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MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 1 
ANÁLISE DE DANOS DE COLHEITA DE MADEIRA EM FLORESTA 
TROPICAL ÚMIDA SOB REGIME DE MANEJO FLORESTAL 
SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA OCIDENTAL 
 
 
Alberto Carlos Martins Pinto 
 
ÍNDICE 
Página 
 
RESUMO ......................................................................................... 3 
1. INTRODUÇÃO............................................................................ 4 
1.1. Importância do estudo ............................................................... 4 
1.2. Objetivos................................................................................... 5 
2. REVISÃO DE LITERATURA ..................................................... 5 
2.1. Floresta Amazônica................................................................... 5 
2.2. Manejo florestal sustentável...................................................... 7 
2.3. Impactos ambientais do manejo florestal sustentável................ 10 
2.3.1. Principais impactos ambientais da colheita de madeira.......... 12 
2.3.1.1. Efeitos sobre o solo ....................................................... 13 
2.3.1.2. Efeitos sobre a vegetação .............................................. 14 
2.3.1.3. Efeitos do corte de madeiras e da extração das toras...... 16 
2.3.1.4. Efeitos dos sistemas silviculturais ................................. 19 
2.3.1.5. Efeitos sobre a fauna silvestre ....................................... 23 
3. MATERIAL E MÉTODOS........................................................... 24 
3.1. Caracterização da área de estudo............................................... 24 
3.2. Amostragem e coleta dos dados ................................................ 26 
3.2.1. Nível I de abordagem ....................................................... 27 
3.2.2. Nível II de abordagem...................................................... 29 
3.2.3. Nível III de abordagem..................................................... 29 
3.2.4. Nível IV de abordagem .................................................... 29 
3.3. Classificação das espécies por grupos de uso............................ 29 
3.4. Análise estrutural da floresta..................................................... 30 
3.4.1. Composição florística....................................................... 30 
3.4.2. Parâmetros fitossociológicos ............................................ 32 
3.4.2.1. Estrutura horizontal .................................................... 32 
3.4.2.2. Estrutura vertical ........................................................ 33 
3.4.2.2.1. Posição sociológica ............................................ 33 
3.4.2.2.2. Regeneração natural ........................................... 34 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 2 
Página 
 
 
3.4.3. Estrutura paramétrica ....................................................... 35 
3.4.3.1. Distribuição diamétrica .............................................. 36 
3.4.3.2. Distribuição da área basal........................................... 36 
3.4.3.3 Distribuição volumétrica ............................................. 36 
3.5. Análise estatística...................................................................... 36 
3.6. Planejamento da colheita de madeira ........................................ 36 
3.6.1. Inventário pré-colheita ..................................................... 37 
3.6.2. Corte florestal .................................................................. 37 
3.6.3. Trilhas de arraste .............................................................. 38 
3.6.4. Arraste ............................................................................. 38 
3.6.5. Transporte - carregamento da balsa .................................. 38 
3.6.6. Máquinas e equipamentos utilizados na colheita florestal. 39 
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................... 39 
4.1. Composição florística ............................................................... 39 
4.1.1. Diversidade de espécies.................................................... 42 
4.2. Estrutura horizontal................................................................... 45 
4.3. Estrutura vertical ....................................................................... 48 
4.3.1. Posição sociológica .......................................................... 48 
4.3.2. Regeneração natural ......................................................... 53 
4.4. Danos causados pela colheita florestal às árvores remanes-
centes ........................................................................................ 56 
4.4.1. Qualidade de fuste............................................................ 56 
4.4.2. Danos à vegetação adulta ................................................. 60 
4.4.3. Estrutura dos diâmetros, da área basal e do volume .......... 68 
5. RESUMO E CONCLUSÕES........................................................ 73 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................... 74 
APÊNDICE ...................................................................................... 82 
 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 3 
RESUMO 
O presente estudo foi realizado com o objetivo de avaliar a intensi-
dade de danos decorrentes da colheita florestal na composição florística e 
estrutura de duas áreas de Floresta Amazônica. Para isso, comparou-se, em 
termos florísticos e estruturais, um trecho de floresta primária não-explorada 
(FPNE) e um trecho de floresta primária explorada (FPE). O experimento foi 
conduzido em uma área localizada no município de Manicoré, Estado do 
Amazonas, com aproximadamente 204 ha na FPNE e 202 ha na FPE. 
Realizou-se o inventário utilizando o método de amostragem aleatória, em 
ambas as áreas. As amostragens foram executadas em quatro níveis de 
abordagens. No nível I foram instaladas cinco parcelas de 100 m x 100 m 
(1 ha), em que foram avaliados os indivíduos com DAP ≥ 15 cm. No nível II, 
as parcelas do nível I foram subdivididas sistematicamente em subparcelas de 
10 m x 10 m (100 m2), sendo amostradas aleatoriamente somente cinco destas 
por parcela do nível I, totalizando 2.500 m2, em que foram avaliados todos os 
indivíduos (varejões) entre 5,0 ≤ DAP < 15 cm. No nível III, cada subparcela 
do nível II foi subdividida em subparcelas de 5 m x 5 m (25 m2), totalizando 
625 m2, em que foram avaliados todos os indivíduos (varas) entre 2,5 ≤ DAP 
< 5 cm. Para determinação do estoque de regeneração (nível IV), foram 
avaliados todos os indivíduos (mudas) com DAP < 2,5 cm até altura ht ≥ 
0,3 m; cada subparcela do nível III foi subdividida em subparcelas de 2,5 m x 
2,5 m (6,25 m2), sendo amostrada uma subparcela de 6,25 m2 em cada 
subparcela de 25 m2, totalizando 156,25 m2. Foram avaliados a composição 
florística (composição de espécies), a estrutura fitossociológica (estruturas 
horizontal e vertical), os danos à vegetação adulta e a estrutura paramétrica 
(distribuição diamétrica, área basal e volume). Com base nos resultados obtidos, 
verificou-se que a floresta explorada apresenta maior riqueza de espécies que a 
floresta não-explorada. A colheita seletiva de madeira não modificou a compo-
sição florística da floresta e não afetou a composição florística dos grupos de 
uso; as diferenças em composição florística ocorreram apenas em se tratando 
de números de famílias. A colheita seletiva de madeira alterou a estrutura 
horizontal da floresta apenas no nível I de abordagem (DAP ≥ 15 cm), em 
termos de número de árvores/ha (densidade absoluta - DA), área basal 
(dominância absoluta - DoA) e volume (Vol). A estrutura vertical da floresta 
foi afetada no nível I de abordagem, no estrato 2 (8,02 m ≤h < 22,03) e, no 
nível II de abordagem, no estrato 1 (h < 8,02 m). Na regeneração natural, 
espécies de interesse comercial, como Nectandra rubra (louro-vermelho) e 
Protium sp. (cedrinho), apresentaram regeneração nula, podendo ser elimina-
das da área por meio da colheita seletiva. Não ocorreram danos significativos 
nas árvores com DAP ≥ 5 cm. As modificações nas estruturas de diâmetro, 
área basal e volume da floresta explorada foram mais evidentes nas maiores 
classes de distribuição diamétrica, principalmente, das espécies comerciais. 
Apesar da redução de DA, DoA e Vol na floresta explorada, os danos oriundos 
da colheita florestal na área em questão foram baixos, quando comparados aos 
de outras áreas de colheita seletiva na região. 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 4 
1. INTRODUÇÃO 
1.1. Importância do estudo 
Nos últimos anos, a Floresta Amazônica tem merecido atenção especial 
por parte das comunidades nacional e internacional, pelo fato de essa formação 
florestal conter a maior biodiversidade do planeta. A despeito disso, seus 
recursos madeireiros e não-madeireiros que apresentam elevado potencial de 
matérias-primas e de bens e serviços para a sociedade estão sendo explorados 
de forma tradicional, concentrando a colheita florestal somente na extração de 
produtos madeireiros, caracterizados pela máxima retirada de madeira por 
unidade de área, das espécies de melhor valor econômico. Essa forma de 
colheita promove danos na floresta, que são fáceis de serem relacionados, 
como degradação genética do patrimônio florestal, danos irreparáveis nas 
árvores remanescentes e estragos nas classes responsáveis pela recomposição 
florestal. 
O método tradicional de colheita florestal sem planejamento realizado 
de maneira intensa e seletiva tem transformado florestas de grande densidade 
populacional, com grande volume de madeira de alto valor comercial, em 
florestas degradadas, de baixo valor comercial e de difícil recuperação. A 
derrubada de árvores praticada na Amazônia é considerada 80% ilegal 
(GREENPEACE, 1999). Na maior parte dos casos, os planos de manejo flo-
restal não são seguidos, e sim usados meramente para satisfazer requerimentos 
legais; além disso, grande parte da extração considerada “legal” é altamente 
destrutiva, já que emprega tecnologias de processamento inadequadas, acarre-
tando enorme desperdício. Em média, apenas 1/3 da madeira extraída é trans-
formada em produtos finais (UHL et al., 1996). 
Nesse tipo de colheita, não existe nenhuma preocupação com sua 
capacidade de regeneração e, muito menos, com os danos que esta esteja tra-
zendo à vegetação remanescente responsável pela regeneração e pelas produ-
ções futuras, uma vez que não são considerados os princípios do manejo 
florestal sustentável para garantir a sustentabilidade da produção florestal. 
O manejo florestal sustentável contribui para a manutenção e utiliza-
ção de maneira adequada da cobertura florestal e favorece o desenvolvimento 
de técnicas de análises quantitativas nas decisões sobre composição, estrutura 
e localização de uma floresta, de maneira que esta forneça benefícios ambien-
tais, econômicos e sociais, na quantidade e na qualidade necessária, mantendo 
a diversidade e garantindo a sustentabilidade da floresta. Além do mais, o 
manejo pode conciliar a colheita dos produtos florestais com a conservação da 
biodiversidade da floresta, garantindo, assim, uma fonte de recursos de igual 
tamanho para as próximas gerações. 
Uma colheita florestal planejada e executada com rigorosos critérios 
técnicos não só causa baixo impacto ambiental nos meios físico, biótico e 
antrópico, como também proporciona significativa redução nos custos totais 
da colheita de madeira; por conseguinte, contribui para a sustentabilidade 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 5 
ambiental, econômica e social do plano de manejo florestal. Entretanto, a 
colheita de madeira com base nas recomendações de um plano de manejo 
sustentável, por si só, não garante a sustentabilidade da floresta explorada. 
Torna-se importante também conhecer a composição florística, a estrutura da 
floresta e a intensidade com que os danos da colheita de madeira estão 
ocorrendo nos diversos estratos responsáveis pela sustentabilidade da floresta, 
sendo componentes essenciais quando se pretende adotar técnicas e métodos 
de corte e transporte e estabelecer planos de corte tecnicamente mais adequa-
dos, no sentido de conservar a biodiversidade da floresta e torná-la auto-
sustentável. 
1.2. Objetivos 
Um plano de manejo sustentável visa maximizar a produção florestal e 
minimizar os danos no remanescente responsável pela sustentação produtiva, 
estrutural, funcional e genética da floresta explorada. Identificar, qualificar e 
quantificar a intensidade com que estes danos ocorrem, nos estratos florestais 
e nas diversas etapas de colheita florestal, é de suma importância para garantir 
a sustentabilidade da floresta, podendo inviabilizar tanto técnica como 
economicamente um plano de manejo florestal sustentável. 
Pelo fato de a área de estudo (do plano de manejo já em andamento) 
apresentar floresta primária não-explorada e floresta primária explorada, 
planejou-se executar a amostragem em áreas independentes. 
Dessa forma, especificamente, procurou-se: 
- Caracterizar a composição florística e a estrutura da floresta primária não-
explorada e da floresta primária explorada, respectivamente, para a produção 
sustentável de madeira de maneira sustentada, mantendo-se a diversidade 
florística e faunística e conservando seu potencial de uso múltiplo. 
- Qualificar e quantificar os danos na floresta primária não-explorada e da 
floresta primária explorada, em se tratando de volume, área basal e número de 
indivíduos por grupo de espécies e classes diamétricas. 
 
2. REVISÃO DE LITERATURA 
2.1. Floresta Amazônica 
A Floresta Amazônica, ecossistema complexo, constituído por povoa-
mentos florestais nativos, apresenta grande diversidade de espécies de 
diferentes classes de tamanho, idades e, sobretudo, indivíduos e espécies 
vegetais com distintas características ecofisiológicas (SOUZA et al., 1998). 
Este autor acrescenta, ainda, que essa diversidade é a grande responsável pela 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 6 
exuberância, sustentação e produção que a grande maioria dessas florestas 
apresenta, a despeito dos solos pobres que normalmente lhes dão suporte. 
A Amazônia apresenta mais de 3.000.000 km2 de floresta equatorial 
(JARDIM, 1995), sendo caracterizada por possuir recursos florestais imensos, 
abrigando um terço das florestas tropicais do mundo (VERÍSSIMO e 
AMARAL, 1996). 
A região amazônica produz 75% da madeira em tora do Brasil. As 
exportações ainda são modestas (em torno de 4% do comércio global de 
madeiras tropicais), mas devem crescer com a exaustão das florestas asiáticas. 
A previsão é de que antes do ano 2010 a Amazônia seja o principal centro 
mundial de produção de madeiras tropicais (AMARAL et al., 1998). As 
estimativas de estoques mais modestos indicam um valor de 60 bilhões de 
metros cúbicos de madeira em tora de valor comercial, o que coloca a região 
como detentora da maior reserva de madeira tropical do mundo. Além do 
valor madeireiro, a floresta tem riquezas muito mais amplas, como óleos, 
resinas, frutas, fibras e plantas de valor medicinal. A Amazônia contém ainda 
aproximadamente um terço das espécies de animais, plantas e microrganismos 
existentes. Mais do que tudo isso, existem os serviços que a floresta presta 
para o equilíbrio do clima regional e global, especialmente através da manu-
tenção dos ciclos hidrológicos e de retenção de carbono (VERÍSSIMO e 
AMARAL, 1996). 
Diante dessa enormidade de recursos naturais, o Estado do Pará é, delonge, o estado que mais explora madeira no Brasil. Qualquer unidade de 
medida mostra que a indústria madeireira paraense é uma das atividades mais 
importantes, gerando 13% do PIB do estado, e emprega milhares de pessoas, 
direta e indiretamente, sendo, também, um dos principais agentes de trans-
formação no Pará (BARROS e VERÍSSIMO, 1996). Por outro lado, o Estado 
do Amazonas é o maior do País, com aproximadamente 1,5 milhão de km2, 
possuindo, assim, enorme porção dos recursos florestais da Amazônia 
(HUMMEL, 1997). Entretanto, é o estado que tem a menor taxa anual de 
desmatamento da região (HIGUCHI et al., 1998). Estes autores comentam 
ainda que, segundo dados do Inpe (1998) até o ano de 1996, 11,9% da 
Amazônia já estava desmatada, enquanto no Estado do Amazonas a taxa 
acumulada de desmatamento era de apenas 1,8%. Para HUMMEL (1997), esse 
fato se deve muito mais à dificuldade de acesso, devido à falta de estradas, 
que a uma política florestal definida e com objetivos claros de conservação 
dos recursos naturais renováveis. Apesar disso, a área remanescente do estado 
coberta por floresta primária ainda é de mais de 150 milhões de hectares. No 
entanto, é preciso estar atento ao fato de que a abundância, em si, nem sempre 
foi uma boa referência para o adequado aproveitamento dos recursos 
florestais, e a sociedade, em geral, tem sido pouco eficiente para antecipar a 
escassez (LANLY, 1995). 
Portanto, a Amazônia é um dos maiores desafios para a ciência flores-
tal, no que concerne ao seu aproveitamento em bases sustentáveis. O uso 
desses recursos naturais é imprescindível para a melhoria da qualidade de vida 
do povo que deles depende. No entanto, é fundamental que tal uso seja condi-
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 7 
cionado à auto-sustentabilidade, o que implica um planejamento, a médio e 
longo prazo, por meio de um zoneamento agroeco1ógico, que definirá os 
possíveis e melhores usos para cada área (JARDIM, 1995). 
2.2. Manejo florestal sustentável 
O marco inicial do manejo florestal sustentável ocorreu para atender 
as necessidades humanas, e, inicialmente, nada mais era do que simples normas 
de regulação de colheita de florestas e de espécies vegetais ameaçadas de 
extinção (DAVIS, 1966). 
Historicamente, o marco referencial da aplicação do manejo florestal 
sustentável vem da segunda metade do século XIX, quando áreas extensivas 
de teca (Tectona grandis) na Índia, Burma e Indonésia foram submetidas a 
manejo (JONKERS 1987), e os trabalhos pioneiros que visavam o manejo 
sustentável das florestas tropicais datam de 1906, na Índia (SOUZA e JARDIM, 
1993). Segundo estes autores, com base em Baurr (1964), embora tenham 
surgido na Índia, foi na Malásia que os sistemas silviculturais aplicáveis no 
manejo florestal sustentável tiveram suas raízes edificadas, sobretudo no 
período de 1910 a 1920, em que os tratamentos silviculturais, aplicados numa 
floresta de 49.000 acres, forneceram as bases para concepção do Sistema 
Malaio Uniforme (SMU), e a partir deste conceberam-se os demais sistemas 
uniformes. 
Ainda de acordo com SOUZA e JARDIM (1993), no período de 1939 
a 1945, iniciaram-se as operações silviculturais na Nigéria, sob o nome de 
Sistema Tropical de Cobertura (STC), que também foi introduzido, de forma 
modificada, em Ghana, em 1945. Em 1939, um sistema silvicultural também 
denominado STC foi introduzido em Trinidad e Tobago. As experiências em 
Trinidad e Tobago levaram à adoção do sistema de seleção, em Porto Rico, 
em 1943. Embora trabalhos de FAO (1989a) e FAO (1989b) mencionem que o 
manejo florestal nas Filipinas data de antes do século XV, na década de 50 é 
que foi desenvolvido o Sistema Filipino de Exploração Seletiva. No Suriname, 
foi adotado, em 1965, um sistema de manejo policíclico, em detrimento dos 
sistemas monocíclicos, isto é, SMU e STC, o qual já foi experimentado com 
insucesso. Em resumo, com as experiências adquiridas ao longo dos anos, o 
SMU e o STC evoluíram e foram aplicados, com modificações, no manejo de 
florestas tropicais da Ásia, África e América (GRAAF, 1986; JONKERS, 
1987; FAO, 1989a; FAO, 1989b; HENDRISON, 1989; SILVA, 1989; SOUZA 
e JARDIM, 1993). 
Na Floresta Amazônica, o marco científico para tornar as florestas 
naturais mais produtivas, sob o ponto de vista madeireiro, remonta à década 
de 50, quando, por solicitação do governo brasileiro, alguns peritos da Food 
and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) deram início às 
primeiras pesquisas silviculturais. Após um período de semiparalisação nos 
anos 60, por problemas de ordem institucional, a pesquisa voltaria a ter conti-
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 8 
nuidade a partir da metade da década de 70, tendo sido ampliada por outras 
instituições governamentais (YARED, 1996). 
A possibilidade de utilização das florestas tropicais ganhou nova 
dimensão a partir do advento da idéia de que o crescimento econômico e a 
conservação ambiental podem e devem ser compatíveis (desenvolvimento 
sustentável), a qual foi lançada em 1980 no debate público sobre a estratégia 
de conservação do mundo (MAINI, 1992). Este fato viria a ser realçado por 
ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvi-
mento (ECO-92), realizada no Rio de Janeiro, em que o papel das florestas na 
conservação da biodiversidade e na estabilidade do clima foi bastante 
enfatizado. 
Na concepção atual, o manejo das florestas tropicais objetiva, predo-
minantemente, a produção de madeira com fins industriais, produtos não-
madeireiros e valores universais, como a manutenção da biodiversidade 
(FERREIRA, 1997). 
As experiências e as práticas de manejo sustentável de florestas 
tropicais, desenvolvidas desde a sua concepção, em 1900, até o presente, 
demonstraram, com seus sucessos e insucessos, que o manejo de florestas 
nativas tropicais só é eficiente quando aplicado num processo contínuo, visan-
do estimular os processos de dinâmica de sucessão natural e de crescimento e 
produção florestal, preferencialmente das espécies de valor comercial 
(SOUZA et al., 1998). Já existem, em alguns países, resultados da prática do 
manejo que podem ser considerados satisfatórios, como na Malásia, com as 
florestas de dipterocarpáceas (THANG, 1987); no entanto, em outros países, 
observa-se que essa atividade em escala comercial é preocupante, como na 
floresta africana da Nigéria (LOWE, 1978), devido ao baixo índice de regene-
ração natural das espécies de interesse comercial. Para WHITMORE (1990), o 
manejo florestal sustentável depende dos processos de regeneração natural 
para ser compatível com a manutenção de grande parte da diversidade biológi-
ca, porém não necessariamente com a preservação de todas as espécies. 
Para SOUZA et al. (1998), o manejo florestal sustentável das florestas 
tropicais, para produção econômica de produtos madeireiros e não-madei-
reiros, é a garantia de sua conservação. 
As experiências e as práticas de manejo sustentável das florestas 
tropicais demonstraram, apesar da viabilidade técnica, econômica, social e 
ecológica dos planos de manejo sustentável, que há diversos obstáculos ou 
restrições ao manejo das florestas tropicais (FONTAINE, 1986/4; WYATT-
SMITH, 1987). 
Apesar da obrigatoriedade de apresentação dos planos de manejo 
sustentável, a simples colheita seletiva de madeira é a atividade que predo-
mina, ou seja, a atividade de manejo como um sistema de uso da terra não 
conseguiu auferir, ainda ao longo dos anos, a devida expressão prática nos 
países tropicais (YARED e SOUZA, 1993). 
 
