. O 
mecanismo vocal, servindo como codificador, pro-
duz esta mensagem: “Mary, quer ir comigo ao pi-
quenique, domingo?” A mensagem é transmitida 
por ondas sonoras, através do ar, para que Mary 
a receba. É este o canal. O mecanismo auditivo de 
Mary é o decodificador. Ela ouve a mensagem de 
Joe, decodifica-a em impulso nervoso e a remete 
ao sistema nervoso central, que responde a men-
sagem. 
Com base no que se viu, neste tópico, pode-se concluir que 
no processo de comunicação torna-se importante buscar a apre-
ensão da informação e que para isso as pessoas devem procurar 
ampliar suas habilidades perceptivas, para se situar de maneira 
correta dentro do ambiente informacional. O desafio consiste em 
buscar amenizar as distorções que ocorrem nesse processo para 
que este obtenha o êxito esperado na comunicação.
Referências
ANGELONI, M. T. Elementos intervenientes na tomada de decisão. Ciên-
cia da Informação, Brasília, DF, v.32, n.1, jan./abr. 2003.
BONINI, A.Vínculo de comunicação e gênero textual: noções conflitan-
tes. Revista de Documentação e Estudos em Linguística Teórica e Aplicada, 
São Paulo, v. 19, n. 1, 2003. p. 65-89.
DAVENPORT, T. H. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não 
basta para o sucesso na era da informação. São Paulo: Futura, 1998.
FERREIRA, A. B. de H. Aurélio: o dicionário da língua portuguesa. Ed. 
Especial. Rio de Janeiro: Positivo, 2008. Revisado conforme Acordo Or-
tográfico.
FIGUEIREDO, E. J. de. A importância da comunicação interna nas organi-
zações. In: CONGRESSO VIRTUAL DE COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL, 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 29
2., jul. 2005. Disponível em: http://www.contexto.com.br/2convicomco
municacaointernaEmanuel.htm. Acesso em: 21 mar. 2008.
LAGO, A. P. Comunicação: uma perspectiva abrangente. 2001?. Disponí-
vel em: http://www.rh.matrix.com.br/cgi-rh/bamco/db.pl. Acesso em: 
5 ago. 2006.
LE COADIC, Y. ACiência da Informação. 2. ed. Brasília, DF: Briquet de 
Lemos/Livros, 2004.
LUONGO MEDINA, A. G. Geração, fluxo e uso da informação em ocupações 
de agências de turismo do Rio de Janeiro: estudo preliminar. 1991. Disser-
tação. (Mestrado em Ciência da Informação). Escola de Comunicação, 
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1991.
NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa: como 
as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: 
Campus, 1997.
NUNES, M. R. O estilo na comunicação. Rio de Janeiro: Agir, 1973.
PEREIRA, M. J. L. B.; FONSECA, J. G. M. Faces da decisão: as mudanças 
de paradigmas e o poder da decisão. São Paulo: Makron Books, 1997.
SHANNON, C.; WEAVER, W. The mathematical theory of communication. 
Urbana-Champaign, Ill., University of Illinois Press, 1962. 
STEWART, T. A. Capital intelectual: a nova vantagem competitiva das em-
presas. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
SVEIBY, K. E. A nova riqueza das organizações: gerenciando e avaliando 
patrimônios de conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
VICKERY, B. C. Information systems. London: Butterworths, 1973.
30 O ciclo da informação
O ciclo da informação
“O próximo ciclo de riquezas será o ciclo da infor-
mação” (Jean Paul Getty).
A informação para Le Coadic (2004) é entendida como um conhe-
cimento registrado em forma escrita (impressa ou digital), oral ou 
audiovisual, em qualquer tipo de suporte. Para o autor, o exemplo 
mais banal de informação é a notícia veiculada por um jornal, 
rádio ou televisão, sendo o DOCUMENTO o objeto maior portador da 
informação. O documento, por seu tipo de suporte, é classificado 
em impresso ou eletrônico.
O processo de comunicação existe desde a pré-história, com a 
comunicação escrita, quando o homem buscava se comunicar por 
meio dos desenhos nas cavernas (pinturas rupestres). O advento 
da escrita – desenvolvida pelos sumérios, por volta de 3.000 a.C., 
na Mesopotâmia, no Egito, (escrita cuneiforme), deu origem à 
comunicação escrita, que foi difundida com a invenção da im-
prensa, por Gutenberg, no Séc. XV. Esse fenômeno teve como uma 
de suas consequências a multiplicação da informação, levando ao 
surgimento de estudos sobre as formas de armazenamento e de 
recuperação de informações relevantes para o homem.
No mundo do pós-guerra, com o crescimento das invenções 
e das revistas científicas, ocorre o fenômeno conhecido como EX-
PLOSÃO DA INFORMAÇÃO, instalando mais expressivamente o CAOS DO-
CUMENTÁRIO. Nesse contexto, o homem procura – cada vez mais – 
administrar o fluxo da informação, com a finalidade de produzir, 
distribuir e consumir informações de seu interesse. Este processo 
– semelhante ao de um sistema econômico – apoia a representação 
do CICLO DA INFORMAÇÃO de Le Coadic (Figura 5).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 31
Figura 5 – Ciclo da Informação
FONTE: Adaptado de LE COADIC, 2004.
Segundo o autor, os três processos – construção, comunicação 
e uso da informação se sucedem e se alimentam reciprocamente. 
A construção ou produção da informação refere-se à criação 
de informações por diferentes atores da sociedade: cientistas, 
professores, artistas ou outros tipos de pessoas que geram infor-
mações, em qualquer um dos campos do saber.
Ainda neste processo, insere-se o registro da informação, 
que pode ser de caráter textual, visual, sonoro ou tridimensional. 
Por fim, chega-se à seleção das informações, que se constitui na 
utilização de filtros para recuperar e atender às necessidades de 
informação da sociedade.
O segundo processo – o de comunicação – corresponde à ati-
vidade de disseminação da informação, quer seja de forma oral, 
escrita ou, ainda, no espaço virtual. Nesse processo é preciso se 
ter em mente dois fatores indispensáveis: a fidedignidade e a re-
levância da informação.
O terceiro processo do ciclo – o uso – compreende a assimi-
lação da informação, que vai permitir nova produção de informa-
ção, dando origem a um novo ciclo.
Como se vê, este é um processo dinâmico – não possui início 
e nem fim – e está sempre se autoalimentando através dos proces-
sos interativos e intercâmbios comunicativos que envolvem as ne-
cessidades de produção, transmissão e uso da informação. Esses 
elementos em ação caracterizam um ciclo informacional. 
Para Tristão, Fachin e Alarcon (2004), o ciclo da informação 
é entendido como um processo de transferência de informação e 
se constitui das seguintes etapas: produção; registro; aquisição; 
organização; disseminação e assimilação da informação.
32 O ciclo da informação
Morigi, Semensatto e Binotto (2006) explicam dessa forma o 
ciclo da informação:
toda informação é gerada por um sujeito e trans-
mitida por um canal até chegar a um destino, a um 
receptor, isto se chama interlocução. A interlocu-
ção desempenha papel preponderante na definição 
e uso dos signos, ela é a forma de comunicação 
entre os sujeitos. A informação pode ser conduzi-
da de diversas formas, através de textos, imagens, 
sons ou animação. Mediados por pessoas na comu-
nicação face a face, pelo rádio, televisão, jornal, 
computador, telefones, etc.
Os autores citam Le Coadic (2004, p. 11) que apresenta a co-
municação como um processo intermediário que permite a troca 
de informações entre as pessoas.
No entanto, para eles, a mensagem que é transmitida, chega 
ao receptor, e este por sua vez a transforma em conhecimento. O 
conhecimento consiste em uma abstração pessoal de acordo com 
suas experiências. Isto é, a maneira como o sujeito reelabora in-
telectualmente a informação a partir da sua visão de mundo. Esta 
reelaboração é realizada pelo sujeito, dá forma aos pensamentos, 
às ideias, às noções que este compartilha com os demais mem-
bros em sociedade: as representações sociais. Quando uma men-
sagem é enviada, tanto pelo sujeito emissor quanto pelo receptor, 
esta pode ser interpretada e, a partir daí, adquirir novo sentido. 
A informação faz parte do contexto subjetivo da ação do sujeito 
receptor e este faz uso conforme as suas necessidades. Ao utilizar 
a informação, o sujeito produz conhecimento, isto é, o sujeito que 
faz uso da informação absorve o conteúdo e modifica o seu estado 
de pensamento, formando a partir daí uma nova ideia. Esta, uma 
vez transformada, é repassada para outras pessoas que fazem uso 
e geram uma nova informação que é transmitida a outros sujeitos, 
que a tomam como conhecimento e mudam o seu pensamento, e 
assim sucessivamente. Esta dinâmica interativa dissemina e gera 
novas informações, formando um ciclo.
Esses autores convergem para a assertiva de que o ciclo da 
informação conduz à produção do conhecimento, o qual – por 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 33
sua vez – pode ser classificado em vários tipos, conforme salienta 
Matos (2001). Segundo o autor, estes tipos de conhecimento se 
encontram interdependentemente ligados ao processo de comu-
nicação e, por sua vez, também, contribuem para o desenvolvi-
mento do conhecimento do homem.
O Quadro 2, a seguir, relaciona uma outra tipologia de co-
nhecimento definida pelo autor.
Quadro 2 – Tipos de Conhecimento
Conhecimento
Popular
Conhecimento 
Filosófi co
Conhecimento Reli-
gioso (Teológico)
Conhecimento 
Científi co
Valorativo Valorativo Valorativo Real
Refl exivo Racional Inspiracional Contingente
Assistemático Sistemático Sistemático Sistemático
Verifi cável Não Verifi cável Não Verifi cável Verifi cável
Falível Infalível Infalível Falível
Inexato Exato Exato Aproximadamente 
Exato
FONTE: http://www.sapereaudare.com/antropologia/texto02.html
O CONHECIMENTO POPULAR, também conhecido como CONHECIMEN-
TO EMPÍRICO, é o modo comum, corrente e espontâneo de conhecer, 
que se adquire no trato direto com as coisas e os seres humanos 
em que asinformações são assimiladas por tradição, experiências 
casuais, ingênuas. “É o saber que preenche a vida diária e que se 
possui sem o haver procurado, sem aplicação de método e sem se 
haver refletido sobre algo” (BABINI, 1957 apud MATOS, 2001). O 
homem, ciente de suas ações e do seu contexto, apropria-se de ex-
periências próprias e alheias acumuladas no decorrer do tempo, 
obtendo conclusões sobre a “razão de ser das coisas”. Constitui a 
maior parte do conhecimento de um ser humano.
Alves (2000) denomina este tipo de conhecimento de SEN-
SO COMUM. É o conhecimento gerado para resolver problemas co-
muns. Como exemplo, tem-se o fato de o homem buscar abrigo 
nas cavernas. É, portanto, superficial, sensitivo, subjetivo, assis-
temático e acrítico.
O CONHECIMENTO FILOSÓFICO é um conhecimento mais geral, re-
flexivo, que busca os princípios que tornam possível o próprio 
saber. Segundo Oliveira (2005), um dos principais objetivos do 
34 O ciclo da informação
conhecimento filosófico é a investigação dos pressupostos, de 
consciência de limites, de crítica da ciência e da cultura.
O CONHECIMENTO RELIGIOSO é um conhecimento sistemático, 
que se apoia em uma fé ou crença; exige autoridade divina e é 
um conhecimento sistemático do mundo que acredita possuir a 
verdade sobre as questões fundamentais do homem (Id.).
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO é um conjunto de conhecimentos 
metodicamente adquiridos, organizados e passíveis de serem 
transmitidos por um processo pedagógico de ensino. Este conhe-
cimento procura conhecer além do fenômeno, suas causas e as 
leis que o regem; resulta da investigação científica e da utilização 
do MÉTODO CIENTÍFICO, o qual conduz à descoberta, permite demons-
tração e provas e leva à verificação dos resultados.
Assim como o processo de comunicação definido por Le Coa-
dic (2004), o conhecimento científico tem as fases de construção, 
comunicação e uso, que como um ciclo vão se retroalimentando, 
levando à sua propagação. Esse tipo de conhecimento é o que 
constitui no maior foco das áreas de Biblioteconomia e Ciência 
da Informação.
Referências
ALVES, R. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e a suas regras. 2. ed. 
São Paulo: Edições Loyola, 2000.
LE COADIC, Y. A Ciência da Informação. 2. ed. Brasília, DF: Briquet de 
Lemos/Livros, 2004.
MATOS, E. Conhecimento. [S.l.: s.n.], 2001. Disponível em: http://www.
sapereaudare.com/antropologia/texto02.html. Acesso em: 5 ago. 2006.
MORIGI, V. J.; SEMENSATTO, S.; BINOTTO, S. Ciclo e fluxo informacio-
nal nas festas comunitárias. Informação e Sociedade, João Pessoa, v.16, 
n.1, 2006, p. 247-258.
OLIVEIRA, M. de (Coord.) Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos 
conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2005.
TRISTÃO, A. M. D.; FACHIN, G. B.; ALARCON, O. E. Sistema de classi-
ficação facetada e tesauros: instrumentos para organização do conheci-
mento. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 33, n. 2, p. 161-171, maio/
ago. 2004.
UNIDADE 2
36 A Biblioteconomia e suas relações ... como áreas afins
A Biblioteconomia e suas relações 
com a Arquivologia, a Museologia e a 
Documentação como áreas afins8
“Sempre imaginei que o paraíso será uma espécie 
de biblioteca” (Jorge Luis Borges).
O homem – desde os tempos mais remotos – sempre procurou 
meios de entender, preservar e ampliar a sua memória e suas 
possibilidades de se comunicar. Para tanto, utilizou um elemento 
central – a informação – sem a qual a viabilidade desses processos 
fica comprometida.
Segundo Pinheiro (2002), a informação, em um conceito res-
trito, está imersa em um campo de pesquisas que se relaciona 
a documentos impressos e a bibliotecas. Le Coadic (2004) apre-
senta um conceito mais amplo, definindo a informação como um 
conhecimento registrado, em forma escrita (impressa ou digital), 
oral ou audiovisual, em um suporte espacial-temporal (impresso, 
sinal elétrico, onda sonora etc).
As primeiras disciplinas que atuavam no campo da infor-
mação eram: a BIBLIOTECONOMIA, a ARQUIVOLOGIA, a MUSEOLOGIA e a 
 DOCUMENTAÇÃO (LE COADIC, 2004). Estas disciplinas, e outras que 
se uniram a elas, atualmente, fazem parte do que se chama de 
“Indústria da Informação”.
O ponto comum entre elas é que atribuíam muito mais valor 
ao suporte do que à informação em si mesma. O livro, na bibliote-
ca, e a peça, no museu, foram por muito tempo recolhidos, arma-
zenados e guardados com o fim de preservação patrimonial.
8. Fundamentado, principalmente, em: LE COADIC, Y. A Ciência da Informação. 2. 
ed. Brasília, DF, Briquet de Lemos/Livros, 2004. 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 37
A Biblioteconomia
Segundo Le Coadic (2004), o termo “biblioteconomia” se consti-
tui da união de duas palavras – biblioteca e economia – esta no 
sentido de organização, administração, gestão. 
Fonseca (2007) apresenta outra composição morfológica do 
termo:
Biblion = livros + theca = caixa + nomos = regra
Ampliando-se esta definição morfológica, tem-se que a 
 Biblioteconomia compreende as regras de organização de livros 
ou outros documentos em caixas, materializadas em estantes, sa-
las, edifícios etc. 
Para Le Coadic (Id.), a Biblioteconomia como área do conhe-
cimento tem seu foco inicial: a) nos acervos de livros (formação, 
desenvolvimento, classificação, catalogação, conservação); b) na 
própria biblioteca como instituição organizada (regulamento, pes-
soal, contabilidade, instalações, infraestrutura) e c) nos leitores – 
os usuários (direitos e deveres, acesso ao acervo, empréstimos).
Para o autor, as bibliotecas tradicionais – que conservavam 
apenas livros – foram sucedidas por organizações – que podem ter 
outra nomenclatura – e que reúnem acervos dos mais diversifica-
dos, tanto por seus suportes, como por sua origem: imagens, sons, 
textos. Estas organizações podem ser chamadas de Unidades de 
Informação, porque abrigam não somente as obras armazenadas 
ao longo dos anos, mas também informações em tempo real, vei-
culadas por redes de comunicação.
A evolução da Biblioteconomia tem se caracterizado por duas 
orientações principais: passando da erudição para o serviço ao 
público.
Os primeiros bibliotecários eram homens eruditos, que fun-
daram bibliotecas – como a famosa BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA – na 
foz do Rio Nilo, no Egito. Eles se ocupavam em reunir e classificar 
todo o conhecimento registrado em forma documental.
Este bibliotecário – erudito e BIBLIÓFILO – dominou a profissão 
até o início do Séc. XIX, quando começaram a se desenvolver as 
tendências democráticas, com a valorização das práticas iguali-
tárias.
Com a propagação das bibliotecas públicas, no Séc. XIX, fun-
damentada na filosofia de educação como direito de todos, tomou 
38 A Biblioteconomia e suas relações ... como áreas afins
corpo o ideal de serviço para a comunidade. Esta mudança de 
orientação – da erudição ao serviço ao público – manifestou-se 
claramente, em 1876, ao ser fundada a American Library Associa-
tion (ALA), na Filadélfia, nos Estados Unidos.
Este marco levou a Biblioteconomia a trilhar caminhos dife-
rentes, que não têm cessado de se diversificar. Contribuindo para 
a consolidação da área, foram criadas instituições, em nível in-
ternacional e nacional, como a International Federation of Library 
 Associations (Ifla), em 1927, e a Federação Brasileira de Associa-
ções de Bibliotecários (Febab),9 em 1959.
Desde então, a Biblioteconomia é considerada como uma 
área do conhecimento, na medida em que compreende um con-
junto de organismos, operações técnicas e princípios que dão aos 
documentos a utilização máxima, em benefício da humanidade 
(SHERA, 1980). 
A Arquivologia
A Arquivologia nasce no Séc. XIX, com caráter fortemente histo-
ricista.
A conceituação da área, sob uma perspectiva francesa, apon-
ta que a Arquivologia éa ciência que estuda os princípios e os 
procedimentos metodológicos empregados na conservação dos 
documentos de arquivos, permitindo assegurar a preservação dos 
direitos, dos interesses, do saber e da memória das pessoas físicas 
e morais (DELMAS, 1990 apud JARDIM, 1998).
Na França, o termo “Archivistique” surge nos anos de 1930, 
impondo-se ao termo “Archivologie”.
A ARQUIVÍSTICA do Séc. XX, uma disciplina no sentido pleno do 
termo, é então: 
o conjunto de princípios e métodos que regem a 
criação, a aquisição, a classificação, a descrição, a 
difusão e a conservação de arquivos (COUTURE, 
1992 apud JARDIM, 1998).
9. Atualmente denominadas International Federation of Library Associations and 
Institutions (Ifla) e Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários e Cientis-
tas da Informação (Febab), respectivamente.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 39
O Dicionário de Termos Arquivísticos do Arquivo Nacional 
(1992) distingue os dois termos: Arquivologia é definida como a 
disciplina que tem por objeto o conhecimento dos arquivos e de 
Arquivística, e esta como a reunião de princípios e técnicas a se-
rem observados na produção, organização, guarda, preservação e 
utilização dos arquivos. Estes conceitos são legitimados no Brasil 
também pela Associação dos Arquivistas Brasileiros.
Os arquivos, influenciados pelas tecnologias de informação, 
já disponibilizam seus acervos eletronicamente, proporcionando 
aos usuários de qualquer parte do mundo o acesso a documentos 
históricos, antes praticamente inacessíveis.
A Museologia10
É definida como a área do conhecimento que se ocupa da orga-
nização dos museus. Tem seu foco: a) nas coleções de objetos e 
reservas técnicas (formação, desenvolvimento, classificação, con-
servação e exposição para cientistas e público em geral); b) no 
próprio museu como instituição organizada (regulamento, pes-
soal, contabilidade, instalações, infraestrutura) e c) nos visitantes 
– os usuários (direitos e deveres, do pessoal e do público, acesso 
às coleções).
O profissional que atua nos museus – o museólogo – dedica-
se à organização, à classificação, à conservação e à exposição de 
peças de valor histórico, artístico, cultural e científico. Sua mis-
são é transmitir conhecimentos e desenvolver ações culturais por 
meio de seus acervos.
Assim como as bibliotecas e os arquivos, os museus hoje têm 
uma atuação mais arrojada, pois estão abertos à visitação do pú-
blico em geral, deixando de lado a primazia aos cientistas e à 
guarda patrimonial do acervo, haja vista a frequência em massa 
de estudantes e turistas e, ainda, a lógica da rentabilidade ao se 
cobrar ingressos para entrada em seus espaços.
10. Chamada por Le Coadic (2004) de Museoconomia, como analogia à junção 
dos termos museu e economia.
40 A Biblioteconomia e suas relações ... como áreas afins
Com o advento da Internet, as visitas aos museus se expandi-
ram para o plano virtual e a grande maioria dos museus já dispo-
nibiliza suas coleções on-line. 
A Documentação
A partir do crescimento incalculável da informação, causado pela 
Revolução Industrial, deflagrada em toda a Europa e nos Estados 
Unidos, no final do Séc. XIX, várias tentativas foram efetuadas 
para realizar um CONTROLE BIBLIOGRÁFICO UNIVERSAL.11 
A iniciativa mais importante coube a dois advogados belgas 
– PAUL OTLET e HENRI LA FONTAINE – que se preocupavam em poder 
levar ao conhecimento de todos os cientistas, e de outros interes-
sados, a literatura científica, assim como todos os produtos do 
conhecimento gerados no mundo.
Otlet e La Fontaine planejaram criar uma BIBLIOTECA UNIVER-
SAL, a qual não reuniria acervos, mas sim referências de como 
encontrar produtos de interesse, utilizando para isso as técnicas 
fundamentais da Biblioteconomia. 
Para coordenar tais atividades foi fundado – em 12 de setem-
bro de 1895 – o Instituto Internacional de Bibliografia (IIB), em 
Bruxelas, que passou a desenvolver ferramentas para registrar, de 
forma sistemática e padronizada, as referências dos documentos. 
Um dos primeiros objetivos do IIB era o de desenvolver um 
sistema de classificação único, a ser adotado na indexação dos 
documentos. Com isso, surgiu a CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL 
(CDU), cuja 1ª edição foi publicada em 1905. Esta classificação 
oferecia a possibilidade de tratar diferentes tipos de documentos, 
além dos livros e de outros produtos impressos.
Outro fato relevante foi a criação, também por Paul Otlet, do 
conceito de documento – que se estendeu do livro para a revista, 
o jornal, a peça de arquivo, a estampa, a fotografia, a medalha, a 
música, o disco, o filme, e até a outras amostras e espécimes, com 
três dimensões e, eventualmente, em movimento. Este conceito 
de documento vem unir – em uma abordagem mais abrangente 
11. Pressupõe um domínio completo sobre os materiais que registram o conhe-
cimento, objetivando sua identificação, localização e obtenção (CAMPELLO, 
2006).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 41
– entidades até então separadas, em virtude do suporte físico – 
o arquivo, a biblioteca e o museu (BRIET, 1953 apud JARDIM, 
1998).
Com a obra de Otlet, foi instituído, também, um novo con-
junto de técnicas para organizar, analisar os documentos, descre-
vê-los e resumi-los, técnicas essas diferentes das usadas na Biblio-
teconomia tradicional. A esse conjunto de técnicas, chamou-se 
Documentação. 
Diante desses novos conceitos, o IIB foi transformado – em 
1931 – em Instituto Internacional de Documentação (IID), que 
visava fornecer meios de controle para os novos tipos de supor-
te do conhecimento. Este organismo – em 1938 – passou a se 
chamar Federação Internacional de Documentação (FID). Desde 
1986, se denomina Federação Internacional de Informação e de 
Documentação (FID), sendo o órgão máximo da área, que perma-
nece atuante até os dias de hoje, tendo completado 110 anos de 
criação, em 2005.
Apesar da criação da Biblioteca Universal de Otlet e La Fon-
taine não ter sido implementada, da forma como foi idealizada, 
foi materializada com a criação do MUNDANEUM, em 1910, em 
Haia, que chegou a reunir, em 1914, 11 milhões de fichas cata-
lográficas, constituindo-se em um verdadeiro repertório mundial 
do conhecimento.
O trabalho de Otlet e La Fontaine deixou como legado a cria-
ção de novos conceitos como o de documento e de BIBLIOGRAFIA, e, 
ainda, a Classificação Decimal Universal.
Outra grande contribuição da Documentação foi a publicação 
do TRAITÉ DE DOCUMENTATION, por Paul Otlet, em 1934, que ressal-
tou – entre outras coisas – a identificação dos novos suportes da 
informação como portadores de memória e, ainda, a importância 
da organização da informação, visando à sua recuperação pela 
humanidade.
Paul Otlet apresenta, nessa obra, a seguinte previsão sobre o 
acesso ao conhecimento registrado: 
Tudo no universo e tudo do homem poderia ser re-
gistrado na distância em que foi produzido... De 
uma distância, todos poderiam ler textos, amplia-
dos e limitados ao assunto desejado, projetado em 
42 A Biblioteconomia e suas relações ... como áreas afins
uma tela individual. Dessa forma, qualquer pes-
soa sentada em sua cadeira poderia ser capaz de 
contemplar a criação, como um todo ou em certas 
partes (OTLET, 1934, p. 390-391, apud WRIGHT, 
19??).
Sob a ótica de uma linha de tempo, esta previsão de Otlet 
pode reunir sob um único objetivo – o acesso ao conhecimento – a 
Biblioteca de Alexandria, do Séc. III a.C., o Mundaneum, do Séc. 
XIX e a Internet do Séc. XX.
Referências
CAMPELLO, B. S. Introdução ao controle bibliográfico. 2.ed. Brasília, DF: 
Briquet de Lemos/Livros, 2006.
DICIONÁRIO de termos arquivísticos do Arquivo Nacional. Rio de Janei-
ro: Arquivo Nacional, 1992. 
FONSECA, E. N. da. Introdução à Biblioteconomia. 2.ed. Brasília, DF: 
Briquet de Lemos/Livros, 2007.
JARDIM, J. M. A produção de conhecimento arquivístico: perspectivas 
internacionais e o caso brasileiro (1990-1995). Ciência da Informação, 
Brasília, DF, v. 27, n.3, 1998.
LE COADIC, Y. A Ciência da Informação. 2. ed. Brasília, DF: Briquet de 
Lemos/Livros, 2004. 
OLIVEIRA, M. de (Coord.). Ciência da Informação e Biblioteconomia: 
novos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 
2005.
PINHEIRO, L. V. R. Gênese da Ciência da Informação: os sinais enun-
ciadores da nova área. In: AQUINO, Miriam A. O campo da Ciência da 
Informação: gênese, conexões e especificidades. João Pessoa: Ed. Univer-
sitária, 2002. p. 61-86.
SHERA, J. H. Sobre biblioteconomia, documentação e ciência da infor-
mação. In: GOMES, Hagar Espanha (Org.). Ciência da informação ou in-
formática? Rio de Janeiro: Calunga, 1980. p. 90-105.
WRIGHT, Alex. O antepassado esquecido: Paul Otlet. Disponível em: 
http://tecnologica.extralibris.info/internet/o_antepassado_esquecido_
paul_o.html. 19??. Acesso em: 26 mar. 2007.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 43
A Biblioteconomia e a Ciência 
da Informação: paradigmas e 
interdisciplinaridade12
“A aventura bibliográfica iniciada na Bélgica, no fi-
nal do Séc. XIX, pode muito bem ser considerada, 
em retrospecto, um importante aspecto histórico 
do desenvolvimento da Ciência da Informação nos 
Estados Unidos e em outros lugares, na segunda 
metade do Séc. XX” (Boy Rayward).
A Biblioteconomia – como uma das mais antigas disciplinas que 
se ocupa do acesso à informação e de sua transmissão para os 
povos futuros – apresenta grandes marcos, como a criação das 
bibliotecas que mais se destacaram na história da humanidade.
Principais Bibliotecas
A Biblioteca de Alexandria, uma das mais importantes bibliotecas 
da Antiguidade, instituída por Ptolomeu I, em 288 a.C., foi orga-
nizada sob decisiva influência de Aristóteles, tendo como modelo 
o clássico GYMNASIUM (CHASSOT, 2002).
Esta biblioteca foi criada com a finalidade de reunir e classi-
ficar todos os conhecimentos registrados em forma documental. 
Possuía 10 grandes salas de investigação e leitura, vários jardins, 
horto, zoológico, salas de dissecações e observatório astronômico. 
Tem-se notícia que seu acervo chegou a alcançar 700 mil rolos de 
12. Fundamentado em OLIVEIRA, M. de (Coord.). Ciência da Informação e Biblio-
teconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 
2005.
44 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade
papiro, o que poderia equivaler de 100 a 125 mil livros impressos 
de hoje. Esse complexo foi devastado em diferentes momentos, 
em função de guerras, de fenômenos naturais (incêndios) e, ain-
da, devido ao medo de que o saber, quando socializado, dimi-
nuísse o poder dos déspotas. Sua destruição começa com o pri-
meiro grande incêndio (47 a.C.) e termina com uma guerra, no 
ano de 619, na qual os persas arrasaram totalmente Alexandria 
(CHASSOT, 2002).
No ano de 1974, sob a liderança da Universidade de Ale-
xandria, desencadeou-se um projeto internacional – apoiado pela 
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a 
Cultura (Unesco) – para construção de uma nova biblioteca. Em 
1990, foi assinada a Declaração de Assuã para a recuperação da 
instituição e, em 1995, foi colocada a primeira pedra da imponen-
te construção. O custo total da obra girou em torno de US$ 220 
milhões e, em 2002, a nova biblioteca foi inaugurada, inserida 
em um imponente complexo com uma área total de 84.405m2, 
dos quais 37.000m2 são exclusivos para a biblioteca; os demais se 
destinam a um Centro Cultural, um Museu de Ciências, um Mu-
seu Arqueológico, um Museu de Manuscritos – com mais de oito 
mil documentos de grande valor –, laboratórios de restauração e 
um moderno planetário construído pela França, além de outros 
serviços técnicos (Id.).
Na biblioteca, há uma grande sala de leitura com cerca de 
20.000 m2, instalados em 11 níveis distintos; dos quais, sete estão 
acima da superfície e quatro subterrâneos, dotados de refrigera-
ção e modernos equipamentos tecnológicos. A coleção – com ca-
pacidade para abrigar oito milhões de itens – está distribuída por 
temas, em função da classificação internacional. Cerca de dois mil 
leitores podem usar simultaneamente as salas, por meio de acesso 
local ou virtual (Id.).
As bibliotecas da Antiguidade, cujos acervos eram constituídos 
de coleções de tijolos de argila, de rolos de papiros, de códices – 
apresentados em folhas de pergaminho – passam por uma grande 
evolução, influenciadas por grandes invenções como a manufatura 
do papel, no Oriente, e o surgimento da Imprensa, no Ocidente. 
Com foco no cenário cristão, cabe destacar as bibliotecas da 
Idade Média, inseridas nos conventos e nos mosteiros, também 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 45
conhecidas como BIBLIOTECAS MONÁSTICAS, monacais ou conven-
tuais.13 Nessas instituições, cujo acesso era restrito ao clero e a 
alguns nobres, os copistas refugiavam-se no SCRIPTORIUM, para ler, 
ilustrar, traduzir e copiar todo e qualquer manuscrito que chegas-
se ao seu poder, mais uma vez com o objetivo de registrar todo o 
conhecimento gerado no mundo.
Como retratada no romance O nome da Rosa, por Humberto 
Eco (2009), a biblioteca dos mosteiros medievais se apresenta 
como um lugar quase inacessível, na qual a própria construção foi 
realizada – como verdadeiros labirintos – de forma a dificultar o 
acesso às obras desejadas. Battles (2003) descreve com primor a 
magia desse cenário:
Reunidos aos milhões, empilhados, puídos, lidos 
e esquecidos, os livros de uma biblioteca vão ga-
nhando uma vida própria, não exatamente como 
textos, mas como objetos físicos do mundo.
No Renascimento, surge um novo tipo de biblioteca, consti-
tuído pelas coleções particulares dos humanistas, as quais podem 
ser consideradas como precursoras das bibliotecas modernas.14 
Exemplos dessas bibliotecas são a dos Estes, em Ferrara, a dos 
Médici, em Florença, e mesmo a Biblioteca do Vaticano, fundada 
em 1450, pelo Papa Nicolau V.
O Séc. XVI, principalmente com o advento da imprensa – 
considerado como o primeiro grande momento de impacto para 
a informação – acompanha o surgimento de grandes bibliotecas 
universitárias, como a de Oxford, na Inglaterra. As palavras de 
Bill Gates descrevem muito bem esse fato histórico:
Antes de Gutenberg, havia uns 30 mil livros em 
todo continente europeu, a maioria Bíblias ou co-
mentários bíblicos. Por volta de 1500, havia mais 
13. Uma curiosidade – que até hoje marca a história da Biblioteconomia – é a 
do “dedo em riste”, que simboliza o bibliotecário pedindo silêncio na biblioteca; 
ela, possivelmente, advém das bibliotecas monásticas. Esse gesto tem origem nos 
sinais trocados entre os monges copistas, que tinham que obedecer às ordens de 
silêncio, estabelecidas nos mosteiros.
14. Uma das características das “bibliothecas modernas” é a acessibilidade dos 
livros ao público.
46 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade
de 9 milhões de livros, sobre tudo quanto é assun-
to... Pela primeira vez, quem se achava fora da elite 
eclesiástica teve acesso à informação escrita... (GA-
TES, 1995, p. 19-20).
As bibliotecas nacionais começam a surgir no Séc. XVII, com 
a Biblioteca Nacional de Berlim, mas é no Séc. XVIII que são cria-
das as grandes bibliotecas nacionais, como a Biblioteca Nacional 
Espanhola, fundada em Madrid, em 1712, por Filipe V, a qual 
possuía em seu acervo coleções de manuscritos magníficas, assim 
como de primeiras impressões valiosas. 
Outro fato relevante para a área de Biblioteconomia foi a 
publicação do primeiro livro, destinado a apoiar a organização 
de bibliotecas: “Advispour dresser une bibliothèque”, escrito por 
Gabriel Naudé, em 1627.
A Revolução Francesa também se constitui em um evento 
importante para a área de Biblioteconomia visto que levanta, 
como uma de suas bandeiras, a da igualdade entre os homens, 
fazendo com que as grandes bibliotecas particulares fossem 
abertas para consulta do povo, levando ao surgimento das bi-
bliotecas públicas. 
Nos Estados Unidos, outro grande marco da Biblioteconomia é 
a criação da BIBLIOTECA DO CONGRESSO, em 1800, duas vezes destruída 
pelo fogo e depois reconstruída. Pode ser comparada, no Séc. XXI, 
à Biblioteca de Alexandria, pelo seu objetivo de reunir todas as in-
formações sobre o conhecimento produzido no mundo.
Estes se constituem em grandes marcos da Biblioteconomia, 
antes mesmo que ela se constituísse em área do conhecimen-
to, fato que ocorreu a partir da criação dos primeiros cursos 
da área, como o da Ècole Nationale des Chartes, na França, em 
1821, e o da Columbia University, em 1887, nos Estados Unidos. 
Este último curso foi criado por MELVIL DEWEY, que se tornou um 
dos personagens mais importantes na área, por suas inúmeras 
contribuições, como a criação, em 1876, da ALA, a publicação 
do primeiro periódico científico especializado – Library Journal 
– e do primeiro código de classificação, conhecido como “CLASSI-
FICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY (CDD)”.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 47
Conceituação de Biblioteconomia 
Um dos primeiros conceitos de Biblioteconomia é emitido pela 
ALA, definindo-a como uma área voltada para a aplicação prática 
de princípios e normas à criação, organização e administração de 
bibliotecas.
