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Questionário de estudo para prova de Introdução à clinica Psicanalítica
O que é o método catártico?
Conforme o Dicionário de Psicanálise de Roudinesco (1998), o método catártico é o procedimento terapêutico pelo qual um sujeito consegue eliminar seus afetos patogênicos e, então, ab-reagi-los, revivendo os acontecimentos traumáticos a eles ligados. A fala é o meio pelo qual estes afetos são eliminados.
Ab-reagir: Exteriorizar verbalmente; como ter uma catarse.
Por que Freud abandona a Hipnose?
Com a hipnose, alcançava-se sim o material inconsciente. O problema era que, na maioria das vezes, quando o paciente saía do estado hipnótico, ele não se lembrava conscientemente do que havia dito. Desse modo, voltavam para o jogo de resistências, ou seja, os sintomas retornavam tal como era antes ou assumia uma forma diferente. O resultado era a palavra do analista contra a palavra do paciente, criando assim um embate. Além do mais, para que haja o efeito hipnótico, é necessário que o paciente localize no analista, um registro que pode associar aos seus próprios ideais (enamoramento).
Condições: para que houvesse hipnose, era necessário que houvesse um enamoramento entre paciente e analista. Consequências: o efeito não era duradouro, pois se tratava de um comando direto do médico sem a participação e trabalho do paciente e a hipnose passava direto pela resistência, resultando no retorno do sintoma.
Origens da psicanálise 
Os primórdios da psicanálise datam de 1882 quando Freud, médico recém-formado, trabalhou na clínica psiquiátrica de Theodor Meynert, e mais tarde, em 1885, com o médico francês Charcot, no Hospital Salpêtrière (Paris, França). Sigmund Freud, um médico interessado em achar um tratamento efetivo para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos. Ao escutar seus pacientes, Freud acreditava que seus problemas se originaram da não aceitação cultural; ou seja, seus desejos eram reprimidos, relegados ao inconsciente. Notou também que muitos desses desejos se tratavam de fantasias de natureza sexual. O método básico da psicanálise é o manejo da transferência e da resistência em análise. O analisado, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o que lhe vem à mente (método de associação livre). Suas aspirações, angústias, sonhos e fantasias são de especial interesse na escuta, como também todas as experiências vividas são trabalhadas em análise. Escutando o analisado, o analista tenta manter uma atitude empática de neutralidade. Uma postura de não julgamento, visando a criar um ambiente seguro.
O que é associação livre?
Sigmund Freud desenvolveu e foi aperfeiçoando esse conceito ao longo do tempo. Isso se deu entre os anos de 1892 e 1898. Freud foi substituindo progressivamente o método da hipnose e o método catártico – que utilizava no início – pela associação livre. Essa evolução foi motivada por um objetivo muito concreto: evitar que o paciente fosse sugestionado.
A partir de uma intervenção com uma de suas pacientes, a senhora Emmy Von N, em 1982, Freud começou a criar o método da associação livre. Essa paciente pediu diretamente a Freud que ele parasse de intervir em seu discurso, e que a deixasse falar livremente.
A associação livre é uma ferramenta da psicanálise criada pelo próprio pai deste campo clínico, Sigmund Freud. Consiste em convidar o paciente a expressar tudo àquilo que passe pela sua mente durante uma sessão de terapia. A intenção é que haja o menor número de filtros possível ou de preconceito entre o que o paciente pensa e o que ele diz ao terapeuta.
Quando uma pessoa fala, ela faz uma seleção das palavras que quer utilizar para criar um sentido coerente com a mensagem que pretende compartilhar. Apesar desse processo de seleção, que é mais ou menos rápido, costumam aparecer falhas na linguagem. Alguns exemplos são os lapsos de linguagem, esquecimentos, repetições, etc. Estas falhas nas conversas fora do contexto terapêutico não costumam ser analisadas. No contexto analítico, porém, elas têm enorme importância.
Precisamente, no contexto analítico essas falhas são entendidas como uma manifestação do inconsciente. É como se, de algum modo, o conteúdo ultrapassasse a barreira defensiva do inconsciente da pessoa. Algo parecido acontece com a associação livre. 
