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Anatomia Renal

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Capítulo
1
Anatomia Renal
Leonardo Vidal Riella, Luiz Antonio Ribeiro de Moura e Miguel Carlos Riella
MACROSCOPIA
VASCULARIZAÇÃO
CIRCULAÇÃO LINFÁTICA
INERVAÇÃO
EMBRIOLOGIA
Anomalias do desenvolvimento
O NÉFRON
Glomérulo
Células endoteliais
Células mesangiais
Células epiteliais viscerais
Células epiteliais parietais
Aparelho justaglomerular
Células peripolares
Túbulo proximal
Alça de Henle
Túbulo distal
Ducto coletor
INTERSTÍCIO RENAL
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ENDEREÇOS RELEVANTES NA INTERNET
MACROSCOPIA
Os rins, em número de dois, são órgãos que lembram a
forma de um grão de feijão, de coloração marrom-averme-
lhada, situados no espaço retroperitoneal, um de cada lado
da coluna vertebral, de tal forma que seu eixo longitudi-
nal corre paralelamente ao músculo psoas maior.
Na posição ortostática, sua margem superior encontra-
se ao nível da primeira vértebra lombar e a inferior, da
quarta vértebra lombar. Em decúbito dorsal, as margens
superior e inferior dos rins elevam-se ao nível do bordo
superior da 12-ª vértebra torácica e da terceira vértebra lom-
bar, respectivamente.1 Com a respiração os rins podem des-
locar-se cerca de 1,9 cm, chegando a 4,1 cm na inspiração
profunda. Normalmente, o rim direito é um centímetro me-
nor e encontra-se ligeiramente mais caudal em relação ao
esquerdo (Fig. 1.1).
O rim de um indivíduo adulto mede de 11 a 13 cm de
comprimento, 5 a 7,5 cm de largura e 2,5 a 3 cm de espessu-
ra, pesando entre 125 e 170 gramas, no homem, e 115 e 155
gramas, na mulher. Com o envelhecimento, há uma dimi-
nuição do peso renal.6 Em recém-nascidos este peso varia
de 13 a 44 gramas.7 A variação do tamanho e do peso dos
rins na população demonstrou estar mais relacionada com
a superfície corporal do indivíduo, não sendo influenciada
por sexo, idade ou raça, quando se leva em consideração o
tipo de constituição corporal. Outros estudos demonstraram
também que o nível de hidratação do organismo e a pres-
são arterial provocam variações no tamanho do rim.8
Na parte medial côncava de cada rim, localiza-se o hilo
renal, local onde se encontram a artéria e a veia renal, vasos
linfáticos, plexos nervosos e o ureter, que se expande den-
tro do seio renal, formando a pelve. O rim é envolvido em
toda sua superfície por membrana fibroelástica muito fina
e brilhante, denominada cápsula renal. Esta adere à pelve e
aos vasos sanguíneos na região do hilo. No rim sadio, con-
segue-se destacar facilmente a cápsula renal do restante do
órgão, sendo que o mesmo não acontece no rim doente.
Ao redor dos rins, no espaço retroperitoneal, tem-se uma
condensação de tecido conjuntivo, que representa a fáscia
de Gerota ou fáscia renal. Ela divide-se em fáscias renais
anterior e posterior, envolvendo um tecido adiposo, deno-
minado gordura perirrenal, que contorna o rim e a glân-
dula adrenal de cada lado, constituindo o espaço perirre-
nal. Essa gordura é a responsável pela visualização radio-
2 Anatomia Renal
lógica da silhueta renal, devido à sua maior radiotranspa-
rência. A fáscia renal tem a tendência de limitar a dissemi-
nação de infecções renais, hemorragias ou extravasamen-
to de urina1 e determina a divisão do retroperitônio em três
compartimentos: espaços pararrenal anterior, perirrenal e
pararrenal posterior.
Ao corte, o parênquima renal apresenta uma porção
cortical de cor avermelhada e uma porção medular de cor
amarelo-pálida. Na região medular, observam-se várias
projeções cônicas ou piramidais, de aspecto estriado, cu-
jas bases estão voltadas para o córtex, enquanto seus ápi-
ces se dirigem ao hilo renal e se projetam na pelve renal. O
conjunto, pirâmide renal e seu córtex associado, denomi-
na-se lobo renal. A parte do córtex que encobre a base de-
nomina-se córtex centrolobar, e a parte localizada lateral-
mente à pirâmide renal é o septo renal. A união de septos
renais adjacentes constitui a formação das colunas renais
ou de Bertin, que separam uma pirâmide da outra (Fig. 1.2).
