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1 UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL FÍSICA MECÂNICA Adaptado de Halliday & Resnick 10ª Edição, Jearl Walker, Fundamentos de Física, volume 1, LTC, 2016. ESTUDO SOBRE CINEMÁTICA Medidas na Física MEDIÇÕES NA FÍSICA: A física se baseia na medição das grandezas físicas e das mudanças nessas grandezas físicas que ocorrem em nosso universo. Certas grandezas físicas, como o comprimento, o tempo e a massa, foram escolhidas como grandezas fundamentais, definidas em termos de um padrão e medidas por uma unidade, como o metro, o segundo e o quilograma. Outras grandezas físicas, como a velocidade, são definidas em termos das grandezas fundamentais e seus padrões. UNIDADES DO SI: O sistema de unidades adotado internacionalmente é o Sistema Internacional de Unidades (SI). Os padrões que devem ser ao mesmo tempo acessíveis e invariáveis definem as unidades das grandezas fundamentais e são estabelecidos por acordos internacionais. Esses pa- drões servem de base para todas as medições da física, tanto das grandezas fundamentais quanto das grandezas derivadas. CONVERSÃO DE UNIDADES: A conversão de unidade de um sistema para outro (de milhas por hora para quilô- metros por segundo, por exemplo) pode ser realizada pelo método da conversão em cadeia, em que as unidades são consideradas como grandezas algébricas e os dados originais são multiplica- dos sucessivamente por fatores de conversão equivalentes a 1, até que a grandeza seja expressa na unidade desejada. O METRO: O metro (unidade de comprimento) foi definido inicialmente em termos da distân- cia entre o Polo Norte e o Equador. Atualmente o metro é definido como sendo o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo, durante um intervalo de tempo de 1/299.792.458 de segundo (unidade de base ratificada pela 17ª CGPM - 1983). O SEGUNDO: O segundo (unidade de tempo) foi definido inicialmente em termos da rotação da Terra. Os egípcios, por exemplo, subdividiam o dia e a noite em períodos de doze horas cada um desde pelo menos 2000 AC. Este procedimento fazia com que a duração de uma hora variasse com as estações do ano. Os astrônomos gregos Hiparco (150 AC) e Ptolemeu (150 DC) subdividiram o dia de maneira sexagesimal e usaram a hora média como ( 1 24 dia), frações de hora ( 1 4 , 2 3 , etc) e tempo-graus ( 1 360 dia ou quatro segundos modernos), mas não minutos modernos ou segundos.Atu- almente, o segundo é definido em termos da radiação característica de um átomo de Cs133 (Césio 133), que é empregado em relógio atômico. "O segundo é a duração de 9 192 631 770 períodos da radiação correspondente à transição entre dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133." O QUILOGRAMA: O quilograma (unidade de massa) é definido em termos de um padrão de platina e irídio mantido no Museu Internacional de Pesos e Medidas na cidade de Sèvres, França desde 1889. Ele é um cilindro equilátero de 39 mm de altura por 39 mm de diâmetro. Para medições em escala atômica é usada em geral a unidade de massa atômica (u – antigamente simbolizada por uma), definida em termos do átomo de carbono-12. 2 Prefixos das Unidades de Medida do SI Fator Prefixo Símbolo Fator Prefixo Símbolo 1024 iota Y 10-24 iocto y 1021 zeta Z 10-21 zepto z 1018 exa E 10-18 ato a 1015 peta P 10-15 fento f 1012 tera T 10-12 pico p 109 giga G 10-9 nano n 106 mega M 10-6 micro 103 quilo k 10-3 mili m 102 hecto h 10-2 centi c 101 deca da 10-1 deci d Os prefixos mais comumente usados aparecem em negrito 1. Use os prefixos da tabela acima para expressar: (a) 106 fones; (b) 10-6 fontes; (c) 10-18móveis; (d) 10-2 pitados; (f) 10-3 tares. 