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Alice Araújo. ANATOMIA COLUNA VERTEBRAL O conjunto das vértebras e dos discos intervertebrais forma a coluna vertebral > estende-se do crânio até o ápice do cóccix, e é sustentada por numerosos músculos ligados a fortes alavancas (processos transversos e espinhosos). · Protegem a medula espinal e seus nervos; · Auxiliam na manutenção da postura do corpo; · Sustentam o peso da cabeça, pescoço e tronco Vértebras No adulto há 33 vértebras organizadas em regiões: 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais (fundidas > sacro) e 4 coccígeas (após 30 anos formam o sacro) > ângulo lombossacral. As vértebras tornam-se maiores gradualmente, à medida que a coluna vertebral desce até o sacro e, a partir daí, tornam-se progressivamente menores em direção ao ápice do cóccix. OBS: esse aumento de tamanho está relacionado ao fato de as vértebras sucessivas suportarem cada vez mais peso > cíngulo do MI A coluna vertebral é flexível porque é formada por ossos pequenos separados por discos intervertebrais resilientes. As vértebras também se articulam nas articulações dos processos articulares (zigapofisárias) que facilitam a movimentação da coluna vertebral. Vértebra geral O corpo vertebral é a parte anterior do osso, cilíndrica que confere resistência à coluna vertebral e sustenta o peso do corpo > aumenta á medida que desce a coluna. É formado por osso esponjoso/trabecular (trabéculas altas entrecruzadas com trabéculas curtas) vascularizado, revestido por uma camada fina de osso compacto > margem epifisal derivada da epífise anular. O espaço entre as trabéculas está revestido por medula óssea vermelha. As faces superior e inferior são cobertas por discos de cartilagem hialina O arco vertebral está localizado posteriormente ao corpo vertebral e consiste em dois pedículos (liga o corpo vertebral às lâminas) e lâminas (direito e esquerdo) que se unem e formam o processo espinhoso. A sucessão de forames vertebrais forma o canal vertebral que contém a medula espinal e as raízes dos nervos espinais, as meninges, gordura e vasos que os circundam. As incisuras vertebrais são entalhes observados em vistas laterais e, quando articuladas (inferior com superior) formam os forames intervertebrais. Através dos quais os nervos espinais emergem da coluna vertebral, e é o local da raiz dos gânglios sensitivos. · O processo espinhoso mediano projeta-se posteriormente e, em geral, inferiormente. · Os dois processos transversos projetam-se posterolateralmente a partir das junções dos pedículos com as lâminas. · Os quatro processos articulares (2 superiores e 2 inferiores) se originam das junções dos pedículos com as lâminas, cada um apresentando uma face articular. Os processos espinhosos e transversos são locais de fixação dos músculos profundos do dorso e servem como alavancas; os processos articulares estão conectados aos processos correspondentes de vértebras adjacentes (superiores e inferiores) > articulações dos processos articulares. Além de ajudar a manter as vértebras alinhadas, evitando o deslizamento anterior de uma vértebra sobre a outra. OBS: a sustentação de peso pelos processos articulares é apenas temporária, em posição fletida, exceto as inferiores da vértebra LV. Características regionais das vértebras A maioria das vértebras tem aspectos característicos que as identificam como pertencentes a uma das 5 regiões. Vértebras cervicais São as menores (sustentam menos peso) e estão localizadas entre o crânio e as vértebras torácicas e propiciam a maior amplitude e variedade de movimento de todas as regiões cervicais. A presença do forame transversário oval no processo transverso, pelo qual passam as artérias vertebrais e as veias acompanhantes, exceto na C VII, onde passam apenas pequenas veias acessórias, por isso são menores/ausentes. Os processos transversais das vértebras cervicais terminam lateralmente em duas projeções: um tubérculo anterior e um tubérculo posterior > dão fixação aos m. levantadores da escápula e escalenos. Entre os