Prévia do material em texto
Natália Michelan Saneamento © 2016 by Universidade de Uberaba Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba. Universidade de Uberaba Reitor Marcelo Palmério Pró-Reitor de Educação a Distância Fernando César Marra e Silva Editoração Produção de Materiais Didáticos Capa Toninho Cartoon Edição Universidade de Uberaba Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE Natália Michelan Realizei meu curso de licenciatura na Universidade Estadual Pau- lista “Júlio de Mesquita Filho”, no campus de Ilha Solteira, São Pau- lo, e ele me abriu as portas para experiências jamais imaginadas, por exemplo, a Engenharia Civil. Assim, nesse mesmo campus, iniciei a jornada do Mestrado na área de Recursos Hídricos e Tecnologias Ambientais, onde os cursos de engenharia são muito visados e reconhecidos. Todos os amigos fo- ram embora, e permaneci na mesma cidade onde nasci, me criei e estudei. A busca por soluções aos problemas é uma característica que me fez adorar essa área, pois desenvolver mecanismo para o tratamento de efluentes não á algo simples, uma vez que os cálcu- los e o manuseio de tubulações, bem como as especificidades dos efluentes são temas cuja assimilação é árdua, porém gratificante, posto que o estudo desenvolvido poderá mudar a vida de muitos. Dois terços da população mundial vivem em condições precárias e uma das primeiras providências para melhorar seu padrão de vida é o aproveitamento racional dos recursos hídricos. Essas providên- cias cabem ao engenheiro civil. Sobre os autores Sumário Capítulo 1 Concepção de sistemas de abastecimento de água .....9 1.1 Elementos de um sistema de abastecimento de água ................................... 12 1.1.1 Concepções de sistema de abastecimento de água ............................. 14 1.1.2 Consumo de água .................................................................................. 18 Capítulo 2 Estações elevatórias Adutoras .......................................29 2.1 Estações elevatórias ........................................................................................ 31 2.1.1 Tipos de estações elevatórias ................................................................ 31 2.1.2 Projeto de estações elevatórias de água ............................................... 33 2.1.3 Bomba .................................................................................................... 33 2.1.4 Dimensionamento das tubulações de sucção e recalque ..................... 35 2.1.5 Perda de carga distribuída e localizada ................................................. 36 2.1.6 Associação de bombas em série e em paralelo .................................... 36 2.1.7 Adutoras ................................................................................................. 39 2.1.8 Dimensionamento hidráulico .................................................................. 42 Capítulo 3 Reservatórios - Redes de Distribuição ..........................55 3.1 Classificação dos Reservatórios de Distribuição ............................................ 57 3.1.1 Localização do reservatório no sistema ................................................ 57 3.1.2 Localização do reservatório no terreno ................................................. 59 3.1.3 Forma do reservatório ............................................................................ 61 3.1.4 Materiais de construção ......................................................................... 62 3.1.5 Capacidade dos reservatórios ............................................................... 63 3.1.6 Redes de Distribuição de Água ............................................................. 66 3.1.7 Vazão para dimensionamento da rede .................................................. 68 3.1.8 Condições a serem observadas ............................................................ 70 3.1.9 Dimensionamento das redes ramificadas ............................................. 71 3.1.10 Procedimento de Cálculo ..................................................................... 72 Capítulo 4 Elementos de Projeto .....................................................83 4.1 Roteiro para Sistemas de Abastecimento de Água ......................................... 86 4.1.1 Roteiro para Projetos de Esgoto Sanitários........................................... 93 4.1.2 Considerações finais .............................................................................. 98 Capítulo 5 Tratamento de Água .......................................................101 5.1 Características da Água .................................................................................. 103 5.1.1 Escolha do manancial ............................................................................ 108 5.1.2 Padrões de qualidade da água .............................................................. 110 5.1.3 Tecnologias de tratamento ..................................................................... 110 5.1.4 Processos de tratamento físico-químicos e de desinfecção ................. 112 5.1.5 Tratamento de água ............................................................................... 113 5.1.6 Roteiro simplificado para dimensionamento Hidráulico de uma ETA Convencional ................................................................................................... 117 Capítulo 6 Sistemas de esgoto - tipos, partes constituintes, metodologia de projeto, consumo e vazões de dimensionamento, coletores, interceptores, poços de visita e tubos de queda .............101 6.1 Componentes de esgoto sanitários ................................................................. 103 6.1.1 Sistema unitário ...................................................................................... 123 6.1.2 Sistema Misto ou Separador- Parcial .................................................... 123 6.1.3 Sistema Separador Absoluto ................................................................. 124 6.1.4 Partes constituintes de um sistema separador absoluto ....................... 124 6.1.5 Metodologia de projeto ........................................................................... 128 6.1.6 Densidade Demográfica ........................................................................ 129 6.1.7 Consumo Per capita ............................................................................... 130 6.1.8 Variações do Consumo Médio ............................................................... 130 6.1.9 Coeficiente de Retorno .......................................................................... 131 6.1.10 Previsão de População ........................................................................ 131 6.1.11 Cálculo das Vazões nas Redes ........................................................... 131 Capítulo 7 Tratamento de esgoto ....................................................147 7.1 Tecnologias existentes ..................................................................................... 148 7.1.1 A importância no tratamento de esgoto ................................................. 150 7.1.2 Etapas no tratamento de esgoto pela ETE ............................................ 152 7.1.3 Tecnologias de Tratamento .................................................................... 160 Capítulo 8 Drenagem urbana ..........................................................165 8.1 Sistemas de drenagem urbana e suas partes constituintes ...........................168 8.1.1 Sistema de galerias pluviais................................................................... 168 8.1.2 Dimensionamento e Projeto de Drenagem Urbana .............................. 174 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 191 O estudo e o entendimento do funcionamento das coisas são fasci- nantes. Desde as séries iniciais na escola, para mim, todas as áreas eram importantes, logo percebi que a Biologia é uma profissão vol- tada ao estudo das diferentes formas de vida, a respeito desta estu- dam-se sua origem, evolução, estrutura e funcionamento, tal ciência também examina as relações entre os seres vivos, os organismos e o meio ambiente, o que abre um grande leque de opções de áreas. Neste material, serão apresentados os assuntos relacionados ao saneamento básico, prioritariamente os relativos ao sistema de abastecimento de água, coleta de esgoto e sistema de drenagem. No primeiro capítulo, faremos o estudo da concepção de sistemas de abastecimento de água, veremos o conjunto dos estudos e con- clusões referentes à elaboração de projetos, que estão diretamente relacionados ao consumo de água, que é um dos fatores de funda- mental importância, pois a operação dos sistemas e as suas am- pliações e/ou melhorias estão diretamente associadas à demanda de água (TSUTIYA, 2006). No segundo capítulo, seguimos com o estudo de um sistema de abas- tecimento de água e estações elevatórias, que são utilizadas quando necessita-se conduzir a água de um nível mais baixo para um nível mais elevado. Para conduzir a água para abastecimento, podemos utilizar as adutoras, que são subsistemas formados por tubulações. O terceiro capítulo contemplará os reservatórios, que são estru- turas hidráulicas construídas para reservar a água e estabelecer Apresentação a transição entre a adução e a distribuição, sendo responsáveis por regularizar a vazão, garantindo a segurança ao abastecimento, permitindo também reserva de incêndio e regularizaçao das pres- sões. Abordaremos também as redes de distribuição, pois ela é unidade do sistema de abastecimento que conduz a água para os pontos de consumo. O quarto capítulo é destinado ao estudo do projeto de engenharia, pois ele é o guia de execução de uma obra, ele prevê e direciona como, quando e por quem as operações serão realizadas. No caso do tratamento de água, assunto abordado no capítulo V, a potabilização da água tem como função essencial adaptar a água bruta aos limites físicos, químicos, biológicos e radioativos esta- belecidos pela Portaria 518/2004, tornando o efluente da estação incapaz de transmitir qualquer malefício à população abastecida. No capítulo VI, estudaremos sobre o sistema de esgoto, que é de- finido como um conjunto de tubulações e acessórios, o qual desti- na-se a coletar e conduzir o esgoto sanitário a uma rede pública de coleta ou sistema particular de tratamento. O capítulo VII aborda o campo que rege o tratamento de esgoto, pois grande parcela de água tratada que abastece uma residência retorna do imóvel na forma de água servida, cujo nome é esgoto e é de extrema importância o estudo de como tratá-lo. O capítulo VIII aborda o campo da drenagem urbana, que tem por objetivo captar as águas do escoamento superficial, conduzindo-as a um deságue seguro. Ensinar é um prazer, passar adiante tudo o que se aprendeu é es- tar engajada em semear a transformação em parceria com o aluno. Bons estudos! Natália Michelan Introdução Concepção de sistemas de abastecimento de água Capítulo 1 O homem tem necessidade de água de qualidade adequada e em quantidade suficiente não só para proteção de sua saúde, como também para o seu desenvolvimento econômico. Assim, a importância do abastecimento de água deve ser encarada sob os aspectos sanitário e econômico (GEBARA, 2000). Para atender as condições de qualidade e quantidade adequadas de água, é necessário ter um sistema de abastecimento para solucionar exigências que a comunidade necessita, como saúde e desenvolvimento industrial. Os estudos e conclusões, juntamente com o engenheiro ou técnico que executa o projeto, relacionados com as diretrizes da norma brasileira, formam a concepção de um sistema de abastecimento de água. Considerando a importância de um sistema apropriado de abastecimento de água, grandes avanços vêm sendo feitos, principalmente nos últimos anos, período em que foram destinadas à área grandes contribuições financeiras, de maneira a se levar a água de boa qualidade para um maior número de pessoas, chegando aonde o abastecimento de água é escasso, o que é comum principalmente em países em desenvolvimento. No Brasil, um imenso progresso em relação à implantação de 10 UNIUBE sistemas de abastecimento de água se deu nas décadas de 1970 e 1980 com a implementação do PLANASA – Plano Nacional de Saneamento – que permitiu ao país atingir níveis de atendimento de cerca de 90% da população urbana (TSUTIYA, 2006). Nos centros urbanos mais desenvolvidos, as maiores deficiências observadas se devem principalmente à deterioração dos sistemas mais antigos, especialmente na parte de distribuição de água, com tubulações antigas apresentando frequentemente problemas de rompimentos e vazamentos de água. Levando-se em consideração o conjunto de atividades que constitui a elaboração do projeto de um sistema de abastecimento de água, a concepção é elaborada na fase inicial do projeto. O estudo de concepção pode, às vezes, ser precedido de um diagnóstico técnico e ambiental da área em estudo ou, até mesmo, de um Plano Diretor da hidráulica da bacia. Como água é uma das principais prioridades de sobrevivência para o ser humano, para seu consumo ser adequado, são necessários procedimentos de tratamento e distribuição, através de um sistema de abastecimento de água. No estudo da concepção de sistemas de abastecimento de água, vê-se o conjunto dos estudos e conclusões referentes à elaboração de projetos. Esses estudos envolvem tanto o abastecimento da população necessitada, quanto o despejo de água utilizada (esgotos). Para o desenvolvimento do projeto de engenharia, é necessário o conhecimento das vazões de dimensionamento das diversas partes constituintes do sistema. Para a determinação dessas vazões, é necessária a demanda de água na cidade que está relacionada ao número de habitantes a serem abastecidos e à quantidade de água consumida por pessoa. UNIUBE 11 Consumo de água Para o planejamento e gerenciamento de sistema de abastecimento de água, a previsão do consumo de água é um dos fatores de fundamental importância. A operação dos sistemas e as suas ampliações e/ou melhorias estão diretamente associadas à demanda de água (TSUTIYA, 2006). Na elaboração de um projeto de sistema de abastecimento de água, é necessário conhecer as vazões em cada trecho. Para tal fim, é preciso conhecer o tamanho da população que deverá ser atendida e o consumo per capita, ou seja, é preciso fazer uma estimativa de consumo e uma previsão da população futura. O dimensionamento das tubulações, de estruturas e de equipamentos é feito em função da vazão de água, que, por sua vez, depende do consumo médio por habitante, da estimativa do número de habitantes, das variações de demanda e de outros consumos que podem ocorrer na área estudada. Para isso, são coletados dados e, por meio de estudos, esses consumos são classificados por categorias de consumo, uma prática bastante comum nas prestadoras de serviços de saneamento. • Compreender a definição de concepção de sistemas de abastecimento de água. • Compreender a especificidade das variações de consumo diárias e horária. • Aplicar os métodos de previsão de população. Objetivos12 UNIUBE • Consumo de água • Sistema de abastecimento de água • Variação de consumo diária e horária • Previsão de população Esquema Elementos de um sistema de abastecimento de água1.1 O projeto deverá conter vários elementos do sistema de abasteci- mento de água, como: • Manancial: fonte de água doce superficial ou subterrânea, de onde é retirada a água para o abastecimento. É necessário co- nhecer alguns parâmetros antes de iniciar seu tratamento, como: vazão suficiente para atender a demanda, qualidade adequada em vista dos aspectos sanitários e necessidade de obras de re- servatórios de acumulação. • Captação: conjunto de obras realizadas para coletar, de modo adequado, a água destinada ao sistema de abastecimento de água, construídas ou moldadas junto ao manancial. • Estação elevatória: conjunto de obras e equipamentos provi- dos de bombas hidráulicas e tanques usados quando as águas residuais têm a necessidade de deslocar-se de um ponto mais baixo para um ponto mais alto (recalque). Normalmente, em um sistema de abastecimento, existem várias estações eleva- tórias, tanto para água limpa quanto para residuais. • Adutora: tubulação designada a conduzir a água de captação ao reservatório ou rede de distribuição. Não são destinadas a alimentar distribuidores de rua, mas podem existir subadutoras. UNIUBE 13 • Estação de tratamento de água (ETA): conjunto de unidades destinadas à purificação da água de modo a adequar as suas características aos padrões de potabilidade. • Reservatórios: conjunto de unidades hidráulicas de acumu- lação e passagem de água, destinado a regular as variações entre as vazões e pressão na rede de distribuição. Podem ser classificados em reservatório de montante e de jusante. • Rede de distribuição: são formadas por tubulações destina- das a conduzir a água tratada aos consumidores, de forma contínua em quantidade e pressão recomendada. São consti- tuídas em tubulação tronco e tubulação secundária. A tabela 1 mostra os indicadores de custo de implantação de siste- ma convencional de abastecimento de água. Tabela 1: Indicadores de custo do sistema convencional de abastecimento de água Partes constituintes do sistema Custo (%) P 10.000 10.000<P 40.000 40.000<P 100.000 P>100.000 Captação 30 20 8 3 Adução 8 9 11 11 Bombeamento 6 5 5 1 Tratamento 12 9 9 5 Reservação 6 6 6 4 Distribuição 38 51 61 76 P = população em habitantes. Fonte: Tsutiya (1998) 14 UNIUBE 1.1.1 Concepções de sistema de abastecimento de água Falando de uma maneira global, o que basicamente define as con- cepções de sistema de abastecimento de água é o tipo do ma- nancial, o relevo da área e a demanda de população. A seguir, destacam-se algumas dessas características de sistemas de abas- tecimento de água. 1.1.1.1 Manancial superficial A água de superfície é toda aquela que permanece ou que escoa sobre a superfície do solo. É a principal fonte de água, mas, por ser exposta à ação predatória do homem, necessita de mais tratamen- to do que as águas subterrâneas. 1.1.1.2 Escolha do manancial O local de captação deve propiciar a solução mais conveniente economicamente. Na escolha do manancial, o engenheiro deve responder a algumas questões relacionadas à natureza desse, como: • A água é de boa qualidade? • Pode ser tratada ou não? • A quantidade do manancial é suficiente ou não? (GEBARA, 2000) Teoricamente, toda água pode ser tratada, mas quanto menos ne- cessitar desse processo de tratamento, mais perto do padrão de potabilidade ela estará e o custo será mais acessível. UNIUBE 15 Outro fator importante é a verificação da vazão. Existem manan- ciais que não satisfazem a demanda exigida, sendo necessário to- mar algumas providências para o abastecimento, como construção de reservatórios de regularização (no caso de grandes variações de vazão durante o ano), escolha de outro manancial ou captação de águas subterrâneas. Na tabela 2, tem-se a relação de medições de descarga e as alter- nativas a serem tomadas, sendo: Qmin = vazão mínima, QD = vazão de descarga e Qmed = vazão média. Tabela 2: Medições de descargas Qmin >>QD - Poderá não necessitar de nenhuma obra. - Se o rio apresentar grande variação do nível d’água, será necessária uma barragem e regularização. Qmin < QD Qmed > QD - Necessário que se construa um reservatório de regularização. - Dependendo das dimensões do rio, uma barra- gem ou uma pequena obra de contenção de água. Qmed < QD - Deve-se abandonar o manancial. - Se a qualidade da água for muito boa po- de-se utilizar esse manancial para complemen- tar o abastecimento de água da cidade. Fonte: Gebara (2000) Reservatório de acumulação: tem a finalidade de represar a água, sendo um elemento de regularização entre as vazões. É feito me- diante construção de uma barragem. 16 UNIUBE 1.1.1.3 Captação Os dispositivos de captação deverão estar localizados em trechos retos dos rios ou, quando em curva, deve-se situar junto à sua cur- vatura externa, onde as velocidades da água são maiores. Existem mais de um tipo de captação devido à diferença na topo- grafia que cada manancial apresenta. Exemplo: para leito de rio sujeito à erosão, é aconselhável uma proteção do talude, que pode ser um revestimento na margem (captação direta com revestimen- to na margem). A figura 1 apresenta um sistema simples de abastecimento de água, com captação em curso de água e com reservatório enterra- do e elevado a montante. A figura 2 apresenta um modelo geral de um sistema de abasteci- mento de água. Curso de água Adultora de água bruta Reservatórioenterrado Estação elevatória de água tratada Reservatório elevado Adultora de água tratada Cidade Estação de Tratamento de Água Estação elevatória de água bruta Figura 1 - Sistema de abastecimento de água em corte com capta- ção em curso de água e com reservatório enterrado e elevado Fonte: Tsutiya (2004) UNIUBE 17 Rio Manancial Captação Estação elevatória Adultora de água bruta por recalque ETA Reservatório da ETA Adultora Adultora para o reservatório da zona baixa por gravida Estação elevatória Reservatório elevado Reservatório Rede da zona baixa Rede da zona alta Adultora para o reservatório da zona alta por recalque Figura 2 - Sistema de abastecimento de água em plan- ta que atende a zona baixa e a zona alta Fonte: Orsini (1996) 1.1.1.4 Manancial subterrâneo É aquele cuja água provenha dos interstícios do subsolo, poden- do aflorar à superfície (fontes, bicas de água, minadouros) ou ser elevada artificialmente por meio de conjuntos motor-bomba (poços rasos, poços profundos, galerias de infiltração) (SERGIPE, 2016?). Nas minas de água, a captação em pequenos municípios poderá ser feita por caixas de tomada (Figura 3) e com drenos quando a profundidade estiver muito baixa. 18 UNIUBE b) Perfil a) Planta Caixa de reunião - Cloração Para consumo NA Cx4 103 102 Cx3 Cx2 Cx1 100 101 Figura 3 - Captação em afloramento de água através de caixas de tomada Fonte: Tsutiya (2004) 1.1.2 Consumo de água Normalmente, esses estudos são divididos por quatro grandes categorias: a. Uso doméstico: engloba as parcelas destinadas a fins higi- ênicos, potáveis e alimentares. Para se ter uma ideia desse consumo, temos a tabela 3: Tabela 3: Consumo doméstico de água Bebida e cozinha 10 – 20 l/hab.dia Lavagem de roupa 10 – 20 l/hab.dia Banhos e lavagens de mãos 25 – 55 l/hab.dia Instalações sanitárias 15 – 25 l/hab.dia Outros usos 15 – 30 l/hab.dia Perdas e desperdícios 25 – 50 l/hab.dia Total 100 – 200 l/hab.dia Fonte: Gebara (2000) UNIUBE 19 b. Uso público: torneiras públicas,irrigação de parques e jar- dins, lavagem de ruas e passeios, sanitários de uso público, combate a incêndios etc. c. Uso industrial: é a água utilizada como matéria-prima, proces- so de produção, remoção de resíduos etc. d. Uso comercial: água utilizada em bares, pensões, restauran- tes, postos de gasolina etc. Seu consumo é superior ao das residências. 1.1.2.1 Consumo per capita de água É a quantidade de água distribuída por dia, em média, e utilizada por um habitante. diahabl abeneficiadpop anualmenteodistribuídVolumeqm ./.365× = Norma NB 587/79: • No caso de comunidades que contam com sistema público de abastecimento de água, o consumo será determinado por meio de dados de operação do próprio sistema, a não ser que ocorram condições que tornem esses dados não confiáveis. • Inexistindo dados confiáveis, locais ou regionais, e não sendo fixados previamente pelo órgão contratante, serão adotados os seguintes consumos médios “per capita” Tabela 4: Consumo médio per capita. Populações futuras de até 10.000 hab. 150–200 l/hab.dia 10.000 hab. < População futura < 50.000 hab. 200-250 l/hab.dia População futura > 50.000 250 l/hab.dia População temporária 100 l/hab.dia Fonte: Norma 587/70 20 UNIUBE 1.1.2.2 Fatores que afetam o consumo per capita O consumo per capita é composto por vários fatores. A seguir, são citados os mais importantes: Tamanho da cidade: nas grandes cidades, o consumo por habi- tante é maior em relação às pequenas, pois normalmente existe uma concentração de pessoas com alto nível de poder econômico, em que o uso da água se dá para fins diversos como por exemplo máquina de lavar roupa. Características da cidade: existe uma variação de cidade para cidade, se elas são administrativas, comerciais, industriais, uni- versitárias, militares, religiosas, balneários e esportivas. Cidades industriais destacam-se como as que apresentam maior consumo per capita. Condições climáticas: o consumo aumenta em regiões onde a temperatura é mais elevada e onde existe uma baixa umidade do ar. Em determinadas estações do ano, ocorre um maior consumo, como no verão, por exemplo. A quantidade de chuva também é um fator intrínseco relacionado às condições climáticas. Hábitos e nível de vida da população: em locais onde existe uma população com poder aquisitivo mais elevado, o consumo é maior devido à utilização de equipamentos que propiciam maior conforto e facilidade, como: emprego de máquinas de lavagem de roupa e louça, lavagem de automóveis etc. Hábitos higiênicos: uma população que tem um conhecimento maior sobre saneamento básico e hábitos de higiene do dia a dia consome mais água. UNIUBE 21 Rede de esgoto: em locais com rede coletora de esgoto, onde os dejetos humanos são carregados, existe um maior consumo de água. Esse aumento se dá pela despreocupação com a capacida- de do seu sistema de disposição de esgoto em relação às cidades onde é generalizado o uso de fossas ou mesmo de tanques sépti- cos particulares. Qualidade da água: regiões onde a água apresenta maior dureza, odor e sabor desagradável apresentam um menor consumo em relação às regiões onde temos água de melhor qualidade, segundo os padrões de potabilidade. Custo da água: quanto maior o custo, menor o consumo de água. Pressão na rede: as redes de distribuição devem trabalhar com pressões reduzidas, mas que atendam às necessidades de con- sumo adequadas, sempre que possível para evitar vazamentos e desperdícios. Com uma maior pressão na rede, tem-se um maior consumo, mesmo com pequenas aberturas das válvulas e torneiras. 