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ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 
 
 A Expansão Marítima...... 
Durante a baixa Idade Média, as relações comerciais se 
davam entre o sudeste da Ásia, o norte da África e a Europa. O 
mercado estava limitado a essas regiões. 
A partir do século XV, com a circunavegação da África, a 
descoberta do caminho marítimo para as índias por Vasco da Gama, 
a chegada de Colombo à América, expandiram-se às regiões 
produtoras e consumidoras, constituindo-se o mercado mundial. 
A descoberta de novos continentes, com o conseqüente 
surgimento de um mercado mundial interligando Europa, África, Ásia 
e América, recebeu o nome de expansão marítima e comercial 
européia. 
A medida que a política européia evoluía, com a formação 
dos Estados Nacionais, no plano econômico a grande crise do século 
XIV começava a ser superada. Essa crise, que reduziria 
sensivelmente a população européia, afetou a mão de obra ativa de 
toda a Europa. 
Por outro lado, o desenvolvimento da oferta de 
mercadorias, devido à crise, aumentou a procura de gêneros 
orientais, principalmente de especiarias. A aquisição desses produtos 
implicou no escoamento de moedas da Europa para o Oriente (a 
busca de especiarias e a escassez de metais preciosos, através 
do comércio com os árabes), sem o retorno correspondente, ou 
seja, havia um comércio de mão única, pois a Europa comprava mais 
que vendia e dessa maneira canalizava para o estrangeiro grande 
parte de seu escasso metal precioso. 
A circulação interna de mercadorias diminuiu o que trouxe 
graves conseqüências para a Europa. Se por um lado, a população 
ativa era reduzida e mal remunerada, por outro, a elevação 
acentuada dos preços não permitia o aumento do consumo. 
A maior dificuldade para superar este problema estava no 
próprio mercado interno europeu, que era escasso em produção e 
troca, e com isso sujeito a desequilibrar-se com qualquer convulsão 
social. Não podemos esquecer que esse período foi assolado por 
constantes guerras entre as nações que nasciam no continente, pela 
fome e por surto de peste negra. A cada convulsão o mercado se 
retraía, impedindo a continuidade do processo de crescimento 
econômico no processo de afirmação dos Estados Nacionais. 
Em vista disso, as monarquias nacionais procuraram 
garantir seu fluxo de rendas, através da expansão de mercado, 
buscando os produtos externamente (necessidade de novos 
mercados), tentando eliminar os intermediários, ou seja, os 
comerciantes italianos que monopolizavam a distribuição dos 
gêneros orientais para a Europa. Assim pretendiam baratear o custo 
da mercadoria, bem como ampliar o grande comércio de ouro e 
especiarias. 
Apenas os Estados efetivamente centralizados tinham 
condições de levar adiante tal empreendimento, dada à necessidade 
de um grande investimento e principalmente de uma figura que 
atuasse como coordenador, o Rei. Além de formar um acumulo 
prévio de capitais pela cobrança direta de impostos, ele disciplinava 
os investimentos da burguesia, canalizando-os para esse grande 
empreendimento de caráter estatal, que se tornou um instrumento de 
riqueza e poder para monarquias absolutas. 
O rei ouvia os conselhos dos burgueses, nobres e clérigos, 
católicos ou não, dependendo do país, mas a decisão final era 
sempre sua. Definida a campanha, o rei buscava o apoio da grande 
burguesia, que, ávida de lucros fáceis, reunia seus capitais nas mãos 
dos Estados centralizados (aliança rei-burguesia). Esses Estados 
se encarregavam da organização da frota, do armamento das tropas. 
 A descoberta do caminho marítimo para as índias e dos 
novos continentes só foi possível por iniciativa das monarquias 
nacionais, aliadas às respectivas burguesias e com o apoio do clero e 
da nobreza, cada um com seus interesses. 
 
 EXPANSÃO PORTUGUESA 
Portugal foi o pioneiro da expansão marítima por ter 
centralizado precocemente o poder e por possuir um forte grupo 
mercantil nacional e estrangeiro interessado na expansão marítima e 
comercial. Os comerciantes, armadores e banqueiros estrangeiros, 
flamengos, bascos, alemães, venezianos e genoveses, entre outros, 
estiveram presente durante todo o processo. Aliás, sem o 
financiamento destes, é bem possível que Portugal se visse obrigado 
a adiar sua expansão marítima. 
Como os capitais começaram a escassear em Portugal, o 
rei dom João II resolveu iniciar sua expansão por Ceuta (1415), 
permitindo o controle parcial do comércio africano e propiciando 
capitais necessários para Portugal continuar sua expansão marítima, 
dando também um caráter cruzadístico à expedição. Afinal, seria a 
luta dos cristãos contras os infiéis mulçumanos. A combinação entre 
atividade mercantil, honra militar e zelo cruzadístico foi uma 
constante na expansão portuguesa. Portugal era uma nação ainda 
senhorial, com presença marcante da nobreza e forte peso da 
religião. A expansão portuguesa foi um misto de cruzada, rapina, 
pirataria, comércio e expansão do império e da fé. À burguesia 
interessavam saques e lucros; à nobreza, honra e posições; ao clero, 
a conversão dos infiéis pagãos. 
Depois de ceuta, Portugal ocupou as ilhas de Porto Santo 
e Madeira e o arquipélago dos Açores, e mais tarde as ilhas de 
Cabo Verde. Sendo que, de todas as “culturas” aí implantadas, a que 
mais se desenvolveu foi a da cana-de-açúcar. 
Por volta de 1434, Gil Eanes dobrou o Cabo Borjador, o 
que permitiu a exploração da costa africana em busca de ouro e 
marfim, mas o mais importante encontrado, foi os negros, que 
passaram a ser escravizado. 
Continuando em busca da rota das especiarias, os 
portugueses chegaram ao congo, em 1482. Alguns anos depois, 
Bartolomeu Dias (1487-88) contornou o Cabo das Tormentas, tinha, 
portanto, superado mais um grande obstáculo dos que separavam 
Portugal das grandes riquezas do Extremo Oriente. Estava provado 
que era possível chegar às índias por essa via. Isso não seria 
possível se o continente africano se prolongasse até o extremo sul do 
planeta. 
 Bartolomeu Dias retornou a Portugal para dar a noticia, o 
rei ficou tão feliz que resolveu batizar o extremo sul do continente 
africano de Cabo da Boa Esperança. Ele, os comerciantes e os 
navegadores tinham a esperança de que as próximas viagens os 
fariam ricos. O futuro mostrou que não estavam errados. 
 Estimulado pela descoberta de Bartolomeu Dias, D. 
Manuel I, rei de Portugal, decidiu preparar quatro navios 
especialmente para chegar às Índias. 
Vasco da Gama era o comandante da esquadra, a viagem 
de ida e volta foi cheio de problemas e demorou dois anos. 
Tempestades, fortes correntes contrárias, calmarias, graves doenças, 
além de conflitos constantes mataram mais da metade da tripulação. 
Mas o objetivo foi alcançado em 1498, Vasco da Gama chegou a 
Calicute, nas Índias, possibilitando a Portugal o monopólio do 
comércio de especiarias. 
As mercadorias trazidas pela expedição, apesar de não ter 
sido comprada diretamente dos produtores e sim de comerciantes 
indianos, deram um lucro gigantesco. 
Outras expedições deveriam ser organizadas para 
estabelecer acordos com as populações locais, garantir posições, 
ampliar os conhecimentos sobre Oriente, levar mais adiante as 
viagens e entrar em contato com os produtores diretos de 
especiarias. O principal objetivo era garantir um fluxo constante de 
mercadorias. 
ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 
 
No inicio de março de 1500, uma grande esquadra 
comandada por Pedro Álvares Cabral deixou Portugal com 1.500 
homens, divididos em 13 embarcações. A principal missão deles: 
fazer comércio e reforçar os contatos feitos por Vasco da Gama nas 
Índias. 
Segundos alguns historiadores, essa esquadra tinha outra 
missão, era confirmarse havia terras a oeste. Ao rei de Portugal, 
interessava saber se havia terras dentro da parte que lhe coubera 
pelo Tratado de Tordesilhas. Por isso, a esquadra, em vez de 
navegar costeando a África, navegou na direção sudoeste. 
Depois de um mês de viagem, no dia 22 de abril avistam a 
terra, hoje sul da Bahia, a nova região descoberta deram o nome 
ligado a religião católica, Vera Cruz, após 10 dias de permanência, a 
esquadra de Cabral seguiu para as Índias. 
 
 EXPANSÃO ESPANHOLA 
A Espanha foi o segundo país a promover a expansão 
marítima. Em 1469, com o casamento de Fernando, rei de Aragão, e 
Izabel de Castela, teve inicio a formação do reino espanhol. 
Quando o rei português dom João II se empenhou na 
descoberta do caminho marítimo para as índias, foi lhe apresentado 
um genovês, Cristóvão Colombo. Esse que se propunha a atingir as 
Índias pelo ocidente contornando hoje o que seria a América. 
Colombo exercia a anos a profissão de comerciante em Portugal e, 
nessa condição, acompanhou os marinheiros nas costas africanas, 
com eles aperfeiçoando conhecimentos náuticos. 
Na entrevista com o rei, Colombo solicitou financiamento 
para seu projeto, dom João II, fosse pelo ato custo da expedição, 
fosse pela imprecisão da proposta ou porque julgasse Colombo como 
um louco ao achar a terra redonda, ou, ainda, porque esperava 
atingir as Índias pelo Oriente, recusou a oferta. Colombo foi então 
oferecer seus préstimos, que foram aceitos, aos reis católicos. 
Seis anos antes da chegada de Vasco da Gama às Índias, 
Colombo descobriu algumas ilhas na América Central, convencido de 
que havia chagado ao mar das cobiçadas especiarias. 
Em vista da localização atribuída por Colombo as terras 
descobertas e com base nos conhecimentos náuticos da época, o rei 
português se julgou dono daquelas terras, afirmando que já era dos 
portugueses. 
Os reis católicos recorreram ao papa, que no período tinha 
o poder de dividir as terras ainda desconhecidas. A ocasião era 
excelente. Um papa espanhol, Alexandre VI, ocupava o trono 
pontifício. 
A fim de por termos às ameaças portuguesas de ocupar as 
terras, o papa publicou a Bula Intercoetera (1493), que fixou os 
domínios portugueses e espanhóis. Esses limites eram dados por 
uma linha imaginária que uni os dois pólos e passava por um ponto 
100 léguas a oeste da ilha de Cabo Verde. Essa divisão do mundo 
dava a Espanha todas às novas terras descobertas. 
Houve ameaça de uma guerra, e os dois países 
negociaram diretamente, sem a intervenção papal, outra divisão do 
novo mundo descoberto e por descobrir, através do Tratado de 
Tordesilhas (1494). Um novo meridiano imaginário foi traçado, 
dessa vez a 370 léguas a oeste de Cabo Verde. As terras a leste de 
do meridiano seriam portuguesas e as que ficassem a oeste seriam 
espanholas. Portugal garantiu para si a África, rotas do caminho 
marítimo para as Índias, e a usa presença na América, ocupando a 
menor parte do Brasil atual. No Brasil o meridiano que nuca foi 
demarcada, estendia-se de Belém (PA), ao norte, a Laguna (SC), ao 
sul. 
 Em 1519, Fernão de Magalhães, que já navegara pelas 
Índias e não recebera da coroa portuguesa o que pretendia pela 
viagem, ofereceu seus préstimos ao rei da Espanha. Magalhães 
proponha-se a atingir pelo ocidente as Ilhas Moluscas, região rica em 
especiarias na qual os portugueses já haviam chagado. Ele pretendia 
provar que essas ilhas estavam na parte espanhola. 
A coroa espanhola aceitou a proposta. Partindo da 
Espanha com cinco navios velhos, Magalhães realizou entre 
tempestades e pestes a primeira viagem de circunavegação. Nas 
Filipinas, Magalhães foi morto, e a expedição passou a ser 
comandada por Sebastião Elcano e Pigafetta, que retornou a 
Espanha depois de três anos, com apenas um navio e pouco mais de 
15 homens. 
“Descoberta” a América era necessário colonizá-la e ocupá-
la. Hernan Cortes conquistou o México dos astecas; Francisco 
Pizarro e Diego de Almagro iniciaram a conquista do Peru, Bolívia e 
Equador, derrotando os incas; bandos espanhóis provenientes do 
México e das Antilhas conquistaram o que restava da população na 
América central. 
 
A chegada dos espanhóis foi um choque para os povos 
americanos. Quase por toda a parte, foram considerados deuses ou 
enviados dos deuses. 
Há relatos de que, entre os astecas, os espanhóis haviam sido 
anunciados por inúmeros presságios: o incêndio de um templo 
asteca... Os Incas associaram os barbudos espanhóis ao regresso do 
deus Viracocha... Depois dos primeiros contatos e dos primeiros 
confrontos, as duvidas se desfizeram. Os espanhóis passaram as ser 
considerados bárbaros (popolocas) pelos astecas. 
(Luiz Koshiba. História, origens, estruturas e processos. Atual). 
 
____________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 01__________ 
 
1. (EsSa) Sobre o Tratado de Tordesilhas podemos concluir que seu 
objetivos principal era: 
a) fazer com que o governo português reconhecesse o direito 
espanhol às terras do Atlântico. 
b) eliminar divergência sobre a posse espanhola ou portuguesa de 
terras localizadas no Atlântico. 
c) garantir a posse espanhola das terras localizadas no Atlântico. 
d) garantir a posse portuguesa das terras localizadas no Atlântico. 
e) garantir a posse francesa do Brasil. 
 
2. (EsSa) Entre as diversas causas que tornaram Portugal e Espanha 
os primeiros países europeus a se lançarem as viagens marítimas da 
época moderna, pode se citar: 
a) O sistema administrativo descentralizado, que favoreceu a 
iniciativa dos burgueses. 
b) o grande interesse da nobreza no desenvolvimento das relações 
capitalistas comerciais. 
c) o incentivo dado pela igreja Protestante, interessada na ampliação 
do número de fieis. 
d) o interesse das monarquias centralizadoras em ampliar suas 
relações comercias e suas áreas de influência. 
e) o apoio dado pelos senhores feudais as pesquisas sobre os 
conhecimentos náuticos. 
 
3. (EsSa) Um dos resultados das grandes navegações iniciadas 
pelos portugueses foi: 
a) o controle do Mar Mediterrâneo pelos navegadores italianos e 
turcos. 
b) o deslocamento do eixo comercial da Europa, do Mar Mediterrâneo 
para o oceano Atlântico. 
c) o desenvolvimento das navegações espanholas, inglesas e 
holandesas no Mar Mediterrâneo. 
d) a decadência econômica das cidades portuárias da península 
ibérica. 
e) A decadência econômica da burguesia mercantil portuguesa. 
ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 
 
 
4. (Essa-11) No contexto da expansão marítima que levou os 
europeus a encontrar a América, Portugal destacou-se como pioneiro 
das grandes navegações do século XV. Entre os muitos fatores que 
contribuíram para o pioneirismo português, destacam-se: 
A) a política mercantilista e a expulsão dos mouros da Península 
Ibérica. 
B) a centralização administrativa e a posição geográfica. 
C) a industrialização e a centralização do poder. 
D) a ausência de guerras e a ascensão da nobreza fundiária. 
E) A associação Estado/lgreja e a centralização do poder 
 
5. (Essa-12) O Tratado de Tordesilhas, assinado pelos reis ibéricos 
com a intervenção papal, representa 
A) o marco inicial da colonização portuguesa do Brasil. 
B) o fim da rivalidade entre portugueses e espanhóis na América. 
C) a tomada de posse do Brasil pelos portugueses. 
D) a demarcação dos direitos de exploração colonial dos ibéricos. 
E) o declínio do expansionismo espanhol. 
 
7. (ESSA-13/14) No final do Século XIV, o único Estado centralizado 
e livre de guerras, o que lhe permitiu ser o pioneiro na expansão 
ultramarina, era o 
A) espanhol. 
B) inglês. 
C) francês. 
D) holandês. 
E) português. 
 
6. (ESSA-13/14) Entre os motivos que contribuíram para o 
pioneirismo português no fenômeno histórico conhecido como 
“expansão ultramarina”,é correto afirmar que foi (foram) decisivo (a) 
(s): 
A) o comércio de ouro e escravos na costa da África. 
B) a precoce centralização política de Portugal e a ausência de 
guerras. 
C) a luta contra os mouros no Marrocos. 
D) a aliança política com o reino da Espanha. 
E) as reformas pombalinas. 
7. (Espcex-11) Um conjunto de forças e motivos econômicos, 
políticos e culturais impulsionou a expansão comercial e marítima 
europeia a partir do século XV, o que resultou, entre outras coisas, no 
domínio da África, da Ásia e da América. (Extraído SILVA, 1996) O 
fato que marcou o início da expansão marítima portuguesa foi o (a) 
a) contorno do Cabo da Boa Esperança em 1488. 
b) conquista de Ceuta em 1415. 
c) chegada em Calicute, Índia, em 1498. 
d) ascensão ao trono português de uma nova dinastia, a de Avis, em 
1385. 
e) descobrimento do Brasil em 1500. 
 
8. (Unesp) A propósito da expansão marítimo-comercial europeia 
dos séculos XV e XVI pode-se afirmar que 
a) a igreja católica foi contrária à expansão e não participou da 
colonização das novas terras. 
 b) os altos custos das navegações empobreceram a burguesia 
mercantil dos países ibéricos. 
c) a centralização política fortaleceu-se com o descobrimento das 
novas terras. 
d) os europeus pretendiam absorver os princípios religiosos dos 
povos americanos. 
e) os descobrimentos intensificaram o comércio de especiarias no 
mar Mediterrâneo. 
 
9. (ESSA 2017) No século XV, Portugal inicia um processo de 
expansão ultramarina, em que uma das finalidades era de caráter 
mercantil. Esta situação criou, imediatamente, uma ameaça aos 
interesses comerciais dos: 
a) Alemães 
b) Espanhóis. 
c) Holandeses. 
d) Franceses. 
e) venezianos 
 
10. (RS-17) Uma destas datas está errada: 
a) 1212 – Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança. 
b) 1492 – Colombo chegou ao continente americano. 
c) 1494 – Assinatura do Tratado de Tordesilhas entre Portugal e 
Espanha 
d) 1513 – Balboa descobriu o Oceano Pacífico. 
e) 1498 – Vasco da Gama chegou as Índias. 
 
 
 O MERCANTILISMO............................. 
Foi o conjunto de medidas econômicas, estabelecido no período 
de transição do feudalismo para o capitalismo na Europa, dos 
séculos XV à XVIII, caracterizado pela intervenção do estado na 
economia. Outras características: 
o Balança comercial favorável – essa idéia, teve como resultado 
duas práticas conhecidas na França e Inglaterra, onde o objetivo 
era promover o superávit de balança comercial, ou seja, 
exportar mais que importar. Isto permitia o ingresso de riquezas, 
expresso em entradas de moeda metálica, nos Estados 
Nacionais. 
o Metalismo (supervalorização dos metais preciosos.). 
o Protecionismo alfandegário (cobrança de impostos 
alfandegários, protegendo a produção interna.). 
o Incentivo a exportação, à manufatura e a indústria naval. 
 
 Formas: 
 Metalismo: 
Os metalistas ou bulionistas preconizavam que a riqueza 
estava relacionada com a capacidade de se conseguir acumular o 
máximo de ouro e prata. Essa prática adotada especialmente pelos 
espanhóis entre o século XVI e XVII graças à descoberta de metais 
preciosos em suas colônias na América, contou com as seguintes 
regras: evitar ao máximo as importações, a fim de impedir a saída de 
metais preciosos do país, “balança de contratos”, termo que 
designava a imposição de restrições ou protecionismo em contratos 
comerciais assinalados entre nações. 
 Estima-se que 18 mil toneladas de prata e ouro foram 
levadas da América para Espanha entre os séculos XVI e XVII, 
alemda extração de metais preciosos da América, outras atividades 
se constituíram em valiosas fontes de riquezas para Espanha e 
Portugal, como a produção de açúcar, rum e melaço, o comércio de 
escravos. Mas os reis dissiparam parte desses recursos, utilizando 
para pagar empréstimos estrangeiros, financiar guerras ou para 
comprar produtos manufaturados de mercadores estrangeiros. 
 
 Cobertismo ou Industrialismo: 
Tendo o primeiro nome devido seu impulsor, Colbert, 
ministro de Luís XIV, na França do século XVII foi incentivada a 
indústria manufatureira, que tinha uma produção mais regulável e 
previsível do que outros setores da economia, como a agricultura, por 
exemplo, e gerava bens exportáveis de maior valor especifico, tecido 
de luxo, malharia, tapeçaria, porcelana, objetos de vidro, armas e 
ESSA-2018-------------------------Prof. Rogério Silva---------------------------Youtube: HISTÓRIA PARA TODOS 
 
papeis passaram a fazer parte da pauta de exportações dos 
franceses. 
 Tal política refletiu o pensamento dos mercantilistas 
franceses, que recomendaram o estimulo ao comercio nacional para 
impedir que os mercadores franceses retirassem ouro e prata do 
reino. Além disso, preconizavam a conquista colonial, fonte 
inesgotável de riquezas. 
 
 Comercialismo: 
Inglaterra, que estimulou a produção manufatureira, 
especialmente a têxtil. Também foram incentivados o 
desenvolvimento da marinha mercante e as atividades dos piratas, 
que pilhavam os galeões espanhóis carregados de metais preciosos. 
 Essa política coincidiu com a expansão marítima e colonial, 
a companhia das Índias orientais, organizada em 1600. O resultado 
dessa política expansionista se fez sentir no desenvolvimento do 
comércio exterior e na marinha mercante inglesa. 
 Dois atos de navegação tiveram enorme importância para o 
desenvolvimento da marinha mercante britânica no período 
mercantilista. O primeiro promulgado em 1651, por Cromwell, 
estabelecia que as mercadorias européias só pudessem ser 
transportadas em navios ingleses ou em navios de seu país de 
origem. O segundo ato, promulgado em 1660, especificava que o 
capitão e pelo menos três quarto da tripulação dos navios deveriam 
ser ingleses. 
 Tais medidas mostraram-se cruciais para o enriquecimento 
do estado inglês, a expansão colonial do país e a vitória britânica 
sobre seus mais fortes concorrentes, como a Espanha a Holanda e 
posteriormente a França. 
 
 Holanda 
Na Holanda, uma ativa burguesia mercantil e bancaria 
desenvolveu uma política mercantilista apoiada em três pilares: a 
companhia das Índias orientais, encarregada de dirigir o comércio 
holandês no oriente; o banco de Amsterdã, responsável pelo 
fornecimento de créditos e de moedas de todos os países aos 
mercadores, para que pudesse comprar mercadorias de qualquer 
origem; uma frota mercante capaz de transportar cargas pesadas e 
volumosas ao longo das rotas marítimas. 
 Os holandeses desenvolviam ainda várias atividades de 
transformação, tais como a indústria de refinação de açúcar e 
tecidos; tingimento e tecelagem da seda, fabricação de microscópios 
e instrumentos de navegação. 
A política colonialista teve como preocupação à incorporação de 
extensas regiões da África, do Ocidente e da América a economia 
européia. Baseou-se no chamado pacto colonial. Pelo pacto ou 
exclusivismo colonial, a colônia existiria em função da metrópole, e 
apenas ela. Isso significa que a produção colonial deveria possibilitar 
lucros elevados ao comércio metropolitano, que monopolizavam as 
importações e exportações. A atividade econômica das colônias 
deveria apenas completar as respectivas metrópoles, sem jamais 
concorrer com elas. Essa política restritiva foi adotada por Portugal e 
outros Estados europeus detentores de “impérios” coloniais. 
 
 
 PAU-BRASIL e EXPEDIÇÕES,, 
 
No final de 1501, uma expedição exploradora, durante seis 
meses, percorreu do litoral de Pernambuco até o extremo sul do 
continente. Retornou a Portugal com duas informações: a primeira foi 
que, pelo seu enorme tamanho, a terra descoberta não era uma ilha; 
a segunda, que, além do pau-brasil, não havia outro produto de 
grande valor. 
Em 1502 O rei dom Manuel concede a um grupo de 
comerciantes lideradospor Fernão de Noronha o direito de 
exploração do pau-brasil na terra então chamada de Santa Cruz, em 
agosto do mesmo ano uma expedição sai de Lisboa em direção da 
nova terra. No ano seguinte é feita a segunda viagem para a extração 
da madeira e, essa viagem está sob comando de Américo 
Vespúcio. Os resultados são tão bons que levam à concessão de 
uma ilha a Fernão de Noronha em 1504, no arquipélago que ele 
descobriu e que hoje tem seu nome. É a primeira capitania 
hereditária brasileira. 
Em 1503, chega uma nova expedição para explorar o nosso 
litoral. A importância dessa expedição está no fato de ela ter 
construído a primeira feitoria portuguesa no novo continente. Em 
Cabo Frio, atual estado do Rio de Janeiro, ficaram 24 homens. Os 
moradores dessas feitorias deveriam fazer contatos com os nativos, a 
fim de conseguir pau-brasil. Os portugueses começaram a se 
instalar. 
A riqueza do pau-brasil, embora não atraia o mesmo interesse 
que o comércio com a Índia foi explorado pelos portugueses com 
grande lucro e transforma-se na primeira atividade econômica 
importante da nova terra. As árvores são cortadas por índios em 
troca de objetos de metal, como facas, machados e anzóis, ou de 
tecidos, enfeites e espelhos. À medida que a madeira vai 
escasseando no litoral, torna-se ainda maior a participação indígena 
na localização e na derrubada do pau-brasil no interior. Há também 
muito contrabando de toras, feito principalmente por franceses, que 
não reconhecem os tratados de partilha dos novos territórios. 
Desde 1504, os navios franceses já vinham ao litoral brasileiro, 
eles também faziam escambo com os índios. Ao contrário dos 
espanhóis, que vinham apenas pegar a madeira, os franceses 
sempre alimentaram o desejo de apossar da colônia, como veremos 
a seguir. 
Inicialmente Portugal se utilizou da diplomacia para resolver 
essa problemática, isto é, mandou um embaixador ao rei da França, 
para lhe lembrar o Tratado de Tordesilhas, não resolvendo a questão. 
Por isso, D. João II, rei de Portugal, decidiu mandar expedições 
bem armadas para proteger o litoral das investidas francesas e 
também espanholas. Cristóvão Jaques (1516-19) foi o comandante 
dessas expedições guarda costas. Tinha autorização de capturar e 
afundar os navios estrangeiros. No entanto sua ação não consegue 
inibir totalmente os franceses. 
A coragem de Cristóvão Jaques só se igualava à sua crueldade. 
Perseguia tenazmente todas as naus estrangeiras que aparecessem 
no nosso litoral. Dava-lhe combate e massacrava os seus ocupantes. 
Retorna ao Brasil por volta de 1527, conta-se, depois de derrotar três 
navios franceses, entregou os prisioneiros aos índios antropófagos. 
Sua frota de seis navios patrulhava o país até Cabo Frio. 
Em 1530 Martim Afonso de Souza comanda a primeira 
expedição de colonização das terras brasileiras. Ele chegou ao 
Brasil com apenas 400 pessoas e cinco embarcações, trazia 
soldados, trabalhadores e padres. Além de conceder terras para a 
exploração, ele patrulha a costa para impedir o contrabando de pau-
brasil por franceses. 
Para estimular a coragem de Martim Afonso, o rei D. João III 
deu muitos títulos e poderes nas terras do Brasil. Foi nomeado 
capitão das terras brasileiras. Ele instala um engenho de açúcar, e 
funda São Vicente em 1532, a primeira vila da colônia, no atual 
estado de São Paulo. Uma vila representava muito mais do que uma 
feitoria. Essa tinha poucas pessoas, um armazém, um ancoradouro 
um pequeno forte, geralmente de madeira. Atendia as necessidades 
de armazenamento de produtos que iam para Portugal, proteção e 
reabastecimento de navios ao longo das rotas de comércio. A vila era 
um núcleo permanente de população. Tinha que ter uma igreja, uma 
praça central, uma cadeia, um pelourinho e uma sede administrativa. 
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Martin Afonso distribuiu terras e escolheu os administradores da 
vila. Organizou também duas expedições para procurar metais 
preciosos no interior. A primeira delas voltou sem nada, e a segunda 
desapareceu provavelmente massacrada pelos índios. 
 
____________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 02__________ 
1. (SD_PM-PA-12) A política mercantilista do Império Português 
caracterizou-se como: 
a) o estabelecimento de um monopólio de exploração de recursos 
naturais e de trocas comerciais exclusivamente entre metrópole e 
colônia. 
b) a alta taxação de determinados produtos agrícolas, o que favorecia 
sobremaneira a metrópole portuguesa frente aos seus concorrentes 
europeus. 
c) uma reação à atividade de piratas britânicos no Atlântico, que 
costumavam usurpar os navios de bandeira portuguesa e espanhola. 
d) justificativa legal para o monopólio português no tráfico de 
escravos africanos direcionados para as colônias americanas. 
e) a busca pelo maior acúmulo de metais preciosos, adquiridos a 
partir do comércio de especiarias orientais. 
 
2. (EsSa) Pode ser apontado (a) como característica do período Pré-
colonial (1500-1530) no Brasil: 
a) a utilização da mão-de-obra escrava africana no corte e no 
transporte do pau-brasil. 
b) a divisão do Brasil em dois governos sediados no Rio de Janeiro e 
em Salvador. 
c) o envio de expedições guarda-costas e exploradoras e a eventual 
fundação de feitorias. 
d) a fundação das cidades de Salvador e São Paulo. 
e) as invasões holandesas, com objetivos de dominar o comércio 
açucareiro. 
 
3. (Essa-07) Após o descobrimento, a primeira expedição 
colonizadora do Brasil foi a de: 
a) Cristóvão Jaques. 
b) Martin Afonso de Souza. 
c) Gaspar de Lemos. 
d) Pedro Álvares Cabral. 
e) Tomé de Souza. 
 
4. (Essa-12) As expedições portuguesas ao Brasil nas duas primeiras 
décadas do século XVI objetivaram 
A) iniciar o cultivo da cana-de-açúcar e o imediato povoamento. 
B) travar contato com os nossos índios e iniciar atividades comerciais 
com os mesmos 
C) transferir para o Brasil os acusados de heresias protestantes na 
corte portuguesa. 
D) reconhecer a terra descoberta e salvaguardar a sua posse. 
E) estimular a catequese dos índios a pedido da Companhia de 
Jesus. 
 
5. (ESSA-13/14) A respeito das expedições marítimas portuguesas 
enviadas ao Brasil no período pré-colonizador, foram chamadas de 
“expedições guarda-costas”, empreendidas entre os anos 1516 a 
1520, as missões comandadas por 
A) Gaspar de Lemos. 
B) Martin Afonso de Souza. 
C) Cristóvão Jacques. 
D) Gonçalo Coelho. 
E) Tomé de Souza. 
6. (ESSA-13/14) No tocante as primeiras atividades econômicas 
desenvolvidas pelos portugueses na colônia do Brasil, entre os anos 
1501 a 1530, é correto afirmar que se destacaram como atividade (s) 
principal (is) 
A) a exploração de ouro e pedras preciosas. 
B) a escravização do indígena. 
C) a extração das chamadas drogas do sertão e criação de gado. 
D) a extração e comercialização do pau-brasil. 
E) o cultivo de fumo e do café. 
7. (RS-17) O periodo pré-colonial (1500-1530) foi muito difícil para o 
Estado português, isso é comprovado pela formação da primeira 
feitoria do Brasil que foi: 
a) São Tomé. 
b) Fernão de Noronha. 
c) Cabo Frio. 
d) São Vicente. 
e) Salvador 
 
8. (RS-17) O projeto de colonização no Brasil só foi iniciado na 
terceira década do século XVI, sob as ordens de: 
a) D. João III. 
b) D. João VI. 
c) Marques de Pombal. 
d) Duarte da Costa. 
e) Padre Antônio Feijó. 
 
9. "... Da primeira vez que viestes aqui, vós o fizestes somente para 
traficar. (...) Não recusáveis tomar nossas filhas e nós nos 
julgávamos felizes quando elas tinham filhos. Nessa época, não 
faláveis em aqui vos fixar. Apenas vos contentáveis com visitar-nos 
uma vez por ano, permanecendo, entre nós, somente durante quatro 
ou cinco luas [meses]. Regressáveis então ao vosso país, levando os 
nossos gêneros para trocá-los com aquiloque carecíamos." 
(MAESTRI, Mário. "Terra do Brasil: a conquista lusitana e o genocídio 
tupinambá". São Paulo: Moderna, 1993, p.86) 
O texto anterior faz alusão ao comércio que marcou o 
período pré-colonial brasileiro conhecido por 
a) mita. 
b) escambo. 
c) encomienda. 
d) mercantilismo. 
e) superavit. 
 
10. O historiador francês Fernand Braudel, referindo-se ao 
Mercantilismo, afirma que este "reagrupa comodamente uma série de 
atos de atitudes, de projetos, de idéias, de experiências que marcam, 
entre o século XV e o século XVIII, a primeira afirmação do Estado 
Moderno em relação aos problemas concretos que ele tinha que 
enfrentar." Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE 
uma característica do Mercantilismo. 
a) Pacto colonial, permitindo o pleno desenvolvimento interno e a 
liberdade político-administrativa da Colônia. 
b) Não-intervencionismo estatal. 
c) Incentivo à manutenção de uma balança comercial favorável, 
importando mais que exportando. 
d) Intervenção do Estado, que se efetivou sob forma de 
protecionismo e de regulamentação da atividade econômica. 
e) Monopólio concedido pelo Estado, que permitia a qualquer 
companhia de comércio, sem autorização da metrópole, vender seus 
produtos na Colônia. 
 
 
 ESTRUTURA POLÍTICO-ADMINISTRATIVA.... 
 
a) Capitanias Hereditárias 
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Pouco disposto a investir muitos recursos econômicos na 
colonização do Brasil, o governo português decidiu, de início, 
transferir essa tarefa para a iniciativa particular. 
Assim, em 1534, o rei D. João III ordenou a divisão do 
território brasileiro em grandes porções de terra (15 capitanias ou 
donatarias) e as entregou a pessoas que se habilitaram ao 
empreendimento: os capitães ou donatários. 
Nomeado pelo rei, o donatário era a autoridade máxima 
dentro da capitania e, com sua morte, a administração passava para 
seus descendentes. Por esse motivo, as terras eram chamadas de 
capitanias hereditárias. 
O vinculo jurídico entre o rei de Portugal e os donatários era 
estabelecido em dois documentos básicos: 
• carta de doação - conferia ao donatário a posse hereditária da 
capitania. Os donatários não eram proprietários das capitanias, mas 
apenas de uma parcela das terras. Tinham, entretanto, o direito de 
administrar toda a capitania e explora-Ia economicamente; 
• carta foral - estabelecia os direitos e deveres dos donatários, 
relativos aexploração da terra. Entre os principais direitos dos 
donatários, podemos destacar os seguintes: 
• criar vilas e distribuir terras (sesmarias) a quem desejasse e 
pudesse cultiva-Ias: 
• Exercer plena autoridade judicial e administrativa; 
• por meio da chamada guerra justa, escravizar os indígenas 
considerados inimigos, obrigando-os a trabalhar na lavoura; 
• enviar ate 30 índios escravizados por ano a Portugal; 
• receber a vigésima parte (5%) dos lucros sobre o comércio do pau-
brasil. 
Em contrapartida, o donatário estava obrigado a assegurar 
ao rei de Portugal: 
• 10% dos lucros sobre todos os produtos da terra; 
• um quinto dos lucros sobre os metais e pedras preciosas que 
fossem encontrados; 
• o monopólio da exploração do pau-brasil. 
Nessa divisão de direitos e deveres, percebe- se que o rei 
de Portugal reservava para si os melhores benefícios que a terra 
poderia oferecer. Já as despesas necessárias aobra colonizadora 
ficavam por conta dos donatários. 
 
 Os problemas 
Se analisarmos as capitanias sob o ponto de vista 
econômico, veremos que poucas progrediram e obtiveram lucros, 
como Pernambuco e São Vicente, sobretudo com a produção de 
açúcar. As demais capitanias não prosperaram em decorrência de 
vários fatores. 
As terras eram muito extensas, e os donatários geralmente 
não tinham dinheiro suficiente para explora-Ias. Muitos perderam o 
interesse pelas capitanias, acreditando que o retorno financeiro não 
compensaria o trabalho empenhado e o capital investido na 
produção. Alguns nem chegaram a tomar posse de suas capitanias. 
Os colonos também tinham de enfrentar a hostilidade dos 
grupos indígenas que resistiam a dominação portuguesa. Para 
muitos índios do litoral, a luta era a única forma de se defender da 
invasão de suas terras e da escravidão que o conquistador lhes que 
ria impor. 
Havia também problemas de comunicação: separadas por 
grandes distâncias e com as precárias condições dos meios de 
transporte da época, as capitanias viviam isoladas entre si e em 
relação a Portugal. Uma viagem de navio da Bahia a Lisboa levava 
em media dois meses. 
Além disso, nem todas as capitanias tinham solo propício 
ao cultivo de cana-de-açúcar, produção que mais interessava aos 
objetivos da Coroa e dos comerciantes envolvidos no comércio 
colonial. Restava aos donatários de exploração do pau-brasil. Nessa 
atividade porém, a participação dos donatários nos lucros era muito 
reduzida, o que contribuiu para diminuir o interesse pelas capitanias. 
Apesar dessas dificuldades, o sistema de capitanias lançou 
as bases da colonização estimulando a formação dos primeiros 
núcleos de povoamento, como São Vicente (1532), Porto Seguro 
(1535), Ilhéus (1536), Olinda (1537) e Santos (1545). Contribuiu, 
também para preservar a posse das terras e revelar as possibilidades 
de exploração econômica da colônia. 
 
b) Governo Geral 
 Devido ao fracasso do sistema de capitanias, 
Portugal criou o sistema de Governo-Geral, que durou até a chagada 
da família real portuguesa (1808). Mas não pretendiam abolir as 
concessões aos donatários, a maioria das capitanias continuou no 
século seguinte e umas até o século XVIII. 
 O governo-geral foi criado para centralizar o poder político 
na colônia. Com esse sistema, os donatários perderiam parte de seus 
poderes, os quais ficariam centralizados nas mãos do governador-
geral. “Depois que a iniciativa privada preparava o terreno, a 
burocracia real intervinha para apropria-se de uma empresa em 
funcionamento”. A coroa queria aumentar sua fazenda. 
 O governo-geral passa a ser a autoridade máxima no 
Brasil, a quem todos deviam obedecer. Entretanto essa autoridade 
nem sempre foi obedecida pelos grandes proprietários de terras. 
 
 Tomé de Souza (1549-1553): 
 Foi primeiro governador-geral, que chegou ao Brasil em 
1549, trazendo com ele centenas de colonos e alguns padres 
chefiados por Manuel da Nóbrega (jesuíta). No ano anterior à sua 
chegada, ele recebeu do governo Português um conjunto de leis para 
o Brasil, conhecido como Regimento de 1548. Esse conjunto de leis 
estabelecia as principais funções dos governadores-gerais: procurar 
ouro na colônia, combater as tribos que não aceitassem a dominação 
portuguesa, ajudar as capitanias mais fracas, estimular a catequese, 
determinar as obrigações de cada colono para a defesa da terra. 
Juntamente com o governador-geral existiam outros 
cargos, auxiliares, como provedor-mor, responsáveis pela 
administração do dinheiro público (tesoureiro), fiscalizar a coleta das 
rendas reais; ouvidor-mor, responsável pela justiça (Juiz) e o 
capitão-mor, militar responsável pela defesa da terra. 
 O primeiro governador-geral iniciou sua administração na 
capitania da Bahia de Todo os Santos, que se transformou em sede 
do governo-geral. A Bahia foi escolhida como sede do governo por 
ser um local central com uma região interiorana potencialmente rica e 
por ter sido uma das que não tiveram sucesso. 
Na Bahia Tomé de Souza fundou Salvador (primeira cidade do 
Brasil), fundo um grande forte, armou os engenhos de açúcar e 
centros satélites, criou o primeiro colégio e o primeiro Bispado, 
promoveu o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, 
organização de expedições para o sertão e mandou vir de Portugal 
algumas moças órfãs para casar e constituir famílias católicasno 
Brasil. 
 Um importante ponto que ocorre durante esse momento foi 
a chegada de jesuítas que vinham colaborar com o projeto de 
colonização. Em 1551 é criada uma diocese para o Brasil, na Bahia, 
tendo como primeiro Bispo do Brasil, Dom Pero Fernandes 
Sardinha. Que em alguns momentos não compartilhava a idéia da 
catequese sobre os nativos. Fazendo com que os jesuítas 
deslocassem suas atividades para a capitania de São Vicente. 
 
 Duarte da Costa (1553-1557): 
 Segundo governador-geral, trouxe mais colonos e jesuítas 
para o Brasil, dentre esses se destacou o padre José de Anchieta. 
Em janeiro de 1554, os padres Manuel da Nóbrega e José de 
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Anchieta fundaram o colégio de São Paulo. Junto a esse colégio 
nasceu a vila que deu origem a atual cidade de São Paulo. 
 Duarte da Costa foi um administrado considerado incapaz 
por seus contemporâneos, sua administração foi marcada pela briga 
com o Bispo Sardinha (que acabou sendo morto pelos índios caetés, 
numa viagem de retorno a Lisboa em 1556), pelas guerras contra os 
índios para lhes roubar mais terras e doá-las aos colonos e, 
principalmente, pela invasão do Rio de janeiro, em 1555, onde os 
franceses fundaram uma colônia chamada França Antártica. 
Outra causa importante da invasão francesa foi o fato de os 
invasores serem, na maioria protestantes que buscavam refugio para 
se livrar das perseguições da igreja católica e de católicos fanáticos. 
Duarte da Costa não conseguiu derrotar os franceses, pois tinha 
poucos recursos e soldados, e ainda mais, os franceses eram 
ajudados pelos índios Tamoios. 
 
 Mem de Sá (1557-1572): 
 Com a chegada do novo governador e novo bispo, Dom 
Pero Leitão, a consolidação real do Brasil português entrou em nova 
fase. 
Seu governo foi marcado com conquistas significativas, 
como a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro, em 1567. Nessa 
luta militar, Mem de Sá contou com a ajuda de seu sobrinho, Estácio 
de Sá. Além de chefe militar Estácio de Sá é lembrado como 
fundador da cidade do Rio de Janeiro (a cidade nasceu de um 
pequeno povoado militar organizado para a luta contra os franceses). 
Mem de Sá também combateu e matou inúmeras tribos que 
lutavam contra a conquista colonial portuguesa, declarou “guerras 
justas” aos índios caetés, foi um grande colaborador dos jesuítas, 
que retornaram para a Bahia, realizou crescente incentivo à 
importação de escravos negros da África. 
 Mem de Sá é considerado o consolidador do governo-geral, 
pois, ele eliminou a ameaça francesa, sufocou a resistência indígena, 
e todos os outros problemas que ameaçavam a Coroa portuguesa na 
colônia. 
 
c) Mudanças Administrativas (1573) 
 Querendo melhorar o comando da colônia e aumentar os 
lucros com o açúcar, o rei de Portugal dividiu a administração do 
Brasil em dois governos: Governo do Norte: com sede na cidade de 
Salvador, chefiado pelo conselheiro Luís de Brito de Almeida (1573 – 
1578); Governo do Sul: com sede na cidade do Rio de Janeiro, 
chefiado pelo desembargador Antônio Salema (1574-1578). 
 Essa divisão em dois governos não deu os resultados 
esperados. Não ajudou a ocupar a região norte nem ajudou o 
desenvolvimento da região sul. 
 Em 1578, o rei de Portugal decidiu voltara atrás e 
estabeleceu, novamente, um único governo-geral para o Brasil, com 
sede em Salvador. Lourenço da Veiga foi enviado ao Brasil e exerceu 
o cargo de governador-geral até 1581, ano de sua morte. 
 
d) Câmaras Municipais (Senados da Câmara) 
 A administração das vilas e municípios cabia às Câmaras 
Municipais, compostas normalmente por 3 ou 4 vereadores, 
escolhidos pelos "homens bons" do lugar (elite proprietária de terras 
e escravos). 
As Câmaras Municipais eram presididas por um juiz ordinário, 
também escolhido pelos "homens bons", e acumulavam vários 
poderes: abastecimento de mão-de-obra escrava de acordo com as 
necessidades da região, cobrança de impostos, catequese, guerras 
contra os índios, etc. As autoridades municipais não se submetiam 
facilmente ao governador-geral, demonstrando forte tendência 
autonomista; mas, a partir da Restauração Portuguesa (1640), foram 
perdendo parte de suas atribuições e autonomia. Já no século XVIII 
seu papel era quase simbólico. 
Embora o sistema de Governo Geral tenha sido criado para 
centralizar o poder político, dando aos governadores gerais amplos 
poderes, eles não conseguiam, porém, impor totalmente sua 
autoridade aos senhores de engenho. 
Os senhores de engenho possuíam escravos e terras, 
concedidas pelo governo português. Adquiriram poder em suas 
fazendas e não aceitavam a autoridade do governador geral. 
 
e) “União Ibérica” o domínio espanhol (1580-1640) 
Em 1578, na batalha de Alcácer-Quibir, no atual Marrocos, 
morreu o jovem rei português dom Sebastião I, em luta contra os 
mouros, como não havia herdeiros diretos, o trono português foi 
ocupado por um tio-avô do rei, o velho dom Henrique, que faleceu 
dois anos depois, com o trono novamente vago, vários possíveis 
herdeiros alvejavam o trono. 
 O mais forte para o trono era o rei Felipe II da Espanha, 
sobrinho-neto do rei Manuel, o Venturoso. A Espanha era o maior 
império da época e a maior força militar e naval da Europa. O sonho 
espanhol de anexar Portugal era antigo, e Felipe II não iria deixar de 
realizá-lo, para isso utilizou-se da corrupção, intrigas e até a força de 
suas tropas. 
 A nobreza portuguesa mantinha estreitas ligações, inclusive 
familiares, com a nobreza espanhola, e estava propensa a aceitar 
Felipe II de bom grado. Isso porque estava interessada em penetrar 
no vasto império colonial produtor de metais preciosos no México e 
no Peru, trocando escravos e alimentos por prata. A resistência aos 
propósitos de Felipe II provinha da pequena burguesia e dos cristãos 
novos de Lisboa. Esses grupos odiavam o fanatismo religioso do 
monarca espanhol e as matanças realizadas pela inquisição 
espanhola. Portanto, interessava-lhes impor como rei de Portugal 
Dom Antonio, que tinha o apoio da Inglaterra. Mas as forças 
espanholas falaram mais alto, e Felipe II tornou-se rei de Portugal. 
 Através do juramento feito perante as cortes portuguesas 
reunidas na cidade de Tomar, em 1581, o novo monarca 
comprometeu-se a respeitar a independência portuguesa. Portugal e 
Espanha seriam nações distintas, que teriam apenas o mesmo rei. 
Portugal manteria suas instituições políticas e comerciais e os 
ministros e funcionários graduados da metrópole e das colônias 
portuguesas seriam portugueses natos. Os funcionários espanhóis 
não teriam qualquer autoridade sobre Portugal e suas colônias. Uma 
mesma coroa, mais dois países distintos. 
 O domínio espanhol sobre Portugal teve várias 
conseqüências para metrópole e para o Brasil. Em Portugal, o 
domínio espanhol foi desastroso, obrigado a participar de várias 
guerras européias, ao lado da Espanha. O país perdeu muitas 
possessões asiáticas e africanas, entrando em grave crise 
econômica: ficou sem controle do comércio de especiarias do Oriente 
e sem o comércio de escravos negros africanos. 
 O domínio espanhol sobre Portugal anulou praticamente o 
Tratado de Tordesilhas, já que as terras lusas e espanholas 
pertenciam ao mesmo monarca. Colonos portugueses puderam 
estabelecer-se em territórios originalmente espanhóis na Amazônia e 
no centro-oeste brasileiro, transferindo para Portugal a soberania 
sobre estas áreas. No plano jurídico, Felipe II mandou sistematizar 
toda a legislação portuguesa, que muitas das vezes era contraditória. 
As Ordenações Filipinas foram utilizadas como legislação brasileira 
por mais de trezentos anos, só sendo sucumbida na República. 
Em 1640, Portugal conseguiu, através de um golpe de 
estado, colocar no poder um rei português, D. João. A chamadarestauração, retornos das monarquias portuguesas, só reconhecida 
pela Espanha, em 1668, após uma longa guerra entre os dois países. 
 
______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 03_________ 
 
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1.(EsSa-04) Observando-se o sistema do governo vigente durante o 
Brasil Colonial, é correto afirmar que: 
a) O sistema de capitanias hereditárias foi um empreendimento que, 
dirigido pela Coroa, estava a cargo de particulares. 
b) O sistema de capitanias hereditárias já havia sido empregado por 
Portugal na administração das ilhas Canárias. 
c) O sistema de câmaras municipais instituiu duas novas políticas 
administrativas: as sesmarias e o serviço militar compulsório. 
d) A criação do Governo Geral, centralizando a administração, 
provocou a extinção imediata das capitanias hereditárias. 
e) O fracasso das capitanias hereditárias implicou o desuso das 
Castas de Doação e das obrigações do Documento Foral. 
 
2. (EsSa) A capitania que mais prosperou devido à aplicação de 
recursos holandeses na produção açucareira foi a de: 
a) São Vicente. 
b) Ilhéus. 
c) Itamaracá. 
d) Pernambuco. 
e) Porto Seguro. 
 
