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Preparação Física Geral

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ções anteriores em qualquer esquema de treinamento em anda-
mento" (TuBINO, 2003, p. 107). 
Assim, podemos pautar o princípio da continuidade nestas 
duas diretrizes:
1) Unicamente pode se conseguir bons resultados com 
em uma preparação, ou uma boa condição atlética 
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com o treinamento contínuo, interrupto e progressivo 
e somente após alguns anos de prática.
2) As preparações anteriores, ou seja, os treinamentos 
realizados precedentemente terão grande influência 
no treinamento atual, assim podemos dizer que mes-
mo que ocorram algumas perdas um treinamento ja-
mais é totalmente perdido. Dantas (2003) ressalta dois 
aspectos do princípio da continuidade: a interrupção 
do treinamento e o período de treinamento, onde des-
taca que a interrupção consciente dos programas de 
treinamento para que se reestabeleça a recuperação é 
benéfica e imprescindível para que se obtenha sucesso 
nos resultados, sendo que esta recuperação pode osci-
lar de poucos minutos até 48 (quarenta e oito) horas, 
pois também após este período já inicia-se um proces-
so de diminuição do estado físico caso não ocorra a 
aplicação de novos estímulos, o que no alto nível pode 
trazer comprometimentos sérios na preparação e ob-
tenção dos resultados esperados. Dantas (2003, p. 56) 
explica ainda o porquê das 48 (quarenta e oito) horas 
serem consideradas o limite máximo de recuperação 
ou repouso:
Matveev (1981) ensina que "a progressão pedagógica do treina-
mento tem como regra geral começar o treino seguinte durante 
um estado de recuperação da sessão anterior". Buscando qual 
é este tempo médio de recuperação, verifica-se que o repouso, 
o sono e o metabolismo da nutrição fazem a restauração das re-
servas energéticas do organismo, em sua quase totalidade em 
48 horas, embora haja um fator exponencial da recuperação 
que irá se prolongar por até 12 dias.
O grande segredo do princípio da continuidade é a aplicação 
de nova carga de trabalho durante o período de recuperação 
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ampliada, ou seja, antes que o organismo, ao se recuperar to-
talmente, retorne ao nível de homeostase inicial. Além disso, 
deve-se fazer uma correta distribuição temporal da aplicação 
da carga, pois num treinamento de alto nível procura-se dar 
dois ou três dias de estímulos crescentes antes de propiciar um 
dia de recuperação. Desta forma, consegue-se um efeito multi-
plicador do stress aplicado. O fenômeno da supercompensação 
num contexto de treinamento total de alto nível não ocorrerá, 
forçosamente, após cada treino, mas sim após uma série de 
treinos sucessivos (DANTAS, 2003, p. 56).
Após estas elucidações Dantas (2003) explica ainda que um 
atleta de alto nível com necessidade de treinar durante dois pe-
ríodos diários por seis dias semanais estaria submetido a uma 
carga de trabalho que só seria assimilável graças a supercom-
pensação ocorrida após uma sequência de treinos conforme de-
monstra a figura a seguir:
Fonte: Dantas (2003, p. 56).
Figura 17 A supercompensação atuando de forma expandida após dois ou três dias de 
estímulos sucessivos.
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Tubino (2003) diz que o princípio da continuidade compre-
enderá sempre durante o treinamento, uma sistematização de 
trabalho que não permita uma quebra da continuidade sendo 
complementado por Dantas (2003) que afirma que treinamen-
tos semanais inferiores a três dias alternados de trabalho por se-
mana tornam se inúteis (inócuo, nas palavras do autor) afirman-
do ainda que qualquer treinamento de alto nível, que apresente 
frequência maior a doze sessões semanais (duas por dia durante 
seis dias da semana) conduzirão de maneira inevitável ao strain 
e por fim completa seu pensamento dizendo que pausas supe-
riores a 48 horas sós só serão recomendadas face ao surgimento 
de um quadro de sobretreinamento.
Devemos lembrar que os autores supracitados estão fa-
zendo suas afirmações respaldadas em um treinamento de alto 
nível, mas, Dantas (2003) faz uma ressalva ao que ele chama de 
"atletas de níveis inferiores", ou seja, aqueles que não treinam 
para competições, para estes o autor afirma que algumas vezes 
as pausas no treinamento ultrapassam 48 horas e nestes casos, 
o treinador (educador físico) não utiliza a última carga, mas a 
carga correspondente ao período de interrupção. Por exemplo, o 
aluno/atleta que interrompe seu treinamento por uma semana, 
quando retornar não deverá utilizar a última carga que parou, 
mas a correspondente a de duas semanas anteriores, ou seja, 
uma semana antes da interrupção.
Tubino (2003, p. 107) coloca que "a continuidade de trei-
namento evita que os treinadores subtraiam etapas importantes 
na formação atlética de um desportista", Dantas (2003) diz que, 
quando esta continuidade é interrompida por um período igual 
ou superior a quatro semanas o treinamento deverá partir da 
"estaca zero", embora, conforme já elucidado anteriormente 
sobre as preparações anteriores têm influência no treinamento 
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atual, a progressão ao retornar ao treimanento será mais rápida 
do que a realizada anteriormente.
quanto à duração mínima do treinamento evidenciada no 
Princípio da Continuidade Dantas (2003, p. 57) diz:
Para se obter os primeiros resultados no desenvolvimento das 
qual idades físicas visadas, é necessário um mínimo de persis-
tência no treinamento, com o intuito de propiciar uma duração 
que permita ocorrerem as alterações bioquímicas e morfológi-
cas necessárias.
Passado este estágio inicial, a constatação da melhora irá forne-
cer um feed-back que incentivará a persistência do atleta. Este 
período crítico inicial pode ser bem observado em sedentários 
que iniciam o trabalho físico. Normalmente, aqueles que con-
seguem vencer a barreira do terceiro mês incorporam o exercí-
cio como um hábito de vida. Os professores que trabalham em 
academias de ginástica já tratam com jocosidade esta faixa e 
tempo, que vai dos dois meses e meio aos três meses e meio, 
e na qual o indivíduo sem muita persistência abandona o exer-
cício físico, muitas vezes retomando no ano seguinte para uma 
nova tentativa.
Quando se trata de qualidades físicas específicas necessi-
ta-se de uma duração mínima para que os primeiros efeitos se 
estabeleçam, devido a diversidade de informações bibliográfi-
cas. Dantas (2003) fez observações empíricas em jovens atletas 
brasileiros sobre o período mínimo de treinamento em algumas 
qualidades físicas:
• Força máxima: obtida após 12 a 18 meses de treina-
mento (48 a 72 semanas).
• Força explosiva e força estática: obtenção de resulta-
dos após 5 a 6 meses de treinamento (20 a 24 semanas).
• Força dinâmica e hipertrófica: resultados após 10 a 12 
semanas (aproximadamente 3 meses de treinamento).
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• Resistência anaeróbica: primeiros resultados após 7 se-
manas de treinamento.
• Resistência aeróbica: primeiros resultados após 10 a 12 
semanas (aproximadamente 3 meses de treinamento).
• Resistência muscular localizada: resultados obtidos 
aproximadamente em 8 semanas de treinamento (2 
meses).
Princípio da Especificidade
O Princípio Científico da Especificidade se relaciona dire-
tamente com o Princípio da Individualidade Biológica, estabele-
cendo limites individuais a esta capacidade de transferência. 
Mesmo sabendo que o organismo tem a capacidade de 
suportar sobrecargas especificamente impostas durante o trei-
namento para competições, não se supunha que a margem de 
transferência adaptativa fosse tão restrita como ela se apresenta

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