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Anatomia da coluna vertebral e tórax COLUNA VERTEBRAL É uma ligação curva formada por vértebras, unidades funcionais da coluna vertebral. Uma serie de forames passa pelas vertebras, fazendo a articulação entre elas e permitindo a passagem de nervos e vasos. A morfologia da coluna vertebral é influenciada externamente por fatores mecânicos e ambientais, e internamente por fatores genéticos, metabólicos e hormonais. Todos esses fatores afetam na capacidade da coluna em sustentar o tronco, proteger a medula espinal e os nervos espinais e proporcionar fixação para músculos. Tem aproximadamente 70cm em homens e 60cm em mulheres. É formada por 33 segmentos divididos em 5 blocos: cervical (7), torácica (12), lombar (5), sacral (5) e coccígeo (4). Exceto por C1 e C2, todas as vertebras são separadas por um disco intervertebral (constituem ¼ do tamanho total). Curvaturas: surgem de acordo com o desenvolvimento do tônus muscular ao longo do aprendizado da criança. Na vida fetal, ao final da vida embrionária, temos uma curvatura única em formato de C que surge a partir do desenvolvimento dos somitos de mesoderma. As curvaturas que estão presentes no RN são denominadas curvaturas primaras, as que são adquiridas com o tempo são as curvaturas secundarias. PRIMÁRIAS/NEONATAIS: a coluna em neonatos é flexível. Pode-se ver uma ligeira curvatura sacral. A parte torácica da coluna apresenta a curvatura torácica, côncava anteriormente, é denominada de cifose torácica. Além disso, a lordose lombar também já está presente, sendo de extrema importância para a manutenção do equilíbrio. SECUNDÁRIAS: são as curvaturas que surgem com o desenvolvimentos dos músculos principalmente. São elas a lordose cervical e a cifose sacral. As curvaturas sagitais estão presentes nas regiões cervical, torácica, lombar e pélvica (Fig. 42.10). Essas curvas se desenvolveram ao arredondamento do tórax e da pelve como uma adaptação à marcha bípede. A principal patologia a ela associada é a escoliose. Em idosos, os ossos se tornam mais alargados e a coluna reduz de tamanho devido à perda relativa dos corpos das vertebras. Tais alterações são mais comuns em mulheres. SUPRIMENTO VASCULAR E DRENAGEM LINFÁTICA: Todo o suprimento arterial oriunda de ramos dorsais das artérias somáticas, a depender do nível da coluna. Por exemplo, na região lombar ocorre a formação de das artérias intercostais posterior e lombar; nas regiões cervical e sacral, vasos longitudinais emitem ramos espinais à CV. No tórax e abdome, a irrigação arterial vem da aorta descendente. As veias da CV formam plexos ao longo do canal vertebral. Drenagem linfática: em geral os vasos linfáticos tendem a acompanhar as artérias. A CV drena para os linfonodos cervicais profundos, a torácica para os linfonodos aórticos laterais e retroaórticos. A parte pélvica da coluna drena para os linfonodos sacrais internos e ilíacos laterais. VÉRTEBRAS: CARACTERÍSTICAS GERAIS: uma vertebra típica apresenta corpo ventral, arco vertebral, processos semelhantes a alavancas e um forame vertebral ocupado pela medula espinal, meninges e seus vasos. Duas vertebras se unem por discos intervertebrais de fibrocartilagem, formado por um anel fibroso e um núcleo pulposo, esse que por sua vez, se molda ao longo do dia, sendo responsável pela diferença de estatura ao acordar e ao se deitar. As vértebras, juntamente com os discos, são responsáveis por formar o eixo central do corpo, forte e flexível, capaz de sustentar o peso total da cabeça e do tronco. Além disso, ela transmite forças maiores geradas pelos músculos. O corpo vertebral é cilíndrico e varia quanto ao tamanho, forma e proporções nas diferentes divisões da coluna vertebral. É convexo anteriormente e côncavo posteriormente. O arco vertebral fica voltado para a posterior. Tem de cada lado uma parte ventral mais estreita, os pedículos, e uma lamina mais larga na porção dorsal, de onde se projeta o processo espinhoso. A partir das junções dos pedículos com a porção mais dorsal, tem-se a projeção de processos articulares superiores, transversos e inferiores, todos pareados. Os processos espinhosos agem como alavancas para os músculos que controlam a postura e os movimentos ativos (flexão/extensão, flexão lateral e rotação) da coluna vertebral Os processos transversos