1.1.2.3 Variações de consumo Para se desenvolver um projeto de sistemas de abastecimento de água, é fundamental ter em mente que existem variações no con- sumo de água em relação ao tempo. Essas variações dependem principalmente do clima e dos hábitos populacionais no dia a dia. Para tal, é necessária a utilização de constantes, em que essas relacionem a variação de consumo anual, mensal e diária. Variação diária no ano (k1): a variação diária no ano, representada 22 UNIUBE pela constante k1, é dada pela razão entre a maior vazão do dia no ano, devido à alta temperatura, e a média das vazões anuais. Q (VAZÃO) Dias Qm (vazão média anual) Mmáx (vazão máxima no dia) Figura 4 - Gráfico da vazão por tempo anual Fonte: Gebara (2000) anonodiáriamédiaVazão anonodiárioconsumoMaiorK =1 Na falta de dados suficientes para se determinar o coeficiente k1, a norma NB 587/79 recomenda o valor de 1,2. Variação horária (k2): a variação horária no dia, representada pela cons- tante k2, é dada pela razão entre a maior vazão na hora de pico, como no início da manhã e no fim da tarde, e a média das vazões diárias. Q (VAZÃO) Horas Qm (vazão média no dia) Mmáx (vazão máxima na hora do pico) Figura 5 - Gráfico da vazão por tempo diário Fonte: Gebara (2000) UNIUBE 23 dianohoráriamédiaVazão dianohoráriavazãoMaiorK =2 Na falta de dados suficientes para se determinar o coeficiente k2, a norma NB 587/79 recomenda o valor de 1,5. 1.1.2.4 Vazões a serem utilizadas no dimensionamento dos componentes Em um sistema de abastecimento de água, temos os seguintes elementos: Captação, Estações Elevatórias, Adutora, Estação de Tratamento de Água, Reservatório e Rede. O dimensionamento deve ser feito levando em consideração a de- manda máxima de consumo, para não ocorrer escassez de água em determinados períodos do dia ou ano. A rede a montante do reservatório deve ser dimensionada utilizando somente o coeficiente k1, pois essa parte do sistema estará sujeita apenas à variação da demanda diária. A rede localizada a jusante do reservatório deve ser dimensionada utilizando os coeficientes k1 e k2, pois todo sistema estará sujeito à variação da demanda diária e horária na rede de distribuição. Curso de água Captação Estação elevatória de água bruta Estação de Tratamento de Água Adultora de água tratada Reservatório Rede de Distribuição Máx Diária K1 = 1,2 Máx Horário K1 x K2 = 1,2 x 1,5 Adultora de água bruta Figura 6 - Componentes de um sistema de abastecimento de água Fonte: Módulo... (s./d.) 24 UNIUBE Sistema a montante do reservatório de distribuição Sistema a jusante do reservatório de distribuição Sendo: Q = vazão média anual em L/s P = população da área abastecida q = consumo médio diário per capita, em L/hab.dia 1.1.3 Estimativa de população Em termos de projeto em Engenharia Sanitária, as estimativas de vazão e população são importantes e problemáticas devido à ne- cessidade de tratamento matemático de dados que, muitas vezes, são aleatórios (GEBARA, 2000). Para chegar a um número satisfatório, foram estudados alguns mé- todos para se fazer a previsão de população, a fim de amenizar os erros e evitar obras futuras. 1.1.3.1 Métodos de estimativa de população Progressão Aritmética: método do qual se presume que a cidade está se desenvolvendo segundo uma Progressão Aritmética. Procedimento de cálculo: obtêm-se os valores das populações P0 e P1, correspondentes a duas datas anteriores, t0 e t1. UNIUBE 25 01 01 tt PPr − − = )( 00 ttrPP −+= Progressão Geométrica: método do qual se presume que a cida- de está se desenvolvendo segundo uma Progressão Geométrica. Procedimento de cálculo: obtêm-se os valores das populações P0 e P1, correspondentes a duas datas anteriores, t0 e t1. 01 0 1tt P Pq −= ( ) 00 ttqPP −×= Método da curva logística: possui três trechos distintos - o pri- meiro corresponde a um crescimento acelerado, o segundo, a um crescimento retardado e o último, a um crescimento que tende à estabilização. Procedimento de cálculo: obtêm-se os valores das populações P0, P1 e P2 correspondentea três datas anteriores, t0, t1 e t2. Antes de começar os cálculos, existem algumas exigências para aplicação das equações do método da curva logística: t2 – t1 = t1 – t0 P0 < P1 < P2 P1² > P0 . P2 Passadas essas condições, 26 UNIUBE − = 0 0log 4343.0 1 P PPa S − = 0 0log 4343.0 1 P PPa S − − × −= )( )( log 4343.0 1 01 10 PPP PPP d b S S bTa S e PP −+ = 1 Sendo d o intervalo constante entre os anos t0, t1 e t2 e T, o intervalo de tempo entre o ano da projeção e t0. 1.1.4 Considerações finais Esta primeira etapa dos estudos relacionados ao sistema de abas- tecimento de água teve como base a compreensão da importância de se elaborar um projeto de Engenharia levando-se em conside- ração aspectos econômicos, sanitários e políticos. A saúde não se baseia apenas na ausência de doenças ou de en- fermidades, mas sim no estado de completo bem-estar físico, men- tal e social (conforme a Organização Mundial de Saúde). Sendo assim, é importante ressaltar que saneamento básico é um instru- mento de saúde pública e sua implantação é uma das formas de preservar, melhorar ou recuperar a saúde por meio de medidas coletivas que contem com a participação da população de forma motivada, o que consiste em intervir no meio físico do homem, de forma a eliminar as condições que prejudicam a saúde da huma- nidade. Dessa forma, a fixação de um sistema de abastecimento de água vai repercutir imediatamente sobre a saúde da população. Outro fator importante é que o saneamento está relacionado à saúde é à economia. A colocação do abastecimento público de água reflete no UNIUBE 27 aumento da vida média útil da população e na redução do número de horas perdidas com diversas doenças, o que resulta em um aumento sensível do número de horas trabalhadas dos membros da comunida- de beneficiada e, com isso, aumenta-se a produção. O homem é um ser que trabalha, sendo, portanto, o estabelecimento de um sistema de saneamento básico um fator de produção (ANDRADE,2004). A água constitui matéria-prima de muitas indústrias ou auxiliar de processos em atividades industriais. Pode-se observar que, em pa- íses mais desenvolvidos, o consumo de água é maior, devido ao grande número de indústrias. Informações relacionadas aos benefícios de se utilizar água bem tratada,chegam à população à medida em que vão surgindo me- lhorias nas condições socioeconômicas dos países em desenvolvi- mento, o que faz que o consumo de água aumente. Neste capítulo, foram ressaltados estimativas de consumo per ca- pita, coeficientes de variação da vazão e previsão do crescimento população como fatores intrínsecos para a elaboração de um proje- to que satisfaça todos os quesitos recomendados como: maior con- forto para a população, condições mínimas de saúde e prescrições segundo a norma. A água é considerada o recurso natural mais precioso que existe na natureza, por ventura, é o mais frágil, sendo cada vez mais expos- ta à poluição e escassez. Nenhum ser vivo sobrevive sem água e nada pode substituí-la, portanto, mesmo cobrindo cerca de 70% do nosso planeta, cerca de 97,5% desse total se encontram em mares e oceanos, o que torna inviável seu uso pelo alto custo de dessali- nização, e os 2,5% restantes estão distribuídos entre calotas pola- res, aquíferos, rios e lagos. Evitar desperdícios e eliminar dejetos corretamente é uma das melhores maneiras de preservá-la. 28 UNIUBE FIQUE POR DENTRO Sistema de Abastecimento de Água. Disponível em: <ht- tps://www.youtube.com/watch?v=dzIv-kcAY8A>. Acesso em: 14 mar. 2016. REFLITA Se os três métodos de previsão de população apresenta- rem resultados muitos distintos, qual deverá ser utilizado? INDICAÇÃO DE LEITURA TSUTIYA, Milton Tomoyuki. Abastecimento de água. 4. ed. São Paulo: Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2006. Natália Michelan Introdução Estações Elevatórias Adutoras Capítulo 2 Em um sistema de abastecimento de água, as estações ele- vatórias, E. E., são utilizadas quando necessita-se conduzir a água de um nível mais baixo para um nível mais elevado, podendo assim passar pela tubulação através de um siste- ma de recalque quando não é possível fazê-lo pela ação da gravidade devido à topografia do local. As elevatórias são compostas por bombas, válvulas e equipamento elétrico ne- cessário para bombear a água ou águas residuais. Com o passar do tempo, a tecnologia para desenvolver equi- pamentos eletromecânicos e materiais das tubulações vem aumentando, possibilitando um maior uso das estações ele- vatórias a fim de propiciar soluções eficazes para os mais variados problemas de transporte de água. A seguir, temos alguns desses resultados: - Existência de tubulações capazes de resistir a altas pres- sões e de dispositivos complementares necessários à sua proteção. - Disponibilidade cada vez maior de energia elétrica. - Fabricação e aperfeiçoamento de novos tipos de bombas e em largas faixas de capacidade (TSUTIYA, 2006). Consequentemente, o custo para a utilização de estações elevatórias tem aumentado cada vez mais em um sistema de abastecimento de água e esgoto sanitário. Utilizada para conduzir a água para abastecimento, as adu- toras são subsistemas formados por tubulações. São respon- sáveis por interligarem a captação ao reservatório ou rede de distribuição, a captação à estação de tratamento de água, o reservatório à rede de distribuição e a estação de tratamento de água ao reservatório ou rede. As adutoras não devem possuir derivação para alimentar dis- tribuidores de rua ou ramais prediais. No entanto, da adutora principal podem partir sub adutoras que levam a água a outros pontos fixos do sistema (GEBARA, 2000). São canalizações de importância fundamental para o abaste- cimento das cidades. Qualquer interrupção que venha a sofrer afetará o abastecimento da população, com reflexos negativos. A escolha do traçado deve ser feita de tal maneira que evite obras complementares caras tanto na manutenção como na construção. A figura apresenta a localização de adutoras em um sistema de abastecimento de água. Rio Manancial Captação Estação elevatória Adultora de água bruta por recalque ETA Reservatório da ETA Adultora Adultora para o reservatório da zona baixa por gravida Estação elevatória Reservatório elevado Reservatório Rede da zona baixa Rede da zona alta Adultora para o reservatório da zona alta por recalque Figura 7 - Localização das adutoras Fonte: Orsini (1996) UNIUBE 31 • Compreender a utilidade de se projetar uma estação elevatória e seus tipos. • Compreender o funcionamento e tipos de bombas. • Compreender a classificação das adutoras. • Estações elevatórias • Escolha de bombas • Adutoras: utilidades e tipos Objetivos Esquema Estações Elevatórias2.1 2.1.1 Tipos de estações elevatórias Quando a estação elevatória é utilizada para recalcar água sem tratamento, é nomeada de estação elevatória de água bruta e, quando utilizada para recalcar água tratada, é nomeada de estação elevatória de água tratada. Existem as elevatórias que ajudam na rede de distribuição a fim de aumentar a pressão, quando necessá- rio, as quais são chamadas de booster. Podem, também, ser classificadas em estações elevatórias de poço seco e estações elevatórias de poço úmido. O que determina essa classificação é justamente o posicionamento da instalação da bomba, se esta estiver fora da água denomina-se poço seco, se estiver dentro da água, poço úmido. A figura 8 apresenta a localização das estações elevatórias de água bruta, água tratada e booster.32 UNIUBE EAB ETA ETA EAT booster Reservatório Reservatório Rede Rede Rede Rede Zona alta EAT Adutora Figura 8 - Localização das estações elevatórias Fonte: Blocos... (2010, p. 25) EAB: estação elevatória de água bruta. ETA: estação elevatória de água tratada. Geralmente, uma estação elevatória é composta por: • Salão de máquinas e dependências complementares. • Poço de sucção. • Tubulação e órgãos acessórios. • Equipamentos elétricos e dispositivos auxiliares. Figura 9 - Ambientes de uma Estação Elevatória Fonte: Andrade (2004) UNIUBE 33 2.1.2 Projeto de estações elevatórias de água Localização Geralmente, as estações elevatórias estão localizadas: • Próximas ao manancial. • No meio do manancial. • Junto ou próximas às estações de tratamento de água. • Junto ou próximas aos reservatórios de distribuição de água. • Para reforço na adução ou na rede de distribuição de água. 2.1.3 Bomba O cálculo de bomba é feito utilizando a vazão e a altura manométri- ca total. É uma máquina na qual circula um fluido com finalidade de transformar um trabalho mecânico em energia hidráulica. Podem ser classificadas como: cinéticas e de deslocamento direto. A altura manométrica total (Hman) corresponde ao desnível geo- métrico (Hg), verificado entre os níveis da água no início e no fim do recalque, acrescido de todas as perdas localizadas e por atrito que ocorrem nas tubulações e peças, quando se bombeia uma vazão Q. Essas perdas podem ser desdobradas em perdas na sucção (hf,suc) e perdas no recalque (hf,rec). 34 UNIUBE Figura 10 - Grandezas características de uma bomba Fonte: Andrade (2004) Assim, a altura manométrica pode ser desdobrada em duas parcelas: 1. Altura manométrica de recalque 2. Altura manométrica de sucção A altura manométrica total é: No grupo das bombas cinéticas temos as centrífugas, que são as mais utilizadas em um sistema de abastecimento de água. Elas aceleram o fluido por meio da força centrífuga fornecida pelo giro do motor, cedendo energia cinética à massa em movimento e trans- formando a energia cinética internamente em energia de pressão, na saída do rotor, por meio da carcaça da bomba. UNIUBE 35 2.1.4 Dimensionamento das tubulações de sucção e recalque Segundo a NB 590/79, o dimensionamento das tubulações de suc- ção e recalque deverá ser processado segundo os parâmetros hi- dráulicos preestabelecidos e ainda se observando, salvo justificati- va, os seguintes critérios de velocidade: Tabela 5: Velocidades mínimas na tubulação de sucção e no recalque Tipo de material transportado Velocidade (m/s) Matéria orgânica 0.30 Suspensões finas (silte e argila) 0.30 Areia fina 0.40 Fonte: Gebara (2000) Tabela 6: Velocidades máximas na tubulação de sucção e no recalque D (mm) Velocidade (m/s) 50 0.75 75 1.10 100 1.30 150 1.45 200 1.60 250 1.60 300 1.70 400 ou maiores 1.80 Fonte: Gebara (2000) A velocidade máxima admissível para o dimensionamento do barri- lete é de 2,6m/s e a velocidade mínima é de 0,60m/s. 36 UNIUBE 2.1.5 Perda de carga distribuída e localizada Na determinação da perda de carga distribuída em toda instalação do bombeamento para o sistema de sucção, recalque e barrilete, é utilizada a fórmula universal e, na perda de carga localizada ao longo da canalização, será utilizada a seguinte expressão: g2 Vkhs 2 s ×= Sendo: ks= coeficiente de perda de carga localizada (adimensional) e os seus valores se encontram na NB 590/79 ou nos livros de hidráulica V = é a velocidade média na seção (m/s) g = é a aceleração da gravidade (m/s2) hs= é a perda de carga localizada (m. c. a.) 2.1.6 Associação de bombas em série e em paralelo 2.1.6.1 Associação em série É utilizada quando duas ou mais bombas trabalham em série. Nesse caso, temos a mesma vazão para todas elas e a soma das alturas manométricas, como esquematizado na figura 11: UNIUBE 37 Hm Hm Q Q Q1 Q 2Hm Hm 2 1 (1+2) 1 1+1 H1 H1+2 H2 Figura 11 - Associação em série para duas bombas iguais e duas bombas diferentes, respectivamente Fonte: Gebara (2000) 2.1.6.2 Associação em paralelo É utilizada quando duas ou mais bombas trabalham em paralelo. Nesse caso, temos a soma das vazões para todas elas e a mesma altura manométrica, como esquematizado na figura 12: Q Q Q 2Q 1 12 1+21+1 Hm Hm Figura 12 - Associação em paralelo para duas bom- bas iguais e duas bombas diferentes, respectivamente Fonte: Gebara (2000) 38 UNIUBE Obs.: uma recomendação para a utilização de associação de bom- bas em paralelo é que elas sejam associadas, no máximo, em três conjunto moto-bombas com curvas características parecidas. A recomendação é que as bombas sejam locadas em edificações próprias, ou seja, casa de bombas. A casa de bombas deve ser projetada para obter espaço suficiente para a movimentação de pessoas caso haja a ocorrência de problemas no seu funciona- mento, sendo necessário fazer reparos de iluminação e ventilação adequada. Situações em que não for possível a construção de ca- sas de bombas, é necessário utilizar equipamentos projetados para serem sujeitos a afogamento. 2.1.6.3 Potência Para se determinar a potência do conjunto-bomba, utilizamos a se- guinte equação: E m n75 HQ P × ×× = γ Sendo: P = potência fornecida em C.V γ = peso específico do fluido bombeado em kgf/m3 Q = vazão em m3/s; nE = rendimento do conjunto motobomba que é igual a nb e nmotor 2.1.6.4 Motores elétricos É a máquina destinada a transformar energia elétrica em energia UNIUBE 39 mecânica. Devido a sua simplicidade, confiabilidade, flexibilida- de e custo baixo, é a mais recomendada para o acionamento de bombas. 2.1.7 Adutoras 2.1.7.1 Orientação geral para a elaboração de projetos Segundo a NB 591/79, “a diretriz escolhida para implantar uma adutora deverá ser aquela para a qual será atendida a condição de mínimo custo para o sistema de abastecimento”. Para esse fim, deve-se verificar: a. Possíveis obstáculos que poderão influenciar na escolha do traçado ou no tipo de adução a ser adotado, como: topografia do local, ocupação do solo, operações e manutenção etc. b. Cálculo da vazão de dimensionamento. c. Fixação dos elementos topográficos. De maneira geral, a NB 591/79 sugere evitar a passagem por regi- ões com relevo acidentado, solos agressivos etc. 2.1.7.2 Materiais utilizados em adutoras A escolha da adutora, segundo o material utilizado na fabricação do conduto, varia de acordo com fatores como: método de fabricação dos tubos e acessórios; condição de funcionamento hidráulico; pres- são interna e durabilidade do material conforme as características do solo; cargas externas; natureza da água transportada; custo. 40 UNIUBE Os materiais mais empregados são: PVC; ferro fundido, cimenta- do internamente; aço soldado; aço com junta ponta e bolsa, junta travada; concreto armado; fibra de vidro impregnado em resinas de poliéster; polietileno. 2.1.7.3 Classificação das adutoras Possuem duas classificações: a. Devido à natureza da água transportada: • tubulações onde é conduzida água sem tratamento são deno- minadas adutoras de água bruta; • tubulações onde é conduzida água com tratamento são deno- minadas adutoras de água tratada. b. Devido à energia para a movimentação de água: • adutoras por gravidade: transportam a água localizada em uma cota mais elevada para uma cota menos elevada. Pode ser feita em conduto livre (superfície da água livre sujeita à pressão atmosférica) ou conduto forçado (a água está sob pressão maior que a atmosférica); • adutoras por recalque: transportam a água localizada em uma cota menos elevada para uma cotamais elevada através de estações elevatórias; • adutoras mistas: são divididas em trechos por recalque e tre- chos por gravidade. UNIUBE 41 Sifão invertido Linha piesométricaAqueduto Figura 13 - Adutora por gravidade com trechos em conduto li- vre (aqueduto) e conduto forçado (sifão invertido) Fonte: Tsutiya (2006) Linha piezométrica Figura 14 - Adutora por recalque Fonte: Tsutiya (2006) Linha piezométrica (recalque) Linha piezométrica (gravidade) Figura 15 - Adutoras mistas Fonte: Tsutiya (2006 42 UNIUBE 2.1.8 Dimensionamento hidráulico 2.1.8.1 Adutora por gravidade em condutos livres O dimensionamento de condutos livres, devido a condições favorá- veis da topografia, é feito em função de uma declividade disponível, utilizando, de preferência, a equação de Chézy. Antes do dimensionamento, é necessário conhecer a vazão de adução, respeitando os trechos onde se utilizam coeficientes de vazão diária e horária prescritos no capítulo I, o desnível H entre o ponto de entrada e o ponto de saída, a distância L a ser percorrida e a característica das paredes do conduto que determina a rugosi- dade (C= coeficiente de rugosidade devido ao material). A vazão Q é estabelecida em função da população a ser abaste- cida, do consumo médio per capita e do coeficiente de variação diária k1. Obtidos os dados, para efetuar o dimensionamento, é feita uma combinação entre a equação da continuidade e a equação de Chezy. Equação da continuidade Q = V x A Sendo: Q = vazão em m³/s V = velocidade média do escoamento em m/s A = área em m² Equação de Chézy IRCV H ×= UNIUBE 43 Sendo: RH = raio hidráulico em m I = declividade da linha de energia em m/m C = coeficiente de Chézy Obs.: o coeficiente de Chézy depende das características das pa- redes do conduto. A vazão de adução pode ser expressa pela equação de Bazin- Chezy e Manning-Chezy (equações da resistência para escoamen- to permanente). ChezyBazin R IRA87Q H H − + ×× ×= γ ChezyManningIR n AQ 2 1 H3 2 −××= A fim de evitar a sedimentação de materiais em suspensão e pro- teger as paredes da canalização devido a desgaste excessivo, de- terminou-se uma velocidade limite para o cálculo do escoamento, sendo Vmin = 0,30 m/s e Vmáx dada pela tabela. Tabela 7: Velocidades máximas para adução. Materiais aglomerados consistentes 2.0 m/s Alvenaria de tijolos 2.5 m/s Rochas estratificadas 2.5 m/s Rochas compactas 4.0 m/s Concreto 4.5 a 5.0 m/s Fonte: Gebara (2000) 44 UNIUBE 2.1.8.2 Adutora por gravidade em conduto forçado O escoamento é dado entre um nível d’água mais elevado e um mais baixo, sendo a energia disponível para o escoamento a dife- rença entre as cotas. No cálculo para adutoras em condutos forçados, destacam-se a fórmula universal e a equação da continuidade. Fórmula universal )Hh(L/hJ ff == Onde: Δh = perda de carga em m; f = coeficiente de atrito; L = comprimento da tubulação, m; V = velocidade média do escoamento, m/s; D = diâmetro da tubulação, m; g = aceleração da gravidade, m/s². Para a determinação do diâmetro da adutora, utilizam-se a equa- ção da continuidade e a fórmula universal com o cálculo da perda de carga unitária: )Hh(L/hJ ff == As perdas de carga localizadas, na maioria das vezes, podem ser desprezadas. UNIUBE 45 A velocidade mínima e máxima na tubulação é a mesma prescrita para adutora por gravidade em conduto livre. 2.1.8.3 Adução por recalque Nesse dimensionamento de adução de recalque, é necessário um sistema elevatório de bombas para levar a água de uma cota mais baixa a uma cota mais elevada. O conjunto elevatório, neste caso, é que fornece a energia necessária ao escoamento. Mesmo conhecendo-se previamente a vazão de adução, no caso de adução por recalque, o comprimento L e o material do conduto, o problema é hidraulicamente indeterminado. Normalmente, procura-se associar um diâmetro a um conjunto mo- tobomba levando-se em consideração aspectos econômicos finan- ceiros, sendo escolhido o diâmetro que conduz o mínimo custo de implantação. a. Custo relativo ao investimento inicial. • Edifício de casa de bomba. • Equipamento hidro eletromecânico. • Serviços necessários para implantação do tubo de recalque. • Fornecimento e assentamento da tubulação de recalque. b. Custo relativo à operação do sistema. 46 UNIUBE • Mão de obra para operação e manutenção. • Materiais e equipamentos para manutenção preventiva, cor- retiva e de reposição. • Energia gasta para o acionamento dos conjuntos elevatórios. Figura 16 - Curvas de custo Fonte: Sistemas... (2005, p. 20) O método da “Comparação do custo anual da instalação” é o mais utilizado, logo, para o pré-dimensionamento do diâmetro, utiliza-se a fórmula de Bresse. 1) Fórmula de Bresse 3.1a2.1KQKD == 2) Tomam-se tantos D que se achar necessário, acima e abaixo do D calculado no 1o passo. UNIUBE 47 3) Determinam-se as Hm que deverão ser geradas pelas bombas para elevar a vazão desejada. hdhlHH gm ∆∆ ++= Sendo: Hm = altura manométrica; ∆hl = perda de carga localizada; ∆hd = perda de carga distribuída; Hg = desnível geométrico acrescido de eventuais pressões que se deseja ter na água. 4) Calcula-se a Potência consumida. η γ 75 HQ v.Pc m ×× = η γ 75 HQ 986.0P mP.H ×× = 5) Cálculo do dispêndio anual de energia. P.HP736.0)kwh(P ×= )kwh(P24)diária(P ×= )diária(P365)anual(P ×= kwhdoeçoPr)anual(PanualCusto ×= 6) Custo dos tubos. 7) Custo da mão de obra. 48 UNIUBE 8) Custo do conjunto motobombas. 