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Questões resolvidas

A diferenciação clínica e laboratorial entre a Insuficiência Renal Aguda (IRA) e a Doença Renal Crônica (DRC) é crucial para o estabelecimento do prognóstico e manejo terapêutico no paciente veterinário. Um felino sem raça definida, 3 anos, foi internado após suposta ingestão de lírios (planta altamente nefrotóxica para gatos). Exames revelam azotemia grave de evolução rápida, associada a rim de tamanho normal a aumentado à ultrassonografia e presença de cilindros epiteliais e granulosos no sedimento urinário.
Qual conjunto de achados laboratoriais melhor caracteriza a fisiopatologia da IRA deste paciente em comparação com um paciente portador de DRC estádio avançado?
A) IRA: Anemia normocítica normocrômica arregenerativa grave por deficiência de eritropoietina; DRC: Hematócrito normal.
B) IRA: Densidade urinária persistentemente isostenúrica com perda progressiva crônica de potássio; DRC: Densidade urinária flutuante com hiperpotassemia grave imediata.
C) IRA: Início abrupto da azotemia, potássio sérico frequentemente elevado (hipercalemia) em quadros oligúricos/anúricos, sedimento urinário ativo (cilindrúria de descamação); DRC: Anemia arregenerativa crônica, rins reduzidos e de contornos irregulares, perda crônica de peso.
D) IRA: Hipercalcemia crônica marcada por hiperparatireoidismo secundário renal; DRC: Hipocalcemia imediata por deposição tecidual de oxalato.
E) IRA: Elevação isolada da ureia sem alteração de creatinina; DRC: Elevação isolada de creatinina sem alteração de ureia.

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Questões resolvidas

A diferenciação clínica e laboratorial entre a Insuficiência Renal Aguda (IRA) e a Doença Renal Crônica (DRC) é crucial para o estabelecimento do prognóstico e manejo terapêutico no paciente veterinário. Um felino sem raça definida, 3 anos, foi internado após suposta ingestão de lírios (planta altamente nefrotóxica para gatos). Exames revelam azotemia grave de evolução rápida, associada a rim de tamanho normal a aumentado à ultrassonografia e presença de cilindros epiteliais e granulosos no sedimento urinário.
Qual conjunto de achados laboratoriais melhor caracteriza a fisiopatologia da IRA deste paciente em comparação com um paciente portador de DRC estádio avançado?
A) IRA: Anemia normocítica normocrômica arregenerativa grave por deficiência de eritropoietina; DRC: Hematócrito normal.
B) IRA: Densidade urinária persistentemente isostenúrica com perda progressiva crônica de potássio; DRC: Densidade urinária flutuante com hiperpotassemia grave imediata.
C) IRA: Início abrupto da azotemia, potássio sérico frequentemente elevado (hipercalemia) em quadros oligúricos/anúricos, sedimento urinário ativo (cilindrúria de descamação); DRC: Anemia arregenerativa crônica, rins reduzidos e de contornos irregulares, perda crônica de peso.
D) IRA: Hipercalcemia crônica marcada por hiperparatireoidismo secundário renal; DRC: Hipocalcemia imediata por deposição tecidual de oxalato.
E) IRA: Elevação isolada da ureia sem alteração de creatinina; DRC: Elevação isolada de creatinina sem alteração de ureia.

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PARA REVISAR:
Questão 1 (Função Hepática)
Um canino, Boxer, macho, 6 anos, é atendido no Hospital Veterinário com histórico de 
letargia, hiporexia e urina de coloração escura (aspecto de "chá preto"). No exame físico, 
observou-se icterícia acentuada em mucosas e esclera. O perfil bioquímico revelou: ALT: 
850 U/L (Ref: 10-88 U/L), AST: 420 U/L (Ref: 10-73 U/L), FA: 180 U/L (Ref: 20-150 U/L), 
GGT: 12 U/L (Ref: 0-10 U/L), Bilirrubina Total: 6,8 mg/dL (Ref: 0,1-0,4 mg/dL), sendo 5,2 
mg/dL de Bilirrubina Direta (Conjugada). Diante do quadro clínico-laboratorial, qual é a 
principal suspeita fisiopatológica e a interpretação correta dos achados?
A) Colestase extra-hepática primária, evidenciada pelo aumento acentuado e seletivo da 
fosfatase alcalina (FA).
B) Icterícia pré-hepática decorrente de hemólise intravascular intravascular aguda, 
justificando o predomínio de bilirrubina conjugada.
C) Lesão hepatocelular aguda grave, curando com icterícia de padrão hepático por 
falha na excreção/regurgitação celular de bilirrubina conjugada.
D) Insuficiência hepática crônica terminal, visto que a AST elevada indica invariavelmente 
perda de mais de 80% da massa funcional do órgão.
E) Disfunção metabólica pura por shunt portossistêmico intra-hepático, caracterizado pelo 
desvio de bilirrubina indireta para a circulação sistêmica.
Gabarito: C
Justificativa detalhada: * C (Correta): O aumento massivo de ALT (quase 10 vezes o 
limite superior) e AST indica severa lesão de integridade (extravasamento) hepatocelular 
aguda. A icterícia é de padrão hepático devido à incapacidade dos hepatócitos 
lesionados/inchados de excretarem a bilirrubina que já foi conjugada para os canalículos 
biliares, gerando refluxo (regurgitação) desta para o espaço de Disse e circulação, o que 
justifica o predomínio de bilirrubina direta (5,2 mg/dL de um total de 6,8 mg/dL).
A (Incorreta): Na colestase primária (obstrução biliar), esperar-se-ia um aumento muito 
mais expressivo e desproporcional das enzimas de indução/membrana biliar (FA e GGT) 
em comparação com as enzimas de extravasamento citosólico (ALT/AST).
B (Incorreta): Na icterícia pré-hepática (hemolítica), há sobrecarga de bilirrubina livre 
(não conjugada) que chega ao fígado, gerando predomínio plasmático de bilirrubina 
indireta, e não direta.
D (Incorreta): A AST e a ALT são enzimas de lesão celular (vazamento) e não quantificam 
perda de massa funcional (testes funcionais seriam albumina, ureia, ácidos biliares). Além 
disso, processos agudos reversíveis podem causar elevações massivas dessas enzimas.
E (Incorreta): No desvio portossistêmico (shunt), os achados enzimáticos costumam ser 
discretos ou normais, e o acúmulo sérico seria de ácidos biliares e amônia, raramente 
cursando com icterícia exuberante com predomínio conjugado em episódios basais.
Questão 2 (Função Hepática)
Um felino, Siamês, fêmea, 4 anos, com histórico de lipidose hepática secundária à 
anorexia prolongada, apresenta icterícia e hepatomegalia. Ao analisar o perfil enzimático 
hepático de felinos, o patologista clínico deve considerar as particularidades metabólicas 
e de meia-vida enzimática desta espécie. Qual das alternativas abaixo descreve 
corretamente a interpretação da Fosfatase Alcalina (FA) e da Gama-Glutamiltransferase 
(GGT) no diagnóstico de colestase em gatos?
A) A FA em gatos possui meia-vida longa (cerca de 72 horas), tornando-se um marcador 
altamente sensível, mesmo em lesões colestáticas incipientes.
B) Gatos possuem baixa capacidade de produção de FA pelo parênquima hepatobiliar, 
fazendo com que qualquer aumento desta enzima nesta espécie seja clinicamente 
relevante.
C) Na lipidose hepática felina, a GGT tipicamente eleva-se de forma muito mais drástica e 
precoce do que a FA devido ao acúmulo de triglicerídeos nos ductos biliares.
D) A GGT é um marcador inespecífico em felinos pois é amplamente induzida pelo uso 
terapêutico de corticosteroides, simulando quadros de colestase.
E) A dosagem isolada de FA é superior à de GGT para o diagnóstico de colestase em 
felinos de produção (grandes animais), não se aplicando à rotina de pequenos animais.
Gabarito: B
Justificativa detalhada:
B (Correta): Gatos possuem pouca quantidade de FA por hepatócito e a meia-vida 
plasmática da FA hepática é extremamente curta nesta espécie (cerca de 6 horas, contra 
quase 72 horas no cão). Logo, o fígado felino tem menor capacidade de produção e 
elimina a enzima rapidamente. Qualquer aumento na atividade sérica da FA em gatos é 
altamente patognomônico e significativo de colestase ou lesão estrutural.
A (Incorreta): Como mencionado, a meia-vida da FA no gato é muito curta (6h), o que 
reduz sua sensibilidade diagnóstica quando comparada à do cão.
C (Incorreta): A lipidose hepática felina é uma exceção clássica à regra da colestase: 
ocorre um aumento acentuado a massivo da FA com níveis normais ou apenas 
discretamente elevados de GGT, devido à vacuolização preferencial dos hepatócitos sem 
acometimento inflamatório severo de ductos biliares periportais.
D (Incorreta): Gatos não possuem a isoenzima da FA induzida por corticoide (como os 
cães) e a GGT não sofre indução significativa por essa classe de fármacos nessa 
espécie.
E (Incorreta): A questão aborda felinos (pequenos animais) e afirma incorretamente que 
seriam animais de produção; além disso, em grandes animais (bovinos/equinos), a GGT é 
muito mais utilizada do que a FA.
Questão 3 (Função Hepática)
Durante uma consultoria em uma propriedade de exploração leiteira no município de 
Batalha-AL, um médico veterinário depara-se com vacas da raça Holandesa 
apresentando emagrecimento progressivo, fotossensibilização secundária e suspeita de 
intoxicação por plantas hepatotóxicas. Ao solicitar o perfil bioquímico hepático desses 
grandes animais, quais biomarcadores devem ser priorizados para avaliar lesão celular 
ativa e colestase, respectivamente?
A) ALT para avaliar lesão celular ativa e FA para avaliar colestase.
B) AST para avaliar lesão celular ativa e ALT para avaliar colestase.
C) GGT para avaliar lesão celular ativa e AST para avaliar colestase.
D) AST (excluindo origem muscular) para avaliar lesão celular ativa e GGT para avaliar 
colestase.
E) ALT para avaliar lesão celular ativa e GGT para avaliar colestase.
Gabarito: D
• Justificativa detalhada:
• D (Correta): Em grandes animais (ruminantes e equinos), a ALT apresenta atividade 
tecidual extremamente baixa nos hepatócitos, não servindo como marcador de lesão 
hepática. Para avaliar lesão celular ativa (extravasamento), utiliza-se a AST (que também 
está presente nos músculos, exigindo dosagem conjunta de CK para exclusão de 
miopatia) ou a SDH (Sorbitol Desidrogenase). Para avaliar colestase em grandes animais, 
a GGT é o marcador de eleição devido à sua alta sensibilidade e especificidade tecidual 
na árvore biliar dessas espécies, superando a FA (que possui ampla variação basal em 
animais em crescimento devido à isoenzima óssea).
• A, B, E (Incorretas): Todas as três alternativas sugerem o uso da ALT para grandes 
animais, o que é um erro clássico, dado que a ALT não é diagnóstica para o parênquima 
hepático de bovinos, ovinos, caprinos e equinos.
• C (Incorreta): Inverte as funções das enzimas, indicando GGT para lesão ativa 
(extravasamento) e AST para colestase (indução/membrana), o que contraria a 
fisiopatologia enzimática.
•
Questão 4 (Função Hepática)
Um cão, Yorkshire Terrier, fêmea, 9 meses de idade, é encaminhado ao atendimento 
devido a episódios recorrentes de letargia, andar compulsivo e salivação excessiva 
(sialorreia), principalmente cerca de uma hora após as refeições. Há suspeita de anomalia 
vascular portossistêmica (shunt congênito). Os níveis basais de albumina e glicose estão 
discretamente abaixo do valor de referência. Qual teste funcional dinâmico é consideradoambiental da amostra urinária por fungos filamentosos 
saprófitas que mimetizam estruturas tubulares.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): Os cilindros urinários são moldes tubulares formados pela gelificação da 
mucoproteína de Tamm-Horsfall (excretada pelas células tubulares) exclusivamente no 
lúmen dos túbulos renais distais e coletores, onde o fluxo é mais lento e a urina é mais 
ácida e concentrada. Cilindros epiteliais contêm células epiteliais tubulares renais 
descamadas intactas, provando que há necrose ou lesão tubular aguda ativa (comum na 
leptospirose ou toxicidade). À medida que essas células mortas permanecem retidas no 
néfron, elas se desintegram em debris celulares amorfos, transformando-se em cilindros 
granulosos. Portanto, atestam sofrimento intrínseco do parênquima renal.
• A (Incorreta): Não se formam na pelve renal nem derivam da precipitação mecânica 
direta de cristais de cálcio isolados de forma amorfa.
• B (Incorreta): A uretra distal não possui o diâmetro, o microambiente químico nem a 
secreção proteica de Tamm-Horsfall necessários para moldar e ejetar cilindros celulares 
organizados.
• D (Incorreta): O glomérulo é uma rede de capilares enovelados e não possui formato 
tubular retilíneo capaz de gerar moldes geométricos alongados; além disso, os cilindros 
incorporam o que é filtrado ou descamado nos túbulos abaixo do espaço de Bowman.
• E (Incorreta): Cilindros são marcadores patognomônicos internos de lesão de 
parênquima renal e sua morfologia celular e granulosa bem definida difere completamente 
de hifas fúngicas em amostras frescas bem analisadas.
•
Questão 28 (Leucograma)
Um felino, fêmea, sem raça definida, 2 anos, é levado à clínica veterinária extremamente 
assustado e agressivo para a coleta de sangue de rotina antes de uma 
ovariohisterectomia. O hemograma foi processado imediatamente e demonstrou uma 
Leucocitose marcada, impulsionada por uma Linfocitose absoluta e Neutrofilia moderada, 
sem qualquer desvio à esquerda ou sinais de toxicidade celular. Passadas duas horas da 
contenção física estressante, uma nova coleta revela parâmetros leucocitários 
perfeitamente normais. Qual o mecanismo fisiopatológico desse fenômeno e como ele é 
classificado?
A) Resposta Inflamatória Aguda Fulminante Reversível, mediada por citocinas pirogênicas 
de curta duração.
B) Leucograma de Resposta por Medo ou Excitação (mediado por Epinefrina/Adrenalina), 
comum em gatos jovens, onde o pico de adrenalina aumenta o débito cardíaco e a 
pressão hidrostática vascular, desprendendo mecanicamente linfócitos e neutrófilos do 
pool marginal (aderidos ao endotélio) para o pool circulante, sem alteração na produção 
medular.
C) Leucograma do Estresse Crônico mediado por Cortisol, caracterizado por retenção 
linfocitária nos linfonodos.
D) Reação Mieloproliferativa Neoplásica Transitória induzida pelo toque mecânico na veia 
jugular.
E) Erro analítico sistêmico provocado pela aglutinação espontânea de plaquetas em 
amostras frias de felinos.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): Em gatos jovens ou animais extremamente ariscos, o estímulo agudo de 
medo, fuga ou excitação ativa o sistema nervoso simpático, provocando a liberação 
maciça e imediata de catecolaminas (epinefrina/adrenalina). A adrenalina eleva a 
frequência cardíaca e a pressão sanguínea, promovendo um fluxo sanguíneo vigoroso 
que "lava" e desloca mecanicamente os leucócitos que estavam aderidos às paredes dos 
vasos sanguíneos (pool marginal) para o centro do vaso (pool circulante). Como os gatos 
possuem um pool marginal de linfócitos muito expressivo, esse deslocamento gera uma 
linfocitose e neutrofilia rápidas e transitórias (leucocitose fisiológica), que se normalizam 
assim que o animal se acalma e cessa o estímulo adrenérgico.
• A (Incorreta): Processos inflamatórios demandam tempo para recrutamento medular, 
envolvem citocinas, causam desvios celulares e alterações de membrana, não se 
desfazendo completamente em questão de minutos ou poucas horas de repouso calmo.
• C (Incorreta): O estresse mediado por cortisol causa linfopenia (queda de linfócitos) e 
eosinopenia, o oposto do quadro de linfocitose (aumento) marcante apresentado pelo 
felino excitado.
• D (Incorreta): Trata-se de uma resposta fisiológica vascular benigna mediada por 
hormônios endógenos e não possui qualquer associação com neoplasias de linhagem 
mielóide ou estímulos físicos mecânicos de venopunção direta.
• E (Incorreta): A aglutinação plaquetária pode gerar uma falsa trombocitopenia e o 
aparelho pode ler agregados como leucócitos, mas o enunciado cita uma contagem 
microscópica diferencial real de linfócitos e neutrófilos íntegros confirmada por extensão 
sanguínea.
•
Questão 29 (Função Hepática / Metabolismo de Bilirrubinas)
A icterícia pós-hepática possui causas mecânicas e anatômicas bem delimitadas na rotina 
de pequenos animais. Um cão, Cocker Spaniel, fêmea, 9 anos, obesa, deu entrada com 
dores abdominais intensas em região cranial direita, febre e fezes de coloração 
esbranquiçada/acinzentada (acolia fecal). O perfil bioquímico demonstrou elevações 
extremas de FA e GGT (mais de 8 vezes o normal), com ALT discretamente alterada e 
Bilirrubina Total elevada com 90% de Bilirrubina Direta (Conjugada). Qual a explicação 
fisiopatológica para a coloração acinzentada das fezes e o predomínio de bilirrubina 
conjugada neste quadro pós-hepático?
A) As fezes estão cinzas porque o excesso de ALT destrói o epitélio do cólon, impedindo a 
absorção de gorduras dietéticas complexas.
B) Há uma obstrução completa do fluxo biliar (ex: colestase extra-hepática por urólitos 
biliares ou neoplasia pancreática obliterando o colédoco). A bilirrubina é conjugada 
perfeitamente pelos hepatócitos, mas não consegue alcançar o lúmen intestinal devido ao 
bloqueio mecânico, regurgitando para os vasos sanguíneos (hiperbilirrubinemia direta). A 
ausência de bilirrubina no intestino impede sua conversão bacteriana em estercobilina, 
pigmento responsável pela coloração marrom normal das fezes, gerando acolia fecal.
C) O predomínio de bilirrubina direta ocorre porque o cão absorve o pigmento diretamente 
através da parede estomacal hiperpermeável.
D) As fezes acinzentadas decorrem da precipitação intra-intestinal de cristais de urato de 
amônio induzida pela obesidade.
E) O quadro indica destruição imunomediada de eritrócitos na circulação periférica 
profunda induzida por febre.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): No quadro pós-hepático obstrutivo total (colestase extra-hepática), o fígado 
capta a bilirrubina indireta e realiza a conjugação normalmente dentro dos hepatócitos. 
Contudo, devido a um bloqueio mecânico no ducto colédoco comum (como colelitíase, 
pancreatite ou neoplasias periampulares), a bile contendo a bilirrubina direta não 
consegue fluir para o duodeno. Essa bile acumulada rompe as junções estreitas 
intercelulares e regurgita de volta para o espaço de Disse e capilares sinusoides, 
elevando drasticamente a bilirrubina conjugada (direta) no sangue. Como nenhuma 
bilirrubina chega ao intestino, as bactérias intestinais não têm substrato para formar o 
urobilinogênio e a estercobilina (que confere a cor marrom às fezes), resultando em fezes 
desprovidas de pigmento (acolia fecal / fezes acinzentadas).
• A (Incorreta): A ALT é um biomarcador intracelular hepático de integridade e não atua 
destruindo mecanicamente ou quimicamente a mucosa do intestino grosso para alterar 
coloração fecal.
• C (Incorreta): A bilirrubina não é absorvida ativamente pela parede gástrica para gerar 
acúmulo sistêmico seletivo direta direto nesse formato anatômico.
• D (Incorreta): Cristais de urato de amônio precipitam-se na urina ácida/neutra em animaiscom shunt ou dálmatas, não possuindo correlação patológica com acolia fecal por 
obstrução de vias biliares em fêmeas obesas.
• E (Incorreta): A destruição imunomediada periférica de hemácias causaria icterícia pré-
hepática com predomínio de bilirrubina indireta e fezes de coloração marrom escura ou 
normal (pelo aumento de estercobilina), e nunca acolia fecal.
•
Questão 30 (Função Renal / Equilíbrio Hidroeletrolítico)
Um canino, Boxer, macho, 11 anos, portador de Doença Renal Crônica (DRC) em estágio 
avançado estável, apresenta-se para consulta de monitoramento laboratorial. O clínico 
solicita perfil renal completo e gasometria/eletrólitos. Diante da perda crônica massiva e 
progressiva de néfrons funcionais, quais alterações nos níveis séricos de Fósforo 
(Fosfemia) e Potássio (Potassemia) o patologista clínico espera encontrar comumente 
nesse paciente crônico poliúrico estável em comparação com um paciente anúrico 
agudo?
