Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Patologias do Sistema Hemolinfático 
Profª Drª Moema Pacheco Chediak Matos 
Introdução 
Fazem parte do sistema hemolinfático a medula óssea, o timo, os linfonodos e 
o baço. A principal função deste sistema é a proteção do organismo contra micro-
organismos e moléculas estranhas oriundas de vírus, bactérias, fungos, protozoários 
ou células neoplásicas. O sangue representa aproximadamente 7 a 8 % do peso 
corpóreo sendo um tecido cujas células estão suspensas em substância intercelular 
líquida. Desta forma este tecido é formado por elementos figurados ou glóbulos 
sanguíneos e pelo plasma, sua a fração líquida. São os elementos figurados do sangue: 
eritrócitos; leucócitos agranulócitos (linfócitos e monócitos); leucócitos granulócitos 
(neutrófilos eosinófilos e basófilos); plaquetas (trombócitos). Quanto a fração líquida o 
plasma, este pode ser dividido em soro e fibrinogênio, que por ocasião do processo de 
coagulação se torna insolúvel. Também são constituintes do plasma outras 
substâncias: albumina, globulina, hormônios, compostos nitrogenados (uréia, 
creatinina, ácido úrico), minerais, fatores de coagulação, etc. 
São funções do tecido sanguíneo: 
 Transporte de O2 para os tecidos e de CO2 para os pulmões; 
 Transporte de nutrientes para os tecidos; 
 Remoção de produtos do metabolismo tecidual para os órgãos 
excretores; 
 Defesa do organismo pela ação dos leucócitos; 
 Transporte e distribuição das secreções endócrinas; 
 Termorregulação 
 
Origem e função das células sanguíneas: 
As células sanguíneas em condições normais, não se multiplicam na corrente 
sanguínea, são produzidas pelo tecido mielóide que fica confinado nas cavidades 
medulares dos ossos. Os eritrócitos, os granulócitos e as plaquetas são formados com 
exclusividade pela medula óssea, já os linfócitos originam-se da medula óssea e de 
outros órgãos como: timo, tonsilas e tecido linfóide das mucosas. Assim os órgãos 
envolvidos na hematopoese são a medula óssea e os órgãos linfóides, sendo que 
durante a vida fetal, além destes, o fígado e os rins também desempenham esta 
atividade. A eritropoese esta subordinada a um controle auto-regulável, onde o 
aumento de glóbulos vermelhos circulantes gera uma diminuição da eritropoese, 
enquanto que em situações de anemia e hipóxia ocorre um estimulo para aumentar a 
produção de eritrócitos. 
 As hemácias são células altamente especializadas no transporte de gases, 
função esta desempenhada pela hemoglobina, principal constituinte citoplasmático 
desta célula. Esta célula não possui movimento sendo transportada passivamente ao 
longo do sistema circulatório, é dotada ainda de uma plasticidade relativa para 
absorver choque. São anucleadas nos mamíferos e nucleadas nas aves e tem vida 
média de 120 dias. Em torno de75% do ferro no organismo encontra-se no interior dos 
eritrócitos como constituinte da hemoglobina os 25% restantes encontra-se sob a 
forma de hemossiderina, ferritina ou ligado a transferrina. 
Neutrófilos: Constitui a primeira linha de defesa contra a invasão de 
microorganismos, microfagocitose. 
Eosinófilos: Responsáveis pela inativação de proteínas e por isso inativadores 
dos leucotrienos e da anafilaxia. Têm uma relação ainda não esclarecida com o 
parasitismo. 
Basófilos: Produzem varias substâncias como a heparina, histamina, bardicinina 
e serotonina. Tem função semelhante a dos mastócitos tissulares, estando envolvidas 
no fenômeno de hipersensibilidade do tipo I. 
Monócitos: São responsáveis pela macrofagocitose, deixam a circulação para 
repor a população de macrófagos tissulares, estão envolvidos no controle 
mieloproliferativo e na produção de pirógenos endógenos. 
Linfócitos: Os linfócitos T são responsáveis pela imunidade celular e os 
linfócitos B pela resposta humoral, através da síntese de anticorpos. 
Plaquetas: Também denominados de trombócitos têm como função impedir o 
extravasamento de sangue do vaso lesado. 
 
Alterações dos eritrócitos 
 
Policitemia 
Denomina-se de policitemia ou eritrocitose o aumento do número de hemácias 
circulantes, podendo ocorrer aumento do teor de hemoglobina e do volume globular. 
Pode ser classificada como relativa ou absoluta. 
 
