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Conteudista: Prof.ª Dra. Luise Lüdke Dolny
Revisão Textual: Prof.ª M.ª Sandra Regina Fonseca Moreira
 
Objetivos da Unidade:
Apresentar o pensamento sistêmico na ciência e suas origens teóricas;
Abordar os conceitos básicos da abordagem sistêmica.
˨ Material Teórico
˨ Material Complementar
˨ Referências
O Pensamento Sistêmico
Introdução
Se alguém te pedisse para definir “ciência”, o que você diria? Ou para definir “paradigma” e
“epistemologia”? O que vem à sua mente quando ouve essas palavras?
Como estudante da área da saúde, você já deve ter ouvido falar muito nesses termos. Apesar de
não ser tão simples defini-los, são noções importantes não apenas para o conhecimento das
teorias e abordagens científicas, mas também fazem muita diferença na prática clínica (no caso
das ciências da saúde) e na maneira como iremos agir e cuidar das pessoas que nos procurarem.
Mas antes de chegar lá na prática, precisamos ter uma noção básica de como esses
pensamentos e teorias científicas se constituíram e se desenvolveram ao longo do tempo. É o
que faremos nesta Unidade de aprendizagem!
Noções Básicas de Paradigma e
Epistemologia
Para que possamos entender as origens do pensamento sistêmico, precisamos alinhar os
conceitos de paradigma e epistemologia.
Mas, antes de conceituar “paradigma”, gostaria de propor que você reflita no seguinte exercício,
elaborado pela psicóloga e pesquisadora Maria José Esteves de Vasconcellos (2013):
1 / 3
˨ Material Teórico
A experiência de ligar pontos
Ligue os pontos, com apenas 4 segmentos de reta, sem tirar o lápis do papel:
Figura 1 – A experiência de ligar os pontos
  
#ParaTodosVerem: imagem contendo nove pontos pretos distribuídos em três
linhas e três colunas. Fim da descrição.
Em geral, grande parte das pessoas que faz essa atividade a acha muito difícil e não consegue
encontrar a solução. Algumas até chegam a duvidar se é realmente possível realizá-la.
E aí? Como foi? Achou fácil? Difícil? Quais os pensamentos que vieram à mente?
Antes de apresentar a solução da atividade, vamos falar do conceito de paradigma. A palavra
paradigma vem do grego parádeigma, que significa “modelo, padrão”.
O conceito de paradigma foi bastante difundido pela obra de Thomas Kuhn (1962) “A estrutura
das revoluções científicas” e acabou sendo utilizado em vários sentidos diferentes. 
Em seu livro, Vasconcellos (2013) apresenta como se deu o desenvolvimento deste termo,
descreve os diferentes significados e apresenta um conceito mais amplo, abordado no vídeo “A
questão do Paradigma”.
Importante! 
Não vale se adiantar e ir para a resposta do exercício mais adiante,
hein! Faça um esforço para fazer quantas tentativas forem necessárias.
Mas, e agora? O que isso tem a ver com o exercício acima? Então, vamos finalmente analisar a
resolução do problema:
Figura 2 – Resolução da experiência de ligar os pontos 
Fonte: Adaptada de VASCONCELLOS, 2013
  
#ParaTodosVerem: imagem contendo nove pontos pretos distribuídos em três
linhas e três colunas com a indicação da resolução do desafio, com quatro setas
ligando todos os pontos. A primeira seta inicia no primeiro ponto preto, na parte
- VASCONCELLO, 2013, p. 30
“[...] conjuntos de regras e regulamentos que, além de estabelecerem limites –
como o fazem em geral os padrões de comportamento – essas regras e esses
regulamentos vão nos dizer como ter sucesso na resolução de situações-problema,
dentro desses limites.”
superior, à esquerda, no sentido horizontal, passando pelos três pontos à
direita, na sequência, sentido diagonal à esquerda, passando por dois pontos. A
seguir, movimento vertical, por três pontos, até encontrar o ponto inicial, e,
finalmente, na diagonal à direita, passando pelos últimos dois pontos. Fim da
descrição.
É bem provável que você esteja pensando “Ah, mas não estavam nas regras que as retas
poderiam passar os limites dos pontos da borda”. De fato, não estava escrito, mas também não
estava dito que não poderia ser feito, que era proibido, certo?
O que você acha que faz as pessoas pensarem que não poderiam ultrapassar os pontos da borda?