9) Custo total inicial: 1)t1( )t1(tCC n n TiTa −+ + ××= 10) Procede-se com a determinação dos custos anuais de amorti- zação e juros de capital a serem aplicados na aquisição de equipa- mento de recalque e da tubulação. 1)t1( )t1(tCC n n TiTa −+ + ××= 11) Somam-se os custos do passo 5 e do passo 10 e, dessa for- ma, por meio da comparação dessas somas, permite-se conhecer o D da tubulação que trará a máxima economia global (GEBARA, 2000). Resumo do roteiro de cálculo. Tabela 8: Roteiro de cálculo Fonte: Andrade (2009) UNIUBE 49 2.1.8.4 Traçado da adutora O traçado da adutora é definido, na maioria das vezes, pela topo- grafia do terreno, podendo variar devido a outros aspectos como: influência do plano de carga e da linha piezométrica; localização e perfil da adutora; faixas de servidão ou desapropriação para im- plantação e operação das adutoras. O traçado da diretriz de uma adutora é feito de modo análogo ao empregado no da diretriz de uma estrada. A norma recomenda que o conduto seja constituído por trechos retos. 2.1.8.5 Acessórios das canalizações São definidos acessórios das canalizações dispositivos que perten- cem a um sistema de adução de água com o princípio de proteger o sistema e fornecer um funcionamento eficaz e com segurança. Na adutora por gravidade em conduto forçado, são necessárias as seguintes peças especiais: • Válvulas ou registros de parada. • Válvulas ou registros de descarga. • Válvulas redutoras de pressão. • Ventosas. Na adutora por recalque, além das peças citadas acima, devem-se considerar ainda: • Válvulas de retenção. • Válvulas aliviadoras de pressão ou válvulas antigolpe de ariete. 50 UNIUBE Obras complementares podem ocorrer em uma adutora e, nesse caso, utilizam-se: • Ancoragem. • Caixas intermediárias. • Stand-pipes. • Pontes, pontilhões, etc. 2.1.8.6 Válvulas ou registros de parada Essencialmente, têm a funçãode permitir o isolamento de um tre- cho da linha para eventuais reparos sem a necessidade de esva- ziar toda a adutora, por meio de registros que bloqueiam a condu- ção da água. A necessidade de colocar essa válvula de parada, por sua função, é somente na extremidade de montante, mas, para facilitar a ma- nutenção, projeta-se para mais pontos, sendo eles: - No início e no fim das canalizações. - Em pontos intermediários da linha, com a finalidade de isolar um trecho da linha para evitar reparos. - Nas saídas dos reservatórios. - Em derivações de canalizações. Colocar as válvulas em pontos elevados, onde a pressão é maior, garante uma maior facilidade na hora de fazer os reparos. UNIUBE 51 2.1.8.7 Válvulas de descarga Permitem a saída de água quando for necessário. Trata-se de um utensílio posicionado nos pontos mais baixos de uma adutora. O diâmetro da derivação para a colocação da válvula de descarga deve variar entre 1/6 e 1/2 do diâmetro da adutora. Sendo desejá- vel, no entanto, que seja sempre próximo da metade do diâmetro. 2.1.8.8 Ventosas A ventosa é constituída por uma câmara com flutuador. Esses instrumentos são colocados nos pontos elevados das tubulações e garantem um bom funcionamento e segurança das adutoras. Basicamente eles têm as seguintes funções: • Expulsar o ar deslocado pela água durante o enchimento da linha. • Permitir quantidade suficiente de ar, durante o processo de esvaziamento da linha. • Expelir quantidades pequenas de ar desprendido da água e não arrastado pelo fluxo. • Esvaziamento da linha nos pontos baixos ou em casos de ruptura da tubulação. 2.1.8.9 Válvula de retenção Válvulas que permitem o fluxo de água em apenas um sentido, fe- chando-se automaticamente quando ocorre uma inversão no sen- tido do fluxo. 52 UNIUBE São utilizadas imediatamente após válvulas de seccionamento, que são colocadas após as bombas, em uma adutora de recalque. 2.1.9 Considerações finais No estudo para o dimensionamento de estações elevatórias e adu- toras, é necessário obter os dados de onde serão implantados de acordo com as suas necessidades, pois, como visto neste capítulo, a topografia do local, por exemplo, tem um grande papel no desen- volvimento do projeto de saneamento básico. A utilização das E. E. dentro do Sistema de Abastecimento de Água tem as seguintes desvantagens: elevam despesas de operação de- vido aos gastos com energia; são vulneráveis a interrupções e fa- lhas no fornecimento de energia; exigem operação e manutenção especializada, aumentando ainda mais os custos com pessoal e equipamentos. Nos dias atuais, raramente são encontrados sistemas de abasteci- mento de água que não possuam um ou vários conjuntos elevató- rios. Cada vez mais, diminuem os sistemas que funcionam inteira- mente por gravidade, apesar das vantagens que oferecem, como: • Como não possuem equipamentos mecanizados, quando ocorre escassez ou falhas de energia, seu funcionamento não é interrompido e são mais fácies de operar e mantê-los. • Frequentemente, resultam em maior facilidade de proteção da bacia hidrográfica, para a preservação da qualidade, pois as águas mais altas acham-se mais próximas das nascentes. UNIUBE 53 • Evitam despesas com: material de operação, manutenção, energia elétrica e pessoal. O que acontece é que, como muitas cidades se localizam em co- tas bastante elevadas em relação aos mananciais próximos ou a grandes distâncias dos mananciais que podem suprir as cidades por gravidade, torna-se necessário o uso de equipamentos de bombeamento. Vimos, neste capítulo, que as adutoras são elementos indispensá- veis no sistema de abastecimento de água. Portanto, é de gran- de importância fazer estudos da topografia do local, tipo de solos, ocupação, densidade populacional etc. do projeto que será implan- tado, a fim de escolher o melhor sistema de adutoras, visando ao melhor funcionamento do sistema em paralelo com o método mais viável economicamente. É necessário ter em mente os possíveis problemas que podem ocorrer durante e depois do processo de implantação, para assim conseguir resolvê-los da melhor maneira possível, visando sempre à segurança e ao bom funcionamento do sistema projetado. FIQUE POR DENTRO Dimensionamento de adutoras. Disponível em: < https:// www.youtube.com/watch?v=NZecetxRmxc>. Acesso em: 10 mar. 2016. REFLITA Por que não é considerado o rendimento de 100% das bombas? 54 UNIUBE INDICAÇÃO DE LEITURA SILVESTRE, Paschoal.Hidráulica geral. 1. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S. A., 1979. 316 p. Natália Michelan Introdução Reservatórios Redes de Distribuição Capítulo 3 Os reservatórios de distribuição de água são designados a diversas finalidades. São estruturas hidráulicas construídas para reservar a água e estabelecer a transição entre a adução e a distribuição. Os principais propósitos e vantagens para essa reserva são: - Regularizar a vazão: em períodos em que a demanda da vazão fornecida para a rede é inferior à média fornecida, deve-se armazenar a água; em períodos em que a demanda da vazão fornecida para a rede é maior que a vazão média no dia, deve-se fornecer uma vazão constante. - Segurança ao abastecimento: em situações de emergência e no caso de bloqueios no funcionamento normal da adução devido a problemas como ruptura na adutora, paralisação da capitação, falta de energia elétrica etc., deve-se fornecer água. - Reserva de incêndio: reserva destinada ao combate de incêndio. - Regularizar pressões: dependendo da localização dos reservatórios de distribuição, podem influenciar na pressão da rede, principalmente reduzindo as variações das pressões. - Bombeamento de água fora do horário de pico elétrico: permissão para que se faça o bombeamento de água fora do horário de pico elétrico, diminuindo custo de energia elétrica. Em contrapartida, utilizar reservatórios de distribuição apresenta as seguintes desvantagens: - Custo elevado de implantação. - Local: é necessário estabelecer um local adequado para a sua implantação, pois, de acordo com a topografia, pode haver a necessidade da implantação de mais de um reservatório para atender a rede. - Impacto ambiental: pode haver a necessidade de se construir reservatório apoiado, reservatório elevado e semienterrado. Tipos de reserva: - Reserva de equilíbrio. - Reserva de incêndio. - Reserva de emergência. Redes de distribuição É a unidade do sistema de abastecimento que conduz a água para os pontos de consumo (prédio, indústrias etc.). É formada por um conjunto de tubulações e peças especiais dispostas convenientemente de forma a garantir o bom atendimento dos pontos de consumo (GUEDES, 2014). Geralmente, a rede de distribuição é responsável por 50% a 75% do custo total das obras de abastecimento. No sistema público de abastecimento de água, as obras de captação, adução, tratamento e reservação são dotadas de equipes de operação com vigilância constante, mesmo apresentando grandes portes, ao passo que as redes de distribuição não possuem essa atenção permanente. UNIUBE 57 • Entender a disposição dos reservatórios. • Compreender as reservas necessárias existentes. • Aplicar as redes de distribuição ideal de acordo com o projeto. • Reservatórios de montante e jusante • Tipos de reservatórios • Tipos de rede • Dimensionamento pelo método Hard-Cross Objetivos Esquema Classificação dos Reservatórios de Distribuição3.1 Podem ser classificados da seguinte maneira: • Localização no sistema. • Localização no terreno. • Forma do reservatório. • Materiais de construção. 3.1.1 Localização do reservatório no sistema Podem ser divididos em reservatórios a montante e a jusante, de- pendendoda sua posição, tomando como referência a rede de distribuição. 58 UNIUBE Figura 17 - Reservatório de montante e jusante Fonte: Gebara (2000) 3.1.1.1 Reservatório de montante O reservatório de montante é localizado antes da rede de distribui- ção, por ele passa toda água destinada ao consumo. Seu escoa- mento se dá impreterivelmente em um único sentido e são dimen- sionados para manter a vazão e altura manométrica do sistema de adução constante. 3.1.1.2 Reservatório de jusante Os reservatórios de jusante são localizados depois da rede de dis- tribuição e podem ser chamados de reservatórios de sobra. Eles armazenam água nos períodos em que a capacidade da rede é superior à demanda ou, na situação inversa, auxiliam o abasteci- mento durante as horas de maior consumo. Podem ainda controlar a oscilação de pressão nas zonas de jusante da rede. UNIUBE 59 3.1.2 Localização do reservatório no terreno Quando há a necessidade de um reservatório elevado para garantir pressões adequadas na rede de distribuição, pode-se dividir o volu- me de água entre ele e um reservatório apoiado ou semienterrado para um reservatório elevado. As vazões de um dimensionamento de recalque seriam: a. Recalque com capacidade suficiente para atender a vazão da hora de maior consumo na rede distribuidora: (l/s) Obs.: reservatório elevado teria capacidade pequena. b. Recalque com vazão média do dia de maior consumo: (l/s) É comum fixar para o reservatório elevado entre 10% a 20% da capacidade total necessária para a cidade. Reservatório elevado: a cota de fundo do reservatório é maior que a cota do terreno, apoiado em estruturas de elevação. 60 UNIUBE Figura 18 - Reservatório elevado Fonte: Reservatórios... (s./d.) Reservatório apoiado: laje de fundo do reservatório é apoiada no terreno. Figura 19 - Reservatório apoiado Fonte: Gebara (2000) UNIUBE 61 Reservatório semienterrado: apresenta pelo menos um terço de sua altura total situado abaixo do nível do terreno onde se encontra localizado. Figura 20 - Reservatório semienterrado Fonte: Gebara (2000) Reservatório enterrado: quando se encontra completamente em- butido no terreno onde está localizado. Figura 21 - Reservatório enterrado Fonte: Gebara (2000) 3.1.3 Forma do reservatório Como todo projeto de engenharia, a forma do reservatório deve ser elaborada de forma a propiciar máxima economia global em fundação, estrutura, utilização de área disponível, equipamento de operação e interligação das unidades. Deve conter compartimentos independentes a fim de facilitar a 62 UNIUBE limpeza e manutenção. Sua profundidade pode variar de 3 a 6 me- tros e deve ser prevista uma abertura para inspeção na laje supe- rior com largura mínima recomendada de 0,6 metros. Figura 22 - Abertura de inspeção Fonte: Gebara (2000) Figura 23 - Alternativas de construção Fonte: Gebara (2000) A construção do reservatório retangular é a de mais fácil execução, em contrapartida, a forma mais econômica é a circular por gastar menos material de construção. 3.1.4 Materiais de construção A escolha do material da estrutura do reservatório deve ser fei- ta após estudo técnico e econômico que leve em consideração as condições da fundação, a disponibilidade do material na re- gião, a agressividade da água a armazenar e a do ar atmosférico (TSUTIYA, 2006). Os principais materiais utilizados são: • Concreto armado ou concreto protendido. UNIUBE 63 • Aço. • Poliéster armado com fibras de vidro. 3.1.5 Capacidade dos reservatórios 3.1.5.1 Volume para reserva de equilíbrio Na prática, se adota 1/3 do consumo máximo diário: Sendo: V = volume a reservar; P = população servida; Q = consumo médio per capita; K1 = coeficiente de variação diária de consumo. Quando se conhece a curva de consumo da rede, faz-se um gráfi- co da vazão em relação ao tempo para a determinação da média, considerando a adução contínua ao reservatório. 64 UNIUBE Figura 24 - Variação da vazão segundo o consumo da cidade Fonte: Azevedo (1995) 3.1.5.2 Volume para reserva de combate a incêndio Depende do tipo de ocupação e edificação, como: • Para densidades superiores a 150 hab/ha – Vazão no hidran- te é igual a 30 l/s. • Para demais situações 15 l/s. • Tipo do hidrante. • Duração do incêndio que deverá ser considerado. Normalmente, deve-se consultar o Corpo de Bombeiros responsá- vel pela segurança contra incêndios na localidade. UNIUBE 65 3.1.5.3 Reserva de emergência São consideradas situações de emergência, quando: • Ocorrem paralisações no sistema de produção de água, devi- do à capitação, estação elevatória e tratamento. • Acidentes de curta duração. O volume de emergência a ser considerado depende do sistema e fontes de abastecimento de água. Se o sistema tiver sistemas auxi- liares para fornecimento de energia elétrica, por exemplo, o volume a ser considerado será pouco. Se o sistema contém somente uma fonte de abastecimento, sua reserva de emergência deve ser maior. Alguns autores consideram esse acréscimo de volume como um terço da soma do volume de equilíbrio mais o volume de incêndio. Va = (Ve + Vi) / 3) Sendo: Va = volume de emergência, m³; Ve = volume de equilíbrio, m³; Vi = volume de incêndio, m³. 66 UNIUBE 3.1.6 Redes de Distribuição de Água 3.1.6.1 Classificação dos Condutos São dotadas de dois tipos de canalizações: principal e secundária. Tubulação principal, primária, tronco ou mestre: tubulações de maiores diâmetros com o propósito de conduzir o fluido para as redes secundárias. São alimentadas diretamente pelo reservató- rio de montante ou em conjunto com a adutora e reservatório de jusante. Tubulação secundária: tubulações de menores diâmetros com o propósito abastecer diretamente os pontos de consumo do sistema de abastecimento de água. Figura 25 - Exemplo de tubulação tronco e tubulação secundária Fonte: Gebara (2000) Essa divisão nem sempre ocorre ou é clara nos projetos, mas pode facilitar a manutenção e operação do sistema, minimizar proble- mas, permitindo ainda realizar novas ligações facilmente com a tu- bulação em carga (GUEDES, 2014). UNIUBE 67 3.1.6.2 Tipos de redes Conforme a distribuição das canalizações primárias e o sentido do escoamento nas tubulações secundárias, as redes são classifica- das em ramificadas, malhadas e mistas. Rede malhada: na rede malhada, as tubulações principais formam circuitos ou anéis, permitindo abastecer qualquer ponto do sistema por mais de um caminho. Um imprevisto ocorrido no conduto prin- cipal não interromperá o fornecimento de água, pois a mesma es- coará em direção contrária à anterior para atender a nova situação criada pela interrupção. Figura 26 - Exemplo de rede malhada Fonte: Gebara (2000) Rede ramificada: na rede ramificada, pode-se estabelecer um sentido único para o escoamento da água. Sua desvantagem é que o escoamento se faz a partir de uma tubulação tronco, e a distribuição da água é feita diretamente para os condutos secun- dários, portanto qualquer necessidade ou acidente que interrompa o escoamento compromete todo o abastecimento. Está ligada às pequenas comunidades de traçado linear ou quando a topografia e os pontos a serem abastecidos não permitem um traçado como rede malhada. tribulação secundária Reservatório Anéis (tubulação principal) 68 UNIUBE Figura 27 - Exemplo de rede ramificada Fonte: Gebara (2000) Rede mista: possui anéis e trechos ramificados. Figura 28 - Exemplo de rede mista Fonte: Alem Sobrinho e Contrera (2013) 3.1.7 Vazão para dimensionamento da rede No dimensionamento da rede de abastecimento de água, faz-se necessário conhecer as vazões denominadas vazão dedistribui- ção, dada por: )s/l( 86400 PqKKQ 21h ××× = Tubulação tronco Rede ramificada Extremidade mortaReservatório de montante UNIUBE 69 Sendo: Qh = vazão, m³/s; K1 = coeficiente do dia de maior consumo; K2 = coeficiente da hora de maior consumo; q = consumo per capita, l/hab.dia; P = população a ser abastecida, hab. No caso de cada trecho, ficaria complicado retirar a vazão de ali- mentação de um prédio, dessa maneira calculamos como uma va- zão específica de dimensionamento, que pode ser: a. por metro linear de tubulação: Th LQq = Sendo: q = vazão de distribuição em marcha (l/s m); LT = comprimento total da tubulação (m). b) por área da cidade Th AQq = Sendo: q = vazão de distribuição por área de influência (l/s ha); AT = área total da tubulação. 70 UNIUBE 3.1.8 Condições a serem observadas Pressão: é necessário estabelecer uma pressão mínima para que a água alcance os reservatórios domiciliares e uma pressão máxima em função da resistência das tubulações e controle das perdas de carga. • Referente ao nível máximo do reservatório, máxima estática: 50m.c.a. • Referente ao nível mínimo do reservatório, mínima dinâmica: 15m.c.a. Limites de velocidade: baixas velocidades favorecem durabilidade, mas facilitam o depósito de materiais existentes na água, velocida- des altas diminuem o diâmetro da tubulação diminuindo o custo, mas favorecem o desgaste da tubulação, peças e válvulas (NBR 12218/1994). • Mínima 0,6 m/s. • Máxima 3,5 m/s. Diâmetro: devem-se levar em consideração as perdas de carga e as vazões disponíveis aos usuários. • Diâmetro mínimo a ser adotado: 50mm para tubulação secun- dária e 100mm para tubulação primária (NBR12218/1994). A tabela fornece os diâmetros mínimos e velocidades compatíveis com a Norma. UNIUBE 71 Tabela 9: Diâmetros e vazões máximas Diâmetro Valores Máximos das vazões (mm) Velocidades(m/s) Vazões (l/s) 50 (2") 0.60 1.20 75 (3") 0.70 3.20 100 (4") 0.75 6.10 125 (5") 0.80 10.40 150 (6") 0.80 14.60 200 (8 ") 0.90 29.20 250 (10") 1.00 50.70 300 (12") 1.00 72.82 350 (14") 1.10 109.18 Fonte: Dacac (1975) 3.1.9 Dimensionamento das redes ramificadas Para o dimensionamento das redes ramificadas, adota-se o méto- do do seccionamento fictício. Esse método baseia-se em transfor- mar uma rede malhada em outra ramificada, por meio de pontos de seccionamento que dão origem a extremidades livres, mas que na realidade estarão interligadas. Figura 29 - Rede ramificada Tubulação tronco Tubulação secundária Ponto de seccionamento 72 UNIUBE Fonte: Gebara (2000) 3.1.10 Procedimento de Cálculo Conhecendo o sentido do escoamento do sistema, deverá ser de- terminada a vazão de projeto. No caso de rede ramificada, uma sugestão a ser feita é que o projetista utilize a vazão por metro de tubulação. A seguir, apresenta-se uma planilha modelo para o cál- culo de redes ramificadas. Tabela 10: Modelo de planilha (rede ramificada) Fonte: Gebara (2000) O preenchimento da planilha segue os seguintes passos: Coluna 1: número do trecho, devendo o primeiro trecho ser o mais afastado do reservatório. Coluna 2: comprimento do trecho. Coluna 3: vazão de jusante Qj, se na extremidade de um ramal (ponta seca) Qj=0. Na extremidade de jusante de um trecho qualquer, temos ∑= mj QQ dos trechos abastecidos por ele. UNIUBE 73 Coluna 4: vazão em marcha (q × ltrecho), em que q é a vazão por metro de tubulação e constante para todos os trechos. Coluna 5: vazão de montante 3 Q Q mf = . Coluna 6: vazão fictícia, para o caso de ponta seca (Qj = 0) é dada por 3 Q Q mf = Caso contrário (Qj ≠ 0), será dada por 2 QQ Q jmf + = . Coluna 7: diâmetro do tubo, determinado pela vazão do trecho, es- tando em acordo com a tabela de diâmetros. Coluna 8: perda de carga do trecho (J × ltrecho), calculada em função do diâmetro e da vazão fictícia. Colunas 9 e 10: cota piezométrica de montante e jusante, deter- minada pela cota do nível do reservatório (nível mais crítico) sub- traídas as perda de carga até o ponto de montante ou jusante em questão. Coluna 11 e 12: cotas topográficas de montante e jusante, obtidas das plantas topográficas disponíveis. Coluna 13 e 14: carga de pressão disponível, calculada pela sub- tração da cota topográfica do ponto a ser analisado (montante e jusante) da cota piezométrica de montante e jusante. Para se verificar a condição correta do cálculo, é necessário que no nó onde houver o seccionamento, a diferença de pressão média obtida por dois caminhos diferentes seja menor que 5%. 74 UNIUBE 3.1.11 Dimensionamento de Rede Malhada No dimensionamento da rede malhada, o método mais utilizado é o Hardy-Cross, pois pode ser usado em áreas com uma distri- buição maior formando circuitos fechados (malhas) facilitando os cálculos. Baseia-se em concentrar as vazões a serem distribuídas em pontos localizados nas malhas, dando a ideia que ela não está distribuída ao longo dos trechos. Como o dimensionamento dá-se em áreas grandes, torna-se com- plicado fazê-lo sem utilizar soluções iterativas. Essas soluções ite- rativas são necessárias pois à medida que a complexidade aparece, ou seja, número de malhas e nós, aumenta o número de equações, fazendo com que as soluções algébricas se tornem difíceis. Essas malhas são equilibradas em sequência, até que todas as situações de escoamento sejam satisfeitas, como: a. A soma algébrica das perdas de carga, ao longo de cada cir- cuito, deve ser nula. b. A soma algébrica das vazões, em cada nó da rede, deve ser nula. A primeira condição estabelece que a perda de carga entre quais- quer dois pontos no circuito deve ser a mesma. A segunda condi- ção é a equação da continuidade. Para o cálculo da perda de carga, em cada trecho da rede, utiliza- se uma equação de resistência na forma H = r Qn. Perdas singula- res podem ser incluídas como comprimentos equivalentes de cada conduto, mas normalmente desprezam-se seus efeitos, a não ser UNIUBE 75 que a rede seja muito pequena. O método de Hardy-Cross admite vazões em cada conduto, de modo que a equação da continuidade seja satisfeita em todos os nós. Calcula-se uma correção na vazão em cada malha em sequ- ência até que se consiga um equilíbrio entre as malhas. O valor de r é constante para cada conduto (exceto quando se usa a fórmula Universal), sendo determinado antes de se iniciar o processo de balanceamento dos anéis. Observe, a seguir, como o termo corretivo é obtido. Para um tubo qualquer, no qual se admite uma vazão inicial Q0: QQQ 0 ∆+= Sendo Q a vazão correta: ∆Q é a correção. Então, para cada conduto: ( ) ...)QnQQ(rQQrrQh 1n0n0n0nf ++=+== − ∆∆ Como o valor de ∆Q é pequeno, comparado a Q0, todos os termos que contenham ∆Q, elevados a uma potência igual ou superior à segunda, podem ser desprezados. Então, para uma malha temos: ∑ =+ − 0)QnQQ(r 1n0n0 ∆ Consequentemente: 76 UNIUBE ∑ ∑ −−=∆ 1 0 0 n n nrQ rQ Q Resultando em: ∑ ∑−=∆ 0Q hn h Q Em que: h = perda de carga no trecho; r = constante obtida em função do diâmetro, da extensão e da fórmula adotada; Q = vazão no trecho; n = potência que depende da fórmula usada: no caso da fórmula Universal n = 2,00; no caso de Hazen-Williams n = 1,85 . 3.1.12 Roteiro para o Cálculo de Redes Malhadas Utilizando o Método de Hardy-Cross a. Lançar os anéis da rede, obedecendo às distâncias e áreas má- ximas permitidas pela norma. Esse lançamento pode ser basea- do em critérios urbanísticos de distribuição de demanda, densi- dade populacional, crescimento de áreas a serem abastecidas. UNIUBE 77 Figura 30 - Pontos nodais e máxima distância de atendimento(rede malhada) Fonte: Gebara (2000) Figura 31 - Definição das áreas de influência (Método de Thiessen) Fonte: Gebara (2000) b. Definir pontos fictícios convenientemente localizados nas tu- bulações, que substituem, para efeito de cálculo, uma cer- ta fração de área a ser abastecida, de modo a transformar vazões por unidade de área em vazões pontuais, que serão descarregadas nesses pontos. 