O paciente, ao se ver liberado pelo terapeuta de qualquer controle, de necessidade de disciplina e de dar um sentido lógico a suas ideias, cai no cenário perfeito para se deixar levar pelo inconsciente. Este adquire força, chega à mente, e se expressa na linguagem. A barreira defensiva, as resistências, são enfraquecidas, e é possível então ter acesso ao conteúdo. Para Freud, expor as resistências e então analisá-las é completamente essencial para alcançar o inconsciente e a cura. Isso só acontece por meio da associação livre. Junto à associação livre, a interpretação dos sonhos e a análise de outros atos falhos são as três técnicas essenciais da clínica analítica. Sendo assim, a associação livre se torna imprescindível, tanto que para Freud é a técnica que mais identifica a psicanálise. É a técnica que a diferencia de forma mais marcante de outras abordagens terapêuticas no consciente.
A associação livre pode surgir espontaneamente ou ser induzida a partir de um sonho, fantasia ou qualquer outro pensamento. Para que ela ocorra, no entanto, e para que realmente se configure como uma associação livre são necessárias algumas condições. Uma delas é que haja uma confiança na relação com o analista. Na psicanálise, essa confiança é chamada de transferência. Outra condição é que se tenha compreendido que o discurso analítico está em um lugar diferente do que uma simples conversa habitual fora do contexto da consulta. Nada do que é dito numa sessão será julgado, nada está certo ou errado. Tudo que é falado é válido.
No momento em que o paciente se deixa levar por seus pensamentos e consegue expressá-los abertamente com seu analista, o inconsciente se expressa. As representações inconscientes afloram, são permitidas, e podem então ser analisadas, interpretadas e trabalhadas. Obtendo acesso ao material inconsciente, é possível elaborá-lo de maneira consciente. O objetivo dessa elaboração é que o conteúdo deixe de ser uma fonte de mal-estar ou de conflito.
O que é a resistência?
O reconhecimento da resistência foi o pivô da transformação do método catártico em método psicanalítico. O leitor versado na história da psicanálise sabe que Freud utilizou dois métodos terapêuticos antes de inventar a psicanálise: a hipnose e a catarse. Em ambos, o princípio que guiava o trabalho do médico era o mesmo: fazer sair do paciente os venenos psíquicos que estavam na gênese de seus sintomas. Esse procedimento efetivamente funcionou durante algum tempo, mas logo Freud se apercebeu de que ele não era suficiente. Isso aconteceu por uma razão no mínimo paradoxal: os pacientes não queriam por seus venenos para fora!
O aparelho psíquico parecia funcionar de uma maneira distinta do corpo. Enquanto o organismo se esforça para expelir através de vômitos, diarreia e outros sintomas uma substância tóxica ingerida, o psiquismo parecia apresentar uma… resistência a livrar-se de seus conteúdos venenosos. Ao discernir essa curiosa característica do aparelho psíquico, Freud abandona a hipnose e o método catártico, pois percebe que não adiantava forçar a barra e tentar quebrar a resistência brutalmente. Era preciso criar um método capaz de compreender por que há resistência, de modo a “convencer” o aparelho psíquico a renunciar a ela. Nasce, assim, o método psicanalítico.
Síntese: a resistência é negação daquilo que revela ao paciente, pois ao mesmo tempo em que causa sofrimento, causa também satisfação e se livrar de uma, implica na eliminação da outra.
Por que há resistência?
Aplicando a psicanálise, Freud descobre de fato as razões pelas quais o aparelho psíquico resiste a lançar para fora seus conteúdos tóxicos. Trata-se da descoberta da divisão subjetiva. Diferentemente do organismo, o psiquismo não é uno, não é integral. Pelo contrário,é dividido, fragmentado, de modo que aquilo que em uma esfera psíquica é reconhecido como veneno, em outra é tido como uma saborosa sobremesa. Essa ambivalência e ambiguidade amiúde não são reconhecidas pelo sujeito, pois seus sintomas mantêm tudo numa homeostase doentia. Em outras palavras, o sujeito “conserva” sua inteireza psíquica à custa de sua doença. A ação do psicanalista vai na contramão desse processo. A análise vai levar o paciente à constatação de que seus sintomas são, na verdade, a manifestação patológica, doentia, sofrida de um desejo que não pôde ser reconhecido, que não pôde ser encarado de frente. Em suma, a análise vai levar ao paciente à compreensão de que ele não sabe nem a metade da missa que é; vai levá-lo ao reconhecimento de que é um ser ambíguo, ambivalente, dividido, radicalmente distinto daquele ser inteiro e consciente que acreditava ser. Nesse processo, o analisando vai descobrir coisas não muito agradáveis a respeito de si. Aliás, o próprio fato de constatar o desconhecimento em relação a si mesmo já é profundamente angustiante. A análise o levará ao reconhecimento de pulsões que jamais esperaria encontrar em si, de modo que ele será levado a admitir que os venenos psíquicos dos quais quer se livrar são, na verdade, preciosidades que guarda com muita satisfação…
Pois bem, ninguém se livra de preciosidades sem impor alguma resistência. E não importa se essas preciosidades matam. Todos os toxicômanos estão aí para testemunhar a veracidade dessa afirmação. O analista é aquele ser filho do desejo de Freud que quer trazer essas preciosidades venenosas à luz, tirá-las das caixinhas em que as guardamos. Mas nós não queremos a luz. Temos medo de reconhecer para nós mesmos que somos colecionadores dessas preciosidades.