A) Hipofosfemia marcante por hiperfiltração glomerular reflexa associada a hipercalemia 
por secreção ativa no cólon.
B) Hiperfosfemia (decorrente da redução drástica da taxa de filtração glomerular, 
impedindo a excreção renal adequada de fósforo) acompanhada de Potássio sérico 
dentro da referência ou discretamente reduzido (Hipocalemia), visto que pacientes renais 
crônicos não oligúricos mantêm fluxo urinário (poliúria compensatória) que expolia 
potássio pelos túbulos distais remanescentes.
C) Hipofosfemia pura combinada com hiponatremia crônica induzida por diabetes insípido 
secundário.
D) Hiperfosfemia e hipercalemia fulminantes imediatas idênticas às observadas na 
obstrução uretral total aguda.
E) Ausência completa de alterações eletrolíticas, uma vez que o osso reabsorve o fósforo 
livre sem repercussão plasmática na espécie canina.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): À medida que a Doença Renal Crônica avança e a Taxa de Filtração 
Glomerular (TFG) despenca, o rim perde a capacidade de filtrar e excretar o Fósforo 
dietético e metabólico, levando à retenção e desenvolvimento de hiperfosfemia crônica 
(que posteriormente culminará no hiperparatireoidismo secundário renal). Quanto ao 
potássio, como o paciente crônico frequentemente manifesta-se poliúrico (perda de 
capacidade de concentração tubular, urinando em grande volume), ocorre uma lavagem e 
expoliação contínua de potássio nos túbulos coletores devido ao alto fluxo de fluido, o que 
mantém o potássio sérico normal ou frequentemente baixo (hipocalemia). Isso difere 
dramaticamente da IRA oligúrica/anúrica ou da obstrução pós-renal, onde a ausência total 
de fluxo de urina causa hipercalemia aguda e letal.
• A (Incorreta): Ocorre hiperfosfemia (aumento de fósforo) por falha severa na filtração 
glomerular e excreção, e não hipofosfemia por hiperfiltração.
• C (Incorreta): O fósforo se eleva (hiperfosfemia) devido à perda de néfrons filtrantes 
funcionais, invalidando a hipótese de hipofosfemia pura isolada na DRC avançada.
• D (Incorreta): Embora o fósforo se eleve em ambos, a dinâmica do potássio na DRC 
poliúrica é de estabilidade ou queda (hipocalemia), enquanto na obstrução pós-renal 
aguda há uma hipercalemia imediata severa por retenção física urinária total.
• E (Incorreta): Distúrbios eletrolíticos do fósforo e cálcio são marcas registradas e cruciais 
da fisiopatologia e progressão da doença renal crônica em pequenos animais, gerando 
graves consequências sistêmicas.
Excelente finalização deste segundo bloco! Com essas 30 questões comentadas item por 
item, você já cobriu uma parcela densa e profunda do conteúdo programático da nossa 
disciplina de Patologia Clínica Veterinária UNINASSAU.
Posso prosseguir para a geração do próximo bloco (Questões 31 a 45)?
Questão 31 (Função Hepática / Diagnóstico Diferencial)
Um felino, Comum Europeu, macho, 10 anos, com histórico de colangite neutrofílica 
crônica, apresenta icterícia flutuante e perda de peso. O perfil bioquímico revela: ALT: 180 
U/L (Ref: 10-80 U/L), FA: 390 U/L (Ref: 10-90 U/L), GGT: 45 U/L (Ref: 0-6 U/L), Bilirrubina 
Total: 5,2 mg/dL, com 4,1 mg/dL de Bilirrubina Direta (Conjugada). Qual a classificação 
fisiopatológica desta icterícia e a correlação com as enzimas de indução/colestase nessa 
espécie?
A) Icterícia pré-hepática pura, justificada pelo aumento seletivo da GGT devido à hemólise 
microangiopática.
B) Icterícia pós-hepática funcional, pois em felinos a FA é induzida exclusivamente por 
glicocorticoides endógenos em situações de dor crônica.
C) Icterícia de padrão hepático a pós-hepático (colestática), onde a inflamação e o edema 
no sistema biliar (colangite) geram obstrução ao fluxo de bile, levando à indução e 
liberação de FA e GGT de membrana, e consequente refluxo de bilirrubina conjugada 
para a circulação.
D) Icterícia metabólica por defeito congênito na captação sinusoidal de bilirrubina livre 
pelos hepatócitos periportais.
E) Pseudo-icterícia por interferência analítica induzida pela hiperglicemia de estresse, 
muito comum em felinos geriátricos.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): A colangite neutrofílica promove um processo inflamatório focado nos ductos 
biliares intra e extra-hepáticos. Esse insulto gera edema e estase biliar (colestase), o que 
estimula mecanicamente a síntese e liberação das enzimas de membrana biliar (FA e 
GGT), ambas significativamente elevadas no felino. A icterícia cursa com predomínio de 
bilirrubina direta (4,1 mg/dL) devido à falha na excreção/escoamento da bile após o 
processo de conjugação intracelular, resultando em regurgitação para o compartimento 
vascular.
• A (Incorreta): A icterícia pré-hepática decorre de processos hemolíticos e apresenta 
predomínio de bilirrubina indireta (não conjugada), além de não elevar primariamente 
enzimas de membrana biliar como GGT e FA.
• B (Incorreta): Diferente dos cães, os felinos não possuem a isoenzima da FA induzida por 
corticosteroides/glicocorticoides, tornando os aumentos de FA sempre indicativos de 
colestase ou lesão estrutural biliar.
• D (Incorreta): O quadro é inflamatório adquirido e crônico (colangite em animal de 10 
anos), com padrão laboratorial tipicamente colestático de refluxo e não uma falha 
hereditária de captação de bilirrubina indireta.
• E (Incorreta): Os dados clínico-laboratoriais e enzimáticos confirmam a patologia 
hepatobiliar real, descartando artefato laboratorial induzido por glicose.
•
Questão 32 (Função Renal / Diagnóstico)
Um canino, Shih Tzu, fêmea, 2 anos, apresenta histórico de infecções urinárias 
recorrentes. Exames de rotina demonstram Ureia: 95 mg/dL (Ref: 15-50 mg/dL) e 
Creatinina: 2,8 mg/dL (Ref: 0,5-1,5 mg/dL). Uma amostra de urina colhida por 
cistocentese antes de qualquer tratamento revelou uma Densidade Urinária (DU) de 
1,010. Como esse quadro de azotemia deve ser classificado e qual o significado biológico 
da densidade urinária apresentada?
A) Azotemia Pré-renal por desidratação, pois a densidade de 1,010 indica que o rim está 
retendo água ao máximo.
B) Azotemia Renal primária, confirmada pela perda da capacidade de concentração 
tubular, manifestada pela isostenúria (DU entre 1,008 e 1,012), indicando que o rim não 
consegue modificar o filtrado glomerular glomerular original por lesão arquitetural nos 
néfrons.
C) Azotemia Pós-renal obstrutiva assintomática, na qual a isostenúria decorre de 
compressão mecânica exclusiva da uretra distal.
D) Azotemia Fisiológica por idade, comum em cães jovens de raças pequenas devido à 
alta taxa de filtração basal.
E) Azotemia Alimentar por excesso de carboidratos complexos na dieta, que altera a 
osmolalidade plasmática central.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): A presença de azotemia (elevação deureia e creatinina) combinada com 
uma densidade urinária na faixa de isostenúria (1,008 a 1,012) em um animal desidratado 
ou clinicamente estável confirma a falha ou insuficiência renal intrínseca (renal). A 
isostenúria significa que a gravidade específica da urina é idêntica à do plasma filtrado no 
glomérulo, provando que os túbulos renais perderam a capacidade funcional de 
concentrar ou diluir a urina em resposta às necessidades homeostáticas.
• A (Incorreta): Na azotemia pré-renal (por desidratação/hipovolemia), o rim saudável 
responderia concentrando a urina acima de 1,030 (cães) ou 1,035 (gatos), gerando 
hiperstenúria, o que desmistifica a faixa de 1,010.
• C (Incorreta): A azotemia pós-renal decorre de obstruções físicas do fluxo extracelular ou 
rupturas de vias, cursando com sinais clínicos exuberantes de anúria/disúria e alterações 
de imagem, sem focar isoladamente em isostenúria primária fixa sem distensão vesical.
• D (Incorreta): Azotemia com esses valores expressivos e fixos nunca é fisiológica, 
independentemente da idade ou porte do paciente canino.
• E (Incorreta): Dietas ricas em carboidratos não geram retenção crônica estável de 
metabólitos nitrogenados (ureia/creatinina) nem induzem isostenúria fixa por lesão de 
néfrons.
•
Questão 33 (Urinálise / Cristalúria)
Durante o exame microscópico do sedimento urinário de um canino, Boxer, macho, 5 
anos, submetido a uma triagem de rotina, o patologista clínico visualiza cristais incolores, 
em formato de placas hexagonais perfeitas e bem delimitadas. O pH da urina revelou-se 
5,5 (ácido). Quais são esses cristais e qual o seu significado clínico na patologia canina?
A) Cristais de Estruvita, indicativos de infecção por bactérias produtoras de urease em 
urina alcalina.
B) Cristais de Oxalato de Cálcio Di-hidratado, patognomônicos de ingestão recente de 
chocolate.
C) Cristais de Cistina, que se formam exclusivamente em urinas ácidas devido a um 
defeito congênito no transporte tubular renal do aminoácido cistina, predispondo à 
urolitíase.
D) Cristais de Urato de Amônio, que ocorrem devido à hiperuricemia adaptativa pós-
exercício extenuante.
E) Cristais de Colesterol, decorrentes de síndrome nefrótica avançada com destruição 
podocitária total.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): Cristais incolores com morfologia hexagonal plana perfeita são 
patognomônicos de cistina. Eles se precipitam apenas em urinas com pH ácido (como o 
5,5 relatado). A cistinúria é uma desordem metabólica hereditária descrita em cães, 
caracterizada por um defeito na reabsorção tubular proximal de aminoácidos dibásicos 
(incluindo a cistina). O acúmulo de cistina na urina leva à sua precipitação e potencial 
formação de urólitos obstrutivos no trato urinário inferior.
• A (Incorreta): Cristais de estruvita possuem formato de "tampa de caixão" (prismáticos) e 
precipitam-se classicamente em pH neutro a alcalino, e não em pH nitidamente ácido.
• B (Incorreta): O oxalato de cálcio di-hidratado exibe formato de "envelope de carta" 
(octaédrico), sem relação morfológica com as placas hexagonais de cistina.
• D (Incorreta): Cristais de urato de amônio assemelham-se a esferas marrons com 
espículas ("esferas pontiagudas" ou "ácaros"), comuns em cães com shunts 
portossistêmicos ou dálmatas.
• E (Incorreta): Cristais de colesterol apresentam-se como placas retangulares ou 
quadradas grandes com entalhes característicos em seus ângulos, raros na rotina de 
pequenos animais.
•
Questão 34 (Leucograma)
Um felino, Persa, fêmea, 6 anos, internado com diagnóstico de piometra de colo fechado, 
apresenta hipertermia, desidratação e mucosas pálidas. O hemograma revelou 
Leucocitose severa (48.000 leucócitos/µL), Neutrófilos Bastonetes: 12.000/µL, Neutrófilos 
Segmentados: 22.000/µL. Nota-se intensa toxicidade neutrofílica no esfregaço (basofilia 
citoplasmática difusa e vacuolização). Como se classifica essa resposta leucocitária e 
qual a sua interpretação fisiopatológica?
A) Desvia à esquerda degenerativo, indicando que a medula óssea exauriu por completo 
sua capacidade proliferativa e o animal está em choque irreversível.
B) Desvio à esquerda regenerativo, pois apesar do número expressivo de formas jovens 
(bastonetes), a contagem de neutrófilos maduros segmentados ainda é numericamente 
superior, indicando que a medula óssea está respondendo de forma robusta e eficaz à 
intensa demanda inflamatória tecidual.
C) Leucograma do estresse puro induzido por dor, onde os glicocorticoides estimulam a 
saída massiva de bastonetes diretamente do baço.
D) Reação leucemoide linfoide, caracterizada por erro de maturação celular crônica na 
linhagem agranulocítica.
E) Panleucopenia transitória por sequestro marginal generalizado em capilares 
pulmonares periféricos.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): O desvio à esquerda é caracterizado pelo aumento de formas imaturas de 
neutrófilos (bastonetes) na circulação sanguínea periférica. Ele é denominado 
"Regenerativo" quando há uma leucocitose concomitante e o número absoluto de 
neutrófilos segmentados maduros (22.000/µL) supera o número de bastonetes 
(12.000/µL). Isso demonstra fisiologicamente que, apesar da gravidade da infecção 
(piometra), o pool de proliferação e maturação da medula óssea está conseguindo suprir 
a demanda e manter o gradiente de maturação a favor das células prontas. Os sinais de 
toxicidade neutrofílica atestam a maturação acelerada induzida por citocinas.
• A (Incorreta): No desvio degenerativo, as formas imaturas superam as formas maduras, 
ou ocorre neutropenia absoluta, o que não condiz com os números do caso (segmentados 
superam os bastonetes em contexto de leucocitose).
• C (Incorreta): O leucograma do estresse (mediado por cortisol) cursa caracteristicamente 
com neutrofilia madura sem desvio à esquerda ou com desvio extremamente discreto, 
além de não induzir toxicidade neutrofílica grau severo.
• D (Incorreta): A alteração descrita acomete estritamente a linhagem granulocítica 
neutrofílica (bastonetes/segmentados), descartando qualquer padrão de reação linfoide 
primária.
• E (Incorreta): O paciente exibe uma leucocitose acentuada (48.000/µL), o oposto 
biológico de uma panleucopenia (redução severa e global de leucócitos).
•
Questão 35 (Função Hepática / Fisiopatologia)
No diagnóstico laboratorial das afecções hepáticas em pequenos animais, os Ácidos 
Biliares séricos representam um teste de função dinâmico de alta sensibilidade. Um cão, 
Yorkshire Terrier, fêmea, 8 meses, apresenta atraso no crescimento e episódios de 
desorientação após as refeições. Foram dosados os ácidos biliares: Pré-prandial (jejum): 
45 µmol/L (Ref:Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): Os ácidos biliares são sintetizados pelos hepatócitos a partir do colesterol e 
secretados na bile. No lúmen intestinal, auxiliam na digestão lipídica. No íleo terminal, 
cerca de 95% são reabsorvidos ativamente e entram na veia porta. O fígado saudável os 
recapta eficientemente no primeiro passo, mantendo os níveis sistêmicos baixos. Na 
presença de um shunt portossistêmico (congênito ou adquirido), o sangue portal contendo 
os ácidos biliares absorvidos desvia do parênquima hepático e cai direto na veia cava, 
gerando elevações séricas massivas, especialmente após o estímulo da alimentação 
(pós-prandial).
• A (Incorreta): A síntese de ácidos biliares é estritamente hepática e sua rota fisiológica 
principal envolve o trato gastrointestinal e a circulação portal, sem relação com síntese 
renal.
• B (Incorreta): O pâncreas exócrino secreta enzimas digestivas (lípase, amilase), mas não 
sintetiza ácidos biliares, e o estômago não atua como sítio de degradação destes 
compostos.
• D (Incorreta): O trajeto envolve obrigatoriamente a absorção portal; não há desvio 
fisiológico sistêmico adaptativo para linfonodos em animais jovens saudáveis.
• E (Incorreta): O metabolismo dos ácidos biliares está atrelado ao colesterol e à dinâmica 
digestivo-hepática, enquanto a destruição de eritrócitos gera bilirrubina, um pigmento de 
rota metabólica diferente.
•
Questão 36 (Função Renal / Urinálise)
A diferenciação entre azotemia renal e pré-renal baseia-se na avaliação conjunta de 
biomarcadores séricos e parâmetros físicos urinários. Um felino, Siamês, macho, 14 anos, 
com histórico de poliúria e polidipsia crônicas, apresenta-se desidratado no exame clínico. 
Os exames revelam Ureia: 160 mg/dL, Creatinina: 4,2 mg/dL. A urinálise colhida 
simultaneamente via cistocentese demonstra uma Densidade Urinária de 1,011. Qual a 
interpretação fisiopatológica definitiva deste cenário?
A) Azotemia pré-renal pura por desidratação severa, visto que o rim do gato idoso perde 
água intencionalmente para reduzir a viscosidade sanguínea.
B) Azotemia renal primária (Doença Renal Crônica), pois a presença de desidratação 
(estímulo para conservação máxima de água) combinada com a incapacidade do rim em 
concentrar a urina (isostenúria = 1,011) comprova que mais de dois terços dos néfrons 
perderam sua integridade funcional e tubular.
C) Azotemia pós-renal obstrutiva oculta, na qual o pH urinário induz a fixação da 
densidade na faixa neutra plasmática.
D) Pseudo-azotemia decorrente de catabolismo muscular esquelético acelerado induzido 
pelo jejum clínico pré-exame.
E) Azotemia adaptativa induzida por hiperadrenocorticismo agudo transitório de 
contenção.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): Um felino desidratado e com perfusão renal diminuída necessita conservar 
água para restaurar a volemia, o que geraria uma urina altamente concentrada (DU > 
1,035) se os rins fossem saudáveis (azotemia pré-renal). Contudo, a constatação de uma 
urina na faixa de isostenúria (1,011) em um animal visivelmente desidratado e azotêmico 
atesta que os túbulos renais estão lesionados e incapazes de responder aos estímulos 
hormonais (ADH/aldosterona) para reabsorver água, selando o diagnóstico de 
insuficiência ou doença renal intrínseca (renal).
• A (Incorreta): O rim de um gato saudável jamais produziria urina diluída/isostenúrica em 
estado de desidratação severa; a retenção de água seria máxima para autopreservação 
cardiovascular.
• C (Incorreta): A azotemia pós-renal está vinculada a bloqueios de fluxo ou rupturas 
anatômicas em vias urinárias baixas, cursando com distensão de tecidos e achados 
específicos em exames de imagem e histórico de anúria real.
• D (Incorreta): O catabolismo muscular pode elevar discretamente a creatinina basal em 
animais caquéticos, mas não justifica uma falência funcional dessa magnitude associada 
à perda fixa de capacidade de concentração tubular.
• E (Incorreta): O cortisol e o estresse não provocam lesão estrutural de parênquima 
tubular imediata a ponto de fixar a gravidade específica urinária em 1,011 durante um 
procedimento rotineiro de triagem.
•
Questão 37 (Urinálise)
A avaliação da Proteinúria na Patologia Clínica Veterinária exige cautela pré-analítica e 
interpretativa. Um cão, Boxer, fêmea, 7 anos, apresenta proteinúria quantificada na fita 
reagente como 3+ (300 mg/dL). No entanto, a análise do sedimento urinário revelou 
campo repleto de hemácias intactas (hematúria severa) e ausência de leucócitos ou 
bactérias. O clínico questiona se este resultado de fita atesta lesão glomerular. Qual a 
orientação correta baseada na metodologia do teste da fita e na sedimentoscopia?
A) O teste confirma doença glomerular pura, pois a fita reagente reage exclusivamente 
com proteínas filtradas no espaço de Bowman.
B) A proteinúria é um falso positivo metodológico, pois hemácias intactas em urina ácida 
emitem radiação fluorescente que altera a cor do quadrado químico da fita.
C) A proteinúria detectada na fita deve ser interpretada com extrema reserva quanto à 
origem renal, pois a presença de hematúria macro ou microscópica severa (origem pós-
renal ou hemorrágica) adiciona uma imensa quantidade de proteínas plasmáticas 
(incluindo a hemoglobina e a albumina sérica do próprio sangramento) diretamente na 
amostra, mascarando a avaliação glomerular isolada.
D) O resultado indica que o cão apresenta uma anemia hemolítica intravascular imuno-
mediada oculta com preservação glomerular total.
E) A fita reagente quantifica apenas proteínas de baixo peso molecular secretadas 
ativamente pelas paredes da uretra proximal.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): As fitas reagentes para urinálise detectam principalmente a albumina através 
do princípio do "erro proteico dos indicadores de pH". Qualquer sangramento no trato 
urinário (seja por cistite hemorrágica, cálculos, trauma de cateter ou cio) introduz sangue 
total na urina. O sangue contém plasma, que é riquíssimo em albumina e outras proteínas 
globulares. Portanto, na presença de uma hematúria microscópica expressiva ou 
macroscópica, o teste da fita dará positivo para proteínas devido ao sangue presente ali, 
configurando uma proteinúria pós-renal (ou hemorrágica) que impede o diagnóstico direto 
de glomerulopatia até que o sangramento seja resolvido.
