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eFólio B_2016/17 Figura 1- http://meioambiente.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/importancia-da-ecologia-3/Import%C3%A2ncia-da-Ecologia-6.jpg Cecília do Céu Leal da Rocha Aluna nº 1202746 “(…) o risco é escorregadio, invisível e a sua composição é futura. Ele tem dimensões não materiais que escapam à possibilidade de compreensão da ciência. Além disso, o risco tem uma potencialidade de destruição a longo prazo, além de uma tendência a se universalizar para além de qualquer classe social. O risco, quando existente, atinge a todos, independente do pertencimento de classe. O que diferencia a exposição ao risco são apenas as condições materiais dos indivíduos no que diz à criação de estratégias em face das ameaças.” «Beck (1986) apud Pazzini & Sparemberger (2015)» Cecilia do Céu Leal da Rocha_1202746_T01_UC41104 | Universidade Aberta 2 Feedback Nota 3,7 / 4,00 Avaliado em Sábado, 27 Maio 2017, 07:45 Avaliado por Vanda Viegas Comentários de feedback Problema bem identificado e parcialmente problematizado no contexto requerido. Ponto a melhorar: referenciação e articulação com os diferentes saberes Apresenta proposta de intervenção estruturada Muito bom trabalho. Parabéns! VV ====================================================================== De entre os problemas ambientais assinadas no eFolio A escolhemos “os incêndios florestais e desmatamento com corte ilegal de arvores para comercialização de madeira” (Rocha, 2017:2) As questões ambientais nem sempre foram uma preocupação para a humanidade, pois não existia uma consciencialização pública de que “o ambiente é essencial para a existência e a sobrevivência dos seres humanos (…)”, no entanto, nem sempre isso se reflete nos atos humanos, vemos frequentemente atos de degradação ambiental, que podem colocar em causa a vida da Terra, como a conhecemos. (Costa, 2016a:1). Na década de 1970, foi publicado um relatório pelo Clube de Roma, intitulado “The Limits of Growth” o qual referia que o limite de crescimento do planeta seria atingido no espaço de 100 anos, fazendo com que a perceção pública sobre o ambiente e a necessidade da sua proteção começasse a modificar-se. Atendendo a esta necessidade, após vários anos de negociações e hesitações, a 12 de Dezembro de 2015, é assinado por 195 países, um acordo internacional histórico em Paris, o “Acordo de Paris”, acordo este que envolveria todos os países, e não apenas os países desenvolvidos, num esforço coletivo para conter a subida da temperatura do planeta a 1,5º C, no qual são acordados outros pontos, no que respeita aos objetivos e ações, que deverão dar resposta às alterações climáticas, sendo que este acordo é diferente do Protocolo de Quioto, pois não impõe metas aos países, cada um deles decide o que fazer, apresentando a cada cinco anos, planos nacionais que contenham a sua contribuição para a luta ambiental da atualidade, a luta contra o aquecimento global. Não obstante, nas últimas duas décadas assistimos ao aparecimento de legislações ambientais tanto a nível de Direito Interno, como a nível do Direito Internacional. A influência das normas europeias sobre os problemas ambientais aumentou consideravelmente nos últimos anos, atendendo a que estas têm aplicabilidade direta e primazia sobre o direito nacional. Nomeadamente, o art.º 8.º, n.