2. Calcule quantos quilômetros tem 20 milhas (mi), utilizando apenas os seguintes fatores de conversão: 1 mi = 5 280 ft; 1 ft = 12 in; 1 in = 2,54 cm; 1 jarda = 3 ft; 1 m = 100 cm; 1km = 1 000 m. 3. O Cord é um volume de madeira cortada equivalente a uma pilha de 8 ft de comprimento, 4 ft de largura e 4 ft de altura. Quantos cords têm um metro cúbico de madeira? 4. Enrico Fermi uma vez observou que o tempo de uma aula é aproximadamente igual a 1 mi- crosséculo. Qual é a duração de 1 microsséculo em minutos? 5. Uma unidade de tempo usada na física microscópica é o shake. Um shake é igual a 10-8 s. (a) Existem mais shakes em um segundo que segundos em um ano? (b) O homem existe há cerca de 106 anos, enquanto o universo tem cerca de 1010 anos de idade. Se a idade do universo é tomada como sendo 1 “dia”, há quantos “segundos” o homem começou a existir? 6. Uma molécula de água (H2O) contém dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio. Um átomo de hidrogênio tem massa de 1,0 u e um átomo de oxigênio tem massa de 16,0 u, aproximadamente. (a) Qual é a massa em quilogramas (kg) de uma molécula de água? (b) Quantas moléculas de água existem nos oceanos da Terra, que possuem uma massa total estimada em 1,4 x 1021 kg? 7. Os grãos de areia de uma praia do Ceará têm um raio médio de 50 m e são feitos de dióxido de silício, 1 m³ do qual possui massa de 2 600 kg (suponha os grãos de areia esféricos). Que massa de grãos de areia teria uma área superficial total igual à superfície de um cubo com 1 m de lado? Posição, Deslocamento e Velocidade Para começar a estudar o movimento de corpos é fundamental definirmos e en- tendermos a palavra movimento. Como podemos afirmar que algum objeto está em repouso ou em movimento? Esta parece ser uma pergunta fácil de responder, mas é preciso um cuidado especial para evitar equívocos indesejados. Vamos começar a responder essa pergunta com um conceito anterior, o conceito de REFERENCIAL. Um ponto de referência é alguma coisa escolhida, de forma aleatória, porém admite-se que este ponto de referência está em completo repouso. Assim, diz-se que, qualquer objeto que não modificar sua posição em relação ao ponto de referência, está em repouso. Caso sua posição sofra alguma modificação em relação ao ponto de referência, o objeto está em movi- mento. 3 Para estabelecer se a posição do objeto não mudou, também é comum admitirmos um sistema de coordenadas. Existe vários sistemas de coordenadas, cartesianas, polares, cilíndri- cas, esféricas, elípticos, parabólicos, geográficas, etc. Comumente, para os exercícios de física, adotamos o sistema de coordenadas cartesiano que consiste em um esquema reticulado necessá- rio para especificar pontos em duas ou três dimensões. A ideia para este sistema foi desenvolvida em 1637 pelo matemático e filósofo francês René Descartes. O sistema consiste de duas ou três retas perpendiculares entre si, chamadas eixos cartesianos que se interceptam em suas origens. A posição de um objeto será indicada em relação a este sistema de coordenadas marcada em unidades de comprimento (metros, centímetros, etc) que se estende indefinidamente em uma, duas ou três dimensões, dependendo da necessidade da situação. Por exemplo, quando trabalhamos com apenas uma dimensão, é comum escolhermos o eixo “x”, também chamado de abscissa, como nosso eixo referencial. Um objeto pode se deslocar em cima desse sistema de referência. Por exemplo, quando um objeto sai de uma posição x1 e passa a ocupar uma posição