• A (Incorreta): A fita reage com a albumina presente na amostra líquida 
independentemente se ela veio de uma falha de filtração glomerular ou de um vaso 
rompido na bexiga.
• B (Incorreta): Não há emissão de fluorescência biológica celular por hemácias na fita 
química que mimetize o teste; o positivo ocorre pela detecção real de proteínas 
plasmáticas derivadas do sangue do sangramento local.
• D (Incorreta): A hematúria consiste na presença de hemácias intactas no sedimento 
urinário (lesão de vasos no trato urinário), o que difere da hemoglobinúria (urina escura 
sem hemácias inteiras no sedimento, típica de hemólise intravascular).
• E (Incorreta): A fita química possui sensibilidade voltada predominantemente para a 
albumina (proteína de tamanho médio e carga negativa originária do plasma), e não para 
secreções uretrais específicas isoladas.
•
Questão 38 (Leucograma)
Um canino, Poodle, macho, 12 anos, com histórico de hiperadrenocorticismo crônico não 
controlado (Síndrome de Cushing), realiza exames prévios a um procedimento 
odontológico. Seu hemograma revela Leucocitose moderada com o seguinte perfil 
diferencial: Neutropenia ausente, Neutrofilia marcada com células maduras 
hipersegmentadas (presença de neutrófilos com 6 a 7 lobulações nucleares), Linfopenia 
severa e Eosinopenia total. Como se classifica morfologicamente essa alteração 
neutrofílicae qual a sua fisiopatologia?
A) Desvio à esquerda regenerativo, causado pelo consumo de neutrófilos jovens nos 
tecidos moles periodontais.
B) Desvio à direita, caracterizado pela presença de neutrófilos hipersegmentados, 
decorrente da ação prolongada de níveis elevados de glicocorticoides (cortisol), que 
reduzem a aderência endotelial dos neutrófilos e prolongam seu tempo de 
sobrevida/circulação no sangue vascular, permitindo o envelhecimento celular in vivo.
C) Toxicidade celular citoplasmática induzida por infecção viral latente em células 
mieloides progenitoras.
D) Reação leucemoide aguda, na qual a medula óssea libera linfoblastos atípicos para 
compensar a eosinopenia.
E) Atrofia mieloide fisiológica decorrente do processo normal de senilidade da raça 
Poodle.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): O surgimento de neutrófilos hipersegmentados (com 5 ou mais lobulações 
nucleares) configura o chamado "Desvio à Direita". Esse fenômeno reflete o 
envelhecimento crônico dos neutrófilos dentro do compartimento vascular circulante. Os 
glicocorticoides (tanto endógenos no Cushing quanto exógenos via terapias) reduzem a 
diapedese (migração dos neutrófilos para os tecidos), fazendo com que as células 
permaneçam circulando por muito mais tempo do que sua meia-vida normal (que é de 
poucas horas). Ao circularem por mais tempo sem migrar, os núcleos continuam a se 
segmentar, gerando o desvio à direita clássico associado ao leucograma do estresse 
sustentado.
• A (Incorreta): O desvio à esquerda envolve o aparecimento de formas imaturas 
(bastonetes, metamielócitos) com pouca ou nenhuma segmentação nuclear, o oposto do 
descrito na questão.
• C (Incorreta): A hipersegmentação afeta a arquitetura do núcleo (envelhecimento 
cronológico da célula) e difere completamente das alterações de toxicidade que ocorrem 
no citoplasma (vacuolização, corpúsculos de Döhle, basofilia) durante inflamações graves.
• D (Incorreta): Não há relato de liberação de blastos ou linfoblastos atípicos, e o desvio à 
direita é uma resposta granulocítica madura e não uma proliferação neoplásica blástica 
linfoide.
• E (Incorreta): A hipersegmentação neutrofílica é um processo fisiopatológico 
metabólico/hormonal bem definido e documentado, sem relação com atrofia por 
envelhecimento racial natural idiopático.
•
Questão 39 (Função Hepática)
Durante uma aula prática de Patologia Clínica Veterinária na UNINASSAU Maceió, 
analisa-se o perfil bioquímico de um canino com suspeita de cirrose hepática 
macrovesicular. O parênquima funcional encontra-se severamente reduzido. O professor 
solicita que os alunos identifiquem qual parâmetro bioquímico sérico sintetizado 
exclusivamente pelo fígado tende a diminuir de forma crônica e por que sua meia-vida 
longa exige cautela na avaliação de lesões agudas. Qual é esse biomarcador e sua 
respectiva meia-vida aproximada no cão?
A) Alanina Aminotransferase (ALT); possui meia-vida de 6 horas e cai pela destruição 
celular total.
B) Albumina; possui meia-vida longa no cão (aproximadamente 8 a 9 dias), o que significa 
que sua redução sérica indica cronicidade (perda de massa funcional sustentada por 
semanas), permanecendo normal em insultos hepáticos agudos severos.
C) Creatinina; sintetizada no fígado e excretada pelo glomérulo, com meia-vida de 24 
horas em carnívoros.
D) Fosfatase Alcalina (FA); enzima de síntese mitocondrial com eliminação biliar imediata 
em menos de 2 horas.
E) Amônia livre; macromolécula proteica estrutural cuja meia-vida ultrapassa 45 dias no 
plasma circulante.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): A albumina é sintetizada exclusivamente pelos hepatócitos. Devido à imensa 
reserva funcional do fígado, a produção de albumina só decai significativamente quando 
mais de 70% a 80% da massa funcional do órgão está comprometida. Como a albumina 
possui uma meia-vida plasmática longa no cão (cerca de 8,2 dias), mesmo se o fígado 
parar subitamente de produzi-la hoje devido a uma necrose aguda, os níveis séricos 
demorarão dias para declinar. Portanto, a hipoalbuminemia de origem hepática é um 
marcador clássico de cronicidade e perda de massa funcional de longa data.
• A (Incorreta): A ALT é uma enzima de extravasamento citosólico (marcador de 
integridade celular) e seus níveis aumentam na circulação plasmática quando há lesão 
hepática ativa, e não diminuem cronicamente de forma funcional básica.
• C (Incorreta): A creatinina é um produto da degradação da fosfocreatina no tecido 
muscular esquelético e serve como marcador de taxa de filtração glomerular renal, sem 
relação com síntese hepática exclusiva.
• D (Incorreta): A FA é uma enzima de membrana (indução) ancorada aos canalículos 
biliares e tecido ósseo, cuja atividade sérica aumenta em processos colestáticos ou de 
crescimento ósseo.
• E (Incorreta): A amônia é um gás/composto nitrogenado volátil tóxico de baixo peso 
molecular produzido no intestino, captado pelo fígado para conversão em ureia, 
possuindo uma meia-vida extremamente curta (minutos) e não semanas no plasma.
Questão 40 (Função Renal)
O biomarcador SDMA (Dimetilarginina Simétrica) consolidou-se como uma ferramenta de 
alta sensibilidade para a detecção precoce de disfunções renais na clínica de pequenos 
animais. Um felino, Siamês, fêmea, 13 anos, caquético devido a uma neoplasia mamária 
estável, apresenta exames séricos com Ureia: 42 mg/dL (normal), Creatinina: 1,1 mg/dL 
(normal) e SDMA: 26 µg/dL (Elevada - Ref: 0-14 µg/dL). Qual a justificativa fisiopatológica 
para a SDMA já estar elevada enquanto a creatinina permanece normal neste paciente 
específico?
A) A creatinina está normal porque a caquexia severa reduz a massa muscular total do 
animal, gerando menor produção endógena de creatinina e mascarando a perda real de 
função renal, enquanto a SDMA não depende da massa muscular e acusa a queda 
precoce na taxa de filtração glomerular.
B) A SDMA eleva-se falsamente na presença de qualquer processo neoplásico mamário 
devido à síntese tumoral direta de arginina.
C) O resultado de SDMA indica que o animal possui um quadro inflamatório focado 
puramente na bexiga urinária baixa.
D) A creatinina só se altera se o paciente consumir grandes volumes de água salina, o 
que não ocorre na espécie felina.
E) A SDMA e a creatinina possuem locais de excreção opostos, sendo a creatinina 
eliminada unicamente pelas fezes fecais.
Gabarito: A
• Justificativa detalhada:
• A (Correta): A creatinina é um subproduto do metabolismo da creatina muscular 
esquelética e sua produção diária é diretamente proporcional à massa de músculos 
magros do animal. Em pacientes geriátricos caquéticos ou com severa sarcopenia, a 
produção basal de creatinina cai drasticamente. Se esse animal desenvolver doença 
renal, os níveis de creatinina sérica podem demorar a ultrapassar o limite de referência 
superior devido à baixa produção de origem. A SDMA, sendo um aminoácido metilado 
liberado continuamente por todas as células nucleadas durante o turnover proteico, 
independe inteiramente da massa muscular e eleva-se precocemente assim que a Taxa 
de Filtração Glomerular declina, revelando a nefropatia mascarada.
• B (Incorreta): A SDMA é altamente específica para rastreio da taxa de filtração glomerular 
e não sofre interferências de produção paraneoplásica direta por adenocarcinomas 
mamários estáveis.
• C (Incorreta): A elevação da SDMA reflete redução na filtração glomerular (componente 
renal ou pré-renal) e não serve como indicador de inflamações locais baixas da parede da 
bexiga (cistite).
• D (Incorreta): Os níveis de creatinina dependem da filtração glomerular e produção 
muscular, flutuando cronicamente em nefropatias independentementeda ingestão 
dietética de sal líquido.
• E (Incorreta): Ambas as moléculas (SDMA e creatinina) são excretadas majoritariamente 
por filtração glomerular nos rins através da urina, invalidando a hipótese de eliminação 
fecal primária da creatinina.
•
Questão 41 (Urinálise)
Amostras de urina de felinos machos obstruídos por plugues mucocristalinos 
frequentemente chegam ao laboratório de Patologia Clínica. O veterinário responsável 
realiza a urinálise e foca na Sedimentoscopia. Caso a amostra apresente um pH alcalino 
de 8,0 e o animal possua urolitíase por estruvita, qual a conduta ideal em relação ao 
tempo de processamento e quais estruturas celulares inflamatórias associadas à resposta 
local do urotoélio devem ser quantificadas no sedimento centrifugado?
A) A amostra deve ser congelada por 45 dias; devem ser quantificados apenas 
macrófagos gigantes vacuolizados.
B) O processamento deve ser imediato (em até 30-60 minutos), pois o pH alcalino acelera 
a lise de leucócitos e hemácias; na sedimentoscopia devem ser quantificados os 
piócitos/leucócitos (indicando inflamação/infecção local), hemácias (hematúria por trauma 
mecânico do cálculo na mucosa) e células epiteliais de transição (descamação do 
urotoélio vesical).
C) A urina deve ser fervida para estabilizar cilindros hialinos antes da microscopia de luz 
polarizada.
D) Deve-se buscar unicamente linfócitos T auxiliares, visto que bactérias urinárias 
obliteram a linhagem neutrofílica.
E) O tempo de processamento é irrelevante em pH alcalino porque a amônia atua como 
um potente fixador citoplasmático natural.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): Amostras de urina com pH alcalino e baixa osmolalidade são ambientes 
hostis para a preservação de elementos celulares. Os leucócitos (piócitos) e as hemácias 
sofrem lise (rompimento) rapidamente se a urina for mantida em temperatura ambiente 
por mais de uma hora, gerando contagens falsamente baixas na microscopia. O 
processamento rápido garante a identificação fidedigna da piúria (leucócitos 
inflamatórios), hematúria (decorrente do dano inflamatório e mecânico dos 
cristais/cálculos nos vasos da mucosa) e células de descamação epitelial de transição 
(que revestem a bexiga e uretra proximal).
• A (Incorreta): O congelamento prolongado sem crioprotetores destrói completamente a 
arquitetura celular e precipita massivamente cristais in vitro, destruindo a amostra para 
urinálise básica.
• C (Incorreta): O aquecimento ou fervura da urina desnatura as proteínas solúveis e 
destrói qualquer elemento celular ou cilindro moldado presente no sedimento urinário.
• D (Incorreta): Os leucócitos que migram para o trato urinário em processos agudos 
inflamatórios/infecciosos obstrutivos são predominantemente neutrófilos segmentados 
(piócitos), e não linfócitos T isolados em triagem microscópica diferencial visual direta.
• E (Incorreta): A amônia gerada em urinas alcalinas por bactérias destrói por lise osmótica 
e química as membranas das células em vez de preservá-las, tornando o tempo de 
processamento um fator crítico pré-analítico.
•
Questão 42 (Leucograma)
Uma gata da raça Persa, 8 meses, dá entrada em uma clínica em Maceió-AL com 
histórico de vômitos, diarreia profusa desidratante e prostração severa. O hemograma 
revelou uma Leucopenia global extrema com contagem total de 600 leucócitos/µL (Ref: 
5.500-19.500/µL). A contagem diferencial microscópica confirmou neutropenia, linfopenia, 
eosinopenia e monocitose ausentes (Panleucopenia). Sabendo que o agente etiológico 
clássico é o Vírus da Panleucopenia Felina (Parvovírus felino), qual o mecanismo celular 
medular que explica o desaparecimento simultâneo de quase todos os leucócitos 
circulantes?
A) O vírus induz a fusão mecânica de todos os glóbulos brancos no interior da artéria 
femoral.
B) O vírus possui tropismo específico por células em intensa atividade mitótica e destrói 
diretamente as células-tronco hematopoéticas (progenitoras pluripotentes e multipotentes) 
na medula óssea, paralisando de forma aguda a produção (leucopoiese) de todas as 
linhagens brancas, enquanto as células circulantes remanescentes são consumidas na 
severa enterite tecidual.
C) O vírus atua estimulando o baço a fagocitar unicamente leucócitos que contenham 
ferro em seu citoplasma.
D) A leucopenia ocorre porque os leucócitos migram voluntariamente para o tecido 
adiposo subcutâneo para fugir da viremia.
E) O agente viral bloqueia a síntese hepática de eritropoietina, impedindo a maturação 
exclusiva de granulócitos maduros.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): O Parvovírus felino necessita da maquinaria replicativa de células 
hospedeiras em fase ativa de divisão celular (mitose). Na medula óssea dos animais 
jovens, os precursores hematopoéticos (mieloblastos, linfoblastos, etc.) multiplicam-se a 
taxas elevadíssimas. O vírus invade e promove a lise dessas células progenitoras, 
destruindo a fábrica de leucócitos. Associado ao consumo maciço de glóbulos brancos 
remanescentes que migram para a mucosa intestinal ulcerada pelo vírus, o sangue 
periférico sofre um esvaziamento drástico e agudo de todas as linhagens de leucócitos, 
resultando no quadro laboratorial de panleucopenia.
• A (Incorreta): Não ocorre fusão celular intravascular mecânica de leucócitos em artérias 
periféricas sob ação do parvovírus felino.
• C (Incorreta): Leucócitos normais saudáveis não acumulam ferro citoplasmático 
estrutural como rota metabólica para induzir fagocitose esplênica seletiva generalizada 
desse tipo.
• D (Incorreta): As células do sistema imune não possuem comportamento autônomo de 
migração evasiva para tecidos de reserva gordurosa com o intuito de escapar de 
infecções virais sistêmicas.
• E (Incorreta): A eritropoietina é sintetizada majoritariamente nos rins (e não no fígado) e 
atua estimulando a linhagem vermelha (eritrócitos), sem exercer controle direto primário 
sobre a leucopoiese granulocítica geral.
•
Questão 43 (Função Hepática / Fisiopatologia de Icterícias)
Um canino, Poodle, fêmea, 9 anos, apresenta icterícia acentuada e urina de coloração 
alaranjada escura. O perfil laboratorial indicou: Hematócrito: 14% (Ref: 37-55%), plasma 
intensamente hemolisado (avermelhado), ALT e AST normais, FA e GGT normais. A 
dosagem de bilirrubinas plasmáticas demonstrou grande elevação da Bilirrubina Indireta 
(Não Conjugada). Como o patologista clínico classifica essa icterícia e qual o mecanismo 
fisiopatológico de geração desse pigmento?
A) Icterícia pós-hepática por obstrução do ducto cístico secundária à dilatação gástrica.
B) Icterícia hepática por incapacidade crônica de conjugação microssomal induzida pela 
idade avançada do animal.
C) Icterícia pré-hepática (Hemolítica). A destruição massiva de hemácias (hemólise 
intravascular/extravascular) libera grandes quantidades de hemoglobina, que é 
metabolizada em biliverdina e posteriormente em bilirrubina indireta (lipossolúvel e ligada 
à albumina). A taxa de produção do pigmento supera amplamente a capacidade máxima 
de captação e processamento dos hepatócitos saudáveis, acumulando-se no plasma.
D) Icterícia metabólica pura decorrente de mutação hereditária na enzima piruvato 
quinase exclusiva de cães Poodle.
E) Pseudo-icterícia decorrente da ingestão excessiva de alimentos ricos em betacaroteno 
e corantes vegetais artificiais.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): O paciente apresenta uma anemia severa (hematócrito 14%) associada a 
plasma hemolisado e enzimas hepáticas perfeitamente normais. O colapso eritrocitário 
libera quantidades massivas de hemoglobina na circulação ou no sistema fagocítico 
mononuclear. O catabolismo desse grupo heme gera bilirrubina livre (indireta), que viaja 
acoplada à albuminaplasmática. Como o fígado recebe uma carga de pigmento muito 
superior à sua velocidade máxima de processamento enzimático, a bilirrubina indireta 
acumula-se no sangue, gerando icterícia pré-hepática, sem que haja qualquer lesão 
intrínseca no parênquima hepático ou nas vias biliares.
• A (Incorreta): A icterícia pós-hepática obstrutiva causaria elevações exuberantes de FA e 
GGT, com predomínio plasmático de bilirrubina direta (conjugada), o que contraria 
totalmente os dados fornecidos.
• B (Incorreta): As enzimas hepáticas normais atestam a integridade e saúde do 
parênquima celular; o fígado está saudável, apenas sobrecarregado pelo substrato 
pigmentar oriundo da hemólise.
• D (Incorreta): Embora deficiências de piruvato quinase existam na veterinária, o quadro 
descrito foca na classificação fisiopatológica geral da icterícia hemolítica clássica 
independente de causa genética rara isolada.
• E (Incorreta): A desidratação ou excesso de carotenos pode amarelar ligeiramente 
tecidos adiposos em grandes animais, mas em pequenos animais com hematócrito de 
14% e bilirrubina livre sérica elevada, a icterícia hemolítica é real e patológica.
Questão 44 (Função Renal / Fisiopatologia de Ureia)
A compreensão do ciclo da amônia e da síntese da ureia é fundamental para a 
interpretação correta das azotemias pré-renais de origem metabólica/digestiva. Em um 
felino com diagnóstico confirmado de insuficiência hepática terminal por cirrose biliar, 
espera-se que, em fases avançadas da doença hepática, os níveis séricos de Ureia e 
Amônia apresentem qual comportamento clássico dissociado na ausência de 
desidratação?
A) Ureia severamente elevada e Amônia indetectável no plasma circulante.
B) Ureia normal ou diminuída (visto que o fígado cirrótico perdeu a capacidade de 
converter a amônia em ureia através do ciclo da ornitina) acompanhada de Amônia 
plasmática severamente elevada (causando encefalopatia hepática).
C) Ambos os parâmetros elevam-se de forma idêntica mimetizando uma obstrução pós-
renal aguda de uretra.
D) A amônia transforma-se em creatinina sérica ativa dentro dos vasos linfáticos 
mesentéricos centrais.
E) Redução total de ambos os compostos devido à excreção adaptativa compensatória 
pelas glândulas sudoríparas felinas.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): A ureia é sintetizada exclusivamente no fígado a partir do processamento da 
amônia ($NH_3$) tóxica gerada pelo catabolismo bacteriano e proteico intestinal. Quando 
o parênquima hepático sofre destruição crônica maciça (insuficiência funcional terminal), o 
ciclo da ureia entra em colapso por escassez enzimática e celular. Consequentemente, o 
fígado deixa de produzir ureia (fazendo com que a ureia sérica se apresente baixa ou no 
limite inferior, mesmo na vigência de disfunção metabólica) e a amônia livre acumula-se 
de forma alarmante no sangue, cruzando a barreira hematoencefálica e gerando sinais de 
encefalopatia.
• A (Incorreta): Inverte completamente a lógica biológica da insuficiência hepática; a ureia 
cai pela falta de síntese e a amônia se eleva por falta de depuração e conversão.
• C (Incorreta): A elevação concomitante de ureia ocorre em falhas de filtração glomerular 
renal/pré-renal/pós-renal com fígado íntegro; na falência hepática pura sem desidratação, 
a dissociação (amônia alta / ureia baixa) é o padrão esperado.