O que é a transferência?
Síntese: A transferência é a atualização da condição de amor, que no processo analítico, será endereçada ao analista.
No início do tratamento, via de regra, observa-se a emergência de um vínculo muito agradável na situação analítica. O paciente mostra-se entusiasmado com a pessoa do analista, supervaloriza suas qualidades, é amável e reage de modo favorável às interpretações, esforçando-se por compreendê-las e se deixando absorver pela tarefa. A livre associação, assim como o material mnêmico, aparecem em profusão. Além da relação cordial que prevalece durante o trabalho, ocorre uma melhora objetiva em vários aspectos da doença. Estamos em plena vigência de uma transferência positiva. A transferência positiva é um fenômeno que facilita o processo analítico. Torna o paciente mais suscetível à influência do analista por nutrir por ele um sentimento de empatia, respeito, admiração etc, que o faz baixar as resistências e se esforçar por associar livremente.
Esta relação amistosa, entretanto, não pendura indefinitivamente. Logo surgem dificuldades no tratamento, que se revelam de diversas maneiras, refletindo-se na impossibilidade de o paciente continuar seguindo a regra fundamental. Como reconhecer esta resistência ao tratamento? A resposta é: toda vez que aparecem dificuldades de comunicar os pensamentos (isto é, torná-los públicos), interrompendo o processo associativo. Muitas vezes isto surge com a constatação do paciente de nada mais lhe ocorrer à mente, ou de não mais estar interessado no trabalho. De um modo geral, aparece uma certa negligência em relação às instruções inicialmente dadas no sentido de "dizer tudo o que lhe vem à cabeça e de não permitir que obstáculos críticos impeçam de fazê-lo" (Freud, 1917-1916a, p.513). Sempre que nos deparamos com um paciente que se comporta como se estivesse fora do tratamento, estamos diante de uma resistência. Nestes casos, a situação precisa ser esclarecida, do contrário o próprio processo analítico estará em risco.
A causa básica dessas dificuldades é o paciente ter transferido para o analista seus componentes pulsionais: sentimentos intensos, afetos, enfim, por ter colocado em ato suas disposições internas junto à figura do analista. Como o "bom tempo não pode durar para sempre" (Freud, 1917-1916a, p.513), o tratamento logo esbarra em um ponto não desejado e não provocado intencionalmente, levado pelo tipo de vinculação amorosa que o paciente estabelece com o analista. Mas se este fenômeno se repete tão amiúde, diz Freud, se ele estabelece um padrão de regularidade em cada novo caso, então não há como atribuí-lo a uma "perturbação casual"; é preciso, pelo contrário, postular a existência de um fator objetivo interferindo no tratamento e "reconhecer que estamos lidando com um fenômeno intimamente ligado à natureza da própria doença" (Freud, 1917-1916a, p.515).
Freud percebeu que os sentimentos deslocados em direção à pessoa do analista não podem ser creditados à situação produzida no tratamento per se. Dada a presteza com que esses sentimentos se apresentam na análise, deve-se rastrear sua origem em algum outro lugar: eles já existiam em estado germinal, estavam "preparados" no paciente e, com a oportunidade oferecida pelo tratamento, simplesmente vêm à tona e são desdobrados, a partir desta espécie de pré-programação afetiva que se endereça à pessoa do analista.
