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Responsável pelo Conteúdo: 
Prof. Ms. João Paulo Cavalcante Lima 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Riscos das Instituições 
Financeiras 
Espero que a unidade sobre os Mercados Financeiros tenha 
sido proveitosa. Utilize o Fórum “Sanando Dúvidas” para 
enviar questões que não ficaram claras na apresentação. 
Agora, vamos tratar da terceira unidade da disciplina, “Riscos 
das Instituições Financeiras”. Nesta unidade, nós trataremos 
de questões atuais e interessantes, tais como: Risco de 
Compliance, Governança Corporativa e os Comitês de 
Auditoria, Lei Sarbanes-Oxley e Acordo de Basileia. 
Então, você já sabe, acesse a pasta "Materiais Didáticos", lá 
você encontrará a descrição das atividades propostas para 
esta unidade. Não se esqueça de fazer as atividades dentro 
dos prazos. A sua participação é fundamental para o seu 
desenvolvimento e crescimento profissional. 
Atenção 
Para um bom aproveitamento do curso, leia o material teórico atentamente antes de realizar 
as atividades. É importante também respeitar os prazos estabelecidos no cronograma. 
 
 
 
 
 
 
 
Para que você perceba e entenda a importância de pulverizar os diversos tipos de riscos 
existentes que cercam as Instituições Financeiras e as organizações, direta ou indiretamente, 
eu lhe convido para acessar o Portal da Revista Exame na categoria crise 
http://portalexame.abril.com.br/blogs/direto-do-pregao/categoria/crise/ e ler as diversas 
matérias elencadas nessa categoria. Durante a leitura, procure refletir como esses assuntos 
relacionados a momentos de crise podem aumentar os riscos dos negócios. 
 
Mais uma vez ressalto que “navegar” pelo Portal da Revista Exame 
(http://portalexame.abril.com.br/) contribuirá para o seu desenvolvimento e crescimento 
profissional, pois você começará a visualizar a interação desses mercados com a sociedade 
como um todo, ou seja, você desenvolverá uma visão mais holística dos negócios. 
 
Contextualização 
 
 
 
 
 
1. Riscos Financeiros 
 
Os principais riscos financeiros atualmente enfrentados pelos bancos em suas 
atividades de intermediação financeira são classificados da seguinte forma: 
 Risco de Variação das Taxas de Juros 
 Risco de Crédito 
 Risco de Mercado 
 Risco Operacional 
 Risco de Câmbio 
 Risco Soberano 
 Risco de Liquidez 
 Risco Legal 
 
Desde que não seja possível ou, muitas vezes desejável, eliminar totalmente o risco, é 
importante que a instituição financeira planeje uma boa administração de seus riscos, 
avaliando o potencial de perda possível associada a um evento (alteração de preços ou de 
taxas de mercado, por exemplo) e sua respectiva probabilidade de ocorrência. 
As perdas de uma instituição se potencializam quando certos eventos ocorrem ao 
mesmo tempo e de forma conflitante, por exemplo, se uma instituição financeira atua em mais 
de um mercado ao mesmo tempo e o comportamento de ambos é contrário à sua posição 
assumida, isso determina perdas mais relevantes aos resultados do banco. 
Ambientes econômicos de altas taxas de juros, associadas às baixas taxas de 
crescimento da economia, costumam também contribuir para a elevação do risco de crédito. 
 
1.1. Risco de Variação das Taxas de Juros 
Uma instituição financeira está exposta ao risco de variação de taxas de juros quando 
trabalha descasada de prazos entre seus ativos (aplicações) e passivos (captações). 
Material Teórico 
 
 
Admita, por exemplo, uma instituição financeira que tenha aplicado $ 100 milhões na 
concessão de créditos com prazo de dois anos. Para financiar estes ativos, o banco captou o 
mesmo montante de $ 100 milhões com prazo de resgate de um ano. 
Esta situação demonstra um descasamento de prazos entre ativos (créditos) e passivos 
(captações) do banco, expondo ao risco de variação das taxas de juros. Quando vencer o 
passivo, a instituição não terá ainda recebido o capital aplicado, gerando uma necessidade de 
renovar a dívida. 
O descasamento de prazos de ativos e passivos expõe o banco ao risco de variação das 
taxas de juros: 
 Quando o prazo do ativo (aplicação) for maior que o do passivo (captação), um 
aumento dos juros reduz a margem financeira do banco, e uma redução das 
taxas promove maiores ganhos; 
 O contrário se verifica quando o prazo do ativo for menor que o do passivo. Um 
aumento dos juros permite que o banco renove seus créditos concedidos 
seguindo as taxas mais altas de mercado, reforçando seus resultados financeiros. 
Ao contrário, em cenário de queda nos juros as receitas dos ativos (créditos) 
diminuem, promovendo menor margem financeira. 
 