• D (Incorreta): A amônia não possui rota bioquímica ou enzimática no organismo animal 
para se autotransformar em creatinina, composto derivado unicamente do metabolismo da 
fosfocreatina muscular.
• E (Incorreta): Gatos não possuem glândulas sudoríparas funcionais espalhadas pelo 
corpo capazes de excretar cargas em massa de compostos nitrogenados para compensar 
falências orgânicas sistêmicas centrais.
•
Questão 45 (Urinálise / Doença Glomerular)
Um canino, Golden Retriever, macho, 6 anos, apresenta edema bilateral simétrico de 
membros pélvicos e ascite discreta. Na urinálise por cistocentese, a fita reagente apontou 
proteinúria intensa (4+) com sedimento urinário perfeitamente limpo (ausência de piúria, 
hematúria ou cilindros celulares). O teste complementar de Relação Proteína:Creatinina 
Urinária (UPC) revelou um valor de 5,8 (Ref:rigorosamente a 
padronização internacional de cores de tampas e aditivos, quais tubos devem ser 
utilizados para cada exame, respectivamente?
A) Tampa roxa (EDTA), Tampa vermelha ou amarela (Ativador de coágulo/Gel separador) 
e Tampa azul (Citrato de Sódio).
B) Tampa azul (Citrato de Sódio), Tampa verde (Heparina) e Tampa roxa (EDTA).
C) Tampa cinza (Fluoreto de Sódio), Tampa roxa (EDTA) e Tampa vermelha (Sem aditivo).
D) Tampa verde (Heparina), Tampa cinza (Fluoreto de Sódio) e Tampa amarela (Gel 
separador).
E) Tampa roxa (EDTA), Tampa azul (Citrato de Sódio) e Tampa cinza (Fluoreto de Sódio).
Gabarito: A
• Justificativa detalhada:
• A (Correta): O hemograma completo requer sangue total com preservação da morfologia 
celular, sendo o EDTA (tampa roxa) o anticoagulante de eleição. Os perfis bioquímicos 
séricos necessitam de soro, obtido em tubos sem anticoagulante com ativador de coágulo 
(tampa vermelha) ou com gel separador (tampa amarela). Os testes de coagulação 
exigem preservação dos fatores plasmáticos dependentes de cálcio, utilizando o citrato de 
sódio (tampa azul) como anticoagulante reversível.
• B (Incorreta): Inverte a ordem dos tubos e sugere a heparina (verde) para a rotina 
bioquímica geral, a qual pode interferir em alguns analitos séricos e inviabiliza o 
hemograma em cães devido ao background azulado no esfregaço.
• C (Incorreta): O tubo de tampa cinza contém fluoreto de sódio associado ao oxalato de 
potássio, indicado especificamente para a dosagem de glicose por inibir a glicólise in vitro, 
não sendo o tubo padrão para hemograma.
• D (Incorreta): A sequência falha em incluir o tubo de citrato de sódio (azul), que é o único 
padrão biológico viável para a execução confiável de testes de coagulação (TTPA e TP).
• E (Incorreta): Indica o tubo de tampa cinza (glicose) para a realização de testes de 
coagulação, o que inviabilizaria o TTPA devido à interferência do oxalato na cascata 
enzimática.
Questão 47 (Coleta de Amostras em Grandes Animais - Baseada nas Q2 
e Q8 da prova)
Durante uma aula prática com bovinos, os alunos da UNINASSAU são questionados 
sobre as vias de acesso venoso para monitoramento de anemias e distúrbios metabólicos 
na rotina de grandes animais. Além da veia jugular externa, considerada a via eletiva pelo 
maior calibre e facilidade de colheita, quais outros dois sítios anatômicos venosos são 
amplamente utilizados na clínica de ruminantes de produção?
A) Veia cefálica cranial e artéria femoral profunda.
B) Veia coccígea (caudal) e veia subcutânea abdominal (veia da mama, em fêmeas 
lactantes).
C) Veia safena lateral e artéria carótida comum.
D) Veia auricular marginal e artéria podal dorsal.
E) Veia torácica interna e seio venoso oftálmico.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): Em bovinos, além da veia jugular (pescoço), a veia coccígea (localizada na 
face ventral da cauda) é extremamente utilizada na rotina de campo por permitir a coleta 
com o animal em tronco de contenção de forma rápida e segura. A veia subcutânea 
abdominal (veia da mama) também é um acesso calroso e visível em vacas leiteiras, 
embora exija cautela pelo risco de hematomas e flebite secundária.
• A (Incorreta): A veia cefálica é a via de eleição em pequenos animais (cães e gatos) e a 
artéria femoral é utilizada para hemogasometria em carnívoros, sendo inacessível para 
coleta rotineira de sangue venoso em bovinos em pé.
• C (Incorreta): A veia safena lateral é um sítio de eleição em caninos e o acesso à artéria 
carótida em bovinos é um procedimento cirúrgico ou invasivo de emergência, inadequado 
para triagens bioquímicas ou hemogramas.
• D (Incorreta): A veia auricular (orelha) serve para pequenas gotas de sangue (pesquisa 
de hemoparasitas) ou cateterização em suínos, mas não comporta o volume necessário 
para perfis laboratoriais completos em bovinos de corte.
• E (Incorreta): O seio venoso oftálmico é uma via de coleta restrita a roedores de 
laboratório (experimentação), sendo anatomicamente e clinicamente inviável na rotina de 
grandes animais.
•
Questão 48 (Processamento de Exames e Alterações Pré-analíticas - 
Baseada na Q3 da prova)
Uma amostra de sangue total colhida em tubo de EDTA e uma amostra em tubo seco 
(soro) de um felino foram mantidas na bancada de uma clínica no interior de Alagoas por 
48 horas sem refrigeração devido a uma falha no transporte. Ao analisar a integridade 
biológica destas amostras, quais alterações artefatuais crônicas o patologista clínico 
observará no hemograma e no perfil bioquímico, respectivamente?
A) Leucocitose persistente por duplicação celular in vitro e aumento nos níveis de glicose 
livre.
B) Hemólise artefactual com lise osmótica de eritrócitos (gerando falso aumento de 
CHCM e queda na contagem global de hemácias) e queda acentuada da glicose 
devido ao consumo contínuo (glicólise) pelas hemácias e leucócitos vivos na 
amostra.
C) Reticulocitose induzida pelo calor e estabilização química dos níveis de ureia total.
D) Contração volumétrica dos eritrócitos com consequente diminuição drástica do VCM e 
elevação da atividade da ALT.
E) Ausência completa de alterações estruturais, visto que o EDTA atua como um 
conservante metabólico celular por até 72 horas em temperatura ambiente.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): O sangue mantido em temperatura ambiente sofre degeneração celular 
crônica. Os eritrócitos absorvem água do plasma por falha nas bombas de membrana, 
incham (elevando o VCM) e eventualmente sofrem lise osmótica (hemólise in vitro). Isso 
reduz a contagem de hemácias e eleva falsamente o CHCM (pois a hemoglobina livre é 
lida no plasma). No tubo bioquímico, as células vivas continuam consumindo glicose a 
uma taxa de aproximadamente 7% a 10% por hora (glicólise in vitro), zerando os níveis de 
glicose livre na amostra após 48h.
• A (Incorreta): Leucócitos não se multiplicam ou duplicam in vitro em tubos de coleta; pelo 
contrário, sofrem vacuolização, picnose nuclear e autólise. A glicose diminui 
drasticamente, nunca aumenta.
• C (Incorreta): Reticulócitos são hemácias jovens e sua contagem depende da produção 
medular prévia do paciente; o calor não induz a síntese de novas células vermelhas ou 
reticulócitos dentro do tubo.
• D (Incorreta): Ocorre o intumescimento celular (aumento do VCM) pelo influxo de água 
para o interior do eritrócito envelhecido, e não a contração celular com redução do VCM.
• E (Incorreta): O EDTA impede a cascata de coagulação ao quelar o cálcio, mas não 
possui propriedades de conservação metabólica ou celular a longo prazo sob 
temperaturas elevadas de armazenamento.
•
Questão 49 (Hematologia / Pancitopenia por Erliquiose - Baseada na Q4 
da prova)
A infecção por Ehrlichia canis é uma causa clássica de alterações hematológicas severas 
na rotina veterinária do Nordeste. Em um cão diagnosticado na fase crônica da doença, o 
hemograma revela o padrão de Pancitopenia. Do ponto de vista fisiopatológico e 
laboratorial, a pancitopenia caracteriza-se por:
A) Redução simultânea na contagem global de eritrócitos (anemia), leucócitos totais 
(leucopenia) e plaquetas (trombocitopenia), decorrente de hipoplasia medular ou 
destruição imunomediada periférica.
B) Elevação da massa celular total com redução seletiva do volume plasmático circulante 
(hemoconcentração).
C) Neutrofilia associada a eosinofilia e trombocitose reativa por estimulação mecânica 
esplênica.
D) Presença exclusiva de anemia macrocítica hipocrômica com preservação das 
linhagens de defesa e coagulação.
E) Leucocitose marcada com desvio à esquerda degenerativo e policitemia vera 
secundária.
Gabarito: A
• Justificativa detalhada:
• A (Correta): O sufixo "penia" indica redução. A pancitopenia é a redução concomitante 
das três linhagens celulares do sangue periférico:eritrócitos (anemia), leucócitos 
(leucopenia) e plaquetas (trombocitopenia/plaquetopenia). Na erliquiose crônica, isso 
ocorre devido à hipoplasia ou aplasia da medula óssea induzida pela persistência 
viral/bacteriana e hiperplasia histiocitária, associada a mecanismos de destruição 
imunomediada periférica.
• B (Incorreta): A descrição de aumento da massa celular com queda de plasma refere-se 
à eritrocitose/policitemia relativa por desidratação, o oposto de uma pancitopenia.
• C (Incorreta): Os sufixos "filia" e "tose" indicam aumento de contagem celular. Na 
pancitopenia ocorre diminuição crônica de todas as linhagens, e não elevações de 
neutrófilos e plaquetas.
• D (Incorreta): A anemia é apenas um dos componentes da pancitopenia; a definição 
exige obrigatoriamente a queda simultânea dos glóbulos brancos e das plaquetas.
• E (Incorreta): Descreve um quadro de leucocitose (aumento) e policitemia (aumento de 
hemácias), o que contradiz frontalmente a definição de colapso numérico celular celular 
que caracteriza as penias.
•
Questão 50 (Valores Hematimétricos / Classificação de Anemias - 
Baseada na Q5 da prova)
Um felino de 8 anos apresenta anemia grave com os seguintes índices hematimétricos: 
Hematócrito: 19% (Ref: 35-45%), VCM: 83 fL (Ref: 39-55 fL), CHCM: 33 g/dL (Ref: 32-36 
g/dL) e contagem absoluta de reticulócitos em 320.000/µL. Com base na interpretação 
matemática do VCM, CHCM e na contagem de reticulócitos, como essa anemia é 
classificada?
A) Anemia microcítica hipocrômica não regenerativa.
B) Anemia normocítica normocrômica não regenerativa.
C) Anemia macrocítica normocrômica regenerativa.
D) Anemia macrocítica hipocrômica regenerativa.
E) Anemia microcítica normocrômica arregenerativa.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): O VCM (Volume Corpuscular Médio) avalia o tamanho do eritrócito. Como o 
valor do paciente (83 fL) está significativamente acima da referência para a espécie felina 
(39-55 fL), a anemia é macrocítica. O CHCM (Concentração de Hemoglobina 
Corpuscular Média) avalia a coloração/saturação de hemoglobina; estando dentro da 
referência (33 g/dL), classifica-se como normocrômica. A presença de 320.000 
reticulócitos/µL (valor de corte para regeneração em gatos é >50.000 a 60.000/µL) 
confirma que a medula óssea está ativa e liberando hemácias jovens (que são maiores, 
justificando o VCM alto), tornando-a regenerativa.
• A (Incorreta): A classificação microcítica exigiria um VCM abaixo do valor de referência 
((eritropoiese 
deficiente) e não de uma perda ou vazamento mecânico em massa de hemoglobina pura 
pela urina na filtração do glomérulo.
• D (Incorreta): A ureia e a creatinina elevadas caracterizam a azotemia, mas esses 
compostos nitrogenados de excreção não possuem afinidade química ou capacidade 
biológica de quelar o ferro sérico.
• E (Incorreta): Embora a gastrite urêmica ocorra por conversão de ureia em amônia no 
estômago, o principal mecanismo da anemia não regenerativa na DRC é a falta de 
eritropoietina, e não uma deficiência de absorção macrofágica de vitamina B12.
•
Questão 53 (Hematologia / Eritrocitose e Policitemia - Baseada na Q10 
da prova)
Um canino apresenta-se em estado de choque por desidratação severa secundária a 
episódios graves de parvovirose. O hemograma revela um Hematócrito de 65% (Ref: 37-
55%) e Proteínas Plasmáticas Totais (PPT) elevadas em 9,5 g/dL (Ref: 6,0-7,5 g/dL). Após 
a instituição imediata de fluidoterapia intravenosa agressiva e reidratação do paciente, um 
novo hemograma demonstra o Hematócrito em 45% e PPT em 6,8 g/dL. Como se 
classifica fisiopatologicamente a eritrocitose inicial deste paciente?
A) Eritrocitose Absoluta Primária (Policitemia Vera), decorrente de neoplasia mieloide 
autônoma na medula óssea.
B) Eritrocitose Absoluta Secundária Apropriada, induzida por hipóxia tecidual crônica e 
excesso de eritropoietina.
C) Eritrocitose Relativa, decorrente da perda severa de volume plasmático (desidratação), 
que concentra os elementos celulares no sangue. Com a reidratação e expansão do 
volume vascular, os valores retornam aos intervalos normais (falsa policitemia).
D) Eritrocitose por Contração Esplênica fisiológica induzida por medo ou excitação 
adrenérgica.
E) Pseudo-eritrocitose induzida por leitura óptica errônea decorrente da icterícia 
hemolítica concomitante.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): A eritrocitose (ou policitemia) pode ser classificada em relativa ou absoluta. A 
eritrocitose relativa ocorre quando há diminuição do volume de fluido intravascular 
(plasma), como na desidratação grave. O número total de hemácias no corpo do animal 
permanece o mesmo, mas elas parecem aumentadas no hemograma (Ht 65%) devido à 
concentração (hemoconcentração), o que é corroborado pelo aumento concomitante das 
proteínas plasmáticas (PPT 9,5 g/dL). Assim que o equilíbrio hídrico é restaurado via 
fluidoterapia, o volume plasmático expande, diluindo os solutos e normalizando o 
hematócrito (45%) e as proteínas (6,8 g/dL).
• A (Incorreta): A policitemia vera é uma neoplasia mieloide crônica rara onde a medula 
produz hemácias em excesso independentemente do estado de hidratação ou níveis de 
EPO; não se normalizaria em poucas horas apenas com soro na veia.
• B (Incorreta): A eritrocitose absoluta secundária ocorre em animais com doenças 
cardíacas congênitas de desvio direita-esquerda ou doenças pulmonares crônicas que 
geram hipóxia real crônica estável, estimulando a síntese de EPO real.
• D (Incorreta): Embora a contração esplênica injete hemácias na circulação por ação da 
adrenalina, ela é transitória e não cursa com aumento expressivo e sustentado das 
proteínas plasmáticas totais por desidratação sistêmica como documentado.
• E (Incorreta): Os achados labororiais pré e pós-fluidoterapia comprovam a dinâmica 
hídrica real do compartimento vascular do paciente, descartando artefato analítico de 
leitura óptica por pigmentos.
•
Questão 54 (Remessa de Amostras / Fatores Pré-analíticos)
No transporte de amostras de sangue destinadas à realização do hemograma completo 
em pequenos animais, o congelamento direto do tubo de sangue total em EDTA a -20°C 
antes do envio é uma prática severamente contraindicada. Qual a justificativa biológica e 
microscópica para essa proibição na patologia clínica?
A) O congelamento estimula a mitose acelerada de neutrófilos, gerando falsos positivos 
para leucemia mielóide.
B) Ocorre a formação de cristais de gelo intracelulares que rompem mecanicamente a 
membrana plasmática de 100% dos eritrócitos e leucócitos (hemólise e lise celular total), 
inviabilizando a contagem celular global e impossibilitando a leitura do esfregaço 
sanguíneo.
C) O congelamento altera seletivamente o pH do anticoagulante EDTA, transformando-o 
em citrato de sódio ativo.
D) A baixa temperatura promove a polimerização reversível de plaquetas em 
megacariócitos gigantes funcionais.
E) O congelamento inativa a hemoglobina impossibilitando sua leitura na fita reagente 
química urinária.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): O sangue total colhido para hemograma nunca deve ser congelado. O 
congelamento sem agentes crioprotetores específicos (como o glicerol usado em bancos 
de sangue) causa a expansão da água intracelular e formação de agulhas de cristais de 
gelo que perfuram e destroem as membranas de todas as células (hemácias, leucócitos e 
plaquetas). Ao descongelar, a amostra se transforma em um líquido hemolisado escuro 
composto por debris celulares amorfos, impossibilitando a contagem em contadores 
automatizados e destruindo a morfologia celular necessária para a extensão sanguínea.
• A (Incorreta): Células sanguíneas maduras na circulação ou coletadas em tubos não 
possuem capacidade de realizar divisão mitótica, muito menos sob temperaturas de 
congelamento deletérias.
• C (Incorreta): O EDTA é um sal quelante estável de base química fixa e o congelamento 
físico não possui energia ou rota de reação para transmutar sua molécula em citrato de 
sódio.
• D (Incorreta): As plaquetas são fragmentos citoplasmáticos de megacariócitos; uma vez 
clivadas na medula, elas jamais se fundem ou se reconstituem em megacariócitos 
gigantes in vitro no tubo.
• E (Incorreta): Embora a hemoglobina seja liberada pela lise do congelamento, o 
hemograma avalia a contagem física das células inteiras e integridade morfológica, sendo 
o teste urinário de fita irrelevante para a finalidade do tubo roxo.
•
Questão 55 (Coleta de Amostras em Pequenos Animais)
Um cão da raça Dachshund, macho, 10 anos, com suspeita de colapso de traqueia e 
cardiopatia avançada, chega ao hospital veterinário extremamente estressado, dispneico 
e com cianose de mucosas. O médico veterinário necessita colher uma amostra de 
sangue para hemograma de urgência e deseja minimizar a contenção física e o estresse 
posicional do paciente para evitar uma parada cardiorrespiratória. Qual o sítio anatômico 
de venopunção mais indicado para este caso específico e por quê?
A) Veia jugular externa, pois exige hiperestensão cervical forçada que pode colapsar 
totalmente a traqueia sensível do animal.
B) Veia cefálica cranial (membro torácico), pois permite a coleta com o animal mantido em 
estação ou decúbito esternal confortável, sem comprometer a dinâmica respiratória 
cervical ou exercer pressão em vias aéreas.
C) Artéria carótida comum por punção às cegas para agilizar o tempo de escoamento 
sanguíneo no tubo.
D) Veia subcutânea abdominal (veia da mama), devido ao fácil acesso visual em machos 
da raça Dachshund.
E) Seio venoso retro-orbital, fixando firmemente o crânio do animal com pinças de 
contenção pesada.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): Em pacientes cardiopatas ou pneumopatas graves (especialmente cães com 
colapso de traqueia ou raças braquicefálicas estressadas), a contenção para venopunção 
da jugular pode ser fatal, pois exige esticar o pescoço e segurar firmemente a região 
cervical, o que oclui parcialmente as vias aéreas e gera ansiedade extrema. A veia 
cefálica cranial, localizada no membro anterior, permite que o animal permaneça sentado 
ou em pé em uma posição natural de repouso, minimizando a manipulação física e 
reduzindo drasticamenteo mais sensível e indicado para confirmar a perda da capacidade de depuração hepática 
neste paciente?
A) Mensuração da atividade sérica total de Alanina Aminotransferase (ALT) pré e pós-
prandial.
B) Dosagem de Ácidos Biliares Séricos (mensuração basal e duas horas pós-prandial).
C) Mensuração da Amônia plasmática basal em amostra de sangue mantida em 
temperatura ambiente por 12 horas.
D) Teste de depuração de Bromossulftaleína (BSP) acoplado à urinálise fracionada.
E) Dosagem fracionada de Bilirrubina Indireta urinária por cromatografia líquida de alta 
performance.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): O teste dinâmico dos ácidos biliares séricos (coleta em jejum de 12h e 2h 
após uma refeição calórica) avalia a integridade da circulação entero-hepática e a 
capacidade do fígado de recapturar os ácidos biliares do sangue portal. Em pacientes 
com shunt portossistêmico, o sangue desvia do fígado e vai direto para a circulação 
sistêmica, gerando elevações drásticas nos ácidos biliares pós-prandiais, tornando este 
teste o padrão-ouro funcional não invasivo.