Além disso, a legislação vigente não tem sido eficaz para firmar a 
atividade florestal na Amazônia (NASCIMENTO, 1992), sendo a colheita 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 9 
seletiva de madeira ainda uma atividadeprevalecente e responsável pelo 
abastecimento da maioria das indústrias. 
Para UHL et al. (1996) e AMARAL et al. (1998), saber como manejar 
as florestas é importante, mas deve-se combinar esse conhecimento com: 
regulamentos que especifiquem onde a colheita de madeira deve ser permitida 
ou proibida, realizando-se um zoneamento florestal, que permitiria diferenciar 
as áreas com vocação florestal daquelas que deveriam ser mantidas fora do 
alcance da colheita de madeira; e legislação florestal efetiva, ou seja, uma 
política florestal coerente para a região que incentive o manejo. 
Na Amazônia, as práticas de colheita de madeira podem ser caracteri-
zadas como “garimpagem florestal”. Inicialmente, os madeireiros entram na 
floresta para retirar apenas as espécies de alto valor. Em seguida, em intervalos 
cada vez menores, eles retornam à mesma área para retirar o restante das 
árvores de valor econômico. O resultado é uma floresta com grandes clareiras 
e dúzias de árvores danificadas. A dinâmica da colheita não-manejada favorece 
a ocupação desordenada da região. Nas áreas de fronteira, são os madeireiros 
que constroem e mantêm estradas de acesso às florestas, o que geralmente 
conduz à colonização espontânea por pequenos agricultores e, em alguns casos, 
invasão de unidades de conservação e terras indígenas. Nas áreas destinadas à 
atividade florestal, a colheita de madeira deve ser feita de forma manejada. A 
adoção do manejo possibilita a manutenção da estrutura e composição de espé-
cies da floresta, enquanto gera benefícios sociais e econômicos (AMARAL 
et al., 1998). 
AMARAL et al. (1998) afirmam que as principais razões para manejar 
a floresta são: 
• Continuidade da produção - a adoção do manejo garante a produção 
de madeira na área indefinidamente e requer a metade do tempo necessário na 
colheita não-manejada. 
• Rentabilidade - os benefícios econômicos do manejo superam os 
custos. Estes benefícios decorrem do aumento da produtividade do trabalho e 
da redução dos desperdícios de madeira. 
• Segurança de trabalho - as técnicas de manejo diminuem drastica-
mente os riscos de acidentes de trabalho. 
• Respeito à lei – o manejo florestal é obrigatório por lei. As empresas 
que não fazem manejo estão sujeitas a diversas penas. Embora a ação fiscali-
zadora tenha sido pouca efetiva até o momento, é certo que essa situação vai 
mudar. Recentemente, têm aumentado as pressões da sociedade para que as 
leis ambientais e florestais sejam cumpridas. 
• Oportunidades de mercado - as empresas que adotam um bom manejo 
são fortes candidatas a obter um “selo verde”. Como a certificação é uma exi-
gência cada vez maior dos compradores de madeira, especialmente na Europa 
e nos Estados Unidos, as empresas que tiverem um selo verde, provando a 
autenticidade da origem manejada de sua madeira, poderão ter maiores 
facilidades de comercialização no mercado internacional. 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 10 
• Conservação florestal - o manejo da floresta garante a cobertura 
florestal da área, retém a maior parte da diversidade vegetal original e pode ter 
pequeno impacto sobre a fauna, se comparado à colheita não-manejada. 
• Serviços ambientais - as florestas manejadas prestam serviços para o 
equilíbrio do clima regional e global, especialmente por meio da manutenção 
do ciclo hidrológico e da retenção de carbono. 
É importante destacar que em poucos países o manejo sustentável é 
uma questão pertinente como no Brasil, pois a Amazônia é a maior extensão 
de floresta tropical do mundo, com a mais rica biodiversidade da Terra. 
Como o desmatamento convencional causa danos profundos à floresta, 
fazendo perder a sua resiliência, com o uso de métodos e técnicas de manejo 
florestal sustentável, madeireiros e proprietários de terra podem conservar a 
floresta e melhorar a qualidade geral das operações de colheita. Cabe ressaltar 
que, se as tendências atuais de consumo continuarem, o Brasil deverá tornar-
se um dos maiores fornecedores de madeira tropical no mercado internacional. 
Assim, a fim de que práticas responsáveis para com o meio ambiente sejam 
implementadas, será necessário atender aos critérios e indicadores de manejo 
florestal sustentável da Organização Internacional de Madeiras Tropicais 
(ITTO), para que todo o comércio de madeira tropical passe a ser produzido a 
partir de florestas de manejo sustentável (CATERPILLAR, 19--). 
2.3. Impactos ambientais do manejo florestal sustentável 
Para a maioria dos pesquisadores florestais, é consenso que o uso 
florestal racional, com rendimento sustentável, é a forma de utilização mais 
adequada e menos danosa que se pode dar às florestas, principalmente quando 
comparado com as frentes de expansão agrícola ou com a mineração, pois 
implica nunca desnudar o solo, mantendo-se sempre uma cobertura vegetal, 
que é denominada estoque em crescimento ou capital florestal (JARDIM, 
1995). 
Do ponto de vista legal, a preocupação do setor público em disciplinar 
o uso dos recursos florestais amazônicos manifestou-se formalmente por 
ocasião da criação do Código Florestal Brasileiro (Lei Federal no 4.771, de 
15/09/65). Por esse instrumento, em seu artigo 150, ficou estabelecida a 
proibição de exploração, sob forma empírica, das florestas primitivas da bacia 
amazônica, sendo somente possível a sua utilização em observância a planos 
técnicos de condução e manejo. Complementarmente, as normas e portarias 
originadas do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e, 
posteriormente, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos 
Naturais Renováveis - IBAMA viriam a perfazer o conjunto legal das exigên-
cias a serem cumpridas pelas indústrias consumidoras de madeira, no que diz 
respeito à reposição florestal (YARED, 1996). Segundo este autor, a exemplo 
de outros segmentos econômicos, mais recentemente, as atividades que 
envolvem o uso dos recursos florestais passaram também a se enquadrar na 
Política Nacional de Meio Ambiente (Lei Federal no 6.938, de 31/08/81) e na 
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 11 
Resolução no 001, de 23/01/86, do Conselho Nacional do Meio Ambiente 
(CONAMA), a qual definiu as normas e estabeleceu as responsabilidades, as 
diretrizes gerais e os critérios básicos para a utilização e a implementação da 
Avaliação de Impactos Ambientais (AIA), em seu artigo 20, inciso XIV, que 
trata especificamente da colheita econômica de madeira ou de lenha. 
COELHO (1999) comenta ainda que se deve acrescentar a essas leis a 
promulgação da nova Constituição Brasileira, que traz no seu conteúdo um 
dispositivo específico sobre o meio ambiente, no qual alguns pontos merecem 
destaque: 
• O novo papel do Estado Brasileiro na área florestal. A competência 
para preservar e conservar as florestas, a fauna e a flora torna-se comum à 
União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios (art. 23). 
• Competência para legislar concorrentemente com a União, os Esta-
dos e o Distrito Federal sobre florestas, caça, pesca, fauna, defesa do solo e 
dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição 
(art. 24). 
• A questão florestal é inserida no seu contexto no capítulo sobre meio 
ambiente (art. 225). 
• Conceituação dos principais biomas do país: Floresta Amazônica, 
Mata Atlântica e Pantanal Mato-grossense como patrimônios nacionais sub-
metidos a um regime jurídico especial, cuja colheita só poderá ser realizada 
mediante técnicas de manejo florestal sustentável (art. 225). 
Atualmente, o plano de manejo florestal sustentável é um instrumento 
previsto no artigo 15 do Código Florestal, no art. 1o do Decreto 1.282/94 e no 
artigo 1o da Portaria no 048/95. Para poder realizar a extração de madeira, o 
usuário deve ter em mãos a competente Autorização para Exploração, expedi-da em modelo próprio do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis - IBAMA, órgão oficial responsável pelo controle dos projetos de 
manejo florestal. 
Os órgãos estaduais realizam o licenciamento ambiental, quando das 
exigências de Estudo Prévio de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto 
Ambiental (EPIA/RIMA) para Planos de Manejo Florestal com áreas 
superiores a 2.000 ha (HUMMEL, 1997). Em caso de desrespeito a essas leis, 
decretos e portarias, o usuário poderá ser enquadrado na mais recente lei 
contra crimes ambientais, Lei no 9.605, editada em fevereiro de 1998, que 
dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e 
atividades lesivas ao meio ambiente (COELHO, 1999). 
Vale acrescentar que o bom manejo da floresta, para obtenção de 
produtos madeireiros, conforme HUMMEL (1997), necessita de colheita de 
baixo impacto, aplicação de tratamentos silviculturais e monitoramento. Para 
sistemas de produção voltados prioritariamente para a produção de madeira, 
essas práticas podem ser traduzidas, com algumas adaptações, em face das 
diferentes tipologias florestais, nas seguintes operações: inventário diagnóstico 
e planejamento de longo prazo da área total, incluindo talhonamento e áreas 
de preservação permanente; inventário pré-exploratório (100%), com o 
mapeamento das árvores a serem extraídas; definição do sistema silvicultural, 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 12 
incluindo intensidade da colheita e tratamentos pré e pós-exploratórios; 
planejamento de corte, incluindo direcionamento da derrubada e localização 
de estradas e pátios; treinamento de operadores; e monitoramento de longo 
prazo. 
Segundo FERREIRA (1997), a maioria das florestas tropicais explo-
radas não é adequadamente manejada, já que, para um manejo sustentável 
efetivo, existe a necessidade de desenvolvimento de sistemas de manejo ade-
quado a essas florestas. Assim, torna-se necessária a adequação de técnicas de 
colheita, viabilizadas econômica e ecologicamente, mantendo-se a diversidade, 
a estrutura e o estoque mínimo necessário ao longo do tempo de recomposição 
de uma floresta em produção (VENTURA e RAMBELLI, 1996). 
Para SOUZA et al. (1998), apesar de a aplicação das técnicas de manejo 
sustentável envolver atividades de colheita e de tratamentos silviculturais, não 
se pode afirmar que o manejo é uma atividade modificadora do meio 
ambiente. Isto, porque, entre outros argumentos, o manejo deve contemplar: a 
colheita racional e econômica de produtos madeireiros; a conservação da 
biodiversidade e a garantia de renovação das florestas; o manejo ecológico das 
espécies e dos ecossistemas locais, assegurando um meio ambiente ecologica-
mente equilibrado; e o fato de a colheita de produtos madeireiros só poder ser 
feita mediante plano de manejo aprovado nos órgãos ambientais competentes, 
através de corte seletivo, posto que é proibido o corte raso. 
Por ocasião da execução da colheita florestal e da aplicação dos 
tratamentos silviculturais, mesmo que sejam criteriosamente planejados e 
executados, ocorrem impactos de diferentes naturezas, intensidades e duração 
no meio físico (ar, solo e água) e no meio biótico (floresta remanescente e 
fauna), que precisam ser avaliados e eliminados ou potencializados (SOUZA 
et al., 1998). Os autores acrescentam que os possíveis impactos do manejo 
sobre os meios biótico e físico são: diminuição da cobertura florestal; danos 
causados às árvores remanescentes e mudas; alteração da composição florística 
e estrutura das florestas; exportação de fitomassa e nutrientes; efeitos sobre a 
fauna silvestre; efeitos sobre o solo e os recursos hídricos; e aumento dos 
riscos de incêndios. Contudo, o grau destes impactos no meio ambiente 
depende do sistema de colheita e dos tratos silviculturais adotados (YARED e 
SOUZA, 1993). 
2.3.1. Principais impactos ambientais da colheita de madeira 
Um sistema de manejo envolve atividades relacionadas com os pro-
cessos de colheita da madeira e com os tratos silviculturais empregados no 
sentido de garantir as safras futuras. Estas atividades podem causar, de várias 
formas, impacto sobre os meios físico, biótico e antrópico (YARED, 1996). 
O impacto da colheita florestal inicia-se com a construção das estradas 
florestais e do pátio de estocagem. Cada operação pode afetar vários compo-
nentes do ecossistema, como vegetação, fauna, solo, água e ar (MARTINS, 
1995). 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 13 
Autores como BRUENIG (1986); JOHNS (1988); WOODS (1989) e 
HENDRISON (1989) afirmam que as operações de derrubada das árvores, 
de arraste das toras, de manuseio nos pátios de estocagem e de transporte de 
toras podem afetar um ou vários componentes do ecossistema, como a diversi-
dade de espécies, a fauna, a composição florística e o solo. 
2.3.1.1. Efeitos sobre o solo 
Segundo KEILEN (1992), os danos ao solo podem ser entendidos 
como alterações deletérias na estrutura deste, causadas por influência mecâ-
nica. O grau de deformação é determinado, basicamente, pelo tipo de solo, 
pelo conteúdo de água e pela força que atua sobre ele. 
YARED (1996) afirma que os impactos no solo em áreas de manejo 
provêm das operações de colheita florestal, como a construção de estradas e 
pátios e o arraste de toras. A magnitude e a extensão do impacto da colheita 
florestal sobre o solo dependem, em grande parte, da composição e da estru-
tura do solo, dos processos biológicos que nele ocorrem e da tecnologia de 
colheita utilizada, e um dos maiores problemas com o solo em áreas de 
manejo é a sua compactação. Para SCOPEL et al. (1992), a compactação 
envolve rearranjo e aproximação maior das partículas sólidas do solo e, em 
conseqüência, aumento na densidade deste. 
A tendência de uso, cada vez maior, de máquinas e equipamentos 
especializados para o arraste de toras, visando aumentar a eficiência da colheita 
da madeira, tem despertado maior atenção para os problemas de impacto sobre 
o solo (HENDRISON, 1989). 
Segundo BARROS e NOVAIS (1990), durante as operações de colheita 
florestal alguns distúrbios do solo são comuns. Com o impacto no solo das 
árvores abatidas inicia-se a compactação, podendo ter continuidade nas opera-
ções subseqüentes da colheita florestal, uma vez consideradas as atividades 
que empregam maquinarias. Nessa mesma linha, HENDRISON (1989) relata 
que, na atividade de remoção das árvores até a estrada ou o pátio de estoca-
gem, para posterior transporte são usados skidders ou tratores de esteira, e, 
nessas operações, o solo e a vegetação também são afetados. Dessa forma, o 
uso de maquinários móveis e pesados na extração de madeira induz à 
ocorrência de processos físicos e mecânicos no solo florestal. Os efeitos 
visíveis são sulcos ou trilhas formados por pneus, tratores de esteira e trans-
porte de carga. 
Em uma floresta pluvial do Suriname foram detectados efeitos de 
compactação do solo pelo uso do skidder na colheita florestal. Os maiores 
danos ocorreram nas trilhas principais, com abertura de sulcos de até 34 cm de 
profundidade e redução da condutividade hidráulica nos horizontes superiores 
(HENDRISON, 1989). 
Em outro trabalho realizado no leste de Kalimantan, Indonésia, a 
extração de 11 árvores por hectare deixou 30% da superfície do solo descoberta 
e compactada, com reduzida taxa de infiltração de água e aumento na vazão. 
Sob as trilhas de arraste, que corresponderam a 30% da área explorada, a taxa 
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 14 
de infiltração foi mais de sete vezes inferior à de florestas não-perturbadas 
(0,63 cm3/m e 4,62 cm3/m, respectivamente) (MATHER, 1990). A realização 
da operação de arraste na estação chuvosa pode acentuar o problema, como 
constatado na floresta tropical do Equador e conformeresultados encontrados 
no Suriname (HENDRISON, 1989). 
Com a compactação do solo resultante da utilização de máquinas pesa-
das e equipamentos específicos para a colheita florestal, verifica-se também a 
erosão, que é a conseqüência da menor capacidade de infiltração de água no 
perfil do terreno, com conseqüente diminuição da capacidade produtiva do 
sítio, esta última advinda da menor retenção de água no solo (SILVA, 1994). 
Este autor acrescenta, também, que os processos erosivos verificam-se mais 
acentuadamente nas áreas abertas por atividades antrópicas, sendo o seu 
principal efeito a remoção da camada superficial do solo. Com isso, têm-se o 
empobrecimento do sítio (lavagem da camada superficial), o assoreamento dos 
canais de drenagem, a contaminação dos cursos d'água pelo carreamento de 
biocidas, os impactos visuais etc. 
Segundo REIS et al. (1993), os danos ao solo provenientes da erosão 
ocorrem devido à remoção da cobertura vegetal, expondo o solo às intem-
péries e à compactação, que diminuem a capacidade de infiltração da água no 
solo, aumentando o escoamento superficial. 
A diminuição da produtividade de florestas naturais manejadas não 
tem sido registrada na literatura, uma vez que a maioria das áreas sob manejo 
nem sequer chegou ao segundo ciclo de corte ou rotação. Entretanto, a mini-
mização de impactos no solo é de fundamental importância, por ser este o 
componente do ecossistema responsável pela manutenção da produtividade 
(YARED, 1996). 
A magnitude e a extensão do impacto da colheita florestal sobre o solo 
dependem, em grande parte, da textura e estrutura do solo, dos processos 
biológicos que nele ocorrem e da tecnologia de colheita utilizada (YARED e 
SOUZA, 1993). 
2.3.1.2. Efeitos sobre a vegetação 
Os principais efeitos causados à vegetação pelas atividades de colheita 
florestal, de acordo com MARTINS (1995), referem-se aos ocasionados às 
árvores remanescentes e plântulas, à alteração da composição florística e à 
exportação de biomassa e nutrientes. Além destes fatores, REIS et al. (1993) e 
SILVA (1994) consideram que as atividades de colheita também são 
responsáveis pela fragmentação florestal. 
Nos últimos anos, a colheita seletiva de madeira, seguindo o modelo 
tradicional, tem sido reportada na literatura como a principal causadora de 
diminuição da variabilidade genética das populações e, mesmo, da extinção de 
algumas espécies (MAYDELL, 1991; WEIDELT, 1991). Entretanto, esses 
danos podem ocorrer tanto na colheita tradicional quanto na utilizada em um 
sistema de manejo, pois ambos são de caráter seletivo, em razão das peculia-
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 15 
ridades do mercado madeireiro para o uso de apenas algumas espécies. Como 
conseqüência, ocorre diminuição no número de árvores do estoque da popula-
ção de algumas espécies (YARED, 1996). Além disso, pode ocorrer seleção 
genética negativa em determinadas espécies, já que os melhores indivíduos 
são extraídos (MARTINS, comunicação pessoal). 
Segundo HENDRISON (1989), a derrubada de árvores, o arraste e a 
construção de estradas e trilhas são operações da colheita florestal que redu-
zem, em primeira instância, a área de cobertura florestal. A dimensão da área 
aberta por essas atividades dependerá, sobretudo, da intensidade de colheita, 
do seu planejamento e da sua organização. Como a proporção de áreas abertas 
está diretamente relacionada à intensidade de colheita, quanto maior for a área 
aberta, maiores serão também a perda de árvores e mudas do povoamento e a 
diminuição do estoque em crescimento (YARED, 1996). 
HENDRISON (1989) constatou, em trabalho realizado no Suriname, 
que a colheita planejada, comparada à convencional, reduziu em mais de 50% 
a abertura na área do povoamento, para um mesmo volume estimado. 
No Brasil, as atividades de colheita seletiva ainda predominam em 
relação às de colheita planejada. HIGUCHI e VIEIRA (1990), analisando uma 
área localizada ao norte de Manaus, observaram que a extração, realizada com 
trator de esteira, de apenas 1,7% das árvores no local eliminou ou danificou 
26% do total de indivíduos. Das remanescentes, 12% perderam suas copas, 
11% foram arrancadas pelos tratores e 3,1% apresentaram danos na casca, 
freqüentemente fatais, demonstrando que os danos causados à floresta residual 
podem ser considerados altos. 
Outro aspecto que pode estar associado à atividade de colheita florestal, 
por causar diferentes graus de abertura no dossel, diz respeito a possíveis 
mudanças na composição florística (YARED, 1996). 
Alterações na composição florística e na estrutura de florestas tropicais 
decorrentes da abertura de clareiras naturais ou antrópicas têm sido ampla-
mente analisadas e discutidas, estando as principais mudanças relacionadas à 
substituição de espécies de diferentes grupos sucessionais (BROKAW, 1985; 
DENSLOW, 1987; UHL et al., 1988; TABARELLI e MANTOVANI, 1997; 
WEBB, 1998; MARTINS, 1999). 
Em relação a esse aspecto, os trabalhos de TABARELLI e 
MANTOVANI (1997) e MARTINS (1999) procuraram avaliar a influência do 
tamanho das clareiras na colonização por espécies de categorias sucessionais 
distintas. Apesar de um pequeno grupo de espécies pioneiras estar associado a 
grandes clareiras, nos dois estudos não foi observada estreita partição de 
nichos de regeneração pelas espécies arbustivo-arbóreas e sim a resiliência das 
respectivas florestas estudadas, manifestada na ocupação por espécies secun-
dárias, principalmente pequenas clareiras. 
SOUZA et al. (1998) confirmam essas mudanças, pois os efeitos na 
composição florística do povoamento estão relacionados com a intensidade de 
colheita de estoque de cada espécie, com o tamanho da clareira aberta e com o 
sistema silvicultural adotado. As principais implicações são: possíveis mudan-
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 16 
ças na composição florística, extinção de espécies e perda da variabilidade 
genética das populações (YARED e SOUZA, 1993). 
CARVALHO (1992) verificou que, na Floresta Nacional do Tapajós, 
em uma área de colheita experimental, houve diminuição na diversidade de 
espécies logo após a colheita, mas esta aumentou alguns anos depois, tornan-
do-se maior que a da área testemunha. Este autor observou, também, que 
houve pouca alteração na composição florística. Tais resultados sugerem que a 
entrada de espécies pioneiras na área de estudo e a manutenção das espécies já 
existentes podem ter contribuído para o aumento da diversidade. Resta saber 
qual será o comportamento da floresta em um prazo mais longo. 
Os impactos da colheita florestal sobre a composição florística podem 
ser minimizados a partir do estabelecimento de critérios de seleção de árvores 
a serem retiradas pela colheita florestal ou mantidas na área de manejo, com 
base nos conhecimentos da estrutura da população de cada espécie, nos meca-
nismos de reprodução e no padrão de dispersão. É presumível que a colheita 
não cause maiores problemas para as espécies que estejam bem representadas 
nas diferentes classes diamétricas e bem distribuídas no povoamento. Como 
cautela, é necessário deixar matrizes para as espécies que só aparecem nas 
classes superiores de diâmetro e que têm dificuldade de se regenerar 
(YARED, 1996). 
Segundo MARTINS (1995), a fim de garantir a sustentabilidade da 
floresta para produção de madeira, é necessário verificar a existência de 
estoque suficiente de regeneração das espécies de interesse comercial ou de 
potencial futuro, uma vez que dessa regeneração dependerão os cortes 
subseqüentes. Portanto, os danos causados pela colheita florestal devem ser 
cuidadosamente investigados, para detectar seus efeitos sobre a floresta 
remanescente, na tentativa de eliminá-los ou reduzi-los ao mínimo, evitando 
prejuízos às produções futuras. 
Dessa forma, oplanejamento da colheita florestal tem sido reportado 
como importante ferramenta no sentido de minimizar os impactos sobre o 
povoamento florestal remanescente. No entanto, o planejamento da colheita 
para evitar ou minimizar danos ao povoamento remanescente é mais desenvol-
vido nos países temperados que nos tropicais. A grande preocupação é que a 
redução na densidade do povoamento e os danos às árvores remanescentes 
tenham reflexos econômicos. Alguns tipos de injúrias, por exemplo, podem 
conduzir à infestação de fungos e ao ataque de pragas, resultando em declínio 
na qualidade da madeira (SOUZA et al., 1998). 
2.3.1.3. Efeitos do corte de madeiras e da extração das toras 
O efeito da operação de corte sobre uma floresta pode ser comparado 
ao de uma grande tempestade, visto que são formadas grandes clareiras, as 
quais variam no tamanho e na forma. As mudanças nas condições microcli-
máticas devido às clareiras formadas estimulam a regeneração de grande 
variedade de espécies. A maior parte da vegetação recentemente formada é 
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 17 
destruída e decomposta juntamente com os resíduos das árvores mortas, 
contribuindo com a ciclagem dos nutrientes e estimulando o desenvolvimento 
do estoque remanescente, tanto dentro como fora das clareiras (JONKERS, 
1987). 
A operação de corte é muito importante para manter a qualidade dos 
fustes e reduzir custos da colheita, além do fato de se procurar manter a 
floresta remanescente para futuras colheitas (SUPERINTENDÊNCIA DE 
DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA - SUDAM, 1978). 
SOUZA et al. (1998) afirmam que os danos causados pelo corte estão 
diretamente correlacionados com o sistema silvicultural adotado. Segundo este 
autor, o corte é uma operação que compreende o abate, desgalhamento, traça-
mento (se for o caso) e destopamento das árvores. Antecedendo o corte das 
árvores, recomenda-se o corte de cipós daquelas que serão colhidas. TANG 
(1987) acrescenta ainda que a presença de cipós lenhosos entre as copas das 
árvores também aumenta os danos de corte, porque eles ficam unidos, 
dificultando a precisão de derruba. Atendendo a essa recomendação técnica, a 
operação do corte torna-se mais segura, pois diminui-se o índice de risco de 
acidentes para a equipe de corte e para a estrutura remanescente da floresta 
(SOUZA et al., 1998). Contudo, sua eliminação antes da época da colheita, 
sem dúvida, minimizará os danos, como também aumentará os custos opera-
cionais. Além disso, é necessário que esta operação anteceda a estação 
chuvosa (TANG, 1987). 
 A execução da derrubada deve merecer atenção específica, tendo uma 
orientação de queda de forma que reduza os danos sobre o povoamento 
remanescente e facilite a extração das toras. O abate direcionado das árvores 
propicia aumento no rendimento da operação de arraste. Como esta tem muita 
influência na extração, principalmente quanto à distância e ao custo de arraste, 
a forma de derrubada recomendada é a denominada “espinha de peixe”. O 
método mais adequado de corte é o semimecanizado, através do uso de 
motosserra. Esta máquina é de fácil aquisição e, além do baixo custo, apresen-
ta alto rendimento (SOUZA et al., 1998). 
 AMARAL et al. (1998) destacam que as técnicas de corte de árvores 
aplicadas na colheita de madeira sob regime de manejo sustentável buscam 
evitar erros, como o corte acima da altura ideal e o destopo abaixo do ponto 
recomendado. Esses erros causam desperdícios excessivos de madeira, danos 
desnecessários à floresta e maior incidência de acidentes de trabalho. O corte 
das árvores na colheita manejada também considera o direcionamento de 
queda das árvores, a fim de proteger a regeneração de árvores de valor comer-
cial e facilitar o arraste das toras. 
 AMARAL et al. (1998) relatam que, atualmente, para extrair as toras 
do local de derrubada das árvores até os pátios de estocagem, utilizam-se as 
mais variadas máquinas, desde tração animal, passando por tratores agrícolas 
e de esteira, até o trator florestal arrastador (skidder). 
 Na Amazônia, a utilização de máquinas pesadas para derrubada e 
remoção de árvores é uma das práticas mais destrutivas da fertilidade natural. 
Além de estas máquinas removerem grande parte dos nutrientes disponíveis, 
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 18 
promove a compactação do solo, pois a extração consiste na retirada da 
madeira de dentro do povoamento florestal até a margem da estrada e, ou, até 
o pátio de estocagem intermediário (SOUZA et al., 1998). 
 Quanto aos danos de extração, é fácil verificar que antes do uso de 
equipamentos mecânicos as toras eram convertidas, por meio de serras 
manuais, no local ou extraídas na forma de toras, por tração animal ou 
humana, e levadas para um ponto central (tombador ou pátio de espera). A 
colheita era feita de forma extensiva e seletiva, e os danos ao sítio e à vegeta-
ção natural eram mínimos (LOBÃO, 1990). O autor relata também que, nos 
últimos anos, a mecanização mudou drasticamente as operações de colheita 
florestal, especialmente com o uso de equipamentos pesados. Isto tem se acen-
tuado mais ainda com a substituição do trator de pneus pelo de esteira, pois o 
processo de compactação do solo é maior, além de ocorrerem maiores danos à 
vegetação. Em termos silviculturais, os tratores com pneus são menos preju-
diciais ao solo e à regeneração natural, devido ao seu vão livre (MACHADO, 
1984). 
 A extração das toras não tem equivalência natural, ou seja, esta ativi-
dade não se assemelha a nenhum acontecimento natural, uma vez que promove 
a destruição e remoção de parte substancial de fitomassa. Quando equipamen-
tos pesados são empregados para retirada das toras, mais árvores, palmeiras e 
arbustos são destruídos e o solo é compactado, principalmente nas florestas 
onde estes são mais úmidos. Próximo dos tocos das árvores cortadas e onde 
ocorrem as manobras das máquinas, a vegetação é parcial ou totalmente 
destruída (JONKERS, 1987). 
 MACHADO (1984) comenta que no planejamento da extração meca-
nizada também devem-se considerar alguns pontos relevantes para se obter o 
máximo rendimento de cada operação, priorizando aqueles que causem meno-
res danos ao solo. A suspensão de uma das extremidades da tora pelo skidder 
diminui o atrito das toras com o solo e, conseqüentemente, o dano causado 
principalmente pela retirada da camada superficial. Além disso, deve-se sele-
cionar, adequadamente, o tipo de pneu e sua pressão, bem como reduzir o 
coeficiente de rolamento e o coeficiente de aderência ao solo. 
 Para AMARAL et al. (1998), em uma operação de extração de toras 
realizada de forma manejada, a equipe de arraste utiliza-se de um mapa de 
planejamento com as demarcações na floresta, para localizar as árvores, derru-
bá-las e arrastá-las. Esses procedimentos, associados ao uso de máquinas 
adequadas, resultam em aumento de 60% na produtividade, redução expressi-
va dos danos ecológicos à floresta e diminuição dos acidentes de trabalho. 
 Outra operação importante é aquela em que, depois da extração, a ma-
deira é armazenada em pátios temporários, ou seja, fica à espera do transporte 
definitivo para a unidade beneficiadora. Na maioria das vezes, o transporte 
utilizado é o rodoviário, com caminhões que suportam grande capacidade de 
carga, mas, dependendo da região, podem-se utilizar a via hidroviária, 
ferroviária, dutoviária e aeroviária (utilizada na Escandinávia) (SOUZA et al., 
1998). De acordo com esses autores, na Amazônia o transporte hidroviário é 
um dos meios de transporte de madeira mais antigo, e, quando empregado 
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 19 
racionalmente, é muito econômico, além de possuir condições adequadas de 
navegação. Neste caso, há duas modalidades de transporte fluvial: a primeirapor livre flutuação e a segunda por embarcações. 
 Nas várzeas amazônicas, o transporte fluvial pode ser feito por canoas 
ou pequenos barcos. As jangadas de toras preparadas pelos extratores da 
várzea podem ser apenas pequenos grupos de seis a dez toras, amarradas ao 
lado de uma canoa a remo e conduzidas até pequenas serrarias na redondeza 
da região. Por outro lado, as jangadas podem ser grandes, com 960 m3 de 
madeira em média, o que equivale a 1.000 toras, guiadas por um barco de 
madeira de 10 a 20 toneladas, que percorre centenas de quilômetros até uma 
serraria. Esses pequenos barcos podem rebocar jangadas deste tamanho pois, 
quando carregados, só navegam a favor da maré. No estuário, a cada seis 
horas, a maré muda de direção e as jangadas param e esperam a maré conve-
niente. No rio Amazonas, a extração acontece sempre a montante da serraria, 
portanto, a jangada precisa apenas descer o rio junto com a correnteza 
(BARROS e UHL, 1996). É importante destacar que o transporte através da 
livre flutuação depende da densidade da madeira, pois existem madeiras que 
são mais densas que a água e afundam, enquanto outras afundam à medida que 
absorvem água (SOUZA et al., 1998). 
 As madeiras de terra firme são geralmente de alta densidade e, portan-
to, não flutuam e não podem ser levadas em jangadas. A forma mais comum 
de transporte de madeira em tora na Amazônia Oriental é o transporte rodo-
viário, porém esta operação é considerada de alto custo. Já as florestas 
localizadas no baixo Amazonas, próximo aos cursos d’água, permitem que a 
madeira seja transportada por balsas, na via fluvial. Estas embarcações levam, 
em média, 270 m3 de toras (BARROS e UHL, 1996). As toras são colocadas 
em balsas ou flutuadores e transportadas a grandes distâncias, podendo ser 
usadas tanto para madeiras leves quanto para pesadas (SOUZA et al., 1998). 
 Na Amazônia, o transporte fluvial de madeiras, seja da várzea ou da 
terra firme, é mais barato que o rodoviário. Em outras palavras, isso significa 
que nessa região uma indústria que usa transporte fluvial pode se abastecer de 
madeira de áreas mais distantes do que as que usam caminhões, mantendo o 
mesmo custo (BARROS e UHL, 1996). 
2.3.1.4. Efeitos dos sistemas silviculturais 
Um sistema silvicultural pode ser definido como um processo pelo 
qual uma floresta é tratada, removida e substituída por outra, produzindo 
madeira (FLOR, 1985); ou, ainda, é um conjunto de regras e ações necessárias 
para conduzir a floresta a uma nova colheita, incluindo, principalmente, os 
tratos silviculturais (YARED, 1996; SOUZA et al., 1998). 
Um sistema silvicultural abrange todas as operações culturais que são 
feitas a uma floresta no decorrer de sua vida. As operações têm por objetivo 
diminuir os danos da intervenção, garantir o sucesso na regeneração das espé-
cies desejadas, fazer o tratamento adequado das árvores e conservar o solo. 
Dessa forma, um sistema silvicultural está correlacionado com as espécies 
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 20 
vegetais, com o meio físico e com os objetivos do manejo florestal (TAYLOR, 
1969). 
Os sistemas silviculturais tropicais evoluíram bastante nos últimos 
75 anos, e os principais são os seguintes: os que se baseiam na regeneração 
natural: sistema de seleção, sistema uniforme malaio, sistema de cobertura nos 
trópicos e sistema de cobertura irregular; e os que se baseiam na regeneração 
artificial: sistema de corte raso, com plantio de espécies exóticas ou nativas, e 
sistema de enriquecimento (SOUZA et al., 1998). 
Os sistemas silviculturais que têm por base a regeneração são proces-
sos de transformação ou "domesticação" da floresta, levando a uma maior 
homogeneização da composição florística, que passa a ter predominância de 
espécies de interesse comercial (LAMPRECHT, 1990). Segundo este autor, 
nas florestas tropicais, os sistemas silviculturais desenvolvidos com base na 
regeneração natural são classificados em sistemas monocíclicos e policíclicos. 
Os sistemas monocíclicos, ou seja, de um ciclo de corte único, longo, 
objetivando a colheita comercial de uma ou poucas espécies, comuns nas 
florestas européias temperadas e nas florestas subtropicais e tropicais da Índia, 
Ásia e África, predominaram nestes países durante muitas décadas. No entan-
to, o aumento do número de espécies na pauta de comercialização fez com que 
as rígidas prescrições dos sistemas monocíclicos se tornassem obsoletas e 
ineficientes, dando origem a prescrições mais flexíveis baseadas nas condições 
locais, favorecendo um maior número de espécies. Essas mudanças deram 
origem aos sistemas policíclicos, que, na verdade, são oriundos da evolução 
natural do sistema monocíclico, através da sua adaptação às exigências do 
mercado consumidor e da preocupação de explorar e manter os recursos 
florestais renováveis (FLOR, 1984; JONKERS, 1987; SCHMIDT, 1987/2; 
TANG, 1987; SOUZA, 1989). 
A diferença básica entre o sistema policíclico e o sistema monocíclico 
está no sistema de regeneração. No policíclico, a regeneração natural avançada, 
ou já estabelecida, é retida para produzir árvores comercializáveis em ciclos 
de corte sucessivos, enquanto no monocíclico o crescimento já acumulado 
nesta regeneração não é considerado; neste caso, o sistema depende quase que 
completamente da nova safra de regeneração obtida em decorrência da aplica-
ção do sistema para produzir uma nova floresta eqüiânea, que estará pronta 
para colheita numa longa rotação. No sistema monocíclico, o termo rotação 
substitui o ciclo de corte (SOUZA e JARDIM, 1993). 
Considerando os princípios que norteiam os sistemas silviculturais, é 
de se esperar maiores alterações na estrutura do povoamento quando são 
adotados os sistemas uniformes (monocíclicos), pelo menos nas fases iniciais 
de implantação. Nestes, todo o estoque de madeira comercial é abatido em 
uma só operação, e as árvores residuais são eliminadas pelas técnicas de 
anelamento e envenenamento. O objetivo é criar uma floresta eqüiânea, a 
partir da regeneração natural, para colheita em rotações definidas. No entanto, 
menores impactos devem ser esperados nos sistemas policíclicos, que mantêm 
a característica de floresta multiânea, posto que as operações são aplicadas, 
periodicamente, a apenas parte dos indivíduos. Já os sistemas que envolvem a 
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 21 
regeneração artificial apresentam comportamento similar ao dos sistemas 
uniformes (YARED, 1996). 
Entretanto, os vários sistemas silviculturais aplicáveis ao manejo da 
floresta tropical que objetivam o rendimento sustentável ainda exigem conhe-
cimentos básicos sobre a dinâmica de crescimento e a recomposição da floresta 
para que possam ser aplicados com sucesso, de maneira que assegurem a 
contínua satisfação das necessidades humanas para as gerações presentes e 
futuras (FERREIRA, 1997), uma vez que um dos objetivos do manejo florestal 
é garantir a continuidade da produção madeireira através do estímulo à 
regeneração natural nas clareiras e da proteção do estoque de árvores 
remanescentes (DAP entre 10 e 45 cm). Para isso, devem-se conservar árvores 
porta-sementes na floresta e utilizar técnicas para reduzir os danos ecológicos 
da colheita florestal. NO entanto, é possível que, em algumas clareiras, a 
regeneração natural pós-colheita seja escassa. Neste caso, é necessário fazer o 
plantio de mudas para garantir a regeneração. Além disso, as árvores remanes-
centes podem estar em condições desfavoráveis ao crescimento (por exemplo, 
sombreadas por árvores sem valor comercial). O crescimento destas árvores 
pode ser aumentado com a aplicação dos tratamentos silviculturais (AMARAL 
et al., 1998). 
O crescimento das árvores de valor comercial depende do nível de 
competição por nutrientes, água e luz com as árvores sem valorcomercial. Os 
tratamentos silviculturais são aplicados para reduzir ou eliminar essa compe-
tição, favorecendo o aumento do crescimento das árvores (AMARAL et al., 
1998). A abertura do dossel da floresta, seja pela colheita comercial, seja 
através de tratamentos silviculturais, propicia, principalmente, maior quanti-
dade de luz para germinação de sementes, desenvolvimento da regeneração 
preexistente, crescimento e produção das árvores do estoque em crescimento. 
Todavia, são beneficiadas tanto as espécies arbóreas de valor comercial quanto 
as sem valor comercial, como a população de espécies invasoras (cipós, 
bambuzóides, etc.). Entretanto, para estimular a dinâmica de sucessão e o 
crescimento e a produção das espécies comerciais, aplicam-se refinamentos ou 
desbastes, que reduzem a participação das espécies e dos indivíduos inde-
sejáveis, aumentando a participação das espécies comerciais. Dessa forma, 
consegue-se estruturar a floresta para produção sustentável (SOUZA, 1997). 
Entre os tratamentos silviculturais que podem ser aplicados no manejo 
sustentável das florestas tropicais, para facilitar o crescimento de mudas e 
árvores novas, segundo SOUZA e LEITE (1993), estão: 
• Corte de cipós, arbustos e árvores de pequeno porte indesejáveis - 
nos trópicos encontra-se a maior diversidade de cipós, e sua alta incidência 
pode deformar o fuste das árvores, prejudicando a qualidade da madeira, pro-
vocar danos ao povoamento durante a operação de abate das árvores e causar 
a morte de plantas jovens (YARED, 1996). As espécies de cipós, por apresen-
tarem mecanismos altamente desenvolvidos, são difíceis de serem controladas 
em uma área de manejo, sendo, assim, motivo de preocupação constante em 
florestas tropicais. Os cipós também são importantes na dinâmica da floresta, 
como fonte de alimento para fauna, etc. Detectar sua presença e adotar medi-
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 22 
das para seu controle são atividades imprescindíveis ao manejo de florestas 
tropicais, visto que os cipós podem interferir de forma negativa na segurança, 
nos custos, nos danos e nos tratamentos silviculturais (LOBÃO, 1993). 
• Refinamento e liberação - o primeiro passo a ser executado no 
planejamento das prescrições dos refinamentos e da liberação é a elaboração 
das listas das espécies a serem favorecidas (espécies desejáveis) e removidas 
(espécies indesejáveis) (FLOR, 1985). LAMPRECHT (1990) afirma que o 
refinamento consiste na eliminação de indivíduos arbóreos com características 
indesejáveis; já a liberação consiste no favorecimento de indivíduos desejá-
veis, ou seja, segundo este autor, com base em Pitt (1969), o refinamento é 
aplicado de maneira uniforme na floresta, ao passo que a liberação é aplicada 
apenas em volta da árvore desejável. 
Para aplicação desses tratamentos, as árvores tortuosas, as senescentes, 
as ocadas e podres, as mortas e as severamente danificadas, mesmo que per-
tençam a espécies desejáveis, são os indivíduos indesejáveis, considerados 
espécies sem valor comercial. Todavia, quando determinadas árvores apresen-
tam outros valores, como valor cênico, abrigo, proteção e habitat de fauna, 
suporte para outras espécies vegetais, e quando pertencerem a espécies raras e, 
ou, ameaçadas de extinção, elas devem ser mantidas, para cumprirem suas 
funções ecológicas (SOUZA,1997). 
SOUZA (1997) relata que os refinamentos podem ser executados de 
duas formas: através do abate de árvores; e através do anelamento e, ou, 
envenenamento com arboricidas. 
AMARAL et al. (1998) confirmam a execução do refinamento para 
caracterizar a eliminação das árvores sem valor e para promover o crescimento 
das árvores de valor comercial, através de um corte (derrubada), para o caso 
de árvores pequenas (DAP menor que 15 cm), ou anelamento (retirada de uma 
faixa da casca do tronco da árvore), para árvores médias (DAP entre 15 e 
45 cm) e grandes (DAP maior que 45 cm). Segundo estes autores, o anelamento 
é o método mais utilizado para eliminar lentamente as árvores sem valor 
comercial. Essa técnica é mais vantajosa que o corte, uma vez que a árvore 
morre lentamente, reduzindo de maneira significativa os danos típicos de queda 
de uma árvore na floresta. Os autores citam que existem dois tipos de anela-
mento: 1) anelamento simples - usando um machadinho, retira-se uma faixa de 
10 cm de largura da casca do tronco (na altura do DAP da árvore). Para 
garantir a eliminação, faz-se um pequeno corte na base do tronco anelado; e 2) 
anelamento especial - usa-se o mesmo procedimento do anelamento simples, 
porém adiciona-se “óleo queimado” (óleo lubrificante usado) combinado ou 
não com herbicida. A aplicação deste tipo de anelamento no projeto de manejo 
florestal do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA tem obtido 
80% de eficiência. Após a retirada da casca, as árvores morrem entre um e 
dois anos, conforme a espécie e o tipo de anelamento. O anelamento com “óleo 
queimado” resulta em morte mais rápida. Para usar o anelamento especial, é 
necessário evitar contaminação na floresta, treinando o pessoal e usando 
equipamentos adequados. O anelamento deve ser feito preferencialmente na 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 23 
estação seca, pois nesse período as árvores estão menos vigorosas, por causa 
da escassez de água, o que as torna mais vulneráveis ao anelamento. 
• Plantio de enriquecimento - tem como objetivo melhorar a compo-
sição florística do povoamento florestal, através da introdução de espécies de 
interesse ambiental, comercial e social (SOUZA, 1997). Este autor destaca que 
o plantio de enriquecimento é aplicado em florestas onde a regeneração natural 
de determinadas espécies arbóreas é inexistente ou deficiente; em florestas 
pobres, em espécies comerciais; em florestas ricas, em espécies comerciais, mas 
que não se regeneram adequadamente; em florestas onde se pretende intro-
duzir novas espécies de valor ecológico e, ou, econômico; ou em áreas onde se 
deseja elevar a diversidade de espécies e regular a composição florística, 
principalmente quando se trata de espécies com inadequada distribuição 
diamétrica, regeneração deficitária, baixa densidade e ameaçadas de extinção. 
AMARAL et al. (1998) afirmam que o plantio de enriquecimento 
também pode ser aplicado em clareiras abertas pela colheita florestal, 
utilizando a técnica da semeadura, ou seja, plantio direto no solo ou através de 
mudas (preparadas em viveiros ou coletadas na floresta). Ainda de acordo 
com estes autores, há recomendações para o plantio em clareiras, que são as 
seguintes: plantar três a quatro mudas para cada árvore extraída; fazer o plantio 
no início da estação chuvosa; utilizar a parte central da clareira, excluindo 
apenas cerca de 5 metros, das bordas, para que as mudas se beneficiem da 
maior quantidade de luz; e plantar as espécies que ocorrem na própria floresta, 
pois estas já estão adaptadas ao terreno. Em relação ao enriquecimento de 
floresta juvenil, os mesmos autores destacam que o plantio de enriquecimento 
com espécies de valor comercial é recomendado para as manchas ou eco-
unidades de floresta juvenil (dominadas por árvores com DAP entre 5 e 15 cm), 
onde a densidade de espécies de valor comercial é baixa (por exemplo: 
ocupando menos de 30% da área). Em um experimento realizado pela Fundação 
Floresta Tropical, testou-se uma técnica específica de plantio para esses locais, 
que consiste em: a) preparar a área derrubando a vegetação existente no 
povoamento juvenil (em geral, inferior a 1 hectare) com um trator de esteira, 
sendo este procedimento o mesmo adotado para a abertura de pátios, porém 
evitando-se raspar o solo; e b) plantar mudas de árvores de valor comercial 
seguindo as instruções adotadas para o plantio em clareiras. 
2.3.1.5. Efeitos sobre a fauna silvestreOs efeitos do manejo da floresta tropical sobre a sua fauna não têm sido 
amplamente estudados, e a maioria das informações hoje disponíveis refere-se 
aos vertebrados (mamíferos, frugívoros e folívoros). Um fator comum a todos 
os biomas é a falta de inventários faunísticos sistemáticos. Essa lacuna dificulta 
o planejamento de programas de recuperação de comunidades faunísticas, 
além de impossibilitar a análise precisa dos possíveis impactos de projetos de 
manejo florestal sustentável (SOUZA et al., 1998). 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 24 
A Floresta Amazônica apresenta-se com o ecossistema de maior 
diversidade biológica do mundo. A fauna da região amazônica encontra-se em 
estágio relativamente bom de conservação, em razão do baixo nível de ocupa-
ção humana da região (SOUZA et al., 1998). Apesar de a colheita florestal ser 
de caráter seletivo, a permanência de áreas de florestas não-perturbadas garante, 
em parte, a manutenção de nichos e a representatividade das diferentes espécies 
animais na comunidade vegetal (JOHNS, 1986). 
Segundo alguns autores (WHITMORE, 1984; KEMP e CHAI, 1993), 
a manutenção de porções intactas da floresta, em virtude do caráter seletivo da 
colheita florestal, é importante como refúgio para algumas espécies com maior 
mobilidade e como fonte para recolonização de espécies que foram expulsas 
da área. 
Para LIRA FILHO et al. (1991), a colheita florestal pode provocar 
danos e eliminar alguns animais, porém o mais provável é a destruição de 
habitats fundamentais, como áreas de nidificação, alimentação e cria. Entre-
tanto, de acordo com SOUZA et al. (1998), a diminuição de área coberta por 
floresta é temporária, pois as clareiras são colonizadas e fechadas pela 
regeneração natural. Além disso, a abertura de clareiras deve proporcionar o 
estabelecimento de espécies atrativas da fauna, como Cecropia spp. A 
dinâmica desse processo pode minimizar efeitos adversos e, provavelmente, 
assegurar os aspectos de qualidade do suprimento alimentar. Ademais, muitos 
vertebrados podem apresentar, também, a flexibilidade de ajustar sua dieta a 
uma nova situação (JOHNS, 1986). 
3. MATERIAL E MÉTODOS 
3.1. Caracterização da área de estudo 
A área de estudo localiza-se na Região Norte do Brasil, na parte sul do 
Estado do Amazonas, município de Manicoré (Figura 1), entre as coordenadas 
geográficas 5o 50’ de latitude sul e 61o 18’ 30” de longitude oeste de 
Greenwich. A altitude do local é de 50 m. Dista, da capital do estado, 333 km 
em linha reta, 421 km por via fluvial e 427 km por via terrestre (OTTO e 
BELTRÃO, 1996). 
Segundo a classificação de Köppen, o clima predominante pertence ao 
grupo A (clima tropical chuvoso), do tipo Af, constantemente úmido, corres-
pondente ao clima de florestas tropicais úmidas com elevada pluviosidade, 
que é uma das características marcantes da região. O período chuvoso geral-
mente inicia-se em outubro, atingindo maiores índices pluviométricos nos 
meses de janeiro, fevereiro e março. A temperatura média do mês mais frio 
sempre é superior a 18 oC, limite abaixo do qual não se desenvolvem determi-
nadas plantas tropicais. As temperaturas médias anuais apresentam variações 
limitadas pelas isotermas de 24 e 26 oC. A umidade relativa é bastante elevada, 
variando de 85 a 90%. Tanto a temperatura como a precipitação apresentam 
um mínimo de variação anual e mantêm-se em um nível relativamente 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 25 
elevado. A amplitude anual das temperaturas médias mensais não ultrapassa 
5oC (RADAM, 1978). 
 
