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Cels o Luiz Caus
E v o l u ç ã o d o s a n e a m e n t o 
n o E s p í r i t o S a n t o 
C e s a n ~ 2 0 1 2
Cels o Luiz Caus
E v o l u ç ã o d o s a n e a m e n t o 
n o E s p í r i t o S a n t o 
C e s a n
V i t ó r i a , E S ~ 2 0 1 2
Águas Limpas
àsFontes e ChafarizesDas
1 ª e d i ç ã o
C374d Caus, Celso Luiz.
 Das fontes e chafarizes às águas limpas : evolução do saneamento no Espírito 
 Santo / Celso Luiz Caus. – Vitória : CESAN, 2012.
 528 p. : Il., fotografias, gráficos e tabelas ; 20 x 26 cm.
 ISBN : 978-85-65901-01-7
 1. CESAN – História. 2. Saneamento – (ES). 3. Saneamento – História – Brasil. 
 4. Hidrografia – (ES). 5. Departamento de Água e Esgotos – (ES). I. Título.
 CDD : 363.6198152
 CDU : 628.198.152/.398.152
CIP – Catalogação na fonte
Biblioteca de Apoio Maria Stella de Novaes
Arquivo Público do Estado do Espírito Santo
Co o r d e n a ç ã o g e r a l
Coordenadoria de Comunicação Empresarial da Cesan
P r o d u ç ã o
MP Publicidade
E d i ç ã o e r e v i s ã o
Linda Kogure
P r o j e t o g r á f i c o e d i a g r a m a ç ã o
Link Editoração
F o t o s
Sagrilo(415, 416, 417, 418, 419, 420, 421, 422, 424, 425, 426, 427, 452 e 458) , 
Celso Luiz Caus (33, 60, 63, 64, 65, 69, 70, 73, 75, 83, 86, 89, 94, 95, 100, 101, 102, 
283, 285 e 293), Edson de A. Quintaes (138), Helder Faria Varejão (87, 88, 165, 175, 
201, 204, 244, 245, 273, 276, 284, 364, 365 e 392), Ana Nery Correa Barbosa (74), 
acervos da Cesan, do Arquivo Público do Espírito Santo, da Ufes, de Terezinha de 
Novaes Rocha (90), de Dalton Ramaldes (96), de Fernando César Costa (141), de 
Jaciel dos Santos Silva (284, 286 e 287), da família de Jonas Hortelio da Silva Filho 
(122) e fotos restauradas por José Tatagiba (28, 34, 36, 50, 55, 72, 79, 81 e 133).
I m p r e s s ã o
GSA Gráfica e Editora
Ti r a g e m
2.000 exemplares
Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan)
Avenida Governador Blay, 186, 3º andar, Centro, Vitória, ES
CEP 29010-150 – telefone + 55 (27) 2127.5000
Para 
Antônio Caus e Alira Nico 
Caus, meus amados pais.
Eliana Barbosa Caus, minha querida esposa.
Káryn Barbosa Caus Pelição e Kélvyn 
Barbosa Caus, os brilhos da minha vida.
João Guilherme Pelição e Rafaella 
Oliveira de Morais, pelo afeto.
Meus queridos irmãos Célia, Sérgio, 
Lurdinha, Ângela, Gilmar e Soraia, por tudo.
Hamilton Coelho Filho (in memoriam), 
meu primeiro mestre e engenheiro da Cesan.
A Deus, por tudo;
Neivaldo Bragato, pela oportunidade;
diretoria da Cesan, pelo apoio;
Biblioteca da Cesan, especialmente o
Júlio César da Silva Rocha;
área de Patrimônio da Cesan;
Paulo César Fontinelli, pelo apoio;
Ângela Zorzal;
Márcia Brito e o pessoal da Comunicação;
equipe do Planejamento da Cesan, sobretudo o 
Sérgio Rabelo;
Ana Cristina Munhós de Souza;
área de meio ambiente, especialmente o 
Luciano Firme de Almeida;
Elmo Luiz Campo Dall’ Orto; 
empregados que já se foram, 
aposentados que construíram a base da Cesan 
e os que estão na ativa;
Arquivo técnico da Cesan, em especial a 
José Pedro da Rocha;
Arquivo Público do Estado;
e a todos que contribuíram para
a concretização desta publicação.
Muito obrigado!
A g r a d e c i m e n t o s 
S u m á r i o
 Palavra do governador 11
 Apresentação 13
 Prefácio 17
 Introdução 21
PA RT E 1
Cap. I C o l o n iz aç ão, f o n t es e ch a fa r i z es 2 7
 Novo Arrabalde 39
Cap. II Fi m da e r a d o s ch a fa r iz es 4 9
 Primeira década do século XX: captação das águas no Rio Duas Bocas 
e construção do primeiro reservatório da capital 49
 Década de 1910 – Um projeto de água para Vila Velha: o reservatório do Cercadinho 72
 Década de 1920 – O Estado arrenda os serviços de água 
e esgotos a uma empresa privada e depois os retoma 75
 Década de 1930 – Estudos e projetos da barragem de 
Duas Bocas da nova adutora e do segundo reservatório da capital 82
 Década de 1940 – Transferência dos serviços de água e esgoto para a Prefeitura de Vitória 90
 Década de 1950 – Reversão e transferência dos serviços 
públicos de água e esgotos da Prefeitura de Vitória 
para o Estado. Criação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) 97
 De 1960 a 1967 – Atuação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) 115
Cap. III Ju cu e Sa n ta M a r i a : p r i n ci pa i s m a n a n ci a i s da Gr a n d e Vi t ó r i a 1 2 7
 Bacia hidrográfica de Duas Bocas 129
 Rio Jucu, maior abastecedor de água da Grande Vitória e as intervenções desde o período colonial 131
 Atuação do Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS) 136
 Rio Santa Maria da Vitória – A degradação e suas consequências 144
 A degradação dos mananciais do interior do Estado e suas consequências 151
S u m á r i o
PA RT E 2
Cap. IV D o t e m p o da Ces a n 1 5 7
 Década de 1960
 A criação da Cesan 157
 Saneamento no Brasil – Aspectos relevantes 166
 Plano Nacional de Saneamento (Planasa) 168
 Primeiro relatório do sistema de água e esgotos elaborado para a Cesan pelo 
Consórcio Sondotécnica e pelo escritório técnico Enaldo Cravo Peixoto 171
 Primeiro Plano Diretor para o Sistema de Abastecimento de 
Água e Esgoto Sanitário de Vitória, Vila Velha e Cariacica 180
 Conceição da Barra: primeiro sistema de abastecimento de água do interior do Estado 200
 Década de 1970
 A sequência das concessões e as primeiras obras 203
 Principais estudos e projetos realizados e previstos na década de 70 229
 Construção das instalações em Cobilândia 
para suporte à operação, manutenção, almoxarifado e transporte 258
 Construção das instalações em Santa Clara 
para suporte à área de projetos obras e licitação 260
 Construção da primeira Estação de Tratamento de Água de Duas Bocas 264
 Construção do novo sistema de produção de água da Grande Vitória no Rio Jucu 267
 Construção e ampliação do novo sistema 
de distribuição de água da Grande Vitória no Rio Jucu 278
 Captação no Canal Marinho é desativada 282
 Abastecimento aos conjuntos habitacionais 288
 Primeiro sistema completo de esgotamento sanitário 292
 Primeiro abastecimento da Serra Sede 
com captação nas nascentes das encostas do Morro Mestre Álvaro 292
 Sistema de abastecimento de água de Guarapari 298
 Década de 1980
 Principais estudos e projetos 305
 Construção do sistema de produção e distribuição 
de água de Carapina no Rio Santa Maria da Vitória 318
 Programa para Atendimento a 
Comunidades de Pequeno Porte (CPP) 333
 Outras obras 356
 Programa de Desenvolvimento Operacional (PECOP) 368
 Esgotamento sanitário 370
 Década de 1990
 Escassez de recursos financiados 375
 Financiamento do Banco Mundial 375
 Reestudo do Planejamento Global (Plano diretor) e Projeto Técnico 
do Sistema de Abastecimento de Água da Grande Vitória 382
 Ampliação do sistema de abastecimento de água da Grande Vitória 387
 Outros estudos, projetos e programas 401
 Período institucional do setor 405
 Primeira década de 2000
 A retomada dos investimentose a Cesan no cenário nacional 407
 Esgotamento sanitário: conclusão das grandes estações de tratamento da Região 
Metropolitana e de Domingos Martins 408
 Programa Águas Limpas 412
 Programa Águas Limpas é ampliado 430
 Fortalecimento institucional da Cesan 448
 Desempenho administrativo e operacional 450
 Indicadores gerais da empresa 460
 Década de 2010
 Metas de cobertura de água e esgotamento sanitário 465
 Águas Limpas dobram a capacidade dos reservatórios de água dos últimos 100 anos 466
 Cesan alcança o dobro da cobertura média nacional em esgotamento sanitário 471Programa de Saneamento Rural (Pró-Rural) 479
 De 1967 a 2012: aonde a Cesan chegou 484
 Pérolas 503
 Anexos 511
 Referências 523
 Sobre o autor 527
F o n t e s d e m u i t o s a b e r 
F o n t e s d e m u i t o s a b e r 
Todos os capixabas, que amam tanto esta nossa terra, merecem ler este livro. Em pri-meiro lugar, porque esta obra, assinada por Celso Luiz Caus e editada pela Cesan, faz justiça a pessoas que – ao longo de décadas – trabalharam arduamente para ofe-recer ao nosso povo um serviço de inestimável valor. Em segundo lugar, pela rique-za dos conhecimentos históricos aqui reunidos.Toda pesquisa sobre os diversos aspectos da evolução histórica do nosso estado 
é uma nova oportunidade que nos é dada de conhecer melhor o patrimônio de ex-
periências, conquistas e realizações que herdamos do passado. São exemplos memo-
ráveis de trabalho e visão que servem de orientação e inspiração para nossos contem-
porâneos e, em especial, para aqueles que têm como missão e compromisso contri-
buir para aumentar cada vez mais a qualidade de vida em nossa terra.
Penso que conhecer e estudar o que se fez pelo Espírito Santo antes de nós não 
é dever apenas do governante, mas de todos os cidadãos, porque saber mais e melhor 
faz parte da própria essência da cidadania. Só assim podemos entender, por exemplo, 
que caminhos aquela Vitória dos tempos coloniais trilhou, até se transformar nesta 
capital linda e moderna da qual tanto nos orgulhamos. 
É com essa convicção que convido os capixabas a lerem este livro. Mais que tra-
tar de fontes e chafarizes, ele faz justiça a homens públicos com os quais teremos uma 
eterna dívida de gratidão, pelo maravilhoso trabalho que realizaram. O programa de 
saneamento que estamos executando dá continuidade a esse esforço histórico de pro-
moção do bem-estar e da qualidade de vida para todos os capixabas. E, assim, miran-
do nos melhores exemplos do passado, estamos construindo o Espírito Santo do pre-
sente e pavimentando o caminho para um futuro mais próspero e feliz.
P a l a v r a d o g o v e r n a d o r 
Renato Casagrande
Governador do Espírito Santo 
P a l a v r a d o g o v e r n a d o r 11
U m n o v o e n f o q u e s o b r e o s a n e a m e n t o
Com o lançamento do livro Das fontes e chafarizes às águas limpas: evolução do saneamento no Espírito Santo, a Cesan deixa marcada na história a comemo-ração dos seus 45 anos. Escrito por Celso Luiz Caus, um dos nossos mais anti-gos e respeitados engenheiros, trata-se de um investimento para materializar e preservar o valor da cultura pelo resgate da memória da Companhia e de toda 
a trajetória do saneamento no Espírito Santo. 
A Cesan sempre se preocupou em preservar sua história. O primeiro livro 
publicado pela Companhia, A Cesan e sua história, foi escrito em 1994 por Dal-
va Broedel, também da nossa equipe de empregados. Após 18 anos o mundo é 
outro. A Cesan e o saneamento conquistaram outra feição em todos os senti-
dos. Nesta obra, Celso Caus amplia a pesquisa e extrapola o foco institucional, 
norteando-se pela evolução do saneamento.
Da origem da distribuição de água em Vitória e em Vila Velha, com os cha-
farizes, que tiveram dupla função: distribuir água e embelezar as cidades à moda 
artística europeia, o livro percorre toda a evolução dos sistemas de saneamento, 
passando pelas obras do Governo de Jerônimo Monteiro (1908-1912), quando os 
capixabas da capital pela primeira vez tiveram água encanada em suas moradias, 
até os dias de hoje, em que a Cesan, por meio do Programa Águas Limpas, uni-
versalizou o abastecimento nos 52 municípios capixabas atendidos pela Empresa. 
Quanto aos sistemas de esgotamento sanitário, os municípios do Espírito 
Santo onde a Cesan atua deram um salto de qualidade. Da estaca zero, dos sé-
culos passados, em que o esgoto era lançado in natura e em tonéis no mar, ao 
A p r e s e n t a ç ã o
Neivaldo Bragato
Presidente da Cesan
A p r e s e n t a ç ã o 13
U m n o v o e n f o q u e s o b r e o s a n e a m e n t o
aumento da cobertura de 20% para 60%, em menos de 10 anos, entre 2003 e 
2012, com meta de atingir 70% em 2014 e a sonhada universalização na pró-
xima década, em 2025. 
O leitor também conhecerá os rios que abastecem a Região Metropolitana 
de Vitória, com informações técnicas, a situação da degradação e as interven-
ções históricas ocorridas desde o período colonial até a atual década nos prin-
cipais sistemas. 
Os rios do interior do Estado também estão contemplados, incluindo a 
substituição dos primitivos mananciais por outros mais distantes dos centros 
urbanos e pela construção de barragens, uma das consequências da deteriora-
ção ambiental das últimas décadas.
O livro registra ainda aspectos relevantes do saneamento no Brasil, como 
o Plano Nacional de Saneamento (Planasa) e o período institucional do setor 
até ser sancionada a Lei 11.445 da Política Nacional de Saneamento. E muito 
sobre a criação da Cesan e do órgão que a antecedeu, o Departamento de Água 
e Esgotos (DAE).
Ricamente ilustrado com fotografias, gráficos e tabelas, Das fontes e chafa-
rizes às águas limpas pretende contribuir com um novo enfoque do saneamen-
to pela ótica de sua contribuição ao desenvolvimento econômico, social e am-
biental do Espírito Santo.
14
U m a o b r a s e m p r e c e d e n t e s
Tenho participado da evolução do saneamento básico no Estado do Espírito San-to desde 1964, quando atuei no primeiro Plano Diretor de Esgotamento Sani-tário de Vitória como estagiário de engenharia. Em 1966 ingressei no Departa-mento de Água e Esgotos do Estado do Espírito Santo (DAE) que, em 1967, se tornou Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), onde permaneci até 1971. Foi na Cesan que nasceu a minha motivação para aprofundar os estu-
dos na área de saneamento básico por meio da convivência com os excelentes fun-
cionários dessa empresa, resultando em especialização, mestrado e doutorado, o 
que me possibilitou atuar como professor no Departamento de Hidráulica e Sa-
neamento da Ufes, de 1971 a 2003. Atualmente sou professor titular na Faculda-
de de Aracruz e consultor.
Em 1999, fui diretor presidente da Cesan quando o engenheiro Celso Luiz Caus 
coordenava os estudos relativos ao planejamento (Plano Diretor) e ao projeto técni-
co do sistema de abastecimento de água da Grande Vitória. Porém, nos aproxima-
mos, de fato, em 1984, quando ele coordenava os projetos de engenharia do Progra-
ma de Abastecimento de Água de Comunidades de Pequeno Porte (CPP), hoje, de-
nominado Programa Pró-Rural da Cesan. 
A dimensão social desse programa é fantástica, pois beneficia as populações ru-
rais sem água potável para consumo. Eu e o Celso saíamos de madrugada de Vitória 
rumo ao interior, à comunidade a ser contemplada com o sistema de abastecimen-
to de água. Na comunidade, definíamos o manancial abastecedor, íamos de casa em 
casa contando o número de moradores, o que permitia quantificar a vazão de água 
P r e f á c i o 17
P r e f á c i o
Robson Sarmento*
U m a o b r a s e m p r e c e d e n t e s
requerida pela população, parâmetro essencial para a elaboração do projeto de enge-
nharia para qualquer sistema de abastecimento de água. 
Não me esqueço das advertências feitas por ele inúmeras vezes, quando estávamos 
com sede e fome: não beba essa água (bebíamos guaraná sem gelo porque não havia 
energia elétrica), não coma verduras e não coloque os pés na água, pois o córrego que 
a população utiliza contém o parasita transmissor da esquistossomose. Também des-
taco uma situação em que coletamos amostra de água da nascente que iria suprir a co-
munidade de Estrela do Norte. Não era possível chegar à nascente, pois a várzea esta-
va inundada, mas Celso não viu qualquer dificuldade e logoviabilizou um trator para 
chegarmos ao local. Poderia enumerar vários outros eventos semelhantes aos citados. 
Afinal, sempre foi notório o compromisso do Celso de levar água potável até àquelas 
comunidades carentes. Assim foi meu encontro com o Celso durante as elaborações 
e implantações dos mais simples aos mais complexos projetos de sistemas de abasteci-
mento de água para o nosso Estado. 
O currículo do Celso: engenheiro civil pela Ufes, especialista em engenharia sanitá-
ria e saúde pública pela Fundação e Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), atuando na Cesan 
há 37 anos, ocupando várias gerências, assessorias e Diretoria de Relações com o Cliente e 
membro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos desde o seu início, o lhe permite es-
crever Das fontes e chafarizes às águas limpas: evolução do saneamento no Espírito Santo.
O texto apresenta a evolução do saneamento no Espírito Santo. Na sequência, 
está um resumo do conteúdo. A partir de 1643, um aqueduto levou água da Fon-
te Grande para a cozinha do convento São Francisco na cidade alta de Vitória. Em 
1828, foi construído o primeiro chafariz na Rua Barão de Monjardim. Ao término 
do século XIX, Vitória contava com cinco chafarizes. Em 1909, foi feita a captação 
18
de água em Duas Bocas no município de Cariacica. Os serviços de esgotos são descri-
tos, contemplando desde os carregadores do Centro de Vitória (que descartavam os 
dejetos no mar) até o presente dia. O desenvolvimento institucional descreve a ope-
ração do Estado no sistema de água e esgoto, passando pela iniciativa privada, Prefei-
tura de Vitória e retorno ao Estado com a criação do Departamento de Água e Esgo-
to (DAE) até a criação da Cesan. As principais obras abrangem 45 anos de existência 
do saneamento no Estado. Além disso, são abordados: as concessões dos serviços de 
água e esgoto, os planos diretores de água e esgoto, sistemas construídos, principais 
relatórios, estudos e projetos, evolução do atendimento à população com serviços de 
água e esgoto. A evolução em epígrafe inclui as décadas do período de 1910-2010.
O livro é ilustrado com mapas, gráficos, plantas e fotografias cuidadosamente 
elaborados, o que torna sua leitura mais atrativa.
Das fontes e chafarizes às águas limpas: evolução do saneamento no Espírito 
Santo constitui-se numa obra-prima para a literatura capixaba sem precedentes no 
tema. Pelo conteúdo, profundidade e complexidade dos detalhes, ele é um livro no-
tável, uma bibliografia que soma o que sabemos sobre o saneamento básico no Esta-
do do Espírito Santo. Certamente, o livro é uma fonte de inspiração constante para 
futuras obras desse tipo.
Ao Celso, minha gratidão por ter o privilégio de escrever este prefácio e, como 
capixaba, os sinceros agradecimentos pelo livro. Finalmente, o meu respeito e ad-
miração pela pessoa e pelo profissional que você é. Que Deus o acompanhe sempre. 
*Ex-diretor presidente da Cesan; engenheiro; especialista; mestre; Ph.D e professor 
aposentado da Ufes e professor titular Faculdade de Aracruz.
P r e f á c i o 19
A l o n g a t r a j e t ó r i a
Quando comecei na Cesan como estagiário de engenharia, a Companhia existia há ape-nas sete anos e meio. Tive o privilégio de presenciar, participar e acompanhar nesses 37 anos o impulso da nossa competente Cesan. No final de 1969 tinha cerca de 50 mil ligações de água e, no término de 2011, as ligações somavam 347.763 na Gran-de Vitória e 180.728 no interior.Em setembro de 2011, recebi o convite do presidente da empresa, Neivaldo Bragato, 
para escrever um livro sobre a Cesan. Não hesitei, pois era uma forma de retribuir tudo o 
que aprendi. Por outro lado, seria a oportunidade de revisitar a história e reencontrar os 
responsáveis por grande parte do que foi construído e a razão de estarmos aqui. Conhe-
cer a história é sem dúvida, o melhor caminho para entender o presente e mudar o futuro.
Imediatamente comecei a pensar no que escrever e para quem. Primeira respos-
ta: aos empregados que ainda estão na ativa e aos recém-chegados para que tenham 
acesso à longa trajetória da construção da Cesan, e que este livro seja útil na constru-
ção da Cesan de hoje e do futuro. Toda concepção e execução se voltaram também 
aos empregados aposentados – verdadeiros profissionais em prol do saneamento – 
que construíram a base da empresa e, certamente, por tudo que vivenciaram, devem 
se encontrar nas páginas a seguir. 
Segunda resposta: concluí que seria importante ampliar o escopo aos pesquisa-
dores, estudantes e ao público em geral. Por isso, a pesquisa abrangeu o período ante-
rior à Cesan, a fase atual e a projeção futura. Assim, na Parte I, está uma síntese histó-
rica desde o período da colonização até a criação da Cesan, sem deixar de contextua-
lizar o cenário dos recursos hídricos e do meio ambiente na Grande Vitória e no in-
I n t r o d u ç ã o 21
I n t r o d u ç ã o
Celso Luiz Caus
A l o n g a t r a j e t ó r i a
terior do Estado. Na Parte II, mais técnica, apresenta a evolução da Cesan, enfocan-
do também o Plano Estratégico do Governo do Estado do Espírito Santo 2011-2014. 
O desafio de pesquisar a evolução do saneamento no Espírito Santo trouxe sur-
presas. Umas delas foi encontrar o registro da primeira construção abastecida com 
água encanada em domicílio, em Vitória, a partir de 1643, um aqueduto que trouxe 
água da Fonte Grande para a cozinha do convento São Francisco. 
Nos primórdios da Vila de Vitória estão as fontes de água potável que, no iní-
cio do século XIX, de tão precárias precisaram de reformas. Em 1828, na antiga Rua 
São João, hoje Barão de Monjardim, foi construído o primeiro chafariz do Estado. 
Em Vila Velha, mais precisamente na orla da Prainha, a água era obtida da fonte de 
Inhoá, considerada de excelente qualidade e tão importante que recebeu a visita de 
D. Pedro II, em 1860.
No fim do século XIX e início do século XX, Vitória contava com cinco cha-
farizes, cujo triste período foi finalizado, em 1909, com a canalização das águas de 
Duas Bocas, notadamente no Rio Pau Amarelo, em Cariacica. E Jerônimo Mon-
teiro construiu o primeiro reservatório da capital no Morro de Santa Clara. Os 
serviços foram estendidos para Vila Velha, e construído o reservatório no Morro 
do Cercadinho, próximo à Prainha. Hoje, a realidade é outra com a universaliza-
ção dos serviços de água.
Em Das fontes e chafarizes às águas limpas também mostro a trajetória dos servi-
ços de esgoto, pioneiramente no Centro de Vitória, desde os carregadores que trans-
portavam e lançavam os dejetos na maré até o recente aumento da cobertura de es-
22
goto de 20% para 60% em menos de 10 anos, com meta de 70% em 2014 e a univer-
salização em 2025.
Na parte institucional, descrevo a operação do sistema de água e esgoto pelo Es-
tado, passando pela iniciativa privada, Prefeitura de Vitória e o retorno ao Estado, 
com a criação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) até a criação da Cesan. 
Estão descritas as atuações de cada órgão notadamente nas suas realizações de estu-
dos, projetos, obras e operação. 
Estruturei a evolução da Cesan por décadas, com a sequência das concessões 
dos serviços, planos diretores de água e esgoto, sistemas construídos, principais rela-
tórios, estudos e projetos, evolução do atendimento até chegar à universalização do 
atendimento com água e o alcance da cobertura de 60% com esgotamento sanitário, 
o dobro da média nacional.
Relacionei as principais obras construídas ao longo dos 45 anos na Grande Vitó-
ria e no interior, e situei também as dificuldades e as conquistas relativas aos recursos 
financiados, incluindo a linha de financiamento do Banco Mundial, nos anos 1990, 
e a retomada dos investimentos a partir da década de 2000, cujo fortalecimento,de-
sempenho administrativo e operacional, e os indicadores gerais da empresa destaca-
ram a Cesan no cenário nacional.
Os gráficos, mapas, desenhos esquemáticos e fotografias permitem, em função do que 
foi construído pelos seus empregados ao longo dos anos, visualizar as conquistas da Ce-
san. Espero ter contribuído para o registro da evolução do saneamento no Espírito Santo. 
Boa leitura!
I n t r o d u ç ã o 23
P a r t e I24
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 25
PAr
te
1
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 27
O
fontesfontesC o l o n i z a ç ã o, 
Capítulo I
histórico 23 de maio de 1535 marcou a chegada de Vasco Fernandes Coutinho e sua 
tripulação de 60 homens. Do batismo das terras de sua Capitania habitada somente 
por índios, surgiu o nome Espírito Santo em homenagem ao dia dedicado à terceira 
pessoa da Santíssima Trindade, segundo o historiador José Teixeira de Oliveira. Fun-
dada a Vila do Espírito Santo, hoje, Vila Velha, ainda em 1535, passou de Vila à Ca-
pitania. Depois, de Província (1822) a Estado (1889).
 À primeira vista, o local parecia ser a foz de um grande rio, mas era uma baía ma-
rítima entre os morros Piratininga e Moreno. Ao longe, avistaram as pequenas ilhas 
que, posteriormente, foram doadas a alguns parceiros. A atual Ilha do Boi a Dom 
Jorge de Menezes e, a Ilha do Frade, para Valentim Nunes. A do Frade tem esse nome 
porque, tempos depois, os beneditinos tomaram posse dela. A atual Ilha de Vitória, 
chamada de Santo Antônio, a maior de todas, coube a Duarte de Lemos, em 15 de 
julho de 1537, por sua luta vitoriosa contra os indígenas na ocupação do território. 
Conhecida como Ilha do Mel, Ilha de Santo Antônio, Ilha de Duarte de Lemos e 
Vila Nova, em 8 de setembro de 1551, batizaram-na de Ilha da Vitória pelo sucesso 
conseguido numa sangrenta batalha contra os índios. 
e C h a f a r i z e s
P a r t e I28
Duarte de Lemos edificou a Capela de Santa Luzia na sede de sua fazenda e deu 
início à agricultura. Entre 1537 e 1540 construiu um engenho de açúcar, cujas plan-
tações ocupavam principalmente a parte lateral oeste do Morro de São Francisco. 
Casas foram erguidas na parte mais alta da ilha, formando o primeiro núcleo habita-
cional. Como havia muitas “capixabas” – roças de milho, ou roças velhas, na expres-
são indígena – o termo capixaba passou a denominar os moradores da Ilha. Depois, 
ampliou-se para toda a população do Espírito Santo. 
Ao que parece, Vasco Coutinho e Duarte de Lemos tiveram desavenças. A his-
toriografia registra que os dois se encontraram em Portugal para “passar uma escri-
tura de doação da Ilha de Santo Antônio perante o notário geral da Corte”, em 22 
de agosto de 1540, conforme José Teixeira de Oliveira. Duarte de Lemos só retor-
nou ao Brasil na comitiva de Tomé de Souza, em 1550, que o nomeou delegado da 
Capitania de Porto Seguro. 
Capela de Santa Luzia erguida por Duarte de Lemos
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 29
 É possível que Vasco Coutinho só tenha retornado ao Espírito Santo, em 1547, 
ao ser informado sobre as condições deploráveis de suas terras brasileiras. O que hou-
ve? A incompatibilidade entre brancos e índios e o desgoverno de Dom Jorge de Me-
nezes, o substituto dos sete anos de ausência do donatário.
Diante dos constantes ataques indígenas, iniciou-se, no Brasil, o movimen-
to de catequização dos índios. D. João III confiou a missão à Companhia de Je-
sus, fundada pelo espanhol Inácio de Loyola, na França, em 1534. O padre Afon-
so Brás, possuidor de qualidades de carpinteiro e arquiteto, foi designado para a 
Capitania do Espírito Santo, chegando à Vila de Vitória em abril de 1551. Cons-
truiu uma casa, depois conhecida como Porto dos Padres, próximo ao atual Porto 
de Vitória e à Rua General Osório.
A Vila de Vitória, fundada em 1551, está entre as seis mais antigas do Brasil. 
Como já mencionado, o núcleo urbano originou-se na parte alta. Com topografia 
montanhosa e rochosa, suas ruas eram sinuosas e estreitas. Circundada pelo mar, a 
parte mais baixa sempre alagava. 
Atesta o historiador Mário Freire: “A preocupação em evitar as baixadas paludo-
sas nesta ilha, [...] e, ao mesmo tempo, o cuidado de melhor defesa contra constan-
tes assaltos de indígenas ou de invasores teriam, provavelmente, determinado a fun-
dação de Vitória no alto da colina.”
Os jesuítas também se instalaram na parte alta da ilha e construíram sua igreja e 
um colégio. Em 1552, quando visitavam Vitória, o governador geral Tomé de Souza 
e o padre Manoel da Nóbrega encontraram o Colégio Jesuíta e a Igreja São Tiago em 
fase embrionária. Um ano depois, Afonso Brás foi substituído pelo padre Brás Lou-
renço, que chegou na mesma expedição de José de Anchieta, em 1553.
Quase uma década depois, em fevereiro de 1561, faleceu Vasco Fernandes Cou-
tinho. Seu corpo foi sepultado na Capela Nossa Senhora do Rosário, perto da Prai-
nha. Seu sucessor, Vasco Coutinho Filho, tomou posse em 1563, ficando no cargo 
até a sua morte, em 1589. Foi sucedido pela esposa, Luísa Grimaldi, a única mulher 
que governou o Espírito Santo por quase quatro anos. Ela doou uma área de terra aos 
recém-chegados frades franciscanos para que construíssem o Convento de São Fran-
cisco, no Morro da Fonte Grande. 
Na encosta do morro foram erguidas a residência e a capela e, na parte mais alta, 
o convento, iniciado em 1591, pelo frade franciscano Antônio dos Mártires. O mor-
P a r t e I30
ro foi batizado de Fonte Grande por possuir uma das 
maiores fontes de água da região. Foi a primeira cons-
trução abastecida com água canalizada em domicí-
lio, em Vitória, a partir de 1643. Descreve o historia-
dor Luiz Derenzi: “O guardião frei Paulo de Santo An-
tônio deve ter sido o primeiro entendido na arte de ni-
velar, topógrafo, digamos assim, na Vila de Vitória. Foi 
o construtor do aqueduto que trouxe água da Fonte 
Grande para a cozinha do convento.”
A gestão de Luísa Grimaldi registrou outro trun-
fo: a vitória sobre a invasão de Thomas Cavendish, o 
corsário inglês expulso da Ilha, em 1592. Naquele mes-
mo ano registrou-se a construção de dois fortins no lu-
gar mais estreito da baía, em frente ao atual Morro do 
Penedo, então chamado Pão de Açúcar. Noventa anos 
depois, em 1682, construiu-se, no local, o Forte de São 
João para defender a entrada da baía. 
No início do século XVII, o aspecto da ilha per-
manecia semelhante ao do início da sua ocupação: ca-
sas construídas de taipa, cobertas com sapé ou palha 
de pindoba formavam o núcleo urbano. O desenvolvi-
mento da ilha ocorria de maneira lenta, fruto de suces-
sivas administrações mal preparadas, descaso do Go-
verno de Portugal, tributos cobrados para recuperar as 
finanças portuguesas e constantes invasões.
Em 1674, a Capitania, decadente pelo desinteresse dos herdeiros de Vasco Cou-
tinho, foi vendida ao coronel Francisco Gil de Araújo. Ele reconstruiu os engenhos 
e o Forte São João, já que este sofrera muitos danos na batalha contra os holandeses. 
Na entrada da baía, em Vila Velha, edificou-se o Forte São Francisco Xavier, onde, 
hoje, está a guarnição do Exército. Mesmo com toda disposição, Francisco Gil de Araú-
jo não conseguiu erguer a Capitania. Mudou-se para Salvador, onde faleceu em 1685. 
No final do século XVII, a situação ainda era de extrema pobreza. Diante desse 
cenário, Derenzi traduz: “Fecha-se o século com mais um compasso de espera morti-
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 31
ficante. E a vila não se faz cidade, sem ruas, sem escolas, onde as notícias, de longe em 
longe, chegam com os veleiros arribados e por bandosafixados pelos capitães-mores 
impertinentes.” O único destaque fica para as obras dos jesuítas e dos franciscanos.
A população, em 1751, era de 1.390 habitantes, quase o dobro do quarto do sé-
culo anterior. Em 3 de setembro de 1758, surgiu, em Lisboa, uma onda de protestos 
contra o monopólio do vinho, época em que o Rei Dom José sofrera um atentado. 
A culpa por fomentar tal rebelião foi atribuída aos jesuítas. Um ano depois, em 3 de 
setembro de 1759, sob a influência do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, 
Convento de São Francisco: primeira 
construção com água canalizada a partir de 1643
P a r t e I32
o Marquês de Pombal, publicou-se o decreto de expulsão dos jesuítas de Portugal e 
de suas colônias. O decreto tachava aqueles religiosos de traidores, rebeldes e adver-
sários da Coroa portuguesa. Em 1760, os jesuítas foram expulsos do Espírito Santo, 
a exemplo do que ocorreu no Brasil.
No final do século XVIII, a população da Vila de Vitória contava com 7.225 ha-
bitantes, dos quais 4.898 eram escravos.
 No início do século XIX, com a queda dos regimes absolutistas e o desejo de 
países – como a França e a Inglaterra de conquistarem novos mercados – Portugal 
anunciou nova diretriz: priorizar a ocupação do interior, abrindo estradas e ligando 
os núcleos povoados na colônia brasileira. Parte dessa missão coube a Francisco Al-
berto Rubim, nomeado em 12 de junho de 1812, responsável pela abertura de par-
te da atual BR-262. 
Até parte do século XIX, o Espírito Santo pertencia à jurisdição da Bahia. Sua 
separação foi assinada em 1809. De acordo com Derenzi, “[...] na Vila de Vitória, os 
mangues, os banhados urbanos, as fontes de água potável, o aspecto das casas, as 
praças e os cais de atracação de barcos, reclamavam providências, necessárias ao 
conforto dos pobres moradores, insulanos.” 
Coube a Rubim aterrar alguns alagadiços, facilitando a locomoção dos pedes-
tres, reparar as fontes de água potável, levantar a planta da zona urbana e realizar 
um novo censo populacional da Capitania, que contava com 24.587 almas, incluin-
do 12.100 escravos. Eram 3.729 casas e 75 engenhos. Rubim governou o Espírito 
Santo durante sete anos. 
Proclamada a Independência do Brasil, a Ilha de Vitória passou à categoria de ci-
dade, em 17 de março de 1823. Posteriormente, ficou conhecida como Vitória, Ci-
dade Presépio.
Em 1828, na antiga Rua São João, atual Barão de Monjardim, foi construído o 
primeiro chafariz do Estado. A água brotava de fontes da mata do Maciço Central, 
do Morro do Vigia. Foi restaurado em 1938. É o único que restou. A cidade tinha 
cerca de 900 casas.
Em Vila Velha, mais precisamente na orla da Prainha, a água era obtida da 
Fonte de Inhoá, considerada de excelente qualidade. Inhoá, em tupi, significa cen-
topeia. Em 1844, preocupado com a saúde pública, o vice-presidente da Província, 
José Francisco de Andrade e Almeida Monjardim, disse em seu pronunciamento à 
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 33
Assembleia: “Julga a Câmara da Vila do Espírito Santo que as obras mais necessárias 
àquele município são [...] a pequena ponte que dá passagem para a fonte de Inhoá, e 
o conserto desta fonte, cujo mau estado faz com que se misture a água potável com 
as de lavar, o que muito deve prejudicar a saúde pública.” 
A Fonte de Inhoá foi tão importante que recebeu a visita do imperador D. Pe-
dro II, em 28 de janeiro de 1860. A agenda imperial incluiu também o Convento da 
Penha, a Igreja do Rosário e a Câmara.
Pouco a pouco, a pioneira fonte de Vila Velha ampliou seu status e passou a ser 
canalizada. Primeiro, virou caixa d’água de Inhoá, cuja obra foi sancionada (lei nº 
25) pelo presidente da Província, Francisco Ferreira Coelho, em 1871. O custo gi-
rou em torno de 1:386$000 réis. Dois anos depois, em contrato firmado com Hen-
rique Gonçalves Laranja, Vila Velha teve água canalizada da Fonte de Inhoá para 
o chafariz da Praça da Matriz.
Primeiro chafariz da Capichaba, 1828 
P a r t e I34
Possível chafariz em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário, Vila Velha
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 35
Vista geral do Convento e Prainha, 1905 
Bomba de água manual na praça em frente ao Palácio
P a r t e I36
Mapa da Província do Espírito Santo
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 37
Abastecimento de água em Vitória: chafariz do 
Largo de Santa Luzia até 25 de setembro de 1909
Em Vitória, no final do século XIX e início do século XX, o abastecimento de 
água era feito por meio de chafarizes e por carroças, que transportavam água em barris. 
Quem necessitava de água enfrentava filas, munido de baldes, panelas, talhas ou latas. 
Em tempos de estiagem, os moradores buscavam água em canoas no Rio Marinho.
 Eram cinco chafarizes: da Fonte Grande, da Capixaba, da Lapa, da Ladeira do 
Chafariz e de São Francisco, cujas águas foram canalizadas de fontes da encosta que 
circunda a baía de Vitória. Além da sua função pública, os chafarizes eram também 
monumentos artísticos e arquitetônicos.
P a r t e I38
Antigo chafariz na Villa Moscoso
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 39
Após a proclamação da República, a nova Constituição Política do Estado foi 
proclamada em 2 de maio de 1892. No dia seguinte, José de Melo Carvalho Muniz 
Freire assumiu o Governo. Com a nova Constituição, foi extinta a Intendência e cria-
do o Governo Municipal de Vitória. Cleto Nunes Pereira foi eleito para presidir o 
Conselho Municipal, em 27 de novembro, tomando posse no dia 19 de dezembro.
Após muitos anos de insucessos, somente em 1891, surgiram os primeiros estu-
dos para o sistema canalizado de abastecimento de água. Foi assinado contrato com 
a Companhia Brasileira Torrens, que apenas iniciou a construção do alicerce do re-
servatório de Santa Clara, em Vitória, além de uma pequena represa no Rio Formar-
th (era assim a grafia na época), em Viana. A Torrens abandonou a obra, rescindiu o 
contrato e, mais uma vez, frustrou a expectativa da população. 
A canalização das águas da Fonte Grande – para a construção do Reservatório 
de Santa Clara – começou no Governo de Muniz Freire (1892-1896) e chegou a ter 
até pedra fundamental, datada de 23 de outubro de 1893. Porém, nada prosseguiu. O 
único imóvel que dispunha de água encanada era a fábrica de cerveja Serrat & Schi-
midt, construído em 1884. A água era da Fonte dos Cavalos.
Um detalhe que chamava atenção era o apelido dado aos carregadores de deje-
tos, ”Os Tigres”, que lançavam os dejetos nas marés durante a noite. 
Novo Arrabalde 
Em 1896, ainda no governo Muniz Freire, a meta era a expansão urbana norteada 
pelos princípios de higiene e salubridade adotados em São Paulo e Rio de Janeiro. 
Por isso, criou-se a Comissão de Melhoramentos da Capital. Para coordenar os tra-
balhos, contratou-se o engenheiro sanitarista Francisco Saturnino de Brito que ini-
ciou o levantamento topográfico da área litorânea do nordeste da Ilha. Chamado de 
“Projeto de um Novo Arrabalde” pretendia ampliar a mancha urbana habitacio-
nal de Vitória, com a ocupação das praias. O projeto incluiu estudos específicos so-
bre saneamento, como abastecimento de água e drenagem. 
Para o sistema de esgoto, inicialmente definiu-se um sistema separador de cole-
ta mas, logo em seguida, o autor adotou um sistema unitário, indicando um sistema 
de propulsão mecânica e a abertura de um canal axial à grande avenida. 
P a r t e I40
Capa do Projeto “Um Novo Arrabalde” e Relatório 
da Commissão de Melhoramentos da Capital
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 41
P a r t e I42
“O abastecimento d’água aoNovo Arrabalde importa em um volume de cerca 
de 4.500.000 litros, tomando a base de 300 litros por habitante”, com população es-
timada em 15 mil habitantes e vazão de 53 litros por segundo. A captação estudada 
era do córrego de Jucutuquara, onde duas nascentes produziam 4,7 litros por segun-
do. Adotaram-se para estudo e segurança, 4,4 litros por segundo para abastecer so-
mente 1.267 habitantes. As nascentes ficavam nas cotas de 90 e de 68,8 metros e fo-
ram reunidas na cota de 68,8 metros e numa tubulação de 100 milímetros de aço até 
o reservatório de Jucutuquara. O autor do projeto fez ainda referência a uma possí-
Anteprojeto de esgoto do Novo Arrabalde, 1896
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 43
vel captação nas cabeceiras do Rio “Fonte Limpa”, na Serra do Mestre Álvaro, com 
vazão de 55 litros por segundo, medida por flutuador. Por segurança, sugeriu 20 li-
tros por segundo. O comprimento da adutora seria de aproximados 12.500 metros. 
Desses estudos não foi possível identificar até que ponto houve fidelidade ao pro-
jeto ao longo dos trabalhos de urbanização do Novo Arrabalde. Sabe-se que, na dé-
cada de 1920, houve captação no Córrego Jucutuquara.
Saturnino de Brito (Campos, 1864 – Pelotas, 1929) é considerado pioneiro da 
engenharia sanitária e ambiental no Brasil. Foi responsável por importantes projetos 
urbanísticos de cidades brasileiras, como Vitória, Santos, Petrópolis. Campos, Reci-
fe, Natal, Pelotas e Rio de Janeiro. Entre 1896 e 1929, realizou projetos para mais de 
40 cidades de diferentes regiões do país. Tinha preocupação com as condições sani-
tárias e ambientais causadoras de graves surtos epidêmicos humanos. Em 1930, as ca-
pitais com sistemas de água e esgotos, em parte, deveu-se aos seus esforços. Foi elei-
to patrono da engenharia sanitária brasileira pelo Congresso da Associação Brasilei-
ra de Engenharia Sanitária e Ambiental. Em 1996, completa-
ram-se 100 anos do “Projeto de um Novo Arrabalde para Vi-
tória (ES)”, elaborado por Saturnino de Brito.
Em 1901, Vitória ainda era abastecida por cinco chafari-
zes. A população havia passado para cerca de 12 mil pessoas. Em 
1905, no Governo de Aristides Navarro, passou-se a fornecer um 
barril por família a preço variável, com água vinda do Rio Jucu. 
Entre 1905 e 1907, com a mancha urbana se expandin-
do, os chafarizes já não ficavam tão próximos das novas áre-
as, por isso, o transporte de água era feito por bondes movi-
dos a tração animal.
O primeiro sistema de abastecimento de água da capital 
vindo das cabeceiras do Rio Duas Bocas, de Cariacica, foi im-
plantado entre 1909 e 1912. Em seu trajeto, a adutora de cerca de 18 Km transpunha 
obstáculos, inclusive a travessia no fundo da baía de Vitória. Naquela época, não havia 
a Ponte Florentino Avidos (Cinco Pontes), inaugurada em 1928. A água chegava, en-
tão, ao reservatório construído no final da ladeira Santa Clara, com grandes blocos de 
pedra e rejuntado com óleo de baleia, com volume de 3.600 metros cúbicos, concluí-
do somente em 1909, no Governo Jerônimo Monteiro.
Saturnino de Brito
P a r t e I44
Captação no Córrego Fradinhos e construção de barragem, década 1920
Arrabalde de Vitória: início do século XX Construção da linha adutora do Córrego Fradinho, década 1920
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 45
Descarga da linha adutora do Córrego Fradinhos, década 1920
Planta da Ilha, 1896
Planta de Vitória: projeto do Novo Arrabalde
48 P a r t e I
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 49
s
chafarizes
Capítulo II
Primeira década do século XX – 
Captação das águas na cabeceira 
do Rio Duas Bocas e construção do 
primeiro reservatório da capital 
omente na gestão de Jerônimo de Souza Monteiro (1908-1912), os capixabas de Vi-
tória, depois de longa espera, finalmente conseguiram desfrutar de água encanada 
em suas casas, vinda das cabeceiras do Rio Duas Bocas, a cerca de 16 km, no muni-
cípio de Cariacica. Os serviços prestados pela Diretoria da Viação e Obras Públicas 
estavam sob o comando de Ceciliano Abel de Almeida. Em seu relatório enviado ao 
governador, em 30 de junho de 1909, Abel de Almeida apresentava informações so-
bre os serviços de sua Diretoria, sobretudo, o abastecimento de água.
Como o Executivo estadual criou a Prefeitura Municipal de Vitória, Ceciliano 
Abel de Almeida teve que se desvincular do seu cargo, já que fora nomeado prefeito, 
o primeiro de Vitória, também em 1909. 
Com quatro longos meses de seca, o Governo foi obrigado a adotar medidas em 
tempo hábil para regularizar o fornecimento de água em domicílio, uma vez que os 
poucos chafarizes atendiam 12 mil pessoas.
chafarizesf i M D a e r a D o s
50 P a r t e I
A alternativa emergencial foi contratar o empreendedor Antenor Guimarães por 
cinquenta réis pelo barril de 16 litros. O contratante recebeu a subvenção de 400$000. 
A distribuição era feita em seis pipas até as primeiras horas da noite.
Enquanto isso, as águas das duas nascentes dos morros da Lapa e de São Francis-
co foram captadas e canalizadas em uma caixa na encosta do morro de São Francisco 
para abastecer o Palácio da Presidência, as repartições públicas e algumas casas parti-
culares. O fato ocorreu em agosto de 1908. Quase um semestre depois, em janeiro de 
1909, as duas nascentes secaram. No final da Rua 7 de Setembro, montou-se uma bom-
ba para retirar – de um poço – água não potável para abastecer a caixa do morro de 
São Francisco. O local, hoje, abriga o Arquivo Público estadual. Uma segunda bomba 
foi assentada na Rua General Osório, junto à Escola Modelo, nos fundos de uma casa.
Diante da caótica situação e de acordo com o pensamento do Governo de dotar 
Vitória de um dos serviços mais reivindicados pela população desde 1828, em tom 
animador, Abel de Almeida relatou ao governador:
Felizmente o abastecimento d’água em Vitória já é um fato do qual não 
é lícito se duvidar, e a situação aflitiva da população desaparecerá para 
sempre; os expedientes de bombas e poços que aqui, a maior parte das 
vezes, só dão água insuficiente e de ínfima qualidade, estarão, de todo, 
abolidos. Como espírito-santense e como o mais obscuro dos auxiliares 
do patriótico Governo de V. Exa., só me resta o gratíssimo dever de sin-
ceramente congratular-me com V. Exª. pela próxima realização do me-
lhoramento, que marca, por si só, o fim de uma era de entorpecimento e 
o começo do franco progresso da Capital do nosso estremecido Estado.
O impulso tomou fôlego com os estudos direcionados ao abastecimento de água 
em Vitória. A Companhia Brasileira Torrens já havia iniciado a construção da represa 
Jerônimo Monteiro 
e seus auxiliares
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 51
Barragem no 
Rio Formate
Sul, Km 34, haveria possibilidade de se fornecer 2.400.000 litros em 24 horas ao re-
servatório da cidade. Na altitude de 171,5 metros, a vazão do rio era de 7 metros cú-
bicos por segundo. A confirmação ocorreu em duas fases: outubro daquele ano e ja-
neiro de 1909. Com aquela vazão, evidenciou-se que o Braço Sul não só tinha con-
dição de realizar o abastecimento de água como também de montar a usina elétrica. 
A partir de janeiro de 1909, Abel de Almeida, em companhia de Augusto Fer-
reira Ramos e Raul Ribeiro, visitou outros mananciais, como o Rio Borba, a cerca de 
8 Km de Viana, numa cota de 150 metros, com vazão suficiente para abastecer a ci-
dade. Visitaram também o Duas Bocas. Este foi escolhido para atender a capital, já 
que abastecia a Vila de Cariacica há 15 anos. Mais: com água de qualidade superior 
e facilidade para transportar material pela Estrada de Ferro Vitória Diamantina e a 
baía da Vitória.Outra vantagem: demandava menos desapropriações se comparado 
aos demais rios. Além disso, sua perenidade fora confirmada por informações de mo-
radores que viviam no local, alguns há mais de 100 anos. 
no Rio Formate e de outras obras destinadas ao assentamento de tubos, no final do sé-
culo XIX. Ceciliano visitou o manancial, em 24 de junho de 1908, observou a boa qua-
lidade da água, porém, duvidou da quantidade. Tudo se esclareceu com as informações 
dos moradores antigos, inclusive do proprietário da área onde a represa fora construída.
Em agosto de 1908, Ceciliano visitou o Braço Sul do Rio Jucu e verificou que, 
na altitude de 102 metros, nas proximidades do primeiro túnel da Estrada de Ferro 
52 P a r t e I
Na já citada mensagem ao governador, Ceciliano Abel de Almeida finalizou:
Enfim, já sendo esse rio empregado no abastecimento da Villa de Cariaci-
ca, com resultados esplêndidos, devido à excellência de suas águas, e sendo 
attestada a sua perennidade por pessoas respeitabilíssimas que fornecem 
informações seguras, que remontam há mais de 100 anos, não se pode es-
perar senão, que o seu aproveitamento traga a Victoria todo o beneficio 
que costumam offerecer às populações as águas potáveis de bôa qualidade.
O Rio Santa Maria da Vitória foi descartado porque a altitude necessária para 
abastecer Vitória ficava há mais de 50 km de distância, sem mencionar a necessida-
de de grandes desapropriações. Seria utilizada a Cachoeira da Fumaça, do Santa Ma-
ria, para a instalação da usina elétrica, caso o Braço Sul do Jucu não apresentasse, sob 
muitos aspectos, maiores conveniências.
Enfim, os estudos concluíram que a instalação da usina elétrica seria no Braço 
Sul do Rio Jucu e a captação da água pelo Rio Duas Bocas.
