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Informativo de Citopatologia MIOMA O mioma uterino (leimioma) trata-se de um tumor benigno, caracterizado pelo crescimento das células musculares lisas do miométrio, cuja composição baseia-se em grandes quantidades de matriz extracelular contendo colágeno, proteoglicanos e fibronectina. Colágenos do tipo I e III são encontrados facilmente, porém as fibras de colágeno são formadas anormalmente e em desarranjo, assemelhando-se às fibras encontradas em queloides. Miomas são comuns. Um estudo que contou com biópsias de tecido uterino de 100 mulheres consecutivas que foram submetidas à histerectomia apresentaram miomas em 77% delas, inclusive miomas pequenos, com cerca de 2 mm (1). Um grupo aleatório de mulheres com idades entre 35 e 49 anos participaram de um estudo onde foram analisados seus históricos médicos e feitos alguns exames, onde foi constatada a incidência de 60% de mioma em mulheres com idade até 35 anos entre afro-americanas; e esta mesma incidência tende a aumentar até 80% em mulheres com idade ate 50 anos. Mulheres brancas têm incidência de 40% até os 35 anos, e 70% até os 50 anos (2). Acredita-se que ocorram em 20-40% das mulheres em idade reprodutiva, contudo a sua prevalência exata não é conhecida, a causa também desconhecida, mas sabe-se que hormônios como a progesterona e o estrógeno influenciam sobre o desenvolvimento do mioma. Evidências bioquímicas, farmacológicas e clínicas confirmam que a progesterona possui um papel importante na patogênese dos miomas uterinos. Os miomas aumentam a concentração de receptores de progesterona em sua superfície celular comparados com um miométrio saudável. (3,4) Os miomas são classificados de acordo com sua localização anatômica, podem ser elas: Submucoso (tipo menos comum, apresenta-se na parte mais interna do útero), Intramural (tipo mais comum, apresenta-se interior da parede uterina e se expande, ocasionando o aumento do tamanho do órgão), Subseroso (ocorre na parte externa do órgão), Pediculado (está ligado ao útero através de um tecido chamado pedículo) e Intracavitário (está totalmente localizado dentro da cavidade uterina). Menarca precoce, etnia negra, paridade tardia, nuliparidade, tabagismo, hipertensão arterial sistêmica, obesidade são fatores de riscos associados ao aparecimento de miomas. A sintomatologia associada aos miomas uterinos geralmente relaciona-se com a sua localização, número, tamanho. Os sintomas iniciais em 30 a 60% dos casos são hemorragia uterina, desconforto, pressão pélvica. Estes episódios de hemorragia uterina anormal podem associar-se a anemia ferropriva ligeira a grave. Como consequência do efeito de massa causado sobre a bexiga e vias urinarias pacientes poderão apresentar incontinência urinaria, disúria. (7) O diagnóstico é baseado na história clínica e exame físico, sendo o achado mais comum o útero aumentado, móvel, e de contorno irregular ao exame bimanual da pelve. O diagnóstico é confirmado através da ultrassonografia transvaginal, que possui alta sensibilidade, além da histeroscopia (5). O exame de imagem com melhor diagnóstico é a ressonância magnética, pois pode diferenciar mioma uterino de adenomiomas, com especificidade de até 88%. (6) Os miomas assintomáticos podem ser controlados acompanhamento cuidadoso. A terapia medicamentosa deve ser tentada como primeira linha de tratamento para miomas sintomáticos, enquanto o tratamento cirúrgico deve ser reservado apenas para indicações apropriadas. A histerectomia é a primeira escolha em se tratando de miomas sintomáricos. No entanto, a miomectomia, em vez da histerectomia, deve ser realizada quando a gravidez subsequente é considerada. A embolização da artéria uterina é uma alternativa padrão eficaz para mulheres com grandes miomas sintomáticos que apresentam riscos cirúrgicos inadequados ou desejam evitar grandes cirurgias. Seus efeitos sobre a fertilidade futura precisam de avaliação adicional em estudos maiores. (8) Figura 1. Esquema dos tipo de miomas mais comuns. Fonte: Ana Flávia Castello Branco e Alessandra Guimarães. Referências Bibliográficas 1 – . CRAMER SF, PATEL A. The frequency of uterine leiomyomas. Am J Clin Pathol. Nova York, 1990. 2 - . DAY BAIRD D, DUNSON DB, HILL MC, COUSINS D, SCHECTMAN JM. High cumulative incidence of uterine leiomyoma in black and white women: ultrasound evidence. Am J Obstet Gynecol. Washington, v.7, p.100 – 188. 2003. 3- ENGLUND K, BLANCK A, GUSTAVSSON I, LUNDKVIST U, SJOBLOM P, NORGREN A, et al. Sex steroid receptors in human myometrium and fibroids: changes during the menstrual cycle and gonadotropin-releasing hormone treatment. J Clin Endocrinol Metab.1998 4- NISOLLE M, GILLEROT S, CASANAS-ROUX F, SQUIFFLET J, BERLIERE M, DONNEZ J. Immunohistochemical study of the proliferation index, oestrogen receptors and progesterone receptors A and B in leiomyomata and normal myometrium during the menstrual cycle and under gonadotrophin-releasing hormone agonist therapy. Hum Reprod ,1999. 5- CANTUARIA GH, ANGIOLI R, FROST L, DUNCAN R, PENALVER MA. Comparison of bimanual examination with ultrasound examination before hysterectomy for uterine leiomyoma. Obstet Gynecol, 1998. 6- DUEHOLM M, LUNDORF E, HANSEN ES, SORENSEN JS, LEDERTOUG S, OLESEN F. Magnetic resonance imaging and transvaginal ultrasonography for the diagnosis of adenomyosis. Fertil Steril, 200. 7- PARKER W.H. Etiology, symptomatology, and diagnosis of uterine myomas. ASMR. California, v. 87, nº. 4, p. 725 – 736. Abril 2007. 8 – DUHAN N. Current and Emerging treatments for uterine myomas – an update. Int J Womens Health, v. 3, p. 231 – 241. Ago 2011.