tubérculos há o sulco do nervo espinal por onde os ramos anteriores dos nervos espinais cervicais seguem. A vértebra CI/Atlas não possui corpo, nem processo espinhoso; possui um par de massas laterais que ocupam lugar de um corpo, de onde originam-se os processos transversos. É uma vértebra mais larga. As faces articulares superiores côncavas das massas laterais se articulam com duas grandes protuberâncias cranianas, os côndilos occipitais na lateral do forame magno. Os arcos anterior e posterior possuem um tubérculo no centro da sua face externa e formam o anel completo > O arco posterior tem um largo sulco da artéria vertebral em face superior (o nervo CI também segue nesse sulco). A vértebra CII/áxis é a mais forte das vértebras cervicais, possui duas faces planas de sustentação > faces articulares superiores sobre as quais a atlas gira. A característica que distingue a CII é o dente que se projeta do seu corpo para cima situado anteriormente à medula espinal, o qual é mantido na posição contra a face posterior do arco anterior do atlas pelo ligamento transverso do atlas. A CII tem o processo espinhoso bífido. As vértebras CIII a CVI são as vértebras cervicais típicas: · Grandes forames vertebrais para acomodar a intumescência cervical da medula espinal; · A margem súperolateral elevada é o unco do corpo da vértebra; · Processos espinhosos curtos e bífidos > palpados no sulco nucal. OBS: Os tubérculos anteriores da vértebra C VI são chamados de tubérculos caróticos porque as artérias carótidas comuns podem ser comprimidas nesse local. A vértebra CVII é uma vértebra proeminente caracterizada por um processo espinhoso longo > pode ser palpada inferiormente à protuberância occipital externa. Vértebras torácicas Estão localizadas na parte superior do dorso e nelas fixam-se as costelas > fóveas costais. As vértebras TI a TIV tem semelhanças com as vértebras cervicais. A TI tem um processo espinhoso longo, quase horizontal, além de ter uma fóvea costal completa na margem superior de seu corpo para a 1º costela e uma hemifóvea em sua margem inferior que contribui para formar a face articular para a costela II. OBS: As extremidades dos processos espinhosos torácicos situam-se profundamente a um sulco longitudinal mediano. As quatro vértebras intermediárias (TV a TVIII) têm todos os elementos típicos das vértebras torácicas. Os processos articulares estendem-se verticalmente com duas faces articulares que definem um arco cujo centro é o disco intervertebral > permite a rotação e um grau de flexão lateral da coluna vertebral. As vértebras TIX a TIV têm algumas características em comum com as vértebras lombares. A Vértebra TXII apresenta processos mamilares (pequenos tubérculos) e a maior parte da transição nas características torácicas para a região lombar > metade superior características torácicas (fóveas costais e processos articulares) e a metade inferior com características lombares (sem fóveas costais e com processos articulares que permitem apenas flexão e extensão). OBS: devido essas características a vértebra TXII é a vértebra que é fraturada com maior frequência. Vértebra lombar Estão localizadas na região lombar, entre o tórax e o sacro, apresentam corpos vertebrais grandes e processos articulares que se estendem verticalmente, tendo faces articulares em orientação sagital no início, mas passando para uma mais coronal mais inferiormente. Os processos transversos projetam-se um pouco posterior, superior e lateralmente e na face posterior da base de cada processo transverso há um pequeno processo acessório, que permite a fixação dos músculos intertransversários. Na face posterior dos processos articulares superiores há pequenos tubérculos > processos mamilares que permitem a fixação dos músculos multífidos e intertransversários do dorso. A vértebra L V, caracterizada por seu corpo e processos transversos fortes, é a maior de todas as vértebras móveis > sustenta o peso de toda a parte superior do corpo e, devido a sua altura é o principalresponsável pelo ângulo lombossacral entre o eixo