1.2. Risco de Crédito 
É a possibilidade de uma instituição financeira não receber os valores (principal e 
rendimentos e juros) prometidos pelos títulos que mantém em sua carteira de ativos recebíveis. 
Como exemplos desses ativos, apontam-se, principalmente, os créditos concedidos pelos 
bancos e os títulos de renda fixa emitidos pelos devedores. 
O risco de crédito é afetado pela política de concessão de crédito e gestão de risco e 
eficiência administrativa da instituição. Os juros cobrados nas operações de crédito pelas 
instituições financeiras concedentes devem, em essência, atender a três objetivos: 
 cobrir todas as despesas administrativas e de pessoal alocadas ao crédito; 
 cobrir o risco de crédito determinado pela inadimplência esperada (provisão 
para devedores duvidosos); 
 remunerar os acionistas pelo capital aplicado. 
 
Uma forma de gestão de risco é a diversificação dos ativos de crédito, reduzindo a 
probabilidade de risco de inadimplência da carteira. Uma carteira bem diversificada pode 
reduzir a inadimplência e, em consequência, o seu risco a um nível mínimo presente em todas 
as empresas da economia. 
 
 
O risco de crédito no mercado financeiro é explicado, entre outras, pelas seguintes 
importantes origens: 
 não-pagamento da dívida (default risk) por parte do devedor; 
 transações de instrumentos de crédito nos mercados futuros e de opções; 
 risco legal que envolve o compromisso das partes com a estrutura legal do 
contrato, legislação do país, entre outras; 
 risco de país que deriva principalmente de aspectos regulatórios, políticos e 
econômicos; 
 carteira de crédito com baixa diversificação, elevando o risco pela concentração 
dos contratos em termos de perfil do devedor, setor de atividade ou região. 
 
1.3. Risco de Mercado 
O risco de mercado será relacionado com o preço que o mercado estipula para ativos e 
passivos negociados pelos intermediários financeiros, ou seja, com o comportamento 
verificado no preço de um bem no dia a dia. Este risco exprime quanto pode ser ganho ou 
perdido quando da aplicação em contratos e outros ativos diante de mudanças em seus 
preços de negociação. 
Em outras palavras, o risco de mercado pode ser entendido como as chances de perdas 
de uma instituição financeira decorrentes de comportamentos adversos nos índices de 
inflação, taxas de juros, indicadores de bolsas de valores, preços de commodities etc. 
 
1.4. Risco Operacional 
A gestão de risco pode ser entendida como um processo de medição e controle dos 
riscos presentes nas atividades normais de uma organização. O gerenciamento envolve 
pessoas, sistemas e padrões de controle. 
O risco operacional, por seu lado, é o risco de perdas (diretas ou indiretas) 
determinadas por erros humanos, falhas nos sistemas de informações e computadores, 
fraudes,eventos externos, entre outras. Ou seja, é a perda estimada caso a gestão de riscos 
não atinja seu objetivo de evitar perdas. No contexto de atuação de um banco, o risco 
operacional pode se originar de três segmentos: pessoas, processos e tecnologia. 
A atuação de pessoas é crítica na gestão dos bancos, podendo representar, em muitos 
casos, a variável mais relevante de risco. Erros e fraudes são oriundos de transações e decisões 
envolvendo pessoas, muitas vezes influenciadas por pressões administrativas, fixação de metas 
 