O contrato firmado com Augusto Ramos, em 13 de novembro de 1908, foi ho-
mologado pelo Congresso no dia 16 do mesmo mês. Os objetivos eram executar a 
captação no Braço Sul, alimentar o reservatório com 2.400.000 litros por dia, ou seja, 
27,8 litros por segundo, e manter potência de 400 cavalos elétricos na usina distri-
buidora. Os serviços foram iniciados em 17 de dezembro de 1908.
Com os levantamentos realizados por Abel de Almeida, a captação de água pas-
sava para as cabeceiras de Duas Bocas, denominadas Pau Amarelo, onde o compri-
mento da adutora era menor.
Aditamento de contrato há mais de 100 anos
Decidiu-se pela captação no Rio Duas Bocas e, como medida compensatória pelo 
encurtamento da adutora e pela mudança da captação, estabeleceu-se um adita-
mento, em 6 de agosto de 1909, ao contrato original. O contratado obrigou-se às 
seguintes cláusulas: 
1. Fornecer ao reservatório de distribuição 3.600.000 litros ao invés de 2.400.000 litros. 
2. Abreviar o prazo para o término dos trabalhos.
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 53
3. Levantar a planta topográfica e cadastral da cidade.
4. Fazer a captação no Rio Pau Amarelo a cerca de 3,5 km a montante (antes da bar-
ragem) da atual represa e executada pelo Município de Cariacica.
5. Fornecer 800 cavalos elétricos ao invés de 400.
6. Empregar lâmpadas de 50 velas e focos de 800 velas em substituição às de 32 ve-
las e focos de 500 na iluminação da cidade.
7. Fornecer em duplicata a turbina, a geradora e o transformador.
Em virtude desse aditamento, o Estado concederia ao contratado a utilização 
por 35 anos de 130 Kilowatts, correspondentes à força de 200 cavalos elétricos, sem 
prejuízo da energia elétrica de 800 cavalos, e facilitaria sem prejuízo de seus interes-
ses a montagem e exploração de fábricas ou empresas que utilizassem 130 kilowatts. 
Analisando as condições contratuais daquela época, esse aditivo, se fosse reali-
zado na atual legislação de licitação, dificilmente obteria êxito e a primeira captação 
Represa para usina elétrica no Jucu 
54 P a r t e I
de água para a capital teria sido no Braço Sul do Rio Jucu e não no 
Rio Duas Bocas.
A captação em Duas Bocas, notadamente no Rio Pau Amare-
lo, ficou a montante da captação inicial da Vila de Cariacica. Com 
o desnível de 125 metros aproximados entre a captação e o reserva-
tório da cidade localizado há 16 quilômetros, o diâmetro da aduto-
ra fora dimensionado em 250 mm de aço. Nessa condição, a adu-
tora veicularia 4 milhões de litros em 24 horas. Situação diferente 
foi definida para a travessia da baía de Vitória, em direção ao reser-
vatório, feita em duas tubulações de 150 mm cada, com luva e ros-
ca de construção especial. Já naquela época, utilizavam ventosas, 
registros de parada e descargas. A tubulação tinha proteção asfálti-
ca, com juta alcotroada. As soldas do tubo de 250 mm foram feitas 
com chenulo desfibrado (filasse). Nas travessias aéreas, os pilaretes 
eram de alvenaria de pedra. O reservatório foi dividido em duas câ-
maras. Os tubos para rede de distribuição eram de 250 mm de aço 
e ferro fundido para 8, 6, 5 e 4 polegadas. Para os diâmetros de 3 e 
2 polegadas, utilizou-se o ferro galvanizado.
Em 13 de março de 1909, chegaram da Antuérpia no navio ale-
mão Asuncion, 689 tubos de aço, cinco barricas de asfalto, dois far-
dos de juta, dois barris de bastão de madeira, 18 volumes contendo 
peças de chafariz, 25 sacos de cordas de cânhamo, duas caixas de iso-
ladores e 85 peças de acessórios para os serviços destinados à água e 
à luz elétrica. Em 17 de maio, outro vapor alemão, o Macedônia, tra-
zia mais materiais, incluindo cinco caixas com chumbo para os servi-
ços de tubulação de água.
Tanto o material para os serviços de água quanto de luz foram 
transportados pelas Estradas de Ferro Sul e Vitória Diamantina. Con-
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 55
Navio Asuncion: chegada dos tubos da adutora de 
Duas Bocas para os serviços de água de Vitória, 1909
56 P a r t e I
Primeiros materiais 
que chegaram 
em Victoria para 
serviços de água, 
luz e esgotos, 
fevereiro de 1909
tudo, o transporte dos tubos Mannesmann, de 250 mm, com comprimento varian-
do de 10 a 12 metros, pesando de 500 a 600 quilogramas, foram conduzidos tam-
bém por carros de bois. 
O tubo adutor era todo Mannesmann e tinha quatro trechos principais:
1. Da represa inicial, ou seja, daquela que atendia Cariacica Sede até a atual, projeta-
da no Rio Duas Bocas (Rio Pau Amarelo).
Chegada dos 
tubos da adutora 
de Duas Bocas: 
próximo à ponte 
da Estrada 
de Ferro 
Leopoldina, 1909
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 57
Primeira captação em Duas Bocas para atender 
a Sede de Cariacica, final do século XIX
Filtros de água no Rio Pau Amarelo para abastecimento de Vitória, 1909
58 P a r t e I
Filtros de água para abastecimento de Vitória: Rio Pau Amarelo, 1909
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 59
Rio Pau Amarelo: filtros de água para abastecimento da capital, 1909
Filtros de 
água para 
abastecimento de 
Vitória: Rio Pau 
Amarelo, 1909
60 P a r t e I
Antiga caixa 
de água e 
possíveis 
filtros no Rio 
Pau Amarelo
Passagem do 
encanamento 
de Duas 
Bocas na 
Grota Grande
2. Desse último ponto até Guayamuns.
Caixa de água 
e possíveis 
filtros no Rio 
Pau Amarelo
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 61
3. Travessia do canal (baía de Vitória).
Primeira adutora para o Reservatório de Santa Clara, 1909
Condução de canalização para o Reservatório de Santa Clara, 1909
62 P a r t e I
4. Trecho situado na ilha de Vitória: do canal até o Reservatório de Santa Clara.
Assentamento do encanamento de água para abastecer Vitória, 1909
Rio Duas Bocas: 
serviço de 
assentamento 
do encanamento 
de água para o 
abastecimento 
da capital, 1909
63
Pilar de apoio 
da primeira 
adutora de 250 
mm de Duas 
Bocas, 190964 P a r t e I
O primeiro teste da adutora foi realizado em 9 de julho de 1909 no trecho até 
Guayamuns, quando o reservatório estava quase concluído, assim como a travessia 
da adutora na baía. A rede de distribuição começava a ser implantada.
É interessante comentar o diâmetro, o volume do reservatório e a vazão 
de água para a cidade, definidos pelo engenheiro Ceciliano Abel de Almeida. 
Como o desnível entre a captação e o Reservatório de Santa Clara era de apro-
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 65
ximados 125 metros, e o comprimento da adutora de 16 Km, então, o diâme-
tro compatível para essa condição era realmente o de 250 mm e, consequente-
mente, a vazão a ser veiculada de aproximados 46 litros por segundo. Com isso, 
definiu-se que o volume do Reservatório de Santa Clara seria de 4 milhões de 
litros por dia, ou seja, 4 mil metros cúbicos. Concluindo: os cálculos de enge-
nharia estavam corretíssimos.
Primeira adutora de 250 mm de Duas Bocas: 
chegada ao Reservatório de Santa Clara, 1909
66 P a r t e I
Construção do Reservatório de Santa Clara, 1909
Caixa de água em construção: Reservatório de Santa Clara, 1908
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 67
Reservatório de Santa Clara antes da cobertura, 1909
Construção do Reservatório de Santa Clara: 
parede divisória da caixa de água, 1909
68 P a r t e I
Caixa de água de Santa Clara para abastecimento de Vitória, 1909
Reservatório de Santa Clara com a cobertura
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 69
Os serviços de luz, água e esgoto contratados de Augusto Ferreira Ramos, ini-
ciados em 17 de dezembro de 1908, totalizaram em média 623 trabalhadores entre 
março e julho de 1909. Também atuaram seis engenheiros, seis auxiliares técnicos, 
dois desenhistas e oito auxiliares de escritório.
Os serviços de luz foram inaugurados em 23 de setembro de 1909. O de água 
teve até festa no Morro de Santa Clara, local do reservatório. Chegava, assim, o fim 
da era do abastecimento pelos chafarizes e das tropas de burros fretadas para trans-
portar água pelas ruas, vielas e ladeiras. 
Além dos colégios e repartições públicas, no final do Governo Jerônimo Mon-
teiro, 1.279 casas já eram abastecidas com água encanada.
O centenário da Reserva de Duas Bocas
No dia mundial da água – 22 de março de 2012 – comemorou-se o centenário da 
Reserva de Duas Bocas. Vale registrar também que o Governo Jerônimo Montei-
ro, para proteger a captação e garantir a qualidade e quantidade da água que há três 
anos já atendia Vitória, tomou providências para desapropriar as terras da Reserva 
Biológica (Rebio).
Foi necessária a retirada de moradores que viviam às margens da atual barra-
gem maior que abastece, atualmente, em torno de 45 mil moradores de Cariacica 
Sede e bairros adjacentes. Caminhando 3,5 mil metros até uma antiga barragem 
– construída em 1918 – é possível verificar vestígios de construções no meio da 
mata. Uma área com plantações de jaqueiras demonstram que, no passado, hou-
ve moradores no local.
Ruínas e plantações de jaqueiras na Reserva
70 P a r t e I
Ruínas da fundação de uma construção dentro 
da Reserva Biológica de Duas Bocas, 2012
Reserva Biológica de Duas Bocas: ruínas de um quitungo, 2012
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 71
Um dos tanques auxiliares do primeiro sistema de esgoto de Vitória
Esgotamento sanitário
A conclusão dos serviços de esgoto ocorreu em 29 de janeiro de 1911. Consistia de 
tubos de manilhas, dois poços com estações elevatórias de 30 cavalos de força cada, 
que bombeavam para o Forte de São João, então, área distante da cidade. Um sifão 
colocado em ponto apropriado descarregava o esgoto diretamente no mar, em caso 
de falha no bombeamento. Vale um comentário: como naquela época não existiam 
leis ambientais, não havia punição para crime contra a natureza.
72 P a r t e I
Década de 10 – Um projeto de água para 
Vila Velha: o reservatório do Cercadinho
Havia um porém. Vila Velha precisava ampliar seu abastecimento de água. Por isso, o 
então diretor de Agricultura, Terras e Obras do Estado, Antônio Francisco de Atha-
íde, em 30 de julho de 1910, encaminhou projeto para Jerônimo Monteiro, propon-
do: “A água de Vila Velha será recebida na linha adutora acima do sítio Guaymum, 
passando em Porto Velho e Porto de Argolas e daí pela linha de bondes até aque-
la cidade que prospera.” A proposta foi aceita. Em mensagem à Assembleia Legis-
lativa, de 23 de setembro do mesmo ano, Jerônimo Monteiro informou: “Tomei a 
deliberação de fazer a canalização d’água para a Vila do Espírito Santo pelo Conti-
nente e diretamente do encanamento geral para aquele local, servindo na passagem 
os povoados de Argolas e Porto Velho.” 
Assim, foi construído o reservatório de água para a Sede da cidade no Mor-
ro do Cercadinho.
Região da caixa de água do Cercadinho, Vila Velha
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 73
Caixa de água do Cercadinho, Vila Velha
Qualidade da água do Rio Duas Bocas
Foram analisadas tanto a água de Duas Bocas como a do Jucu, consideradas de boa 
qualidade pelo mestre Daniel Henninger, da Escola Politécnica do Rio de Janeiro. A 
análise foi feita por Theodor Peckolt e Gustavo Peckolt. A água de Duas Bocas apre-
sentou-se límpida, transparente, incolor, sem cheiro e de sabor agradável.
O exame científico não detectou vegetais microscópicos (Dermídeas, Leptorni-
tes, Saprophitas ou outras, muito menos algas brancas) nem bactérias. Revelou-se, 
ainda, que a porcentagem dos elementos da água de Duas Bocas era de água potável, 
segundo o Congresso Internacional de Bruxelas e de acordo com a tabela do Labo-
ratório Municipal de Paris.
74 P a r t e I
A barragem no Rio Pau Amarelo
Outra pequena barragem no Rio Pau Amarelo foi concluída em 1918. Está situada a 
montante e a cerca de 3 Km da barragem maior que foi construída em 1951. Como 
não foi submersa pelas águas represadas da barragem maior, permite visitação públi-
ca com caminhada ecológica muito agradável. 
Barragem de 1918 no Rio Pau Amarelo: vista de frente
Barragem 
no Rio Pau 
Amarelo em 
1918: vista 
lateral 
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 75
1918: ano registrado na parede lateral da barragem no Rio Pau Amarelo
Década de 20 – O Estado arrenda 
os serviços de água e esgotos a uma 
empresa privada e depois os retoma 
1922 – O arrendamento 
Com a crise financeira que o Estado enfrentava, sobretudo, pela queda do preço do 
café, nos anos 1920, todos os serviços públicos ficaram prejudicados, incluindo o 
abastecimento de água. Em 1922, o Estado arrendou serviços essenciais, como água, 
esgoto, energia, bonde e telefone. O que ocorreu? A empresa não conseguiu ampliar 
os sistemas e a população se impacientava com a situação, obrigando o Estado a re-
tomar a responsabilidade dos serviços de água e esgoto.
O engenheiro Florentino Avidos, que governou o Estado de 1924 a 1928, em um 
dos seus relatórios, registrou: “As longas crises que advieram, após a administração 
de 1908 a 1912, não permitiram a construção de obras necessárias para o desenvolvi-
mento de nossa capital e nem, ao menos, a conservação dos grandes serviços de abas-
tecimento de água, esgoto, eletricidade e viação urbana.” 
76 P a r t e I
1925 – A retomada
Em função desse estancamento, em 1925, o Governo voltou a retomar a responsa-
bilidade pelos serviços de água e esgoto. Para isso, criou a Diretoria de Água e Esgo-
tos subordinada à Secretaria de Viação e Obras Públicas. Construiu duas novas bar-
ragens nos rios Bubu e Panelas, além de melhorias na adutora, elevando sua capaci-
dade de produção. Outra adutora foi construída para levar mais águaao Reservató-
rio de Santa Clara. Era de aço Manesmann também com diâmetro de 250 milíme-
tros (10 polegadas), com subtração de três quilômetros. Mais duas travessias subma-
rinas passaram a ser realidade. Com isso, a capacidade quase triplicou: de 3 mil para 
8 mil metros cúbicos diários de água para os moradores de Vitória.
Adutora do Rio Panelas transportada por carros de bois
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 77
Passagem da rede adutora do Rio Panelas em Itanguá
Montagem da rede adutora do Rio Panelas na região de 
Guayamum para travessia submarina na baía de Vitória
78 P a r t e I
Assentamento da rede adutora do Rio Panelas no fundo da baía de Vitória
Adutora do Rio Panelas: travessia submarina 
entre a Ilha do Príncipe e o continente
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 79
Construção da rede adutora do Rio Panelas
Tubos estocados 
na Ilha do 
Príncipe para 
travessia na 
baía de Vitória
80 P a r t e I
Os serviços na tubulação submersa, sempre problemáticos, tiveram uma solu-
ção: com a construção da Ponte Florentino Avidos, a adutora pôde ser transferida 
para ser apoiada na ponte, em 1929. Alguns bairros também passaram a contar com 
serviços razoáveis de água: Jucutuquara, Praia Comprida, Praia do Suá, em Vitória, 
Paul, em Vila Velha, e Campo Grande, em Cariacica.
Adutora do Rio Panelas: travessia no mangue
Construção 
da Ponte 
Florentino 
Avidos: 
passagem da 
rede adutora 
de 500 mm, 
1929
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 81
Cobertura em cimento armado do Reservatório de Santa Clara
Rede de esgoto na 
Capixaba, 1926
Construção da rede de esgoto e drenagem 
na Esplanada Capixaba, 1926
82 P a r t e I
Década de 30 – Estudos e projetos 
da barragem de Duas Bocas 
da nova adutora e do segundo 
reservatório da capital
Ano: 1930. O abastecimento contemplava Vitória e alguns distritos de Vila Velha e 
Cariacica, como já mencionado. O país passava por transformações com a crise que 
culminou na Revolução de 30, na era Vargas. No Espírito Santo, em 22 de novembro 
de 1930, o capitão João Punaro Bley fora nomeado interventor federal. E o abaste-
cimento de água e esgotamento sanitário continuava sendo administrado pela Dire-
toria de Águas e Esgoto da Secretaria de Agricultura, Terras e Obras.
Quatro anos depois, em 1934, a população beirava 48 mil habitantes e a vazão 
média de água distribuída era de 67 litros por segundo, com volume de 5.780 me-
tros cúbicos por dia. Grande parte das tubulações estava em estado precário e, como 
consequência, as perdas do precioso líquido eram elevadas. Se compararmos a vazão 
distribuída de 1910, de 46 litros por segundo que correspondia a 4 mil metros cúbi-
cos por dia, com o início dos anos 30, a nova vazão de 67 litros por segundo aumen-
tou muito pouco, já que houve crescimento populacional e ampliação do atendimen-
to para mais distritos de outros municípios. Pior: o abastecimento tornou-se insufi-
ciente e a população gritava por falta de água. 
Não deu outra: mais uma vez, o Governo do Estado solicitou que a Direto-
ria de Águas e Esgoto realizasse estudos e projetos para atender a demanda neces-
sária. Foi, então, que o engenheiro Renato Leal, colega de turma do secretário de 
Agricultura, Terras e Obras, Augusto Seabra Moniz, entrou em ação. Quem co-
mandava a Diretoria de Água e Esgoto era o engenheiro José Alves Braga. 
Os estudos concluíram que havia necessidade de captação das águas do Ribei-
rão Duas Bocas, após a confluência dos córregos Panelas e Pau Amarelo, e a constru-
ção de uma grande barragem de acumulação. A vazão de regularização da barragem 
foi estimada em 444 litros por segundo.
Prevendo uma demanda maior para o futuro, com projeção para 1966, estudou-
se outro manancial, o Mangaraí, afluente do Rio Santa Maria da Vitória. O Manga-
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 83
raí pertence à sub-bacia vizinha de Duas Bocas. Foram realizados os levantamentos 
topográficos e medições de vazão que apontaram 1.200 litros por segundo em época 
de estiagem, em 1935. Vencendo o divisor de águas do Mangaraí para Duas Bocas, a 
água seria distribuída por gravidade por uma segunda adutora de 20 polegadas (500 
mm), semelhante à primeira. Era o que faltava.
O projeto definitivo previa a desapropriação do restante da área da bacia, a cons-
trução de uma barragem de terra com 17 metros de altura, 200 metros de extensão, 
duas adutoras de 500 mm cada e um reservatório de 4 mil metros cúbicos.
Para a execução dos serviços, em 1935, constituiu-se a Comissão de Obras para o 
Reforço do Abastecimento de Água de Vitória (Coraav) ligada à Diretoria de Água e 
Esgotos. A primeira etapa do projeto teve inauguração em 27 de dezembro de 1936, 
com uma adutora de 20 polegadas (500 mm) de traçado mais curto. O segundo Re-
servatório de Santa Clara, com 4 mil metros cúbicos, ficaria assentado na cota de 57 
metros em área mais elevada que o primeiro reservatório de 1909. A programação 
de obras previa, na sequência, a construção da grande barragem de Duas Bocas, que 
somente foi concluída 15 anos depois, isto é, em 1951.
O traçado mais curto da adutora de 20 polegadas (500 mm) pode ser observado no 
próprio projeto, pois seu traçado era mais retilíneo, parecendo uma tangente. O outro tra-
jeto da adutora de 10 polegadas (250 mm) era mais longo, em curva, formando um “S”.
Reservatório superior de Santa Clara 
84 P a r t e I
Planta do projeto da adutora 
de Duas Bocas, 1936
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 85
86 P a r t e I
A nova adutora tinha extensão total previs-
ta de 17.400 metros, sendo os primeiros 1.400 
metros em tubos de concreto armado de 600 
mm de diâmetro até o dispositivo de quebra
-pressão, e os restantes 16 mil metros em tu-
bos de aço, de diâmetro de 500 mm até o se-
Pilar de pedra para apoio da 
adutora de Duas Bocas (500 
mm) construída em 1936
Adutora de 
Duas Bocas, 
com diâmetro 
de 500 mm, 
1936
Transporte 
dos tubos de 
500 mm do 
Porto para 
Duas Bocas
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 87
Queda da adutora de Duas Bocas de 500 mm na 
travessia do mangue próximo a Porto de Santana
gundo reservatório de Santa Clara. Do total, quase 1.000 metros foram assen-
tados sobre estacas em região de mangue. Estavam devidamente previstas caixas 
de passagem, objetivando não cortar a linha piezométrica, bem como retirar o ar 
da rede e diminuir a pressão estática que, em alguns pontos, chegava a quase 100 
metros da coluna d’água.
Mais tarde, em 1973, a Cesan estudou a remoção de 448 metros de trecho as-
sentado em região de mangue, em Porto de Santana, para um desvio de 798 me-
tros, contornando o mangue. A adutora assentada, em 1936, estava em péssimo 
estado de conservação nesse trecho, oxidada na parte superior e com constantes 
afloramentos de água. Foram observados reparos na rede, como soldas, tarugos 
de madeira e abraçadeiras cegas. A quantidade de tarugos de madeira era coloca-
da porque a rede não suportava mais ser soldada. Também estavam em péssimo 
estado de conservação diversos quadros de concreto para apoio da rede, num to-
tal de 43 confeccionados em concreto armado, e alguns escoramentos simples de 
alvenaria de pedra. As características da adutora, nesse trecho de mangue, eram 
de tubos de 500 mm, confeccionados em chapa de aço de 5/16 polegadas de es-
pessura, sem costura, em barras de 11 a 12 metros de comprimento, com ponta e 
bolsa para chumbação, e assentados sobre quadros de concreto.
A adutora, nesse trecho do mangue que passava por área apoiada em pilare-
tes, acabou caindo devido ao seu péssimo estado de conservação e dos pilaretes 
de apoio. As fotos mostramo acidente:
88 P a r t e I
Queda da adutora de Duas Bocas de 500 mm: 
travessia no mangue próximo a Porto de Santana 
Queda da adutora de Duas Bocas de 500 mm na 
travessia do mangue próximo a Porto de Santana
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 89
Em 2009, a Cesan concluiu a substituição de todo o trecho da adutora de 500 
mm na atual área de influência que diminuiu, estando agora restrita da barragem 
até a região de Cariacica Sede e bairros adjacentes.
Adutora de Duas Bocas substituída em 2009
Na sequência, estava prevista a construção da barragem e, em 1951, a segun-
da adutora de 500 mm. Na projeção para 1966, previa-se a transposição da bacia do 
Mangaraí para Duas Bocas. A barragem foi concluída em 1951. As demais previsões 
não se concretizaram.
90 P a r t e I
Década de 40 – Transferência 
dos serviços de água e esgoto 
para a Prefeitura de Vitória 
Por meio do Decreto 11.012, de 18 de dezembro de 1939, o Governo do Estado 
transferiu para a Prefeitura de Vitória os serviços de água e esgoto. O Executivo mu-
nicipal passou a geri-los somente a partir de 1º de janeiro de 1940. Antes disso, a ad-
ministração estava sob o comando, como já mencionado, do extinto Departamento 
Geral de Agricultura do Governo estadual.
Da forma como foi feita, a transferência não permitia poderes sobre os bens ad-
ministrados. Em 16 de dezembro de 1946, o Estado assinou a doação condicional 
à Prefeitura dos serviços de água e esgoto, reservando para si o direito de promover 
a reversão integral do patrimônio estadual, mas sem o direito de indenizar o erário 
municipal, se essa atitude fosse conveniente.
Durante a administração municipal dos serviços de água, o prefeito e engenhei-
ro Henrique de Novaes (22 de janeiro a 12 de novembro de 1945) iniciou a constru-
ção da barragem de Duas Bocas, cujo volume girava 
em torno de 140 mil metros cúbicos.
O engenheiro Henrique de Novaes nasceu, em 
1884, em Cachoeiro de Itapemirim. Formou-se em 
engenharia pela Escola Politécnica do Rio de Janei-
ro, em 1903. Trabalhou na Diretoria de Obras do 
Estado, na Usina Paineiras, nos serviços públicos da 
Prefeitura de Vitória, além de ter atuado como enge-
nheiro e urbanista. Foi prefeito de Vitória duas ve-
zes, sendo a primeira de 24 de maio de 1916 a 5 de 
janeiro de 1920. Durante seu último mandato, de 22 
de janeiro a 12 de novembro de 1945, deixou a Pre-
feitura para ocupar o cargo de senador da República. 
Engenheiro Henrique de Novaes
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 91
Em Vitória, em 1917, desenvolveu o projeto da Catedral Metropolitana com 
detalhes neogóticos. Prestou serviços no Rio de Janeiro, onde projetou e construiu 
o reservatório do Engenho de Dentro, conhecido, na época, como a “obra mais no-
tável do Brasil em cimento armado”. 
Em Natal, construiu uma barragem com acúmulo de água que se transformou 
em piscina pública. Em agosto de 1921 foi nomeado Diretor de Obras contra as se-
cas no Rio Grande do Norte. Em 1924, convidado pelo governador do Rio Gran-
de do Norte, José Augusto Bezerra de Medeiros, passou a coordenar a então cria-
da Comissão de Saneamento de Natal, quando elaborou o Plano Geral de Obras 
de Saneamento de Natal. 
Henrique de Novaes faleceu em Vitória, em 1950, aos 65 anos de idade.
Retomando a barragem de Duas Bocas, a obra iniciou-se em 9 de julho de 1945. 
Foi concluída em 1951 no Governo Jones dos Santos Neves.
O prefeito e engenheiro José Ribeiro Martins (de 7 de abril de 1951 a 5 de 
maio de 1953) deu a ordem para o enchimento da barragem que, para sua sur-
presa, vazou em vários pontos com jatos violentos. Não há descrição detalhada 
desses pontos de vazamento. Porém, existe relato de carreamento de material só-
lido e um acidente mais grave que ocorreu no maciço, a montante e nas proxi-
midades da ombreira direita. O acidente provocou a formação de uma abertura 
no talude de montante, próximo à crista, além de um escorregamento que pode 
ter sido pelo efeito “piping”. Após obras de recuperação, a barragem apresentou 
novos vazamentos e sua capacidade de produção caiu pela metade, em condições 
de alimentar apenas a adutora de 500 mm construída em 1936. Com isso, a re-
versão do Mangaraí para Duas Bocas e a construção da segunda adutora de 500 
mm jamais aconteceram.
Nas considerações preliminares sobre a barragem realizada pela empresa Enge-
nharia Gallioli Ltda1 , consta: “Não foi construído o muro em seco que figura no 
desenho de outubro de 1934”. Constatou-se, no primeiro enchimento do reserva-
tório, a duvidosa impermeabilidade da barragem reconstruída numa grande parte 
do talude de montante e aprofundada a cortina de montante. Sucessivas manifes-
tações de permeabilidade perigosa da obra obrigaram o rebaixamento do nível da 
1 A Engenharia Gallioli Ltda interpelou o engenheiro Manoel Vivacqua Vieira, da Soletec, anteriormente diretor da 
Koteca, que construiu a barragem e efetuou a primeira reconstrução de parte do maciço a montante.
92 P a r t e I
água, dinamitando parte da estrutura do vertedouro e, repetindo, a permeabilidade 
perigosa, o nível foi rebaixado ainda mais para reduzir a acumulação de água num 
volume quase insignificante.
Os rios abastecedores da barragem são o Pau Amarelo, Panela, Nanhu-Açu, Bi-
quinha e Sertão Velho. A área de drenagem na seção da barragem é de aproximada-
mente 30 Km². A bacia hidrográfica do Rio Duas Bocas, afluente do Santa Maria da 
Vitória, já nas proximidades da baía de Vitória é de aproximadamente 85 Km². A 
Reserva Biológica de Duas Bocas foi criada pela Lei nº 4503, de 2 de abril de 1991.
Consta na placa ainda existente em Duas Bocas: “Construção iniciada em 09-
07-1945 na interventoria Jones dos Santos Neves continuada nas administrações 
Octaviano Lengruber Aristides Campos, Moacir Ubirajara, Carlos Fernando 
Monteiro Lindenberg e José Rodrigues Sette, sendo concluída a 8 de setembro 
de 1951 como parte das comemorações do IV centenário da fundação de Vitó-
ria sob o Governo do Dr. Jones dos Santos Neves.”
Planta do projeto da tomada de água de Duas Bocas
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 93
Planta do projeto da fundação e ferragem da tomada de água de Duas Bocas
Barragem de Duas Bocas antes do enchimento, 1951
94 P a r t e I
Tulipa (tomada de água e estravazor) da barragem de Duas Bocas
Monumento 
de inauguração 
da barragem 
de Duas 
Bocas, 1951
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 95
Placa de 
inauguração do 
Governo do Estado: 
barragem de Duas 
Bocas, 1951
Placa de inauguração 
da Prefeitura de 
Vitória: barragem de 
Duas Bocas, 1951
96 P a r t e I
Com a construção da barragem de Duas Bocas, algumas das menores e primiti-
vas barragens ficaram submersas. Curiosamente na década de 1980, com o rebaixa-
mento em nível crítico da água ocorrido em épocas de estiagem foi possível ver uma 
das barragens do Rio Pau Amarelo. A foto, a seguir, mostra esta barragem que em 
condições normais fica submersa.
Barragem submersa no Rio Pau Amarelo que 
apareceu em época de grande estiagem, 1986 
Atendendo ao Decreto 5.929, de 23 de fevereiro de 1935, foi prevista uma insta-
lação completa para cloração das águas de Duas Bocas. Outro fato significativo é que 
a adutora de 500 mm foi totalmente substituída por outra de diâmetro de 400 mm no 
trecho da barragem até as imediações de Cariacica Sede. A conclusão aconteceu em 
2009. Á área de influência de abastecimento de Duas Bocas que anteriormente ia até 
Vitória, com a expansão urbana, hoje atende a Sede de Cariacica e bairros adjacentes.
97
Década de 50 – Reversão e transferência 
dos serviços públicos de água e esgotos 
da Prefeitura de Vitória para oEstado. Criação do Departamento 
de Água e Esgoto (DAE)
Plano de emergência – Captação no Rio Marinho e construção da Estação de Tra-
tamento de Água no morro de Cobi 
Diante da crítica situação, o Governo do Estado recorreu ao Departamento Nacional 
de Obras de Saneamento (DNOS), onde se realizou um Plano de Emergência para 
abastecer Vitória de água potável. Como ações principais foram construídos o canal 
de adução do Rio Marinho, a estação elevatória de água bruta no Marinho e a Estação 
de Tratamento no Alto de Cobi, na altitude de 68 metros. Em seguida, houve desvio 
da adutora de 500 mm de Duas Bocas para a Estação de Tratamento de Cobi. A cons-
trução da ETA iniciou-se, em 1952, no Governo de Jones dos Santos Neves, e termi-
nou em 1956, na gestão de Francisco Lacerda de Aguiar. A captação, após a inaugura-
ção da ETA de Cobi, passou a ser realizada através do Rio Marinho, em Vila Velha, que 
permitia uma vazão de cerca de 440 litros por segundo de água tratada. O projeto da 
ETA foi elaborado pela empresa Permutit Water Co. Constava basicamente do canal 
de chegada da água com chicanas para mistura dos coagulantes, dosadores, duas unida-
des de precipitação e decantação, além de quatro unidades filtrantes com leito de areia.
Antiga 
casa das 
motobombas no 
Rio Marinho
98 P a r t e I
Construção da Estação de Tratamento de Água de Cobi
Parte da área onde foi construída a ETA no lugar denominado Cobi, antigo 
“Paul do Bosque”, foi adquirida de Verino Caus e Domingos Caus, herdeiros do 
italiano Giuseppe Andrea Cauz. A área desapropriada dos Caus era de 5.014,00 
metros quadrados. A área complementar, de 5.347,70 e 2.028,80 metros quadra-
dos, foi adquirida respectivamente de Otacílio Coser e da viúva, Maria Lyra Sarmen-
to, e filhos. A área foi desapropriada por utilidade pública, na conformidade do De-
creto 3.125, publicado no Diário Oficial de 14 de julho de 1957. Consta na escri-
tura de desapropriação, de 19 de julho de 1957, o valor e a área do terreno adquiri-
do pelo Estado de Verino Caus e Domingos Caus: 
[...] pelo valor de CR$ 501.400,00 (quinhentos e um mil e quatrocentos 
cruzeiros), cujo pagamento será feito da forma seguinte: CR$ 101.400,00 
recebida no ato e da qual os outorgantes dão aos outorgados plena e geral 
quitação e, os restantes, CR$ 400.000,00 em 4 notas promissórias emi-
tidas nesta data pela Contadoria Geral do Estado em favor dos mesmos 
outorgantes, com vencimentos para 15 de agosto de 1957, 14 de setem-
bro de 1957, 14 de outubro de 1957 e 13 de novembro de 1957. Carac-
terísticas do imóvel: metade de um terreno próprio, sito em Coby, an-
tigo Paul do Bosque, Município do Espírito Santo, terreno representa-
do por uma faixa, medindo 5.014,14 m² (cinco mil e quatorze metros 
quadrados) e que se limita ao sul com terrenos de Ângelo Caus e a les-
te com Otacílio Coser.
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 99
Planta do projeto de desapropriação da área da ETA de Cobi
Desativação do dispositivo de quebra-pressão 
da Ladeira Grande em Duas Bocas
O antigo morador e proprietário de terras em Duas Bocas, Jurandir Coutinho Ribeiro, 
confirmou que uma tubulação de manilha de concreto armado vinda da captação de 
Duas Bocas seguia até um dispositivo de água situado na Ladeira Grande, passava na 
propriedade do seu pai, que atualmente é sua. A área é vizinha à barragem. A entrevista 
nos foi concedida em 8 de fevereiro de 2012.
O dispositivo situado na Ladeira Grande tinha a função de “quebrar” a pressão da 
água vinda de Duas Bocas, uma vez que as pressões nos pontos baixos da adutora seriam 
muito elevadas. A água era transportada da tomada de Duas Bocas até o dispositivo 
100 P a r t e I
de quebra-pressão na Ladeira Grande por uma tubulação de manilhas de concreto 
armado, com cerca de 1.400 metros de comprimento. A água descia pelo dispositivo 
de quebra-pressão e era recolhida, no final do seu trajeto, por uma caixa de onde a água 
seguia para as adutoras de 500 mm e 250 mm. Com a desativação do quebra-pressão, foi 
construída uma rede adutora de diâmetro de 600 mm, em ferro fundido, para interligar 
diretamente as redes de 500 e 250 mm, situadas no final da Ladeira Grande. A infor-
mação é de Antônio Bessa, aposentado da Cesan e operador da adutora de Duas Bocas 
desde 1959, época do antigo DAE. A entrevista foi realizada em 10 de abril de 2012.
Com a construção da ETA de Cobi na cota de 68 metros, ou seja, acima do 
Reservatório de Santa Clara, precisava-se aumentar a pressão na rede de 500 mm 
que foi estendida até a ETA. Para isso, se fez necessário desativar o dispositivo de 
quebra-pressão na Ladeira Grande e fazer a tomada diretamente na barragem de 
Duas Bocas. Esta desativação foi realizada na época da transição do sistema de água 
da Prefeitura de Vitória para o DAE.
No relatório de 1965, o engenheiro José Augusto Netto Souto, então diretor 
Dispositivo de quebra-pressão na Ladeira Grande a 
cerca de 1,4 km abaixo da barragem de Duas Bocas
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 101
geral do DAE (atuou de outubro de 1964 a dezembro de 1965), comentou: “Em 
decorrência da construção da Estação de Tratamento de Cobi, em 1956, foi desviada 
a adutora de 20 polegadas (500 mm) de Duas Bocas para o alto de Cobi, na cota 
de 68 metros, e em consequência do aumento de pressão na adutora e fechamento 
das duas chaminés de equilíbrio, da construção inicial, bem como do dispositivo de 
aeração da água na Ladeira Grande, foram danificados vários maciços de ancoragem 
das deflexões da adutora e prejudicada a qualidade da água de Duas Bocas por falta 
de aeração, já que procede de grande acumulação.”
Outro fato relatado por Antônio Bessa diz respeito à manutenção da adutora de 
Duas Bocas de 500 mm. Segundo ele, a adutora já estava em estado precário e que a 
cada 3 mil metros havia um empregado responsável por sua fiscalização e acompa-
nhamento de manutenção. Bessa comentou ainda que os vazamentos muitas vezes 
eram corrigidos com tarugos de miolo de madeira camará. A rede de 250 mm foi, em 
seguida, desativada por causa da rugosidade interna, já que não trazia mais a vazão 
do projeto original e, sim, somente 20 litros por segundo.
Caixa no final do dispositivo de 
quebra-pressão na Ladeira Grande
102 P a r t e I
Manilha de concreto armado 
de 600 mm que transportava 
água de Duas Bocas até 
o dispositivo de quebra-
pressão na Ladeira Grande
Travessia para apoio da manilha 
de 600 mm que transportava 
água de Duas Bocas até 
o dispositivo de quebra-
pressão na Ladeira Grande 
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 103
Vazamentos na adutora de Duas Bocas 
corrigidos com tarugos de madeira 
Reversão e transferência dos serviços
Vitória, Palácio Anchieta, 3 de maio de 1958. A data sela outro divisor de águas. O 
que ocorreu? O Serviço de Água e Esgoto da Prefeitura de Vitória retorna à autarquia 
estadual como Departamento de Água e Esgoto (DAE), pela lei nº 1.374, sancionada 
pelo governador Francisco Lacerda de Aguiar, em 30 de dezembro de 1957.
O ato solene contou com a presença do tabelião do Cartório do 4° Ofício de 
Notas, Wlademiro da Silva Santos; Francisco Lacerda de Aguiar, representando o 
Governo do Estado; Mário Gurgel, representante da Prefeitura Municipal de Vitória; 
e Jonas Hortélio da Silva Filho, designado pelo Departamento de Água e Esgotos, e 
das duas testemunhas, Alberto de Oliveira e Setembrino Pelissari, para a solenidade 
da reversão e transferência dos serviços públicos de água e de esgoto para o Estado. 
Também assinaram o documento Rômulo Finamore, Kleber J. C. Guimarães e Rubens 
Rangel. Foi publicado na Secretaria do Interior e Justiça do Estado do Espírito Santo 
pelo diretorda Divisão de Interior e Justiça, Milton Caldeira.
104 P a r t e I
Criação do Departamento de Água e Esgotos (DAE) 
Por que esse serviço tão essencial retornou à gestão do Executivo estadual? Simples: 
houve o desmembramento dos municípios de Vila Velha e Cariacica, porém, na 
prática, eles dependiam da Prefeitura de Vitória, ferindo assim suas autonomias. 
Além disso, as peças principais dos sistemas estavam situadas nas cidades desmem-
bradas. Sentindo de perto a gravidade do problema e percebendo que a Prefeitura 
de Vitória não tinha condições de arcar com tamanha responsabilidade, o Governo 
do Estado decidiu retomar os serviços. Para isso, criou o Departamento de Água 
e Esgoto (DAE). 
Os trabalhos da Comissão de Recepção dos Serviços, criada pelo Governo 
do Estado, e todos os demais atos iniciais do DAE acabaram prejudicados pela 
reação dos responsáveis pela municipalidade da capital, que arrecadava as taxas que 
cobrava pela exploração dos serviços, embora não aplicasse no melhoramento dos 
serviços. Mais: a Prefeitura de Vitória não arcava totalmente com o pesado ônus 
do tratamento da água realizado com a cooperação e a administração do Executivo 
estadual, já que a Estação de Tratamento de Cobi era gerida pelo Departamento 
Estadual de Saúde.
Para criar o DAE, o 
Governo espelhou-se nos 
exemplos de outros grandes 
Estados, como São Paulo, 
Rio Grande do Sul, Bahia, 
Pernambuco e Rio de Janeiro. 
Foi nomeado como primeiro 
diretor o engenheiro Jonas 
Hortélio da Silva Filho, que 
permaneceu no cargo de mar-
ço de 1958 a março de 1964. 
Na sequência assumiram o 
interventor capitão Ricar-
do Gianordolli (de março 
a setembro de 1964); José 
Jonas Hortélio da Silva Filho, 
primeiro diretor do DAE
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 105
Augusto Netto Souto (de outubro de 1964 a dezembro de 1965) e, por último, 
Gladstone Hoffmann (de janeiro de 1966 a dezembro de 1967).
A lei que criou o DAE permitiu a nomeação, em caráter efetivo, de 14 funcio-
nários, dos quais 11 já eram antigos servidores do Estado; três foram transferidos 
da Prefeitura de Vitória (por força da lei de criação do Departamento) e outros 51 
puderam ser admitidos. Os operários, no final do ano, totalizavam 194 servidores.
Pouco depois, criou-se o Conselho Estadual de Água e Esgotos (CAE), em 9 
de abril de 1958, que teve como primeiro presidente e diretor o sanitarista do DAE, 
Jonas Hortélio da Silva Filho. Os demais membros foram: Elmo Luiz Campos Dall’ 
Orto, Américo de Oliveira, José Rebouças, Irineu Rodrigues, Cristiano Ferreira Fra-
ga, Olegário Ramalhete. A Resolução nº 6, de 13 de setembro de 1958, estabeleceu 
que a jurisdição do DAE fosse estendida a todo o Estado e aqueles sistemas de água 
e esgotos construídos pelo Executivo estadual que não estivessem transferidos aos 
municípios, passariam a ser patrimônios do DAE. 
Nova adutora de 500 mm: trecho Sotema a Cobi de 2.600 metros
106 P a r t e I
O antigo trecho de 20 polegadas (500 mm), construído em 1936, continuava 
ainda como única rede alimentadora para abastecimento de Vitória, mas era total-
mente insuficiente em virtude do permanente crescimento da demanda.
1958 – O primeiro ano de atuação do DAE
A importância da Estação de Tratamento de Água de Cobi
A problemática da água não se restringia ao território capixaba. Era uma questão 
nacional. O próprio presidente da República, Getúlio Vargas, em 1952, criou uma 
comissão constituída por técnicos de alto nível para estudar a situação das populações 
das cidades do interior e solucionar o problema de abastecimento de água.
As conclusões do relatório técnico evidenciaram as enfermidades ligadas à falta 
dos serviços de água e esgotos: 
A vida das pessoas que contraem enfermidades de origem hídrica é, em 
média, vinte e cinco anos mais curta que a do resto da população; além 
da morte prematura e da redução da capacidade de trabalho, as molés-
tias intestinais obrigam os doentes a longos períodos de inatividade, afe-
tando, dessa forma seu potencial de produção, representando perdas eco-
nômicas diretas consideráveis, às quais devem ser adicionadas as despe-
sas com assistência médica, farmacêutica e hospitalar; estatísticas ela-
boradas, pelo Ministério da Educação e Saúde revelam que é superior 
a 90% a incidência de moléstias intestinais nas cidades desprovidas do 
serviço de água; o confronto das taxas de mortalidade, antes e depois da 
realização de tais serviços, não deixam a menor dúvida sobre o que eles 
representam em vidas poupadas; é necessário também notar que o cus-
to da água de má qualidade consumida na maioria das cidades brasilei-
ras representam, segundo estimativas do Sesp, no mínimo, cinco vezes 
mais do que seria despendido com a utilização da água de um sistema de 
abastecimento público.
Quem confirmou as conclusões do relatório da Comissão foi o pediatra Jolindo 
Martins, médico do Departamento Nacional da Criança, com atuação em Vitória. 
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 107
Ele apresentou artigo científico na primeira reunião anual da Associação Médica 
do Espírito Santo, comprovando que, durante 1950 a 1957, ocorreram 13 óbitos 
entre as lactentes em Vitória por disenteria e 582 por gastroenterite, totalizando 595 
óbitos diretamente ligados à desidratação. De todas as causas de óbitos em crianças 
de menos de um ano, 31,9% foram causados por desidratação, segundo Jolindo. A 
pesquisa foi apresentada, em Vitória, em outubro de 1958. O pediatra também se 
referiu à “importância bioestatística e social de desidratação.” 
Quase invariavelmente a relação entre a queda ou a elevação da mortalidade infan-
til está diretamente ligada à mortalidade por desidratação. Jolindo Martins afirmou: 
Observe-se que, quando em 1957, graças ao funcionamento do modelar 
serviço de água do Cobi, as gastroenterites e disenterias acusaram seu mais 
baixo nível, isso se refletiu imediatamente na curva da mortalidade infan-
til, que acusou o mais baixo coeficiente de nossa história (95,6 por 1.000).
Os problemas iniciais encontrados pelo DAE
No seu primeiro ano de atuação, o DAE não pôde dar a devida atenção aos municí-
pios do interior do Estado, pois ainda estava se organizando e ganhando experiência. 
A ação do DAE, ao longo de 1958, restringiu-se às cidades de Vitória, Vila Velha e 
Cariacica, já que o Estado não contava com recursos ou financiamentos federais. Os 
serviços correram por conta do Governo estadual.
Como já mencionado, os projetos e obras eram realizados antes da criação do 
DAE pelo setor de Engenharia Sanitária do Departamento Estadual de Saúde, órgão 
que não estava, por sua natureza, preparado para tal. Os serviços concluídos eram 
passados para as prefeituras que não tinham recursos nem meios técnicos para a 
operação e a manutenção dos serviços de água.
A tabela a seguir mostra a situação, em 1957, do abastecimento de água encanada 
nas zonas urbanas e suburbanas das cidades do Espírito Santo. O levantamento foi 
realizado pelo Departamento Estadual de Estatísticas.
Observa-se que nos três municípios – Vitória, Vila Velha e Cariacica – onde o DAE 
já atuava diretamente, mais de 60% da população gozavam do benefício da água tratada. 
108 P a r t e I
Dos 38 municípios recenseados, somente 11 possuíam serviços de água em suas sedes. 
De 950.856 habitantes do Estado, apenas 13% da população recebiam água não poluída.
Apesar de as ações iniciais de 1958 se restringirem aos municípios de Vitória, 
Vila Velha e Cariacica, os trabalhos já realizados permitiram ganho de experiên-
cias e demonstraram que a solução mais acertada seria a centralização num órgão 
autárquico como o DAE.
Logo no início das suasatividades, o DAE recebeu C$ 1.500.000,00 para as des-
pesas de organização e instalação. Porém, o valor não foi suficiente nem para cumprir 
Situação do 
abastecimento 
de água no 
Espírito Santo 
em 1957
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 109
o mínimo de sua função. O estado precário dos serviços e a desorganização técnica 
e administrativa exigiram muito empenho do novo órgão que utilizou somente a 
arrecadação diária de taxas que, por sua vez, era deficitária para a realização de obras. 
O número de ligações clandestinas era incalculável. 
Enfim, veio o represamento do Córrego Duas Bocas, com a premissa da alta 
purificação das águas armazenadas. Para tanto, o Governo do Estado e a Pre-
feitura de Vitória desapropriaram as terras com as respectivas benfeitorias da 
bacia hidrográfica para desalojar os proprietários e os colonos. Tudo para evitar 
a contaminação da água. Acontece que os proprietários foram indenizados, mas 
a Prefeitura não providenciou a retirada dos moradores e deixou que outros lá se 
estabelecessem. Com isso, demonstrou-se por exames do Departamento Estadu-
al de Saúde que as águas servidas às populações de Vitória e circunvizinhanças 
estavam sendo contaminadas.
O DAE, ao receber os serviços de volta da Prefeitura, encontrou 23 famílias de co-
lonos residindo em terras da bacia desapropriada, explorando os cafezais como meeiros 
da municipalidade. A contaminação foi equacionada com a construção da ETA de Cobi.
A barragem de Duas Bocas, mesmo após a sua reconstrução, tornou a ruir, não 
suportando o armazenamento pleno.
Quanto ao Rio Marinho, a vazão do manancial era mais do que suficiente para 
atender a demanda, só que apresentava problema de penetração da água do mar. O 
sistema, em 1958, compreendia uma estação elevatória com 4 conjuntos motobom-
bas que bombeavam até 36 milhões de litros por dia; uma usina diesel-elétrica com 
dois geradores, com capacidade total de 720 HP; e um canal adutor com comportas 
automáticas construídas pelo DNOS. 
As adutoras de Duas Bocas, de 250 mm (10 polegadas) e 500 mm (20 polega-
das), veiculavam no máximo 250 litros por segundo. A rede de 250 mm, em 1958, já 
tinha quase 50 anos e estava em péssimo estado de conservação. Transportava apenas 
aproximados 20 litros por segundo. Com o abastecimento a contento feito pelo Rio 
Marinho, essa adutora foi desativada. A outra de 500 mm passou, então, a veicular o 
máximo de 230 litros por segundo.
A necessária obra de ligação da Ladeira Grande para retirar o quebra-pressão, 
aumentou em cerca de 45% a capacidade de transporte em meados de 1957. A reali-
zação foi da Prefeitura de Vitória, com recursos do Governo do Estado.
110 P a r t e I
As travessias da adutora de Duas Bocas sob as linhas férreas e no pátio da CVRD 
apresentavam constantes problemas de acidentes e vazamentos. A adutora de 32 pole-
gadas de diâmetro, que ligava o sistema Marinho à Estação de Cobi, estava conectada 
à de Duas Bocas no início da subida, formando, dessa forma, uma só adutora. 
A Estação de Tratamento de Cobi funcionava ininterruptamente desde agosto 
de 1957, aduzindo para as redes um volume médio diário de 22 milhões de litros. Sua 
construção era de característica moderna e das melhores até então construídas para tratar 
dois tipos de águas diferentes dos rios Duas Bocas e Marinho. A principal inovação foi 
o decantador mecânico, escolhido pela pouca área de cota suficiente e o sucesso que 
conquistou em outros países com piores condições de mão de obra. O Espírito Santo foi 
pioneiro nessa tecnologia. Os 14 meses de operação confirmaram o acerto da escolha.
O setor de distribuição era bastante precário e o principal problema do siste-
ma. As redes transferidas ao DAE, em sua quase totalidade, ainda eram as mesmas 
desde a implantação do sistema em 1909. Os diâmetros permaneciam insuficientes 
e obstruídos. A expansão realizada pela Prefeitura, de pequena monta, utilizou ferro 
galvanizado que apresentava problemas de incrustações, além de redes de meia pole-
gada. A proliferação de loteamentos gerou entraves de toda ordem.