Policitemia relativa: 
Ocorre quando há uma redução do volume plasmático, desta forma não ocorre 
um aumento real no numero de células sanguíneas e sim um processo de 
desidratação, ocorre nos seguintes casos: pequena ingestão de líquidos; perda de 
líquidos por diarréia, vômito ou sudorese intensa; desvio de plasma para o interstício 
(edema) ou choque. 
Policitemia absoluta: 
Decorre de um aumento real do numero de eritrócitos, processo raro entre os 
animais. Pode ocorrer devido à hipóxia acentuada, que leva a um aumento da 
produção de eritropoetina, processo compensatório já relatado em cães com 
neoplasia renal. 
O aumento da viscosidade sanguínea na policitemia dificulta o fluxo sanguíneo, 
induz a cianose e predispõem a formação de trombos. Achados macroscópicos: 
congestão generalizada, trombose de vasos principais e hiperplasia da medula óssea. 
 
Anemia 
Este termo refere-se a uma diminuição do numero de hemácias circulantes, 
pode ser decorrente da diminuição da produção ou do aumento da destruição destas 
células (hemólise) ou ainda decorre de perdas sanguíneas (hemorragia). A anemia 
ainda pode ser o resultado da associação destas três situações. São muito freqüentes 
nos animais domésticos e determina uma série de sinais clínicos como: palidez de 
mucosas, edema, hipertrofia cardíaca e dispnéia. Raramente é uma moléstia primária, 
normalmente é secundaria a outro distúrbio, podendo ser classificadas com base nas 
características morfológicas do eritrócito, na resposta eritropoética e na sua etiologia. 
 
Quanto à morfologia do eritrócito considera-se o tamanho médio desses e a 
concentração intracelular do pigmento hemoglobina. 
Com base no volume globular médio (VGM) parâmetro hematológico que estabelece 
o índice de tamanho das hemácias tem-se: 
• Anemia macrocítica: volume médio das hemácias está aumentado; 
• Anemia normocítica: o volume médio das hemácias é normal; 
• Anemia microcítica: volume médio das hemácias está diminuído. 
 
Já considerando a concentração de hemoglobina globular média (CHGM) tem-se: 
• Anemia hipocrômica: a concentração de hemoglobina nos 
eritrócitos esta baixa; 
• Anemia normocrômica: Concentração de hemoglobina normal; 
• Anemia hipercrômica: concentração de pigmento esta acima do 
normal (relatos somente no ser humano). 
Com relação à resposta eritropoética da medula as anemias são classificadas em 
regenerativas e arregenerativas, então: 
• Anemia regenerativa – quando existe resposta compensatória 
da medula óssea, sendo constatada no sangue a presença de células jovens 
(reticulócitos). Este tipo de anemia tende a ser do tipo macrocítica uma vez 
que as células jovens são maiores que as maduras, ocorrendo 
principalmente nos casos de hemólise e hemorragia onde a medula óssea 
tem mais condições de resposta. Esta resposta é maior quando a causa é 
geralmente hemolítica, pois ocorre um aproveitamento do ferro pela 
eritrofagocitose. 
• Anemia arregenerativa ou aplástica – quando além da 
diminuição de eritrócitos ocorre a ausência de resposta eritropoética da 
medula óssea. Assim o número de reticulócitos está diminuído ou ausente 
no sangue circulante, como ocorre nas neoplasias, doenças crônicas, 
deficiências nutricionais, uremia, intoxicação por Pteridium aquilinum, 
dentre outras. 
Com relação à etiologia as anemias são divididas em três grupos: 
• Anemia por deficiência na produção de eritrócitos 
• Anemia por hemorragia 
• Anemia hemolítica 
 