No fim, nós mesmos nos instruímos e ditamos as regras para o exercício baseados nas crenças
que temos, aprendemos e desenvolvemos ao longo do tempo, neste caso, a crença de que não
devemos ultrapassar as margens, que a solução “certa” deve estar dentro desses limites, e não
fora deles.
Os paradigmas são como lentes (crenças e valores) que usamos para explicar as coisas ao nosso
redor, para analisar e resolver problemas. Todas as pessoas têm seus paradigmas sobre a
melhor maneira de fazer, interpretar e se comportar diante das coisas. Por exemplo, temos
paradigmas sobre como ser uma boa mãe, um profissional, um bom estudante, ser homem, ser
mulher, sobre religião, política…enfim, sobre o mundo!
Vídeo 
A Questão dos Paradigmas
A Questão dos Paradigmas
Rafa D'Angeli
https://vimeo.com/user132877040?embedded=true&source=owner_portrait&owner=132877040
https://vimeo.com/508600767?embedded=true&source=video_title&owner=132877040
https://vimeo.com/user132877040?embedded=true&source=owner_name&owner=132877040
Um paradigma, uma visão de mundo, pode nos acompanhar por muito tempo sem mesmo
sabermos sua origem. Muitas vezes vamos reproduzindo esse pensamento, esse
comportamento, sem questionar o “porque”, ou sobre outras formas de ver e fazer aquilo. Isso é
bem ilustrado na história do peixe, apresentada na sequência:
Certa vez, uma menina que sempre via a mãe cortando a cabeça e o rabo do peixe quando ia assá-
lo, perguntou para ela:
— Mãe, por que você corta a cabeça e o rabo do peixe para assar?
A mãe responde:
— Porque assim fazia a sua avó.
A menina vai até a avó, e pergunta:
37:30
https://vimeo.com/user132877040?embedded=true&source=owner_name&owner=132877040
https://vimeo.com/508600767?embedded=true&source=vimeo_logo&owner=132877040
— Vó, por que você corta a cabeça e o rabo do peixe para assar?
A avó respondeu:
— Porque assim fazia a sua bisavó.
A menina vai até sua bisavó e pergunta:
— Bisa, por que você corta a cabeça e o rabo do peixe para assar?
Sua bisavó responde:
— Porque na minha forma não cabia o peixe inteiro.
Nesta história, a curiosidade e a problematização que a bisneta fez “colocou em xeque" o
paradigma estabelecido e reproduzido há tanto tempo, internalizado pelas gerações seguintes.
Nas Figuras abaixo, dependendo do ponto de vista de cada pessoa, a concepção do que se vê é
diferente, apesar de estarem analisando o mesmo objeto.
Figura 3 – Os diferentes pontos de vista
Fonte: leveragepoints.org 
  
#ParaTodosVerem: ilustração. Desenho de duas pessoas observando a
representação gráfica do mesmo número disposto no chão. A pessoa
posicionada à esquerda enxerga o número seis. A pessoa posicionada à direita
discorda, relatando enxergar o número nove. Fim da descrição.
Morin (1990) destaca que mudar um paradigma é um processo lento e difícil, que implica no
colapso de toda uma estrutura de ideias. Para que isso aconteça, é necessário ampliar o olhar,
ampliar o contexto e a perspectiva, para que seja possível vermos o que está fora do nosso
campo de visão. Para tanto, é necessário que as experiências e evidências que vivenciamos
coloquem luz sobre os limites do paradigma, das crenças e dos valores que temos atualmente.
Assim, as mudanças de paradigma foram muito importantes ao longo da história, pois
permitiram avanços que a sociedade não era capaz de imaginar em suas devidas épocas, e que
hoje são uma realidade. Dentre elas, podemos citar a luz elétrica, televisão, internet…ou seja, é
possível que as pessoas mudem e se adaptem à uma nova forma de pensar, ser e agir no mundo.
Da mesma maneira, a ciência (assim como em outros campos do saber como o filosófico,
teológico e empírico) desenvolveu ao longo do tempo paradigmas que chegaram ao limite e que
precisaram ser revistos e ampliados para uma nova forma de pensar.
A palavra ciência deriva do latim scientia e significa “conhecimento”. Fachin
(2017) define
ciência da seguinte forma:
A ciência é uma maneira de conhecer os objetos e o mundo ao nosso redor e para isso é usado o
que chamamos de método científico, ou seja, o conhecimento organizado e adquirido por meio
de procedimentos, ferramentas e estratégias usadas para se conhecer algo (CAPRA; LUISI,
2014).
