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CONTRATOS INTERNACIONAIS 1 Para se qualificar um contrato internacional é necessário examinar Partes envolvidas Local em que foi formada a relação jurídica Local de cumprimento ou execução Objeto Situados em um único Estado, contrato é nacional. Elemento estrangeiro: localização do domicílio ou sede das partes em países diversos; trânsito de objeto para outro país; pagamento remetido ao exterior Estrangeiro, com domicílio em determinado país, vende a um nacional desse mesmo país, mercadoria de origem externa, não realiza um ato internacional e sim uma compra e venda local. Duas pessoas domiciliadas no mesmo Estado ajustam uma compra e venda de produto que se situa no exterior, são partes de um negócio internacional, sujeito à outra ordem jurídica. Critérios: o que tem por base a pessoa dos contratantes. o que põe relevo no objeto do contrato o que reúne os dois anteriores FORMAÇÃO DO CONTRATO INTERNACIONAL Conversações, negociações, propostas e contra-propostas Evolução das vontades dos contratantes Cartas, trocas de notas, mensagens, protocolos de intenções Intervenção do Estados (aprovação do contrato) Teoria da informação: contrato reputa-se concluído com o conhecimento, pelo autor da proposta, da aceitação pela outra parte. Teoria da recepção: contrato aperfeiçoa-se quando a aceitação chega às mãos do proponente PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS INTERNACIONAIS 1 Anotações que serviram de referências na aula expositiva. Este material não é apostila, tampouco texto acadêmico. Enviadas aos alunos em razão da solicitação dos mesmos. Não substitui consulta à doutrina e jurisprudência. CONTRATO DE COMPRA E VENDA: base do comércio internacional. Troca de prestação in natura, contra uma soma de dinheiro. Execução instantânea ou em curto período de tempo (ver art. 481 CC) Transmissão de propriedade: se esgota o contrato. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: numerosa variedade de possibilidade de objetos. Remuneração pactuada em pagamento de serviço prestado. Assistência técnica Transferência de tecnologia Consultoria Uso de patentes (royalties) Uso do termo de remuneração ou retribuição CONTRATOS DE PRODUÇÃO: prestações in natura de equipamentos ou instalações fabris. Investimentos diretos. Financiamentos. Acordos industriais complexos (compra e venda / prestação de serviços / concessão de financiamento). Finalidade específica: criação de uma unidade produtora ou participação em iniciativa local destinada a produzir bens Longo período. Variedade de prestações intermediadoras. Chave na mão: entrega de uma unidade fabril pronta Produto na mão: produto fabricado na unidade construída CONTRATO DE FORNECIMENTO: Longa duração. Prestação periódica. Fluxo contínuo de bens, objeto do contrato. Continuidade de suprimentos. Determinado período. LEI APLICÁVEL AOS CONTRATOS: Partes, no uso da autonomia da vontade, pactuado uma determinada lei para dirimir questões do contrato. Quando silenciam? Teorias: Lex loci contractus: em que se presume que as partes tinham no espírito a lei do local onde celebraram o contrato. Lex loci solutionis: que tem pressuposto a aplicação da lei do lugar da execução do contrato Nos casos de mútuo, a lei pessoa do devedor tem sido acolhida por numerosos tribunais Na venda de bens imóveis, a lei do local onde o vendedor possui sua sede social ou a sede de suas principais atividades regula as obrigações por ele contraídas Os contratos de agência ou representação são regidos pela lei do local onde o agente ou o representante exerce suas atividades Contrato de trabalho, a lei do local da prestação laboral é a competente. No Brasil: Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro. DECRETO-LEI Nº 4.657, DE 4 DE SETEMBRO DE 1942. (Redação dada pela Lei nº 12.376, de 2010) Art. 9 o Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem. § 1 o Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será esta observada, admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato. § 2 o A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente. Lei do local onde o contrato foi constituído Art. 421 CC autonomia da vontade, limitado ao princípio da ordem pública Lei 9.307/96 Lei de arbitragem: parágrafo 1º faculta às partes escolher livremente as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Prevalece a lei de onde o contrato será executado, onde a obrigação sofrerá maior impacto CLÁUSULAS COMUNS AOS CONTRATOS INTERNACIONAIS Cláusula de força maior: hipótese de exoneração de responsabilidade com a suspensão temporária do contrato, sua resolução, ou ainda, a revisão de prestações pactuadas. Consequência de acontecimentos naturais, sociais ou políticos imprevistos, imprevisíveis e fora de controle das partes. Podem renegociais ajustes do contrato. Cláusula de salvaguarda ou hardship: modalidade recente e em desenvolvimento, apoiada em alterações econômicas e não em acontecimentos naturais, políticos ou sociais. Deve ocorrer uma modificação de fato, fora de qualquer controle da parte que a invoca. Encargos não razoáveis e excessivos. Permiti adaptação do contrato a circunstâncias novas. Art, 478, 479 e 480 CC Cláusula de direito aplicável: autonomia de vontade, LINDB deve ser interpretada como supletivas, aplicada somente no silencia das partes, limitada à ordem pública, fraude à lei. Cláusula de eleição de foro: competência judiciária dos Estados. Deve verificar se o juízo escolhido é competente para dirimir questões do contrato celebrado. Tem repercussão pública. Verificado as questões de ordem pública e fraude à lei. Cláusula arbitral ou compromissória: opção das partes pela solução de eventuais controvérsias por meio da arbitragem, afastando o judiciário. Brasil: Lei 9.307/96. Protocolo de Genebra de 1923, Nova Iorque de 1958, Genebra 1961, Convenção do Panamá. Constitui prática frequente. Efeitos imediatos: afasta a intervenção do judiciário dos Estados das partes, e cria uma jurisdição privada internacional. Elimina receios por desconhecer legislação de outro Estado. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DO DIREITO ESTRANGEIRO Elementos de conexão ligam as normas de um país com as de outro, há fatos que interrompem essa ligação, desautorizando a aplicação do direito estrangeiro no foro doméstico. • Direitos Fundamentais • Ordem pública • Fraude à lei DIREITOS FUNDAMENTAIS Internos e direitos humanos (internacionais) são os limites mais importantes à aplicação do direito estrangeiro pelo juiz nacional Direitos consagrados na Constituição, e direitos previstos em tratados internacionais de que o Estado é parte. Primazia hierárquica na ordem jurídica, impedindo a validade de normas nacionais e estrangeiras. Prevalência dos direitos humanos art. 4º II CF Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; Direitos Humanos possuem certa superioridade Cláusulas pétreas Art. 60, parágrafo 4ºda CF – impossibilidade de deliberação uma emenda constitucional que tenda a abolir: forma federativa, voto, separação dos poderes, os direitos e garantias individuais Emenda Constitucional 45/2004 Hierarquia constitucional dos tratados de direitos humanos Tratados de direitos humanos são diferenciados dos demais tratados art. 5, parágrafo § 1º: As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. art. 5, parágrafo § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. art. 5, § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais ORDEM PÚBLICA Exceção de ordem pública se baseia nas razões de Estado, visando proteger os interesses soberanos do Estado do foro, seus direitos e garantias fundamentais, sua ordem pública, social, moral ou econômica. Discrimina-se a aplicação da norma estrangeira em descompasso com a ordem pública local e não a norma estranha ou do Estado que a editou. Respeita-se o direito estrangeiro. Não há sansão à lei estrangeira violadora da nossa ordem pública, não pode o Estado da Lex fori declarar nula ou inválida uma norma estranha, cabendo apenas não aplicá-la. Rechaçam a aplicação de leis, costumes ou instituições estrangeiras que violem os direitos fundamentais, a soberania, a moral, a justiça ou as instituições democráticas do foro. Norma ou sentença que reconheça a escravidão, a poligamia, a morte civil. Duas etapas de análise feitas pela juiz: • Aprecia o fato, aplicando a norma do DIPr da lexi fori para encontrar o direito aplicável. • Qualifica o direito indicado e verifica se a sua aplicação ofende a soberania, os direitos e garantias fundamentais, a ordem pública, social, ou econômica, a moral, a justiça, as instituições democráticas do Estado do foro. Ordem pública é gênero do qual soberania nacional e bons costumes são espécies. LINDB art. 17 Ainda, o artigo 5º da Convenção Internacional dobre Normas Gerais de Direito Internacional Privado prevê: A lei declarada aplicável por uma convenção de Direito Internacional Privado poderá não ser aplicada no território do Estado Parte que a considerar manifestamente contraria aos princípios da sua ordem pública. Convenção de Haia de 1955 sobre Conflitos entre Lei Nacional e Lei do Domicílio – ordem pública. Ordem pública é um limite expresso à aplicação das leis reconhecido tanto por leis internas quanto por tratados internacionais. Exemplo: não homologação de sentença estrangeira exaradas em países muçulmanos que admitiam o repúdio (talak) quando marido encontra na esposa “algo torpe” em ações de divórcio. Parcimônia à aplicação da exceção de ordem pública. Sopesar coerentemente os valores envolvidos. Pode ser de efeito negativo ou positivo: Negativo: quando a lei local proibir o que a lei estrangeira permite (poligamia, escravidão) Positivo: quando a lei local permitir o que a lei estrangeira proíbe (divórcio, alimentos entre certas relações de parentescos) O conceito de ordem pública pode ser modificado com o passar do tempo. (casamento de pessoas do mesmo sexo) deve ser aplicar a ordem pública do tempo do fato ou do tempo atual? Deve-se adotar o tempo do processo e não do fato. FRAUDE À LEI Quando a pessoa pratica atos tendentes a escapar, dolosamente, da aplicação de uma norma imperativa ou proibitiva que lhe prejudica. Pessoa alterar dolosamente o elemento de conexão, vinculando direito mais benéfico que não seria competente para reger sua situação. Alteração de nacionalidade, de domicílio. Elemento de conexão arranjado Art. 6º da Convenção Internacional dobre Normas de Direito Internacional Privado de 1979. Não tolera atos ilícitos ou imorais, intenção de fraudar uma norma jurídica. Modo indireto de violação de lei, especialmente de direito público, fiscal, eleitoral , civil, trabalhista. Conjunção de dois elementos: Uso de um direito primário que não seria o aplicável. Lesão intencional a um interesse particular ou interesse social relevante. Necessário para caracterização de fraude à lei é necessário a prática de um ato concreto capaz de fraudar a lei competente; vontade de lesionar interesse alheio. Não se provando a fraude, a aplicação do direito mais benéfico torna-se juridicamente eficaz e aplicável.