78 UNIUBE Figura 32 - Vazões nodais Fonte: Gebara (2000) c. Admite-se que a distribuição em marcha que ocorre nos tre- chos que formam os anéis seja substituída por uma vazão constante. d. Supõem-se conhecidos os pontos de entrada e saída de água e os valores das respectivas vazões. e. Atribui-se, partindo dos pontos de alimentação, uma distribui- ção de vazão hipotética Q0 para cada trecho dos anéis. Figura 33 - Vazões nos trechos Fonte: Gebara (2000) UNIUBE 79 f. Atribuindo o sentido horário de percurso das vazões como po- sitivo, dá-se um sinal às vazões, verificando então, em cada nó, a equação da continuidade, ou seja, ∑Qi = 0. g. Pré-dimensiona o diâmetro de cada trecho pela condição de velocidade limite ou, se quiser, pela perda de carga máxima admissível que se queira ter. h. Calcula-se a perda de carga para cada trecho de cada anel. Calcula-se o somatório das perdas de carga em todos os anéis. i. Se para todos os anéis tivermos ∑ H = 0, a distribuição de vazões estabelecida está correta e a rede é dita equilibrada. j. Se, em pelo menos um dos anéis, ∑ H≠ 0, devemos corrigir a distribuição da vazão admitida, somando-se algebricamen- te a cada uma delas um valor ∆Q calculado como mostrado anteriormente, de modo que as novas vazões em cada trecho sejam: Q = Q0 + ∆Q. k. Repete-se esse procedimento até que se obtenha: ∑ H ≤ 1 m.c.a e ∆Q ≤ 1 l/s. l. Equilibrada a rede, procede-se como nos passos de 9 a 14 do cálculo de rede ramificada para verificação das pressões nos nós. 80 UNIUBE 3.1.13 Considerações finais Neste capítulo, vimos que, para dimensionar reservatórios e redes de abastecimento de água, não existe somente um método ou uma solução. Todos os cálculos são baseados em melhores escolhas devido a diferentes circunstâncias encontradas na região em que se projeta. A disponibilidade de materiais, o tipo de profissional e equipe contratada variam de região para região, portanto escolhas devem ser efetuadas a fim de sempre buscar soluções que aten- dam as exigências impostas com maior segurança e conforto para quem desfrutar do sistema adotado. Os reservatórios, quando dimensionados corretamente, têm a fina- lidade de armazenar a água para atender as variações de consu- mo, as demandas de emergência e uma melhoria e adequação das condições de pressão. As variações ocorrem porque o consumo não é constante, ele varia ao longo do dia devido a picos de serviços e clima. Para esse caso, a implantação do reservatório seve para atender a demanda de forma constante. Outro fator importante para a implantação de reservatórios se dá devido a acidentes ou falhas, pois, se não fosse pela implantação do reservatório, a demanda de água teria que ser cessada. As redes de distribuição são assim denominadas pois provêm da forma como as suas tubulações são instaladas, elas formam redes de condutos interligados entre si e possibilitam diversas derivações para a distribuição da água potável aos imóveis abastecidos. Uma rede de distribuição mal operada ou mal projetada é fonte permanente de problemas, no que diz respeito às perdas de água, UNIUBE 81 ao comprometimento da qualidade da água e a reclamações dos usuários. Uma rede de abastecimento de água mal distribuída ou mal pro- jetada implica consideravelmente na economia de uma cidade ou região, podendo afetar a população e, consequentemente, o de- senvolvimento do local. Este capítulo apresentou ainda considerações conceituais e orien- tações técnicas para as diversas etapas da elaboração de projeto de rede de distribuição de água. FIQUE POR DENTRO condutos interligando 3 ou mais reservatórios. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=whRuU4yqGpc>. Acesso em: 21 jan. 2016. REFLITA Que solução poderia ser aplicada se a previsão da densi- dade populacional foi feita para a direção contrária ao ver- dadeiro crescimento? INDICAÇÃO DE LEITURA HELLER, Léo; PÁDUA, Valter Lúcio de. Abastecimento de água para consumo humano. Belo Horizonte: UFMG, 2006. Natália Michelan Introdução Elementos de ProjetoCapítulo 4 “Elaborar projetos é uma forma de independência. É uma abordagem para explorar a criatividade humana, a mágica das ideias e o potencial das organizações. É dar vazão para a energia de um grupo, compartilhar a busca da evolução” (KISIL R., 2001, apud JOSÉ, s./d., p. 4). O projeto de engenharia é o guia de execução de uma obra, ele prevê e direciona como, quando e por quem as operações serão realizadas. Com o estudo do projeto de construção da obra, as previsões são mais precisas, o processo pode ser otimizado e o bom resultado tem maior garantia. Nessa fase de projeto, são estudadas soluções para melhorar a eficiência das redes de abastecimento de água e coleta de esgoto, bem como a economia de energia e reúso da água, gerando uma economia no custo da operação. Elaborar um projeto é contribuir para a solução de problemas, transformando ideias em ações. É o resultado obtido ao se projetar no papel tudo o que é necessário para o desenvolvimento de um conjunto de atividades a serem executadas, como: planejamento, execução, operação, manutenção, contratações etc. Um projeto surge em resposta a um problema concreto. Fase de estudos preliminares - Dados e características da comunidade: clima, cobertura vegetal, história da comunidade, localização, topografia e relevo do local, urbanização existente, nível do lençol freático, mão de obra, presença de mananciais, área edificada, sistema de água de abastecimento e esgoto etc. - Sistema existente: localização do ponto de coleta do manancial, vazão mínima e máxima, período em que foi construída a rede, extensão da rede existente, localização da estação de tratamento e água e estação elevatória etc. - Administração existente: representantes administrativos (serviço autônomo municipal ou por meio de órgão concessionário). - Sistemas propostos: alcance do projeto, normas, alternativas etc. - Análise final: passado por uma revisão, tem-se a decisão recomendada. Fase de Elaboração de Projetos Projeto Básico Projeto Hidráulico: abastecimento de água e coleta de esgoto sanitário. b) Projeto Complementar: estrutura, paisagismo etc. Projeto Executivo Detalhamentos de pormenores que não puderam ser definidos durante a elaboração do projeto básico. Fase de Construção do Sistema Escolhido Nessa fase de posse de todos os detalhes do projeto executivo, a empresa responsável inicia suas atividades de acordo com os prazos estabelecidos em contrato. Fase de Operação do Sistema Escolhido Após o término da obra, entra-se na fase de operação do novo UNIUBE 85 sistema. Deve-se observar a existência de possíveis falhas no sistema e verificação dos parâmetros de segurança (NORMA), de acordo com o que foi proposto pelo projetista. Problemas Relacionados com Sistemas de Águas de Abastecimento e/ou Esgotos Sanitários. Projeto a) Avaliar as vazões de dimensionamento dos vários órgãos do sistema. b) Satisfazer as condições técnicas mínimas e com o menor custo de investimento possível. c) Período do projeto. d) Área servida. Área de Projeto a) Taxa de crescimento populacional. b) Tipo de ocupação da área urbana. c) Densidade populacional. Dificuldades e Erros de Previsão a) Falta de planejamento. b) Falta de plano diretor.c) Continuidade das administrações públicas. d) Retorno de capital. e) Ampliação desnecessária. f) Sub/super utilização do sistema; encarecimento dos serviços. Consequência da não implantação do sistema a) Contaminação. b) Poluição da água e do solo. 86 UNIUBE • Compreender os passos para a elaboração de um projeto de sistemas de abastecimento de água. • Compreender os passos para a elaboração de um projeto de sistemas de esgoto. • Sistemas de abastecimento de água • Sistema de esgoto Objetivos Esquema Roteiro para Sistemas de Abastecimento de Água4.1 Memorial Descritivo e de Cálculo Descrever resumidamente o que irá realizar no projeto. 1. Apresentar o tipo de ocupação da cidade ou do loteamento. Exemplo: residencial, dormitório, agropastoril etc. 2. Localização da cidade ou loteamento. Exemplo: país, estado, região do estado, cidades mais importantes próximas, vias de acesso, serviços (hospital, rodoviária, rede elétrica, de água e de esgoto, drenagem pluvial, entre outros), clima, etc. 3. Dados de Projeto: a. Se for cidade: I. indicar onde colocará a rede de água; UNIUBE 87 II. definir período de projeto; III. fazer previsão de população indicando qual o método utiliza- do, apresentando os dados dos últimos três censos, popula- ção atual e população futura: 1. apresentar, se necessário, a previsão de população em etapas; 2. os cálculos devem ser apresentados em anexo; IV. definir ou adotar consumo per capita; V. definir ou adotar coeficientes de variação diária e horária; VI. definir ou adotar densidade populacional futura: 1) se necessário, definir ou adotar densidade populacional atual (no caso de não haver censo populacional); VII. possível expansão da cidade, inclusive apresentando croqui ilustrativo no corpo do memorial descritivo; VIII. consumo atual e futuro da cidade em todas as partes consti- tuintes do sistema de abastecimento de água; b. Se for loteamento: I. finalidade do loteamento (residencial, lazer, popular, indus- trial etc.); II. tamanho dos lotes (apresentar croqui do loteamento com os diferentes tipos de lote); 88 UNIUBE III. número de lotes; IV. número de pessoas por lote ou estimar a densidade po- pulacional do loteamento compatível com a finalidade do loteamento; V. indicar onde colocará a rede de água; VI. definir ou adotar consumo per capita; VII. definir ou adotar coeficientes de variação diária e horária; VIII. consumo atual e futuro do loteamento. 4. Reservação ou Reservatórios a. Determinar o volume de água a ser reservado para equilíbrio, emergência e incêndio. b. Definir localização do reservatório apoiado, semienterrado ou enterrado e elevado, tantos quanto forem necessários. A defi- nição do local depende: I. do tamanho da cidade ou loteamento, o que pode acarretar a necessidade de realizar a divisão de rede; II. de onde a prefeitura determinar; III. de onde o loteador determinar. c. Determinar a capacidade (comprimento, largura e altura), ou seja, a(s) dimensão(ões) do(s) reservatório(s) apoiado(s), se- mienterrado(s) ou enterrado(s). UNIUBE 89 d. Dimensionar os órgãos necessários: compartimentos do re- servatório, extravasor, dreno, escada e sinalização de incên- dio, tubulação de alimentação da rede e do reservatório ele- vado, o conjunto elevatório fornecendo curva característica, ponto de funcionamento, diâmetro do rotor, verificando cavi- tação e o golpe de aríete etc. e. Determinar a capacidade (comprimento, largura e altura), ou seja, a(s) dimensão(ões) do(s) reservatório(s) elevado(s). f. Dimensionar os órgãos necessários: extravasor, dreno, esca- da e sinalização de incêndio, tubulação de alimentação da rede etc. g. Apresentar croqui em escala compatível ou, se for o caso, sem escala, mas em tamanho adequado, e todas as informa- ções acima no corpo do memorial descritivo. h. Em anexo, apresentar todos os detalhes acima em escala com- patível (planta, corte etc.) e com todas as cotas necessárias. 5. Redes de Água de Abastecimento a. Verificar a necessidade ou não de fazer divisão de rede, ou seja, dividir a cidade ou loteamento em rede baixa ou alta. b. Apresentar croqui em escala compatível ou, se for o caso, sem escala, mas em tamanho adequado à divisão de rede no corpo do memorial descritivo: I. nesse croqui, apresentar ainda onde estão colocados os re- gistros que separam a rede baixa da alta; 90 UNIUBE II. nesse croqui, apresentar ainda a localização das subaduto- ras que alimentam a rede baixa e a rede alta. c. Rede Baixa: I. localizar a rede principal e a rede secundária; II. dimensionar a tubulação da rede baixa; III. colocar os registros de manutenção da rede baixa. d. Rede Alta: I. localizar a rede principal e a rede secundária; II. dimensionar a tubulação da rede alta; III. colocar os registros de manutenção da rede alta. e. No dimensionamento da rede baixa ou alta, utilizando o proces- so do seccionamento fictício, apresentar no memorial descritivo: I. vazão por metro linear; II. croqui com os seccionamentos da tubulação efetuados; III. dimensionamento de alguns trechos, inclusive determinando as cotas piezométricas e as pressões em alguns pontos; IV. croqui com os diâmetros e comprimentos; V. em anexo, planilha com o cálculo de todos os trechos da rede (não esquecer que o cálculo compreende também a UNIUBE 91 determinação das pressões em todos os pontos da rede), fa- zendo as verificações necessárias. f. No dimensionamento da rede baixa ou alta, utilizando o pro- cesso do Hardy-Cross, apresentar no memorial descritivo: I. vazão por área; II. croqui com os anéis e seu sentido positivo adotado, pontos de saída de água com suas respectivas áreas de influência e vazões e a primeira distribuição de vazão nos trechos com os respectivos diâmetros e comprimentos; III. fazer a 10 iteração e correção das vazões dos trechos; IV. em anexo, a planilha com o cálculo de todos os trechos da rede (não esquecer que o cálculo compreende também a de- terminação das pressões em todos os pontos da rede), fa- zendo as verificações necessárias. g. Apresentação da planta da rede em anexo, lembrando que deverá conter a locação dos reservatórios, divisão da rede e os registros necessários a essa divisão, as redes principal e secundária com todas as informações necessárias como diâmetro, comprimento, vazão, material e os registros neces- sários à manutenção da rede e à colocação dos hidrantes de incêndio. 6. Manancial e Captação a. Verificar em cada manancial: I. vazão mínima, média e máxima; 92 UNIUBE II. qualidade da água e os tratamentos necessários; III. obras necessárias para utilização do manancial; IV. dimensionamento do perfil Creager, canal de entrada, grade, caixa de areia, poço de sucção e da estação elevatória de água (bombas). 7. Adutora e Órgãos especiais a. Dimensionamento da adutora pelo processo do mínimo custo anual: I. determinar os diversos diâmetros e os diversos conjuntos motobombas que podem ser utilizados para que apresente o mínimo custo anual; II. dimensionar corretamente a estação elevatória escolhendo as bombas, especificando vazão de recalque, ponto de fun- cionamento (Hm), tubulação de sucção e recalque (com as conexões e órgãos especiais necessários), verificação de cavitação e golpe de aríete. Deverá ainda fornecer a curva característica e as especificações necessárias da bomba escolhida; III. lançar a adutora desde o manancial até a ETA e dimensio- nar todos os órgãos especiais como registro de parada, de descarga, ventosa, válvula de retenção, válvula antigolpe de aríete, de alívio de pressão, não esquecendo das curvas e tês. b. Apresentar planta completa do poço de sucção, da casa de bombase, em escala compatível, o corte longitudinal (escala UNIUBE 93 vertical e horizontal) de cada trecho da adutora, contendo co- tas do terreno e da adutora, contendo distância, diâmetro do tubo, localização do órgão especial, curva, tês, etc. 8. ETA a. Localização da ETA. b. Citar os tratamentos necessários. c. Definir se haverá reservatório junto à ETA ou não. d. No caso de a localização do reservatório enterrado ou eleva- do ser em local diferente da ETA, dimensionar as bombas de recalque, fornecendo todos os dados como foi feito na aduto- ra de água bruta. Obs.: as plantas deverão ser dobradas de acordo com a norma, devendo ter carimbo e lista de material nas em que esses dados forem necessários, e os desenhos devem estar em escala compa- tível, elas devem ser apresentadas em anexo ao corpo do memo- rial. O que deve estar contido no corpo do memorial são croquis ilustrativos. 4.1.1 Roteiro para Projetos de Esgoto Sanitários Descrever resumidamente o que irá realizar no projeto. 1. Apresentar o tipo de ocupação da cidade ou do loteamento. Exemplo: residencial, dormitório, agropastoril etc. 2. Localização da cidade ou loteamento. Exemplo: país, estado, região do estado, cidades mais importantes próximas, vias de 94 UNIUBE acesso, serviços (hospital, rodoviária, rede elétrica, de água e de esgoto, drenagem pluvial, entre outros), clima etc. 3. Dados de Projeto: a. Se for cidade: I. definir o sistema de esgotamento de esgoto; II. indicar onde colocará a rede de esgoto; III. definir período de projeto; IV. fazer previsão de população, apresentando os dados dos últi- mos três censos, população atual e população futura: 1) apresentar, se necessário, a previsão de população em etapas; 2) os cálculos devem ser apresentados em anexo; V. definir ou adotar consumo per capita; VI. definir ou adotar coeficientes de variação diária e horária; VII. definir ou adotar densidade populacional futura: 1) se necessário, definir ou adotar densidade populacional atual (no caso de não haver censo populacional); VIII. possível expansão da cidade, inclusive apresentando croqui ilustrativo no corpo do memorial descritivo; UNIUBE 95 IX. definir ou adotar coeficiente de infiltração; X. definir ou adotar necessidade de considerar vazão concentrada; XI. produção atual e futura de esgoto na cidade. b. Se for loteamento: I. finalidade do loteamento (residencial, lazer, popular, indus- trial etc.); II. tamanho dos lotes (apresentar croqui do loteamento com os diferentes tipos de lote); III. número de lotes; IV. número de pessoas por lote ou estimar a densidade po- pulacional do loteamento compatível com a finalidade do loteamento; V. definir o sistema de esgotamento de esgoto; VI. indicar onde colocará a rede de esgoto; VII. definir ou adotar consumo per capita; VIII. definir ou adotar coeficientes de variação diária, horária e vazão mínima; IX. definir ou adotar coeficiente de infiltração; X. definir ou adotar necessidade de considerar vazão concentrada; 96 UNIUBE XI. produção atual e futura de esgoto na cidade; 4. Traçado da Rede de Esgoto I. verificar a necessidade ou não de se ter redes independen- tes, caso haja a necessidade, fornecer consumo per capita, coeficientes de variação diária, horária e vazão mínima para cada rede independente; II. numerar os PVs e os trechos para cada rede independente; III. determinar as cotas do terreno onde se localizam os PVs; IV. determinar ou adotar a profundidade mínima dos PVs; V. colocar o sentido escolhido para o escoamento do esgoto, de preferência no sentido da declividade do terreno; VI. apresentar croqui em escala compatível ou, se for o caso, sem escala, mas em tamanho adequado, e todas as informa- ções acima no corpo do memorial descritivo. 5. Rede de Esgoto I. determinar o comprimento inicial e final da rede de esgoto sanitário; II. calcular as taxas de contribuição linear inicial e final; III. dimensionar, no corpo do memorial descritivo, alguns trechos da rede coletora de esgoto, determinando e verificando a de- clividade mínima e máxima (Norma) do terreno e adotando a declividade do coletor, a tensão trativa, a velocidade final e UNIUBE 97 crítica, as lâminas de esgoto inicial e final e por fim verifican- do a existência de remanso; IV. em anexo, apresentar a planilha de dimensionamento de to- dos os trechos da rede de esgoto, fazendo todas as verifica- ções necessárias; V. apresentação da planta da rede em anexo, conforme nota de aula, lembrando que deverá conter a locação da estação elevatória de esgoto, apresentando os diversos trechos da rede de esgoto com diâmetro, vazão, comprimento, material e declividade do coletor de cada trecho da rede em uma plan- ta em escala conveniente, contendo ainda a lista de material; VI. apresentar, em anexo, o corte longitudinal de cada trecho da rede de esgoto (ruas), contendo distância, diâmetro do tubo, localização e profundidade dos PVs, em escala compatível conforme nota de aula; VII. apresentar, em anexo, do detalhamento de todos os PVs com planta, cortes, etc., em escala compatível. 6. Estação Elevatória de Esgoto (EE) I. dimensionar corretamente a estação elevatória escolhendo as bombas; especificar vazão de recalque, ponto de funcio- namento (Hm), tubulação de sucção e recalque (com as co- nexões e órgãos especiais necessários); verificar cavitação e golpe de aríete. Deverá ainda fornecer a curva característica e as especificações necessárias da bomba escolhida; II. lançar o emissário desde a E. E. até E. T. E. ou corpo recep- tor e dimensionar todos os órgãos especiais como ventosa, 98 UNIUBE válvula de retenção, válvula ante golpe de aríete, não esque- cendo das curvas e tês; III. apresentar planta completa do poço de sucção, da casa de bombas e, em escala compatível, o corte longitudinal (esca- la vertical e horizontal) de cada trecho da adutora, contendo cotas do terreno e do emissário (ou interceptor), a distância, o diâmetro do tubo, a localização do órgão especial, a curva, tês, etc. Obs.: as plantas deverão ser dobradas de acordo com a norma, devendo ter carimbo e lista de material nas em que esses dados forem necessários, e o desenho deve estar em escala compatí- vel, elas devem ser apresentadas em anexo ao corpo do memo- rial. O que deve estar contido no corpo do memorial são croquis ilustrativos. 4.1.2 Considerações finais Para se elaborar um projeto, é necessário ter em mente que existem algumas considerações a serem veiculadas, como Licenciamento ambiental. Esse Licenciamento Ambiental é um procedimento administrativo pelo qual o ór- gão ambiental competente licencia a localização, instalação e operação de empreendimentos e ati- vidades utilizadoras de recursos ambientais, con- sideradas efetivamente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degra- dação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso (RESOLUÇÃO CONAMA n° 237, 1997). Vale ressaltar que o alcance do projeto, ou seja, sua elaboração para um determinado tempo (até que ano que será concebido e UNIUBE 99 dimensionado), não é uma questão de menor importância, uma vez que, do ponto de vista econômico, diferentes alcances podem de- terminar diferentes desempenhos financeiros. Dessa forma, em projetos com um maior alcance, é totalmente aceitável que sejam desenvolvidos estudos econômicos financeiros na fase de concepção, comparando diferentes opções de alcance, cada um sendo pré-dimensionado e avaliado financeiramente. Já sistemas de menor alcance podem ser baseados no bom senso e na experiência do projetista. É sempre importante pensar na expansão do sistema, ou seja,na capacidade de etapas posteriores além da definição do alcance na etapa preliminar do projeto. Este capítulo possibilita que o leitor elabore um conjunto de ele- mentos que expressam o propósito de atuar sobre uma determi- nada realidade, caracterizada a partir de um contexto, por meio de obras ou de serviços que possibilitarão o equacionamento de um problema ou o atendimento de necessidades de um grupo ou enti- dade, dentro dos quesitos impostos pela norma. FIQUE POR DENTRO Fluxo de Trabalho Básico para Projetos de Saneamento. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=KFQ- 3Vmf6Cn0>. Acesso em: 24 mar. 2016. 100 UNIUBE REFLITA Em sua cidade, você pode dizer que a rede de abaste- cimento de água e de tratamento da rede de esgoto se- gue as especificações das normas vistas neste capítulo? Aponte as falhas, se houver. INDICAÇÃO DE LEITURA - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12218: projeto de rede de distribuição de água para abasteci- mento público, 1990. Ebah. Disponível em: <http://www.ebah.com. br/content/ABAAABl7cAG/nbr-12218-projeto-rede-distribuicao-a- gua-abastecimento-publico>. Acesso em: 03 abr. 2016. - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9649: Projeto De Redes Coletoras De Esgoto Sanitário, 1986. Licenciador Ambiental. Disponível em: <http://licenciadorambien- tal.com.br/wp-content/uploads/2015/01/NBR-9.649-Projeto-de- Redes-de-Esgoto.pdf>. Acesso em: 03 abr. 2016. Natália Michelan Introdução Tratamento de ÁguaCapítulo 5 O abastecimento dado pelo sistema público sempre deve fornecer água segura e de boa qualidade. A análise das águas obtidas nos mananciais, feita com frequência desejável, revelará a necessidade ou não de qualquer processo corretivo. Diz-se que uma água é contaminada quando ela contém organismos potencialmente patogênicos ou contém substâncias tóxicas que a tornam perigosa, portanto, imprópria para o consumo humano ou uso doméstico. Diz-se que uma água é poluída quando ela contém substâncias de tal caráter e em tais quantidades que sua qualidade é alterada de modo a prejudicar a sua utilização ou a torná-la ofensiva aos sentidos de visão, paladar e olfato. As substâncias que, pelos seus caracteres próprios ou pelos elevados teores, causam a poluição da água são chamadas “impurezas da água”. Obviamente, o conceito de “impurezas da água” tem significado muito relativo, pois depende inteiramente das características próprias da substância poluidora e do seu teor em relação ao uso específico ao qual a água se destina. Para fins de consumo humano, a potabilização das águas naturais tem como função essencial adequar a água bruta aos limites físicos, químicos, biológicos e radioativos estabelecidos pela Portaria 518/2004, tornando o efluente da estação incapaz de transmitir qualquer malefício à população abastecida. O tratamento de água consiste na remoção de partículas suspensas e coloidais, matéria orgânica, microrganismos e outras substâncias possivelmente deletérias à saúde humana, porventura presentes nas águas naturais, aos menores custos de implantação, operação e manutenção, gerando o menor impacto ambiental às áreas circunvizinhas (MATSUMOTO). A utilidade de tratamento e os processos a serem adotados deverão ser determinados com base nos resultados dos exames laboratoriais e das inspeções sanitárias de campo, cobrindo um período razoável de tempo, de forma a conferir credibilidade às soluções concebidas. Alguns compostos químicos são, inclusive, indispensáveis à água destinada ao consumo humano, sendo de grande importância fisiológica. Já outras utilizações da água, tais como a irrigação, a preservação da fauna e flora e o uso pastoril, por exemplo, necessitam que ela contenha alguns constituintes indispensáveis àqueles usos. Neste capítulo, veremos as características da água agrupadas em três categorias: físicas, químicas e biológicas. • Analisar todas as etapas de tratamento de água. • Aplicar os métodos de tratamento. • Características da água • Padrões de qualidade • Tecnologias de tratamento Objetivos Esquema UNIUBE 103 Características da Água5.1 As características da água podem ser agrupadas em três catego- rias: físicas, químicas e biológicas. a. Características Físicas: cor, turbidez, sabor e odor. Estão liga- das, principalmente, com a apresentação da água. • Cor: provém da existência na água, de materiais em suspen- são. Essa natureza é marcante quando há presença de maté- ria orgânica na água, minerais como o ferro e o manganês, ou de rejeitos coloridos compostos em esgotos industriais. • Turbidez: causada por partículas insolúveis de solo, matéria orgânica e organismos microscópicos. • Sabor e Odor: provém da presença de alguns compostos quí- micos na água (ex: sais dissolvidos produzindo sabor salino; alguns gases resultando em maus odores) ou de matéria or- gânica em decomposição e algas. Dessa forma, estas carac- terísticas estão na maioria das vezes associadas às impure- zas químicas ou biológicas da água. Características físicas podem afetar alguns usos da água, como por exemplo: a cor e a turbidez podem tornar a água inadequada ao consumo, pelo aspecto aparente, ou por sujar roupas e apare- lhos sanitários; água com sabor e odor saliente são desprezadas para consumo doméstico ou podem causar problemas ao organis- mo humano; a tubidez alta em águas de rios, impedem a passagem dos raios solares e consequentemente a fotossíntese, causando problemas ecológicos para o meio aquático. 