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MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 1 ANÁLISE DE DANOS DE COLHEITA DE MADEIRA EM FLORESTA TROPICAL ÚMIDA SOB REGIME DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA OCIDENTAL Alberto Carlos Martins Pinto ÍNDICE Página RESUMO ......................................................................................... 3 1. INTRODUÇÃO............................................................................ 4 1.1. Importância do estudo ............................................................... 4 1.2. Objetivos................................................................................... 5 2. REVISÃO DE LITERATURA ..................................................... 5 2.1. Floresta Amazônica................................................................... 5 2.2. Manejo florestal sustentável...................................................... 7 2.3. Impactos ambientais do manejo florestal sustentável................ 10 2.3.1. Principais impactos ambientais da colheita de madeira.......... 12 2.3.1.1. Efeitos sobre o solo ....................................................... 13 2.3.1.2. Efeitos sobre a vegetação .............................................. 14 2.3.1.3. Efeitos do corte de madeiras e da extração das toras...... 16 2.3.1.4. Efeitos dos sistemas silviculturais ................................. 19 2.3.1.5. Efeitos sobre a fauna silvestre ....................................... 23 3. MATERIAL E MÉTODOS........................................................... 24 3.1. Caracterização da área de estudo............................................... 24 3.2. Amostragem e coleta dos dados ................................................ 26 3.2.1. Nível I de abordagem ....................................................... 27 3.2.2. Nível II de abordagem...................................................... 29 3.2.3. Nível III de abordagem..................................................... 29 3.2.4. Nível IV de abordagem .................................................... 29 3.3. Classificação das espécies por grupos de uso............................ 29 3.4. Análise estrutural da floresta..................................................... 30 3.4.1. Composição florística....................................................... 30 3.4.2. Parâmetros fitossociológicos ............................................ 32 3.4.2.1. Estrutura horizontal .................................................... 32 3.4.2.2. Estrutura vertical ........................................................ 33 3.4.2.2.1. Posição sociológica ............................................ 33 3.4.2.2.2. Regeneração natural ........................................... 34 MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 2 Página 3.4.3. Estrutura paramétrica ....................................................... 35 3.4.3.1. Distribuição diamétrica .............................................. 36 3.4.3.2. Distribuição da área basal........................................... 36 3.4.3.3 Distribuição volumétrica ............................................. 36 3.5. Análise estatística...................................................................... 36 3.6. Planejamento da colheita de madeira ........................................ 36 3.6.1. Inventário pré-colheita ..................................................... 37 3.6.2. Corte florestal .................................................................. 37 3.6.3. Trilhas de arraste .............................................................. 38 3.6.4. Arraste ............................................................................. 38 3.6.5. Transporte - carregamento da balsa .................................. 38 3.6.6. Máquinas e equipamentos utilizados na colheita florestal. 39 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................... 39 4.1. Composição florística ............................................................... 39 4.1.1. Diversidade de espécies.................................................... 42 4.2. Estrutura horizontal................................................................... 45 4.3. Estrutura vertical ....................................................................... 48 4.3.1. Posição sociológica .......................................................... 48 4.3.2. Regeneração natural ......................................................... 53 4.4. Danos causados pela colheita florestal às árvores remanes- centes ........................................................................................ 56 4.4.1. Qualidade de fuste............................................................ 56 4.4.2. Danos à vegetação adulta ................................................. 60 4.4.3. Estrutura dos diâmetros, da área basal e do volume .......... 68 5. RESUMO E CONCLUSÕES........................................................ 73 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................... 74 APÊNDICE ...................................................................................... 82 MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 3 RESUMO O presente estudo foi realizado com o objetivo de avaliar a intensi- dade de danos decorrentes da colheita florestal na composição florística e estrutura de duas áreas de Floresta Amazônica. Para isso, comparou-se, em termos florísticos e estruturais, um trecho de floresta primária não-explorada (FPNE) e um trecho de floresta primária explorada (FPE). O experimento foi conduzido em uma área localizada no município de Manicoré, Estado do Amazonas, com aproximadamente 204 ha na FPNE e 202 ha na FPE. Realizou-se o inventário utilizando o método de amostragem aleatória, em ambas as áreas. As amostragens foram executadas em quatro níveis de abordagens. No nível I foram instaladas cinco parcelas de 100 m x 100 m (1 ha), em que foram avaliados os indivíduos com DAP ≥ 15 cm. No nível II, as parcelas do nível I foram subdivididas sistematicamente em subparcelas de 10 m x 10 m (100 m2), sendo amostradas aleatoriamente somente cinco destas por parcela do nível I, totalizando 2.500 m2, em que foram avaliados todos os indivíduos (varejões) entre 5,0 ≤ DAP < 15 cm. No nível III, cada subparcela do nível II foi subdividida em subparcelas de 5 m x 5 m (25 m2), totalizando 625 m2, em que foram avaliados todos os indivíduos (varas) entre 2,5 ≤ DAP < 5 cm. Para determinação do estoque de regeneração (nível IV), foram avaliados todos os indivíduos (mudas) com DAP < 2,5 cm até altura ht ≥ 0,3 m; cada subparcela do nível III foi subdividida em subparcelas de 2,5 m x 2,5 m (6,25 m2), sendo amostrada uma subparcela de 6,25 m2 em cada subparcela de 25 m2, totalizando 156,25 m2. Foram avaliados a composição florística (composição de espécies), a estrutura fitossociológica (estruturas horizontal e vertical), os danos à vegetação adulta e a estrutura paramétrica (distribuição diamétrica, área basal e volume). Com base nos resultados obtidos, verificou-se que a floresta explorada apresenta maior riqueza de espécies que a floresta não-explorada. A colheita seletiva de madeira não modificou a compo- sição florística da floresta e não afetou a composição florística dos grupos de uso; as diferenças em composição florística ocorreram apenas em se tratando de números de famílias. A colheita seletiva de madeira alterou a estrutura horizontal da floresta apenas no nível I de abordagem (DAP ≥ 15 cm), em termos de número de árvores/ha (densidade absoluta - DA), área basal (dominância absoluta - DoA) e volume (Vol). A estrutura vertical da floresta foi afetada no nível I de abordagem, no estrato 2 (8,02 m ≤h < 22,03) e, no nível II de abordagem, no estrato 1 (h < 8,02 m). Na regeneração natural, espécies de interesse comercial, como Nectandra rubra (louro-vermelho) e Protium sp. (cedrinho), apresentaram regeneração nula, podendo ser elimina- das da área por meio da colheita seletiva. Não ocorreram danos significativos nas árvores com DAP ≥ 5 cm. As modificações nas estruturas de diâmetro, área basal e volume da floresta explorada foram mais evidentes nas maiores classes de distribuição diamétrica, principalmente, das espécies comerciais. Apesar da redução de DA, DoA e Vol na floresta explorada, os danos oriundos da colheita florestal na área em questão foram baixos, quando comparados aos de outras áreas de colheita seletiva na região. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 4 1. INTRODUÇÃO 1.1. Importância do estudo Nos últimos anos, a Floresta Amazônica tem merecido atenção especial por parte das comunidades nacional e internacional, pelo fato de essa formação florestal conter a maior biodiversidade do planeta. A despeito disso, seus recursos madeireiros e não-madeireiros que apresentam elevado potencial de matérias-primas e de bens e serviços para a sociedade estão sendo explorados de forma tradicional, concentrando a colheita florestal somente na extração de produtos madeireiros, caracterizados pela máxima retirada de madeira por unidade de área, das espécies de melhor valor econômico. Essa forma de colheita promove danos na floresta, que são fáceis de serem relacionados, como degradação genética do patrimônio florestal, danos irreparáveis nas árvores remanescentes e estragos nas classes responsáveis pela recomposição florestal. O método tradicional de colheita florestal sem planejamento realizado de maneira intensa e seletiva tem transformado florestas de grande densidade populacional, com grande volume de madeira de alto valor comercial, em florestas degradadas, de baixo valor comercial e de difícil recuperação. A derrubada de árvores praticada na Amazônia é considerada 80% ilegal (GREENPEACE, 1999). Na maior parte dos casos, os planos de manejo flo- restal não são seguidos, e sim usados meramente para satisfazer requerimentos legais; além disso, grande parte da extração considerada “legal” é altamente destrutiva, já que emprega tecnologias de processamento inadequadas, acarre- tando enorme desperdício. Em média, apenas 1/3 da madeira extraída é trans- formada em produtos finais (UHL et al., 1996). Nesse tipo de colheita, não existe nenhuma preocupação com sua capacidade de regeneração e, muito menos, com os danos que esta esteja tra- zendo à vegetação remanescente responsável pela regeneração e pelas produ- ções futuras, uma vez que não são considerados os princípios do manejo florestal sustentável para garantir a sustentabilidade da produção florestal. O manejo florestal sustentável contribui para a manutenção e utiliza- ção de maneira adequada da cobertura florestal e favorece o desenvolvimento de técnicas de análises quantitativas nas decisões sobre composição, estrutura e localização de uma floresta, de maneira que esta forneça benefícios ambien- tais, econômicos e sociais, na quantidade e na qualidade necessária, mantendo a diversidade e garantindo a sustentabilidade da floresta. Além do mais, o manejo pode conciliar a colheita dos produtos florestais com a conservação da biodiversidade da floresta, garantindo, assim, uma fonte de recursos de igual tamanho para as próximas gerações. Uma colheita florestal planejada e executada com rigorosos critérios técnicos não só causa baixo impacto ambiental nos meios físico, biótico e antrópico, como também proporciona significativa redução nos custos totais da colheita de madeira; por conseguinte, contribui para a sustentabilidade MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 5 ambiental, econômica e social do plano de manejo florestal. Entretanto, a colheita de madeira com base nas recomendações de um plano de manejo sustentável, por si só, não garante a sustentabilidade da floresta explorada. Torna-se importante também conhecer a composição florística, a estrutura da floresta e a intensidade com que os danos da colheita de madeira estão ocorrendo nos diversos estratos responsáveis pela sustentabilidade da floresta, sendo componentes essenciais quando se pretende adotar técnicas e métodos de corte e transporte e estabelecer planos de corte tecnicamente mais adequa- dos, no sentido de conservar a biodiversidade da floresta e torná-la auto- sustentável. 1.2. Objetivos Um plano de manejo sustentável visa maximizar a produção florestal e minimizar os danos no remanescente responsável pela sustentação produtiva, estrutural, funcional e genética da floresta explorada. Identificar, qualificar e quantificar a intensidade com que estes danos ocorrem, nos estratos florestais e nas diversas etapas de colheita florestal, é de suma importância para garantir a sustentabilidade da floresta, podendo inviabilizar tanto técnica como economicamente um plano de manejo florestal sustentável. Pelo fato de a área de estudo (do plano de manejo já em andamento) apresentar floresta primária não-explorada e floresta primária explorada, planejou-se executar a amostragem em áreas independentes. Dessa forma, especificamente, procurou-se: - Caracterizar a composição florística e a estrutura da floresta primária não- explorada e da floresta primária explorada, respectivamente, para a produção sustentável de madeira de maneira sustentada, mantendo-se a diversidade florística e faunística e conservando seu potencial de uso múltiplo. - Qualificar e quantificar os danos na floresta primária não-explorada e da floresta primária explorada, em se tratando de volume, área basal e número de indivíduos por grupo de espécies e classes diamétricas. 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. Floresta Amazônica A Floresta Amazônica, ecossistema complexo, constituído por povoa- mentos florestais nativos, apresenta grande diversidade de espécies de diferentes classes de tamanho, idades e, sobretudo, indivíduos e espécies vegetais com distintas características ecofisiológicas (SOUZA et al., 1998). Este autor acrescenta, ainda, que essa diversidade é a grande responsável pela MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 6 exuberância, sustentação e produção que a grande maioria dessas florestas apresenta, a despeito dos solos pobres que normalmente lhes dão suporte. A Amazônia apresenta mais de 3.000.000 km2 de floresta equatorial (JARDIM, 1995), sendo caracterizada por possuir recursos florestais imensos, abrigando um terço das florestas tropicais do mundo (VERÍSSIMO e AMARAL, 1996). A região amazônica produz 75% da madeira em tora do Brasil. As exportações ainda são modestas (em torno de 4% do comércio global de madeiras tropicais), mas devem crescer com a exaustão das florestas asiáticas. A previsão é de que antes do ano 2010 a Amazônia seja o principal centro mundial de produção de madeiras tropicais (AMARAL et al., 1998). As estimativas de estoques mais modestos indicam um valor de 60 bilhões de metros cúbicos de madeira em tora de valor comercial, o que coloca a região como detentora da maior reserva de madeira tropical do mundo. Além do valor madeireiro, a floresta tem riquezas muito mais amplas, como óleos, resinas, frutas, fibras e plantas de valor medicinal. A Amazônia contém ainda aproximadamente um terço das espécies de animais, plantas e microrganismos existentes. Mais do que tudo isso, existem os serviços que a floresta presta para o equilíbrio do clima regional e global, especialmente através da manu- tenção dos ciclos hidrológicos e de retenção de carbono (VERÍSSIMO e AMARAL, 1996). Diante dessa enormidade de recursos naturais, o Estado do Pará é, delonge, o estado que mais explora madeira no Brasil. Qualquer unidade de medida mostra que a indústria madeireira paraense é uma das atividades mais importantes, gerando 13% do PIB do estado, e emprega milhares de pessoas, direta e indiretamente, sendo, também, um dos principais agentes de trans- formação no Pará (BARROS e VERÍSSIMO, 1996). Por outro lado, o Estado do Amazonas é o maior do País, com aproximadamente 1,5 milhão de km2, possuindo, assim, enorme porção dos recursos florestais da Amazônia (HUMMEL, 1997). Entretanto, é o estado que tem a menor taxa anual de desmatamento da região (HIGUCHI et al., 1998). Estes autores comentam ainda que, segundo dados do Inpe (1998) até o ano de 1996, 11,9% da Amazônia já estava desmatada, enquanto no Estado do Amazonas a taxa acumulada de desmatamento era de apenas 1,8%. Para HUMMEL (1997), esse fato se deve muito mais à dificuldade de acesso, devido à falta de estradas, que a uma política florestal definida e com objetivos claros de conservação dos recursos naturais renováveis. Apesar disso, a área remanescente do estado coberta por floresta primária ainda é de mais de 150 milhões de hectares. No entanto, é preciso estar atento ao fato de que a abundância, em si, nem sempre foi uma boa referência para o adequado aproveitamento dos recursos florestais, e a sociedade, em geral, tem sido pouco eficiente para antecipar a escassez (LANLY, 1995). Portanto, a Amazônia é um dos maiores desafios para a ciência flores- tal, no que concerne ao seu aproveitamento em bases sustentáveis. O uso desses recursos naturais é imprescindível para a melhoria da qualidade de vida do povo que deles depende. No entanto, é fundamental que tal uso seja condi- MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 7 cionado à auto-sustentabilidade, o que implica um planejamento, a médio e longo prazo, por meio de um zoneamento agroeco1ógico, que definirá os possíveis e melhores usos para cada área (JARDIM, 1995). 2.2. Manejo florestal sustentável O marco inicial do manejo florestal sustentável ocorreu para atender as necessidades humanas, e, inicialmente, nada mais era do que simples normas de regulação de colheita de florestas e de espécies vegetais ameaçadas de extinção (DAVIS, 1966). Historicamente, o marco referencial da aplicação do manejo florestal sustentável vem da segunda metade do século XIX, quando áreas extensivas de teca (Tectona grandis) na Índia, Burma e Indonésia foram submetidas a manejo (JONKERS 1987), e os trabalhos pioneiros que visavam o manejo sustentável das florestas tropicais datam de 1906, na Índia (SOUZA e JARDIM, 1993). Segundo estes autores, com base em Baurr (1964), embora tenham surgido na Índia, foi na Malásia que os sistemas silviculturais aplicáveis no manejo florestal sustentável tiveram suas raízes edificadas, sobretudo no período de 1910 a 1920, em que os tratamentos silviculturais, aplicados numa floresta de 49.000 acres, forneceram as bases para concepção do Sistema Malaio Uniforme (SMU), e a partir deste conceberam-se os demais sistemas uniformes. Ainda de acordo com SOUZA e JARDIM (1993), no período de 1939 a 1945, iniciaram-se as operações silviculturais na Nigéria, sob o nome de Sistema Tropical de Cobertura (STC), que também foi introduzido, de forma modificada, em Ghana, em 1945. Em 1939, um sistema silvicultural também denominado STC foi introduzido em Trinidad e Tobago. As experiências em Trinidad e Tobago levaram à adoção do sistema de seleção, em Porto Rico, em 1943. Embora trabalhos de FAO (1989a) e FAO (1989b) mencionem que o manejo florestal nas Filipinas data de antes do século XV, na década de 50 é que foi desenvolvido o Sistema Filipino de Exploração Seletiva. No Suriname, foi adotado, em 1965, um sistema de manejo policíclico, em detrimento dos sistemas monocíclicos, isto é, SMU e STC, o qual já foi experimentado com insucesso. Em resumo, com as experiências adquiridas ao longo dos anos, o SMU e o STC evoluíram e foram aplicados, com modificações, no manejo de florestas tropicais da Ásia, África e América (GRAAF, 1986; JONKERS, 1987; FAO, 1989a; FAO, 1989b; HENDRISON, 1989; SILVA, 1989; SOUZA e JARDIM, 1993). Na Floresta Amazônica, o marco científico para tornar as florestas naturais mais produtivas, sob o ponto de vista madeireiro, remonta à década de 50, quando, por solicitação do governo brasileiro, alguns peritos da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) deram início às primeiras pesquisas silviculturais. Após um período de semiparalisação nos anos 60, por problemas de ordem institucional, a pesquisa voltaria a ter conti- MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 8 nuidade a partir da metade da década de 70, tendo sido ampliada por outras instituições governamentais (YARED, 1996). A possibilidade de utilização das florestas tropicais ganhou nova dimensão a partir do advento da idéia de que o crescimento econômico e a conservação ambiental podem e devem ser compatíveis (desenvolvimento sustentável), a qual foi lançada em 1980 no debate público sobre a estratégia de conservação do mundo (MAINI, 1992). Este fato viria a ser realçado por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvi- mento (ECO-92), realizada no Rio de Janeiro, em que o papel das florestas na conservação da biodiversidade e na estabilidade do clima foi bastante enfatizado. Na concepção atual, o manejo das florestas tropicais objetiva, predo- minantemente, a produção de madeira com fins industriais, produtos não- madeireiros e valores universais, como a manutenção da biodiversidade (FERREIRA, 1997). As experiências e as práticas de manejo sustentável de florestas tropicais, desenvolvidas desde a sua concepção, em 1900, até o presente, demonstraram, com seus sucessos e insucessos, que o manejo de florestas nativas tropicais só é eficiente quando aplicado num processo contínuo, visan- do estimular os processos de dinâmica de sucessão natural e de crescimento e produção florestal, preferencialmente das espécies de valor comercial (SOUZA et al., 1998). Já existem, em alguns países, resultados da prática do manejo que podem ser considerados satisfatórios, como na Malásia, com as florestas de dipterocarpáceas (THANG, 1987); no entanto, em outros países, observa-se que essa atividade em escala comercial é preocupante, como na floresta africana da Nigéria (LOWE, 1978), devido ao baixo índice de regene- ração natural das espécies de interesse comercial. Para WHITMORE (1990), o manejo florestal sustentável depende dos processos de regeneração natural para ser compatível com a manutenção de grande parte da diversidade biológi- ca, porém não necessariamente com a preservação de todas as espécies. Para SOUZA et al. (1998), o manejo florestal sustentável das florestas tropicais, para produção econômica de produtos madeireiros e não-madei- reiros, é a garantia de sua conservação. As experiências e as práticas de manejo sustentável das florestas tropicais demonstraram, apesar da viabilidade técnica, econômica, social e ecológica dos planos de manejo sustentável, que há diversos obstáculos ou restrições ao manejo das florestas tropicais (FONTAINE, 1986/4; WYATT- SMITH, 1987). Apesar da obrigatoriedade de apresentação dos planos de manejo sustentável, a simples colheita seletiva de madeira é a atividade que predo- mina, ou seja, a atividade de manejo como um sistema de uso da terra não conseguiu auferir, ainda ao longo dos anos, a devida expressão prática nos países tropicais (YARED e SOUZA, 1993). Além disso, a legislação vigente não tem sido eficaz para firmar a atividade florestal na Amazônia (NASCIMENTO, 1992), sendo a colheita MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 9 seletiva de madeira ainda uma atividadeprevalecente e responsável pelo abastecimento da maioria das indústrias. Para UHL et al. (1996) e AMARAL et al. (1998), saber como manejar as florestas é importante, mas deve-se combinar esse conhecimento com: regulamentos que especifiquem onde a colheita de madeira deve ser permitida ou proibida, realizando-se um zoneamento florestal, que permitiria diferenciar as áreas com vocação florestal daquelas que deveriam ser mantidas fora do alcance da colheita de madeira; e legislação florestal efetiva, ou seja, uma política florestal coerente para a região que incentive o manejo. Na Amazônia, as práticas de colheita de madeira podem ser caracteri- zadas como “garimpagem florestal”. Inicialmente, os madeireiros entram na floresta para retirar apenas as espécies de alto valor. Em seguida, em intervalos cada vez menores, eles retornam à mesma área para retirar o restante das árvores de valor econômico. O resultado é uma floresta com grandes clareiras e dúzias de árvores danificadas. A dinâmica da colheita não-manejada favorece a ocupação desordenada da região. Nas áreas de fronteira, são os madeireiros que constroem e mantêm estradas de acesso às florestas, o que geralmente conduz à colonização espontânea por pequenos agricultores e, em alguns casos, invasão de unidades de conservação e terras indígenas. Nas áreas destinadas à atividade florestal, a colheita de madeira deve ser feita de forma manejada. A adoção do manejo possibilita a manutenção da estrutura e composição de espé- cies da floresta, enquanto gera benefícios sociais e econômicos (AMARAL et al., 1998). AMARAL et al. (1998) afirmam que as principais razões para manejar a floresta são: • Continuidade da produção - a adoção do manejo garante a produção de madeira na área indefinidamente e requer a metade do tempo necessário na colheita não-manejada. • Rentabilidade - os benefícios econômicos do manejo superam os custos. Estes benefícios decorrem do aumento da produtividade do trabalho e da redução dos desperdícios de madeira. • Segurança de trabalho - as técnicas de manejo diminuem drastica- mente os riscos de acidentes de trabalho. • Respeito à lei – o manejo florestal é obrigatório por lei. As empresas que não fazem manejo estão sujeitas a diversas penas. Embora a ação fiscali- zadora tenha sido pouca efetiva até o momento, é certo que essa situação vai mudar. Recentemente, têm aumentado as pressões da sociedade para que as leis ambientais e florestais sejam cumpridas. • Oportunidades de mercado - as empresas que adotam um bom manejo são fortes candidatas a obter um “selo verde”. Como a certificação é uma exi- gência cada vez maior dos compradores de madeira, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, as empresas que tiverem um selo verde, provando a autenticidade da origem manejada de sua madeira, poderão ter maiores facilidades de comercialização no mercado internacional. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 10 • Conservação florestal - o manejo da floresta garante a cobertura florestal da área, retém a maior parte da diversidade vegetal original e pode ter pequeno impacto sobre a fauna, se comparado à colheita não-manejada. • Serviços ambientais - as florestas manejadas prestam serviços para o equilíbrio do clima regional e global, especialmente por meio da manutenção do ciclo hidrológico e da retenção de carbono. É importante destacar que em poucos países o manejo sustentável é uma questão pertinente como no Brasil, pois a Amazônia é a maior extensão de floresta tropical do mundo, com a mais rica biodiversidade da Terra. Como o desmatamento convencional causa danos profundos à floresta, fazendo perder a sua resiliência, com o uso de métodos e técnicas de manejo florestal sustentável, madeireiros e proprietários de terra podem conservar a floresta e melhorar a qualidade geral das operações de colheita. Cabe ressaltar que, se as tendências atuais de consumo continuarem, o Brasil deverá tornar- se um dos maiores fornecedores de madeira tropical no mercado internacional. Assim, a fim de que práticas responsáveis para com o meio ambiente sejam implementadas, será necessário atender aos critérios e indicadores de manejo florestal sustentável da Organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO), para que todo o comércio de madeira tropical passe a ser produzido a partir de florestas de manejo sustentável (CATERPILLAR, 19--). 2.3. Impactos ambientais do manejo florestal sustentável Para a maioria dos pesquisadores florestais, é consenso que o uso florestal racional, com rendimento sustentável, é a forma de utilização mais adequada e menos danosa que se pode dar às florestas, principalmente quando comparado com as frentes de expansão agrícola ou com a mineração, pois implica nunca desnudar o solo, mantendo-se sempre uma cobertura vegetal, que é denominada estoque em crescimento ou capital florestal (JARDIM, 1995). Do ponto de vista legal, a preocupação do setor público em disciplinar o uso dos recursos florestais amazônicos manifestou-se formalmente por ocasião da criação do Código Florestal Brasileiro (Lei Federal no 4.771, de 15/09/65). Por esse instrumento, em seu artigo 150, ficou estabelecida a proibição de exploração, sob forma empírica, das florestas primitivas da bacia amazônica, sendo somente possível a sua utilização em observância a planos técnicos de condução e manejo. Complementarmente, as normas e portarias originadas do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e, posteriormente, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA viriam a perfazer o conjunto legal das exigên- cias a serem cumpridas pelas indústrias consumidoras de madeira, no que diz respeito à reposição florestal (YARED, 1996). Segundo este autor, a exemplo de outros segmentos econômicos, mais recentemente, as atividades que envolvem o uso dos recursos florestais passaram também a se enquadrar na Política Nacional de Meio Ambiente (Lei Federal no 6.938, de 31/08/81) e na MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 11 Resolução no 001, de 23/01/86, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), a qual definiu as normas e estabeleceu as responsabilidades, as diretrizes gerais e os critérios básicos para a utilização e a implementação da Avaliação de Impactos Ambientais (AIA), em seu artigo 20, inciso XIV, que trata especificamente da colheita econômica de madeira ou de lenha. COELHO (1999) comenta ainda que se deve acrescentar a essas leis a promulgação da nova Constituição Brasileira, que traz no seu conteúdo um dispositivo específico sobre o meio ambiente, no qual alguns pontos merecem destaque: • O novo papel do Estado Brasileiro na área florestal. A competência para preservar e conservar as florestas, a fauna e a flora torna-se comum à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios (art. 23). • Competência para legislar concorrentemente com a União, os Esta- dos e o Distrito Federal sobre florestas, caça, pesca, fauna, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição (art. 24). • A questão florestal é inserida no seu contexto no capítulo sobre meio ambiente (art. 225). • Conceituação dos principais biomas do país: Floresta Amazônica, Mata Atlântica e Pantanal Mato-grossense como patrimônios nacionais sub- metidos a um regime jurídico especial, cuja colheita só poderá ser realizada mediante técnicas de manejo florestal sustentável (art. 225). Atualmente, o plano de manejo florestal sustentável é um instrumento previsto no artigo 15 do Código Florestal, no art. 1o do Decreto 1.282/94 e no artigo 1o da Portaria no 048/95. Para poder realizar a extração de madeira, o usuário deve ter em mãos a competente Autorização para Exploração, expedi-da em modelo próprio do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, órgão oficial responsável pelo controle dos projetos de manejo florestal. Os órgãos estaduais realizam o licenciamento ambiental, quando das exigências de Estudo Prévio de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EPIA/RIMA) para Planos de Manejo Florestal com áreas superiores a 2.000 ha (HUMMEL, 1997). Em caso de desrespeito a essas leis, decretos e portarias, o usuário poderá ser enquadrado na mais recente lei contra crimes ambientais, Lei no 9.605, editada em fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente (COELHO, 1999). Vale acrescentar que o bom manejo da floresta, para obtenção de produtos madeireiros, conforme HUMMEL (1997), necessita de colheita de baixo impacto, aplicação de tratamentos silviculturais e monitoramento. Para sistemas de produção voltados prioritariamente para a produção de madeira, essas práticas podem ser traduzidas, com algumas adaptações, em face das diferentes tipologias florestais, nas seguintes operações: inventário diagnóstico e planejamento de longo prazo da área total, incluindo talhonamento e áreas de preservação permanente; inventário pré-exploratório (100%), com o mapeamento das árvores a serem extraídas; definição do sistema silvicultural, MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 12 incluindo intensidade da colheita e tratamentos pré e pós-exploratórios; planejamento de corte, incluindo direcionamento da derrubada e localização de estradas e pátios; treinamento de operadores; e monitoramento de longo prazo. Segundo FERREIRA (1997), a maioria das florestas tropicais explo- radas não é adequadamente manejada, já que, para um manejo sustentável efetivo, existe a necessidade de desenvolvimento de sistemas de manejo ade- quado a essas florestas. Assim, torna-se necessária a adequação de técnicas de colheita, viabilizadas econômica e ecologicamente, mantendo-se a diversidade, a estrutura e o estoque mínimo necessário ao longo do tempo de recomposição de uma floresta em produção (VENTURA e RAMBELLI, 1996). Para SOUZA et al. (1998), apesar de a aplicação das técnicas de manejo sustentável envolver atividades de colheita e de tratamentos silviculturais, não se pode afirmar que o manejo é uma atividade modificadora do meio ambiente. Isto, porque, entre outros argumentos, o manejo deve contemplar: a colheita racional e econômica de produtos madeireiros; a conservação da biodiversidade e a garantia de renovação das florestas; o manejo ecológico das espécies e dos ecossistemas locais, assegurando um meio ambiente ecologica- mente equilibrado; e o fato de a colheita de produtos madeireiros só poder ser feita mediante plano de manejo aprovado nos órgãos ambientais competentes, através de corte seletivo, posto que é proibido o corte raso. Por ocasião da execução da colheita florestal e da aplicação dos tratamentos silviculturais, mesmo que sejam criteriosamente planejados e executados, ocorrem impactos de diferentes naturezas, intensidades e duração no meio físico (ar, solo e água) e no meio biótico (floresta remanescente e fauna), que precisam ser avaliados e eliminados ou potencializados (SOUZA et al., 1998). Os autores acrescentam que os possíveis impactos do manejo sobre os meios biótico e físico são: diminuição da cobertura florestal; danos causados às árvores remanescentes e mudas; alteração da composição florística e estrutura das florestas; exportação de fitomassa e nutrientes; efeitos sobre a fauna silvestre; efeitos sobre o solo e os recursos hídricos; e aumento dos riscos de incêndios. Contudo, o grau destes impactos no meio ambiente depende do sistema de colheita e dos tratos silviculturais adotados (YARED e SOUZA, 1993). 2.3.1. Principais impactos ambientais da colheita de madeira Um sistema de manejo envolve atividades relacionadas com os pro- cessos de colheita da madeira e com os tratos silviculturais empregados no sentido de garantir as safras futuras. Estas atividades podem causar, de várias formas, impacto sobre os meios físico, biótico e antrópico (YARED, 1996). O impacto da colheita florestal inicia-se com a construção das estradas florestais e do pátio de estocagem. Cada operação pode afetar vários compo- nentes do ecossistema, como vegetação, fauna, solo, água e ar (MARTINS, 1995). MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 13 Autores como BRUENIG (1986); JOHNS (1988); WOODS (1989) e HENDRISON (1989) afirmam que as operações de derrubada das árvores, de arraste das toras, de manuseio nos pátios de estocagem e de transporte de toras podem afetar um ou vários componentes do ecossistema, como a diversi- dade de espécies, a fauna, a composição florística e o solo. 2.3.1.1. Efeitos sobre o solo Segundo KEILEN (1992), os danos ao solo podem ser entendidos como alterações deletérias na estrutura deste, causadas por influência mecâ- nica. O grau de deformação é determinado, basicamente, pelo tipo de solo, pelo conteúdo de água e pela força que atua sobre ele. YARED (1996) afirma que os impactos no solo em áreas de manejo provêm das operações de colheita florestal, como a construção de estradas e pátios e o arraste de toras. A magnitude e a extensão do impacto da colheita florestal sobre o solo dependem, em grande parte, da composição e da estru- tura do solo, dos processos biológicos que nele ocorrem e da tecnologia de colheita utilizada, e um dos maiores problemas com o solo em áreas de manejo é a sua compactação. Para SCOPEL et al. (1992), a compactação envolve rearranjo e aproximação maior das partículas sólidas do solo e, em conseqüência, aumento na densidade deste. A tendência de uso, cada vez maior, de máquinas e equipamentos especializados para o arraste de toras, visando aumentar a eficiência da colheita da madeira, tem despertado maior atenção para os problemas de impacto sobre o solo (HENDRISON, 1989). Segundo BARROS e NOVAIS (1990), durante as operações de colheita florestal alguns distúrbios do solo são comuns. Com o impacto no solo das árvores abatidas inicia-se a compactação, podendo ter continuidade nas opera- ções subseqüentes da colheita florestal, uma vez consideradas as atividades que empregam maquinarias. Nessa mesma linha, HENDRISON (1989) relata que, na atividade de remoção das árvores até a estrada ou o pátio de estoca- gem, para posterior transporte são usados skidders ou tratores de esteira, e, nessas operações, o solo e a vegetação também são afetados. Dessa forma, o uso de maquinários móveis e pesados na extração de madeira induz à ocorrência de processos físicos e mecânicos no solo florestal. Os efeitos visíveis são sulcos ou trilhas formados por pneus, tratores de esteira e trans- porte de carga. Em uma floresta pluvial do Suriname foram detectados efeitos de compactação do solo pelo uso do skidder na colheita florestal. Os maiores danos ocorreram nas trilhas principais, com abertura de sulcos de até 34 cm de profundidade e redução da condutividade hidráulica nos horizontes superiores (HENDRISON, 1989). Em outro trabalho realizado no leste de Kalimantan, Indonésia, a extração de 11 árvores por hectare deixou 30% da superfície do solo descoberta e compactada, com reduzida taxa de infiltração de água e aumento na vazão. Sob as trilhas de arraste, que corresponderam a 30% da área explorada, a taxa MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 14 de infiltração foi mais de sete vezes inferior à de florestas não-perturbadas (0,63 cm3/m e 4,62 cm3/m, respectivamente) (MATHER, 1990). A realização da operação de arraste na estação chuvosa pode acentuar o problema, como constatado na floresta tropical do Equador e conformeresultados encontrados no Suriname (HENDRISON, 1989). Com a compactação do solo resultante da utilização de máquinas pesa- das e equipamentos específicos para a colheita florestal, verifica-se também a erosão, que é a conseqüência da menor capacidade de infiltração de água no perfil do terreno, com conseqüente diminuição da capacidade produtiva do sítio, esta última advinda da menor retenção de água no solo (SILVA, 1994). Este autor acrescenta, também, que os processos erosivos verificam-se mais acentuadamente nas áreas abertas por atividades antrópicas, sendo o seu principal efeito a remoção da camada superficial do solo. Com isso, têm-se o empobrecimento do sítio (lavagem da camada superficial), o assoreamento dos canais de drenagem, a contaminação dos cursos d'água pelo carreamento de biocidas, os impactos visuais etc. Segundo REIS et al. (1993), os danos ao solo provenientes da erosão ocorrem devido à remoção da cobertura vegetal, expondo o solo às intem- péries e à compactação, que diminuem a capacidade de infiltração da água no solo, aumentando o escoamento superficial. A diminuição da produtividade de florestas naturais manejadas não tem sido registrada na literatura, uma vez que a maioria das áreas sob manejo nem sequer chegou ao segundo ciclo de corte ou rotação. Entretanto, a mini- mização de impactos no solo é de fundamental importância, por ser este o componente do ecossistema responsável pela manutenção da produtividade (YARED, 1996). A magnitude e a extensão do impacto da colheita florestal sobre o solo dependem, em grande parte, da textura e estrutura do solo, dos processos biológicos que nele ocorrem e da tecnologia de colheita utilizada (YARED e SOUZA, 1993). 2.3.1.2. Efeitos sobre a vegetação Os principais efeitos causados à vegetação pelas atividades de colheita florestal, de acordo com MARTINS (1995), referem-se aos ocasionados às árvores remanescentes e plântulas, à alteração da composição florística e à exportação de biomassa e nutrientes. Além destes fatores, REIS et al. (1993) e SILVA (1994) consideram que as atividades de colheita também são responsáveis pela fragmentação florestal. Nos últimos anos, a colheita seletiva de madeira, seguindo o modelo tradicional, tem sido reportada na literatura como a principal causadora de diminuição da variabilidade genética das populações e, mesmo, da extinção de algumas espécies (MAYDELL, 1991; WEIDELT, 1991). Entretanto, esses danos podem ocorrer tanto na colheita tradicional quanto na utilizada em um sistema de manejo, pois ambos são de caráter seletivo, em razão das peculia- MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 15 ridades do mercado madeireiro para o uso de apenas algumas espécies. Como conseqüência, ocorre diminuição no número de árvores do estoque da popula- ção de algumas espécies (YARED, 1996). Além disso, pode ocorrer seleção genética negativa em determinadas espécies, já que os melhores indivíduos são extraídos (MARTINS, comunicação pessoal). Segundo HENDRISON (1989), a derrubada de árvores, o arraste e a construção de estradas e trilhas são operações da colheita florestal que redu- zem, em primeira instância, a área de cobertura florestal. A dimensão da área aberta por essas atividades dependerá, sobretudo, da intensidade de colheita, do seu planejamento e da sua organização. Como a proporção de áreas abertas está diretamente relacionada à intensidade de colheita, quanto maior for a área aberta, maiores serão também a perda de árvores e mudas do povoamento e a diminuição do estoque em crescimento (YARED, 1996). HENDRISON (1989) constatou, em trabalho realizado no Suriname, que a colheita planejada, comparada à convencional, reduziu em mais de 50% a abertura na área do povoamento, para um mesmo volume estimado. No Brasil, as atividades de colheita seletiva ainda predominam em relação às de colheita planejada. HIGUCHI e VIEIRA (1990), analisando uma área localizada ao norte de Manaus, observaram que a extração, realizada com trator de esteira, de apenas 1,7% das árvores no local eliminou ou danificou 26% do total de indivíduos. Das remanescentes, 12% perderam suas copas, 11% foram arrancadas pelos tratores e 3,1% apresentaram danos na casca, freqüentemente fatais, demonstrando que os danos causados à floresta residual podem ser considerados altos. Outro aspecto que pode estar associado à atividade de colheita florestal, por causar diferentes graus de abertura no dossel, diz respeito a possíveis mudanças na composição florística (YARED, 1996). Alterações na composição florística e na estrutura de florestas tropicais decorrentes da abertura de clareiras naturais ou antrópicas têm sido ampla- mente analisadas e discutidas, estando as principais mudanças relacionadas à substituição de espécies de diferentes grupos sucessionais (BROKAW, 1985; DENSLOW, 1987; UHL et al., 1988; TABARELLI e MANTOVANI, 1997; WEBB, 1998; MARTINS, 1999). Em relação a esse aspecto, os trabalhos de TABARELLI e MANTOVANI (1997) e MARTINS (1999) procuraram avaliar a influência do tamanho das clareiras na colonização por espécies de categorias sucessionais distintas. Apesar de um pequeno grupo de espécies pioneiras estar associado a grandes clareiras, nos dois estudos não foi observada estreita partição de nichos de regeneração pelas espécies arbustivo-arbóreas e sim a resiliência das respectivas florestas estudadas, manifestada na ocupação por espécies secun- dárias, principalmente pequenas clareiras. SOUZA et al. (1998) confirmam essas mudanças, pois os efeitos na composição florística do povoamento estão relacionados com a intensidade de colheita de estoque de cada espécie, com o tamanho da clareira aberta e com o sistema silvicultural adotado. As principais implicações são: possíveis mudan- MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 16 ças na composição florística, extinção de espécies e perda da variabilidade genética das populações (YARED e SOUZA, 1993). CARVALHO (1992) verificou que, na Floresta Nacional do Tapajós, em uma área de colheita experimental, houve diminuição na diversidade de espécies logo após a colheita, mas esta aumentou alguns anos depois, tornan- do-se maior que a da área testemunha. Este autor observou, também, que houve pouca alteração na composição florística. Tais resultados sugerem que a entrada de espécies pioneiras na área de estudo e a manutenção das espécies já existentes podem ter contribuído para o aumento da diversidade. Resta saber qual será o comportamento da floresta em um prazo mais longo. Os impactos da colheita florestal sobre a composição florística podem ser minimizados a partir do estabelecimento de critérios de seleção de árvores a serem retiradas pela colheita florestal ou mantidas na área de manejo, com base nos conhecimentos da estrutura da população de cada espécie, nos meca- nismos de reprodução e no padrão de dispersão. É presumível que a colheita não cause maiores problemas para as espécies que estejam bem representadas nas diferentes classes diamétricas e bem distribuídas no povoamento. Como cautela, é necessário deixar matrizes para as espécies que só aparecem nas classes superiores de diâmetro e que têm dificuldade de se regenerar (YARED, 1996). Segundo MARTINS (1995), a fim de garantir a sustentabilidade da floresta para produção de madeira, é necessário verificar a existência de estoque suficiente de regeneração das espécies de interesse comercial ou de potencial futuro, uma vez que dessa regeneração dependerão os cortes subseqüentes. Portanto, os danos causados pela colheita florestal devem ser cuidadosamente investigados, para detectar seus efeitos sobre a floresta remanescente, na tentativa de eliminá-los ou reduzi-los ao mínimo, evitando prejuízos às produções futuras. Dessa forma, oplanejamento da colheita florestal tem sido reportado como importante ferramenta no sentido de minimizar os impactos sobre o povoamento florestal remanescente. No entanto, o planejamento da colheita para evitar ou minimizar danos ao povoamento remanescente é mais desenvol- vido nos países temperados que nos tropicais. A grande preocupação é que a redução na densidade do povoamento e os danos às árvores remanescentes tenham reflexos econômicos. Alguns tipos de injúrias, por exemplo, podem conduzir à infestação de fungos e ao ataque de pragas, resultando em declínio na qualidade da madeira (SOUZA et al., 1998). 