Anemia por deficiência na produção de eritrócitos 
• Anemia ferropriva/deficiência de Ferro 
Como o ferro é um constituinte essencialda molécula de hemoglobina sua 
carência determina anemia. Este tipo de anemia compromete principalmente 
leitões latentes, uma vez que o leite materno não supre as exigências deste 
nesta fase (7mg/dia). Esta anemia não envolve somente a deficiência de ferro, 
podendo também ser observada em situações a onde ocorra diminuição da 
absorção intestinal deste elemento ou perdas crônicas e excessivas do mesmo, 
como nos casos de infestações por Ancylostoma sp e o pelo Haemonchus sp. 
Macroscopicamente observa-se acentuada palidez da carcaça, dilatação 
cardíaca, edema. Sob ponto de vista hematológico, a anemia é do tipo 
microcítica hipocrômica. 
• Anemia por deficiência de cobre 
Pode ocorrer em todas as espécies em situações carenciais deste elemento, 
sua patogenia não esta totalmente esclarecida, mas sabe-se que em baixas 
concentrações de cobre, não ocorre a conversão do ferro ferroso (forma de 
armazenamento) em ferro férrico (forma de transporte) devido aos baixos 
níveis de ceruloplasmina. 
• Anemia por deficiência de cobalto 
Geralmente esta associada à inanição sendo uma importante causa de 
anemia nos ruminantes. Sua patogenia relaciona-se a diminuição ou parada da 
produção de vitamina B12(cianocobalamina), que tem na sua constituição o 
cobalto e que é sintetizada pelos microorganismos do rumem. Esta vitamina é 
essencial para a maturação dos eritrócitos. Macroscopicamente os animais 
além das alterações decorrentes do estado anêmico apresentam ainda lesões 
de inanição como caquexia, atrofia gelatinosa da gordura. 
• Anemia por doenças crônicas 
A anemia pode estar associada a processos inflamatórios crônicos e as 
neoplasias e em todas as espécies domésticas Um dos principais mecanismos 
envolvidos neste tipo de anemia é a menor disponibilidade de ferro para a 
eritropoese, devido ao seqüestro deste elemento no interior de macrófagos. 
Nas hepatopatias esta alteração ocorre em função de uma menor produção dos 
fatores indispensáveis a eritropoese como aminoácidos e a transferritina. Nas 
doenças crônicas também ocorre uma diminuição do tempo de vida das 
hemácias. 
• Anemia aplástica 
Esta forma de anemia decorre da parada da atividade da medula óssea, 
sendo normalmente associada a diminuição da produção de outras células 
sanguíneas, caracterizando assim uma pancitopenia aplástica. Ocorre com 
maior freqüência em cães e gatos. Dentre os fatores que determinam este tipo 
de anemia citam-se vírus da leucemia felina, erlichiose,leishmaniose, 
parvovirose como principais agentes infecciosos. Entre as drogas estão os 
estrógenos e cloranfenicol e a fenilbutazona e a furazolidona quando 
administradas por longos períodos. Além de outros como o raio X (fator físico) 
processos neoplásicos, intoxicação pelo Pteridium aquilinum (samambaia) nos 
bovinos e ovinos. 
• Anemia urêmica 
A síndrome urêmica (insuficiência renal) ocorre pelos seguintes 
mecanismos: menor produção de eritropoetina; depressão tóxica da medula 
óssea devido ao acumulo de catabólitos; hemólise provocada pela retenção de 
creatinina e ácido-succcínico; perda de sangue pelo trato gastrointestinal e rins. 
Assim, além da não produção de hemácias, este tipo de anemia decorre 
também devido à hemólise e a hemorragia. 
• Anemia por desnutrição 
A carência calórico-protéica e de outros nutrientes como vitaminas e 
minerais também podem provocar anemia. 
 
Anemia por hemorragia 
Este tipo de anemia é provocado por perdas sanguíneas excessivas, 
podendo ocorrer de forma aguda ou crônica. Na forma aguda temos as 
seguintes causas: coagulopatias por diversas causas (intoxicações por 
dicumarínicos); úlceras gastrointestinais; traumas; iatrogênica (cirurgias com 
hemostasia insatisfatória) e por neoplasias. Já na forma crônica citam-se: 
endoparasitoses por vermes hematófagos (Ancylostoma sp, Haemoncus sp, 
coccidiose); ectoparasitoses por parasitos hematófagos como piolhos, pulgas e 
carrapatos bem como pequenas ulcerações do trato digestivo. 
Anemia hemolítica 
Esta forma de anemia se dá em dois compartimentos, o intravascular e o 
extravascular. Em condições normais a principal forma de destruição de 
hemácias velhas é a extravascular (eritrofagocitose pelos macrófagos), sendo a 
outra forma bem insignificante. 
Na forma extravascular as hemácias são fagocitadas e destruídas devido ao 
seu formato anormal por que não serem reconhecidas pelo organismo, e nesta 
situação ocorre icterícia, mas não hemoglobinúria. 
 
Já na anemia hemolítica intravascular ocorre uma excessiva destruição de 
hemácias na corrente sanguínea, sendo que os animais acometidos manifestam 
icterícia e hemoglobinúria. A destruição de hemácias neste compartimento 
libera hemoglobina no plasma que então se liga a sua proteína transportadora, 
a haptoglobina. Assim este composto é metabolizado pelos hepatócitos e o 
pigmento hemoglobina é então degradado. Quando ocorre hemólise excessiva 
e a capacidade de ligação da haptoglobina é suplantada ocorrem dois sinais 
clínicos importantes da hemólise intravascular que são a hemoglobinemia e a 
hemoglobinúria. 
A anemia hemolítica pode ser causada por agentes infecciosos, por tóxicos 
químicos ou vegetais ou ainda ter causa imunomediada. 
Anemia hemolítica imunomediada 
A hemólise que ocorre nesta situação deve-se a aderência de anticorpos à 
membrana do eritrócito seguida pela fixação do complemento. O anticorpo 
agressor se desenvolve em conseqüência de alterações na membrana 
plasmática do eritrócito por agentes infecciosos (vírus) ou por agentes químicos 
(medicamentos). A ação deste anticorpo altera o formato discoidal e bicôncavo 
desta célula transformando-a em uma célula esférica que é reconhecida e 
fagocitada pelos macrófagos (hemólise extravascular). Desta forma ocorre uma 
diminuição da vida média destas células.