 
ousadas, manuseio de grande quantidade de dinheiro etc. Esses erros são, geralmente, 
minimizados por meio de um sistema mais rígido de controles internos. 
Além dos erros e fraudes de funcionários, é considerado ainda no estudo o risco de 
capacitação das pessoas, cuja origem pode ser atribuída a falhas no processo de seleção e 
recrutamento e também a deficiências na política de treinamento interno. 
Ao mesmo tempo em que a inovação tecnológica trouxe ganhos aos bancos, 
principalmente os ganhos de escala e escopo, essa evolução trouxe também um risco 
verificado sempre que deixa de funcionar adequadamente. 
As transações dos bancos, envolvendo compra e venda de dinheiro, são geralmente 
feitas por sistemas eletrônicos de forma on-line. Normalmente, esses sistemas funcionam com 
eficiência; porém, podem ocorrer falhas ou erros nas transmissões, deixando de registrar 
mensagens relevantes para o sucesso das operações. Embora essas falhas sejam pouco 
frequentes, quando ocorrem costumam promover fortes turbulências nas instituições e em 
todo o sistema financeiro. 
Uma instituição necessita, como garantia de sua eficiência e identificação de seu risco 
operacional, de um bom sistema eletrônico de controle e acompanhamento de suas 
operações. Os processos devem ser revistos e atualizados de maneira a reduzir as 
possibilidades de falhas. 
Uma área mais recente incorporada ao risco operacional é o risco de mudanças nos 
procedimentos legais e práticas do mercado financeiro. Por exemplo, alterações repentinas 
nas exigências mínimas de garantias para operar com determinado instrumento financeiro 
exigem do investidor uma nem sempre disponível alta liquidez. 
A gestão do risco operacional costuma embutir algumas dificuldades adicionais em sua 
definição. Não é simples um entendimento menos questionável de risco operacional, 
principalmente ao se tentar separar esse tipo de risco financeiro de eventos incertos, 
geralmente, presentes nas atividades de um banco. Por exemplo, uma inadimplência pode ser 
atribuída ao risco padrão esperado do crédito ou a erro humano presente na avaliação da 
concessão do crédito. A desconsideração, ou minimização da importância do risco 
operacional, pode determinar perdas elevadas às instituições financeiras. 
 
1.5. Risco de Câmbio 
Ao operar com investimentos no exterior, a instituição financeira expõe-se, além de 
outros riscos (taxas de juros, crédito etc.), também ao risco de câmbio. 
Por exemplo, se uma instituição financeira no exterior utilizar seus recursos próprios 
para adquirir títulos da dívida brasileira no mercado, irá incorrer em quatro tipos de riscos 
financeiros: 
 
 
 Risco de variação das taxas de juros. 
 Risco de crédito. 
 Risco de câmbio. 
 Risco soberano. 
 
O risco de câmbio surge quando uma instituição que tenha aplicado no exterior, por 
exemplo, verifica a tendência de a moeda desse país se desvalorizar em relação à moeda de 
sua economia, determinando um retorno menor na operação. Este risco pode também ser 
chamado de risco de variação cambial. 
A possibilidade de desvalorizações cambiais em países emergentes, como o Brasil, tem 
gerado grandes preocupações nos investidores. Por exemplo, uma depreciação do real em 
relação ao dólar promove o ingresso de menos dólares ao aplicador e maior desembolso ao 
devedor em dólar. 
Pode-se entender ainda o risco cambial pelo descasamento de posições em moedas 
estrangeiras de ativos e passivos de uma instituição financeira. 
Uma instituição financeira apresenta uma posição ativa líquida quando possui mais 
ativos expressos em determinada moeda que passivos (obrigações). A diferença é coberta por 
recursos em outra unidade monetária. Por outro lado, quando a instituição possuir mais 
passivos que ativos referenciados em determinada moeda, diz-se apresentar uma posição 
passiva líquida. 
Para se proteger desse risco, a instituição financeira deve procurar trabalhar com ativos 
e passivos expressos em mesma moeda. O descasamento de moeda de ativos e passivos 
sugere um risco cambial, da mesma forma que o descasamento de prazo expõe um banco ao 
risco de variação de taxas de juros. 
 
1.6. Risco Soberano 
Ao operar em outros países, uma instituição financeira se expõe também ao 
denominado risco soberano, determinado principalmente por restrições que o país estrangeiro 
pode impor aos fluxos de pagamentos externos. Essas restrições podem ocorrer em termos de 
volume máximo de pagamento, tipo de moeda ou, até mesmo, da decretação de moratória de 
dívidas. 
O risco soberano pode ainda ser entendido como um tipo de risco de crédito. A 
decisão de um governo em declarar unilateralmente a suspensão de qualquer pagamento de 
dívida em moeda estrangeira e credores externos é uma explicação clara de risco soberano. 
Nesse caso, para agravar mais a situação, percebe-se que há tribunais internacionais 
 
 
competentes para julgar pedidos de falência de qualquer nação do mundo. Os recursos dos 
credores para acionar um governo devedor são bastante limitados. 
Dessa forma, nas operações com países estrangeiros, deve ser avaliado, além do risco 
de crédito do tomador de recursos, o risco soberano do país no qual se situa o devedor. A 
qualidade dos dois riscos deve ser boa para a operação ser aprovada. 
A taxa de juros dessa decisão deve conter um prêmio pelo risco do tomador e também 
um prêmio pelo risco soberano. Mesmo que o tomador tenha o crédito aprovado, a operação 
pode não se realizar se o risco soberano for elevado. 
 