• A (Incorreta): A ALT avalia lesão de membrana celular (extravasamento) e não a 
capacidade funcional/depurativa do órgão, além de não flutuar fisiologicamente em 
resposta à alimentação.
• C (Incorreta): Embora a amônia aumente em distúrbios vasculares hepáticos, ela é 
altamente volátil. A amostra exige refrigeração imediata, separação do plasma em minutos 
e processamento rápido. Mantê-la em temperatura ambiente por 12 horas invalida 
completamente o teste devido à geração in vitro de amônia pelas hemácias.
• D (Incorreta): O teste de BSP é obsoleto na rotina veterinária atual devido à toxicidade do 
corante e à ampla disponibilidade e segurança dos ácidos biliares.
• E (Incorreta): A bilirrubina indireta (não conjugada) é lipossolúvel, liga-se fortemente à 
albumina e não é filtrada pelo glomérulo, portanto, nunca estará presente na urina de 
forma fisiológica ou patológica isolada por filtração direta.
•
Questão 5 (Função Renal)
Um felino, Persa, macho, 12 anos, deu entrada na emergência veterinária com 
desidratação severa estimada em 10%, oligúria, vômitos e prostração intensa. Os exames 
laboratoriais de urgência demonstraram Creatinina de 6,2 mg/dL (Ref: 0,8-2,4 mg/dL) e 
Ureia de 240 mg/dL (Ref: 20-60 mg/dL). Simultaneamente, a densidade urinária (DU) 
obtida via cistocentese antes da fluidoterapia foi de 1,055. Como o patologista clínico 
deve classificar e justificar esta azotemia?
A) Azotemia Renal, pois os valores de ureia e creatinina estão criticamente elevados, 
ultrapassando três vezes o limite superior.
B) Azotemia Pós-renal, visto que a densidade urinária elevada indica obstrução física das 
vias urinárias inferiores (uretra ou ureteres).
C) Azotemia Pré-renal, porque a densidade urinária maior que 1,035 comprova que os 
néfrons mantêm a capacidade funcional de concentrar a urina em resposta à hipovolemia.
D) Azotemia Renal crônica reagudizada, baseando-se no fato de que felinos idosos 
perdem a capacidade de concentrar urina logo no início da lesão renal.
E) Azotemia por pseudo-hipercreatininemia, induzida por artefato analítico decorrente do 
estresse sofrido pelo paciente felino.
Gabarito: C
Justificativa detalhada:
C (Correta): A azotemia (elevação de ureia e creatinina) é classificada como pré-renal 
quando decorre de hipoperfusão renal (como na desidratação crônica de 10%). A prova 
cabal disso é a densidade urinária (DU) de 1,055. Em gatos, uma DU > 1,035 
(hiperstenúria) demonstra que os túbulos renais estão intactos e respondendo ao estímulo 
da aldosterona e do ADH para reter água e concentrar a urina ao máximo. Se a lesão 
fosse intrínseca renal, o rim não conseguiria concentrar a urina, mantendo-a na faixa de 
isostenúria (1,008 a 1,012) ou subisostenúria.
A (Incorreta): A magnitude da elevação de ureia e creatinina isolada não diferencia a 
localização da azotemia (pré-renal, renal ou pós-renal).
B (Incorreta): A densidade urinária elevada não indica obstrução das vias inferiores, mas 
sim conservação da capacidade de concentração tubular. A azotemia pós-renal cursa 
classicamente com histórico de anúria/disúria e evidências de distensão ou ruptura 
vesical/uretral na ultrassonografia.
D (Incorreta): Se houvesse doença renal intrínseca instalada impossibilitando a função 
tubular, a densidade urinária estaria baixa (isostenúrica), e não elevada em 1,055.
E (Incorreta): O estresse felino pode mimetizar hiperglicemia devido à liberação de 
catecolaminas, mas não altera os níveis séricos de creatinina a ponto de simular uma 
falência renal desta magnitude.
Questão 6 (Função Renal)
A avaliação precoce da Doença Renal Crônica (DRC) em pequenos animais transformou-
se com a introdução de novos biomarcadores na Patologia Clínica Veterinária. Um cão, 
Pastor Alemão, fêmea, 8 anos, sem sinais clínicos evidentes, realiza exames de rotina. Os 
resultados apontam: Creatinina: 1,2 mg/dL (Ref: 0,5-1,5 mg/dL), Ureia: 38 mg/dL (Ref: 15-
50 mg/dL) e SDMA (Dimetilarginina Simétrica): 24 µg/dL (Ref: 0-14 µg/dL). Qual é a 
interpretação fisiopatológica correta desse cenário laboratorial?
A) Os rins estão perfeitamente saudáveis, pois a ureia e a creatinina são os marcadores 
soberanos e a SDMA sofre interferência direta da massa muscular do animal.
B) Há indício de perda precoce de função renal (redução da Taxa de Filtração 
Glomerular), pois a SDMA é capaz de detectar reduções de cerca de 25% a 40% da 
função renal, enquanto a creatinina se eleva significativamente apenas após a perda de 
75% dos néfrons funcionais.
C) O paciente apresenta azotemia pós-renal assintomática, uma vez que a SDMA eleva-
se exclusivamente em casos de urolitíase obstrutiva oculta.
D) Trata-se de um quadro de desidratação leve (azotemia pré-renal), visto que a SDMA se 
eleva antes da densidade urinária sofrer qualquer alteração adaptativa.
E) A SDMA elevada indica que o animal possui excesso de massa muscular esquelética 
hipertrofiada, mascarando os níveis reais de creatinina sérica.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
B (Correta): A SDMA é um biomarcador derivado da metilação de proteínas celulares, 
excretado quase que exclusivamente por filtração glomerular. Ela é muito mais sensível 
que a creatinina, elevando-se quando há uma perda precoce de cerca de 25-40% da Taxa 
de Filtração Glomerular (TFG). A creatinina é um marcador tardio, permanecendo dentro 
dos intervalos de referência até que aproximadamente 75% da massa de néfrons esteja 
permanentemente comprometida.
A (Incorreta): Diferente da creatinina, a SDMA não sofre interferência da massa 
magra/muscular do paciente, sendo útil inclusive em animais caquéticos.
C (Incorreta): A elevação isolada da SDMA aponta para redução da TFG (lesão renal/pré-
renal), não sendo um marcador exclusivo ou específico de obstrução física pós-renal.
D (Incorreta): Na desidratação pura (sem lesão renal), esperar-se-ia elevação 
concomitante dos parâmetros clássicos e aumento adaptativo rápido da densidade 
urinária, enquanto a SDMA serve primariamente para rastreio de queda crônica ou aguda 
da taxa de filtração.
E (Incorreta): Esta afirmação inverte os conceitos biológicos; a creatinina é que depende 
diretamente da massa muscular e pode estar artificialmente baixa em animais caquéticos 
ou falsamente alta em animais extremamente musculosos. A SDMA independe da massa 
muscular.
Questão 7 (Função Renal)
A diferenciação clínica e laboratorial entre a Insuficiência Renal Aguda (IRA) e a Doença 
Renal Crônica (DRC) é crucial para o estabelecimento do prognóstico e manejo 
terapêutico no paciente veterinário. Um felino sem raça definida, 3 anos, foi internado 
após suposta ingestão de lírios (planta altamente nefrotóxica para gatos). Exames 
revelam azotemia grave de evoluçãoo estresse e o risco de hipóxia fatal durante o procedimento.
• A (Incorreta): A veia jugular é excelente para volumes rápidos, mas a hiperestensão 
cervical forçada exigida para sua exposição é severamente contraindicada em animais 
com colapso ativo de traqueia ou dispneia grave.
• C (Incorreta): Punções arteriais às cegas em grandes vasos como a carótida são 
contraindicadas na rotina clínica pelo alto risco de laceração vascular, hemorragias 
massivas compressivas e formação de hematomas sufocantes.
• D (Incorreta): A veia subcutânea abdominal é proeminente em bovinos e éguas lactantes, 
não sendo um sítio anatômico desenvolvido ou seguro para venopunção na rotina de 
pequenos animais machos.
• E (Incorreta): A coleta retro-orbital é uma técnica restrita a roedores de laboratório sob 
anestesia profunda, sendo considerada um ato de severa imperícia e crueldade se 
tentada em um cão doméstico consciente.
•
Questão 56 (Morfologia de Eritrócitos / Poiquilocitose)
Durante a leitura de uma lâmina hematológica de um cão da raça Cocker Spaniel 
apresentando icterícia e anemia severa de instalação súbita, o patologista clínico se 
depara com uma grande quantidade de Esferócitos. Os esferócitos são descritos 
microscopicamente como hemácias menores do que o normal, perfeitamente redondas, 
densamente coradas e que perderam completamente a sua zona de palidez central 
característica. A presença massiva de esferócitos na extensão sanguínea de cães é 
considerada altamente indicativa de qual processo patológico?
A) Anemia por deficiência crônica de Ferro (Anemia Ferropriva).
B) Anemia Hemolítica Imunomediada (AHIM), onde macrófagos esplênicos removem 
parcialmente a membrana eritrocitária revestida por anticorpos, forçando a célula a se 
remodelar em uma esfera rígida.
C) Intoxicação crônica por chumbo ou metais pesados exógenos.
D) Resposta medular normal adaptativa frente a uma hemorragia aguda por trauma.
E) Alteração artefactual comum causada pelo uso excessivo de anticoagulante EDTA no 
tubo.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): Na Anemia Hemolítica Imunomediada (AHIM), os eritrócitos são marcados 
por autoanticorpos (IgG ou IgM). Ao passarem pelo baço, os macrófagos reconhecem a 
porção Fc desses anticorpos e, em vez de fagocitarem a célula inteira imediatamente, 
removem porções (pedaços) da membrana plasmática lesada. O eritrócito fecha a 
membrana novamente, mas como perdeu área de superfície mantendo o mesmo volume 
interno de hemoglobina, adota a forma geometricamente mais econômica: uma esfera 
perfeita (esferócito). Perde a biconcavidade e a palidez central, tornando-se o principal 
marcador microscópico de AHIM em cães.
• A (Incorreta): A anemia ferropriva cursa classicamente com microcitose e hipocromia 
marcantes, caracterizando-se por hemácias pálidas com halo central expandido 
(leptócitos/anulócitos), o oposto dos esferócitos densos.
• C (Incorreta): A intoxicação por chumbo manifesta-se laboratorialmente com pontilhado 
basófilo exuberante em eritrócitos nucleados ou metarrubricitose desproporcional, sem 
gerar esferocitose em massa.
• D (Incorreta): A resposta a hemorragias agudas envolve a liberação de reticulócitos 
(células grandes e macrocíticas com coloração policromática), e não a produção ou 
remodelamento de esferócitos menores e rígidos.
• E (Incorreta): O excesso de EDTA em relação ao volume de sangue causa a 
desidratação e o encolhimento celular artefactual generalizado (crenação das 
hemácias/equinócitos artefatuais), diferindo da esferocitose imunomediada real.
•
Questão 57 (Fisiopatologia Renal / Azotemia Pré-renal)
Um canino, SRD, macho, 5 anos, é atropelado em uma avenida de Maceió e dá entrada 
no hospital veterinário em estado de choque hipovolêmico decorrente de hemorragia 
interna abdominal hemoperitônio. O paciente apresenta pulso fraco, mucosas brancas e 
tempo de preenchimento capilar (TPC) de 4 segundos. Os exames de urgência revelam 
Ureia: 110 mg/dL e Creatinina: 2,1 mg/dL. Diante da perfusão tecidual severamente 
comprometida, qual o mecanismo hemodinâmico que gera esta azotemia pré-renal?
A) O trauma físico quebrou os néfrons diretamente, bloqueando fisicamente a uretra 
proximal.
B) A hipotensão sistêmica severa e a hipovolemia reduzem drasticamente a pressão 
hidrostática nos capilares glomerulares, diminuindo a Taxa de Filtração Glomerular (TFG). 
Os rins reduzem a excreção para conservar fluido, acumulando ureia e creatinina no 
sangue, apesar de o parênquima celular renal estar estruturalmente intacto.
C) O fígado reage ao trauma aumentando em dez vezes a síntese de creatinina a partir 
do glicogênio.
D) Ocorre a fusão imediata dos podócitos induzida pelas citocinas inflamatórias do 
peritônio.
E) A bexiga urinária absorve ativamente a ureia sanguínea para utilizá-la como barreira 
osmótica contra o sangramento.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): A azotemia pré-renal é gerada por qualquer fator que diminua a perfusão 
sanguínea nos rins (hipovolemia, desidratação, choque, insuficiência cardíaca), sem que 
haja lesão intrínseca nos néfrons. No choque hipovolêmico por hemorragia, a pressão 
arterial despenca, o que reduz a pressão hidrostática glomerular responsável por 
empurrar o sangue para ser filtrado. Com a queda drástica na Taxa de Filtração 
Glomerular (TFG), metabólitos nitrogenados como ureia e creatinina deixam de ser 
depurados na urina e acumulam-se rapidamente no soro. Se a volemia for restaurada a 
tempo, os rins voltam a filtrar normalmente e a azotemia se desfaz.
• A (Incorreta): O bloqueio mecânico de vias urinárias baixas (como uretra) define a 
azotemia pós-renal, o que difere da falha de perfusão hemodinâmica central característica 
do choque hipovolêmico (pré-renal).
• C (Incorreta): O fígado não produz creatinina a partir do glicogênio; a creatinina origina-
se do catabolismo constante e diário da fosfocreatina muscular esquelética periférica.
• D (Incorreta): Alterações podocitárias estruturais (como fusão de processos podálicos) 
ocorrem em glomerulopatias crônicas associadas a proteinúrias severas (síndrome 
nefrótica), e não em minutos por choque puramente hemodinâmico.
• E (Incorreta): A bexiga atua estritamente como um órgão de armazenamento anatômico 
da urina excretada e sua parede epitelial não possui mecanismos de absorção ativa 
reversível de ureia para contenção de hemorragias.
•
Questão 58 (Morfologia de Eritrócitos / Poiquilocitose)
Um cão, Pastor Alemão, macho, 4 anos, apresenta quadro crônico de má absorção 
intestinal, perda de peso crônica e diarreia esteatorreica devido à insuficiência pancreática 
exócrina. Ao avaliar o esfregaço de sangue periférico, o patologista nota a presença 
conspícua de Acantócitos em quantidade moderada. Qual a descrição morfológica do 
acantócito e qual a alteração bioquímica molecular em sua membrana plasmática justifica 
o surgimento dessas projeções?
A) São hemácias em formato de meia-lua ou foice, causadas pela polimerização da 
hemoglobina fetal.
B) São eritrócitos com múltiplas projeções espinhosas, curtas e perfeitamente simétricas 
espaçadas ao redor da célula, geradas por excesso de fixador panótico na lâmina.
C) São eritrócitos que exibem projeções espinhosas de comprimentos e espessuras 
variáveis, distribuídas de forma irregular e assimétrica ao longo da superfície celular. 
Decorrem de alterações nas proporções de colesterol e fosfolipídeos na bicamada lipídica 
da membrana, modificando a fluidez e a estabilidade mecânica do citoesqueleto 
vermelho.
D) São hemácias em formato de sino que possuem uma fenda central em forma de boca 
aberta.
E) São fragmentos lineares de células vermelhasesmagadas mecanicamente durante o 
ato da venopunção.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): Os acantócitos (ou spur cells) são eritrócitos que perderam a biconcavidade 
normal e exibem projeções digitiformes ou espinhosas irregulares, rombudas e 
assimetricamente distribuídas em sua periferia. Esse fenômeno ocorre quando há 
distúrbios no metabolismo lipídico sistêmico (como em hepatopatias severas, lipidose ou 
distúrbios absortivos intestinais), alterando a incorporação de colesterol livre e 
fosfolipídeos na membrana plasmática. A expansão desigual da folha lipídica externa em 
relação à interna força o citoesqueleto a se deformar nessas espículas características.
• A (Incorreta): Hemácias em formato de foice ou meia-lua são os drepanócitos, 
associados à anemia falciforme humana ou condições fisiológicas específicas em 
cervídeos, sem relação com acantocitose por distúrbios lipídicos em cães.
• B (Incorreta): Projeções curtas, numerosas e perfeitamente simétricas e uniformemente 
espaçadas definem os equinócitos (burr cells), que frequentemente ocorrem como 
artefatos de secagem lenta da lâmina ou uremia, e não acantócitos.
• D (Incorreta): Hemácias com uma fenda central linear semelhante a uma "boca" são os 
estomatócitos, associados a desordens hereditárias de permeabilidade ao sódio/potássio 
em raças como o Malamute do Alasca.
• E (Incorreta): Fragmentos e lascas celulares pontiagudas derivados de trauma mecânico 
vascular são os esquizócitos, enquanto o esmagamento mecânico na confecção da 
lâmina gera as "células em escova" ou borradas (smudge cells).
•
Questão 59 (Hematologia / Resposta Medular)
A diferenciação laboratorial entre anemias regenerativas e não regenerativas 
(arregenerativas) é o primeiro e mais crucial passo na abordagem diagnóstica de um 
paciente anêmico. Um cão, Golden Retriever, fêmea, 3 anos, foi atendido com mucosas 
severamente pálidas devido a uma hemorragia profusa decorrente de ruptura esplênica 
por trauma ocorrido há exatamente 12 horas. O hemograma de urgência revela 
Hematócrito de 22% e ausência de policromasia ou reticulócitos na extensão sanguínea. 
Como o patologista clínico deve interpretar a falta de regeneração medular neste 
momento inicial?
A) O cão apresenta uma falência medular crônica pré-existente e incurável (aplasia pura 
da linhagem vermelha).
B) A ausência de reticulócitos é perfeitamente normal e esperada neste momento, pois a 
medula óssea necessita de um período de latência biológica de aproximadamente 3 a 5 
dias após o insulto anêmico para proliferar, maturar e liberar quantidades diagnosticáveis 
de reticulócitos na circulação periférica. A anemia deve ser reavaliada após esse período.
C) O diagnóstico correto é de anemia ferropriva hiperaguda por incapacidade de absorção 
de ferro esplênico.
D) A falta de reticulócitos comprova que o animal não possui receptores funcionais para 
eritropoietina nos rins.
E) Trata-se de uma anemia hemolítica intravascular imuno-mediada mascarada pela 
hemorragia tecidual profunda.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): Frente a uma perda súbita de sangue (hemorragia aguda) ou destruição 
celular (hemólise), os rins detectam a hipóxia e liberam eritropoietina (EPO) 
imediatamente. No entanto, a medula óssea não possui reticulócitos prontos estocados 
em massa para liberação instantânea. O processo de estimulação das células-tronco, 
divisões mitóticas sucessivas dos rubriblastos até a fase de reticulócito demora 
biologicamente de 3 a 5 dias para atingir o pico de liberação no sangue periférico. 
Portanto, nas primeiras 48-72 horas de uma hemorragia aguda, a anemia se apresentará 
laboratorialmente como não regenerativa, tornando mandatória a reavaliação seriada 
dias depois.
• A (Incorreta): Não se pode diagnosticar falência medular crônica ou aplasia com base em 
um único hemograma colhido apenas 12 horas após um trauma hemorrágico agudo 
evidente.
• C (Incorreta): A anemia ferropriva é uma condição essencialmente crônica que se 
desenvolve após semanas ou meses de perdas contínuas e ocultas de ferro (ex: 
parasitismo por ectoparasitas ou úlceras), nunca surgindo em 12 horas.
• D (Incorreta): A síntese e ação da EPO estão intactas; o cenário reflete apenas o limite 
cronológico fisiológico celular necessário para a resposta adaptativa da fábrica medular.
• E (Incorreta): O histórico clínico relata de forma clara e inequívoca um trauma físico 
mecânico com ruptura de baço e hemoperitônio (perda de sangue total externa/cavitar), 
descartando etiologia autoimune primária neste momento.
•
Questão 60 (Hematologia / Reticulócitos em Felinos)
A contagem de Reticulócitos na espécie felina possui particularidades fisiológicas únicas 
que a diferenciam substancialmente da rotina de pequenos animais de outras espécies. 
Ao analisar o sangue de um gato em regeneração ativa utilizando a coloração vital de 
Novo Azul de Metileno, o patologista clínico diferencia dois tipos morfológicos de 
reticulócitos. Quais são esses dois tipos e qual deles deve ser computado na contagem 
absoluta para avaliar a resposta medular em tempo real atual?
A) Reticulócitos Hialinos e Reticulócitos Granulosos; ambos devem ser somados de forma 
idêntica.