 
Manaus ••••
!!!! Manicoré
AMAZONAS
61o 18’ 30’’ O
5o 50’ S
N
BRASIL
MUNICÍPIO DE MANICORÉ
SEDE
 
 
Figura 1 - Localização geográfica da área de estudo, no município de 
Manicoré, Estado do Amazonas. 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 26 
O relevo predominante na área é plano a suavemente ondulado, não 
apresentando restrições ao uso de motomecanização. A cobertura vegetal da 
área, segundo o IBGE (1993), está inserida na “Região da Floresta Ombrófila 
Densa”. Esta região é composta de duas subregiões: subregião aluvial da 
Amazônia, caracterizada pela ocorrência de espécies florestais de grande porte, 
como arurá-branco (Osteophloenum platyspermum (A.DC.) Warb.), cupiúba 
(Goupia glabra (Gmel.) Aubl.), ipê-amarelo (Tabebuia spp.), itaúba 
(Mezilaurus itauba (Meissn.) Taubert ex Mez.), muirapiranga (Brosimum 
paraense Huber), piquiarana (Caryocar glabrum (Aubl.) Pers.), sucupira 
(Diplotropis martiusii Benth.) etc.; e subregião dos Baixos Platôs da Amazônia, 
cuja cobertura vegetal tem composição bastante heterogênea. Apresenta bom 
potencial madeireiro, destacando-se espécies como angelim-pedra (Dinizia 
excelsa Ducke), arurá-branco (Osteophloenum platyspermum (A.DC.) Warb.), 
muirapiranga (Brosimum paraense Huber), etc. (SÉRIE DE ESTUDOS 
MUNICIPAIS, 1995). 
Ainda com base na SÉRIE DE ESTUDOS MUNICIPAIS (1995), os 
tipos de solo que ocorrem na área são: Latossolo Amarelo Álico, Podzólico 
Vermelho-Amarelo Álico, Glei Pouco Húmico Álico, Laterita Hidromórfica 
Álica de Elevação e Solos Aluviais Distróficos. São solos fortemente ácidos e 
pobres em bases, exigindo, assim, práticas de correção e fertilização quando 
destinados à agricultura, baseando-se em dados experimentais, com a finalidade 
de serem obtidos rendimentos econômicos. 
3.2. Amostragem e coleta dos dados 
Como a área de estudo encontrava-se em plena atividade de manejo 
florestal, planejou-se executar o inventário florestal por amostragem aleatória, 
com parcelas fixas, em áreas independentes, de projetos de manejo executados 
pela GETHAL AMAZONAS S/A - Indústria de Madeira Compensada. Assim, 
foi selecionada uma área de floresta primária não-explorada (204 ha), denomi-
nada Democracia, e uma área de floresta primária explorada (202 ha), denomi-
nada Mataurá, ambas de terra firme. Os estudos iniciaram-se em maio de 
1999. 
O acesso às florestas foi feito por via fluvial, através do rio Madeira, o 
que, de acordo com o deslocamento horário realizado por embarcação de pe-
queno porte (voadeira), indica que a floresta primária não-explorada está a 
cerca de duas horas da cidade de Manicoré, e a floresta primária explorada, a 
quatro horas desta. 
As amostragens foram executadas em quatro níveis de abordagem 
(Figura 2), de acordo com a metodologia recomendada por SILVA e LOPES 
(1984). 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 27 
3.2.1. Nível I de abordagem 
No nível I de abordagem foram instaladas cinco parcelas de 100 m x 
100 m (1 ha), e em cada uma delas foram avaliados todos os indivíduos com 
DAP ≥ 15 cm, identificando, mensurando e avaliando, conforme o caso, as 
seguintes características: 
a) Nome científico e nome vulgar regional das espécies. 
b) Circunferência à altura do peito (CAP), em cm. 
c) Alturas total e comercial, em metros. 
d) Classe de qualidade de fuste (QF). 
Quanto à classe de fuste, foram feitas as seguintes avaliações, com 
base nos critérios recomendados por AMARAL et al. (1998): 
 
Qualidade do Fuste Aproveitamento (%) Fator de Aproveitamento 
1. Bom 80 – 100 0,9 
2. Regular 50 – 79 0,7 
3. Inferior < 50 0,3 
 
 
e) Os danos, em geral, foram avaliados, segundo SILVA e LOPES (1984) e 
SOUZA et al. (1998), da seguinte forma: 
• Posição de Danos (PD) 
- nenhum dano evidente; 
- danos ao tronco; 
- danos à copa; 
- danos ao tronco e à copa; e 
- árvore morta. 
• Causas de Danos (CD) à floresta primária não-explorada 
- nenhum dano evidente; 
- devido a ventos, tempestades (queda de galhos ou árvores); 
- devido à flora e à fauna (cipós, insetos, etc.); e 
- árvore morta. 
• Causas de Danos (CD) à floresta primária explorada 
- nenhum dano evidente; 
 - exploração- corte (abate, desgalhamento e destopamento); 
 - exploração - abertura de trilhas, extração (arraste até o pátio de 
estocagem intermediário); e 
 - árvore morta pelas operações de colheita florestal. 
 