longitudinal da região lombar da coluna vertebral e do sacro. OBS: os processos espinhosos das vértebras lombares podem ser palpados no sulco mediano posterior. SACRO É geralmente formado por 5 vértebras sacrais fundidas em adultos, situado entre os ossos do quadril e forma o teto e a parede posterior e superior da metade posterior da cavidade pélvica. O formato triangular resulta da diminuição brusca de tamanho das vértebras sacrais durante o desenvolvimento por não sustentar peso. O sacro garante resistência e estabilidade à pelve e transmite o peso do corpo ao cíngulo do membro inferior. O canal sacral é a continuação do canal vertebral no sacro, contém o feixe das raízes dos nervos espinais originados abaixo da vértebra LI > cauda equina. Apresenta forames sacrais no dorso e na face pélvica para a saída dos ramos posteriores e anteriores dos nervos espinais. OBS: os forames pélvicos são maiores do que os dorsais. A base do sacro é formada pela face superior da vértebra S1, cujos processos articulares superiores articulam-se com os processos articulares inferiores da vértebra LV. A margem projetada anteriormente do corpo da vértebra SI é o promontório da base do sacro > ponto de referência obstétrico. O ápice do sacro tem uma face oval para articulação com o cóccix. OBS: O sacro é inclinado de forma que se articula com a vértebra LV no ângulo lombossacral (130-160º); é mais largo nas mulheres, porém o corpo da vértebra S1 é maior nos homens. A face pélvica do sacro é lisa e côncava e a face dorsal é rugosa, convexa e caracterizada por 5 cristas longitudinais proeminentes > a crista sacral mediana representa os processos espinhosos rudimentares, as cristas mediais representam os processos articulares fundidos e as cristas laterais são as extremidades dos processos transversos fundidas. O hiato sacral resulta da ausência das lâminas e do processo espinhos de SV e leva ao canal sacral. Os cornos sacrais (processos articulares inferiores da vértebra SV). A parte superior da face lateral do sacro é a face auricular e é o local da parte sinovial da articulação sacroilíaca entre o sacro e o ílio recoberta de cartilagem hialina. Cóccix É um pequeno osso triangular geralmente formado pela fusão de 4 vértebras coccígeas rudimentares, é um remanescente do esqueleto da eminência caudal embrionária. OBS: A primeira vértebra coccígea (CoI) pode permanecer separada do grupo fundido e se fundir ao sacro. A face pélvica do cóccix é côncava e relativamente lisa, e a face dorsal tem processos articulares rudimentares. CoI é a mais larga e seus processos transversos curtos estão conectados com o sacro; os processos articulares formam os cornos coccígeos, que se articulam com os cornos sacrais. OBS: o cóccix não participa com as outras vértebras na sustentação do peso do corpo na posição ortostática, porém participa da inserção de partes dos músculos glúteo máximo e isquiococcígeo e do ligamento anococcígeo (a faixa fibrosa dos músculos pubococcígeos). Articulações da coluna vertebral articulações dos corpos vertebrais São sínfises (articulações cartilagíneas) destinadas a sustentação de peso e resistência. Discos vertebrais Os discos vertebrais oferecem fixações fortes entre os corpos vertebrais, unindo-os em uma coluna vertebral semirrígida > 20-25% do comprimento da coluna. Além de possibilitarem o movimento entre as vértebras, sua deformidade elástica permite que absorvam o choque. · Anel fibroso: parte externa de lamelas concêntricas de fibrocartilagem > inserem-se nas margens epifisárias sendo que as fibras seguem obliquamente de uma vértebra a outra e cruzam-se com outras fibras > permitindo rotação limitada. O anel fibroso é mais fino posteriormente, apenas o 1/3 externo recebe inervação sensitiva e a vascularização vai diminuindo progressivamente; · Núcleo pulposo: núcleo central formandos principalmente de água e são responsáveis pela grande flexibilidade e resiliência do disco vertebral. É avascular e nutrido por difusão. Não há disco intervertebral entre as vértebras CI e CII e a espessura