Prévia do material em texto
ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS A Expansão Marítima...... Durante a baixa Idade Média, as relações comerciais se davam entre o sudeste da Ásia, o norte da África e a Europa. O mercado estava limitado a essas regiões. A partir do século XV, com a circunavegação da África, a descoberta do caminho marítimo para as índias por Vasco da Gama, a chegada de Colombo à América, expandiram-se às regiões produtoras e consumidoras, constituindo-se o mercado mundial. A descoberta de novos continentes, com o conseqüente surgimento de um mercado mundial interligando Europa, África, Ásia e América, recebeu o nome de expansão marítima e comercial européia. A medida que a política européia evoluía, com a formação dos Estados Nacionais, no plano econômico a grande crise do século XIV começava a ser superada. Essa crise, que reduziria sensivelmente a população européia, afetou a mão de obra ativa de toda a Europa. Por outro lado, o desenvolvimento da oferta de mercadorias, devido à crise, aumentou a procura de gêneros orientais, principalmente de especiarias. A aquisição desses produtos implicou no escoamento de moedas da Europa para o Oriente (a busca de especiarias e a escassez de metais preciosos, através do comércio com os árabes), sem o retorno correspondente, ou seja, havia um comércio de mão única, pois a Europa comprava mais que vendia e dessa maneira canalizava para o estrangeiro grande parte de seu escasso metal precioso. A circulação interna de mercadorias diminuiu o que trouxe graves conseqüências para a Europa. Se por um lado, a população ativa era reduzida e mal remunerada, por outro, a elevação acentuada dos preços não permitia o aumento do consumo. A maior dificuldade para superar este problema estava no próprio mercado interno europeu, que era escasso em produção e troca, e com isso sujeito a desequilibrar-se com qualquer convulsão social. Não podemos esquecer que esse período foi assolado por constantes guerras entre as nações que nasciam no continente, pela fome e por surto de peste negra. A cada convulsão o mercado se retraía, impedindo a continuidade do processo de crescimento econômico no processo de afirmação dos Estados Nacionais. Em vista disso, as monarquias nacionais procuraram garantir seu fluxo de rendas, através da expansão de mercado, buscando os produtos externamente (necessidade de novos mercados), tentando eliminar os intermediários, ou seja, os comerciantes italianos que monopolizavam a distribuição dos gêneros orientais para a Europa. Assim pretendiam baratear o custo da mercadoria, bem como ampliar o grande comércio de ouro e especiarias. Apenas os Estados efetivamente centralizados tinham condições de levar adiante tal empreendimento, dada à necessidade de um grande investimento e principalmente de uma figura que atuasse como coordenador, o Rei. Além de formar um acumulo prévio de capitais pela cobrança direta de impostos, ele disciplinava os investimentos da burguesia, canalizando-os para esse grande empreendimento de caráter estatal, que se tornou um instrumento de riqueza e poder para monarquias absolutas. O rei ouvia os conselhos dos burgueses, nobres e clérigos, católicos ou não, dependendo do país, mas a decisão final era sempre sua. Definida a campanha, o rei buscava o apoio da grande burguesia, que, ávida de lucros fáceis, reunia seus capitais nas mãos dos Estados centralizados (aliança rei-burguesia). Esses Estados se encarregavam da organização da frota, do armamento das tropas. A descoberta do caminho marítimo para as índias e dos novos continentes só foi possível por iniciativa das monarquias nacionais, aliadas às respectivas burguesias e com o apoio do clero e da nobreza, cada um com seus interesses. EXPANSÃO PORTUGUESA Portugal foi o pioneiro da expansão marítima por ter centralizado precocemente o poder e por possuir um forte grupo mercantil nacional e estrangeiro interessado na expansão marítima e comercial. Os comerciantes, armadores e banqueiros estrangeiros, flamengos, bascos, alemães, venezianos e genoveses, entre outros, estiveram presente durante todo o processo. Aliás, sem o financiamento destes, é bem possível que Portugal se visse obrigado a adiar sua expansão marítima. Como os capitais começaram a escassear em Portugal, o rei dom João II resolveu iniciar sua expansão por Ceuta (1415), permitindo o controle parcial do comércio africano e propiciando capitais necessários para Portugal continuar sua expansão marítima, dando também um caráter cruzadístico à expedição. Afinal, seria a luta dos cristãos contras os infiéis mulçumanos. A combinação entre atividade mercantil, honra militar e zelo cruzadístico foi uma constante na expansão portuguesa. Portugal era uma nação ainda senhorial, com presença marcante da nobreza e forte peso da religião. A expansão portuguesa foi um misto de cruzada, rapina, pirataria, comércio e expansão do império e da fé. À burguesia interessavam saques e lucros; à nobreza, honra e posições; ao clero, a conversão dos infiéis pagãos. Depois de ceuta, Portugal ocupou as ilhas de Porto Santo e Madeira e o arquipélago dos Açores, e mais tarde as ilhas de Cabo Verde. Sendo que, de todas as “culturas” aí implantadas, a que mais se desenvolveu foi a da cana-de-açúcar. Por volta de 1434, Gil Eanes dobrou o Cabo Borjador, o que permitiu a exploração da costa africana em busca de ouro e marfim, mas o mais importante encontrado, foi os negros, que passaram a ser escravizado. Continuando em busca da rota das especiarias, os portugueses chegaram ao congo, em 1482. Alguns anos depois, Bartolomeu Dias (1487-88) contornou o Cabo das Tormentas, tinha, portanto, superado mais um grande obstáculo dos que separavam Portugal das grandes riquezas do Extremo Oriente. Estava provado que era possível chegar às índias por essa via. Isso não seria possível se o continente africano se prolongasse até o extremo sul do planeta. Bartolomeu Dias retornou a Portugal para dar a noticia, o rei ficou tão feliz que resolveu batizar o extremo sul do continente africano de Cabo da Boa Esperança. Ele, os comerciantes e os navegadores tinham a esperança de que as próximas viagens os fariam ricos. O futuro mostrou que não estavam errados. Estimulado pela descoberta de Bartolomeu Dias, D. Manuel I, rei de Portugal, decidiu preparar quatro navios especialmente para chegar às Índias. Vasco da Gama era o comandante da esquadra, a viagem de ida e volta foi cheio de problemas e demorou dois anos. Tempestades, fortes correntes contrárias, calmarias, graves doenças, além de conflitos constantes mataram mais da metade da tripulação. Mas o objetivo foi alcançado em 1498, Vasco da Gama chegou a Calicute, nas Índias, possibilitando a Portugal o monopólio do comércio de especiarias. As mercadorias trazidas pela expedição, apesar de não ter sido comprada diretamente dos produtores e sim de comerciantes indianos, deram um lucro gigantesco. Outras expedições deveriam ser organizadas para estabelecer acordos com as populações locais, garantir posições, ampliar os conhecimentos sobre Oriente, levar mais adiante as viagens e entrar em contato com os produtores diretos de especiarias. O principal objetivo era garantir um fluxo constante de mercadorias. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS No inicio de março de 1500, uma grande esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral deixou Portugal com 1.500 homens, divididos em 13 embarcações. A principal missão deles: fazer comércio e reforçar os contatos feitos por Vasco da Gama nas Índias. Segundos alguns historiadores, essa esquadra tinha outra missão, era confirmarse havia terras a oeste. Ao rei de Portugal, interessava saber se havia terras dentro da parte que lhe coubera pelo Tratado de Tordesilhas. Por isso, a esquadra, em vez de navegar costeando a África, navegou na direção sudoeste. Depois de um mês de viagem, no dia 22 de abril avistam a terra, hoje sul da Bahia, a nova região descoberta deram o nome ligado a religião católica, Vera Cruz, após 10 dias de permanência, a esquadra de Cabral seguiu para as Índias. EXPANSÃO ESPANHOLA A Espanha foi o segundo país a promover a expansão marítima. Em 1469, com o casamento de Fernando, rei de Aragão, e Izabel de Castela, teve inicio a formação do reino espanhol. Quando o rei português dom João II se empenhou na descoberta do caminho marítimo para as índias, foi lhe apresentado um genovês, Cristóvão Colombo. Esse que se propunha a atingir as Índias pelo ocidente contornando hoje o que seria a América. Colombo exercia a anos a profissão de comerciante em Portugal e, nessa condição, acompanhou os marinheiros nas costas africanas, com eles aperfeiçoando conhecimentos náuticos. Na entrevista com o rei, Colombo solicitou financiamento para seu projeto, dom João II, fosse pelo ato custo da expedição, fosse pela imprecisão da proposta ou porque julgasse Colombo como um louco ao achar a terra redonda, ou, ainda, porque esperava atingir as Índias pelo Oriente, recusou a oferta. Colombo foi então oferecer seus préstimos, que foram aceitos, aos reis católicos. Seis anos antes da chegada de Vasco da Gama às Índias, Colombo descobriu algumas ilhas na América Central, convencido de que havia chagado ao mar das cobiçadas especiarias. Em vista da localização atribuída por Colombo as terras descobertas e com base nos conhecimentos náuticos da época, o rei português se julgou dono daquelas terras, afirmando que já era dos portugueses. Os reis católicos recorreram ao papa, que no período tinha o poder de dividir as terras ainda desconhecidas. A ocasião era excelente. Um papa espanhol, Alexandre VI, ocupava o trono pontifício. A fim de por termos às ameaças portuguesas de ocupar as terras, o papa publicou a Bula Intercoetera (1493), que fixou os domínios portugueses e espanhóis. Esses limites eram dados por uma linha imaginária que uni os dois pólos e passava por um ponto 100 léguas a oeste da ilha de Cabo Verde. Essa divisão do mundo dava a Espanha todas às novas terras descobertas. Houve ameaça de uma guerra, e os dois países negociaram diretamente, sem a intervenção papal, outra divisão do novo mundo descoberto e por descobrir, através do Tratado de Tordesilhas (1494). Um novo meridiano imaginário foi traçado, dessa vez a 370 léguas a oeste de Cabo Verde. As terras a leste de do meridiano seriam portuguesas e as que ficassem a oeste seriam espanholas. Portugal garantiu para si a África, rotas do caminho marítimo para as Índias, e a usa presença na América, ocupando a menor parte do Brasil atual. No Brasil o meridiano que nuca foi demarcada, estendia-se de Belém (PA), ao norte, a Laguna (SC), ao sul. Em 1519, Fernão de Magalhães, que já navegara pelas Índias e não recebera da coroa portuguesa o que pretendia pela viagem, ofereceu seus préstimos ao rei da Espanha. Magalhães proponha-se a atingir pelo ocidente as Ilhas Moluscas, região rica em especiarias na qual os portugueses já haviam chagado. Ele pretendia provar que essas ilhas estavam na parte espanhola. A coroa espanhola aceitou a proposta. Partindo da Espanha com cinco navios velhos, Magalhães realizou entre tempestades e pestes a primeira viagem de circunavegação. Nas Filipinas, Magalhães foi morto, e a expedição passou a ser comandada por Sebastião Elcano e Pigafetta, que retornou a Espanha depois de três anos, com apenas um navio e pouco mais de 15 homens. “Descoberta” a América era necessário colonizá-la e ocupá- la. Hernan Cortes conquistou o México dos astecas; Francisco Pizarro e Diego de Almagro iniciaram a conquista do Peru, Bolívia e Equador, derrotando os incas; bandos espanhóis provenientes do México e das Antilhas conquistaram o que restava da população na América central. A chegada dos espanhóis foi um choque para os povos americanos. Quase por toda a parte, foram considerados deuses ou enviados dos deuses. Há relatos de que, entre os astecas, os espanhóis haviam sido anunciados por inúmeros presságios: o incêndio de um templo asteca... Os Incas associaram os barbudos espanhóis ao regresso do deus Viracocha... Depois dos primeiros contatos e dos primeiros confrontos, as duvidas se desfizeram. Os espanhóis passaram as ser considerados bárbaros (popolocas) pelos astecas. (Luiz Koshiba. História, origens, estruturas e processos. Atual). ____________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 01__________ 1. (EsSa) Sobre o Tratado de Tordesilhas podemos concluir que seu objetivos principal era: a) fazer com que o governo português reconhecesse o direito espanhol às terras do Atlântico. b) eliminar divergência sobre a posse espanhola ou portuguesa de terras localizadas no Atlântico. c) garantir a posse espanhola das terras localizadas no Atlântico. d) garantir a posse portuguesa das terras localizadas no Atlântico. e) garantir a posse francesa do Brasil. 2. (EsSa) Entre as diversas causas que tornaram Portugal e Espanha os primeiros países europeus a se lançarem as viagens marítimas da época moderna, pode se citar: a) O sistema administrativo descentralizado, que favoreceu a iniciativa dos burgueses. b) o grande interesse da nobreza no desenvolvimento das relações capitalistas comerciais. c) o incentivo dado pela igreja Protestante, interessada na ampliação do número de fieis. d) o interesse das monarquias centralizadoras em ampliar suas relações comercias e suas áreas de influência. e) o apoio dado pelos senhores feudais as pesquisas sobre os conhecimentos náuticos. 3. (EsSa) Um dos resultados das grandes navegações iniciadas pelos portugueses foi: a) o controle do Mar Mediterrâneo pelos navegadores italianos e turcos. b) o deslocamento do eixo comercial da Europa, do Mar Mediterrâneo para o oceano Atlântico. c) o desenvolvimento das navegações espanholas, inglesas e holandesas no Mar Mediterrâneo. d) a decadência econômica das cidades portuárias da península ibérica. e) A decadência econômica da burguesia mercantil portuguesa. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 4. (Essa-11) No contexto da expansão marítima que levou os europeus a encontrar a América, Portugal destacou-se como pioneiro das grandes navegações do século XV. Entre os muitos fatores que contribuíram para o pioneirismo português, destacam-se: A) a política mercantilista e a expulsão dos mouros da Península Ibérica. B) a centralização administrativa e a posição geográfica. C) a industrialização e a centralização do poder. D) a ausência de guerras e a ascensão da nobreza fundiária. E) A associação Estado/lgreja e a centralização do poder 5. (Essa-12) O Tratado de Tordesilhas, assinado pelos reis ibéricos com a intervenção papal, representa A) o marco inicial da colonização portuguesa do Brasil. B) o fim da rivalidade entre portugueses e espanhóis na América. C) a tomada de posse do Brasil pelos portugueses. D) a demarcação dos direitos de exploração colonial dos ibéricos. E) o declínio do expansionismo espanhol. 7. (ESSA-13/14) No final do Século XIV, o único Estado centralizado e livre de guerras, o que lhe permitiu ser o pioneiro na expansão ultramarina, era o A) espanhol. B) inglês. C) francês. D) holandês. E) português. 6. (ESSA-13/14) Entre os motivos que contribuíram para o pioneirismo português no fenômeno histórico conhecido como “expansão ultramarina”,é correto afirmar que foi (foram) decisivo (a) (s): A) o comércio de ouro e escravos na costa da África. B) a precoce centralização política de Portugal e a ausência de guerras. C) a luta contra os mouros no Marrocos. D) a aliança política com o reino da Espanha. E) as reformas pombalinas. 7. (Espcex-11) Um conjunto de forças e motivos econômicos, políticos e culturais impulsionou a expansão comercial e marítima europeia a partir do século XV, o que resultou, entre outras coisas, no domínio da África, da Ásia e da América. (Extraído SILVA, 1996) O fato que marcou o início da expansão marítima portuguesa foi o (a) a) contorno do Cabo da Boa Esperança em 1488. b) conquista de Ceuta em 1415. c) chegada em Calicute, Índia, em 1498. d) ascensão ao trono português de uma nova dinastia, a de Avis, em 1385. e) descobrimento do Brasil em 1500. 8. (Unesp) A propósito da expansão marítimo-comercial europeia dos séculos XV e XVI pode-se afirmar que a) a igreja católica foi contrária à expansão e não participou da colonização das novas terras. b) os altos custos das navegações empobreceram a burguesia mercantil dos países ibéricos. c) a centralização política fortaleceu-se com o descobrimento das novas terras. d) os europeus pretendiam absorver os princípios religiosos dos povos americanos. e) os descobrimentos intensificaram o comércio de especiarias no mar Mediterrâneo. 9. (ESSA 2017) No século XV, Portugal inicia um processo de expansão ultramarina, em que uma das finalidades era de caráter mercantil. Esta situação criou, imediatamente, uma ameaça aos interesses comerciais dos: a) Alemães b) Espanhóis. c) Holandeses. d) Franceses. e) venezianos 10. (RS-17) Uma destas datas está errada: a) 1212 – Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança. b) 1492 – Colombo chegou ao continente americano. c) 1494 – Assinatura do Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha d) 1513 – Balboa descobriu o Oceano Pacífico. e) 1498 – Vasco da Gama chegou as Índias. O MERCANTILISMO............................. Foi o conjunto de medidas econômicas, estabelecido no período de transição do feudalismo para o capitalismo na Europa, dos séculos XV à XVIII, caracterizado pela intervenção do estado na economia. Outras características: o Balança comercial favorável – essa idéia, teve como resultado duas práticas conhecidas na França e Inglaterra, onde o objetivo era promover o superávit de balança comercial, ou seja, exportar mais que importar. Isto permitia o ingresso de riquezas, expresso em entradas de moeda metálica, nos Estados Nacionais. o Metalismo (supervalorização dos metais preciosos.). o Protecionismo alfandegário (cobrança de impostos alfandegários, protegendo a produção interna.). o Incentivo a exportação, à manufatura e a indústria naval. Formas: Metalismo: Os metalistas ou bulionistas preconizavam que a riqueza estava relacionada com a capacidade de se conseguir acumular o máximo de ouro e prata. Essa prática adotada especialmente pelos espanhóis entre o século XVI e XVII graças à descoberta de metais preciosos em suas colônias na América, contou com as seguintes regras: evitar ao máximo as importações, a fim de impedir a saída de metais preciosos do país, “balança de contratos”, termo que designava a imposição de restrições ou protecionismo em contratos comerciais assinalados entre nações. Estima-se que 18 mil toneladas de prata e ouro foram levadas da América para Espanha entre os séculos XVI e XVII, alemda extração de metais preciosos da América, outras atividades se constituíram em valiosas fontes de riquezas para Espanha e Portugal, como a produção de açúcar, rum e melaço, o comércio de escravos. Mas os reis dissiparam parte desses recursos, utilizando para pagar empréstimos estrangeiros, financiar guerras ou para comprar produtos manufaturados de mercadores estrangeiros. Cobertismo ou Industrialismo: Tendo o primeiro nome devido seu impulsor, Colbert, ministro de Luís XIV, na França do século XVII foi incentivada a indústria manufatureira, que tinha uma produção mais regulável e previsível do que outros setores da economia, como a agricultura, por exemplo, e gerava bens exportáveis de maior valor especifico, tecido de luxo, malharia, tapeçaria, porcelana, objetos de vidro, armas e ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS papeis passaram a fazer parte da pauta de exportações dos franceses. Tal política refletiu o pensamento dos mercantilistas franceses, que recomendaram o estimulo ao comercio nacional para impedir que os mercadores franceses retirassem ouro e prata do reino. Além disso, preconizavam a conquista colonial, fonte inesgotável de riquezas. Comercialismo: Inglaterra, que estimulou a produção manufatureira, especialmente a têxtil. Também foram incentivados o desenvolvimento da marinha mercante e as atividades dos piratas, que pilhavam os galeões espanhóis carregados de metais preciosos. Essa política coincidiu com a expansão marítima e colonial, a companhia das Índias orientais, organizada em 1600. O resultado dessa política expansionista se fez sentir no desenvolvimento do comércio exterior e na marinha mercante inglesa. Dois atos de navegação tiveram enorme importância para o desenvolvimento da marinha mercante britânica no período mercantilista. O primeiro promulgado em 1651, por Cromwell, estabelecia que as mercadorias européias só pudessem ser transportadas em navios ingleses ou em navios de seu país de origem. O segundo ato, promulgado em 1660, especificava que o capitão e pelo menos três quarto da tripulação dos navios deveriam ser ingleses. Tais medidas mostraram-se cruciais para o enriquecimento do estado inglês, a expansão colonial do país e a vitória britânica sobre seus mais fortes concorrentes, como a Espanha a Holanda e posteriormente a França. Holanda Na Holanda, uma ativa burguesia mercantil e bancaria desenvolveu uma política mercantilista apoiada em três pilares: a companhia das Índias orientais, encarregada de dirigir o comércio holandês no oriente; o banco de Amsterdã, responsável pelo fornecimento de créditos e de moedas de todos os países aos mercadores, para que pudesse comprar mercadorias de qualquer origem; uma frota mercante capaz de transportar cargas pesadas e volumosas ao longo das rotas marítimas. Os holandeses desenvolviam ainda várias atividades de transformação, tais como a indústria de refinação de açúcar e tecidos; tingimento e tecelagem da seda, fabricação de microscópios e instrumentos de navegação. A política colonialista teve como preocupação à incorporação de extensas regiões da África, do Ocidente e da América a economia européia. Baseou-se no chamado pacto colonial. Pelo pacto ou exclusivismo colonial, a colônia existiria em função da metrópole, e apenas ela. Isso significa que a produção colonial deveria possibilitar lucros elevados ao comércio metropolitano, que monopolizavam as importações e exportações. A atividade econômica das colônias deveria apenas completar as respectivas metrópoles, sem jamais concorrer com elas. Essa política restritiva foi adotada por Portugal e outros Estados europeus detentores de “impérios” coloniais. PAU-BRASIL e EXPEDIÇÕES,, No final de 1501, uma expedição exploradora, durante seis meses, percorreu do litoral de Pernambuco até o extremo sul do continente. Retornou a Portugal com duas informações: a primeira foi que, pelo seu enorme tamanho, a terra descoberta não era uma ilha; a segunda, que, além do pau-brasil, não havia outro produto de grande valor. Em 1502 O rei dom Manuel concede a um grupo de comerciantes lideradospor Fernão de Noronha o direito de exploração do pau-brasil na terra então chamada de Santa Cruz, em agosto do mesmo ano uma expedição sai de Lisboa em direção da nova terra. No ano seguinte é feita a segunda viagem para a extração da madeira e, essa viagem está sob comando de Américo Vespúcio. Os resultados são tão bons que levam à concessão de uma ilha a Fernão de Noronha em 1504, no arquipélago que ele descobriu e que hoje tem seu nome. É a primeira capitania hereditária brasileira. Em 1503, chega uma nova expedição para explorar o nosso litoral. A importância dessa expedição está no fato de ela ter construído a primeira feitoria portuguesa no novo continente. Em Cabo Frio, atual estado do Rio de Janeiro, ficaram 24 homens. Os moradores dessas feitorias deveriam fazer contatos com os nativos, a fim de conseguir pau-brasil. Os portugueses começaram a se instalar. A riqueza do pau-brasil, embora não atraia o mesmo interesse que o comércio com a Índia foi explorado pelos portugueses com grande lucro e transforma-se na primeira atividade econômica importante da nova terra. As árvores são cortadas por índios em troca de objetos de metal, como facas, machados e anzóis, ou de tecidos, enfeites e espelhos. À medida que a madeira vai escasseando no litoral, torna-se ainda maior a participação indígena na localização e na derrubada do pau-brasil no interior. Há também muito contrabando de toras, feito principalmente por franceses, que não reconhecem os tratados de partilha dos novos territórios. Desde 1504, os navios franceses já vinham ao litoral brasileiro, eles também faziam escambo com os índios. Ao contrário dos espanhóis, que vinham apenas pegar a madeira, os franceses sempre alimentaram o desejo de apossar da colônia, como veremos a seguir. Inicialmente Portugal se utilizou da diplomacia para resolver essa problemática, isto é, mandou um embaixador ao rei da França, para lhe lembrar o Tratado de Tordesilhas, não resolvendo a questão. Por isso, D. João II, rei de Portugal, decidiu mandar expedições bem armadas para proteger o litoral das investidas francesas e também espanholas. Cristóvão Jaques (1516-19) foi o comandante dessas expedições guarda costas. Tinha autorização de capturar e afundar os navios estrangeiros. No entanto sua ação não consegue inibir totalmente os franceses. A coragem de Cristóvão Jaques só se igualava à sua crueldade. Perseguia tenazmente todas as naus estrangeiras que aparecessem no nosso litoral. Dava-lhe combate e massacrava os seus ocupantes. Retorna ao Brasil por volta de 1527, conta-se, depois de derrotar três navios franceses, entregou os prisioneiros aos índios antropófagos. Sua frota de seis navios patrulhava o país até Cabo Frio. Em 1530 Martim Afonso de Souza comanda a primeira expedição de colonização das terras brasileiras. Ele chegou ao Brasil com apenas 400 pessoas e cinco embarcações, trazia soldados, trabalhadores e padres. Além de conceder terras para a exploração, ele patrulha a costa para impedir o contrabando de pau- brasil por franceses. Para estimular a coragem de Martim Afonso, o rei D. João III deu muitos títulos e poderes nas terras do Brasil. Foi nomeado capitão das terras brasileiras. Ele instala um engenho de açúcar, e funda São Vicente em 1532, a primeira vila da colônia, no atual estado de São Paulo. Uma vila representava muito mais do que uma feitoria. Essa tinha poucas pessoas, um armazém, um ancoradouro um pequeno forte, geralmente de madeira. Atendia as necessidades de armazenamento de produtos que iam para Portugal, proteção e reabastecimento de navios ao longo das rotas de comércio. A vila era um núcleo permanente de população. Tinha que ter uma igreja, uma praça central, uma cadeia, um pelourinho e uma sede administrativa. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Martin Afonso distribuiu terras e escolheu os administradores da vila. Organizou também duas expedições para procurar metais preciosos no interior. A primeira delas voltou sem nada, e a segunda desapareceu provavelmente massacrada pelos índios. ____________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 02__________ 1. (SD_PM-PA-12) A política mercantilista do Império Português caracterizou-se como: a) o estabelecimento de um monopólio de exploração de recursos naturais e de trocas comerciais exclusivamente entre metrópole e colônia. b) a alta taxação de determinados produtos agrícolas, o que favorecia sobremaneira a metrópole portuguesa frente aos seus concorrentes europeus. c) uma reação à atividade de piratas britânicos no Atlântico, que costumavam usurpar os navios de bandeira portuguesa e espanhola. d) justificativa legal para o monopólio português no tráfico de escravos africanos direcionados para as colônias americanas. e) a busca pelo maior acúmulo de metais preciosos, adquiridos a partir do comércio de especiarias orientais. 2. (EsSa) Pode ser apontado (a) como característica do período Pré- colonial (1500-1530) no Brasil: a) a utilização da mão-de-obra escrava africana no corte e no transporte do pau-brasil. b) a divisão do Brasil em dois governos sediados no Rio de Janeiro e em Salvador. c) o envio de expedições guarda-costas e exploradoras e a eventual fundação de feitorias. d) a fundação das cidades de Salvador e São Paulo. e) as invasões holandesas, com objetivos de dominar o comércio açucareiro. 3. (Essa-07) Após o descobrimento, a primeira expedição colonizadora do Brasil foi a de: a) Cristóvão Jaques. b) Martin Afonso de Souza. c) Gaspar de Lemos. d) Pedro Álvares Cabral. e) Tomé de Souza. 4. (Essa-12) As expedições portuguesas ao Brasil nas duas primeiras décadas do século XVI objetivaram A) iniciar o cultivo da cana-de-açúcar e o imediato povoamento. B) travar contato com os nossos índios e iniciar atividades comerciais com os mesmos C) transferir para o Brasil os acusados de heresias protestantes na corte portuguesa. D) reconhecer a terra descoberta e salvaguardar a sua posse. E) estimular a catequese dos índios a pedido da Companhia de Jesus. 5. (ESSA-13/14) A respeito das expedições marítimas portuguesas enviadas ao Brasil no período pré-colonizador, foram chamadas de “expedições guarda-costas”, empreendidas entre os anos 1516 a 1520, as missões comandadas por A) Gaspar de Lemos. B) Martin Afonso de Souza. C) Cristóvão Jacques. D) Gonçalo Coelho. E) Tomé de Souza. 6. (ESSA-13/14) No tocante as primeiras atividades econômicas desenvolvidas pelos portugueses na colônia do Brasil, entre os anos 1501 a 1530, é correto afirmar que se destacaram como atividade (s) principal (is) A) a exploração de ouro e pedras preciosas. B) a escravização do indígena. C) a extração das chamadas drogas do sertão e criação de gado. D) a extração e comercialização do pau-brasil. E) o cultivo de fumo e do café. 7. (RS-17) O periodo pré-colonial (1500-1530) foi muito difícil para o Estado português, isso é comprovado pela formação da primeira feitoria do Brasil que foi: a) São Tomé. b) Fernão de Noronha. c) Cabo Frio. d) São Vicente. e) Salvador 8. (RS-17) O projeto de colonização no Brasil só foi iniciado na terceira década do século XVI, sob as ordens de: a) D. João III. b) D. João VI. c) Marques de Pombal. d) Duarte da Costa. e) Padre Antônio Feijó. 9. "... Da primeira vez que viestes aqui, vós o fizestes somente para traficar. (...) Não recusáveis tomar nossas filhas e nós nos julgávamos felizes quando elas tinham filhos. Nessa época, não faláveis em aqui vos fixar. Apenas vos contentáveis com visitar-nos uma vez por ano, permanecendo, entre nós, somente durante quatro ou cinco luas [meses]. Regressáveis então ao vosso país, levando os nossos gêneros para trocá-los com aquiloque carecíamos." (MAESTRI, Mário. "Terra do Brasil: a conquista lusitana e o genocídio tupinambá". São Paulo: Moderna, 1993, p.86) O texto anterior faz alusão ao comércio que marcou o período pré-colonial brasileiro conhecido por a) mita. b) escambo. c) encomienda. d) mercantilismo. e) superavit. 10. O historiador francês Fernand Braudel, referindo-se ao Mercantilismo, afirma que este "reagrupa comodamente uma série de atos de atitudes, de projetos, de idéias, de experiências que marcam, entre o século XV e o século XVIII, a primeira afirmação do Estado Moderno em relação aos problemas concretos que ele tinha que enfrentar." Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE uma característica do Mercantilismo. a) Pacto colonial, permitindo o pleno desenvolvimento interno e a liberdade político-administrativa da Colônia. b) Não-intervencionismo estatal. c) Incentivo à manutenção de uma balança comercial favorável, importando mais que exportando. d) Intervenção do Estado, que se efetivou sob forma de protecionismo e de regulamentação da atividade econômica. e) Monopólio concedido pelo Estado, que permitia a qualquer companhia de comércio, sem autorização da metrópole, vender seus produtos na Colônia. ESTRUTURA POLÍTICO-ADMINISTRATIVA.... a) Capitanias Hereditárias ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Pouco disposto a investir muitos recursos econômicos na colonização do Brasil, o governo português decidiu, de início, transferir essa tarefa para a iniciativa particular. Assim, em 1534, o rei D. João III ordenou a divisão do território brasileiro em grandes porções de terra (15 capitanias ou donatarias) e as entregou a pessoas que se habilitaram ao empreendimento: os capitães ou donatários. Nomeado pelo rei, o donatário era a autoridade máxima dentro da capitania e, com sua morte, a administração passava para seus descendentes. Por esse motivo, as terras eram chamadas de capitanias hereditárias. O vinculo jurídico entre o rei de Portugal e os donatários era estabelecido em dois documentos básicos: • carta de doação - conferia ao donatário a posse hereditária da capitania. Os donatários não eram proprietários das capitanias, mas apenas de uma parcela das terras. Tinham, entretanto, o direito de administrar toda a capitania e explora-Ia economicamente; • carta foral - estabelecia os direitos e deveres dos donatários, relativos aexploração da terra. Entre os principais direitos dos donatários, podemos destacar os seguintes: • criar vilas e distribuir terras (sesmarias) a quem desejasse e pudesse cultiva-Ias: • Exercer plena autoridade judicial e administrativa; • por meio da chamada guerra justa, escravizar os indígenas considerados inimigos, obrigando-os a trabalhar na lavoura; • enviar ate 30 índios escravizados por ano a Portugal; • receber a vigésima parte (5%) dos lucros sobre o comércio do pau- brasil. Em contrapartida, o donatário estava obrigado a assegurar ao rei de Portugal: • 10% dos lucros sobre todos os produtos da terra; • um quinto dos lucros sobre os metais e pedras preciosas que fossem encontrados; • o monopólio da exploração do pau-brasil. Nessa divisão de direitos e deveres, percebe- se que o rei de Portugal reservava para si os melhores benefícios que a terra poderia oferecer. Já as despesas necessárias aobra colonizadora ficavam por conta dos donatários. Os problemas Se analisarmos as capitanias sob o ponto de vista econômico, veremos que poucas progrediram e obtiveram lucros, como Pernambuco e São Vicente, sobretudo com a produção de açúcar. As demais capitanias não prosperaram em decorrência de vários fatores. As terras eram muito extensas, e os donatários geralmente não tinham dinheiro suficiente para explora-Ias. Muitos perderam o interesse pelas capitanias, acreditando que o retorno financeiro não compensaria o trabalho empenhado e o capital investido na produção. Alguns nem chegaram a tomar posse de suas capitanias. Os colonos também tinham de enfrentar a hostilidade dos grupos indígenas que resistiam a dominação portuguesa. Para muitos índios do litoral, a luta era a única forma de se defender da invasão de suas terras e da escravidão que o conquistador lhes que ria impor. Havia também problemas de comunicação: separadas por grandes distâncias e com as precárias condições dos meios de transporte da época, as capitanias viviam isoladas entre si e em relação a Portugal. Uma viagem de navio da Bahia a Lisboa levava em media dois meses. Além disso, nem todas as capitanias tinham solo propício ao cultivo de cana-de-açúcar, produção que mais interessava aos objetivos da Coroa e dos comerciantes envolvidos no comércio colonial. Restava aos donatários de exploração do pau-brasil. Nessa atividade porém, a participação dos donatários nos lucros era muito reduzida, o que contribuiu para diminuir o interesse pelas capitanias. Apesar dessas dificuldades, o sistema de capitanias lançou as bases da colonização estimulando a formação dos primeiros núcleos de povoamento, como São Vicente (1532), Porto Seguro (1535), Ilhéus (1536), Olinda (1537) e Santos (1545). Contribuiu, também para preservar a posse das terras e revelar as possibilidades de exploração econômica da colônia. b) Governo Geral Devido ao fracasso do sistema de capitanias, Portugal criou o sistema de Governo-Geral, que durou até a chagada da família real portuguesa (1808). Mas não pretendiam abolir as concessões aos donatários, a maioria das capitanias continuou no século seguinte e umas até o século XVIII. O governo-geral foi criado para centralizar o poder político na colônia. Com esse sistema, os donatários perderiam parte de seus poderes, os quais ficariam centralizados nas mãos do governador- geral. “Depois que a iniciativa privada preparava o terreno, a burocracia real intervinha para apropria-se de uma empresa em funcionamento”. A coroa queria aumentar sua fazenda. O governo-geral passa a ser a autoridade máxima no Brasil, a quem todos deviam obedecer. Entretanto essa autoridade nem sempre foi obedecida pelos grandes proprietários de terras. Tomé de Souza (1549-1553): Foi primeiro governador-geral, que chegou ao Brasil em 1549, trazendo com ele centenas de colonos e alguns padres chefiados por Manuel da Nóbrega (jesuíta). No ano anterior à sua chegada, ele recebeu do governo Português um conjunto de leis para o Brasil, conhecido como Regimento de 1548. Esse conjunto de leis estabelecia as principais funções dos governadores-gerais: procurar ouro na colônia, combater as tribos que não aceitassem a dominação portuguesa, ajudar as capitanias mais fracas, estimular a catequese, determinar as obrigações de cada colono para a defesa da terra. Juntamente com o governador-geral existiam outros cargos, auxiliares, como provedor-mor, responsáveis pela administração do dinheiro público (tesoureiro), fiscalizar a coleta das rendas reais; ouvidor-mor, responsável pela justiça (Juiz) e o capitão-mor, militar responsável pela defesa da terra. O primeiro governador-geral iniciou sua administração na capitania da Bahia de Todo os Santos, que se transformou em sede do governo-geral. A Bahia foi escolhida como sede do governo por ser um local central com uma região interiorana potencialmente rica e por ter sido uma das que não tiveram sucesso. Na Bahia Tomé de Souza fundou Salvador (primeira cidade do Brasil), fundo um grande forte, armou os engenhos de açúcar e centros satélites, criou o primeiro colégio e o primeiro Bispado, promoveu o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, organização de expedições para o sertão e mandou vir de Portugal algumas moças órfãs para casar e constituir famílias católicasno Brasil. Um importante ponto que ocorre durante esse momento foi a chegada de jesuítas que vinham colaborar com o projeto de colonização. Em 1551 é criada uma diocese para o Brasil, na Bahia, tendo como primeiro Bispo do Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha. Que em alguns momentos não compartilhava a idéia da catequese sobre os nativos. Fazendo com que os jesuítas deslocassem suas atividades para a capitania de São Vicente. Duarte da Costa (1553-1557): Segundo governador-geral, trouxe mais colonos e jesuítas para o Brasil, dentre esses se destacou o padre José de Anchieta. Em janeiro de 1554, os padres Manuel da Nóbrega e José de ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Anchieta fundaram o colégio de São Paulo. Junto a esse colégio nasceu a vila que deu origem a atual cidade de São Paulo. Duarte da Costa foi um administrado considerado incapaz por seus contemporâneos, sua administração foi marcada pela briga com o Bispo Sardinha (que acabou sendo morto pelos índios caetés, numa viagem de retorno a Lisboa em 1556), pelas guerras contra os índios para lhes roubar mais terras e doá-las aos colonos e, principalmente, pela invasão do Rio de janeiro, em 1555, onde os franceses fundaram uma colônia chamada França Antártica. Outra causa importante da invasão francesa foi o fato de os invasores serem, na maioria protestantes que buscavam refugio para se livrar das perseguições da igreja católica e de católicos fanáticos. Duarte da Costa não conseguiu derrotar os franceses, pois tinha poucos recursos e soldados, e ainda mais, os franceses eram ajudados pelos índios Tamoios. Mem de Sá (1557-1572): Com a chegada do novo governador e novo bispo, Dom Pero Leitão, a consolidação real do Brasil português entrou em nova fase. Seu governo foi marcado com conquistas significativas, como a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro, em 1567. Nessa luta militar, Mem de Sá contou com a ajuda de seu sobrinho, Estácio de Sá. Além de chefe militar Estácio de Sá é lembrado como fundador da cidade do Rio de Janeiro (a cidade nasceu de um pequeno povoado militar organizado para a luta contra os franceses). Mem de Sá também combateu e matou inúmeras tribos que lutavam contra a conquista colonial portuguesa, declarou “guerras justas” aos índios caetés, foi um grande colaborador dos jesuítas, que retornaram para a Bahia, realizou crescente incentivo à importação de escravos negros da África. Mem de Sá é considerado o consolidador do governo-geral, pois, ele eliminou a ameaça francesa, sufocou a resistência indígena, e todos os outros problemas que ameaçavam a Coroa portuguesa na colônia. c) Mudanças Administrativas (1573) Querendo melhorar o comando da colônia e aumentar os lucros com o açúcar, o rei de Portugal dividiu a administração do Brasil em dois governos: Governo do Norte: com sede na cidade de Salvador, chefiado pelo conselheiro Luís de Brito de Almeida (1573 – 1578); Governo do Sul: com sede na cidade do Rio de Janeiro, chefiado pelo desembargador Antônio Salema (1574-1578). Essa divisão em dois governos não deu os resultados esperados. Não ajudou a ocupar a região norte nem ajudou o desenvolvimento da região sul. Em 1578, o rei de Portugal decidiu voltara atrás e estabeleceu, novamente, um único governo-geral para o Brasil, com sede em Salvador. Lourenço da Veiga foi enviado ao Brasil e exerceu o cargo de governador-geral até 1581, ano de sua morte. d) Câmaras Municipais (Senados da Câmara) A administração das vilas e municípios cabia às Câmaras Municipais, compostas normalmente por 3 ou 4 vereadores, escolhidos pelos "homens bons" do lugar (elite proprietária de terras e escravos). As Câmaras Municipais eram presididas por um juiz ordinário, também escolhido pelos "homens bons", e acumulavam vários poderes: abastecimento de mão-de-obra escrava de acordo com as necessidades da região, cobrança de impostos, catequese, guerras contra os índios, etc. As autoridades municipais não se submetiam facilmente ao governador-geral, demonstrando forte tendência autonomista; mas, a partir da Restauração Portuguesa (1640), foram perdendo parte de suas atribuições e autonomia. Já no século XVIII seu papel era quase simbólico. Embora o sistema de Governo Geral tenha sido criado para centralizar o poder político, dando aos governadores gerais amplos poderes, eles não conseguiam, porém, impor totalmente sua autoridade aos senhores de engenho. Os senhores de engenho possuíam escravos e terras, concedidas pelo governo português. Adquiriram poder em suas fazendas e não aceitavam a autoridade do governador geral. e) “União Ibérica” o domínio espanhol (1580-1640) Em 1578, na batalha de Alcácer-Quibir, no atual Marrocos, morreu o jovem rei português dom Sebastião I, em luta contra os mouros, como não havia herdeiros diretos, o trono português foi ocupado por um tio-avô do rei, o velho dom Henrique, que faleceu dois anos depois, com o trono novamente vago, vários possíveis herdeiros alvejavam o trono. O mais forte para o trono era o rei Felipe II da Espanha, sobrinho-neto do rei Manuel, o Venturoso. A Espanha era o maior império da época e a maior força militar e naval da Europa. O sonho espanhol de anexar Portugal era antigo, e Felipe II não iria deixar de realizá-lo, para isso utilizou-se da corrupção, intrigas e até a força de suas tropas. A nobreza portuguesa mantinha estreitas ligações, inclusive familiares, com a nobreza espanhola, e estava propensa a aceitar Felipe II de bom grado. Isso porque estava interessada em penetrar no vasto império colonial produtor de metais preciosos no México e no Peru, trocando escravos e alimentos por prata. A resistência aos propósitos de Felipe II provinha da pequena burguesia e dos cristãos novos de Lisboa. Esses grupos odiavam o fanatismo religioso do monarca espanhol e as matanças realizadas pela inquisição espanhola. Portanto, interessava-lhes impor como rei de Portugal Dom Antonio, que tinha o apoio da Inglaterra. Mas as forças espanholas falaram mais alto, e Felipe II tornou-se rei de Portugal. Através do juramento feito perante as cortes portuguesas reunidas na cidade de Tomar, em 1581, o novo monarca comprometeu-se a respeitar a independência portuguesa. Portugal e Espanha seriam nações distintas, que teriam apenas o mesmo rei. Portugal manteria suas instituições políticas e comerciais e os ministros e funcionários graduados da metrópole e das colônias portuguesas seriam portugueses natos. Os funcionários espanhóis não teriam qualquer autoridade sobre Portugal e suas colônias. Uma mesma coroa, mais dois países distintos. O domínio espanhol sobre Portugal teve várias conseqüências para metrópole e para o Brasil. Em Portugal, o domínio espanhol foi desastroso, obrigado a participar de várias guerras européias, ao lado da Espanha. O país perdeu muitas possessões asiáticas e africanas, entrando em grave crise econômica: ficou sem controle do comércio de especiarias do Oriente e sem o comércio de escravos negros africanos. O domínio espanhol sobre Portugal anulou praticamente o Tratado de Tordesilhas, já que as terras lusas e espanholas pertenciam ao mesmo monarca. Colonos portugueses puderam estabelecer-se em territórios originalmente espanhóis na Amazônia e no centro-oeste brasileiro, transferindo para Portugal a soberania sobre estas áreas. No plano jurídico, Felipe II mandou sistematizar toda a legislação portuguesa, que muitas das vezes era contraditória. As Ordenações Filipinas foram utilizadas como legislação brasileira por mais de trezentos anos, só sendo sucumbida na República. Em 1640, Portugal conseguiu, através de um golpe de estado, colocar no poder um rei português, D. João. A chamadarestauração, retornos das monarquias portuguesas, só reconhecida pela Espanha, em 1668, após uma longa guerra entre os dois países. ______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 03_________ ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 1.(EsSa-04) Observando-se o sistema do governo vigente durante o Brasil Colonial, é correto afirmar que: a) O sistema de capitanias hereditárias foi um empreendimento que, dirigido pela Coroa, estava a cargo de particulares. b) O sistema de capitanias hereditárias já havia sido empregado por Portugal na administração das ilhas Canárias. c) O sistema de câmaras municipais instituiu duas novas políticas administrativas: as sesmarias e o serviço militar compulsório. d) A criação do Governo Geral, centralizando a administração, provocou a extinção imediata das capitanias hereditárias. e) O fracasso das capitanias hereditárias implicou o desuso das Castas de Doação e das obrigações do Documento Foral. 2. (EsSa) A capitania que mais prosperou devido à aplicação de recursos holandeses na produção açucareira foi a de: a) São Vicente. b) Ilhéus. c) Itamaracá. d) Pernambuco. e) Porto Seguro. 