Economia Monetaria
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Economia Monetaria


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REVISÃO DE ECONOMIA MONETARIA 
1. A moeda: conceito, importância e funções 
1.1 O sistema de escambo (trocas diretas) 
É sabido que desde os primórdios da humanidade, nos primeiros agrupamentos 
humanos, que foram designados de nômades, estes teriam sobrevivido das seguintes 
atividades econômicas: caça, pesca, colheita de produtos silvestres. Tais grupos não 
conheciam a moeda, e quando recorriam às atividades de troca, realizavam trocas diretas 
em espécie, denominadas escambo. 
Por muitos séculos e até hoje encontramos esta forma rudimentar de comércio, 
entre povos de economia primitiva, em regiões cujo acesso é muito difícil, pois há escassez 
de meio circulante, e ainda hoje, observa-se que algumas pessoas efetuam permuta de 
objetos sem a preocupação de sua equivalência de valor. 
As mercadorias utilizadas para escambo geralmente se apresentam em estado 
natural, variando conforme as condições de meio ambiente e as atividades desenvolvidas 
pelo grupo, correspondendo a necessidades fundamentais de seus membros. A troca é dita 
direta, quando a transação é realizada sem o auxílio de um instrumento intermediário de 
troca. Apesar de muito utilizada no início da civilização até os dias atuais, a economia das 
trocas, ou seja, o escambo possui custos envolvendo pessoas, serviços e objetos, tais como: 
(i) necessidade de dupla coincidência \u2013 a necessidade de que ambos os negociadores 
desejem o que cada um deseje oferecer a um preço acordado por ambos; e, (ii) para cada 
bem transacionado, deve ser estabelecido um preço em termos de outro bem. 
A primeira revolução agrícola \u2013 traduziu-se na fixação de certos grupos humanos 
em determinadas áreas, como os deltas dos rios Nilo, Tigre, Eufrates. Pratica-se a 
agricultura organizada e a domesticação de animais. O nomadismo vai, gradualmente 
cedendo lugar a uma forma de vida mais sedentária, o que aumenta a complexidade das 
relações sociais. A produção se diversifica. 
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Manifesta-se uma pequena especialização e divisão social do trabalho: guerreiros, 
agricultores, pastores, artesão, sacerdotes. Os meios de se obter benefícios da especialização 
são as trocas, nas quais cada indivíduo troca o seu produto diretamente com outro 
indivíduo. 
O abandono do sistema de escambo (trocas diretas) e a criação da moeda 
Quando a divisão do trabalho se tornou mais complexa, aumentou o número de bens e 
serviços exigidos para satisfação das necessidades humanas estimuladas pelo caráter 
sedentário da vida; a dupla coincidência dos desejos de modo que fica mais difícil e 
dispendiosa em termos de tempo e recursos, logo, as trocas, que antes eram acessórias nos 
agrupamentos primitivos, torna-se agora fundamental para o desenvolvimento e para a 
sobrevivência do grupo. 
Um importante problema num sistema de escambo (ou de trocas diretas) é que 
qualquer indivíduo que deseja realizar uma troca deve encontrar outro indivíduo com os 
bens que deseja vender. Para permitir o desenvolvimento das trocas, o escambo foi sendo 
substituído por processos indiretos de pagamento. Inicialmente, determinados produtos, 
que eram recebidos em pagamentos referentes às transações econômicas configura a 
origem da moeda. 
Determinados produtos irão desempenhar a função de intermediários de trocas, 
mesmo que eles não tenham valor de uso ou não sejam desejados pelos que os recebam, 
mas são amplamente aceitos por todos os membros do grupo para a finalidade de 
intermediar trocas. As trocas agora passam a ser indiretas, isto é, utiliza-se um 
intermediário \u2013 a moeda. 
As operações de compra e venda de mercadorias são agora intermediadas por 
produtos que possuem aceitação geral e atual como moeda. De agora em diante, o valor de 
todos os bens passa a ser medido em relação aos produtos-padrão. 
