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Apostila Teorias da Comunicacao

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- linguagem ou sistema de signos convencionais e regrados na 
qual a mensagem é transmitida 
INFORMAÇÃO - o conteúdo de uma mensagem 
RETORNO (FEED-BACK) - volta da mensagem à origem (emissor) 
CONTEXTO - situação ou ambiente onde o processo comunicacional se dá 
CANAL - o “suporte” físico ou material da mensagem 
RUÍDO - sinal que atrapalha a transmissão da mensagem 
REPERTÓRIO - vocabulário de um dado código 
REDUNDÂNCIA - repetição de signos para reforçar uma dada mensagem 
PARA LER MAIS: 
COELHO NETTO, J. Teixeira. Semiótica, Informação, Comunicação. 3. 
ed., São Paulo, Perspectiva, 1990. 
PEREIRA, José Haroldo. Curso Básico de Teoria da Comunicação. Rio 
de Janeiro, Quartet : UniverCidade, 2001. 
EPSTEIN, Isaac. Teoria da Informação. São Paulo, Ática, 1986. 
PRINCIPAIS CONCEITOS 
DO CAMPO TEÓRICO DA COMUNICAÇÃO 
 
 NÍVEIS DE COMUNICAÇÃO: 
comunicação intrapessoal - efetuada consigo próprio; emissor e receptor 
coincidem. 
( E = R) 
comunicação interpessoal (ou face-a-face, presencial) - entre diferentes 
pessoas, que são simultaneamente emissor e receptor. 
(E/R <-> E/R) 
comunicação intergrupal - entre diferentes grupos sociais. 
comunicação massiva - apoiada nos tradicionais meios de comunicação de 
massa (MCM), como rádio, televisão e mídia impressa. Emissor e receptor 
são instâncias separadas pelo tempo e/ou espaço. 
R 
MCM (E) R 
R 
comunicação mediada pelo computador - efetuada através de 
computadores interligados em rede, operando em “tempo real” (Internet, 
intranets). Traz aspectos da comunicação interpessoal (onde pessoas são 
simultaneamente emissor e receptor) e da comunicação massiva (há um 
suporte técnico mediando os agentes sociais envolvidos no processo). 
E/R E/R 
E/R E/R 
E/R E/R 
Comunicação ocorre ainda entre: 
- seres brutos (matérias) - transmissão, no sentido físico-químico 
- seres orgânicos (animais) - informação, no sentido biológico 
- seres humanos - interação + interpretação, no sentido cultural-simbólico 
 
