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COMUNICAÇÃO E POLÍTICA

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POLÍTICA?
Profª Mestranda Shirley Moura
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MAS ANTES...
O preconceito contra a política no mundo contemporâneo:
A política (profissional) como um “espetáculo” que provoca repulsa no cidadão comum.
A política (não profissional) como um ato esporádico de escolha de representantes sobre cuja atuação não se tem controle;
A (micro) política como uma prática cujos determinantes passam desapercebidos para a maioria das pessoas. 
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E O QUE OS PRECONCEITOS ESCONDEM?
Medo e Esperança (Arendt, H.) 
Medo
Conhecida como a pensadora da liberdade, Hannah Arendt (1901-1975) viveu as grandes transformações do poder político do século 20. 
Estudou a formação dos regimes autoritários (totalitários) instalados nesse período - o nazismo e o comunismo - e defendeu os direitos individuais e a família, contra as "sociedades de massas" e os crimes contra a pessoa.
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MEDO de que a humanidade se autodestrua por meio da política e dos meios de força que tem hoje à sua disposição; 
ESPERANÇA, está ligada a esse medo, de que a humanidade recobre a razão e livre o mundo não só de si própria, mas da política. Um meio de fazê-lo seria a criação de um governo mundial que transformasse o Estado em uma máquina administrativa, resolvesse burocraticamente os conflitos políticos e substituísse os exércitos por forças policiais
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Para Arendt, essa esperança é pura utopia, enquanto a política for definida no sentido usual, ou seja, a “relação entre dominadores e dominados”. “Tal ponto de vista levaria a um despotismo de proporções colossais”. 
Mas, se a política significa um “domínio em que as pessoas são vistas como seres atuantes que conferem aos assuntos humanos uma permanência que, de outra forma, não teriam, então essa esperança não é nem um pouco utópica”.
Arendt, 2008, p. 148-149 
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E O QUE SOMOS?
O ser humano seria naturalmente gregário e a cidade é o fim (telos), a causa final da associação humana. 
Precede a família e até mesmo o indivíduo, tendo em vista que responde a este citado impulso social. 
Por isso, é um animal político (zoon politikon) inclinado a fazer parte de uma sociedade política. 
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 Considerando que a Política trata de questões que concerne a todos, que abarca a discussão sobre o modo de vida em sociedade, o que, no mundo atual diz respeito à própria sobrevivência de grupos humanos e da humanidade em geral, das suas conquistas econômicas, avanços culturais e da preservação das condições de vida no planeta.
	
ENTÃO...
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 É preciso superar o senso comum, 
	é preciso ir além do medo ou da esperança, é preciso pensar e agir politicamente com consciência crítica e criativa, para aprendermos a conviver e encontrarmos soluções aos problemas. 
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E O QUE É, DE FATO, A POLÍTICA? 
O termo “Política” deriva de Polis (politikós), que significa tudo o que se refere à cidade, o que é urbano, civil, público e até mesmo sociável, social. 
Política: arte ou ciência de Governo, isto é, de reflexão, não importa se com intenções descritivas ou normativas, sobre as coisas da cidade. 
Política, de Aristóteles: 
primeiro tratado sobre a natureza, 
funções e divisão do Estado, 
e sobre as várias formas de governo
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E O QUE É, DE FATO, A POLÍTICA? 
Tal palavra era usada para se referir a tudo relacionado a polis (Cidade-estado) e à vida em coletividade. Portanto, podemos chegar a um ponto em comum ao afirmar que a política está relacionada diretamente com a vida em sociedade, no sentido de fazer com que cada indivíduo expresse suas diferenças e conflitos sem que isso seja transformado em um caos social. 
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Embora se afirme que gregos e romanos tenham criado a política, com destaque para a obra “Política” de Aristóteles, não podemos negar a existência de relações de poder e autoridade em civilizações anteriores. De fato, gregos e romanos desenvolveram as características de autoridade e poder no sentido político.