Desde o seu estágio mais primitivo, a moeda é usada para intermediar processos 
rudimentares de troca, pode ser conceituada como um bem econômico qualquer que 
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desempenha as funções básicas de intermediária de trocas, que serve como medida de valor 
e que tem aceitação geral. 
1.2 Conceito, funções e formas assumidas pela moeda 
A moeda como conhecemos hoje representa o conjunto de meios de pagamento é 
uma instituição que responde a uma necessidade social decorrente da divisão do trabalho. 
Consiste na totalidade dos ativos financeiros (papel moeda, depósitos bancários, cheques de 
viagens) possuídos pelo público que pode ser utilizada a qualquer momento para 
liquidação de qualquer compromisso futuro ou à vista. 
Moeda é o conjunto de ativos da economia usados regularmente pelos agentes 
econômicos para comprar bens e serviços uns dos outros. Sendo assim, a moeda inclui 
apenas os poucos tipos de ativos que são regularmente aceitos por vendedores e 
compradores em suas transações. O que diferencia a moeda dos outros ativos da economia 
é a sua liquidez, ou seja, a facilidade que esse ativo tem de ser trocado por outros bens e 
serviços. Por exemplo, é deveras complicado trocar televisores de 60 polegadas por sacos de 
arroz ou por imóveis residenciais. Já a moeda, seja a moeda bancária ou o papel-moeda, 
pode ser trocado facilmente por qualquer um dos dois. 
A moeda possui três funções que a distinguem dos outros tipos de ativos da 
economia: 
(1) Função de instrumento ou meio de troca. - A principal função da moeda é a de 
ser meio de pagamento. Logo, a moeda é um ativo que pode ser usado na troca de bens e 
serviços e em operações de compra ou venda. No entanto, para ser meio de pagamento é 
fundamental que a moeda seja amplamente aceita e que toda a sociedade tenha confiança 
nela. A utilização da moeda como uma intermediária de trocas possibilita a sensível 
redução do tempo empregado em transações, reduzindo sensivelmente os custos de 
transação. A moeda como meio de troca torna desnecessária que exista uma dupla 
coincidência de necessidades nas trocas e promove a eficiência, reduzindo o tempo gasto no 
intercâmbio dos bens. 
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(2) Função de unidade de conta. \u2013 função, a moeda é tida como o denominador 
comum nos quais todos os bens e serviços são medidos. Ela possibilita, portanto, que os 
valores de todos os bens ou serviços na economia sejam expressos em moeda nacional. A 
moeda usada com unidade de conta reduz os custos de transação numa economia 
reduzindo o número de preços que se necessita considerar numa troca. 
Os benefícios desta função crescem à medida em que a economia se torna mais 
complexa. A introdução de uma unidade de conta na qual são expressas e comparadas os 
valores de diferentes bens e serviços é importante para a eficiência econômica, pois isto 
reduz o número de cálculos requeridos para se alcançar a valoração dos bens quando estes 
crescem. Esta função é a de evitar cálculos desnecessários, adotando uma determinada 
linguagem na qual se possa expressar o valor dos bens e serviços. 
(3) Função de reserva de valor. - Quando as pessoas recebem moeda em troca de 
bens ou serviços, não há a necessidade imediata de gastá-la, pois a moeda pode manter o 
seu valor, isto é, pode ser usada como reserva de valor. A moeda é uma reserva por 
excelência do poder de compra, devido a sua liquidez e pelos graus de incerteza quanto as 
possibilidades futuras de conversão das outras formas de ativo (títulos, ações, terra, obras 
de arte, joias, carros, bônus,etc). 
1.3 Formas assumidas pela Moeda - A moeda pode assumir três tipos de formas na 
sociedade: 
1. Moedas metálicas - Estas constituem pequena parcela dos meios de pagamento na 
economia e visam facilitar as operações de pequeno valor. São emitidas pelo Banco Central. 
2. Papel-moeda em poder do público (PMPP) - Esta representa parcela significativa da 
quantidade
André
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