104 UNIUBE b. Características Químicas: dureza, salinidade, agressividade, ferro e manganês, alcalinidade, compostos de nitrogênio, clo- retos, fluoretos, matéria orgânica (OD, DBO, DQO), detergen- tes, substâncias radioativas. • Dureza: é dado principalmente pelos sais alcalinos terrosos (cálcio e magnésio), ou de outros íons metálicos bivalentes, em menor quantidade. Um doa maiores problemas das águas com dureza acentuada são: extinção da espuma do sabão, acentuando o seu consumo; produzem “crostas” nas tubula- ções e caldeiras. • Salinidade: resultado do excesso de sais dissolvidos na água: bicarbonatos, cloretos e sulfatos, transformando-a com sabor salino e acentuando a propriedade laxativa. • Agressividade: característica do aparecimento de gases em solução na água, como oxigênio, o gás carbônico e o gás sul- fídrico. A água agressiva pode causar danos como a corrosão de metais ou de outros materiais, como o cimento. • Ferro e Manganês: são compostos que em grande quantida- de na água, podem causar problemas, tais como: coloração avermelhada no caso do ferro ou marrom, devido ao manga- nês, produzindo: manchas em roupas ou em produtos indus- trializados; sabor metálico; em doses altas, podem ser tóxicas. • Alcalinidade: é considerada uma água alcalina, quando tem uma quantidade acentuada de bicarbonato de cálcio e man- ganês, carbonatos ou hidróxidos de sódio, potássio, cálcio e magnésio. Contribui para a salinidade da água, e comprome- te os processos de tratamento. UNIUBE 105 • Compostos de Nitrogênio: O nitrogênio colabora para o de- senvolvimento de algas em rios, devendo ser diminuindo, para evitar a proliferação excessivas das mesmas. Altas con- centrações de nitratos são responsáveis pela incidência de uma doença infantil chamada metemoglobinemia (ou ciano- se) que provoca a descoloração da pele. • Cloretos: podem estar presentes como resultante da poluição devida a intromissão da água do mar, de esgotos sanitários ou industriais. Em teores elevados causam sabor realçado, podendo ainda provocar reações fisiológicas ou aumentar a corrosividade da água. • Fluoretos: dependendo da dosagem, os fluoretos podem cau- sar benefícios ou danos. Se em quantidades adequadas tor- na-se bom para a prevençãode cáries nos dentes, mas em condições elevadas provocam alterações ósseas ou provocar manchas escuras nos dentes. • Matéria Orgânica: normalmente a contaminação por matéria orgânica é avaliada considerando três aspectos: oxigênio dis- solvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e de- manda química de oxigênio (DQO). • Oxigênio Dissolvido: indica as condições de poluição por ma- téria orgânica. Se a água estiver saturada de oxigênio indica uma água não poluída por matéria orgânica. • Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) – DBO é uma carac- terística que indica a quantidade de oxigênio necessária, em um meio aquático e a respiração de microrganismos aeróbios, para consumirem a matéria orgânica introduzida na forma de esgotos ou de outros resíduos orgânicos. A determinação 106 UNIUBE da DBO é feita em laboratório, em condições prescritas pela norma. • Demanda Química de Oxigênio (DQO): é a quantidade de oxigênio molecular necessária à estabilização da matéria orgânica, por via química. Não existe uma correlação entre DBO e DQO. No entanto, a DQO é sempre maior que a DBO, devido a oxidação química decompor matéria orgânica não biodegradável. • Detergentes: os detergentes criam uma camada de espuma na água e impedem a entrada de gás e oxigênio, causando vários problemas nas estações de tratamento de água e es- goto. . • Substâncias Radioativas: as águas afetadas por essas substân- cias causam grande prejuízo para o ambiente e para o homem, e provém devido ao desenvolvimento de indústria nuclear. c. Características Biológicas: no ambiente aquático existe um grande número de organismos vivos, vegetais e animais. Neles, encontram-se os microrganismos, entre os quais acham-se os tipicamente aquáticos ou os que são introduzi- dos na água a partir de uma contribuição externa. Esses microrganismos aquáticos desenvolvem, na água, suas ati- vidades biológicas de nutrição, respiração, excreção, etc., provo- cando modificações de caráter químico e ecológico no próprio am- biente aquático. Os microrganismos introduzidos na água geralmente não se ali- mentam ou se reproduzem no meio aquático, tendo caráter transi- tório neste ambiente. Entre esses organismos, destacam-se: UNIUBE 107 • Algas: mesmo com uma elevada importância para o equilíbrio ecológico, podem trazer vários problemas, como: formação de elevada massa orgânica, levando à produção excessiva de lodo e a liberação de vários compostos orgânicos, os quais podem ser tóxicos ou produzir sabor e odor desagradáveis; formação de camadas de algas nas superfícies de reserva- tórios, causando turbidez e dificultando a penetração da luz solar, consequentemente reduzindo o oxigênio do meio, en- tupimento de filtros de areia, em estações de tratamento de água, aderência às paredes de reservatórios de água e de piscinas, corrosão de estruturas de ferro e de concreto. • Microrganismos Patogênicos: podem ser: bactérias, vírus, proto- zoários e vermes, introduzidos através de matéria fecal. Esses microrganismos são considerados introduzidos pelo meio exter- no originando principalmente, nos despejos de pessoas doentes ou portadoras. Assim, tem sobrevivência limitada nesse meio, podendo, no entanto, alcançar um ser humano, através da in- gestão ou contato com a água, causando-lhe doenças. A existência desses microrganismos é destacada através de indi- cadores de material fecal, por conter uma grande variedade dos mesmos. Os coliformes são as bactérias usadas como indicadores de polui- ção da água por matéria fecal, os quais vivem normalmente no orga- nismo humano, existindo em maior quantidade nas fezes. Embora sendo, de um modo geral, patogênicos, a presença de bactérias do grupo coliformes na água indica que a mesma recebeu matéria fecal e pode, portanto, conter microrganismos patogênicos. No grupo das bactérias coliformes, o mais importante como in- dicadora da poluição fecal é a Eschericheia Coli. Sua escolha é 108 UNIUBE justificada por: existir em grande número na matéria fecal e não em nenhum outro tipo de matéria orgânica poluente; algumas bactérias desse grupo não se reproduzem na água ou no solo, e sim no intes- tino; e apresentam um grau de resistência ao meio (luz, oxigênio, cloro, etc.) compatível ao apresentado pelos principais patogênicos intestinais. 5.1.1 Escolha do manancial Distribuição da água Gráfico 1: Gráfico de distribuição da água Oceano Geleira Água Subterrânea Lagos Um idade do ar Rios 2,11 97,2 0,62 0,009 0,001 0,01 Fonte: Libânio (2005) Na escolha do manancial, deve-se levar em conta a qualidade da água para escolher o melhor tipo de tratamento, conforme o padrão de potabilidade: UNIUBE 109 Podem ser mananciais superficiais ou subterrâneos, é necessário verificar também se a água é suficiente para o abastecimento antes de começar a tratá-la. Qualidade da água para consumo humano As impurezas contidas na água podem encontrar-se: Em suspensão: - Suspensões grosseiras: vegetais, restos de folhas, sílicas facil- mente capazes de flutuar ou sedimentar quando a água estiver em repouso. - Suspensões finas: turbidez, bactérias, plâncton etc. Dissolvidas: - Dureza, em parte sais de cálcio e magnésio, ferro e manganês não oxidados etc. Coloidais: - Cor (emulsoides), ferro e manganês oxidados, microrganismos etc. 110 UNIUBE As impurezas se agregam formando “flocos,” os quais têm um as- pecto gelatinoso e, na medida que vão agregando impurezas, vão ficando cada vez mais pesados e maiores, podendo ser retirados ou removidos pelos decantadores ou pelos filtros. 5.1.2 Padrões de qualidade da água Para cada uso da água, são exigidos limites máximos de impure- zas que ela pode conter. Esses limites, quando estabelecidos por organismos oficiais, são chamados de padrões de qualidade. Os organismos públicos podem estabelecer critérios ou condições a serem atendidos pelos mananciais, em função dos usos aos quais estes se destinam. Nesses casos, é feita uma classificação das águas, sendo, para cada classe, definidos os usos a que se destinam e os critérios ou condições a serem observados. Por outro lado, os órgãos podem também estabelecer limites de im- purezas a serem observados na água, após sua captação nos ma- nanciais e passagem por um processo de tratamento. Um exemplo desse caso são os padrões de potabilidade, ou seja, as condições as quais uma água deve satisfazer para ser utilizada pelo homem, geralmente, após passar por um sistema de tratamento. Padrões de potabilidade são as quantidades limites que, em rela- ção aos diversos elementos, podem ser toleradas nas águas de abastecimento, quantidades essas fixadas, em geral, por leis, de- cretos, regulamentos ou especificações. 5.1.3 Tecnologias de tratamento Trata-se de uma série de operações que consistem na melho- ria de suas características organolépticas, físicas, químicas UNIUBE 111 e bacteriológicas, a fim de que se torne adequada ao consumo humano. Normalmente, as águas superficiais são as que mais necessitam de tratamento, porque se apresentam com qualidades físicas e bacteriológicas impróprias, em virtude de sua exposição contínua às ações externas. Nem toda água necessita de tratamento para abastecimento público, algumas águas subterrâneas, na maioria das vezes, podem não ter necessidade de tratamento. Águas de rios com um maior volume, mesmo não satisfazendo pelo seu aspecto físico ou pelas suas características organolépticas, podem ser relativamente satisfatórias, sob outros pontos de vista como: químico e bacteriológico; ou quando a captação se localiza em pontos menos sujeitos à contaminação. Quanto mais poluído é o manancial, mais necessidade de trata- mento da água e, consequentemente, maior será o seucusto. A escolha da tecnologia a ser empregada no tratamento de água para consumo humano deve conter: • Características da água bruta. • Custos de implantação, manutenção e operação. • Manuseio e confiabilidade dos equipamentos. • Flexibilidade operacional. • Localização geográfica e características da comunidade. • Disposição final do lodo. 112 UNIUBE Condições Higiênico/Sanitárias: Remoção de bactérias, vírus, protozoários e outros microrganis- mos patogênicos. Remoção de substâncias tóxicas ou nocivas. Condições Estéticas/Sanitárias: Correção de turbidez, cor, odor e sabor, substâncias químicas. Condições Econômicas Redução de corrosividade, dureza, cor, turbidez, ferro, manganês etc. O tratamento da água x impacto ambiental O tratamento de água visa torná-la potável, ele gera uma quanti- dade de resíduos que pode possuir aspectos variados dependendo da concepção do sistema de tratamento. Há a necessidade de se pensar em tecnologias de tratamento de água que gerem menos resíduos e, consequentemente, menos im- pacto para o meio ambiente. 5.1.4 Processos de tratamento físico-químicos e de desinfecção O processo planejado começa pelos ensaios de turbidez, cor e pH. Posteriormente, deve-se ligar esses ensaios às operações de flo- culação, decantação e filtração. Dessa forma, uma Estação de Tratamento de Água, ETA, abrange UNIUBE 113 os seguintes parâmetros: • Retirada de substâncias grosseiras flutuantes ou em suspen- são - grades, crivos e telas. • Retirada de substâncias finas em suspensão ou em solução e de gases dissolvidos - aeração, sedimentação e filtração. • Retirada parcial ou total de bactérias e outros microrganismos - desinfecção. • Correção de odor e sabor - tratamentos químicos e leitos de contato com carvão ativado. • Correção de dureza e controle da corrosão - tratamentos químicos. • Retirada ou redução de outras presenças químicas. 5.1.5 Tratamento de água Figura 34 - Fluxograma da estação de tratamento de água. Fonte: Tratamento... (s./d.) 114 UNIUBE Grades e crivos: impedem a entrada de suspensões grosseiras na ETA. Aeração: colocar a água em contato com o ar para remoção de gases dissolvidos, de odor e sabor e ativação dos processos de oxidação da matéria orgânica. Tanque de aeração Fonte: Branco (2011) Sedimentação simples: artificialmente, obtém-se a sedimentação detendo a água em reservatórios e reduzindo sua velocidade de escoamento. Sedimentação com coagulação química: uma estação conven- cional de tratamento de água compreende as seguintes unidades: coagulação, floculação, decantação, filtração e desinfecção. Coagulação: realizada por meio da adição de cloreto férrico e tem a finalidade de transformar as impurezas da água que se encon- tram em suspensão fina em estado coloidal. UNIUBE 115 Tanque de coagulação Fonte: Soraia (2015) Floculação: a água é submetida à agitação mecânica para possi- bilitar que os flocos se agreguem com os sólidos em suspensão, permitindo assim uma decantação mais rápida. Figura 35 - Imagem ilustrativa de floculação Fonte: Acti Chemical (s./d.) Decantação: consiste na remoção de partículas em suspensão mais densas que a água por ação da gravidade. Ficam retidas cer- ca de 50% a 60% das impurezas. 116 UNIUBE Tanque de decantação Fonte: Coden (2012) Filtração: processo físico em que a água atravessa um leito fil- trante, em geral, areia ou areia e carvão, de modo que partículas em suspensão sejam retidas produzindo um efluente mais limpo. Tradicionalmente, existem dois processos distintos de filtração: fil- tração lenta e filtração rápida. Figura 36: Imagem de filtro Fonte: Gebara (2000) UNIUBE 117 Cloração: consiste na desinfecção das águas mediante utilização de cloro gasoso (ETAs) ou hipoclorito de sódio (poço). Fluoretação: é realizada visando proporcionar uma medida segura e econômica para auxiliar na prevenção da cárie infantil. 5.1.6 Roteiro simplificado para dimensionamento Hidráulico de uma ETA Convencional Para informações complementares, consultar livros de tratamento de água e a NBR-12216. Na figura 37, tem-se a representação de alguns arranjos das principais unidades de tratamento que com- põem uma ETA convencional, sem o tanque de contato. Figura 37 - Exemplo de arranjos das unidades de uma ETA convencional Fonte: Gebara (2000) 5.1.7 Considerações finais A implantação ou benfeitoria nos serviços de abastecimento traz uma rápida melhora na saúde e nas condições de vida de uma co- munidade, principalmente no que diz respeito ao controle e preven- ção de doenças, promoção de hábitos higiênicos, desenvolvimento de esportes, limpeza pública etc. 118 UNIUBE Nesse sentido, é possível alcançar com o aperfeiçoamento ou im- plantação de um sistema de abastecimento a erradicação de doen- ças, cuja veiculação ou origem se dê por meio hídrico; a diminuição nos índices de mortalidade geral e, em especial, de mortalidade infantil; bem como melhorias nas condições de higiene pessoal e do meio ambiente, que implicam em uma diminuição de série de doenças relacionadas diretamente à água. Neste capítulo, apresentaram-se noções dos sistemas de abaste- cimento de água para disponibilizar água potável aos usuários, de forma contínua e em quantidade e pressão adequadas. Fez-se ain- da a descrição de técnicas de potabilização, ou seja, do tratamento da água bruta antes de sua distribuição, para que a água não ofe- reça riscos sanitários à população. Foram apresentadas noções básicas dos principais processos e operações utilizadas no tratamento de água para consumo huma- no. Embora seja comum dizer que, do ponto de vista técnico, po- de-se potabilizar qualquer tipo de água, os riscos sanitários e os custos envolvidos nos tratamentos de águas contaminadas podem ser muito elevados, exigindo o emprego de técnicas cada vez mais custosas e sofisticadas, motivo pelo qual se deve priorizar ações de proteção dos mananciais, ou seja, pode-se dizer que o trata- mento começa na escolha do tratamento do manancial. Pesquisadores que trabalham com estudos de tratamento de água, a fim de relacioná-lo com o abastecimento público, estão sempre na busca por tecnologias para aperfeiçoar e desenvolver técni- cas de tratamento de água, sempre objetivando potabilizar a água abastecida para a população. Nessa perspectiva, esses estudos são necessários para tentar diminuir, cada vez mais, o custo para tais tratamentos, tendo em vista a viabilização universal da distri- buição de água saudável para a população. UNIUBE 119 FIQUE POR DENTRO Tratamento de água. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=8YsdaY6Q-10>. Acesso em: 28 mar. 2016. REFLITA Quais são as principais medidas para evitar a transmissão de doenças relacionadas à água? INDICAÇÃO DE LEITURA ABNT. NBR 12216: Projeto de estação de tratamento de água para abastecimento público. 1995. Ebah. Disponível em: <http://www.ebah. com.br/content/ABAAABiI0AH/nbr-12216-1992-projeto-estacao-trata- mento-agua-abastecimento-publico>. Acesso em: 03 abr. 2016 Natália Michelan Introdução Sistemas de esgoto - tipos, partes constituintes, metodologia de projeto, consumo e vazões de dimensionamento, coletores, interceptores, poços de visita e tubos de queda Capítulo 6 Na construção civil, o sistema predial de esgoto sanitário relaciona- se com as principais necessidades de higiene e saúde impostas por um dinâmico comportamento social e condições de conforto. O encargo do projetista é atender aos anseios sociais, em meio a significativos avanços tecnológicos e à necessidade de racionalização. Dessa maneira, é conveniente supor que o projetista necessite de informações básicas relativas a modernasmetodologias de dimensionamento, às inovações tecnológicas, assim como dos princípios teóricos que sustentam tanto o convencional quanto o novo. Dado esse contexto, neste capítulo, abordaremos de uma forma simplificada e prática os princípios básicos de uma rede de esgoto. Definição de esgoto O esgoto são águas residuais e pode ser dividido em: esgoto doméstico, esgoto industrial e esgoto pluvial. É um conjunto de tubulações e acessórios, o qual se destina a coletar e conduzir o esgoto sanitário a uma rede pública de coleta ou sistema particular de tratamento. Figura 38 - Relação entre água servida e esgoto. Fonte: Gebara (2001) • Diferenciar os tipos de esgoto. • Compreender a especificidade das vazões para dimensionamento. • Aplicar e dimensionar os equipamentos constituintes de sistemas de esgoto. • Tipos de esgoto • Vazões para dimensionamento • Poços de visita • Interceptores Objetivos Esquema UNIUBE 123 Componentes de esgoto sanitários6.1 6.1.1 Sistema unitário Nesse sistema, a rede é projetada a fim de coletar e conduzir as águas pluviais e despejos industriais. Tem custo de implantação elevado, assim como seu tratamento também é caro. Possui: • Dimensões maiores dos coletores. • Maior volume de obras. • Sobrecarregamento para estações elevatórias e estações de tratamento de esgotos. • Desvantagens para países tropicais ou em desenvolvimento: chuvas mais intensas, ruas não pavimentadas, poucas recei- tas financeiras. 6.1.2 Sistema Misto ou Separador- Parcial É um sistema projetado para lançar nos coletores águas pluviais de telhados, pátios internos e sacadas de edifícios, não permitindo a coleta vinda de ruas, avenidas, praças, jardins quintais e áreas não pavimentadas. Possuem: • Coletores e investimentos menores que o sistema unitário. • Assim mesmo, oneram e dificultam a operação das estações elevatórias e estações de tratamento de esgoto nos períodos de chuvas. 124 UNIUBE 6.1.3 Sistema Separador Absoluto Recebe unicamente esgoto proveniente das casas e indústrias. As águas pluviais são esgotadas em um sistema separado. Possuem: • Tubulações menores, favorecendo o emprego de tubos pré-moldados. • Facilidade na ampliação da rede, permitindo também fazê-la por parte, dando preferência à rede de maior importância. • As águas pluviais podem ser lançadas em pontos múltiplos, em locais mais próximos. • Um dos maiores problemas são as ligações clandestinas. 6.1.4 Partes constituintes de um sistema separador absoluto São constituídos por: • coletor predial; • coletor de esgoto; • coletor principal; • coletor tronco; • interceptor; • emissário; • poço de visita; UNIUBE 125 • estação elevatória (quando necessária). A figura a seguir mostra um esquema, em que são distribuídas to- das as partes constituintes de um sistema separador absoluto. Figura 39 - Sistema separador absoluto, primeira parte Fonte: Gebara (2001) Figura 40 - Sistema separador absoluto, segunda parte Fonte: Gebara (2001) 126 UNIUBE Estação de tratamento de esgoto: conjunto de unidades destinadas à remoção de sólidos grosseiros e matéria orgânica em suspensão ou em solução, a níveis suficientes para evitar a poluição de cursos d’água, lagos e oceanos. Estação elevatória: é toda instalação constituída e equipada de for- ma a poder transportar o esgoto de uma cota mais baixa para outra mais alta, acompanhando aproximadamente as variações das va- zões afluentes. Funções: elevar esgotos e evitar o aprofundamento excessivo das canalizações. Geralmente, é utilizado em finais de emissários para ETE ou lançamento final direto. Poço de visita: trata-se de uma câmara para visitas, através de abertura em parte superior, que permite a união de duas ou mais canalizações e a realização de serviços de manutenção dessas canalizações. Recentemente, o poço de visita tem sido substituído, em alguns casos, por dispositivos mais simples e baratos, devido ao seu alto custo e à evolução dos processos de limpeza das tubulações, que hoje é feita por equipamentos mecânicos sofisticados. Obras de lançamento final: são as canalizações que conduzem a água já passada pela estação de tratamento de esgoto ou o esgoto tratado ao local de lançamento em rios, oceanos e lagos. UNIUBE 127 Característica dos líquidos a serem esgotados Esgoto Fresco - Produção recente; apresenta partículas sólidas ainda intactas, sem cheiro, presença de OD, coloração cinza. Esgoto Velho - Início de exalação de maus odores, colora- ção cinza escuro, início da decomposição. Esgoto Séptico - Plena decomposição, cor preta, exalação inten- sa de maus odores (devido à ausência de OD). O esgoto sanitário é formado por 99,9% de água e 0,1% de sólidos totais. Com o passar do tempo, as impurezas contidas no esgoto bruto tornam-se cada vez mais intensas e sofrem variações. Sendo assim, devem-se evitar longos percursos do esgoto devido à facilidade de putrefação. Características físicas Temperatura - pouco superior à das águas de abastecimento (20 a 25°). Cor e turbidez - indicam o estado de decomposição do esgoto: • acinzentada, acompanhado de alguma turbidez: esgoto fresco; • preto: esgoto velho. Sólidos: o teor da matéria sólida é o de maior importância em termos de dimensionamento e controle de operação das unidades de tratamento. A sua remoção é feita por meio de várias operações unitárias de tratamento. Características químicas INORGÂNICAS ORGÂNICAS pH - normalmente al- calina, sabão; DBO - mede a quantidade de oxigê- nio necessária para estabilizar bio- logicamente a matéria orgânica. 