se projetam lateralmente das junções pediculolaminares como alavancas para músculos e ligamentos, especialmente aqueles envolvidos na rotação e na flexão lateral. Os processos superiores se projetam em sentido craniano, portando facetas dorsais que também podem ter inclinação lateral ou medial, dependendo do nível. Os processos inferiores se voltam caudalmente e têm facetas articulares dirigidas ventralmente, e também têm inclinação medial ou lateral que depende do nível vertebral. O canal vertebral se estende do forame magno ao hiato sacral e acompanha as curvaturas da CV. Os forames intervertebrais são as principais vias de entrada e saída do canal vertebral e estão relacionados de maneira intima com as principais articulações intervertebrais. Algumas vertebras merecem destaque pelo fato de não seguirem o padrão esperado. Vértebras cervicais: normalmente apresentam um corpo vertebral pequeno e relativamente largo. O forame intervertebral é grande e de forma triangular. O processo espinhoso é curto e bífido. C1 = ATLAS: é a primeira vértebra cervical, responsável por sustentar diretamente a cabeça. Não possui um corpo vertebral, visto que esse, durante o desenvolvimento embriológico, se destaca e forma o dente do áxis. Sendo assim, o atlas consiste de dois arcos vertebrais, um anterior e um posterior. Os processos transversos são mais longos que nas outras vertebras cervicais, exceto o de C7. C2 = ÁXIS: é a segunda vertebra cervical. Funciona como um eixo de rotação para o atlas e consequentemente para a cabeça, em torno do processo odontoide (dente), que se projeta em sentido cranial e é extremamente resistente. O processo espinhoso é bífido porém grande. C7: é a vertebra proeminente devido ao longo processo espinhoso que possui, sendo que ele também é espesso. Vértebras torácicas: uma característica marcante dessas vertebras é a presença de fóveas costais laterais em todos os corpos vertebrais e, exceto pelos dois ou três processos mais inferiores, nos processos transversos também podemos vê-las. As fóveas se articular com a cabeça da costela (fóvea costocapitular) e com seu tubérculo (fóvea costotubercular). O forame intervertebral é pequeno e circular. O processo espinhoso se inclina para inferior. T1: a primeira vertebra torácica, se assemelha a uma vertebra cervical em seu corpo. O processo espinhoso é longo e grosso, proeminente como em C7. T9: é típica porem não se articula com a decima costela. T10: só se articula com o decimo par de costelas. As fóveas superiores aparecem unicamente sobre o corpo. Pode ou não existir uma fóvea no processo transverso. T11 e T12: só se articula com o decimo primeiro e decimo segundo pares de costelas, rspectivamente. Os processos espinhosos são triangulares. Vértebras lombares: são de grande tamanho. Não possuem fóveas costais nem forames transversos. O forame intervertebral é triangular e os pedículos curtos. O processo espinhoso é praticamente horizontal, quadrangular e mais espesso ao longo de suas bordas posterior e inferior. Os processos articulares superiores apresentam faces articulares verticais côncavas voltadas posteromedialmente, com um processo mamilar áspero em suas bordas posteriores. O primeiro forame vertebral lombar contém o cone medular, enquanto forames inferiores contem a cauda equina. L5: tem um processo transverso maciço que continua com todo o pedículo e invade o corpo que é geralmente maior e mais profundo anteriormente, contribuindo para o ângulo lombossacral. Sacro: fusão triangular de 5 vertebras que forma a parede posterossuperior da cavidade pélvica. Se localiza entre os ossos do quadril, com os quais se articula lateralmente. Seu ápice se articula com o cóccixe sua base com a L5. Cóccix: pequeno osso triangular, frequentemente assimétrico. Consiste em 3 ou 4 vértebras fusionadas, em que a primeira geralmente encontra-se destacada, podendo chegar a ter 5 vertebras. As vertebras constituem corpos vertebrais rudimentares. Não existem canais nessa porção da coluna vertebral. LIGAMENTOS DA COLUNA VERTEBRAL: dão sustentação para as vértebras. Ligamento longitudinal anterior: faixa resistente que se entende ao longo das superfícies anteriores dos corpos vertebrais. Possui variedade quanto a espessura ao longo da coluna vertebral. Tem várias camadas. As fibras mais superficiais são as mais