3. (EsSa) A instalação do Governo-Geral no Brasil tinha por objetivo: 
a) Acabar com as capitanias hereditárias. 
b) apenas desenvolver a economia açucareira. 
c) escravizar os índios. 
d) Cuidar das finanças dos Donatários. 
e) Centralizar a administração, amparar os donatários e intensificar o 
povoamento. 
 
4. (EsSa) No sistema de governo geral no Brasil, cabia ao ouvidor-
mor: 
a) Promover o saneamento financeiro. 
b) Estabelecer medidas defensivas no litoral. 
c) Aculturar os indígenas, reunindo-os em missões. 
d) Estimular a descoberta de minas. 
e) Solucionar os problemas relativos à justiça. 
 
5. (Essa) No sistema de governo-geral, implantado no Brasil em 
meados do século XVI, era responsável pela aplicação da justiça na 
colônia: 
a) O alcaide-mor. 
b) O provedor-mor. 
c) O vereador. 
d) O Capitão-mor 
e) O ouvidor-mor. 
 
6. (ESSA 2017) Sobre a chamada União Ibérica, podemos afirmar 
que: 
a) Como conseqüência desde periodo, a Espanha passou a ser um 
adversário econômico de Portugal. 
b) Como conseqüência desde periodo, os territórios antes dominados 
por Portugal passaram a ter como língua oficial o espanhol. 
c) Período entre 1580 e 1640 em que o Rei de Portugal, Filipe II, 
passou também a ser o Rei da Espanha. 
d) Como conseqüência deste periodo, a França invade o território 
brasileiro em sua porção Nordeste, a partir de 1624. 
e) Período entre 1580 e 1640 em que o Rei de Espanha, Filipe II, 
passou também a ser o Rei de Portugal. 
 
7. Os primeiros jesuítas chegaram à Bahia com o governador-geral 
Tomé de Sousa, em 1549, e em pouco tempo se espalharam por 
outras regiões da colônia, permanecendo até sua expulsão, pelo 
governo de Portugal, em 1759. 
Sobre as ações dos jesuítas nesse período, é correto afirmar que 
a) criaram escolas de arte que foram responsáveis pelo 
desenvolvimento do barroco mineiro. 
b) defenderam os princípios humanistas e lutaram pelo 
reconhecimento dos direitos civis dos nativos. 
c) foram responsáveis pela educação dos filhos dos colonos, por 
meio da criação de colégios secundários e escolas de “ler e 
escrever”. 
d) causaram constantes atritos com os colonos por defenderem, 
esses religiosos, a preservação das culturas indígenas. 
 
8. (Essa-16) O Primeiro Governo Geral do Brasil foi instalado em: 
A) São Luís. 
B) Fortaleza. 
C) Olinda. 
D) Salvador. 
E) Rio de Janeiro. 
 
9. Entre os direitos e deveres dos donatários, podemos destacar as 
sesmarias, ou seja: 
a) criar vilas e distribuir terras a quem desejasse e pudesse cultivá-
las. 
b) exercer plena autoridade judicial e administrativa. 
c) enviar até 30 índios escravizados por ano a Portugal. 
d) receber 5% dos lucros sobre o comércio do pau-brasil. 
e) escravizar os indígenas considerados inimigos, obrigando a 
trabalhar nas lavouras. 
 
10. “A sesmaria foi o atrativo utilizado pela Coroa Portuguesa para 
dispor de recursos humanos e financeiros no processo colonizador.” 
Sobre o sistema de sesmarias, marque a alternativa correta: 
a) o sesmeiro não detinha a posse útil da terra, mas apenas o dever 
de administrá-la. 
b) a doação de sesmarias definiu a colonização nos moldes da 
pequena propriedade agrícola. 
c) a coroa portuguesa financiou a vinda e instalação dos pequenos 
proprietários. 
d) a doação de sesmarias substituiu as fracassadas capitanias 
hereditárias. 
e) o sesmeiro tinha posse da terra e o dever de torná-la produtiva. 
 
 
 ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA....... 
 
 AÇÚCAR 
- O Engenho 
O engenho era o centro da vida econômico-social do 
Nordeste açucareiro, a mais importante região econômica durante a 
maior parte do período colonial. O engenho era uma autarquia com 
economia autônoma, constituindo um organismo completo, que na 
maioria das vezes bastava a si próprio. Nas terras menos férteis era 
praticada uma agricultura de subsistência para suprimento das 
necessidades alimentares do engenho. As vestimentas grosseiras 
dos escravos e a maior parte das vestimentas da família do senhor 
também eram tecidas ali. Nos engenhos havia uma capela, onde um 
padre pago pelo senhor de engenho oficiava missas e sacramentos e 
ensinava noções de escrita aos meninos da família senhorial. 
Havia engenhos menores, movidos pela força animal, 
denominados trapiches, e engenhos maiores, movimentados pela 
força da água, chamados engenhos reais. 
Um engenho regular exigia grande capital, porque deveria 
possuir numerosa escravaria (cerca de cinqüenta negros), vinte 
juntas de bois, carros de bois, barcos e a fábrica propriamente dita. 
Além do mais, era necessário preparar a terra, pagar salários aos 
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trabalhadores especializados e alimentar os escravos, despendendo 
capital antes mesmo que a produção fosse vendida. 
Os senhores de engenho que não possuíam capital mas se 
aventuraram na produção açucareira tinham um caminho certo: a 
ruína. De modo geral, a rentabilidade do engenho era muito baixa, 
não mais que 5% de lucro. Um ano de má colheita, queda dos preços 
do açúcar no mercado internacional ou mortandade de escravos 
tornava muito difícil a manutenção do engenho. 
Em geral, o senhor era vaidoso e presunçoso. Possuía 
terras, muitos escravos, recebia muitos visitantes, sustentava 
numerosa parentela e clientela, porque isso lhe dava prestígio. Mas 
sua alimentação não era das melhores, porque os lucros não eram 
tão grandes, como já dissemos, e os gastos com a família patriarcal 
eram imensos. Para comer carne duas vezes por semana, tinha que 
alimentar mal os escravos. A esposa e as filhas, embora usassem 
algumas roupas boas, portavam jóias falsas. Os móveis da casa-
grande eram rudimentares e rústicos. 
Segundo relato do jesuíta Antonil, “os senhores de engenho 
apenas feitorizavam os escravos para os outros”. Eles controlavam 
os escravos, a terra e a produção, mas os maiores benefícios do 
engenho iam para os comerciantes portugueses e estrangeiros que 
viviam nas vilas e emprestravam-lhe dinheiro a juros altos. Também 
forneciam escravos e produtos metropolitanos em troca da hipoteca 
da safra. Observe que a safra, e não a propriedade, era hipotecada. 
 
 A Sociedade 
Grosso modo, na sociedade colonial brasileira, até o século 
XVIII, a estratificação social era bem simples, podendo-se distinguir 
três grupos: os homens livres, os semilivres e os escravos. 
 
 Homens livres 
1-Senhor de Engenho 
O grupo senhorial dominava o topo da pirâmide social, 
acima dos outros grupos latifundiários, comerciantes e funcionários 
reais. Nos engenhos, a vontade muitasvezes tirânica e despótica do 
senhor era a lei. Ele tinha poderes quase absolutos sobre todos os 
que o cercavam – familiares, arrendatários, trabalhadores livres e 
escravos. 
Houve casos de senhores de engenho que mandaram 
matar esposas, noras e filhas por suspeita de adultério, sem que 
tivessem sido punidos. Controlavam milícias particulares, a justiça e 
os órgãos político-jurídicos locais, como, por exemplo, as Câmaras 
Municipais. Eram protegidos pela Coroa nas suas disputas com os 
funcionários reais, com arrendatários e comerciantes. Essa proteção 
da Coroa era movida pela necessidade que o Estado português tinha 
da ajuda dos senhores. Como não contava com presença militar 
significativa na colônia, o governo português precisava do apoio das 
milícias senhoriais para garantir a ordem na vasta extensão do Brasil. 
O senhor de engenho contraía dívidas sob hipoteca da 
produção. Para não faltarem matérias-primas nos engenhos, as 
autoridades coloniais mandavam destruir as engenhocas produtoras 
de aguardente dos pequenos proprietários. 
Aqui, o título senhor de engenho adquiria certo grau de 
“nobreza”. Mas, diferentemente do fidalgo europeu, que nascia nobre 
e jamais perdia essa condição, qualquer um que dispusesse de 
grandes capitais poderia tornar-se senhor de engenho. Da mesma 
forma poderia deixar de sê-lo, caso perdesse o engenho devido a 
maus negócios. Assim, o sucesso ou fracasso das atividades 
mercantis do senhor determinava sua condição social. Não obstante, 
eram senhores da riqueza, do prestígio, dos privilégios e do poder. 
Enfim, adquiriram o domínio sobre outros homens. 
 Outros sujeitos compunham essa sociedade entre muitos 
podemos citar: Os Pequenos Proprietários Rurais, Lavrador de 
Partido, Comerciante, Artesãos, Brancos Pobres etc. 
 
2 - Homens Semi-lívres 
2.1 - Libertos ou Forros 
Alguns escravos negros ou mulatos conseguiam obter a 
liberdade por vários meios – desde a compra da liberdade por 
dinheiro até a prestação de serviços militares. Mas, embora livres, 
estavam sempre sujeitos a voltar a condição de escravos. Os motivos 
para a revogação da alforria eram os mais variados possíveis: a 
injúria, a falta de respeito, o fato de não cumprir promessas feitas ao 
ex-senhor, por exemplo. 
Sempre havia no ar a ameaça da volta à escravidão, o que 
deixava o ex-escravo maleável aos interesses dos senhores. Muitos 
alforriados faziam parte das tropas que atacavam os quilombos de 
negros foragidos em busca de escravos; tornavam-se capitães-do-
mato, feitores dos engenhos. O liberto Henrique Dias, que lutou 
contra os holandeses, também chefiou negros no ataque ao 
Quilombo dos Palmares. Geralmente eram odiados pelos escravos e 
desprezados pelos brancos, e muitos deles chegaram a ser 
proprietários de vários escravos. 
 
2.2 – Índios 
Colocados sob a proteção dos padres, principalmente 
jesuítas, os índios “domesticados”, isto é, aculturados e cristianizados 
eram semi-livres. Os padres controlavam sua vida religiosa e o 
trabalho. Sem função econômica significativa, os índios 
“domesticados” e os mamelucos serviam nas tropas dos capitães-do-
mato e dos senhores de engenho e integravam as milícias 
portuguesas que perseguiam “índios bravios” e negros foragidos. Seu 
pagamento era quase nada: uma faca, um espelho etc. 
 
3 -Escravos 
Os escravos eram a imensa massa dos trabalhadores do 
Nordeste açucareiro. Eram ao mesmo tempo pessoas e “coisas”, isto 
é, meros instrumentos de trabalho, tendo o mesmo tratamento 
jurídico que um boi, uma enxada ou qualquer outro instrumento de 
produção. Como pessoas, não podiam exercer sua vontade; estavam 
subordinados à vontade do senhor. Toda a sua vida cotidiana se 
desenrolava em função das atividades determinadas pelo senhor ou 
pelo feitor. 
No dizer de Antonil, “os escravos são as mãos e os pés do 
senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, 
conservar e aumentar fazenda (capital), nem ter engenho corrente”. 
Em outras palavras, os escravos eram os trabalhadores 
fundamentais nos engenhos e plantações. Antonil escrevia sobre o 
século XVIII; imaginemos então a importância dos escravos nos 
séculos XVI e XVII, quando tudo estava por fazer – derrubar a mata e 
montar o engenho, por exemplo. 
Nos engenhos e plantações, os escravos habitavam as 
senzalas, que consistiam num barracão feito de pau-a-pique e 
raramente de madeira, sem janelas ou de janelas gradeadas e 
coberto de sapé. Algumas eram divididas internamente, outras não. 
O mobiliário era muito simples: um estrado de esteiras ou rede para o 
escravo se deitar e um móvel rústico para ele guardar seus poucos 
pertences. Um cobertor e um travesseiro de palha serviam para lhe 
dar um pequeno conforto ao deitar. Todas as senzalas eram 
construídas junto à casa-grande, para que os escravos fossem bem 
vigiados. Afinal de contas, eles eram o maior patrimônio de um 
senhor de engenho. As mulheres e os homens ficavam em barracos 
separados. 
 
 MINERAÇÃO 
Na segunda metade do século XVII, em razão do declínio 
do comércio do açúcar no mercado europeu, a Coroa portuguesa 
estimulou as busca de metais preciosos em terras brasileiras, através 
de expedições conhecidas como entradas e bandeiras. 
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 Podemos chamar de entradas as expedições oficiais 
organizadas pelas autoridades, nos séculos XVI e XVII, que partiam 
sempre de um ponto do litoral com o objetivo de explorar o interior, 
apresar indígenas destinados à escravidão e procurar minas. E, de 
bandeiras, as expedições armadas e organizadas por particulares de 
São Paulo que desde o século XVI, partiam para o sertão em busca 
de índios para escravizar (bandeirantismo de apresamento) e de 
pedras e metais preciosos. 
Sempre que um entrada ou bandeira se internava pelo 
sertão, ainda que seu objetivo imediato fosse apresar índios, não 
deixava de se preocupar com os metais preciosos. Pelas suas 
andanças pelo sertão, os paulistas descobriram, por volta de 1695, 
metais preciosos em abundância na região do rio das Velhas, em 
terras dois atuais municípios mineiros de Sabará e Caeté. Em 1696, 
a descoberta de novas jazidas deu inicio a ocupação do Vale do Ouro 
Preto. Os anos seguintes viriam ser abertos caminhos auríferos em 
Mato Grosso e Goiás e, ao lado do ouro a descoberta de diamantes 
do norte de Minas Gerais, na região do Serro Frio. 
 O ouro foi encontrado inicialmente nos leitos dos rios e 
riachos; ficava em depósitos chamados Faisqueiros, porque ao sol 
os grãos faiscavam. Era um ouro Aluvional, isto é, encontrado em 
depósitos de cascalhos, areia e argila que se formam junto às 
margens o na foz dos rios. Raramente se explorou o subsolo, com a 
abertura de poços no leito dos rios ou de galerias nas encostas dos 
morros. 
 A notícia da descoberta trouxe para as regiões auríferas 
uma enorme multidão: calcula-se que tenham tenha chegado à 
região cerca de 30 a 50 mil aventureiros. Vinham de Portugal e de 
todas as partes da colônia, atraídos por metais preciosos e pela 
possibilidade de realizar fantásticos negócios, uma vez que os 
primeiros campos de garimpeiros eram improvisados e o problema da 
alimentação assumia graves proporções. Pouco se plantava e os 
gêneros de subsistência eram escassos e muito caros. Com o tempo, 
o cultivo da roças e a diversificação das atividades econômicas 
resolveram parcialmente o problema da falta de víveres. 
Desde a descoberta das primeiras jazidas de ouro, a 
metrópole tratou de controlar e regulamentar a atividade mineradora, 
seja na distribuição das datas ou lotes, seja no tocante à arrecadação 
de tributos. Em 1702, foi criado o Regimento dos 
Superintendentes, Guardas-Mores e Oficiais Deputados para as 
Minas de Ouro. Entre as suas principais disposições estava a criaçãoda Intendência das Minas, um governo especial para a zona das 
minas, diretamente vinculado a Lisboa. A intendência respondia pelo 
policiamento da área de mineração e pela cobrança de tributos, além 
de funcionar como tribunal de primeira e última instância. O 
Superintendente era sempre alguém ligado diretamente à mineração, 
conhecedor da legislação vigente e defensor dos interesses da 
Coroa. 
 
 Sociedade 
Não foi apenas de Portugal que gente de toda condição 
afluiu para Minas. A partir da chegada dos paulistas acompanhados 
de seus escravos índios, houve migração de varias partes do Brasil. 
Nasceu assim uma sociedade diferenciada, constituída não só de 
mineradores, como negociantes, advogados, padres, fazendeiros, 
artesãos, burocratas, militares, etc. Muitas dessas figuras tinham 
seus interesses estreitamente vinculados acolônia e não por acaso 
ocorreu em Minas uma serie de revoltas e conspirações contra as 
autoridades coloniais. 
Embora os setores mais ricos da população fossem, as 
vezes, proprietários de fazendas e investissem na mineração em 
locais distantes, a vida social concentrou-se nas cidades, centro de 
residência, de negócios, de festas comemorativas. Nelas ocorreram 
manifestações culturais notáveis, no campo das artes, das letras e da 
musica. A proibição do ingresso das ordens religiosas em Minas 
incentivou o surgimento de associações religiosas leigas – as 
irmandades e Ordens Terceiras. Elas patrocinaram a construção das 
Igrejas barrocas mineiras, onde se destacou a figura do mulato 
Antonio Francisco Lisboa - Aleijadinho -, filho ilegítimo de um 
construtor português e de uma escrava. 
Na base da sociedade estavam os escravos. O trabalho 
mais duro era o da mineração,especialmente quando o ouro do leito 
dos rios escasseou e teve de ser buscado nas galerias subterrâneas. 
Doenças como a desinteira, a malaria, as infecções pulmonares e as 
mortes por acidentes foram comuns, pois os escravos eram forçados 
a trabalhar em buracos onde o ar era rarefeito eàs vezes, tóxicos, 
dentro da água ou atolados várias horas por dia na lama a que 
evidencia que o trabalho do negronas grandes minas 'era 
sensivelmente pior do que noscanaviais. Há estimativas de que a 
vida útil' de umescravo minerador nãopassavade sete a doze anos. 
Seguidas; importações atenderam as necessidades da economia 
mineira, inclusive no' sentido de 'substituir a mão-de-obrainutilizada. 
O número de cativos' exportados paraBrasil cresceu entre 1720 e 
1750. Os dados da Capitania de Minas, levantado em 1776mostrama 
esmagadora presença de negros mulatos."Dos cerca de 320 mil 
habitantes, os negros representavam $52,2%; os mulatos, 25,7%; e 
os brancos, 22,1 %. 
Ao longo dos anos, houve intenção mestiçagem de raças, 
cresceu a proporção de mulheres, que em 1776 era de 38% do total, 
e ocorreu um fenômeno cuja interpretação e um ponto de 
controvérsia entre os historiadores: o grande número de alforrias, ou 
seja, de libertação de escravos. Para se teruma ideia da sua 
extensão enquanto nos anos 1735-1749, os libertos representavam 
menos de 1,4% da população de descendência africana, em torno de 
1786 passaram a ser 41% dessa população e 34% do número total 
de habitantes da capitania A hipótese mais provávelpara explicar a 
magnitude dessas proporções, que superam, por exemplo, as da 
Bahia, e de que a progressiva decadênciada mineração tornou 
desnecessária ou impossível para muitos proprietáriosa posse de 
escravos. (texto Adaptado de Boris Fausto) 
AREAS DE MINERAÇÃO – SEC. XVIII 
 
 
 Dinâmica 
 As regiões auríferas eram propriedades do rei que podia doá-las 
a particulares para a exploração. Foram ocupadas por meio da 
distribuição de datas, porções de terras, para os mineradores que 
tivessem até 11 escravos, seriam concedidas 2 e ½ braças de terra 
(5,5m) por escravos, se o minerador fosse proprietário de 12 ou mais 
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escravos, receberia uma data de 30 braças (66m).Quando alguém 
descobria uma jazida, tinha o dever de notificar o governo. 
 A jazida era dividida em lotes, sendo os dois primeiros 
entregues como prêmio ao descobridor: um pela descoberta e outro 
por sua qualidade de minerador. Seguia-se a escolha da data Real, 
fazenda que posteriormente era leiloada. 
 O restante dos lotes era destruído a outros mineradores de 
acordo com o número de escravos que possuíam. Portanto, a 
extensão das datas ou lotes auríferos variou de acordo com a mão de 
obra disponível. A adoção de mais de uma data só ocorria após a 
exploração da primeira, sendo proibida a sua venda. Esse processo, 
entretanto, não era uniforme em toda a região das minas. 
 Houve casos de estabelecer a propriedade de uma jazida 
mediante posse ou prioridade, o que beneficiou os mais favorecidos 
economicamente. 
 
 Diamantes 
 Dois anos depois da descoberta oficial diamantes (1729) foi 
demarcado o Distrito Diamantino na Comarca do Serro do Frio. Sua 
sede era o Arraial do Tijuco, hoje Diamantina. A administração nesta 
área foi muito rígida, buscando limitar o volume de diamantes. 
 Entre 1730 e 1734, ocorreu a exploração semelhante à do 
ouro, datas; quinto; e escravos. Mas para manter os preços estáveis 
no mercado holandês, para onde eram exportados, a coroa 
suspendeu a mineração das gemas (pedras preciosas) entre 1734 e 
1737. 
 A partir de 1740, o antigo sistema foi substituído pelos 
Contratos de Monopólio, ou seja, deu-se a exclusividade de 
exploração, por tempo determinado, a um único contratador que 
deveria pagar uma taxa anual ao erário português. O contratador 
tinha plena autoridade sobre a região diamantífera e sua população, 
ficando subordinado apenas a uma Intendência. 
 Imediatamente após a demarcação do Distrito, a Coroa 
proibiu a mineração de ouro na área e criou a Intendência dos 
Diamantes. O Distrito Diamantino passou a ser extremamente 
vigiado. 
 Não era permitida a presença de estabelecimentos 
comerciais na demarcação, o número de escravos existentes foi 
rigidamente controlado, as entradas e saídas eram severamente 
vigiadas por soldados das tropas de dragões, uma espécie de tropa 
de elite do período colonial. Por tudo isso, o Distrito Diamantino foi 
considerado a área mais colonial da colônia. 
 
 Tributos 
As formas de arrecadação dos tributos estabelecidas pela 
coroa variaram no decorrer do tempo. Uma das primeiras foi a 
cobrança do Quinto, em 1700, (20% sobre o total minerado de ouro, 
prata e diamante), esse sistema gerou muita fraude e foi substituído 
pela Finta (quantia anual fixa de aproximadamente 30 arrobas = 440 
kg). 
 A crescente prosperidade das minas e o extravio de ouro 
fizeram com que as autoridades portuguesas reformassem o sistema 
de tributação. Os quintos passaram a ser o sistema de capitação 
(ou sistema de bateia), que consistiu na cobrança de um imposto 
por cabeça de escravo (12 oitava de ouro), produtivo ou não, de sexo 
masculino ou feminino, maior de doze anos. Os mineradores sem 
escravos também pagavam impostos por cabeça, no caso, sobre si 
mesmo. Além disso, o tributo era cobrado sobre estabelecimento 
como oficinas, lojas, hospedarias, matadouros e outros. 
Certo tempo depois o governo português considerou todo 
esse sistema injusto em relação à Real Fazenda, propondo a 
elevação das cotas e a construção das Casas de Fundição (1724). 
Todo ouro extraído deveria ser levado para essas casas e ali ser 
fundido em barras depois de deduzida a quinta parte de seu valor, 
correspondente ao tributo. Em 1724 foi fundada a Casa da Moeda e a 
de Fundição em Vila Rica e, em 1734, as fundições de Sabará e São 
João Del Rei. 
Houve ainda em 1760 a derrama, através de qualquer 
pessoa da região das minas, fosse ou não minerador, deveria 
contribui para o pagamento dos impostosatrasados, sob pena de ter 
ser bens penhorados. 
Alem de todos esses impostos citados ainda existiam 
outros como os Dízimos Reais: correspondiam a décima parte dos 
produtos agrícolas, tais como a mandioca, arroz e frutas. Incluíam 
também a décima parte de outros “produtos da terra” como, por 
exemplo, a madeira. Referiam-se ainda ais direitos de passagem nos 
rios, aos direitos de entradas etc. 
Os Dízimos Mistos incidiam sobre produtos acabados como 
queijo, aguardente, material de construção etc. os Dízimos Pessoais, 
correspondiam a décima parte de qualquer oficio, comércio ou 
negocio, esse dizimo era pago diretamente a igreja. 
Estes impostos eram recolhidos pelos contratadores que 
pagavam uma pequena quantia pré-estabelecida pelo contrato 
(direito de recolher impostos), o contrato era leiloado. Os 
contratadores lucravam com a diferença entre a quantia paga à 
Coroa e a renda auferida do recolhimento dos impostos. 
 É possível separar o período entre 1733 e 1748 como auge 
da produção aurífera, identificar o declínio em meados do século 
XVIII e a decadência a partir de 1789. O que restou da capitania 
foram as “gerais”, isto é, os sertões mineiros ou a região que não era 
especializada em mineração. Nela combinaram-se a pecuária, os 
engenhos de açúcar, a produção de farinha e de cereais e as 
manufaturas, numa relação econômica fora do sistema de plantation 
sem orientação para o mercado externo. 
 
___________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 04___________ 
 
1. (EsSa) A monocultura, o latifúndio e a escravidão marcaram o 
Sistema colonial português no Brasil, resultando: 
a) No desenvolvimento interno da colônia, beneficiada pela ausência 
de monopólio. 
b) Na formação de uma sociedade civil forte em decorrência da 
autonomia desfrutada. 
c) Em grande desigualdade social, concentração da propriedade 
fundiária e dependência econômica. 
d) Em acumulação de renda, que permitiu o desenvolvimento 
manufatureiro. 
e) no predomínio do trabalho livre, desenvolvimento tecnológico e 
cultural. 
 
2. (SD_PM-PA-12) Os capitais para a instalação de engenhos de 
cana-de-açúcar nas capitanias de Pernambuco e da Bahia eram 
provenientes na maioria, no século XVI, de investidores estrangeiros, 
especialmente holandeses. 
 Com o advento da União Ibérica (entre 1580 e 1640), este 
empreendimento resultou no (a): 
a) acirramento do conflito entre as potências coloniais europeias, 
especialmente Inglaterra e Holanda. 
b) guerra aberta entre Portugal e Holanda, tornados inimigos por 
conta da união política entre as coroas lusa e espanhola. 
c) invasão holandesa das regiões de produção açucareira sob 
domínio português, de modo a recuperar os capitais investidos antes 
da União Ibérica. 
d) decadência da produção açucareira nas capitanias de 
Pernambuco e da Bahia, favorecendo a expansão deste 
empreendimento na capitania de São Vicente. 
e) invasão francesa, experimentada nas colônias denominadas 
França Antártica e França Equinocial. 
 
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2. (ESSA-14) Entre as consequências da atividade mineradora na 
colônia do Brasil, nos séculos XVII e XVIII, é incorreto afirmar que 
favoreceram: 
A) o enfraquecimento do mercado interno. 
B) a integração econômica da colônia. 
C) o povoamento da região das minas. 
D) a conquista do Brasil central. 
E) o desenvolvimento urbano. 
 
3. Sobre a economia e a sociedade do Brasil no período colonial, é 
correto relacionar 
A) economia diversificada de subsistência, grande propriedade 
agrícola e mão-de-obra livre. 
B) produção para o mercado interno, policultura e exploração da 
mão-de-obra indígena no litoral. 
C) capitalismo industrial, exportação de matérias-primas e exploração 
do trabalho escravo temporário. 
D) produção de manufaturados, pequenas unidades agrícolas e 
exploração do trabalho servil. 
E) capitalismo comercial, latifúndio monocultor exportador e 
exploração da mão-de-obra escrava. 
 
4. Comparando a produção canavieira à extração mineradora no 
Brasil colonial, podemos afirmar que: 
a) A primeira caracterizou-se pela utilização da mão-de-obra escrava, 
enquanto a segunda baseou-se fundamentalmente no trabalho 
assalariado. 
b) A primeira esteve voltada para o mercado interno colonial e a 
segunda articulou-se aos circuitos do mercado mundial. 
c) A primeira desenvolveu-se principalmente nas áreas do interior, 
enquanto a segunda estabeleceu-se principalmente nas áreas 
próximas ao litoral. 
d) A primeira esteve vinculada às estruturas do Antigo Sistema 
Colonial, enquanto a segunda pôde desenvolver- se 
independentemente do controle metropolitano. 
e) A primeira desenvolveu-se numa sociedade de caráter rural e a 
segunda promoveu o aparecimento de uma sociedade de caráter 
fortemente urbano. 
 
5. O padre jesuíta Antonil, afirma os problemas colocados pelo 
deslocamento do eixo produtivo colonial do nordeste para o sudeste. 
Em sua crítica, menciona os danos causados pela descoberta do 
ouro nas Minas Gerais e os desdobramentos políticos desse 
processo. 
Sobre esse deslocamento da área de produção açucareira 
para a mineração, assinale a afirmativa CORRETA. 
a) A economia do açúcar, mesmo após a descoberta do ouro, 
continuou a ser a principal receita brasileira no final do século XVIII, 
já que garantia a economia exportadora. 
b) A mineração, pelo seu valor agregado, possibilitou o financiamento 
de parte da produção do açúcar nordestino, encalhado pela 
concorrência comercial do açúcar das Antilhas. 
c) Diamantes, ouro e pedras, através do sucesso da economia 
mineradora, se tornaram os principais produtos das exportações 
brasileiras durante os séculos XVII e XVIII. 
d) A população escrava da região das minas era procedente do 
estoque de escravos do nordeste, visto que a diminuição da 
produção açucareira elevou o preço do cativo. 
 
6. A riqueza produzida pela mineração trouxe poucos benefícios de 
caráter permanente à economia luso-brasileira, porque: 
a) a rígida estrutura escravista da zona do ouro não permitiu alforrias 
e mobilidade social. 
b) o mercado interno não se desenvolveu mantendo-se a situação de 
ilhas econômicas. 
c) o contrabando e a voracidade do fisco português não podem ser 
considerados fatores que colaboraram para este resultado. 
d) a região não atraiu mão-de-obra da metrópole, ocorrendo um 
povoamento disperso e pouca vida urbana. 
e) a dependência econômica de Portugal, em relação à Inglaterra 
configurada no Tratado de Methuen, transferiu para este país grande 
parte do ouro explorado. 
 
7. O desenvolvimento da economia mineradora no século XVII teve 
diferentes repercussões sobre a vida colonial, conforme se apresenta 
caracterizado numa das opções a seguir. Assinale-a. 
a) Incremento do comércio interno e das atividades voltadas para o 
abastecimento na região centro-sul. 
b) Movimento de interiorização conhecido como bandeirismo, 
responsável pelo fornecimento de mão-de-obra indígena para as 
minas. 
c) Descentralização da administração colonial para facilitar o controle 
da produção. 
d) Sufocamento dos movimentos de rebelião, graças à riqueza 
material gerada pelo ouro e pela prata. 
e) Retorno em massa, para a metrópole, dos colonos enriquecidos 
pela nova atividade. 
 
8. (Puc) "Assim confabulam, os profetas, numa reunião fantástica, 
batida pelos ares de Minas. Onde mais poderíamos conceber 
reunião igual, senão em terra mineira, que é o paradoxo mesmo, tão 
mística que transforma em alfaias e púlpitos e genuflexórios a febre 
grosseira do diamante, do ouro e das pedras de cor?" 
(Andrade, C. Drummond de,COLÓQUIO DAS ESTÁTUAS. In: Mello, 
S., BARROCO MINEIRO, S. Paulo) 
A origem desse traço contraditório que o poeta afirma 
caracterizar a sociedade mineira remete a um contexto no qual houve 
a) a reafimação bilateraldo Tratado de Tordesilhas entre Portugal e 
Espanha e o crescimento da miscigenação racial no ambiente 
colonial. 
b) o relaxamento na politica de distribuição de terras na colônia e a 
vigência de uma concepção racionalista de planejamento das 
cidades. 
c) a diversificação das atividades produtivas na colônia e a 
construção de um conjunto artístico e arquitetônico que singularizou a 
principal região de mineração. 
d) o deslocamento do eixo produtivo do nordeste para as regiões 
centrais da colônia e o desenvolvimento de uma estética que 
procurava reproduzir as construções românicas européias. 
 
9. Os senhores de engenho nem sempre administravam diretamente 
suas propriedades, por vezes transferindo essa tarefa: 
a) a um escravo de confiança 
b) a qualquer escravo 
c) a sua esposa 
d) a um parente próximo 
e) a um feitor-mor 
 
10. Além das moradias das famílias de senhores de engenhos e de 
escravos, havia construções reservadas propriamente à produção 
citadas a seguir, exceto: 
a) moenda. 
b) fornalhas. 
 c) casa de purgar. 
d) galpões. 
e) almoxarife 
 
 
 OUTRAS ATIVIDADES ECONÔMICAS: 
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A economia do período colonial tinha sempre um produto que 
canalizava os investimentos, interesses e atividades, mas havia 
algumas atividades secundárias, na maioria das vezes 
complementares às necessidades da sociedade: 
 
 Pecuária 
 As principais atividades econômicas do Brasil colônia 
tinham como finalidade atender o mercado externo, europeu. Eram 
atividades de exportação, como é ocaso da cana-de-açúcar (o gado 
era usado para a alimentação e como tração, movendo máquinas do 
engenho e puxando carroças), do tabaco e da mineração. 
Ao contrário dessas atividades de exportação, a pecuária 
não estava plenamente enquadrada nas regras do sistema colonial 
mercantilistas. Era uma atividade econômica local. Representava um 
negócio interno da colônia. Seus lucros podiam ficar dentro do país. 
Por isso, a pecuária foi pouco incentivada pela metrópole. 
 O rei de Portugal proibiu a criação de gado no litoral, inicio 
do século XVIII, 80Km). Ele queria que toda a área litorânea fosse 
ocupada com a lucrativa empresa açucareira. 
 Assim, o gado foi empurrado oficialmente para o sertão do 
país. Quem quisesse criar gado só poderia fazê-lo em áreas 
inadequadas à agricultura exportadora. Devido às exigências do 
sistema colonial, a pecuária teve como papel desbravar o sertão. E 
acabou realizando essa tarefa, para a conquista e ocupação do 
território brasileiro. 
 
o A Criação de Gado no Norte 
 A criação de gado desenvolveu-se no sertão nordestino 
durante o ciclo da cana-de-açúcar, pois as terras férteis do litoral 
eram destinadas ao plantio da cana. 
A região do São Francisco era a preferida pelos vaqueiros, 
por ser rica em água e pastos. 
Os criadores do sertão vendiam o gado para os senhores 
de engenho do litoral. Assim, a pecuária cresceu no Nordeste como 
uma atividade complementar da atividade açucareira. 
 
o A Criação de Gado do Sul 
 A pecuária desenvolveu-se no sul devido às grandes 
pastagens, que facilitavam o crescimento dos rebanhos. 
Depois da destruição das missões, o gado espalhou-se 
pelo sul do Brasil. No fim do século XVII, paulistas e espanhóis 
capturaram o gado sem dono. Os paulistas fundaram Laguna e 
Paranaguá, os espanhóis fundaram Buenos Aires. 
Criavam, além de bois, burros e cavalos, que eram 
vendidos nas regiões das minas (Vila rica, Mariana, Sabará, antes 
passava por SP). Desse modo, a pecuária cresceu no sul como 
atividade complementar da mineração. 
 
 Tabaco 
Erva de origem americana utilizada pelos indígenas, o 
tabaco começou a ser plantado comercialmente no Recôncavo 
Baiano já no principio do século XVII. O fumo, produzido com as 
folhas do tabaco, logo conquistou consumidores na Europa, apesar 
da proibição das autoridades políticas e eclesiásticas. Assim como a 
cachaça, o fumo era utilizado pelos europeus no escambo com 
escravos negros na África. 
Exportado para Portugal, toda a Europa e a África, onde era 
fumado, mascado ou aspirado, o fumo ocupava o segundo lugar 
nas exportações brasileiras de produtos agrícolas. 
Era produzido em grandes propriedades agrícolas 
trabalhadas por escravos, e a maior parte da produção era 
exportada. Embora fosse cultivado principalmente em grandes 
propriedades, o tabaco era explorado por médios e pequenos 
produtores. Estes últimos eram auxiliados pelos familiares e um ou 
outro escravo. Alem do Recôncavo Baiano, também Sergipe e 
Alagoas produziam fumo. 
 
 Algodão 
O algodão já era conhecido dos indígenas, que utilizavam 
os fios para tecer redes de dormir e outros ornamentos. Os brancos 
passaram a empregá-lo a partir da primeira metade do século XVII, 
quando ocuparam o atual Pará e absorveram alguns costumes 
indígenas. Na produção de redes de dormir e roupas, que se 
desenvolveu principalmente nos territórios hoje denominados Pará e 
Maranhão, era utilizado o trabalho do escravo negro ou do caboclo. 
A capitania estava cheia de rocas e teares, e o descarorçador era 
muito comum nessa, região, sendo encontrado até nas casas mais 
humildes. 
A região do atual Ceará também produzia algodão para a 
tecelagem de roupas, redes e rendas que se tornaram muito famosas 
no Brasil colonial. No nordeste: da Paraíba até a Bahia e em São 
Vicente, foi muito forte essa atividade. 
Em Minas Gerais, a produção de tecidos de algodão só se 
desenvolveu a partir da segunda metade do século XVIII, quando a 
economia mineradora entrou em decadência e deixou a população 
local sem meios de ganhar a vida. A partir de então, plantações de 
algodão e teares manuais se espalharam por toda a capitania. A 
atividade se firmou e Minas Gerais passou a produzir tecidos finos 
que eram vendidos fora da capitania, prejudicando as exportações de 
tecidos da metrópole. 
Esse desenvolvimento preocupava as autoridades 
coloniais, que ficaram apreensivas com a diversidade da manufatura 
mineira e temiam que a capitania pudesse reivindicar independência. 
Em 1785, foi expedido o alvará que proibia, na colônia, 
manufaturas que concorressem com a produção metropolitana: As 
tecelagens mineiras entraram em declínio, embora muitas tivessem 
se mantido. 
 
-Siderurgia 
Do ponto de vista econômico e histórico, a exploração 
siderúrgica no Brasil colonial teve mais importância do que Ihe 
atribuem muitos historiadores.· Possivelmente, o primeiro engenho 
de ferro da America surgiu em fins do século XVI em Iperó, próximo 
de Sorocaba, no interior do atual estado de São Paulo. 
Os primeiros exploradores de minério de ferro no Brasil 
colônia foram os jesuítas, que fabricavam anzóis, facas, cunhas e 
'outras ferramentas de trabalho. Esses produtos eram utilizados no 
Colégio de São Paulo de Piratininga e serviam para atrair indígenas 
para a catequese, já que os índios tinham verdadeira adoração pelos 
instrumentos de ferro, muito mais duráveis que os de pedra. Os 
jesuítas, porem, não podiam ensinar os indígenas a fundir e a 
trabalhar os metais: as autoridades coloniais proibiam, temendo que 
os indígenas fabricassem armas. 
A primeira notícia de descoberta de minério de ferro no 
Brasil partiu de Ubatá, na comarca de Santo Amaro, em 1551 Ubatá 
e o atual bairro do Butantã, na cidade de São Paulo. o descobridor foi 
Afonso Sardinha, o homem mais rico da vila de São Paulo. 
Na última década do século XVI Sardinha teria começado a 
explorar sua mina de Iperó doando-a em seguida ao rei de Portugal. 
Alguns fundidores portugueses, um mineiro e um engenheiro alemão 
ficaram incumbidos de trabalhar na mina. Os dois engenhos da 
capitania de São Vicente produziam ferro de má qualidade. o mais 
provávele sua exploração não tenha ultrapassado o final século 
XVIII. 
 
 Drogas do Sertão: exploração de plantas medicinais que 
alcançavam altos preços no mercado europeu. Teve início no 
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século XVII, com a entrada das ordens religiosas na Amazônia 
(jesuítas e outros). A coleta era feita pelos índios das missões 
religiosas. 
 
 Agricultura de Subsistência: cada engenho possuía uma 
pequena área destinada à produção de alimentos (mandioca, 
milho, feijão, etc.) para a alimentação dos escravos. Ostentando 
opulência, os senhores importavam o próprio alimento da Europa. 
 
 
 INVASÕES ESTRANGEIRAS........ 
A colonização portuguesa prosperava com a cana-de-açúcar e 
isso fez com que aumentasse o interesse de outros países pelas 
terras brasileiras. Vamos ver as principais invasões estrangeiras. 
 
 As Invasões Francesas 
 A primeira grande invasão francesa, comandada por 
Nicolau Durand de Villegaignon, ocorreu em 1555, quando os 
franceses invadiram o Rio de Janeiro, fundando uma colônia 
chamada França Antártica. Construíram um forte e aliaram-se aos 
Tamoios, índios da região revoltados contra os portugueses, que 
estavam unidos na Confederação dos Tamoios, “Os mais antigos”. 
Os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta 
conseguiam pacificar os índios rebeldes e uniram-se contra os 
franceses aos índios termiminós, chefiados pelo cacique Araribóia. 
Em 1567, durante a administração do governador geral Mem de Sá, 
após doze anos de luta, os franceses foram expulsos, com a ajuda de 
Estácio de Sá, sobrinho do governador. 
 
No início, o projeto de fundação da França Antártica 
possuía o apoio do rei e de alguns comerciantes e armadores 
franceses. O objetivo era garantir uma parcela do mercado de 
especiarias monopolizado pelos portugueses, que se tornaram, com 
o Tratado de Tordesilhas, senhores desses mares e territórios, antes 
mesmo da “descoberta” do Brasil. 
 O lugar escolhido pelos franceses para se estabelecer foi 
uma ilha no interior da baia, onde construíram o Forte Coligny. A 
preferência pelo local foi orientada pela prudência, para não se 
confrontarem diretamente com a população nativa e melhor se 
defender de um eventual ataque português. (...) em 1557, novos 
colonos franceses chegaram a ilha de Villegaignon. Muitos eram 
protestantes que fugiram da perseguição católica, ansiando por 
estabelecer no Novo Mundo uma comunidade onde pudessem viver 
em paz. 
(Maria Fernanda Bicalho, USP, In; História Viva novembro de 2003). 
Em 1612 os franceses voltaram a invadir o Brasil e 
fundaram, no Maranhão, uma colônia, que chamaram de França 
Equinocial. Os franceses permaneceram por três anos no Maranhão 
e fundaram a cidade de São Luís, cujo nome é uma homenagem ao 
rei francês Luís XIII. Em 1615 foram expulsos por Jerônimo de 
Albuquerque e Alexandre de Moura. 
Os franceses que tiveram nesse período no Brasil deixaram 
relatos interessantes descrevendo o modo de vida indígena, segundo 
o ponto de vista do europeu. 
 
 As Invasões Holandesas 
 Os holandeses tinham grande interesse na indústria açucareira 
do Brasil. Participavam da refinação e distribuição do açúcar na 
Europa. Quando Portugal e suas colônias ficaram sob o domínio 
espanhol, a Espanha católica estava em guerra com a Holanda 
protestante. Os espanhóis, então, fecharam os portos da Espanha, 
de Portugal e das colônias aos navios holandeses. 
Para defender seus interesses comerciais, os holandeses 
criaram, em 1602, a Companhia das Índias Orientais, para 
comerciar com o Oriente. Para comerciar com a África e com as 
Américas, criaram a Companhia das Índias Ocidentais, em 1621 
Foram os capitalistas da Companhia das Índias Ocidentais que 
planejaram a invasão do Nordeste, uma vez que não queriam perder 
os grandes lucros obtidos com a empresa açucareira brasileira. 
A primeira invasão holandesa ocorreu na Bahia, em 1624. Uma 
esquadra atacou a cidade de Salvador, sede do Governo Geral e 
porto exportador de açúcar. Os senhores de engenho e a população 
refugiaram-se no interior e organizaram a resistência, sob a liderança 
do bispo D. Marcos Teixeira. Em 1625 chegou ao Brasil uma 
esquadra chamada Jornada dos Vassalos, formada por navios 
portugueses e espanhóis. A população, com a ajuda dessa esquadra, 
expulsou os invasores. 
A segunda invasão holandesa ocorreu em Pernambuco, em 
1630, quando os holandeses atacaram Olinda que, na época, era 
capital de Pernambuco, a principal região produtora de açúcar no 
Brasil. Logo depois, conquistaram também Recife. O governador de 
Pernambuco, Matias de Albuquerque, foi para o interior, organizou 
guerrilhas e fundou o maior centro de resistência aos holandeses: o 
arraial do Bom Jesus. A luta prosseguiu até 1632, quando 
Domingos Fernandes Calabar, conhecedor da região, levou os 
holandeses aos centros de guerrilhas. Foram muitas, então, as 
vitórias holandesas, 
As lutas freqüentes não agradavam nem aos senhores nem aos 
donos da Companhia das Índias Ocidentais, pois os dois lados eram 
prejudicados, sofrendo prejuízos constantes. Por esse motivo foi 
enviado ao Brasil o conde João Maurício de Nassau, para promover 
a paz e governar o Nordeste brasileiro. 
Nassau governou o Brasil holandês a partir de 1637. Apesar de 
ser protestante, concedeu liberdade religiosa aos católicos e aos 
judeus. Realizou medidas importantes, como: 
1. O aumento da produção açucareira, conseguindo 
empréstimos para os senhores de engenho; 
2. A conquista de Sergipe; 
3. A urbanização de Recife, com a construção de jardins, 
pontes, palácios, hospitais e o primeiro observatório astronômico 
do Brasil; 
4. A vinda de cientistas e artistas europeus: arquitetos, 
botânicos, médicos, matemáticos e pintores, entre eles o pintor 
Frans Post, que estudou e retratou a flora e a fauna brasileira. 
 A Holanda precisava de dinheiro, pois estava em guerra. A 
Companhia das Índias Ocidentais reclamava dos excessivos gastos 
de Nassau e começou a pressioná-lo para que cobrasse aos 
senhores de engenho os empréstimos atrasados, além de ter 
aumentado os impostos. 
Nassau não concordava com isso e acabou por demitir-se, 
voltando à Holanda em 1644. Com o aumento dos impostos, o 
confisco de engenhos como forma de pagamento das dívidas e a 
restrição à liberdade religiosa, foi reiniciada, em Pernambuco, a luta 
contra os holandeses, que se chamou Insurreição Pernambucana. 
Na liderança dessa luta estavam os brancos André Vidal de 
Negreiros e João Fernandes Vieira, o negro Henrique Dias e o índio 
Poty, mais tarde batizado com o nome de Filipe Camarão. Depois de 
dez anos de luta, houve a vitória na Batalha de Guararapes e a 
rendição dos holandeses na Campina da Taborda, em 1654. 
A expulsão dos holandeses desencadeou uma crise na 
empresa açucareira, pois os holandeses haviam levado mudas e 
plantado cana-de-açúcar em seus domínios nas Antilhas, 
começando, assim, a ter produção própria. O açúcar brasileiro não 
podia concorrer com aquele produzido nas Antilhas, porque os 
holandeses continuavam a dominar os mercados consumidores. O 
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Brasil viveu, então, na metade do século XVII, sua primeira grande 
crise econômica. 
o Cidades Dominadas pelos Holandeses: 
1-Fortaleza. 2-Natal. 3- Paraíba. 
4- Igaraçu. 5- Olinda. 6- Recife. 
7- Serinhaém. 8- Porto Calvo. 9-São Cristóvão. 
10 – Salvador. 
 
o Fortes do Nordeste: 
- Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção; Ceará, 1649 fundado 
pelos holandeses; 
- Forte dos Reis Magos; Natal-1559, fundado pelos portugueses;1633 
foi invadida pelos holandeses; 
- Fortede Orange; Pernambuco – Itamaracá-1631: fundado pelos 
holandeses; 
- Forte de Nazaré; Pernambuco, Cabo de Santo Agostinho: fundado 
pelos portugueses; tomado pelos holandeses em 1635; 
- Forte Mauricio de Penedo: Alagoas, fundado pelos holandeses; a 
partir de 1637. 
 
 
EXPANSÃO TERRITORIAL 
Até o fim do século XVI, a colonização portuguesa limitava-
se a alguns pontos do litoral brasileiro. No início do século XVII, 
devido à suspensão da linha do Tratado de Tordesilhas, a 
colonização expandiu-se para o interior e para o litoral norte, através 
de expedições, que partiam em busca de metais preciosos. 
As expedições oficiais chamavam-se entradas. Eram 
formadas por um número pequeno de pessoas e, geralmente, não 
ultrapassavam o meridiano de Tordesilhas. As expedições 
particulares chamavam-se bandeiras. Eram formadas por colonos, 
saíam das vilas de São Paulo e São Vicente e não respeitavam o 
meridiano de Tordesilhas. 
 
 A Expansão Bandeirante 
 Houve três tipos de bandeiras: 
1. Bandeiras de Caça ao Índio 
Surgiram durante o domínio holandês, porque os 
holandeses, tendo conquistado as regiões fornecedoras de escravos, 
na costa africana, só forneciam mão-de-obra negra às capitanias sob 
seu domínio. As capitanias que pertenciam aos portugueses ficaram 
sem escravos. Foram organizadas bandeiras cujo objetivo era 
aprisionar índios, que seriam vendidos como escravos. 
Eles eram capturados nas missões jesuíticas da região sul, 
pois esses já eram aculturados, haviam-se “adaptado” ao trabalho 
nas lavouras e não reagiam à escravidão, os bandeirantes invadiram, 
saqueavam e aprisionavam os índios, apesar de protestos dos 
padres e da resistência indígena. O padre Antonio Vieira deixou 
registrando em carta que data de 1653 a crueldade da bandeira de 
Raposos Tavares. Ao chegar numa missão, ele mandou que seus 
soldados entrassem na igreja na hora da missa, atirassem contra os 
índios e saqueassem os objetos de valor. Tanto as bandeiras como 
as missões promoveram a interiorização da colonização portuguesa. 
Entre os bandeirantes que se dedicaram à caça ao índio, os 
principais foram Manoel Preto e Antônio Raposo Tavares. 
 Tendo cuidado com os escritos dos religiosos, para que não 
possamos ver o que eles escreveram como verdades absolutas. 
Pombeiros: 
“Indivíduos, do Brasil e da África, especializados em apresamento de 
aldeias e suas posterior venda”. 
(Madalena Marques Dias. In: História Viva, setembro de 2005). 
 