2.3.1.3. Efeitos do corte de madeiras e da extração das toras O efeito da operação de corte sobre uma floresta pode ser comparado ao de uma grande tempestade, visto que são formadas grandes clareiras, as quais variam no tamanho e na forma. As mudanças nas condições microcli- máticas devido às clareiras formadas estimulam a regeneração de grande variedade de espécies. A maior parte da vegetação recentemente formada é MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 17 destruída e decomposta juntamente com os resíduos das árvores mortas, contribuindo com a ciclagem dos nutrientes e estimulando o desenvolvimento do estoque remanescente, tanto dentro como fora das clareiras (JONKERS, 1987). A operação de corte é muito importante para manter a qualidade dos fustes e reduzir custos da colheita, além do fato de se procurar manter a floresta remanescente para futuras colheitas (SUPERINTENDÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA - SUDAM, 1978). SOUZA et al. (1998) afirmam que os danos causados pelo corte estão diretamente correlacionados com o sistema silvicultural adotado. Segundo este autor, o corte é uma operação que compreende o abate, desgalhamento, traça- mento (se for o caso) e destopamento das árvores. Antecedendo o corte das árvores, recomenda-se o corte de cipós daquelas que serão colhidas. TANG (1987) acrescenta ainda que a presença de cipós lenhosos entre as copas das árvores também aumenta os danos de corte, porque eles ficam unidos, dificultando a precisão de derruba. Atendendo a essa recomendação técnica, a operação do corte torna-se mais segura, pois diminui-se o índice de risco de acidentes para a equipe de corte e para a estrutura remanescente da floresta (SOUZA et al., 1998). Contudo, sua eliminação antes da época da colheita, sem dúvida, minimizará os danos, como também aumentará os custos opera- cionais. Além disso, é necessário que esta operação anteceda a estação chuvosa (TANG, 1987). A execução da derrubada deve merecer atenção específica, tendo uma orientação de queda de forma que reduza os danos sobre o povoamento remanescente e facilite a extração das toras. O abate direcionado das árvores propicia aumento no rendimento da operação de arraste. Como esta tem muita influência na extração, principalmente quanto à distância e ao custo de arraste, a forma de derrubada recomendada é a denominada “espinha de peixe”. O método mais adequado de corte é o semimecanizado, através do uso de motosserra. Esta máquina é de fácil aquisição e, além do baixo custo, apresen- ta alto rendimento (SOUZA et al., 1998). AMARAL et al. (1998) destacam que as técnicas de corte de árvores aplicadas na colheita de madeira sob regime de manejo sustentável buscam evitar erros, como o corte acima da altura ideal e o destopo abaixo do ponto recomendado. Esses erros causam desperdícios excessivos de madeira, danos desnecessários à floresta e maior incidência de acidentes de trabalho. O corte das árvores na colheita manejada também considera o direcionamento de queda das árvores, a fim de proteger a regeneração de árvores de valor comer- cial e facilitar o arraste das toras. AMARAL et al. (1998) relatam que, atualmente, para extrair as toras do local de derrubada das árvores até os pátios de estocagem, utilizam-se as mais variadas máquinas, desde tração animal, passando por tratores agrícolas e de esteira, até o trator florestal arrastador (skidder). Na Amazônia, a utilização de máquinas pesadas para derrubada e remoção de árvores é uma das práticas mais destrutivas da fertilidade natural. Além de estas máquinas removerem grande parte dos nutrientes disponíveis, MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 18 promove a compactação do solo, pois a extração consiste na retirada da madeira de dentro do povoamento florestal até a margem da estrada e, ou, até o pátio de estocagem intermediário (SOUZA et al., 1998). Quanto aos danos de extração, é fácil verificar que antes do uso de equipamentos mecânicos as toras eram convertidas, por meio de serras manuais, no local ou extraídas na forma de toras, por tração animal ou humana, e levadas para um ponto central (tombador ou pátio de espera). A colheita era feita de forma extensiva e seletiva, e os danos ao sítio e à vegeta- ção natural eram mínimos (LOBÃO, 1990). O autor relata também que, nos últimos anos, a mecanização mudou drasticamente as operações de colheita florestal, especialmente com o uso de equipamentos pesados. Isto tem se acen- tuado mais ainda com a substituição do trator de pneus pelo de esteira, pois o processo de compactação do solo é maior, além de ocorrerem maiores danos à vegetação. Em termos silviculturais, os tratores com pneus são menos preju- diciais ao solo e à regeneração natural, devido ao seu vão livre (MACHADO, 1984). A extração das toras não tem equivalência natural, ou seja, esta ativi- dade não se assemelha a nenhum acontecimento natural, uma vez que promove a destruição e remoção de parte substancial de fitomassa. Quando equipamen- tos pesados são empregados para retirada das toras, mais árvores, palmeiras e arbustos são destruídos e o solo é compactado, principalmente nas florestas onde estes são mais úmidos. Próximo dos tocos das árvores cortadas e onde ocorrem as manobras das máquinas, a vegetação é parcial ou totalmente destruída (JONKERS, 1987). MACHADO (1984) comenta que no planejamento da extração meca- nizada também devem-se considerar alguns pontos relevantes para se obter o máximo rendimento de cada operação, priorizando aqueles que causem meno- res danos ao solo. A suspensão de uma das extremidades da tora pelo skidder diminui o atrito das toras com o solo e, conseqüentemente, o dano causado principalmente pela retirada da camada superficial. Além disso, deve-se sele- cionar, adequadamente, o tipo de pneu e sua pressão, bem como reduzir o coeficiente de rolamento e o coeficiente de aderência ao solo. Para AMARAL et al. (1998), em uma operação de extração de toras realizada de forma manejada, a equipe de arraste utiliza-se de um mapa de planejamento com as demarcações na floresta, para localizar as árvores, derru- bá-las e arrastá-las. Esses procedimentos, associados ao uso de máquinas adequadas, resultam em aumento de 60% na produtividade, redução expressi- va dos danos ecológicos à floresta e diminuição dos acidentes de trabalho. Outra operação importante é aquela em que, depois da extração, a ma- deira é armazenada em pátios temporários, ou seja, fica à espera do transporte definitivo para a unidade beneficiadora. Na maioria das vezes, o transporte utilizado é o rodoviário, com caminhões que suportam grande capacidade de carga, mas, dependendo da região, podem-se utilizar a via hidroviária, ferroviária, dutoviária e aeroviária (utilizada na Escandinávia) (SOUZA et al., 1998). De acordo com esses autores, na Amazônia o transporte hidroviário é um dos meios de transporte de madeira mais antigo, e, quando empregado MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 19 racionalmente, é muito econômico, além de possuir condições adequadas de navegação. Neste caso, há duas modalidades de transporte fluvial: a primeirapor livre flutuação e a segunda por embarcações. Nas várzeas amazônicas, o transporte fluvial pode ser feito por canoas ou pequenos barcos. As jangadas de toras preparadas pelos extratores da várzea podem ser apenas pequenos grupos de seis a dez toras, amarradas ao lado de uma canoa a remo e conduzidas até pequenas serrarias na redondeza da região. Por outro lado, as jangadas podem ser grandes, com 960 m3 de madeira em média, o que equivale a 1.000 toras, guiadas por um barco de madeira de 10 a 20 toneladas, que percorre centenas de quilômetros até uma serraria. Esses pequenos barcos podem rebocar jangadas deste tamanho pois, quando carregados, só navegam a favor da maré. No estuário, a cada seis horas, a maré muda de direção e as jangadas param e esperam a maré conve- niente. No rio Amazonas, a extração acontece sempre a montante da serraria, portanto, a jangada precisa apenas descer o rio junto com a correnteza (BARROS e UHL, 1996). É importante destacar que o transporte através da livre flutuação depende da densidade da madeira, pois existem madeiras que são mais densas que a água e afundam, enquanto outras afundam à medida que absorvem água (SOUZA et al., 1998). As madeiras de terra firme são geralmente de alta densidade e, portan- to, não flutuam e não podem ser levadas em jangadas. A forma mais comum de transporte de madeira em tora na Amazônia Oriental é o transporte rodo- viário, porém esta operação é considerada de alto custo. Já as florestas localizadas no baixo Amazonas, próximo aos cursos d’água, permitem que a madeira seja transportada por balsas, na via fluvial. Estas embarcações levam, em média, 270 m3 de toras (BARROS e UHL, 1996). As toras são colocadas em balsas ou flutuadores e transportadas a grandes distâncias, podendo ser usadas tanto para madeiras leves quanto para pesadas (SOUZA et al., 1998). Na Amazônia, o transporte fluvial de madeiras, seja da várzea ou da terra firme, é mais barato que o rodoviário. Em outras palavras, isso significa que nessa região uma indústria que usa transporte fluvial pode se abastecer de madeira de áreas mais distantes do que as que usam caminhões, mantendo o mesmo custo (BARROS e UHL, 1996). 2.3.1.4. Efeitos dos sistemas silviculturais Um sistema silvicultural pode ser definido como um processo pelo qual uma floresta é tratada, removida e substituída por outra, produzindo madeira (FLOR, 1985); ou, ainda, é um conjunto de regras e ações necessárias para conduzir a floresta a uma nova colheita, incluindo, principalmente, os tratos silviculturais (YARED, 1996; SOUZA et al., 1998). Um sistema silvicultural abrange todas as operações culturais que são feitas a uma floresta no decorrer de sua vida. As operações têm por objetivo diminuir os danos da intervenção, garantir o sucesso na regeneração das espé- cies desejadas, fazer o tratamento adequado das árvores e conservar o solo. Dessa forma, um sistema silvicultural está correlacionado com as espécies MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 20 vegetais, com o meio físico e com os objetivos do manejo florestal (TAYLOR, 1969). Os sistemas silviculturais tropicais evoluíram bastante nos últimos 75 anos, e os principais são os seguintes: os que se baseiam na regeneração natural: sistema de seleção, sistema uniforme malaio, sistema de cobertura nos trópicos e sistema de cobertura irregular; e os que se baseiam na regeneração artificial: sistema de corte raso, com plantio de espécies exóticas ou nativas, e sistema de enriquecimento (SOUZA et al., 1998). Os sistemas silviculturais que têm por base a regeneração são proces- sos de transformação ou "domesticação" da floresta, levando a uma maior homogeneização da composição florística, que passa a ter predominância de espécies de interesse comercial (LAMPRECHT, 1990). Segundo este autor, nas florestas tropicais, os sistemas silviculturais desenvolvidos com base na regeneração natural são classificados em sistemas monocíclicos e policíclicos. Os sistemas monocíclicos, ou seja, de um ciclo de corte único, longo, objetivando a colheita comercial de uma ou poucas espécies, comuns nas florestas européias temperadas e nas florestas subtropicais e tropicais da Índia, Ásia e África, predominaram nestes países durante muitas décadas. No entan- to, o aumento do número de espécies na pauta de comercialização fez com que as rígidas prescrições dos sistemas monocíclicos se tornassem obsoletas e ineficientes, dando origem a prescrições mais flexíveis baseadas nas condições locais, favorecendo um maior número de espécies. Essas mudanças deram origem aos sistemas policíclicos, que, na verdade, são oriundos da evolução natural do sistema monocíclico, através da sua adaptação às exigências do mercado consumidor e da preocupação de explorar e manter os recursos florestais renováveis (FLOR, 1984; JONKERS, 1987; SCHMIDT, 1987/2; TANG, 1987; SOUZA, 1989). A diferença básica entre o sistema policíclico e o sistema monocíclico está no sistema de regeneração. No policíclico, a regeneração natural avançada, ou já estabelecida, é retida para produzir árvores comercializáveis em ciclos de corte sucessivos, enquanto no monocíclico o crescimento já acumulado nesta regeneração não é considerado; neste caso, o sistema depende quase que completamente da nova safra de regeneração obtida em decorrência da aplica- ção do sistema para produzir uma nova floresta eqüiânea, que estará pronta para colheita numa longa rotação. No sistema monocíclico, o termo rotação substitui o ciclo de corte (SOUZA e JARDIM, 1993). Considerando os princípios que norteiam os sistemas silviculturais, é de se esperar maiores alterações na estrutura do povoamento quando são adotados os sistemas uniformes (monocíclicos), pelo menos nas fases iniciais de implantação. Nestes, todo o estoque de madeira comercial é abatido em uma só operação, e as árvores residuais são eliminadas pelas técnicas de anelamento e envenenamento. O objetivo é criar uma floresta eqüiânea, a partir da regeneração natural, para colheita em rotações definidas. No entanto, menores impactos devem ser esperados nos sistemas policíclicos, que mantêm a característica de floresta multiânea, posto que as operações são aplicadas, periodicamente, a apenas parte dos indivíduos. Já os sistemas que envolvem a MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 21 regeneração artificial apresentam comportamento similar ao dos sistemas uniformes (YARED, 1996). Entretanto, os vários sistemas silviculturais aplicáveis ao manejo da floresta tropical que objetivam o rendimento sustentável ainda exigem conhe- cimentos básicos sobre a dinâmica de crescimento e a recomposição da floresta para que possam ser aplicados com sucesso, de maneira que assegurem a contínua satisfação das necessidades humanas para as gerações presentes e futuras (FERREIRA, 1997), uma vez que um dos objetivos do manejo florestal é garantir a continuidade da produção madeireira através do estímulo à regeneração natural nas clareiras e da proteção do estoque de árvores remanescentes (DAP entre 10 e 45 cm). Para isso, devem-se conservar árvores porta-sementes na floresta e utilizar técnicas para reduzir os danos ecológicos da colheita florestal. NO entanto, é possível que, em algumas clareiras, a regeneração natural pós-colheita seja escassa. Neste caso, é necessário fazer o plantio de mudas para garantir a regeneração. Além disso, as árvores remanes- centes podem estar em condições desfavoráveis ao crescimento (por exemplo, sombreadas por árvores sem valor comercial). O crescimento destas árvores pode ser aumentado com a aplicação dos tratamentos silviculturais (AMARAL et al., 1998). O crescimento das árvores de valor comercial depende do nível de competição por nutrientes, água e luz com as árvores sem valorcomercial. Os tratamentos silviculturais são aplicados para reduzir ou eliminar essa compe- tição, favorecendo o aumento do crescimento das árvores (AMARAL et al., 1998). A abertura do dossel da floresta, seja pela colheita comercial, seja através de tratamentos silviculturais, propicia, principalmente, maior quanti- dade de luz para germinação de sementes, desenvolvimento da regeneração preexistente, crescimento e produção das árvores do estoque em crescimento. Todavia, são beneficiadas tanto as espécies arbóreas de valor comercial quanto as sem valor comercial, como a população de espécies invasoras (cipós, bambuzóides, etc.). Entretanto, para estimular a dinâmica de sucessão e o crescimento e a produção das espécies comerciais, aplicam-se refinamentos ou desbastes, que reduzem a participação das espécies e dos indivíduos inde- sejáveis, aumentando a participação das espécies comerciais. Dessa forma, consegue-se estruturar a floresta para produção sustentável (SOUZA, 1997). Entre os tratamentos silviculturais que podem ser aplicados no manejo sustentável das florestas tropicais, para facilitar o crescimento de mudas e árvores novas, segundo SOUZA e LEITE (1993), estão: • Corte de cipós, arbustos e árvores de pequeno porte indesejáveis - nos trópicos encontra-se a maior diversidade de cipós, e sua alta incidência pode deformar o fuste das árvores, prejudicando a qualidade da madeira, pro- vocar danos ao povoamento durante a operação de abate das árvores e causar a morte de plantas jovens (YARED, 1996). As espécies de cipós, por apresen- tarem mecanismos altamente desenvolvidos, são difíceis de serem controladas em uma área de manejo, sendo, assim, motivo de preocupação constante em florestas tropicais. Os cipós também são importantes na dinâmica da floresta, como fonte de alimento para fauna, etc. Detectar sua presença e adotar medi- MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 22 das para seu controle são atividades imprescindíveis ao manejo de florestas tropicais, visto que os cipós podem interferir de forma negativa na segurança, nos custos, nos danos e nos tratamentos silviculturais (LOBÃO, 1993). • Refinamento e liberação - o primeiro passo a ser executado no planejamento das prescrições dos refinamentos e da liberação é a elaboração das listas das espécies a serem favorecidas (espécies desejáveis) e removidas (espécies indesejáveis) (FLOR, 1985). LAMPRECHT (1990) afirma que o refinamento consiste na eliminação de indivíduos arbóreos com características indesejáveis; já a liberação consiste no favorecimento de indivíduos desejá- veis, ou seja, segundo este autor, com base em Pitt (1969), o refinamento é aplicado de maneira uniforme na floresta, ao passo que a liberação é aplicada apenas em volta da árvore desejável. Para aplicação desses tratamentos, as árvores tortuosas, as senescentes, as ocadas e podres, as mortas e as severamente danificadas, mesmo que per- tençam a espécies desejáveis, são os indivíduos indesejáveis, considerados espécies sem valor comercial. Todavia, quando determinadas árvores apresen- tam outros valores, como valor cênico, abrigo, proteção e habitat de fauna, suporte para outras espécies vegetais, e quando pertencerem a espécies raras e, ou, ameaçadas de extinção, elas devem ser mantidas, para cumprirem suas funções ecológicas (SOUZA,1997). SOUZA (1997) relata que os refinamentos podem ser executados de duas formas: através do abate de árvores; e através do anelamento e, ou, envenenamento com arboricidas. AMARAL et al. (1998) confirmam a execução do refinamento para caracterizar a eliminação das árvores sem valor e para promover o crescimento das árvores de valor comercial, através de um corte (derrubada), para o caso de árvores pequenas (DAP menor que 15 cm), ou anelamento (retirada de uma faixa da casca do tronco da árvore), para árvores médias (DAP entre 15 e 45 cm) e grandes (DAP maior que 45 cm). Segundo estes autores, o anelamento é o método mais utilizado para eliminar lentamente as árvores sem valor comercial. Essa técnica é mais vantajosa que o corte, uma vez que a árvore morre lentamente, reduzindo de maneira significativa os danos típicos de queda de uma árvore na floresta. Os autores citam que existem dois tipos de anela- mento: 1) anelamento simples - usando um machadinho, retira-se uma faixa de 10 cm de largura da casca do tronco (na altura do DAP da árvore). Para garantir a eliminação, faz-se um pequeno corte na base do tronco anelado; e 2) anelamento especial - usa-se o mesmo procedimento do anelamento simples, porém adiciona-se “óleo queimado” (óleo lubrificante usado) combinado ou não com herbicida. A aplicação deste tipo de anelamento no projeto de manejo florestal do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA tem obtido 80% de eficiência. Após a retirada da casca, as árvores morrem entre um e dois anos, conforme a espécie e o tipo de anelamento. O anelamento com “óleo queimado” resulta em morte mais rápida. Para usar o anelamento especial, é necessário evitar contaminação na floresta, treinando o pessoal e usando equipamentos adequados. O anelamento deve ser feito preferencialmente na MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 23 estação seca, pois nesse período as árvores estão menos vigorosas, por causa da escassez de água, o que as torna mais vulneráveis ao anelamento. • Plantio de enriquecimento - tem como objetivo melhorar a compo- sição florística do povoamento florestal, através da introdução de espécies de interesse ambiental, comercial e social (SOUZA, 1997). Este autor destaca que o plantio de enriquecimento é aplicado em florestas onde a regeneração natural de determinadas espécies arbóreas é inexistente ou deficiente; em florestas pobres, em espécies comerciais; em florestas ricas, em espécies comerciais, mas que não se regeneram adequadamente; em florestas onde se pretende intro- duzir novas espécies de valor ecológico e, ou, econômico; ou em áreas onde se deseja elevar a diversidade de espécies e regular a composição florística, principalmente quando se trata de espécies com inadequada distribuição diamétrica, regeneração deficitária, baixa densidade e ameaçadas de extinção. AMARAL et al. (1998) afirmam que o plantio de enriquecimento também pode ser aplicado em clareiras abertas pela colheita florestal, utilizando a técnica da semeadura, ou seja, plantio direto no solo ou através de mudas (preparadas em viveiros ou coletadas na floresta). Ainda de acordo com estes autores, há recomendações para o plantio em clareiras, que são as seguintes: plantar três a quatro mudas para cada árvore extraída; fazer o plantio no início da estação chuvosa; utilizar a parte central da clareira, excluindo apenas cerca de 5 metros, das bordas, para que as mudas se beneficiem da maior quantidade de luz; e plantar as espécies que ocorrem na própria floresta, pois estas já estão adaptadas ao terreno. Em relação ao enriquecimento de floresta juvenil, os mesmos autores destacam que o plantio de enriquecimento com espécies de valor comercial é recomendado para as manchas ou eco- unidades de floresta juvenil (dominadas por árvores com DAP entre 5 e 15 cm), onde a densidade de espécies de valor comercial é baixa (por exemplo: ocupando menos de 30% da área). Em um experimento realizado pela Fundação Floresta Tropical, testou-se uma técnica específica de plantio para esses locais, que consiste em: a) preparar a área derrubando a vegetação existente no povoamento juvenil (em geral, inferior a 1 hectare) com um trator de esteira, sendo este procedimento o mesmo adotado para a abertura de pátios, porém evitando-se raspar o solo; e b) plantar mudas de árvores de valor comercial seguindo as instruções adotadas para o plantio em clareiras. 