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Apostila Teorias da Comunicacao

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(ALIANÇA + SOCIABILIDADE) 
 
 
ASPECTO CENTRAL DA INFORMAÇÃO = TRANSMISSÃO 
(DA MENSAGEM) 
INFORMAÇÃO = mensagem referente a acontecimento inesperado, 
desconhecido ou novo, do ponto-de-vista de quem NÃO o conhece e que 
depende das probabilidades de acontecer ou não. 
INFORMAÇÃO = matéria-prima da comunicação e da cultura de massas 
(novelas, noticiários, eventos esportivos etc.), uma vez que trabalham com 
subentendidos do tipo “saiba que”. 
INFORMAÇÃO = transmissão UNILATERAL de um suposto SABER, da 
parte de quem sabe (EMISSOR) direcionado para um ou mais destinatários 
que supostamente NÃO SABEM DE OU DESCONHECEM ALGO. 
Preocupação: que mensagem emitida seja a mesma a ser recebida pelo 
destinatário, sem perda de elementos ou falhas de transmissão. 
Mensagem enviada (emissor) = Mensagem recebida (receptor) 
COMUNICAÇÃO = baseia-se na TROCA 
INFORMAÇÃO = baseia-se na TRANSMISSÃO DE ALGO (MENSAGEM) 
Antigamente (sociedades pré-modernas), comunicação e informação 
caminhavam juntas, ou seja, partilhavam a mesma EXPERIÊNCIA para os 
indivíduos envolvidos. Com o desenvolvimento da comunicação de massa, 
instâncias da comunicação e da informação se separam. 
SODRÉ: “a regra do jogo é fingir que o medium (o intermediário técnico 
entre falante e ouvinte) equivale à completa realidade comunicacional dos 
sujeitos. E o primeiro grande falseamento operado por essa ficção é 
confundir informação com comunicação” (SODRÉ, 1977: 24) 
COMUNICAÇÃO DE MASSA (THOMPSON) = “série de fenômenos que 
emergiram historicamente através do desenvolvimento de instituições que 
procuravam explorar novas oportunidades para reunir e registrar 
informações, para produzir e reproduzir formas simbólicas, e para transmitir 
informação e conteúdo simbólico para uma pluralidade de destinatários em 
troca de algum tipo de remuneração financeira. 
Sejamos mais precisos: eu usarei a expressão ‘comunicação de massa’ 
para me referir à produção institucionalizada e difusão generalizada de 
bens simbólicos através da fixação e transmissão de informações ou 
conteúdo simbólico” (THOMPSON, 1998: 32. Grifos no original). 
 
 
Diferenças centrais entre comunicação e informação 
COMUNICAÇÃO = processo de troca simbólica 
INFORMAÇÃO = mensagem a ser transmitida a alguém 
COMUNICAÇÃO = processo dialógico, bilateral 
INFORMAÇÃO = transmissão monológica, unilateral 
(detalhe: sempre há possibilidade de reversibilidade da informação num 
processo comunicacional; a essa reversibilidade da informação, de volta ao 
emissor, chamamos feed-back). 
COMUNICAÇÃO = potencialmente horizontalizada 
INFORMAÇÃO = tendencialmente verticalizada 
A COMUNICAÇÃO COMO OBJETO TEÓRICO 
Tende-se a pensar a Comunicação como objeto teórico somente a partir do 
séc. XX, quando do surgimento e expansão dos MCM. 
Primeiros “teóricos” da Comunicação = Platão e Aristóteles 
Platão: trata de temas que ainda são recorrentes até os dias de hoje 
Fedro (problema da relação escrita x memória; tecnologia) 
A República (problema da representação, simulacro e espetáculo) 
“Seguidores” de Platão = pensadores pós-modernos (Jean Baudrillard) e 
críticos da tecnologia (Neil Postman), por exemplo. 
“Polêmica”: Filosofia (Platão), Dialética (Sócrates) e Retórica (Górgias). 
FILOSOFIA = busca da verdade (ideal) e do conhecimento 
DIALÉTICA = busca do verdadeiro na síntese (tese x antítese) 
RETÓRICA = busca do bom resultado (verossímil) 
RETÓRICA surge provavelmente na Sicília (467 a.C.) (disputa jurídica). 
Córax e Tísias levam-na para a Grécia, considerada berço da Retórica; 
depois ela vai se desenvolver em Roma. 
RETÓRICA vem de rhetón (dizibilidade / discurso / expressão), significa 
“arte de persuadir pela argumentação” (“fazer crer em”, ≠ “levar a fazer algo”). 
 