Dos reservatórios transferidos ao DAE, apenas os de Santa Clara estavam em bom 
estado de conservação, porém, com volumes insuficientes. O de Vila Velha, além do 
pouco volume, estava mal localizado. Os demais já estavam abandonados há muito 
tempo, em ruínas e em terrenos invadidos.
As redes de esgotos existentes, em Vitória, eram as mesmas da época de Jerônimo 
Monteiro, indo de Caratoíra até o Forte São João. Nada foi construído até o DAE 
assumir o sistema. Ainda foram retiradas as elevatórias de São Miguel e da Rua do 
Comércio. Para piorar, as redes de esgoto foram misturadas às de drenagem pluvial, 
trazendo transtornos de obstrução, transbordamentos e mau cheiro na cidade.
As realizações no primeiro ano do DAE
O atendimento foi estabelecido como prioridade inicial, já que exigia mais urgência à 
normalização dos serviços e à realização de obras inadiáveis para minorar os problemas, 
forma de evitar a repetição da situação quase catastrófica da falta de água de 1952 a 1954.
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 111
De abril a dezembro de 1958, dentre os principais serviços, o DAE realizou:
 ~ Reversão dos serviços da Prefeitura para o Departamento.
 ~ Novas tomadas com aumento de pressão e vazão das seguintes redes: Cariacica; 
Itanhenga; Itanguá; Porto de Cariacica; Tabajara; Santana; Hospital Adauto 
Botelho; Porto Novo; Itacibá; Sotema; Jardim América; Itaquari; e Porto Velho.
 ~ Execução de vários reparos na adutora de Duas Bocas e reforma da rede de 
água de Porto Novo.
 ~ Construção de três reservatórios de emergência nas localidades de Goiabei-
ras, Morro do Bonfim e Alagoano.
 ~ Desobstrução das redes de água dos seguintes logradouros: em Vila Velha, 
ruas Araribóia, P. Lima, 15 de Novembro, Antônio Ataíde, Vasco Coutinho, 
23 de Maio, Pedro Palácios, Praça da Bandeira e Henrique Moscoso. E, em 
Vitória, em diversas ruas em Santo Antônio, Praia Comprida e Praia do Suá.
 ~ Construção de 14 redes de esgoto nas ruas Barão de Monjardim; Uru-
guai; Bernardino Monteiro; José de Anchieta; Praça Costa Pereira; Vin-
tém; Cleto Nunes; 23 de Maio; General Osório; Parque Moscoso; Quin-
tino Bocaiúva; Barão de Mauá; Pinto Homem de Azevedo; e Soldado 
Apolinário dos Reis.
 ~ Execução de 609 ligações de água, 58 novas ligações de esgotos, 87 mudan-
ças de derivação, substituição de 27 tubos de derivação e 3.169 atendimen-
tos de reclamação.
 ~ Recuperação de 11 mil metros de redes da antiga adutora de Duas Bocas, 
constando de limpeza, soldagens e proteção asfáltica.
 ~ Construção de 2.600 metros da subadutora de 10 polegadas para Vila Ve-
lha e Praia da Costa.
 ~ Construção de 5.120 metros de redes de 10 polegadas para a Zona Norte, 
totalizando 7.144 metros, aliviando a antiga rede de 10 polegadas da Praia 
de Santa Helena que servia 1.500 famílias.
112 P a r t e I
 ~ Nova tomada do aumento de pressão de 
Paul, Argolas, Glória e Aribiri.
 ~ Início da rede de 10 polegadas para trans-
portar água tratada aos bairros de Jardim 
América e Itaquari, já tendo sido cons-
truídos 520 metros, com possibilidade 
de aproveitamento da antiga rede de 3 
polegadas que seria aplicada em Campo 
Grande.
 ~ Nova tomada em 10 polegadas para refor-
ço da rede que serve Cobilândia, Alvora-
da e Alecrim.
 ~ Reforço com interligação das redes de 10 
e de 4 polegadas para a parte alta de San-
to Antônio.
 ~ Início da instalação de rede composta por 
10 hidrantes para prevenção contra incên-
dios da Zona Centro da cidade.
 ~ Adaptação da antiga elevatória de esgotos, 
situada à Rua Gonçalves Dias.
 ~ Levantamento do cadastro imobiliário, 
totalizando4.133 prédios.
 ~ Levantamento e registro dos bens patri-
moniais.
 ~ Projetos diversos de redes.
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 113
Adutora da Praia 
de Santa Helena 
de 8 polegadas
Foram elaborados também an-
teprojetos de construção de grandes 
reservatórios e subadutoras tanto para 
Vitória quanto para Vila Velha e Ca-
riacica. Os objetivos eram normalizar 
os serviços e preparar a cidade para o 
crescimento demográfico e o surto in-
dustrial que se prenunciava, com a ins-
talação de indústrias, como a Cia Ferro 
e Aço, de Vitória, Braspérola, Siderúr-
gica de Vitória, fábrica de papel etc.
Não foi possível elaborar um 
projeto de esgotamento sanitário 
para corrigir a grande deficiência pelo 
custo dos investimentos que a autar-
quia não tinha condições de arcar. 
Também seria necessário um estudo 
do comportamento das correntes ma-
rinhas da baía de Vitória.
114 P a r t e I
Departamento 
de Água 
e Esgoto: 
torneiras 
públicas, 1959 
Evento comemorativo
DAE: comemoração dos 6 mil 
metros de redes assentadas, 1960
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 115
De 1960 a 1967 – Atuação do 
Departamento de Água e Esgoto (DAE)
Em 1962, o diretor do DAE, Jonas Hortélio da Silva Filho, publicou um relatório 
definindo as obras necessárias para a solução definitiva do abastecimento de água de 
Vitória, Cariacica e Vila Velha. Já sinalizava que o manancial a ser aproveitado deveria 
ser os rios Jucu e o Duas Bocas. A vazão esperada com a captação do Rio Jucu era de 
1,23 metros cúbicos por segundo. O DNOS forneceu o valor de 10,8 metros cúbicos 
por segundo como vazão mínima do Jucu. Quanto ao manancial de Duas Bocas, 
estimava-se captar 400 litros por segundo, de acordo com os estudos hidrológicos. A 
vazão esperada desses dois mananciais, somando 142.600 metros cúbicos por dia (1,63 
metros cúbicos por segundo), superava a demanda necessária da população estimada 
em 129 mil metros cúbicos por dia (1,49 por segundo), considerando um consumo 
per capta de 330 litros diários, e um coeficiente de 1,25 para o dia de maior consumo. 
Quanto ao Rio Santa Maria, Jonas Hortélio previu o futuro aproveitamento em 
função do crescimento populacional ou consumo industrial de monta, por meio de 
obras de captação próximas à localidade de Capitania, longe da influência da maré. 
A água seria recalcada por uma adutora de 1.000 mm de diâmetro e comprimento 
aproximado de 19 km até a ETA de Cobi.
Como se observa hoje, a previsão do engenheiro Jonas Hortélio de utilizar o 
Duas Bocas e, na sequência, os rios Jucu e o Santa Maria, estava correta. Com o Jucu, 
aconteceu a captação em 1977 e, com o Santa Maria, em 1983. A única diferença é 
que o Santa Maria da Vitória alimentou a Estação de Tratamento em Carapina (na 
Serra) e não a ETA de Cobi (em Vila Velha).
Quanto às obras imediatas, o engenheiro previu: captação no Jucu no início da 
Vala Neves, onde não mais se fazia sentir a influência da cunha salina; canal adutor 
destinado a levar água ao poço de sucção na Casa de Bombas; Casa de Bombas com 
quatro conjuntos de motobombas centrífugas e uma de reserva, tendo cada uma 600 
HP, e recalcando 300 litros por segundo cada, com altura manométrica de 100 mca 
(metro de coluna de água); adutora até a ETA de Cobi com dois trechos, sendo o 
primeiro com recalque até um reservatório intermediário e, o segundo, por gravidade 
daquele ponto intermediário até a referida ETA; ampliação da ETA de Cobi com 
116 P a r t e I
mais dois decantadores e mais oito filtros; construção de reservatórios em Vila Velha, 
Paul, Cobilândia, Jardim América, Santo Antônio e Praia Comprida; ampliação 
do reservatório inferior de Santa Clara assentado na cota de 45 metros; reforma 
das redes de distribuição da Zona Norte, Centro, Vila Velha, Ataíde, Glória, Paul e 
Jardim América; construção de nova barragem em concreto ciclópico no manancial 
de Duas Bocas a jusante da barragem existente; construção de uma nova adutora de 
800 mm em ferro fundido, ligando a nova barragem de Duas Bocas à ETA de Cobi. 
Sobre Duas Bocas, informação importante foi feita pelo engenheiro Elmo Luiz 
Campo Dall’ Orto, primeiro ex-conselheiro do DAE e ex-diretor do DNOS: 
Em 1960, ocorreu uma grande e excepcional enchente no mês de mar-
ço, ocasião em que o nível da barragem de Duas Bocas estava subindo 
rápido e assustadoramente. Numa atitude corajosa, o engenheiro Jonas 
Hortélio, então diretor do DAE, autorizou a execução da abertura emer-
gencial de um grande orifício (buraco) na parte lateral da tulipa e mais 
abaixo do vertedouro para que a água extravasasse em uma cota abaixo 
do vertedouro (sangradouro), pois a descarga de fundo não conseguia 
esgotar a vazão afluente e a subida do nível da água na barragem amea-
çava o rompimento da mesma. A abertura foi feita com explosivos (di-
namites) colocados na parede da tulipa voltada para o reservatório. Para 
fazer esse trabalho, estavam presentes Jonas Hortélio, Elmo Luiz Cam-
po Dall’ Orto, e um técnico do Exército, especialista em dinamite. Nes-
se enorme rombo feito na parede, a água passou a verter. 
O engenheiro Helder Faria Varejão, ex-empregado e ex-diretor técnico da Cesan, relatou: 
Em 1969, por ocasião de uma grande enchente, estava ocorrendo o rom-
pimento da barragem próximo ao centro da mesma. Naquela ocasião, 
contou com a ajuda do DER, por meio do Sr. José Carlos Pereira Neto, 
que auxiliou nas intervenções de emergências com a utilização de má-
quinas para fechar a abertura que ameaçava romper a barragem. Foram 
lançados além de terras, bagaços de cana, bananeiras, vegetação, enfim, 
tudo que era possível. Posteriormente, o engenheiro Benedito Andra-
de aumentou a abertura do buraco para dar maior vazão nas enchentes. 
Também rebaixou e retificou a base do buraco em forma de um vertedor. 
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 117
Nas fotos é possível ver essa modificação no buraco. 
A cota do vertedor original do projeto, no nível máximo, era de 190,50 metros. 
Após a abertura do orifício extravasor, passou a verter a água na cota de 184,43 
metros na sua borda inferior, portanto, com um rebaixamento de 6,07 metros. A 
cota mínima de chegada à ETA era de 180,44 metros. Na cota de 184,43 (orifício), 
o volume armazenado que é condicionado pelo orifício extravasor tinha 1.929.500 
metros cúbicos. Na cota de 190,50 metros (nível original da tulipa), o volume ar-
mazenado era de 5.285.272 metros cúbicos. Da cota do vertedor original de 190,50 
até a cota de 172,30 metros do fundo da tulipa, o desnível foi de 18,20 metros. 
Na tulipa, existem mais aberturas feitas no concreto de dimensões menores e que, 
provavelmente, foram feitas com ferramentas manuais.
Tomada de água (tulipa) 
de Duas Bocas
Duas Bocas: aumento e retificação 
da base do furo da tulipa
118 P a r t e I
Corte 
transversal 
da barragem
Barragem de Duas Bocas – Cotas dos 
níveis da tulipa e da chegada à ETA:
Cotas da 
tomada e 
buraco da tulipa 
de Duas Bocas
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 119
Detalhe da tomada 
na barragem 
indo até a ETA
Detalhe do canal 
de descarga do 
fundo da barragem
120 P a r t e I
Realizações do DAE e convênio com o DNOS
Mesmo com as obras emergenciais da nova captação no Rio Marinho e na Estação de 
Tratamento de Cobi, a linha adutora de 20 polegadas para o suprimento de água entre 
o continente e a ilha de Vitória continuava a mesma de 1936. Essa situação perdurou 
até 1963, quando se planejou construir uma rede adutora de 24 polegadas (600 mm), 
partindo da Estação de Tratamento de Cobi até a Praia Comprida.
Em 1964, a linha de recalque no trecho horizontal de 800mm em aço, com 
apenas oito anos entre a elevatória no Rio Marinho e a Estação de Tratamento, 
começava a ser substituída, já que tinha sido instalada em terreno alagadiço e com 
características ácidas. A troca foi por duas redes de ferro fundido no diâmetro de 
600 mm cada, assentadas num dique de argila compactada. Utilizou-se parte do 
material da adutora da Praia Comprida.
O convênio do DAE com o DNOS (final de 1963) para solucionar os problemas 
teve redução no ritmo de trabalho das adutoras de 600 mm da Praia Comprida e de 
400 mm, de Vila Velha, por causa do plano de economia e contenção de despesas do 
Governo Federal e, também, por problemas financeiros do DAE. 
Vista do Canal do Marinho 
com captação e Casa de 
Bombas (elevatória) 
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 121
Outras obras estavam em andamento pelo DAE: 
 ~ Recuperação da Estação Elevatória do Rio Marinho, com assentamento de 
dois conjuntos motobombas de 300 HP cada.
 ~ Restauração da Estação de Tratamento do Alto de Cobi, com recuperação 
dos quatro filtros existentes.
 ~ Construção da oficina eletromecânica para execução de todos os serviços. 
 ~ Aquisição de oficina comple-
ta de mecânica e de recupera-
ção de motores elétricos. Os 
serviços que anteriormen-
te eram feitos por terceiros, 
passaram a ser realizados com 
mão de obra própria.
 ~ Assentamento da subaduto-
ra de 14 polegadas de ferro 
fundido para Jardim Amé-
rica e Paul, com extensão de 
760 metros.
 ~ Construção da subadutora 
da Praia da Costa de 8 po-
legadas, com 2.500 metros 
de extensão.
 ~ Construção da rede de San-
ta Clara-São Francisco, de 8 
polegadas em ferro fundido e 
extensão de 650 metros.
Montagem de conjuntos 
motobombas no Marinho
122 P a r t e I
Governador 
Francisco Lacerda 
de Aguiar; Jonas 
Hortlélio, Roberto 
Viana e comitiva 
na subadutora 
de 600 mm da 
zona norte
Placa do convênio do DAE e 
DNOS em destaque durante a 
visita da comitiva do governador
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 123
Saída das redes do pátio da ETA 
de Cobi para o Ibes em Vila Velha
Rede adutora da ETA de Cobi 
ao Ibes: travessia no brejo
124 P a r t e I
1964 – Relatório da Sondotécnica 
Engenharia de Solos para o DNOS
Em 1964, a Sondotécnica elaborou para o DNOS um relatório preliminar sobre 
captação provisória da água do Rio Jucu. Esse documento contém a concepção do 
conjunto de obras a serem projetadas sobre o Rio Jucu e a Vala Neves, com a finalidade 
de melhorar as condições de abastecimento de água de Vitória. O relatório continha 
basicamente o seguinte:
O abastecimento d’água proveniente dos mananciais de Duas Bocas e 
pelo canal Marinho esteve a ponto de entrar em colapso. O canal Mari-
nho é alimentado pelo Rio Jucu, através da Vala Neves aos quais se mis-
turam as águas do Rio Formate. Cerca de 70% do abastecimento é fei-
to através desse manancial, cujas águas são bombeadas para a estação de 
tratamento. Problemas de escassez de águas do Jucu, infiltração da água 
salgada através dos difusores laterais ao canal e excesso da poluição do 
Rio Formate, agravado pela maior concentração de indústrias na épo-
ca de estiagem, levaram o DNOS a tomar providências imediatas ten-
dentes a corrigir, pelo menos provisoriamente, esta situação calamitosa.
As ideias gerais que nortearam as obras projetadas foram:
Na Vala Neves
Aumento da capacidade de adução da Vala em época de estiagem mediante a cons-
trução de uma barragem de laminação a jusante da sua entrada, elevando o N. A. do 
Jucu até a cota adequada.
No Rio Formate
Construção de uma pequena barragem-vertedor no curso do Rio Formate, com 3 a 
4 metros de altura, deixando uma abertura no corpo da barragem para passagem do 
Rio Formate. Dessa maneira, isolavando esses dois mananciais, evitava-se o problema 
de poluição das águas devido, em grande parte, ao Rio Formate.
F i m d a e r a d o s c h a f a r i z e s 125
No Canal Marinho
Construção de uma obra adequada a jusante da Casa de Bombas, elevando o N. A. 
atual do canal em torno de 0,50 metros acima do piso atual da Casa de Bombas e 
conservando esse nível de forma constante. Isso implica no levantamento do piso 
das bombas e dos geradores em 0,50 metros acima do nível. Em consequência, o 
fluxo de infiltração se dá de dentro para fora do canal, evitando, assim, o problema 
da salinização de água provocada pela maré.
Cabe registrar que Robson Sarmento ingressou no DAE, em 1966, e permaneceu 
na Cesan até 1971. Mais tarde, em 1999, tornou-se presidente da empresa.
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 127
J u C u e s a n t a M a r i a:
Capítulo III
a
mananciaismananciais
D a G r a n D e V i t ó r i a
p r i n C i p a i s 
ntes de descrever a atuação da Cesan ao longo da sua existência é curioso saber de onde 
vem a nossa principal matéria-prima: a água. Para tanto, fundamental é conhecer um 
pouco sobre os principais mananciais utilizados no passado e nos dias atuais.
A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta e está reduzi-
da a menos de 8% de sua extensão original. Prioridade da biodiversidade mundial, com 
níveis de riqueza e endemismo notáveis, raramente ultrapassados em qualquer parte 
do mundo, a Mata Atlântica brasileira oriental está agora confinada a uma paisagem 
fragmentada. Ainda assim, no Estado do Espírito Santo, essas frações de mata são 
responsáveis pela proteção e manutenção do fluxo de mananciais hídricos que abaste-
cem em torno de 1,6 milhão de pessoas na Região Metropolitana da Grande Vitória.
No Espírito Santo, as bacias dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória ocupam em 
torno de 9% do território estadual e são estratégicos por fornecerem 99% da água 
potável distribuída à população, além de atenderem ao seu mais expressivo complexo 
industrial e comercial. O Rio Santa Maria é o principal tributário de água doce do seu 
estuário e da baia de Vitória, sendo fundamental na manutenção desse ecossistema. 
128 P a r t e I
As duas bacias são responsáveis pela geração de 25% da energia elétrica consumida 
no Estado. A produção de alimentos também é distintiva, especialmente a produção 
de hortaliças, legumes e avícolas. Santa Maria de Jetibá se destaca como o segundo 
maior produtor de ovos do Brasil. As principais fontes de contaminação e degrada-
ção desses mananciais são: lançamento de esgoto doméstico, industrial e hospitalar; 
efluentes de pocilgas, matadouros, currais e granjas; manejo inadequado do solo, 
principalmente na agricultura com utilização de várzeas e área ciliar para o cultivo, 
aração de morro abaixo, além de poluição por uso indiscriminado de fertilizantes e 
de agrotóxicos. Estradas vicinais mal construídas e mal conservadas e sem o correto 
sistema de drenagem são outros fatores que provocam o assoreamento e o aumento 
da carga de sólidos na água.
Barragens
Limites da bacia hidrográ�ca
Limite municipal
Sede municipal
Bacias hidrográ�cas dos rios Jucu e Santa Maria da Vitória 
Rio Santa Maria da Vitória 
Estações de Tratamento de Água (ETA)
Pontos de captação – Cesan
Rio Jucu 
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 129
Bacia hidrográfica de Duas Bocas 
Duas Bocas pertence à bacia hidrográfica do Santa Maria da Vitória. É afluente 
pela margem direita do Rio Santa Maria da Vitória, já nas proximidades do estuário 
da baía de Vitória. Apresenta em sua cabeceira a Reserva Biológica de Duas Bocas.
A represa foi construída para armazenar água e atender à crescente demanda. 
Atualmente, sua área de influência contemplao abastecimento dos bairros situados 
na Sede de Cariacica. Sua bacia hidrográfica possui aproximados 85 quilômetros qua-
drados, além de uma área de drenagem útil na seção da barragem que gira em torno 
de 30 quilômetros quadrados. Calcula-se que a área alagada da represa é equivalente 
a 51 hectares.
A Reserva Biológica de Duas Bocas foi criada pela lei 4.503, de 2 de abril de 
1991. Além da sua função como área de preservação permanente também atrai o 
setor turístico e mantém ações voltadas à educação ambiental.
Bacia 
hidrográfica de 
Duas Bocas
130 P a r t e I
Reserva Biológica de 
Duas Bocas e tomada 
de água, 1996
Reserva Biológica de 
Duas Bocas, 2011
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 131
Rio Jucu, maior abastecedor de água 
da Grande Vitória e as intervenções 
desde o período colonial
A bacia hidrográfica
Jucu é uma palavra de origem tupi-guarani que significa árvore de canela. Esse rio 
tem importância histórica relevante, pois permitiu o desbravamento do interior, 
principalmente dos municípios de Vila Velha, Cariacica e Viana. Naquela época, as 
estradas eram os rios.
A bacia do Rio Jucu se desenvolve na direção leste-oeste. É formada por Domingos 
Martins, Marechal Floriano, Viana, partes de Guarapari e Vila Velha. Nasce na Serra de 
Castelo em uma ramificação da serra da Pedra Azul. Suas cabeceiras estão localizadas 
na região montanhosa do Estado no entorno do Parque Estadual da Pedra Azul, de 
Domingos Martins. A parte oriental ou inferior está situada na região de Vila Velha, 
Cariacica e Viana, enquanto a parte média e superior, na região serrana do Centro. 
Limita-se ao norte com a bacia do Rio Santa Maria da Vitória, ao sul com a bacia 
do Benevente, a oeste com a bacia do Itapemirim e, a leste, com o Oceano Atlântico. 
Deságua no oceano na Barra do Jucu, em Vila Velha. Cerca de 60% de sua área estão 
situados em Domingos Martins. O ponto culminante está a 1.800 metros de altitu-
de. Atende 65% dos habitantes da Grande Vitória, ou seja, cerca de 1,05 milhão de 
pessoas. O Braço Norte corta Domingos Martins e, o Braço Sul, Marechal Floriano. 
Os principais afluentes são o Braço Norte e o Braço Sul, com área de drena-
gem próxima de 1.100 e 400 quilômetros quadrados, respectivamente. A área de 
drenagem total é de 2.220 quilômetros quadrados. Percorre 126 km pelo Braço 
Norte e 80 km pelo Braço Sul até o ponto de encontro desses dois braços. O 
trecho do rio, da confluência desses dois braços até a foz, no mar, é de 43 km. 
Possui também como afluentes os rios Santo Agostinho e o Jacarandá. Ainda na 
parte baixa, os tributários, situados na zona urbana são o Rio do Congo, Canal 
Camboapina e Canal Guaranhuns. No trecho sul, existe uma pequena hidrelétrica 
construída no começo do século passado. As principais atividades econômicas 
são hortifrutigranjeiros; pecuária; agricultura; indústrias; turismo; e geração de 
energia. Tem como unidades de conservação os parques estaduais Ilha das Flores 
132 P a r t e I
e da Pedra Azul, a Área de Proteção Permanente Morro da Concha e as reservas 
ecológicas de Jabaeté e de Jacarenema.
A vazão média captada pela Cesan, em Caçaroca, em 2010, foi de cerca de 3.700 
litros por segundo. A vazão média do rio é de 29 mil litros por segundo e a vazão 
com tempo de permanência de 90% é de aproximados 12.600 litros por segundo. 
As intervenções na bacia do Jucu, assim como nas bacias do Formate e Marinho, 
notadamente nos seus trechos inferiores remontam a cerca de 300 anos e ocorreram desde 
o período colonial. É possível visualizar ainda hoje, em planta, uma extensa rede de canais 
fluviomarinhos existentes devido à atuação antrópica que ocorreu desde o século XVIII.
A parte inferior do rio possui baixa declividade e capacidade de transporte de 
sedimentos. Os ventos fortes do nordeste levam grande quantidade de sedimentos 
que tem, como consequência, a obstrução da barra do rio. Existem quatro pontos de 
controles importantes que interferem na mobilidade do rio: o Morro da Concha, 
na Barra do Jucu, que evita que a foz do rio continue mudando na costa do oceano 
em direção norte-sul; a garganta localizada próxima do começo da Vala Neves e dois 
promontórios, um em Caçaroca, próximo à captação da Cesan e, outro, em Itaputera, 
antes da travessia da Rodovia do Sol, à esquerda da margem do rio. Os outros de origem 
antrópica são: os diques Guaranhuns que impede a inundação de grande parte da área 
urbana de Vila Velha e o de Santa Inês, que dividiu a bacia do antigo Rio da Costa.
O transporte de mercadorias da fazenda 
Araçatiba para a ilha de Vitória
Como se sabe, no processo de colonização do país, Portugal dividiu o Brasil em 
capitanias hereditárias que eram transferidas de pai para filho, daí o nome donatário 
ou capitão-mor aos governantes das capitanias.
Os jesuítas atuaram no processo de colonização ensinando o cristianismo e cate-
quizando os índios, como já mencionado. Aos índios, ensinaram atividades relacio-
nadas às práticas agrícolas, carpintaria, além, é claro, da religião.
Várias fazendas e aldeamentos que, depois, transformaram-se em povoações foram 
implantadas no Estado. Uma delas era Araçatiba, hoje, Viana. Os jesuítas do Colégio 
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 133
de Vitória instalaram-se em Araçatiba, considerada uma das maiores fazendas da Pro-
víncia e da costa brasileira. Foi responsável pelo abastecimento de produtos agrícolas 
da Ilha de Vitória durante período significativo.
Como não havia estradas, o transporte da produção agrícola era feito por tro-
peiros (tropas de burros) até Porto de Santana, em Cariacica, às margens da baía de 
Vitória. A partir desse ponto, atravessava-se a baía em embarcações até o porto da 
Vila de Vitória, conhecido como Porto das Roças Velhas ou Porto dos Padres. O 
nome surgiu pela presença dos jesuítas. Era um porto de pequenas embarcações e 
localizava-se próximo ao atual viaduto da Rua Caramuru.
Rua Porto dos Padres e Santa 
Casa de Misericórdia, 1915
134 P a r t e I
Outra forma de transporte para abastecer a Vila de Vitória era sair de Araçati-
ba, seguir pelo Rio Jucu até o mar aberto, passar pela baía de Vitória até o destino 
final, ou seja, o Porto dos Padres. Nesta rota havia uma parada técnica num porto 
intermediário à margem direita do Rio Jucu, em Vila Velha, chamado Rancho Forte, 
hoje, em ruínas. Desse antigo porto de transbordo, as mercadorias eram transporta-
das das pequenas para as maiores canoas e seguiam viagem até o Porto dos Padres.
Transposição de águas do Rio Jucu ao Rio Marinho
O transporte dos produtos agrícolas tanto por via fluviomarítima quanto por terra, 
via tropeiros, era cansativo, demorado e com perdas de mercadorias. Os jesuítas co-
nheciam a topografia e, utilizando-a, descobriram que na região próxima do ponto 
de transbordo, em Caçaroca, existia um desnível do Rio Jucu para o Marinho. Entre-
tanto, havia um obstáculo ou pequeno morro que separava os dois rios. Os jesuítas 
tiveram a ideia de ligar o Rio Jucu à cabeceira do Rio Marinho. Após levantamentos, 
estudos e planejamento, eles decidiram ligar os dois rios em 1712. Foi a primeira 
obra de engenharia e de transposição de águas de uma bacia hidrográfica para outra 
que se tem notícia no Brasil.
Consistiu na construção de um canal de 1.500 metros, corte de 180 metros de 
comprimento por 10 metros de altura, no morro de Caçaroca, permitindo, assim, 
que as canoas transportassem mercadorias de Araçatiba até o Porto dos Padres em 
tempo mais reduzido, com menos perigo e perda de mercadorias. A obra foi utilizada 
por séculos,pois fora construída de tal forma que, na pior condição de estiagem, a 
velocidade de escoamento do rio era suficiente para evitar o assoreamento e, por 
consequência, permitir a contínua navegabilidade.
Sem disponibilidade de máquinas, a opção utilizada pelos jesuítas era a mão de 
obra indígena. Os índios eram educados para viver e trabalhar num regime chamado 
aldeamento. Este regime foi extinto por volta de 40 anos após a abertura do canal, 
quando houve a expulsão dos jesuítas entre 1757 e 1759.
No início do século XX, a população de Vitória crescia e continuava com o 
grave problema de abastecimento de água. Em épocas de seca e com a diminuição 
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 135
de vazão das encostas da ilha, o reforço era feito por tonéis de água transportados 
do Rio Jucu por canoas pelo canal dos jesuítas, que funcionou perfeitamente por 
mais de 200 anos após a sua abertura.
C
anal Jesuítas 
(1712)
Ca
na
l d
a C
os
ta 
(D
NO
S, 
19
58
 - 1
96
2)
Can
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R
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ar
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Ca
na
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ua
ra
nh
us
 
(D
NO
S,
 1
96
5)
Captação (Ce
san,1977)
Antigo Porto dos Padres
Antigo Porto
 de Santana
C
an
al
 M
ar
in
ho
 (1
95
6 
- 1
95
8)
R
io Aribiri
Ca
na
l d
e 
Sa
nt
a 
Ri
ta
Canal Cobilândia
Canal 
Cobilândia
VILA VELHA
VITÓRIA
CARIACICA
ETA de Cobi 
(1956)
Dique Guaranhus 
(1958 - 1962)
Comportas 
Automáticas 
(DNOS, 1962)
Ressalto Hidráulico 
(CESAN, 1977)
Passagem de três 
manilhas (DNOS, 1965)
Vala
 Nev
es (1
956 
- 195
8)
Canalização Córrego Campo Grande 
(Governo do Estado, 2008)
Ponto de transbordo
(Faz. Boa Vista)
D
ique S
anta Inês
 (D
N
O
S
, 1962/1963)
Corte executado 
pelos Jesuítas
BAIA DE VITÓRIA
PRAIA DA 
COSTA
PRAIA DE
 ITAPUÃ
Elevatória (Casa de bombas) - 
Década de 50
Rio 
Juc
u
Centro de Vitória
Rio Formate
Manilha de 
redução de vazão 
(DNOS, 1958)
Barragem de
pedras 
para Laminação 
(DNOS, 1965)
R
io
 J
uc
u
Canal Araçás
By Pass Campo Grande
(DNOS, 1970)
C
anal Jesuítas 
(1712)
Ca
na
l d
a C
os
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(D
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S, 
19
58
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96
2)
Can
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boa
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R
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 M
ar
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ho
Ca
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ua
ra
nh
us
 
(D
NO
S,
 1
96
5)
Captação (Ce
san,1977)
Antigo Porto dos Padres
Antigo Porto
 de Santana
C
an
al
 M
ar
in
ho
 (1
95
6 
- 1
95
8)
R
io Aribiri
Ca
na
l d
e 
Sa
nt
a 
Ri
ta
Canal Cobilândia
Canal 
Cobilândia
VILA VELHA
VITÓRIA
CARIACICA
ETA de Cobi 
(1956)
Dique Guaranhus 
(1958 - 1962)
Comportas 
Automáticas 
(DNOS, 1962)
Ressalto Hidráulico 
(CESAN, 1977)
Passagem de três 
manilhas (DNOS, 1965)
Vala
 Nev
es (1
956 
- 195
8)
Canalização Córrego Campo Grande 
(Governo do Estado, 2008)
Ponto de transbordo
(Faz. Boa Vista)
D
ique S
anta Inês
 (D
N
O
S
, 1962/1963)
Corte executado 
pelos Jesuítas
BAIA DE VITÓRIA
PRAIA DA 
COSTA
PRAIA DE
 ITAPUÃ
Elevatória (Casa de bombas) - 
Década de 50
Rio 
Juc
u
Centro de Vitória
Rio Formate
Manilha de 
redução de vazão 
(DNOS, 1958)
Principais Intervenções
LEGENDA:
Principais Intervenções
Drenagem atual
Diques de contenção de Cheia 
Canal executado pelos Jesuítas (1500m)
Corte executado pelos Jesuítas (150m)
Barragem de
pedras 
para Laminação 
(DNOS, 1965)
R
io
 J
uc
u
Canal Araçás
By Pass Campo Grande
(DNOS, 1970)
Intervenções nas bacias dos Rios Jucu e 
Marinho desde o período colonial (1712) 
 Referência histórica
Planta das intervenções nas 
bacias dos rios Jucu e Marinho 
desde o período colonial, 1712
136 P a r t e I
Várias informações contidas na planta foram obtidas com a colaboração dos 
engenheiros Elmo Luiz Campo Dall’ Orto e Henrique Kale Junior, então diretores 
do extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento.
Atuação do Departamento Nacional 
de Obras de Saneamento (DNOS)
Criado na década de 1940, o DNOS foi transformado em autarquia em 1962. A lei 
819, de 19 de setembro de 1949, foi sancionada pelo presidente Eurico G. Dutra que 
instituiu o regime de cooperação para execução de obras de saneamento. Logo no 
artigo 1º dizia: “O DNOS, do Ministério da Viação e Obras Públicas, poderá executar 
obras de drenagem, irrigação e defesa contra enchentes em cooperação com governos 
estaduais, municipais, do Distrito Federal e de Território, pessoas naturais ou pessoas 
jurídicas de direito privado.” A ele, portanto, destinavam funções para desenvolver 
serviços complementares ao saneamento.
Ao longo da sua existência, coube ao DNOS inúmeras obras e ações para conter 
enchentes, drenar áreas insalubres, canalizar córregos e rios urbanos, melhorar o solo 
rural por meio de drenagem e infraestrutura de irrigação, entre outras.
No Espírito Santo, o DNOS atuou em obras conhecidas, como a da região do 
Orobó, em Piúma: foram construídos extensos diques ao longo dos rios Novos e Ico-
nha; canal de derivação de mais de 40 km que liga o Rio Doce, nas proximidades de 
Linhares, à foz dos rios Riacho e Caboclo Bernardes (Aracruz); construção do canal do 
Marinho entre o Rio Jucu e a baía de Vitória; construção do dique Jucu-Guaranhuns 
ao longo do Rio Jucu entre Caçaroca e Araçás, em Vila Velha; drenagem na região de 
Suruaca, em Linhares; Vale do Rio Benevente, em Anchieta; Vale do Itabapoana, em 
Presidente Kennedy, dentre outras. Os resultados positivos dessas obras executadas, 
naquela época, são evidentes, não cabendo aqui comentar aspectos e impactos ambien-
tais até porque, naquela época, a questão ambiental não tinha a magnitude de hoje.
O DNOS foi extinto na década de 90 e deixou um vácuo em termos da atu-
ação do poder público, descontinuidade das ações desenvolvidas, e perda do seu 
enorme acervo técnico. 
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 137
A atuação do DNOS na Grande Vitória foi iniciada principalmente na parte 
inferior da bacia do Jucu, com a finalidade de melhorar o fluxo do rio, em 1952. Para 
tanto, as obras aprofundaram a calha do rio e retificaram o seu curso. Ao mesmo tempo 
em que pretendia diminuir o nível das águas no período das cheias também queria 
drenar áreas agricultáveis, aumentar a fronteira agrícola, ampliar a área para ocupação 
urbana (mais de 4 mil hectares) e protegê-la dos constantes alagamentos em Vila Velha. 
Os estudos feitos pelo DNOS concluíram: para a vazão máxima de 420 metros 
cúbicos por segundo, seria necessária a execução de retificação e alargamento do leito 
natural do Rio Jucu para se ter um escoamento mais rápido. Os trabalhos de canalização 
foram concluídos por volta de 1956. O trecho inicial da ponte para cima, numa extensão 
de 1.500 metros, teve 60 metros de largura de fundo, com 4 metros de profundidade. O 
trecho adiante, com extensão de 4.100 metros, tinha largura de fundo de 40 metros. Da 
sua foz até próximo à atual ponte na Rodovia do Sol, sua extensão beirava 2 mil metros. 
Este trecho não foi dragado porque a draga flutuante não estava disponível para a execu-
ção dos serviços, ficando a calha na forma natural, provocando prejuízo ao escoamento.
Essas intervenções foram uma das maiores e mais complexas realizadas em área 
fluviomarítima em todo o território nacional. Na época, havia orientação do Governo 
federal para expandir a agricultura e o interior do continente, incluindo drenagem 
de vales úmidos ou de terras baixas. No Espírito Santo, adrenagem das terras baixas 
serviu para ampliar a fronteira agrícola, principalmente para o cultivo de arroz, além 
da expansão da pecuária.
A drenagem no leito do Jucu interferiu diretamente no antigo canal dos jesuítas, 
pois houve redução da vazão que fluía para o Rio Marinho ao mesmo tempo em que a 
velocidade de escoamento diminuía, favorecendo, por consequência, o seu assoreamento.
Em Vila Velha, havia quatro rios: o Jucu, o maior e que inundava tudo quando 
chovia; o Rio da Costa que corria paralelo à praia e ligava o Jucu ao canal de Vitória; 
o Aribiri que está na parte do meio; e o Rio Marinho que divide os municípios de 
Vila Velha e Cariacica.
Na época em que o DNOS executava a retificação no Jucu, a Grande Vitória já 
demandava mais água para consumo humano. O manancial existente em Duas Bo-
cas demonstrava ser insuficiente para atender à crescente demanda. Mas havia outro 
porém: suas águas não recebiam tratamento completo, pois eram apenas cloradas. 
Somente tempos depois, reforçou-se o abastecimento via Rio Marinho.
138 P a r t e I
Dique Jucu-Guaranhuns e Santa Inês
Em condições normais, as águas do Rio Jucu tinham destino final em sua foz na Barra 
do Jucu. Em caso de vazões máximas, por exemplo, da ordem de 300 metros cúbicos 
por segundo, a água superava a cota de 2,20 metros (IBGE). Nessas condições, as en-
chentes atingiam diretamente a região do Centro de Vila Velha pelo transbordamento 
do Rio Jucu para o Rio da Costa; Aribiri pelas águas do Rio Aribiri, e São Torquato 
pelo transbordamento para o Rio Marinho. As áreas inundadas dessas regiões tinham 
a cota topográfica (IBGE) entre 0,80 e 1,50 acima do nível do mar. 
Como o trecho final do Rio Jucu entre a ponte e a foz não foi dragado nem 
alargado, as águas, nas vazões máximas, não tinham condições hidráulicas ideais 
para sua veiculação. Consequência: elevação das águas, com transbordamento e 
inundação das três regiões. 
Em 1956, uma enchente atingiu Vila Velha e Cariacica, causando não só prejuízos 
como centenas de desabrigados. Em Vila Velha, o nível da água atingiu a cota em torno 
de 2 metros (IBGE). A solução encontrada pelo DNOS para compensar o trecho 
não dragado foi construir um dique de proteção, o Jucu-Guaranhuns.
A construção começou em 1958, com o mesmo material da dragagem dos terrenos 
naturais provenientes de turfa, que tem baixa resistência. Dois anos depois, como 
as obras ainda estavam em andamento, ocorreu uma enchente, no mês de março, 
que provocou a maior calamidade da história de Vila Velha. Com o dique rompido, 
decidiu-se construir outro, o de Santa Inês, já que a recuperação e o revestimento do 
dique de Guaranhuns demandariam tempo. Nessa trágica enchente, a água invadiu 
a rua do Colégio Marista, no centro de Vila Velha. Na Rodovia Carlos Lindenberg, 
o nível da água ficou 60 cm acima da pista e chegou a 6 km do Rio Jucu.
Enchente de 1960 no Rio Jucu
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 139
Iniciado em 1962, o dique Santa Inês prolongou-se do bairro Santa Inês até a atual 
Rodovia do Sol, na altura de Coqueiral de Itaparica. Assim, o Centro de Vila Velha 
e bairros adjacentes – de cota abaixo de 2,20 metros – ficariam protegidos. Como o 
dique foi erguido em terreno de boa resistência, ao longo do tempo virou pista para 
veículos (atual Avenida João Mendes). Nesse novo cenário, o Rio da Costa transfor-
mou-se no atual Canal da Costa, no trecho do dique até sua foz na baía, próximo ao 
38º Batalhão do Exército. Parte do outro trecho, próximo ao dique Santa Inês até o 
Rio Jucu, tornou-se o que é hoje o Canal Guaranhuns.
A reconstrução do dique Guaranhuns foi iniciada após a conclusão do dique Santa 
Inês. Construído com material de qualidade superior, sua extensão era de cerca de 5 
mil metros e cota de 3,50 metros, indo da atual Rodovia do Sol, próximo a Araçás 
até a captação de água da Cesan. Sua altura de 3,50 metros ficou acima do nível da 
enchente de 1960, que atingiu três metros.
Nos anos seguintes, verificaram-se recalques do terreno que provocaram a redução 
da sua altura. Como o patrolamento da sua pista também rebaixava a altura houve 
necessidade de ampliá-la. Resultado: contenção das cheias de 1979 e 1982. Antes, 
porém, em 1972, o DNOS elevou e reforçou o dique na cota de 3,50 metros, o que 
evitou uma catástrofe na pior enchente de 1979 que atingiu a cota de 3,20 metros, 
provocada pela grande precipitação de chuva. Nos pontos baixos que recalcaram, 
colocaram-se sacos de areia. Depois do susto, o dique foi recomposto para a cota de 
3,50 metros. Em 1989, o DNOS constatou que houve rebaixamento de até 60 cm, 
mas a obra de recomposição não foi realizada por causa da extinção do órgão.
Coube à Prefeitura de Vila Velha, em 1995, reforçar a base do dique e recompor 
parcialmente a sua cota. No levantamento topográfico, a Prefeitura verificou rebai-
xamentos no greide em alguns trechos que chegavam até 1,66 metros. Até 2011 não 
ocorreram manutenções adequadas, colocando em risco inúmeras famílias de Vila 
Velha, como na enchente de 2009 e início de 2012 (ver fotos). Em 2011, o Governo 
do Estado licitou e executou as obras de recuperação do dique.
140 P a r t e I
Rio Jucu: enchente de 2009. Acima 
e à direita, Dique Guaranhuns
Enchente de 2009 no Rio Jucu: 
caminhões colocando terra sobre o dique
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 141
Enchente no Rio Jucu no início de 2012
Para reforçar o abastecimento e melhorar a qualidade da água distribuída, em 
1956, foi construída a Estação de Tratamento de Cobi à margem direita do Rio Ma-
rinho, a cerca de 1.500 metros da sua foz em uma elevação na cota de 68 metros. Na 
época, a ETA foi considerada uma das mais modernas do Brasil.
O Rio Marinho tem esse nome porque era invadido pela maré e sua água era salgada.
142 P a r t e I
Reativação da transposição do Jucu 
para o Marinho – Canal Neves
Em épocas de estiagem, as obras de retificação do Jucu reduziam a vazão no canal dos 
jesuítas para o Marinho. Para compensar essa perda e manter a filosofia de transposição 
das águas do Jucu para o Marinho, mantendo o corte dos jesuítas, entre 1956 e 1958, 
foi construído – pelo DNOS – o canal denominado Neves, com 3,5 Km de extensão. 
O local escolhido foi o Rio Jucu, no lugarejo chamado João Santos. Um pequeno enro-
camento no rio, no ponto a montante do canal dos jesuítas, permitiu elevar o nível do 
rio e veicular água suficiente para o Marinho para ser bombeada para a ETA de Cobi. 
Assim, foi reativada a transposição das águas feita há mais de 200 anos.
ETA de Cobi
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 143
Uma situação diz respeito às cheias vindas do Jucu, via canal Neves, que causavam 
alagamentos da captação e transbordamento do canal Marinho. Três manilhas foram 
colocadas, em 1965, a jusante do corte executado pelos jesuítas na ligação entre os rios 
Formate e o Marinho. Elas funcionam como limitador de vazão, não permitindo en-
chentes do Formate no Marinho. Este serviço foi coordenado pelo engenheiro Henrique 
Kale Junior. Ele também atuou, em 1965, no barramento de pedras para laminação no 
Rio Jucu, a jusante do início da Vala Neves, e no “by pass” do Córrego Campo Grande 
para o Marinho, em 1970. 
Quando o atual Canal do Marinho, paralelo ao rio natural, foi construído, permitiu 
a instalação definitiva da Estação Elevatória, com quatro conjuntos motobomba para 
bombear 440 litros por segundo para a Estação de Tratamento. A adutora, no diâmetro 
de 800 milímetros, ligando a Estação Elevatóriaà ETA de Cobi tinha comprimento 
aproximado de 600 metros.
Entretanto, sempre ocorria problema quando a maré alta estava associada à vazão 
baixa em períodos de estiagens no Jucu. A intrusão da cunha salina obrigava a paralisação 
do sistema de bombeamento. Para equacionar a situação, construíam-se mecanismos 
de barragem e comportas.
 O processo de crescimento da Gran-
de Vitória continuava acelerado. O Mari-
nho não era só insuficiente para atender 
à população. A qualidade de suas águas e 
do Rio Formate que desaguava no Mari-
nho, tornava-se imprópria para consumo 
humano, principalmente pela presença 
de esgoto e pelo processo de urbanização 
da região. O crescimento desordenado da 
cidade, a falta de investimentos em infra-
estrutura e saneamento, e o desrespeito 
pelo meio ambiente fizeram com que o 
Rio Marinho fosse destruído.
O engenheiro Roberto Viana Ro-
driguez foi professor da Ufes e o primei-
ro diretor do DNOS no Espírito Santo.
Roberto Viana 
Rodriguez, 
primeiro diretor 
do DNOS no 
Espírito Santo
144 P a r t e I
Rio Santa Maria da Vitória – 
A degradação e suas consequências
A bacia do Rio Santa Maria tem uma área de drenagem de 1.844 km². É formada 
pelos municípios de Santa Maria de Jetibá e parte de Santa Leopoldina, Cariacica, 
Vitória e Serra. O rio nasce na serra do Garrafão, em Santa Maria de Jetibá. Limi-
ta-se a leste com a baía de Vitória, ao norte e a oeste com as bacias dos rios Reis 
Magos e Doce e, ao sul, com as bacias do Jucu, Bubu e Formate. O rio percorre 
122 km de extensão por sua calha principal e deságua na Reserva Ecológica da 
Ilha do Lameirão, em Vitória. 
Em seu médio curso, o rio sofre dois barramentos: Rio Bonito e Suíça, responsáveis 
pela produção de 10 MW e 30 MW de energia elétrica, respectivamente. As principais 
atividades econômicas são: agropecuária; hortifrutigranjeiros; geração de energia: tu-
rismo; indústria e pesca profissional. O rio tem como unidades de conservação as áreas 
de Proteção Ambiental Mestre Álvaro e de Praia Mole, além da Reserva Biológica de 
Duas Bocas. Com a água captada nesse rio, a Cesan abastece uma população em torno 
de 550 mil pessoas, incluindo Praia Grande, no município de Fundão. A vazão média 
captada, em 2010, gerou em torno de 2.700 litros por segundo. A vazão média do 
rio é de 18 mil litros por segundo, e a vazão com tempo de permanência de 90% é de 
aproximadamente 9.100 litros por segundo na captação da Cesan.
Os afluentes principais são os rios Posmouser, São Luiz, Claro, Bonito, da Prata, 
Mangaraí, Caramuru, Duas Bocas, Triunfo, Farinhas, Fumaça e São Luiz.
O assoreamento da baía de Vitória, que depende do manejo da bacia do Santa 
Maria, é fator limitante no uso do complexo portuário nessa bacia. A manutenção do 
equilíbrio de nutrientes na Baía de Vitória é dependente das contribuições do Rio Santa 
Maria. É o principal tributário de água doce do seu estuário e da baía, sendo fundamen-
tal na manutenção desse ecossistema. Reflorestamento, recomposição ciliar e práticas 
conservacionistas em áreas agrícolas e estradas são fundamentais para se promover o 
controle da erosão do solo e a proteção dos mananciais, com consequente retorno da 
sua fertilidade e capacidade de acumulação de água.
Na sua desembocadura juntamente com o Jucu, estão manguezais com aproximados 
18 Km² de área, representando 20% da área total dos manguezais do Estado, que são 
fortemente dependentes da qualidade desses mananciais.
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 145
Foz do 
Rio Santa 
Maria da 
Vitória
Garantir água hoje e no futuro
O aspecto mais sensível da degradação da Mata Atlântica para a população capi-
xaba é o impacto no abastecimento de água potável. Até 2007 os sistemas de tra-
tamento e distribuição de água tiveram que ser interrompidos várias vezes devido 
ao aumento de turbidez (barro), passando quase do estado líquido para o pastoso 
146 P a r t e I
na água do Rio Santa Maria da Vitória, que abastece a Serra, parte de Vitória e, 
Praia Grande, em Fundão.
Até o início do século XX, os rios faziam o papel das estradas. A Província 
do Espírito Santo foi visitada por Dom Pedro II, no início de 1860. Para chegar a 
Santa Leopoldina, o trajeto foi o Santa Maria da Vitória, a bordo de uma galeota, 
segundo o escritor Levy Rocha em Viagem de Pedro II ao Espírito Santo. Resumindo 
a viagem: “O rio é muito tortuoso e às vezes as varas não tocavam o fundo, grande 
correnteza por estar muito cheio; mata pelas margens; bastante mosquitos”. Vê-se 
nos dias atuais a desfiguração do que foi observado à época: de fundo, o rio passou 
a raso, comprometendo a navegabilidade; o desmatamento é quase total na bacia, 
chegando à lama em pleno século 21, uma clara involução humana.
Tivemos oportunidade de apresentar, em maio de 2008, no Simpósio Ítalo-Bra-
sileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, a convite da Universidade de Firenze, na 
Itália, a relação direta entre degradação ambiental, turbidez e o consumo de produtos 
para tratamento da água.
O manejo inadequado do solo, aração de morro abaixo, construção de estradas 
vicinais sem planejamento e sem correto sistema de drenagem, entre outros fatores, 
reduzem a infiltração da água no solo e aumentam o escoamento hídrico superficial. 
O principal efeito desse fenômeno é a alteração na qualidade da água, por meio do 
aumento da turbidez, enlameando e turvando as águas, provocando o assoreamento 
e o aumento da carga de sólidos nos rios.