dos discos varia conforme a região > aumenta de forma descendente, porém a espessura relativa é maior nas regiões cervical e lombar. articulações uncovertebrais Se desenvolvem entre os uncos dos corpos vertebrais das vértebras > margens lateral e póstero lateral dos discos > possuem cápsula e líquido interposto em uma cavidade. Articulações dos arcos vertebrais. São articulações dos processos articulares ou articulações facetárias > sinoviais planas entre os processos articulares superiores e inferiores de vértebras adjacentes. São revestidas por uma cápsula articular > na região cervical elas são mais finas e frouxas refletindo a grande amplitude de movimento já que atuam permitindo movimentos de deslizamento. Articulações craniovertebrais Atlantooccipitais Entre as faces articulares superiores das massas laterais do atlas e os côndilos occipitais > permitem acenar com a cabeça (flexão e extensão, e rotação), assim com a inclinação lateral. São articulações sinoviais elipsóideas. Atlantoaxiais Duas articulações atlantoaxiais laterais e uma articulação atlantoaxial mediana > o movimento das três articulações permite que a cabeça gire de um lado para o outro. Durante a rotação o dente do áxis é o eixo, que é mantido na cavidade formado pelo arco anterior do atlas e posteriormente pelo ligamento transverso do atlas. ligamentos ligamento longitudinal anterior Faixa fibrosa forte e larga que cobre e une as faces anterolaterais dos corpos vertebrais e discos intervertebrais > estende-se da face pélvica do sacro até o tubérculo anterior da vértebra CI. Esse ligamento impede a hiperextensão da coluna, mantendo a estabilidade das articulações entre os corpos vertebrais. ligamento longitudinal posterior Faixa muito mais estreita e um pouco mais fraca do que o LLA, segue dentro do canal vertebral ao longo da face posterior dos corpos vertebrais Esse ligamento resiste pouco a hiperflexão e ajuda a evitar ou redirecionar herniação posterior do núcleo pulposo e é bem suprido por terminações nociceptivas. ligamentos amarelos As lâminas de arcos vertebrais adjacentes são muito unidas por faixas largas de tecido elásticos. Ajudam a preservar as curvaturas normais da coluna e auxiliam a extensão da coluna após a flexão. OBS: os processos espinhosos adjacentes são unidos por ligamentos interespinais, e os supraespinais os ligam desde de o sacro até o processo espinhoso de CVII onde se fundem com o ligamento nucal. Assim como os ligamentos intertransversários unem os processos transversos adjacentes. musculatura Há dois grupos principais de músculos do dorso > os extrínsecos que incluem os superficiais e intermediários, que produzem e controlam os movimentos dos membros e respiratórios e os músculos próprios do dorso (intrínsecos e profundos) que atuam sobre a coluna vertebral, produzindo movimentos e mantendo a postura. músculos próprios do dorso Se estendem da pelve até o crânio e fixados ao ligamento nucal (medialmente). camada superficial · Músculos esplênios: espessos e planos, situam-se nas faces lateral e posterior do pescoço > revestem e mantém os músculos profundos do pescoço em posição. camada intermediária Os fortes músculos eretores da espinha situam-se em um “sulco” de cada lado da coluna vertebral entre os processos espinhosos centralmente e os ângulos das costelas lateralmente. O músculo eretor da espinha é o principal extensor da coluna vertebral e é dividido em três colunas: o músculo iliocostal forma a coluna lateral, o músculo longuíssimo forma a coluna intermediária e o músculo espinal, a coluna medial. Os músculos eretores da espinha frequentemente são denominados “músculos longos” do dorso. Em geral, são músculos dinâmicos (geradores de movimento), que atuam bilateralmente para estender (retificar) o tronco fletido. camada profunda Profundamente ao músculo eretor da espinha há um grupo oblíquo de músculos muitomais curtos, o grupo de músculos transverso espinais, que compreende os músculos semiespinais, multífidos e rotadores > o “sulco” entre os processos transversos e espinhosos