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Apostila comunicação e expressão 2

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para a análise é a utilização do conceito de 
coesão. A autora preocupa-se ainda com a progressão discursiva, com o discurso 
tautológico, as contradições lógicas evidentes, o nonsense, os clichês, as frases feitas. 
Chegou à conclusão de que 34,8% dos vestibulandos demonstram incapacidade de 
domínio dos termos racionais; 16,9% apresentam problemas de contradições lógicas 
evidentes. A redundância ocorreu em 15,2% dos textos. O uso excessivo de clichês e 
frases feitas aparece em 69,0% dos textos. Somente em 40 textos verificou-se a 
presença de linguagem criativa. Às vezes o discurso estrutura-se com frases 
bombásticas, pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de 
combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a 
originalidade, valorizando o devaneio.8 
 
Na redação do resumo, portanto, é preciso que desprezemos os elementos 
redundantes e supérfluos ou irrelevantes, como por exemplo, adjetivos e advérbios. É 
significativo, ainda, que haja generalização de ideias, isto é, devemos registrar 
informações de âmbito geral. Isso nos aproxima da tematização. No processo 
redacional definitivo do resumo, é possível a construção de frases sintéticas que 
incluam várias ideias combinadas entre si. 
 Na sequência, estudaremos um texto que apresenta características do resumo, 
contudo acrescentam-se a ele novos e fundamentais elementos, como veremos. 
 
Resenha 
 Resenha é uma espécie de resumo mais abrangente e crítico que possibilita 
comentário e opiniões, juízo de valor, comparações com outras obras de áreas afins e 
avaliação relativa a outras obras do gênero. 
 Por isso, esta modalidade de resumo exige do autor conhecimento sobre o 
assunto, que lhe permite estabelecer comparação com outras obras da mesma área 
do conhecimento e capacidade intelectual, a fim de avaliar e emitir julgamentos de 
valor. 
 Diferentemente do resumo, resenha é um relato detalhado das propriedades de 
um objeto ou das partes que o compõem. Nele estão inclusos vários gêneros textuais, 
como a descrição, a narração e a dissertação. 
 
8
 Op. Cit. p. 129-30. 
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 Além de servir como instrumento de pesquisa e atualização bibliográfica e de 
decisão de consultar ou não o texto original, ela possibilita desenvolver a capacidade 
de síntese, interpretação e crítica. Sua contribuição científica é inegável. Através 
desse texto, a mentalidade científica do pesquisador é desenvolvida. Afora isso, a 
produção da resenha contribui com a iniciação científica de quem o realiza e sua 
produção facilita a elaboração de trabalhos monográficos. 
 A resenha é um texto crítico. Nesse tipo de texto, a linguagem empregada é em 
terceira pessoa, já que nele há certo tom de neutralidade, pois tanto a presença do 
emissor quanto a do receptor é imperceptível. Este texto crítico pode se referir a 
elementos reais, concretos, como uma reunião, palestra... Ademais pode estar ligado 
a referentes textuais, como por exemplo, livros, peças teatrais, filmes. 
 A resenha pode ser descritiva ou crítica. 
 A resenha pode ser descritiva simplesmente, sem que haja nela nenhuma 
apreciação crítica de quem a elabora. Ela se divide em duas partes. Na primeira 
apenas damos informações sobre o texto: nome do autor, título completo da obra, 
nome da editora (se for o caso, da coleção de que a obra faz parte), lugar e data da 
publicação, número de volumes e de páginas. Na segunda parte, é importante que 
seja feita uma breve contextualização como parte introdutória. No entanto, ainda 
nessa parte, tratamos especificamente do resumo do conteúdo da obra: indicação 
sucinta do assunto de que trata o objeto da resenha e do ponto de vista empregado 
pelo autor, bem como o resumo dos seus pontos fundamentais. 
 A estrutura da resenha descritiva consta de: 
a) Nome do autor; 
b) Título e subtítulo da obra; 
c) Nome do tradutor (caso seja tradução); 
d) Nome da editora; 
e) Lugar e data da publicação da obra; 
f) Número de páginas e volumes; 
g) Descrição sumária de partes, capítulos, índices; 
h) Resumo da obra; 
i) Modelo teórico utilizado pelo autor; 
j) Como o autor construiu sua obra (método); 
k) Ponto de vista que defende; 
l) Indicação do resenhista: a quem a obra é indicada; 
É preciso que o resenhista perceba que nem sempre se ocupará de todos os 
elementos estruturais de uma resenha. Cabe-lhe discernir que elementos deverão 
ser abordados por ele na elaboração do seu texto. Segundo João Bosco Medeiros 
(2011), é fundamental numa resenha descritiva de um livro indicar o autor, o título 
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da obra, a editora, o ano da publicação, os capítulos que compõem o livro e um 
resumo do texto informe o objeto da obra e o objetivo. 
Exemplo: 
Discurso e texto: formulação e circulação dos sentidos (218 páginas), de Eni 
Puccineili Orlandi, publicado (2001) pela Editora Pontes de Campinas, é uma obra 
composta de 13 capítulos. Entre eles, ressaltam-se: Análise de discurso e 
interpretação; A escrita da análise de discurso; Os efeitos de leitura na relação 
discurso/texto; O estatuto do texto na história da reflexão sobre a linguagem; Do 
sujeito na história e no simbólico; Ponto final: interdiscurso, incompletude, 
textualização; Boatos e silêncios: os trajetos dos sentidos, os percursos do dizer; 
Divulgação científica e efeito leitor: uma política social urbana; A textualização política 
do discurso sobre a terra. 
A obra da Profa. Eni Puccineili tem como objeto o discurso e seu 
funcionamento, área da qual jamais se afastou, como se pode verificar pelas dezenas 
de textos que publicou. Procura, na obra atual, dar resposta às questões “o que é 
texto?”, “como se textualiza um discurso político, um discurso jurídico, um discurso 
científico?”, “como os boatos funcionam no espaço social e político?” Ocupa-se a 
autora das diferentes maneiras pelas quais os sentidos são constituídos, são 
formulados e circulam. Essas maneiras de constituição dos sentidos são decisivas 
para a relação do homem com a sociedade, a natureza e a história. O texto é o 
momento fundamental da significação em que o sujeito, ao dizer de um modo e não de 
outro, define a maneira como o sentido faz sentido não apenas para ele mesmo, como 
também para os outros, para a sociedade em que vive. 
A autora adota a perspectiva da Análise de Discurso de linha francesa, como o 
leitor pode verificar pela bibliografia utilizada, pelos posicionamentos e pelos conceitos 
de que se vale para explicar o discurso. A análise de discurso concebe a linguagem 
como mediação necessária entre o homem e a realidade natural e social. E é essa 
mediação, que é o discurso, que torna possível a permanência e a continuidade, o 
deslocamento e a transformação do homem e da realidade em que vive. Entre outros, 
o leitor vai deparar com autores citados como Courtine, Ducrot, Maingueneau, 
Pêcheux. Considera a autora, antes de tudo, a Análise de Discurso uma disciplina da 
interpretação. Trabalha não só a textualização do político, mas também a polfrica da 
língua que se materializa no corpo do texto, ou seja, na formulação, por gestos de 
interpretação que tomam forma na textualização do discurso. Interessa-se pela 
determinação histórica dos processos de significação, pelos processos de 
subjetivação, pelos processos de identificação e de individualização dos sujeitos e de 
constituição de sentidos, assim como por sua formulação e circulação. 9 
 
 
9 Op. Cit. p.150-51. 
 
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A resenha crítica tem os mesmos elementos da resenha descritiva, porém 
somam-se

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