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GINECOLOGIA Doenças da Vulva e Vagina
43Profs. Monalisa Carvalho e Alexandre Melitto | Curso Extensivo | 2025
3.3 NEOPLASIA INTRAEPITELIAL VAGINAL (NIVA)
A neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA) corresponde às alterações morfológicas e displásicas do epitélio vaginal e é uma condição pré-
maligna desse local.
A vagina é o sítio de menor acometimento de neoplasias intraepiteliais no trato genital inferior, sendo então a NIVA uma patologia 
rara. Ocorre em 0,5% das mulheres, em especial na faixa etária de 40-49 anos. As pacientes com NIVA tendem a ser diagnosticadas mais 
tardiamente que as pacientes com NIC (neoplasia intraepitelial cervical). A maioria das lesões ocorre no terço vaginal superior.
3.3.1 FATORES DE RISCO
Uma série de fatores está associada ao maior risco de desenvolvimento de NIVA:
• Infecção pelo HPV de alto risco oncogênico;
• Histerectomia prévia devido à NIC: os estudos mostram que pacientes histerectomizadas por lesão precursora, mesmo com 
margens livres, têm maior risco de desenvolver NIVA, principalmente nos locais de sutura da cúpula vaginal (“orelhas de cachorro” 
ou “dog ears”), onde o HPV pode se “esconder” e dificultar o seguimento;
• Baixo nível socioeconômico;
• História prévia de radioterapia;
• Imunossupressão: maior risco de multicentricidade e multifocalidade das lesões HPV-induzidas; e 
• Exposição ao dietilestilbestrol (DES): as pacientes que foram expostas a essa medicação na vida intrauterina têm maior risco de 
desenvolver adenose vaginal (presença de epitélio glandular na vagina). Esse epitélio é mais suscetível à infecção pelo HPV de alto 
risco oncogênico.
3.3.2 CLASSIFICAÇÃO
A NIVA corresponde a um espectro de alterações sem a presença de invasão. A doença é classificada semelhantemente à NIC, segundo 
a profundidade de acometimento epitelial:
• NIVA 1- acometimento do terço inferior do epitélio;
• NIVA 2- acometimento de até 2/3 inferiores do epitélio; e 
• NIVA 3- envolvimento de mais de dois terços inferiores do epitélio (no caso de envolvimento de toda a espessura epitelial, temos 
o carcinoma in situ de vagina).
Importante relembrar que o consenso LAST em 2012 revisou a terminologia baseada na expressão da p16 (veja no capítulo de 
rastreamento de câncer de colo uterino). Sendo assim, as NIVA 1 e as NIVA 2 p16 negativas são consideradas lesões de baixo grau vaginais 
(LIEBG/LSIL de vagina) e as NIVA 2 p16 positivas e as NIVA 3 são consideradas lesões de alto grau vaginais (LIEAG/HSIL de vagina). 
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3.3.3 HISTÓRIA NATURAL
Muito pouco se sabe sobre a história natural da infecção pelo HPV no epitélio vaginal em função de sua raridade. Sendo assim, muitos 
conceitos da história natural das NIC foram extrapolados.
A taxa de progressão da doença para carcinoma invasor de vagina é de 5-12%, maior que a observada nas NIC. Estudos mostram que 
20% das pacientes com NIVA de alto grau evoluem para carcinoma invasor. Por isso, todas as NIVA de alto grau necessitam de tratamento.
3.3.4 DIAGNÓSTICO
A NIVA é geralmente assintomática. Alteração de conteúdo 
vaginal e sinusorragia são queixas menos frequentes. O primeiro 
sinal geralmente é a alteração da citologia em mulheres 
histerectomizadas ou mulheres que tiveram a avaliação do colo 
(ecto e endocérvice) normal. 
Na maioria das vezes, as lesões de vagina não são visualizadas 
à ectoscopia. O diagnóstico de NIVA ocorre durante o exame 
colposcópico, porém a confirmação só pode ser feita por meio do 
exame anatomopatológico. A colposcopia da vagina é mais difícil, 
devido sua superfície maior e pregueada. 
As lesões de NIVA apresentam-se tipicamente como as lesões 
da NIC, porém, após a aplicação do ácido acético, a acetorreação é 
mais sutil (figura 22). Muitas vezes a lesão só será mais bem vista 
após a aplicação do lugol.
Figura 22: NIVA de baixo grau. Imagem com ácido acético (esquerda) e após aplicação do lugol (direita). Observe epitélio acetobranco tênue em terço superior de vagina. 
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3.3.5 TRATAMENTO
Em função da escassez de estudos sobre NIVA, existem diversas formas para seu tratamento e não há guidelines. No geral, necessitam 
de tratamento:
• NIVA de alto grau; e
• NIVA de baixo grau:
◊ Em imunossuprimidas; e
◊ Persistência da lesão acima de 2 anos.
Fatores como idade, quantidade e extensão das lesões devem ser levados em conta para a escolha do tratamento. Inicialmente, a 
vaginectomia (colpectomia) e a radioterapia eram métodos de eleição, porém hoje são pouco indicadas para pacientes jovens e sexualmente 
ativas.
A tabela a seguir traz as principais opções de tratamento:
TRATAMENTOS PARA NEOPLASIA INTRAEPITELIAL VAGINAL (NIVA)
MÉTODO DESCRIÇÃO
MÉTODOS QUÍMICOS
Ácido tricloroacético 70-
90%
- Método destrutivo com ação necrosante
- Aplicação em lesões pequenas e unifocais
Imiquimode 5%
- Imunomodulador que estimula a produção de citocinas
- Aplicação em consultório sob visão colposcópica
5- fluorouracil 5%
- Antimitótico, age impedindo a replicação celular 
- Preferência em: lesões recidivantes, múltiplas, pacientes jovens, sexualmente ativas e em pacientes 
imunossuprimidas
- Efeito colateral: ardência, úlceras, adenose vaginal
MODALIDADES CIRÚRGICAS (fornece material para histopatológico)
Biópsia excisional - Indicada para lesão única, pequena e bem delimitada
Vaporização a laser de CO2
- Destruição por vaporização celular
- Bom resultado funcional e estético
- Pode ser repetida
- Bom método para lesões multifocais
- Desvantagem: custo 
Eletrocauterização
- Não pode ser realizada em parede anterior e posterior, devido proximidade de bexiga e reto (dano 
térmico)
Excisão local alargada - Retirada total da lesão com margem de tecido sadio
Colpectomia (vaginectomia) 
-Tratamento de escolha para lesões de cúpula vaginal
Complicações: perda sanguínea, lesão de bexiga e reto, fístulas
RADIOTERAPIA
- Taxa de sucesso de 86-100%
- Complicações: estenose vaginal, falência ovariana, sangramento retal
- Contraindicado em mulheres jovens e nas previamente irradiadas
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