B) Reticulócitos Agregados (que contêm grandes agregados ou redes de material de 
retículo endoplasmático/RNA corado) e Reticulócitos Pontilhados (que contêm apenas 
pequenos pontos isolados de RNA). Apenas os Reticulócitos Agregados devem ser 
contados para avaliar a resposta medular atual, pois eles amadurecem em menos de 24 
horas no sangue.
C) Reticulócitos Nucleados e Reticulócitos Anucleados; apenas os nucleados indicam 
resposta mieloide ativa.
D) Reticulócitos Esferoidais e Reticulócitos Eliptocíticos; computando-se unicamente os 
eliptocíticos por sua maior estabilidade osmótica.
E) Reticulócitos Tóxicos e Reticulócitos Cortisólicos; cuja diferenciação depende da 
presença de vacúolos de estresse.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): Os felinos possuem dois tipos distintos de reticulócitos circulantes: os 
agregados e os pontilhados. Os reticulócitos agregados são as células mais jovens, 
liberadas recentemente pela medula, exibindo redes densas de RNA ao Novo Azul de 
Metileno; eles permanecem nessa forma por apenas 12 a 24 horas antes de se 
transformarem em reticulócitos pontilhados. Os pontilhados contêm apenas grânulos 
finos e isolados e circulam por muito tempo (10 a 12 dias) antes de virarem eritrócitos 
maduros. Portanto, para saber se a medula está respondendo ativamente hoje (em tempo 
real), o patologista clínico deve quantificar estritamente a fração de reticulócitos 
agregados.
• A (Incorreta): A nomenclatura dos tipos morfológicos de reticulócitos em felinos está 
incorreta e a soma indistinta de ambas as frações geraria uma falsa impressão de 
regeneração maciça atual em animais que já cessaram a resposta há dias.
• C (Incorreta): Reticulócitos, por definição biológica, são células que já ejetaram o seu 
núcleo (anucleadas), contendo apenas resíduos citoplasmáticos de organelas e RNA 
ribossômico.
• D (Incorreta): A classificação morfológica dos reticulócitos felinos não se baseia na 
esfericidade ou eliptocitose do citoesqueleto, mas sim na arquitetura e agregação do 
material genético residual corado no citoplasma.
• E (Incorreta): Os termos propostos não existem na fisiologia hematológica veterinária; a 
dinâmica de maturação dos reticulócitos responde a estímulos de oxigenação/EPO e não 
a toxicidades leucocitárias ou ação direta de cortisol.
	Questão 1 (Função Hepática)
	Questão 2 (Função Hepática)
	Questão 3 (Função Hepática)
	Questão 4 (Função Hepática)
	Questão 5 (Função Renal)
	Questão6 (Função Renal)
	Questão 7 (Função Renal)
	Questão 8 (Urinálise)
	Questão 9 (Urinálise)
	Questão 10 (Urinálise / Função Renal)
	Questão 11 (Leucograma)
	Questão 12 (Leucograma)
	Questão 13 (Leucograma)
	Questão 14 (Leucograma / Fisiopatologia Medular)
	Questão 15 (Integração de Conteúdo: Renal e Hepático)
	Questão 16 (Função Hepática)
	Questão 17 (Função Hepática)
	Questão 18 (Urinálise)
	Questão 19 (Função Renal / Urinálise)
	Questão 20 (Leucograma)
	Questão 21 (Função Hepática)
	Questão 22 (Urinálise)
	Questão 23 (Leucograma / Fisiopatologia)
	Questão 24 (Urinálise / Fisiopatologia de Cristais)
	Questão 25 (Função Hepática / Diagnóstico Diferencial)
	Questão 26 (Função Renal)
	Questão 27 (Urinálise)
	Questão 28 (Leucograma)
	Questão 29 (Função Hepática / Metabolismo de Bilirrubinas)
	Questão 30 (Função Renal / Equilíbrio Hidroeletrolítico)
	Questão 31 (Função Hepática / Diagnóstico Diferencial)
	Questão 32 (Função Renal / Diagnóstico)
	Questão 33 (Urinálise / Cristalúria)
	Questão 34 (Leucograma)
	Questão 35 (Função Hepática / Fisiopatologia)
	Questão 36 (Função Renal / Urinálise)
	Questão 37 (Urinálise)
	Questão 38 (Leucograma)
	Questão 39 (Função Hepática)
	Questão 40 (Função Renal)
	Questão 41 (Urinálise)
	Questão 42 (Leucograma)
	Questão 43 (Função Hepática / Fisiopatologia de Icterícias)
	Questão 44 (Função Renal / Fisiopatologia de Ureia)
	Questão 45 (Urinálise / Doença Glomerular)
	Questão 46 (Remessa de Amostras / Fatores Pré-analíticos - Baseada na Q1 da prova)
	Questão 47 (Coleta de Amostras em Grandes Animais - Baseada nas Q2 e Q8 da prova)
	Questão 48 (Processamento de Exames e Alterações Pré-analíticas - Baseada na Q3 da prova)
	Questão 49 (Hematologia / Pancitopenia por Erliquiose - Baseada na Q4 da prova)
	Questão 50 (Valores Hematimétricos / Classificação de Anemias - Baseada na Q5 da prova)
	Questão 51 (Morfologia de Eritrócitos / Poiquilocitose - Baseada na Q7 da prova)
	Questão 52 (Fisiopatologia Renal / Anemia na DRC - Baseada na Q9 da prova)
	Questão 53 (Hematologia / Eritrocitose e Policitemia - Baseada na Q10 da prova)
	Questão 54 (Remessa de Amostras / Fatores Pré-analíticos)
	Questão 55 (Coleta de Amostras em Pequenos Animais)
	Questão 56 (Morfologia de Eritrócitos / Poiquilocitose)
	Questão 57 (Fisiopatologia Renal / Azotemia Pré-renal)
	Questão 58 (Morfologia de Eritrócitos / Poiquilocitose)
	Questão 59 (Hematologia / Resposta Medular)
	Questão 60 (Hematologia / Reticulócitos em Felinos)rápida, associada a rim de tamanho normal a 
aumentado à ultrassonografia e presença de cilindros epiteliais e granulosos no 
sedimento urinário. Qual conjunto de achados laboratoriais melhor caracteriza a 
fisiopatologia da IRA deste paciente em comparação com um paciente portador de DRC 
estádio avançado?
A) IRA: Anemia normocítica normocrômica arregenerativa grave por deficiência de 
eritropoietina; DRC: Hematócrito normal.
B) IRA: Densidade urinária persistentemente isostenúrica com perda progressiva crônica 
de potássio; DRC: Densidade urinária flutuante com hiperpotassemia grave imediata.
C) IRA: Início abrupto da azotemia, potássio sérico frequentemente elevado 
(hipercalemia) em quadros oligúricos/anúricos, sedimento urinário ativo (cilindrúria de 
descamação); DRC: Anemia arregenerativa crônica, rins reduzidos e de contornos 
irregulares, perda crônica de peso.
D) IRA: Hipercalcemia crônica marcada por hiperparatireoidismo secundário renal; DRC: 
Hipocalcemia imediata por deposição tecidual de oxalato.
E) IRA: Elevação isolada da ureia sem alteração de creatinina; DRC: Elevação isolada de 
creatinina sem alteração de ureia.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
C (Correta): A Insuficiência Renal Aguda (IRA) por nefrototoxicidade caracteriza-se por 
uma agressão súbita aos néfrons (necrose tubular aguda), cursando com azotemia de 
instalação rápida, sedimento urinário ativo (presença de cilindros granulosos e celulares 
que refletem a descamação do epitélio tubular lesionado) e distúrbios eletrolíticos agudos 
perigosos, como a hipercalemia (devido à oligúria/anúria). Já a Doença Renal Crônica 
(DRC) é um processo lento (meses a anos) que cursa com mecanismos compensatórios, 
manifestando-se clinicamente por anemia não regenerativa crônica (falta de eritropoietina 
pelos rins fibróticos), perda ponderal e rins pequenos e irregulares na imagem.
A (Incorreta): A anemia arregenerativa grave por falta de eritropoietina é uma marca 
registrada da DRC avançada, pois a produção de EPO diminui com a perda crônica do 
parênquima. Na IRA, por ser um evento agudo, o hematócrito inicialmente está normal ou 
aumentado por hemoconcentração.
B (Incorreta): Inverte os conceitos de manipulação do potássio e dinâmica de densidade 
no insulto agudo vs. crônico.
D (Incorreta): O hiperparatireoidismo secundário renal e as alterações crônicas do cálcio 
e fósforo são característicos de processos renais crônicos de longa data (DRC), não se 
desenvolvendo de forma clássica em poucas horas na IRA por toxinas vegetais.
E (Incorreta): Ambas as condições (IRA e DRC) cursam com elevação concomitante de 
ureia e creatinina séricas devido à falha generalizada na filtração de metabólitos 
nitrogenados.
Questão 8 (Urinálise)
No laboratório de Patologia Clínica da UNINASSAU Maceió, recebemos uma amostra de 
urina de um cão com suspeita de infecção do trato urinário inferior (cistite). O clínico 
necessita realizar, além do exame físico-químico, a cultura bacteriana com antibiograma. 
Qual o método de coleta considerado padrão-ouro para esta finalidade e qual a 
justificativa técnica para essa escolha?
A) Micção espontânea (jato médio), pois preserva a microbiota natural da uretra distal e 
do prepúcio/vestíbulo vaginal, enriquecendo o crescimento bacteriano.
B) Cateterização uretral descartável, visto que elimina totalmente o risco de introdução de 
bactérias da uretra para o interior da bexiga.
C) Cistocentese, pois a coleta é realizada por punção transabdominal direta da bexiga 
urinária, contornando a contaminação por bactérias residentes da uretra, trato genital e 
ambiente externo.
D) Compressão vesical manual (expressão), pois garante o esvaziamento completo da 
bexiga e descama células inflamatórias importantes para o diagnóstico.
E) Coleta de urina diretamente do piso do canil com auxílio de uma seringa estéril, desde 
que o local tenha sido lavado previamente com hipoclorito de sódio.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): A cistocentese é o método padrão-ouro para urinálise completa e, 
obrigatoriamente, para cultura bacteriana e antibiograma. Por ser uma técnica asséptica 
de punção direta da parede vesical por agulha guiada ou não por ultrassom, a urina obtida 
reflete exatamente o ambiente interno da bexiga, livre de contaminantes bacterianos, 
celulares e debris presentes na uretra distal, vagina, prepúcio ou pele periférica.
• A (Incorreta): A micção espontânea sofre contaminação severa pela microbiota residente 
do trato genital e uretra distal, inviabilizando uma interpretação microbiológica confiável 
(falsos positivos na cultura).
• B (Incorreta): A cateterização pode carrear mecanicamente bactérias da uretra distal para 
o interior da bexiga, além de causar microtraumas na mucosa uretral que elevam 
artificialmente as hemácias no sedimento.
• D (Incorreta): A expressão manual pode induzir refluxo vesicoureteral de urina 
contaminada para os rins e pode causar ruptura da bexiga se o órgão estiver fragilizado, 
além de gerar alta contaminação uretral.
• E (Incorreta): Coletar urina do chão invalida completamente a análise química e 
microscópica devido à contaminação ambiental massiva (bactérias saprófitas, sujidade, 
produtos de limpeza que alteram o pH e reações da fita).
•
Questão 9 (Urinálise)
Durante a sedimentoscopia de uma amostra urinária de um felino, macho, 3 anos, 
atendido com histórico de disúria e estrangúria (Doença do Trato Urinário Inferior dos 
Felinos - DTUIF), observou-se sob microscopia óptica uma imensa quantidade de cristais 
incolores, em formato de "prisma retangular" ou "tampa de caixão", em uma urina cujo pH 
químico revelou-se 7,5. Quais são esses cristais e qual a correlação fisiopatológica 
correta?
A) Cristais de Oxalato de Cálcio Di-hidratado, formados preferencialmente em urinas 
ácidas por intoxicação por etilenoglicol.
B) Cristais de Urato de Amônio, patognomônicos de cães da raça Dalmata com disfunção 
metabólica do ácido úrico.
C) Cristais de Estruvita (Fosfato Amoníaco Magnesiano), que se precipitam tipicamente 
em urinas de pH alcalino a neutro e podem predispor à formação de urólitos e obstrução 
uretral em felinos.
D) Cristais de Cistina, formados por um erro inato do metabolismo de aminoácidos em pH 
urinário criticamente ácido.
E) Cilindros Hialinos gigantes, decorrentes do extravasamento de proteínas de alta 
densidade através do glomérulo lesionado.
Gabarito: C
Justificativa detalhada:
C (Correta): Os cristais em formato de "tampa de caixão" ou prismas são classicamente 
identificados como cristais de estruvita (fosfato amoníaco magnesiano). Sua precipitação 
é altamente favorecida por um pH urinário alcalino (como o 7,5 relatado). Em gatos, a 
cristalúria massiva por estruvita pode levar à formação de plugues uretrais amorfos e 
urólitos, culminando em quadros de obstrução uretral aguda (azotemia pós-renal).
A (Incorreta): Os cristais de oxalato de cálcio di-hidratado possuem formato de "envelope 
de carta" (octaédricos) e precipitam-se mais comumente em pH neutro a ácido.
• B (Incorreta): Cristais de urato de amônio possuem formato de "esferas marrons com 
espículas" ("esferas pontiagudas") e estão associados a shunts portossistêmicos ou 
defeitos genéticos específicos de dálmatas, não correspondendo à morfologia descrita.
• D (Incorreta): Cristais de cistina são placas hexagonais perfeitas e incolores, raros e 
típicos de urina ácida.
• E (Incorreta): O enunciado descreve cristais geométricos bem delimitados, e não 
cilindros, que são estruturas tubulares moldadas no lúmen do néfron e compostas por 
matriz proteica.
•
Questão 10 (Urinálise / Função Renal)
Um canino, Golden Retriever, fêmea, 5 anos, apresenta poliúria e polidipsia discretas. Na 
urinálise, a densidade urinária foi de 1,018, ausência de piúria ou bacteriúria,porém com 
proteinúria acentuada (3+ na fita química). Para quantificar adequadamente a perda 
proteica e localizar a lesão, o patologista clínico solicitou a Relação Proteína:Creatinina 
Urinária (UPC), cujo resultado foi de 4,5 (Ref: 2,0 é altamente 
indicativo de doença glomerular severa. O glomérulo perdeu sua barreira de seletividade 
por tamanho e carga elétrica, permitindo a passagem massiva de proteínas plasmáticas 
de alto peso molecular (como a albumina) para o espaço de Bowman.
A (Incorreta): O sedimento urinário relatado está limpo (ausência de piúria e bacteriúria), 
o que descarta causa pós-renal inflamatória/infecciosa.
C (Incorreta): A UPC foi desenvolvida exatamente para anular o efeito da diluição ou 
concentração urinária, usando a creatinina urinária como fator de correção do fluxo. Uma 
DU de 1,018 não invalida o teste.
D (Incorreta): Proteinúrias pré-renais por sobrecarga ocorrem quando há excesso de 
proteínas circulantes (como mioglobina na miopatia ou cadeias leves de imunoglobulina 
no mieloma múltiplo), o que causaria colorações anômalas na urina ou histórico clínico 
específico, sem focar primariamente na perda glomerular crônica isolada neste patamar 
de UPC sem hemoglobinúria concomitante.
• E (Incorreta): Lesões tubulares puras causam proteinúrias discretas a moderadas, com 
valores de UPC geralmente situados entre 0,5 e 1,0. Valores acima de 2,0 a 4,0 apontam 
indiscutivelmente para lesão arquitetural glomerular.
•
Questão 11 (Leucograma)
Um canino, Poodle, fêmea, 10 anos, com histórico de secreção vaginal purulenta há 5 
dias, é atendido em estado febril e letárgico. O hemograma revelou leucocitose acentuada 
(52.000 leucócitos/µL). Na contagem diferencial microscópica, observou-se: Neutrófilos 
Bastonetes: 8.500/µL, Neutrófilos Segmentados: 35.000/µL. Verificou-se também a 
presença moderada de corpúsculos de Döhle e vacuolização citoplasmática nos 
neutrófilos. Como o patologista clínico classifica esse desvio neutrofílico e quais são as 
alterações morfológicas descritas?
A) Desvio à esquerda degenerativo associado a alterações neoplásicas linfocíticas.
B) Desvio à direita induzido por estresse endógeno crônico mediado por glicocorticoides.
C) Desvio à esquerda regenerativo acompanhado de características de toxicidade 
neutrofílica, indicando uma forte resposta medular frente a uma demanda inflamatória 
tecidual severa.
D) Reação leucemoide mielóide pura sem sinal inflamatório, caracterizada por maturação 
acelerada e ausência de toxicidade celular.
E) Panleucopenia inflamatória adaptativa decorrente de falência medular induzida por 
estrogênio endógeno.
Gabarito: C
Justificativa detalhada:
C (Correta): Há um "Desvio à Esquerda" devido à presença aumentada de formas 
imaturas de neutrófilos (bastonetes = 8.500/µL) na circulação. Ele é classificado como 
"Regenerativo" porque o número de neutrófilos maduros segmentados (35.000/µL) ainda 
é significativamente superior ao número de formas imaturas, demonstrando que a medula 
óssea está conseguindo suprir a demanda tecidual e manter a leucocitose. Os 
corpúsculos de Döhle (restos de retículo endoplasmático rugoso) e a vacuolização 
citoplasmática são marcas clássicas de "toxicidade neutrofílica", que representam defeitos 
de maturação acelerada causados por intensa estimulação por citocinas inflamatórias 
durante a leucopoiese acelerada (altamente condizente com um quadro de piometra).
A (Incorreta): O desvio é regenerativo (segmentados > bastonetes). Além disso, as 
alterações são neutrofílicas tóxicas (decorrentes de inflamação/infecção severa) e não 
linfocíticas ou neoplásicas primárias.
B (Incorreta): O desvio à direita caracteriza-se pela presença de neutrófilos 
hipersegmentados (com 5 ou mais lobulações nucleares) devido à permanência 
prolongada da célula na circulação, o que não condiz com o surgimento maciço de 
bastonetes (formas imaturas).
D (Incorreta): Embora o número total de leucócitos seja muito alto (mimetizando uma 
reação leucemoide), há sinais evidentes de toxicidade celular e forte contexto inflamatório 
infeccioso vaginal.
• E (Incorreta): O paciente apresenta leucocitose extrema (52.000/µL), o oposto de uma 
panleucopenia (redução global de todas as linhagens de leucócitos).
•
Questão 12 (Leucograma)
Um canino, Cocker Spaniel, macho, 7 anos, com histórico de gastroenterite hemorrágica, 
é internado. O leucograma colhido 6 horas após o início do tratamento emergencial 
demonstra o seguinte padrão: Leucócitos totais dentro da referência, porém com 
Neutrofilia moderada, Linfopenia acentuada, Eosinopenia e Monocitose discreta. Não há 
desvio à esquerda. Esse padrão leucocitário é clássico e conhecido na patologia clínica 
como:
A) Leucograma de Inflamação Aguda Grave com exaustão medular.
B) Leucograma do Estresse (induzido por Cortisol / Glicocorticoides).
C) Leucograma de Resposta por Medo ou Excitação (induzido por Adrenalina).
D) Quadro patognomônico de Aplasia Medular Seletiva da linhagem agranulocítica.
E) Leucograma de Desvio à Esquerda Degenerativo Mascarado.
Gabarito: B
Justificativa detalhada:
B (Correta): O "Leucograma do Estresse" ou "Leucograma induzido por Glicocorticoides" 
(seja por estresse sistêmico/dor, doença hiperadrenocorticismo ou administração exógena 
de corticoides) apresenta uma tétrade clássica muito bem definida na patologia 
veterinária: Neutrofilia (devido ao desprendimento de neutrófilos do pool marginal para o 
pool circulante e redução da migração para os tecidos), Linfopenia (devido ao sequestro 
de linfócitos em órgãos linfoides e lise linfocitária), Eosinopenia (por sequestro 
medular/tecidual) e Monocitose (principalmente em cães, por mobilização do pool 
marginal).
A (Incorreta): A inflamação aguda grave tipicamente cursa com desvio à esquerda 
(presença de bastonetes) e sinais de toxicidade neutrofílica, o que não foi relatado no 
caso.
C (Incorreta): A resposta por medo/excitação (mediada por Epinefrina/Adrenalina), 
comum em felinos jovens e animais muito ariscos, causa leucocitose por linfocitose 
transitória (devido ao aumento do fluxo sanguíneo que desprende linfócitos e neutrófilos 
do pool marginal), e não linfopenia.