2. Bandeiras de Contrato 
Eram expedições organizadas por senhores de engenho e 
donatários que contratavam bandeirantes para sufocar revolta de 
índios e de negros. O bandeirante que mais se destacou nessa 
atividade foi Domingos Jorge Velho responsável pela destruição do 
Quilombo dos Palmares, em 1694. 
 
3.Bandeiras de Mineração 
Com a decadência da atividade açucareira, devido à 
concorrência holandesa, aumentou a preocupação de Portugal em 
descobrir metais preciosos no Brasil e por isso o governo português 
passou a estimular os bandeirantes, financiando bandeiras e 
oferecendo títulos de nobreza àqueles que encontrassem grandes 
minas. 
As bandeiras paulistas penetravam cada vez mais em direção 
ao interior, buscando metais, principalmente ouro e pedras preciosas. 
Os bandeirantes utilizavam grandes rios, como o Tietê, o Paraíba do 
Sul e o Paraná. 
Em 1674, Fernão Dias Paes partiu com uma grande bandeira. 
Penetrou na região que mais tarde se chamaria Minas Gerais com o 
objetivo de procurar esmeraldas, porém só encontrou turmalinas, 
pedras de pouco valor. Os caminhos abertos foram depois utilizados 
por outros bandeirantes. Em Minas Gerais foram descobertas, nessa 
época, grandes minas de ouro: em Cataguases por Antônio 
Rodrigues Arzão, em Vila Rica (atual cidade de Ouro Preto) por 
Antônio Dias de Oliveira e em Sabará por Borba Gato. 
 
o Principais Bandeirantes 
2- Manuel Preto: juntamente com Raposo Tavares foi a Guairá. 
3- Raposo Tavares; organizou uma expedição que chegou até 
Gurupá (PA); expedição a Tape (RS) e Itaitim (MS) 
4- Fernão Dias Paes: juntamente com R. Tavares foi a Tape (RS). 
5- Pascoal Moreira Leme; Atingiu a cidade de Cuiabá. 
6- Bartolomeu Bueno da Silva: Realizou bandeira que atingiu 
Goiás. 
7- Domingos B. Calheiros. 
8- Belchior Dias Moreira. 
 
 As Novas Fronteiras do Brasil 
o Tratados de Utrecht (1713 e 1715) 
 Recebem esse nome porque foram assinados na cidade 
holandesa de Utrecht. Foram dois: 
 1713, assinados com a França, que determinou que a fronteira 
do Brasil com a Guiana Francesa seria o Rio Oiapoque. 
 1715, assinado com a Espanha, que estabeleceu que a 
Colônia de Sacramento (hoje próxima de Montevidéu) 
passaria a fazer parte do Brasil, região estratégica para o 
contrabando da prata trazida da Bolivia e do Peru pelo rio 
Paraná. A colônia, situada à margem do Rio da Prata, fora 
fundada pelos portugueses, mas depois tinha sido ocupada 
pelos espanhóis. 
 
o Tratado de Madri (1750) 
 Foi assinado por Portugal e pela Espanha e determinava que as 
terras já ocupadas (desde a união ibérica) pelos portugueses ficariam 
pertencendo a Portugal. 
 As fronteiras estabelecidas pelo Tratado de Madri já eram 
bastante parecidas com as atuais. No Sul, que era a região onde 
havia mais conflitos entre os países, o Tratado estabeleceu que a 
Colônia do Sacramento passasse a pertencer a Espanha. Em troca, 
Portugal receberia o território dos Sete Povos das Missões que 
eram aldeias formadas pelos jesuítas espanhóis à margem esquerda 
do Rio Uruguai. Hoje faz fronteira com o Rio Grande do Sul 
 
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o Tratado de Santo Ildefonso (1777) 
 
 As dificuldades para cumprir o Tratado de Madri foram enormes, 
principalmente na região dos Sete Povos das Missões. A 
população dos aldeamentos, calculada em 30.000 pessoas, devia 
transferir-se para a margem direita do Rio Uruguai. Essa mudança, 
porém, significava a destruição de todo o trabalho dos índios. Por 
isso, os indígenas revoltaram-se, sendo apoiados por alguns jesuítas. 
As lutas dos índios contra as tropas portuguesas e espanholas 
ficaram conhecidas como Guerras Guaraníticas. 
 Em 1777, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Santo 
Ildefonso: Portugal ficou coma Ilha de Santa Catarina e com as 
terras do atual estado do Rio Grande do Sul; a Espanha ficou com as 
áreas da Colônia do Sacramento e dos Sete Povos das Missões 
(Em 1801, foi assinado o Tratado de Badajós, onde Sete Povos 
ficou para Portugal). 
 Em consequência das guerras guaraníticas, as missões 
indígenas foram totalmente desorganizadas. Muito índios foram 
escravizados pelos gaúchos, outro se refugiaram nas matas, depois 
de haverem perdidos seu gado e suas terras. Portanto, a paz entre 
Portugal e Espanha baseou-se na ruína de milhares de famílias 
indígenas. 
 
 Tratados de Methuen 
 Em 1703, esse acordo firmado entre ingleses e lusitanos 
estabelecia a compra dos tecidos ingleses por parte de Portugal, 
enquanto a Inglaterra se comprometia a adquirir a produção vinícola 
dos lusitanos. Com isso, a especulação sobre a garantia de compra 
dos ingleses sobre o vinho de Portugal ampliou enormemente o 
número de terras cultiváveis destinadas ao plantio de uva. Por 
conseguinte, a demanda da economia lusitana por produtos 
importados aumentou bastante. 
 Conforme apontado por vários pesquisadores interessados no 
assunto, a Coroa portuguesa conseguiu montar um enorme império 
mercantil, mas não buscou meios eficientes e sistemáticos para 
dinamizar sua economia interna. As expressivas quantias obtidas 
com a atividade colonial eram revertidas na forma de gastos que 
somente mantinham o elevado padrão de vida dos nobres e 
membros da família real portuguesa. 
 
______________BATERIADE EXERCÍCIOS: 05__________ 
 
1. Em 1555, um dos mais importantes líderes do protestantismo 
francês, o Almirante Coligny, enviou uma expedição à América. Em 
novembro desse mesmo ano, sob o comando de Nicholas Durand de 
Villegaignon, a expedição chegou ao atual Estado do Rio de Janeiro, 
onde construiu o forte Coligny e fundou uma colônia denominada 
França Antártica. 
 Destaca-se, entre as razões que motivaram a fundação 
dessa colônia, a: 
a) disputa pela posse das lavouras açucareiras implantadas no 
território brasileiro. 
b) luta pelo controle do porto de Paraty, por onde era exportada a 
produção de ouro. 
c) retaliação aos católicos pelo massacre de protestantes na “Noite 
de São Bartolomeu”. 
d) disputa pela hegemonia do comércio de pau-brasil para a 
manufatura têxtil. 
e) necessidade de ampliar o controle territorial francês até a foz do 
Rio da Prata. 
 
2. (EsSa) Durante o período colonial, Bahia e Pernambuco foram 
alvos de invasões de: 
a) Franceses, atraídos pelo Pau-Brasil. 
b) Holandeses, atraídos pela produção açucareira. 
c) Espanhóis, indignados pela expansão territorial portuguesa. 
d) Ingleses, atraídos pelas riquezas minerais. 
 
3. (Essa-10) As batalhas dos Guararapes (1648 e 1649) marcaram a 
vitória da Insurreição Pernambucana, que levou a expulsão do 
território brasileiro os invasores 
a) espanhóis. 
b) português. 
c) ingleses. 
d) holandeses. 
e)franceses. 
 
4. (EsSa-01) No século XVII, contribuíram para a penetração do 
interior brasileiro: 
a) O descobrimento da cultura da cana-de-açúcar e da cultura de 
algodão. 
b) O apresamento de indígenas e a procura de riquezas minerais. 
c) A necessidade de defesa e o combate aos franceses. 
d) O fim do domínio espanhol e a restauração da monarquia 
portuguesa. 
e) A guerra dos Emboabas e a transferência da capital da colônia 
para o Rio de Janeiro. 
 
5. (Essa-12) Ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII o Brasil estendeu 
consideravelmente seu território, o que obrigou o estabelecimento de 
novos Tratados de Limites entre os Reinos Ibéricos. Neste sentido, 
podemos afirmar que 
a) o Tratado de Madri deu origem às Guerras Guaraníticas. 
b) ficou estabelecido, no Tratado de Santo Ildefonso, o princípio de 
Uti possidetis. 
c) Portugal, pelo Tratado de Badajós, assumiu o controle sobre o 
território da Guiana. 
d) o Tratado de Utrecht, de 1713, reconheceu a posse da Colônia de 
Sacramento por Portugal. 
e) o Tratado do Pardo reconheceu o direito exclusivo de Portugal 
navegar pelo rio Amazonas. 
 
6. (Essa-10) O Tratado de Methuen, assinado em 1703, por 
portugueses e ingleses, 
A) criou foro especial para julgar cidadãos britânicos que viviam no 
Brasil. 
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b) trouxe vantagens para Portugal nas relações comerciais bilaterais 
com a Inglaterra. 
c) favoreceu o desenvolvimento da indústria luso-brasileira. 
d) abriu um importante canal para a transferência da riqueza 
produzida no Brasil para a Inglaterra. 
E) incrementou a industrialização em Portugal e no Brasil. 
 
7. Com relação à economia do açúcar e da pecuária no nordeste 
durante o período colonial, é correto afirmar que: 
A) por serem as duas atividades essenciais e complementares, 
portanto as mais permanentes, foram as que mais usaram escravos. 
B) a primeira, tecnologicamente mais complexa, recorria à 
escravidão, e a segunda, tecnologicamente mais simples, ao trabalho 
livre. 
C) a técnica era rudimentar em ambas, na agricultura por causa da 
escravidão, e na criação de animais por atender ao mercado interno. 
D) tanto em uma quanto em outra, desenvolveram-se formas mistas 
e sofisticadas de trabalho livre e de trabalho compulsório. 
E) por serem diferentes e independentes uma da outra, não se pode 
estabelecer qualquer tentativa de comparação entre ambas. 
 
8. (...) o número de refinarias, na Holanda, passara de 3 ou 4 (1595) 
para 29 (1622), das quais 25 encontravam-se em Amsterdã, que se 
transformara no grande centro de refino e distribuição do açúcar na 
Europa. Elza Nadai e Joana Neves 
A respeito do aumento de interesse, por parte dos holandeses, não 
apenas na refinação do açúcar brasileiro, 
mas também no transporte e distribuição desse produto nos 
mercados europeus, acentuadamente no século XVII, é correto 
afirmar que: 
a) com a União Ibérica (1580-1640), os holandeses desejavam 
conquistar militarmente o litoral nordestino para obter postos 
estratégicos na luta contra a Espanha. 
b) a ocupação de Salvador, em 1624, por tropas flamengas, foi um 
sucesso, do ponto de vista militar, para diminuir o poderio de Filipe II, 
rei da Espanha. 
c) a criação da Companhia das Índias Ocidentais foi responsável pela 
conquista do litoral ocidental da África, do nordeste brasileiro e das 
Antilhas, visando obter mão-de-obra para as lavouras antilhanas. 
d) o domínio holandês, no nordeste brasileiro, buscava garantir o 
abastecimento de açúcar, controlando a principal região produtora, 
pois foi graças ao capital flamengo, que a empresa açucareira pode 
ser instalada na colônia. 
 
9. A formação do território brasileiro no período colonial resultou de 
vários movimentos expansionistas e foi consolidada por tratados no 
século XVIII. Assinale a opção que relaciona corretamente os 
movimentos de expansão com um dos Tratados de Limites. 
a) A expansão da fronteira norte, impulsionada pela descoberta de 
minas de ouro, foi consolidada no tratado de Utrecht. 
b) A região missioneira do sul constituiu um caso à parte, só resolvido 
a favor de Portugal com a extinção da Companhia de Jesus. 
c) O Tratado de Madri revogou o de Tordesilhas e deu ao território 
brasileiro conformação semelhante à atual. 
d) O Tratado do Pardo garantiu a Portugal o controle da região das 
missões e do rio da Prata. 
e) Os tratados de Santo Ildefonso e Badajós consolidaram o domínio 
português no sul, passando a incluir a região platina. 
 
10. "A Guerra Guaranítica foi a revolta dos missioneiros guaranis 
contra as imposições do Tratado de Madri, que os obrigava a 
abandonar suas terras, moradias, plantações e rebanhos. O acordo 
de 1750 favorecia as monarquias ibéricas, defendendo seus 
interesses na região, mas prejudicava gravemente os indígenas." 
(QUEVEDO, Júlio. A GUERRA GUARANÍTICA. São Paulo: Ática) 
Com base no texto, é correto afirmar: 
a) Os índios reagiram à dominação colonial, porque defendiam 
exclusivamente o Império Teocrático organizado pela Igreja Católica, 
que se sobressaía na América, através da Companhia de Jesus. 
b) Os missioneiros guaranis estavam desaculturados do "ser" índio 
devido à tirania jesuíta, portanto defendiam somente os interesses 
dos padres. 
c) A guerra expressou a luta dos missioneiros guaranis que não 
queriam se transformar numa espécie de "sem terra" do século XVIII, 
visto que suas terras foram doadas aos soldados espanhóis. 
d) A guerra representou um dos raros momentos de reação indígena, 
organizada contra as imposições da Coroa e dos colonizadores luso-
espanhóis. 
e) Os missioneiros guaranis enfrentaram os exércitos luso-espanhóis, 
porque estavam organizando uma confederação indígena 
antiespanhola. 
 
 
 REFORMAS POMBALINAS..... 
 A ascensão de Sebastião José de Carvalho e Melo, 
marquês de Pombal, em 1750, na condição de ministro do rei D. José 
I, representou uma modificação da concepção do governo 
metropolitano a cerca das relações metrópole colônia, embora 
permanecessem os princípios norteadores de tais relações. Decidido 
a colocar Portugal à altura dos “novos tempos”, pombal empreendeu 
uma série de reformas, que iam desde a reorganização econômica 
do reino até o reordenamento da cultura, através de reformas na 
educação. A reestruturação econômica era mais que necessária, 
uma vez que, a economia açucareiratinha entrado em declínio e a da 
mineração teria uma “vida” curta. 
 Não bastava apenas racionalizar a exploração da colônia 
para torná-la mais eficiente havia a premente necessidade de 
defendê-la da cobiça de estrangeiro, ainda mais depois da assinatura 
do Tratado de Madri* com a Espanha, em 1750, que incorporou 
cerca de 3000 Km2 de território ao Brasil. A defesa de tão vasto 
território dependia da sua efetiva ocupação, coisa que na Amazônia 
estava muito distante de ser real. Havia, pois, urgente necessidade 
de promover a imediata demarcação das fronteiras estabelecidas 
pelo Tratado de Madri e de efetivar a ocupação do território, 
principalmente no Norte, onde a presença de colonos portugueses 
era pouco significativa. Foi nesse contexto que a idéia de transformar 
o índio em colono, há muito perseguida pelos sucessivos governos 
metropolitanos, ganhou intensidade, pois se mostrava como a única 
alternativa viável, mais ainda depois do terremoto de 1755, que 
arrasou Lisboa e produziu um grande número de mortos. 
 Transformar o índio em colono implicava em reconhece-
lhe a condição de pessoa, logo vê-lo como portador dos direitos 
naturais, situação esta incompatível com a condição de escravo. Por 
isso, o primeiro passo seria transformá-lo em homem livre, 
estabelecendo: 
 Proibições legais à sua escravização pelos colonos ou por quem 
quer que fossem; 
 O índio colono deveria estar isento da tutela das ordens 
religiosas; o novo responsável seria a Câmara. 
 Índios como trabalhadores assalariados. 
 Transformação das Aldeias em Vilas 
Todos esses fatores fizeram com que pombal formalizasse 
uma política indigenista para a Amazônia, estendida depois para todo 
o Brasil, que incorporava a preocupação de emancipar os indígenas 
reconhecendo-lhes os direitos pertinentes a cidadãos portugueses. 
No entanto esses itens anteriores pertencentes a Lei de 6 de junho 
de 1755, tornou-se letra morta no Grão- Pará e Maranhão, mesmo 
tento como governador o irmão do marques. As dificuldades 
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enfrentadas por essa lei fizeram com que Pombal institui-se o 
Regime do Diretório 
*Nota: A Amazônia Brasileira praticamente assumiu o contorno 
geográfico que apresenta hoje, pois só não foram integradas nesse 
período as regiões do Amapá, anexado em 1900 e do acre, 
incorporado em 1903. 
 
o O Regime do Diretório 1757-98 
(...) o regime de Diretório estabelecia que os diretores deveriam 
informar às autoridades superiores na capitania sobre as atividades 
comerciais e os contingentes populacionais presente no núcleo 
urbano sob sua dependência, com o objetivo de reunir informações 
que facilitassem o controle fiscal, militar e jurídico por parte da 
metrópole. 
O diretório representou a aplicação de uma nova política colonial 
pela metrópole, na medida em que reorientou o projeto colonial 
português no Brasil, com vistas a um melhor aproveitamento das 
suas potencialidades econômicas, em especial da região amazônica. 
 O objetivo era orientar a ação dos diretores nos 
aldeamentos, cujos atributos obrigatórios eram ser brancos e leigos 
ou laicos. A política colonial portuguesa paria do princípio de que os 
índios eram incapazes de se auto governar,o que os torna passiveis 
da tutela da autoridade colonial portuguesa, agora representada 
pelos diretores. Constituído de 95 artigos, o Diretório procurava criar 
mecanismos de transformação do índio em colono, determinando a 
introdução em cada aldeamento de “hum diretor, que nomeará o 
Governador, e Capitão general do Estado, o que deve ser dotado de 
bons costumes, zelo, prudência, verdade, ciência da língua, e de 
todos os mais requisitos necessários para poder dirigir com acerto os 
referidos índios .” 
Principais Normas do Regime de Diretório 
 A transformação da língua portuguesa na única falada pelos 
indígenas. 
 A integração dos índios na economia colonial, estimulando-os a 
realizar uma produção excedente. 
 A reforma dos costumes indígenas, através da imposição do uso de 
roupas, abandono da poligamia... 
 O estimulo ao casamento entre homens portugueses e mulheres 
indígenas, criação de mestiços. 
 A proibição da utilização do termo preto ou negro para os índios e 
entre os mesmos. 
 A fomentação entre os índios do aumento da produção, atividades 
comerciais, introdução das idéias de riqueza e opulência. 
 A obrigatoriedade da aposição, aos nomes com as quais os índios 
eram batizados, dos sobrenomes pertencentes a famílias 
portuguesas. 
 A intensificação da presença de homens brancos nos aldeamentos, 
integração étnica. 
 O estimulo à habitação em casa separadas. 
 A divisão do poder temporal e espiritual, na medida em que o 
diretor e à Câmara caberia gerir vilas e aldeias, e aos missionários a 
orientação espiritual da população. 
 Aumento da população das aldeias. 
 Armação de canoas destinadas a extração de drogas do sertão. 
 Supervisão de todas as transações comerciais e de todas as 
cobranças de dízimos. 
 
No que dizia respeito ao problema da mão-de-obra, Pombal 
criou a Companhia Geral de Comercio do Grão-Pará e Maranhão 
(1755-78), empresa constituída de capital público e privado, que 
concedeu o estanco (monopólio) do comércio com o Estado, em 
troca da regularização do tráfico negreiro para a região. 
 (Texto adaptado de José Alves Junior. O Projeto Pombalino para a 
Amazônia e a “Doutrina do Índio-Cidadão”). 
 
 MEDIDAS POMBALINAS: 
a) Incentivos estatais para a instalação de manufaturas na 
metrópole. 
b) 1755: criação da Capitania de São José do Rio Negro, hoje Estado 
do Amazonas. 
c) 1755: criação da Companhia de Comércio do Estado do Grão-Pará 
e Maranhão, estimulando as culturas do algodão, do arroz, do cacau, 
etc. e tentando resolver o problema da mão-de-obra escrava para a 
região. 
d) 1755: criação do Diretório Pombalino, órgão composto por homens 
de confiança do governo português, cuja função era gerir os antigos 
aldeamentos. 
e) 1759: criação da Companhia de Comércio de Pernambuco e 
Paraíba, com o objetivo de estimular o cultivo da cana-de-açúcar e do 
tabaco. 
f) 1759: extinção do sistema de capitanias hereditárias. 
g) 1759: expulsão dos jesuítas (inacianos) da Metrópole e da Colônia, 
confiscando-lhes os bens. 
h) 1762: criação da Derrama com a finalidade de obrigar os 
mineradores a pagar os impostos atrasados. 
i) 1763: transferência da capital da Colônia de Salvador para o Rio de 
Janeiro. 
 
 REBELIÕES COLONIAIS......... 
Antes da Inconfidência Mineira (1789) e da Conjuração 
Baiana (1798), que pleiteavam diretamente a emancipação do Brasil 
em relação a Portugal, outro tipo de movimento rebelde se fez 
presente na História brasileira. Estes são conhecidos na História 
como rebeliões nativistas, por expressarem um sentimento nativo 
contra a exploração metropolitana. Entretanto, não pleiteavam a 
independência da colônia, limitando-se a almejar um abrandamento 
da política opressiva da metrópole. As principais características dos 
Movimentos Nativistas foram: 
o Regionalismo e isolamento, localizando-se em âmbito 
geográfico restrito; 
o Contestação a alguns aspectos do sistema colonial 
(monopólio comercial, problemas de mão-de-obra, impostos 
altos, choques de interesses entre produção e circulação de 
mercadorias, etc.). Não chegaram a questionar a dominação 
colonial em si. 
o Movimentos espontâneos e desarticulados, sem base 
político-ideológica definida, o que facilitou seu rápido 
desmantelamento pela violenta repressão metropolitana. 
Entre os mais importantes movimentos nativistas, além da guerra 
contra o Quilombo de Palmares (Alagoas, 1694 a 1695) podemos 
citar: 
 
 A Revolta dos Irmãos Beckman – Maranhão – 1684. 
 No século XVII a situação dos colonos do Estado doMaranhão era bastante desfavorável, pois faltava-lhes recursos para 
organizar a produção e para a aquisição de mão-de-obra escrava. 
Por isso resolveram escravizar os índios, entrando em conflito com 
os jesuítas. 
Em 1682 foi criada a Companhia de Comércio do 
Maranhão, que passou a ter o monopólio do comércio com a região, 
se comprometendo a abastecê-la de mão-de-obra escrava e de 
fornecer produtos importados (monopólio, só ela podia trazer 
manufaturas da Europa), além de comprar a produção local (cacau, 
cravos, fumo etc.) para vender no mercado europeu. 
Entretanto os acordos não foram cumpridos, não trouxeram 
um número suficiente de escravos para as necessidades do 
mercado, o preço comprado por eles era muito alto. E ainda, existia 
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as fraudes feita pelos funcionários da Companhia na hora das 
medidas, que eram adulteradas. Tudo isso dificultou ainda mais a 
vida dos colonos maranhenses, o que gerou descontentamento, 
culminando numa revolta chefiada pelos irmãos Manuel (senhor de 
engenho) e Tomás Beckman. 
O movimento explodiu em 24 de fevereiro de 1684 e além 
de contestar o monopólio e os abusos da Companhia, saquearam 
seus armazéns, expulsaram os jesuítas e depuseram o governo 
local, organizando um governo provisório composto pelos líderes da 
revolta. 
Não receberam apoio das demais capitanias e foram 
duramente reprimidos pelas autoridades metropolitanas, sendo seus 
líderes presos. Muitos foram deportados e Manuel Beckman foi 
executado e Tomás foi condenado ao Desterro. 
Esta foi a primeira revolta organizada da colônia e, não 
tinha propósitos separatistas, mas apenas pretendia alterar a ação 
monopolista metropolitana. Um de seus objetivos acabou sendo 
alcançado, pois a Companhia de Comércio do Maranhão foi extinta. 
 
 A Guerra dos Emboabas - Minas - (1707 - 1709) 
 A descoberta de ouro em Minas Gerais provocou uma 
verdadeira "corrida do ouro", quando multidões de aventureiros de 
toda partes da colônia e também da metrópole se deslocaram para a 
região mineradora. Isso provocou a insatisfação dos paulistas e 
vicentinos, que, como descobridores das jazidas de ouro, se sentiam 
com direitos maiores sobre elas, ainda mais por que se encontravam 
em território da capitania de São Vicente. 
A chegada dos emboabas, como eram chamados os 
forasteiros, despertou a revolta dos paulistas. As rivalidades e a 
violência foram crescendo cada vez mais e, em 1707 dois paulistas 
foram linchados por emboabas. Os emboabas avançaram, passando 
a controlar as áreas mineradoras, ficando os paulistas restritos a 
região do rio das Mortes, em 1708. Manuel Nunes Viana, chefe 
emboaba, foi aclamado governador das Minas Gerais. 
Um dos fatos marcantes desta luta ficou conhecido como 
"Capão da Traição", quando muitos paulistas foram friamente 
assassinados, após terem se rendido. A região foi pacificada através 
da retirada dos paulistas, que passaram a buscar novas jazidas em 
Goiás e Mato Grosso. A Coroa portuguesa criou a Capitania Real de 
São Paulo e Minas e elevou Ribeirão do Carmo, Sabará e Vila Rica 
à condição de Vila. 
 
 A Guerra dos Mascates - Pernambuco - 1710 
 No século XVIII a rivalidade entre as cidades 
pernambucanas de Recife e Olinda tomavam dimensões cada vez 
maiores, expressando a contradição entre os interesses do setor 
produtor colonial (senhores de engenho), que controlava Olinda, e o 
setor mercantil-exportador (comerciantes portugueses), cujo centro 
era Recife. 
Olinda era uma vila, com Câmara Municipal e pelourinho, 
enquanto Recife não passava de uma "freguesia", dependente 
politicamente de Olinda. Entretanto, a crise açucareira provocou o 
crescente endividamento dos senhores de engenho (Olinda) para 
com os comerciantes de Recife, tornando-os cada vez mais 
dependentes economicamente. Esses eram também responsáveis 
pela cobrança dos impostos locais devidos à Coroa. 
Os comerciantes iam crescendo em prestígio e poder, pois, 
além de financiarem a produção açucareira, manipulavam os preços 
das mercadorias, pagando os menores preços possíveis pelo açúcar 
produzido. 
A tensão entre as duas cidades crescia e acabou 
explodindo quando a Coroa Portuguesa atendeu a reivindicação dos 
mascates (forma depreciativa com que eram chamados os 
comerciantes de Recife), elevando Recife à condição de vila, em 
1709. Tal medida deu direito de Recife executar as dívidas, em 
atraso, dos senhores de engenho de Olinda. Mas essa disputa de 
interesses adquiriu também um caráter nacionalista. Afinal, a 
aristocracia olindense era basicamente de origem brasileira, 
enquanto os mascates de Recife, em sua maior parte, eram 
imigrantes portugueses. 
Os fazendeiros de Olinda reagiram e invadiram 
Recife,Liderados pelo rico senhor de engenho Bernardo Vieira, os 
olindenses nomearam o Bispo de Olinda novo governador da 
Capitania destituindo seu governador, destruindo o pelourinho e 
exigindo o tabelamento do preço dos escravos, a quebra do 
monopólio comercial português, a garantia de suas terras, 
independente de suas dívidas. 
Os conflitos armados entre as duas vilas se arrastaram até 
1711, quando um novo governador, Félix de Mendonça, nomeado 
por Portugal mandou prender os principais envolvidos no conflito. A 
burguesia mercantil (mascates) recebe o apoio da Metrópole, e 
Recife mantém sua autonomia. E tornou-se politicamente e 
economicamente mais importante que Olinda. 
 
 A Revolta de Vila Rica - Minas Gerais - 1720 
 O controle metropolitano e a opressão fiscal sobre as áreas 
mineradoras sempre foram bastante rígidos, com o propósito de 
evitar o contrabando, garantindo assim a produção que a Coroa 
precisava para equilibrar sua balança comercial. 
Em 1720, Portugal decidiu apertar o cerco sobre os 
mineradores, criando as Casas de Fundição, por onde todo o ouro 
deveria passar para ser quintado, transformado em barras e selado. 
As casas de fundição localizavam-se em Vila Rica, Sabará, São João 
Del Rei e Vila do Príncipe. 
Como o ouro só podia ser comercializado em barras com o 
selo, o contrabando ficou mais difícil e os donos das minas passaram 
a ter menos lucros. Esse descontentamento levou os proprietários 
das lavras a armar a população de Vila Rica. Os protestos foram 
gerais, culminando numa revolta armada, sob a liderança do tropeiro 
Felipe dos Santos. Os revoltosos exigiam a extinção das Casas de 
Fundição e o perdão para os participantes da rebelião. Felipe dos 
Santos liderou uma marcha que partiu de Vila Rica em direção a 
Mariana, sede do governo da capitania. Planejavam executar o 
governador Conde de Assumar, para demonstrar que o movimento 
tinha pretensões radicais. 
O Conde de Assumar, governador da Capitania, após pedir 
algum tempo para analisar a questão, recebeu reforços e ordenou 
uma violenta repressão contra o movimento. Muitos foram 
degredados e Felipe dos Santos foi condenado a morte no "garrote" 
(uma estrutura de madeira com um colar de ferro, com uma rosca na 
altura da nuca) e esquartejado. Além do que foram mantidas as 
Casas de Fundição. 
 
 MOVIMENTOS EMANCIPACIONISTAS........ 
 
 A Inconfidência Mineira - 1789 
 O século XVIII foi caracterizado pelo brutal aumento da 
exploração portuguesa sobre sua colônia na América. Apesar de o 
Brasil sempre ter sido uma colônia de exploração, ou seja, ter servido 
aos interesses econômicos de Portugal, durante o século XVIII, a 
nação portuguesa conheceu uma maior decadência econômica, 
entendido principalmente pelos déficits crescentes frente a Inglaterra, 
levando-a a aumentar a exploração sobre suas áreas coloniais e 
utilizando para isso uma nova forma de organização do próprio 
Estado, influenciado pelo avanço das idéias iluministas, que 
convencionou-sechamar “Despotismo Esclarecido”. 
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Nesse sentido, a política pombalina para o Brasil, 
normalmente vista como mais racional, representou na prática uma 
exploração mais racional, com a organização das Companhias de 
Comércio monopolistas, que atuaram em diversas regiões do 
Brasil. 
Em Minas Gerais, especificamente, que se constituía na 
mais importante região aurífera e diamantífera brasileira, o peso da 
espoliação lusitana se fazia sentir com maior intensidade. Vejamos 
outros pontos que provocaram o movimento: 
 Esgotamento das jazidas. 
 A ameaça da derrama. (a cobrança da diferença em relação à 
aquilo que deveria ter sido pago). 
 Dificuldades dos mineradores em importar produtos essenciais 
como ferro, aço e mesmo escravos, produtos esses que tinham seus 
preços elevados constantemente. 
 “Alvará de proibição Industrial” baixado em 1785 por D. Maria I, 
a louca, que proibia a existência de manufaturas no Brasil. 
 
 Cunha Menezes, que governou a Capitania entre 1783 e 
1785, contribuiu para agravar ainda mais a indisposição dos 
mineradores com a Coroa. A corrupção, os abusos administrativos, a 
violência das tropas contra os colonos generalizaram-se durante o 
seu governo. 
O Projeto dos Inconfidentes 
 A Mudança da capital para São João Del Rel. 
 A fundação de uma Universidade em Vila Rica. 
 Abertura de fábricas de tecidos, ferro e pólvora. 
 Organização de milícias populares para defender a nova 
República. 
 Criação de uma Casa da Moeda. 
 Aumento do valor monetário do ouro. 
 Liberação da circulação dos diamantes. 
 
o - Os Inconfidentes 
A Inconfidência Mineira na verdade não passou de uma 
conspiração, onde os principais protagonistas eram elementos da 
elite colonial, homens ligados à exploração aurífera, à produção 
agrícola ou a criação de animais, sendo que vários deles estudaram 
na Europa e que organizavam o movimento exatamente em oposição 
às determinações do pacto colonial, enrijecidas no século XVIII. 
 
Esses homens tinham interesses diferentes. Alguns, os mazombos 
(nascido no Brasil), acreditavam firmemente na importância da 
liberdade. Dentre eles – Inácio José de Alvarenga, fazendeiro, 
minerador e coronel do Regimento de Cavalaria; o padre Carlos 
Correia de Toledo, vigário da paróquia de Santo Antonio em São 
João Del Rei, homem muito rico, proprietário de várias fazendas e 
lavras; o Padre Rolim, minerador de diamantes, o mais rico de todos 
os inconfidentes. 
(Vanise Ribeiro e Carla Anastácia. Encontros coma História.). 
 
Além destes, encontramos ainda alguns indivíduos de uma 
camada intermediária, como o próprio Tiradentes, filho de um 
pequeno proprietário e que, após dedicar-se a várias atividades, 
seguiu a carreira militar. 
Essa situação social explica a posição dos inconfidentes 
em relação à escravidão, de fato, a maior parte dos membros das 
conspirações se opunha a abolição da escravidão, enquanto poucos, 
incluindo Tiradentes, defendiam a libertação dos escravos. 
 As idéias liberais no Brasil tinham seus limites bem definidos, 
na verdade a liberdade era vista a partir do interesse de uma minoria, 
como a necessidade de ruptura dos laços com a metrópole, porém, 
sem que rompessem as estruturas socioeconômicas. Mesmo do 
ponto de vista político, a liberdade possuía limites. 
 
o O Movimento 
O movimento conspiratório tornou-se maior após a chegada 
do Visconde de Barbacena, nomeado novo Governador da 
Capitania de Minas Gerais e incumbido de executar uma nova 
derrama, já tinha ocorrido duas, prevista para fevereiro de 1789, dia 
que deveria explodir a revolta. De setembro de 1788 em diante, as 
reuniões tornaram intensas, onde eram alimentadas várias 
discussões sobre temas variados e o entusiasmo exagerado 
contrastava com a falta de organização militar para a execução da 
independência. 
Tiradentes e outros membros da conspiração procuravam 
garantir o apoio dos proprietários rurais, levando suas propostas de 
“revolução” a todos que, de alguma forma, pudessem apoiar. 
A senha para o início do movimento era: “tal dia é o dia do 
batizado”, nesse dia Tiradentes iria à casa de campo do Visconde de 
Barbacena, localizada em Cachoeira, a 20 km de Ouro Preto, e 
prenderia o Governador e sua família. O Visconde seria morto e sua 
cabeça cortada. 
 Quando Tiradentes voltasse a Vila Rica e anunciasse a 
morte do Governador, o povo, em festa, sairia às ruas e daria “vivas à 
liberdade”. Seria, então, instalada uma Junta Provisória para 
governar a Capitania e publicada uma Declaração de 
Independência de Minas Gerais. Os inconfidentes contavam com o 
apoio da população do Rio de Janeiro e esperavam que as demais 
capitanias também proclamassem a sua independência. 
No entanto tudo ficou nas idéias, um os mineradores 
contatados foi o coronel Joaquim Silvério dos Reis (Contratador 
português) que, a princípio aderiu ao movimento, pois como a maioria 
da elite, era um devedor de impostos, no entanto, com medo de ser 
envolvido diretamente, resolveu delatar a conspiração. 
Em 15 de março de 1789 encontrou-se com o governador, 
Visconde de Barbacena e formalizou por escrito a denúncia de 
conspiração. Muito sabiamente Barbacena suspendeu a Derrama e 
com o apoio das autoridades portuguesas instaladas no Rio de 
Janeiro, iniciou-se uma seqüência de prisões, sendo Tiradentes um 
dos primeiros a ser feito prisioneiro. Tiradentes sempre negou a 
existência de um movimento de conspiração, porém, após vários 
depoimentos que o incriminava, na quarta audiência, no início de 
1790, admitiu não só a existência do movimento, como sua posição 
de líder. 
 A devassa (inquérito policial) promoveu a acusação de 34 
pessoas, todos foram interrogados inclusive Tiradentes. Tiveram 
suas sentenças definidas em 19 de abril de 1792, com onze dos 
acusados condenados a morte: Tiradentes, Francisco de Paula Freire 
de Andrade, José Resende da Costa (pai), José Resende da Costa 
(filho) e Domingos de Abreu Vieira, entre outros. 
Desses, apenas Tiradentes foi executado, os demais tiveram a 
pena comutada para degredo perpétuo por D. Maria I. O Alferes foi 
executado em 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro no Largo da 
Lampadosa, esquartejado, sendo as partes de seu corpo foram 
expostas em Minas como advertência a novas tentativas de rebelião. 
 
 Conjuração Baiana (Alfaiates) -1798 
 Em agosto de 1798 começam a aparecer nas portas de 
igrejas e casas da Bahia, panfletos que pregavam um levante geral e 
a instalação de um governo democrático, livre e independente do 
poder metropolitano. Quase que os mesmos ideais de República, 
liberdade e igualdade que estiveram presentes na Inconfidência 
Mineira, agitavam agora a Bahia. 
 
As inflamadas discussões na “Academia dos Renascidos” 
resultarão na Conjuração Baiana em 1798. Esse movimento, também 
chamado de Revolta dos Alfaiates foi uma conspiração de caráter 
emancipacionistas, articulada por pequenos comerciantes e 
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artesãos, destacando-se os alfaiates, além de soldados, religiosos, 
intelectuais, e setores populares. 
 Se a singularidade da Inconfidência de Tiradentes está em 
seu sentido pioneiro, já que apesar de todos seus limites, foi o 
primeiro movimento social de caráter republicano em nossa história, 
a Conjuração Baiana, mais ampla em sua composição social, 
apresenta o componente popular que irá direcioná-la para uma 
proposta também mais ampla, incluindo a abolição da escravatura. 
Eis aí a singularidade da Conjuração Baiana, que também é pioneira, 
por apresentar pela primeira vez em nossa história elementos das 
camadas popularesarticulados para conquista de uma república 
abolicionista. 
 
o Antecedentes 
 A segunda metade do século XVIII é marcada por 
profundas transformações na história, que assinalam a crise do 
Antigo Regime europeu e de seu desdobramento na América, o 
Antigo Sistema Colonial. 
 No Brasil, os princípios iluministas e a independência dos 
Estados Unidos, já tinham influenciado a Inconfidência Mineira em 
1789. Os ideais de liberdade e igualdade se contrastavam com a 
precária condição de vida do povo, sendo que, a elevada carga 
tributária e a escassez de alimentos, tornavam ainda mais grave o 
quadro sócio-econômico do Brasil. 
Este contexto será responsável por uma série de motins e 
ações extremadas dos setores mais pobres da população baiana, 
que em 1798 promoveram vários saques em estabelecimentos 
comerciais portugueses de Salvador. 
 Nessa conjuntura de crise, foi fundada em Salvador a 
“Academia dos Renascidos”, uma associação literária que discutia os 
ideais do iluminismo e os problemas sociais que afetavam a 
população. Essa associação tinha sido criada pela loja maçônica 
“Cavaleiros da Luz”, da qual participavam nomes ilustres da região, 
como o doutor Cipriano Barata e o professor Francisco Muniz 
Barreto, entre outros. 
 
o A Conjuração 
Entre as lideranças do movimento, destacaram-se os 
alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos 
Santos Lira (18 anos), além dos soldados Lucas Dantas e Luiz 
Gonzaga das Virgens, todos mulatos. Outro destaque desse 
movimento foi a participação de mulheres negras, como as forras 
Ana Romana e Domingas Maria do Nascimento. 
Em Salvador os revolucionários Luiz Gonzaga das Virgens 
e Lucas Dantas iniciaram a panfletagem como forma de obter mais 
apoio popular e incitar à rebelião. Os panfletos difundiam pequenos 
textos e palavras de ordem, com base naquilo que as autoridades 
coloniais chamavam de “abomináveis princípios franceses”. 
A Revolta dos Alfaiates foi fortemente influenciada pela fase 
popular da Revolução Francesa, quando os jacobinos liderados por 
Robespierre conseguiram, apesar da ditadura política, importantes 
avanços sociais em benefício das camadas populares, como o 
sufrágio universal, ensino gratuito e abolição da escravidão nas 
colônias francesas. Essas conquistas, principalmente essa última 
influenciaram outros movimentos de independência na América 
Latina, destacando-se a luta por uma República abolicionista no 
Haiti e em São Domingos, acompanhada de liberdade no comércio, 
do fim dos privilégios políticos e sociais, da punição aos membros do 
clero contrários à liberdade e do aumento do soldo dos militares. 
A violenta repressão metropolitana conseguiu deter o 
movimento, que apenas iniciava-se, detendo e torturando os 
primeiros suspeitos. Governava a Bahia nessa época (1788-1801) D. 
Fernando José de Portugal e Castro, que encarregou o coronel 
Alexandre Teotônio de Souza de surpreender os revoltosos. 
Com as delações, os principais líderes foram presos e o 
movimento, que não chegou a se concretizar, foi totalmente 
desarticulado. Após o processo de julgamento, os mais pobres como 
Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento e os 
mulatos Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas foram 
condenados à morte por enforcamento, sendo executados no Largo 
da Piedade a 8 de novembro de 1798. 
 Outros, como Cipriano Barata, o tenente Hernógenes 
d‟Aguilar e o professor Francisco Muniz foram absolvidos. Os pobres 
Inácio da Silva Pimentel, Romão Pinheiro, José Félix, Inácio Pires, 
Manuel José e Luiz de França Pires, foram acusados de 
envolvimento “grave”, recebendo pena de prisão perpétua ou 
degredo na África. Já os elementos pertencentes à loja maçônica 
“Cavaleiros da Luz” foram absolvidos deixando clara que a pena pela 
condenação, correspondia à condição sócio-econômica e à origem 
racial dos condenados. 
A extrema dureza na condenação aos mais pobres, que 
eram negros e mulatos, é atribuída ao temor de que se repetissem no 
Brasil as rebeliões de negros e mulatos que, na mesma época, 
atingiam as Antilhas. 
 
______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 06_________ 
 
1.(Essa-09) O responsável pela transferência da capital do Brasil de 
Salvador para o Rio de Janeiro em 1763, foi: 
a) D. João VI. 
b) D.Pedro I. 
c) Marquês de Pombal. 
d) D. Manuel. 
e) Visconde de Barbacena. 
 
2. Em 1750, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, 
tornou-se primeiro ministro português e procurou dinamizar a 
administração colonial. Dentre as medidas por ele adotadas, destacam-
se: 
A) O controle do ensino e da política de aldeamento entregue às 
ordens religiosas. 
B) A extinção do Estado do Grão-Pará Maranhão, por ser o 
centralismo a tônica de sua administração. 
C) A reforma e a ampliação da justiça, possibilitando, assim, o 
acesso da elite colonial aos cargos administrativos e fiscais. 
D) A expulsão dos Jesuítas da colônia, favorecendo os povos 
indígenas, que passaram a ter maior autonomia sobre os 
aldeamentos. 
E) A retomada do controle dos mecanismos comerciais e fiscais do 
mundo colonial por parte da metrópole, o que resultou em autonomia 
para as companhias de comércio. 
 
3. (Essa-09)O episódio conhecido como “Capão da Traição” ocorreu 
na História do Brasil durante a: 
a) Rebelião de Beckman. 
b) Revolta dos Malês. 
c) Guerra dos Mascates. 
d) Revolta de Felipe dos Santos. 
e) Guerra dos Emboabas. 
 
4. (EsSa) Os movimentos nativistas no Brasil – colônia fizeram com 
que surgissem um sentimento nacional a medida em que os conflitos 
com a metrópole portuguesa foram se agravando o primeiro 
movimento que caracterizou bem esse sentimento nacional foi o (a): 
a) Insurreição Pernambucana. 
b) Guerra dos Mascates. 
c) Revolta de Vila Rica. 
d) Inconfidência Mineira. 
e) Conjuração Baiana. 
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5.“O fator econômico foi muito importante, mas existiram outros que 
provocaram o movimento: esgotamento das jazidas, a ameaça da 
derrama, dificuldades importar produtos essenciais como ferro, aço e 
mesmo escravos, produtos esses que tinham seus preços elevados 
constantemente e “Alvará de proibição Industrial” baixado em 1785 
por D. Maria I, a louca, que proibia a existência de manufaturas no 
Brasil”. O texto refere-se a que movimento: 
a) Conjuração baiana. 
b) Inconfidência mineira. 
c)Sabinada. 
d) Cabanagem. 
e) Balaiada. 
 
6. (EsSa-05) A história do Brasil é apontada por inúmeros conflitos e 
disputas ao longo de mais de 500 anos. Sob esse aspecto, é correto 
afirmar que a: 
a) Guerra dos Mascates eclodiu entre comerciantes portugueses e 
brasileiros ligados à cana-de-açúcar na Região de São Paulo no 
início do século XVIII. 
b) Guerra dos Emboabas aconteceu entre os habitantes de Olinda e 
Recife no início do século XVIII. 
c) Revolta do Contestado opôs os bandeirantes paulistas aos índios 
das reduções jesuíticas na Região Sul. 
d) Revolta de Felipe dos Santos foi causada, entre outros motivos, 
pelos altos impostos cobrados pelo governo português. 
e) Guerra da Tríplice Aliança ocorreu entre a Argentina, o Brasil e o 
Paraguai contra o Uruguai. 
 
7. (Essa-14) As lutas do período colonial são divididas em Revoltas 
Nativistas e Revoltas emancipacionistas. Entre essas últimas 
podemos incluir a 
A) Revolta de Vila Rica. 
B) Revolta de Palmares. 
C) Revolta dos Alfaiates. 
D) Revolta dos Mascates. 
E) Revolta de Amador Bueno. 
 
8. (ESSA-13) A respeito da Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil 
Colônia em 1789, pode ser afirmado com correção que 
A) a extinção da escravidão no Brasil era defendida pelo movimento 
inconfidente. 
B) entre os projetos dos inconfidentes estava o fechamento dos 
engenhos e minas. 
C) a coroa portuguesa propôs a anistia detodos os revoltosos e o 
perdão das dívidas em troca da rendição incondicional dos 
inconfidentes. 
D) a rebelião foi desencadeada em um contexto marcado pela 
diminuição da produção aurífera e o aumento da cobrança de 
impostos. 
E) as lideranças do movimento defendiam a extinção da propriedade 
privada. 
9. (RS-17) Revolta contra a Companhia de Comércio, que detinha o 
monopólio do comércio com a região, também expulsaram os 
jesuítas e depuseram o governo local. 
 O texto acima trata: 
a) Guerra dos Emboabas. 
b) Inconfidência Mineira. 
c) Revolta dos irmãos Beckman. 
d) Revolta dos mascates. 
e) Conjuração Baiana. 
 
10. (RS-17) “Manuel Faustino é um dos brasileiros que mais lutou 
pelo fim da escravidão, mas não goza da mesma fama no imaginário 
popular que seu colega mineiro Tiradentes”. 
 O texto acima trata principalmente de um dos líderes da: 
a) Insurreição Pernambucana. 
b) Guerra dos Mascates. 
c) Conjuração dos Alfaiates. 
d) Revolta do forte Copacabana. 
e) Inconfidência Mineira. 
 
 
 A TRANSFERÊNCIA DA CORTE E AS 
PRINCIPAIS MEDIDAS DE D. JOÃO VI............... 
 
 Chegada da Família Real no Brasil 
No início do século XIX Napoleão Bonaparte era imperador 
da França. Ele queria conquistar toda a Europa e para tanto derrotou 
os exércitos de vários países. Mas não conseguiu vencer a marinha 
inglesa. Para enfrentar a Inglaterra, Napoleão proibiu todos os países 
europeus de comercializar com os ingleses. Foi o chamado Bloqueio 
Continental. 
Nessa época, Portugal era governado pelo príncipe regente 
Dom João. Como Portugal era um antigo aliado da Inglaterra, Dom 
João ficou numa situação muito difícil: se fizesse o que Napoleão 
queria, os ingleses “invadiriam” o Brasil, pois estavam muitos 
interessados no comércio brasileiro; se não o fizesse, os franceses 
invadiriam Portugal. 
A solução que Dom João encontrou, com a ajuda dos 
aliados ingleses, foi transferir a corte portuguesa para o Brasil. Em 
novembro de 1807 Dom João com toda a sua família e sua corte 
partiram para o Brasil sob a escolta da esquadra inglesa. 15 mil 
pessoas vieram para o Brasil em quatorze navios trazendo suas 
riquezas, documentos, bibliotecas, coleções de arte e tudo que deu 
para trazer. 
Quando o exército de Napoleão chegou a Lisboa, só 
encontrou um reino abandonado e pobre. O príncipe regente 
desembarcou em Salvador em 22 de janeiro de 1808. Ainda em 
Salvador Dom João abriu os portos do Brasil aos países amigos, 
permitindo que navios estrangeiros comerciassem livremente nos 
portos brasileiros. 
Essa medida foi de grande importância para a economia 
brasileira. De Salvador, a comitiva partiu para o Rio de Janeiro, 
aonde chegou em 08 de março de 1808. O Rio de Janeiro tornou-se 
a sede da corte Portuguesa. Com a chegada da Família Real ao 
Brasil, novos tempos para a colônia. 
 