128 UNIUBE acidez livre - ausente; DQO - mede o consumo de oxigênio ocor- rido durante a oxidação química da matéria orgânica. Serve mais para esgoto industrial. alcalinidade - > 100 mg/l; O.D - geralmente inexistente; cloretos - ± 75 mg/l; Nitr. Total: ureia + Nitr. Org. + Nitr. Amoniacal. N e P - essenciais ao cres- cimento biológico; Nitrito - são instáveis e oxidam fa- cilmente (esgoto velho). S – problema de odor e corrosão. Nitratos - forma final de estabilização. Características biológicas Os principais organismos presentes nos rios e esgotos, respon- sáveis pela decomposição da matéria orgânica, são: bactérias, fungos, protozoários, vírus e os grupos de plantas e animais. O primeiro grupo causa diversos problemas de saúde, como: cólera, febre, tifoide etc. As bactérias podem ser consideradas de extrema importância no grupo desses organismos, pois são responsáveis pela decompo- sição e estabilização da matéria orgânica, tanto na natureza como nas unidades convencionais de tratamento. Coliformes são indicadores de contaminação fecal que também es- tão presentes no esgoto. 6.1.5 Metodologia de projeto Em cada bacia hidrográfica, devem-se delimitar as áreas com as mesmas características, que são: condições topográficas, facilidade UNIUBE 129 de expansão urbana, custo dos terrenos, planos urbanísticos, zo- neamento, existência ou não de serviços de água e esgoto etc. São determinadas: • área inicial (ai); • área final (af). 6.1.6 Densidade Demográfica Mediante aplicação dos métodos gerais de previsão de população, visto no capítulo I, em cada área ou subáreas, na elaboração de projetos de esgoto, torna-se indispensável conhecer como a po- pulação se distribui na área e fazer a previsão para a distribuição futura. Como as redes de esgotos são normalmente projetadas para uma população de saturação, as densidades de saturação das áreas podem ser definidas pela lei de zoneamento da cidade, caso esta exista. Os valores que a norma utiliza são: Tabela 11: Densidades demográficas (norma). DENSIDADES DEMOGRÁFICAS D (hab./ha) Áreas periféricas,casas iso- ladas lotes grandes. 25-50 Casas isoladas, lotes mé- dios e pequenos. 50-75 Casas geminadas, pre- dominando 1 pav. 75-100 130 UNIUBE Casas geminadas, pre- dominando 2 pav. 100-150 Prédio de apto. peq. (baixos) 150-250 Prédios de apto. (altos) 250-750 Áreas comerciais 50-100 Áreas industriais 25-50 6.1.7 Consumo Per capita A quantidade de esgoto coletada, como vimos, depende normal- mente da quantidade de água de abastecimento distribuída. Usualmente, no Brasil, utiliza-se o consumo per capita usado para projetos de sistemas de abastecimento de água para se projetar o sistema de esgoto. O cálculo do consumo per capita pode ser feito da seguinte maneira: 365.. .. xPopulação anualmenteodistribuídVolq = Deve-se ressaltar que esse valor depende dos hábitos higiênicos, nível socioeconômico, clima de região etc. Para o projeto de sistemas de abastecimento de água, o consumo per capita deve satisfazer o consumo doméstico, comercial, públi- co, industrial e as perdas. Este último item corresponde a cerca de 20% a 30% do consumo total. 6.1.8 Variações do Consumo Médio Tal como a vazão a ser distribuída para abastecimento de água, o esgoto coletado sofre variações diárias e horárias e, da mesma maneira, utiliza os coeficientes K1 e K2. UNIUBE 131 Normalmente, adotam-se os mesmos valores utilizados no sistema de abastecimento de água. 6.1.9 Coeficiente de Retorno É a relação entre o volume de esgoto recebido na rede e o volume d’água efetivamente fornecido à população. Em outras palavras, água para lavagem do carro, lavagem de calçadas e ruas, rega de jardins etc. não retorna na forma de esgoto. Dependendo do estado de conservação das redes de água e es- goto bem como da existência de fontes de abastecimento (poços), deve-se ter 0,7 < C < 1,2. 6.1.10 Previsão de População É feita da mesma maneira que a prescrita no capítulo I. 6.1.11 Cálculo das Vazões nas Redes Para determinarmos as vazões nas redes coletoras de esgoto, nor- malmente utiliza-se um dos seguintes critérios: • Processo de áreas edificadas. • Hidrogramas utilizáveis no projeto. • Procedimento para quando não existirem dados para a deter- minação de vazão no projeto. 132 UNIUBE 6.1.12 Procedimento para Quando não Existirem Dados para Determinação de Vazão no Projeto 6.1.12.1 Vazão de Esgoto Doméstico Início de plano: 400.86 q.P.C.kiQ ii2= ou )s/l( 400.86 a.d.q.C.kiQ iii2= Final de plano: 400.86 q.P.C.k.k Q ff21f = ou )s/l( 400.86 a.dq.C.k.k Q fff21f = Sendo: k1,k2: coeficiente de máxima vazão diária e horária, respectivamente; Qi,Qf: vazão média inicial e final; C: coeficiente de retorno; Pi, Pf: população inicial e final (hab.); qi, qf: consumo de água efetivo per capita inicial e final (l/hab.d); di, df: densidade populacional inicial e final (hab./ha); ai, af: área esgotada inicial e final (ha) - área bacia ou sub-bacia. 6.1.12.2 Vazão de Infiltração (águas de infiltração) Adotam-se os valores da norma, tanto para início como para final de projeto. Na maioria das vezes, adota-se o mesmo valor. UNIUBE 133 6.1.12.3 Vazão Concentrada Como já foi dito, essa contribuição é proveniente de indústrias, es- colas, quartéis, hospitais etc., bem como de áreas de expansão previstas no projeto. Só consideramos a descarga proveniente des- ses locais como vazão concentrada, se ela for maior que a metade da vazão normal do trecho. 2 Q Q medc > 6.1.12.4 Coeficiente de Contribuição Para facilitar o cálculo da vazão por trecho, normalmente, determina-se a taxa ou coeficiente de contribuição, que pode ser calculada por metro line- ar ou área esgotada. Dessa maneira, para cada área ou bacia (ou ainda sub-bacia) homogênea, dever ser definido um determinado coeficiente. Em relação a esse coeficiente, só é necessário considerar as con- tribuições à rede do esgoto doméstico e as águas de infiltração. Dessa maneira, o coeficiente de contribuição pode ser calculado pelas seguintes expressões: Início de plano: )m.s/l(I iL Q T i i xi += ou )m.s/l(I L Q T f f f xf += Final de plano: )m.s/l(I L Q T f f f xf += ou )ha.s/l(I a Q T f f f xf += Para se calcular a vazão em cada trecho, devido ao esgoto domés- tico e às águas de infiltração, basta multiplicarmos Txi ou Txf pelo 134 UNIUBE comprimento de canalização ou pela área da bacia, cujos efluentes são coletados pelo trecho. 6.1.12.5 Vazão de Infiltração A norma recomenda que o valor seja de 0,05 a 1,0 l/s. km, valor este que deve ser justificado. • acima do lençol freático 0,020 l/s.km; • abaixo do lençol freático 0,10 l/s.km. 6.1.12.5 Vazão por Trecho Uma vez definidos os coeficientes de contribuição para se calcu- larem as vazões em determinado trecho da rede de esgotos, utili- zam-se as seguintes fórmulas. Início de plano: QQL).Txf(Q f,montf,ctrechof ++= Final de plano: QQL).Txf(Q f,montf,ctrechof ++= Sendo: Qi, Qf: vazão no trecho inicial e final; Txi, Txf: coeficiente de contribuição inicial e final; Qci, Qcf: vazão concentrada no trecho inicial e final; Qmonti, Qmontf: vazão de montante do trecho inicial e final; Ltrecho: comprimento do trecho. UNIUBE 135 6.1.12.6 Critérios Hidráulicos As tubulações deverão transportar as vazões máximas e mínimas previs- tas no projeto. Dessa forma, as tubulações dos coletores e interceptores devem ser projetadas para funcionarem sempre como conduto livre. Os sifões invertidos não podem receber contribuições em marcha, podendo ser projetados como condutos livres ou forçados. 6.1.12.7 Reações Bioquímicas (controle de sulfeto de hidrogênio - H2S) Em tubulações curtas de esgoto fresco, encontramos bastante oxigênio dissolvido. Já em redes extensas, cujas velocidades são baixas, o oxigênio dissolvido diminui, prevalecendo conduções anaeróbias no esgoto, o que propicia, nos coletores-tronco, inter- ceptores e emissários, o aparecimento de sulfetos e o desprendi- mento de sulfetos de hidrogênio. Figura 41: Reações bioquímicas Fonte: Gebara (2000) A película de limo formada junto às paredes submersas da tubu- lação de esgoto é a principal fonte de geração de sulfeto. Dessa maneira, velocidades altas evita o aparecimento de películas com espessura muito grande, dificultando a produção de H2S. 136 UNIUBE A formação de sulfeto de hidrogênio pode ocasionar vários proble- mas, tais como: odor: incômodo aos operadores e vizinhanças; toxidez: risco à vida dos operadores, em altas concentrações; corrosão: coletores e demais componentes do sistema de esgoto são atacados, devido à formação do ácido sulfúrico, quando não são imunes a este (tubulação de concreto, aço, fibrocimento). 6.1.12.8 Autolimpeza A ação de autolimpeza das tubulações de esgotos sanitários, para evitar a deposição e materiais sólidos, encontra-se bem estabele- cida no campo de transporte de sedimentos. São dois os mecanis- mos: velocidade mínima e tensão trativa, que é uma força hidrodi- nâmica exercida sobre as paredes da tubulação de esgoto. Até 1985, a norma brasileira preconizava uma velocidade mínima, independentemente do diâmetro da tubulação. Com a revisão, a atual norma NBR 9649 preconiza uma tensão trativa mínima. 6.1.12.9 Velocidade Mínima Para Autolimpeza É a velocidade mínima necessária para que não haja deposição de materiais sólidos na tubulação, ou seja, para que sejam transporta- dos os materiais sólidos. Para assegurar tal necessidade, devem ser projetadas tubulações de esgoto com declividades suficientes para se ter velocidade míni- ma de 0,60 m/s, tanto para escoamento a meia quanto para seçãoplena. Obviamente, lâminas menores que meia seção apresentarão UNIUBE 137 velocidade menor que 0,60 m/s e, em lâminas maiores, a veloci- dade será maior. 6.1.12.10 Tensão Trativa Tensão tangencial exercida sobre a parede do conduto pelo líquido escoado. Figura 42: Tensão trativa IRH ××℘=σ σ Sendo: σ: tensão trativa média; ℘: peso específico do líquido (esgoto x 104 N/m3); RH: raio hidráulico, anexo I; I: declividade da tubulação. Para o dimensionamento dos coletores, a NBR 9649 recomenda σ= 1,0 Pa. Para o dimensionamento dos interceptores, a NB 568, de 1989, recomenda σ= 1,5 Pa. 138 UNIUBE 6.1.13 Determinação das Declividades Mínimas dos Coletores e Interceptores de Esgoto Coletores (Imin): considerando n (coeficiente de Manning) igual a 0,013, Y/D = 0,75 e Tensão Trativa igual a 1,0 Pa. 47,0 min 00035,0 −×= QI sendo Q em l/s. Interceptor (Imin): considerando n (coeficiente de Manning) igual a 0,013, Y/D = 0,75 e Tensão Trativa igual a 1,5 Pa. 47,0 min 00035,0 −×= QI sendo Q em m³/s. 6.1.13.1 Dimensionamento hidráulico Vazão mínima: segundo a norma, 1,5 l/s. Diâmetro mínimo: segundo a norma, 100 mm (SABESP recomenda 150 mm). Declividade mínima: deve propiciar uma tensão trativa média de 1,0 Pa. Considerando n = 0,013 e y/D = 0,75, tem-se para declividade: 47,0 imin Q0055,0I −×= sendo Q = l/s, Declividade máxima: é aquela que, para a vazão de final de plano, a velocidade não seja superior a 5,0 m/s. )3/2( fmáx Q65,4I −×= sendo n = 0,013 e Q = l/s. Lâmina Máxima: recomenda-se que a relação Y/D seja menor ou igual a 0,75, destinando a parte superior da tubulação à ventilação do sistema e às imprevisões e flutuações do sistema. UNIUBE 139 6.1.13.2 Equações utilizadas no dimensionamento Apesar de se poder utilizar as várias fórmulas para o cálculo de conduto livre, a mais utilizada é a equação de Manning, pela sua simplicidade e comprovação experimental. O coeficiente de Manning pode ser igual a n = 0,013, mesmo que o material da tubulação seja mais ou menos rugoso, pois, com a for- mação da película de limo, a superfície das paredes das tubulações torna-se uniforme, independentemente do material da tubulação. Dessa maneira, no dimensionamento das tubulações de esgoto, utilizamos as seguintes equações: Tabela 12: Tabela de equações hidráulicas Manning I.ARn 1V I.ARn 1Q 2/13/2 H 2/13/2 H = = sendo: Q: vazão (m3/s); V: velocidade média (m/s); A: área molhada (m2); n: coeficiente de rugosidade de Manning (n = 0,013); RH: raio hidráulica (m); I: declividade da tubulação (m/m); ℘: peso específico do líquido (104N/m3). Continuidade A.VQ = Tensão trativa IRH℘=σ 140 UNIUBE 6.1.13.3 Remanso nos coletores de montante Devido ao aumento de diâmetro do coletor de esgoto de jusante em relação ao coletor de esgoto de montante, podem ocorrer: • aumento de vazão; • diminuição de velocidade do coletor de jusante. Para evitar tal ocorrência, deve-se verificar se a cota do nível de esgoto na saída está abaixo ou, pelo menos, igual à cota de nível de esgoto na entrada. 6.1.13.4 Traçado da rede Uma vez que o escoamento dos esgotos se dá por gravidade (cai- mento do terreno), o traçado da rede de esgoto tem relação com a topografia da cidade. Dessa maneira, tem-se, ou melhor, podem-se ter os seguintes tipos de rede: Traçado perpendicular Cidades onde existem mananciais, o traçado se dá de forma per- pendicular ao curso d’água, construindo-se interceptores, para se levar os efluentes, margeando-o. Figura 43: Traçado perpendicular Fonte: Gebara (2000) UNIUBE 141 Traçado em leque O coletor-tronco corre pelo fundo dos vales ou abaixo das bacias e nele incidem os coletores secundários, lembrando uma espinha de peixe, ten- do um traçado em forma de leque. Utiliza-se em terrenos acidentados. Figura 44: Traçado em leque Fonte: Gebara (2000) Radial ou distrital Nesse traçado, ele divide-se em setores independentes, criando-se pontos baixos, desses pontos baixos recalcam-se os esgotos para o destino final. Utilizada em cidades planas. 142 UNIUBE Figura 45: Traçado radial Fonte: Gebara (2000) 6.1.13.5 Influência dos órgãos acessórios da rede no seu traçado A orientação do fluxo feita pelas tubulações possibilita ao projetista concentrar a vazão em determinados coletores. Ponto A: características de pontos altos (ponto seco). Ponto B: características de pontos baixos (recebem esgoto). Figura 46: Influência dos órgãos acessórios no traçado da rede Fonte: Gebara (2000) UNIUBE 143 Exemplos de melhor traçado levando-se em conta a topografia. Melhor traçado Figura 47: Exemplos de traçados Fonte: Gebara (2000) 6.1.13.6 Concepção dos interceptores Os projetos, muitas vezes, são influenciados por interferências, principalmente pela transposição de cursos de água ou por galerias pluviais. Transposições são feitas por meio de sifões invertidos, quando não há possibilidade de aprofundar o interceptor. Sendo assim, quando o interceptor atinge grandes profundidades, é van- tajoso o projeto de estações elevatórias. Melhor que o anteriorDeve ser evitado 144 UNIUBE 6.1.14 Considerações Finais No dimensionamento de esgotos, existem certos cuidados que o engenheiro deve tomar. Como está totalmente interligado com a proliferação de doenças, bem-estar, conforto etc., estudos biológi- cos devem ser levados em conta nessa parte do projeto de siste- mas de esgoto sanitário. A disposição e inclinações mínimas e máximas da tubulação tam- bém são muito importantes na elaboração e aplicação do projeto. Vale ressaltar que, na construção de um sistema de esgoto, alguns cuidados devem ser tomados em relação à preparação da constru- ção de redes de esgoto sanitário. Possíveis interferências com ou- tras obras enterradas devem ser verificadas, como: rede de água, luz, telefone, gás, galerias de águas pluviais etc. Nas tubulações que funcionam por gravidade, pode ocorrer invia- bilização do que foi projetado se houver interferência que se inter- ponha no caminho previsto. Depois de um estudo mais cuidadoso de cada trecho, que deve acontecer na fase que antecede a exe- cução da obra, mediante consulta de plantas de cadastro próprias e de outras concessionárias, devem-se executar sondagens para confirmar a localização de eventuais interferências. Outro cuidado está relacionado à topografia. O eixo da rede deve ser alvo de um nivelamento topográfico, para a confirmação das cotas dos terre- nos indicados no projeto. É importante resolver qualquer tipo de interferência antes do início das escavações. A fim de se evitarem acúmulos de resíduos, a limpeza da obra da rede de esgoto deve ser feita constantemente, durante a sua exe- cução. Restos de materiais como madeira, asfaltos e rochas de- vem ser removidos e levados para os aterros específicos. UNIUBE 145 Sendo assim, em uma cidade desenvolvida, o serviço de esgoto se torna primordial para o ser humano levar uma vida saudável, já que um sistema de coleta de esgoto recolhe os dejetos oriundos das residências, indústrias, comércio etc., evitando também uma contaminação da água subterrânea, evitando doenças. Quando bem construído e executado, o projeto de rede de esgo- to, melhora a saúde da comunidade, trazendo, além de conforto e bem-estar, soluções sanitárias e ambientais para toda população. FIQUE POR DENTRO • Instalações hidráulicas esgotos. Disponível em: <ht- tps://www.youtube.com/watch?v=3iJeYUhs2gs>. Acesso em: 20 mar. 2016. REFLITA • O que a ocorrência de remanso acarreta na rede de esgoto? INDICAÇÃO DE LEITURA CRESPO, Patricio Gallegos. Sistemas de esgoto. Belo Horizonte: UFMG, 2001.Natália Michelan Introdução Tratamento de esgotoCapítulo 7 Uma grande parcela de água tratada que abastece uma residência retornará do imóvel na forma de água servida, cujo nome é esgoto. A utilização dessa água derivou-se de vários fins, por exemplo: tomar banho, lavar louças e roupas, escovar os dentes, dar descarga etc. Dessa forma, a água teve suas características alteradas, por isso é muito importante que o esgoto passe por um processo de tratamento para que se devolva à natureza um líquido que não polua ou contamine o meio ambiente. Atualmente, no Brasil, cerca de 49% do esgoto produzido é coletado através de rede e somente 10% do esgoto total é tratado. As consequências disso é que as grandes cidades concentram grandes volumes de esgoto coletado, que é despejado sem tratamento nos rios e mares que servem de corpos receptores. Em decorrência disso, a poluição das águas que cercam nossas maiores áreas urbanas é bastante alta, dificultando e encarecendo, cada vez mais, a própria captação de água para o abastecimento. O resultado de uma estação de tratamento de esgotos tem por objetivo a remoção dos principais poluentes presentes nas águas residuais, retornando-as ao corpo d’água sem alteração de sua qualidade. Em uma cidade, as águas residuárias compõem-se dos esgotos sanitários e industriais, sendo que estes, em caso de geração de efluentes muito tóxicos, devem ser tratados em unidades das próprias indústrias. O destino adequado dos esgotos se inicia dentro de nossa casa, quando esta é construída com as instalações hidro sanitárias, que compreendem a rede de tubulação interna da casa e as peças sanitárias (bacia, chuveiros e pias) que recebem as águas servidas e as levam até a tubulação de saída do ramal predial. Ciclo do esgoto Produção – Coleta – Transporte – Bombeamento – Tratamento – Emissão e Descarte – Meio ambiente – Produção... • Analisar todas as etapas de tratamento de esgoto. • Aplicar os métodos de tratamento • Características do esgoto • Tecnologias de tratamento de esgoto Objetivos Esquema Tecnologias existentes7.1 Sempre que, por algum motivo, não seja possível, sob o ponto de vista téc- nico e econômico, o escoamento dos esgotos pela ação da gravidade, é ne- cessário o uso de Estações Elevatórias de Esgoto Bruto (EEEB), para elevar o esgoto de um ponto para outro de cota normalmente mais elevada. A formação do esgoto varia bastante, apresentando menor teor de impurezas durante a noite e maior durante o dia. A matéria orgânica, UNIUBE 149 especialmente as fezes humanas, confere ao esgoto sanitário suas principais características, com mudanças no decorrer do tempo, pois sofre diversas alterações até sua completa estabilização. A classificação mais utilizada para definir um esgoto sanitário ou industrial é a demanda bioquímica por oxigênio - DBO. Pode ser aplicada na medição da carga orgânica imposta a uma estação de tratamento de esgotos e na avaliação da eficiência das estações - quanto maior a DBO, maior a poluição orgânica. A Resolução Conama n.º 20, de 18 de junho de 1986, classifica a qualidade dos corpos receptores e define o padrão para tratamento do efluente. As legislações estaduais sobre meio-ambiente com- plementam a norma federal nos mesmos aspectos Ao passo que o esgoto sanitário causa poluição orgânica e bacterioló- gica, o industrial, na maioria das vezes, produz a poluição química. O resíduo industrial, além das substâncias presentes na água de origem, contém impurezas orgânicas e/ou inorgânicas resultantes das atividades industriais, em quantidade e qualidade variáveis com o tipo de indústria. Os corpos d’água podem se recuperar da poluição, ou purificar-se, pela ação da própria natureza. O esgoto geralmente pode ser lan- çado sem tratamento em um curso d’água, desde que a descarga poluidora não ultrapasse cerca de quarenta avos da vazão. Por exemplo: um rio com 120 l/s de vazão pode receber, grosso modo, a descarga de 3 l/s de esgoto bruto, sem maiores consequências. Os fatores de autodepuração são a diluição, a reaeração, a sedi- mentação, a luz solar e a competição vital. Entretanto, frequentemente, os mananciais recebem cargas de efluentes muito elevadas para sua vazão e não conseguem se 150 UNIUBE recuperar pela autodepuração, havendo a necessidade do trata- mento de esgoto. O tratamento do efluente pode, inclusive, transfor- má-lo em água para diversos usos, como a irrigação, por exemplo. 7.1.1 A importância no tratamento de esgoto Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cada unidade monetária investida em obras de saneamento faz com que se eco- nomize em até cinco unidades monetárias com tratamento de do- enças que tenham origem na falta desse serviço. Esgoto a céu aberto Fonte: Ligações... (s./d.) A seguir, listamos as principais doenças causadas pela ausência de sistema de abastecimento e tratamento de água, rede de esgoto e coleta de lixo: De importância primária (adquirida via oral): são as epidemias lo- gicamente mais importantes, para as quais a água desempenha papel importante na transmissão de doenças. • Cólera. • Febres tifoide e paratifoide. UNIUBE 151 • Diarreias. • Amebíases. • Hepatite infecciosa. • Poliomielite etc. De importância secundária (adquirida por via cutânea): são doen- ças causadas por agentes microbianos, de incidência relativamente pequena, para as quais a transmissão pela água de abastecimento se dá de maneira secundária. • Esquistossomose. • Leptospirose. • Infecção de olhos, ouvidos, nariz e garganta. De importância secundária (causada por agentes químicos): • Bócio: falta de iodo. • Saturnismo: chumbo. • Cobre, zinco etc. Aspectos econômicos: mesmo com os custos da implantação de um sistema de saneamento básico urbano, as obras provocam uma ex- tensão na vida média da comunidade servida, uma redução da morta- lidade em geral e, em particular, na infantil. Tem ainda como resultado um maior rendimento nas atividades econômicas, pela redução do número de horas perdidas com diversas doenças, o que possibilita o 152 UNIUBE aumento da renda per capita nacional. Além disso, ao se prevenir de possíveis doenças, economiza-se no tratamento das mesmas. 7.1.2 Etapas no tratamento de esgoto pela ETE Dê acordo com as condições de tratamento exigidas pela norma NBR 8160, o esgoto bruto deve percorrer algumas etapas, como: etapa preliminar, etapa biológica e, em alguns casos mais graves, o tratamento físico-químico e desinfecção do esgoto tratado. Durante o procedimento de tratamento de esgoto, pode ocorrer a necessidade de se fazer tratamentos específicos, em vista da cria- ção de lodo e de gases. Assim, para cada tipo de resíduos de es- goto, temos uma tecnologia diferenciada. Basicamente, o processo segue as etapas citadas a seguir: 7.1.2.1 Tratamento preliminar No tratamento preliminar, são implantadas grades e caixas de areia, a fim de bloquear ou diminuir a passagem de sólidos (madeiras, papéis etc.), elas evitam o desgaste por fricção e melhoraram a passagem do fluido, pois esses elementos podem obstruir os equipamentos de tratamento, como as bombas, tubulações e corpos receptores. No caso de esgoto industrial, no qual há a ocorrência de alto teor de óleos e graxas, tanques de flutuação são usados para a retirada desse material. Figura 48: Fluxograma do tratamento preliminar Fonte: ETE... (2010) UNIUBE 153 Gradeamento Fonte: Tratamento... (2016) As grades são barras de ferro ou aço paralelas, posicionadas trans- versalmente no canal de chegada dos esgotos na estação de trata- mento, perpendiculares ou inclinadas, dependendo do dispositivo de remoção do material retido. As grades devem permitir o escoa- mento dos esgotos sem produzir grandes perdasde carga. 7.1.2.2 Dimensionamento das Grades As grades são projetadas para que ocorra uma velocidade de pas- sagem entre 0,6 e 1,2 m/s para limpeza mecanizada e 0,6 m/s e 0,9 m/s para limpeza manual e velocidade no canal a montante (velocidade de aproximação) maior que 0,4m/s. A obstrução máxima admitida é de 50% da área da grade, deven- do-se adotar como perdas de cargas mínimas os valores de 0,15 m 154 UNIUBE para grades de limpeza manual e 0,10 m para grades de limpeza mecanizada. Para o cálculo da perda de carga nas grades, pode-se utilizar a fórmula de Metcalf e Eddy: − =∆ g VV H .2 . 