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KHUN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. 1962 ed. [S.L.]: Perspectiva, 1998. 125-172 p.
A Natureza e a Necessidade das Revoluções Científicas
A transição para um novo paradigma é uma revolução científica, no entanto, neste momento procura trabalhar mais sob esta noção. - Um sentimento crescente de “funcionamento defeituoso” é um pré-requisito para a revolução. O autor menciona que muitos pontos de toque existem entre a revolução política (mais conhecida) com a própria revolução científica. - A persuasão (por parte de quem tem que convencer outros membros da comunidade científica sobre a melhor adequação de um paradigma naquele momento e em contrapartida um fracasso do antecessor) é algo de suma importância neste processo de revolução. - Em muitos pontos uma nova concepção revisita pontos da antecessora, mas os inquestionáveis não são tocados, o que demonstra que o esquecimento de algo que foi (e é) de grande valia em um paradigma não necessariamente tem que deixar de ser utilizado. - Necessidade de modificar o sentido de conceitos familiares é crucial para o impacto revolucionário. A revolução científica dispôs ao autor, um “deslocamento da rede conceitual através da qual os cientistas veem o mundo”. (p. 137). Mudança de paradigma (logo, revolução científica) requer redefinição da ciência correspondente. - Com um novo paradigma, os problemas a serem solucionados mudam, os padrões científicos mudam os critérios de legitimidade e as soluções para os problemas também mudam.
9 – As Revoluções como mudanças de concepções de mundo - Utiliza-se da interessante metáfora da “lente que se vê mundo” para exteriorizar sua ideia de como a mudança de paradigma reflete nas concepções dos fenômenos do mundo. “O que um homem vê depende tanto daquilo que ele olha como daquilo que sua experiência visual-conceitual prévia o ensinou a ver” (p. 148). Busca na reflexão deste capítulo provar de como, com uma mudança de paradigma, o cientista vê de maneira diferente do que via antes. - O viés interpretativo é relevante em cada momento histórico. As experiências realizadas sob as premissas de um paradigma podem ser as mais variadas possíveis, logo, os cientistas dividirem um mesmo paradigma não quer dizer que desempenhem as mesmas experiências; o viés pode ser diferente (como muitas vezes é) e o olhar interpretativo (do meio do caminho conclusivo) também é. - A apresentação do manual, portanto, tem um impacto (negativo) muito considerável acerca da concepção do desenvolvimento científico. Por óbvio, a esquematização ali presente apresenta-se em prol de um caráter pedagógico, por isso que o autor deixa o alerta de que o contexto deve ser tomado como essencial para que a visão ali exposta não guie (e macule) nossos entendimentos científicos. - Por isso que revolução científica necessariamente implica em acompanhamento na modificação de manuais, pois são os elementos da revolução que guiaram a produção destes. 
11 – A Resolução de Revoluções - Neste momento o autor trabalha como se dá o procedimento de fixação de um novo paradigma. Traz à baila a questão da verificação comparativa entre teorias (que diferencia claramente da questão de resolução de quebra-cabeças onde não se testa candidatos à paradigmas mas sim se testa problemas dentro de um paradigma já existente). Tal verificação irá confirmar se de fato houve uma substituição paradigmática. - A questão da verificação passa por um dilema pois inevitavelmente os preceitos de comprovação também se pautam em um paradigma já existente. Logo, a neutralidade na verificação por certo que é um utopismo. - A comparação entre paradigmas nunca é algo linear ou lógico é algo muito complexo que envolve diferentes métodos e concepções dentro de uma mesma comunidade. Os proponentes de paradigmas diferentes, por óbvio, têm visões de mundo (conforme exposto em capítulo especialmente voltado para o tema) próprias.