A vinda da Corte com o enraizamento do estado português no 
Centro-Sul daria início à transformação a colônia em metrópole 
interiorizada. Seria esta a única solução aceitável paras classes 
dominantes em meio a insegurança que lhes inspiravam as 
contradições do constitucionalismo português e pela fermentação 
generalizada do mundo inteiro na época, (...) 
(Carlos Guilherme Mota. A Interiorização da Metrópole. In: 1822 
Dimensões.) 
 
Com a instalação da corte no Brasil, o Rio de Janeiro 
tornou-se a sede do império português e Dom João teve de organizar 
toda a administração brasileira. Criou três ministérios: o da Guerra e 
Estrangeiros, o da Marinha e o da Fazenda e Interior; instalou 
também os serviços auxiliares e indispensáveis ao funcionamento do 
governo, entre os quais: 
 O Banco do Brasil, 
 A Casa da Moeda, 
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 A Junta Geral do Comércio e a Casa da Suplicação (Supremo 
Tribunal), 
A 17 de dezembro de 1815 o Brasil foi elevado a Reino e 
as capitanias passaram em 1821 a chamar-se províncias. Em 1818 
com a morte da rainha D. Maria I, a quem Dom João substituía, deu-
se no Rio de Janeiro a proclamação e a coroação do Príncipe 
Regente, que recebeu o título de Dom João VI. 
 
 As Mudanças Econômicas no Brasil 
Depois da chegada da família real duas medidas de Dom João 
deram rápido impulso à economia brasileira: a abertura dos portos 
(1808) e a permissão de montar indústrias (1808) que haviam sido 
proibidas por Portugal anteriormente. 
Abriram-se fábricas, manufaturas de tecidos começaram a surgir, 
mas não progrediram por causa da concorrência dos tecidos 
ingleses. Bom resultado teve, porém, a produção de ferro com a 
criação da Usina de Ipanema nas províncias de São Paulo e Minas 
Gerais. 
Outras medidas de Dom João estimularam as atividades econômicas 
do Brasil como: 
- Construção de estradas; 
- Os portos foram melhorados. Foram introduzidas no país novas 
espécies vegetais, como o chá; 
- Promoveu a vinda de colonos europeus. 
Tratado de Comércio e Navegação (1810), que ia de 
encontro aos interesses econômicos de Portugal e do Brasil, além de 
humilhar politicamente os portugueses. Entre suas determinações, 
podem ser destacados: 
o Concessão aos ingleses de um porto livre na Ilha de Santa 
Catarina; 
o Liberdade religiosa dos britânicos que viviam no Brasil e sua 
extraterritorialidade, deixando os ingleses de se submeterem às 
leis portuguesas; 
o Abolição gradativa do tráfico negreiro entre Brasil e África; 
o As mercadorias inglesas exportadas para o Brasil passaram a 
pagar taxas de apenas 15%, as portuguesas 16% e as de outras 
nações 24%. 
 
A produção agrícola voltou a crescer. O açúcar e do 
algodão, passaram a ser primeiro e segundo lugar nas exportações, 
no início do século XIX. Neste período surgiu o café, novo produto, 
que logo passou do terceiro lugar para o primeiro lugar nas 
exportações brasileiras. 
 
o Medidas de Incentivo a Cultura. 
Além das mudanças comerciais, a chegada da família real ao 
Brasil também causou um reboliço cultural e educacional. Nessa 
época, foram criadas escolas como: 
 A Academia Real Militar; 
 A Academia da Marinha; 
 A Escola de Comércio; 
 A Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios; 
 A Academia de Belas-Artes; 
 Dois Colégios de Medicina e Cirurgia, um no Rio de Janeiro 
e outro em Salvador; 
 O Museu Nacional; 
 O Observatório Astronômico; 
 A Biblioteca Real, cujo acervo era composto por muitos 
livros e documentos trazidos de Portugal. 
 
Também foi inaugurado o Real Teatro de São João e o Jardim 
Botânico. Uma atitude muito importante de dom João foi a criação da 
Imprensa Régia. Ela editou obras de vários escritores e traduções de 
obras científicas. Foi um período de grande progresso e 
desenvolvimento. Além disso, providenciou a vinda de uma missão 
de artistas franceses. 
 
 Insurreição Pernambucana- 1817. 
A presença maciça de portugueses na colônia, a partir de 
1808, e a grande quantidade de regalias por eles conquistadas em 
detrimento dos homens da terra serão alguns dos motivos da 
insurreição de 1817. Se para os reinóis sobravam privilégios, para a 
“nobreza” da terra, longe dos benefícios da corte, sobravam apenas 
cobranças e imposições. 
Somou-se a tal situação uma recessão da economia local 
devido ás flutuações dos preços do algodão e do açúcar, os 
principais produtos da região, alem da queda da produção em 
decorrência da seca que assolava o nordeste desde 1816. Em contra 
partida, os comerciantes portugueses continuavam a controlar as 
atividades de importação e exportação, provocando o endividamento 
e a dependência progressiva dos grandes proprietários. 
Essa conjuntura criou um quadro de tensão e indignação na 
aristocracia agrária e entre os homens livres pobres. Por fim, a 
difusão do reformismo ilustrado português, principalmente entreos 
membros do clero, combinado com um forte sentimento antilusitano, 
fez eclodir o movimento em março de 1817, que se propagou para 
outras áreas nordestinas. 
O movimento, de caráter separatista, proclamou uma 
República e organizou um Governo Provisório responsável pela 
elaboração de uma Lei Orgânica, a qual teve como principio a 
liberdade de consciência, de imprensa e de culto. 
Enquanto a euforia revolucionária dominava Recife, 
organizava-se a repressão na Bahia e no Rio de Janeiro. Uma série 
de confrontos ocorreu entre os sublevados e as forças oficiais, até 
que em maio de 1817 terminou a resistência dos insurretos. As 
punições foram rigorosas, com muitas prisões e execuções. 
 
 Volta da Família Real 
Tanto movimento por aqui provocou a indignação do outro 
lado do Atlântico. Afinal, o Brasil deixara de ser uma simples colônia. 
Nosso país tinha sido elevado à condição de Reino Unido a Portugal 
e Algarves. 
Quer dizer, enquanto a família real esteve por aqui, a sede 
do reino foi o Rio de Janeiro, que recebeu muitas melhorias. 
Enquanto isso, em Portugal, o povo estava empobrecido com a 
guerra contra Napoleão e o comércio bastante prejudicado com a 
abertura dos portos brasileiros. 
Em 24 de agosto de 1820 a cidade do Porto se sublevava. 
Constituíram-se as Cortes exigindo a promulgação de uma 
Constituição nos moldes da Constituição espanhola. Reclamava-se, 
por outro lado, a volta de D. João VI a Portugal. 
Os acontecimentos repercutiram no Brasil, onde as 
adesões à revolução constitucionalista do Porto se multiplicaram. 
Portugueses e brasileiros comerciantes e fazendeiros, funcionários 
da Coroa e militares aderiram à revolução pelos mais diversos e 
contraditórios motivos. (...) comerciantes e militares portugueses 
identificados com os interesses metropolitanos apoiavam a revolução 
na esperança restabelecer o Pacto Colonial. 
As contradições entre o interesse dos grupos 
metropolitanos e colônias permanência subjacente mas não tardaria 
muito a se manifestar. Realizada em nome dos princípios liberais, 
insurgindo-se contra o absolutismo real, manifestando-se em favor da 
forma constitucional de governo, a revolução assumiria em Portugal 
um sentido antiliberal, na medida em que um de seus principais 
objetivos era destruir as concessões liberais por D. João VI ao Brasil. 
Nos meses que seguiram à revolução do Porto 
constituíram-se nas várias províncias brasileiras Juntas Governativas 
Provisórias. No Rio de Janeiro, a 20 de fevereiro de 1821, diante da 
ambigüidade de D. João VI e de sua relutância em atender às 
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solicitações das Cortes Portuguesas, houve um pronunciamento 
militar acompanhado de manifestações de rua, culminando no 
compromisso assumido por D. João VI de aceitar e fazer cumprir a 
Constituição que as Cortes viessem a voltar. 
Dom João VI decidiu-se enfim, muito a contragosto a voltar 
a Portugal, onde sabia esperá-lo uma Assembléia hostil a 
reivindicadora. Partiu a 26 de abril de 1821. 
Deixou, contudo, seu filho dom Pedro como regente do 
Brasil. Assim, agradava aos portugueses e aos brasileiros que 
tinham lucrado com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, 
especialmente com a abertura dos portos. 
 
______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 07__________ 
 
1. (EsSa)Em 1808, D. João VI decretou a abertura dos portos 
brasileiros as nações amigas. Tal medida: 
a) fortaleceu os laços comerciais entre Brasil e Portugal. 
b) acabou o monopólio português sobre o Brasil. 
d) determinou a decadência da economia açucareira. 
e) determinou o reatamento de relações diplomáticas entre França e 
Portugal. 
 
2. (ESSA-14) O Alvará de 1º de abril de 1808 revogou o Alvará de 
1785 de D. Maria I, que proibia a manufatura na colônia. O Brasil 
estava autorizado a desenvolver manufaturas. Contudo havia dois 
fatores que se tornaram um obstáculo ao desenvolvimento da 
indústria brasileira, os quais eram o/a (os/as) 
A) escravidão e concorrência inglesa. 
B) interesses dos cafeicultores e pecuaristas. 
C) interesses dos mineradores e dos produtores de açúcar. 
D) concorrência holandesa e os interesses dos cafeicultores. 
E) concorrência dos EUA e interesses dos produtores de café. 
 
3. (EsSa) Sobre a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil em 
1808, podemos afirmar que: 
a) O apoio inglês foi retribuído através do decreto de abertura dos 
Portos as Nações Amigas. 
b) D. João VI transformou a cidade de Salvador na nova capital do 
Império Português. 
c) Contou com auxilio da marinha francesa, que protegeu a esquadra 
portuguesa contra os ingleses. 
d) A população portuguesa apoio a saída de seus governantes 
ameaçados de captura pelas tropas francesas. 
e) A marinha inglesa perseguiu os navios portugueses até o litoral 
brasileiro. 
 
4.(EsSa) A transferência da família real para o Brasil e a 
conseqüente assinatura dos tratados de 1810 com a Inglaterra 
ocasionaram, de imediato a (o): 
a) A expansão da lavoura cafeeira. 
b) Dominação dos holandeses no nordeste. 
c) predomínio inglês no comércio brasileiro. 
d) Término do bloqueio continental. 
 
5. (Essa-07) No dia 22 de janeiro de 1808, D. João chegou à Bahia. 
Seis dias depois, cumpriu o que havia prometido aos ingleses ao: 
a) Elevar o Brasil a categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. 
b) decretar o Tratado de Tordesilhas. 
c) Permitir a indústria no Brasil. 
d) Decretar o Bloqueio Continental contra a França. 
e) Decretar a abertura dos portos brasileiros às nações amigas. 
 
6. (ESSA-13) A política externa de D. João VI, quando imperador do 
Brasil, determinou que se realizassem ações militares em territórios 
vizinhos ao Brasil. Esses territórios foram a 
A) Guiana Francesa e a França Antártica. 
B) Guiana Inglesa e a Província Cisplatina. 
C) Guiana Francesa e a Província Cisplatina. 
D) Guiana Inglesa e a França Antártica. 
E) Guiana Francesa e a Guiana Inglesa. 
7. (ESSA-15) Em 1815, o Brasil foi elevado à categoria de Reino 
Unido a Portugal e Algarves. Na prática: 
A) foi a causa da Inconfidência Mineira. 
B) nada significou para o Brasil. 
C) provocou enorme satisfação em Portugal. 
D) o Brasil volta à condição de colônia. 
E) o Brasil adquiria autonomia administrativa. 
8. (RS-17) Muito pouco é falado sobre a revolta que durou pouco 
mais de dois meses, lutou contra os desmandos de D. João VI e os 
privilégios dados a elite lusitana. Este movimento foi a: 
a) Insurreição Pernambucana- 1817 
b) Revolução do Porto – 1820. 
c) Revolta dos Marinheiros – 1808. 
d) Luta conta Napoleão Bonaparte – 18010. 
e) Conjuração Mineira. 
 
9. (RS-17) Uma das primeiras medidas de D. João VI foi a permissão 
de instalação de indústrias na colônia, isto porque tinha como 
objetivo: 
a) promover o fim das disparidades econômicas regionais. 
b) fortalecer os laços de dependência financeira com as companhias 
inglesas. 
c) iniciar o processo de independência do Brasil. 
d) romper as relações diplomáticas e econômicas com a Inglaterra. 
e) incentivar a produção interna e diminuir a dependência a 
Inglaterra. 
 
 
10. (FGV) A instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro, em 
1808, representou uma alternativa para um contexto de crise política 
na Metrópole e a possibilidade de implementar as bases para a 
formação de um império luso-brasileiro na América. 
 Das alternativas abaixo, assinale aquela que NÃO diz 
respeito ao período joanino. 
a) Ocupação da Guiana Francesa e da Província Cisplatina e sua 
incorporação ao Império Português, como resultado da política 
externa agressiva adotada por D. João. 
b) Abertura dos portos da Colônia às nações aliadas de Portugal, 
como a Inglaterra, dando início a uma fase de livre-comércio. 
c) Ocorreu uma inversão da relaçãoentre metrópole e colônia, já que 
a sede política do império passava do centro para a periferia. 
d) Atendeu às exigências do comércio britânico, que conseguiu 
isenções alfandegárias. 
e) Ocorreu a Revolução Pernambucana de 1817, que defendia o 
separatismo com o governo republicano e a manutenção da 
escravidão. 
 
 PARTIDOS POLÍTICOS, REVOLTAS E A 
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL........................ 
 
 Composição Política. 
 
 “Partido Português”: era composto por alta burocracia, 
comerciantes e militares portugueses que apoiavam a 
recolonização do Brasil, possibilitando a recuperação de antigos 
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privilégios e monopólios. Defendiam o retorno de D. João VI ao 
Brasil 
 “Partido Brasileiro”: era integrado pelos proprietários rurais, 
comerciantes brasileiros e burocratas que queriam a manutenção 
das medidas joaninas, particularmente a abertura dos portos e a 
autonomia administrativa. Era formado por homens de diferentes 
posições políticas – como José Bonifacio, Cipriano Barata e 
Gonçalves Ledo – mas que se uniram momentaneamente para 
enfrentar as Cortes. 
 Esses dois grupos, que representavam facções da elite 
colonial, tinham um ponto em comum: ambos defendiam a 
manutenção da escravidão e da estrutura colonial de produção. 
 “Liberais Radicais”: também chamados de “democratas”, 
propunham a separação definitiva do Brasil e a implementação 
da república, e havia até alguns que defendiam o fim da 
escravidão. Os adeptos desse grupo eram pessoas das camadas 
médias urbanas e os proprietários de terras nordestinos que 
estavam insatisfeitos com o domínio político do sudeste e 
defendiam a autonomia provincial (federalismo). 
 Ao longo dos acontecimentos que resultaram na 
Independência, definiram-se com alguma clareza as correntes 
conservadoras e radicais do “partido Brasileiro”. Convém esclarecer 
o significado dessas expressões, pois ele varia de acordo com a 
situação histórica que estejamos considerando. 
 No quadro dos anos imediatamente anteriores a 
Independência, a corrente conservadora defendia, em principio, a 
maior autonomia do Brasil com relação a Portugal, assumindo só em 
um segundo momento a ideia de Independência. A forma de governo 
desejável, segundo os Conservadores, era a monarquia 
constitucional, como garantia da ordem e da estabilidade social. É 
mais difícil definir a corrente radical, pois nela se incluíam dede 
monarquistas preocupados em assegurar maior representação 
popular e as liberdades, especialmente a de imprensa, até os 
chamados “extremados”, para os quais a independência se associava 
a ideia de República, de voto popular e, em alguns casos, de reforma 
da sociedade. 
 Um exemplo concreto das divisões se encontra na 
discussão sobre a conveniência de se eleger no Brasil uma 
Assembleia Constituinte e sobre a forma de se proceder a eleição 
que deveria ocorrer na primeira metade de 1822. José Bonifacio e 
todo um grupo eram contraditórios a convocação, enquanto homens 
como Gonçalves Ledo, Muniz Barreto José Clemente Pereira, Martim 
Francisco manifestavam-se a favor. (Boris Fausto. Historia do Brasil. 
edusp) 
 
 
 Dom Pedro Fica 
A situação do Brasil permaneceu indefinida durante o ano 
de 1821. No final desse ano, um fato novo redefiniu a situação: 
chegaram ao Rio de Janeiro decretos da corte que exigiam a 
completa obediência do Brasil às ordens vindas da metrópole. No dia 
9 de dezembro de 1821, o governo brasileiro voltou a ser dependente 
de Portugal. 
Dom Pedro recebeu ordens para voltar a Portugal, mas o 
Partido Brasileiro, grupo formado por grandes fazendeiros, 
comerciantes e altos funcionários públicos, o convenceu a ficar. O 
regente recebeu listas com assinaturas de cerca de 8.000 pessoas 
pedindo que ele permanecesse no país. 
Em 9 de janeiro de 1822, apoiado pelas províncias do Rio 
de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, dom Pedro decidiu 
permanecer. Ele foi à sacada e disse: "Se é para o bem de todos e 
felicidade geral da nação, diga ao povo que fico!". Essa data ficou 
conhecida como o Dia do Fico. 
 
Aceitando a solicitação do Senado da Câmara do Rio de Janeiro, 
decidiu-se a desobedecer as ordens de Lisboa e a permanecer no 
Brasil. Não se tratava ainda de ruptura, pois o gesto de 
desobediência foi saudado com gritos de Viva as Corte, Viva a 
religião, Viva a Constituição (...). Tentava-se ainda manter aberta a 
possibilidade de se constituir uma monarquia dual com sede 
simultânea em Portugal e no Brasil, visando manter o Brasil como 
Reino unido a Portugal. 
(EmiliaViotti da Costa. Introdução ao estudo da emancipação política 
do Brasil) 
 
Portugal não aceitou pacificamente a decisão de Dom 
Pedro. As tropas portuguesas sediadas no Rio de Janeiro tentaram 
forçá-lo a embarcar, o povo reagiu em defesa de Dom Pedro. 
Pressionados essas tropas voltaram para Portugal. 
Dom Pedro estimulado pelo entusiasmo popular tomou 
novas decisões. Primeiramente reformou o ministério dando-lhe força 
e unidade. Para isso nomeou a 16 de janeiro de 1822, José 
Bonifácio de Andrada e Silva Ministro dos Negócios do Interior, 
da Justiça e dos Estrangeiros. Em 04 de abril aconselhado por 
José Bonifácio decretou que as ordens vindas de Portugal, só teriam 
valor se aprovadas por ele, como isso, enfrentando as exigências das 
cortes. 
Em 03 de junho de 1822, convocou uma Assembléia 
Nacional Constituinte para fazer as novas leis do Brasil. Isso 
significava que, definitivamente, os brasileiros fariam as próprias leis. 
 
 A Proclamação da Independência do Brasil 
As noticias desencontradas que chegavam a Portugal sobre 
os acontecimentos do Brasil levariam as Cortes a tomar medidas 
extremas. Nos últimos dias de agosto de 1822 chegaram ao Brasil 
noticias das ultimas decisões das Cortes reduzindo o príncipe a um 
delegado temporário das Cortes. 
Sob a presidência da Princesa Leopoldina, o Conselho de 
Estado, reunido durante a ausência de D. Pedro que se achava em 
viagem. Dom Pedro estava voltando após uma viagem a Santos. Dia 
07 de setembro de 1822, quando o correio alcançou Dom Pedro nas 
margens do rio Ipiranga e entregou-lhe as cartas. Ele começou a lê-
las. 
Eram uma instrução das Cortes portuguesas, uma carta de 
Dom João VI, outra da princesa e um ofício de José Bonifácio. Todos 
diziam a mesma coisa: que as Cortes exigiam seu imediato regresso 
a Portugal, bem como a prisão e processo de José Bonifácio. A 
princesa recomendava prudência, mas José Bonifácio era alarmante, 
comunicando-lhe que além de seiscentos soldados lusitanos que já 
haviam desembarcado na Bahia, outros 7 mil estavam em 
treinamento para serem colocados em todo o Norte do Brasil. 
Terminava afirmando: "Só existem dois caminhos: ou voltar para 
Portugal como prisioneiro das cortes portuguesas ou proclamar a 
Independência, tornando-se imperador do Brasil. o dardo está 
lançado e de Portugal não temos a esperar senão a escravidão e 
horrores. Venha V. A. quanto antes e decida-se porque irresoluções e 
medidas d’água morna à vista desse contrário que não nos poupa, 
para nada servem e um momento perdido é uma desgraça” José 
Bonifacio ao Regente do Brasil 
 
Dom Pedro sabia que o Brasil esperava dele uma atitude. 
Sentido-se pressionado, sem saída, decretou a independência do 
Brasil em 7 de setembro de 1822. 
No dia seguinte, iniciou a viagem de retorno ao Rio de 
Janeiro. Na capital foi saudado como herói. No dia 1º de dezembro 
de 1822, aos 24 anos, foi coroado imperador do Brasil e recebeu 
o título de Dom Pedro I. 
 
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“Mandam as Côrtes por Vossa Majestade que eu faça 
executar e execute decretos; para eu os fazer [...] era necessárioque 
nós brasileiros livres obedecêssemos à facção. Nós respondemos em 
duas palavras: Não queremos. 
 Se o povo de Portugal teve o direito de se constituir – 
revolucionariamente – está claro que o povo do Brasil o tem dobrado, 
porque vai se constituindo, respeitando-me a mim e às autoridades 
estabelecidas. 
 [...] Sustentado pelos brasileiros todos, que unidos a mim, 
me ajudam a dizer: De Portugal nada; não queremos nada. Triunfa e 
triunfará a independência brasileira, ou morte nos há de custar” 
(Carta de D. Pedro para D. João VI, em 22 de setembro de 1822). 
 
 Reconhecimento da Independência 
Unidas todas as províncias e firmado dentro do território 
brasileiro o Império, era necessário obter o reconhecimento da 
Independência por parte das nações estrangeiras. 
A primeira nação estrangeira a reconhecer a Independência 
do Brasil foi os Estados Unidos em maio de 1824. Não houve 
dificuldades, pois os norte-americanos eram a favor da 
independência de todas as colônias da América. 
O reconhecimento por parte das nações européia foi mais 
difícil porque os principais países da Europa, entre eles Portugal, 
haviam-se comprometido, no Congresso de Viena em 1815, a 
defender o absolutismo, o colonialismo e a combater as idéias de 
liberdade. 
Entre as primeiras nações européias apenas uma foi 
favorável ao reconhecimento do Brasil independente: a Inglaterra, 
que não queria nem romper com seu antigo aliado, Portugal, nem 
prejudicar seu comércio com o Brasil. Foi graças à sua intervenção e 
as desmontadas conversações mantidas junto aos governos de 
Lisboa e do Rio de Janeiro que Dom João VI acabou aceitando a 
Independência do Brasil, fixando-se as bases do reconhecimento. 
A 29 de agosto de 1825 Portugal, através do embaixador 
inglês que o representava, assinou o Tratado luso-brasileiro de 
reconhecimento. O Brasil, entretanto, teve que pagar a Portugal uma 
indenização de dois milhões de libra esterlinas, dinheiro que não 
tinha, então recorreu a sua grande parceira, a Inglaterra, assim, 
Brasil sai dos domínios de Portugal e entra no da Inglaterra. 
 
 
____________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 08____________ 
 
1. (EsSA) Exerceu grande influencia na regência de D. Pedro, após o 
episodio do Fico, o Patriarca da Independência: 
a) Jose Clemente pereira. 
b) Antonio Dias. 
c) Martim Francisco. 
d) Jose Bonifácio. 
 
2. As medidas restritivas originárias das Cortes de Lisboa atingiram 
diretamente o governo de D. Pedro I no Brasil. Contrariou o príncipe, 
inclusive, a ordem de regressar ao reino para “completar sua 
educação”. Historicamente, a data de 9 de janeiro de 1822 é 
conhecida como dia do (a): 
a) Grito do Ipiranga. 
b) Vitória. 
c) Fico. 
d) Constituição. 
 
3. (EsSa) O movimento de independência do Brasil foi liderado 
especialmente: 
a) Pela elite fundiária. 
b) Pela massa da população. 
c) Pelos próprios portugueses. 
d) Pela burguesia industrial. 
e) Pelos escravos. 
 
4. (EsSa-06) A Independência Brasileira foi um processo liderado, em 
grande parte, pelos setores sociais que mais se beneficiaram com a 
ruptura dos laços colônias. Esses setores eram formados pelo (s): 
a) Profissionais liberais e trabalhadores urbanos. 
b) grandes proprietários de terra e grandes comerciantes. 
c) Alto clero e pequenos proprietários de terra. 
d) Funcionários públicos e alto clero 
e) Farroupilhas e baixo clero. 
 
5. (EsSa) Um dos motivos que levaram o Príncipe D. Pedro a 
proclamar a Independência do Brasil foi: 
a) atendimento à solicitação feita por D. João VI. 
b) Pressão exercida pelas cortes de Lisboa sobre o Brasil. 
c) invasão das terras brasileiras pelos espanhóis. 
d) Idéias separatistas na província de São Paulo. 
 
6. (SD-PM-PE-06) A independência política do Brasil em relação a 
Portugal aconteceu em 1822. Sobre o processo de emancipação 
brasileira pode-se afirmar que: 
A) manteve a estrutura do país em relação aos aspectos sociais. 
B) teve ampla participação das camadas populares. 
C) foi marcado pela unanimidade do liberalismo radical. 
D) o partido brasileiro defendia o republicanismo. 
E) a aristocracia do centro-sul foi afastada das decisões políticas. 
 
7. A transferência da corte trouxe para a America portuguesa a 
família real e o governo da Metrópole. Trouxe também, e sobretudo, 
boa parte do aparato administrativo português. Personalidades 
diversas e funcionários régios continuaram embarcando para o Brasil 
atrás da corte, dos seus empregos e dos seus parentes após o ano 
de 1808. (NOVAIS.F. A. Alencastro. (org.) Historia da vida privada no 
Brasil) 
Os fatos apresentados se relacionam ao processo de 
independência da America portuguesa por terem; 
a) Incentivado o clamor popular por liberdade. 
b) Enfraquecido o pacto de dominação metropolitana. 
c) Motivado as revoltas escravas contra a elite colonial. 
d) Obtido o apoio do grupo constitucionalista a elite colonial. 
e) Provocado os movimentos separatistas das províncias. 
 
8. A historiografia recente sobre a Independência do Brasil tem 
destacado que o Grito do Ipiranga constituiu mero desfecho formal de 
um processo inaugurado com a transferência da Corte para o Brasil e 
a abertura dos portos em 1808. 
 Qual o aspecto econômico desse processo que contribui 
para a compreensão da complexidade das tensões desse período? 
a) A política externa joanina, materializada pelos Tratados de 
1810 com a Inglaterra. 
b) A chegada da missão artística francesa (1815), liderada por 
Joachim Lebreton. 
c) A expansão do liberalismo econômico, com a eclosão da 
Revolução do Porto (1820). 
d) A rebelião das tropas baianas de 1821, fiéis às decisões das 
Cortes de Lisboa. 
e) A declaração do “Fico” em janeiro de 1822, precursora do 7 de 
setembro. 
 
9. (Faap) Nas lutas conhecidas como Guerras da Independência e 
no reconhecimento externo da Independência, o Brasil foi auxiliado 
pelo(a): 
a) França 
b) Espanha 
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c) Itália 
d) Estados Unidos 
e) Inglaterra 
 
10. O reconhecimento da independência brasileira por Portugal foi 
devido principalmente: 
a) à mediação da França e dos Estados Unidos e à atribuição do 
título de Imperador Perpétuo do Brasil a D.João VI. 
b) à mediação da Espanha e à renovação dos acordos comerciais de 
1810 com a Inglaterra. 
c) à mediação de Lord Strangford e ao fechamento das Cortes 
Portuguesas. 
d) à mediação da Inglaterra e à transferência para o Brasil de dívida 
em libras contraída por Portugal no Reino Unido. 
e) à mediação da Santa Aliança e ao pagamento à Inglaterra de 
indenização pelas invasões napoleônicas. 
 
 
 
 O PRIMEIRO REINADO (1822-1831) 
 As guerras de independência. 
O gripo de D. Pedro foi aclamado por muitos, mas não foi 
obedecido por todos. No Brasil, nessa época, havia algumas tropas 
portuguesas. Um simples grito não as expulsaria. 
 O novo governo tinha um problema muito grave: o Brasil 
quase não possui Exército. Os efetivos brasileiros eram fracos e 
desorganizados. Não tinham, portanto, condições de enfrentar as 
tropas portuguesas. 
 A solução foi contratar mercenários na Europa. Não foi 
muito difícil encontrar tais militares, as guerras contra Napoleão 
tinham acabado e muitos estavam se ocupação. Então, vários oficiais 
europeus vieram para o Brasil para organizar o Exército brasileiro 
ajudar nas guerras de independência. 
 
 A “Adesão”. 
Quando a proclamação da independência, não houve 
unanimidade em apoiá-la. De inicio, somente o Rio de Janeiro, Minas 
Gerais e São Paulo aderiram, plenamente, à causa brasileira. Na 
província Cisplatina, As tropas fiéis às Cortes de Lisboa ocupavam 
Montevidéu, e embora sitiada pelas tropas aliadas de D. Pedro, 
comandadas por Lecor, representaram um núcleo de resistência à 
integridade da jovem nação.Pará e Maranhão estavam fortemente 
sob controle português e, na Bahia, a cidade de Salvador permanecia 
em poder das tropas do General Madeira e sob a proteção de uma 
forte esquadra portuguesa. O domínio da Bahia pelos portugueses 
capacitava-os, pela excepcional posição estratégica de Salvador, a 
dificultar o controle do norte do país pelos partidários da 
Independência e a, futuramente, quando a evolução dos 
acontecimentos permitisse, tentar a reconquista das regiões ao sul. 
 A primeira esquadra brasileira foi formada com os navios 
portugueses que se encontravam no porto do Rio de Janeiro. O 
Arsenal da Corte, no Rio de Janeiro, sob a presença quase diária do 
Imperador, empenhou-se na recuperação das velhas embarcações 
apreendidas aos portugueses, em especial a nau Martins de Freitas, 
agora denominada de Pedro I, e na conversão dos navios mercantes 
provenientes da subscrição. Apesar desses esforços extraordinários, 
as obras realizadas deixavam muito a desejar, principalmente pela 
má qualidade do material disponível. Cochrane, após os primeiros 
confrontos com os portugueses, apontava inúmeras falhas do 
material e do equipamento da nau Capitânea. 
No que se refere ao pessoal, praticamente não havia 
brasileiros na marinha metropolitana. No dizer de Prado Maia “seus 
chefes, como seus oficiais e marinheiros, continuaram a ser 
portugueses, mesmo depois da vinda da família real para o Brasil, 
obedecendo a uma dinastia portuguesa e, ademais, repelindo o 
concurso dos nacionais a quem tratava com desafetos (...)”. 
As tarefas que cabiam a esta esquadra podem ser assim enunciadas: 
Na província Cisplatina, tendo sido estabelecido, em janeiro 
de 1823, o bloqueio de Montevidéu pelas forças navais que ali 
estavam e que tinham aderido a Independência – posteriormente 
reforçadas por alguns navios enviados do Rio de Janeiro – a enérgica 
tentativa portuguesa de romper o bloqueio foi desfeita no combate 
naval que se travou, em outubro de 1823, ao largo de Montevidéu. 
Em conseqüência, a 18 de novembro capitularam os reinóis, 
retirando-se para Portugal, em março de 1824, em 9 navios 
mercantes, escoltados por 2 Brigues e 2 escunas brasileiros que 
asseguravam o afastamento definitivo de nossas águas desses 
elementos portugueses. 
 Na Bahia, uma força naval portuguesa significativa, mais 
poderosa do que a esquadra brasileira que se conseguiu formar, 
tornava bem mais difícil a tarefa dos brasileiros. Tendo Cochrane 
assumido o comando-em-chefe da esquadra, em março de 1823, na 
nau Pedro I. recebe, no mesmo mês, ordem do Ministro da Marinha, 
Luis da Cunha Moreira, para demandar a Bahia, “pondo aquele 
porto em rigoroso bloqueio, destruindo ou tomando todas as forças 
portuguesas que encontrar, e fazendo todos os danos possíveis aos 
inimigos deste império”. 
A pesar da superioridade numérica dos portugueses e das 
muitas vezes justificada desconfiança que os elementos lusos de 
nossa esquadra inspiravam – há inúmeros exemplos de traição tanto 
na campanha de libertação da Cisplatina como nas lutas da Bahia – 
não conseguiram os comandados do Almirante Felix de Campos 
romper o bloqueio de Cochrane e, a 2 de julho de 1823, embarcaram 
nos navios da esquadra e navios mercantes existentes no porto, no 
rumo de Portugal. 
A esquadrilha naval formada e comandada por João das 
Botas teve importante papel na vitória brasileira. A esquadra 
brasileira perseguiu a lusitana, numa ação típica de desgaste, 
conseguindo êxitos extraordinários. 
Não dispondo Cochrane de oficiais e marinheiros em 
numero suficiente para guarnecer as inúmeras presas feitas, foi 
determinados a equipes de abordagem que arrombassem a golpe de 
machado as pipas de água dos navios capturados, deixando apenas 
a aguada suficiente para a curta viagem de retorno ao porto brasileiro 
mais próximo. Os navios com soldados a bordo tinham, além disso, 
os mastros cortados. Posteriormente, a fragata Niterói sozinha, sob 
o comando de Taylor, manteve a perseguição, seguindo Cochrane 
com a Pedro I. 
Para o Maranhão. Inúmeros barcos são apreendidos pela 
Niterói que prossegue até a embocadura do Tejo. Parece fora de 
duvida que as inúmeras perdas portuguesas no seu regresso a 
Portugal contribuíram, significativamente, para quebrar o animo 
lusitano, desestimulando possíveis tentativas de expedições que 
reforçassem seus partidários no norte do país. A presença de 
Cochrane no Maranhão, com a nau Pedro I, acarretou a adesão 
daquela província à independência, a 28 de julho de 1823. Grenfell é 
enviado por Cochrane ao Pará, com o brigue Maranhão (ex-D. 
Miguel, capturado no Maranhão), e a província é pacificada a 15 de 
agosto. (Vidigal, História marítima). 
 
 Assembléia Constituinte. 
Depois da convocação da Assembléia Nacional Constituinte 
a discussão girou em torno das formas de eleição dos deputados 
constituintes. Liberais radicais de Gonçalves Ledo (democráticos e 
republicanos) defendiam a soberania popular e achavam que o 
soberano deveria se submeter à Constituinte. A tese de soberania 
popular não agradava o grupo de José Bonifácio, monarquista 
moderado que temia a anarquia fomentada pelos liberais radicais. 
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Bonifácio propunha a convocação de uma Assembléia de 
Procuradores das províncias com poderes apenas consultivos e a 
outorga de uma constituição pelo Imperador. Liberal, sim, mas jamais 
um democrata. Seu grupo político venceu a disputa. 
 Embora prevalecesse a tese de uma Assembléia 
Constituinte, com poderes para elaborar uma Constituição, a forma 
de eleição dos constituintes foi a menos democrática possível. Os 
escravos, estavam excluídos, tinham direito de voto todos os 
cidadãos solteiros ou casados, exceto os que recebessem baixos 
salários. Também ficavam excluídos os estrangeiros não 
naturalizados, os criminosos, os membros das ordens religiosas e as 
mulheres. Os analfabetos poderiam votar, pois boa parte, senão a 
quase totalidade, dos grandes proprietários rurais estavam nessa 
categoria. O clima do período eleitoral também não estava favorável 
aos liberais radicais. O ministério liderado por Jose Bonifácio iniciou a 
repressão aos ex-aliadosdo 7 de setembro. 
 A 3 de maio de 1823 reuniu-se a Assembléia Constituinte 
encarregada de elaborar a Constituição que Dom Pedro I jurou 
defender se “fosse digna dele”. O clima das reuniões era tenso. Havia 
discussões entre brasileiros e portugueses, partidários e adversários 
do imperador. Um clima exacerbado de nacionalismo era sentido 
entre os deputados. Desconfiava-se das intenções do imperador, que 
vivia cercado de portugueses no ministério, na alta burocracia estatal 
e nos principais postos do exército. 
 
 O Projeto da Constituição 
As eleições seriam indiretas e censitárias isto é, baseada 
em uma renda mínima. Primeiro votariam os “cidadãos ativos”, ou 
eleitores de primeiro graus ou “eleitores de paróquia”, que deveriam 
ter renda liquida não inferior ao valor de 15 alqueires de farinha de 
mandioca – produto de grande circulação no Brasil, o que motivou o 
nome popular e jocoso de “Constituição de Mandioca’”. Alencastro 
nos fala mais sobre os critérios de participação política: 
Segundo o projeto constitucional, o país teria os três 
clássicos poderes liberais – Executivo, judiciário e Legislativo –, 
sendo este ultimo o mais favorecido. Para valorizar a representação 
nacional, o imperador não podia vetar as decisões do Legislativo. 
Em termos econômicos, manteve-se a escravidão e 
liberalizou-se a economia, eliminando-se todos os tipos de privilégios 
e monopólios coloniais. 
As tensões entre imperador e a Constituição chegaram ao 
auge quando os deputados tentaram sobrepujar o poder do 
Imperador. Na noite de 12 de novembro de 1823, a chamada Noite 
da Agonia,Dom Pedro I dissolveu a Assembléia Constituinte com o 
apoio do exército. 
 
 A Constituição de 1824: o autoritarismo imperial 
D. Pedro nomeou um Conselho de Estado, composto por 
portugueses, e encarregou-se de redigir em ritmo acelerado uma 
nova Constituição. Em 25 de março de 1824, o imperador outorgou 
a primeira Constituição do país. Ela expressava a reação absolutista 
e a tomada do poder pelo “partido português”. 
A constituição outorgada, que vigorou até o final do Império, 
conservou algumas disposições discutidas no anteprojeto. Teve, 
porém, caráter contraditório. Ao mesmo tempo em que manteve, em 
linhas gerais, as influencias do liberalismo europeu, apresentou 
traços marcantes de autoritarismo, através de um poder executivo 
forte, exercido pelo imperador. A restrição do direito a cidadania a um 
pequeno grupo privilegiado e a manutenção da escravidão traçaram 
o perfil do Estado Brasileiro. 
 A carta de 1824 estabelecia como forma de governo uma 
Monarquia Hereditária Constitucional e Representativa. Nessa 
estrutura unitária e centralizada, as províncias não tinham autonomia 
política, sendo administrada por um governador escolhido pelo 
imperador. Estabeleceram-se quatro poderes políticos: o Executivo, 
o Legislativo, o Judiciário e o Moderador. Este último era exercido 
exclusivamente pelo imperador, auxiliado por um Conselho de 
Estado. Tinham amplas atribuições, entre os quais a interferência 
direta no processo político através da dissolução da CÂMARA dos 
Deputados, a nomeação e demissão de juízes e assinatura de 
tratados. 
 O corpo legislativo constitui-se em um sistema bicameral: 
um Senado vitalício e uma Câmara dos Deputados, eleita pelo voto 
censitário. O sistema de voto era indireto, dividido em dois 
momentos. Na primeira fase, as eleições primárias, os cidadãos 
brasileiros, isto é, os possuidores de determinadas renda anual, 
escolhia o corpo eleitoral que a seguir, numa segunda faze, elegia os 
deputados e senadores. 
 A Igreja Católica permaneceu como religião oficial, sendo 
permitido o culto a outras religiões. Através do regime de Padroado, o 
imperador tinha a prerrogativa de nomear pós bispos e outros 
membros da hierarquia eclesiástica. 
 
 Crise econômica. 
A economia brasileira já vinha sofrendo as conseqüências 
do declínio das exportações de açúcar e de outros gêneros tropicais 
no mercado internacional. 
As despesas com as guerras internas e externas e o 
pagamento da indenização a Portugal, em 1825, apenas contribuíram 
para acentuar a fragilidade das finanças brasileiras. 
Por fim, os tratados comerciais que a Inglaterra e outras 
nações européias impuseram ao governo de dom Pedro, em troca de 
seu reconhecimento e legitimação, tornaram a balança comercial 
brasileira extremamente deficitária: importava-se mais do que 
exportava. 
Para solucionar a crise e a falta permanente de moedas, 
dom Pedro recorreu a dois expedientes: 
- Pediu empréstimos a Inglaterra. 
- Emitiu moedas. 
 Essas medidas não resolveram o problema do país. Pelo 
contrário, agravaram, pois, com o tempo, cresceu a dívida externa 
brasileira, e a inflação interna provocou um aumento do custo de 
vida. 
 O agravamento da crise econômica contribuiu, em grande 
parte, para o clima de insatisfação e de oposição aos portugueses 
que caracterizou a sociedade brasileira durante o Primeiro Reinado. 
 
 A Confederação do Equador. 
Dissolvendo a Constituinte e decretando a Constituição de 
1824, o imperador deu uma clara demonstração de seu poder e dos 
burocratas e comerciantes, muito deles portugueses. 
Em Pernambuco, esses atos discricionários puseram lenha 
em uma fogueira que não deixara de arder desde 1817 e mesmo 
antes. A propagação das ideias republicanas, antiportuguesa e 
federalista ganhou ímpeto com a presença no Recife de Cipriano 
Barata, vindo da Europa. É importante ressaltar, de passagem, o 
papel da imprensa na veiculação de criticas e propostas políticas, 
nesse período em que ela própria estava nascendo. Existiam jornais 
como O Tamoio, Sentinela da Liberdade e o Tifis. 
A atividade de Cipriano, em Pernambuco, não demorou 
muito. Após a dissolução da Constituinte, foi preso e enviado para o 
Rio de Janeiro, onde ficou preso até 1830. Como figura central das 
criticas passou a destacar-se Frei Joaquim do Amor Divino – O Frei 
Caneca, era um homem erudito e de ação. 
A contrariedade provocada na província pela nomeação de 
um governador não-desejado abriu caminho para a revolta. Seu 
chefe ostensivo , Manuel de Carvalho, proclamou a Confederação do 
Equador, a 2 de junho de 1824. No dia da outorga da Constituição de 
1824, antes da rebelião, enviou oficio ao secretario de Estado 
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Americano, solicitando a remessa de uma pequena esquadra ao 
porto de Recife, invocava a Doutrina Monroe. 
A Confederação deveria reunir sob forma federativa e 
republicana, com participação de outras províncias. O levante teve 
conteúdo acentuadamente urbano e popular, diferenciando-se da 
ampla frente regional, com a liderança de proprietários rurais e 
alguns comerciantes, que caracterizara a Revolução de 1817. 
Apesar de seu conteúdo nacionalista, diríamos melhor 
antilusitano, a rebelião contou com a presença de vários 
estrangeiros. Dentre eles, destacou-se a figura de um liberal 
português, filho de polonês, Chamado de Ratcliff. 
A Confederação não teve condições de se enraizar e de 
resistir militarmente as tropas do governo, sendo derrotada em várias 
províncias do Nordeste, até terminar por completo em novembro de 
1824. Um tribunal manipulado pelo Imperador condenou a morte as 
lideranças. Frei Caneca foi fuzilado. (Adaptado de Boris Fausto) 
 
 A Guerra da Cisplatina. 
A recém-batizada Cisplatina tinha habitantes com idioma e 
cultura diferentes que se negavam a aceitar os costumes brasileiros. 
Neste contexto, a Argentina e alguns patriotas Uruguaios, liderados 
pelo revolucionário uruguaio Juan AntonioLavalleja, começaram a 
fomentar o início da rebelião. Então, em 1825, a Guerra da 
Cisplatina eclodiu. 
O início dos embates deu-se quando Lavalleja 
desembarcou na praia da Agraciada com suas fileiras e, ajudado 
por populares, dominou a região e declarou sua anexação à 
Argentina. Como resposta, o governo brasileiro informava que, caso 
Lavalleja não desocupasse a área, enviaria tropas dando início à 
guerra. D. Pedro I fez uma declaração formal de guerra à Argentina. 
A base principal do exército brasileiro era de portugueses, 
mas, depois da proclamação da república, estas tropas retornaram à 
Europa e foram substituídas por brasileiros recém-recrutados. 
Em 1827, as forças imperiais derrotaram as provincianas na 
Batalha de Monte Santiago. No ano seguinte, o uruguaio Fructuoso 
Rivera reconquistou a província oriental (Uruguai). Após esta vitória, 
devido ao impasse em terra, ao bloqueio naval do Brasil, aos altos 
custos com a guerra e a pressão inglesa para que fosse firmado um 
acordo, deu-se início um acordo de paz, mediado pela França e pela 
Inglaterra, que tinha interesses econômicos na região. 
Enfim, no ano de 1828 termina a Guerra da Cisplatina, com 
as duas partes assinando um acordo que findava o conflito. A acordo 
firmava que a Província da Cisplatina não ficaria nem com a 
Argentina nem com o Brasil. Foi criado um país independente: a 
República Oriental do Uruguai. O desfecho da Guerra da Cisplatina 
foi desfavorável ao Brasil, pois o dinheiro gasto para sustentar o 
combate arruinou sua economia. Outro aspecto foi o desgaste da 
imagem política de D. Pedro I, aumentando a insatisfação do povo 
que, desde o início do conflito, culpava a Guerra da Cisplatina 
dizendo que ela representava o aumento de impostos. 
 
 A Crise Política 
A dissolução daConstituinte, a outorga da Constituição e a 
repressão violenta à Confederação do Equador afastavam o “partido 
brasileiro” do imperador. D. Pedro governava com apoio do “partido 
português” e dos militares. Os liberais moderados acusavam seus 
auxiliares, poupando a figura do imperador. Na verdade, o governo 
era exercido por um grupo informal. Desse grupo faziam parte o 
Chalaça, guarda-costas de D. Pedro, e a amante do imperador, Maria 
Domitila, que a história brasileira conhece como a Marquesa de 
Santos. 
Esse grupo era encarregado do favorecimento aos amigos, 
da corrupção e atividades afins. O Banco do Brasil havia falido 
depois de algumas negociatas feitas com membros do “partido 
português”. 
Os acordos feitos com os países estrangeiros para o 
reconhecimento da independência aumentaram a impopularidade 
do imperador, mesmos os liberais moderados passaram a acusar o 
imperador pela crise econômica. 
Outra questão externa, que veio agravar a crise política, foi 
asucessão portuguesa. Em 1826 morreu D. João VI. Seu 
primogênito, D Pedro I, seria o novo rei de Portugal. Os brasileiros 
não escondiam a preocupação: dom Pedro rei de Portugal e do Brasil 
era sinônimo de recolonização. Pressionado, do Pedro abdicou ao 
trono português em favor de sua filha Maria da Glória, de apenas 
cinco anos de idade. A princesa era prometida em casamento a seu 
tio dom Miguel, que regeria Portugal até a maioridade da herdeira. 
Dom Miguel restaurou o absolutismo e se tornou rei. 
Políticos constitucionalistas portugueses fugiram para o Rio de 
Janeiro e, apoiados pela Inglaterra, pressionaram dom Pedro a 
interferir na sucessão portuguesa. O tesouro brasileiro passou a 
financiar os liberais, que, em Portugal, lutavam contra dom Miguel. 
Os deputados brasileiros denunciavam a intromissão do monarca nos 
assuntos portugueses. Os jornais do Rio de janeiro, em sua maioria 
de oposição, criticavam o imperador. 
Em São Paulo, o jornalista Líbero Badaró fazia virulentas 
críticas a dom Pedro. A 20 de novembro de 1830. Badaró foi 
assassinado por pistoleiros a mando de um juiz paulista, colaborador 
e amigo de dom Pedro. Não se tinham provas do envolvimento do 
imperador no assassinato, mas, como nenhum culpado foi punido, as 
suspeitas eram grandes. A morte de Líbero Badaró chocou a opinião 
pública em várias províncias. 
Dom Pedro resolveu ir a Minas Gerais para tentar 
reconquistar os habitantes da capitania. Ao chegar, esperava festa, 
ruídos e alegria, mas nada disso aconteceu. Os mineiros o 
receberam em silêncio, e as igrejas tocaram os sinos de finados pela 
morte do jornalista. Para compensar as desfeitas de Minas. Já os 
portugueses do Rio de Janeiro resolveram receber o imperador com 
grandes festas, os brasileiros resolveram atacar a festa em 13 de 
março de 1831, foram recebidos a garrafadas pelos portugueses, tal 
evento ficou conhecido como a Noite das Garrafadas. 
 A oposição acusava dom Pedro e sues auxiliares de 
estarem envolvidos nos distúrbios. A situação política no Rio de 
Janeiro era grave. Deputados do “partido brasileiro” exigiam reformas 
políticas urgentes. Dom Pedro nomeou um ministério neutro, 
chamado de Ministério Brasileiro, para desarmar o clima de revolta. 
No dia 5 de abril, estouraram motins na capital do país. 
Como o ministério não reprimiu as manifestações populares, dom 
Pedro substituiu-o por um ministério ligado aos portugueses. No dia 
6, manifestantes armados percorriam as ruas do Rio de Janeiro 
pedindo a volta do Ministério Brasileiro. Povo e tropa irmandados nas 
ruas; dom Pedro havia perdido o apoio militar. Representantes foram 
pedir ao imperador a readmissão do Ministério Brasileiro. 
 