A transferência, segundo Freud, pode emergir como um exigência intensa de amor, de atenção, de reconhecinto, ou sob formas mais moderadas: desejo se ser recebido como filho (a) predileto (a), de ser alvo de uma estreita amizade (necessidade libidinal sublimada) etc. Quanto mais crus - isto é, menos sublimados - forem os impulsos transferidos, mais próximos estaremos de uma expressão não elaborada do conflito original, vinculado aos objetos primários, e via de regra impossível de ser satisfatoriamente resolvido.
Freud logo diferencia uma forma de expressão da transferência: a transferência hostil, também chamada de negativa. E assevera que é principalmente com ela que o analista deve se preocupar, porque este tipo de vinculação reflete, de forma direta, a resistência ao trabalho analítico.
No que diz respeito à transferência erótica, Freud a define como uma "inclinação amorosa" que, diferentemente da transferência positiva, torna-se intensa, revelando sua origem localizada em uma necessidade sexual direta, que inevitavelmente produz uma oposição interna a si própria. Esta modalidade particular de vínculo transferencial foi tratada de um modo mais pormenorizado por Freud (1915) em Observações sobre o Amor Transferencial, com seu enfoque sobre o manejo da transferência erótica, bem como sobre o ponto de vista profissional e ético.
Já a transferência negativa reflete o deslocamento de impulsos agressivos em vez de libidinais. Os sentimentos hostis costumam se ocultar por detrás dos afetuosos, e tendem a se revelar mais tarde, embora também se possa encontrar a coexistência de ambos, marcando a ambivalência emocional. Tanto quanto os sentimentos afetuosos, os hostis indicam a presença de um vínculo afetivo, ainda que com um sinal de menos. Eles devem ser considerados transferenciais porque, tanto quanto os impulsos amorosos voltados para o analista, não podem ser creditados à situação analítica. Ou seja, o tratamento não proporciona qualquer fundamento para sua origem.
Como referimos anteriormente, de acordo com o modelo freudiano de 1912 (A Dinâmica da Transferência), a relação transferencial se estabelece como resistência ao trabalho de investigação analítica. Examinando por esse prisma, o paciente tenderia a atuar para não recordar uma experiência infantil reprimida. Isto é, ao colocar em ato o conteúdo reprimido, o paciente entregar-se-ia a um movimento regressivo, inconsciente (a repetição de conteúdos internos, relativos às suas disposições pulsionais) em vez de controlá-lo conscientemente, mediante o recordar. Esta atitude psíquica frente aos aspectos infantis reprimidos promoveria um processo defensivo do ego frente ao analista, que seria então transformado, na transferência, em um representante daquelas tendências pulsionais em relação às quais o ego se opõe. O analista, assim, passa a ocupar este lugar predeterminadona série psíquica do paciente. O trabalho de análise procuraria superar esta resistência de transferência, que obstrui o avanço do processo. Sterba (1929) diz, a propósito, que o analista se encontra em uma situação difícil, pois se converteu no destinatário (objeto) da repetição emocional que o paciente engendra justamente para obstruir as lembranças.
Há, portanto, uma lógica implícita que permeia todo o texto de Freud (1912), e que pode se resumida da seguinte maneira: o indivíduo, de forma não intencional, tende a repetir as escolhas dos objetos amorosos ao longo da vida. Esta repetição deve-se tanto à influência das disposições congênitas, como das experiências afetivas da primeira infância, quando foram moldadas as primitivas formas de satisfação das pulsões. A noção de consciente não consegue dar conta de responder à questão que imediatamente se coloca: por que os objetos amorosos que o indivíduo elege durante a vida são semelhantes entre si? É preciso, então, apelar para um outro conceito, o inconsciente, com suas características peculiares (atemporalidade, amoralidade etc.) e suas próprias leis de funcionamento (o processo primário, marcado pelos mecanismos de condensação e de deslocamento e pela compulsão à repetição).
Para entendermos porque os objetos se repetem, é necessário pensarmos na questão da satisfação libidinal ou, mais especificamente, naquilo que da constituição inicial do sujeito pode estar ligado a esta questão da satisfação pulsional, isto é, aquilo que na história do sujeito se inscreveu como simbolização por ocasião do recalcamento primordial. Como tudo o que é da ordem do inconsciente insiste naquilo que no campo pulsional não foi satisfeito e ficou reprimido tende a retornar e exigir satisfação. Nesse sentido, é esperado que o paciente, sob as condições favorecidas pelo dispositivo analítico, vá buscar o caminho da gratificação não promovida no passado e tentar resolver suas demandas afetivas insatisfeitas (o reprimido infantil), reatualizando-as perante a figura do analista.