1.7. Risco de Liquidez 
O risco de liquidez está relacionado com a disponibilidade imediata de caixa diante de 
demandas por parte dos depositantes e aplicadores (titulares de passivos) de uma instituição 
financeira. Quando os recursos de caixa disponíveis de um banco são minimizados por não 
produzirem retornos de juros, o risco de liquidez aumenta pela possibilidade de retiradas 
imprevistas dos depositantes do banco. Nesses casos, deve a instituição ter a flexibilidade de 
poder captar recursos adicionais no mercado sempre que essas retiradas se verificarem. 
Por outro lado, diante de instabilidade de mercado ou mesmo de uma avaliação 
negativa da própria instituição, podem ocorrer solicitações de saques em montante superior 
ao normal, deflagrando uma efetiva crise de liquidez no banco. Nesses casos, o custo de 
captação dos bancos para cobrir essas retiradas imprevistas eleva-se e, ao mesmo tempo, há 
uma natural retração de oferta de fundos aos bancos. Essa situação descreve uma crise de 
liquidez ainda mais grave, obrigando a instituição a vender seus ativos, geralmente a preços 
mais baixos, para lastrear as retiradas exigidas pelos titulares de passivos. 
O extremo dessa crise de liquidez verifica-se quando todos os titulares de passivos 
passarem também a solicitar, ao caixa da instituição, a retirada de seus fundos aplicados, 
podendo levar o banco à falência. 
 
1.8. Risco Legal 
O risco legal vincula-se tanto à falta de uma legislação mais atualizada e eficiente com 
relação ao mercado financeiro como a um eventual nível de desconhecimentos jurídico na 
realização dos negócios. 
Um outro aspecto inerenteao risco legal é a falta de padronização jurídica e termos nos 
contratos financeiros elaborados em diferentes países, dificultando as transações 
internacionais. 
 
 
 
2. Compliance e Risco de Compliance 
 
Compliance pode ser entendido como estar em conformidade com as normas e 
procedimentos legais impostos às instituições. Significa atender ao que for determinado por 
leis e cumprir regulamentos internos e externos de responsabilidade da instituição. 
Diz-se que uma instituição está em compliance quando tem como objetivo principal o 
cumprimento das leis e decide ainda implantar procedimentos que assegurem o atendimento 
das normas aplicáveis em geral. 
Os riscos de compliance são representados pelas sanções legais ou regulatórias 
possíveis de serem aplicadas a uma instituição diante de alguma falha no cumprimento da 
aplicação de leis, regulamentos e código de conduta. 
O compliance complementa a função de auditoria interna em uma organização, 
estabelecendo um trabalho em conjunto. Para certificação do cumprimento das normas, 
regulamentações e processos de uma organização, a auditoria desempenha uma atividade 
independente, de consultoria, trabalhando de forma aleatória e utilizando técnicas estatísticas 
de amostragem. 
O compliance, por seu lado, executa seu trabalho de forma permanente, apresentando-
se como responsável pela certificação de que as diversas áreas da empresa estejam atendendo 
a todas as regras e normas aplicáveis. 
Os principais benefícios da função de compliance em uma organização podem ser 
resumidos: 
 evita o descumprimento de leis e normas e de suas consequências punitivas; 
 protege a imagem da empresa perante o mercado, colaborando para a 
formação de seu caráter ético; 
 colabora na formação de uma cultura de controle interno e cumprimento dos 
regulamentos aplicáveis a cada unidade; 
 desenvolve uma relação mais transparente e de atendimento imediato com os 
órgãos reguladores e fiscalizadores; 
 avalia a observância de princípios éticos e normas de conduta. 
 