 
 
 
 
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 28 
 
 
100 m
100 m
10 m
5 m
2,5 m
I
II
III
IV
 
Figura 2 - Caracterização de uma parcela com os respectivos níveis de 
abordagens - município de Manicoré, Amazonas. 
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3.2.2. Nível II de abordagem 
Neste nível de abordagem, as parcelas do nível I foram subdivididas 
sistematicamente em subparcelas de 10 m x 10 m (100 m2), sendo amostradas 
aleatoriamente somente cinco destas por parcela do nível I. Portanto, a amos-
tragem do nível II totalizou 25 subparcelas de 100 m2, perfazendo 2.500 m2. 
Nesta amostragem foram avaliados todos os indivíduos (varejões) entre 5,0 ≤ 
DAP < 15 cm, identifican o as mesmas características observadas no nível I. 
3.2.3. Nível III de aborda
No nível III cada
parcelas de 5 m x 5 m (25
cada subparcela de 100 
25 subparcelas de 25 m2,
indivíduos (varas) entre 
avaliando, conforme o cas
 - nome científico e
 - circunferência à 
 - altura total, em m
3.2.4. Nível IV de aborda
Neste nível foram
ht ≥ 0,3 m e DAP < 2,5 
Cada subparcela do nível 
(6,25 m2), sendo amostrad
25 m2. Portanto, a amost
6,25 m2, ou seja, 156,25 m
de: 
 - nome vulgar reg
 - circunferência ou
Nos níveis I, II e
plaquetas de alumínio num
foram identificados com
localização quando do mo
3.3. Classificação das esp
Para processamen
das por grupos de utilizaç
AMAZONAS: 
d
29 
gem 
 subparcela do nível II foi subdividida em sub-
 m2), sendo amostrada uma subparcela de 25 m2 em 
m
2
. Portanto, a amostragem do nível III totalizou 
 ou seja, 625 m2, em que foram avaliados todos os 
2,5 ≤ DAP < 5 cm, identificando, mensurando e 
o, as seguintes características: 
 nome vulgar regional; 
altura do peito (CAP), em cm; e 
etros. 
gem 
 avaliados todos os indivíduos (mudas) com altura 
cm, para determinação do estoque de regeneração. 
III foi subdividida em subparcelas de 2,5 m x 2,5 m 
a uma subparcela de 6,25 m2 em cada subparcela de 
ragem do nível IV contemplou 25 subparcelas de 
2
. Cada indivíduo amostrado foi avaliado em termos 
ional das espécies, com auxílio de mateiro; e 
 altura total. 
 III, todos os indivíduos foram identificados com 
eradas seqüencialmente; no nível IV, os indivíduos 
 fitas plásticas, possibilitando a sua posterior 
nitoramento das áreas de estudo. 
écies por grupos de uso 
to e análise dos dados, as espécies foram classifica-
ão, de acordo com o critério utilizado pela GETHAL 
 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 30 
Grupo 1: espécie comercial – refere-se à espécie que tem valor econômico nos 
mercados madeireiros local, regional, nacional ou internacional. 
Grupo 2: espécie potencial – refere-se à espécie que apresenta perspectiva 
futura de aproveitamento madeireiro, dadas as características de fuste 
e a possibilidade de alcançar grandes diâmetros, embora não tenha 
valor atual no mercado. 
Grupo 3: outras – refere-se à espécie que não atinge grande diâmetro e não 
apresenta perspectiva de aproveitamento pela indústria madeireira. 
3.4. Análise estrutural da floresta 
Os dados de campo foram digitados para um banco de dados no Excel, 
processados e analisados em termos de: composição florística; parâmetros 
fitossociológicos (estrutura horizontal e estrutura vertical); análise de danos 
causados pela colheita florestal às árvores remanescentes, em relação à quali-
dade de fuste, posição e causa de danos; e estrutura paramétrica (distribuição 
diamétrica, área basal e volume). 
3.4.1. Composição florística 
A identificação taxonômica das espécies foi realizada através de 
comparações entre características morfológicas das árvores, consultando-se 
literatura específica de espécies vegetais da Floresta Amazônica. 
Na análise da composição florística das florestas estudadas foi utilizado 
o índice de similaridade de Sorensen, que, de acordo com MUELLER-
DOMBOIS e ELLENBERG (1974), mediante dados de presença e ausência de 
espécies, fornece o índice de similaridade de duas ou mais comunidades. 
Na análise de diversidade foram empregados: Coeficiente de Mistura 
de Jenstch (QM), Índice de Diversidade Florística de Shannon-Weaver (H’), 
Equabilidade de Pielou (J) e Índice de Simpson (C). 
O índice de Sorensen é calculado pela aplicação da seguinte expressão: 
 
100*
AA
c2
IS
21+
= 
 
em que ISS = índice de Sorensen; c = número de espécies comuns às duas 
áreas; A1 = número total de espécies amostradas na área 1; e A2 = número 
total de espécies amostradas na área 2. 
O coeficiente de mistura de Jentsch (QM) dá uma idéia geral da compo-
sição florística, pois indica, em média, o número de árvores de cada espécie 
que podem ser encontradas no povoamento. Dessa forma, tem-se um fator 
para medir a intensidade de mistura das espécies e os possíveis problemas de 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 31 
manejo, decorrentes das condições de variabilidade de espécies (HOSOKAWA, 
1982). Este coeficiente é calculado pelo emprego da expressão: 
 
)N(indivíduosdetotaln
(S) espécies de nQM
°
°
= 
 
 O índice de diversidade florística de Shannon-Weaver (H’) é calcula-
do com base no número de indivíduos de cada espécie e no total de indivíduos 
(MARTINS, 1979); embora seja influenciado pela amostragem, este índice 
fornece boa indicação da diversidade de espécies, obtida através da seguinte 
expressão: 
 
∑−=
=
S
1i
ii N/)]nlog(n)Nlog(.N['H 
em que H’= índice de diversidade; N = número total de indivíduos amostrados; 
ni = número de indivíduos amostrados da i-ésima espécie; S = número total de 
espécies amostradas; e log = logaritmo de base 10. 
Quanto maior for o valor de H’, maior será a diversidade florística da 
população em estudo. 
A escolha do índice de Shannon-Weaver deve-se à sua ampla utilização 
em florestas tropicais (LEITÃO FILHO, 1993; FLORES, 1993; ALMEIDA, 
1996; YARED, 1996; FERREIRA, 1997; HIGUCHI et al., 1998). 
O índice de equabilidade de Pielou (J) utiliza-se da seguinte expressão: 
 
H
'H
J
máx
= 
sendo 
Hmáx = ln (S) 
 
em que S = número total de espécies amostradas; H’ = índice de diversidade 
de Shannon-Weaver; e Hmáx = máxima diversidade. 
O índice de dominância de Simpson (C) é obtido, segundo SOUZA 
(1997), pela seguinte expressão: 
 
)]1N(N[/)1n(nC
S
1i
ii −∑ −=
=
 
 
em que C = índice de dominância de Simpson; ni = número de indivíduos 
amostrados da i-ésima espécie; N = número total de indivíduos amostrados; e 
S = número total de espécies amostradas. 
O valor de C situa-se entre 0 e 1, e para valores próximos de 1 a 
diversidade é considerada menor. 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 32 
3.4.2. Parâmetros fitossociológicos 
A análise fitossociológica envolveu as estimativas dos parâmetros da 
estrutura horizontal e estrutura vertical, dando ênfase à estrutura da regene-
ração, de maneira que se conhecesse a importância ecológica de cada espécie 
na referida comunidade. 
3.4.2.1. Estrutura horizontal 
As estimativas dos parâmetros da estrutura horizontal incluíram a 
densidade, que é o número de indivíduos de cada espécie na composição flo-
rística do povoamento; a dominância, que pode ser definida como a medida da 
projeção do corpo da planta no solo; a freqüência, que mede a distribuição de 
cada espécie, em termos percentuais, sobre a área; o valor de cobertura (VC), 
que é a soma das estimativas de densidade e dominância; eo valor de impor-
tância (VI), que é a combinação, em uma única expressão, dos valores relativos 
de densidade, dominância e freqüência. 
As estimativas de densidade absoluta (DAi) e relativa (DRi) da i-ésima 
espécie são obtidas, respectivamente, pela solução das expressões: 
 
DAi = ni / A 
 
∑=
=
S
1i
iii 100*)DA/DA(DR 
 
em que DAi = densidade absoluta da i-ésima espécie, em número de indivíduos 
por hectare; ni = número de indivíduos da i-ésima espécie na amostragem; 
N = número total de indivíduos amostrados; A = área total amostrada, em 
hectare (ha); e DRi = densidade relativa (%) da i-ésima espécie. 
As estimativas de dominância absoluta (DoAi) e relativa (DoRi) são 
obtidas, respectivamente, pela solução das equações: 
 
DoAi = ABi / A 
 
∑=
=
S
1i
iii 100*)DoA/DoA(DoR 
em que DoAi = dominância absoluta da i-ésima espécie, em m2/ha; A = área 
amostrada, em hectare; e DoRi = dominância relativa (%) da i-ésima espécie; 
As estimativas de freqüência absoluta (FAi) e relativa (FRi) da i-ésima 
espécie na comunidade vegetal foram obtidas, respectivamente, pela solução 
das expressões: 
FAi = (ui / ut) * 100 
 
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 33 
 ∑=
=
S
1i
iii 100*)FA/FA(FR 
 
em que FAi = freqüência absoluta da i-ésima espécie; ui = número de unidades 
de amostra nas quais se encontra a i-ésima espécie; ut = número total de uni-
dades de amostra; e FRi = freqüência relativa (%) da i-ésima espécie. 
A estimativa do valor de importância (VI) engloba os valores percen-
tuais de densidade, dominância e freqüência, por espécie, sendo obtida pela 
solução da expressão: 
VIi = FRi + DRi + DoRi 
 
A estimativa do valor de cobertura (VC), também conhecida como 
método de Braun-Blanquet, é obtida, por espécie, por meio da solução da 
expressão: 
VCi = DRi + DoRi 
 
3.4.2.2. Estrutura vertical 
3.4.2.2.1. Posição sociológica 
Com o objetivo de melhor caracterizar a importância ecológica das 
espécies arbóreas na comunidade estudada, foram feitas estimativas dos parâ-
metros: posições sociológicas absoluta (PSAi) e relativa (PSRi), conforme 
recomendado por FINOL (1971). 
Para obtenção destes parâmetros, o trecho da floresta primária foi 
dividido em três estratos de altura total (hj), segundo procedimento estatístico 
recomendado por SOUZA (1989): 
Estrato Inferior: Árvore com h j < (h m - 1s) 
Estrato Médio: Árvore com (h m - 1s) ≤ h j < (h m + 1s); 
Estrato Superior: Árvore com h j ≥ (h m + 1s). 
em que hm = média aritmética das alturas dos indivíduos amostrados; S = 
desvio-padrão das alturas dos indivíduos amostrados; e hj = altura total da 
j-ésima árvore individual. 
Uma vez feita a classificação do trecho da floresta primária nos referi-
dos estratos de altura, as estimativas de posições sociológicas absoluta (PSAi) 
e relativa (PSRi), por espécie, foram obtidas, segundo metodologia de FINOL 
(1971), pela solução das expressões a seguir: 
 
VFj = (nj / N) * 100 
 
em que VFj = valor fitossociológico da i-ésima espécie no j-ésimo estrato; 
nj = número de indivíduos no j-ésimo estrato; e N = número total de indiví-
duos de todas as espécies em todos os estratos. 
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 34 
 
∑=
=
J
1j
1i1i )n*VF(PSA 
 
∑=
=
S
1i
iii 100*)PSA(/PSA(PSR 
 
em que PSAi = posição sociológica absoluta da i-ésima espécie; VFj = valor 
fitossociológico simplificado do j-ésimo estrato, para j = 1, 2 e 3, isto é, estratos 
inferior, médio e superior; nij = número de árvores da i-ésima espécie, nos 
estratos 1 (inferior), 2 (médio) e 3 (superior); e PSRi = posição sociológica 
relativa da i-ésima espécie. 
3.4.2.2.2. Regeneração natural 
Para calcular a estrutura da regeneração natural, foram estimados os 
parâmetros de freqüência, densidade, classes de tamanho e regeneração natural 
relativa. 
A freqüência da regeneração natural é analisada nas formas absoluta e 
relativa (FINOL, 1971; LAMPRECHT, 1964). Freqüência absoluta (FARNi) é 
o número de parcelas de regeneração em que ocorre a i-ésima espécie (ui), 
dividida pelo número total de parcelas (ut) destinado à amostragem da 
regeneração natural, sendo estimada da seguinte forma: 
 
FARNi = (ui / ut) * 100 
 
A freqüência relativa (FRRNi) é determinada em relação à soma das 
freqüências absolutas das espécies, da seguinte maneira: 
 
∑=
=
S
1i
iii 100*)FARN(/FARN(FRRN 
 
Segundo LAMPRECHT (1964), a densidade absoluta é o número de 
indivíduos de cada espécie em relação à área total da amostragem, em hectare. 
A densidade relativa é a percentagem de densidade absoluta de cada espécie 
em relação ao total de densidade absoluta da amostragem, multiplicada por 
100, conforme expressões a seguir: 
 
DARNi = ni / A 
 
∑=
=
S
1i
iii 100*)DARN(/DARN(DRRN 
 
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 35 
Na determinação das classes de tamanho da regeneração para cada 
espécie foram incluídos todos os indivíduos (mudas) entre 30 cm de altura e 
2,5 cm de DAP. Assim, as classes de tamanho foram determinadas da seguinte 
forma: 
CT (1) – compreende os indivíduos com altura inferior a 1,50 m; 
CT (2) – compreende os indivíduos com altura entre 1,50 m e 3,0 m; e 
CT (3) – compreende os indivíduos com altura superior 3,0 m e DAP 
inferior a 2,5 cm. 
Após separar os indivíduos nas classes de tamanho, obtém-se o peso 
de cada classe de tamanho, dividindo o total de indivíduos de cada classe pela 
soma geral de todos os indivíduos da regeneração natural (JARDIM e 
HOSOKAWA, 1986/87). A classe absoluta de tamanho para cada espécie 
(CATRNi) é obtida pelo somatório dos produtos do número de indivíduos da 
i-ésima espécie na j-ésima classe de tamanho (nij), por meio do peso desta 
classe (Nj/N), ou seja: 
∑=
=
q
1j
jij )N/N(*nCATRN 
 
em que nij = número de indivíduos da i-ésima espécie na j-ésima classe de 
tamanho; Nj = número total de indivíduos na j-ésima classe de tamanho; 
N = número total de indivíduos da regeneração natural em todas as classes de 
tamanho; e CATRNi = classe absoluta de tamanho da regeneração da i-ésima 
espécie. 
O valor relativo da classe de tamanho da regeneração natural (CRTRN) 
da i-ésima espécie é obtido da seguinte forma: 
 
∑=
=
S
1j iii
100*CATRN/CATRN(CATRN 
 
A regeneração natural relativa da i-ésima espécie (RNRi) é a média 
aritmética dos três parâmetros relativos anteriores, conforme FINOL (1971), 
ou seja: 
3
CRTRNDRRNFRRN
RNR iiii
++
= 
em que RNRi = regeneração natural relativa da i-ésima espécie; FRRNi = fre-
qüência relativa da regeneração natural da i-ésima espécie; DRRNi = densidade 
relativa da regeneração natural da i-ésima espécie; e CRTRNi = classe relativa 
de tamanho da regeneração natural da i-ésima espécie. 
3.4.3. Estrutura paramétrica 
A análise da estrutura paramétrica permite a quantificação da floresta 
em termos de distribuição dos diâmetros, da área basal e do volume por hectare, 
espécie e classe de tamanho, respectivamente (HOSOKAWA, 1986) 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 36 
3.4.3.1. Distribuição diamétrica 
Refere-se à distribuição do número de árvores, por hectare, por espécie 
e por classe de diâmetro de um povoamento florestal (SOUZA, 1997). 
3.4.3.2. Distribuição da área basal 
É a distribuição da área basal total do povoamento por hectare (m2/ha) 
e por classe de diâmetro (SOUZA et al., 1998). 
3.4.3.3 Distribuição volumétrica 
Refere-se à distribuição do volume comercial, com casca, do povoa-
mento florestal, por hectare (m3/ha), por espécie e por classe de diâmetro 
(SOUZA et al., 1998). As estimativas do volume individual (m3) foram 
obtidas mediante o emprego da seguinteequação, ajustada pela empresa: 
 
VTCC = 1,7498 x (DAP/100)2,1 x (HC0,641) (R2 = 0,92) 
 
em que VTCC = volume total com casca, em m3; DAP = diâmetro à altura do 
peito, medido a 1,30 m do solo, em cm; e HC = altura comercial, em metros. 
3.5. Análise estatística 
O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, 
nos seguintes arranjos fatoriais: 2 x 3 (florestas e grupos de uso), 2 x 5 (flores-
tas e posição de danos), 2 x 4 (florestas e causa de danos), 2 x 3 x 3 (florestas, 
grupos de uso e qualidade de fuste) e 2 x 3 x 13 (florestas, grupos de uso e 
classes de tamanho). 
Os dados resultantes foram submetidos às análises de variância 
(ANOVA), para que fossem constatadas diferenças significativas entre os 
fatores estudados, tendo as médias sido discriminadas pelo teste de Tukey, a 
5% de probabilidade. 
O processamento e a análise dos dados foram feitos por meio do pro-
grama computacional Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas (SAEG), 
desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa. 
3.6. Planejamento da colheita de madeira 
Há vários sistemas de colheita de madeira, variando de empresa para 
empresa, em função da topografia, do rendimento volumétrico dos povoa-
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 37 
mentos, do tipo de povoamento, do uso final da madeira, das máquinas, dos 
equipamentos e dos recursos disponíveis (FIEDLER, 1995). Neste estudo, o 
sistema de colheita utilizado pela empresa foi o de árvores compridas 
(MINETTE, 1996), ou seja, caracterizou-se pela realização do desgalhamento 
no local de abate. As demais operações foram feitas após a remoção da 
madeira para os pátios de embarque ou a beira da estrada. 
3.6.1. Inventário pré-colheita 
Inicialmente, o processo de manejo florestal sustentável começou dois 
anos antes da primeira extração, com mapeamento detalhado de toda a área e 
um inventário a 100% de todas as árvores acima de 50 cm de diâmetro (DAP), 
as quais foram localizadas geograficamente, com auxílio do sistema de 
posicionamento geográfico – GPS, sendo anotadas as características da 
topografia local e do talhão a ser utilizado para as operações de colheita de 
madeira. Cada árvore foi cadastrada, indicando-se espécie, diâmetro, altura, 
localização, inclinação e destino (colheita, preservação permanente, matriz 
sementeira, 2a colheita, defeitos, etc). 
Com base no inventário pré-colheita, o planejamento foi feito com 
auxílio de um programa de computador, detalhando-se quais as árvores que 
serão colhidas, as que ficarão como matrizes, as preservadas para as próximas 
colheitas e, ainda, a definição das áreas de preservação permanente. As infor-
mações do inventário pré-colheita foram analisadas espacialmente, por meio 
de um sistema de informações geográficas (SIG). O resultado foi apresentado 
em mapas temáticos, essenciais para o planejamento das atividades de campo. 
3.6.2. Corte florestal 
O corte florestal é a primeira fase de transformação das árvores no 
produto exigido pelo mercado. A operação de corte pode incluir os seguintes 
elementos: abate ou derrubada, desgalhamento, destopamento, medição, mar-
cação e pré-extração (MINETTE, 1996). 
Com o mapa da colheita florestal, a equipe de corte, composta por um 
técnico, um motosserrista e um ajudante, fez o reconhecimento da área e 
marcou as árvores a serem colhidas com um X e com uma seta indicando a 
direção de queda. 
Com a localização das árvores a serem colhidas, um técnico demarcou, 
no campo, os pátios de embarque (principais), os pátios intermediários e as 
trilhas de arraste, considerando sempre a topografia do local, de modo que 
diminuísse os impactos causados pelas incursões na floresta. Na seqüência, foi 
repassado para a equipe de corte o mapa de localização das árvores que seriam 
abatidas; deu-se início à operação de corte, utilizando-se de motosserras, 
levando em consideração os seguintes pontos: limpeza do tronco a ser abatido 
e teste do oco (introdução do sabre da motosserra no tronco, no sentido vertical). 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 38 
O operador da motosserra foi orientado a cortar as árvores a uma 
altura de, no mínimo 10 cm e, no máximo, 30 cm do solo. Nas espécies mais 
propensas a rachaduras, durante o corte foram usadas técnicas de corte ade-
quadas, para diminuir os danos sobre elas. 
O direcionamento de queda foi feito com o uso da cunha; esse proce-
dimento também é feito de forma que não afete as árvores porta-sementes e de 
futuras colheitas. Há a orientação de se cortar o tronco no seu máximo de 
aproveitamento, ou seja, na primeira bifurcação, independentemente do com-
primento. 
Antes do corte, o número de identificação das árvores era retirado, 
sendo recolocado após o corte, no toco e na tora, possibilitando assim o 
monitoramento da tora até o final do processo produtivo. 
3.6.3. Trilhas de arraste 
As trilhas que foram traçadas anteriormente no campo foram identifi-
cadas por fitas plásticas de cores diferentes, destacando as trilhas principais e 
trilhas secundárias de arraste das toras. É importante destacar que as árvores 
abatidas foram relacionadas às trilhas através desta identificação; além disso, 
os alojamentos da equipe de colheita foram planejados de acordo com a 
posição dos pátios de embarque das toras. 
A equipe de abertura das trilhas, composta por um técnico, um 
tratorista e um ajudante, foi orientada a trilhar as vias de acesso, de forma a 
minimizar o tempo e aumentar o rendimento, a fim de que o operador do 
skidder encontrasse menos obstáculos para fazer a colheita do produto. As 
trilhas principais e os pátios foram planejados de maneira que o arraste não 
ultrapassasse mais que 250 m de distância, tendo sido feito pelo trator de 
esteira (Caterpillar D-4) . 
3.6.4. Arraste 
O mapa de colheita foi repassado à equipe de arraste, com todas as 
informações das trilhas e o posicionamento dos pátios. A equipe de arraste foi 
composta de dois técnicos, dois operadores de skidders e dois ajudantes. O 
operador do skidder obedeceu ao planejamento das trilhas que foram traçadas 
no mapa de colheita. A numeração indicada na tora foi retirada antes do 
arraste pelo ajudante e novamente identificada no momento do embarque, para 
fins de monitoramento. 
3.6.5. Transporte - carregamento da balsa 
As toras foram concentradas nos pátios de embarque localizados nas 
áreas de melhor acesso, normalmente na beira de rios ou igarapés. Foram 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 39 
feitas as identificações de todas as espécies de madeira e realizadas as medi-
ções (cubagem). 
O transporte das toras até a balsa foi feito por um skidder, auxiliado 
por um carregador Michigan 125 ou L-90, que empilhou as toras na balsa, 
cujas dimensões são de 10 m de largura por 30 m de comprimento, de maneira 
que elas ficassem dispostas perpendicularmente ao comprimento da balsa. 
3.6.6. Máquinas e equipamentos utilizados na colheita florestal 
Durante as operações de colheita florestal foram utilizadas as seguin-
tes máquinas e equipamentos: dois tratores florestais (skidder), da marca 
Miller; um trator carregador L-90 e outro 125, da marca Michigan; um trator 
de esteira D4, da Caterpillar; quatro motosserras Sthil 051; dois grupos 
geradores; um barco rebocador; uma voadeira (embarcação para deslocamento 
rápido); um barco para transporte da equipe de trabalho; uma balsa para 
transporte das toras; uma balsa para transporte de máquinas pesadas; capacetes; 
botas; terçados; combustível; cunha; marreta; viseira; protetor auricular; calças 
com proteção de náilon; diversas ferramentas; medicamentos; além de outros. 
O planejamento da colheita florestal foi bastante complexo, pois muitos 
fatores devem ser considerados ao mesmo tempo na tomadade várias decisões. 
Esse planejamento utilizou as informações sobre distribuição das árvores, 
direção de queda provável, localização das trilhas e topografia do terreno para 
produzir um plano capaz de reduzir os danos ecológicos e os desperdícios de 
madeira e de aumentar a produtividade da colheita florestal (AMARAL et al., 
1998). 
Segundo a empresa, em um período de 25 a 30 anos a área não sofrerá 
novas intervenções de colheita florestal, sendo realizados apenas os trata-
mentos silviculturais, ou seja, o plantio de enriquecimento de espécies de 
valor comercial nas áreas abertas pela exploração, onde a regeneração é 
deficiente; o corte de cipós, presentes em futuras árvores para a colheita flo-
restal; e o inventário florestal contínuo, oferecendo condições para a floresta 
regenerar e crescer novamente e assegurando, assim, a sua sustentabilidade. 
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
4.1. Composição florística 
Genericamente, é apresentada no apêndice A a lista das espécies arbó-
reas amostradas nas florestas não-explorada e explorada, em ordem alfabética 
de família botânica, nomes científicos e nome vulgar regional, conforme 
CAMARGOS et al. (1996), classificadas por grupos de valor comercial. 
De acordo com os resultados do Quadro 1, no nível I de abordagem 
(DAP ≥ 15 cm), na floresta não-explorada, foram amostrados 1.677 indivíduos 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 40 
arbóreos, pertencentes a 30 famílias e 94 espécies. Na floresta explorada 
foram amostrados 1.229 indivíduos arbóreos, pertencentes a 35 famílias e 121 
espécies, ou seja, houve redução na densidade e aumento de riqueza de 
espécies (Quadro 1). 
No nível II de abordagem (5,0 ≤ DAP < 15 cm), na floresta não-
explorada, foram amostrados 254 indivíduos arbóreos, pertencentes a 24 
famílias e 49 espécies. Já na floresta explorada foram amostrados 273 
indivíduos arbóreos, pertencentes a 32 famílias e 66 espécies, ou seja, houve 
aumento na densidade e na riqueza de espécies (Quadro 1). 
 