Este não é, evidentemente, o único motivo que impele as pessoas a procurarem análise. Elas procuram também porque têm em suas "séries psíquicas" (no que foi vivenciado tanto em termos de satisfação como de insatisfação pulsional) as experiências de satisfação, que também se repetem na análise. É uma procura de certo modo consciente: o paciente começa a análise porque confia no analista, por exemplo, embora o analista não saiba bem porque, isto é, desconheça em que esta confiança tem a ver com a sua inclusão em uma série psíquica do paciente. Embora o analista não saiba, de início, em que ponto da série psíquica do paciente ele está sendo incluído, sabe que, de qualquer modo, é preciso ser incluído em determinada posição para que possa articular posteriormente as séries psíquicas do paciente com as séries analíticas. Isto é, colocar em movimento as demandas do paciente e vinculá-las às exigências e metas próprias do tratamento analítico.
Além disso, o analista, segundo Freud (1916-1917a), deve estar atento às seguintes questões relacionadas ao movimento transferencial: onde surge a transferência, que dificuldades ele impõe ao trabalho de análise, como podemos superar tais dificuldades e que vantagens podemos auferir desta situação? Como regra geral, propõe Freud que o analista não ceda às exigências do paciente, decorrentes da transferência, nem as rejeite de modo brusco ou indignado. O analista procura superar a transferência através da interpretação, mostrando ao paciente que a origem de seus sentimentos não está na situação atual, nem se aplica à pessoa do analista, tratando-se, antes, de uma repetição de algo pertencente ao seu passado, graças à influência da regressão. Desse modo, esta repetição pode ser finalmente transformada em lembrança (Freud, 1914), dentro do esquema: repetir (movimento inconsciente), recordar e elaborar (movimento consciente). Frequentemente o processo de recordar, em termos psicanalíticos, é referido como sinônimo de rememorar, esquecendo-se de que, etimologicamente, recordar conserva um outro sentido: o surpreendente significado de volta ao coração (re-cordis). Dessa maneira, o analista passa a instrumentalizar a transferência mediante o recurso da interpretação.
Nota-se, aqui, uma mudança importante no pensamento freudiano: a transferência, seja ela amorosa ou hostil, que antes parecia servir exclusivamente à resistência e, nessa medida, constituía uma ameaça ao tratamento, torna-se então "seu melhor instrumento" (Freud, 1916-1917a). A técnica de tratamento consiste na descoberta do material reprimido (isto é, não recordado) através das associações livres do paciente e da interpretação (dentro da transferência) das resistências, a fim de torná-las conscientes ao paciente (Freud, 1914). A resistência é vista como condição inerente ao tratamento psicanalítico e o manejo da transferência é a arma que o analista dispõe para reprimir a compulsão à repetição.
Observamos, assim, que a doença não estanca, não paralisa sua evolução uma vez iniciado o tratamento. Quando o dispositivo do tratamento está plenamente instalado, e sua influência é decisiva sobre o paciente, um outro importante fenômeno ocorre - a doença começa a convergir para um único ponto: a relação com o analista. As recordações do paciente cedem sua proeminência para os aspectos transferências. O analista passa a ocupar um lugar dentro das séries psíquicas do paciente. Já não se trata da neurose anterior do paciente, mas de uma neurose recente, criada na e pela situação analítica, e que assumiu o lugar da antiga doença. É evidente que esta lhe serviu de matéria-prima, condicionando suas feições básicas. O importante aqui é que, nessa nova edição, o analista desempenha um papel fundamental e, até mesmo, constitutivo, por se situar no seu próprio centro da situação, dado que ele é objeto desta neurose. Daí porque se trata de uma neurose de transferência (e porque só se pode fazer uma análise a dois). O analista está apto a observá-la meticulosamente.