Parece ser mais pertinente o conceito de Buonocore (1963), 
que define a Biblioteconomia como a área que se destina ao estu-
do dos princípios racionais para realizar, com a maior eficácia e o 
menor esforço possível, os fins específicos das bibliotecas. Para o 
autor, a Biblioteconomia se subdividia em duas subáreas: a técni-
ca e a administrativa. A primeira preocupava-se com a seleção, a 
aquisição, a catalogação, a classificação e a ordenação das obras 
nas bibliotecas; a segunda, com o local, a arquitetura, o mobiliá-
rio, o pessoal, o uso, o regulamento, os recursos financeiros, tudo 
isso para que a biblioteca pudesse atender aos seus usuários com 
eficiência.
Esse conceito é complementado por Targino (2006), à luz do 
Séc. XXI, como:
a área do conhecimento que se ocupa com a orga-
nização e a administração das bibliotecas e outras 
unidades de informação, além da seleção, aquisi-
ção, organização e disseminação de publicações 
sob diferentes suportes físicos. 
Com base nesses conceitos, autores como Francis Miksa 
apontaram como PARADIGMA da Biblioteconomia a visão da biblio-
teca como uma instituição social, fundamentando-se nos campos 
da Sociologia e da Educação, tendo como foco a Biblioteca em si 
mesma (OLIVEIRA, 2005).
Paradigma15 da Biblioteconomia
Com base nesse paradigma, a biblioteca é considerada como o 
foco principal da área e é entendida como uma organização so-
cial, que compreende propriedades materiais, organizacionais e 
15. Para Thomas Kuhn (1975), o termo paradigma quer dizer “um modelo ou 
padrão de ciência que é compartilhado por uma determinada comunidade”.
48 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade
intelectuais, as quais servem para definir suas funções em uma 
estrutura social.
Dentro das propriedades materiais encontram-se as coleções 
dos documentos e os equipamentos especializados; as proprieda-
des organizacionais referem-se às medidas administrativas e de 
pessoal; e as propriedades intelectuais referem-se aos sistemas, 
tais como, o sistema de classificação, as regras de catalogação e 
as políticas de seleção.
Oliveira (2005) aponta que o paradigma da Biblioteconomia 
que considera a biblioteca como instituição social se apoia em seu 
papel de “fio condutor” entre os indivíduos e o conhecimento que 
eles necessitam.
Sob esse prisma, a função mais importante da biblioteca é 
possibilitar o uso de sua coleção de documentos a um dado públi-
co e, para isso, são desenvolvidas atividades de aquisição, organi-
zação, tratamento e disseminação desses documentos, utilizando-
se técnicas apropriadas e pessoal qualificado. 
A autora ressalta que a aceitação deste paradigma é prejudi-
cada por duas grandes questões: a primeira refere-se à preocupa-
ção primária com o armazenamento e a conservação dos acervos, 
considerando o suporte do documento mais importante do que 
o seu conteúdo. A segunda questão relaciona-se com a valoriza-
ção secundária ao atendimento aos usuários, os quais deveriam 
se constituir no foco principal das atividades realizadas. Para se 
compatibilizar com o cunho social da área, estes deveriam fazer 
parte integrante das discussões relativas ao planejamento e ava-
liação de todos os produtos e serviços oferecidos.
 As discussões a respeito dessa fragilidade no paradigma da 
área de Biblioteconomia – aliadas às necessidades cada vez mais 
prementes dos usuários, em obter informações relevantes, no me-
nor tempo possível – apontaram para a necessidade de criação de 
uma nova área do conhecimento que priorizasse o atendimento 
ao usuário em suas necessidades informacionais; nesse contexto, 
surge a CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 49
A Ciência da Informação (C.I.)
Segundo Oliveira (2005) a Ciência da Informação tem sua gê-
nese no cenário da revolução científica e técnica, que ocorre 
logo após a Segunda Guerra Mundial, tendo sofrido grandes in-
fluências da Documentação e da RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO. A 
primeira, pelo desenvolvimento de novos conceitos – como o de 
documento, por exemplo – e novas instituições na área – como 
o IIB – IID – FID.
A influência da Recuperação da Informação é percebida a 
partir da criação dos sistemas automatizados de recuperação 
de informações, que começaram a surgir em meio ao boom in-
formacional presente após a Segunda Guerra Mundial. O inte-
resse dos países mais desenvolvidos pelas atividades de ciência 
e tecnologia, que ocasionou um aumento considerável na ge-
ração e nas buscas de conhecimentos, dá origem ao fenômeno 
que foi denominado, por VANNEVAR BUSH, de explosão da infor-
mação.16 Esse fenômeno foi, também, explicado por Saracevic 
(1996) como um problema social que teve seu início com o 
desenvolvimento das ciências e hoje se estende para todas as 
atividades humanas.
O gráfico, a seguir, ilustra a explosão da informação, retra-
tando a expansão das revistas científicas.
Como pode ser visto no gráfico, foi realizada uma previsão, 
em 1994, de que as revistas científicas – que começaram a ser 
editadas em meados do Séc. XVII – chegariam no Séc. XXI ao 
número de 1.000.000 de títulos. Essa previsão foi confirmada 
pelo cadastro do sistema do International Standard Serial Number 
(ISSN), que totaliza, em 2009, o número de 1.489.773 registros 
de periódicos.17 
Esse cenário traz o foco, mais uma vez, para a preocupação 
de Otlet e La Fontaine de fazer com que esses documentos pudes-
sem estar acessíveis a todos os interessados.
16. Também conhecida como Explosão Informacional, ou Explosão Bibliográfica.
17. www.issn.org. Só no ano de 2009 foram cadastrados 75.831 registros novos.
50 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade
Gráfi co 1
Em 1945, Vannevar Bush, um respeitado cientista do Mas-
sachussets Institute of Technology (MIT), que durante a guerra 
havia ocupado o cargo de chefe do esforço científico america-
no, na procura de uma solução para o problema da explosão da 
informação, propõe a criação de uma máquina que nomeou de 
MEMEX.18 Processos de coleta, armazenamento e transmissão de 
informações, utilizando técnicas como a mecanização e amicro-
filmagem, proporcionariam o armazenamento de livros e outros 
documentos, contendo informações que poderiam ser recupe-
radas posteriormente. O invento teria a capacidade de associar 
ideias, “duplicando os processos mentais artificialmente” e, por-
tanto, apoiaria na tarefa de tornar mais acessível um acervo cres-
cente de conhecimento. Apesar de a Memex não ter sido criada, 
as ideias de Bush deram origem a inúmeras discussões sobre o 
assunto, mais tarde culminando na invenção dos computadores, 
18. Memex = Memory Extension.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 51
o qual se tornou uma ferramenta indispensável para organização, 
disseminação e recuperação da informação (BUSH, 1945).
Ainda com o objetivo de explicar o desenvolvimento da C.I., 
Meadows (1991) indica um outro evento importante: a descrição 
da TEORIA MATEMÁTICA DA INFORMAÇÃO,19 por Claude Shannon e War-
ren Weaver, na década de 1940. Como mencionado antes, esses 
dois engenheiros de rádio e telefonia, entendendo o processo de 
comunicação como a transmissão de uma mensagem entre uma 
fonte (emissor) e um destino (receptor), utilizando um canal, es-
tabeleceram uma analogia com a transmissão de sinais elétricos 
por meio de canais mecânicos de comunicação. Porém, essa teoria 
não se importava com o conteúdo ou a finalidade da informação, 
considerando-a como somente aqueles símbolos que são incertos 
para o receptor.
Outro marco no desenvolvimento da área de C.I. foi a criação 
do Institute of Information Scientists (IIS), em 1958, no Reino 
Unido, que deu origem ao termo “cientistas da informação”. O 
surgimento desse termo que pode ser atribuído devido ao cresci-
mento das pesquisas especializadas nas indústrias modernas, sen-
do os profissionais que se dedicaram a essas tarefas designados 
com esse título.
Os cientistas da informação se distinguiam dos cientistas de 
laboratórios, na medida em que os primeiros se constituíam em 
profissionais de várias disciplinas que se dedicavam às atividades 
de organizar e suprir de informações seus colegas cientistas de 
laboratórios.
Nascida, formalmente, em 1962, em uma reunião do Georgia 
Institute of Technology, a C. I. foi definida como:
a ciência que investiga as propriedades e o compor-
tamento da informação, as forças que governam o 
fluxo da informação e os meios de processamento 
da informação para acessibilidade e usabilidade 
ótimas (SHERA, 1977 apud BRAGA, 1995).
Borko (1968) reitera a definição de Shera, apontando que 
essa abordagem relaciona-se com a tarefa de produção, coleta, 
19. Também conhecida como Teoria Matemática da Comunicação.
52 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade
organização, armazenagem, interpretação, transmissão, transfor-
mação e utilização da informação. Refere-se, dessa forma, a todo 
o ciclo informacional.
Nesse mesmo prisma, Targino (2006), usando como base a 
premissa da ciência como instituição social dinâmica, contínua e 
cumulativa, entende a C.I. como decorrência da Biblioteconomia 
e da Documentação, definindo-a como: 
o conjunto de conhecimentos relativos à origem, à 
coleta, à organização, ao armazenamento, à recu-
peração, à interpretação, à transferência, à trans-
formação e à utilização da informação.
Saracevic (1996) redefiniu a C.I. como um campo dedicado 
a questões científicas e à prática profissional voltadas para os pro-
blemas de comunicação do conhecimento [...] entre seres huma-
nos, no contexto social, institucional ou individual, do uso e das 
necessidades de informação.
Em meados da década de 1960, o reconhecimento da área 
de C.I. é expresso, formalmente, quando o American Documen-
tation Institute (ADI) muda seu nome para American Society for 
Information Science (Asis) e o periódico editado por aquela insti-
tuição, intitulado American Documentation, passa a se denominar 
Journal of the American Society for Information Sience (Jasis).
No Brasil, a C.I. foi introduzida no início da década de 1970, 
com a implantação do curso de mestrado em C.I., pelo INSTITUTO 
BRASILEIRO DE BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO (IBBD), que a partir de 
1976 passa a se denominar INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM 
CIÊNCIA E TECNOLOGIA (Ibict), com vínculo ao CONSELHO NACIONAL DE 
DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO (CNPq), órgão federal de 
financiamento à pesquisa no Brasil. Outro fato relevante para a 
área, no país, foi a publicação, a partir de 1972, da revista Ciência 
da Informação, diretamente associada às atividades acadêmicas 
do curso de mestrado.
A consolidação da C.I., no Brasil, se dá com a criação, em 
1980, da ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA 
DA INFORMAÇÃO & BIBLIOTECONOMIA (Ancib), que se constitui na prin-
cipal sociedade científica da área. 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 53
Inserida no esquema de classificação das áreas do conheci-
mento adotado pelo CNPq, a área de C.I.20 é uma das áreas incluí-
das na subdivisão Ciências Sociais Aplicadas, fazendo parte dessa 
mesma divisão a Biblioteconomia,21 a Arquivologia,22 a Museolo-
gia23 e a Comunicação.24
A interdisciplinaridade da C.I.
Para Le Coadic (2004), “a interdisciplinaridade traduz-se por uma 
colaboração entre diversas disciplinas, de modo que haja um enri-
quecimento mútuo”. Esse conceito é complementado por Targino 
(2006, p. 97), quando afirma que:
a interdisciplinaridade é que fundamenta o avan-
ço das ciências, pois o conhecimento científico 
 subentende transformações, passagens de uma teo-
ria para outra, ressaltando o caráter evolutivo das 
ciências e o seu estado de permanente ebulição.
Le Coadic considera a C.I. como uma das novas interdiscipli-
nas, com a qual colaboram entre si várias disciplinas como a Psi-
cologia, a Linguística, a Sociologia, a Informática, a Matemática, 
a Lógica, a Estatística, a Economia, a Comunicação, o Direito, a 
Política, as Telecomunicações e outras.
Faria (1981) nomeia as contribuições de algumas áreas à C.I. 
como:
Os princípios matemáticos têm possibilitado a formulação de �
teorias dentro da C.I.;
Os princípios da Lógica relacionam-se com os processos utili- �
zados pela C.I. para investigação das propriedades e do com-
portamento da informação, seu fluxo e sua utilização;25 
20. 6.07.00.00.9.
21. 6.07.02.00.1.
22. 6.07.03.00.8.
23. 6.08.00.00.3.
24. 6.09.00.00.8.
25. Por ex: Lógica de Boole, utilizada nos levantamentos bibliométricos.
54 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade
A Linguística e suas propriedades estão muito relacionadas �
com as pesquisas de terminologia e análise semântica, como 
os estudos de vocabulário e indexação;
Os princípios da Psicologia relacionam-se com as pesquisas �
no campo dos estudos de comportamento dos usuários;
As inovações tecnológicas no campo da computação têm tra- �
zido inúmeras vantagens para a C.I., nas questões de armaze-
namento, disseminação e recuperação de informações;
A Comunicação apresenta um vínculo com a C.I. no que diz �
respeito aos padrões de comunicação e transmissão da infor-
mação;
As técnicas e os métodos utilizados na Administração têm �
servido de base para a organização e o gerenciamento dos 
centros de informação.
Faria comenta ainda que, de um modo geral, a C.I. está re-
lacionada com todas as disciplinas. Porém, na visão de Sambaqui 
(1978), ela se relaciona mais intimamente com a Bibliotecono-
mia; isso poderia ser explicado pelo fato de que as primeiras teo-
rias da C.I. têm como base as análises e leis bibliométricas.
Paradigmas da Ciência da Informação
Oliveira (2005) entende o paradigma da C.I. como um conjun-
to de ideias relativas ao processo que envolve o movimento da 
informação em um sistema de comunicação humana. Comple-
mentando essa afirmação, Robredo (2003) apresenta um novomodelo informacional, trazido à luz pela Documentação, que se 
constitui em um paradigma que pode ser considerado como o 
precursor para a área de C.I. Ele nasce da mudança de foco do 
suporte dos documentos para a atenção dada aos seus conteúdos 
e se transporta daí para a informação em si, desde a produção 
do conhecimento científico até sua representação, organização e 
distribuição pelos canais formais de comunicação científica.
Oliveira (2005) discute um outro paradigma para a área, que 
surgiu no período de 1940 e 1950, com os estudos das proprie-
dades do sistema de transmissão de sinais em termos matemáti-
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 55
cos, inserido na teoria matemática da comunicação, de Shannon 
e Weaver. 
Como já visto, esta teoria consiste em um ponto de origem 
(emissor), um canal – pelo qual passa a informação – e um ponto 
de destino (receptor), com possibilidade de codificação e deco-
dificação para fins de retroalimentação. Esta estrutura teria sido 
aplicada como modelo principalmente para estudar o fluxo da 
informação e a recuperação de documentos.
 No entanto, as críticas de sustentação desse paradigma para 
a C.I., também, ressaltam suas fragilidades, desde que esse mode-
lo de comunicação, elaborado para comunicação entre máquinas, 
não atendeu às demandas teóricas da C.I., uma vez que ao se tra-
tar de pessoas o receptor é submetido a um fluxo de mensagens 
que chegam de todos os lados, sendo indispensável uma seleção 
para verificar as que interessam particularmente a cada indiví-
duo. No entanto, o evento foi importante na medida em que fez 
reforçar a ideia de que a informação flui dentro de um sistema e, 
com isso, surgem os conceitos de ENTROPIA, INCERTEZA, REDUNDÂNCIA e 
RETROALIMENTAÇÃO, considerados de grande relevância para o estu-
do do atendimento às necessidades dos usuários.
Outra contribuição do paradigma C.I., apontado por Oliveira 
(2005) consistiu na percepção da necessidade de se definir clara-
mente o caráter da informação com que os profissionais da área 
se preocupavam.
Como paradigma mais recente, pode-se considerar as refle-
xões de Saracevic (1996) em relação à área de C.I.: a questão da 
interdisciplinaridade com várias disciplinas; a sua forte ligação 
com a tecnologia da informação e a sua participação ativa na evo-
lução da sociedade da informação.
A interface com outras disciplinas – já comentada anterior-
mente – mostrando a relação mais estreita da área com uma ou 
com outra disciplina, tem suscitado inúmeros estudos para ana-
lisar estes pontos de interseção e os benefícios que podem advir 
dessas ligações.
A influência dos avanços tecnológicos na C.I. pode ser com-
provada na medida em que essas mudanças reorganizaram as 
possibilidades de armazenamento, disseminação e, principal-
mente, de utilização de diferentes recursos para recuperação da 
56 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade
informação, fazendo com que uma das finalidades preconizadas 
na conceituação preliminar da área – usabilidade e acessibilidade 
ótimas – seja concretizada.
A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – definida como a etapa do desen-
volvimento da sociedade que se caracteriza pela abundância da 
informação organizada (OLIVEIRA, 2005) – encontra na C.I. a 
oportunidade de prover a otimização do processamento e da 
transmissão da informação, contribuindo para permitir o acesso 
igualitário ao conhecimento para todos os homens.
Da Biblioteconomia à Ciência da Informação
Sambaqui (1978) apresentou uma reflexão muito pertinente so-
bre a interface entre as áreas dedicadas à informação, utilizando 
para tal a genealogia bíblica, na qual a Biblioteconomia gerou a 
Bibliografia, esta gerou a Documentação, que por sua vez gerou a 
Ciência da Informação. Se a paráfrase retrata ou não a verdadeira 
gênese das áreas nomeadas, o que se apreende é que a relevância 
maior da interrelação dessas disciplinas repousa no fato de que 
todas – cada uma com as suas especificidades – têm a finalidade 
de facilitar o acesso ao volume cada vez mais crescente da pro-
dução de conhecimento no mundo. Os estudiosos dessas áreas 
– bibliotecários, documentalistas, cientistas da informação, de-
vem desempenhar papéis cada vez mais próximos da informação 
e mais distantes do suporte do livro ou do documento e, acima 
de tudo, devem voltar seus esforços para que os conteúdos por 
eles disseminados sejam utilizados cada vez mais a serviço da 
sociedade.
Referências
BATTLES, M. A conturbada história das bibliotecas. São Paulo: Planeta do 
Brasil, 2003.
BORKO, H. Information science: what is it? American Documentation. 
Jan. 1968. 5 p.
BRAGA, G. M. Informação, Ciência da Informação: breves reflexões em 
três tempos. Ciência da Informação, Brasília, DF, v.24, n.1, 1995.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 57
BUONOCORE, D. Diccionario de Bibliotecologia. Santa Fé: Castellvi, 
1963.
BUSH, V. As we may think. The Atlantic Monthly, July 1945. Disponível 
em: http://www.theatlantic.com/doc/194507/bush. Acesso em 23 set. 
2006. 
CHASSOT, A. Biblioteca Alexandrina: a Fênix ressuscitada. Química Nova 
na Escola, n. 16, nov. 2002.
ECO, U. O nome da rosa. Rio de Janeiro: Record, 2009.
FARIA, C. M. de S. O que é a Ciência da Informação. Revista do Núcleo de 
Documentação, Niterói, v. 1, n. 1, p. 7-19, jan./fev. 1981.
GATES, B. A estrada do futuro. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.
KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 
1975. 
LE COADIC, Y. A Ciência da Informação. 2. ed. Brasília, DF: Briquet de 
Lemos/Livros, 2004. 
MEADOWS, J. Science de l’information. Brises, v. 16, n. 1, p.9-13, 1991.
OLIVEIRA, M. de (Coord.). Ciência da Informação e Biblioteconomia: 
novos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 
2005.
ROBREDO, J. Da Ciência da Informação revisitada aos sistemas humanos 
de informação. Brasília, DF: Thesaurus, 2003.
SAMBAQUI, L. de Q. Da Biblioteconomia à Informática. Ciência da Infor-
mação, Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, p. 51-60, 1978.
SARACEVIC, T. Ciência da Informação: origem, evolução e relações. Pers-
pectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 41-62, 
jan./jun. 1996.
TARGINO, M. das G. A interdisciplinaridade da Ciência da Informação 
como área de pesquisa. In:______.Olhares e fragmentos: cotidiano da Bi-
blioteconomia e da Ciência da Informação. Teresina: Ed. da UFPI, 2006.
58 História da Biblioteconomia e da Ciência da Informação no Brasil
História da Biblioteconomia
e da Ciência da Informação no Brasil
“Que se erija e acomode a minha Real Biblioteca e 
instrumentos de física e matemática, fazendo-se à 
custa da Real Fazenda toda a despesa conducente 
ao arranjamento e manutenção do referido estabe-
lecimento” (Decreto de 29 de outubro de 1810 – D. 
João VI).
As áreas da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, na con-
cepção de alguns autores, apresentam interseções muito marcan-
tes. Cronologicamente, a Biblioteconomia é uma área que surge 
antes da Ciência da Informação, e os marcos da história dessas 
disciplinas no Brasil são bem distintos, sofrendo influências tam-
bém bastante diferenciadas. 
A Biblioteconomia no Brasil26
A Biblioteconomia no Brasil começa a se fazer presente quando 
são fundadas as primeiras bibliotecas no País, oriundas das or-
dens religiosas dos Beneditinos, Franciscanos e Jesuítas. 
No entanto, o marco fundador deste campo do conhecimen-
to, no País, é atribuído à criação da Biblioteca Nacional. Esta bi-
blioteca tem sua origem na Biblioteca Real d’Ajuda, que foi trazi-
da pela Corte Real de Portugal, ao se refugiar na sua colônia mais 
próspera, em 1808. Sua fundação, oficial, só ocorre em 1810; 
no ano seguinte, é facultada a consulta aos estudiosos que obti-
26. Baseado em documentoextraído do Portal do Conselho Federal de Biblioteco-
nomia (CFB) www.cfb.org.br e, ainda, na obra de Castro, C. A. História da Biblio-
teconomia brasileira: perspectiva histórica. Brasília, DF: Thesaurus, 2000.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 59
nham consentimento régio e, em 1814, é aberta, totalmente, à 
população. Sua administração fica a cargo de religiosos – como 
na maioria das bibliotecas brasileiras do período colonial – e só 
em 1846 é nomeado um Doutor em Medicina, o primeiro não 
religioso para dirigi-la.
Na gestão de BENJAMIN FRANKLIN RAMIZ GALVÃO (1870-1882), 
a Biblioteca Nacional passou por várias mudanças, das quais se 
destacam a criação de um regulamento, em 1879 e, ainda, a re-
alização de concursos públicos para preenchimento de cargos, 
principalmente de bibliotecários.27 CAPISTRANO DE ABREU28 considera 
este concurso o marco inicial da formação profissional em Biblio-
teconomia no Brasil (FONSECA, 1957). Esses concursos foram 
realizados, seguindo os modelos da École Nationale des Chartes, 
de Paris, que, como já apresentado, foi a primeira escola criada no 
mundo para a formação de pessoal para as bibliotecas.
Em São Paulo, até o Séc. XVIII, podiam ser consideradas 
como bibliotecas apenas a do Convento das Carmelitas e a do 
bispo D. Francisco Manoel da Ressurreição. Somente em 1825, 
é criada a primeira Biblioteca Pública Oficial de São Paulo (CAS-
TRO, 2000).
No final do Séc. XIX, surgem outras bibliotecas: a do Colégio 
Mackenzie, em 1886, e a da Escola Politécnica, em 1894.
Enquanto no Rio de Janeiro a constituição do campo da Bi-
blioteconomia esteve atrelada à trajetória da Biblioteca Nacional, 
em São Paulo, ela sofre influência da biblioteca escolar do Colégio 
Mackenzie. Tanto em um estado como no outro, a preocupação 
existente à época era com a necessidade de resolver questões in-
ternas (pessoal não capacitado à frente dessas bibliotecas), muito 
mais do que formar pessoal para atuar em qualquer tipo de bi-
blioteca (Id.). 
O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) considera que 
a Biblioteconomia, como área do conhecimento, só passou a exis-
tir, no Brasil, a partir de 1911, quando MANUEL CÍCERO PEREGRINO DA 
SILVA, diretor da Biblioteca Nacional, oficializou a criação do pri-
meiro Curso de Biblioteconomia do Brasil, primeiro também da 
27. O termo bibliotecário já estava sendo usado, na Biblioteca Nacional, desde 
1824.
28. João Capistrano Honório de Abreu obteve o 1° lugar neste concurso.
60 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil 
América do Sul e 3º no mundo.29 Esse curso começou a funcionar 
somente em 1915, na própria Biblioteca Nacional, onde conti-
nuou durante anos até se transformar, em 1979, no atual curso da 
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Até o início da década de 1930, a Biblioteconomia brasileira 
sofre a influência do modelo humanista da École Nationale des 
Chartes, contando com profissionais escritores, historiadores, li-
teratos, pessoas cultas, em geral.
Fundamentado no Curso Elementar de Biblioteconomia, mi-
nistrado no Colégio Mackenzie, em 1936, é criada – por RUBENS 
BORBA DE MORAES – a primeira escola de Biblioteconomia, que fun-
cionou inicialmente junto ao Departamento de Cultura de São 
Paulo, sendo depois incorporada à Escola de Sociologia e Política 
da mesma cidade, seguindo a orientação estritamente americana 
– influenciada pelo 1º curso dos Estados Unidos – da Columbia 
University – mais voltada para as técnicas biblioteconômicas. 
O surgimento de novos cursos no País se dá a partir da or-
ganização, por Borba de Moraes, de um Curso de Atualização 
Profissional, na Escola recém-criada, e os profissionais aí forma-
dos, ao retornarem aos seus Estados, começaram a criar novas 
oportunidades de ensino de Biblioteconomia, especialmente nas 
Universidades Federais. 
A década de 1940 se constitui em um cenário de desenvolvi-
mento das modernas técnicas biblioteconômicas, no Brasil. Con-
tribuíram para esse fato: a) a atuação do Departamento Admi-
nistrativo do Serviço Público (Dasp), com a abertura de concur-
sos especializados, os quais criaram novos postos de trabalho na 
área; b) a reforma da Biblioteca Nacional, que concorreu para a 
elevação do nível de conhecimento dos futuros profissionais; c) 
a oportunidade de aperfeiçoamento de técnicos brasileiros nas 
universidades americanas e; d) a criação de um serviço nacional 
de catalogação cooperativa: SERVIÇO DE INTERCÂMBIO DE CATALOGAÇÃO 
(SIC), pelo Dasp, a exemplo do existente na Biblioteca do Con-
gresso Americano (PORTAL DO CONSELHO..., 2009).
29. O documento mencionado por Castro (2000), “Análises de los informes sobre 
el estado actual de la profesión bibliotecária” aponta que o primeiro curso, na 
América Latina, foi criado pelo Conselho de Mulheres da Argentina, em 1903, fato 
não considerado pela maioria de autores da área.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 61
É então implantado no Brasil, o conceito de “Bibliothecas 
Modernas”, as quais podiam ser frequentadas livremente por 
qualquer cidadão; apresentavam instalações amplas e confortá-
veis e com iluminação natural; suas estantes eram abertas para 
consulta; disponibilizavam catálogos para apoiar as consultas 
aos acervos e, principalmente, contavam com bibliotecários para 
apoiar essas consultas (ARRUDA, 1928).
Outro órgão relevante, criado em 1937 – o INSTITUTO NACIONAL 
DO LIVRO (INL) –, também contribuiu muito para a difusão das téc-
nicas biblioteconômicas, por meio da promoção de cursos regula-
res, alguns deles que se transformaram em cursos permanentes, 
depois incorporados a universidades.
O surgimento das entidades de classe no País, nas décadas 
de 1950 e 1960, foi marcante para a Biblioteconomia. Foram fun-
dadas, nesse período, instituições como a Federação Brasileira de 
Associações de Bibliotecários (Febab), em 1959; a Associação dos 
Bibliotecários do Distrito Federal (ABDF), em 1962; e a ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE ESCOLAS DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO ( ABEBD), 
em 1965.
A criação do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documen-
tação (IBBD), em 1954, se apresentou como um outro aconteci-
mento relevante para a área de Biblioteconomia.
Ainda sob forte influência americana, os primeiros eventos 
da área começaram a ocorrer na década de 1950, com a “Confe-
rência sobre o Desenvolvimento dos Serviços de Bibliotecas Pú-
blicas na América Latina”, promovida pela Unesco, em São Paulo, 
em 1951; o “Primeiro Congresso de Bibliotecas do Distrito Fede-
ral”, promovido pela Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro, em 
1953; e o “Primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomia”,30 
realizado em Recife, em 1954. 
Esses eventos foram realizados com o objetivo de reunir pro-
fissionais bibliotecários de todo o Brasil para trocar experiências 
e deram ensejo à criação de inúmeras bibliotecas nos órgãos pú-
30. Desde então, este Congresso tem se realizado, regularmente, sob a denomi-
nação atual de Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência 
da Informação (CBBD), quase sempre de dois em dois anos, em cidades diferentes 
do país, por meio da promoção da Febab e de outras instituições parceiras, a cada 
edição. O XXIII CBBD ocorreu em Bonito (MS), em julho de 2009.
62 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil 
blicos, especialmente federais, incentivando o aumento de candi-
datos aos Cursos de Biblioteconomia.
Os diferentes cursos de Biblioteconomia no país começam 
a surgir a partir de 1942, com o da Escola de Biblioteconomia 
e Documentação da Universidade Federal da Bahia (UFBA); de-
pois, em 1945, o da Faculdade de Biblioteconomia da Pontifícia 
Universidade Católica de Campinas (PUCCamp); em 1947, surge 
o da Escola de Biblioteconomia e Documentação da Universidade 
Federaldo Rio Grande do Sul (UFRGS), e em 1950, surge o Curso 
de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal do 
Paraná (UFPR) e o da Escola de Biblioteconomia da Universidade 
Federal de Minas Gerais (UFMG).31 Em 1965, já existiam no Brasil 
14 cursos na área. 
A década de 1960 é relevante, também, pela instituição do 
Primeiro Currículo Mínimo para os cursos de Biblioteconomia, 
em 16 de novembro de 1962,32 o que desencadeou o processo de 
regulamentação da profissão. Foi promulgada a Lei n° 4.084/62, 
de 30/06/1962 e, depois, o Decreto n° 56.725, de 18/08/1965, 
fato que ocorreu em virtude de esforços de bibliotecárias, como 
LAURA GARCIA MORENO RUSSO, que, com persistência e coragem, vi-
nham trabalhando em prol da regulamentação da profissão, há 
vários anos.
Também em 1962 foi criado o Conselho Federal de Bibliote-
conomia (CFB), órgão responsável pela fiscalização do exercício 
profissional, resguardando-o para os bibliotecários de formação; 
sua oficialização só ocorreu em 1966.
Dados de 2009 apontam que a classe bibliotecária já se en-
contra consolidada em todo o país, sendo representada por cerca 
de 30.000 bibliotecários, inscritos nos 15 Conselhos Regionais de 
Biblioteconomia, distribuídos por todo o País. No entanto, mes-
mo com esse número significativo de profissionais, ainda existem 
postos de trabalho que não são ocupados por bibliotecários, como 
é o caso das bibliotecas escolares e o das bibliotecas públicas, nos 
quais se reconhece a atuação de leigos.
31. O primeiro curso de Biblioteconomia do Nordeste foi fundado pelo bibliotecá-
rio EDSON NERY DA FONSECA, quando este retornou a Pernambuco, depois de terminar 
sua formação, no curso da Biblioteca Nacional.
32. Parecer n° 326/62, de autoria do conselheiro Josué Montello. 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 63
Visando modificar esse cenário, a Coordenação de Aperfeiço-
amento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio da Uni-
versidade Aberta do Brasil (UAB) e com a parceria do CFB, está 
desenhando a proposta pedagógica de um curso de graduação em 
Biblioteconomia, para ser oferecido na modalidade à distância, 
cujo início está previsto ainda em 2010.
Marcos da Biblioteconomia
Fatos marcantes da área de Biblioteconomia foram levantados por 
vários autores. O Quadro 3, a seguir, apresenta uma síntese des-
ses acontecimentos.
Quadro 3 – Principais Fatos da Área de Biblioteconomia
Cronologia Principais Fatos
1911 Manuel Cícero Peregrino da Silva, então, diretor da Biblioteca Na-
cional (BN), cria o primeiro Curso de Biblioteconomia do Brasil. 
1915 Início do funcionamento do curso, na BN, formando bibliotecá-
rios para o Serviço Público Federal. 
Até o início 
da década de 
1930 
Fase humanista calcada no modelo da École Nationale des Char-
tes (França). Profi ssionais eram ilustres personalidades: escrito-
res, historiadores, literatos, pessoas cultas em geral. 
A partir da 
década de 
1930 
Criação da primeira Escola de Biblioteconomia, inicialmente no 
Departamento de Cultura de São Paulo, e depois na Escola Livre 
de Sociologia e Política da mesma cidade, dirigida por Rubens 
Borba de Moraes (orientação estritamente americana).
1940-1950 Criação da Escola de Biblioteconomia e Documentação/UFBA, da 
Faculdade de Biblioteconomia/PUCCamp, da Escola de Bibliote-
conomia e Documentação/UFRGS, do Curso de Biblioteconomia 
e Documentação/UFPR e da Escola de Biblioteconomia da UFMG.
1954 Realização do 1º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia (Reci-
fe/PE). 
1962 Regulamentação da profi ssão (Lei nº 4.084/62).
Criação do Conselho Federal de Biblioteconomia e do 1º. Currí-
culo Mínimo do Curso de Biblioteconomia.
1965 Criação da Associação Brasileira de Escolas de Biblioteconomia e 
Documentação (ABEBD). 
1982 Estabelecimento do 2º. Currículo Mínimo.
2002 Estabelecimento das Diretrizes Curriculares do Curso de Biblio-
teconomia.
2005 Aprovação do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades 
de Informação, da UFRJ.
2009 Oferta de 39 cursos de Biblioteconomia no país. 
2010 Previsão de oferta do 1º. Curso de Graduação em EaD, no Brasil.
FONTE: Adaptado de SÁ; FONSECA; SARDENBERG (2005).
64 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil 
A Ciência da Informação no Brasil
A história da Ciência da Informação (C.I.), no Brasil, tem como 
um dos pilares a criação do IBBD, fundado em 1954, com vínculo 
ao CNPq. Estes órgãos sofreram forte influência da Unesco, que 
neste período incentivava o crescimento científico nos países em 
desenvolvimento (ANDRADE; OLIVEIRA, 2005).
Com essa orientação, o IBBD empreendeu várias iniciati-
vas, dentre elas a realização de pesquisas bibliográficas, que 
serviram de base para a compilação das bibliografias nacionais 
especializadas,33 e a disponibilização do “Catálogo Coletivo Na-
cional (CCN)”, em 1954, que desde então se configura em um 
instrumento relevante de apoio à recuperação de informações, 
para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas no País (Id.).
Em se tratando do ensino na área de Biblioteconomia, o IBBD 
teve também um papel relevante, por ter sido responsável pelos 
primeiros cursos de pós-graduação lato sensu (1955) e stricto sen-
su (1970). Desde então, esses cursos vêm formando mestres e 
doutores, fortalecendo cada vez mais a área no Brasil.
A sociedade científica e a C.I.
A consolidação de um campo do conhecimento pode ser avaliada 
pela análise das suas sociedades científicas,34 de seus canais de 
comunicação, de suas instituições de ensino e pesquisa e, ain-
da, por possuir pessoal qualificado para conduzir suas atividades 
(ANDRADE; OLIVEIRA, 2005). 
O campo da C.I. possui em sua organização sociedades cien-
tíficas35 renomadas, como a American Society for Information 
Science and Technology (Asist).
33. Exemplos dessas bibliografias são as de: Física, Química, Botânica, Matemá-
tica e Documentação.
34. As primeiras sociedades científicas surgiram na Itália, como a Academia dei 
Lincei, em 1603. Porém, a sociedade acadêmica mais conhecida é a Royal Society, 
criada em Londres, em 1660.