º 4 da nossa CRP estabelece que “as disposições dos tratados que regem a união europeia e as normas emanadas das suas Cecilia do Céu Leal da Rocha_1202746_T01_UC41104 | Universidade Aberta 3 instituições (…) são aplicáveis na ordem interna, nos termos definidos pelo direito da União (…)”, mas “(…) com respeito pelos princípios fundamentais do Estado Democrático”, desta forma é a CRP que estabelece as condições em que o direito europeu poderá vigorar, sendo assim hierarquicamente inferior, além do princípio do primado do direito europeu ser uma construção jurisprudencial, não se enquadrando assim na expressão “nos termos definidos pelo direito da União”. De facto, a intervenção dos cidadãos na proteção do ambiente, individual ou coletivamente, é elementar para asseverar a existência e a utilização sustentável dos recursos naturais, podendo esta intervenção ser preventiva ou mais reativa, tendo por isso mesmo, tanto os cidadãos como as ONG’s ao seu dispor vários instrumentos para promover a proteção ambiental. Mediante uma análise às bases de dados do ICNF1 e da Autoridade Nacional de Proteção Civil2, rapidamente se constata que a maioria dos incêndios florestais tem “mão humana”, seja de forma: acidental – resultado, por exemplo, da libertação de faíscas e faúlhas provenientes da utilização de maquinaria, certos meios de transporte e sistemas de telecomunicações; intencional – incendiarismo com várias motivações; fruto do uso negligente do fogo (queimadas “controladas”, queimas de lixo, cigarros, foguetes e afins), ou mesmo resultante da falta de limpeza do combustível acumulado nas matas e florestas. Segundo Radojevic (1998) apud Ribeiro & Assunção (2002) os incêndios provocam sérios danos na saúde/doença, sobretudo nas populações de baixo rendimento, nomeadamente, “infeções do sistema respiratório superior, asma, conjuntivite, bronquite, irritação dos olhos e garganta, tosse, falta de ar, nariz entupido, vermelhidão e alergia na pele, e desordens cardiovasculares”. Neste sentido existe a necessidade de criar politicas capazes de combater o flagelo dos incêndios e diminuir os riscos para a saúde, promovendo o bem-estar da sociedade, aumentando a consciencialização ambiental e ecológica dos cidadãos, uma vez que o ambiente exerce efeitos consideráveis nos seres humanos. De acordo com Rego (2011) as politicas saudáveis devem ter “um âmbito multissetorial [e] uma estratégia colaborativa, ou seja, devem envolver todos os sectores governamentais”. Só com uma estratégia conjunta, de todos os organismos nacionais é que se conseguirá obter resultados satisfatórios, que levem á diminuição das disparidades no estado da saúde entre grupos; ao reconhecimento do ambiente como determinador de saúde, e á cooperação dos diversos sectores. Sendo, o fenómeno dos incêndios, uma situação concreta a necessitar de respostas concretas, iremos, apenas, considerados os princípios de direito, em sentido restrito, consagrados no artigo 3º da LBPA, e tendo presentes as causas e as consequências supra referenciadas, julgo poderem-se aplicar à problemática dos incêndios florestais, tais como: 1 em www.icnf.pt 2 em www.prociv.pt Cecilia do Céu Leal da Rocha_1202746_T01_UC41104 | Universidade Aberta 4 O Princípio da prevenção, previsto na CRP nos seus artigos 66º e 52º (nº 3, alínea a)), é o princípio do ambiente mais importante. Como refere Canotilho (1998) “(…) é uma regra de mero bom senso (…) em vez de se contabilizar os danos e tentar repará-los, se tente sobretudo evitar (…) antes de eles terem acontecido”. Nesse sentido, é imperativo sensibilizar e informar as populações das consequências desastrosas dos incêndios florestais no ambiente e os reflexos destas na saúde das pessoas e dos outros seres vivos (no presente e no futuro), na economia, nas alterações climáticas, entre outros, por forma a desincentivar os comportamentos inadequados e negligentes, promovendo também o envolvimento dos cidadãos em campanhas de prevenção, vigilância e limpeza de matas e florestas, já que “(…) o direito de ação popular é conferido aos cidadãos com o objetivo de «promover a prevenção...[da] preservação do ambiente»(artigo 52.º, n.