7,0 1 20 2 Sendo: v = velocidade de passagem pela grade, m/s; v0 = velocidade de aproximação, m/s. A relação entre a área da secção transversal do canal e a área útil da grade é dada por: += a taAS u . Sendo: S = área da secção transversal do canal, até o nível de água, m²; Au = área útil da grade (equação da continuidade), m²; a = espaçamento entre as barras, m; t = espessura das barras, m. Detalhes construtivos do sistema de gradeamento: PNB-569 e PNB-570. UNIUBE 155 Por meio da sedimentação, a areia é removida do fundo das caixas de areia. Esse processo se dá de forma manual e mecanizada e é necessário para evitar ou eliminar a ocorrência de: • desgaste nos equipamentos e tubulações; • assoreamento da unidade, que pode comprometer sua vida útil; • possibilidade de entupimentos em tubulações, tanques, orifícios; • facilidade no transporte do fluido. Em alguns casos, inclui-se também uma calha Parshall ou verte- dores para a medição contínua da vazão, assegurando a relação entre o nível do fluido e a vazão de esgotos que chegam à ETE. Caixa de areia Fonte: ETE... (2010) 156 UNIUBE 7.1.2.3 Dimensionamento das Caixas de Areia 7.1.2.3.1 Calha Parshall Características das partículas a serem removidas (“Areia”): • diâmetro efetivo: 0,2 mm a 0,4 mm; • massa específica: 2.650 kg/m3; • velocidade de sedimentação Vs = 0,02m/s; • velocidade horizontal Vh = 0,30m/s. Obs.: é comum a divisão da caixa de areia em duas células, cada uma delas deve operar separadamente enquanto a outra se encon- tra em manutenção e limpeza. • A velocidade mínima no canal deve garantir que nele não se tenha deposições, e a velocidade máxima na caixa, em opo- sição, visa garantir a deposição. Cálculo do comprimento mínimo da caixa de areia: Uma partícula que se encontra no Ponto 1 deverá atingir o Ponto 2 decorrido t segundos. Portanto, decorridos t segundos, podemos afirmar que: • Tempo de deslocamento na vertical: UNIUBE 157 • Tempo de deslocamento na horizontal: Logo: Figura 49: Demonstração do caminho percorrido pela partícula de areia Fonte: Zattoni (2008) Com a vazão Q, podemos definir a área S = B.H. Da equação da continuidade, podemos escrever: Conhecida a área S = B.H, adotam-se valores convenientes para B e H. Adotar um coeficiente em torno de 1,5. 7.1.2.4 Tratamento Primário Nessa fase, o esgoto ainda contém sólidos em suspensão não gros- seiros cuja remoção pode ser feita em unidades de sedimentação, 158 UNIUBE reduzindo a matéria orgânica contida no efluente. Os sólidos sedimen- táveis e flutuantes são retirados através de mecanismos físicos, via decantadores. Os esgotos fluem vagarosamente pelos decantadores, permitindo que os sólidos em suspensão de maior densidade sedi- mentem gradualmente no fundo, formando o lodo primário bruto. Os materiais flutuantes como graxas e óleos, de menor densidade, são removidos na superfície. A eliminação média do DBO é de 30%. Tanque de sedimentação de esgoto Fonte: Dreamstime (s./d.) 7.1.2.5 Tratamento secundário No tratamento secundário, a etapa biológica prevalece, ocorren- do reações bioquímicas feitas pelos microrganismos, para realizar a transferência da matéria orgânica. Normalmente, compõe-se de reatores do tipo lagoas de estabilização, lodo ativado, filtro biológi- co ou variantes. Os reatores são normalmente compostos por tan- ques de aeração, de geometria variada, com grande quantidade de microrganismos aeróbios ou anaeróbios. A corrente de fluido do reator contém ainda restos de matéria orgânica e uma quan- tidade acentuada de microrganismos, necessitando, na maioria dos casos, de um tratamento terciário. O tratamento secundário pode ter uma eficiência de mais de 95%, variando de acordo com UNIUBE 159 o processo ocorrido na ETE. Posteriormente, os microrganismos passam por um processo de sedimentação nos designados decan- tadores secundários. Por fim, no tratamento secundário, as águas residuárias tratadas apresentam um reduzido nível de poluição por matéria orgânica, podendo, na maioria dos casos, serem admitidas no meio ambiente receptor ou, ainda, serem reutilizadas para fins menos nobres como lavagem de ruas, rega de jardins etc. Tanque de aeração: os tanques de aeração têm como principal ob- jetivo a forma de suprimento de oxigênio. São munidos de aerado- res mecânicos de superfície instalados em colunas de concreto ou, então, do tipo flutuantes, podendo também ser do tipo que usam difusores. A profundidade varia de 2,5 a 5,0 m, devendo ser com- patível com o equipamento de aeração. O efluente passa por uma aeração mecânica, fornecendo oxigênio necessário para o metabo- lismo dos organismos decompositores da matéria orgânica solúvel. Os microrganismos vão consumir a matéria orgânica do efluente e transformá-la em gás carbônico, água e material celular. Tanque de aeração Fonte: Informativo (s./d.) 160 UNIUBE 7.1.2.6 Tratamento Terciário Ocorre a remoção de poluentes tóxicos ou não biodegradáveis ou, ainda, a eliminação adicional de poluentes não degradados na fase de tratamento secundário. O progresso no tratamento de esgotos está concentrado na etapa se- cundária e posteriores. Uma das tendências verificadas é o aumento na dependência de equipamentos em detrimento do uso de produtos químicos para o tratamento. Os fabricantes de equipamentos para sa- neamento, por sua vez, vêm desenvolvendo novas tecnologias para o tratamento biológico, com ênfase no processo aeróbio. 7.1.3 Tecnologias de Tratamento Para o tratamento de esgoto doméstico, encontram-se inúmeros processos, como: processos biológicos, aeróbios e anaeróbios. Como todo sistema, cada um desses tratamentos possui suas van- tagens e desvantagens, mas, basicamente, utilizam organismos que se proliferam na água a fim de conseguir uma maior eficiência, melhorando o tratamento e diminuindo os custos. 7.1.3.1 Tratamento biológico É considerado a forma mais eficiente de remoção da matéria orgânica dos esgotos. O próprio esgoto contém uma grande variedade de bac- térias e protozoários para compor as culturas microbiais mistas que processam os poluentes orgânicos. O uso desse processo requer o controle da vazão, a recirculação dos microrganismos decantados, o fornecimento de oxigênio e outros fatores. Os fatores que mais afetam o crescimento das culturas são a temperatura, a disponibilidade de nu- trientes, o fornecimento de oxigênio, o pH, a presença de elementos tóxicos e a insolação (no caso de plantas verdes). UNIUBE 161 Existindo oxigênio dissolvido, os organismos responsáveis por promover a decomposição da matéria orgânica do esgoto são as bactérias aeróbias. Na falta de oxigênio, a decomposição se dá pela ação das bactérias anaeróbias. As principais diferenças en- tre a decomposição delas são o tempo do procedimento e os pro- dutos finais. Basicamente, em condições naturais, a decomposi- ção aeróbia necessita três vezes menos tempo que a anaeróbia e dela resultam gás carbônico, água, nitratos e sulfatos, substâncias inofensivas e úteis à vidavegetal. Já na decomposição anaeróbia ocorre a geração de gases como o sulfídrico, metano, nitrogênio, amoníaco e outros, muitos causam mau cheiro. Para ocorrer o processo de decomposição do esgoto, são necessários muitos dias, contando-se inicialmente a DBO, que vai decrescendo com o passar do tempo até atingir seu valor mínimo ao completar-se a estabilização. Portanto, a determinação da DBO é importante para indicar o teor de matéria orgânica biodegradável e definir o grau de poluição que o esgoto pode causar ou a quantidade de oxigênio ne- cessária para submeter o esgoto a um tratamento aeróbio. 7.1.3.2 Lagoa de Estabilização Refere-se a uma tecnologia simples para o tratamento dos esgo- tos, consistem em seções com geometria variada que ocupam uma grande área para sua implantação, o que pode causar um grande problema em cidades muito urbanizadas. Nas lagoas de estabilização, existe uma grande quantidade de mi- crorganismos aeróbios, que permanecem ali até que todo o proce- dimento de decomposição da matéria orgânica acabe. A passagem do esgoto bruto por todo o sistema implantado re- quer um tempo que, dependendo do tipo de esgoto que chega 162 UNIUBE (doméstico ou industrial), pode variar de 15 a 25 dias, desde a re- tirada de toda a matéria orgânica até a sua devolução para o local de despejo (rios, lagos ou praias). 7.1.3.3 Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente O filtro anaeróbio é um tanque submerso no qual o esgoto decan- tado passa de baixo para cima para ser estabilizado por bactérias aderidas a um suporte de pedras. O reator anaeróbio imobiliza a matéria orgânica, utilizando as bac- térias dispersas em um tanque fechado. Nesse caso, não é neces- sária a decantação prévia. Tanto o filtro anaeróbio quanto o reator anaeróbio necessitam de uma área pequena para a sua implantação e operação reduzida, consequentemente, seu custo também é diminuído. Nesse caso, as reações bioquímicas podem causar mau cheiro, devido à produção baixa de lodo. Esses sistemas não têm condições de atender, caso exigidos, padrões muito restritivos de lançamento do efluente. Há também o biodigestor, onde o fluido circula no reator no sentido vertical e de baixo para cima. Trata-se de um reator onde, por meio de um mecanismo biológico, ocorre a estabilização da matéria or- gânica. Suas vantagens são a facilidade de operação, a rapidez na instalação e o baixo custo de implantação/operação. Entre as desvantagens está a baixa remoção de DBO, entre 60-70%. 7.1.3.4 Lagoas anaeróbias São lagoas mais profundas (até 4,5m) com reduzida área superficial. As bactérias anaeróbias decompõem a matéria orgânica em gases, UNIUBE 163 sendo baixa a produção de lodo. Esse tratamento é adequado para efluentes com altíssimo teor orgânico, a exemplo do esgoto de mata- douros, não se aplicando aos esgotos domésticos cujo DBO é inferior. 7.1.4 Considerações Finais A disposição adequada dos esgotos é essencial para a proteção da saúde pública. Os esgotos podem contaminar a água, o alimento, o solo etc. Inúmeras disposições infecciosas são causadas pela dis- posição inadequada do esgoto, o que acarreta um grande índice de mortalidade principalmente em países que não são desenvolvidos. As vítimas mais frequentes são as crianças, uma vez que nelas as associações dessas doenças se tornam fatais. A elevação da expectativa de vida e a redução da prevalência de verminoses, as quais, via de regra, não são letais, mas desgastam o ser humano, podem ser alcançadas mediante correta disposição dos esgotos. Os assuntos abordados neste capítulo possibilitam uma visão niti- damente pragmática do sistema de coleta, com detalhes do trata- mento de esgoto dirigidos a pequenas contribuições sanitárias. O lançamento do esgoto sanitário sem um tratamento adequado pode causar sérios danos à população e deterioração da qualidade da água onde ele foi lançado, prejudicando o ser humano e toda a fauna e flora que dependem desse corpo d’água. A implantação do sistema de abastecimento provoca a diminuição sensível na incidência de doenças relacionadas à água. Se uma rede de esgoto for complementada, melhora ainda mais as condições de saúde e bem-estar. Deve-se lembrar que, em todo projeto que envolva aspectos do meio ambiente, é necessário que o responsável tenha em mãos o Estudo do 164 UNIUBE Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), instrumentos estes que se tornaram obrigatórios pela resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA 001/86, quando se pretende construir uma estação de tratamento de esgoto (ETE). Tais estudos devem levar em conta a questão da qualidade (pela avaliação de impactos das diversas técnicas disponíveis) e do custo (pela análi- se do custo benefício de cada opção) e, na maioria das vezes, o bom senso do operador. Portanto, deve-se ter em mente, nesses estudos, o destino final do lodo. FIQUE POR DENTRO ETE Compacta - Veja fases do tratamento de esgoto. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=riCYI- 8NI2TI>. Acessado em: 25 mar. 2016. REFLITA A água, ao ser consumida e descartada, chega até o esgo- to, é possível que ela seja reaproveitada? Como? INDICAÇÃO DE LEITURA NUVOLARI, Ariovaldo. Esgoto sanitário. São Paulo: Edgard Blücher Ltda., 2003. Natália Michelan Introdução Drenagem UrbanaCapítulo 8 Os serviços de utilidade pública na área de hidráulica e saneamento são: abastecimento de água, esgotos sanitários e águas pluviais. De uma forma geral, temos basicamente quatro destinos para a água da chuva: • Evaporação: parte da água da chuva evapora retornando para a atmosfera. • Evapotranspiração: parte da água da chuva é absorvida e retida pela vegetação. • Escoamento superficial: parte da água da chuva escoa pela superfície. • Infiltração: parte da água da chuva penetra na crosta incorporando-se ao lençol freático. A drenagem tem o objetivo de captar as águas do escoamento superficial conduzindo-as a um deságue seguro. Sistema de drenagem é o conjunto de obras destinadas ao controle das águas excessivas ou para controle da velocidade destas por meio da coleta ou recolhimento e da sua condução a um ou mais pontos onde não causem inconvenientes (fundos de vale) devido à urbanização excessiva, que aumenta o volume escoado superficialmente e a velocidade, diminuindo o tempo de concentração, o que aumenta a intensidade da chuva crítica. É, basicamente, o conjunto de operações e instalações destinadas a coletar, conduzir e controlar o fluxo d’água na superfície e no solo. Tem, portanto, como finalidade diminuir os prejuízos sociais, econômicos e sanitários, que variam conforme as proporções das inundações, podendo, nesse sentido, ser destacados os seguintes pontos: Prejuízos econômicos devido à invasão das águas em propriedades residenciais, comerciais e industriais. Sérios problemas sanitários causados pelo contato das águas com esgotos sanitários e lixo, que podem ser levados para dentro das propriedades. Prejuízo ao transporte urbano com o impedimento de circulação de veículos e pessoas pelas vias inundadas. Perdas de veículos. Perdas de vidas humanas, o que não é raro quando ocorrem as inundações mais graves. Desses pontos negativos decorre a necessidade de implantação de um sistema de drenagem urbana, ou seja, para evitar ou diminuir os efeitos das inundações, são executadas obras com custo bastante alto. Normalmente, as prefeituras não têm condições de executá-las utilizando a tecnologia apropriada, razão pela qual tantos problemas são causados pelas inundações em nossas áreas urbanas. Planejamento A percentagem de área impermeabilizada e o tempo de concentração da bacia são influenciados pela ocupação do solo. Quanto mais impermeabilizada e quanto menor for o tempo,maiores serão as vazões escoadas pela superfície. A ocupação urbana nas cidades brasileiras visa tirar o melhor proveito econômico, impermeabilizando as áreas por meio da maior densidade de construções. Para minimizar tais problemas, o desenvolvimento urbano deveria controlar a impermeabilização, preservar áreas para retenção natural e preservar mais ainda áreas para o escoamento dos excessos de água ao longo do fundo de vale. Na maioria das vezes, é mais econômico adequar o uso de um fundo de vale às inundações periódicas do que construir obras de proteção contra essas inundações. Normalmente, o sistema de drenagem é constituído por grandes tubulações, o que interfere nos outros serviços subterrâneos de infraestrutura como água, esgoto, gás, cabos elétricos e telefônicos. Esse aspecto merece cuidadoso estudo, tendo em vista ordenar a ocupação do subsolo na via pública. Dessa forma, devem-se identificar os problemas a fim de se pensar no benefício e no custo dessa solução. a) Diagnóstico a.1) implantação-necessidade ou não; a.2) diagnóstico-coleta de dados; a.3) situação socioeconômica da área a ser beneficiada; a.4) condições naturais de escoamento; a.5) tipo de terreno etc.; a.6) triagem-análise qualitativa e quantitativa dos dados; a.7) resultado-áreas sujeitas às inundações, prejuízos sociais, materiais e sanitários. b) Prognóstico b.1) dados hidrológicos; b.2) dados de crescimento econômico, social e urbano. c) Planejamento c.1) atividade integrada: concepção inicial; c.1.1) programa de obra; c.1.2) espaço determinado; c.1.3) período de tempo; c.2) administração pública; c.3) regulamento adequados; d) Soluções Propostas e seus Custos; e) Análise e Escolha da Solução Adotada; • Analisar e dimensionar as partes constituintes do sistema de drenagem. • Dimensionar projeto de drenagem urbana. • Partes constituintes de sistema de drenagem • Drenagem urbana • Leitura e compreensão dos anexos Objetivos Esquema Sistemas de drenagem urbana e suas partes constituintes8.1 8.1.1 Sistema de galerias pluviais É o sistema que capta as águas excessivas e as leva para os fun- dos de vale. Fazem parte desse sistema: • Captação: feita através de dispositivos construídos nas vias públicas chamadas bocas de lobo; • Bocas de lobo: a água é conduzida às tubulações ou galerias, as quais a encaminha aos fundos de vale; • Galerias: tubulações que funcionam hidraulicamente como conduto livre; • Poço de visita: são estruturas que permitem o acesso às tubulações para operações de manutenção (desobstruções e limpezas). 8.1.1.1 Bocas de Lobo São caixas de concreto ou alvenaria localizadas nas sarjetas, as quais possuem aberturas que promovem o afluxo de águas pluviais em escoamento na superfície do solo para o interior das galerias. UNIUBE 169 As bocas de lobo são localizadas intervaladamente ao longo das sarjetas, geralmente, próximas à intercessão de ruas. Em princípio, deverá haver bocas de lobo sempre que a lâmina d’água na rua, resultante da chuva, for tão grande que possa cau- sar inconvenientes. A localização racional das bocas de lobo será descrita adiante. Figura 51 : Boca de lobo com grade Fonte: Gebara (2000) 8.1.1.2 Condutos de Ligação São condutos que ligam as bocas de lobo entre si, ou as bocas de lobo aos poços de visita ou às caixas de ligação. A interligação de duas bocas de lobo por um conduto de ligação permite um traçado de menor desenvolvimento do total desses condutos, o que globalmente permite uma economia apreciável. Os condutos de ligação devem reunir as seguintes características: • ser retilíneo; • declividade mínima de 0,01 m/m; 170 UNIUBE • diâmetro mínimo:300 mm, o que permite um escoamento de vazão de 150 l/s (declividade 0,01 m/m); • devem seguir o traçado de menor desenvolvimento. Os condutos de ligação são feitos em tubos de concreto centrifugado Figura 52: Tubos de ligação Fonte: Gebara (2000) 8.1.1.3 Poços de Visitas São câmaras de acesso às galerias que possibilitam que sejam feitos inspeção, limpeza ou reparos. Elas recebem a água das bocas de lobo para encaminhá-la às galerias. Devem ser localizadas em pontos de: • mudança de direção da galeria; • junções de galerias; • mudanças de seção; • extremidades de montante; UNIUBE 171 • em trechos longos, de modo que a distância entre dois poços de visita sucessivos não exceda cerca de 100 metros. Quando a velocidade de escoamento for suficientemente elevada e a galeria for visitável, tal intervalo poderá ser aumentado para até 150 metros. Figura 51: Poço de visita Fonte: Gebara (2000) 8.1.1.4 Caixas de Ligação São caixas de concreto ou alvenaria, sem tampão externo (sem entrada para o operador), destinadas: • a ligar à galeria os condutos de ligação de bocas de lobo inter- mediárias (praticamente como em um poço de visita); • à junção dos condutos da ligação entre si, quando for conve- niente reuni-los em um único conduto para seu encaminha- mento ao poço de visita ou a outra caixa de ligação na galeria. Adotam-se caixas de seção retangular 1,00m x 1,00m ou 1,40m x1,40m, conforme a profundidade e dimensões da galeria. 172 UNIUBE Figura 52: Caixa de ligação Fonte: Gebara (2000) 8.1.1.5 Galeria São condutos destinados ao escoamento das águas de precipita- ção, coletadas para o destino final, podendo lançar o fluido em um ou mais pontos. Localizam-se: • em planta, geralmente, em uma linha a um terço de largura da rua, ou no eixo da rua; • em perfil, de modo a se ter um recobrimento apropriado de ca- nalização (no mínimo, para possibilitar a ligação dos condutos e de forma a proporcionar uma declividade condizente com as suas condições de escoamento e capacidade necessária). Galerias de seção circular são geralmente adotadas, de preferên- cia, sobre todas as outras. São feitas em concreto centrifugado e armado nos diâmetros de 0,50; 0,60; 0,70; 0,80; 0,90; 1,00; 1,10; 1,20; 1,30; 1,40 e 1,50m. Para seções maiores, costuma-se usar UNIUBE 173 células construídas em concreto armado moldadas no local, geral- mente, de seção retangular ou mesmo de seção oval. 8.1.1.6 Sarjeta Canal triangular longitudinal que coleta e conduz as águas superficiais da faixa pavimentada da via pública à boca de lobo e ao sajertão. 8.1.1.7 Sarjetão Canal triangular, localizado em pontos baixos do gride da via públi- ca ou nos seus cruzamentos. 8.1.1.8 Guia ou Meio-Fio Peça de granito ou concreto pré-moldado que separa a faixa de pa- vimentação da faixa de passeio, o que faz com que limite a sarjeta longitudinalmente. 8.1.1.9 Órgãos Especiais Nos sistemas de galerias, encontram-se órgãos especiais destina- dos a fins específicos, tais como: • Sifões Invertidos: trechos de galeria em que o conduto as- sume uma forma deprimida longitudinal, a fim de passar por baixo de estruturas existentes como canalizações, túneis etc. • Estações Elevatórias: conjuntos destinados ao recalque das águas coletadas quando as condições topográficas locais im- possibilitam o escoamento por gravidade. • Estruturas de Dissipação de Energia: destinadas a proporcio- nar diminuição das velocidades do fluxo, para evitar efeitos danosos nas estruturas. 174 UNIUBE • Estruturas de Junção de Galerias: quando duas ou mais ga- lerias se unem, dependendo do seu porte, pode haver neces- sidade de uma estrutura especial para que a turbulência seja a menor possível. 8.1.2 Dimensionamento e Projeto de Drenagem Urbana 8.1.2.1 Tempo de Concentração O tempo de concentração em uma seção de controle é o intervalo de tempo decorrido entre o início da chuva e o instante em que toda a ba- cia hidrográfica estiver contribuindo naquela seção. Pode ser, ainda, o tempo gasto pela água para escoar desde o pontomais afastado da bacia de drenagem até o ponto ou seção do projeto considerado. AiCQ ××= Sendo: te = ts - tempo de entrada ou tempo de escoamento superficial; tp = tempo de percurso. 8.1.2.2 Tempo de Percurso É o tempo gasto pela água para percorrer a sarjeta, entrar na boca de lobo, percorrer a conexão, entrar no poço de visita (ou caixa de liga- ção) e percorrer a galeria até o ponto de concentração considerado. Tempo de Entrada ou Tempo de Escoamento Superficial É o tempo gasto pela água para chegar do ponto mais distan- te até o início da galeria, levando em conta os diversos fatores UNIUBE 175 intervenientes no escoamento superficial, como declividade do ter- reno, extensão do percurso e características da superfície. 8.1.2.3 Método Racional A partir do momento em que se inicia uma chuva, que se preci- pita sobre uma área urbana seca, a água começa a se acumular nas superfícies e, logo após, inicia-se o escoamento superficial so- bre os telhados, jardins, pisos etc., indo dos pontos altos aos pon- tos baixos, até atingir as ruas onde se acumulam nas sarjetas, as quais, dessa maneira, tornam-se pequenos canais. Sendo assim, verifica-se que o dimensionamento das galerias de águas pluviais depende das vazões que devem ser captadas nas ruas, e essas, por sua vez, dependem da quantidade da chuva precipitada e das características das superfícies por onde escoa. O método racional, para os sistemas de microdrenagem, tem sido utilizado amplamente para se efetuarem as estimativas de vazões pluviais. Por esse método, emprega-se a seguinte expressão: AiCQ ××= Em que: • Q é a vazão pluvial, em m3/s; • C é o coeficiente de escoamento superficial ou a relação entre o volume escoado em uma seção e o volume precipitado na área drenada por essa seção; • i é uma grandeza que mede a altura de água precipitada na unidade de tempo, sendo as unidades m3/s.ha ou mm/min; 176 UNIUBE • A é a área drenada a montante do ponto considerado, em ha. Para se aplicar o método racional, deve-se ter em mente as seguin- tes premissas básicas: • pico de inundação superficial direto, relativo a um dado de projeto é função do tempo de concentração (tc), da intensidade da chu- va, cuja duração é suposta como sendo igual ao tc em questão; • i é constante enquanto durar a chuva; • as condições de permeabilidade das superfícies permanecem constantes durante a ocorrência da chuva; • as velocidades de escoamento nas galerias e canais funcio- nam a plena seção; • o pico do dilúvio direto ocorre quando toda a área de drenagem, a montante do ponto de projeto, passa a contribuir no escoamento; • serve para pequenas áreas < 50 ha. Dessa maneira, o método racional fornece resultados aproximados e, quando a bacia ou sub-bacia torna-se complexa, superestima as descargas (vazões). 