A pesquisa apontou que o índice médio de turbidez no Rio Santa Maria da Vitória 
aumentou 100% entre 1996 a 2007, o que obrigou a Cesan a dobrar a quantidade de 
produtos utilizados no tratamento da água. Já a quantidade de sólidos transportados 
pelo rio passou da média de 26 toneladas diárias, em 1996, para 46 toneladas por dia, 
em 2007. É a clara manifestação da destruição da natureza. Nas últimas décadas esse 
processo se intensificou, tornando-se crítico.
A partir desses dados, entendemos que é necessária uma atuação efetiva nas causas 
da degradação dos mananciais. Esse é o foco de importantes iniciativas do Governo 
do Estado. Entre outras ações, o Projeto Florestas para a Vida pretende aplicar US$ 
12 milhões na restauração e conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos 
nos rios Santa Maria da Vitória e Jucu, responsáveis pelo fornecimento de aproxi-
mados 99% da água para cerca de 1,6 milhão de habitantes da Grande Vitória. O 
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 147
projeto Produtores de Água, iniciado em março de 2009, na bacia do Benevente, e 
já expandido para as bacias do Guandu e São José, utiliza recursos dos royalties do 
petróleo para custear o pagamento por serviços ambientais aos produtores rurais que 
recuperarem ou preservarem nascentes, a mata ciliar e outras iniciativas que melho-
rem a recarga dos aquíferos. É preciso que o pagamento dos serviços ambientais seja 
expandido para outras bacias.
O desafio de garantir água no presente e para futuras gerações é monumental, 
pois se trata de modificar práticas que degradaram a cobertura vegetal ao longo de 
mais de um século, desde o início da imigração europeia no Estado.
Impacto no tratamento
Na figura abaixo, observa-se a média dos resultados de análise de turbidez da água 
do Rio Santa Maria da Vitória em épocas de chuvas. No período avaliado, a tur-
bidez aumentou em 100%, tornando evidente a degradação da qualidade da água 
desse manancial.
SET
1995
JUN
1997
AGO
1998
SET
1999
NOV
2000
JUN
2001
AGO
2002
MAR
2003
MAI
2004
JUN
2005
JAN2006
MAR
2007
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
110
Tu
rb
id
ez
 N
TU
Histórico da turbidez do Rio Santa Maria da Vitória
(SETEMBRO/95 A MARÇO/07)
148 P a r t e I
O gráfico, a seguir, mostra os valores de turbidez relacionados ao consumo de produtos 
químicos na Estação de Tratamento de Carapina.
Assoreamento no Rio Santa Maria da Vitória
Prod.químicos
(JANEIRO/96 A FEVEREIRO/07)
0
20
40
60
80
100
120
Turbidez
Turbidez do Rio Santa Maria da Vitória x Consumo
de produtos químicos da ETA de Carapina
JAN
1996
NOV
1997
SET
1999
NOV
2000
JAN
2001
DEZ
2002
NOV
2004
JAN
2005
DEZ
2006
FEV
2007
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 149
Filtros da ETA de Carapina durante o processo de flotofiltração: 
sólidos na parte superior, evidenciando a degradação ambiental
Impactos da degradação
150 P a r t e I
Para garantir a operação do sistema de abastecimento, a Cesan investiu em torno R$ 5 
milhões, entre 2005 e 2008, na implantação de novas tecnologias nas ETAs de Carapina 
e de Santa Maria. Mesmo assim, o tratamento de água demanda cada vez mais o uso de 
produtos químicos e de energia elétrica nos sistemas para assegurar sua potabilidade.
Impactos na Usina Hidrelétrica Suíça
Constata-se, atualmente, uma obstrução de mais de 50% da seção, ou seja, são mais de 
4 metros de altura de lama no local em que a altura original da lâmina de água era de 
8 metros. Diante da crescente degradação da bacia, a situação poderá ser crítica para a 
geração de energia na Usina Suíça. Para se ter uma ordem de grandeza, estima-se que uma 
usina desse porte (30 MW), no interior do Estado, custe em torno de R$ 100 milhões.
Impactos na Usina Hidrelétrica Suíça
Impactos na baía de Vitória
Na região próxima à desembocadura do Rio Santa Maria da Vitória, ocorre o pre-
enchimento por fácies lama arenosa, que são sedimentos de características lamosas, 
associadas ao aporte fluvial. Os sedimentos do restante do “Fundo da Baía de Vitória” 
são compostos predominantemente de areias média, fina e muito fina. Este padrão de 
areias provavelmente esteja associado ao fluxo do Rio Santa Maria da Vitória, que é 
maior na sua desembocadura ao sul, como resultado do intenso processo de erosão da 
bacia hidrográfica do Rio Santa Maria da Vitória.
J u c u e S a n t a M a r i a : p r i n c i p a i s m a n a n c i a i s d a G r a n d e V i t ó r i a 151
Impacto na baía de Vitória
A degradação dos mananciais do 
interior do Estado e suas consequências
Da mesma forma como foi dito sobre a bacia do Rio Santa Maria da Vitória, a degradação 
não é diferente para a maioria dos mananciais dos outros sistemas da Cesan.
A causa já relacionada, principalmente da ação do homem, inclui dentre outros o 
manejo inadequado do solo, estradas vicinais mal construídas e conservadas, ausência 
de vegetação ciliar, lançamento de lixo, pocilgas currais, matadouros e esgotos.
Como consequência, além da piora da qualidade e diminuição da quantidade 
da água, observam-se fenômenos que têm ocorrido, como chuvas mais intensas e 
secas mais severas.
Diante do agravamento da degradação, a Cesan investiu nos sistemas de abas-
tecimento de água que, anteriormente, mantinham captações em mananciais próxi-
mos à cidade. O trajeto teve que ser alterado para mananciais mais distantes, o que 
exigiu esforço de investimento: construção de longas redes adutoras e superação 
dos desafios diante da dificuldade operacional e de manutenção. Barragens também 
foram construídas em locais que, anteriormente, mantinham seus abastecimentos 
feitos diretamente por mananciais.
Para comprovar o relato, listamos algumas intervenções realizadas pela Cesan, já 
que traduzem dramáticas situações ligadas ao desabastecimento de água.
152 P a r t e I
Redes adutoras construídas:
 ~ No Rio Cricaré, em São Mateus, a cerca de 20 Km para abastecer o sistema 
de Conceição da Barra. 
 ~ No Rio São José a cerca de 10 km para abastecer a Sede de Vila Valério.
 ~ No Córrego Socorro, distante 9 km para abastecer a Sede de Vila Pavão. 
 ~ No Rio Muqui a cerca de 15 km para abastecer a Sede de Presidente Kennedy.
 ~ No Rio Benevente, distante 20 km para abastecer Guarapari.
Barragens:
 ~ Construções de barragens nas sedes de Montanha, Mucurici, Ponto Belo e 
no distrito de Vinhático.
Captação:
 ~ Desativação da captação de água no Marinho para o Rio Jucu para abaste-
cer Vitória, Vila Velha e Cariacica.
 ~ Mudança da captação de água do Rio Novo para o Iconha para abastecer a 
Sede de Piúma.
 ~ Desativação da tomada de água na Lagoa Maembá que abastecia Meaípe.
 ~ Desistência de possível reativação da captação de água na Lagoa Jacuném.
Intervenções em andamento:
 ~ Construção de barragem e nova rede adutora de cerca de 11 km para abas-
tecer a Sede de São Roque do Canaã.
P a r t e I154
C o l o n i z a ç ã o , f o n t e s e c h a f a r i z e s 155
PAr
te
2
P a r t e I I156
1960D é c a d a de
D é c a d a d e 1 9 6 0 157D o t e m p o d a C e s a n
C
CesanCesanD o t e M p o D a
Capítulo IV
A criação da Cesan 
om a criação da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), em 1967, 
muita coisa mudou, incluindo a escalada de uma nova filosofia nacional em prol da 
expansão do saneamento associado ao desenvolvimento socioeconômico do Brasil. O 
Espírito Santo não ficou à margem. Tanto que, em 2008, o abastecimento de água para 
a população urbana nos municípios atendidos pela Companhia foi universalizado. E 
a cobertura no atendimento de esgoto coletado e tratado chegou, em 2012, a 60%, 
isto é, o dobro da média nacional.
A Cesan foi criada pela Lei estadual 2.282, de 8 de fevereiro de 19672, alterada 
pela Lei 2.295 (de 13 de julho de 1967) e regulamentada pelo Decreto 2.575, de 
11 de setembro de 19673 . Como foi constituída? Por Assembleia Geral realizada 
em 29 de dezembro de 1967. É uma empresa de economia mista, enquadrada no 
regime jurídico de Direito Privado como sociedade anônima. Há mais de 44 anos 
cumpre a missão de prestar serviços de saneamento ambiental que contribuam para 
2 Publicado no Diário Oficial de 13 de setembro de 1967.
3 Conforme ata arquivada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo, a de número 20.860, de acordo com a 
Certidão 120.662/68, publicada no Diário Oficial de 18 de janeiro de 1968.
1960
P a r t e I I158
melhorar a qualidade de vida da população e o desenvolvimento socioeconômico 
em prol da satisfação da sociedade, dos clientes, dos acionistas e dos colaboradores. 
Sua administração é composta pela Assembleia Geral dos Acionistas, Conselho de 
Administração, Conselho Fiscal e diretoria da Cesan.
Há artigos da Lei 2.282 fundamentais que merecem ser detalhados: a constituição 
de um Fundo de Saneamento – com autonomia contábil administrado pela Cesan 
– formado por 2% da receita tributária do Estado, a partir do exercício financeiro 
de 1968, é um dos exemplos. A integralização do capital do Estado na Companhia 
pôde ser realizada com bens do DAE, excluída a Reserva de Duas Bocas, subordinada 
à Secretaria de Agricultura, Terras e Colonização. Esta tinha a missão de preservá-la 
como proteção dos mananciais ali existentes e atender ao disposto nas leis federais 
4.771, de 3 de janeiro de 1967 (Código Florestal), e 5.197, de 3 de janeiro de 1967 
(proteção à fauna e outras providências). A Companhia teria que assumir os acor-
dos, convênios, contratos e demais obrigações existentes entre o DAE e terceiros. 
Os empregados do DAE foram aproveitados com as vantagens e demais direitos 
adquiridos até a datada constituição da Cesan. O Poder Executivo ficou autorizado 
a abrir crédito especial de NCR$ 5.000.00 (cinco mil cruzeiros novos) para cobrir 
as despesas da constituição da Cesan.
Cabe ainda registrar pontos importantes dos artigos da Lei 2.295: a Cesan é 
uma sociedade formada por ações de economia mista, com sede e foro na cidade 
de Vitória e por prazo indeterminado. Dentre os objetivos estão: realizar estudos, 
projetos, construção, operação e exploração industrial dos serviços de abastecimento 
de água e esgotos sanitários, bem como de qualquer outra atividade afim. O capital 
inicial foi de NCR$ 15 milhões (cruzeiros novos), representado por 300 mil ações 
ordinárias – de valor nominal de NCR$ 50,00 cada, com direito a voto – devendo o 
Estado subscrever no mínimo 51%, mantendo nos aumentos de capital subsequentes 
a mesma porcentagem mínima. 
A integralização da parcela do capital social subscrita pelo Estado se fez com os 
bens do DAE, excluída a Reserva Florestal de Duas Bocas, com os recursos previstos 
no primeiro item do artigo 9º da Lei 2.282. Os três diretores da Cesan devem ser 
eleitos pela Assembleia Geral, com mandato de três anos. A eles compete a gestão 
dos negócios na forma do estatuto. 
O Conselho de Administração de cinco membros composto de um dos dire-
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tores da Cesan e, os demais, eleitos pela Assembleia Geral com mandato de três 
anos. O Fundo de Saneamento (Fusan) – com autonomia contábil e administrado 
pela Companhia – constitui-se com 2% da receita tributária do Estado, a partir do 
exercício financeiro de 1968. Na aplicação dos recursos do Fusan, devem-se observar 
as condições estabelecidas em regulamento próprio, elaborado pela diretoria e apro-
vado pelo Conselho de Administração. Os recursos do Fusan e os da Companhia só 
podem ser movimentados por meio de estabelecimento oficial de crédito e podem 
ser dados como garantia de empréstimos contraídos em prol dos objetivos da Cesan 
e do próprio Fundo. 
Organização da Assembleia Geral 
preparatória da Cesan
O gabinete do diretor geral do Departamento de Águas e Esgoto (DAE) reuniu, 
em 15 de dezembro de 1967, os subscritores do capital social da Cesan em fase de 
organização, conforme previsto no Artigo 5º e parágrafos do Decreto-Lei 2.627, 
de 26 de setembro de 1940 (lei das sociedades anônimas). Pauta: a eleição de três 
peritos para avaliar parte do acervo patrimonial e a constituição da parcela do capital 
social subscrito pela Cesan. 
Estiveram presentes os incorporadores Ary França, procurador do Estado, e o 
engenheiro Gladstone Hoffmann, diretor geral do DAE, designados por decreto 
pelo governador do Estado. Também credenciados pelo Estado, participaram Ary 
Cavalcante França; pela Escelsa, Leônidas dos Arcos Rodrigues; pela Companhia de 
Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo, Ricardo Coelho Vello; pela Com-
panhia de Habitação de Vitória, Salim Calil Salim; e pela Companhia de Pesca do 
Espírito Santo, Luis Flores Alves. 
Por unanimidade, Gladstone Hoffmann foi eleito para presidir a Assembleia 
Geral Preparatória. E Zélio Ribeiro Borges, servidor do DAE, assumiu a secretaria 
dos trabalhos. Ficou definido ainda quem faria parte da Comissão de Avaliação: o 
engenheiro Nelson Monjardim Faria Santos, diretor técnico da Escelsa, o economis-
ta Geraldo Rocha, professor universitário e analista de projetos da Companhia de 
160
Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo, e o engenheiro Antônio Brasil 
Maia, servidor do Departamento de Edificações e Obras (DEO). Estabeleceu-se 
prazo para a conclusão da avaliação: até 29 de dezembro de 1967. A relação de 
bens apresentada era de imóveis, instalações, equipamentos, móveis e utensílios, 
veículos e tudo que integrava o sistema de abastecimento de água e coleta de es-
gotos sanitários de Vitória, Vila Velha e Cariacica. A relação de bens foi levantada 
pela Comissão Especial designada pela direção geral do DAE.
Primeira 
convocação da 
Assembleia 
Geral de 
constituição 
da Cesan 
pelos jornais 
O Diário, A 
Tribuna e A 
Gazeta, de 21 
de dezembro 
de 1967
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Termo de posse da primeira diretoria 
da Cesan: 2 de janeiro de 1968
P a r t e I I162
Termo de posse 
do primeiro 
Conselho de 
Administração 
e fiscal da 
Cesan: 2 
de janeiro 
de 1968
D é c a d a d e 1 9 6 0 163D o t e m p o d a C e s a n
Termo de abertura 
do livro do primeiro 
Conselho de 
Administração 
da Cesan: 25 de 
janeiro de 1968
Da Assembleia definitiva da constituição da Cesan
Após a convocação dos anúncios publicados no Diário Oficial do Estado, A Gazeta, 
O Diário e A Tribuna, em 21 de dezembro de 1967, os subscritores do capital da 
Cesan se reuniram novamente, em 29 de dezembro de 1967, às 15 horas no DAE (Av. 
Governador Bley, 186, 3º andar, Vitória-ES) para a seguinte ordem do dia: 
a) Aprovação do laudo de avaliação dos bens subscritos pelo Estado do Espírito Santo. 
b) Discussão e aprovação do projeto do estatuto.
c) Constituição da Cesan. 
d) Eleição dos membros da primeira diretoria e dos conselhos de Adminis-
tração e Fiscal. 
e) Fixação dos respectivos honorários e jetons.
f ) Outros assuntos correlatos e de interesse da sociedade. 
P a r t e I I164
Apresentou-se a relação dos bens avaliados, sua especificação e respectivos va-
lores. Os bens não avaliados, como redes de distribuição, redes coletoras de esgoto 
e materiais de estoque até a data da Assembleia, ficaram sob a guarda da Cesan 
para posteriores aumentos de capital. Nos bens avaliados, constavam reservatórios; 
elevatórias; adutoras e subadutoras; bens imóveis diversos; linhas de alta tensão; 
máquinas de escritório, móveis e utensílios; instrumentos de desenho e topografia; 
livros diversos; aparelhos para laboratório; máquinas, motores e aparelhos diversos; 
barragem de Duas Bocas; e a Casa de Bombas do Rio Marinho. Os valores foram 
avaliados em NCR$ 15.030.128,68. 
A segunda parte da ordem do dia foi a aprovação do projeto dos estatutos 
sociais. O presidente anunciou que fora depositado, no Banco do Brasil, a parte 
do capital recebida em dinheiro dos subscritores, conforme comprovante bancário. 
Ao final dos trabalhos, o presidente declarou: está definitivamente constituída 
a Cesan para todos os efeitos de direito e da lei, e que os trabalhos deveriam 
prosseguir com a eleição dos diretores e membros dos conselhos de Administra-
ção e Fiscal; a fixação dos respectivos honorários e jetons, além da remuneração 
devida. Separadamente ocorreu a eleição dos primeiros diretores e dos efetivos e 
suplentes dos dois conselhos.
 Ary Cavalcante França, representando o Estado, sugeriu o nome de Décio da 
Silva Thevenard para diretor presidente, de Gladstone Hoffmann para diretor 
técnico, e Wenceslau Lamy de Miranda para diretor financeiro, o que foi apro-
vado pelos acionistas. Depois, Ary Cavalcante França sugeriu para o Conselho de 
Administração – como membros efetivos – Paulo de Miranda Pereira, Geraldo 
Rocha, Wilson de Castro Barbosa e Apolinário Del Maestro. E, como suplentes, 
Vitor Hugo Pimentel, Obéd Emmerich, Reynaldo Pereira Brotto e Paulo Augusto 
Vivácqua. Todos aprovaram. 
Para o Conselho Fiscal, como efetivos, Áureo Antunes James França Martins 
e Mário Freitas Ribeiro e, como suplentes, Pablo Tumang, Vitor Rodrigues da 
Costa e Lenaldo da Silva Amaral, que obtiveram aprovação geral. A sugestão foi de 
Ary Cavalcante França. Também se decidiu a data da posse dos eleitos: 2 de janeiro de 
1968 na própria sede da Cesan. As cotas foram: Escelsa, NCR$ 1.000,00; Companhia 
de Habitação de Vitória, NCR$ 100,00; Companhia de DesenvolvimentoEconômico 
do Espírito Santo, NCR$ 100,00; Fábrica de Tecidos de Cachoeiro de Itapemirim, 
D é c a d a d e 1 9 6 0 165D o t e m p o d a C e s a n
Primeiro presidente 
da Cesan: Décio da 
Silva Thevenard 
(à direita, em pé)
NCR$ 50,00; Cooperativa Leiteira de Vitória Ltda, NCR$ 25,00; Companhia de 
Pesca do Espírito Santo, NCR$ 20,00. Total: NCR$ 1.295,00.4
4 Assinam os subscritores: Gladstone Hoffmann (presidente); Ary Cavalcante França (Estado do Espírito San-
to); Gabriel Leônidas dos Arcos Rodrigues (Escelsa); Ricardo Coelho Vello (Companhia de Desenvolvimento do 
Espírito Santo); Salim Calil Salim (Companhia de Habitação de Vitória); Moacyr Pimentel (Fábrica de Tecidos 
de Cachoeiro do Itapemirim S.A.); Wilson de Castro Barbosa (Cooperativa Leiteira de Vitória Ltda); Luis Flores 
Alves (Companhia de Pesca do Espírito Santo); Nelson Monjardim Faria Santos (perito); Geraldo Rocha (perito); 
Antônio Brasil Maia (perito); e Zélio Ribeiro Borges (secretário da Assembleia).
Dos bens avaliados
Parte dos bens do DAE – integrantes do sistema de abastecimento de água e coleta 
de esgotos sanitários de Vitória, Vila Velha e Cariacica – que foram incorporados 
ao capital da Cesan, passaram por avaliação de uma comissão criada para tal fim em 
Assembleia Geral Preparatória da Cesan. A comissão foi constituída por Nelson 
Monjardim Faria Santos, Geraldo Rocha e Antônio Brasil Maia, e os trabalhos ter-
minaram em 29 de dezembro de 1967.
P a r t e I I166
Resumindo, os bens avaliados foram: barragem de terra de Duas Bocas com 
cerca de 170 mil metros cúbicos de terraplena, inclusive estruturas e equipamentos de 
manobra; Estação de Tratamento de Cobi; aparelhagem para laboratório da Estação 
de Tratamento de Água de Cobi; Casa de Bombas do Rio Marinho com galpão de 
361 metros quadrados, conjuntos motobombas, subestação abaixadora, usina diesel-
geradora e instalações complementares; linhas de alta tensão interligando a subestação 
de Alto Lage com a Casa de Bombas e a Estação de Tratamento de Cobi, num total 
de 4.350 metros; reservatórios situados no Morro de Santa Clara, em Vitória; 11 
elevatórias em diversos bairros da área servida pelo DAE; adutoras e subadutoras 
principais de diâmetro acima de 100 mm; bens imóveis, como edifícios e terrenos; 
veículos; máquinas, motores e aparelhos diversos; máquinas de escritório, móveis e 
utensílios; instrumentos para desenho e topografia; e livros diversos de obras técnicas 
de consulta da biblioteca do DAE. 
O valor dos bens avaliados foi de NCR$ 15.030.128,68. Dentre os que não 
foram avaliados e que ficaram sob a guarda da Cesan para posterior aumento de 
capital, estavam: redes de distribuição de água; redes coletoras de esgotos sanitários; 
e materiais em estoque na data de entrega da avaliação.
Saneamento no Brasil – Aspectos relevantes
Até meados do século XX, a situação do saneamento básico no Brasil era crítica tanto 
do ponto de vista da qualidade quanto da quantidade dos serviços de abastecimento 
de água. Isso porque as deficiências estavam em grande parte dos sistemas e sempre 
relacionadas ao tratamento químico e operação defeituosa. Na década de 30, o cres-
cimento urbano, o êxodo rural, o processo de industrialização e a crise econômica 
mundial fizeram com que o Governo Federal adotasse medidas de intervenção no 
setor. Porém, não foram suficientes para aumentar a cobertura dos serviços nem para 
melhorar a sua qualidade.
A intervenção federal deixou para os municípios a responsabilidade pela construção 
das redes e posterior provisão dos serviços. Os municípios mais bem organizados, o que 
não representava a maioria, conseguiam melhor desempenho, entretanto, os orçamentos e 
as tarifas cobradas eram insuficientes para cobrir os custos e os investimentos necessários.
D é c a d a d e 1 9 6 0 167D o t e m p o d a C e s a n
Em função do crescimento da urbanização e da economia, na década de 60, 
começaram as mudanças no setor de saneamento. A Carta de Punta del Este, em 
1961, foi um documento formulado pelas Américas e definiu, como metas, o nível 
de atendimento dos serviços de água e esgoto para 70% da população urbana e 
50% da rural. A elaboração de um programa visava ao cumprimento das metas 
pactuadas. Os poucos serviços de saneamento encontravam-se em operação e 
administração pelas prefeituras municipais. Uns de forma autônoma, outros em 
conjunto com os municípios vizinhos.
Um modelo bem-sucedido era formado por departamentos estaduais de água e 
esgoto que planejavam, executavam e operavam os sistemas. No Espírito Santo, para 
recapitular, o Governo do Estado atuou – de 1957 a 1967 até a criação da Cesan – 
na Grande Vitória e em alguns municípios do interior, através do DAE. Também o 
DNOS, nas décadas de 50 e 60, atuou na construção de vários sistemas de água no 
interior do Estado. Na esfera federal, além do DNOS, existiam ainda o Departamen-
to Nacional de Endemias Rurais (DNERU) e o Departamento Nacional de Obras 
contra as Secas (DNOCS).
Na década de 60, o novo sistema de saneamento ensejou mudanças importantes, 
pois a prioridade era a ampliação da cobertura dos serviços nos planos de desenvol-
vimento. As necessidades das mudanças justificavam-se porque o baixo desempenho 
desses serviços de saneamento comprometia os objetivos de desenvolvimento socio-
econômico, afetava as atividades industriais e as condições de saúde. 
Em 1964, foi criado o Banco Nacional de Habitação (BNH), cujo objetivo era 
implantar uma política de desenvolvimento urbano, ficando para si a coordenação 
dos recursos para o saneamento. Dessa forma, o tão propalado milagre econômico 
em uma conjuntura econômica favorável não só incentivou como viabilizou a criação, 
em 1967, do Sistema Financeiro de Saneamento (SFS). Também foram criados os 
Fundos de Água e Esgoto estaduais (FAE). Os financiamentos passaram a ser reali-
zados com uma contrapartida dos municípios, ou seja, que organizassem os serviços 
em forma de autarquia ou em sociedade de economia mista. No Brasil, a criação 
desses instrumentos pode ser considerada como um marco inicial, uma vez que se 
obtinha, a partir de então, a garantia de um estruturado sistema de financiamento 
para o setor de saneamento.
P a r t e I I168
Plano Nacional de Saneamento (Planasa)
Em 1968, o Governo Federal criou, sob a coordenação do BNH, o Plano Na-
cional de Saneamento (Planasa) implantado em 1971, medida que alterou a 
configuração do setor, viabilizando a implantação de uma política nacional 
de saneamento básico. Visava ao atendimento de 80% da população urbana com 
serviços de água e de 50% com esgotamento sanitário até 1980. Incentivava os muni-
cípios a concederem os direitos de exploração dos serviços às Companhias Estaduais 
de Saneamento Básico (Cesb’s), que passaram a ser responsáveis pela execução de 
obras e operação dos sistemas. 
Objetivo: melhorar a administração dos riscos por meio de uma centralização 
estadual e, principalmente, do estabelecimento de subsídios cruzados que permitissem 
que as regiões mais rentáveis financiassem as menos lucrativas. O critério tarifário 
assegurava subsídio dos usuários de maior poder aquisitivo para os de menor renda, 
assim como dos grandes consumidores para os pequenos usuários, ou ainda, dos 
municípios ricos em favor das cidades pobres de um mesmo Estado. A concepção 
e a criação do Planasa foram do ministro Afonso Augusto de Albuquerque Lima, 
que ocupou a pasta do Interior. Nesse contexto nacional, a Cesan nasceu em 1967.
Dois anos depois, foi editado o Decreto-Lei 949 que definiu o que, de fato, mu-
daria o saneamento básico no Brasil em termos de grandes investimentos. O BNH 
passou a aplicar recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço(FGTS). As 
companhias tiveram acesso aos empréstimos do BNH – com recursos do FGTS – para 
financiar parte dos investimentos aplicados na ampliação e na construção dos sistemas 
dos municípios que aderiram à concessão. Apenas 25% do total dos municípios então 
existentes, ou seja, cerca de mil mantiveram sua autonomia na gestão e na operação 
dos seus serviços de saneamento. Os demais praticamente optaram pela concessão dos 
serviços às companhias estaduais.
A década de 70 foi o momento das grandes obras de saneamento e, conse-
quentemente, do crescimento dos índices de cobertura dos serviços no Brasil. No 
Espírito Santo, a Cesan realizou as obras do seu maior sistema de abastecimento 
de água: a captação no Rio Jucu e a construção da Estação de Tratamento de 
Água de Vale Esperança. Vários sistemas das sedes do interior foram construídos 
e ampliados. Iniciaram-se também os estudos para a construção do segundo maior 
D é c a d a d e 1 9 6 0 169D o t e m p o d a C e s a n
sistema de abastecimento de água para captação no Rio Santa Maria da Vitória e a 
Estação de Tratamento de Carapina. 
Apesar de todas as conquistas, o Planasa, no final da década de 70, começou a 
entrar em colapso. No início dos anos 1980, as medidas adotadas para superar a crise 
não lograram o êxito desejado.
O sucesso do Planasa ficou evidenciado no aumento significativo da oferta de 
abastecimento de água como também, em proporção menor, na melhoria dos serviços 
de esgotamento sanitário.
Em 1970, a população abastecida de água era de apenas 20 milhões de pessoas, 
das quais parcela significativa convivia com suprimento irregular e deficiente. Uma 
década depois, o abastecimento de água em boas condições de salubridade já atingia 
65 milhões de pessoas.
Em 1970, a população servida por esgotos sanitários era de 11 milhões de pessoas. 
Em 29 de setembro de 1981, foi publicada a Portaria 140 do então ministro do 
Interior, Mário David Andreazza, que fixou as novas metas do Planasa para 1981-
1990 em consideração à instituição da “Década Internacional da Água Potável e do 
Saneamento Ambiental”, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas (ONU). 
Outra razão foram os resultados expressivos alcançados pelo Planasa. As metas 
estabelecidas visavam ao atendimento de pelo menos 90% da população urbana, com 
serviços de abastecimento de água e, no mínimo, 65% da população urbana, com 
serviços adequados de esgotos sanitários. Em apoio às metas fixadas, alguns aspectos 
deveriam ser observados como: programações voltadas para o atendimento às cidades 
médias e às Comunidades de Pequeno Porte (CPP), sendo que 70% das localidades 
beneficiadas deveriam ter até 5 mil habitantes; necessidade de proteção dos mananciais 
de abastecimento de água, principalmente contra a poluição e a ocupação predató-
ria; adoção de procedimentos de economia de escala por meio de racionalização de 
métodos operacionais, de soluções integradas, padronização de projetos, materiais e 
equipamentos, objetivando a redução de custos e ganho de produtividade; execução 
programada por etapas em função das disponibilidades financeiras; ampliação dos 
sistemas de abastecimento de água em conformidade com as programações de redução 
de perdas e desperdícios de água; ênfase especial à programação de pesquisas tecno-
lógicas e ao desenvolvimento institucional das companhias estaduais de saneamento 
básico, tendo em vista a obtenção de menores níveis tarifários. 
P a r t e I I170
Em 1985, o Ministério do Interior, ao qual se vinculava o Planasa, foi extinto. Suas 
funções referentes ao saneamento básico transferiram-se para o então recém-criado 
Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (MDU), que passou a 
ser responsável pelo BNH e pelo Planasa. O BNH foi extinto em 1986. As respon-
sabilidades do BNH relativas ao financiamento de saneamento foram repassadas à 
Caixa Econômica Federal (CEF), que recebeu o Sistema Financeiro do Saneamento. 
Diante desse quadro e com as limitações orçamentárias, iniciava-se uma grande 
crise institucional no setor. Em 1987, com a transformação do MDU em Ministério 
da Habitação, Urbanismo e Meio Ambiente (MHU), a CEF (fazia parte do Minis-
tério da Fazenda) passou sua responsabilidade para o MHU. Em 1988, o MHU foi 
transformado em Ministério do Bem-Estar Social (MBES), e a Caixa Econômica 
retomou seu vínculo com o Ministério da Fazenda. Em 1989, foi extinto o MBES 
e recriado o Ministério do Interior, reassumindo as funções do saneamento básico.
Segundo Turolla, o Planasa foi o único mecanismo articulado de financiamento 
e de modernização do setor de saneamento no Brasil. As iniciativas governamentais 
de política nacional de saneamento, após o fim do Planasa, permaneceram em regula-
mentação por toda a década de 1990. Alguns dispositivos constitucionais começaram 
a se concretizar na segunda metade dos anos 90, como o gerenciamento de recursos 
hídricos, as concessões e as permissões de serviços públicos, dentre outros, graças à 
demanda de regulamentação no setor de saneamento criada na Constituição de 1988.
Em 1990, foi extinto o Ministério do Interior, criando-se a Secretaria do Sa-
neamento ligada ao recém-lançado Ministério da Ação Social (MAS). A criação 
da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) teve como objetivo substituir a antiga 
Superintendência de Campanhas de Saúde (Sucam) e outros órgãos extintos. A CEF 
permaneceu na área do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento. A adminis-
tração do FGTS ficou no Ministério do Trabalho e da Previdência Social, entretanto, 
o MAS fazia a gestão da aplicação dos seus recursos. O Departamento Nacional de 
Obras e Saneamento (DNOS) também foi extinto. Criou-se o Programa Nacional 
de Descentralização (PND) para o setor de infraestrutura. Foi o marco para a parti-
cipação do setor privado na área.
Finalmente, o Planasa foi extinto em 1992. Um ano depois, o MAS deu lugar ao 
Ministério do Bem-Estar Social. Em 1995, as atribuições da política de saneamento 
passaram para a Secretaria de Política Urbana (Sepurb), ligada ao Ministério do 
D é c a d a d e 1 9 6 0 171D o t e m p o d a C e s a n
Planejamento. De 1999 em diante, a Sepurb ficou vinculada à Secretaria do Desen-
volvimento Urbano (Sedur) da Presidência da República.
No decorrer da década de 90, distintos programas foram implementados com 
avanços na expansão das redes sem, contudo, alavancar a universalização dos serviços, 
fato prejudicado pela indefinição da titularidade e marco regulatório. A Constituição 
de 1988 deixou dúvidas quanto à titularidade e ao marco regulatório, que influencia-
ram negativamente nos investimentos públicos e privados, criando entrave à expansão 
do setor. No campo da regulamentação e da definição da titularidade, os avanços 
ficaram limitados. A cobertura dos serviços foi impulsionada por alguns programas 
federais, como o Pró-Saneamento, os de Ação Social e as atuações da Fundação Na-
cional da Saúde (Funasa). Outros programas foram criados não para as desigualdades 
socioeconômicas, mas para a modernização do setor: o de Modernização do Setor 
de Saneamento (PMSS) e o de Pesquisas em Saneamento Básico (Prosab) são apenas 
exemplos. Enfim, a expansão atingiu basicamente o crescimento vegetativo da po-
pulação com a cobertura de redes de água e de esgotamento sanitário. O Censo de 
2000 mostrou alguns números: 44% da população brasileira estavam ligadas à rede 
de esgotos ou drenagem pluvial. Em 2003, a cobertura de redes de esgotos chegou a 
55,3% e, a de água, a 89,6%.
Primeiro relatório do sistema de água 
e esgotos elaborado para a Cesan pelo 
Consórcio Sondotécnica e pelo escritório 
técnico Enaldo Cravo Peixoto 
O Consórcio Sondotécnica e Enaldo CravoPeixoto, dentro dos estudos do Plano 
Diretor para o sistema de abastecimento de água e esgotos sanitários de Vitória, 
Cariacica e Vila Velha, no item “Sistema atual de abastecimento de água e esgotos 
sanitários”, abordou, em 1969, os problemas referentes ao funcionamento atual do 
sistema, conforme resumo a seguir:
Toda água consumida em Vitória, Vila Velha e Cariacica é proveniente de 
P a r t e I I172
dois mananciais: Duas Bocas e Rio 
Marinho. O Duas Bocas concorre com 
cerca de 30% da água de abastecimento 
e, o Rio Marinho, com 70%. A barragem 
de Duas Bocas continua com as defici-
ências apontadas: infiltrações de água 
permitem apenas que se utilize menos 
de 25% da sua cota de armazenagem. 
Nas condições atuais são captados ape-
nas cerca de 240 litros por segundo da 
água desse manancial.
A captação no Rio Marinho é exe-
cutada através de uma pequena barra-
gem, com tomada de água controlada 
por comporta para um canal lateral não 
revestido, com cerca de 2.200 metros de 
extensão. Uma nova barragem, no final 
do percurso, impede que o reflexo da 
maré, através do Rio Marinho, salgue a 
água do canal. A cerca de 1.700 metros 
da captação, situa-se uma estação ele-
vatória. Dali, duas tubulações de ferro, 
com diâmetro de 600 mm e 1.064 me-
tros de comprimento, se unem em uma 
única tubulação de 800 mm de diâmetro 
e comprimento de 260 metros, que vai 
para a Estação de Tratamento.
Planta do sistema 
de abastecimento 
de água de 1969
D é c a d a d e 1 9 6 0 173D o t e m p o d a C e s a n
P a r t e I I174
Em condições normais são aduzidos, em média, cerca de 900 a 1.000 litros por 
segundo de água nesse canal.
A estação elevatória consta de uma área coberta de 15,80 por 12,90 metros qua-
drados, abrigando os seguintes conjuntos motobombas: 2 horizontais de 300 HP 
cada um, com capacidade de 200 litros por segundo; 4 conjuntos verticais de 125 
HP, cada um com capacidade de 110 litros por segundo; 2 conjuntos horizontais de 
75 HP e cada um com capacidade de 50 litros por segundo; 1 conjunto horizontal de 
350 HP e capacidade de 220 litros por segundo, em fase de instalação; 2 conjuntos 
geradores por motor a diesel, com capacidade nominal de 300 KVA para suprimento 
de energia em caso de pane.
A Estação de Tratamento de Alto Cobi, projeto elaborado pela Permutit Water 
Co., em 1954, consta basicamente de canal de chegada da água com chicanas5 para 
mistura dos coagulantes; dosadores; duas unidades de precipitação e decantação; e 
quatro unidades filtrantes com leito de areia. A capacidade da estação é de cerca de 
440 litros por segundo.
5 No processo de tratamento da água, o conjunto de câmaras instaladas nos floculadores para se dissipar a energia 
hidráulica disponível é denominado de chicanas. A água passa pelas chicanas efetuando um movimento sinuoso.
ETA de Cobi
D é c a d a d e 1 9 6 0 175D o t e m p o d a C e s a n
Tratamento de água no Canal do Marinho
A capacidade insuficiente da Estação de Tratamento de Alto Cobi para suprir a de-
manda de água e a falta de verba para ampliar a estação levou os responsáveis pelo 
abastecimento da população de Vitória à utilização de um sistema de emergência, 
cujos resultados eram satisfatórios. A cerca de 600 metros da tomada de água do canal 
do Rio Marinho foi construído um conjunto de chicanas. No início dessas chicanas 
era lançada uma solução de sulfato de alumínio preparada numa casa de dosagem ao 
lado do canal. A floculação6 se dava em boas condições, sem necessitar de adição de 
cal, já que a natureza da água permitia essa vantagem. Ao longo dos 1.100 metros do 
canal, ocorria a decantação e, a água, assim tratada, era recebida na estação elevatória 
e daí bombeada para a ETA, onde era clorada e corrigido o pH. O canal era mantido 
livre por uma turma volante de limpeza. O lodo era periodicamente removido por 
meio de dragas e lançado no terreno adjacente ao canal. 
6 Floculação é a formação de flocos sedimentáveis de suspensões finas, por meio do emprego de coagulantes.
Tratamento da água no Canal 
Marinho, casa de dosagem e floculador 
de madeira, décadas de 60 e 70 
P a r t e I I176
Os inconvenientes desse tratamento eram óbvios, residindo, principalmente, 
nas dificuldades de limpeza que exigiam a paralisação do sistema, já que era feita 
com equipamento emprestado de vez em quando pelo DNOS. Também havia falta 
de revestimento do canal, com possibilidade de desmoronamento e infiltrações de 
águas poluídas que dificultavam a limpeza; e faltava filtragem adequada do efluente, 
uma vez que a decantação formava próxima à tomada de água da elevatória, bancos 
de lodo que estrangulavam a seção do canal e provocavam, por aumento de veloci-
dade, o arrastamento de material já decantado. Os filtros da Estação de Tratamento 
não tinham capacidade para filtrar a água exigida para consumo. Havia necessidade 
de vigilante permanente do canal e, por fim, ocorriam as frequentes inundações das 
margens do Rio Marinho causadas pela barragem.
Floculador de madeira no Canal 
Marinho, décadas de 60 e 70
Adutoras e redes distribuidoras
Excetuando-se a distribuição de água para a zona de Cariacica proveniente da sangria 
da adutora de Duas Bocas, o abastecimento geral da Grande Vitória é feito a partir da 
Estação de Tratamento do alto de Cobi. Da ETA partem as seguintes adutoras, uma 
delas de ferro fundido, com diâmetro de 800 mm e com as seguintes ramificações:
D é c a d a d e 1 9 6 0 177D o t e m p o d a C e s a n
 ~ Tubulação de ferro fundido com diâmetro de 500 mm, abastecendo os dois 
reservatórios de Santa Clara.
 ~ Tubulação de ferro fundido com diâmetro de 600 mm, abastecendo dire-
tamente a zona norte. Essa zona será brevemente abastecida através de um 
reservatório que está concluído, mas ainda não funciona. Prevê-se também 
para breve a conclusão da construção de uma adutora de ferro fundido, de 
diâmetro de 600 mm, que abastecerá também o reservatório da zona norte, 
partindo diretamente da ETA.
 ~ Tubulação de ferro fundido com diâmetro de 350 mm, que serve aos bair-
ros Jardim América e Campo Grande.
 ~ Tubulação de ferro fundido com diâmetro de 250 mm, que serve ao 
bairro Paul.
 ~ Uma adutora de ferro fundido com diâmetro de 250 mm e comprimento 
de 4.200 metros, abastecendo Vila Velha.
 ~ Uma adutora de ferro fundido com diâmetro de 400 mm, abastecendo tam-
bém Vila Velha.
 ~ Uma adutora de ferro fundido com diâmetro de 250 mm, abastecendo o Ibes.
 ~ Finalmente, uma adutora em plástico para abastecimento local do bair-
ro Cobi.
Nos últimos anos, a Cesan tem procurado cadastrar a rede distribuidora. Numa 
planta em escala 1:4.000 estão lançadas as canalizações mestras com diâmetros que 
atingem, em certos casos, duas polegadas. Entretanto, o cadastro não está completo 
e não inspira total confiança. Sabe-se que são utilizados tubos de ferro fundido, ferro 
galvanizado e fibrocimento.
Dados extraídos do Relatório da Sondotécnica, elaborado em 1964 para o 
DNOS, informa que a rede distribuidora compõe-se de canalizações de diâmetros 
entre 50 mm (2 polegadas) e 250 mm (10 polegadas), sendo aproximados 70% de 
diâmetros de 50 mm a 100 mm; a extensão total de canalização é de 140.257 metros 
(1962), o que corresponde a cerca de 1.300 metros por 1.000 habitantes. Existem no 
P a r t e I I178
sistema oito conjuntos de elevação mecânica para atender o abastecimento das zonas 
altas e críticas da cidade. Existem 43 hidrantes do tipo baixo instalados em calçadas 
(ocorreram em Vitória, em 1960, 19 incêndios).
Quanto ao estado da rede, informa a Cesan que, de modo geral, é precário. Essa 
entidade mantém em serviços ativos cerca de 240 homens queatendem à correção dos 
vazamentos que, com frequência, se manifestam ao longo das ruas. O abastecimento 
dos bairros situados nas extremidades da rede é em geral deficiente, agravando-se nos 
pontos situados em cotas altas.
Desenho esquemático do 
sistema de abastecimento de 
água de Cariacica, Vitória 
e Vila Velha, 1969
D é c a d a d e 1 9 6 0 179D o t e m p o d a C e s a n
Reservatórios
Existem apenas os seguintes:
 ~ 2 reservatórios na zona de Santa Clara, com capacidades respectivas de 3.713 
metros cúbicos e 3.417 metros cúbicos.
 ~ 1 reservatório na zona norte recém-construído e que ainda não está em fun-
cionamento, com capacidade de 5 mil metros cúbicos, na cota de 40 metros.
 ~ Existem ainda pequenos reservatórios com bombas de recalque, situados 
em pontos especiais, destinados a abastecer áreas cuja pressão na linha é de-
ficiente.
 ~ Os bairros Morro do Moscoso e Santo Antônio são exemplos de locais abas-
tecidos através de estações elevatórias suplementares. Duas unidades de re-
calque com 15 HP e 30 HP, respectivamente, situadas junto a um dos re-
servatórios de Santa Clara, recalcam a água que é distribuída nesses bairros.
De qualquer forma, a capacidade total de recalque, mesmo considerando ligado o 
reservatório da zona norte, representará menos de 16% do volume de água distribuída 
diariamente. Esse volume é estimado em 900 litros por segundo, ou seja, 77.760 metros 
cúbicos por dia para uma reserva de cerca de 13 mil metros cúbicos.
Reservatório de Santa Lúcia 
construído pelo DNOS
P a r t e I I180
Sistema atual de redes de esgotos sanitários
De modo geral, Vitória, Vila Velha e Cariacica não possuem um sistema separador de 
esgotos sanitários. Eles são encaminhados para fossas sépticas individuais e os efluentes 
vão às valas ou aos coletores de esgotos pluviais, quando eles existem.
Durante a administração do prefeito Henrique Novaes houve uma tentativa de 
servir a metrópole com esse importante melhoramento público. Chegaram a construir 
redes de esgotos sanitários em Jucutuquara e no Centro de Vitória. Foram construídas 
estações elevatórias e muitos prédios chegaram a ser ligados às redes. Entretanto, com 
o correr dos anos, foram interligando águas pluviais e esgotos sanitários. As elevatórias 
não existem mais e, atualmente, não é possível sequer identificar o que foi construído 
diante da falta de projeto ou dados esclarecedores.
Primeiro Plano Diretor para o sistema de 
abastecimento de água e esgoto sanitário 
de Vitória, Vila Velha e Cariacica
Primeiro Plano Diretor para o sistema de abastecimento de água
O consórcio formado pelo Escritório Técnico Enaldo Cravo Peixoto e a Sondotécnica 
Engenharia de Solos S. A. elaborou, entre 1969 e 1970, o primeiro Plano Diretor de 
Água e Estudos de Viabilidade dos Sistemas de Abastecimento de Água e Esgota-
mento Sanitário da Grande Vitória. A área de abrangência foi Vitória e áreas urbanas 
adjacentes de Vila Velha, Itaquari, Argolas, São Torquato, Ibes e Goiabeiras, além do 
aglomerado urbano de Cariacica, cuja população na época era em torno de 300 mil 
habitantes. A previsão era de ultrapassar 1 milhão de habitantes no fim do século 
XX. Teve três fases: a primeira foi para coleta de dados; a segunda, o Plano Diretor 
e, a terceira, o estudo de viabilidade. As obras previstas foram dimensionadas para 
as condições previstas no fim do século XX. A sua implantação seria feita em duas 
etapas: a primeira para atender a demanda até por volta de 1983-84.
Os dois sistemas de abastecimento dispunham de uma vazão média de 1.140 
litros por segundo, sendo 900 do Rio Jucu, via captação no canal Marinho, e 240 
D é c a d a d e 1 9 6 0 181D o t e m p o d a C e s a n
do reservatório de Duas Bocas. O canal Marinho, além da influência da maré em 
alguns períodos, sofria efeitos da poluição devido ao crescimento das populações 
ribeirinhas. A capacidade da ETA de Cobi, de 440 litros por segundo, era muito 
inferior à vazão bombeada do Marinho. Isso obrigou a adoção de uma solução pro-
visória de decantar a água no canal. Parte da vazão de Duas Bocas era distribuída, 
sem tratamento, aos bairros situados ao longo da adutora de 500 mm e, a outra 
parte, chegava à ETA de Cobi.
Os três reservatórios tinham capacidade de 12 mil metros cúbicos, correspon-
dendo a cerca de três horas da vazão efluente da ETA. A rede de distribuição não 
dispunha de cadastro atualizado. O número de ligações, em agosto de 1969, era de 
43.654 para uma população urbana da ordem de 280 mil habitantes.
O consumo per capita estimado, na época, era de 450 litros por dia, valor elevado 
em face da não existência de medidor para a maioria dos usuários, além do funciona-
mento precário do sistema. 
Em 1960, Vitória, Cariacica e Vila Velha somavam uma população em torno de 
180 mil habitantes e, a projeção para 1970, com base nos dados do IBGE, atingiria 
330 mil habitantes. Naquela época, a população se concentrava nas cidades de Vitória 
e Vila Velha, nas vilas de Goiabeiras, Itaquari, Argolas, São Torquato, Ibes, e na cidade 
de Cariacica, situada a 15 km de Vitória. 
Foi adotada uma taxa geométrica de crescimento de 6,38% em que se chegou a 
uma população projetada de 300 mil habitantes para 1970, 481 mil para 1980, 719 
mil para 1990, e 1.090.000 habitantes para o ano 2000.
Em maio de 1969, o número de ligações de água era: 
 ~ Vitória: total de 19.284, sendo 18.791 na parte da Ilha e 493 em Goiabei-
ras, incluindo Camburi.
 ~ Cariacica: total de 7.336, das quais 1.018 em Itaquari; 1.049 em Itacibá, 1.825 
em Jardim América, 1.129 em Campo Grande, e 2.315 nos demais bairros.
 ~ Vila Velha: total de 15.033 ligações, sendo 677 em Argolas, 1.687 no Ibes, 
1.076 em São Torquato e 11.593 nos demais bairros.
Em agosto de 1969, o número de ligações teve um acréscimo e o total foi de 
P a r t e I I182
43.654. Vitória passou a ter 20.213 ligações, Cariacica 7.572 e, Vila Velha, 15.869 
ligações. O percentual de inadimplência superava 35%.
O quantitativo de empregados não optantes pelo FGTS era de 267 empregados 
e a relação dos optantes atingiu 350 empregados.
O consumo per capita adotado foi de 250 litros por dia, coeficiente diário de 1,25 
e horário de 1,5. Assim, a vazão média diária calculada para o ano 2000, considerando 
80% da população atendida, chegou a 3,1 metros cúbicos por segundo. Previu-se 
que as obras de captação, adução e tratamento seriam feitas em duas etapas de 1,65 
metros cúbicos por segundo.
Os centros de reservação previstos foram Santa Clara, Jucutuquara, zona norte, 
Jardim América e Vila Velha. 
Quanto ao aproveitamento das obras existentes de captação e adução, o Pla-
no Diretor informou que não era recomendável continuar a utilizar a captação 
no Canal Marinho, pois estava afetada pela variação de nível com a redução da 
descarga derivada do Rio Jucu, pela poluição causada pela população ribeirinha e 
infiltrações de água do mar. Recomendava também limitar o atendimento de Duas 
Bocas à cidade de Cariacica diante das condições da barragem e o estado precário 
da adutora de Duas Bocas; desativar a floculação e decantação no Canal Marinho 
tão logo fosse ampliado o sistema; dificuldades de utilização da ETA de Cobi, pois 
tratava apenas 440 litros por segundo com filtração direta e área desfavorável para 
ampliação e construção de um reservatório de distribuição. Recomendou-se ainda o 
aproveitamento dos dois reservatórios de Santa Clara (7 mil metros cúbicos) de um 
total de 12 mil metros cúbicos, assim como o de Santa Lúcia que ainda não tinha 
sido colocado em operação. 
Outra recomendação foi aproveitar as subadutoras, desde que fosse técnica e 
economicamente possível, como as de 600 e 500 mm que abastecem a Ilhade Vitória. 
