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Curso superior de Tecnologia em Estética e Cosmética
Disciplina: Bioética e Legislação Profissional
Prof.ª ESP. Thaís Dos Santos Almeida
 Ética x Moral: 
 Caráter social da Moral
Caráter social da moral
A moral possui, em sua essência, uma qualidade social. Isso significa que se manifesta somente na sociedade, respondendo às suas necessidades e cumprindo uma função determinada. Quando falamos em sociedade, devemos ter muito cuidado para não considerá-la como algo que existe em si e por si, como uma realidade substancial que se sustenta independentemente dos homens concretos que a compõem; a sociedade se compõe deles e não existe independentemente dos indivíduos reais. Mas estes também não existem fora da sociedade, quer dizer, fora do conjunto de relações sociais nas quais se inserem. 
 Em cada indivíduo, entrelaçam-se de modo particular uma série de relações sociais, e a própria maneira de afirmar, em cada época e em cada sociedade, a sua individualidade tem caráter social. Há uma série de padrões que, em cada sociedade, modelam o comportamento individual: seu modo de trabalhar, de sentir, de amar, etc. Variam de uma sociedade para outra e, por isso, não tem sentido falar de uma individualidade radical fora das relações que os indivíduos contraem na sociedade. Assim, não tem cabimento substantivar a sociedade, ignorando que esta não existe sem os indivíduos concretos; e também não se pode fazer do indivíduo um absoluto, ignorando que por essência é um ser social. A moral, como forma de comportamento humano, possui também um caráter social, pois é característica de um ser que, inclusive no comportamento individual, comporta-se como um ser social. 
Aspectos fundamentais da qualidade social da moral:
1- Cada indivíduo, comportando-se moralmente, se sujeita a determinados princípios, valores ou normas morais. Mas os indivíduos pertencem a uma época determinada e a uma determinada comunidade humana. Nesta comunidade vigoram certos princípios, normas ou valores, e, ainda que se apresentem sob uma formulação geral ou abstrata, trata-se de princípios e normas que valem segundo o tipo de relação social dominante. Ao indivíduo como tal não é correto inverter os princípios ou normas, nem modificá-las de acordo com uma exigência pessoal. Depara com o normativo como algo já estabelecido e aceito por determinado meio social, sem que tenha a possibilidade de criar novas normas segundo as quais poderia pautar a sua conduta prescindindo das estabelecidas, nem pode tampouco modificar as existentes.
Nesta sujeição do indivíduo a normas estabelecidas pela comunidade se manifesta claramente o caráter social da moral.
2- O comportamento moral é tanto comportamento de indivíduos quanto de grupos sociais humanos, cujas ações têm um caráter coletivo, mas deliberado, livre e consciente. Contudo, mesmo quando se trata da conduta de um indivíduo, não estamos diante de uma conduta rigorosamente individual que afete somente o interesse exclusivamente a ele. Trata-se de uma conduta que tem consequências, de uma ou de outra maneira, para os demais e que, por esta razão, é objeto de sua aprovação ou reprovação. Não é o comportamento de um indivíduo isolado; Os atos individuais que não têm consequência alguma para os demais não podem ser objetos de uma qualificação moral; por exemplo, o permanecer sentado durante algum tempo numa praça pública. Mas, se perto de mim escorrega uma pessoa e cai no chão sem que eu me levante para ajudá-la, o ato de continuar sentado pode ser objeto de qualificação moral (negativa, neste caso), porque afeta a outros ou, mais exatamente, à minha relação com outro indivíduo. A moral possui um caráter social enquanto regula o comportamento individual cujos resultados e consequências afetam a outros. Portanto, os atos que são estritamente pessoais por seus resultados e efeitos não são de sua competência.
3- As ideias, normas e relações sociais nascem e se desenvolvem em correspondência com uma necessidade social. A sua necessidade e a respectiva função social explicam que nenhuma das sociedades humanas conhecidas, até agora, desde as mais primitivas, tenha podido prescindir desta forma de comportamento humano.
A função social da moral consiste na regulamentação das relações entre os homens (entre os indivíduos e entre o indivíduo e a comunidade) para contribuir assim no sentido de manter e garantir uma determinada ordem social. É certo que esta função também se cumpre por outras vias mais diretas e imediatas e até com resultados mais concretos, como, por exemplo, pela via do direito. Mas isto não é considerado suficiente. Procura-se que os indivíduos aceitem também íntima e livremente, por convicção pessoal, os fins, princípios, valores e interesses dominantes numa determinada sociedade. Desta maneira, sem recorrer à força ou à imposição coercitiva mais do que quando é necessário, pretende-se que os indivíduos aceitem livre e conscientemente a ordem social estabelecida. Tal é a função social que a moral deve cumprir.
Ainda que a moral mude historicamente, e uma mesma norma moral possa apresentar um conteúdo diferente em diferentes contextos sociais, a função social da moral em seu conjunto ou de uma forma particular é a mesma: regular as ações dos indivíduos nas suas relações mútuas, ou as do indivíduo com a comunidade, visando a preservar a sociedade no seu conjunto Ou, no seio dela, a integridade de um grupo social.
Assim, a moral cumpre uma função social bem definida: contribuir para que os atos dos indivíduos ou de um grupo social desenvolvam-se de maneira vantajosa para toda a sociedade ou para uma boa parte. A moral tende a fazer com que os indivíduos se harmonizem voluntariamente – isto é, de uma maneira consciente e livre – seus interesses pessoais com os interesses coletivos de determinado grupo social ou da sociedade inteira. Resumindo, a moral possui um caráter social porque: os indivíduos se sujeitam a princípios, normas ou valores socialmente estabelecidos; regula somente atos e relações que acarretam consequências para outros e exigem necessariamente a sanção dos demais; cumpre a função social de induzir os indivíduos a aceitar livre e conscientemente determinados princípios, valores ou interesses.
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