Transferir é uma capacidade humana por excelência, presente não somente na relação analítica, mas em inúmeras outras situações de interação social. Contudo, sua expressão torna-se mais vívida e, portanto, evidente, no seio da situação analítica, devido à própria maneira como esta é montada. Esta questão foi discutida, embora não exaustivamente, por Freud. Em A Dinâmica da Transferência, Freud (1912, p. 133) propõe-se a "explicar como a transferência é necessariamente ocasionada durante o tratamento psicanalítico". E, páginas adiante (Freud, 1912, p. 135), confessa não compreender "porque a transferência é tão mais intensa nos indivíduos neuróticos em análise do que em outras pessoas desse tipo que não estão sendo analisadas". Em seguida, com uma frase que parece fechar um raciocínio, Freud (1912, p. 136) concluiu que as "características da transferência, portanto, não devem ser atribuídas à psicanálise, mas sim à própria neurose".
O padrão que o paciente imprime à sua transferência com o analista é determinado por sua neurose, sendo, aliás, um componente da mesma. Daí a importância da inclusão da transferência dentro do quadro teórico geral da formação dos sintomas neuróticos, que proporcionam satisfações substitutivas para os impulsos libidinais reprimidos. A transferência proporciona um dispositivo mediante o qual se pode operar a canalização e concentração destes impulsos para o interior da relação que o paciente estabelece com o analista. A relação transferencial logo se converte em um "poderoso estímulo que influenciará sua decisão no sentido que desejamos" (Freud, 1916-1917a, p. 518), isto é, no sentido de enfrentar o conflito normal, com as suas resistências (4). Do contrário, o paciente poderia facilmente recair na "repetição do resultado anterior" (a solução anteriormente conferida ao conflito), e tudo aquilo que pôde ser pacientemente trazido à consciência pelo trabalho analítico cairia por terra e novamente deslizaria para o inconsciente, sob aforça da repressão.
Nesse ponto, diz Freud (1916-1917), não é a compreensão intelectual (o insight) que é decisiva, mas unicamente a relação com o analista. Caso se esteja sob uma transferência positiva, o paciente reveste o analista de autoridade e atribui alguma credibilidade às suas comunicações. O acesso se dá a partir do aspecto intelectual, mas se completa apenas quando é possível a contrapartida libidinal, à medida que o paciente se mostre capaz de operar uma catexia libidinal de objetos e tome o analista como um novo objeto de seus desejos. Notamos, assim, que, para Freud, a transferência envolve sempre um deslocamento da libido dos objetos originais do passado para a figura do analista, uma operação evidentemente inconsciente e que obedece à noção da compulsão à repetição - o paciente repete na transferência as situações reprimidas no passado como algo efetivamente pertencente ao presente.
O desenvolvimento da neurose de transferência marca um ponto decisivo na relação analítica, e provavelmente só se viabiliza no momento em que a repressão já se encontra de certo modo abrandada, em decorrência do processo terapêutico, de modo que o paciente possa dirigir as catexias libidinais (que escapam da restrição imposta pelos mecanismos repressivos) à pessoa do analista. Este fenômeno representa "apenas um aumento extraordinário dessa característica universal" (Freud, 1916-1917a, p. 519) que é a transferência. Extraordinário porque esse traço humano muito difundido, que tem suas raízes na sexualidade e na regressão da libido, concentra-se exageradamente sobre uma única personagem - o analista, que se converte assim em alvo maciço dos investimentos libidinais do paciente. Ainda que tenha um caráter universal, a transferência funciona, no âmbito do tratamento psicanalítico, como uma lente única, que permite ao analista ampliar uma determinada situação psíquica e assim observar, de uma maneira privilegiada, fenômenos psíquicos microscópicos, que normalmente não podem ser identificados a olho nu.
Os sintomas e sentidos dos sintomas
Enquanto que na psiquiatria temos um discurso biológico e científico, na psicanálise o discurso passa a ser linguístico. Os Sintomas na psiquiatria se agrupam em síndromes, na psicanálise como define Freud (1926) é a formação de compromisso entre as representações recalcadas (afastadas da consciência) do desejo inconsciente e as exigências defensivas. 
 Para Freud, um sintoma é essencialmente uma satisfação substitutiva de um desejo não realizado, um substituto de algo recalcado, uma satisfação que volta a consciência de forma deformada e irreconhecível. 
 Através da escuta analítica, Freud foi capaz de demonstrar que o sintoma tem um sentido, um sentido desconhecido para o sujeito, inconsciente, o sintoma diz alguma coisa e vai mais além, ele serve a fim de satisfazer um desejo recalcado, uma satisfação reconhecida pelo sujeito como um sofrimento. O sintoma é um lugar paradoxal onde o sujeito tem sua satisfação e ao mesmo tempo seu sofrimento.