 
PRINCIPAIS CONCEITOS 
DO CAMPO TEÓRICO DA COMUNICAÇÃO 
COMUNICAÇÃO = conceito que se confunde com outros conceitos 
paralelos (informação e transmissão) 
Isso ocorre porque, nas sociedades tradicionais (pré-modernas), 
comunicação e informação tendencialmente “caminhavam” juntas. 
Além disso, uma noção de comunicação vai se desenhar na primeira 
metade do século XX (consolidando-se nos anos 40-50), a partir do 
momento em que os meios de comunicação de massa (rádio, cinema, 
televisão) vão se tornando elementos cotidianos na vida das pessoas. 
COMUNICAÇÃO vem do latim COMMUNICATIO, onde: 
CO + MUNIS + TIO 
SIMULTANEIDADE + ESTAR ENCARREGADO DE + AÇÃO-ATIVIDADE 
Ou seja, a idéia de comunicação implica em uma atividade ou ação na 
qual se pressupõe um compartilhar de algo. 
A partir desses radicais, surgem outras palavras afins, como COMUNGAR. 
Dicionários designam geralmente a comunicação como: 
- ato de estabelecer relação (coisas, células, animais, seres humanos); 
- ato de transmitir sinais através de códigos (animais, seres humanos); 
- ato de trocar pensamentos ou sentimentos (seres humanos); 
- usar meios tecnológicos (comunicação telefônica, via Internet); 
- mensagem ou informação; 
- vias que ligam espaços distintos, ou circulação; 
- disciplina, saber, ciência ou grupo de ciências. 
Vamos precisar o conceito de COMUNICAÇÃO e diferenciá-lo de INFORMAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INFORMAÇÃO (Adriano Duarte Rodrigues) = “a esfera da informação é 
uma realidade relativa que compreende o conjunto dos acontecimentos 
que ocorrem no mundo e formam o nosso meio ambiente. Os 
acontecimentos são tanto mais informativos quanto menos previsíveis e 
portanto mais inesperados. 
(...) A informação é, por conseguinte, uma realidade que pode ser 
teoricamente medida pelo cálculo de probabilidades, sendo o valor 
informativo de um acontecimento inversamente proporcional à sua 
probabilidade de ocorrência 
(...) A informação está por isso intimamente associada à natureza 
relativamente inexplicável de fenômenos, ao fato de a razão humana não 
os conseguir dominar e de ocorrerem no mundo à nossa volta sem aviso 
prévio, fora do controle e do domínio da liberdade humana, de intervirem 
de maneira brutal e inesperada” (RODRIGUES, 1994: pp. 20-1). 
COMUNICAÇÃO é um PROCESSO DE TROCA ENTRE DOIS AGENTES 
(ANIMAIS, SERES HUMANOS ETC.), uma vez que há algo a ser 
compartilhado. 
COMUNICAÇÃO (Adriano Duarte Rodrigues) = “processo que ocorre entre 
pessoas dotadas de razão e de liberdade, entre si relacionadas pelo fato de 
fazerm parte, não do mundo natural, com as suas regras brutais e os seus 
mecanismos automáticos, mas pelo fato de pertencerem a um mesmo 
mundo cultural. 
(...) processo dotado de relativa previsibilidade. Da previsibilidade do 
processo comunicacional depende um dos seus princípios fundamentais, o 
da intercompreensão. 
(...) os processos comunicacionais são dotados de valores que põem em 
jogo as preferências, as opções, os desejos, os amores e os ódios, os 
projetos, as estratégias dos intervenientes na intercompreensão e na 
interação. 
(...). A comunicação não é um produto, mas um processo de troca 
simbólica generalizada, processo de que se alimenta a sociabilidade, que 
gera os laços sociais que estabelecemos com os outros, sobrepondo-se às 
relações naturais que mantemos com o meio ambiente” (RODRIGUES, 
1994, pp. 21-2). 
INFORMAÇÃO. Vem do latim informatio (ação de modelar ou de dar 
forma). Ou seja, ela formata um aspecto da realidade, por nós 
desconhecido, de um modo específico. 
COMUNICAÇÃO = INFORMAÇÃO 
 
 ASPECTO CENTRAL DA COMUNICAÇÃO = TROCA 
TROCA => OUTRAS ÁREAS (ECONOMIA E ANTROPOLOGIA) 
ECONOMIA = pensamento fisiocrata - FRANÇA, SÉC. XVIII 
(François Quesnay) 
Premissa = fisiocratas eram anti-mercantilistas (mercantilismo pregava o 
centralismo do estado nas decisões). Fisiocratas adotam o lema do 
laissez-faire, laissez-passer (“deixar fazer, deixar passar”) e a figura da 
“mão invisível do mercado”. 
Progresso político-econômico viria com o desenvolvimento dos meios de 
comunicação (ou melhor, das vias fluviais, marítimas e terrestres de 
comunicação), interligando diferentes pontos, fazendo circular produtos e 
renda. Ou seja: há uma visão de interdependência entre as partes, 
sistêmica, no qual tudo precisa funcionar bem para que todos estejam 
bem. Economia de fluxo, de trocas, era vista como algo “natural”. 
ANTROPOLOGIA = estudo sobre dádiva - FRANÇA, SÉC XIX-XX 
(Marcel Mauss). 
Premissa = troca é um fato social total (conforme definição do tio, Émile 
Durkheim, ou seja, quando a totalidade do social está presente, ou ainda, 
quando o fato é puramente social, não pode se dar apenas na instância do 
estritamente individual). 
Mauss = dádiva é um fato social baseado numa tríade: dar, receber e 
retribuir (objetos materiais ou simbólicos), criando laços sociais. 
DÁDIVA = processo de mão dupla “desigual”, pois: 
QUEM DÁ, PODE RECEBER - QUEM RECEBE, DEVE RETRIBUIR 
Está em vantagem, portanto, quem dá, criando uma obrigação para quem 
deve retribuir. Mesmo que o recebedor não queira “entrar no sistema”, ele 
já está nele ao receber, e mesmo que se recuse a receber ou a retribuir. 
Ou seja: o que está em jogo aqui são a honra e o prestígio (de dar ou de 
retribuir). 
DIFERENÇAS 
ECONOMIA: TROCA = LUCRO (MERCADO + SOLIDÃO) 
ANTROPOLOGIA: TROCA = HONRA