Aqui entra o conceito de Epistemologia, do grego Epistéme “conhecimento” (assim como o
termo scientia do latim), mais o sufixo logia, que significa “estudo”. Um dos sentidos de
Epistemologia é a compreensão do processo de conhecimento. 
- FACHIN, 2017, p. 19, grifos nossos
“O ser humano, diante da necessidade de compreender e dominar o meio, ou o
mundo, em seu benefício e da sociedade da qual faz parte, acumula conhecimentos
racionais sobre seu próprio meio e sobre as ações capazes de transformá-lo. Essa
sequência permanente de acréscimos de conhecimentos racionais e verificáveis da
realidade denominamos ciência. ”
Outro sentido, destacado por Vasconcellos (2013), é o de “premissas ou pressupostos”, que a
autora equivale ao termo paradigma, como no quadro proposto por ela:
Nessa lista, Vasconcellos (2013) apresenta os termos epistemologia, paradigma e visão de
mundo como similares, representando na área da ciência o compromisso dos cientistas com
crenças e valores de uma determinada maneira de ver e conhecer as coisas, sendo que este
compromisso é compartilhado por diversas disciplinas científicas.
No passado, muitos estudiosos buscaram desenvolver um método científico que fosse universal
e aplicável em todos os contextos. No quadro abaixo você pode conferir a evolução histórica do
método científico desde a Grécia antiga até o século XX (PRODANOV; FREITAS. 2013)
“epistemologia” ≃ “paradigma” ≃ “visão de mundo”;
Compromissos dos cientistas com “crenças e valores”;
Compartilhados transdisciplinarmente. (VASCONCELLOS, 2013) 
Reflita  
Será que existe uma maneira objetiva e simples de conhecer o mundo
cientificamente, que possa ser aplicada a todos os tipos de
conhecimento?
Período
Histórico 
Pensadores Principal Contribuição
Grécia
Antiga 
Séculos IV –
XIII 
Euclides, Platão,
Aristóteles,
Arquimedes, Tales,
Ptolomeu 
Além das chamadas
questões metafísicas,
trataram também da
geometria, da matemática,
da física, da medicina etc.,
imprimindo uma visão
totalizante às suas
interpretações. 
Santo Agostinho, São
Tomás de Aquino 
Transformação dos textos
bíblicos em fonte de
autoridade científica e, de
modo geral, a existência de
uma atitude de
preservação/contemplação
da natureza, considerada
sagrada. 
Séculos XVI
– XVII 
Copérnico, Kepler,
Galileu e Newton
Ruptura com a estrutura
teológica e epistemológica
do período medieval e
início da busca por uma
interpretação
matematizada e formal do
real. O método
acontecendo em dois
momentos: a indução e a
educação. 
Período
Histórico 
Pensadores Principal Contribuição
Bacon, Hobbes,
Locke, Hume e Mill 
Aprofundamento da
questão da indução,
lançamento das bases para
o método indutivo-
experimental. 
Descartes Método dedutivo. 
Século XVIII Kant 
Sujeito como ordenador e
construtor da experiência:
só existe o que é pensado. 
Século XIX 
Hegel  “O processo histórico”. 
Marx 
Explicações verdadeiras
para o que ocorre no real
não se verificarão através
do estabelecimento de
relações causais ou
relações de analogia, mas
sim no desvelamento do
“real aparente” para
chegar no “real concreto”. 
Período
Histórico 
Pensadores Principal Contribuição
Século XX 
Popper 
Propõe que o indutivismo
seja substituído por um
modelo hipotético-
dedutivo, ressaltando que
o que deve ser testado não
é a possibilidade de
verificação, mas sim a de
refutação de uma hipótese. 
Kuhn 
O método em dois
momentos: a ciência
trabalha para ampliar e
aprofundar o aparato
conceitual do paradigma,
ou, num momento de
crise, trabalha pela
superação do paradigma
dominante. 
Fonte: Adaptada de PRODANOV; FREITAS, 2013.
Considera-se o trabalho de Descartes, no século XVII, o primeiro método científico, o método
dedutivo, chamado também de método cartesiano. Os estudos desses pesquisadores e
pensadores possibilitaram o grande desenvolvimento da ciência ao longo do tempo e deram
base para o que chamamos de paradigma da “ciência tradicional”, que se manteve ao longo dos
séculos e está em voga ainda hoje, nos dias atuais.