 A abdicação. 
Na madrugada de 7 de abril de 1831, dom Pedro abdicou 
do trono em favor de seu filho, Pedro de Alcântara, de apenas 5 
anos. Enquanto o novo imperador fosse menor de idade o Brasil seria 
governado por uma regência. 
 
“Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que hei 
voluntariamente abdicado na pessoa do meu mui amado e prezado 
filho o Sr. D. Pedro de Alcântara. Boa Vista7 de abril, décimo da 
Independência e do Império – D. Pedro I.”. 
 
A classe dominante brasileira havia chegado ao poder 
político. Tratava-se agora de consolidar o Estado nacional e afastar 
definitivamente o perigo de recolonização do Brasil. 
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 Logo após a abdicação, os liberais moderados se 
empenham em manter a ordem política e social, convocando em 
caráter de urgência uma regência para chefiar o país. Tratava-se de 
impedir que a ausência do Imperador ocasionassem revoltas 
incontroláveis que ameaçassem os interesses da elite proprietária. 
 Entretanto, a abdicação de D. Pedro I levou as diversas 
facções da aristocracia rural a travarem violentas disputas pelo 
poder. Todas elas queriam construir um tipo de Estado de acordo 
com suas convicções e interesses. Essa divisão política da elite 
possibilitou a organização e ação dos setores populares da 
sociedade, dando origem a diversos movimentos, espalhados pelo 
país. 
 
______________EXERCÍCIOS- BATERIA:09_____________ 
 
1. A Constituição outorgada por D.Pedro I em 1824 continha uma 
inovação institucional: o poder moderador. A principal consequência 
da introdução desse poder na ordem imperial foi: 
a) permitir que o imperador servisse de árbitro aos conflitos entre 
liberais e conservadores. 
 b) promover o desenvolvimento econômico, ao dar ao imperador a 
iniciativa em diversas áreas de política econômica. 
c) garantir a continuidade da escravidão até o final do império. 
d) concentrar enormes poderes repressivos na Coroa, criando um 
regime semelhante aos regimes absolutos da Europa da era 
Moderna. 
e) dar inicio ao processo de descentralização política do regime 
imperial. 
 
2.(EsSa-15) A primeira constituição do Brasil, de 1824, estabelecia 
uma organização do sistema político em quatro poderes. 
Além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, havia o poder: 
A) Absoluto. 
B) Hierárquico. 
C) Moderador. 
D) Régio. 
E) Patriarcal. 
 
3. A crise política do I Império Brasileiro, que resultou na abdicação 
de D. Pedro I, teve como cerne a disputa entre a inclinação 
centralista-absolutista do monarca e a defesa do federalismo pelas 
elites econômicas regionais. 
A renúncia do imperador em 1831 resultou: 
a) na transferência de poder às elites regionais e aos regentes, 
ordem política que se mostrou frágil e abriu caminho para levantes 
oposicionistas e populares. 
b) na transformação imediata de Pedro II em monarca do Reino 
Português na linha de sucessão da Casa de Bragança. 
c) no fortalecimento de movimentos separatistas regionais, em 
desacordo com a manutenção do regime monárquico e da 
escravidão. 
d) no surgimento de grupos políticos republicanos, que seriam 
embrionários do movimento que promoveu a Proclamação da 
República em 1889. 
 
4. (Uespi-12) Em 1988, foi promulgada, através da Assembleia 
Constituinte eleita pelo voto popular, a constituição conhecida como 
“Constituição Cidadã”. Mas, nem todas as Constituições brasileiras 
tiveram essa feição, a exemplo da outorgada em 1824 por D. Pedro I, 
pela qual: 
a) foi instituído o Poder Moderador. 
b) se extinguiu o Poder Judiciário. 
c) consolidou-se a vitória do Partido Brasileiro. 
d) estabeleceu-se a separação entre os poderes eclesiástico e civil. 
e) se conseguiu o desenvolvimento do que se convencionou chamar 
de questão militar. 
 
5. “Temos a tendência de pressupor que todas as mudanças que 
decorreram de um movimento de independência foram para o 
melhor. Raramente, por exemplo, consideramos um movimento de 
independência como uma regressão, um triunfo do despotismosobre 
a liberdade, de um regime imposto sobre um regime representativo. 
Apesar disso, no caso da independência do Brasil, essas acusações 
foram na época imputadas ao novo regime”. (Adaptado de 
MAXWELL, K. “Por que o Brasil foi diferente? O contexto da 
independência”. In: MOTTA, C. G. (org.)) 
 Qual dos eventos citados a seguir gerou as acusações 
mencionadas no texto? 
a) A outorga da Constituição de 1824, feita por D. Pedro I depois de 
dissolvida a Assembleia Constituinte que elaborava o texto 
constitucional. 
b) O tratado de comércio que estipulou vantagens econômicas para a 
Inglaterra. 
c) O incentivo à imigração europeia e a gradual emancipação dos 
escravos, resultado de políticas públicas realizadas no período 
monárquico com objetivo de promover a transição do trabalho 
escravo para o trabalho livre. 
d) A guerra empreendida contra o Paraguai na década de 1860. 
 
6. (Enem 2011) Art. 92. São excluídos de votar nas Assembleias 
Paroquiais: 
I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais não se compreendam 
os casados, e Oficiais militares que forem maiores de vinte e um 
anos, os Bacharéis Formados e Clérigos de Ordens Sacras. 
IV. Os Religiosos, e quaisquer que vivam em Comunidade claustral. 
V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens 
de raiz, indústria, comércio ou empregos. 
Constituição Política do Império do Brasil (1824). Disponível em: 
https://legislação.planalto.gov.br. (adaptado). 
 A legislação espelha os conflitos políticos e sociais do 
contexto histórico de sua formulação. A Constituição de 1824 
regulamentou o direito de voto dos “cidadãos brasileiros” com o 
objetivo de garantir 
a) o fim da inspiração liberal sobre a estrutura política brasileira. 
b) a ampliação do direito de voto para maioria dos brasileiros 
nascidos livres. 
c) a concentração de poderes na região produtora de café, o Sudeste 
brasileiro. 
d) o controle do poder político nas mãos dos grandes proprietários e 
comerciantes. 
 
7. A Constituição imperial brasileira, promulgada em 1824, 
estabeleceu linhas básicas da estrutura e do funcionamento do 
sistema político imperial tais como o (a): 
a) equilíbrio dos poderes com o controle constitucional do Imperador 
e as ordens sociais privilegiadas. 
b) ampla participação política de todos os cidadãos, com exceção 
dos escravos. 
c) predominância do poder do imperador sobre todo o sistema 
através do Poder Moderador. 
d) laicização do Estado por influência das idéias liberais. 
e) autonomia das Províncias e, principalmente, dos Municípios, 
reconhecendo-se a formação regionalizada do país. 
 
8. Sobre o processo de emancipação política do Brasil em 1822, 
considere as afirmativas a seguir. 
I - Para a aristocracia brasileira era fundamental que o governo do 
Brasil emancipado mantivesse o escravismo e as relações com a 
Inglaterra. 
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II - Pedro I negou publicamente sua disposição de indenizar Portugal 
pela separação, mas assinou o compromisso que estabelecia o 
Tratado de Paz e Aliança. 
III - O Tratado de Paz com Portugal manteve a Província Cisplatina 
sob controle português. 
 Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
e) I, II e III. 
 
9. (Fuvest) Podemos afirmar que tanto na Revolução Pernambucana 
de 1817, quanto na Confederação do Equador de 1824, 
a) o descontentamento com as barreiras econômicas vigentes foi 
decisivo para a eclosão dos movimentos. 
b) os proprietários rurais e os comerciantes monopolistas estavam 
entre as principais lideranças dos movimentos. 
c) a proposta de uma república era acompanhada de um forte 
sentimento antilusitano. 
d) a abolição imediata da escravidão constituía-se numa de suas 
principais bandeiras. 
e) a luta armada ficou restrita ao espaço urbano de Recife, não se 
espalhando pelo interior. 
 
10. (Cesgranrio) "Usando do direito que a Constituição me concede, 
declaro que hei de muito voluntariamente abdicado na pessoa de 
meu mui amado e prezado filho o Sr. D. Pedro de Alcântara. Boa 
Vista - 7 de abril de 1831, décimo da Independência e do Império - D. 
Pedro I." 
 Nesses termos, D. Pedro I abdicou ao trono brasileiro no 
culminar de uma profunda crise, que NÃO se caracterizou por: 
a) antagonismo entre o Imperador e parte da aristocracia rural 
brasileira. 
b) empréstimos externos para cobrir o déficit público gerado, em 
grande parte, pelo aparelhamento das forças militares. 
c) aumento do custo de vida, diminuição das exportações e aumento 
das importações. 
d) pressão das elites coloniais que queriam o fim do Império e a 
implantação de uma República nos moldes dos Estados Unidos. 
 
 
 
 A REGÊNCIA (1831-1840) 
Como o sucessor de D. Pedro I tinha apenas 5 anos de 
idade, a Carta de 1824 previa a eleição de uma regência formada por 
três membros eleitos pela Assembléia Geral, composta pelo Senado 
e pela Câmara dos Deputados. Mas, no dia 7 de abril, os 
parlamentares estavam de férias. Por isso, os deputados e 
senadores que se encontravam no Rio de Janeiro elegeram uma 
regência provisória. 
 
 Trina Provisória. (abril-julho de 1831) 
Exerceria o poder até a Câmara eleger a Regência Trina 
Permanente, era preciso conter o perigo das ruas. Sem os exaltados 
era impossível a abdicação de dom Pedro. Com eles, tornava-se 
impossível governar o país. A regência trina Provisória expressou um 
equilíbrio político, que excluía os exaltados. Carneiros Campos 
(marquês de Caravelas), representava o conservadorismo; Nicolau 
de Campos Vergueiro, os liberais moderados e Brigadeiro Francisco 
de Lima e Silva, o exército. O ministério Brasileiro, demitido em 5 de 
abril por dom Pedro I, foi readmitido. Os presos políticos foram 
anistiados. 
Em junho de 1831, a Assembléia dos Deputados votou a lei 
de Regência, estabelecendo que os regentes não teriam o poder 
Moderador, criar impostos, conceder títulos de nobreza e decretar a 
guerra. O verdadeiro poder residia na Câmara, e não nos regentes. A 
Câmara elegeu também a regência Trina Permanente. 
 
 Os Grupos Políticos 
A elite brasileira, que havia forçado a abdicação do 
imperador, dividiu-se em duas facções políticas. 
Os latifundiários, bacharéis, altos burocratas, jornalistas e 
grandes comerciantes, principalmente do Rio de janeiro e São Paulo, 
formavam a corrente dos Liberais Moderados (Chimangos), foram 
denominados, também, depois da abdicação de D Pedro como 
Partido da Ordem, Partido do Centro e até como Partido da 
Revolução, para fazer frente aos restauradores. Esses eram 
favoráveis a um rígido controle político-econômico do país pelo 
governo do Rio de Janeiro. Mas também assumiu algumas propostas 
dos liberais exaltados. 
Os senhores de terras de outras províncias, ao lado da 
classe média carioca – soldados, oficiais, marinheiros, pequenos 
funcionários e comerciantes – formavam outro grupo, o dos Liberais 
Exaltados (Farroupilhas ou Jurujuba). Esses defendiam a idéia de 
uma República Federativa, ou seja, a autonomia das províncias, 
aceitaram a monarquia no momento da abdicação. 
Entretanto, os dois grupos concordavam num ponto; era 
necessário preservar a grande propriedade, o trabalho escravo e o 
regime monárquico. 
Os antigos partidários de dom Pedro I, oficiais portugueses 
em sua maioria, defendiam por sua vez uma posição ainda mais 
conservadora; desejavam a volta do ex-imperador à frente do 
governo brasileiro. Esse grupo era chamado de Restauradores 
(Caramurus). A eles justaram-se Jose Bonifácio e seus dois irmãos. 
O ato adicional, agosto de 1834 (veremos a seguir), devido 
ao seu caráter conciliatório, era extremamente contraditório: ao 
mesmo tempo em que descentralizava um poder (o Legislativo), 
centralizava o outro (o Executivo). As divergênciasnão demoraram a 
aparecer, e provocando uma nova divisão e organização das forças 
políticas: aqueles que apoiavam as medidas descentralizantes do Ato 
adicional passaram a ser conhecidos como Progressistas, e os 
opositores ao Ato, como Regressistas. 
Com a morte de D. Pedro I (setembro de 1834) acontece 
novamente uma rearticulação partidária: Liberais ou Luzias: parte 
dos moderados se une com os exaltados e Conservadores ou 
Saquaremas: Araújo Lima e outra parte se unem com os 
restauradores. 
 
 Trina Permanente.(1831-1834) 
A Trina Permanente era formado pelo Brigadeiro Francisco 
de Lima e Silva e os deputados José da Costa Carvalho e João 
Bráulio Muniz. 
 Durante o período regencial, o Brasil viveu certa 
“experiência republicana”, pois o Poder Executivo era eletivo e com 
mandato temporário. A atividade política era intensa, vários grupos 
disputavam o poder e o Brasil foi palco de constantes lutas sociais. 
Nessa primeira fase do período regencial, de 1831-1834, a política 
nacional esteve sobre controle dos liberais moderados. 
A figura de maior destaque nesse período foi o padre 
Antonio Feijó, ministro da Justiça, empossado nesse cargo no dia 6 
de julho de 1831, filho bastardo de uma família de grandes 
proprietários rurais de Itu. 
 Assumiu o cargo somente depois da assinatura de um 
documento, assinado pela Câmara, que lhe dava total autonomia 
para reprimir as agitações e outros poderes. Na crise de julho 
(levante da policia e do exército carioca, contra baixos salários e 
castigos), Feijó agiu com determinação, requisitando forças de Minas 
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e São Paulo para enfrentar os revoltosos. Mas não foi necessário. 
Bastou às autoridades negarem o atendimento das exigências para 
que as tropas rebeladas se recolhessem e o movimento fracassasse. 
 Contudo, havia ficado bastante claro que o governo 
regencial não poderia confiar nas tropas regulares. Partindo dessa 
constatação, foi criada a Guarda Nacional. Criada pela lei de 18 de 
agosto de 1831, subordinada ao Ministério da Justiça, ao mesmo 
tempo em que se extinguiam as ordenanças e milícias subordinadas 
ao Ministério da Guerra. 
[Na Guarda Nacional serão listados]: 
1º. Todos os cidadãos brasileiros que podem ser eleitores, contando 
que tenham menos de 60 anos de idade e mais de 21. 
2º. Os cidadãos filhos de famílias de pessoas que tem a renda 
necessária para serem eleitores, contando que tenham 21 anos de 
idade para cima. 
(Coleção Leis do Império Brasil de 1831) 
A Guarda Nacional era uma força paramilitar, composta por 
cidadãos com renda anual superior a 200 mil-réis, nas grandes 
cidades, e 100 mil-réis nas demais regiões. Organizada por distrito, 
seus comandantes e oficiais locais eram escolhidos por eleição direta 
e secreta. Foi assim que o governo dos moderados equipou-se com 
uma forma repressiva fiel e eficiente. Como instrumento de poder da 
aristocracia rural, sua eficiência foi testada com sucesso em 1831 e 
1832, no Rio de Janeiro e em Pernambuco, contra as rebeliões 
populares. 
 
 Ato Adicional. 
O Federalismo, no qual províncias e municípios têm ampla 
autonomia, era a mais antiga reivindicação dos liberais exaltados. Os 
liberais moderados queriam tirar essa bandeira de luta das mãos dos 
“anarquistas”. Também não queriam assustar os conservadores. 
Através da negociação, da conciliação entre as elites, chegou-se a 
um acordo, e a Câmara, dominada pelos moderados, a 6 de agosto 
de 1834 reformou a Constituição de 1834, através do Ato Adicional. 
O Ato Adicional mostrou os limites do liberalismo, na 
medida em que reduziu a autonomia relativa das províncias, que não 
poderiam ter Constituição própria. O presidente, chefe do Executivo 
Provincial, era nomeado por autoridades do governo central. A 
autonomia das províncias se restringiu à criação do Legislativo, 
representado pelas assembléias provinciais, eleitas pelas elites 
regionais, as quais poderiam legislar sobre as despesas e os 
impostos locais. Na verdade o Ato misturava a centralização do poder 
com a descentralização, o que tornava sua aplicação muito difícil. 
Vejamos alguns pontos: 
 
o Extinguiu o Conselho de Estado. 
o Criou as Assembléias Legislativas Provinciais. 
o Instituiu o município neutro, capital do país, cidade do Rio de 
Janeiro. 
o A Regência trina foi transformada em una, com mandato de 
quatro anos devendo ser eleita pelo voto direto (eleitores de 
segundo grau). 
 
Com o ato adicional, os liberais chegaram ao ponto máximo 
das reformas no governo, razão pela qual o período de 1831 a 1835 
ficou conhecido como avanço liberal. 
 
 Regência de Feijó. (1835-37) 
A nova organização partidária e a crise econômica nacional 
prenunciavam um governo difícil para quem quer que fosse eleito. 
Diogo Feijó foi acabou ganhando as eleições por 2. 826 votos contra 
2.251 dados a Holanda Cavalcanti. O novo regente tomou posse do 
cargo no dia 12 de outubro de 1835. 
Por essa época, várias rebeliões populares eclodiram no 
país e novamente a Guarda Nacional foi chamada a intervir para 
manter a ordem do país. Na capital, o novo regente era pressionado 
pela oposição, que denunciava na Assembléia o caráter 
excessivamente liberal de algumas medidas, como a campanha 
abolicionista. 
O padre Feijó enfrentou também conflitos com a hierarquia 
da Igreja, que se escandalizou com sua proposta de acabar com o 
celibato clerical. Ele também pensava que as ordens de frades e 
freiras deveriam ser extintas, defendia algo como uma espécie de 
federalismo na Igreja, com uma diocese em cada província. 
Por fim o regente perdeu o apoio da imprensa, ao romper 
com seu antigo aliado Evaristo da Veiga, redator do jornal A Aurora 
Fluminense. Evaristo passou a criticar a “sede de poder” de Feijó, 
que recusava qualquer tipo de acordo com os políticos 
conservadores, e, decretou o encerramento do jornal em 1836. 
Minoritário na Câmara, sem apoio das classes dominantes, 
envolvido em conflitos com a igreja, acusado de cumplicidade com os 
farrapos o regente renunciou em 19 de setembro de 1837. Em seu 
lugar, assumiu o ministro do império, o conservador Araújo Lima. 
 
 Regência de Pedro de Araújo Lima. (1838-40) 
A eleição de Araújo Lima levou os regressistas ao poder. 
Era necessário “deter o carro da revolução”, como dizia Bernardo de 
Vasconcelos, um importante político conservador. Era preciso acabar 
com a descentralização, mudar a Legislação, para garantir os 
privilégios do latifúndio escravista, fosse o decadente do Norte-
Nordeste, fosse o do Sudeste, revigorado pelo desenvolvimento da 
economia cafeeira. 
Dominando a Câmara, os regressistas reformularam o 
Código de Processo Criminal. Retiraram os juízes de paz as 
atribuições policiais, administrativas e criminais e passaram para os 
juízes municipais, os chefes de polícia e seus delegados, nomeados 
pelos presidentes provinciais e pelo governo central. Os capangas 
dos grandes proprietários locais passaram agora a ser capangas do 
governo que representava os grandes proprietários. 
A Lei de Interpretação do Ato Adicional aprovada em 
1840, referia-se a alguns pontos principais que facilitavam a volta da 
centralização do poder. Essa lei retirava das assembléias provinciais 
o poder de definir as funções dos agentes judiciais e policiais e 
subordinava quase todos ao governo central. Essas medidas só 
foram efetivamente implantadas no Segundo reinado, quando 
também renasceu o Conselho de Estado. 
 
 Revoltas Regências: 
 
a) Cabanagem - Pará (1835-40) 
I - Introdução 
 Causada pelo abandono do Governo Central (RJ) em 
relação ao Pará; 
 Causada pelo presidente de província indicado que era 
contrário as elites locais; 
 Foi de cunho popular, feito pelos cabanos, começouem 
Belém e se alastrou por toda região do Pará; 
 
A abdicação de D. Pedro I teve reflexos violentos no Grão - 
Pará. Sob a liderança do cônego Batista Campos, os cabanos 
depuseram uma série de governantes nomeados pelo Rio de Janeiro 
para a Província. Além disso, exigiam melhores condições materiais 
e a expulsão dos portugueses (Caramurus), vistos como os 
responsáveis pela miséria em que viviam. Em dezembro de 1833, o 
Governo da Regência Trina Permanente conseguiu retomar o 
controle da situação, e Bernardo Lobo de Sousa assumiu o governo 
da Província. 
 
 - A Tomada do Poder 
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Às duas horas da madrugada, rebentou o movimento. 
Quatro colunas atacam Belém: A primeira, sob comando de Antonio 
Vinagre, vinha do Murucutu e tinha a missão de ocupar o Quartel dos 
Corpos de Caçadores e de Artilharia; a segunda, sob o comando de 
Miguel Aranha, estava concentrada no Coalhinho e dirigiu-se para o 
Palácio do Governo; a terceira do Bacuri sob comando de Angelim, e 
a quarta da Memória, sob o comando de General Gavião, também 
tinha por objetivo o ataque do Palácio do Governo e, posteriormente, 
junto com a coluna de Aranha, a tomada do Arsenal. Cada coluna 
estava dividida em grupos de assaltos, cada um com tarefas 
específicas. 
 Logo que os cabanos dominaram os quartéis e o Palácio, 
os municipais permanentes superaram o receio inicial e participaram 
do movimento: foram à cadeia Publica e libertaram os presos 
políticos, da capital e do interior. Vários oficiais e portugueses, 
encontrados armados no caminho, caíram pelas armas. 
Lobo de Sousa, cercado pelos cabanos, andava “como 
louco” de uma casa para outra, passou para a casa do Coronel 
Geraldo de José de Abreu. João Miguel Aranha apareceu com 
aspecto ameaçador, gritando em voz alta: “Aí está o Malhado!”. Lobo 
de Souza para e tentou falar, mas Domingos Onça deu-lhe um tiro de 
mão tão certeira que o prostrou sem dar gemido nem proferir uma só 
palavra! 
Às seis horas da Manhã. Miguel Aranha voltou com uma 
coluna ao Arsenal e informou ao comandante que toda a capital 
estava sob o poder cabano: era inútil qualquer resistência; em troca 
da rendição pacifica, Aranha deu garantia de vida. Com a posse do 
Arsenal de Guerra, os cabanos depois de apenas quatro horas 
alcançaram, pela eficiência organizacional, o controle completo de 
Belém. (P. de Paolo, Cabanagem). 
 Os presidentes Cabanos 
1-Felix Malcher(7/01 – 21/02/1835) 
2-Francisco Pedro Vinagre(2/03-26/07/1835) 
3- Eduardo Angelim(14/08/1835-9/04/1836) 
 
b) Farrapos – Rio Grande do Sul (1835-45) 
A Guerra dos Farrapos, também chamada Revolução 
Farroupilha, foi a mais longa guerra civil brasileira. Durou 10 anos. 
Foi liderada pela classe dominante gaúcha, formada por fazendeiros 
de gado, que usou as camadas pobres da população como massa de 
apoio no processo de luta. 
 Apesar da participação do povo, esse movimento difere da 
Cabanagem e da Balaiada, pois os fazendeiros, unidos, jamais 
permitiram que as camadas populares assumissem a liderança do 
movimento ou se organizassem em lutas próprias. 
 A elite fazendeira do Rio Grande do Sul contestava a 
centralização política, o desinteresse do governo central pelos 
problemas das províncias e os tratados comerciais que prejudicavam 
o país. Contestava também os impostos e as baixas taxas 
alfandegárias cobradas na importação de produtos estrangeiros, 
principalmente o charque (carne-seca) argentino e uruguaio, que 
concorria com mercados consumidores brasileiros. 
 Desde o século XVII, a base da economia gaúcha era a 
criação de gado e principalmente a fabricação do charque, importante 
produto para a alimentação dos escravos e das populações mais 
necessitadas que viviam nas zonas mineradoras e nos latifúndios do 
Norte e do Nordeste. Entretanto, os fazendeiros gaúchos, para 
venderem o charque nas outras províncias do Brasil, eram obrigados 
a pagarem impostos alfandegários, como se o produto fosse 
estrangeiro. 
 Dessa maneira, o charque do Rio Grande do Sul, produzido 
em bases escravistas, não podia competir com o preço e a qualidade 
do charque argentino e uruguaio, que pagava baixas taxas de 
impostos nas alfândegas do Brasil e era produzido em escala 
superior, com a utilização de mão-de-obra assalariada, mais 
dinâmica e produtiva que a escrava. 
 O Rio Grande, por sua forma especifica de ocupação 
baseada na apropriação militar da terra e por ser uma zona de 
fronteira, tinha uma forte presença política dos militares. Os grupos 
políticos mais fortes eram os Liberais Exaltados e os restauradores. 
 Diante disso, os fazendeiros de gado organizaram a luta, 
que tinha como finalidade solucionar os problemas econômicos da 
província e obter liberdade de escolherem seus próprios governantes. 
 Em 20 de setembro de 1835, depois de incidentes entre o 
presidente da província e Bento Gonçalves (caudilho, grande 
proprietário de terra e chefe militar), os rebeldes tomaram a cidade de 
Porto Alegre e, no ano seguinte, proclamaram a República Rio-
Grandense, também chamada República de Piratini. 
 Sob o comando de Davi Canabarro e auxiliados pelo 
italiano Garibaldi, os gaúchos continuaram lutando e conquistaram 
em 1839 Santa Catarina, a República Juliana. 
Os rebeldes iam ampliando suas conquistas e organizando 
seu próprio governo. Chegaram a convocar uma Assembléia 
Constituinte para a elaboração de um projeto de Constituição. 
 De acordo com as idéias revolucionárias, o regime político 
adotado seria uma república presidencialista, em que o presidente 
seria eleito pelo voto censitário e governaria assessorado por um 
grupo de conselheiros. 
 Para combater os rebeldes e tentar a paz, o governo central 
nomeou Caxias como governador do Rio Grande do Sul. Caxias 
isolou os rebeldes, cortou as principais linhas de comunicação e 
abastecimento dos farrapos e propôs um acordo de paz, que incluía 
uma anistia aos combatentes farroupilhas. 
 Entretanto, somente em 28 de fevereiro de 1845 os 
rebeldes aceitaram a paz proposta por Caxias. Pelo acordo 
estabelecido, além da anistia ampla e restrita aos rebeldes, o 
governo deveria libertar os escravos que lutaram ao lado dos 
farrapos; incorporar ao Exército Imperial, com as mesmas patentes, 
os oficiais rebeldes; devolver aos farrapos as propriedades tomadas 
durante a luta; mudar a política de cobrança de impostos. Assim, 
conseguiu-se a paz. 
 
c) Revoltas dos Malês -Bahia (1835) 
 Bahia primeira metade do século XIX, explode o movimento 
rico em aspectos, como étnico-culturais, religiosos e de classes. 
Região por excelência conflituosa, os negros ao chegar ao Brasil 
procuravam adaptar sua cultura africana ao escravismo, não porque 
gostavam disso, mas, por uma questão de resistência autônoma ou 
uma estratégia de sobrevivência. Cada grupo étnico mantinha suas 
diferenças, mas realizavam interações. 
No entanto havia divergências bem expressivas, como a 
dos crioulos, minoria, e os africanos. Os primeiros pouco se 
envolviam nas revoltas ao lado dos africanos, mais ao lado dos 
brancos pobres livres, isso devido esses escravos nascidos no Brasil, 
contavam com certo paternalismo, forma de controle mais eficaz do 
que o chicote do feitor, contavam com alguns privilégios e poder de 
barganha. Estavam entre a cruz e a espada. Temia um avanço dos 
africanos, que esmagariam sua minoria crioula. 
Se a rebelião de 1835 não contou com os crioulos, não 
foram somente os escravos africanos que a fizeram, tiveram o auxilio 
dos libertos, esses que embora livre vivem bem semelhante aos 
escravos, eram ainda oprimidos, eles ainda se auto-identificavam 
com a classe, pois mantinham vínculos religiosos culturais, e até 
discriminatórios, já que, como liberto, devia inúmeros deveres e 
respeito ao ex-senhore ao restante da sociedade. Tudo isso devido: 
Se o liberto deixava de ser escravo, ele não se tornava exatamente 
um homem livre, não possuía qualquer direito político e, embora 
fosse considerado estrangeiro, não gozava dos privilégios de cidadão 
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de outro país. O estigma da escravidão estava irredutivelmente 
associado à cor de sua pele e, sobretudo, a sua origem. 
 A religião foi talvez a força ideológico-cultural mais 
poderosa de moderação das diferenças étnico-sociais, embora tenha 
falhado em unirem africanos e crioulos. Pelo fato de haver sido um 
meio de solidariedade interétnica, o islã ajudou a promover a unidade 
entre muitos escravos e libertos africanos. O islã representou um 
forte fator de mobilização e, obviamente, organizou os rebeldes de 
uma maneira sofisticada. Ao mesmo tempo, os lideres malês não 
negligenciaram a busca aliados fora do campo mulçumano, sendo 
assim, esse movimento não deve ser considerado uma Jihad, ou 
seja, guerra santa. 
A política de rebeldia escrava em 1835 foi facilitada pelo urbano, 
pela conjuntura econômica recessiva e pela situação política geral da 
província da Bahia e do império do Brasil. Com isso a cidade de 
salvador tornou-se um bom lugar para a revolta. 
 A fraca participação dos africanos na cultura senhorial 
levava-os a celebrarem essas datas com sua própria gente. Escravos 
e libertos encontravam-se para orar, festejar seus deuses e lançar 
seus corpos na dança intensa dos batuques e candomblé. Assim, 
1835, ocorreu o movimento, domingo dia de Nossa Senhora da Guia. 
Mas em 1835 havia também outra razão para acontecer naquele 
domingo. De acordo com o calendário islâmico, os malês estavam 
festejando o fim do Ramadã (noite do poder). O movimento foi 
delatado um dia antes da revolta programada, 25 de janeiro. Seus 
lidere foram presos e condenados à morte, dois anos de prisão e 
açoites. 
 
d) Sabinada – Bahia (1837-38) 
Uma nova revolta explode na Bahia. Os revoltosos 
reclamam que o governo central só sabia cobrar impostos, mas nada 
fazia pela Bahia. Diziam que os impostos arrecadados eram gastos 
só no Rio de Janeiro. 
 O foco principal dessa revolta foi à cidade de Salvador e 
agrupou principalmente a classe média local. Jornalistas, artesões, 
pequenos comerciantes, professores, médicos e outros profissionais, 
imbuídos das idéias liberais, queriam participar das decisões. 
Liderados pelo jornalista e medico Francisco Sabino da 
Rocha Vieira, o povo pegou em armas e expulsou o presidente da 
província em 7 de setembro de 1837. Os rebeldes recusavam-se a 
obedecer as ordens do regente. Eles almejavam fazer a Bahia uma 
república provisória, até a maioridade de D. Pedro de Alcântara, o 
futuro imperador. 
 O sonho durou pouco. Logo, vieram as tropas do governo 
regencial e derrotaram os rebeldes, cerca de duas mil mortes 
ocorreram. Os lideres da Sabinada foram presos e deportados. Mais 
uma vez a ordem foi restabelecida a ferro e fogo. 
 
e) Balaiada – Maranhão (1838-41) 
Rebelião no Maranhão teve sua origem no confronto entre 
duas facções rivais: cabanos (nome pejorativo no Maranhão, 
conservadores) e bem-te-vis (liberais exaltados). Os dois grupos 
disputavam o poder na província. 
 Os bem-te-vis, nome tirado do jornal O Bem-te-vi, 
representava a população urbana que se opunha aos abusos dos 
proprietários de terras e aos comerciantes portugueses. Os conflitos 
entre bem-te-vis e cabanos agravaram-se após a votação da 
chamada "lei dos prefeitos", pela qual os governantes locais, os 
prefeitos, passaram a ter poderes imensos, inclusive o de autoridade 
policial. Os cabanos, que estavam no poder, conseguiram maior 
controle da Província, nomeando seus partidários para o cargo de 
prefeitos, o que redundou em perseguição aberta aos bem-te-vis. 
 No Maranhão a insatisfação social era grande. Negros e 
mestiços constituíam a maior parte da população. Como aponta o 
historiador Arthur César Ferreira Reis, "Milhares de negros que 
fugiam aos maus tratos dos senhores aquilombavam-se nas matas, 
de onde saíam para surtidas rápidas e violentas sobre propriedades 
agrárias." O movimento logo escapou do controle das camadas 
dominantes, transformando-se num levante dos setores mais 
humildes da Província. 
 O fato que costuma marcar o início da revolta ocorreu em 
13 de dezembro de 1838, quando o vaqueiro Raimundo Rodrigues 
Gomes, um mestiço conhecido como Cara Preta passava pela Vila 
da Manga, levando uma boiada de seu patrão para vender em outro 
local. Na ocasião muitos dos homens que o acompanhavam foram 
recrutados e seu irmão aprisionado sob a acusação de assassinato. 
O recrutamento obrigatório, uma das armas de que o 
Governo dispunha para controlar a população, sempre foi muito 
impopular, visto que recaía basicamente sobre os menos favorecidos, 
obrigados a qualquer momento a servir nas forças policiais ou 
militares. Raimundo invadiu a cadeia libertando não só seu irmão 
como os outros presos. A guarda não reagiu. Ao contrário, aderiu. 
 A partir daí o movimento ampliou-se. A luta generalizou-se 
por toda a Província. Por onde passava, Raimundo ia conseguindo 
que mais gente o seguisse, inclusive os escravos negros, que 
formaram quilombos, dos quais o mais importante foi o comandado 
pelo negro Cosme. À frente de 3 mil escravos rebelados, Cosme, um 
antigo escravo, que se intitulava "Imperador, Tutor e Defensor das 
Liberdades Bem-te-vis", vendia títulos e honrarias a seus seguidores. 
 O mulato Francisco dos Anjos Ferreira, artesão que 
fabricava balaios e que acabou por dar nome ao movimento, aderiu à 
revolução para vingar o estupro de sua filha por um capitão branco. 
Ele jurou vingança a todos os que não fossem de sua cor e condição 
social. Nenhum dos participantes era politizado e nenhuma das 
facções políticas estava por trás do movimento. 
 Em 1839, os balaios tomaram a Vila de Caxias, "a 
segunda cidade da Província em importância". 
 Os rebeldes organizaram-se em um Conselho Militar e 
formaram uma Junta Provisória, com a participação de elementos 
bem-te-vis da cidade. Uma delegação foi enviada à capital, São Luís, 
para entregar ao presidente da Província as propostas para a 
pacificação: 
o Anistia para os revoltosos. 
o Revogação da "lei dos prefeitos". 
o Revogação da lei que organizara a Guarda Nacional. 
o Expulsão dos portugueses natos. 
o Diminuição de direitos aos naturalizados. 
o Instauração de processo regular para os presos existentes nas 
cadeias. 
 No entanto, o movimento, apesar de ter atingido a parte 
mais importante da Província, chegando mesmo a ameaçar São Luís, 
entrou em rápido declínio. Sem unidade, com muitas divergências 
entre seus chefes, sofreu ainda o afastamento dos bem-te-vis, que 
após tentarem tirar vantagens do movimento, dele se afastaram, 
aderindo à reação, com medo da radicalização das camadas mais 
pobres da população, que assumiram a liderança da revolta. 
 Não aceitando as exigências dos balaios, o Governo 
provincial solicitou ajuda ao Rio de Janeiro. Em 1840, o Coronel 
Luís Alves de Lima e Silva, futuro Barão de Caxias, é nomeado para 
a presidência da Província, acumulando o comando das armas. À 
frente de 8 mil homens, e aproveitando-se habilmente das rivalidades 
entre os líderes balaios, Caxias em pouco tempo sufocou o 
movimento. No ano seguinte, em 1841, um decreto imperial 
concedeu anistia aos revoltosos sobreviventes. 
 A repressão à Balaiada marcou o início da chamada 
"política da pacificação", pela qual Caxias sufocou as agitações que 
ocorreram durante o Império. 
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 Golpeda Maioridade 
Os políticos que defendiam a centralização venceram as 
eleições de 1838. Os liberais derrotados nessa eleição, perceberam 
que a única forma de acabar com o governo dos centralizadores seria 
pondo um fim à Regência. E isso só seria obtido com a transferência 
do poder ao jovem príncipe. 
Havia um grande impedimento legal para que isso 
acontecesse. Segundo a Constituição, o jovem príncipe só poderia 
assumir o poder quando completasse 18 anos, e ele tinha apenas 14. 
Os liberais, então, se lançaram numa campanha para a maioridade 
de D. Pedro fosse reconhecida pela Câmara, desse modo, ele 
poderia assumir o trono e governar o país, mesmo com sua pouca 
idade. 
A campanha da maioridade conquistou a simpatia popular. 
Nessa época, a figura do imperador era muito venerada. Para vários 
grupos, o imperador traria tranqüilidade e paz para o país. 
Os centralizadores não queriam que D. Pedro assumisse 
antes de fazer 18 anos, em 1844. Se a proposta da maioridade fosse 
aprovada, eles ficariam mais tempo no poder. 
 Enquanto o projeto da maioridade estava terminado pela 
Assembléia, os liberais procuraram o pequeno príncipe e 
perguntaram-lhe se queria torna-se o imperador do Brasil. A resposta 
não poderia ser outra: “Quero já”. Mas essa afirmativa hoje é um 
pouco contestada, pois Pedro de Alcântara, era muito jovem, criado 
no Brasil, vivenciou muito a boemia carioca, historiadores 
contemporâneos afirmam que ele queria também “aproveitar mais 
suas vida”. 
 Em 23 de julho de 1840, Pedro de Alcântara se tornou D. 
Pedro II, os liberais conseguiram o que queriam. D. Pedro II começou 
o seu reinado com um ministério composto apenas com liberais. 
 
____________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 10__________________ 
1. Do ponto de vista político podemos considerar o período regencial 
como: 
a) uma época conturbada politicamente, embora sem lutas 
separatistas que comprometessema unidade do país. 
b) um período em que as reivindicações populares, como direito de 
voto e abolição da escravidão foram amplamente atendidas. 
c) uma transição para o regime republicano que se instalou no país a 
partir de 1840. 
d) uma fase extremamente agitada com crises e revoltas em várias 
províncias, geradas pelas contradições das elites, classe média e 
camadas populares. 
e) uma etapa marcada pela estabilidade política. 
 
2. Entre as várias rebeliões irrompidas nas províncias, a ocorrida no 
Maranhão notabilizou-sepela diversidade social dos insurgentes, 
entre os quais não faltaram escravos e quilombolas. 
A revolta mencionada denomina-se: 
a) Cabanagem 
b) Balaiada 
c) Farroupilha 
d) Revolta dos Malês 
e) Praieira 
 
3. A consolidação do Império foi marcada por várias rebeliões, que, 
representando grupos, regiões e interesses diversificados, 
ameaçaram o Estado Imperial. Assinale a opção que associa uma 
dessas rebeliões ocorridas durante o Império com o que foi afirmado 
acima : 
a) A Cabanagem, no Grão Pará, expressou a reação dos 
comerciantes locais contra o monopólio do comércio. 
b) A Praieira, em Pernambuco, foi a mais importante manifestação do 
Partido Conservador. 
c) A Sabinada, na Bahia, teve origem na mais importante rebelião 
popular e de escravos do período. 
d) A Balaiada, no Maranhão, apesar de sua fidelidade monárquica, 
representou o ideal federal da oligarquia. 
e) A Farroupilha, no Rio Grande, foi a mais longa rebelião 
republicana e federalista, expressando ideais dos proprietários 
gaúchos. 
 
4. Como um elemento comum aos vários movimentos insurrecionais 
que marcaram o período regencial ( 1831-1840), destaca-se: 
a) o confronto com o poder centralizado. 
b) a defesa do regime republicano. 
c) o repúdio à escravidão. 
d) a oposição ao regime monárquico. 
e) o boicote ao voto censitário. 
 
5. Sobre a Balaiada, assinale a alternativa correta: 
a) Foi um conflito entre as elites das províncias de Penambuco e 
Piauí. 
b) Caracterizou-se por uma forte presença de grandes proprietários 
rurais que exigiam o retorno de D.Pedro I. 
c) Envolveu muitos elementos provenientes das classes populares 
e teve como uma das causas a insatisfação da população com o 
recrutamento miliitar obrigatório. 
d) Foi um movimento dos criadores de gado e grandes comerciantes 
em defesa do federalismo, da República e do fim da escravidão. 
e) Foi uma revolta organizada por pequenos produtores rurais em 
defesa da religião catóĺica. 
 
6. A Sabinada, que agitou a Bahia entre novembro de 1837 e março 
de 1838, 
a) tinha objetivos separatistas, no que diferia frontalmente das outras 
rebeliões do período. 
b) foi uma rebelião contra o poder instituído no Rio de Janeiro que 
contou com a participação popular. 
c) assemelhou-se à Guerra dos Farrapos, tanto pela postura anti-
escravista quanto pela violência e duração da luta. 
d) aproximou-se, em suas proposições políticas, das demais 
rebeliões do período pela defesa do regime monárquico. 
e) pode ser vista como uma continuidade da Rebelião dos Alfaiates, 
pois os dois movimentos tinham os mesmos objetivos. 
 
7. Sobre a Revolta dos Malês, é incorreto afirmar que: 
a) ocorreu na cidade de Salvador, a Bahia, em 1835. 
b) participaram dessa revolta, os malês, nome dado aos muçulmanos 
nascidos na África, muito numerosos em Salvadornaquele momento. 
c) Os escravos e libertos nascidos no Brasil, não participaram da 
rebelião. 
d) tudo indica que a origem da insatisfação dos malês foi a repressão 
das autoridades locais a suas manifestações religiosas. 
e) foi a única rebelião escrava ocorrida no período regencial. 
 
8.(EsSa-16) Qual importante medida administrativa foi tomada em 
1834 realizada a partir da modificação na constituição brasileira? 
a) Abertura dos portos as nações amigas. 
b) A cidade do Rio de Janeiro tornou-se municipio neutro. 
c) A Assinatura da tarifa Alves Branco. 
d) A Aprovação da Lei de Terras. 
e) Assinatura do Tratado de comércio e navegação. 
 
9. O Golpe da Maioridade, datado de julho de 1840 e que elevou D. 
Pedro II a imperador do Brasil, foi justificado como sendo: 
a) uma estratégia para manter a unidade nacional, abalada pelas 
sucessivas rebeliões provinciais; 
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b) o único caminho para que o país alcançasse novo patamar de 
desenvolvimento econômico e social; 
c) a melhor saída para impedir que o Partido Liberal dominasse a 
política nacional; 
d) a forma mais viável para o governo aceitar a proclamação da 
República e a abolição da escravidão; 
e) uma estratégia para impedir a instalação de um governo ditatorial. 
 
10.(Essa-16) A Revolta dos Malês foi um movimento de escravos 
africanos, muitos dos quais eram muçulmanos, ocorrido em 1835 na 
seguinte província: 
a) Maranhão. 
b) Grão-Pará. 
c) Bahia. 
d) Pernambuco. 
e) Minas Gerais. 
 
 
 Segundo Reinado: aspectos administrativos, 
militares, econômicos, sociais e territoriais. 
 
 O SEGUNDO REINADO (1840-1889)...... 
 
 Partido Liberal e Conservador. 
 As disputas políticas entre progressistas (Feijó) e 
regressistas (Araújo Lima), durante as regências, resultaram 
posteriormente no Partido Liberal e no Partido Conservador, que se 
alternaram no governo ao longo do Segundo Reinado. Enquanto o 
Partido Liberal se aglutinou em torno do Ato Adicional, o Partido 
Conservador foi se organizando em torno da tese da necessidade de 
limitar o alcance liberal do Ato Adicional, através de uma lei 
interpretativa. 
 O período regencial começou liberal e terminou 
conservador. E há uma explicação para esse fato: a ascensão da 
economia cafeeira. Por volta de 1830, o café havia deixado de ser 
uma cultura experimental e marginal para se tornar o principal 
produto de exportação, suplantandoo açúcar. Os principais líderes 
conservadores eram representantes dos interesses cafeeiros. 
 Com a formação desses dois partidos e a ascensão da 
economia cafeeira, a vida política brasileira parecia ganhar finalmente 
a necessária estabilidade. Porém, as regras do jogo foram quebradas 
pelos liberais, com o Golpe da Maioridade. 
 
 O gabinete da maioridade ou o Ministério dos Irmãos. 
 Imediatamente após o golpe, organizou-se o ministério, o 
primeiro da maioridade, dominado pelos "maioristas", todos eles 
ligados ao Partido Liberal. Do novo gabinete participavam os irmãos 
Andrada (Antônio Carlos e Martim Francisco) e os irmãos Cavalcanti 
(futuros viscondes de Albuquerque e de Suassuna), de onde 
decorreu o nome de Ministério dos Irmãos. As disputas políticas, 
contudo, tornaram-se sangrentas a partir da ascensão liberal, e 
governar havia se tornado sinônimo de exercício do poder 
discricionário*. Assim, para controlar o país, o partido que se 
encontrava no governo estabelecia a rotina de nomear presidentes 
de províncias de seu agrado e de substituir autoridades judiciais e 
policiais de fidelidade duvidosa. 
 Nas eleições, os chefes políticos colocavam nas ruas 
bandos armados; o governo coagia eleitores e fraudava os resultados 
das urnas. A eleição de 13 de outubro de 1840, que deu início a esse 
estilo novo (e violento) de fazer política, ficou conhecida como 
"eleição do cacete", e deu vitória aos liberais. Todas as outras 
eleições realizadas depois disso não escaparam à regra: continuaram 
igualmente violentas. 
 
 A Presidência do Conselho de Ministros e o Parlamentarismo 
às Avessas. 
 No Primeiro Reinado foi constante o conflito entre o poder 
Moderador (D. Pedro I) e a Câmara dos Deputados. Para diminuir os 
atritos entre os poderes, foi criado, em 1847, a Presidência do 
Conselho de Ministros. 
 Ficou convencionado que o imperador nomearia apenas o 
presidente do Conselho, que, por sua vez, escolheria os demais 
ministros. Nascia, desse modo, o parlamentarismo* brasileiro. Mas 
esse era um parlamentarismo muito diferente daquele praticado na 
Europa, que seguia o modelo inglês. 
No parlamentarismo europeu, o primeiro-ministro (que 
equivale ao nosso presidente do Conselho de Ministros) era 
escolhido pelo Parlamento, que também tinha força para depô-lo. 
Além disso, o ministério era responsável perante o Parlamento, ao 
qual era obrigado a prestar contas. Em suma, o Legislativo contro 
lava o Executivo. 
 No Brasil era o contrário. O ministério era responsável 
perante o poder Moderador (imperador). O Parlamento (poder 
Legislativo) nada podia contra os ministros, que governavam 
ignorando-o e prestando contas apenas ao imperador. Por esse 
motivo, esse parlamentarismo brasileiro ganhou o nome de 
"parlamentarismo às avessas”. 
 
 A Revolução Praieira: Pernambuco - 1848 a 1850 
A Revolução Praieira está entre as mais significativas 
revoltas sociais do Brasil, com a participação das camadas pobres da 
população pernambucana. 
A concentração fundiária era tal, que um terço dos 
engenhos pertencia a uma única família, os Cavalcantis. Se de um 
lado, algumas poucas famílias controlavam a maior parte das terras 
cultiváveis e a administração da província, de outro lado o comércio 
era dominado por um grupo de comerciantes portugueses. As 
camadas populares sofriam duramente com esta situação. 
Os praieiros, assim chamados por causa da Rua da Praia, 
onde ficava a sede do jornal liberal Diário Novo, defendiam um 
programa bastante avançado, influenciados pelas idéias socialistas 
que cresciam na Europa: voto livre e universal; liberdade de 
imprensa; nacionalização do comércio; garantia dos direitos e 
liberdades individuais; trabalho como garantia de vida; abolição da 
escravatura; regime republicano, entre outros. 
Em primeiro de janeiro de 1849, o programa dos praieiros 
foi publicado no Manifesto ao Mundo, redigido por Borges da 
Fonseca. 
O fator desencadeador desta revolta foi a nomeação de um 
presidente conservador para a Província de Pernambuco, 
desgostando aos liberais. Os principais líderes do movimento foram 
os capitães Pedro Ivo e o intelectual socialista Abreu de Lima. Apesar 
de suas vitórias iniciais contra as forças do governo, acabaram 
derrotados em 1850. A Revolução Praieira foi a última grande revolta 
do Brasil Império. 
 