3. (EsSa) A instalação do Governo-Geral no Brasil tinha por objetivo: a) Acabar com as capitanias hereditárias. b) apenas desenvolver a economia açucareira. c) escravizar os índios. d) Cuidar das finanças dos Donatários. e) Centralizar a administração, amparar os donatários e intensificar o povoamento. 4. (EsSa) No sistema de governo geral no Brasil, cabia ao ouvidor- mor: a) Promover o saneamento financeiro. b) Estabelecer medidas defensivas no litoral. c) Aculturar os indígenas, reunindo-os em missões. d) Estimular a descoberta de minas. e) Solucionar os problemas relativos à justiça. 5. (Essa) No sistema de governo-geral, implantado no Brasil em meados do século XVI, era responsável pela aplicação da justiça na colônia: a) O alcaide-mor. b) O provedor-mor. c) O vereador. d) O Capitão-mor e) O ouvidor-mor. 6. (ESSA 2017) Sobre a chamada União Ibérica, podemos afirmar que: a) Como conseqüência desde periodo, a Espanha passou a ser um adversário econômico de Portugal. b) Como conseqüência desde periodo, os territórios antes dominados por Portugal passaram a ter como língua oficial o espanhol. c) Período entre 1580 e 1640 em que o Rei de Portugal, Filipe II, passou também a ser o Rei da Espanha. d) Como conseqüência deste periodo, a França invade o território brasileiro em sua porção Nordeste, a partir de 1624. e) Período entre 1580 e 1640 em que o Rei de Espanha, Filipe II, passou também a ser o Rei de Portugal. 7. Os primeiros jesuítas chegaram à Bahia com o governador-geral Tomé de Sousa, em 1549, e em pouco tempo se espalharam por outras regiões da colônia, permanecendo até sua expulsão, pelo governo de Portugal, em 1759. Sobre as ações dos jesuítas nesse período, é correto afirmar que a) criaram escolas de arte que foram responsáveis pelo desenvolvimento do barroco mineiro. b) defenderam os princípios humanistas e lutaram pelo reconhecimento dos direitos civis dos nativos. c) foram responsáveis pela educação dos filhos dos colonos, por meio da criação de colégios secundários e escolas de “ler e escrever”. d) causaram constantes atritos com os colonos por defenderem, esses religiosos, a preservação das culturas indígenas. 8. (Essa-16) O Primeiro Governo Geral do Brasil foi instalado em: A) São Luís. B) Fortaleza. C) Olinda. D) Salvador. E) Rio de Janeiro. 9. Entre os direitos e deveres dos donatários, podemos destacar as sesmarias, ou seja: a) criar vilas e distribuir terras a quem desejasse e pudesse cultivá- las. b) exercer plena autoridade judicial e administrativa. c) enviar até 30 índios escravizados por ano a Portugal. d) receber 5% dos lucros sobre o comércio do pau-brasil. e) escravizar os indígenas considerados inimigos, obrigando a trabalhar nas lavouras. 10. “A sesmaria foi o atrativo utilizado pela Coroa Portuguesa para dispor de recursos humanos e financeiros no processo colonizador.” Sobre o sistema de sesmarias, marque a alternativa correta: a) o sesmeiro não detinha a posse útil da terra, mas apenas o dever de administrá-la. b) a doação de sesmarias definiu a colonização nos moldes da pequena propriedade agrícola. c) a coroa portuguesa financiou a vinda e instalação dos pequenos proprietários. d) a doação de sesmarias substituiu as fracassadas capitanias hereditárias. e) o sesmeiro tinha posse da terra e o dever de torná-la produtiva. ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA....... AÇÚCAR - O Engenho O engenho era o centro da vida econômico-social do Nordeste açucareiro, a mais importante região econômica durante a maior parte do período colonial. O engenho era uma autarquia com economia autônoma, constituindo um organismo completo, que na maioria das vezes bastava a si próprio. Nas terras menos férteis era praticada uma agricultura de subsistência para suprimento das necessidades alimentares do engenho. As vestimentas grosseiras dos escravos e a maior parte das vestimentas da família do senhor também eram tecidas ali. Nos engenhos havia uma capela, onde um padre pago pelo senhor de engenho oficiava missas e sacramentos e ensinava noções de escrita aos meninos da família senhorial. Havia engenhos menores, movidos pela força animal, denominados trapiches, e engenhos maiores, movimentados pela força da água, chamados engenhos reais. Um engenho regular exigia grande capital, porque deveria possuir numerosa escravaria (cerca de cinqüenta negros), vinte juntas de bois, carros de bois, barcos e a fábrica propriamente dita. Além do mais, era necessário preparar a terra, pagar salários aos ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS trabalhadores especializados e alimentar os escravos, despendendo capital antes mesmo que a produção fosse vendida. Os senhores de engenho que não possuíam capital mas se aventuraram na produção açucareira tinham um caminho certo: a ruína. De modo geral, a rentabilidade do engenho era muito baixa, não mais que 5% de lucro. Um ano de má colheita, queda dos preços do açúcar no mercado internacional ou mortandade de escravos tornava muito difícil a manutenção do engenho. Em geral, o senhor era vaidoso e presunçoso. Possuía terras, muitos escravos, recebia muitos visitantes, sustentava numerosa parentela e clientela, porque isso lhe dava prestígio. Mas sua alimentação não era das melhores, porque os lucros não eram tão grandes, como já dissemos, e os gastos com a família patriarcal eram imensos. Para comer carne duas vezes por semana, tinha que alimentar mal os escravos. A esposa e as filhas, embora usassem algumas roupas boas, portavam jóias falsas. Os móveis da casa- grande eram rudimentares e rústicos. Segundo relato do jesuíta Antonil, “os senhores de engenho apenas feitorizavam os escravos para os outros”. Eles controlavam os escravos, a terra e a produção, mas os maiores benefícios do engenho iam para os comerciantes portugueses e estrangeiros que viviam nas vilas e emprestravam-lhe dinheiro a juros altos. Também forneciam escravos e produtos metropolitanos em troca da hipoteca da safra. Observe que a safra, e não a propriedade, era hipotecada. A Sociedade Grosso modo, na sociedade colonial brasileira, até o século XVIII, a estratificação social era bem simples, podendo-se distinguir três grupos: os homens livres, os semilivres e os escravos. Homens livres 1-Senhor de Engenho O grupo senhorial dominava o topo da pirâmide social, acima dos outros grupos latifundiários, comerciantes e funcionários reais. Nos engenhos, a vontade muitasvezes tirânica e despótica do senhor era a lei. Ele tinha poderes quase absolutos sobre todos os que o cercavam – familiares, arrendatários, trabalhadores livres e escravos. Houve casos de senhores de engenho que mandaram matar esposas, noras e filhas por suspeita de adultério, sem que tivessem sido punidos. Controlavam milícias particulares, a justiça e os órgãos político-jurídicos locais, como, por exemplo, as Câmaras Municipais. Eram protegidos pela Coroa nas suas disputas com os funcionários reais, com arrendatários e comerciantes. Essa proteção da Coroa era movida pela necessidade que o Estado português tinha da ajuda dos senhores. Como não contava com presença militar significativa na colônia, o governo português precisava do apoio das milícias senhoriais para garantir a ordem na vasta extensão do Brasil. O senhor de engenho contraía dívidas sob hipoteca da produção. Para não faltarem matérias-primas nos engenhos, as autoridades coloniais mandavam destruir as engenhocas produtoras de aguardente dos pequenos proprietários. Aqui, o título senhor de engenho adquiria certo grau de “nobreza”. Mas, diferentemente do fidalgo europeu, que nascia nobre e jamais perdia essa condição, qualquer um que dispusesse de grandes capitais poderia tornar-se senhor de engenho. Da mesma forma poderia deixar de sê-lo, caso perdesse o engenho devido a maus negócios. Assim, o sucesso ou fracasso das atividades mercantis do senhor determinava sua condição social. Não obstante, eram senhores da riqueza, do prestígio, dos privilégios e do poder. Enfim, adquiriram o domínio sobre outros homens. Outros sujeitos compunham essa sociedade entre muitos podemos citar: Os Pequenos Proprietários Rurais, Lavrador de Partido, Comerciante, Artesãos, Brancos Pobres etc. 2 - Homens Semi-lívres 2.1 - Libertos ou Forros Alguns escravos negros ou mulatos conseguiam obter a liberdade por vários meios – desde a compra da liberdade por dinheiro até a prestação de serviços militares. Mas, embora livres, estavam sempre sujeitos a voltar a condição de escravos. Os motivos para a revogação da alforria eram os mais variados possíveis: a injúria, a falta de respeito, o fato de não cumprir promessas feitas ao ex-senhor, por exemplo. Sempre havia no ar a ameaça da volta à escravidão, o que deixava o ex-escravo maleável aos interesses dos senhores. Muitos alforriados faziam parte das tropas que atacavam os quilombos de negros foragidos em busca de escravos; tornavam-se capitães-do- mato, feitores dos engenhos. O liberto Henrique Dias, que lutou contra os holandeses, também chefiou negros no ataque ao Quilombo dos Palmares. Geralmente eram odiados pelos escravos e desprezados pelos brancos, e muitos deles chegaram a ser proprietários de vários escravos. 2.2 – Índios Colocados sob a proteção dos padres, principalmente jesuítas, os índios “domesticados”, isto é, aculturados e cristianizados eram semi-livres. Os padres controlavam sua vida religiosa e o trabalho. Sem função econômica significativa, os índios “domesticados” e os mamelucos serviam nas tropas dos capitães-do- mato e dos senhores de engenho e integravam as milícias portuguesas que perseguiam “índios bravios” e negros foragidos. Seu pagamento era quase nada: uma faca, um espelho etc. 3 -Escravos Os escravos eram a imensa massa dos trabalhadores do Nordeste açucareiro. Eram ao mesmo tempo pessoas e “coisas”, isto é, meros instrumentos de trabalho, tendo o mesmo tratamento jurídico que um boi, uma enxada ou qualquer outro instrumento de produção. Como pessoas, não podiam exercer sua vontade; estavam subordinados à vontade do senhor. Toda a sua vida cotidiana se desenrolava em função das atividades determinadas pelo senhor ou pelo feitor. No dizer de Antonil, “os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda (capital), nem ter engenho corrente”. Em outras palavras, os escravos eram os trabalhadores fundamentais nos engenhos e plantações. Antonil escrevia sobre o século XVIII; imaginemos então a importância dos escravos nos séculos XVI e XVII, quando tudo estava por fazer – derrubar a mata e montar o engenho, por exemplo. Nos engenhos e plantações, os escravos habitavam as senzalas, que consistiam num barracão feito de pau-a-pique e raramente de madeira, sem janelas ou de janelas gradeadas e coberto de sapé. Algumas eram divididas internamente, outras não. O mobiliário era muito simples: um estrado de esteiras ou rede para o escravo se deitar e um móvel rústico para ele guardar seus poucos pertences. Um cobertor e um travesseiro de palha serviam para lhe dar um pequeno conforto ao deitar. Todas as senzalas eram construídas junto à casa-grande, para que os escravos fossem bem vigiados. Afinal de contas, eles eram o maior patrimônio de um senhor de engenho. As mulheres e os homens ficavam em barracos separados. MINERAÇÃO Na segunda metade do século XVII, em razão do declínio do comércio do açúcar no mercado europeu, a Coroa portuguesa estimulou as busca de metais preciosos em terras brasileiras, através de expedições conhecidas como entradas e bandeiras. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Podemos chamar de entradas as expedições oficiais organizadas pelas autoridades, nos séculos XVI e XVII, que partiam sempre de um ponto do litoral com o objetivo de explorar o interior, apresar indígenas destinados à escravidão e procurar minas. E, de bandeiras, as expedições armadas e organizadas por particulares de São Paulo que desde o século XVI, partiam para o sertão em busca de índios para escravizar (bandeirantismo de apresamento) e de pedras e metais preciosos. Sempre que um entrada ou bandeira se internava pelo sertão, ainda que seu objetivo imediato fosse apresar índios, não deixava de se preocupar com os metais preciosos. Pelas suas andanças pelo sertão, os paulistas descobriram, por volta de 1695, metais preciosos em abundância na região do rio das Velhas, em terras dois atuais municípios mineiros de Sabará e Caeté. Em 1696, a descoberta de novas jazidas deu inicio a ocupação do Vale do Ouro Preto. Os anos seguintes viriam ser abertos caminhos auríferos em Mato Grosso e Goiás e, ao lado do ouro a descoberta de diamantes do norte de Minas Gerais, na região do Serro Frio. O ouro foi encontrado inicialmente nos leitos dos rios e riachos; ficava em depósitos chamados Faisqueiros, porque ao sol os grãos faiscavam. Era um ouro Aluvional, isto é, encontrado em depósitos de cascalhos, areia e argila que se formam junto às margens o na foz dos rios. Raramente se explorou o subsolo, com a abertura de poços no leito dos rios ou de galerias nas encostas dos morros. A notícia da descoberta trouxe para as regiões auríferas uma enorme multidão: calcula-se que tenham tenha chegado à região cerca de 30 a 50 mil aventureiros. Vinham de Portugal e de todas as partes da colônia, atraídos por metais preciosos e pela possibilidade de realizar fantásticos negócios, uma vez que os primeiros campos de garimpeiros eram improvisados e o problema da alimentação assumia graves proporções. Pouco se plantava e os gêneros de subsistência eram escassos e muito caros. Com o tempo, o cultivo da roças e a diversificação das atividades econômicas resolveram parcialmente o problema da falta de víveres. Desde a descoberta das primeiras jazidas de ouro, a metrópole tratou de controlar e regulamentar a atividade mineradora, seja na distribuição das datas ou lotes, seja no tocante à arrecadação de tributos. Em 1702, foi criado o Regimento dos Superintendentes, Guardas-Mores e Oficiais Deputados para as Minas de Ouro. Entre as suas principais disposições estava a criaçãoda Intendência das Minas, um governo especial para a zona das minas, diretamente vinculado a Lisboa. A intendência respondia pelo policiamento da área de mineração e pela cobrança de tributos, além de funcionar como tribunal de primeira e última instância. O Superintendente era sempre alguém ligado diretamente à mineração, conhecedor da legislação vigente e defensor dos interesses da Coroa. Sociedade Não foi apenas de Portugal que gente de toda condição afluiu para Minas. A partir da chegada dos paulistas acompanhados de seus escravos índios, houve migração de varias partes do Brasil. Nasceu assim uma sociedade diferenciada, constituída não só de mineradores, como negociantes, advogados, padres, fazendeiros, artesãos, burocratas, militares, etc. Muitas dessas figuras tinham seus interesses estreitamente vinculados acolônia e não por acaso ocorreu em Minas uma serie de revoltas e conspirações contra as autoridades coloniais. Embora os setores mais ricos da população fossem, as vezes, proprietários de fazendas e investissem na mineração em locais distantes, a vida social concentrou-se nas cidades, centro de residência, de negócios, de festas comemorativas. Nelas ocorreram manifestações culturais notáveis, no campo das artes, das letras e da musica. A proibição do ingresso das ordens religiosas em Minas incentivou o surgimento de associações religiosas leigas – as irmandades e Ordens Terceiras. Elas patrocinaram a construção das Igrejas barrocas mineiras, onde se destacou a figura do mulato Antonio Francisco Lisboa - Aleijadinho -, filho ilegítimo de um construtor português e de uma escrava. Na base da sociedade estavam os escravos. O trabalho mais duro era o da mineração,especialmente quando o ouro do leito dos rios escasseou e teve de ser buscado nas galerias subterrâneas. Doenças como a desinteira, a malaria, as infecções pulmonares e as mortes por acidentes foram comuns, pois os escravos eram forçados a trabalhar em buracos onde o ar era rarefeito eàs vezes, tóxicos, dentro da água ou atolados várias horas por dia na lama a que evidencia que o trabalho do negronas grandes minas 'era sensivelmente pior do que noscanaviais. Há estimativas de que a vida útil' de umescravo minerador nãopassavade sete a doze anos. Seguidas; importações atenderam as necessidades da economia mineira, inclusive no' sentido de 'substituir a mão-de-obrainutilizada. O número de cativos' exportados paraBrasil cresceu entre 1720 e 1750. Os dados da Capitania de Minas, levantado em 1776mostrama esmagadora presença de negros mulatos."Dos cerca de 320 mil habitantes, os negros representavam $52,2%; os mulatos, 25,7%; e os brancos, 22,1 %. Ao longo dos anos, houve intenção mestiçagem de raças, cresceu a proporção de mulheres, que em 1776 era de 38% do total, e ocorreu um fenômeno cuja interpretação e um ponto de controvérsia entre os historiadores: o grande número de alforrias, ou seja, de libertação de escravos. Para se teruma ideia da sua extensão enquanto nos anos 1735-1749, os libertos representavam menos de 1,4% da população de descendência africana, em torno de 1786 passaram a ser 41% dessa população e 34% do número total de habitantes da capitania A hipótese mais provávelpara explicar a magnitude dessas proporções, que superam, por exemplo, as da Bahia, e de que a progressiva decadênciada mineração tornou desnecessária ou impossível para muitos proprietáriosa posse de escravos. (texto Adaptado de Boris Fausto) AREAS DE MINERAÇÃO – SEC. XVIII Dinâmica As regiões auríferas eram propriedades do rei que podia doá-las a particulares para a exploração. Foram ocupadas por meio da distribuição de datas, porções de terras, para os mineradores que tivessem até 11 escravos, seriam concedidas 2 e ½ braças de terra (5,5m) por escravos, se o minerador fosse proprietário de 12 ou mais ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS escravos, receberia uma data de 30 braças (66m).Quando alguém descobria uma jazida, tinha o dever de notificar o governo. A jazida era dividida em lotes, sendo os dois primeiros entregues como prêmio ao descobridor: um pela descoberta e outro por sua qualidade de minerador. Seguia-se a escolha da data Real, fazenda que posteriormente era leiloada. O restante dos lotes era destruído a outros mineradores de acordo com o número de escravos que possuíam. Portanto, a extensão das datas ou lotes auríferos variou de acordo com a mão de obra disponível. A adoção de mais de uma data só ocorria após a exploração da primeira, sendo proibida a sua venda. Esse processo, entretanto, não era uniforme em toda a região das minas. Houve casos de estabelecer a propriedade de uma jazida mediante posse ou prioridade, o que beneficiou os mais favorecidos economicamente. Diamantes Dois anos depois da descoberta oficial diamantes (1729) foi demarcado o Distrito Diamantino na Comarca do Serro do Frio. Sua sede era o Arraial do Tijuco, hoje Diamantina. A administração nesta área foi muito rígida, buscando limitar o volume de diamantes. Entre 1730 e 1734, ocorreu a exploração semelhante à do ouro, datas; quinto; e escravos. Mas para manter os preços estáveis no mercado holandês, para onde eram exportados, a coroa suspendeu a mineração das gemas (pedras preciosas) entre 1734 e 1737. A partir de 1740, o antigo sistema foi substituído pelos Contratos de Monopólio, ou seja, deu-se a exclusividade de exploração, por tempo determinado, a um único contratador que deveria pagar uma taxa anual ao erário português. O contratador tinha plena autoridade sobre a região diamantífera e sua população, ficando subordinado apenas a uma Intendência. Imediatamente após a demarcação do Distrito, a Coroa proibiu a mineração de ouro na área e criou a Intendência dos Diamantes. O Distrito Diamantino passou a ser extremamente vigiado. Não era permitida a presença de estabelecimentos comerciais na demarcação, o número de escravos existentes foi rigidamente controlado, as entradas e saídas eram severamente vigiadas por soldados das tropas de dragões, uma espécie de tropa de elite do período colonial. Por tudo isso, o Distrito Diamantino foi considerado a área mais colonial da colônia. Tributos As formas de arrecadação dos tributos estabelecidas pela coroa variaram no decorrer do tempo. Uma das primeiras foi a cobrança do Quinto, em 1700, (20% sobre o total minerado de ouro, prata e diamante), esse sistema gerou muita fraude e foi substituído pela Finta (quantia anual fixa de aproximadamente 30 arrobas = 440 kg). A crescente prosperidade das minas e o extravio de ouro fizeram com que as autoridades portuguesas reformassem o sistema de tributação. Os quintos passaram a ser o sistema de capitação (ou sistema de bateia), que consistiu na cobrança de um imposto por cabeça de escravo (12 oitava de ouro), produtivo ou não, de sexo masculino ou feminino, maior de doze anos. Os mineradores sem escravos também pagavam impostos por cabeça, no caso, sobre si mesmo. Além disso, o tributo era cobrado sobre estabelecimento como oficinas, lojas, hospedarias, matadouros e outros. Certo tempo depois o governo português considerou todo esse sistema injusto em relação à Real Fazenda, propondo a elevação das cotas e a construção das Casas de Fundição (1724). Todo ouro extraído deveria ser levado para essas casas e ali ser fundido em barras depois de deduzida a quinta parte de seu valor, correspondente ao tributo. Em 1724 foi fundada a Casa da Moeda e a de Fundição em Vila Rica e, em 1734, as fundições de Sabará e São João Del Rei. Houve ainda em 1760 a derrama, através de qualquer pessoa da região das minas, fosse ou não minerador, deveria contribui para o pagamento dos impostosatrasados, sob pena de ter ser bens penhorados. Alem de todos esses impostos citados ainda existiam outros como os Dízimos Reais: correspondiam a décima parte dos produtos agrícolas, tais como a mandioca, arroz e frutas. Incluíam também a décima parte de outros “produtos da terra” como, por exemplo, a madeira. Referiam-se ainda ais direitos de passagem nos rios, aos direitos de entradas etc. Os Dízimos Mistos incidiam sobre produtos acabados como queijo, aguardente, material de construção etc. os Dízimos Pessoais, correspondiam a décima parte de qualquer oficio, comércio ou negocio, esse dizimo era pago diretamente a igreja. Estes impostos eram recolhidos pelos contratadores que pagavam uma pequena quantia pré-estabelecida pelo contrato (direito de recolher impostos), o contrato era leiloado. Os contratadores lucravam com a diferença entre a quantia paga à Coroa e a renda auferida do recolhimento dos impostos. É possível separar o período entre 1733 e 1748 como auge da produção aurífera, identificar o declínio em meados do século XVIII e a decadência a partir de 1789. O que restou da capitania foram as “gerais”, isto é, os sertões mineiros ou a região que não era especializada em mineração. Nela combinaram-se a pecuária, os engenhos de açúcar, a produção de farinha e de cereais e as manufaturas, numa relação econômica fora do sistema de plantation sem orientação para o mercado externo. ___________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 04___________ 1. (EsSa) A monocultura, o latifúndio e a escravidão marcaram o Sistema colonial português no Brasil, resultando: a) No desenvolvimento interno da colônia, beneficiada pela ausência de monopólio. b) Na formação de uma sociedade civil forte em decorrência da autonomia desfrutada. c) Em grande desigualdade social, concentração da propriedade fundiária e dependência econômica. d) Em acumulação de renda, que permitiu o desenvolvimento manufatureiro. e) no predomínio do trabalho livre, desenvolvimento tecnológico e cultural. 2. (SD_PM-PA-12) Os capitais para a instalação de engenhos de cana-de-açúcar nas capitanias de Pernambuco e da Bahia eram provenientes na maioria, no século XVI, de investidores estrangeiros, especialmente holandeses. Com o advento da União Ibérica (entre 1580 e 1640), este empreendimento resultou no (a): a) acirramento do conflito entre as potências coloniais europeias, especialmente Inglaterra e Holanda. b) guerra aberta entre Portugal e Holanda, tornados inimigos por conta da união política entre as coroas lusa e espanhola. c) invasão holandesa das regiões de produção açucareira sob domínio português, de modo a recuperar os capitais investidos antes da União Ibérica. d) decadência da produção açucareira nas capitanias de Pernambuco e da Bahia, favorecendo a expansão deste empreendimento na capitania de São Vicente. e) invasão francesa, experimentada nas colônias denominadas França Antártica e França Equinocial. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 2. (ESSA-14) Entre as consequências da atividade mineradora na colônia do Brasil, nos séculos XVII e XVIII, é incorreto afirmar que favoreceram: A) o enfraquecimento do mercado interno. B) a integração econômica da colônia. C) o povoamento da região das minas. D) a conquista do Brasil central. E) o desenvolvimento urbano. 3. Sobre a economia e a sociedade do Brasil no período colonial, é correto relacionar A) economia diversificada de subsistência, grande propriedade agrícola e mão-de-obra livre. B) produção para o mercado interno, policultura e exploração da mão-de-obra indígena no litoral. C) capitalismo industrial, exportação de matérias-primas e exploração do trabalho escravo temporário. D) produção de manufaturados, pequenas unidades agrícolas e exploração do trabalho servil. E) capitalismo comercial, latifúndio monocultor exportador e exploração da mão-de-obra escrava. 4. Comparando a produção canavieira à extração mineradora no Brasil colonial, podemos afirmar que: a) A primeira caracterizou-se pela utilização da mão-de-obra escrava, enquanto a segunda baseou-se fundamentalmente no trabalho assalariado. b) A primeira esteve voltada para o mercado interno colonial e a segunda articulou-se aos circuitos do mercado mundial. c) A primeira desenvolveu-se principalmente nas áreas do interior, enquanto a segunda estabeleceu-se principalmente nas áreas próximas ao litoral. d) A primeira esteve vinculada às estruturas do Antigo Sistema Colonial, enquanto a segunda pôde desenvolver- se independentemente do controle metropolitano. e) A primeira desenvolveu-se numa sociedade de caráter rural e a segunda promoveu o aparecimento de uma sociedade de caráter fortemente urbano. 5. O padre jesuíta Antonil, afirma os problemas colocados pelo deslocamento do eixo produtivo colonial do nordeste para o sudeste. Em sua crítica, menciona os danos causados pela descoberta do ouro nas Minas Gerais e os desdobramentos políticos desse processo. Sobre esse deslocamento da área de produção açucareira para a mineração, assinale a afirmativa CORRETA. a) A economia do açúcar, mesmo após a descoberta do ouro, continuou a ser a principal receita brasileira no final do século XVIII, já que garantia a economia exportadora. b) A mineração, pelo seu valor agregado, possibilitou o financiamento de parte da produção do açúcar nordestino, encalhado pela concorrência comercial do açúcar das Antilhas. c) Diamantes, ouro e pedras, através do sucesso da economia mineradora, se tornaram os principais produtos das exportações brasileiras durante os séculos XVII e XVIII. d) A população escrava da região das minas era procedente do estoque de escravos do nordeste, visto que a diminuição da produção açucareira elevou o preço do cativo. 6. A riqueza produzida pela mineração trouxe poucos benefícios de caráter permanente à economia luso-brasileira, porque: a) a rígida estrutura escravista da zona do ouro não permitiu alforrias e mobilidade social. b) o mercado interno não se desenvolveu mantendo-se a situação de ilhas econômicas. c) o contrabando e a voracidade do fisco português não podem ser considerados fatores que colaboraram para este resultado. d) a região não atraiu mão-de-obra da metrópole, ocorrendo um povoamento disperso e pouca vida urbana. e) a dependência econômica de Portugal, em relação à Inglaterra configurada no Tratado de Methuen, transferiu para este país grande parte do ouro explorado. 7. O desenvolvimento da economia mineradora no século XVII teve diferentes repercussões sobre a vida colonial, conforme se apresenta caracterizado numa das opções a seguir. Assinale-a. a) Incremento do comércio interno e das atividades voltadas para o abastecimento na região centro-sul. b) Movimento de interiorização conhecido como bandeirismo, responsável pelo fornecimento de mão-de-obra indígena para as minas. c) Descentralização da administração colonial para facilitar o controle da produção. d) Sufocamento dos movimentos de rebelião, graças à riqueza material gerada pelo ouro e pela prata. e) Retorno em massa, para a metrópole, dos colonos enriquecidos pela nova atividade. 8. (Puc) "Assim confabulam, os profetas, numa reunião fantástica, batida pelos ares de Minas. Onde mais poderíamos conceber reunião igual, senão em terra mineira, que é o paradoxo mesmo, tão mística que transforma em alfaias e púlpitos e genuflexórios a febre grosseira do diamante, do ouro e das pedras de cor?" (Andrade, C. Drummond de,COLÓQUIO DAS ESTÁTUAS. In: Mello, S., BARROCO MINEIRO, S. Paulo) A origem desse traço contraditório que o poeta afirma caracterizar a sociedade mineira remete a um contexto no qual houve a) a reafimação bilateraldo Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha e o crescimento da miscigenação racial no ambiente colonial. b) o relaxamento na politica de distribuição de terras na colônia e a vigência de uma concepção racionalista de planejamento das cidades. c) a diversificação das atividades produtivas na colônia e a construção de um conjunto artístico e arquitetônico que singularizou a principal região de mineração. d) o deslocamento do eixo produtivo do nordeste para as regiões centrais da colônia e o desenvolvimento de uma estética que procurava reproduzir as construções românicas européias. 9. Os senhores de engenho nem sempre administravam diretamente suas propriedades, por vezes transferindo essa tarefa: a) a um escravo de confiança b) a qualquer escravo c) a sua esposa d) a um parente próximo e) a um feitor-mor 10. Além das moradias das famílias de senhores de engenhos e de escravos, havia construções reservadas propriamente à produção citadas a seguir, exceto: a) moenda. b) fornalhas. c) casa de purgar. d) galpões. e) almoxarife OUTRAS ATIVIDADES ECONÔMICAS: ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS A economia do período colonial tinha sempre um produto que canalizava os investimentos, interesses e atividades, mas havia algumas atividades secundárias, na maioria das vezes complementares às necessidades da sociedade: Pecuária As principais atividades econômicas do Brasil colônia tinham como finalidade atender o mercado externo, europeu. Eram atividades de exportação, como é ocaso da cana-de-açúcar (o gado era usado para a alimentação e como tração, movendo máquinas do engenho e puxando carroças), do tabaco e da mineração. Ao contrário dessas atividades de exportação, a pecuária não estava plenamente enquadrada nas regras do sistema colonial mercantilistas. Era uma atividade econômica local. Representava um negócio interno da colônia. Seus lucros podiam ficar dentro do país. Por isso, a pecuária foi pouco incentivada pela metrópole. O rei de Portugal proibiu a criação de gado no litoral, inicio do século XVIII, 80Km). Ele queria que toda a área litorânea fosse ocupada com a lucrativa empresa açucareira. Assim, o gado foi empurrado oficialmente para o sertão do país. Quem quisesse criar gado só poderia fazê-lo em áreas inadequadas à agricultura exportadora. Devido às exigências do sistema colonial, a pecuária teve como papel desbravar o sertão. E acabou realizando essa tarefa, para a conquista e ocupação do território brasileiro. o A Criação de Gado no Norte A criação de gado desenvolveu-se no sertão nordestino durante o ciclo da cana-de-açúcar, pois as terras férteis do litoral eram destinadas ao plantio da cana. A região do São Francisco era a preferida pelos vaqueiros, por ser rica em água e pastos. Os criadores do sertão vendiam o gado para os senhores de engenho do litoral. Assim, a pecuária cresceu no Nordeste como uma atividade complementar da atividade açucareira. o A Criação de Gado do Sul A pecuária desenvolveu-se no sul devido às grandes pastagens, que facilitavam o crescimento dos rebanhos. Depois da destruição das missões, o gado espalhou-se pelo sul do Brasil. No fim do século XVII, paulistas e espanhóis capturaram o gado sem dono. Os paulistas fundaram Laguna e Paranaguá, os espanhóis fundaram Buenos Aires. Criavam, além de bois, burros e cavalos, que eram vendidos nas regiões das minas (Vila rica, Mariana, Sabará, antes passava por SP). Desse modo, a pecuária cresceu no sul como atividade complementar da mineração. Tabaco Erva de origem americana utilizada pelos indígenas, o tabaco começou a ser plantado comercialmente no Recôncavo Baiano já no principio do século XVII. O fumo, produzido com as folhas do tabaco, logo conquistou consumidores na Europa, apesar da proibição das autoridades políticas e eclesiásticas. Assim como a cachaça, o fumo era utilizado pelos europeus no escambo com escravos negros na África. Exportado para Portugal, toda a Europa e a África, onde era fumado, mascado ou aspirado, o fumo ocupava o segundo lugar nas exportações brasileiras de produtos agrícolas. Era produzido em grandes propriedades agrícolas trabalhadas por escravos, e a maior parte da produção era exportada. Embora fosse cultivado principalmente em grandes propriedades, o tabaco era explorado por médios e pequenos produtores. Estes últimos eram auxiliados pelos familiares e um ou outro escravo. Alem do Recôncavo Baiano, também Sergipe e Alagoas produziam fumo. Algodão O algodão já era conhecido dos indígenas, que utilizavam os fios para tecer redes de dormir e outros ornamentos. Os brancos passaram a empregá-lo a partir da primeira metade do século XVII, quando ocuparam o atual Pará e absorveram alguns costumes indígenas. Na produção de redes de dormir e roupas, que se desenvolveu principalmente nos territórios hoje denominados Pará e Maranhão, era utilizado o trabalho do escravo negro ou do caboclo. A capitania estava cheia de rocas e teares, e o descarorçador era muito comum nessa, região, sendo encontrado até nas casas mais humildes. A região do atual Ceará também produzia algodão para a tecelagem de roupas, redes e rendas que se tornaram muito famosas no Brasil colonial. No nordeste: da Paraíba até a Bahia e em São Vicente, foi muito forte essa atividade. Em Minas Gerais, a produção de tecidos de algodão só se desenvolveu a partir da segunda metade do século XVIII, quando a economia mineradora entrou em decadência e deixou a população local sem meios de ganhar a vida. A partir de então, plantações de algodão e teares manuais se espalharam por toda a capitania. A atividade se firmou e Minas Gerais passou a produzir tecidos finos que eram vendidos fora da capitania, prejudicando as exportações de tecidos da metrópole. Esse desenvolvimento preocupava as autoridades coloniais, que ficaram apreensivas com a diversidade da manufatura mineira e temiam que a capitania pudesse reivindicar independência. Em 1785, foi expedido o alvará que proibia, na colônia, manufaturas que concorressem com a produção metropolitana: As tecelagens mineiras entraram em declínio, embora muitas tivessem se mantido. -Siderurgia Do ponto de vista econômico e histórico, a exploração siderúrgica no Brasil colonial teve mais importância do que Ihe atribuem muitos historiadores.· Possivelmente, o primeiro engenho de ferro da America surgiu em fins do século XVI em Iperó, próximo de Sorocaba, no interior do atual estado de São Paulo. Os primeiros exploradores de minério de ferro no Brasil colônia foram os jesuítas, que fabricavam anzóis, facas, cunhas e 'outras ferramentas de trabalho. Esses produtos eram utilizados no Colégio de São Paulo de Piratininga e serviam para atrair indígenas para a catequese, já que os índios tinham verdadeira adoração pelos instrumentos de ferro, muito mais duráveis que os de pedra. Os jesuítas, porem, não podiam ensinar os indígenas a fundir e a trabalhar os metais: as autoridades coloniais proibiam, temendo que os indígenas fabricassem armas. A primeira notícia de descoberta de minério de ferro no Brasil partiu de Ubatá, na comarca de Santo Amaro, em 1551 Ubatá e o atual bairro do Butantã, na cidade de São Paulo. o descobridor foi Afonso Sardinha, o homem mais rico da vila de São Paulo. Na última década do século XVI Sardinha teria começado a explorar sua mina de Iperó doando-a em seguida ao rei de Portugal. Alguns fundidores portugueses, um mineiro e um engenheiro alemão ficaram incumbidos de trabalhar na mina. Os dois engenhos da capitania de São Vicente produziam ferro de má qualidade. o mais provávele sua exploração não tenha ultrapassado o final século XVIII. Drogas do Sertão: exploração de plantas medicinais que alcançavam altos preços no mercado europeu. Teve início no ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS século XVII, com a entrada das ordens religiosas na Amazônia (jesuítas e outros). A coleta era feita pelos índios das missões religiosas. Agricultura de Subsistência: cada engenho possuía uma pequena área destinada à produção de alimentos (mandioca, milho, feijão, etc.) para a alimentação dos escravos. Ostentando opulência, os senhores importavam o próprio alimento da Europa. INVASÕES ESTRANGEIRAS........ A colonização portuguesa prosperava com a cana-de-açúcar e isso fez com que aumentasse o interesse de outros países pelas terras brasileiras. Vamos ver as principais invasões estrangeiras. As Invasões Francesas A primeira grande invasão francesa, comandada por Nicolau Durand de Villegaignon, ocorreu em 1555, quando os franceses invadiram o Rio de Janeiro, fundando uma colônia chamada França Antártica. Construíram um forte e aliaram-se aos Tamoios, índios da região revoltados contra os portugueses, que estavam unidos na Confederação dos Tamoios, “Os mais antigos”. Os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta conseguiam pacificar os índios rebeldes e uniram-se contra os franceses aos índios termiminós, chefiados pelo cacique Araribóia. Em 1567, durante a administração do governador geral Mem de Sá, após doze anos de luta, os franceses foram expulsos, com a ajuda de Estácio de Sá, sobrinho do governador. No início, o projeto de fundação da França Antártica possuía o apoio do rei e de alguns comerciantes e armadores franceses. O objetivo era garantir uma parcela do mercado de especiarias monopolizado pelos portugueses, que se tornaram, com o Tratado de Tordesilhas, senhores desses mares e territórios, antes mesmo da “descoberta” do Brasil. O lugar escolhido pelos franceses para se estabelecer foi uma ilha no interior da baia, onde construíram o Forte Coligny. A preferência pelo local foi orientada pela prudência, para não se confrontarem diretamente com a população nativa e melhor se defender de um eventual ataque português. (...) em 1557, novos colonos franceses chegaram a ilha de Villegaignon. Muitos eram protestantes que fugiram da perseguição católica, ansiando por estabelecer no Novo Mundo uma comunidade onde pudessem viver em paz. (Maria Fernanda Bicalho, USP, In; História Viva novembro de 2003). Em 1612 os franceses voltaram a invadir o Brasil e fundaram, no Maranhão, uma colônia, que chamaram de França Equinocial. Os franceses permaneceram por três anos no Maranhão e fundaram a cidade de São Luís, cujo nome é uma homenagem ao rei francês Luís XIII. Em 1615 foram expulsos por Jerônimo de Albuquerque e Alexandre de Moura. Os franceses que tiveram nesse período no Brasil deixaram relatos interessantes descrevendo o modo de vida indígena, segundo o ponto de vista do europeu. As Invasões Holandesas Os holandeses tinham grande interesse na indústria açucareira do Brasil. Participavam da refinação e distribuição do açúcar na Europa. Quando Portugal e suas colônias ficaram sob o domínio espanhol, a Espanha católica estava em guerra com a Holanda protestante. Os espanhóis, então, fecharam os portos da Espanha, de Portugal e das colônias aos navios holandeses. Para defender seus interesses comerciais, os holandeses criaram, em 1602, a Companhia das Índias Orientais, para comerciar com o Oriente. Para comerciar com a África e com as Américas, criaram a Companhia das Índias Ocidentais, em 1621 Foram os capitalistas da Companhia das Índias Ocidentais que planejaram a invasão do Nordeste, uma vez que não queriam perder os grandes lucros obtidos com a empresa açucareira brasileira. A primeira invasão holandesa ocorreu na Bahia, em 1624. Uma esquadra atacou a cidade de Salvador, sede do Governo Geral e porto exportador de açúcar. Os senhores de engenho e a população refugiaram-se no interior e organizaram a resistência, sob a liderança do bispo D. Marcos Teixeira. Em 1625 chegou ao Brasil uma esquadra chamada Jornada dos Vassalos, formada por navios portugueses e espanhóis. A população, com a ajuda dessa esquadra, expulsou os invasores. A segunda invasão holandesa ocorreu em Pernambuco, em 1630, quando os holandeses atacaram Olinda que, na época, era capital de Pernambuco, a principal região produtora de açúcar no Brasil. Logo depois, conquistaram também Recife. O governador de Pernambuco, Matias de Albuquerque, foi para o interior, organizou guerrilhas e fundou o maior centro de resistência aos holandeses: o arraial do Bom Jesus. A luta prosseguiu até 1632, quando Domingos Fernandes Calabar, conhecedor da região, levou os holandeses aos centros de guerrilhas. Foram muitas, então, as vitórias holandesas, As lutas freqüentes não agradavam nem aos senhores nem aos donos da Companhia das Índias Ocidentais, pois os dois lados eram prejudicados, sofrendo prejuízos constantes. Por esse motivo foi enviado ao Brasil o conde João Maurício de Nassau, para promover a paz e governar o Nordeste brasileiro. Nassau governou o Brasil holandês a partir de 1637. Apesar de ser protestante, concedeu liberdade religiosa aos católicos e aos judeus. Realizou medidas importantes, como: 1. O aumento da produção açucareira, conseguindo empréstimos para os senhores de engenho; 2. A conquista de Sergipe; 3. A urbanização de Recife, com a construção de jardins, pontes, palácios, hospitais e o primeiro observatório astronômico do Brasil; 4. A vinda de cientistas e artistas europeus: arquitetos, botânicos, médicos, matemáticos e pintores, entre eles o pintor Frans Post, que estudou e retratou a flora e a fauna brasileira. A Holanda precisava de dinheiro, pois estava em guerra. A Companhia das Índias Ocidentais reclamava dos excessivos gastos de Nassau e começou a pressioná-lo para que cobrasse aos senhores de engenho os empréstimos atrasados, além de ter aumentado os impostos. Nassau não concordava com isso e acabou por demitir-se, voltando à Holanda em 1644. Com o aumento dos impostos, o confisco de engenhos como forma de pagamento das dívidas e a restrição à liberdade religiosa, foi reiniciada, em Pernambuco, a luta contra os holandeses, que se chamou Insurreição Pernambucana. Na liderança dessa luta estavam os brancos André Vidal de Negreiros e João Fernandes Vieira, o negro Henrique Dias e o índio Poty, mais tarde batizado com o nome de Filipe Camarão. Depois de dez anos de luta, houve a vitória na Batalha de Guararapes e a rendição dos holandeses na Campina da Taborda, em 1654. A expulsão dos holandeses desencadeou uma crise na empresa açucareira, pois os holandeses haviam levado mudas e plantado cana-de-açúcar em seus domínios nas Antilhas, começando, assim, a ter produção própria. O açúcar brasileiro não podia concorrer com aquele produzido nas Antilhas, porque os holandeses continuavam a dominar os mercados consumidores. O ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Brasil viveu, então, na metade do século XVII, sua primeira grande crise econômica. o Cidades Dominadas pelos Holandeses: 1-Fortaleza. 2-Natal. 3- Paraíba. 4- Igaraçu. 5- Olinda. 6- Recife. 7- Serinhaém. 8- Porto Calvo. 9-São Cristóvão. 10 – Salvador. o Fortes do Nordeste: - Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção; Ceará, 1649 fundado pelos holandeses; - Forte dos Reis Magos; Natal-1559, fundado pelos portugueses;1633 foi invadida pelos holandeses; - Fortede Orange; Pernambuco – Itamaracá-1631: fundado pelos holandeses; - Forte de Nazaré; Pernambuco, Cabo de Santo Agostinho: fundado pelos portugueses; tomado pelos holandeses em 1635; - Forte Mauricio de Penedo: Alagoas, fundado pelos holandeses; a partir de 1637. EXPANSÃO TERRITORIAL Até o fim do século XVI, a colonização portuguesa limitava- se a alguns pontos do litoral brasileiro. No início do século XVII, devido à suspensão da linha do Tratado de Tordesilhas, a colonização expandiu-se para o interior e para o litoral norte, através de expedições, que partiam em busca de metais preciosos. As expedições oficiais chamavam-se entradas. Eram formadas por um número pequeno de pessoas e, geralmente, não ultrapassavam o meridiano de Tordesilhas. As expedições particulares chamavam-se bandeiras. Eram formadas por colonos, saíam das vilas de São Paulo e São Vicente e não respeitavam o meridiano de Tordesilhas. A Expansão Bandeirante Houve três tipos de bandeiras: 1. Bandeiras de Caça ao Índio Surgiram durante o domínio holandês, porque os holandeses, tendo conquistado as regiões fornecedoras de escravos, na costa africana, só forneciam mão-de-obra negra às capitanias sob seu domínio. As capitanias que pertenciam aos portugueses ficaram sem escravos. Foram organizadas bandeiras cujo objetivo era aprisionar índios, que seriam vendidos como escravos. Eles eram capturados nas missões jesuíticas da região sul, pois esses já eram aculturados, haviam-se “adaptado” ao trabalho nas lavouras e não reagiam à escravidão, os bandeirantes invadiram, saqueavam e aprisionavam os índios, apesar de protestos dos padres e da resistência indígena. O padre Antonio Vieira deixou registrando em carta que data de 1653 a crueldade da bandeira de Raposos Tavares. Ao chegar numa missão, ele mandou que seus soldados entrassem na igreja na hora da missa, atirassem contra os índios e saqueassem os objetos de valor. Tanto as bandeiras como as missões promoveram a interiorização da colonização portuguesa. Entre os bandeirantes que se dedicaram à caça ao índio, os principais foram Manoel Preto e Antônio Raposo Tavares. Tendo cuidado com os escritos dos religiosos, para que não possamos ver o que eles escreveram como verdades absolutas. Pombeiros: “Indivíduos, do Brasil e da África, especializados em apresamento de aldeias e suas posterior venda”. (Madalena Marques Dias. In: História Viva, setembro de 2005). 