 
Quadro 1 - Estimativa do número de indivíduos, famílias e espécies de 
árvores nas florestas não-explorada e explorada, em que nível I = 
todos os indivíduos com (DAP ≥ 15 cm); nível II = indivíduos 
entre (5,0 ≤ DAP < 15 cm); nível III = indivíduos entre (2,5 ≤ 
DAP < 5 cm) 
Floresta 
Nível de Abordagem 
Número de 
Indivíduos 
Número de 
Famílias 
Número de 
Espécies 
Não-explorada 
Nível I 1.677 30 94 
Nível II 254 24 49 
Nível III 65 14 23 
 
Explorada 
Nível I 1.229 35 121 
Nível II 273 32 66 
Nível III 128 22 45 
 
 
 
No nível III de abordagem (2,5 ≤ DAP < 5 cm), na floresta não-
explorada, foram amostrados 65 indivíduos arbóreos, pertencentes a 14 
famílias e 23 espécies, enquanto na floresta explorada foram amostrados 128 
indivíduos, pertencentes a 22 famílias e 45 espécies, ou seja, quase dobrou a 
densidade e a riqueza de espécies (Quadro 1). 
Verifica-se no Quadro 1 que, em todos os níveis de abordagem, a 
riqueza de espécies da floresta explorada foi maior que a da floresta não-
explorada. Pelo fato de pertencerem a um mesmo ecossistema, as áreas são 
bastante semelhantes. 
Estudos realizados em outras florestas da região apontam para uma 
ampla variação florística entre elas, associada provavelmente ao estágio suces-
sional de cada área. Assim, CARVALHO (1992), em uma área de 3 ha, observou 
variações de 46-48 famílias e 219-226 espécies em um período de estudo de 
oito anos. Já OLIVEIRA (1995) encontrou 31 famílias e 58 espécies em uma 
floresta secundária de 2,75 ha, com aproximadamente 40 anos. Entretanto, 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 41 
10 anos depois, essa mesma floresta apresentava 35 famílias e 71 espécies. 
YARED (1996) encontrou, em floresta primária não-manejada e em floresta 
secundária não-manejada, respectivamente 47 e 29 famílias e 179 e 65 espécies 
identificadas. 
Neste estudo, é importante destacar que as operações de colheita 
florestal reduziram apenas o número de indivíduos do nível I de abordagem 
(DAP ≥ 15 cm), ou seja, a colheita teve influência somente na redução das 
árvores de maior diâmetro das espécies comerciais. Isto concorda, em parte, 
com o mencionado por SOUZA et al. (1998), os quais destacam que a colheita 
de madeira em um sistema de manejo sustentável diminui o número de 
indivíduos dentro de uma população, porém isto não significa que haja perda 
de variabilidade, pois a variação genética não é medida somente pelo número 
de indivíduos dentro da população. Além disso, estes mesmos autores ressal-
tam que é necessário conhecer a estrutura da população de cada espécie, seus 
mecanismos de reprodução e propagação e seu padrão de distribuição espacial 
e temporal. 
Para fins de avaliação dos efeitos da colheita florestal sobre a compo-
sição florística de espécies comerciais, é apresentado no Quadro 2 o número 
de espécies por grupo de utilização. Observa-se que na floresta explorada, nos 
três níveis de abordagem e em todos os grupos de uso, o número de espécies 
foi maior que na floresta não-explorada, na qual houve pequena predominân-
cia de espécies comerciais no nível I de abordagem. Na floresta explorada, em 
todos os grupos de uso, também predominou o grupo 1, porém com distribui-
ção mais eqüitativa. 
 
 
Quadro 2 - Estimativas do número de espécies por grupo de uso (1=comer-
ciais, 2=potenciais e 3=outras) e nível de abordagem em área de 
florestas não-explorada e explorada - município de Manicoré, AM 
Grupos de Uso Floresta 
Nível de Abordagem 1 2 3 Total 
Não-explorada 
Nível I (DAP ≥ 15 cm) 39 24 31 94 
Nível II (5,0 ≤ DAP < 15 cm) 17 13 19 49 
Nível III (2,5 ≤ DAP < 5 cm) 5 5 13 23 
 
Explorada 
Nível I (DAP ≥ 15 cm) 48 30 43 121 
Nível II (5,0 ≤ DAP < 15 cm) 23 20 23 66 
Nível III (2,5 ≤ DAP < 5 cm) 15 12 18 45 
 
 
Em termos percentuais (Figura 3), em quaisquer das florestas houve 
maior riqueza de espécies comerciais no nível I de abordagem, com 41 e 44%. 
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 42 
No nível II de abordagem praticamente não houve diferença percentual entre 
as duas florestas. Contudo, no nível III de abordagem, observou-se predomí-
nio das espécies do grupo 3 (outras), com percentual variando entre 56 e 40%. 
Uma análise da similaridade florística das duas florestas, executada por meio 
da aplicação do índice de similaridade de Sorensen, mostrou que 72,5% das 
espécies amostradas são comuns a ambas. Esse resultado diferiu do obtido por 
YARED (1996) em floresta primária. Segundo este autor, há baixo índice de 
similaridade em florestas primárias em razão da natureza dos processos de 
regeneração que ocorrem nestas florestas, quando comparados aos de floresta 
secundária. 
 Os resultados da análise de variância executada para as variáveis de 
número de espécies (Nesp), número de famílias (Nfam), número de indivíduos 
por parcela (Npar) e número de indivíduos por hectare (Dens), considerando 
os níveis I, II e III de abordagem, encontram-se no Quadro 3. 
Observa-se (Quadro 3) que houve efeito significativo (P < 0,01) apenas para o 
número de famílias; portanto, constatou-se que as operações de colheita 
florestal não causaram mudanças significativas na composição florística e no 
número de árvores por hectare, apesar da redução de densidade e dominância 
da floresta explorada (Quadro 3). Esse resultado difere do obtido por 
FERREIRA (1997), cujos resultados mostraram que cortes seletivos 
provocaram alterações drásticas na composição florística, na densidade e na 
dominância. 
Na floresta não-explorada, as famílias de maior riqueza foram: Caesal-
piniaceae e Fabaceae (10 espécies), Lauraceae (8 espécies), Lecythidaceae e 
Sapotaceae (7 espécies), Arecaceae (6 espécies) e Mimosaceae (5 espécies), 
que totalizam cercade 52% do número total de espécies amostradas. Das 
30 famílias amostradas, a maioria (23) apresentou menos de cinco espécies. 
Na floresta explorada predominaram as famílias Fabaceae (14 espécies), 
Caesalpiniaceae (11 espécies), Sapotaceae (10 espécies), Lauraceae e 
Lecythidaceae (9 espécies) e Arecaceae e Mimosaceae (6 espécies), que 
perfizeram cerca de 48% do número total de espécies amostradas. Das 35 
famílias amostradas, a maioria (28) apresentou menos de seis espécies. Estes 
resultados concordam com os estudos feitos por RICHARDS (1957), 
CARVALHO (1992), FLORES (1993) e MARTINS (1995), segundo os quais 
parece ser comum em florestas tropicais poucas famílias deterem o maior 
número de indivíduos, e este predomínio numérico, numa mesma família 
botânica, expressa a dominância da família na área. 
4.1.1. Diversidade de espécies 
A diversidade das espécies arbóreas, considerando-se os indivíduos 
com DAP ≥ 15 cm, foi estimada pelo emprego do coeficiente de mistura de 
Jenstch (QM), do índice de diversidade florística de Shannon-Weaver (H’), da 
equabilidade de Pielou (J) e do índice de Simpson (C), cujos resultados encon-
tram-se no Quadro 4. 
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 43 
 
 
 
(a)
0
10
20
30
40
50
60
I II III
Níveis de Abordagem
Pe
rc
en
tu
al
 d
o 
nú
m
er
o 
de
 es
pé
ci
es
 (%
)
Comerciais Potenciais Outras
 
 
(b)
0
10
20
30
40
50
60
I II III
Níveis de Abordagem
Pe
rc
en
tu
al
 d
o 
nú
m
er
o 
de
 es
pé
ci
es
 (%
)
Comerciais Potenciais Outras
 
Figura 3 - Percentuais de número de espécies presentes nas áreas estudadas 
em relação aos níveis de abordagem e aos grupos de utilização: 
(a) floresta não-explorada; e (b) floresta explorada. 
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 44 
Quadro 3 - Resultado da análise de variância, em relação à composição 
florística das florestas não-explorada e explorada, em que Nesp = 
número de espécies; Nfam = número de famílias; Npar = número 
de indivíduos por parcela; Dens = número de indivíduos por 
hectare 
Quadrados Médios 
Fonte de Variação GL 
Nesp Nfam Npar Dens 
Floresta 1 13.57,22 ns 342,22 ** 640,00 ns 0,12E+09 ns 
Resíduo 38 449,36 47,47 12.763,46 0,13E+09 
Média 33,03 18,88 110,75 7.154,15 
CVexp. (%) 64,19 36,51 102,01 161,63 
** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. 
ns = não-significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. 
 
 
 
 
Quadro 4 - Índices de diversidade florística das florestas não-explorada e 
explorada – município de Manicoré, AM 
Floresta Índices de Diversidade de Espécies 
Não-explorada Explorada 
Coeficiente de mistura de Jentsch (QM) 1:18 1:10 
Índice de diversidade de Shannon e Weaver (H’) 3,70 4,23 
Índice de dominância de Simpson (1-C): 0,96 0,99 
Equabilidade (J’) 0,81 0,88 
 
 
 
Os valores de H’ de 3,70 e 4,23 apontam para alta diversidade nas 
duas florestas, apoiada pelo índice de equabilidade J (0,81 e 0,88), pelo índice 
C (0,04 e 0,01) e pelo coeficiente QM (1:18 e 1:10). Esses resultados não 
demonstram que as atividades de colheita florestal tendem a reduzir a diversi-
dade de espécies, conforme muitos trabalhos insistem em afirmar, porém sem 
resultados comprobatórios. 
Neste estudo, o valor de H’ é semelhante aos índices estimados em 
alguns trabalhos executados na Amazônia Oriental. RIBEIRO et al. (1993), 
trabalhando em floresta secundária nas regiões de Carajás e Marabá, obtiveram 
estimativas dos índices de Shannon-Weaver de 3,66 e 3,71, respectivamente. 
YARED (1996), em estudo na Reserva Florestal de Curuá-Una, Estado do 
Pará, obteve como resultado H’= 3,40. Portanto, as florestas do Estado do 
Amazonas são semelhantes às do Estado do Pará. 
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 45 
4.2. Estrutura horizontal 
As estimativas dos parâmetros fitossociológicos da estrutura horizontal, 
como densidade absoluta (DA), densidade relativa (DR), dominância absoluta 
(DoA), dominância relativa (DoR), freqüência absoluta (FA), freqüência 
relativa (FR), volume (Vol), valor de importância (VI%) e valor de cobertura 
(VC%), por espécie, nos três níveis de abordagem, nas florestas não-explorada 
e explorada, encontram-se nos Quadros 1B, 2B e 3B. 
Na floresta não-explorada, no nível I de abordagem, 20 espécies perfize-
ram 55% do valor de importância. Na floresta explorada, as 20 espécies de 
maior valor de importância representaram apenas 45% do total de espécies 
amostradas. Dentre as 10 espécies de maiores densidade, dominância, freqüên-
cia, volume e valores de importância e de cobertura, três espécies são comerciais e 
estão presentes nas duas florestas: Maquira sclerophylla (muiratinga), com 24 
e 12 indivíduos/ha, respectivamente; Protium heptaphyllum (breu-branco), 
com 24 e 11 indivíduos/ha, respectivamente; e Vatairea guianensis (fava), 
com 9 e 4 indivíduos/ha, respectivamente (Quadro 1B). 
Na floresta não-explorada, as espécies comerciais predominam na 
área, com 36% do VI. As espécies potenciais representaram 34%, e as outras 
espécies (sem valor comercial atual), 30% do VI. É importante destacar que, 
na floresta explorada, no nível I de abordagem, ainda predominam as espécies 
comerciais, com 41% do valor de importância. As espécies com potencial 
futuro representaram 28%, e as outras, 31% do VI. 
Os resultados da análise de variância para as variáveis densidade (n/ha), 
dominância (m2/ha) e volume (m3/ha), no nível I de abordagem, encontram-se 
no Quadro 5. Observa-se que houve efeito significativo (P<0,01) entre as 
florestas para todas as características avaliadas, pelo teste F. Essa diferença 
significativa também prevaleceu entre os grupos de uso nos níveis de 
significância de P<0,01 e P<0,05, com exceção da densidade (n/ha). 
Em parte, esses resultados concordam com os obtidos por YARED 
(1996), que encontrou diferenças estatísticas entre floresta primária não-
manejada e floresta primária com diferentes tratamentos silviculturais. 
Os resultados dos testes de médias (Tukey) das florestas e dos grupos 
de uso, para as variáveis analisadas no nível I de abordagem, são apresentados 
no Quadro 6. 
Ao comparar as duas florestas, observa-se a superioridade da floresta 
não-explorada quanto a DA, DoA e Vol, demonstrando que as operações de 
colheita florestal reduziram o número de indivíduos de maior diâmetro (DAP 
≥ 15 cm), principalmente de espécies comerciais. Esses resultados encontram-
se em consonância com os obtidos por VERÍSSIMO (1996a, b, c) em três 
áreas localizadas no sul do Pará, quando da realização da exploração seletiva 
de madeira. 
Em relação aos grupos de uso, observa-se (Quadro 6) que existe 
predominância de espécies comerciais no nível I de abordagem, porém com 
diferenças significativas somente nas variáveis DoA e Vol. 
 
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 46 
Quadro 5 - Resultado da análise da variância das estimativas das variáveis da 
estrutura horizontal das florestas não-explorada e explorada e em 
relação aos grupos de uso, no nível I de abordagem, em que DA = 
número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; 
e Vol = volume por hectare 
Quadrados médios 
Fonte de Variação GL 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Floresta 1 6.840,30 ** 47,48 ** 3.651,96 ** 
Grupo 2 967,43 ns 15,51 * 3.325,40 ** 
Floresta x Grupo 2 868,90 ns 5,60 ns 571,44 ns 
Resíduo 24 335,50 3,39 356,72 
Média 96,37 7,52 62,54 
Cvexp. (%) 19,01 24,48 30,20 
* e ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. 
ns = não-significativo a 5 e 1% de probabilidade, pelo teste F. 
 
 
 
Quadro 6 - Resultados do teste de Tukey para as médiasde florestas e 
grupos de uso no nível I de abordagem, em que DA = número de 
indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = 
volume por hectare 
Médias 
Floresta 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Não-explorada 111,47 a 8,78 a 73,57 a 
Explorada 81,27 b 6,27 b 51,51 b 
Grupos Dens (n/ha) Dom (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Comercial 107,60 a 8,55 a 76,13 a 
Potencial 92,20 a 7,89 a b 69,68 a 
Outras 89,30 a 6,14 b 41,81 b 
As médias seguidas de pelo menos uma mesma letra minúscula não diferem entre si a 5% de 
probabilidade, pelo teste de Tukey. 
 
 
No nível II de abordagem, para a floresta não-explorada, 10 espécies 
dominaram a área, totalizando 55% do valor de importância. Na floresta 
explorada, as 10 espécies de maior VI representaram apenas 44% do total de 
espécies amostradas. Neste nível, entre estas 10 espécies, somente duas espé-
cies de valor comercial estão presentes nas duas florestas: Protium heptaphyllum 
(breu-branco), apresentando 128 e 140 indivíduos/ha, respectivamente; e 
Maquira sclerophylla (muiratinga), com 36 e 40 indivíduos/ha, respectivamente 
(Quadro 2B). 
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 47 
No nível II, na floresta não-explorada, as espécies não-comercializadas 
predominaram na área, com 36% do VI, as espécies com potencial represen-
taram 34% e as espécies com valor comercial perfizeram 30% do VI. Na 
floresta explorada, os resultados obtidos foram os seguintes: 37% do VI é 
representado pelas espécies comerciais, 33% por outras e 30% pelas potenciais. 
A análise da variância, no nível II de abordagem, para as variáveis 
DA, DoA e Vol, não apresentou diferenças significativas (P<0,01 e P<0,05) 
nem sequer entre as florestas, muito menos entre os grupos de uso. Portanto, 
neste nível de abordagem, originalmente, as duas florestas eram iguais e, 
acima de tudo, a exploração não alterou a sua estrutura. 
No nível III de abordagem, os resultados obtidos demonstraram que 
10 espécies dominaram a área, com 67% do VI na floresta não-explorada. Na 
floresta explorada, as 10 principais espécies representaram apenas 47% do VI. 
As espécies comerciais que se destacaram neste nível, nas duas florestas, 
foram: Vatairea guianensis (fava), com 96 e 16 indivíduos/ha; Protium 
heptaphyllum (breu-branco), com 80 e 160 indivíduos/ha; e Clarisia racemosa 
(guariúba), com 64 indivíduos/ha na floresta não-explorada (Quadro 3B). 
Os resultados da análise de variância para as variáveis densidade 
(n/ha) e dominância (m2/ha), no nível III de abordagem, encontram-se no 
Quadro 7. Por meio desta análise, verificaram-se, pelo teste de F, diferenças 
significativas entre as florestas (P<0,01) e os grupos de uso (P<0,05), para as 
variáveis analisadas, inclusive na interação floresta x grupos de uso, no 
tocante à variável dominância (m2/ha). 
No nível III, é importante verificar o comportamento da interação 
florestas x grupos de utilização das espécies em relação à dominância, 
conforme indica o Quadro 8. 
 
 
 
Quadro 7 - Resultado da análise da variância das variáveis da estrutura 
horizontal das florestas não-explorada e explorada e dos grupos 
de uso, no nível III de abordagem, em que DA = número de 
indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare 
Quadrados Médios 
Fonte de Variação GL 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) 
Floresta 1 873.813,7 ** 0,67 ** 
Grupo 2 130.773,3 * 0,15 * 
Floresta x Grupo 2 74.453,3 ns 0,12 * 
Resíduo 24 26.986,66 0,03 
Média 501,33 0,46 
CVexp (%) 32,77 36,39 
* e ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. 
ns = não-significativo a 5 e 1% de probabilidade, pelo teste F. 
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 48 
Quadro 8 - Resultados do teste de Tukey aplicado para as médias da domi-
nância (m2/ha) das florestas não-explorada e explorada e dos 
grupos de uso, no nível III de abordagem 
 Floresta 
 Grupo 
Não-explorada Explorada 
Comercial 0,28 A b 0,63 AB a 
Potencial 0,30 A a 0,37 B a 
Outras 0,34 A b 0,82 A a 
Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não 
diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. 
 
 
 
Observa-se superioridade da floresta explorada em relação à dominân-
cia das espécies nos três grupos de uso, indicando que, provavelmente, a 
exploração florestal proporcionou a concentração da área basal no grupo das 
espécies comerciais. 
Foram verificadas maiores médias dos grupos 1 e 3 para a floresta 
explorada, o que indica, segundo YARED (1996), resposta favorável da explo-
ração florestal, proporcionando melhorias nas características comerciais da 
floresta, pois o maior estoque de área basal ou a dominância de espécies 
comerciais é fundamental para o manejo da produção madeireira. 
4.3. Estrutura vertical 
As estimativas dos parâmetros fitossociológicos da estrutura vertical, 
somadas às estimativas dos parâmetros fitossociológicos da estrutura horizon-
tal, propiciam caracterização mais completa da importância ecológica das 
espécies nas florestas. Os parâmetros fitossociológicos da estrutura vertical 
englobam a posição sociológica, que fornece a composição florística dos 
diferentes estratos verticais do povoamento, e um parâmetro fitossociológico, 
definido como regeneração natural, que diz respeito somente às plantas 
infanto-juvenis (HOSOKAWA, 1986). 
4.3.1. Posição sociológica 
Para se ter uma idéia dos efeitos da colheita florestal na arquitetura da 
floresta explorada, foram estimados o número de indivíduos por hectare (n/ha), 
a área basal por hectare (m2/ha) e o volume por hectare (m3/ha), por estrato de 
altura, por grupo de uso e por nível de abordagem, respectivamente (Quadro 9). 
 