 A Economia do Império 
 Tarifa Alves Branco (1844): 
 Da cobrança de taxas alfandegárias o governo brasileiro 
obtinha a maior parte de sua receita. Contudo, desde os tratados de 
1810, que reduziram os direitos alfandegários das mercadorias 
inglesas para 15% essa fonte de receita encontrava-se 
incomodamente restringida. 
 A situação havia se agravado mais ainda com as 
concessões comerciais feitas aos Estados Unidos e a outros países 
europeus, por ocasião do reconhecimento da emancipação do Brasil. 
O débil desempenho da economia brasileira até por volta de 1840 foi 
tornando cada dia mais precária a situação do Tesouro. A 
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inexistência de uma produção nacional que suprisse as necessidades 
internas de consumo fez do Brasil uma economia inteiramente 
dependente do fornecimento externo. 
 Os gêneros alimentícios e os produtos de uso corriqueiro, 
como sabão, velas, tecidos, etc., eram trazidos de fora, e a sua 
importação, naturalmente, tinha um custo monetário que deveria ser 
saldado com as exportações de produtos nacionais. A dependência 
em que o Brasil se encontrava em relação à Inglaterra e em menor 
escala em relação aos Estados Unidos e outros países europeus 
apenas havia transferido para muitos os benefícios que antes só 
cabiam Portugal. 
 O país continuava, no plano econômico, essencialmente 
colonial. Essa distorção, que dificultava a acumulação interna de 
capital, foi parcialmente corrigida em 1844, com a substituição do 
livre cambismo por medidas protecionistas, através da Tarifa Alves 
Branco, como ficou conhecido o decreto do ministro da Fazenda 
Manuel Alves Branco. Segundo a nova legislação aduaneira, os 
direitos duplicaram (passaram para 30%) para mercadorias sem 
similares nacionais e 60% em caso contrário. 
 Evidentemente, as pressões internacionais contra a medida 
foram muitas, sobretudo por parte dos britânicos, que perdiam boa 
parte dos privilégios que tinham no mercado brasileiro. Embora a 
nova política protecionista não formasse uma barreira intransponível, 
nem estimulasse decisivamente o desenvolvimento do mercado 
interno, foi, todavia, um importante passo nesse sentido. 
 
 A Política Externa: 
 A Questão Christie (1861 - 1865) 
 A Questão Christie foi provocada por dois incidentes, 
aparentemente sem muita importância, mas que culminaram no 
rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra. 
O primeiro ocorreu quando o navio inglês Príncipe de Gales 
naufragou no Rio Grande do Sul, em 1861, e teve sua carga 
saqueada por desconhecidos. 
 O segundo incidente foi em 1862, quando três oficiais 
ingleses embriagados e sem farda foram presos no Rio de Janeiro, 
por estarem provocando desordem. Ao serem identificados, foram 
imediatamente libertados . William Christie, representante 
diplomático da Inglaterra no Brasil, exigiu do governo brasileiro uma 
indenização de 3 200 libras pela carga do navio e também que o 
imperador pedisse desculpas à Inglaterra e demitisse os soldados 
que haviam prendido os oficiais. O imperador aceitou pagar a 
indenização, mas não concordou com o pedido oficial de desculpas. 
Não tendo sido atendido, Christie resolveu, em represália, 
aprisionar três navios brasileiros, que estavam ancorados no Rio de 
Janeiro. A população da cidade reagiu imediatamente contra a 
abusiva arrogância inglesa. E o governo de D. Pedro II, mesmo 
pagandoa indenização, solicitou ao rei da Bélgica, Leopoldo I, que 
arbitrasse a questão. Leopoldo I deu ganho de causa ao Brasil e os 
navios foram devolvidos. 
 A recusa da Inglaterra em desculpar-se com o Brasil levou 
ao rompimento das relações diplomáticas entre os dois países, as 
quais só foram reatadas em 1865, quando a Inglaterra enfim 
apresentou desculpas oficiais. 
 
 Guerra contra Oribe e Rosas (1850 - 1852) 
 A região do Prata, que hoje inclui o Paraguai, o Uruguai e a 
Argentina, foi disputada ainda no período colonial por portugueses e 
espanhóis. O Uruguai chegou a ser anexado ao Brasil, com o nome 
de Província Cisplatina, mas conquistou sua independência em 1828. 
 No Segundo Reinado as pretensões unitaristas da 
Argentina, que pretendia reconstruir o antigo Vice-Reino do Prata, 
quando a região estava unificada, despertaram a atenção do Brasil. 
Ao Brasil interessava a manutenção da fragmentação política da 
região, o que facilitaria seu acesso à navegação nos rios Uruguai, 
Paraguai e Paraná, que possibilitavam o acesso a várias províncias, 
principalmente ao Mato Grosso. 
 O projeto de formação de um grande país na região 
ameaçava a supremacia brasileira e feria os interesses franceses, o 
que provocou várias intervenções na região. 
 Depois da independência, dois partidos passaram a 
disputar o poder no Uruguai: 
1. O Partido Blanco: era formado principalmente pelos grandes 
proprietários pecuaristas, liderados por Manuel Oribe, que 
apoiava o projeto unitarista de Buenos Aires e contava com o 
apoio do ditador argentino Juan Manuel Rosas; 
2. O Partido Colorado: formado principalmente por comerciantes, 
era liderado por Frutuoso Rivera e tinha o apoio do Brasil. 
 
 A união entre Oribe e Rosas para tomar o poder no 
Uruguai, em 1839, levou a uma imediata reação do Brasil. O temor 
da anexação do Uruguai à Argentina e os ataques de uruguaios às 
fazendas gaúchas fronteiriças levaram o Brasil a intervir no Uruguai 
em 1851. 
 Uma aliança entre Rivera do Uruguai, o Império brasileiro e 
o general Urquiza, das províncias argentinas revoltosas de Corrientes 
e Entre Rios, culminou na derrota tanto de Oribe (Uruguai), como de 
Rosas (Argentina). O governo argentino passou para as mãos de 
Urquiza. 
 
 A Guerra do Paraguai (1865 - 1870) 
 A Guerra do Paraguai foi o mais longo e sangrento conflito 
já ocorrido na América Latina. Suas causas eram muito complexas e 
envolviam inúmeros interesses não só do Paraguai, mas também do 
Brasil, da Argentina e da Inglaterra. A partir de sua independência, 
em 1811, o Paraguai viveu um intenso processo de desenvolvimento. 
 Situado no interior da região do Prata, sem saída para o 
mar, o Paraguai tornou-se vulnerável, pois dependia dos países 
vizinhos para não ficar isolado do restante do mundo. Isso fez com 
que seus governantes desenvolvessem uma política voltada para 
dentro, durante os governos de José Francia (1811 - 1840), Carlos 
Antônio López (1840 - 1862) e de Francisco Solano López (1862 - 
1870), fazendo do país uma nação peculiar no contexto da América 
Latina. 
 O Paraguai não dependia economicamente de nenhum 
outro país. O analfabetismo foi erradicado, foram criadas estradas de 
ferro, telégrafos e várias fábricas, inclusive no setor siderúrgico. As 
pequenas e médias propriedades foram estimuladas e os latifúndios 
foram confiscados. 
 O Paraguai possuía uma economia sólida e uma política 
militar invejável, desafiando as potências tradicionais. 
Isso preocupava o Brasil e a Argentina, que temiam a 
ascensão desta nova potência, cujo projeto de criação do "Paraguai 
Maior", conseguindo assim romper o isolamento que dificultava seu 
acesso ao mar, ameaçava alguns territórios brasileiros, argentinos e 
uruguaios. 
 A postura de independência em relação ao exterior, 
desenvolvendo uma economia praticamente auto-suficiente, inclusive 
com indústrias, preocupava a Inglaterra, que apoiou e sustentou 
economicamente a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e 
Uruguai, na guerra que destruiu o Paraguai. 
 A causa imediata da guerra foi a intervenção do Brasil no 
Uruguai contra Aguirre, aliado do Paraguai, levando ao poder 
Venâncio Flores, do Partido Colorado. Este fato comprometeu o 
equilíbrio na região, pondo em risco a saída paraguaia para o mar via 
Uruguai. 
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 Em represália ao Brasil, Solano López ordenou que fosse 
aprisionado o navio brasileiro Marquês de Olinda e sua tripulação, 
incluindo o presidente da Província do Mato Grosso, em 11 de 
novembro de 1864. 
 As relações entre os dois países foram rompidas e, em 
dezembro, o Mato Grosso brasileiro foi invadido pelo exército 
paraguaio. O Paraguai avançou rapidamente, penetrando na 
província argentina de Corrientes, visando o Rio Grande do Sul e o 
Uruguai. 
 O tratado da Tríplice Aliança foi assinado em maio de 1865, 
porém seus termos e o acordo para destruir o Paraguai já estavam 
prontos um ano antes, 
 Bem preparados militarmente, os paraguaios mobilizaram 
um exército inicial de sessenta e quatro mil soldados, contra oito mil 
da Argentina, dezoito mil do Brasil e mil do Uruguai. 
 Entretanto, a vantagem paraguaia foi revertida no setor 
naval, onde o Brasil estava melhor preparado. A vitória brasileira na 
Batalha de Riachuelo (1865) foi prenúncio da derrota que seria 
imposta ao Paraguai. 
 Em 1866, o Uruguai e a Argentina abandonaram a guerra, 
ao mesmo tempo em que, no Brasil o comando das tropas brasileiras 
foi entregue a Duque de Caxias, que o reorganizou, garantindo ao 
Brasil várias vitórias nas batalhas de Humaitá, Avaí, Itororó e 
LomasValentinas. Em 1869 o exército de Caxias invadia Assunção, 
capital paraguaia. 
 O Conde D' Eu, posteriormente assume o comando e 
iniciou uma perseguição a Solano Lopez, na chamada Campanha 
das Cordilheiras. Solano López recuou para Peribebuí e depois para 
Cerro Corá, onde foi derrotado e morto em 1º de março de 1870. 
As conseqüências da guerra para o Paraguai foram 
drásticas: seu território foi devastado, setenta e cinco por cento de 
sua população foi aniquilada (de 800 mil habitantes, sobreviveram 
cerca de 194 mil), grande parte de suas terras foi vendida a 
estrangeiros. Sua economia foi totalmente desestruturada, não tendo 
se recuperado até os dias atuais. 
 Para o Brasil os resultados também não foram dos 
melhores: grandes esforços econômicos foram despendidos em 
função da guerra, aumentando a dívida externa e a dependência 
econômica para com a Inglaterra. O exército se fortaleceu, passando 
a ambicionar um novo papel na estrutura de poder, aliando-se à 
campanha abolicionista e republicana. Com isso, os resultados da 
guerra acabaram influindo decisivamente na queda da Monarquia 
brasileira. 
 
o Principais Momentos da Guerra: 
1ª Fase - Da Batalha naval do Riachuelo à retomada de Uruguaiana 
o A Batalha do Riachuelo, travada em 11 Jun. 1865, é considerada 
um dos pontos de importantíssimo da guerra. Ela foi decisiva para 
a derrota do Paraguai, que ficou isolado e com insignificante poder 
naval; foi comandada pelo Alm. barroso. 
 
2ª Fase - A contra-ofensiva aliada. 
o A travessia do rio Paraná, em abril de 1865, ações aliadas em 
território paraguaio. Isso se deu pelo estabelecimento de uma 
“cabeça de ponte” na região de Passo da Pátria, com a queda do 
Forte de Itapiru, Ação comandada pelo General Manuel Osório. 
o Numa tentativa de retomar o terreno perdido, as forças paraguaias 
investiram contra os aliados. Feriu-se, então, a 24 de maio de 
1866, a Batalha de Tuiuti, considerada a maior e mais sangrenta 
da história da América do Sul, quando foram destroçadas as 
melhores tropas do Exército paraguaio (12 mil), comandada pelo 
Osório e Alm. Mitre da Argentina.Em 1867 ocorre outra batalha. 
 
3ª Fase - Da tomada de Humaitá à conquista de Assunção 
o Os aliados se defrontaram com as fortificações apoiadas no arroio 
Piquiciri. Caxias concebeu o ousado plano de ultrapassá-las, 
desviando-se do rio Paraguai através de uma estrada paralela de 
quase 11 km, construída sobre o Chaco (outubro/novembro de 
1868), a fim de surpreender a retaguarda profunda do inimigo, 
cortando a ligação que este mantinha com Assunção. 
o A “Dezembrada”, que foi um conjunto de batalhas ocorridas em 
1868: de Itororó (6/12), Avaí (11/12), LomasValentinas (21 e 27/12) 
e a rendição de Angustura (30/12). 
o Em 1º de janeiro de 1869, os aliados entram em Assunção; 
adoentado, Caxias dá por encerrada a “grande guerra”. 
 
4ª Fase - A Campanha da Cordilheira 
o O Marechal Gastão de Orleans, Conde D‟Eu, assume o comando 
das tropas brasileiras, imprimindo grande rapidez às operações de 
perseguição ao inimigo. 
o O chefe paraguaio empreende uma fuga para o norte, em direção 
às cordilheiras de Amambay e Ubaracayú. No período, ocorreram 
as batalhas de Perebebuí e Campo Grande (agosto de 1869). 
o Em 1º de março de 1870, na região de Cerro Corá, feriu-se o 
último combate da guerra, quando morreu Solano López. 
 
 A campanha abolicionista. 
No Rio de Janeiro, no ano de 1880, os abolicionistas 
fundaram duas sociedades a fim de organizar a sua luta: a Sociedade 
Brasileira contra a Escravidão e a Associação Central 
Emancipacionistas. Publicações diversas começaram a circular, 
pregando a abolição. Outras sociedades, no mesmo molde que as da 
capital, foram organizadas em várias províncias. 
Na mesma década de 1880, o movimento abolicionista 
cresceu bastante, contando com trabalhadores urbanos, intelectuais, 
estudantes, militares (que se recusavam a capturar escravos 
fugitivos), homens brancos, funcionários públicos, mulheres, setores 
da classe média, imigrantes, camada populares, jangadeiros e 
ferroviários (que se recusavam em transportar escravos) e os 
próprios escravos. 
O movimento, por sua própria formação, não era 
homogêneo contando com várias vertentes: Republicanos, 
Monarquistas, Conservadores e Liberais (estes que em parte se 
preocupavam com o pós-abolição, buscavam instruir os escravos, 
chegando a patrocinar escola e associações, no Pará Associação 
Filantrópica de Emancipação dos Escravos). Existiam também as 
organizações secretas como a dos caifazes, em São Paulo, 
surravam capitães do mato e feitores, libertavam escravos, 
incentivavam as fugas e insurreições e protegiam os foragidos. Os 
abolicionistas contavam com inúmeros instrumentos, como jornais 
revistas e intelectuais literários. 
No lado oposto havia outro “movimento”, dos escravistas, 
senhores declarados como conservadores e tradicionais, 
representantes das áreas estagnadas da economia, para estes o fim 
da escravidão seria o colapso da sociedade. 
As lutas entre abolicionistas e escravistas eram violentas. 
Os capangas dos grandes proprietários contrários à abolição 
surravam os abolicionistas e destruíam seus jornais. 
O abolicionismo acabou ganhado as ruas das grandes 
cidades. Passeatas cartazes, panfletos e discursos pediam o fim da 
escravidão. Os escravistas radicais procurando retardar a abolição 
pediam a prisão dos abolicionistas, acusando-os de baderneiros. 
Queriam a lei e a ordem, a defesa da propriedade privada escrava 
ameaçada. Senhores linchavam escravos rebeldes, escravos 
matavam senhores, etc. 
 A luta abolicionista se ampliou e criou condições para a 
organização da Confederação Abolicionista (1883), que unificou o 
movimento no plano nacional. 
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Naturalmente, a abolição da escravatura não foi obra 
exclusiva dos abolicionistas que, em sua maioria, eram moradores 
das cidades. Como demonstram as fugas e rebeliões ao longo de 
toda a história do Brasil, os escravos não permaneceram passivos. A 
possibilidade de um levante escravo de grandes proporções foi 
considerada e atemorizou os escravistas, enfraquecendo a sua 
resistência ao movimento. 
 
 A lei de Terra e o colonato. 
Em 1850, no mesmo ano em que era abolido o tráfico 
negreiro, foi estabelecida a lei de Terras, que regulava a forma de 
aquisição fundiária. A nova lei estipulava que a terra pública só 
poderia ser adquirida mediante a compra. 
Com essa lei, os grandes proprietários procuraram dificultar 
o acesso a terra para as pessoas de poucos recursos. O objetivo 
dessa lei, portanto, era clara: se a terra fosse facilmente adquirida por 
qualquer pessoa, mesmo as de poucos recursos, os fazendeiros 
ficariam sem mão-de-obra, pois, em seus cálculos, com a extinção do 
tráfico, o fim da escravidão era uma questão de tempo. Com a lei de 
Terras, os fazendeiros garantiriam os seus privilégios de 
proprietários. 
Os imigrantes, geralmente pobres, chegaram ao Brasil na 
vigência dessa lei e foram trabalhar nos cafezais. O regime de 
trabalho era o colonato. Segundo esse regime, cada família de 
imigrantes - agora colonos - recebia um pagamento proporcional aos 
pés de café entregues para serem cuidados por ela. Com a colheita, 
os colonos recebiam uma espécie de gratificação de acordo com a 
quantidade de café colhida. 
Portanto, o regime de colonato caracterizava-se pelo 
pagamento fixo no trato do cafezal, um pagamento variável, conforme 
a colheita e a produção direta de alimentos. Por essa razão, não se 
deve confundir o colonato com o trabalho assalariado, tipicamente 
capitalista. 
 
 Resistência Escrava. 
A partir de 1870, com o fim da Guerra do Paraguai, antigos 
problemas e contradições que não haviam sido resolvidos voltaram à 
tona com toda a intensidade. Ao mesmo tempo, a incapacidade do 
Império em resolvê-los tornava se cada dia mais patente. 
A questão central era naturalmente o escravismo. Em 1870, 
fazia vinte anos que o tráfico havia sido extinto, mas a escravidão 
resistia. Desde o início do século XIX, a Grã-Bretanha vinha 
pressionando o Brasil, e a opinião pública contra a escravidão havia 
crescido no mundo inteiro. 
Os escravistas brasileiros e o governo, que afinal os 
representava, haviam adotado a tática do silêncio para proteger os 
seus interesses. O problema da escravidão, em suma, não era 
discutido publicamente em parte alguma do Brasil. Muito menos no 
Parlamento. E isso era coerente, pois os próprios senhores de 
escravos sabiam que sua posição era insustentável. Porém, não 
moviam uma palha Pará encaminhar a solução. Fizeram de conta 
que o problema simplesmente inexistia. 
Havia uma explicação para isso. O governo imperial, em 
seu profundo conservadorismo, inquietava-se com a possibilidade de 
agitação incontrolável caso a questão escravista fosse abertamente 
colocada. 
Com certeza, essa política do avestruz adotada pelo 
governo era confortável para os escravistas, mas o inconveniente da 
situação estava no fato de que o Brasil como um todo não ficou 
parado. Na verdade, desde a extinção do tráfico em 1850, muitas 
coisas foram mudando no Brasil. Em seu imobilismo, o governo 
preferiu ignorar as transformações. 
Por volta de 1860 a questão escravista já havia sido 
colocada publicamente, o que fora uma grande novidade. A eclosão 
da Guerra do Paraguai interrompeu os debates que estavam 
começando a ganhar espaço no próprio Parlamento. Eles retornaram 
com intensidade imediatamente depois da vitória brasileira em 1870. 
 
 Abolição do Trafico. 
Tendo abolido o tráfico em suas colônias em 1807 e a 
escravatura em 1833, a Inglaterra passou a exigir o mesmo do Brasil, 
a partir dos tratados de 1810. Pelo tratado de 23 de janeiro de 1815, 
assinado em Viena, estabeleceu-se a proibição do tráfico acima da 
linha equatorial, o que atingiu importantes centrosfornecedores de 
escravos, como São Jorge da Mina. 
 Em 18 de julho de 1817, os governos luso-brasileiro e 
inglês decidiram atuar conjuntamente na repressão ao tráfico ilícito, 
inspecionando navios em alto mar. Para efeitos práticos, contudo, 
apenas a Inglaterra possuía recursos para isso. Após 1822, a 
Inglaterra estabeleceu o fim do tráfico negreiro como uma das 
exigências para o reconhecimento da emancipação do Brasil. Assim, 
o tratado de 3 de novembro de 1826 fixou o prazo de três anos para 
a sua completa extinção. 
 O tráfico passou a ser considerado, a partir de então, ato de 
pirataria, sujeito às punições previstas no tratado. Finalmente, a 7 de 
novembro de 1831 - com atraso de dois anos em relação ao 
estipulado pelo tratado de 1826 -, uma lei formalizou esse 
compromisso. 
 Em março de 1850, o todo-poderoso primeiro-ministro 
Gladstone obrigou o Brasil ao cumprimento dos tratados, 
ameaçando-o com uma guerra de extermínio. 
 O governo brasileiro finalmente se curvou ante as 
exigências britânicas e em 4 de setembro de 1850 promulgou a lei de 
extinção do tráfico pelo ministro Eusébio de Queirós. 
 
 A lei do Ventre Livre (1871). 
O ministério chefiado pelo visconde do Rio Branco 
apresentou o projeto da lei do Ventre Livre em maio de 1871 para a 
Câmara dos Deputados. Depois de modificada e adaptada aos 
interesses escravistas, a lei que declarava livres os filhos de escravos 
foi finalmente aprovada em 1871, por 65 votos a favor e 45 contra. A 
maioria dos deputados de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro 
votaram contra, acompanhados pelos deputados do Espírito Santo e 
do Rio Grande do Sul. Os representantes das províncias do norte e 
nordeste votaram maciçamente a favor. 
Essa lei que apenas jogava para o futuro a solução do 
problema foi, entretanto, considerada pelo governo e pelos 
escravistas como solução definitiva. Não era essa a opinião dos 
abolicionistas brasileiros. Em 1880, o debate retornou com maior 
vigor. 
 
 A lei Saraiva-Cotegipe ou lei dos Sexagenários (1885). 
Em 1885, surgiu a Lei do Sexagenário, que foi proposta pelo 
ministro José Antonio Saraiva e aprovada pelo ministério conservador 
do Barão de Cotegipe. Esta lei decretada a alforria dos negros 
maiores de 65 anos; que libertou os escravos com mais de 60 anos, 
mediante compensações financeiras aos seus proprietários. Os 
escravos que estavam com idade entre 60 e 65 anos deveriam 
prestar serviços por 3 anos aos seus senhores e após os 65 anos de 
idade seriam libertos. Poucos escravos chegavam a esta idade sem 
condições de garantir seu sustento, e precisavam lutar com os 
imigrantes europeus. Em1872 muitos fazendeiros tinha aumentado a 
idade de seus escravos para burlarem a rematrícula de 1872, 
escondendo os ingênuos introduzidos por contrabando após a Lei 
Eusébio de Queirós. 
 
 A lei Áurea (1888). 
A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de 
maio de 1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil. Foi 
precedida pela lei n.º 2.040 (Lei do Ventre Livre), de 28 de setembro 
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de 1871, que libertou todas as crianças nascidas de pais escravos, e 
pela lei n.º 3.270 (Lei Saraiva-Cotejipe), de 28 de setembro de 1885, 
que regulava “a extinção gradual do elemento servil”. 
Foi assinada por Dona Isabel, princesa imperial do Brasil, e 
pelo ministro da Agricultura da época, conselheiro Rodrigo Augusto 
da Silva. O Conselheiro Rodrigo Silva fazia parte do Gabinete de 
Ministros presidido por João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido 
Conservador e chamado de “Gabinete de 10 de março”. Dona Isabel 
sancionou a Lei Áurea, na sua terceira e última regência, estando o 
Imperador D. Pedro II do Brasil em viagem ao exterior. 
O projeto de lei que extinguia a escravidão no Brasil foi 
apresentado à Câmara Geral, atual Câmara do Deputados, pelo 
ministro Rodrigo Augusto da Silva, no dia 8 de Maio de 1888. Foi 
votado e aprovado nos dias 9 e 10 de maio de 1888, na Câmara 
Geral. 
A Lei Áurea foi apresentada formalmente ao Senado 
Imperial pelo ministro Rodrigo A. da Silva no dia 11 de Maio. Foi 
debatida nas sessões dos dias 11, 12 e 13 de maio. Foi votada e 
aprovada, em primeira votação no dia 12 de maio. Foi votada e 
aprovada em definitivo, um pouco antes das treze horas, no dia 13 de 
maio de 1888, e, no mesmo dia, levado à sanção da Princesa 
Regente. 
Foi assinada no Paço Imperial por Dona Isabel e pelo 
ministro Rodrigo Augusto da Silva às três horas da tarde do dia 13 de 
maio de 1888. 
O Brasil foi o último país independente do continente 
americano a abolir completamente a escravatura. O último país do 
mundo a abolir a escravidão foi a Mauritânia, somente em 9 de 
novembro de 1981, pelo decreto n.º 81.234. 
 
______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 11________________ 
1.Em 1844, anos antes da extinção do tráfico negreiro, foi decretada 
a cobrança de uma nova tarifa alfandegária sobre os produtos 
importados, que ficou conhecida como: 
a) Lei Eusébio de Queiroz 
b)Tarifa Alves Branco 
c) Lei de Terras 
d) Lei Saraiva-Cotegipe 
e) Tarifa de importação 
 
2. Com a perda dos privilégios alfandegários, em 1844, os ingleses 
endureceram suas relações com o governo brasileiro, o que gerou 
inúmeros conflitos diplomáticos, conhecidos como: 
a) Questão Platina 
b) Questão Militar 
c) Questão de Gales 
d) Questão Religiosa 
e) Questão Christie 
 
3. Em 1850, o ministro da Justiça do governo imperial brasileiro, 
conseguiu a promulgação da Lei que recebeu seu nome. Sobre essa 
lei podemos afirmar que: 
a) ocorreu um aumentoda tributação sobre as importações 
b) decretou o fim da escravidão no Brasil 
c)proibiu a entrada de negros traficados e autorizou a expulsão dos 
traficantes 
d) era declarado legal o aprisionamento de qualquer navio negreiro 
e) incentivava o tráfico negreiro 
 
4.Sobre a participação do Brasil na guerra contra Oribe e Rosas, em 
1850-1852, é correto afirmar: 
a) O governo brasileiro aliou-se aos governos da Argentina e Uruguai 
contra o governo paraguaio 
b) A intervenção brasileira tinha como objetivo, a defesa dos 
interesses dos estancieiros gaúchos 
c) O Brasil entrou na guerra para defender os interesses imperialistas 
da Inglaterra 
d) O exército brasileiro contou com um grande contigente de 
escravos para essa guerra 
e) A intervenção brasileira visava garantir a estabilidade do Vice-
Reino do Prata 
 
5.No mesmo ano em que pela Lei Eusébio de Queiróz, de 1850, foi 
extinto o comércio de escravos africanos para o Brasil, também foi 
aprovada uma outra Lei, chamada: 
a) Lei do Ventre Livre 
b) Lei Áurea 
c) Lei Bill Aberdeen 
d) Lei de terras 
e) Lei Joaquim Nabuco 
 
6. (ESSA 2017) No dia 1º de maio de 1865, Brasil, Argentina e 
Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança para atuarem contra 
o Paraguai. Nessa oportunidade escolheram para exercer a função 
de Comandante-em Chefe das forças aliadas, para a invasão do 
Paraguai: 
a) Manuel Luis Osório. 
b) Solano Lopez. 
c) Venâncio Flores. 
d) Luis Alves de Lima e Silva. 
e) Bartolomeu Mitre. 
 
7. Sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), é INCORRETO afirmar: 
a) Para as autoridades brasileiras da época, o episódio que deu início 
à guerra foi a prisão do Marquês de Olinda. 
b) A guerra durou cinco anos terminando em 1870, com a derrota do 
Paraguai e a morte de Solano López na batalha de Cerro Corá 
c) A economia paraguaia foi totalmente destruída pelo conflito. 
d) O Brasil formou a Tríplice Aliança ao lado do Uruguai e Argentina 
e) entre as causas da Guerra, temos a disputa pela livre navegação 
na Bacia do Prata. 
 
8. Sobre o processo de abolição da escravatura no Brasil, assinale a 
opção correta: 
a) O processo abolicionista foi rápido, pois obteve a adesão de todosos segmentos sociais do país. 
b) O primeiro passo para a abolição da escravatura ocorreu em 1830, 
como o fim do Tráfico Negreiro 
c) Os cativos mais velhos foram os primeiros a adquirir a liberdade. 
d) A Lei Áurea concluiu o processo abolicionista, tornando ilegal a 
escravidão no Brasil. 
e) A Lei Saraiva-Cotegipe ou Lei dos Sexagenários(1885) foi a 
primeira lei abolicionista no Brasil. 
 
9.Sobre as Leis abolicionistas, podemos afirmar que: 
a) O governo brasileiro promulgou,ao longo período da campanha 
abolicionista, inúmeras leis que libertaram a população escrava. 
b) A Lei do Ventre Livre (1871) declarava livres todos os nascidos de 
mãe escrava a partir da data de sua promulgação. 
c) A Lei dos Sexagenários (1885) declarava livres todos os escravos 
com 60 anos. 
d) A Lei Áurea , promulgada em 13 de maio de 1888 pela princesa 
Isabel, pôs fim à escravidão no Brasil, promovendo o fim da opressão 
sobre o negro. 
e) As leis abolicionistas no Brasil foram resultado da luta de políticos 
e de fazendeiros do sudeste cafeeiro. 
 
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10.(EsSa-16) O iten da pauta de exportação brasileira do Segundo 
Reinado que foi considerado um importante fator de modernização da 
economia foi: 
a) O Tabaco. 
b) O Café. 
c) A Cana de Açúcar. 
d) A Soja. 
e) O Trigo. 
 
 Crise da Monarquia e Proclamação da República. 
 
A queda do regime monárquico brasileiro é atribuída, dentre 
outros fatores, ao descompasso entre as instituições da monarquia e 
o processo de introdução do sistema capitalista no Brasil. O fim do 
sistema escravista de produção é fato determinante neste período. 
O cenário do fim do regime foi estabelecido também por 
questões religiosas, militares e de sucessão do trono. À época, a 
Europa passava por fase de pensamento anticlericalista, e, no Brasil, 
as ações de D. Pedro II visavam à separar a influência religiosa das 
esferas do governo. O imperador não aceita a encíclica editada pela 
Igreja e inicia o esvaziamento do poder que ela detinha sobre as 
paróquias. 
Em relação aos militares, desde o fim da Guerra do Paraguai, 
houve adesão ao ideário positivista pelo baixo escalão do exército, ou 
seja, cada vez mais o sistema republicano lhe parecia conveniente. 
No alto escalão não houve, entretanto, adesão a idéias positivistas. 
Por fim, Princesa Isabel era sucessora direta ao trono, mas uma série 
de decisões suas contribuíram para que a monarquia chegasse ao 
fim. Sem apoio dos principais grupos dominantes do país D. Pedro II 
não conseguiu continuar seu governo. 
 
 Crises Militares. 
O Exército como "unidade espiritual e orgânica" só 
começou a existir no Brasil a partir da Guerra do Paraguai. Até então, 
fora mantido em posição secundária, num regime de absoluta 
supremacia dos civis. 
Depois da Guerra do Paraguai, o Exército tomou 
consciência de sua importância e gradativa mente começou a 
manifestar insatisfação pelo tratamento recebido do governo imperial. 
Aos poucos, os militares foram tornando públicas as suas queixas, ao 
mesmo tempo em que um grupo minoritário de oficiais, mas 
extremamente ativo, difundia o ideal republicano e positivista, sob a 
liderança de Benjamin Constant. 
Foi nesse clima de crescente descontentamento que se deu 
a chamada questão militar. Para compreendê-la, é preciso saber que 
os militares estavam proibidos, por regulamento, de se pronunciarem 
através da imprensa sobre questões internas do Exército. 
A questão militar teve início com um incidente ocorrido em 
1884. Nesse ano, foram libertados no Ceará os últimos escravos, 
tornando-o a primeira província brasileira a extinguir completamente 
a escravidão. O jangadeiro Francisco do Nascimento, conhecido 
como Dragão do Mar, por ter liderado os jangadeiros a não 
transportar escravos para o tráfico, foi considerado o símbolo da luta 
abolicionista cearense. Glorificado pelos abolicionistas, recebeu o 
convite de entidades abolicionistas na Corte que pretendiam 
homenageá-lo. Foi recebido como herói no Rio, onde visitou também 
a Escola de Tiro, em Campo Grande, sendo bem recebido pelo seu 
comandante, tenente-coronel Sena Madureira, um veterano da 
Guerra do Paraguai. Essa visita foi noticiada pela imprensa. 
Chegando o fato ao conhecimento do ministro da Guerra, 
este tratou imediatamente de interpelar Sena Madureira, que, 
entretanto, alegando estar diretamente subordinado a Sua Alteza o 
Conde d' Eu, só a ele devia explicações. 
Com esse episódio e outros incidentes que se seguiram, 
uma forte tensão instalou-se no Exército, desencadeando a questão 
militar, que culminou num conflito protagonizado pelo coronel Ernesto 
Augusto da Cunha Matos. Este, em inspeção à tropa no Piauí, 
denunciou irregularidades praticadas pelo capitão Pedro José de 
Lima, oficial pertencente aos quadros do Partido Conservador. Um 
deputado do Piauí, pertencente ao mesmo partido, saiu em defesa do 
seu correligionário, fazendo um violento ataque ao coronel Cunha 
Matos na tribuna da Câmara. 
O coronel respondeu ao ataque pela imprensa e acabou 
punido pelo ministro da Guerra, com base no regulamento. Esse 
incidente provocou uma intensa discussão na Câmara, e o próprio 
ministro da Guerra compareceu ao Senado para discutir o assunto. 
Tendo sido citado nos debates, Sena Madureira, que agora servia no 
Rio Grande do Sul, publicou no jornal A Federação um artigo em 
defesa do coronel Cunha Matos e foi punido pelo ministro da Guerra. 
A partir disso, os debates ganharam os quartéis e 
envolveram chefes militares de expressão, como o visconde de 
Pelotas - um dos militares enobrecidos pela sua atuação na Guerra 
do Paraguai - e o marechal Deodoro da Fonseca. O clima criado pela 
questão militar favoreceu a difusão do ideal republicano no Exército, 
afastando-o de D. Pedro II. 
 
 Igreja contra o Império. 
O catolicismo era a religião oficial do Brasil e, como em 
Portugal, a Igreja estava subordinada ao Estado, através do regime 
do padroado. Segundo essa tradição, cabia ao imperador a escolha 
dos clérigos para os cargos importantes da Igreja, da mesma forma 
que as bulas (ou decretos) papais só eram aplicadas com o 
consentimento explicito do monarca. 
Pois bem, através de uma bula, o papa condenou a 
maçonaria e interditou padres e fiéis de pertencerem a seus quadros. 
Essas determinações, entretanto, não foram aplicadas no Brasil, visto 
que era grande o número de católicos filiados à maçonaria. 
Em 1872, os bispos de Olinda e Belém, obedientes às 
ordens papais, suspenderam irmandades religiosas que se 
recusavam a afastar os membros maçons. Por solicitação das 
irmandades atingidas, D. Pedro II anulou as suspensões. Como, no 
entanto, os bispos mantiveram firme o propósito de sustentar a 
decisão, eles foram julgados e condenados por ordem imperial. 
Embora tenham sido anistiados mais tarde, em 1875, a 
prisão dos bispos foi uma afronta à Igreja, ao mesmo tempo em que 
feriu a religiosidade popular. Como conseqüência, a Igreja afastou-se 
do governo imperial. 
 
 Republicanismo e abolição. 
A 3 de dezembro de 1870 surgiu no Rio de Janeiro, o jornal 
a república, que trazia na sua primeira edição o manifesto do partido 
republicano. Os autores do manifesto pretendiam esclarecer o povo 
sobre os inconvenientes do regime monárquico e as excelências do 
regime republicano. Achavam que o simples esclarecimento, sem 
necessidade das convulsões sociais que eles abominavam, poderiam 
modificar o regime. 
Os republicanos atacavam a monarquia hereditária como o 
governo da vontade de um só homem, o Senado vitalício, a 
centralização do poder, o sistema eleitoral fraudulento. Defendiam a 
República federativa como solução de todos os males do país. 
Diziam que através de uma Assembléia Constituinte mudariam oregime vigente. O Manifesto Republicano, porém, teve pouca 
repercussão. O partido republicano tinha alguma expressão apenas 
nas províncias do centro-sul do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio 
de Janeiro e Rio Grande do Sul. 
 São Paulo era a província mais dinâmica na expansão do 
novo partido. Os fazendeiros do oeste paulista, interessado na vinda 
de imigrantes, na descentralização do poder e na participação do 
mesmo, fundaram em 1873, na cidade de Itu, o Partido 
Republicano Paulista. Na convenção que criou o partido, mais da 
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metade dos membros era formada de fazendeiros de café. Em 1882, 
dom Pedro II havia declarado que não se preocupava com o 
republicanismo, tendo apenas um cuidado com São Paulo, onde o 
trabalho de agitação contra o regime era mais intenso. 
 São Paulo tinha na época 48 clubes republicanos e atingiu 
os 300 quando foi abolida a escravidão e os cafeicultores do vale do 
Paraíba aderiram ao movimento. Em Minas Gerais, a mais populosa 
de todas as províncias, trinta por cento do eleitorado era republicano 
em 1889. Na província do Rio de Janeiro os republicanos 
concentravam-se mais nos centros urbanos e, em 1889, tinha um 
sétimo do eleitorado da então capital do país. 
_______________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 12_______________ 
1. A crise do Império, no Brasil, foi marcada por uma série de 
questões que favoreceram a Proclamação da República. Sobre essas 
questões e suas características, analise asproposições abaixo. 
I. As ideias republicanas fizeram parte de diversos movimentos 
históricos no Brasil. Contudo, só a partir de 1870, ano em que foi 
lançado o Manifesto Republicano, o movimento ganhou uma 
formação mais sólida e concreta. 
II. No período colonial, a Igreja Católica no Brasil era uma instituição 
submetida ao Estado. Ou seja, nenhuma ordem papal poderia vigorar 
no Brasil sem a autorização do imperador. A desobediência a esses 
preceitos, por parte dos bispos de Olinda e Belém, em 1872, deu 
início ao que se convencionou chamar de Questão Religiosa. 
III. Quando foi abolida a escravidão no Brasil, os senhores de 
escravos, por não terem recebido as indenizações do governo a que 
achavam fazer jus, passaram a apoiar a causa republicana. 
Por isso foram chamados “republicanos do 13 de maio”. 
IV. Os militares, após a Guerra do Paraguai, passaram a gozar mais 
prestígio na sociedade brasileira, o que também era reconhecido pelo 
Imperador, que precisava deles para manter-se no poder. Daí, a sua 
lealdade à monarquia quando se proclamou a República no Brasil. 
Estão corretas: 
a) I, II e III 
b) II, III e IV 
c) I, II e IV 
d) Apenas III e IV 
e) Todas estão corretas 
 
2.“Episódio que em princípio deveria ter marcado a memória popular 
foi a Proclamação da República. Mas não foi o que aconteceu […]. A 
participação popular foi menor do que na 
proclamação da independência.” Entre os principais grupos sociais, 
envolvidos na articulação do referido evento, destacam-se os: 
a) empresários e imigrantes. 
b) industriais e camponeses. 
c) operários e intelectuais. 
d) banqueiros e religiosos. 
e) fazendeiros e militares. 
 
3. A proclamação da República representa basicamente: 
a) uma profunda transformação na estrutura política e social do 
Brasil; 
b) a introdução do sistema democrático no Brasil; 
c) o fim do período colonial brasileiro; 
d) uma modificação do regime político sem grande influência na 
estrutura econômica e social do País; 
e) um movimento popular de derrubado do chamado “Antigo Regime” 
 
4.A República brasileira emergiu no auge de um processo cujas 
raízes se encontravam no II Reinado. Assinale a alternativa 
INCORRETA: 
a) A campanha abolicionista acabou por se confundir com a 
campanha republicana. 
b) Nos termos da primeira Constituição Republicana o Brasil era uma 
República Federativa Presidencialista e o Estado permaneceu 
atrelado à Igreja. 
c) Para certos segmentos da sociedade, entre eles os cafeicultores, a 
forma republicana de governo era concebida como moderna, 
avançada e mais eficiente. 
d) No primeiro aniversário da implantação do regime republicano foi 
instalado o Congresso Constituinte e em 24/02/1891 foi promulgada a 
Constituição. 
e) Os militares, influenciados pelas ideais do positivismo, uniram-se à 
camada média da sociedade contra os monarquistas. 
 
5. Sobre a participação dos militares na Proclamação da República é 
correto a que: 
a) o Partido Republicano foi influenciado pelos imigrantes anarquistas 
a desenvolver a consciência política no seio do exército. 
b) a proibição de debates políticos e militares pela imprensa, 
ainfluência das idéias de Augusto Comte e o descaso 
doImperadorpara com o exército favoreceram a derrubada do 
Império. 
c) o descaso de membros do Partido Republicano, como Sena 
Madureira e Cunha Matos, em relação ao exército, expresso através 
da imprensa, levou os "casacas" a proclamar a República. 
d) o Gabinete do Visconde de Ouro Preto formalizou uma aliança pró-
republicana com os militares positivistas no Baile da Ilha Fiscal. 
e) a aliança dos militares com a lgreja acirrou as divergências entre 
militares e republicanos, culminando na Questão Militar. 
 
6. Proclamação da República no Brasil está longe de ser considerada 
um momento de transformação revolucionária, embora ela tenha 
trazido algumas mudanças significativas. Uma característica 
inovadora dos primeiros anos da nova forma de governo foi: 
a) a valorização de um novo produto de exportação; 
b) a adoção do sistema parlamentarista; 
c) a política de investimentos nas sociedades anônimas; 
d) a popularidade do novo regime; 
e) o direito de voto a população independentemente de renda. 
 
7.Sobre o contexto histórico responsável pela proclamação da 
República NÃO se inclui: 
a) a insatisfação dos setores escravocratas com o governo 
monárquico após a Lei Áurea. 
b) a ascensão do exército após a Guerra do Paraguai, passando a 
exigir um papel na vida política do país. 
c) a perda de prestígio do governo imperial junto ao clero, após a 
questão religiosa. 
d) a oposição de grupos médios urbanos e fazendeiros do oeste 
paulista, defensores de maior autonomia administrativa. 
e) o alto grau de consciência e participação das massas urbanas em 
todo o processo da proclamação da República. 
 
8. Sobre a Crise do Império, é INCORRETO afirmar: 
a) Os conflitos do governo imperial com a Igreja e o exército foram as 
causa decisivas para a queda da monarquia. 
b) A partir de 1870, teve início o período mais crítico do Segundo 
Reinado. 
c) O encaminhamento da questão abolicionista abalou as relações 
políticas entre o governo monárquico e os proprietários de escravos. 
d) Depois da Guerra do Paraguai, o exército brasileiro foi adquirindo 
maior força e expressão política, porém, não era reconhecido e 
valorizado pelo governoimperial, o que gerou a chamada Questão 
Militar. 
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e) A partir de 1875, as relações entre a Igreja e o imperador foram 
abaladas pela Questão Religiosa. 
 
9. (Cftce)Foi fator para a Crise do Império no Brasil: 
a) a modernização política do país, com a adoção do 
Parlamentarismo segundo o modelo inglês 
b) a Questão Religiosa 
c) a reforma constitucional através do Ato Adicional de 1834 
d) a crise econômica no final do Segundo Reinado denominada de 
encilhamento 
e) o desentendimento diplomático com a Inglaterra 
 
10.(Mackenzie) O povo assistiu aquilo bestializado, atônito, surpreso, 
sem conhecer o que significava. Muitos acreditavam sinceramente 
estar vendo uma parada. Aristides Lobo O texto refere-se à 
Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Podemos, 
então, concluir que: 
a) o movimento contou com sólido apoio popular, luta armada e 
resistência violenta dos monarquistas. 
b) a proclamação vitoriosa resultou da conjugação de parte do 
exército, fazendeiros do oeste paulista e classes médias urbanas. 
c) a Guerra do Paraguai não teve relação com o crescimento das 
idéias republicanas e positivistas, fundamentais para o advento da 
república. 
d) o Terceiro Reinado era visto de forma positiva e otimista pela 
população, já que a Princesa Isabel tinha uma liderança expressiva, 
apesar dos valores patriarcais da época. 
 Aspectos administrativos, culturais, econômicos, 
sociais e territoriais, revoltas, crises e conflitos. 
 
 REPÚBLICA DA ESPADA 
 Introdução 
 A República implantada em 1889 foi resultado, também, da 
modernização ocorrida no país. Essa modernização foi representada 
pela urbanização, pelo crescimento da "classe média", pela 
imigração, e pela emergência do setor cafeeiro com interesses 
diversos aos dos setores agrários tradicionais. A modernização 
aumentou a reivindicação dos setores médios por reformas sociais e 
políticas - criação do Partido Republicano e o movimento 
abolicionista são exemplos - que a classe dominante tradicional não 
conseguiu conduzir. O resultado foi o movimento republicano iniciado 
em 1870 e que terminou com a deposição da Monarquia em 1889. 
A primeira fase da República, que vai de 15 de novembro 
de 1889 à posse do primeiro presidente civil Prudente de Morais, em 
1894, ficou conhecida como República da Espada, pelo fato do cargo 
de Presidente da República ter ficado nas mãos de dois militares de 
prestígio: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. 
O governo Deodoro marcado pelo nepotismo acabou com 
sua renúncia e sua substituição pelo vice-presidente Floriano Peixoto 
cuja principal tarefa foi sufocar as revoltas nos Estados reforçando o 
poder presidencial. A pacificação do país e a falta de articulação 
impediram a continuação dos militares no poder. O Partido 
republicano Paulista indica o sucessor de Floriano Peixoto, o paulista 
Prudente de Morais. 
 
 Governo Provisório (1889-1891) 
Derrubar o império foi fácil. Difíceis foram os primeiros anos do 
regime republicano. Isso porque as diferentes forças que 
colaboraram para derrubar o Império discordavam sobre como 
deveria ser o novo regime. 
Os grandes fazendeiros, especialmente os cafeicultores 
paulistas, queriam maior autonomia para os Estados. Assim, eles 
poderiam assumir o poder nos seus estados e governá-los sem a 
interferência do poder central. 
Já entre os militares, prevalecia a idéia de um governo central 
forte. Acreditavam que isso era uma condição essencial para fazer do 
Brasil um país desenvolvido. 
Enquanto não se promulgava a Constituição, organizou-se um 
Governo Provisório com Marechal Deodoro da Fonseca à frente. 
Esse governo tomou várias medidas. Entre elas: mudou o nome do 
Brasil para Estados Unidos do Brasil, criou uma nova bandeira e 
adotou um hino nacional, Benjamin Constant foi nomeado Ministro da 
Guerra; concessão de nacionalidade brasileira a todos os 
estrangeiros residente no Brasil e exílio da família real, depois de 
dois anos D. Pedro II morre em Paris. 
Deodoro, em seu desejo de desenvolver o país, foi bastante 
influenciado pelas idéias de Rui Barbosa, Ministro da fazenda do 
governo provisório, iniciou uma política econômica cujo principal 
objetivo era industrializar rapidamente o Brasil. 
Havia, porém, um problema: onde encontra capitais para dar 
esse grande salto em direção à industrialização? O Capital dos 
fazendeiros era insuficiente. 
Diante disso, o governo adotou duas medidas. A primeira foi 
autorizar três bancos a emitir papel-moeda e obter, assim, recursos 
para emprestar aos empresários. A segunda foi estimular a criação 
de empresas e negócios em geral, autorizando os empresários a 
explorar os mais variados ramos de atividade como a pesca, 
transporte fluvial, estrada de ferro e fábricas de vários produtos. 
Com a autorização em mãos, os empresários começaram a 
vender ações da futura empresa na Bolsa de Valores. Ao comprar 
ações, uma pessoa se torna proprietária de parte de uma empresa e 
participa dos seus lucros. Vender ações é uma maneira de as 
empresas obterem capital para expandir suas atividades. 
 A emissão de dinheiro tornou o credito fácil, e isso 
alimentava a especulação na Bolsa com o preço das ações. O 
otimismo exagerado fazia o preço das ações subir muito. 
 Muitas empresas que vendiam ações na Bolsa só existiam 
no papel. Não foram sequer montadas. Quando se percebeu que o 
preço das ações era artificial, houve uma crise geral. O preço da 
maioria das ações despencou, milhares de investidores ficaram 
arruinados e muitas empresas faliram. 
 Essa política econômica ficou conhecida como 
Encilhamento. Durante bastante tempo, a economia brasileira sentiu 
seus efeitos negativos. 
 A inflação e a especulação aumentaram o 
descontentamento popular, que acabou sendo aproveitado pelos 
fazendeiros paulistas para forçar Deodoro a convocar eleições para a 
Assembléia Nacional Constituinte. 
 
 A Constituição de 1891 
 Uma das medidas do Governo Provisório de Deodoro da 
Fonseca foi extinguir as Instituições Monárquicas, e dentre estas está 
a Constituição de 1824. Em 24 de fevereiro de 1891, a Constituinte 
republicana publicava a Constituição aprovada. 
 Dentre as “novidades” apresentadas na nova Constituição 
estão: 
Art. 1º forma de governo República Federativa (...) e constitui-se, por 
união perpétua e indissolúvel das suas antigas províncias, em 
Estados Unidos do Brasil. 
Art. 15º São órgãos da soberania nacional o Poder Legislativo, o 
Executivo e o Judiciário, harmônicos e independentes entre si. 
Art. 43º - O Presidente exercerá o cargo por quatro anos, não 
podendo ser reeleito para o período presidencial imediato. 
Art. 47º - O Presidente e o Vice-Presidente da República serão 
eleitos por sufrágio direto da Nação, e maioria absoluta de votos. 
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Art. 70, § 1º - Não podem alistar-se eleitores para as eleições 
federais, ou para as dos estados: 
1º Os mendigos 
2º Os analfabetos 
3º As praças excetuados os alunos das escolas militares de 
ensino superior. 
 4º Os religiosos de ordens monásticas, companhias, 
congregações, ou comunidades de qualquer denominação, sujeitas a 
voto de obediência, regra, ou estatuto, que importe a renúncia da 
liberdade individual. 
- O número de representantes de cada estado na Câmara Federal 
era proporcional ao numero de habitantes. 
- Os Estados teriam direito de fazer sua própria constituição. 
- O governo Federal poderia fazer intervenção nos estados caso 
ocorresse desobediência do mesmo. 
- Casamentos e registros de nascimento deveriam ser realizados 
pelos cartórios públicos. 
 A Assembléia Constituinte decidiuque o primeiro 
presidente da República e seu vice seriam eleitos indiretamente. 
Votariam apenas os senadores e deputados. Deodoro era o 
candidato natural. Os fazendeiros não queriam como presidente, mas 
também não queriam provocar a ira dos militares que o apoiavam. 
Mesmo assim, arriscaram uma chapa de oposição com Prudente de 
Morais. Deodoro venceu. Entretanto teve que governar com o vice da 
oposição, pois seu companheiro (almirante Wandenkolk) de chapa 
perdeu para Floriano Peixoto. 
 