35. Entidades detentoras do papel de incentivar a pesquisa científica e de facilitar 
a comunicação e a discussão de resultados de pesquisas (ANDRADE; OLIVEIRA, 
2005).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 65
 No Brasil, a sociedade científica que congrega os pesquisa-
dores da área de C.I. é a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-
graduação em Ciência da Informação e Biblioteconomia ( Ancib). 
Criada, em junho de 1989, tem como um de seus objetivos a 
promoção do desenvolvimento da pesquisa, do intercâmbio e da 
 cooperação entre seus associados.
A Ancib realiza, periodicamente, o Encontro Nacional de Pes-
quisa em Ciência da Informação (Enancib), que se constitui em 
um evento no qual os pesquisadores apresentam e discutem seus 
trabalhos de pesquisas concluídas ou em andamento.36 
Em nível de graduação, a área conta com outra entidade cien-
tífica – a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO 
(Abecin), que surge, em 2001, quando sai de cenário a ABEBD. 
Essa Associação congrega os cursos de Biblioteconomia, Arquivo-
logia e Ciência da Informação, ministrados no país.
O periódico científico e a C.I.
A publicação regular de periódicos científicos é outra característi-
ca de consolidação de uma área acadêmica (ANDRADE; OLIVEI-
RA, 2005). Este veículo se constitui no meio formal mais eficaz 
utilizado para a comunicação dos resultados das pesquisas cien-
tíficas.
Os primeiros periódicos científicos surgiram, em 1665, na 
França – o Journal de Savants – e na Inglaterra – o Philosophical 
Transactions of The Royal Society, porém, com objetivos diferen-
tes. O primeiro se voltava para o registro de informações sobre os 
livros publicados na Europa, a descrição de invenções, o registro 
dos dadosmeteorológicos e a citação das primeiras decisões das 
cortes civil e religiosa. O segundo se dedicava somente ao registro 
de experimentos científicos em todas as áreas, relatados em car-
tas à sociedade por cientistas europeus.
No final desse século, a comunicação entre os cientistas já se 
tornava mais fácil, pois já existiam, aproximadamente, 30 títulos 
de periódicos médicos e científicos. Em 1800, ocorre um salto 
36. Em 2009, ano em que foi comemorado o aniversário de 10 anos de sua cria-
ção, a Ancib organizou o X Enancib, na cidade de João Pessoa, na Paraíba.
66 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil 
para 700 títulos; porém, atingiu-se o boom somente em meados 
do Séc. XIX e início do Séc. XX. Nesse período ficou evidenciada 
a proliferação de sociedades fundadas na Inglaterra, em decor-
rência da especialização da Ciência, com mais de 1.000 perió-
dicos sendo publicados. Cada uma dessas sociedades passou a 
publicar seus próprios periódicos, que contribuíram para acelerar 
a divulgação dos resultados das pesquisas, entre os pares, e para 
disseminá-las para um público mais amplo, fazendo com que as 
áreas científicas se consolidassem como campos de estudo. 
A edição de revistas técnicas, na área de C.I., no Brasil, só 
começou na década de 1970, com a revista Ciência da Informa-
ção, a partir de 1972. Essa revista foi criada pelo IBBD, com a 
finalidade de se constituir em um veículo de divulgação e desen-
volvimento da informação no Brasil. A partir daí, várias outras 
começaram a ser publicadas, muitas delas vinculadas aos cursos 
de pós-graduação.
Na segunda metade da década de 1990, ocorre uma revolu-
ção nos veículos de comunicação com o uso de uma tecnologia 
emergente, e o periódico científico desponta com um novo supor-
te – o eletrônico – vindo atender a uma demanda cada vez mais 
exigente dos usuários, qual seja a de poder ser consultado antes 
mesmo de sua edição impressa.
Posteriormente, começam a surgir os periódicos editados, ex-
clusivamente, em meio eletrônico, prática que está se difundindo 
em todas as áreas do conhecimento. As vantagens desse tipo de 
publicação são inúmeras, destacando-se: a) maior facilidade no 
gerenciamento da edição; b) agilidade no acesso à informação, 
possibilitando buscas simples e complexas no conteúdo das revis-
tas; c) barateamento dos custos da edição.
O Quadro 4, a seguir, relaciona periódicos eletrônicos das 
áreas de Biblioteconomia e C.I.
Quadro 4 – Acesso Eletrônico aos Periódicos nas Áreas de 
Biblioteconomia e Ciência da Informação
Título Ano Editor
Ciência da InformaçãoA 1972 Ibict
Perspectivas em Ciência da InformaçãoB 1972 UFMG
Revista de Biblioteconomia de BrasíliaC 1973 ABDF/UnB
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 67
Título Ano Editor
Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documenta-
ção: Nova SérieD
1973 Febab
Revista BiblosE 1985 FURG
TransinformaçãoF 1989 PUCCamp
Em Questão: Revista da Faculdade de Bibliotecono-
mia e Comunicação G
1989 UFRGS/Fabico
Informação e Sociedade: EstudosH 1991 UFPB
Informação & InformaçãoI 1996 UEL
Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Bibliotecono-
mia e Ciência da InformaçãoJ
1996 UFSC
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa CatarinaK 1996 ACBL
DataGramaZeroM 1999 IAISIN
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da In-
formaçãoO 
2003 Sist. de Bibl. da 
Unicamp
BJIS – Brazilian Journal of Information ScienceP 2006 Unesp
Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Bi-
blioteconomia – PBCIBQ
2006 Ibict
Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da 
InformaçãoR
2008 Ancib
RevIU – Revista Informação e UniversidadeS 2009 CBBUT
FONTE: Autoria própria
Notas: 
A. Disponibiliza texto integral em: http://revista.ibict.br/index.php/ciinf
B. Título anterior: Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG; disponibiliza texto integral em: 
http://www.eci.ufmg.br/pcionline/index.php/pci/index
C. Interrompida em 2001. Disponibiliza texto integral de 1973 a 2001 em: 
http://164.41.122.25/portalnesp/ojs-2.1.1/index.php/RBB
D. Título anterior: Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação. Interrompida de 1993-
1998, a partir de 2006 apresenta versão eletrônica http://www.febab.org.br/rbbd/ojs-2.1.1/
index.php/rbbd
E. Disponibiliza resumo e palavras-chave até 2003 e, a partir de 2004, texto integral em: http://
www.seer.furg.br/ojs/index.php/biblos
F. Disponibiliza texto integral em:http://revistas.puc-campinas.edu.br/transinfo/index.
php(desde 2002).
G. Título anterior: Revista de Biblioteconomia & Comunicação. Disponibiliza texto integral em: 
http://www.seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao (desde 2003).
H. Disponibiliza texto integral em: http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies
I. Disponibiliza texto integral em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/index
J. Disponibiliza texto integral em: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb
K. Disponibiliza texto integral em: http://revista.acbsc.org.br/index.php/racb 
L. Associação Catarinense de Bibliotecários.
M. Disponibilizada em: http://dgz.org.br/
N. Instituto de Adaptação e Inserção na Sociedade da Informação.
O. Disponibilizada em: http://polaris.bc.unicamp.br/seer/ojs/index.php
P. Disponibilizada em: http://www.bjis.unesp.br/pt/index.php (interrompida em 2007).
Q. Disponibilizada em: http://revista.ibict.br/pbcib/index.php/pbcib
R. Disponibilizada em: http://inseer.ibict.br/ancib/index.php/tpbci
S. Número zero disponibilizado em:http://www.siglinux.nce.ufrj.br/~gtbib/site/ 
T. Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias.
Conclui-se, ainda, que o fato desses periódicos estarem dis-
ponibilizados eletronicamente contribui para acelerar o acesso 
às informações neles veiculadas e, consequentemente, também 
68 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil 
promove o desenvolvimento do conhecimento nas áreas de Bi-
blioteconomia e C.I.
 Outro dado importante é o reconhecimento da relevância 
científica dos mesmos, visto que 12 desses 16 periódicos (mais de 
70%) estão classificados na Base Qualis, da Capes, inseridos nos 
extratos B1 (2 periódicos); B2 (2 periódicos); B3 (4 periódicos); 
B4 (3 periódicos) e B5 (1 periódico).37
O futuro da Biblioteconomia e da C.I.
Para Mueller (1985), a área da Biblioteconomia, no Brasil, apre-
sentou grandes e rápidos progressos resultantes de influências de 
fatores internos e externos à biblioteca.
Um destes fatores – o tecnológico – que proporcionou opor-
tunidades de acesso, controle e recuperação de informação fora 
dos muros das bibliotecas, caracterizou o fenômeno conhecido 
como a “biblioteca sem paredes, sem estoques de informação em 
suporte físico, chamada de BIBLIOTECA VIRTUAL” (MARTINS, 2002).
Como se pode constatar pelas informações contidas no Quadro 
4, as ferramentas tecnológicas proporcionaram um grande impulso 
à área, modificando até a necessidade de se frequentar fisicamente 
as bibliotecas. Segundo Barreto (1999), o usuário passa a ser ele 
mesmo o mediador na escolha de documentos, transformando-se 
no gerente de suas necessidades de informação.
No entanto, a capacidade de o bibliotecário atuar como me-
diador entre o usuário e as suas necessidades de informação não 
pode ser relegada ao segundo plano, em virtude principalmente 
da questão do tempo despendido no acesso às informações rele-
vantes ou pertinentes aos interesses desses usuários.
Outro fator que Mueller ressalta (1985) é o que diz respeito 
ao entendimento da profissão e à formação do profissional. Para a 
autora uma questão fundamental se apresenta: “Qual a definição 
do profissional bibliotecário que se quer formar para o Brasil de 
hoje e do futuro?”
37. Os periódicos científicos são classificados na Base Qualis em: A1, A2, B1, B2, 
B3, B4, B5 e C, de acordo com os critérios de avaliação determinados pelaCapes.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 69
Quando da preparação da proposta pedagógica do Curso de 
Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG), da 
UFRJ, ao se analisar os currículos dos 38 cursos existentes no 
Brasil, constatou-se que na maioria deles prevalece a oferta de 
disciplinas que focalizam as técnicas biblioteconômicas, em detri-
mento de uma formação que contemple também as técnicas ge-
renciais, o que deixa de preparar os futuros profissionais para as 
atividades de gestão de todos os recursos existentes nas unidades 
de informação – não só os informacionais – tarefa que cada vez 
mais vem sendo demandada em sua atuação.
Por outro lado, os órgãos de classe vêm conclamando um 
reconhecimento do bibliotecário como agente social, interessado 
no acesso à informação, à educação e à cultura. Para isso, faz-se 
também necessária a ênfase na formação desses profissionais no 
campo humanístico, inserindo disciplinas voltadas para o fomen-
to à leitura e para a promoção cultural na grade curricular obri-
gatória dos cursos; com isso, a sociedade poderá reconhecê-los 
como agentes sociais e culturais.
Diante desse contexto, cabe mencionar a reflexão de Mueller 
(1985) de que a responsabilidade da formação do profissional 
não pode estar atrelada somente à graduação. Deve-se buscar a 
sensibilização das Universidades, na oferta de cursos de especiali-
zação a fim de complementar a formação dos profissionais.
Também os cursos de pós-graduação precisam intensificar 
parcerias, para suprir as demandas de treinamentos oriundas de 
profissionais já graduados. 
O enlace das duas áreas – Biblioteconomia e Ciência da In-
formação – será muito benéfico, tanto na formação de mestres e 
doutores para assumir postos nos cursos de graduação, como na 
preparação de pesquisadores, que irão fortalecer a consolidação 
das duas áreas no cenário informacional brasileiro.
Conclui-se, então, que as duas áreas, apesar de todos os pon-
tos favoráveis que foram descritos, encontram ainda muitos de-
safios pela frente, principalmente, no que diz respeito à questão 
da sensibilização das instituições que trabalham com informação 
a respeito das habilidades do seu corpo de profissionais no geren-
ciamento das unidades de informação.
70 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil 
Referências
ANDRADE, M. E. A.; OLIVEIRA, M. de. A Ciência da Informação no Bra-
sil. In: OLIVEIRA, Marlene de (Coord.). Ciência da Informação e Bibliote-
conomia: novos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da 
UFMG, 2005. p. 45-60.
ARRUDA, B. de S. Bibliotecas: os enormes resultados obtidos na América 
do Norte. Correio Paulistano, São Paulo, 20 maio, 1928.
BARRETO, A. Os destinos da Ciência da Informação: entre o cristal e 
a chama. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação, número 
zero, dez. 1999.
CASTRO, C. A. de. História da Biblioteconomia brasileira: perspectiva his-
tórica. Brasília, DF: Thesaurus, 2000.
FONSECA, E. N. da. Desenvolvimento da Biblioteconomia e da Bibliogra-
fia do Brasil. Revista do Livro, v. 2, n.5, p. 95-124, mar. 1957.
MARTINS, L. M. B. O profissional da informação e o processo de me-
diação de leitura. In: CASTRO, C. A. de (Org.) Ciência da Informação e 
Biblioteconomia: múltiplos discursos. São Luís: EDUFMA, 2002.
MUELLER, S. P. M.. O Ensino de Biblioteconomia no Brasil. Ciência da 
Informação, Brasília, DF, v.14, n.1, p. 3-15, jan./jun.1985.
PORTAL DO CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Disponível 
em: http://www.cfb.br. Acesso em: 2 out. 2009.
SÁ, N. O. de; FONSECA, N. L. da; SARDENBERG, R. R. C. Sobre o perfil 
dos bibliotecários do Estado do Rio de Janeiro e sua inserção no merca-
do de trabalho. Rio de Janeiro: Conselho Regional de Biblioteconomia 
(CRB-7), 2005. (Coleção CRB-7, v.1)
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 71
Influências do uso da Informática e sua 
aplicabilidade na Biblioteconomia e na 
Ciência da Informação38
“Desde a década de 1960 o desenvolvimen-
to tecnológico vem em ritmo crescente mol-
dando as bibliotecas e os serviços de informa-
ção. É a tecnologia disponível que determina 
como os serviços de biblioteca serão no futuro” 
(Luiz Fernando Sayão – CIN/CNEN).
As bibliotecas – ou outras unidades de informação – têm, basi-
camente, duas finalidades principais: a) atender às necessidades 
dos seus usuários e b) procurar facilitar o acesso, de forma rá-
pida e ótima, à informação por eles solicitada. A multiplicidade 
e a grande quantidade de informações geradas no mundo atual 
requerem dessas instituições a adoção de novas técnicas para se 
atingir os objetivos apontados acima. A INFORMÁTICA tem sido uma 
disciplina fundamental na evolução das áreas de Biblioteconomia 
e Ciência da Informação, principalmente pelo emprego das cha-
madas TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICs).
Antecedentes
Os primeiros computadores surgiram entre 1940 e 1950, do pro-
gesso natural dos tempos, para que o homem pudesse efetuar os 
38. Baseado em: BARSOTTI, R. A Informática na Biblioteconomia e na Documen-
tação. São Paulo: Polis, 1990 e em OLIVEIRA, M. (Coord.). Ciência da Informação 
e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da 
UFMG, 2005.
72 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação
cálculos de seu interesse. Os cálculos mais elementares, que o 
homem fazia com os próprios dedos, evoluíram para a criação de 
auxiliares mecânicos para apoiá-los na solução das necessidades 
que surgiam.
Desses auxiliares, pode-se destacar o ábaco – que alguns au-
tores datam da Séc. III a.C. – atribuindo sua invenção ora aos 
chineses ora aos babilônios. Vários outros auxiliares foram sendo 
inventados, até que por volta de 1833, o matemático inglês Char-
les Babbage projeta a primeira calculadora automática, contro-
lada por programas – a Máquina Analítica. Essa máquina estava 
projetada para conter elementos como: Entrada, Memória, Pro-
cessamento e Saída. Sua operação seria governada por cartões 
perfurados. Devido a limitações tecnológicas e à morte de Babba-
ge, o projeto não foi concretizado (BARSOTI, 1990).
A partir desses estudos, outros inventos foram realizados 
como o de Herman Hollerith, interessado em agilizar o resultado 
do censo norte-americano de 1880, que levou sete anos para ser 
finalizado. Hollerith criou um cartão perfurado para ler os dados 
dos questionários respondidos por cada pessoa, onde o furo no 
cartão significava SIM e a ausência de perfuração queria dizer 
NÃO. Esses cartões, por sua vez, seriam lidos por uma máquina 
também inventada por Hollerith. Com esta invenção, o tempo do 
resultado do censo de 1890 foi reduzido para um terço do gasto 
no censo anterior, apesar de a população ter aumentado em mais 
de 10 milhões de pessoas. Hollerith funda, então, uma empresa 
para distribuir essa máquina, que dá origem à criação, em 1924, 
da empresa que viria a tornar-se a International Business Machine 
(IBM).
O primeiro computador eletrônico foi criado em 1946, ten-
do sido chamado de Electronic Numerical Integrator Analyzer and 
Computer (Eniac).39 Foi construído com o objetivo de acelerar 
cálculos de artilharia; pesava 30 toneladas, ocupava 1.400 m2 de 
superfície, utilizava milhares de quilômetros de fios e 18.000 vál-
vulas eletrônicas. Além do peso, do espaço e dos componentes em 
número excessivo, a manutenção do Eniac era muito dispendiosa 
e sua programação era pouco flexível.
39. O Eniac foi construído pelos professores John Eckert e John Mauchly, da More 
School of Electrical Engineering, da University of Pennsylvania.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 73
Depois do Eniac, os computadores foram passando por gran-
des evoluções – denominadas gerações – até os dias de hoje, 
quandoas máquinas utilizadas para processamento de dados são 
cada vez menores, mais leves e algumas já não necessitam de fios 
para processar seus programas (wireless network connection).
Aplicações da Informática
Na sociedade informatizada presente no Séc. XXI, a maioria das 
tarefas desenvolvidas – em quase todas as profissões – recebe in-
fluência da Informática. No caso específico da Biblioteconomia e 
da Ciência da Informação, a Informática assume o papel de uma 
ferramenta importante para agilizar a aquisição, o processamen-
to, a divulgação e a recuperação da informação. Com o passar dos 
anos, essa influência tornou-se cada vez mais marcante, não de-
vendo ser considerada como uma ameaça e sim como uma nova 
oportunidade para promoção do melhor atendimento às necessi-
dades dos usuários.
Todo o ciclo da informação – geração, difusão e uso – foi 
influenciado pelas iniciativas da Informática. As atividades de ca-
talogação, classificação, indexação, assim como os processos de 
armazenamento e recuperação da informação contida nos dife-
rentes suportes informacionais, dispensam hoje uma série de eta-
pas desenvolvidas antes da utilização dos computadores.
Na questão do armazenamento, Robredo (1989) apresentou 
previsão de grande mudança nas instalações físicas das biblio-
tecas, as quais deveriam apresentar diferenças substanciais, na 
medida em que inúmeros itens – antes arquivados no formato 
impresso – teriam seu acesso facilitado por meio eletrônico, o que 
diminuiria a necessidade de ampliação constante de espaço nes-
sas unidades.
A aplicação da Informática na Biblioteconomia é mais mar-
cante a partir do fenômeno da Explosão da Informação, quando 
inúmeros cientistas se dedicaram a estudar meios de solucionar o 
problema do acesso ao conhecimento. O emprego do computador 
– máquina recém-criada à época – foi utilizado para tratar e re-
cuperar os dados de maneira sistemática, visto que esta máquina 
permitia a manipulação de grande massa de dados.
74 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação
Surge, daí, a preocupação com um outro fenômeno, denomi-
nado por Mooers, em 1951, como “recuperação da informação”. 
Para ele, essa atividade consistia em reunir os aspectos intelec-
tuais da descrição da informação e suas especificidades para a 
busca, como também os sistemas, técnicas ou equipamentos em-
pregados para o desempenho da operação (SARACEVIC, 1995).
Meadows, citado por Oliveira (2005), conceituou a recupe-
ração da informação como uma ação que consiste em encontrar 
a informação desejada em um armazém de informações ou base 
de dados.
Outra abordagem para o termo é dada por Lancaster e War-
ner, citados por Oliveira (Id.), entendendo a recuperação da in-
formação como a busca, em uma coleção de documentos, para 
identificar aqueles que satisfazem uma determinada necessidade 
de informação e os sistemas de recuperação da informação são os 
sistemas criados para facilitar essa busca.
Nesta mesma década, começaram a surgir iniciativas de pro-
jetos cooperativos entre bibliotecas para acesso a documentos, 
compartilhamento de dados, desenvolvimento de padrões co-
muns em atividades biblioteconômicas, catalogação cooperativa, 
comutação bibliográfica etc. Com a aplicação dos sistemas com-
putadorizados a esses projetos, nas décadas de 1970 e 1980, são 
criadas as redes de informação, como a Online Computer Library 
Center (OCLC), em 1967, a primeira dessas redes de catalogação 
cooperativa (OLIVEIRA, Id.).
Sistemas de recuperação de informação
Com a evolução da Informática, as atividades desenvolvidas no 
âmbito da recuperação da informação fizeram surgir os sistemas 
automatizados de recuperação da informação.
Um dos primeiros sistemas automatizados de recuperação 
da informação – o UNITERM – foi criado por Mortimer Taube, em 
1953, consistindo na indexação de documentos de uma coleção, 
por termos únicos, retirados do título ou do resumo desses docu-
mentos. 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 75
Dentre outros sistemas automatizados utilizados para recu-
peração de informações destacam-se, nos Estados Unidos, o On-
line Retrieval of Bibliographic Information Time Shared (Orbit) e o 
Dialog, que na década de 1960 contribuíram para facilitar as pes-
quisas de documentos, recuperando o texto integral dos trabalhos 
de interesse dos usuários.
No Brasil, os sistemas de recuperação da informação come-
çam a ser utilizados na década de 1970, com o Ibict promovendo 
o acesso às bases de dados americanas Orbit e Dialog e à base de 
dados francesa Questel, com o fim de apoiar os pesquisadores no 
desenvolvimento de seus trabalhos científicos.
 Além do surgimento dos microcomputadores, as décadas de 
1980 e 1990 trazem novidades, também, nos suportes de infor-
mação com a introdução dos CD-ROMs como forma de armaze-
nar dados e promover a recuperação dos mesmos e, mais ainda, 
com a utilização crescente da INTERNET40 pelas Universidades, na 
condução de suas pesquisas. 
Na década de 1990, a Internet é utilizada para promover o 
acesso a informações contidas em bases de dados. Como exem-
plos, são encontradas as bases de dados da SilverPlatter, da H.W. 
Wilson Company, da Ovid Technologies Inc., surgindo depois as 
bases de dados disponibilizadas na Web,41 como as do Institute for 
Scientific Information (ISI), nos Estados Unidos. Essas iniciativas 
impulsionam a criação de mecanismos de busca, com alta tecno-
logia, para garantia de recuperação de informações relevantes.
As REDES DE INFORMAÇÃO
Nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação, a distin-
ção entre sistemas e redes de informação muitas vezes não é mui-
to clara, mas um ponto que não deixa dúvidas é que as redes reú-
nem pessoas e organizações para o intercâmbio de informações, 
40. Em 1973, Vint Cerf – considerado “o pai da Internet” – apresenta em um 
congresso a ideia básica da Internet, a qual é conhecida como “a tecnologia das 
tecnologias da informação”.
41. Em 1991, Tim Berners-Lee cria a World Wide Web – www – como a plataforma 
gráfica e interativa, que popularizou a Internet fora dos meios acadêmicos e de 
pesquisa.
76 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação
ao mesmo tempo em que contribuem para a organização de pro-
dutos e a operacionalização de serviços que sem a participação 
mútua não seriam possíveis (TOMAÉL, 2005).
Os tipos mais comuns de redes de informação são aqueles 
que visam o compartilhamento de dados, o desenvolvimento de 
padrões comuns e a comutação bibliográfica entre bibliotecas e 
centros de informação. É importante observar que a configura-
ção dessas redes deve ser formalizada por meio de acordos de 
cooperação, para que os objetivos pretendidos sejam mais bem 
alcançados. As primeiras redes de informação, no Brasil, são apre-
sentadas no Quadro 5.
Quadro 5 – Primeiras Redes de Informação no Brasil
Redes Órgão 
Responsável
Data de 
Criação
Função Obs.
SIC – Serviço de 
Intercâmbio de 
Catalogação
Dasp 1942 Catalogação 
cooperativa
Desativada em 1973.
CCN – Catálogo 
Coletivo Nacio-
nal de Publica-
ções Seriadas
IBBD 1954 Formação de 
um catálogo 
coletivo
Absorvida pelo Ibict, 
na década de 1970; 
em uso até os dias de 
hoje.
Projeto Calco FGV 1973 Projeto para 
implantação 
da catalogação 
cooperativa no 
Brasil 
Em 1982, transforma-
se na Rede Bibliodata 
e, a partir de 2005, 
está sob a responsabi-
lidade do Ibict.
Bireme – Rede 
Brasileira de 
Informações 
em Ciências da 
Saúde
Opas 1973 Serviço de 
Indexação e 
Resumos
Contribui para o 
desenvolvimento da 
saúde, fortalecendo e 
ampliando o fl uxo de 
informação na área.
Comut – Pro-
grama de 
Comutação 
Bibliográfi ca
Ibict 1980 Fornecimento 
de cópias de 
documentos
A partir de 1997, 
transforma-seno Co-
mut Online
FONTE: Adaptado de TOMÁEL (2009)
Como pode ser visto, na análise do Quadro 5, só uma dessas 
redes encontra-se desativada. A seguir, são apresentadas infor-
mações relevantes sobre as que ainda estão ativas e sobre outras 
recém-criadas para apoiar a pesquisa no Brasil:42
42. Dados obtidos de outubro a dezembro de 2009 nos sites das redes.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 77
1. Catálogo Coletivo Nacional (CCN) 
(http://www.ibict.br/secao.php?cat=CCN)
Criado, em 1954, pelo então IBBD, constituiu-se, até sua automa-
ção em 1968, em um catálogo convencional em fichas, prestando 
informações sobre os acervos das bibliotecas do País in loco, por 
telefone ou correspondência.
De 1970 a 1978, o sistema automatizado possibilitou a di-
vulgação impressa do CCN por grandes áreas do conhecimento: 
Ciências Exatas e Tecnologia, Ciências Agrícolas e Veterinárias, 
Ciências da Saúde e Ciências Sociais e Humanas. Em 1978, de-
vido ao crescimento constante de novos títulos e acrescido do 
inter-relacionamento entre as áreas do conhecimento, optou-
se pela divulgação do CCN em microfichas reunindo todas as 
áreas.
Em 1986, foi implementado o acesso ao Sistema via Rede 
Nacional de Pacotes (Renpac) e, em 1993, é criado o Catálogo 
em CD-ROM.
Em 1994, foi promovido o acesso em linha ao CCN, por meio 
da Internet, utilizando-se o aplicativo Telnet. Em 1997, foi de-
senvolvido o novo sistema em Oracle. A partir de 1998, o acesso 
passa a ser feito via www e em 1999, o CCN passa a interagir 
diretamente com o Sistema Comut. 
Sob a coordenação do Ibict, o CCN pode ser definido como 
uma rede cooperativa de unidades de informação localizadas no 
Brasil com o objetivo de reunir, em um único catálogo de aces-
so público, as informações sobre publicações periódicas técnico-
científicas registradas em centenas de catálogos distribuídos nas 
diversas bibliotecas brasileiras. Nesse contexto, possibilita a oti-
mização dos recursos disponíveis nas Bibliotecas e serviços de do-
cumentação que participam da rede, permitindo o intercâmbio 
entre bibliotecas, por meio do sistema de comutação bibliográ-
fica.43 
43. Em outubro de 2009, o CCN arrolava 58.460 títulos de periódicos, distribuídos 
em 584 bibliotecas do país.
78 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação
2. Comutação Bibliográfica (Comut) 
(http://www.ibict.br/secao.php?cat=Comut)
Criado em 1980, pelo Ministério da Educação, por meio da Co-
ordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Ca-
pes), o Comut tem a finalidade de dotar o País de um mecanis-
mo eficiente de acesso à informação, exclusivamente, para fins 
acadêmicos e de pesquisa, respeitando-se rigorosamente a Lei de 
Direitos Autorais. Mediante portaria interministerial, passou a ser 
integrado posteriormente pela Secretaria de Educação Superior 
(Sesu), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ibict.
O Comut permite a obtenção de cópias de documentos téc-
nico-científicos (artigos de periódicos, teses, anais de congressos 
etc.) adquiridos e armazenados de forma cooperativa nas biblio-
tecas pertencentes às principais instituições universitárias e de 
pesquisa do Brasil. Permite também cópias de documentos que 
estão disponíveis em bibliotecas do exterior (com as quais o Pro-
grama estabelece contratos de serviços).
Cerca de 2.300 instituições brasileiras de ensino e pesquisa 
solicitam cópias de documentos através do Comut. Para prestar 
esse serviço o Comut atua por meio de uma rede de 394 biblio-
tecas, denominadas “Bibliotecas Base”, que são aquelas com re-
cursos bibliográficos, humanos e tecnológicos adequados para o 
atendimento às solicitações de seus usuários. O sistema opera, 
também, com as “Bibliotecas Solicitantes”, que podem pedir có-
pias de documentos por solicitação dos seus usuários.
De 1980 a 1996, todos os procedimentos operacionais e 
 administrativos eram feitos de forma manual, por meio de for-
mulários impressos remetidos por correio. A partir de 1997, foi 
introduzido o Comut Online, que permite o pedido do documento 
via Internet, o que agiliza o tempo do atendimento.
O Programa atende, também, a usuários individuais, que po-
dem fazer seus pedidos como usuários solicitantes, sem a inter-
mediação de uma Biblioteca Solicitante. Para isso, basta se cadas-
trar no site do Programa e adquirir bônus Comut.44
44. Em novembro de 2009, estão cadastrados no Sistema Comut cerca de 54.000 
usuários como pessoa física.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 79
Cabe informar que o CCN é o principal instrumento de apoio 
do Comut.
3. Rede Bibliodata
(http://www8.fgv.br/bibliodata/)
A Rede Bibliodata é uma experiência nacional pioneira na cria-
ção de uma rede de catalogação cooperativa, que visa a difusão 
dos acervos bibliográficos do País, o aperfeiçoamento dos serviços 
de documentação e informação das instituições participantes e o 
compartilhamento dos recursos empregados.
Com suas raízes no Projeto Calco,45 iniciado na década de 
1970, hoje a rede é formada pelo acervo de 29 instituições coo-
perantes; até 2005 foi coordenada pela Fundação Getúlio Vargas 
(FGV) e, desde então, sua absorção pelo Ibict está sendo imple-
mentada.46 
4. Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em 
Ciências da Saúde (Bireme)
(http://regional.bvsalud.org/local/Site/bireme/homepage.htm)
A Bireme é um centro especializado da Organização Pan-Ameri-
cana da Saúde (Opas), estabelecido no Brasil, desde 1967, em co-
laboração com o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação, 
a Secretaria do Estado de São Paulo e a Universidade Federal de 
São Paulo. Tem a missão de contribuir para o desenvolvimento da 
área da saúde fortalecendo e ampliando o fluxo de informação 
nesse âmbito.
Apresenta-se como uma rede resultante da ação cooperativa 
de 31 países da América Latina e do Caribe, África, Espanha, Mé-
xico, Portugal e Timor Leste.
45. Calco = Catalogação Legível por Computador. Esse projeto visava à constitui-
ção de um cadastro das obras dos acervos das bibliotecas da FGV, que emitia as 
fichas e etiquetas relativas a este acervo.
46. Seu catálogo mais recente, em CD (31ª ed. – set. de 2009) contém mais de 
1.800.000 registros bibliográficos.
80 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação
Produz a base de dados denominada Literatura Latino-Ame-
ricana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), a qual cobre a 
literatura médica da região, desde 1982. Disponibiliza a Bibliote-
ca Virtual em Saúde, que se constitui em uma ferramenta indis-
pensável para a pesquisa na referida área.
5. Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD)
(http://bdtd.ibict.br/)
Anteriormente denominada Biblioteca Digital de Teses Brasilei -
ras (BDTD), hoje, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dis-
sertações (BDTD) reúne os sistemas de informação de teses e 
dissertações existentes em instituições de ensino e pesquisa bra-
sileiras, e também estimula o registro e a publicação de teses e 
dissertações em meio eletrônico. Este projeto − iniciativa inovado-
ra do Ibict, em parceria com as instituições brasileiras de ensino e 
pesquisa − possibilita que a comunidade brasileira de C&T publi-
que eletronicamente as teses e dissertações produzidas no país e no 
exterior, dando maior visibilidade à produção científica nacional.
A BDTD iniciou com um sistema cooperativo, implantado 
pelo Ibict, em 1995, o qual integrava, em uma só base de dados, 
referências bibliográficas de teses e dissertações provenientes de 
17 instituições de ensino superior.47 A base contava, à época, com 
cerca de 121 mil registros. 
Com a viabilização da publicação eletrônica de documentos, 
diversas instituições nacionais e internacionais iniciaram ações 
para a disponibilização emrede dos textos completos desse tipo 
de documento.
Seguindo essa tendência, em janeiro de 2001, o Ibict consti-
tuiu um grupo de estudo para analisar questões tecnológicas e de 
conteúdo relacionadas com a publicação de teses e dissertações 
na Internet, o qual resultou, em dezembro do mesmo ano, em um 
projeto-piloto, que levou à criação, em abril de 2005, do Consór-
cio Brasileiro de Teses e Dissertações, formado por instituições 
47. Em dezembro de 2009, o portal do BDTD registra 92 instituições parceiras, 
contando com 134.969 teses/dissertações publicadas.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 81
de ensino e pesquisa que cooperam com o Instituto, integrando 
as duas iniciativas – a de registro bibliográfico e a de publicação 
eletrônica de teses e dissertações – que passou a ser o principal 
alimentador da BDTD.
6. Portal da Capes
(http://www.periodicos.capes.gov.br/)
Professores, pesquisadores, alunos e funcionários de 311 insti-
tuições de ensino e de pesquisa,48 em todo o País, têm acesso à 
produção intelectual mundial atualizada mediante este serviço 
oferecido pela Capes. Essas instituições foram selecionadas con-
siderando-se a missão da Capes de promover a elevação da qua-
lidade do ensino superior por meio do fomento à pós-graduação. 
As seguintes categorias são determinantes para as instituições se-
rem incluídas no acesso ao Portal de Periódicos da Capes: 
instituições federais de ensino superior; �
instituições de pesquisa com pós-graduação avaliada pela �
Capes;
instituições públicas de ensino superior estaduais e munici- �
pais com pós-graduação avaliada pela Capes e;
instituições privadas de ensino superior com pelo menos um �
doutorado com avaliação trienal 5 (cinco) ou superior pela 
Capes. 
Outras instituições podem aderir ao Portal na categoria de 
“pagantes”, com acesso restrito às coleções contratadas.
O Portal oferece acesso aos textos completos de artigos de 
22.522 revistas nacionais e estrangeiras, e a 130 bases de dados 
referenciais (com referências e resumos de documentos) em to-
das as áreas do conhecimento. Inclui, também, uma seleção de 
importantes fontes de informações acadêmicas com acesso gra-
tuito na Internet.
O uso do Portal é livre e gratuito para os usuários das institui-
ções participantes, sendo o acesso realizado a partir de qualquer 
48. Dados de dezembro de 2009 fornecidos pela Capes.
82 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação
terminal ligado à Internet localizado nas instituições ou por elas 
autorizado (acesso remoto).
O portal vem favorecendo o crescimento das atividades dos 
programas de pós-graduação, de pesquisa e de graduação do País, 
em qualidade, produtividade e competitividade, pois se encontra 
em permanente desenvolvimento.
7. Portal Domínio Público
(www.dominiopublico.gov.br/)
Sob a responsabilidade do MEC, foi criado – em novembro de 
2004 – o PORTAL DOMÍNIO PÚBLICO, com um acervo de cerca 
de 500 obras. Em 2009, arrola mais de 135.000 obras literárias, 
artísticas e científicas, em formato de som, texto, vídeo e áudio já 
em domínio público49 e a obras que tenham a devida licença por 
parte dos titulares dos direitos autorais.
