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O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DO CONHECIMENTO

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O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DO CONHECIMENTO
Como a aquisição de conhecimentos depende de certas estruturas cognitivas e da relação do sujeito com o objeto, a esse processo interacional, de mão dupla, Piaget denomina adaptação. 
A adaptação, por sua vez, é subdividida em dois tipos ou dois momentos: a assimilação e a acomodação.
 Adaptação Assimilação Acomodação 12 CEDERJ CEDERJ 13 AULA 11 Piaget observou que as crianças não raciocinam como os adultos, e só gradualmente vão se inserindo nas regras, valores e símbolos que caracterizam a maturidade psicológica. E é nesse processo que entram a assimilação e acomodação. 
A assimilação consiste em incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais que já foram formados ou que são preexistentes. Por exemplo: a criança que já possui uma imagem mental de uma ave como um animal que voa, põe ovos e possui penas e asas, ao ver um morcego, tenderá a assimilá-lo a um esquema que, no entanto, não corresponde totalmente ao que ela já conhece como ave.
 Ela generaliza, com base em algumas características comuns entre os dois animais. Já a acomodação refere-se a modificações dos sistemas de assimilação, por influência do mundo externo. Após perceber que o morcego não possui penas nem põe ovos, e que seus filhotes mamam, a criança vai realizar adaptações em seu conceito “geral” de ave como animal que voa. 
• Na assimilação, portanto, as ações do indivíduo são no sentido de internalizar o objeto, interpretando-o de tal forma que possa encaixá- lo em suas estruturas cognitivas.’
 • Acomodação é o momento em que o sujeito altera suas estruturas cognitivas para compreender melhor o objeto que o perturba, que lhe rompeu o equilíbrio. Psicologia e Educação | Principais abordagens do desenvolvimento humano: epistemologia genética de Piaget 14 CEDERJ CEDERJ 15 Os movimentos de assimilação e acomodação, com doses variáveis entre um e outro, constituem, então, o processo de adaptação, que significa que uma criança não pode chegar a conhecer senão aqueles objetos que ela é capaz de assimilar a esquemas anteriores. Esses esquemas são, no começo, esquemas de ação elementares, que vão se enriquecendo e tornando-se mais complexos à medida que o conhecimento prossegue, proporcionando, assim, novos instrumentos de assimilação. É através de sucessivas relações entre assimilações e acomodações que o indivíduo vai desenvolvendo sua adaptação ao meio externo, através de um contínuo processo de desenvolvimento cognitivo. Sujeito Incorporação ca experiência NOVA a esquemas PRÉVIOS de ação ou de conhecimento Objeto de Conhecimento Assimilação Figura 11.1: O mecanismo da assimilação (ORTEGA, 2004). Se você perguntar a alguém o que significa aprendizagem, vai provavelmente obter respostas do tipo senso comum, as quais consideram-na um processo dirigido de fora, pela ação dos adultos sobre a criança. Para Piaget, qualquer estímulo para atuar dentro do processo de aprendizagem deve ser assimilado pelo organismo. A assimilação designa a incorporação de elementos estranhos ao organismo, vindos de objetos exteriores, que serão modificados pelas estruturas orgânicas ligadas à inteligência. Esses processos serão compreendidos quando estudarmos os estágios (ou estádios, para alguns autores) pelos quais passa o desenvolvimento humano. ! 14 CEDERJ CEDERJ 15 AULA 11 Esse progresso ocorre de tal forma que são esses primeiros esquemas de ação que permitem à criança uma primeira classificação do mundo. Os processos elementares de classificação existem desde os atos mais primitivos, e as propriedades atribuídas aos objetos dependem somente da ação que o sujeito pode exercer sobre eles, sem que nada garanta a permanência de suas qualidades fora dessa ação. É ainda nos primeiros anos de vida que se pode afirmar que os objetos exteriores continuam existindo, ainda que o sujeito não os veja. A inteligência, antes de tudo, é adaptação; é a forma de equilíbrio para a qual tendem todas as estruturas. É a partir de esquemas motores, ou seja, das ações do ser humano, que ocorre a troca entre o organismo e o meio, dentro de um processo de adaptação progressiva, visando constante equilibração. Piaget (1975) defende que o equilibrio entre assimilação e acomodação é necessário, pois se um indivíduo só assimilasse, ele só desenvolveria alguns esquemas cognitivos muito gerais, o que comprometeria sua capacidade de diferenciação. Por outro lado, se ele só acomodasse, desenvolveria uma grande quantidade de esquemas cognitivos bastante específicos, o que comprometeria sua capacidade de generalização. Objetos e fatos que pertencem à mesma classe seriam entendidos como diferentes, gerando igualmente problemas de aprendizagem, ou melhor, problemas de “adaptação”, na linguagem piagetiana. 
A equilibração cognitiva é também ampliadora, ou seja, os desequilíbrios não conduzem a um retorno à forma anterior de equilíbrio, mas a uma forma melhor, caracterizada pelo aumento das dependências mútuas ou das implicações necessárias (PIAGET; CHOMSKY, 1985). Cada estrutura deve ser concebida como uma forma particular de equilíbrio.
 Essas estruturas vão se sucedendo, conforme uma lei de evolução, determinada de tal forma que, assim que a criança chega a um determinado nível de desenvolvimento, este garante um equilíbrio mais amplo e mais estável aos processos seguintes, intervindo naquele que o precedeu. A inteligência não é mais do que um termo genérico que designa as formas superiores de organização ou de equilíbrio das estruturas cognitivas. Piaget (1966), ao caracterizar a sequência de desenvolvimento da inteligência em seus quatro estágios, deixa clara a incorporação gradativa de novas experiências e sua importância para que a criança vá atingindo os estágios subsequentes.