x2 neste mesmo sistema de referência, diz-se que ele sofreu um deslocamento. Veja o exemplo abaixo: O objeto redondo passa da posição inicial xi = – 12 m para a posição final xf = 2 m, isso significa que o objeto está deslocando-se no sentido positivo da trajetória, também chamado de movimento progressivo, e o valor total do deslocamento (x) sofrido foi: ∆x = xf − xi = (2) − (−12) = 14 m O objeto quadrado passa da posição inicial xi = 13 m para a posição final xf = – 3 m, isso significa que o objeto está deslocando-seno sentido negativo da trajetória, também chamado de movimento retrógrado ou regressivo, e o valor total do deslocamento (x) sofrido foi: ∆x = xf − xi = (−3) − (13) = −16 m No entanto, sabe-se que, pelo menos na mecânica clássica, é impossível o objeto estar nas posições inicial e final ao mesmo tempo. Isto significa que ele levará um intervalo de tempo (t) para passar de uma posição para outra. Também podemos pensar que, em determinado ins- tante (ti) o objeto estará na posição inicial (xi) e em outro instante final (tf) ele ocupará a posição final (xf). A razão entre essas grandezas irá expressar a rapidez com que o objeto sofreu este desloca- mento. A essa ideia de rapidez damos o nome de velocidade média. De uma forma mais genérica, quando não estamos interessados que a trajetória percorrida pelo objeto seja retilínea, podemos falar em velocidade escalar média. Assim podemos escrever: vm = ∆S ∆t = Sf − Si tf − ti Onde: vm = velocidade média do objeto ; S = distância percorrida ou o espaço percorrido pelo objeto ao longo de uma trajetória (costuma-se utilizar a letra S, pois não é necessário que a trajetória percorrida seja somente sobre um dos eixos, x, y ou z, do sistema de coordenadas cartesianas) ; t = intervalo de tempo Pode-se observar que a velocidade escalar média de um objeto será positiva para um movimento progressivo e negativa para um movimento retrógrado. Movimento Progressivo v ( + ) Movimento Retrógrado (Regressivo) v ( – ) –14 –13 –12 –11 –10 –9 –8 –7 –6 –5 –4 –3 –2 –1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 x (m) xi xf xi xf 4 Quando estivermos interessados em saber com que rapidez o objeto está se des- locando em determinado instante, precisaremos determinar a velocidade instantânea (v) (ou sim- plesmente velocidade) do objeto. Para isso, lançaremos mão da ideia matemática de limite, assim: v = lim ∆t→0 ∆S ∆t = dS dt Admitindo que o instante inicial (ti) do movimento é igual a zero (cronometro ze- rado), a primeira expressão matemática básica, conhecida como a equação horária para a posição do movimento uniforme, pode ser escrita da seguinte forma: v = vm = ∆S ∆t = Sf − Si tf − ti = S − So t − 0 𝐒 = 𝐒𝐨 + 𝐯 ∙ 𝐭 8. Você sai de sua casa e depois de dirigir seu carro em uma estrada retilínea por 8,4 km a 70 km/h, você para por falta de combustível. Nos 30 minutos seguintes, você caminha mais 2,0 km ao longo da estrada até chegar a um posto de combustíveis. a) Qual foi o seu deslocamento total, do início da viagem até chegar ao posto de combus- tíveis? b) Qual é o intervalo de tempo (t) entre o início da viagem e o instante em que você chega ao posto? c) Qual é a velocidade média (vm) do início da viagem até a chegada ao posto de combus- tíveis? d) Suponha que, para encher um bujão de combustível, pagar pela mercadoria e caminhar de volta para o carro, você leva ao todo 45 minutos. Qual é a velocidade escalar média do início da viagem até o momento em que você chega de volta ao lugar onde deixou o carro? e) Represente todo o movimento, desde a sua saída de casa até o momento que