O sintoma no discurso médico de nada tem de poético, não quer dizer nada para além dele mesmo, o discurso linguístico psicanalítico nos mostra que o sintoma se forma através de dois mecanismos, a saber, o mecanismo de condensação (metáfora) e o de deslocamento (metonímia). Através destes mecanismos o desejo do sujeito se camufla provocando um engodo na consciência podendo ser parcialmente satisfeito.
Em sua segunda tópica Freud mostra que o Ego (porção organizada do id) demonstra sua força pelo ato de recalcamento e ao mesmo tempo sua fraqueza, pois, como consequência a esse processo surge o sintoma onde a libido insatisfeita encontra uma satisfação substituta. Para Freud (1926) “O processo mental que se transformou em um sintoma devido ao recalcamento mantém agora sua existência fora da organização do Ego e independentemente dele”. Devido à necessidade de síntese e unificação o Ego incorpora o sintoma em sua organização tirando proveito dele e tendo como resulta o que chamamos de ganho secundário. Freud (1926) afirma que, “esta recuperação vem em ajuda do ego no seu esforço para incorporar o sintoma, e aumenta a fixação deste último”, garantindo sua persistência. 
 A pesquisa de Freud afirma que os sintomas tem um sentido capaz de serem decifrados como as demais formações do inconsciente, Lacan (1953) em seu texto “Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise” aborda a questão a partir da linguística estrutural e define o sintoma como “o significante de um significado recalcado da consciência do sujeito”, e afirma que “O sintoma se resolve por inteiro numa análise linguageira, por ser ele mesmo estruturado como uma linguagem, por ser a linguagem cuja fala deve ser libertada”.
Diferente da terapia medicamentosa que busca a remissão dos sintomas, o processo de análise, opera sobre o inconsciente dando prevalência ao sintoma, escutando o sintoma, buscando decifrá-lo.
É através da associação livre, nas entrelinhas que se situa a verdade do inconsciente. A fala, ao ser libertada “fala plena” (Lacan, 1953), verdadeira deixa escapar, para além do vazio de seu dizer, o apelo do sujeito à verdade, que já está inscrita em alguma parte no inconsciente.
Através da psicanálise, o sintoma revela não a verdade da doença, mas a verdade do sujeito do inconsciente, uma vez que busca apreender no sintoma o desejo inconsciente indestrutível. 
Freud em (1976) descreve o sintoma como uma construção subjetiva do inconsciente, o sintoma é uma forma de circulação do gozo, no qual o conteúdo sexual, que não encontrou satisfação, passa por modificações a fim de retornar à consciência. Para não ser relacionado aquele conteúdo que foi barrado pelo recalque, esse conteúdo sofre diversas transformações, a ponto de não ser reconhecido pelo sujeito como uma formação oriunda dele mesmo. Esses conteúdos relacionados ao sintoma fazem referência às primeiras escolhas pulsionais do sujeito, estando, portanto, intimamente ligados aos conteúdos de formação do inconsciente do mesmo (LIMA, 2000). O sujeito que chega ao atendimento clínico velado por sua queixa pode estar dizendo algo mais íntimo de sua formação inconsciente. Mas por que então o sujeito relata a queixa como sofrimento puro, como algo destituído de todo e qualquer prazer.
Como já destacamos o sintoma para o sujeito se configura como um grande enigma, que demanda interpretação, e com o qual ele não se familiariza, por acreditar se tratar de uma formação externa. Isto acontece porque o mecanismo do recalque deveria exilar definitivamente no inconsciente, os conteúdos que não são passiveis de satisfação e, portanto, deveriam prevalecer sob domínio de recalque. Porém o recalque é um mecanismo psíquico falho. A libido, que se encontra represada no inconsciente, encontra outras vias de satisfação consciente, no caso o sintoma. Se o sintoma é um mecanismo de obtenção do gozo porque ele é vivenciado pelo sujeito como sofrimento.
Psiquiatria: o sintoma é tratado como doença a partir de medicamento.
Psicanalise: os sintomas são substituições da doença, que pode ser entendida como um trauma recalcado pelo paciente, que outrora, não teve condições de lidar com ele, lançando-o ao inconsciente.

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