 O Primeiro Presidente: Deodoro da Fonseca (1891) 
O Congresso temia as tendências autoritárias de Deodoro e 
estava insatisfeito com a crise econômico-financeira provocada pela 
política do Encilhamento. 
Hostilizado pelo Congresso, Deodoro tentou um Golpe de 
Estado a 3 de novembro de 1891, fechando o Congresso e 
decretando estado de sítio. 
Com isso a oposição contra ele cresceu, culminando na 
Primeira Revolta da Armada, quando o contra-almirante Custódio 
de Melo ameaçou bombardear o Rio de Janeiro com seus navios, 
exigia a renuncia do presidente. 
Pressionado, Deodoro da Fonseca renunciou em 23 de 
novembro de 1891, assumindo o vice-presidente Floriano Peixoto. 
 
 O Marechal de Ferro: Floriano Peixoto(1891-1894) 
Ao assumir o governo, anulou imediatamente o decreto que 
fechou o Congresso Nacional e retirou do poder os governantes dos 
Estados que haviam apoiado a tentativa de golpe de Deodoro, 
colocando no lugar deles homens da sua confiança. Tomou também 
várias medidas para tentar debelar a crise econômica na qual o país 
estava mergulhado, controlando a especulação financeira e a 
especulação sobre os gêneros alimentícios, tabelando seus preços. 
 Ele acabou por provocar violenta reação contra seu 
governo, cuja legalidade passou a ser contestada. A oposição 
protestava, baseado no artigo 42 da Constituição, que dizia: 
"Se, no caso de vaga, por qualquer causa, da presidência ou vice-
presidência, não houverem ainda decorrido dois anos do período 
presidencial, proceder-se-á à nova eleição". 
Floriano Peixoto não convocou novas eleições e manteve-
se firme no cargo de presidente, alegando que este artigo não se 
aplicava a seu caso, já que fora eleito por voto indireto, de acordo 
com as disposições transitórias da Constituição, o que suscitou mais 
protestos contra seu governo. 
No início de 1892 o sargento Silvino Honório de Macedo 
prendeu o comandante da fortaleza de Santa Cruz e convocou seus 
colegas a reagirem contra o governo de Floriano e pela legalidade. 
Acabou preso e fuzilado. 
Pouco tempo depois, em abril de 1892, aconteceu o 
chamado Manifesto dos Treze Generais, exigindo a imediata 
realização de eleições presidenciais, de acordo com a Constituição. 
Os militares revoltosos foram sumariamente reformados e retirados 
da ativa. 
Sua ação firme e violenta aniquilou os setores militares e 
civis descontentes com a República, garantindo a sucessão 
presidencial, o que lhe rendeu o título de Marechal de Ferro. 
 
 A Segunda Revolta da Armada (1893-1894): 
Enquanto maragatos e chimangos se enfrentavam em 
terras gaúchas, teve início no RJ, em agosto de 1893, a Revolta da 
Armada, sob a liderança do Almirante Custódio de Melo. 
De uma maneira geral, podemos dizer que o movimento 
resultou de uma convergência de fatores estruturais e conjunturais. 
Entre os primeiros estava a disputa pelo poder entre os oficias do 
exército e da marinha, representantes de grupos sociais distintos. 
 Entre os aspectos da conjuntura, destacam-se a ação dos 
políticos hostis a Floriano, que “jogavam lenha na fogueira”, e os 
projetos presidenciais do próprio Custódio de Melo: o Almirante 
queria suceder a Floriano, mas este apoiava o civil Prudente de 
Morais. 
No dia 13 de setembro, navios da armada começavam a 
bombardear o RJ. Contando com o apoio de SP e a adesão popular, 
o governo tratou de organizar uma reação à revolta. Os rebeldes 
abriram novas frentes de batalha no sul do país, mas não puderam 
resistir à contra-ofensiva governamental. Em março de 1894, a 
revolta estava vencida. 
 
 A Revolução Federalista (1893-1895): 
Foi uma revolta chefiada pelo caudilho Gumercindo Saraiva 
contra o presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Júlio de 
Castilhos. Os Federalistas, também conhecidos como maragatos, 
defendiam reformas na Constituição estadual e a adoção do 
parlamentarismo. Os partidários de Júlio de Castilhos, chamados de 
pica-paus ou chimangos, eram apoiados por Floriano Peixoto. 
A Revolução Federalista eclodiu no dia dois de fevereiro de 
1893, quando Júlio de Castilhos presidia o governo do RS. Durante 
dois anos e meio, o estado gaúcho foi sacudido por uma das mais 
sangrentas guerras civil da história brasileira. 
O movimento estendeu-se ao Paraná e a Santa Catarina, 
chegando a ameaçar São Paulo, cuja defesa foi organizada pelo 
presidente do Estado, Bernardino de Campos. Os revoltosos do sul, 
uniram-se aos participantes da Revolta da Armada, que estava 
ocorrendo na mesma época. 
Terríveis violências foram cometidas, tanto pelos 
federalistas quanto pelos defensores do governo legal. A luta, que 
durou 31 meses, teve 10.000 mortos e causou prejuízos materiais 
incalculáveis. Em agosto de 1895 foi assinada a Paz de Pelotas, 
pondo fim à Revolução Federalista. 
 
______________________________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 13 
 
1. Durante o Governo Republicano Provisório [1889-1891], o Ministro 
da Fazenda, Rui Barbosa, põe em prática uma política econômica 
caracterizada pela emissão de papel-moeda e pelo aumento das 
tarifas alfandegárias para os produtos estrangeiros, visando 
promover o crescimento industrial. Essa política ficou conhecida 
como: 
a) Plano de Metas. 
b) Funding-loan. 
c) Encilhamento. 
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d) O Convênio de Taubaté. 
e) Salvacionismo. 
 
2. Entre 1893 e 1895, o sul do Brasil foi palco de uma sangrenta 
guerra que colocou frente a frente republicanos jacobinos e 
positivistas contra os antigos liberais do regime monárquico. A 
violência das facções, o terror indiscriminado e sobretudo o apelo a 
chavões ideológicos como justificadores da ação bélica e repressiva 
antecipam as carnificinas do século XX cometidas em nome de ideais 
progressistas ou reacionários. FRANCO, Sergio da Costa. "A guerra 
civil de 1893". Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1993. A 
guerra civil descrita no texto foi a: 
a) Guerra do Contestado. 
b) Revolta dos Mascates. 
c) Revolta da Armada. 
d) Revolução Federalista.e) Revolução Farroupilha. 
 
3. (EsSa) Por sua atuação, foi denominado “Marechal de Ferro”: 
a) Hermes da Fonseca. 
b) Floriano Peixoto. 
c) Deodoro da Fonseca. 
d) Candido Rondon. 
e) Castelo Branco. 
 
4. A Constituição brasileira de 1891: 
a) permitiu a plena democratização do país, com a superação do 
regime militar; 
b) criou um quarto poder, o Moderador, que atribuía plenos poderes 
ao Imperador. 
c) separou o Estado, agora republicano, da Igreja Católica.d) 
manteve a permissão para a existência de mão de obra escrava. 
e) eliminou os resquícios autoritários do varguismo. 
 
5. Policarpo era um patriota; monarquista conservador, foi ardoroso 
defensor do governo (forte) de Floriano a favor do qual engajou-se na 
luta contra a Armada rebelada. Acabou preso, condenado e 
executado. Teve um triste fim." (Afonso H. Lima Barreto, TRISTE FIM 
DE POLICARPO QUARESMA). O período da República referido no 
texto é: 
a) a República da Espada.b) o Estado Novo.c) a República dos 
Coronéis.d) a República Nova.e) a Fase Populista. 
 
6. Foram as revoltas ocorridas durante o governo de Floriano 
Peixoto: 
a) Revolta de Canudos e Revolução Praieira;b) Revolução 
Federalista e Revolta da Armada;c) Revolta da Chibata e Revolta do 
Contestado;d) Revolução Federalista e Coluna Prestes;e) Revolta da 
Armada e Revolta do Forte de Copacabana. 
7.O marechal Floriano Peixoto, em sua política econômico financeira: 
a) orientou-se no sentido de apoiar a lavoura, principalmente a 
cafeeira. 
b) procurou combater a inflação, contando para isso com a 
colaboração de seu Ministro da Fazenda, Joaquim Murtinho. 
c) buscou particularmente a diversificação de produtos agrícolas, 
buscando substituir o café pelo algodão, cacau e açúcar, como 
produtos básicos de nossa economia. 
d) orientou-se no sentido de promover a industrialização do país 
através de uma política de empréstimos e financiamentos. 
e) visando a diminuir a dívida externa do Brasil, pagou a maior parte 
de nossos débitos no exterior, principalmente junto aos Estados 
Unidos. 
 
8. A crise do Encilhamento, ocorrida durante o primeiro governo 
republicano, provocou um grande descontrole na economia nacional. 
Essa crise: 
a) culminou com o desenvolvimento da forte política de 
industrialização no Brasil. 
b) conteve a especulação, evitando a falência de banqueiros e 
industriais. 
c) foi conseqüência da desvalorização dos preços do café no 
mercado internacional. 
d) levou o Ministro Rui Barbosa e a elite agroexportadora a 
elaborarem o primeiro programa de valorização do café. 
e) foi conseqüência da política econômico-financeira de emissão de 
papel-moeda e do crédito aberto, adotada por Rui Barbosa, então 
Ministro da Fazenda. 
9. (EsSa-16) A Política de emissão de dinheiro em grande 
quantidade, que causou uma desenfreada especulação na Bolsa de 
Valores, durante o governo do marechal Deodoro da Fonseca, ficou 
conhecida com 
A) Encilhamento. 
B) Crise de 1929. 
C) Crise Contestada. 
D) Queda do Banco do Brasil. 
E) Queda do Marechal de Ferro. 
 
10. A Constituição Brasileira de 1891 estabeleceu a organização de 
um Estado Federal. Sobre o período histórico e essa constituição, 
pode-se afirmar que: 
a) efetivou a República federal presidencialista, através da divisão 
dos três poderes e da transformação das províncias em estados-
membros com autonomia relativa. b) consolidou a República no 
Brasil, através de um governo parlamentar fundamentado na doutrina 
positivista.c) seguiu o modelo federal dos EUA, no qual os estados-
membros teriam total independência e só permaneceriam unidos em 
questões relativas ao comércio internacional e em casos de guerra.d) 
criou a República e, pela primeira vez, garantiu o voto ao analfabeto, 
tendo como característica inovadora a concentração do poder no 
Legislativo.e) fortaleceu o sistema presidencialista e o 
pluripartidarismo e restringiu os poderes do Legislativo, 
enfraquecendo os poderes dos coronéis regionais. 
 
 REPÚBLICA DAS OLIGARGUIAS 
 
 CORONELISMO:A Dominação a Nível Local. 
O termo oligarquia, no Brasil da República Velha, significava 
domínio político de alguns grupos ou famílias patriarcais, ligadas às 
atividades agrárias e ao comércio, sobre os governos estaduais ou, 
em alguns casos, sobre o poder político nacional. O oligarca era 
também um coronel que tinha o poder político numa determinada 
região, controlando os cargos públicos e os investimentos do estado, 
empregando parentes e distribuindo benesses aos aliados. 
Nos estados mais desenvolvidos, as oligarquias das várias 
regiões estaduais ajustavam seus interesses dividindo a liderança do 
partido que controlava a política estadual. Às vezes, esses ajustes se 
desfaziam e surgiam as dissidências e oposições estaduais em 
época de eleição. Quando terminava o pleito eleitoral, as oposições 
derrotadas voltavam ao partido, com a esperança de ocupar a 
liderança (essa situação infelizmente ainda acontece no Brasil do 
século XXI). Sabiam que fora do partido não tinham nenhuma 
condição de sobrevivência política. Nos Estados mais atrasados, o 
controle partidário pertencia a uma família (algo que também ainda 
acontece no cenário político brasileiro atual, claro que, em menor 
proporção). As oposições também eram controladas por outras 
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famílias inimigas e, as disputas políticas familiares eram sempre 
violentas. 
Do oligarca exigia-se fidelidade ao partido, ao governo e aos 
chefes. A fidelidade era sempre ao partido, aos velhos amigos, aos 
correligionários. Os interesses individuais deviam sempre estar 
ligados aos interesses partidários. Para os melhores cargos políticos 
eram designados os membros do partido mais proeminente e fieis às 
orientações dos chefes. 
 O que diferia o oligarca do simples coronel era o grau de 
atuação política. O primeiro controlava ou disputava a liderança 
estadual; o segundo controlava ou disputava apenas o poder a nível 
local ou regional, “sempre” subordinado ao primeiro. 
O coronelismo, fenômeno político e social característico da 
Republica Velha, teve origem no império, com a criação da Guarda 
Nacional cujo chefe local tinha a patente de coronel. Depois, os 
caboclos e sertanejos estenderam o titulo a todo e qualquer chefe 
político ou poder local. 
 A Republica, ao introduzir o federalismo e sufrágio universal 
num país com amplas massas rurais analfabetas ou semi-
analfabetas, gerou um problema. Como as oligarquias estaduais 
poderiam manter o poder, ao mesmo tempo em que era instituído o 
sufrágio universal? Essa dificuldade estava em preservar o sistema 
político “liberal” sem ariscar-se a perder o poder. 
 A força das oligarquias estaduais vinha do controle sobre 
os grandes coronéis municipais, condutores das massas rurais 
impotentes, castradas e incapazes de atuar politicamente de maneira 
autônoma. 
De posse de um número bastante grande de votos, o coronel 
o negociava com o governador do seu Estado, isto é, oferecia os 
votos em troca de um benefício qualquer. Dessa forma, o voto 
fraudado pelos coronéis saía dos municípios, elegia governadores de 
um grupo oligárquico estaduale chegava até a presidência da 
República, sendo canalizado para o candidato paulista ou mineiro. 
Como sabemos, os chefes locais eram grandes proprietários, 
doutores, padre ou comerciantes. Não importava a profissão, a 
mentalidade era a dosgrandes proprietários. O mais comum era a 
combinação de quaisquer dessas ocupações com o controle das 
propriedades rurais. Muitos coronéis exerciam o papel de 
comerciantes vendendo fiado, adiantando dinheiro aos vendedores e 
fazendo empréstimos. 
Controlavam, além da parentela familiar, grupos de jagunços 
ou “cabras” que, além de trabalhar para o coronel, constituíam suas 
tropas privadas. Em troca de favores, o coronel fornecia empregos 
públicos e emprestava dinheiro aos parentes e amigos. Doava terras, 
distribuía benefícios e dava proteção policial e judiciária aos 
jagunços. 
 Além de dinheiro, propriedades e prestigio social, o coronel 
deveria apresentar certos atributos pessoais, como capacidade de 
mando, coragem e liderança. Nas sucessões coronelistas nem 
sempre era o filho mais velho que ocupava o lugar do pai. Muitas 
vezes era escolhido um sobrinho, um genro ou outro parente que 
tivesse capacidade de comando, para que a sucessão não 
enfraquecesse seu grupo político. 
 O prestigio político de um coronel era medido por sua 
capacidade de angariar votos para seu candidato, fosse deputado, 
senador ou governador. Sua força advinha das relações que 
mantinha com o governo. Afinal, era com base nessas relações que o 
coronel poderia indicar os funcionários públicos, o chefe de policia e 
o coletor de impostos. Todos os coronéis, mesmo os de posição 
local, quando passavam para a situação procuravam se acertar com 
o governo estadual. Este, no caso de disputas entre coronéis, muitas 
vezes esperava a definição do vencedor para reconhecer o comando 
político de um município. Nos Estados mais “desenvolvidos” era 
quase impossível pensar em coronéis municipais que tentassem 
derrubar o governo e as oligarquias partidárias, mas isso ocorreu. 
Nos Estados menos desenvolvidos tal prática era mais comum, e as 
facções em disputas procuravam o apoio das forças federais. 
Nem só com disputas armadas e violências eram 
estabelecidas as relações entre os coronéis. Vários chefes políticos 
de um município ou de uma região poderiam fazer um acordo e 
entregar a chefia suprema de seus grupos e sua fidelidade a um 
determinado coronel, da mais prestigio ou poder, que se tornava o 
“coronel dos coronéis”. 
O coronelismo entrou em declínio com a centralização do 
poder ocorrida após a Revolução de 1930. Mas em certas regiões 
mais “atrasadas”, como o sertão nordestino, o vale do Jequitinhonha, 
em Minas, o coronelismo persistiu até recentemente. 
 
• POLÍTICA DOS GOVERNADORES: 
 A República tornou-se possível em grande parte, graças à 
aliança entre militares e fazendeiros de café, no entanto tinham 
projetos diferentes, os primeiros eram centralista e o segundo 
federalista. E como os cafeicultores contavam com um amplo arco de 
aliados potenciais e eram economicamente o setor mais poderoso da 
sociedade, conseguiram implantar seus interesses. Com Prudente 
de Morais os poderes passaram as mãos desse grupo, mas foi com 
Campo Sales (1898-1902) que implantou a política dos governadores 
que ocorreu a consolidação. 
 Política que consistia: onde os chefes políticos locais 
apoiavam as chamadas oligarquias estaduais, estas apoiavam os 
deputados e os senadores e estes sustentavam as medidas do 
governo federal. Em troca, o presidente se comprometia a não intervir 
nos governos estaduais, deixando que as oligarquias governassem 
os respectivos estados como achassem convenientes. 
 Através dessa política, os cafeicultores governavam 
praticamente sem oposição, e isso só era possível por causa da 
corrupção eleitoral e da degola. 
 A república não estabeleceu o voto secreto, assim os 
chefes políticos locais podiam pressionar quem tivessem a intenção 
de votar na oposição. O voto era comprado ou trocado por algum 
benefício. Esse é o chamado voto de cabresto. A corrupção ia além, 
controlavam-se os juízes que fiscalizavam as eleições, assim era 
comum mortos votarem, eleitores votarem várias vezes atas eleitorais 
serem falsificadas. Tudo era feito para o candidato da situação 
vencer. 
 No nível federal, o governo usava a degola. O candidato só 
tinha sua eleição reconhecida se tivesse o apoio dos governadores 
do seu respectivo estado. A comissão verificadora, sob controle 
federal, alegava fraudes e irregularidades para não diplomar os 
candidatos de oposição. Ou seja, o individuo, mesmo se eleito, não 
era empossado. O pacto da política dos governadores era reforçado 
pela política do café-com-leite. Onde Minas Gerais e São Paulo, se 
revezariam no cargo para presidente. 
 
 Os presidentes e os Acontecimentos: 
a) PRUDENTE DE MORAIS - 1894-1898 - Fazendeiro paulista, 
pretendia recuperar a economia frente aos problemas oriundos da 
Crise do Encilhamento e pacificar o Rio Grande do Sul (Revolta 
Federalista), o que de certa forma foi conseguido, porém teve de 
enfrentar a revolta de Canudos. 
 Na política externa, teve destaque a atuação do barão do 
Rio Branco, diplomata que solucionou o problema da fronteira com a 
Argentina, na região das Missões. 
 
 Canudos: Em Busca dos Caminhos da Esperança 
 Por Prof. Esp. Rogério Silva. 
Desde 1888 Conselheiro vinha sendo seguido por multidões 
de „gente inferior” - ex-escravos, vagabundos, marginalizados. Uma 
de suas primeiras ações nesse período acontece em Bom Conselho, 
quando reúne o povo, faz uma breve prédica e manda arrancar o 
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edital de cobrança de impostos. O povo obedece, queima o edital e 
faz festa, com foguetes e banda. Começa a trajetória propriamente 
política do Conselheiro. Uma patrulha de 35 soldados tenta prendê-lo 
mas é dispersada pelo povo. Daí para frente será sempre perseguido 
como um perigo social. É então que depois de muito ameaçado leva 
seu povo, e todos os que chegam, para o Belo Monte e ali funda a 
sua utopia.Bem real, enquanto durou. 
 A cidade foi levantada em 1893, perto do rio Vaza-Barris. 
Chamava-se Belo Monte, mas passou para a historia como Canudos, 
nome dado pelos inimigos, referindo-se aos bambus que ali cresciam, 
como canudos, e, ao mesmo tempo negando-lhe o carisma de seu 
verdadeiro nome. A notícia correu pelos sertões. Fazendas e vilas 
despovoavam-se porque em Belo Monte “havia descido o céu”. Não 
tinha polícia do governo e o trabalho era igual para todos. Não se 
pagavam impostos e bastava levantar casa onde o Conselheiro 
indicasse. Toda a produção era distribuída de acordo com as 
necessidades de cada um. 
Nunca houve roubo. /Nunca houve opressão./Todos eram 
livres e iguais./Todos trabalhavam. E rezavam, dando graças ao 
Senhor Bom Jesus. 
 Canudos teve 35 mil habitantes. De longe, parecia um 
presépio: as casas amontoavam-se, desordenadamente. Só havia 
uma rua e, no seu início, a primeira igreja, onde Antônio Conselheiro 
pregava. Posteriormente começou-se a construir outra capela. 
 Uma utopia real, que nunca teve polícia ou cobrador de 
impostos. Onde, ao contrário do sertão, havia duas escolas para as 
crianças. Onde as decisões eram tomadas. Uma das fontes de renda 
de comunidade foi a venda das peles de cabra, que a Republica 
exportava, inclusive. A importância da cabra na economia de 
Canudos, alias, é um estudo ainda a ser feito. Dava o alimento - leite 
e carne - e o couro para roupas e sapatos. O excedente vendia-se a 
comerciantes que o levavam para Salvador: a exportação do couro 
de cabra chegou a ser um dos mais importantes itens da economia 
baiana. Dos chifres desses animais os sertanejos faziam pentes, 
bijuterias,piteiras para cachimbos e, quando chegou a guerra, até 
balas de munição. 
 O pretexto para a guerra contra Canudos foi a pretensa 
invasão de uma vila, por Conselheiro, para conseguir madeira. Na 
verdade, por trás de tudo, o motivo real era destruir um “mau 
exemplo” de liberdade popular. Havia também o interesse político no 
episódio, favorecendo as disputas entre os republicanos. 
Canudos era vista como um lugar de concentração e atração 
de diversos atores sociais, que a sociedade da época achavam ser: 
fanáticos religiosos, marginais e anti-republicanos, estes estereotipo 
que levava o Estado, a Igreja e as Oligarquias (as três forças da 
época) a terem medo do arraial de Canudos. 
 Nem sempre foram visto como fanáticos religiosos, pois 
houve momentos que as três forças compartilhavam relações sociais, 
Conselheiro e seus seguidores prestaram muitos serviços por onde 
passavam ou onde eram chamados, construíam cemitérios, ruas, 
açudes, igrejas, etc., só que a partir de um momento os laços de 
interações foram quebrados, isso pelo estabelecimento da cidadela e 
pelos conflitos armados que começaram a ser constante, sendo 
assim podemos observar que nem sempre Conselheiro e seus 
seguidores foram perseguidos, quando de conveniência era aceitos. 
Mas a verdade quanto à questão religiosa é que em Canudos assim 
como em grande parte do sertão era praticado o catolicismo popular, 
que às vezes, e principalmente após a aparição de Antonio 
Conselheiro, fora confundido com fanatismo religioso. 
Canudos era também visto como um antro de marginais, é 
certo que muitos foragidos da justiça iam se esconder em Canudos, 
mas isso ocorria em casos de minoria, pois ali viviam gente de bem, 
homens e mulheres que lutavam todos os dias para conseguirem 
viver, paralelo a isso existia a visão de anti-republicanos, mas nada 
os canudenses tinham a ver com tal denominação, o único elemento 
que realmente os canudenses eram contra a republica era fato de ela 
ter separado a igreja do Estado, mas mesmo assim, isso não 
representavam um sentimento verdadeiramente anti-republicano. 
 Acredito que podemos destacar três aspectos na destruição 
de Canudo: militarmente; socialmente e quanto à memória, tratando 
respectivamente. 
 Canudos foi atacada por quatro expedições, a primeira 
constituída de 120 homens comandados por um tenente e foi 
desarticulada pelo exército canudense; a segunda formada com 600 
homens comandados por um major e contando com 2 canhões, 
também derrotada; a terceira contou com tropas do Rio de Janeiro e 
Bahia com 1 300 homens, já a última, contou com cerca de 10 mil 
homens de vários estados, com grande infra-estrutura, com batalhas 
bem variadas (locais, e tempo de duração) findando com a morte de 
Conselheiro em 22 de setembro e o ataque final em 1°de outubro. 
 
b) CAMPOS SALES - 1898-1902 - Fazendeiro paulista, desenvolveu 
uma política econômica desfavorável a população, porém para as 
elites desenvolveu a Política dos Governadores. 
 A gênese da Política dos Governadores. 
“Parece oportuno tratar de escolha do meu sucessor, a fim de poder 
entender-se com alguns membros do Congresso, antes do 
encerramento da sessão. Sei que Rodrigues Alves encontra o seu 
apoio e estou em pleno acordo na indicação deste nome, que 
considero competente no duplo ponto de vista político administrativo, 
e faço por ele decidido empenho (...) mas tenho motivos para creditar 
que Minas só aceitará a combinação em que entrar também um 
mineiro, e, para evitar embaraços, julgo conveniente indicar Silviano 
para vice-presidente, assegurando assim apoio decisivo daquele 
grande Estado”. Campos Salles. Da propaganda à presidência. 
 
Antes mesmo de sua posse viajou para a Europa, onde 
encaminhou negociações com os bancos credores do Brasil e 
estabeleceu um plano de saneamento econômico chamado de 
funding-loan (empréstimo consolidado); 
Os principais pontos desse plano eram: 
- Obtenção de novos empréstimos externos no valor de 10 milhões 
de libras. 
- Suspensão do pagamento da dívida externa por 13 anos (os juros 
da dívida voltariam a ser pagos depois de 3 anos). 
- As rendas da alfândega do Rio de Janeiro serviriam de garantia aos 
banqueiros internacionais. 
- Compromisso de severo combate à inflação. 
 
 Na área externa, em 1900, conseguiu pro meio da atuação 
do Barão do Rio Branco solucionar a Questão do Amapá, área 
reivindicada pela França como pertencente ao território da Guiana 
Francesa. 
 
c) RODRIGUES ALVES - 1902-1906 - Fazendeiro paulista. 
Modernizou o Rio de Janeiro, enfrentou a Revolta da Vacina e tentou 
erradicar a febre amarela. Também resolveu a Questão do Acre 
através da assinatura do Tratado de Petrópolis, 1903. 
 
 A Revolta da Vacina (RJ, 1904). 
Na primeira República (1889-1930), a vida política 
restringia-se às oligarquias que governavam os estados e o Brasil 
como se fossem propriedades particulares. Assim, já a partir dos 
primeiros anos do século XX, surgiam diversos movimentos de 
contestação à política do café-com-leite e ao autoritarismo 
governamental, principalmente nas cidades, que apresentaram 
grande crescimento populacional no período. 
Em 1880, o Rio de Janeiro registrava 522 mil habitantes e, 
em 1920, já contava com 1,1 milhão. São Paulo, no mesmo período, 
apresentou um crescimento populacional espetacular: de 65 mil 
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atingiu 580 mil habitantes, quase 900%. No Nordeste as cidades 
também cresceram: Salvador, por exemplo, no mesmo período saltou 
de 175 mil para 288 mil habitantes. 
No início do século XX, a cidade do RJ apresentava um 
grande contraste. O centro e os bairros elegantes, onde morava a 
elite carioca, modernizaram-se com a abertura de ruas e iluminação a 
gás. A cidade ficou semelhante às capitais européias (a bela época, 
carioca). 
No centro antigo do Rio de Janeiro. No lugar, dos cortiços 
surgia uma cidade moderna, que precisava encontrar espaço para 
um veículo até então desconhecido dos cariocas: o automóvel. O 
primeiro veículo, importado da França, foi trazido pelo jornalista José 
do Patrocínio, em 1882. Tinha custado 20 mil francos. Depois de ser 
montado, os jornais anunciaram que o estranho veículo estava 
prestes a circular. Num Domingo de manhã, Patrocínio ao volante e o 
poeta Olavo Bilac a seu lado iniciaram o passeio, acompanhados por 
um grande público ávido de conhecer a novidade. 
No entanto, ladeando esse núcleo privilegiado, 
encontravam-se moradias pequenas e amontoadas, vielas e ruas 
estreitas, becos, cortiços e hospedarias sem higiene. Não havia 
redes de esgoto, nem água suficiente para todos, a maioria das ruas 
não tinha iluminação e por todos os cantos via-se lixo amontoado. As 
precárias condições sanitárias deixavam a cidade sujeita a pestes e 
doenças de todo o tipo: febre amarela, peste bubônica, 
varíola...vejamos um exemplo de combate a estes males, 
representado pela destruição de um emblemático cortiço da cidade 
do Rio de Janeiro, o Cabeça de Porco. 
O governo de Rodrigues Alves pôs em prática um plano 
que relacionava saneamento e urbanização. Sob a administração do 
prefeito Pereira Passos, o Distrito Federal foi remodelado com o 
alargamento de ruas, a abertura de avenidas, a construção de pontes 
e a reforma do porto. Tais obras foram feitas com o sacrifício da 
população pobre, que foi expulsa para longe e teve seus casebres e 
cortiços destruídos. As equipes de saneamento agiam com o apoio 
da polícia, caso enfrentasse qualquer recusa ou reação. A população 
não se conformava. 
Em 1904, o “bota-abaixo”, nome popular dado às reformas 
conduzidas pelo prefeito Pereira Passos, fez crescer o clima de 
revolta da população contra o que ironicamente Lima Barreto chamou 
de “civilização”. Em agosto de mesmo ano,iniciou-se a vacinação 
obrigatória, sob a coordenação do médico sanitarista Osvaldo Cruz, 
pois, apenas nesse ano, uma epidemia de varíola provocou a morte 
de 4 mil pessoas no Rio de Janeiro. A falta de esclarecimento sobre 
as razões da vacinação, aliada aos transtornos criados pela reforma 
da cidade, acabou por deflagrar uma revolta popular contra o 
governo. 
Uma das medias autoritárias do governo foi a de outubro de 
1904: a “Lei de Vacinação Obrigatória”. As equipes sanitárias 
foram autorizadas a aplicar a vacina antivariólica em toda a 
população, se necessárias à força. Denúncias de invasão de 
domicílio, prepotência dos agentes sanitários e ação violenta da 
polícia apareciam diariamente nos jornais. 
Na primeira etapa, em que se lutava contra a peste 
bubônica, o combate concentrou-se na eliminação dos ratos, os 
transmissores. Os lugares mais notórios, como becos, hospedarias e 
armazéns foram visitados pelos agentes da saúde encarregados de 
remover entulhos e espalhar raticidas. Um método curioso foi 
também posto em prática para eliminar os ratos: funcionários 
percorriam a cidade para "comprar" os ratos apanhados pela 
população. A febre amarela, cujo transmissor havia sido identificado 
por um médico cubano, foi combatida por uma campanha de "mata-
mosquitos" com a eliminação dos focos e com a desinfecção das 
casas. 
Em 05 de novembro de 1904, no Centro das Classes 
Operárias, foi fundada a “Liga de Combate à Vacinação 
Obrigatória”, Seu líder e fundador, o senador Lauro Sodré, 
pretendia, ao que parece, transformar a liga num instrumento de 
ambições políticas próprias e de seus aliados. Com essa expectativa, 
colocou a organização na liderança de um movimento insurrecional 
que, entretanto, escapou completamente ao seu controle. 
Armou-se a conspiração. No dia 10 de novembro, e por 
mais de cinco dias, o Rio de Janeiro transformou-se em uma praça 
de guerra. Era a “Revolta da Vacina”. A desordem era tal que o 
governo decretou toque de recolher. A Revolta da Vacina desdobrou-
se, também, na “Revolta da Escola Militar”. 
Os suspeitos de participação nos conflitos, segundo o 
historiador José Maria dos Santos, “começaram a ser recolhidos em 
grandes batidas policiais. Não se fazia distinção de sexos, nem de 
idades. Bastava se desocupado ou maltrapilho e não provar 
residência habitual para ser culpado. Conduzidos para bordo de um 
paquete de Lôide Brasileiro, em cujos porões já se encontravam a 
ferros e no regime da chibata foram sumariamente expulsos para o 
Acre”. 
O governo reagiu rapidamente e conseguiu sufocar o 
movimento. Foi decretado estado de sítio e realizadas centenas de 
prisões de civis e militares. 
Depois de todos os embates finalmente o governo recuou e 
revogou no dia 16 de novembro a obrigatoriedade da vacina, fazendo 
refluir o movimento. No seu rastro, a revolta deixou centenas de 
mortos e feridos. A brutalidade da ação policial sobre as camadas 
populares, que foram as principais vítimas, continuou mesmo depois 
de terminada a revolta. Identificando como suspeita qualquer pessoa 
pelo simples fato de pertencer aos extratos populares, o sentido da 
repressão tornou-se claro: tratava-se de afastar o pobre da cidade, 
"limpá-la" e entregá-la como espaço higienizador para uso burguês, 
Novos movimentos ocorreram em 1905, mas foram logo 
desbaratados. 
 
 Estrutura Econômica da República Oligárquica 
 O Café 
As condições naturais favoráveis, a expansão do mercado 
consumidor e a introdução da mão-de-obra livre fizeram do café o 
mais importante produto brasileiro, chegando a constituir cerca de 
setenta por cento do valor das exportações do país. São Paulo 
tornou-se o grande centro da economia cafeeira, chegando a 
comercializar cinqüenta por cento do café mundial. 
 O café dinamizou a economia nacional, possibilitando o 
desenvolvimento de uma próspera burguesia, do mercado interno, 
das ferrovias, dos portos e dos serviços urbanos; além disso, difundiu 
o trabalho assalariado e estimulou a produção industrial. Entretanto, 
a partir de 1895 começaram a aparecer os primeiros sinais da crise. 
Tratava-se de uma crise de superprodução, pois a eufórica produção 
de café, justificada pelos altos preços que o produto vinha 
alcançando no mercado internacional, crescia a níveis muito 
superiores ao ritmo de crescimento do mercado consumidor. A oferta 
tornou-se, então, maior que a procura, provocando a queda dos 
preços do café, afetando diretamente os cafeicultores. 
O governo, controlado pelos cafeicultores, tratou de adotar 
medidas que garantissem os interesses desse grupo. Com a 
desvalorização da moeda nacional, ao trocar as libras, recebidas 
pelas exportações, os produtores de café ficavam com uma grande 
quantidade de mil-réis. A política emissionista, que garantia este 
plano, provocou a elevação dos preços e o conseqüente aumento do 
custo de vida, prejudicando as camadas populares. 
O aprofundamento da crise levou à adoção de uma política de 
valorização do café, firmada entre os presidentes dos Estados de 
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, à revelia da discordância 
do presidente da República, Rodrigues Alves. Esse acordo, firmado 
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na cidade de Taubaté, em 1906, ficou conhecido como Convênio de 
Taubaté e consistiu no seguinte: 
a) os governos estaduais deveriam contrair empréstimos no 
exterior, a fim de comprar e estocar a produção excedente de 
café, controlando, assim, artificialmente, a oferta do produto, 
garantindo a recuperação de seu preço; 
b) cobrança de uma taxa sobre as sacas de café exportadas, 
garantindo, desse modo, uma reserva para o posterior 
pagamento dos empréstimos feitos; 
c) cobrança de altos impostos, para evitar a ampliação das 
áreas produtoras de café. 
 
O governo intervinha na economia, com o objetivo de defender 
os interesses da oligarquia cafeeira. Mas a garantia da elevação do 
preço do café provocou a ampliação da produção, piorando a crise 
durante a Primeira Guerra Mundial, quando os mercados 
consumidores se retraíram. 
A partir de 1918 a economia cafeeira teve novo surto de 
prosperidade. Dois fatores contribuíram para isso: o fim da Primeira 
Grande Guerra, possibilitando a reorganização do comércio 
internacional e a forte geada, que devastou muitos cafezais, 
diminuindo a produção. 
Em 1924, foi criado o Instituto do Café, que passou a atuar no 
sentido de manter artificialmente o preço do café com todos os 
recursos necessários, através da retenção dos estoques, mantendo 
equilibrado o nível de renda dos cafeicultores, até a explosão da 
grande crise econômica mundial de 1929. 
 
d) AFONSO PENA - 1906-1909 - Mineiro, apoiado pelos 
cafeicultores. Desenvolveu a política de valorização do café. 
Construiu ferrovias e estimulou a imigração, “governar é povoar”. 
Morreu antes de completar o mandato. 
e) NILO PEÇANHA - 1909-1910 - Vice de Afonso Pena. Completou o 
mandato. 
 O curto período de seu governo foi marcado pela acirrada 
disputa sucessória pela presidência. São Paulo e Minas Gerais 
discordavam quanto ao nome do sucessor: enquanto os paulistas 
defendiam a candidatura de Rui Barbosa, os mineiros queriam o ex-
ministro da guerra, Marechal Hermes da Fonseca, que contava com 
apoio dos militares e do governo federal. 
 Para fazer frente, Rui Barbosa empreendeu a chamada 
Campanha Civilista, que propunha reformas na Constituição e o 
voto secreto, teve apoio dos cafeicultores. Mas mostrando a força do 
coronelismo e do voto de cabresto Hermes da Fonseca foi eleito. 
 
f) HERMES DA FONSECA - 1910-1914 - Militar e político gaúcho 
(primeiro rompimento da política do café-com-leite). Teve um 
governo tumultuado, onde enfrentou a Revolta da Chibata 
(marinheiros) e a Guerra do Contestado.Sobrinho do ex-presidente Deodoro, H. da Fonseca, 
desenvolveu uma política de intervenção nos estados. Usando da 
força militar, apoio políticos leais a seu governo, especialmente no 
Norte e Nordeste, com objetivo de derrubar as oligarquias estaduais 
opositoras e fortalecer o poder federal. A Política das Salvações, 
como ficou conhecida, resultou em diversos conflitos armados, com 
milhares de mortos. 
 
 A Revolta da Chibata (RJ, 1910). 
Pobres, marginais, pequenos ladrões, desempregados e 
“filhos rebeldes” eram praticamente forçados a ingressar na Marinha. 
Os marinheiros estavam sujeitos a trabalho pesado, alimentação 
insuficiente, salário baixo, disciplina rigorosa e – o mais aviltante – a 
castigos físicos violentos, entre eles a odiosa chibata (chicote). 
Apesar de suprimido pelo Governo provisório da República, o castigo 
continuou a ser praticado na Marinha de Guerra. 
O estado de semi-escravidão vivido por esses homens 
tornou-se insustentável quando estes tiveram contato com 
marinheiros de outros países. Chefiando a conspiração, estava 
principalmente o marujo João Cândido Felisberto (o “Almirante 
Negro”). Os marinheiros rebelados enviaram uma mensagem ao 
presidente, Marechal Hermes da Fonseca, na qual exigiam o fim dos 
castigos físicos, melhor condição de vida, diminuição do trabalho e 
aumento de vencimentos. 
Ameaçaram bombardear a cidade, caso suas 
reivindicações não fossem atendidas prontamente (No dia 22 de 
novembro, encontrava-se fundeada na Baía de Guanabara a quase 
totalidade da Marinha de Guerra brasileira). Diante da situação, foram 
aceitas as reivindicações e o pedido de anistia dos marinheiros. No 
dia 26 de novembro os marinheiros aceitaram a anistia e depuseram 
as armas, cumprindo exigência do governo federal. Entretanto, dois 
dias depois, o governo decretou a expulsão dos marinheiros, muitos 
foram encarcerados em minúsculas celas, entre eles, João Cândido. 
Outros foram deportados para a Amazônia, nove deles foram 
fuzilados e jogados ao mar. A maioria dos outros acabaria morrendo 
em conseqüência das penosas condições de trabalho nos seringais. 
Mesmo com esse desfecho trágico, a Revolta da Chibata 
apresentou resultados positivos, pois as reivindicações dos 
marinheiros acabaram sendo atendidas. Os castigos físicos foram 
definitivamente suprimidos e as condições de vida e trabalho 
melhoraram. 
 
 Guerra do Contestado (PR/SC, 1912-1916). 
Quinze anos depois da destruição de Canudos, um novo 
movimento messiânico ocorreu no interior do Brasil. Desta vez, a 
região atingida foi o Sul, envolvendo Paraná e Santa Catarina. Na 
época, os dois estados disputavam uma área de 48.000 km, 
denominada por isso “Contestado”. Ao contrário do inóspito sertão 
baiano, onde se desenrolou a Guerra de Canudos, as terras do 
Contestado favoreciam uma economia diversificada. 
Grandes propriedades ocupavam a região, em que eram 
praticados o pastoreio bovino e a extração da erva-mate e da 
madeira. Assim como na Guerra de Canudos, o movimento sulista 
esteve ligado à questão da propriedade da terra, à consolidação do 
sistema oligárquico republicano, aos desmandos e às arbitrariedades 
dos “coronéis” locais e à implantação de medidas modernizadoras 
pelo regime inaugurado em 15 de novembro de 1889. A esses fatores 
somou-se os empreendimentos realizados na região do Contestado 
por Percival Farquhar, empresário norte-americano que atuava no 
Brasil desde 1905. 
Na área do Contestado, Percival iniciou, em 1908, a 
construção da estrada de ferro São Paulo – Rio Grande do Sul 
através de sua empresa “Brazil Railway Company”. Além de 
submeter seus trabalhadores a castigos físicos e tratamento 
desumano, a empresa estrangeira usou métodos violentos para 
desalojar as famílias da área por onde passaria a ferovia. 
O governo brasileiro cedera a essa empresa norte-
americana o direito de propriedade sobre uma faixa de 15 km de 
cada lado da estrada. A situação se agravou com a criação da 
“Southern BrazilLumber&Colonization” (1911), empresa do Grupo 
Farquhar, para explorar madeira em 180.000 hectares da área 
contestada. Novamente ocorreram expulsões de lavradores que 
habitavam a área da “Lumber”. Por outro lado, centenas de 
serradores e madeireiros viram-se arruinados, em face das técnicas 
modernas utilizadas pela empresa norte-americana na extração e no 
corte dos troncos. Essa situação desenvolveu na massa desprotegida 
a esperança de uma justiça divina, que se manifestaria através de um 
enviado de Deus, isto é, um Messias. 
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Já em 1844, aparecera na região do Contestado o “monge” 
João Maria que, após tornar-se conhecido e admirado, desapareceu 
sem deixar nenhuma pista. Por volta de 1894, outro beato também 
chamado João Maria surgiu no local, ganhando grande número de 
seguidores. Ao desaparecer inesperada e misteriosamente, por volta 
de 1908, o monge instaurou entre os sertanejos o mito de seu retorno 
glorioso. 
O mito pareceu concretizar-se quatro anos depois, quando 
surgiu, no município de Campos Novos, um novo beato, que se 
denominava José Maria de Santo Agostinho. Para muitos, era o 
desaparecido João Maria que estava de volta com outro nome, 
apesar de José Maria não admitir essa identificação. Seus 
seguidores formaram uma comunidade chamada “Monarquia 
Celeste”. Acreditavam que o rei D. Sebastião, junto com seu exército 
encantado voltaria para empreender uma Guerra Santa contra os 
poderosos e salvar os pobres. O grupo de José Maria foi acusado de 
subversivo e monarquista. Espalhou-se o boato de que os “fanáticos” 
haviam proclamado a Monarquia e pretendiam estende-la a toda a 
região. 
O “coronel” Francisco de Albuquerque (poderoso chefe 
político da região) estimulava a propagação das notícias e logo 
avisou o governador de Santa Catarina, que, por sua vez, noticiou o 
presidente Hermes da Fonseca. Começou a ser preparada a força 
que atacaria os “rebeldes” (1912). Prudentemente, José Maria e seus 
seguidores saíram da região e seguiram para terras paranaenses, 
fixando moradia em Campos e Irani. Mas não ficaram livres da 
ameaça de repressão. O governo do Paraná foi informado da 
presença dos fanáticos. 
Considerando a ocorrência como uma invasão catarinense, 
preparou suas tropas. Ia ter início uma guerra de extermínio que, 
durante quatro anos, atormentou aquela multidão miserável e 
despossuídas. 
 
g) Venceslau Brás - 1914-1918 - Político mineiro. Governou durante 
a 1ª Guerra e, durante o conflito, ocorreu um novo surto industrial no 
país. 
h) Rodrigues Alves – 1918 - Foi reeleito presidente, mas faleceu 
antes de tomar posse. 
i) Delfim Moreira - 1918-1919 - Vice de Rodrigues Alves, governou o 
país interinamente, até a realização de novas eleições. 
 
j) Epitácio Pessoa - 1919-1922 - Político paraibano, deu especial 
atenção ao Nordeste. Os últimos meses de seu governo foram 
particularmente agitados (Revolta dos 18 do Forte de Copacabana). 
 
 Revolta dos 18 do Forte de Copacabana 
No Rio de Janeiro, na madrugada de 5 de julho de 1922, um 
grupo de oficiais liderados pelo capitão Euclides Hermes da Fonseca, 
filho do marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil, tomou 
o Forte de Copacabana, de onde passou a atacar o quartel-general 
do Exército. Ao mesmo tempo, na Vila Militar da capital federal, em 
Niterói e no Mato Grosso eclodiram rebeliões semelhantes. 
No dia seguinte, o Congresso aprovou o estado de sítio, que 
entre outras arbitrariedades, dava ao governo poderes para obrigar 
as pessoas a residir em endereços determinados, fazer buscas e 
apreensões em domicílios, suspender a liberdade de reunião e 
associação, censurar a imprensa e as correspondências. 
No dia 7, as tropas do governo mobilizadas para a retomada 
do Forte encontraramum pequeno número de rebeldes. Apenas 
dezoito militares (ou 28 conforme outra versão do episódio) deixaram 
a fortaleza e, envoltos em tiras da bandeira nacional retirada do 
Forte, marcharam pela praia de Copacabana ao encontro das forças 
governistas. No caminho novas desistências reduziram a dez o 
número de combatentes; somente dois sobreviveram à troca de tiros 
com as tropas do Exército: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo 
Gomes. 
 
l) Artur Bernardes - 1922-1926 - Político mineiro. Seu governo 
transcorreu inteiramente sob estado de sítio, em meio a constantes 
agitações e revoltas políticas (Revoltas Tenentistas). 
 
 REVOLTA FARDADA: O TENENTISMO 
O episódio que acabamos de descrever fez parte de um 
movimento maior, em que, ao longo da década de 1920, oficiais 
militares de diversos lugares do Brasil se rebelaram contra o governo. 
Os motivos da rebelião vinham do tempo da presidência de Floriano 
Peixoto. Desde aquela época as Forças Armadas serviam totalmente 
aos interesses das oligarquias que governavam o Brasil. No começo 
do século XX, porém, jovens oficiais (tenentes e capitães, em sua 
maioria) da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, passaram 
a defender a idéia de que o Exército deveria apenas “servir à nação”. 
Esses oficiais estavam insatisfeitos com o comando do 
Exército e com a própria oligarquia a que serviam. Por conviverem 
diretamente com os soldados rasos, os tenentes e os capitães 
percebiam as dificuldades econômicas por que passavam as classes 
média e baixa da população. Indignavam-se também com o 
favorecimento das polícias estaduais, controladas pelos políticos do 
interior e mais bem equipadas que o próprio Exército. 
Revoltavam-se também com o fato de serem obrigados a 
defender um regime que julgavam corruptos. Na verdade, 
acreditavam que o Exército poderia salvar o povo da situação em que 
os políticos teriam lançado o Brasil. 
 Operários, camponeses, trabalhadores do comércio, 
pequenos proprietários, soldados, funcionários públicos e mulheres 
não participavam das decisões políticas, ainda que greves e 
manifestações populares exigissem cada vez mais respostas do 
governo. 
O movimento de oficiais militar chamado tenentismo surgiu 
exatamente como oposição exterior aos grupos que dominavam o 
governo, e manifestou-se pela primeira vez durante a sucessão do 
presidente Epitácio Pessoa, indicado por Minas e São Paulo para 
substituir Rodrigues Alves, que, eleito em 1918, faleceu antes de 
tomar posse. 
 Em 1924 eclodiu em São Paulo outra revolta tenentista, os 
tenentes paulistas exigiam reformas eleitorais, eleição de uma 
Assembléia Constituinte e voto secreto. 
 Iniciado o movimento, os rebeldes ocuparam a capital e 
destituíram o presidente do estado. Contudo as forças do governo 
estadual receberam reforços federais e forçaram os rebeldes a se 
retirarem para o interior, onde continuaram lutando. 
 