2.3.1.5. Efeitos sobre a fauna silvestreOs efeitos do manejo da floresta tropical sobre a sua fauna não têm sido amplamente estudados, e a maioria das informações hoje disponíveis refere-se aos vertebrados (mamíferos, frugívoros e folívoros). Um fator comum a todos os biomas é a falta de inventários faunísticos sistemáticos. Essa lacuna dificulta o planejamento de programas de recuperação de comunidades faunísticas, além de impossibilitar a análise precisa dos possíveis impactos de projetos de manejo florestal sustentável (SOUZA et al., 1998). MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 24 A Floresta Amazônica apresenta-se com o ecossistema de maior diversidade biológica do mundo. A fauna da região amazônica encontra-se em estágio relativamente bom de conservação, em razão do baixo nível de ocupa- ção humana da região (SOUZA et al., 1998). Apesar de a colheita florestal ser de caráter seletivo, a permanência de áreas de florestas não-perturbadas garante, em parte, a manutenção de nichos e a representatividade das diferentes espécies animais na comunidade vegetal (JOHNS, 1986). Segundo alguns autores (WHITMORE, 1984; KEMP e CHAI, 1993), a manutenção de porções intactas da floresta, em virtude do caráter seletivo da colheita florestal, é importante como refúgio para algumas espécies com maior mobilidade e como fonte para recolonização de espécies que foram expulsas da área. Para LIRA FILHO et al. (1991), a colheita florestal pode provocar danos e eliminar alguns animais, porém o mais provável é a destruição de habitats fundamentais, como áreas de nidificação, alimentação e cria. Entre- tanto, de acordo com SOUZA et al. (1998), a diminuição de área coberta por floresta é temporária, pois as clareiras são colonizadas e fechadas pela regeneração natural. Além disso, a abertura de clareiras deve proporcionar o estabelecimento de espécies atrativas da fauna, como Cecropia spp. A dinâmica desse processo pode minimizar efeitos adversos e, provavelmente, assegurar os aspectos de qualidade do suprimento alimentar. Ademais, muitos vertebrados podem apresentar, também, a flexibilidade de ajustar sua dieta a uma nova situação (JOHNS, 1986). 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1. Caracterização da área de estudo A área de estudo localiza-se na Região Norte do Brasil, na parte sul do Estado do Amazonas, município de Manicoré (Figura 1), entre as coordenadas geográficas 5o 50’ de latitude sul e 61o 18’ 30” de longitude oeste de Greenwich. A altitude do local é de 50 m. Dista, da capital do estado, 333 km em linha reta, 421 km por via fluvial e 427 km por via terrestre (OTTO e BELTRÃO, 1996). Segundo a classificação de Köppen, o clima predominante pertence ao grupo A (clima tropical chuvoso), do tipo Af, constantemente úmido, corres- pondente ao clima de florestas tropicais úmidas com elevada pluviosidade, que é uma das características marcantes da região. O período chuvoso geral- mente inicia-se em outubro, atingindo maiores índices pluviométricos nos meses de janeiro, fevereiro e março. A temperatura média do mês mais frio sempre é superior a 18 oC, limite abaixo do qual não se desenvolvem determi- nadas plantas tropicais. As temperaturas médias anuais apresentam variações limitadas pelas isotermas de 24 e 26 oC. A umidade relativa é bastante elevada, variando de 85 a 90%. Tanto a temperatura como a precipitação apresentam um mínimo de variação anual e mantêm-se em um nível relativamente MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 25 elevado. A amplitude anual das temperaturas médias mensais não ultrapassa 5oC (RADAM, 1978). Manaus •••• !!!! Manicoré AMAZONAS 61o 18’ 30’’ O 5o 50’ S N BRASIL MUNICÍPIO DE MANICORÉ SEDE Figura 1 - Localização geográfica da área de estudo, no município de Manicoré, Estado do Amazonas. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 26 O relevo predominante na área é plano a suavemente ondulado, não apresentando restrições ao uso de motomecanização. A cobertura vegetal da área, segundo o IBGE (1993), está inserida na “Região da Floresta Ombrófila Densa”. Esta região é composta de duas subregiões: subregião aluvial da Amazônia, caracterizada pela ocorrência de espécies florestais de grande porte, como arurá-branco (Osteophloenum platyspermum (A.DC.) Warb.), cupiúba (Goupia glabra (Gmel.) Aubl.), ipê-amarelo (Tabebuia spp.), itaúba (Mezilaurus itauba (Meissn.) Taubert ex Mez.), muirapiranga (Brosimum paraense Huber), piquiarana (Caryocar glabrum (Aubl.) Pers.), sucupira (Diplotropis martiusii Benth.) etc.; e subregião dos Baixos Platôs da Amazônia, cuja cobertura vegetal tem composição bastante heterogênea. Apresenta bom potencial madeireiro, destacando-se espécies como angelim-pedra (Dinizia excelsa Ducke), arurá-branco (Osteophloenum platyspermum (A.DC.) Warb.), muirapiranga (Brosimum paraense Huber), etc. (SÉRIE DE ESTUDOS MUNICIPAIS, 1995). Ainda com base na SÉRIE DE ESTUDOS MUNICIPAIS (1995), os tipos de solo que ocorrem na área são: Latossolo Amarelo Álico, Podzólico Vermelho-Amarelo Álico, Glei Pouco Húmico Álico, Laterita Hidromórfica Álica de Elevação e Solos Aluviais Distróficos. São solos fortemente ácidos e pobres em bases, exigindo, assim, práticas de correção e fertilização quando destinados à agricultura, baseando-se em dados experimentais, com a finalidade de serem obtidos rendimentos econômicos. 3.2. Amostragem e coleta dos dados Como a área de estudo encontrava-se em plena atividade de manejo florestal, planejou-se executar o inventário florestal por amostragem aleatória, com parcelas fixas, em áreas independentes, de projetos de manejo executados pela GETHAL AMAZONAS S/A - Indústria de Madeira Compensada. Assim, foi selecionada uma área de floresta primária não-explorada (204 ha), denomi- nada Democracia, e uma área de floresta primária explorada (202 ha), denomi- nada Mataurá, ambas de terra firme. Os estudos iniciaram-se em maio de 1999. O acesso às florestas foi feito por via fluvial, através do rio Madeira, o que, de acordo com o deslocamento horário realizado por embarcação de pe- queno porte (voadeira), indica que a floresta primária não-explorada está a cerca de duas horas da cidade de Manicoré, e a floresta primária explorada, a quatro horas desta. As amostragens foram executadas em quatro níveis de abordagem (Figura 2), de acordo com a metodologia recomendada por SILVA e LOPES (1984). MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 27 3.2.1. Nível I de abordagem No nível I de abordagem foram instaladas cinco parcelas de 100 m x 100 m (1 ha), e em cada uma delas foram avaliados todos os indivíduos com DAP ≥ 15 cm, identificando, mensurando e avaliando, conforme o caso, as seguintes características: a) Nome científico e nome vulgar regional das espécies. b) Circunferência à altura do peito (CAP), em cm. c) Alturas total e comercial, em metros. d) Classe de qualidade de fuste (QF). Quanto à classe de fuste, foram feitas as seguintes avaliações, com base nos critérios recomendados por AMARAL et al. (1998): Qualidade do Fuste Aproveitamento (%) Fator de Aproveitamento 1. Bom 80 – 100 0,9 2. Regular 50 – 79 0,7 3. Inferior < 50 0,3 e) Os danos, em geral, foram avaliados, segundo SILVA e LOPES (1984) e SOUZA et al. (1998), da seguinte forma: • Posição de Danos (PD) - nenhum dano evidente; - danos ao tronco; - danos à copa; - danos ao tronco e à copa; e - árvore morta. • Causas de Danos (CD) à floresta primária não-explorada - nenhum dano evidente; - devido a ventos, tempestades (queda de galhos ou árvores); - devido à flora e à fauna (cipós, insetos, etc.); e - árvore morta. • Causas de Danos (CD) à floresta primária explorada - nenhum dano evidente; - exploração- corte (abate, desgalhamento e destopamento); - exploração - abertura de trilhas, extração (arraste até o pátio de estocagem intermediário); e - árvore morta pelas operações de colheita florestal. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 28 100 m 100 m 10 m 5 m 2,5 m I II III IV Figura 2 - Caracterização de uma parcela com os respectivos níveis de abordagens - município de Manicoré, Amazonas. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 3.2.2. Nível II de abordagem Neste nível de abordagem, as parcelas do nível I foram subdivididas sistematicamente em subparcelas de 10 m x 10 m (100 m2), sendo amostradas aleatoriamente somente cinco destas por parcela do nível I. Portanto, a amos- tragem do nível II totalizou 25 subparcelas de 100 m2, perfazendo 2.500 m2. Nesta amostragem foram avaliados todos os indivíduos (varejões) entre 5,0 ≤ DAP < 15 cm, identifican o as mesmas características observadas no nível I. 3.2.3. Nível III de aborda No nível III cada parcelas de 5 m x 5 m (25 cada subparcela de 100 25 subparcelas de 25 m2, indivíduos (varas) entre avaliando, conforme o cas - nome científico e - circunferência à - altura total, em m 3.2.4. Nível IV de aborda Neste nível foram ht ≥ 0,3 m e DAP < 2,5 Cada subparcela do nível (6,25 m2), sendo amostrad 25 m2. Portanto, a amost 6,25 m2, ou seja, 156,25 m de: - nome vulgar reg - circunferência ou Nos níveis I, II e plaquetas de alumínio num foram identificados com localização quando do mo 3.3. Classificação das esp Para processamen das por grupos de utilizaç AMAZONAS: d 29 gem subparcela do nível II foi subdividida em sub- m2), sendo amostrada uma subparcela de 25 m2 em m 2 . Portanto, a amostragem do nível III totalizou ou seja, 625 m2, em que foram avaliados todos os 2,5 ≤ DAP < 5 cm, identificando, mensurando e o, as seguintes características: nome vulgar regional; altura do peito (CAP), em cm; e etros. gem avaliados todos os indivíduos (mudas) com altura cm, para determinação do estoque de regeneração. III foi subdividida em subparcelas de 2,5 m x 2,5 m a uma subparcela de 6,25 m2 em cada subparcela de ragem do nível IV contemplou 25 subparcelas de 2 . Cada indivíduo amostrado foi avaliado em termos ional das espécies, com auxílio de mateiro; e altura total. III, todos os indivíduos foram identificados com eradas seqüencialmente; no nível IV, os indivíduos fitas plásticas, possibilitando a sua posterior nitoramento das áreas de estudo. écies por grupos de uso to e análise dos dados, as espécies foram classifica- ão, de acordo com o critério utilizado pela GETHAL MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 30 Grupo 1: espécie comercial – refere-se à espécie que tem valor econômico nos mercados madeireiros local, regional, nacional ou internacional. Grupo 2: espécie potencial – refere-se à espécie que apresenta perspectiva futura de aproveitamento madeireiro, dadas as características de fuste e a possibilidade de alcançar grandes diâmetros, embora não tenha valor atual no mercado. Grupo 3: outras – refere-se à espécie que não atinge grande diâmetro e não apresenta perspectiva de aproveitamento pela indústria madeireira. 3.4. Análise estrutural da floresta Os dados de campo foram digitados para um banco de dados no Excel, processados e analisados em termos de: composição florística; parâmetros fitossociológicos (estrutura horizontal e estrutura vertical); análise de danos causados pela colheita florestal às árvores remanescentes, em relação à quali- dade de fuste, posição e causa de danos; e estrutura paramétrica (distribuição diamétrica, área basal e volume). 3.4.1. Composição florística A identificação taxonômica das espécies foi realizada através de comparações entre características morfológicas das árvores, consultando-se literatura específica de espécies vegetais da Floresta Amazônica. Na análise da composição florística das florestas estudadas foi utilizado o índice de similaridade de Sorensen, que, de acordo com MUELLER- DOMBOIS e ELLENBERG (1974), mediante dados de presença e ausência de espécies, fornece o índice de similaridade de duas ou mais comunidades. Na análise de diversidade foram empregados: Coeficiente de Mistura de Jenstch (QM), Índice de Diversidade Florística de Shannon-Weaver (H’), Equabilidade de Pielou (J) e Índice de Simpson (C). O índice de Sorensen é calculado pela aplicação da seguinte expressão: 100* AA c2 IS 21+ = em que ISS = índice de Sorensen; c = número de espécies comuns às duas áreas; A1 = número total de espécies amostradas na área 1; e A2 = número total de espécies amostradas na área 2. O coeficiente de mistura de Jentsch (QM) dá uma idéia geral da compo- sição florística, pois indica, em média, o número de árvores de cada espécie que podem ser encontradas no povoamento. Dessa forma, tem-se um fator para medir a intensidade de mistura das espécies e os possíveis problemas de MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 31 manejo, decorrentes das condições de variabilidade de espécies (HOSOKAWA, 1982). Este coeficiente é calculado pelo emprego da expressão: )N(indivíduosdetotaln (S) espécies de nQM ° ° = O índice de diversidade florística de Shannon-Weaver (H’) é calcula- do com base no número de indivíduos de cada espécie e no total de indivíduos (MARTINS, 1979); embora seja influenciado pela amostragem, este índice fornece boa indicação da diversidade de espécies, obtida através da seguinte expressão: ∑−= = S 1i ii N/)]nlog(n)Nlog(.N['H em que H’= índice de diversidade; N = número total de indivíduos amostrados; ni = número de indivíduos amostrados da i-ésima espécie; S = número total de espécies amostradas; e log = logaritmo de base 10. Quanto maior for o valor de H’, maior será a diversidade florística da população em estudo. A escolha do índice de Shannon-Weaver deve-se à sua ampla utilização em florestas tropicais (LEITÃO FILHO, 1993; FLORES, 1993; ALMEIDA, 1996; YARED, 1996; FERREIRA, 1997; HIGUCHI et al., 1998). O índice de equabilidade de Pielou (J) utiliza-se da seguinte expressão: H 'H J máx = sendo Hmáx = ln (S) em que S = número total de espécies amostradas; H’ = índice de diversidade de Shannon-Weaver; e Hmáx = máxima diversidade. O índice de dominância de Simpson (C) é obtido, segundo SOUZA (1997), pela seguinte expressão: )]1N(N[/)1n(nC S 1i ii −∑ −= = em que C = índice de dominância de Simpson; ni = número de indivíduos amostrados da i-ésima espécie; N = número total de indivíduos amostrados; e S = número total de espécies amostradas. O valor de C situa-se entre 0 e 1, e para valores próximos de 1 a diversidade é considerada menor. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 32 3.4.2. Parâmetros fitossociológicos A análise fitossociológica envolveu as estimativas dos parâmetros da estrutura horizontal e estrutura vertical, dando ênfase à estrutura da regene- ração, de maneira que se conhecesse a importância ecológica de cada espécie na referida comunidade. 3.4.2.1. Estrutura horizontal As estimativas dos parâmetros da estrutura horizontal incluíram a densidade, que é o número de indivíduos de cada espécie na composição flo- rística do povoamento; a dominância, que pode ser definida como a medida da projeção do corpo da planta no solo; a freqüência, que mede a distribuição de cada espécie, em termos percentuais, sobre a área; o valor de cobertura (VC), que é a soma das estimativas de densidade e dominância; eo valor de impor- tância (VI), que é a combinação, em uma única expressão, dos valores relativos de densidade, dominância e freqüência. As estimativas de densidade absoluta (DAi) e relativa (DRi) da i-ésima espécie são obtidas, respectivamente, pela solução das expressões: DAi = ni / A ∑= = S 1i iii 100*)DA/DA(DR em que DAi = densidade absoluta da i-ésima espécie, em número de indivíduos por hectare; ni = número de indivíduos da i-ésima espécie na amostragem; N = número total de indivíduos amostrados; A = área total amostrada, em hectare (ha); e DRi = densidade relativa (%) da i-ésima espécie. As estimativas de dominância absoluta (DoAi) e relativa (DoRi) são obtidas, respectivamente, pela solução das equações: DoAi = ABi / A ∑= = S 1i iii 100*)DoA/DoA(DoR em que DoAi = dominância absoluta da i-ésima espécie, em m2/ha; A = área amostrada, em hectare; e DoRi = dominância relativa (%) da i-ésima espécie; As estimativas de freqüência absoluta (FAi) e relativa (FRi) da i-ésima espécie na comunidade vegetal foram obtidas, respectivamente, pela solução das expressões: FAi = (ui / ut) * 100 MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 33 ∑= = S 1i iii 100*)FA/FA(FR em que FAi = freqüência absoluta da i-ésima espécie; ui = número de unidades de amostra nas quais se encontra a i-ésima espécie; ut = número total de uni- dades de amostra; e FRi = freqüência relativa (%) da i-ésima espécie. A estimativa do valor de importância (VI) engloba os valores percen- tuais de densidade, dominância e freqüência, por espécie, sendo obtida pela solução da expressão: VIi = FRi + DRi + DoRi A estimativa do valor de cobertura (VC), também conhecida como método de Braun-Blanquet, é obtida, por espécie, por meio da solução da expressão: VCi = DRi + DoRi 3.4.2.2. Estrutura vertical 3.4.2.2.1. Posição sociológica Com o objetivo de melhor caracterizar a importância ecológica das espécies arbóreas na comunidade estudada, foram feitas estimativas dos parâ- metros: posições sociológicas absoluta (PSAi) e relativa (PSRi), conforme recomendado por FINOL (1971). Para obtenção destes parâmetros, o trecho da floresta primária foi dividido em três estratos de altura total (hj), segundo procedimento estatístico recomendado por SOUZA (1989): Estrato Inferior: Árvore com h j < (h m - 1s) Estrato Médio: Árvore com (h m - 1s) ≤ h j < (h m + 1s); Estrato Superior: Árvore com h j ≥ (h m + 1s). em que hm = média aritmética das alturas dos indivíduos amostrados; S = desvio-padrão das alturas dos indivíduos amostrados; e hj = altura total da j-ésima árvore individual. Uma vez feita a classificação do trecho da floresta primária nos referi- dos estratos de altura, as estimativas de posições sociológicas absoluta (PSAi) e relativa (PSRi), por espécie, foram obtidas, segundo metodologia de FINOL (1971), pela solução das expressões a seguir: VFj = (nj / N) * 100 em que VFj = valor fitossociológico da i-ésima espécie no j-ésimo estrato; nj = número de indivíduos no j-ésimo estrato; e N = número total de indiví- duos de todas as espécies em todos os estratos. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 34 ∑= = J 1j 1i1i )n*VF(PSA ∑= = S 1i iii 100*)PSA(/PSA(PSR em que PSAi = posição sociológica absoluta da i-ésima espécie; VFj = valor fitossociológico simplificado do j-ésimo estrato, para j = 1, 2 e 3, isto é, estratos inferior, médio e superior; nij = número de árvores da i-ésima espécie, nos estratos 1 (inferior), 2 (médio) e 3 (superior); e PSRi = posição sociológica relativa da i-ésima espécie. 3.4.2.2.2. Regeneração natural Para calcular a estrutura da regeneração natural, foram estimados os parâmetros de freqüência, densidade, classes de tamanho e regeneração natural relativa. A freqüência da regeneração natural é analisada nas formas absoluta e relativa (FINOL, 1971; LAMPRECHT, 1964). Freqüência absoluta (FARNi) é o número de parcelas de regeneração em que ocorre a i-ésima espécie (ui), dividida pelo número total de parcelas (ut) destinado à amostragem da regeneração natural, sendo estimada da seguinte forma: FARNi = (ui / ut) * 100 A freqüência relativa (FRRNi) é determinada em relação à soma das freqüências absolutas das espécies, da seguinte maneira: ∑= = S 1i iii 100*)FARN(/FARN(FRRN Segundo LAMPRECHT (1964), a densidade absoluta é o número de indivíduos de cada espécie em relação à área total da amostragem, em hectare. A densidade relativa é a percentagem de densidade absoluta de cada espécie em relação ao total de densidade absoluta da amostragem, multiplicada por 100, conforme expressões a seguir: DARNi = ni / A ∑= = S 1i iii 100*)DARN(/DARN(DRRN MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 35 Na determinação das classes de tamanho da regeneração para cada espécie foram incluídos todos os indivíduos (mudas) entre 30 cm de altura e 2,5 cm de DAP. Assim, as classes de tamanho foram determinadas da seguinte forma: CT (1) – compreende os indivíduos com altura inferior a 1,50 m; CT (2) – compreende os indivíduos com altura entre 1,50 m e 3,0 m; e CT (3) – compreende os indivíduos com altura superior 3,0 m e DAP inferior a 2,5 cm. Após separar os indivíduos nas classes de tamanho, obtém-se o peso de cada classe de tamanho, dividindo o total de indivíduos de cada classe pela soma geral de todos os indivíduos da regeneração natural (JARDIM e HOSOKAWA, 1986/87). A classe absoluta de tamanho para cada espécie (CATRNi) é obtida pelo somatório dos produtos do número de indivíduos da i-ésima espécie na j-ésima classe de tamanho (nij), por meio do peso desta classe (Nj/N), ou seja: ∑= = q 1j jij )N/N(*nCATRN em que nij = número de indivíduos da i-ésima espécie na j-ésima classe de tamanho; Nj = número total de indivíduos na j-ésima classe de tamanho; N = número total de indivíduos da regeneração natural em todas as classes de tamanho; e CATRNi = classe absoluta de tamanho da regeneração da i-ésima espécie. O valor relativo da classe de tamanho da regeneração natural (CRTRN) da i-ésima espécie é obtido da seguinte forma: ∑= = S 1j iii 100*CATRN/CATRN(CATRN A regeneração natural relativa da i-ésima espécie (RNRi) é a média aritmética dos três parâmetros relativos anteriores, conforme FINOL (1971), ou seja: 3 CRTRNDRRNFRRN RNR iiii ++ = em que RNRi = regeneração natural relativa da i-ésima espécie; FRRNi = fre- qüência relativa da regeneração natural da i-ésima espécie; DRRNi = densidade relativa da regeneração natural da i-ésima espécie; e CRTRNi = classe relativa de tamanho da regeneração natural da i-ésima espécie. 3.4.3. Estrutura paramétrica A análise da estrutura paramétrica permite a quantificação da floresta em termos de distribuição dos diâmetros, da área basal e do volume por hectare, espécie e classe de tamanho, respectivamente (HOSOKAWA, 1986) MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 36 3.4.3.1. Distribuição diamétrica Refere-se à distribuição do número de árvores, por hectare, por espécie e por classe de diâmetro de um povoamento florestal (SOUZA, 1997). 3.4.3.2. Distribuição da área basal É a distribuição da área basal total do povoamento por hectare (m2/ha) e por classe de diâmetro (SOUZA et al., 1998). 3.4.3.3 Distribuição volumétrica Refere-se à distribuição do volume comercial, com casca, do povoa- mento florestal, por hectare (m3/ha), por espécie e por classe de diâmetro (SOUZA et al., 1998). As estimativas do volume individual (m3) foram obtidas mediante o emprego da seguinteequação, ajustada pela empresa: VTCC = 1,7498 x (DAP/100)2,1 x (HC0,641) (R2 = 0,92) em que VTCC = volume total com casca, em m3; DAP = diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo, em cm; e HC = altura comercial, em metros. 3.5. Análise estatística O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, nos seguintes arranjos fatoriais: 2 x 3 (florestas e grupos de uso), 2 x 5 (flores- tas e posição de danos), 2 x 4 (florestas e causa de danos), 2 x 3 x 3 (florestas, grupos de uso e qualidade de fuste) e 2 x 3 x 13 (florestas, grupos de uso e classes de tamanho). Os dados resultantes foram submetidos às análises de variância (ANOVA), para que fossem constatadas diferenças significativas entre os fatores estudados, tendo as médias sido discriminadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. O processamento e a análise dos dados foram feitos por meio do pro- grama computacional Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas (SAEG), desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa. 3.6. Planejamento da colheita de madeira Há vários sistemas de colheita de madeira, variando de empresa para empresa, em função da topografia, do rendimento volumétrico dos povoa- MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 37 mentos, do tipo de povoamento, do uso final da madeira, das máquinas, dos equipamentos e dos recursos disponíveis (FIEDLER, 1995). Neste estudo, o sistema de colheita utilizado pela empresa foi o de árvores compridas (MINETTE, 1996), ou seja, caracterizou-se pela realização do desgalhamento no local de abate. As demais operações foram feitas após a remoção da madeira para os pátios de embarque ou a beira da estrada. 