longas e se estendem sobre três ou quatro vértebras, as intermediárias se estendem entre duas ou três e as mais profundas de um corpo vertebral ao posterior. Lateralmente, fibras curtas ligam vértebras adjacentes. Ligamento longitudinal posterior: se situa na parte posterior das vertebras, no canal vertebral. É fixado ao nível de C2 e superior a ele, encontra-se a membrana tectórica, uma continuação no ligamento, que passa a ser mais membranácea e menos fibrosa. Ligamentos amarelos: ligam lâminas de vértebras adjacentes no canal vertebral. É encontrado na face laterial. Eles interrompem a separação das lâminas na flexão espinal, impedindo uma limitação abrupta, e também auxiliam na restauração à postura ereta após a flexão, protegendo os discos de lesão, preservando as curvaturas normais da coluna vertebral. Ligamentos interespinais: é largo pois se estende da base/raiz de um processo ao ápice de outro. É um ligamento membranoso. A nível cervical, ele continua como ligamento nucal, local de fixação dos músculos que se fixam nos processos espinhosos das vértebras em outros níveis (o Moore coloca o ligamento nucal como uma parte que se funde ao ligamento supraespinal). Ligamentos supraespinal: passa sobre os processos espinhosos, ligando-os. Se estende de C7 até L3 ou L4. Ligamentos intertransversários: passam entre os processos transversos adjacentes. Na região lombar se tornam membranáceos. ARTICULAÇÕES DA COLUNA VERTEBRAL: as articulações são do tipo sínfise entre as vértebras C2 a S1, cuja articulação intervertebral denomina-se disco intervertebral. Apresentam ainda articulações sinoviais entre seus processos articulares e articulações fibrosas ente suas laminas, seus processos transversos e seus processos espinhais. Em cada vertebra encontramos um total de 6 articulações sendo 2 sínfises (um disco intervertebral superior e um inferior ao corpo vertebral) e 4 articulações sinoviais (duas a cima dos processos e duas abaixo). MOVIMENTOS DA COLUNA VERTEBRAL: a amplitude do movimento varia de acordo com a região da coluna e de características genéticas expressas pelo indivíduo, sendo normal uma redução de 50% dessa amplitude em pessoas normais ao longo da vida. Essa amplitude é limitada devido à espessura, elasticidade e compressibilidade dos discos intervertebrais; formato e orientação das articulações dos processos articulares; tensão das capsulas articulares das articulações; resistência muscular e dos ligamentos do dorso; fixação à caixa torácica e volume de tecido adjacente. A coluna vertebral faz movimentos de flexão, extensão, flexão e extensão laterais e rotação ou torção, que são produzidos tanto pelos músculos como pela gravidade e músculos anterolaterais do abdome. A posição ereta é denominada posição neutra. TÓRAX O tórax é a parte superior do tronco. É formado por uma caixa musculoesquelético externa e por uma cavidade interna onde se encontram os órgãos. Se separa inferiormente da cavidade abdominal pelo diafragma. Superiormente se comunica com o pescoço e mmss. As variações nas dimensões do tórax são individuais mas também se relacionam com a idade, sexo e raça. De acordo com o movimento das costelas e do diafragma durante a respiração, o tamanho do tórax é alterado. A abertura superior, entrada estreita do tórax, está inclinada para baixo e para a frente e é formada pelo manúbrio do esterno, 1º par de costelas, articulação costal e posteriormente pela primeira vertebra torácica. Já a abertura inferior, saída larga do tórax, se inclina obliquamente para baixo e para trás e é formada pelo processo xifoide do esterno, cartilagens costais (7º ao 10º par), os dois últimos pares de costelas (falsas) e a decima segunda vertebra torácica. Devido a inclinação das aberturas, a cavidade do tórax é mais profunda na parte posterior. COSTELAS: são 12 pares de arcos elásticos que se articulam com a coluna vertebral e formam a maior parte do esqueleto torácico. Os primeiros sete pares de arcos estão ligados ao esterno por cartilagem costal, sendo por isso denominados de costelas verdadeiras. Os outros 5 pares de costelas se ligam à cartilagem costal do 7º par e são por isso denominadas de costelas falsas. Os dois últimos pares são as chamadas costelas flutuantes visto que são livres em suas extremidades anteriores. Se separam pelos espaços intercostais. Uma