2. Bandeiras de Contrato Eram expedições organizadas por senhores de engenho e donatários que contratavam bandeirantes para sufocar revolta de índios e de negros. O bandeirante que mais se destacou nessa atividade foi Domingos Jorge Velho responsável pela destruição do Quilombo dos Palmares, em 1694. 3.Bandeiras de Mineração Com a decadência da atividade açucareira, devido à concorrência holandesa, aumentou a preocupação de Portugal em descobrir metais preciosos no Brasil e por isso o governo português passou a estimular os bandeirantes, financiando bandeiras e oferecendo títulos de nobreza àqueles que encontrassem grandes minas. As bandeiras paulistas penetravam cada vez mais em direção ao interior, buscando metais, principalmente ouro e pedras preciosas. Os bandeirantes utilizavam grandes rios, como o Tietê, o Paraíba do Sul e o Paraná. Em 1674, Fernão Dias Paes partiu com uma grande bandeira. Penetrou na região que mais tarde se chamaria Minas Gerais com o objetivo de procurar esmeraldas, porém só encontrou turmalinas, pedras de pouco valor. Os caminhos abertos foram depois utilizados por outros bandeirantes. Em Minas Gerais foram descobertas, nessa época, grandes minas de ouro: em Cataguases por Antônio Rodrigues Arzão, em Vila Rica (atual cidade de Ouro Preto) por Antônio Dias de Oliveira e em Sabará por Borba Gato. o Principais Bandeirantes 2- Manuel Preto: juntamente com Raposo Tavares foi a Guairá. 3- Raposo Tavares; organizou uma expedição que chegou até Gurupá (PA); expedição a Tape (RS) e Itaitim (MS) 4- Fernão Dias Paes: juntamente com R. Tavares foi a Tape (RS). 5- Pascoal Moreira Leme; Atingiu a cidade de Cuiabá. 6- Bartolomeu Bueno da Silva: Realizou bandeira que atingiu Goiás. 7- Domingos B. Calheiros. 8- Belchior Dias Moreira. As Novas Fronteiras do Brasil o Tratados de Utrecht (1713 e 1715) Recebem esse nome porque foram assinados na cidade holandesa de Utrecht. Foram dois: 1713, assinados com a França, que determinou que a fronteira do Brasil com a Guiana Francesa seria o Rio Oiapoque. 1715, assinado com a Espanha, que estabeleceu que a Colônia de Sacramento (hoje próxima de Montevidéu) passaria a fazer parte do Brasil, região estratégica para o contrabando da prata trazida da Bolivia e do Peru pelo rio Paraná. A colônia, situada à margem do Rio da Prata, fora fundada pelos portugueses, mas depois tinha sido ocupada pelos espanhóis. o Tratado de Madri (1750) Foi assinado por Portugal e pela Espanha e determinava que as terras já ocupadas (desde a união ibérica) pelos portugueses ficariam pertencendo a Portugal. As fronteiras estabelecidas pelo Tratado de Madri já eram bastante parecidas com as atuais. No Sul, que era a região onde havia mais conflitos entre os países, o Tratado estabeleceu que a Colônia do Sacramento passasse a pertencer a Espanha. Em troca, Portugal receberia o território dos Sete Povos das Missões que eram aldeias formadas pelos jesuítas espanhóis à margem esquerda do Rio Uruguai. Hoje faz fronteira com o Rio Grande do Sul ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS o Tratado de Santo Ildefonso (1777) As dificuldades para cumprir o Tratado de Madri foram enormes, principalmente na região dos Sete Povos das Missões. A população dos aldeamentos, calculada em 30.000 pessoas, devia transferir-se para a margem direita do Rio Uruguai. Essa mudança, porém, significava a destruição de todo o trabalho dos índios. Por isso, os indígenas revoltaram-se, sendo apoiados por alguns jesuítas. As lutas dos índios contra as tropas portuguesas e espanholas ficaram conhecidas como Guerras Guaraníticas. Em 1777, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Santo Ildefonso: Portugal ficou coma Ilha de Santa Catarina e com as terras do atual estado do Rio Grande do Sul; a Espanha ficou com as áreas da Colônia do Sacramento e dos Sete Povos das Missões (Em 1801, foi assinado o Tratado de Badajós, onde Sete Povos ficou para Portugal). Em consequência das guerras guaraníticas, as missões indígenas foram totalmente desorganizadas. Muito índios foram escravizados pelos gaúchos, outro se refugiaram nas matas, depois de haverem perdidos seu gado e suas terras. Portanto, a paz entre Portugal e Espanha baseou-se na ruína de milhares de famílias indígenas. Tratados de Methuen Em 1703, esse acordo firmado entre ingleses e lusitanos estabelecia a compra dos tecidos ingleses por parte de Portugal, enquanto a Inglaterra se comprometia a adquirir a produção vinícola dos lusitanos. Com isso, a especulação sobre a garantia de compra dos ingleses sobre o vinho de Portugal ampliou enormemente o número de terras cultiváveis destinadas ao plantio de uva. Por conseguinte, a demanda da economia lusitana por produtos importados aumentou bastante. Conforme apontado por vários pesquisadores interessados no assunto, a Coroa portuguesa conseguiu montar um enorme império mercantil, mas não buscou meios eficientes e sistemáticos para dinamizar sua economia interna. As expressivas quantias obtidas com a atividade colonial eram revertidas na forma de gastos que somente mantinham o elevado padrão de vida dos nobres e membros da família real portuguesa. ______________BATERIADE EXERCÍCIOS: 05__________ 1. Em 1555, um dos mais importantes líderes do protestantismo francês, o Almirante Coligny, enviou uma expedição à América. Em novembro desse mesmo ano, sob o comando de Nicholas Durand de Villegaignon, a expedição chegou ao atual Estado do Rio de Janeiro, onde construiu o forte Coligny e fundou uma colônia denominada França Antártica. Destaca-se, entre as razões que motivaram a fundação dessa colônia, a: a) disputa pela posse das lavouras açucareiras implantadas no território brasileiro. b) luta pelo controle do porto de Paraty, por onde era exportada a produção de ouro. c) retaliação aos católicos pelo massacre de protestantes na “Noite de São Bartolomeu”. d) disputa pela hegemonia do comércio de pau-brasil para a manufatura têxtil. e) necessidade de ampliar o controle territorial francês até a foz do Rio da Prata. 2. (EsSa) Durante o período colonial, Bahia e Pernambuco foram alvos de invasões de: a) Franceses, atraídos pelo Pau-Brasil. b) Holandeses, atraídos pela produção açucareira. c) Espanhóis, indignados pela expansão territorial portuguesa. d) Ingleses, atraídos pelas riquezas minerais. 3. (Essa-10) As batalhas dos Guararapes (1648 e 1649) marcaram a vitória da Insurreição Pernambucana, que levou a expulsão do território brasileiro os invasores a) espanhóis. b) português. c) ingleses. d) holandeses. e)franceses. 4. (EsSa-01) No século XVII, contribuíram para a penetração do interior brasileiro: a) O descobrimento da cultura da cana-de-açúcar e da cultura de algodão. b) O apresamento de indígenas e a procura de riquezas minerais. c) A necessidade de defesa e o combate aos franceses. d) O fim do domínio espanhol e a restauração da monarquia portuguesa. e) A guerra dos Emboabas e a transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro. 5. (Essa-12) Ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII o Brasil estendeu consideravelmente seu território, o que obrigou o estabelecimento de novos Tratados de Limites entre os Reinos Ibéricos. Neste sentido, podemos afirmar que a) o Tratado de Madri deu origem às Guerras Guaraníticas. b) ficou estabelecido, no Tratado de Santo Ildefonso, o princípio de Uti possidetis. c) Portugal, pelo Tratado de Badajós, assumiu o controle sobre o território da Guiana. d) o Tratado de Utrecht, de 1713, reconheceu a posse da Colônia de Sacramento por Portugal. e) o Tratado do Pardo reconheceu o direito exclusivo de Portugal navegar pelo rio Amazonas. 6. (Essa-10) O Tratado de Methuen, assinado em 1703, por portugueses e ingleses, A) criou foro especial para julgar cidadãos britânicos que viviam no Brasil. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS b) trouxe vantagens para Portugal nas relações comerciais bilaterais com a Inglaterra. c) favoreceu o desenvolvimento da indústria luso-brasileira. d) abriu um importante canal para a transferência da riqueza produzida no Brasil para a Inglaterra. E) incrementou a industrialização em Portugal e no Brasil. 7. Com relação à economia do açúcar e da pecuária no nordeste durante o período colonial, é correto afirmar que: A) por serem as duas atividades essenciais e complementares, portanto as mais permanentes, foram as que mais usaram escravos. B) a primeira, tecnologicamente mais complexa, recorria à escravidão, e a segunda, tecnologicamente mais simples, ao trabalho livre. C) a técnica era rudimentar em ambas, na agricultura por causa da escravidão, e na criação de animais por atender ao mercado interno. D) tanto em uma quanto em outra, desenvolveram-se formas mistas e sofisticadas de trabalho livre e de trabalho compulsório. E) por serem diferentes e independentes uma da outra, não se pode estabelecer qualquer tentativa de comparação entre ambas. 8. (...) o número de refinarias, na Holanda, passara de 3 ou 4 (1595) para 29 (1622), das quais 25 encontravam-se em Amsterdã, que se transformara no grande centro de refino e distribuição do açúcar na Europa. Elza Nadai e Joana Neves A respeito do aumento de interesse, por parte dos holandeses, não apenas na refinação do açúcar brasileiro, mas também no transporte e distribuição desse produto nos mercados europeus, acentuadamente no século XVII, é correto afirmar que: a) com a União Ibérica (1580-1640), os holandeses desejavam conquistar militarmente o litoral nordestino para obter postos estratégicos na luta contra a Espanha. b) a ocupação de Salvador, em 1624, por tropas flamengas, foi um sucesso, do ponto de vista militar, para diminuir o poderio de Filipe II, rei da Espanha. c) a criação da Companhia das Índias Ocidentais foi responsável pela conquista do litoral ocidental da África, do nordeste brasileiro e das Antilhas, visando obter mão-de-obra para as lavouras antilhanas. d) o domínio holandês, no nordeste brasileiro, buscava garantir o abastecimento de açúcar, controlando a principal região produtora, pois foi graças ao capital flamengo, que a empresa açucareira pode ser instalada na colônia. 9. A formação do território brasileiro no período colonial resultou de vários movimentos expansionistas e foi consolidada por tratados no século XVIII. Assinale a opção que relaciona corretamente os movimentos de expansão com um dos Tratados de Limites. a) A expansão da fronteira norte, impulsionada pela descoberta de minas de ouro, foi consolidada no tratado de Utrecht. b) A região missioneira do sul constituiu um caso à parte, só resolvido a favor de Portugal com a extinção da Companhia de Jesus. c) O Tratado de Madri revogou o de Tordesilhas e deu ao território brasileiro conformação semelhante à atual. d) O Tratado do Pardo garantiu a Portugal o controle da região das missões e do rio da Prata. e) Os tratados de Santo Ildefonso e Badajós consolidaram o domínio português no sul, passando a incluir a região platina. 10. "A Guerra Guaranítica foi a revolta dos missioneiros guaranis contra as imposições do Tratado de Madri, que os obrigava a abandonar suas terras, moradias, plantações e rebanhos. O acordo de 1750 favorecia as monarquias ibéricas, defendendo seus interesses na região, mas prejudicava gravemente os indígenas." (QUEVEDO, Júlio. A GUERRA GUARANÍTICA. São Paulo: Ática) Com base no texto, é correto afirmar: a) Os índios reagiram à dominação colonial, porque defendiam exclusivamente o Império Teocrático organizado pela Igreja Católica, que se sobressaía na América, através da Companhia de Jesus. b) Os missioneiros guaranis estavam desaculturados do "ser" índio devido à tirania jesuíta, portanto defendiam somente os interesses dos padres. c) A guerra expressou a luta dos missioneiros guaranis que não queriam se transformar numa espécie de "sem terra" do século XVIII, visto que suas terras foram doadas aos soldados espanhóis. d) A guerra representou um dos raros momentos de reação indígena, organizada contra as imposições da Coroa e dos colonizadores luso- espanhóis. e) Os missioneiros guaranis enfrentaram os exércitos luso-espanhóis, porque estavam organizando uma confederação indígena antiespanhola. REFORMAS POMBALINAS..... A ascensão de Sebastião José de Carvalho e Melo, marquês de Pombal, em 1750, na condição de ministro do rei D. José I, representou uma modificação da concepção do governo metropolitano a cerca das relações metrópole colônia, embora permanecessem os princípios norteadores de tais relações. Decidido a colocar Portugal à altura dos “novos tempos”, pombal empreendeu uma série de reformas, que iam desde a reorganização econômica do reino até o reordenamento da cultura, através de reformas na educação. A reestruturação econômica era mais que necessária, uma vez que, a economia açucareiratinha entrado em declínio e a da mineração teria uma “vida” curta. Não bastava apenas racionalizar a exploração da colônia para torná-la mais eficiente havia a premente necessidade de defendê-la da cobiça de estrangeiro, ainda mais depois da assinatura do Tratado de Madri* com a Espanha, em 1750, que incorporou cerca de 3000 Km2 de território ao Brasil. A defesa de tão vasto território dependia da sua efetiva ocupação, coisa que na Amazônia estava muito distante de ser real. Havia, pois, urgente necessidade de promover a imediata demarcação das fronteiras estabelecidas pelo Tratado de Madri e de efetivar a ocupação do território, principalmente no Norte, onde a presença de colonos portugueses era pouco significativa. Foi nesse contexto que a idéia de transformar o índio em colono, há muito perseguida pelos sucessivos governos metropolitanos, ganhou intensidade, pois se mostrava como a única alternativa viável, mais ainda depois do terremoto de 1755, que arrasou Lisboa e produziu um grande número de mortos. Transformar o índio em colono implicava em reconhece- lhe a condição de pessoa, logo vê-lo como portador dos direitos naturais, situação esta incompatível com a condição de escravo. Por isso, o primeiro passo seria transformá-lo em homem livre, estabelecendo: Proibições legais à sua escravização pelos colonos ou por quem quer que fossem; O índio colono deveria estar isento da tutela das ordens religiosas; o novo responsável seria a Câmara. Índios como trabalhadores assalariados. Transformação das Aldeias em Vilas Todos esses fatores fizeram com que pombal formalizasse uma política indigenista para a Amazônia, estendida depois para todo o Brasil, que incorporava a preocupação de emancipar os indígenas reconhecendo-lhes os direitos pertinentes a cidadãos portugueses. No entanto esses itens anteriores pertencentes a Lei de 6 de junho de 1755, tornou-se letra morta no Grão- Pará e Maranhão, mesmo tento como governador o irmão do marques. As dificuldades ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS enfrentadas por essa lei fizeram com que Pombal institui-se o Regime do Diretório *Nota: A Amazônia Brasileira praticamente assumiu o contorno geográfico que apresenta hoje, pois só não foram integradas nesse período as regiões do Amapá, anexado em 1900 e do acre, incorporado em 1903. o O Regime do Diretório 1757-98 (...) o regime de Diretório estabelecia que os diretores deveriam informar às autoridades superiores na capitania sobre as atividades comerciais e os contingentes populacionais presente no núcleo urbano sob sua dependência, com o objetivo de reunir informações que facilitassem o controle fiscal, militar e jurídico por parte da metrópole. O diretório representou a aplicação de uma nova política colonial pela metrópole, na medida em que reorientou o projeto colonial português no Brasil, com vistas a um melhor aproveitamento das suas potencialidades econômicas, em especial da região amazônica. O objetivo era orientar a ação dos diretores nos aldeamentos, cujos atributos obrigatórios eram ser brancos e leigos ou laicos. A política colonial portuguesa paria do princípio de que os índios eram incapazes de se auto governar,o que os torna passiveis da tutela da autoridade colonial portuguesa, agora representada pelos diretores. Constituído de 95 artigos, o Diretório procurava criar mecanismos de transformação do índio em colono, determinando a introdução em cada aldeamento de “hum diretor, que nomeará o Governador, e Capitão general do Estado, o que deve ser dotado de bons costumes, zelo, prudência, verdade, ciência da língua, e de todos os mais requisitos necessários para poder dirigir com acerto os referidos índios .” Principais Normas do Regime de Diretório A transformação da língua portuguesa na única falada pelos indígenas. A integração dos índios na economia colonial, estimulando-os a realizar uma produção excedente. A reforma dos costumes indígenas, através da imposição do uso de roupas, abandono da poligamia... O estimulo ao casamento entre homens portugueses e mulheres indígenas, criação de mestiços. A proibição da utilização do termo preto ou negro para os índios e entre os mesmos. A fomentação entre os índios do aumento da produção, atividades comerciais, introdução das idéias de riqueza e opulência. A obrigatoriedade da aposição, aos nomes com as quais os índios eram batizados, dos sobrenomes pertencentes a famílias portuguesas. A intensificação da presença de homens brancos nos aldeamentos, integração étnica. O estimulo à habitação em casa separadas. A divisão do poder temporal e espiritual, na medida em que o diretor e à Câmara caberia gerir vilas e aldeias, e aos missionários a orientação espiritual da população. Aumento da população das aldeias. Armação de canoas destinadas a extração de drogas do sertão. Supervisão de todas as transações comerciais e de todas as cobranças de dízimos. No que dizia respeito ao problema da mão-de-obra, Pombal criou a Companhia Geral de Comercio do Grão-Pará e Maranhão (1755-78), empresa constituída de capital público e privado, que concedeu o estanco (monopólio) do comércio com o Estado, em troca da regularização do tráfico negreiro para a região. (Texto adaptado de José Alves Junior. O Projeto Pombalino para a Amazônia e a “Doutrina do Índio-Cidadão”). MEDIDAS POMBALINAS: a) Incentivos estatais para a instalação de manufaturas na metrópole. b) 1755: criação da Capitania de São José do Rio Negro, hoje Estado do Amazonas. c) 1755: criação da Companhia de Comércio do Estado do Grão-Pará e Maranhão, estimulando as culturas do algodão, do arroz, do cacau, etc. e tentando resolver o problema da mão-de-obra escrava para a região. d) 1755: criação do Diretório Pombalino, órgão composto por homens de confiança do governo português, cuja função era gerir os antigos aldeamentos. e) 1759: criação da Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba, com o objetivo de estimular o cultivo da cana-de-açúcar e do tabaco. f) 1759: extinção do sistema de capitanias hereditárias. g) 1759: expulsão dos jesuítas (inacianos) da Metrópole e da Colônia, confiscando-lhes os bens. h) 1762: criação da Derrama com a finalidade de obrigar os mineradores a pagar os impostos atrasados. i) 1763: transferência da capital da Colônia de Salvador para o Rio de Janeiro. REBELIÕES COLONIAIS......... Antes da Inconfidência Mineira (1789) e da Conjuração Baiana (1798), que pleiteavam diretamente a emancipação do Brasil em relação a Portugal, outro tipo de movimento rebelde se fez presente na História brasileira. Estes são conhecidos na História como rebeliões nativistas, por expressarem um sentimento nativo contra a exploração metropolitana. Entretanto, não pleiteavam a independência da colônia, limitando-se a almejar um abrandamento da política opressiva da metrópole. As principais características dos Movimentos Nativistas foram: o Regionalismo e isolamento, localizando-se em âmbito geográfico restrito; o Contestação a alguns aspectos do sistema colonial (monopólio comercial, problemas de mão-de-obra, impostos altos, choques de interesses entre produção e circulação de mercadorias, etc.). Não chegaram a questionar a dominação colonial em si. o Movimentos espontâneos e desarticulados, sem base político-ideológica definida, o que facilitou seu rápido desmantelamento pela violenta repressão metropolitana. Entre os mais importantes movimentos nativistas, além da guerra contra o Quilombo de Palmares (Alagoas, 1694 a 1695) podemos citar: A Revolta dos Irmãos Beckman – Maranhão – 1684. No século XVII a situação dos colonos do Estado doMaranhão era bastante desfavorável, pois faltava-lhes recursos para organizar a produção e para a aquisição de mão-de-obra escrava. Por isso resolveram escravizar os índios, entrando em conflito com os jesuítas. Em 1682 foi criada a Companhia de Comércio do Maranhão, que passou a ter o monopólio do comércio com a região, se comprometendo a abastecê-la de mão-de-obra escrava e de fornecer produtos importados (monopólio, só ela podia trazer manufaturas da Europa), além de comprar a produção local (cacau, cravos, fumo etc.) para vender no mercado europeu. Entretanto os acordos não foram cumpridos, não trouxeram um número suficiente de escravos para as necessidades do mercado, o preço comprado por eles era muito alto. E ainda, existia ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS as fraudes feita pelos funcionários da Companhia na hora das medidas, que eram adulteradas. Tudo isso dificultou ainda mais a vida dos colonos maranhenses, o que gerou descontentamento, culminando numa revolta chefiada pelos irmãos Manuel (senhor de engenho) e Tomás Beckman. O movimento explodiu em 24 de fevereiro de 1684 e além de contestar o monopólio e os abusos da Companhia, saquearam seus armazéns, expulsaram os jesuítas e depuseram o governo local, organizando um governo provisório composto pelos líderes da revolta. Não receberam apoio das demais capitanias e foram duramente reprimidos pelas autoridades metropolitanas, sendo seus líderes presos. Muitos foram deportados e Manuel Beckman foi executado e Tomás foi condenado ao Desterro. Esta foi a primeira revolta organizada da colônia e, não tinha propósitos separatistas, mas apenas pretendia alterar a ação monopolista metropolitana. Um de seus objetivos acabou sendo alcançado, pois a Companhia de Comércio do Maranhão foi extinta. A Guerra dos Emboabas - Minas - (1707 - 1709) A descoberta de ouro em Minas Gerais provocou uma verdadeira "corrida do ouro", quando multidões de aventureiros de toda partes da colônia e também da metrópole se deslocaram para a região mineradora. Isso provocou a insatisfação dos paulistas e vicentinos, que, como descobridores das jazidas de ouro, se sentiam com direitos maiores sobre elas, ainda mais por que se encontravam em território da capitania de São Vicente. A chegada dos emboabas, como eram chamados os forasteiros, despertou a revolta dos paulistas. As rivalidades e a violência foram crescendo cada vez mais e, em 1707 dois paulistas foram linchados por emboabas. Os emboabas avançaram, passando a controlar as áreas mineradoras, ficando os paulistas restritos a região do rio das Mortes, em 1708. Manuel Nunes Viana, chefe emboaba, foi aclamado governador das Minas Gerais. Um dos fatos marcantes desta luta ficou conhecido como "Capão da Traição", quando muitos paulistas foram friamente assassinados, após terem se rendido. A região foi pacificada através da retirada dos paulistas, que passaram a buscar novas jazidas em Goiás e Mato Grosso. A Coroa portuguesa criou a Capitania Real de São Paulo e Minas e elevou Ribeirão do Carmo, Sabará e Vila Rica à condição de Vila. A Guerra dos Mascates - Pernambuco - 1710 No século XVIII a rivalidade entre as cidades pernambucanas de Recife e Olinda tomavam dimensões cada vez maiores, expressando a contradição entre os interesses do setor produtor colonial (senhores de engenho), que controlava Olinda, e o setor mercantil-exportador (comerciantes portugueses), cujo centro era Recife. Olinda era uma vila, com Câmara Municipal e pelourinho, enquanto Recife não passava de uma "freguesia", dependente politicamente de Olinda. Entretanto, a crise açucareira provocou o crescente endividamento dos senhores de engenho (Olinda) para com os comerciantes de Recife, tornando-os cada vez mais dependentes economicamente. Esses eram também responsáveis pela cobrança dos impostos locais devidos à Coroa. Os comerciantes iam crescendo em prestígio e poder, pois, além de financiarem a produção açucareira, manipulavam os preços das mercadorias, pagando os menores preços possíveis pelo açúcar produzido. A tensão entre as duas cidades crescia e acabou explodindo quando a Coroa Portuguesa atendeu a reivindicação dos mascates (forma depreciativa com que eram chamados os comerciantes de Recife), elevando Recife à condição de vila, em 1709. Tal medida deu direito de Recife executar as dívidas, em atraso, dos senhores de engenho de Olinda. Mas essa disputa de interesses adquiriu também um caráter nacionalista. Afinal, a aristocracia olindense era basicamente de origem brasileira, enquanto os mascates de Recife, em sua maior parte, eram imigrantes portugueses. Os fazendeiros de Olinda reagiram e invadiram Recife,Liderados pelo rico senhor de engenho Bernardo Vieira, os olindenses nomearam o Bispo de Olinda novo governador da Capitania destituindo seu governador, destruindo o pelourinho e exigindo o tabelamento do preço dos escravos, a quebra do monopólio comercial português, a garantia de suas terras, independente de suas dívidas. Os conflitos armados entre as duas vilas se arrastaram até 1711, quando um novo governador, Félix de Mendonça, nomeado por Portugal mandou prender os principais envolvidos no conflito. A burguesia mercantil (mascates) recebe o apoio da Metrópole, e Recife mantém sua autonomia. E tornou-se politicamente e economicamente mais importante que Olinda. A Revolta de Vila Rica - Minas Gerais - 1720 O controle metropolitano e a opressão fiscal sobre as áreas mineradoras sempre foram bastante rígidos, com o propósito de evitar o contrabando, garantindo assim a produção que a Coroa precisava para equilibrar sua balança comercial. Em 1720, Portugal decidiu apertar o cerco sobre os mineradores, criando as Casas de Fundição, por onde todo o ouro deveria passar para ser quintado, transformado em barras e selado. As casas de fundição localizavam-se em Vila Rica, Sabará, São João Del Rei e Vila do Príncipe. Como o ouro só podia ser comercializado em barras com o selo, o contrabando ficou mais difícil e os donos das minas passaram a ter menos lucros. Esse descontentamento levou os proprietários das lavras a armar a população de Vila Rica. Os protestos foram gerais, culminando numa revolta armada, sob a liderança do tropeiro Felipe dos Santos. Os revoltosos exigiam a extinção das Casas de Fundição e o perdão para os participantes da rebelião. Felipe dos Santos liderou uma marcha que partiu de Vila Rica em direção a Mariana, sede do governo da capitania. Planejavam executar o governador Conde de Assumar, para demonstrar que o movimento tinha pretensões radicais. O Conde de Assumar, governador da Capitania, após pedir algum tempo para analisar a questão, recebeu reforços e ordenou uma violenta repressão contra o movimento. Muitos foram degredados e Felipe dos Santos foi condenado a morte no "garrote" (uma estrutura de madeira com um colar de ferro, com uma rosca na altura da nuca) e esquartejado. Além do que foram mantidas as Casas de Fundição. MOVIMENTOS EMANCIPACIONISTAS........ A Inconfidência Mineira - 1789 O século XVIII foi caracterizado pelo brutal aumento da exploração portuguesa sobre sua colônia na América. Apesar de o Brasil sempre ter sido uma colônia de exploração, ou seja, ter servido aos interesses econômicos de Portugal, durante o século XVIII, a nação portuguesa conheceu uma maior decadência econômica, entendido principalmente pelos déficits crescentes frente a Inglaterra, levando-a a aumentar a exploração sobre suas áreas coloniais e utilizando para isso uma nova forma de organização do próprio Estado, influenciado pelo avanço das idéias iluministas, que convencionou-sechamar “Despotismo Esclarecido”. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Nesse sentido, a política pombalina para o Brasil, normalmente vista como mais racional, representou na prática uma exploração mais racional, com a organização das Companhias de Comércio monopolistas, que atuaram em diversas regiões do Brasil. Em Minas Gerais, especificamente, que se constituía na mais importante região aurífera e diamantífera brasileira, o peso da espoliação lusitana se fazia sentir com maior intensidade. Vejamos outros pontos que provocaram o movimento: Esgotamento das jazidas. A ameaça da derrama. (a cobrança da diferença em relação à aquilo que deveria ter sido pago). Dificuldades dos mineradores em importar produtos essenciais como ferro, aço e mesmo escravos, produtos esses que tinham seus preços elevados constantemente. “Alvará de proibição Industrial” baixado em 1785 por D. Maria I, a louca, que proibia a existência de manufaturas no Brasil. Cunha Menezes, que governou a Capitania entre 1783 e 1785, contribuiu para agravar ainda mais a indisposição dos mineradores com a Coroa. A corrupção, os abusos administrativos, a violência das tropas contra os colonos generalizaram-se durante o seu governo. O Projeto dos Inconfidentes A Mudança da capital para São João Del Rel. A fundação de uma Universidade em Vila Rica. Abertura de fábricas de tecidos, ferro e pólvora. Organização de milícias populares para defender a nova República. Criação de uma Casa da Moeda. Aumento do valor monetário do ouro. Liberação da circulação dos diamantes. o - Os Inconfidentes A Inconfidência Mineira na verdade não passou de uma conspiração, onde os principais protagonistas eram elementos da elite colonial, homens ligados à exploração aurífera, à produção agrícola ou a criação de animais, sendo que vários deles estudaram na Europa e que organizavam o movimento exatamente em oposição às determinações do pacto colonial, enrijecidas no século XVIII. Esses homens tinham interesses diferentes. Alguns, os mazombos (nascido no Brasil), acreditavam firmemente na importância da liberdade. Dentre eles – Inácio José de Alvarenga, fazendeiro, minerador e coronel do Regimento de Cavalaria; o padre Carlos Correia de Toledo, vigário da paróquia de Santo Antonio em São João Del Rei, homem muito rico, proprietário de várias fazendas e lavras; o Padre Rolim, minerador de diamantes, o mais rico de todos os inconfidentes. (Vanise Ribeiro e Carla Anastácia. Encontros coma História.). Além destes, encontramos ainda alguns indivíduos de uma camada intermediária, como o próprio Tiradentes, filho de um pequeno proprietário e que, após dedicar-se a várias atividades, seguiu a carreira militar. Essa situação social explica a posição dos inconfidentes em relação à escravidão, de fato, a maior parte dos membros das conspirações se opunha a abolição da escravidão, enquanto poucos, incluindo Tiradentes, defendiam a libertação dos escravos. As idéias liberais no Brasil tinham seus limites bem definidos, na verdade a liberdade era vista a partir do interesse de uma minoria, como a necessidade de ruptura dos laços com a metrópole, porém, sem que rompessem as estruturas socioeconômicas. Mesmo do ponto de vista político, a liberdade possuía limites. o O Movimento O movimento conspiratório tornou-se maior após a chegada do Visconde de Barbacena, nomeado novo Governador da Capitania de Minas Gerais e incumbido de executar uma nova derrama, já tinha ocorrido duas, prevista para fevereiro de 1789, dia que deveria explodir a revolta. De setembro de 1788 em diante, as reuniões tornaram intensas, onde eram alimentadas várias discussões sobre temas variados e o entusiasmo exagerado contrastava com a falta de organização militar para a execução da independência. Tiradentes e outros membros da conspiração procuravam garantir o apoio dos proprietários rurais, levando suas propostas de “revolução” a todos que, de alguma forma, pudessem apoiar. A senha para o início do movimento era: “tal dia é o dia do batizado”, nesse dia Tiradentes iria à casa de campo do Visconde de Barbacena, localizada em Cachoeira, a 20 km de Ouro Preto, e prenderia o Governador e sua família. O Visconde seria morto e sua cabeça cortada. Quando Tiradentes voltasse a Vila Rica e anunciasse a morte do Governador, o povo, em festa, sairia às ruas e daria “vivas à liberdade”. Seria, então, instalada uma Junta Provisória para governar a Capitania e publicada uma Declaração de Independência de Minas Gerais. Os inconfidentes contavam com o apoio da população do Rio de Janeiro e esperavam que as demais capitanias também proclamassem a sua independência. No entanto tudo ficou nas idéias, um os mineradores contatados foi o coronel Joaquim Silvério dos Reis (Contratador português) que, a princípio aderiu ao movimento, pois como a maioria da elite, era um devedor de impostos, no entanto, com medo de ser envolvido diretamente, resolveu delatar a conspiração. Em 15 de março de 1789 encontrou-se com o governador, Visconde de Barbacena e formalizou por escrito a denúncia de conspiração. Muito sabiamente Barbacena suspendeu a Derrama e com o apoio das autoridades portuguesas instaladas no Rio de Janeiro, iniciou-se uma seqüência de prisões, sendo Tiradentes um dos primeiros a ser feito prisioneiro. Tiradentes sempre negou a existência de um movimento de conspiração, porém, após vários depoimentos que o incriminava, na quarta audiência, no início de 1790, admitiu não só a existência do movimento, como sua posição de líder. A devassa (inquérito policial) promoveu a acusação de 34 pessoas, todos foram interrogados inclusive Tiradentes. Tiveram suas sentenças definidas em 19 de abril de 1792, com onze dos acusados condenados a morte: Tiradentes, Francisco de Paula Freire de Andrade, José Resende da Costa (pai), José Resende da Costa (filho) e Domingos de Abreu Vieira, entre outros. Desses, apenas Tiradentes foi executado, os demais tiveram a pena comutada para degredo perpétuo por D. Maria I. O Alferes foi executado em 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro no Largo da Lampadosa, esquartejado, sendo as partes de seu corpo foram expostas em Minas como advertência a novas tentativas de rebelião. Conjuração Baiana (Alfaiates) -1798 Em agosto de 1798 começam a aparecer nas portas de igrejas e casas da Bahia, panfletos que pregavam um levante geral e a instalação de um governo democrático, livre e independente do poder metropolitano. Quase que os mesmos ideais de República, liberdade e igualdade que estiveram presentes na Inconfidência Mineira, agitavam agora a Bahia. As inflamadas discussões na “Academia dos Renascidos” resultarão na Conjuração Baiana em 1798. Esse movimento, também chamado de Revolta dos Alfaiates foi uma conspiração de caráter emancipacionistas, articulada por pequenos comerciantes e ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS artesãos, destacando-se os alfaiates, além de soldados, religiosos, intelectuais, e setores populares. Se a singularidade da Inconfidência de Tiradentes está em seu sentido pioneiro, já que apesar de todos seus limites, foi o primeiro movimento social de caráter republicano em nossa história, a Conjuração Baiana, mais ampla em sua composição social, apresenta o componente popular que irá direcioná-la para uma proposta também mais ampla, incluindo a abolição da escravatura. Eis aí a singularidade da Conjuração Baiana, que também é pioneira, por apresentar pela primeira vez em nossa história elementos das camadas popularesarticulados para conquista de uma república abolicionista. o Antecedentes A segunda metade do século XVIII é marcada por profundas transformações na história, que assinalam a crise do Antigo Regime europeu e de seu desdobramento na América, o Antigo Sistema Colonial. No Brasil, os princípios iluministas e a independência dos Estados Unidos, já tinham influenciado a Inconfidência Mineira em 1789. Os ideais de liberdade e igualdade se contrastavam com a precária condição de vida do povo, sendo que, a elevada carga tributária e a escassez de alimentos, tornavam ainda mais grave o quadro sócio-econômico do Brasil. Este contexto será responsável por uma série de motins e ações extremadas dos setores mais pobres da população baiana, que em 1798 promoveram vários saques em estabelecimentos comerciais portugueses de Salvador. Nessa conjuntura de crise, foi fundada em Salvador a “Academia dos Renascidos”, uma associação literária que discutia os ideais do iluminismo e os problemas sociais que afetavam a população. Essa associação tinha sido criada pela loja maçônica “Cavaleiros da Luz”, da qual participavam nomes ilustres da região, como o doutor Cipriano Barata e o professor Francisco Muniz Barreto, entre outros. o A Conjuração Entre as lideranças do movimento, destacaram-se os alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos Lira (18 anos), além dos soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga das Virgens, todos mulatos. Outro destaque desse movimento foi a participação de mulheres negras, como as forras Ana Romana e Domingas Maria do Nascimento. Em Salvador os revolucionários Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas iniciaram a panfletagem como forma de obter mais apoio popular e incitar à rebelião. Os panfletos difundiam pequenos textos e palavras de ordem, com base naquilo que as autoridades coloniais chamavam de “abomináveis princípios franceses”. A Revolta dos Alfaiates foi fortemente influenciada pela fase popular da Revolução Francesa, quando os jacobinos liderados por Robespierre conseguiram, apesar da ditadura política, importantes avanços sociais em benefício das camadas populares, como o sufrágio universal, ensino gratuito e abolição da escravidão nas colônias francesas. Essas conquistas, principalmente essa última influenciaram outros movimentos de independência na América Latina, destacando-se a luta por uma República abolicionista no Haiti e em São Domingos, acompanhada de liberdade no comércio, do fim dos privilégios políticos e sociais, da punição aos membros do clero contrários à liberdade e do aumento do soldo dos militares. A violenta repressão metropolitana conseguiu deter o movimento, que apenas iniciava-se, detendo e torturando os primeiros suspeitos. Governava a Bahia nessa época (1788-1801) D. Fernando José de Portugal e Castro, que encarregou o coronel Alexandre Teotônio de Souza de surpreender os revoltosos. Com as delações, os principais líderes foram presos e o movimento, que não chegou a se concretizar, foi totalmente desarticulado. Após o processo de julgamento, os mais pobres como Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento e os mulatos Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas foram condenados à morte por enforcamento, sendo executados no Largo da Piedade a 8 de novembro de 1798. Outros, como Cipriano Barata, o tenente Hernógenes d‟Aguilar e o professor Francisco Muniz foram absolvidos. Os pobres Inácio da Silva Pimentel, Romão Pinheiro, José Félix, Inácio Pires, Manuel José e Luiz de França Pires, foram acusados de envolvimento “grave”, recebendo pena de prisão perpétua ou degredo na África. Já os elementos pertencentes à loja maçônica “Cavaleiros da Luz” foram absolvidos deixando clara que a pena pela condenação, correspondia à condição sócio-econômica e à origem racial dos condenados. A extrema dureza na condenação aos mais pobres, que eram negros e mulatos, é atribuída ao temor de que se repetissem no Brasil as rebeliões de negros e mulatos que, na mesma época, atingiam as Antilhas. ______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 06_________ 1.(Essa-09) O responsável pela transferência da capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763, foi: a) D. João VI. b) D.Pedro I. c) Marquês de Pombal. d) D. Manuel. e) Visconde de Barbacena. 2. Em 1750, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, tornou-se primeiro ministro português e procurou dinamizar a administração colonial. Dentre as medidas por ele adotadas, destacam- se: A) O controle do ensino e da política de aldeamento entregue às ordens religiosas. B) A extinção do Estado do Grão-Pará Maranhão, por ser o centralismo a tônica de sua administração. C) A reforma e a ampliação da justiça, possibilitando, assim, o acesso da elite colonial aos cargos administrativos e fiscais. D) A expulsão dos Jesuítas da colônia, favorecendo os povos indígenas, que passaram a ter maior autonomia sobre os aldeamentos. E) A retomada do controle dos mecanismos comerciais e fiscais do mundo colonial por parte da metrópole, o que resultou em autonomia para as companhias de comércio. 3. (Essa-09)O episódio conhecido como “Capão da Traição” ocorreu na História do Brasil durante a: a) Rebelião de Beckman. b) Revolta dos Malês. c) Guerra dos Mascates. d) Revolta de Felipe dos Santos. e) Guerra dos Emboabas. 4. (EsSa) Os movimentos nativistas no Brasil – colônia fizeram com que surgissem um sentimento nacional a medida em que os conflitos com a metrópole portuguesa foram se agravando o primeiro movimento que caracterizou bem esse sentimento nacional foi o (a): a) Insurreição Pernambucana. b) Guerra dos Mascates. c) Revolta de Vila Rica. d) Inconfidência Mineira. e) Conjuração Baiana. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 5.“O fator econômico foi muito importante, mas existiram outros que provocaram o movimento: esgotamento das jazidas, a ameaça da derrama, dificuldades importar produtos essenciais como ferro, aço e mesmo escravos, produtos esses que tinham seus preços elevados constantemente e “Alvará de proibição Industrial” baixado em 1785 por D. Maria I, a louca, que proibia a existência de manufaturas no Brasil”. O texto refere-se a que movimento: a) Conjuração baiana. b) Inconfidência mineira. c)Sabinada. d) Cabanagem. e) Balaiada. 6. (EsSa-05) A história do Brasil é apontada por inúmeros conflitos e disputas ao longo de mais de 500 anos. Sob esse aspecto, é correto afirmar que a: a) Guerra dos Mascates eclodiu entre comerciantes portugueses e brasileiros ligados à cana-de-açúcar na Região de São Paulo no início do século XVIII. b) Guerra dos Emboabas aconteceu entre os habitantes de Olinda e Recife no início do século XVIII. c) Revolta do Contestado opôs os bandeirantes paulistas aos índios das reduções jesuíticas na Região Sul. d) Revolta de Felipe dos Santos foi causada, entre outros motivos, pelos altos impostos cobrados pelo governo português. e) Guerra da Tríplice Aliança ocorreu entre a Argentina, o Brasil e o Paraguai contra o Uruguai. 7. (Essa-14) As lutas do período colonial são divididas em Revoltas Nativistas e Revoltas emancipacionistas. Entre essas últimas podemos incluir a A) Revolta de Vila Rica. B) Revolta de Palmares. C) Revolta dos Alfaiates. D) Revolta dos Mascates. E) Revolta de Amador Bueno. 8. (ESSA-13) A respeito da Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil Colônia em 1789, pode ser afirmado com correção que A) a extinção da escravidão no Brasil era defendida pelo movimento inconfidente. B) entre os projetos dos inconfidentes estava o fechamento dos engenhos e minas. C) a coroa portuguesa propôs a anistia detodos os revoltosos e o perdão das dívidas em troca da rendição incondicional dos inconfidentes. D) a rebelião foi desencadeada em um contexto marcado pela diminuição da produção aurífera e o aumento da cobrança de impostos. E) as lideranças do movimento defendiam a extinção da propriedade privada. 9. (RS-17) Revolta contra a Companhia de Comércio, que detinha o monopólio do comércio com a região, também expulsaram os jesuítas e depuseram o governo local. O texto acima trata: a) Guerra dos Emboabas. b) Inconfidência Mineira. c) Revolta dos irmãos Beckman. d) Revolta dos mascates. e) Conjuração Baiana. 10. (RS-17) “Manuel Faustino é um dos brasileiros que mais lutou pelo fim da escravidão, mas não goza da mesma fama no imaginário popular que seu colega mineiro Tiradentes”. O texto acima trata principalmente de um dos líderes da: a) Insurreição Pernambucana. b) Guerra dos Mascates. c) Conjuração dos Alfaiates. d) Revolta do forte Copacabana. e) Inconfidência Mineira. A TRANSFERÊNCIA DA CORTE E AS PRINCIPAIS MEDIDAS DE D. JOÃO VI............... Chegada da Família Real no Brasil No início do século XIX Napoleão Bonaparte era imperador da França. Ele queria conquistar toda a Europa e para tanto derrotou os exércitos de vários países. Mas não conseguiu vencer a marinha inglesa. Para enfrentar a Inglaterra, Napoleão proibiu todos os países europeus de comercializar com os ingleses. Foi o chamado Bloqueio Continental. Nessa época, Portugal era governado pelo príncipe regente Dom João. Como Portugal era um antigo aliado da Inglaterra, Dom João ficou numa situação muito difícil: se fizesse o que Napoleão queria, os ingleses “invadiriam” o Brasil, pois estavam muitos interessados no comércio brasileiro; se não o fizesse, os franceses invadiriam Portugal. A solução que Dom João encontrou, com a ajuda dos aliados ingleses, foi transferir a corte portuguesa para o Brasil. Em novembro de 1807 Dom João com toda a sua família e sua corte partiram para o Brasil sob a escolta da esquadra inglesa. 