 
Quadro 9 - Estimativa do número de indivíduos por hectare (n/ha) (a), área basal por hectare (m2/ha) (b) e volume por 
hectare (m3/ha) (c), por estratos de altura e grupos de uso, nas florestas não explorada e explorada, 
respectivamente, em que: Nível I = compreende todos os indivíduos com (DAP ≥ 15 cm); Nível II = indivíduos 
entre (5,0 ≤ DAP < 15 cm); Nível III = indivíduos entre (2,5 ≤ DAP < 5 cm); E1 = (h < 8,02) estrato de altura 
inferior; E2 = (8,02 ≤ h < 22,03) estrato de altura médio; E3 = (h ≥ 22,03) estrato de altura superior; grupo 1 = 
espécies comerciais; grupo 2 = espécies de potencial; grupo 3 = outras espécies 
 
Floresta Não-Explorada (a) 
Estratos de Altura 
E1 E2 E3 
Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total 
Nível 
de 
Abordagem 
1 2 3 (n/ha) 1 2 3 (n/ha) 1 2 3 (n/ha) 
I 7,2 5 7,8 20 95 93,6 86,2 274,8 13,2 19,2 7,2 39,6 
II 172 308 264 744 128 49 84 261 0 7 0 7 
III 320 304 368 992 - - - - - - - - 
Total 499,2 617 639,8 1.756 223 142,6 170,2 535,8 13,2 26,2 7,2 46,6 
Floresta Explorada (a) 
Estratos de Altura 
E1 E2 E3 
Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total 
Nível 
de 
Abordagem 
1 2 3 (n/ha) 1 2 3 (n/ha) 1 2 3 (n/ha) 
I 4 3,4 6 13,4 73,8 46,2 58,6 178,6 22 17 12,8 51,8 
II 216 176 224 616 180 140 132 452 - - 4 4 
III 736 448 832 2016 - - - - - - - 
Total 956 627,4 1.062 2.645,4 253,8 186,2 190,6 630,6 22 17 16,8 55,8 
Floresta Não-Explorada (b) 
Estratos de Altura 
E1 E2 E3 
Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total 
Nível 
de 
Abordagem 
1 2 3 (m2/ha) 1 2 3 (m2/ha) 1 2 3 (m2/ha) 
I 0,5655 0,3263 0,3038 1,1956 4,2258 4,6261 2,0952 10,9471 4,7149 5,0491 4,4421 14,2061 
II 1,122 2,0301 1,013 4,1651 1,1623 0,5314 0,8139 2,5076 0 0,0377 0 0,0377 
III 0,3991 0,3663 0,3286 1,094 - - - - - - - - 
Total 2,0866 2,7227 1,6454 6,4547 5,3881 5,1575 2,9091 13,4547 4,7149 5,0868 4,4421 14,2438 
 Continua... 
M
AN
EJO
 FLO
RESTAL 
–
 D
EF/U
FV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Prof. Agostinho Lopes de Souza49
 
Quadro 9, Cont. 
Floresta Explorada (b) 
Estratos de Altura 
E1 E2 E3 
Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total 
Nível 
de 
Abordagem 
1 2 3 (m2/ha) 1 2 3 (m2/ha) 1 2 3 (m2/ha) 
I 0,2256 0,2021 0,3427 0,7704 4,2385 2,6845 3,1339 10,0569 3,1197 2,897 1,9566 7,9733 
II 0,8768 0,6493 0,8684 2,3945 1,593 1,1093 1,1847 3,887 - - 0,0484 0,0484 
III 0,6271 0,3664 0,8216 1,8151 - - - - - - - - 
Total 1,7295 1,2178 2,0327 4,98 5,8315 3,7938 4,3186 13,9439 3,1197 2,897 2,005 8,0217 
Floresta Não-Explorada (c) 
Estratos de Altura 
E1 E2 E3 
Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total 
Nível 
de 
Abordagem 
1 2 3 (m3/ha) 1 2 3 (m3/ha) 1 2 3 (m3/ha) 
I 0,435 0,288 0,2082 0,9312 50,9962 49,562 21,4669 122,0251 34,6341 38,907 24,2207 97,7618 
II 4,5613 7,7543 2,3931 14,7087 4,8902 2,2982 1,3745 8,5629 - 0,1322 - 0,1322 
III - - - - - - - - - - - - 
Total 4,9963 8,0423 2,6013 15,6399 55,8864 51,8602 22,8414 130,5880 34,6341 39,0392 24,2207 97,8940 
Floresta Explorada (c) 
Estratos de Altura 
E1 E2 E3 
Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total Grupo de Uso Total 
Nível 
de 
Abordagem 
1 2 3 (m3/ha) 1 2 3 (m3/ha) 1 2 3 (m3/ha) 
I 0,2875 0,207 0,5189 1,0134 34,3398 21,763 17,8733 73,9761 31,5618 28,626 19,3414 79,5292 
II 2,1608 1,646 1,7216 5,5284 7,8103 5,4432 3,787 17,0405 - - - - 
III - - - - - - - - - - - - 
Total 2,4483 1,8530 2,2405 6,5418 42,1501 27,2062 21,6603 91,0166 31,5618 28,626 19,3414 79,5292 
M
AN
EJO
 FLO
RESTAL 
–
 D
EF/U
FV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Prof. Agostinho Lopes de Souza
 
50
 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 51 
De acordo com os resultados apresentados no Quadro 9, no nível I de 
abordagem, observou-se maior número de árvores/ha nos estratos 1 (h < 8,02 m) 
e 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m) da floresta não-explorada que na floresta explorada, 
com predominância de espécies comerciais e não-comerciais. Entretanto, no 
estrato 3 (h ≥ 22,03 m), a floresta explorada apresentou-se com o maior número 
de árvores/ha em relação à floresta não-explorada, com predominância de 
espécies potenciais na floresta não-explorada e de espécies comerciais na floresta 
explorada. Para a área basal/ha, do nível I de abordagem, verificou-se que todos 
os estratos da floresta não-explorada foram superiores aos da floresta explorada; 
para o volume/ha, no nível I de abordagem, observou-se que os estratos 2 
(8,02 m ≤ h < 22,03 m) e 3 (h ≥ 22,03 m) da floresta não-explorada foram 
superiores aos da floresta explorada, com exceção do estrato 1 (h < 8,02 m). 
No nível II de abordagem da floresta não-explorada, os números de 
árvores/ha nos estratos 1 (h < 8,02 m) e 3 (h ≥ 22,03 m) foram superiores aos 
da floresta explorada, com predominância das espécies potenciais, exceto no 
estrato 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m). Verificou-se, no nível II de abordagem, na 
avaliação da área basal/ha, que apenas o estrato 1 (h < 8,02 m) da floresta não-
explorada foi maior que na floresta explorada; para o volume/ha, do nível II 
de abordagem, observou-se que o estrato 1 (h < 8,02 m) da floresta não-
explorada foi superior ao da floresta explorada, e o oposto ocorreu no estrato 
2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m) para a floresta explorada (Quadro 9). 
No nível III de abordagem, foram observadas somente árvores no 
estrato 1 (h < 8,02 m) de altura, sendo o número de árvores/ha da floresta 
explorada maior que na floresta não-explorada, e, conseqüentemente, a área 
basal também foi superior na floresta explorada (Quadro 9). 
Na avaliação dos valores absolutos dos números de árvores/ha nos 
estratos de altura separados por grupo de uso, nas duas florestas, observou-se 
superioridade da floresta explorada em todos os estratos e grupos de uso, com 
exceção do estrato 3 (h ≥ 22,03 m) do grupo 2 (potencial). Os valores absolu-
tos de área basal/ha mostraram que a maioria dos estratos de altura dentro de 
cada grupo de uso da floresta não-explorada foi superior aos da floresta 
explorada, com exceção do estrato 1 (h < 8,02 m) do grupo 3 (outras) e do 
estrato 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m) do grupo 1 (comercial) e do grupo 3 (outras). 
Os valores absolutos do volume/ha indicaram que todos os estratos de altura 
dentro dos grupos de uso foram superiores na floresta não-explorada, em 
comparação com os valores observados na floresta explorada (Quadro 9). 
Em geral, as principais espécies que se destacaram no nível I de 
abordagem, nos estratos de alturas, nas florestas não-explorada e explorada, 
são apresentadas nos Quadros 4B e 5B. Dentre estas, no estrato 1 (h < 8,02 m) 
destacam-se: Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro (3 indiví-
duos/ha), na floresta não-explorada; e Orbignya spp. (babaçu), espécie não-
madeireira (3 indivíduos/ha), nas duas florestas. No dossel médio, ou seja, no 
estrato 2 (8,02 m ≤ h < 22,03 m), sobressaíram, nas florestas não-explorada e 
explorada, as espécies: Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro 
(39 e 10 indivíduos/ha, respectivamente); Protium heptaphyllum (breu-branco), 
espécie comercial (22 e 10 indivíduos/ha, respectivamente); e Eschweilera spp. 
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 52 
(mata-mata), espécie não-comercial (10 e 9 indivíduos/ha, respectivamente) 
(Quadros 4B e 5B). No dossel superior, estrato 3 (h ≥ 22,03 m), destacam-se 
Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro (7 e 3 indivíduos/ha, 
respectivamente); e Maquira sclerophylla (muiratinga), espécie comercial 
(2 indivíduos /ha, respectivamente) (Quadros 4B e 5B). É possível observar, 
por meio destes resultados, que há reduções no número de árvores por hectare 
na floresta explorada, decorrentes, provavelmente, de operações de colheita 
florestal. 
As espécies arbóreas com maiores valores de posição sociológica 
relativa, nas florestas não-explorada e explorada, foram: Pouteria caimito 
(abiu) (14 e 6%, respectivamente) e Protium heptaphyllum (breu-branco) (8 e 
5%, respectivamente). Convém salientar que estas espécies predominaram 
principalmente no estrato médio. Por outro lado, as espécies Pterocarpus 
officinalis (mututi), não-comercial; Cedrela odorata (cedro), comercial; e Ocotea 
canaliculata (louro-pimenta), potencial, são exclusivas do dossel superior da 
floresta não-explorada, representada por um ou menos de um indivíduo por 
hectare. Na floresta explorada, as espécies Manilkara huberi (maçaranduba), 
comercial; Couropita guianensis (castanha-de-macaco), potencial; Dipteryx 
magnifica (cumarurana), potencial; Platonia insignis (bacuri), não-comercial; 
Hymenaea sp. (jutaí-pororoca), potencial; Manilkara paraensis (maparajuba), 
potencial; Socratea exorrhiza (paxiuba), não-comercial; Cordia trichotoma 
(vell.) (louro-pardo), comercial; e Poraqueiba paraensis (marirana), não-comer-
cial, são exclusivas do dossel superior da floresta explorada, representada por um 
ou menos de um indivíduo por hectare. Diante destes resultados, é possível 
afirmar que a colheita florestal não danificou a arquitetura do dossel superior da 
floresta explorada no tocante à riqueza de espécies. 
Os resultados do nível II de abordagem são apresentados nos Quadros 6B 
e 7B. Dentre as espécies das florestas não-explorada e explorada, no estrato 1 
(h < 8,02 m) destacam-se: Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro 
(120 e 40 indivíduos/ha, respectivamente); Brosimum paraense (muirapiranga), 
espécie com potencial futuro (56 indivíduos/ha na floresta não-explorada), 
Protium heptaphyllum (breu-branco), espécie comercial (24 e 80 indivíduos/ha, 
respectivamente); e Maquira sclerophylla (muiratinga), espécie comercial (28 
e 20 indivíduos/ha, respectivamente). No estrato médio (8,02 m ≤ h < 22,03 m) 
sobressaem, nas florestas não-explorada e explorada: Protium heptaphyllum 
(breu-branco), espéciecomercial (104 e 60 indivíduos/ha, respectivamente); e 
Pouteria caimito (abiu), espécie de potencial futuro (16 e 36 indivíduos/ha, 
respectivamente) (Quadros 6B e 7B). No estrato superior, as únicas espécies 
com número de indivíduos foram Brosimum paraense (muirapiranga), com 
potencial futuro (7 indivíduos/ha), na floresta não-explorada, e Ephedranthus 
amazonicus (4 indivíduos/ha), na floresta explorada. 
As espécies arbóreas com maiores valores de posição sociológica 
relativa, no nível II de abordagem, nas florestas não-explorada e explorada, 
foram: Pouteria caimito (abiu) (14 e 7%, respectivamente) e Protium 
heptaphyllum (breu-branco) (7 e 12%, respectivamente). 
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 53 
Os resultados do nível III de abordagem são apresentados nos 
Quadros 8B e 9B. Observou-se que no estrato inferior da floresta não-
explorada destacaram-se: Pouteria caimito (176 indivíduos/ha); Vatairea 
guianensis (96 indivíduos/ha); e Protium heptaphyllum (80 indivíduos/ha). Na 
floresta explorada sobressaíram: Protium heptaphyllum (160 indivíduos/ha) e 
Pouteria caimito e Eschweilera spp. (128 indivíduos/ha). 
No nível III, nas florestas não explorada e explorada, Pouteria caimito 
(abiu), espécie de potencial futuro (17 e 6%, respectivamente), destaca-se com 
o maior valor de posição sociológica relativa na floresta não-explorada e o 
segundo maior valor de posição sociológica relativa na floresta explorada. 
De acordo com HOSOKAWA (1986), as espécies têm seu lugar 
assegurado na estrutura e na composição da floresta quando se encontram 
representadas em todos os seus estratos. Ao contrário, aquelas que se encon-
tram apenas no estrato superior, ou superior e médio, têm sobrevivência 
duvidosa no desenvolvimento da floresta até o clímax. As espécies que 
possuem posição sociológica regular “são aquelas que apresentam no estrato 
inferior um número de indivíduos maior, ou pelo menos igual aos estratos 
subseqüentes (médio e superior)”, exceto aquelas que, por características 
próprias, não passam do estrato inferior. Esse autor afirma ainda que, quanto 
mais regular for a distribuição dos indivíduos de uma espécie na estrutura 
vertical de uma floresta (diminuição gradual do número de árvores à medida 
que se evolui do estrato inferior para o superior), maior será seu valor na 
posição sociológica relativa. 
4.3.2. Regeneração natural 
Na amostragem da regeneração natural (h ≥ 30 cm até DAP < 2,5 cm), 
na floresta não-explorada, foram identificadas 35 espécies. Na floresta explo-
rada foram amostradas 58 espécies (Quadros 10B e 11B). Portanto, na floresta 
explorada, no estoque de regeneração natural, a riqueza de espécies arbóreas 
foi muito maior, porém ocorreram mudanças no percentual de espécies 
comerciais, potenciais e outras (Quadro 10). 
 
 
 
Quadro 10 - Regeneração natural relativa (RNR%), por categoria das espécies, 
nas florestas não-explorada e explorada - município de Manicoré, 
AM 
Grupos de Uso 
Floresta 
Comerciais Potenciais Outras Total 
Não-explorada 23 43 34 100 
Explorada 27 27 46 100 
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 54 
Na floresta não-explorada, seis espécies somaram 50% da regeneração 
natural relativa (Quadro 10B); destas, apenas Protium heptaphyllum (breu- 
branco) destaca-se como uma espécie comercial. Dentre as espécies comerciais 
que se apresentaram na regeneração citam-se Maquira sclerophylla (muiratinga), 
Vatairea guianensis (fava), Clarisia racemosa (guariúba), Virola michelii 
(ucuuba), Xylopia nitida (envira-branca). 
Das principais espécies comerciais amostradas na floresta não-explorada, 
quatro destas não foram observadas na classe de regeneração natural: Dipteryx 
odorata (cumaru), Minquartia guianensis (acariquara), Nectandra rubra 
(louro-vermelho) e Protium sp. (cedrinho). 
Os resultados obtidos na floresta explorada indicam predominância 
das espécies sem valor comercial na classe de regeneração (Quadro 10). Um 
fato preocupante é que espécies de alto valor comercial, como Schizolobium 
amazonicum (paricá), Dipteryx odorata (cumaru) e Simaruba amara (marupá), 
apresentaram regeneração natural com valores inexpressivos, ou seja, com 
baixos valores de regeneração natural relativa. 
Os resultados obtidos da amostragem da regeneração natural da floresta 
explorada mostraram que as principais espécies comerciais apresentaram-se 
com indivíduos nas classes de tamanho da regeneração natural. Dentre estas, 
destacam-se: Maquira sclerophylla (muiratinga), Protium heptaphyllum (breu- 
branco) e Copaifera sp. (copaíba). Entretanto, Nectandra rubra (louro-vermelho) 
e Protium sp. (cedrinho) estiveram ausentes na regeneração natural, tanto na 
floresta não-explorada como na explorada. Provavelmente, são espécies de 
difícil regeneração, portanto, têm que ser mantidas árvores porta-sementes 
sempre no estoque de crescimento, bem como deve-se executar manejo da 
regeneração natural para regular seus estoques. 
Protium heptaphyllum (breu-branco) é uma espécie comercial que 
sobressaiu na regeneração natural, apresentando-se na segunda posição do 
“ranking” das espécies, e, sobretudo, ela não sofreu pressão das operações de 
colheita florestal. 
Os resultados da análise da variância da variável densidade (n/ha) da 
regeneração natural encontram-se no Quadro 11. Observa-se que houve efeito 
significativo (P<0,01) entre as florestas e entre os grupos de uso, pelo teste F. 
Além disso, houve diferença significativa na interação das florestas com os 
grupos de uso, indicando que, no tocante a esta variável, a exploração florestal 
afetou significativamente a estrutura da floresta e dos grupos de uso. 
As médias da interação florestas x grupos de uso, em termos da variá-
vel densidade (n/ha) da regeneração natural, são apresentadas no Quadro 12. 
 Verifica-se (Quadro 12) superioridade do grupo 2 em comparação com 
os grupos 1 e 3 na floresta não-explorada. Na floresta explorada, a superioridade 
das espécies é significativa para o grupo 3, ou seja, o grupo de espécies não-
comerciais. 
No tocante às médias dos grupos entre as florestas, verificam-se 
diferenças significativas entre as florestas 1 e 2 para os grupos de espécies 
comerciais e não-comerciais. 
 
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 55 
Quadro 11- Resultado da análise da variância, da variável densidade absoluta 
da regeneração natural (n/ha) das florestas não-explorada e explo-
rada e dos grupos de utilização das espécies, em que DA = número 
de indivíduos por hectare 
Quadrado médio 
Fonte de Variação GL 
DA (n/ha) 
Floresta 1 0,12E+09 ** 
Grupo 2 0,35E+09 ** 
Floresta x Grupo 21 0,47E+09 ** 
Resíduo 24 4.809.386 
Média 8.352,00 
Cvexp (%) 26,26 
** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. 
 
 
 
 
Quadro 12 - Resultados do teste de Tukey para as médias de densidade (n/ha) 
das florestas não-explorada e explorada e dos grupos de uso, no 
nível IV de abordagem 
Floresta 
Grupo 
Não-explorada Explorada 
Comercial 4096,00 B b 8448,00 B a 
Potencial 9152,00 A a 8640,00 B a 
Outras 5824,00 AB a 13952,00 A b 
Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não 
diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. 
 
 
 
A preocupação com a regeneração das espécies florestais, em floresta 
explorada, é consenso entre os pesquisadores da área. BARRETO et al. (1991) 
apontaram o risco que ocorre em decorrência da colheita sem adequado plane-
jamento. O citado risco é a superexploração de algumas espécies de valor 
comercial. Se estas espécies forem de difícil regeneração, correm o risco de 
serem extintas localmente. Portanto, deve-se enfatizar a necessidade de 
diagnosticar, a priori, os estoques de regeneração natural da florestadas espécies 
comerciais e manter árvores matrizes para sustentar os estoques destas na 
floresta. 
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 56 
Esses resultados demonstram o cuidado que se deve ter no planeja-
mento da colheita florestal, bem como nas estratégias a serem tomadas no 
manejo das florestas nativas dessa região, em razão, principalmente, da fragi-
lidade desses ecossistemas. 
Entretanto, esses resultados não devem ser conclusivos, uma vez que 
na floresta em questão a amostragem foi realizada imediatamente após a 
colheita. Com o passar do tempo, esse número de espécies deve aumentar ainda 
mais, uma vez que a regeneração natural deve garantir a continuidade da suces-
são, em razão da abertura de clareiras e do conseqüente aumento de luminosidade 
no interior da floresta (CARVALHO, 1992; MARTINS, 1995; MARTINS, 
1999). 
Fatores como competição por luz, presença no banco de sementes, 
intervalo entre as atividades reprodutivas, baixa sobrevivência das plântulas, 
entre outros, são os responsáveis por essa continuidade (GUEVARA SADA e 
GÓMEZ-POMPA, 1979; JANZEN, 1980; VIANA, 1990). Portanto, há neces-
sidade de desenvolver estudos mais detalhados acerca do assunto, quando essa 
regeneração mostrar-se insuficiente para sustentar novas produções. 
4.4. Danos causados pela colheita florestal às árvores remanescentes 
4.4.1. Qualidade de fuste 
A qualidade de fuste foi avaliada nas árvores com DAP ≥ 15 cm. Na 
floresta não-explorada, 60% das árvores têm troncos retos, cilíndricos e sem 
ocos, sendo classificados como “bons” (classe 1); 17% têm troncos retos, mas 
com ocos pequenos ao longo de toda a tora, ou troncos tortuosos, mas sem 
ocos, classificados como “regulares” (classe 2); e 23% das árvores apresen-
tam-se com troncos tortuosos e com presença de ocos, ou seja, com qualidade 
inferior a 50% de aproveitamento (classe 3). Na floresta explorada, 32% das 
árvores apresentaram-se com troncos retos, cilíndricos e sem ocos (classe 1); 
42% apresentaram-se com fustes de classe 2; e 26% tiveram fustes com classe 
3 (Quadro 13). 
Na floresta não-explorada, observa-se que em todos os grupos de uso 
existe predomínio de indivíduos da classe de qualidade de fuste 1 (bom). Na 
floresta explorada, verifica-se que as espécies comerciais e espécies sem valor 
comercial apresentam-se com predomínio de espécies com qualidade de fuste 
2 (regular), com exceção do grupo das potenciais, em que os indivíduos das 
classes 1 e 2 foram iguais. 
Na floresta não-explorada, os números de árvores/ha em todos os 
grupos de uso, na classe de qualidade de fuste 1 (bom), foram superiores aos 
da floresta explorada. Na floresta não-explorada, as espécies comerciais da 
classe 1 de qualidade de fuste representaram 60% do total amostrado, ao passo 
que na floresta explorada este percentual ficou em torno de 33% (Quadro 14). 
Em geral, verifica-se que a floresta não-explorada apresentou maior número 
de árvores/ha em todos os grupos de uso. 
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 57 
Quadro 13 - Distribuição do número de indivíduos/ha, por classe de qualidade 
de fuste, nas florestas não-explorada e explorada - município de 
Manicoré, AM 
Floresta 
Não-explorada Explorada Classe de Qualidade de 
Fuste Número de 
indivíduos/ha (%) 
Número de 
indivíduos/ha (%) 
Bom (1) 201 60 78 32 
Regular (2) 58 17 103 42 
Inferior (3) 77 23 65 26 
Total 336 100 246 100 
 
 
 
Quadro 14 - Distribuição do número de indivíduos por hectare (n/ha), por 
classe de qualidade de fuste, por grupo de uso - município de 
Manicoré, AM 
Floresta 
Classe de Qualidade 
de Fuste 
Grupo de Uso 
(n/ha) 
Não-explorada Comerciais % Potenciais % Outras % 
(Classe 1) 69 60 82 70 50 49 
(Classe 2) 27 23 19 16 12 12 
(Classe 3) 20 17 17 14 39 39 
Total 116 100 118 100 101 100 
Explorada 
(Classe 1) 33 33 27 41 18 23 
(Classe 2) 47 48 27 40 28 36 
(Classe 3) 19 19 13 19 31 41 
Total 99 100 77 100 69 100 
%: percentual de indivíduos/ha. 
 
 
Observa-se que a colheita florestal reduziu o estoque (n/ha) comercial 
da floresta explorada em cerca de 45%, ou seja, aproximadamente 27 árvores 
de classe de qualidade de fuste 1 foram extraídas; em razão disso, há predomi-
nância dos indivíduos das classes inferiores, o que confirma o mencionado 
por KARTAWINATA et al. (1989), os quais destacam que os indivíduos man-
tidos para futuras colheitas são os mais indesejáveis, pequenos e geneticamente 
inferiores, e há possibilidade de perda de espécies em virtude da exaustão na 
colheita. Segundo SOUZA (comunicação pessoal), há grande risco de extinção 
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 58 
local e temporária de espécie, principalmente daquelas de maior valor mone-
tário, em decorrência de mau planejamento e execução da colheita florestal. 
Contudo, se a floresta for adequadamente manejada, isto não se verifica. 
Os resultados da análise da variância para as variáveis densidade (n/ha), 
dominância (m2/ha) e volume (m3/ha), no nível I de abordagem, encontram-se 
no Quadro 15. 
 
 
 
Quadro 15 - Resultado da análise da variância das variáveis densidade (DA), 
dominância (DoA) e volume (Vol) para as florestas não-explorada 
e explorada, para a qualidade de fuste e para os grupos de uso, no 
nível I de abordagem (DAP ≥ 15 cm), em que DA = número de 
indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = 
volume por hectare 
Quadrados Médios 
Fonte de Variação GL 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Floresta 1 2.280,10 ** 15,83 ** 1.217,32 ** 
Grupo 2 322,48 ns 5,17 * 1.108,47 ** 
Qualidade de fuste 2 4691,51 ** 71,46 ** 12.463,61 ** 
Floresta x Grupo 2 289,63 ns 1,87 ns 190,48 ns 
Floresta x Qualidade de fuste 2 6.035,73 ** 39,22 ** 5.213,17 ** 
Grupo x Qualidade de fuste 4 1.420,84 ** 8,62 ** 419,19 * 
Floresta x Grupo x Qualidade 
de fuste 4 136,67 
ns
 1,87 ns 180,47 ns 
Resíduo 72 131,15 1,20 131,68 
Média 32,12 2,51 20,85 
CVexp (%) 35,65 43,64 55,05 
* e ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. 
ns = não-significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. 
 
 
Por meio da análise da variância, verificam-se, pelo teste F, diferenças 
significativas (P<0,01) entre as florestas para todas as variáveis analisadas. 
Entre os grupos de uso houve diferenças significativas em níveis de (P<0,01 e 
P<0,05), com exceção da densidade (n/ha). Entre as interações floresta x 
qualidade de fuste e grupo x qualidade de fuste, também foram observadas 
diferenças significativas (P<0,01) para todas as variáveis analisadas. Neste 
caso, os fatores não foram analisados isoladamente (Quadros 16 e 17). 
 Ao comparar as florestas dentro das classes de qualidade de fuste, 
observa-se que na floresta não-explorada existe superioridade da qualidade de 
fuste 1, ao passo que na floresta explorada as diferenças estão entre as classes 
2 e 3 da qualidade de fuste para densidade e 1 e 3 para dominância e volume. 
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 59 
Quadro 16 - Resultados do teste de Tukey para comparação entre médias de 
florestas e qualidade de fuste em relação às variáveis avaliadas, 
no nível I de abordagem, em que Floresta 1 = floresta não-
explorada; Floresta 2 = floresta explorada; Qualidade 1 = 
aproveitamento de 80 a 100%; Qualidade 2 = aproveitamento de 
79 a 50%; Qualidade 3 = fuste com aproveitamento inferior a 
50% 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Floresta Floresta Floresta Qualidade de Fuste 
1 2 1 2 1 2 
1 66,93 A a 25,93 AB b 5,99 A a 2,59 A b 62,53 A a 24,93 A b 
2 19,27 B b 34,00 A a 1,16 B b 2,17 AB a 8,77 B b 19,55 A a 
3 25,27 B a 21,33 B a 1,64 B a 1,50 B a 2,27 B a 7,02 B a 
Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúsculana coluna e minúscula na linha não 
diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. 
 
 
 
Quadro 17 - Resultados do teste de Tukey para as médias de grupo de uso e 
qualidade de fuste em relação às variáveis avaliadas, no nível I de 
abordagem, em que Grupo 1 = espécies comerciais; Grupo 2 = 
espécies com potencial futuro; Grupo 3 = espécies não-comer-
ciais; Qualidade 1 = aproveitamento de 80 a 100%; Qualidade 2 = 
aproveitamento de 79 a 50%; Qualidade 3 = fuste com aproveita-
mento inferior a 50% 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Grupos de Uso Grupos de Uso Grupos de Uso Qualidade de Fuste 
1 2 3 1 2 3 1 2 3 
1 51,0 A a 54,4 A a 34, 0A b 5, 0 A a 5,1 A a 2,8 A b 51,7 A a 50,9 A a 28,6 A b 
2 37,0 B a 22,8 B b 20,1 B b 2,2 B a 1,6 B a 1,2 B a 18,9 B a 13,4 B a 10,1 B a 
3 19,6 C b 15,0 B b 35,3 A a 1,4 B a 1,2 B a 2,2 AB a 5,4 C a 5,4 B a 3,2 B a 
Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não 
diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. 
 