Por fim, sugeriu-se a substituição das redes de distribuição que predominavam, as de 
2 polegadas, em face da diversidade de material (ferro galvanizado, ferro fundido, 
fibrocimento, plástico), de seu estado precário e de cadastro incompleto.
Com relação à escolha dos mananciais abastecedores, o Plano Diretor indicou a 
utilização dos rios Jucu e Santa Maria, não sendo necessária a construção de represas 
se a captação fosse feita no curso inferior. De fato, foi o que aconteceu: tanto a cap-
tação no Rio Jucu como no Santa Maria, onde foram feitas as captações a fio de água 
D é c a d a d e 1 9 6 0 183D o t e m p o d a C e s a n
na parte inferior dos dois rios, sem necessitar de barragens, assim como o consumo 
de 2011 que ainda não sinalizava a necessidade de tal barragem a curto prazo. Foi 
sugerido ao manancial Duas Bocas atender Cariacica e bairros vizinhos e, realmente, 
foi o que aconteceu em 2011: a área de Duas Bocas ficou reduzida à região da Sede. 
Foi descartada a captação de água subterrânea. 
Foram estudadas quatro alternativas para a captação, adução e tratamento, 
tendo como manancial abastecedor o Rio Jucu para etapas com vazões líquidas 
de 1,65 metros cúbicos por segundo e 3,3 metros cúbicos por segundo, com al-
cance previsto até o ano 2000. Cariacica Sede continuaria com Duas Bocas. As 
alternativas foram:
1. A captação seria feita a 6 km a jusante dos dois braços do Rio Jucu. A água 
seria conduzida por gravidade por uma tubulação de concreto protendido de 
33 km de comprimento até a ETA que seria localizada nas proximidades de 
Jardim América. Dali, as águas seriam recalcadas até um reservatório no morro 
de cota de 70 metros, em Jardim América.
2. A captação seria feita na altura da Vala Neves mediante uma barragem de 
comportas que elevasse o nível de água no Jucu. Daí, a adução seria por gra-
vidade por um canal aberto até a ETA que seria localizada nas proximidades 
de Jardim América, de onde as águas seriam recalcadas para o reservatório no 
topo de um morro, na cota de 70 metros, em Jardim América.
3. Esta alternativa é idêntica à alternativa 2, diferenciando apenas nas obras de 
adução até a ETA, que seria composta por uma estação elevatória (pela mar-
gem esquerda do rio), recalcando as águas por uma tubulação de concreto 
protendido de baixa pressão.
4. É idêntica às alternativas 2 e 3, entretanto, a ETA foi prevista no topo do 
morro, junto com o reservatório. A adução seria feita por uma estação ele-
vatória na margem esquerda do Jucu e uma tubulação de aço, de recalque 
de alta pressão.
A alternativa mais atrativa foi a de número 2, que apresentou menores valores 
de investimento nas duas etapas do projeto. 
O desenho esquemático, a seguir, indica as características básicas das quatro 
alternativas estudadas.
P a r t e I I184
Alternativas 
estudadas 
do primeiro 
plano diretor 
de água 
1969 a 1970
D é c a d a d e 1 9 6 0 185D o t e m p o d a C e s a n
Desenho 
esquemático 
do primeiro 
Plano 
Diretor de 
Água de 
1969-70: 
alternativa 2
P a r t e I I186
Planta do 
primeiro 
Plano 
Diretor de 
Água de 
1969-70: 
subadutoras
D é c a d a d e 1 9 6 0 187D o t e m p o d a C e s a n
Planta do 
primeiro 
Plano Diretor 
de Água de 
1969-70: rede 
de distribuição 
e malhas 
principais 
P a r t e I I188
O primeiro Plano Diretor de Água e 
Estudos de Viabilidade dos Sistemas de 
Abastecimento de Água e Esgotamento 
Sanitário da Grande Vitória foi elabo-
rado, entre 1969 e 1970, pelo Consór-
cio constituído pelo Escritório Técnico 
Enaldo Cravo Peixoto e a Sondotécnica 
Engenharia de Solos S.A. A área de estudo 
abrangeu Vitória, Vila Velha e Cariacica. 
Foram consideradas as áreas habitadas e 
as prováveis ocupações dos próximos 30 
anos. As áreas em expansão não consi-
deradas como, ao norte, a localidade de 
Goiabeiras e, ao sul, os aglomerados que 
se desenvolvem principalmente ao longo 
da BR-101, as áreas ao sul de Cariacica e 
Vila Velha e, finalmente, a Sede de Caria-
cica, não tiveram condições de integrar 
esse plano de conjunto. Definiu-se que tão 
logo acontecesse a expansão e as condições 
urbanísticas nessas localidades, deveriam 
ser estudadas soluções individuais para o 
destino final dos esgotos, seja por trata-
mento, seja por lançamento no próprio 
sistema atual com ou sem ampliação, ou 
seja, por outros lançamentos submarinos 
quando fosse o caso.
A área de abrangência e as bacias 
de contribuição estão indicadas nas fi-
guras seguintes.
Planta do primeiro Plano Diretor de Esgoto 
de 1969-70: área abrangida pelo projeto
D é c a d a d e 1 9 6 0 189D o t e m p o d a C e s a n
P a r t e I I190
D é c a d a d e 1 9 6 0 191D o t e m p o d a C e s a n
Foram estudadas três soluções e alter-
nativas que, nos estudos de concepção do 
sistema, foram denominados de Plano A, 
Plano B e Plano C.
O Plano A considerou dois sistemas 
independentes para concentrar os esgotos, 
contemplando o lançamento dos efluentes 
para o mar aberto em dois pontos distintos: 
um em Vitória e outro em Vila Velha. Mas 
seria necessário construir emissários tanto 
em Vitória quanto em Vila Velha. Em Vitó-
ria, seria um emissário ao longo das margens 
do canal, próximo ao canal de acesso, desde 
Santo Antônio, passando pelo Centro e Ben-
to Ferreira até o ponto de concentração do 
esgoto na região da Praia do Suá. 
Como informou a projetista, “o ponto 
de lançamento final dos efluentes poderá ser 
feito a partir de pontos elevados com carga 
suficiente para permitir uma velocidade com-
patível com as condições do projeto. O lança-
mento é previsto a partir da Ilha do Boi, onde 
poderá ser escolhida uma área em cota alta e 
ser instalada uma estação de remoção de flu-
tuantes, se essa medida se revelar necessária.” 
Para a parte continental, no caso Vila Velha e 
Cariacica, o ponto de concentração seria na 
região de Piratininga, próximo à Prainha. O 
lançamento poderia ser feito a partir da cota 
alta nas encostas do Morro do Moreno.
Planta do primeiro Plano 
Diretor de Esgoto de 1969-
70: bacias de contribuição
P a r t e I I192
O Plano B, como segunda alternativa, levou em conta o custo elevado das obras 
de lançamento submarino, as vantagens operacionais e de manutenção. Com isso, 
adotou a mesma concepção dos interceptores do Plano A, porém utilizando apenas 
um emissário submarino. Este, além dos esgotos de Vila Velha e Cariacica, receberia 
D é c a d a d e 1 9 6 0 193D o t e m p o d a C e s a n
também os de Vitória, através do recalque de uma elevatória que seria localizada na 
Praia do Suá, com emissário passando pelo fundo da baía de Vitória indo até a Praia 
da Costa (Morro do Moreno). O lançamento submarino seria o mesmo da alternativa 
A, ou seja, a partir do Morro do Moreno.
Planta do primeiro 
Plano Diretor de Esgoto 
de 1969-70: Plano A
P a r t e I I194
Planta do 
primeiro Plano 
Diretor de 
Esgoto de 1969-
70: Plano B
D é c a d a d e 1 9 6 0 195D o t e m p o d a C e s a n
A projetista descreve o Plano C: “considerando as dificuldades que possam acar-
retar a construção do emissário de recalque no fundo do canal de acesso para remoção 
dos esgotos da Ilha e do continente, conforme preconiza o Plano B, considerando que 
se trata de um canal de navegação, relativamente estreito, sujeito, talvez, a dragagens 
periódicas, surgiu o Plano C que é uma variante do Plano B, prevendo a travessia do 
canal na Ponte que liga a Ilha do Príncipe ao continente. Este plano prevê uma nova 
estação elevatória nas imediações da Ilha do Príncipe.”
Pa r t e I I196
Planta do primeiro 
Plano Diretor de 
Esgoto de 1969-
70: Plano C
D é c a d a d e 1 9 6 0 197D o t e m p o d a C e s a n
Seleção do plano 
mais indicado
Na seleção do plano ou a alternativa 
mais indicada, considerou-se os fatores 
técnicos, locais, econômicos e de flexi-
bilidade. O alto custo do lançamento 
de dois emissários submarinos e as 
condições locais (movimento de an-
coragem das embarcações que deman-
dam o Porto de Vitória e a presença de 
cabos submarinos na região) fez com 
que a alternativa A fosse eliminada. 
Assim, analisaram-se as alterna-
tivas B e C. Uma vez orçadas as solu-
ções B e C e juntamente com os fatores 
apontados, indicou-se que a alternati-
va eleita foi a B. Numa primeira etapa 
foi sugerida a construção das redes de 
esgoto, concentrando nas elevatórias 
com recalque por elevatórias do tipo 
flygt para o canal e, numa segunda eta-
pa, construir os maiores interceptores 
e o emissário submarino.
P a r t e I I198
Desenho do primeiro 
Plano Diretor de 
Esgoto de 1969-
70: interceptor do 
continente, Plano B
D é c a d a d e 1 9 6 0 199D o t e m p o d a C e s a n
Desenho do 
primeiro Plano 
Diretor de Esgoto 
de 1969-70: 
interceptor da 
Ilha, Plano B
P a r t e I I200
Primeira logomarca da Cesan
Surgiu na gestão de Gladstone Hoffmann e pode ser vista nas fotos a seguir.
Primeira 
logomarca 
da Cesan
Conceição da Barra: primeiro 
sistema de abastecimento de 
água no interior do Estado
Fato histórico para ser registrado: na fase de transição do DAE para a Cesan cons-
truiu-se o primeiro sistema de abastecimento de água no interior do Estado, em 
Conceição da Barra, no dia 8 de dezembro de 1967. Segundo o engenheiro Helder 
Faria Varejão, alguns poços foram perfurados e em um deles ocorreu o sucesso da 
produção de água. Esse poço passou, então, a abastecer a comunidade. As fotos, a 
seguir, registraram esse acontecimento.
O engenheiro Helder Faria Varejão, que era o coordenador dos municípios, não 
aparece, pois estava tirando as fotografias. O passo seguinte foi a ampliação do sistema 
com a captação superficial e a Estação de Tratamento.
D é c a d a d e 1 9 6 0 201D o t e m p o d a C e s a n
Casa onde estava localizada a 
elevatória do poço do primeiro 
sistema de água do interior: Conceição 
da Barra, 8 de dezembro de 1967
Mario Petroch à 
esquerda do poço do 
primeiro sistema de 
água do interior: 8 
de dezembro de 1967
Governador Cristiano 
Dias Lopes (centro), 
Gladstone Hoffmann ao 
lado de Mário Petroch 
(à direita) e o bispo (à 
esquerda): inauguração 
do primeiro sistema de 
água do interior em 8 
de dezembro de 1967
Autêmio Teubner e 
Décio Sobral ao lado 
da elevatória do 
primeiro sistema de 
água do interior: 8 
de dezembro de 1967
Descerramento da 
placa do primeiro 
sistema de água 
do interior em 
Conceição da Barra, 
8 de dezembro 1967
202 P a r t e I I
1970D é c a d a de
D é c a d a d e 1 9 7 0 203D o t e m p o d a C e s a n
A sequência das concessões 
e as primeiras obras
A Cesan, ao assumir o acervo do antigo DAE, além das cidades de Vitória, Vila Velha 
e Cariacica, passou a operar também Castelo, São Gabriel da Palha, Nova Venécia 
e Conceição da Barra. Em Vitória e Castelo havia um singelo sistema de esgotos 
sanitários, que passaram a ser administrados pela Cesan. A Fundação Sesp, atual Fu-
nasa, atuava com os SAAEs em Aracruz, Baixo Guandu, Cachoeiro do Itapemirim, 
Colatina, Ibiraçu, Iconha, Itapemirim, Jerônimo Monteiro, Linhares e São Mateus. 
As demais prefeituras administravam diretamente os serviços de abastecimento de 
água e esgotos sanitários de suas comunidades.
ETA de Castelo do sistema de água 
transferido do DAE para a Cesan1970
204 P a r t e I I
ETA de Nova Venécia do sistema de 
água transferido do DAE para a Cesan
ETA de Nova Venécia do sistema de 
água transferido do DAE para a Cesan 
D é c a d a d e 1 9 7 0 205D o t e m p o d a C e s a n
Desenho do antigo sistema de água de Castelo
206 P a r t e I I
Desenho do 
antigo sistema 
de água de 
São Gabriel 
da Palha
D é c a d a d e 1 9 7 0 207D o t e m p o d a C e s a n
208 P a r t e I I
Sistema de água de Nova Venécia 
construído pelo Departamento Estadual 
de Saúde para ser operado pelo DAE
D é c a d a d e 1 9 7 0 209D o t e m p o d a C e s a n
Desenho do 
antigo sistema de 
abastecimento de 
Nova Venécia
210 P a r t e I I
No decorrer de 1970, ainda com menos de três anos de criação, a Cesan 
prosseguiu suas realizações de estudos, projetos e obras tanto na Grande Vitória 
quanto no interior.
Na Grande Vitória, concluiu-se o Plano Diretor de Água que norteou, em 
boa parte, as grandes obras do sistema de produção do Rio Jucu, previstas para o 
final de 1975. Foram construídas 85 mil metros de redes de distribuição e 12 mil 
metros de subadutoras em Camburi, Goiabeiras, Santa Mônica, Itaparica, Jaburuna, 
Cobilândia, dentre outros. A estação elevatória de Cobilândia, no Rio Marinho, 
foi ampliada com a instalação de um novo conjunto de motobomba de 350 HP e 
vazão de 220 litros por segundo.
No interior do Estado foram concluídos os projetos técnicos dos sistemas de 
abastecimento de água de Piúma, Bom Jesus do Norte, Apiacá, Conceição do Cas-
telo, Mantenópolis, Pinheiros, Boa Esperança e Conceição da Barra. Na conclusão 
das obras de abastecimento de água de Iúna constavam: captação, adução, reservação 
(200 metros cúbicos), filtração e redes de distribuição; de Muqui continham captação, 
estação de recalque, adutora de água bruta, tratamento e rede de distribuição; de 
São José do Calçado havia captação, estação elevatória de recalque, adutora de água 
bruta, estação de tratamento, reservatório (130 metros cúbicos), rede de distribuição 
e adutora de água tratada. 
Aquele período também assinalou o início da segunda etapa da obra de abas-
tecimento de água de Conceição da Barra, e de execução da solução de emergência 
para a melhoria do sistema de abastecimento de água da Sede de Bom Jesus do Norte
Também foram construídos 6.300 metros de redes de distribuição, 3 mil metros 
de adutora e 550 metros de rede de esgoto, em Castelo, Conceição da Barra, Nova 
Venécia e São Gabriel da Palha, além da construção parcial da Estação de Tratamento 
e da Casa de Bombas, em Conceição da Barra. Em São Gabriel da Palha realizou-se a 
ampliação do reservatório, com acréscimo de mais 100 metros cúbicos.
No início de 1971, a Cesan já atendia com serviço de abastecimento de água à 
Grande Vitória e a nove municípios do interior. Estes municípios, assim como todos 
os outros, foram convidados a fazerem sua adesão ao Planasa, via transferência da 
concessão de seus serviços para a Cesan.
Para fazer frente à nova demanda, em 1971, foi criado o organograma.
D é c a d a d e 1 9 7 0 211D o t e m p o d a C e s a n
ASSEMBLEIA
GERAL
CONSELHO
FISCAL
CONSELHO DE
ADMINISTRAÇÃO
PLANEJAMENTO
TÉCNICO
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OPERAÇÃO E
MANUTENÇÃO
PRODUÇÃO
INDUSTRIAL
COORDENAÇÃO
DE MUNICÍPIOS
ASSESSORIA
JURÍDICA
COMISSÃO
EXECUTIVA FUSAN
ADMINISTRAÇÃO
GERAL
PLANEJAMENTO
ECONÔMICO
CONTABILIDADE
E FINANÇAS
DIRETORIA
PRESIDÊNCIA DIRETORIA FINANCEIRADIRETORIA TÉCNICA
212 P a r t e I I
Ao longo de 1972 foram assinados 19 contratos de adesão ao Planasa. Em 1973, 
outros sete aderiram e, em 1974, mais um município, totalizando 30 municípios que 
correspondiam a 45 localidades atendidas, através de 35 sistemas de abastecimento 
de água. A Cesan, gradativamente, ia assumindo a administração dos sistemas nos 
diversos municípios do Estado, buscando, assim, alcançar os objetivos estabelecidos 
pelo Planasa para todo o país.
 No período de 1971 a 1974, dentro da política coerente com o Planasa e por 
orientação do Governo do Estado face às grandes necessidades, a Cesan atuou de 
forma prioritária no abastecimento de água da Grande Vitória e em 42 localidades 
do interior, cujas prefeituras aderiram ao Plano Nacional de Saneamento. Também 
foi possível desenvolver, de 1973 a 1974, os estudos preliminares e a elaboração 
do anteprojeto do sistema de abastecimento de água do Planalto de Carapina e do 
complexo industrial, com previsão de instalação naquela região a partir de 1977. 
Emergencialmente, foi construído um sistema provisório com captação na Lagoa de 
Jacuném para atender inicialmente à demanda da região, bem como a proveniente 
da fase de construção das novas indústrias. O financiamento coube ao Estado e ao 
BNH. A Cesan, como empresa responsável pela execução dos empreendimentos, 
de forma eficaz e compatível com a importância da tarefa do seu cargo, desenvolveu 
um Programa de Desenvolvimento Institucional estruturado com a assistência da 
Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Isso permitiu o equacionamento da 
necessária reorganização administrativa da recém-criada Companhia, imperativo 
determinante de uma nova concepção de empresa de saneamento básico exigido pelo 
Planasa para possibilitar o cumprimento de suas metas. 
O novo organograma foi elaborado em 1974.
Estrutura orgânica da 
Cesan em 31/12/1971
D é c a d a d e 1 9 7 0 213D o t e m p o d a C e s a n
ASSEMBLEIA
GERAL
CONSELHO DE
ADMINISTRAÇÃO
DIRETORIA
ASSESSORIAS
JURÍDICA
COMUNICAÇÃO
PLANEJAMENTO 
TÉCNICO
ORGANIZAÇÃO 
E MÉTODOS
SISTEMATIZAÇÃO E
PROCESSAMENTO DE DADOS
PLANEJAMENTO 
ECONÔMICO E FINANCEIRO
COMISSÕES
PRESIDÊNCIA
CONSELHO FISCAL
DIRETORIA 
DE PRODUÇÃO
ASSESSORIA
TÉCNICA
PRODUTOS
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CONSULTORIA
TÉCNICA DE
CONTROLE DE 
QUALIDADE
SUPERINTENDÊNCIA
DE PROJETOS E
OBRAS DA G.
VITÓRIA
CONSULTOR
TÉCNICO
OPERAÇÃO E
MANUTENÇÃO
ADMINISTRAÇÃO
REGIONAL COMERCIAL PESSOAL
SERVIÇOS
GERAIS
FINANCEIRO
E CONTÁBIL
SUPERINTENDÊNCIA
DO PROJETO
DE CARAPINA
DIRETORIA 
DE ADMINISTRAÇÃO
214 P a r t e I I
Com recursos financeiros do Go-
verno do Estado (50%) e do BNH 
(50%), a meta que foi estipulada, em 
1975, de abastecimento de água a ser 
cumprida pela Cesan era de atender aos 
30 municípios que aderiram ao Planasa.
Inicialmente, os projetos da Cesan 
financiados pelo BNH eram analisados 
pelo Departamento Nacional de Obras 
e Saneamento (DNOS), órgão técnico 
escolhido pelo BNH. Posteriormente, 
o órgão técnico passou a ser a Funda-
ção Estadual de Engenharia e Meio 
Ambiente (Feema). A partir daí e até 
a extinção do BNH, todos os projetos 
passaram a ser analisados no Rio de Ja-
neiro, sede da Feema.
Planta do sistema 
existente de água da 
Grande Vitória no 
início dos anos 1970
Estrutura orgânica
da Cesan em 31/12/1974
D é c a d a d e 1 9 7 0 215D o t e m p o d a C e s a n
216 P a r t e I I
Sequência das adesões 
ao Planasa
1972: Grande Vitória (Vitória, Cariaci-
ca, Vila Velha); Castelo; Concei-
ção da Barra; São Gabriel da Palha; 
Nova Venécia; Iúna; São José do 
Calçado; Muqui; Mantenópolis; 
Barra de São Francisco; Mucurici; 
Boa Esperança; Pinheiro; Apiacá; 
Montanha; Afonso Cláudio; Eco-
poranga; Pancas; Santa Teresa; e 
Anchieta.
1973: Conceição do Castelo; Atílio Vivá-
cqua; Dores do Rio Preto; Divino 
de São Lourenço; Rio Novo do 
Sul; Serra; e Piúma.
1974: Domingos Martins. 
Em 1975, como nenhum município 
transferiu a concessão de seu serviço de 
água à Cesan, permaneceu o total de 30 
municípios e 37 sistemas de abastecimen-
to de água.
Mapa das áreas de 
ação da Cesan, 1974
D é c a d a d e 1 9 7 0 217D o t e m p o d a C e s a n
Sistemas de abastecimento 
de água da Cesan – 
Situação em dezembro de 
1974 em teste operacional, 
em projeto e em obras: 
1. Grande Vitória; 2. Castelo - Aracuí; 
3. São Gabriel da Palha; 4. Conceição 
da Barra; 5. Nova Venécia; 6. Iúna; 7. 
Muqui; 8. Barra de São Francisco; 9. São 
José do Calçado; 10. Mantenópolis; 11. 
Afonso Cláudio; 12. Mucurici; 13. Eco-
poranga; 14. Apiacá; 15. Boa Esperança; 
16. Pinheiro; 17. São Sebastião; 18. Ser-
ra; 19. Barra do Jucu; 20. Carapina; 21. 
Conceição do Castelo; 22. Venda Nova; 
23. Atílio Vivácqua; 24. Anchieta-Iriri
-Piúma; 25. Santa Teresa; 26. Divino de 
São Lourenço; 27. Dores do Rio Preto; 
28. Rio Novo do Sul; 29. Pancas; 30. 
Ibatiba; 31. Vila Verde; 32. Carapebus 
(Manguinhos, Jacaraípe, Nova Almeida e 
Praia Grande.; 33. Planalto de Carapina; 
34. Montanha; 35. Domingos Martins - 
Marechal Floriano.
Observa-se no mapa que 13 sistemas 
já estavam em operação definitiva (Mucu-
rici, Boa Esperança, Pinheiro, Conceição 
218 P a r t e I I
Mapa dos sistemas em 
operação, em projeto 
e em obras: situação 
em dezembro de 1974
D é c a d a d e 1 9 7 0 219D o t e m p o d a C e s a n
da Barra, Mantenópolis, Carapina, São Sebastião, Iúna, Barra do Jucu, Castelo-Aracuí, 
Muqui, São José do Calçado e Apiacá); sete em teste de operação (Ecoporanga, Nova 
Venécia, Barra de São Francisco, São Gabriel da Palha, Afonso Cláudio, Serra, Grande 
Vitória); 10 em obras (Pancas, Santa Teresa, Ibatiba, Conceição do Castelo, Venda 
Nova, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Anchieta-Iriri-Piúma, Rio Novo 
do Sul e Atílio Vivácqua); e cinco em projeto (Montanha, Vila Verde, Carapebus/ 
Manguinhos/ Jacaraípe/ Nova Almeida/ Praia Grande, Domingos Martins/ Marechal 
Floriano, e Planalto Carapina).
Após a conclusão dos projetos, planejou-se iniciar, em 1975, a construção dos sis-
temas do interior do Estado, como: Vila Verde, Domingos Martins/ Marechal Floriano 
e Serra. Como se observa, naquela época, a Serra pertencia ao interior. No final daquele 
ano estavam em obras além da Grande Vitória, São Gabriel da Palha, Nova Venécia, 
Barra de São Francisco, Ecoporanga, Anchieta/ Iriri/ Piúma, Rio Novo do Sul e Pancas.
Sistema do interior nos primeiros anos da década de 70
Sistemas do interior 
nos primeiros anos 
da década de 70
ETA de Dores do Rio Preto
Captação: ETA de Boa Esperança
Reservatório de Montanha
Filtros de Mucurici
Reservatório da ETA de 
São Gabriel da Palha
Reservatório de Santa Teresa
Filtros da ETA de 
Conceição da Barra
Reservatório de 
Conceição do Castelo
ETA de Venda Nova
220 P a r t e I I
ETA de Pinheiros
Sistemas do 
interior nos 
primeiros anos da 
década de 1970
ETA de Conceição da Barra
Reservatório de Conceição da Barra
D é c a d a d e 1 9 7 0 221D o t e m p o d a C e s a n
ETA de Barra de São Francisco
Sistemas do 
interior nos 
primeiros anos 
da década de 70
ETA de Mantenópolis
222 P a r t e I I
Barragem do sistema Anchieta, Iriri e Piúma
Reservatório de IririETA de São Gabriel da Palha
Descrição sumária das obras em execução 
nos municípios do interior em 1975:
 ~ Anchieta, Iriri e Piúma: ETA de 30.8 litros por segundo; barragem; elevató-
ria de água bruta com 2 conjuntos de 100 HP cada; elevatória de água tra-
tada (2 conjuntos de 10 HP cada); adutora de água bruta de 200 mm e ex-
tensão de 7.600 metros; subadutora de 150 mm e extensão de 6.500 metros; 
dois reservatórios para 1.050 metros cúbicos e 21.940 metros de redes. Po-
pulação do projeto: 15 mil habitantes.
 ~ São Gabriel da Palha: ETA de 29,1 litros por segundo; elevatória de água 
bruta com 2 conjuntos de 75 HP cada; adutora de 200 mm e extensão de 
Obras do 
sistema do 
interior, 
década de 1970
D é c a d a d e 1 9 7 0 223D o t e m p o d a C e s a n
3.180 metros; reservatório de 824 metros cúbicos e 19.800 metros de redes. 
População do projeto: 14 mil habitantes.
 ~ Barra de São Francisco: ETA de 52,08 litros por segundo; barragem; eleva-
tória de água bruta com 2 conjuntos de 30 HP cada; adutora de 200 mm 
e extensão de 330 metros; dois reservatórios para 1.100 metros cúbicos e 
15.500 metros de redes. População do projeto: 25 mil habitantes.
 ~ Ecoporanga: ETA de 25 litros por segundo; adutora de 250 mm e extensão 
de 450 metros; subadutora 175 mm e extensão de 1.150 metros, e 7.770 me-
tros de redes. População do projeto: 12 mil habitantes.~ Nova Venécia: ETA de 44,1 litros por segundo; elevatória de água bruta de 
3 conjuntos de 40 HP cada; 3 conjuntos de água tratada de 20 HP cada; 
adutora de água tratada de 150 e 200 mm e extensão de 2.500 metros; re-
servatório para 600 metros cúbicos e 18.105 metros de redes. População do 
projeto: 22 mil habitantes.
 ~ Pancas: ETA de 10 litros por segundo; adutora de 150 mm e extensão de 
1.038 metros; reservatório para 300 metros cúbicos e 6.609 metros de re-
des. População do projeto: 5 mil habitantes.
 ~ Rio Novo do Sul: ETA de 10 litros por segundo; barragem; adutora de 100 
mm e extensão de 1.300 metros; reservatório para 300 metros cúbicos e 
8.794 metros de redes. População do projeto: 6 mil habitantes.
 ~ Montanha: 5 poços tubulares profundos de vazão média de 15 litros por 
segundo; reservatório para 400 metros cúbicos e rede de distribuição para 
toda a cidade. População do projeto: 12 mil habitantes. Os poços que foram 
construídos, principalmente a partir da década de 1980, tiveram seu sistema 
de bombeamento feito por bombas submersas instaladas nos poços, situa-
das normalmente a 10 metros abaixo do nível dinâmico. Na época, no sis-
tema de Montanha ao invés das bombas submersas foram utilizados com-
pressores que injetavam ar para retirar água dos poços. Esse processo aca-
bou sendo operacionalmente dificultoso e foi extinto juntamente com a di-
minuição da vazão desses mananciais subterrâneos e com a piora da quali-
224 P a r t e I I
dade da água. No final, a água, além de ter incrustado as tubulações de me-
tal, já apresentava aspecto diferente. Por isso, os poços foram abandonados. 
Aí veio a utilização dos córregos Caboclo e Salvação. Mais tarde, na década 
de 90, a solução definitiva veio com a construção de uma barragem, resol-
vendo de vez o abastecimento da cidade de Montanha.
Descrição sumária das obras concluídas 
nos municípios do interior
 ~ Afonso Cláudio: ETA de 19,8 litros por segundo; elevatória de água bru-
ta com 2 conjuntos de 30 HP cada; adutora de água bruta de 200 mm e ex-
tensão de 140 metros; reservatório para 330 metros cúbicos e 7.600 metros 
de redes. População do projeto: 9 mil habitantes.
 ~ Conceição do Castelo: ETA de 5,5 litros por segundo; barragem; aduto-
ra de água bruta de 100 mm e extensão de 460 metros; reservatório para 
150 metros cúbicos e 3.675 metros de redes. População do projeto: 2,6 
mil habitantes.
 ~ Santa Teresa: ETA de 15,5 litros por segundo; barragem; adutora de água 
bruta de 150 mm e extensão de 520 metros, e de 150 mm e extensão de 380 
metros; reservatório para 300 metros cúbicos e 6.560 metros de redes. Po-
pulação do projeto: 7,5 mil habitantes.
 ~ Atílio Vivácqua: ETA de 2,5 litros por segundo; barragem; adutora de água 
bruta de 60 mm e extensão de 2.100 metros; reservatório para 78 metros 
cúbicos e 1.775 metros de redes. População do projeto: 1,5 mil habitantes.
 ~ Dores do Rio Preto: ETA de 2,5 litros por segundo; barragem; adutora 
de água bruta de 85 mm e extensão de 2.550 metros; reservatório para 
65 metros cúbicos e 2.069 metros de redes. População do projeto: 1,5 
mil habitantes.
D é c a d a d e 1 9 7 0 225D o t e m p o d a C e s a n
 ~ Divino de São Lourenço: ETA de 2,5 litros por segundo; barragem; adu-
tora de água bruta de 85 mm e extensão de 2,204 metros; reservatório 
para 100 metros cúbicos e 793 metros de redes. População do projeto: 
1,5 mil habitantes.
 ~ Venda Nova: ETA de 2,8 litros por segundo; barragem; adutora de água 
bruta de 100 mm e extensão de 3.100 metros; reservatório para 50 metros 
cúbicos e 6.460 metros de redes. População do projeto: 1,7 mil habitantes.
 ~ Ibatiba: ETA de 8,2 litros por segundo; barragem; adutora de água bru-
ta de 100 mm com 124 metros e, de 160 mm, numa extensão de 146 me-
tros; elevatória de água bruta com 2 conjuntos de 10 HP cada; reservató-
rio para 150 metros cúbicos e 5.087 metros de redes. População do proje-
to: 6,2 mil habitantes.
 ~ Obviamente, com o crescimento das cidades todos os dados citados foram 
significativamente ampliados.
 ~ Em dezembro de 1975, foi produzido um demonstrativo da evolução da capaci-
dade de atendimento dos 29 sistemas do interior, conforme mostrado a seguir:
Demonstrativo da evolução da capacidade de 
atendimento dos 29 sistemas do interior
Ano Número de sistemas
População 
urbana
População 
abastecida %
Capacidade 
dos sistemas 
(HAB)
1971 9 50.273 31.622 63 36.400
1972 11 60.682 40.159 66 48.700
1973 15 80.688 53.438 66 85.600
1974 16 88.491 65.597 74 97.900
1975* 29 135.000 98.200 73 225.800
* Previsão
226 P a r t e I I
População urbana
População abastecida
Capacidade do sistema
250
200
150
100
50
71 72 73 74 75
Da mesma forma, foi produzido (dezembro de 1975) um demonstrativo da evo-
lução da capacidade de atendimento dos quatro sistemas da Grande Vitória, conforme 
mostrado a seguir:
Demonstrativo da evolução da capacidade de 
atendimento dos 4 sistemas da Grande Vitória
Ano Número de sistemas
População 
urbana
População 
abastecida %
Capacidade 
dos sistemas 
(HAB)
1971 1 339.828 233.807 69 260.000
1972 1 353.024 270.306 77 280.000
1973 2 367.145 299.862 82 315.000
1974 3 381.830 316.166 83 350.000
1975* 4 437.000 371.000 85 1.000.000
* Previsão
(x 1.000 habitantes)
D é c a d a d e 1 9 7 0 227D o t e m p o d a C e s a n
500
600
700
800
900
1000
400
300
200
100
71 72 73 74 75
(x 1.000 habitantes)
Previsão
População urbana
População abastecida
Capacidade do sistema
Em 1971, o volume de água produzido foi de 30.454.420 metros cúbicos. Em 1972, 
chegou a 31.225.120 metros cúbicos. Em 1973, foi de 35.702.385 metros cúbicos e, 
em 1974, o volume totalizou 40.086.635 metros cúbicos.
228 P a r t e I I
Número de economias nos municípios operados pela Cesan
MUNICÍPIO 1971 1972 1973 1974
Afonso Cláudio - 654 772 797
Apiacá - - 438 481
Barra de São Francisco 696 1.002 1.048 1.459
Boa Esperança - - 66 192
Castelo e Guaçuí 1.308 1.484 1.678 1.808
Conceição da Barra 383 473 567 793
Ecoporanga - - 592 882
Iúna 353 415 447 592
Mantenópolis 82 118 328 373
Mucurici - 54 98 113
Muqui 672 733 930 999
Nova Venécia 1.075 1.402 1.434 1.748
Pinheiro - - 255 621
São Gabriel da Palha 797 896 1.067 1.233
São José do Calçado 721 638 770 799
Serra - - - 853
Cariacica 10.004 10.120 11.868 13.599
Vila Velha 19.480 22.500 23.956 25.348
Vitória 19.688 24.228 27.240 30.200
Total 55.532 64.717 73.557 82.890
Bombeiro usava 
bicicleta para 
os atendimentos 
de ligações e 
vazamentos nos 
sistemas do interior
O número de empregados da Cesan, em 1971, somava 
548 pessoas. Em 1972, passou a ter 635, saltando para 670, 
em 1973. Em 1974, contava com 734.
Em 1975, foram produzidos 34.112.092 metros cúbicos 
de água na Grande Vitória e 5.888.850 metros cúbicos em 
22 municípios do interior. O número de ligações na Grande 
Vitória chegou a 52.388 e, de economias, 
a 73.582, enquanto no interior somaram 
14.630 ligações e 16.679 economias. O nú-
mero de empregados era de 673 na Grande 
Vitória e 98 no interior.
D é c a d a d e 1 9 7 0 229D o t e m p o d a C e s a n
Principais estudos e projetos realizados 
e previstos na década de 70
O Espírito Santo, nos anos 1970, beneficiado por sua privilegiada situação 
geográfica passou por transformações radicais com forte impacto dos empreendi-
mentos classificados como Grandes Projetos nas áreas de siderurgia, paraquímico, 
portuário, naval e turístico. A Cesan teve que planejar estudos e projetos para o 
abastecimento de água aos núcleos em formação. No Planalto de Carapina surgia 
o complexo siderúrgico, além do Civit. Acontecia o estudo para a implantação 
da Companhia Siderúrgicade Tubarão (CST). Também no setor de habitação, a 
Cohab e o Inocoop-ES desenvolviam programas para implantação de conjuntos 
habitacionais na Grande Vitória. 
Durante os anos 1972-73 foi elaborado o Estudo de Viabilidade Econômico-
Financeiro Global da Cesan (EVG) para obtenção de financiamento do BNH.
Projeto da Estação de Tratamento de Duas Bocas
A equipe técnica da Cesan projetou, em 1972, a Estação de Tratamento de Água de Duas 
Bocas, integrante do novo sistema de produção de água da Grande Vitória. A capaci-
dade da ETA era de 240 litros por segundo, suficiente para atender 85 mil habitantes.
Estudos e projetos do sistema Jucu/ 
Caçaroca e ETA de Vale Esperança
A elaboração do anteprojeto e do projeto executivo do sistema de abastecimento de 
água da Grande Vitória, relativos ao novo sistema de produção de água, com captação 
no Rio Jucu, em Caçaroca, se iniciaram em 1972 e foram concluídos em 1973 pela 
empresa Serete S.A. Engenharia. Sua capacidade de produção prevista, na primeira 
etapa, estava estimada em 2,5 metros cúbicos por segundo para atender 1 milhão de 
habitantes. A previsão para a segunda etapa girava em torno de 4 metros cúbicos por 
230 P a r t e I I
segundo para atender 2 milhões de habitantes. Basicamente, para a primeira etapa, 
estavam previstas as seguintes unidades:
 ~ Captação com barragem no Rio Jucu, canal adutor e desarenador.
 ~ Estação elevatória de baixo recalque com 4 conjuntos motobombas de 800 
litros por segundo.
 ~ Adutora de baixa carga: diâmetro de 1.300 mm, em aço, e 5.600 metros 
de extensão.
 ~ Chaminé de equilíbrio de 5 metros de diâmetro e 25 metros de altura.
 ~ Estação elevatória de alto recalque com 4 conjuntos motobombas de 800 li-
tros por segundo, 4 de 125 litros por segundo, e 2 de 250 litros por segundo.
 ~ Adutora de alta carga: diâmetro de 1.800 mm, em aço, e 140 metros de extensão.
 ~ Adutora para ETA de Cobi: diâmetro de 900 mm, em aço, e 1.600 metros 
de extensão.
 ~ Adutora para ETA de Vale Esperança: diâmetro de 1.200 mm, em aço, e 
1.900 metros de extensão.
 ~ Estação de Tratamento de Vale Esperança para capacidade, na primeira eta-
pa, de 1.500 litros por segundo, e de 3 mil litros na segunda etapa; trata-
mento completo com mistura rápida, coagulação, floculação, decantação, 
filtração, desinfecção e fluoretação.
 ~ Reabilitação da Estação de Tratamento de Cobi para capacidade nominal de 
1.000 litros por segundo, tratamento completo com mistura rápida, coagu-
lação, floculação, decantação, filtração, desinfecção e fluoretação.
O canal de captação foi dimensionado para satisfazer às vazões de projeto até a 
máxima de 6 metros cúbicos por segundo. A caixa de areia (desarenador) teve a base 
da sua seção trapezoidal dobrada para ampliar a margem de segurança e permitir a 
veiculação de vazão superior ao do projeto.
D é c a d a d e 1 9 7 0 231D o t e m p o d a C e s a n
Além do projeto executivo, a Serete também foi contratada para fiscalizar e 
gerenciar a execução das obras de implantação do sistema de produção. Os serviços 
de topografia, inicialmente, ficaram a cargo da empresa Contato, de Salvador e, 
posteriormente, da Maplan.
O engenheiro Miguel Roberto Seixas Chagas revelou que a relação da Serete com a 
Cesan se deteriorou em pouco tempo. Enquanto a Companhia resolvia rescindir o contrato 
com a Serete, convidou o engenheiro para assumir uma vaga na nova estrutura da P-GV 
que estava sendo formada. O cargo era para fiscalizar e gerenciar a implantação do projeto 
na P-GV, cujo comando foi dado ao engenheiro José Luiz Loureiro Barroso. Miguel disse: 
“Aceitei e ingressei na equipe da Cesan para assumir o braço técnico, denominado V-AT, da 
Superintendência de Obras da Grande Vitória, sigla P-GV, com atribuições de gerenciar a 
implantação topográfica e assistir ao Departamento Jurídico da Cesan, com subsídios para 
fazer as desapropriações e instituir as faixas de servidão necessárias, complementar detalhes 
do projeto executivo em paralelo com as demandas da obra, acompanhar a finalização dos 
projetos elétricos e de instrumentação das novas unidades de tratamento e bombeamento, 
e diligenciar a fabricação e testes dos equipamentos em geral.”
A equipe da P-GV era formada por José Luiz Barroso (Superintendência); 
Miguel Seixas (Divisão Técnica); o engenheiro Arildo de Jesus (atividades de 
medições, orçamentos e controle financeiro); os engenheiros Antônio Brasil 
Maia e Henrique Cavalcante (fiscalização e acompanhamento das obras); Marleni 
Rossi (secretária); Artur Amaral Faria (auxiliar técnico); Alvimar (desenhista); 
João Batista Costalonga e José Carlos (auxiliares administrativos). E, como esta-
giários de engenharia, assumiram os então estudantes Fernando Guzzo, Renato 
Pazzolini e Hermano Colodetti.
Dentre outros profissionais contratados para atuar nesse empreendimento estão 
os engenheiros Arildo de Jesus e Vander Augusto, e o técnico José de Oliveira Dutra, 
que posteriormente passaram a fazer parte do quadro de funcionários da Cesan.
Em 1976 e 1977, o engenheiro Jair Casagrande e o estagiário de engenharia Celso 
Luiz Caus incorporaram a equipe da P-GV para atuarem nas grandes adutoras, grandes 
redes tronco e redes de distribuição de água tratada.
232 P a r t e I I
Planta esquemática do 
projeto do novo sistema de 
produção de água da Grande 
Vitória, 1972 a 1973
Estudos e projetos do sistema de distribuição 
e reservação de água da Grande Vitória
Os estudos preliminares para a elaboração do Planejamento Global do sistema de 
adução, reservação e distribuição de água da Grande Vitória foram realizados em 
1973. Objetivo: possibilitar a distribuição da água produzida.
Um ano depois, foram contratados, concluídos e aprovados pelo BNH o pla-
nejamento e anteprojeto, projeto básico e o projeto executivo da primeira etapa do 
sistema de distribuição e reservação da Grande Vitória (Vitória, Vila Velha e Caria-
cica) para possibilitar o início das obras em 1975. A Engemeter Engenharia realizou 
os estudos e os projetos.
Já o Relatório Técnico Preliminar (RTP) do sistema de abastecimentos de água 
de Carapina foi elaborado, em 1974, pela TAMS Engenharia.
A Cesan contratou, em 1975, a empresa Coplasa S. A. Engenharia de Projetos para 
os serviços de atualização do Estudo de Viabilidade Econômico-Financeira de Carapina.
D é c a d a d e 1 9 7 0 233D o t e m p o d a C e s a n
Estudos e projetos do sistema Planalto de Carapina 
– Captação no Rio Santa Maria da Vitória
Relatório Técnico Preliminar (RTP)
Conforme mencionado, a TAMS Engenharia elaborou para a Cesan o relatório prelimi-
nar do anteprojeto e do projeto executivo para o abastecimento de água do Planalto de 
Carapina e dos balneários. Para a primeira etapa, em 1977, a demanda seria de 2,25 metros 
cúbicos por segundo. Na segunda etapa, em 1980, mais 2,25 metros cúbicos por segundo. 
O estudo direcionou-se aos núcleos habitacionais de Carapina, Carapebus, Ja-
caraípe, Manguinhos, Nova Almeida, Praia Grande e outros bairros, ao complexo 
industrial da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), às usinas de pelotização 
da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e ao Porto de Tubarão. Também estavam 
incluídos o Civit e outras indústrias, além da população das margens da BR-101.
Concluído o anteprojeto, em 1974, constavam da primeira etapa as seguintes unidades:
 ~ Barragem no Rio Santa Maria da Vitória.
 ~ Estação elevatória de água bruta com 3 conjuntos motobombas, com po-
tência de 1.500 HP cada.
 ~ Adutora de água bruta no diâmetro de 1.200 mm e extensão de 18.800 me-
tros, Estação de Tratamento de Água (ETA) em Carapina, com vazão de 
2,25 metros cúbicos por segundo.
 ~ Reservatório elevado junto à ETA, com volume de 3 mil metros cúbicos.~ Reservatório semienterrado junto à ETA, com volume de 16 mil metros cúbicos.
 ~ Estação elevatória junto à ETA com potência de 3 x 720 HP.
 ~ Redes tronco de distribuição com diâmetros variando de 150 a 350 mm e 
extensão total de 14.500 metros.
 ~ Barragem na Lagoa Jacuném para volume de reservação de 15 milhões de 
metros cúbicos de água.
234 P a r t e I I
 ~ Estação elevatória na Lagoa Jacuném com potência de 1.200 HP.
 ~ Adutora Jacuném no diâmetro de 1.200 mm e extensão de 2.600 metros.
Os estudos também contemplaram os balneários
Com a implantação do complexo industrial de Carapina, a Cesan considerou (nos 
projetos) a ampliação do sistema do Planalto de Carapina para ser integrado à Lagoa 
Jacuném. Objetivo: atender a população ligada às atividades do complexo industrial 
de Carapina, que poderia se instalar nos possíveis núcleos habitacionais na região de 
Jacaraípe, Manguinhos, Carapebus, Nova Almeida e Praia Grande. O sistema dos 
balneários, em sua primeira etapa, seria constituído das seguintes unidades:
 ~ Captação na Lagoa Jacuném.
 ~ Elevatória junto à captação com potência de 150 HP.
 ~ Adutora de água bruta, de diâmetro de 400 mm e extensão de 660 metros.
 ~ ETA em Jacaraípe, com capacidade para tratar a vazão de 220 litros por segundo.
 ~ Reservatório semienterrado, com capacidade de 2 mil metros cúbicos, jun-
to à ETA.
 ~ Reservatório elevado, com capacidade de 750 metros cúbicos, junto à ETA.
 ~ Reservatório semienterrado, com capacidade de 1.000 metros cúbicos, em 
Nova Almeida.
 ~ Reservatório elevado, com capacidade de 450 metros cúbicos, em Carapebus.
 ~ Booster com potência de 2 x 20 HP em Jacaraípe.
 ~ Booster com potência de 2 x 15 HP em Manguinhos.
 ~ Redes tronco alimentadoras e subadutoras, com diâmetros variando de 200 
a 500 mm e extensão de 22.900 metros.
D é c a d a d e 1 9 7 0 235D o t e m p o d a C e s a n
Na fase final de conclusão dos estudos, previram-se as seguintes etapas:
Subetapa A (dezembro de 1975 a janeiro de 1977): para atender a população da 
área do Planalto de Carapina, CVRD, Setor I do Civit e as indústrias ao longo da 
BR-101. O atendimento previsto era pelo sistema existente e construído pela Cesan 
e pela Suppin (Civit) na Lagoa Jacuném; interligação das duas redes de 350 mm 
existentes nos dois lados da BR-101, partindo de uma nova rede de 500 mm que seria 
ligada à de 1.200 mm proposta no projeto do sistema de Carapina. Também seria 
construída uma complementação do tronco alimentador de Carapina, com diâmetro 
de 700 mm e extensão de 4.340 metros.
Subetapa B (dezembro de 1975 a janeiro de 1977): barragem e extravasor no Rio 
Santa Maria da Vitória, com a construção de um dique extravasor desde o aterro da 
CVRD, próximo à elevatória da CVRD, indo até as primeiras elevações à margem 
direita do rio para impedir a intrusão da cunha salina; canal de adução logo a montante 
da ponte ferroviária para funcionar com caixa de areia, retenção de partículas sólidas 
do Santa Maria; estação elevatória no Santa Maria, com 4 conjuntos de 1.200 CV, 
sendo um de reserva; na primeira etapa, adutora de diâmetro de 1.200 mm e extensão 
de 18.800 metros até a ETA; dois troncos alimentadores da área do Planalto, a partir 
do reservatório de 3 mil metros cúbicos, um em direção à CVRD e à CST, e o outro 
para alimentar as indústrias ao longo da BR-101 e do Civit.
Subetapa C (junho de 1977 a dezembro de 1978): adutora da Lagoa Jacuném à 
ETA do Planalto. Nessa etapa, a adutora supriria o reservatório de Jacuném da vazão 
necessária ao abastecimento dos balneários, no diâmetro de 1.200 mm e extensão de 
1.885 metros. Também constavam: construção da ETA do Planalto, com capacidade 
de 2,25 metros cúbicos por segundo, do tipo simplificado, com calha parshall, canal 
de água decantada e 14 filtros de alta taxa; dois reservatórios de 8 mil metros cúbicos 
cada junto à ETA, recalcando para um reservatório elevado de 1.500 metros cúbicos 
para lavagem dos filtros e, o segundo, de 3 mil metros cúbicos para distribuição; es-
tação elevatória com 3 conjuntos de 650 CV para recalcar os reservatórios elevados; 
barragem de terra, vertedor e tomada de água, no extremo leste na Lagoa Jacuném, 
que funcionaria como reservatório de regularização; elevatória Jacuném da ETA 
dos balneários, com dois conjuntos de 25 CV e dois de 50 CV, vazões respectivas 
236 P a r t e I I
de 44 e 86 litros por segundo; adutora Jacuném da ETA dos balneários no diâmetro 
de 400 mm e extensão de 660 metros; Estação de Tratamento de Água (ETA) dos 
balneários com capacidade de 220 litros por segundo, com clarificador de contato e 
Casa de Química; um reservatório de 2 mil metros cúbicos junto à ETA; um elevado 
de 450 metros cúbicos em Jacaraípe; um reservatório de 1.000 metros cúbicos em 
Nova Almeida; e um reservatório de ponta, de 700 metros cúbicos, em Carapebus. 
Também foram estudadas e previstas redes adutoras de água tratada para alimentar os 
reservatórios e redes de distribuição das diversas localidades do Planalto e balneários.
Subetapa D (janeiro de 1980 a dezembro de 1980): estação elevatória do Rio Santa 
Maria com mais um conjunto de 1.200 CV; segunda linha de 1.200 mm e extensão 
de 18.800 mm; ampliação da ETA do Planalto com mais 14 filtros; regularização do 
fluxo junto à ETA para que a vazão excedente aduzida do Rio Santa Maria seja enca-
minhada à Lagoa Jacuném quando for superior à demanda da ETA. Numa segunda 
etapa, se necessário, sobretudo em períodos de estiagem, o Santa Maria seria reforçado 
com o volume reservado em Jacuném por recalque até a ETA. Seriam ampliados os 
reservatórios do Planalto, balneários adutoras, barragem e vertedor da lagoa e da ETA 
dos balneários em mais 220 litros por segundo.