você retorna ao carro do posto de combustíveis, em um gráfico S = f(t). Aceleração Quando a velocidade de uma partícula varia, diz-se que ela sofreu uma acelera- ção. Para os movimentos ao longo de um eixo, a aceleração média (am) em um intervalo de tempo é dada, matematicamente, por: am = ∆v ∆t = vf − vi tf − ti A aceleração instantânea (ou simplesmente aceleração) é dada por: a = lim ∆t→0 ∆v ∆t = dv dt a = dv dt = d dt ( dS dt ) = d2S dt2 Quando os sinais da velocidade e da aceleração de uma partícula são iguais, a velocidade escalar da partícula aumenta, dizemos que o movimento é acelerado. Se os sinais são opostos, a velocidade escalar diminui, dizemos que o movimento é retardado. Movimento Acelerado v ( + ) a ( + ) v ( – ) a ( – ) Movimento Retardado v ( – ) a ( + ) v ( + ) a ( – ) 5 Um caso especial ocorre quando a aceleração de um movimento é constante. Neste caso dizemos que o movimento é retilíneo uniformemente variado. Admitindo que o instante inicial (ti) do movimento é igual a zero (cronometro zerado), a primeira expressão matemática bá- sica, conhecida como a equação horária para a velocidade do movimento variado, pode ser escrita da seguinte forma: a = am = ∆v ∆t = vf − vi tf − ti = v − vo t − 0 𝐯 = 𝐯𝐨 + 𝐚 ∙ 𝐭 Utilizando as equações da velocidade média já trabalhadas, podemos chegar em: vm = S − So t Para uma função onde a aceleração linear do objeto é constante, a velocidade média (vm) pode ser expressa pela média das velocidades inicial e final. vm = 1 2 (vo + v) Igualando as duas expressões anteriores, e depois de poucas manipulações algébricas, obtém-se a segunda expressão matemática básica, também conhecida como equação horária para a posição do movimento variado. Assim: 𝐒 = 𝐒𝐨 + 𝐯𝐨 ∙ 𝐭 + 𝟏 𝟐 ∙ 𝐚 ∙ 𝐭𝟐 Unindo essas duas equações anteriores e isolando o tempo, ainda conseguimos chegar numa ter- ceira equação, conhecida como equação de Torricelli para o movimento variado. 𝐯𝟐 = 𝐯𝐨 𝟐 + 𝟐 ∙ 𝐚 ∙ ∆𝐒 9. A figura ao lado mostra um gráfico S = f(t) de um elevador que, depois de passar algum tempo parado, começa a se mover para cima (que tomaremos como o sentido posi- tivo de x) e depois para novamente. a) Plote o gráfico v = f(t). b) Plote o gráfico a = f(t). 10. A posição de uma partícula em um eixo x de um sistema cartesiano é dada por x = 4 − 27 ∙ t + t3 com x em metros e t em segundos. Como a posição x varia com o tempo t, a partícula está em movimento. Determine: a) A função horária para a velocidade v(t); b) A função horária para a aceleração a(t) c) Em que instante a partícula muda o sentido do seu movimento? d) Qual a posição da partícula quando ela muda o sentido do movimento? e) Se o movimento é acelerado ou retardado no instante t = 2 segundos. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 t S 25 20 15 10 5 6 11. Um carro e uma moto irão apostar uma corrida, como toda a segurança possível, no Velopark em Nova Santa Rita. Admi- tindo que ambos saíram do repouso ao mesmo tempo, a mo- tocicleta assume inicialmente a liderança porque sua acelera- ção (constante) de am = 8,40 m/s², é maior que a aceleração (constante) do carro ac = 5,60 m/s², mas é ultrapassado pelo carro porque sua velocidade máxima vm = 58,8 m/s é menor que a velocidade do carro vc = 106 m/s. a) Quanto tempo, aproximadamente, deve durar a corrida para que o carro consiga ultrapassar a motocicleta? b) Sabendo que a pista de arrancada do Velopark em Nova Santa Rita tem um quarto do milha, isto é, 402 m, caso essa corrida fosse realizada nesta pista de arrancada, você deveria apostar no carro ou na moto para ganhar a aposta? Aceleração