 
 
 
 
 
3. Governança Corporativa e os Comitês de Auditoria 
 
As empresas, de uma maneira geral, e em especial as instituições financeiras, então se 
adaptando às novas exigências de mercado de monitoramento de seus valores e padrões de 
comportamento. 
Após os escândalos financeiros, envolvendo grandes e reconhecidas corporações, 
passou a ser uma preocupação dos governos de todo o mundo, o relacionamento entres 
Acionistas, Conselho Fiscal e de Administração, Diretoria e Auditoria das empresas. 
Neste contexto, foram estabelecidas as ideias fundamentais daquilo que se denomina 
de Governança Corporativa. Pode-se entender a Governança Corporativa como a 
preocupação pela transparência da forma como uma empresa deve ser dirigida e controlada e 
sua responsabilidade nas questões que envolvem toda a sociedade. 
Em outras palavras, a Governança Corporativa é a criação dos Comitês direcionados a 
controlar as diversas áreas da empresa. Uma dessas áreas selecionadas é a Auditoria, que 
revela grande importância, pois é responsável pela qualidade das informações econômico-
financeiras da sociedade refletidas nos demonstrativos contábeis. 
Nos Estados Unidos, todas as empresas de capital aberto são obrigadas a manterem 
um Comitê de Auditoria com o intuito de atribuir maior transparência aos acionistas das 
companhias em suas operações e a aprimorar os trabalhos de seus Conselhos. 
No Brasil, a legislação dispõe da obrigatoriedade de constituição de Comitês de 
Auditorias somente para Instituições Financeiras (resolução do Banco Central). 
Apesar dessa não obrigatoriedade de criação de Comitês de Auditorias para empresas 
não financeiras, a Comissão de Valores Mobiliários e o Instituto Brasileiro de Governança 
Corporativa (IBGC) vêm, através de documentos próprios, destacando a sua importância para 
as companhias brasileiras, e recomendando fortemente a sua criação. 
A função básica do Comitê de Auditoria é a de supervisionar e controlar a 
Contabilidade, os procedimentos de elaboração das demonstrações contábeis e a auditoria 
efetuada, tendo sempre por objetivo a transparência das informações e os atos da 
administração. 
Os Comitês de Auditoria são compostos por membros dos Conselhos de Administração 
e por profissionais com vivência em Finanças e Contabilidade contratados no mercado, sendo 
sua competência e responsabilidade (exceto para instituições financeiras) determinadas pela 
própria companhia, através de seus estatutos sociais ou por regulamento preparado pelo 
Conselho de Administração. 
 
 
Os Comitês de Auditoria têm dado maior segurança aos acionistas, garantindo que os 
reflexos das decisões empresariais estejam corretamente refletidos nas demonstrações 
contábeis. 
 
 
4. Lei Sarbanes Oxley (SOX) 
 
A lei conhecida por Sarbanes-Oxley (SOX), editada em 2002 pelo Congresso dos 
Estados Unidos, veio como uma resposta do governo aos diversos escândalos empresariais 
ocorridos (como a falência de grandes companhias como a Enron e WorldCom em 2000) que 
atingiram a credibilidade dos mercados financeiros em todo o mundo. 
A insolvência dessas empresas é grave para a economia dos EUA, principalmente pelo 
fundamento do mercado acionário que se apoia na cultura de companhias abertas com ações 
negociadas livremente em bolsas de valores. 
O mercado acionário capta imensos volumes de recursos que financiam o crescimento 
da economia e, ao mesmo tempo, se apresenta como uma importante alternativa de aplicação 
das poupanças das famílias norte-americanas. 
A quebra de grandes empresas ocorrida abalou a credibilidade dos valores de mercado 
em todo o mundo, e a Sarbanes Oxley foi um esforço no sentindo de recuperar a confiança 
dos investidores. 
A lei torna as boas práticas de governança corporativa e os bons princípios éticos 
obrigatórios, visando garantir ao mercado maior transparência aos resultados das empresas. A 
Sarbanes Oxley atinge todas as companhias dos EUA e, a partir de 2005, também todas as 
companhias estrangeiras com ações negociadas no mercado financeiro norte-americano. 
A rigidez da legislação determinou a necessidade de muitas companhias em 
reavaliarem suas estruturas para adotarem as novas regras estabelecidas. Além da exigência 
de maior transparência contábil, as companhias foram pressionadas a adotarem estratégias 
competitivas de criação de valor e maior crescimento e participação de mercado. 
A Sarbanes Oxley agrupa diversas medidas visando à criação e aperfeiçoamento dos 
controles internos, administrativos, de auditoria e de risco das empresas. É objetivo principal 
da SOX, com esses procedimentos, inibir toda e qualquer prática lesiva aos interesses dos 
acionistas, como expô-los a riscos mais elevados. Em essência, a lei impõe maiores 
responsabilidades aos executivos das empresas, introduz práticas mais exigentes de auditoria, 
contabilidade e governança corporativa, institui punições severas contra fraudes corporativas e 
dispensa maior autonomia ao segmento de auditoria. 
 