D (Incorreta): Não há dados que sustentem aplasia medular crônica, visto que os 
leucócitos totais estão normais e há neutrofilia ativa funcional.
E (Incorreta): O desvio à esquerda degenerativo exige obrigatoriamente que as formas 
imaturas (bastonetes) superem as formas maduras em condições de neutropenia ou 
leucocitose falha, o quenão ocorre nesse cenário sem formas jovens.
Questão 13 (Leucograma)
Um felino, Persa, fêmea, 8 meses de idade, apresenta-se na clínica veterinária com febre 
refratária, anorexia profunda, episódios de vômitos e diarreia aquosa severa. O 
hemograma revelou uma Leucopenia extrema com contagem global de 800 leucócitos/µL 
(Ref: 5.500-19.500/µL), afetando drasticamente todas as linhagens celulares (neutrófilos, 
linfócitos, eosinófilos e monócitos). Diante desse achado de panleucopenia severa em um 
felino jovem, qual etiologia viral deve ser considerada como principal suspeita devido ao 
seu tropismo por células em alta taxa de divisão mitótica na medula óssea e criptas 
intestinais?
A) Vírus da Peritonite Infecciosa Felina (PIF / Coronavírus felino).
B) Vírus da Panleucopenia Felina (Parvovírus Felino).
C) Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) em fase latente assintomática.
D) Calicivírus Felino de alta virulência respiratória.
E) Herpesvírus Felino Tipo 1 em manifestação cutânea isolada.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): O vírus da Panleucopenia Felina (um Parvovírus) possui afinidade biológica 
estrita por tecidos com alta atividade mitótica. No animal jovem, ele destrói as células 
progenitoras hematopoiéticas na medula óssea, levando ao colapso de todas as 
linhagens de glóbulos brancos na circulação (gerando a panleucopenia severa observada 
de 800 leucócitos/µL), e concomitantemente destrói as criptas intestinais, provocando a 
enterite descrita no quadro clínico.
• A (Incorreta): A PIF classicamente cursa com leucocitose por neutrofilia e linfopenia 
(padrão inflamatório crônico/estresse), hiperproteinemia com hiperglobulinemia marcada, 
e não com panleucopenia extrema.
• C (Incorreta): Embora o FIV cause imunodeficiência crônica a longo prazo, ele promove 
quedas graduais e seletivas de subpopulações de linfócitos T ao longo de anos, e não um 
colapso agudo e fulminante de todas as linhagens em um filhote de 8 meses dessa forma.
• D, E (Incorretas): O Calicivírus e o Herpesvírus felino são patógenos direcionados 
primariamente ao trato respiratório superior e mucosas oculares/orais (causando 
sialorreia, úlceras em língua e rinotraqueíte), sem tropismo destrutivo primário medular 
generalizado.
•
Questão 14 (Leucograma / Fisiopatologia Medular)
No leucograma de um cão portador de uma severa infecção abdominal secundária à 
ruptura de alça intestinal (peritonite séptica), o patologista clínico identifica uma contagem 
global de leucócitos de 3.200/µL (leucopenia por neutropenia) associada a uma contagem 
de Neutrófilos Bastonetes de 1.800/µL e Neutrófilos Segmentados de 900/µL. Como se 
classifica este padrão hematológico e qual o seu significado prognóstico?
A) Desvio à esquerda regenerativo; indicando que a medula óssea está vencendo a 
batalha contra a bactéria e o prognóstico é excelente.
B) Desvio à direita fisiológico; representando uma transição benigna para a cura clínica.
C) Desvio à esquerda degenerativo; caracterizando uma situação em que a demanda 
tecidual por neutrófilos supera massivamente a capacidade de produção e liberação 
medular, conferindo um prognóstico grave/reservado ao paciente.
D) Reação anafilática puramente eosinofílica; na qual as formas jovens mimetizam 
neutrófilos devido a erros de coloração panótica.
E) Leucocitose induzida por estresse agudo adrenérgico; uma vez que a contagem de 
segmentados caiu por migração para o baço.
Gabarito: C
Justificativa detalhada:
C (Correta): O desvio à esquerda é classificado como "Degenerativo" quando o número 
de formas imaturas (bastonetes = 1.800/µL) supera o número de formas maduras 
segmentadas (900/µL), ocorrendo frequentemente em associação com 
neutropenia/leucopenia. Isso significa que o sítio de inflamação periférica (peritonite 
séptica) está consumindo os neutrófilos mais rápido do que a medula consegue produzi-
los e liberá-los, esgotando o pool de reserva medular. É um sinal clássico de exaustão 
imunológica e indica um prognóstico altamente desfavorável e grave.
A (Incorreta): No desvio regenerativo, o número de neutrófilos maduros obrigatoriamente 
se mantém superior ao de imaturos, denotando resposta medular eficaz.
B (Incorreta): O desvio à direita envolve células hipersegmentadas velhas e não formas 
jovens como os bastonetes encontrados no caso.
D (Incorreta): A descrição traz contagens inequívocas de linhagem neutrofílica jovem 
(bastonetes) e madura (segmentados) em um quadro séptico clássico, sem 
fundamentação para artefato de coloração de eosinófilos.
E (Incorreta): O estresse e a adrenalina provocam neutrofilia (aumento de neutrófilos 
maduros) e leucocitose, nunca leucopenia com desvio à esquerda degenerativo severo.
Questão 15 (Integração de Conteúdo: Renal e Hepático)
Um paciente canino, da raça Leão da Rodésia, 4 anos de idade, deu entrada no hospital 
com quadro agudo de icterícia, febre, dor abdominal e hematúria. O perfil laboratorial 
revelou: ALT e AST moderadamente elevadas; Bilirrubina Total: 4,5 mg/dL (predomínio 
conjugado); Creatinina: 4,8 mg/dL e Ureia: 190 mg/dL. A urinálise obtida por cistocentese 
demonstrou Densidade Urinária de 1,010 (isostenúria), proteinúria (2+), além de 
proteinúria glomerular quantificada por UPC = 1,8. Diante do acometimento concomitante 
hepático (lesão de integridade e colestase) e renal (insuficiência renal aguda intrínseca 
com perda de capacidade de concentração tubular), qual enfermidade infecciosa febril de 
caráter zoonótico apresenta essa fisiopatologia clássica de lesão endotelial, hepática e 
renal em cães na rotina veterinária de Alagoas?
A) Erliquiose Monocítica Canina crônica experimental.
B) Leptospirose (infecção por Leptospira interrogans).
C) Parvovirose Canina clássica associada a intussuscepção.
D) Lipidose hepática idiopática canina secundária a diabetes mellitus.
E) Raiva canina na forma furiosa.
Gabarito: B
Justificativa detalhada:
B (Correta): A leptospirose é uma zoonose bacteriana de grande importância na patologia 
veterinária. As leptospiras penetram ativamente pelas mucosas ou pele lesionada, 
instalam-se no endotélio vascular e migram preferencialmente para os rins e fígado. No 
fígado, causam hepatite com disrupção dos canalículos biliares (lesão hepatocelular e 
colestase intra-hepática com icterícia de predomínio conjugado). Nos rins, colonizam o 
lúmen tubular provocando necrose tubular aguda e nefrite tubulointersticial, o que justifica 
a perda da capacidade de concentrar urina (isostenúria = 1,010) e a azotemia renal 
severa aguda (creatinina e ureia elevadas), perfeitamente mimetizada pelo caso clínico 
apresentado.
• A (Incorreta): A Erliquiose afeta as células sanguíneas (gerando trombocitopenia 
acentuada, anemia e leucopenia/leucocitose) e cursa com hiperglobulinemia crônica, não 
mimetizando esse padrão clássico de falência fulminante hepatorrenal aguda com icterícia 
mecânica/hepática direta marcante no início do quadro.
• C (Incorreta): A Parvovirose ataca o epitélio do trato gastrointestinal e a medula óssea, 
cursando com gastroenterite hemorrágica e leucopenia severa, sem causar lesão tubular 
renal intrínseca primária direta crônica nem icterícia colestática como eixos centrais da 
sua patogênese.
• D (Incorreta): A lipidose hepática é uma síndrome metabólica (muito rara em cães 
quando comparada a gatos) e, mesmo associada ao diabetes, não justificaria de forma 
primária uma insuficiência renal aguda intrínseca destrutiva com nefrite tubulointersticial 
aguda de caráter febril.
• E (Incorreta): A Raiva é uma encefalomielite viral progressiva focada no sistema nervoso 
central, sem tropismo ou padrão de lesão anatomopatológica e bioquímica direcionado a 
disfunções hepatorrenais agudas com icterícia e azotemia primária.
Espero que este primeiro bloco de questões de Patologia Clínica Veterinária impulsioneseus estudos de forma rigorosa!
Posso prosseguir para o próximo bloco de questões (Questões 16 a 30)?
Questão 16 (Função Hepática)
Um canino, Labrador Retriever, macho, 8 anos, apresenta histórico crônico de letargia, 
ascite e episódios esporádicos de sangramento digestivo (melena). Os exames 
bioquímicos revelaram ALT: 95 U/L (Ref: 10-88 U/L), FA: 165 U/L (Ref: 20-150 U/L), 
Albumina: 1,5 g/dL (Ref: 2,6-3,3 g/dL), Glicose: 55 mg/dL (Ref: 70-110 mg/dL) e Colesterol 
Total: 80 mg/dL (Ref: 125-270 mg/dL). O hemograma revelou tempo de coagulação 
prolongado. Diante do quadro, qual é a interpretação fisiopatológica correta para a 
dissociação entre os níveis enzimáticos e os parâmetros metabólicos?
A) O paciente possui lesão hepatocelular inflamatória fulminante, pois a ALT e a FA estão 
nos limites máximos de excreção celular.
B) Os achados indicam insuficiência funcional hepática crônica avançada (perda de >70-
80% da massa funcional), onde a redução de albumina, glicose e colesterol reflete a 
falência da síntese hepática, e as enzimas estão discretas pela escassez de parênquima 
remanescente.
C) Há um quadro de colestase pós-hepática obstrutiva pura, que classicamente cursa 
com queda acentuada nos níveis de colesterol devido à excreção biliar acelerada.
D) Trata-se de uma nefropatia crônica com perda glomerular de proteínas, o que justifica 
a hipoalbuminemia e a hipoglicemia por consumo metabólico renal de glicose.
E) Os resultados configuram um shunt portossistêmico agudo reversível, no qual a 
medula óssea compensa a síntese de albumina e fatores de coagulação através de focos 
de hematopoiese extramedular.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
B (Correta): Albumina, glicose e colesterol são marcadores de função/síntese hepática. 
Como o fígado possui grande reserva funcional, reduções concomitantes desses três 
parâmetros (especialmente na ausência de desnutrição extrema ou perda renal/intestinal 
severa) sugerem fortemente perda crônica avançada de mais de 70% a 80% do 
parênquima funcional (ex: cirrose/fibrose hepática). As enzimas de extravasamento (ALT) 
e indução (FA) podem se apresentar normais ou apenas discretamente elevadas nesses 
estágios terminais devido à escassez de hepatócitos viáveis para sofrerem lise ou indução 
enzimática.
A (Incorreta): Na lesão inflamatória fulminante aguda, as enzimas de extravasamento 
(ALT/AST) estariam massivamente elevadas (milhares de U/L), e não discretas como 
demonstrado (ALT: 95 U/L).
C (Incorreta): Na colestase obstrutiva, os níveis de colesterol sérico tendem a se elevar 
significativamente (hipercolesterolemia) devido à interrupção da sua rota de eliminação 
biliar, e não diminuir.
D (Incorreta): Embora a perda glomerular cause hipoalbuminemia, ela não justifica a 
hipoglicemia concomitante nem a hipocolesterolemia (ao contrário, nefropatias cursam 
frequentemente com hipercolesterolemia adaptativa).
E (Incorreta): Shunts portossistêmicos são anomalias vasculares crônicas (geralmente 
congênitas) e a medula óssea não possui capacidade biológica de sintetizar albumina ou 
fatores de coagulação para compensar o fígado.
Questão 17 (Função Hepática)
Um felino, Persa, fêmea, 5 anos, foi atendido com icterícia exuberante. Os exames 
laboratoriais revelaram Bilirrubina Total de 8,5 mg/dL, com predomínio absoluto de 
Bilirrubina Indireta (Não Conjugada), correspondendo a 7,2 mg/dL. O hematócrito do 
paciente encontra-se em 12% (Ref: 24-45%), com presença marcante de esferócitos, 
corpúsculos de Heinz e policromasia na extensão sanguínea. Com base na fisiopatologia 
da bilirrubinogênese, qual a classificação desta icterícia e o mecanismo de acúmulo do 
pigmento?
A) Icterícia Hepática, provocada pelo colapso dos canalículos biliares induzido por 
estresse oxidativo.
B) Icterícia Pós-hepática, decorrente da incapacidade da vesícula biliar em armazenar a 
bilirrubina livre.
C) Icterícia Pré-hepática (Hemolítica), na qual a destruição em massa das hemácias gera 
uma produção excessiva de bilirrubina indireta que ultrapassa a capacidade máxima de 
conjugação e captação dos hepatócitos.
D) Icterícia Funcional por Lipidose, onde o acúmulo de gordura impede a liberação de 
bilirrubina indireta na urina.
E) Icterícia Falsa, decorrente da leitura analítica errônea induzida pela severa lipemia 
plasmática característica da espécie felina.
Gabarito: C
Justificativa detalhada:
C (Correta): O paciente apresenta uma anemia hemolítica severa (hematócrito 12% com 
esferócitos e corpúsculos de Heinz). Na hemólise (seja intravascular ou extravascular), há 
degradação massiva da hemoglobina pelo sistema fagocítico mononuclear, gerando 
grande quantidade de bilirrubina indireta (lipossolúvel). Esse excesso satura a capacidade 
metabólica de captação e conjugação do fígado, resultando no acúmulo plasmático de 
bilirrubina não conjugada (indireta), caracterizando perfeitamente a icterícia pré-hepática.
A (Incorreta): A icterícia hepática ocorre por falha no processamento intracelular ou na 
excreção celular, cursando predominantemente com elevação de bilirrubina direta 
(conjugada) ou padrão misto, com lesão hepática primária evidente.
B (Incorreta): A icterícia pós-hepática decorre de obstrução física ao fluxo biliar nos 
ductos ou colédoco, o que gera acúmulo exclusivo ou majoritário de bilirrubina direta (que 
já passou pelo processo de conjugação hepática).
D (Incorreta): A bilirrubina indireta liga-se à albumina e é insolúvel em água; ela nunca é 
filtrada ou excretada diretamente pelos rins na urina, independentemente da presença de 
gordura no fígado.
E (Incorreta): Os dados hematológicos de anemia e regeneração confirmam a hemólise 
real e justificam patologicamente a icterícia pré-hepática, descartando artefato analítico.
Questão 18 (Urinálise)
Uma amostra de urina coletada por cistocentese de um cão Pinscher, fêmea, 7 anos, é 
esquecida na bancada do laboratório em temperatura ambiente por aproximadamente 8 
horas antes de ser processada. Quais alterações artefatuais no exame químico (fita) e na 
sedimentoscopia o patologista clínico deve esperar encontrar devido a esse erro pré-
analítico de conservação?
A) Diminuição do pH urinário, destruição de cristais de estruvita e estabilização de 
hemácias intactas.
B) Elevação artificial da glicose por fermentação bacteriana e aparecimento induzido de 
cilindros hialinos.
C) Aumento do pH urinário (alcalinização por proliferação bacteriana que converte ureia 
em amônia), lise celular (bacteriólise e quebra de leucócitos/hemácias) e precipitação 
artificial de cristais (como estruvita).
D) Aumento na contagem de cilindros celulares devido à polimerização tardia da proteína 
de Tamm-Horsfall.
E) Redução completa da densidade urinária medida no refratômetro devido à evaporação 
seletiva dos solutos nitrogenados.
Gabarito: C
Justificativa detalhada:
C (Correta): O armazenamento prolongado da urina em temperatura ambiente favorece a 
multiplicação de bactérias contaminantes ou residentes. Muitas dessas bactérias 
possuem a enzima urease, que desdobra a ureia em amônia, provocando a alcalinização 
da amostra (aumento do pH). O pH alcalino e o tempo provocam a lise de estruturas 
celulares (hemácias e leucócitos degeneram rapidamente) e favorecem a precipitação in 
vitro de cristais, especialmente os de estruvita (fosfato amoníaco magnesiano), alterando 
o resultado real do paciente.
A (Incorreta): O pH se eleva (alcalinização), e os cristais de estruvita precipitam-se e 
aumentam em número em pH alcalino, em vez de serem destruídos.
B (Incorreta): As bactérias consomem a glicose presente na amostra para o seu 
metabolismo, o que causaria diminuição (e não elevação) artificial dos níveis de glicose.
D (Incorreta): Os cilindros urinários são estruturas extremamente frágeis e tendem a se 
dissolver e desaparecer rapidamenteem urinas mantidas em temperatura ambiente, 
especialmente se o pH se tornar alcalino.
E (Incorreta): A densidade urinária mede a proporção de solutos e é avaliada no 
refratômetro; ela permanece estável a menos que ocorra uma evaporação maciça do 
volume líquido total da amostra, o que não ocorre em frascos tampados de coleta.
Questão 19 (Função Renal / Urinálise)
Um bovino, macho, Nelore, 2 anos, alimentado em sistema de confinamento intensivo 
com alto teor de concentrado (grãos), apresenta desconforto abdominal, inquietude, 
tentativas frequentes de micção sem sucesso (anúria) e distensão bilateral simétrica do 
flanco ventral ("aspecto de balão"). Os exames bioquímicos revelam Ureia: 180 mg/dL e 
Creatinina: 8,5 mg/dL. A ultrassonografia abdominal revela líquido livre em grande 
quantidade no espaço peritoneal e ausência de vesícula urinária visível. Qual a 
classificação correta da azotemia e o mecanismo fisiopatológico envolvido?
A) Azotemia Pré-renal por desidratação severa decorrente de acidose lática ruminal.
B) Azotemia Renal primária por necrose tubular induzida pelo excesso de fósforo na dieta 
de confinamento.
C) Azotemia Pós-renal por urolitíase obstrutiva com consequente ruptura de bexiga 
(uroperitônio), levando à reabsorção peritoneal de ureia e creatinina para a circulação.
D) Pseudo-azotemia por contaminação de amostra de sangue com fluidos ruminais 
durante a venopunção.
E) Azotemia Metabólica por inversão do ciclo da amônia decorrente de insuficiência 
hepática induzida por grãos.
Gabarito: C
Justificativa detalhada:
C (Correta): Animais de produção em confinamento com dietas ricas em grãos e 
desequilíbrio cálcio:fósforo predispõem-se fortemente à urolitíase obstrutiva (geralmente 
por cálculos de estruvita). A obstrução total da uretra impede a eliminação da urina 
(anúria). O aumento retrógrado da pressão hidrostática causa o rompimento da uretra ou 
da bexiga (uroperitônio, evidenciado pelo líquido livre abdominal e bexiga não 
visualizada). A ureia e a creatinina contidas na urina despejada no peritônio são 
reabsorvidas pela membrana peritoneal para o sangue por gradiente de concentração, 
gerando uma severa azotemia pós-renal.
A (Incorreta): A desidratação causa azotemia pré-renal, mas não justifica a anúria 
completa, o líquido livre abdominal massivo (uroperitônio) nem o colapso estrutural da 
vesícula urinária.
B (Incorreta): Embora o fósforo participe da gênese dos urólitos, a lesão descrita é 
anatômica obstrutiva extra-renal terminal (pós-renal), e não uma destruição intrínseca dos 
néfrons (renal).
D (Incorreta): Os achados clínico-ultrassonográficos são patognomônicos de uroperitônio 
secundário à obstrução, descartando qualquer hipótese de erro de coleta ou 
contaminação de amostra.
E (Incorreta): O ciclo da amônia hepático não se inverte para produzir creatinina; a 
creatinina advém exclusivamente do metabolismo muscular esqueleto e sua retenção se 
deve à falta de excreção urinária.
Questão 20 (Leucograma)
Durante a análise microscópica de uma extensão sanguínea corada de um felino com 
diagnóstico confirmado de Peritonite Infecciosa Felina (PIF), o patologista clínico nota que 
a contagem global de leucócitos aponta para uma Leucocitose moderada por Neutrofilia, 
sem desvio à esquerda significativo. No entanto, nota-se uma Linfopenia profunda (500 
linfócitos/µL - Ref: 1.500-7.000/µL). Qual o principal mecanismo fisiopatológico que 
justifica o desenvolvimento da linfopenia em processos inflamatórios crônicos sistêmicos 
graves mediados por vírus ou citocinas?