15 mil pessoas vieram para o Brasil em quatorze navios trazendo suas riquezas, documentos, bibliotecas, coleções de arte e tudo que deu para trazer. Quando o exército de Napoleão chegou a Lisboa, só encontrou um reino abandonado e pobre. O príncipe regente desembarcou em Salvador em 22 de janeiro de 1808. Ainda em Salvador Dom João abriu os portos do Brasil aos países amigos, permitindo que navios estrangeiros comerciassem livremente nos portos brasileiros. Essa medida foi de grande importância para a economia brasileira. De Salvador, a comitiva partiu para o Rio de Janeiro, aonde chegou em 08 de março de 1808. O Rio de Janeiro tornou-se a sede da corte Portuguesa. Com a chegada da Família Real ao Brasil, novos tempos para a colônia. A vinda da Corte com o enraizamento do estado português no Centro-Sul daria início à transformação a colônia em metrópole interiorizada. Seria esta a única solução aceitável paras classes dominantes em meio a insegurança que lhes inspiravam as contradições do constitucionalismo português e pela fermentação generalizada do mundo inteiro na época, (...) (Carlos Guilherme Mota. A Interiorização da Metrópole. In: 1822 Dimensões.) Com a instalação da corte no Brasil, o Rio de Janeiro tornou-se a sede do império português e Dom João teve de organizar toda a administração brasileira. Criou três ministérios: o da Guerra e Estrangeiros, o da Marinha e o da Fazenda e Interior; instalou também os serviços auxiliares e indispensáveis ao funcionamento do governo, entre os quais: O Banco do Brasil, A Casa da Moeda, ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS A Junta Geral do Comércio e a Casa da Suplicação (Supremo Tribunal), A 17 de dezembro de 1815 o Brasil foi elevado a Reino e as capitanias passaram em 1821 a chamar-se províncias. Em 1818 com a morte da rainha D. Maria I, a quem Dom João substituía, deu- se no Rio de Janeiro a proclamação e a coroação do Príncipe Regente, que recebeu o título de Dom João VI. As Mudanças Econômicas no Brasil Depois da chegada da família real duas medidas de Dom João deram rápido impulso à economia brasileira: a abertura dos portos (1808) e a permissão de montar indústrias (1808) que haviam sido proibidas por Portugal anteriormente. Abriram-se fábricas, manufaturas de tecidos começaram a surgir, mas não progrediram por causa da concorrência dos tecidos ingleses. Bom resultado teve, porém, a produção de ferro com a criação da Usina de Ipanema nas províncias de São Paulo e Minas Gerais. Outras medidas de Dom João estimularam as atividades econômicas do Brasil como: - Construção de estradas; - Os portos foram melhorados. Foram introduzidas no país novas espécies vegetais, como o chá; - Promoveu a vinda de colonos europeus. Tratado de Comércio e Navegação (1810), que ia de encontro aos interesses econômicos de Portugal e do Brasil, além de humilhar politicamente os portugueses. Entre suas determinações, podem ser destacados: o Concessão aos ingleses de um porto livre na Ilha de Santa Catarina; o Liberdade religiosa dos britânicos que viviam no Brasil e sua extraterritorialidade, deixando os ingleses de se submeterem às leis portuguesas; o Abolição gradativa do tráfico negreiro entre Brasil e África; o As mercadorias inglesas exportadas para o Brasil passaram a pagar taxas de apenas 15%, as portuguesas 16% e as de outras nações 24%. A produção agrícola voltou a crescer. O açúcar e do algodão, passaram a ser primeiro e segundo lugar nas exportações, no início do século XIX. Neste período surgiu o café, novo produto, que logo passou do terceiro lugar para o primeiro lugar nas exportações brasileiras. o Medidas de Incentivo a Cultura. Além das mudanças comerciais, a chegada da família real ao Brasil também causou um reboliço cultural e educacional. Nessa época, foram criadas escolas como: A Academia Real Militar; A Academia da Marinha; A Escola de Comércio; A Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios; A Academia de Belas-Artes; Dois Colégios de Medicina e Cirurgia, um no Rio de Janeiro e outro em Salvador; O Museu Nacional; O Observatório Astronômico; A Biblioteca Real, cujo acervo era composto por muitos livros e documentos trazidos de Portugal. Também foi inaugurado o Real Teatro de São João e o Jardim Botânico. Uma atitude muito importante de dom João foi a criação da Imprensa Régia. Ela editou obras de vários escritores e traduções de obras científicas. Foi um período de grande progresso e desenvolvimento. Além disso, providenciou a vinda de uma missão de artistas franceses. Insurreição Pernambucana- 1817. A presença maciça de portugueses na colônia, a partir de 1808, e a grande quantidade de regalias por eles conquistadas em detrimento dos homens da terra serão alguns dos motivos da insurreição de 1817. Se para os reinóis sobravam privilégios, para a “nobreza” da terra, longe dos benefícios da corte, sobravam apenas cobranças e imposições. Somou-se a tal situação uma recessão da economia local devido ás flutuações dos preços do algodão e do açúcar, os principais produtos da região, alem da queda da produção em decorrência da seca que assolava o nordeste desde 1816. Em contra partida, os comerciantes portugueses continuavam a controlar as atividades de importação e exportação, provocando o endividamento e a dependência progressiva dos grandes proprietários. Essa conjuntura criou um quadro de tensão e indignação na aristocracia agrária e entre os homens livres pobres. Por fim, a difusão do reformismo ilustrado português, principalmente entreos membros do clero, combinado com um forte sentimento antilusitano, fez eclodir o movimento em março de 1817, que se propagou para outras áreas nordestinas. O movimento, de caráter separatista, proclamou uma República e organizou um Governo Provisório responsável pela elaboração de uma Lei Orgânica, a qual teve como principio a liberdade de consciência, de imprensa e de culto. Enquanto a euforia revolucionária dominava Recife, organizava-se a repressão na Bahia e no Rio de Janeiro. Uma série de confrontos ocorreu entre os sublevados e as forças oficiais, até que em maio de 1817 terminou a resistência dos insurretos. As punições foram rigorosas, com muitas prisões e execuções. Volta da Família Real Tanto movimento por aqui provocou a indignação do outro lado do Atlântico. Afinal, o Brasil deixara de ser uma simples colônia. Nosso país tinha sido elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. Quer dizer, enquanto a família real esteve por aqui, a sede do reino foi o Rio de Janeiro, que recebeu muitas melhorias. Enquanto isso, em Portugal, o povo estava empobrecido com a guerra contra Napoleão e o comércio bastante prejudicado com a abertura dos portos brasileiros. Em 24 de agosto de 1820 a cidade do Porto se sublevava. Constituíram-se as Cortes exigindo a promulgação de uma Constituição nos moldes da Constituição espanhola. Reclamava-se, por outro lado, a volta de D. João VI a Portugal. Os acontecimentos repercutiram no Brasil, onde as adesões à revolução constitucionalista do Porto se multiplicaram. Portugueses e brasileiros comerciantes e fazendeiros, funcionários da Coroa e militares aderiram à revolução pelos mais diversos e contraditórios motivos. (...) comerciantes e militares portugueses identificados com os interesses metropolitanos apoiavam a revolução na esperança restabelecer o Pacto Colonial. As contradições entre o interesse dos grupos metropolitanos e colônias permanência subjacente mas não tardaria muito a se manifestar. Realizada em nome dos princípios liberais, insurgindo-se contra o absolutismo real, manifestando-se em favor da forma constitucional de governo, a revolução assumiria em Portugal um sentido antiliberal, na medida em que um de seus principais objetivos era destruir as concessões liberais por D. João VI ao Brasil. Nos meses que seguiram à revolução do Porto constituíram-se nas várias províncias brasileiras Juntas Governativas Provisórias. No Rio de Janeiro, a 20 de fevereiro de 1821, diante da ambigüidade de D. João VI e de sua relutância em atender às ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS solicitações das Cortes Portuguesas, houve um pronunciamento militar acompanhado de manifestações de rua, culminando no compromisso assumido por D. João VI de aceitar e fazer cumprir a Constituição que as Cortes viessem a voltar. Dom João VI decidiu-se enfim, muito a contragosto a voltar a Portugal, onde sabia esperá-lo uma Assembléia hostil a reivindicadora. Partiu a 26 de abril de 1821. Deixou, contudo, seu filho dom Pedro como regente do Brasil. Assim, agradava aos portugueses e aos brasileiros que tinham lucrado com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, especialmente com a abertura dos portos. ______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 07__________ 1. (EsSa)Em 1808, D. João VI decretou a abertura dos portos brasileiros as nações amigas. Tal medida: a) fortaleceu os laços comerciais entre Brasil e Portugal. b) acabou o monopólio português sobre o Brasil. d) determinou a decadência da economia açucareira. e) determinou o reatamento de relações diplomáticas entre França e Portugal. 2. (ESSA-14) O Alvará de 1º de abril de 1808 revogou o Alvará de 1785 de D. Maria I, que proibia a manufatura na colônia. O Brasil estava autorizado a desenvolver manufaturas. Contudo havia dois fatores que se tornaram um obstáculo ao desenvolvimento da indústria brasileira, os quais eram o/a (os/as) A) escravidão e concorrência inglesa. B) interesses dos cafeicultores e pecuaristas. C) interesses dos mineradores e dos produtores de açúcar. D) concorrência holandesa e os interesses dos cafeicultores. E) concorrência dos EUA e interesses dos produtores de café. 3. (EsSa) Sobre a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1808, podemos afirmar que: a) O apoio inglês foi retribuído através do decreto de abertura dos Portos as Nações Amigas. b) D. João VI transformou a cidade de Salvador na nova capital do Império Português. c) Contou com auxilio da marinha francesa, que protegeu a esquadra portuguesa contra os ingleses. d) A população portuguesa apoio a saída de seus governantes ameaçados de captura pelas tropas francesas. e) A marinha inglesa perseguiu os navios portugueses até o litoral brasileiro. 4.(EsSa) A transferência da família real para o Brasil e a conseqüente assinatura dos tratados de 1810 com a Inglaterra ocasionaram, de imediato a (o): a) A expansão da lavoura cafeeira. b) Dominação dos holandeses no nordeste. c) predomínio inglês no comércio brasileiro. d) Término do bloqueio continental. 5. (Essa-07) No dia 22 de janeiro de 1808, D. João chegou à Bahia. Seis dias depois, cumpriu o que havia prometido aos ingleses ao: a) Elevar o Brasil a categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. b) decretar o Tratado de Tordesilhas. c) Permitir a indústria no Brasil. d) Decretar o Bloqueio Continental contra a França. e) Decretar a abertura dos portos brasileiros às nações amigas. 6. (ESSA-13) A política externa de D. João VI, quando imperador do Brasil, determinou que se realizassem ações militares em territórios vizinhos ao Brasil. Esses territórios foram a A) Guiana Francesa e a França Antártica. B) Guiana Inglesa e a Província Cisplatina. C) Guiana Francesa e a Província Cisplatina. D) Guiana Inglesa e a França Antártica. E) Guiana Francesa e a Guiana Inglesa. 7. (ESSA-15) Em 1815, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. Na prática: A) foi a causa da Inconfidência Mineira. B) nada significou para o Brasil. C) provocou enorme satisfação em Portugal. D) o Brasil volta à condição de colônia. E) o Brasil adquiria autonomia administrativa. 8. (RS-17) Muito pouco é falado sobre a revolta que durou pouco mais de dois meses, lutou contra os desmandos de D. João VI e os privilégios dados a elite lusitana. Este movimento foi a: a) Insurreição Pernambucana- 1817 b) Revolução do Porto – 1820. c) Revolta dos Marinheiros – 1808. d) Luta conta Napoleão Bonaparte – 18010. e) Conjuração Mineira. 9. (RS-17) Uma das primeiras medidas de D. João VI foi a permissão de instalação de indústrias na colônia, isto porque tinha como objetivo: a) promover o fim das disparidades econômicas regionais. b) fortalecer os laços de dependência financeira com as companhias inglesas. c) iniciar o processo de independência do Brasil. d) romper as relações diplomáticas e econômicas com a Inglaterra. e) incentivar a produção interna e diminuir a dependência a Inglaterra. 10. (FGV) A instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, representou uma alternativa para um contexto de crise política na Metrópole e a possibilidade de implementar as bases para a formação de um império luso-brasileiro na América. Das alternativas abaixo, assinale aquela que NÃO diz respeito ao período joanino. a) Ocupação da Guiana Francesa e da Província Cisplatina e sua incorporação ao Império Português, como resultado da política externa agressiva adotada por D. João. b) Abertura dos portos da Colônia às nações aliadas de Portugal, como a Inglaterra, dando início a uma fase de livre-comércio. c) Ocorreu uma inversão da relaçãoentre metrópole e colônia, já que a sede política do império passava do centro para a periferia. d) Atendeu às exigências do comércio britânico, que conseguiu isenções alfandegárias. e) Ocorreu a Revolução Pernambucana de 1817, que defendia o separatismo com o governo republicano e a manutenção da escravidão. PARTIDOS POLÍTICOS, REVOLTAS E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL........................ Composição Política. “Partido Português”: era composto por alta burocracia, comerciantes e militares portugueses que apoiavam a recolonização do Brasil, possibilitando a recuperação de antigos ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS privilégios e monopólios. Defendiam o retorno de D. João VI ao Brasil “Partido Brasileiro”: era integrado pelos proprietários rurais, comerciantes brasileiros e burocratas que queriam a manutenção das medidas joaninas, particularmente a abertura dos portos e a autonomia administrativa. Era formado por homens de diferentes posições políticas – como José Bonifacio, Cipriano Barata e Gonçalves Ledo – mas que se uniram momentaneamente para enfrentar as Cortes. Esses dois grupos, que representavam facções da elite colonial, tinham um ponto em comum: ambos defendiam a manutenção da escravidão e da estrutura colonial de produção. “Liberais Radicais”: também chamados de “democratas”, propunham a separação definitiva do Brasil e a implementação da república, e havia até alguns que defendiam o fim da escravidão. Os adeptos desse grupo eram pessoas das camadas médias urbanas e os proprietários de terras nordestinos que estavam insatisfeitos com o domínio político do sudeste e defendiam a autonomia provincial (federalismo). Ao longo dos acontecimentos que resultaram na Independência, definiram-se com alguma clareza as correntes conservadoras e radicais do “partido Brasileiro”. Convém esclarecer o significado dessas expressões, pois ele varia de acordo com a situação histórica que estejamos considerando. No quadro dos anos imediatamente anteriores a Independência, a corrente conservadora defendia, em principio, a maior autonomia do Brasil com relação a Portugal, assumindo só em um segundo momento a ideia de Independência. A forma de governo desejável, segundo os Conservadores, era a monarquia constitucional, como garantia da ordem e da estabilidade social. É mais difícil definir a corrente radical, pois nela se incluíam dede monarquistas preocupados em assegurar maior representação popular e as liberdades, especialmente a de imprensa, até os chamados “extremados”, para os quais a independência se associava a ideia de República, de voto popular e, em alguns casos, de reforma da sociedade. Um exemplo concreto das divisões se encontra na discussão sobre a conveniência de se eleger no Brasil uma Assembleia Constituinte e sobre a forma de se proceder a eleição que deveria ocorrer na primeira metade de 1822. José Bonifacio e todo um grupo eram contraditórios a convocação, enquanto homens como Gonçalves Ledo, Muniz Barreto José Clemente Pereira, Martim Francisco manifestavam-se a favor. (Boris Fausto. Historia do Brasil. edusp) Dom Pedro Fica A situação do Brasil permaneceu indefinida durante o ano de 1821. No final desse ano, um fato novo redefiniu a situação: chegaram ao Rio de Janeiro decretos da corte que exigiam a completa obediência do Brasil às ordens vindas da metrópole. No dia 9 de dezembro de 1821, o governo brasileiro voltou a ser dependente de Portugal. Dom Pedro recebeu ordens para voltar a Portugal, mas o Partido Brasileiro, grupo formado por grandes fazendeiros, comerciantes e altos funcionários públicos, o convenceu a ficar. O regente recebeu listas com assinaturas de cerca de 8.000 pessoas pedindo que ele permanecesse no país. Em 9 de janeiro de 1822, apoiado pelas províncias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, dom Pedro decidiu permanecer. Ele foi à sacada e disse: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico!". Essa data ficou conhecida como o Dia do Fico. Aceitando a solicitação do Senado da Câmara do Rio de Janeiro, decidiu-se a desobedecer as ordens de Lisboa e a permanecer no Brasil. Não se tratava ainda de ruptura, pois o gesto de desobediência foi saudado com gritos de Viva as Corte, Viva a religião, Viva a Constituição (...). Tentava-se ainda manter aberta a possibilidade de se constituir uma monarquia dual com sede simultânea em Portugal e no Brasil, visando manter o Brasil como Reino unido a Portugal. (EmiliaViotti da Costa. Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil) Portugal não aceitou pacificamente a decisão de Dom Pedro. As tropas portuguesas sediadas no Rio de Janeiro tentaram forçá-lo a embarcar, o povo reagiu em defesa de Dom Pedro. Pressionados essas tropas voltaram para Portugal. Dom Pedro estimulado pelo entusiasmo popular tomou novas decisões. Primeiramente reformou o ministério dando-lhe força e unidade. Para isso nomeou a 16 de janeiro de 1822, José Bonifácio de Andrada e Silva Ministro dos Negócios do Interior, da Justiça e dos Estrangeiros. Em 04 de abril aconselhado por José Bonifácio decretou que as ordens vindas de Portugal, só teriam valor se aprovadas por ele, como isso, enfrentando as exigências das cortes. Em 03 de junho de 1822, convocou uma Assembléia Nacional Constituinte para fazer as novas leis do Brasil. Isso significava que, definitivamente, os brasileiros fariam as próprias leis. A Proclamação da Independência do Brasil As noticias desencontradas que chegavam a Portugal sobre os acontecimentos do Brasil levariam as Cortes a tomar medidas extremas. Nos últimos dias de agosto de 1822 chegaram ao Brasil noticias das ultimas decisões das Cortes reduzindo o príncipe a um delegado temporário das Cortes. Sob a presidência da Princesa Leopoldina, o Conselho de Estado, reunido durante a ausência de D. Pedro que se achava em viagem. Dom Pedro estava voltando após uma viagem a Santos. Dia 07 de setembro de 1822, quando o correio alcançou Dom Pedro nas margens do rio Ipiranga e entregou-lhe as cartas. Ele começou a lê- las. Eram uma instrução das Cortes portuguesas, uma carta de Dom João VI, outra da princesa e um ofício de José Bonifácio. Todos diziam a mesma coisa: que as Cortes exigiam seu imediato regresso a Portugal, bem como a prisão e processo de José Bonifácio. A princesa recomendava prudência, mas José Bonifácio era alarmante, comunicando-lhe que além de seiscentos soldados lusitanos que já haviam desembarcado na Bahia, outros 7 mil estavam em treinamento para serem colocados em todo o Norte do Brasil. Terminava afirmando: "Só existem dois caminhos: ou voltar para Portugal como prisioneiro das cortes portuguesas ou proclamar a Independência, tornando-se imperador do Brasil. o dardo está lançado e de Portugal não temos a esperar senão a escravidão e horrores. Venha V. A. quanto antes e decida-se porque irresoluções e medidas d’água morna à vista desse contrário que não nos poupa, para nada servem e um momento perdido é uma desgraça” José Bonifacio ao Regente do Brasil Dom Pedro sabia que o Brasil esperava dele uma atitude. Sentido-se pressionado, sem saída, decretou a independência do Brasil em 7 de setembro de 1822. No dia seguinte, iniciou a viagem de retorno ao Rio de Janeiro. Na capital foi saudado como herói. No dia 1º de dezembro de 1822, aos 24 anos, foi coroado imperador do Brasil e recebeu o título de Dom Pedro I. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS “Mandam as Côrtes por Vossa Majestade que eu faça executar e execute decretos; para eu os fazer [...] era necessárioque nós brasileiros livres obedecêssemos à facção. Nós respondemos em duas palavras: Não queremos. Se o povo de Portugal teve o direito de se constituir – revolucionariamente – está claro que o povo do Brasil o tem dobrado, porque vai se constituindo, respeitando-me a mim e às autoridades estabelecidas. [...] Sustentado pelos brasileiros todos, que unidos a mim, me ajudam a dizer: De Portugal nada; não queremos nada. Triunfa e triunfará a independência brasileira, ou morte nos há de custar” (Carta de D. Pedro para D. João VI, em 22 de setembro de 1822). Reconhecimento da Independência Unidas todas as províncias e firmado dentro do território brasileiro o Império, era necessário obter o reconhecimento da Independência por parte das nações estrangeiras. A primeira nação estrangeira a reconhecer a Independência do Brasil foi os Estados Unidos em maio de 1824. Não houve dificuldades, pois os norte-americanos eram a favor da independência de todas as colônias da América. O reconhecimento por parte das nações européia foi mais difícil porque os principais países da Europa, entre eles Portugal, haviam-se comprometido, no Congresso de Viena em 1815, a defender o absolutismo, o colonialismo e a combater as idéias de liberdade. Entre as primeiras nações européias apenas uma foi favorável ao reconhecimento do Brasil independente: a Inglaterra, que não queria nem romper com seu antigo aliado, Portugal, nem prejudicar seu comércio com o Brasil. Foi graças à sua intervenção e as desmontadas conversações mantidas junto aos governos de Lisboa e do Rio de Janeiro que Dom João VI acabou aceitando a Independência do Brasil, fixando-se as bases do reconhecimento. A 29 de agosto de 1825 Portugal, através do embaixador inglês que o representava, assinou o Tratado luso-brasileiro de reconhecimento. O Brasil, entretanto, teve que pagar a Portugal uma indenização de dois milhões de libra esterlinas, dinheiro que não tinha, então recorreu a sua grande parceira, a Inglaterra, assim, Brasil sai dos domínios de Portugal e entra no da Inglaterra. ____________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 08____________ 1. (EsSA) Exerceu grande influencia na regência de D. Pedro, após o episodio do Fico, o Patriarca da Independência: a) Jose Clemente pereira. b) Antonio Dias. c) Martim Francisco. d) Jose Bonifácio. 2. As medidas restritivas originárias das Cortes de Lisboa atingiram diretamente o governo de D. Pedro I no Brasil. Contrariou o príncipe, inclusive, a ordem de regressar ao reino para “completar sua educação”. Historicamente, a data de 9 de janeiro de 1822 é conhecida como dia do (a): a) Grito do Ipiranga. b) Vitória. c) Fico. d) Constituição. 3. (EsSa) O movimento de independência do Brasil foi liderado especialmente: a) Pela elite fundiária. b) Pela massa da população. c) Pelos próprios portugueses. d) Pela burguesia industrial. e) Pelos escravos. 4. (EsSa-06) A Independência Brasileira foi um processo liderado, em grande parte, pelos setores sociais que mais se beneficiaram com a ruptura dos laços colônias. Esses setores eram formados pelo (s): a) Profissionais liberais e trabalhadores urbanos. b) grandes proprietários de terra e grandes comerciantes. c) Alto clero e pequenos proprietários de terra. d) Funcionários públicos e alto clero e) Farroupilhas e baixo clero. 5. (EsSa) Um dos motivos que levaram o Príncipe D. Pedro a proclamar a Independência do Brasil foi: a) atendimento à solicitação feita por D. João VI. b) Pressão exercida pelas cortes de Lisboa sobre o Brasil. c) invasão das terras brasileiras pelos espanhóis. d) Idéias separatistas na província de São Paulo. 6. (SD-PM-PE-06) A independência política do Brasil em relação a Portugal aconteceu em 1822. Sobre o processo de emancipação brasileira pode-se afirmar que: A) manteve a estrutura do país em relação aos aspectos sociais. B) teve ampla participação das camadas populares. C) foi marcado pela unanimidade do liberalismo radical. D) o partido brasileiro defendia o republicanismo. E) a aristocracia do centro-sul foi afastada das decisões políticas. 7. A transferência da corte trouxe para a America portuguesa a família real e o governo da Metrópole. Trouxe também, e sobretudo, boa parte do aparato administrativo português. Personalidades diversas e funcionários régios continuaram embarcando para o Brasil atrás da corte, dos seus empregos e dos seus parentes após o ano de 1808. (NOVAIS.F. A. Alencastro. (org.) Historia da vida privada no Brasil) Os fatos apresentados se relacionam ao processo de independência da America portuguesa por terem; a) Incentivado o clamor popular por liberdade. b) Enfraquecido o pacto de dominação metropolitana. c) Motivado as revoltas escravas contra a elite colonial. d) Obtido o apoio do grupo constitucionalista a elite colonial. e) Provocado os movimentos separatistas das províncias. 8. A historiografia recente sobre a Independência do Brasil tem destacado que o Grito do Ipiranga constituiu mero desfecho formal de um processo inaugurado com a transferência da Corte para o Brasil e a abertura dos portos em 1808. Qual o aspecto econômico desse processo que contribui para a compreensão da complexidade das tensões desse período? a) A política externa joanina, materializada pelos Tratados de 1810 com a Inglaterra. b) A chegada da missão artística francesa (1815), liderada por Joachim Lebreton. c) A expansão do liberalismo econômico, com a eclosão da Revolução do Porto (1820). d) A rebelião das tropas baianas de 1821, fiéis às decisões das Cortes de Lisboa. e) A declaração do “Fico” em janeiro de 1822, precursora do 7 de setembro. 9. (Faap) Nas lutas conhecidas como Guerras da Independência e no reconhecimento externo da Independência, o Brasil foi auxiliado pelo(a): a) França b) Espanha ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS c) Itália d) Estados Unidos e) Inglaterra 10. O reconhecimento da independência brasileira por Portugal foi devido principalmente: a) à mediação da França e dos Estados Unidos e à atribuição do título de Imperador Perpétuo do Brasil a D.João VI. b) à mediação da Espanha e à renovação dos acordos comerciais de 1810 com a Inglaterra. c) à mediação de Lord Strangford e ao fechamento das Cortes Portuguesas. d) à mediação da Inglaterra e à transferência para o Brasil de dívida em libras contraída por Portugal no Reino Unido. e) à mediação da Santa Aliança e ao pagamento à Inglaterra de indenização pelas invasões napoleônicas. O PRIMEIRO REINADO (1822-1831) As guerras de independência. O gripo de D. Pedro foi aclamado por muitos, mas não foi obedecido por todos. No Brasil, nessa época, havia algumas tropas portuguesas. Um simples grito não as expulsaria. O novo governo tinha um problema muito grave: o Brasil quase não possui Exército. Os efetivos brasileiros eram fracos e desorganizados. Não tinham, portanto, condições de enfrentar as tropas portuguesas. A solução foi contratar mercenários na Europa. Não foi muito difícil encontrar tais militares, as guerras contra Napoleão tinham acabado e muitos estavam se ocupação. Então, vários oficiais europeus vieram para o Brasil para organizar o Exército brasileiro ajudar nas guerras de independência. A “Adesão”. Quando a proclamação da independência, não houve unanimidade em apoiá-la. De inicio, somente o Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo aderiram, plenamente, à causa brasileira. Na província Cisplatina, As tropas fiéis às Cortes de Lisboa ocupavam Montevidéu, e embora sitiada pelas tropas aliadas de D. Pedro, comandadas por Lecor, representaram um núcleo de resistência à integridade da jovem nação.Pará e Maranhão estavam fortemente sob controle português e, na Bahia, a cidade de Salvador permanecia em poder das tropas do General Madeira e sob a proteção de uma forte esquadra portuguesa. O domínio da Bahia pelos portugueses capacitava-os, pela excepcional posição estratégica de Salvador, a dificultar o controle do norte do país pelos partidários da Independência e a, futuramente, quando a evolução dos acontecimentos permitisse, tentar a reconquista das regiões ao sul. A primeira esquadra brasileira foi formada com os navios portugueses que se encontravam no porto do Rio de Janeiro. O Arsenal da Corte, no Rio de Janeiro, sob a presença quase diária do Imperador, empenhou-se na recuperação das velhas embarcações apreendidas aos portugueses, em especial a nau Martins de Freitas, agora denominada de Pedro I, e na conversão dos navios mercantes provenientes da subscrição. Apesar desses esforços extraordinários, as obras realizadas deixavam muito a desejar, principalmente pela má qualidade do material disponível. Cochrane, após os primeiros confrontos com os portugueses, apontava inúmeras falhas do material e do equipamento da nau Capitânea. No que se refere ao pessoal, praticamente não havia brasileiros na marinha metropolitana. No dizer de Prado Maia “seus chefes, como seus oficiais e marinheiros, continuaram a ser portugueses, mesmo depois da vinda da família real para o Brasil, obedecendo a uma dinastia portuguesa e, ademais, repelindo o concurso dos nacionais a quem tratava com desafetos (...)”. As tarefas que cabiam a esta esquadra podem ser assim enunciadas: Na província Cisplatina, tendo sido estabelecido, em janeiro de 1823, o bloqueio de Montevidéu pelas forças navais que ali estavam e que tinham aderido a Independência – posteriormente reforçadas por alguns navios enviados do Rio de Janeiro – a enérgica tentativa portuguesa de romper o bloqueio foi desfeita no combate naval que se travou, em outubro de 1823, ao largo de Montevidéu. Em conseqüência, a 18 de novembro capitularam os reinóis, retirando-se para Portugal, em março de 1824, em 9 navios mercantes, escoltados por 2 Brigues e 2 escunas brasileiros que asseguravam o afastamento definitivo de nossas águas desses elementos portugueses. Na Bahia, uma força naval portuguesa significativa, mais poderosa do que a esquadra brasileira que se conseguiu formar, tornava bem mais difícil a tarefa dos brasileiros. Tendo Cochrane assumido o comando-em-chefe da esquadra, em março de 1823, na nau Pedro I. recebe, no mesmo mês, ordem do Ministro da Marinha, Luis da Cunha Moreira, para demandar a Bahia, “pondo aquele porto em rigoroso bloqueio, destruindo ou tomando todas as forças portuguesas que encontrar, e fazendo todos os danos possíveis aos inimigos deste império”. A pesar da superioridade numérica dos portugueses e das muitas vezes justificada desconfiança que os elementos lusos de nossa esquadra inspiravam – há inúmeros exemplos de traição tanto na campanha de libertação da Cisplatina como nas lutas da Bahia – não conseguiram os comandados do Almirante Felix de Campos romper o bloqueio de Cochrane e, a 2 de julho de 1823, embarcaram nos navios da esquadra e navios mercantes existentes no porto, no rumo de Portugal. A esquadrilha naval formada e comandada por João das Botas teve importante papel na vitória brasileira. A esquadra brasileira perseguiu a lusitana, numa ação típica de desgaste, conseguindo êxitos extraordinários. Não dispondo Cochrane de oficiais e marinheiros em numero suficiente para guarnecer as inúmeras presas feitas, foi determinados a equipes de abordagem que arrombassem a golpe de machado as pipas de água dos navios capturados, deixando apenas a aguada suficiente para a curta viagem de retorno ao porto brasileiro mais próximo. Os navios com soldados a bordo tinham, além disso, os mastros cortados. Posteriormente, a fragata Niterói sozinha, sob o comando de Taylor, manteve a perseguição, seguindo Cochrane com a Pedro I. Para o Maranhão. Inúmeros barcos são apreendidos pela Niterói que prossegue até a embocadura do Tejo. Parece fora de duvida que as inúmeras perdas portuguesas no seu regresso a Portugal contribuíram, significativamente, para quebrar o animo lusitano, desestimulando possíveis tentativas de expedições que reforçassem seus partidários no norte do país. A presença de Cochrane no Maranhão, com a nau Pedro I, acarretou a adesão daquela província à independência, a 28 de julho de 1823. Grenfell é enviado por Cochrane ao Pará, com o brigue Maranhão (ex-D. Miguel, capturado no Maranhão), e a província é pacificada a 15 de agosto. (Vidigal, História marítima). Assembléia Constituinte. Depois da convocação da Assembléia Nacional Constituinte a discussão girou em torno das formas de eleição dos deputados constituintes. Liberais radicais de Gonçalves Ledo (democráticos e republicanos) defendiam a soberania popular e achavam que o soberano deveria se submeter à Constituinte. A tese de soberania popular não agradava o grupo de José Bonifácio, monarquista moderado que temia a anarquia fomentada pelos liberais radicais. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Bonifácio propunha a convocação de uma Assembléia de Procuradores das províncias com poderes apenas consultivos e a outorga de uma constituição pelo Imperador. Liberal, sim, mas jamais um democrata. Seu grupo político venceu a disputa. Embora prevalecesse a tese de uma Assembléia Constituinte, com poderes para elaborar uma Constituição, a forma de eleição dos constituintes foi a menos democrática possível. Os escravos, estavam excluídos, tinham direito de voto todos os cidadãos solteiros ou casados, exceto os que recebessem baixos salários. Também ficavam excluídos os estrangeiros não naturalizados, os criminosos, os membros das ordens religiosas e as mulheres. Os analfabetos poderiam votar, pois boa parte, senão a quase totalidade, dos grandes proprietários rurais estavam nessa categoria. O clima do período eleitoral também não estava favorável aos liberais radicais. O ministério liderado por Jose Bonifácio iniciou a repressão aos ex-aliadosdo 7 de setembro. A 3 de maio de 1823 reuniu-se a Assembléia Constituinte encarregada de elaborar a Constituição que Dom Pedro I jurou defender se “fosse digna dele”. O clima das reuniões era tenso. Havia discussões entre brasileiros e portugueses, partidários e adversários do imperador. Um clima exacerbado de nacionalismo era sentido entre os deputados. Desconfiava-se das intenções do imperador, que vivia cercado de portugueses no ministério, na alta burocracia estatal e nos principais postos do exército. O Projeto da Constituição As eleições seriam indiretas e censitárias isto é, baseada em uma renda mínima. Primeiro votariam os “cidadãos ativos”, ou eleitores de primeiro graus ou “eleitores de paróquia”, que deveriam ter renda liquida não inferior ao valor de 15 alqueires de farinha de mandioca – produto de grande circulação no Brasil, o que motivou o nome popular e jocoso de “Constituição de Mandioca’”. Alencastro nos fala mais sobre os critérios de participação política: Segundo o projeto constitucional, o país teria os três clássicos poderes liberais – Executivo, judiciário e Legislativo –, sendo este ultimo o mais favorecido. Para valorizar a representação nacional, o imperador não podia vetar as decisões do Legislativo. Em termos econômicos, manteve-se a escravidão e liberalizou-se a economia, eliminando-se todos os tipos de privilégios e monopólios coloniais. As tensões entre imperador e a Constituição chegaram ao auge quando os deputados tentaram sobrepujar o poder do Imperador. Na noite de 12 de novembro de 1823, a chamada Noite da Agonia,Dom Pedro I dissolveu a Assembléia Constituinte com o apoio do exército. A Constituição de 1824: o autoritarismo imperial D. Pedro nomeou um Conselho de Estado, composto por portugueses, e encarregou-se de redigir em ritmo acelerado uma nova Constituição. Em 25 de março de 1824, o imperador outorgou a primeira Constituição do país. Ela expressava a reação absolutista e a tomada do poder pelo “partido português”. A constituição outorgada, que vigorou até o final do Império, conservou algumas disposições discutidas no anteprojeto. Teve, porém, caráter contraditório. Ao mesmo tempo em que manteve, em linhas gerais, as influencias do liberalismo europeu, apresentou traços marcantes de autoritarismo, através de um poder executivo forte, exercido pelo imperador. A restrição do direito a cidadania a um pequeno grupo privilegiado e a manutenção da escravidão traçaram o perfil do Estado Brasileiro. A carta de 1824 estabelecia como forma de governo uma Monarquia Hereditária Constitucional e Representativa. Nessa estrutura unitária e centralizada, as províncias não tinham autonomia política, sendo administrada por um governador escolhido pelo imperador. Estabeleceram-se quatro poderes políticos: o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e o Moderador. Este último era exercido exclusivamente pelo imperador, auxiliado por um Conselho de Estado. Tinham amplas atribuições, entre os quais a interferência direta no processo político através da dissolução da CÂMARA dos Deputados, a nomeação e demissão de juízes e assinatura de tratados. O corpo legislativo constitui-se em um sistema bicameral: um Senado vitalício e uma Câmara dos Deputados, eleita pelo voto censitário. O sistema de voto era indireto, dividido em dois momentos. Na primeira fase, as eleições primárias, os cidadãos brasileiros, isto é, os possuidores de determinadas renda anual, escolhia o corpo eleitoral que a seguir, numa segunda faze, elegia os deputados e senadores. A Igreja Católica permaneceu como religião oficial, sendo permitido o culto a outras religiões. Através do regime de Padroado, o imperador tinha a prerrogativa de nomear pós bispos e outros membros da hierarquia eclesiástica. Crise econômica. A economia brasileira já vinha sofrendo as conseqüências do declínio das exportações de açúcar e de outros gêneros tropicais no mercado internacional. As despesas com as guerras internas e externas e o pagamento da indenização a Portugal, em 1825, apenas contribuíram para acentuar a fragilidade das finanças brasileiras. Por fim, os tratados comerciais que a Inglaterra e outras nações européias impuseram ao governo de dom Pedro, em troca de seu reconhecimento e legitimação, tornaram a balança comercial brasileira extremamente deficitária: importava-se mais do que exportava. Para solucionar a crise e a falta permanente de moedas, dom Pedro recorreu a dois expedientes: - Pediu empréstimos a Inglaterra. - Emitiu moedas. Essas medidas não resolveram o problema do país. Pelo contrário, agravaram, pois, com o tempo, cresceu a dívida externa brasileira, e a inflação interna provocou um aumento do custo de vida. O agravamento da crise econômica contribuiu, em grande parte, para o clima de insatisfação e de oposição aos portugueses que caracterizou a sociedade brasileira durante o Primeiro Reinado. A Confederação do Equador. Dissolvendo a Constituinte e decretando a Constituição de 1824, o imperador deu uma clara demonstração de seu poder e dos burocratas e comerciantes, muito deles portugueses. Em Pernambuco, esses atos discricionários puseram lenha em uma fogueira que não deixara de arder desde 1817 e mesmo antes. A propagação das ideias republicanas, antiportuguesa e federalista ganhou ímpeto com a presença no Recife de Cipriano Barata, vindo da Europa. É importante ressaltar, de passagem, o papel da imprensa na veiculação de criticas e propostas políticas, nesse período em que ela própria estava nascendo. Existiam jornais como O Tamoio, Sentinela da Liberdade e o Tifis. A atividade de Cipriano, em Pernambuco, não demorou muito. Após a dissolução da Constituinte, foi preso e enviado para o Rio de Janeiro, onde ficou preso até 1830. Como figura central das criticas passou a destacar-se Frei Joaquim do Amor Divino – O Frei Caneca, era um homem erudito e de ação. A contrariedade provocada na província pela nomeação de um governador não-desejado abriu caminho para a revolta. Seu chefe ostensivo , Manuel de Carvalho, proclamou a Confederação do Equador, a 2 de junho de 1824. No dia da outorga da Constituição de 1824, antes da rebelião, enviou oficio ao secretario de Estado ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Americano, solicitando a remessa de uma pequena esquadra ao porto de Recife, invocava a Doutrina Monroe. A Confederação deveria reunir sob forma federativa e republicana, com participação de outras províncias. O levante teve conteúdo acentuadamente urbano e popular, diferenciando-se da ampla frente regional, com a liderança de proprietários rurais e alguns comerciantes, que caracterizara a Revolução de 1817. Apesar de seu conteúdo nacionalista, diríamos melhor antilusitano, a rebelião contou com a presença de vários estrangeiros. Dentre eles, destacou-se a figura de um liberal português, filho de polonês, Chamado de Ratcliff. A Confederação não teve condições de se enraizar e de resistir militarmente as tropas do governo, sendo derrotada em várias províncias do Nordeste, até terminar por completo em novembro de 1824. Um tribunal manipulado pelo Imperador condenou a morte as lideranças. Frei Caneca foi fuzilado. (Adaptado de Boris Fausto) A Guerra da Cisplatina. A recém-batizada Cisplatina tinha habitantes com idioma e cultura diferentes que se negavam a aceitar os costumes brasileiros. Neste contexto, a Argentina e alguns patriotas Uruguaios, liderados pelo revolucionário uruguaio Juan AntonioLavalleja, começaram a fomentar o início da rebelião. Então, em 1825, a Guerra da Cisplatina eclodiu. O início dos embates deu-se quando Lavalleja desembarcou na praia da Agraciada com suas fileiras e, ajudado por populares, dominou a região e declarou sua anexação à Argentina. Como resposta, o governo brasileiro informava que, caso Lavalleja não desocupasse a área, enviaria tropas dando início à guerra. D. Pedro I fez uma declaração formal de guerra à Argentina. A base principal do exército brasileiro era de portugueses, mas, depois da proclamação da república, estas tropas retornaram à Europa e foram substituídas por brasileiros recém-recrutados. Em 1827, as forças imperiais derrotaram as provincianas na Batalha de Monte Santiago. No ano seguinte, o uruguaio Fructuoso Rivera reconquistou a província oriental (Uruguai). Após esta vitória, devido ao impasse em terra, ao bloqueio naval do Brasil, aos altos custos com a guerra e a pressão inglesa para que fosse firmado um acordo, deu-se início um acordo de paz, mediado pela França e pela Inglaterra, que tinha interesses econômicos na região. Enfim, no ano de 1828 termina a Guerra da Cisplatina, com as duas partes assinando um acordo que findava o conflito. A acordo firmava que a Província da Cisplatina não ficaria nem com a Argentina nem com o Brasil. Foi criado um país independente: a República Oriental do Uruguai. O desfecho da Guerra da Cisplatina foi desfavorável ao Brasil, pois o dinheiro gasto para sustentar o combate arruinou sua economia. Outro aspecto foi o desgaste da imagem política de D. Pedro I, aumentando a insatisfação do povo que, desde o início do conflito, culpava a Guerra da Cisplatina dizendo que ela representava o aumento de impostos. A Crise Política A dissolução daConstituinte, a outorga da Constituição e a repressão violenta à Confederação do Equador afastavam o “partido brasileiro” do imperador. D. Pedro governava com apoio do “partido português” e dos militares. Os liberais moderados acusavam seus auxiliares, poupando a figura do imperador. Na verdade, o governo era exercido por um grupo informal. Desse grupo faziam parte o Chalaça, guarda-costas de D. Pedro, e a amante do imperador, Maria Domitila, que a história brasileira conhece como a Marquesa de Santos. Esse grupo era encarregado do favorecimento aos amigos, da corrupção e atividades afins. O Banco do Brasil havia falido depois de algumas negociatas feitas com membros do “partido português”. Os acordos feitos com os países estrangeiros para o reconhecimento da independência aumentaram a impopularidade do imperador, mesmos os liberais moderados passaram a acusar o imperador pela crise econômica. Outra questão externa, que veio agravar a crise política, foi asucessão portuguesa. Em 1826 morreu D. João VI. Seu primogênito, D Pedro I, seria o novo rei de Portugal. Os brasileiros não escondiam a preocupação: dom Pedro rei de Portugal e do Brasil era sinônimo de recolonização. Pressionado, do Pedro abdicou ao trono português em favor de sua filha Maria da Glória, de apenas cinco anos de idade. A princesa era prometida em casamento a seu tio dom Miguel, que regeria Portugal até a maioridade da herdeira. Dom Miguel restaurou o absolutismo e se tornou rei. Políticos constitucionalistas portugueses fugiram para o Rio de Janeiro e, apoiados pela Inglaterra, pressionaram dom Pedro a interferir na sucessão portuguesa. O tesouro brasileiro passou a financiar os liberais, que, em Portugal, lutavam contra dom Miguel. Os deputados brasileiros denunciavam a intromissão do monarca nos assuntos portugueses. Os jornais do Rio de janeiro, em sua maioria de oposição, criticavam o imperador. Em São Paulo, o jornalista Líbero Badaró fazia virulentas críticas a dom Pedro. A 20 de novembro de 1830. Badaró foi assassinado por pistoleiros a mando de um juiz paulista, colaborador e amigo de dom Pedro. Não se tinham provas do envolvimento do imperador no assassinato, mas, como nenhum culpado foi punido, as suspeitas eram grandes. A morte de Líbero Badaró chocou a opinião pública em várias províncias. Dom Pedro resolveu ir a Minas Gerais para tentar reconquistar os habitantes da capitania. Ao chegar, esperava festa, ruídos e alegria, mas nada disso aconteceu. Os mineiros o receberam em silêncio, e as igrejas tocaram os sinos de finados pela morte do jornalista. Para compensar as desfeitas de Minas. Já os portugueses do Rio de Janeiro resolveram receber o imperador com grandes festas, os brasileiros resolveram atacar a festa em 13 de março de 1831, foram recebidos a garrafadas pelos portugueses, tal evento ficou conhecido como a Noite das Garrafadas. A oposição acusava dom Pedro e sues auxiliares de estarem envolvidos nos distúrbios. A situação política no Rio de Janeiro era grave. Deputados do “partido brasileiro” exigiam reformas políticas urgentes. Dom Pedro nomeou um ministério neutro, chamado de Ministério Brasileiro, para desarmar o clima de revolta. No dia 5 de abril, estouraram motins na capital do país. Como o ministério não reprimiu as manifestações populares, dom Pedro substituiu-o por um ministério ligado aos portugueses. No dia 6, manifestantes armados percorriam as ruas do Rio de Janeiro pedindo a volta do Ministério Brasileiro. Povo e tropa irmandados nas ruas; dom Pedro havia perdido o apoio militar. Representantes foram pedir ao imperador a readmissão do Ministério Brasileiro. A abdicação. Na madrugada de 7 de abril de 1831, dom Pedro abdicou do trono em favor de seu filho, Pedro de Alcântara, de apenas 5 anos. Enquanto o novo imperador fosse menor de idade o Brasil seria governado por uma regência. “Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que hei voluntariamente abdicado na pessoa do meu mui amado e prezado filho o Sr. D. Pedro de Alcântara. Boa Vista7 de abril, décimo da Independência e do Império – D. Pedro I.”. A classe dominante brasileira havia chegado ao poder político. Tratava-se agora de consolidar o Estado nacional e afastar definitivamente o perigo de recolonização do Brasil. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Logo após a abdicação, os liberais moderados se empenham em manter a ordem política e social, convocando em caráter de urgência uma regência para chefiar o país. Tratava-se de impedir que a ausência do Imperador ocasionassem revoltas incontroláveis que ameaçassem os interesses da elite proprietária. Entretanto, a abdicação de D. Pedro I levou as diversas facções da aristocracia rural a travarem violentas disputas pelo poder. Todas elas queriam construir um tipo de Estado de acordo com suas convicções e interesses. Essa divisão política da elite possibilitou a organização e ação dos setores populares da sociedade, dando origem a diversos movimentos, espalhados pelo país. ______________EXERCÍCIOS- BATERIA:09_____________ 1. A Constituição outorgada por D.Pedro I em 1824 continha uma inovação institucional: o poder moderador. A principal consequência da introdução desse poder na ordem imperial foi: a) permitir que o imperador servisse de árbitro aos conflitos entre liberais e conservadores. b) promover o desenvolvimento econômico, ao dar ao imperador a iniciativa em diversas áreas de política econômica. c) garantir a continuidade da escravidão até o final do império. d) concentrar enormes poderes repressivos na Coroa, criando um regime semelhante aos regimes absolutos da Europa da era Moderna. e) dar inicio ao processo de descentralização política do regime imperial. 2.(EsSa-15) A primeira constituição do Brasil, de 1824, estabelecia uma organização do sistema político em quatro poderes. Além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, havia o poder: A) Absoluto. B) Hierárquico. C) Moderador. D) Régio. E) Patriarcal. 3. A crise política do I Império Brasileiro, que resultou na abdicação de D. Pedro I, teve como cerne a disputa entre a inclinação centralista-absolutista do monarca e a defesa do federalismo pelas elites econômicas regionais. A renúncia do imperador em 1831 resultou: a) na transferência de poder às elites regionais e aos regentes, ordem política que se mostrou frágil e abriu caminho para levantes oposicionistas e populares. b) na transformação imediata de Pedro II em monarca do Reino Português na linha de sucessão da Casa de Bragança. c) no fortalecimento de movimentos separatistas regionais, em desacordo com a manutenção do regime monárquico e da escravidão. d) no surgimento de grupos políticos republicanos, que seriam embrionários do movimento que promoveu a Proclamação da República em 1889. 4. (Uespi-12) Em 1988, foi promulgada, através da Assembleia Constituinte eleita pelo voto popular, a constituição conhecida como “Constituição Cidadã”. Mas, nem todas as Constituições brasileiras tiveram essa feição, a exemplo da outorgada em 1824 por D. Pedro I, pela qual: a) foi instituído o Poder Moderador. b) se extinguiu o Poder Judiciário. c) consolidou-se a vitória do Partido Brasileiro. d) estabeleceu-se a separação entre os poderes eclesiástico e civil. e) se conseguiu o desenvolvimento do que se convencionou chamar de questão militar. 5. “Temos a tendência de pressupor que todas as mudanças que decorreram de um movimento de independência foram para o melhor. Raramente, por exemplo, consideramos um movimento de independência como uma regressão, um triunfo do despotismosobre a liberdade, de um regime imposto sobre um regime representativo. Apesar disso, no caso da independência do Brasil, essas acusações foram na época imputadas ao novo regime”. (Adaptado de MAXWELL, K. “Por que o Brasil foi diferente? O contexto da independência”. In: MOTTA, C. G. (org.)) Qual dos eventos citados a seguir gerou as acusações mencionadas no texto? a) A outorga da Constituição de 1824, feita por D. Pedro I depois de dissolvida a Assembleia Constituinte que elaborava o texto constitucional. b) O tratado de comércio que estipulou vantagens econômicas para a Inglaterra. c) O incentivo à imigração europeia e a gradual emancipação dos escravos, resultado de políticas públicas realizadas no período monárquico com objetivo de promover a transição do trabalho escravo para o trabalho livre. d) A guerra empreendida contra o Paraguai na década de 1860. 6. (Enem 2011) Art. 92. São excluídos de votar nas Assembleias Paroquiais: I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais não se compreendam os casados, e Oficiais militares que forem maiores de vinte e um anos, os Bacharéis Formados e Clérigos de Ordens Sacras. IV. Os Religiosos, e quaisquer que vivam em Comunidade claustral. V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio ou empregos. Constituição Política do Império do Brasil (1824). Disponível em: https://legislação.planalto.gov.br. (adaptado). A legislação espelha os conflitos políticos e sociais do contexto histórico de sua formulação. A Constituição de 1824 regulamentou o direito de voto dos “cidadãos brasileiros” com o objetivo de garantir a) o fim da inspiração liberal sobre a estrutura política brasileira. b) a ampliação do direito de voto para maioria dos brasileiros nascidos livres. c) a concentração de poderes na região produtora de café, o Sudeste brasileiro. d) o controle do poder político nas mãos dos grandes proprietários e comerciantes. 7. A Constituição imperial brasileira, promulgada em 1824, estabeleceu linhas básicas da estrutura e do funcionamento do sistema político imperial tais como o (a): a) equilíbrio dos poderes com o controle constitucional do Imperador e as ordens sociais privilegiadas. b) ampla participação política de todos os cidadãos, com exceção dos escravos. c) predominância do poder do imperador sobre todo o sistema através do Poder Moderador. d) laicização do Estado por influência das idéias liberais. e) autonomia das Províncias e, principalmente, dos Municípios, reconhecendo-se a formação regionalizada do país. 8. Sobre o processo de emancipação política do Brasil em 1822, considere as afirmativas a seguir. I - Para a aristocracia brasileira era fundamental que o governo do Brasil emancipado mantivesse o escravismo e as relações com a Inglaterra. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS II - Pedro I negou publicamente sua disposição de indenizar Portugal pela separação, mas assinou o compromisso que estabelecia o Tratado de Paz e Aliança. III - O Tratado de Paz com Portugal manteve a Província Cisplatina sob controle português. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) I, II e III. 9. (Fuvest) Podemos afirmar que tanto na Revolução Pernambucana de 1817, quanto na Confederação do Equador de 1824, a) o descontentamento com as barreiras econômicas vigentes foi decisivo para a eclosão dos movimentos. b) os proprietários rurais e os comerciantes monopolistas estavam entre as principais lideranças dos movimentos. c) a proposta de uma república era acompanhada de um forte sentimento antilusitano. d) a abolição imediata da escravidão constituía-se numa de suas principais bandeiras. e) a luta armada ficou restrita ao espaço urbano de Recife, não se espalhando pelo interior. 10. (Cesgranrio) "Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que hei de muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu mui amado e prezado filho o Sr. D. Pedro de Alcântara. Boa Vista - 7 de abril de 1831, décimo da Independência e do Império - D. Pedro I." Nesses termos, D. Pedro I abdicou ao trono brasileiro no culminar de uma profunda crise, que NÃO se caracterizou por: a) antagonismo entre o Imperador e parte da aristocracia rural brasileira. b) empréstimos externos para cobrir o déficit público gerado, em grande parte, pelo aparelhamento das forças militares. c) aumento do custo de vida, diminuição das exportações e aumento das importações. d) pressão das elites coloniais que queriam o fim do Império e a implantação de uma República nos moldes dos Estados Unidos. A REGÊNCIA (1831-1840) Como o sucessor de D. Pedro I tinha apenas 5 anos de idade, a Carta de 1824 previa a eleição de uma regência formada por três membros eleitos pela Assembléia Geral, composta pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. Mas, no dia 7 de abril, os parlamentares estavam de férias. Por isso, os deputados e senadores que se encontravam no Rio de Janeiro elegeram uma regência provisória. Trina Provisória. (abril-julho de 1831) Exerceria o poder até a Câmara eleger a Regência Trina Permanente, era preciso conter o perigo das ruas. Sem os exaltados era impossível a abdicação de dom Pedro. Com eles, tornava-se impossível governar o país. A regência trina Provisória expressou um equilíbrio político, que excluía os exaltados. Carneiros Campos (marquês de Caravelas), representava o conservadorismo; Nicolau de Campos Vergueiro, os liberais moderados e Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, o exército. O ministério Brasileiro, demitido em 5 de abril por dom Pedro I, foi readmitido. Os presos políticos foram anistiados. Em junho de 1831, a Assembléia dos Deputados votou a lei de Regência, estabelecendo que os regentes não teriam o poder Moderador, criar impostos, conceder títulos de nobreza e decretar a guerra. O verdadeiro poder residia na Câmara, e não nos regentes. A Câmara elegeu também a regência Trina Permanente. Os Grupos Políticos A elite brasileira, que havia forçado a abdicação do imperador, dividiu-se em duas facções políticas. Os latifundiários, bacharéis, altos burocratas, jornalistas e grandes comerciantes, principalmente do Rio de janeiro e São Paulo, formavam a corrente dos Liberais Moderados (Chimangos), foram denominados, também, depois da abdicação de D Pedro como Partido da Ordem, Partido do Centro e até como Partido da Revolução, para fazer frente aos restauradores. Esses eram favoráveis a um rígido controle político-econômico do país pelo governo do Rio de Janeiro. Mas também assumiu algumas propostas dos liberais exaltados. Os senhores de terras de outras províncias, ao lado da classe média carioca – soldados, oficiais, marinheiros, pequenos funcionários e comerciantes – formavam outro grupo, o dos Liberais Exaltados (Farroupilhas ou Jurujuba). Esses defendiam a idéia de uma República Federativa, ou seja, a autonomia das províncias, aceitaram a monarquia no momento da abdicação. Entretanto, os dois grupos concordavam num ponto; era necessário preservar a grande propriedade, o trabalho escravo e o regime monárquico. Os antigos partidários de dom Pedro I, oficiais portugueses em sua maioria, defendiam por sua vez uma posição ainda mais conservadora; desejavam a volta do ex-imperador à frente do governo brasileiro. Esse grupo era chamado de Restauradores (Caramurus). A eles justaram-se Jose Bonifácio e seus dois irmãos. O ato adicional, agosto de 1834 (veremos a seguir), devido ao seu caráter conciliatório, era extremamente contraditório: ao mesmo tempo em que descentralizava um poder (o Legislativo), centralizava o outro (o Executivo). As divergênciasnão demoraram a aparecer, e provocando uma nova divisão e organização das forças políticas: aqueles que apoiavam as medidas descentralizantes do Ato adicional passaram a ser conhecidos como Progressistas, e os opositores ao Ato, como Regressistas. Com a morte de D. Pedro I (setembro de 1834) acontece novamente uma rearticulação partidária: Liberais ou Luzias: parte dos moderados se une com os exaltados e Conservadores ou Saquaremas: Araújo Lima e outra parte se unem com os restauradores. Trina Permanente.(1831-1834) A Trina Permanente era formado pelo Brigadeiro Francisco de Lima e Silva e os deputados José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz. Durante o período regencial, o Brasil viveu certa “experiência republicana”, pois o Poder Executivo era eletivo e com mandato temporário. A atividade política era intensa, vários grupos disputavam o poder e o Brasil foi palco de constantes lutas sociais. Nessa primeira fase do período regencial, de 1831-1834, a política nacional esteve sobre controle dos liberais moderados. A figura de maior destaque nesse período foi o padre Antonio Feijó, ministro da Justiça, empossado nesse cargo no dia 6 de julho de 1831, filho bastardo de uma família de grandes proprietários rurais de Itu. Assumiu o cargo somente depois da assinatura de um documento, assinado pela Câmara, que lhe dava total autonomia para reprimir as agitações e outros poderes. Na crise de julho (levante da policia e do exército carioca, contra baixos salários e castigos), Feijó agiu com determinação, requisitando forças de Minas ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS e São Paulo para enfrentar os revoltosos. Mas não foi necessário. Bastou às autoridades negarem o atendimento das exigências para que as tropas rebeladas se recolhessem e o movimento fracassasse. Contudo, havia ficado bastante claro que o governo regencial não poderia confiar nas tropas regulares. Partindo dessa constatação, foi criada a Guarda Nacional. Criada pela lei de 18 de agosto de 1831, subordinada ao Ministério da Justiça, ao mesmo tempo em que se extinguiam as ordenanças e milícias subordinadas ao Ministério da Guerra. [Na Guarda Nacional serão listados]: 1º. Todos os cidadãos brasileiros que podem ser eleitores, contando que tenham menos de 60 anos de idade e mais de 21. 2º. Os cidadãos filhos de famílias de pessoas que tem a renda necessária para serem eleitores, contando que tenham 21 anos de idade para cima. (Coleção Leis do Império Brasil de 1831) A Guarda Nacional era uma força paramilitar, composta por cidadãos com renda anual superior a 200 mil-réis, nas grandes cidades, e 100 mil-réis nas demais regiões. Organizada por distrito, seus comandantes e oficiais locais eram escolhidos por eleição direta e secreta. Foi assim que o governo dos moderados equipou-se com uma forma repressiva fiel e eficiente. Como instrumento de poder da aristocracia rural, sua eficiência foi testada com sucesso em 1831 e 1832, no Rio de Janeiro e em Pernambuco, contra as rebeliões populares. Ato Adicional. O Federalismo, no qual províncias e municípios têm ampla autonomia, era a mais antiga reivindicação dos liberais exaltados. Os liberais moderados queriam tirar essa bandeira de luta das mãos dos “anarquistas”. Também não queriam assustar os conservadores. Através da negociação, da conciliação entre as elites, chegou-se a um acordo, e a Câmara, dominada pelos moderados, a 6 de agosto de 1834 reformou a Constituição de 1834, através do Ato Adicional. O Ato Adicional mostrou os limites do liberalismo, na medida em que reduziu a autonomia relativa das províncias, que não poderiam ter Constituição própria. O presidente, chefe do Executivo Provincial, era nomeado por autoridades do governo central. A autonomia das províncias se restringiu à criação do Legislativo, representado pelas assembléias provinciais, eleitas pelas elites regionais, as quais poderiam legislar sobre as despesas e os impostos locais. Na verdade o Ato misturava a centralização do poder com a descentralização, o que tornava sua aplicação muito difícil. Vejamos alguns pontos: o Extinguiu o Conselho de Estado. o Criou as Assembléias Legislativas Provinciais. o Instituiu o município neutro, capital do país, cidade do Rio de Janeiro. o A Regência trina foi transformada em una, com mandato de quatro anos devendo ser eleita pelo voto direto (eleitores de segundo grau). Com o ato adicional, os liberais chegaram ao ponto máximo das reformas no governo, razão pela qual o período de 1831 a 1835 ficou conhecido como avanço liberal. Regência de Feijó. (1835-37) A nova organização partidária e a crise econômica nacional prenunciavam um governo difícil para quem quer que fosse eleito. Diogo Feijó foi acabou ganhando as eleições por 2. 826 votos contra 2.251 dados a Holanda Cavalcanti. O novo regente tomou posse do cargo no dia 12 de outubro de 1835. Por essa época, várias rebeliões populares eclodiram no país e novamente a Guarda Nacional foi chamada a intervir para manter a ordem do país. Na capital, o novo regente era pressionado pela oposição, que denunciava na Assembléia o caráter excessivamente liberal de algumas medidas, como a campanha abolicionista. O padre Feijó enfrentou também conflitos com a hierarquia da Igreja, que se escandalizou com sua proposta de acabar com o celibato clerical. Ele também pensava que as ordens de frades e freiras deveriam ser extintas, defendia algo como uma espécie de federalismo na Igreja, com uma diocese em cada província. Por fim o regente perdeu o apoio da imprensa, ao romper com seu antigo aliado Evaristo da Veiga, redator do jornal A Aurora Fluminense. Evaristo passou a criticar a “sede de poder” de Feijó, que recusava qualquer tipo de acordo com os políticos conservadores, e, decretou o encerramento do jornal em 1836. Minoritário na Câmara, sem apoio das classes dominantes, envolvido em conflitos com a igreja, acusado de cumplicidade com os farrapos o regente renunciou em 19 de setembro de 1837. Em seu lugar, assumiu o ministro do império, o conservador Araújo Lima. Regência de Pedro de Araújo Lima. (1838-40) A eleição de Araújo Lima levou os regressistas ao poder. Era necessário “deter o carro da revolução”, como dizia Bernardo de Vasconcelos, um importante político conservador. Era preciso acabar com a descentralização, mudar a Legislação, para garantir os privilégios do latifúndio escravista, fosse o decadente do Norte- Nordeste, fosse o do Sudeste, revigorado pelo desenvolvimento da economia cafeeira. Dominando a Câmara, os regressistas reformularam o Código de Processo Criminal. Retiraram os juízes de paz as atribuições policiais, administrativas e criminais e passaram para os juízes municipais, os chefes de polícia e seus delegados, nomeados pelos presidentes provinciais e pelo governo central. Os capangas dos grandes proprietários locais passaram agora a ser capangas do governo que representava os grandes proprietários. A Lei de Interpretação do Ato Adicional aprovada em 1840, referia-se a alguns pontos principais que facilitavam a volta da centralização do poder. Essa lei retirava das assembléias provinciais o poder de definir as funções dos agentes judiciais e policiais e subordinava quase todos ao governo central. Essas medidas só foram efetivamente implantadas no Segundo reinado, quando também renasceu o Conselho de Estado. Revoltas Regências: a) Cabanagem - Pará (1835-40) I - Introdução Causada pelo abandono do Governo Central (RJ) em relação ao Pará; Causada pelo presidente de província indicado que era contrário as elites locais; Foi de cunho popular, feito pelos cabanos, começouem Belém e se alastrou por toda região do Pará; A abdicação de D. Pedro I teve reflexos violentos no Grão - Pará. Sob a liderança do cônego Batista Campos, os cabanos depuseram uma série de governantes nomeados pelo Rio de Janeiro para a Província. Além disso, exigiam melhores condições materiais e a expulsão dos portugueses (Caramurus), vistos como os responsáveis pela miséria em que viviam. Em dezembro de 1833, o Governo da Regência Trina Permanente conseguiu retomar o controle da situação, e Bernardo Lobo de Sousa assumiu o governo da Província. - A Tomada do Poder ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Às duas horas da madrugada, rebentou o movimento. Quatro colunas atacam Belém: A primeira, sob comando de Antonio Vinagre, vinha do Murucutu e tinha a missão de ocupar o Quartel dos Corpos de Caçadores e de Artilharia; a segunda, sob o comando de Miguel Aranha, estava concentrada no Coalhinho e dirigiu-se para o Palácio do Governo; a terceira do Bacuri sob comando de Angelim, e a quarta da Memória, sob o comando de General Gavião, também tinha por objetivo o ataque do Palácio do Governo e, posteriormente, junto com a coluna de Aranha, a tomada do Arsenal. Cada coluna estava dividida em grupos de assaltos, cada um com tarefas específicas. Logo que os cabanos dominaram os quartéis e o Palácio, os municipais permanentes superaram o receio inicial e participaram do movimento: foram à cadeia Publica e libertaram os presos políticos, da capital e do interior. Vários oficiais e portugueses, encontrados armados no caminho, caíram pelas armas. Lobo de Sousa, cercado pelos cabanos, andava “como louco” de uma casa para outra, passou para a casa do Coronel Geraldo de José de Abreu. João Miguel Aranha apareceu com aspecto ameaçador, gritando em voz alta: “Aí está o Malhado!”. Lobo de Souza para e tentou falar, mas Domingos Onça deu-lhe um tiro de mão tão certeira que o prostrou sem dar gemido nem proferir uma só palavra! Às seis horas da Manhã. Miguel Aranha voltou com uma coluna ao Arsenal e informou ao comandante que toda a capital estava sob o poder cabano: era inútil qualquer resistência; em troca da rendição pacifica, Aranha deu garantia de vida. Com a posse do Arsenal de Guerra, os cabanos depois de apenas quatro horas alcançaram, pela eficiência organizacional, o controle completo de Belém. (P. de Paolo, Cabanagem). Os presidentes Cabanos 1-Felix Malcher(7/01 – 21/02/1835) 2-Francisco Pedro Vinagre(2/03-26/07/1835) 3- Eduardo Angelim(14/08/1835-9/04/1836) b) Farrapos – Rio Grande do Sul (1835-45) A Guerra dos Farrapos, também chamada Revolução Farroupilha, foi a mais longa guerra civil brasileira. Durou 10 anos. Foi liderada pela classe dominante gaúcha, formada por fazendeiros de gado, que usou as camadas pobres da população como massa de apoio no processo de luta. Apesar da participação do povo, esse movimento difere da Cabanagem e da Balaiada, pois os fazendeiros, unidos, jamais permitiram que as camadas populares assumissem a liderança do movimento ou se organizassem em lutas próprias. A elite fazendeira do Rio Grande do Sul contestava a centralização política, o desinteresse do governo central pelos problemas das províncias e os tratados comerciais que prejudicavam o país. Contestava também os impostos e as baixas taxas alfandegárias cobradas na importação de produtos estrangeiros, principalmente o charque (carne-seca) argentino e uruguaio, que concorria com mercados consumidores brasileiros. Desde o século XVII, a base da economia gaúcha era a criação de gado e principalmente a fabricação do charque, importante produto para a alimentação dos escravos e das populações mais necessitadas que viviam nas zonas mineradoras e nos latifúndios do Norte e do Nordeste. Entretanto, os fazendeiros gaúchos, para venderem o charque nas outras províncias do Brasil, eram obrigados a pagarem impostos alfandegários, como se o produto fosse estrangeiro. Dessa maneira, o charque do Rio Grande do Sul, produzido em bases escravistas, não podia competir com o preço e a qualidade do charque argentino e uruguaio, que pagava baixas taxas de impostos nas alfândegas do Brasil e era produzido em escala superior, com a utilização de mão-de-obra assalariada, mais dinâmica e produtiva que a escrava. O Rio Grande, por sua forma especifica de ocupação baseada na apropriação militar da terra e por ser uma zona de fronteira, tinha uma forte presença política dos militares. Os grupos políticos mais fortes eram os Liberais Exaltados e os restauradores. Diante disso, os fazendeiros de gado organizaram a luta, que tinha como finalidade solucionar os problemas econômicos da província e obter liberdade de escolherem seus próprios governantes. Em 20 de setembro de 1835, depois de incidentes entre o presidente da província e Bento Gonçalves (caudilho, grande proprietário de terra e chefe militar), os rebeldes tomaram a cidade de Porto Alegre e, no ano seguinte, proclamaram a República Rio- Grandense, também chamada República de Piratini. Sob o comando de Davi Canabarro e auxiliados pelo italiano Garibaldi, os gaúchos continuaram lutando e conquistaram em 1839 Santa Catarina, a República Juliana. Os rebeldes iam ampliando suas conquistas e organizando seu próprio governo. Chegaram a convocar uma Assembléia Constituinte para a elaboração de um projeto de Constituição. De acordo com as idéias revolucionárias, o regime político adotado seria uma república presidencialista, em que o presidente seria eleito pelo voto censitário e governaria assessorado por um grupo de conselheiros. Para combater os rebeldes e tentar a paz, o governo central nomeou Caxias como governador do Rio Grande do Sul. Caxias isolou os rebeldes, cortou as principais linhas de comunicação e abastecimento dos farrapos e propôs um acordo de paz, que incluía uma anistia aos combatentes farroupilhas. Entretanto, somente em 28 de fevereiro de 1845 os rebeldes aceitaram a paz proposta por Caxias. Pelo acordo estabelecido, além da anistia ampla e restrita aos rebeldes, o governo deveria libertar os escravos que lutaram ao lado dos farrapos; incorporar ao Exército Imperial, com as mesmas patentes, os oficiais rebeldes; devolver aos farrapos as propriedades tomadas durante a luta; mudar a política de cobrança de impostos. Assim, conseguiu-se a paz. c) Revoltas dos Malês -Bahia (1835) Bahia primeira metade do século XIX, explode o movimento rico em aspectos, como étnico-culturais, religiosos e de classes. Região por excelência conflituosa, os negros ao chegar ao Brasil procuravam adaptar sua cultura africana ao escravismo, não porque gostavam disso, mas, por uma questão de resistência autônoma ou uma estratégia de sobrevivência. Cada grupo étnico mantinha suas diferenças, mas realizavam interações. No entanto havia divergências bem expressivas, como a dos crioulos, minoria, e os africanos. Os primeiros pouco se envolviam nas revoltas ao lado dos africanos, mais ao lado dos brancos pobres livres, isso devido esses escravos nascidos no Brasil, contavam com certo paternalismo, forma de controle mais eficaz do que o chicote do feitor, contavam com alguns privilégios e poder de barganha. Estavam entre a cruz e a espada. Temia um avanço dos africanos, que esmagariam sua minoria crioula. Se a rebelião de 1835 não contou com os crioulos, não foram somente os escravos africanos que a fizeram, tiveram o auxilio dos libertos, esses que embora livre vivem bem semelhante aos escravos, eram ainda oprimidos, eles ainda se auto-identificavam com a classe, pois mantinham vínculos religiosos culturais, e até discriminatórios, já que, como liberto, devia inúmeros deveres e respeito ao ex-senhore ao restante da sociedade. Tudo isso devido: Se o liberto deixava de ser escravo, ele não se tornava exatamente um homem livre, não possuía qualquer direito político e, embora fosse considerado estrangeiro, não gozava dos privilégios de cidadão ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS de outro país. O estigma da escravidão estava irredutivelmente associado à cor de sua pele e, sobretudo, a sua origem. A religião foi talvez a força ideológico-cultural mais poderosa de moderação das diferenças étnico-sociais, embora tenha falhado em unirem africanos e crioulos. Pelo fato de haver sido um meio de solidariedade interétnica, o islã ajudou a promover a unidade entre muitos escravos e libertos africanos. O islã representou um forte fator de mobilização e, obviamente, organizou os rebeldes de uma maneira sofisticada. Ao mesmo tempo, os lideres malês não negligenciaram a busca aliados fora do campo mulçumano, sendo assim, esse movimento não deve ser considerado uma Jihad, ou seja, guerra santa. A política de rebeldia escrava em 1835 foi facilitada pelo urbano, pela conjuntura econômica recessiva e pela situação política geral da província da Bahia e do império do Brasil. Com isso a cidade de salvador tornou-se um bom lugar para a revolta. A fraca participação dos africanos na cultura senhorial levava-os a celebrarem essas datas com sua própria gente. Escravos e libertos encontravam-se para orar, festejar seus deuses e lançar seus corpos na dança intensa dos batuques e candomblé. Assim, 1835, ocorreu o movimento, domingo dia de Nossa Senhora da Guia. Mas em 1835 havia também outra razão para acontecer naquele domingo. De acordo com o calendário islâmico, os malês estavam festejando o fim do Ramadã (noite do poder). O movimento foi delatado um dia antes da revolta programada, 25 de janeiro. Seus lidere foram presos e condenados à morte, dois anos de prisão e açoites. d) Sabinada – Bahia (1837-38) Uma nova revolta explode na Bahia. Os revoltosos reclamam que o governo central só sabia cobrar impostos, mas nada fazia pela Bahia. Diziam que os impostos arrecadados eram gastos só no Rio de Janeiro. O foco principal dessa revolta foi à cidade de Salvador e agrupou principalmente a classe média local. Jornalistas, artesões, pequenos comerciantes, professores, médicos e outros profissionais, imbuídos das idéias liberais, queriam participar das decisões. Liderados pelo jornalista e medico Francisco Sabino da Rocha Vieira, o povo pegou em armas e expulsou o presidente da província em 7 de setembro de 1837. Os rebeldes recusavam-se a obedecer as ordens do regente. Eles almejavam fazer a Bahia uma república provisória, até a maioridade de D. Pedro de Alcântara, o futuro imperador. O sonho durou pouco. Logo, vieram as tropas do governo regencial e derrotaram os rebeldes, cerca de duas mil mortes ocorreram. Os lideres da Sabinada foram presos e deportados. Mais uma vez a ordem foi restabelecida a ferro e fogo. e) Balaiada – Maranhão (1838-41) Rebelião no Maranhão teve sua origem no confronto entre duas facções rivais: cabanos (nome pejorativo no Maranhão, conservadores) e bem-te-vis (liberais exaltados). Os dois grupos disputavam o poder na província. Os bem-te-vis, nome tirado do jornal O Bem-te-vi, representava a população urbana que se opunha aos abusos dos proprietários de terras e aos comerciantes portugueses. Os conflitos entre bem-te-vis e cabanos agravaram-se após a votação da chamada "lei dos prefeitos", pela qual os governantes locais, os prefeitos, passaram a ter poderes imensos, inclusive o de autoridade policial. Os cabanos, que estavam no poder, conseguiram maior controle da Província, nomeando seus partidários para o cargo de prefeitos, o que redundou em perseguição aberta aos bem-te-vis. No Maranhão a insatisfação social era grande. Negros e mestiços constituíam a maior parte da população. Como aponta o historiador Arthur César Ferreira Reis, "Milhares de negros que fugiam aos maus tratos dos senhores aquilombavam-se nas matas, de onde saíam para surtidas rápidas e violentas sobre propriedades agrárias." O movimento logo escapou do controle das camadas dominantes, transformando-se num levante dos setores mais humildes da Província. O fato que costuma marcar o início da revolta ocorreu em 13 de dezembro de 1838, quando o vaqueiro Raimundo Rodrigues Gomes, um mestiço conhecido como Cara Preta passava pela Vila da Manga, levando uma boiada de seu patrão para vender em outro local. Na ocasião muitos dos homens que o acompanhavam foram recrutados e seu irmão aprisionado sob a acusação de assassinato. O recrutamento obrigatório, uma das armas de que o Governo dispunha para controlar a população, sempre foi muito impopular, visto que recaía basicamente sobre os menos favorecidos, obrigados a qualquer momento a servir nas forças policiais ou militares. Raimundo invadiu a cadeia libertando não só seu irmão como os outros presos. A guarda não reagiu. Ao contrário, aderiu. A partir daí o movimento ampliou-se. A luta generalizou-se por toda a Província. Por onde passava, Raimundo ia conseguindo que mais gente o seguisse, inclusive os escravos negros, que formaram quilombos, dos quais o mais importante foi o comandado pelo negro Cosme. À frente de 3 mil escravos rebelados, Cosme, um antigo escravo, que se intitulava "Imperador, Tutor e Defensor das Liberdades Bem-te-vis", vendia títulos e honrarias a seus seguidores. O mulato Francisco dos Anjos Ferreira, artesão que fabricava balaios e que acabou por dar nome ao movimento, aderiu à revolução para vingar o estupro de sua filha por um capitão branco. Ele jurou vingança a todos os que não fossem de sua cor e condição social. Nenhum dos participantes era politizado e nenhuma das facções políticas estava por trás do movimento. Em 1839, os balaios tomaram a Vila de Caxias, "a segunda cidade da Província em importância". Os rebeldes organizaram-se em um Conselho Militar e formaram uma Junta Provisória, com a participação de elementos bem-te-vis da cidade. Uma delegação foi enviada à capital, São Luís, para entregar ao presidente da Província as propostas para a pacificação: o Anistia para os revoltosos. o Revogação da "lei dos prefeitos". o Revogação da lei que organizara a Guarda Nacional. o Expulsão dos portugueses natos. o Diminuição de direitos aos naturalizados. o Instauração de processo regular para os presos existentes nas cadeias. No entanto, o movimento, apesar de ter atingido a parte mais importante da Província, chegando mesmo a ameaçar São Luís, entrou em rápido declínio. Sem unidade, com muitas divergências entre seus chefes, sofreu ainda o afastamento dos bem-te-vis, que após tentarem tirar vantagens do movimento, dele se afastaram, aderindo à reação, com medo da radicalização das camadas mais pobres da população, que assumiram a liderança da revolta. Não aceitando as exigências dos balaios, o Governo provincial solicitou ajuda ao Rio de Janeiro. Em 1840, o Coronel Luís Alves de Lima e Silva, futuro Barão de Caxias, é nomeado para a presidência da Província, acumulando o comando das armas. À frente de 8 mil homens, e aproveitando-se habilmente das rivalidades entre os líderes balaios, Caxias em pouco tempo sufocou o movimento. No ano seguinte, em 1841, um decreto imperial concedeu anistia aos revoltosos sobreviventes. A repressão à Balaiada marcou o início da chamada "política da pacificação", pela qual Caxias sufocou as agitações que ocorreram durante o Império. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Golpeda Maioridade Os políticos que defendiam a centralização venceram as eleições de 1838. Os liberais derrotados nessa eleição, perceberam que a única forma de acabar com o governo dos centralizadores seria pondo um fim à Regência. E isso só seria obtido com a transferência do poder ao jovem príncipe. Havia um grande impedimento legal para que isso acontecesse. Segundo a Constituição, o jovem príncipe só poderia assumir o poder quando completasse 18 anos, e ele tinha apenas 14. Os liberais, então, se lançaram numa campanha para a maioridade de D. Pedro fosse reconhecida pela Câmara, desse modo, ele poderia assumir o trono e governar o país, mesmo com sua pouca idade. A campanha da maioridade conquistou a simpatia popular. Nessa época, a figura do imperador era muito venerada. Para vários grupos, o imperador traria tranqüilidade e paz para o país. Os centralizadores não queriam que D. Pedro assumisse antes de fazer 18 anos, em 1844. Se a proposta da maioridade fosse aprovada, eles ficariam mais tempo no poder. Enquanto o projeto da maioridade estava terminado pela Assembléia, os liberais procuraram o pequeno príncipe e perguntaram-lhe se queria torna-se o imperador do Brasil. A resposta não poderia ser outra: “Quero já”. Mas essa afirmativa hoje é um pouco contestada, pois Pedro de Alcântara, era muito jovem, criado no Brasil, vivenciou muito a boemia carioca, historiadores contemporâneos afirmam que ele queria também “aproveitar mais suas vida”. Em 23 de julho de 1840, Pedro de Alcântara se tornou D. Pedro II, os liberais conseguiram o que queriam. D. Pedro II começou o seu reinado com um ministério composto apenas com liberais. ____________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 10__________________ 1. Do ponto de vista político podemos considerar o período regencial como: a) uma época conturbada politicamente, embora sem lutas separatistas que comprometessema unidade do país. b) um período em que as reivindicações populares, como direito de voto e abolição da escravidão foram amplamente atendidas. c) uma transição para o regime republicano que se instalou no país a partir de 1840. d) uma fase extremamente agitada com crises e revoltas em várias províncias, geradas pelas contradições das elites, classe média e camadas populares. e) uma etapa marcada pela estabilidade política. 2. Entre as várias rebeliões irrompidas nas províncias, a ocorrida no Maranhão notabilizou-sepela diversidade social dos insurgentes, entre os quais não faltaram escravos e quilombolas. A revolta mencionada denomina-se: a) Cabanagem b) Balaiada c) Farroupilha d) Revolta dos Malês e) Praieira 3. A consolidação do Império foi marcada por várias rebeliões, que, representando grupos, regiões e interesses diversificados, ameaçaram o Estado Imperial. Assinale a opção que associa uma dessas rebeliões ocorridas durante o Império com o que foi afirmado acima : a) A Cabanagem, no Grão Pará, expressou a reação dos comerciantes locais contra o monopólio do comércio. b) A Praieira, em Pernambuco, foi a mais importante manifestação do Partido Conservador. c) A Sabinada, na Bahia, teve origem na mais importante rebelião popular e de escravos do período. d) A Balaiada, no Maranhão, apesar de sua fidelidade monárquica, representou o ideal federal da oligarquia. e) A Farroupilha, no Rio Grande, foi a mais longa rebelião republicana e federalista, expressando ideais dos proprietários gaúchos. 4. Como um elemento comum aos vários movimentos insurrecionais que marcaram o período regencial ( 1831-1840), destaca-se: a) o confronto com o poder centralizado. b) a defesa do regime republicano. c) o repúdio à escravidão. d) a oposição ao regime monárquico. e) o boicote ao voto censitário. 5. Sobre a Balaiada, assinale a alternativa correta: a) Foi um conflito entre as elites das províncias de Penambuco e Piauí. b) Caracterizou-se por uma forte presença de grandes proprietários rurais que exigiam o retorno de D.Pedro I. c) Envolveu muitos elementos provenientes das classes populares e teve como uma das causas a insatisfação da população com o recrutamento miliitar obrigatório. d) Foi um movimento dos criadores de gado e grandes comerciantes em defesa do federalismo, da República e do fim da escravidão. e) Foi uma revolta organizada por pequenos produtores rurais em defesa da religião catóĺica. 6. A Sabinada, que agitou a Bahia entre novembro de 1837 e março de 1838, a) tinha objetivos separatistas, no que diferia frontalmente das outras rebeliões do período. b) foi uma rebelião contra o poder instituído no Rio de Janeiro que contou com a participação popular. c) assemelhou-se à Guerra dos Farrapos, tanto pela postura anti- escravista quanto pela violência e duração da luta. d) aproximou-se, em suas proposições políticas, das demais rebeliões do período pela defesa do regime monárquico. e) pode ser vista como uma continuidade da Rebelião dos Alfaiates, pois os dois movimentos tinham os mesmos objetivos. 7. Sobre a Revolta dos Malês, é incorreto afirmar que: a) ocorreu na cidade de Salvador, a Bahia, em 1835. b) participaram dessa revolta, os malês, nome dado aos muçulmanos nascidos na África, muito numerosos em Salvadornaquele momento. c) Os escravos e libertos nascidos no Brasil, não participaram da rebelião. d) tudo indica que a origem da insatisfação dos malês foi a repressão das autoridades locais a suas manifestações religiosas. e) foi a única rebelião escrava ocorrida no período regencial. 8.(EsSa-16) Qual importante medida administrativa foi tomada em 1834 realizada a partir da modificação na constituição brasileira? a) Abertura dos portos as nações amigas. b) A cidade do Rio de Janeiro tornou-se municipio neutro. c) A Assinatura da tarifa Alves Branco. d) A Aprovação da Lei de Terras. e) Assinatura do Tratado de comércio e navegação. 9. O Golpe da Maioridade, datado de julho de 1840 e que elevou D. Pedro II a imperador do Brasil, foi justificado como sendo: a) uma estratégia para manter a unidade nacional, abalada pelas sucessivas rebeliões provinciais; ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS b) o único caminho para que o país alcançasse novo patamar de desenvolvimento econômico e social; c) a melhor saída para impedir que o Partido Liberal dominasse a política nacional; d) a forma mais viável para o governo aceitar a proclamação da República e a abolição da escravidão; e) uma estratégia para impedir a instalação de um governo ditatorial. 10.(Essa-16) A Revolta dos Malês foi um movimento de escravos africanos, muitos dos quais eram muçulmanos, ocorrido em 1835 na seguinte província: a) Maranhão. b) Grão-Pará. c) Bahia. d) Pernambuco. e) Minas Gerais. Segundo Reinado: aspectos administrativos, militares, econômicos, sociais e territoriais. O SEGUNDO REINADO (1840-1889)...... Partido Liberal e Conservador. As disputas políticas entre progressistas (Feijó) e regressistas (Araújo Lima), durante as regências, resultaram posteriormente no Partido Liberal e no Partido Conservador, que se alternaram no governo ao longo do Segundo Reinado. Enquanto o Partido Liberal se aglutinou em torno do Ato Adicional, o Partido Conservador foi se organizando em torno da tese da necessidade de limitar o alcance liberal do Ato Adicional, através de uma lei interpretativa. O período regencial começou liberal e terminou conservador. E há uma explicação para esse fato: a ascensão da economia cafeeira. Por volta de 1830, o café havia deixado de ser uma cultura experimental e marginal para se tornar o principal produto de exportação, suplantandoo açúcar. Os principais líderes conservadores eram representantes dos interesses cafeeiros. Com a formação desses dois partidos e a ascensão da economia cafeeira, a vida política brasileira parecia ganhar finalmente a necessária estabilidade. Porém, as regras do jogo foram quebradas pelos liberais, com o Golpe da Maioridade. O gabinete da maioridade ou o Ministério dos Irmãos. Imediatamente após o golpe, organizou-se o ministério, o primeiro da maioridade, dominado pelos "maioristas", todos eles ligados ao Partido Liberal. Do novo gabinete participavam os irmãos Andrada (Antônio Carlos e Martim Francisco) e os irmãos Cavalcanti (futuros viscondes de Albuquerque e de Suassuna), de onde decorreu o nome de Ministério dos Irmãos. As disputas políticas, contudo, tornaram-se sangrentas a partir da ascensão liberal, e governar havia se tornado sinônimo de exercício do poder discricionário*. Assim, para controlar o país, o partido que se encontrava no governo estabelecia a rotina de nomear presidentes de províncias de seu agrado e de substituir autoridades judiciais e policiais de fidelidade duvidosa. Nas eleições, os chefes políticos colocavam nas ruas bandos armados; o governo coagia eleitores e fraudava os resultados das urnas. A eleição de 13 de outubro de 1840, que deu início a esse estilo novo (e violento) de fazer política, ficou conhecida como "eleição do cacete", e deu vitória aos liberais. Todas as outras eleições realizadas depois disso não escaparam à regra: continuaram igualmente violentas. A Presidência do Conselho de Ministros e o Parlamentarismo às Avessas. No Primeiro Reinado foi constante o conflito entre o poder Moderador (D. Pedro I) e a Câmara dos Deputados. Para diminuir os atritos entre os poderes, foi criado, em 1847, a Presidência do Conselho de Ministros. Ficou convencionado que o imperador nomearia apenas o presidente do Conselho, que, por sua vez, escolheria os demais ministros. Nascia, desse modo, o parlamentarismo* brasileiro. Mas esse era um parlamentarismo muito diferente daquele praticado na Europa, que seguia o modelo inglês. No parlamentarismo europeu, o primeiro-ministro (que equivale ao nosso presidente do Conselho de Ministros) era escolhido pelo Parlamento, que também tinha força para depô-lo. Além disso, o ministério era responsável perante o Parlamento, ao qual era obrigado a prestar contas. Em suma, o Legislativo contro lava o Executivo. No Brasil era o contrário. O ministério era responsável perante o poder Moderador (imperador). O Parlamento (poder Legislativo) nada podia contra os ministros, que governavam ignorando-o e prestando contas apenas ao imperador. Por esse motivo, esse parlamentarismo brasileiro ganhou o nome de "parlamentarismo às avessas”. A Revolução Praieira: Pernambuco - 1848 a 1850 A Revolução Praieira está entre as mais significativas revoltas sociais do Brasil, com a participação das camadas pobres da população pernambucana. A concentração fundiária era tal, que um terço dos engenhos pertencia a uma única família, os Cavalcantis. Se de um lado, algumas poucas famílias controlavam a maior parte das terras cultiváveis e a administração da província, de outro lado o comércio era dominado por um grupo de comerciantes portugueses. As camadas populares sofriam duramente com esta situação. Os praieiros, assim chamados por causa da Rua da Praia, onde ficava a sede do jornal liberal Diário Novo, defendiam um programa bastante avançado, influenciados pelas idéias socialistas que cresciam na Europa: voto livre e universal; liberdade de imprensa; nacionalização do comércio; garantia dos direitos e liberdades individuais; trabalho como garantia de vida; abolição da escravatura; regime republicano, entre outros. Em primeiro de janeiro de 1849, o programa dos praieiros foi publicado no Manifesto ao Mundo, redigido por Borges da Fonseca. O fator desencadeador desta revolta foi a nomeação de um presidente conservador para a Província de Pernambuco, desgostando aos liberais. Os principais líderes do movimento foram os capitães Pedro Ivo e o intelectual socialista Abreu de Lima. Apesar de suas vitórias iniciais contra as forças do governo, acabaram derrotados em 1850. A Revolução Praieira foi a última grande revolta do Brasil Império. A Economia do Império Tarifa Alves Branco (1844): Da cobrança de taxas alfandegárias o governo brasileiro obtinha a maior parte de sua receita. Contudo, desde os tratados de 1810, que reduziram os direitos alfandegários das mercadorias inglesas para 15% essa fonte de receita encontrava-se incomodamente restringida. A situação havia se agravado mais ainda com as concessões comerciais feitas aos Estados Unidos e a outros países europeus, por ocasião do reconhecimento da emancipação do Brasil. O débil desempenho da economia brasileira até por volta de 1840 foi tornando cada dia mais precária a situação do Tesouro. A ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS inexistência de uma produção nacional que suprisse as necessidades internas de consumo fez do Brasil uma economia inteiramente dependente do fornecimento externo. Os gêneros alimentícios e os produtos de uso corriqueiro, como sabão, velas, tecidos, etc., eram trazidos de fora, e a sua importação, naturalmente, tinha um custo monetário que deveria ser saldado com as exportações de produtos nacionais. A dependência em que o Brasil se encontrava em relação à Inglaterra e em menor escala em relação aos Estados Unidos e outros países europeus apenas havia transferido para muitos os benefícios que antes só cabiam Portugal. O país continuava, no plano econômico, essencialmente colonial. Essa distorção, que dificultava a acumulação interna de capital, foi parcialmente corrigida em 1844, com a substituição do livre cambismo por medidas protecionistas, através da Tarifa Alves Branco, como ficou conhecido o decreto do ministro da Fazenda Manuel Alves Branco. Segundo a nova legislação aduaneira, os direitos duplicaram (passaram para 30%) para mercadorias sem similares nacionais e 60% em caso contrário. Evidentemente, as pressões internacionais contra a medida foram muitas, sobretudo por parte dos britânicos, que perdiam boa parte dos privilégios que tinham no mercado brasileiro. Embora a nova política protecionista não formasse uma barreira intransponível, nem estimulasse decisivamente o desenvolvimento do mercado interno, foi, todavia, um importante passo nesse sentido. A Política Externa: A Questão Christie (1861 - 1865) A Questão Christie foi provocada por dois incidentes, aparentemente sem muita importância, mas que culminaram no rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra. O primeiro ocorreu quando o navio inglês Príncipe de Gales naufragou no Rio Grande do Sul, em 1861, e teve sua carga saqueada por desconhecidos. O segundo incidente foi em 1862, quando três oficiais ingleses embriagados e sem farda foram presos no Rio de Janeiro, por estarem provocando desordem. Ao serem identificados, foram imediatamente libertados . William Christie, representante diplomático da Inglaterra no Brasil, exigiu do governo brasileiro uma indenização de 3 200 libras pela carga do navio e também que o imperador pedisse desculpas à Inglaterra e demitisse os soldados que haviam prendido os oficiais. O imperador aceitou pagar a indenização, mas não concordou com o pedido oficial de desculpas. Não tendo sido atendido, Christie resolveu, em represália, aprisionar três navios brasileiros, que estavam ancorados no Rio de Janeiro. A população da cidade reagiu imediatamente contra a abusiva arrogância inglesa. E o governo de D. Pedro II, mesmo pagandoa indenização, solicitou ao rei da Bélgica, Leopoldo I, que arbitrasse a questão. Leopoldo I deu ganho de causa ao Brasil e os navios foram devolvidos. A recusa da Inglaterra em desculpar-se com o Brasil levou ao rompimento das relações diplomáticas entre os dois países, as quais só foram reatadas em 1865, quando a Inglaterra enfim apresentou desculpas oficiais. Guerra contra Oribe e Rosas (1850 - 1852) A região do Prata, que hoje inclui o Paraguai, o Uruguai e a Argentina, foi disputada ainda no período colonial por portugueses e espanhóis. O Uruguai chegou a ser anexado ao Brasil, com o nome de Província Cisplatina, mas conquistou sua independência em 1828. No Segundo Reinado as pretensões unitaristas da Argentina, que pretendia reconstruir o antigo Vice-Reino do Prata, quando a região estava unificada, despertaram a atenção do Brasil. Ao Brasil interessava a manutenção da fragmentação política da região, o que facilitaria seu acesso à navegação nos rios Uruguai, Paraguai e Paraná, que possibilitavam o acesso a várias províncias, principalmente ao Mato Grosso. O projeto de formação de um grande país na região ameaçava a supremacia brasileira e feria os interesses franceses, o que provocou várias intervenções na região. Depois da independência, dois partidos passaram a disputar o poder no Uruguai: 1. O Partido Blanco: era formado principalmente pelos grandes proprietários pecuaristas, liderados por Manuel Oribe, que apoiava o projeto unitarista de Buenos Aires e contava com o apoio do ditador argentino Juan Manuel Rosas; 2. O Partido Colorado: formado principalmente por comerciantes, era liderado por Frutuoso Rivera e tinha o apoio do Brasil. A união entre Oribe e Rosas para tomar o poder no Uruguai, em 1839, levou a uma imediata reação do Brasil. O temor da anexação do Uruguai à Argentina e os ataques de uruguaios às fazendas gaúchas fronteiriças levaram o Brasil a intervir no Uruguai em 1851. Uma aliança entre Rivera do Uruguai, o Império brasileiro e o general Urquiza, das províncias argentinas revoltosas de Corrientes e Entre Rios, culminou na derrota tanto de Oribe (Uruguai), como de Rosas (Argentina). O governo argentino passou para as mãos de Urquiza. A Guerra do Paraguai (1865 - 1870) A Guerra do Paraguai foi o mais longo e sangrento conflito já ocorrido na América Latina. Suas causas eram muito complexas e envolviam inúmeros interesses não só do Paraguai, mas também do Brasil, da Argentina e da Inglaterra. A partir de sua independência, em 1811, o Paraguai viveu um intenso processo de desenvolvimento. Situado no interior da região do Prata, sem saída para o mar, o Paraguai tornou-se vulnerável, pois dependia dos países vizinhos para não ficar isolado do restante do mundo. Isso fez com que seus governantes desenvolvessem uma política voltada para dentro, durante os governos de José Francia (1811 - 1840), Carlos Antônio López (1840 - 1862) e de Francisco Solano López (1862 - 1870), fazendo do país uma nação peculiar no contexto da América Latina. O Paraguai não dependia economicamente de nenhum outro país. O analfabetismo foi erradicado, foram criadas estradas de ferro, telégrafos e várias fábricas, inclusive no setor siderúrgico. As pequenas e médias propriedades foram estimuladas e os latifúndios foram confiscados. O Paraguai possuía uma economia sólida e uma política militar invejável, desafiando as potências tradicionais. Isso preocupava o Brasil e a Argentina, que temiam a ascensão desta nova potência, cujo projeto de criação do "Paraguai Maior", conseguindo assim romper o isolamento que dificultava seu acesso ao mar, ameaçava alguns territórios brasileiros, argentinos e uruguaios. A postura de independência em relação ao exterior, desenvolvendo uma economia praticamente auto-suficiente, inclusive com indústrias, preocupava a Inglaterra, que apoiou e sustentou economicamente a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai, na guerra que destruiu o Paraguai. A causa imediata da guerra foi a intervenção do Brasil no Uruguai contra Aguirre, aliado do Paraguai, levando ao poder Venâncio Flores, do Partido Colorado. Este fato comprometeu o equilíbrio na região, pondo em risco a saída paraguaia para o mar via Uruguai. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Em represália ao Brasil, Solano López ordenou que fosse aprisionado o navio brasileiro Marquês de Olinda e sua tripulação, incluindo o presidente da Província do Mato Grosso, em 11 de novembro de 1864. As relações entre os dois países foram rompidas e, em dezembro, o Mato Grosso brasileiro foi invadido pelo exército paraguaio. O Paraguai avançou rapidamente, penetrando na província argentina de Corrientes, visando o Rio Grande do Sul e o Uruguai. O tratado da Tríplice Aliança foi assinado em maio de 1865, porém seus termos e o acordo para destruir o Paraguai já estavam prontos um ano antes, Bem preparados militarmente, os paraguaios mobilizaram um exército inicial de sessenta e quatro mil soldados, contra oito mil da Argentina, dezoito mil do Brasil e mil do Uruguai. Entretanto, a vantagem paraguaia foi revertida no setor naval, onde o Brasil estava melhor preparado. A vitória brasileira na Batalha de Riachuelo (1865) foi prenúncio da derrota que seria imposta ao Paraguai. Em 1866, o Uruguai e a Argentina abandonaram a guerra, ao mesmo tempo em que, no Brasil o comando das tropas brasileiras foi entregue a Duque de Caxias, que o reorganizou, garantindo ao Brasil várias vitórias nas batalhas de Humaitá, Avaí, Itororó e LomasValentinas. Em 1869 o exército de Caxias invadia Assunção, capital paraguaia. O Conde D' Eu, posteriormente assume o comando e iniciou uma perseguição a Solano Lopez, na chamada Campanha das Cordilheiras. Solano López recuou para Peribebuí e depois para Cerro Corá, onde foi derrotado e morto em 1º de março de 1870. As conseqüências da guerra para o Paraguai foram drásticas: seu território foi devastado, setenta e cinco por cento de sua população foi aniquilada (de 800 mil habitantes, sobreviveram cerca de 194 mil), grande parte de suas terras foi vendida a estrangeiros. Sua economia foi totalmente desestruturada, não tendo se recuperado até os dias atuais. Para o Brasil os resultados também não foram dos melhores: grandes esforços econômicos foram despendidos em função da guerra, aumentando a dívida externa e a dependência econômica para com a Inglaterra. O exército se fortaleceu, passando a ambicionar um novo papel na estrutura de poder, aliando-se à campanha abolicionista e republicana. Com isso, os resultados da guerra acabaram influindo decisivamente na queda da Monarquia brasileira. o Principais Momentos da Guerra: 1ª Fase - Da Batalha naval do Riachuelo à retomada de Uruguaiana o A Batalha do Riachuelo, travada em 11 Jun. 1865, é considerada um dos pontos de importantíssimo da guerra. Ela foi decisiva para a derrota do Paraguai, que ficou isolado e com insignificante poder naval; foi comandada pelo Alm. barroso. 2ª Fase - A contra-ofensiva aliada. o A travessia do rio Paraná, em abril de 1865, ações aliadas em território paraguaio. Isso se deu pelo estabelecimento de uma “cabeça de ponte” na região de Passo da Pátria, com a queda do Forte de Itapiru, Ação comandada pelo General Manuel Osório. o Numa tentativa de retomar o terreno perdido, as forças paraguaias investiram contra os aliados. Feriu-se, então, a 24 de maio de 1866, a Batalha de Tuiuti, considerada a maior e mais sangrenta da história da América do Sul, quando foram destroçadas as melhores tropas do Exército paraguaio (12 mil), comandada pelo Osório e Alm. Mitre da Argentina.Em 1867 ocorre outra batalha. 3ª Fase - Da tomada de Humaitá à conquista de Assunção o Os aliados se defrontaram com as fortificações apoiadas no arroio Piquiciri. Caxias concebeu o ousado plano de ultrapassá-las, desviando-se do rio Paraguai através de uma estrada paralela de quase 11 km, construída sobre o Chaco (outubro/novembro de 1868), a fim de surpreender a retaguarda profunda do inimigo, cortando a ligação que este mantinha com Assunção. o A “Dezembrada”, que foi um conjunto de batalhas ocorridas em 1868: de Itororó (6/12), Avaí (11/12), LomasValentinas (21 e 27/12) e a rendição de Angustura (30/12). o Em 1º de janeiro de 1869, os aliados entram em Assunção; adoentado, Caxias dá por encerrada a “grande guerra”. 4ª Fase - A Campanha da Cordilheira o O Marechal Gastão de Orleans, Conde D‟Eu, assume o comando das tropas brasileiras, imprimindo grande rapidez às operações de perseguição ao inimigo. o O chefe paraguaio empreende uma fuga para o norte, em direção às cordilheiras de Amambay e Ubaracayú. No período, ocorreram as batalhas de Perebebuí e Campo Grande (agosto de 1869). o Em 1º de março de 1870, na região de Cerro Corá, feriu-se o último combate da guerra, quando morreu Solano López. A campanha abolicionista. No Rio de Janeiro, no ano de 1880, os abolicionistas fundaram duas sociedades a fim de organizar a sua luta: a Sociedade Brasileira contra a Escravidão e a Associação Central Emancipacionistas. Publicações diversas começaram a circular, pregando a abolição. Outras sociedades, no mesmo molde que as da capital, foram organizadas em várias províncias. Na mesma década de 1880, o movimento abolicionista cresceu bastante, contando com trabalhadores urbanos, intelectuais, estudantes, militares (que se recusavam a capturar escravos fugitivos), homens brancos, funcionários públicos, mulheres, setores da classe média, imigrantes, camada populares, jangadeiros e ferroviários (que se recusavam em transportar escravos) e os próprios escravos. O movimento, por sua própria formação, não era homogêneo contando com várias vertentes: Republicanos, Monarquistas, Conservadores e Liberais (estes que em parte se preocupavam com o pós-abolição, buscavam instruir os escravos, chegando a patrocinar escola e associações, no Pará Associação Filantrópica de Emancipação dos Escravos). Existiam também as organizações secretas como a dos caifazes, em São Paulo, surravam capitães do mato e feitores, libertavam escravos, incentivavam as fugas e insurreições e protegiam os foragidos. Os abolicionistas contavam com inúmeros instrumentos, como jornais revistas e intelectuais literários. No lado oposto havia outro “movimento”, dos escravistas, senhores declarados como conservadores e tradicionais, representantes das áreas estagnadas da economia, para estes o fim da escravidão seria o colapso da sociedade. As lutas entre abolicionistas e escravistas eram violentas. Os capangas dos grandes proprietários contrários à abolição surravam os abolicionistas e destruíam seus jornais. O abolicionismo acabou ganhado as ruas das grandes cidades. Passeatas cartazes, panfletos e discursos pediam o fim da escravidão. Os escravistas radicais procurando retardar a abolição pediam a prisão dos abolicionistas, acusando-os de baderneiros. Queriam a lei e a ordem, a defesa da propriedade privada escrava ameaçada. Senhores linchavam escravos rebeldes, escravos matavam senhores, etc. A luta abolicionista se ampliou e criou condições para a organização da Confederação Abolicionista (1883), que unificou o movimento no plano nacional. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Naturalmente, a abolição da escravatura não foi obra exclusiva dos abolicionistas que, em sua maioria, eram moradores das cidades. Como demonstram as fugas e rebeliões ao longo de toda a história do Brasil, os escravos não permaneceram passivos. A possibilidade de um levante escravo de grandes proporções foi considerada e atemorizou os escravistas, enfraquecendo a sua resistência ao movimento. A lei de Terra e o colonato. Em 1850, no mesmo ano em que era abolido o tráfico negreiro, foi estabelecida a lei de Terras, que regulava a forma de aquisição fundiária. A nova lei estipulava que a terra pública só poderia ser adquirida mediante a compra. Com essa lei, os grandes proprietários procuraram dificultar o acesso a terra para as pessoas de poucos recursos. O objetivo dessa lei, portanto, era clara: se a terra fosse facilmente adquirida por qualquer pessoa, mesmo as de poucos recursos, os fazendeiros ficariam sem mão-de-obra, pois, em seus cálculos, com a extinção do tráfico, o fim da escravidão era uma questão de tempo. Com a lei de Terras, os fazendeiros garantiriam os seus privilégios de proprietários. Os imigrantes, geralmente pobres, chegaram ao Brasil na vigência dessa lei e foram trabalhar nos cafezais. O regime de trabalho era o colonato. Segundo esse regime, cada família de imigrantes - agora colonos - recebia um pagamento proporcional aos pés de café entregues para serem cuidados por ela. Com a colheita, os colonos recebiam uma espécie de gratificação de acordo com a quantidade de café colhida. Portanto, o regime de colonato caracterizava-se pelo pagamento fixo no trato do cafezal, um pagamento variável, conforme a colheita e a produção direta de alimentos. Por essa razão, não se deve confundir o colonato com o trabalho assalariado, tipicamente capitalista. Resistência Escrava. A partir de 1870, com o fim da Guerra do Paraguai, antigos problemas e contradições que não haviam sido resolvidos voltaram à tona com toda a intensidade. Ao mesmo tempo, a incapacidade do Império em resolvê-los tornava se cada dia mais patente. A questão central era naturalmente o escravismo. Em 1870, fazia vinte anos que o tráfico havia sido extinto, mas a escravidão resistia. Desde o início do século XIX, a Grã-Bretanha vinha pressionando o Brasil, e a opinião pública contra a escravidão havia crescido no mundo inteiro. Os escravistas brasileiros e o governo, que afinal os representava, haviam adotado a tática do silêncio para proteger os seus interesses. O problema da escravidão, em suma, não era discutido publicamente em parte alguma do Brasil. Muito menos no Parlamento. E isso era coerente, pois os próprios senhores de escravos sabiam que sua posição era insustentável. Porém, não moviam uma palha Pará encaminhar a solução. Fizeram de conta que o problema simplesmente inexistia. Havia uma explicação para isso. O governo imperial, em seu profundo conservadorismo, inquietava-se com a possibilidade de agitação incontrolável caso a questão escravista fosse abertamente colocada. Com certeza, essa política do avestruz adotada pelo governo era confortável para os escravistas, mas o inconveniente da situação estava no fato de que o Brasil como um todo não ficou parado. Na verdade, desde a extinção do tráfico em 1850, muitas coisas foram mudando no Brasil. Em seu imobilismo, o governo preferiu ignorar as transformações. Por volta de 1860 a questão escravista já havia sido colocada publicamente, o que fora uma grande novidade. A eclosão da Guerra do Paraguai interrompeu os debates que estavam começando a ganhar espaço no próprio Parlamento. Eles retornaram com intensidade imediatamente depois da vitória brasileira em 1870. Abolição do Trafico. Tendo abolido o tráfico em suas colônias em 1807 e a escravatura em 1833, a Inglaterra passou a exigir o mesmo do Brasil, a partir dos tratados de 1810. Pelo tratado de 23 de janeiro de 1815, assinado em Viena, estabeleceu-se a proibição do tráfico acima da linha equatorial, o que atingiu importantes centrosfornecedores de escravos, como São Jorge da Mina. Em 18 de julho de 1817, os governos luso-brasileiro e inglês decidiram atuar conjuntamente na repressão ao tráfico ilícito, inspecionando navios em alto mar. Para efeitos práticos, contudo, apenas a Inglaterra possuía recursos para isso. Após 1822, a Inglaterra estabeleceu o fim do tráfico negreiro como uma das exigências para o reconhecimento da emancipação do Brasil. Assim, o tratado de 3 de novembro de 1826 fixou o prazo de três anos para a sua completa extinção. O tráfico passou a ser considerado, a partir de então, ato de pirataria, sujeito às punições previstas no tratado. Finalmente, a 7 de novembro de 1831 - com atraso de dois anos em relação ao estipulado pelo tratado de 1826 -, uma lei formalizou esse compromisso. Em março de 1850, o todo-poderoso primeiro-ministro Gladstone obrigou o Brasil ao cumprimento dos tratados, ameaçando-o com uma guerra de extermínio. O governo brasileiro finalmente se curvou ante as exigências britânicas e em 4 de setembro de 1850 promulgou a lei de extinção do tráfico pelo ministro Eusébio de Queirós. A lei do Ventre Livre (1871). O ministério chefiado pelo visconde do Rio Branco apresentou o projeto da lei do Ventre Livre em maio de 1871 para a Câmara dos Deputados. Depois de modificada e adaptada aos interesses escravistas, a lei que declarava livres os filhos de escravos foi finalmente aprovada em 1871, por 65 votos a favor e 45 contra. A maioria dos deputados de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro votaram contra, acompanhados pelos deputados do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul. Os representantes das províncias do norte e nordeste votaram maciçamente a favor. Essa lei que apenas jogava para o futuro a solução do problema foi, entretanto, considerada pelo governo e pelos escravistas como solução definitiva. Não era essa a opinião dos abolicionistas brasileiros. Em 1880, o debate retornou com maior vigor. A lei Saraiva-Cotegipe ou lei dos Sexagenários (1885). Em 1885, surgiu a Lei do Sexagenário, que foi proposta pelo ministro José Antonio Saraiva e aprovada pelo ministério conservador do Barão de Cotegipe. Esta lei decretada a alforria dos negros maiores de 65 anos; que libertou os escravos com mais de 60 anos, mediante compensações financeiras aos seus proprietários. Os escravos que estavam com idade entre 60 e 65 anos deveriam prestar serviços por 3 anos aos seus senhores e após os 65 anos de idade seriam libertos. Poucos escravos chegavam a esta idade sem condições de garantir seu sustento, e precisavam lutar com os imigrantes europeus. Em1872 muitos fazendeiros tinha aumentado a idade de seus escravos para burlarem a rematrícula de 1872, escondendo os ingênuos introduzidos por contrabando após a Lei Eusébio de Queirós. A lei Áurea (1888). A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de maio de 1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil. Foi precedida pela lei n.º 2.040 (Lei do Ventre Livre), de 28 de setembro ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS de 1871, que libertou todas as crianças nascidas de pais escravos, e pela lei n.º 3.270 (Lei Saraiva-Cotejipe), de 28 de setembro de 1885, que regulava “a extinção gradual do elemento servil”. Foi assinada por Dona Isabel, princesa imperial do Brasil, e pelo ministro da Agricultura da época, conselheiro Rodrigo Augusto da Silva. O Conselheiro Rodrigo Silva fazia parte do Gabinete de Ministros presidido por João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido Conservador e chamado de “Gabinete de 10 de março”. Dona Isabel sancionou a Lei Áurea, na sua terceira e última regência, estando o Imperador D. Pedro II do Brasil em viagem ao exterior. O projeto de lei que extinguia a escravidão no Brasil foi apresentado à Câmara Geral, atual Câmara do Deputados, pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva, no dia 8 de Maio de 1888. Foi votado e aprovado nos dias 9 e 10 de maio de 1888, na Câmara Geral. A Lei Áurea foi apresentada formalmente ao Senado Imperial pelo ministro Rodrigo A. da Silva no dia 11 de Maio. Foi debatida nas sessões dos dias 11, 12 e 13 de maio. Foi votada e aprovada, em primeira votação no dia 12 de maio. Foi votada e aprovada em definitivo, um pouco antes das treze horas, no dia 13 de maio de 1888, e, no mesmo dia, levado à sanção da Princesa Regente. Foi assinada no Paço Imperial por Dona Isabel e pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva às três horas da tarde do dia 13 de maio de 1888. O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura. O último país do mundo a abolir a escravidão foi a Mauritânia, somente em 9 de novembro de 1981, pelo decreto n.º 81.234. ______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 11________________ 1.Em 1844, anos antes da extinção do tráfico negreiro, foi decretada a cobrança de uma nova tarifa alfandegária sobre os produtos importados, que ficou conhecida como: a) Lei Eusébio de Queiroz b)Tarifa Alves Branco c) Lei de Terras d) Lei Saraiva-Cotegipe e) Tarifa de importação 2. Com a perda dos privilégios alfandegários, em 1844, os ingleses endureceram suas relações com o governo brasileiro, o que gerou inúmeros conflitos diplomáticos, conhecidos como: a) Questão Platina b) Questão Militar c) Questão de Gales d) Questão Religiosa e) Questão Christie 3. Em 1850, o ministro da Justiça do governo imperial brasileiro, conseguiu a promulgação da Lei que recebeu seu nome. Sobre essa lei podemos afirmar que: a) ocorreu um aumentoda tributação sobre as importações b) decretou o fim da escravidão no Brasil c)proibiu a entrada de negros traficados e autorizou a expulsão dos traficantes d) era declarado legal o aprisionamento de qualquer navio negreiro e) incentivava o tráfico negreiro 4.Sobre a participação do Brasil na guerra contra Oribe e Rosas, em 1850-1852, é correto afirmar: a) O governo brasileiro aliou-se aos governos da Argentina e Uruguai contra o governo paraguaio b) A intervenção brasileira tinha como objetivo, a defesa dos interesses dos estancieiros gaúchos c) O Brasil entrou na guerra para defender os interesses imperialistas da Inglaterra d) O exército brasileiro contou com um grande contigente de escravos para essa guerra e) A intervenção brasileira visava garantir a estabilidade do Vice- Reino do Prata 5.No mesmo ano em que pela Lei Eusébio de Queiróz, de 1850, foi extinto o comércio de escravos africanos para o Brasil, também foi aprovada uma outra Lei, chamada: a) Lei do Ventre Livre b) Lei Áurea c) Lei Bill Aberdeen d) Lei de terras e) Lei Joaquim Nabuco 6. (ESSA 2017) No dia 1º de maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança para atuarem contra o Paraguai. Nessa oportunidade escolheram para exercer a função de Comandante-em Chefe das forças aliadas, para a invasão do Paraguai: a) Manuel Luis Osório. b) Solano Lopez. c) Venâncio Flores. d) Luis Alves de Lima e Silva. e) Bartolomeu Mitre. 7. Sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), é INCORRETO afirmar: a) Para as autoridades brasileiras da época, o episódio que deu início à guerra foi a prisão do Marquês de Olinda. b) A guerra durou cinco anos terminando em 1870, com a derrota do Paraguai e a morte de Solano López na batalha de Cerro Corá c) A economia paraguaia foi totalmente destruída pelo conflito. d) O Brasil formou a Tríplice Aliança ao lado do Uruguai e Argentina e) entre as causas da Guerra, temos a disputa pela livre navegação na Bacia do Prata. 8. Sobre o processo de abolição da escravatura no Brasil, assinale a opção correta: a) O processo abolicionista foi rápido, pois obteve a adesão de todosos segmentos sociais do país. b) O primeiro passo para a abolição da escravatura ocorreu em 1830, como o fim do Tráfico Negreiro c) Os cativos mais velhos foram os primeiros a adquirir a liberdade. d) A Lei Áurea concluiu o processo abolicionista, tornando ilegal a escravidão no Brasil. e) A Lei Saraiva-Cotegipe ou Lei dos Sexagenários(1885) foi a primeira lei abolicionista no Brasil. 9.Sobre as Leis abolicionistas, podemos afirmar que: a) O governo brasileiro promulgou,ao longo período da campanha abolicionista, inúmeras leis que libertaram a população escrava. b) A Lei do Ventre Livre (1871) declarava livres todos os nascidos de mãe escrava a partir da data de sua promulgação. c) A Lei dos Sexagenários (1885) declarava livres todos os escravos com 60 anos. d) A Lei Áurea , promulgada em 13 de maio de 1888 pela princesa Isabel, pôs fim à escravidão no Brasil, promovendo o fim da opressão sobre o negro. e) As leis abolicionistas no Brasil foram resultado da luta de políticos e de fazendeiros do sudeste cafeeiro. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 10.(EsSa-16) O iten da pauta de exportação brasileira do Segundo Reinado que foi considerado um importante fator de modernização da economia foi: a) O Tabaco. b) O Café. c) A Cana de Açúcar. d) A Soja. e) O Trigo. Crise da Monarquia e Proclamação da República. A queda do regime monárquico brasileiro é atribuída, dentre outros fatores, ao descompasso entre as instituições da monarquia e o processo de introdução do sistema capitalista no Brasil. O fim do sistema escravista de produção é fato determinante neste período. O cenário do fim do regime foi estabelecido também por questões religiosas, militares e de sucessão do trono. À época, a Europa passava por fase de pensamento anticlericalista, e, no Brasil, as ações de D. Pedro II visavam à separar a influência religiosa das esferas do governo. O imperador não aceita a encíclica editada pela Igreja e inicia o esvaziamento do poder que ela detinha sobre as paróquias. Em relação aos militares, desde o fim da Guerra do Paraguai, houve adesão ao ideário positivista pelo baixo escalão do exército, ou seja, cada vez mais o sistema republicano lhe parecia conveniente. No alto escalão não houve, entretanto, adesão a idéias positivistas. Por fim, Princesa Isabel era sucessora direta ao trono, mas uma série de decisões suas contribuíram para que a monarquia chegasse ao fim. Sem apoio dos principais grupos dominantes do país D. Pedro II não conseguiu continuar seu governo. Crises Militares. O Exército como "unidade espiritual e orgânica" só começou a existir no Brasil a partir da Guerra do Paraguai. Até então, fora mantido em posição secundária, num regime de absoluta supremacia dos civis. Depois da Guerra do Paraguai, o Exército tomou consciência de sua importância e gradativa mente começou a manifestar insatisfação pelo tratamento recebido do governo imperial. Aos poucos, os militares foram tornando públicas as suas queixas, ao mesmo tempo em que um grupo minoritário de oficiais, mas extremamente ativo, difundia o ideal republicano e positivista, sob a liderança de Benjamin Constant. Foi nesse clima de crescente descontentamento que se deu a chamada questão militar. Para compreendê-la, é preciso saber que os militares estavam proibidos, por regulamento, de se pronunciarem através da imprensa sobre questões internas do Exército. A questão militar teve início com um incidente ocorrido em 1884. Nesse ano, foram libertados no Ceará os últimos escravos, tornando-o a primeira província brasileira a extinguir completamente a escravidão. O jangadeiro Francisco do Nascimento, conhecido como Dragão do Mar, por ter liderado os jangadeiros a não transportar escravos para o tráfico, foi considerado o símbolo da luta abolicionista cearense. Glorificado pelos abolicionistas, recebeu o convite de entidades abolicionistas na Corte que pretendiam homenageá-lo. Foi recebido como herói no Rio, onde visitou também a Escola de Tiro, em Campo Grande, sendo bem recebido pelo seu comandante, tenente-coronel Sena Madureira, um veterano da Guerra do Paraguai. Essa visita foi noticiada pela imprensa. Chegando o fato ao conhecimento do ministro da Guerra, este tratou imediatamente de interpelar Sena Madureira, que, entretanto, alegando estar diretamente subordinado a Sua Alteza o Conde d' Eu, só a ele devia explicações. Com esse episódio e outros incidentes que se seguiram, uma forte tensão instalou-se no Exército, desencadeando a questão militar, que culminou num conflito protagonizado pelo coronel Ernesto Augusto da Cunha Matos. Este, em inspeção à tropa no Piauí, denunciou irregularidades praticadas pelo capitão Pedro José de Lima, oficial pertencente aos quadros do Partido Conservador. Um deputado do Piauí, pertencente ao mesmo partido, saiu em defesa do seu correligionário, fazendo um violento ataque ao coronel Cunha Matos na tribuna da Câmara. O coronel respondeu ao ataque pela imprensa e acabou punido pelo ministro da Guerra, com base no regulamento. Esse incidente provocou uma intensa discussão na Câmara, e o próprio ministro da Guerra compareceu ao Senado para discutir o assunto. Tendo sido citado nos debates, Sena Madureira, que agora servia no Rio Grande do Sul, publicou no jornal A Federação um artigo em defesa do coronel Cunha Matos e foi punido pelo ministro da Guerra. A partir disso, os debates ganharam os quartéis e envolveram chefes militares de expressão, como o visconde de Pelotas - um dos militares enobrecidos pela sua atuação na Guerra do Paraguai - e o marechal Deodoro da Fonseca. O clima criado pela questão militar favoreceu a difusão do ideal republicano no Exército, afastando-o de D. Pedro II. Igreja contra o Império. O catolicismo era a religião oficial do Brasil e, como em Portugal, a Igreja estava subordinada ao Estado, através do regime do padroado. Segundo essa tradição, cabia ao imperador a escolha dos clérigos para os cargos importantes da Igreja, da mesma forma que as bulas (ou decretos) papais só eram aplicadas com o consentimento explicito do monarca. Pois bem, através de uma bula, o papa condenou a maçonaria e interditou padres e fiéis de pertencerem a seus quadros. Essas determinações, entretanto, não foram aplicadas no Brasil, visto que era grande o número de católicos filiados à maçonaria. Em 1872, os bispos de Olinda e Belém, obedientes às ordens papais, suspenderam irmandades religiosas que se recusavam a afastar os membros maçons. Por solicitação das irmandades atingidas, D. Pedro II anulou as suspensões. Como, no entanto, os bispos mantiveram firme o propósito de sustentar a decisão, eles foram julgados e condenados por ordem imperial. Embora tenham sido anistiados mais tarde, em 1875, a prisão dos bispos foi uma afronta à Igreja, ao mesmo tempo em que feriu a religiosidade popular. Como conseqüência, a Igreja afastou-se do governo imperial. Republicanismo e abolição. A 3 de dezembro de 1870 surgiu no Rio de Janeiro, o jornal a república, que trazia na sua primeira edição o manifesto do partido republicano. Os autores do manifesto pretendiam esclarecer o povo sobre os inconvenientes do regime monárquico e as excelências do regime republicano. Achavam que o simples esclarecimento, sem necessidade das convulsões sociais que eles abominavam, poderiam modificar o regime. Os republicanos atacavam a monarquia hereditária como o governo da vontade de um só homem, o Senado vitalício, a centralização do poder, o sistema eleitoral fraudulento. Defendiam a República federativa como solução de todos os males do país. Diziam que através de uma Assembléia Constituinte mudariam oregime vigente. O Manifesto Republicano, porém, teve pouca repercussão. O partido republicano tinha alguma expressão apenas nas províncias do centro-sul do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. São Paulo era a província mais dinâmica na expansão do novo partido. Os fazendeiros do oeste paulista, interessado na vinda de imigrantes, na descentralização do poder e na participação do mesmo, fundaram em 1873, na cidade de Itu, o Partido Republicano Paulista. Na convenção que criou o partido, mais da ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS metade dos membros era formada de fazendeiros de café. Em 1882, dom Pedro II havia declarado que não se preocupava com o republicanismo, tendo apenas um cuidado com São Paulo, onde o trabalho de agitação contra o regime era mais intenso. São Paulo tinha na época 48 clubes republicanos e atingiu os 300 quando foi abolida a escravidão e os cafeicultores do vale do Paraíba aderiram ao movimento. Em Minas Gerais, a mais populosa de todas as províncias, trinta por cento do eleitorado era republicano em 1889. Na província do Rio de Janeiro os republicanos concentravam-se mais nos centros urbanos e, em 1889, tinha um sétimo do eleitorado da então capital do país. _______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 12_______________ 1. A crise do Império, no Brasil, foi marcada por uma série de questões que favoreceram a Proclamação da República. Sobre essas questões e suas características, analise asproposições abaixo. I. As ideias republicanas fizeram parte de diversos movimentos históricos no Brasil. Contudo, só a partir de 1870, ano em que foi lançado o Manifesto Republicano, o movimento ganhou uma formação mais sólida e concreta. II. No período colonial, a Igreja Católica no Brasil era uma instituição submetida ao Estado. Ou seja, nenhuma ordem papal poderia vigorar no Brasil sem a autorização do imperador. A desobediência a esses preceitos, por parte dos bispos de Olinda e Belém, em 1872, deu início ao que se convencionou chamar de Questão Religiosa. III. Quando foi abolida a escravidão no Brasil, os senhores de escravos, por não terem recebido as indenizações do governo a que achavam fazer jus, passaram a apoiar a causa republicana. Por isso foram chamados “republicanos do 13 de maio”. IV. Os militares, após a Guerra do Paraguai, passaram a gozar mais prestígio na sociedade brasileira, o que também era reconhecido pelo Imperador, que precisava deles para manter-se no poder. Daí, a sua lealdade à monarquia quando se proclamou a República no Brasil. Estão corretas: a) I, II e III b) II, III e IV c) I, II e IV d) Apenas III e IV e) Todas estão corretas 2.“Episódio que em princípio deveria ter marcado a memória popular foi a Proclamação da República. Mas não foi o que aconteceu […]. A participação popular foi menor do que na proclamação da independência.” Entre os principais grupos sociais, envolvidos na articulação do referido evento, destacam-se os: a) empresários e imigrantes. b) industriais e camponeses. c) operários e intelectuais. d) banqueiros e religiosos. e) fazendeiros e militares. 3. A proclamação da República representa basicamente: a) uma profunda transformação na estrutura política e social do Brasil; b) a introdução do sistema democrático no Brasil; c) o fim do período colonial brasileiro; d) uma modificação do regime político sem grande influência na estrutura econômica e social do País; e) um movimento popular de derrubado do chamado “Antigo Regime” 4.A República brasileira emergiu no auge de um processo cujas raízes se encontravam no II Reinado. Assinale a alternativa INCORRETA: a) A campanha abolicionista acabou por se confundir com a campanha republicana. b) Nos termos da primeira Constituição Republicana o Brasil era uma República Federativa Presidencialista e o Estado permaneceu atrelado à Igreja. c) Para certos segmentos da sociedade, entre eles os cafeicultores, a forma republicana de governo era concebida como moderna, avançada e mais eficiente. d) No primeiro aniversário da implantação do regime republicano foi instalado o Congresso Constituinte e em 24/02/1891 foi promulgada a Constituição. e) Os militares, influenciados pelas ideais do positivismo, uniram-se à camada média da sociedade contra os monarquistas. 5. Sobre a participação dos militares na Proclamação da República é correto a que: a) o Partido Republicano foi influenciado pelos imigrantes anarquistas a desenvolver a consciência política no seio do exército. b) a proibição de debates políticos e militares pela imprensa, ainfluência das idéias de Augusto Comte e o descaso doImperadorpara com o exército favoreceram a derrubada do Império. c) o descaso de membros do Partido Republicano, como Sena Madureira e Cunha Matos, em relação ao exército, expresso através da imprensa, levou os "casacas" a proclamar a República. d) o Gabinete do Visconde de Ouro Preto formalizou uma aliança pró- republicana com os militares positivistas no Baile da Ilha Fiscal. e) a aliança dos militares com a lgreja acirrou as divergências entre militares e republicanos, culminando na Questão Militar. 6. Proclamação da República no Brasil está longe de ser considerada um momento de transformação revolucionária, embora ela tenha trazido algumas mudanças significativas. Uma característica inovadora dos primeiros anos da nova forma de governo foi: a) a valorização de um novo produto de exportação; b) a adoção do sistema parlamentarista; c) a política de investimentos nas sociedades anônimas; d) a popularidade do novo regime; e) o direito de voto a população independentemente de renda. 7.Sobre o contexto histórico responsável pela proclamação da República NÃO se inclui: a) a insatisfação dos setores escravocratas com o governo monárquico após a Lei Áurea. b) a ascensão do exército após a Guerra do Paraguai, passando a exigir um papel na vida política do país. c) a perda de prestígio do governo imperial junto ao clero, após a questão religiosa. d) a oposição de grupos médios urbanos e fazendeiros do oeste paulista, defensores de maior autonomia administrativa. e) o alto grau de consciência e participação das massas urbanas em todo o processo da proclamação da República. 8. Sobre a Crise do Império, é INCORRETO afirmar: a) Os conflitos do governo imperial com a Igreja e o exército foram as causa decisivas para a queda da monarquia. b) A partir de 1870, teve início o período mais crítico do Segundo Reinado. c) O encaminhamento da questão abolicionista abalou as relações políticas entre o governo monárquico e os proprietários de escravos. d) Depois da Guerra do Paraguai, o exército brasileiro foi adquirindo maior força e expressão política, porém, não era reconhecido e valorizado pelo governoimperial, o que gerou a chamada Questão Militar. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS e) A partir de 1875, as relações entre a Igreja e o imperador foram abaladas pela Questão Religiosa. 9. (Cftce)Foi fator para a Crise do Império no Brasil: a) a modernização política do país, com a adoção do Parlamentarismo segundo o modelo inglês b) a Questão Religiosa c) a reforma constitucional através do Ato Adicional de 1834 d) a crise econômica no final do Segundo Reinado denominada de encilhamento e) o desentendimento diplomático com a Inglaterra 10.(Mackenzie) O povo assistiu aquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditavam sinceramente estar vendo uma parada. Aristides Lobo O texto refere-se à Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Podemos, então, concluir que: a) o movimento contou com sólido apoio popular, luta armada e resistência violenta dos monarquistas. b) a proclamação vitoriosa resultou da conjugação de parte do exército, fazendeiros do oeste paulista e classes médias urbanas. c) a Guerra do Paraguai não teve relação com o crescimento das idéias republicanas e positivistas, fundamentais para o advento da república. d) o Terceiro Reinado era visto de forma positiva e otimista pela população, já que a Princesa Isabel tinha uma liderança expressiva, apesar dos valores patriarcais da época. Aspectos administrativos, culturais, econômicos, sociais e territoriais, revoltas, crises e conflitos. REPÚBLICA DA ESPADA Introdução A República implantada em 1889 foi resultado, também, da modernização ocorrida no país. Essa modernização foi representada pela urbanização, pelo crescimento da "classe média", pela imigração, e pela emergência do setor cafeeiro com interesses diversos aos dos setores agrários tradicionais. A modernização aumentou a reivindicação dos setores médios por reformas sociais e políticas - criação do Partido Republicano e o movimento abolicionista são exemplos - que a classe dominante tradicional não conseguiu conduzir. O resultado foi o movimento republicano iniciado em 1870 e que terminou com a deposição da Monarquia em 1889. A primeira fase da República, que vai de 15 de novembro de 1889 à posse do primeiro presidente civil Prudente de Morais, em 1894, ficou conhecida como República da Espada, pelo fato do cargo de Presidente da República ter ficado nas mãos de dois militares de prestígio: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. O governo Deodoro marcado pelo nepotismo acabou com sua renúncia e sua substituição pelo vice-presidente Floriano Peixoto cuja principal tarefa foi sufocar as revoltas nos Estados reforçando o poder presidencial. A pacificação do país e a falta de articulação impediram a continuação dos militares no poder. O Partido republicano Paulista indica o sucessor de Floriano Peixoto, o paulista Prudente de Morais. Governo Provisório (1889-1891) Derrubar o império foi fácil. Difíceis foram os primeiros anos do regime republicano. Isso porque as diferentes forças que colaboraram para derrubar o Império discordavam sobre como deveria ser o novo regime. Os grandes fazendeiros, especialmente os cafeicultores paulistas, queriam maior autonomia para os Estados. Assim, eles poderiam assumir o poder nos seus estados e governá-los sem a interferência do poder central. Já entre os militares, prevalecia a idéia de um governo central forte. Acreditavam que isso era uma condição essencial para fazer do Brasil um país desenvolvido. Enquanto não se promulgava a Constituição, organizou-se um Governo Provisório com Marechal Deodoro da Fonseca à frente. Esse governo tomou várias medidas. Entre elas: mudou o nome do Brasil para Estados Unidos do Brasil, criou uma nova bandeira e adotou um hino nacional, Benjamin Constant foi nomeado Ministro da Guerra; concessão de nacionalidade brasileira a todos os estrangeiros residente no Brasil e exílio da família real, depois de dois anos D. Pedro II morre em Paris. Deodoro, em seu desejo de desenvolver o país, foi bastante influenciado pelas idéias de Rui Barbosa, Ministro da fazenda do governo provisório, iniciou uma política econômica cujo principal objetivo era industrializar rapidamente o Brasil. Havia, porém, um problema: onde encontra capitais para dar esse grande salto em direção à industrialização? O Capital dos fazendeiros era insuficiente. Diante disso, o governo adotou duas medidas. A primeira foi autorizar três bancos a emitir papel-moeda e obter, assim, recursos para emprestar aos empresários. A segunda foi estimular a criação de empresas e negócios em geral, autorizando os empresários a explorar os mais variados ramos de atividade como a pesca, transporte fluvial, estrada de ferro e fábricas de vários produtos. Com a autorização em mãos, os empresários começaram a vender ações da futura empresa na Bolsa de Valores. Ao comprar ações, uma pessoa se torna proprietária de parte de uma empresa e participa dos seus lucros. Vender ações é uma maneira de as empresas obterem capital para expandir suas atividades. A emissão de dinheiro tornou o credito fácil, e isso alimentava a especulação na Bolsa com o preço das ações. O otimismo exagerado fazia o preço das ações subir muito. Muitas empresas que vendiam ações na Bolsa só existiam no papel. Não foram sequer montadas. Quando se percebeu que o preço das ações era artificial, houve uma crise geral. O preço da maioria das ações despencou, milhares de investidores ficaram arruinados e muitas empresas faliram. Essa política econômica ficou conhecida como Encilhamento. Durante bastante tempo, a economia brasileira sentiu seus efeitos negativos. A inflação e a especulação aumentaram o descontentamento popular, que acabou sendo aproveitado pelos fazendeiros paulistas para forçar Deodoro a convocar eleições para a Assembléia Nacional Constituinte. A Constituição de 1891 Uma das medidas do Governo Provisório de Deodoro da Fonseca foi extinguir as Instituições Monárquicas, e dentre estas está a Constituição de 1824. Em 24 de fevereiro de 1891, a Constituinte republicana publicava a Constituição aprovada. Dentre as “novidades” apresentadas na nova Constituição estão: Art. 1º forma de governo República Federativa (...) e constitui-se, por união perpétua e indissolúvel das suas antigas províncias, em Estados Unidos do Brasil. Art. 15º São órgãos da soberania nacional o Poder Legislativo, o Executivo e o Judiciário, harmônicos e independentes entre si. Art. 43º - O Presidente exercerá o cargo por quatro anos, não podendo ser reeleito para o período presidencial imediato. Art. 47º - O Presidente e o Vice-Presidente da República serão eleitos por sufrágio direto da Nação, e maioria absoluta de votos. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Art. 70, § 1º - Não podem alistar-se eleitores para as eleições federais, ou para as dos estados: 1º Os mendigos 2º Os analfabetos 3º As praças excetuados os alunos das escolas militares de ensino superior. 