Esse portal propõe o compartilhamento de conhecimentos 
de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários 
da rede mundial de computadores uma biblioteca virtual que se 
constitui em um ambiente que permite a coleta, a integração, a 
preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu 
principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literá-
rias, artísticas e científicas, que constituem o patrimônio cultural 
brasileiro e universal. 
Por outro lado, também pretende contribuir para o desenvol-
vimento da educação e da cultura, assim como para aprimorar a 
construção da consciência social, da cidadania e da democracia 
no Brasil.
Concluindo esse tópico, pode-se inferir que os exemplos ci-
tados corroboram o conceito de Matos (1997), que define redes 
virtuais como “uma rede (temporária) de organismos indepen-
dentes, ligados através das tecnologias de informação, com vistas 
a partilharem competências, recursos, custos e os espaços de in-
tervenção de cada um”.
49. A noção de “domínio público” se apoia, legalmente, na questão de que as 
obras de responsabilidade de autores com mais de 70 anos de morto devem ter 
seu acesso liberado para a sociedade.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 83
O grande potencial existente no contexto das redes se refere 
ao fato de que a informação não se encontra mais centralizada, o 
seu detentor não é mais uma única pessoa, ou seja, ampliam-se 
as fontes de informação. Nesse sentido, o seu poder de circulação 
é muito maior e dinâmico e a tecnologia trabalha justamente em 
prol dessa disseminação. 
Sistemas de Gerenciamento de Serviços de Bibliotecas
Os computadores são, também, amplamente utilizados nos sis-
temas de gerenciamento de bibliotecas. Estes sistemas ajudam a 
controlar as atividades de registro, tratamento e recuperação dos 
itens dos acervos das diferentes unidades de informação.
Os estudos sobre automação dos serviços de bibliotecas – 
como eram denominados – remontam à década de 1960, com a 
utilização dos grandes computadores (AVALIAÇÃO..., 2002).
No Brasil, as primeiras iniciativas de informatização das bi-
bliotecas se fundamentaram em softwares desenvolvidos, na déca-
da de 1970, pelas próprias instituições a que estavam vinculadas, 
ou com base no software Microisis, desenvolvido pela Unesco, 
sendo o Ibict o seu distribuidor oficial, a partir de 1985.50
Ao final da década de 1980, surgem outros sistemas de infor-
matização, sendo os mais relevantes os de origem internacional, 
como o VTLS e o Aleph, entre outros. 
A partir de 1993, com as mudanças na política de Informá-
tica, que proporcionaram o acesso a equipamentos e softwares 
cada vez mais avançados, começaram a ser desenvolvidos os sis-
temas de informatização nacionais e, nos dias de hoje, a grande 
maioria das bibliotecas – de todos os tipos e tamanhos – contam 
com sistemas informatizados de gerenciamento de seus serviços. 
A extensão dessa informatização varia de acordo com os recur-
sos disponíveis (financeiros, materiais, humanos, tecnológicos) 
e outros fatores de interesses internos. Por outro lado, o custo 
desses sistemas vem diminuindo, na medida em que a tecnologia 
se aprimora.
50. Atualmente o Microisis é distribuído pela Bireme.
84 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação
Na escolha de um software, é preciso que os gestores nor-
teiem suas preferências, visando os benefícios que esse sistema 
irá trazer para a unidade, em termos de: missão da instituição, 
tamanho da coleção, infraestrutura tecnológica, características do 
software, fidedignidade do fabricante etc. 
Os Sistemas de Gerenciamento de Serviços de Bibliotecas 
apresentam funções básicas, tais como: Aquisição; Catalogação; 
Catálogo em Linha de Acesso Público (Opac); Circulação; Publi-
cações Seriadas; Informações Gerenciais.
A seguir, são listados alguns desses sistemas, especificando-
se as empresas que os comercializam:
Software Empresa
Aleph Ex Libris
Argonauta Data Coop
Informa Modo Novo
MicroIsis Bireme
Ortodocs Potiron
Pergamum PUC-PR
Thesaurus Via Ápia Informática
Virtua VTLS América
Esses sistemas apoiam a construção dos catálogos informati-
zados das instituições, que proporcionam a recuperação das infor-
mações dos seus acervos. 
Figueiredo (1992), ao analisar a situação da automação nas 
bibliotecas universitárias identificou como os maiores benefícios 
trazidos pela implantação desses sistemas a rapidez, a agilidade 
e a eficiência no atendimento às necessidades informacionais dos 
usuários. Atualmente, os usuários desses sistemasestão organi-
zando redes de usuários, como a Rede de Usuários do Pergamum, 
com a finalidade de otimizar as atividades desenvolvidas.
Um novo modelo, em se tratando de software para informatiza-
ção das coleções das bibliotecas é o conhecido como “software livre”, 
que se constitui em uma oportunidade de democratização do aces-
so à informação bibliográfica. Um exemplo desse tipo de iniciativa 
é o BIBLIVRE, que consiste em um projeto concebido em parceria 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 85
pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional e pelo Programa 
de Engenharia Elétrica, da Coppe/UFRJ. O software, que está na sua 
versão 2.2, está sendo implantado em todas as bibliotecas públicas 
do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP).
GESTÃO ELETRÔNICA DE DOCUMENTOS (GED)
No final do Séc. XX e início do Séc. XXI, começam a ser utilizadas 
ferramentas voltadas ao novo conceito de geração, tratamento, 
guarda e difusão de documentos – a Gestão Eletrônica de Docu-
mentos (GED). Esta ferramenta tem por finalidade promover não 
só a organização da documentação e o aumento da agilidade nos 
processos de transmissão da informação, como também a redu-
ção e a racionalização de espaços de armazenamento; está sendo 
muito utilizada pelas empresas e se constitui em um novo campo 
de trabalho para o profissional bibliotecário.
A Informática e a atividade dos profissionais
A aplicação da Informática nas diferentes atividades profissionais 
vem se constituindo em um grande desafio, principalmente, para 
aqueles profissionais que não tiveram oportunidade de lidar com 
as tecnologias emergentes durante seus cursos de graduação e 
pós-graduação.
Mudanças substanciais estão ocorrendo nas relações de tra-
balho e nas formas de condução das tarefas diante desse cenário 
tecnológico e faz-se necessário garantir meios de acesso às infor-
mações digitais para as futuras gerações. A educação permanente 
deve ser uma meta presente para todos os profissionais, principal-
mente para aqueles que lidam diretamente com as tecnologias de 
informação, que estão em constante evolução. Para os bibliotecá-
rios, recomenda-se, portanto, uma contínua atualização, não só 
no que diz respeito ao domínio das ferramentas de Informática, 
como também na sua aplicação nas áreas de Biblioteconomia e 
Ciência da Informação.
86 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação
Referências
AVALIAÇÃO de softwares para bibliotecas e arquivos. 2. ed. rev. e ampl. 
São Paulo: Polis, 2002.
BARSOTTI, R. A Informática na Biblioteconomia e na Documentação. São 
Paulo: Polis, 1990.
FIGUEIREDO, N. M. de. O impacto da automação no serviço de refe-
rência/informação. In: ______. Serviços de referência e informação. São 
Paulo: Polis, 1992. p. 157-167.
MATOS, L. M. C. Organizações virtuais. Lisboa: mimeo, Universidade 
Nova de Lisboa, 1997.
OLIVEIRA, Marlene de (Coord.). Ciência da Informação e Biblioteco-
nomia: novos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da 
UFMG, 2005.
PORTAL DA COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE 
NÍVEL SUPERIOR (Capes). Disponível em: www.capes.org.br Acesso em: 
10 out. 2009.
PORTAL DA REDE BIBLIODATA. Disponível em: www.bibliodata.fgv.br 
Acesso em: 10 out. 2009.
PORTAL DO CENTRO LATINO-AMERICANO E DO CARIBE DE INFOR-
MAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE (Bireme). Disponível em: http://
www.bireme.br/php/index.php. Acesso em: 17 dez. 2009.
PORTAL DO INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA 
E TECNOLOGIA (Ibict). Disponível em: www.ibict.br Acesso em: 10 out. 
2009.
PORTAL DOMÍNIO PÚBLICO. Disponível em: www.dominiopublico.org.
br Acesso em: 10 out. 2009.
ROBREDO, J. Entrevista. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documen-
tação, São Paulo, v. 22, n. 1-2, jan./jun. 1989, p. 120-130.
SARACEVIC, T. Interdisciplinarity nature of Information Science. Ciência 
da Informação, Brasília, DF, v.24, n.1, p.36-41, 1995.
TOMAÉL, M. I. Redes de Informação: o ponto de contato dos serviços e 
unidades de informação no Brasil. Informação e Informação, Londrina , 
v.10, n.1/2, jan./dez. 2005.
UNIDADE 3
88 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduação e de pós-graduação
A formação profissional do 
bibliotecário: ensino de graduação
e de pós-graduação51
“Escolha um trabalho que você ame e não terá que 
trabalhar um só dia de sua vida” (Confúcio).
A Biblioteconomia como área de atuação, por muito tempo, teve 
como lócus principal a biblioteca, a qual era vista sob uma ótica 
estática –“de um depósito”– mais interessada no armazenamento 
de seu acervo, que quanto maior número de itens reunisse mais 
aumentava de valor. Foi preciso promover uma radical transfor-
mação neste cenário para que essa área se expandisse, voltando-
se para mercados diferenciados. Como consequência desta mu-
dança, uma nova tendência se instala – o interesse em facilitar o 
acesso – fazendo crescer as oportunidades de pesquisa e, por sua 
vez, o desenvolvimento do conhecimento. 
O exercício da profissão, nessa área, era procurado por in-
divíduos estudiosos, amantes das letras e de livros, historiadores 
– quase sempre pessoas muito cultas – que trabalhavam com dois 
grandes objetivos “guardar com zelo o acervo” e “preservá-lo para 
o futuro”.
O advento da Revolução Industrial faz surgir outros fatos que 
influenciam a área de Biblioteconomia, tais como: o aumento da 
produção do livro impresso; as novas descobertas científicas; a 
proliferação das sociedades científicas e o crescimento dos perió-
51. Fundamentado, principalmente, em CASTRO, C. A. de. História da Biblio-
teconomia brasileira: perspectiva histórica. Brasília, DF: Thesaurus, 2000 e em 
MUELLER, S. P. M. O Ensino de Biblioteconomia no Brasil. Ciência da Informação, 
Brasília, DF, v.14, n.1, p. 3-15, jan./jun.1985.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 89
dicos científicos. Diante desta nova era, a função dos profissionais 
da área deve contemplar as atividades de “reunir, conservar, orde-
nar e distribuir informação”, o que exige da sua formação o foco 
nas competências para atingir tais objetivos.
A Biblioteconomia como área científica
Alguns indicadores são considerados como indispensáveis para 
que uma área seja considerada científica: que ela tenha desen-
volvido teorias próprias, acompanhadas por práticas que as com-
provem e que possua uma infraestrutura científica fundamentada 
em sociedades científicas, canais de comunicação, instituições de 
ensino e pesquisa e, principalmente, pessoal qualificado. Essas 
pessoas, segundo Bunge (1980), precisam estar organizadas em 
comunidades e suas relações devem ser estabelecidas por con-
tatos diretos (por meio das pesquisas) e indiretos (por meio das 
publicações).
A formação de pessoal qualificado representa um grande fa-
tor para o desenvolvimento de uma área. Em se tratando da for-
mação na área de Biblioteconomia, ela ocorre em nível de gradua-
ção, nos países latino-americanos, e em nível de pós-graduação, 
na Europa e nos Estados Unidos (GUIMARÃES, 2004).
Mota e Oliveira (2005) apontam que, no Brasil, os cursos de 
Biblioteconomia e Ciência da Informação são oferecidos em três 
níveis, a saber, graduação, pós-graduação lato sensu (especiali-
zação) e pós-graduação stricto sensu. O título de bibliotecário é 
 obtido em cursos de graduação, e os títulos de mestre e doutor 
são obtidos em programas de pós-graduação stricto sensu, em vá-
rias áreas, com ênfase na de Ciência da Informação. 
Os cursos de graduação possibilitam ao aluno a formação 
básica e a iniciação na prática da pesquisa; os de pós-graduação 
stricto sensu – mestrado e doutorado – formam os docentes e os 
pesquisadores na área.
A evolução do ensino profissional de Biblioteconomia, no 
Brasil, é apresentada por Fonseca citado por Mueller (1985) como 
divididaem três fases distintas: a primeira, do período de 1879 
a 1929, seguindo a influência francesa, sob a responsabilidade 
da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; a segunda, de 1929 a 
90 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação 
1962, seguindo os modelos americanos, com ênfase na atuação do 
Colégio Mackenzie, em São Paulo; a terceira, de 1962 em diante, 
com a implantação do primeiro currículo mínimo oficial, apro-
vado pelo Conselho Federal de Educação (CFE). Mueller (1985) 
acrescenta mais duas fases a essa classificação: a quarta, consti-
tuída pela década de 1970, em função do crescimento dos cursos 
na área, e a quinta, que corresponde ao período que se seguiu à 
implementação do segundo currículo mínimo, em 1982, que ca-
racterizou uma reformulação nos programas de ensino. Pode-se, 
ainda, incluir uma nova fase a essa última classificação, desde a 
promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em 1996, 
que trouxe a flexibilização do currículo dos cursos no Brasil.
 O início da formação em Biblioteconomia, no Brasil, segue 
de perto a criação da Biblioteca Nacional (BN), que – como já 
apresentado na Unidade 2 – foi fundada, oficialmente, em 1810 
e, aberta, totalmente, à população em 1814.
As direções que se sucederam na administração da BN come-
çaram a demonstrar preocupação com a falta de pessoal qualifica-
do e em número insuficiente para desenvolver todas as atividades 
requeridas (CASTRO, 2000).
Com o objetivo de sanar as dificuldades existentes na Biblio-
teca, em relação à qualificação de pessoal, foi criado o curso de 
Biblioteconomia, em 1911. O currículo da primeira turma do curso, 
que só iniciou em 1915, contava com quatro disciplinas: Bibliogra-
fia – que se subdividia em Administração de Bibliotecas e Cataloga-
ção; Paleografia e Diplomática; Iconografia e Numismática.
Este curso foi interrompido em 1923 e reiniciado em 1931, 
nas próprias dependências da Biblioteca Nacional, sob a gerência 
do diretor da instituição, com a duração de dois anos. No primei-
ro ano, o currículo contava com as disciplinas: História Literária, 
Iconografia e Cartografia e, no segundo ano, com as disciplinas 
Bibliografia, Paleografia e Diplomática.
Esta mudança do curso, ainda, contemplava a predominân-
cia da cultura geral em detrimento das técnicas, na formação 
do bibliotecário, seguindo o modelo francês para a formação de 
pessoal para as bibliotecas. Cabe ressaltar que com essa reforma 
o curso não mais se destinava somente aos funcionários da BN, 
apesar da predominância destes.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 91
A segunda fase, distinguida por Fonseca (MUELLER, 1985), 
é aquela em que foi implantado no Brasil o modelo pragmático de 
ensino de Biblioteconomia, com o Curso Elementar de Biblioteco-
nomia, criado no Colégio Mackenzie, no final da década de 1920. 
Esse curso – que já focalizava as técnicas biblioteconômicas, mi-
nistrando as disciplinas Catalogação, Classificação, Referência e 
Organização de Bibliotecas – encerra suas atividades quando é 
criado, por Rubens Borba de Moraes, o Curso de Biblioteconomia 
do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São Pau-
lo, em 1936. Como já mencionado, ambos adotaram o modelo 
americano, no ensino da Biblioteconomia, que apresentou o pre-
domínio dos aspectos técnicos sobre os de natureza humanista.
Em 1939, o curso da Prefeitura Municipal é descontinuado, 
sendo criado, em 1940, um novo curso na Escola Livre de Socio-
logia Política (ELSP52), com subvenção da Rockefeller Foundation. 
Esta iniciativa, seguida da reforma do curso da Biblioteca Nacio-
nal, em 1944, abriu novas oportunidades na área. Candidatos 
de outros estados receberam bolsas de estudos para estudar em 
São Paulo, e, ao regressarem a seus estados, reorganizam antigas 
bibliotecas, criam novas e, principalmente, dão origem a novos 
cursos de Biblioteconomia no País. Como exemplos, podem ser ci-
tadas as Escolas de Biblioteconomia, da Bahia, de Belo Horizonte 
e do Paraná, entre outras, como já apresentado na Unidade 2.
Mais uma reforma ocorre na BN, em 1944, a qual projetou 
mudanças significativas no Curso de Biblioteconomia. Com esta 
reforma, o ensino na BN incorpora os aspectos técnicos america-
nos, trazidos por bibliotecários brasileiros que se especializaram 
nos Estados Unidos.
Cabe ressaltar que o Departamento Administrativo do Serviço 
Público (Dasp) criou, no Rio de Janeiro, antes dessa reforma, um 
curso de Biblioteconomia, com duração de seis meses – incluindo 
as mesmas disciplinas do curso da ELSP – destinado a capacitar 
os ocupantes de cargos públicos de bibliotecário e bibliotecário 
auxiliar, o qual funcionou até a reformulação no curso da BN.
Castro (2000) ressalta que outro aspecto relevante da refor-
ma do curso da BN foi que o Curso de Biblioteconomia passou a 
se denominar Cursos da Biblioteca Nacional (CBN), compreen-
52. Rubens Borba de Moraes foi um dos fundadores da ELSP.
92 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação 
dendo três níveis distintos: o Curso Fundamental de Biblioteco-
nomia, com a duração de um ano, que tinha o objetivo de formar 
bibliotecários auxiliares, que – sob a orientação de bibliotecários 
– poderiam executar alguns serviços técnicos; o Curso Superior 
de Biblioteconomia, também com a duração de um ano, que for-
mava o pessoal para administrar, organizar e dirigir os serviços 
técnicos inerentes às bibliotecas; os Cursos Avulsos que davam 
oportunidades aos profissionais se especializarem, por meio da 
atualização de seus conhecimentos sobre Biblioteconomia, bus-
cando também promover a padronização dos serviços de bibliote-
cas. Como exemplos, podem ser citados os cursos de Conservação 
e Restauração de Livros, Estampas e Documentos; de Iconografia 
e de Paleografia.
A década de 1950 caracteriza-se, na ótica de Mueller (1985), 
pela expansão no número de cursos de Biblioteconomia e na bus-
ca – pelos bibliotecários – de um reconhecimento da profissão 
como de nível superior. Para conseguir tal intento, começaram a 
se realizar eventos com a finalidade de reunir bibliotecários de 
todo o território nacional, que deram início às atividades colabo-
rativas, assim como promoveram oportunidades de discussão dos 
rumos da profissão e do ensino praticado para a formação dos 
profissionais.
A terceira fase do ensino da Biblioteconomia, apontada por 
Fonseca, no trabalho de Mueller (Id.), vai de 1962 em diante, 
com a implantação do primeiro currículo mínimo oficial, aprova-
do pelo Conselho Federal de Educação (CFE) por meio de Parecer 
no. 326/CFE/62.
Essa estrutura curricular – homologada pela Portaria do Mi-
nistério da Educação (MEC), de 4 de dezembro de 1962 – insti-
tuía que todos os cursos de graduação deveriam seguir o modelo 
nacional, denominado “Currículo Mínimo”.
 Este modelo – baseado no modelo americano introduzido 
pela Escola Livre de Sociologia Política, na década de 1940 – esta-
belecia as matérias e seus conteúdos, sendo de responsabilidade 
das escolas a determinação das disciplinas relacionadas aos mes-
mos. Porém, não permitia mudanças nestes conteúdos, na medida 
em que o sistema educacional brasileiro era muito burocrático, 
inviabilizando modificações rápidas na estrutura curricular.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 93
De autoria do Conselheiro Josué Montello, esse instrumento 
apresentava:
Art. 1° – O currículo mínimo do curso de Biblioteconomia �
compreenderá as seguintes matérias: História do Livro e das 
Bibliotecas; História da Literatura; História da Arte; Introdu-
ção aos Estudos Históricos e Sociais; Evolução do Pensamen-
to Filosófico e Científico; Organização e Administração de 
Bibliotecas: Catalogação e Classificação; Bibliografia e Refe-
rência; Documentação; Paleografia.Art. 2° – A duração do curso será de três anos letivos. �
Art. 3° – É obrigatória a observância dos artigos 1° e 2° a par- �
tir do ano letivo de 1963.
Este ato teve como consequência imediata a elevação da pro-
fissão à categoria de “profissão de nível superior”.
De acordo com levantamento realizado por Souza (2009), já 
tinham sido criados no país 10 cursos de Biblioteconomia e por 
toda a década de 1960 surgiram mais nove cursos. Entre 1970 e 
1977, oito cursos foram criados no País, dos quais seis em cidades 
do interior.
Outro fato relevante que ocorreu, em meados da década de 
1960, foi a criação da ABEBD, por recomendação emanada do 
V CBBD, realizado em São Paulo, em 1965. Esta entidade – que 
se propunha a congregar as escolas de Biblioteconomia e Docu-
mentação do Brasil, em suas questões organizativas – apresentava 
como uma de suas finalidades em seu estatuto, datado de 14 de 
janeiro de 1967, “planejar o desenvolvimento da formação biblio-
teconômica”.
Por ocasião do VI CBBD, realizado em Belo Horizonte, em 
1971, a ABEBD se pronunciou favoravelmente à necessidade de 
uma revisão do currículo mínimo vigente para o Curso de Biblio-
teconomia.53 
Por toda a década de 1970, foram realizados inúmeros en-
contros da ABEBD, nos quais foram discutidas questões relativas 
à atualização dos currículos, até que, em 1980, a Secretaria do 
53. Outra recomendação do VI CBBD foi a criação do Encontro Nacional dos Estu-
dantes de Biblioteconomia e Documentação (ENEBD), fórum de discussão e apre-
sentação de trabalhos, que vem se realizando regularmente desde então, tendo 
sido realizada, em 2009, a sua 32ª edição, no Rio de Janeiro.
94 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação 
Ensino Superior (Sesu/MEC) organizou um Grupo de Trabalho 
– MEC/ABEBD – o qual apresentou, em janeiro de 1981, ao CFE 
uma proposta de reformulação do Currículo Mínimo dos cursos 
de Biblioteconomia (MUELLER, 1985).
Em 1982, foi aprovado o Segundo Currículo Mínimo,54 cuja 
principal modificação foi o estabelecimento da duração mínima 
do curso em 2.500 h/aula, que deveriam ser integralizadas em 
quatro anos, no mínimo, e em sete anos, no máximo.
Este currículo estabelecia matérias de Fundamentação Geral: 
Comunicação, Aspectos Sociais, Políticos e Econômicos do Brasil 
Contemporâneo, História da Cultura; Matérias Instrumentais: Ló-
gica, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Métodos 
e Técnicas de Pesquisa; e Matérias de Formação Profissional: In-
formação Aplicada à Biblioteconomia, Produção dos Registros do 
Conhecimento, Formação e Desenvolvimento de Coleções, Con-
trole Bibliográfico dos Registros do Conhecimento, Disseminação 
da Informação, Administração de Bibliotecas (SOUZA, 2009).
A partir da Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB), 
Lei No 9.394, sancionada em 20 de dezembro de 1996, que revo-
gou toda a legislação anterior relativa aos cursos de graduação, os 
profissionais da área de Biblioteconomia iniciaram debates sobre 
as diretrizes formuladas na LDB, apresentando como resultado 
um documento denominado “Diretrizes Curriculares para os Cur-
sos de Biblioteconomia”, que flexibilizou a estrutura curricular 
dos cursos formadores de bibliotecários, estando muito mais dire-
cionado aos anseios da sociedade brasileira.
Os 39 cursos existentes, em 2009, no País, seguem essas dire-
trizes, no estabelecimento de seus currículos. Desses cursos, 72% 
estão vinculados a instituições públicas e 28% a instituições priva-
das, prevalecendo sua localização na região Sudeste (51%).
Um dos mais novos cursos da área, o da UFRJ, aprovado em 
14 de julho de 2005, e denominado de “Curso de Biblioteconomia e 
Gestão de Unidades de Informação”, foi planejado com o propósito 
de formar bibliotecários gestores, aptos a atuar no Ambiente 21, 
onde a flexibilidade, a celeridade e a autonomia são palavras de 
ordem. 
54. Resolução 08/1982, de 1° de setembro de 1982.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 95
Apesar de um movimento do MEC, em meados de 2009, 
para padronização das nomenclaturas dos cursos de graduação, 
no Brasil, a classe acadêmica discordou desse posicionamento, 
apresentando argumentos que visavam garantir a flexibilidade 
conquistada anteriormente. 
Cabe ressaltar que, atualmente, as estruturas dos cursos es-
tão mais voltadas para o acesso à informação, buscando formar 
um profissional mais dinâmico e competitivo que, de fato, atenda 
às necessidades do usuário do Séc. XXI.
O ensino da Ciência da Informação
A criação do IBBD, em 1954, tem grande importância para a for-
mação dos profissionais da área de Biblioteconomia no Brasil. 
Uma ação relevante empreendida pelo Instituto, sob esse aspecto, 
foi a criação dos cursos de pós-graduação lato sensu, ou de es-
pecialização, tendo sido essa instituição a pioneira na oferta dos 
mesmos. Salienta-se que os cursos de especialização destinam-se, 
principalmente, a capacitar os profissionais graduados, especiali-
zando-os em determinado assunto ou tema.
Ressalta-se, neste cenário, a oferta do Curso de Documenta-
ção Científica (CDC), pelo IBBD, a partir de 1956, dirigido – ini-
cialmente – a bibliotecários, com o objetivo de cobrir lacunas dos 
cursos de Biblioteconomia, capacitando-os para trabalhar com a 
documentação científica e técnica, primeiro enfoque da C.I.; mais 
tarde foi aberto a outros graduados de cursos superiores. Com 
este curso, foram treinados inúmeros bibliotecários brasileiros e, 
também, bibliotecários da América Latina, até o final da década 
de 196055 (CHRISTOVÃO, 1995).
Cabe lembrar que a Biblioteca Nacional também oferecia cur-
sos de capacitação para profissionais já formados, desde a década 
de 1950.
O primeiro curso de pós-graduação stricto sensu na área de 
C.I., em nível de mestrado, foi criado, em 1970, também pelo 
55. A partir de 1964, o CDC foi ministrado com mandato universitário, por meio 
de convênio com a UFRJ, com grande projeção internacional. Segundo Barreto 
(2007) este curso foi oferecido, pelo IBBD/Ibict, durante 40 anos, sem interrup-
ção.
96 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação 
IBBD, que logo se transformou em Ibict. Esse curso manteve con-
vênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) até 
2000. No período de 2003 a 2007, o convênio foi firmado com 
a Universidade Federal Fluminense (UFF) e, a partir de 2008, o 
Ibict retoma sua parceria com a UFRJ, estabelecendo convênio 
com a Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (Facc), 
Unidade da UFRJ à qual está vinculado o curso de graduação em 
Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG).
De acordo com Christovão (1995), o mestrado do Ibict, a 
princípio, não dispunha em seus quadros de profissionais com a 
titulação exigida para exercer a docência neste nível, tendo sido 
esse problema contornado por meio de convite a alguns especia-
listas da Inglaterra e dos Estados Unidos para ministrar as disci-
plinas da área de concentração do curso.56
No decorrer da década de 1970 e da seguinte, foram sen-
do formados docentes/pesquisadores brasileiros, os quais foram 
substituindo o pessoal estrangeiro, no ensino, na orientação de 
dissertações e no estabelecimento de linhas de pesquisa.
Ainda segundo a autora, o curso recém-criado não se confi-
gurava como uma especialização para graduados em um único 
campo do conhecimento, mas sim como um curso interdisciplinar, 
aberto a qualquer tipo de graduado que tivesse como foco de es-
tudo “a compreensão das propriedades, comportamento e fluxo 
da informação”.
A partir do curso do IBBD/Ibict, outros cursos de mestrado 
foram criados, no País, a maioria em Biblioteconomia, como o da 
Universidade Federal de Minas Gerais, em 1976; o da Pontifícia 
Universidade Católica de Campinas, também em 1976; e o mes-trado em Biblioteconomia e Documentação, da Universidade de 
Brasília, em 1978. Estes cursos depois mudaram suas denomina-
ções, vinculando-se à área de C.I. (SOUZA, 2009).
Atualmente, a área de C.I. conta com oito programas de pós-
graduação e, ainda se faz presente em outros dois programas: no 
Programa de Pós-graduação em Comunicação, da Escola de Co-
municação, da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em nível 
56. Dentre os docentes estrangeiros, destacaram-se Frederick Wilfrid Lancaster e 
Tefko Saracevic, que também exerceram papel de orientadores para a formação 
de alguns docentes brasileiros.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 97
de mestrado, desde 1972 e, em nível de doutorado, desde 1992, 
e no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação, 
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em nível 
de mestrado, desde 1995.
Existe, ainda, um programa de pós-graduação em Memória 
Social, com área de concentração em Estudos Interdisciplinares em 
Ciência da Informação, sob a responsabilidade da Unirio, com cur-
so de mestrado, desde 1998 e doutorado a partir de 2005.
O Quadro 6 discrimina os programas de pós-graduação, ofe-
recidos na área de C.I.
Quadro 6 – Programas de Pós-graduação em 
Ciência da Informação no Brasil
Nível Início Vinculação
Mestrado
Doutorado
1970
1992
Ibict
Mestrado
Doutorado
1972
1980
USP A
Mestrado
Doutorado
1976
1997
UFMG
Mestrado 1976 PUCCamp
Mestrado 1978 UFPB
Mestrado
Doutorado
1978
1992
UnB
Mestrado
Doutorado
1995
2000
UFRGSB
Mestrado 1998 Unesp
Mestrado 1998 UFBA
Mestrado
Doutorado
1998
2005
Unirio
Mestrado 2003 UFSC
Mestrado 2008 UFF
FONTE: Adaptado de SOUZA, 2009.
Notas:
A. Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação (Linha de Pesquisa em 
Biblioteconomia/Informação).
B. Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação (Área de Concentração: 
Comunicação e Informação).
Como pode ser visto, houve um crescimento relevante na 
quantidade de programas de pós-graduação, entretanto, o cor-
po de professores/pesquisadores ainda está aquém da demanda 
desses programas. O MEC está promovendo modificações nesse 
cenário, também no âmbito da graduação, por meio de uma das 
ações do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Ex-
98 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação 
pansão das Universidades Federais (Reuni),57 desenvolvido pelo 
Ministério, pelo Decreto nº 6.096 de 24 de abril de 2007.
Desde o final da década de 1970, o cientista social Darcy 
Ribeiro já expressou sua avaliação positiva sobre os cursos de 
pós-graduação no Brasil, pois eles têm um papel fundamental na 
consolidação de uma área do conhecimento, na medida em que, a 
seu ver, esta nova infraestrutura de ensino propiciaria a instrução 
científica e humanista, além da formação e treinamento profis-
sional, culminando no desenvolvimento da ciência, da cultura e 
da pesquisa, fornecendo à sociedade profissionais do mais alto 
nível.
Reflexões sobre a situação atual
Diante do cenário apresentado, pode-se concluir que as áreas 
de Biblioteconomia e Ciência da Informação, apesar de todos os 
pontos favoráveis que foram descritos, encontram ainda muitos 
obstáculos pela frente, a fim de que tenham maior visibilidade e 
maior reconhecimento pela sociedade.
Autores das respectivas áreas levantam, então, alguns pontos 
para reflexão sobre este assunto:
os currículos dos cursos – acompanhando a flexibilidade vi- �
gente – deverão ser analisados, continuamente, para se aten-
der às demandas da sociedade atual;
práticas educacionais mais modernas deverão ser mais utili- �
zadas, como a da tecnologia da Educação a Distância (EaD), 
no sentido de facilitar o acesso mais rápido aos conteúdos 
dos cursos, e também atingir um maior número de estudan-
tes nesse país de dimensões continentais;
o estreitamento da parceria entre a área de Biblioteconomia �
e as demais áreas que lidam diretamente com o tratamento e 
uso da informação deverá ser estimulado, para que a sinergia 
advinda desse vínculo incida positivamente nos membros da 
57. O Reuni tem como objetivo maior criar condições para ampliação de acesso e 
permanência na graduação com melhor aproveitamento da estrutura física e de 
recursos humanos existentes nas universidades federais. O programa estabelece 
ainda diversas diretrizes, uma delas é a redução das taxas de evasão, ocupação de 
vagas ociosas e aumento de ingresso, especialmente no período noturno (Fonte: 
http://www.ufrj.br).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 99
sociedade brasileira, a fim de que estes se sintam inseridos 
em uma verdadeira sociedade da informação.
Influenciadas por estas e outras demandas, algumas escolas 
de Biblioteconomia modificaram seus currículos, mudando a de-
nominação de seus cursos de graduação em Biblioteconomia para 
Ciência da Informação. Dentre elas, estão a Universidade Federal 
de Minas Gerais, a Pontifícia Universidade Católica de Minas Ge-
rais, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas, a Univer-
sidade de São Paulo (Campus Ribeirão Preto), e a Universidade 
Federal de São Carlos, as quais não formam mais bibliotecários e 
sim bacharéis em Ciência da Informação. A Universidade Federal 
do Paraná, por sua vez, mudou seu curso para Gestão da Infor-
mação.58
No entanto, muito se discute se essa modificação não é ape-
nas na nomenclatura, e se está privilegiando a verdadeira prepa-
ração dos profissionais para atuação na sociedade do Séc. XXI, 
que exige uma competência profissional ampla e que demanda 
um profissional capaz de fornecer a informação certa, da fonte 
certa, ao cliente certo, no momento certo e a um custo que justi-
fique seu uso. 
A formação desta postura profissional – pró-ativa e criativa 
– é objeto de reflexões dos docentes nas escolas de Bibliotecono-
mia, das associações de ensino e dos órgãos de classe, mas o es-
forço deve ser bem acentuado em função das mudanças radicais 
que se tem enfrentado.
Vencer mais este desafio garantirá espaço social e profissional 
para os bibliotecários se inserirem na Sociedade da Informação.
Entretanto, a imensidão do Brasil e as disparidades regionais 
evocam a necessidade de se formar profissionais para atender às 
realidades diferenciadas do País, o que se espera ser resolvido com 
a implementação do curso de EaD na área, em 2010. Como já men-
cionado, esta iniciativa do MEC, Capes/UAB, CFB deverá promover 
a capacitação de pessoas para atuar como bibliotecário nas mais 
longínquas cidades do interior brasileiro, oferecendo oportuni-
58. O Conselho Federal de Biblioteconomia indeferiu o pedido de registro profis-
sional de bibliotecário para os formandos deste curso, na medida em que não os 
considera capacitados para o exercício da profissão de bibliotecário.
100 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação 
dades de formação a inúmeros leigos que se encontram à frente, 
principalmente, das bibliotecas públicas, os quais provavelmente 
não teriam possibilidade de frequentar os cursos oferecidos nas ca-
pitais. 
Referências
BUNGE, M. Ciência e desenvolvimento. Belo Horizonte: Itatiaia; São Pau-
lo: EDUSP, 1980.
CASTRO, C. A. de. História da Biblioteconomia brasileira: perspectiva his-
tórica. Brasília, DF: Thesaurus, 2000.
CHRISTOVÃO, H. T. A Ciência da Informação no contexto da pós-gradua-
ção do Ibict. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 24, n.1, 1995.
GUIMARÃES, J. A. C. Profissionais da informação: desafios e perspecti-
vas para a sua formação. In: BAPTISTA, S. G.; MUELLER, S. P. M. (Org.) 
Profissional da informação: o espaço de trabalho. Brasília, DF: Thesaurus, 
2004.