- Em muitas oportunidades, novas concepções que surgem não encontram naquele período presente o terreno fértil para a mudança (que aconteceria com a sua fixação), justamente pela resistência natural de ser encontrada nos membros antigos adeptos do paradigma vigente (que está sendo questionado). Tal modificação pode ocorrer até em anos. Por isso é essencial apontar (em muitas vezes) para as novas gerações de cientistas, ou seja, para o futuro. - Trazer confirmações quantitativas para o intento de fixação de um novo paradigma pode ser objetividade (sentido de simplicidade) para a discussão transitória revolucionária, isto é algo que não é aconselhável, pois é justamente a complexidade e a forma drástica que a mudança se dará que demandam do cientista esforços “reviravoltosos” seja na compreensão (ou consenso) de que o antigo paradigma deve permanecer (pois pode ser readequado) ou na fixação e convencimento de que um novo deve emergir. - O que está em jogo não é só a capacidade de resolver problemas, mas sim como um novo paradigma irá guiar as diretrizes das pesquisas futuras. A escolha por um paradigma é a escolha – dentro de uma comunidade científica – por uma forma mais adequada de praticar ciência. - Vale a pena destacar a passagem em que Thomas Kuhn descreve muito bem como se dá toda essa passagem em que trabalhou no capítulo: “No início o novo candidato a paradigma poderá ter poucos adeptos e em determinadas ocasiões os motivos destes poderão ser considerados suspeitos. Não obstante, se eles são competentes, aperfeiçoarão o paradigma, explorando suas possibilidades e mostrando o que seria pertencer a uma comunidade guiada por ele. Na medida em que esse processo avança, se o paradigma estiver destinado a vencer sua luta, o número e a força de seus argumentos persuasivos aumentará. Muitos cientistas serão convertidos e a exploração do novo paradigma prosseguirá. O número de experiências, instrumentos, artigos e livros baseados no paradigma multiplicar-se-á gradualmente. Mais cientistas, convencidos da fecundidade da nova concepção, adotarão a nova maneira de praticar a ciência normal, até que restem apenas alguns poucos [ou nenhum] opositores mais velhos”. (p.199/200).
12 – O Progresso Através de Revoluções - Busca alocar a questão do progresso e a sua relação com o caráter científico de um campo. Menciona que o progresso (não necessariamente é científico) no entanto o científico é mais perceptível, ainda mais quando tem-se como campo de análise a ciência normal estabilizada, amadurecida. Pois, um momento estável dentro do exercício da ciência é, segundo o autor, amplamente propício para uma analise profunda de outros campos que ao final recairá em progresso científico. - O autor julga como um ponto positivo o fato de o campo da ciência (em sua proposição em responder questões) não se preocupar com o que as outras áreas e interpretações
exteriorizarão sobre suas conclusões (diferente de áreas mais heterônomas como a teologia ou a poesia). - Uma diferença destacada entre o exercício da ciência normal e o exercício de outras áreas é o papel dos manuais onde no primeiro é primordial e no segundo é secundário. A objetividade de tal constatação até pode elogiada, mas um reflexo nocivo que pode ser destacado é a falta de preparo do cientista lapidado por essa forma de aprendizado de lidar com crises e descobertas de novas abordagens (diante da dura e exclusiva ligação que os manuais têm com um paradigma vigente). - Contudo, estando o campo das ciências renovado (preparação para saber que algo vai mal) a possibilidade de resolução de problemas dentro de seu próprio paradigma aumenta e, consequentemente, a possibilidade de se chegar ao progresso também. - A relação entre progresso e revolução científica é intima, isto porque os cientistas (atentos às mazelas de um antigo paradigma) tendem a buscas esta última, levam junto portanto o primeiro. - O receio de que ocorram perdas em prol da resolução revolucionária de problemas científicos existe, um deles citado pelo autor é a especialização cada vez maior dos cientistas em determinada área o que pode de algumaforma prejudicar a amplitude científica. Porém a profundidade da análise em contrapartida é beneficiada. - A questão da verdade é finalmente enfrentada no ensaio: o autor ressalta que não há uma relação intrínseca entre revolução científica e o encontrar da verdade. Não é isso que se prega na reflexão proposta e isso não é defendido por Kuhn. - O autor termina seu ensaio atentando para o fato de que umas séries de perguntas ainda podem restar em aberto dependendo do ponto de vista em que são analisadas. O mundo ao qual a comunidade científica faz parte é primordial para a resolução dos problemas que tendem a aparecer. Qualquer concepção de natureza compatível com a evolução da ciência é convergente com o que ele quis nesta obra.
- Quem tem justamente o “dom” de mudar a visão de mundo do cientista é o paradigma de apoio e nada mais. Senão o caráter científico se esvai. Após as revoluções os cientistas trabalham num mundo diferente.

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