 
Ao comparar as classes de qualidade de fuste dentro das florestas, verificam-se 
diferenças significativas nas florestas em relação às classes 1 e 2 de qualidade 
de fuste, não ocorrendo o mesmo com a classe 3 de qualidade de fuste. 
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 60 
 Observa-se, no Quadro 17 e na Figura 4, que as médias dos grupos 
entre as classes de qualidade de fuste apresentam-se com os maiores valores 
na classe de qualidade de fuste 1, com exceção da densidade no grupo 3, que 
foi estatisticamente semelhante nas classes 1 e 3 de qualidade de fuste. 
Contudo, no tocante às médias de qualidade de fuste em relação aos grupos, 
observa-se (Figura 4) que não existe diferença significativa na classe de 
qualidade de fuste 1 dentro dos grupos 1 e 2. 
 Na classe 2 de qualidade de fuste, verificou-se diferença significativa 
dentro do grupo 1, em comparação com os grupos 2 e 3, na variável densi-
dade. Nas demais variáveis não foram observadas diferenças estatísticas. Para 
a classe 3 de qualidade de fuste, observou-se diferença significativa apenas na 
média de densidade do grupo 3, em relação aos outros grupos; a dominância e 
o volume apresentaram-se com médias semelhantes e inferiores às demais 
médias observadas nesta análise. 
 
 
0
10
20
30
40
50
60
g1 g2 g3 g1 g2 g3 g1 g2 g3
G rupos de uso
M
éd
ia
s 
Q ualidade 1 Q ualidade 2
Q ualidade 3
 
Figura 4 - Médias de grupo de uso e qualidade de fuste em relação às carac-
terísticas avaliadas, no nível I de abordagem, em que Grupo 1 = 
espécies comerciais; Grupo 2 = espécies com potencial futuro; 
Grupo 3 = espécies não-comerciais; Qualidade 1 = aproveitamento 
de 80 a 100%; Qualidade 2 = aproveitamento de 79 a 50%; 
Qualidade 3 = fuste com aproveitamento inferior a 50%. 
 
4.4.2. Danos à vegetação adulta 
 Da análise feita na floresta não-explorada, observou-se que 33 (10%) 
árvores amostradas sofreram danos por causa natural; 7 (2%) sofreram danos 
no tronco; 13 (4%) tiveram danos na copa; 2 (1%) apresentaram danos no 
tronco e na copa; e 11 (3%) foram mortas por causa natural. 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 61 
Na floresta explorada, o volume de madeira colhido foi de aproxima-
damente 18m3/ha, e 33 (10%) árvores foram danificadas pelas operações de 
colheita florestal; sendo 9 (3%) com danos no tronco, 13 (4%) com danos na 
copa; 3 (1%) com danos no tronco e na copa e 8 (2%) foram de árvores mortas 
(Figura 5). Resultados semelhantes foram obtidos por JONKERS (1987), o 
qual, em um estudo no Suriname, destaca que a produção de madeira é geral-
mente menor que 20 m3/ha e raramente resulta em danos severos à vegetação. 
Esses resultados estão em consonância com LANLY (1982), que menciona 
que as taxas de extração de madeira são geralmente baixas e que a exploração 
em si não representa ameaça para a produção contínua de madeira. Todavia, 
qualquer dano causado pela exploração afeta a produção futura de madeira, e, 
quanto maior os volumes de madeira colhidos, maiores são os danos 
(HENDRISON, 1989). 
 
 
 
302
7 13 2 11
212
9 13 3 8
0
50
100
150
200
250
300
350
N
úm
er
o
 d
e 
ár
v
o
re
s 
da
n
ifi
ca
da
s/h
a
 Floresta não-explorada Floresta explorada
sem danos danos no tronco danos na copa
danos no tronco e na copa árvore morta
 
Figura 5 - Danos ocorridos nas árvores/ha nas florestas não-explorada e 
explorada - município de Manicoré, AM. 
 
 
Do total de árvores danificadas, 14 (43%) são de valor comercial; 10 
(30%) apresentam potencial futuro; e as demais, 9 (27%), não têm importância 
econômica. Esses resultados foram diferentes daqueles encontrados por 
JONKERS (1987), que, em 15 m3/ha de volume explorado no Suriname, obteve 
apenas 18% de árvores de valor comercial danificadas. 
 De modo geral, o percentual de danos observados na área de estudo é 
baixo, se comparado com os resultados obtidos por VERÍSSIMO et al. (1996a, 
b) em Tailândia e Paragominas, no sul do Pará, onde foram colhidos, em 
média, 16 e 38 m3/ha, respectivamente, com 58 e 148 árvores danificadas/ha. 
A diferença entre essas áreas de colheita é que, no presente estudo, a 
empresa é detentora das terras e realizou a colheita de modo planejado. No 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 62 
caso relatado no Pará (VERÍSSIMO et al., 1996a, b), o madeireiro não era o 
proprietário das terras, assim como os madeireiros da maioria da região 
também não o são. Portanto, a empresa possuidora da área é muito mais cons-
ciente dos danos que pode causar à área de colheita florestal; assim, a empresa 
consciente dos danos que pode causar à floresta remanescente desenvolve 
todo o planejamento pré-colheita, como corte de cipós, abertura das trilhas de 
arraste e direcionamento de queda. 
No Quadro 18 encontram-se os resultados da análise da variância que 
confronta a estrutura das florestas não-explorada e explorada com a posição 
de danos, no nível I de abordagem. Observa-se que houve efeito significativo 
(P < 0,01) entre as florestas e entre as diferentes posições de danos, bem como 
na interação floresta versus posição de danos em todas as características 
analisadas, pelo teste F, indicando diversidade de respostas em relação às 
florestas estudadas e às diferentes posições de danos. 
 
 
Quadro 18 - Resultado da análise de variância em relação à estrutura das flo-
restas não-explorada e explorada e à posição de danos, no nível I 
de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; 
DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare 
Quadrados Médios 
Fonte de Variação GL 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Floresta 1 4.014,08 ** 28,52 ** 2.164,95 ** 
Posição de danos 4 123.878,3 ** 732,28 ** 58.086,50 ** 
Floresta x Posição de danos 4 4.001,93 ** 25,11 ** 2.343,14 ** 
Resíduo 40 269,26 2,59 245,07 
Média 58,12 4,54 37,56 
CVexp (%) 28,23 35,45 41,68 
* e ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F. 
ns = não-significativo a 5 e 1% de probabilidade, pelo teste F. 
 
 
 
Da interação significativa entre as florestas e as posições de danos 
pode-se inferir que os danos causados às árvores em diferentes posições afetam 
de forma significativa o comportamento das florestas estudadas. 
Diante desses resultados, o estudo do comportamento da interação 
florestas versus posição de danos, em relação às características analisadas, 
pode ser observado no Quadro 19. 
Quando se comparam os resultados de médias referentes às florestas 
versus as diferentes posições de danos, verifica-se, que nas florestas, a posição 
de danos 1 apresenta-se de forma diferenciadaquando comparada com as outras 
posições de danos, indicando que, independentemente das diferentes posições 
de danos, há um predomínio de árvores sem danos nas duas florestas anali-
sadas. 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 63 
Quadro 19 - Resultados do teste de Tukey para as médias de florestas e posição 
de danos em relação às variáveis avaliadas no nível I de abor-
dagem, em que Floresta 1 = floresta não-explorada; Floresta 2 = 
floresta explorada; Posição de danos 1 = sem danos; 2 = danos no 
tronco; 3 = danos na copa; 4 = danos no tronco e na copa; 5 = 
árvore morta 
Densidade (n/ha) Dominância (m2/ha) Volume (m3/ha) 
Floresta Floresta Floresta Posição de Danos 
1 2 1 2 1 2 
1 301,80 A a 212,40 A b 23,42 A a 16,25 A b 207,78 A a 139,92 A b 
2 7,00 B a 9,00 B a 0,87 B a 0,79 B a 7,01 B a 5,50 B a 
3 13,40 B a 13,00 B a 0,71 B a 0,82 B a 4,22 B a 4,58 B a 
4 1,80 B a 3,20 B a 0,20 B a 0,19 B a 0,16 B a 0,73 B a 
5 11,40 B a 8,20 B a 1,28 B a 0,88 B a 1,55 B a 4,19 B a 
Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não 
diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. 
 
 
No Quadro 20 encontram-se os resultados da análise da variância que 
confronta a estrutura das florestas não-explorada e explorada com a posição 
de danos, no nível II de abordagem. 
Observa-se que houve efeito significativo (P < 0,01) entre as diferentes 
posições de danos. Entretanto, não foram verificadas diferenças significativas, 
pelo teste F, para florestas e também para a interação floresta versus posição 
de danos. 
Os resultados da comparação das médias entre as diferentes posições 
de danos, com respeito às variáveis analisadas, apresentam-se no Quadro 21. 
 
 
Quadro 20 - Resultado da análise da variância em relação à estrutura das flo-
restas não-explorada e explorada e à posição de danos, no nível II 
de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; 
DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare 
Quadrados Médios 
Fonte de Variação GL 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Floresta 1 3.871,99 ns 0,22 ns 19,44 ns 
Posição de danos 4 1.963.028 ** 64,00 ** 687,02 ** 
Floresta x Posição de danos 4 2.851,99 ns 0,23 ns 12,78 ns 
Resíduo 40 6.260,00 0,50 7,85 
Média 209,60 1,22 3,90 
CVexp (%) 37,75 57,96 71,90 
** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. 
ns = não-significativo. 
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 64 
Quadro 21 - Médias de densidade (DA), dominância (DoA) e volume (Vol) 
em relação à posição de danos, no nível II de abordagem 
Médias 
Posição de Danos 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
1 1.002,00 a 5,74 a 18,72 a 
2 6,00 b 0,10 b 0,21 b 
3 24,00 b 0,18 b 0,52 b 
4 0,00 b 0,00 b 0,00 b 
5 16,00 b 0,07 b 0,04 b 
As médias seguidas de pelo menos uma mesma letra minúscula não diferem entre si a 5% de 
probabilidade, pelo teste de Tukey. 
 
Os resultados das médias de densidade absoluta (n/ha), dominância 
absoluta (m2/ha) e volume (m3/ha), considerando a posição de danos, no nível 
II de abordagem, indicam que a posição de danos 1, ou seja, sem danos evi-
dentes, mostrou-se diferenciada em relação às demais posições de danos, 
evidenciando novamente que, nas diferentes posições de danos, há predomínio 
de árvores sem danos nas duas florestas. 
Os danos de colheita também foram classificados em função dos motivos 
de sua ocorrência. Nessa análise, foram detectados que 17 (7%) árvores foram 
danificadas em razão das operações de corte; 7 (3%) foram danificadas pelas 
operações de extração das toras; e 9 (4%) foram mortas devido a operações de 
colheita florestal (Figura 6). É importante destacar que a média da área 
danificada pela abertura de trilhas de arraste, na colheita de madeira, foi de 
aproximadamente 666,47 m2/ha (6%) (Figura 7), e as clareiras, em média, 
representaram 944,8 m2/ha (9%), ou seja, cerca de 29% das causas de danos 
foram oriundas das operações de colheita florestal. JONKERS (1987) destaca 
que a exploração seletiva não reduz somente o estoque de madeira, mas 
também causa alguns danos na vegetação remanescente, isto porque muitas 
das árvores que não foram exploradas morrem ou sofrem injúrias. O autor 
comenta ainda que as diferentes categorias de danos relacionados à área basal 
representam um parâmetro importante para quantificar perdas de madeiras na 
área explorada, uma vez que essa variável está fortemente correlacionada com 
o volume explorado. 
Esses resultados, ainda assim, são considerados baixos, pois, segundo 
VERÍSSIMO (1996b), em Paragominas, no Estado do Pará, a área danificada 
pelas operações de colheita florestal ficou em torno de 3.800 m2/ha. 
Os resultados da análise da variância que confronta a estrutura das 
florestas não-explorada e explorada com as causas de danos, no nível I de 
abordagem, podem ser observados no Quadro 22. 
Verifica-se que houve efeito significativo (P < 0,01) entre as florestas 
e entre as diferentes causas de danos, bem como na interação floresta versus 
causa de danos, para todas as características analisadas, pelo teste F, indicando 
diversidade de respostas em relação às florestas estudadas e às diferentes 
causas de danos. 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 65 
A respeito da interação significativa entre as florestas e as causas de 
danos, pode-se inferir que as diferentes causas de danos afetaram de forma 
significativa a estrutura das duas florestas. 
 
 
212
17 7 9
0
50
100
150
200
250
N
úm
er
o
 d
e á
rv
o
re
s 
da
ni
fic
ad
as
/h
a
Sem danos Operação de
corte
Operação de
extração 
Árvore morta
 
Figura 6 - Número de árvores/ha em função da causa de danos ocorridos 
pelas operações de colheita florestal município de Manicoré, AM. 
 
 
 
 
303
305
306
302
304
307
308
309
310
311
329
327
328
326
299
300
298
295
294
312
313
314
315
296
293
291
292
290
280
279
278
275
277
276
297
316
317
274273272
271
268269
266267
261
270
265262
263
260
259
257
258
264
337
338
340
341
339
342
319
324
323
321320
318
322
325
330
332
333 334
335
336
331
283
287286
284
285
289
288
281
282
POP2
252 251 249 248
250253
243 242
254
236
240
241
235
234
237
238
239
233
232
231
230
245
244
256
255
788
204
788 788
788
229
227 228
225
788
788 788
226
224788
788
788
219
223 222
221220
216
788
788788
188
218
217
187
184
185
183
186189
190
191
192
198
194
193
195
196
203 202 201
199 200
197
POP2
41 40
43 39
36
37
45
42
44
38
46
35
34
33
32 28
29
31
27
26
24
23
3022
2120
18
5957
60
58
4847 19
6156
25
1415
12
13
10
11
8
1617
52
51
53
54 55
50
6566
64
62
63
76
77
78
6
7 9
81
82
4
3
2
1
5
83
79
80
67
68
69
73
70
71
72
74 75
49
50
P1
139 134
138
127
133
135
137
136
136 132
126
125 124
123
106
119
120
121
122
118
116
117
115
114108
107
102
105
101
103
104
128
129
130
131
142
141
140
143
144
146
145
147 148 149 150
155
151
100
152
99
98153
154
93
113
112
111
109
110
92
91 90
89
86
85
94
88
96
95
178
182
177
84
87181180179
175
176
174
161
160
159
173
172
97
158
157
156
163
162
171
170
164
169
166165
168
167
P1
900
899
898
901
895
894
1352
893
892
890
881
889
896908
888
886
887
884
883
911897
910
881
880879
874
882
868
867
866
865
867
870
871
872
905
876
877
878
875
873
902
903 906 907
909
904
1359
1359
P2 P0
648
649
647
646
645
643
650
651
652
653
644
642641
654
655
658
659
672
670
671
657
656
640 639
638
637
636
609
608
607
617
635 634
633
632
631 630
629
628
627626
618
605 606
604
603
602
612
616 615
614
601
610 611 613
621
614
620
622
624
625
6231349
1075
P2P1
1078
1077
1076
1074
1075
1073
1072
1071
1353 330
1354
P2 P0
801 802
806
807
803
805
804
808
852
847
838
846
848850
851
854
853
849
855
845
856
857858
860
165
859
844
843
842
841
862
863
840
839
837
836819818
817
816
815
814
813
822
811
812
810
809
1076
824
823
826
825
828
833
829
832
831
830
821820
827
834
835
863
864
q-19
P2
683
680
679
678 681
682
684
685
686
687
677
676
675
673
665
664
663
666
667
668
669 672
671
670
695
674
694
693
692
697
696
698699
705
701
702
704
703
700
706
707 708
709
710
711
712
713 714
689
688
690691
 
Figura 7 - Representação esquemática de duas parcelas nas florestas não-
explorada e explorada, caracterizando trilhas de arraste, árvores 
identificadas (vermelho), árvores extraídas (azul), árvore porta-
semente (verde) e subparcelas. 
 
 
 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 66 
Quadro 22 - Resultado da análise da variância em relação à estrutura das 
florestas não-explorada e explorada e à causa de danos, no nível I 
de abordagem, em que DA = número de indivíduos por hectare; 
DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare 
Quadrados Médios 
Fonte de Variação GL 
Dens (n/ha) Dom (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Floresta 1 5017,59 ** 35,65 ** 2.706,19 ** 
Causa de danos 3 150.922,50 ** 890,45 ** 71.576,55 ** 
Floresta x Causa de danos 3 5.108,27 ** 33,68 ** 3.004,77 ** 
Resíduo 32 329,48 3,12 303,19 
Média 72,65 5,68 46,95 
CVexp (%) 24,99 31,10 37,08 
** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. 
 
 
A comparação das médias entre as florestas e as diferentes causas de 
danos, no que se refere às características analisadas, pode ser observada no 
Quadro 23. Os resultados encontrados nessa análise são semelhantes aos 
encontrados para a comparação entre florestas x posição de danos, indicando 
que a causa de danos 1, ou seja, sem danos evidentes, mostrou-se diferenciada 
em relação às outras causas de danos consideradas, demonstrando mais uma 
vez que há predomínio de árvores sem danos nas duas florestas. 
 
 
Quadro 23 - Médias de densidade (DA), dominância (DoA) e volume (Vol) 
em relação às florestas não-explorada e explorada e à causa de 
danos, no nível I de abordagem 
Densidade (n/ha) Dominância (m2/ha) Volume (m3/ha) 
Floresta Floresta Floresta Causa de danos 
1 2 1 2 1 2 
1 301,20 A a 212,40 A b 23,39 A a 16,25 A b 207,77 A a 139,92 A b 
2 14,00 B a 17,20 B a 0,87 B a 1,14 B a 4,10 B a 6,45 B a 
3 19,60 B a 6,80 B a 2,19 B a 0,54 B a 8,84 B a 2,47 B a 
4 0,60 B a 9,40 B a 0,03 B a 1,00 B a 0,00 B a 6,08 B a 
Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não 
diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. 
 
 
Para o nível II de abordagem, os resultados da análise de variância entre 
as florestas e as causas de danos, com respeito a densidade (DA), dominância 
(DoA) e volume (Vol), encontram-se no Quadro 24. Observa-se que houve 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 67 
diferença significativa (P < 0,01) apenas entre as diferentes causas de danos, 
pelo teste F; resultado idêntico também foi encontrado quando se analisou o 
nível II de abordagem para floresta x posição de danos, indicando que não 
existe diferença significativa entre as posições e as causas de danos 2, 3, 4 e 5, 
neste nível de abordagem, para as variáveis analisadas. 
 
 
Quadro 24 - Resultado da análise da variância em relação à estrutura das 
florestas não-explorada e explorada e à causa de danos, no nível 
II de abordagem, em que DA = número de indivíduos por 
hectare; DoA = área basal por hectare; Vol = volume por hectare 
Quadrados Médios 
Fonte de Variação GL 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Floresta 1 3610,00 ns 0,31 ns 24,06 ns 
Causa de danos 3 2397983 ** 77,53 ** 831,58 ** 
Floresta x Causa de danos 3 4836,67 ns 0,36 ns 18,47 ns 
Resíduo 32 8019,88 0,64 10,14 
Média 263,50 1,52 4,87 
CVexp (%) 33,99 52,33 65,45 
** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. 
ns = não-significativo. 
 
 
Os resultados da comparação das médias entre as diferentes causas de 
danos, com respeito às variáveis analisadas no nível II de abordagem, indicam 
semelhança entre as comparações de médias feitas para posição de danos no 
mesmo nível, uma vez que a causa de danos 1 também apresenta diferença 
significativa em relação às demais causas de danos para densidade, dominân-
cia e volume, ratificando outra vez que, nas diferentes causas de danos, existe 
superioridade de árvores sem danos nas florestas analisadas (Quadro 25). 
 
 
Quadro 25 - Médias de densidade (DA), dominância (DoA) e volume (Vol) 
em relação às florestas não-explorada e explorada e à causa de 
danos, no nível II de abordagem 
Médias Causa de danos 
DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
1 998,00 a 5,70 a 18,54 a 
2 24,00 b 0,14 b 0,34 b 
3 20,00 b 0,15 b 0,11 b 
4 12,00 b 0,11 b 0,48 b 
As médias seguidas de pelo menos uma mesma letra minúscula não diferem entre si a 5% de 
probabilidade, pelo teste de Tukey. 
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 68 
Este estudo mostrou que, com o planejamento da colheita florestal, 
parte significativa dos danos pode ser reduzida, principalmente aqueles rela-
cionados às árvores remanescentes para futura produção madeireira. 
4.4.3. Estrutura dos diâmetros, da área basal e do volume 
Para análise da distribuição dos diâmetros, da área basal e do volume, 
os indivíduos arbóreos com DAP ≥ 5 cm foram agrupados em classes de DAP 
com amplitude de 5,0 cm. Verificou-se que os diâmetros das árvores das flo-
restas não-explorada e explorada seguem o padrão característico das florestas 
ineqüiâneas ou multiâneas (Figura 8), isto é, têm distribuição exponencial em 
“J-invertido”, conceituado por De Liocourt, 1898, citado por MEYER (1952). 
Entretanto, a distribuição diamétrica apresenta-se de maneira desbalanceada, 
ou seja, a razão entre os números de árvores em classes diamétricas sucessivas 
não é constante. 
 
 
0
50
100
150
200
250
300
N
úm
er
o
 d
e Á
rv
o
re
s/h
a
7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5
Centro de Classe 
a
Figura 8 - Distribuição do número de árvo
florestas não-explorada e expl
Amazonas. 
 
 
Em geral, os efeitos da colheita fl
DAP ≥ 5 cm mostram (Quadros 12B e 13B) 
ram reduções de 89 (27%) árvores/ha (dens
de área basal (dominância total) (Quadros 14
de volume total (Quadros 16B e 17B). Ess
nas classes de maior diâmetro, ou seja, nas á
 
Floresta não exploradFloresta não-explorada
42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5
de Diâmetro
Floresta explorada
 
res por classe de diâmetro, nas 
orada – município de Manicoré, 
orestal sobre os indivíduos com 
que na floresta explorada ocorre-idade total), 7,5525 (29%) m2/ha 
B e 15B) e 65,802 (30%) (m3/ha) 
as reduções foram mais elevadas 
rvores de grande porte. 
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 69 
No tocante ao número de árvores por hectare e ao grupo de espécies, 
verificou-se (Quadro 26) que na maioria das classes de diâmetro houve 
redução. No entanto, esta redução ficou mais evidente nas classes de maior 
diâmetro, em decorrência, principalmente, do interesse pelas espécies comer-
ciais de maior diâmetro. 
 
 
Quadro 26 - Estimativas médias do número de árvores por hectare, nas 
florestas não-explorada e explorada, para espécies comerciais, 
potenciais e outras, município de Manicoré, AM, em que Nex = 
floresta não-explorada; Ex = floresta explorada 
Centro de Classe de Diâmetro 
Espécies 
 
7,5 12,5 17,5 22,5 27,5 32,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,5 67,5 
Total 
 
Nex 216 84 46 25 15 7 4 3 3 3 2 1 5 415 
Comercial 
 Ex 280 116 28 22 16 10 9 4 5 3 2 1 2 496 
 
 Nex 268 96 40 22 16 9 10 6 2 2 3 2 5 482 
Potencial 
 Ex 244 72 17 14 11 7 5 2 3 3 1 1 2 383 
 
 Nex 264 84 35 27 18 7 5 3 2 2 1 0 1 449 
Outras 
 Ex 276 84 20 19 15 9 7 3 1 2 1 - 1 437 
 
 Nex 748 264 121 74 49 24 20 11 8 7 6 3 11 1.347 
Total 
 Ex 800 272 64 55 42 26 21 9 9 8 4 2 5 1.316 
 
 
 
Quadro 27 - Estimativas médias do volume por hectare, nas florestas não-
explorada e explorada, para espécies comerciais, potenciais e 
outras, município de Manicoré, AM, em que Nex = floresta não-
explorada; Ex = floresta explorada 
 
Centro de Classe de Diâmetro 
Espécies 
 
7,5 17,5 27,5 37,5 47,5 57,5 67,5 
Total 
 
Nex 2,0141 5,8873 6,4991 3,7933 5,4907 5,4883 34,5701 
Comercial 
 Ex 3,5457 4,2014 8,0852 7,9887 9,0793 4,3660 6,4972 
 
 Nex 2,8439 5,5179 7,4634 9,2320 4,3383 7,9973 23,2152 
Potencial 
 Ex 2,88869 2,5393 5,4338 5,3551 3,2670 2,8646 9,5900 
 
 Nex 1,4994 3,4230 5,2312 4,3763 2,2030 2,2269 13,8553 
Outras 
 Ex 2,5627 2,4738 4,2888 3,6542 1,5731 2,1590 7,8336 
 
 Nex 6,3574 14,8282 19,1937 17,4017 12,0321 15,7124 71,6406 
Total 
 Ex 8,9953 9,2144 17,8079 16,9980 13,9194 9,3896 23,9209 
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 70 
 Conseqüentemente, houve decréscimo no volume das espécies comer-
ciais (Quadro 27), sendo retiradas as principais espécies de valor comercial, 
nas maiores classes de diâmetro; dentre estas, destacam-se Virola michelli 
(ucuuba), Maquira sclerophylla (muiratinga), Protium heptaphyllum (breu-
branco), Vatairea guianensis (fava), Dipteryx odorata (cumaru) e Hymenaea 
coubaril (jatobá), sendo mantidos apenas alguns indivíduos de Anacardium 
giganteum (caju-açu), Couratari sp. (tauari-liso), além de outros. O detalha-
mento desse resultado pode ser visualizado no Quadro 17B, com as estimativas 
do volume por hectare, por espécie e por classe de diâmetro. 
Os resultados da análise de variância para as variáveis analisadas, em 
relação às florestas, aos grupos de uso e às classes de DAP, encontram-se no 
Quadro 28. 
Observa-se que houve diferenças significativas (P<0,01) somente para 
florestas, grupos de uso, classe de DAP e floresta x classe de DAP. 
No Quadro 29 e na Figura 9 são apresentados os resultados da avaliação 
das florestas, com as classes de DAP, em função de densidade (n/ha), domi-
nância (m2/ha) e volume (m3/ha). 
Quando se comparam os resultados das florestas entre as classes de 
DAP, observa-se que apenas as classes 1, 2 e 3 apresentaram diferenças signi-
ficativas para a variável de densidade absoluta (DA); as classes 4, 12 e 13 
mostraram diferenças significativas para a variável dominância absoluta (DoA). 
Já na classe 13 foram observados os maiores valores para a variável volume 
(Vol), diferindo estatisticamente das demais classes de tamanho (DAP). 
 