MOTA, F. R. L.; OLIVEIRA, M. de. Formação e atuação profissional. In: 
OLIVEIRA, M. de. (Coord.).Ciência da Informação e Biblioteconomia: 
novos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 
2005.
MUELLER, S. P. M. O Ensino de Biblioteconomia no Brasil. Ciência da 
Informação, Brasília, DF, v.14, n.1, p. 3-15, jan./jun.1985.
SOUZA, F. das C. de. O ensino da Biblioteconomia no contexto brasileiro: 
Século XX. 2. ed. rev. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2009. 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 101
O perfil do profissional 
e o bibliotecário gestor
“Ninguém pode construir uma reputação com base 
no que ainda vai fazer” (Henry Ford).
A partir do Séc. XIX, várias associações profissionais foram se 
estruturando, fazendo com que surgisse a percepção de que era 
necessária a formulação e a transmissão teóricas sobre os conhe-
cimentos nas áreas específicas. Pelewski, citado por Souza (2001) 
apresenta, dessa forma, a organização científica do trabalho: de 
evolução da atividade humana, que passa de um estágio de ocu-
pação para um estágio de profissão; de um saber prático para um 
conhecimento teórico.
Por outro lado, a crescente produção de conhecimentos cien-
tíficos e tecnológicos, nos diversos campos do conhecimento, pos-
sibilitou o desaparecimento de algumas atividades e o surgimento 
de outras. Este fenômeno implica, diretamente, na formação de 
novos profissionais.
As profissões também passam por uma série de eventos, até 
se consolidarem e obterem o reconhecimento na sociedade. Muel-
ler (2004) analisa a rota de uma profissão, com base em estudos 
de Wilensky, que constatou que alguns eventos são presentes em 
todas as profissões:
As pessoas exercem determinado trabalho e passam a se de- �
dicar a ele em tempo integral;
Faz-se necessário, então, um treinamento mais formal, que �
dá margem à criação de cursos para esse fim;
Para obter � status acadêmico, esses cursos vinculam-se a de-
partamentos universitários;
102 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 
Com os cursos universitários, forma-se um corpo docente que é �
determinante para a construção dos conhecimentos na área;
Surge, então, uma associação profissional que edita revis- �
tas, rea liza eventos e congrega professores e profissionais 
gradua dos;
Há um aumento no rigor da fiscalização, para verificar se �
profissionais não habilitados para aquela área estão pratican-
do as atividades concernentes à profissão;
A profissão publica um Código de Ética, visando estabelecer �
normas de conduta internas (entre os pares) e externas (para 
com a sociedade).
A Biblioteconomia passou, também, por esta trajetória, bus-
cando sua identidade profissional, como se pode verificar pelas 
ações realizadas nos Estados Unidos, do Séc. XIX, quando Melvil 
Dewey criou a ALA e o Library Journal, e foram então fundados 
os primeiros cursos na área.
Russo (2000), estudando a trajetória da profissão dos biblio-
tecários no Brasil, no transcorrer do Séc. XX, fundamentando-se 
em Guimarães (1997), fixou alguns períodos históricos relevan-
tes, que influenciaram e modificaram sua atuação:
1911 � � o bibliotecário erudito, de formação fortemente hu-
manista, ligado à cultura e às artes – aspecto que norteou a 
criação do primeiro curso de Biblioteconomia do país – o da 
Biblioteca Nacional;
1930 � � o bibliotecário de formação técnica, ligado a ativida-
des de tratamento e organização de documentos – que inspi-
rou os primeiros cursos de São Paulo;
1960 � � o bibliotecário ligado às entidades profissionais, in-
fluenciado pelo reconhecimento oficial da profissão como de 
nível superior e a criação dos órgãos de classe;
1970 � � o bibliotecário pesquisador, atuante nos cursos de 
pós-graduação e acompanhando o surgimento dos primeiros 
periódicos científicos na área;
1980 � � o bibliotecário como agente cultural, um novo pro-
fissional diante da reformulação curricular dos cursos de Bi-
blioteconomia;
1990 � � o PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO, uma nova terminologia, 
que concebia um profissional de formação mais abrangente, 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 103
envolvendo o trabalho com documentos e/ou informação, 
em variados contextos e com o uso das TICs;
2000 � � os bibliotecários autônomos, formados para atuar 
como consultores (analistas, arquitetos e gestores da infor-
mação) no ambiente flexível das organizações.
Nomenclaturas do profissional
Para muitos autores, dentre os quais Mota e Oliveira (2005), a 
cada nova tecnologia de informação criada ocorrem alterações 
nas rotinas das atividades em que estão envolvidas; no caso parti-
cular das bibliotecas, o uso das TICs causaram grande impacto em 
sua organização e funcionamento, como já mencionado em capí-
tulo anterior. Por sua vez, essa influência repercutiu na formação 
e na atuação dos bibliotecários, na medida em que estes profis-
sionais passaram a se deparar com um novo tipo de usuário, que 
demanda informações mais específicas, exigindo respostas cada 
vez mais precisas e em tempo muito mais curto. Esse cenário faz 
com que estes profissionais se ocupem muito mais com a aquisi-
ção de conhecimentos especializados, e que busquem se capacitar 
no manejo das TICs para fazer frente às tarefas de organizar, pro-
cessar, recuperar e disseminar informações, para atender, eficien-
temente, às demandas mencionadas. 
Paralelamente, a sociedade passa a valorizar a informação, 
de tal modo, considerando-a como insumo básico para seu desen-
volvimento. Santos (2002) descreve com clareza essa percepção 
ao declarar:
Ao pensarmos que hoje o contorno da economia 
é definido pela quantidade de informação possuí-
da, veiculada e disseminada, podemos identificar 
a informação como matéria-prima do mundo con-
temporâneo, juntamente com as tecnologias dispo-
níveis. 
Pode-se dizer que a utilização do termo “Profissional da In-
formação” – sendo usado como sinônimo de bibliotecário – co-
meça a despontar na área de Biblioteconomia quando se faz pre-
104 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 
sente – tanto na literatura quanto em discussões em eventos – a 
preocupação crescente com o redimensionamento de identidade 
desses profissionais, que se viam impulsionados a adaptar suas 
atividades ao ambiente das novas tecnologias. Eles percebiam, 
também, que muitas ações deveriam ser conduzidas pelas escolas 
e pelos órgãos de classe, com vistas a garantir o espaço da Biblio-
teconomia como área fundamental para o acesso à informação. 
A movimentação, neste sentido, foi muito benéfica, pois fez com 
que a grande maioria dos bibliotecários incorporasse em suas ro-
tinas esse novo paradigma, deixando para trás o foco na organi-
zação das coleções.
Essa discussão – sobre a nomenclatura de bibliotecário versus 
“profissional da informação” e sobre as suas atribuições – há mui-
to tempo já se fazia presente em encontros da classe e na literatu-
ra que se produzia, influenciando até os órgãos governamentais, 
e as agendas das associações profissionais e de ensino.
Já em 1962, na Conferência realizada no Georgia Institute 
of Technology, nos EUA, sobre a formação de especialistas em 
 Ciência da Informação, os delegados reunidos definiram cinco ca-
tegorias de pessoal para a área de informação: os bibliotecários, 
os bibliotecários especializados, os bibliotecários científicos, os 
analistas de publicações técnicas e os especialistas em Ciência da 
Informação. Este relato, apresentado por Shera (1980, p. 96), é 
seguido do comentário de que mesmo sem se pronunciar sobre a 
validade dessa classificação, ele discordava de que essas catego-
rias fossem inteiramente distintas e que as mesmas se excluíssem 
mutuamente. Nesse evento o especialista em Ciência da Informa-
ção é definido como 
uma pessoa que estuda e desenvolve a ciência do 
armazenamento e recuperação da informação, que 
idealiza novos métodos para abordar o problema 
da informaçãoe que se interessa pela informação 
por si mesma.
A coleta realizada por Almeida Júnior (2000) resultou em 
83 nomenclaturas propostas em textos escritos ou em palestras 
proferidas na área, as quais são sugeridas para designar o perfil 
mais atual do bibliotecário; dentre elas, podem ser destacadas: 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 105
analista da informação, gestor da informação, cibertecário, es-
pecialista da informação, provedor de informação, consultor de 
informação etc.
A FID, para fazer parte dessa discussão, criou, em 1992, um 
grupo de trabalho para estudo da nomenclatura do profissio-
nal da informação. O grupo foi designado como Special Interest 
Group/Modern Information Professional (SIG/MIP). Como resul-
tado do trabalho desse estudo, a Federação publicou a Resolução 
de Tokyo,59 que destaca que: 
o setor da informação, no seu sentido mais amplo 
compreende: produção, coleta, distribuição, ges-
tão, conservação e utilização da informação, sina-
lizando dessa forma a possibilidade de abertura do 
campo profissional para atividades além do ciclo 
documentário (SANTOS, 2000, p. 18-109).
Sociedade da informação
Os homens pré-históricos viviam da caça de animais selvagens e 
da coleta de plantas e frutas fornecidas pela natureza; nesse perío-
do, a troca de experiências entre eles era incrivelmente lenta; a 
revolução agrícola veio modificar esse panorama: o deslocamento 
humano – com a domesticação dos animais – foi facilitado e, com 
isso, a troca de conhecimentos começou a se acelerar. Muitos anos 
depois, uma nova revolução surpreende o mundo – a revolução 
industrial – que com as invenções das máquinas a vapor e, depois, 
do telégrafo e do telefone, proporcionaram um grande aumento 
na propagação das informações (HISTÓRIA..., 2005).
Depois dessas duas grandes revoluções, o homem vive a revo-
lução da informação – também chamada de revolução do conhe-
cimento – iniciada com o surgimento dos computadores pessoais, 
relativamente baratos, e o surgimento das redes de comunicação 
59. Representantes de organizações não governamentais na área de Biblioteco-
nomia e afins, reunidos em Tóquio, por ocasião do centenário da FID, em 1995, 
 assinaram o documento Resolución de Tokyo criando a Alianza Estratégica de las 
Organizaciones Internacionales no Gubernamentales en Información para servir me-
jor a la Comunidad Mundial, estabelecendo que o objetivo comum dos profissio-
nais envolvidos com informação é servir à sociedade (SANTOS, 1996).
106 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 
globais como a Internet, trazendo uma nova onda de transforma-
ções, que envolve a vida da sociedade contemporânea. O impacto 
dessas mudanças é sentido no trabalho, na educação, no entrete-
nimento, corroborando o que Massuda (1982), aponta a respeito 
do papel que a informação ocupa como o principal elemento de 
produção, chegando até a modificar o comportamento das popu-
lações economicamente ativas. 
Araújo e Dias (2005) relatam a pesquisa desenvolvida, em 
1962, pelo economista Fritz Machlup, em seu trabalho “A pro-
dução e a distribuição de conhecimentos nos Estados Unidos”, 
cuja finalidade era estudar a livre competição na sociedade norte-
americana. Machlup levantou algumas estatísticas,60 observando 
a comparação custo-benefício do sistema de patentes, e a sua 
relação com o sistema de Pesquisa & Desenvolvimento. O autor 
denominou o conjunto de dados levantados como os da “indús-
tria do conhecimento”. Seus trabalhos influenciaram outros estu-
diosos, como Peter Drucker, que previu que, em 1970, o setor de 
conhecimento iria representar a metade do Produto Interno Bruto 
(PIB), dos Estados Unidos, o que realmente ocorreu.
Outro trabalho relevante consiste na pesquisa de Marc Porat, 
em 1977, sobre economia da informação – analisando os custos das 
atividades de informação – que serviu de base para fortalecimento 
do termo Sociedade da Informação, na medida em que detectou 
que os trabalhadores de diferentes ramos ocupacionais vinham se 
distanciando do lado físico de suas tarefas e se envolvendo cada 
vez mais com atividades baseadas na capacidade intelectual, que 
pressupõe o manuseio de informações (CIANCONI, 1991).
É neste contexto que está se desenvolvendo a Sociedade da 
Informação, tendo sido anunciada por vários fatos, tais como o 
crescimento exponencial da literatura científica, a partir do Séc. 
XIX, e a explosão bibliográfica após a Segunda Guerra Mundial.
Por outro lado, o acesso à informação para os países em de-
senvolvimento e subdesenvolvidos apresenta inúmeros proble-
mas. No caso específico do Brasil, Castro e Ribeiro (1997, p. 21), 
ao refletirem sobre a realidade da inserção do país na Sociedade 
60. Uma delas é que a força de trabalho comprometida com as atividades de 
produção de conhecimento, em 1962, nos Estados Unidos, era de 31,6% e, se 
acrescida dos estudantes de tempo integral, a taxa seria de 42,8%.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 107
da Informação apontam que o que existe são Núcleos Sociais de 
Informação, constituídos pelas universidades, centros e institutos 
de pesquisa, na maioria localizados nas grandes capitais. Diante 
disso, os autores afirmam que: 
a sociedade brasileira, caracterizada historicamen-
te por alarmantes índices de desigualdades sociais, 
regionais, educacionais e culturais, provavelmente, 
não nos permite, no momento, generalizarmos que 
estamos numa sociedade da informação.
O Programa Sociedade da Informação, lançado pelo governo 
brasileiro, em dezembro de 1999, apresentava como objetivos o 
fomento à utilização maciça de serviços de computação, comuni-
cação e informação, com vistas a garantir sua aplicação pela so-
ciedade, tornando-a capaz de atuar nesse novo ambiente e, com 
isso, podendo elevar o país a um patamar mais competitivo no 
mercado internacional. 
 Esse programa não teve continuidade no governo seguin-
te, que lançou mão de outras estratégias para atingir os mesmos 
 objetivos, mas serviu como base para se fomentar a discussão so-
bre o papel que a organização e a disseminação da informação 
desempenham nas atividades econômicas do País, na qualidade 
de vida dos seus cidadãos e nos seus projetos culturais.
Barreto (2000) apresenta sua visão sobre como deve ser a 
Sociedade da Informação no Brasil, definindo-a como uma so-
ciedade em que as condições de acesso a serviços e à informação 
sejam cada vez mais amplas para toda a população, sendo seus 
benefícios utilizados, cotidianamente, pelos cidadãos.
Nesse ambiente informacional, de questionamentos e acelera-
das mudanças, está inserida uma biblioteca não mais como um sim-
ples repositório de acervos e sim como ponto de acesso a um univer-
so ampliado de fontes internas e externas (MIRANDA, 1996).
A sociedade da informação e o bibliotecário
A partir da criação dos cursos de pós-graduação, na década de 
1970, a literatura estrangeira das áreas de Biblioteconomia e Ci-
108 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 
ência da Informação começa a veicular o termo Sociedade da In-
formação e muitos trabalhos apresentam reflexões sobre o papel 
do bibliotecário nesse contexto.
Vários autores se propõem a sugerir mudanças pelas quais 
devem passar esses profissionais e uma delas recai na alteração 
da nomenclatura de bibliotecário para “profissional da informa-
ção” – já mencionada anteriormente – o que por si só não leva-
ria a nenhum resultado positivo, se não viesse acompanhada de 
ações mais pontuais em relação à formação dos graduandos da 
área e, também, à busca de capacitação e educação continuada 
dos que já se encontram no mercado de trabalho.
Refletindo sobre a função do bibliotecário na Sociedade da 
Informação, Tarapanoff (2000) apresentou algumas ações que 
estariam contempladas no Programa Sociedade da Informação,relacionando-as com as habilidades necessárias ao bibliotecário 
para seu pleno desenvolvimento. 
Preservar a informação – a partir do pressuposto que os con- �
teúdos informacionais estarão sempre sendo produzidos, 
caberá aos bibliotecários a responsabilidade de localização, 
normalização, indexação, utilização de padrões, protocolos, 
metadados para garantir seu acesso futuro;
Organizar a informação para uso – em função do paradigma �
da biblioteca como instituição social, esta deverá se constituir 
em um organismo mediador entre os indivíduos e os conheci-
mentos que eles precisam; com isso, os bibliotecários deverão 
viabilizar o acesso às fontes de informação, em qualquer tipo 
de suporte, assim como para qualquer tipo de indivíduo;
Conectar-se em redes e participar de consórcios – visando �
o compartilhamento de recursos e a ampliação do acesso à 
informação para seus usuários, os bibliotecários deverão se 
organizar em redes, assim como participar de projetos coope-
rativos, a fim de racionalizar recursos e otimizar resultados 
nas suas tarefas regulares;61
61. Como exemplos dessas redes, pode-se citar a Rede Brasileira de Bibliotecas na 
Área de Psicologia (ReBAP), desenvolvida pela USP, da qual fazem parte, segundo 
dados de novembro de 2009, 159 bibliotecas, que vêm dinamizando os serviços 
e produtos informacionais na área de Psicologia, fazendo com que esta se torne 
cada vez mais visível no meio acadêmico. Sobre os consórcios, um exemplo é o 
Cruesp/Bibliotecas, consórcio que reúne 89 bibliotecas das três universidades es-
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 109
Ser empreendedor – a nova sociedade irá cada vez mais pro- �
por desafios aos profissionais de todas as áreas e os biblio-
tecários deverão desenvolver habilidades de filtrar – na rede 
de informações extensa que se descortina à sua frente – as 
informações relevantes, inovando na criação de serviços e 
produtos de informação mais sofisticados;
Trabalhar a informação, agregar valor – significa imprimir �
aos produtos e serviços uma diferenciação que os torne in-
dispensáveis aos usuários, como análise de informações, 
divulgação de notícias recentes, preparação de gráficos, de 
percentuais, de indicadores, a fim de transformar as informa-
ções em conhecimento para seus usuários;
Socializar a informação – como as bibliotecas se constituem �
em organizações sociais sem fins lucrativos, os bibliotecários 
deverão proporcionar a prestação de serviços para os indiví-
duos e para a sociedade, quer sejam de forma tangível (im-
pressos) ou intangível (eletrônicos);
Educar para a utilização da informação � 62 – a sensibilização 
para o uso da informação deve se constituir em um objetivo 
constante da biblioteca e os bibliotecários deverão procurar 
se educar e educar seus usuários a utilizar as fontes de infor-
mação, por meio das redes disponíveis, desenvolvendo um 
papel de educador nesse ambiente;
Valorizar o conceito econômico da informação – a escassez �
de recursos é uma realidade em todas as unidades de infor-
mação e os bibliotecários deverão saber quando e quanto co-
brar por serviços de informação; 
Criar, pesquisar e consumir informação – com objetivo de �
melhor tecer a sua rede de informações, o bibliotecário deve 
sair da posição de apoio e de intermediador de informações 
para a de criador e consumidor das mesmas, produzindo co-
nhecimentos e assumindo papéis mais pró-ativos (TARAPA-
NOFF, 2000).
taduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp), com a finalidade de integrar e otimizar 
seus recursos financeiros e informacionais, entre outras ações.
62. Essa atividade, que já foi chamada de alfabetização informacional, hoje é mais 
conhecida como competência em informação.
110 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 
Frente a essas reflexões, vê-se que o que se espera dos biblio-
tecários, na sociedade da informação, é o gerenciamento eficiente 
dos recursos inseridos nas unidades de informação, tendo para 
isso que vencer alguns desafios, que poderão ser transpostos com 
o aprimoramento contínuo e a atualização constante, para se ade-
quarem às mudanças que estão e que estarão sempre ocorrendo 
na sua área de atuação.
Por sua vez, os cursos de formação desses profissionais de-
verão incorporar disciplinas complementares, as quais venham 
contemplar o ensino de teorias e a vivência de práticas gerenciais, 
para administrar todos os tipos de recursos existentes nas unida-
des de informação. 
A Library Association (LA), da Inglaterra, identificou conteú-
dos desejáveis para compor a formação do bibliotecário, utilizando 
essa classificação como critério para credenciar cursos. O primeiro 
dos cinco grupos a que se refere a LA recai sobre o desenvolvimen-
to de habilidades analíticas e gerenciais a serem aplicadas na aqui-
sição e na organização de recursos e na promoção das unidades de 
informação. Dentre esses conteúdos, podem ser citados: modelos 
organizacionais, análise e solução de problemas; comportamento 
e motivação humanos, administração financeira, profissionalismo 
e códigos de conduta, administração de recursos humanos, marke-
ting, planejamento e tomada de decisões (SANTOS, 1996). 
Reforçando a necessidade de se estabelecer a dinamização e 
um novo enfoque para a área de Biblioteconomia, Funaro (1997, 
p. 4) afirma que “o que faz uma organização crescer é a capa-
cidade de seus profissionais de gerenciar produtos e serviços”, 
inserindo-se, invariavelmente, a satisfação do usuário da bibliote-
ca como ponto de partida para a ação gerencial.
A partir dessas constatações, percebe-se que os bibliotecá-
rios, se veem pressionados pela necessidade de refletir sobre o seu 
fazer, sobretudo porque precisam assimilar novos conhecimentos, 
para poder executar as tarefas que lhes são exigidas.
O bibliotecário gestor
O emprego de técnicas administrativas começou a merecer aten-
ção dos bibliotecários em meados da década de 1950, nos Estados 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 111
Unidos, quando a biblioteca passou a ser conhecida como um re-
curso comunitário (BARBALHO et al., 199-?).
O ambiente informacional, nessa época impregnado pelas 
questões relativas à organização, disseminação e uso da informa-
ção, quase sempre disponibilizadas em suportes impressos, inclui 
– a partir do final do Séc. XX – tópicos mais complexos como cus-
tos, orçamentos, eficácia e eficiência organizacional, qualidade 
nos serviços, liderança, gestão de coleções virtuais, tomada de 
decisão, dentre outros. Atuar diante desses temas se configura em 
um grande desafio para a administração das unidades de infor-
mação. Mesmo sendo consideradas instituições sem fins lucrati-
vos, essas unidades têm que se valer de práticas administrativas 
para lidar com a escassez de recursos e a manutenção do atendi-
mento eficaz.
 Oliveira (2000) elaborou um levantamento sobre a impor-
tância das habilidades gerenciais na formação dos bibliotecários. 
O autor citou Rooks, o qual argumenta que o sucesso dos dire-
tores de bibliotecas depende muito mais de suas habilidades ge-
renciais do que de um conhecimento aprofundado em Bibliote-
conomia, recomendando estudos de técnicas como planejamento 
estratégico e marketing. Outro trabalho citado por Oliveira (Id.) 
foi o realizado por Pitt, que identificou o perfil de 67 diretores de 
bibliotecas “one-person-library”.63 Esses profissionais indicaram 
as tarefas administrativas como sendo a primeira da lista das ta-
refas que realizam regularmente. Uma outra afirmação que Oli-
veira (Id.) apresenta é a de Gessesse, autor que aponta que os 
bibliotecários na era da informação precisam assumir o papel de 
líderes, para preparar seu pessoal e sua comunidade de usuários 
para conviver com esta “nova era”, assegurando o acesso à infor-
mação a um segmento maior dessa comunidade. Com base nesse 
levantamentoa respeito do estado da arte sobre o tema, Oliveira 
(Id.) desenvolveu uma pesquisa, cujo universo foi constituído por 
63 diretores de unidades de informação, do Estado de São Paulo. 
Os dados foram coletados por meio da aplicação de questionários, 
procurando identificar correlações entre aspectos de trabalho e 
63. Bibliotecas que contam com apenas um profissional bibliotecário em seus qua-
dros.
112 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 
aspectos gerenciais relevantes na administração das unidades de 
informação.
A pesquisa demonstrou, entre outros resultados, que os ge-
rentes das unidades de informação necessitam desenvolver com-
petências gerenciais para que sua função de líderes seja realizada 
com êxito, aliando a isso a habilidade de lidar com ambiguidade 
e atuar com flexibilidade e criatividade.
As bibliotecas e a administração
Na tentativa de atender a essa recomendação, apresentam-se al-
guns fundamentos teóricos da Administração Científica, sob a óti-
ca da racionalização do trabalho no mundo da produção, para de-
pois compará-los com a administração das bibliotecas. Este exer-
cício serviu para se estabelecer analogias com as atividades da 
biblioteca e do bibliotecário, ao longo dos diferentes períodos.
Ao estudar as diversas fases pelas quais passa a Administra-
ção Científica, Valle (2005) discrimina quatro fases distintas: 
A primeira geração de racionalização da produção foi funda-
mentada em Frederick Winslow Taylor (1856-1915)64 e em seus 
sucessores – clássicos da Engenharia de Produção – que queriam 
substituir o modelo gerencial então existente por um outro – me-
canicista – que julgavam mais adequado.
Os empresários da época pregavam que a melhor organiza-
ção do trabalho era aquela que refletia a maneira de ver as coisas 
pelo lado dos proprietários e gerentes, tidos como indivíduos su-
periores, inclusive moralmente.
A segunda geração de racionalização da produção surge no 
final dos anos 1920 e início dos anos 1930, ressaltando a impor-
tância central das relações entre empregadores e empregados e 
a necessidade de tratá-las segundo o enfoque da Psicologia, dis-
ciplina que nascia naquela ocasião. Pensava-se que a melhoria 
das condições de trabalho traria maior produtividade, o que não 
ocorreu. Nessa ocasião, a Psicologia começava a tomar vulto nos 
Estados Unidos e vislumbrou-se a possibilidade de se ter acesso a 
64. Taylor fundou a chamada Escola de Administração Científica, preocupada em 
aumentar a eficiência da indústria por meio da racionalização do trabalho ope-
rário.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 113
uma área desconhecida do ser humano – o inconsciente. Nascia, 
assim, a Escola das Relações Humanas, defendida por Mary Parker 
Follet (1868-1933) que pregava que qualquer gerência teria que 
compreender as pessoas, os grupos e a comunidade onde estava 
situada a empresa. Essa gerência deveria propiciar a integração 
das pessoas e coordenar suas atividades. 
A terceira geração de racionalização da produção introduziu 
o modelo japonês, sendo caracterizada pela preocupação com o 
Controle da Qualidade. 
Na primeira geração, esse controle realizado pelas empresas 
estava mais voltado para a qualidade do trabalho dos empregados 
do que para a qualidade de seus próprios produtos. Dava-se ên-
fase ao controle dos resultados quantitativos dos sistemas produ-
tivos, a partir da capacidade das pessoas em atender aos padrões 
de trabalho estabelecidos.
Com relação às áreas administrativas, os japoneses deram o 
adequado tratamento às relações interpessoais e à educação para 
a qualidade; além de incorporarem mais conceitos da teoria com-
portamental, desenvolveram técnicas para realizar o desdobra-
mento da função qualidade e valorizaram o trabalho em equipe. 
Hoje, generaliza-se a promoção por desempenho e o recrutamen-
to em outras empresas. O aperfeiçoamento contínuo e a formação 
profissional interna dependem da estabilidade dos trabalhadores, 
porque significam acumulação de conhecimentos específicos à 
empresa.
Na década de 1980, surgem novas demandas externas para 
os gerentes de produção – a exigência, pelos consumidores, de 
novos padrões de qualidade e a incorporação de um mínimo cui-
dado com a preservação do meio ambiente, por influência do mo-
vimento social em prol da Ecologia (condições de trabalho versus 
qualidade versus meio ambiente).
Surge, então, a quarta geração no mundo do trabalho, vol-
tada para a racionalização do conhecimento em busca da ação 
comunicativa.
Segundo Valle (2005), as grandes transformações ocorridas 
no Mundo da Produção tiveram origem fora das fábricas, foram 
provenientes do universo social, ou seja, do Mundo da Vida. Os 
espaços do trabalho, da economia, da administração etc., fazem 
114 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 
parte do Sistema, no qual o dinheiro e o poder são os principais 
elementos. O Mundo da Vida é representado pelo espaço da cul-
tura, das artes, da educação, da família etc., onde as ações dos 
sujeitos são coordenadas pela linguagem e
a diversificação das relações sociais no Mundo da 
Produção é cada vez maior e, consequentemente, 
[maior] o aumento da complexidade da tomada de 
decisão nas empresas. Cada vez mais, os tomadores 
de decisão não se restringem apenas aos proprietá-
rios e aos gestores. Clientes, fornecedores, órgãos 
técnicos etc., demonstram um peso crescente nas 
decisões no Mundo da Produção e as empresas vêm 
sendo pressionadas a demonstrar seu comprometi-
mento com o meio ambiente, com a ética e com o 
desenvolvimento social (VALLE, 2005, p.69).
Dentro dessa perspectiva, as organizações têm buscado uma 
cadeia de produção mais flexível para se adaptar rapidamente às 
mudanças tecnológicas, de mercado etc., procuram, também, re-
crutar trabalhadores mais qualificados e capazes de tomar micro-
decisões. O desenvolvimento de competências, nesse sentido, é 
fundamental para o compartilhamento e para o desenvolvimento 
de conhecimentos.
Por muito tempo, a administração das bibliotecas seguiu uma 
linha compatível com a da primeira geração descrita por Valle 
(Id.), comparadas com as fábricas da era Ford, onde as tarefas de 
tratamento da informação passavam de um setor a outro, sendo o 
bibliotecário visto como um especialista naquele setor, a maioria 
não se envolvendo com o ambiente em geral e nem com o produ-
to final do seu trabalho.65 
Como na história da Administração Científica, a biblioteca 
passa pelas demais gerações de racionalização do trabalho, com a 
preocupação dos estudos de usuários e com a aplicação dos círcu-
los de qualidade, para avaliação de seu desempenho.
65. Nessa época, costumava-se estudar o tratamento técnico dos itens de uma 
biblioteca com base no modelo denominado de “cadeia do livro”, compatível com 
as ideias do Fordismo. Seguindo este modelo, o livro passava de um setor para 
o outro, sem que o bibliotecário – especialista em determinada tarefa – tivesse 
conhecimento da tarefa do outro.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 115
 No Séc. XXI, pode-se dizer que a biblioteca se encontra na 
quarta geração da racionalização do trabalho, preocupada com 
o desenvolvimento de competências dos bibliotecários, os quais 
atuam como gestores, o que corresponde a organizar, comandar, 
prever, coordenar e controlar todas as atividades ligadas a essa 
unidade de informação. Assim como no Mundo da Produção, as 
atividades das bibliotecas são organizadas visando atender às ex-
pectativas dos atores do Mundo da Vida – seus usuários.
Para isso, esses profissionais deverão dispor de conhecimen-
tos técnicos e administrativos que lhes permitam manter diretrizes 
e liderança em suas atividades gerenciais, traçar metas, estabele-
cer planos e políticas etc. Sua função requer permanentemente a 
tomada de decisõesno que se refere a estabelecer objetivos e or-
ganizar recursos para atingi-los, bem como interagir com pessoas 
se utilizando de motivação e da comunicação.
Barbalho e outras (199-?) entendem que para a biblioteca 
se tornar um ambiente de transformação, o gerente deve ter a 
capacidade de pesquisar, liderar, planejar, ser avaliado por outros, 
e se autoavaliar, de modo a ter condições de criar alternativas im-
pactantes com os recursos que possui. Isso evidencia a necessida-
de do gestor em agir criativamente frente ao cenário que deverá 
conhecer. 
Diante de toda essa exposição, vê-se que a inserção do biblio-
tecário na Sociedade da Informação e, portanto, neste mundo do 
trabalho, não é tarefa impossível; entretanto, faz-se necessário 
que este profissional acompanhe o estágio de desenvolvimento 
da sociedade, no que diz respeito aos avanços tecnológicos e às 
questões de natureza política, como o acesso à informação como 
direito do cidadão e, principalmente, que se capacite como um 
bibliotecário gestor em relação a todos os recursos que integram 
uma unidade de informação.
Autores que estudaram o perfil desse profissional apontam 
que ele pressupõe um novo padrão de referência, que envolve 
preparação básica sólida, ou seja, boa formação em nível de gra-
duação aliada à busca por reunir conhecimento interdisciplinar, 
habilidades gerenciais, engajamento em atividades de pesquisa, 
habilidade de comunicação, especialização, habilidades intelec-
tuais, além de atitude ética.
116 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 
A respeito das competências profissionais, Marshall e outros, 
citado por Santos (2000), listam uma série de quesitos necessá-
rios para o bom desempenho do bibliotecário, a saber: estar com-
prometido com a excelência da prestação de serviços, aceitar de-
safios e oportunidades de crescimento dentro e fora das unidades 
de informação, saber trabalhar em equipes, ser líder, ser flexível e 
positivo nesses tempos de mudança contínua.
Russo (2000), em seu estudo sobre o perfil do profissional 
da informação nas bibliotecas universitárias, apresenta algumas 
recomendações que permanecem válidas, hoje, servindo como 
pontos de reflexão para os atuais profissionais da área:
Deve ser dada grande ênfase à educação continuada, pois a �
aprendizagem permanente é fundamental, sob pena de se 
cair na autoexclusão profissional, por falta de atualização, 
tanto no que se refere a conhecimentos, quanto ao acompa-
nhamento das inovações tecnológicas;
A capacitação em técnicas gerenciais deve se constituir em �
um objetivo constante, para atuar corretamente diante das 
necessidades de tomada de decisão;
As facilidades com os computadores e seus aplicativos devem �
ser dominadas, a fim de poder adequar melhor os produtos e 
serviços às necessidades de seus usuários;
A participação em redes deve ser estimulada, visto que essa �
deverá ser a saída para se aumentar o grau de satisfação dos 
usuários, minimizando os custos dos investimentos;
O ingresso em cursos de pós-graduação, tanto em nível de �
especialização, como de mestrado e de doutorado, deve ser 
outro objetivo dos profissionais, pois no Séc. XXI as disputas 
de mercado estarão mais acirradas e só os mais preparados 
poderão competir em condições de conseguir um posto de 
destaque na Sociedade da Informação.
Conclui-se que para se transformar em um gerente efetivo, 
os bibliotecários devem priorizar – por toda a sua trajetória pro-
fissional – a formação de habilidades e conhecimentos para o 
desempenho das tarefas gerenciais nas unidades de informação, 
como as de liderança e de empreendedorismo, que são e serão 
cada vez mais necessárias.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 117
Referências
ALMEIDA JÚNIOR, O. F. de. Profissional da informação: entre o espírito 
e a produção. In: VALENTIM, M. P. (Org.) Profissionais da informação: 
formação, perfil e atuação profissional. São Paulo: Polis, 2000. p. 31-51. 
(Coleção Palavra-Chave, 11) 
ARAÚJO, E. A.; DIAS, G. A. A atuação profissional do bibliotecário no 
contexto da sociedade de informação: os novos espaços de informação. 
In: OLIVEIRA, M. de. (Coord.). Ciência da Informação e Biblioteconomia: 
novos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 
2005. p. 111-122.
BARBALHO, C. R. S. et al. Gestão de bibliotecas: um estudo sobre o perfil 
do bibliotecário-gestor na cidade de Manaus. Trabalho resultante do pro-
jeto de pesquisa “Estilos Gerenciais dos Administradores de Bibliotecas 
em Manaus”. Desenvolvido no Programa de Iniciação Científica, do De-
partamento de Biblioteconomia da UAM. Manaus, 199-?.
BARRETO, A. O programa da sociedade da informação no Brasil. Texto 
não publicado, 2000.
CASTRO, C. A., RIBEIRO, M. S. P. Sociedade da Informação: dilema para 
o bibliotecário. Transinformação, Campinas, v. 9, n.1, p.17-25, jan./
abr.1997.
CIANCONI, R. de B. Gerência da informação: mudança nos perfis profissionais. 
Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 20, n.2, p. 204-208, jul./dez. 1991.
FUNARO, V. M. B. de O. Estilo gerencial dos administradores de bibliotecas: 
o caso da Universidade de São Paulo. Campinas, 1997. 166p. Dissertação 
(Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Campinas, 
1977.
GUIMARÃES, J. A. C. Moderno profissional da informação: elemen-
tos para sua formação no Brasil. Transinformação, Campinas, v. 9, n.1, 
p.124-137, jan./abr.1997.