Segundo Löfgren, o rim humano contém, em média, 14
lobos, sendo seis no pólo renal superior, quatro no pólo
médio e quatro no pólo inferior. Outro estudo, feito por Inke,
propõe que o rim se forma a partir de quatro protolobos, que
se dividem de maneira desigual, resultando num número
variável de lobos, sendo geralmente oito.9,10
A medula é constituída somente por túbulos e divide-
se em duas regiões. A zona medular interna contém os
ductos coletores, as partes ascendente e descendente dos
segmentos delgados das alças de Henle e os vasa recta. A
zona medular externa é formada por duas faixas: a exter-
na, composta pela porção terminal reta dos túbulos con-
tornados proximais, segmentos espessos da alça de Henle
e ductos coletores, e a interna, contendo os ramos ascen-
dentes espessos e descendentes delgados das alças de
Henle e os ductos coletores (Fig. 1.3).
O córtex, com cerca de um centímetro de espessura,
contém túbulos e glomérulos. Nele observam-se, a inter-
Músculo grande
dorsal
Músculo serrátil
posterior inferior
Músculo oblíquo externo
do abdome
Aponeurose do músculo
transverso do abdome
Músculo oblíquo
interno do abdome
Fáscia toracolombar
(lâmina posterior)
Crista ilíaca
Músculo eretor
da espinha
Fáscia (aponeurose
glútea) sobre o músculo
glúteo médio
Músculo glúteo
máximo
Pleura (recesso costodiafragmático)
Ligamento lombocostal
Músculo quadrado lombar
(seccionado)
Diafragma
Nervo subcostal
Rim direito
Colo ascendente
Músculo transverso
do abdome
Nervo ílio-hipogástrico
Nervo ílio-inguinal
Músculo quadrado
lombar (seccionado)
Músculo psoas maior
Ligamento iliolombar
Fig. 1.1 Relações anatômicas dos rins com a estrutura músculo-esquelética em uma visão posterior da região lombar. (Obtido de
Netter, F.H. Anatomia, estrutura e embriologia. Seção I: rins, ureteres e bexiga. Ciba-Geigy, vol. 6, 1973.4)
Córtex renal
Medula renal
(com pirâmide)
Papila renal
Coluna renal
(de Bertin)
Radiações medulares
(parte radiada)
Base da pirâmide
Rim direito seccionado em
vários planos, expondo o
parênquima e a pelve renal
Cápsula fibrosa
Cálices renais menores
Vasos sangüíneos entrando
no parênquima renal
Seio renal
Cálices renais maiores
Pelve renal
Gordura no seio renal
Cálices renais menores
Ureter
Fig. 1.2 Rim direito seccionado em planos, mos-
trando o parênquima e a pelve renal. (Obtido de
Netter, F.H. Anatomia, estrutura e embriologia.
Seção I: rins, ureteres e bexiga. Ciba-Geigy, vol.
6, 1973.4)
capítulo 1 3
valos regulares, estriações denominadas raios medulares.
Estes raios originam-se das bases das pirâmides e contêm
túbulos coletores, ramos ascendentes da alça de Henle e as
porções retas terminais dos túbulos contornados proxi-
mais, cuja disposição em paralelo é responsável pelo as-
pecto estriado das pirâmides (Fig. 1.2).
Cada raio medular ocupa o centro de um lóbulo renal, uma
pequena e cilíndrica área de córtex, delimitada por artérias
interlobulares. O termo lóbulo renal, apesar de descrito, não
é muito empregado, uma vez que não se consegue definir
uma importância anatomofuncional para o mesmo.
Alguns dos túbulos se unem para formar ductos coleto-
res. Os ductos coletores maiores, ou ductos de Bellini, abrem-
se no ápice da pirâmide, na papila renal, região que contém
a área crivosa com cerca de 10 a 25 perfurações. A urina, que
daí drena, cai num receptáculo chamado cálice menor.
Até a 28-ª semana de gestação existem 14 cálices, de tal
maneira que cada cálice se associa apenas a uma papila.
Após este período, dá-se início a um processo de fusão
lobar, que pode prolongar-se até após o nascimento, e que
determina a diminuição do número de cálices e de papilas
renais. O grau de fusão calicial é maior que o de fusão pa-
pilar, o que determina o aparecimento de cálices compos-
tos, ou seja, cálices que

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