3.6.1. Inventário pré-colheita Inicialmente, o processo de manejo florestal sustentável começou dois anos antes da primeira extração, com mapeamento detalhado de toda a área e um inventário a 100% de todas as árvores acima de 50 cm de diâmetro (DAP), as quais foram localizadas geograficamente, com auxílio do sistema de posicionamento geográfico – GPS, sendo anotadas as características da topografia local e do talhão a ser utilizado para as operações de colheita de madeira. Cada árvore foi cadastrada, indicando-se espécie, diâmetro, altura, localização, inclinação e destino (colheita, preservação permanente, matriz sementeira, 2a colheita, defeitos, etc). Com base no inventário pré-colheita, o planejamento foi feito com auxílio de um programa de computador, detalhando-se quais as árvores que serão colhidas, as que ficarão como matrizes, as preservadas para as próximas colheitas e, ainda, a definição das áreas de preservação permanente. As infor- mações do inventário pré-colheita foram analisadas espacialmente, por meio de um sistema de informações geográficas (SIG). O resultado foi apresentado em mapas temáticos, essenciais para o planejamento das atividades de campo. 3.6.2. Corte florestal O corte florestal é a primeira fase de transformação das árvores no produto exigido pelo mercado. A operação de corte pode incluir os seguintes elementos: abate ou derrubada, desgalhamento, destopamento, medição, mar- cação e pré-extração (MINETTE, 1996). Com o mapa da colheita florestal, a equipe de corte, composta por um técnico, um motosserrista e um ajudante, fez o reconhecimento da área e marcou as árvores a serem colhidas com um X e com uma seta indicando a direção de queda. Com a localização das árvores a serem colhidas, um técnico demarcou, no campo, os pátios de embarque (principais), os pátios intermediários e as trilhas de arraste, considerando sempre a topografia do local, de modo que diminuísse os impactos causados pelas incursões na floresta. Na seqüência, foi repassado para a equipe de corte o mapa de localização das árvores que seriam abatidas; deu-se início à operação de corte, utilizando-se de motosserras, levando em consideração os seguintes pontos: limpeza do tronco a ser abatido e teste do oco (introdução do sabre da motosserra no tronco, no sentido vertical). MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 38 O operador da motosserra foi orientado a cortar as árvores a uma altura de, no mínimo 10 cm e, no máximo, 30 cm do solo. Nas espécies mais propensas a rachaduras, durante o corte foram usadas técnicas de corte ade- quadas, para diminuir os danos sobre elas. O direcionamento de queda foi feito com o uso da cunha; esse proce- dimento também é feito de forma que não afete as árvores porta-sementes e de futuras colheitas. Há a orientação de se cortar o tronco no seu máximo de aproveitamento, ou seja, na primeira bifurcação, independentemente do com- primento. Antes do corte, o número de identificação das árvores era retirado, sendo recolocado após o corte, no toco e na tora, possibilitando assim o monitoramento da tora até o final do processo produtivo. 3.6.3. Trilhas de arraste As trilhas que foram traçadas anteriormente no campo foram identifi- cadas por fitas plásticas de cores diferentes, destacando as trilhas principais e trilhas secundárias de arraste das toras. É importante destacar que as árvores abatidas foram relacionadas às trilhas através desta identificação; além disso, os alojamentos da equipe de colheita foram planejados de acordo com a posição dos pátios de embarque das toras. A equipe de abertura das trilhas, composta por um técnico, um tratorista e um ajudante, foi orientada a trilhar as vias de acesso, de forma a minimizar o tempo e aumentar o rendimento, a fim de que o operador do skidder encontrasse menos obstáculos para fazer a colheita do produto. As trilhas principais e os pátios foram planejados de maneira que o arraste não ultrapassasse mais que 250 m de distância, tendo sido feito pelo trator de esteira (Caterpillar D-4) . 3.6.4. Arraste O mapa de colheita foi repassado à equipe de arraste, com todas as informações das trilhas e o posicionamento dos pátios. A equipe de arraste foi composta de dois técnicos, dois operadores de skidders e dois ajudantes. O operador do skidder obedeceu ao planejamento das trilhas que foram traçadas no mapa de colheita. A numeração indicada na tora foi retirada antes do arraste pelo ajudante e novamente identificada no momento do embarque, para fins de monitoramento. 3.6.5. Transporte - carregamento da balsa As toras foram concentradas nos pátios de embarque localizados nas áreas de melhor acesso, normalmente na beira de rios ou igarapés. Foram MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 39 feitas as identificações de todas as espécies de madeira e realizadas as medi- ções (cubagem). O transporte das toras até a balsa foi feito por um skidder, auxiliado por um carregador Michigan 125 ou L-90, que empilhou as toras na balsa, cujas dimensões são de 10 m de largura por 30 m de comprimento, de maneira que elas ficassem dispostas perpendicularmente ao comprimento da balsa. 3.6.6. Máquinas e equipamentos utilizados na colheita florestal Durante as operações de colheita florestal foram utilizadas as seguin- tes máquinas e equipamentos: dois tratores florestais (skidder), da marca Miller; um trator carregador L-90 e outro 125, da marca Michigan; um trator de esteira D4, da Caterpillar; quatro motosserras Sthil 051; dois grupos geradores; um barco rebocador; uma voadeira (embarcação para deslocamento rápido); um barco para transporte da equipe de trabalho; uma balsa para transporte das toras; uma balsa para transporte de máquinas pesadas; capacetes; botas; terçados; combustível; cunha; marreta; viseira; protetor auricular; calças com proteção de náilon; diversas ferramentas; medicamentos; além de outros. O planejamento da colheita florestal foi bastante complexo, pois muitos fatores devem ser considerados ao mesmo tempo na tomadade várias decisões. Esse planejamento utilizou as informações sobre distribuição das árvores, direção de queda provável, localização das trilhas e topografia do terreno para produzir um plano capaz de reduzir os danos ecológicos e os desperdícios de madeira e de aumentar a produtividade da colheita florestal (AMARAL et al., 1998). Segundo a empresa, em um período de 25 a 30 anos a área não sofrerá novas intervenções de colheita florestal, sendo realizados apenas os trata- mentos silviculturais, ou seja, o plantio de enriquecimento de espécies de valor comercial nas áreas abertas pela exploração, onde a regeneração é deficiente; o corte de cipós, presentes em futuras árvores para a colheita flo- restal; e o inventário florestal contínuo, oferecendo condições para a floresta regenerar e crescer novamente e assegurando, assim, a sua sustentabilidade. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1. Composição florística Genericamente, é apresentada no apêndice A a lista das espécies arbó- reas amostradas nas florestas não-explorada e explorada, em ordem alfabética de família botânica, nomes científicos e nome vulgar regional, conforme CAMARGOS et al. (1996), classificadas por grupos de valor comercial. De acordo com os resultados do Quadro 1, no nível I de abordagem (DAP ≥ 15 cm), na floresta não-explorada, foram amostrados 1.677 indivíduos MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 40 arbóreos, pertencentes a 30 famílias e 94 espécies. Na floresta explorada foram amostrados 1.229 indivíduos arbóreos, pertencentes a 35 famílias e 121 espécies, ou seja, houve redução na densidade e aumento de riqueza de espécies (Quadro 1). No nível II de abordagem (5,0 ≤ DAP < 15 cm), na floresta não- explorada, foram amostrados 254 indivíduos arbóreos, pertencentes a 24 famílias e 49 espécies. Já na floresta explorada foram amostrados 273 indivíduos arbóreos, pertencentes a 32 famílias e 66 espécies, ou seja, houve aumento na densidade e na riqueza de espécies (Quadro 1). Quadro 1 - Estimativa do número de indivíduos, famílias e espécies de árvores nas florestas não-explorada e explorada, em que nível I = todos os indivíduos com (DAP ≥ 15 cm); nível II = indivíduos entre (5,0 ≤ DAP < 15 cm); nível III = indivíduos entre (2,5 ≤ DAP < 5 cm) Floresta Nível de Abordagem Número de Indivíduos Número de Famílias Número de Espécies Não-explorada Nível I 1.677 30 94 Nível II 254 24 49 Nível III 65 14 23 Explorada Nível I 1.229 35 121 Nível II 273 32 66 Nível III 128 22 45 No nível III de abordagem (2,5 ≤ DAP < 5 cm), na floresta não- explorada, foram amostrados 65 indivíduos arbóreos, pertencentes a 14 famílias e 23 espécies, enquanto na floresta explorada foram amostrados 128 indivíduos, pertencentes a 22 famílias e 45 espécies, ou seja, quase dobrou a densidade e a riqueza de espécies (Quadro 1). Verifica-se no Quadro 1 que, em todos os níveis de abordagem, a riqueza de espécies da floresta explorada foi maior que a da floresta não- explorada. Pelo fato de pertencerem a um mesmo ecossistema, as áreas são bastante semelhantes. Estudos realizados em outras florestas da região apontam para uma ampla variação florística entre elas, associada provavelmente ao estágio suces- sional de cada área. Assim, CARVALHO (1992), em uma área de 3 ha, observou variações de 46-48 famílias e 219-226 espécies em um período de estudo de oito anos. Já OLIVEIRA (1995) encontrou 31 famílias e 58 espécies em uma floresta secundária de 2,75 ha, com aproximadamente 40 anos. Entretanto, MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 41 10 anos depois, essa mesma floresta apresentava 35 famílias e 71 espécies. YARED (1996) encontrou, em floresta primária não-manejada e em floresta secundária não-manejada, respectivamente 47 e 29 famílias e 179 e 65 espécies identificadas. Neste estudo, é importante destacar que as operações de colheita florestal reduziram apenas o número de indivíduos do nível I de abordagem (DAP ≥ 15 cm), ou seja, a colheita teve influência somente na redução das árvores de maior diâmetro das espécies comerciais. Isto concorda, em parte, com o mencionado por SOUZA et al. (1998), os quais destacam que a colheita de madeira em um sistema de manejo sustentável diminui o número de indivíduos dentro de uma população, porém isto não significa que haja perda de variabilidade, pois a variação genética não é medida somente pelo número de indivíduos dentro da população. Além disso, estes mesmos autores ressal- tam que é necessário conhecer a estrutura da população de cada espécie, seus mecanismos de reprodução e propagação e seu padrão de distribuição espacial e temporal. Para fins de avaliação dos efeitos da colheita florestal sobre a compo- sição florística de espécies comerciais, é apresentado no Quadro 2 o número de espécies por grupo de utilização. Observa-se que na floresta explorada, nos três níveis de abordagem e em todos os grupos de uso, o número de espécies foi maior que na floresta não-explorada, na qual houve pequena predominân- cia de espécies comerciais no nível I de abordagem. Na floresta explorada, em todos os grupos de uso, também predominou o grupo 1, porém com distribui- ção mais eqüitativa. Quadro 2 - Estimativas do número de espécies por grupo de uso (1=comer- ciais, 2=potenciais e 3=outras) e nível de abordagem em área de florestas não-explorada e explorada - município de Manicoré, AM Grupos de Uso Floresta Nível de Abordagem 1 2 3 Total Não-explorada Nível I (DAP ≥ 15 cm) 39 24 31 94 Nível II (5,0 ≤ DAP < 15 cm) 17 13 19 49 Nível III (2,5 ≤ DAP < 5 cm) 5 5 13 23 Explorada Nível I (DAP ≥ 15 cm) 48 30 43 121 Nível II (5,0 ≤ DAP < 15 cm) 23 20 23 66 Nível III (2,5 ≤ DAP < 5 cm) 15 12 18 45 Em termos percentuais (Figura 3), em quaisquer das florestas houve maior riqueza de espécies comerciais no nível I de abordagem, com 41 e 44%. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 42 No nível II de abordagem praticamente não houve diferença percentual entre as duas florestas. Contudo, no nível III de abordagem, observou-se predomí- nio das espécies do grupo 3 (outras), com percentual variando entre 56 e 40%. Uma análise da similaridade florística das duas florestas, executada por meio da aplicação do índice de similaridade de Sorensen, mostrou que 72,5% das espécies amostradas são comuns a ambas. Esse resultado diferiu do obtido por YARED (1996) em floresta primária. Segundo este autor, há baixo índice de similaridade em florestas primárias em razão da natureza dos processos de regeneração que ocorrem nestas florestas, quando comparados aos de floresta secundária. Os resultados da análise de variância executada para as variáveis de número de espécies (Nesp), número de famílias (Nfam), número de indivíduos por parcela (Npar) e número de indivíduos por hectare (Dens), considerando os níveis I, II e III de abordagem, encontram-se no Quadro 3. Observa-se (Quadro 3) que houve efeito significativo (P < 0,01) apenas para o número de famílias; portanto, constatou-se que as operações de colheita florestal não causaram mudanças significativas na composição florística e no número de árvores por hectare, apesar da redução de densidade e dominância da floresta explorada (Quadro 3). Esse resultado difere do obtido por FERREIRA (1997), cujos resultados mostraram que cortes seletivos provocaram alterações drásticas na composição florística, na densidade e na dominância. Na floresta não-explorada, as famílias de maior riqueza foram: Caesal- piniaceae e Fabaceae (10 espécies), Lauraceae (8 espécies), Lecythidaceae e Sapotaceae (7 espécies), Arecaceae (6 espécies) e Mimosaceae (5 espécies), que totalizam cercade 52% do número total de espécies amostradas. Das 30 famílias amostradas, a maioria (23) apresentou menos de cinco espécies. Na floresta explorada predominaram as famílias Fabaceae (14 espécies), Caesalpiniaceae (11 espécies), Sapotaceae (10 espécies), Lauraceae e Lecythidaceae (9 espécies) e Arecaceae e Mimosaceae (6 espécies), que perfizeram cerca de 48% do número total de espécies amostradas. Das 35 famílias amostradas, a maioria (28) apresentou menos de seis espécies. Estes resultados concordam com os estudos feitos por RICHARDS (1957), CARVALHO (1992), FLORES (1993) e MARTINS (1995), segundo os quais parece ser comum em florestas tropicais poucas famílias deterem o maior número de indivíduos, e este predomínio numérico, numa mesma família botânica, expressa a dominância da família na área. 4.1.1. Diversidade de espécies A diversidade das espécies arbóreas, considerando-se os indivíduos com DAP ≥ 15 cm, foi estimada pelo emprego do coeficiente de mistura de Jenstch (QM), do índice de diversidade florística de Shannon-Weaver (H’), da equabilidade de Pielou (J) e do índice de Simpson (C), cujos resultados encon- tram-se no Quadro 4. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 43 (a) 0 10 20 30 40 50 60 I II III Níveis de Abordagem Pe rc en tu al d o nú m er o de es pé ci es (% ) Comerciais Potenciais Outras (b) 0 10 20 30 40 50 60 I II III Níveis de Abordagem Pe rc en tu al d o nú m er o de es pé ci es (% ) Comerciais Potenciais Outras Figura 3 - Percentuais de número de espécies presentes nas áreas estudadas em relação aos níveis de abordagem e aos grupos de utilização: (a) floresta não-explorada; e (b) floresta explorada. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 44 Quadro 3 - Resultado da análise de variância, em relação à composição florística das florestas não-explorada e explorada, em que Nesp = número de espécies; Nfam = número de famílias; Npar = número de indivíduos por parcela; Dens = número de indivíduos por hectare Quadrados Médios Fonte de Variação GL Nesp Nfam Npar Dens Floresta 1 13.57,22 ns 342,22 ** 640,00 ns 0,12E+09 ns Resíduo 38 449,36 47,47 12.763,46 0,13E+09 Média 33,03 18,88 110,75 7.154,15 CVexp. (%) 64,19 36,51 102,01 161,63 ** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. ns = não-significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Quadro 4 - Índices de diversidade florística das florestas não-explorada e explorada – município de Manicoré, AM Floresta Índices de Diversidade de Espécies Não-explorada Explorada Coeficiente de mistura de Jentsch (QM) 1:18 1:10 Índice de diversidade de Shannon e Weaver (H’) 3,70 4,23 Índice de dominância de Simpson (1-C): 0,96 0,99 Equabilidade (J’) 0,81 0,88 Os valores de H’ de 3,70 e 4,23 apontam para alta diversidade nas duas florestas, apoiada pelo índice de equabilidade J (0,81 e 0,88), pelo índice C (0,04 e 0,01) e pelo coeficiente QM (1:18 e 1:10). Esses resultados não demonstram que as atividades de colheita florestal tendem a reduzir a diversi- dade de espécies, conforme muitos trabalhos insistem em afirmar, porém sem resultados comprobatórios. Neste estudo, o valor de H’ é semelhante aos índices estimados em alguns trabalhos executados na Amazônia Oriental. RIBEIRO et al. (1993), trabalhando em floresta secundária nas regiões de Carajás e Marabá, obtiveram estimativas dos índices de Shannon-Weaver de 3,66 e 3,71, respectivamente. YARED (1996), em estudo na Reserva Florestal de Curuá-Una, Estado do Pará, obteve como resultado H’= 3,40. Portanto, as florestas do Estado do Amazonas são semelhantes às do Estado do Pará. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 45 4.2. Estrutura horizontal As estimativas dos parâmetros fitossociológicos da estrutura horizontal, como densidade absoluta (DA), densidade relativa (DR), dominância absoluta (DoA), dominância relativa (DoR), freqüência absoluta (FA), freqüência relativa (FR), volume (Vol), valor de importância (VI%) e valor de cobertura (VC%), por espécie, nos três níveis de abordagem, nas florestas não-explorada e explorada, encontram-se nos Quadros 1B, 2B e 3B. Na floresta não-explorada, no nível I de abordagem, 20 espécies perfize- ram 55% do valor de importância. Na floresta explorada, as 20 espécies de maior valor de importância representaram apenas 45% do total de espécies amostradas. Dentre as 10 espécies de maiores densidade, dominância, freqüên- cia, volume e valores de importância e de cobertura, três espécies são comerciais e estão presentes nas duas florestas: Maquira sclerophylla (muiratinga), com 24 e 12 indivíduos/ha, respectivamente; Protium heptaphyllum (breu-branco), com 24 e 11 indivíduos/ha, respectivamente; e Vatairea guianensis (fava), com 9 e 4 indivíduos/ha, respectivamente (Quadro 1B). Na floresta não-explorada, as espécies comerciais predominam na área, com 36% do VI. As espécies potenciais representaram 34%, e as outras espécies (sem valor comercial atual), 30% do VI. É importante destacar que, na floresta explorada, no nível I de abordagem, ainda predominam as espécies comerciais, com 41% do valor de importância. As espécies com potencial futuro representaram 28%, e as outras, 31% do VI. Os resultados da análise de variância para as variáveis densidade (n/ha), dominância (m2/ha) e volume (m3/ha), no nível I de abordagem, encontram-se no Quadro 5. Observa-se que houve efeito significativo (P<0,01) entre as florestas para todas as características avaliadas, pelo teste F. Essa diferença significativa também prevaleceu entre os grupos de uso nos níveis de significância de P<0,01 e P<0,05, com exceção da densidade (n/ha). Em parte, esses resultados concordam com os obtidos por YARED (1996), que encontrou diferenças estatísticas entre floresta primária não- manejada e floresta primária com diferentes tratamentos silviculturais. Os resultados dos testes de médias (Tukey) das florestas e dos grupos de uso, para as variáveis analisadas no nível I de abordagem, são apresentados no Quadro 6. Ao comparar as duas florestas, observa-se a superioridade da floresta não-explorada quanto a DA, DoA e Vol, demonstrando que as operações de colheita florestal reduziram o número de indivíduos de maior diâmetro (DAP ≥ 15 cm), principalmente de espécies comerciais. Esses resultados encontram- se em consonância com os obtidos por VERÍSSIMO (1996a, b, c) em três áreas localizadas no sul do Pará, quando da realização da exploração seletiva de madeira. Em relação aos grupos de uso, observa-se (Quadro 6) que existe predominância de espécies comerciais no nível I de abordagem, porém com diferenças significativas somente nas variáveis DoA e Vol. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 46 Quadro 5 - Resultado da análise da variância das estimativas das variáveis da estrutura horizontal das florestas não-explorada e explorada e em relação aos grupos de uso, no nível I de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; e Vol = volume por hectare Quadrados médios Fonte de Variação GL DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) Floresta 1 6.840,30 ** 47,48 ** 3.651,96 ** Grupo 2 967,43 ns 15,51 * 3.325,40 ** Floresta x Grupo 2 868,90 ns 5,60 ns 571,44 ns Resíduo 24 335,50 3,39 356,72 Média 96,37 7,52 62,54 Cvexp. (%) 19,01 24,48 30,20 * e ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. ns = não-significativo a 5 e 1% de probabilidade, pelo teste F. Quadro 6 - Resultados do teste de Tukey para as médiasde florestas e grupos de uso no nível I de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare Médias Floresta DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) Não-explorada 111,47 a 8,78 a 73,57 a Explorada 81,27 b 6,27 b 51,51 b Grupos Dens (n/ha) Dom (m2/ha) Vol (m3/ha) Comercial 107,60 a 8,55 a 76,13 a Potencial 92,20 a 7,89 a b 69,68 a Outras 89,30 a 6,14 b 41,81 b As médias seguidas de pelo menos uma mesma letra minúscula não diferem entre si a 5% de probabilidade, pelo teste de Tukey. No nível II de abordagem, para a floresta não-explorada, 10 espécies dominaram a área, totalizando 55% do valor de importância. Na floresta explorada, as 10 espécies de maior VI representaram apenas 44% do total de espécies amostradas. Neste nível, entre estas 10 espécies, somente duas espé- cies de valor comercial estão presentes nas duas florestas: Protium heptaphyllum (breu-branco), apresentando 128 e 140 indivíduos/ha, respectivamente; e Maquira sclerophylla (muiratinga), com 36 e 40 indivíduos/ha, respectivamente (Quadro 2B). MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 47 No nível II, na floresta não-explorada, as espécies não-comercializadas predominaram na área, com 36% do VI, as espécies com potencial represen- taram 34% e as espécies com valor comercial perfizeram 30% do VI. Na floresta explorada, os resultados obtidos foram os seguintes: 37% do VI é representado pelas espécies comerciais, 33% por outras e 30% pelas potenciais. A análise da variância, no nível II de abordagem, para as variáveis DA, DoA e Vol, não apresentou diferenças significativas (P<0,01 e P<0,05) nem sequer entre as florestas, muito menos entre os grupos de uso. Portanto, neste nível de abordagem, originalmente, as duas florestas eram iguais e, acima de tudo, a exploração não alterou a sua estrutura. No nível III de abordagem, os resultados obtidos demonstraram que 10 espécies dominaram a área, com 67% do VI na floresta não-explorada. Na floresta explorada, as 10 principais espécies representaram apenas 47% do VI. As espécies comerciais que se destacaram neste nível, nas duas florestas, foram: Vatairea guianensis (fava), com 96 e 16 indivíduos/ha; Protium heptaphyllum (breu-branco), com 80 e 160 indivíduos/ha; e Clarisia racemosa (guariúba), com 64 indivíduos/ha na floresta não-explorada (Quadro 3B). Os resultados da análise de variância para as variáveis densidade (n/ha) e dominância (m2/ha), no nível III de abordagem, encontram-se no Quadro 7. Por meio desta análise, verificaram-se, pelo teste de F, diferenças significativas entre as florestas (P<0,01) e os grupos de uso (P<0,05), para as variáveis analisadas, inclusive na interação floresta x grupos de uso, no tocante à variável dominância (m2/ha). No nível III, é importante verificar o comportamento da interação florestas x grupos de utilização das espécies em relação à dominância, conforme indica o Quadro 8. Quadro 7 - Resultado da análise da variância das variáveis da estrutura horizontal das florestas não-explorada e explorada e dos grupos de uso, no nível III de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare Quadrados Médios Fonte de Variação GL DA (n/ha) DoA (m2/ha) Floresta 1 873.813,7 ** 0,67 ** Grupo 2 130.773,3 * 0,15 * Floresta x Grupo 2 74.453,3 ns 0,12 * Resíduo 24 26.986,66 0,03 Média 501,33 0,46 CVexp (%) 32,77 36,39 * e ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. ns = não-significativo a 5 e 1% de probabilidade, pelo teste F. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 48 Quadro 8 - Resultados do teste de Tukey aplicado para as médias da domi- nância (m2/ha) das florestas não-explorada e explorada e dos grupos de uso, no nível III de abordagem Floresta Grupo Não-explorada Explorada Comercial 0,28 A b 0,63 AB a Potencial 0,30 A a 0,37 B a Outras 0,34 A b 0,82 A a Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Observa-se superioridade da floresta explorada em relação à dominân- cia das espécies nos três grupos de uso, indicando que, provavelmente, a exploração florestal proporcionou a concentração da área basal no grupo das espécies comerciais. Foram verificadas maiores médias dos grupos 1 e 3 para a floresta explorada, o que indica, segundo YARED (1996), resposta favorável da explo- ração florestal, proporcionando melhorias nas características comerciais da floresta, pois o maior estoque de área basal ou a dominância de espécies comerciais é fundamental para o manejo da produção madeireira. 4.3. Estrutura vertical As estimativas dos parâmetros fitossociológicos da estrutura vertical, somadas às estimativas dos parâmetros fitossociológicos da estrutura horizon- tal, propiciam caracterização mais completa da importância ecológica das espécies nas florestas. Os parâmetros fitossociológicos da estrutura vertical englobam a posição sociológica, que fornece a composição florística dos diferentes estratos verticais do povoamento, e um parâmetro fitossociológico, definido como regeneração natural, que diz respeito somente às plantas infanto-juvenis (HOSOKAWA, 1986). 4.3.1. Posição sociológica Para se ter uma idéia dos efeitos da colheita florestal na arquitetura da floresta explorada, foram estimados o número de indivíduos por hectare (n/ha), a área basal por hectare (m2/ha) e o volume por hectare (m3/ha), por estrato de altura, por grupo de uso e por nível de abordagem, respectivamente (Quadro 9). Quadro 9 - Estimativa do número de indivíduos por hectare (n/ha) (a), área basal por hectare (m2/ha) (b) e volume por hectare (m3/ha) (c), por estratos de altura e grupos de uso, nas florestas não explorada e explorada, respectivamente, em que: Nível I = compreende todos os indivíduos com (DAP ≥ 15 cm); Nível II = indivíduos entre (5,0 ≤ DAP < 15 cm); Nível III = indivíduos entre (2,5 ≤ DAP < 5 cm); E1 = (h < 8,02) estrato de altura inferior; E2 = (8,02 ≤ h < 22,03) estrato de altura médio; E3 = (h ≥ 22,03) estrato de altura superior; grupo 1 = espécies comerciais; grupo 2 = espécies de potencial; grupo 3 = outras espécies Floresta Não-Explorada (a) Estratos de Altura E1 E2 E3 Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Nível de Abordagem 1 2 3 (n/ha) 1 2 3 (n/ha) 1 2 3 (n/ha) I 7,2 5 7,8 20 95 93,6 86,2 274,8 13,2 19,2 7,2 39,6 II 172 308 264 744 128 49 84 261 0 7 0 7 III 320 304 368 992 - - - - - - - - Total 499,2 617 639,8 1.756 223 142,6 170,2 535,8 13,2 26,2 7,2 46,6 Floresta Explorada (a) Estratos de Altura E1 E2 E3 Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Nível de Abordagem 1 2 3 (n/ha) 1 2 3 (n/ha) 1 2 3 (n/ha) I 4 3,4 6 13,4 73,8 46,2 58,6 178,6 22 17 12,8 51,8 II 216 176 224 616 180 140 132 452 - - 4 4 III 736 448 832 2016 - - - - - - - Total 956 627,4 1.062 2.645,4 253,8 186,2 190,6 630,6 22 17 16,8 55,8 Floresta Não-Explorada (b) Estratos de Altura E1 E2 E3 Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Nível de Abordagem 1 2 3 (m2/ha) 1 2 3 (m2/ha) 1 2 3 (m2/ha) I 0,5655 0,3263 0,3038 1,1956 4,2258 4,6261 2,0952 10,9471 4,7149 5,0491 4,4421 14,2061 II 1,122 2,0301 1,013 4,1651 1,1623 0,5314 0,8139 2,5076 0 0,0377 0 0,0377 III 0,3991 0,3663 0,3286 1,094 - - - - - - - - Total 2,0866 2,7227 1,6454 6,4547 5,3881 5,1575 2,9091 13,4547 4,7149 5,0868 4,4421 14,2438 Continua... M AN EJO FLO RESTAL – D EF/U FV Prof. Agostinho Lopes de Souza49 Quadro 9, Cont. Floresta Explorada (b) Estratos de Altura E1 E2 E3 Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Nível de Abordagem 1 2 3 (m2/ha) 1 2 3 (m2/ha) 1 2 3 (m2/ha) I 0,2256 0,2021 0,3427 0,7704 4,2385 2,6845 3,1339 10,0569 3,1197 2,897 1,9566 7,9733 II 0,8768 0,6493 0,8684 2,3945 1,593 1,1093 1,1847 3,887 - - 0,0484 0,0484 III 0,6271 0,3664 0,8216 1,8151 - - - - - - - - Total 1,7295 1,2178 2,0327 4,98 5,8315 3,7938 4,3186 13,9439 3,1197 2,897 2,005 8,0217 Floresta Não-Explorada (c) Estratos de Altura E1 E2 E3 Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Nível de Abordagem 1 2 3 (m3/ha) 1 2 3 (m3/ha) 1 2 3 (m3/ha) I 0,435 0,288 0,2082 0,9312 50,9962 49,562 21,4669 122,0251 34,6341 38,907 24,2207 97,7618 II 4,5613 7,7543 2,3931 14,7087 4,8902 2,2982 1,3745 8,5629 - 0,1322 - 0,1322 III - - - - - - - - - - - - Total 4,9963 8,0423 2,6013 15,6399 55,8864 51,8602 22,8414 130,5880 34,6341 39,0392 24,2207 97,8940 Floresta Explorada (c) Estratos de Altura E1 E2 E3 Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Nível de Abordagem 1 2 3 (m3/ha) 1 2 3 (m3/ha) 1 2 3 (m3/ha) I 0,2875 0,207 0,5189 1,0134 34,3398 21,763 17,8733 73,9761 31,5618 28,626 19,3414 79,5292 II 2,1608 1,646 1,7216 5,5284 7,8103 5,4432 3,787 17,0405 - - - - III - - - - - - - - - - - - Total 2,4483 1,8530 2,2405 6,5418 42,1501 27,2062 21,6603 91,0166 31,5618 28,626 19,3414 79,5292 M AN EJO FLO RESTAL – D EF/U FV Prof. Agostinho Lopes de Souza 50 MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 51 De acordo com os resultados apresentados no Quadro 9, no nível I de abordagem, observou-se maior número de árvores/ha nos estratos 1 (h < 8,02 m) e 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m) da floresta não-explorada que na floresta explorada, com predominância de espécies comerciais e não-comerciais. Entretanto, no estrato 3 (h ≥ 22,03 m), a floresta explorada apresentou-se com o maior número de árvores/ha em relação à floresta não-explorada, com predominância de espécies potenciais na floresta não-explorada e de espécies comerciais na floresta explorada. Para a área basal/ha, do nível I de abordagem, verificou-se que todos os estratos da floresta não-explorada foram superiores aos da floresta explorada; para o volume/ha, no nível I de abordagem, observou-se que os estratos 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m) e 3 (h ≥ 22,03 m) da floresta não-explorada foram superiores aos da floresta explorada, com exceção do estrato 1 (h < 8,02 m). No nível II de abordagem da floresta não-explorada, os números de árvores/ha nos estratos 1 (h < 8,02 m) e 3 (h ≥ 22,03 m) foram superiores aos da floresta explorada, com predominância das espécies potenciais, exceto no estrato 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m). Verificou-se, no nível II de abordagem, na avaliação da área basal/ha, que apenas o estrato 1 (h < 8,02 m) da floresta não- explorada foi maior que na floresta explorada; para o volume/ha, do nível II de abordagem, observou-se que o estrato 1 (h < 8,02 m) da floresta não- explorada foi superior ao da floresta explorada, e o oposto ocorreu no estrato 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m) para a floresta explorada (Quadro 9). No nível III de abordagem, foram observadas somente árvores no estrato 1 (h < 8,02 m) de altura, sendo o número de árvores/ha da floresta explorada maior que na floresta não-explorada, e, conseqüentemente, a área basal também foi superior na floresta explorada (Quadro 9). Na avaliação dos valores absolutos dos números de árvores/ha nos estratos de altura separados por grupo de uso, nas duas florestas, observou-se superioridade da floresta explorada em todos os estratos e grupos de uso, com exceção do estrato 3 (h ≥ 22,03 m) do grupo 2 (potencial). Os valores absolu- tos de área basal/ha mostraram que a maioria dos estratos de altura dentro de cada grupo de uso da floresta não-explorada foi superior aos da floresta explorada, com exceção do estrato 1 (h < 8,02 m) do grupo 3 (outras) e do estrato 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m) do grupo 1 (comercial) e do grupo 3 (outras). Os valores absolutos do volume/ha indicaram que todos os estratos de altura dentro dos grupos de uso foram superiores na floresta não-explorada, em comparação com os valores observados na floresta explorada (Quadro 9). Em geral, as principais espécies que se destacaram no nível I de abordagem, nos estratos de alturas, nas florestas não-explorada e explorada, são apresentadas nos Quadros 4B e 5B. Dentre estas, no estrato 1 (h < 8,02 m) destacam-se: Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro (3 indiví- duos/ha), na floresta não-explorada; e Orbignya spp. (babaçu), espécie não- madeireira (3 indivíduos/ha), nas duas florestas. No dossel médio, ou seja, no estrato 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m), sobressaíram, nas florestas não-explorada e explorada, as espécies: Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro (39 e 10 indivíduos/ha, respectivamente); Protium heptaphyllum (breu-branco), espécie comercial (22 e 10 indivíduos/ha, respectivamente); e Eschweilera spp. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 52 (mata-mata), espécie não-comercial (10 e 9 indivíduos/ha, respectivamente) (Quadros 4B e 5B). No dossel superior, estrato 3 (h ≥ 22,03 m), destacam-se Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro (7 e 3 indivíduos/ha, respectivamente); e Maquira sclerophylla (muiratinga), espécie comercial (2 indivíduos /ha, respectivamente) (Quadros 4B e 5B). É possível observar, por meio destes resultados, que há reduções no número de árvores por hectare na floresta explorada, decorrentes, provavelmente, de operações de colheita florestal. As espécies arbóreas com maiores valores de posição sociológica relativa, nas florestas não-explorada e explorada, foram: Pouteria caimito (abiu) (14 e 6%, respectivamente) e Protium heptaphyllum (breu-branco) (8 e 5%, respectivamente). Convém salientar que estas espécies predominaram principalmente no estrato médio. Por outro lado, as espécies Pterocarpus officinalis (mututi), não-comercial; Cedrela odorata (cedro), comercial; e Ocotea canaliculata (louro-pimenta), potencial, são exclusivas do dossel superior da floresta não-explorada, representada por um ou menos de um indivíduo por hectare. Na floresta explorada, as espécies Manilkara huberi (maçaranduba), comercial; Couropita guianensis (castanha-de-macaco), potencial; Dipteryx magnifica (cumarurana), potencial; Platonia insignis (bacuri), não-comercial; Hymenaea sp. (jutaí-pororoca), potencial; Manilkara paraensis (maparajuba), potencial; Socratea exorrhiza (paxiuba), não-comercial; Cordia trichotoma (vell.) (louro-pardo), comercial; e Poraqueiba paraensis (marirana), não-comer- cial, são exclusivas do dossel superior da floresta explorada, representada por um ou menos de um indivíduo por hectare. Diante destes resultados, é possível afirmar que a colheita florestal não danificou a arquitetura do dossel superior da floresta explorada no tocante à riqueza de espécies. Os resultados do nível II de abordagem são apresentados nos Quadros 6B e 7B. Dentre as espécies das florestas não-explorada e explorada, no estrato 1 (h < 8,02 m) destacam-se: Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro (120 e 40 indivíduos/ha, respectivamente); Brosimum paraense (muirapiranga), espécie com potencial futuro (56 indivíduos/ha na floresta não-explorada), Protium heptaphyllum (breu-branco), espécie comercial (24 e 80 indivíduos/ha, respectivamente); e Maquira sclerophylla (muiratinga), espécie comercial (28 e 20 indivíduos/ha, respectivamente). No estrato médio (8,02 m ≤ h < 22,03 m) sobressaem, nas florestas não-explorada e explorada: Protium heptaphyllum (breu-branco), espéciecomercial (104 e 60 indivíduos/ha, respectivamente); e Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro (16 e 36 indivíduos/ha, respectivamente) (Quadros 6B e 7B). No estrato superior, as únicas espécies com número de indivíduos foram Brosimum paraense (muirapiranga), com potencial futuro (7 indivíduos/ha), na floresta não-explorada, e Ephedranthus amazonicus (4 indivíduos/ha), na floresta explorada. As espécies arbóreas com maiores valores de posição sociológica relativa, no nível II de abordagem, nas florestas não-explorada e explorada, foram: Pouteria caimito (abiu) (14 e 7%, respectivamente) e Protium heptaphyllum (breu-branco) (7 e 12%, respectivamente). MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 53 Os resultados do nível III de abordagem são apresentados nos Quadros 8B e 9B. Observou-se que no estrato inferior da floresta não- explorada destacaram-se: Pouteria caimito (176 indivíduos/ha); Vatairea guianensis (96 indivíduos/ha); e Protium heptaphyllum (80 indivíduos/ha). Na floresta explorada sobressaíram: Protium heptaphyllum (160 indivíduos/ha) e Pouteria caimito e Eschweilera spp. (128 indivíduos/ha). No nível III, nas florestas não explorada e explorada, Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro (17 e 6%, respectivamente), destaca-se com o maior valor de posição sociológica relativa na floresta não-explorada e o segundo maior valor de posição sociológica relativa na floresta explorada. De acordo com HOSOKAWA (1986), as espécies têm seu lugar assegurado na estrutura e na composição da floresta quando se encontram representadas em todos os seus estratos. Ao contrário, aquelas que se encon- tram apenas no estrato superior, ou superior e médio, têm sobrevivência duvidosa no desenvolvimento da floresta até o clímax. As espécies que possuem posição sociológica regular “são aquelas que apresentam no estrato inferior um número de indivíduos maior, ou pelo menos igual aos estratos subseqüentes (médio e superior)”, exceto aquelas que, por características próprias, não passam do estrato inferior. Esse autor afirma ainda que, quanto mais regular for a distribuição dos indivíduos de uma espécie na estrutura vertical de uma floresta (diminuição gradual do número de árvores à medida que se evolui do estrato inferior para o superior), maior será seu valor na posição sociológica relativa. 4.3.2. Regeneração natural Na amostragem da regeneração natural (h ≥ 30 cm até DAP < 2,5 cm), na floresta não-explorada, foram identificadas 35 espécies. Na floresta explo- rada foram amostradas 58 espécies (Quadros 10B e 11B). Portanto, na floresta explorada, no estoque de regeneração natural, a riqueza de espécies arbóreas foi muito maior, porém ocorreram mudanças no percentual de espécies comerciais, potenciais e outras (Quadro 10). Quadro 10 - Regeneração natural relativa (RNR%), por categoria das espécies, nas florestas não-explorada e explorada - município de Manicoré, AM Grupos de Uso Floresta Comerciais Potenciais Outras Total Não-explorada 23 43 34 100 Explorada 27 27 46 100 MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 54 Na floresta não-explorada, seis espécies somaram 50% da regeneração natural relativa (Quadro 10B); destas, apenas Protium heptaphyllum (breu- branco) destaca-se como uma espécie comercial. Dentre as espécies comerciais que se apresentaram na regeneração citam-se Maquira sclerophylla (muiratinga), Vatairea guianensis (fava), Clarisia racemosa (guariúba), Virola michelii (ucuuba), Xylopia nitida (envira-branca). Das principais espécies comerciais amostradas na floresta não-explorada, quatro destas não foram observadas na classe de regeneração natural: Dipteryx odorata (cumaru), Minquartia guianensis (acariquara), Nectandra rubra (louro-vermelho) e Protium sp. (cedrinho). Os resultados obtidos na floresta explorada indicam predominância das espécies sem valor comercial na classe de regeneração (Quadro 10). Um fato preocupante é que espécies de alto valor comercial, como Schizolobium amazonicum (paricá), Dipteryx odorata (cumaru) e Simaruba amara (marupá), apresentaram regeneração natural com valores inexpressivos, ou seja, com baixos valores de regeneração natural relativa. Os resultados obtidos da amostragem da regeneração natural da floresta explorada mostraram que as principais espécies comerciais apresentaram-se com indivíduos nas classes de tamanho da regeneração natural. Dentre estas, destacam-se: Maquira sclerophylla (muiratinga), Protium heptaphyllum (breu- branco) e Copaifera sp. (copaíba). Entretanto, Nectandra rubra (louro-vermelho) e Protium sp. (cedrinho) estiveram ausentes na regeneração natural, tanto na floresta não-explorada como na explorada. Provavelmente, são espécies de difícil regeneração, portanto, têm que ser mantidas árvores porta-sementes sempre no estoque de crescimento, bem como deve-se executar manejo da regeneração natural para regular seus estoques. Protium heptaphyllum (breu-branco) é uma espécie comercial que sobressaiu na regeneração natural, apresentando-se na segunda posição do “ranking” das espécies, e, sobretudo, ela não sofreu pressão das operações de colheita florestal. Os resultados da análise da variância da variável densidade (n/ha) da regeneração natural encontram-se no Quadro 11. Observa-se que houve efeito significativo (P<0,01) entre as florestas e entre os grupos de uso, pelo teste F. Além disso, houve diferença significativa na interação das florestas com os grupos de uso, indicando que, no tocante a esta variável, a exploração florestal afetou significativamente a estrutura da floresta e dos grupos de uso. As médias da interação florestas x grupos de uso, em termos da variá- vel densidade (n/ha) da regeneração natural, são apresentadas no Quadro 12. Verifica-se (Quadro 12) superioridade do grupo 2 em comparação com os grupos 1 e 3 na floresta não-explorada. Na floresta explorada, a superioridade das espécies é significativa para o grupo 3, ou seja, o grupo de espécies não- comerciais. No tocante às médias dos grupos entre as florestas, verificam-se diferenças significativas entre as florestas 1 e 2 para os grupos de espécies comerciais e não-comerciais. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 55 Quadro 11- Resultado da análise da variância, da variável densidade absoluta da regeneração natural (n/ha) das florestas não-explorada e explo- rada e dos grupos de utilização das espécies, em que DA = número de indivíduos por hectare Quadrado médio Fonte de Variação GL DA (n/ha) Floresta 1 0,12E+09 ** Grupo 2 0,35E+09 ** Floresta x Grupo 21 0,47E+09 ** Resíduo 24 4.809.386 Média 8.352,00 Cvexp (%) 26,26 ** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. Quadro 12 - Resultados do teste de Tukey para as médias de densidade (n/ha) das florestas não-explorada e explorada e dos grupos de uso, no nível IV de abordagem Floresta Grupo Não-explorada Explorada Comercial 4096,00 B b 8448,00 B a Potencial 9152,00 A a 8640,00 B a Outras 5824,00 AB a 13952,00 A b Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. A preocupação com a regeneração das espécies florestais, em floresta explorada, é consenso entre os pesquisadores da área. BARRETO et al. (1991) apontaram o risco que ocorre em decorrência da colheita sem adequado plane- jamento. O citado risco é a superexploração de algumas espécies de valor comercial. Se estas espécies forem de difícil regeneração, correm o risco de serem extintas localmente. Portanto, deve-se enfatizar a necessidade de diagnosticar, a priori, os estoques de regeneração natural da florestadas espécies comerciais e manter árvores matrizes para sustentar os estoques destas na floresta. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 56 Esses resultados demonstram o cuidado que se deve ter no planeja- mento da colheita florestal, bem como nas estratégias a serem tomadas no manejo das florestas nativas dessa região, em razão, principalmente, da fragi- lidade desses ecossistemas. Entretanto, esses resultados não devem ser conclusivos, uma vez que na floresta em questão a amostragem foi realizada imediatamente após a colheita. Com o passar do tempo, esse número de espécies deve aumentar ainda mais, uma vez que a regeneração natural deve garantir a continuidade da suces- são, em razão da abertura de clareiras e do conseqüente aumento de luminosidade no interior da floresta (CARVALHO, 1992; MARTINS, 1995; MARTINS, 1999). Fatores como competição por luz, presença no banco de sementes, intervalo entre as atividades reprodutivas, baixa sobrevivência das plântulas, entre outros, são os responsáveis por essa continuidade (GUEVARA SADA e GÓMEZ-POMPA, 1979; JANZEN, 1980; VIANA, 1990). Portanto, há neces- sidade de desenvolver estudos mais detalhados acerca do assunto, quando essa regeneração mostrar-se insuficiente para sustentar novas produções. 4.4. Danos causados pela colheita florestal às árvores remanescentes 4.4.1. Qualidade de fuste A qualidade de fuste foi avaliada nas árvores com DAP ≥ 15 cm. Na floresta não-explorada, 60% das árvores têm troncos retos, cilíndricos e sem ocos, sendo classificados como “bons” (classe 1); 17% têm troncos retos, mas com ocos pequenos ao longo de toda a tora, ou troncos tortuosos, mas sem ocos, classificados como “regulares” (classe 2); e 23% das árvores apresen- tam-se com troncos tortuosos e com presença de ocos, ou seja, com qualidade inferior a 50% de aproveitamento (classe 3). Na floresta explorada, 32% das árvores apresentaram-se com troncos retos, cilíndricos e sem ocos (classe 1); 42% apresentaram-se com fustes de classe 2; e 26% tiveram fustes com classe 3 (Quadro 13). Na floresta não-explorada, observa-se que em todos os grupos de uso existe predomínio de indivíduos da classe de qualidade de fuste 1 (bom). Na floresta explorada, verifica-se que as espécies comerciais e espécies sem valor comercial apresentam-se com predomínio de espécies com qualidade de fuste 2 (regular), com exceção do grupo das potenciais, em que os indivíduos das classes 1 e 2 foram iguais. Na floresta não-explorada, os números de árvores/ha em todos os grupos de uso, na classe de qualidade de fuste 1 (bom), foram superiores aos da floresta explorada. Na floresta não-explorada, as espécies comerciais da classe 1 de qualidade de fuste representaram 60% do total amostrado, ao passo que na floresta explorada este percentual ficou em torno de 33% (Quadro 14). Em geral, verifica-se que a floresta não-explorada apresentou maior número de árvores/ha em todos os grupos de uso. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 57 Quadro 13 - Distribuição do número de indivíduos/ha, por classe de qualidade de fuste, nas florestas não-explorada e explorada - município de Manicoré, AM Floresta Não-explorada Explorada Classe de Qualidade de Fuste Número de indivíduos/ha (%) Número de indivíduos/ha (%) Bom (1) 201 60 78 32 Regular (2) 58 17 103 42 Inferior (3) 77 23 65 26 Total 336 100 246 100 Quadro 14 - Distribuição do número de indivíduos por hectare (n/ha), por classe de qualidade de fuste, por grupo de uso - município de Manicoré, AM Floresta Classe de Qualidade de Fuste Grupo de Uso (n/ha) Não-explorada Comerciais % Potenciais % Outras % (Classe 1) 69 60 82 70 50 49 (Classe 2) 27 23 19 16 12 12 (Classe 3) 20 17 17 14 39 39 Total 116 100 118 100 101 100 Explorada (Classe 1) 33 33 27 41 18 23 (Classe 2) 47 48 27 40 28 36 (Classe 3) 19 19 13 19 31 41 Total 99 100 77 100 69 100 %: percentual de indivíduos/ha. Observa-se que a colheita florestal reduziu o estoque (n/ha) comercial da floresta explorada em cerca de 45%, ou seja, aproximadamente 27 árvores de classe de qualidade de fuste 1 foram extraídas; em razão disso, há predomi- nância dos indivíduos das classes inferiores, o que confirma o mencionado por KARTAWINATA et al. (1989), os quais destacam que os indivíduos man- tidos para futuras colheitas são os mais indesejáveis, pequenos e geneticamente inferiores, e há possibilidade de perda de espécies em virtude da exaustão na colheita. Segundo SOUZA (comunicação pessoal), há grande risco de extinção MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 58 local e temporária de espécie, principalmente daquelas de maior valor mone- tário, em decorrência de mau planejamento e execução da colheita florestal. Contudo, se a floresta for adequadamente manejada, isto não se verifica. Os resultados da análise da variância para as variáveis densidade (n/ha), dominância (m2/ha) e volume (m3/ha), no nível I de abordagem, encontram-se no Quadro 15. Quadro 15 - Resultado da análise da variância das variáveis densidade (DA), dominância (DoA) e volume (Vol) para as florestas não-explorada e explorada, para a qualidade de fuste e para os grupos de uso, no nível I de abordagem (DAP ≥ 15 cm), em que DA = número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare Quadrados Médios Fonte de Variação GL DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) Floresta 1 2.280,10 ** 15,83 ** 1.217,32 ** Grupo 2 322,48 ns 5,17 * 1.108,47 ** Qualidade de fuste 2 4691,51 ** 71,46 ** 12.463,61 ** Floresta x Grupo 2 289,63 ns 1,87 ns 190,48 ns Floresta x Qualidade de fuste 2 6.035,73 ** 39,22 ** 5.213,17 ** Grupo x Qualidade de fuste 4 1.420,84 ** 8,62 ** 419,19 * Floresta x Grupo x Qualidade de fuste 4 136,67 ns 1,87 ns 180,47 ns Resíduo 72 131,15 1,20 131,68 Média 32,12 2,51 20,85 CVexp (%) 35,65 43,64 55,05 * e ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. ns = não-significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. Por meio da análise da variância, verificam-se, pelo teste F, diferenças significativas (P<0,01) entre as florestas para todas as variáveis analisadas. Entre os grupos de uso houve diferenças significativas em níveis de (P<0,01 e P<0,05), com exceção da densidade (n/ha). Entre as interações floresta x qualidade de fuste e grupo x qualidade de fuste, também foram observadas diferenças significativas (P<0,01) para todas as variáveis analisadas. Neste caso, os fatores não foram analisados isoladamente (Quadros 16 e 17). Ao comparar as florestas dentro das classes de qualidade de fuste, observa-se que na floresta não-explorada existe superioridade da qualidade de fuste 1, ao passo que na floresta explorada as diferenças estão entre as classes 2 e 3 da qualidade de fuste para densidade e 1 e 3 para dominância e volume. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 59 Quadro 16 - Resultados do teste de Tukey para comparação entre médias de florestas e qualidade de fuste em relação às variáveis avaliadas, no nível I de abordagem, em que Floresta 1 = floresta não- explorada; Floresta 2 = floresta explorada; Qualidade 1 = aproveitamento de 80 a 100%; Qualidade 2 = aproveitamento de 79 a 50%; Qualidade 3 = fuste com aproveitamento inferior a 50% DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) Floresta Floresta Floresta Qualidade de Fuste 1 2 1 2 1 2 1 66,93 A a 25,93 AB b 5,99 A a 2,59 A b 62,53 A a 24,93 A b 2 19,27 B b 34,00 A a 1,16 B b 2,17 AB a 8,77 B b 19,55 A a 3 25,27 B a 21,33 B a 1,64 B a 1,50 B a 2,27 B a 7,02 B a Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúsculana coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Quadro 17 - Resultados do teste de Tukey para as médias de grupo de uso e qualidade de fuste em relação às variáveis avaliadas, no nível I de abordagem, em que Grupo 1 = espécies comerciais; Grupo 2 = espécies com potencial futuro; Grupo 3 = espécies não-comer- ciais; Qualidade 1 = aproveitamento de 80 a 100%; Qualidade 2 = aproveitamento de 79 a 50%; Qualidade 3 = fuste com aproveita- mento inferior a 50% DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) Grupos de Uso Grupos de Uso Grupos de Uso Qualidade de Fuste 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 51,0 A a 54,4 A a 34, 0A b 5, 0 A a 5,1 A a 2,8 A b 51,7 A a 50,9 A a 28,6 A b 2 37,0 B a 22,8 B b 20,1 B b 2,2 B a 1,6 B a 1,2 B a 18,9 B a 13,4 B a 10,1 B a 3 19,6 C b 15,0 B b 35,3 A a 1,4 B a 1,2 B a 2,2 AB a 5,4 C a 5,4 B a 3,2 B a Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Ao comparar as classes de qualidade de fuste dentro das florestas, verificam-se diferenças significativas nas florestas em relação às classes 1 e 2 de qualidade de fuste, não ocorrendo o mesmo com a classe 3 de qualidade de fuste. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 60 Observa-se, no Quadro 17 e na Figura 4, que as médias dos grupos entre as classes de qualidade de fuste apresentam-se com os maiores valores na classe de qualidade de fuste 1, com exceção da densidade no grupo 3, que foi estatisticamente semelhante nas classes 1 e 3 de qualidade de fuste. Contudo, no tocante às médias de qualidade de fuste em relação aos grupos, observa-se (Figura 4) que não existe diferença significativa na classe de qualidade de fuste 1 dentro dos grupos 1 e 2. Na classe 2 de qualidade de fuste, verificou-se diferença significativa dentro do grupo 1, em comparação com os grupos 2 e 3, na variável densi- dade. Nas demais variáveis não foram observadas diferenças estatísticas. Para a classe 3 de qualidade de fuste, observou-se diferença significativa apenas na média de densidade do grupo 3, em relação aos outros grupos; a dominância e o volume apresentaram-se com médias semelhantes e inferiores às demais médias observadas nesta análise. 0 10 20 30 40 50 60 g1 g2 g3 g1 g2 g3 g1 g2 g3 G rupos de uso M éd ia s Q ualidade 1 Q ualidade 2 Q ualidade 3 Figura 4 - Médias de grupo de uso e qualidade de fuste em relação às carac- terísticas avaliadas, no nível I de abordagem, em que Grupo 1 = espécies comerciais; Grupo 2 = espécies com potencial futuro; Grupo 3 = espécies não-comerciais; Qualidade 1 = aproveitamento de 80 a 100%; Qualidade 2 = aproveitamento de 79 a 50%; Qualidade 3 = fuste com aproveitamento inferior a 50%. 4.4.2. Danos à vegetação adulta Da análise feita na floresta não-explorada, observou-se que 33 (10%) árvores amostradas sofreram danos por causa natural; 7 (2%) sofreram danos no tronco; 13 (4%) tiveram danos na copa; 2 (1%) apresentaram danos no tronco e na copa; e 11 (3%) foram mortas por causa natural. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 61 Na floresta explorada, o volume de madeira colhido foi de aproxima- damente 18m3/ha, e 33 (10%) árvores foram danificadas pelas operações de colheita florestal; sendo 9 (3%) com danos no tronco, 13 (4%) com danos na copa; 3 (1%) com danos no tronco e na copa e 8 (2%) foram de árvores mortas (Figura 5). Resultados semelhantes foram obtidos por JONKERS (1987), o qual, em um estudo no Suriname, destaca que a produção de madeira é geral- mente menor que 20 m3/ha e raramente resulta em danos severos à vegetação. Esses resultados estão em consonância com LANLY (1982), que menciona que as taxas de extração de madeira são geralmente baixas e que a exploração em si não representa ameaça para a produção contínua de madeira. Todavia, qualquer dano causado pela exploração afeta a produção futura de madeira, e, quanto maior os volumes de madeira colhidos, maiores são os danos (HENDRISON, 1989). 302 7 13 2 11 212 9 13 3 8 0 50 100 150 200 250 300 350 N úm er o d e ár v o re s da n ifi ca da s/h a Floresta não-explorada Floresta explorada sem danos danos no tronco danos na copa danos no tronco e na copa árvore morta Figura 5 - Danos ocorridos nas árvores/ha nas florestas não-explorada e explorada - município de Manicoré, AM. Do total de árvores danificadas, 14 (43%) são de valor comercial; 10 (30%) apresentam potencial futuro; e as demais, 9 (27%), não têm importância econômica. Esses resultados foram diferentes daqueles encontrados por JONKERS (1987), que, em 15 m3/ha de volume explorado no Suriname, obteve apenas 18% de árvores de valor comercial danificadas. De modo geral, o percentual de danos observados na área de estudo é baixo, se comparado com os resultados obtidos por VERÍSSIMO et al. (1996a, b) em Tailândia e Paragominas, no sul do Pará, onde foram colhidos, em média, 16 e 38 m3/ha, respectivamente, com 58 e 148 árvores danificadas/ha. A diferença entre essas áreas de colheita é que, no presente estudo, a empresa é detentora das terras e realizou a colheita de modo planejado. No MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 62 caso relatado no Pará (VERÍSSIMO et al., 1996a, b), o madeireiro não era o proprietário das terras, assim como os madeireiros da maioria da região também não o são. Portanto, a empresa possuidora da área é muito mais cons- ciente dos danos que pode causar à área de colheita florestal; assim, a empresa consciente dos danos que pode causar à floresta remanescente desenvolve todo o planejamento pré-colheita, como corte de cipós, abertura das trilhas de arraste e direcionamento de queda. No Quadro 18 encontram-se os resultados da análise da variância que confronta a estrutura das florestas não-explorada e explorada com a posição de danos, no nível I de abordagem. Observa-se que houve efeito significativo (P < 0,01) entre as florestas e entre as diferentes posições de danos, bem como na interação floresta versus posição de danos em todas as características analisadas, pelo teste F, indicando diversidade de respostas em relação às florestas estudadas e às diferentes posições de danos. Quadro 18 - Resultado da análise de variância em relação à estrutura das flo- restas não-explorada e explorada e à posição de danos, no nível I de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare Quadrados Médios Fonte de Variação GL DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) Floresta 1 4.014,08 ** 28,52 ** 2.164,95 ** Posição de danos 4 123.878,3 ** 732,28 ** 58.086,50 ** Floresta x Posição de danos 4 4.001,93 ** 25,11 ** 2.343,14 ** Resíduo 40 269,26 2,59 245,07 Média 58,12 4,54 37,56 CVexp (%) 28,23 35,45 41,68 * e ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. ns = não-significativo a 5 e 1% de probabilidade, pelo teste F. Da interação significativa entre as florestas e as posições de danos pode-se inferir que os danos causados às árvores em diferentes posições afetam de forma significativa o comportamento das florestas estudadas. Diante desses resultados, o estudo do comportamento da interação florestas versus posição de danos, em relação às características analisadas, pode ser observado no Quadro 19. Quando se comparam os resultados de médias referentes às florestas versus as diferentes posições de danos, verifica-se, que nas florestas, a posição de danos 1 apresenta-se de forma diferenciadaquando comparada com as outras posições de danos, indicando que, independentemente das diferentes posições de danos, há um predomínio de árvores sem danos nas duas florestas anali- sadas. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 63 Quadro 19 - Resultados do teste de Tukey para as médias de florestas e posição de danos em relação às variáveis avaliadas no nível I de abor- dagem, em que Floresta 1 = floresta não-explorada; Floresta 2 = floresta explorada; Posição de danos 1 = sem danos; 2 = danos no tronco; 3 = danos na copa; 4 = danos no tronco e na copa; 5 = árvore morta Densidade (n/ha) Dominância (m2/ha) Volume (m3/ha) Floresta Floresta Floresta Posição de Danos 1 2 1 2 1 2 1 301,80 A a 212,40 A b 23,42 A a 16,25 A b 207,78 A a 139,92 A b 2 7,00 B a 9,00 B a 0,87 B a 0,79 B a 7,01 B a 5,50 B a 3 13,40 B a 13,00 B a 0,71 B a 0,82 B a 4,22 B a 4,58 B a 4 1,80 B a 3,20 B a 0,20 B a 0,19 B a 0,16 B a 0,73 B a 5 11,40 B a 8,20 B a 1,28 B a 0,88 B a 1,55 B a 4,19 B a Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. No Quadro 20 encontram-se os resultados da análise da variância que confronta a estrutura das florestas não-explorada e explorada com a posição de danos, no nível II de abordagem. Observa-se que houve efeito significativo (P < 0,01) entre as diferentes posições de danos. Entretanto, não foram verificadas diferenças significativas, pelo teste F, para florestas e também para a interação floresta versus posição de danos. Os resultados da comparação das médias entre as diferentes posições de danos, com respeito às variáveis analisadas, apresentam-se no Quadro 21. Quadro 20 - Resultado da análise da variância em relação à estrutura das flo- restas não-explorada e explorada e à posição de danos, no nível II de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare Quadrados Médios Fonte de Variação GL DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) Floresta 1 3.871,99 ns 0,22 ns 19,44 ns Posição de danos 4 1.963.028 ** 64,00 ** 687,02 ** Floresta x Posição de danos 4 2.851,99 ns 0,23 ns 12,78 ns Resíduo 40 6.260,00 0,50 7,85 Média 209,60 1,22 3,90 CVexp (%) 37,75 57,96 71,90 ** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. ns = não-significativo. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 64 Quadro 21 - Médias de densidade (DA), dominância (DoA) e volume (Vol) em relação à posição de danos, no nível II de abordagem Médias Posição de Danos DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 1 1.002,00 a 5,74 a 18,72 a 2 6,00 b 0,10 b 0,21 b 3 24,00 b 0,18 b 0,52 b 4 0,00 b 0,00 b 0,00 b 5 16,00 b 0,07 b 0,04 b As médias seguidas de pelo menos uma mesma letra minúscula não diferem entre si a 5% de probabilidade, pelo teste de Tukey. Os resultados das médias de densidade absoluta (n/ha), dominância absoluta (m2/ha) e volume (m3/ha), considerando a posição de danos, no nível II de abordagem, indicam que a posição de danos 1, ou seja, sem danos evi- dentes, mostrou-se diferenciada em relação às demais posições de danos, evidenciando novamente que, nas diferentes posições de danos, há predomínio de árvores sem danos nas duas florestas. Os danos de colheita também foram classificados em função dos motivos de sua ocorrência. Nessa análise, foram detectados que 17 (7%) árvores foram danificadas em razão das operações de corte; 7 (3%) foram danificadas pelas operações de extração das toras; e 9 (4%) foram mortas devido a operações de colheita florestal (Figura 6). É importante destacar que a média da área danificada pela abertura de trilhas de arraste, na colheita de madeira, foi de aproximadamente 666,47 m2/ha (6%) (Figura 7), e as clareiras, em média, representaram 944,8 m2/ha (9%), ou seja, cerca de 29% das causas de danos foram oriundas das operações de colheita florestal. JONKERS (1987) destaca que a exploração seletiva não reduz somente o estoque de madeira, mas também causa alguns danos na vegetação remanescente, isto porque muitas das árvores que não foram exploradas morrem ou sofrem injúrias. O autor comenta ainda que as diferentes categorias de danos relacionados à área basal representam um parâmetro importante para quantificar perdas de madeiras na área explorada, uma vez que essa variável está fortemente correlacionada com o volume explorado. Esses resultados, ainda assim, são considerados baixos, pois, segundo VERÍSSIMO (1996b), em Paragominas, no Estado do Pará, a área danificada pelas operações de colheita florestal ficou em torno de 3.800 m2/ha. Os resultados da análise da variância que confronta a estrutura das florestas não-explorada e explorada com as causas de danos, no nível I de abordagem, podem ser observados no Quadro 22. Verifica-se que houve efeito significativo (P < 0,01) entre as florestas e entre as diferentes causas de danos, bem como na interação floresta versus causa de danos, para todas as características analisadas, pelo teste F, indicando diversidade de respostas em relação às florestas estudadas e às diferentes causas de danos. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 65 A respeito da interação significativa entre as florestas e as causas de danos, pode-se inferir que as diferentes causas de danos afetaram de forma significativa a estrutura das duas florestas. 212 17 7 9 0 50 100 150 200 250 N úm er o d e á rv o re s da ni fic ad as /h a Sem danos Operação de corte Operação de extração Árvore morta Figura 6 - Número de árvores/ha em função da causa de danos ocorridos pelas operações de colheita florestal município de Manicoré, AM. 303 305 306 302 304 307 308 309 310 311 329 327 328 326 299 300 298 295 294 312 313 314 315 296 293 291 292 290 280 279 278 275 277 276 297 316 317 274273272 271 268269 266267 261 270 265262 263 260 259 257 258 264 337 338 340 341 339 342 319 324 323 321320 318 322 325 330 332 333 334 335 336 331 283 287286 284 285 289 288 281 282 POP2 252 251 249 248 250253 243 242 254 236 240 241 235 234 237 238 239 233 232 231 230 245 244 256 255 788 204 788 788 788 229 227 228 225 788 788 788 226 224788 788 788 219 223 222 221220 216 788 788788 188 218 217 187 184 185 183 186189 190 191 192 198 194 193 195 196 203 202 201 199 200 197 POP2 41 40 43 39 36 37 45 42 44 38 46 35 34 33 32 28 29 31 27 26 24 23 3022 2120 18 5957 60 58 4847 19 6156 25 1415 12 13 10 11 8 1617 52 51 53 54 55 50 6566 64 62 63 76 77 78 6 7 9 81 82 4 3 2 1 5 83 79 80 67 68 69 73 70 71 72 74 75 49 50 P1 139 134 138 127 133 135 137 136 136 132 126 125 124 123 106 119 120 121 122 118 116 117 115 114108 107 102 105 101 103 104 128 129 130 131 142 141 140 143 144 146 145 147 148 149 150 155 151 100 152 99 98153 154 93 113 112 111 109 110 92 91 90 89 86 85 94 88 96 95 178 182 177 84 87181180179 175 176 174 161 160 159 173 172 97 158 157 156 163 162 171 170 164 169 166165 168 167 P1 900 899 898 901 895 894 1352 893 892 890 881 889 896908 888 886 887 884 883 911897 910 881 880879 874 882 868 867 866 865 867 870 871 872 905 876 877 878 875 873 902 903 906 907 909 904 1359 1359 P2 P0 648 649 647 646 645 643 650 651 652 653 644 642641 654 655 658 659 672 670 671 657 656 640 639 638 637 636 609 608 607 617 635 634 633 632 631 630 629 628 627626 618 605 606 604 603 602 612 616 615 614 601 610 611 613 621 614 620 622 624 625 6231349 1075 P2P1 1078 1077 1076 1074 1075 1073 1072 1071 1353 330 1354 P2 P0 801 802 806 807 803 805 804 808 852 847 838 846 848850 851 854 853 849 855 845 856 857858 860 165 859 844 843 842 841 862 863 840 839 837 836819818 817 816 815 814 813 822 811 812 810 809 1076 824 823 826 825 828 833 829 832 831 830 821820 827 834 835 863 864 q-19 P2 683 680 679 678 681 682 684 685 686 687 677 676 675 673 665 664 663 666 667 668 669 672 671 670 695 674 694 693 692 697 696 698699 705 701 702 704 703 700 706 707 708 709 710 711 712 713 714 689 688 690691 Figura 7 - Representação esquemática de duas parcelas nas florestas não- explorada e explorada, caracterizando trilhas de arraste, árvores identificadas (vermelho), árvores extraídas (azul), árvore porta- semente (verde) e subparcelas. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 66 Quadro 22 - Resultado da análise da variância em relação à estrutura das florestas não-explorada e explorada e à causa de danos, no nível I de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare Quadrados Médios Fonte de Variação GL Dens (n/ha) Dom (m2/ha) Vol (m3/ha) Floresta 1 5017,59 ** 35,65 ** 2.706,19 ** Causa de danos 3 150.922,50 ** 890,45 ** 71.576,55 ** Floresta x Causa de danos 3 5.108,27 ** 33,68 ** 3.004,77 ** Resíduo 32 329,48 3,12 303,19 Média 72,65 5,68 46,95 CVexp (%) 24,99 31,10 37,08 ** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. A comparação das médias entre as florestas e as diferentes causas de danos, no que se refere às características analisadas, pode ser observada no Quadro 23. Os resultados encontrados nessa análise são semelhantes aos encontrados para a comparação entre florestas x posição de danos, indicando que a causa de danos 1, ou seja, sem danos evidentes, mostrou-se diferenciada em relação às outras causas de danos consideradas, demonstrando mais uma vez que há predomínio de árvores sem danos nas duas florestas. Quadro 23 - Médias de densidade (DA), dominância (DoA) e volume (Vol) em relação às florestas não-explorada e explorada e à causa de danos, no nível I de abordagem Densidade (n/ha) Dominância (m2/ha) Volume (m3/ha) Floresta Floresta Floresta Causa de danos 1 2 1 2 1 2 1 301,20 A a 212,40 A b 23,39 A a 16,25 A b 207,77 A a 139,92 A b 2 14,00 B a 17,20 B a 0,87 B a 1,14 B a 4,10 B a 6,45 B a 3 19,60 B a 6,80 B a 2,19 B a 0,54 B a 8,84 B a 2,47 B a 4 0,60 B a 9,40 B a 0,03 B a 1,00 B a 0,00 B a 6,08 B a Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Para o nível II de abordagem, os resultados da análise de variância entre as florestas e as causas de danos, com respeito a densidade (DA), dominância (DoA) e volume (Vol), encontram-se no Quadro 24. Observa-se que houve MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 67 diferença significativa (P < 0,01) apenas entre as diferentes causas de danos, pelo teste F; resultado idêntico também foi encontrado quando se analisou o nível II de abordagem para floresta x posição de danos, indicando que não existe diferença significativa entre as posições e as causas de danos 2, 3, 4 e 5, neste nível de abordagem, para as variáveis analisadas. Quadro 24 - Resultado da análise da variância em relação à estrutura das florestas não-explorada e explorada e à causa de danos, no nível II de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare Quadrados Médios Fonte de Variação GL DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) Floresta 1 3610,00 ns 0,31 ns 24,06 ns Causa de danos 3 2397983 ** 77,53 ** 831,58 ** Floresta x Causa de danos 3 4836,67 ns 0,36 ns 18,47 ns Resíduo 32 8019,88 0,64 10,14 Média 263,50 1,52 4,87 CVexp (%) 33,99 52,33 65,45 ** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. ns = não-significativo. Os resultados da comparação das médias entre as diferentes causas de danos, com respeito às variáveis analisadas no nível II de abordagem, indicam semelhança entre as comparações de médias feitas para posição de danos no mesmo nível, uma vez que a causa de danos 1 também apresenta diferença significativa em relação às demais causas de danos para densidade, dominân- cia e volume, ratificando outra vez que, nas diferentes causas de danos, existe superioridade de árvores sem danos nas florestas analisadas (Quadro 25). Quadro 25 - Médias de densidade (DA), dominância (DoA) e volume (Vol) em relação às florestas não-explorada e explorada e à causa de danos, no nível II de abordagem Médias Causa de danos DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 1 998,00 a 5,70 a 18,54 a 2 24,00 b 0,14 b 0,34 b 3 20,00 b 0,15 b 0,11 b 4 12,00 b 0,11 b 0,48 b As médias seguidas de pelo menos uma mesma letra minúscula não diferem entre si a 5% de probabilidade, pelo teste de Tukey. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 68 Este estudo mostrou que, com o planejamento da colheita florestal, parte significativa dos danos pode ser reduzida, principalmente aqueles rela- cionados às árvores remanescentes para futura produção madeireira. 