HISTÓRIA da gestão do conhecimento. Trabalho apresentado na disciplina 
Gestão do Conhecimento, ministrada no doutorado em Engenharia de Pro-
dução, da Coppe/UFRJ, elaborado por: Santos, E. T. G; Tammela, I.; Sam-
paio, L. M. D.; Dantas, M. A. R. Souza Filho, M. G. F. e Russo, M. 2005.
MASSUDA, Y. A Sociedade da informação como sociedade pós-moderna. 
Brasília, DF: Ed. da UnB, 1982.
MIRANDA, A. L. C. de. Globalización y sistemas de información: nuevos 
paradigmas e nuevos desafios. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 25, 
n. 3, p. 312, set./dez. 1996.
118 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 
MOTA, F. R. L.; OLIVEIRA, M. de. Formação e atuação profissional. In: 
OLIVEIRA, M. de. (Coord.). Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos 
conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2005.
MUELLER, S. P. M. Uma profissão em evolução: profissionais da informa-
ção no Brasil sob a ótica de Abott – uma proposta de estudo. In: BAPTIS-
TA, S. G.; MUELLER, S. P. M. (Org.) Profissional da informação: o espaço 
de trabalho. Brasília, DF: Thesaurus, 2004.
OLIVEIRA, S. M. de. Correlação entre atuação de gerentes de S.I. e aspec-
tos gerenciais considerados importantes. Transinformação, Campinas, v. 
12, n. 2, p. 29-50, jul./dez.2000. 
RUSSO, M. O profissional da informação e as bibliotecas universitárias do 
século XXI. Palestra proferida no II Encontro de Usuários da Rede Perga-
mum. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2000.
SANTOS, J. P. S. O moderno profissional da informação: o bibliotecário 
e seu perfil face aos novos tempos. Informação e Informação, Londrina, v. 
1, n. 1, p. 5-13, jan./jun. 1996.
______. O perfil do profissional bibliotecário. In: VALENTIM, M. P. (Org.). 
Profissionais da informação: formação, perfil e atuação profissional. São 
Paulo: Polis, 2000. p. 31-51. (Coleção Palavra-Chave, 11) 
SANTOS, P. L. V. A. da C. As novas tecnologias na formação do profissio-
nal da informação. In: VALENTIM, M. L. (Org.). Formação do profissional 
da informação. São Paulo: Polis, 2002. p. 103-132.
SHERA, J. H. Sobre biblioteconomia, documentação e ciência da informa-
ção. In: GOMES, Hagar Espanha (Org.). Ciência da informação ou informá-
tica? Rio de Janeiro: Calunga, 1980. p. 90-105.
SOUZA, F. das C. Contexto do ensino de Fundamentos Teóricos de Biblio-
teconomia na UFSC. Encontros Bibli: Revista de Biblioteconomia e Ciência 
da Informação, Florianópolis, n.12, dezembro 2001.
TARAPANOFF, K. O bibliotecário na sociedade pós-industrial. In: SEMI-
NÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11. Florianópo-
lis. Anais... Florianópolis: UFSC, 2000.
VALLE, R.. Um século de racionalização da produção: da decisão correta à 
intercompreensão possível; o encontro entre as racionalidades técnica e 
comunicativa na “Sociedade da Globalização e do Conhecimento”. Texto 
não publicado, 2005. 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 119
O mercado de trabalho e as 
perspectivas da profissão
“Podemos caminhar sem pressa. Mas nunca cami-
nhar para trás” (Abraham Lincoln).
O mundo do Séc. XXI, caracterizado por aceleradas e intensas 
mudanças e inovações no campo científico e tecnológico, afetou 
diretamente o processo de trabalho e as profissões, fato que veio 
influenciar fortemente as políticas de educação e formação dos 
profissionais (BANDEIRA; OHIRA, 2000).
A economia globalizada, as inovações tecnológicas, os sofis-
ticados meios de comunicação, que levaram à criação do espaço 
virtual, exigem dos trabalhadores um novo olhar para sua qualifi-
cação, que passa por uma boa formação geral e uma grande base 
tecnológica. Não basta mais que o trabalhador saiba “fazer”, é pre-
ciso também “conhecer” e acima de tudo “saber aprender” (Id.).
 A área de Biblioteconomia e seus profissionais, que também 
foram afetados por essas transformações, estão atentos a esse am-
biente externo, a fim de enfrentarem as ameaças e aproveitarem 
as oportunidades que lhes forem apresentadas. 
Com esse objetivo, muitos estudos sobre o mercado de tra-
balho do bibliotecário vêm sendo realizados, no Brasil, desde a 
década de 1970, com a finalidade de analisar esse mercado em 
vários estados brasileiros. 
Exemplos desses estudos são os de Polke et al. (1977), de 
Suaiden (1981), de Robredo et al. (1984), de Botelho e Corte 
(1987), de Nastri (1990) e de Modesto (1997), quase todos vi-
sando promover maior adequação dos currículos dos cursos exis-
tentes ao mercado de trabalho.
120 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão
Além desses estudos, Bandeira e Ohira (2000) relacionam 
outras pesquisas, como a realizada por Souza e Nastri (1996), 
sobre o mercado de trabalho no interior do Estado de São Paulo, 
acompanhado pela de Souza (1996), que analisou o perfil pro-
fissional dos bibliotecários empregados na cidade de São Paulo. 
Pode-se citar, ainda, o trabalho de Marengo (1996), que focalizou 
a questão da qualificação da mão de obra na sociedade da infor-
mação e seus efeitos sobre o mercado de trabalho. Este tipo de 
pesquisa concorre, também, para que se conheçam as expectati-
vas dos empregadores em relação aos profissionais que desejam 
admitir em suas organizações. Muitos deles são realizados pelas 
Escolas de Biblioteconomia ou pelos órgãos de classe para que 
os cursos venham formar, ou capacitar profissionais já formados, 
com vistas a permitir sua inclusão mais adequada no mercado de 
trabalho.
O mercado de trabalho e o ensino de Biblioteconomia
As observações sobre as transformações que envolvem o mercado 
de trabalho, atreladas às crescentes exigências dos empregadores 
por profissionais capazes de propor soluções rápidas e eficien-
tes para problemas cada vez mais imprevisíveis, exigem um novo 
modelo de formação acadêmica, que demanda o estabelecimento 
de uma sintonia entre o ensino e as demandas desse mercado de 
trabalho.
As escolas de Biblioteconomia, instadas pela sociedade e pe-
las entidades de classe, têm buscado a renovação dos currículos 
dos seus cursos, a fim de compatibilizarem as condições do mer-
cado de trabalho do bibliotecário com a sua formação, com o in-
tuito de promover a absorção plena desses profissionais.
O mercado de trabalho dos bibliotecários, historicamente, se 
encontra delimitado desde a Antiguidade, quando esses profis-
sionais já se ocupavam com a preservação dos registros informa-
tivos, na forma de tabuletas de argila, rolos de pergaminho ou 
folhas de papiro.
 Os primeiros bibliotecários a atuarem, no Brasil, foram os 
que vieram com a Família Real Portuguesa, junto com a Real Bi-
blioteca d’Ajuda, que mais tarde deu origem à BN: o frei Gregório 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 121
José Viegas e o padre Joaquim Dâmaso; estes voltaram para Por-
tugal, em 1821 e 1822, respectivamente.66
Porém, o cargo de bibliotecário só começa a ter maior conhe-
cimento quando são realizados os primeiros concursos para suprir 
postos na BN; em 1879, coube o primeiro lugar ao historiador 
Capistrano de Abreu, mas o mesmo não foi chamado de biblio-
tecário e sim de “oficial de biblioteca”; já no concurso de 1915, 
Manuel Bastos Tigre, passa em primeiro lugar para bibliotecário 
do Museu Nacional, com a tese sobre a Classificação Decimal de 
Dewey, sendo, então, reconhecido como primeiro bibliotecário 
aprovado por concurso no Brasil.67
No entanto, para Stumpf (1987), o bibliotecário passa, de 
fato, a ser identificado como elemento integrante da força de tra-
balho somente no início do Séc. XX, quando da criação do curso 
de Biblioteconomia, oferecido pela BN, no Rio de Janeiro.
A partir dessa data, o profissional começa a ser absorvido 
pelo mercado de trabalho, incipiente na época, e, principalmente, 
representado pelas instituições de Serviço Público.
 Com o reconhecimento da profissão, como sendo de nível 
superior, na década de 1960, e a promulgação da Lei 4.084, de 
30 de junho de 1962, que rege a profissão, este mercado foi se 
ampliando e diferenciando suas opções.
Conceituação de mercado de trabalho
O mercado de trabalho pode ser definido como o conjunto de 
relações existentes, em dado momento, entre compradores e ven-
dedores de trabalho, enfatizando-se, neste contexto, dois elemen-
tos: a oferta e a procura (KRUEL, 2006).
Para o autor, a oferta se constitui na quantidade de força de 
trabalho ou mão de obra que se apresenta disponível em um de-
terminado período de tempo e a procura, a quantidade de traba-
66. Tem-se notícia, depois, do primeiro trabalho na área de Biblioteconomia, rea-
lizado pelo Irmão Antonio da Costa – bibliotecário nascido em Lion, na França 
– que catalogou por autor e matéria todos os livros da biblioteca iniciada com o 
acervo do Padre Manuel da Nóbrega, que se transformou na Biblioteca do Colégio 
dos Jesuítas, em Salvador, Bahia.
67. Por esse e outros motivos, o Dia do Bibliotecário, no Brasil, é comemorado na 
data de seu aniversário: 12 de março.
122 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão
lho que, no decorrer deste mesmo período de tempo, está dispo-
nível, ou para a qual se necessita de força de trabalho por uma 
determinada remuneração.
Na visão de Cunha (1977), uma profissão existe porque há 
uma necessidade social a ser atendida e, ao constatar esta neces-
sidade, seja pela divisão do trabalho, seja pelo tipo de organiza-
ção, a sociedade devolve à profissão o seu reconhecimento pelo 
preenchimento de tal lacuna e isto se pode dar pela elevação do 
seu status ou do nível salarial.
Mercados de trabalho refletem sempre o contexto econômico 
e social em que se inserem e o mercado de trabalho do bibliotecá-
rio não poderia ser diferente. A década de 1990 foi marcada por 
fenômenos que afetaram bastante as características do mercado 
do bibliotecário, tradicionalmente muito ligado à instituição fí-
sica da biblioteca e ao tratamento de coleções de documentos 
impressos. 
As profundas mudanças que ocorreram na sociedade, muitas 
delas provocadas pelas TICs, ou pelo fenômeno da globalização 
econômica, social e cultural, provocaram o surgimento de novos 
postos de trabalho que passaram a ser desempenhados por dife-
rentes tipos de profissionais, que se viram envolvidos com a pres-
tação de serviços de informação (BAPTISTA, 1998).
Essa problemática de“disputa” de mercado de trabalho en-
tre o bibliotecário e outros profissionais é entendida por Souza e 
Nastri (1996) como resultado da inexistência de uma política bi-
bliotecária séria e efetiva, de âmbito nacional, que trouxesse mais 
visibilidade às suas funções. Corroborando com esse argumento, 
Souza (1987) acrescenta ainda as desigualdades de condições 
das bibliotecas brasileiras e as diferentes condições de trabalho 
dos bibliotecários que atuam neste mercado. Uma saída para esta 
situação seria uma ação, em nível nacional, que contasse com a 
participação de profissionais da área e da sociedade, para assim 
poder legitimar a atuação dos bibliotecários para com a popula-
ção, viabilizando, assim, que a profissão se tornasse conhecida e 
valorizada pelo público.
Para Souza e Nastri (1996), que realizaram estudos sobre o 
mercado do profissional do interior paulista, os cursos de gradua-
ção em Biblioteconomia apresentaram muitas limitações: os cur-
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 123
rículos ainda não refletiam um consenso quanto ao profissional 
que desejavam formar; ainda era dada muita ênfase aos aspectos 
técnicos da profissão; os professores careciam de atualização; o 
nível dos alunos que ingressavam nos cursos de graduação era 
cada vez mais baixo, assim como o interesse pelo curso.
Em relação às oportunidades profissionais, algumas pesquisas 
sobre mercado de trabalho do bibliotecário, realizadas na década 
de 1990, descritas por Baptista e Mueller (2005), mostraram a 
diversidade de postos de trabalho, para este profissional, compre-
endendo serviços de documentação, comunicação e informação, 
cultura e lazer, educação, pesquisa, tecnologia da informação, 
planejamento e política.
 Dentre esses estudos, destaca-se o de Maranhão (1994), que 
pesquisou o mercado de trabalho do Rio de Janeiro, tendo em vis-
ta a reformulação do currículo de Biblioteconomia de 1980, con-
cluindo que as mudanças e tendências observadas nesse mercado 
devem resultar em novos conceitos de uso da informação e que 
o bibliotecário se constituirá em um profissional imprescindível, 
nesse setor, na medida em que se capacitar, continuamente, para 
se ajustar aos novos paradigmas em relação a serviços e conceitos 
de informação.
Outra pesquisa enfatizada é a de Tarapanoff (1997), que pro-
curou identificar o perfil do profissional da informação, frente às 
novas tecnologias, por meio de respostas a questionários aplica-
dos a pessoas que atuavam no serviço Comut, oferecido pelo Ibict. 
Nesse estudo, a autora aponta que, a partir da década de 1990, 
ocorreram mudanças que trouxeram amplas consequências nos 
ambientes social e econômico, nas estratégias, na estrutura e na 
gerência das unidades de informação. Tarapanoff argumenta e 
observa que a sociedade está cada vez mais dependente da infor-
mação, entendendo que isso poderá contribuir para uma abertura 
do mercado de trabalho do bibliotecário e para o reconhecimento 
do papel das bibliotecas e, consequentemente, desse profissional. 
Conclui o estudo apontando que essa ampliação de perspectivas 
só se concretizará se esse profissional conseguir adequar-se às no-
vas demandas.
Em todos estes estudos, o mercado de trabalho descrito era 
composto por diversos tipos de organizações, que atuavam em 
124 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão
áreas variadas. Mas, ao mesmo tempo, esses autores identifi-
caram o bibliotecário típico como um profissional que investia 
pouco em sua própria atualização, despreparado para enfrentar 
desafios tais como os provocados pela evolução da tecnologia e 
pela crescente globalização. 
Análises mais recentes sobre a atuação profissional e o mer-
cado de trabalho, que consideraram cenários de restrições eco-
nômicas crescentes, visualizam um mercado futuro onde seriam 
imprescindíveis habilidades gerenciais, capacidade para tomada 
de decisões, negociação e comunicação – habilidades típicas de 
um empreendedor.68
Com base nesses estudos, constata-se que os cursos de forma-
ção profissional, responsáveis pela capacitação de seus forman-
dos, devem se pautar nas análises efetuadas e incorporar em seus 
programas conteúdos adequados para alterar estas situações.
 Como visto, em capítulo anterior, desde o final da década de 
1980 ocorre uma efetiva discussão sobre a eficiência e a adequa-
ção das estruturas curriculares dos cursos de graduação; nestas 
discussões estão incluídas reflexões sobre o perfil do aluno que 
procura a universidade, considerando que este também se modi-
ficou, pois o aluno não está apenas interessado no status universi-
tário, procura a obtenção de qualificações que o diferencie dentre 
os profissionais a serem absorvidos pelo mercado.
As preocupações com essa qualificação precisam ir além da 
capacitação para os novos papéis trazidos pela tecnologia; as 
responsabilidades sociais – consideradas inerentes à missão do 
bibliotecário – não podem ser descuidadas pelos cursos de forma-
ção profissional. A conscientização sobre a importância do papel 
desse profissional na sociedade deve ser vista como meta priori-
tária dos programas educacionais; para isso, atividades como a 
formação do hábito de leitura e a disseminação de informações 
utilitárias, que ajudam na solução dos problemas do dia a dia, 
como moradia, emprego, finanças domésticas, educação, direitos 
civis etc. devem se constituir em ações com as quais o bibliotecá-
68. Empreendedor – tipo de comportamento encontrado em indivíduos, que se 
caracteriza pela necessidade de inovar, de desenvolver uma nova ordem, con-
vertendo um produto/serviço antigo em algo novo (DRUCKER, 1985 apud MEN-
DONÇA, 1992).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 125
rio deve se envolver para demarcar a importância de sua atuação 
como agente social.
A sintonia entre o ensino do profissional e o seu mercado de 
trabalho é uma meta constante a ser buscada, mesmo sabendo 
que essa interação é de difícil materialização.
Nessa relação, de um lado encontra-se a universidade, que 
apresenta como funções principais a geração de novos conheci-
mentos e a formação de profissionais qualificados para atender 
não só às demandas de mercado, mas também para interagir no 
meio social visando promover o desenvolvimento integral da co-
munidade. Do outro lado, existe o mercado que apresenta de-
mandas, por muitas vezes irreais, e que não contribuem para uma 
possível solução da questão e que demonstram quase sempre um 
desconhecimento das funções e dos objetivos da aprendizagem 
de nível superior.
Para melhorar essa situação, faz-se necessário que ambas as 
partes se mobilizem para procurar atingir seus objetivos: a uni-
versidade deve procurar se integrar diretamente à comunidade, 
planejando as atividades, o ensino e os currículos de seus cursos 
de acordo com os objetivos e necessidades da coletividade. Além 
disso, deve orientar os futuros profissionais frente à realidade do 
mercado profissional, de acordo com a profissão escolhida.69
Por sua vez, os representantes do mercado devem buscar es-
clarecimentos sobre que profissionais estão habilitados para exer-
cer as tarefas que têm interesse em desenvolver.
A monitoração do mercado de trabalho tem então duplo 
 objetivo: o contínuo aprimoramento dos cursos para a adequação 
da profissão às exigências desse mercado e a capacitação para 
atuação profissional sob o ponto de vista das responsabilidades 
sociais da profissão.
69. Exemplo de iniciativa dessa natureza pode ser visto com os eventos que a 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vem realizando, desde 2004, sob 
o nome de “Conhecendo a UFRJ”, os quais têm reunido estudantes de nível médio, 
das escolas do Estado, que estão definindo suas escolhas para ingressar nos cursos 
de graduação. Esse tipo de evento tem o objetivo de levar aos jovensas informa-
ções sobre os cursos que a Universidade oferece, por meio de palestras, divulgação 
de material impresso etc., a fim de melhor direcionar as escolhas desse público. 
No ano de 2009, cerca de 12.000 jovens participaram do evento.
126 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão
Segmentação do mercado de trabalho do bibliotecário
Valentim (2000) identifica o mercado de trabalho do bibliotecá-
rio, segmentando-o em três grandes grupos: mercado informacio-
nal tradicional; mercado informacional existente não ocupado; 
mercado informacional – tendências.
O primeiro grupo – mercado informacional tradicional – é 
representado por segmentos bastante conhecidos pelos profissio-
nais e pela sociedade, como as bibliotecas públicas, que deveriam 
se constituir em um mercado bastante consolidado. No entanto, 
várias distorções ocorrem neste segmento, uma delas é que com 
a ausência de boas bibliotecas escolares no sistema educacional 
brasileiro, a biblioteca pública acaba preenchendo essa lacuna, o 
que resulta em um desvio no desempenho de serviços inerentes às 
suas finalidades. Outra distorção grave é a da colocação de leigos 
à frente desses postos de trabalho, por total ignorância dos repre-
sentantes dos poderes públicos sobre as reais atividades que devem 
ser desenvolvidas nessas unidades de informação, entendendo que 
qualquer pessoa possa desempenhar as funções exigidas nesse seg-
mento. Essas distorções se refletem diretamente na sociedade que 
não reconhece o valor da biblioteca pública, muitas vezes não apro-
veitando os benefícios que essas instituições oferecem.
As bibliotecas escolares constituem outro segmento do pri-
meiro grupo e vêm atuando, no país, com problemas estruturais 
sérios. Dentre eles, destacam-se a falta de interesse político nes-
se segmento, constatado pelos baixos salários aplicados pelo go-
verno aos profissionais que atuam nessas unidades. A biblioteca 
escolar enfrenta, também, o problema de pessoas não capacita-
das70 ocuparem os espaços dos bibliotecários, fazendo com que a 
sociedade – sem saber que formação tem o profissional que está 
fazendo esse atendimento – deprecie a imagem do bibliotecário, 
pela prestação de serviço inadequada.
Como resposta a esses problemas, o Conselho Federal de 
Biblioteconomia lançou, em 2009, o Programa Mobilizador das 
Bibliotecas Escolares, com a finalidade de que sejam desenvol-
vidas ações, em todo o território nacional, para resgatar a im-
70. Como exemplo, pode-se citar: professores afastados da sala de aula por pro-
blemas de saúde e, ainda, pessoal de apoio, como merendeiras, faxineiras etc. 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 127
portância desse segmento para a sociedade e para os próprios 
bibliotecários.
As bibliotecas universitárias também se constituem em um 
mercado consolidado, com grande quantidade de profissionais, 
tendo conseguido atuar de forma coerente aos seus objetivos, 
apesar dos problemas orçamentários de suas instituições. Nessa 
questão, cabe mencionar que esse segmento passa por avaliações 
constantes do MEC, visando ao credenciamento dos cursos ofe-
recidos no país, fazendo com que os dirigentes invistam recursos 
regulares na sua manutenção e atualização.
As bibliotecas especializadas – entendidas por Valentim 
(2000) como as bibliotecas dos institutos de pesquisas e das 
empresas públicas ou privadas – também se constituem em um 
mercado consolidado que reúne, igualmente, um número con-
siderável de profissionais; porém, sua localização distribui-se 
muito mais nas regiões metropolitanas. No caso das empresas, 
qualquer turbulência financeira repercute nas verbas destinadas 
às suas bibliotecas, afetando diretamente acervos e pessoal. Esta 
instabilidade demonstra a pouca importância que os empresários 
dão aos serviços informacionais. Diferentemente, os institutos de 
pesquisas, além de contarem com quadro de pessoal mais elevado 
do que as empresas, costumam valorizar os serviços oferecidos, 
buscando investir mais e mais recursos nas suas bibliotecas.
Os centros culturais – uma espécie de biblioteca pública mo-
derna – têm uma proposta diferente da biblioteca pública tra-
dicional, atuando em parceria com a área de Museologia, com 
as áreas de Cinema, e Teatro, oferecendo ao público atividades 
culturais, de lazer e entretenimento. Não empregam muitos pro-
fissionais e se concentram, também, nos centros urbanos, onde é 
maior a demanda por seus serviços.
Os arquivos e museus também fazem parte deste segmento, 
possuindo quase sempre em sua estrutura uma biblioteca, mas 
empregam um pequeno número de bibliotecários e se concen-
tram, também, nos grandes centros urbanos.
O segundo grupo – mercados informacionais existentes e não 
ocupados – tem como exemplo grande parte das bibliotecas esco-
lares e públicas, que apesar de se constituírem em um mercado 
tradicional, correspondem também a espaços não ocupados, visto 
128 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão
que em sua maioria são preenchidos por profissionais não biblio-
tecários.71
Outros exemplos desse grupo são as editoras e as livrarias, 
que se caracterizam como mercados existentes, mas muito pouco 
ocupados por bibliotecários, que podem atuar nas primeiras em-
pregando seus conhecimentos de normalização e de editoração 
científica e, nas últimas, no tema de desenvolvimento de coleções, 
bem como na recuperação dessas coleções para a clientela. Esse é 
um segmento do mercado que se encontra em franco crescimen-
to, com a criação da figura do “consultor literário”, que é uma 
espécie de bibliotecário de referência, o qual pode atuar junto ao 
cliente, oferecendo-lhe obras de interesse real e/ou potencial.72 
É importante ressaltar que o emprego de bibliotecários nas 
empresas privadas pode ocorrer mesmo que elas não possuam 
uma biblioteca estruturada; existem oportunidades de ocupação 
nos seus setores de informática, de planejamento estratégico, ou 
outros, pois os bibliotecários poderão suprir os demais membros 
desses setores com informações relevantes para que as empresas 
tenham maior competitividade em seus negócios.
Também se apresentam como segmentos de mercado não 
ocupado os provedores de Internet, os bancos e bases de dados 
eletrônicos, pois os bibliotecários são capacitados para organizar, 
processar e disseminar as informações contidas em seus sites, de 
forma eficiente e eficaz, uma vez que estas tarefas são inerentes 
à sua formação.
No seu estudo, Valentim (2000) ainda aponta que nesse se-
gundo grupo pode-se perceber um crescimento na atuação do 
bibliotecário como consultor, profissional autônomo ou mesmo 
profissional terceirizado, mas esta ainda é uma posição muito 
acanhada. Exemplos de profissionais bibliotecários que desempe-
nham papéis mais arrojados neste tipo de mercado existem, mas 
são em pequeno número.73
71. Os Conselhos Regionais, em número de 15 no país, fiscalizam o exercício da profis-
são de bibliotecário, punindo os leigos que estiverem exercendo as funções privativas 
desse profissional, assim como os empregadores responsáveis pelo exercício ilegal.
72. No Brasil, as Livrarias Saraiva e Siciliano têm se colocado na vanguarda desse 
mercado, que já está sendo ofertado aos bibliotecários.
73. Nessa situação, pode ser citada a empresa Datacoop, dirigida por bibliotecá-
rios, a qual além de atuar como cooperativa de profissionais, prestando serviços 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 129
O terceiro grupo apresentado no estudo citado – mercado 
informacional: tendências – pode ser entendido como um merca-
do potencial para o bibliotecário, que vai exigir do mesmo uma 
atuação muito mais ousada, fazendo com que esse profissional se 
disponha a trabalhar em qualquer posto de trabalho que se ocupe 
com a criação, o gerenciamento e o uso da informação.
Deacordo com Valentim (2000), para atuar nesse novo nicho 
de mercado, com qualidade e competência, o bibliotecário deve 
procurar ser mais observador, atuante, flexível, dinâmico, ousado, 
integrador, pró-ativo e, principalmente, ter espírito empreende-
dor, mais voltado para o futuro, devendo buscar capacitação con-
tínua, uma vez que o cenário é mutante e dinâmico.
Perspectivas para o bibliotecário
Um fato que se configura como relevante no contexto atual do 
mercado de trabalho dos bibliotecários é que eles estão cientes de 
que outros profissionais estão ocupando seus postos – não só no 
ambiente prospectivo como até mesmo no convencional – e que, 
por esse motivo, devem lutar pela reversão desta situação, mas 
não por força de uma lei que lhes dá reserva de mercado, e sim 
porque esse mercado valoriza sua capacidade e competência no 
desempenho das atividades que lhes são confiadas.
Acreditar na importância e no valor social da profissão, as-
sim como estar disponível para a atuação voluntária nos órgãos de 
classe, são pontos considerados indispensáveis para que os biblio-
tecários possam ser absorvidos pelo mercado de trabalho que se 
apresenta com perspectivas cada vez mais desafiadoras no campo 
da geração, organização, disseminação e uso da informação.
Referências
BANDEIRA, G. P.; OHIRA, M. L. B. Quem é o bibliotecário no Estado de Santa 
Catarina: mercado de trabalho. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTE-
CONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 19. 2000, Porto Alegre. Anais... [CD-ROM]
de consultoria na área, desenvolveu e comercializa o software gerenciador de ser-
viços de biblioteca “Argonauta”.
130 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão
BAPTISTA, S. G. Bibliotecário autônomo versus institucionalizado: carrei-
ra, mercado de trabalho e comprometimento organizacional. 1998. Tese 
(Doutorado em Ciência da Informação) Universidade de Brasília. Brasí-
lia, DF, 1998. 
______; MUELLER, S. P. M. Considerações sobre o mercado de trabalho 
do bibliotecário. Información, Cultura y Sociedad, Buenos Aires, n. 12, p. 
35-50, 2005.
BOTELHO, T. M. G.; CORTE, A. R. O mercado de trabalho do profissional 
da informação na área de Biblioteconomia na região centro-oeste. Revista 
de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, DF, v. 15, n. 2, p. 249-284, jul./
dez. 1987.
CUNHA, M. B. da. Mercado de trabalho para o bibliotecário. In: CON-
GRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 9., 
1977, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre, ARB, 1977. v. 2, p. 139-48.
KRUEL, I. R. P. et al. Mercado de trabalho do bibliotecário em Porto Ale-
gre. Diálogo Científico. Depositado em: 2006. Disponível em: dici.ibict.
br/archive/00000744/01/T084.pdf. Acesso em: 12 jun. 2009.
MARANHÃO, M. I. de C. Mercado de trabalho para profissional bibliotecá-
rio no Estado do Rio de Janeiro, 1994. Dissertação (Mestrado em Ciência 
da Informação) CNPq (Ibict)/UFRJ (ECO). Rio de Janeiro, 1994.
MARENGO, L. A sociedade de informação e seus reflexos no mercado 
de trabalho. Transinformação, Campinas, v. 8, n. 1, p. 112-143, jan./abr. 
1996.
MENDONÇA, L. M. E. O Comportamento gerencial dos responsáveis por 
serviços de informação industrial no Brasil. 1992. Dissertação (Mestrado 
em Ciência da Informação) Universidade de Brasília. Brasília, DF, 1992.
MODESTO, F. O Bibliotecário e o mercado de trabalho: alguns comentá-
rios. São Paulo: APB, 1997. (Ensaios APB, 46).
NASTRI, R. M. Atuação profissional do bibliotecário: um estudo de caso. 
Transinformação, Campinas, v. 2, n. 2/3, p 63-89, maio/dez. 1990.
POLKE, A. M. A. et al. Análise do mercado de trabalho do bibliotecário 
em Belo Horizonte, Minas Gerais. Revista de Biblioteconomia de Brasília, 
Brasília, DF, v. 5, n. 2, p. 875-910, jul./dez. 1977.
ROBREDO, J. et al. Tendências observadas no mercado de trabalho dos 
bibliotecários e técnicos da informação nas bibliotecas especializadas do 
Distrito Federal e qualificações requeridas. Revista de Biblioteconomia de 
Brasília, Brasília, DF, v. 12, n. 2, p. 123-147, jul./dez. 1984.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 131
SOUZA, F. das C. de. Política bibliotecária no Brasil. In: CONGRESSO 
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 14., 1987, 
Recife. Anais... Recife, Associação Profissional de Bibliotecários de Per-
nambuco, 1987. p. 259-276.
SOUZA, M. A. de. Perfil profissional do bibliotecário no mercado de tra-
balho na cidade de São Paulo. Transinformação, Campinas, v. 8, n. 1, p. 
158-166, jan./abr. 1996.
______; NASTRI, R. M. Análise do mercado de trabalho do bibliotecário 
no interior do Estado de São Paulo. Perspectivas em Ciência da Informa-
ção, Belo Horizonte, v.1, n. 2, p.189-206, jul./dez. 1996.
STUMPF, I. R. C. (Coord.) Mercado de trabalho para profissionais bibliote-
cários na Grande Porto Alegre. Porto Alegre: NEBI/UFRGS, 1987.
SUAIDEN, E. J. Mercado de trabalho. Revista Brasileira de Biblioteconomia 
e Documentação, São Paulo, v. 14, n. 3-4, p. 153-159, jul./dez. 1981.
TARAPANOFF, K. Perfil do profissional da informação no Brasil. Brasília, 
DF: IEL, 1997.
VALENTIM, M. P. (Org.) Profissionais da informação: formação, perfil e 
atuação profissional. São Paulo: Polis, 2000. p. 31-51. (Coleção Palavra-
Chave, 11)
UNIDADE 4
134 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições
Os organismos de classe nacionais e 
internacionais: missão e atribuições74
“Todos os homens do mundo, na medida em que 
se unem entre si em sociedade, trabalham, lutam e 
melhoram a si mesmos” (Antonio Gramsci).
Os termos profissão e ocupação, segundo Cunha e Crivellarri 
(2004, p.39), “referem-se a atividades especializadas, condicio-
nadas ao tipo de estratificação social e ao grau de divisão do tra-
balho predominante em uma determinada sociedade”.
Para os autores, a profissão está relacionada a uma dimen-
são cognitiva, vinculando-se a saberes específicos pertinentes aos 
membros de um determinado grupo profissional. Tem, ainda, 
uma dimensão ligada a normas e valores, que define o seu papel 
social na sociedade e em relação a outras profissões. Esse papel 
normalizador é cumprido pelas associações, sindicatos, conselhos 
de classe, assim como pelo Estado. Já a ocupação, se constitui 
no conjunto de funções, tarefas e operações que representam as 
obrigações atribuídas a um trabalhador.
Abott, citado por Cunha e Crivellarri (Id.), menciona que o 
conjunto de profissões forma um sistema e, neste, as profissões 
dividem espaços específicos, compatíveis ao poder exercido por 
cada uma delas. A manutenção desse espaço resulta do prestígio 
e do conhecimento dos membros que dele fazem parte.
Cada profissão reúne uma série de tarefas, sendo suas for-
ças e fraquezas estabelecidas por meio do trabalho profissional. 
Ainda segundo Abott, “o fenômeno central da vida profissional é 
74. Fundamentado em: CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Bibliote-
cário: legislação e órgãos de classe. Brasília, DF, 2003.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 135
a ligação entre a profissão e o trabalho” (CUNHA; CRIVELLARI, 
2004, p. 42).
No sistema acima mencionado, periodicamente, as tarefas 
passam por estudos e avaliações, são influenciadas por fatores 
internos e externos, fazendo com que ele procure se ajustar a 
essas mudanças.
Outro fator inerente às diferentes profissões consiste na de-
fesa de seus interesses próprios, postura praticada entre os profis-
sionais, por meio de seus órgãos de classe: conselhos, sindicatos 
e associações; e, também, pelas escolas responsáveis pela sua for-
mação e pelo sistema de empregos.
Entidades nacionais na área de Biblioteconomia
Como já discutido, em capítulo anterior, no Brasil, a Bibliotecono-
mia como profissão começa a ver nascer suas instituições a partir 
da década de 1930, quando também se dá início ao desenvolvi-
mento das modernas técnicasbiblioteconômicas no país.
A criação de entidades como o INL, no final da década de 
1930, e da Febab, da ABDF, do CFB, da ABEBD, nas décadas de 
1950 e 1960, foram marcantes para a área, na medida em que 
impulsionaram com suas ações o conhecimento sobre a área de Bi-
blioteconomia, assim como sobre a atuação de seus profissionais. 
Estas entidades representaram um papel fundamental para a 
consolidação da área, pois passaram por grandes reformulações, 
ao longo dos anos, a fim de acompanhar as demandas da profis-
são e da sociedade.
Na década de 1960, foi criado o CFB, órgão responsável pela 
fiscalização do exercício profissional, resguardando-o para os bi-
bliotecários de formação.
Federação Brasileira de Associação de Bibliotecários (Febab)
Durante o II Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, realizado 
em Salvador, em julho de 1950, a Febab foi criada com a finali-
dade de congregar os bibliotecários brasileiros por meio de suas 
136 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições
associações de classe, com a missão de defender e incentivar o 
desenvolvimento da profissão.
Desde 1966, a Febab foi reconhecida como entidade filantró-
pica, sem fins lucrativos, pelo Decreto Federal no 59.593/66 e este 
reconhecimento é atualizado anualmente, no mês de abril.
Com mais de 40 anos de existência, a Febab reúne e inte-
gra Associações Estaduais e Municipais de Bibliotecários, além de 
uma Comissão de Bibliotecas – Comissão Brasileira de Bibliotecas 
Universitárias (CBBU). 
Suas ações são de responsabilidade de uma Diretoria Execu-
tiva, eleita por um período de três anos, formada por profissionais 
de vários estados.
A missão da Febab é congregar, representar, promover e de-
senvolver os profissionais brasileiros de Biblioteconomia e Docu-
mentação, Ciência e Gestão da Informação e Ciências afins, inte-
grando as associações e instituições da área, nacional e interna-
cionalmente.
