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Preparação Física Geral

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intelectuais (potencialidades) como 
maior VO
2 
(possível percentual de fibras musculares dos 
diferentes tipos, etc.).
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Já o fenótipo segundo Dantas (2003, p. 47) pode ser enten-
dido como tudo aquilo que o indivíduo pode adquirir após seu 
nascimento, sendo responsável por outras características como:
• Habilidades desportivas.
• Consumo máximo de oxigênio que um indivíduo apre-
senta (VO
2 máx.
).
• Percentual observável real dos tipos de fibras 
musculares.
• Potencialidades expressas (altura do Indivíduo, sua for-
ça máxima etc.).
Além destas características que são individuais, outras que 
são mais coletivas como, o sexo, a idade, a etnia (raça) influen-
ciam na formação da individualidade, pois estas são característi-
cas em comum que determinam grupos de pessoas.
Como vimos anteriormente, quanto mais individualizado 
for o treinamento, maiores serão seus sucessos e resultados, as-
sim, em grupos de atletas/alunos numerosos é muito importante 
que a individualização seja preconizada evidenciando o princípio 
de Individualidade Biológica, sendo que a busca pelo maior ní-
vel de performance estará diretamente relacionada a persona-
lização do treinamento para cada um do grupo, todavia quando 
não existe a possibilidade de individualização, havendo grande 
número de atletas/alunos haverá a indiscutível necessidade de 
subdividi-los em grupos com a maior homogeneidade possível 
(DANTAS, 2003).
Portanto, mesmo com toda eficiência demonstrada pela 
individualização e homogeneidade entre os grupos, a busca pelo 
melhor dentro de cada modalidade, o surgimento do "campeão" 
está respaldada exclusivamente nos resultados obtidos com um 
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treinamento personalizado e contínuo a esta individualização 
somada ao "dom da natureza", termo descrito por Dantas, que 
o atleta já nasce, o aproveitamento da totalidade deste "dom" 
só pode ser conseguida com o desenvolvimento de um perfeito 
treinamento que envolverá diversos fatores de forma síncrona e 
interdependentes.
Dantas (2003) explica que os resultados só serão conse-
guidos se houver uma consiliação dos fatores genéticos ao trei-
namento, ou seja, aquele indivíduo que já possua uma predis-
posição genética, motivação, habilidade e personalidade que 
correspondam a modalidade esportiva sejam associados a um 
treinamento perfeito, ou muito próximo da perfeição.
Estes fatores serão diversos que convergirão para a compo-
sição "do melhor", do "campeão" do "primeiro lugar no pódio", 
podemos esquematizadamente verificar isto pela figura a seguir: 
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Fonte: Dantas (2003, p. 48).
Figura 3 Fatores condicionantes da performance de alto nível.
Podemos, então, afirmar que o princípio da Individualida-
de Biológica segmenta cada pessoa e unifica os indivíduos com 
características comuns à cada modalidade esportiva, assim, 
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cada um de nós somos diferentes, únicos e irrepetíveis, portanto 
dentro de cada modalidade esportiva as semelhanças individuais 
biológicas determinarão as características comuns àqueles que 
obterão sucesso em determinado esporte ou modalidade pelas 
similaridades que apresentam individual e biologicamente.
Ao treinador a formação de um campeão, ou do mais apto 
ao sucesso da modalidade está pautada em uma boa seleção ini-
cial, que dependerá existência de um grande número de prati-
cantes da modalidade desenvolvida, assim também conhecer a 
individualidade biológica (as características do genótipo e fenó-
tipo) de seu concorrente (adversário) propiciará a exploração dos 
pontos fracos de seu oponente, como estratégias que contensão 
dos seus pontos fortes, podendo assim culminar no sucesso de 
seu atleta/aluno.