em Queda Livre Para um objeto que se desloca em linha reta com aceleração constante, subindo ou descendo em queda livre, numa trajetória vertical, nas proximidades da superfície da Terra, deve- se admitir que ele estará submetido apenas a uma aceleração provocada pelo campo gravitacional terrestre. As equações para este tipo de movimento são as mesmas do movimento uniformemente variado visto anteriormente, porém é importante observar uma nova convenção nas notações: (1) o movimento deve ser descrito em relação a um eixo vertical y, com sentido positivo para cima; (2) a aceleração a⃗ deve ser substituídapor – g⃗ , em que |g⃗ | = 9,8 m/s² quando a queda acontecer próximo a superfície da Terra. 𝐯 = 𝐯𝐨 + 𝐠 ∙ 𝐭 𝐲 = 𝐲𝐨 + 𝐯𝐨 ∙ 𝐭 + 𝟏 𝟐 ∙ 𝐠 ∙ 𝐭𝟐 𝐯𝟐 = 𝐯𝐨 𝟐 + 𝟐 ∙ 𝐠 ∙ ∆𝐲 12. Um jogador de futebol chuta uma bola de futebol para cima ao longo de um eixo y, com uma velocidade inicial de 12 m/s. a) Quanto tempo a bola leva para chegar ao ponto mais alto da trajetória? b) Qual é a altura máxima alcançada pela bola em relação ao ponto de lançamento? c) Quanto tempo a bola leva para atingir um ponto 5,0 m acima do ponto inicial? 13. Um balão de ar quente está subindo, com uma velocidade de 12 m/s, e se encontra 80 m acima do solo quando um tripulante deixa cair um pacote. a) Quanto tempo o pacote leva para atingir o solo? b) Com que velocidade o pacote atinge o solo? VETORES ESCALARES E VETORES: Os escalares, como a temperatura, são especificados apenas por nú- meros e uma unidade (20 ºC) e obedecem às regras da álgebra comum. Os vetores, como o des- locamento, são especificados por um módulo e uma orientação (5 m, norte) e obedecem às regras especiais da álgebra vetorial. SOMA GEOMÉTRICA DE VETORES: Dois vetores a e b podem ser somados geometricamente. Para isso, basta desenhá-los na mesma escala e fazer com que a origem do segundo vetor coincida com a extremidade do primeiro. Nesse caso, o vetor soma, s, é o vetor que liga a origem do primeiro à extremidade do segundo. Para subtrair b de a, basta inverter o sentido de b para obter – b e em seguida somar – b a a. A soma e subtração de vetores são comutativas e obedecem à lei associa- tiva. 7 COMPONENTES DE UM VETOR: As componentes ax e ay de um vetor a são determinadas, tra- çando-se perpendiculares aos eixos do sistema de coordenadas a partir da extremidade do vetor. As componentes são dadas por: ax = a . cos e ay = a . sen onde é medido em relação ao sentido positivo dos x. O sinal da compo- nente indica o seu sentido em relação ao eixo. Dadas as componentes, po- demos reconstruir o vetor usando as expressões: 2 y 2 x aaa e x y a a tg onde novamente é medido em relação ao sentido positivo de x. VETORES UNITÁRIOS: É possível definir vetores unitários i, j, k, que possuem módulo unitário e cujas direções são as dos eixos dos x, dos y e dos z de um sistema de coordenadas destrógiro. Em termos dos vetores unitários, um vetor a pode ser escrito na forma: a= axi + ayj + azk axi, ayj e azk são as componentes vetoriais e ax, ay e az, são as componentes escalares de a. SOMA DE VETORES USANDO AS COMPONENTES: Para somarmos vetores através das com- ponentes, usamos as equações: rx = ax + bx ; ry = ay + by ; rz = az + bz VETORES E LEIS FÍSICAS: Qualquer situação física que envolva vetores pode ser descrita em um número infinito de diferentes sistemas de coordenadas. Em geral, escolhemos um sistema que torne o nosso trabalho mais simples, entretanto, a relação entre as grandezas vetoriais não depende do sistema escolhido. As leis físicas são independentes do sistema de coordenadas. PRODUTO DE UM ESCALAR