Vivemos atualmente um momento de questionamento e mudança de paradigma na ciência.
Podemos dizer que, atualmente, temos dois paradigmas na ciência:
Muito tem se falado no novo paradigma, epistemologia e pensamento sistêmico e complexo
como o novo paradigma, mas antes, vamos conhecer melhor o paradigma da ciência tradicional.
A Ciência Tradicional
O objetivo da ciência tradicional é compreender, controlar, descrever e predizer o seu objeto de
estudo. Os pesquisadores tradicionais se valem de métodos como observação, experimentação e
mensuração para manipular e ordenar os fatos.
Parte-se dos seguintes pressupostos (VASCONCELLOS, 2013):
Saiba Mais 
Para conhecer melhor a evolução da ciência na história desses
precursores, leia o capítulo 2 do livro “Pensamento Sistêmico: o novo
paradigma da ciência”, de Vasconcellos (2013).
Paradigma Quantitativo = Ciência Tradicional;
Paradigma Qualitativo = Ciência Complexa
Simplicidade: apesar do mundo ser complexo, é possível separá-lo em partes
simples e, analisando as partes simples, é possível compreender o todo, de onde
A ciência tradicional acaba fazendo uma separação dos objetos estudados de seus contextos
originais e valoriza a divisão do mundo em disciplinas e especialidades, que reduzem o complexo
ao simples, compartimentalizando e fragmentando o saber. Também traz a ideia de neutralidade
e extração da verdade de maneira objetiva, afastando a subjetividade nos processos.
Porém, a ciência atual vem se dando conta de que o mundo é complexo e que o todo é bem mais
complexo do que uma simples soma das partes; que é preciso considerar o contexto e outras
questões que influenciam os fenômenos e objetos estudados.
Para as ciências físicas (como Física, Química, Astronomia e Geologia), seguir o paradigma
tradicional é um processo tranquilo. Já para as ciências biológicas (que estudam a origem, a
evolução e as propriedades dos seres vivos como Biologia, Botânica, Genética, Medicina) e para
as ciências humanas (que estudam a complexidade humana e de suas relações como Sociologia,
Direito, Psicologia), é bastante difícil segui-los como se propõem.
Veja o quadro elaborado por Vasconcellos (2013):
Quadro 2 – Adoção dos pressupostos do paradigma tradicional pelas ciências
Ciências
físicas
Ciências
biológicas
Ciências
humanas
surgem as relações causais lineares, uma coisa é causa da outra (Y é efeito de X e
causa de Z);
Estabilidade: o mundo é estável e é possível determinar, prever, reverter e controlar
os fenômenos de maneira ordenada;
Objetividade: a ideia de que é possível conhecer o mundo de maneira objetiva e real,
que existe uma versão única do conhecimento.
Ciências
físicas
Ciências
biológicas
Ciências
humanas
Simplicidade Tranquilo Difícil Difícil
Estabilidade Tranquilo
Especialmente
difícil
Difícil
Objetividade Tranquilo Tranquilo 
Especialmente
difícil 
Fonte: Adaptada de VASCONCELLOS, 2013 
Diante desse impasse e impossibilidade de colocar os três pressupostos em prática nas
pesquisas científicas das áreas biológicas e humanas, passou-se a considerar a impossibilidade
de se falar objetivamente do mundo e a se perguntar se a realidade é mesmo objetiva ou
construída.
Então, em contraposição à ciência tradicional, surge a ciência da complexidade e do pensamento
sistêmico.
A Ciência Novo Paradigmática Emergente
Até metade do século XX, a comunidade científica se embasava no progresso linear da ciência,
de acordo com os pressupostos da ciência tradicional. Foi Thomas Kuhn que, em 1962,
contestou essa visão e apresentou o conceito de paradigma científico que discutimos no início
desta unidade. Foi Kuhn que
expôs os limites da crença de que os fatos científicos são
independentes, afirmando que não é possível separar os fatos científicos das percepções, os
valores e ação do ser humano na produção do conhecimento científico. (CAPRA; LUISI, 2014)
Desta maneira, se estabelece um processo que vivemos ainda hoje, de mudança de paradigma na
ciência, representada pela metáfora de Fritjof Capra (CAPRA; LUISI, 2014), de que o mundo deixa
de ser visto como máquina (controlada, objetiva, simples) para ser visto como uma rede
(complexa, instável, interconectada).