4.4.3. Estrutura dos diâmetros, da área basal e do volume Para análise da distribuição dos diâmetros, da área basal e do volume, os indivíduos arbóreos com DAP ≥ 5 cm foram agrupados em classes de DAP com amplitude de 5,0 cm. Verificou-se que os diâmetros das árvores das flo- restas não-explorada e explorada seguem o padrão característico das florestas ineqüiâneas ou multiâneas (Figura 8), isto é, têm distribuição exponencial em “J-invertido”, conceituado por De Liocourt, 1898, citado por MEYER (1952). Entretanto, a distribuição diamétrica apresenta-se de maneira desbalanceada, ou seja, a razão entre os números de árvores em classes diamétricas sucessivas não é constante. 0 50 100 150 200 250 300 N úm er o d e Á rv o re s/h a 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 Centro de Classe a Figura 8 - Distribuição do número de árvo florestas não-explorada e expl Amazonas. Em geral, os efeitos da colheita fl DAP ≥ 5 cm mostram (Quadros 12B e 13B) ram reduções de 89 (27%) árvores/ha (dens de área basal (dominância total) (Quadros 14 de volume total (Quadros 16B e 17B). Ess nas classes de maior diâmetro, ou seja, nas á Floresta não exploradFloresta não-explorada 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 de Diâmetro Floresta explorada res por classe de diâmetro, nas orada – município de Manicoré, orestal sobre os indivíduos com que na floresta explorada ocorre-idade total), 7,5525 (29%) m2/ha B e 15B) e 65,802 (30%) (m3/ha) as reduções foram mais elevadas rvores de grande porte. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 69 No tocante ao número de árvores por hectare e ao grupo de espécies, verificou-se (Quadro 26) que na maioria das classes de diâmetro houve redução. No entanto, esta redução ficou mais evidente nas classes de maior diâmetro, em decorrência, principalmente, do interesse pelas espécies comer- ciais de maior diâmetro. Quadro 26 - Estimativas médias do número de árvores por hectare, nas florestas não-explorada e explorada, para espécies comerciais, potenciais e outras, município de Manicoré, AM, em que Nex = floresta não-explorada; Ex = floresta explorada Centro de Classe de Diâmetro Espécies 7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 Total Nex 216 84 46 25 15 7 4 3 3 3 2 1 5 415 Comercial Ex 280 116 28 22 16 10 9 4 5 3 2 1 2 496 Nex 268 96 40 22 16 9 10 6 2 2 3 2 5 482 Potencial Ex 244 72 17 14 11 7 5 2 3 3 1 1 2 383 Nex 264 84 35 27 18 7 5 3 2 2 1 0 1 449 Outras Ex 276 84 20 19 15 9 7 3 1 2 1 - 1 437 Nex 748 264 121 74 49 24 20 11 8 7 6 3 11 1.347 Total Ex 800 272 64 55 42 26 21 9 9 8 4 2 5 1.316 Quadro 27 - Estimativas médias do volume por hectare, nas florestas não- explorada e explorada, para espécies comerciais, potenciais e outras, município de Manicoré, AM, em que Nex = floresta não- explorada; Ex = floresta explorada Centro de Classe de Diâmetro Espécies 7,5 17,5 27,5 37,5 47,5 57,5 67,5 Total Nex 2,0141 5,8873 6,4991 3,7933 5,4907 5,4883 34,5701 Comercial Ex 3,5457 4,2014 8,0852 7,9887 9,0793 4,3660 6,4972 Nex 2,8439 5,5179 7,4634 9,2320 4,3383 7,9973 23,2152 Potencial Ex 2,88869 2,5393 5,4338 5,3551 3,2670 2,8646 9,5900 Nex 1,4994 3,4230 5,2312 4,3763 2,2030 2,2269 13,8553 Outras Ex 2,5627 2,4738 4,2888 3,6542 1,5731 2,1590 7,8336 Nex 6,3574 14,8282 19,1937 17,4017 12,0321 15,7124 71,6406 Total Ex 8,9953 9,2144 17,8079 16,9980 13,9194 9,3896 23,9209 MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 70 Conseqüentemente, houve decréscimo no volume das espécies comer- ciais (Quadro 27), sendo retiradas as principais espécies de valor comercial, nas maiores classes de diâmetro; dentre estas, destacam-se Virola michelli (ucuuba), Maquira sclerophylla (muiratinga), Protium heptaphyllum (breu- branco), Vatairea guianensis (fava), Dipteryx odorata (cumaru) e Hymenaea coubaril (jatobá), sendo mantidos apenas alguns indivíduos de Anacardium giganteum (caju-açu), Couratari sp. (tauari-liso), além de outros. O detalha- mento desse resultado pode ser visualizado no Quadro 17B, com as estimativas do volume por hectare, por espécie e por classe de diâmetro. Os resultados da análise de variância para as variáveis analisadas, em relação às florestas, aos grupos de uso e às classes de DAP, encontram-se no Quadro 28. Observa-se que houve diferenças significativas (P<0,01) somente para florestas, grupos de uso, classe de DAP e floresta x classe de DAP. No Quadro 29 e na Figura 9 são apresentados os resultados da avaliação das florestas, com as classes de DAP, em função de densidade (n/ha), domi- nância (m2/ha) e volume (m3/ha). Quando se comparam os resultados das florestas entre as classes de DAP, observa-se que apenas as classes 1, 2 e 3 apresentaram diferenças signi- ficativas para a variável de densidade absoluta (DA); as classes 4, 12 e 13 mostraram diferenças significativas para a variável dominância absoluta (DoA). Já na classe 13 foram observados os maiores valores para a variável volume (Vol), diferindo estatisticamente das demais classes de tamanho (DAP). Quadro 28 - Resultado da análise da variância em relação a estrutura das florestas não-explorada e explorada, classes de DAP e grupos de uso das espécies, nos níveis I e II de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare Fonte de Variação GL Quadrados médios DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) Floresta 1 60,02 ns 3,05 ** 230,73 ** Grupo 2 105,39 ns 1,28 ** 309,49 ** Classe de DAP 12 153.000,4 ** 3,08 ** 340,07 ** Floresta x Grupo 2 1.551,15 ns 0,71 ns 48,15 ns Floresta x Classe de DAP 12 447,76 ns 1,43 ** 149,70 ** Grupo x Classe de DAP 24 199,95 ns 0,24 ns 19,63 ns Floresta x Grupo x Classe de DAP 24 458,34 ns 0,23 ns 33,52 ns Resíduo 312 694,98 0,26 25,17 Média 34,13 0,73 5,31 CVexp (%) 77,24 68,99 94,48 ** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. ns = não-significativo. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 71 Quadro 29 - Médias de densidade (n/ha), dominância (m2/ha) e volume (m3/ha) em relação às florestas não-explorada e explorada e às classes de tamanho, no nível I de abordagem, em que Floresta 1 = não- explorada; Floresta 2 = explorada; Classes de DAP Densidade (n/ha) Dominância (m2/ha) Volume (m3/ha) Floresta Floresta Floresta Classe de DAP 1 2 1 2 1 2 1 249,33 A a 266,67 A a 0,90 BC a 1,04 A a 2,12 B a 3,00 AB a 2 88,00 B a 90,67 B a 0,99 B a 1,07 A a 3,34 B a 4,53 AB a 3 40,47 C a 21,40 C b 0,94 BC a 0,51ABC b 4,94 B a 3,07 AB a 4 24,73 CD a 18,27 C a 0,98 B a 0,72ABC a 5,85 B a 4,90 AB a 5 16,27 CD a 14,13 C a 0,95 B a 0,85 AB a 6,40 B a 5,94 AB a 6 8,00 D a 8,60 C a 0,65 BC a 0,68ABC a 4,66 B a 5,26 AB a 7 6,53 D a 6,87 C a 0,71 BC a 0,75ABC a 5,80 B a 5,67 AB a 8 3,80 D a 3,00 C a 0,53 BC a 0,42 BC a 4,69 B a 3,64 AB a 9 2,53 D a 2,87 C a 0,44 BC a 0,52ABC a 4,01 B a 4,64 AB a 10 2,40 D a 2,67 C a 0,51 BC a 0,58ABC a 4,64 B a 5,61 AB a 11 1,87 D a 1,27 C a 0,49 BC a 0,33 BC a 5,24 B a 3,13 AB a 12 1,07 D a 0,67 C a 0,33 C a 0,20 C a 3,46 B a 1,68 B a 13 3,8 D a 1,53 C a 2,24 A a 0,71ABC b 23,88 A a 7,97 A b Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Analisando as classes de DAP dentro de cada floresta, verifica-se que apenas a classe 3, para variável densidade (DA), apresenta diferença signifi- cativa entre as florestas. Além disso, as classes 3 e 13 apresentam diferenças significativas em relação à dominância (m2/ha), e apenas a classe 13 apresenta diferença significativa para o volume, demonstrando que há redução significa- tiva de volume nas maiores classes de tamanho, em função das operações de colheita florestal. Esses resultados podem ser considerados freqüentes, uma vez que trabalhos realizados nessa área por MARTINS (1995) e VERÍSSIMO et al. (1996c) mostram que a colheita florestal tende a diminuir a densidade, a do- minância e o volume das espécies de interesse comercial. Neste trabalho, a redução desses parâmetros foi mais evidente, pois a amostragem foi realizada imediatamente após a colheita florestal na floresta explorada. Assim, é impor- tante que o manejador esteja sempre atento às mudanças estruturais que podem ocorrer após as operações de colheita florestal. Por fim, pode-se observar que a colheita florestal modificou a estrutura da floresta explorada, em comparação com a floresta não-explorada, apenas no nível I de abordagem, ou seja, nas árvores com DAP ≥ 15 cm, sendo as mudanças na estrutura mais evidentes nas classes de maior de diâmetro. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 72 (a) 0 50 100 150 200 250 300 C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13 Classes de Tamanho D ensid ad e ( n/h a) Floresta 1 Floresta 2 (b) 0 0,5 1 1,5 2 2,5 C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13 Classes de Tamanho D om in ân ci a (m 2 /h a) Floresta 1 Floresta 2 (c) 0 5 10 15 20 25 30 C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13 Classes de Tamanho V ol um e ( m3 /h a) Floresta 1 Floresta 2 Figura 9 - Médias das florestas e classes de tamanho em relação às caracte- rísticas analisadas nos níveis I e II de abordagem, em que a) densidade - número de indivíduos por hectare; b) dominância - área basal por hectare; c) volume por hectare. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 73 5. RESUMO E CONCLUSÕES Por meio das análises realizadas, chegou-se às seguintes conclusões: - A análise da composição florística indica, com muita propriedade, que se trata de florestas semelhantes, pelo fato de pertencerem à mesma região fitoecológica (Floresta Ombrófila Densa) e estarem geograficamente muito próximas. - A colheita seletiva de madeira não modificou a composição florística da floresta e não afetou a composição florística dos grupos de uso. - As diferenças em composição florística ocorreram apenas em termos de números de famílias. - A colheita seletiva de madeira alterou a estrutura horizontal da floresta apenas para as árvores com DAP igual ou maior que 15 cm. - As mudanças na estrutura horizontal da floresta explorada, para as árvores com DAP igual ou maior que 15 cm, ocorreram em termos de número de árvores/ha (DA), área basal (DoA) e volume (Vol). - A colheita seletiva de madeira alterou a estrutura vertical da floresta, principalmente para as árvores com DAP igual ou maior que 15 cm, no estrato 2 (8,02 m ≤ h < 22,03); e para as árvores com DAP igual ou maior que 5 cm até DAP menor que 15 cm, no estrato 1 (h < 8,02 m). - Espécies de interesse comercial, como Nectandra rubra (louro- vermelho) e Protium sp. (cedrinho), apresentaram regeneração natural nula, podendo, por conseguinte, ser eliminadas da área por meio da colheita seletiva, devendo-se intensificar os estudos ecológicos dessas espécies, a fim de observar os fatores responsáveis pela continuidade da população. Para estas espécies, a colheita florestal deve ser evitada, até que estudos futuros mostrem sua recu- peração em termos de regeneração natural. - A colheita seletiva de madeira não provocou danos significativos nas árvores remanescentes, ou seja, para as árvores com DAP igual ou maior que 5 cm. - As modificações nas estruturas de diâmetro, área basal e volume da floresta explorada foram mais evidentes nas maiores classes diamétricas, principalmente das espécies comerciais. - Apesar da redução de densidade, dominância e volume na floresta explorada, os danos oriundos da colheita florestal na área em questão foram pequenos, quando comparados aos de outras áreas de colheita seletiva na região. - A colheita florestal realizada pela GETHAL AMAZONAS é plane- jada e executada com rigorosos critérios técnicos, dentro dos princípios do manejo florestal sustentável, com o intuito de minimizar os danos às árvores remanescentes, manter a diversidade e garantir a sustentabilidade da floresta. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 74 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, P.H.C., VERÍSSIMO, J.A.O., BARRETO, P.G., VIDAL, E.J.S. Floresta para sempre: um manual para produção de madeira na Amazônia. Belém: IMAZON, 1998. 137p. ALMEIDA, D.S. Florística e estrutura de um fragmento de floresta atlântica, no município de Juiz de Fora, Minas Gerais. Viçosa: UFV, 1996. 91p. Dissertação (Mestrado em Ciência Florestal) - Universidade Federal de Viçosa, 1996. BARRETO, P.C., UHL,C., YARED, J.A.G. O potencial de produção sustentável de madeira em Paragominas-PA na Amazônia Oriental: considerações ecológicas e econômicas. Belém, (s.n.), 1991. 44p. BARROS, N.F., NOVAIS, R.S. Relação solo-eucalipto. Viçosa: Folha de Viçosa, 1990. 330p. BARROS, A.C., VERÍSSIMO, A. A expansão da atividade madeireira na Amazônia: impactos e perspectivas para o desenvolvimento do setor florestal no Pará. Belém: IMAZON, 1996. 168p. BARROS, A.C., UHL, C. 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Tese (Doutorado em Ciência Florestal) - Universidade Federal de Viçosa, 1996. MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 82 APÊNDICE MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 83 APÊNDICE A Quadro 1A - Lista de espécies arbóreas ocorrentes na área de estudo, município de Manicoré, AM, em que Floresta 1 = não- explorada; Floresta 2 = explorada; Nível I = todos os indivíduos com DAP ≥ 15 cm; Nível II = indivíduos entre 5,0 ≤ DAP < 15 cm; Nível III = indivíduos entre 2,5 ≤ DAP < 5 cm; Nível IV = indivíduos (mudas) com altura ht ≥ 0,3 m até DAP < 2,5 cm; Grupo 1 = espécie comercial; Grupo 2 = espécie potencial; Grupo 3 = espécie sem valor comercial Família/Espécie Nome Vulgar Regional Floresta/Nível Grupo ANACARDIACEAE Anarcadium giganteum Hanc. ex. Engl. Caju-açu 1 e 2 - I 1 Astronium lecointei Ducke Muiracatiara 1 - I; 2 - I, II, III e IV 1 Spondias mombin L. Taperebá 1 - IV; 2 - II, III e IV 1 ANNONACEAE Xylopia sp. Pimenta-de-lontra 2 - I e III 3 Unonopsis guatterioides (A.DC.) R. E. Fr. Envira-surucucu 1 - I, II e III 2 Duguetia laevigata Mart. Envira-vermelha 1 - III 2 Ephedranthus amazonicus R. E. Fries Envira-preta 1 e 2 - I, II, III e IV 3 Xylopia benthami R. E. Fr. Envira-amarela 2 - I 2 Guatteria spp. Envira 2 - I 2 Xylopia nitida Dun. Envira-branca1 - I, II e IV; 2 - I 1 APOCYNACEAE Aspidosperma oblongifolia Pohl. Carapanaúba 1 e 2 - I e II 3 Couma utilis (Mart.) M. Arg. Sorva 1 e 2 - I 1 Himatanthus sp. Sucuuba 2 - I e II 3 Lacmellea arborescens (Muell. Arg. Monach.) Molongó 2 - I, II, III e IV 2 ARALIACEAE Schefflera morototoni (Aubl.) Decne & Planch Morototó 1 - I e II 2 ARECACEAE Astrocaryum aculeatum Meyer. Tucumã 2 - I 3 Astrocaryum mumbaca Mart. Mumbaca 1 - III; 2 - III e IV 3 Euterpe precatoria Mart. Açaí 1 e 2 - I, II, III e IV 3 Maximiliana maripa (C. Sena) Drude Inajá 1 - I; 2 - IV 3 Oenocarpus bacaba Mart. Bacaba 1 - I e III; 2 - I 3 Oenocarpus bataua Mart. Patauá 1 - I; 2 - I e IV 3 Orbignya spp. Babaçu 1 e 2 - I e IV 3 BIGNONIACEAE Tabebuia spp. Ipê 1 - I; 2 - I e II 1 Jacaranda sp. Tamanqueira 2 - I, II e III 2 BORAGINACEAE Cordia trichotoma (vell. ) Arrab. Louro-pardo 2 - I 1 BURSERACEAE Protium sp. Cedrinho 1 - I; 2 - I e II 1 Protium aracouchinii (Aubl.) Breu-vermelho 2 - I 1 Protium heptaphyllum (Aubl.) March. Breu-branco 1 e 2 - I, II, III e IV 1 Protium spp. Breu 1 e 2 - I 1 Trattinickia burseraefolia (Mart.) Willd. Breu-sucuruba 2 - II 1 CAESALPINIACEAE Schizolobium amazonicum (Huber) Ducke Paricá 1 - I e II; 2 - I, II e IV 1 Sweetia nitens (Vog.) Bth. Itaubarana 1 - I, II, III e IV; 2 - I, II e IV 3 Apuleia molaris Spruce ex Benth. Garapeira 1 - I 2 Continua... MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 84 Quadro 1A, Cont. Família/Espécie Nome Vulgar Regional Floresta/Nível Grupo Copaifera reticulata Ducke Copaíba-marimari 1 e 2 - I 1 Copaifera sp. Copaíba 1 - I e IV; 2 - I, II, III e IV 1 Hymenaea sp. Jutaí-pororoca 1 - I; 2 - I e II 2 Eperua oleifera, var. campestris Ducke Copaíba-jacaré 1 e 2 - I 1 Brosimum paraense Huber Muirapiranga 1 - I, II e IV; 2 - I, II e III 2 Hymenaea coubaril L. Jatobá 1 - I; 2 - I, II e IV 1 Mora paraensis Ducke Pracuuba 2 - I 3 Peltogyne leicointei Ducke Roxinho 1 - I e II 2 Calycophyllum spruceanum Benth. Escorrega-macaco 2 - I e III 2 Tachigalia sp. Tachi 1 e 2 - I, II, III e IV 2 CARYOCARACEAE Caryocar glabrum (Aubl.) Pers. Piquiarana 1 - I e IV; 2 - I 2 Caryocar villosum (Aubl.) Pers. Piquiá 1 - I; 2 - II 2 CECROPIACEAE Cecropia spp. Embaúba 1 - I, II e IV; 2- I, II, III e IV 3 CELASTRACEAE Goupia glabra (Gmel.) Aubl. Cupiúba 1 e 2 - I e II 1 Maytenus guianensis Eichl. Chichuá 1 - I; 2 - IV 2 CHRYSOBALANACEAE Couepia leptostachya Benth. Ex. Hook Pajurá 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 3 Licania gracilipses Taub. Caraiperana 2 - I, II e IV 3 Licania hypoleuca Benth. Caraipé 2 - I e II 3 Licania sp. Macucu 1 e 2 - I, II, III e IV 3 Poraqueiba paraensis Marirana 2 - I 3 COMBRETACEAE Buchenavia capitata Eichl. Tanimbuca 1 - I e II; 2 - I, II e IV 2 Buchenavia huberi Ducke Cuiarana 2 - I 3 DESCONHECIDAS Desconhecidas Não-identificada 1 e 2 - I, II, III e IV - ELAEOCARPACEAE Sloanea sp. Urucurana 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 3 EUPHORBIACEAE Sapium taburu Ule Tapuru 1 - I 3 Croton cajucara Benth. Muirasacaca 1 - I, III e IV 3 Joannesia heveoides Ducke Envira-de-cutia 1 e 2 - I 1 Hevea brasiliensis Muell. Arg. Seringa 2 - I e IV 3 Hevea guianensis Aubl. Seringa-vermelha 1 - I 3 Mabea taquari Aubl. Taquari 2 - I e II 2 FABACEAE Swartzia polyphylla A.DC. Paracutaca 1 - I e II; 2 - I 3 Pterocarpus officinalis Jack. Mututi 1 e 2 - I 3 Andira parviflora Ducke Sucupira-vermelha 2 - I e II 1 Enterolobium Schomburgkii (Benth.) Benth. Sucupira-amarela 1 - I; 2 - I e II 2 Bowdichia virgilioides H. B. K. Sucupira-preta 2 - I 1 Dalbergia spruceana Benth. Jacarandá 1 - I 1 Diplotropis martiusii Benth. Sucupira 1 e 2 - I 1 Dipteryx magnifica Ducke Cumarurana 2 - I 2 Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. Cumaru 1 e 2 - I, II e IV 1 Hymenolobium excelsum Ducke Angelim-fava 2 - I 1 Hymenolobium spp. Angelim 2 -I 1 Ormosia paraensis Ducke Tento 1 - I e II; 2- I 2 Platymiscium ulei Harms. Macacaúba 1 - I 2 Poecilanthe grandiflora Benth. Angelim-ferro 1 e 2 - I 2 Vatairea guianensis Aubl. Fava 1 - I, II, III e IV; 2 - I, III e IV 1 Vataireopsis iglesiassii Ducke Fava-amarela 2 - I 1 GUTTIFERAE Platonia insignis Mart. Bacuri 1 - IV; 2 - I, III e IV 3 Simphonia globulifera L. Anani 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 2 Continua... MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 85 Quadro 1A, Cont. Família/Espécie Nome Vulgar Regional Floresta/Nível Grupo Vismia guianeensis (Aubl.) Choisy Lacre 1 - I e II ; 2 - I, II, III e IV 3 HUMIRIACEAE Endopleura uchi (Huber) Cuatr. Uchi 1 e 2 - I 2 Vantanea parviflora Lam. Uchirana 1 - I; 2 - I e II 2 Sacoglottis sp. Uchi-torrado 2 - II 2 INDETERMINADA 1 Indeterminada 1** Abuta 2 - II e IV 3 INDETERMINADA 2 Indeterminada 2** Arumã 2 - IV 3 INDETERMINADA 3 Indeterminada 3** Canela-de-jacamim 2 - II, III e IV 3 INDETERMINADA 4 Indeterminada 4** Castanharana 2 - I e IV 2 INDETERMINADA 5 Indeterminada 5** Fava-branca 2 - I 1 INDETERMINADA 6 Indeterminada 6** Mourão 2 - I e IV 3 INDETERMINADA 7 Indeterminada 7** Remela-de-cachorro 2 - IV 3 INDETERMINADA 8 Indeterminada 8** Taboca 2 - IV 3 INDETERMINADA 9 Indeterminada 9* Goiabarana 1 - II 3 LAURACEAE Persea laevigata H.B.K. Abacaterana 2 - I 2 Aniba parviflora Mez. Louro-rosa 2 - II 2 Aniba roseodora Ducke Pau-rosa 1 - I; 2 - I e III 3 Ocotea neesiana (Miq.) Kosterm. Louro-preto 1 e 2 - I, II, III e IV 3 Aniba sp. Louro-amarelo 1 - I; 2 - I e III 1 Mezilaurus itauba (Meissn.) Taubert ex Mez. Itaúba 1 - I e IV; 2 - I e II 1 Ocotea sp. Louro 1 - I; 2 - I e II 1 Ocotea canaliculata Mez. Louro-pimenta 1 - I 2 Aniba terminallis Ducke Louro-abacate 2 - I 2 Nectandra rubra (Mez) C.K. Allen Louro-vermelho 1 - I , II e III 1 Licaria cannella (Meisn.) Kosterm. Louro-chumbo 1 - I; 2 - I e II 3 LECYTHIDACEAE Cariniana micrantha Ducke Tauari-vermelho 2 - I 1 Allantona lineata Miers. Xuru 1 - I e II 1 Bertholletia excelsa H. B. K. Castanha-do-brasil 1 - I e II; 2 - I 3 Couropita guianensis Aubl. Castanha-de-macaco 2 - I 2 Couratari tauari Berg. Tauari 1 - I; 2 - I e II 1 Couratari sp. Tauari-liso 1 e 2 - I 1 Eschweilera spp. Matá-matá 1 e 2 - I, II, III e IV 3 Eschweilera sp. Ripeiro 1 e 2 - I, II, III e IV 3 Lecythis lurida (Miers) Mori Jarana-branca 2 - I 3 Lecythis usitata Miers. var. paraensis R. Knuth. Castanha-sapucaia 1 - I e II; 2 - I 1 MALPIGHIACEAE Byrsonima crassifolia (L.) Rich Muruci 2 - I 3 MELASTOMATACEAE Mouriri guianensis Aubl. Socoró 2 - I, II e IV 3 MELIACEAE Carapa guianensis Aublet Andiroba 1 - I; 2 - III e IV 1 Cedrela odorata L. Cedro 1 - I 1 MIMOSACEAE Parkia oppositifolia Spruce ex Benth. Benguê 1 - I; 2 - IV 1 Dinizia excelsa Ducke Angelim-pedra 1 - I; 2 - I e III 1 Inga sp. Ingarana 2 - I, II, III e IV 2 Parkia sp. Arara-branca 2 - I 1 Continua... MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 86 Quadro 1A, Cont. Família/Espécie Nome Vulgar Regional Floresta/Nível Grupo Ingá spp. Ingá 1 e 2 - I, II, III e IV 2 Parkia pendula Benth. ex Walp. Arara-tucupi 1 - I; 2 - I e IV 1 Parkia paraensis Ducke Paricarana 2 - I e III 1 Marmaroxylon racemosum (Ducke) Killip.ex Record Angelim-rajado 1 - II 2 MONIMIACEAE Siparuna guianensis Aubl. Capitiu 2 - I, II e IV 2 MORACEAE Brosimum parinarioides Ducke Amapá 2 - I, II e III 1 Brosimum utile (H.B.K.) Pittier Garrote 1 - I, II e IV; 2 - I 1 Brosimum sp. Mururé 1 - I 3 Clarisia racemosa Ruiz e Pav. Guariúba 1 - I, II, III e IV; 2 - I, II e IV 1 Ficus trigona L.F. Apuí 2 - I 3 Maquira sclerophylla (Ducke) C.C.Berg Muiratinga 1 e 2 - I, II, III e IV 1 MYRISTICACEAE Otoba parvifolia (Mgf. ) M. Gently Arurá 2 - I 1 Iryanthera juruensis Warb.Arurá-vermelho 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 2 Virola michelii Heckel. Ucuuba 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 1 Virola surinamensis (Rol.) Warb. Virola 1 - I e II; 2 - I, II, III e IV 1 MYRTACEAE Eugenia sp. Araça 1 e 2 - I, II, III e IV 3 NICTAGINACEAE Neea oppositifolia Ruiz & Pav. João-mole 2 - I e II 2 OLACACEAE Minquartia guianensis Aublet Acariquara 1 - I e II; 2 - I, II e IV 1 PALMAE Socratea exorrhiza (Mart.) Wendl. Paxiuba 1 - II; 2 - I, III e IV 3 RUBIACEAE Duroia sp. Canela-de-velha 2 - I, III e IV 3 Duroia fusifera Hook. F. ex K. Schum Puruí 1 - I e IV; 2 - I, III e IV 3 Genipa americana L. Jenipapo 1 - II; 2 - II, III e IV 3 SAPINDACEAE Paullinia cupana H.B.K. var. sorbilis Mart. (Ducke) Guaraná 2 - IV 3 Talisia acutifolia Radlk Pitomba 2 - I, II e IV 3 SAPOTACEAE Pouteria pachycarpa Pires Goiabão 2 - I e IV 2 Manilkara bidentata (Ducke) Chevalier Balata 1 - I, II; 2 - I, II, III e IV 2 Pouteria opposita (Ducke) Penning. Caramuri 1 - I e II; 2 - I, II, III e IV 3 Manilkara paraensis (Huber) Standl. Maparajuba 1 - I e IV; 2 - 2 - I 2 Manilkara huberi (Ducke) Cheval. Maçaranduba 1 - I; 2 - I, II e III 1 Micropholis venulosa (Mart.& Bichl) Pierre Abiurana-branca 2 - I 1 Pouteria guianensis Aubl. Abiurana-vermelha 2 - I 3 Pouteria caimito (Ruiz & Pav.) Radlk Abiu 1 e 2 - I, II, III e IV 2 Pouteria pariry (Ducke) Pariri 2 - I e IV 3 Micropholis sp. Abiurana 1 - II; 2 - I e IV 1 Pradosia verticillata Ducke Casca-doce 1 - I e II 3 SIMARUBACEAE Simaruba amara Aublet Marupá 1 - I, II e IV; 2 - I, II e IV 1 STERCULIACEAE Theobroma cacao L. Cacau 1 - I e III; 2 - IV 3 Theobroma subincanum Mart. Cupuí 1 - I e III; 2 - I, II e IV 3 MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 87 CLIQUE PARA CONTINUAR APÊNDICE B (Quadros 1B a 3B) CLIQUE PARA CONTINUAR APÊNDICE B (Quadros 4B a 11B) CLIQUE PARA CONTINUAR APÊNDICE B (Quadros 12B a 17B) ÍNDICE