A) Destruição lítica direta de linfócitos circulantes mediada pela enzima alanina 
aminotransferase (ALT) plasmática.
B) Apoptose linfocitária induzida por altos níveis sustentados de cortisol endógeno 
(estresse crônico) combinado com o sequestro e extravasamento dessas células para os 
tecidos inflamados.
C) Bloqueio irreversível dos receptores de interleucina na medula óssea, impedindo 
exclusivamente a linfopoiese marginal.
D) Conversão fenotípica direta de linfócitos B em monócitos fagocíticos para suprir a 
demanda macrofágica tecidual.
E) Lise osmótica de imunoglobulinas na circulação linfática central, mimetizando 
falsamente a queda celular.
Gabarito: B
Justificativa detalhada:
B (Correta): A linfopenia é uma resposta hematológica clássica ao estresse ou inflamação 
sistêmica severa (como na PIF). Ocorre devido à liberação maciça e contínua de 
glicocorticoides endógenos (cortisol) pelas adrenais em resposta à doença inflamatória. O 
cortisol promove a apoptose (morte celular programada) de linfócitos, além de induzir o 
sequestro dessas células nos órgãos linfoides retidos, reduzindo sua recirculação. 
Adicionalmente, em inflamações cavitárias, há recrutamento e migração de linfócitos para 
o foco inflamatório, reduzindo a contagem no pool circulante sanguíneo.
A (Incorreta): A ALT é uma enzima intracelular hepática sem qualquer atividade biológica 
lítica sobre membranas celulares de leucócitos na circulação plasmática.
C (Incorreta): Não há bloqueio celular seletivo total desse tipo descrito e a linfopoiese 
ocorre continuamente, sendo a queda circulante um reflexo de sobrevida e distribuição 
celular.
D (Incorreta): Linfócitos e monócitos derivam de linhagens hematopoéticas 
completamente distintas (linfoide vs. mieloide) e não possuem plasticidade biológica para 
sofrerem transdiferenciação ou conversão direta um no outro na circulação.
E (Incorreta): Imunoglobulinas são proteínas solúveis sintetizadas por plasmócitos e sua 
presença ou lise não se confunde no microscópio com a contagem física de linfócitos 
inteiros.
Questão 21 (Função Hepática)
A dosagem de Amônia plasmática e o teste de Ácidos Biliares séricos são ferramentas 
valiosas, porém avaliam facetas metabólicas distintas do complexo hepático. Um cão, 
Maltês, fêmea, 1 ano, apresenta sinais neurológicos intermitentes (encefalopatia 
hepática). Seus níveis de amônia estão extremamente elevados, mas os ácidos biliares 
basais estão normais. Baseando-se no ciclo da amônia, qual a explicação bioquímica 
correta para o acúmulo de amônia no sangue periférico e qual a origem metabólica 
primária desse composto?
A) A amônia é produzida exclusivamente no baço através da quebra de plaquetas velhas 
e acumula-se quando há fibrose esplênica primária.
B) A amônia é gerada no trato gastrointestinal por catabolismo proteico e ação bacteriana, 
sendo absorvida e convertida em ureia pelo fígado saudável via ciclo da ureia (ornitina). O 
desvio vascular (shunt) ou a falência hepática severa impedem essa conversão, 
acumulando amônia livre que atravessa a barreira hematoencefálica.
C) A amônia acumula-se porque os rins deixam de filtrá-la em casos de nefropatia 
glomerular concomitante, mimetizando uma doença hepática.
D) O acúmulo de amônia decorre da conversão espontânea de albumina plasmática em 
gases nitrogenados voláteis dentro da veia porta.
E) A amônia elevada indica que o animal possui uma dieta isenta de nitrogênio, forçando 
os hepatócitos a sintetizarem amônia a partir de lipídeos.
Gabarito: B
Justificativa detalhada:
B (Correta): As bactérias intestinais desdobram proteínas dietéticas e ureia no lúmen do 
cólon, gerando amônia ($NH_3$), que é absorvida pela circulação portal. Em condições 
normais, o fígado capta 100% dessa amônia portossistêmica e a transforma em ureia 
através do ciclo da ureia (ciclo da ornitina/Krebs-Henseleit), sendo a ureia excretada pelos 
rins. Quando há uma falha funcional severa ou um desvio vascular (shunt 
portossistêmico), a amônia desvia do metabolismo hepático, atinge a circulação sistêmica 
e chega ao cérebro, onde atua como potente neurotoxina, gerando encefalopatia 
hepática.
A(Incorreta): A amônia não provém do catabolismo plaquetário esplênico, mas sim 
primordialmente do metabolismo bacteriano e digestivo proteico intestinal.
C (Incorreta): Os rins excretam ureia, e não amônia sistêmica livre em larga escala como 
rota de depuração metabólica de compostos nitrogenados digestivos primários.
D (Incorreta): A albumina não se desintegra espontaneamente em amônia gasosa no 
interior dos vasos sanguíneos.
E (Incorreta): Dietas ricas em proteínas (e não isentas de nitrogênio) aumentam a 
produção intestinal de amônia. Além disso, amônia não pode ser sintetizada a partir de 
ácidos graxos puros, pois estes não contêm átomos de nitrogênio em sua estrutura 
química básica.
Questão 22 (Urinálise)
Durante o exame físico e químico da urina de um felino doméstico coletada por micção 
espontânea, a fita reagente demonstrou um resultado fortemente positivo para "Proteína" 
(4+ ou >300 mg/dL). No entanto, o exame microscópico do sedimento revelou piúria 
massiva (mais de 50 leucócitos por campo), hematúria acentuada (campo repleto de 
hemácias) e abundantes colônias bacterianas livres. Como o patologista clínico deve 
interpretar esta proteinúria?
A) Trata-se de uma proteinúria estritamente glomerular, exigindo biópsia renal imediata 
devido ao risco de amiloidose.
B) É uma proteinúria classificada como pós-renal inflamatória/infecciosa, causada pelo 
exsudato inflamatório rico em proteínas (leucócitos, hemácias lise e proteínas plasmáticas 
exsudadas) decorrente da infecção do trato urinário inferior.
C) Configura uma proteinúria pré-renal verdadeira por produção massiva de 
imunoglobulinas de cadeia leve na bexiga.
D) É um falso positivo clássico gerado exclusivamente pela interação do corante panótico 
com as bactérias móveis.
E) A proteinúria indica que o felino apresenta diabetes mellitus associado a uma severa 
lipidúria tubular distal.
Gabarito: B
Justificativa detalhada:
B (Correta): A proteinúria é classificada em pré-renal, renal (glomerular/tubular) e pós-
renal. Quando o sedimento urinário se apresenta altamente "ativo" ou inflamatório (com 
muitos leucócitos, hemácias e bactérias, indicativos de cistite ou uretrite), as proteínas 
detectadas na fita são derivadas do plasma que extravasou devido ao processo 
inflamatório local, ou do interior dos próprios leucócitos e hemácias que sofreram lise na 
urina. Portanto, é uma proteinúria pós-renal e não reflete, a princípio, nenhuma lesão de 
filtração nos glomérulos renais.
A (Incorreta): Não se pode afirmar que a origem é glomerular na presença de sedimento 
ativo, pois a inflamação pós-renal mascara completamente a avaliação de perda proteica 
renal intrínseca.
C (Incorreta): Proteinúrias pré-renais decorrem de proteínas circulantes sistêmicas 
anômalas (ex: hemoglobinúria, mioglobinúria) que chegam ao rim e são filtradas, e não de 
produção local vesical.
D (Incorreta): O resultado positivo na fita química deve-se à detecção real das proteínas 
do exsudato inflamatório, e não a um artefato mecânico do corante panótico (que nem 
sequer é utilizado na fita química).
E (Incorreta): A presença de leucócitos e bactérias aponta indiscutivelmente para um 
processo inflamatório infeccioso urinário (cistite), sem qualquer relação biológica direta 
com diabetes mellitus ou lipidúria pura nesta apresentação sedimentoscópica.
Questão 23 (Leucograma / Fisiopatologia)
Um cão, Golden Retriever, macho, 3 meses, vacinado apenas com a primeira dose, é 
internado com vômitos profusos, diarreia fétida sanguinolenta e desidratação severa 
crônica. O hemograma inicial demonstra Leucopenia severa (1.200 leucócitos/µL) 
decorrente de Neutropenia absoluta com desvio à esquerda degenerativo marcante 
(Bastonetes > Segmentados) e severa toxicidade neutrofílica grau III (corpúsculos de 
Döhle, granulações tóxicas e lise citoplasmática). Qual o mecanismo fisiopatológico duplo 
que gerou a neutropenia extrema neste filhote infectado por Parvovírus Canino?
A) Destruição esplênica seletiva por hiperesplenismo imunológico associada a choque 
anafilático.
B) Consumo periférico massivo e imediato de neutrófilos no tecido intestinal ulcerado e 
necrosado, associado à destruição direta das células precursoras granulocíticas na 
medula óssea pelo vírus (redução de produção).
C) Sequestro celular no tecido subcutâneo induzido por hipotermia severa reflexa.
D) Inibição enzimática da mieloperoxidase induzida pelas toxinas bacterianas circulantes 
no lúmen gástrico.
E) Produção acelerada de anticorpos anti-neutrófilos estimulada pela vacinação prévia 
recente.
Gabarito: B
Justificativa detalhada:
B (Correta): O Parvovírus canino causa um insulto hematológico e inflamatório severo 
através de dois mecanismos concomitantes: 1) Destrói o epitélio das criptas intestinais, 
gerando necrose e ulceração extensa, o que recruta massivamente os neutrófilos da 
circulação para o intestino (altíssimo consumo periférico). 2) O vírus possui tropismo por 
células de rápida replicação e ataca diretamente as células progenitoras hematopoéticas 
na medula óssea, paralisando a produção de novos leucócitos (parada de produção). O 
consumo periférico superando a capacidade de uma medula lesionada resulta em 
neutropenia extrema com desvio degenerativo e severa toxicidade celular.
• A (Incorreta): A fisiopatologia da parvovirose é focada no eixo medula-intestino; o baço 
pode estar reativo, mas o hiperesplenismo isolado não justifica o desvio degenerativo 
severo com toxicidade inflamatória em poucas horas nesta apresentação.
• C (Incorreta): O sequestro por hipotermia subcutânea não existe como mecanismo de 
leucopenia sistêmica extrema com características inflamatórias tóxicas na rotina de 
pequenos animais.
• D (Incorreta): As toxinas bacterianas participam da sepse secundária, mas agem 
estimulando a liberação de citocinas inflamatórias sistêmicas e migração celular, e não 
por inibição química direta isolada da mieloperoxidase gástrica.
• E (Incorreta): A vacinação adequada ou recente não induz destruição fulminante 
imunomediada mediada de neutrófilos na medula a ponto de simular o colapso clássico 
da infecção pelo vírus selvagem.
•
Questão 24 (Urinálise / Fisiopatologia de Cristais)
Durante a urinálise de um cão, Schnauzer Miniatura, fêmea, 6 anos, com histórico de 
infecções urinárias recorrentes por Staphylococcus pseudintermedius (bactéria produtora 
de urease), o exame de sedimentoscopia demonstrou pH urinário de 8,2 e presença 
abundante de cristais de estruvita. Qual a relação direta entre a presença dessa bactéria 
específica e a precipitação deste cristal na bexiga?
A) A bactéria consome o magnésio urinário, secretando cristais puros como metabólito de 
excreção respiratória.
B) O Staphylococcus degrada as proteínas da fita urinária, gerando um falso positivo 
visual no microscópio óptico.
C) A enzima urease bacteriana hidrolisa a ureia urinária em amônia e dióxido de carbono. 
A amônia eleva o pH urinário (alcalinização) e fornece íons amônio adicionais, reduzindo 
a solubilidade do fosfato, magnésio e amônio, o que induz a precipitação massiva de 
cristais de estruvita e predispõe à formação de urólitos por infecção.
D) A bactéria acidifica o meio urinário através da produção de ácido lático, destruindo 
cristais de oxalato e favorecendo a formação de cistina amorfa.
E) O microrganismo sintetiza muco proteico que atua como quelante seletivo de cálcio 
iônico exógeno circulante.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): Bactérias produtoras de urease (como Staphylococcus e Proteus) que 
colonizam o trato urinário clivam a ureia em amônia ($NH_3$) e $CO_2$. A amônia em 
solução aquosa transforma-se em íons amônio ($NH_4^+$) e eleva o pH para faixas 
marcadamente alcalinas (>7,5-8,0). A estruvita é composta por fosfato amoníaco 
magnesiano ($MgNH_4PO_4\cdot 6H_2O$) e seus componentes tornam-se altamente 
insolúveis em urina alcalina saturada com amônio bacteriano, precipitando-se na forma de 
cristais e servindo de matriz para cálculos vesicais (urólitos por infecção).
• A (Incorreta): As bactérias não eliminam cristais geométricos inteiros como resíduo 
metabólico de sua respiração celular individual.
• B (Incorreta): Os cristais são reais e visualizados no sedimento urinário centrifugado 
colhido diretamente do paciente, não guardando relação com artefatos mecânicos na fita 
química.
• D (Incorreta): Como detalhado, a ação da urease promove a alcalinização expressiva do 
meio urinário (pH 8,2 no enunciado), e não a acidificação por ácido lático.
• E (Incorreta): A estruvita não possui cálcio em sua constituição molecular (é composta 
por magnésio, amônio e fosfato), tornando a hipótese de quelação de cálcio 
conceitualmente incorreta para o caso.
•
Questão 25 (Função Hepática / Diagnóstico Diferencial)
Um equino, Quarto de Milha, macho, 10 anos, utilizado em competições de Vaquejada no 
interior de Alagoas, apresenta quadro agudo de cólica, icterícia e depressão intensa. O 
perfil bioquímico sérico demonstrou: AST: 1.200 U/L (Ref: 150-400 U/L), Creatina Quinase 
(CK): 15.500 U/L (Ref: 50-200 U/L), GGT: 18 U/L (Ref: 5-25 U/L) e Bilirrubina Total: 5,4 
mg/dL (predomínio de bilirrubina indireta). Como o patologista clínico veterinário deve 
interpretar a origem da elevação da enzima AST neste grande animal?
A) A elevação da AST confirma lesão hepatocelular necrosante aguda grave pura, visto 
que a CK elevada é um achado normal em cavalos atletas de tração.
B) A elevação acentuada de AST, acompanhada por um aumento massivo e proporcional 
da enzima CK (específica de músculo), indica que a origem primária da lesão é o tecido 
muscular esquelético (rabdomiólise / miopatia de esforço) e não o parênquima hepático, 
justificando também a icterícia por sobrecarga pigmentar de mioglobina/hemoglobina.
C) O aumento de AST reflete colestase severa nos ductos biliares extra-hepáticos 
secundária ao esforço físico.
D) A AST elevou-se por indução direta decorrente do estresse térmico, sem sofrer 
influência de lesões musculares ou hepáticas estruturais.
E) Os resultados indicam insuficiência renal crônica agudizada por retenção seletiva de 
macromoléculas citosólicas.
Gabarito: B
• Justificativa detalhada:
• B (Correta): A enzima AST (Aspartato Aminotransferase) está presente em altas 
concentrações tanto no citoplasma dos hepatócitos quanto nas células musculares 
cardíacas e esqueléticas. Em grandes animais, para interpretar uma elevação de AST, é 
obrigatório dosar simultaneamente a CK (Creatina Quinase), que é um marcador 
estritamente específico de lesão muscular. Como a CK está massivamente elevada 
(15.500 U/L), conclui-se que o aumento de AST decorre da lesão muscular (miopatia de 
esforço/rabdomiólise) e não de lesão hepática ativa, o que é corroborado pelos níveis 
normais de GGT (enzima específica da árvore biliar em cavalos).
• A (Incorreta): Uma CK de 15.500 U/L nunca é normal, indicando severa necrose de fibras 
musculares esqueléticas ativas (miopatia).
• C (Incorreta): A AST é uma enzima de extravasamento citosólico (lesão de integridade) e 
não serve como marcador direto ou sensível de colestase biliar obstrutiva, papel que cabe 
à GGT e à FA.
• D (Incorreta): Enzimas de extravasamento como AST e CK necessitam de lesão real ou 
alteração de permeabilidade na membrana celular para vazarem para o soro; elas não 
sofrem processos de indução metabólica simples por calor ou estresse emocional puro.
• E (Incorreta): Nenhuma dessas duas enzimas (AST/CK) é marcador primário de filtração 
ou insuficiência renal crônica na rotina laboratorial veterinária.
•
Questão 26 (Função Renal)
No laboratório de análises clínicas da UNINASSAU, um aluno questiona o professor sobre 
a fisiologia da Ureia e por que ela pode oscilar mais facilmente do que a Creatinina em 
resposta a fatores não renais. Qual das alternativas abaixo descreve corretamente a 
síntese da ureia e uma causa de elevação pré-renal independente de desidratação?
A) A ureia é sintetizada nos rins através do catabolismo de ácidos graxos; eleva-se em 
dietas ricas em lipídeos complexos.
B) A ureia é produzida exclusivamente na medula óssea a partir de restos de hemácias; 
eleva-se em quadros de anemia regenerativa extrema.
C) A ureia é produzida no fígado através do ciclo da amônia (catabolismo de 
aminoácidos). Uma causa de elevação pré-renal independente de alterações na taxa de 
filtração glomerular por desidratação é o sangramento gastrointestinal severo (hemorragia 
digestiva) ou dietas com altíssimo teor de proteína, que aumentam a carga de compostos 
nitrogenados absorvidos pelo portal.
D) A ureia flutua em resposta direta ao exercício físico intenso por degradação direta do 
glicogênio esquelético armazenado.
E) A oscilação da ureia ocorre por secreção ativa nas glândulas salivares de carnívoros 
quando submetidos a longos períodos de jejum.
Gabarito: C
• Justificativa detalhada:
• C (Correta): A ureia é o produto final do catabolismo de aminoácidos (proteínas), 
sintetizada no fígado através do ciclo da ureia para neutralizar a amônia tóxica. Como sua 
produção depende diretamente do aporte de aminoácidos que chega ao fígado, situações 
como hemorragia gastrointestinal alta (onde o sangue extravasado no estômago/intestino 
é digerido e absorvido como uma enorme carga proteica) ou dietas hiperproteicas geram 
aumentos significativos na produção e nos níveis de ureia sérica, sem que haja 
necessariamente uma lesão renal ou desidratação primária instaurada. A creatinina, por 
sua vez, depende da massa muscular total e excreção estável, não sofrendo influência 
direta da digestão proteica.
• A (Incorreta): A ureia provém do catabolismo de proteínas (grupos amina/nitrogênio) e 
sua síntese ocorre no fígado, e não nos rins a partir de lipídeos.
• B (Incorreta): A síntese é hepática e decorre do metabolismo de nitrogênio proteico 
intestinal/tecidual, sem relação com a eritropoiese na medula óssea.
• D (Incorreta): O glicogênio é um carboidrato puro (composto por carbono, hidrogênio e 
oxigênio) e seu catabolismo gera glicose, piruvato ou lactato, sendo desprovido de 
nitrogênio para formar ureia.
• E (Incorreta): A ureia pode ser excretada na saliva em ruminantes (reciclagem de ureia 
ruminal), mas em carnívoros as flutuações plasmáticas não decorrem de mecanismos de 
secreção salivar adaptativa ativa durante o jejum.
•
Questão 27 (Urinálise)
A presença de Cilindros na sedimentoscopia urinária (cilindrúria) fornece pistas valiosas 
sobre a localização e o tempo de evolução da injúria no néfron. Um cão da raça Pastor 
Belga Groenendael, macho, 4 anos, internado com suspeita de leptospirose, apresenta 
abundantes Cilindros Granulosos e Cilindros Epiteliais (Celulares) na análise 
microscópica da urina recém-coletada. Onde são formados os cilindros urinários e qual o 
significado patológico específico dos cilindros epiteliais e granulosos?
A) São formados na pelve renal por precipitação de cristais de cálcio; indicam cálculos 
renais crônicos obstrutivos.
B) São moldados exclusivamente na uretra distal; indicam inflamação severa na próstata 
ou glândulas anexas.
C) São formados no lúmen dos túbulos renais (contorcido distal e ducto coletor) através 
da precipitação da mucoproteína de Tamm-Horsfall. A presença de cilindros epiteliais 
indica descamação ativa de células do epitélio tubular renal (lesão tubular aguda ativa), 
enquanto os cilindros granulosos representam o estágio subsequente de degeneração 
crônica dessas células e proteínas celulares retidas no túbulo.
D) São gerados no interior dos glomérulos e representam a fusão mecânica de podócitos 
rompidos pelo fluxo sanguíneo.
E) Indicam contaminação