4º Os religiosos de ordens monásticas, companhias, congregações, ou comunidades de qualquer denominação, sujeitas a voto de obediência, regra, ou estatuto, que importe a renúncia da liberdade individual. - O número de representantes de cada estado na Câmara Federal era proporcional ao numero de habitantes. - Os Estados teriam direito de fazer sua própria constituição. - O governo Federal poderia fazer intervenção nos estados caso ocorresse desobediência do mesmo. - Casamentos e registros de nascimento deveriam ser realizados pelos cartórios públicos. A Assembléia Constituinte decidiuque o primeiro presidente da República e seu vice seriam eleitos indiretamente. Votariam apenas os senadores e deputados. Deodoro era o candidato natural. Os fazendeiros não queriam como presidente, mas também não queriam provocar a ira dos militares que o apoiavam. Mesmo assim, arriscaram uma chapa de oposição com Prudente de Morais. Deodoro venceu. Entretanto teve que governar com o vice da oposição, pois seu companheiro (almirante Wandenkolk) de chapa perdeu para Floriano Peixoto. O Primeiro Presidente: Deodoro da Fonseca (1891) O Congresso temia as tendências autoritárias de Deodoro e estava insatisfeito com a crise econômico-financeira provocada pela política do Encilhamento. Hostilizado pelo Congresso, Deodoro tentou um Golpe de Estado a 3 de novembro de 1891, fechando o Congresso e decretando estado de sítio. Com isso a oposição contra ele cresceu, culminando na Primeira Revolta da Armada, quando o contra-almirante Custódio de Melo ameaçou bombardear o Rio de Janeiro com seus navios, exigia a renuncia do presidente. Pressionado, Deodoro da Fonseca renunciou em 23 de novembro de 1891, assumindo o vice-presidente Floriano Peixoto. O Marechal de Ferro: Floriano Peixoto(1891-1894) Ao assumir o governo, anulou imediatamente o decreto que fechou o Congresso Nacional e retirou do poder os governantes dos Estados que haviam apoiado a tentativa de golpe de Deodoro, colocando no lugar deles homens da sua confiança. Tomou também várias medidas para tentar debelar a crise econômica na qual o país estava mergulhado, controlando a especulação financeira e a especulação sobre os gêneros alimentícios, tabelando seus preços. Ele acabou por provocar violenta reação contra seu governo, cuja legalidade passou a ser contestada. A oposição protestava, baseado no artigo 42 da Constituição, que dizia: "Se, no caso de vaga, por qualquer causa, da presidência ou vice- presidência, não houverem ainda decorrido dois anos do período presidencial, proceder-se-á à nova eleição". Floriano Peixoto não convocou novas eleições e manteve- se firme no cargo de presidente, alegando que este artigo não se aplicava a seu caso, já que fora eleito por voto indireto, de acordo com as disposições transitórias da Constituição, o que suscitou mais protestos contra seu governo. No início de 1892 o sargento Silvino Honório de Macedo prendeu o comandante da fortaleza de Santa Cruz e convocou seus colegas a reagirem contra o governo de Floriano e pela legalidade. Acabou preso e fuzilado. Pouco tempo depois, em abril de 1892, aconteceu o chamado Manifesto dos Treze Generais, exigindo a imediata realização de eleições presidenciais, de acordo com a Constituição. Os militares revoltosos foram sumariamente reformados e retirados da ativa. Sua ação firme e violenta aniquilou os setores militares e civis descontentes com a República, garantindo a sucessão presidencial, o que lhe rendeu o título de Marechal de Ferro. A Segunda Revolta da Armada (1893-1894): Enquanto maragatos e chimangos se enfrentavam em terras gaúchas, teve início no RJ, em agosto de 1893, a Revolta da Armada, sob a liderança do Almirante Custódio de Melo. De uma maneira geral, podemos dizer que o movimento resultou de uma convergência de fatores estruturais e conjunturais. Entre os primeiros estava a disputa pelo poder entre os oficias do exército e da marinha, representantes de grupos sociais distintos. Entre os aspectos da conjuntura, destacam-se a ação dos políticos hostis a Floriano, que “jogavam lenha na fogueira”, e os projetos presidenciais do próprio Custódio de Melo: o Almirante queria suceder a Floriano, mas este apoiava o civil Prudente de Morais. No dia 13 de setembro, navios da armada começavam a bombardear o RJ. Contando com o apoio de SP e a adesão popular, o governo tratou de organizar uma reação à revolta. Os rebeldes abriram novas frentes de batalha no sul do país, mas não puderam resistir à contra-ofensiva governamental. Em março de 1894, a revolta estava vencida. A Revolução Federalista (1893-1895): Foi uma revolta chefiada pelo caudilho Gumercindo Saraiva contra o presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Júlio de Castilhos. Os Federalistas, também conhecidos como maragatos, defendiam reformas na Constituição estadual e a adoção do parlamentarismo. Os partidários de Júlio de Castilhos, chamados de pica-paus ou chimangos, eram apoiados por Floriano Peixoto. A Revolução Federalista eclodiu no dia dois de fevereiro de 1893, quando Júlio de Castilhos presidia o governo do RS. Durante dois anos e meio, o estado gaúcho foi sacudido por uma das mais sangrentas guerras civil da história brasileira. O movimento estendeu-se ao Paraná e a Santa Catarina, chegando a ameaçar São Paulo, cuja defesa foi organizada pelo presidente do Estado, Bernardino de Campos. Os revoltosos do sul, uniram-se aos participantes da Revolta da Armada, que estava ocorrendo na mesma época. Terríveis violências foram cometidas, tanto pelos federalistas quanto pelos defensores do governo legal. A luta, que durou 31 meses, teve 10.000 mortos e causou prejuízos materiais incalculáveis. Em agosto de 1895 foi assinada a Paz de Pelotas, pondo fim à Revolução Federalista. ______________________________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 13 1. Durante o Governo Republicano Provisório [1889-1891], o Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, põe em prática uma política econômica caracterizada pela emissão de papel-moeda e pelo aumento das tarifas alfandegárias para os produtos estrangeiros, visando promover o crescimento industrial. Essa política ficou conhecida como: a) Plano de Metas. b) Funding-loan. c) Encilhamento. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS d) O Convênio de Taubaté. e) Salvacionismo. 2. Entre 1893 e 1895, o sul do Brasil foi palco de uma sangrenta guerra que colocou frente a frente republicanos jacobinos e positivistas contra os antigos liberais do regime monárquico. A violência das facções, o terror indiscriminado e sobretudo o apelo a chavões ideológicos como justificadores da ação bélica e repressiva antecipam as carnificinas do século XX cometidas em nome de ideais progressistas ou reacionários. FRANCO, Sergio da Costa. "A guerra civil de 1893". Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1993. A guerra civil descrita no texto foi a: a) Guerra do Contestado. b) Revolta dos Mascates. c) Revolta da Armada. d) Revolução Federalista.e) Revolução Farroupilha. 3. (EsSa) Por sua atuação, foi denominado “Marechal de Ferro”: a) Hermes da Fonseca. b) Floriano Peixoto. c) Deodoro da Fonseca. d) Candido Rondon. e) Castelo Branco. 4. A Constituição brasileira de 1891: a) permitiu a plena democratização do país, com a superação do regime militar; b) criou um quarto poder, o Moderador, que atribuía plenos poderes ao Imperador. c) separou o Estado, agora republicano, da Igreja Católica.d) manteve a permissão para a existência de mão de obra escrava. e) eliminou os resquícios autoritários do varguismo. 5. Policarpo era um patriota; monarquista conservador, foi ardoroso defensor do governo (forte) de Floriano a favor do qual engajou-se na luta contra a Armada rebelada. Acabou preso, condenado e executado. Teve um triste fim." (Afonso H. Lima Barreto, TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA). O período da República referido no texto é: a) a República da Espada.b) o Estado Novo.c) a República dos Coronéis.d) a República Nova.e) a Fase Populista. 6. Foram as revoltas ocorridas durante o governo de Floriano Peixoto: a) Revolta de Canudos e Revolução Praieira;b) Revolução Federalista e Revolta da Armada;c) Revolta da Chibata e Revolta do Contestado;d) Revolução Federalista e Coluna Prestes;e) Revolta da Armada e Revolta do Forte de Copacabana. 7.O marechal Floriano Peixoto, em sua política econômico financeira: a) orientou-se no sentido de apoiar a lavoura, principalmente a cafeeira. b) procurou combater a inflação, contando para isso com a colaboração de seu Ministro da Fazenda, Joaquim Murtinho. c) buscou particularmente a diversificação de produtos agrícolas, buscando substituir o café pelo algodão, cacau e açúcar, como produtos básicos de nossa economia. d) orientou-se no sentido de promover a industrialização do país através de uma política de empréstimos e financiamentos. e) visando a diminuir a dívida externa do Brasil, pagou a maior parte de nossos débitos no exterior, principalmente junto aos Estados Unidos. 8. A crise do Encilhamento, ocorrida durante o primeiro governo republicano, provocou um grande descontrole na economia nacional. Essa crise: a) culminou com o desenvolvimento da forte política de industrialização no Brasil. b) conteve a especulação, evitando a falência de banqueiros e industriais. c) foi conseqüência da desvalorização dos preços do café no mercado internacional. d) levou o Ministro Rui Barbosa e a elite agroexportadora a elaborarem o primeiro programa de valorização do café. e) foi conseqüência da política econômico-financeira de emissão de papel-moeda e do crédito aberto, adotada por Rui Barbosa, então Ministro da Fazenda. 9. (EsSa-16) A Política de emissão de dinheiro em grande quantidade, que causou uma desenfreada especulação na Bolsa de Valores, durante o governo do marechal Deodoro da Fonseca, ficou conhecida com A) Encilhamento. B) Crise de 1929. C) Crise Contestada. D) Queda do Banco do Brasil. E) Queda do Marechal de Ferro. 10. A Constituição Brasileira de 1891 estabeleceu a organização de um Estado Federal. Sobre o período histórico e essa constituição, pode-se afirmar que: a) efetivou a República federal presidencialista, através da divisão dos três poderes e da transformação das províncias em estados- membros com autonomia relativa. b) consolidou a República no Brasil, através de um governo parlamentar fundamentado na doutrina positivista.c) seguiu o modelo federal dos EUA, no qual os estados- membros teriam total independência e só permaneceriam unidos em questões relativas ao comércio internacional e em casos de guerra.d) criou a República e, pela primeira vez, garantiu o voto ao analfabeto, tendo como característica inovadora a concentração do poder no Legislativo.e) fortaleceu o sistema presidencialista e o pluripartidarismo e restringiu os poderes do Legislativo, enfraquecendo os poderes dos coronéis regionais. REPÚBLICA DAS OLIGARGUIAS CORONELISMO:A Dominação a Nível Local. O termo oligarquia, no Brasil da República Velha, significava domínio político de alguns grupos ou famílias patriarcais, ligadas às atividades agrárias e ao comércio, sobre os governos estaduais ou, em alguns casos, sobre o poder político nacional. O oligarca era também um coronel que tinha o poder político numa determinada região, controlando os cargos públicos e os investimentos do estado, empregando parentes e distribuindo benesses aos aliados. Nos estados mais desenvolvidos, as oligarquias das várias regiões estaduais ajustavam seus interesses dividindo a liderança do partido que controlava a política estadual. Às vezes, esses ajustes se desfaziam e surgiam as dissidências e oposições estaduais em época de eleição. Quando terminava o pleito eleitoral, as oposições derrotadas voltavam ao partido, com a esperança de ocupar a liderança (essa situação infelizmente ainda acontece no Brasil do século XXI). Sabiam que fora do partido não tinham nenhuma condição de sobrevivência política. Nos Estados mais atrasados, o controle partidário pertencia a uma família (algo que também ainda acontece no cenário político brasileiro atual, claro que, em menor proporção). As oposições também eram controladas por outras ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS famílias inimigas e, as disputas políticas familiares eram sempre violentas. Do oligarca exigia-se fidelidade ao partido, ao governo e aos chefes. A fidelidade era sempre ao partido, aos velhos amigos, aos correligionários. Os interesses individuais deviam sempre estar ligados aos interesses partidários. Para os melhores cargos políticos eram designados os membros do partido mais proeminente e fieis às orientações dos chefes. O que diferia o oligarca do simples coronel era o grau de atuação política. O primeiro controlava ou disputava a liderança estadual; o segundo controlava ou disputava apenas o poder a nível local ou regional, “sempre” subordinado ao primeiro. O coronelismo, fenômeno político e social característico da Republica Velha, teve origem no império, com a criação da Guarda Nacional cujo chefe local tinha a patente de coronel. Depois, os caboclos e sertanejos estenderam o titulo a todo e qualquer chefe político ou poder local. A Republica, ao introduzir o federalismo e sufrágio universal num país com amplas massas rurais analfabetas ou semi- analfabetas, gerou um problema. Como as oligarquias estaduais poderiam manter o poder, ao mesmo tempo em que era instituído o sufrágio universal? Essa dificuldade estava em preservar o sistema político “liberal” sem ariscar-se a perder o poder. A força das oligarquias estaduais vinha do controle sobre os grandes coronéis municipais, condutores das massas rurais impotentes, castradas e incapazes de atuar politicamente de maneira autônoma. De posse de um número bastante grande de votos, o coronel o negociava com o governador do seu Estado, isto é, oferecia os votos em troca de um benefício qualquer. Dessa forma, o voto fraudado pelos coronéis saía dos municípios, elegia governadores de um grupo oligárquico estaduale chegava até a presidência da República, sendo canalizado para o candidato paulista ou mineiro. Como sabemos, os chefes locais eram grandes proprietários, doutores, padre ou comerciantes. Não importava a profissão, a mentalidade era a dosgrandes proprietários. O mais comum era a combinação de quaisquer dessas ocupações com o controle das propriedades rurais. Muitos coronéis exerciam o papel de comerciantes vendendo fiado, adiantando dinheiro aos vendedores e fazendo empréstimos. Controlavam, além da parentela familiar, grupos de jagunços ou “cabras” que, além de trabalhar para o coronel, constituíam suas tropas privadas. Em troca de favores, o coronel fornecia empregos públicos e emprestava dinheiro aos parentes e amigos. Doava terras, distribuía benefícios e dava proteção policial e judiciária aos jagunços. Além de dinheiro, propriedades e prestigio social, o coronel deveria apresentar certos atributos pessoais, como capacidade de mando, coragem e liderança. Nas sucessões coronelistas nem sempre era o filho mais velho que ocupava o lugar do pai. Muitas vezes era escolhido um sobrinho, um genro ou outro parente que tivesse capacidade de comando, para que a sucessão não enfraquecesse seu grupo político. O prestigio político de um coronel era medido por sua capacidade de angariar votos para seu candidato, fosse deputado, senador ou governador. Sua força advinha das relações que mantinha com o governo. Afinal, era com base nessas relações que o coronel poderia indicar os funcionários públicos, o chefe de policia e o coletor de impostos. Todos os coronéis, mesmo os de posição local, quando passavam para a situação procuravam se acertar com o governo estadual. Este, no caso de disputas entre coronéis, muitas vezes esperava a definição do vencedor para reconhecer o comando político de um município. Nos Estados mais “desenvolvidos” era quase impossível pensar em coronéis municipais que tentassem derrubar o governo e as oligarquias partidárias, mas isso ocorreu. Nos Estados menos desenvolvidos tal prática era mais comum, e as facções em disputas procuravam o apoio das forças federais. Nem só com disputas armadas e violências eram estabelecidas as relações entre os coronéis. Vários chefes políticos de um município ou de uma região poderiam fazer um acordo e entregar a chefia suprema de seus grupos e sua fidelidade a um determinado coronel, da mais prestigio ou poder, que se tornava o “coronel dos coronéis”. O coronelismo entrou em declínio com a centralização do poder ocorrida após a Revolução de 1930. Mas em certas regiões mais “atrasadas”, como o sertão nordestino, o vale do Jequitinhonha, em Minas, o coronelismo persistiu até recentemente. • POLÍTICA DOS GOVERNADORES: A República tornou-se possível em grande parte, graças à aliança entre militares e fazendeiros de café, no entanto tinham projetos diferentes, os primeiros eram centralista e o segundo federalista. E como os cafeicultores contavam com um amplo arco de aliados potenciais e eram economicamente o setor mais poderoso da sociedade, conseguiram implantar seus interesses. Com Prudente de Morais os poderes passaram as mãos desse grupo, mas foi com Campo Sales (1898-1902) que implantou a política dos governadores que ocorreu a consolidação. Política que consistia: onde os chefes políticos locais apoiavam as chamadas oligarquias estaduais, estas apoiavam os deputados e os senadores e estes sustentavam as medidas do governo federal. Em troca, o presidente se comprometia a não intervir nos governos estaduais, deixando que as oligarquias governassem os respectivos estados como achassem convenientes. Através dessa política, os cafeicultores governavam praticamente sem oposição, e isso só era possível por causa da corrupção eleitoral e da degola. A república não estabeleceu o voto secreto, assim os chefes políticos locais podiam pressionar quem tivessem a intenção de votar na oposição. O voto era comprado ou trocado por algum benefício. Esse é o chamado voto de cabresto. A corrupção ia além, controlavam-se os juízes que fiscalizavam as eleições, assim era comum mortos votarem, eleitores votarem várias vezes atas eleitorais serem falsificadas. Tudo era feito para o candidato da situação vencer. No nível federal, o governo usava a degola. O candidato só tinha sua eleição reconhecida se tivesse o apoio dos governadores do seu respectivo estado. A comissão verificadora, sob controle federal, alegava fraudes e irregularidades para não diplomar os candidatos de oposição. Ou seja, o individuo, mesmo se eleito, não era empossado. O pacto da política dos governadores era reforçado pela política do café-com-leite. Onde Minas Gerais e São Paulo, se revezariam no cargo para presidente. Os presidentes e os Acontecimentos: a) PRUDENTE DE MORAIS - 1894-1898 - Fazendeiro paulista, pretendia recuperar a economia frente aos problemas oriundos da Crise do Encilhamento e pacificar o Rio Grande do Sul (Revolta Federalista), o que de certa forma foi conseguido, porém teve de enfrentar a revolta de Canudos. Na política externa, teve destaque a atuação do barão do Rio Branco, diplomata que solucionou o problema da fronteira com a Argentina, na região das Missões. Canudos: Em Busca dos Caminhos da Esperança Por Prof. Esp. Rogério Silva. Desde 1888 Conselheiro vinha sendo seguido por multidões de „gente inferior” - ex-escravos, vagabundos, marginalizados. Uma de suas primeiras ações nesse período acontece em Bom Conselho, quando reúne o povo, faz uma breve prédica e manda arrancar o ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS edital de cobrança de impostos. O povo obedece, queima o edital e faz festa, com foguetes e banda. Começa a trajetória propriamente política do Conselheiro. Uma patrulha de 35 soldados tenta prendê-lo mas é dispersada pelo povo. Daí para frente será sempre perseguido como um perigo social. É então que depois de muito ameaçado leva seu povo, e todos os que chegam, para o Belo Monte e ali funda a sua utopia.Bem real, enquanto durou. A cidade foi levantada em 1893, perto do rio Vaza-Barris. Chamava-se Belo Monte, mas passou para a historia como Canudos, nome dado pelos inimigos, referindo-se aos bambus que ali cresciam, como canudos, e, ao mesmo tempo negando-lhe o carisma de seu verdadeiro nome. A notícia correu pelos sertões. Fazendas e vilas despovoavam-se porque em Belo Monte “havia descido o céu”. Não tinha polícia do governo e o trabalho era igual para todos. Não se pagavam impostos e bastava levantar casa onde o Conselheiro indicasse. Toda a produção era distribuída de acordo com as necessidades de cada um. Nunca houve roubo. /Nunca houve opressão./Todos eram livres e iguais./Todos trabalhavam. E rezavam, dando graças ao Senhor Bom Jesus. Canudos teve 35 mil habitantes. De longe, parecia um presépio: as casas amontoavam-se, desordenadamente. Só havia uma rua e, no seu início, a primeira igreja, onde Antônio Conselheiro pregava. Posteriormente começou-se a construir outra capela. Uma utopia real, que nunca teve polícia ou cobrador de impostos. Onde, ao contrário do sertão, havia duas escolas para as crianças. Onde as decisões eram tomadas. Uma das fontes de renda de comunidade foi a venda das peles de cabra, que a Republica exportava, inclusive. A importância da cabra na economia de Canudos, alias, é um estudo ainda a ser feito. Dava o alimento - leite e carne - e o couro para roupas e sapatos. O excedente vendia-se a comerciantes que o levavam para Salvador: a exportação do couro de cabra chegou a ser um dos mais importantes itens da economia baiana. Dos chifres desses animais os sertanejos faziam pentes, bijuterias,piteiras para cachimbos e, quando chegou a guerra, até balas de munição. O pretexto para a guerra contra Canudos foi a pretensa invasão de uma vila, por Conselheiro, para conseguir madeira. Na verdade, por trás de tudo, o motivo real era destruir um “mau exemplo” de liberdade popular. Havia também o interesse político no episódio, favorecendo as disputas entre os republicanos. Canudos era vista como um lugar de concentração e atração de diversos atores sociais, que a sociedade da época achavam ser: fanáticos religiosos, marginais e anti-republicanos, estes estereotipo que levava o Estado, a Igreja e as Oligarquias (as três forças da época) a terem medo do arraial de Canudos. Nem sempre foram visto como fanáticos religiosos, pois houve momentos que as três forças compartilhavam relações sociais, Conselheiro e seus seguidores prestaram muitos serviços por onde passavam ou onde eram chamados, construíam cemitérios, ruas, açudes, igrejas, etc., só que a partir de um momento os laços de interações foram quebrados, isso pelo estabelecimento da cidadela e pelos conflitos armados que começaram a ser constante, sendo assim podemos observar que nem sempre Conselheiro e seus seguidores foram perseguidos, quando de conveniência era aceitos. Mas a verdade quanto à questão religiosa é que em Canudos assim como em grande parte do sertão era praticado o catolicismo popular, que às vezes, e principalmente após a aparição de Antonio Conselheiro, fora confundido com fanatismo religioso. Canudos era também visto como um antro de marginais, é certo que muitos foragidos da justiça iam se esconder em Canudos, mas isso ocorria em casos de minoria, pois ali viviam gente de bem, homens e mulheres que lutavam todos os dias para conseguirem viver, paralelo a isso existia a visão de anti-republicanos, mas nada os canudenses tinham a ver com tal denominação, o único elemento que realmente os canudenses eram contra a republica era fato de ela ter separado a igreja do Estado, mas mesmo assim, isso não representavam um sentimento verdadeiramente anti-republicano. Acredito que podemos destacar três aspectos na destruição de Canudo: militarmente; socialmente e quanto à memória, tratando respectivamente. Canudos foi atacada por quatro expedições, a primeira constituída de 120 homens comandados por um tenente e foi desarticulada pelo exército canudense; a segunda formada com 600 homens comandados por um major e contando com 2 canhões, também derrotada; a terceira contou com tropas do Rio de Janeiro e Bahia com 1 300 homens, já a última, contou com cerca de 10 mil homens de vários estados, com grande infra-estrutura, com batalhas bem variadas (locais, e tempo de duração) findando com a morte de Conselheiro em 22 de setembro e o ataque final em 1°de outubro. b) CAMPOS SALES - 1898-1902 - Fazendeiro paulista, desenvolveu uma política econômica desfavorável a população, porém para as elites desenvolveu a Política dos Governadores. A gênese da Política dos Governadores. “Parece oportuno tratar de escolha do meu sucessor, a fim de poder entender-se com alguns membros do Congresso, antes do encerramento da sessão. Sei que Rodrigues Alves encontra o seu apoio e estou em pleno acordo na indicação deste nome, que considero competente no duplo ponto de vista político administrativo, e faço por ele decidido empenho (...) mas tenho motivos para creditar que Minas só aceitará a combinação em que entrar também um mineiro, e, para evitar embaraços, julgo conveniente indicar Silviano para vice-presidente, assegurando assim apoio decisivo daquele grande Estado”. Campos Salles. Da propaganda à presidência. Antes mesmo de sua posse viajou para a Europa, onde encaminhou negociações com os bancos credores do Brasil e estabeleceu um plano de saneamento econômico chamado de funding-loan (empréstimo consolidado); Os principais pontos desse plano eram: - Obtenção de novos empréstimos externos no valor de 10 milhões de libras. - Suspensão do pagamento da dívida externa por 13 anos (os juros da dívida voltariam a ser pagos depois de 3 anos). - As rendas da alfândega do Rio de Janeiro serviriam de garantia aos banqueiros internacionais. - Compromisso de severo combate à inflação. Na área externa, em 1900, conseguiu pro meio da atuação do Barão do Rio Branco solucionar a Questão do Amapá, área reivindicada pela França como pertencente ao território da Guiana Francesa. c) RODRIGUES ALVES - 1902-1906 - Fazendeiro paulista. Modernizou o Rio de Janeiro, enfrentou a Revolta da Vacina e tentou erradicar a febre amarela. Também resolveu a Questão do Acre através da assinatura do Tratado de Petrópolis, 1903. A Revolta da Vacina (RJ, 1904). Na primeira República (1889-1930), a vida política restringia-se às oligarquias que governavam os estados e o Brasil como se fossem propriedades particulares. Assim, já a partir dos primeiros anos do século XX, surgiam diversos movimentos de contestação à política do café-com-leite e ao autoritarismo governamental, principalmente nas cidades, que apresentaram grande crescimento populacional no período. Em 1880, o Rio de Janeiro registrava 522 mil habitantes e, em 1920, já contava com 1,1 milhão. São Paulo, no mesmo período, apresentou um crescimento populacional espetacular: de 65 mil ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS atingiu 580 mil habitantes, quase 900%. No Nordeste as cidades também cresceram: Salvador, por exemplo, no mesmo período saltou de 175 mil para 288 mil habitantes. No início do século XX, a cidade do RJ apresentava um grande contraste. O centro e os bairros elegantes, onde morava a elite carioca, modernizaram-se com a abertura de ruas e iluminação a gás. A cidade ficou semelhante às capitais européias (a bela época, carioca). No centro antigo do Rio de Janeiro. No lugar, dos cortiços surgia uma cidade moderna, que precisava encontrar espaço para um veículo até então desconhecido dos cariocas: o automóvel. O primeiro veículo, importado da França, foi trazido pelo jornalista José do Patrocínio, em 1882. Tinha custado 20 mil francos. Depois de ser montado, os jornais anunciaram que o estranho veículo estava prestes a circular. Num Domingo de manhã, Patrocínio ao volante e o poeta Olavo Bilac a seu lado iniciaram o passeio, acompanhados por um grande público ávido de conhecer a novidade. No entanto, ladeando esse núcleo privilegiado, encontravam-se moradias pequenas e amontoadas, vielas e ruas estreitas, becos, cortiços e hospedarias sem higiene. Não havia redes de esgoto, nem água suficiente para todos, a maioria das ruas não tinha iluminação e por todos os cantos via-se lixo amontoado. As precárias condições sanitárias deixavam a cidade sujeita a pestes e doenças de todo o tipo: febre amarela, peste bubônica, varíola...vejamos um exemplo de combate a estes males, representado pela destruição de um emblemático cortiço da cidade do Rio de Janeiro, o Cabeça de Porco. O governo de Rodrigues Alves pôs em prática um plano que relacionava saneamento e urbanização. Sob a administração do prefeito Pereira Passos, o Distrito Federal foi remodelado com o alargamento de ruas, a abertura de avenidas, a construção de pontes e a reforma do porto. Tais obras foram feitas com o sacrifício da população pobre, que foi expulsa para longe e teve seus casebres e cortiços destruídos. As equipes de saneamento agiam com o apoio da polícia, caso enfrentasse qualquer recusa ou reação. A população não se conformava. Em 1904, o “bota-abaixo”, nome popular dado às reformas conduzidas pelo prefeito Pereira Passos, fez crescer o clima de revolta da população contra o que ironicamente Lima Barreto chamou de “civilização”. Em agosto de mesmo ano,iniciou-se a vacinação obrigatória, sob a coordenação do médico sanitarista Osvaldo Cruz, pois, apenas nesse ano, uma epidemia de varíola provocou a morte de 4 mil pessoas no Rio de Janeiro. A falta de esclarecimento sobre as razões da vacinação, aliada aos transtornos criados pela reforma da cidade, acabou por deflagrar uma revolta popular contra o governo. Uma das medias autoritárias do governo foi a de outubro de 1904: a “Lei de Vacinação Obrigatória”. As equipes sanitárias foram autorizadas a aplicar a vacina antivariólica em toda a população, se necessárias à força. Denúncias de invasão de domicílio, prepotência dos agentes sanitários e ação violenta da polícia apareciam diariamente nos jornais. Na primeira etapa, em que se lutava contra a peste bubônica, o combate concentrou-se na eliminação dos ratos, os transmissores. Os lugares mais notórios, como becos, hospedarias e armazéns foram visitados pelos agentes da saúde encarregados de remover entulhos e espalhar raticidas. Um método curioso foi também posto em prática para eliminar os ratos: funcionários percorriam a cidade para "comprar" os ratos apanhados pela população. A febre amarela, cujo transmissor havia sido identificado por um médico cubano, foi combatida por uma campanha de "mata- mosquitos" com a eliminação dos focos e com a desinfecção das casas. Em 05 de novembro de 1904, no Centro das Classes Operárias, foi fundada a “Liga de Combate à Vacinação Obrigatória”, Seu líder e fundador, o senador Lauro Sodré, pretendia, ao que parece, transformar a liga num instrumento de ambições políticas próprias e de seus aliados. Com essa expectativa, colocou a organização na liderança de um movimento insurrecional que, entretanto, escapou completamente ao seu controle. Armou-se a conspiração. No dia 10 de novembro, e por mais de cinco dias, o Rio de Janeiro transformou-se em uma praça de guerra. Era a “Revolta da Vacina”. A desordem era tal que o governo decretou toque de recolher. A Revolta da Vacina desdobrou- se, também, na “Revolta da Escola Militar”. Os suspeitos de participação nos conflitos, segundo o historiador José Maria dos Santos, “começaram a ser recolhidos em grandes batidas policiais. Não se fazia distinção de sexos, nem de idades. Bastava se desocupado ou maltrapilho e não provar residência habitual para ser culpado. Conduzidos para bordo de um paquete de Lôide Brasileiro, em cujos porões já se encontravam a ferros e no regime da chibata foram sumariamente expulsos para o Acre”. O governo reagiu rapidamente e conseguiu sufocar o movimento. Foi decretado estado de sítio e realizadas centenas de prisões de civis e militares. Depois de todos os embates finalmente o governo recuou e revogou no dia 16 de novembro a obrigatoriedade da vacina, fazendo refluir o movimento. No seu rastro, a revolta deixou centenas de mortos e feridos. A brutalidade da ação policial sobre as camadas populares, que foram as principais vítimas, continuou mesmo depois de terminada a revolta. Identificando como suspeita qualquer pessoa pelo simples fato de pertencer aos extratos populares, o sentido da repressão tornou-se claro: tratava-se de afastar o pobre da cidade, "limpá-la" e entregá-la como espaço higienizador para uso burguês, Novos movimentos ocorreram em 1905, mas foram logo desbaratados. Estrutura Econômica da República Oligárquica O Café As condições naturais favoráveis, a expansão do mercado consumidor e a introdução da mão-de-obra livre fizeram do café o mais importante produto brasileiro, chegando a constituir cerca de setenta por cento do valor das exportações do país. São Paulo tornou-se o grande centro da economia cafeeira, chegando a comercializar cinqüenta por cento do café mundial. O café dinamizou a economia nacional, possibilitando o desenvolvimento de uma próspera burguesia, do mercado interno, das ferrovias, dos portos e dos serviços urbanos; além disso, difundiu o trabalho assalariado e estimulou a produção industrial. Entretanto, a partir de 1895 começaram a aparecer os primeiros sinais da crise. Tratava-se de uma crise de superprodução, pois a eufórica produção de café, justificada pelos altos preços que o produto vinha alcançando no mercado internacional, crescia a níveis muito superiores ao ritmo de crescimento do mercado consumidor. A oferta tornou-se, então, maior que a procura, provocando a queda dos preços do café, afetando diretamente os cafeicultores. O governo, controlado pelos cafeicultores, tratou de adotar medidas que garantissem os interesses desse grupo. Com a desvalorização da moeda nacional, ao trocar as libras, recebidas pelas exportações, os produtores de café ficavam com uma grande quantidade de mil-réis. A política emissionista, que garantia este plano, provocou a elevação dos preços e o conseqüente aumento do custo de vida, prejudicando as camadas populares. O aprofundamento da crise levou à adoção de uma política de valorização do café, firmada entre os presidentes dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, à revelia da discordância do presidente da República, Rodrigues Alves. Esse acordo, firmado ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS na cidade de Taubaté, em 1906, ficou conhecido como Convênio de Taubaté e consistiu no seguinte: a) os governos estaduais deveriam contrair empréstimos no exterior, a fim de comprar e estocar a produção excedente de café, controlando, assim, artificialmente, a oferta do produto, garantindo a recuperação de seu preço; b) cobrança de uma taxa sobre as sacas de café exportadas, garantindo, desse modo, uma reserva para o posterior pagamento dos empréstimos feitos; c) cobrança de altos impostos, para evitar a ampliação das áreas produtoras de café. O governo intervinha na economia, com o objetivo de defender os interesses da oligarquia cafeeira. Mas a garantia da elevação do preço do café provocou a ampliação da produção, piorando a crise durante a Primeira Guerra Mundial, quando os mercados consumidores se retraíram. A partir de 1918 a economia cafeeira teve novo surto de prosperidade. Dois fatores contribuíram para isso: o fim da Primeira Grande Guerra, possibilitando a reorganização do comércio internacional e a forte geada, que devastou muitos cafezais, diminuindo a produção. Em 1924, foi criado o Instituto do Café, que passou a atuar no sentido de manter artificialmente o preço do café com todos os recursos necessários, através da retenção dos estoques, mantendo equilibrado o nível de renda dos cafeicultores, até a explosão da grande crise econômica mundial de 1929. d) AFONSO PENA - 1906-1909 - Mineiro, apoiado pelos cafeicultores. Desenvolveu a política de valorização do café. Construiu ferrovias e estimulou a imigração, “governar é povoar”. Morreu antes de completar o mandato. e) NILO PEÇANHA - 1909-1910 - Vice de Afonso Pena. Completou o mandato. O curto período de seu governo foi marcado pela acirrada disputa sucessória pela presidência. São Paulo e Minas Gerais discordavam quanto ao nome do sucessor: enquanto os paulistas defendiam a candidatura de Rui Barbosa, os mineiros queriam o ex- ministro da guerra, Marechal Hermes da Fonseca, que contava com apoio dos militares e do governo federal. Para fazer frente, Rui Barbosa empreendeu a chamada Campanha Civilista, que propunha reformas na Constituição e o voto secreto, teve apoio dos cafeicultores. Mas mostrando a força do coronelismo e do voto de cabresto Hermes da Fonseca foi eleito. f) HERMES DA FONSECA - 1910-1914 - Militar e político gaúcho (primeiro rompimento da política do café-com-leite). Teve um governo tumultuado, onde enfrentou a Revolta da Chibata (marinheiros) e a Guerra do Contestado.Sobrinho do ex-presidente Deodoro, H. da Fonseca, desenvolveu uma política de intervenção nos estados. Usando da força militar, apoio políticos leais a seu governo, especialmente no Norte e Nordeste, com objetivo de derrubar as oligarquias estaduais opositoras e fortalecer o poder federal. A Política das Salvações, como ficou conhecida, resultou em diversos conflitos armados, com milhares de mortos. A Revolta da Chibata (RJ, 1910). Pobres, marginais, pequenos ladrões, desempregados e “filhos rebeldes” eram praticamente forçados a ingressar na Marinha. Os marinheiros estavam sujeitos a trabalho pesado, alimentação insuficiente, salário baixo, disciplina rigorosa e – o mais aviltante – a castigos físicos violentos, entre eles a odiosa chibata (chicote). Apesar de suprimido pelo Governo provisório da República, o castigo continuou a ser praticado na Marinha de Guerra. O estado de semi-escravidão vivido por esses homens tornou-se insustentável quando estes tiveram contato com marinheiros de outros países. Chefiando a conspiração, estava principalmente o marujo João Cândido Felisberto (o “Almirante Negro”). Os marinheiros rebelados enviaram uma mensagem ao presidente, Marechal Hermes da Fonseca, na qual exigiam o fim dos castigos físicos, melhor condição de vida, diminuição do trabalho e aumento de vencimentos. Ameaçaram bombardear a cidade, caso suas reivindicações não fossem atendidas prontamente (No dia 22 de novembro, encontrava-se fundeada na Baía de Guanabara a quase totalidade da Marinha de Guerra brasileira). Diante da situação, foram aceitas as reivindicações e o pedido de anistia dos marinheiros. No dia 26 de novembro os marinheiros aceitaram a anistia e depuseram as armas, cumprindo exigência do governo federal. Entretanto, dois dias depois, o governo decretou a expulsão dos marinheiros, muitos foram encarcerados em minúsculas celas, entre eles, João Cândido. Outros foram deportados para a Amazônia, nove deles foram fuzilados e jogados ao mar. A maioria dos outros acabaria morrendo em conseqüência das penosas condições de trabalho nos seringais. Mesmo com esse desfecho trágico, a Revolta da Chibata apresentou resultados positivos, pois as reivindicações dos marinheiros acabaram sendo atendidas. Os castigos físicos foram definitivamente suprimidos e as condições de vida e trabalho melhoraram. Guerra do Contestado (PR/SC, 1912-1916). Quinze anos depois da destruição de Canudos, um novo movimento messiânico ocorreu no interior do Brasil. Desta vez, a região atingida foi o Sul, envolvendo Paraná e Santa Catarina. Na época, os dois estados disputavam uma área de 48.000 km, denominada por isso “Contestado”. Ao contrário do inóspito sertão baiano, onde se desenrolou a Guerra de Canudos, as terras do Contestado favoreciam uma economia diversificada. Grandes propriedades ocupavam a região, em que eram praticados o pastoreio bovino e a extração da erva-mate e da madeira. Assim como na Guerra de Canudos, o movimento sulista esteve ligado à questão da propriedade da terra, à consolidação do sistema oligárquico republicano, aos desmandos e às arbitrariedades dos “coronéis” locais e à implantação de medidas modernizadoras pelo regime inaugurado em 15 de novembro de 1889. A esses fatores somou-se os empreendimentos realizados na região do Contestado por Percival Farquhar, empresário norte-americano que atuava no Brasil desde 1905. Na área do Contestado, Percival iniciou, em 1908, a construção da estrada de ferro São Paulo – Rio Grande do Sul através de sua empresa “Brazil Railway Company”. Além de submeter seus trabalhadores a castigos físicos e tratamento desumano, a empresa estrangeira usou métodos violentos para desalojar as famílias da área por onde passaria a ferovia. O governo brasileiro cedera a essa empresa norte- americana o direito de propriedade sobre uma faixa de 15 km de cada lado da estrada. A situação se agravou com a criação da “Southern BrazilLumber&Colonization” (1911), empresa do Grupo Farquhar, para explorar madeira em 180.000 hectares da área contestada. Novamente ocorreram expulsões de lavradores que habitavam a área da “Lumber”. Por outro lado, centenas de serradores e madeireiros viram-se arruinados, em face das técnicas modernas utilizadas pela empresa norte-americana na extração e no corte dos troncos. Essa situação desenvolveu na massa desprotegida a esperança de uma justiça divina, que se manifestaria através de um enviado de Deus, isto é, um Messias. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Já em 1844, aparecera na região do Contestado o “monge” João Maria que, após tornar-se conhecido e admirado, desapareceu sem deixar nenhuma pista. Por volta de 1894, outro beato também chamado João Maria surgiu no local, ganhando grande número de seguidores. Ao desaparecer inesperada e misteriosamente, por volta de 1908, o monge instaurou entre os sertanejos o mito de seu retorno glorioso. O mito pareceu concretizar-se quatro anos depois, quando surgiu, no município de Campos Novos, um novo beato, que se denominava José Maria de Santo Agostinho. Para muitos, era o desaparecido João Maria que estava de volta com outro nome, apesar de José Maria não admitir essa identificação. Seus seguidores formaram uma comunidade chamada “Monarquia Celeste”. Acreditavam que o rei D. Sebastião, junto com seu exército encantado voltaria para empreender uma Guerra Santa contra os poderosos e salvar os pobres. O grupo de José Maria foi acusado de subversivo e monarquista. Espalhou-se o boato de que os “fanáticos” haviam proclamado a Monarquia e pretendiam estende-la a toda a região. O “coronel” Francisco de Albuquerque (poderoso chefe político da região) estimulava a propagação das notícias e logo avisou o governador de Santa Catarina, que, por sua vez, noticiou o presidente Hermes da Fonseca. Começou a ser preparada a força que atacaria os “rebeldes” (1912). Prudentemente, José Maria e seus seguidores saíram da região e seguiram para terras paranaenses, fixando moradia em Campos e Irani. Mas não ficaram livres da ameaça de repressão. O governo do Paraná foi informado da presença dos fanáticos. Considerando a ocorrência como uma invasão catarinense, preparou suas tropas. Ia ter início uma guerra de extermínio que, durante quatro anos, atormentou aquela multidão miserável e despossuídas. g) Venceslau Brás - 1914-1918 - Político mineiro. Governou durante a 1ª Guerra e, durante o conflito, ocorreu um novo surto industrial no país. h) Rodrigues Alves – 1918 - Foi reeleito presidente, mas faleceu antes de tomar posse. i) Delfim Moreira - 1918-1919 - Vice de Rodrigues Alves, governou o país interinamente, até a realização de novas eleições. j) Epitácio Pessoa - 1919-1922 - Político paraibano, deu especial atenção ao Nordeste. Os últimos meses de seu governo foram particularmente agitados (Revolta dos 18 do Forte de Copacabana). Revolta dos 18 do Forte de Copacabana No Rio de Janeiro, na madrugada de 5 de julho de 1922, um grupo de oficiais liderados pelo capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil, tomou o Forte de Copacabana, de onde passou a atacar o quartel-general do Exército. Ao mesmo tempo, na Vila Militar da capital federal, em Niterói e no Mato Grosso eclodiram rebeliões semelhantes. No dia seguinte, o Congresso aprovou o estado de sítio, que entre outras arbitrariedades, dava ao governo poderes para obrigar as pessoas a residir em endereços determinados, fazer buscas e apreensões em domicílios, suspender a liberdade de reunião e associação, censurar a imprensa e as correspondências. No dia 7, as tropas do governo mobilizadas para a retomada do Forte encontraramum pequeno número de rebeldes. Apenas dezoito militares (ou 28 conforme outra versão do episódio) deixaram a fortaleza e, envoltos em tiras da bandeira nacional retirada do Forte, marcharam pela praia de Copacabana ao encontro das forças governistas. No caminho novas desistências reduziram a dez o número de combatentes; somente dois sobreviveram à troca de tiros com as tropas do Exército: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes. l) Artur Bernardes - 1922-1926 - Político mineiro. Seu governo transcorreu inteiramente sob estado de sítio, em meio a constantes agitações e revoltas políticas (Revoltas Tenentistas). REVOLTA FARDADA: O TENENTISMO O episódio que acabamos de descrever fez parte de um movimento maior, em que, ao longo da década de 1920, oficiais militares de diversos lugares do Brasil se rebelaram contra o governo. Os motivos da rebelião vinham do tempo da presidência de Floriano Peixoto. Desde aquela época as Forças Armadas serviam totalmente aos interesses das oligarquias que governavam o Brasil. No começo do século XX, porém, jovens oficiais (tenentes e capitães, em sua maioria) da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, passaram a defender a idéia de que o Exército deveria apenas “servir à nação”. Esses oficiais estavam insatisfeitos com o comando do Exército e com a própria oligarquia a que serviam. Por conviverem diretamente com os soldados rasos, os tenentes e os capitães percebiam as dificuldades econômicas por que passavam as classes média e baixa da população. Indignavam-se também com o favorecimento das polícias estaduais, controladas pelos políticos do interior e mais bem equipadas que o próprio Exército. Revoltavam-se também com o fato de serem obrigados a defender um regime que julgavam corruptos. Na verdade, acreditavam que o Exército poderia salvar o povo da situação em que os políticos teriam lançado o Brasil. Operários, camponeses, trabalhadores do comércio, pequenos proprietários, soldados, funcionários públicos e mulheres não participavam das decisões políticas, ainda que greves e manifestações populares exigissem cada vez mais respostas do governo. O movimento de oficiais militar chamado tenentismo surgiu exatamente como oposição exterior aos grupos que dominavam o governo, e manifestou-se pela primeira vez durante a sucessão do presidente Epitácio Pessoa, indicado por Minas e São Paulo para substituir Rodrigues Alves, que, eleito em 1918, faleceu antes de tomar posse. Em 1924 eclodiu em São Paulo outra revolta tenentista, os tenentes paulistas exigiam reformas eleitorais, eleição de uma Assembléia Constituinte e voto secreto. Iniciado o movimento, os rebeldes ocuparam a capital e destituíram o presidente do estado. Contudo as forças do governo estadual receberam reforços federais e forçaram os rebeldes a se retirarem para o interior, onde continuaram lutando. A Coluna Prestes A Coluna Paulista seguiu em direção ao sul do País, onde se encontrou com uma outra Coluna Militar, liderada por um jovem idealista, considerado muito inteligente por seus colegas do Exército: o Comandante Luís Carlos Prestes, que ficou conhecido como O Cavaleiro da Esperança. As duas forças revolucionárias uniram-se, tornando-se conhecidas, a partir de então, como Coluna Prestes. Esta Coluna percorreu mais de 20.000 quilômetros através de doze Estados brasileiros, procurando despertar na população a revolta contra o poder das oligarquias. O Governo perseguiu sem descanso as tropas da Coluna Prestes. Esta, porém, através de brilhantes manobras militares, conseguiu escapar às perseguições, permanecendo por dois anos no País. Em 1926, ao final do mandato de Artur Bernardes, a Coluna resolveu ingressar em território boliviano, onde, finalmente, se desfez. Luis Carlos Prestes voltou, posteriormente, ao País, tornando-se um dos principais líderes do Partido Comunista Brasileiro. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS A Revolta do Forte de Copacabana, a Revolução de 1924 e a Coluna Prestes não produziram efeitos imediatos na estrutura política brasileira. Conseguiram, contudo, acender e manter acesa a chama revolucionária que objetivava libertar o País do jugo das poderosas oligarquias. m) Washington Luís - 1926-1930 - Político paulista de carreira preocupou-se em construir estradas e reformar as finanças. Seu governo foi sacudido pela Crise de 1929 nos EUA e depois pela Revolução de 30. Acabou deposto do cargo. A Crise Econômica Na década de 20 a economia brasileira estava assentada basicamente na monocultura cafeeira, produzindo cerca de sessenta por cento do café mundial. São Paulo e Minas Gerais controlavam a vida política nacional, garantindo uma política de valorização do café, baseada no financiamento e na retenção dos estoques excedentes, mantendo assim os preços estabilizados. O ônus desta política de defesa do café era de toda a sociedade, pois o governo emitia mais moedas e contraíacada vez mais empréstimos do exterior. Em 1929, o Brasil contava com quase 19 milhões de sacas de café estocadas, subindo para cerca de 28 milhões em 1930. A década de 20 também foi um período sombrio para as indústrias brasileiras, com exceção das indústrias subsidiárias de grandes empresas estrangeiras. O quadro agravou-se com a crise mundial do capitalismo liberal, cuja explosão foi assinalada pelo craque da Bolsa de Nova York, em outubro de 1929. Os reflexos dessa crise foram terríveis para a economia mundial, por causa dos laços de dependência dos demais países para com o capital norte-americano. No Brasil, milhões de sacas de café foram queimadas, pois os EUA eram o nosso principal consumidor e financiador. As importações norte-americanas diminuíram, os financiamentos foram suspensos e as dívidas foram cobradas. O preço do café caiu cinqüenta e sete por cento e a política de valorização do café se inviabilizou. Os cafeicultores foram arruinados e a hegemonia política paulista enfraqueceu. A “Revolução” de 1930. Em meio a uma situação de lutas pressões, contestações e crises começaram, em 1929, a campanha eleitoral para a presidência da República. A sucessão do presidente Washington Luís gerou a crise final da República Velha, porque ele preferiu apoiar a candidatura do paulista Júlio Preste em vez de apoiar a candidatura do mineiro Antônio Carlos. Com essa atitude, Washington Luís quebrou com o compromisso café-com-leite e provocou o rompimento das relações entre Minas gerais e São Paulo. Minas procurou apoio no Rio Grande do Sul e na Paraíba, esses três estados formaram um grupo político de oposição, a aliança liberal. Os candidatos da aliança liberal eram os gaúchos Getulio Vargas, para presidente e o paraibano João Pessoa para vice. Apesar de uma forte campanha a aliança liberal saiu derrotada nas eleições de 1930. Proclamada a vitória de Júlio Prestes, os líderes oposicionistas se conformaram, preparando sua reacomodação ao poder. A maioria dos aliancistas se recusava a pegar em armas (como pediam os mais radicais, ainda durante a campanha eleitoral), pois temiam as perspectivas de uma revolução. Getúlio Vargas se retraiu aceitando a derrota. João Pessoa, avesso à luta armada, chegou a afirmar preferir “dez Júlio Prestes a uma revolução”. Esse não era, entretanto, o pensamento de membros radicais da Aliança liberal, a exemplo dos tenentes e das camadas médias urbanas. “Estou farto dessa comédia”, afirmava o gaúcho Osvaldo Aranha, no que era apoiado pelo mineiro Virgílio de Melo e por outro gaúcho João Neves da Fontoura. Juntava-se a eles tenentistas, como Juarez Távora e João Alberto, forjando, assim, uma aliança que conspirava contra a posse do presidente recém- eleito.Preocupados com a possibilidade de crescimento das agitações urbanas e com a rearticulação dos tenentistas, mesmo os setores mais conservadores das oligarquias dissidentes resolveram assumir o comando da conspiração. Impediram, assim, que o golpe desencadeasse transformações mais radicais. “Façamos a revolução antes que o povo a faça”, foi o brabo de Antônio Carlos, governador de Minas Gerais. A “degola” de muitos deputados eleitos por minas Gerais e Paraíba e o assassinato de João pessoa, levaram as velhas oligarquias a definir-se favoravelmente ao golpe. Elas tiveram, entretanto, o cuidado de colocar na chefia do movimento Góes Monteiro, elemento de confiança dos políticos gaúchos. A 03 de outubro de 1930 eclodia a Revolta no Rio Grande do Sul, levantando-se, em seguida, os oposicionistas do Nordeste, sob o comando de Juarez Távora. As tropas revolucionárias do Sul e as governamentais estavam prestes a entrar em choque em Itararé, estado de São Paulo. Na iminência de uma guerra civil, que ameaçaria as oligarquias, desencadeou-se um golpe militar que depôs Washington Luís. Formou-se uma junta militar composta pelos generais Mena Barreto, Tasso Fragoso e pelo almirante Isaías Noronha. Getúlio Vargas, apoiado pelos tenentes, partiu para o Rio de Janeiro e, a 3 de novembro de 1930, assumiu o governo do país, pondo fim a República Velha e inaugurando a chamada Era Vargas. Conforme afirma o historiador Boris Fausto “era fácil saber quem perdera, mas difícil identificar o vencedor”. A composição dos vencedores era muito heterogênea para possibilitar um consenso entre eles. Diante desse quadro não era difícil prever as grandes dificuldades que teria que enfrentar o governo provisório de Getúlio Vargas. ___________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 14___________________ 1. A chamada “Política dos Governadores”, instituída a partir do governo de Campos Salles, caracterizava-se por: a) permitir que a escolha do Presidente da República fosse resultado de um consenso entre os governadores e desta forma manter o grupo político no poder. b) tornar os governadores um mero instrumento do poder do Presidente da República e impedir a formação de novas lideranças contrárias ao governo federal; c) acordo político que consistia na troca de favores entre os governos federal, estadual e municipal para manter os grupos políticos no poder. d) tornar os governadores representantes de um federalismo liberal e democrático com objetivo de renovar as lideranças políticas; e) promover, através dos governadores, a desarticulação das oligarquias locais e promover a renovação dos grupos políticos e lideranças locais. 2.(Essa-12) Em 1906, os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro se reuniram e estabeleceram o Convênio de Taubaté, que a) pode ser considerado o marco inicial da “política dos governadores”. b) defendeu medidas para incrementar a imigração europeia. c) resultou na política de ampliação da produção cafeeira. d) estabeleceu a primeira política de valorização do café. e) caracteriza a fundação da “política do café com leite”. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 3.O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagem que impedia a representatividade política da maioria da população, principalmente a parcela da sociedade mais carente. Podemos definir o coronelismo como: a) Sistema de poder cujo grupo político que se alternava no poder federal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aos seus respectivos Estados. b) Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poder estadual e municipal. c) Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária e sua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação. d) Sistema de poder baseado no coronel o líder político local, grande proprietário de terras que usava jagunços para formar os currais eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor. e) Sistema de poder político que arregimentava grande número de seguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam os mais pobres a se submeterem ao seu controle. 4. O fenômeno político do coronelismo no Brasil esteve associado a um modo de política que caracterizou a República, a partir de 1894, como: a) República dos oligarcas b) República dos generais c) República da espada d) República parlamentar e) República imperial 5.Sobre o Tenentismo no Brasil durante a Primeira República (1889- 1930) é correto dizer: a) Foi um grupo formado por jovens militares com o objetivo de instalar um regime comunista no Brasil. b) Representou um grupo de oligarquias cafeeiras que primavam pela continuidade do trabalho escravo no Brasil. c) Foi um movimento constituído por jovens tenentes do exército que realizaram várias manifestações contrárias ao governo das oligarquias durante a Primeira República no Brasil. d) Constitui-se por jovens militares durante os anos de 1920 e 1930, com a prioridade de continuar com a política de café-com-leite no cenário político nacional. e) Foi uma série de rebeliões militares que culminou na crise e queda da chamada “República Velha”. 6."Canudos era exemplo perigoso que não deveria ficar na memória" (Rui Facó) Segundo a afirmativa, os motivos da intensa repressão ao movimento de Canudos, na Bahia, ocorreram: a) para que no local fosse realizada uma grande distribuição de terras pelo Governo. b) porque se tratava apenas de um movimento de fanáticos religiosos. c) porque os revoltosos lutavam contra a liberdade e a ordem injusta de suas vidas. d) para que ninguém lembrasse uma revolta dos pobres do campo contra a miséria, a exploração, o monopólio da terra mantido pelos latifundiários que dominavam o Estado Brasileiro.e) porque foi realizada apenas pelos latifundiários locais onde não houve participação do Estado Brasileiro na repressão. 7. (Mackenzie) "Preocupado em derrubar as velhas oligarquias..., acabou utilizando os velhos costumes políticos de corrupção e coação, anteriormente criticados através de um novo elemento: as tropas federais ( ... ). Substituindo uma oligarquia por outra, mantinha a desigualdade social, agora com novos beneficiados." (Antônio Mendes Jr. e Ricardo Maranhão, BRASIL HISTÓRIA- REPÚBLICA, vol. III) O texto relata um momento histórico do governo Hermes da Fonseca que se denominou: a) Política Desenvolvimentista. b) Socialização dos Prejuízos. c) "Funding-Loan". d) Política das Salvações. e) Política do Café com Leite. 8. De maneira geral, o período republicano, iniciado em 1889 e que se estendeu até 1930, foi caracterizado: a) pela predominância dos interesses dos industriais, com a exportação de bens duráveis e de capital. b) por conflitos no campo, com o avanço do movimento de reforma agrárialiderado pelos antigos monarquistas. c) pelo poder político da oligarquia rural e pela economia de exportação de produtos primários. d) pela instituição de uma democracia socialista graças à pressão exercida pelos operários anarquistas. e) pelo planejamento econômico feito pelo Estado, que protegia os preços dos produtos manufaturados. ERA VARGAS (1930-1945) Governo Provisório (1930-1934) A 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas assumiu provisoriamente a chefia do governo brasileiro. Fora governador do Rio Grande do Sul, ex-ministro da Fazenda de Washington Luís e líder civil da revolução de 1930. Entre as medidas dessa fase inicial da Era Vargas, destacam-se: o A dissolução do Congresso Nacional, o A destituição dos governadores (com exceção do governador mineiro Antônio Carlo). o Nomeação de interventores federais (os tenentes) para governarem os estados em nome do presidente. Além disso, foi anulada a Constituição de 1891. Com isso, Vargas passou a ter o direito de exercer não só o poder Executivo, mas também o Legislativo, “até que uma Assembléia Constituinte, eleita, estabeleça a reorganização constitucional do país”. No plano social, destacou-se inicialmente a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e também o Ministério da Educação. Em dezembro de 1930 foi criada a lei dos Dois Terços, chamada vulgarmente Lei da nacionalização do Trabalho. O governo provisório foi marcado pela disputa entre os grupos que o compunham. Os tenentes, que defendiam uma maior centralização do poder, objetivavam desarticular as oligarquias estaduais e impor suas reformas. Vargas equilibrava-se entre os tenentistas e as oligarquias, implementando uma política ambígua: ao mesmo tempo em que atendia algumas das reivindicações das oligarquias, nomeava tenentistas como interventores dos estados. Vargas, nesse período, adiou o prazo para pagamento das dívidas de produtores e comerciantes, chegando mesmo a anistiar os débitos de outros grupos. O governo provisório mostrou-se preocupado com a crise do café, pois este continuava a ser o produto responsável pela maior parte de nossas divisas. Em fevereiro de 1931 reiniciava-se a política de valorização do café: o governo federal comprou 17. 500.000 sacas e criou o Conselho nacional do Café (depois Departamento Nacional do Café) com o objetivo de regularizar e proteger a economia cafeeira. No entanto, a oligarquia cafeeira já não teria os mesmos privilégios, tendo de arcar com uma maior parte de prejuízos. Os proprietários do café estavam obrigados a entregar ao Estado uma ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS cota de 20% da produção, pagar tributos por novos plantios, além de um imposto por saca de café exportada. A Revolução Constitucionalista de 1932 A oligarquia paulista não aceitou sua marginalização e, tentando retornar ao poder, aproveitou-se do descontentamento da população diante das dificuldades econômicas para insurgir-se contra o centralismo preconizado pelo Estado. O Partido Democrático e o Partido Republicano Paulista se uniram sob as palavras de ordem: “interventor civil e paulista”, exigindo também a Constitucionalização do país e a convocação imediata de eleições. O governo federal cedeu à primeira reivindicação, nomeando Pedro de Toledo como interventor, civil e paulista. Em seguida, apesar da oposição tenentista, Getúlio mandou publicar o novo Código Eleitoral e o anteprojeto da Constituição. Porém, as manifestações continuavam, e a reação contra um grupo de estudantes culminou na morte de quatro manifestantes. Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, os estudantes mortos, tiveram as iniciais de seus nomes transformados na sigla do movimento paulista: MMDC. Em julho de 1932 iniciou-se a luta armada. Vargas concentrou, nas fronteiras do Estado de São Paulo, forças policiais, batalhões provisórios e forças do exército do Sul e do Norte, bloqueando as comunicações e as possibilidades de abastecimento. A Revolta Constitucionalista transformou-se numa desgastante guerra de trincheiras. Não possuindo infra-estrutura bélico-militar necessária e acusado de estar realizando um movimento separatista, São Paulo teve de render-se às forças federais depois de três meses de guerra civil. Embora a denominada Revolução Constitucionalista de 1932 tivesse sido um fracasso do ponto de vista militar, no campo político seus reflexos foram positivos. A Constituição de 1934 Instalada em 15 de novembro de 1933, a Assembléia Constituinte discutiu o anteprojeto constitucional elaborado por Góis Monteiro, Osvaldo Aranha e João Mangabeira, aprovando-o em 16 de julho de 1934. No dia seguinte, 17 de julho, foi realizada a eleição indireta para a presidência da República. Getúlio Vargas foi eleito indiretamente pela Assembléia e deveria governar o país até 1938, quando haveria novas eleições e Getúlio não poderia ser candidato. Podemos definir a Constituição de 1934 como sendo, ao mesmo tempo, centralizadora e liberal. Inspirada na Constituição Alemão da República de Weimar, ela apresentava os seguintes pontos principais: o Divisão de três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), com o Executivo fortalecido e dotado de maior autoridade para decretar o Estado de Sítio; o Mandato presidencial de quatro anos, com eleições diretas em 1978 e nenhuma possibilidade de reeleição; o Extinção do cargo de vice-presidente; o Voto secreto, Universal e feminino (direito de voto foi estendido às mulheres funcionárias públicas remuneradas), alfabetizados e maiores de 18 anos; o Introdução do voto profissional: os sindicatos poderiam eleger os deputados classistas; o Ensino primário obrigatório e gratuito; o Criação de institutos previdenciários; o Justiça Eleitoral o Incorporação das Leis trabalhistas à Constituição (Férias remuneradas, descanso semanal, regulamentação do trabalho feminino, Licença maternidade, salário mínimo, proibição de diferenças salariais por discriminação de sexo, idade, nacionalidade ou estado civil, jornada de trabalho de 8 horas (48hs semanais), indenização do trabalhador em caso de demissão sem justa causa, regulamentação das profissões, proibição do trabalho de menores de 14 anos, proibição do trabalho noturno a menores de 16 anos, etc.); o Medidas nacionalistas e estatizantes: explorações de minas e de fontes de energia hidrelétricas só poderiam ser feitas por brasileiros natos; recursos hidrominerais transformados em monopólio do estado; proibição de que estrangeiros fossem proprietários de órgãos de divulgação; empresas estrangeiras precisam ter, no mínimo, dois terços de empregados brasileiros; Governo Constitucional (1934-1937) A partir da década de 20, mundo presenciou a implantação de ditaduras do tipo nazi-fascista, que se contrapunham à ditadura comunista da união Soviética e às democracias burguesas. O Brasil não ficaria a margem desse novo quadro político europeu. O chamado período constitucional de Vargas foi marcado pelo aparecimento da Aliança nacional libertadora (ANL), de tendência esquerdizante, e da Ação Integralista Brasileira (AIB), de conotação fascista. Enquanto isso a política de Vargas encaminhava- se num sentido cada vez mais centralizador e autoritário, até o desfecho final em novembro de 1937, quando Vargas implantou a ditadura do Estado Novo. Ação Integralista Brasileira (AIB): Liderada pelo escritor Plínio Salgado, a AIB era, fundamentalmente, um movimento social e político de orientação fascista e reivindicava um governo ditatorial com um partido único. Os desfiles dos “camisas-verdes”, como eram chamados os integralistas devido ao seu uniforme e que promoviam pancadarias e perseguiçõesaos cidadãos acusados de comunistas, era um espetáculo comum e por toda parte viam-se os integralistas cumprimentado-se com seu estilo habitual: com o braço direito levantado e gritando sua saudação indígena “Anauê”. O símbolo dos integralistas era o sigma, letra do alfabeto grego assim representado . A AIB conseguiu congregar membros das altas camadas sociais, do alto clero, da cúpula militar e parcela das camadas médias descontentes com as oligarquias, mas temerosas do comunismo. Cresciam cada vez mais o número dos que juravam lealdade ao movimento e ao seu lema “Deus, Pátria e Família”. A AIB pretendia estabelecer o estado totalitário ou integral estruturado mediante corporações representativas das profissões e uma rígida hierarquia sob controle do chefe. A esse chefe integralista se subordinariam todos os cidadãos, unidos pelo ideal de criação de uma nação identificada com o próprio Estado. Aliança Nacional libertadora (ANL): A difusão de partidos de cunho nazi-fascista em vários países gerou a formação de frentes populares antifascistas, as quais aglutinavam todos os setores sociais que, por várias razões, se opunham à extrema direita. No Brasil, a propagação do integralismo, o agravamento das condições de vida dos assalariados e o autoritarismo governamentalprovocaram a união de vários setores. Em março de 1935, a ala reformista e esquerdizante dos tenentes, camadas liberais, socialistas, comunistas e líderes sindicais de diversas tendências progressistascriaram uma frente popular conhecida por Aliança Nacional Libertadora. Luís Carlos Prestes, líder da coluna e que aderiu ao Partido Comunista Brasileiro, foi eleito seu presidente de honra. Era o primeiro movimento de massa nacional com intentos democráticos, antiimperialistas e reformistas. Suas principais reivindicações eram: suspensão do pagamento da dívida externa; nacionalização das empresas estrangeiras; realização da reforma agrária, acompanhada de incentivos aos pequenos e médios proprietários; ampliação das liberdades públicas; formação de um governo popular. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Ergueram-se por todo o país aproximadamente 1.600 núcleos da ANL, contingente capaz de ameaçar os interesses das oligarquias e do capital estrangeiro. A reação contra essa frente popular foi rápida. Em abril aprovou-se uma Lei de Segurança Nacional com um objetivo bastante claro: tolher o crescimento da ANL. Em 11 de julho de 1935, a Aliança foi extinta pelo governo, que deu início a uma forte campanha anticomunista no Brasil. A ação foi acompanhada de severa repressão aos membros e simpatizantes da ANL. Diante da extinção da ANL, sua facção de esquerda, na qual predominavam comunistas, preparou um golpe com características de uma insurreição, sob o comando de Luís Carlos Prestes. Esse episódio passou a ser conhecido como Intentona Comunista. A tentativa golpista teve início em Natal (Rio Grande do Norte), onde os revoltosos conseguiram controlar o poder por quatro dias. Levantaram-se em seguida os insurretos em Recife e Olinda e em 27 de novembro de 1935 o movimento eclodiu no Rio de Janeiro, então capital federal, onde os rebeldes resistiram na Escola de Aviação e no III Regimento de Infantaria. Acabaram sendo bombardeados ininterruptamente, até a rendição. A repressão que se seguiu foi violenta, com base na recém- promulgada Lei de Segurança Nacional. Os aliancistas foram presos ou deportados e a perseguição se estendeu a todos os setores de esquerda. Estava aberto o caminho para a escalada do autoritarismo que tomaria conta do Brasil de 1937 a 1945. Golpe de Estado de 1937 A campanha presidencial para as eleições de janeiro de 1938 iniciou-se sob grande tensão, pois o governo insistia a possibilidade de uma nova ameaça comunista. Era o proclamado “Perigo Vermelho”. Foram lançados como candidatos: Armando Sales Oliveira, representante da oligarquia paulista; Plínio Salgado, líder da AIB; José Américo de Almeida, candidato da situação e Luís Carlos Prestes, líder da ANL. O presidente Vargas demonstrou diante da campanha uma aparente neutralidade, pois nada fez para promover o candidato oficial nem se mostrou simpático às demais candidaturas. O “pretexto” veio através da “descoberta” de um plano de insurreição comunista, em setembro de 1937. Era um documento forjado pelo governo e falsamente atribuído aos comunistas que se tornou conhecido como Plano Cohen, pois de acordo com as fontes oficiais, trazia a assinatura de um certo Cohen – militante comunista e judeu. Durante todo o mês de outubro, enquanto a nação se apavorava com as notícias e discussões sobre o Plano Cohen, a cúpula governamental acelerou os preparativos para o golpe de Estado. Na manhã de 10 de novembro de 1937, as portas do Senado e da Câmara dos Deputados permaneceram fechadas e guardadas por soldados, que impediam a entrada dos legisladores. Era o sinal de que o golpe de Estado fora dado. Apoiado pela cúpula das Forças Armadas, por alguns intelectuais e pelos integralistas, Vargas suspendeu a Constituição e aboliu os partidos políticos, iniciando uma era de autoritarismo que duraria até 1945. O Estado Novo (1937-1945) A crise capitalista internacional, a insegurança da burguesia e a ascensão das forças populares levavam as classes dominantes brasileiras a abdicar das liberdades políticas e apoiar um regime ditatorial que garantisse seu interesse essencial: a manutenção do lucro. Nesse sentido e com a total abolição das garantias individuais, o Estado Novo teve características semelhantes as do Fascismo. A ditadura do Estado Novo só se distinguiu dos regimes fascistas europeus por não possuir mobilização política, um partido de massa e uma ideologia organizada. O Estado Novo caracterizou- se, também, pela difusão de uma “mentalidade” sem elaborar uma ideologia totalitária consistente. Essa mentalidade pode ser descrita como um conjunto de princípios sem conteúdo muito definido que foram sustentados pelo regime e penetraram na sociedade: centralização, integração nacional, hierarquia, visão antiliberalismo e nacionalismo difuso. Nos seus aspectos fundamentais, podemos dizer que o Estado Novo caracterizou-se pela: centralização absoluta do poder nas mãos do Executivo, representado por Vargas e seus auxiliares mais próximos, anulando a autonomia federalista dos estados; ação intervencionista do Estado no campo social e econômico, buscando desarmar as tensões sociais tanto no âmbito das classes dominantes como entre estas e as forças populares; autoritarismo, censura, perseguições políticas, extradições, torturas, mortes, etc. Mais uma Constituição: 1937 Quando Vargas dissolveu o Congresso em 10 de novembro de 1937, outorgou uma constituição que estruturou em novos moldes o Estado brasileiro. Baseada na constituição autoritária da Polônia, com elementos vindos do fascismo italiano (tirados da Carta Del Lavoro), a Carta de 1937 altamente centralizadora e autoritária, redigida por Francisco Campos ficou conhecida como “Polaca”. Entre os dispositivos dessa Constituição podemos citar: o O estabelecimento de uma estrutura corporativa (corporações de empregados e empregadores sob a proteção e assistência do Estado); o A censura prévia à imprensa, cinema e rádio. (do que se encarregou o DIP, Criação de um periódico oficial, o jornal A Noite, e a Hora do Brasil). o A instituição da pena de morte para os crimes contra a ordem pública e a organização do Estado; o A restrição da greve e da paralisação do trabalho por iniciativa do empregador. o A organização da Justiça do Trabalho. o O presidente seria a autoridade suprema da nação facultava-lhe legislarpor meio de decretos-leis; o Os recursos minerais, as fontes de energia, os bancos, as companhias de seguro, e as indústrias de base foram nacionalizados. A Carta de 37 previa um plebiscito para aprovar o novo regime, o que nunca chegou a acontecer; os aspectos sobre a legislação trabalhista receberiam regulamentação posterior. Outras Medidas As normas sobre o papel e o funcionamento das organizações sindicais surgiram em agosto de 1939, através de um decreto – lei. Por esse decreto (nº 1.402) estabeleceu-se que só poderia existir um único sindicato por profissão em cada localidade, legalmente reconhecido pelo Ministério do Trabalho. Na década de 1940, surgiu afinal uma legislação mais abrangente sobre as questões do trabalho, com a promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Esse conjunto de leis estabeleceu a proibição da diferença salarial por motivo de idade, sexo, nacionalidade e estado civil; reduziu a jornada de trabalho para 8 horas diárias; proibiu o trabalho de menores de 14 anos; criou o repouso semanal remunerado, férias anuais remuneradas e indenização do trabalhador dispensado sem justa causa; estipulou assistência médica e dentária ao trabalhador e a gestante; determinou a previdência social mediante contribuição do empregador e do empregado em casos de invalidez, maternidade, acidente de trabalho ou morte e a favor da velhice. Em termos da política-econômica, o Estado passou a realizar investimentos diretos, assumindo os papéis de interventor e empresário. O governo instalou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e construiu a ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS hidrelétrica de Paulo Afonso, além de investir no setor de transportes e de acompanhar de perto e interferir no mercado e no setor financeiro. Para impulsionar, aperfeiçoar as técnicas de produção e ampliar a variedade de produtos agrícolas da pauta de exportação, o governo criou organismos especializados como os Institutos do Açúcar e do Álcool, do mate e do Pinho. Por outro lado, procurou integrar de maneira mais natural o mercado interno através da eliminação dos impostos que incidiam sobre as exportações interestaduais e que representavam importante fonte de receitas para os Estados. Desse modo, enfraqueceu as unidades federativas, reforçando no mesmo momento o poder central. A Revolta Integralista de 1938 Com o advento do Estado Novo, os integralistas pensavam, erroneamente, que iriam ser os beneficiários do novo regime. No entanto, Vargas, desde o começo da ditadura, mostrou que não tinham nenhuma inclinação pelos “camisas-verdes”. Além de tudo, Getúlio queria promover um forte vínculo de lealdade do povo para com o presidente e não a grupos ou a lemas tais como os propostos por Plínio Salgado. Em dezembro de 1937, por decreto presidencial, os partidos políticos foram suprimidos, assim como o uso de uniformes, estandartes, distintivos e outros símbolos. Com essa medida, o integralismo foi posto fora da lei. As atitudes do governo levaram os integralistas a prepararem um levante para maio de 1938. Liderados pelo tenente Severo Fournier, atacaram o Palácio Guanabara na noite de 10 de maio, encontrando inesperada resistência. Os ocupantes do palácio pediram auxílio e foram socorridos pelos soldados do general Dutra (ministro de Guerra), do general Góis Monteiro (chefe do Estado-Maior) e de Cordeiro de Farias (interventor do RS então de passagem pelo RJ). Cercados, os integralistas abandonaram as armas, tratando de fugir pelos morros vizinhos. Muitos foram presos e sumariamente fuzilados nos fundos dos jardins do palácio. Brasil no Contexto da Segunda Guerra Do ponto de vista estratégico, a extensão costa brasileira era um ponto nevrálgico, cujo controle interessava tanto aos EUA quanto à Alemanha. Por outro lado, é importante lembrar a existência, no Brasil, de colônias alemães e italianas significativas e engajadas no movimento político de seus países de origem. A Alemanha defendia os interesses dessas colônias, enquanto os EUA pressionavam o Brasil para cercear a infiltração fascista. A política externa de Vargas, nessa delicada questão, orientava-se no sentido de tirar o máximo proveito tanto dos Estados Unidos quanto das potências do Eixo, com as quais, antes do alinhamento, mantinha relações comerciais. O duplo jogo de Vargas era uma forma de aproveitar as possibilidades da conjuntura mundial para conseguir recursos destinados á implantação das indústrias de base no Brasil. A Segunda Guerra Mundial será um impulso á nossa industrialização na medida em que gerará uma indústria de “Substituição das Importações” pela produção interna nacional. Além disso, com as economias fechadas para a o “esforço” de guerra, o Brasil passará a exportar importantes produtos para os países envolvidos no Conflito, gerando reservas financeiras nos cofres do Estado. Embora conseguisse preservar sua neutralidade, em janeiro de 1942 o Brasil acabou por romper relações diplomáticas com o Eixo (Alemanha, Itália e Japão), na reunião de Consulta dos Chanceleres americanos, realizada no RJ, essa era a atitude geral do continente frente à agressão japonesa a base norte-americana de Pearl Harbor. Em agosto de 1942, diante do afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães, o governo brasileiro declarou guerra à Alemanha e à Itália (O Brasil só declarou guerra ao Japão em 1944). A partir de então, o país envolveu-se no conflito mundial, autorizando a instalação de bases aéreas e navais no Nordeste, fornecendo gêneros alimentícios e matérias-primas a baixo custo para os aliados e participando por meio da FEB (Força Expedicionária Brasileira), da FAB (Força Aérea Brasileira) e da Marinha. Tais forças se fizeram apresentar principalmente na Itália. O avestruz foi adotado como símbolo do 1º Grupo de Caça da FAB devido à sua legendaria capacidade de aceitar e devorar tudo. Fim do Estado Novo No Brasil As pressões populares contra Getúlio intensificaram-se. Com a participação do Brasil na guerra, criava-se uma situação contraditória, em particular para o exército brasileiro: lutava-se no exterior contra o fascismo, enquanto internamente vivia-se um regime inspirado nele. Essa situação ambígua ampliava as cisões no governo e nas Forças Armadas. Em 1943 houve o lançamento em Minas Gerais de um manifesto – o Manifesto dos Mineiros. Nele um grupo de advogados, escritores, professores, diretores de banco e jornalistas, defendiam a realização de mudanças jurídicas e institucionais de caráter liberal e exigiam a democratização do Brasil. Estudantes paulistas realizavam passeatas de repúdio ao autoritarismo muitos setores conservadores passaram a fazer oposição aberta a Getúlio. Percebendo o anacronismo do Estado Novo frente à vitória dos princípios democráticos, Vargas marcou para 2 de dezembro de 1945 a realização de eleições gerais. Neste ínterim, foram fundados vários partidos políticos. Entre eles destacavam-se: a União Democrática nacional (UDN), partido composto por adversários do regime, que apresentou Eduardo Gomes como candidato à presidência da República; o partido Social Democrático (PSD), porta-voz das oligarquias geradas pelos interventores getulistas que lançou o general Eurico Gaspar Dutra; o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que nasceu sob a cobertura política de Vargas e que teve como base eleitoral as camadas populares urbanas beneficiadas pela obra social e trabalhista do Estado Novo, apoiou o candidato do PSD (Getúlio novamente utilizou sua habilidade ao patrocinar a formação de dois partidos); e o Partido comunista Brasileiro (PCB), novamente legalizado e com milharesde adeptos no país, lançou a candidatura de Iedo Fiúza. Enquanto os candidatos desenvolviam suas campanhas, Vargas manobrava nos bastidores anistiando Luís Carlos Prestes e ao decretar a lei Malaia (antitruste), que previu a desapropriação de empresas ligadas ao capital estrangeiro. Com isso, caiu no desfavor dos empresários, principalmente dos udenistas. Essa conjuntura acabou gerando o “queremismo”, que defendeu a convocação de uma Assembléia Constituinte com Vargas no governo. O próprio presidente manifestava publicamente o seu desejo de continuar no governo, a ponto de ser alvo de uma anedota ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS que circulava em 1945: “Meu candidato é Eurico; mas se houver oportunidade, eu mudo uma letra: Eu fico.” A oposição pressionou até que, em 30 de outubro de 1945, Getúlio foi intimado pelas Forças Armadas a renunciar. A presidência passou interinamente ao ministro do supremo tribunal federal, José Linhares. Enquanto o presidente deposto rumava para o exílio em sua propriedade em São Borja, no Rio Grande do Sul, a campanha política retomou seu curso. As eleições deram a vitória ao então candidato da coligação PSD-PTB, Eurico Gaspar Dutra. Vargas ainda ganhou a eleição para senador do RS pelo PSD. Encerrava-se, assim, a Era Vargas. ___________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 15___________________ 1. (EsSa) A primeiro governo Vargas (1930-1945) pode ser atribuída uma importante conquista social, foi a: a) Construção da Companhia Siderúrgica Nacional (1941). b) Criação da Companhia Vale do Rio Doce (1942). c) Entrada na Segunda Guerra Mundial (1942). d) Criação das Leis Trabalhistas, jornada de 8 horas, férias remuneradas e indenização por dispensa. e) Outorga a Constituição de 1937, com características fascistas, a chamada “polaca”. 2.A Revolução Constitucionalista de 1932 foi uma guerra civil envolvendo o governo de Getúlio Vargas e as oligarquias do estado de: a) Minas Gerais. b) Mato Grosso. c) Paraná. d) Bahia. e) São Paulo. 3.Em março de 1934, Luís Carlos Prestes fundou uma frente popular, a Aliança Nacional Libertadora, que objetivava atrair setores democráticos e antifascistas da sociedade para um programa de reformas políticas e sociais. O governo de Vargas perseguiu Prestes devido à: a) emergência de regimes autoritários na Europa influenciando a organização partidária no Brasil. b) cooptação dos sindicatos pelo Estado, com suas sedes tornando- se locais da propaganda oficial. c) proposta política de estabelecer um governo revolucionário no Brasil alinhado com a União Soviética. d) organização da Ação Integralista Brasileira, que defendia um projeto de Estado autoritário para o país. e) rivalidade entre integralistas e aliancistas, os quais mobilizaram o país, ampliando o clima de confrontos. 4.A política industrial da Era Vargas caracterizou-se por promover: a) a internacionalização da economia, com ênfase na produção de bens de consumo. b) as bases para a expansão industrial, por meio de uma política econômica intervencionista, pragmática e nacionalista. c) a introdução de capitais estrangeiros e a prática econômica liberal. d) a redução do papel do Estado no desenvolvimento econômico. e) a reintegração do país no sistema econômico mundial, por meio da monocultura cafeeira. 5.São características da legislação trabalhista estabelecida no período Vargas: a) A instituição do imposto sindical e a universalização dos direitos trabalhistas e políticos aos trabalhadores urbanos e rurais. b) O enquadramento dos sindicatos e a concessão de direitos sociais aos trabalhadores urbanos. c) A incorporação dos trabalhadores rurais à legislação do trabalho e a plena liberdade sindical. d) O controle dos sindicatos de trabalhadores e o fim dos direitos sociais, como as férias anuais remuneradas. e)A concessão de direitos sociais somente aos trabalhadores do campo. 6.Na história da República brasileira, a expressão "Estado Novo" identifica: a) o período de 1930 a 1945, em que Getúlio Vargas governou o país de forma ditatorial, só com o apoio dos militares, sem a interferência de outros poderes. b) O período de 1950 a 1954, em que Getúlio Vargas governou com poderes ditatoriais, sem garantia dos direitos constitucionais. c) o período de 1937 a 1945, em que Getúlio Vargas fechou o Poder Legislativo, suspendeu as liberdades civis e governou por meio de decretos-leis. d) o período de 1945 a 1964, conhecido como o da redemocratização, quando foi restabelecida a plenitude dos poderes da República e das liberdades civis. e) o período de 1930 a 1934, quando se afirmou o respeito aos princípios democráticos, graças à Revolução Constitucionalista de São Paulo. 7.(ESSA-15) Com a promulgação da Constituição de 1934, a segunda constituição do período republicano brasileiro, inicia-se o período constitucional da Era Vargas. São elementos presentes nesta Constituição de 1934, EXCETO: A) Voto secreto. B) Voto feminino. C) Justiça eleitoral. D) Jornada de trabalho não superior a 8 horas. E) Eleições diretas para a escolha do próximo presidente da República. 8. (EsSa-16) A eleição indireta de Getúlio Vargas para a presidência nacional, na qual foi eleito para um mandato de quatro anos, ocorreu no ano de: a) 1930. b) 1934. c) 1937. d) 1946. e) 1950. Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) O Alinhamento Estabelecendo-se em um cenário político internacional que marchava rumo ao bipolarismo político, Dutra optou por seguir a cartilha político-ideológica dos Estados Unidos. Reafirmando essa posição, seu governo colocou os comunistas na ilegalidade e cassou o mandato político de todos os parlamentares do PCB. Complementando esse conjunto de medidas pró-Estados Unidos, o governo rompeu relações diplomáticas com a União Soviética. Nesse período, a condição dos trabalhadorespiorou sensivelmente. O congelamento dos salários, inalterados desde 1942, e o aumento dos índices inflacionários encareceram o custo de vida da população. Por conseguinte, vários movimentos grevistas e manifestações foram deflagrados neste tempo. Um dos mais violentos protestos ocorreu com o aumento da tarifa dos ônibus e bondes na cidade de São Paulo, em 1947. Os protestos causaram a depredação de prédios públicos e confronto entre os rebelados e a polícia. O governo culpou diversas vezes os comunistas pela autoria desses episódios. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS Mais uma Constituição Olhando para dentro do próprio país, uma de suas primeiras atividades foi a convocação da Assembleia Constituinte que seria responsável por discutir as leis e também por integrar uma nova Carta Magna. Essa nova constituição foi oficializada no mesmo ano, e declarava autonomia para os três poderes, além da realização de eleições diretas para os cargos executivos e legislativos, estaduais, municipais e federais. Alguns aspectos devem ser destacados, como: O voto era proibido para militares e analfabetos; Voto feminino mantido, com idade mínima reduzida para 18 anos; Apenas as mulheres que trabalhavam no funcionalismo público com algum cargo remunerado eram obrigadas a votar. O Entreguismo no Governo Dutra O primeiro plano de desenvolvimento coordenado do país foi feito no governo Dutra, o Plano SALTE, estabelecendo como prioridades do governo a saúde, a alimentação, os transportes e a energia. O plano acabou não sendo implementado por falta de recursos. Uma comissão técnica reunindo Brasil e Estados Unidos, que ficou conhecida como Missão Abbink, realizou uma série de estudos econômicos e energéticos, visando uma melhor adaptação da economia brasileira aos interesses norte-americanos. Baseado no liberalismo econômico, o governo Dutra liberou o câmbio, facilitando as importações, o que inundou o país de produtos importados, em sua maioria artigos obsoletos ou supérfluos. Os resultados foram drásticos, consumindo toda a reserva cambial do país, que chegou a mais de setecentos milhões de dólares após a Segunda Guerra Mundial. o As Eleições Em 1950, uma nova eleição começou a ganhar o cenário político nacional. Ainda sentindo a carência de personalidades políticas de âmbito nacional, a disputa daquele ano contou com poucos presidenciáveis. Apoiado por Dutra, o mineiro Cristiano Machado ergueu chapa com o PSD. Pela UDN, Eduardo Gomes disputava mais uma eleição. Enquanto isso, Getúlio Vargas articulou sua volta à presidência pelo PTB. Coordenando amplo apoio político com o oferecimento de cargos, Getúlio Vargas conseguiu uma vitória que o levou de volta à presidência “nos braços do povo”. Uma das principais figuras a apoiá- lo na época foi o governador paulista Ademar de Barros, conhecido pelo slogan “rouba, mas faz”. Em uma época marcada por personalidades políticas populistas, Vargas garantiu sua vitória para o seu último mandato como presidente do Brasil. (Por Rainer Sousa. Mestre em História). Segundo Governo Vargas (1951-1954) O novo governo de Vargas realizou-se no momento em que os países capitalistas se reorganizavam, tendo como centro os Estados Unidos. Desse modo, o processo de industrialização, que havia sido facilitado pela Segunda Guerra, foi anulado, pois o imperialismo retomou seu vigor e a reconquista do mercado brasileiro foi empreendida. Todavia, a política econômica de Vargas era marcadamente nacionalista, chocando-se por isso com os interesses imperialistas, sobretudo os norte-americanos. Paralelamente à política econômica nacionalista, Getúlio concedeu especial atenção ao movimento trabalhista, procurando apoiar-se na grande massa popular para sustentar o seu programa econômico. As oposições cresceram com a nomeação de João Goulart como ministro do Trabalho, em princípios de 1953. O novo ministro reorganizou os sindicatos de modo a dar ao governo maiores condições de manipular a massa operária. O Nacionalismo no Segundo Governo Vargas O início do segundo governo Vargas, em 1951, significou também a retomada do nacionalismo econômico, da defesa das riquezas nacionais e da luta contra o monopólio do capital estrangeiro. Entretanto, a dependência econômica do Brasil em relação ao capital norte-americano tornava impossível um rompimento efetivo. Ao contrário, o governo Vargas precisou contar com investimentos do Eximbank e do BIRD para garantir o desenvolvimento da indústria de base e de infraestrutura energética e de transportes. A criação da Petrobrás, em outubro de 1953, estabelecendo o monopólio estatal sobre a perfuração e refino do petróleo, foi o exemplo maior do nacionalismo econômico de Vargas. Diversos setores da sociedade, como os operários, os estudantes, os comunistas e os militares nacionalistas participaram da campanha "O Petróleo é Nosso", que resultou na criação da Petrobrás, contrariando os interesses norte-americanos e das multinacionais. A oposição entre o nacionalismo varguista e o capital estrangeiro se acirrou quando o presidente procurou limitar as excessivas remessas de lucro para o estrangeiro. Os EUA e o Banco Mundial reagiram, cortando a ajuda econômica e limitando os empréstimos ao Brasil. Internamente, o país vivia a escalada inflacionária que corroía os salários, gerava tensões sociais e descontentamento entre os assalariados. O aumento do salário mínimo em cem por cento agitou o meio empresarial. o As Dificuldades Como era de esperar, Vargas teve de enfrentar a oposição dos conservadores, cada vez mais violenta com a participação de Carlos Lacerda, proprietário do jornal Tribuna da Imprensa. Na campanha antigetulista, Lacerda não hesitou em explorar mesquinhamente a vida privada do presidente e dos seus assessores. Além disso, procurou identificar o novo governo de Getúlio com o retorno ao Estado Novo. De outro lado, as pressões norte-americanas, sobretudo das empresas petrolíferas, criavam dificuldades cada vez maiores para Vargas. A luta chegou ao auge em meados de 1954, quando o jornalista Carlos Lacerda sofreu um atentado. Embora Lacerda tenha escapado, o atentado resultou na morte de um oficial da Aeronáutica, major Rubens Vaz. o A Transição Nos dezesseis meses que se seguiram ao suicídio de Vargas três presidentes se sucederam: o vice-presidente Café Filho, que assumiu o poder, mas, por motivos de saúde, imediatamente deixou o cargo; o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, que pouco depois foi interditado pelo Congresso Nacional (11 de novembro de 1955); e finalmente Nereu Ramos, vice-presidente do Senado, que se manteve na presidência até 31 de janeiro de 1956. Nas eleições presidenciais de 1956 foi eleito, novamente pelas forças getulistas, Juscelino Kubitschek de Oliveira, apoiado pelo PSD e pelo PTB. Derrotadas, as forças antigetulistas - notadamente a UDN - reagiram à ascensão de Juscelino e tentaram impedir a sua posse, que foi garantida pelo "golpe preventivo" do general Henrique Teixeira Lott, então ministro da Guerra. Juscelino Kubitschek (1956-1961) A campanha para a presidência da República de 1955 nasceu sob o impacto do suicídio de Getúlio Vargas em agosto de 1954, que serviu de vetor para as forças políticas no embate eleitoral. ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS O país, desde então, vinha sendo governado pelo vice-presidente João Café Filho. Durante o regime democrático que vigorou de 1945 a 1964, Juscelino foi o único presidente civil que iniciou e concluiu o mandato no prazo