Dessa forma, a ciência novo-paradigmática emergente propõe novos pressupostos que
contrapõem os pressupostos da ciência tradicional, como Vasconcellos (2013) ilustra no quadro
abaixo:
Quadro 3 – Referência para a transformação paradigmática da ciência
Fonte: Adaptada de VASCONCELLOS, 2013 
A mudança de uma visão mecanicista para uma visão ecológica e holística, conhecida
atualmente como sistêmica, vem acontecendo de maneira gradual, tendo se desenvolvido
Ciência Tradicional 
Ciência Novo-Paradigmática
Emergente
Simplicidade (Análise,
relações causais lineares)
→ 
Complexidade (Contextualização
relações causais recursivas)
Estabilidade (Determinação,
previsibilidade,
reversibilidade,
controlabilidade)
→ 
Instabilidade (Indeterminação,
imprevisibilidade,
irreversibilidade,
incontrolabilidade)
Objetividade (Realidade
independente, Universo)
→ 
Intersubjetividade (objetividade
entre parêntesis, Multiversa)
inicialmente nas áreas da biologia, matemática, antropologia e física, avançando também para
as áreas sociais e psicologia, por exemplo.
Veja abaixo um quadro resumo de importantes precursores do desenvolvimento das teorias
sistêmicas:
Quadro 4 – Precursores do desenvolvimento das teorias sistêmicas
Precursor Obras
Bertalan�y (biólogo/Áustria) 
1901-1972
Elabora a “Teoria do
Organismo como sistema
aberto” (1940);
Elabora a “Teoria Geral dos
Sistemas” (1968).
Wierner (Matemático/EUA)  
1894-1964
Publica “Cibernética” (1948);
Publica “Cibernética e
Sociedade” (1951);
Teoria da Cibernética.
Precursor Obras
Bateson
(Antropólogo/Inglaterra) 
1904-1980 
Publica “Comunicação:
Matriz social da psiquiatria”
(1951);
Publica resultados da
pesquisa sobre Comunicação
(1960);
Publica “Passos para uma
ecologia da mente);
Teoria da Comunicação.
Fonte: Adaptada de VASCONCELLOS, 2013
Reflita 
Olhando para essa peça de um quebra-cabeça, você consegue dizer qual
imagem ela compõe no todo?
Figura 5 – Exemplo de como o foco em uma parte limita
conhecer o todo
Fonte: Adaptada de Getty Images
 
#ParaTodosVerem: foto de uma única peça de quebra-cabeça na cor azul, sem
nenhuma referência do que poderia ser imagem total do quebra-cabeça. Fim da
descrição.
Podemos até ter uma ideia da imagem que essa peça compõe. Pode ser o céu? Ou um rio? O mar?
Porém, para compreender melhor, é preciso ampliar o campo e o foco da visão. Ao fazermos
esse exercício, podemos perceber a complexidade e riqueza do contexto ao redor dessa peça, que
existe algo além daquilo que estamos acostumados a ver.
Figura 6 – Exemplo da importância de ampliar o foco e
analisar o contexto para compreender o todo
Fonte: Getty Images
 
#ParaTodosVerem: foto de uma um quebra-cabeça parcialmente montado de
uma paisagem de um campo verde, com flores roxas e um céu azul. A peça
ilustrada na figura 5 faz parte do céu azul. Fim da descrição.
Aqui, ao observarmos a paisagem que as peças do quebra-cabeças compõem, podemos perceber
um complexo de elementos em interação, ou seja, um sistema. (VASCONCELLOS, 2013)
Um sistema é um todo integrado, cujas propriedades essenciais surgem das relações entre suas
partes. Tem a ver com a ideia de estarmos conectados (conexidade). O sistema não pode ser
reduzido às propriedades das partes. As propriedades sistêmicas são destruídas quando o
sistema é dissecado (CAPRA; LUISI, 2020; VASCONCELLOS, 2013)
Dentro deste novo paradigma emergente, reforça-se a importância de contextualizar o objeto
estudado em sistemas amplos, analisar a rede interligada de relações com outros objetos e
sistemas. 
Lembra-se das imagens acima sobre os diferentes pontos de vista? É necessário contextualizar
para entender o ponto de vista de quem olha o objeto, de que ângulo, em quais condições.