º 3, al. a)).” (Costa, 2016c). Outras medidas poderão incluir uma maior especialização dosprofissionais que monitorizam, vigiam e zelam pelas áreas florestais (técnicos, guardas, bombeiros, proteção civil), o que permitiria a deteção e intervenção em qualquer foco de incêndio de uma forma precoce, “mais cirúrgica” e eficaz, bem como garantir boas vias de acesso para essas equipas (mais e melhores corta-fogos, por ex.). Também com a aplicação do princípio da precaução se pretende evitar a ocorrência dos incêndios florestais, mas com uma diferença essencial: enquanto na prevenção se pretende evitar comportamentos/atividades cuja realização se tem a certeza que representam um risco efetivo quando efetivados, o princípio da precaução apenas deverá ser aplicado na presença de uma atividade cuja realização não se saiba, com certeza científica, poder resultar num incêndio ou explosão. Segundo este princípio, consagrado na LBPA no seu artigo 3º, al. c), em caso de dúvida, deve-se decidir sempre a favor do ambiente (Costa, 2016c), pelo menos até que haja, por parte do agente interessado, demonstração científica da inexistência de perigosidade no decurso da sua atividade. Um exemplo seria proibir a instalação de uma indústria que utilize matérias potencialmente inflamáveis e ainda pouco conhecidas, até que o interessado apresente provas/evidências cientificas de que dessa atividade não resultaria a emissão para o ar de faúlhas ou similares, ou perigo de explosão das suas instalações. Relativamente ao princípio da responsabilidade, previsto na LBPA, artigo 3º, al. f), dispõe “que todos aqueles que «com dolo ou negligência, provoquem ameaças ou danos ao ambiente» devem ser responsabilizados” (Costa, 2016c). Aplica-se a situações em que o dano já ocorreu, por desrespeito das normas jurídicas de proteção do ambiente e dos valores da sociedade (idem). A responsabilidade do dano causado recai no(s) sujeito(s) prevaricador(es), podendo ser traduzida na “obrigação de reparação pecuniária dos direitos de terceiros (responsabilidade civil), da sujeição ao pagamento de coimas (responsabilidade contra-ordenacional) ou da aplicação de sanções penais, como a multa ou a pena de prisão (responsabilidade penal)” (Costa, 2016c). É importante, no entanto, identificar corretamente o culpado, pois podemos estar perante situações complexas em que se encontram envolvidos vários sujeitos, todos com diferentes graus de responsabilidade: por exemplo, os incêndios literalmente encomendados por terceiros com interesses Cecilia do Céu Leal da Rocha_1202746_T01_UC41104 | Universidade Aberta 5 de índole económica (compra da madeira queimada a baixo custo, substituição de espécies autóctones por outras mais rentáveis, destruição de áreas protegidas para a prossecução de interesses imobiliários, entre outros), e neste caso, todos deverão ser sancionados. Finalmente, aplicar-se-ia o princípio do desenvolvimento sustentável, consagrado nos artigos 2º, 3º e 4º da LBPA, porquanto defende que as ações da presente geração não deverão limitar as condições de vida das gerações futuras e pugna por uma justiça inter e intra-geracional a favor dos mais fracos e dos mais pobres, havendo necessariamente uma relação multivariada e não contraditória entre a salvaguarda ambiental, o crescimento económico e a solidariedade social (conferir Avilés, 2012, pp. 29-30). Embora não pretenda ser um entrave ao desenvolvimento económico, é necessário ponderar as consequências a médio e longo prazo de algumas práticas, como as queimadas, que destroem as florestas para criação de pastagens, fertilização do solo, substituição de espécies autóctones por outras mais lucrativas, mas mais danosas para o ambiente, e outras acima referidas. À luz do relatório do ICNF referente a 2016, o futuro das gerações vindouras está já comprometido, pois não obstante todos termos consciência dos danos ambientais provocados pelos incêndios florestais e o seu impacto na nossa qualidade de vida, “valores mais altos se levantam”. ----- Tendo em conta que se trata, claramente, de um crime que põe em risco a saúde pública e a biodiversidade deverão denunciar esta situação às entidades competentes, (GNR, Agência Portuguesa do Ambiente, entre outros). De referir que existem legislações que punem os infratores, nomeadamente as entidades coletivas, pois são as empresas as principais causadoras dos danos ambientais, quer através do estabelecido no Decreto Lei n.