Princípio da Adaptação 
Segundo Tubino (2003, p. 94), "este princípio do Treina-
mento Esportivo está intimamente ligado ao fenômeno do es-
tresse", ou seja, a quebra da homeostase, estudos que inves-
tigam estes eventos, estresse ou rompimentos da homeostase 
datam seu início 1920 com os apontamentos de Cânon e Hus-
say, sendo altamente enfatizados no período entre 1950 e 1970, 
onde praticamente surgiu uma literatura científica básica sobre 
este fenômeno.
O quadro exposto por TuBINO (2003, p. 94) nos dimensio-
na para a quantidade de estudos que surgiram na investigação 
do estresse neste período:
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Quadro 1 Cronologia dos principais fenômenos do estresse no 
período entre 1950 e 1970.
Selye (1950) Selye e Heujer (1956)
Ecler e Luft (1952) Goodall, Stone e Haynes (1957)
Ecler e Hellner (1952) Birke et al (1957)
Selye e Horava (1952) Hsieh e Carlson (1957)
Selye (1952) Sundin (1958)
Dunner (1953) Sutherland e Rall (1960)
Selye (1953) Pekkarinen (1961)
Setaxe (1954) Leduc (1961)
Franksson, Gemzell e Euler (1954) Frankenhaeuser, Sterky e Jaerpe (1962)
Euler e Lundberg (1954) Bloom, Frankenhaeuser e Euler (1963)
Selye e Heujer (1954) Moore e underwood (1963)
Euler, Heliner-Bjorkmann e Orwen 
(1955)
Carlyle (1963)
Wada, Seo e Abe (1955) Johnson (1966)
Selye e Heujer (1955) Levi (1967)
Karki (1956) Tubino (1969)
Dole (1956) Euler (1969)
Fonte: adaptado de Tubino (2003, p. 94).
Observando esta cronologia fica evidente a importância 
dos autores como o médico austríaco Hans Selye descrevendo 
a Sindrome de Adaptação Geral (SAG) e o sueco Von Eulera clas-
sificando o estresse físico, bioquímico e mental, sendo estes as 
maiores referências nos estudos sobre estresse, no entanto ou-
tros autores trouxeram contribuições importantes como o fran-
cês Claude Bernard, que foi o primeiro cientista a evidenciar a 
capacidade do organismo humano em enfrentar alterações am-
bientais externas pela manutenção de um meio interno em cons-
tante equilíbrio (Tubino, 2003).
Dando continuidade aos estudos de Bernard, o fisiologis-
ta Cannon em 1929 demonstrou por seus experimentos que as 
células respondiam aos estímulos estressores por meio de va-
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riações compatíveis com a atividade vital em um processo de 
equilíbrio dinâmico onde o organismo mantinha seu equilíbrio 
interno, surgindo a partir daí o termo homeostase.
Para Dantas (2003, p. 48), o princípio da Adaptação somen-
te pode ser entendido se for compreendido o conceito de home-
ostase: "Homeostase é o estado de equilíbrio instável mantido 
entre os sistemas constitutivos do organismo vivo, e o existente 
entre este e o meio ambiente".
Assim, o autor ainda relata que a homeostase pode ser 
rompida por fatores internos que geralmente são procedentes 
do córtex cerebral ou por fatores externos como calor frio, emo-
ções oscilações na pressão, esforço físico, entre outros. Desta 
forma, sempre que o estado de balanceamento é rompido, a ho-
meostase perturbada, o organismo recorrerá a procedimentos 
compensatórios para reestabelecer o estado de equilíbrio, assim 
cada estímulo o qual o organismo está sujeito desencadeará uma 
resposta adequada conforme notamos na figura a seguir:
Fonte: adaptado de Dantas (2003, p. 49).
Figura 4 A todo estímulo do meio ambiente corresponderá a uma reação do organismo.
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Assim sabendo- se que o equilíbrio homeostático modifica-se 
por qualquer alteração ambiental, isto significa que para cada 
estímulo haverá uma resposta. E entendendo-se por estímulos 
o calor, os exercícios físicos, as emoções, as infecções, e outros

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