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Relaçao com a criminologia

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Relação com a criminologia
7. Dos fatores externos 
A modalidade de fatores externos ou sociais é mais abrangente e de importância superior que a modalidade interna ou psicológica. Dessarte, é preciso uma explanação mais detalhada de cada fator social que incide sobre o indivíduo e sua formação. Não se deve julgar um criminoso sem ter executado uma análise prévia sobre os fatores condicionantes de sua conduta. Os motivos, causas, e circunstâncias que levam essas pessoas a ingressarem para a vida do crime, não são impostos por eles mesmos. Ou seja, não se deve atribuir-lhes culpa, simplesmente. Diferentemente do que sempre afirma muitas pessoas e também o que nos é apresentado pela mídia, ao julgar uma pessoa que cometeu um crime. Como faz o Sr. José Luiz Datena [19] que por puro sensacionalismo, e de oficio, julga qualquer um, sob qualquer circunstância, sem parar e analisar a situação do culpado, e o que o levou a cometer o crime. Que são causados com a contri-buição de diversos fatores. 
Não se pode ter uma visão única do problema criminal. Deve-se investigar e analisar os fatores, antes das conclusões. Os Fatores Sociais a seguir expostos não podem ser vistos de forma isolada, pois estes se inter-relacionam. 
7.1. Referência e Estrutura 
Está ligada a noção de referência, modelo, que os pais transmitem para os filhos durante o período de evolução e crescimento de uma criança. Estudos e pesquisas realizadas mostram que os pais são a maior influência para uma pessoa, ainda mais em se tratando de uma criança em fase educacional. Logo a sua desestruração irá interferir na forma-ção da pessoa. 
Pais analfabetos, sem condições financeiras, e sem escolaridade, são, sem duvida, um dos grandes males que afetam a sociedade mundial, e isso reflete nas questões sociais. Isso ocorre, devido à sua má formação, ignorância e falta de projeto de vida. Acabam tendo um filho, jogando-o no mundo sem dá-lo a devida atenção, ou por que não o queriam, por total falta de responsabilidade, e por diversos outros motivos. Muitas pessoas que estão abaixo do nível de baixa renda, sem recursos, não se sabe como ou o porquê, tem mais filhos que pessoas com renda considerada regular para a criação de um filho. 
O filho de um casal bem estruturado, que planejou o futuro da criança, seguirá esse exemplo inconscientemente por influência materna e paterna. A família como sendo a primeira instituição que o homem começa a fazer parte, é de extrema importância no combate à criminalidade, pois estes são os responsáveis pela educação dos filhos, imposição de limites aos mesmos, deve instituir valores morais e éticos, devem estar presentes em diversas atividades em que eles participam, fiscalizando-os. 
A família desestruturada não terá condição de transmitir aos filhos uma consciência de moral e valores. O modelo familiar é um forte fator que contribui para a proliferação da violência no mundo. A família é o gênese da sociedade, é diretamente responsável pela moldura do caráter e comportamento de seus integrantes, obrigatoriamente passa a ser a autoridade dos pais em decorrência dos binômios exemplaridade e amor. 
7.2. Mesológico e Mal-vivência 
Esse fator cuida das relações entre o ambiente e os seres que nele vivem. 
Não significa que se uma pessoa nasce na favela ela se tornará um bandido. Mas, o local influencia sim, na personalidade de uma pessoa. Faz-se pelo período de criação, em que a pessoa passa no local. Aprendendo os costumes do local. Acaba se tornando um aprendiz de bandido pelas más companhias. Os traficantes recrutam essas crianças inocentes que não tem nem discernimento de seus atos, transformando-os em peças constitutivas na proliferação de bandidos, disseminando a violência e a criminalidade onde residem. 