 
 
RETÓRICA = primeira sistematização de conhecimentos e idéias acerca 
da Comunicação. Influenciou outros campos do discurso (Jornalismo, 
Publicidade, Direito, Pedagogia etc.) 
É ampliada por Górgias na Grécia antiga, depois por demais sofistas. 
Sofistas = combatidos por Platão, por praticarem, em vez da boa retórica 
em busca da Verdade (psicagogia: formação das almas pela palavra), uma 
má retórica (logografia: fala-se sobre qualquer coisa em troca de dinheiro e 
“exibicionismo”). 
Aristóteles sistematiza Retórica para tratar do verossímil (aquilo a que não 
cabe uma verdade, pois trata do “que lhe parece” - opinião - e não “do que 
é”) e transforma-a, efetivamente, na primeira teoria da Comunicação: 
1) Arte Retórica trata de três instâncias: 
ORADOR (tomo I) JUÍZES (tomo II) ESTILO (tomo III) 
EMISSOR RECEPTOR MENSAGEM 
2) retórica baseia-se no kairós ( , senso de oportunidade ou 
politropia): adapta-se o discurso para cada situação e cada platéia a ser 
convencida (oposto, um mesmo discurso para todos = monotropia). 
3) sistema retórico permite seu uso para praticamente todas as produções 
textuais (orais, escritas, audiovisuais etc.). 
4) Retórica aristotélica é, para alguns, ainda a primeira teoria da Recepção, 
uma vez que discurso deve ser adaptado, ou seja: a recepção é pensada 
antes e no momento da emissão. Esse aspecto será esquecido por grande 
partes das posteriores teorias da comunicação de massa. 
O SISTEMA RETÓRICO é composto de 3, 4 ou 5 partes (varia conforme 
autores): 
- inventio (heuresis) = escolha dos argumentos (e não invenção) 
- dispositio (taxis) = disposição, ordenamento dos argumentos 
- elocutio (lexis) = estilo de expressão dos argumentos; ornamento 
- actio (hypocrisis) = estilo corporal/gestual para apresentar argumentos 
- memoria (mneme) = capacidade mnemômica de expor argumentos 
 
 
 
Inventio - busca dos argumentos para convencer a um auditório, depende: 
1) do gênero do discurso: 
2) do tipo de argumento: 
etos (ethos) - caráter (do orador) - MORAL 
patos (pathos, passio) - emoções (do auditório) - PSICOLÓGICO 
logos - argumentação dialética (do discurso) - LÓGICO 
“Los medios operan, de distintas maneras y con resultados diferentes 
según las circunstancias, sobre las tres dimensiones básicas de la 
comunicación: la dimension de las reglas (qué se debe hacer o no hacer: el 
componente ético); la dimensión de los hechos (cómo se describe un 
acontecimiento determinado, cómo se lo narra, cómo se lo contextualiza: el 
componente relativo a la veracidad de la información) y los sentimientos 
(qué sensaciones, impresiones, afectos, son asociados a tal o cual hecho: 
el componente emocional de la información)”. (VERÓN, 1999: 131) 
Dispositio - ordenação dos argumentos, constitui-se de: 
exórdio - início do discurso - etos 
narração - exposição clara, breve e crível dos fatos - logos 
confirmação - conjunto de provas - logos 
peroração - fim do discurso - logos + patos 
Pode haver ainda: 
digressão - relaxamento do discurso 
recapitulação - resumo da argumentação 
Judiciário Juízes Passado Acusar/defender Justo/injusto Entinema Possível/ 
(dedutivo) impossível 
Deliberativo Assembléia Futuro Aconselhar/desaconselhar Útil/nocivo Exemplo Real/ 
(indutivo) não-real 
Epidíctico Espectador Presente Louvar/censurar Nobre/vil Amplificação Mais/ 
menos 
 
 
Elocutio - uso de figuras e de estilo adequado à situação 
Estilo objetivo prova momento do discurso 
nobre comover patos peroração/digressão 
simples explicar logos narração/confirmação 
ameno agradar etos exórdio/digressão 
Actio - diz respeito à capacidade interpretativa do orador: voz, gestos, 
acenos