 
A SOX no Brasil se aplica às companhias que tenham ações (e outros valores 
mobiliários) negociadas no mercado de capitais dos EUA. Apesar de inicialmente restrita aos 
EUA, a lei Sarbanes Oxley atende aos interesses de todas as economias, prevendo-se sua 
ampla adoção pelos mercados de capitais globais. 
 
 
5. Acordo de Basileia 
 
O Acordo de Basileia foi originalmente assinado em 1988 pelos dez maiores bancos 
centrais do mundo e previa forte adequação do capital dos bancos em todo o mundo ao novo 
ambiente dos mercados financeiros. Apesar do documento firmado ser apenas um tratado de 
intenções aos bancos centrais,signatários desse documento conseguiram transformar em leis, 
em seus respectivos países, as recomendações firmadas. 
A preocupação maior que norteou o Acordo de Basiléia, ao propor um ajuste no 
capital próprio dos bancos na proporção de suas aplicações, era de privilegiar a solvência das 
instituições financeiras e a estabilidade do sistema financeiro internacional. Outro objetivo 
perseguido por esse acordo era o de criar referências comparativas internacionais. Por 
exemplo, instituições de um país operavam com forte alavancagem (alta participação de 
capital de terceiros), enquanto as de outro país mantinham elevada participação de capital 
próprio, induzindo a um desnivelamento competitivo entre as instituições. 
 
 
 
 
 
Com o objetivo de você ampliar os conhecimentos e entrar no mundo fascinante da 
pesquisa “viaje” pelos seguintes sites: 
http://www.portaldoinvestidor.gov.br/ 
No site “Portal do Investidor”, você encontrará muitas coisas interessantes, tais como: 
desafios, vídeos com especialistas, histórias interativas e histórias em quadrinhos sobre a 
Estrutura e o Funcionamento do Sistema Financeiro Nacional. Vale ressaltar que, além dessas 
ferramentas dinâmicas e curiosas, você terá acesso a trabalhos acadêmicos, as principais 
legislações sobre o mercado financeiro, as dicas para os investidores, um guia fácil e didático 
para entender toda a terminologia utilizada no mercado financeiro e muito mais. 
http://www.cvm.gov.br/ 
No site da “Comissão de Valores Mobiliários – CVM”, você encontrará todas as 
informações sobre as empresas brasileiras que possuem capital aberto. Assim, como a 
legislação atualizada sobre a abertura e a regulamentação de capital no Brasil. Também, será 
possível acessar todas as normas e procedimentos de contabilidade e auditoria que regem as 
companhias com capital aberto (Sociedades Anônimas S.A’s) emanadas por esse órgão. 
http://www.bmfbovespa.com.br/home.aspx?idioma=pt-br 
No site da “Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA”, você terá acesso a um 
conteúdo didático e fascinante para iniciantes no Mercado de Ações e de Mercadorias e 
Futuros. Não deixe de ler esse material! Você também terá acesso a informações 
atualizadas do mercado de ações e das empresas que dele participam. Além disso, você 
poderá se inscrever em seminários, palestras e cursos gratuitos. Portanto, fique atento! Tudo 
isso pode contribuir muito para o seu desenvolvimento e crescimento profissional. 
http://www.bacen.gov.br/ 
No site do “Banco Central – BACEN”, você terá acesso a toda a legislação que 
regulamenta o sistema financeiro nacional, aos balancetes de todos os bancos que atuam no 
mercado nacional, a informações sobre câmbio e capitais estrangeiros, a estudos econômicos 
e financeiros sobre as diversas regiões que compõem o nosso país, as metas de inflação, a 
informações sobre intervenções, liquidações e privatizações de instituições financeiras, a 
informações sobre o sistema de pagamentos brasileiro e muito mais. Não deixe de visitar 
esse site! 
 
 
Material Complementar 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
 
 
 
 
 
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