8.1.2.4 Coeficiente de Escoamento Superficial Normalmente, é estimado por fórmulas empíricas, que consideram os fatores que influem no escoamento superficial, tais como nature- za do terreno e tempo de duração da chuva, à medida que a chuva se desenvolve, saturando e diminuindo a infiltração. UNIUBE 177 Por meio da tabela a seguir, podemos obter os valores para o coeficiente de escoamento superficial, que é utilizado para o método racional. Tabela 14: Coeficiente de escoamento superficial (método racional) DESCRIÇÃO DA ÁREA COEFICIENTE DE “RUNOFF” Comercial Central Bairro 0,70 a 0,95 0,50 a 0,70 Residencial Residências isoladas Unidades Múltiplas (separadas) Unidades Múltiplas (conjugadas) Lotes com 2.000 m2 ou mais Área com prédios de apartamentos 0,35 a 0,50 0,40 a 0,60 0,60 a 0,75 0,30 a 0,45 0,50 a 0,70 Industrial Indústrias leves Indústrias pesadas Parques, Cemitérios “Playgrounds” Pátio de estradas de ferro Áreas sem melhoras 0,50 a 0,80 0,60 a 0,90 0,10 a 0,25 0,20 a 0,35 0,20 a 0,40 0,10 a 0,30 CARACTERÍSTICA DA SUPERFÍCIE COEFICIENTE DE “RUNOFF” Ruas Pavimentação asfáltica Pavimentação de concreto 0,70 a 0,95 0.80 a 0,95 178 UNIUBE Passeios 0,75 a 0,85 Telhados 0,75 a 0,95 Terrenos rel- vados (solos arenosos) Pequena declividade (2%) Declividade média (2% a 7%) Forte declividade (7%) 0,05 a 0,10 0,10 a 0,15 0,15 a 0,20 Terrenos rel- vados (solos pesados) Pequena declividade (2%) Declividade média (2% a 7%) Forte declividade (7%) 0,15 a 0,10 0,20 a 0,25 0,25 a 0,30 Fonte: a autora A utilização da tabela implica uma relação fixa para qualquer área de drenagem, dessa maneira, deve-se calcular um C composto, baseado na porcentagem de diferentes tipos de superfícies na área de drenagem em estudo. 8.1.2.5 Intensidade da chuva i Podem-se produzir gráficos como os dados indicados na tabela 14, utilizando os valores do período de retorno (T) e duração (t). UNIUBE 179 Gráfico 2: Intensidade da chuva Fonte: Lodi (2005) 8.1.2.6 Dimensionamento hidráulico 8.1.2.6.1 Sarjetas As sarjetas devem ser entendidas como canais, nos quais é admi- tido que a seção transversal da rua possa assumir formas triangu- lares, parabólicas ou mistas. A eficiência de um projeto de drenagem urbana consiste em facilitar o tráfego de veículos e pedestres bem como escoar as águas plu- viais captadas, perfeitamente sem a construção de galerias. A declividade da sarjeta deve ser paralela à direção do escoamento. Apesar de a norma não prever a máxima declividade permitida, esses problemas práticos não devem exceder a 10%, sendo que se deve limitar a velocidade do escoamento entre 0,5 < Vesc < 3,0 m/s. A sarjeta padrão deve ter 15 cm de profundidade e 30 cm de largura. 180 UNIUBE Para se calcular a capacidade da sarjeta, admite-se o escoamento sendo uniforme, apesar de que, gradualmente, ela acumula água, o escoamento não é permanente. O cálculo hidráulico é feito utili- zando Manning e Continuidade e, normalmente, utiliza-se n = 0,016 para sarjetas. 8.1.2.6.2 Perfil triangular ( ) = = n I Q z 1959,0V yIn z375,0Q 2/1 4/3 o 4/1 4/1 o o 3/82/1o Se definirmos o perfil da rua, podemos simplificar e utilizar a tabela dada: ZYX 00 ×= 0 0 Y X)tan(Z == θ Figura 56: Perfil transversal da sarjeta triangular Fonte: Lodi (2005) UNIUBE 181 LEITO CARROCAVEL - LARGURA "L" ATE O EIXO l FAIXA INUNDADA aALTURA B y SECAO A-A PASSEIO A N.A. C 15 a 20cm PLANTA A ALINHAMENTO PREDIAL PASSEIO SARJETA A GUIA Figura 57: Planta e perfil de rua Fonte: Gebara (2000) 182 UNIUBE Tabela 15: Valores característicos da sarjeta (perfil triangular) n = 0,012 n = 0,013 n = 0,014 yo Valores de z Valores de z Valores de z cm 3 6 12 24 48 3 6 12 24 48 3 6 12 24 48 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 0,44 2,76 8,15 17,5 31,8 51,7 78,0 111 152 202 260 328 407 495 595 0,87 5,53 16,3 35,1 63,6 103 156 223 305 404 521 657 813 991 1191 1,74 11,0 32,6 70,2 127 207 312 446 610 808 1042 1314 1626 1982 2382 3,48 22,1 65,2 140 254 414 624 891 1220 1616 2083 2627 3252 3963 4764 6,96 44,2 130 281 509 828 1248 1782 2440 3231 4167 5255 6505 7926 9527 0,40 2,55 7,52 16,2 29,4 47,7 72,0 103 141 186 240 303 375 457 550 0,80 5,10 15,0 32,4 53,7 95,5 144 206 282 373 481 606 751 915 1099 1,61 10,2 30,1 64,8 117 191 288 411 653 746 962 1213 15011829 2199 3,21 20,4 60,2 130 235 382 576 823 1126 1491 1923 2425 3002 3658 4397 6,43 40,8 120 259 470 764 1152 1645 2252 2983 3846 4851 6005 7317 8795 0,37 2,37 6,98 15,0 27,3 44,3 66,9 95,5 131 173 223 282 348 425 510 0,75 4,74 14,0 30,1 54,5 88,7 134 191 261 346 446 567 697 849 1021 1,49 9,47 27,9 60,2 109 177 268 382 523 693 893 1126 1394 1699 2042 2,98 18,9 55,9 120 218 355 535 764 1046 1384 1786 2252 2788 3397 4083 5,97 37,9 112 241 436 709 1070 1528 2091 2770 3571 4504 5576 6794 8167 UNIUBE 183 n = 0,015 n = 0,016 n = 0,020 yo Valores de z Valores de z Valores de z cm 3 6 12 24 48 3 6 12 24 48 3 6 12 24 48 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 0,35 2,216,52 14,0 25,5 41,4 42,4 89,1 122 162 208 263 325 396 476 0,70 4,44 13,0 28,1 50,9 82,8 125 178 244 323 417 525 651 793 953 1,39 8,84 26,1 56,1 102 166 250 356 488 646 833 1051 1301 1583 1905 2,78 17,7 52,1 112 204 331 499 713 976 1293 1667 2102 2602 3171 3811 5,57 35,4 104 225 407 662 999 1426 1952 2585 3333 4204 5204 5341 7622 0,33 2,07 6,11 13,2 23,9 38,8 58,5 83,5 114 151 195 246 305 372 447 0,65 4,14 12,2 26,3 47,7 77,6 117 167 229 303 391 493 610 743 893 1,31 8,29 24,4 52,6 95,4 155 234 334 457 606 781 985 1220 1486 1786 2,61 16,6 48,9 105 191 310 468 668 915 1212 1562 1970 2439 2972 3573 5,22 33,2 97,7 211 382 621 936 1337 1830 2423 3125 3941 4879 5945 7145 0,26 1,66 4,88 10,5 19,1 31,0 46,8 66,8 91,4 121 156 197 244 297 357 0,52 3,31 9,76 21,0 38,1 62,0 93,6 134 183 242 312 394 488 594 714 1,04 6,62 19,5 42,1 76,3 124 187 267 366 484 625 788 975 1188 1428 2,09 13,3 39,1 84,1 153 248 374 534 731 969 1249 1575 1950 2376 2857 4,27 26,5 78,1168 305 496 748 1069 1463 1938 2498 3151 3901 4753 5713 184 UNIUBE 8.1.2.6.3 Perfil parabólico IKQ = (ver anexo I) 8.1.2.7 Boca de Lobo O problema do projeto de uma boca de lobo consiste em: • adotar o tipo mais adequado de boca de lobo, em função das características das ruas; • estimar a capacidade hidráulica de cada boca de lobo e, em consequência, o número de bocas de lobo e fazer a sua loca- ção em planta; • dimensionar os condutos de ligação com as galerias. O tipo de boca de lobo mais utilizado é o sem grades com depres- são de sarjeta, devido ao fato de as grades ficarem obstruídas após os primeiros minutos da chuva. Uma vez selecionado o tipo de boca de lobo e estudada a sua capacidade, procura-se estimar o número de bocas de lobo neces- sário para drenar um hectare em função da chuva de projeto e das características do escoamento superficial. O conduto de ligação deve ser dimensionado como conduto curto, porque geralmente ele vai funcionar afogado em condições extre- mas, sendo a fórmula para dimensioná-lo a seguinte: gh2ACQ ×= Em que: UNIUBE 185 Q é a vazão em m3/s; C é o coeficiente de contração, que pode ser adotado como 0,5 com segurança; A é a área do tubo; h é a carga hidráulica. O número de ligações feitas nos PV dependerá da disponibilidade de espaço em planta e perfil, bem como da sua instalação. Na figu- ra 58, apresenta-se o modelo de boca de lobo. Trata-se de boca de lobo sem grade e com depressão de 5 cm. As bocas de lobo com grades caíram em desuso devido aos proble- mas de acúmulo de detritos à sua entrada que tira a vantagem de seu aumento de eficiência. A localização das bocas de lobo deve ser planejada conhecendo- se sua capacidade nas diversas situações possíveis. Assim, dife- renciam-se duas situações principais: as que se situam em pontos baixos e as que se situam em pontos intermediários das sarjetas. O estudo da capacidade da boca de lobo tem por finalidade estimar a vazão que deve ser recolhida nas diversas condições hidráulicas. 186 UNIUBE Figura 58: Boca de lobo Fonte: Lodi (2005) 8.1.2.8 Galeria Os sistemas de micro drenagem podem ser calculados como se o es- coamento se processasse no regime permanente uniforme, isto é, a li- nha de energia será paralela à linha e ao fundo da canalização. Nesse caso, estão sendo desprezadas perdas de carga em poços de visita, curvas, ressaltos etc., o que não causará grandes transformações por serem as canalizações e vazões de pequeno porte. Utiliza-se fórmula de Manning para seção plena: D3102,0 I nQ 67,2= O dimensionamento de início é feito por tentativas, adotando-se a declividade do terreno e calculando-se o diâmetro. Deve ser feito o cálculo da lâmina, caso o diâmetro comercial seja maior que o calculado para a seção plena. No caso de ruas com declividades muito baixas, provavelmente a declividade da tubulação será maior, o que significa que a declivi- dade das ruas irá se aprofundando. UNIUBE 187 Ruas com declividade excessiva poderão apresentar um escoa- mento em velocidade acima de 5m/s. Nesse caso, a declividade deverá ser reduzida, mediante o aprofundamento do poço de visita de montante. Condutos Circulares Parcialmente Cheios Tabela para cálculo do escoamento de diferentes alturas de lâmina líquida: Sendo: D = diâmetro; X = altura da lâmina líquida; Vp = velocidade da seção plena; Qp = vazão da seção plena; Seção A = α.D2. 188 UNIUBE Tabela 16: Valores para escoamentos em diversas alturas __X__ D _Vx_ Vp _Qx_ Qp α _X__ D _Vx_ Vp _Qx_ Qp α 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 0,10 0,12 0,14 0,16 0,18 0,20 0,22 0,24 0,26 0,28 0,30 0,32 0,34 0,36 0,38 0,40 0,07 0,12 0,17 0,21 0,26 0,29 0,32 0,35 0,38 0,41 0,46 0,50 0,55 0,60 0,63 0,66 0,70 0,73 0,76 0,79 0,82 0,84 0,86 0,88 0,90 0,0001 0,0006 0,0015 0,003 0,005 0,007 0,010 0,013 0,017 0,02 0,03 0,04 0,06 0,07 0,09 0,11 0,13 0,15 0,17 0,20 0,23 0,25 0,28 0,31 0,340 0,001 0,004 0,007 0,011 0,015 0,019 0,024 0,029 0,035 0,041 0,053 0,067 0,081 0,096 0,112 0,128 0,145 0,162 0,180 0,198 0,217 0,235 0,255 0,274 0,293 0,42 0,44 0,46 0,48 0,50 0,52 0,54 0,56 0,58 0,60 0,62 0,64 0,66 0,68 0,70 0,72 0,74 0,75 0,76 0,78 0,82 0,86 0,90 0,94 0,98 0,93 0,95 0,97 0,98 1,00 1,02 1,03 1,05 1,06 1,07 1,08 1,09 1,10 1,11 1,12 1,12 1,12 1,13 1,13 1,13 1,13 1,13 1,12 1,10 1,06 0,37 0,40 0,41 0,47 0,50 0,54 0,57 0,60 0,64 0,67 0,70 0,74 0,77 0,80 0,83 0,86 0,89 0,90 0,92 0,94 0,99 1,03 1,06 1,07 1,05 0,313 0,333 0,353 0,373 0,393 0,413 0,433 0,453 0,472 0,492 0,512 0,531 0,550 0,569 0,587 0,605 0,623 0,632 0,640 0,657 Fonte: Gebara (2000) UNIUBE 189 8.1.3 Considerações Finais Em função do crescimento populacional, elaborar um projeto de sistema de drenagem é um fator de extrema utilidade pública. O processo de urbanização sem um controle gera um problema de infraestrutura urbana, especialmente, em relação à drenagem de águas pluviais. Um crescimentosem planejamento causa impermeabilização do solo, desmatamento da vegetação, ocupação das várzeas, estruturação do sistema viário em vias de fundo de vale, erosão e assoreamento, lixo e poluição, retificação e canalização de rios e ausência de planos urba- nísticos específicos. Consequentemente, ocorrem enchentes que ge- ram impactos econômicos e sociais em todas as atividades da cidade e, principalmente, na vida de seus habitantes. A impermeabilização do solo e o desmatamento da vegetação, resultantes do desenvolvimento urbano, alteram as condições na- turais de infiltração, diminuindo o atrito da água com o solo e au- mentando a velocidade de escoamento, o que reduz o tempo que a água permanece na bacia e a evapotranspiração, aumentando assim o volume de água a ser escoada superficialmente, provocan- do também erosão (USP, 2008). Neste capítulo, vimos que o sistema de drenagem urbana conta com fundamentos técnicos e científicos para desenvolver as diretri- zes de um Plano Diretor. Tudo isso tem a finalidade de melhorar as condições de vida e trazer maior segurança para a população, evi- tando-se enchentes causadas pelo crescimento desenfreado, prin- cipalmente nos países menos desenvolvidos. Nessa perspectiva, a conscientização ambiental e os problemas observados ao longo do tempo permitiram pesquisadores e técnicos desenvolverem medi- das práticas de aplicação da drenagem. 190 UNIUBE FIQUE POR DENTRO • Métodos alternativos de drenagem urbana. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=pOgr1fxqDU4>. Acesso em: 29 mar. 2016. REFLITA • Quais são os maiores problemas pela falta de drena- gem que você pode observar no seu cotidiano? INDICAÇÃO DE LEITURA • ABNT. NBR 12266: Projeto e execução de valas para assen- tamento de tubulação de água, esgoto ou drenagem urbana.. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/30913681/NBR-12266- NB-1349-Projeto-E-Execucao-de-Valas-Para-Assent-Amen-To- de-Tubulacao-de-Agua-Esgoto-Ou-Drenagem-Urbana#scribd>. Acesso em: 03 abr. 2016. UNIUBE 191 CONCLUSÃO Os estudos relacionados ao sistema de abastecimento de água têm como base a compreensão da importância de se elaborar um projeto de engenharia levando-se em consideração aspectos eco- nômicos, sanitários e políticos. A saúde não se baseia apenas na ausência de doenças ou de en- fermidades, mas sim no estado de completo bem-estar físico, men- tal e social (conforme prevê a Organização Mundial de Saúde). Outro fator que não podemos esquecer e que está relacionado com a saúde é a economia. Um bom sistema de saneamento básico im- plantado reflete significativamente na saúde e na economia da po- pulação. Alguns procedimentos necessários como estações eleva- tórias elevam o custo de diversas formas: tanto na execução quanto na manutenção, mas em contrapartida, melhoram a distribuição de água para a população e empresas de diversas maneiras. A implantação ou a melhoria de um projeto de saneamento bási- co vai repercutir imediatamente sobre a saúde da população, pois ocorre a erradicação de doenças de veiculação ou de origem hídri- ca; a diminuição nos índices de mortalidade geral e, em especial, a de mortalidade infantil e melhorias nas condições de higiene pes- soal e do meio ambiente, que implicam em uma diminuição de série de doenças relacionadas diretamente à água. Portanto, a elaboração e implantação de um projeto de saneamen- to básico tornaram-se indispensáveis, pois este atua como um con- trole e manutenção de todos os meios que podem afetar a saúde do homem e destruir o meio ambiente. 192 UNIUBE Referências ACTI CHEMICAL. Disponível em: <www.acti-chemical.com>. Acesso em: 09 abr. 2016. Não paginado. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 12218: Projeto de rede de distribuição de água para abastecimento público. Rio de Janeiro: Copyright, 1994. 4 p. Disponível em: <http://www.emiliaweb.com.br/site/wp-content/uploads/2012/10/ Nbr-12218-Projeto-De-Rede-De-Distribuicao-De-Agua-Para-Abastecimento- Publico.pdf>. Acesso em: 05 abr. 2016. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 9649: Projeto De Redes Coletoras De Esgoto Sanitário. Rio De Janeiro. Disponível em: <http://licenciado- rambiental.com.br/wp-content/uploads/2015/01/NBR-9.649-Projeto-de-Redes- de-Esgoto.pdf>. Acesso em: 3 abr. 2016. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12216: Projeto De Estação De Tratamento De água Para Abastecimento público. Rio De Janeiro: Copyright, 1995. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ ABAAABiI0AH/nbr-12216-1992-projeto-estacao-tratamento-agua-abastecimen- to-publico>. Acesso em: 3 abr. 2016. ALEM SOBRINHO, Pedro; CONTRERA, Ronan Cleber. Introdução e concepção de Sistema de Abastecimento de Água. Disponível em: <http://www.ebah.com. br/content/ABAAAgdJsAK/01-abastecimento-concepcao-2014-1-1>. Acesso em: 05 abr. 2016. ANDRADE, João Bosco. Notas de aula: Saneamento Básico Sistema de Abastecimento de Água. Disponível em: <http://professor.pucgoias.edu.br/ SiteDocente/admin/arquivosUpload/13484/material/APOSTILA AGUA.pdf>. Acesso em: 05 abr. 2016. BLOCOS de ancoragem: As tubulações e acessórios esforços internos e ex- ternos que precisam ser absorvidos e transferidos a outras estruturas Esforços externos. SlidePlayer. Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/361627/>. Acesso em: 07 abr. 2016. BRANCO, R. O que é um tanque de areação. Manutenção & Suprimentos. Disponível em: <http://www.manutencaoesuprimentos.com.br/conteudo/4705-o- que-e-um-tanque-de-aeracao/>. Acesso em: 09 abr. 2016. Não paginado. CAMPANATO, Valter. Esgoto a céu aberto. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/ Saneamento_básico#/media/File:EsgotoCeuAbertoValterCampanatoAgenciaBrasil. jpg>. Acesso em: 05 abr. 2016. CRESPO, Patricio Gallegos. Sistemas de esgoto. Belo Horizonte: UFMG, 2001. UNIUBE 193 DEZOTTI, Mateus. Módulo II Redes de Distribuição. Disponível em: <http:// www.ebah.com.br/content/ABAAAfntAAF/modulo-ii-redes-distribuicao?part=2>. Acesso em: 05 abr. 2016. DREAMSTIME. [s./d.]. Disponível em: < http://pt.dreamstime.com/stock-footage/ tanques-de-sedimenta%C3%A7%C3%A3o-em-uma-planta-de-tratamento-de -esgotos.html>. Acesso em: 10 abr. 2016. Não paginado. ETE – Estação de Tratamento de Esgoto. Ebah. Disponível em: <http://www.ebah. com.br/content/ABAAAA3JEAC/ete-estacao-tratamento-esgoto>. Acesso em: 10 abr. 2016. Não paginado. FLOR, Fernanda. Sistemas elevatórios. Disponível em: <http://slideplayer.com. br/slide/2264452/>. Acesso em: 05 abr. 2016. GEBARA, Dib. Sistema de abastecimento de água. Disponível em: <http://www. feis.unesp.br/#!/departamentos/engenharia-civil/docentes---areas/>. Acesso em: 05 abr. 2016. HELLER, Léo; PÁDUA, Valter lúcio de. Abastecimento de água para consumo humano. Belo Horizonte: UFMG, 2006. INFORMATIVO. [s./d.]. Tecnosan - Tecnologia e Saneamento Ambiental. Disponível em: < http://www.tecnosan.com.br/informativo.php>. Acesso em: 10 abr. 2016. LIBÂNIO, Marcelo. Fundamentos de Qualidade e Tratamento de Água. Campinas, Editora Átomo. 2005. LIGAÇÕES clandestinas trazem prejuízos para a população [s./d.]. Siga Fábio Junior. Disponível em: <http://www.mossorohoje.com.br/no- ticias/6009/17-02-2016/Liga%C3%A7%C3%B5es-clandestinas-trazem- preju%C3%ADzos-para-a-popula%C3%A7%C3%A3o-alerta-Caern>. Acesso em: 14 abr. 2016. Não paginado. MANCHA, Isaque. Dispositivo de Proteção das Adutoras. Disponível em: <http:// slideplayer.com.br/slide/361627/>. Acesso em: 05 abr. 2016. MÓDULO II: redes de distribuição. Ebah. Disponível em: <http://www.ebah.com. br/content/ABAAAfntAAF/modulo-ii-redes-distribuicao?part=2>. Acesso em: 07 abr. 2016. Não paginado. NUVOLARI, Ariovaldo. Esgoto sanitário. São Paulo: Edgard Blücher ltda, 2003. RESERVATÓRIOS de água (01/04) (4 páginas). Universidade Federal de Campina Grande. EngenhariaCivil, Arquitetura e Urbanismo. Disponível em: 194 UNIUBE <http://www.uaec.ufcg.edu.br/>. Acesso em: 09 abr. 2016. Não paginado. SAAE. Tratamento de Água. Disponível em: <http://www.saaeunai.mg.gov.br/portal/tra- tamento-de-agua/>. Acesso em: 05 abr. 2016. SANTOS, Adriel Carlos Onório Batista dos. Estação de Tratamento de Esgoto. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA3JEAC/ete -estacao-tratamento-esgoto>. Acesso em: 05 abr. 2016. SERGIPE. Secretaria do Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Termos empregados em gestão de recursos hídricos pela semarh / srh / Sergipe. Portal do Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.semarh.se.gov.br/srh/mo- dules/tinyd0/index.php?id=8>. Acesso em: 6 abr. 2016. Não paginado. SILVESTRE, Paschoal. Hidráulica geral. 1 ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S. A., 1979. 316 p. SISTEMAS elevatórios: aula 14. Disponível em: <http://slideplayer.com.br/sli- de/2264452/>. SlidePlayer. Acesso em: 07 abr. 2016. SORAIA, S. Tratamento de água. Sora Soraia. Disponível em: <http://sorasoraia. blogspot.com.br/2015/10/tratamento-de-agua.html>. Acesso em: 09 abr. 2016. Não paginado. TECNOSAN. Estação de Tratamento de Esgoto. Disponível em: <http://www. tecnosan.com.br/informativo.php>. Acesso em: 05 abr. 2016. TRATAMENTO de água. Serviço Municipal de Saneamento Básico de Unaí – MG. Disponível em: <http://www.saaeunai.mg.gov.br/portal/tratamento-de-a- gua/>. Acesso em: 09 abr. 2016. Não paginado. TRATAMENTO de esgoto: conceitos. DAE – Água e Vida: Preserve. Disponível em: < http://www.daebauru.com.br/2014/esgoto/esgoto.php?secao=tratamen- to&pagina=10>. Acesso em: 14 abr. 2016. Não paginado. TSUTIYA, Milton T. Abastecimento de Água. São Paulo. 3. ed. Escola Politécnica da USP. 2006. VÍDEOS, Stock &. Tanques De Sedimentação Em Uma Planta De Tratamento De Esgotos. Disponível em: <http://pt.dreamstime.com/stock-footage/tanques-de-sedimen- tação-em-uma-planta-de-tratamento-de-esgotos.html>. Acesso em: 05 abr. 2016. ZATTONI, Célio Carlos. Dimensionamento de caixas de areia. Disponível em: <https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chro- me-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=dimensionamento de caixas de areia>. Acesso em: 05 abr. 2016. UNIUBE 195 196 UNIUBE Anexos ANEXO ( Tabelas ) DRENAGEM DE VIAS Vias de Seção parabólica Largura da Rua .................................................................................. 7.00 m Largura da Sarjeta ............................................................................. 0.30 m Declividade Transversal da Sarjeta ................................................ 0.05 m/m Coeficiente de Manning.(n) .................................................................. 0.016 LARGURA INUNDADA (m) PROFUNDIDADE (cm) N Q I = AREA (cm2) 0.15 0.30 0.40 0.50 0.60 0,70 0.80 0.90 1.00 1.10 1.20 1.30 1.40 1.50 1.60 1.70 1.80 1.90 2.00 1.10 2.20 2.30 2.40 2.50 2.60 2.70 2.80 2.90 3.00 3.10 3.20 3.30 3.40 3.50 0.7 1.5 2.0 2.5 3.0 3.6 4.1 4.7 5.2 5.8 6.4 6.9 7.5 8.1 8.6 9.2 9.7 10.2 10.7 11.2 11.6 12.1 12.5 12.9 13.3 13.6 13.9 14.2 14.4 14.6 14.7 14.9 14.9 15.0 8 5 12 23 40 61 90 125 169 221 281 351 430 518 615 721 835 956 1084 1217 1254 1494 1634 1774 1911 2043 2167 2282 2386 2475 2574 2602 2635 2647 5 22 40 63 93 128 170 217 271 331 396 467 543 624 709 798 891 986 1084 1182 1282 1381 1479 1575 1667 1756 1839 1915 1984 2043 2092 2129 2152 2160 UNIUBE 197 Vias de seção parabólica Largura da Rua ..................................................................................... 8.00 m Largura da Sarjeta ............................................................................. .. 0.30 m Declividade Transversal da Sarjeta................................................... 0.05 m/m Coeficiente de Manning.(n) .....................................................................0.016 LARGURA INUNDADA (m) PROFUNDIDADE (cm) N Q I = AREA (cm2) 0.15 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70 0.80 0.90 1.00 1.10 1.20 1.30 1.40 1.50 1.60 1.70 1.80 1.90 2.00 2.10 2.20 2.30 2.40 2.50 2.60 2.70 2.80 2.90 3.00 3.10 3.20 3.30 3.40 3.50 3.60 3.70 3.80 3.90 4.00 0.7 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 9.4 9.9 10.3 10.7 11.1 11.5 11.9 12.3 12.7 12.9 13.2 13.5 13.8 14.0 14.2 14.4 14.6 14.7 14.8 14.9 14.9 15.0 .8 5 12 23 38 58 84 115 153 198 294 308 374 447 527 615 709 810 917 1029 1146 1267 1392 1518 1646 1774 1901 2026 2147 2263 2372 2474 2566 2648 2717 2773 2814 2839 2848 5 22 40 62 90 124 162 206 254 308 366 529 496 568 643 722 804 888 976 1065 1156 1247 1340 1432 0 198 UNIUBE Vias de seção parabólica Largura da Rua ....................................................................................... 9.00 m Largura da Sarjeta ................................................................................... 0.30 m Declividade Transversal da Sarjeta .................................................... 0.05 m/m Coeficiente de Manning.(n) ........................................................................ 0.016 LARGURA INUNDADA (m) PROFUNDIDADE (cm) N Q I = AREA (cm2) 0.15 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70 0.80 0.90 1.00 1.10 1.20 1.30 1.40 1.50 1.60 1.70 1.80 1.90 2.00 2.10 2.20 2.30 2.40 2.50 2.60 2.70 2.80 2.90 3.00 3.10 3.20 3.30 3.40 3.50 3.60 0.7 1.5 1.9 2.4 2.9 3.4 3.9 4.4 4.9 5.4 5.8 6.3 6.7 7.2 7.6 8.1 8.5 8.9 9.3 9.7 10.1 10.5 10.8 11.2 11.5 11.8 12.2 12.5 12.7 13.0 13.3 13.5 13.7 13.9 14.1 8 5 12 23 37 56 80 109 144 184 230 282 339 403 473 549 630 717 809 906 1008 1113 1222 1334 1448 1564 1681 1798 1915 2030 2143 2254 2360 2462 2558 5 22 39 62 89 121 157 199 244 294 348 405 467 532 600 671 746 822 902 983 1066 1150 1235 1321 1407 1494 1580 1665 1749 1831 1911 1988 2063 2134 2200 UNIUBE 199 Vias de seção parabólica Largura da Rua.......................................................................................10.00 m Largura da Sarjeta....................................................................................0.30 m Declividade Transversal da Sarjeta......................................................0.05 m/m Coeficiente de Manning.(n).......................................................................0.016 LARGURA INUNDADA (m) PROFUNDIDADE (cm) N Q I = AREA (cm2) 0.15 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70 0.80 0.90 1.00 1.10 1.20 1.30 1.40 1.50 1.60 1.70 1.80 0.7 1.5 1.9 2.4 2.9 3.4 3.9 4.3 4.8 5.2 5.7 6.1 6.5 7.0 7.4 7.8 8.2 8 5 12 22 37 55 78 105 138 175 218 265 318 376 439 507 580 5 22 39 61 88 119 155 194 237 285 336 390 448 508 572 638 707 200 UNIUBE ANEXO I Y/D =RH/D Y/D =RH/D 0.025 0.016 0.550 0.265 0.050 0.033 0.600 0.278 0.075 0.048 0.650 0.288 0.100 0.064 0.700 0.297 0.125 0.079 0.750 0.302 0.150 0.093 0.775 0.304 0.175 0.107 0.800 0.304 0.200 0.121 0.825 0.304 0.225 0.134 0.850 0.304 0.250 0.147 0.875 0.301 0.300 0.171 0.900 0.299 0.350 0.194 0.925 0.294 0.400 0.215 0.950 0.287 0.450 0.234 0.975 0.277 0.500 0.250 1.000 0.250