(CAPRA; LUISI, 2014; VASCONCELLOS, 2013)
Alguns dos princípios básicos do pensamento sistêmico enfatizado pelas teorias precursoras e
autores contemporâneos são (VASCONCELLOS, 2013; MORIN, 2003; CAPRA; LUISI, 2020):
Resumindo…
A mudança de paradigma envolve mudança de valores. Veja o quadro resumo proposto por Capra
e Luisi (2014):
Quadro 5 – Mudança de pensamento e valores entre os paradigmas tradicional e sistêmico da
ciência
Totalidade: O todo é maior que a soma das partes e cada parte só pode ser entendida
no contexto do todo;
Organização: uma mudança em uma parte afeta todas as partes. As partes estão
sempre mudando a fim de estabilizar o sistema. O todo se regula por meio de
circuitos de retroalimentação/feedbacks;
Padronização: eventos e comportamentos formam ao longo do tempo padrões
constantes e repetitivos que funcionam para equilibrar o sistema, permitindo que
evoluam de um estágio para o outro;
Interação: a relação entre os componentes distingue o sistema de um simples
aglomerado de partes. Foco nas relações;
Circularidade: as influências não são unilaterais, apenas de A para B, mas também
de B para A.
Pensamento Valores
Autoafirmativo Integrativo Autoafirmação Integração
Racional Intuitivo Expansão Conservação
Analítico Sintético Competição Cooperação 
Reducionista Holístico Quantidade Qualidade 
Linear Não linear Dominação Parceria
Fonte:Adaptada de CAPRA; LUISI, 2014 
Isso não significa que o que nos trouxe até aqui, que os pressupostos da ciência tradicional não
servem, nem é uma questão dicotômica de definir o que é bom e o que é mau.
Capra e Luisi (2014) destacam que o que é ruim nisso tudo é o desequilíbrio, é dar ênfase
excessiva em uma, e negligenciar a outra maneira de pensar e desenvolver conhecimento.
Reflita 
Agora que você conhece as noções básicas sobre paradigma e consegue
distinguir os pressupostos da ciência tradicional e da ciência novo-
paradigmática embasado no pensamento sistêmico, que tal fazer o
Na próxima Unidade de aprendizagem, trabalharemos os paradigmas e a visão sistêmica na área
da saúde. Te espero lá!
exercício de observar os paradigmas que embasam seus valores de vida
e comportamentos em relação aos diversos aspectos e papéis que
desempenha na vida? Que tal começar fazendo o exercício de
identificar, como estudantes da área da saúde, quais são os
paradigmas que envolvem o conceito de saúde e de doença?
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
  Livros  
Pensamento Sistêmico 
VASCONCELLOS, M. J. E. D. Pensamento Sistêmico: o novo paradigma da ciência. São Paulo:
Papirus Editora, 2018.
A Cabeça Bem-feita: Repensar a Reforma, Reformar o
Pensamento 
MORIN, E. A Cabeça Bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2000.
  Filme  
2 / 3
˨ Material Complementar
O Ponto De Mutação (filme 1990)  
Se você gosta de filmes, minha sugestão é o filme a seguir, baseado no
livro de Fritjof Capra, que aborda um diálogo de três pessoas que,
embora tenham estilos de vida e pensamentos diferentes, são abertas a
novas ideias. 
  Leitura  
As Origens do Pensamento Sistêmico: Das Partes para o Todo
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
O Ponto De Mutação (�lme 1990)
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/penf/v18n2/v18n2a02.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=Q-c5_xnRsTI
CAPRA, F.; LUISI, L. A visão sistêmica da vida: uma concepção unificada e suas implicações
filosóficas, políticas, sociais e econômicas. Versão digital. São Paulo: Cultrix, 2014.
FACHIN, O. Fundamentos de Metodologia. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.
KUHN, T. S. A Estrutura das Revoluções Científicas. 13. ed.
São Paulo: Perspectiva, 2017. 
MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 1990.
MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8. ed. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2003. 
PRODANOV, C. C. Metodologia do trabalho científico [recurso eletrônico]: métodos e técnicas da
pesquisa e do trabalho acadêmico / Cleber Cristiano Prodanov, Ernani Cesar de Freitas. 2. ed.
Novo Hamburgo: Feevale, 2013. Acesso em: Agosto, 2022. Disponível em:
.
VASCONCELLOS, M. J. E. Pensamento sistêmico: o novo paradigma da ciência. 9. ed. Campinas:
Papirus, 2013. 
3 / 3
˨ Referências

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