Sua estrutura é assim representada:
Presidente �
Vice-presidente �
Secretária Geral �
Primeira Secretária �
Vice-presidentes Regionais: (Norte, Sudeste e Nordeste) �
Comissões Permanentes: órgãos auxiliares da Diretoria junto �
às áreas especializadas
Observador Legislativo �
Valorização Profissional �
Editora �
Projetos Especiais �
Associações de bibliotecários
Uma associação de bibliotecários corresponde a uma sociedade 
civil sem fins lucrativos, de âmbito nacional, que congrega en-
tidades e pessoas físicas, atuantes na área da Biblioteconomia, 
Documentação e Ciência da Informação. 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 137
A missão e a estrutura das associações dos profissionais biblio-
tecários podem variar; entretanto, como exemplo, são apresenta-
das as finalidades da Associação Catarinense de Bibliotecários.
Congregar bibliotecários, instituições e pessoas interessadas �
em Biblioteconomia e áreas afins;
Defender os interesses e apoiar as reivindicações da classe �
dos bibliotecários;
Promover o aprimoramento cultural e aperfeiçoamento téc- �
nico dos associados;
Servir à comunidade, estimulando e auxiliando a instalação �
de bibliotecas;
Viabilizar a realização de cursos de formação e aperfeiçoa- �
mento de servidores de biblioteca;
Organizar e promover a realização de congressos, seminá- �
rios, palestras e conferências, para o debate de problemas bi-
blioteconômicos, visando ao progresso da Biblioteconomia;
Representar os associados perante o Conselho Regional de �
Biblioteconomia;
Filiar-se à organização nacional da classe e manter inter- �
câmbio com entidades congêneres do país e do estrangeiro, 
mantendo sua autonomia, sem fusão ou incorporação do pa-
trimônio;
Colaborar com os poderes públicos e entidades privadas, nos �
assuntos de interesses da comunidade, ligados direta ou in-
diretamente à Biblioteconomia;
Servir como centro de informações das atividades bibliote- �
conômicas; 
Colaborar com as Escolas de Biblioteconomia e áreas afins, �
com o objetivo de aperfeiçoar a educação e o treinamento 
dos aspirantes e membros da classe dos bibliotecários;
Promover ou participar de empreendimentos ou atividades �
que, por sua inspiração e natureza, possibilitem à associação 
o melhor cumprimento de seus objetivos.
A estrutura das associações de bibliotecários é definida pelos 
seus estatutos. A Figura 6 demonstra um exemplo dessa estrutura.
138 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições
Figura 6 – Estrutura de Associação de Classe
As associações na área de Biblioteconomia, vinculadas à Fe-
bab, estão relacionadas no Quadro 7, a seguir:
Quadro 7 – Associações Profi ssionais de Bibliotecários
Estado Associação Profi ssional
Amazonas Associação Profi ssional de Bibliotecários de Amazonas
Ceará Associação dos Bibliotecários do Ceará
Distrito Federal Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal
Goiás Associação Profi ssional dos Bibliotecários de Goiás
Maranhão Associação Profi ssional de Bibliotecários do Maranhão
Mato Grosso do 
Sul
Associação de Bibliotecários do Mato Grosso do Sul
Minas Gerais Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais
Paraíba Associação Profi ssional de Bibliotecários da Paraíba
Paraná Associação Bibliotecária do Paraná
Pernambuco Associação Profi ssional de Bibliotecários de Pernambuco
Piauí Associação de Bibliotecários do Estado do Piauí
Rio Grande do 
Norte
Associação Profi ssional de Bibliotecários do Rio Grande do 
Norte
Rio Grande do Sul Associação Rio-grandense de Bibliotecários
Santa Catarina Associação Catarinense de Bibliotecários
São Paulo Associação Paulista de BibliotecáriosA
Associação dos Bibliotecários Municipais de São Paulo
Sergipe Associação Profi ssional dos Bibliotecários e Documentalistas 
de Sergipe
FONTE: www.febab.org.br
Nota:
A. Mais antiga associação profi ssional, tendo sido fundada em 1938, atualmente encontra-se 
desativada.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 139
Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB)75
O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), com sede e foro 
no Distrito Federal, jurisdição em território nacional, nos termos 
da Lei no 4.084/62, é uma autarquia federal dotada de personali-
dade jurídica de direito público, com autonomia administrativa, 
patrimonial e financeira.
A partir de 2007, o CFB realiza uma reestruturação interna, 
passando a constituir o Sistema CFB/CRBs, de modo a permitir 
melhor desempenho de seus integrantes e, também, desenvol-
ver ações mobilizadoras em todo o território nacional, as quais 
conduzam à construção de identidades positivas sobre o fazer da 
profissão no âmbito: a) da sociedade em geral; b) da categoria 
formada e em formação; e c) dos seus formadores.
O órgão central desse Sistema – o CFB – é constituído por 14 
membros efetivos e três suplentes, designados pelo título de Con-
selheiros Federais, todos brasileiros natos e naturalizados, bacha-
réis em Biblioteconomia, com mandato trienal, eleitos nos termos 
legais e na forma prevista no regimento interno. A composição 
dos membros efetivos obedece à seguinte sistemática:
Sete (7) conselheiros efetivos sorteados em Assembleia Geral �
de Delegados Eleitores entre representantes das Escolas de 
Biblioteconomia do Brasil, cujos nomes serão por elas refe-
rendados; 
Sete (7) conselheiros efetivos e três suplentes eleitos por es- �
crutínio secreto e maioria de votos, em Assembleia Geral de 
Delegados Eleitores.
Sua missão é orientar, supervisionar e disciplinar o exercí-
cio da profissão de bibliotecário em todo o território nacional, 
bem como contribuir para o desenvolvimento biblioteconômico 
no país.
Para cumprir essa missão, o CFB exerce ações executivas, 
normativas, consultivas, supervisoras, disciplinares e contencio-
sas, como instância originária ou recursal.
O CFB possui a seguinte estruturaorganizacional:
Órgão deliberativo: Plenário �
75. Informações obtidas no Portal do CFB, em outubro de 2009: www.cfb.org.br 
140 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições
Órgãos executivo-deliberativos: Diretoria Executiva, Tribunal �
Superior de Ética Profissional e Conselhos Regionais de Bi-
blioteconomia
Órgão de fiscalização financeira e administrativa: Comissão �
de Tomada de Contas (CTC)
Órgãos de apoio técnico: �
Comissões Permanentes: �
Comissão de Ética Profissional (CEP) �
Comissão de Legislação e Normas (CLN) �
Comissão de Licitação (CLI) �
Comissão de Divulgação (CDV) �
Comissões Temporárias �
Consultoria: �
Consultoria Jurídica (CONJUR) �
Assessorias Especiais (AE) �
Grupos de Trabalho (GT) �
Órgãos de apoio administrativo e financeiro: �
Setor Administrativo (SAD) �
Setor Contábil e Financeiro (SCF) �
Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRB)
Os CRBs são autarquias federais dotadas de personalidade jurí-
dica de direito público, autonomia administrativa e financeira, 
cujas siglas, jurisdição e sedes são designadas em resoluções es-
pecíficas do CFB. Sua missão é fiscalizar o exercício da profissão, 
impedindo e punindo as infrações à legislação vigente.
Os CRBs possuem a mesma estrutura básica do CFB, respeita-
das suas peculiaridades, tendo que manter, obrigatoriamente, as 
seguintes comissões: Comissão de Tomada de Contas, Comissão 
de Ética Profissional, Comissão de Fiscalização Profissional e Co-
missão de Licitação.
Os diretores, chefes ou coordenadores de cursos de Institui-
ções de Ensino Superior de Biblioteconomia e os presidentes de 
associações de classe são membros natos dos CRBs, de acordo com 
o disposto no Art. 21 da Lei 4.084/62 (CONSELHO..., 2003).
O Quadro 8 apresenta os 15 CRBs que constituem o Sistema 
CBF/CRBs, em 2009.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 141
Quadro 8 – Conselhos Regionais de Biblioteconomia (2009)
Conselhos Jurisdição
CRB-1 Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso Sul e Distrito Federal
CRB-2 Pará, Amapá e Tocantins
CRB-3 Ceará e Piauí 
CRB-4 Pernambuco e Alagoas
CRB-5 Bahia e Sergipe
CRB-6 Minas Gerais
CRB-7 Rio de Janeiro
CRB-8 São Paulo
CRB-9 Paraná
CRB-10 Rio Grande do Sul
CRB-11 Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia
CRB-12 Espírito Santo
CRB-13 Maranhão
CRB-14 Santa Catarina
CRB-15 Paraíba e Rio Grande do NorteA
FONTE: Autoria própria
Nota: A. Criado por meio da Resolução nº 84, de 31 de outubro de 2007, com o 
desmembramento do CRB-4.
Sindicato de bibliotecários
A missão e a estrutura dos sindicatos de bibliotecários podem va-
riar; entretanto, como exemplo, são destacadas as características 
do Sindicato dos Bibliotecários do Rio de Janeiro (Sindib/RJ). 
Missão �
Defender os direitos dos bibliotecários, estimulando a �
sua organização;
Participar das negociações coletivas de trabalho, garan- �
tindo o cumprimento dos acordos coletivos;
Lutar pelo fortalecimento da categoria e pela consciên- �
cia da classe;
Colaborar com o poder público e o setor privado na so- �
lução dos problemas da categoria.
Estrutura �
Presidente �
Vice-presidente �
Secretárias �
Tesoureiros �
6 Suplentes �
142 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições
Delegados para Entidade de Grau Superior �
Conselheiros Fiscais �
Grupos de profissionais
Paralelamente às associações de classe, os profissionais consti-
tuem grupos, quase sempre definidos pelo tema de trabalho a 
que estão vinculados, como por exemplo: saúde, artes, tecnolo-
gia, jurídico etc.
Como exemplos desses grupos, apresentam-se os registrados, 
no Estado do Rio de Janeiro:
Área da Saúde – APCIS/RJ ( � www.apcisrj.org)
Área Jurídica – GIDJ-RJ ( � www.gidjrj.com.br)
Área Artística – Redarte ( � http://www.goethe.de)
Esses grupos funcionam em uma tipologia de redes e têm 
como finalidades principais promover a cooperação e a capacita-
ção de seus integrantes, organizando cursos, eventos, treinamen-
tos etc. em suas áreas específicas.
Associações de ensino
As associações de ensino se constituem em outros órgãos de clas-
se, mais voltados para a formação dos profissionais. No Brasil, nas 
áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação, as associações 
de ensino são:
Abecin – em nível de graduação ( � www. abecin.org.br)
Ancib – em nível de pós-graduação ( � www.ancib.org.br)
Entidades internacionais nas áreas de Biblioteconomia e Ciência 
da Informação
Uma das mais relevantes entidades internacionais, na área de Bi-
blioteconomia, a International Federation of Library Associations 
and Institutions (Ifla);76 foi fundada em Edimburgo, na Escócia, 
76. www.ifla.org
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 143
em 1927, com a finalidade de desenvolver suas atividades em 
torno de três pilares: a sociedade, seus membros e a profissão.
A Ifla congrega cerca de 1.600 membros, distribuídos por 150 
países do mundo. Além de outras atividades relacionadas à área 
de bibliotecas, a Ifla realiza – anualmente – uma conferência,77 
que reúne cerca de mil delegados de várias partes do mundo para 
trocar experiências, conhecer novos produtos e serviços desenvol-
vidos na indústria da informação e discutir questões de interesse 
dos profissionais da área.
Atualmente, com seu escritório central em Haia, na Holanda, 
a Ifla possui um Governing Board – formado por um presidente, 
por 10 membros eleitos diretamente (por correio) dentre todos os 
seus delegados e por nove membros eleitos indiretamente pelos 
Comitês Profissionais.
Para o desenvolvimento de suas atividades, a Ifla possui oito 
divisões, 45 seções e sete grupos de discussão, envolvendo assun-
tos de interesse da área de informação. 
O Quadro 9 apresenta uma lista de associações de classe in-
ternacionais, a maioria localizada nos EUA, com a informação dos 
sites para acesso.
Quadro 9 – Associações de Classe Internacionais
Associação URL
American Association of Law Librarians 
(AALL)
http://www.aallnet.org/
American Association of School Libra-
rians (AASL)
http://www.ala.org/ala/mgrps/divs/
aasl/index.cfm
American Library Association (ALA)A http://www.ala.org/
American Society for Information Scien-
ce & Technology (ASIS&T)
http://www.asis.org/
The American Society for Indexing (ASI) http://www.asindexing.org/site/index.
html
American Theological Library Associa-
tion (ATLA)
http://www.atla.com/atlahome.html
Art Libraries Society of North America 
(ARLIS/NA)
http://www.arlisna.org/
Association of College & Research Li-
braries (ACRL)
http://www.ala.org/ala/mgrps/divs/
acrl/index.cfm
Association for Records Management 
and Administrators (ARMA)
http://www.arma.org/
77. Quase sempre no mês de agosto ou no início de setembro, em uma cidade 
diferente do mundo, a cada ano.
144 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições
Associação URL
Association of Research Libraries (ARL) http://www.arl.org/
Canadian Library Association (CLA) http://www.cla.ca//AM/Template.
cfm?Section=Home
Catholic Library Association (CLA) http://www.cathla.org/
Chartered Institute of Library and Infor-
mation Professionals (CILIP)B
http://www.cilip.org.uk/pages/default.
aspx
Library and Information Technology 
Association (LITA)
http://www.ala.org/ala/mgrps/divs/
lita/litahome.cfm
Medical Library Association (MLA) http://www.mlanet.org/
The National Federation of Advanced 
Information Services (NFAIS)
http://www.nfais.org/
National Information Standards Organi-
zation (NISO)
http://www.niso.org/home
Public Library Association (PLA) http://www.ala.org/ala/mgrps/divs/
pla/index.cfm
Society of Competitive Intelligence Pro-
fessionals (SCIP)
http://www.scip.org/
Special Libraries Association (SLA) http://www.sla.org/FONTE: Autoria própria
Notas:
A. Fundada em 1876, por Melvil Dewey, é a maior e mais antiga organização do gênero no 
mundo inteiro, com mais de 64.000 membros. Sua sede é atualmente em Chicago.
B. CILIP foi criada em 2002, por meio da unifi cação da Library Association (LA) com o Institute of 
Information Scientists (IIS).
Essas associações internacionais, assim como as nacionais, 
são as responsáveis pelo desenvolvimento dos profissionais, e 
também pelo crescimento da área.
Referências
CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Bibliotecário: legislação 
e órgãos de classe. Brasília, DF, 2003.
CUNHA, M. V. da; CRIVELLARI, H. M. T. O mundo do trabalho na socie-
dade do conhecimento e os paradoxos das profissões da informação. In: 
VALENTIM, M. L. (Org.). Atuação profissional na área de informação. São 
Paulo: Polis, 2004. p. 39-54.
PORTAL DO CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Disponível 
em: http://www.cfb.org.br. Acesso em: 2 jun. 2006.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 145
Legislação da profissão78
“Não é a força, mas a perseverança que realiza 
grandes coisas” (Samuel Johnson).
Na década de 1960, muito relevante para a Biblioteconomia bra-
sileira, profissionais notáveis na área trabalharam em prol da 
regulamentação da profissão, dentre os quais se destacou Lau-
ra Garcia Moreno Russo, que por suas atitudes perseverantes em 
prol da classe foi eleita a primeira presidente do CFB.
Decorrente do ativismo político desses bibliotecários, no ano 
de 1962, ocorreu a homologação da Lei no 4.084, dispondo sobre 
a profissão de bibliotecário e regulamentando seu exercício. Gui-
marães (1996, p.3) assim se manifesta sobre a mesma:
Ao tratar do profissional, a lei estabelece a reser-
va de mercado, vinculando o exercício profissional 
à devida habilitação legal para tanto, habilitação 
essa oriunda de cursos superiores de Biblioteco-
nomia brasileiros devidamente reconhecidos ou 
ainda por instituições estrangeiras desde que com 
revalidação de diploma no Brasil. Nesse sentido, a 
lei houve ainda por bem resguardar direitos adqui-
ridos anteriormente à sua promulgação.
Castro (2000) relata que Laura Russo foi a mentora da Lei no 
4.084, mas que a Febab teve, em grande parte, o mérito sobre a 
sua aprovação, assim como sobre o reconhecimento da profissão 
– no mesmo ano de 1962 – como de nível superior. A Lei no 4.084, 
de 30 de junho de 1962, composta por 37 artigos, foi publicada 
78. Com base em: CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Bibliotecário: 
legislação e órgãos de classe. Brasília, DF, 2003.
146 Legislação da profissão
no Diário Oficial da União, em 02/07/1962. Seguiu-se a publi-
cação, em 1965, do Decreto-Lei no 56.725, que regulamentou o 
exercício profissional, explicitando as atividades consideradas a 
ele inerentes. O instrumento – composto por nove capítulos e 52 
artigos – caracteriza o bibliotecário como profissional liberal, es-
pecificando limites de exclusividade de exercício da profissão. 
No período que se seguiu à promulgação dessa legislação, os 
bibliotecários brasileiros continuaram a refletir sobre os rumos da 
profissão e a propor a reformulação da legislação em vigor. Essas 
discussões culminaram em uma ação do CFB, o qual deu entrada 
no Congresso Nacional a um projeto de lei neste sentido, que – 
depois de algumas reformulações – recebeu a numeração de PL 
no 3.493, de 1993.
Ainda por meio da ação dos profissionais, insatisfeitos com 
o teor da legislação em vigor, que não estava compatível com o 
desenvolvimento da área e da profissão, em 25 de junho 1998, foi 
homologada uma nova lei – Lei no 9.674 – que “Dispõe sobre a 
profissão de bibliotecário e determina outras providências”.
O resultado dessa nova lei surpreendeu a classe bibliotecária, 
principalmente, pela quantidade de vetos apostos ao projeto79 e, 
ainda, por ter vetado a revogação das disposições em contrário, o 
que fez com que a lei anterior (Lei no 4.084/62) continuasse em 
vigor. O argumento apresentado a seguir justifica o veto ao art. 
53, dessa nova lei – que se referia à revogação da lei anterior: 
Impõe-se, por contrariar o interesse público, o veto 
ao dispositivo, uma vez que se torna necessária a 
manutenção da Lei no 4.084/62, na parte não regu-
lada pela propositura ao transformar-se em lei, caso, 
por exemplo, das atribuições dos bibliotecários, que 
continuarão sendo regidas pelo diploma legal de 
1962 (BRASIL. Presidente..., 1998, p. 61).
79. Essa lei ficou conhecida pelos bibliotecários como a Lei do Veto, pois dos 53 
artigos propostos 38 foram vetados. 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 147
Leis e decretos80
Lei nº 4.084, de 30 de junho de 196 � 2
Dispõe sobre a profissão do bibliotecário e regula seu exercício.
Decreto-Lei n° 56.725, de 16 de agosto de 196 � 5
Regulamenta a Lei nº 4.084, de 30 de junho de 1962, que dispõe 
sobre o exercício da profissão de bibliotecário.
Lei nº 9.674, de 26 de junho de 199 � 8
Dispõe sobre o exercício da profissão de bibliotecário e determina 
outras providências.
Resoluções81
Resolução n° 6, de 13 de julho de 196 � 6
Dispõe sobre o juramento da profissão de Bibliotecário. (Anexo 1)
Resolução n° 153, de 06 de março de 197 � 6
Dispõe sobre o ensino de ética bibliotecária. 
Resolução CFB n° 307/84, de 23 de março de 198 � 4
Regulamenta o registro, nos Conselhos Regionais de Bibliotecono-
mia, de empresas e instituições que prestam, executam ou exer-
cem serviços ou atividades de Biblioteconomia e Documentação.
Resolução CFB n° 325/86, de 28 de maio de 198 � 6
Normaliza o processo de Registro Provisório de Bibliotecários nos 
Conselhos Regionais de Biblioteconomia.
Resolução CFB n° 346/88, de 25 de novembro de 198 � 8
Normaliza os processos de transferência de registro e de registro 
secundário de profissional.
Resolução CFB n° 406/93, de 3 de agosto de 1993 � 
Dispõe sobre a licença, o cancelamento e a suspensão de registro 
de pessoa física e jurídica, perante os Conselhos Regionais de Bi-
blioteconomia e dá outras providências.
Resolução CFB n° 443/97, de 14 de março de 1997 � 
80. Texto, na íntegra, pode ser consultado em: www.cfb.org.br
81. São aqui apresentadas algumas das 125 resoluções editadas pelo CFB, até novem-
bro de 2009. A escolha recaiu sobre as que a autora considera como mais relevantes. 
O texto integral de todas as resoluções pode ser consultado em: www.cfb.org.br.
148 Legislação da profissão
Institui o Registro de Comprovação de Aptidão para Desempenho 
de Atividades de Biblioteconomia (RCA), de Pessoas Físicas e Ju-
rídicas e dá outras providências.
Resolução CFB n° 33, de 26 de março de 2001 � 
Dispõe sobre o processo fiscalizatório dos Conselhos Regionais de 
Biblioteconomia a pessoas físicas e jurídicas, penalidades aplicá-
veis e demais providências.
Resolução CFB n° 34, de 30 de abril de 2001 � 
Dispõe sobre os símbolos emblemáticos do anel de grau do Bacha-
rel em Biblioteconomia. (Anexo 2)
Resolução CFB n° 35, de 30 de abril de 2001 � 
Dispõe sobre registro de profissional estrangeiro com visto tem-
porário nos Conselhos Regionais de Biblioteconomia e dá outras 
providências.
Resolução CFB n° 40, de 22 de outubro de 200 � 1 
Dispõe sobre processo ético, dando nova redação aos art. 42 e 
62 da Resolução CFB n° 399/93, publicada no Diário Oficial da 
União de 24.02.1993, sessão I, página 2997/3000.
Resolução CFB n° 42/2002, de 11 de janeiro de 200 � 2
Dispõe sobre o Código de Ética do Profissional Bibliotecário.
Resolução CFB n° 54/2003, de 28 de abril de 2003 �
Dispõe sobre a concessão de isenção de anuidade de profissionais 
com idade acima de 65 anos.
Classificação Brasileira de Ocupações (CBO)
Na legislação trabalhista brasileira, o campo de atuação dos pro-
fissionais que desenvolvem tarefas na área da informação rece-
beu uma definição oficialno âmbito do Ministério do Trabalho, 
explicitada no documento intitulado Classificação Brasileira de 
Ocupações (CBO).
Na edição de 1994, as profissões de bibliotecários, arquivis-
tas e museólogos eram reunidas em um mesmo grupo; porém, 
na edição de 2002, atualmente em vigor, que foi organizada de 
acordo com a característica de “família ocupacional”, ocorreu um 
desmembramento em relação à situação anterior: enquanto mu-
seólogos e arquivistas continuaram integrando uma mesma famí-
lia ocupacional, os bibliotecários passaram a integrar uma nova 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 149
“família”, criada para abrigar as mudanças em curso. Assim, sob 
o nome de “profissionais da informação” (Família 2612), encon-
tram-se: bibliotecários, documentalistas e analistas de informa-
ção, exigindo-se para o exercício dessas ocupações a formação em 
Biblioteconomia (CUNHA; CRIVELLARI, 2004).
A CBO também aponta várias nomenclaturas para o bibliote-
cário (Família 2612-05), tais como bibliógrafo, biblioteconomista, 
cientista da informação, consultor de informação, especialista de 
informação, gerente de informação, gestor de informação. 
Reflexões sobre a legislação bibliotecária
Diante do que se apresentou acima, vê-se que a legislação brasi-
leira que rege a profissão de bibliotecário não está adequada às 
transformações de natureza tecnológica, social e econômica que 
têm afetado de forma significante as tarefas pertinentes ao cená-
rio atual. Isso se dá porque as propostas de modificação apresen-
tadas pelos seus profissionais, com vistas a essa adequação, foram 
vetadas pelo Governo.
Outro dado que merece reflexão é o fato de que, na maioria 
das vezes, o mercado na área de informação está contratando as 
pessoas muito mais pelas competências que elas demonstram do 
que pela formação que apresentam. Exceção se dá ao trabalho 
convencional em bibliotecas, para o qual continua se exigindo 
a formação em Biblioteconomia e o devido registro no Conselho 
Regional da jurisdição.
Nesse sentido, a avaliação da legislação sobre o exercício pro-
fissional seria muito pertinente, a fim de buscar sua compatibili-
zação à nova realidade e aos avanços futuros. No entanto, sabe-se 
que o Governo mostra-se contrário à questão da reserva de merca-
do para a maioria das profissões, retraindo com isso a ação dos pro-
fissionais quanto à proposição de mudanças na legislação vigente.
A alternativa encontrada é preparar os profissionais, conve-
nientemente, para que por meio da valorização de suas compe-
tências eles possam se inserir em postos de trabalho, atuando com 
distinção, de forma a que os empregadores percebam a relevância 
das suas habilidades no exercício das tarefas inerentes ao fluxo 
da informação.
150 Legislação da profissão
Referências
BRASIL. Presidente (Cardoso: 1994-99). Mensagem n. 749 [Razões dos 
vetos Lei n. 9.674, de 25 de junho de 1998] Diário Oficial [da] República 
Federativa do Brasil, Brasília, DF, v.136, n.120, Seção I, 26 jun. 1998. p. 
58-61.
CASTRO, C. A. de. História da Biblioteconomia brasileira: perspectiva his-
tórica. Brasília, DF: Thesaurus, 2000.
CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Bibliotecário: legislação 
e órgãos de classe. Brasília, DF, 2003.
CUNHA, M. V. da; CRIVELLARI, H. M. T. O mundo do trabalho na Socie-
dade do Conhecimento e os paradoxos das profissões de informação. In: 
VALENTIM, M. L. (Org.). Atuação profissional da área de informação. São 
Paulo: Polis, 2004. p. 39-54.
GUIMARÃES, J. A. C.. A legislação profissional do bibliotecário. São Paulo, 
Associação Paulista de Bibliotecários, 1996. (Ensaios APB, n. 32).
PORTAL DO CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Disponível 
em: http://www.cfb.org.br. Acesso em: 2 jun. 2006.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 151
Anexo 1 – Juramento do bibliotecário
Resolução n � o 6, de 13 de julho de 1966
“Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal 
e humanista da profissão de Bibliotecário, funda-
mentado na liberdade de investigação científica e 
na dignidade da pessoa humana”.
Anexo 2 – símbolos emblemáticos do anel de grau do bacharel em 
Biblioteconomia
Resolução N � o 34, de 30 de Abril de 2001
O anel de grau do Bacharel em Biblioteconomia deverá ter as 
seguintes características: 
Pedra ametista, originária do grego Amethystos, de cor �
violeta; 
Emblemas – lâmpada de Aladim simboliza a perene vi- �
gília, a atividade intelectual de um lado do anel; livro 
aberto, do outro lado, simbolizando a informação.
Os emblemas e a cor da pedra ametista, violeta, passarão a 
ser considerados os símbolos da Biblioteconomia.
152 O código de ética profissional
O código de ética profissional
“Sempre é hora de fazer o que é certo” (Martin 
 Luther King Jr.).
Estudos sobre ética profissional estão presentes em todos os cam-
pos do conhecimento, porém ganham amplitude quando atitudes 
de membros desses campos tendem a interferir sobre comporta-
mentos individuais ou de grupos, os quais influenciam a socieda-
de na percepção da imagem dos profissionais da área.
Muito já foi apontado, nessa obra, sobre a atuação adequa-
da dos bibliotecários no contexto informacional e, também, no 
cenário que cerca suas atividades, fortemente influenciado pelas 
mudanças aceleradas que vêm ocorrendo.
Nesse ambiente, a relação desses profissionais com seus pares 
e com a comunidade externa – conhecido como comportamento 
ético – resulta em desdobramentos que levam ao reconhecimento 
da profissão pela sociedade.
Aristóteles já propunha, em seus estudos sobre os costumes 
e as virtudes éticas, um comportamento baseado no equilíbrio, 
tanto do próprio ser, como de suas relações com o próximo. O fi-
lósofo recomendava à sociedade grega – para construir uma vida 
harmoniosa – o seguimento dos “Dez Mandamentos da Ética”, a 
saber: fazer o bem; agir com moderação; saber escolher; praticar 
as virtudes; viver a justiça; valer-se da razão; valer-se do coração; 
ser amigo; cultivar o amor e ser feliz (CHALITA, 2003).
Apesar da distância que os separa, um outro filósofo – o ale-
mão Hegel (1997) – afirma, no Séc. XX, que a ÉTICA pressupõe a 
realização do conceito de consciência que abandone uma postura 
isolada para tomar parte do mundo; de inserir sua vida individual 
(eu) na vida coletiva (nós).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 153
Modernamente, Sennett (2005) pontua que a ética do traba-
lho exige “aptidões delicadas”, como: ser bom ouvinte e coopera-
tivo, concentrando-se no trabalho em equipe, retomando a ideia 
de “nós”, de Hegel.
O autor sustenta que a dependência mútua do trabalho em 
equipe governa as transações comerciais, enfatizando que se não 
há necessidade de outro, não há troca e, ainda, que dentro dos 
limites dessa dependência a ausência de confiança e do compro-
misso mútuo ameaça o funcionamento de qualquer empreendi-
mento coletivo .
Ética e moral
Guimarães e outros (2009) apontam a definição de ética de Cor-
tina e Martinez como um saber normativo, orientador da conduta 
humana, diferenciando-a da conceituação de moral, na medida 
em que esta se encontra vinculada a um universo concreto, geo-
gráfica e temporalmente delimitado. O autor comenta, ainda, a 
opinião de Valentim, que concorda que os dois conceitos possuem 
dimensões distintas, mas complementares: apresentam conver-
gências na busca pela definição de valores e pelo bem-estar, na 
necessidade de serem aceitas e na sua influência no contexto so-
cial; porém, se distinguem em relação aos pressupostos – a moral 
se atém à realidade dos costumes, enquanto a ética reflete sobre 
os mesmos e, ainda, quanto ao modo de ação – a moral sendo 
mais coercitiva socialmente e a ética mais voltada para a liberda-
de de escolha. 
Para Souza (2002, p. 17), “a ética nasce com a humanidade, 
a partir do momento emque o homem toma consciência de seu 
ser com o outro”. Mediante essa constatação, o autor argumenta 
que se faz necessária a formulação de princípios que resguardem 
a integridade dos seres e das relações entre eles. A “Declaração 
Universal dos Direitos do Homem”, que foi aprovada pela Orga-
nização das Nações Unidas (ONU), em 1948, constitui-se em um 
exemplo dessa iniciativa. No texto dessa Declaração, é enfatizada 
a busca permanente da igualdade e da dignidade dos seres como 
valores fundamentais da existência humana. 
154 O código de ética profissional
O código de ética profissional do bibliotecário
Com base nessas considerações da ética como um processo social 
coletivo, são desenvolvidos os códigos de ética profissional, que 
têm por finalidade fixar normas de conduta para as pessoas físi-
cas e jurídicas que exerçam atividades profissionais em cada área 
específica.
O conceito de valores discutido na obra de Guimarães e ou-
tros (2009) que reflete normas, princípios ou padrões socialmen-
te aceitos e compartilhados, de natureza econômica, moral, re-
ligiosa, artística, científica, política, profissional e legal, quando 
abordado em um determinado campo de atuação, pode ser objeto 
da ética profissional.
Nesse sentido, a ética profissional é definida na obra acima 
como aquela que se atém “aos valores e ações que visam a um agir 
profissional correto e adequado para com a sociedade em que o 
profissional se insere [...] (GUIMARÃES et al., 2009, p. 99).
Na concepção de Buonocore (1976), o código de ética profis-
sional dos bibliotecários deveria consistir em um corpo de normas 
reguladoras de sua conduta profissional, as quais determinariam 
os seus deveres em relação à comunidade em que atuam, às bi-
bliotecas que dirigem, à sua profissão e aos seus colegas.
Partindo dessa premissa, Laura Russo, desenhou a primeira 
versão do Código de Ética Profissional do Bibliotecário, que foi 
aprovada por ocasião do IV CBBD, em 1963, sob a responsabili-
dade da Febab. Em 1966, passa para o âmbito do CFB, assumindo 
desde então o status de lei. A partir daí, esse instrumento vem 
sendo alvo de estudos e atualizações, que acompanham as mu-
danças pelas quais passou a profissão.
Dessa forma, a Resolução no 42, do CFB, apresenta a quarta 
versão do código de ética, que dispõe sobre a carreira do biblio-
tecário. Esse documento, publicado em 11 de janeiro de 2002, 
compõe-se de oito seções, que abordam desde os direitos e obri-
gações dos profissionais até as proibições, infrações disciplinares 
e penalidades atribuídas aos que transgredirem as normas de con-
duta preconizadas.82 
82. O texto completo da Resolução no 42/2002 encontra-se disponível em www.cfb.
org.br
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 155
O Código de Ética Profissional do Bibliotecário é aplicado 
às pessoas físicas e às pessoas jurídicas que atuam na área de Bi-
blioteconomia, sendo considerada como infração ética qualquer 
atitude que configure uma transgressão às orientações emanadas 
do instrumento legal. 
Este código dispõe, entre outros assuntos, sobre a questão 
dos honorários profissionais, respaldando os bibliotecários a exi-
girem justa remuneração por seu trabalho, com base nas respon-
sabilidades por eles assumidas, o grau de dificuldade das tarefas e 
o tempo de serviço dedicado (CONSELHO..., 2003, p. 100).
Na visão de Souza (2002), aliado à ética profissional exis-
te um conjunto de interesses que visam manter benefícios para 
os membros da profissão, ampliar seus salários e concorrer para 
auferir maior poder em termos de aplicação dos conhecimentos 
da área.
Diante disso, este autor entende que o termo mais adequado 
para se discutir a conduta profissional de uma determinada classe 
seria DEONTOLOGIA e não ética. Para ele, esse termo, que foi criado 
pelo filósofo Jeremy Bentham, em 1834, significa um conjunto 
de preceitos, de ideias, um elenco de determinações objetivas, 
instruções operacionais a serem seguidas pelos membros de uma 
categoria profissional visando garantir a uniformidade na reali-
zação de um trabalho e ação do grupo como se fosse ação de um 
único indivíduo (SOUZA, 2002).
Este termo tem sua origem no ambiente da Grécia antiga, 
originado de déon, que significava dever – ou obrigação – de se 
construir uma vida honrada.
Rache (2005) compara os dois termos acima, entendendo a 
ética como a ciência da conduta, como o estudo do ideal para o 
qual o homem se dirige e a deontologia representando os deveres 
específicos do agir humano no campo profissional.
Com base nessas percepções, poderia se considerar que os 
códigos de ética dos profissionais estariam mais bem intitulados 
se fossem denominados de códigos de deontologia.
No caso específico da Biblioteconomia, quer seja intitulado 
código de ética ou código de deontologia, o mais importante é 
que os bibliotecários percebam que o fortalecimento de sua pro-
fissão está vinculado ao acompanhamento da conduta profissio-
156 O código de ética profissional
nal apontada nesse instrumento, pautando devidamente a sua 
atuação, de maneira individual, ou no grupo a que pertence de 
modo a que a sociedade compreenda o valor de seu trabalho. 
Referências
CHALITA, G. Os dez mandamentos da ética. Rio de Janeiro: Nova Fron-
teira, 2003.
CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Bibliotecário: legislação 
e órgãos de classe. Brasília, DF, 2003.
GUIMARÃES, J. A. C. et al. Aspectos éticos da organização da informa-
ção: abordagens teóricas acerca da questão dos valores. In: GOMES, H. 
F.; BOTTENTUIT, A. M.; OLIVEIRA, M. O. (Org.) A ética na sociedade, 
na área da informação e da atuação profissional: o olhar da Filosofia, 
da Sociologia, da Ciência da Informação e da formação e do exercício 
profissional do bibliotecário no Brasil. Brasília, DF: Conselho Federal de 
Biblioteconomia, 2009. p. 94-129.
HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do espírito. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 
1997.
PORTAL DO CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Disponível 
em: http://www.cfb.org.br. Acesso em: 2 jun. 2006.
RASCHE, F. Ética e deontologia: o papel das associações profissionais. 
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 10, n. 