De certa forma, a política surgiu para garantir a estabilidade social. O agente máximo que garante essa estabilidade é o Estado. O poder político, exercido pelo mesmo, está diretamente relacionado ao direito de coerção e uso legítimo da força física. Assim, para garantir os interesses da sociedade em geral, o Estado pode, de forma única, utilizar a forma coercitiva.
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Nicolau Maquiavel (1469–1527) foi um dos maiores pensadores políticos de todos os tempos. O estudioso, que também era poeta, diplomata e historiador, notabilizou-se por duas obras fundamentais: O Príncipe e Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio. Ele deu autonomia à política, desligando-a da religião e separando-a da ética individual.
Em sua obra “O Príncipe”, Maquiavel afirmou que o que move a política é a luta pela conquista e pela manutenção do poder, além disso, segundo ele, os fins deveriam justificam os meios, isto é, para a finalidade da ordem, soberania e bem-estar social, o Estado poderia usar a força física de forma legítima.
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PARA MAQUIAVEL, A FINALIDADE DA POLÍTICA NÃO É O BEM COMUM, MAS A TOMADA E A MANUTENÇÃO DO PODER. O PODER PASSA A SER VISTO COMO DE ORIGEM HUMANA, NASCE DAS RELAÇÕES SOCIAIS, E NÃO DO DIVINO. 
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O CERNE DE MAQUIAVEL
Maquiavel desconstrói os argumentos dos doutores do saber medieval. Para ele, uma sociedade é atravessada por lutas internas, estruturadas a partir do conflito entre duas partes.
A política, portanto, não seria doada por Deus,
por nenhuma natureza ou razão; ao contrário, o poder político nasce dessas lutas e tenta unificar a sociedade dividida. Para ele, a política é filha dos conflitos sociais; nasce das lutas e nas lutas entre esses dois desejos opostos, o dos poderosos e o do povo.
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A CIÊNCIA POLÍTICA
É uma área do saber que estuda os fenômenos políticos, o funcionamento de comunidades políticas e a convivência entre os seus membros. 
Visa, portanto, analisar a política, as estruturas e os processos de governo, utilizando-se de abordagem científica. A ciência política é uma área do pensamento destinada a estudar os modelos de organização e funcionamento estatal. 
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SUA BASE HISTÓRICA
O termo Ciência Política foi cunhado por Herbert Baxter Adamn, Professor de História na Universidade Johns Hopkins (EUA), em 1880. O termo hoje se aplica à teoria e à prática da política, assim como envolve descrições e análises dos sistemas políticos e dos comportamentos políticos. 
Como ciência de estudo da política, dedica-se aos sistemas políticos, às organizações e aos processos políticos. Atenta-se também para o estudo das estruturas e das mudanças nas estruturas, assim como análises de governo.
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O PAPEL DO DISCURSO
O poder está em toda parte (Foucault, M.)
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O DISCURSO?
O discurso constrói o conhecimento, portanto, regula através da produção de categorias de conhecimento e conjuntos de textos o que é possível de ser falado e o que não é (como as regras concedidas de inclusão/exclusão). Assim ele re/produz poder e conhecimento simultaneamente. 
O discurso define o sujeito, moldando e posicionando quem ele é e o que ele é capaz de fazer.
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Segundo Foucault, o discurso não é um tipo de ente metafísico, constituído a priori dos outros elementos da sociedade, no entanto, há uma precedência: um discurso não está sozinho na história e segue as relações já postas pelos saberes e pelas instituições já estabelecidas, que lhe dão uma determinada positividade. Essa positividade desempenha o papel de um a priori histórico
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O DISCURSO POLÍTICO
O discurso político tem por objetivo expressar ideias de forma argumentativa e persuasiva. Seus conteúdos alteram-se de acordo com o contexto (político, social, econômico e jurídico).
Nas sociedades contemporâneas democráticas, predominam a dinamicidade, a fragilidade e mesmo a provisoriedade dos discursos políticos. Tal discursividade no plano político considera a razão, a emoção e a autoridade de quem
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