Nesse caso, se tratando da influência dos criminosos, Nestor S. Penteado Filho afirma: 
Só atuam os fatores mesológicos, isto é, do meio social; agem antissocialmente por força de ingerências do meio externo, tornando-se quase vítimas das circunstâncias exteriores [...]. São pseudocriminosos, tendo em vista que o crime emana do meio ambiente em que vivem. [20] 
Como afirma o grande filósofo Jean-Jacques Rousseau, ”O homem nasce bom, a socie-dade é que o corrompe”. Embasado nessa doutrina, a criminologia deveria procurar a causa do delito na sociedade. Essa foi a doutrina legada por Rousseau, onde os elemen-tos externos ao indivíduo o influenciam em seu comportamento e em sua desenvoltura vivencial. Logo, os seres humanos trazem em suas características uma propensão à corrupção, e os outros que com eles vivem, sendo corruptos despertam essa caracte-rística, sendo aqueles também corrompidos. 
Muitos estudiosos, filósofos e sociólogos atribuem uma porcentagem grande de culpa da disseminação da violência e da criminalidade ao fator mesológico. Muito se fala que o meio urbano consegue sem esforço nenhum levar as pessoas para o crime. Para ratificar o exposto um artigo publicado na Revista Brasileira de Segurança Pública sugere: [21] 
Comunidade relaciona-se a um conjunto de variáveis que tratam da configuração urbana dos municípios e que, segundo sócio-logos e criminologistas, podem influenciar o comportamento dos criminosos. A relação entre o meio urbano e o crime é bas-tante documentada. Diz-se, até mesmo, que o crime e essenci-almente um fenômeno urbano, assim como a disseminação de doenças antes do século XIX. [21] 
No pensamento de Hassamer [22] o desvio do indivíduo para o crime em sociedade deve ser estudado mediante pesquisas e investigações sobre a sua atuação e interação com o ambiente e a sociedade. 
O fator mesológico harmoniza-se e correlaciona-se com a mal-vivência, que são experiências adquiridas com a vivência de situações não imposta pela pessoa, ou seja, tanto quanto o fator mesológico, é um aspecto exógeno. Nos dizeres do doutor Hilário Veiga de Carvalho, “é um grupo polimorfo de indivíduos que vivem à margem da socie-dade, em situações de parasitismo, sem aptidão para o trabalho, em razão de causas endógenas e exógenas que representam um perigo social. Muitos criminosos são produtos de suas vivências, são consequências da sociedade violenta em que vivem.”. 
Esse tipo de fator, a mal-vivência, contribui para o fator mesológico. E na mal-vivência estão incluídas as consequências de situações vivenciadas empiricamente. Como os lares defeituosos, que desestabilizam a vida e personalidade do indivíduo; a orfandade, que tira toda a expectativa de vida da criança. 
E para finalizar essa compreensão, São Jerônimo dizia: “a vida é o espelho da alma.”. 
7.3. Pobreza e Desemprego 
A pobreza pode contribuir para a violência de diversas formas. Pode ser devido à falta de acesso da pessoa a um emprego, a dificuldade em empregar-se no Brasil já ultrapas-sou limites alarmantes. Como também, num caso de uma pessoa viciada que, para manter o vício, adentra para a criminalidade a fim de saciar o vicio. A pobreza, como já mostrada anteriormente, se relaciona diretamente com o fator referencial, que faz papel de modelo para pessoa filho de pobre e que mora em favela. 
É preciso ressaltar a diferença no tratamento dado aos criminosos pobres do tratamento dos que cometem o crime do colarinho branco, praticado por pessoas de maior poder aquisitivo, e o cometem devido à sua função ou cargo. 
Logo, Penteado Filho esclarece: [23] 
Os crimes econômicos não criam carreiras criminais e não estigmatizam seus autores. O estigma de delinquente é sentido no criminoso pobre, no proletário, que cresce em ambiente hostil e precário, divorciado das condições econômicas e afetivas de inserção social, transformando em adulto instável e margina-lizado na comunidade. 
Por conseguinte, as condutas delitivas dos menos favorecidos são mais perseguidas, ao contrário do que ocorre com as condutas criminosas dos poderosos. Resultando na estigmatização da população marginalizada. Essa teoria, como afirma Nestor S. Penteado Filho, é de origem marxista, entendendo que a realidade não é neutra, gerando um alvo preferencial