2, p. 175-188, jan./dez. 2005.
SENNETT, R. A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho 
no novo capitalismo. 9. ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
SOUZA, F. das C. de. Ética e deontologia: textos para profissionais atuan-
tes em bibliotecas. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2002.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 157
Considerações finais
A estratégia de reunir, nessa obra, os conceitos de alguns dos 
autores mais conceituados nas pesquisas teóricas da Biblioteco-
nomia e da Ciência da Informação foi empregada não só com o 
intuito de reunir os estudos por eles realizados em um único vo-
lume, mas também para analisar suas ideias perante o ambiente 
mutante do Séc. XXI. Todo o conteúdo resultante deverá servir 
para a construção de repositórios individuais de conhecimentos 
dos alunos, os quais deverão utilizá-los com vistas a ampliar as 
suas oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Algumas contribuições expostas demonstraram que esse 
mercado exige do profissional uma nova visão de mundo, mais 
globalizada e articulada com as necessidades intrínsecas das or-
ganizações em que irão exercer suas atividades.
A título de contribuição final, são revelados os objetivos da au-
tora quanto à divisão dos tópicos da obra, que por sua vez refletem 
a discriminação do conteúdo da disciplina ministrada no CBG.
A Unidade 1 – pontuando vários conceitos sobre os termos �
“Dado, Informação e Conhecimento” – teve por objetivo 
apresentar as diversas abordagens sobre os mesmos, res-
saltando suas semelhanças e diferenças e como o emprego 
desses conceitos poderá apoiar o entendimento das áreas de 
Biblioteconomiae Ciência da Informação. Nessa Unidade, 
ainda, as noções emanadas dos temas “Processo de Comu-
nicação” e “Ciclo da Informação” deverão servir para que os 
leitores possam entender a influência desses tópicos na con-
dução das atividades referentes às Unidades de Informação, 
principalmente, nas questões pertinentes à organização e ao 
acesso à informação.
A Unidade 2 – considerando a Biblioteconomia, a Arquivolo- �
gia, a Museologia e a Documentação como áreas afins – pre-
158 Considerações finais
tendeu destacar que a afinidade dessas disciplinas é decor-
rente do elemento comum com que elas estão envolvidas: a 
informação. Por outro lado, o reconhecimento do paradigma 
da Biblioteconomia, entendendo a biblioteca como uma insti-
tuição social, conduziu a uma reflexão sobre a relevância do 
papel do bibliotecário como agente de mudança social. Em 
relação aos eventos históricos descritos, espera-se que eles 
possam servir para que o público-alvo dessa obra se cons-
cientize da relevância das áreas em que atuam, ou irão atuar, 
fazendo com que eles possam assim impulsionar o reconheci-
mento da profissão pela sociedade. Finalmente, os exemplos 
de aplicação da Informática na Biblioteconomia e na Ciência 
da Informação mostraram como o impacto da tecnologia nas 
duas áreas ajudou a intensificar o seu crescimento e, também, 
a perceber como é imperativo para o profissional manter-se 
atualizado em relação aos avanços tecnológicos.
A Unidade 3 dedica-se ao tópico de formação profissional do �
bibliotecário, salientando o caráter essencial da adequação 
constante dos currículos dos cursos, em função dos rumos 
da sociedade. Ao traçar o perfil do profissional compatível 
com as demandas do mercado do Séc. XXI, a Unidade des-
taca, também, a importância de ampliar seus conhecimen-
tos sobre as técnicas gerenciais, as quais irão apoiá-los no 
gerenciamento dos recursos inseridos nas diferentes unida-
des de informação. Por fim, a descrição do elenco de postos 
onde o bibliotecário pode atuar, assim como dos segmentos 
potenciais ainda a desbravar, conduz à compreensão de que 
inúmeras oportunidades se descortinam para esses profissio-
nais, que precisam entender que seu sucesso dependerá de 
seu investimento pessoal em uma boa formação e em manter 
um aprendizado ao longo de toda a sua vida.
A Unidade 4 se ocupou em apresentar os órgãos de classe �
e a legislação bibliotecária, com a finalidade de esclarecer 
para cada profissional, sobre os preceitos legais que regem a 
sua profissão, conclamando-os a participar dos movimentos 
associativos, para que eles possam reconhecer o valor da pro-
fissão que escolheram e difundir esse sentimento para toda a 
sociedade. Essa Unidade finaliza a obra com a reflexão sobre 
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 159
a ética profissional do bibliotecário, ressaltando a importân-
cia desse instrumento para o sucesso da atuação desse pro-
fissional.
A título de contribuição final para alunos e profissionais, a 
quem essa obra possa interessar, seguem-se as palavras de Schu-
macher, que sintetizam as ideias da autora a respeito do elemento 
indispensável ao sucesso profissional: 
“A Educação é o mais vital de todos os recursos”.83
83. SCHUMACHER, E. F.. O negócio é ser pequeno. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.
160 Glossário
Glossário
ABEBD – Associação Brasileira de Escolas de Biblioteconomia e 
Documentação
Foi fundada em 9 de janeiro de 1967, como uma sociedade civil, em âm-
bito nacional e duração ilimitada, sem intuitos econômicos. Apresentava 
como finalidades principais as de: congregar os professores das escolas 
de Biblioteconomia e Documentação do Brasil, mantendo sua unidade 
na solução de seus problemas; planejar o desenvolvimento da formação 
biblioteconômica; preconizar medidas que objetivassem a formação e 
aperfeiçoamento do pessoal docente; patrocinar estudos visando à re-
solução de problemas econômicos, científicos e técnicos da Biblioteco-
nomia. Sai do cenário em 2001, quando é criada a Abecin (extraído de 
documentos da ABEBD).
Abecin – Associação Brasileira de Ensino em Ciência da Informação
Entidade constituída, em 2001, com a finalidade de assegurar o deba-
te sobre a formação de pessoas comprometidas com a manutenção e a 
ampliação de um corpo profissional atuante nos campos das práticas da 
Ciência da Informação. Sua missão guarda relação direta com o conjunto 
de interesses e visões de mundo e com o ideário de permanência des-
se corpo profissional na sociedade (PORTAL da Abecin. Disponível em: 
http://www. Abecin.org.br. Acesso em: 8 dez. 2009).
Aloísio Teixeira (1944 -)
Graduado em Economia pela Faculdade de Ciências Políticas e Econô-
micas do Rio de Janeiro (1978), mestre pela Universidade Federal do 
Rio de Janeiro (1983) e doutor pela Universidade Estadual de Campinas 
(1993). Atualmente é Professor Titular da Universidade Federal do Rio 
de Janeiro. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Eco-
nomia do Bem-Estar Social. Ocupa o cargo de Reitor da Universidade 
Federal do Rio de Janeiro, em seu segundo mandato (2007-2011) (PLA-
TAFORMA LATTES).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 161
Ambiente 21 
Cenário de intensas mudanças, no qual os conhecimentos científico e 
tecnológico se constituem em insumos básicos das organizações e onde 
as palavras de ordem são: flexibilidade, celeridade, autonomia, inovação 
e competitividade.
Ancib - Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência 
da Informação & Biblioteconomia 
Sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em junho de 1989, com a 
finalidade de acompanhar e estimular as atividades de ensino de pós-
graduação e de pesquisa em Ciência da Informação no Brasil. Desde sua 
criação, tem se projetado, no país e fora dele, como uma instância de 
representação científica e política importante para o debate das questões 
pertinentes à área de informação (PORTAL da Ancib: http://www.ancib.
br . Acesso em: 8 dez. 2009).
Arquivística 
Princípios e técnicas que devem ser seguidos na constituição, organiza-
ção, gerência, desenvolvimento e utilização de arquivos (CUNHA; CA-
VALCANTI, 2008).
Arquivologia
Disciplina que tem por objeto o conhecimento dos arquivos e dos prin-
cípios e técnicas a serem observados na sua constituição, organização, 
desenvolvimento e utilização (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Barreiras 
Fatores que afetam a comunicação da informação do emissor para o re-
ceptor (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Benjamin Franklin Ramiz Galvão (1870-1882) 
Historiador, educador e médico. Foi professor da Faculdade de Medicina 
do Rio de Janeiro e, desde 1822, preceptor dos príncipes filhos da prin-
cesa Isabel, D. Pedro e D. Luís, função que manteve até 1889. Em 1928, 
foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, aonde mais tarde chegou 
a presidente (CASTRO, 2000).
162 Glossário
Bibliófilo 
O que tem amor a livros, colecionador de livros (CUNHA; CAVALCANTI, 
2008).
Bibliografia 
Instrumento indispensável para o controle e a divulgação do desenvol-
vimento científico e tecnológico e para o seu aperfeiçoamento (ZAHER; 
GOMES, 1972).
Biblioteca de Alexandria 
A maior e mais célebre da Antiguidade. Fundada por Ptolomeu I, no iní-
cio do século III a.C. (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Biblioteca do Congresso 
Maior biblioteca dos Estados Unidos, localizada na capital daquele país, 
Washington, DC. Possui mais de 130 milhões de itens diferentes, dispo-
níveis em cerca de 480 idiomas. Foi inaugurada em 24 de abril de 1800, 
quando o presidente norte-americano John Adams assinou um Ato do 
Congresso transferindo a sede de governo nacional da Filadélfia para a 
nova capital federal, Washington (WIKIPÉDIA).
Biblioteca monástica
Biblioteca vinculada a um mosteiro (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Biblioteca Universal 
Bibliotecade referência, idealizada por Paul Otlet e Henri La Fontaine, 
que reuniria o registro de todo o conhecimento humano, em fichas de 
12,5cm por 7,5cm, as quais foram criadas por eles. Não conteria acervos, 
e sim a localização dos documentos ali referenciados. Foi materializada 
com a construção do Mundaneum, que chegou a reunir cerca de 15 mi-
lhões de fichas, em 1930.
Biblioteca virtual
Ambiente estruturado para fornecer o acesso a um grande volume de 
informações através do uso de recursos de software que simulam o am-
biente de uma biblioteca real na tela do computador (SOUSA, 2008).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 163
Biblioteconomia
Área do conhecimento que se ocupa com a organização e a administra-
ção das bibliotecas e outras unidades de informação, além da seleção, 
aquisição, organização e disseminação de publicações primárias sob dife-
rentes suportes físicos (TARGINO, 2006).
Canal
Meio de transporte da mensagem do emissor para o receptor no modelo 
de comunicação (LUONGO MEDINA, 1991).
Caos documentário 
Existência de um grande volume de papéis e documentos dispersos, onde 
o que se procura não é encontrado (adaptado de BAPTISTA, 2004).
Capistrano de Abreu (1853-1927)
Historiador e jornalista. Tornou-se, por concurso, funcionário da Biblio-
teca Nacional. Colaborou no grande Catálogo da Exposição de História 
do Brasil, da Biblioteca Nacional (CASTRO, 2000).
Carlos Lessa (1937-)
Formado em Economia pela Universidade do Brasil, em 1959, é doutor 
em Economia. Foi eleito Reitor da Universidade Federal do Rio de Janei-
ro em 2002. Desde 1978, é professor titular de Economia Brasileira no 
Instituto de Economia da UFRJ. Autor de 12 livros, é destacado por ter 
uma biblioteca pessoal com mais de 20 mil volumes, com especialização 
em História do Brasil (PLATAFORMA LATTES).
Ciclo da informação
A proposta original de Lancaster apresenta o modelo do ciclo da infor-
mação – também conhecido como transferência da informação – focali-
zando os processos de produção, acumulação, uso de conhecimentos e 
produtos (adaptado de DODEBEI, 2002).
Ciência da Informação 
A ciência que investiga as propriedades e o comportamento da infor-
mação, as forças que governam o fluxo da informação e os meios de 
164 Glossário
processamento da informação para acessibilidade e usabilidade ótimas 
(SHERA, 1977 apud BRAGA, 1995).
Classificação Decimal de Dewey (CDD) 
Ferramenta de organização do conhecimento mais usada no mundo, de 
autoria do bibliotecário americano Melvil Dewey, cuja primeira edição 
data de 1876. É uma classificação que comporta 10 classes principais: 
000 – Generalidades; 100 – Filosofia; 200 – Religião; 300 – Ciências 
Sociais; 400 – Linguística ; 500 – Ciências Puras; 600 – Tecnologia; 700 
– Belas Artes; 800 – Literatura; 900 – História e Geografia; e subdivisões 
comuns de lugar e forma (SANTOS; RIBEIRO, 2003).
Classificação Decimal Universal (CDU) 
Foi elaborada pelos advogados belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine em 
1896; tem como base a CDD e é atualizada pela Federação Internacional 
de Documentação (FID). A base da CDU é constituída por nove classes 
especiais e uma classe geral, seguindo o mesmo esquema da CDD: 0 – 
Generalidades; 1 – Filosofia; 2 – Religião-Teologia; 3 – Ciências Sociais; 
5 – Ciências Puras; 6 – Ciências Aplicadas-Medicina-Tecnologia; 7 – Be-
las Artes; 8 – Linguística-Literatura; 9 – Geografia-Biografia-História. A 
classe 4 foi agrupada à classe 8, ficando vaga para futuras expansões 
(SANTOS; RIBEIRO, 2003).
CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
Agência do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), destinada ao fo-
mento da pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos hu-
manos para a pesquisa no país (SOUSA, 2008).
Código 
Conjunto de símbolos que mediante uma convenção apresentam dados 
(SOUSA, 2008).
Codificação
Ação de escrever uma lista de instruções que irão fazer com que o com-
putador execute uma série e operações (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 165
Comunicação
Processo de transferência da informação de uma pessoa ou de um equi-
pamento para outra pessoa ou outro equipamento (CUNHA; CAVALCAN-
TI, 2008).
Conhecimento
Informação aceita e assimilada pelo indivíduo que modifica seu estado 
cognitivo de compreensão de uma determinada realidade que o possibili-
ta construir, reconstruir essa realidade e agir sobre ela (SOUSA, 2008).
Conhecimento científico 
Conhecimento que segue um método em sua organização e que pode 
ser provado, medido ou comparado (SOUSA, 2008).
Conhecimento empírico
É o conhecimento obtido ao acaso, após inúmeras tentativas, ou seja, o 
conhecimento adquirido através de ações não planejadas (BELLO, 2004).
Conhecimento explícito 
Conhecimento registrado em algum suporte de informação e que carac-
teriza um saber formalizado (SOUSA, 2008).
Conhecimento filosófico
É fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento especu-
lativo sobre fenômenos, gerando conceitos subjetivos. Busca dar sentido 
aos fenômenos gerais do universo, ultrapassando os limites formais da 
ciência (BELLO, 2004).
Conhecimento popular ver Conhecimento empírico
Conhecimento religioso
Também chamado de conhecimento teológico. Conhecimento revelado 
pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por sua origem, ser con-
firmado ou negado. Depende da formação moral e das crenças de cada 
indivíduo (BELLO, 2004).
166 Glossário
Conhecimento tácito 
Acúmulo de saber prático sobre um determinado assunto, que agrega 
convicções, crenças, sentimentos, emoções e outros fatores ligados à ex-
periência e à personalidade de quem o detém (CUNHA; CAVALCANTI, 
2008).
Controle bibliográfico universal
Programa desenvolvido pela Ifla e pela Unesco, entendido como uma 
rede universal de controle e intercâmbio de informação bibliográfica, 
com o objetivo de reunir e disponibilizar, de forma eficiente, os registros 
da produção intelectual editada em todos os países (SOUSA, 2008).
Dado 
Representação padronizada de fatos, conceitos ou instruções, de forma 
a permitir a comunicação, interpretação ou processamento por meios 
humanos ou automáticos (SANTOS; RIBEIRO, 2003).
Decodificação 
Ato ou efeito de transformar a informação em um formato (origem) para 
outro formato final (destino) (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Deontologia
Código moral das regras e procedimentos próprios a determinada cate-
goria profissional (conceito atribuído por Jeremy Bentham, em JAPIAS-
SU; MARCONDES, 1993).
Documentação 
Conjunto de conhecimentos e técnicas que tem como finalidade o trata-
mento, a organização, a difusão e a utilização de documentos de qual-
quer gênero ou natureza (SOUSA, 2008).
Documento 
Suporte de informação (...) que pode ser o livro, a revista, o jornal, a 
peça de arquivo, a estampa, a fotografia, a medalha, a música, o filme, o 
disco... (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 167
Edson Nery da Fonseca (1921-)
Nasceu no Recife; estudou Biblioteconomia de 1946 a 1947, nos cursos 
da Biblioteca Nacional. Estagiou na biblioteca da FGV; retornou ao Recife 
em 1948, onde organizou e foi professor do 1º curso de Biblioteconomia 
do Nordeste. Na Universidade do Recife, dirigiu a reforma das bibliotecas 
da Faculdade de Direito e da Escola de Engenharia, organizou e dirigiu o 
curso de Biblioteconomia. Sob os auspícios do INL, ministrou cursos in-
tensivos para bibliotecários do interior de Pernambuco, Paraíba, Maceió 
etc. Foi chefe da Biblioteca Demonstrativa Castro Alves, no Rio de Janei-
ro, bibliotecário do Dasp e diretor do Serviço de Bibliografia do IBBD. 
Em 1962, foi contratado pela UnB, como professor associado, e lá dirigiu 
a Biblioteca Central,a Faculdade de Biblioteconomia e a Faculdade de 
Estudos Sociais Aplicados. Consultor de entidades internacionais, como 
a Biblioteca do Congresso Americano (CASTRO, 2000). 
Emissor 
Um dos protagonistas do ato da comunicação: aquele que, num dado 
momento, emite uma mensagem para um (ou mais de um) receptor ou 
destinatário (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Entropia 
Grau de desorganização em um conjunto de informações ou dados 
(CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Ética 
Parte da Filosofia responsável pela investigação dos princípios que moti-
vam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, re-
fletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores, pres-
crições e exortações presentes em qualquer realidade social ( HOUAISS; 
VILLAR; FRANCO, 2009).
Explosão da informação 
Acúmulo da literatura técnica e científica nas várias áreas do conheci-
mento, gerando uma enorme quantidade de informação (CUNHA; CA-
VALCANTI, 2008).
168 Glossário
Gestão Eletrônica de Documentos
Tecnologia que facilita o armazenamento, localização e recuperação de 
informações estruturadas ou não, em formato digital, durante todo o seu 
ciclo de vida (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Gymnasium
Local onde os atletas faziam seus exercícios, durante os jogos olímpicos, 
na Grécia antiga.
Henri La Fontaine (1854-1943) 
Jurista e homem de Estado belga, foi senador de 1894 até 1936, e 
presidente do International Peace Bureau, de 1907 até ser agraciado 
com o Prêmio Nobel da Paz, em 1913 (Adaptado de: Encyclopedia.
com. Disponível em: http://www.encyclopedia.com/searchresults.
aspx?q=Henri+La+Fontaine. Acesso em: 08 dez. 2009).
IBBD - Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação
Criado por meio do decreto nº 35.124, de 27 de fevereiro de 1954, com 
o objetivo de promover a criação e o desenvolvimento dos serviços es-
pecializados de bibliografia e documentação; estimular o intercâmbio 
entre bibliotecas e centros de documentação, no âmbito nacional e inter-
nacional; incentivar e coordenar o melhor aproveitamento dos recursos 
bibliográficos e documentários do país, tendo em vista, em particular, sua 
utilização pela comunidade científica e tecnológica (SOUSA, 2008).
Ibict - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia 
Criado em 1976, a partir da transformação do IBBD, vinculado ao Minis-
tério de Ciência e Tecnologia; exerce as funções de órgão nacional para 
a política de informação cientifica e tecnológica (CUNHA, CAVALCANTI, 
2008).
Incerteza 
Uma medida de ignorância organizacional do valor de uma variável no 
espaço informacional (SOUSA, 2008).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 169
Informação 
Conjunto de dados significativos organizados de forma que facilite a ma-
nipulação e o processamento dos mesmos (SOUSA, 2008).
Informática 
Termo correspondente ao francês informatique, criado em 1962, por Phi-
lipe Dreyfus, para designar a ciência do tratamento racional da informa-
ção, considerada como o suporte dos conhecimentos e das comunicações 
nos domínios técnico, econômico e social, realizado através de máquinas 
automáticas (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
INL - Instituto Nacional do Livro 
Entidade federal, criada em 1937, para estimular a produção, o apri-
moramento do livro e a melhoria dos serviços bibliotecários (extinto em 
12/04/1990) (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Internet 
Rede das redes de computadores, de alcance mundial, que utiliza um 
protocolo comum de comunicações (TCP/IP). Desenvolveu-se a partir 
da Arpanet e atualmente liga todos os países (CUNHA; CAVALCANTI, 
2008).
Laura Garcia Moreno Russo 
Carioca, graduada em Biblioteconomia pela Escola Livre de Sociologia e 
Política e em Direito pela Universidade de São Paulo, em 1975. Como bi-
bliotecária exerceu diversos cargos públicos: Santa Casa de Misericórdia 
de São Paulo, Academia Paulista de Letras, Diretora da Biblioteca Mário 
de Andrade. Foi a primeira presidente da Febab (1961/1974) e a pri-
meira presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia (1966/1968) 
(CASTRO, 2000).
Lydia de Queiroz Sambaqui 
Paraense, graduada em Biblioteconomia pelo Curso Superior da Biblio-
teca Nacional, em 1938, e pela Columbia University, em 1942. Exer-
ceu diversos cargos: chefe do Serviço de Intercâmbio de Catalogação 
170 Glossário
da FGV (1937/1953); bibliotecária do Ministério da Educação e Saúde 
(1941/1943); presidente do IBBD (1954/1965); vice-presidente da FID 
(1959/1962); responsável pelo Serviço de Bibliotecas do MEC. Realizou 
diversas viagens ao exterior para visitar bibliotecas, estudar e participar 
de eventos científicos (CASTRO, 2000). 
Manuel Cícero Peregrino da Silva (1866-1956) 
Nascido em Recife, se formou em Direito, em 1885. Na mesma Faculdade 
de Direito, recebeu o título de doutor, em 1895. Dentre os cargos que 
exerceu, destacam-se: bibliotecário da Faculdade de Direito de Recife; 
diretor geral da Biblioteca Nacional; professor, e depois reitor, da Facul-
dade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (CASTRO, 2000).
Melvil Dewey (1851-1931) 
Pioneiro da Biblioteconomia americana, criou a Classificação Decimal 
de Dewey, em 1874. Um homem de enorme energia, ocupou um pa-
pel importante nos primeiros momentos da organização das bibliotecas 
nos Estados Unidos. Começou a atuar como bibliotecário em 1874, em 
Amherst, e de 1883 até 1889 foi bibliotecário do Columbia College onde 
estabeleceu a primeira escola de treinamento para bibliotecas. Como bi-
bliotecário da New York State Library criou um novo curso de Biblioteco-
nomia. Dewey fundou a American Library Association e o Library Journal 
(THE COLUMBIA…, 2008).
Memex
Equipamento imaginado por Vannevar Bush, na década de 1940, no qual 
o usuário armazenaria todos os seus livros, registros e comunicações, de 
maneira que poderiam ser consultados com extrema velocidade e flexi-
bilidade, de modo similar aos atuais hipertextos (CUNHA; CAVALCANTI, 
2008).
Mensagem 
É o sinal ou o conjunto de sinais ou símbolos que tem significação própria 
para quem o vê, ouve, sente e interpreta, induzindo-o a novo estado de 
espírito ou a uma atitude não considerada (NUNES, 1973).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 171
Método científico
Processo sistemático de aquisição de conhecimento que segue uma sé-
rie de passos interdependentes que, para efeitos didáticos, podem ser 
apresentados na seguinte ordem: definição do problema (obstáculo ou 
pergunta que necessita de uma solução); formulação de hipótese (expli-
cações para o problema); raciocínio dedutivo (dedução de implicações 
das hipóteses formuladas); coleta de dados (observação, teste e experi-
mentação das implicações deduzidas das hipóteses – teste de hipótese); 
rejeição ou não das hipóteses (análise dos resultados para determinar se 
há evidências que rejeitam, ou não, as hipóteses) (CUNHA; CAVALCAN-
TI, 2008).
Mídia 
Designação dos meios de comunicação social, como jornais, revistas, ci-
nema, vídeo e rádio (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Mundaneum
Projetado pelo grande arquiteto Le Corbusier, abrigava atividades cientí-
ficas, documentárias, educativas e sociais e tinha por princípios de orga-
nização as ideias de totalidade, simultaneidade, gratuidade, voluntarie-
dade, universalidade e mundialidade. Reunia a pesquisa com seminário 
e laboratório; a documentação com biblioteca, bibliografia e arquivos 
enciclopédicos; o ensino com cursos semanais e quinzenais; o congresso, 
com assembleias e comissões. Foi fechado pelo governo belga em 1934 
(RAYWARD, 1997).
Museologia 
Conjunto de conhecimentos científicos e técnicos aplicados à conserva-
ção, classificação e gestão dos acervos dos museus (CUNHA; CAVALCAN-
TI, 2008).
Paradigma 
Segundo Thomas S. Kuhn, o termo representa as formulações teóricas 
que servem, implicitamente, porum período de tempo, para legitimar 
problemas e métodos em um campo do conhecimento (CUNHA; CAVAL-
CANTI, 2008).
172 Glossário
Paul Otlet (1868-1944) 
Nascido em Bruxelas, sob o nome de Paul Marie Gislain Otlet, foi autor, 
empresário, visionário, advogado e ativista da paz; considerado como 
um dos pais da Ciência da Informação, uma área que ele chamava de 
“documentação”. Otlet criou a Classificação Decimal Universal, um dos 
exemplos mais proeminentes da documentação facetada; foi responsável 
pela adoção na Europa do padrão americano de 3x5 polegadas, índice de 
cartão usado até recentemente na maioria dos catálogos de biblioteca em 
todo o mundo, substituído com o advento de catálogos on-line de acesso 
público (Opac). Otlet escreveu diversos ensaios sobre a forma de recolher 
e organizar o mundo do conhecimento, culminando em dois livros: Trai-
té de documentation (1934) e Monde: Essai d’universalisme (1935). Em 
1907, na sequência de uma grande conferência internacional, Henri La 
Fontaine e Otlet criaram o Escritório Central de Associações Internacio-
nais, que foi renomeado para União das Associações Internacionais, em 
1910, e que ainda está localizado em Bruxelas. Eles também criaram um 
grande centro internacional chamado primeiramente de Palais Mondial 
(World Palace) e, mais tarde, de Mundaneum, para abrigar as coleções e 
as atividades dos seus diversos organismos e institutos. Otlet também foi 
um idealista e ativista da paz, engajando ideias políticas internacionais 
que foram incorporados na Liga das Nações e do seu Instituto Internacio-
nal de Cooperação Intelectual (precursora da Unesco), trabalhando jun-
tamente com o seu colega Henri La Fontaine, que ganhou o Prêmio Nobel 
da Paz em 1913, para atingir os seus ideais políticos de um novo mundo 
que eles viram decorrer da difusão global da informação e a criação de 
novos tipos de organizações internacionais (WIKIPÉDIA).
Processo de comunicação 
Produção, transmissão e processamento de dados, ou mensagens, trans-
feridos de um ponto a outro (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Profissional da informação 
Profissional que coleta, processa e difunde informação; mediador da in-
formação, tendo habilidades e conhecimentos para lidar com ela, geran-
do valor agregado para atingir os objetivos de uma organização (CUNHA; 
CAVALCANTI, 2008).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 173
Receptor 
Um dos protagonistas do ato da comunicação; aquele a quem se dirige a 
mensagem; aquele que recebe a informação e a decodifica, isto é, trans-
forma os impulsos físicos (sinais) em mensagem recuperada (CUNHA; 
CAVALCANTI, 2008).
Recuperação da informação 
Termo que engloba os aspectos intelectuais da descrição de informações 
e suas especificidades para a busca, além de quaisquer sistemas, técnicas 
ou máquinas empregadas para o desempenho da operação (MOOERS, 
1951 apud OLIVEIRA, 2005).
Redes de informação 
Rede formada por organismos de informação, tais como: arquivos, ban-
cos de dados, bibliotecas e centros de informação, geograficamente dis-
persos, com o intuito de possibilitar o atendimento a maior número de 
usuários da informação (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Redundância 
Parte da mensagem que pode ser eliminada, sem perda de dados essen-
ciais. Na teoria da informação, é a repetição deliberada em uma men-
sagem, com a finalidade de diminuir a possibilidade de erro (CUNHA; 
CAVALCANTI, 2008).
Retroalimentação
Qualquer processo por intermédio do qual uma ação é controlada pelo 
conhecimento do efeito de suas respostas (HOUAISS; VILLAR; FRANCO, 
2009).
Rubens Borba de Moraes (1899-1986)
Paulista de Araraquara; graduou-se em Letras na Universidade de Gene-
bra, Suíça. Exerceu diversos cargos, dentre eles o de diretor da Biblioteca 
Municipal de São Paulo, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, do 
Centro de Informações da ONU, em Paris, e da Biblioteca da ONU, em 
Nova Iorque. Idealizador, diretor e professor do primeiro curso de Biblio-
174 Glossário
teconomia de São Paulo. Fundou a primeira associação de bibliotecários 
do Brasil, em 1938, a Associação Paulista de Bibliotecários (CASTRO, 
2000).
Ruído 
Dados irrelevantes obtidos na recuperação da informação por deficiência 
da programação ou por tratamento inadequado da informação (CUNHA; 
CAVALCANTI, 2008).
Scriptorium 
Local, nos mosteiros medievais, destinado à leitura e cópia de manuscri-
tos (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Senso comum 
Conjunto de opiniões tão geralmente aceitas em época determinada que 
as opiniões contrárias apareçam como aberrações individuais (CUNHA; 
CAVALCANTI, 2008).
SIC - Serviço de Intercâmbio de Catalogação 
Esforço de catalogação cooperativa de monografias, iniciado em setem-
bro de 1942, vinculado ao antigo Departamento Administrativo do Ser-
viço Público (Dasp); em 1947, passou a ser subordinado à Fundação 
Getúlio Vargas (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Sinal 
Símbolo convencional que se destina a transmitir uma informação 
(CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Sociedade da informação
Etapa do desenvolvimento da sociedade que se caracteriza pela abun-
dância de informação organizada (OLIVEIRA, 2005).
Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs)
Tecnologias e métodos para comunicar, surgidas no contexto da Revolu-
ção Informacional, “Revolução Telemática” ou Terceira Revolução Indus-
trial (pt. wikipediaa.org/wiki/NTICs).
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 175
Teoria Matemática da Informação 
Estudo dos aspectos probabilísticos da transmissão de dados, quando 
confrontada com o ruído (CUNHA; CAVALCANTI, 2008).
Traité de Documentation: le Livre sur le Livre: Théorie et Pratique 
Publicada em 1934, a obra representa a maturidade do pensamento de 
Paul Otlet sobre a organização e o acesso ao conhecimento. No Traité, 
o autor define o objeto de estudo da documentação – o documento –, 
propõe metodologias e técnicas para estudá-lo, sinalizando também para 
a necessidade de criar algumas interdisciplinas, constituídas pelas inter-
faces com a sociologia, psicologia, lógica, linguística, estatística, entre 
outras. Essa visão ampla revolucionou não só o modo de trabalhar com a 
informação no seu tempo, mas também teve impactos que perduram até 
hoje (SANTOS, 2007).
Transferência da informação 
Conjunto de operações envolvidas na transmissão da informação, desde 
sua geração, passando pelo processamento, difusão e uso (CUNHA; CA-
VALCANTI, 2008).
Unidades de informação 
Conceito mais amplo de biblioteca, é uma unidade que trata da informa-
ção, desde a organização até sua difusão (base de dados; agência, centro, 
serviço ou sistema de informação; telecentro; videoteca; mapoteca etc.) 
(adaptado de OLIVEIRA, 2005).
Uniterm 
Designa o sistema de indexação, criado por Mortimer Taube, que relacio-
nava em fichas, sob cada termo de indexação, os números corresponden-
tes a itens/documentos relativos a esse termo (CUNHA; CAVALCANTI, 
2008).
Vannevar Bush (1890-1974)
Engenheiro elétrico, físico, inventor e político nascido em Everett, 
 Massachusetts, conhecido pelo seu papel político no desenvolvimento da 
bomba atômica e pela ideia da Memex (1945), visto como um conceito 
pioneiro, precursor da world wide web (REDE..., [19--?])
176 Glossário
Referências
BAPTISTA, D. M. Do caos documentário à gerência da informação. Ciên-
cia da Informação. Brasília, DF, v. 23, nº 2, p. 239-248, maio/ago. 2004.
BELLO, J. L. de P. Metodologia científica. Rio de Janeiro, 2004. Disponível 
em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/met01.htm. Acesso em: 8 dez. 
2009.
BRAGA, G. M. Informação, Ciência da Informação: breves reflexões em 
três tempos. Ciência da Informação, Brasília, DF, v.24, n.1, 1995.
CASTRO, C. A. de. História da Biblioteconomia brasileira: perspectiva his-
tórica. Brasília, DF: Thesaurus, 2000.
THECOLUMBIA ENCYCLOPEDIA. Melvil Dewey. 6th ed. 2008. Disponível 
em: http://www.encyclopedia.com/topic/melvil_dewey.aspx Acesso em: 
8 dez. 2009.
CUNHA, M. B. da; CAVALCANTI, C. R. de O. Dicionário de Bibliotecono-
mia e Arquivologia. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros, 2008.
DODEBEI, V. L. D. Tesauro: linguagem de representação da memória do-
cumentária. Niterói; Rio de Janeiro: Intertexto; Interciência, 2002.
HOUAISS, A.; VILLAR, M. de S.; FRANCO, F. M. DE M. Dicionário Houaiss 
da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
JAPIASSU, H.; MARCONDES, D. Dicionário básico de Filosofia. 2. ed. Rio 
de Janeiro: J. Zahar, 1993.
LUONGO MEDINA, A. G. L. Geração, fluxo e uso da informação em ocu-
pações de agências de turismo do Rio de Janeiro: estudo preliminar. 1991. 
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação). Escola de Comunica-
ção. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1991.
NUNES, M. R. O estilo na comunicação. Rio de Janeiro: Agir, 1973.
OLIVEIRA, M. de (Coord.). Ciência da Informação e Biblioteconomia: no-
vos conteúdos e espaços de atuação. Belo Horizonte: UFMG, 2005.
RAYWARD, W. B. The origins of information science and the Internation-
al Institute of Bibliography/International Federation for Information and 
Documentation (FID). Journal of the American Society for Information 
Science, New York, v. 48, nº 4, p. 289-300, Apr. 1997.
REDE NETSABER. NetSaberBiografias, [19--?] Disponível em: http://
www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_3301.html. Acesso em: 
8 dez. 2009.
SANTOS, G. C. dos; RIBEIRO, C. M. Acrônimos, siglas e termos técnicos: 
Arquivística, Biblioteconomia, Documentação, Informática. São Paulo: 
Átomo, 2003.
Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 177
SANTOS, P. Paul Otlet: um pioneiro da organização das redes mundiais 
de tratamento e difusão da informação registrada. Ciência da Informação. 
Brasília, DF, v. 36, nº 2, p. 54-63, maio/ago. 2007.
SOUSA, B. A. de. Glossário: Biblioteconomia –Arquivologia – Comuni-
cação - Ciência da Informação. 2. ed. rev. e atual. João Pessoa: UFPB, 
2008.
TARGINO, M. das G. Olhares e fragmentos: cotidiano da Biblioteconomia 
e da Ciência da Informação. Teresina: UFPI, 2006.
WIKIPEDIA: a enciclopédia livre. Paul Otlet. Disponível em: http://
pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Otlet. Acesso em: 8 dez. 2009.
ZAHER, C.; GOMES, H. E. Da bibliografia à Ciência da Informação: um 
histórico e uma posição. Ciência da Informação. Brasília, DF, v. 1, nº 1, p. 
5-7, 1972.

Mais conteúdos dessa disciplina