 A Coluna Prestes 
A Coluna Paulista seguiu em direção ao sul do País, onde 
se encontrou com uma outra Coluna Militar, liderada por um jovem 
idealista, considerado muito inteligente por seus colegas do Exército: 
o Comandante Luís Carlos Prestes, que ficou conhecido como O 
Cavaleiro da Esperança. As duas forças revolucionárias uniram-se, 
tornando-se conhecidas, a partir de então, como Coluna Prestes. 
Esta Coluna percorreu mais de 20.000 quilômetros através de doze 
Estados brasileiros, procurando despertar na população a revolta 
contra o poder das oligarquias. O Governo perseguiu sem descanso 
as tropas da Coluna Prestes. Esta, porém, através de brilhantes 
manobras militares, conseguiu escapar às perseguições, 
permanecendo por dois anos no País. Em 1926, ao final do mandato 
de Artur Bernardes, a Coluna resolveu ingressar em território 
boliviano, onde, finalmente, se desfez. Luis Carlos Prestes voltou, 
posteriormente, ao País, tornando-se um dos principais líderes do 
Partido Comunista Brasileiro. 
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A Revolta do Forte de Copacabana, a Revolução de 1924 e 
a Coluna Prestes não produziram efeitos imediatos na estrutura 
política brasileira. Conseguiram, contudo, acender e manter acesa a 
chama revolucionária que objetivava libertar o País do jugo das 
poderosas oligarquias. 
 
m) Washington Luís - 1926-1930 - Político paulista de carreira 
preocupou-se em construir estradas e reformar as finanças. Seu 
governo foi sacudido pela Crise de 1929 nos EUA e depois pela 
Revolução de 30. Acabou deposto do cargo. 
 
 A Crise Econômica 
Na década de 20 a economia brasileira estava assentada 
basicamente na monocultura cafeeira, produzindo cerca de sessenta 
por cento do café mundial. São Paulo e Minas Gerais controlavam a 
vida política nacional, garantindo uma política de valorização do café, 
baseada no financiamento e na retenção dos estoques excedentes, 
mantendo assim os preços estabilizados. 
O ônus desta política de defesa do café era de toda a 
sociedade, pois o governo emitia mais moedas e contraíacada vez 
mais empréstimos do exterior. Em 1929, o Brasil contava com quase 
19 milhões de sacas de café estocadas, subindo para cerca de 28 
milhões em 1930. A década de 20 também foi um período sombrio 
para as indústrias brasileiras, com exceção das indústrias 
subsidiárias de grandes empresas estrangeiras. 
O quadro agravou-se com a crise mundial do capitalismo 
liberal, cuja explosão foi assinalada pelo craque da Bolsa de Nova 
York, em outubro de 1929. Os reflexos dessa crise foram terríveis 
para a economia mundial, por causa dos laços de dependência dos 
demais países para com o capital norte-americano. No Brasil, 
milhões de sacas de café foram queimadas, pois os EUA eram o 
nosso principal consumidor e financiador. 
As importações norte-americanas diminuíram, os 
financiamentos foram suspensos e as dívidas foram cobradas. O 
preço do café caiu cinqüenta e sete por cento e a política de 
valorização do café se inviabilizou. Os cafeicultores foram arruinados 
e a hegemonia política paulista enfraqueceu. 
 
 A “Revolução” de 1930. 
 Em meio a uma situação de lutas pressões, contestações e 
crises começaram, em 1929, a campanha eleitoral para a presidência 
da República. A sucessão do presidente Washington Luís gerou a 
crise final da República Velha, porque ele preferiu apoiar a 
candidatura do paulista Júlio Preste em vez de apoiar a candidatura 
do mineiro Antônio Carlos. 
 Com essa atitude, Washington Luís quebrou com o 
compromisso café-com-leite e provocou o rompimento das relações 
entre Minas gerais e São Paulo. Minas procurou apoio no Rio Grande 
do Sul e na Paraíba, esses três estados formaram um grupo político 
de oposição, a aliança liberal. 
 Os candidatos da aliança liberal eram os gaúchos Getulio 
Vargas, para presidente e o paraibano João Pessoa para vice. 
Apesar de uma forte campanha a aliança liberal saiu derrotada nas 
eleições de 1930. 
Proclamada a vitória de Júlio Prestes, os líderes 
oposicionistas se conformaram, preparando sua reacomodação ao 
poder. A maioria dos aliancistas se recusava a pegar em armas 
(como pediam os mais radicais, ainda durante a campanha eleitoral), 
pois temiam as perspectivas de uma revolução. Getúlio Vargas se 
retraiu aceitando a derrota. João Pessoa, avesso à luta armada, 
chegou a afirmar preferir “dez Júlio Prestes a uma revolução”. 
Esse não era, entretanto, o pensamento de membros 
radicais da Aliança liberal, a exemplo dos tenentes e das camadas 
médias urbanas. “Estou farto dessa comédia”, afirmava o gaúcho 
Osvaldo Aranha, no que era apoiado pelo mineiro Virgílio de Melo e 
por outro gaúcho João Neves da Fontoura. Juntava-se a eles 
tenentistas, como Juarez Távora e João Alberto, forjando, assim, 
uma aliança que conspirava contra a posse do presidente recém-
eleito.Preocupados com a possibilidade de crescimento das 
agitações urbanas e com a rearticulação dos tenentistas, mesmo os 
setores mais conservadores das oligarquias dissidentes resolveram 
assumir o comando da conspiração. Impediram, assim, que o golpe 
desencadeasse transformações mais radicais. “Façamos a 
revolução antes que o povo a faça”, foi o brabo de Antônio Carlos, 
governador de Minas Gerais. 
A “degola” de muitos deputados eleitos por minas Gerais 
e Paraíba e o assassinato de João pessoa, levaram as velhas 
oligarquias a definir-se favoravelmente ao golpe. Elas tiveram, 
entretanto, o cuidado de colocar na chefia do movimento Góes 
Monteiro, elemento de confiança dos políticos gaúchos. 
A 03 de outubro de 1930 eclodia a Revolta no Rio 
Grande do Sul, levantando-se, em seguida, os oposicionistas do 
Nordeste, sob o comando de Juarez Távora. As tropas 
revolucionárias do Sul e as governamentais estavam prestes a entrar 
em choque em Itararé, estado de São Paulo. 
Na iminência de uma guerra civil, que ameaçaria as 
oligarquias, desencadeou-se um golpe militar que depôs Washington 
Luís. Formou-se uma junta militar composta pelos generais Mena 
Barreto, Tasso Fragoso e pelo almirante Isaías Noronha. Getúlio 
Vargas, apoiado pelos tenentes, partiu para o Rio de Janeiro e, a 3 
de novembro de 1930, assumiu o governo do país, pondo fim a 
República Velha e inaugurando a chamada Era Vargas. 
Conforme afirma o historiador Boris Fausto “era fácil 
saber quem perdera, mas difícil identificar o vencedor”. A 
composição dos vencedores era muito heterogênea para possibilitar 
um consenso entre eles. Diante desse quadro não era difícil prever 
as grandes dificuldades que teria que enfrentar o governo provisório 
de Getúlio Vargas. 
 
___________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 14___________________ 
 
1. A chamada “Política dos Governadores”, instituída a partir do 
governo de Campos Salles, caracterizava-se por: 
a) permitir que a escolha do Presidente da República fosse resultado 
de um consenso entre os governadores e desta forma manter o 
grupo político no poder. 
b) tornar os governadores um mero instrumento do poder do 
Presidente da República e impedir a formação de novas lideranças 
contrárias ao governo federal; 
c) acordo político que consistia na troca de favores entre os governos 
federal, estadual e municipal para manter os grupos políticos no 
poder. 
d) tornar os governadores representantes de um federalismo liberal e 
democrático com objetivo de renovar as lideranças políticas; 
e) promover, através dos governadores, a desarticulação das 
oligarquias locais e promover a renovação dos grupos políticos e 
lideranças locais. 
 
2.(Essa-12) Em 1906, os governadores de São Paulo, Minas Gerais 
e Rio de Janeiro se reuniram e estabeleceram o Convênio de 
Taubaté, que 
a) pode ser considerado o marco inicial da “política dos 
governadores”. 
b) defendeu medidas para incrementar a imigração europeia. 
c) resultou na política de ampliação da produção cafeeira. 
d) estabeleceu a primeira política de valorização do café. 
e) caracteriza a fundação da “política do café com leite”. 
 
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3.O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagem 
que impedia a representatividade política da maioria da população, 
principalmente a parcela da sociedade mais carente. Podemos definir 
o coronelismo como: 
a) Sistema de poder cujo grupo político que se alternava no poder 
federal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aos 
seus respectivos Estados. 
b) Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poder 
estadual e municipal. 
c) Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária e 
sua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação. 
d) Sistema de poder baseado no coronel o líder político local, grande 
proprietário de terras que usava jagunços para formar os currais 
eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor. 
e) Sistema de poder político que arregimentava grande número de 
seguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam os 
mais pobres a se submeterem ao seu controle. 
 
4. O fenômeno político do coronelismo no Brasil esteve associado a 
um modo de política que caracterizou a República, a partir de 1894, 
como: 
a) República dos oligarcas 
b) República dos generais 
c) República da espada 
d) República parlamentar 
e) República imperial 
 
5.Sobre o Tenentismo no Brasil durante a Primeira República (1889-
1930) é correto dizer: a) Foi um grupo formado por 
jovens militares com o objetivo de instalar um regime comunista no 
Brasil. 
b) Representou um grupo de oligarquias cafeeiras que primavam pela 
continuidade do trabalho escravo no Brasil. 
c) Foi um movimento constituído por jovens tenentes do exército que 
realizaram várias manifestações contrárias ao governo das 
oligarquias durante a Primeira República no Brasil. d) Constitui-se 
por jovens militares durante os anos de 1920 e 1930, com a 
prioridade de continuar com a política de café-com-leite no cenário 
político nacional. e) Foi uma série de 
rebeliões militares que culminou na crise e queda da chamada 
“República Velha”. 
6."Canudos era exemplo perigoso que não deveria ficar na 
memória" (Rui Facó) 
Segundo a afirmativa, os motivos da intensa repressão ao movimento 
de Canudos, na Bahia, ocorreram: 
a) para que no local fosse realizada uma grande distribuição de 
terras pelo Governo. 
b) porque se tratava apenas de um movimento de fanáticos 
religiosos. 
 c) porque os revoltosos lutavam contra a liberdade e a ordem injusta 
de suas vidas. 
d) para que ninguém lembrasse uma revolta dos pobres do campo 
contra a miséria, a exploração, o monopólio da terra mantido pelos 
latifundiários que dominavam o Estado Brasileiro.e) porque foi 
realizada apenas pelos latifundiários locais onde não houve 
participação do Estado Brasileiro na repressão. 
 
7. (Mackenzie) "Preocupado em derrubar as velhas oligarquias..., 
acabou utilizando os velhos costumes políticos de corrupção e 
coação, anteriormente criticados através de um novo elemento: as 
tropas federais ( ... ). Substituindo uma oligarquia por outra, mantinha 
a desigualdade social, agora com novos beneficiados." 
(Antônio Mendes Jr. e Ricardo Maranhão, BRASIL HISTÓRIA-
REPÚBLICA, vol. III) 
O texto relata um momento histórico do governo Hermes da Fonseca 
que se denominou: 
a) Política Desenvolvimentista. 
b) Socialização dos Prejuízos. 
c) "Funding-Loan". 
d) Política das Salvações. 
e) Política do Café com Leite. 
 
8. De maneira geral, o período republicano, iniciado em 1889 e que 
se estendeu até 1930, foi caracterizado: 
a) pela predominância dos interesses dos industriais, com a 
exportação de bens duráveis e de capital. 
b) por conflitos no campo, com o avanço do movimento de reforma 
agrárialiderado pelos antigos monarquistas. 
c) pelo poder político da oligarquia rural e pela economia de 
exportação de produtos primários. 
d) pela instituição de uma democracia socialista graças à pressão 
exercida pelos operários anarquistas. 
e) pelo planejamento econômico feito pelo Estado, que protegia os 
preços dos produtos manufaturados. 
 
 ERA VARGAS (1930-1945) 
 
 Governo Provisório (1930-1934) 
A 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas assumiu 
provisoriamente a chefia do governo brasileiro. Fora governador do 
Rio Grande do Sul, ex-ministro da Fazenda de Washington Luís e 
líder civil da revolução de 1930. Entre as medidas dessa fase inicial 
da Era Vargas, destacam-se: 
o A dissolução do Congresso Nacional, 
o A destituição dos governadores (com exceção do 
governador mineiro Antônio Carlo). 
o Nomeação de interventores federais (os tenentes) para 
governarem os estados em nome do presidente. 
 
Além disso, foi anulada a Constituição de 1891. Com isso, 
Vargas passou a ter o direito de exercer não só o poder Executivo, 
mas também o Legislativo, “até que uma Assembléia Constituinte, 
eleita, estabeleça a reorganização constitucional do país”. 
No plano social, destacou-se inicialmente a criação do 
Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e também o 
Ministério da Educação. Em dezembro de 1930 foi criada a lei dos 
Dois Terços, chamada vulgarmente Lei da nacionalização do 
Trabalho. 
O governo provisório foi marcado pela disputa entre os 
grupos que o compunham. Os tenentes, que defendiam uma maior 
centralização do poder, objetivavam desarticular as oligarquias 
estaduais e impor suas reformas. Vargas equilibrava-se entre os 
tenentistas e as oligarquias, implementando uma política ambígua: ao 
mesmo tempo em que atendia algumas das reivindicações das 
oligarquias, nomeava tenentistas como interventores dos estados. 
Vargas, nesse período, adiou o prazo para pagamento das 
dívidas de produtores e comerciantes, chegando mesmo a anistiar os 
débitos de outros grupos. O governo provisório mostrou-se 
preocupado com a crise do café, pois este continuava a ser o produto 
responsável pela maior parte de nossas divisas. Em fevereiro de 
1931 reiniciava-se a política de valorização do café: o governo federal 
comprou 17. 500.000 sacas e criou o Conselho nacional do Café 
(depois Departamento Nacional do Café) com o objetivo de 
regularizar e proteger a economia cafeeira. 
No entanto, a oligarquia cafeeira já não teria os mesmos 
privilégios, tendo de arcar com uma maior parte de prejuízos. Os 
proprietários do café estavam obrigados a entregar ao Estado uma 
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cota de 20% da produção, pagar tributos por novos plantios, além de 
um imposto por saca de café exportada. 
 
 A Revolução Constitucionalista de 1932 
A oligarquia paulista não aceitou sua marginalização e, 
tentando retornar ao poder, aproveitou-se do descontentamento da 
população diante das dificuldades econômicas para insurgir-se contra 
o centralismo preconizado pelo Estado. 
O Partido Democrático e o Partido Republicano Paulista se 
uniram sob as palavras de ordem: “interventor civil e paulista”, 
exigindo também a Constitucionalização do país e a convocação 
imediata de eleições. 
O governo federal cedeu à primeira reivindicação, nomeando 
Pedro de Toledo como interventor, civil e paulista. Em seguida, 
apesar da oposição tenentista, Getúlio mandou publicar o novo 
Código Eleitoral e o anteprojeto da Constituição. Porém, as 
manifestações continuavam, e a reação contra um grupo de 
estudantes culminou na morte de quatro manifestantes. Martins, 
Miragaia, Dráusio e Camargo, os estudantes mortos, tiveram as 
iniciais de seus nomes transformados na sigla do movimento paulista: 
MMDC. Em julho de 1932 iniciou-se a luta armada. Vargas 
concentrou, nas fronteiras do Estado de São Paulo, forças policiais, 
batalhões provisórios e forças do exército do Sul e do Norte, 
bloqueando as comunicações e as possibilidades de abastecimento. 
A Revolta Constitucionalista transformou-se numa 
desgastante guerra de trincheiras. Não possuindo infra-estrutura 
bélico-militar necessária e acusado de estar realizando um 
movimento separatista, São Paulo teve de render-se às forças 
federais depois de três meses de guerra civil. Embora a denominada 
Revolução Constitucionalista de 1932 tivesse sido um fracasso do 
ponto de vista militar, no campo político seus reflexos foram positivos. 
 
 A Constituição de 1934 
Instalada em 15 de novembro de 1933, a Assembléia 
Constituinte discutiu o anteprojeto constitucional elaborado por Góis 
Monteiro, Osvaldo Aranha e João Mangabeira, aprovando-o em 16 
de julho de 1934. 
No dia seguinte, 17 de julho, foi realizada a eleição indireta 
para a presidência da República. Getúlio Vargas foi eleito 
indiretamente pela Assembléia e deveria governar o país até 1938, 
quando haveria novas eleições e Getúlio não poderia ser candidato. 
Podemos definir a Constituição de 1934 como sendo, ao 
mesmo tempo, centralizadora e liberal. Inspirada na Constituição 
Alemão da República de Weimar, ela apresentava os seguintes 
pontos principais: 
o Divisão de três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), com 
o Executivo fortalecido e dotado de maior autoridade para decretar o 
Estado de Sítio; 
o Mandato presidencial de quatro anos, com eleições diretas em 
1978 e nenhuma possibilidade de reeleição; 
o Extinção do cargo de vice-presidente; 
o Voto secreto, Universal e feminino (direito de voto foi estendido 
às mulheres funcionárias públicas remuneradas), alfabetizados e 
maiores de 18 anos; 
o Introdução do voto profissional: os sindicatos poderiam eleger os 
deputados classistas; 
o Ensino primário obrigatório e gratuito; 
o Criação de institutos previdenciários; 
o Justiça Eleitoral 
o Incorporação das Leis trabalhistas à Constituição (Férias 
remuneradas, descanso semanal, regulamentação do trabalho 
feminino, Licença maternidade, salário mínimo, proibição de 
diferenças salariais por discriminação de sexo, idade, nacionalidade 
ou estado civil, jornada de trabalho de 8 horas (48hs semanais), 
indenização do trabalhador em caso de demissão sem justa causa, 
regulamentação das profissões, proibição do trabalho de menores de 
14 anos, proibição do trabalho noturno a menores de 16 anos, etc.); 
o Medidas nacionalistas e estatizantes: explorações de minas e de 
fontes de energia hidrelétricas só poderiam ser feitas por brasileiros 
natos; recursos hidrominerais transformados em monopólio do 
estado; proibição de que estrangeiros fossem proprietários de órgãos 
de divulgação; empresas estrangeiras precisam ter, no mínimo, dois 
terços de empregados brasileiros; 
 
 Governo Constitucional (1934-1937) 
 A partir da década de 20, mundo presenciou a implantação 
de ditaduras do tipo nazi-fascista, que se contrapunham à ditadura 
comunista da união Soviética e às democracias burguesas. O Brasil 
não ficaria a margem desse novo quadro político europeu. 
O chamado período constitucional de Vargas foi marcado 
pelo aparecimento da Aliança nacional libertadora (ANL), de 
tendência esquerdizante, e da Ação Integralista Brasileira (AIB), de 
conotação fascista. Enquanto isso a política de Vargas encaminhava-
se num sentido cada vez mais centralizador e autoritário, até o 
desfecho final em novembro de 1937, quando Vargas implantou a 
ditadura do Estado Novo. 
 
 Ação Integralista Brasileira (AIB): 
Liderada pelo escritor Plínio Salgado, a AIB era, 
fundamentalmente, um movimento social e político de orientação 
fascista e reivindicava um governo ditatorial com um partido único. 
Os desfiles dos “camisas-verdes”, como eram chamados os 
integralistas devido ao seu uniforme e que promoviam pancadarias e 
perseguiçõesaos cidadãos acusados de comunistas, era um 
espetáculo comum e por toda parte viam-se os integralistas 
cumprimentado-se com seu estilo habitual: com o braço direito 
levantado e gritando sua saudação indígena “Anauê”. 
O símbolo dos integralistas era o sigma, letra do alfabeto 
grego assim representado  . A AIB conseguiu congregar membros 
das altas camadas sociais, do alto clero, da cúpula militar e parcela 
das camadas médias descontentes com as oligarquias, mas 
temerosas do comunismo. 
Cresciam cada vez mais o número dos que juravam lealdade 
ao movimento e ao seu lema “Deus, Pátria e Família”. A AIB 
pretendia estabelecer o estado totalitário ou integral estruturado 
mediante corporações representativas das profissões e uma rígida 
hierarquia sob controle do chefe. A esse chefe integralista se 
subordinariam todos os cidadãos, unidos pelo ideal de criação de 
uma nação identificada com o próprio Estado. 
 
 Aliança Nacional libertadora (ANL): 
A difusão de partidos de cunho nazi-fascista em vários países 
gerou a formação de frentes populares antifascistas, as quais 
aglutinavam todos os setores sociais que, por várias razões, se 
opunham à extrema direita. 
No Brasil, a propagação do integralismo, o agravamento das 
condições de vida dos assalariados e o autoritarismo 
governamentalprovocaram a união de vários setores. Em março de 
1935, a ala reformista e esquerdizante dos tenentes, camadas 
liberais, socialistas, comunistas e líderes sindicais de diversas 
tendências progressistascriaram uma frente popular conhecida por 
Aliança Nacional Libertadora. 
Luís Carlos Prestes, líder da coluna e que aderiu ao Partido 
Comunista Brasileiro, foi eleito seu presidente de honra. Era o 
primeiro movimento de massa nacional com intentos democráticos, 
antiimperialistas e reformistas. Suas principais reivindicações eram: 
suspensão do pagamento da dívida externa; nacionalização das 
empresas estrangeiras; realização da reforma agrária, acompanhada 
de incentivos aos pequenos e médios proprietários; ampliação das 
liberdades públicas; formação de um governo popular. 
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Ergueram-se por todo o país aproximadamente 1.600 núcleos 
da ANL, contingente capaz de ameaçar os interesses das oligarquias 
e do capital estrangeiro. A reação contra essa frente popular foi 
rápida. Em abril aprovou-se uma Lei de Segurança Nacional com 
um objetivo bastante claro: tolher o crescimento da ANL. Em 11 de 
julho de 1935, a Aliança foi extinta pelo governo, que deu início a 
uma forte campanha anticomunista no Brasil. A ação foi 
acompanhada de severa repressão aos membros e simpatizantes da 
ANL. 
Diante da extinção da ANL, sua facção de esquerda, na qual 
predominavam comunistas, preparou um golpe com características 
de uma insurreição, sob o comando de Luís Carlos Prestes. Esse 
episódio passou a ser conhecido como Intentona Comunista. 
A tentativa golpista teve início em Natal (Rio Grande do 
Norte), onde os revoltosos conseguiram controlar o poder por quatro 
dias. Levantaram-se em seguida os insurretos em Recife e Olinda e 
em 27 de novembro de 1935 o movimento eclodiu no Rio de Janeiro, 
então capital federal, onde os rebeldes resistiram na Escola de 
Aviação e no III Regimento de Infantaria. 
Acabaram sendo bombardeados ininterruptamente, até a 
rendição. A repressão que se seguiu foi violenta, com base na recém-
promulgada Lei de Segurança Nacional. Os aliancistas foram presos 
ou deportados e a perseguição se estendeu a todos os setores de 
esquerda. Estava aberto o caminho para a escalada do autoritarismo 
que tomaria conta do Brasil de 1937 a 1945. 
 
 Golpe de Estado de 1937 
A campanha presidencial para as eleições de janeiro de 1938 
iniciou-se sob grande tensão, pois o governo insistia a possibilidade 
de uma nova ameaça comunista. Era o proclamado “Perigo 
Vermelho”. Foram lançados como candidatos: Armando Sales 
Oliveira, representante da oligarquia paulista; Plínio Salgado, líder da 
AIB; José Américo de Almeida, candidato da situação e Luís Carlos 
Prestes, líder da ANL. O presidente Vargas demonstrou diante da 
campanha uma aparente neutralidade, pois nada fez para promover o 
candidato oficial nem se mostrou simpático às demais candidaturas. 
O “pretexto” veio através da “descoberta” de um plano de 
insurreição comunista, em setembro de 1937. Era um documento 
forjado pelo governo e falsamente atribuído aos comunistas que se 
tornou conhecido como Plano Cohen, pois de acordo com as fontes 
oficiais, trazia a assinatura de um certo Cohen – militante comunista 
e judeu. 
Durante todo o mês de outubro, enquanto a nação se 
apavorava com as notícias e discussões sobre o Plano Cohen, a 
cúpula governamental acelerou os preparativos para o golpe de 
Estado. 
Na manhã de 10 de novembro de 1937, as portas do Senado 
e da Câmara dos Deputados permaneceram fechadas e guardadas 
por soldados, que impediam a entrada dos legisladores. Era o sinal 
de que o golpe de Estado fora dado. Apoiado pela cúpula das Forças 
Armadas, por alguns intelectuais e pelos integralistas, Vargas 
suspendeu a Constituição e aboliu os partidos políticos, iniciando 
uma era de autoritarismo que duraria até 1945. 
 
 O Estado Novo (1937-1945) 
A crise capitalista internacional, a insegurança da burguesia e 
a ascensão das forças populares levavam as classes dominantes 
brasileiras a abdicar das liberdades políticas e apoiar um regime 
ditatorial que garantisse seu interesse essencial: a manutenção do 
lucro. Nesse sentido e com a total abolição das garantias individuais, 
o Estado Novo teve características semelhantes as do Fascismo. 
A ditadura do Estado Novo só se distinguiu dos regimes 
fascistas europeus por não possuir mobilização política, um partido 
de massa e uma ideologia organizada. O Estado Novo caracterizou-
se, também, pela difusão de uma “mentalidade” sem elaborar uma 
ideologia totalitária consistente. Essa mentalidade pode ser descrita 
como um conjunto de princípios sem conteúdo muito definido que 
foram sustentados pelo regime e penetraram na sociedade: 
centralização, integração nacional, hierarquia, visão antiliberalismo e 
nacionalismo difuso. 
Nos seus aspectos fundamentais, podemos dizer que o 
Estado Novo caracterizou-se pela: centralização absoluta do poder 
nas mãos do Executivo, representado por Vargas e seus auxiliares 
mais próximos, anulando a autonomia federalista dos estados; ação 
intervencionista do Estado no campo social e econômico, buscando 
desarmar as tensões sociais tanto no âmbito das classes dominantes 
como entre estas e as forças populares; autoritarismo, censura, 
perseguições políticas, extradições, torturas, mortes, etc. 
 
 Mais uma Constituição: 1937 
Quando Vargas dissolveu o Congresso em 10 de novembro 
de 1937, outorgou uma constituição que estruturou em novos moldes 
o Estado brasileiro. 
Baseada na constituição autoritária da Polônia, com 
elementos vindos do fascismo italiano (tirados da Carta Del Lavoro), 
a Carta de 1937 altamente centralizadora e autoritária, redigida por 
Francisco Campos ficou conhecida como “Polaca”. 
Entre os dispositivos dessa Constituição podemos citar: 
o O estabelecimento de uma estrutura corporativa (corporações 
de empregados e empregadores sob a proteção e assistência 
do Estado); 
o A censura prévia à imprensa, cinema e rádio. (do que se 
encarregou o DIP, Criação de um periódico oficial, o jornal A 
Noite, e a Hora do Brasil). 
o A instituição da pena de morte para os crimes contra a ordem 
pública e a organização do Estado; 
o A restrição da greve e da paralisação do trabalho por iniciativa 
do empregador. 
o A organização da Justiça do Trabalho. 
o O presidente seria a autoridade suprema da nação facultava-lhe 
legislarpor meio de decretos-leis; 
o Os recursos minerais, as fontes de energia, os bancos, as 
companhias de seguro, e as indústrias de base foram 
nacionalizados. 
A Carta de 37 previa um plebiscito para aprovar o novo 
regime, o que nunca chegou a acontecer; os aspectos sobre a 
legislação trabalhista receberiam regulamentação posterior. 
 
 Outras Medidas 
As normas sobre o papel e o funcionamento das 
organizações sindicais surgiram em agosto de 1939, através de um 
decreto – lei. Por esse decreto (nº 1.402) estabeleceu-se que só 
poderia existir um único sindicato por profissão em cada localidade, 
legalmente reconhecido pelo Ministério do Trabalho. 
Na década de 1940, surgiu afinal uma legislação mais 
abrangente sobre as questões do trabalho, com a promulgação da 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Esse conjunto de leis 
estabeleceu a proibição da diferença salarial por motivo de idade, 
sexo, nacionalidade e estado civil; reduziu a jornada de trabalho para 
8 horas diárias; proibiu o trabalho de menores de 14 anos; criou o 
repouso semanal remunerado, férias anuais remuneradas e 
indenização do trabalhador dispensado sem justa causa; estipulou 
assistência médica e dentária ao trabalhador e a gestante; 
determinou a previdência social mediante contribuição do 
empregador e do empregado em casos de invalidez, maternidade, 
acidente de trabalho ou morte e a favor da velhice. 
Em termos da política-econômica, o Estado passou a realizar 
investimentos diretos, assumindo os papéis de interventor e 
empresário. O governo instalou a Companhia Siderúrgica Nacional 
(CSN), a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e construiu a 
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hidrelétrica de Paulo Afonso, além de investir no setor de transportes 
e de acompanhar de perto e interferir no mercado e no setor 
financeiro. Para impulsionar, aperfeiçoar as técnicas de produção e 
ampliar a variedade de produtos agrícolas da pauta de exportação, o 
governo criou organismos especializados como os Institutos do 
Açúcar e do Álcool, do mate e do Pinho. Por outro lado, procurou 
integrar de maneira mais natural o mercado interno através da 
eliminação dos impostos que incidiam sobre as exportações 
interestaduais e que representavam importante fonte de receitas 
para os Estados. Desse modo, enfraqueceu as unidades federativas, 
reforçando no mesmo momento o poder central. 
 
 A Revolta Integralista de 1938 
Com o advento do Estado Novo, os integralistas pensavam, 
erroneamente, que iriam ser os beneficiários do novo regime. No 
entanto, Vargas, desde o começo da ditadura, mostrou que não 
tinham nenhuma inclinação pelos “camisas-verdes”. Além de tudo, 
Getúlio queria promover um forte vínculo de lealdade do povo para 
com o presidente e não a grupos ou a lemas tais como os propostos 
por Plínio Salgado. 
Em dezembro de 1937, por decreto presidencial, os partidos 
políticos foram suprimidos, assim como o uso de uniformes, 
estandartes, distintivos e outros símbolos. Com essa medida, o 
integralismo foi posto fora da lei. As atitudes do governo levaram os 
integralistas a prepararem um levante para maio de 1938. 
Liderados pelo tenente Severo Fournier, atacaram o Palácio 
Guanabara na noite de 10 de maio, encontrando inesperada 
resistência. Os ocupantes do palácio pediram auxílio e foram 
socorridos pelos soldados do general Dutra (ministro de Guerra), do 
general Góis Monteiro (chefe do Estado-Maior) e de Cordeiro de 
Farias (interventor do RS então de passagem pelo RJ). 
Cercados, os integralistas abandonaram as armas, tratando 
de fugir pelos morros vizinhos. Muitos foram presos e sumariamente 
fuzilados nos fundos dos jardins do palácio. 
 
 Brasil no Contexto da Segunda Guerra 
Do ponto de vista estratégico, a extensão costa brasileira era 
um ponto nevrálgico, cujo controle interessava tanto aos EUA quanto 
à Alemanha. Por outro lado, é importante lembrar a existência, no 
Brasil, de colônias alemães e italianas significativas e engajadas no 
movimento político de seus países de origem. 
A Alemanha defendia os interesses dessas colônias, 
enquanto os EUA pressionavam o Brasil para cercear a infiltração 
fascista. A política externa de Vargas, nessa delicada questão, 
orientava-se no sentido de tirar o máximo proveito tanto dos Estados 
Unidos quanto das potências do Eixo, com as quais, antes do 
alinhamento, mantinha relações comerciais. 
O duplo jogo de Vargas era uma forma de aproveitar as 
possibilidades da conjuntura mundial para conseguir recursos 
destinados á implantação das indústrias de base no Brasil. 
A Segunda Guerra Mundial será um impulso á nossa 
industrialização na medida em que gerará uma indústria de 
“Substituição das Importações” pela produção interna nacional. Além 
disso, com as economias fechadas para a o “esforço” de guerra, o 
Brasil passará a exportar importantes produtos para os países 
envolvidos no Conflito, gerando reservas financeiras nos cofres do 
Estado. 
Embora conseguisse preservar sua neutralidade, em janeiro 
de 1942 o Brasil acabou por romper relações diplomáticas com o 
Eixo (Alemanha, Itália e Japão), na reunião de Consulta dos 
Chanceleres americanos, realizada no RJ, essa era a atitude geral do 
continente frente à agressão japonesa a base norte-americana de 
Pearl Harbor. 
Em agosto de 1942, diante do afundamento de navios 
brasileiros por submarinos alemães, o governo brasileiro declarou 
guerra à Alemanha e à Itália (O Brasil só declarou guerra ao Japão 
em 1944). A partir de então, o país envolveu-se no conflito mundial, 
autorizando a instalação de bases aéreas e navais no Nordeste, 
fornecendo gêneros alimentícios e matérias-primas a baixo custo 
para os aliados e participando por meio da FEB (Força 
Expedicionária Brasileira), da FAB (Força Aérea Brasileira) e da 
Marinha. Tais forças se fizeram apresentar principalmente na Itália. 
 
O avestruz foi adotado como símbolo do 1º Grupo de Caça da FAB 
devido à sua legendaria capacidade de aceitar e devorar tudo. 
 
 Fim do Estado Novo No Brasil 
As pressões populares contra Getúlio intensificaram-se. Com 
a participação do Brasil na guerra, criava-se uma situação 
contraditória, em particular para o exército brasileiro: lutava-se no 
exterior contra o fascismo, enquanto internamente vivia-se um regime 
inspirado nele. 
Essa situação ambígua ampliava as cisões no governo e nas 
Forças Armadas. Em 1943 houve o lançamento em Minas Gerais de 
um manifesto – o Manifesto dos Mineiros. Nele um grupo de 
advogados, escritores, professores, diretores de banco e jornalistas, 
defendiam a realização de mudanças jurídicas e institucionais de 
caráter liberal e exigiam a democratização do Brasil. Estudantes 
paulistas realizavam passeatas de repúdio ao autoritarismo muitos 
setores conservadores passaram a fazer oposição aberta a Getúlio. 
 Percebendo o anacronismo do Estado Novo frente à vitória 
dos princípios democráticos, Vargas marcou para 2 de dezembro de 
1945 a realização de eleições gerais. Neste ínterim, foram fundados 
vários partidos políticos. Entre eles destacavam-se: a União 
Democrática nacional (UDN), partido composto por adversários do 
regime, que apresentou Eduardo Gomes como candidato à 
presidência da República; o partido Social Democrático (PSD), 
porta-voz das oligarquias geradas pelos interventores getulistas que 
lançou o general Eurico Gaspar Dutra; o Partido Trabalhista Brasileiro 
(PTB), que nasceu sob a cobertura política de Vargas e que teve 
como base eleitoral as camadas populares urbanas beneficiadas pela 
obra social e trabalhista do Estado Novo, apoiou o candidato do PSD 
(Getúlio novamente utilizou sua habilidade ao patrocinar a formação 
de dois partidos); e o Partido comunista Brasileiro (PCB), novamente 
legalizado e com milharesde adeptos no país, lançou a candidatura 
de Iedo Fiúza. 
Enquanto os candidatos desenvolviam suas campanhas, 
Vargas manobrava nos bastidores anistiando Luís Carlos Prestes e 
ao decretar a lei Malaia (antitruste), que previu a desapropriação de 
empresas ligadas ao capital estrangeiro. Com isso, caiu no desfavor 
dos empresários, principalmente dos udenistas. 
Essa conjuntura acabou gerando o “queremismo”, que 
defendeu a convocação de uma Assembléia Constituinte com Vargas 
no governo. O próprio presidente manifestava publicamente o seu 
desejo de continuar no governo, a ponto de ser alvo de uma anedota 
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que circulava em 1945: “Meu candidato é Eurico; mas se houver 
oportunidade, eu mudo uma letra: Eu fico.” 
A oposição pressionou até que, em 30 de outubro de 1945, 
Getúlio foi intimado pelas Forças Armadas a renunciar. A presidência 
passou interinamente ao ministro do supremo tribunal federal, José 
Linhares. Enquanto o presidente deposto rumava para o exílio em 
sua propriedade em São Borja, no Rio Grande do Sul, a campanha 
política retomou seu curso. As eleições deram a vitória ao então 
candidato da coligação PSD-PTB, Eurico Gaspar Dutra. Vargas ainda 
ganhou a eleição para senador do RS pelo PSD. Encerrava-se, 
assim, a Era Vargas. 
___________BATERIA DE EXERCÍCIOS: 15___________________ 
1. (EsSa) A primeiro governo Vargas (1930-1945) pode ser atribuída 
uma importante conquista social, foi a: 
a) Construção da Companhia Siderúrgica Nacional (1941). 
b) Criação da Companhia Vale do Rio Doce (1942). 
c) Entrada na Segunda Guerra Mundial (1942). 
d) Criação das Leis Trabalhistas, jornada de 8 horas, férias 
remuneradas e indenização por dispensa. 
e) Outorga a Constituição de 1937, com características fascistas, 
a chamada “polaca”. 
 
2.A Revolução Constitucionalista de 1932 foi uma guerra civil 
envolvendo o governo de Getúlio Vargas e as oligarquias do estado 
de: 
a) Minas Gerais. 
b) Mato Grosso. 
c) Paraná. 
d) Bahia. 
e) São Paulo. 
 
3.Em março de 1934, Luís Carlos Prestes fundou uma frente popular, 
a Aliança Nacional Libertadora, que objetivava atrair setores 
democráticos e antifascistas da sociedade para um programa de 
reformas políticas e sociais. O governo de Vargas perseguiu Prestes 
devido à: 
a) emergência de regimes autoritários na Europa influenciando a 
organização partidária no Brasil. 
b) cooptação dos sindicatos pelo Estado, com suas sedes tornando-
se locais da propaganda oficial. 
c) proposta política de estabelecer um governo revolucionário no 
Brasil alinhado com a União Soviética. 
d) organização da Ação Integralista Brasileira, que defendia um 
projeto de Estado autoritário para o país. 
e) rivalidade entre integralistas e aliancistas, os quais mobilizaram o 
país, ampliando o clima de confrontos. 
 
4.A política industrial da Era Vargas caracterizou-se por promover: 
a) a internacionalização da economia, com ênfase na produção de 
bens de consumo. 
b) as bases para a expansão industrial, por meio de uma política 
econômica intervencionista, pragmática e nacionalista. 
c) a introdução de capitais estrangeiros e a prática econômica liberal. 
d) a redução do papel do Estado no desenvolvimento econômico. 
e) a reintegração do país no sistema econômico mundial, por meio da 
monocultura cafeeira. 
 
5.São características da legislação trabalhista estabelecida no 
período Vargas: 
a) A instituição do imposto sindical e a universalização dos direitos 
trabalhistas e políticos aos trabalhadores urbanos e rurais. 
b) O enquadramento dos sindicatos e a concessão de direitos sociais 
aos trabalhadores urbanos. 
c) A incorporação dos trabalhadores rurais à legislação do trabalho e 
a plena liberdade sindical. 
d) O controle dos sindicatos de trabalhadores e o fim dos direitos 
sociais, como as férias anuais remuneradas. 
e)A concessão de direitos sociais somente aos trabalhadores do 
campo. 
 
6.Na história da República brasileira, a expressão "Estado Novo" 
identifica: 
a) o período de 1930 a 1945, em que Getúlio Vargas governou o país 
de forma ditatorial, só com o apoio dos militares, sem a interferência 
de outros poderes. 
b) O período de 1950 a 1954, em que Getúlio Vargas governou com 
poderes ditatoriais, sem garantia dos direitos constitucionais. 
c) o período de 1937 a 1945, em que Getúlio Vargas fechou o Poder 
Legislativo, suspendeu as liberdades civis e governou por meio de 
decretos-leis. 
d) o período de 1945 a 1964, conhecido como o da 
redemocratização, quando foi restabelecida a plenitude dos poderes 
da República e das liberdades civis. 
e) o período de 1930 a 1934, quando se afirmou o respeito aos 
princípios democráticos, graças à Revolução Constitucionalista de 
São Paulo. 
 
7.(ESSA-15) Com a promulgação da Constituição de 1934, a 
segunda constituição do período republicano brasileiro, inicia-se o 
período constitucional da Era Vargas. São elementos presentes nesta 
Constituição de 1934, EXCETO: 
A) Voto secreto. 
B) Voto feminino. 
C) Justiça eleitoral. 
D) Jornada de trabalho não superior a 8 horas. 
E) Eleições diretas para a escolha do próximo presidente da 
República. 
 
8. (EsSa-16) A eleição indireta de Getúlio Vargas para a presidência 
nacional, na qual foi eleito para um mandato de quatro anos, ocorreu 
no ano de: 
a) 1930. 
b) 1934. 
c) 1937. 
d) 1946. 
e) 1950. 
 
 Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) 
 
 O Alinhamento 
Estabelecendo-se em um cenário político internacional que 
marchava rumo ao bipolarismo político, Dutra optou por seguir a 
cartilha político-ideológica dos Estados Unidos. Reafirmando essa 
posição, seu governo colocou os comunistas na ilegalidade e cassou 
o mandato político de todos os parlamentares do PCB. 
Complementando esse conjunto de medidas pró-Estados Unidos, o 
governo rompeu relações diplomáticas com a União Soviética. 
Nesse período, a condição dos trabalhadorespiorou 
sensivelmente. O congelamento dos salários, inalterados desde 
1942, e o aumento dos índices inflacionários encareceram o custo de 
vida da população. Por conseguinte, vários movimentos grevistas e 
manifestações foram deflagrados neste tempo. Um dos mais 
violentos protestos ocorreu com o aumento da tarifa dos ônibus e 
bondes na cidade de São Paulo, em 1947. Os protestos causaram a 
depredação de prédios públicos e confronto entre os rebelados e a 
polícia. O governo culpou diversas vezes os comunistas pela autoria 
desses episódios. 
 
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 Mais uma Constituição 
Olhando para dentro do próprio país, uma de suas 
primeiras atividades foi a convocação da Assembleia Constituinte que 
seria responsável por discutir as leis e também por integrar uma 
nova Carta Magna. Essa nova constituição foi oficializada no mesmo 
ano, e declarava autonomia para os três poderes, além da realização 
de eleições diretas para os cargos executivos e legislativos, 
estaduais, municipais e federais. Alguns aspectos devem ser 
destacados, como: 
 O voto era proibido para militares e analfabetos; 
 Voto feminino mantido, com idade mínima reduzida para 18 anos; 
 Apenas as mulheres que trabalhavam no funcionalismo público 
com algum cargo remunerado eram obrigadas a votar. 
 
 O Entreguismo no Governo Dutra 
 O primeiro plano de desenvolvimento coordenado do país 
foi feito no governo Dutra, o Plano SALTE, estabelecendo como 
prioridades do governo a saúde, a alimentação, os transportes e a 
energia. O plano acabou não sendo implementado por falta de 
recursos. 
Uma comissão técnica reunindo Brasil e Estados Unidos, 
que ficou conhecida como Missão Abbink, realizou uma série de 
estudos econômicos e energéticos, visando uma melhor adaptação 
da economia brasileira aos interesses norte-americanos. 
Baseado no liberalismo econômico, o governo Dutra liberou 
o câmbio, facilitando as importações, o que inundou o país de 
produtos importados, em sua maioria artigos obsoletos ou supérfluos. 
Os resultados foram drásticos, consumindo toda a reserva cambial do 
país, que chegou a mais de setecentos milhões de dólares após a 
Segunda Guerra Mundial. 
o As Eleições 
 Em 1950, uma nova eleição começou a ganhar o cenário político 
nacional. Ainda sentindo a carência de personalidades políticas de 
âmbito nacional, a disputa daquele ano contou com poucos 
presidenciáveis. Apoiado por Dutra, o mineiro Cristiano Machado 
ergueu chapa com o PSD. Pela UDN, Eduardo Gomes disputava 
mais uma eleição. Enquanto isso, Getúlio Vargas articulou sua volta à 
presidência pelo PTB. 
 Coordenando amplo apoio político com o oferecimento de 
cargos, Getúlio Vargas conseguiu uma vitória que o levou de volta à 
presidência “nos braços do povo”. Uma das principais figuras a apoiá-
lo na época foi o governador paulista Ademar de Barros, conhecido 
pelo slogan “rouba, mas faz”. Em uma época marcada por 
personalidades políticas populistas, Vargas garantiu sua vitória para 
o seu último mandato como presidente do Brasil. (Por Rainer Sousa. 
Mestre em História). 
 
 Segundo Governo Vargas (1951-1954) 
O novo governo de Vargas realizou-se no momento em que 
os países capitalistas se reorganizavam, tendo como centro os 
Estados Unidos. Desse modo, o processo de industrialização, que 
havia sido facilitado pela Segunda Guerra, foi anulado, pois o 
imperialismo retomou seu vigor e a reconquista do mercado brasileiro 
foi empreendida. Todavia, a política econômica de Vargas era 
marcadamente nacionalista, chocando-se por isso com os interesses 
imperialistas, sobretudo os norte-americanos. 
Paralelamente à política econômica nacionalista, Getúlio 
concedeu especial atenção ao movimento trabalhista, procurando 
apoiar-se na grande massa popular para sustentar o seu programa 
econômico. As oposições cresceram com a nomeação de João 
Goulart como ministro do Trabalho, em princípios de 1953. O novo 
ministro reorganizou os sindicatos de modo a dar ao governo maiores 
condições de manipular a massa operária. 
 
 O Nacionalismo no Segundo Governo Vargas 
 O início do segundo governo Vargas, em 1951, significou 
também a retomada do nacionalismo econômico, da defesa das 
riquezas nacionais e da luta contra o monopólio do capital 
estrangeiro. Entretanto, a dependência econômica do Brasil em 
relação ao capital norte-americano tornava impossível um 
rompimento efetivo. Ao contrário, o governo Vargas precisou contar 
com investimentos do Eximbank e do BIRD para garantir o 
desenvolvimento da indústria de base e de infraestrutura energética e 
de transportes. 
A criação da Petrobrás, em outubro de 1953, 
estabelecendo o monopólio estatal sobre a perfuração e refino do 
petróleo, foi o exemplo maior do nacionalismo econômico de Vargas. 
Diversos setores da sociedade, como os operários, os estudantes, os 
comunistas e os militares nacionalistas participaram da campanha "O 
Petróleo é Nosso", que resultou na criação da Petrobrás, 
contrariando os interesses norte-americanos e das multinacionais. 
A oposição entre o nacionalismo varguista e o capital 
estrangeiro se acirrou quando o presidente procurou limitar as 
excessivas remessas de lucro para o estrangeiro. Os EUA e o Banco 
Mundial reagiram, cortando a ajuda econômica e limitando os 
empréstimos ao Brasil. 
Internamente, o país vivia a escalada inflacionária que 
corroía os salários, gerava tensões sociais e descontentamento entre 
os assalariados. O aumento do salário mínimo em cem por cento 
agitou o meio empresarial. 
 
o As Dificuldades 
 Como era de esperar, Vargas teve de enfrentar a oposição 
dos conservadores, cada vez mais violenta com a participação de 
Carlos Lacerda, proprietário do jornal Tribuna da Imprensa. 
Na campanha antigetulista, Lacerda não hesitou em 
explorar mesquinhamente a vida privada do presidente e dos seus 
assessores. Além disso, procurou identificar o novo governo 
de Getúlio com o retorno ao Estado Novo. De outro lado, as pressões 
norte-americanas, sobretudo das empresas petrolíferas, criavam 
dificuldades cada vez maiores para Vargas. 
A luta chegou ao auge em meados de 1954, quando o 
jornalista Carlos Lacerda sofreu um atentado. Embora Lacerda tenha 
escapado, o atentado resultou na morte de um oficial da Aeronáutica, 
major Rubens Vaz. 
 
o A Transição 
Nos dezesseis meses que se seguiram ao suicídio de 
Vargas três presidentes se sucederam: o vice-presidente Café Filho, 
que assumiu o poder, mas, por motivos de saúde, imediatamente 
deixou o cargo; o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, 
que pouco depois foi interditado pelo Congresso Nacional (11 de 
novembro de 1955); e finalmente Nereu Ramos, vice-presidente do 
Senado, que se manteve na presidência até 31 de janeiro de 1956. 
Nas eleições presidenciais de 1956 foi eleito, novamente 
pelas forças getulistas, Juscelino Kubitschek de Oliveira, apoiado 
pelo PSD e pelo PTB. Derrotadas, as forças antigetulistas - 
notadamente a UDN - reagiram à ascensão de Juscelino e tentaram 
impedir a sua posse, que foi garantida pelo "golpe preventivo" do 
general Henrique Teixeira Lott, então ministro da Guerra. 
 
 Juscelino Kubitschek (1956-1961) 
 A campanha para a presidência da República de 1955 
nasceu sob o impacto do suicídio de Getúlio Vargas em agosto de 
1954, que serviu de vetor para as forças políticas no embate eleitoral. 
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O país, desde então, vinha sendo governado pelo vice-presidente 
João Café Filho. 
Durante o regime democrático que vigorou de 1945 a 1964, 
Juscelino foi o único presidente civil que iniciou e concluiu o mandato 
no prazo

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