POR UM VETOR: O produto de um escalar s por um vetor v é um novo vetor cujo módulo é sv e cuja direção é a mesma de v. O sentido é o mesmo de v se s for positivo e o sentido é contrário ao de v se s for negativo. Para dividir v por s, basta multiplicar v pelo inverso do escalar (1/s). PRODUTO ESCALAR: O produto escalar de dois vetores, representado pela expressão a b, é uma grandeza escalar dada por: a b = a . b . cos onde é o ângulo entre as direções de a e b. b s a a b b a a + b b + a Partida Chegada a – b a – b = d y x z ay ax a x y 0 8 O produto escalar pode ser positivo, negativo ou nulo, dependendo do valor de . O produto esca- lar pode ser considerado como o produto do módulo de um dos vetores pela componente do se- gundo vetor na direção do primeiro. Em termos dos vetores unitários, o produto escalar é dado pela equação: a b = (axi + ayj + azk) . (bxi + byj + bzk) que obedece à lei distributiva. Observe que a b = b a PRODUTO VETORIAL: O produto vetorial de dois vetores, representado pela expressão a x b, é um vetor e cujo módulo é dado por: c = a . b . sen onde é o menor dos dois ângulos entre as direções de a e b. O vetor c é perpendicular ao plano definido por a e b e seu sentido é dado pela regra da mão direita. Em termos dos vetores unitá- rios, o produto vetorial é dado pela equação: a x b = (axi + ayj + azk) x (bxi + byj + bzk) que obedece à lei distributiva. Observe que a x b = – b x a. 14. Em um teste de campo, você recebe a tarefa de se afastar o máximo possível de um acampamento por meio de três deslocamentos retilí- neos. Você pode usar os seguintes deslocamentos, em qualquer or- dem: (a) a⃗ = 2,0 km para leste; (b) b⃗ = 2,0 km 30o ao norte do leste; (c) c = 1,0 km para oeste. Você pode também substituir b⃗ por − b⃗ e c por − c . Qual é a maior distância que você pode atingir após o terceiro des- locamento? (A direção do deslocamento total fica a seu critério.) 15. Um pequeno avião decola de um aeroporto em um dia nublado e é avis- tado mais tarde a 215 km de distância, em um curso que faz um ângulo de 22o a leste do norte. A que distância a leste e ao norte do aeroporto está o avião no momento em que é avistado? 16. Três vetores d⃗ 1, d⃗ 2 e d⃗ 3, possuem módulos d1 = 6,00 m, d2 = 8,00 e d3 = 5,00 m e inclinações com a horizontal 1 = 40º, 2 = 30º e 3 = 0º. Determine o vetor d⃗ correspondente ao somatório dos vetores d⃗ 1, d⃗ 2 e d⃗ 3. 17. Qual é a soma r = a⃗ + b⃗ + c , sendo: a⃗ = (4,2 m)î − (1,5 m)j ̂ b⃗ = (− 1,6 m)î + (2,9 m)j ̂ c = (− 3,7 m)j ̂ a b A componente de b na dire- ção de a é b . cos A componente de a na dire- ção de b é a . cos c = a x b c = a x b c = b x a c = b x a b a b b b a a a 22o y x 0 9 18. Qual é o ângulo entre os vetores a⃗ = 3,0 î − 4,0 j ̂e b⃗ = −2,0 î + 3,0 k̂. 19. A figura ao lado mostra um vetor a⃗ no plano xy, com módulo igual a 18 unidades e uma orien- tação que faz um ângulo de 250º com o semieixo x positivo. Já o vetor b⃗ tem um módulo de 12 unidades e está orientado ao longo do semieixo z positivo. Qual é o resultado do produto vetorial c = a⃗ × b⃗ ? Movimento em Duas e Três Dimensões A localização de uma partícula em relação à origem de um sistema de coordena- das é dada por um vetor posição r que, na notação dos vetores unitários, pode ser expresso na forma: r = x î + y ĵ + z k̂ em que x î, y ĵ e z k̂ são as componentes vetoriais do vetor posição r e x, y e z são as componentes escalares (e, também, as coordenadas da partícula). O vetor posição pode ser representado por um módulo e um ou dois ângulos, ou por suas componentes vetoriais ou escalares. Se uma partícula