º 147/2008, de 29 de Julho (Regime Jurídico da Responsabilidade por Danos Ambientais), ou das sanções previstas na Lei n.º 50/2006 de 29 de Agosto (Lei Quadro das Contraordenações Ambientais), bem como criminalmente, através do estabelecido no nosso Código Penal, o qual prevê no seu artigo 11.º, n.º 2. Importa referir que apesar as pessoas coletivas não poderem ser responsabilizadas criminalmente os seus dirigentes podem. __________________________________ • Face á situação especifica dos incêndios florestais, achamos pertinente implementar a seguinte estratégia: Enquadramento: O crescente abandono das atividades agrícolas e florestais gera uma crescente reprodução de matos e deposito de lixos que dão origem ao deflagrar de vários incêndios. Neste sentido importa estimular a concretização de investimentos tendo em vista não só a reflorestação, mas também a recuperação dos ecossistemas degradados e por conseguinte o melhoramento do bem-estar e saúde das populações. Objetivo: Promover o reordenamento florestal, nomeadamente com povoamentos mistos de diversas espécies de arvores, que sejam resistentes aos fogos; Cecilia do Céu Leal da Rocha_1202746_T01_UC41104 | Universidade Aberta 6 Diligenciar no sentido de substituir manchas continuas de pinhal e eucaliptal com reintrodução das diversas espécies de carvalho, e também castanheiros; Apostar na expropriação de terras declaradas abandonadas ou sem dono que seriam geridas de forma global pelos municípios, freguesias ou associações de moradores/vizinhos; Meta atingir: A fase de recuperação depois de uma situação de fogo deve ser vista como uma oportunidade para que se efectuem rearborizações de qualidade, esta fase deve ser da responsabilidade dos municípios, freguesias ou associações de moradores/vizinhos ou de entidades gestoras criadas especificamente para o efeito. Só agindo de forma organizada é que se conseguiria alcançar bons resultados a médio/longo prazo. __________________________________________ Bibliografia: ✓ Agência Portuguesa do Ambiente: http://www.apambiente.pt ✓ Avilés, Luis A. (2012), “Sustainable Development and the Legal Protection of the Environment in Europe”, Sustainable Development Law & Policy 12, no. 3, pp. 29-34, 56-57, digitalcommons.wcl.american.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1536&context=sdlp, acedido a 8 de maio de 2017. ✓ Costa, P.M., (2016c). Os princípios do Direito do Ambiente, Lisboa: Universidade Aberta ✓ Marques, Viriato Soromenho. (1998). “A Política de Ambiente em Portugal: Balanço e Perspetivas”. O Futuro Frágil. Os Desafios da Crise Global do Ambiente, Mem Martins. Publicações Europa-América. pp: 71-106, disponível em sala aula virtual ✓ Pazzini, Bianca & Sparemberger, Raquel Fabiana Lopes. (2015). MEIO AMBIENTE, SOCIEDADE DO RISCO E O NECESSÁRIO SURGIMENTO DE UMA NOVA CULTURA ECOLÓGICA, nº 2, 213- 237. Disponível em http://www.cidp.pt/publicacoes/revistas/rjlb/2015/2/2015_02_0213_0237.pdf acedido a 11 de maio de 2017 ✓ Rego, Inês. (2011). Politicas Publicas Saudáveis. Alto Comissariado da Saúde. Disponível em http://1nj5ms2lli5hdggbe3mm7ms5.wpengine.netdna-cdn.com/files/2010/09/PPS1.pdf acedido a 11 de maio de 2017 ✓ Ribeiro, Helena, & Assunção, João Vicente de. (2002). Efeitos das queimadas na saúde humana. Estudos Avançados, 16(44), 125-148. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142002000100008&lng=pt&tlng=pt acedido a 08 de maio de 2017 ✓ Rocha, Cecilia. (2017). Trabalho realizado no âmbito do efolio A da UC: Ambiente Saúde e Bem-estar. Licenciatura em Ciências Sociais, disponível em https://drive.google.com/open?id=0B0wdO7r9hyy8Y1pCeGhqaHpWTm8