Importante frisar que, parte da concepção básica desses estudos, foi seguida na 
construção do sistema definitivo, como por exemplo, a manutenção da captação no 
Rio Santa Maria, o traçado da adutora de água bruta do Santa Maria até a ETA Ca-
rapina, a posição da ETA em Carapina, e parte da posição dos reservatórios. A ideia 
da transposição das águas do Rio Santa Maria para a Lagoa Jacuném foi desconside-
rada. Também as vazões e o tamanho das unidades de produção, adução, reservação e 
distribuição foram revistas e redimensionadas na construção do sistema de Carapina, 
como veremos adiante. De qualquer forma foi interessante conhecer esse estudo, pois 
se houver necessidade de novas alternativas de atendimento a possíveis demandas 
futuras, sabe-se que existiu uma opção de transposição de bacias para reservar água 
do Santa Maria na Lagoa Jacuném. Também se cogitou interligar a Lagoa Capuba à 
Lagoa Jacuném, mas não foi avante.
D é c a d a d e 1 9 7 0 237D o t e m p o d a C e s a n
Planta esquemática 
do projeto do sistema 
de água do Planalto 
de Carapina e dos 
balneários (1ª etapa)
238 P a r t e I I
Sistema de emergência – Captação na Lagoa Jacuném
Ao mesmo tempo em que estavam sendo elaborados os estudos e projetos para o 
sistema de produção da Grande Vitória, via captação no Rio Jucu, a Cesan também 
desenvolvia estudos e projetos para captar e tratar água da Lagoa Jacuném, na Serra. 
Objetivo: priorizar o atendimento à demanda da população de Carapina e adjacências, 
fornecer água necessária à construção das usinas siderúrgicas, às indústrias existentes 
e às demais que ali se instalariam. Para tanto, projetou-se um sistema com capacidade 
para tratar 280 litros por segundo, alternativa que vingou até a conclusão do sistema 
definitivo, via Rio Santa Maria da Vitória. 
O sistema de emergência, construído em 1974, constava basicamente da utilização 
da Lagoa Jacuném, com captação através de tomada direta na lagoa e recalque por 
umaestação elevatória, com 2 conjuntos de 340 HP cada, sendo um de reserva, com 
capacidade de 1.000 metros cúbicos por hora. Nesta fase, o tratamento constava de 
apenas cloração junto à Casa de Bombas. A adução era feita por adutora de fiber-glass, 
com diâmetro de 500 mm e extensão de 4.400 metros.
Lagoa de Jacuném: 
sistema de emergência de 
Carapina, década de 70
D é c a d a d e 1 9 7 0 239D o t e m p o d a C e s a n
Captação e estação 
elevatória na Lagoa 
Jacuném, década de 70
240 P a r t e I I
D é c a d a d e 1 9 7 0 241D o t e m p o d a C e s a n
Planta 
esquemática do 
sistema existente 
no Planalto de 
Carapina: captação 
da Cesan na Lagoa 
Jacuném, 1974
242 P a r t e I I
Antes da Cesan cons-
truir a captação emergencial 
na Lagoa Jacuném, a Supe-
rintendência de Polarização 
Industrial (Suppin) já havia 
construído um sistema pró-
prio para atender o Civit, com 
captação menor para 56 litros 
por segundo.
Planta do sistema 
de captação 
da Suppin na 
Lagoa Jacuném, 
década de 70
D é c a d a d e 1 9 7 0 243D o t e m p o d a C e s a n
244 P a r t e I I
Para atender à CVRD, a decisão foi por duas etapas. A primeira, com obras até 
junho de 1976 e, a segunda, para junho de 1977. A vazão estimada para 1976 foi 
de 288 litros por segundo, dos quais 200 somente para o consumo da CVRD. Os 
restantes 88 litros por segundo destinavam-se às habitações das margens da BR-101 
e ao Planalto de Carapina. Porém, a demanda quase dobrou em junho de 1977: 504 
litros por segundo, sendo 433 somente para a Vale.
As alternativas técnicas estudadas utilizaram a Lagoa Jacuném e o Rio Santa 
Maria da Vitória. A vazão das duas lagoas, a Jacuném e a Capuba, estavam estimadas 
em 320 litros por segundo, portanto, inferior à demanda de 504 litros por segundo. 
Para junho de 1976, já era possível utilizar as duas lagoas, porque a Vale não exigia 
ainda que a água fosse tratada. 
Estudou-se, então, uma alternativa de ligar as duas lagoas, fazer um barramento 
e um extravasor na Lagoa Capuba, e bombear a água de um ponto da Lagoa Jacuném 
Antiga captação da CVRD no 
Rio Santa Maria da Vitória
D é c a d a d e 1 9 7 0 245D o t e m p o d a C e s a n
(próximo à estrada velha para Jacaraípe) até a futura ETA. Porém, a alternativa foi 
descartada pelos elevados custos e incertezas da capacidade de vazão das lagoas.
Há de se considerar que existiam em funcionamento duas captações na Lagoa 
Jacuném: uma do Civit, com 56 litros por segundo, e outra da Cesan, de 280 litros 
por segundo. 
A CVRD tinha sistema próprio com capacidade de 130 litros por segundo, 
com captação no Rio Santa Maria a 50 metros da ponte da Estrada de Ferro Vitória 
a Minas. O sistema era por recalque com três bombas, sendo uma de reserva em 
uma tubulação de 350 mm de diâmetro até um stand-pipe instalado na cota 42 do 
terreno e cota do topo de 71,5 metros. Do stand-pipe a água era conduzida por 
gravidade até uma ETA nas instalações da CVRD, no Porto de Tubarão. A exten-
são total da linha adutora era de 16.520 metros, com 1.740 metros de recalque e 
o restante por gravidade.
Proximidade da antiga captação da 
CVRD no Rio Santa Maria da Vitória 
246 P a r t e I I
Antiga 
captação da 
CVRD no Rio 
Santa Maria 
da Vitória
D é c a d a d e 1 9 7 0 247D o t e m p o d a C e s a n
Antiga 
captação da 
CVRD no Rio 
Santa Maria 
da Vitória
Antiga 
estação de 
tratamento 
de água 
da CVRD
248 P a r t e I I
Para junho de 1976, estudou-se uma solução que possibilitasse a interligação 
do sistema proposto para Carapina, aproveitando ao máximo as redes projetadas. 
Previu-se utilizar o bombeamento existente da Cesan na Lagoa Jacuném, interli-
gando as duas linhas de 350 mm existentes em ambos os lados da BR-101. Dali 
partiria nova rede de 500 mm, ligando à de 1.200 mm proposta no projeto do 
sistema de Carapina. Para diminuir os custos, algumas modificações alteraram os 
diâmetros das linhas: a de 500 e 1.200 mm para 400 e 800 mm, respectivamente, 
a partir da interligação no Km 265 + 560 metros até a área da futura ETA do 
Planalto. Na sequência, houve a ligação da rede de 800 mm até a conexão com a 
de 700 mm para chegar ao reservatório da Vale.
Para o ano seguinte (junho de 1977), previa-se a implantação parcial do sistema 
proposto no projeto de Carapina, contemplando somente as unidades necessárias 
para essa etapa inicial em que todas as unidades seriam construídas com capaci-
dades definitivas, exceto a elevatória de Santa Maria. Em função da redução de 
custos, a alternativa enfrentou restrições: a adutora do trecho do Rio Santa Maria 
até a ETA do Planalto, cujo diâmetro de 1.200 mm passou para 800 mm. Idem ao 
número de conjuntos motobombas e de potência da elevatória do Santa Maria. 
Para o futuro, já estavam previstas mais duas adutoras de 800 e 1.200 mm para 
o projeto de Carapina. Veremos adiante que foi construída uma linha de 800 mm 
e outra de 1.200 mm, com comprimento de 10.860 metros. Também veremos que 
as obras previstas de captação no ponto de tomada no rio com barragem e canal 
junto à elevatória, próxima à antiga captação da Vale e ponte da linha férrea, foram 
modificadas na fase de construção do sistema definitivo de Carapina.
Em resumo, na primeira etapa – junho de 1976 – para a Vale foi previsto ligar 
as duas linhas existentes de 350 mm, situadas na BR-101, que eram abastecidas 
pela elevatória da Cesan na Lagoa Jacuném. Dessa interligação, partiria uma rede 
de 400 mm com cerca de 460 metros até a futura ETA do Planalto. Deste local, 
partiria até o reservatório da Vale uma rede de 7.296 metros de extensão, nos 
diâmetros de 800 e 700 mm, respectivamente, com 2.581 e 4.715 metros. Essas 
redes seriam aproveitadas na segunda etapa, isolando-se o trecho de 400 mm e 
fazendo a interligação da rede de 800 mm ao distribuidor da segunda etapa. Na 
segunda fase, para abastecer a Vale, previu-se captar a água no Rio Santa Maria 
com a construção de canal aberto, de aproximados 700 metros, do ponto próximo 
D é c a d a d e 1 9 7 0 249D o t e m p o d a C e s a n
à antiga captação da Vale que ligaria o rio ao poço de sucção da elevatória. Esta 
foi prevista com dois conjuntos motobombas, sendo um de reserva. A elevatória 
bombearia água por uma adutora de 800 mm até a área da futura ETA do Planalto. 
De um distribuidor nesta área, a água bruta seguiria nos mesmos diâmetros da 
primeira etapa até o reservatório da Vale. 
Assim, a Cesan celebrou contrato com a CVRD em abril de 1976. Missão: 
fornecer água, através do sistema de abastecimento de água do Planalto de Ca-
rapina até as instalações industriais da Vale, na Ponta de Tubarão, em Vitória. O 
volume mínimo mensal, a partir de junho de 1976, era de 570.240 metros cúbicos 
e o volume médio diário de 19.008 metros cúbicos; a partir de julho de 1977, o 
volume mínimo mensal foi de 1.123.260 metros cúbicos e o volume médio diário 
de 37.440 metros cúbicos. O fornecimento seria com água da Lagoa Jacuném 
e/ou do Rio Santa Maria, apenas com adição de cloro para desinfecção. Após a 
construção da Estação de Tratamento do Planalto de Carapina, a Cesan passou a 
fornecer água, seguindo os padrões da ABNT.
Planta alternativa descartada: 
captação na Lagoa Jacuném 
com interligação da Jacuném 
com a Capuba, década de 70
250 P a r t e I I
Planta alternativa 
descartada: 
captação na 
Lagoa Jacuném 
com interligação 
da Jacuném 
com a Capuba, 
década de 70
Planta da 
alternativa 
eleita: captação 
no Rio Santa 
Maria da 
Vitória, 
década de 70
D é c a d a d e 1 9 7 0 251D o t e m p o d a C e s a n
Planta alternativa 
descartada: captação 
na LagoaJacuném com 
interligação da Jacuném 
com a Capuba, década de 70
252 P a r t e I I
Planta da alternativa 
eleita: no Rio Santa 
Maria da Vitória, 
década de 70
Primeira estação 
elevatória emergencial 
e canal aberto no Rio 
Santa Maria da Vitória
Primeira estação 
elevatória 
emergencial e canal 
aberto no Rio Santa 
Maria da Vitória
D é c a d a d e 1 9 7 0 253D o t e m p o d a C e s a n
Planta da captação 
no Rio Santa Maria: 
alternativa 2 eleita, 
década de 70
254 P a r t e I I
Atualização do estudo de demanda do sistema de 
abastecimento de água do Planalto de Carapina
Em função das alterações ocorridas desde a formulação do anteprojeto do sistema de 
abastecimento de água até 1978, a Cesan, em novembro de 1978, reavaliou a evolução 
da demanda para a região do Planalto de Carapina. Era preciso adaptar ou reformular 
o projeto existente e refazer o cronograma de obras. 
O estudo anterior levou em consideração hipóteses que incluíam além dos grandes 
consumidores – Civit, CVRD, indústrias ao longo da BR-101, a usina de semiacaba-
dos da CST – outra usina de acabados planos e a de acabados não planos da Cofavi. 
Havia outra hipótese: a que excluía, do grupo anterior, a usina de acabados planos. 
A última excluía também a usina de acabados não planos da Cofavi. A que estava se 
concretizando era a terceira hipótese. Algumas datas para a realização de determinados 
eventos ainda indefinidos foram estipuladas, como a entrada em operação da segunda 
fase da CST. O ano meta (alcance) do desenvolvimento do estudo foi o ano 2000. 
As informações fornecidas pela CST sobre o consumo geral de água na usina 
de semiacabados são: 1,25 litros por segundo (1998); 6,6 (1999); 89,5 (1980); 99,5 
(1981); 136,8 (março de 1982); 311 (maio de 1982, start-up); 622 (agosto de 1982), 
e 883,3 litros por segundo (dezembro de 1982). No relatório, a CST ainda não ha-
via definido o ano de entrada da operação do segundo estágio da usina de Tubarão, 
porém, informava o consumo de 1.464 litros por segundo. A Cesan, com base nas 
informações da CST e de acordo com algumas premissas, estimou a evolução anual 
da demanda em 90 litros por segundo, em 1980; 100 para 1981; 883 para 1982; 983 
para 1986 e, para 1987, 1.464 litros por segundo.
Já as informações prestadas pela CVRD sobre a produção anual de pellets e 
consumo de água foi a seguinte: 414 litros por segundo para maio de 1978, 482 para 
janeiro de 1979 e, 569 litros por segundo para 1982.
Quanto ao consumo do Civit, a estimativa foi de 14 litros por segundo (1978); 43 
(1980); 84 (1982); 167 (1987); 229 (1990); e 436 litros por segundo para o ano 2000.
Ao longo da BR-101 a demanda estimada era de 20 litros por segundo (1978); 
28 (1980); 36 (1982); 56 (1987); 68 (1990) e 77 litros por segundo para o ano 2000.
D é c a d a d e 1 9 7 0 255D o t e m p o d a C e s a n
A estimativa de crescimento da população na área de atendimento do sistema 
de abastecimento de água de Carapina envolveu, além de Carapina, os balneários 
de Carapebus, Manguinhos, Jacaraípe e Nova Almeida (na Serra), e Joaripe e Praia 
Grande (Fundão). Embora fossem outros os dados disponíveis e defasados em relação 
ao estudo de 1974, o critério utilizado permaneceu válido, talvez a única sobre a evo-
lução populacional da região do projeto. Os conjuntos habitacionais em construção, 
na época, eram o reflexo da atratividade da formação do polo industrial que se con-
cretizava. O crescimento populacional, induzido por ele, é diretamente dependente 
da demanda de empregos gerada pelo polo industrial. Entretanto, o crescimento 
vegetativo deve ser estimado em função dos indicadores não afetados pela influência 
da implantação das indústrias. Os resultados dos estudos indicaram uma população 
total de 91.189 habitantes para 1980. Para 1990, o salto quase triplicou: 283.320 
habitantes. E, para 2000, nova expansão: 455.517 habitantes.
O quadro a seguir, mostra o resultado do estudo, os valores das vazões com base 
no que foi reavaliado o projeto do sistema de abastecimento de água do Planalto de 
Carapina. A vazão da população está multiplicada pelo coeficiente de reforço do dia 
de maior consumo K=1,2, e o coeficiente de reforço de 1,1 para as vazões industriais. 
O per capita utilizado foi de 200 litros por dia.
Tabela de 
vazões do 
projeto do 
sistema de 
água do 
Planalto de 
Carapina, 
década 
de 70
256 P a r t e I I
Se compararmos a estimativa para o ano 2000 – de 455.517 habitantes – com o 
Censo de 2010 (IBGE) que totalizou 409.324 habitantes, vemos que o crescimento 
real da população foi menor.
Também o consumo médio da Vale, nos últimos anos até o final de 2011, girou 
em torno de 150 a 200 litros por segundo. O contrato firmado, em 5 de abril de 1976, 
direcionava um volume mínimo mensal de 570.240 metros cúbicos e, o médio diário, 
de 19.008 metros cúbicos (220 litros por segundo). A partir de junho de 1977, o 
volume mínimo mensal seria de 1.123.200 metros cúbicos e volume médio diário de 
37.440 metros cúbicos (433 litros por segundo). Era obrigação da CVRD construir, 
em Tubarão, um reservatório para utilização mínima de 24 horas sem o abastecimento 
da Cesan; e a execução do sistema de abastecimento de água pela Cesan, em etapas, 
sendo a primeira com água da Lagoa Jacuném e/ou do Rio Santa Maria.
Para a CST/Arcelor Mittal, o consumo médio nos últimos anos até o final de 
2011 girou em torno de 550 a 750 litros por segundo. O contrato firmado em 23 de 
dezembro de 1980 era para um volume de 2.566.000 metros cúbicos por mês (990 
litros por segundo).
O consumo a menor demonstra que o setor industrial tem trabalhado o item 
perdas e o reuso da água.
Outra observação é que a vazão média atual captada pela Cesan no Rio Santa 
Maria da Vitória foi, em 2011, de cerca de 2.800 litros por segundo para atender a 
Serra, Praia Grande (Fundão), Vale, Arcelor Mittal, zona norte de Vitória, além da 
região de Nova Rosa da Penha, em Cariacica. Essa vazão captada é inferior aos 3.813 
litros por segundo previstos, naquela época, para o ano 2000. Se o consumo previsto 
tivesse ocorrido, certamente seria buscado o reforço de outro manancial. 
Estudos e projetos do sistema de 
abastecimento de água do interior
Entre os anos de 1971 a 1974, a Cesan, com sua equipe de engenharia e contratos 
com firmas projetistas, elaborou a maioria dos relatórios técnicos preliminares e dos 
projetos técnicos de 28 sistemas de abastecimento de água do interior, de acordo com 
D é c a d a d e 1 9 7 0 257D o t e m p o d a C e s a n
o programa de obras elaborado em 1971. Os sistemas projetados tiveram capacidade 
para atender 183 mil habitantes.
Constavam no projeto em 31 de dezembro de 1975: Serra; Vila Verde (Pancas); 
Carapebus/ Manguinhos/ Jacaraípe/ Nova Almeida/ Praia Grande (Serra); Planalto 
de Carapina (Serra); Montanha; e Domingos Martins/ Marechal Floriano. Para 
Guarapari, estavam os levantamentos topográficos e os estudos preliminares para a 
elaboração do projeto do sistema de abastecimento de água.
Estudos e projetos previstos
A Cesan previu iniciar, em 1975, os seguintes estudos e projetos:
 ~ Estudos preliminares e contratação do sistema de esgotos sanitários da Gran-
de Vitória.
 ~ Estudos preliminares e contratação do projeto do sistema de esgotos sani-
tários e industriais de Carapina.
 ~ Conclusão do projeto executivo da primeira etapa do sistema de reservação 
e macro distribuição da Grande Vitória.
 ~ Início do projeto da micro distribuição da primeira etapa do sistema de re-
servação e distribuição da Grande Vitória.
 ~ Conclusão dos projetos dos dois últimos sistemas de abastecimento de água 
do programa de obras da Serra e de Domingos Martins/Marechal Floriano.
 ~ Projeto de ampliação das instalações de Cobilândia: oficinas elétrica, mecâ-
nica e de hidrômetros, garagens e almoxarifado.
258 P a r t e I I
Construção das instalações em 
Cobilândia para suporte à operação, 
manutenção, almoxarifado e transporte
Nos primeiros anos da criação da Cesan, para reverter o grande déficit do abasteci-
mento e dar suporte às obras, além de elevar os padrões de eficiência operacional e 
melhor atendimento aos clientes, foram necessárias várias ações. Em Cobilândia foram 
construídos o almoxarifado; a oficina mecânica; garagens; carpintaria; refeitório; ofi-
cina de hidrômetros; escritório; e pátio de estacionamento. A área edificada totalizou 
1.980 metros quadrados. Para o almoxarifado, houve adaptação de uma instalação 
existente, objetivando dotar a área de materiais necessários para melhor atender aos 
usuários. Foi adquirida uma área contígua, com 10.166 metros quadrados para dar 
suporte ao almoxarifado.
A renovação e ampliação da frota era uma necessidade. De 1967 até 1971, a 
frota era composta por 24 viaturas e, no final de 1974, a empresa já contava com 45 
viaturas, com pintura padronizada. Com o crescimento da Grande Vitória, o raio 
de atuação para atender aos bairros periféricos distanciava-se cada vez mais, o que 
exigiu a instalação de um sistema de radiocomunicação nas viaturas especializadas, 
ligadas ao setor de operação e manutenção. O sistema contou com a instalação de 22 
unidades transceptoras VHF, o que permitiu melhorar e aumentar a produtividade 
dos serviços de manutenção, operação e fiscalização das obras. Foram adquiridos 
quatro carros-oficina, equipados com esta finalidade para uma melhor e mais rápida 
execução dos serviços de manutenção das redes.
Instalações do 
Centro Operativo 
de Cobilândia
D é c a d a d e 1 9 7 0 259D o t e m p o d a C e s a n
Escritório 
do Centro 
Operativo de 
Cobilândia
Carro-oficina para 
manutenção de redes, 
década de 1970
Radiocomunicação, 
década de 1970
Frota 
padronizada 
de carros, 
década 
de 1970
260 P a r t e I I
Almoxarifado de Cobilândia
Construção das instalações em 
Santa Clara para suporte à área 
de projetos obras e licitação
Os primeiros estudos e projetos desenvolvidos pela área de engenharia da Cesan 
foram feitos nos escritórios do edifício Bemge. Para atender à grande demanda decor-
rente do Planasa, foi preciso construir uma instalação de 300 metros quadrados de 
área, em Santa Clara, próximo ao reservatório. Este prédio abrigou o Departamento 
D é c a d a d e 1 9 7 0 261D o t e m p o d a C e s a n
de Projetos e Obras e a Comissão de Licitação. A área de engenharia permaneceu no 
local até 1983, mudando, em seguida, para o edifício Tucumã, na Enseada do Suá.
Foram locados imóveis para abrigar a equipe das obras do novo sistema de abaste-
cimento de água da Grande Vitória e para a Superintendência do Projeto de Carapina.
Instalações de Santa Clara: área de 
projetos e obras, década de 1970
Naquela época, para elaborar os cálculos, a equipe de engenheiros projetistas 
utilizava máquinas manuais e só posteriormente surgiram as máquinas de calcular 
eletrônicas. As planilhas de cálculo das redes, fossem ramificadas ou por anel, eram 
feitas manualmente, já que o computador não existia. Para criar seus trabalhos em 
papel vegetal, os desenhistas trabalhavam nas saudosas pranchetas, utilizando canetas 
de tinta nanquim e de normógrafo para a escrita. As cópias das plantas eram feitas 
numa máquina copiadora, cujas cópias dos desenhos ficavam na cor azul porque se 
utilizava amônia naquele processo de reprodução.
262 P a r t e I I
Para dar suporte à grande demanda de obras assumidas com as concessões ob-
tidas junto às prefeituras e de acordo com o Planasa, era preciso elaborar estudos e 
projetos que prioritariamente recaíam nas sedes municipais. Não existia mão de obra 
nessa área de saneamento, portanto, era preciso formá-la. O engenheiro Mário Luiz 
Petroch, sanitarista experiente, orientou vários profissionais que a Cesan contratou 
nos primeiros tempos. Os pioneiros no escritório, em Santa Clara, na área de projeto 
foram os engenheiros Helvécio Nascimento; Hamilton Coelho Filho; Ailton Kale; 
Leônidas Pompei; Jair Casagrande; João E. Ortulane Nardoto; Esmael Barbosa de 
Almeida; Jamir Merçom; e o então estagiário, atual engenheiro Celso Luiz Caus. Os 
desenhistas eram: Gecer Tobias; Gerson Tobias; Wertes Peçanha Igreja; Luiz Carlos; 
Jorgetom Pizzani; Jorge Pizzani; Roberto Antônio Bianchi; Tito Togneri; Luiz Paulo 
Amorim; Jorge Martins; e Ariltom Nunes Santana.
Engenheiros e 
desenhistas da 
área de projetos da 
Cesan, década de 70
Tabela 
auxiliar para o 
dimensionamento 
de redes
D é c a d a d e 1 9 7 0 263D o t e m p o d a C e s a n
Planilha 
padrão 
utilizada 
nos cálculos 
das redes
264 P a r t e I I
Construção da primeira Estação de 
Tratamento de Água de Duas Bocas
Em 1973, a área metropolitana da Grande Vitória constituída ainda por Vitória, Vila 
Velha e Cariacica era servida por dois sistemas de abastecimento. O sistema Jucu, 
tendo como manancial o Rio Jucu, tinha a água encaminhada através de um canal até 
a Casa de Bombas e dali bombeada para a ETA de Cobi. O outro sistema – o Duas 
Bocas – era o antigo abastecedor de Vitória com captação realizada através de uma 
barragem de terra, com vazão média de 240 litros por segundo. 
A barragem de Duas Bocas fez com que a qualidade das suas águas piorasse com o 
passar do tempo. A água distribuída à população por esse sistema não recebia nenhum 
tratamento. A proliferação de algas e a própria cor da água exigiram que a Cesan 
construísse um sistema de tratamento. Na primeira etapa foi projetada e construída 
uma Estação de Tratamento, com capacidade nominal de 200 litros por segundo. No 
entanto, poderia chegar a 240 com sobrecarga de 20% em seu funcionamento. Essa 
estação era composta de mistura rápida; coagulação; floculação; decantação; desinfec-
ção; fluoretação; e correção de alcalinidade. Os estudos e projetos de engenharia foram 
desenvolvidos pela equipe técnica da Cesan. As obras foram concluídas em 1974.
O floculador era hidráulico, tipo up and down, já que havia falta de energia 
elétrica e dificuldades de mão de obra operacional. Os decantadores convencionais, 
inicialmente quatro, foram substituídos por decantadores de alta taxa denominados 
sedimentadores de placas paralelas, com taxa de aplicação de 172,8 m³/m².dia, es-
paçamento entre as placas de 5 cm e inclinação de 60 graus. Esse tipo de sistema de 
decantação tinha sido apresentado, em agosto de 1972, no Congresso Interamericano 
de Engenharia Sanitária, promovido pela CEPIS, em Assunção, Paraguai. No Brasil, 
existia experiência em Barra Mansa, onde um decantador convencional foi transfor-
mado em decantador de escoamento laminar através de dutos confeccionados em 
chapas de PVC.
 Na segunda etapa, foram previstas unidades filtrantes construídas anos mais tarde.
265D o t e m p o d a C e s a n
Vista geral de 
Duas Bocas 
(anos 60) antes 
da primeira 
Estação de 
Tratamento 
de Água
Vista geral de 
Duas Bocas 
após a primeira 
Estação de 
Tratamento, 
década de 1970
Vista da 
barragem de 
Duas Bocas com 
a primeira Estação 
de Tratamento 
de Água, 
década de 70
266
Construção da primeira 
Estação de Tratamento 
em Duas Bocas, início 
da década de 70
Primeira Estação de 
Tratamento de Água 
de Duas Bocas, início 
da década de 1970
Vista da tomada 
de água (Tulipa) 
na barragem de 
Duas Bocas
D é c a d a d e 1 9 7 0 267D o t e m p o d a C e s a n
Construção do novo sistema de produção 
de água da Grande Vitória no Rio JucuDiante da necessidade de sanar as deficiências dos sistemas de água da Grande Vitória, 
já que a produção e distribuição de Duas Bocas e Rio Marinho não eram suficientes, 
a Cesan, com recursos do Planasa, contratou um conjunto de obras que contemplou, 
prioritariamente, a construção do novo sistema de produção de água da Grande 
Vitória, com captação no Rio Jucu e tratamento no Vale Esperança, em Cariacica. 
Houve também ampliação da Estação de Tratamento de Cobi. A área de abrangência 
considerou o atendimento a Vila Velha, Vitória e Cariacica. 
Na primeira etapa, 50% do investimento previsto foram financiados pelo BNH 
e, os restantes 50%, pelo Fundo de Financiamento para Água e Esgoto do Estado do 
Espírito Santo (FAE). As obras 
iniciadas em setembro de 1973 
e com previsão de conclusão para 
final de 1975. Terminaram em 
17 de junho de 1977, data da 
inauguração. A obra foi realiza-
da pela Cesan sob os auspícios 
do Planasa, via convênio do 
Governo do Estado e BNH. Os 
principais componentes do siste-
ma foram: captação; estação de 
baixo recalque; adutora de baixa 
carga; estação de alto recalque; 
adutora de alta carga; ETA de 
Vale Esperança; e melhoria e 
ampliação da ETA de Cobi.
Planta esquemática 
do sistema de produção 
do Jucu, década de 70
268 P a r t e I I
A captação
Foi constituída pelas unidades de barragem de laminação, gradeamento do canal de 
tomada e desarenador, este construído para a demanda do final do projeto.
A barragem de laminação (ressalto hidráulico), constituída de enrocamento de 
pedras, está situada a cerca de 300 metros a jusante da tomada, ou seja, da entrada do 
canal. Sua finalidade não é armazenar água e sim estabelecer as condições de cota míni-
ma para submergência e sucção nos equipamentos para, então, acionar a operação dos 
conjuntos motobombas. Outra finalidade foi impedir a penetração da cunha salina para 
que a água do mar não atinja a tomada de água. A entrada do canal de captação tem a 
largura de 7 metros e comprimento em torno de 22 metros. O canal de tomada possui 
comprimento de 280 metros e tem forma trapezoidal, com 4 metros de base e 3,60 
metros de altura média. O desarenador (caixa de areia) tem 60 metros de comprimento, 
10 de base menor, 41,5 de base maior e 4,5 metros de altura; é protegido por diques nas 
laterais situados na cota de 5 metros. Na entrada da estrutura de tomada que conduz 
ao poço de sucção das bombas foi construído um gradeamento para impedir a entrada 
de materiais, principalmente flutuantes que possam obstruir os crivos das bombas.
Desvio do 
Rio Jucu na 
fase de obras
D é c a d a d e 1 9 7 0 269D o t e m p o d a C e s a n
Captação no 
Rio Jucu, canal 
de entrada e 
desarenador
Captação no 
Rio Jucu: 
desarenador, 
década de 70
Canal e gradeamento: 
entrada da água na estação 
elevatória de baixo recalque
270 P a r t e I I
Elevatória de baixo recalque
O sistema elevatório de baixo recalque foi formado pela 
estação elevatória de baixo recalque e pela adutora de 
baixo recalque. A elevatória com 4 conjuntos moto-
bombas de 350 CV, alimentados por transformadores 
de 1.000 KVA, foi construída junto à captação no Rio 
Jucu, em Caçaroca, e teve por finalidade recalcar a água 
bruta captada até a estação elevatória de alto recalque. 
O poço de sucção, escavado em rocha, possui 6 câmaras 
independentes interligadas ao desarenador por um ca-
nal de concreto e tubulações de 1.500 mm de diâmetro. 
A tubulação da adutora de água bruta no diâmetro de 
1.280 mm e espessura de 3/8 polegadas tem compri-
mento de 5.600 metros. Para o controle das pressões 
transientes e proteção das bombas, foi construído – na 
área da estação elevatória – uma chaminé de equilíbrio 
(stand-pipe) em concreto, no diâmetro de 5 metros e 25 
metros de altura. Outro dispositivo de proteção, cons-
tituído por uma tubulação de aço no diâmetro de 800 
mm, foi construído na adutora em um ponto alto do 
caminhamento, próximo ao bairro Rio Marinho.
Elevatória de 
baixo recalque 
no Rio Jucu, 
década de 70
Obra do sistema de 
captação no Rio 
Jucu em Caçaroca, 
década de 1970
Captação no 
Rio Jucu: 
baixo recalque, 
década de 70
271D o t e m p o d a C e s a n
Vista aérea das obras do 
sistema de captação no 
Rio Jucu em Caçaroca, 
década de 1970
Assentamento 
da adutora de 
baixa carga, 
década de 1970
272 P a r t e I I
Vista aérea das obras da 
estação elevatória de alto 
recalque em Cobilândia, 
década de 70
Elevatória de alto recalque
O sistema elevatório de alto recalque foi formado pela estação elevatória de alto recalque 
e pela adutora de alto recalque. A elevatória foi constituída por 3 conjuntos de bom-
bas acionadas por motores de 1.100 CV e 2 conjuntos de 350 CV para flexibilidade 
operacional. Teve a finalidade de recalcar a água bruta até a Estação de Tratamento, no 
Vale Esperança, e à Estação de Tratamento de Cobi. O poço de sucção tem 11 câmaras 
independentes, já prevendo a expansão futura. As adutoras de alto recalque têm um 
pequeno trecho inicial a partir da elevatória no diâmetro de 1.800 mm. Dessa linha 
derivou uma adutora para a Estação de Tratamento de Cobi, no diâmetro de 900 mm, 
em aço, e extensão de 1.600 metros. Outra linha adutora derivou para a Estação de 
Tratamento de Vale Esperança, no diâmetro de 1.200 mm, em aço, espessura da chapa 
de 3/8 de polegadas e extensão de 1.950 metros. 
D é c a d a d e 1 9 7 0 273D o t e m p o d a C e s a n
Estação 
elevatória de alto 
recalque situada 
em Cobilândia, 
década de 70
Construção da 
elevatória de 
alto recalque 
em Cobilândia, 
década de 70
274 P a r t e I I
Estação de Tratamento
A Estação de Tratamento de Vale Esperança foi construída para tratar a vazão nominal 
de 1,5 metros cúbicos por segundo, porém com previsão de ampliação da segunda 
etapa para tratar mais 1,5 metros cúbicos por segundo, totalizando 3 metros cúbicos 
por segundo. A vazão do dimensionamento da ETA de Vale Esperança foi considerada 
com sobrecarga de 50%, ou seja, a vazão da primeira etapa (de 1,50 metros cúbicos por 
segundo) pode tratar até 2,25 metros cúbicos por segundo e, a vazão final da segunda eta-
pa (de 3 metros cúbicos por segundo) pode tratar até 4,50 metros cúbicos por segundo. 
Na prática, essa vazão de 2,25 metros cúbicos por segundo já foi testada com sucesso. O 
cálculo hidráulico considerou a capacidade de 3 metros cúbicos por segundo, incluindo 
a chegada de água bruta; medição; mistura rápida; coagulação; canal de interligação; 
floculação; decantação; filtração; extravasor da ETA e reservatório de lavagem dos filtros.
Para construir essa estação, a Cesan firmou contrato, em 4 de setembro de 1973, 
com a Construtora Oxford Ltda para executar os serviços e obras da nova Estação de 
Tratamento de Água (ETA I), em Vale Esperança, e reformar a Estação de Tratamento 
de Água existente (ETA II), de Cobi, compreendendo basicamente: 
 ~ ETA I: serviços gerais de terraplena-
gem; construção civil; instalações elé-
tricas e sanitárias; montagem de equi-
pamentos e tubulações para a Casa de 
Química; floculadores; decantado-
res e filtros (drenagens pluviais, arru-
amento, pavimentação e paisagismo).
 ~ Reforma da ETA II: pequenos servi-
ços de terraplenagem; construção ci-
vil de floculadores e depósito de clo-
ro; pequenas obras civis de reformas 
internas e externas da Casa de Quí-
mica existente; montagem dos no-
vos equipamentos e tubulações da 
estação, inclusive ligações elétricas.
Vista geral da obra da ETA 
de Vale Esperança, 1974
D é c a d a d e 1 9 7 0 275D o t e m p o d a C e s a n
Obras da ETA de 
Vale Esperança, 
agosto de 1976ETA de Vale 
Esperança: obras dos 
drenos do fundo do 
floculador, março 1974
276 P a r t e I I
Vista geral da ETA de Vale 
Esperança, década de 1970
Vista aérea do local 
onde passariam, em 
1976, as adutoras de 
alto recalque para a ETA 
de Vale Esperança e da 
ETA para Vila Velha
D é c a d a d e 1 9 7 0 277D o t e m p o d a C e s a n
Painel de 
comando e 
controle da ETA, 
década de 1970
Galeria de 
comando dos 
filtros, década 
de 1970
Vista geral 
das obras da 
ETA do novo 
sistema da 
Grande 
Vitória
278 P a r t e I I
As empresas participantes desse sistema Jucu foram: Maplan (topografia); Yama-
gata (adutora de baixa carga); Oxford (obras civis da ETA de Vale Esperança); Del-
phos Engenharia (obras da adutora de alta carga); Sertep (montagens hidráulicas e 
elétricas); Wortington (fornecedor das bombas de baixa e alta carga); Electra (painéis 
elétricos); e Bristol (instrumentação e painéis de controle do processo). A Electra 
também fez consultoria para o acompanhamento e diligenciamento da fabricação 
dos painéis para as subestações e para o suprimento de força para as estações de 
bombeamento e de tratamento de água.
Face ao vertiginoso crescimento econômico e significativa implantação de unidades 
habitacionais, iniciou-se, em 1974, a construção de uma subadutora e do anel de distri-
buição de Goiabeiras/ Camburi. Foi concluída em 1975, com extensão de 10.860 metros, 
com diâmetros variando de 250 a 500 mm, em ferro fundido. O trecho da rede de 500 
mm foi implantado na Avenida Fernando Ferrari, em frente à Ufes, reduzindo para 400 
mm e 300 mm, com trajeto passando por Goiabeiras, Av. Fernando Ferrari, Adalberto 
Simão Nader e Av. Dante Michelini até chegar ao bairro de Camburi. Para atender ao 
bairro de Camburi (a urbanização foi feita pela Prefeitura de Vitória), a Cesan construiu, 
em 1974, a rede de distribuição (extensão de 8.688 metros) em vários diâmetros em PVC.
Após a construção do sistema de produção, planejou-se, para ter início em 
1975 tão logo fossem concluídos os projetos, a construção do novo sistema de 
reservação e distribuição.
Construção e ampliação do novo 
sistema de distribuição de água da 
Grande Vitória no Rio Jucu
Com recursos próprios e financiados, a Cesan executou a ampliação do sistema de 
distribuição, compreendendo redes subadutoras e de distribuição tanto para promo-
ver a melhoria como o atendimento aos conjuntos habitacionais. As principais obras 
executadas, entre 1974 e 1975, foram:
 ~ Vitória: subadutora de Jucutuquara/ Maruípe, com diâmetro de 250 a 350 
D é c a d a d e 1 9 7 0 279D o t e m p o d a C e s a n
mm, em ferro fundido e extensão de 3.180 metros. Subadutora de Jardim Cam-
buri: diâmetro de 125 mm, em cimento amianto e extensão de 4.600 metros.
 ~ Cariacica: subadutora de Campo Grande, com diâmetro de 250 a 350 mm, 
em ferro fundido e extensão de 2.960 metros. Anel de distribuição de Jar-
dim América: diâmetro de 200 mm, em ferro fundido e extensão de 4.015 
metros; desvio da adutora de Duas Bocas em Sotema, com diâmetro de 500 
mm e extensão aproximada de 800 metros.
 ~ Serra: rede para o bairro São Sebastião, com diâmetros diversos e exten-
são de 2.500 metros.
 ~ Vila Velha: anel de distribuição de Vila Velha, com diâmetro de 250 a 350 
mm, em ferro fundido e extensão de 2 mil metros.
 ~ Foram construídas redes de distribuição com fornecimento de material pelas co-
operativas ou empresas interessadas para os seguintes conjuntos habitacionais:
 ~ Vitória: Goiabeiras II, Goiabeiras III, Antônio Honório e Gemini.
 ~ Vila Velha: Novo México; Jardim Asteca; Jardim Guadalajara; Colorado 
(2ª etapa), Militares (Itapoã); Novo México (2ª etapa); Itapoã; Santa Mô-
nica II; e Costa Azul.
Foram construídas também as redes tronco alimentadoras para os bairros Camburi, 
Jardim Asteca, Jardim Guadalajara e Novo México. 
Construíram-se redes de distribuição para a Ilha do Boi e o bairro Comdusa, 
em Vitória.
O programa para construção e substituição de redes na Grande Vitória, de 1971 
a 1974, permitiu assentar 142 mil metros de redes.
Ao longo de 1976 a 1977 foram construídas as principais redes subadutoras e as 
linhas tronco para veicular a água tratada da ETA de Vale Esperança, principalmente 
para Vila Velha e Cariacica. Construídas de acordo com os estudos de concepção 
do Plano Diretor elaborado pela Engemeter Engenharia, no qual as redes principais 
alimentadas a partir da ETA de Vale Esperança chegariam até os centros de reservação 
sem distribuição em marcha. Os reservatórios alimentariam as redes tronco. 
280 P a r t e I I
Para a execução desses serviços, a Cesan contratou a Sociedade de Instalações 
Técnicas S.A (SIT), em 11 de novembro de 1975. O contrato foi para execução de 
obras de construção civil, montagem e assentamento de tubos e peças especiais de 
ferro fundido, nos diâmetros de 1.000, 900, 600 e 450 mm, necessários às obras das 
subadutoras de água tratada para as interligações da ETA de Vale Esperança, com os 
troncos existentes em Vila Velha e de Itaquari (Cariacica).
Os principais trechos construídos para Vila Velha foram:
 ~ Saída da ETA de Vale Esperança: subadutora no diâmetro de 1.000 mm, em 
ferro fundido (atravessa o Canal do Marinho, passa por Cobilândia, segue 
pela Av. Carlos Lindenberg até o cruzamento com a Rua Felicidade Siqueira).
 ~ No cruzamento da Av. Carlos Lindenberg com a Rua Felicidade Siqueira 
teve início a subadutora de 900 mm, em ferro fundido. Indo da Rua Felici-
dade Siqueira até a Ana Siqueira, início da subida para o Hospital Evangéli-
co, a rede de 900 mm interligava às de 250 e 400 mm existentes no local. Es-
sas redes existentes são da época em que a ETA de Cobi atendia esse trecho 
de Vila Velha. A nova subadutora de 900 mm tinha a finalidade de alimen-
tar o reservatório previsto no Morro do Camelo que até hoje não foi cons-
truído por causa de um campo de futebol situado no local previsto para o 
reservatório. Em 2009, face à agressividade do solo na região, essa adutora 
de 900 mm foi totalmente substituída por outra. 
 ~ Do cruzamento da Carlos Lindenberg com a Felicidade Siqueira: subadu-
tora no diâmetro de 800 mm, indo neste diâmetro até a entrada do Ibes. Na 
sequência foi construída a rede de diâmetro de 700 mm, em ferro fundido, 
da entrada do Ibes até a Rua Godofredo Schneider (saída do terminal de 
ônibus) e entre o Ibes e a entrada de Santa Inês. Nesse ponto foi feita a in-
terligação às redes existentes de 400 e 600 mm. 
 ~ Do bairro da Glória até a Luciano das Neves: subadutora no diâmetro de 
500 mm, em ferro fundido, da Glória até a entrada de Vila Velha, e dois tre-
chos, um de 400 mm provisório, e outro de 700 mm, em ferro fundido, as-
sentados na Rua 7 de Setembro até a Luciano das Neves. O estrangulamen-
to do trecho de 400 mm requer detalhes técnicos: havia projeto de cons-
D é c a d a d e 1 9 7 0 281D o t e m p o d a C e s a n
trução de um centro de reservação no Morro de Jaburuna do qual desceria 
uma rede de 700 mm para ser interligada à de 700 mm da Rua 7. Para ali-
mentar o reservatório de Jaburuna, era preciso prolongar o final da rede de 
500 mm. Ou seja, o trecho de 400 mm, construído provisoriamente e que 
ainda permanece no local, requer ampliação do seu diâmetro porque há per-
da de carga considerável. Isso vem ocorrendo desde a expansão imobiliária 
da Praia da Costa e de Itapoã. Se isso não bastasse, os posteriores planos di-
retores mudaram o local do reservatório para o Morro do Garoto, onde foi 
construído um centro de reservação de 10 mil metros cúbicos. 
 ~ Do cruzamento da 7 de Setembro com a Luciano das Neves: subadutora no 
diâmetro de 600 mm, em ferro fundido, na Luciano das Neves indoaté as 
proximidades da Rua Resplendor. Desta rede de 600 mm derivaram várias 
ramificações em diâmetros menores de 200, 250, 300 e 350 mm para Ita-
poã, Itaparica e em direção ao bairro Araçás.
Planta da adutora 
para Vila Velha: 
travessia aérea 
sobre o Rio Aribiri
282 P a r t e I I
Em Cariacica, as principais obras foram: subadutora de 600, 450 e 400 mm, em 
ferro fundido, da ETA de Vale Esperança que passa em frente à antiga sede da Prefeitura 
e interliga as redes tronco de Campo Grande e bairros adjacentes. 
A Cesan iniciou, na década de 70, um programa de ampliação de redes para a 
Grande Vitória, denominado Macro/Micro. Assim, foi concluído em 1978 o projeto 
básico e executivo da Macro II/Micro I tendo como base o Planejamento Global 
elaborado pela Engemeter. Em seguida, este projeto foi transformado em obra con-
templando os bairros de Cariacica, quais sejam: São Geraldo, Rosa da Penha, Santa Fé, 
Cruzeiro do Sul, São Vicente, Santo André, Vila Palestina, Barbados e Vila Capixaba. 
Contemplou cerca de 50 mil pessoas.
Em 1979, foram concluídos os projetos básico e executivo da Macro III e, em segui-
da, executadas as obras que beneficiaram os seguintes bairros de Vitória: Jucutuquara; 
Ilha de Santa Maria; Maruípe; Horto; Eucalipto; Santa Lúcia; Itararé; São Cristóvão; 
Praia do Canto; e Jardim da Penha. Contemplou em torno de 100 mil pessoas.
Captação no Canal 
Marinho é desativada
Na década de 1970, a Cesan construiu o novo 
sistema de produção e tratamento de água 
da Grande Vitória com captação direta no 
Rio Jucu, em Caçaroca, divisa de Vila Velha 
e Cariacica. A Estação de Tratamento de Vale 
Esperança (ETA Engenheiro Helder Faria 
Varejão) foi construída em Cariacica. A lo-
calização da captação defendida pelo DNOS 
era junto à Vala Neves a montante da con-
fluência com o Rio Formate, a 2.800 metros 
acima. O novo sistema entrou em operação 
em 1977, desativando, em seguida, a cap-
tação no Canal Marinho.
283D o t e m p o d a C e s a n
Antiga captação e 
elevatória (Casa de 
Bombas) e oficina 
eletromecânica no 
Canal Marinho
Canal Marinho: 
localização da antiga 
Casa de Bombas, 
dezembro de 2011
284 P a r t e I I
Transiente hidráulico: 
deslocamento da adutora 
de água bruta da ETA 
de Cobi, década de 70
Antiga casa de dosagem 
e floculador de madeira 
no Canal Marinho, 
décadas de 60-70
D é c a d a d e 1 9 7 0 285D o t e m p o d a C e s a n
Antigo floculador 
de madeira no Canal 
Marinho, décadas 60 e 70
Antigo local do 
floculador de madeira 
no Canal Marinho
286 P a r t e I I
Dragagem de 
sólidos decantados 
no Canal Marinho, 
décadas 60 e 70
Interior 
da Casa de 
Bombas no 
Canal Marinho
D é c a d a d e 1 9 7 0 287D o t e m p o d a C e s a n
Interior da Casa de 
Bombas no Canal 
Marinho, anos 60 e 70
Tipo de conjunto 
motobombas da Casa 
de Bombas do Canal 
Marinho, anos 60 e 70
288 P a r t e I I
O rio está totalmente degradado, mas ainda há solução. É importante que a po-
pulação não jogue lixo, ligue seus esgotos à rede coletora e que os serviços de coleta e 
tratamento de esgoto cheguem a 100% da população. Outra ação fundamental para 
a reabilitação do Rio Marinho e que o tornaria novamente um rio perene e piscoso, 
seria o seu desassoreamento, sua consequente desobstrução e a reativação da Vala 
Neves, ligando de novo o Jucu ao Marinho. É de suma importância – como segurança 
contra as enchentes – que continue existindo um estrangulamento entre as ligações 
para limitar a vazão máxima de adução do Jucu para o Marinho. 
Uma notícia importantíssima é que o Governo do Estado está tomando provi-
dências, em 2012, para a licitação das obras de revitalização do Rio Marinho e da 
construção de uma barragem para conter as enchentes no Rio Formate.
Abastecimento aos conjuntos habitacionais
Conforme mencionado, com a explosão demográfica ocorrida na década de 70 no 
Espírito Santo e em sintonia com a política habitacional do Governo Federal, por 
meio do BNH, sobretudo via Cohab-ES e Inocoop-ES, foram implantados inúmeros 
conjuntos habitacionais na Grande Vitória. No caso específico de Vila Velha, para dar 
suporte a esse atendimento, a Cesan implantou as redes subadutoras e redes macro 
do novo sistema de produção do Jucu, previstas no Planejamento Global do sistema 
de adução, reservação e distribuição, elaborado pela Engemeter Engenharia.
No caso dos conjuntos habitacionais, a construção do sistema de água e esgoto 
foi de responsabilidade do interessado. Somente em Vila Velha foram implantados os 
seguintes conjuntos habitacionais: Novo México; Jardim Asteca; Jardim Guadalaja-
ra; Colorado; Militares; Santa Mônica; Costa Azul; Santos Dumont; Boa Vista II; 
D é c a d a d e 1 9 7 0 289D o t e m p o d a C e s a n
Jardim Itapoã; Beira-Mar; Abacateiros; Coophabsol; Coophabvila; Coophabitapoã; 
Araçás; Guaranhuns; Coqueiral de Itaparica; e Ilha dos Bentos.
Em 1981, foram projetados e implantados os conjuntos Boa Vista II e Ilha dos 
Bentos. Na Serra, outros conjuntos habitacionais: Jardim Limoeiro; São Diogo; José 
de Anchieta; Helio Ferraz; Fazenda Cacu; Parque Serra Dourada; e Bairro das Flores. 
Em Cariacica, houve a construção da Cohab, em Santana. Em Vitória, foram entregues 
os seguintes conjuntos habitacionais: Antônio Honório, Goiabeiras II e III, e Gemini.
Em 1980, surgiu o Conjunto Capivari com 3.800 unidades. Entre 1983 e 1984 
foi implantado o conjunto Castelândia, em Jacaraípe. Em Cariacica, em 1982, foram 
projetados e depois construídos os conjuntos Mocambo e José Maria Ferreira e, em 
Viana, o Marcílio de Noronha.
Coqueiral de Itaparica foi o maior que a Cesan atendeu na década de 70, com 
5.096 apartamentos, considerado, na época, o maior da América do Sul. O conjunto 
Serra Dourada tinha 4.500 unidades. A Cesan garantiu, com sucesso, o abastecimento 
dessas unidades habitacionais e da grande expansão imobiliária de prédios na orla. 
Naquela época, principalmente na Serra, surgiram os primeiros sistemas indepen-
dentes de tratamento de esgotamento sanitário, a maioria por lagoas de estabilização.