costela típica apresenta duas extremidades, anterior e posterior. A extremidade anterior (costal), é a que se liga ao esterno. A extremidade posterior (vertebral), apresenta cabeça, colo e tubérculo. Cabeça: apresenta duas faces articulares que se conectam às fóveas costais. Colo: parte plana abaixo da cabeça Tubérculo: é mais proeminente nas costelas superiores. Se divide em parte articular e não articular O corpo é delgado, plano e curvo, inclinado no ângulo posterior da costela. A superfície interna lisa é marcada pelo sulco da costela, delimitado abaixo pela margem inferior. ARTICULAÇÕES: Articulação manubrioesternal: se encontra entre o manúbrio e o corpo do esterno. É geralmente uma sínfise. Forma o ângulo do esterno. Articulação xifesternal: entre o processo xifoide e o corpo do esterno. É uma sínfise. Articulação costotransversárias: articulação entre o tubérculo e o processo transverso de sua vertebra correspondente. Está ausente nos dois últimos pares de costelas. Articulação esternocostal: entre as cartilagens costais e o esterno na borda lateral do esterno. A primeira articulação esternocostal é uma variedade incomum de sinartrose, e é frequentemente chamada de forma imprecisa de sincondrose. A segunda à sétima cartilagens costais se articulam por articulações sinoviais. Uma fibrocartilagem recobre as superfícies articulares e também une as cartilagens costais e o esterno naquelas articulações onde as cavidades estão ausentes. A sétima articulação esternocostal pode ser sinovial ou “sinfisial” Articulação costocondral: entre a costela e a cartilagem costal Articulação intercondral: aparece da 6º à 9º costela e faz a articulação entre as cartilagens costais. Boxes azuis do Moore: OSTEOPOROSE DO CORPO VERTEBRAL: doença óssea metabólica comum, detectada em exames radiológicos de rotina. É causada pela desmineralização óssea decorrente do comprometimento do equilíbrio normal da deposição e reabsorção do cálcio. Há atrofia do tecido ósseo. As áreas mais afetadas são o colo do fêmur, corpos vertebrais, metacarpos e rádio, ficando esses ossos mais sujeitos a fraturas. LAMINECTOMIA: excisão cirúrgica (corte da pele ao redor de uma lesão) de um ou mais processos espinhosos e das lâminas vertebrais adjacentes de sustentação em uma determinada região da coluna vertebral. LUXAÇÃO DE VERTEBRAS CERVICAIS: as vertebras cervicais se ligam menos fortemente que as outras vertebras, sendo assim, precisam de uma força menor para que sofram luxação ou fratura. Devido ao grande canal vertebral na região cervical, pode haver pequena luxação sem danos à medula espinal. As luxações graves, ou luxações associadas a fraturas (fraturas–luxações) causam lesão da medula espinal. FRATURA E LUXAÇÃO DO ATLAS: o o lado mais alto da massa lateral está voltado lateralmente, forças verticais (como ocorreria no choque contra o fundo da piscina em um acidente de mergulho) que comprimem as massas laterais entre os côndilos occipitais e o áxis causam seu afastamento, fraturando umou ambos os arcos (anterior e posterior). FRATURA E LUXAÇÃO DO ÁXIS: é uma das lesões mais comuns de CV. Em geral, a fratura ocorre na coluna óssea formada pelos processos articulares superiores e inferiores do áxis, a parte interarticular. A lesão pode ser causada pela hiperextensão da cabeça. ESTENOSE VERTEBRAL LOMBAR: estreitamento do forame vertebral em uma ou mais vertebras lombares. COSTELAS CERVICAIS LESÃO DO COCCIX: o deslocamento é comum, e pode ser necessária a retirada cirúrgica do osso fraturado para aliviar a dor. Às vezes, um parto muito difícil causa lesão do cóccix matern. FUSÃO ANORMAL DAS VÉRTEBRAS ANOMALIAS DAS VERTEBRAS: casos de espinha bífida por exemplo. ENVELHECIMENTO DOS DISCOS INTERVERTEBRAIS: desidratação do núcleo pulposo e consequente perda de elastina. Ocorre o ganho de colágeno. Essa redução do núcleo causa redução da estatura (fato que ocorre diariamente) HÉRNIA DO NUCLEO PULPOSO: protrusão do núcleo pulposo para o interior do canal vertebral, podendo ou não atingir a medula espinal. Causa lombalgia como principal sintoma. CURVATURAS ANORMAIS DA COLUNA VERTEBRAL: em algumas pessoas as curvaturas anormais são consequência de anomalias congênitas; em outras, decorrem de processos patológicos. DORSALGIA: dor nas costas. A mais comum é na região lombar (lombalgia). RUPTURA DOS LIGAMENTOS