se move de tal forma que seu vetor posição muda de r 1 para r 2, o deslocamento ∆r da partícula é dado por: ∆r = r 2 − r 1 Já o deslocamento pode ser expresso na forma vetorial: ∆r = (x2 − x1) î + (y2 − y1) ĵ + (z2 − z1) k̂ = ∆x î + ∆y ĵ + ∆z k̂ A direção da velocidade instantânea v⃗ de uma partícula é sempre tangente à tra- jetória da partícula na posição da partícula. Assim: v⃗ média = ∆r ∆t v⃗ = dr dt v⃗ = vx î + vy ĵ + vz k̂ vx = dx dt , vy = dy dt , vz = dz dt A associação feita para a velocidade vetorial é também válida para a aceleraçãovetorial a⃗ , de tal forma que: a⃗ média = ∆v⃗ ∆t a⃗ = dv⃗ dt a⃗ = ax î + ay ĵ + az k̂ ax = dvx dt , vy = dvy dt , vz = dvz dt 10 20. Uma galinha é solta em um grande estacionamento de um shopping em Novo Hamburgo, no qual, por algum motivo desconhecido, um conjunto de eixos de coordenadas cartesianas foi desenhado. As coordenadas da posição da franguinha, em metros, em função do tempo (t), em segundos, são dadas por: x = − 0,31 t2 + 7,2 t + 28 y = 0,22 t2 − 9,1 t + 30 a) No instante t = 15 s, qual é o vetor posição r da galinha na notação dos vetores unitá- rio e na notação módulo-ângulo? b) Desenhe o gráfico da trajetória percorrida pela galinha no estacionamento, entre os instantes to = 0 s e t5 = 25 s. c) Qual a velocidade v⃗ da galinha no instante t = 15 s? d) Qual a aceleração a⃗ da galinha no instante t = 15 s? Movimento Balístico No movimento balístico, o movimento horizontal e o movimento vertical são inde- pendentes, ou seja, um não afeta o outro. Na representação anterior, pode-se observar na primeira coluna de gráficos, o movimento composto do lançamento de um objeto. Movimento Vertical: A segunda coluna de gráficos mostra o mesmo movimento, porém observando apenas o comportamento da velocidade do objeto no eixo y, sujeito apenas a aceleração gravitaci- onal (– g). Neste caso a velocidade em y diminui até sumir (enquanto estiver subindo), isto é, o objeto para de subir, a partir desse momento a velocidade volta a aumentar (enquanto estiver des- cendo), haja vista que a aceleração gravitacional é uma grandeza vetorial que aponta para baixo. 11 Dessa forma, para este movimento, o objeto obedece as equações já estabelecidas para o movi- mento de queda livre, isto é: 𝐯 = 𝐯𝐨 + 𝐠 ∙ 𝐭 𝐲 = 𝐲𝐨 + 𝐯𝐨 ∙ 𝐭 + 𝟏 𝟐 ∙ 𝐠 ∙ 𝐭𝟐 𝐯𝟐 = 𝐯𝐨 𝟐 + 𝟐 ∙ 𝐠 ∙ ∆𝐲 Movimento Horizontal: Já, na terceira coluna de gráficos, pode-se observar o comportamento da veloci- dade do objeto no eixo x. Note que, neste caso, não há aceleração, isto é, o movimento neste eixo é uniforme, portanto sua velocidade em x é constante. Dessa forma, para este movimento, o objeto obedece as equações já estabelecidas para o movimento uniforme, isto é: 𝐯𝐦 = ∆𝐒 ∆𝐭 𝐒 = 𝐒𝐨 + 𝐯 ∙ 𝐭 Além dessas equações também podemos utilizar duas outras equações, que sur- gem basicamente da manipulação algébrica das equações anteriores, que expressam a trajetória em função de x e de y, e o alcance horizontal, desde que as posições inicial e final no eixo y (vertical) do objeto, sejam a mesma (yinicial = yfinal). Equação da trajetória: y = (tan θo) ∙ x − g ∙ x2 2 ∙ (vo ∙ cosθo)2 Equação do alcance horizontal: R = 2 ∙ vo 2 g ∙ sin(2 ∙ θo) onde R é o alcance linear horizontal máximo. 