 
Quadro 28 - Resultado da análise da variância em relação a estrutura das 
florestas não-explorada e explorada, classes de DAP e grupos de 
uso das espécies, nos níveis I e II de abordagem, em que DA = 
número de indivíduos por hectare; DoA = área basal por hectare; 
Vol = volume por hectare 
Fonte de Variação GL Quadrados médios 
 DA (n/ha) DoA (m2/ha) Vol (m3/ha) 
Floresta 1 60,02 ns 3,05 ** 230,73 ** 
Grupo 2 105,39 ns 1,28 ** 309,49 ** 
Classe de DAP 12 153.000,4 ** 3,08 ** 340,07 ** 
Floresta x Grupo 2 1.551,15 ns 0,71 ns 48,15 ns 
Floresta x Classe de DAP 12 447,76 ns 1,43 ** 149,70 ** 
Grupo x Classe de DAP 24 199,95 ns 0,24 ns 19,63 ns 
Floresta x Grupo x Classe de DAP 24 458,34 ns 0,23 ns 33,52 ns 
Resíduo 312 694,98 0,26 25,17 
Média 34,13 0,73 5,31 
CVexp (%) 77,24 68,99 94,48 
** = significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. 
ns = não-significativo. 
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 71 
Quadro 29 - Médias de densidade (n/ha), dominância (m2/ha) e volume (m3/ha) 
em relação às florestas não-explorada e explorada e às classes de 
tamanho, no nível I de abordagem, em que Floresta 1 = não-
explorada; Floresta 2 = explorada; Classes de DAP 
Densidade (n/ha) Dominância (m2/ha) Volume (m3/ha) 
Floresta Floresta Floresta Classe de DAP 
1 2 1 2 1 2 
1 249,33 A a 266,67 A a 0,90 BC a 1,04 A a 2,12 B a 3,00 AB a 
2 88,00 B a 90,67 B a 0,99 B a 1,07 A a 3,34 B a 4,53 AB a 
3 40,47 C a 21,40 C b 0,94 BC a 0,51ABC b 4,94 B a 3,07 AB a 
4 24,73 CD a 18,27 C a 0,98 B a 0,72ABC a 5,85 B a 4,90 AB a 
5 16,27 CD a 14,13 C a 0,95 B a 0,85 AB a 6,40 B a 5,94 AB a 
6 8,00 D a 8,60 C a 0,65 BC a 0,68ABC a 4,66 B a 5,26 AB a 
7 6,53 D a 6,87 C a 0,71 BC a 0,75ABC a 5,80 B a 5,67 AB a 
8 3,80 D a 3,00 C a 0,53 BC a 0,42 BC a 4,69 B a 3,64 AB a 
9 2,53 D a 2,87 C a 0,44 BC a 0,52ABC a 4,01 B a 4,64 AB a 
10 2,40 D a 2,67 C a 0,51 BC a 0,58ABC a 4,64 B a 5,61 AB a 
11 1,87 D a 1,27 C a 0,49 BC a 0,33 BC a 5,24 B a 3,13 AB a 
12 1,07 D a 0,67 C a 0,33 C a 0,20 C a 3,46 B a 1,68 B a 
13 3,8 D a 1,53 C a 2,24 A a 0,71ABC b 23,88 A a 7,97 A b 
Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não 
diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. 
 
 
Analisando as classes de DAP dentro de cada floresta, verifica-se que 
apenas a classe 3, para variável densidade (DA), apresenta diferença signifi-
cativa entre as florestas. Além disso, as classes 3 e 13 apresentam diferenças 
significativas em relação à dominância (m2/ha), e apenas a classe 13 apresenta 
diferença significativa para o volume, demonstrando que há redução significa-
tiva de volume nas maiores classes de tamanho, em função das operações de 
colheita florestal. 
Esses resultados podem ser considerados freqüentes, uma vez que 
trabalhos realizados nessa área por MARTINS (1995) e VERÍSSIMO et al. 
(1996c) mostram que a colheita florestal tende a diminuir a densidade, a do-
minância e o volume das espécies de interesse comercial. Neste trabalho, a 
redução desses parâmetros foi mais evidente, pois a amostragem foi realizada 
imediatamente após a colheita florestal na floresta explorada. Assim, é impor-
tante que o manejador esteja sempre atento às mudanças estruturais que podem 
ocorrer após as operações de colheita florestal. 
Por fim, pode-se observar que a colheita florestal modificou a estrutura 
da floresta explorada, em comparação com a floresta não-explorada, apenas 
no nível I de abordagem, ou seja, nas árvores com DAP ≥ 15 cm, sendo as 
mudanças na estrutura mais evidentes nas classes de maior de diâmetro. 
 
 
 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 72 
 
 
(a)
0
50
100
150
200
250
300
C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13
Classes de Tamanho
D
ensid
ad
e (
n/h
a)
Floresta 1 Floresta 2
(b)
0
0,5
1
1,5
2
2,5
C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13
Classes de Tamanho
D
om
in
ân
ci
a 
(m
2 /h
a)
Floresta 1 Floresta 2
(c)
0
5
10
15
20
25
30
C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13
Classes de Tamanho
V
ol
um
e (
m3
/h
a)
Floresta 1 Floresta 2
 
Figura 9 - Médias das florestas e classes de tamanho em relação às caracte-
rísticas analisadas nos níveis I e II de abordagem, em que 
a) densidade - número de indivíduos por hectare; b) dominância - 
área basal por hectare; c) volume por hectare. 
 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 73 
5. RESUMO E CONCLUSÕES 
Por meio das análises realizadas, chegou-se às seguintes conclusões: 
- A análise da composição florística indica, com muita propriedade, 
que se trata de florestas semelhantes, pelo fato de pertencerem à mesma região 
fitoecológica (Floresta Ombrófila Densa) e estarem geograficamente muito 
próximas. 
- A colheita seletiva de madeira não modificou a composição florística 
da floresta e não afetou a composição florística dos grupos de uso. 
- As diferenças em composição florística ocorreram apenas em termos 
de números de famílias. 
- A colheita seletiva de madeira alterou a estrutura horizontal da 
floresta apenas para as árvores com DAP igual ou maior que 15 cm. 
- As mudanças na estrutura horizontal da floresta explorada, para as 
árvores com DAP igual ou maior que 15 cm, ocorreram em termos de número 
de árvores/ha (DA), área basal (DoA) e volume (Vol). 
- A colheita seletiva de madeira alterou a estrutura vertical da floresta, 
principalmente para as árvores com DAP igual ou maior que 15 cm, no estrato 
2 (8,02 m ≤ h < 22,03); e para as árvores com DAP igual ou maior que 5 cm 
até DAP menor que 15 cm, no estrato 1 (h < 8,02 m). 
- Espécies de interesse comercial, como Nectandra rubra (louro-
vermelho) e Protium sp. (cedrinho), apresentaram regeneração natural nula, 
podendo, por conseguinte, ser eliminadas da área por meio da colheita seletiva, 
devendo-se intensificar os estudos ecológicos dessas espécies, a fim de observar 
os fatores responsáveis pela continuidade da população. Para estas espécies, a 
colheita florestal deve ser evitada, até que estudos futuros mostrem sua recu-
peração em termos de regeneração natural. 
- A colheita seletiva de madeira não provocou danos significativos nas 
árvores remanescentes, ou seja, para as árvores com DAP igual ou maior que 
5 cm. 
- As modificações nas estruturas de diâmetro, área basal e volume da 
floresta explorada foram mais evidentes nas maiores classes diamétricas, 
principalmente das espécies comerciais. 
 - Apesar da redução de densidade, dominância e volume na floresta 
explorada, os danos oriundos da colheita florestal na área em questão foram 
pequenos, quando comparados aos de outras áreas de colheita seletiva na 
região. 
 - A colheita florestal realizada pela GETHAL AMAZONAS é plane-
jada e executada com rigorosos critérios técnicos, dentro dos princípios do 
manejo florestal sustentável, com o intuito de minimizar os danos às árvores 
remanescentes, manter a diversidade e garantir a sustentabilidade da floresta. 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 74 
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MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 82 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICE
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 83 
APÊNDICE A 
Quadro 1A - Lista de espécies arbóreas ocorrentes na área de estudo, 
município de Manicoré, AM, em que Floresta 1 = não-
explorada; Floresta 2 = explorada; Nível I = todos os indivíduos 
com DAP ≥ 15 cm; Nível II = indivíduos entre 5,0 ≤ DAP < 15 
cm; Nível III = indivíduos entre 2,5 ≤ DAP < 5 cm; Nível IV = 
indivíduos (mudas) com altura ht ≥ 0,3 m até DAP < 2,5 cm; 
Grupo 1 = espécie comercial; Grupo 2 = espécie potencial; 
Grupo 3 = espécie sem valor comercial 
 
Família/Espécie Nome Vulgar Regional Floresta/Nível Grupo 
ANACARDIACEAE 
Anarcadium giganteum Hanc. ex. Engl. Caju-açu 1 e 2 - I 1 
Astronium lecointei Ducke Muiracatiara 1 - I; 2 - I, II, III e IV 1 
Spondias mombin L. Taperebá 1 - IV; 2 - II, III e IV 1 
ANNONACEAE 
Xylopia sp. Pimenta-de-lontra 2 - I e III 3 
Unonopsis guatterioides (A.DC.) R. E. Fr. Envira-surucucu 1 - I, II e III 2 
Duguetia laevigata Mart. Envira-vermelha 1 - III 2 
Ephedranthus amazonicus R. E. Fries Envira-preta 1 e 2 - I, II, III e IV 3 
Xylopia benthami R. E. Fr. Envira-amarela 2 - I 2 
Guatteria spp. Envira 2 - I 2 
Xylopia nitida Dun. Envira-branca1 - I, II e IV; 2 - I 1 
APOCYNACEAE 
Aspidosperma oblongifolia Pohl. Carapanaúba 1 e 2 - I e II 3 
Couma utilis (Mart.) M. Arg. Sorva 1 e 2 - I 1 
Himatanthus sp. Sucuuba 2 - I e II 3 
Lacmellea arborescens (Muell. Arg. Monach.) Molongó 2 - I, II, III e IV 2 
ARALIACEAE 
Schefflera morototoni (Aubl.) Decne & Planch Morototó 1 - I e II 2 
ARECACEAE 
Astrocaryum aculeatum Meyer. Tucumã 2 - I 3 
Astrocaryum mumbaca Mart. Mumbaca 1 - III; 2 - III e IV 3 
Euterpe precatoria Mart. Açaí 1 e 2 - I, II, III e IV 3 
Maximiliana maripa (C. Sena) Drude Inajá 1 - I; 2 - IV 3 
Oenocarpus bacaba Mart. Bacaba 1 - I e III; 2 - I 3 
Oenocarpus bataua Mart. Patauá 1 - I; 2 - I e IV 3 
Orbignya spp. Babaçu 1 e 2 - I e IV 3 
BIGNONIACEAE 
Tabebuia spp. Ipê 1 - I; 2 - I e II 1 
Jacaranda sp. Tamanqueira 2 - I, II e III 2 
BORAGINACEAE 
Cordia trichotoma (vell. ) Arrab. Louro-pardo 2 - I 1 
BURSERACEAE 
Protium sp. Cedrinho 1 - I; 2 - I e II 1 
Protium aracouchinii (Aubl.) Breu-vermelho 2 - I 1 
Protium heptaphyllum (Aubl.) March. Breu-branco 1 e 2 - I, II, III e IV 1 
Protium spp. Breu 1 e 2 - I 1 
Trattinickia burseraefolia (Mart.) Willd. Breu-sucuruba 2 - II 1 
CAESALPINIACEAE 
Schizolobium amazonicum (Huber) Ducke Paricá 1 - I e II; 2 - I, II e IV 1 
Sweetia nitens (Vog.) Bth. Itaubarana 1 - I, II, III e IV; 2 - I, II e IV 3 
Apuleia molaris Spruce ex Benth. Garapeira 1 - I 2 
Continua... 
MANEJO FLORESTAL – DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza 
 84 
Quadro 1A, Cont. 
Família/Espécie Nome Vulgar Regional Floresta/Nível Grupo 
Copaifera reticulata Ducke Copaíba-marimari 1 e 2 - I 1 
Copaifera sp. Copaíba 1 - I e IV; 2 - I, II, III e IV 1 
Hymenaea sp. Jutaí-pororoca 1 - I; 2 - I e II 2 
Eperua oleifera, var. campestris Ducke Copaíba-jacaré 1 e 2 - I 1 
Brosimum paraense Huber Muirapiranga 1 - I, II e IV; 2 - I, II e III 2 
Hymenaea coubaril L. Jatobá 1 - I; 2 - I, II e IV 1 
Mora paraensis Ducke Pracuuba 2 - I 3 
Peltogyne leicointei Ducke Roxinho 1 - I e II 2 
Calycophyllum spruceanum Benth. Escorrega-macaco 2 - I e III 2 
Tachigalia sp. Tachi 1 e 2 - I, II, III e IV 2 
CARYOCARACEAE 
Caryocar glabrum (Aubl.) Pers. Piquiarana 1 - I e IV; 2 - I 2 
Caryocar villosum (Aubl.) Pers. Piquiá 1 - I; 2 - II 2 
CECROPIACEAE 
Cecropia spp. Embaúba 1 - I, II e IV; 2- I, II, III e IV 3 
CELASTRACEAE 
Goupia glabra (Gmel.) Aubl. Cupiúba 1 e 2 - I e II 1 
Maytenus guianensis Eichl. Chichuá 1 - I; 2 - IV 2 
CHRYSOBALANACEAE 
Couepia leptostachya Benth. Ex. Hook Pajurá 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 3 
Licania gracilipses Taub. Caraiperana 2 - I, II e IV 3 
Licania hypoleuca Benth. Caraipé 2 - I e II 3 
Licania sp. Macucu 1 e 2 - I, II, III e IV 3 
Poraqueiba paraensis Marirana 2 - I 3 
COMBRETACEAE 
Buchenavia capitata Eichl. Tanimbuca 1 - I e II; 2 - I, II e IV 2 
Buchenavia huberi Ducke Cuiarana 2 - I 3 
DESCONHECIDAS 
Desconhecidas Não-identificada 1 e 2 - I, II, III e IV - 
ELAEOCARPACEAE 
Sloanea sp. Urucurana 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 3 
EUPHORBIACEAE 
Sapium taburu Ule Tapuru 1 - I 3 
Croton cajucara Benth. Muirasacaca 1 - I, III e IV 3 
Joannesia heveoides Ducke Envira-de-cutia 1 e 2 - I 1 
Hevea brasiliensis Muell. Arg. Seringa 2 - I e IV 3 
Hevea guianensis Aubl. Seringa-vermelha 1 - I 3 
Mabea taquari Aubl. Taquari 2 - I e II 2 
FABACEAE 
Swartzia polyphylla A.DC. Paracutaca 1 - I e II; 2 - I 3 
Pterocarpus officinalis Jack. Mututi 1 e 2 - I 3 
Andira parviflora Ducke Sucupira-vermelha 2 - I e II 1 
Enterolobium Schomburgkii (Benth.) Benth. Sucupira-amarela 1 - I; 2 - I e II 2 
Bowdichia virgilioides H. B. K. Sucupira-preta 2 - I 1 
Dalbergia spruceana Benth. Jacarandá 1 - I 1 
Diplotropis martiusii Benth. Sucupira 1 e 2 - I 1 
Dipteryx magnifica Ducke Cumarurana 2 - I 2 
Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. Cumaru 1 e 2 - I, II e IV 1 
Hymenolobium excelsum Ducke Angelim-fava 2 - I 1 
Hymenolobium spp. Angelim 2 -I 1 
Ormosia paraensis Ducke Tento 1 - I e II; 2- I 2 
Platymiscium ulei Harms. Macacaúba 1 - I 2 
Poecilanthe grandiflora Benth. Angelim-ferro 1 e 2 - I 2 
Vatairea guianensis Aubl. Fava 1 - I, II, III e IV; 2 - I, III e IV 1 
Vataireopsis iglesiassii Ducke Fava-amarela 2 - I 1 
GUTTIFERAE 
Platonia insignis Mart. Bacuri 1 - IV; 2 - I, III e IV 3 
Simphonia globulifera L. Anani 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 2 
Continua... 
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Quadro 1A, Cont. 
Família/Espécie Nome Vulgar Regional Floresta/Nível Grupo 
Vismia guianeensis (Aubl.) Choisy Lacre 1 - I e II ; 2 - I, II, III e IV 3 
HUMIRIACEAE 
Endopleura uchi (Huber) Cuatr. Uchi 1 e 2 - I 2 
Vantanea parviflora Lam. Uchirana 1 - I; 2 - I e II 2 
Sacoglottis sp. Uchi-torrado 2 - II 2 
INDETERMINADA 1 
Indeterminada 1** Abuta 2 - II e IV 3 
INDETERMINADA 2 
Indeterminada 2** Arumã 2 - IV 3 
INDETERMINADA 3 
Indeterminada 3** Canela-de-jacamim 2 - II, III e IV 3 
INDETERMINADA 4 
Indeterminada 4** Castanharana 2 - I e IV 2 
INDETERMINADA 5 
Indeterminada 5** Fava-branca 2 - I 1 
INDETERMINADA 6 
Indeterminada 6** Mourão 2 - I e IV 3 
INDETERMINADA 7 
Indeterminada 7** Remela-de-cachorro 2 - IV 3 
INDETERMINADA 8 
Indeterminada 8** Taboca 2 - IV 3 
INDETERMINADA 9 
Indeterminada 9* Goiabarana 1 - II 3 
LAURACEAE 
Persea laevigata H.B.K. Abacaterana 2 - I 2 
Aniba parviflora Mez. Louro-rosa 2 - II 2 
Aniba roseodora Ducke Pau-rosa 1 - I; 2 - I e III 3 
Ocotea neesiana (Miq.) Kosterm. Louro-preto 1 e 2 - I, II, III e IV 3 
Aniba sp. Louro-amarelo 1 - I; 2 - I e III 1 
Mezilaurus itauba (Meissn.) Taubert ex Mez. Itaúba 1 - I e IV; 2 - I e II 1 
Ocotea sp. Louro 1 - I; 2 - I e II 1 
Ocotea canaliculata Mez. Louro-pimenta 1 - I 2 
Aniba terminallis Ducke Louro-abacate 2 - I 2 
Nectandra rubra (Mez) C.K. Allen Louro-vermelho 1 - I , II e III 1 
Licaria cannella (Meisn.) Kosterm. Louro-chumbo 1 - I; 2 - I e II 3 
LECYTHIDACEAE 
Cariniana micrantha Ducke Tauari-vermelho 2 - I 1 
Allantona lineata Miers. Xuru 1 - I e II 1 
Bertholletia excelsa H. B. K. Castanha-do-brasil 1 - I e II; 2 - I 3 
Couropita guianensis Aubl. Castanha-de-macaco 2 - I 2 
Couratari tauari Berg. Tauari 1 - I; 2 - I e II 1 
Couratari sp. Tauari-liso 1 e 2 - I 1 
Eschweilera spp. Matá-matá 1 e 2 - I, II, III e IV 3 
Eschweilera sp. Ripeiro 1 e 2 - I, II, III e IV 3 
Lecythis lurida (Miers) Mori Jarana-branca 2 - I 3 
Lecythis usitata Miers. var. paraensis R. Knuth. Castanha-sapucaia 1 - I e II; 2 - I 1 
MALPIGHIACEAE 
Byrsonima crassifolia (L.) Rich Muruci 2 - I 3 
MELASTOMATACEAE 
Mouriri guianensis Aubl. Socoró 2 - I, II e IV 3 
MELIACEAE 
Carapa guianensis Aublet Andiroba 1 - I; 2 - III e IV 1 
Cedrela odorata L. Cedro 1 - I 1 
MIMOSACEAE 
Parkia oppositifolia Spruce ex Benth. Benguê 1 - I; 2 - IV 1 
Dinizia excelsa Ducke Angelim-pedra 1 - I; 2 - I e III 1 
Inga sp. Ingarana 2 - I, II, III e IV 2 
Parkia sp. Arara-branca 2 - I 1 
Continua... 
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Quadro 1A, Cont. 
Família/Espécie Nome Vulgar Regional Floresta/Nível Grupo 
Ingá spp. Ingá 1 e 2 - I, II, III e IV 2 
Parkia pendula Benth. ex Walp. Arara-tucupi 1 - I; 2 - I e IV 1 
Parkia paraensis Ducke Paricarana 2 - I e III 1 
Marmaroxylon racemosum (Ducke) Killip.ex Record Angelim-rajado 1 - II 2 
MONIMIACEAE 
Siparuna guianensis Aubl. Capitiu 2 - I, II e IV 2 
MORACEAE 
Brosimum parinarioides Ducke Amapá 2 - I, II e III 1 
Brosimum utile (H.B.K.) Pittier Garrote 1 - I, II e IV; 2 - I 1 
Brosimum sp. Mururé 1 - I 3 
Clarisia racemosa Ruiz e Pav. Guariúba 1 - I, II, III e IV; 2 - I, II e IV 1 
Ficus trigona L.F. Apuí 2 - I 3 
Maquira sclerophylla (Ducke) C.C.Berg Muiratinga 1 e 2 - I, II, III e IV 1 
MYRISTICACEAE 
Otoba parvifolia (Mgf. ) M. Gently Arurá 2 - I 1 
Iryanthera juruensis Warb.Arurá-vermelho 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 2 
Virola michelii Heckel. Ucuuba 1 - I, II e IV; 2 - I, II, III e IV 1 
Virola surinamensis (Rol.) Warb. Virola 1 - I e II; 2 - I, II, III e IV 1 
MYRTACEAE 
Eugenia sp. Araça 1 e 2 - I, II, III e IV 3 
NICTAGINACEAE 
Neea oppositifolia Ruiz & Pav. João-mole 2 - I e II 2 
OLACACEAE 
Minquartia guianensis Aublet Acariquara 1 - I e II; 2 - I, II e IV 1 
PALMAE 
Socratea exorrhiza (Mart.) Wendl. Paxiuba 1 - II; 2 - I, III e IV 3 
RUBIACEAE 
Duroia sp. Canela-de-velha 2 - I, III e IV 3 
Duroia fusifera Hook. F. ex K. Schum Puruí 1 - I e IV; 2 - I, III e IV 3 
Genipa americana L. Jenipapo 1 - II; 2 - II, III e IV 3 
SAPINDACEAE 
Paullinia cupana H.B.K. var. sorbilis Mart. (Ducke) Guaraná 2 - IV 3 
Talisia acutifolia Radlk Pitomba 2 - I, II e IV 3 
SAPOTACEAE 
Pouteria pachycarpa Pires Goiabão 2 - I e IV 2 
Manilkara bidentata (Ducke) Chevalier Balata 1 - I, II; 2 - I, II, III e IV 2 
Pouteria opposita (Ducke) Penning. Caramuri 1 - I e II; 2 - I, II, III e IV 3 
Manilkara paraensis (Huber) Standl. Maparajuba 1 - I e IV; 2 - 2 - I 2 
Manilkara huberi (Ducke) Cheval. Maçaranduba 1 - I; 2 - I, II e III 1 
Micropholis venulosa (Mart.& Bichl) Pierre Abiurana-branca 2 - I 1 
Pouteria guianensis Aubl. Abiurana-vermelha 2 - I 3 
Pouteria caimito (Ruiz & Pav.) Radlk Abiu 1 e 2 - I, II, III e IV 2 
Pouteria pariry (Ducke) Pariri 2 - I e IV 3 
Micropholis sp. Abiurana 1 - II; 2 - I e IV 1 
Pradosia verticillata Ducke Casca-doce 1 - I e II 3 
SIMARUBACEAE 
Simaruba amara Aublet Marupá 1 - I, II e IV; 2 - I, II e IV 1 
STERCULIACEAE 
Theobroma cacao L. Cacau 1 - I e III; 2 - IV 3 
Theobroma subincanum Mart. Cupuí 1 - I e III; 2 - I, II e IV 3 
 
 
 
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