Fibrose Pulmonar Idiopática
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Fibrose Pulmonar Idiopática


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Dezembro de 2002, UFRGS, Porto Alegre - RS
ESTUDO DE CASO \u2013 PATOLOGIA CRÔNICA\ufffd
Amanda Jaira Mussiol\ufffd; Estevan Guterres de Oliveira\ufffd; Milena Pereira Tonatto4; Rafaela Tadia Ferreira5; Elenice Spagnolo Martins6; Regina Gema Santini Costenaro7.
RESUMO
O presente estudo, objetiva relatar o caso sobre a patologia crônica de fibrose pulmonar idiopática. Trata-se de um relato de acompanhamento a uma paciente durante um certo tempo a partir do desencadeamento da doença. As atividades foram desenvolvidas no segundo semestre de 2017, por cinco acadêmicos do primeiro semestre da disciplina de Processos Bioquímicos, Anatômicos e Fisiológicos do Ser Humano, do Curso de Enfermagem, do Centro Universitário Franciscano.
Palavras-chave: Fibrose pulmonar idiopática/diagnóstico; Fibrose pulmonar idiopática/terapia; Fibrose pulmonar idiopática/reabilitação. 
1. INTRODUÇÃO
	
	A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma das doenças pulmonares intersticiais mais comuns. Tem caráter crônico, progressivo, restringe-se ao pulmão e é a causa desconhecida, acometendo preferencialmente adultos a partir da meia idade \u2014 idade média ao diagnóstico de 66 anos, variando de 55 a 75 anos. Histologicamente se manifesta no padrão de pneumonia intersticial usual (PIU), e esse padrão histológico pode ser inferido a partir de achados radiográficos típicos em muitos casos (DOURADO; KAIRALLA; CARVALHO, 2013).
	Conforme ALVES (2008) a SAE é uma metodologia de trabalho, nos possibilitando a organização, planejamento e avaliação do cuidado prestado. É uma ferramenta importante para nós enfermeiros alcançarmos qualidade da assistência, melhorar a comunicação entre a equipe, priorizar as necessidades de cada paciente e ainda desenvolvermos ações relacionadas em conhecimento técnico cientifico.
	Desta forma este trabalho teve como objetivo relatar o caso de uma paciente portadora de fibrose pulmonar idiopática, implementando a sistematização da assistência de enfermagem.
2. REFERÊNCIAL TEÓRICO
A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma forma específica de pneumonia intersticial idiopática crônica, fibrosante e de caráter progressivo. Ela ocorre primariamente em adultos idosos, predominantemente nas sexta e sétima décadas, além de ser restrita aos pulmões. O padrão histológico e/ ou radiológico associado à FPI é o de pneumonia intersticial usual (PIU) (DOURADO; KAIRALLA; CARVALHO, 2013). Uma vez confirmado o padrão histológico de PIU associado à FPI, se estabelece um prognóstico significativamente pior do que o observado em outras pneumonias intersticiais crônicas (SWIGRIS; BROWN, 2006). Daí a necessidade do estabelecimento de diagnósticos acurados de FPI, o que, sem dúvida, é um processo desafiador.
Pacientes com FPI exibem mediana de sobrevida de 50% em 2,9 anos, a partir do momento do diagnóstico. Contudo, diante das possibilidades variadas que a história natural da doença pode mostrar, é difícil firmar previsões prognósticas acuradas para um paciente com moléstia recém-diagnosticada (SWIGRIS; BROWN, 2006).
	Os sintomas comumente associados à FPI são inespecíficos: tosse seca e dispneia progressiva. Muitas vezes, esses sintomas são negligenciados por anos, sendo atribuídos ao próprio processo de envelhecimento ou a outras comorbidades (por exemplo, tabagismo e DPOC). O tempo entre o aparecimento de sintomas e o diagnóstico varia de meses a anos, tendo em vista o caráter inespecífico e indolente de progressão dos sintomas de modo geral. No exame físico, observam-se estertores do tipo Velcro nas bases pulmonares em até 90% dos pacientes, e o baqueteamento digital pode ser observado em 30-40%, em geral, indicando um pior prognóstico (DOURADO; KAIRALLA; CARVALHO, 2013). Sinais de hipertensão pulmonar também podem estar presentes em fases mais avançadas da doença.