21. Na figura ao lado, um avião de salvamento voa a 198 km/h, a uma altura constante de 500 m, rumo a um ponto diretamente acima da vítima de um naufrágio, para deixar cair uma balsa. a) Qual deve ser o ângulo da linha de visada do piloto para a vítima no instante em que o piloto deixa cair a balsa? b) No momento em que a balsa atinge a água, qual é a sua velocidade v na notação dos vetores unitários e na notação módulo-ân- gulo? v⃗ O h 12 22. Um escorregador aquático é capaz de lançar um homem para cima, sob um ângulo com a horizontal, conforme mostra a figura ao lado. Vamos admitir alguns valores típicos para esta situação. A distância D entre a saída do escorregador e a borda da piscina colocada imedia- tamente abaixo e a frente do escorregador vale 20,0 m. O ângulo de saída do homem do escorregador é 40,0o. O tempo total que o homem leva para sair da extremidade do es- corregador e a entrada na água é de 2,50 s. Calcule: a) O módulo da velocidade com que o ho- mem parte na extremidade inferior do escorregador. b) O módulo da velocidade com que o ho- mem entra na água. Movimento Relativo Quando dois referenciais A e B estão se movendo um em relação ao outro com velocidades constantes, a velocidade de uma partícula P medida por um observador do referencial A é, em geral, diferente da velocidade medida por um observador do referencial B. A relação entre as duas velocidades é dada por: v⃗ PA = v⃗ PB + v⃗ BA onde vBA é a velocidade escalar do referencial B em relação ao referencial A. A aceleração da partícula é a mesma para os dois observadores: a⃗ PA = a⃗ PB 23. Bárbara está em um carro vermelho cor de sangue deslocando-se por uma estrada. Alexandre está em um carro azul celeste deslocando-se pela mesma estrada. Suponha que a velocidade da Bárbara em relação ao Alexandre é vBA = 52 km/h. Um caminhão amarelo desespero passa pelos dois e Alexandre mede a velocidade do caminhão e encontra o valor vCA = – 78 km/h. a) Qual a velocidade do caminhão amarelo medido por Bárbara? b) Suponha que o caminhão amarelo freia com aceleração constante até parar em relação a Alexandre (e, portanto, em relação ao solo também) em 10 s, qual é a aceleração aCA em relação a Alexandre? c) Qual a aceleração aCB do caminhão amarelo em relação a Bárbara durante a frenagem? 24. Um avião se move para o leste enquanto o piloto dire- ciona o avião ligeiramente para o sul do leste, de modo a compensar um vento constante que sopra para nor- deste. O avião tem uma velocidade v⃗ AV em relação ao vento, com uma velocidade do ar (velocidade escalar em relação ao vento) de 215,0 km/h e uma orientação que faz um ângulo ao sul do leste. O vento tem uma velocidade v⃗ VS em relação ao solo, com uma veloci- dade escalar de 65,0 km/h e uma orientação que faz Referencial A Referencial B P v⃗ PB v⃗ BA v⃗ A v⃗ PB v⃗ BA v⃗ PA D Borda da piscina lançamento y x v⃗ o N orientação do avião v⃗ AV v⃗ AS L 13 um ângulo de 20º a leste do norte. Qual é o módulo da velocidade v⃗ AS do avião em relação ao solo e qual é o valor de ? Gabarito: 1. a) megafones (Mfones) b) microfontes (fontes) c) atomóveis (amóveis) d) centipitados (cpitados) e) militares (mtares) 2. 32,19 km 3. V = 3,62 m³ 4. t = 52,596 min 5. a) Sim b) t = 8,64 s 6. a) m = 2,82 x 10-26 kg b) N = 4,96 x 1046 moléculas 7. m = 3,27 kg 8. a) S = 10,4 km b) t = 0,62 h c) vm 16,8 km/h d) vm 9,1 km/h e) Gráfico 9. a) Gráfico b) Gráfico 10. a) v = -27 + 3 t2 b) a = 6 t c) t = 3 s d) x = - 50 m e) Retardado 11. a) 16,6 s b) Moto 12. a) t = 1,2 s b) 7,3 m c) t’ = 0,53 s e t” = 1,9 s 13. a) t = 5,4 s b) v = 41 m/s 14. 4,8 km 15. Dx 81 km Dy 200 km 16. |d⃗ | = 13,9 m e θ = −12,7o 17. r = (2,6 m)î − (2,3 m)j ̂ 18. 110o 19. c = −12 î − 9 ĵ − 8 k⃗ 20. a) r = (66 m)î − (57 m)j ̂ |r | = 87 m = – 41º b) Gráfico c) v⃗ = (− 2,1 m/s) î + (− 2,5 m/s) j ̂ |v⃗ | = 3,3 m/s = – 130º 21. a) = 48,0o b) 22. a) 10,4 m/s b) 19,5 m/s 23. a) vCB = – 130 km/h b) 2,2 m/s² c) 2,2 m/s² 24. v⃗ AS = 228 𝑘𝑚/ℎ ; = 16,5º