As obras de construção civil, montagem e assentamento de tubos e conexões de 
ferro fundido e PVC do sistema de distribuição de água do conjunto habitacional 
Santos Dumont foi executado pela Prisma Construção e Incorporação Ltda, em 
contrato de 9 de setembro de 1977.
As obras de distribuição de água do conjunto Guaranhuns foram executadas pela 
Lima Construções S. A., em contrato de 26 de junho de 1978. As de Itaparica II, pela 
Serenge Construções, Indústria e Comércio Ltda (contrato de 24 de agosto de 1982). Já 
a Saneamento Engenharia Ltda (Sanec) executou a terceira parte da sexta e sétima etapa 
do abastecimento de água do conjunto Itaparica, em contrato de 23 de setembro de 1983.
290 P a r t e I I
D é c a d a d e 1 9 7 0 291D o t e m p o d a C e s a n
Diagrama esquemático 
das redes tronco 
principais de Vila 
Velha, década de 1970
292 P a r t e I I
O primeiro sistema completo 
de esgotamento sanitário
Em 1976, foi construído, no bairro Civit I, na Serra, o primeiro sistema com redes 
coletoras e tratamento. O tratamento ocorreu por lagoa de estabilização. Na sequência, 
para atendimento aos conjuntos habitacionais em construção na Serra, a solução para o 
tratamento foi com as lagoas de estabilização. Esta concepção, na época, era justificada 
pela facilidade de operação desse tipo de tratamento e disponibilidade de área. Ainda 
não existiam as atuais leis ambientais.
O primeiro abastecimento da Serra 
Sede com captação nas nascentes das 
encostas do Morro Mestre Álvaro
Situados na Serra, o Parque Florestal e a Reserva EcológicaMestre Álvaro foram cria-
dos pelo Governo do Estado, em 1977. Possuem área de aproximados 3.470 hectares 
e suas riquezas naturais, incluindo flora e fauna, têm servido às pesquisas científicas, 
educacionais e ao setor turístico. É uma das maiores elevações litorâneas da costa 
brasileira, com 833 metros de altitude, e um dos mais belos monumentos naturais 
da Mata Atlântica brasileira. Sua altura e localização têm orientado, historicamente, 
a navegação marítima e os pescadores. Antigos moradores informam que ali morava 
um mestre de carpintaria ou professor chamado Álvaro. Daí o nome Mestre Álvaro. 
Há também quem diga que como sempre serviu de orientação aos pescadores que – 
do alto mar avistam seu cume – passaram a chamá-lo de Mestre Álvaro.
O Mestre Álvaro, em fins do século XIX, foi incluído nos estudos do engenhei-
ro sanitarista Saturnino Brito, quando pesquisou o abastecimento de água do Novo 
Arrabalde, região da atual Praia do Canto e outros bairros da zona norte de Vitória. 
Outra curiosidade: a primeira captação de água para atender a Serra Sede foi 
instalada na encosta do Mestre Álvaro através de uma barragem de alvenaria de pedra, 
de onde uma tubulação de diâmetro de 150 mm, com cerca de 2.500 metros, conduzia 
D é c a d a d e 1 9 7 0 293D o t e m p o d a C e s a n
a água por gravidade até um reservatório de pedra de igual volume: 900 metros cúbi-
cos. Esse reservatório tinha a cota do seu nível mínimo de água igual a 88,31 metros 
e, a cota do nível de água máximo, de 90,62 metros. O desnível da captação para o 
reservatório era de 40 metros, com vazão média veiculada de 12 litros por segundo. 
O reservatório estava situado no morro do Urubu, de cota de 90 metros, ponto mais 
alto da Sede do município. Recentemente, em 2011, a Cesan construiu no local um 
reservatório com volume de 6 mil metros cúbicos.
Antiga barragem 
da captação no 
Mestre Álvaro 
para a Serra Sede
Vista da região do 
antigo reservatório 
no Morro Urubu, 
na Serra Sede
Antiga captação 
no Mestre Álvaro 
para a Serra Sede
Antiga estação 
de tratamento de 
água da Cesan na 
Serra sede década 
de 1970 e 80
294 P a r t e I I
Quando a Cesan assumiu a operação do sistema da Serra, no 
início da década de 70, imediatamente construiu uma Casa de 
Química para clorar a água e distribuí-la à população, uma vez 
que antes da Cesan a água era distribuída sem tratamento. Em 
seguida, para reforçar o sistema de água, a Cesan construiu outra 
captação também na encosta do Mestre Álvaro e uma adutora até o 
reservatório do morro do Urubu. Esse sistema funcionou proviso-
riamente até ser construído o sistema definitivo de abastecimento 
de água, com captação no Rio Santa Maria e tratamento na Estação 
de Carapina, o que ocorreu em 1983.
Os outros sistemas existentes eram:
 ~ Jacaraípe: o sistema estava abandonado desde 1960 e cons-
tava basicamente de captação em poço raso, sem nenhum 
tratamento, Casa de Bomba sobre o poço, reservatório 
elevado de 163 metros cúbicos e 600 metros de redes. 
 ~ Manguinhos: não possuía sistema de abastecimento de água.
 ~ Carapebus: tinha sistema construído e operado pela Po-
lícia Militar de Minas Gerais que ali mantinha uma co-
lônia de férias. Esse sistema atendia a colônia e pequena 
parte do povoado. A captação era feita em dois poços tu-
bulares profundos com capacidade total de 14 metros cú-
bicos por hora e o reservatório enterrado, de 70 metros 
cúbicos, e o elevado de 25 metros cúbicos com 3 mil me-
tros de redes.
 ~ Bairro São Sebastião: não possuía sistema de abastecimento.
 ~ Nova Almeida: a captação era feita sem nenhum trata-
mento em três poços rasos interligados, recalque por ele-
vatória de 15 HP, adutora de água bruta de 100 mm e ex-
tensão de 1.200 metros, e um reservatório de 185 metros 
cúbicos. A rede era de 5.650 metros.
D é c a d a d e 1 9 7 0 295D o t e m p o d a C e s a n
Planta do sistema existente de água 
de Nova Almeida, década de 1970
296 P a r t e I I
 ~ Praia Grande (Fundão): 
captação em dois poços ra-
sos, sem tratamento, Casa 
de Bombas sobre o poço, 
duas adutoras de 100 mm 
e extensão de 200 e 70 
metros, respectivamente, 
além do reservatório de 
95 metros cúbicos e 6.300 
metros de redes.
Planta do sistema 
existente de água 
em Praia Grande, 
década de 1970
D é c a d a d e 1 9 7 0 297D o t e m p o d a C e s a n
298 P a r t e I I
Sistema de abastecimento de 
água de Guarapari
A colonização de Guarapari teve início em 1569, com a chegada do Padre José de 
Anchieta. Como catequizador dos índios e representante dos jesuítas, nas suas pe-
regrinações, fundou a aldeia que mais tarde se transformaria na Sede do município. 
O primeiro nome foi Vila dos Jesuítas, depois Aldeia Nossa Senhora, Aldeia de 
Santa Maria de Guaraparim, Guaraparim e, finalmente, Guarapari. Guarapari é uma 
palavra de origem indígena derivada de guará (ave de plumagens avermelhadas) e 
pari (laço ou armadilha).
Assim como Vitória e Vila Velha, Guarapari é um dos mais antigos municí-
pios do Espírito Santo e teve sua colonização iniciada com a Capitania de Vasco 
Fernandes Coutinho. 
O sistema de abastecimento de água de Guarapari era administrado pela Prefeitura 
Municipal. Teve suas primeiras unidades construídas somente em 1950 e o Córrego 
Oratório era o manancial que abastecia a cidade. Com o aumento da demanda, o 
Córrego Oratório passou a não ter vazão suficiente para o atendimento. Assim, em 
1962, construiu-se a captação nas cabeceiras do Rio Conceição. O intenso desmata-
mento da região de Guarapari, a partir de 1964, provocou queda de disponibilidade 
hídrica e de qualidade das águas dos mananciais. 
Elaborou-se um projeto global, em 1966, que considerou o aproveitamento do 
Rio Conceição. Com esse projeto, construiu-se apenas a adutora, mas houve algumas 
ampliações na rede de distribuição. Antes de 1976 não existia tratamento, portanto, a 
água era distribuída à população em estado bruto; os sistemas de captação, reservação 
e distribuição necessitavam de ampliações e reformas e apenas a rede adutora estava 
em boas condições; o volume de água distribuído não era suficiente, necessitando 
de ampliação do sistema de produção; não havia sistema público de abastecimento 
de água, em Meaípe, Santa Mônica e Perocão. Basicamente, o abastecimento era 
individual, por poços; em Setiba, havia um sistema particular, porém sem sistema 
de esgotos sanitários.
 Alguns estudos da época, como o projeto da empresa Tecnosan (contratada 
pelo DNOS, em 1966), referiam-se ao abastecimento de água de Guarapari. Depois, 
D é c a d a d e 1 9 7 0 299D o t e m p o d a C e s a n
houve o estudo de viabilidade econômico-financeira de todo o conjunto de sistemas 
de abastecimento de água e esgotamento sanitário estadual elaborado pela Coplasa, 
contratada pela Cesan, em 1972. Dois anos depois, a Prefeitura de Guarapari con-
tratou o Escritório Técnico Ary Garcia Rosa que elaborou o Plano de Ação Imediata 
do Município de Guarapari. 
Em 1975, iniciaram-se os levantamentos topográficos e os estudos preliminares 
para a elaboração do Projeto do Sistema de Abastecimento de Água. No ano seguin-
te, a Cesan preparou um relatório com uma dramática conclusão: das unidades de 
todo o sistema, apenas a linha adutora funcionava adequadamente. Mais: a captação, 
reservação e as redes de distribuição precisavam de reformulação total. Além disso, 
o sistema não tinha unidade de tratamento, ou seja, a água era distribuída in natura.
O ponto de tomada estava situado na elevação aproximada de 75 metros em 
relação à cidade nas cabeceiras do Rio Conceição em uma caixa deficiente, nas di-
mensões de 8 x 5x 1 metros, com duas partes, uma delas funcionando como caixa 
de areia. A adutora que abastecia por gravidade o centro urbano de Guarapari era de 
ferro fundido, no diâmetro de 400 mm e extensão de 6.583 metros. A capacidade 
de adução era de 150 litros por segundo. A cerca de 1.500 metros da chegada da ci-
dade derivavam várias saídas em bom estado de conservação: uma saída de 200 mm 
para Muquiçaba, com extensão de 720 metros; outra, no diâmetro de 200 mm para 
o bairro Ipiranga, com extensão de 2.800 metros; havia ainda outra em direção ao 
Centro, no diâmetro de 250 mm e extensão de 1.420 metros, com diâmetro de 200 
mm e extensão de 360 metros. 
A reservação era de apenas 725 metros cúbicos, assim distribuídos: reservatório 
da Matriz, com volume de 481 metros cúbicos para o apoiado e 14 metros cúbicos 
para o elevado; bairro Ipiranga com reservatório apoiado de volume de 120 metros 
cúbicos; e, finalmente, Muquiçaba, com volume no reservatório apoiado de 80 metros 
cúbicos e com 30 metros cúbicos no elevado. Esses reservatórios, em estado precário e 
volume insuficiente, apresentavam poucas possibilidades de aproveitamento. Grande 
parte da rede de distribuição foi construída em 1950, com algumas melhorias em 
1968, quando da construção da adutora de 400 mm. O comprimento era de 20.690 
metros, com diâmetros entre 25 e 200 mm, a maioria em fibro cimento, exceto os 
diâmetros de 25 a 50 mm que eram em PVC. O número de ligações girava em torno 
de 5.500 domicílios e 196 comerciais, sem hidrômetros para a medição. As ligações 
300 P a r t e I I
prediais tiveram evolução vertiginosa a partir de 1973, ano que chegou a 1.500. No 
ano seguinte, saltou para 2.500. Em 1975, foram mais 4 mil e, em maio de 1976, 
outras 5.696 ligações prediais.
Em decorrência do estado precário, grande parte da rede de distribuição não foi 
aproveitada. Os funcionários ligados à manutenção e à operação do sistema eram 
de quase quinze pessoas: um encarregado geral, um motorista, seis bombeiros, três 
ajudantes, dois administrativos e dois vigias. A operação e a manutenção eram feitas 
pelos próprios bombeiros e ajudantes, com pouca qualificação, e os materiais de 
manutenção eram adquiridos em Vitória. 
O sistema projetado
A elaboração do projeto do sistema de abastecimento de água da Cesan considerou, 
entre outras conclusões do Relatório Técnico Preliminar (aprovado após comple-
mentações sugeridas pela então Feema, órgão técnico do BNH), o abastecimento 
de 80% da população urbana. O alcance do projeto era de 20 anos. Considerou-se o 
atendimento das populações por etapas. A primeira seria em 1986 e, a partir de então, 
a previsão era de complementar as unidades até 1996, ano da etapa final do plano. A 
vazão máxima diária considerada na primeira etapa foi de 171 litros por segundo e, 
261 litros por segundo, na segunda etapa. As fases de implantação do projeto foram 
de 1977 a 1986 e de 1987 a 1996. 
Das unidades previstas na primeira etapa, algumas tiveram previsão de período de 
atendimento de apenas dois anos (1977 a 1979) e, outras, com implantação prevista 
para após o término desse período. A população projetada para o final do plano era 
de 93.600 habitantes. Para o abastecimento da região, foram considerados os rios 
Conceição e São João do Jaboti.
Nesse projeto foram consideradas a barragem e a caixa de areia no Rio Conceição, 
com tomada de água a 1.410 metros acima da captação da época, num ponto de cota 
de 112 metros a cerca de 40 metros acima da cota de captação existente. Inicialmente, 
considerou-se a utilização de uma vazão de 81,39 litros por segundo. Previu-se que, 
a partir de 1979, haveria captação das águas do Rio São João do Jaboti para comple-
mentar a vazão necessária de cada etapa.
D é c a d a d e 1 9 7 0 301D o t e m p o d a C e s a n
A adução de água bruta, de ferro fundido, por gravidade, num total de 7.300 
metros, aproveitou a rede existente de 5.629 metros com a complementação de mais 
1.671 metros de tubulação no mesmo diâmetro de 400 mm, sendo 261 metros da 
adutora até a futura ETA e 1.410 metros da captação atual até a projetada. Também 
fez parte do sistema o aproveitamento de um trecho de 391 metros para funcionar 
como bay pass da ETA. A capacidade de veiculação dessa adutora era de 150 litros 
por segundo e foi considerada integrante do sistema até fins de 1996.
Inicialmente, o tratamento considerou apenas a cloração e correção de pH das 
águas do Rio Conceição. Com isso, foram previstas de imediato a construção de um 
tanque de contato para permitir um tempo de detenção do cloro. Esse tanque foi 
dimensionado para ter vazão necessária para 1986, objetivando seu aproveitamento 
quando da implantação das demais etapas do sistema. O tratamento inicial era ne-
cessário para que os dois anos seguintes fossem o tempo necessário para a definição 
do tratamento mais adequado das águas do manancial. 
Previu-se, então, que a partir de 1979, haveria a implantação – nas unidades – do 
tratamento adequado para as águas do Rio Conceição que, junto com as unidades de 
tratamento das águas do São João do Jaboti, formariam o sistema de tratamento das 
águas dos dois mananciais. E foi o que aconteceu nos anos seguintes, resultando na 
construção da primeira Estação de Tratamento de Guarapari para tratar 171 litros 
de água por segundo. 
A tomada de água no Rio São João do Jaboti foi prevista num ponto a cerca de 3 
mil metros da sua foz, no Oceano Atlântico, e a aproximados 4 Km de onde se situ-
aria – mais tarde e definitivamente numa elevação – a nova Estação de Tratamento. 
Construíram-se uma soleira de vertedor para impedir a influência da cunha salina e um 
canal desarenador. A vazão final do plano foi de 180 litros por segundo, com recalque 
a ser feito por três conjuntos elevatórios de 150 HP cada, desnível geométrico de 65 
metros, adução em rede de ferro fundido no diâmetro de 400 mm e extensão de 4 mil 
metros. Nas análises da Feema, houve solicitação para divisão em etapas, com dois 
conjuntos elevatórios para bombear a vazão de 90 litros por segundo e adutora de 300 
mm. Um terceiro conjunto seria instalado em 1987, assim como a instalação de outra 
linha adutora paralela à primeira para atingir o recalque de 180 litros por segundo.
Os reservatórios tinham capacidade total prevista para a primeira etapa (1986) 
de 5.019 metros cúbicos, distribuídos em três centros de reservação, a saber: Centro 
302 P a r t e I I
(setor 1), reservatório semienterrado de 741 metros cú-
bicos a construir e 481 metros cúbicos semienterrado a 
aproveitar, e 170 metros cúbicos elevado a construir. Nos 
bairros Muquiçaba e Praia do Morro (setor 2), reserva-
tório semienterrado de 2.272 metros cúbicos a construir 
e reservatório elevado de 75 metros cúbicos também a 
construir. Para a área de influência do bairro Ipiranga (se-
tor 3), foi previsto um reservatório semienterrado de 980 
metros cúbicos a construir e outro elevado de 300 metros 
cúbicos ainda a construir. A partir de 1987, os reservató-
rios semienterrados seriam complementados para atingir 
a capacidade final do plano, ou seja, 7.528 metros cúbicos 
para que o Setor 1 tivesse acréscimo de 696 metros cúbicos, 
o setor 2 mais 1.173 metros cúbicos e, o setor 3, outros 
640 metros cúbicos.
Quanto às redes de distribuição, houve previsão de 
construção inicial de 87.978 metros de redes e 10 mil li-
gações domiciliares. As redes foram nos diâmetros de 60 
a 350 mm, sendo em ferro fundido de 150 a 350 mm e 
PVC de 60 a 140 mm.
Foi aproveitado o reservatório semienterrado da Ma-
triz, com 481 metros cúbicos e 6.020 metros de adutora 
de água bruta do Rio Conceição.
Planta 
esquemática do 
sistema de águade Guarapari
D é c a d a d e 1 9 7 0 303D o t e m p o d a C e s a n
304 P a r t e I I
1980D é c a d a de
D é c a d a d e 1 9 8 0 305D o t e m p o d a C e s a n
1980 Principais estudos e projetosAbastecimento de águaA partir de 1980, o abastecimento de água do sistema Jucu tomou novo rumo para a implantação do Programa Macro/Micro e dos reservatórios. De janeiro daquele ano a setembro de 1984, o Planejamento Global e o Projeto Básico do sistema de distribuição de água da Grande Vitória (das zonas 1, 2, 3, 4, 5, e 9 A, e das zonas 6, 7, 8, 10 e 9 B) foram executados pela empresa Consultores Associados Brasileiros (CAB). Os estudos, projetos básico e executivo envolveram os municípios da Grande Vitória, compreendendo Vitória (zonas 1, 2, 3), Cariacica (zonas 4, 5 e 9 A), Vila 
Velha (zonas 6, 7, 8 e 10) e Viana (zona 9 B). A população atendida pelo projeto (ano 
2000) estava estimada em 1,04 milhão de habitantes.
Na concepção básica, a água seria conduzida das estações de tratamento, através 
de adutoras, indo até um grande centro de reservação sem distribuição em marcha. 
Cada centro de reservação estava dotado de um grande reservatório, responsável 
por uma zona de atendimento ou setor que facilitava o controle operacional e de 
pressão, medição e, consequentemente, o de perdas. O volume dos grandes reserva-
tórios projetados – de 2 mil a 10 mil metros cúbicos das 12 zonas – totalizava 152 
mil metros cúbicos. Os pequenos reservatórios reguladores de pressão, num total 
de 49, apoiados ou elevados possuíam volumes projetados de 25, 50, 75, 100, 150, 
306 P a r t e I I
250 e 300 metros cúbicos. As 47 estações elevatórias tinham potências projetadas 
de 3, 5, 7, 5, 10, 15, 20, 25, 40, 60, 100 e 125 CV. As adutoras de água tratada, nos 
diâmetros de 200, 300, 400, 500, 600, 700 e 800 mm, totalizavam 35.685 metros. 
As redes de macro distribuição, nos diâmetros de 75, 100, 150, 200, 250, 300, 400, 
500, 600, 700, e 800 mm, somavam 303.720 metros.
Esgotamento sanitário
Já o Plano Diretor de esgotamento sanitário da Grande Vitória foi elaborado, 
abrangendo Vitória, Vila Velha e Cariacica. Os estudos ficaram a cargo da Hi-
droservice Engenharia.
Subsistema Jucu
Em 1988, os novos estudos e projetos técnicos do subsistema de produção de água 
do Jucu, integrantes do sistema de produção de água da Grande Vitória, foram ela-
borados pela Aquaconsult.
A continuação do Programa Macro/Micro
Esse programa utilizou, a partir da década de 80, os projetos do novo Plano Diretor 
e do Planejamento Global que estavam em elaboração. Concluídos em 1982, os 
projetos básico e executivo da Macro IV envolveram a construção do reservatório de 
10 mil metros cúbicos na área da ETA, em Vale Esperança, e as obras das adutoras 
de grandes diâmetros de 600, 700, e 800 mm, numa extensão de 8 mil metros. Essas 
adutoras saíam da ETA de Vale Esperança, as de 700 e 600 mm para Cariacica e, as 
de 800 e 600 mm, para Vitória. 
A Macro V/Micro II, cujos projetos básicos e executivos foram concluídos em 
1983, tiveram as obras executadas na sequência e contemplaram alguns bairros de 
Cariacica e Viana, como: São Francisco, Ipiranga, Piranema, Canaã, Universal, Mucuri, 
Beira Rio, Industrial, 13 de Maio e Primavera. Cerca de 50 mil pessoas foram atendidas. 
D é c a d a d e 1 9 8 0 307D o t e m p o d a C e s a n
Sistema de abastecimento de água de Carapina
O sistema de Carapina iniciou sua fase de teste pré-operacional em 1983. O manancial 
responsável é o Rio Santa Maria da Vitória, com captação através de barragem laminadora, 
canal de adução, recalque e adução até a Estação de Tratamento de Água. Dessa estação 
partem os troncos principais de distribuição que, através de um sistema de elevatórias, 
bombeia a água para os reservatórios responsáveis pelos diversos centros de consumos. 
Antes de apresentar o sistema construído, faz-se necessário descrever resumi-
damente o relatório de alterações do projeto existente e o estudo das alternativas 
das unidades componentes do sistema elaborados pela Geotécnica S.A., em 1979. 
Basicamente, além das modificações do projeto existente, tratam dos estudos das 
alternativas de captação no Rio Santa Maria da Vitória e das alternativas de água dos 
balneários. O projeto existente é o Projeto Técnico do sistema de abastecimento de 
água do Planalto de Carapina, elaborado pela TAMS em 1975.
As modificações no projeto existente considerou a atualização do estudo de de-
manda elaborado pela Cesan, em novembro de 1978, e contemplaram basicamente 
as seguintes unidades:
Barragem de laminação no Rio Santa Maria e canal de adução – Considerou-se 
uma adução de 5,1 metros cúbicos por segundo, através de um canal desde a tomada 
de água no rio até a estação de bombeamento e um nível mínimo de água no poço de 
sucção das bombas de 0,80 metros. O canal do projeto original foi substituído por 
outro que liga a captação à estação elevatória do Rio Santa Maria.
Quatro alternativas pautaram o estudo: a primeira e a segunda, a 4,3 km da cap-
tação até a elevatória, tinham barragem de laminação do Rio Santa Maria, próximo à 
confluência dos rios São Miguel e Tauá, nas imediações do Morro de Queimados. A 
terceira e a quarta corresponderam ao projeto proposto inicialmente, com estrutura 
de controle de nível logo a jusante da ponte da Estrada de Ferro Vitória a Minas e, 
adicionalmente, a construção de diques junto às margens do Rio Santa Maria, e desvio 
dos rios São Miguel e Tauá. 
Para as alternativas 1 e 2, algumas proposições para o revestimento foram ana-
lisadas, considerando os canais adutores revestidos em concreto com colchão de 
gabiões, com colchão de concreto, e adução através de galeria de seção retangular.
Analisadas as questões do ponto de vista de inundação e considerando as me-
308 P a r t e I I
lhores condições de operação e ma-
nutenção, concluiu-se ser técnica e 
economicamente mais indicada a 
adoção da alternativa 1, conforme o 
desenho à direita.
Planta da captação 
no Rio Santa Maria: 
alternativa 1 eleita
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310 P a r t e I I
A alternativa 1 teve uma modificação posterior, já na fase de execução da obra: 
substitui-se o canal de terra por uma galeria de concreto armado de seção 2,58 x 
2,60 metros, ligando a bacia de desarenação à estação elevatória do Santa Maria. 
Tal modificação objetivou garantir o teor de cloreto exigido pela contratante CST, 
inferior a 20 miligramas por litro.
Estação elevatória do Santa Maria – Sua localização e concepção não foram mo-
dificadas em relação ao projeto original. As águas provenientes do canal de adução são 
conduzidas até o poço de sucção dessa elevatória que as recalcará através de conjuntos de 
bombeio até a ETA de Carapina. Essa estrutura foi projetada e construída para 5,1 metros 
cúbicos por segundo, sendo as bombas moduladas para as vazões ao longo do tempo.
Adutora do Santa Maria ao Planalto – Não foi necessária a modificação do 
projeto original, mantendo as redes projetadas: uma de 1.200 mm e duas de 800 mm, 
com comprimento de 11.360 metros, porém, houve necessidade apenas do estudo 
de transientes hidráulicos. A rede de 800 mm já havia sido construída em caráter 
provisório, através de uma elevatória de emergência para atender a construção da 
CST, além do abastecimento provisório da CVRD.
Estação elevatória e adutora de Jacuném para bombear a ETA do Planalto 
– Foram suprimidas do projeto em decorrência do abandono da Lagoa Jacuném 
como manancial.
Barragem na Lagoa Jacuném – Também suprimida em função do abandono 
da Lagoa Jacuném como manancial. Em decorrência, houve suspensão dos seguintes 
projetos: vertedor em Jacuném, estaçãoelevatória Jacuném, adutora Jacuném e estação 
de tratamento dos balneários.
Estação de Tratamento de Água (ETA do Planalto) – Modificou-se o projeto 
em função da nova vazão e na eliminação da ETA dos balneários. Além disso, a decisão 
da CST de adquirir água bruta diminuiu a demanda, que passou a ser de 1,27 metros 
cúbicos por segundo, na primeira etapa e, de 2,203 metros cúbicos por segundo, no 
final de plano. Para definição do processo de tratamento, a Cesan realizou experiên-
cias com filtração direta através de uma unidade piloto junto à ETA da CVRD, que 
tinha como manancial o mesmo Rio Santa Maria da Vitória. Conclusão: a filtração 
direta seria o processo válido para a água ser tratada e a taxa de filtração, em filtros de 
dupla camada, poderia atingir 220 m³/m²/ por dia. Para a adoção de filtração direta, 
os valores de turbidez e cor alcançaram valores de 28 mg/l.SiO2 e 75 mg/l.Pt. A 
D é c a d a d e 1 9 8 0 311D o t e m p o d a C e s a n
nova concepção previu filtração direta, mas também a possibilidade de se ampliar as 
instalações com a inclusão de floculadores e decantadores, caso a turbidez de água 
do Rio Santa Maria aumentasse acima do limite aceitável no tratamento por filtração 
direta. Realmente, a turbidez aumentou significativamente ao longo do tempo e a 
Cesan teve que introduzir, em 2005, o sistema de flotação.
Com base no estudo da Cesan “Atualização do Estudo de Demanda”, realizado em 
novembro de 1978, a vazão estimada no projeto teve seu valor alterado na primeira e 
segunda etapa diante da decisão oficial da CST de receber água bruta. Dessa forma, 
para a primeira etapa – 1985 – a vazão tratada de 1,27 metros cúbicos por segundo 
é o resultado da diferença de 2,296 metros cúbicos por segundo e a vazão de 1,026 
metros por segundo, calculada para o consumo da CST. Para a segunda fase, tendo 
como horizonte o ano 2000, a vazão tratada de 2,203 metros cúbicos por segundo 
corresponde à diferença entre a vazão de 3,813 metros cúbicos por segundo e a de 
1,610 metros cúbicos por segundo calculada para o consumo da CST. Com o acrés-
cimo de 1 metro cúbico por segundo, previsto pela Cesan para atender às indústrias 
satélites, a demanda final passou para 3,203 metros cúbicos por segundo.
Para a vazão de tratamento, considerou-se o acréscimo de 10% sobre a demanda 
prevista, que resultaria na vazão final de tratamento de 3,523 metros cúbicos por 
segundo. A vazão de dimensionamento hidráulico – de 4,756 metros cúbicos por 
segundo – resultou do aumento de 35% sobre a vazão de tratamento devido às so-
brecargas que ocorrem em estações de tratamento desse porte.
A adução final de água bruta seria de 5,133 metros cúbicos por segundo, pois a vazão 
de tratamento, na segunda etapa, de 3,523 metros cúbicos por segundo, teria acréscimo 
da demanda de água bruta de 1,610 metros cúbicos por segundo calculada para a CST.
O quadro resumido mostra as vazões previstas:
Quadro de 
resumo de 
vazões previstas 
para o sistema 
de Carapina 
312 P a r t e I I
Estação elevatória junto à 
ETA Planalto – Sofreu modifica-
ções nos equipamentos em função 
da nova vazão.
Sistema independente para a 
CST – Conforme visto, a CST op-
tou pelo recebimento de água bruta, 
realizando seu próprio tratamento. 
Conforme o novo quadro da de-
manda, a vazão da primeira etapa 
fora previsto em 1.026 litros por 
segundo e, a da segunda etapa, em 
1.610 litros por segundo. Depois, o 
contrato com a CST (atual Arcelor 
Mittal) passou a ser de 2.566.000 
metros cúbicos de água bruta por 
mês, ou seja, 990 litros por segundo. 
O consumo médio variou de 550 a 
750 litros por segundo de 2010 até 
o final de 2011.
Para liberar os recursos para a 
obra de Carapina, o BNH, em junho 
de 1980, condicionou a assinatura 
desses contratos especiais entre a Ce-
san, a CST e a CVRD, desde que as 
condições satisfizessem o BNH, fato 
que se concretizou. 
Atualização do estudo de demanda – Em função das alterações ocorridas desde 
a formulação do anteprojeto até 1978, a Cesan, em novembro de 1978, reavaliou 
a evolução da demanda na região de abastecimento do Planalto de Carapina para 
fornecer elementos para a adaptação e/ou reformulação do projeto existente e fazer 
a programação das obras. Segue o quadro geral de vazões do projeto atualizado na 
época, pela Cesan.
D é c a d a d e 1 9 8 0 313D o t e m p o d a C e s a n
Quadro geral 
de vazões do 
projeto do 
sistema do 
Planalto de 
Carapina
314 P a r t e I I
D é c a d a d e 1 9 8 0 315D o t e m p o d a C e s a n
Planta da subetapa 
C: projeto básico do 
Planalto de Carapina, 
1979, arranjo geral
316 P a r t e I I
D é c a d a d e 1 9 8 0 317D o t e m p o d a C e s a n
Planta da subetapa C: 
projeto básico de 1979, 
com layout das obras 
civis do Planalto
318 P a r t e I I
Construção do sistema de produção 
e distribuição de água de Carapina 
no Rio Santa Maria da Vitória
O sistema de abastecimento de água de Carapina – via Rio Santa Maria da Vitória 
– constitui-se no segundo maior sistema da Cesan. Concluído em 1983, passou 
por teste pré-operacional e operacional e recebeu ajustes nas obras em 1984. Foi 
concebido para atender a população da Serra e da região de Praia Grande (Fun-
dão), as indústrias da região do Civit, a CVRD e a CST (esta, com água bruta). 
Posteriormente, seu abastecimento se estendeu para a região continental de Vitória. 
Conforme mencionado, os primeiros estudos foram realizados pela TAMS 
Engenharia e, posteriormente (1979 e 1980), enquanto a Geotécnica desenvolveu 
o projeto básico da Fase C, a Engevix fez o gerenciamento das obras. 
As obras do Lote 1 correspondem à tomada de água, canal de adução e estação 
elevatória, construídas pela Concic. O Lote 2, envolvendo a Estação de Tratamento, 
redes para a Serra Sede, Planalto e adutora de água bruta de 1.200 mm, ficou a cargo 
da Itapema. O Lote 3, regiões das praias de Jacaraípe, Manguinhos e Nova Almeida, 
foi da SIT que, posteriormente, assumiu também a conclusão das obras do Lote 2.
Construção 
da CST: foto 
aérea de 1978
D é c a d a d e 1 9 8 0 319D o t e m p o d a C e s a n
Pátio da 
CVRD, Porto de 
Tubarão, 1979 
A captação – Constituída pela barragem de laminação, canal de captação e 
desvio do rio, estrutura de tomada de água, desarenador e galeria de adução. 
O sistema de captação foi projetado e construído para vazão do final de pla-
no de 5,1 metros cúbicos por segundo. A galeria de adução constitui-se de uma 
estrutura fechada para evitar as enchentes do Rio Santa Maria e garantir o teor de 
cloreto exigido pela CST, inferior a 20 miligramas por litro. Tem uma seção de 2,58 
x 2,60 metros e extensão de 4.270 metros. A barragem de laminação teve dupla 
finalidade: elevar o nível de água para a manutenção do nível operacional e para 
evitar a intrusão da cunha salina.
320 P a r t e I I
Galeria de 
adução: planta e 
perfil do projeto 
do trecho inicial, 
a partir do Rio 
Santa Maria, 
da estaca 0 a 72
D é c a d a d e 1 9 8 0 321D o t e m p o d a C e s a n
Galeria de adução: 
planta e perfil do 
projeto do trecho da 
chegada à elevatória 
do Rio Santa Maria, 
da estaca 145 a 213
322 P a r t e I I
Fase de 
construção 
da caixa de 
areia, canal 
de desvio e 
barragem de 
laminação 
no Rio Santa 
Maria
Fase de 
construção da 
caixa de areia 
e barragem de 
laminação: 
captação no 
Santa Maria
Captação 
e galeria 
de adução 
do Santa 
Maria: 
vista geral
Fase de 
construção da 
caixa de areia e 
canal de desvio: 
captação no 
Santa Maria
D é c a d a d e 1 9 8 0 323D o t e m p o d a C e s a n
Fase deconstrução 
da caixa 
de areia e 
barragem de 
laminação: 
captação no 
Rio Santa 
Maria, 
1983
Fase de 
construção 
da galeria 
de adução 
da captação 
no Rio 
Santa 
Maria, 
1981-1982
Fase de 
construção 
da galeria 
de adução 
da captação 
no Rio 
Santa 
Maria, 
agosto de 
1981
Fase de 
construção 
da caixa 
de areia e 
barragem de 
laminação: 
captação no 
Rio Santa 
Maria, 
1983
324
Fase de 
construção 
da estação 
elevatória 
do Santa 
Maria
Estrutura 
de transição 
entre a 
galeria e 
a estação 
elevatória 
do Santa 
Maria 
Estação 
elevatória 
do Santa 
Maria: 
vista geral
D é c a d a d e 1 9 8 0 325D o t e m p o d a C e s a n
Conjuntos 
motobombas 
da elevatória 
do Santa 
Maria, 1988
Adutoras de água bruta – Foram projetadas para transportar a água bruta da estação 
elevatória do Santa Maria até a Estação de Tratamento de Carapina. Elas seguem 
pelo lado esquerdo da BR-101, sentido Cariacica-Serra, atravessando o Canal dos 
Escravos até uma caixa de transição. Dessa caixa que também auxilia a questão do 
transiente hidráulico, a água segue por gravidade até a Estação de Tratamento. Em 
torno de 85% da linha trabalham por bombeamento e 15% por gravidade. Foram 
construídas duas adutoras em ferro fundido, de diâmetros 800 mm e 1.200 mm, 
respectivamente, com extensão aproximada de 11.600 metros, com capacidade 
nominal de projeto de 4,1 metros cúbicos por segundo. A adutora de 800 mm já 
havia sido instalada junto com uma elevatória provisória para atender a CVRD e 
a implantação das obras da CST.
O projeto elaborado pela Geotécnica previu a instalação de mais uma linha 
adutora de diâmetro de 800 mm.
326 P a r t e I I
Fase de 
construção da 
adutora de água 
bruta do Santa 
Maria, 1982
Fase de 
construção da 
adutora de 
água bruta do 
Santa Maria
327D o t e m p o d a C e s a n
Construção 
da ETA de 
Carapina
Área da 
ETA de 
Carapina 
antes do 
início das 
obras
Construção 
da ETA de 
Carapina 
1983
328 P a r t e I I
Vista geral 
da ETA de 
Carapina
D é c a d a d e 1 9 8 0 329D o t e m p o d a C e s a n
Estação elevatória de água tratada do Planalto
Adjacente ao reservatório enterrado do Planalto, a estação tem um canal coletor 
de água tratada e outro de água bruta. A estação abriga, em uma estrutura única, 
todos os sistemas elevatórios do Planalto. Foram projetados conjuntos motobombas 
e centrífugas de eixo vertical. A estrutura foi dividida de tal forma que separa os 
dois canais: o coletor de água tratada e o de água bruta para a CST.
Os sistemas que compõem as unidades de recalque são: Bairro das Flores, re-
servatório elevado, balneários Jacaraípe, CVRD e CST. Foi previsto, no projeto, a 
instalação de mais um recalque. 
Sistema de recalque para a CST – Constaram de três conjuntos motobombas 
de 200 CV cada, sendo um de reserva, recalcando 513 litros por segundo e por 
conjunto através da linha de diâmetro de 1.000 mm. Foi considerada a possibilidade 
da água bruta vinda do Santa Maria, utilizar um by pass sem passar pela estação 
elevatória. O projeto original previu a instalação de mais um conjunto motobomba 
e a implantação de mais uma linha de 600 mm para a CST – para vazão da segunda 
etapa de 1,61 metros cúbicos por segundo.
Para a CVRD – Previu-se, para o recalque, a instalação de dois conjuntos 
motobombas de 250 CV, sendo um de reserva para bombear até 626 litros por 
segundo de água tratada nas linhas de adução de 700 e 800 mm. 
 Em abril de 1983, firmou-se o termo aditivo do contrato original, de 5 de abril 
de 1976, obrigando a Cesan a abastecer de água a contratante CVRD (Ponta de 
Tubarão), assegurando o fornecimento de acordo com as seguintes quantidades e 
prazos: de 1/10/82 a 31/12/83, com volume mínimo mensal de 700 mil metros 
cúbicos e médio diário de 23.330 metros cúbicos (270 litros por segundo); de 1/1/84 
a 31/12/84, volume mínimo mensal de 850 mil metros cúbicos e médio diário de 
28.330 metros cúbicos (328 litros por segundo); de 1/1/85 em diante, volume mí-
nimo mensal de 1.010.000 metros cúbicos e médio diário de 33.660 metros cúbicos 
(390 litros por segundo). Durante o quarto trimestre de 1983, a água foi fornecida 
em estado bruto, com apenas adição de cloro, porém, a partir de janeiro de 1984, 
já era tratada de acordo com a Associação Brasileira de Norma Técnica (ABNT). 
330 P a r t e I I
O consumo médio do final de 2010 até fins de 2011 girou em torno de 150 a 200 
litros por segundo para o fornecimento contratado e 650 mil metros cúbicos por mês, 
com volume médio diário mínimo de 21.666 metros cúbicos (250 litros por segundo).
Recalque para o reservatório elevado – Implantado com três conjuntos de 
300 CV com vazão nominal de 418 litros por segundo. Esse reservatório foi previsto 
para a distribuição do Planalto de Carapina e a lavagem dos filtros.
Recalque para o Bairro das Flores – Foi implantado através de dois conjuntos 
de 150 CV, e construído pela Cesan, em 1995.
Recalque para os balneários – Dimensionada com dois sistemas: um para atender 
Manguinhos e Jacaraípe, na primeira etapa e, Carapebus, na segunda; o outro sistema 
direcionou-se à população de Joaripe (Praia Grande) e Nova Almeida. Inicialmente, a 
elevatória atendeu esses balneários. O sistema da primeira etapa foi constituído por dois 
conjuntos de 150 CV, um deles de reserva para recalcar 202 litros por segundo – através 
de uma linha de 500 mm, com extensão de 7.900 metros até o Bairro das Flores – e 
o segundo, no diâmetro de 350 mm até o reservatório de Jacaraípe. Previram-se para 
a segunda etapa, três conjuntos de 200 CV para bombear 373 litros por segundo e a 
implantação da rede adutora de 600 mm de diâmetro em paralelo à primeira.
Reservatórios 
Dois tipos foram projetados e construídos – Os apoiados e os elevados, alimentados 
por adutoras, sem distribuição em marcha. Cada reservatório era responsável por 
uma área de atuação (ou setor) para melhorar o controle operacional. Os reserva-
tórios estão descritos a seguir:
Reservatório enterrado do Planalto – Construído junto à Estação de Trata-
mento com volume de 10 mil metros cúbicos e duas câmaras de 5 mil metros cúbicos 
cada. O projeto inicial previa mais sete câmaras de 5 mil metros cúbicos cada. A 
cota do seu nível de água máximo era de 30,80 metros e, mínimo, de 26,23 metros.
Reservatório elevado do Planalto – Localizado junto à Estação de Tratamento, 
tem volume de 1.500 metros cúbicos e atendia não só o Planalto de Carapina como 
a lavagem dos filtros da ETA. A cota do seu nível de água máximo é de 66,90 metros 
e, mínimo, de 62,40 metros.
D é c a d a d e 1 9 8 0 331D o t e m p o d a C e s a n
Reservatório apoiado e elevado de Jacaraípe – Os reservatórios apoiado e ele-
vado estão situados na mesma área de cota alta em Jacaraípe. O apoiado foi construído 
com volume de 5 mil metros cúbicos e cota do nível de água mínimo de 17,30 metros 
e, máximo, de 21,60 metros. O elevado, com volume de 1.500 metros cúbicos, tem 
cota do nível de água máximo de 46,90 metros e, mínimo, de 43 metros.
Fase de 
construção do 
reservatório 
elevado de 
Carapina
332 P a r t e I I
Fase de 
construção dos 
reservatórios 
apoiado e 
elevado de 
Jacaraípe
Reservatórios apoiado e elevado de Nova Almeida – Os reservatórios apoiado 
e elevado estão situados na mesma área de cota alta em Nova Almeida. O apoiado com 
volume de 2.400 metros cúbicos e cota do nível de água mínimo de 27,90 metros e, 
máximo, de 31,90 metros. Já o elevado, com volume de 75 metros cúbicos e cota do 
nível de água máximo de 47,50 metros e, mínimo, de 43,20 metros.
D é c a d a d e 1 9 8 0 333D o t e mp o d a C e s a n
Esquemático 
do sistema 
de produção 
de Carapina
Programa para Atendimento a 
Comunidades de Pequeno Porte (CPP)
O quadro epidemiológico das áreas rurais sempre amargou inúmeros problemas de 
saúde por causa da ausência ou das precárias condições de saneamento básico e am-
biental. O baixo nível dos serviços e a alta incidência de doenças de veiculação hídrica 
são reflexos da incipiente e tradicional política nacional para o setor.
Em 1977, conforme já enfatizado, entre as diretrizes do Planasa e do BNH criou-
se também o Programa de Comunidades de Pequeno Porte (CPP) para atender os 
municípios e suas comunidades com população inferior a 5 mil habitantes. Para tal, 
considerou-se o Censo do IBGE da época para embasar o então recém-criado índice de 
Investimento Per Capita (IPC), que relacionava o investimento da primeira etapa das 
334 P a r t e I I
obras pela população abastecida no primeiro ano de operação do sistema. Esse quociente 
não deveria ultrapassar o valor de 17 UPC por habitante. Se o valor fosse superior deveria 
ser justificado ao BNH. UPC, na época, era a Unidade Padrão de Capital. 
Inicialmente, o Planasa não tinha tratamento diferenciado para atender as CPPs. 
Eram semelhantes aos tratamentos concedidos às Comunidades Médias e Grandes tan-
to no mecanismo financeiro quanto no procedimento técnico. No entanto, diante do 
elevado número de CPPs, a lentidão do processo não deu conta de atender à demanda. 
Assim, as companhias de saneamento se tornariam inviáveis diante das necessidades 
de investimentos para equacionar as CPPs. Outro detalhe: não era possível utilizar as 
mesmas tecnologias aplicadas nas Comunidades Médias e Grandes nas CPPs.
Como exemplo prático, em 1970, cerca de 80% das comunidades brasileiras 
tinham menos de 5 mil habitantes. Diante dessa realidade, concluiu-se que teriam 
de serem adotadas ações diferenciadas para viabilizar o atendimento às CPPs, como: 
mecanismos financeiros de empréstimos mais suaves; substituição do tradicional Re-
latório Técnico Preliminar (RTP) por outro, a chamada “Definição de Manancial”; 
os projetos técnicos, a princípio, não seriam objeto de aprovação pelo BNH; utili-
zação de tecnologias apropriadas e projetos padronizados para CPPs; simplificação, 
repetitividade de unidade projetada, modulação, economia de escala, agilização na 
elaboração dos projetos e construção das obras; e baixo custo e facilidade de operação 
e manutenção dos sistemas.
O Censo de 1980 mostrou que 78% das sedes municipais e dos distritos tinham 
população inferior a 5 mil habitantes, ou seja, número expressivo se compararmos 
com os cerca de 9% da população entre 5 mil e 10 mil moradores, e os 13% acima 
de 10 mil habitantes.
A companhia estadual que aderisse ao programa tinha que elaborar o planeja-
mento de execução para as localidades pretendidas, incluindo o valor do investimento 
anual. O plano era submetido ao BNH.
No entanto, mesmo antes da CPP, a Cesan já vinha implantando, desde a sua 
criação, vários sistemas no interior, principalmente nas sedes com menos de 5 mil 
D é c a d a d e 1 9 8 0 335D o t e m p o d a C e s a n
habitantes. Antes de aderir ao programa, em 1983, a companhia atendia 26 comuni-
dades. A partir da sua adesão, a Cesan criou nova estrutura: a Gerência de Programas 
Especiais (P-GPE) com autonomia para elaborar os projetos e gerenciar as obras. Para 
executar o programa, a Cesan assinou um Convênio de Cooperação Técnica com a 
Fundação Ceciliano Abel de Almeida (da Ufes). O acordo levou em consideração as 
funções sociais das duas entidades – todas voltadas à promoção do desenvolvimento 
econômico e social do Estado – e a junção dos recursos humanos, materiais e finan-
ceiros, com vistas à consecução do processo de desenvolvimento estadual. 
Até então a Cesan, em 16 anos, ou seja, desde a sua criação (1967) até 1983, havia 
implantado 26 sistemas. De 1983 a 1989, em apenas seis anos, foram concluídos 58 
sistemas, mais do que o dobro do período anterior, como pode ser visto nas relações 
anuais das obras realizadas e no gráfico adiante.
A padronização na CPP apresentou vantagens expressivas se considerarmos a 
diminuição das despesas operacionais e as simplificações na realização de projetos, 
com consequentes resultados na execução da obra. Assim, para agilizar o programa, 
a Cesan padronizou projetos de engenharia, equipamentos, estações de tratamento 
pré-fabricadas e equipamentos de dosagem de produtos químicos. À Casa de Quími-
ca, controle e dosagem dos produtos com todos os equipamentos, procurou-se, além 
da padronização, dotá-la de concepção tal que ao aplicar os produtos de tratamento 
por gravidade, não havia mais necessidade de se utilizar as bombas dosadoras. Nessa 
padronização foi fundamental a experiência de um dos mais conceituados técnicos em 
tratamento de água do Estado, o empregado aposentado da Cesan, José Figueiredo. 
Após o fim do convênio com a Fundação Ceciliano Abel de Almeida, contratou-
se uma gerenciadora para elaborar os projetos e gerenciar as obras.
As estações de tratamento padrão foram desenvolvidas para tratar as vazões nominais 
de 3, 6, 9, 12, 15 e 20 litros por segundo. Os reservatórios padrões de concreto armado 
ou blocos de concreto tinham capacidades de 50, 100, 150, 200 e 300 metros cúbicos. 
A Cesan partiu de padrões e concepções básicos para desenvolver e adotá-los em 
seus projetos, conforme mostramos a seguir:
336 P a r t e I I
Concepção básica de 
captação em poço profundo
Concepção 
básica para 
captação em 
manancial 
de serra
D é c a d a d e 1 9 8 0 337D o t e m p o d a C e s a n
Concepção básica em rio ou represa 
com estação de tratamento na cidade
Concepção 
básica 
em rio ou 
represa com 
estação de 
tratamento 
junto à 
captação
338 P a r t e I I
Planta da 
concepção 
básica de 
estação de 
tratamento 
do Tipo I, 
com dupla 
filtração
D é c a d a d e 1 9 8 0 339D o t e m p o d a C e s a n
Planta da 
concepção 
básica de 
estação de 
tratamento 
do Tipo II, 
com dupla 
filtração
340 P a r t e I I
Planta da 
concepção 
básica de 
estação de 
tratamento 
compacta com 
flocodecantação 
e filtração
D é c a d a d e 1 9 8 0 341D o t e m p o d a C e s a n
Obras das CPPs realizadas até 1983
Vinte e seis obras construídas, das quais 18 nas sedes de Conceição do Castelo; Muniz 
Freire; Ibatiba; Atílio Vivácqua; Apiacá; São José do Calçado; Divino de São Lou-
renço; Boa Esperança; Piúma; Santa Maria de Jetibá; Rio Novo do Sul; Domingos 
Martins; Mucurici; Pancas; Mantenópolis; Dores do Rio Preto; Águia Branca; e 
Água Doce do Norte. Outras oito nas localidades de Venda Nova (Conceição do 
Castelo); Barra do Jucu (Vila Velha); Meaípe (Guarapari); São Roque (Santa Teresa); 
Marechal Floriano (Domingos Martins); Mucurici (Ponto Belo); Iriri (Anchieta); e 
Santo Agostinho (Água Doce do Norte). Posteriormente, algumas das oito localidades 
transformaram-se em sedes municipais.
ETA de Apiacá
342
ETA de 
Conceição 
do Castelo
ETA de 
Santa 
Maria 
de Jetibá
Venda 
Nova: ETA 
com filtro 
de pressão 
autolavável
D é c a d a d e 1 9 8 0 343D o t e m p o d a C e s a n
ETA de 
Águia 
Branca
ETA de 
Santo 
Agostinho
Obras das CPPs em 1984
Dez obras foram realizadas em Cedrolândia (Nova Venécia); Vila Pavão (Nova Ve-
nécia); Patrimônio de XV (Nova Venécia); Venda Nova do Imigrante (ampliação na 
Sede); São João de Viçosa (Venda Nova); Manguinhos (Serra); Vila Verde (Pancas); 
Floresta do Sul (Pedro Canário); São Jacinto (São Roque); e Sobreiro (Afonso Cláudio).