	O pulmão pode fibrosar por inúmeras causas, a mais comum é o grupo da Doença Intersticial Pulmonar. Inúmeras partículas que temos contato no dia a dia podem, com o tempo, facilitar a ocorrência da fibrose pulmonar. Por exemplo, o popular mofo é uma fonte de fungos e bactérias que podem causar doença. Trabalhadores em contato com sílica, pó de vidro e asbesto estão sujeitos a ter a fibrose pulmonar algum dia. Doenças sem envolvimento direto com o pulmão podem também influenciar, como lúpus, artrite reumatoide e refluxo gastroesofágico. Apesar de tudo isso, muitas vezes a causa da fibrose pulmonar não é descoberta, sendo chamada então de fibrose pulmonar idiopática.
	Como várias doenças estão envolvidas no processo da fibrose pulmonar, o diagnóstico correto necessita de avaliação clínica do médico pneumologista, que realizará alguns exames na investigação e diagnóstico da doença.
Os exames mais comuns são a espirometria para avaliação e acompanhamento da função pulmonar, exames de imagem dos pulmões como a radiografia e tomografia computadorizada do tórax e exames de sangue.
Em alguns casos, quando o diagnóstico não é possível por exames comuns, pode ser necessário avaliar o próprio tecido do pulmão, realizando-se uma biópsia pulmonar.
	Até o momento, apesar de nenhum tratamento ser capaz de reverter a fibrose pulmonar, observa-se melhora na qualidade de vida e na função pulmonar. O tratamento pode variar de acordo com os sintomas e a fase da doença. Outros tratamentos não medicamentosos auxiliam no controle da doença. O uso de oxigênio ajuda a melhorar a respiração e auxilia durante as crises de falta de ar. O controle nutricional é muito importante, dada a perda de massa magra, perda de músculo, causando mais fadiga.
É sabido que a reabilitação pulmonar comprovadamente melhora a qualidade de vida e controle dos sintomas, melhora também a função pulmonar que sempre está reduzida nesses pacientes. 
Em casos mais graves, o paciente pode não responder aos tratamentos, momento em que o pneumologista pode indicar o transplante pulmonar.
Infelizmente a fibrose pulmonar é um quadro grave, avançado em que, segundo a literatura médica, o tempo de vida após diagnóstico oscila perto de cinco anos. 
2. METODOLOGIA 
Trata-se de um relato de caso de abordagem qualitativa, desenvolvido de agosto a novembro de 2017, por acadêmicos do primeiro semestre do Curso de Enfermagem, do Centro Universitário Franciscano, como requesito da disciplina teórico prática de fisiologia.
Este estudo foi realizado com uma paciente portadora de fibrose pulmonar idiopática, onde os dados foram coletados na residência da mesma, por meio de uma entrevista. Após esta coleta, os dados obtidos foram analisados e implementado um plano de cuidados por meio da sistematização da assistência de enfermagem (SAE).
3. RESULTADOS
3.1. Histórico de enfermagem
Trata-se do acompanhamento da paciente A. A. F., 87 anos, viúva, aposentada, mora com a filha e o genro. É portadora de fibrose pulmonar idiopática desde os 83 anos, normalmente com FC de 97bpm, SaT02 97%, PA 140/80mHg e FR de 21mrpm. Sendo que aos 80 anos, A. A. F. foi acidentalmente vítima de um tombo em sua residência enquanto andava com o auxílio de uma bengala. Alguns meses depois foi diagnosticado uma gripe aguda que não teve o tratamento adequado desencadeando uma pneumonia, que deixou a paciente acamada durante 1 ano e meio, tanto pela patologia pulmonar instalada quanto pelas complicações da queda, como dores generalizadas pelo corpo. Durante esse período ficou internada, oscilando entre unidade hospitalar e CTI. Neste período, após longo tempo acamada desenvolveu uma lesão por pressão na região sacro coccigea de categoria 2, necessitando de muitos cuidados após alta da CTI. Ao voltar para sua residência, mesmo acamada iniciou somente fisioterapia respiratória. Após seis meses iniciou também com fisioterapia motora, a qual observou-se uma grande evolução na movimentação desta paciente, bem como de seu quadro respiratório. Hoje A. A. F. é cuidada em seu domicilio, porém necessita de oxigênio, fisioterapia e por ainda estar acamada faz uso de fraldas, possuindo uma cuidadora diariamente.