344 P a r t e I I
Captação de 
poço e ETA de 
Cedrolândia 
ETA de 
Patrimôniodo XV
D é c a d a d e 1 9 8 0 345D o t e m p o d a C e s a n
ETA de Vila Verde
ETA de Sobreiro
346 P a r t e I I
Obras das CPPs de 1985
Doze obras contemplaram Santa Leopoldina (Sede); Fundão (Sede); Presidente Ken-
nedy (Sede); Joaçuba (Ecoporanga); São José de Mantenópolis (Mantenópolis); São 
Roque da Terra Rocha (São Gabriel da Palha); Vila Nelita (Água Doce do Norte); Ponta 
da Fruta (Vila Velha); Barra do Jucu (ampliação, Vila Velha); Fartura (São Gabriel da 
Palha); Pancas (ampliação, Sede); e Várzea Alegre (Santa Teresa).
ETA de Presidente Kennedy ETA de Santa Leopoldina
ETA de 
Fundão: 
filtros 
de aço
ETA de Fundão: 
filtros de aço 
da adutora de 
baixa carga 
de diâmetro 
de 1.280 mm
ETA de 
Várzea 
Alegre
D é c a d a d e 1 9 8 0 347D o t e m p o d a C e s a n
Obras das CPPs de 1986
Foram 12 obras em Cristal (Pedro Canário); Piúma (ampliação, Sede); Itaputan-
ga (Piúma); Belvedere (Serra); Estrela do Norte (Castelo); Serra Pelada (Afonso 
Cláudio); Santa Mônica (ampliação, Guarapari); Perocão (Guarapari); Setiba (Gua-
rapari); Alto Rio Novo (Sede); São João do Sobrado (Pinheiros); e Vila Valério 
(São Gabriel da Palha).
ETA de 
São João 
do Sobrado
Captação: 
São João 
do Sobrado
348 P a r t e I I
ETA de Vila Valério
ETA de Santa 
Mônica/Perocão
Reservatório 
elevado da 
localidade 
de Cristal
D é c a d a d e 1 9 8 0 349D o t e m p o d a C e s a n
ETA da localidade 
de Cristal
Captação 
flutuante no Rio 
Novo em Piúma, 
década de 80
Obras das CPPs de 1987
Seis obras do programa foram realizadas em Braço do Rio (Conceição da Barra); Boa 
Esperança (ampliação, Sede); Ubu (Anchieta); Jucu (Viana); Viana (Sede); e Sayonara 
(Conceição da Barra).
350 P a r t e I I
Captação 
de poço 
profundo 
de Ubu
ETA e 
reservatório 
de Ubu
Obras das CPPs de 1988
Sete obras contemplaram as comunidades de Paulista (Barra de São Francisco); Santa 
Luzia (Mantenópolis); Boa Vista (Nova Venécia); Guararema (Nova Venécia); Lajinha 
(Pancas); Imburana (Ecoporanga); e Santo Antônio (Santa Teresa).
D é c a d a d e 1 9 8 0 351D o t e m p o d a C e s a n
ETA de 
Imburana
ETA de 
Guararema
Obras das CPPs realizadas em 1989
Foram 11 obras em Aracê (Pedra Azul, Domingos Martins); Maembá; (Anchieta); 
Cotaxé (Ecoporanga); Prata dos Baianos (Ecoporanga); Timbuí (Fundão); Vinhático 
(Montanha); Itamira (Mucurici); Santo Antônio (Boa Esperança); Sobradinho (Boa Es-
perança); Itaúnas (Conceição da Barra); e Governador Lacerda (Barra de São Francisco).
352 P a r t e I I
ETA de Aracê, 
Pedra Azul
ETA e 
reservatório 
de Itamira
ETA e 
reservatório 
de Vinhático
ETA de 
Timbuí
D é c a d a d e 1 9 8 0 353D o t e m p o d a C e s a n
ETA de 
Maembá
Coleta de água a 
cavalo por falta de 
acesso de carros 
a determinados 
locais
Coleta de água 
para análise, 
utilizando trator 
por excesso de 
chuva e barro 
Comunidade sem 
abastecimento 
de água
P a r t e I I
Comunidade sem 
abastecimento 
de água: poço 
individual
355D o t e m p o d a C e s a n
Gráfico da evolução 
da implantação 
das Comunidades 
de Pequeno 
Porte (CPPs)
De 1989 a 1992, a Cesan realizou nove obras em outras Comunidades de Pequeno 
Porte: Irupi, Piaçu e Pequiá (Iúna); Laranja da Terra (Sede); Ponto Alto (Domingos 
Martins); Alto Rio Possmouser e São João do Garrafão (Santa Maria de Jetibá); Itabaiana 
(Mucurici); e Monte Sinai (Barra de São Francisco).
ETA de Pequiá
ETA de Piaçu
ETA de São João 
do Garrafão
ETA de 
Monte Sinai
356 P a r t e I I
Outras obras 
Sistema Jucu
Adutora da ETA de Cobi até a Vila Rubim – A antiga adutora de diâmetro de 800 
mm no trecho da ETA de Cobi até as linhas férreas, em São Torquato, teve que ser 
substituída em função do seu precário estado de conservação, bem como a de 500 mm 
no trecho da antiga adutora de Duas Bocas (assentada na Ponte Florentino Avidos) 
até a Vila Rubim. Outro fato técnico significativo é que a nova adutora, na saída da 
Estação de Tratamento, foi assentada em cota mais baixa, resolvendo um problema 
hidráulico na antiga adutora que cortava a linha piezométrica, o que prejudicava o 
seu desempenho. A nova adutora foi construída no diâmetro de 800 mm. Naquela 
oportunidade, a Cesan reconstruiu uma passarela sobre a outra adutora de diâmetro 
de 600 mm, situada do outro lado da Ponte Florentino Avidos.
Adutora de 800 mm 
substituída na saída 
da ETA de Cobi
Reservatório de Vale Esperança – Foi construído, numa área adjacente à Es-
tação de Tratamento de Vale Esperança, um reservatório de volume igual a 10 mil 
metros cúbicos, com duas câmaras de 5 mil metros cúbicos cada. A cota de fundo é 
de 61,90 metros e o nível de água máximo é de 67 metros. A sua área de influência 
contemplou o atendimento dos bairros Campo Grande, Santa Fé, Cruzeiro do Sul, 
Rosa da Penha, Santa Bárbara, e outros.
D é c a d a d e 1 9 8 0 357D o t e m p o d a C e s a n
Reservatório de Alto Lage – Construído em uma elevação próxima ao trevo de 
Alto Lage, do lado esquerdo no sentido Itanguá, seu volume é de 4 mil metros cúbicos, 
com duas câmaras de 2 mil metros cúbicos cada. A cota de fundo é de 61 metros e 
o seu nível de água máximo é de 66 metros. A sua área de influência contemplou os 
bairros Alto Lage, Itacibá, Itanguá, Oriente, e outros. Foi construída uma adutora de 
diâmetro de 600 mm, saindo da ETA de Vale Esperança até esse reservatório.
Construção do 
reservatório 
e da adutora 
de Alto Lage
Reservatório do Morro do Pico – Foi construído em uma elevação atrás da 
antiga Braspérola. Seu volume foi de 300 metros cúbicos. A cota do seu nível máxi-
mo de água foi de 94 metros. A sua área de influência contemplou alguns bairros de 
Cariacica: Piranema, Flor de Piranema, Novo Brasil, Vale dos Reis, e os bairros de 
Viana: Areinha, Canaã, Universal, Vila Betânia, Nova Betânia e outros. Para atender 
esse reservatório, foi construída a estação elevatória de São Francisco, situada no bairro 
São Francisco, próximo à Ceasa. Uma adutora partindo da ETA de Vale Esperança 
foi construída para alimentar a elevatória e o reservatório.
Pequenos reservatórios – Foram construídos pequenos reservatórios reguladores 
de pressão, como o reservatório elevado São Francisco, de 50 metros cúbicos; o elevado 
de Santa Bárbara, de 200 metros cúbicos; e o apoiado de Graúna, de 300 metros cúbicos. 
Reservatório de Fradinhos – Foi construído em elevação no Morro de Fradinhos, 
em Vitória. Seu volume foi de 5 mil metros cúbicos, com duas câmaras de 2.500 metros 
358 P a r t e I I
cúbicos cada. A cota de fundo é de 65 metros e, a cota do seu nível de água máximo, de 
70 metros. Sua área de influência contemplou os bairros de Fradinhos, Maruípe, parte 
de Jucutuquara, Horto, e diversos outros situados no contorno da Ilha de Vitória. Para 
alimentar esse reservatório, foi construída a estação elevatória da Av. Alberto Torres. É 
um dos principais reservatórios da Cesan, pois atende o maior número de elevatórias 
que bombeiam para a parte elevada de vários bairros, cujas cotas atingem a altitude de 
até 170 metros acima do nível do mar.
Construção do 
reservatório 
de Fradinhos
Adutora para 
alimentação do 
reservatório de 
Fradinhos, descarga 
e adutora na saída 
do reservatório 
para a distribuição
D é c a d a d e 1 9 8 0 359D o t e m p o d a C e s a n
Adutora do trecho da Vila Rubim até a Av. Alberto Torres – Para alimentar 
a estação elevatória da Alberto Torres e o reservatório de Fradinhos, foi construída a 
adutora de água tratada no diâmetro de 800 mm, em ferro fundido, paralela à antiga 
de 600 mm. O detalhe particularda construção foi assentar a adutora no calçadão 
da Avenida Beira-Mar e sob a ciclovia em profundidade mínima que pudesse não 
interferir com as galerias de drenagem da Prefeitura.
Adutora do trecho da ETA de Vale Esperança até a Ponte Florentino Avi-
dos – Para reforçar o abastecimento de Vitória, foi construída uma adutora nos 
diâmetros de 800 e 600 mm. Essa adutora saía da ETA de Vale Esperança, passava 
por trás da antiga sede da Ferro e Aço de Vitória, seguia por Jardim América e São 
Torquato indo até a Ponte Florentino Avidos, onde se interliga com a rede existente 
(de diâmetro de 600 mm).
Sistema de Viana
A captação foi feita em barragem existente no Rio Formate, construindo-se uma 
adutora de ferro fundido de diâmetro de 150 mm e de aproximados 7 Km de extensão.
Barragem no Rio Formate
360
A Estação de Tratamento tinha filtração direta com capacidade nominal de 18 
litros por segundo. O reservatório construído junto à ETA teve seu volume igual a 300 
metros cúbicos. O sistema de distribuição foi reforçado com a construção de redes. 
Em 2012, a Cesan triplicou o sistema de captação e de tratamento para 60 litros por 
segundo com outra captação no Rio Santo Agostinho. O tratamento passou a ser 
completo com floculação, decantação e filtração.
ETA e 
reservatório 
de Viana
Sistema de Duas Bocas
O sistema inicial de tratamento de 1974 era por floculação e decantação. Em 1986, 
passou a ser por filtração direta, desinfecção por cloro, correção de pH e fluoretação. 
Entretanto, a concepção inicial era compatível com a época em que foi construída e 
com a qualidade da água do manancial.
Construção 
dos filtros 
na ETA 
de Duas 
Bocas
D é c a d a d e 1 9 8 0 361D o t e m p o d a C e s a n
Sistema de abastecimento de água de Guarapari
O sistema foi implantado no final da década de 70 e início de 80, tendo como órgão 
o BNH. Na época, o órgão técnico que analisava os projetos era a Fundação Estadual 
de Meio Ambiente do Rio de Janeiro (Feema).
Captação – O manancial que já abastecia Guarapari, o Rio Conceição, foi apro-
veitado com alteração do ponto de captação. A nova captação passou a ser num ponto 
a montante da antiga, em cota mais alta, de forma a veicular quantidade maior de água 
e transportá-la até a Estação de Tratamento por gravidade, ou seja, sem necessidade 
de bombeamento. No novo ponto de captação foi construída uma pequena barragem 
de nível de concreto armado.
Na outra captação, no Rio Jabuti, construiu-se uma barragem de nível de enro-
camento de pedras, cuja função era impedir a intrusão da cunha salina, já que a cap-
tação fora construída quase no final da foz do Rio Jabuti. Outra função era permitir 
o direcionamento da água ao poço de sucção da estação elevatória de bombeamento, 
garantindo a submergência da tomada das bombas.
Estação elevatória de água bruta – Construída junto às margens do Rio Jabuti 
para bombear a água até a nova Estação de Tratamento.
Barragem: tomada de água no 
Rio Conceição, em Guarapari
362 P a r t e I I
Barragem com tomada de água 
no Rio Conceição, em Guarapari
Enrocamento 
com tomada 
de água 
no Rio 
Jabuti, em 
Guarapari
D é c a d a d e 1 9 8 0 363D o t e m p o d a C e s a n
Adutoras de água bruta – A adutora do Rio Conceição, de diâmetro de 400 mm 
e com 7.300 metros de extensão, por gravidade, foi aproveitada por seu bom estado 
de conservação. Foram construídos 1.671 metros, no diâmetro de 400 mm, para 
atender a nova captação que teve alterado seu ponto de tomada para a montante da 
antiga. Já a adutora do Rio Jabuti foi construída no diâmetro de 400 mm e extensão 
de 3.800 metros.
Estação de Tratamento de Água – Construída em uma elevação às margens 
da Rodovia Jones dos Santos Neves com floculação, decantação, filtração, desin-
fecção e correção de pH. Sua capacidade nominal, na primeira etapa, foi de 171 
litros por segundo.
Um acidente durante a construção da Estação de Tratamento – Para ser 
construída, a obra necessitava do desmonte da rocha para assentar os floculadores, 
decantadores e filtros. O material armazenado para desmonte a fogo eram dinamites 
que ficavam armazenados no canteiro de obras. Um grave acidente ocorreu no local: 
uma explosão levou tudo pelos ares. Felizmente, nenhum funcionário estava no local 
e não houve feridos. As fotos, a seguir, mostram o que aconteceu.
Estação de Tratamento de Água de Guarapari
364 P a r t e I I
Incidente com 
explosivos durante 
a obra da ETA 
de Guarapari
Reservatórios – Guarapari, principal balneário capixaba, é conhecido no cenário 
nacional e internacional como “Cidade Saúde”, por suas areias monazíticas e por ser 
o mais tradicional destino turístico do Estado. Por isso, na época da implantação do 
sistema de água, o Governo definiu que os reservatórios deveriam ter uma arquitetura 
compatível com o balneário: em formato de guarda-sol.
No Centro da cidade foi construído um reservatório apoiado de volume igual a 
741 metros cúbicos e um elevado com capacidade de 170 metros cúbicos. O antigo 
reservatório, de 481 metros cúbicos, foi recuperado. No bairro Ipiranga, o reservatório 
apoiado construído teve volume de 980 metros cúbicos e, o elevado, de 300 metros 
cúbicos. Outro, em Muquiçaba, teve volume de 2.272 metros cúbicos e, o elevado, 
de 75 metros cúbicos.
Pelo design diferenciado, a construção exigiu nova técnica: a parte superior que 
armazena a água, o “guarda-sol”, teve que ser construído no solo e, depois de pronto, 
levado para o alto na posição definitiva, com macacos hidráulicos. À medida que 
365D o t e m p o d a C e s a n
subia, cunhava-se o reservatório no fuste, ou melhor, na coluna. Essa técnica foi 
desenvolvida pela empresa Faulhaber. Os reservatórios comuns, no geral, são cons-
truídos e estruturados no local, na posição definitiva, apoiados em uma estrutura de 
aço ou de madeira.
Construção do 
reservatório elevado 
de Guarapari 
Reservatório 
elevado e 
escritório de 
Guarapari
366 P a r t e I I
Subadutoras e redes de distribuição – Foram construídas novas subadutoras 
saindo da Estação de Tratamento até os reservatórios. Os diâmetros variaram de 200 
a 500 mm. As redes de distribuição tinham diâmetros entre 50 e 350 mm. As redes 
implantadas e as subadutoras totalizaram aproximados 90 mil metros de redes.
Sistema de Meaípe e da Enseada Azul
Também houve a construção de um sistema independente para Meaípe e Enseada 
Azul, utilizando como manancial a Lagoa Maembá. Construiu-se uma estação ele-
vatória às margens da lagoa e uma adutora de água bruta, de diâmetro 200 mm, em 
ferro fundido e comprimento de 3.572 metros, que ia até a Estação de Tratamento. 
Esta tinha capacidade nominal de 18,5 litros por segundo, do tipo filtração direta, 
com desinfecção e correção de pH.
Os reservatórios apoiados – de volume igual a 600 metros cúbicos e elevado de 
75 metros cúbicos – foram construídos na mesma área da Estação de Tratamento. Em 
Nova Guarapari, o reservatório existente tem capacidade para armazenar 600 metros 
cúbicos. As redes de distribuição variaram de 40 a 200 mm. Na época, construíram-se 
em torno de 21 mil metros de redes.
Estação de tratamento de água 
e reservatórios de Meaipe
D é c a d a d e 1 9 8 0 367D o t e m p o d a C e s a n
Sistema Santa Mônica, Perocão e Setiba
Esse foi outro sistema independente, construído em 1986, tendo como captação o 
Rio Perocão. Construíram-se uma estação elevatória, nas margens do Rio Perocão, e 
uma adutora de água bruta, em ferro fundido, no diâmetro de 200 mm, comprimento 
de 1.750 metros que ia até a Estação de Tratamento.
Essa estação – com capacidade nominal de 21 litros por segundo – foi construídaem Santa Mônica/Perocão, composta de mistura rápida, com quatro clarificadores de 
contato, desinfecção, correção de pH e fluoretação. Na área da ETA também foram 
construídos dois reservatórios: um apoiado, com capacidade para 520 metros cúbicos 
e, outro elevado, com 25 metros cúbicos.
Em Setiba, construiu-se uma elevatória do tipo booster para recalcar a água até 
um reservatório de capacidade de 171 metros cúbicos, numa elevação junto ao bairro. 
As redes de distribuição variaram de 50 a 300 mm, sendo construídas cerca de 20 
mil metros de redes, na época. Mais tarde, ergueu-se uma Estação Elevatória de Água 
Tratada para atender o Perocão e o Jabaraí, através do sistema de Guarapari.
Estação de Tratamento de Água 
de Santa Mônica/Perocão
368 P a r t e I I
Programa de Desenvolvimento 
Operacional (Pecop)
Em 1988, foi elaborado pela Coordenação Geral do Pecop, por meio do coordenador 
geral e coordenador do Projeto de Planejamento e Controle Operacional, um relatório 
denominado “Estudo dos Efeitos do Pecop na Evolução da Demanda de Água da 
Grande Vitória”. O objetivo do relatório era analisar os reflexos da implementação 
das ações do Pecop na evolução da demanda de água da Grande Vitória, além de 
estabelecer os parâmetros que permitissem à Cesan planejar as ações para ampliar as 
unidades de produção responsáveis pelo abastecimento de água da Grande Vitória. 
A principal ação era a meta de ampliar – até dezembro de 1991 – o índice de hidro-
metração para 85% do total de economias e manter esse percentual nos anos seguintes. 
Como premissa, considerou-se inviável a hidrometração de 15% das economias do tipo 
rútico, situadas basicamente nas partes mais altas e nas periferias da Grande Vitória. 
O índice de hidrometração, em dezembro de 1987, era de apenas 50,83%. Além da 
micromedição, outras atividades também faziam parte do Pecop: os projetos da ma-
cromedição, pitometria, manutenção e reabilitação de unidade, sistema integrado de 
comercialização (comercialização, faturamento, cobrança e cadastro de consumidores). 
As principais grandezas físicas realizadas em 1987, na Grande Vitória, foram 
as seguintes: volume médio mensal produzido, 13.430.471 metros cúbicos; volume 
médio mensal consumido pelos grandes consumidores industriais, 2.787,514 metros 
cúbicos; volume médio mensal consumido, micromedido sem os grandes consumido-
res industriais, 2.881.517 metros cúbicos; número de economias medidas, 118.797; 
número de economias não medidas, 114.787; consumo médio mensal por economia 
medida, 24,25 metros cúbicos; consumo médio mensal por economia não medida, 
48,13 metros cúbicos; população total abastecida, 981.707 habitantes; habitantes por 
economia, 4,2; consumo diário per capta nas economias medidas, 192 litros por dia; 
consumo diário per capta nas economias não medidas, 382 litros por dia; e índice de 
perdas total (no sistema mais desperdício) sem os consumidores industriais, de 46,77%.
O programa de ações do Pecop, elaborado em 1984, estabeleceu como meta 
para o projeto de micromedição, a hidrometração de 100% do total das economias, 
entretanto, em decorrência principalmente da falta de recursos financeiros, o índice 
D é c a d a d e 1 9 8 0 369D o t e m p o d a C e s a n
da hidrometração da Grande Vitória, atingiu, em dezembro de 1987, apenas a metade 
do total das economias. O índice de perdas foi de 46,77%, em 1987.
Com as ações operacionais emergenciais do verão 89-90, foi estimado que a capa-
cidade máxima de produção dos sistemas que abasteciam a região da Grande Vitória 
seria ampliada em aproximados 15%, ou seja, de 5.624 para 6.479 litros por segundo.
As principais ações do Pecop programadas para janeiro de 1989 a dezembro 
de 1991, na Grande Vitória, contemplaram a macromedição e a pitometria para a 
instalação de 15 aparelhos, aquisição de equipamentos, veículos e ferramentas para 
oficina e equipes de pitometria. Também houve a instalação de cerca de 100 mil 
hidrômetros; construção de seis polos de manutenção, dos quais dois já estavam 
construídos; cadastro das redes de distribuição; manutenção e reabilitação de várias 
unidades que compõem os sistemas; planejamento e controle operacional; e sistema 
integrado de comercialização. 
Como as perdas continuavam elevadas foram, então, estimadas a redução dos ín-
dices de perdas na Grande Vitória, com ações de controle de vazamentos e de combate 
aos desperdícios. As projeções estimadas foram: para 1988, perdas de 46,77%; 1989, de 
41,32%; 1990, de 33,55%; 1991, de 27,68%; e, para 1992 em diante, perdas de 27, 68%. 
As conclusões principais desse relatório intitulado “Estudo dos efeitos do Pe-
cop na evolução da demanda de água da Grande Vitória” foram que, no estudo de 
demanda para o dimensionamento das obras de ampliação dos sistemas da Grande 
Vitória em elaboração pela firma contratada, fosse considerado o programa de ações 
do Pecop; que priorizassem as ações emergenciais do verão 89-90; que levassem em 
conta os resultados esperados das ações do Pecop para o estagiamento das obras; e que 
priorizassem as ações do Pecop indispensáveis à postergação de alguns investimentos 
na ampliação dos sistemas da Grande Vitória.
Muitas das ações previstas não se concretizaram por falta de recursos financeiros 
e, como consequência, os índices de perdas não reduziram as estimativas projetadas. 
As perdas decresceram ao longo dos anos seguintes, mas em baixa velocidade. So-
mente com a retomada dos investimentos é que os índices na Cesan, de acordo com 
o Sistema de Informações do Controle Operacional (Sincop) reduziram, chegando, 
em dezembro de 2011, em 35,6%. Desse índice, as perdas por vazamento representam 
15% e os restantes 20,6% são relativos às ligações clandestinas (os populares “gatos”) 
e submedição de hidrômetros. O índice atual de micromedição chegou a 94%.
370 P a r t e I I
Esgotamento sanitário
Entre 1987 e 1990, apesar da restrição de novos investimentos, notadamente 
imposta pelo Governo Federal, por meio da Caixa Econômica, foram realizadas 
obras tanto de água quanto de esgotamento sanitário que exigiram empenho e 
criatividade do corpo gerencial.
Uma ação importante, na época, foi a implantação do Programa de Controle de 
Incidência de Mosquitos (Procim) iniciado, em Vila Velha, e estendido depois para 
Vitória. Na área de combate a vetores realizou-se o revestimento de parte do Canal 
da Costa e drenagem da Rua Maria Amália, em Vila Velha.
Revestimento do Canal da Costa
Em 1987, o total de economia de água era de 319.600 e, de esgoto, 38.300; um 
ano depois, o total foi de 334.700 (água) e 39.100 (esgoto). Em 1989, mais econo-
mia: 354.600 (água) e 39.600 (esgoto); em 1990, o total de economia de água era 
de 373.400 e, de esgoto, 40.500.
D é c a d a d e 1 9 8 0 371D o t e m p o d a C e s a n
A população abastecida com água e esgoto na Grande Vitória e no interior era, em 
1987, de 1.211.000 habitantes (água) e 117 mil pessoas (esgoto); em 1988, 1.266.000 
habitantes (água) e 119 mil (esgoto); em 1989, 1.342.000 moradores (água) e 121 
mil (esgoto); e, em 1990, o abastecimento de água totalizava 1.419.000 habitantes 
e, de esgoto, 124 mil pessoas. 
Na Grande Vitória, notadamente na capital, concluiu-se a maior obra de esgota-
mento sanitário do Estado até aquela época: a Estação de Tratamento de Esgoto de 
Camburi que atendeu a parte continental de Vitória, sobretudo, Jardim da Penha, 
Camburi e adjacências.
Para implantar a Estação de Tratamento, negociou-se a utilização da área necessária 
com a Infraero. A concepção da estação foi realizada através das lagoas de estabilização.
Estação de 
Tratamento de 
Esgoto de Camburi
372 P a r t e I I
No interior, as ações de saneamentovoltadas ao esgotamento sanitário contem-
plaram obras nos municípios, como por exemplo, Venda Nova do Imigrante, com a 
construção de uma lagoa de estabilização.
Estação de Tratamento de Esgoto 
de Venda Nova do Imigrante
374 P a r t e I I
1990D é c a d a de
D é c a d a d e 1 9 9 0 375D o t e m p o d a C e s a n
1990
Escassez de recursos financiados 
Diante das dificuldades de recursos financeiros, a Cesan usou a criatividade para dri-
blar a chamada década perdida: os anos 1990. Como construir e ampliar os sistemas 
de água e de esgoto sanitário? A saída foi buscar alternativas para outras linhas de 
financiamento, inclusive externa, como a do Banco Mundial. 
A Cesan tinha 1.283 empregados, em agosto de 1997, mas havia tendência de 
redução dos quadros, principalmente com os planos de demissão voluntária em im-
plantação desde 1996.
O número de economias de água era de 497 mil, em 1995; 523.200, em 96; e de 
558 mil, em novembro de 1997. Quanto ao esgotamento sanitário mantinham-se 
62.300 economias, em 1995, e 76.400, em 96. Pior: o nível de cobertura de esgoto, 
em 1996, era de apenas 13,5%.
Financiamento do Banco Mundial
Para obter financiamento do Banco Mundial (Bird) ao projeto de gerenciamento de 
Poluição da Água e Litorânea, a Cesan e a Secretaria Estadual para Assuntos de Meio 
Ambiente (Seama), em março de 1992, apresentaram uma proposta à Comissão de 
Financiamentos Externos (Cofiex) que foi aprovada pela Comissão de Financiamentos 
Externos, em maio de 1992, mas o projeto só foi identificado em novembro de 1992. 
Sequenciaram-se algumas missões do banco para ajudar na preparação do projeto 
avaliado, em novembro de 1993, e aprovado em dezembro daquele mesmo ano pela 
Cofiex. O valor total do investimento foi de US$ 308 milhões, com financiamento 
de US$ 154 milhões.
O tomador do empréstimo foi o Estado do Espírito Santo, tendo como benefi-
ciários a Cesan e a Seama. O fiador foi a República Federativa do Brasil e os órgãos 
executores, a Cesan e a Seama.
376 P a r t e I I
Em 1993, o nível de cobertura de água da Cesan era de pouco mais de 90% e, 
o de esgotamento sanitário, em torno de 11%. O número de funcionários perma-
nentes era de 1.577.
Os objetivos específicos iniciais do projeto foram aumentar o nível de abasteci-
mento de água e serviços sanitários básicos, contemplando a coleta e o tratamento de 
esgoto nas áreas urbanas da Grande Vitória, Guarapari, Castelo, Iúna, São Gabriel da 
Palha, Conceição da Barra e outras cidades situadas nas bacias dos rios Jucu e Santa 
Maria da Vitória; propiciar uma apropriada infraestrutura de abastecimento de água 
e saneamento nas áreas urbanas de baixa renda da Grande Vitória e Guarapari; além 
de melhorar a eficiência na prestação de serviços. 
O projeto contemplava também a redução de doenças transmissíveis de veicu-
lação hídrica, a melhoria na qualidade de vida da população e da qualidade da água 
de consumo humano e recreativo dos rios da Grande Vitória, Guarapari e estuários, 
e outras áreas litorâneas do projeto. Contemplava, ainda, benefícios para 640 mil 
pessoas com água potável, incluindo aquelas com ligações domésticas e outras com 
menor período de racionamento, além de cerca de 770 mil pessoas com serviços de 
esgotos, incluindo tratamento. Outros benefícios do projeto incluíam água de me-
lhor qualidade nos rios e áreas marinhas; aumento das atividades turísticas; melhores 
condições de higiene para reduzir a mortalidade infantil e a incidência de doenças de 
causa hídrica, além da preservação da qualidade da água nos ecossistemas, envolvendo 
os manguezais e lagoas costeiras, dentre outros. 
O projeto teve um componente de investimento da Cesan e outro institucional 
para reforçar as capacidades organizacionais e operacionais da Cesan e da Seama. Na 
área de abastecimento de água, os investimentos propostos pela Cesan focaram na 
melhoria da operação dos sistemas, eliminação dos estrangulamentos, inserção das 
áreas urbanas de baixa renda aos sistemas da Cesan, e ampliação do nível de prestação 
de serviços no Estado em torno de 2% para 93%. Quanto ao componente de sanea-
mento, as metas foram: construir 12 sistemas de esgotos e 10 plantas de tratamentos 
de esgotos para aumentar de 32% para 42% a prestação de serviços no Estado. O 
reforço institucional da Seama visou ao reforço do gerenciamento dos recursos hí-
dricos, monitoramento da qualidade da água e controle da poluição, implantação de 
sistemas de informações ambientais e programas educacionais.
Os investimentos em abastecimento de água consideraram as estações de tra-
D é c a d a d e 1 9 9 0 377D o t e m p o d a C e s a n
tamento, estações elevatórias, redes adutoras, reservatórios, redes de distribuição e 
ligações. Dentre as principais obras previstas, citamos a instalação de duas unidades 
de bombeamento na elevatória do Santa Maria; dois filtros na ETA de Carapina; 
reservatórios de Vale Esperança, Garoto, Santa Clara, Planalto, Ibes e Civit; adutoras 
para alimentação e saída desses reservatórios; elevatórias de água tratada; redes de 
distribuição para expansão dos sistemas Jucu e Santa Maria. Previram-se para a região 
de Guarapari a nova captação com bombeamento e adução de água do Rio Benevente; 
ampliação da ETA, reservatórios e rede. Para o interior, constavam investimentos em 
Iúna, Nova Venécia, Castelo, Conceição da Barra e São Gabriel da Palha. 
Também houve investimentos externos ao banco, com financiamento da Caixa Eco-
nômica Federal e do Governo do Estado, que já estavam em andamento para ampliar o 
sistema de produção da Grande Vitória, projetando aumento de 1.300 litros por segundo. 
Outras obras merecem ser mencionadas, como a construção da nova ETA de Vale Espe-
rança, com mais 1.800 litros por segundo; a ampliação da capacidade de bombeamento 
dos sistemas Jucu, do alto e baixo recalque, além de uma nova adutora de alta carga.
Dos investimentos relacionados na Grande Vitória, apenas não foram constru-
ídos os reservatórios do Ibes e do Civit. Em compensação, construiu-se o de Araçás. 
Os dois filtros da ETA de Carapina não aconteceram, mas implantou-se o serviço 
de tratamento com a introdução da flotação. Também foi construída outra adutora 
para o booster do Civit. Os investimentos em esgotamento sanitário consideraram a 
Grande Vitória, Guarapari e outras cidades do interior.
Para a Grande Vitória, foram relacionadas as regiões Vitória-Centro, Jucutuquara 
e adjacências (Bacia B5); Praia do Canto, Barro Vermelho, Santa Lúcia, Ilha do Boi, 
Ilha do Frade, Praia do Suá, Bento Ferreira e adjacências (Bacia B4); em Vila Velha, 
Praia da Costa, Itapoã até Araçás, Glória, Cristóvão Colombo, Soteco e arredores 
(Bacia B13); a região de Cariacica, notadamente Campo Grande, Bandeirantes, Jardim 
América, Rio Marinho e imediações.
Em Guarapari, foram relacionadas a Praia do Morro, o Aeroporto, Muquiçaba 
e redondeza, e o Centro e adjacências.
Em outras cidades, visando principalmente proteger as bacias dos rios Jucu e Santa 
Maria da Vitória, abastecedores da Grande Vitória, o projeto considerou a coleta e o 
tratamento de esgoto para as sedes de Domingos Martins, Marechal Floriano, Santa 
Maria de Jetibá e Santa Leopoldina.
378 P a r t e I I
Desses investimentos com recursos do Banco Mundial ou de outras fontes de 
financiamento, apenas não foram realizados os serviços de esgotamento sanitário 
de Santa Leopoldina. O Centro de Guarapari e Marechal Floriano estão em obras.
A partir da segunda metade da década de 90, deu-se início a construção das redes 
coletoras, interceptores e ligações prediais da Praia do Canto e imediações; Praia da 
Costa e adjacências; Campo Grande e cercanias; e Praia do Morroe redondeza. As 
estações de tratamento de esgotos só se tornaram realidade apenas no início de 2000.
Reservatório de Vale Esperança – Foi construída, em 1999, a ampliação do re-
servatório de água de Vale Esperança, com duas câmaras de 5 mil metros cúbicos cada.
Despoluição dos 
ecossistemas do 
Espírito Santo: área de 
abrangência de esgoto
D é c a d a d e 1 9 9 0 379D o t e m p o d a C e s a n
Reservatório de Vale Esperança: 
volume de 10 mil metros cúbicos
Sistema de abastecimento de água de Guarapari – O balneário apresentava 
sérios problemas de abastecimento em épocas de veraneio e de estiagem. Na alta 
estação e seca prolongada, as vazões dos mananciais abastecedores, os rios Jabuti e 
Conceição, eram insuficientes para atender a demanda. Como solução, construiu-
se, com recursos de financiamento do Banco Mundial, nova captação de água no 
Rio Benevente, na localidade de Jabaquara (Anchieta), constituída por uma estação 
elevatória de água bruta com três conjuntos motobombas de 40 CV cada, sendo um 
de reserva, uma estação elevatória de água bruta com três conjuntos de 300 CV cada, 
dos quais um de reserva, e uma elevatória do tipo booster com três conjuntos de 300 
CV cada, com um de reserva. Também foi construída uma adutora de diâmetro de 
500 mm, com cerca de 18 mil metros e 6.400 metros de redes de distribuição. Nessa 
primeira fase, o sistema foi concebido para bombear 187 litros por segundo. A vazão 
total do projeto foi igual a 374 litros por segundo.
380 P a r t e I I
Planta 
esquemática do 
sistema de água 
de Guarapari: 
captação no Rio 
Benevente
Esquemático do sistema 
existente e projetado 
de água de Guarapari
D é c a d a d e 1 9 9 0 381D o t e m p o d a C e s a n
Elevatória de Jabaquara: sistema 
de água do Rio Benevente
Os estudos e projetos realizados com recursos do Banco Mundial foram iniciados 
a partir de 1996 e concluídos no final da década de 90. São eles: reestudo do Planeja-
mento Global (Plano Diretor) e Projeto Técnico do sistema de abastecimento de água 
da Grande Vitória; Planejamento Global (Plano Diretor) de esgotamento sanitário 
da Serra e distrito de Praia Grande (Fundão); elaboração dos estudos de concepção e 
desenvolvimento dos projetos técnicos e executivos do sistema de coleta e transporte 
de esgoto sanitário da Bacia B-5, de Jucutuquara e adjacências, em Vitória.
382 P a r t e I I
Reestudo do Planejamento Global 
(Plano diretor) e Projeto Técnico 
do Sistema de Abastecimento de 
Água da Grande Vitória 
Entre maio de 1996 e setembro de 1999 foi elaborada, pelo Consórcio Aquaconsult
-Hidroconsult, a reestruturação do Planejamento Global (Plano Diretor) e Projeto 
Técnico do sistema de abastecimento de água da Grande Vitória, com financiamento 
do Banco Mundial. Diferente dos demais, o estudo envolveu ao mesmo tempo todos 
os municípios da Grande Vitória, ou seja, Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra, Viana 
e o distrito de Praia Grande (Fundão). Outro diferencial foi a avaliação realizada sobre 
os recursos hídricos da região, contemplando os rios Jucu, Santa Maria da Vitória, 
Reis Magos e Duas Bocas. Objetivo: definir a disponibilidade hídrica da região, 
suas condições críticas e estudos de regularização de vazões. Estabeleceu-se como 
horizonte do projeto o ano 2030. A população projetada, para final o do plano, foi 
de 3,11 milhões de habitantes.
Mapa de 
localização do 
reestudo do 
planejamento 
global do 
sistema de 
distribuição 
de água 
da Grande 
Vitória
D é c a d a d e 1 9 9 0 383D o t e m p o d a C e s a n
A Fase A foi relativa ao reestudo do Planejamento Global (Plano Diretor). A 
Fase B constituiu-se da elaboração dos projetos técnicos dos sistemas de reservação, 
distribuição, estações elevatórias e adutoras. Posteriormente, desenvolveu-se a Fase 
C com os projetos complementares das unidades definidas como prioritárias pela 
Cesan, conforme o Planejamento Global.
A concepção básica considerou que a água é conduzida das estações de tratamento 
por adutoras para alimentar os reservatórios sem distribuição em marcha, ou seja, sem 
sangrias ao longo do percurso. Cada centro de reservação passou a ser responsável por 
uma zona de atendimento, ou setor, o que facilitava o controle operacional, o controle 
de pressão, medição e, consequentemente, o controle de perdas. Foram projetadas, a 
partir dos reservatórios, redes tronco principais e secundários, criando anéis em cada 
setor de distribuição para ampliar a eficiência da rede e abastecer adequadamente, 
com vazão e pressão, todos os pontos do setor.
O sistema de abastecimento de água da Grande Vitória foi dividido em nove 
subsistemas de abastecimento, caracterizados por suas respectivas ETAs, e mananciais 
abastecedores, ou seja, os subsistemas Jucu/Vale Esperança; Caçaroca; Duas Bocas; 
Araçatiba; Jucu/Antártica; Carapina; Reis Magos; Santa Maria/Itanhenga; e Viana.
Subsistema de 
abastecimento: 
manancial 
abastecedor 
e estações de 
tratamento
384 P a r t e I I
Cada subsistema foi subdividido por setores de distribuição caracterizados por 
seus respectivos centros de reservação. Cada centro de reservação foi projetado com 
câmaras moduladas para permitir a confirmação das estimativas, incluindo projeções 
futuras para o volume de reserva de cada setor até o final do projeto, isto é, o ano 2030.
O subsistema Jucu/Vale Esperança dividiu-se em 15 setores de distribuição, cada 
qual caracterizado por seu centro de reservação: São Francisco/ Marcílio/ Bethânia; 
Vale Esperança, Valverde/ Porto de Santana; Alto Lage; Araçás; Alan Kardec; Boa 
Vista; Garoto; Garrido; Rio Marinho; Santa Clara; Barro Vermelho; Fradinhos; 
Santa Lúcia; e São Pedro.
Subsistema de Jucu/Vale Esperança: 
setorização do subsistema
D é c a d a d e 1 9 9 0 385D o t e m p o d a C e s a n
O subsistema de Caçaroca tem quatro setores de distribuição, cada um com 
seu centro de reservação: Castelo Branco/ Metalpen; Barra do Jucu; Grande Terra 
Vermelha; e Ponta da Fruta.
O subsistema de Duas Bocas e Santa Maria/ Itanhenga foi dividido em dois 
setores de distribuição, cada qual também com seu centro de reservação: Duas Bocas 
e Santa Maria/ Itanhenga.
O subsistema de Araçatiba tem somente um setor com o mesmo nome, assim 
como o de Jucu/ Antártica. 
Já o subsistema de Viana subdividiu-se em dois setores de distribuição. Cada 
setor tem seu centro de reservação: Viana e BR-262.
Quando entrar em operação, prevista para 2019, o subsistema de Reis Magos 
terá três setores: Serra Sede, Civit e Marajá.
O subsistema de Carapina tem 11 setores: Goiabeiras, Jardim Camburi, Carapina, 
Laranjeiras, Bairro das Flores, Civit, Marajá, Serra Sede, Jacaraípe, Nova Almeida e 
Praia Grande (Fundão).
Subsistema 
de Carapina: 
setorização 
do subsistema
386 P a r t e I I
As unidades projetadas foram: 
 ~ Subsistema de Jucu/Vale Esperança – Adutoras de água tratada com 27.323 
metros, nos diâmetros de 250 a 1000 mm; estações elevatórias de água tra-
tada, 8 elevatórias com potência de 15 a 500 CV; reservatórios e 13 centros 
de reservação, totalizando 122.900 metros cúbicos.
 ~ Subsistema de Caçaroca – Adutoras de água tratada com 15.946 metros, 
nos diâmetros de 350 a 400 mm; estações elevatórias de água tratada; três 
elevatórias com potência de 60 a 800 CV; reservatórios; e três centros de 
reservação, somando 12.100 metros cúbicos.
 ~ Subsistema de Duas Bocas e de Santa Maria/ Itanhenga – Adutoras de 
água tratada com 15.480 metros, nos diâmetros de 350 a 450 mm; reserva-
tórios; e dois centros de reservação, totalizan-
do 16 mil metros cúbicos.
 ~ Subsistema de Araçatiba – Reservatórios e um 
centro de reservação. Total: 60 metros cúbicos.~ Subsistema de Viana – Adutoras de água tra-
tada com 1.587 metros, no diâmetro de 200 
mm; reservatórios; e dois centros de reserva-
ção, totalizando 850 metros cúbicos.
 ~ Subsistema de Carapina e de Reis Magos 
– Adutoras de água tratada com 61.804 me-
tros, nos diâmetros de 300 a 800 mm; esta-
ções elevatórias de água tratada; 14 elevató-
rias com potência de 10 a 1.500 CV; reser-
vatórios; e 11 centros de reservação. Total: 
83.200 metros cúbicos.
Para todos os subsistemas citados foram projetadas 
redes de distribuição nos diâmetros de 50 a 700 mm, 
totalizando em torno de 1,60 milhão de metros. 
D é c a d a d e 1 9 9 0 387D o t e m p o d a C e s a n
Ampliação do sistema de abastecimento 
de água da Grande Vitória
Para atender à crescente demanda do abastecimento de água, a Cesan ampliou seu 
sistema de produção da Grande Vitória. Diante das dificuldades para viabilizar os 
recursos financeiros, as obras se realizaram por etapas. A primeira subdividiu-se em 
duas, cuja execução – em determinado momento – aconteceu simultaneamente. O 
prazo previsto de execução foi de 18 meses para a primeira etapa e de 24 meses para a 
segunda. A realização das obras aconteceu de setembro de 1991 a abril de 1997. Com-
preendeu basicamente a linha de transmissão; captação no Rio Jucu, estação elevatória 
de água bruta – baixo recalque; estação elevatória de água bruta – alto recalque, adu-
tora de água bruta; Estação de Tratamento de Vale Esperança (ampliações); Estação 
de Tratamento de Cobi 
(melhorias); distribuição 
de água tratada, incluin-
do melhorias, adutoras, 
reservatórios, redes de 
distribuição, e ligações 
prediais e controle ope-
racional (micromedi-
ção). A ampliação do 
subsistema Jucu/Barra 
do Jucu-Caçaroca tam-
bém foi contemplada.
Vista geral da 
captação no Rio 
Jucu, em Caçaroca, 
e estação elevatória 
de baixo recalque 
antes da ampliação 
388 P a r t e I I
Naquela época, a produção de água totalizava 5.054 litros por segundo, distribuídos 
da seguinte forma: 
 ~ ETA de Vale Esperança: 2.350 litros por segundo (com sobrecarga).
 ~ ETA de Cobi: 750 litros por segundo.
 ~ ETA de Carapina (Mário Petrochi): 1.650 litros por segundo.
 ~ ETA de Duas Bocas: 250 litros por segundo.
 ~ ETA de Viana: 27 litros por segundo.
 ~ Poço da Barra do Jucu: 9,6 litros por segundo.
 ~ ETA de Belvedere: 1,6 litros por segundo.
 ~ Poço da Ponta da Fruta: 5,8 litros por segundo.
 ~ ETA do Jucu: 10 litros por segundo.
Com a ampliação, o total chegou a 6.354 litros por segundo, assim distribuídos:
 ~ ETA de Vale Esperança (existente): 1.500 litros por segundo (nominal).
 ~ ETA de Vale Esperança (ampliação): 1.800 litros por segundo.
 ~ ETA de Cobi: 1.100 litros por segundo.
 ~ ETA de Carapina (Mário Petrochi): 1.650 litros por segundo.
 ~ ETA de Duas Bocas: 250 litros por segundo. 
 ~ ETA de Viana: 27 litros por segundo.
 ~ Poço da Barra do Jucu: 9,6 litros por segundo.
 ~ ETA de Belvedere: 1,6 litros por segundo.
 ~ Poço da Ponta da Fruta: 5,8 litros por segundo.
 ~ ETA do Jucu: 10 litros por segundo.
D é c a d a d e 1 9 9 0 389D o t e m p o d a C e s a n
Portanto, a ampliação prevista para a produção de água da Grande Vitória foi 
de 1.300 litros por segundo, correspondendo a 25%. 
Após a ampliação, a quantidade de água tratada da ETA de Vale Esperança na 
parte existente, que funcionava com até 2.250 litros por segundo (com sobrecarga), 
voltou a operar com a sua vazão nominal do projeto: 1.500 litros por segundo. 
De forma sucinta, as principais obras da primeira etapa subdividiram-se em 
duas fases, conforme descrito na síntese das obras a seguir:
Primeira fase
Foi prevista a implantação de novas unidades de filtração na Estação de Tratamento 
de Água de Vale Esperança e melhoria na já existente, além da implantação das redes 
de distribuição nas Macro VIII e Micro V.
Estação de Tratamento de Vale Esperança (existente) – É do tipo convencional 
completa, com floculação, decantação e filtração. Foi projetada e construída para 
tratar vazão nominal de 1.500 litros por segundo em épocas de grande consumo 
e, dependendo da qualidade da água, chegou a tratar até 2.250 litros por segundo. 
Previu-se melhoria operacional nos floculadores existentes para evitar zonas mortas 
e curtos-circuitos hidráulicos.
Estação de Tratamento de Vale Esperança (nova) – Do tipo filtração direta, 
com cinco filtros construídos ao lado da ETA existente, em espaço previamente 
reservado. Adicionalmente, foram construídas duas câmaras: uma de mistura rápida 
e outra de floculação primária, com duas câmaras independentes em série, cada uma 
subdividida em dois compartimentos. Implantou-se um tanque de contato sob as 
estruturas dos filtros e foi ampliada a Casa de Química com outras melhorias. Sua 
capacidade foi de 1.800 litros por segundo. Houve ainda previsão de transformar essa 
nova estação em uma ETA convencional, com floculação e decantação, caso piorasse 
a qualidade da água do Rio Jucu ao longo dos anos. O previsto ocorreu tempos de-
pois: a qualidade das águas piorou, principalmente quanto à turbidez. Isso obrigou 
a Cesan, em 2012, a contratar um projeto para transformar a parte nova da ETA em 
tratamento completo, ou seja, incorporar as unidades de floculação e decantação.
390 P a r t e I I
Com a inauguração das obras de ampliação, a ETA passou a se chamar Estação 
de Tratamento de Água Helder Faria Varejão, em justa homenagem a este profissio-
nal que atuou desde a criação da Cesan, sendo diretor de Produção por duas vezes.
ETA de Vale Esperança 
Helder Faria Varejão 
Inauguração da ampliação da 
ETA de Vale Esperança, agora 
ETA Helder Faria Varejão, 1999 
D é c a d a d e 1 9 9 0 391D o t e m p o d a C e s a n
Redes, reservatórios e elevatórias – A expansão da malha distribuidora das redes 
para atender o crescimento vegetativo, muitas vezes prolongando as extremidades 
do sistema, nem sempre considerou o reforço necessário do sistema macro das redes 
tronco. Por isso, as redes macro foram implantadas nos bairros de Cariacica, como 
Cruzeiro do Sul; Santa Bárbara; Jardim Botânico; Rio Mar; Campo Grande; Cariacica 
Sede; Independência; Vale dos Reis; Vale Dourado; e Mucuri. Também se previu um 
reservatório elevado em concreto armado, de 200 metros cúbicos, alimentado por 
uma elevatória construída com potência de 20 CV para o bairro Santa Bárbara. Uma 
adutora interligou a elevatória São Francisco ao reservatório no Morro do Pico (atrás 
da antiga Braspérola). Construíram-se redes de distribuição tronco para os bairros de 
Vale Dourado, Vale dos Reis, Mucuri e Independência. Construiu-se ainda uma rede 
em forma de anel para interligar o sistema de Cariacica Centro ao bairro Mocambo.
Em Vila Velha, mais obras: nova rede adutora de diâmetro 500 e 400 mm e 
extensão de 6.370 metros para atender Araçás e adjacências, que foi interligada à 
rede de 1.000 mm em Cobilândia. 
Obras da segunda fase
A previsão foi recuperar a captação de água do Rio Jucu; ampliar a capacidade da elevató-
ria de baixo recalque e de alto recalque; implantar uma adutora de alta carga, interligando 
a estação elevatória de alto recalque à ETA de Vale Esperança; melhorar as operações da 
ETA de Cobi; e implantar as redes de distribuição das Macro VIII e Micro V.
Recuperação da captação de água do Rio Jucu – Não houve necessidade de 
ampliação das suas instalações. Sua capacidade de atendimento era de até 7.100 
litros por segundo.
Ampliação da capacidade da estação elevatória de baixo recalque – O sistema 
existente tinha capacidade máxima de 3.400 litros por segundo e era composta por 
cinco conjuntos elevatórios de 350 CV cada. Com a ampliação, previa-se

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